7 de setembro de 2011

The Precious Blood by Deh

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PRÓLOGO
A pequena menina não sabia o que lhe aguardava a vida assim que saiu do ventre de sua mãe. Como toda e qualquer criança humana, era frágil e chorava. Chorava por sair do aconchego protetor do corpo de sua mãe, a bela mulher, quase desfalecida sobre a cama, mas que ainda tinha forças pra pedir por sua princesa, para mantê-la segura em seus braços, ainda que estes estivessem trêmulos.
Sim ela nascera!
Naquela pequena e singela casa, em uma cama velha, com uma única parteira a auxiliar a menina vir ao mundo. Mas mãe e parteira não estavam sós naquela casa. Ao redor da cama, seres belos, invisíveis aos olhos das mulheres, acompanhavam o nascer da pequena.
_ Minha vida agora é você meu amor – Laura dizia a filha – Tudo que farei de agora em diante vai ser por você, , minha pequena e grandiosa !
Entre lagrimas a mãe iniciou um canto para acalmar sua cria, um canto incomum, vindo d’alma de mãe e repetido por eles, que abençoavam o nascer da bela infante. Por hora era frágil, mas não nascera pra ser assim. Seria forte, seria esplendorosa e, em si, em seu sangue, levaria força e poder.
A Rainha se aproximou da cama e, no colo da mãe, sem que esta sequer imaginasse tal coisa, acariciou a face da garota:
_Sim, não há dúvidas, é ela!- Disse a nobre criatura aos seus – sintam seu perfume… ainda é leve, sutil, mas incomparável, um néctar. Cuidaremos para que fique protegida até que tenha forças pra se defender sozinha.
_Sim!! – Balbuciaram os outros, sorrindo com pesar. A pequena sofreria por isso, por ser fonte de força. A rainha olhou para e, uma vez mais a acariciou, lembrando do pai da menina, que por ceder aos encantos de Laura se entregara a paixão com a humana e, logo após a primeira noite de amor, morrera.
Sim, eles não podiam amar dessa forma, a não ser que preferissem a morte. Fazia parte deles, não havia escolha. Amava-se como humano e renunciava-se a vida. Fora assim com Lairon.
Mas nunca, nunca em toda eternidade em que viviam, nenhum deles permitira que uma criança nascesse de relações como aquela. Era arriscado demais, poder demais para seres errados. Assim que as poucas crianças nasceram, eles viram nos olhos delas o sofrimento que passariam para fugirem daquelas criaturas tenebrosas: os vampiros!
Não, nenhuma delas seria capaz de escapar deles, podendo, no fim, se tornar armas perigosas para os vampiros.
Assim, eles, em conjunto, pediam ao pai já morto, que viesse buscar sua cria. E assim cinco pequenos meninos partiram. As mães sofriam, assim que suas crianças, sempre belas, ficavam quietas e serenas demais. Estavam mortas. Eram levadas por seus pais para o desconhecido Paraíso, imaginado por todas as criaturas da Terra, crendo elas nele ou não.
Mas ela suportaria. A primeira mulher nascida de tão nobre linhagem, sobreviveria, ainda que a duras custas. E amaria, se continuasse, se resistisse, se fizesse as escolhas certas, amaria de forma esplendorosa, única. Seu amor salvaria um sol da escuridão, só seu amor poderia salvar um homem de um abismo de frieza e rancor.
Teindder era uma fonte!
CAPÍTULO 1
CONTINUE, POR MIM!
A vida de Laura Teindder nunca foi fácil. Pobre, vivera em uma aldeia no Noroeste Pacífico dos E.U.A, na cidade litorânea de Gold Beach. Seu pai, um pescador e a mãe, uma singela dona de casa. Porém, a beleza pura e graciosa lhe dava ares de princesa, tanto que a chamavam de Princesa do Mar. Comiam pouco quando os peixes eram escassos. Nada de luxo, não dormiam em colchões, mas em esteiras.
Porém Laura sempre adorou viver na casa pequena, infestada pelo cheiro de mar, com pai e a mãe a fazerem todos os mimos que pudessem. Ela era filha única do casal, objeto de amor e carinho. Ah! Como era bela. Era uma beleza sutil, natural como a natureza em meio a qual vivia. A pele morena bronzeada tinha brilho especial; os olhos castanhos como os de sua mãe, emoldurados por longas e espessas pestanas, davam-lhe um olhar doce; os cabelos, com belos e pequeninos cachos negros, caiam-lhe pelas costas.
A simplicidade e pureza com que fora criada, fez de Laura uma moça boa, naturalmente boa e, por ser assim, não enxergava a maldade, era submissa as vontades dos outros, queria deixar todos a sua volta felizes, com o mesmo sorriso fácil que tinha. Não era difícil se encantar pela moça, que enfrentava a árdua pobreza de forma tão sutil. Não era difícil amá-la, não era difícil desejar seu belo corpo. Mesmo só observando-a, podia-se amá-la.
E foi assim, que nem mesmo uma criatura mágica, distante das paixões avassaladoras humanas, dos desejos que os consumiam, se envolveu com Laura.
Lairon era um elfo, cuja natureza era cuidar dos humanos, protegê-los de serem massacrados pelas criaturas sobrenaturais, pra que sua existência persistisse. Eles eram o equilíbrio entre os dois mundos, a força invisível que os controlava. Os elfos concebiam que a vida na Terra girava em torno daqueles seres criados por Deus. O mundo sobrenatural tinha de ser escondido deles, para que os mesmos vivessem em paz com sua própria natureza. Isso era o que eles chamavam de missão.
Os humanos, não poderiam saber deste mundo, pois tinham o pérfido desejo que lhes contaminava o coração, de serem sempre mais, de terem sempre mais poder, de serem superiores. Com isso, tais segredos revelados aos humanos iriam causar um caos nesta raça, tão única, redentora de um amor divino sublime. Não eles não poderiam permitir isto. Já bastava o que causavam disputando poder, glória e amor entre si mesmos. Logo, as criaturas mágicas mais poderosas da Terra, usavam suas virtudes sábia e rigorosamente, protegendo a humanidade, cumprindo a missão.
Eles, no entanto, andavam entre os humanos sem que estes os percebessem, observavam a maneira como amavam, como odiavam, intenso, era tudo assim intenso. Os elfos não concebiam os sentimentos da mesma maneira que os humanos. Nasciam sem quaisquer desejo que pudesse fazê-los enlouquecer, querer matar ou morrer. Não tinham o desejo carnal de forma tão vivo como o dos humanos. A razão, a sabedoria de milênios de vida, o instinto protetor era o que lhes dominavam.
Mas ainda assim, mesmo com sentimentos naturalmente calmos, controlados, os elfos, poucos, muito poucos, caiam no fascínio do amor humano e não resistiam. Se apaixonavam. Só que esta não era sua natureza. Eles eram fortes, absurdamente resistentes fisicamente, magicamente, eram justos, unidos, mas a única coisa que não podiam suportar, aquilo que não foram concebidos para sentir era a paixão humana. Das relações entre fêmeas e humanos nasceram, em 4 milênios, sete elfos puros sangues, cujas mães morreram logo após o parto.
Já entre os machos e humanas acontecia uma mistura perigosa. Os homens elfos não tinham força suficiente para suprimir o sangue humano como tinha as fêmeas de sua espécie. Por isso, um ser nascido de uma relação de um elfo e uma humana eram essencialmente humanos, porém com habilidades físicas características dos elfos e, mais importante, e perigoso, tinham no sangue o poder mágico dos elfos.
Lairon não resistiu à bela Laura. Ela era a humana de coração mais puro que conhecera, ele não sentia paixão, era um amor profundo, cálido, eram duas naturezas boas que se encontravam, se completavam. O elfo passou a deixar que a humana o visse, se aproximava sem suas características élficas, mas ainda sim um belíssimo ser. Eles conversavam sempre ao por do sol, nas margens da praia de Gold Beach, quando Laura regressava de seu trabalho. Logo, o peito da bela jovem não se continha diante de Lairon, explodia em uma felicidade devota.
Ela tinha medo, medo que ele não a amasse, por isso não dizia nada. Calava-se. Não iria forçá-lo. Se ele queria só sua companhia, era isso que ele teria. Mas Lairon a observava, ficando cada vez mais ciente de suas delgadas formas, cada vez mais consciente de seu cheiro de alfazema, do peito dela que batia tão furiosamente cada vez que seus olhos se encontravam. Cada vez que se encostavam... Intuitivamente, sem pensar, apenas deixando-se sentir absolutamente humano, em uma de suas tardes de sol, capturou os lábios da moça com os seus. Quando ela correspondeu, aquilo se tornou um mundo, um universo, sim ele morreria por mais, valia a pena.
_ Laura, Laura...eu te amo – as palavras saíram sufocadas devido a emoção nunca sentida pelo elfo – eu te quero meu amor, mas eu não posso te dar... ah Laura....
Não ele não poderia viver com ela, ele morreria, morreria assim que consumassem seu desejo. Laura via confusão, amor, dor e ardência, fogo nos olhos castanhos tão distintos de Lairon. Mas seu corpo estava louco, suas pernas bambas. A boca daquele rapaz, tinha um gosto forte e suave ao mesmo tempo, era doce, mas lhe queimava a pele, era algo que ela tinha certeza que jamais iria esquecer. Ela perdeu o prumo, a razão, suas pernas tremiam...
_Esqueça anjo... esqueça tudo, não me prometa nada, eu só preciso ser sua – os olhos serenos de repente ficaram em chamas, Lairon arfou, agarrou o corpo dela junto ao seu – me ame, da forma que você quiser... eu ... eu sei que será tudo pra mim...
Ela se aproximou mais uma vez e dessa vez ela iniciara o beijo, que se multiplicou em intensidade e em quantidade, Lairon só teve forças pra se separar dela porque precisava dizer…
_ Morrerei meu amor, Laura eu estou condenado à morte – espanto tomou conta da face de Laura, o elfo a pegou nos braços e a levou para trás de uma parede de pedras próxima da costa, ela chorava silenciosa.
_ O que? – conseguiu dizer.
_ Meu amor, minha humana, eu tenho morte marcada, mas não posso deixar de viver isso – ele colocou os dedos nos lábios assim que a moça fez menção de falar – por favor, não me nege isso, não tente entender nada, sei que será uma única vez, mas será tudo... Você... Laura eu..
Dessa vez foi ela que o interrompeu, com um ato que dizia tudo. Com as lágrimas caindo, ela se levantou, e começou a desabotoar cada botão do vestido florido. O vento lhe batia nos cabelos, ela fechou os olhos e continuou e logo, sentiu braços lhe envolverem rapidamente, sentiu a boca em seu colo e o seu vestido indo pra longe.
Laura nunca mais voltou a ver Lairon, se ele realmente morrera, como morrera, jamais soube. Mas a felicidade daquele dia, único, perdurou até seu último suspiro. Seu misterioso amor lhe deixara uma filha. O susto dos pais não impediu que eles acolhessem a filha grávida, que enfrentou conversas e acusações maledicentes dos habitantes da pequena aldeia por ser mãe aos vinte anos, sem que ao menos o nome do pai fosse revelado.
Mas, ainda assim seu destino se mostrou mais difícil. Seu pai morreu em um naufrágio de seu barco em uma tempestade repentina. Sua mãe, mesmo com a filha ao seu lado, não suportou a vida sem seu precioso amor, adoeceu aos poucos, definhava e não adiantaram os cuidados de Laura, quando a moça completava sete meses de gravidez, sua mãe morrera. Seus pais não conheceram a neta, não tinham parentes próximos, os distantes não se importavam, ela enterrou os pais com uns poucos vizinhos, pescadores companheiros do pai e só.
Depois a esqueceram na pequena casa a beira mar, se não fosse uma parteira idosa e carinhosa lhe ajudar teria tido a filha sozinha. Antonia, a parteira ajudou as duas da maneira que podia, trazendo comida enquanto Laura se recuperava do parto. foi desmamada cedo, sua mãe tivera que trabalhar pra alimentá-las. Dobrava turnos em um hotel chique para turistas da cidade, deixando sua princesa aos cuidados de D. Antonia. Laura, no entanto, sofria muito por ficar longe da filha, por vê-la na maioria das vezes dormindo. Mas uma proposta poderia mudar tudo isto, bastava que ela aceitá-la.
Xavier era dono de inúmeras propriedades pelo mundo, dono de uma rede de hotéis e uma importante construtora, a X&X. Em mais um de seus audaciosos projetos, a X&X tinha em vista a construção de um luxuoso hotel a beira mar em Gold Beach. Xavier fora então para a cidade conhecer o terreno e lá se encantou pela bela morena que lhe arrumava o quarto de hotel. Possessivo e obsessivo como era, decidiu que a teria, ela era bonita e tinha um porte altivo, com um bom trato seria uma excelente companheira para eventos. Era a companheira ideal. Nada mais importava do que isto. Com um telefonema descobriu toda a vida da moça, sobre a sua filha, sobre o trabalho, sobre sua relação esquiva com a vizinhança e, por incrível que pareça, a casa da moça, que ficava justamente no terreno onde seria construído seu Gran Hotel.
Soube então quais argumentos usar para conquistá-la: sua filha, o bem estar da linda e esperta garotinha. Ele se aproximou galante, com cuidado, fingindo querer somente negociar a casa da moça. A muito custo, após oito incansáveis meses ele conseguiu: ela disse sim, se casaria com ele. Era mais pela bondade que via no homem imponente e gentil, que demonstrava um amor por ela e um carinho pela sua menina. não sofreria a dureza que ela sofrera. Daria a ela uma família, uma vida digna.
_ Mãeeeeeeeeee!! Manheeeeeeeeeee!!!! – a menina gritava saltitante logo que o motorista do carro lhe abriu a porta.
chegava do colégio balançando uma folha, e passando como um vulto pelas empregadas da bela mansão em que moravam.
_ Mãe, mãezinha olha o que eu consegui.... eu ganhei, eu ganhei!!
­ Laura desceu as escadas correndo, empolgada pela alegria aparente da menina que pulava em cima do sofá gigantesco da sala de visitas.
_ , pelo amor de Deus, quer me matar de susto? O que foi que te deu? E para de correr deste jeito, céus parece um furacão!- a mãe dava a “bronca”, com sua característica voz meiga, e ainda ria do rompante de euforia da filha.
_Tá eu paro, mas olha, olha!!- esticou a folha que carregava como a um troféu nas mãos para a mãe. Era uma redação com um enorme “Parabéns!” em vermelho logo no início da folha – eu ganhei o concurso de redação!! Ganhei com o texto que eu escrevi pra você e... e ganhei de todos aqueles grandões chatos que me chamam de pirralha nerd. È meu presente pra você mãe.
Laura riu, o mesmo sorriso fácil e cativante que tinha em todas as situações. Pegou a menina nos braços e a encheu de beijos, enquanto a mesma se sacudia gargalhando fingindo querer fugir dos braços maternos. se referia aos seus colegas de sala como “grandões chatos” porque, devido sua inteligência incomum, fora adiantada duas séries de sua escola. Os maiores sempre implicavam com a pequena, que, no entanto, era voluntariosa e sempre lhes respondia a altura as provocações, ora com discursos ora com notas, as maiores da turma.
­_ O que está acontecendo aqui? – uma voz grave e séria interrompeu imediatamente os risos de . Ela se endireitou e olhou séria o padrasto. Ela não gostava dele! Não importava o que a mãe lhe dizia, ela não gostava. Ele praticamente escravizava sua mãe, que sempre lhe fazia suas vontades. Nas vezes que se embebedava em festas, jogava-lhe na cara que ela devia lhe dar tudo o que quisesse porque ele pagava para mantê-la como quisesse, dando-lhe tudo e sustentando a “garota”, no caso a filha, . A criança escutava as brigas ou melhor, os gritos de Xavier, escondida da mãe, mas quando ela comentava algo com ela, a mãe sempre o defendia.
_ Ele só fica um pouco nervoso e descontrolado às vezes minha princesa! Mas ele é muito bom conosco, ele é bom meu anjo, cuida de nós!
Era sempre assim, mas ela definitivamente não gostava dele, embora às vezes ele fosse até carinhoso com a mãe e educado e cordial com ela.
_ Ela ganhou o concurso de redação na escola querido – Laura respondeu ao homem sisudo diante das duas.
_ Pra variar! Mais demonstração de esperteza, é isso mesmo garota, sinal de que vale a pena pagar seus estudos. – A menina virou o rosto e deu uma leve bufada, “lá vem”, pensou – estude que assim você vai ser esperta o suficiente para dominar e se dar bem.
_ Eu não quero dominar e nem me dar bem Xavier, eu vou estudar para cuidar de pessoas, vou ser médica e salvar um monte de gente!!
_ Médica! Muito esforço e pouco dinheiro. Menina deixe este tipo de profissão para os altruístas tá legal? Quando você crescer com certeza vai arrumar algo mais, hum, rentável pra fazer e deixar estas ilusões de criança pra lá. Bom eu vou indo e não me arrume gritaria quando eu chegar porque meu dia vai ser cheio e eu vou querer paz! – Ele deu um beijo na mãe e bagunçou o cabelo da menina ao sair.
Assim que ele virou as costas fez uma careta murmurando um “algo mais rentável” cheio de ironia.
_ Por Deus criança onde aprendeu isto? – A mãe disse observando a filha – não faça assim!
_ Aprendi com ele mesmo. Já vi ele fazendo cara de deboche pra um monte dos clientes dele no telefone!
_ ! – A menina riu com a cara de espanto da mãe, dando um beijo estalado na bochecha dela – Desculpa – disse com carinha inocente demais para não parecer sapeca. Mas a mãe soltou um muxoxo, fazendo uma careta absurdamente desconfortável, ficando branca de repente.
_ Ei mãe desculpa, não faço mais ta legal!
Mas o que veio a seguir fez a pequena estremecer. A mãe se encolheu e a voz, sempre baixa e branda converteu-se em grito agudo, doloroso e agonizante. A menina se assustou tanto que acompanhou o grito com a mãe. Todos os empregados correram para a luxuosa sala, e Xavier voltou correndo. Todos encontrando Laura pálida, desfalecendo no tapete felpudo, com a filha a gritar por ela.
Aquilo fora só início de um sofrimento imenso para a ainda garota de dez anos de idade. Depois dos exames feitos naquela mesma tarde identificaram um câncer cerebral na mãe. Não havia possibilidades cirúrgicas para a retirada do tumor. Começaram imediatamente as seções de quimioterapia, nos hospitais mais caros, mas nada adiantou. A bela Laura definhou rapidamente, perdeu seus belos cabelos, o corpo se tornou magro, quase esquelético, seu sorriso se apagou.
Das poucas vezes que a mãe estava em casa durante os noventa dias de tratamento, se encolhia na cama , mordendo o travesseiro, escutando os gritos abafados vindos do quarto da mãe. Xavier permanecia o mais distante possível do tratamento, não suportava, pagava mais empregados, médicos, enfermeiros para cuidarem da esposa, mas se mantinha afastado, visitando a mulher por poucos minutos durante o dia e durante a noite. Equipou o quarto como uma ala de hospital, quando Laura lhe implorou que não queria morrer longe da filha, em um quarto frio. Ela sabia que iria morrer, mas só se importava com a sua princesinha.
Ah! Ela suportava a dor, suportava tudo, menos o olhar sofrido da pequena, que sempre lhe trazia presentes feitos por ela mesma em suas engenhosidades, e conversava com ela durante o tempo que os médicos permitiam ver a mãe. Lhe trouxera uma rosa de um metro, feita com papel dobrado; uma escultura de argila em formato de coração, que ela coloriu e escreveu as iniciais das duas; enchia as paredes com belos desenhos e colocava enfeites coloridos em volta da cama, já que não podia trazer flores.
Mas a noite em que Laura já não tinha mais forças para lutar pra se manter viva chegou, chovia, parecendo que até os céus choravam com o que estava por vir. A mulher não tinha forcas ao menos pra gemer, só uma coisa lhe dava forças: a necessidade de falar com a filha uma última vez. Tirou a mascara de oxigênio do rosto e pediu, com voz fraca, para que chamassem a filha e não descansou até que a enfermeira saísse do quarto.
estava em seu quarto, acordada ainda, abraçando as pernas e sacudindo o corpo para frente e para trás, num ritmo desolado. Não estava com um bom pressentimento. A enfermeira a higienizou, deu-lhe a máscara e acompanhou a menina até o quarto.
_ Mami, você está bem? – o rosto pálido e esquelético de Laura se contorceu no que era pra ser um sorriso.
_ Vou estar bem se você ficar bem meu amor. Pode ter certeza disso. – A voz estava tão baixa que a garota teve de se aproximar, parecia mais um espectro do que um dia fora a mulher maravilhosa que conhecia como mãe.
_ Mamãe quer conversar com você anjo – ela deu um leve esgar – preciso que me prometa uma coisa...
_ Mãe num fala nada agora, descansa mamãe você precisa. Olha se você não descansar num vai ficar bem logo e você tem que tá bem forte pra me levar na formatura... – a menina tagarelava, mas uma lagrima teimosa queria lhe escapar dos olhos, ela parou pra respirar e fungar o nariz.
_ Eu só posso lhe falar agora meu bem... – a mão magra com os tubinhos de coisas que ela não sabia bem o que era, ergueu-se e tocou-lhe o rosto, tinha um negocinho no indicador da mãe ligado a um aparelho que apitava incessantemente – eu vou estar com você sempre, porque nunca se separa uma mãe de uma filha, um dia você vai entender isto, nunca se separa!
Ela parou pra tomar fôlego, olhou o olhar agoniado da menina, sabia que a filha estava ciente do que estava acontecendo. Sua mãe estava se despedindo.
_ Eu vou sentir o que você sentir meu bem, se você estiver triste eu estarei, se chorar eu vou chorar, se sorrir eu vou ser feliz, se amar, minha vida terá valido a pena. Quando você amar minha querida se entregue, viver um amor verdadeiro nunca é um erro.
_ Mãe, num faz isso, mãe não fala isso. Mãe me promete que não vai embora.... Mãe..mãe não me deixa, eu só tenho você, eu só amo você, eu não posso viver sem você mamãe.
_ Shiiii.... pequena, não diga isso, você pode e você vai. Eu já disse eu nunca vou te deixar, vou estar viva em você enquanto o seu coração bater e depois...
A menina se levantou bruscamente:
_ Não mãe, eu não vou conseguir, você não pode fazer isto comigo, não pode...
_ Venha aqui , não faça isso comigo e com você! – estremeceu e voltou pro lado da mãe – Eu sei que você vai ser feliz, que você vai ser muito amada, vai ser muito importante. A minha menina vai ser uma grande médica não é? – balançou a cabeça afirmando, o coraçãozinho a se apertar – então! Filha, tem coisas que não cabe a nós decidir, não podemos viver pra sempre, mas podemos viver e ter uma vida bela, que realmente vala a pena, a minha valeu por você!
_ Eu não quero viver sem você! – os olhos suaves da menina estavam amargurados.
_ se você me ama, se realmente me ama, me promete que vai continuar vivendo, aconteça o que acontecer você vai resistir e vai continuar e viver.... Aii! Filha me prometa agora – Os olhos dela de Laura de repente ficaram desesperados – Por favor, por favor, se você me ama anjo prometa! Que vai continuar por mim... continue por mim...
_ Mãe.. eu... prometo. Mãe eu prometo! – a menina falou rápido, preocupada com a agonia aparente da mãe.
_ Sim, obrigado anjo, agora eu posso ir em paz. Sim meu amor, eu sinto, eu tenho certeza, você vai ser importante pra muitas pessoas. Você vai amar um amor tão bonito quanto o meu pelo seu pai, eu sei que vai. Vai ter uma família linda, vai ser forte, sim valeu a pena por você! – Laura olhou pra menina que se segurava pra não chorar diante da mãe, tentou sorrir, ignorando a dor – Canta pra mamãe dormir?
nada disse, apenas deitou no peito da mãe e começou um canto sussurrado e entrecortado por um soluço ou outro que lhe escapava. Cantava uma melodia sem letra, com sua voz de sopranino, suave. Um canto como os muitos que a mãe lhe cantava pra lhe acalmar toda vez que por um motivo ficava nervosa. Aos poucos uma calma tomou-lhe o corpo, ela fechou os olhos e continuou cantando, no silêncio pacífico do quarto, somente com o apito ritmado dos aparelhos médicos.
Mas um som a despertou, o ritmo do aparelho se modificou, ela olhou pra tela e só via uma linha, sem ritmo, sem vida. Passou o olhar de repente para mãe. Ela estava de olhos fechados, com expressão serena, sem o brilho da pele.
_ Mãe?_ a pergunta saiu atropelada com um soluço – Mãe, mãe, acorda mãe, abra... aiiiiiii, mãe abra os olhos, anda, anda logo, sorria, acorda, fala ... comigo!!
Braços lhe pegaram, arrastando-a do quarto a muito custo. Uma força incomum para uma menina de seu tamanho se fez presente enquanto ela se debatia e chorava desesperada. Médicos e enfermeiras rodeavam a cama e a separavam de sua mãezinha.
A partir daquela noite começou a cumprir sua promessa, continuaria por sua mãe, só por ela, mesmo estando sozinha, somente com a presença de Laura em seu coração. Ela só não sabia como viveria, mas viveria.
Continue por mim...” era o pensamento que lhe fazia acordar dia após dia.





CAPÍTULO 2
CORAÇÃO QUEBRADO


“As feridas não formarão cicatrizes
Apenas memórias
Rasgando as feridas, ela está aberta
Gritando até seus pulmões sangrarem
Por trás de seus olhos frios e vazios
A inocência que morre por dentro...
Ela morre por dentro”



acordou mais uma vez de madrugada, com os mesmos pesadelos, a terrível lembrança. Rolou na cama do “internato” desconfortável, pensando na vida. “Mãe, porque lhe fiz aquela promessa? Ta tão difícil suportar, tão difícil...”. A bela e amargurada jovem fazia sempre a mesma pergunta, mas continuava. Fechou os olhos e relembrou o curto e pavoroso trecho de vida que teve antes de parar naquele lugar.

#Flash Back on#

Fazia cinco anos, cinco anos que a mãe morrera e ela vivia praticamente sozinha naquela casa imensa. O padrasto se ocupava nos negócios e encarregou a educação da garota aos empregados bem pagos e as inúmeras aulas de qualquer coisa que a mantivesse ocupada. Era aula de francês, espanhol, dança, piano, canto.... além do colégio. Como estava adiantada, se encontrava no penúltimo ano do colegial e como sempre dissera, estudava para entrar no curso de medicina, provavelmente seria a mais nova a entrar no curso, mas ninguém duvidava que conseguisse.

Ela acabou ainda, tendo que tomar as rédeas da administração da mansão, coisa que sua mãe fazia outrora, com extrema habilidade. Cuidava das refeições quando Xavier resolvia aparecer, elaborando o cardápio, organizava as contas, pagava os empregados, elaborava as listas de compras, dava orientações aos empregados. Tudo, até mesmo as recepções que havia na casa para os clientes de Xavier ela dava conta de organizar!

Xavier ficara surpreso que o “peso” que a esposa lhe deixara de herança fosse ser tão eficiente, útil. Mas não era só isso que ele observava. A garota estava crescendo e se tornando até mais bonita que a mãe. Coisa que ele não achava possível até então. O corpo era curvilíneo, apesar de ser jovem ainda, com apenas quinze anos, a menina já tinha belas pernas, seios bem feitos, suas formas eram harmoniosas. Sua pele tinha um tom moreno um tanto diferente do da mãe; os expressivos e altivos olhos castanhos cobriam-se por longos e espessos cílios negros, as sobrancelhas perfeitamente desenhadas. A emoldurar-lhe o rosto anguloso, uma cortina brilhosa e sedosa de cabelos castanhos escuros descia pelas costas em suaves ondas.

Uma futura deusa crescia sob os olhos atentos de Xavier, que pouco a pouco passava a ver seu encosto com outros olhos. Em suas intenções já havia volúpia. não deixou de perceber. O olhar do padrasto sob ela sempre incomodava, procurava se manter o mais distante possível quando ele estava em casa. Mas o homem não era um humano “bom”, nunca perdeu o que queria e ele passou a querer a moça de uma maneira nada boa pra ela.

Certa noite, quando pensava estar sozinha em casa desceu como estava preparada para dormir a cozinha, preparar um leite antes de se deitar. Os empregados estavam de folga e a velha governanta, a única que estava trabalhando, dormia na casa de hóspedes, que ficava a uns bons metros da casa principal. No entanto, já na cozinha escura, ouviu um barulho atrás de si que fez um frio descer pela sua espinha. Se virou rapidamente:

_ Tem alguém ai? – disse fitando a porta da cozinha.

_ Sou eu garota!

A visão do homem alto, forte, com um olhar de fera, fez estremecer. A forma como ele a olhava, como se a despisse, a fez sentir medo. Só então ela se deu conta que estava com um pequenino pijama para a rara noite de verão de Washington. Cruzou os braços tentando se cobrir, proteger o corpo dos olhos do padrasto.

Ele se aproximou, ela deu dois passos para trás. Ele estava bêbado, dava pra sentir o cheiro de álcool de longe.

_ Acordada há esta hora , com calor?

Ele perguntou se aproximando mais, fazendo bater na bancada da cozinha tentando se afastar. Ela virou para o microondas que apitava, para pegar o leite.

_ Só vim preparar um leite, já vou deitar..eu… – ela quase derrubou o copo ao sentir a respiração de Xavier em suas costas.

_ Faz um pra mim também. _ ele sussurrou, perto demais.

_ Você precisa mais de um café forte, vai tomar banho que eu preparo. – ela disse tentando contornar o corpo do homem. Mas ele agarrou-lhe o braço.

_ Calma garota, eu na verdade tava pensando em fazer outra coisa, a noite está propicia pra isto e... – ele a olhou de cima a baixo – quem sabe você gosta.

Pânico, ela começou a sentir pânico naquele momento. Ele tinha um olhar maníaco, aquilo não era bom, não era mesmo.

¬¬_ Me solta. – ela disse baixo, sua voz não delatava o medo que estava sentindo. Mas ao invés de atender-lhe, ele a puxou bruscamente para mais perto. O copo que ela carregava se espatifou no chão. Ele a arrastou da cozinha enquanto ela tentava se soltar.

Ah! mas ela dava trabalho, era mais forte do que ele presumia, mesmo ele tendo bons músculos estava difícil segura-la.

_ Me largaaaa!!! – ela gritava raivosa.

Ele deu um puxão em seus cabelos, arrancando um esgar da garota, trouxe a boca pra perto da orelha dela. – Você vai gostar, já está na hora – A mão dele subiu pela coxa da garota, ela se debateu mais, gritou, o hálito dele estava insuportável. Ela arranhou o rosto dele, lágrimas furiosas saiam de seus olhos.

_ Desgraçado!! – Raiva e medo se misturava dentro do peito da menina. “Não, não, não, isto não está acontecendo”, pensava.

Mas sim, estava! Se deu conta disto quando sentiu a bochecha esquentar logo que recebeu um tapa do maldito quando este percebeu que ela lhe arrancara sangue. Logo depois ele a jogou no chão. Ela bateu a cabeça na quina do corrimão da escadaria, ficando meio tonta antes de cair no pé dos degraus. Sentiu o corpo doer. Ele, no entanto, estava fora de si, a levantou puxando seus cabelos! Ela gemeu, gemeu e gritou por socorro.

_ Quieta, quietinha peste. Eu cuidei muito bem de você, agora que você esta no ponto, tem de me recompensar não acha?

Ele desviou quando ela tentou lhe acertar de novo. Aquilo doía, onde ela havia arrumado aquela força? Outro golpe dela quase o pegou desprevenido, mas ele pegou a perna dela antes que ela pudesse lhe dar uma ajoelhada. Ele a jogou no sofá, ela tentou agarrar o abajur que estava ao seu lado, mas antes que pudesse sentiu outro tapa forte. Sentiu os próprios dentes cortarem-lhe a bochecha, percebeu o sangue que lhe escorria do feio corte na cabeça.

_ Ahh!! Não seja má minha ninfeta. – o fedor álcool veio-lhe novamente na face, fazendo seu estomago embrulhar – Eu vou te ensinar a amar de verdade garota, hum... você é mais gostosa que sua mãe. Gosto de adrenalina, sua mãe era muito passiva!

O sangue dela ferveu. Com uma força que desorientou Xavier ela o empurrou de cima dela, fazendo-o cair. Saiu bamba pela sala, gritando por socorro a plenos pulmões. Mas um golpe nas costelas a fez cair novamente.

_ Chega de brincadeira, vamos logo com isso!

Ele não falou mais nada, tratou de concentrar suas forças em manter a garota presa. Com pressa rasgou-lhe o pijama. Ela gritava, gritava enquanto sentia a língua do maldito em seus seios, as mãos asquerosas lhe apalpando por todo lugar. Ela apertou os olhos, tentava, a todo custo, evitar que ele se posicionasse entre suas pernas. Mas foi inútil, ela sentiu mais do que dor no momento que ele a penetrou bruscamente. Sentiu nojo, dele e de si mesma, espanto, e uma ferida irrevogável no peito. Parou de gritar. Pensou, rezou pra que morresse ali, pra que ele a matasse.

O monstro estava ensandecido em cima da menina que tinha o coração a se despedaçar naquele momento, algo dentro dela se perdia, se quebrava. Ela abriu os olhos e teve um vislumbre. Achou que fosse sua sanidade que falhava. Viu algo belo demais pra ser humano, um olhar doce com grandes cílios azuis, havia cor em sua pele, algo escorria dos olhos puxados, uma lágrima? Ela não definia, seu corpo se balançava em um ritmo de morte, com o mostro a sacudir-lhe.

_Poupe-me.... – Ela sussurrou a criatura. Imediatamente recebeu uma espécie de anestésico no corpo inteiro. Caiu na inconsciência pensando ter visto mais vultos daqueles. Pensando ter ouvido vozes tristes a sussurrar incessantemente algo que parecia um canto.

Não, ela não estava delirando. Ela não sabia, mas naquele momento os elfos lamentavam e sofriam como nunca antes haviam sofrido, e era por ela. Os olhos que viu tão de perto fora de Koraíny, ele não acreditava que não podia impedir aquilo, tantas, tantas vezes a protegeu de vampiros, tão mais fortes, tão mais velozes. Mas as mãos passavam direto, ele não podia tocá-los.

_ Por quê? Por que não podemos rainha? – ele dizia com voz sofrida.

