6 de abril de 2011

No Amor e na Guerra by Miss Félix

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No Amor e na guerra







Capítulo 1

Pov


Com muita relutância consegui autorização dos meus pais para me encontrar com algumas amigas do curso de enfermagem – que aliás foi outra luta para mim, infelizmente as enfermeiras não tem boa fama e eu como uma jovem herdeira de uma família de classe média alta não poderia nem pisar na mesma calçada que uma enfermeira correndo o risco de ser difamada pela sociedade. Nos encontramos em uma lanchonete e para a minha total infelicidade, apenas três garotas compareceram.

Ane, Diana e Caroline logo foram embora me deixando sozinha, já estava irritada por ter que regressar para casa tão cedo e ainda por cima sozinha.

Comprei ao sorveteiro um maravilhoso sorvete sabor chocolate e fui embora caminhando e de longe vi vários garotos brincando. Um em especial me chamou a atenção. Ele era alto, com seus mais de um e oitenta, de certo, seus cabelos castanhos claros totalmente desalinhados...ele tinha um porte atlético e um ar de quem era de classe alta apesar de andar com alguns jovens de aparência mais humilde.

Fui andando para mais próximo deles afim de ouvir o que conversavam mais minha curiosidade não impediu o sorvete de derreter e começar a pingar escorrendo entre meus dedos, então voltei minha atenção a ele enquanto caminhava...só não tinha noção que estava tão próximo “dele” a ponto de nos esbarrarmos e todo o sorvete manchar meu lindo vestido novo.

Grunhi alto em protesto apenas olhando o estrago em meu vestido e libertei todo o meu vocabulário impróprio para uma senhorita de família respeitável como a que eu pertencia.

-Seu...não olha por onde anda? – reclamei mesmo sabendo que a culpa era mais minha do que dele.

Ele logo jogou seu charme e uma conversinha para cima de mim, por dentro eu estava adorando mais não podia deixar transparecer. Mas aquele sotaque...suspirei internamente.

-Argh! Bem que eu não devia ter saído de casa...sabia que algo não iria dar certo! Primeiro não me diverti o suficiente e por fim ainda encontro um fanfarrão britânico metido que destruiu meu vestido novinho! – era a minha deixa.

-Se este é o caso senhorita permita-me corrigir meu erro em um encontro com a senhorita amanhã. Você decide onde e que horas. Só assim minh´alma descansará em paz um dia. – ele se curvou graciosamente.

Me fiz de durona e saí rebolando mais que o necessário.

-Ei moça! Não poderei nem ao menos saber seu nome? – gritou.

Parei em meio ao caminho e me virei para encará-lo.

- Me chamo . Não que seja da sua conta! – e sorri com meu sorriso mais sincero.


Pov Edward

Era uma quente noite de verão e eu estava com meus amigos no parque de diversões que havia chegado a pouco na cidade.

-Hey yankee, vem até aqui. – O Mark não perdia este maldito jeito de me chamar. – Mostre para nós americanos como vocês ingleses são bons com pontaria!

Eu estava flertando com uma jovem americana que estava acompanhada de sua fiel amiga. Joguei o cigarro no chão e o pisei. Me despedi das garotas e fui ao encontro de Mark e dos nossos amigos.

-Aqui senhor, – Mark disse entregando algumas moedas ao dono da banca – entregue um rifle deste ao meu amigo inglês e ele nos mostrará quão bom ele é. Vamos lá Edward não envergonhe sua rainha!

-“Oh Deus salve a rainha” – zombaram os rapazes.

-Garanto-lhes meus caros americanos que nós ingleses somos melhores que vocês e os franceses juntos!

-Então prove yankee! – estimulou Antony.

Peguei o rifle acertei o alvo cinco de cinco chances concedidas .

-Oh ele é bom! – festejou o meu amigo que por infeliz coincidência também se chama Edward.

Virei o rifle para os meus amigos e fingi atirar, Antony, Mark, Edward e o Damon entraram na brincadeira, uns caiam e fingiam agonizar outros cambaleavam tentando tirar a arma de minha mãos.

Puxei a arma com toda força que pude contra meu peito enquanto Damon tentava tomá-la de mim a qualquer custo.

Nesse momento ouvi um grito feminino e depois um palavreado nada adequado para uma jovem. A olhei bem atrás de mim com seu sorvete totalmente desperdiçado em seu vestido.

-Seu...- ela fazia força para achar uma palavra que me ofendesse e não a tornasse um escárnio de sua própria cultura, podia apostar nisso. – não olha por onde anda?

-Desculpe-me senhorita, devo avisá-la que a culpa não foi só minha. Garanto que se a senhorita estivesse prestando atenção ao seu redor e não apenas no seu refrescante sorvete teria notado que estava caminhando pelo lado errado da via, portanto, não teríamos nos esbarrado.

-Argh! Bem que eu não devia ter saído de casa...sabia que algo não iria dar certo! Primeiro que não me diverti o suficiente e por fim ainda encontro um fanfarrão britânico metido que destruiu meu vestido novinho! – Ela choramingou e até fazendo biquinho e manha por causa de um encontrão não planejado.(que eu trataria de provocar se ele não tivesse ocorrido naturalmente, claro). Ela era inacreditavelmente linda. Eu soube naquele momento que meus sonhos e aspirações não estavam errados, eu devia sim ter desobedecido meus pais e fugido para a América para viver o sonho americano.

-Se este é o caso senhorita, permita-me corrigir meu erro em um encontro com a senhorita amanhã, você decide onde e de que horas. Só assim minh´alma descansará em paz um dia. – me curvei.

-Bobalhão!

Ela saiu como uma leveza digna de uma nobre, quase como uma rainha...se não fosse o rebolar de seu quadril perfeitamente acentuado naquele vestido branco.

-Ei moça! Não poderei nem ao menos saber seu nome? – gritei.

Ela parou subitamente e meus amigos começaram a murmurar algo como “se deu mal yankee”

-Me chamo . Não que seja da sua conta! – E sorriu indo embora, soube naquele momento que eu já a havia conquistado, seu sorriso denunciou tudo.

-Ah garanhão! E o yankee conquista mais uma! – Antony brincou bagunçando meu cabelo desalinhado.

-Lembrem do dia de hoje meus caros americanos. 1º de julho de mil novecentos e trinta e nove: O dia em que eu conheci a mulher da minha vida!



Capítulo 2

Pov

Voltei pisando em nuvens enquanto voltava para minha casa, cantarolando baixinho uma canção qualquer que ouvi no Tennesse.

Peguei um carro de aluguel com a certeza de que o outro dia seria promissor. Aquele rapaz havia mexido comigo. Sei que devo tomar cuidado com estranhos...mas ele não trespassa mau caratismo e tem aqueles olhos verdes...aquele sotaque em uma voz tão firme...uma postura tão elegante…

Era impossível não sorrir ao lembrar de seus galanteios; ele era com certeza muito charmoso como qualquer lorde inglês.

-Já em casa filha? Nem são 20:00 p.m! – Papai disse-me à entrada de nossa casa.

Paguei o aluguel conforme combinado e corri ao encontro dele.

-Ah papai nem deu para minhas amigas ficarem...é uma pena, nem me diverti! Gostaria de ter ido na roda gigante mas só pude ficar na lanchonete. Tomei apenas um sorvete e voltei. – Fiz manha. Sabia que ele iria insistir para que eu voltasse depois e com certeza seria amanhã mesmo no que depender de mim.

-Oh é uma lástima minha querida.

-Sim é papai.

-Então por que você não volta lá depois de amanhã? Vá com sua prima Susy, ela irá adorar! – Falou meu pai todo cheio de afeto.

-Se o senhor não se importar...gostaria de ir amanhã mesmo, pois há rumores que eles irão embora no domingo.

-Claro que não, pode ir.

-Te amo papai.

-Também te amo princesinha.

Entramos e demos de cara com mamãe ouvindo rádio. As cortinas bem abertas, a sala bem iluminada e a melodia do jazz tomando conta do ambiente.

-Dança comigo querida? – Papai estendeu a mão para minha mãe.

-Sim mamãe, aceite. Dance com ele!

Corri para me sentar em uma cadeira enquanto eles arriscavam alguns passos mais ousados. Eu adorava ver meus pais dançando e se divertindo...queria viver em um lar assim, cheio de amor e alegria quando me casasse.

Mas espere um momento! Por que eu já estou pensando em me casar?

Obriguei minha inquietação se manter comportada e me obriguei a levantar e sacudir os ossos dançando ao redor dos meus pais.

Nunca, em meus 18 anos recém completados fui tão leve.

[...]

Custei a dormir naquela noite, minha mente estava no misterioso, charmoso e galante inglês. Precisava vê-lo.


Pov Edward

Depois de alguns goles de malte, resolvemos que era hora de irmos. Brincadeiras à parte sobre a minha doce e irritadiça , resolvi manter meus pensamentos apenas para mim.

Dormíamos em um albergue mais afastado do centro, era mais em conta e tínhamos uma visão privilegiada da baía.

Chamar aquele lugar de albergue era honroso da minha parte, aquilo mais estava para um cortiço.

Corri para fila do banho, pendurei minha roupas sujas no cabide, peguei pente, shampoo, loção para barba, lâminas e me enrolei numa toalha de algodão 1.500 fios bordado à ouro.

-Nossa, yankee! Você está escondendo o jogo, homem. Que toalha felpuda e...- Antony parecia perplexo, luxo e riqueza não faziam parte de seu mundo. – Fala, confessa que você é rico e se finge de pobre!

-Eu não sou! – Disse mentindo muito mal enquanto ria de sua incredulidade e desconfiança.

-Sou Edward Cullen Mansen, inglês, pobre, sem eira e nem beira, trabalho na madeireira Saint Ana com outros pé rapados como eu. Fim de história.

Antes que alguém contestasse entrei para o meu banho.

E foi apenas deixar a água rolar pelo meu corpo para meus músculos relaxarem por completo, mesmo a água sendo fria – digo, muito fria – eu relaxei e apenas um nome me veio a cabeça. .

[...]

Não foi fácil pregar os olhos a noite inteira e quando o fiz, sonhei. Sonhei que estava no parque e me acompanhava com um lindo e florido vestido de verão, havia música e alegria em todas as partes.

Estávamos no ponto mais alto da roda gigante, disfarçadamente coloquei meu braço ao redor de seus ombros para logo em seguida no olharmos com vontade de nos entregar em um beijo. Fui chegando mais perto e mais perto...

-Acorda homem! Sua rainha já está de pé! Já são 04:00 a.m! – Alguém me acordou do meu maravilhoso sonho justo quando ia sentir o sabor do beijo da adorável .

-Já vou! – Disse ranzinza.

Me levantei contrariado, tomei meu café da manhã coletivamente e fomos enfim para o trabalho.

Estava abismado com as diferenças das classes sociais. Se me perguntassem há uns anos atrás se eu me importava com tais diferenças chamaria de louco quem me questionou, hoje no entanto, cansado de uma vida confortável e cheia de “sim sir” ou “não sir”, nunca de fato importando os sentimentos e os sonhos, apenas o que a aristocracia pede e a sociedade manda, resolvi colocar as mãos e o suor do meu trabalho para fazer valer a vida.

-Edward, precisamos de você no setor dois. – Disse a voz do dono da madeireira.

-Certo sir. – Disse em resposta e saí na sua sombra.

- Edward, quando você me pediu emprego há três semanas atrás disse-me que dominava o idioma francês e o alemão, certo? – Questionou o senhor Collin.

-Certo. Precisa de ajuda em algum idioma? – Perguntei.

Paramos em um campo aberto na área externa da madeireira, denominado setor dois, haviam mais dois campos aberto como aquele em toda a extensão do lugar onde as grandes toras de madeira ficavam a espera de serem levados para aprimoramento.

Lá haviam umas enormes caixas de madeira trazidas do porto.

-Comprei estas máquinas na Europa Edward, espero que possa traduzir as instruções e até montar as peças. Se precisar de ajuda selecione dois ou três amigos seus para montar todo o equipamento. Tem um mês.

-Considere feito.

Este homem só podia ser louco! Como em um mês vou conseguir montar esta máquina e suas peças e engrenagens se nem mecânico sou?!
Pedi para Mark me ajudar de início, mas era sábado e eu precisava rever . E não demorou muito para organizar todas as coisas do trabalho e ansiar que a noite chegasse logo.

-Para onde vai Yankee? – Damon.

-Por aí! – Respondi saindo do albergue.

Fui caminhando até o parque. Não era longe dali, então coloquei no rosto o meu melhor sorriso e fui andando. Acenei e cumprimentei a todos pelo caminho, como manda minha educação britânica.

Uma coisa dentro de mim estava me deixando nas nuvens. Alguma coisa boa estava para acontecer, talvez seja só o fato de ter esperança de encontrá-la novamente. Ela era única. Inexplicavelmente única.

Não sabia como encontrá-la novamente, não sabia se minha iria estar lá , mesmo assim precisava tentar, precisava ver aquele sorriso, precisava ver como reagia ao estar irritada, precisava provocá-la...

Andei de uma lado a outro mas meus pés me mandavam para a roda gigante. Passei uma hora olhando para um lado e para o outro esperando ela surgir, afinal este brinquedo é o preferido das senhoritas.

Já desanimado e sem esperanças de que a linda dondoquinha fosse aparecer resolvi não perder a noite. Fui até a mesma barraca de tiro ao alvo e perdi um bom tempo acertando e errando tiros nos patinhos que giravam para lá e para cá.

Estava a um tiro de ganhar o prêmio máximo quando uma voz me tirou a concentração me fazendo errar.

-Merde! – Resmunguei.

-Olha quem eu encontro! Espero que não me faça perder outro vestido com manchas de chocolate senhor.

Era ela! Sabia que nos encontraríamos aqui novamente.

-Senhorita não vamos perder tempo falando de algo que eu não tenho plena culpa. Se me permite comentar, a senhorita também tem culpa. Além do mais a senhorita me fez perder o último tiro.

-Oh senhor, não fique bravo! Te pago mais uma rodada para enfim estarmos quites um com o outro. O que acha? – Disse me olhando com um lindo sorriso angelical nos lábios.