A majestosa criatura se aproximou, a dor que ela sentia parecia ter a dimensão de um sentimento humano, ela suspirava com os gritos da garota, pedia que as orações dos demais que estavam rodeando a cena lamentável, se erguesse.

_ Não podemos interferir no destino humano desta forma. Embora ela tenha algo de nós dentro dela, é essencialmente humana e entre os próprios humanos nada podemos interferir, nos tornamos incapazes, insuficientes. Foi lhes dado o livre arbítrio, bom ou mal eles escolhem, eles fazem. Lutamos somente com coisas que fazem parte do nosso mundo, os protegemos só daquilo que não foram responsáveis por existir, daquilo que não possuem forças pra se defender.

Funcionou, o canto dos elfos fizera cair inconsciente. A cena ficava ainda mais pavorosa. O homem se balançando na menina desacordada e pálida, como morta. Desejo torpe!

Koraíny olhou para o humano, não com raiva, nem ódio, os elfos não sentiam desta forma. Ele estava pesaroso, triste pelo ser lamentável que fazia aquela atrocidade. Mal sabia ele que sua alma estava agora condenada, ele se perdera eternamente.

_ Não entendo, majestade! Porque proteger homens como ele?

_ Sempre há uma escolha para os humanos, mas ainda há os que escolhem errado. Mas estes ainda estão em minoria. Enquanto isso acontecer valerá a pena a nossa missão. Vale à pena lutar pra proteger pessoas como Laura e como . Vale à pena!

#Flash Back off#

abriu os olhos se levantando da cama com brusquidão. Ela tinha certeza que a mãe não tinha noção do quanto seria difícil cumprir seu ultimo pedido. “Você pode e você vai”... “continue por mim”. Sim, aquilo a mantivera viva no momento mais sombrio de sua existência. Porém a menina perdeu sua inocência, ela não via a vida da mesma maneira que a mãe. Achava que o amor ainda existia em algum lugar, para alguém, mas não pra ela. Ela se fechara em si mesma neste sentido, o único sentimento mais forte que possuía dentro de si era o amor de sua mãe. Por alguma razão, tal amor era uma força imponente dentro dela, ela vivia por isto.

Ela se olhou no espelho do pequeno quarto, que ficava na porta do singelo, mas clássico roupeiro. Nada, nenhuma cicatriz, nenhuma marca exterior da violência que sofrera. As piores seqüelas estavam dentro de si. Mas ela não se lamentava há muito tempo, não chorava há muito tempo. Só se permitiu esta fraqueza, se entregar ao desespero de ter sua inocência perdida no mesmo fatídico dia, quando acordara em uma cama de hospital.

Inconsciente, ela não vira o que aconteceu depois. Pessoas estranhas lhe contaram, ela ouviu tudo de maneira apática, fria. Ouviu que a pobre governanta ouviu seus gritos, mas nada pode fazer a não ser chamar pela polícia. Ouviu que quando a polícia chegou, pegou o monstro em flagrante, mas já era tarde pra ela. Porém, o fato de a menina estar desacordada e muito ferida fez com que os policiais não fossem nada cordiais ou dessem um tratamento politicamente correto para seu padrasto.

Este foi a jure popular e, mesmo ela sobrevivendo, foi condenado a pena máxima. Mas não chegou a cumprir toda a pena. Os demais presos costumavam dar um certo tipo de tratamento a criminosos de tal estirpe. Xavier não resistiu aos subseqüentes espancamentos e demais torturas. Morreu em dois meses de cárcere.

O irônico de tudo isso é que boa parte da fortuna dele ficou de herança para . Ela ficou sabendo depois que ele havia passado muita coisa para o nome de sua mãe, antes desta morrer e, também, por ele não ter nenhuma outra ligação parentesca que justificasse um testamento. Por lei seria a mãe de que ficaria com os bens, como estava morta, eles passaram para filha. A garota, no entanto, autorizou a doação de grande parte da riqueza, mas ainda assim ficou com muito.

Depois do ocorrido, enviaram para um “abrigo/internato” até que pudesse ser emancipada e se cuidar sozinha. Isto porque ela alegou não querer ir à casa de ninguém, que não tinha nenhum conhecido e muito menos queria ser adotada. Os advogados de Xavier, que passaram a defender os interesses dela, providenciaram-lhe um lugar razoavelmente confortável, a custa de uma gorda mensalidade.

Tinham se passado três anos e ela estava agora com dezoito. A principal escapatória de seus problemas que encontrou fora os estudos, a medicina. Mesmo aos cuidados das freiras do internato, a menina conseguira entrar no curso de medicina na Universidade de Washington, cidade onde ainda residia. Sua inteligência era considera bem acima da média, tanto que estava com dezoito anos, no segundo ano do curso, sendo a melhor aluna da turma, tirando as médias mais altas do histórico do curso.

Ela decidira se dedicar de corpo, alma e todo sentimento à profissão, esquecendo-se de si mesma e cuidando dos outros. Não era somente uma postura altruísta, mas assim as coisas ficavam mais fáceis de suportar, o seu viver se tornava mais mecânico e útil pra algo. Não fazia parte da personalidade de se encolher em um canto e lamentar seus cacos, pedir por cuidados, ser uma depressiva inútil. Ela erguia a cabeça e vivia, sem, no entanto, se envolver com ninguém muito proximamente. Não fazia amigos, mas sim colegas de estudo, num esboço do que seriam suas futuras relações profissionais.

Mas naquela noite, em que tudo lhe passava novamente pela sua cabeça, outra coisa lhe incomodava. Há tempos achava-se estranha em relação aquilo que era considerado “normal” em um humano. Começou com a força e agilidade que lhe crescia cada vez mais, depois com o fato de não se cansar nem um pouco em suas aulas de dança ou de Educação Física, ainda que ficasse se movimentando por horas. Era mais rápida que os demais, sempre se destacava, preferindo muitas vezes refrear seus impulsos pra não ter um holofote sobre si.

Há alguns meses passou a não sentir tanto desconforto no inverno rigoroso de Washington, não precisava se agasalhar tanto como os outros. Seus reflexos eram, no mínimo, formidáveis. Nada lhe escapava das mãos. Seu equilíbrio maravilhoso. Equilibrava-se em saltos como se estivesse descalça. Há dois dias resolvera se testar. Ousadamente subiu, com certa facilidade, no telhado do internato em plena madrugada, sem muitas luzes, com uma lua encoberta por nuvens, e andara de salto quinze, pelo telhado inclinado. Não achou assim tão difícil. Aliás, tinha boa visão, enxergava as letras pequeninas dos livros que os colegas liam a duas fileiras a frente da sua.
O olfato também não era nada mal. O que a fazia até se intrigar com algo curioso. Todas as suas coisas tinham sempre um mesmo cheiro. Parecia um perfume, mas ela não usava perfume. Era uma fragrância leve, floral e afrutada ao mesmo tempo. O cheiro estava em seu travesseiro, em seus cadernos, em seus livros, tudo. Isso vinha dela?
Curiosa, resolveu analisar melhor sua genética. Sorrateiramente, durante aquela tarde, se enfiara em um dos laboratórios da Universidade e retirara de si uma pequena amostra de sangue. Logo, um impulso a fez inspirar o pequenino frasco com seu sangue e pra sua surpresa, pode identificar o mesmo “perfume” que a deixava intrigada. Sim o cheiro vinha dela. Com o coração aos saltos colocou uma pequena quantidade do sangue no microscópio. Não precisou de muito tempo pra constatar. Não, definitivamente aquela composição sanguínea não era normal, não batia com as descrições cientificas que conhecia tão bem, que eram muito claras e fundamentadas.
¬_ Ta confirmado! você é uma aberração! Só pode ser – disse a garota olhando-se no espelho do quarto.

Ela estava agoniada, não conseguia pensar direito, tinha que haver uma explicação, tinha, tinha! Que tipo de ser era ela afinal? Já não bastava a vida fácil que tinha? Ela cansou de deslizar de um lado a outro do quarto. Sentia-se enclausurada, precisava de liberdade, do vendo frio a chicotearem seus cabelos. Olhou o relógio. Três da manhã. Que ótimo, mais uma noite perdida! Vestiu uma calça qualquer por cima do pequeno shorts de seu pijama, calçou o tênis e rumara para a sacada.

O toque de recolher já fora dado, mas ela não se importava. Subiu no parapeito da sacada e olhou pra baixo. Sorriu. Uma idéia absurda lhe passava pela cabeça:
_ Será menina, que você consegue saltar estes dez metros? – riu de novo, além de tudo era doida suicida. – Tá, vou deixar pra próxima.
Mas ainda assim fez algo ousado. Desceu escalando pelas paredes externas do edifício do internato. Quando faltavam dois metros saltou, caíra dobrando os joelhos, absorvendo o impacto perfeitamente.
_ Ótimo gatinha, caiu de pé!
Começou a correr então, se embrenhando no bosque que rodeava o colégio. Normalmente as freiras não tinham a preocupação de que as frágeis menininhas do colégio se metessem naquele pequeno mundo selvagem, então não havia cercas. Corria sentindo prazer naquilo, porque fazia esvaziar a mente. Desviava sem problemas das arvores e saltava as raízes sem se abalar ou tropeçar. Só que depois de um tempo mata adentro, pensou ter vislumbres de silhuetas a seguindo. Se sentiu observada. Ficou tensa. “Droga! Por que fui tão longe?”
Forçou as pernas, corria mais, tinha quase certeza que tinha algo atrás dela, embora não escutasse perturbação alguma na mata. Planejava racionalmente suas possibilidades enquanto corria. Poderia, tinha que tentar dar a volta e regressar ao colégio. Mais outro susto! Havia coisas ou pessoas em volta dela. Eles eram silenciosos e corriam tão rápido quanto ela. Só então tomou consciência de sua velocidade, outra anomalia. A adrenalina a fizera parecer um jato na mata irregular. As arvores pareciam borrões a sua volta. Mas suas pernas estavam firmes, definitivamente firmes, sua respiração só alterada pela tensão.
_ Pare ! Chegou à hora de saber as verdades sobre si. Não é isso que quer? – disse-lhe uma voz suave, mas penetrante, altiva, cadenciada…


N/A: Genteee!!! Adorei seus comentários, simplesmente amei, mas suspeito que vão querer me matar agora. Bom, esta cena foi tão forte que eu tremia escrevendo, mas será extremamente importante para o desenrolar da história lembram? Guerreiras, certo? Bom, eu disse heroínas e não mocinhas por causa disso! Mas todos, eu digo todos os males tem uma cura, pra vcs, pro Jake… Que será esta cura, hein? Jake dá as caras no próximo (e que cara, vamos combinar)!!!

CAPITULO 3
MINHA VERDADE SOBRENATURAL
Tuas verdades se escondem onde as lendas se constroem...
...Em um mundo oculto de magia! ”
Antes que ela pudesse piscar eles a rodearam, fazendo-a parar bruscamente. Ela não acreditava no que via. Apertou os olhos e abriu de novo se deparando com a mesma visão. Se beliscou, também não adiantou.
Eles eram cerca de trinta, belos, assustadoramente belos e anormais. Suas peles pareciam ter desenhos coloridos que emanava uma luz efêmera. Era uma coloração e desenhos únicos. Os corpos eram esguios, altos, magros retesados. Tinham longos fios prateados na cabeça. Os cílios eram mais longos que os de humanos, azuis; os olhos, castanhos, um castanho familiar demais. E então ela se lembrou de seus próprios olhos refletidos no espelho.
O estranho é que mesmo encurralada no meio daquelas estranhas criaturas, não tinha medo, se sentia até... segura? Uma figura mais altiva que todas saiu de trás dos demais. Pela postura, a criatura, que parecia feminina, só poderia ser a dona da voz que a mandara parar. Ela lhe sorriu, arfou. Dentes lindos. Achou que aquilo foi a inspiração de Deus para criar o sorriso humano, era perfeito! Tinha o mesmo efeito de uma lua cheia e clara: iluminava qualquer escuridão.
Ela continuava a deslizar pra perto. não movia um músculo. Ela só podia estar sonhando.
_ Não anjo você não está sonhando – a criatura ainda respondia a pensamentos? Só em sonho mesmo! Mas a criatura continuou a falar. – Meu nome é Quendra, Rainha Quendra. Estes – ela apontou para os outros – são meu povo, somos os elfos.
_ O que? – ela sussurrou. De repente começou a rir descontrolada. Sim ela era louca, uma esquizofrênica, que agora deu pra ver coisas. Seu corpo se sacudia em gargalhadas, que foram se diminuindo enquanto ela observava as criaturas serenas olhando seu ataque, só esperando ela se acalmar. Parou assim que sentiu o toque suave e terno em seus ombros. Os dedos finos e aparentemente delicados de Quendra lhe acariciava os cabelos. – Lairon!
O sussurro deste nome fez a menina despertar, ela se afastou se virando para o ser que dissera este nome. Sim ela sabia quem era, era seu pai. O nome tantas vezes dito por Laura. Todas de forma saudosa, descrevendo características que a mãe manteve guardada em memória para reviver o seu amor para sua filha. Lairon...
_Meu pai!
_ Sim criança, seu pai. Preste a atenção ao que vou dizer: seu pai era um de nós, ele era um elfo.
_ Não, é claro que não, que loucura é esta? Não pode ser. Meu pai era normal, um humano normal e bonito, branco, alto, olhos castanhos iguais aos meus... olhos castanhos....
Ela parou, olhou para a Rainha, mas especificamente pra seus olhos. Era praticamente a visão do que a sua mão descrevera detalhadamente como os castanhos olhos de seu pai. Os olhos que ficavam mais claros quando o sol batia neles, que tinham uma força assombrosa que prendia as pessoas, desconsertava, emanavam luz, misteriosos...
_ Sim, os olhos. Todos nós temos a mesma cor: simplesmente castanhos, afinal já temos cor demais não é mesmo? – aquilo não parecia uma piada, mas sim uma constatação feita pela voz baixa da rainha.
_ São fascinantes! – escapou-lhe dos lábios o pensamento. Quendra só riu, parecia um tilintar cristalino de águas em pedras.
_ Creio que você está elogiando a si mesma então? Seus olhos são os nossos , são a herança de seu pai. – sim, ela já tinha ouvido isto da mãe.
_ Se vocês forem parte do meu sonho podem ter a cor de olhos que for. O que você me diz não existe, é ilusão, é...
_ Não ouse se agarrar a ciência humana como se fosse uma verdade absoluta , como se fosse a única coisa válida do universo pequena – se encolheu, apesar da voz continuar inalterável, aquelas palavras mexeram com algo dentro de si, algo que insistia em acreditar no que via e ouvia. – Você mesma não tem explicação para suas habilidades... como você pensa?.. Ah sim: anormais. Você mesma viu que a frágil ciência humana, que ainda tem muito a descobrir e explicar, não considera possível o que você mesma constatou! Usa-se agora do que ela lhe diz pra contestar este fato? Pra catalogá-lo como impossível, uma ilusão? , não são só os humanos que compartilham este mundo, existem muito mais coisas.
Sim, aquilo começava a ganhar corpo e coerência dentro da cabeça confusa da jovem. Mas ela precisava saber mais, as coisas ainda estavam soltas.
_ Mais coisas? Que tipo de coisas?
_ Calma, vamos por parte. Primeiro quem nós somos.
_ Sim, o que são vocês?
Quendra voltou a sorrir. – Os elfos são criaturas do mundo que os humanos costumam chamar de sobrenatural. Vivemos isolados na Terra, poucos ou quase nenhum ser sabem de nós, se inclua nestes poucos agora. – sacudiu a cabeça, olhou pra rainha e fez um sinal afirmativo, ela podia continuar – Por enquanto as coisas continuam assim, mas podem ser que mudem. Temos uma função particular, que gostamos de chamar de missão. Nós, com o poder que nos foi concedido, representamos o equilíbrio entre o humano e o sobrenatural. Vocês não sabem a importância que tem para Aquele que lhes criou criança, e sim, vocês tiveram um Criador.
respirou fundo, seus estudos apontavam para o contrário, mas se o que ela estava vivendo era real, significava que a ciência era limitada para algumas coisas.
_ Se permitíssemos, os seres sobrenaturais teriam força e poder suficientes para se sobrepor a vocês. É claro, não controlamos todos eles, afinal somos só nós – ela apontou para os cerca de trinta elfos que estavam agora sentados eretos em um grande circulo naquela clareira – mas eles não chegaram a dizimar nenhuma raça de humanos, uma correu sérios riscos, mas nós conseguimos reverter o caso a tempo. Mas você representa um perigo ou uma grande ajuda pra nós. Depende de quão habilidosa você for, das escolhas que você fizer.
olhou pra ela e sentiu as pernas bambas. “Perigo? Ajuda?”. Caiu sentada no chão úmido da mata.
_ Como assim? Perigosa por quê?
_ Os olhos não são as únicas coisas que você possui de seu pai minha linda. Acho que você sabe o que mais você tem dele, pense, está claro!
Sim estava. Só podia ser herança paterna as estranhices que tinha....
_ A força? A inteligência acima da média? Os reflexos, a velocidade, a resistência, a boa visão, o bom olfato? O... o...
_ Sim o mais importante , você está chegando lá.
Ela engoliu em seco, pensou e de repente parecia obvio demais, real e incontestável demais afinal não havia explicação para o que ela constatara em...
_ Meu sangue! – ela se levantou, agora ela tinha certeza que aquilo era real, absurdamente real. Só aquilo poderia explicar a sua estranha composição sanguínea. Nessa hora iniciou uma caminhada de um lado a outro no meio do círculo de elfos.
_ Espera! O cheiro... o cheiro é do meu sangue? Por quê?
Quendra sorriu em sua perfeição, afirmando com um sinal de cabeça. – Seu sangue trás uma parte da magia que nós somos constituídos e por isto é mágico. Sim, o cheiro é de seu sangue, sinta...
Pra espanto da garota, a bela rainha se arranhou, perfurando a pele distinta, fazendo sair dela um líquido azul prateado, mas o mais intrigante era o perfume, um perfume delicioso que a menina não tinha sentido até então. Lembrava o cheiro que ela mesma possuía, mas era diferente, muito mais forte. Quendra passou a mão pelo ferimento que se fechou imediatamente. O cheiro desapareceu com ele. Era como se não estivesse banhando o lugar há segundos atrás, não havia vestígio. O queixo de caiu.
_ Como?... Não, não! Por que isto explica o “perigosa”?
­_ Nosso sangue carrega toda a nossa essência mágica. Ele é poder e força, a nossa pura magia, em toda a sua excelência. Quando um elfo tem um filho com uma humana parte considerável disto é passado à criança. Ela não perde a sua essência humana, não se torna uma de nós. Mas se torna singular entre os humanos. Agora pense , agora que você já tem consciência do mundo sobrenatural que lhe rodeia. O que ou que criatura das suas .... lendas acha que tornaria você, enquanto fonte de poder e magia, em seu sangue, perigosa para nossa missão?
Ela parou, forçou a mente a se lembrar de algo, de lendas que fossem relacionadas a sangue... Oh! céus ela não se ligava neste tipo de coisas.
_ Você conhece querida, a resposta é simples – a elfo suspirou – os vampiros!
_ Como é que é? – Sarah esboçou um sorriso incrédulo que se desvaneceu rapidamente ao olhar o semblante sério e pesaroso a sua frente.
_Eles são poderosos e, como nas lendas que você conhece, se alimentam de sangue humano. São as criaturas que mais nos dão trabalho sabia? São os mais difíceis pra nós, o nosso maior desafio, a principal ameaça sobrenatural aos humanos!
Essa não era a voz de Quendra, era mais grave, mais profunda, embora soasse calma e cadenciada como a da rainha. se virou lentamente para seu interlocutor e levou um susto. Ela o conhecia, sim ela se lembrava dele, do seu olhar triste pra ela naquele dia... naquele dia horrível... na paz da inconsciência que ele lhe dera. Então não era ilusão? A criatura existia? Estava com ela naquele dia, ela não ouviu coisas demais?
_ Vocês estavam lá! – não era uma indagação, ela só falou em voz alta o que tinha certeza. O peito da menina começou a se descontrolar, a se sacudir. Eles viram? Se são tão poderosos, por que não impediram? Por que suas habilidades não se desenvolveram naquela hora? Ela se agachou no chão, segurando os cabelos, respirando fundo, tentando dar ordem ao caos que estava em sua cabeça.
_ Sim nós estávamos e infelizmente não podíamos fazer nada naquele momento. Não estava ao nosso alcance, nos perdoe!
_ E por que não estava ao alcance? – a voz de não estava triste ou angustiada. Estava raivosa, seus olhos duros, rígidos. Ela se levantou em uma postura ereta, de punhos fechados. – Por quê?
Koraíny olhou pra jovem a sua frente com pesar. Não havia nela a suave pureza da idade, para vencer o sofrimento ela enrijecera. Ele escutou sua rainha dizer-lhe quase as mesmas palavras que disse a ele naquela noite de horror: eles tinham poder para fazer coisas pelos humanos e não contra eles, fossem eles quem fossem! riu.
_ Que coisa mais irônica não é? – ela suspirou – mas não vamos chorar por coisas passadas porque não vale à pena. Continuem o que falavam antes. Então eu posso ser perigosa se os vampiros sugarem meu sangue? – ela disse a frase coberta de sarcasmo.
_ Sim. Diferente dos outros humanos, você é imune ao veneno que transforma os vampiros. Se eles te morderem você só ira enfraquecer, porém o poder deles irá se duplicar. Será a nossa força neles. eles são absolutamente letais, como Koraíny disse, nós quase não podemos conte-los, se muitos deles tiverem esta força....
_ Mas meu sangue não dura pra sempre não é? Uma hora eu morro. Então vocês não venceriam dois ou três?
Koraíny olhou pra Quendra de uma forma que pareceu sugestiva demais para a garota.
_ O que foi?
_ Você também poderá se regenerar conforme seus poderes continuarem a evoluir. Quando sua evolução mágica terminar, quando você tiver alcançado a idade adulta, daqui a poucos anos, seu sangue também ira se regenerar na mesma medida que ele lhe for retirado. Além disto, você não pode morrer tão facilmente quanto os humanos querida. Haverá um tempo, nós não sabemos ao certo quando, você não irá mais envelhecer. É uma maneira que a magia encontra pra permanecer forte. Quando o corpo alcança sua maior capacidade ele assim permanece.
ergueu as sobrancelhas para tudo que a rainha acabou de falar. Mas algo a intrigava:
_ Por que então nenhum vampiro cruzou meu caminho até agora?
Quendra se aproximou dela, alisou-lhe a face, fazendo fechar os olhos com o toque macio. _ Porque nós matamos todos que tentaram! – o sussurro da rainha serviu apenas pra deixar suas palavras ainda mais macabras. arregalou os olhos, seu coração acelerou.
_ Eles... eles já chegaram perto?
_ Sim. Conforme você foi crescendo, suas características especiais foram se tornando mais latentes. O seu cheiro também. Ah querida, o seu cheiro é irresistível pra eles, único. É uma verdadeira isca, eles ficam fora de si com ele, verdadeiras bestas feras.
_ Existem mais como eu? – ela tentou desviar do assunto, para controlar os batimentos, mas esse assunto também não parecia muito bom. Ela viu novamente a troca de olhares entre rainha e súdito.
_ Existem? – ela arfou – eles foram pegos?!
_ Não anjo, eles não foram pegos.
_ Então tem mais como eu?
Quendra suspirou _ Existiram, mas morreram.
_ Mas vocês não disseram que...
_ Nós não podíamos deixá-los viver querida. Por isto nós pedíamos que eles se fossem enquanto ainda eram frágeis, enquanto ainda não sofriam. Os pais deles, elfos como Lairon, levavam as almas de seus filhos para o lugar oculto que nos é reservado quando morremos.
Agora sim, a cabeça de girava. Koraíny lhe segurou nos braços, mantendo-a de pé.
_ Por quê? Por que vocês me deixaram viva?
_ Lairon me pediu! – Quendra disse simplesmente.
_ Como assim? Um pedido dele fez vocês mudarem de opinião?
_ Não foi um mero pedido, foi uma vontade dele. Nenhum de nossos mortos se manifestou daquela forma. Por alguma razão ele sabia que você resistiria, por alguma razão, conhecida só dele, ele me pediu pra que te deixasse viver, que ele não poderia levá-la consigo. Ele me disse que sua vida era importante. Nós, todos nós – ela novamente apontou para os outros elfos silenciosos - nos reunimos e decidimos que deixaríamos você viver. Que pela primeira vez tentaríamos, porque se Lairon, em um nível superior ao nosso, pediu, nós não poderíamos desconsiderar isto. Também porque foi a primeira vez que algum dos pais fez algo como isso. Nada é por acaso e nós, elfos, não somos levianos em nossas decisões. Acreditamos em Lairon, era não iria ir contra a nossa missão. Decidimos cuidar de você enquanto podíamos, ou seja, até quando você não for capaz de se defender sozinha.
_ Mas se meu pai estava morto, como ele lhe pediu isto? – perguntou confusa.
_ Ele apareceu pra mim, no que vocês chamariam de sonho. Mas nós não dormimos, portanto não temos sonhos. Quando algo assim acontece, nós entramos em uma espécie de transe caótico, o tempo real se mistura com o que estamos vendo de outro lugar, outro tempo. Pude sentir Lairon, ver seus olhos. Nós sabemos que é verdade.
A cabeça de tentava processar as informações ditas tão calmamente pela criatura sobrenatural a sua frente. Mas inúmeras duvidas lhe povoavam a mente.
_ E agora? – A menina pensou alto, imaginando como seria a sua vida com tudo aquilo, como ela ia viver com suas habilidades extras? Como ia se defender dos vampiros se nunca tinha visto ou estado com um antes? Se eles eram tão poderosos, como ela poderia vencê-los? E o pior, o pior de tudo, ela teria de viver por quanto tempo? Que motivação acharia para isso?
_ Calma ! – Koraíny lhe disse, sentindo sua tensão, ainda mantendo-a amparada nele.
_ Sim se acalme , nós vamos lhe ensinar a lhe dar com tudo isso. Nós não deixaremos de nos ver por enquanto, todos nós lhe treinaremos para que aprenda a lutar e, o mais importante: ocultar, esconder seu cheiro o máximo possível!
Só então se atentou para isto, eles não exalavam o cheiro forte que ela sabia possuir o sangue deles. Assim que a rainha quis, o cheiro dela desapareceu. Ela respondeu a rainha apenas com um aceno de cabeça, tendo ainda a esperança de que aquilo era um sonho.
_ Nos veremos regularmente, assim suas dúvidas sobre nós e sobre si mesma também poderão se esclarecer. Por hoje já basta, Koraíny vai lhe levar ao seu quarto mais rapidamente agora.
_ Rapidamente? – indagou em um murmúrio.
_ Sim, somos mais rápidos, é sem correr. Você verá – Quendra não explicou mais nada. – Até breve anjo!
Koraíny murmurou um “segure em mim” para , mas antes, ela tinha que esclarecer mais uma dúvida. Olhou para Quendra.
_ E se eu não conseguir fugir? E se eu for pega por vampiros? E se eu lhes der mais poder?
Os olhos da rainha de repente se escureceram. Ela andou levemente para perto de . Um andar lento demais para a criatura, deixando uma tensão enquanto demorava-se para desfazer aquela curta distância. tinha a garganta seca. A rainha agora parecia uma criatura extremamente perigosa.
Quendra, mais uma vez, passou os dedos suavemente pelo rosto da jovem, segurando-o em seguida com as duas mãos de algodão. Aproximou os lábios do ouvido de , lentamente. Esta sentiu um frio na espinha com o sussurro que saiu dos lábios da rainha.
_ Temo que para que nossa missão continue firme, você terá de ser destruída se houver possibilidade de isso acontecer.
Um vento soprou a nuca da menina, ela deixou de sentir as mãos de Quendra, seus olhos ficaram turvos. Quando deu por si, Koraíny a deitava na cama de seu dormitório.
Na mesma noite, em Forks…
… o jovem índio sentia seu coração comprimir. Sabia que não adiantava mais lutar para mantê-la viva. Ele morreria agora. Seu único amor, aquela por quem ele tudo fizera, que havia confessado seu amor por ele, que o beijara tão intensamente. Ah! seu primeiro beijo…
Não havia mais como negar, ela morrera. Bella Swan estava morta. Ele não tinha mais pelo que lutar, pelo que acreditar. O coração dela parara de bater!
Ele não iria suportar aquilo, nunca imaginou sentir tal dor. Mas antes de tudo ele precisava fazer uma última coisa, que morresse depois, não importava. Ele tinha que matar. Matar o monstro maldito que tirara completamente a esperança de ele ainda poder amar…
Ele desceu as escadas da mansão branca, se distanciando do cadáver daquela que amou, seu corpo se sacudindo em fúria e sede de morte, de vingança.
Não, a aberração não escaparia dele
N/A: Mais leve este não é girls?... Mas…para os próximos capítulos… “Estava quase lá, via a coisa se debater, rolando no vidro e chorando agudamente. Insuportável! ‘Cala a boca pra sempre bicho infernal!’. Deu um salto, rumo a gargantinha asquerosa…”
“… A voz rouca e baixa fez a moça estremecer, ainda mais porque ele lhe disse essas palavras se aproximando de seu ouvido para que ela pudesse ouvi-lo …”
“Ela estava a frente de todos eles, mas precisava despistá-los. Ela não poderia lutar agora, seria pega!…” .
... ♪Tchan, tchan, tchaaaamm #♪música de suspense♪#. Muitas coisas estão por vir... O que aconteceria se o imprinting não tivesse parado Jake em BD hein? Hein? Hohahohaha… (era pra ser uma risada maligna, vcs entenderam né?)




O MORRER DE UM SOL

“Em algum lugar ao longo desta estrada ele perdeu sua alma...
Para uma mulher sem coração, agora fria...”

Jacob Black ( N/A:imagem do bloguinho, emprestadinha, tudo a vê!)

Ele caminhava obstinado rumo à criatura destruidora que parecia estar na sala da mansão. Pensava e calculava o melhor jeito de matá-la. Não se importava com mais nada. Nem mesmo se fora por aquela coisa que sua Bella morrera pra trazer ao mundo, se seria atacado pelo clã inteiro dos Cullens depois daquilo, se seus irmãos morreriam buscando vingança. Nada! A ânsia de estraçalhar o bebê monstro era maior do que tudo naquele momento.
Seu olhar estava letal enquanto caminhava na direção da coisa, guiado pelo som do pulsar acelerado daquele coração. Ela estava nos braços da sanguessuga loira, sugando vorazmente uma espécie de mamadeira de metal. Sangue. Era sangue humano que tinha dentro do frasco. Ele sentiu ainda mais revolta e asco daquele ser.
O pulsar maldito do coração da assassina não ia continuar. Ele sentia o fogo da transformação se espalhar pelo seu corpo. Tão opressor, tão inevitável, ele o queria. Ah! como queria…Nunca desejou tanto ser uma criatura letal como agora. Nunca agradeceu tanto pelos seus genes lupinos como naquele instante. Sim, ele queria que o lobo saísse de dentro de si, com toda a sua força selvagem.
Rosálie ergueu a monstrinha acima de sua cabeça. Ele considerou a posição perfeita para o ataque. Não esperou mais. Antes que a vampira saísse de seu topor de admiração pela meia vampira o lobo castanho avermelhado saltou sobre as duas, acertando uma das patas no braço que a sanguessuga segurava a criatura.
A vampira urrou, a coisa voou longe, batendo em cheio em uma das belas paredes de vidro da sala, espalhando cacos para todos os lados. “Simmmm”, pensou o lobo feliz por sentir o cheiro do que só poderia ser o sangue da criatura. Mas antes que ele pudesse fazer qualquer outro movimento, Rosálie estava encima dele, tentando-o morder a todo custo. Ele se sacudiu feroz como nunca, fazendo a fria se soltar dele.
Ela se levantou em um átimo, indo novamente para o ataque.
_ Desgraçado, olha o que você fez? – ela rosnava, os olhos enegrecidos, partindo para cima do lobo em desespero. Se sentia mãe da bebê hibídria, morreria por ela. Não deixaria aquele lobo encostar nela. Ela não podia falhar!
O índio desviava dos golpes desesperados dela, impelido pelo ódio, se aproximava cada vez mais de seu alvo que chorava por entre cacos de vidros. Ela lhe acertara! A loira lhe dera um duro soco no dorso, fazendo suas patas se dobrarem.
“Tá certo, você vai morrer primeiro então sanguessuga”. Ele desistiu momentaneamente de avançar para a pequena que sangrava. Partiu em cólera para cima de Rosálie, fazendo com que ela recuasse com dificuldade. Agora ela estava em desvantagem, pois o lobo estava absurdamente veloz, forte, letal. Quase não dava pra ela atacar, tendo mais que se defender.
A sala já estava em pedaços com a luta que não tinha nem dois minutos. O índio acertara finalmente a vampira, que foi jogada longe, contra a parede do escritório, afundando nela. Ele imediatamente voltou suas costas para ela indo em direção a seu objetivo: queria sentir a coisa sendo esmagada em seus dentes.
Estava quase lá, via a coisa se debater, rolando no vidro e chorando agudamente. Insuportável! “Cala a boca pra sempre bicho infernal!”. Deu um salto, rumo a gargantinha asquerosa. Antes que alcançasse ela, no entanto, um vulto se meteu entre os dois, catando a coisa e levando pra longe dele. “Edward, desgraçado!” O lobo pensou, tentando partir atrás dos dois, mas a loira voltava ao ataque, puxando-lhe pelo pescoço, fazendo-o cair de patas pra cima. Ela saltou sobre ele com sorriso assassino, mas ele desviou só um pouquinho, fazendo que a fria caísse diretamente na boca do lobo. Ele abocanhou o braço dela. Ergueu-se, prendendo o braço nos dentes e agitando a vampira, que rosnou. Ele lhe arrancou o braço jogando na direção oposta a que Rosálie caiu.
Mas a maldita não desistia. Veio em direção a ele, sem braço mesmo, mirando os dentes na sua jugular. Por um triz ele se saiu de sua investida. E, como se ainda fosse possível, sentiu mais furor e, de uma vez por todas, catou os cabelos da loira com os dentes, prendeu-a entre as patas e puxou…
Foi jogado longe. Olhou ao redor, momentaneamente atordoado. Viu a vampira estirada no chão. A cabeça quase foi-lhe arrancada, mas da forma como estava, ela se reintegraria se não fosse queimada. De seu outro lado Edward o olhava de forma penetrante, um olhar exausto, em chamas, como estava quando ele lhe fez a proposta absurda de ter um filho com sua mulher, Bella.
_Chega Jacob, por favor, pare! Bella não iria querer isto, que você matasse a filha que ela tanto lutou pra ter.
Mas por quê? Por que ele se importaria com o que Bella iria pensar agora, estando ela morta? Morta porque não se importou com o que ele pudesse sentir quando fez suas escolhas. Morta porque preferiu dar vida a sua assassina a manter seu coração batendo por ele.
_ Ela não está morta Jacob, escute? – Edward tentava argumentar em desespero. Sabia que assim como Bella não gostaria que Jacob matasse sua filha, não iria ficar contente se ele tivesse de matar Jake.
O índio parou de procurar com os sentidos onde Edward escondera a criatura e se deu conta de um som em particular. No andar de cima, um coração adulto batia frenéticamentente, uma humana respirava em um ritmo cada vez mais acelerado. Sim, era ela, era Bella. O maldito sanguessuga conseguira, ela estava se transformando, se transformando em uma criatura igual a ele.
Ela não manterá seu coração batendo por ele! Ela agora o fazia morrer, parar em seu peito pelo maldito sanguessuga que lhe olhava agora. Não havia pelo o que lutar agora. O coração dela iria parar eternamente, era a sua derrocada, sua desistência.
Ele sentiu algo morrer dentro de si. Ela não sabia como ele a amou, se soubesse não teria feito o que fez. Ela o usou, usou como a um remédio. Consumiu tudo o que ele tinha pra curar-se e deixava agora só um fraco vazio, jogou-o fora. Ela preferiu à eternidade de um frio a intensidade do fogo que queimava nele. Intensidade que ele reservou pra ela, só pra ela.
Ah, como ele fora imbecil! Idiota em acreditar, em lutar, em ter esperança. E agora mais uma vez ele, por ela, estava disposto a morrer unicamente pra vingar sua morte. Mas ela escolhera ser morta eternamente. Bella Swan sempre fazia escolhas egoístas, que matava o jovem lobo aos poucos. O que … o que ela lhe dera? Dor!
Ele virou as costas para Edward. “Fique tranquilo miserável. Não vale a pena matar por quem não quis viver por mim. Vocês que vão para o inferno por trazer ao mundo uma assassina maldita. E espero que não cruzem meu caminho de novo, nenhum de vocês. Ou então vou terminar o que comecei, custe o que custar! Infelicidades eternas malditos.”
E então ele correu da casa assombrosa, deixando tudo pra trás. Deixando a coisa asquerosa ainda viva, deixando a única que um dia amou a se perder em uma vida de eterna sede por sangue, deixando a ilusão de que amar poderia valer à pena, de que lutar por amor compensava a dor, de que a razão de viver era esse sentimento falso.
Ele deixou a si mesmo naquele mausoléu branco. Ali ele deixou o Jacob que um dia fora, que sorria, que tinha alegria, amigos, que era amigo, irmão.
Naquele instante, o sol que nascia de um sorriso de Jacob Black foi sepultado.