-Não permitirei que uma jovem e bela senhorita arque com meu divertimento. Eu sou o cavalheiro e eu deveria pagar para a senhorita...um milk shake talvez? – Ofereci.

-Hum...- Ela transformou seu lindo rosto em uma falsa interrogação. – Não sei se devo senhor, não nos conhecemos e não fica bem uma senhorita aceitar coisas de estranhos.

Devolvi o rifle e me curvei para a adorável jovem.

-Mil perdões senhorita. Me chamo Edward Cullen Mansen. – Me levantei e ela sorria olhando de um lado a outro como se estivesse preocupada em alguém ver aquilo. Sorri abertamente para ela e ofereci o braço, que ela logo tratou de aceitar, e sorri de volta para mim.

-Você é louco senhor Mansen. – Ela disse entre risos singelos.

-Louco, eu? Só se for pela vida, minha cara. Agora permita-me conhecê-la enquanto desfrutamos de saborosos sorvetes e por favor não me chame de “senhor Mansen” ou “senhor Cullen”, apenas me chame de Edward.

-Claro senhor...quero dizer, Edward.

O lugar estava sossegado, sentamos em um reservado. Havia uma enorme janela de vidro que nos dava uma bela visão da rua. Vários casais entravam e saiam da sorveteria enquanto olhava o menu. Um grupo de jovens parou em frente a janela e acenaram para nós e retribuímos com um aceno.

-Conhece? – Ela perguntou.

Ri e depois respondi. – Não, pensei que fossem amigos seus.

-Então, Edward. O que faz aqui? Digo na América. Londres me parece tão linda e cheia de charme.

Provei do meu milk shake e respirei fundo antes de falar de casa.

-Vamos dizer que eu cansei do charme inglês e vim para a América ver se o que dizem é verdade.

-E o que os europeus dizem sobre a América?

-Dizem que podemos viver o sonho americano, que somos livres. Mas e você?

-O que tem?

-Me fale de você.

-Bom...sou filha única, estudo, toco violino. Nada de mais.

-Não é o que parece. A senhorita parece ser rica, cheia de pretendentes filhos de outras famílias ricas, estuda em casa rigorosamente com professores particulares, deve estudar algum outro idioma...diria francês. Acertei? – Lancei um olhar divertido.

-Como deduziu? Foi só de olhar ou...

-Ou... – instigou a completar.

-Ou o senhor Edward Cullen Mansen entende exatamente do que disse. Diga-me Edward, esta era a sua vida em Londres? Foi por isso que veio para a América? Queria fugir da rotina que te sufocava, ter que sorrir e se comportar como a sociedade te exige?

Touché.

-É mais complicado que isso senhorita .

-Complicado?

-Sou Edward Cullen Mansen, décimo quarto na linha de sucessão do trono real com chances reais de me tornar rei da Inglaterra.

Disse e ela, pobre coitada, engasgou.

-Desculpe...- Tossiu – Você não me parece inglês agora. – e teve outro acesso de tosse. Lhe ofereci um lenço. – Os ingleses não são bons humoristas mas você ...que surpresa!

-Duvída? Que crueldade rir de um jovem nobre.

-Desculpe Edward mais você é ótimo comediante.

A noite transcorreu bem e antes que o relógio marcasse 20:40 p.m. ela se apressou em se despedir. A sua companhia fez com que o tempo passasse por nós correndo a tal ponto que nem percebemos.

-Edward, sua companhia foi maravilhosa esta noite. – Ela disse enquanto caminhávamos lado a lado pelo píer. A lua estava plena no céu escuro e algumas luzes iluminavam nosso passeio.

-Eu que agradeço pela sua ilustre companhia, senhorita . E gostaria de saber se existe a mais remota possibilidade de sairmos novamente.

-Está me chamando para um encontro senhor Mansen? – Ela apenas sorria, mas de um jeito mais contido. Caminhamos por todos os três quarteirões que levavam a sua casa e a conversa toda fluía de tal maneira que nem notamos que já estávamos em frente ao seu portão.

-Sim, senhorita . Preciso vê-la novamente.

Nessa hora meu corpo agia por conta própria. Na rua mal iluminada, fui me aproximando dela que já estava encostada no muro de sua residência. Ela estava levemente corada e seus cabelos pouco ondulados, que lhe emolduravam seu rosto, estavam perfeitamente bagunçados por causa do vento que soprava. Logo minha mão procurou sua cintura enquanto a outra se apoiava no mesmo muro, acima de sua cabeça. Fui me aproximando mais e mais, à procura de seus lábios, mas ao invés de lhe beijar delicadamente toquei o canto daquela boca perfeitamente rosada.

Ela estava ainda de olhos fechados e sua respiração estava entrecortada, ofegante pela expectativa e aquilo me deixou extasiado.

-Nos vemos amanhã no cinema?

-Às 17:00 p.m. – Ela disse me encarando envergonhada.

-Estarei aqui às 16:50 p.m. Aguardarei ansiosamente.

Beijei sua bochecha e saí cantarolando uma canção qualquer na certeza de que ela era o sonho que eu estava ansiando sonhar.


Capítulo 3

POV

Corri para o interior da minha residência na ponta dos dedos dos pés, coração a mil, uma energia atravessando meu corpo e um sorriso nos lábios.

Ao entrar silenciosamente, apesar de achar que o martelar do meu coração me denunciaria de tão alto e forte que batia dentro de mim, fechei a porta e me encostei a ela. Arfei uma única vez na penumbra da sala quando fui surpreendida pelo olhar acusatório da minha mãe.

-Ora mamãe que susto! – falei tentando me recompor.

-Que educação é esta mocinha? Entra em casa como um gatuno como...como um ladrão pronto para um novo furto logo depois de ficar de intimidades com um estranho? Stanford explique-se!

Senti o ar faltar pelo susto mais me recompus a tempo de me explicar.

-Mamãe...não é assim como pensa! Eu juro!

Disse a puxando pelas mãos.

-Venha até meu quarto e lá conversaremos. Prometo.

Subi as escadas saltitante enquanto ouvia mamãe reclamar de minha euforia. Fechei a porta e me larguei na cama com um sorriso radiante.

-Vamos senhorita, explique-se.

-Mamãe eu não estava sendo uma desfrutável.

-Eu vi aquele rapaz te beijar com intimidade!

Mamãe ainda tinha uma expressão dura.

-Ele não me beijou com intimidade mamãe, foi um beijo inocente no rosto.

-Filha por mais que eu tente ser compreensiva, tem a questão de sua idade e todos estes hormônios. – ela soltou um leve suspiro e deslizou seu dedo indicador pela minha face rosada – rosada pelo calor e pelo sangue que se acumulava ali pelo quase beijo de Edward. – Filha, o que diriam nossos vizinhos se vissem aquilo? A família Dashwood tem uma estima e um bem querer enorme por você. O senhor Thomas Dashwood, o filho mais jovem do senhor e da senhora Dashwood, pretende desposá-la em breve, querida. Imagina o escândalo!

Senti como se tivesse levado um grande tombo ao ouvir aquilo. Me sentei de imediato na cama olhando petrificada para a minha mãe.

-Desposar? O senhor Thomas Dashwood quer se casar comigo? – antes que mamãe abrisse a boca para defendê-lo continuei – Mamãe! Ele nem fala comigo. Nos encontros de verão entre nossas famílias ele nunca me cumprimentou! E como ele ousa falar em casamento, como vocês tramaram o meu casamento sem me pedir uma opinião? Mamãe eu já lhe disse que só me caso por amor e não por status!

-Nós iríamos lhe contar na próxima reunião entre as famílias que será na sexta, minha querida. Ele é tão jovem, bonito, vai herdar 30% da fábrica da família sem contar que é um jovem talentoso para a música e é o neto preferido e que por isso herdará 50% dos bens dos avós. Querida, você será a senhora Dashwood, esposa do dono do maior banco de empréstimos da costa.

-Mamãe!

-Não me recrime, ! Um bom casamento é tudo que precisamos agora. Depois da grande depressão de 1929 nossa família vem sofrendo grandes perdas. Estamos beirando a falência!

-Não me casarei com o senhor Thomas nem por todo o dinheiro do mundo mamãe! – falei nervosamente mais alto.

-E se casará com quem? Com esse rapazote? Pelo amor de Deus minha filha! Ele se veste como um suburbano, como um desses operários. O mundo dele não é o nosso! – ela gritou.

-Muito se engana! Edward é um conde inglês!

-Conde?! – ela zombou – E você acreditou em tamanha mentira? Você é mais tola do que eu imaginei.

Ela se levantou pisando firme e abriu a porta, segundo antes de fechar disse me olhando séria decretando meu destino.

-Mocinha, é melhor se comportar e não saia deste quarto até que lhe mande tal ordem. Comece a aceitar a idéia de casar-se com o jovem Thomas.

Apagou a luz do meu quarto, batendo a porta, e pude ouvir seu praguejar contra as paredes do corredor até sua voz sumir. Retirei os sapatos e me larguei de braços abertos na cama. Ascendi um pequeno abajur e me vi suspirando com os últimos minutos com o misterioso Edward como se não houvesse tido uma revelação tão grande quanto o meu “noivado”. Edward e sua lábia e seu charme me conquistaram e com certeza sonharia com aqueles lindos olhos verdes, com seu cabelo pouco desalinhado em seu tom de loiro e sem a menor sombra de dúvida seu porte e charme.

POV Edward
O dia amanheceu mais rápido que o desejado. Recebi, como de costume, um exemplar do Diário Londrino – jornal de grande prestígio em toda a Inglaterra e que pertencia a minha família desde 1890.

“Hitler assinou com Stálin neste presente ano, o pacto de não agressão e neutralidade válidos por dez anos, relegando a segundo plano diferenças ideológicas, políticas e sociais entre nazismo e o socialismo soviético.”

Como sempre corri meus olhos no setor da política e nas colunas sociais. O de sempre, a monarquia isso, a economia aquilo, instabilidade nas fronteiras. Poderia estar longe de casa mais não podia esquecer da minha pátria, principalmente nesse momento onde o mundo passa por algumas mudanças simultaneamente.

Os rapazes resolveram ir à praia e eu terminei aceitando a idéia e fui também.

A praia não era tão longe, com apenas um violão nas mãos e uns sanduíches numa cesta passamos a manhã e parte da tarde. Antony e Damon brincavam dando cambalhotas no ar, Edward e os demais não saiam da água por nada.

Não estava acostumado a tanto sol com pouca roupa, desconfortavelmente usando apenas roupa de banho – deixando meu tronco todo à mostra – entrei nas águas salgadas e mergulhei fundo.

-E então sir Edward Cullen Mansen, como foi seu encontro de ontem a noite? – perguntou Damon todo divertido enquanto nos secávamos ao sol daquela linda praia.

-Que encontro? – dissimulei.

-Não se faça de inocente senhor conquistador. Sabemos que você foi se encontrar com a senhorita irritadinha outra vez. Como é o nome dela mesmo? – Antony disse rindo - hum...

-! – disse Edward, o meu chara.

-Yeah! ! – todos os rapazes começaram a falar. Eu só pude rir silenciosamente.

-Foi incrível! – respondi cruzando as mãos atrás da cabeça preguiçosamente enquanto me estirava na areia fofa e branca, o sol bronzeando minha pele pálida.

-Ah conte-nos mais! – pediram.

-Arranjem uma garota para vocês e esqueçam a minha! – disse em deboche ainda de olhos fechados.

[...]

As 16: 50 p.m. estava parado em frente ao cinema, usando a minha melhor roupa e um cigarro na boca. Será que ela iria me deixar aqui plantado? – perguntava meu nervosismo.

Meu cigarro chegou ao fim e nada dela aparecer. Teria acontecido alguma coisa? Resolvi ir até a sua casa e fiquei observando de longe todo o movimento. A casa parecia estranhamente quieta até que a vi, linda e olhando de um lado a outro pela janela que julguei ser a de seu quarto. Ela parecia nervosa, então corri sorrateiramente pelo jardim e joguei uma pedrinha no vidro. Depois outra e mais outra e foi só aí que ela abriu e olhou além.

-Psiu! – disse e me escondi atrás de uma cerca viva. – ! – sussurrei. Nada dela me ver ao contrario de um empregado que estava desconfiado. – Senhorita ! – falei e ela se dependurou na janela .

-Edward é você? – sussurrou olhando para o nada sem me ver e então apareci de relance e ela enfim me notou.

-O que houve? – perguntei.

-Estou de castigo por sua causa!

Pedi para que ela fizesse silêncio e apontei para o empregado que estava no alpendre olhando em minha direção – sem me ver é claro.

apontou os fundos da casa e eu fui. Ela abriu uma janela e se projetou para fora.

-Assim você cai! – disse indo resgatá-la.

-Segure a corda Edward.

A preciosa garota que enfeitiçou os meus sonhos lançou-me uma corda feita de lençóis, segurei firme na extremidade e esperei que ela descesse. Seu corpo delicado encontrou meus braços à sua espera e naquele momento de toque nossos olhos se encontraram. Suas mãos delicadas estavam em repouso sobre meu peito enquanto meus braços a prendiam pela cintura afinada.

-Er... – ela disse constrangida. – Perdão Edward.

Na mesma hora seu corpo se afastou do meu.

-O que quis dizer sobre estar de castigo por minha causa? – mudei de assunto.

-Howie? É você? – disse a voz de um homem gorducho e calvo. – Esse leiteiro! Nunca entrega os pedidos na hora!

segurou a minha mão pela primeira vez e saímos correndo, tentando não sermos notados pelo empregado. Já a uma distância segura e procurando fôlego, rimos de todo o acontecido.

-Isso foi a maior loucura que fiz! – ela disse rindo com vontade. – Mamãe e papai me matarão quando descobrirem que fugi do meu castigo.

-E valeu a pena? – perguntei ainda segurando firme sua mão para depois beijá-la bem diante de seus olhos. A senti ficar ruborizada e aquilo me fez rir por dentro.

-Eu ainda não sei, faça valer o risco.