¬ Dez anos depois…

Um a um eles foram se transformando, suas mentes se conectando. Todos correndo em direção a clareira que lhes foi ordenado esperar por seu Alpha. Suas patas levantavam tufos de terra do chão. Brad, Collin, Quil, Embry e Seth apostavam uma corrida. Brincavam e implicavam entre si. Aos poucos os lobos foram chegando à clareira. Embry fora o primeiro. Os outros bufaram. Agora teriam de agüentar as vanglorissões do lobo por um século.
“Ah, ganhei, claro! O lobão aqui pode tudo pirralhos. Ei, mais novos, sigam o exemplo do papai aqui”
“Nem vem Embry, que você só ganhou porque se transformou perto da clareira! Foi trapaça!”
“Corta essa Seth, admite que nenhum de vocês é páreo pra mim! Ninguém me põe no chinelo caras, quero dizer, lobos”
“Claro que ninguém põe ele no chinelo”. Collin soltou irônico, trazendo a imagem dela discutindo com ele outra noite. Os outros que já estavam transformados soltaram risadas de lobos, gritando em seus pensamentos “Uhull, uii, paga-pau”
“Vocês não entenderam gente”, Seth começou com ares de quem ia defender Embry. Todos pararam para ouvir essa. “Ser posto no chinelo pela loba patroa é outra coisa, principalmente se ela correr muito mais que ele”. Pronto, com essa a algazarra estava feita. O pensamento dos lobos virou uma gritaria, todos tiravam sarro de Embry. Não perceberam que outro pensamento se juntava a eles. Levaram um susto quando a voz zangada de Leah soou forte na mente deles.
“Calem a boca idiotas!…” Seth pensava se ela ainda não tinha mudado, mas quando ela continuou o pensamento...
“Deixem meu Embry em paz!”, a loba pensou se aproximando do lobo que antes estava carrancudo, mas que agora se levantava quase saltitante de seu canto pra recebê-la. Vendo a loba, ele deixou escapar um de seus momentos juntos, fazendo a algazarra recomeçar.
Leah, fingindo a dureza que possuía antes de deixar se envolver em um romance novamente, deu uma patada na lateral do corpo de seu atual namorado. “Se segura Embry!”. Disse isso, mas a lembrança da ultima noite entre os dois, muito quente a propósito, também tomou conta da sua mente um instante.
Seth pôs a língua pra fora, enrugando o focinho. “Credo Leah, me poupe! Tô ficando enjoado, argh!”
“Ah… o amor é lindo”, Quil dizia em deboche. Todos seguiam o mesmo curso de provocações, Leah fingia zanga, saltando sob os lobos mais próximos. “É isso mesmo, eu mando no meu lobo”. A balbúrdia nos pensamentos continuava. Embry pensava: “Vocês estão com inveja, seus mal amados!”. Havia certa pontada de orgulho por parte do rapaz por ter conseguido driblar a durona Leah e começarem um relacionamento firme, que já tinha três anos.
“Ai que lindo Embry!” Era Paul, respondendo o ultimo pensamento do irmão.
“Basta!”
A voz dele soou forte, penetrando em cada canto da conexão mental dos lobos, fazendo todos os dezesseis da matilha sentirem a imperiosidade do som em seus músculos. O ambiente imediatamente enrijeceu, os lobos esqueceram até mesmo o porquê brincavam. Este era o efeito de quando aquela voz fria, dura e imponente falava. Tudo se tencionava!
Era o rígido e amargo Alpha que falava. Sua voz tinha a mesma característica de sua postura, a mesma austeridade que seus olhos agora tinham: impenetrável e inflexível!
Até mesmo os pensamentos os lobos aprenderam a controlar quando ele chegava! Ele não admitia brincadeiras, não admitia pensamentos impróprios, não admitia que os lobos perdessem o foco de quaisquer missões pensando em algo que não fosse suas orientações. Demonstrações de afeto, nunca! “Isso não diz respeito à matilha”, ele dizia sempre.
O Alpha queria guerreiros sob suas ordens, não irmãos. Guerreiros que fossem práticos, eficientes, sem falhar nunca. Nenhum dos lobos escapara das opressivas advertências quando cometiam algum deslize, por mínimo que fosse, nem mesmo a loba. Eles simplesmente abaixavam o focinho e escutavam, tentavam se desculpar, mas não adiantava.
“Se alguém tivesse morrido por causa da sua besteira, suas desculpas não iriam trazê-lo de volta. Você ia ser tão assassino quanto a coisa que o matou” Esse era o argumento usado sem piedade sob os que erravam.
Aqueles que um dia tinham sido próximos do Alpha Black, agora não se sentiam a vontade perto dele. Aprenderam a tratá-lo com deferência, unicamente como se trata um líder desconhecido. Nos primeiro anos que Sam passou toda a alcatéia para o comando de Jacob Black, os amigos sentiram a ausência absurda do jovem que conheciam.
Eles sabiam o motivo de ele ter se tornado o que se tornou. Mas ao mínimo sinal de pena que Black captava no pensamento dos lobos, a terra tremia com sua fúria. Certa vez ele ofendera Leah duramente, jogando todas as atitudes mesquinhas e arrogantes dela, tal como suas fragilidades, diante de todos. Depois ordenara que nenhum deles cometesse tal erro em relação a ele.
“Não me interessa o que vocês pensam de mim. Estou aqui unicamente para proteger e cuidar do nosso povo, não para ser cuidado ou compreendido!”
Por esta razão os lobos estavam, naquele instante, todos em uma fileira rígida diante do gigantesco e imponente lobo castanho-avermelhado. Apenas esperavam as instruções para as trocas de turnos para as rondas. A voz mecânica e fria começou a discursar em pensamento.
“Eu, nem o conselho, sabemos por que razão não há mais transformações de lobos há dez anos, mesmo com muitos vampiros ainda escolhendo a redondeza como área de caça. O fato é que somos poucos e nossa área de proteção é bem maior do que era há dez anos. Talvez seja pelo motivo de não termos mais vampiros acampados por aqui. Mas não importa, temos que dar conta, então os turnos serão dobrados. Principalmente em razão do grupo de malditos sanguessugas terem escapado da ultima vez”.
Ele disse isto olhando diretamente para Collin e Quil. Isto porque eles estavam perto dos vampiros e desistiram de pegá-los quando perceberam Seth precisando de ajuda no outro extremo. Os dois ficaram o resto da semana fazendo rondas sozinhos e ai deles se algo desse errado.
Nenhum pensamento ousou protestar as horas a mais de ronda. Apenas escutavam. O líder passou a dividir os horários, sem consultar a disponibilidade de ninguém pra isto, apenas distribuía as horas do dia, revezadas durante a semana. Embry, ao perceber que ficara com doze horas nos domingos, caindo em dois grupos seguidos neste dia, nenhum com Leah, deixou vazar uma certa impaciência/insulto para o Alpha de seus pensamentos.
Jacob, em sua perspicácia, não deixou escapar, virando-se imediatamente para Embry. O grupo enrijeceu ainda mais. Leah temeu sob o que viria sob seu amado.
Embry ficou estático. O enorme lobo Alpha encostou o focinho a centímetros dele. A altura absurdamente diferente entre líder e liderado.
“Então você não gostou da escala Embry?…” Embry não respondeu, seria pior. “Já que é assim vamos mudar. Para o nosso amigo ficar mais a vontade pra namorar, não é mesmo?”
A matilha inteira suspendeu a respiração diante da frase cheia de sarcasmo de Jacob.
“Você troca com Brad e Paul, fica na segunda e na terça de dia.”
Embry arregalou os olhos. “Jacob, mas eu trabalho de dia, eu não posso faltar duas vezes por semana. Vou perder o emprego que eu demorei anos pra conseguir subir de cargo.”
“É mesmo Embry? Eu sabia disso. Mas pensei que você preferisse o seu namoro do que um emprego valioso. Não é o amor que vale mais Embry?” Havia mais uma tonelada de sarcasmo nesta frase. “Aprenda a fazer escolhas certas. Se não queria, pensasse assim antes. Agora você vai fazer as rondas nestes dias!”
Era o fim da discussão. A ordem Alpha soou mais dominadora do que jamais soou entre os lobos de todas as gerações. Toda a matilha sentia o peso dela pela ligação mental.
Porém, assim que o Alpha se tornou humano novamente, Leah deixou toda sua raiva fluir em seus pensamentos. Mordeu o tronco de uma arvore para não uivar alto demais e Jacob escutar.
Isso não ficaria assim! Há dez anos todos eles o suportavam sem nada dizer. Mas era hora de Jacob Black escutar umas verdades e ela ia dizer. Ele podia matá-la, mas ela ia dizer.
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Não era só com a matilha que Jacob Black passou a se tão rígido, tão nefasto. Durante meses a irmã Rachel, chorou por seu irmãosinho ter congelado por dentro. O desespero se tornou ainda mais sólido quando ele, a escutando chorar mais uma vez durante a noite – por ele ter chegado e não dirigido um olhar ou palavra a ela, o pai e a Paul – entrou bruscamente no quarto da irmã. Com dureza, mas sem machucá-la, pegou o rosto molhado de lágrimas com uma das mãos, o erguendo em sua direção. Ela estremeceu ao encontar o olhar de pedra.
_ Não vale a pena chorar por ninguém, Rachel! Você não me faz sentir melhor com essa porcaria de barulho toda a noite. Ao contrário, só deixa um inferno ainda maior. Por isso irmãzinha, pra que eu continue gostando de você, pare com isto! Eu não preciso disto, estou bem assim. Sem ilusão alguma. Eu sou agora o que as pessoas seriam se não fossem burras o suficiente pra acreditar em contos de fadas!
Billy se arrastou para o quarto dela assim que Jacob saiu da casa com fúria, deixando Rachel com o corpo convulsionando de tantas suluços. O pai jogou-se sobre ela, caindo da cadeira de rodas, se entregando também ao pranto por sentir que o coração de seu filho se perdera. Ele perdera o amor.
Depois disto, Jacob deixou a pequena casa vermelha, partindo para estudar em Seatlle, morando em um apartamento por lá. Vinha a La Push somente para cumprir as obrigações com a matilha. Se formou em um curso de Engenharia Mecanica Automotiva. Sua eficiencia prática resultou em um cargo de liderança em uma fábrica de veículos de Seatlle, onde atuava na área de projeto e fabricação dos carros de linha esportiva.
Seu Rabbit foi substituido por um SLS AMG prata . Voltou a morar em La Push, somente quando Sam lhe dera a liderança da matilha. Construiu uma casa pequena, mas moderna, em um local afastado da reserva. Pagava uma senhora que não via para cuidar dos afazeres domésticos. Ela só ia a casa quando ele não estava. Visitava a família sempre muito cordial, sem muitas conversas.
Quando não estava no trabalho ou com a matilha, saia pela noite de Seatlle, fazendo um outro tipo de caça. Simplesmente, como uma fera que precisava saciar suas necessidades, ele se sentava em sua imponencia nos bares das boates e esperava. Não demorava elas se aproximavam, se oferecendo. Ele não precisava ser um gentleman, fazer cantadas, elas simplesmente não recusavam quando ele lhe passava os braços pela cintura, levando-as para algumas horas do que para elas era um sonho sublime de prazer, já para ele, pura necessidade física.
Ele as escolhia como a um produto na prateleira de supermercado. Se satisfazia, deixava-as sempre desfalecidas na cama de um motel luxuoso e partia. Deixava dinheiro e a conta paga, só. Sem nome e sem nenhuma palavra desnecessária.
Aquela era uma das noites que ele simplemente tinha que se destrair. Depois do encontro com a matilha, fora direto para sua casa arrumar-se para visitar uma boate nova em Seatlle. Banhou-se demoradamente na água fria, ocasionando em um proposital choque térmico com a sua pele. Vistiu um jeans escuro, camisa branca e blazer preto.
A firmeza de seus passos davam a ele um andar elegante e majestoso. Chamou a atenção logo que entrou no ambiente com luzes efêmeras. Não foi a pista de dança, olhou em direção ao bar. Era ali que as mais interessantes, mas também as mais bebadas costumavam ficar. De longe avistou uma ruiva. Era alta, tinha curvas acentuadas, estava sentada ereta, observando o lugar. Seria ela.
Sentou-se ao lado, mas não desviou o olhar em direção a moça em nenhum momento. Pediu ao garçom àgua com gás e limão.
_ Interasseante. Você não tem cara de que vem a um bar somente para beber água. – Era ela que já buscava a atenção do rapaz. Ele não lhe respondeu, apenas direcionou um olhar penetrante a ela, da cabeça aos pés.
A moça se sentiu despida, amoleceu imediatamente. Tentou fazer a melhor cara de sedutora que podia, lançando um sorriso ao homem gostosamente sério e misterioso a sua frente.
_ Não gosta de falar?
Ele suspirou fundo – Não, não gosto de falar, é perder tempo. Sei o que quero e sei o que você quer agora, então porque enrolar?
A voz rouca e baixa fez a moça estremecer, ainda mais porque ele lhe disse essas palavras se aproximando de seu ouvido para que ela pudesse ouvi-lo sob o barulho da música. Assim que ele ouviu o coração da ruiva disparar a beijou, agarrando-lhe a nuca, apertando-lhe a cintura. Quando ele a soltou do beijo, ela não perguntou onde ele a levava, entrou no carro prata sem estranhar, apenas com a ansiedade a pulsar-lhe o ventre cada vez que ele a olhava.
Ele sentiu amargor assim que saiu da mulher, momentos mais tarde. Ela sorria, cansada, após ter gritado feito uma louca sob ele. Ele não lhe dera oportunidade de falar. Assim que chegaram ao quarto de hotel, ele tirara as roupas dela habilidosamente, deixando-a ainda se divertir tirando a roupa dele. Mas agora tinha acabado. Ele estava com o corpo satisfeito, mas procurava não prestar a atenção no vazio que sentia no peito.
Ele se jogara ao lado da mulher desconhecida na cama, sentiu irritação assim que ela veio envolver-lhe com os braços, espalhando os cabelos ruivos em seu peito. Esperou ela dormir, tirou-a de cima de si, tomou um banho e se foi. Nem melhor e nem pior do que esteve antes, apenas com as necessidades masculinas satisfeitas.
Mas antes que pudesse entrar na garagem de sua casa, avistou Leah sentada em uma das cadeiras de seu charmoso deque de madeira. Ela estava séria, com aparência cansada, certamente esperando por ele a muito tempo. Ele jogou a cabeça para traz no banco do carro, bufando. As conversas com Leah nunca eram boas. Alías, para ele, conversas não eram boas.
Ele guardou o luxuoso carro, andando lentamente em direção a casa. Passou pela moça olhando-a, mas sem nada dizer ou questionar. Entrou na casa deixando a porta aberta. Leah revirou os olhos. Aquele era o jeito do, como apelidara secratamente Quil, Lobo Dark permitir a entrada dela em seu recanto.
_ Bom dia pra você também Jacob!
_ Você está tendo um bom dia Leah? Bom pra você!
_ Bom, não sei se o seu dia vai ser bom, mas a noite deve ter sido, não? Estou aqui te esperando faz horas!!
_ Fosse pra casa e voltasse depois.
_ Não, eu não posso adiar mais Jacob.
_ Acaso veio pedir clemência ao seu namorado? – Ele lhe olhou com sobrancelhas erguidas – Ora Leah, poupe-se!
_ Vim sim! Vim pedir porque alguem tem que se importar com os outros aqui, não é verdade? Vim pedir porque tanto como você, eu sei o quanto Embry lutou pra entar naquela empresa multinacional Jacob, e depois de entrar lá, o quanto se esforçou para conseguir o cargo de gerente financeiro! Você sabe que ele nunca levou algo tão a sério e agora, por birra egoísta você simplesmente acaba com tudo com uma porcaria de ordem?
Sim, aquele era o jeito Leah de ser. Ela esbravejava cada vez mais irada ao ver a expressão inalterável e inflexivel de Jacob a sua frente. Terminou arfante, encarando o olhar frio dele. Mas ele simplesmente aplaudira sarcársticamente o discurso.
_ Uauu! Bela defesa. Só tenho uma pergunta: você acha que ele te defenderia assim?
_ As pessoas que gostam fazem isso Black! – Ela respondeu raivosa, a voz mais grave que o normal.
Jacob virou-se para ela imediatamente e começou a rir, a gargalhar na cara da moça.
_ Ora, ora, ora! Esta é a Leah? Acreditando em romance? Agindo por amor? Deixe de ser imbecil! E não, eu não vou voltar atrás. Embry não escolheu você Leah? Ótima escolha. Vocês não são os que acreditam que pelo o amor vale tudo? Então eu lhes dei o mais importante. Agora se ele não pensa assim, só poderá pensar mais no que escolher das próximas vezes. Agora você pode ir com sua resposta Leazinha apaixonadinha e me daixar em paz! A propósito, você era menos boba antes!
_ Eu posso ter sido o que fui Jacob, posso ter ficado um bom tempo amargurada, mas nunca perdi a alma, nunca me tornei tão despresível quanto você Jacob. Se eu fui assim, que Deus me perdoe por amor, por que é horrível! Caso não saiba Black, você espalha o teu amargor por onde passa, deixa um rastro de tristeza e ódio com quem se envolve!
_ Você se acha mesmo tão diferente de mim loba? Ora! Você destilava veneno! Agora caiu na armadilha dos toscos de novo e fica aí, se fazendo de boa samaritana! Querendo me dar lição de moral. Francamente!
_ Armadilha dos toscos? Toscos são os que não vivem o amor Jacob, toscos são os que preferem o mundo de escuridão e tristeza, tocos como você e não como nós! Você tem noção do que você fez com sua família? Você já olhou a tristeza nos olhos do seu pai e da sua irmã?
_ Ha! Olha só quem fala. Não seja hipócrita Leah e cala a boca! Chega, você está me irritando!
Jacob já tinha uma fera revolta dentro de si, prestes a explodir. Gritava junto com Leah. O que ela estava pensando? Quem era ela pra lhe dar lição de moral agora?
_ Seco! Você secou por dentro Jacob. Ninguém de nós reconhece aquele que um dia amamos, que um dia admiramos.
_ Admirar? Eu não preciso da merda de admiração de vocês! Eu não preciso de nenhum de vocês! Deus esta mulher está enlouquecendo! Me deixa em paz Leah, ME DEI-XA EM PAZ!
Ele já não estava suportando aquilo. Todos sempre tiveram medo de vir lhe dar puxões de orelha ou reinvindicar o antigo Jacob!
_ E o que você vai fazer sem nós, hein idiota? Morrer como um abutre solitário? Cheirando a podridão? Que vida é essa que você escolheu hein? Egoísta, você nunca foi egoísta Jacob! Agora você simplesmente só tem preocupação em fugir de sua desilusão amorosa, com uma montanha de frieza no lugar do coração, esmagando quem se aproxima?
Ódio! A raiva já fazia sua fera reinvindicar seu lugar, o corpo dele tremia desejoso de uma transformação para que não pensasse racionalmente. Ele não queria, não suportaria reviver o que enterrara em seu peito. Ele tinha ódio da loba que tentava desencavar sua dor. Sim, ele fugia desesperadamente daquela dor.
_ Que eu morresse então! Não faria a minima diferença, por que isto aqui já é um inferno!
_ Covarde! Você finge dureza e brusquidão, mas não passa de um covarde fraco! Você não enxerga que não vale a pena? Que você tem quem lhe ama de verdade, que você poderia amar de novo se se permitisse?
Ele agarrou os cabelos, chutou a primeira coisa que vira, um belo vaso que ficava em um canto da sala. O objeto voou longe, se espatifando na parede. Ele se aproximou perigosamente de Leah, tremendo, seus olhos tingidos de vermelho. Ela teria ficado assustada, se também não estivesse tão exaltada em seu desabafo, se também não lutasse para conter a tranformação.
_ Quem é você pra me cobrar isso? – ele disse a ela com voz arrastada, mais parecendo um rosnado. – Você não tem este direito, ninguém tem!
_ Tenho sim, se há alguém que sabe o que está dizendo sou eu Jacob! Eu sei porque eu já vivi esta dor! Preste atenção seu retardado, que eu só estou querendo dizer que sim, que vale a pena amar Jacob, mas não desta forma que você ama!
Ele riu, um riso de loucura, nervoso.
_ Eu amar? De que jeito? – Leah via a racionalidade dele falhar. Ela estava conseguindo, estava fazendo o muro de predra começar a ruir.
_ Amar sim Jacob! Você a acusava de ter um amor egoísta, mas você está fazendo do mesmo jeito que ela. Você está destruindo tudo ao seu redor se agarrando a este espectro de sentimento, a esta maldição!!
Agora Jacob parecia mais um louco do que uma fera. Ele não queria ouvir aquilo! Ele não era a mesma coisa que aquela maldita, aquela que não suportava nem lembrar o nome.
_ NÃO! – Foi o grito desesperado dele. Porque Leah fazia isso com ele agora? – Eu a odeio, ela não é mais nada! Cala a boca Leah, cale a boca, você não sabe o que diz!
_ Ama sim Jacob, seu idiota! Idiota, mil vezes idiota! Como você pode escolher ela? Como você escolhe se sepultar por ela?
_ CALA A BOCA!!!
_ Acorde Jacob! Livre-se desta mladição, deixe esta obssessão! Ela te envenenou, maldita! Aliás eu não sou como você. Nunca, nunca fui entendeu? Eu amei de verdade Sam, amei sim! Sofri por amor e já não tenho vergonha de admitir. Mas você? Você nunca amou Jake! O que você teve foi uma obssessão, uma obssessão idiota pela maldita Bella Sw…
Leah foi pega de surpresa pelos golpes violentos, sua cabeça bateu na parede fazendo esta rachar. Ela colocou suas mão trêmulas na boca, agora não a efeito de uma tranformação contida, e sim, em consequência de seu espanto.
O homem que estava a frente da loba, agora era uma mistura de louco com fera acuada. Puxava com força seus cabelos curtos, ensandecido, lutando arduamente contra si mesmo, lutando para que aquela cena fosse mentira. Havia um redemoinho dentro dele. O homem de ferro fora pela primeira vez, em dez anos, abalado. Não suportou ouvir aquilo, seu sangue se tronou lava de um vulcão quando Leah falou sobre sua obssessão, quando lhe jogou o nome de Bella como brasa insandescente na face.
Ele não controlou sua racionalidade, o homem frio, ríspido, não podia permitir que desvendassem sua fraqueza. Queria eliminar quem se atrevia. As mãos deste homem foram as que agarraram Leah em furor. Aquelas mãos foram as que desferiram duas espalmadas absurdamente fortes no rosto dela, uma de cada lado, tendo a última a jogado metros adiante, na parede do outro extremo da sala.
Naquele momento, um grito fraco, como um eco de algo antigo, retumbou dentro dele. Um grito de alguém que queria se prostar ajoelhado diante de Leah e pedir perdão. Mas era algo fraco, os anos de dureza naquele coração formaram uma imensidão de rocha bruta. A coisa pequena que provocava aquele redemoinho não tinha forças ainda para vencer.
Ele não queria olha-lá, não queria sentir o cheiro do sangue dela que infestava a suas narinas. Mas não teve como fugir daquela visão. Seus olhos foram em direção a mulher encolhida como uma frágil humana no canto da sala. Ela virou o rosto pra ele. Ele não suportou vê-la, seu corpo começou a tremer mais. Havia muito sangue no rosto dela, feridas que logo cicatrizariam, mas que sangrariam por muito tempo ainda no coração da mulher. Ele não tinha pensado em sua força, se ela fosse só humana ele teria estraçalhado seu crânio.
Ah! como era insurpotável ver as lágrimas dela se misturarem a seu sangue. Ela, em tamanho estarrecimento, nem se quer se defendera, nem sequer desviou dele. Porque? Porque aquela idiota não tinha se transformado? Por que ela não fizera isto e o atacara tembém? Como feras eles não tinham que lidar com coisas e sentimentos humanos, eles podiam se atacar.
Ela olhou pra ele, balançando a cabeça levemente de um lado a outro, as lágrimas caiam silenciosas, parecendo ainda mais sofridas por virem dela, de Leah, uma mulher tão forte, tão resistente a dor.
_ Ah Jake. Jake não morra, volta! Volta com teu riso, não faz isso, não fique assim! – Ela dizia isto procurando por outro alguem nos negros olhos pertubados. Sua voz estava em um sussurro tão cálido, tão terno e triste, como ele jamais ouvira dela. – Eu não te disse antes, mas agora eu digo: eu te amo amigo, volta, nós ainda te amamos... ainda sim… ainda amamos … volta…
A moça ficou sussurrando atordoada, mas ele não suportava mais ouvir. Saiu da casa com o corpo em espasmos de tremores violentos, o humano já deixava a fera tomar conta. Ele explodiu inconsciente do ato em si, logo suas patas se punham umas a frente das outra velozmente, saltando, fugindo do humano, fugindo de tudo. Fugindo como fizera há muitos anos, quando ainda era menino, quando não soube lidar com a intensidade de seus sentimentos.
Os outros lobos que estavam em ronda se assustaram, mas antes que exclamassem qualquer coisa, a ordem veio conturbada, mas definitiva: “ Não me ouçam, não me sigam”.
Impressionante como aquilo funcionara da forma como funcionara! Jacob sempre tivera um poder em suas ordens como jamais se ouvira nas lendas. A ordem “não me ouçam”, fez, pela primeira vez, os lobos perderem o contato mental com seu Alpha.
Ele então continuou correndo pelas florestas de Washington durante muito tempo em sua fuga desesperada. Em círculos talvez, nem seus sentidos lupinos o guiavam corretamente.
Era uma fuga como a da bela morena que corria em velocidade absurda pela mata, não muito longe de onde ele estava. Mas ela fugia por outro motivo. Corria também desesperada, com o coração descompassado, porque estava sendo perseguida. Eles eram muitos! Ela tentava ao maximo suprimir seu cheiro, que funcionava como uma radar para as criaturas. Ela estava a frente de todos eles, mas precisava despistá-los. Ela não poderia lutar agora, seria pega!
Sem parar de correr, ela agarrou o potente isqueiro que tinha no bolso da calça e segurou com mais força o cantil, que ao invés de água, tinha combustível.
Se ela não conseguisse escapar, eles não ficariam com ela. O fogo em seu próprio corpo iria afastá-los. Ela seria rápida o suficiente pra isto…

N/A: Éhhh!! Maninas este Jake vai dar trabalho.... Mas vcs não são mole, vcs verão pq!! Kkkk....Oh! os coments diminuiram? Ah leitoras ocultas, vcs não sabem a falta que vosso parecer faz para a inspiração das autoras!!! Então comentem pq amamos, falem o que gostarem e o q não gostarem pq comentar é isto, nos motiva a melhorar muitooo e continuar sempreee!!