-Com todo prazer!

A envolvi em meus braços, naquela praça quase vazia, trouxe seu corpo contra o meu e com bastante carinho tirei de seus lábios o gosto mais doce que provei.

[...]

Chegando no cinema local, de mãos entrelaçadas, entramos numa sessão de Charles Chaplin.

Aproveitando o escuro do cinema aproveitei para beijar-lhe sempre mais e cada vez mais profundo. era tão feminina e tão frágil...mas os seus beijos e os carinhos que me dava parecia vir de uma mulher madura o que me fez ter certeza que ela jamais sairia dos meus pensamentos e com certeza do meu coração.

A sessão terminou e fomos caminhando pelas ruas. Um vento frio estava soprando firme o que fez se encolher. Como um bom cavalheiro ofereci meu casaco e a protegi do frio.

-Você ainda não me disse por que estava de castigo. – falei a rodopiando bem a minha frente.

-Você. – ela disse me fitando.

-Eu? Em que sou culpado? – juntei as sobrancelhas .

-Mamãe nos viu quando nos despedimos e pensou bobagem. Então estou de castigo no meu quarto até que...- ela pareceu se arrepender do que iria falar, ficou óbvio.

-Tudo bem?

-Sim. – ela sorriu e me beijou no rosto. Como um homem experiente como eu fui me render tão fácil aos encantos de uma jovem que não faz absoluta idéia do que é a vida e seus prazeres?

Ao perceber estávamos entrando em sua casa pelos fundos, era noite e a escuridão nos protegeu. subiu pela mesma corda e pulou janela a dentro.

-Edward? – ela me chamou.

-Estou bem aqui. – disse e lhe dirigi meu sorriso.

-Nos veremos outra vez?

Ela parecia levemente constrangida e muito ansiosa pela minha resposta que tratei de lhe dar sem o menor esforço.

-Sim, sempre.


N/A: Ain que casal mais fofo né? Meninas digam o que pensam sobre a fic
Bj bj bj

Capítulo 4

Pov Edward

Desde o feriado de 4 de julho nossos encontros tem sido quase que diários. Ah o feriado de 4 de julho! Onde demos o nosso primeiro beijo de baixo das luzes dos fogos de artifício que explodiam nos céus. Eu estava irrevogavelmente apaixonado por . O que me preocupava era a história de seu casamento arranjado com um almofadinha.

A fortuna da família dele não se compara com a minha e mesmo que o requisito “fortuna” fosse algo que apreciasse eu não me preocuparia.

Acordei junto aos galos, tomei um banho congelante e tomei meu desjejum. Peguei meus jornais, um americano e outro inglês, e segui para o trabalho.

O serviço era puxado mais logo que ganhei a confiança do chefe, ao montar as máquinas que ele trouxe da Europa, eu tinha mais respeito e credibilidade junto a ele e com os funcionários.

Na pausa para o almoço recebi uma cotovelada nas costelas e logo um burburinho começou no refeitório, era .

-Olá rapazes! – ela disse se dirigindo aos meus amigos americanos.

-Oi ! – eles responderam em coro.

-Oi amor! – ela disse baixinho.

-, já pedi para que você não se arrisque vindo até aqui! – a repreendi.

-Meus pais não estão em casa, bobinho, e seu chefe nem desconfia que eu estou aqui.

-Eu sei, mas ainda sim você é a única garota aqui e eu não quero esse bando de baderneiros olhando para minha garota.

A peguei pela mão e saí do grande e sujo refeitório de baixo de protestos dos operários. Quando chegamos numa parte aberta e limpa do galpão a prendi contra a parede.

-Já falei que te amo?

-Hum...acho que não. – minha fez manha.

Trocamos um beijo suave mais a minha menina era quente e não sossegava enquanto o beijo não fosse mais profundo. Acho que a acostumei mal.

Mordisquei seu lábio inferior para depois sugá-lo. Minha língua escorregou para dentro de sua boca e minha adorada riu.

-Vim avisar que minha família quer marcar a data do casamento com Thomas Dashwood. Será daqui a um mês Edward. Acho bom que o senhor tenha uma grande idéia para acabar com esta loucura!

Fechei os olhos e respirei fundo enquanto a minha mão circulava pela cintura dela.

-Não vou permitir.

-E como pretende fazer? Você nem tem onde cair morto! Meus pais nunca permitiriam que me case com você ...a não ser que você e sua família nos façam uma visita como a familia Cullen Mansen e o senhor manifeste a sua intenção de me tornar a condessa Cullen Mansen.

Impossível! Simplesmente impossível!

-E se fugirmos? Você e eu! Nos casaríamos e iríamos para casa dos meus pais em Londres ou talvez para a casa de veraneio que temos na França.

-Edward com que dinheiro? Meus pais não têm mais a mesma fortuna de antes...além do mais seus pais não me aceitariam! Você fugiu de casa, lembra-se? E como você acha que eles vão encarar o fato de que o décimo quarto nobre na linha de sucessão real se casou às pressas e escondido com uma não nobre estrangeira?

-O que você quer que eu faça então? Te deixe livre para casar com este Dashwood e te roube na noite de núpcias?

-Não sei meu amor, só sei que temos que agir rápido!

O sinal tocou e o trabalho me esperava. Me despedi da minha pequena e angelical criatura, logo tinha que planejar o que fazer com ela...se não a perderia.

A tarde passou corrida, o dono da madeireira me chamou em seu gabinete para traduzir uns textos . Bati à porta e me apresentei.

-Mansen, leia este artigo .

Coloquei os meus jornais em cima da mesa dele e comecei a ler o artigo enviado por um sócio alemão.

-Mansen o que é isto? – apontou os meus jornais.

Olhei para onde ele indicava.

-São os meus jornais sir. Um nacional e outro da minha terra.

-E o que há de tão importante no jornal do seu país? Já te vi lendo religiosamente estes folhetos e não entendo o que há de diferente.

-Este jornal me faz lembrar de casa, só isso.- ele abriu em uma página qualquer.

-Céus! Olhe isto Mansen!

“1º DE SETEMBRO DE 1939.

Hitler invadiu a Polônia. Inglaterra e França, de acordo com os compromissos públicos assumidos, reagirão dando início à Segunda Guerra Mundial”

Estava escrito na capa do Jornal Londrino. Pensei imediatamente em meus pais e na devastação que esta guerra a muito prometia.

-Espero que os redatores deste jornal estejam errados. – disse por fim.

-Assim espero.

Voltei para o trabalho pesado, junto com os outros operários mas a manchete do jornal invadiu a minha mente de uma maneira tal que nem por meio segundo lembrei de Dashwood.

Os problemas que a Grande Guerra trouxe para nós estarão marcadas para sempre em nossas famílias e nem de longe desejaria para meus inimigos tamanha crueldade. Sangue e miséria foi o que os europeus herdaram com o assassinato do duque e agora a Alemanha tenta recriar o caos . Espero que seja errôneo chamar de Segunda Guerra Mundial esta atitude alemã.

-Anda distraído Eddie. – afirmou Damon.

-A família de arranjou um casamento para ela. – disse. O que não era mentira, isso me preocupava.