CAPITULO 5
A ORDEM…
“Ainda que não saibam eles se pertencem!
Não permita que se percam,
Pois eles são uma só alma em dois corpos!”
Quendra estava sentada no círculo junto de seus companheiros. Sua voz cristalina se misturava com a dos outros em uma melodia alegre, saltitante. As palmas deles faziam um ritmo gostoso, envolvente, dançante, misturando-se de tal forma com as vozes que pareciam inseparáveis. E eram.
Aquela noite os elfos estavam reunidos em mais uma de suas tradições. Uma pira de chamas coloridas resplandecia no centro do grande círculo de elfos. O ambiente bucólico era indefinível. Era o recanto daquelas criaturas, sendo tão mágico quanto elas, tão perfeito em beleza como elas. Uma criação divina! Flores únicas se espalhavam por todos os lugares, brotavam das arvores em grandes quantidades, juntamente com os frutos que alimentavam os elfos. O marrom da terra e o verde da grama faziam lindos desenhos no chão campestre.
Aquele lugar pertencia só a eles. Só eles iam até lá. Sem caminhar, sem voar, sem correr. Bastava que o desejo de estar em casa se manifestasse, que lá chegavam. Era impossível saber onde ficava o lugar, se estava na Terra ou não. Um refúgio particular e secreto.
Embalados pela música élfica, alguns deles dançavam esplendorosos ao redor do fogo. Seus movimentos eram lentos, dada a velocidade natural que tinham. Mas certas coisas só ficavam belas e poderiam ser verdadeiramente apreciadas daquela forma: deliciosamente calmas, lentas e modestas.
Mas eis que a paz do momento se perturba quando um vento forte vem sacudir tudo naquele lugar. O fogo se balança furiosamente, fazendo os que estavam próximos recuarem confusos. Uma agonia, uma inquietude possui o coração dos elfos com veemência. Sentimentos que não eram deles, mas de outros. Nunca aconteceu algo parecido antes, mas eles sabiam: algo ou alguém queria se manifestar, precisava. Estavam certos.
A rainha entra em transe, um transe muito mais forte daquele que tivera a vinte oito anos atrás, quando Lairon veio lhe pedir pela vida da filha. No meio das chamas ela via dois pares de olhos castanhos, lindos, mas angustiados. Ela não entedia. Um par de olhos poderia aparecer ali: os de Lairon. Ele tinha a alma ligada com a de seus irmãos, podia se manifestar com eles. Mas os outros olhos só foram levados ali somente por pertencer a uma alma unida com Lairon. Eram os olhos de Laura. Quendra jamais presenciara tal feito e tinha uma certeza: aquilo jamais aconteceria de novo.
“Quendra... Quendra...”
“Não permita...”
“Ajude-os…”
“Não deixe que eles se percam… Façam algo irmãos, não deixem eles se perderem…”
“Eles precisam estar juntos, precisam ficar juntos”
“Eles se pertencem”
As vozes de Laura e Lairon vinham em uma mistura caótica, ora falavam juntos, ora separados. Sussurravam de todos os lados, o som de suas falas misturadas ao som do vento.
_ Não entendo. De quem falam? Por quem pedem?
e ele... eles estão separados, correm o risco de se perderem...”
“Vocês podem, ajudem-os, eles precisam se libertar. Deixe-os amar, os ajude!”
“Ele está preso em uma maldição, na escuridão, não vai enxergá-la…”
“Ela esta presa em um trauma, em uma ferida, tem medo de amar…”
“O verdadeiro sentir… só um pode libertar o outro…
“Ajudem-os, faça agora! Eles precisam agora!…”
Tão rápido como começou, terminou. As vozes angustiadas e temerosas se foram, levando com elas o vento, o transe da rainha. O fogo estava imperturbável como antes. Mas Quendra sabia exatamente do que os pais falavam. Sua consciência já estava desperta para o que as vozes se referiam. Mas ela só poderia fazer uma única coisa para atender o novo pedido dos pais.
Ela ajudaria, mas sua ordem seria só um começo. Todo o restante do caminho os dois teriam de percorrer sozinhos. Não havia garantias. Iria depender do que fosse mais forte, das escolhas que ambos predestinados fariam.
Ela se levantou, olhando para todos que esperavam sua soberana se pronunciar.
_ Não preciso de todos. Fiquem aqui e façam suas preces por aqueles que irei encontrar. Farei o que possível for, mas não será tudo, não será nem o começo!
Assim ela partiu, levando consigo somente Koraíny, seu braço direito.
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Ele correu em sua angústia por horas, não sabia onde se encontrava. Parecia ser alta madrugada, ele não tinha noção das horas exatas. Aos poucos seu ritmo foi desacelerando, o lobo gigantesco observou que a mata densa e fechada a seu redor começava a se espaçar. Ele procurava não pensar como homem, mas seu lobo também estava desorientado, ambos não sabiam como seguir.
De repente o vento que batia contra ele mudou de direção. Seus pelos foram jogados para trás, ele fechou os olhos e inspirou o novo ar. O vento lhe trouxera um cheiro, um cheiro que fez as patas do lobo se impulsionarem para frente, por puro instinto. Porém não era um instinto que ele costumava enfrentar. Não era em busca da morte de um vampiro que o lobo partia, ele não estava sendo guiado pelo odor fétido deles. Não!
Homem e lobo, fundidos em uma mesma criatura, foram irrevogavelmente atraídos pelo mais sublime dos odores que já puderam sentir. A fragrância divinal possuía uma mistura de essências cítricas que se abria para notas florais. Jasmim, orquídeas, rosas, lírios, todas as flores pareceram se juntar, unindo seus perfumes de forma harmoniosa. A plenitude do cheiro se completava com um perigoso e delicioso toque picante.
Era atraente, intenso, suave, doce. O lobo não sabia definir, o que sabia é que era irresistível não seguir o rastro que deixava. Já o homem queria descobrir de onde vinha aquilo. Não estavam longe.
Aquela que disseminava o perfume estava de costas para o vento. Seus cabelos, longos e ondeados, eram jogados para frente, abanando soltos e descontrolados, ela não ligava. Já não se importava em ocultar seu cheiro como antes. decidira não fugir mais, tinha que acabar com aquilo. Contava que quanto mais seu cheiro estivesse espalhado e latente, os dez vampiros que a perseguia há três dias por aquelas florestas, se tornariam mais instintivos e menos pensantes. Se fosse pra lutar como havia planejado, que fosse ela a única a ter astúcia no embate. Seria mais fácil se eles estivessem descontrolados. Tinha esperança que eles brigassem entre si por ela, que se matassem para conquistá-la.
Procurara se colocar no local mais distante das cidades, no meio da única clareira que encontrou nas matas fechadas das redondezas do estado de Washington. Ela era, sem dúvida, muito mais hábil e rápida que eles, embora não tão forte. Mas isso bastou para que conseguisse uma boa distância deles. Conseguira tempo pra pensar. Pra pensar e praguejar sua maldita sorte. Um descuido de sua parte fizera com que um grupo anormalmente grande de nômades vampiros sentisse o seu cheiro e desenfreasse a perseguição. Ela queria saber que tipo de coisa fizera aos céus pra receber um castigo atrás do outro.
Encontrou-os na visita a sua cidade de nascença, a bela Gold Beach, lugar aonde sempre ia para se lembrar da mãe. A paz e beleza de lá faziam o sorriso e a presença de Laura mais forte em suas memórias. E foi em uma das praias mais belas do lugar, mas também a mais afastada, que ela, distraída com a brisa gostosa da noite, deixara seu cheiro se libertar de si. Quando sentiu o odor fétido e o som dos vampiros já era tarde.
Eles estavam próximos naquele exato instante. Há alguns quilômetros do lugar aonde ela os esperava, rígida, de olhos fechados, concentrando seus sentidos nas passadas deles. Levariam poucos minutos para alcançá-la. Mas seus sentidos captaram outro som, um som singular. Eram passadas mais pesadas na terra, embora muito mais velozes que qualquer animal da floresta poderia ter, acompanhadas com o pulsar de um coração grande. O que quer que fosse, estava vindo em sua direção também.
”Droga! Que sorte, que sorte!!! Que coisa está vindo pra mim agora?” Ela praguejava em pensamento, mas não permitia se mover. Os vampiros estavam perto demais, ela não poderia descuidar. A coisa de coração grande e veloz só diminuía suas chances, então ela tinha de se concentrar mais, não se preocuparia em definir nada naquele momento. Mas a frase que a rainha elfo tinha lhe dito uma vez voltou a retumbar na sua mente… “não são só os humanos que compartilham este mundo, existem muito mais coisas”.
A “coisa de coração grande” chegara primeiro até ela, mas, por incrível que pareça, ficou parada a poucos metros a sua frente. O ser tinha uma respiração forte, muito parecida com a de um animal, aliás, parecia definitivamente um animal de grande porte. Só então ela abriu os olhos, dando de cara com o que parecia um lobo enorme, com olhos negros, duros, sombrios, mas inteligentes demais. A criatura tinha imponência, exercia mais fascínio que qualquer animal que já tinha se deparado. Não podia ser natural. “Isso é um grande problema! Será que ele tá avaliando se sou apetitosa?…
O homem lobo, no entanto, ficara estático porque não sabia o que aquela mulher, aparentemente humana, com um cheiro inconcebível, estava fazendo ali, no meio do nada, rígida, segurando um cantil que estava amarrado em sua cintura firmemente. Olhava pra ele sem demonstrar medo algum. A respiração dela não se alterara em nenhum momento, tal como as batidas de seu coração.
Mas ele não teve mais tempo de avaliá-la, o cheiro da moça não pode suprimir o fedor do bando de sanguessugas que chegavam como bestas naquela clareira. “Maldição! São muitos”. O lobo pensava que teria de lutar sozinho contra o que parecia uns dez malditos seres. Não iria conseguir e ainda tinha a estranha humana. Mas, antes mesmo que ele se pusesse em posição de ataque, ela já corria, rápida demais, de encontro com os vampiros.
Começou a luta. estava certa, os vampiros estavam fora de si. Tentavam agarrá-la a qualquer custo, mas ela fugia deles habilidosamente. Eles eram mais fortes, mas força não era o mais precioso em uma luta. Era ela que analisava os mais fortes, ela que reconhecia os mais fracos, ela que pensava nos pontos e maneiras exatas de atacar. Eles não, simplesmente partiam pra cima dela. Rapidez, sim, isso era mais importante que força! Eles não conseguiam pegar nem seus cabelos longos enquanto ela corria entre eles, pondo uns contra os outros, confundindo-os.
A adrenalina corria nas veias da bela combatente – ah… seu maravilhoso hormônio humano! –, aquilo deixava-a ainda mais rápida, mais eufórica, menos consciente do cansaço dos dias de fuga. Ela corria um grande perigo, mas lutava. Partia logo para as cabeças. Braços, pernas não adiantavam, a cabeça os fazia parar. Uma, duas, três… Ela as arrancava em saltos, prendendo-as ora entre suas pernas, ora com as próprias mãos enquanto girava no ar veloz. A velocidade era o suficiente para que conseguisse. As jogava longe de seus corpos. Primeiro precisava acabar com eles, depois queimá-los-ia.
Em um milésimo de segundos, olhos castanhos e negros se encontraram. Ambos se espantaram um com o outro, abismados que o outro lutava também, destruía também. Mas não pensaram muito naquilo, focaram em seus oponentes. Agora restavam os mais fortes, os mais hábeis dos vampiros do grupo. A luta ainda estava difícil. Eram quatro, dois com a moça e outros dois que tentavam furiosamente passar pelo lobo para alcançar sua “comida”.
Sarah tentava se esquivar dos dois que se jogavam sobre ela, com os dentes lindamente pavorosos a mostra. Mas eles pareciam agir juntos, pareciam querer dividi-la. “Cristo, são parceiros!”, ela pensava. A fêmea tentava segurá-la para que o parceiro a pegasse, mas ela escapava das mãos da fria. Mas aquilo estava irritando. Ela não conseguia dar golpes eficientes nos dois, eles rodavam em circulo em volta de Sarah e vez ou outra investiam. Ela ia ter que se arriscar. Deixou que a fêmea a segurasse pelo braço e nesse momento ela soltou mais de seu cheiro. Ensandecida, a fria mirou direto para a jugular de Sarah, mas ela fora mais rápida, envolvendo a cabeça da criatura com um dos braços puxando pra um lado, ao mesmo tempo que segurou o corpo e puxou pro lado oposto.
Ouviu o trincar de granizo, mas sua cabeça foi puxada pelos cabelos. O frio respirava ansioso em seu pescoço, ela desviou, mas ele manteve seus cabelos presos. Ela evitou puxar a cabeça pra que não fosse escalpelada. Enfiou a mão dentro do bolso da calça com rapidez, arrancando o isqueiro com o tecido e tudo. O fogo que saiu do objeto não tinha muita projeção, mas bastou para que o vampiro se desconcentrasse. Era a chance que precisava! Estourou a tampa do cantil na força com que o pegou e tacou em cima do vampiro, atirando o isqueiro aceso junto. Uma pequena explosão, e o fogo se espalhou pelo vampiro antes que ele pudesse pensar.
O lobo já tinha estraçalhado os dois que se meteram com ele, picando-os em tantos pedaços quanto foi possível. Sobre aqueles frios, o Alpha despejou toda a sua loucura interna, sua fúria. Por mais força e destreza que tivessem os vampiros, não teriam chances. Ele olhou pra mulher que se movia mais rápido que qualquer coisa que ele já vira. Ela catava os pedaços de corpos de granito e jogava no outro frio que queimava. Um cheiro pútrido se espalhava, forte, insuportável. Não havia mais no ar o aroma que o guiara até ali, pouco se percebia dele naquele instante, muito mais suave do que esteve durante toda a conturbada luta.
Os pelos de Jacob se eriçavam, enquanto considerava o que diabos era aquela mulher letal que queimava os vampiros. O cheiro que vinha dela parecia mais um feitiço, usado para atrair possíveis inimigos. Seria isso? Ele não sabia, mas não estava confortável com ela. Poder demais, poder demais… gritava sua mente em alerta. Escapou-lhe um rosnado. ouviu.
Virou-se de repente para ele, com os músculos ainda tensos, em posição de ataque. Interpretou mal os olhos sombrios do lobo, os pelos eriçados. Na cabeça dela ele era uma fera sem controle, selvagem como os vampiros, pronto a atacá-la. Ela não podia correr o risco, partiu pra cima dele.
O lobo se assustou! “Merda, ela quer me matar?!!”. Ele, pela primeira vez em muitos anos, estava em desvantagem em uma luta. A maldita fêmea enigmática, bruxa, feiticeira, diaba... ele definitivamente não sabia, era boa de luta. Ela não o atacava de início, mas já estava se esquivando tempo suficiente pra deixá-lo confuso, pra descobrir seus pontos fracos e dar golpes exatos, eficientes. Um chute na articulação da pata dianteira dificultava o ataque do lobo. Ele passou a se defender dela. Ela ria, a desgraçada ria! Ah ele ia matá-la! Nenhuma mulher ganhava rindo dele em uma luta!
A raiva da afronta de Black unida à presunção de Sarah, ao pensar que ganhava e dar as costas em um momento ao seu oponente, bastou para o que aconteceu a seguir. Foi tudo muito rápido. A moça sentiu suas costas serem rasgadas dolorosamente pelas garras da fera com que lutava, fazendo o seu cheiro se espalhar incontrolavelmente pelo lugar, com toda força o poder que a essência possuía. Ao mesmo tempo, viu o lobo ser jogado longe dela, sem ver o que ocasionara isto. E depois a voz forte, intransponível e exaltada:
_ CHEGA!
reconheceu a voz, ainda que nunca tivesse ouvido aquele tom nela. Sentiu algo que jamais sentiu quando a elfo lhe falara: seus músculos travaram, ela foi suspensa ao ar e prostada de joelho diante de Quendra por uma absurda força invisível. Temeu o motivo dela estar ali, daquela maneira… “Temo que para que nossa missão continue firme, você terá de ser destruída se houver possibilidade de isso acontecer”, lembrou-se. Sarah sabia que teve sorte em ficar intacta naquela luta com tantos vampiros. Esteve muito próxima de ser pega. Pensava se os elfos estariam ali para acabar com o risco de ela oferecer mais poder aos vampiros.
Jacob, no entanto, experimentou a mesma sensação que causava a sua matilha quando dava alguma ordem. Assim como , perdeu o controle de todos os músculos de seu corpo, endurecendo como se congelasse de repente. Ainda durante o golpe que deu em , foi levantado e jogado longe. Antes que caísse ao chão, no entanto, seu corpo voltou a ser humano, sem que ele quisesse isto! Não estava calmo ou ferido o suficiente pra se destransformar daquela maneira. Caiu ao chão nu, sem forças, com o corpo rijo. Logo depois a sua oponente caiu de joelhos ao seu lado, espalhando terra pra todo lado, dado o impacto que teve com o chão. E então o silêncio.
Só se ouvia o som dos dois lutadores prostados ali no chão. O coração dela batia frenético, descontrolado. Ele estava tenso, mas sentia, inexplicavelmente, uma força dominadora e soberana sobre ele, sentia necessidade de também se colocar de joelhos. Uma força de obediência que não vinha só dele, mas da magia que estava em seu sangue, do compromisso que seu ancestral assumira ao pedir por ela. Com dificuldade ele se colocou sentado sobre os joelhos, ainda sem o controle absoluto dos movimentos. Silêncio… Via a mulher ao seu lado de cabeça baixa, olhos fechados. O cheiro perturbador dela incendiava suas narinas. Só ouvia o som que vinha dela, inspirando e expirando, do pulsar do coração dela e do seu próprio. Mas ao direcionar seu olhar para outro ponto, viu algo que o deixou mais tenso, se possível: duas criaturas estavam diante deles. Ele ergueu os olhos devagar e se espantou…
_ O… o que é isso? – escapou-lhe em um engasgo, assustado ao se deparar com as criaturas únicas, soberbas. Um dos que estavam parados a sua frente falou, mas não lhe respondendo, parecia falar com os céus conforme olhava pra cima.
_ Se perdendo! – Quendra disse irônica, com voz macia demais – Eles estavam se matando! SE MATANDO! – ela não gritara, mas a voz tornara-se densa, forte, gutural. Jacob sentiu como se aquilo tivesse sido uma chicotada em suas costas, sentiu o tremor da que estava ao seu lado. Ambos se encolheram.
A rainha então direcionou seu olhar pétreo para e Jacob. Eles sentiram o olhar dela, mas não focaram seus olhos na soberana. , depois de tantos anos conhecendo Quendra, jamais a viu tão exaltada, mas ela não compreendia o motivo disto, tampouco compreendia porque o dócil Koraíny também tinha um semblante tão sério.
_ Vocês tem noção do que quase fizeram? Vocês têm noção do que causariam a todos nós se algum de vocês conseguissem fazer o que planejavam? – Quendra dizia com a voz mais controlada. – Nós escolhemos vocês, cada um de vocês nós protegemos, ambos tem algo de nós dentro de si. Algo que nos une, nos liga. Sabem o que isto significa?¬ – Nenhum deles disse uma palavra, Quendra continuou – A você quileute, foi dado poderes pra proteger não só os seus, mas toda a vida humana e o que você me faz? Quase mata a mais preciosa dos humanos!
Diante disto Jacob não pode mais se calar, ele não entendia o que aquela criatura era e nada do que ela dizia se encaixava.
_ O que está acontecendo aqui? Quem são vocês? Como sabe tanto sobre mim? – ele queria perguntar tudo o que rodava em sua cabeça, mas recuou diante do semblante sério da criatura.
_ Você tem certeza que não me reconhece guerreiro quileute? Não sente quem eu sou?
Sim, ele sabia que ela estava ligada a ele de uma maneira muito forte. Mesmo sem entender tinha deferência por ela. Sempre pensara ser o mais poderoso entre os seus, mas sentia que estava abaixo dos seres que o encaravam agora. Passado o espanto das formas tão belas dos elfos, ele sentia uma espécie de reconhecimento passar por sua memória. Era, no entanto, uma memória que ele não sentia ser sua, mas que estranhamente fazia parte de quem ele era.
_ Eu sou aquela que em tempos passados socorreu o teu povo, Alpha Black! Eu faço parte do povo que compartilhou a magia que hoje corre em teu sangue. A nossa magia, a magia que nos foi dada para proteger os humanos. Nós somos os elfos, eu sou Quendra, rainha elfo. Seu poder vem de nós!
Ao dizer isto Quendra se aproximou mais de Jacob, sua voz ressoando em todos os cantos da floresta, imperiosa. A rainha pegou os braços do índio e o levantou com uma facilidade assombrosa. O aparente toque delicado dela escondia a força insuperável de seu ser. Ela era tão alta quanto o índio, seus olhos ficaram nivelados e, até o olhar tão forte de Jacob, perdeu para o dela. Ela parecia desvendar-lhe a alma!
_ Jacob Black! O último líder guerreiro, ou melhor, o ultimo Alpha da linhagem quileute. Presumo que você saiba muito da magia que envolve seu povo, mas acaso sabe como isto começou?
_ Com os espíritos guerreiros. – Jacob disse de forma automática, respondendo a elfo rapidamente de tão impregnada aquela história estava nele. Mas a criatura a sua frente balançou a cabeça, um sorriso velado parecia surgir na face da elfo.
Por um momento a expressão de Quendra se suavizou. Sarah olhou curiosa para cena. Estava tão confusa que esquecera suas próprias conjecturas para a vinda dos elfos ali. Eles se conheciam? Aquele homem era a fera? Guerreiro? Quileute? “O que diabos tá acontecendo aqui?”, ela pensava. Como Koraíny, ela só observava a conversa que se passava entre Quendra e o homem fera misterioso, agora não mais ajoelhada, e sim, sentada, com os músculos mais relaxados. Com certeza aquela seria mais uma história dos misteriosos elfos.
_ Ao menos esta promessa vocês mantiveram: o segredo sobre nós! – A rainha disse mais para si mesma do que para o índio – Nós lhes demos poder para se defender, para se proteger das tribos mais poderosas que ameaçavam a sua. Ah… naquela época as pessoas eram muito mais conscientes do mundo sobrenatural que os envolvia, mas também sofriam muito mais com ele. Não havia brancos naquele lugar, o mesmo lugar que você vive Alpha. Porém uma tribo queria se sobrepor a outra, mas a sua era a mais fraca. Era realmente uma pena! – Quendra soltou Jacob e se virou, seus olhos saíram de foco. Ela estava em outro lugar, em outros tempos.
_ Eu os admirava Black, era uma pena ver os quileutes se acabarem aos poucos. A terra de vocês era e continua sendo muito preciosa, suas mulheres, belas e fortes, as crianças saudáveis, os homens valorosos, corajosos. Eu admirava a forma como vocês sempre foram unidos, como irmãos, muito semelhante ao sentimento que nós elfos possuímos. Mas isso despertou a cobiça de outra tribo, eles queriam suas riquezas, só que diferentes de vocês, eles tinham entre eles homens habilidosos. A maioria os conhecia como feiticeiros.
Quendra fez um sinal para Koraíny ao seu lado. Imediatamente este começou a fazer movimentos com as mãos e logo todo o ambiente se modificava. Não pareciam estar mais na mesma floresta. Estavam agora em um penhasco, o pôr-do-sol estava no seu fim, as cores da noite se impondo aos tímidos raios solares. Diante deles a imensidão de um oceano se revelava. Jacob conhecia aquele lugar…
_ La Push! – sussurrou abismado.
Uma figura estava ajoelhada na ponta penhasco. Era um homem; sua pele tinha o característico tom marrom avermelhado dos quileutes; seus eram cabelos negros, lisos e espessos, cobriam toda suas costas. Estava vestido apenas com uma calça rudemente feita em pele de animal. Ele olhava para o céu, tinha as mãos elevadas como se pedisse clemência, seu rosto estava transtornado.
_ Grande Rei do Universo, eu lhe peço, eu lhe imploro, ajude-nos. Nosso povo não pode resistir àqueles feiticeiros malditos! Eles estão acabando conosco, nos escravizando, roubando nossas mulheres, nossas crianças, matando nossos guerreiros. Não podemos lutar contra eles, contra o poder deles. Oh Rei Divino, envie ajuda, nós já não podemos resistir, eles nos destroem. – O corpo do homem balançava para frente e para trás. Continuou suas preces na língua de sua tribo. Estava desesperado, desolado.
Jacob sabia que aquele era um dos seus, mas não sabia quem ele era. Tentou se aproximar, mas não importava o quanto ele andasse, o índio continuava na mesma distancia. Sentiu um toque macio, que o fez virar. Deparou-se com as belas órbitas castanhas de Quendra. Ele entendeu: era só uma imagem, uma lembrança. Virou-se novamente para o seu irmão de outros tempos: ele não estava mais só. As mesmas criaturas que estavam com Jacob naquele momento estavam também ao lado do quileute que se balançava em desespero. A mesma que lhe tocou o ombro, a mesma que estava ao seu lado também tocou o homem do penhasco. A voz dela saiu bem mais suave e branda do que com Jacob:
_ Khairã, levante-se, nós o ajudaremos!
O homem desolado direcionou os olhos aos elfos e logo agarrou os pés de Quendra. – Oh céus, és a nossa salvação?
Quendra abaixou-se e envolveu o índio com os braços, levantando-o com cuidado. – Sim nós somos. Só poderemos te ajudar porque sem nós sua tribo será extinta. Vocês não merecem isto. Sabemos que Aquele pra quem você pedia socorro agora mesmo, lhe oferece ajuda através de nós. Para lutar contra a magia, magia lhes será concedida. – Quendra pegou o rosto do índio e o fez olhar dentro de seus olhos. Começou a falar em um tom de ordem suprema. – Seja sincero agora, não só sincero por você, mas por todos os seus. Pelos que vivem agora e pelos que virão. Utilizarão o poder que lhes for concedido somente para proteger a vida humana, seja ela do seu povo ou a que estiver ao vosso alcance. Nada além disto. Não falará nunca sobre a fonte do seu poder, esconderá como o seu mais precioso tesouro. Somente saberão aqueles que nós contarmos. Não contestarão uma ordem nossa quando ela for dada, nem mesmo se exigirmos seu próprio sacrifício.
Cada palavra que a elfo proferiu impregnou-se no índio de tal forma, que a partir daquele momento, todos os seus descendentes carregariam as marcas da promessa que ele fizera:
_ Sim eu prometo, prometo qualquer coisa para que nos ajude. É justo!
_ Sendo assim, que seja feito. – A rainha se virou para o que lhe acompanhava – Pode fazer isto Lairon?

O elfo levantou a cabeça e Jacob só então percebeu que era outro deles que estava ali naquele momento. Mas uma movimentação atrás dele chamou sua atenção novamente para a mulher misteriosa que estava, até então, em silêncio. Ela se levantou, caminhado na direção da visão, seus olhos tinham um brilho de fascínio…
_ Pai... – ela sussurrou, tentando alcançá-lo. Koraíny a segurou levemente pelo braço:
_Sim é ele minha querida, mas em outros tempos. É só uma lembrança. – Ela olhou para Koraíny e afirmou com a cabeça. Depois grudou os olhos na imagem do pai e permaneceu assim.
Na visão, Lairon se aproximou do índio e, assim como Quendra, olhou no fundo dos olhos dele, dizendo com voz suave, mágica, um sussurro ventoso. – Dou-te agora o que de mais precioso temos: o poder que está em nosso sangue. A partir de agora terás uma magia em vossas veias. Passará ela aos teus, usará conforme achar necessário para seu propósito, mas não levianamente. Ela irá crescer e se adaptar as suas necessidades, da forma que só ela pode fazer.
Lairon colocou a unha em seu próprio braço, fazendo sair o líquido sanguíneo que corria em suas veias por um pequeno corte. Colocou o braço no centro do peito do índio Khairã fazendo este arfar. A magia do elfo separou-se de seu sangue. Criando garras, penetrou de forma dolorida no corpo do índio. Do coração, a magia foi-lhe a medula, alastrando-se e fundindo-se no corpo e na alma do índio. Após uns instantes ele caiu inconsciente. Lairon se levantou e juntou-se a sua rainha. – Está feito, que Deus os guie!
Os corações de Jacob e Sarah batiam acelerados. Cada um espantando por seu motivo: ela, pelo pai, ele, pela história oculta de seu povo. Mas o lugar voltara a ser o mesmo de antes, a visão terminara. Quendra colocou-se a frente de Jacob e atrás de . Olhou as feridas quase fechadas nas costas da moça. Foram profundas. Ela passou as mãos pelas costas ainda ensangüentadas de , fazendo com que a pele ficasse absolutamente lisa outra vez.
_ Agora compreendem o que vocês fizeram? Colocaram a mesma essência em lados opostos ao lutarem um contra o outro – A voz de Quendra tornou-se tensa mais uma vez – Black, é filha de Lairon, um dos nossos. É portadora humana da preciosa mistura entre mulher e elfo. Deve ser protegida e não… - ela não precisou falar, apenas pegou na blusa branca de que estava rasgada e tingida de vermelho.
_ Eu não tive culpa – ele começou a dizer com a voz também alterada, um princípio de irritação começava. Era só o que faltava, aquela louca era mais perigosa do que ele. Ele só se defendeu. Ele não estava nada amistoso com a mulher, ah! se ela fizesse ele perder a magia que protegia a tribo. – Ela me atacou, ela veio pra cima de mim. E além do mais, se não fosse por mim, aquele bando de vampiro teria feito com ela o que eu comecei a fazer. Quer dizer, eles fariam bem pior!
olhou espantada para o homem nu, que parecia inconsciente disto, tratando de focar nos rígidos olhos dele. “Mas que prepotência! ‘Se não fosse por mim’... Há! Capaz!”. Quando ela ia responder, Quendra começou a falar.
_ Tem razão Alpha. Dessa vez escapou por pouco, mas não sei quantas chances assim ela terá – novamente o sorriso velado apareceu no rosto da elfo. não gostou daquilo, tinha certeza que Quendra planejava algo. – precisa de proteção, não pode se cuidar sozinha. precisa de você Black e de seu bando!
O queixo de Jacob caiu. levou a mão no testa com tudo, se dando um tapa… “eu sabia, eu sabia!”
_ Calma aí Quendra! Você sabe que foi só por um descuido que eu atraí o bando de vampiros. Isso não vai se repetir. Não mesmo. E eu poderia ter vencido sozinha sim! Não preciso de ajuda, eu fui bem treinada, posso me defender, vocês sabem disso! Ah… e vocês disseram que não poderiam me defender quando eu já fosse capaz de fazê-lo, então é isso. Não pre-ci-sa!
_ É, ela não precisa de mim. Ela quase me matou também esqueceu? – Jacob dizia. Não sabia explicar, mas sentia que aquela mulher lhe provocava um desconforto nada bom. Ela o desorientava e era arrogante. “Eu não vou virar babá!”. Pensava o lobo em uma birra interna pela humana anormal chamada . Ao se dar conta que se comportava como um adolescente, ficou com ainda mais raiva de .
Os dois elfos suspiraram juntos. Quendra olhou para os dois teimosos a sua frente, sentia as barreiras que os separavam.
_ Ah, tão fechados em seu próprio mundo, em seus próprios medos. – ela disse de cabeça baixa, fechando os olhos. Ela estava consciente do que se passava no coração de Jacob, na forma como este endurecera, como se fez rígido para fugir de seu medo de amar e sofrer novamente. Ele não curou sua ferida como pensava, apenas a escondeu. também. Ela se tornara uma mulher esplendorosa, admirável, mas fechada. Vivia só e justificava que seria melhor assim, dizia a Koraíny que afastada das pessoas manteria seu segredo melhor guardado. Mas não era por causa disso que não tinha laços fortes com ninguém, que não se envolvia em nada fora de seu trabalho. Quendra sabia.
_ Vocês vão fazer o que eu julgar necessário fazer. E , não somos nós que vamos protegê-la, e sim, a matilha dos lobos. Acho apropriado que você fique junto deles agora. Não podemos correr riscos como o de hoje e você sabe bem porque. Não depende só de você, do que você faz ou do que você pode sofrer. Tem outras coisas em jogo, por isto não ouse me contestar.
_ Peraí! Eu vou ter que levar esta isca de sanguessuga comigo? Eu vou ter que protegê-la? Não, não, não! – Jacob definitivamente não estava gostando daquilo. Ter aquela mulher vivendo perto dele? Seria um chamariz para problemas, ele tinha certeza – A matilha não está mais crescendo e ela pode acabar com todos nós se atrair muitos sanguessugas pra lá. E além do mais eu tenho o meu povo pra proteger…
As pupilas de Quendra dilataram-se perigosamente. Ela olhou pro lobo e ele se lembrou do que ela disse ao seu antepassado “… proteger a vida humana, seja ela do seu povo ou a que estiver ao vosso alcance…” “Droga!”, pensou o lobo. A voz dela começou baixa, sinistramente baixa, mas com uma força imensurável. Era uma ordem. Uma ordem contra a qual nem , nem Jacob e nem qualquer elfo poderiam desacatar. Não tinham forças para isto.
_ A matilha só aumenta conforme a necessidade disto acontecer. Se vocês dão conta, permanecerão no número que estão, se precisar de mais, outros virão. Você vai protegê-la Black, porque deve isto a mim e aos humanos! , você vai permanecer com os lobos! – Quendra fechou os olhos, pensando mais calmamente, fazendo as devidas conjecturas para a ordem que dera. Se afastou e sentou-se em uma pedra. Olhou o casal estupefato na frente dela. Os dois prendiam a respiração. Continuou:
_ Os lobos e nem ninguém deverão saber de nós. Por isto será para eles apenas uma humana especial, sem poderes inexplicáveis. Você viverá em La Push , escondendo de todos sua natureza, só a usará se houver extrema necessidade. Jacob você não poderá desgrudar dela e ninguém poderá desconfiar do que na verdade acontece. Por isto vocês voltarão a La Push como um casal, voltarão casados e isto é uma ordem. Farão todos pensar que é esta a razão da proteção que Jacob dará a você , ninguém poderá desconfiar que isto não é verdade. E assim será!
¬_ O QUÊ? – Gritaram Jacob e juntos. Imediatamente os dois começaram a falar juntos, nervosos, andando de um lado a outro, espantados…
_ Não Quendra, isto não faz sentido, eu posso me proteger sozinha caramba!
_ Casados por quê? Pra que isto? Eu posso mandar prende-la em um castelo e fazer rondas com a matilha em volta. Sem casar… isto é… Airrrr! – ele exclamou ao topar com tudo em . Ela também olhou irada pra ele e depois virou-se pra Quendra: ¬_ Viu só? Como você acha que alguém que nem olha por onde anda vai me proteger? E eu…
_ Chega! Vai ser assim pronto! – Quendra estava impaciente, o comportamento dos dois estava sendo infantil, ela não suportava isto. Aquela era a única forma que a rainha encontrou pra atender o pedido de Lairon e Laura, mas sabia que não seria fácil que as coisas dessem certo. Mas seria bom se acontecesse. – Não tem o que explicar e tampouco o que discutir. Vão e se casem pelas leis dos homens, em igreja, como preferirem. Mas isto está resolvido!
Ela virou as costas e Koraíny a seguiu. Mas antes, em um ato ousado da parte dele, Jacob usou o argumento mais forte que tinha pra fugir daquela loucura. Mesmo que fosse de mentira ele não queria se casar, não podia conviver com a mulher que estava ao seu lado diariamente, ela o desorientava.
_ E se eu sofrer um imprinting? - Disse com voz fraca ao tentar contestar a ordem da elfo. Não queria usar este argumento, sempre teve horror que isto lhe acontecesse um dia. Mas usou. Quendra, contudo, sorriu com um esplendor que Jacob jamais presenciara aquela noite. Aproximou-se dele, terna e lhe disse:
_ Ah Jacob… esta magia é inexplicável até mesmo pra nós, ela surgiu de vocês, veio da evolução da magia de vocês! Se há algo que não podemos explicar é o amor. Ele é mais imponente do que qualquer coisa do universo, seu poder é incontestável. É uma pena que você não acredite nisto – Ela colocou a mão macia no peito nu do rapaz, no coração que bombeava o sangue pelo corpo dele, mas que estava distante do amor – Mas não se foge da força que ele possuí Jacob, não se foge… Deus queira que um dia vocês dois compreendam isto.
Ela voltou a se afastar, olhando de para Jacob – Quanto ao imprinting, talvez você descubra que o que está reservado a você seja mais forte até mesmo do que esta bela magia do seu povo. – Ela fechou as belas pestanas azuis e sorriu uma vez mais – Sim, mais forte, basta apenas se permitir… - Seus olhos focaram nos olhos dos dois novamente – Quando, e se, algum de vocês, ou os dois amarem, estarão livres de minha ordem. Livres pra fazer o que desejarem… livres…
Assim ela e Koraíny simplesmente desapareceram, misteriosos como sempre foram, deixando pra trás duas pessoas confusas, temerosas e raivosas com o curso que suas vidas tomaram. respirou fundo, resignando-se, disse:
_ Sugiro Las Vegas, será mais rápido e indolor. – Ela olhou para as densas órbitas negras de Jacob – E arrume algo pra vestir que eu não vou andar com você assim por aí!
Ele bufou e de um salto voltou a ser lobo, tentando disfarçar o absurdo desconforto que sentiu ao se dar conta de sua nudez. Desde quando ele sentia vergonha por estar nu diante de uma mulher? Elas que deveriam ficar desorientadas. Ele não queria admitir, mas também lhe incomodou o fato de aparentemente não ligar pra aquilo. Saiu em disparada rumo à cidade, com irritada em seu enlaço. Não demorou ela o ultrapassou, soltando uma gargalhada que o deixou furioso – Te encontro lá lobo tartaruga, e vá bem vestido, noivo! – completou irônica. Pelo menos teria uma diversão nas horas vagas: irritar o lobo prepotente e durão…


N/A: Então.... tudo começa aqui.... aff... meninas eu não estou boa hj de criatividade pra notinha kkkk...mas me digam, gostaram?


CAPÍTULO 6
A UNIÃO
Ela encanta ao dançar Surpreende ao filosofar Ela é arte por toda parte Ela é a chuva e o fogo que arde. Ela é mesmo assim Um vento, um poder uma mulher que dança Uma mulher difícil de esquecer.
Uma feiticeira a me desorientar,
A ruir minha muralha…”
saia exausta de mais uma tensa cirurgia. Esta lhe custara toda a manhã, foram mais de cinco horas tentando retirar, sem causar muitos danos, uma bala alojada em uma delicada área do cérebro de um garoto de nove anos. Ele fora atingido em um assalto a um supermercado próximo a sua casa. O inocente teria sua vida alterada pra sempre, simplesmente por brincar na calçada errada, na hora errada.
_ Você foi brilhante mais uma vez Drª. Tein… digo, Drª Black! – Victor ia lhe dizendo, sério, vendo o semblante exaurido da bela companheira de trabalho ao seu lado. Ela bufou levemente, o “Drª Black” lhe incomodava profundamente. Há dois meses fizera seu casamento fajuto com aquele “ser”, como ela se referia a Jacob em pensamento, e não tinha se acostumado nem um pouco com isto. Era bom demais viver sozinha. Victor continuou tagarelando – Eu realmente não acreditava que pudéssemos salvar o garoto. A bala estava em um local realmente delicado, pensei que o perderíamos. Masss... você simplesmente foi demais, conseguiu extrair a bala sem fazer com que o paciente perdesse massa encefálica. Eu não sei de onde você tirou tanta habilidade!
olhou pra Victor Brandt balançando a cabeça negativamente. Ela sempre ficava abismada com a forma que ele via uma cirurgia como uma performance artística – O trabalho não foi só meu e sim da equipe. Além do mais, ele não morreu, mas terá sérias seqüelas. Você sabe disto Dr. Brandt! – disse séria, mas com uma voz controlada, profissional.
Desta vez o médico deixou a empolgação de lado e abaixou a cabeça. Aquilo era verdade e não havia como lamentar, o menino tão saudável provavelmente não sairia mais da cama. continuou andando a passos firmes até seu consultório, na ala sul do grandioso Hospital Georgetown Center, com Victor em seu enlaço. Assim que adentraram no ambiente moderno e requintado que era a sala da Drª Black, eles se sentaram um de frente para o outro, com uma mesa branca entre os dois.
_ Então hoje é seu último dia? – Victor estava cansado de saber que aquela seria a última vez que clinicava no hospital, mas perguntava como se tivesse esperança de que ela dissesse que não, que iria ficar. Ele tinha um semblante pesaroso, olhava fixamente o anelar esquerdo de , com a bela aliança de ouro. Se ela tivesse lhe dado uma única chance, uma única que fosse depois do mal entendido que tiveram, ele poderia ser o marido dela e não outro qualquer, que ninguém conhecia.
percebeu o olhar fixo de Victor e escondeu a mão embaixo de sua mesa. O anel que tanto lhe incomodava passara a pesar duas toneladas. Ela suspirou e tratou de responder o médico – Sim hoje é meu último dia. Só estou aqui pra checar se esta tudo bem com os pacientes que passei para os outros da equipe e organizar alguma papelada com a diretoria do Hospital. Eu só fiz aquela cirurgia porque se tratava de uma emergência, mas é bom que você se acostume com isto doutor, porque será você quem vai assumir meu posto neste hospital.
_ Rá, mas nunca vou chegar a sua altura, você sabe – não gostava quando ele olhava pra ela daquele jeito. Maldita hora que deixara ele beijá-la, o cara virou uma sarna atrás dela. Fazia dois anos e ele só desistiu quando a viu com a aliança. “Pelo menos pra isto prestou este casamento!”, pensou.
Não que Victor fosse mal, ou feio. Muito pelo contrário, ele era um profissional excelente, nunca misturara as coisas, era cavalheiro, tinha boa índole, e era sim, muito bonito. O oposto de seu “marido”, Victor era loiro de olhos azuis, descendente de alemães. Mas o problema não era com ele e sim com ela. Na única vez que resolveu tentar se envolver com alguém, o cara resolveu passar dos limites, não se satisfazendo com um simples beijo. Ela tentou corresponder, sabia que era natural aquela reação por parte de Victor, mas não pode. Sentira nojo, travou, não ousando tentar algo parecido desde então.
soltou outro suspiro e rebateu – Você tem cinco anos a mais de carreira do que eu Victor!
_ Não seja tão modesta. Você é simplesmente a cirurgiã chefe da maior equipe de neurocirurgia de Washington. Preste atenção, não é deste hospital, mas da cidade inteira, a sede do governo dos E.U.A! Se alguém consegue isto em sete anos de medicina é porque é no mínimo, eu disse no mínimo, talentosa. Talento e dedicação juntos então resultam nisto que está a minha frente. – Victor apontou as mãos pra ela como se mostrasse uma beldade – A melhor neurocirurgiã que eu já vi!
Apesar dela achar tudo aquilo um exagero, o médico estava certo. Logo em sua residência, naquele mesmo hospital, se destacara na especialidade que resolvera escolher: neurologia. Foi a mais jovem médica a assumir uma cirurgia de grande porte quando o neurocirurgião responsável não pode comparecer a tempo. Segundo a equipe médica que acompanhou a primeira cirurgia neurológica de , ela se saíra melhor que o cirurgião chefe daquela época. E ele tinha vinte anos de carreira. Logo ela alcançou o posto que ocupava e o mantia com extrema competência.
_ Nós vamos ter uma perca e tanto, não só a equipe, mas os pacientes. Bom os pacientes simplesmente te adoram e o fato de eu assumir o seu lugar não vai deixá-los nada contentes, disso eu tenho certeza, principalmente os de sexo masculino, se é que me entende! – Victor riu ao ver a expressão de desconforto da morena. Mas mesmo sendo conhecida por sua seriedade, se deixou rir.
_ Estarei a um telefonema de distância para o que precisarem. Não me perderão completamente, este é o lugar que nasci e cresci como médica, não vou me esquecer disto.
_ Que bom, porque eu vou ligar se eu encontrar um caso além da minha capacidade, pra pedir socorro! Então até mais ver e boa sorte nesta nova vida, eu desejo sinceramente que seja feliz.
_ Obrigada Victor eu…
_ Dr. Brandt, atenção Dr. Brandt: comparecer ao setor C com urgência… ­- A voz que soava em todos os cantos do hospital fez Victor sorrir e fazer um gesto de “o dever me chama” para e sair rumo aos corredores. Ele não a abraçou ou deu um beijo no rosto de despedida, pois sabia que não gostava muito disto, principalmente ali, no Hospital.
Assim que a porta de seu consultório foi fechada, recostou a cabeça na bela poltrona de couro que estava sentada e pôs os pés encima da mesa, fechando os olhos logo em seguida. Foi inevitável que a imagem de seu adorado marido não preenchesse sua mente. Lembrou-se do dia que se casaram… um dia nada romântico, mas sem dúvida inesquecível. Fora o dia que ambos chamaram de “sacrifício”.
# Flash Back on #
Ela já estava cansada de esperar em frente aquela maldita capela 24 horas de Las Vegas. Já eram oito horas da manhã e nada do santo homem aparecer. Será que ele não sabia seguir o rastro que ela teve o cuidado de deixar? Será que fugiu da ordem dos elfos? “Idiota, Quendra te acha até no inferno pra fazer o que ela quer! Infelizmente!”. Ela já tinha pego roupas em uma loja que arrombou - deixando cuidadosamente um dinheiro que havia sacado no balcão -, tomado banho no banheiro de um hotel vagabundo e ido pra bendita capela que tinha um enorme letreiro: “O Santuário do Amor”.
_ Quanta originalidade! – ela pensou alto, andando de um lado para o outro.
_ Também acho! – ela ouviu o sussurro dele mesmo a uns bons metros de distância. O lerdo vinha caminhando igual uma tartaruga, parecendo contar os passos, fixando um olhar duro na moça que o esperava de braços cruzados. Se ele achava que metia medo nela estava muito enganado, pois ela sustentava o olhar com igual firmeza.
_ Até que enfim! Nunca vi alguém que aprecie prolongar torturas! – ela disse com voz também baixa enquanto ele se aproximava. No rosto dela havia um sorriso de escárnio, que, ainda assim, não deixava de ser belo. “Bom, pelo menos ele está bem vestido, ainda que com esta piadinha”. Ela pensou observando as belas roupas pretas do rapaz, sérias, clássicas. Parecia que ele se dirigia a um velório e não a um casamento.
_ Estava cuidando de um detalhe muito importante para o nosso teatrinho amada – Ironia! Parecia que este adjetivo ia fazer parte constantemente das conversas entre os dois. – Toma! – Ele disse, jogando uma caixinha de veludo preta quando ainda estava a dois metros de distância. a pegou sem esforço algum e quando abriu se deparou com duas alianças de ouro. Ela pegou a menor e colocou no dedo. Não ficou certinha, um pouquinho larga, mas não chegava a sair do dedo.
_ Assaltou uma joalheria é? Até que dá pro gasto! – Ela disse se virando e entrando na igrejinha. Já havia combinado os pormenores com o cerimonialista, que achou absolutamente estranha a frieza da noiva. Jacob a seguiu, ainda com passos lentos, dizendo sarcástico. – Calma amor, o noivo costuma entrar antes da noiva até onde eu sei!
Ela rolou os olhos e continuou andando. No pequenino altar cheio de enfeites de corações, havia duas testemunhas que pegara na rua e pagara um bom dinheiro pra estar ali. O casal sisudo se posicionou no altar, distantes um do outro, e olharam furiosamente para o pastor encarregado da cerimônia. O coitado chegou a se encolher, sentia-se em um paredão de fuzilamento.
Sarah batia o pé ritmadamente enquanto palavras que ela não ouvia eram ditas. Jacob olhava para o teto, as mãos no bolso amaldiçoando sua sorte. Os dois só chegaram a se tocar no momento da troca das alianças. Jacob tirou e colocou de volta a aliança de , com muita rudeza, enquanto colocou a aliança no dedo dele suavemente, levando a mão do moço aos lábios em seguida. Porém, ao invés de beijar os dedos do rapaz, ela deu uma dolorosa mordida, arrancando sangue e um chingamento baixo de Jacob. O pastor quase teve um ataque cardíaco de tanto que sua pulsação acelerou de espanto. Gaguejando ele declarou ao casal mais estranho que já vira:
_ E.. eu... vos declaro ma..marido e mulher!
Os dois bufaram, fazendo uma cara de zanga, viraram as costas saindo apressados pelo corredor. Mas ao chegar a porta, um homem, alto, belo e loiro, lhes barrava a passagem. o reconheceu imediatamente: Koraíny em forma humana. Ela sabia que eles iam checar!
_ Falta uma coisa muito importante pra selar o compromisso…
_ Quem é você? – Jacob interrompeu bruscamente. Mas não precisou de resposta, o homem fixou os característicos olhos castanhos nos negros e deu um sorriso magnífico, chegou a ofuscar os olhos aguçados do rapaz. Era um elfo!
_ Como eu ia dizendo, Jacob e Black, falta o beijo pra selar o compromisso. Casamento humano sem beijo no final não é casamento! – O elfo dizia com semblante divertido. o fuzilou com os olhos. Naquele momento, se ela não o respeitasse e não soubesse que ele era muito mais poderoso que ela, tinha saltado em sua garganta.
_ Ai que engraçado! – Jacob disse com voz monótona, tentando contornar o elfo. Mas este o segurara firmemente e o arrastou pra perto de sem dificuldade alguma. Os olhos de Koraíny ficaram mais sombrios e ele disse, com voz tão baixa que só a audição aguçada dos presentes pode captar:
_ Eu não estou brincando. Sem beijo não há casamento! E afinal vocês vão ter que fazer muito melhor do que isto pra convencer as outras pessoas de que este casamento é real e não por o segredo sobre e nós em risco! Vamos, estou esperando!
e Jacob engoliram em seco. Aquilo já era demais! Jacob, pela primeira vez em sua vida estava com receio de beijar uma mulher e não tinhas boas experiências quanto a isto. Muito, mas muito lentamente, eles se viraram um de frente para o outro. observou a boca carnuda do lobo prepotente e voltou a engolir em seco, fechando os olhos e trincando o maxilar. Jacob se virou para o elfo e perguntou: _ É mesmo necessário?
Koraíny sorriu com diversão outra vez e afirmou com a cabeça. – É pra vocês irem se acostumando, casais costumam se beijar de vez em quando em público. – Ele riu, mas Jacob estava desconfortável demais pra pensar em dar um soco nele. Ele se virou novamente para a moça, dava pra escutar os dentes dela ranger. Tamanho era o nervosismo de que ela deixou que um pouco de seu cheiro se desprendesse dela. O cheiro perturbador, ainda que suave, fez os batimentos de Jacob acelerarem, ele não conseguiu refrear o instinto de inalar o ar. “Maldita feiticeira!”, ele pensava.
abriu os olhos, encarando os de Jacob a sua frente, ele deu um passo em sua direção ao mesmo tempo que o estômago dela um salto. Outro passo, lento demais… Ele passou a olhar o movimento que a moça fez pra umedecer os lábios ressequidos com a língua. O calor dele já chegava ao corpo dela, ela não agüentava mais aquilo, ia dizer raivosa:
_ Acabe logo com is… - Mas ela começou a falar bem quando Jacob resolvera fazer o movimento final. O rapaz acabou por pegar a boca da moça aberta. Com isto, não foram só as bocas macias e quentes que se encaixaram rapidamente, mas as línguas também se roçaram e isto não estava nos planos de nenhum dos dois. Como se tivessem levado uma descarga elétrica os dois saltaram pra traz, sentia as bochechas tão quentes quanto os lábios que a tocaram. Jacob tentava não degustar o novo sabor que tinha em sua boca. Era tão perturbador e demoníaco quanto o cheiro que ela exalava. “Ela é uma bruxa, ela é uma bruxa maldita…”, ele repetia em pensamento.
Koraíny ainda tinha uma expressão divertida ao observar a cena. Os dois protagonistas estavam quase de costas um para o outro agora, com olhares duros, mas visivelmente alterados. – Interessante isto! – Disse baixo Koraíny, aguçando o olhar para os dois. – Bom, acho que por enquanto está bom. – Disse em voz mais alta, chamando a atenção dos dois carrancudos.
_ Como assim por enquanto? – Jacob perguntou com a voz mais rouca e insegura que o normal – Você não está querendo dizer que nós também vamos ter que… que…dormir... eu e ela… bem você sabe! – Jacob disse isto fazendo um gesto sugestivo entre ele e a morena. Mas assim que ela se deu conta do que ele quis dizer, seu coração se tornou uma metralhadora. Ela arregalou os olhos e disse com o que parecia ser revolta e aversão na voz:
_ Não!
Jacob se assustou com aquilo. Em um décimo de segundo Koraíny já estava perto de , abraçando seu corpo rígido e inerte, sussurrando-lhe ao ouvido: - Nunca, nunca te obrigaríamos a isto meu anjo, nunca! Só você pode escolher isto. Só você pode tomar esta decisão, entendeu?
Era impressão de Jacob ou havia sofrimento na voz do elfo? Sarah recobrou o controle rapidamente, se afastando de Koraíny e olhando pra Jacob. Falou-lhe de forma fria, sem demonstrar emoção alguma:
_ Temos que acertar as coisas práticas. As cortinas se abriram, a encenação vai começar.
# Flash Back off #
Dois meses haviam se passado e eles nem se falavam direito. Muito a contragosto ele estava hospedado no apartamento da moça em Washington, esperando que ela organizasse suas coisas no hospital para partirem pra La Push. Ela muito protestou para sair de Washington e abandonar sua preciosa rotina no Hospital Georgetown Center, mas Quendra fora mais uma vez incisiva ao exigir que ela ficasse junto da matilha dos lobos quileutes. A moça, porém, pediu o favor de os elfos ajudassem-na a arrumar um bom lugar pra viver em La Push, de preferência sem vizinhos, para que não tivesse que encenar o tempo todo. Assim que Quendra permitiu, os elfos construíram rapidamente uma casa com todas as minuciosas especificações da médica, que comprou pessoalmente todos os adereços e mobília da casa. Ela gostava de conforto e elegância, era um luxo que se permitia.
Ela deixou tais pensamentos de lado, e depois de fazer um rápido almoço, foi dar a sua última ronda pelo hospital, se despedindo dos pacientes. Entre os companheiros de trabalho não era dada a muitas afetividades. Era sempre educada, sempre mantia o controle de toda uma equipe em situações de tensão, dava orientações precisas e valiosas a quem lhe pedisse, mas era só. Nada de sair depois do plantão em grupos, ir a festas, dormir no mesmo hotel em congressos de medicina que iam em grupo, nada. Ainda assim, era muito admirada por todos. É claro, algumas médicas e enfermeiras tinham inveja da talentosa, linda e jovem médica, mas não podiam deixar de respeitá-la. Isto se devia principalmente pela maneira com que ela cuidava dos pacientes.
Para eles ela era carinhosa e dedicada. Muitos que podiam falar, conversavam por um bom tempo com a doutora, que lhes ouvia atenciosamente, falando sobre assuntos leves, acalmando a estada nada agradável em um hospital. Ela tinha a habilidade de falar o real estado de um paciente, ainda que fosse grave, sem deixá-los em pânico. Eles confiavam nela! E foi isto que ela fez durante aquelas ultimas visitações: conversou com todos, por quanto tempo eles sentiram necessidade. Os pais e enfermeiros da ala do hospital que atendia pacientes com déficits motores e/ou cognitivo mental ficaram impressionados mais uma vez: ela tratara os pacientes gravemente debilitados com o mesmo cuidado que tratava qualquer um dos seus pacientes, falassem eles ou não, andassem ou não. Assim, ela acabara por sair do hospital a meia noite, indo direto para a sua cobertura no coração de Washington, logo na avenida mais movimentada. Ela também ia se despedir da casa que morava há seis anos.
_ Boa noite Josh – ela disse cordialmente assim que passou pelo porteiro da noite. O simpático senhor lhe deu um aceno de cabeça, sorrindo. O porteiro do turno da madrugada era o que ela mais encontrava ao chegar do hospital.
_ Doutora, o Sr. Black ainda não chegou da viagem de Seattle, mas ele disse que vai estar aqui pela manhã pra vocês seguirem viagem.
ergueu as belas sobrancelhas: - E ele mandou me avisar isto? – Ela perguntou descrente. Ele lhe dando satisfações?
_ Bom, sim senhora. – Josh lhe disse um tanto desconfortável. Ela já suspeitava: Josh era educado, mas ela duvidava que o Black tenha sido.
– Pode dizer o que ele disse exatamente Josh.
_ Bom, Doutora, é que, bom ele disse que, ele disse…
_ Diga exatamente o que ele disse, só reproduza, está bem?
_ Sim. Bom, ele disse: “Diga a ela que eu vou voltar amanhã de manhã e não vou esperar mais nenhum dia pra voltar pra La Push! E diga também que é bom que ela não me enrole!”.
inclinou a cabeça pra trás e simplesmente riu por ver o porteiro tentar imitar o jeito arrogante de seu “estimado marido”.
_ Ai, ai! Certo, obrigada pelo recado Josh. Foi divertido! – Ela saiu rumo ao elevador soltando o nó que prendia seus próprios cabelos, rindo ainda mais ao ouvir o sussurro indignado do porteiro: “Ele não merecia ela!”
Ao chegar ao seu apartamento se deparou com uma elfo toda sorridente sentada em seu sofá.
_ Niadhi o que você está fazendo aqui?
mal percebeu o movimento do levantar da criatura e ela já estava em sua frente, abraçando-a, com o “Cumprimento dos humanos!”, era o que a meiga elfo sempre dizia. Para , Niadhi era a mais fofa dos elfos que conhecia, ela sempre associava-a a um bichinho de pelúcia de 1,80 m. Era a que mais se fascinava com coisas humanas e a que mais se empolgou no projeto de construção veloz de uma morada humana.
_ Vim dizer que a casa ficou absolutamente digna de um bom humano! – não podia deixar de rir daquilo, pois esse era o jeito de Niadhi dizer que a casa ficara linda, espetacular, enfim, um grandioso elogio. – Nós já transferimos todas as coisas úteis da casa do Jacob pra lá e ninguém percebeu. Vocês já podem se mudar! Um belo lar!
_ Obrigada Niadhi, diga a todos os outros que me desculpem também por ter metido vocês nesta coisa toda. Mas foi a rainha de vocês que começou com isto então…
_ Foi maravilhoso, nenhum de nós tinha construído uma casa humana antes, com materiais de humanos, mas acho que nos saímos bem! Bom, é bem mais empolgante atender este seu pedido, do que na época que eu tinha que matar aqueles vampiros pra te defender, sabe quando você não controlava seu cheiro? – A elfo disse aquilo com a mesma cara fofa, mas sabia muito bem que ela podia ser letal quando necessário.
_ Ok, ok! Eu acredito nisto. Quero só ver no que deu. Amanhã nós mudamos, que dizer, hoje. – disse olhando o relógio.
_ Era só isso. Tenho que ir anjo, sai sem avisar Quendra. Em nossas preces pedimos que vocês fossem felizes naquela casa, acho que foi a diferença entre construtores elfos e construtores humanos.
_ Acho meio difícil isto, mas quem sabe as coisas fiquem ao menos suportáveis não é? – Niadhi sorriu, balançando a cabeça. Deu um beijo terno na testa de e desapareceu logo depois. suspirou e, antes de começar a se preparar pra dormir, disse pra si mesma:
_É, nova vida! Vou precisar de suas orações elfos!
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Ela acordara no dia seguinte às sete da manhã, sem nada pra fazer, sem hospital pra ir, sem cirurgia marcada, nada. Só esperar pelo marido, coisa que ela jamais imaginou que fosse fazer. Levantou com raiva da cama, desejando que toda aquela história fosse um pesadelo. Mas não era! Ficou zanzando pela casa como uma barata tonta até decidir o que faria para passar o tempo. Dançar! Sim, dançar era sempre a melhor coisa pra fazer quando ela estava tensa ou raivosa. Na dança ela se entregava como não fazia em coisa alguma. Deixava o seu corpo se conectar com as músicas minuciosamente selecionadas e sentia em cada movimento a emoção que o som pedia.
Ela sempre dançava sozinha, o que era uma lástima para os possíveis expectadores, pois dificilmente haveria alguém que dançasse com tanta paixão, intensidade e precisão divina de movimentos como ela. O ritual de entrega já se iniciava quando ela começava a se preparar para dançar: uma saia leve e curta por cima do collant que aderia a sua pele, desenhando suas belas formas; as sapatilhas; o cabelo preso em um coque firme. Fazia os alongamentos como uma preliminar do que viria. Havia sutileza enquanto ela exigia o máximo da sua já excelente flexibilidade, sua expressão acompanhava a delicadeza da iniciação, tornara-se angelical. Ela já havia permitido que seu coração aflorasse a pele naquele momento. Colocara a sua seleção preferida de músicas: começava com as mais calmas, mais melancólicas e gradualmente passava para aquelas mais intensas, explosivas.
Ela dançou ininterruptamente por quatro horas. Magnífica, escrevia poesias com o corpo, alongando-se, contraindo-se, rodopiando, se jogava ao vento com confiança e aterrissava ao chão com a leveza de uma pluma. Ela tocava a música com os membros, seus movimentos se tornavam sons. Sua coluna parecia borracha, látex, seda quando curvava-se, encaixava-se, projetava-se. Suas expressões, ah!… estas eram a força dos sentimentos que ela guardava dentro de si, seus olhos carregavam as nuances das emoções: ora suaves, ora melancólicos, ora lascivos, luxuriosos. Por vezes surgia um sol em cada um de seus olhos ou então uma lua de ouro.
Era tão intensa quando dançava, se entregava tanto ao frenesi que começava ao primeiro movimento, um vício sagrado, que o corpo tão resistente protelava, cansava-se. Ela sentia que já tinha a respiração mais acelerada, forte, suor começava a brotar na pele, conferindo-lhe um brilho especial, o coração acompanhava o ritmo da música, que se tornara angustiante de tão expressiva. Era a última música (http://www.kboing.com.br/yann-tiersen/1-85247/#), e caminhava para seu fim, para um cume arrebatador. A morena apertava as mãos no peito enquanto rodopiava veloz, seus olhos chegaram a se apertar, seu corpo começara a tremer, ansiando pelo acorde final.
Tão entregue ela estava que não percebia os cabelos se desprenderem do coque, batendo-lhe no rosto com os movimentos que fazia. Tão entregue, que não percebia os olhos negros fixos em cada movimento que ela fazia. Aquela música sempre fazia isto com ela, chegava naquele momento ela sempre, sempre sentia que subia ao céu sentindo o calor do inferno.
Acabou! Ela se jogou no chão esparramando os cabelos castanhos em volta de sua cabeça e pelo seu rosto em uma desordem gloriosa. estendeu os braços acima da cabeça e sorriu olimpicamente, arqueando a coluna, em um êxtase supremo que seu corpo sempre pedia, mas que ela só se permitia sentir ali, na dança. Aquela postura da morena seria digna de ser eternizada em uma obra de arte.
Ainda sorrindo, feliz com a súbita fraqueza que sentia, ela abriu os olhos ainda turvos, virando a cabeça para o lado… foi inevitável seus olhos não se prenderem na intensidade das órbitas negras de Jacob, que a observava rígido na porta do salão de dança da cobertura…
N/A: Olha o poder da bailarina..... Bom girls, o linkisinho da música que eu coloquei lá em cima, não sei se vcs vão gostar, mas eu escrevi ouvindo ela então resolvi colocar. Ah... no próximo vamos conferir a reação… hamm, digamos, reação interna de Jacob com esta dança intensa..uuuul! Eu simplesmente amo vossos comentário flores, principalmente qndo são detalhados e vcs me falam o q sentiram ou o que acham q vai acontecer... Já tive muita idéia nova c/ isso sabiam? Mutio brigadinha. Bjs, inté o próximo… Ah, só mais uma coisikinha. VIU SÓ? Num capítulo ficaram com medo de Quendra, agora estão amando ela por causa da “ordem matrimonial”, né não? Até esqueceram que nas mãos dela o Jake e a PP viram uma formiguinha em força... Sei não, mas esta rainha... ela é boa ou má? O q vcs acham? kkkk...




CAPÍTULO 7
CARÍCIAS…
“Cegai os olhos da mulher morena
Que os olhos da mulher morena estão me envolvendo,
Estão me despertando da noite…
Cortai os lábios da mulher morena
Que eles são maduros e úmidos e inquietos
E sabem tirar a volúpia de todos os frios…
Cortai os seios da mulher morena
Que os seios da mulher morena sufocam meu sono…
Livra-me dos braços, do fascínio da mulher morena…”