-Está em todos os jornais da cidade, de Nova York à Carolina do sul, todos já sabem Edward. – Mark disse constrangido – Sabíamos que iria terminar assim amigo. Ela é de outro mundo e você não teria como sustentá-la já que está acostumada a luxos e riquezas. Sinto muito.

-Vamos trabalhar, certo? Aqui não é lugar de conversar muito menos sobre isto. – Anthony interveio.

A jornada de trabalho foi árdua mas no fim, compensatória . Eu agora sabia dar valor ao meu berço de ouro. Enquanto nobres e ricos desfrutam da mordomia de uma boa vida outros dão a própria vida pelos mais inconvenientes e humilhantes trabalhos para sobreviver.

Os dias foram se arrastando. Parecia que nenhuma idéia brilhante traria para mim, nas páginas do jornal da minha família eu me informava sobre a guerra que se prometeu e que já demonstrava ser frustrada. Em 6 de outubro iniciou-se ao que se tornou conveniente chamar de “Guerra da mentira”, a Polônia já havia se rendido aos alemãs e não houve grandes batalhas.

Me tranqüilizava saber que a Inglaterra estava bem e que meus pais estão sãos e salvos de qualquer mal .

-Eddie? – me chamou.

-Sim.

-Por que ficou tão calado? O que passa?

levantou sua cabeça que repousava no meu peito, o mar estava calmo e ainda fazia sol apesar do frio gélido que começava a soprar com a proximidade de novembro.

-Estou pensando em como te tirar dessa situação, não vou suportar viver sem você ...- disse admirando seu rosto. – sem teu cheiro, sem teu toque, sem teus beijos travessos...ah , estou rendido por você .

-Edward , eu te amo e sempre amarei.

Naquele momento de calmaria onde só havia a natureza e Deus como testemunhas nos entregamos em um beijo calmo, suave e terno.

Deus como nos amávamos!

- Edward, meu casamento já tem data. – ela disse baixo, tencionei cada músculo meu ao ouvir aquele absurdo.

-Quando? – disse frio e baixo.

-Semana que vem.

-O quê? – falei alto demais. - Eles não podem manipular sua vida desse jeito !

-O que faremos então? Toda a sociedade foi convidada, o vestido já está nos ajustes finais e todo o resto já está preparado.

-Fuja comigo!

-Não tenho dinheiro Edward e nem você .

-E você vai aceitar isso? Vai casar-se com aquele metido a rei só porque convém a teus pais? E nosso amor ? Estão tentando nos afastar e você está deixando isso acontecer meu amor! Será que não vê?

Senti que havia passado do tom com ela, se encolheu em meus braços e ficou muda.

-Amor, me perdoe. Fui grosseiro contigo e você não tem culpa.

-Não Eddie, você tem razão. Eu fujo com você .

Foi a notícia mais maravilhosa que ouvi em tempos. Nem as mensagens subliminares que minha família deixa para mim no final da ultima coluna de noticias tornando aberto o quanto me amam apesar do que eu fiz foi capaz de mexer tanto comigo quanto o fato de dizer sim para mim.

-Você será minha , só minha porque eu já sou todo teu.

Nos beijamos mais uma vez antes de sairmos correndo para o mar que nos abraçou com suas águas claras, éramos duas crianças descobrindo a vida.

[...]

Faltando exatos dois dias para o casamento não se falava de outra coisa na cidade. E ao invés de demonstrar o quão abalado estava...eu apenas sorria.

-O que está aprontando yankee? – meu xará perguntou desconfiado.

Cínico como sabia ser respondia com outras perguntas e assim fui desviando dos meus amigos.

Graças a ajuda de James, nosso mordomo, recebi tranqüilamente junto ao meu exemplar do jornal uma caixa com jóias. Vendi os anéis guardando apenas um, o que me resignava como conde Cullen Masen. O anel possuía uma pedra com um brasão esculpido.

Com o dinheiro aluguei um quarto único numa pensão na cidade vizinha a esta, comprei pequenas lembranças para meus amigos americanos e comprei duas alianças. Quando a roubasse me casaria com ela tendo Deus como testemunha.

Guardei o restante das economias em um cofre no banco concorrente ao banco do Dashwood.

Pedi para um mensageiro levar um recado meu para , ele retornou com outro recado dela e agora era apenas esperar.

As horas se arrastavam pela madrugada, meus colegas de quarto roncavam alto, exaustos pelo trabalho, logo amanheceria e eles não me veriam mais. Cansado de esperar o relógio marcar 05:00 a.m , me levantei, banhei-me, coloquei um pedaço de pão na boca com um gole de café fresco, joguei dentro da minha bolsa todas as minhas roupas. Para os meus companheiros de aventura deixei um bilhete em cima da minha cama forrada e uma quantia em dinheiro para pagar a minha estadia até aquele presente dia do mês.

Resolvi por amizade contar-lhe quem eu era pedindo para que ficasse em sigilo e que também me perdoassem. Eu voltaria para vê-los um dia, disso tinha certeza.

Pov

Estava ansiosa demais para dormir, segundo a minha mãe ela mesma ficou tensa na noite que antecedeu seu casamento. Mal sabia ela que o verdadeiro motivo da minha ansiedade iria me roubar no altar.

Do jeito que Edward me orientou obedeci. Na calada da noite coloquei roupas, dinheiro, jóias e documentos numa mala, um bilhete sobre a cama me despedindo e claro pedindo perdão pela desonra, avisei-os que voltaria depois.

Lancei a corda pela janela dos fundos do andar superior e logo em seguida joguei a mala. Discretamente desci a corda e fugi.

Edward me esperava com um carro de aluguel na esquina sombria, os primeiros raios solares já surgiam e eu não queria pensar, caso o fizesse de certo daria meia volta e desistiria do amor da minha vida.

Edward estava me olhando sério enquanto o carro seguia seu rumo.

-O que foi amor? – ele tinha medo em seus olhos. – Quer desistir?

Neguei com a cabeça porém foi inevitável as lágrimas rolarem pelo meu rosto.

-Calma eu estou contigo.

Edward tinha uma postura serena e cautelosa. Seus braços me envolveram em um abraço reconfortante enquanto eu chorava em silêncio.

-Meu amor, vai dar tudo certo. Confie em mim.

Ele dizia como uma melodia até que o cansaço me atingiu e eu adormeci


Cap 5

Pov Edward


Já passava das 08:00 a.m numa cidadezinha mais a oeste da Carolina do Sul. Meu anjo adormecido começou a despertar em meus braços.

-Hey, bom dia luz do meu dia! – sussurrei para que só ela me ouvisse.

-Chegamos? – ela perguntou.

-Sim – ao dizer , o carro de aluguel parou em frente a uma hospedaria simples.

O motorista desceu e começou a carregar nossas malas para dentro da nossa nova “casa”. Ela se endireitou arrumando os lindos cabelos enquanto eu pegava nossas alianças no bolso interno do paletó.

-Amor, eu sei que não é como você merece mais é como tem que ser. – mostrei as alianças e seus olhos cintilaram de emoção.

-São lindos Edward!

Coloquei o seu anel na mão esquerda.