Jacob tinha observado por cerca de duas horas sem que ela se desse conta. A olhava sem que ele mesmo tivesse consciência do tempo que havia se passado, como que enfeitiçado ele fixou os olhos nela e não perdeu nenhum movimento, nenhuma expressão. Observou suas mil faces, as muitas mulheres que encarnou em suas interpretações: a angelical, a frágil, a lasciva, a fada, a bruxa, o anjo, o demônio… Ele procurou não pensar no que sentia enquanto observava, mas algo pulsava dentro dele, algo que ele não queria dar vida. Como na briga com Leah, era algo fraco, mas que incomodava, confundia.
Endureceu ainda mais o olhar, contraiu ainda mais os músculos. Fez brotar dentro dele, quase forçosamente, um ódio absurdo por aquela mulher. A chingava de maldita em pensamento, mas não desviava os olhos dela. E o cheiro. O maldito cheiro se dispersou dela assim que o suor começou a brotar da luminosa pele. Instintivamente ele passou a respirar de forma mais profunda.
Raiva! Raiva ele sentia dela, absurda raiva por ela ousar fasciná-lo, por ela estar presente em sua vida de agora em diante, por atormentar seus dias mecânicos, por ser tão… tão… bela. Esta beleza ele comparava a uma maldição, a uma provação que o destino resolveu fazer ele passar. Mas ele não cederia, nunca. O alarme de perigo que protegia a muralha de seu coração apitava forte em seu interior enquanto ele a observava.
Mas nada o faria amolecer. Não! Ele não queria, não iria se deixar levar, não podia. Enquanto a visão arrebatadora da mulher lhe prendia, ele cavou sua memória buscando a lembrança da promessa que um dia fizera. Naquele dia, no dia em que perdera as ilusões sobre o amor, enquanto se afastava furiosamente da casa dos Cullens, aquele foi o último dia que chorou. Foi um choro de dor, de desespero por perder sua amada, que depois passou a ser ódio, revolta por uma garota que caiu do pedestal, que ele mesmo colocou, para abaixo de seus pés. De uma garota que de louvada passou a ser amaldiçoada por ele. Foi naquele dia que ele prometeu, em meio as suas últimas lágrimas, que jamais entregaria seu coração a sentimento algum novamente, que jamais iria se iludir e se rastejar por mulher alguma como fez por ela. Nem mesmo se ela fosse um imprinting.
Escondido como humano na mata, longe de tudo e de todos, ele jurou que não cederia nem a um imprinting, que se mataria se isto acontecesse. Praguejou a magia de seu povo, duvidou de seu poder, dirigiu sua voz aos seus com tanto furor que sentiu algo estremecer, como se seus antepassados o tivessem livrado daquilo, tirado dele a magia que o faria encontrar seu verdadeiro amor. Se foi isto ele não se importava, porque queria assim.
Mas ainda assim os seus olhos não se desprenderam de . Ah… outra maldita na vida dele não! Para que fosse mais fácil se desprender da feiticeira ele buscou semelhanças com a outra que odiava. Mas não havia como comparar. Os olhos talvez? Os olhos também eram castanhos… mas não! Nos olhos da cruel ex-amada nunca coube tanta intensidade, tanta expressividade. Os olhos de Bella não tragavam quem os observava como uma área movediça. O corpo de Bella nunca fora uma armadilha tão perigosa de curvas. O corpo de Bella exalava fraqueza, fragilidade, pedia proteção e não um abraço forte sem contenções.
Nesta batalha interna Jacob quase cedeu em um único instante. Quando alcançava o arrebatamento do corpo na última música, quando ela caiu ao chão, quando seu corpo ficou naquela posição final …… ela estava tão entregue! O sorriso dela estava tão delirante, o suor que banhava sua pele tinha um cheiro tão inebriante, os seios formosos que subiam e desciam em uma respiração forte estavam tão convidativos! Ela arqueou a coluna, estendeu os braços como se pedisse, implorasse por outro corpo. Por um segundo ele imaginou ser este outro corpo, por um único segundo ele quis sair de onde estava e provar o gosto daquela mulher.
Ele imaginou isto no exato segundo em que os olhos dela se prenderam nos dele. Ela viu tal vontade transparecer nos olhos dele, um lapso, veloz, quase imperceptível, mas ela viu. E aquilo a fez sentir algo desconhecido. A morena sentiu um tremor em seu baixo ventre que a fez encolher as pernas sutilmente, um tremor que ela tratou de reprimir. Mas Jacob não se moveu. Ao invés disso se agarrou a agressividade e fechou os olhos, quando os abriu estavam sarcásticos outra vez.
_Pra quem foge tanto de sanguessugas você se cansou com muito pouco não acha? – Ele disse a , já recobrando o controle de frieza sobre si mesmo. Mas a moça manteve seu sorriso, assim como ele, fechou os olhos e respirou fundo. Levantou-se devagar e de mesma maneira caminhou em direção a porta onde Jacob se recostava, seus cabelos úmidos de suor passavam a cintura, o movimento de seu andar, o balançar de seus quadris, era suave e envolvente.
Jacob usava um jeans escuro e básico e uma camiseta branca, com a gola em um V profundo, que fazia o peitoral moreno se mostrar minimamente, uma leve insinuação. Dava pra perceber seus músculos rígidos, as veias destacadas em seu pescoço e braços. parou perigosamente perto do lobo.
_ Não se trata de um mero cansaço e sim, satisfação – Ela disse baixo, a voz mais ventosa que o normal, fraca e ainda mais perturbadora. Ele preferia que ela gritasse irritantemente. O cheiro doce e picante inundava tudo e com ela perto era tão mais irresistível. O lobo, no entanto, não deixou cair a máscara, continuou a encará-la com olhar duro.
_ É bom que controle mais este cheiro. Não facilita em nada as coisas você ficar exalando este chamariz por aí. É bom que não faça isto em La Push. – A voz dele era autoritária.
_ Eu não sou tão boa nisto quanto os elfos se quer saber. Mas vou tomar cuidado, não para facilitar as coisas pra você marido, mas pra não por outras pessoas em risco. Até porque seria complicado explicar aos lobos a oscilação de cheiro de uma mera humana, não é mesmo?
_ É bom que você esteja ciente disto. Mas creio que já podemos ir, não agüento mais ficar fazendo viagens pra dar conta do meu trabalho em Seattle e da matilha em La Push. Já acabou as enrolações no hospital, espero.
nada respondeu, apenas virou as costas e, rolando os olhos, caminhou rumo ao seu quarto, no segundo piso do apartamento. Jacob se irritou.
_ Eu lhe fiz uma pergunta! – Ele odiava o sorriso sarcástico e o olhar ousado que ela lhe dava.
_ É mesmo? Vou me arrumar e vamos partir no meu carro, porque tenho coisa pra…
O som do telefone interrompeu o discursar da moça, ela atendeu no segundo toque, ainda encarando o marido.
_ Doutora …Black – Ela disse a contragosto, fazendo uma careta para Jacob, que lhe respondeu com outra de exasperação. Ele virou as costas e foi se sentar no sofá da sala onde se encontravam.
_ Ah! que maravilha te pegar em casa ainda! Aqui é o doutor Salles, .
_ Ah, sim, claro. Algum problema doutor? – Sarah estranhou o diretor do Hospital lhe ligando. Quando ela disse que eles poderiam ligar pra pedir socorro não julgou que o fizessem tão rápido.
_ Bem, sim e não… é que eu preciso que você venha ao hospital antes de ir embora da cidade. Tem algumas papeladas que nós precisamos reordenar, a da sua transferência para o hospital de Forks. Enfim precisamos que você passe aqui novamente. – A voz do doutor estava um tanto hesitante. Jacob imediatamente virou a cabeça para encarar com uma expressão clara de “sem enrolações eu disse”.
_ Papéis da transferência? O que foi? Eles não me aceitaram?
_ Mas que absurdo de se pensar isto ! Onde já se viu? Aquele hospital não tem metade do porte do nosso, você acha que eles não iriam aceitar uma profissional de seu gabarito? São só coisas burocráticas que precisam ser resolvidas, mas eu gostaria que fosse pessoalmente e ainda hoje. É coisa rápida. Então, você virá?
fez questão de dar um sorriso debochado para Jacob ao responder: - É claro! Em pouco mais de uma hora vou passar aí, até mais!
_ Mas o que você pensa que está fazendo? Eu não disse que… - Jacob começou a reclamar logo que ela desligou o telefone, mas o interrompeu.
_ Sem drama ok? Nós, eu e você, vamos passar no hospital e de lá mesmo vamos pegar estrada. Caso você não tenha ouvido, o doutor Salles disse que é coisa rápida, então sem piti, pelo amor de Deus! Agora espera que eu vou me arrumar. – Ela terminou de falar já no topo da escada que levava ao seu quarto.
Jacob bufou e se jogou no sofá. Ele escutou quando ela abriu o chuveiro, quando o desligou minutos depois, quando ligou o secador de cabelos, quando abriu a porta do closet, quando… Mas que inferno! Será que ele não tinha nada melhor pra prestar a atenção não? Ele se levantou e foi até a cozinha. Nada na geladeira, a casa já estava praticamente vazia para a mudança. Pegou um dos poucos copos que havia e encheu de água, a única coisa que tinha. Demorou mais alguns minutos e ela finalmente descia.
Estava vestida em um elegante sobretudo nude, com um lenço de seda rosa enrolado no pescoço. Os cabelos soltos estavam bem arrumados, os olhos ocultos por clássicos óculos escuros e um belo salto nos pés. Ela descia deslizando as escadas com cinco pesadas malas e sua bolsa a tiracolo nas mãos, sem ao menos se dignar olhar para os degraus.
_ Até que enfim! – Jacob disse, mas um vento na nuca e uma aparição repentina o fez parar. soltou as malas com a surpresa, reclamou exasperada:
_ Niadhi! Mas o que te deu criatura, pra aparecer assim?
A elfo tinha um brilho de excitação nos olhos, ousadamente deu um beijo estalado em cada uma das bochechas de Jacob o fazendo saltar pra trás arregalando os olhos para a criatura.
_ Ué ele estranhou? Mas eu vi na televisão este cumprimento de humanos. Estava passando num programa que eles chamavam de … de… ah! novela!
se encostou no corrimão e gargalhou livremente. Aquela elfo era mesmo um barato. Ela tinha acabado de receber autorização de Quendra para interagir com os humanos e estava toda empolgada. Resolvera treinar os comportamentos humanos com e por isso aparecia pra ela vez ou outra, mas nunca pegava Jacob junto dela. gostava dela, principalmente porque ela não exigia nada muito profundo e não poderia a tirar do prumo, fazendo cobranças sentimentais. gostou ainda mais da elfo por ter deixado Jacob com aquela cara de tacho, era impagável!
_ Mas diga Niadhi: a que veio agora?
_ Vim pra acompanhar vocês para a nova casa! Vou mostrar a nossa obra de arte de dois meses! – Novamente o brilho de expectativa no olhar castanho de Niadhi. Com certeza ela era a única empolgada e ansiosa para a mudança ali naquela sala.
_ Ah! Bom, agente não vai para a casa agora. Primeiro eu tenho que passar no hospital e o cara aí do seu lado vai comigo.
_ E vocês vão demorar?
_ Não – Jacob respondeu imediatamente – Mas você vai ir junto com agente?
Niadhi juntou as sobrancelhas azuis e deu um sorrisinho mateiro. _ É claro que não! Eu vou esperar vocês lá, eu sei que vocês querem ficar sozinhos. Eu não vou atrapalhar!
fez cara feia e Jacob revirou os olhos, sussurrando um “É doida!”.
_Bom, então eu encontro vocês lá! Beijos… - Jacob deu três passos velozes para longe da elfo fazendo Sarah rir mais. A morena tirou os óculos e deu a face para Niadhi beijar, fazendo o mesmo no rosto com pele distinta.
Assim que a elfo desapareceu ela voltou a por os óculos, olhou as malas no chão, mas pegou somente a bolsa. Apontando as malas, disse a Jacob: _ Carrega! Faz parte da encenação: os maridos carregam as malas, mulheres não têm forças pra isto! – Jacob quase, mas quase, jogou as malas pela janela.
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_ Como eu disse: NÃO ENROLA!
_ Calado! Eu vou ficar o tempo que precisar!
_ O que você pensa que eu sou pra me dar ordens?
_ Um cachorro?
Os dois discutiam ferrenhamente dentro da bela BMW de , já na frente do hospital. não suportava a impaciência de Jacob e ele não suportava o jeito que ela o enfrentava. “Ai minha vida vai ser um castigo!”. Os dois pensavam, mesmo sem saber, em conjunto.
_Fica ai que eu volto uma hora ou outra – disse isto saindo do carro, mas Jacob lhe agarrou o braço.
_ Não, eu vou com você por dois motivos: garantir que você não demore e porque você NÃO decide onde eu fico ou deixo de ficar!
_ Tá, tá legal. Que seja, mas então ANDA!
Assim que entrou no hospital com Jacob ao seu lado, praticamente todos os pescoços se viraram pra eles. Com os comentários e olhares masculinos ela já estava acostumada, já com os femininos… A médica ouvia irritada as exclamações das desavergonhadas enfermeiras pra cima de seu marido.
“Nossa que pedaço!”
“Agora sei por que a doutora se casou tão depressa!”
“Olha a bunda dele!”
“Ai se um homem deste aparecesse na minha cama! Ui!”
“Nossa! Ele é real ou uma miragem?”
ficou abismada com aquilo, é claro que elas não podiam sonhar que a doutora podia escutar seus comentários sussurrados, mas isso não diminuía o fato de elas serem descaradas! Ela encarou Jacob e o sem vergonha distribuía risinhos e olhadelas pra aquelas safadas! O que ele pretendia fazer com a reputação de ? Que todos pensassem que ela se casara com um garanhão, galinha e conquistador barato?
Ah… mas ela ficou uma fera. Sorrindo e disfarçando ela envolveu o braço pela cintura de Jacob, colocando a mão por dentro da jaqueta que ele usava procurando por sua pele. Ele imediatamente mudou a expressão, estranhando o movimento dela. Assim que ela encontrou a pele quente ela alisou, com eles ainda em movimento. Jacob a encarou erguendo as sobrancelhas, com ar de quem queria saber o que estava acontecendo. Mas um sorriso diabólico apareceu nos lábios voluptuosos da morena e ela o arranhou com toda a força que tinha enquanto sussurrava no ouvido dele: “Se comporte!”.
Ela sentiu um contentamento sem preço ao perceber a pele dele se acumular de baixo de suas unhas e também pelo grunhido baixo que ele deu, afundando o rosto nos cabelos dela. Ele tentou se desvencilhar, mas neste momento encontraram com uma senhora no fim do longo corredor, acenando na direção deles. parou e Jacob se afastou dela, com um olhar de fúria.
_ Doutora Black! Ainda bem que te encontrei no caminho senão iria perder a viagem!
_ Como assim? O doutor Salles não está Dona Magda? – Por que motivo a secretária do médico estaria esperando por ela no corredor que levava a sala do diretor com uma cara um tanto suspeita? começava estranhar tudo aquilo.
_ Não, não ele está sim. Só que ele me pediu pra avisar que estaria te esperando no salão que estão terminando pra fisioterapia, no Setor A da ala principal.
_ Mas eu não tinha que assinar uns papéis? Porque ele quer que eu vá até a sala de fisioterapia? – perguntou ainda mais desconfiada ao perceber o coração da senhora acelerar. Ela estava nervosa!
_ Não sei doutora, mas venha, eu faço questão de lhe acompanhar, que dizer acompanhá-los - MAS NÃO ERA POSSÍVEL! Até a velhinha da Dona Magda estava tentando jogar charme para o Black, piscando os olhinhos enrugados? percebeu que Jacob fez uma leve careta diante da insinuação da senhora e riu internamente. “Sorria pra ela agora idiota!”
_ Bem, acho que a senhora já percebeu que este se trata de meu marido não é D. Magda? … - A senhora continuou encarando melosamente Jacob. Argh! Ele não podia ser tão fascinante assim, podia? - Dona Magda? – falou mais alto, despertando a mulher.
_ Ah claro! Muito prazer senhor Black! – Ela estendeu a mão, mas Jacob se limitou a dar um aceno de cabeça, desconfortável.
_ Então vamos!
_ Sim, vamos!
A pobre Magda quase tropeçava ao tentar andar e encarar Jacob durante o percurso que atravessaria o hospital. achou a movimentação do hospital estranha. Não havia esbarrado com nenhum de seus companheiros de trabalho. Mas ao se aproximar da sala que deveria estar vazia, por ainda não se encontrar em condições de uso, é que suas suspeitas de que algo estava acontecendo se confirmaram. Com seus sentidos aguçados a moça percebeu que havia muita gente naquele lugar, que pareciam esperar silenciosos. Ela encarou Jacob com um olhar confuso e ele se aproximou dela:
_ O que está acontecendo? Você não tinha que falar só com um doutor? - Ele lhe sussurrou no ouvido dela rapidamente.
_ Sim e eu não sei o que está acontecendo! – Ela respondeu no mesmo tom.
Mas a surpresa não poderia ter sido maior. Ao finalmente entrar na sala, se deparou com todos aqueles que havia trabalhado no hospital e alguns de seus pacientes junto de seus familiares. Sorridentes eles gritaram:
_ SURPRESAA!!!
Havia cartazes com mensagens de despedida para ela em todo o canto, bexigas enfeitando a sala, amarradas nos aparelhos de fisioterapia e uma mesa no centro com um bolo e alguns comes e bebes. A morena estacou na porta de boca aberta enquanto era aplaudida, sem entender coisa alguma, da mesma forma estava Jacob. O doutor Salles se aproximou dela e ergueu a mão, pedindo silencio, depois se direcionou a :
_ Bom , nós sabemos que você não gosta deste tipo de coisas, mas nós não queríamos que você fosse embora daqui sem saber que todos nós aprendemos a admirá-la não só como profissional, mas como humana. Sua conduta para com os pacientes e companheiros de trabalho sempre foi admirável e sua dedicação com a medicina um exemplo. Esta foi uma forma que encontramos para agradecer os anos que você trabalhou com tanto afinco neste hospital, nós aprendemos muito com você e também ganhamos muito mais. Eu me lembro quando você chegou ao seu primeiro dia de residência aqui, que eu lhe perguntei se você estaria pronta pra esta carreira e você me disse que o hospital seria a sua segunda casa. Realmente eu te encontrava mais aqui do que em qualquer outro lugar. Eu tenho muito orgulho de um dia ter sido seu professor, mas sinto que agora você superou a mim mesmo! Bom, é isso, eu espero que você não tenha ficado chateada com esta armaçãozinha, mas, como eu disse, é só agradecimento.
piscou e fechou a boca. Não era possível! Ela nunca, nunca iria sonhar que eles fossem capazes de fazer aquilo por ela, afinal ela nunca fora tão próxima de ninguém e julgava que não sentiriam tanto a partida dela. Ela demorou a raciocinar, a pensar no que dizer. Todos prenderam a respiração esperando pela reação da médica sempre tão séria. Mas ela sorriu, sorriu com ternura e disse:_ Estavam tentando me fazer chorar é? Quanto é que apostaram pra isso? Se vocês me derem metade da grana eu topo! – Todos riram, de certa forma aliviados. Jacob se encostou em um canto observando a mulher sob todos os holofotes, realmente impressionado com toda aquela mobilização. Parecia haver cerca de quarenta pessoas na sala. continuou – O que eu posso dizer além de obrigada? Bom, eu realmente não esperava e, poxa, nem acho que mereça tanta coisa assim, mas eu fico feliz por isto. Eu realmente me dedico à medicina como não me dedico a coisa alguma em minha vida, desde que comecei a estudar eu sentia que ela me daria recompensas inestimáveis. Afinal eu seria útil pra alguma coisa, não é? É por isto que eu procurava fazer sempre o melhor e, bom, esta foi uma excelente forma de ver que realmente deu em alguma coisa… é… Bom, eu sou melhor com um bisturi não mão, então não me obriguem a falar mais! Obrigada!
Novamente arrancou risos da platéia. Aos poucos, ainda receosos, um a um eles vieram cumprimentá-la. Ela não os recebeu com euforia, choros, abraços sufocantes ou coisas parecidas. Mas o sorriso da morena, dado de forma espontânea como naquele instante, podia ter um poder maior que um abraço e três beijos na bochecha. Jacob ficou distante, achando tudo aquilo, no mínimo, curioso. Ela parecia ser boa no que fazia e os pacientes que estavam ali pareciam gostar mesmo dela. Ela se demonstrou afável enquanto conversava, principalmente com os ex-pacientes. Se ela fosse daquele jeito com Jacob as coisas poderiam ser mais fáceis… ou mais difíceis pra ele. Ele não sabia o que seria pior, pois sentia que de um jeito ou de outro ela sempre acabava mexendo com ele.
A sala de repente voltou a ficar silenciosa e Jacob ficou um instante sem entender o motivo. Mas ao procurar com os olhos se deparou com a cena que chamava a atenção. A jovem médica estava agachada em frente a um homem de cadeira de rodas. Ele tinha os músculos um tanto atrofiados, era muito magro, as mãos estavam encolhidas e o rosto um tanto retorcido. Ele parecia fazer um esforço absurdo pra falar, suas palavras saiam lentas e emboladas, ele olhava diretamente nos olhos de :
_ Dou…doutola Baack, eu gostalia de…de te agladecerr pô tud... que voche fez pô mim – Ele parava pra respirar constantemente, um pouco de saliva se acumulava no canto dos lábios tortos, mas ouvia atentamente e com paciência. Jacob reparou que ela era a única da sala que não tinha um olhar de pena na face e sim um sorriso incentivador. – Se num fo…sse pelaa a a doutola eu num tália vi…vivo. Voche acleditou em mim e me deu colagem pa...la lutarr. Muto obligado, eu nunca vou esquecerrr dicho, num vô esquecerr de vochê nun…nunca!
Com dificuldade ele elevou uma das mãos e acariciou o rosto sorridente da morena: _ E você acha que eu vou esquecer você Michael? Eu disse a todos que agente ia vencer esta não disse? Você me livrou de uma ao provar que eu estava certa! Agora você vai me prometer que mesmo eu não pegando no seu pé todo o dia, você não vai parar de fazer a fisioterapia, a musicoterapia, não vai deixar de nadar, de desenhar, de ir á fonoaudióloga. Nossa que agenda hein? Enfim, continue fazendo tudo certo senhor Michael!
_ Ssssimm do...tola!
_É bom mesmo!
Aquela altura muitas pessoas choravam, inclusive a D. Magda, que se aproximou de Jacob sorrateiramente e fungando o nariz, chamou a atenção do moço.
_ O senhor se casou com uma mulher e tanto sabe? Conhece o caso de Michael? Ela te falou sobre ele?
_ Não, não falou – Jacob respondeu sério. Magda suspirou e balançou a cabeça, olhou para e Michael, que ainda conversavam, como se lamentasse o que via.
_ Sabe, quando ele chagou aqui ele era tão bonito e forte quanto o senhor. Pode não parecer, mas ele tem só vinte e cinco anos! Ele era um esportista, destes que gostam de se aventurar. Mas acabou sofrendo um acidente em um mergulho. Ele estava em uma profundidade muito considerável, acabou ficando tempo demais sem oxigenação no cérebro. Ele já chegou em coma, com uma grave lesão no cérebro, ninguém acreditava que ele fosse viver. Os médicos já estavam quase convencendo a família a doar os órgãos. Mas a Drª Black começou a contrariar todo mundo. Ela teimava que ele podia se recuperar, não queria deixar de jeito nenhum que desligassem os aparelhos. O doutor Salles quase a despediu naquela época, por achar que ela estava dando falsas esperanças a família, tendo um comportamento antiético só pra ousar em um tratamento. Ela praticamente não saia do hospital enquanto Michael estava em coma, estudando o caso, fazendo mil exames. Todo mundo achava que ela tava pirando, obsessiva. Mas ela tanto fez que conseguiu, ele melhorou aos poucos e saiu do coma. Mas os outros da equipe dela diziam que ele ficaria em um estado vegetativo pro resto da vida. De novo ela foi contra e incentivou a família a fazer variados tratamentos e o Michael só vem surpreendendo, cada vez o estado dele melhora mais, e ele é bem dedicado! É, ela vai fazer falta. Você vai levar um premio de diamante pro hospital de Forks senhor Black.
Jacob ficou encabulado com aquilo, com as coisas que descobria sobre a mulher que se casara forçosamente. Tinha que admitir que ela era realmente uma profissional admirável, mas era só isso! Boa médica e péssima companhia pra vida tão regulada dele. Ele olhou pra senhorinha chorosa e ainda oferecida, balbuciando um “É mesmo!” em resposta e foi em direção a mesa de quitutes. Deu as costas pra que já saia pra outro canto da sala.
_? Será que mereço um pouco da atenção de tão valorosa neurologista? – Victor se aproximou da moça com um sorriso comprometedor.
_ Ah Victor, foi sua esta idéia não foi? – Mas é claro que seria dele aquela ideia. Ele foi a única pessoa que conseguiu passar um pouquinho da linha de restrições que ela fazia.
_ Eu só incentivei as pessoas a demonstrar o que achavam de você. Eu disse a eles que você não era TÃO fechada assim, pra brigar caso agente aprontasse. – Ele ria enquanto balançava a cabeça com as mãos na cintura.
_ Olha só! Então quer dizer que o senhor me conhece bem?
_ Não tanto quanto eu gostaria de ter conhecido! – Ele disse aquilo em um tom mais baixo, quase perfurando com o olhar as costas de Jacob, que se servia de comidas. O lobo de repente ficou interessado na conversa da doutora com o “colega”, mas continuou de costas pra eles.
_ Victor, por favor!
_ , eu realmente sinto muito pelas coisas não terem dado certo pra gente. Até hoje eu lamento por ter passado dos limites, talvez se eu tivesse me comportado de outra forma agente…
_ Não se culpe por algo que você não tem controle. Não deu certo porque não era pra ser. E isto se deve mais a mim do que a você. Você merece alguém menos complicada que eu e sei que você vai encontrar. Além do que eu me casei. – tinha absoluta certeza de que Jacob escutava tudo o que era dito e até mesmo Victor percebeu o desconforto sutil que ela tentava não demonstrar. Mas vez ou outra ela olhava para o marido de costas.
_ Ele teve muita sorte sabe? Espero que ele saiba o que tem nas mãos e te faça feliz. eu realmente gostei muito de você, mas no fundo eu sabia que não tinha chances. Eu gostaria de saber o que o seu marido fez pra te conquistar! – Victor continuava encarando as costas de Jacob e este e tentava a todo custo não quebrar o copo que tinha nas mãos. “Não gostei deste cara!”, o lobo pensava.
_ Pois não queira saber e tampouco tentar imitar! – sussurrou baixo e veloz demais pra Victor entender. Ela falava mais para Jacob do que para o médico.
_ O que disse?
_ Nada! De qualquer forma muito obrigada por tudo, foi realmente muito bom trabalhar com você durante estes anos – Ela percebeu que Jacob se aproximava, mas não olhou pra ele.
_ Eu nem preciso falar o que significou trabalhar com você não é mesmo?
sorriu, mas foi por pouco tempo, pois logo que sentiu braços quentes demais envolverem sua cintura, seu sorriso se desvaneceu aos poucos:
_ Vamos embora meu amor? – Somente percebeu a ironia velada na frase de Jacob. Ele tinha encostado-se a ela mais que o necessário, segundo a visão da moça, e olhava Victor com um sorriso, que pra ela, era machista e convencido.
_ Só mais um pouco querido. Eu sou a homenageada e é falta de educação ficar tão pouco. Não é mesmo Victor? – Ao dizer isto Jacob apertou a cintura de com um pouco mais de força, como que pra lembrá-la que ele não queria demoras.
_ Bom, é… senhor Black certo? – Mas que tipo de retardado aquele médico era? Se eles chamavam a esposa de Jacob por Drª Black, era óbvio que o sobrenome dele era Black. Jacob se limitou a afirmar com a cabeça – Bom, então senhor Black, se dependesse de nós ficaria muito mais conosco! – O médico loiro dizia isto olhando descaradamente para , jogando pra ela um sorriso idiota.
Mas que cara mais abusado! Jacob perguntava-se se ele não tinha amor à vida, porque se fosse realmente mulher dele, aquele cara ia estar pedindo pra morrer!
– Infelizmente nós temos hora pra chegar a Forks, acho que a surpresa fez se esquecer disto. Não se lembra do nosso horário querida? – Jacob disse a última frase encostando os lábios quentes na orelha da moça. Sorrindo, olhava para o médico enquanto se agarrava mais a .
A moça ficou exasperada, ela sentia o calor dele por praticamente todo o seu corpo. O soprar do hálito dele em seu ouvido fez uma cócega insuportável. Ela virou o rosto colocando a boca também próxima ao ouvido de Jacob, a barba por fazer arranhando levemente a lateral do rosto dela, e devolveu o sussurro de forma que Victor não escutasse. _ Não me use pra afirmar sua masculinidade idiota, porque eu não sou um objeto! ¬– Ela disse aquilo com um sorriso nos lábios cheios, o seu hálito, carregado de sua essência natural, enchia o rosto de Jacob. Escondido, ele deu um beliscão na cintura de Sarah, segurando-a firme pra que ela não escapasse. Logo depois, também sorriu debochado.
De longe, aquilo parecia uma troca de carícias apaixonadas do casal. As mulheres quase se derretiam imaginando-se no lugar de Sarah, completamente envolvida por braços fortes e com uma boca carnuda e apetitosa colada ao ouvido. Já os homens acharam Jacob um convencido metido a gostosão que não merecia Sarah. Victor pensava irritado: “Era uma parede de músculos que ela queria? Aposto que ele não tem o mínimo de conteúdo pra conversar com uma mulher como ela!”
queria acabar com aquilo antes que tivesse um AVC e ficasse de vez no hospital. Contendo a raiva, disse aos mais próximos que tinha mesmo que partir, pois não poderia chegar muito tarde na nova casa. Saiu agradecendo a todos novamente, pegou alguns salgadinhos da mesa e puxou Jacob pra fora do hospital.
_ Que cena ridícula você me fez passar cachorro idiota! Tudo isto por vaidade masculina? – quase quebrou a porta do carro com a força que fechou, enfiou um salgado na boca mordendo com força. Mas Jacob sorriu novamente debochado e abriu a porta que ela tinha acabado de fechar, no lado do motorista.
_ Vai para o outro lado amor da minha vida, porque são os maridos que dirigem, não é mesmo?
_ O carro é meu! – Ele riu alto, chamando a atenção das poucas pessoas que estavam no estacionamento. Rápido demais ele passou os braços por baixo das pernas e costas de a tirando carregada do carro – Vocês também não acham que a doutora tem que descansar na viagem? Pode deixar que eu gosto de dirigir querida! – Ele disse às pessoas que olhavam a cena com expressões divertidas.
_ Ainn!! Que fofo ele! Gostoso e fofo! – Uma garota de uns quinze anos comentou, mordendo os lábios e juntando as mãos.
ficou tão espantada, que não acreditou que ele tivesse ousado tanto. Deixou todos os salgadinhos que tinha nas mãos caírem e bateu no ombro do marido com força, mas ele não demonstrou a dor que sentiu. Abriu a porta do passageiro e jogou no banco nem um pouco delicado, fechando a porta antes que ela reagisse. Ele riu mais uma vez do rugido furioso que ela deu dentro do carro. Logo que ele ligou o carro, saiu cantando os pneus, com o olhar mortífero da morena sobre ele.
N/A: HÃRRAM!!! Peguei vcs!! kkkk acharam mesmo que a despedida do hospital ia ser só aquilo? NÃO. E o “efeito Jacob” no hospital? Ahshahsa, nem falo nada... é a Raquel que fala que adora rixas de casal brigento? Pois então se farte com este capítulo mi amor, tem bastante, né não?!! A descrição do Jacob com barba por fazer eu escrevi UM DIA antes da Flavinha postar a foto do Tatay exatamente do jeito q eu imaginei... nuss, surtei, hahsah... Próximo capítulo, a recepção da PP pelos quileutes, Jacob e Leah, a Leah com a PP, uma sugestão de ... A dexa quieto q eu to muito faladeira hj, vo acaba falando demais.... mas vcs vão conhecer vossa casa de La Push!! Inté o próximo então, bjoo!!!!



CAPÍTULO 8
LA PUSH
“Teu coração irá se aquecer com os sorrisos daquele lugar,
A lua de lá parecerá mais bela, as arvores mais verdes…
O conforto que terá naquele lugar não terá em ambiente algum
A brisa daquele lugar irá parecer um abraço: te aconchegará…
Quando sentires isso vai saber: Aqui é o meu Lar!”

Dormindo ela não parecia ser tão perturbadora. Jacob estava dirigindo há algumas poucas horas, durante a maior parte do tempo sob o olhar perfurante de sobre ele. Nenhum dos dois disseram uma única palavra, o carro permaneceu em silêncio, mas não tranquilo, havia uma eletricidade quase palpável naquele ambiente pequeno. Mas finalmente se deixou dormir, já fazia alguns minutos, Jacob a observava de canto de olho, ouvindo o ressonar baixo e tranquilo da moça. Ela estava encostada no banco do carro, dormia com as pernas cruzadas, as mãos postas no colo e a cabeça virada para o lado de Jacob. Ela não perdia a pose nem dormindo?
Jacob se sentiu aliviado quando avistou, finalmente, os limites de Forks no horizonte, o sol estava quase desaparecendo aquela altura. “Merda pra onde eu vou? Não faço a mínima idéia de onde fica esta bendita casa dos elfos!” Jacob pensava perdido. Ele já tinha vindo a La Push por diversas vezes depois do casamento, vistoriado as rondas dos lobos, mas não passaram nem perto da casa misteriosa, se passaram, não viram. Mas de repente…
“Não! Havia sim uma construção perto dos penhascos, já fazia uns seis meses, parecia grande. Seria a casa?”. A memória veio repentina na mente de Jacob, ele se via dando voltas ao redor da casa como lobo, antes mesmo de sair fugido de La Push. “Como eu pude esquecer disso?… Espera, não, não e não! Não faz sentido isso, não havia casa, não havia…
Jacob quase bateu o carro com o susto que levou. Uma bela mulher loira corria ao lado de sua janela, acompanhando a alta velocidade que Jacob mantia sem dificuldade alguma. Sim, agora tudo fazia sentido. “Foi você não foi Niadhi? Foi você que estava alterando minha memória!”. Ele não falou, sabia que não precisava. Niadhi sorriu, a voz dela soou cristalina como sempre na cabeça dele:
“É só pra você saber o que os outros vão saber da sua casa!”. Ela sorria “Vai ser assim: a casa já estava sendo construída a um bom tempo, só que o dono dela desistiu e você e a compraram! La Push inteira já sabe disso, só vocês que não!”. O riso dela retumbou em sua mente. Jacob estreitou os olhos. Até que ponto os elfos interferiam na vida das pessoas sem que elas se dessem conta?
“Ei! Nós não podemos fazer isto a torto e a direito, como dizem os humanos! Nós temos que ter permissão de Quendra e ela só deixa em casos excepcionais, como o de vocês! Mas agora você já sabe o caminho, perto dos penhascos. To te esperando lá!”. Com isto ela desapareceu da janela, no segundo seguinte um carro cruzou com o de Jacob na estrada, batendo os faróis bem onde a elfo estava.
Jacob diminuiu a velocidade conforme entrava em La Push, com suas características casinhas de madeira, as lojinhas pequenas e singelas e o mar, imenso e escuro. A estrada que levava a casa era de cascalho, conforme iam entrando por ela as casas iam diminuindo e a natureza se fazendo mais presente, não chagava, no entanto, a ser mata fechada. A frente da estrada via-se o mar, o caminho ia subindo, ficava cada vez mais elevado. Ele ainda estava longe ao avistar a bela construção solitária, imponente, fugindo aos padrões da reserva quileute.
A casa era de frente para o mar, não havia muros altos, era clara, grande, suas luzes estavam acesas. Uma piscina com formas curvilíneas enfeitava a frente da construção, tinha dois andares, uma sacada a rodear todo a piso superior. Embora tivesse padrões elevados, tudo fora medido harmonicamente, não havia extravagâncias, exagero em sua arquitetura. No fim das contas, Jacob achou a casa muito boa: bonita e grande o suficiente pra ele não esbarrar em constantemente.
Jacob parou o carro dentro dos limites da casa, mas não foi para a garagem. Ele abriu a janela e avistou Niadhi sorridente debruçada na sacada. Mas não saiu do carro, não queria acordar . Inclinou-se no banco e fechou os olhos, a brisa salgada entrava no carro: como seria daqui pra frente? Até aquele dia, ele não entendia a ordem absurda de Quendra pra que ele se casasse com e, se dependesse do que a rainha lhe disse que o libertaria, ele estaria eternamente atado aquela mulher.
“Se amarem estarão livres de minha ordem! Eu amar? Aquela criatura é doida!”. Mas ele parou um instante, a lembrança de Victor conversando com , dela dançando tão esplendorosa, dos aplausos de todas aquelas pessoas para a doutora e mulher que era… “E se … ela for capaz de nos libertar? E se ela se apaixonar?…” Um leve tremor atravessou o peito de Jacob, ele abriu os olhos e lentamente virou a cabeça para olhar . Levou um susto.
Ela estava acordada e ele nem percebera as alterações de seus batimentos cardíacos, sua respiração, nada. Não percebeu porque não houve alterações. Ela o encarava, os olhos suaves, serenos, parecia uma criança que tinha acabado de acordar de horas e horas de sono. O olhar dela o prendeu, eles se olharam sem nada dizer, foi quem quebrou o silêncio.
_ Não me acordou por quê? – A voz dela estava tal como os olhos: cálida. Ela dizia aquilo lentamente, baixinho, sem tirar os olhos dos dele. Aquela voz tinha o alto poder de uma carícia, pareciam mãos a fazer um cafuné gostoso.
_ Não tava com paciência pra ouvir sua voz! – Ele respondeu na mesma intensidade de som que ela, com isto a rouquidão de sua voz ficava ainda mais aparente. Ela sorriu e desviou os olhos para a casa.
_ Ficou muito boa Niadhi! – Ela disse ainda baixo, sem se mover da posição que estava: recostada no banco do carro, os cabelos ondeados jogados na frente dos ombros. A elfo nada respondeu, apenas alargou o sorriso, suas formas humanas desaparecendo lentamente. Sua pele se coloria aos poucos, suas pestanas alongavam-se, seus dentes brilhavam mesmo á distancia.
Jacob suspirou e saiu do carro e sem que pedisse, abriu o porta-malas e pegou as malas que lá havia, a passos firmes se direcionou ao interior da casa. se espreguiçou e também rumou para dentro de seu novo lar. Assim que entraram, encontrou suas recomendações de decoração milimetricamente obedecidas. Os móveis que ela comprou estavam todos ali, os quadros e objetos de decoração modernos também.
A casa exalava conforto, as cores claras da decoração eram quebradas com uma ou outra mobília colorida. Havia uma Sala de Estar; outra sala com um moderno televisor afixado na parede, luzes saíam do interior das delicadas molduras de gesso e um aparelho de som de última geração. Ainda no andar inferior ficava a cozinha enorme; a Sala de Jantar; um escritório; um banheiro grande; um pequenino e elegante lavabo; uma sala espaçosa vazia em seu centro, com um espelho enorme em uma das paredes, e alguns aparelhos de ginástica ao canto.
Niadhi guiava Jacob e praticamente saltitante pela residência, explicando tudo, mostrando tudo, dizendo quem dos elfos fez o que e muito empolgada com os aparelhos mágicos de cozinhar: a cafeteira, o microondas, a torradeira… Jacob revirava os olhos constantemente. No andar de cima ficava a enorme biblioteca de e junto, um ambiente que funcionaria como seu escritório. E claro, cinco espaçosas suítes. pegou suas malas e levou pra uma delas, a que escolheu tinha uma bela e grandiosa janela, a cama grande e confortável que tinha comprado, o closet já com algumas de suas roupas e uma vista esplendorosa para o mar. Jacob foi para o quarto onde já estavam suas coisas, era tão espaçoso quanto o de , mas sem tantos vidros e janelas, ele não gostava daquilo.
_ Eiii!!! Jacob, !! Não vão dormir agora, são sete da noite!!!
“Mas que elfo mais insuportável é esta cadela de guarda que Quendra arrumou!”, Jacob pensou, deitado em sua confortável cama, seguro e trancado em seu quarto.
– Jacob! Eu não sou cadela muito menos de guarda! Mas posso ser a elfo de estimação de vocês, quer? – A criatura gargalhou com o grito/rosnado de Jacob:
_NÃO!!!! – Ele desceu a escadaria rapidamente pra enxotar Niadhi dali, quase esbarrou em
_ Eeeee… - os dois disseram. Niadhi gargalhou mais.
– Vocês dois tem imã, só pode ser! Tão habilidosos pra fugir de vam-pi-ros, com reflexos tãooo apurados e vivem se “trombando”!
_ Fala logo o que você quer e se man-da!! – Jacob falou impaciente!
_ Hum Jacobiii, calma que eu vou deixar vocês a sós, já entendi que você não me quer vigiando, hãn? Hãn? – Ela erguia as sobrancelhas conforme falava. Jacob rosnava e se aproximou perigosamente veloz da elfo. Mas Niadhi sumiu. Quando Jacob ia respirar aliviado, ela apareceu rindo bem nas costas dele. “Ahh, criatura infernal!!”
_ Calma que eu paro! Eu só queria avisar que a maior parte de seus conhecidos estão na casa de Sam e Emily, Jacob! É uma excelente oportunidade de apresentar pra todo mundo de uma vez só, eles estão curiosos com ela, já que nenhum dos lobos pode vê-la em seus pensamentos por obra de nossa majestade Quendra!
_ Até que não é má idéia Niadhirritante! Assim me livro disto de uma vez. - Jacob já estava irritado com a curiosidade de todos para conhecer sua esposa tão misteriosa. Isto porque o lobo não comentava coisa alguma sobre o seu casamento. Apenas chegou a La Push com uma aliança, dizendo ter se casado e que a esposa sabia sobre a verdade dos lobos. Só.
_ Vamos logo então! – disse, já saindo para a porta.
_ Nãoooooo! Agora você vai esperar eu tomar um banho querida! – Jacob puxou o braço de com muita força, ela não estava preparada e foi de tudo de encontro a ele. Niadhi riu, Jacob e se afastaram, recompondo-se rapidamente. O índio continuou a falar como se nada tivesse acontecido - Depois agente vai. Já acabou Niadhi? Então tchau!
A criatura desapareceu ainda rindo.