-Para todos os efeitos somos a partir de hoje marido e mulher, somos recém casados e viemos em lua de mel, estávamos a caminho da Flórida e decidimos passar uns dias aqui, tudo bem para você ?

-Sim. – eu não estava muito convicto disso, não estava convicto de que ela fosse sustentar a nossa mentira, ela titubeava.

-Meu amor, quando estivermos longe disso tudo vou pessoalmente até sua família pedir perdão e darei uma espécie de dote para eles, eu sei que isso parece mesquinharia mais pelo menos é uma forma de diminuir nossa loucura ou de tentar reparar o nosso erro. – afirmei abraçando-a com carinho e firmeza.

-Eu sei meu amor , eu sei – ela respondeu com certa tristeza. Seus pais haviam passado dos limites, aliás, sua mãe.

Deixei minha pequenina colocar minha aliança sob juras de amor eterno.

-Senhor Cullen? – o motorista de aluguel chamou.

-Sim, já vamos.

Descemos do carro e demos de cara com a dona da hospedagem. Uma senhora de meia idade, cheia de sardas, olhos azuis e gentis que nos esperava sorrindo.
-Bom dia!

-Bom dia senhora Davis, esta é minha esposa er..Mary Ann Birminghan. – menti e a bondosa senhora acreditou na minha prévia mentira de recém casados.

-Bom dia, como a senhora foi de viagem? – Elizabeth Davis perguntou para a minha .

-Muito bem senhora Davis, obrigada por perguntar.

Entramos na casa e encontramos alguns hospedes terminando seu desjejum. Cumprimentei com leves acenos de cabeça.

Seguimos por um extenso corredor até encontramos nosso quarto a nos esperar.

Minha adorável companheira mostrava-se tímida e insegura e isso poderia nos delatar. Ofereci-lhe o braço que ela se apoderou com firmeza.

-Bom, vou deixar o casal de pombinhos a sós . Qualquer coisa é só pedir. – senhora Davis disse gentilmente antes de sair.

-Querida tenha calma, você me parece tensa. – disse a abraçando com firmeza.

-Acha que eles podem me reconhecer dos jornais? – ela perguntou quase chorando. – E se meus pais me acharem? E se eles te fizerem mal? Já imaginou?

-Acho que está ficando óbvio que você se arrependeu, não foi? – questionei tristemente.

-Nunca! Por você e com você irei até o fim do mundo enquanto fôlego tiver!

Essa afirmativa mexeu com meu ego masculino, saber que existe uma mulher que te venera a tal ponto de se lançar no escuro por você é algo encantador principalmente vindo de uma mulher dos tempos de hoje. E essa mulher era a minha.

[...]

A noite caiu enquanto arrumávamos nossas coisas.

-Er...vamos ter que dividir a mesma cama? – ela perguntou corada.

-Só se você quiser, posso facilmente dormir no sofá ou no chão.

-Não! – ela falou exasperada. – Não precisa fazer isso, me sentiria culpada pelas suas dores de coluna.

-Então tudo bem. Vou tomar banho meu amor ou você prefere ir primeiro?

-Tudo bem vá primeiro. – ela me sorriu.

Retirei o paletó e os sapatos, ela me olhava sem graça e eu me pergunto, onde o meu cupido estava com a cabeça para ter me feito apaixonar por uma garota inexperiente dessa maneira? Ri em pensamento enquanto entrava no banheiro para um merecido banho.

[...]

Descemos para jantar num simples restaurante ao final da mesma rua onde estávamos hospedados . Ao passar pelas pessoas haviam orgulho em mim por exibir a garota mais bela do lugar e também um misto de prazer por poder cumprimentar as pessoas por onde quer que nós fossemos apresentando-a como minha esposa.

E se Deus permitir, mãe dos meus filhos.


Voltando para nosso quarto de hotel comprei flores no caminho e entreguei a ela.

-Será que seremos sempre assim? – ela questionou.

-Assim como?

-Sempre leves e livres na presença um do outro?

-Com toda a certeza.

A beijei com delicadeza a principio mais logo nosso beijo ganhou força no canto do muro daquela rua escura. Minhas mãos apertaram sua cintura e suas pernas entrelaçaram meu quadril.

-Ed alguém pode nos ver! – ela disse tomando ar enquanto procurava por suas testemunhas. Eu não aliviei nenhum momento, continuei a beijar seu pescoço, lábios, colo. Nossos gemidos poderiam ser ouvidos em bom som na rua silenciosa.

Apertei mais meu quadril contra o dela e se continuássemos naquele ritmo faríamos uma loucura ali mesmo.

-Não Ed! pára! – ela pediu se recompondo.

-Perdão, acho que me empolguei.

-Vamos voltar para o quarto, tenho frio.

Voltamos em silêncio e ao entrar no hall da hospedaria a srª Davis nos parou.

-Olhem quem chegou! – ela exclamou sorrindo para nós. – Meus amigos, gostaria de apresentar minhas filhas, a mais velha Louis, a do meio Stephany e a caçula Marie.

-Olá! – disse minha esposa para as três garotas que não deviam ter mais que 20 anos.

-Olá senhoritas Davis, somos o senhor e senhora Cullen. – nos apresentei.

A senhora Davis sorriu estranho.

-Se nos permitem, vamos indo.

Chegando no quarto olhei para com uma pergunta muda nos lábios.

-Eu vi, será que ela desconfia que não somos casados?

-Creio que não. Mas que foi estranho aquele olhar com aquele sorriso foi...ah isso foi!

-Acho que devemos ir embora amanhã antes do sol nascer. – sugeriu.

-Não amor, isso só iria chamar a atenção dela. Me dê dois dias ao menos.

-Ok, agora irei me preparar para dormir. – puxou um biombo para poder trocar de roupa.

Na penumbra do quarto ela se trocou e eu apenas puder tentar controlar meus impulsos para não torna-la minha de uma vez.

-Vou sair, pode abrir os olhos agora. – ela disse inocentemente, em que mundo ela acha que eu ficaria de olhos fechados?

Ela usava apenas uma camisola branca de cetim, suas pernas estavam a mostra o que não era comum e mais uma vez meus instintos pediam por ela.

Ela deitou na cama e eu ,acordando do transe, também me troquei e me deitei ao seu lado.

Seu perfume em incendiou , quando toquei sua pele notei a mesma se arrepiar e seus músculos tencionarem. Sabia que não haveria nada naquela noite e eu esperaria até que ela estivesse pronta para mim.

Acordei abraçado a ela, levantei sem acordá-la, me preparei e saí do quarto para sondar o escândalo do não casamento nos jornais.

-Bom dia senhora Davis!

-Bom dia senhor Cullen...ou seria senhor Birminghan? – ela questionou. Era isso, fomos descobertos!

-Posso explicar senhora! Por Deus não nos denuncie. Somos apenas dois jovens que se amam demais! Eu não poderia deixar que ela se cassasse com outro homem! Sem ela não posso viver srª Davis! – despejei de uma só vez meu discurso desesperado.

-Calma, aqui não é local para conversarmos. Venha até meu escritório.

Segui em silêncio.

-Como descobriu?

-Fácil, vocês são jovens demais para se casarem, apesar das suas vestes serem simples nota-se que é bem nascido , seu linguajar britânico e sua perspicácia revelam que é de família importante e influente aí me pergunto, um casal da alta sociedade inglesa estariam fazendo o que num estabelecimento tão simples quanto o meu? E a sua senhora chegou muito introspectiva e nervosa, o pouco que falou demonstrou ser americana e ontem você se apresentou como um Cullen e não como Birminghan.

-Uau, a senhora é boa! Deveria trabalhar na Scotland Yard. – disse sem pensar.

-Eu sei – ela riu.

-Está tão na cara assim que somos fugitivos?

-Piscando em luzes.

-Então acho que devemos ir embora.

-Não antes de me contarem quem são e de onde vieram, posso ajudar.

-A senhora faria isso por quê? O que ganha? – dei de ombros.

-Já tive sua idade, também fugi, me casei, tive três filhas e agora estou viúva, porém não me arrependo de ter feito tudo o que fiz por amor.

-Tudo aconteceu assim...- relatei tudo até aquele presente momento.

Ela me ouvia com atenção e se mostrou inclinada a nos ajudar.

-Já leu os jornais de hoje? – ela perguntou.

-Não.

-Então leia.

“SEQUESTRO NO DIA DO CASAMENTO ”

As famílias dos noivos encontram-se em total desespero. A senhorita Stanford, noiva do bancário Dashwood – o mais jovem herdeiro -, foi raptada de sua casa na madrugada que antecedia a cerimônia. Sua falta apenas foi notada quando os criados da casa não a encontraram em seu quarto.
A notícia de seu desaparecimento só foi confirmada ontem de noite. Há quem diga que ela fugiu e também há quem diga que ela foi sequestrada para que ambas as famílias pagassem um bom resgate. O fato é que nosso informante confirma que jóias foram levadas da casa e que a janela do quarto da jovem noiva foi violada.
A família da noiva se nega a falar sobre o caso e o noivo pede que quem a tenha levado tragam-na de volta e tudo será esquecido.”

-Eu já esperava por isso – disse após ler. – Mais não houve roubo nenhum e nenhuma janela ou porta foi violada.

-Eu sei, mas tomem cuidado . Vocês mexeram em vespeiro! Diga-me menino, qual seu verdadeiro nome?

- Edward Cullen Mansen.

-Certo, e o que faz da vida Edward?

-Na verdade nunca precisei trabalhar, mais vim para América viver o meu sonho americano de liberdade e comecei a trabalhar num madeireira. Eu só não esperava me apaixonar, não planejei nada disso, tudo que eu ganhava eu gastava comigo mesmo, mas agora é diferente. Vamos para Flórida ou talvez para Seattle tentar a vida. Dizem que Port Angeles é um bom lugar para se viver e criar os filhos.

-Você sabe que a vida não é fácil , não sabe?

-Sei sim senhora.

-Por isso doarei para vocês uma gorda quantia em dinheiro, sinto que você fala a verdade e que vocês se amam muito. A noite um amigo meu os levará daqui para onde quiserem e eu só peço uma coisa, avisem a família dela que estão bem e casados.

-Faremos isso – assegurei. – Senhora Davis, posso levar o jornal comigo?

-Claro! – ela disse.

Fui embora para o quarto ler as outras manchetes. Havia muito o que planejar.

Sentei numa mesa com minha xícara de café com torradas enquanto corria os olhos por qualquer notícias sobre o escândalo da nossa fuga quando me deparei com a página de notícias internacionais.

“Retrospectiva da guerra

ABRIL DE 1940

“As tropas alemãs iniciaram a Blitzkrieg que consistiu em ataques maciços com o uso de veículos blindados , da aviação e de navios de guerra . O avanço militar nazista foi intenso, Dinamarca, Noruega, Países Baixos e Bélgica se renderam ao poderio alemão.

Tropas francesas, inglesas e belgas estão sendo empurradas até Dunquerque (cidade portuária francesa) e muito em breve serão expulsos do continente europeu.

JUNHO DE 1940

Paris caiu e junto com ela toda a França! Alemães se instalam em Vichy. Inglaterra está em forte combate aéreo, a LUFTWAFFE, está travando um verdadeiro duelo aéreo contra a RAF , Na África ingleses repelem italianos que querem o controle de Suez , Grécia e Iuguslávia também foram tomadas .

A Europa está em chamas e Hittler afirma ser apenas o começo. A pergunta é : essa guerra nos afetará?

Onde estou com a cabeça? Meu país precisa de mim! – pensei – Mas e ? Como posso escolher entre a minha pátria e o meu coração?



N/A: #tenso. Será que Edward irá abandonar você em nome da rainha? Será que Dashwood está realmente acreditando que você foi sequestrada? Prometo nova att logo mais e preparem seus lencinhos porque lágrimas irão rolar! MUAHAHUAHUAH #aicomotobandida!






10 comentários:

  1. Florrrrrrrrr

    eu já tinha lido esse cap no FFTT, estou esperando ansiosamente a continuação. Bjs

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  2. Wow,
    adorei o primeiro capítulo, mesmo!

    Super ansiosa para ler mais, muito mais.

    Amandoo.

    Beeeijos.

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  3. Ainnn que lindo. Edward de Lord Inglês tá uma coisa muito fofa! To adorando ler as fics de Edward e de Rob aqui no blog. Acho que o que estraga ele nas fics fora daqui é a Bella sem expressão Swan... Aqui ele é todo lindo!!!!

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  4. Ownnn que lindo esse cap! Tão romantico! Ahhh gente eu não quero me casar com o tal Dashwood, eu quero o Ed!!!!

    To amando essa fic, ansiosa por mais!

    Bjux!

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  5. epero que de tudo certo na nossa fuga...estou ansiosa pelo próximo cap..
    BJS>>>>>>GINA

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  6. Ok eu sounmuito tímida na fic... timidez é irritante, mas ok na época em que estamos,né? Espero que Ed nao faça nenhuma besteira... meu coração ficará super desapontado.

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  7. Aiin', os ingleses precisam de ajuuda.!! Mas a PP também precisa.! Será que o Eddie vai pro pais dele ? Ajudar na guerra ? E me levar junto ? A PP vai ser enfermeira na SEGUNDA GUERRA MUNDIAL ?? Como e PORQUE você me faz isso Miss Felix ?? Hein ?? Não tinha uma guerra mais facinha não ?? Mas bom tudo bem, eu faço de tudo por esse pais que eu amo e sempre amei.! -é sério eu amo a Inglaterra -

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  8. Querendo mais, muito mais
    Adorando a fanfic, é muito boa mesmo, a história é empolgante.
    Ai ai do Edward se ele me abandonar ai nos EUA, viu? Mal casei -nem casei na verdade- e o "marido" já me abandona? pode isso produção?
    kkkkkkkk' To brincando, enfim, espero mais, querida.
    Beijos.

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  9. adorei a fanfic,continue escrevendo,como no outro comentario,ja casou comigo(na verdade nem casei) e ja vai fugir?!?como assim? kkkkk,não quero chorar não,mais continue a postar,eu gostei dessa fanfic!!!

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