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De longe avistou as crianças que brincavam alegres em frente a charmosa casinha de madeira. Elas eram alegres e saudáveis. não costumava se encontrar com crianças assim, visto que ela as via somente no hospital. Ela não disse nada nem a Niadhi, tampouco a Jacob, mas gostara, e muito, de La Push. Aquele lugar simples, rodeado de arvores, mar, com pessoas sorridentes a transitar pelas ruazinhas… havia no ar uma aura de aconchego. Lar! La Push se parecia verdadeiramente com um lar.
Jacob ainda dirigia o carro de . Ela não reclamou, aquilo era realmente normal para um marido. Sem saber porque, a doutora sentia um frio na barriga ao pensar que estava sendo levada para conhecer a família de seu marido. Ela estava nervosa, mas tentava manter as aparências.
As crianças pararam de brincar assim que avistaram o luxuoso carro se aproximando da casa. Era visível que todas elas eram quileutes, estava na cor da pele, na cor dos cabelos e dos olhos. Havia cinco delas, o mais novo parecia ter uns três anos e a mais velha, doze ou treze. Mas foi justamente a mais velha que, ao vir correndo em direção ao carro, levou um tombo feio ao enroscar o pé em um buraco.
Jacob mal parou o carro e já abria a porta para verificar se a garota estava bem. Mas antes que ela pudesse alcançá-la, um índio muito bonito, vestido só de uma bermuda jeans, saiu do meio das arvores, chegando à garota rápido demais. As crianças não pareceram se assustar nem um pouco com a velocidade absurda.
_ Claire, Claire meu anjo, o que aconteceu? Você está bem? – Ele tinha gestos e expressão de uma preocupação angustiante. ponderou se ele seria o pai da menina, mas não… ele parecia muito jovem, talvez irmão?
_ O meu pé, o meu pé dói Quil! – Era absurdo aquilo, ele parecia sofrer o triplo da dor da garota que chorava. se aproximou cautelosa.
_ Será que eu posso ajudar? – Quil olhou pra cima por um instante, se deparando com a bela morena, logo atrás dela Jacob se recostava no carro com os braços cruzados.
_ Como? – Quil perguntou, atordoado com os soluços de seu imprinting. sorriu e se ajoelhou na frente da menina, fazendo Quil recuar um pouco, muito a contragosto.
_ Eu geralmente cuido de problemas na cabeça, mas acho que eu posso dar conta do seu pé! Você deixa eu ver? – Ela disse, dando uma piscadela para Claire. A menina controlou um pouco o soluço e perguntou:
_ Vo..você é médica? – afirmou com a cabeça, sorrindo – Então pode! ... Não vai doer vai?
_ Pode doer mais se agente não cuidar! Mas se cuidar a dor vai passar, você vai ver, Claire não é?
pegou o pé esquerdo da menina com todo o cuidado, esta se encolheu um pouco quando a doutora lhe tirava a bota. Habilidosa, ela examinou com cuidado, já estava começando a inchar. A morena se direcionou a Quil.
_ Não quebrou, mas foi uma torção feia! Leve ela para um lugar mais confortável, que eu vou ver o que tenho pra medicá-la.
_ Eu vou entrar naquela casa moça, você pode entrar sem cerimônias…
_ Não se preocupe Quil, era pra casa de Sam mesmo que estávamos indo. – Quil nem havia se dado conta que Jacob se aproximou. Olhou de para o Alpha, mas estava atordoado demais para fazer as devidas conjecturas, deu um aceno cordial a Jacob e logo voltou sua atenção a Claire.
_ Oi tio Jacob! – Fora o coro das quatro crianças que ficaram pra trás. achou engraçado, elas estavam todas comportadinhas, uma ao lado da outra, cumprimentaram Jacob como se ele fosse uma autoridade. Jacob olhou para a menina e os três garotinhos com seu jeito de sempre, as crianças já estavam acostumados com a apatia dele.
_ Oi – ele respondeu robótico, depois se virou pra – Te espero lá dentro! – E saiu atrás de Quil.
esperou ele virar as costas e fez uma careta exagerada, mostrando a língua para o lobo. As crianças imediatamente colocaram as mãos na frente da boca pra abafar os risinhos. Jacob se virou, estranhando e, tanto quanto as crianças fizeram caras inocentes, disfarçando o riso imediatamente. Jacob estreitou os olhos e seguiu em frente. sorriu para as crianças, dando outra piscadela, agora de cumplicidade.
_ A Claire vai ficar legal? – Um menino de uns seis anos perguntou.
_ Vai sim, não foi nada grave crianças, podem voltar a brincar que eu vou cuidar dela, certo? – Eles acenaram e logo voltavam a correr.
se levantou e foi caçar alguma coisa pra tirar a dor de Claire dentro do carro. Ela tinha que ter algo! Mas enquanto ela fuçava em sua maleta no porta-malas, seus ouvidos passaram a prestar a atenção na conversa que vinha de dentro da casa.
_ Claire o que ouve meu amor? Põe ela aqui no sofá Quil, Seth sai daí, anda!
_ Jacob?
_ Não chora Claire, eu vou buscar um muffins pra você, acabei de fazer, é de chocolate!
_ Jacob, meu filho! Não sabia que você vinha hoje!
_ Nem eu Jacob, que bom que apareceu por aqui. Quil o que ouve com Claire? O Seth disse que ela caiu?
_ Foi sim Rachel, mas uma moça já ta vindo cuidar dela…
_ Moça? Que moça?
_ Ahnn, eu não sei bem, na verdade eu estava preocupado com Claire…
_ Ela é médica, veio junto com tio Jacob, vai cuidar do meu pé! – A menina disse isso ainda com voz chorosa.
_ Sim, ela é minha esposa, antes que perguntem!
respirou fundo, pegou a maleta e rumou para a porta, a casa parecia ter muita gente, gente demais.
_ Jacob, irmão, ainda não entendo por que você se casou tão rápido! – A voz feminina disse. enrijeceu com a mão na maçaneta. E agora? O que Jacob ia falar? Que foi amor a primeira vista?
_ Foi um impulso Rachel, um impulso! – “Nossa, que resposta Senhor!”, pensou abrindo a porta cautelosa.
_ Com licença, boa noite!
Ela estava certa, tinha gente demais na salinha. Todas as cabeças se viraram pra ela. A moça já não tinha nenhum acessório que havia posto para a viagem, estava com os cabelos soltos, o mesmo sobretudo claro que vestia, estava agora aberto, fazendo o vestido justo que ela usava por baixo aparecer.
_ Boa noite – O coro de vozes fortes demais chegou a assustar . Ela sentiu, principalmente pelo calor que fazia no ambiente, que havia mais lobos reunidos ali.
_ Ualll!!! Dá pra entender o tipo de impulso agora! – Seth deixou a frase escapar baixo, observando de cima a baixo, mas nem precisou se virar pra perceber o olhar cortante de Jacob sobre ele. Levou uma cotovelada de Paul, que estava perto dele. – Ai!
tentou esconder o riso, uma humana não teria escutado o sussurro de Seth. Procurou encontrar a menina, onde ela tinha sido levada? Mas Quil logo surge no meio de todos, chamando por . Isso a aliviou, pois por um momento todos tinham ficado sem reação. A doutora se aproximou do sofá que Claire estava deitadinha e sorriu pra menina, ela parecia bem melhor lambendo os dedos de chocolate, mas ainda fazia caretas.
_ Então vamos olhar seu pesinho dona comilona! – tirou uma pomada anestésica muito útil de dentro de sua maletinha e começou a passar no pé inchado. Todos voltaram as suas conversas, falando baixo, mas ninguém tirava os olhos de . Jacob permanecia impassível num canto da sala.
_ Eu enfaixei, mas isso não é o suficiente, ela precisa ser levada ao ortopedista. Ele, com certeza, vai tirar um raios-X, só pra checar, mas ela não quebrou nada. Leve estas anotações que eu fiz, são os anestésicos que eu dei pra ela tomar. – falava com voz profissional, se direcionando a Quil, embora todos prestassem a atenção – E você senhorita, acho que vai ter que ficar sem correr por um tempinho. Seu pé vai precisar ser imobilizado e você vai usar uma botinha bem charmosa durante uns dias. Mas vai ficar boa, eu garanto!
_ Bom eu vou levá-la agora então... droga! To sem carro! – Quil disse, se lembrando que estava vindo de uma ronda, tinha chegado ali correndo.
_ Xiii, cara! A Leah e o Embry levaram o nosso carro pra saírem e eu vim de moto. E o Sam foi no mercado de Forks comprar as coisas pra Emily! Ó, mas a Leah e o Embry já devem estar chegando, daí você pega o deles! – Seth falava rapidamente, tentando arrumar uma solução, olhando a cara nada boa de Quil.
_ Pode levar me... nosso carro Quil, não é Jacob? – Jacob só levantou uma sobrancelha, olhando pra do outro canto da sala. Mas ela não esperou resposta, cruzou o espaço decidida, chegando até onde Jacob se sentava começando a apalpar seus bolsos em busca das chaves.
_ Ei!?! – Ele disse, bufando.
_ Se você levantasse iria ficar mais fácil, não acha querido? Vamos de pesinho pra mim ou me dê a chave! – Ela dizia com voz mansa, característica que contrastava drasticamente com a expressão de Jacob. As pessoas da sala observavam a cena curiosos, embora tentassem disfarçar. Jacob tirou a chave do bolso de trás da calça e jogou para o Quil.
_ Cuidado com o carro! – Ele disse simplesmente, recebendo um aceno de Quil, que não ousou recusar a oferta.
_ Cuidado com a princesinha! – disse quando Quil já saia com Claire da casa. Emily, Billy e Rachel alargaram um sorriso de canto a canto em direção a , sorrisos que fizeram o coração da moça aquecer. Ela se sentiu bem, tão bem como há muitos anos não se sentia diante de outras pessoas.
_ Senta aqui dona ! – Brad, que se sentava ao lado de Jacob, se direcionou a moça todo cordial. riu.
_ Dona? Ora, eu não vou sentar só porque você me chamou de velha. Não pensei que estivesse tão mal. – Ela estava brincando com alguém que nem conhecia? se estranhou, mas o lugar deixava-a confortável, ela não sabia explicar o porquê disso, mas se sentia involuntariamente bem.
_ Oh não, não, não, eu não quis dizer isto é... é que eu só quis...
_ Liga não que o Brad é tapado!
_ Seth não fala assim dele, ele só quis ser educado! – Rachel disse franzindo o cenho.
_ Continue sentado Brad! – A voz autoritária de Jacob se sobrepôs as outras. Todos o encararam abismados: será que ele ia deixar a esposa de pé? Mas o que ele fez depois não surpreendeu só os quileutes, mas também , que tentou disfarçar, fazendo cara de que era absolutamente normal aquela atitude.
Pegando a cintura da morena, Jacob a puxou para se sentar em seu colo, com firmeza. Não foi rude, mas também não fora uma flor de delicadeza. procurou se ajeitar, se sentando de lado no colo quente, cruzou as pernas e pôs as mãos encima das mesmas, enquanto Jacob continuava com as mãos em sua cintura. Mas os ouvidos dos lobos presentes na casa não deixaram de reparar na alteração de batimentos tanto de Jacob quanto de . Sorriram internamente: é, dava pra entender cada vez mais o “impulso” que levara ao casamento.
_ Não vai nos apresentar a ela Jacob? – Rachel perguntava cautelosa, como sempre se dirigia ao irmão. Jacob se inclinou para frente, aproximando ainda mais o corpo de , o perfume dela estava em seus cabelos, fraco mais estava lá.
_ Estes são Brad, Seth, Jared, Collin e Paul, meu cunhado. Aquela é Rachel minha irmã; Billy, meu pai; Emily, dona da casa; Sue Clearwater; Kimberley, noiva de Jared. As crianças lá fora são Elisa e Jason, o menor, de três anos, meus sobrinhos, filhos de Rachel e Paul. Os outros dois garotos são Adam e Brian, filhos de Emily e Sam.
_ Nossa, bastante gente, é um prazer conhecê-los! – disse sorrindo._ Imagina querida, o prazer é todo nosso. Estávamos ansiosos por conhecê-la desde quando soubemos de seu casamento com meu irmão._ Bom eis-me aqui então Rachel. Espero não ter decepcionado!_ Mas é óbvio que não decepcionou, mas surpreendeu né? Ai Paul, para com isto, só to falando! – Seth! Paul deu outra cotovelada no rapaz que não tinha noção do perigo. Só ele e Leah eram mais ousados quando se tratava de Jacob, este já havia desistido de repelir Seth. “Ô cara insistente!”, pensava o lobo Alpha. não conseguiu conter o sorriso espontâneo.
Billy sorriu junto com a moça. O sorriso lindo, suave dela, tanto tempo ele não via algo assim… Gostou, e como gostou da nora.
_ Então você é médica? Vai trabalhar no hospital de Forks até onde sei! – Billy perguntou, querendo conhecer mais a linda mulher.
_ Sim sou médica, neurologista mais especificamente. Está tudo certo pra eu trabalhar no hospital de Forks mesmo, começo na segunda.
_ Legal! E você é boa nisso de neurologia? Poxa, mexer com cérebro não deve ser nada fácil!
riu, se virando para Collin: _ É, não é fácil mesmo, mas o que me atrai nesta especialidade é justamente isso: os mistérios do cérebro humano. É uma das áreas mais complicadas da medicina, eu não posso dizer que sou excelente, mas procuro fazer sempre o melhor e…
_ Ela é muito boa no que faz sim! – A objetividade de Jacob fez todos se virarem pra ele de boca aberta. Um elogio? Um elogio vindo de Jacob Black? Nossa! Ainda que foi dito sem emoção alguma na voz, era um evento milagroso!
_ Oh! Obrigada Jacob, não pensei que estivesse atento a isto! – Ele esboçou um meio sorriso sarcástico para .
Todos ouviram um barulho de motor neste instante. O carro parou em frente a casa e sentiu Jacob enrijecer repentinamente. Segundos depois Leah e Embry entravam na sala, de mãos dadas, sorrindo. Mas o sorriso de Leah esmaeceu assim que ela encarou Jacob. Eles cumprimentavam todos com abraços e brincadeiras, mas a Jacob se limitaram a dar um breve aceno. percebeu o claro desconforto e estranhou: tinha coisa ali!
_ Embry, Leah está é minha cunhada, ! Vejam, ela não é linda? – se levantou do colo de Jacob, balançando a cabeça para a Rachel, e se direcionou ao casal recém chegado.
_ É um prazer! – Ela deu a mão para Embry que sorriu pra ela, cordial. Bem diferente do cara que levantou Emily do chão para cumprimentar, que bagunçou o cabelo de Rachel e deu um tapa estrondoso nas costas de Paul. Já Leah mediu de cima a baixo, com uma sobrancelha erguida. Mas depois sorriu e as duas morenas se cumprimentaram, trocando beijos na face.
_ Realmente muito bonita Rachel! Mais uma mulher bonita pra você se vangloriar de ter na família, não é Billy?
_ Bom Leah, acho que a Rachel vai se encarregar disto muito bem, se você não percebeu – A voz de Billy ainda era forte e vigorosa, apesar de seus cabelos já grisalhos.
_ Vocês estão tendo a capacidade de me deixar realmente envergonhada! E isto não é muito fácil! – Todos riram. continuou de pé, apenas contornou a cadeira de Jacob apoiando as mãos no encosto. Sentar tão próximo dele a deixava desorientada e desconfortável demais.
_ Mas digam, como foi este casamento escondido de vocês? Onde foi? – Emily perguntava oferecendo os seus muffins a .
“Droga!”, pensou enquanto pegava um bolinho e mordia, tentando ganhar tempo pra responder. Esperava que Jacob respondesse primeiro, mas o idiota também começou a comer. engoliu o delicioso quitute e respondeu à pergunta que a deixava tão desconfortável. Foi branda, tinha que disfarçar.
_ Ah! foi uma destas coisas que agente não consegue nem explicar, tampouco entender! Quando agente viu, estávamos os dois em uma capela de Las Vegas, com alguns amigos meus, dizendo um sim. Foi assombroso e… bom! – Ela disse sorrindo, envolvendo os braços em torno do pescoço de Jacob, se inclinando conforme falava. Tentava assim disfarçar suas meias verdades.
Jacob olhou pra cima, com a cabeça muito perto do rosto de , e deu um de seus característicos sorrisos irônicos. Ela o encarou e, no fundo dos olhos castanhos, ele viu a mesma coisa. Leah olhou aquilo e ergueu uma sobrancelha, ela via algo mais entre os dois. Tentava captar o que ligava o casal tão… cordial? Percebia que a respiração de Jacob se aprofundava cada vez que se aproximava mais dele, como se ele quisesse cheirá-la melhor, o que era compreensível visto que o cheiro da moça era realmente bom. O coração de alterava o ritmo quando ela encarava Jacob de perto, sem chagar a acelerar demais, mas que a pulsação mudava, mudava! E os olhares: estes pareciam se ligar absurdamente quando se encontravam, parecia que um cabo de aço os prendia! Era interessante, muito interessante!
Leah nunca tinha colocado fé naquele casamento, não entendia o mistério que fizera Jacob tomar aquela decisão repentina, mas não acreditava que tivesse sido algo parecido com um imprinting. Pensava que fora uma fuga impensada e desesperada da lembrança de Bella. Desconfiava e desconfiava muito! Mas os dois não mais se falavam depois da briga. Ela, no entanto, não deixava de observá-lo a distancia.
_ Mas vocês vão ter que fazer outro casamento aqui, sem falta! Seguindo as tradições quileutes, afinal Jacob ocupa uma posição elevada entre nós e não faz sentido ele deixar de respeitar as tradições, não é mesmo? – Sue falou, como membro do conselho, achava aquilo extremamente importante para o Alpha dos protetores quileutes. Além disso, acreditava que aquele casamento precisava ser abençoado corretamente, seria vital para Jacob que desse certo a união. Todos haviam gostado de e tinham esperança que ela seria a força que destruiria as rochas do coração do índio.
_ Tradição quileute?
_ Outro casamento?
e Jacob perguntaram ao mesmo tempo, ambos surpresos.
_ Sim, sim filho! Seria indispensável pra nós , temos tradições, sempre fazemos nossos casamentos nelas. Você as aceita querida? Não se oporia, oporia?
_ Não, claro que não Billy. Eu só fiquei surpresa! Um casamento já é grande coisa pra uma mulher, imagine dois? – Billy sorriu aliviado.
_ Isso vai ter que esperar. acabou de chegar a La Push, tem que se ambientar no novo emprego, nós temos que nos organizar na nova casa, enfim, vamos pensar nisto quando as coisas estiverem mais calmas. – Jacob falou sério. Ninguém contestou e soltou um discreto suspiro de alivio, mas sabia que era só um adiamento. Teriam que fazer outro casamento. Argh!
_ Falando em casa, como ficou ? Os garotos disseram que era muito bonita e grande! Estão gostando de lá?
_ Sim, a casa é muito boa, tivemos sorte de arrumá-la! – falou, já consciente da mentira espalhada pelos elfos sobre sua morada. – Porque vocês não vão lá pessoalmente para ver? Eu posso fazer um almoço de domingo pra todos vocês amanhã. Sou médica, trabalho bastante, mas posso me garantir na cozinha, que tal? – Depois que disse, ela mesma se impressionou com a empolgação que fez o próprio convite. Ela queria agradá-los? Era isso mesmo? Por quê? Ela não fazia a mínima idéia.
Jacob se mexeu desconfortável na cadeira e fez uma pressão nos braços de . Só então a moça percebeu que ainda estava abraçando-o por trás. Droga! La Push estava a deixando de cabeça virada, só podia. Mas ainda assim ela não se arrependeu do convite. Ela percebeu que todos encaravam Jacob, como se esperassem uma confirmação dele. se exasperou com a cara carrancuda dele, voltou a se inclinar para perto do índio.
_ Você não garante que não irei matá-los de indigestão Jacob? Diga a eles que podem testar meus dotes caseiros sem receio querido – Ela falou colando o rosto ao de Jacob, só ele tinha percebido a insinuação “não os faça recusar”, da moça. Ele fechou os olhos e disse:
_ Sim, claro! – Mas ele não fazia a mínima idéia se ela cozinhava ou não, nunca checou.
_ Bom, seria um prazer ! – Rachel disse, sinceramente feliz ao ver uma possível aproximação com o irmão.
_ Se você quiser agente pode ir mais cedo te ajudar querida! – Emily ofereceu também empolgada.
_ Não precisa Emily, que eu dou conta! Quero vocês só como convidadas, um dia de descanso pra vocês! Então fica certo, todos aqui almoçarão lá em casa amanhã!
Eles ainda continuaram uma conversa descontraída com , faziam inúmeras perguntas sobre a vida da moça em Washington, sobre o trabalho no hospital, sobre a família dela. não falou muito de Xavier, todos perceberam sua tensão ao mencionar a morte do padrasto. Mas da mãe ela falou com visível carinho, devoção. Até Jacob passou a ouvir atentamente a história da moça, impressionado, mais uma vez, ainda que não admitisse isto pra si mesmo.
Ela nunca havia falado tanto sobre si mesma tão naturalmente. Não entendia sua empatia por todos ali, nem como passou a fazer parte das brincadeiras dos homens, que pareciam mais garotos, como se já estivesse habituada, rindo deles. A moça se sentiu parte daquele lugar, uma flor de alegria brotou em seu peito. Uma família deveria ser aquilo, só tivera a mãe, mas tinha certeza que aquilo era uma família maravilhosa, ainda que não tivesse referências disto.
Sam chegara momentos mais tarde, entrando dentro da casa com os dois filhos nos braços, um de cada lado, risonhos enquanto o pai os erguia de Elisa e Jason, que tentavam alcançá-los. As crianças passaram a brincar dentro da casa, deixando esta mais barulhenta e enérgica. já estava sem o sobretudo, os cabelos feitos em um nó dos próprios fios. Estava sentada no braço do sofá de Emily, mantendo uma conversa amena com Rachel e Sue. Quil trouxe o carro e Claire um pouco antes do maravilhoso jantar de Emily ser servido, com a ajuda de todas as mulheres, inclusive .
Após o jantar Jacob já demonstrava impaciência de ficar ali, mas antes que pudesse chamar pra ir embora, Sam lhe chamou para uma conversa, dirigindo o índio para fora da casa cheia. Sam queria falar sobre uma suspeita quase certa: a transformação de mais um jovem quileute, depois de anos de latência na tribo. Parecia que o garoto não tardaria se juntar ao bando.
Aproveitando que Jacob se afastara da casa, Leah se sentou ao lado de , em um canto mais afastado perto da cozinha, deixando Embry junto com os outros homens.
_ Então, gostou daqui ou vai sair correndo dos loucos e nunca mais voltar? – Leah começou, descontraída.
_ Você não sabe o quanto sou sincera ao dizer que sim, gostei muito daqui e de todos! Eu não acreditava nisso, mas… foi amor a primeira vista! – falou calmamente, sorrindo, mas a loba viu uma intensidade passar pelos belos olhos castanhos a menção daquela frase.
_ Eu também não sou muito disto, mas também gostei muito de você, como todo mundo, aliás! – Leah riu – mas vamos ficar com a coisa de amizade a primeira vista que é melhor! E pode acreditar em mim, porque eu não costumo declarar isso pra todo mundo que conheço.
riu junto com Leah. – Amizade! É, eu não sou muito disso sabe? Mas acho que com você pode ser diferente…
_ Com certeza, nada comigo é igual aos outros!
_ Eu acredito, você parece ter opinião forte e eu gosto disso! – realmente gostou da impetuosa mulher.
_ É claro que eu gostei de você por não te classificar como “sem sal”. Não é só porque agente é mulher que temos que ser songa e coitadinha não é mesmo? Você não sabe como odeio as que são assim, tenho até uma lista das que são, com uma numero UM imbatível! – gargalhou alto, achou aquilo hilário.
_ Leah! – Era Embry se aproximando, dizendo o nome da loba como quem emitia um alerta de cuidado. Leah só assentiu levemente para o namorado, ela não era burra a ponto de tocar no nome e na história de Swan. Embry voltou a falar com o cunhado e Leah se virou para novamente - Posso te contar um segredo ? – A loba disse, se inclinando para o ouvido da moça.
_ Manda! – disse já confidente, sussurrando.
_ Nunca pensei que Jacob fosse acertar ao escolher uma esposa, ele nunca foi bom pra isso. Ele realmente fez algo muito bom ao te trazer pra cá, como há muitos anos não fazia. E não é só por nós que digo isto, mas principalmente por ele. – Leah já não estava com ar de brincadeira, falava séria. notou uma pitada de pesar nas palavras e olhos da moça e sentiu um incomodo no peito. Nada de Jacob lhe interessava, mas agora ela queria saber mais sobre ele. Uma centelha de curiosidade foi despertada.
_ Como assim? – ela perguntou, ainda sussurrando. Leah olhou ao redor da sala e todos estavam distraídos demais pra prestarem a atenção nas duas. Billy conversava animadamente com Sue, os lobos estavam em alguma disputa acirrada, Paul e Rachel no maior Love, Emily no meio das crianças, brincando com elas, Sam e Jacob estavam fora de seu campo de sentidos apurados.
_ Pode parecer difícil de acreditar pra quem conheceu ele só nos últimos anos, mas Jacob era completamente diferente do que é hoje. Pense no oposto do amargo Black e estará imaginando o que um dia ele foi. Mas ele sofreu um… um baque muito grande e perdeu a alegria de ser e de viver que tinha, que era tão forte que contaminava todo mundo. – Leah suspirou baixinho e agora teve certeza: havia pesar e angustia nos sentimentos dela para com Jacob.
_ Realmente é difícil de acreditar nisto Leah. Apesar de eu ser casada com ele, não posso negar que Jacob é uma pessoa difícil de conviver! – Leah olhou pra com angustia aparente, envolveu as mãos da médica com as suas extremamente quentes.
_ Não desista dele ! Eu realmente acredito que ele não se perdeu pra sempre. Eu sinto que você é capaz de nos trazê-lo de volta, de fazê-lo reviver. Lute por isso que eu garanto que você não vai se arrepender. Eu não estou falando bobagem . Eu estive ao lado de Jacob em seu momento mais conturbado, que também não era um tempo muito fácil pra mim. Ele conseguiu ver em mim o que poucas pessoas perceberam naquele momento, ele se preocupou comigo mesmo passando por uma turbulência de sentimentos, mesmo sendo tão jovem. Eu realmente gosto dele, mesmo que ele tenha… - ela hesitou um instante fechando os olhos - … enfim, não importa, eu gosto dele tanto quanto todos que o conheceram antes.
O coração de se descompassou, ela se surpreendeu com a intensidade do discurso de Leah. Ela não podia imaginar Jacob de outra forma, mas o jeito como a loba disse tudo aquilo despertou outro olhar de sobre Jacob. Aos poucos ela conjecturava que o arrogante e prepotente Black poderia esconder algo que não estivesse apto a encarar. Mas o que havia em seu passado que o deixara assim? O que ele havia sofrido, o que justificaria toda aquela frieza? Sarah se sentiu acuada diante da expectativa de Leah.
_ Farei o possível pra que isto aconteça Leah. – Ela respondeu, tentando aliviar a loba. Mas Leah balançou a cabeça, fechando os olhos.
_ O possível é pouco querida, porque muitos já tentaram de tudo. Um dia ele já fez muito mais que o possível por alguém, alguém que não merecia, ele se doou completamente, como poucos são capazes de fazer. Acredite , ele merece que façam mais que o possível por ele…
_ Vamos embora ! – Jacob falou ríspido da porta, sobrepondo todo o barulho da sala. As duas mulheres que sussurravam deram um pulo, nenhuma se deu conta que Jacob estava perto, que estava ouvindo…
N/A: E aí? Gostaram da casa? E da recepção em La Push? Hum... Girls eu só vou avisar pra segurarem os vossos corações pq nos próximos cap., os nervos estarão a flor da pele! Coisas importantíssimas vão acontecer, vitais para a história... Agora para tudo! O Q JACOB VAI FAZER dpois de pegar Leah e a PP no flagra falando dele? Vixi! Gente, eu acho q a cena será eletrizante, mas a opinião q realmente conta é a de vcs né? E então, quais são as apostas para a atitude de Jake no próximo cap? Quem acertar ganha um beijo e um doce... kkkkkk...

CAPÍTULO 9
QUERER E NÃO QUERER
“Eles mal calculam...
Que o não querer é também a forma mais desesperada de querer.
Todos sabem, até mesmo as tuas barreiras e fantasmas internos.
Estes fantasmas temem que a força desse querer os destrua!”

Ele tinha a expressão rígida, o maxilar apertado, os punhos cerrados. Não olhava para Leah, mas encarou . Esta viu não somente raiva nos olhos dele, mas perturbação, agonia. A moça manteve o olhar dele enquanto se aproximava lentamente, sentia como se o ar tivesse se tornado sólido na sala, tamanha era a tensão e o silencio. Ela desviou o olhar pra Leah, que tinha uma expressão de preocupação enquanto a encarava se aproximar de Jacob, como se temesse por . Mas a médica manteve a expressão imperturbável, tinha que arrumar um jeito de desfazer aquilo.
_ Eu ia te sugerir para irmos embora mesmo Jacob, já está ficando tarde e eu quero deixar tudo certo para o almoço de amanhã. Só estava esperando você conversar com Sam. Está tudo bem, não está? – Ela frisou as palavras sutilmente, tentando fazer Jacob desfazer a expressão de fera que assustou até as crianças, encolhidas atrás de Emily. O que havia no passado pra deixá-lo tão perturbado?
Jacob não respondeu a , continuou a encarando, ela não parou de se aproximar, sempre devagar.
_ , você não acha melhor deixarmos o almoço pra outro dia querida? Vocês ainda estão se organizando por lá, de repente, mais pra frente, poderia ser melhor!
chegou perto do corpo rígido de Jacob e ele não se moveu, a fera continuou a encará-la. Ninguém ali conseguira ficar tanto tempo sob a mira daquele olhar sem titubear como ela fazia. – Imagina Rachel! Amanhã vai ser ótimo, além do mais eu não sei como vão ser os meus horários no hospital e não podemos perder esta oportunidade! Não aceito recusas e se não forem vou ficar chateada. – Ela pegou uma das mãos de Jacob e, com uma força que ninguém ali sabia que ela tinha, entrelaçou os dedos nos dele e apertou forte. – Você não acha que não devemos adiar Jacob?
_ Faça como preferir! – Ele disse, ainda com voz tensa.
_ Ounnn!!! Então, já que eu receber a autorização do índio chefe, mim querer todos na minha toca amanhã! – Ela disse sorrindo. Billy gargalhou estrondosamente, do nada e sozinho. Foi claramente um exagero pra tentar amenizar o clima, mas acabou dando um salto de susto e colocado a mão no peito, que tinha se acelerado com o som inusitado. – Oh céus! Que foi isto?
_ Desculpe querida, acho que exagerei! – Billy falou envergonhado. Mas a moça achou graça daquilo, procurava disfarçar, mas não deu muito certo. Os olhos dela encheram de água enquanto ela tentava falar com Billy e conter o riso.
_ Imagina Billy, eu é que sou bo… - Mas ela escutou uma risada engasgada atrás de si, logo disfarçada com uma tosse e não se conteve, caiu na gargalhada, deixando o riso correr solto e puxando as crianças e Seth com ela. Deu-lhe simplesmente um ataque, ela ria tanto que sua barriga doía. Logo, todos passaram a rir do descontrole de , que tentava parar a todo o custo, mas não conseguia.
Ela ria da situação absurda que estava, do casamento inusitado, da vida completamente louca. Ria como nunca riu na vida, deixando seu corpo se sacudir, desistiu de tentar parar. Deixou seu ataque de alegria louca se esvair desmedidamente. Ela olhou pra cara de Jacob e ele a encarava de boca aberta, em uma mistura de seriedade e espanto, era o único da sala que não ria. Ela não agüentou aquela expressão e riu mais, chegou a se encolher, dobrando-se ao meio e apertando a barriga, lágrimas saiam de seus olhos. Jacob lhe pegou pelos braços e a fez encará-lo.
_ Ficou louca? Se controle!
_ Eu só ... eu só po... aiiii – Ela queria dizer que só podia estar louca, mas quando ela escutava um outro riso na sala, voltava ao descontrole - eu não consiiiigooo – Conseguiu dizer com voz apertada, se encolhendo no aperto de Jacob, que estava espantado com aquilo, esquecendo até que estava furioso com o que Leah falava antes. Ele voltou a sacudi-la.
_ Pare agora! Você está ridícula!
_ Co… como? – ela colocou a testa no peito dele, se sacudindo nas gargalhadas. Ele estava irritado ao extremo, ela tinha que parar! Tinha! Era ridículo aquilo, loucura, não fazia sentido algum! Ai, que mulher idiota! Ele colocou uma das mãos em sua nuca, puxando a cabeça dela para cima, o nó dos cabelos dela se desfez em seus dedos, caindo pelas costas. Ele olhou no fundo das orbitas castanhas, firme e ameaçador, aproximou o rosto dela ao seu.
_ Pare agora ou eu…
_ Pa… parar? – Ela se engasgou nas palavras enquanto ria descontrolada. O hálito perturbador soprava no rosto de Jacob. Perto, muito perto, ele chegou a sentir o gosto, sem que controlasse, sua boca salivou – Para agora ou o quê Black?! – ela disse delirante, risonha… e… linda!
Ele sorriu, um sorriso diabólico, perigoso, ela sentiu como se tivesse despencando das alturas, seu estomago foi a boca, mas um riso ou outro lhe escapava constantemente. O casal não percebia, mas os demais risos estavam diminuindo drasticamente, enquanto os presentes começavam observá-los. Ele encarou a boca da moça, os belos dentes, o olhar cheio de lágrimas e brilhantes, mas que estavam o desafiando claramente. Ela ia se arrepender de fazer aquilo, de enfrentá-lo, de fazê-lo passar por marido de uma maluca sem causa. Ele esperou, deu uma chance, mas agora ela gargalhava só pra contrariá-lo, os olhos mais sarcásticos, altivos.
Ele enlaçou o braço pela cintura esguia dela, juntando os corpos. A insolência de seu sorriso permanecia enquanto esperava mais um pouco a moça parar. Mas ela não parou, erguia a sobrancelha, o encarava e ria ainda mais alto. Ela jogou a cabeça pra trás, mas se assustou assim que a mão fervente que prendia sua nuca a fez fazer outro movimento. Seu estomago e coração deram um giro, saltitaram dentro dela quando se deu conta do que era a vingança de Jacob. Ela não ia poder recusar, havia muitas pessoas, estranhariam, a boca carnuda estava perto demais, era tarde para…
…os lábios se encontraram, ela tentara fechar os seus, mas não conseguira fazer a tempo: as bocas se encaixaram. O calor e sabor dos lábios dele, a maciez e gosto docemente apimentado dos lábios dela… eles permaneceram imóveis por um instante, as bocas coladas. fincou as unhas nos ombros de Jacob, o coração dele disparou. Ela estava com raiva, o sangue lhe subia ao rosto, ela tentou mordê-lo e … o mover dos lábios dela… ahhh... A língua em brasa criou vida própria, desobedecendo a rigidez e raiva de seu dono, passeou levemente pelos lábios dela. Ela soltou um suspiro estarrecido, tentou sugar o ar, mas o que recebeu foi a invasão da língua abusada em sua boca, procurando pela dela… encontrou.
Covarde! Covarde, gosto absurdamente covarde… Macia, era quente e macia a língua dele e se movia tão… porque a língua dela se enroscava com a dele? Por quê? …
…Maldita, ela era feiticeira, aquele sabor era uma magia negra, um veneno, um alucinógeno disfarçado de manjar dos deuses, que o fazia querer sugar, saborear... Lento, muito devagar ele experimentava a umidade saborosa daquela boca feminina. Boca que parecia se moldar a dele, satisfazer seus anseios, até mesmo os que ele não conhecia. Nunca, jamais havia se deparado com aquela sensação, sensação que fazia sua cabeça rodar, o ar parecer insignificante para a sua respiração. Aliás, onde estava a respiração deles? Eles tinham pulmões? Os dois ainda se mantiam receosos, tentando lutar com desejo que sentiam, negá-lo. Isso fazia com que os movimentos fossem lentos e sôfregos. Mas aquilo era tão poderoso quanto algo selvagem, porque o pulsar de eletricidade acontecia só de estarem perto, aquele toque tão mais ousado era insano.
parecia temer enquanto permitia que sua língua fosse conduzida pela de Jacob na mais perturbadora das danças. Seus músculos estavam tensos, sua carne pulsava, mas ainda assim ela beijava. Eles tentavam afastar os lábios, separar as línguas, mas era tão difícil…
_ Hãrhaãn! Viu, tem criança aqui!… EIIIIII!!!!!!!!
Eles saltaram pra longe um do outro com o grito de Seth, como se tivessem fugindo de um demônio, ambos sem fôlego. A sala estava silenciosa, apertou os olhos. Desgraçado! Foi tudo culpa daquele desgraçado. Por que ele fez aquilo? As pernas dela tremiam.
Os olhos de Jacob pareciam queimar quem encarasse: era puro fogo, um fogo colérico. Por que ele fez aquilo? Imbecil! Ele se endireitou, recompondo-se a muito custo, mas só por fora, pois ainda havia um zumbido em seus ouvidos, conseqüência de seu sistema nervoso alterado.
_ Te espero no carro! – Ele disse aquilo a sem encará-la, saiu a passos rígidos e urgentes da sala, deixando a morena estarrecida e sozinha, tendo que encarar todo mundo SO-ZIN-HA!
Ela abriu os olhos e sentiu as bochechas formigarem, não conseguiu encarar os olhos de ninguém. Todos tinham a boca escancarada, quer dizer, Seth tinha um sorriso sacana enquanto tampava os olhos dos pequeninos de Sam, que tentavam fugir a todo custo, curiosos. Mas Jason apontou a carinha de trás do sofá e, rindo, falou:
_ Tio Jacob agarro a tia dotola um tempãoooooo! – quis morrer quando todos riram. Ela engoliu em seco e disse com voz rouca:
_ Bom, eu vou indo, encontro todos vocês amanhã!
_ Claro, pode contar conosco querida! – Rachel disse, feliz demais, quase saltitante.
_ Sim e você vai aproveitar e me ensinar aquela coisa toda mulher, porque você deixou o lobo louco! – Leah disse em um sussurro ao se aproximar para dar um abraço de despedida em . Ela fez cara feia e deu um leve tapa na coxa da loba.
O mais rápido que pode ela fugiu da casa, mas parou logo em seguida, olhando pra dentro do carro: o inimigo lhe esperava. “Deus, por que fizestes isto comigo?”. Ela respirou fundo e abriu a porta do passageiro e pela primeira vez agradeceu não ter que dirigir, tinha as pernas moles. Se sentou no banco olhando só pra frente. Sem que nada fosse dito o carro partiu veloz demais para uma área residencial.
E estava insuportavelmente quente naquele carro! Jacob estava silencioso, não olhava para o lado e prestava uma atenção exagerada na estrada, visto que poderia dirigir de olhos vendados que guiaria bem. abriu a janela e deixou que o vento a esfriasse, entrando pelos fios de seus cabelos, indo-lhe a nuca, ela fechou os olhos. O rígido motorista tinha a consciência desperta para a mulher ao seu lado de uma forma que não queria, ele respirou fundo e, involuntariamente, lambeu os próprios lábios. O gosto dela ainda estava lá, gosto único, jamais experimentado em tantas e tantas bocas beijadas, o homem-rocha sentiu-se arrepiar. Enraiveceu-se, ordenou-se: “Esqueça! Esqueça agora! Você nunca mais vai fazer isto!”.
O percurso torturante terminou! Finalmente estavam na garagem da casa que morariam dali em diante. Saltaram do carro ainda sem se falar, ainda sem se olhar, mesmo que seguissem o mesmo caminho até o interior da residência, lado a lado. entrou pela porta tirando os sapatos, pegando-os com uma das mãos, sacudindo os cabelos com a outra conforme subia as escadas, mas ele lhe falou antes que pudesse chegar ao quarto.
_ Boa atuação! Pereceu até empolgada com os meus conhecidos, fiquei impressionado com a sua falsidade! – Ele soltou um riso de escárnio logo depois.
Aquelas palavras fizeram a moça se irritar, seu coração espremer, seu corpo esfriar completamente. Ele voltara a dominar-se, sua frieza era novamente evidente, sua ironia amarga já estava impregnada em sua voz, os olhos sombrios. Aqueles olhos fizeram se lembrar de algo que há muito não lhe vinha a mente. Lembrou-se dos olhos do seu monstro escondido, olhando-a quando pequena, quando jovem. Mas ela não enfraquecia com tais lembranças, acostumara-se a conviver com elas, só não entendeu porque voltaram ali, naquele momento.
_ Pois pode limitar a minha falsidade somente ao que se refere a sua pessoa Black. Sua família não parece ser sua, pois são cativantes, fáceis de se gostar, de se tornar intima. – Dizia ela, ignorante do fato de que um dia aquelas foram exatamente as mesmas características do jovem Jake. - Ao menos o destino ao seu lado me reservou um saldo benéfico: eles. Não me importa se você acredita ou não, mas com eles eu me senti tão bem como não me sentia há muitos anos. – Ela disse aquilo com voz controlada, sem exaltação, mas na ultima frase o lobo pode identificar um brilho distinto no olhar dela: era verdade o que dizia. Ele identificou aquilo facilmente, mesmo sem entender.
¬_ Muitos anos quanto? – Ele perguntou, aparentemente indiferente.
_ Muitos anos… - deixou a frase carregada de saudosismos suspensa no ar, voltando a caminhar para seu quarto.
Assim ambos foram dormir, sendo aquela a primeira das muitas noites que passariam juntos ali, naquela casa.
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Ele não suportou ficar na cama, a lembrança dela lhe chamava, era opressora, inevitável. Era meio de noite enquanto ele caminhava silencioso até aquela porta. Abriu: ela estava acordada, seu corpo curvilíneo coberto somente por uma camisola negra, curta e transparente. se assustou: porque ele estava ali? Porque lhe olhava daquela forma, fazendo suas pernas tremerem, o meio das suas coxas pulsarem?
O belo moreno veio em sua direção rápido demais, seus braços de músculos exatos lhe envolveram, o cheiro dele a consumiu, agarrando seus sentidos. Era um cheiro de madeira de cedro e sândalo, que brilhava como âmbar em seu poder almiscarado, afirmava a sensualidade terrestre e selvagem de seu dono. Um aroma exótico e de masculinidade profunda.
Ele lhe puxou para o beijo, ela não lutou, abriu a boca e recebeu a língua saborosa, envolvendo-a com a sua própria. O gosto dele era sedicioso, um coquetel de sabores inebriantes, revigorantes: o frescor herbal da menta, a pitada agridoce, afrodisíaca.
Ela queria, queria que as mãos dele fizessem exatamente o que faziam. Uma das palmas quentes de Jacob deslizava pela lateral externa da coxa da mulher, acariciando, provando pelo seu tato a pele macia. A outra mão do moreno estava espalmada na nuca dela, sustentando a cabeça enquanto ele a beijava sem contenções. Ela sentia com arrepios intensos a forma única com que ele a degustava.
sentia o que toda mulher sente no querer carnal, na ânsia de receber a virilidade masculina, de se sentir preenchida, completa. Ela sentia o frio na barriga, o estremecimento de sua sexualidade, a sensibilidade extrema de seus mamilos. Ela se deparava com o desejo em sua forma mais arrebatadora. Ele parou o beijo, deixando-a sorrindo, e disse:
_ Eu disse que você ia gostar minha ninfeta! Você também quer, sempre quis! – Mas a voz que disse aquilo não era a voz de Jacob, era a voz dele, do monstro!
Ela abriu os olhos e não era Black que lhe encarava, mas sim Xavier em seu olhar de desejo pútrido, querendo-a de forma suja. O cheiro não era bom, não era! Era um fedor, o fedor do hálito dele. Ele sorriu, mas agora… agora era o sorriso de Jacob! … Ela inspirou e o cheiro sensual do moreno voltou às suas narinas deixando-a louca novamente. Bom, era muito bom, não havia como fugir, era ahh… bom! Ela ansiava por outro beijo, por ser tocada de novo, não era ruim, não era sujo…
_ É bom , deixe-se querer… - a voz rígida e rouca de Jacob lhe falava, as grandes mãos viris voltando a percorrer seu corpo, indo ousadamente para o lado interno de suas coxas, na altura dos joelhos e subindo… o seu ventre palpitava e a mão desejada subia… subia deixando um rastro de… excremento! A mão que passava por ela era asquerosa, o fedor voltou, era imundo… era ele, era Xavier!
_ Me larga, me deixe, eu não quero! – Ela era forte agora, era uma mulher forte, Xavier não lhe prenderia mais, ele não ia conseguir vencê-la. Ela juntou suas forças e empurrou…mas seus braços estavam moles, ela não conseguia correr, não conseguia fugir! Ela não ia conseguir, ia sentir dor e nojo de novo… Ele lambeu seus seios, mordeu-os com seus dentes podres.
_ NÃO! Você não pode, eu não quero, é ruim, é nojento.... Me deixe! EU NÃO QUERO, EU TENHO NOJO!
O mostro soltou um som gutural: era o riso do demônio. Ele a tinha nos braços, rasgou sua calcinha e pôs a mão cheia de imundícia em sua intimidade úmida, que antes se preparava para Jacob.
_ Quer sim , quer sim! Eu te falei, você gosta disso, você tem o mesmo desejo que eu, você sente da mesma forma, você é igual a mim! Você aprendeu isso comigo garota… – Nojento, ele parecia um corpo em decomposição, fedia, cheirava a podridão, sua voz era uma… Voz funesta!
_ Não, não! É mentira… nunca! Eu não tenho sua vontade imunda! Eu não quero isto, me larga – Ela lutava contra o peso do mundo inteiro, mas ela era fraca, mole demais… Ele estava a impregnado de sujeira, ela nunca ia desejar aquilo, nunca! Era imundo, indigno, pecaminoso… - Me deixa em paz! Você está morto, sumiu da minha vida, eu venci, eu te esqueci! – Ela o havia enterrado, enterrado bem fundo, havia sim!
_ Não minha ninfeta, você não me venceu, eu te marquei, marquei teu corpo, você é minha! Esteja eu na Terra ou no inferno você é minha! – a voz dele era gutural e possessiva, como ele era...
_ Não! Você não me domina, você não me enfraquece!
_ Você não vai conseguir se esquecer de mim , não vai! O primeiro homem agente nunca esquece, não é?! Não importa nos braços de quem você esteja: você não vai esquecer do nosso momento juntos meu amor, nunca vai esquecer do meu corpo entrando no teu! É isto, você vai se lembrar sempre, você não pode me destruir, não pode me matar!
_ NÃO! – O grito chegou a arranhar sua garganta, tão forte fora.
Ele a tacou na parede do quarto – Sinta o que você sentiu antes minha ninfeta! – e a penetrou bruscamente…
Ela se levantou de um salto da cama, soltando uma exclamação de pânico, seu coração batia em desespero. olhou a fresta deixada no meio das grossas cortinas postas em suas janelas: era dia, o sol despontava.
Um pesadelo! Era mais um dos seus pesadelos infernais, pesadelos que ela não tinha há dois anos. A última vez que o pérfido padrasto veio lhe atormentar em alucinações noturnas foi há dois anos, logo depois de ela tentar ir mais a fundo com Victor.
Ela convivia com sua chaga secretamente e bem. Não deixava transparecer, não pensava nela, não se lamentava, mas ela estava lá. O mostro permanecia vivo em seu inconsciente e voltava sempre para lhe lembrar que ela não era uma mulher que sentiria prazer. Ela foi morta para aquilo, Xavier foi o assassino!
Ah! como ela odiava que as teorias psicanalíticas fossem verdadeiras, que seus traumas não podiam desaparecer somente com a força de sua vontade! Ainda que ela fosse resistente, seu inconsciente era primitivo, guardava coisas boas e ruins. De todas as ciências humanas equivocadas aquela tinha que se afirmar, tinha?! Sim, ela era uma mulher única, admirada, forte e hábil fisicamente, mas de que adiantava? De que adiantava ter poder para vencer batalhar físicas, com seres míticos ditos indestrutíveis, se as guerras mais difíceis eram travadas no coração?
Estas guerras derrubavam e venciam qualquer individuo, sendo ele feito de mármore, de aço, de diamante! O corpo, por mais forte que fosse, era só um corpo, efêmero, uma casca…
“A essência do homem está no coração minha querida! Quem possui força no coração é que realmente é forte, invencível. Podem lhe ferir, lhe torturar, doenças podem lhe consumir, mas nada o fará enfraquecer, porque essas coisas não podem chegar a um coração forte. , minha filha, a força do coração é o amor… o amor meu anjo!”
se lembrava das preciosas palavras da mãe cada vez que sentia o trauma lhe bater a porta. O amor! Ela só tinha o amor pela mãe para resistir, para se fortalecer. Laura era mortal, foi arrebatada por uma doença maligna, mas era uma luz, o fio condutor da vida de , a única coisa que a mantia de pé. A mãe, mesmo que morta, era presença eterna no espírito da filha, era seu exemplo.
A morena só se recostou na cabeceira da cama e fez o que sempre fazia naquelas situações: esperou seu coração e respiração se acalmar. Ela ouviu o ressonar de Jacob no outro quarto, ainda era muito cedo, ele dormia profundamente. Mas então lhe veio a lembrança de que ele estava em seu pesadelo, como uma força antagônica a Xavier. No pesadelo ela queria Jacob com toda intensidade, na mesma medida não queria Xavier. Aquilo era um absurdo! Só podia ser as peripécias de seu inconsciente atemporal, desconexo. Ele misturou as coisas, só isso!
Mas foi tão forte… ela reviveu o pânico, a dor e a náusea da penetração forçada de Xavier, sentiu a repugnância dele em cada célula de seu corpo… mas também sentiu seus poros se agitarem quando Jacob a tocou, sentiu o cheiro dele a descontrolando, o gosto viciando, um sorriso diferente… mas que tipo de sorriso foi o do sonho? Era velado, não mostrava os dentes, mas era diferente dos sorrisos que ela via nele. O sorriso tinha aquecido ela?
Com o coração ainda em recuperação do susto ela riu. Claro, só podia ser ilusão, aquele Jacob só foi um personagem resultado das loucas misturas de sua mente!
Ela não podia mais ficar na cama. Se levantou, terminou de arrumar as malas, entrou no banho e se esfregou com uma força desnecessária, como se quisesse limpar as lembranças do trauma de seu corpo. Prendeu os cabelos ainda úmidos em um rabo de cavalo frouxo, vestiu um vestido de seda leve, de alças, ligeiramente rodado e de estampas claras. Desceu descalça as escadas e foi para a cozinha arrumar seu café da manhã e já pensar no almoço. Será que tinha algo nos armários?
Assim que a morena se deparou com a quantidade e variedade de alimentos, condimentos e outras tantas coisas que havia nos armários e na geladeira ela riu. Exagero e empolgação de Niadhi, com certeza! Só um almoço em família não ia nem fazer cócegas naquela compra, mesmo que os quileutes tivessem um excelente apetite. Havia realmente muita coisa. Sarah fez uma nota mental: “para evitar desperdício, não permita que elfos façam as compras do mês!”
Ela estava em duvida: preparava a refeição matinal suficiente para dois ou o outro que se danasse? Ela não gostava dele, mas achava aquele tipo de atitude uma infantilidade! Se estava com a mão na massa porque não deixar um pouco mais pro idiota? Que ele fosse rabugento, insuportável, mas ela não ia deixa ele morrer de fome! Ou ia? Ele ia ficar se achando por causa daquilo, pensando que ela queria cuidar dele? Mas como ela estava ficando boba com esse tipo de discussão interna!
Arrumou a mesa como gostava, com frutas pães, leite, queijo, cereais, mel… é, aquilo era mais do que uma pessoa precisava, mas sempre fazia aquilo quando tinha tempo. Ter uma refeição descente era raro na profissão dela, era sempre uma correria. Quando ela arrumava um tempo para preparar toda uma mesa para comer, sempre guardava tudo depois ou empacotava e dava a algum mendigo na rua no caminho do hospital. Hoje ela ia fazer o favor - mas era só aquilo, um favor - de deixar tudo na mesa pra que aquele homem comesse. Mas ela não ia esperar por ele como uma mulherzinha do lar! E ele que arrumasse tudo depois, porque senão não ia mais haver aquela regalia!
Ela estava comendo quando ouviu a respiração de Jacob se alterar no andar de cima. Ele acordou, mas demorou pra descer. Pareceu fuçar no closet por algum tempo, tomou um banho demorado demais, o computador foi ligado, ele mexeu nas teclas por mais algum tempo e finalmente desceu. Não que estivesse espionando, ela só tinha ouvido tudo aquilo porque a casa estava quieta e ela não tinha nada pra fazer. Ela tinha audição para aquilo, oras, o que podia fazer?!
Descendo as escadas Jacob avistou sentada com as pernas cruzadas feita uma indiazinha no sofá da bela Sala. Tinha um livro apoiado no meio das pernas, a mão esquerda apoiando o queixo e a outra enrolava uma mexa de cabelo quando não estava folheando rapidamente as páginas do livro, que era enorme!
Ele rumou direto para a porta só dizendo burlesco…
_ Boa sorte na tarde familiar esposa!
Mas o que ele queria dizer com aquilo?
_ Você não vai ficar? – disse, erguendo os olhos do livro de neurologia.
_ É obvio que não! Você inventou isso, você que os suporte!
_ Mas… Escute aqui! – Ela saltou do sofá e voou na frente dele antes que alcançasse a porta – Caso você não se lembre querido, nós estamos fazendo um teatro, ridículo e sem sentido sim, mas que se não for cumprido pode dar problemas muito maiores para nós. Escute o que eu digo, eu conheço Quendra!
_ Eu não estou com paciência para ficar aqui ok? Eles não vão estranhar, sabem que eu sou assim, se você quiser diga algo, invente uma mentira, você não é criativa? Então!
Antes ela tivesse jogado todo o café da manhã no lixo a deixar para aquele homem ridículo!
_ Você acaso tem medo da sua família Black? Não gosta de estar com eles por quê? Acha que eles vão te desvendar, te amolecer, é isso? – Ele juntou as sobrancelhas e riu fracamente.
_ Não interessa! Nada da minha vida te interessa!
_ É mesmo? Então sugiro que você permaneça por aqui para garantir que eu não fique sabendo de coisas demais. Sim, porque seus familiares parecem achar importante que eu conheça mais sobre o antigo Jacob!
tinha jogado a frase sem pretensão alguma, disse por dizer, só pra provocar, não esperando que fosse causar qualquer reação em Jacob. Mas causou! Mordaz, ele deu meio passo na direção dela e recuou logo depois. Seu olhar titubeou, a venda que o tornava insondável em suas emoções pareceu cair em um instante fugaz. Foi medo o que ele deixou transparecer, angustia? Ou foi só espanto?
Mas foi rápido, logo seus dentes se mostraram, sem, no entanto, dispersar nenhum som de riso.
_ Quer ficar perto de seu marido querida? – Dessa vez foi a afetada. Sentiu um leve tremor e se afastou rápido, indo para a cozinha.
_ Quer saber? Faça o que quiser, sem você as coisas ficam melhores mesmo!
Mas ele ficou. Irritado ele voltou a subir para o quarto rever os seus projetos de carro e pesquisar sobre peças de motores, equipamentos e máquinas de última geração. Ficou lá a manhã inteira, sem nem ir à cozinha para se alimentar. estava lá, ele escutava ela se movendo veloz demais, o frigir das panelas, a faca batendo ritmadamente contra madeira, torneira se fechando, torneira abrindo, o cheiro da comida aos poucos dominava a casa.
As mulheres chegaram primeiro, por volta das onze horas, só Sam e Billy as acompanharam. Seth, Paul e Jared estavam em ronda. Brad e Collin não viriam porque fariam a ronda na parte da tarde. Quil foi levar Claire para a mãe ver, que ficou preocupada quando soube que a filha se machucou. Já tinha sido muito difícil deixar que a pequena morasse junto com Emily em La Push, se Quil não respeitasse as regras teria de ficar longe de seu imprinting.
Já quanto a Leah e Embry os outros ficaram um tanto receosos de responder, disseram que talvez não viriam, não iam poder. Mas a história ficou muito vaga, captava as coisas no ar: ou casal não se dava muito com Jacob, ou Jacob não se dava com o casal, ou os dois juntos.
_ Mas como não podem? Por quê? Pensei que estivesse tudo certo! – dizia, sondando os olhares trocados entre os quileutes.
_ Bom eles não disseram muita coisa… quem sabe se você perguntar pra Seth depois, ele te responda? – Rachel respondia, desviando o olhar de .
_ Você tem o telefone da Leah, Rachel?
_ Telefone?
_ Sim o número, quero falar com ela mesma. Mais fácil do que esperar o Seth.
Leah atendeu no segundo toque ao numero desconhecido e logo distinguiu a voz de .
_ Estou te esperando Leah. A você e ao Embry.
_ Ah, oi , tudo bem?
_ Sim, tudo. Eu só liguei pra saber de vocês. – escutou a voz de Embry baixinho do outro lado da linha, mas não soube o que ele estava dizendo.
_ Ah, claro. Mas eu não sei se vai dar pra irmos, tenho que resolver alguns problemas e não sei o quanto vou demorar então...
_ Hoje é domingo, deixe os problemas para a segunda. Você me disse que vinha, não estou entendendo. Como já disse, espero vocês em meia hora o.k? É o tempo que os outros vão levar pra chegar da ronda! Então até mais, abraço!
Ela desligou o telefone antes que Leah arrumasse outra desculpa, Jacob não poderia regular quem ia ou não naquela casa. Era inadmissível! , no entanto, deixara a loba com um sorriso no rosto do outro lado da linha, “Realmente, essa é uma das minhas!”
_ Ela é igualzinha a você, não? – Embry disse, abraçando a namorada.
_ Por ela acho que devemos ir então. Aposto que Jacob vai ficar de lado mesmo! – Ela suspirou.
_ É… até porque, se ela for realmente igual a você, se agente não for, ela vem nos buscar! – A loba riu.
Como havia previsto, Emily e Rachel ficaram logo arrumando o que fazer, mas ela já havia deixado tudo semi-pronto, praticamente só precisando servir. Só que Emily parecia não gostar muito de ficar sentada, logo resolveu cuidar das crianças que brincavam do lado de fora.
_ Com aquela piscina... já penso se elas caem? – Ela dizia, como se as crianças não brincassem no mar de La Push desde que nasceram. riu.
_ As crianças maiores podem cuidar do Jason, que é menor, eles não vão se machucar. Anda, vamos nos sentar na sala, eu preparei um aperitivo pra gente enquanto o almoço não está servido. Emily, você não sabe descansar não?
_ Está certo! Mas, eu só vou se você prometer que vai deixar eu te ajudar a servir o almoço!
_ O.k, eu entendi: você definitivamente não sabe descansar!
_ Não sabe mesmo , esta daí tem corpo, alma, coração, inquietação e disposição de mãesona. – Rachel disse, rindo junto com , depois de proibir as crianças de pularem na piscina.
Mas assim que se sentaram na sala, Rachel começou a vistoriar o ambiente com os olhos. sabia que ela não estava curiosa com a decoração, mas sim, procurando alguém, mas foi Billy que perguntou por ele.
_ querida, onde está o Jacob…
_ Aqui! – foi só o que ele disse como cumprimento, descendo as escadas. reparou que ele havia mudado de roupa, colocando uma bermuda jeans e uma regata preta. Seu semblante, como sempre, parecia de um agente secreto de filme de ação: o fortão, metido a gostosão, com cara séria e sobrancelhas cerradas. Ela quase rolou os olhos.
_ Oi filho! Tudo bem com você? – Billy disse, com o mesmo sorriso empolgado que cumprimentou . Jacob só olhou para o pai e, inalterável, disse:
_ Oi – depois se sentou em uma poltrona distante e serviu-se dos aperitivos dispostos na mesa de centro. viu Billy e Rachel murcharem com o tratamento que receberam. Ela olhou para Jacob, sem conter a expressão de incompreensão e extremo desagrado. Como ele podia ser assim? Com a própria família?
Ela não compreendia aquilo pela criação que recebeu de Laura. Aprendeu, pelas falas e sentimentos da mãe, o significado de tais relações. Laura falava sempre com muito amor dos avós de , cuidava com tanto zelo dela e do marido infame, que ainda menina, ela entendeu que o amor que envolvia aquela entidade era sagrado. Sempre quis ter uma, com muitos irmãos, muita energia e bagunça, igual a dos seriados de TV, mas nunca com Xavier, e sim, com seu pai verdadeiro. Por isto, jamais falou tal coisa a Laura, guardou pra si para que a mãe não sofresse ou se esforçasse ainda mais.
_ Aeeeeeeeeeee!!!!
_ Eu, eu, eu tio Seth, faz comigoooooo!
A balbúrdia do lado de fora da casa chamou a atenção de todos. Seth e os outros chegaram e faziam a maior farra com as crianças, catando-as e girando no ar, ameaçando jogá-las na piscina.
_ Não Paul, cuidado com o Jason, ele tomou muito leite de manhã, não gire ele desse jeito! – Rachel corria para o marido brincalhão, brava e preocupada. Paul deixou Jason no chão e pegou a esposa nos braços e começou a girá-la. Jason e Elisa pulavam e riam dos gritos da mãe e da travessura do pai.
trouxe Billy pra fora e se recostou no pilar da varanda olhando divertida a cena. Seth veio em direção a eles.
_ Pronto, chegou quem estava faltando…
_ Isto mesmo: nós! – Embry disse descendo do carro com Leah e Sue.
_ Vocês eram quem NÃO faltava! – Leah mostrou a língua para o irmão e ele ameaçou correr atrás dela. Embry, rindo, se pôs na frente dela, em posição de ataque.
_ Parem com isto, olha a bagunça que vocês estão fazendo na casa que nunca vieram! Que falta de educação, desculpa ! – Emily dizia, dando bronca em todo mundo.
_ É, foi mal Dona Black, agente se empolga de vez em quando, sabe como é, né? – Jared disse, todo faceiro e a vontade para a morena. Levou um tapa de Kim.
_ Ei amor, calma eu tava brincando só! – ele se encolheu, mesmo que não tivesse sentido absolutamente nada, e fez uma carinha de pobre arrependido. Mas não era falsidade, ele estava visivelmente preocupado de ter magoado a noiva.
_ Não seja bobo Jad, eu não estou com ciúme, só quero que você se comporte!
¬_ Por isso que é bom não ter mulher caras, elas só são confusão! – Todas as mulheres pararam de rir e encararam Seth seriamente.
_ Ops! Terreno minado! – Ele disse se encolhendo.
Não havia como não se contaminar com aquela euforia, se divertiu como nunca. Segundo Seth, ela era tagarela igual todas as mulheres que ele conhecia. Logo tomou liberdade pra dar um tapa nele, leve, muito de leve, para não despertar desconfiança.
Mas Jacob parecia ainda mais irritadiço e acuado com todos eles ali, se transformou apenas em um espectador passivo durante toda à tarde. Ao contrário do que acontecia quando ele estava por perto, todos estavam enérgicos, tranqüilos, brincalhões. mostrou a boa anfitriã que era, mas pela primeira vez, não estava sendo educada, e sim, espontânea. Ela preparou um verdadeiro banquete, todos se fartaram, elogiando o tempero da moça enquanto se deliciavam. Ela só sorria e agradecia gentilmente.
Adoraram a casa, só teve o cuidado de não mostrar os quartos, com certeza iriam reparar que Jacob e ela dormiam separados.
_ Pra que essa salona vazia tia? – Elisa já se sentia a vontade com , até se sentou no colo dela durante um tempo.
_ É que eu gosto de dançar de vez em quando querida e esta sala é própria pra isto.
_ Você dança? – Leah perguntou curiosa.
_ Raramente, quando sobra tempo. É um bom exercício.
_ Caraca Billy, você arrumou uma nora mil e uma utilidades! – Jared disse, preferindo se referir a Billy ao invés de Jacob.
_ Ah, mas agora é o tempo e o lugar mulher! Você vai dançar pra gente! – Leah dizia, já puxando para o centro da sala.
_ O que? Não, não, não! Eu não danço assim Leah, é só exercício, pare com isto!
_ Dancha, dancha... – o pequenino Jason começou o coro, logo seguido de todos. olhou para criança com um sorriso enviesado. Benção de pequenino, tão inocente e sincero e sempre a colocava em situações constrangedoras. Ô poder infantil, viu!
Mas de repente sentiu um tremor, seus músculos enrijeceram, seu semblante se tornou sério demais. Todos pararam, pensando que haviam passado dos limites, mas logo depois ouviu-se o uivo longo e horripilante, não muito longe.
fechou os olhos e viu em um vislumbre, olhos vermelhos. Seu corpo se preparou para o ataque, ela largou a mão de Leah e saiu andando com um único pensamento…
“Vampiros!”…

CAPÍTULO 10
VAMPIROS


“Pérfidas criaturas… sanguinárias e mórbidas!
Elas têm a morte no peito, mas insistem em perambular pelo mundo
Escondidas por entre a multidão inocente.
Serão elas totalmente más? Serão todas elas desprezíveis?
Não importa! Seus dentes de aço e veneno não podem tocar minha pele!”

Diomede, Alasca.
_ Eu peguei o maior monstrinha!
_ Porque você é um comelão, gosta de se empanturrar!
Edward olhava a cena que quase sempre se repetia quando iam caçar: Emmett tentava disputar com alguém o tamanho de sua caça. Era incrível! Quando Renesmee era menor, e caia nas provocações do tio, era sempre engraçado ver os dois disputarem entre si. Mas ainda que a hibídria fosse muito mais nova que ele e necessita-se de uma quantidade muito menor de sangue, Emmett sempre bradava a vitória diante da caça maior, deixando a pequenina Cullen emburrada.
_ Qual é Renesmee? Admite que você não tem é habilidade pra matar um leão da montanha hibernando vai! – Emmett dizia, de peito inflado, com uma gigantesca carcaça de urso aos pés.
Renesmee só riu, balançado a cabeça. Quase cem anos nas costas e o tio era muito mais criança que ela, que tinha dez...bom, na verdade, dez era só um número, porque ela não se sentia com só dez aninhos.
_ Não importa o quão grande você está mocinha, você tem só dez aninhos e é minha menininha – A jovem olhou para Edward sorrindo. Menininha! O pai, mas do que ninguém, sabia que ela não tinha comportamento, aparência e pensamentos de menininha. Ao ler o pensamento da filha, o vampiro só deu um sorriso torto, sua marca registrada e a perdição de Dona Bella. Renesmee imaginava que cada vez que o belo vampiro sorria para a humana que um dia sua mãe fora, o coração dela devia voar de deslumbramento.
_ Bom, na verdade, a pulsação dela acelerava sim e, ás vezes, ela ficava corada. – Edward respondeu, de novo, os pensamentos da filha.
_ Outra conversa parcialmente oculta! Acaso falam de mim? – Bella se aproximava depois de ter enterrado sua caça para ocultar os vestígios. Ela chegou perto de Renesmee e acariciou os longos cachos acobreados da moça-meio-vampira.
_ Na verdade, parecia que sua filha estava afagando o ego de Edward mais uma vez, Bella. Vocês duas deixam este cara muito metido! – Rosálie disse, com seu natural ar petulante.
_ Oh tia Rô, não fique com ciúmes do papai, vai! Você é tão linda que não preciso nem dizer, não é mesmo? – A loira sorriu com o galanteio da sobrinha.
_ Edward! – Jasper chamou a atenção de todos que estavam na clareira com sua súbita aparição e com o chamado em uma voz grave. Ele ainda estava a uma boa distância, mas tinha os olhos focados em Edward. Não era pra Jasper estar ali, ele já havia caçado com Alice, Carlisle e Esme no dia anterior, eles deveriam estar em casa naquele momento.
Edward estava concentrado demais nos pensamentos do irmão, seu cenho se franzindo, obscurecendo, por um milésimo de segundo ele olhou para a esposa, com uma expressão receosa.
_ O que aconteceu? – Bella perguntou, já pressentindo algo nada bom. Edward fechou os olhos e sua postura pétrea ficou mais rígida.
_ Alice! – Ele disse. Todos estremeceram. Quando o nome da vampirinha era dito daquela forma por Edward, todos sabiam que ela tinha tido alguma visão nada boa. Bella voou pra cima do marido.
_ Alguma coisa com meu pai? – Edward maneou a cabeça de forma negativa.
_ Vamos voltar pra casa agora! – Ele falou aquilo como uma ordem, Bella se desesperou ainda mais.
_ O que você não quer me contar Edward? Diga! Diga agora! – Porque sua esposa tinha que ser sempre tão teimosa?
_ Mãe, eu acho que é melhor conversarmos em casa. Lá o papai vai poder ler o que exatamente a tia Alice viu e vai poder explicar melhor! Vamos que agente fica sabendo de tudo de uma vez... – Renesmee disse aquilo já puxando a mãe para longe do pai, em direção ao norte, onde ficava a residência dos Cullens.
Edward desviou o olhar para a filha como um sinal de agradecimento, ele não sabia de onde ela tirava tanta sensatez, sempre tomando decisões coerentes. Às vezes, ela parecia realmente ser neta de Carlisle. Mas a hibídria notou que o pai estava perturbado, hesitava em falar com Bella e, conhecendo-o como conhecia, tinha certeza que o que quer que Alice tenha visto, era relacionado à Bella.
Enquanto todos corriam pelas montanhas congeladas do Alasca, em direção a mansão, Edward relembrava o passado, quando sentiu medo de perder tudo: os irmãos, a esposa, a filha e sua própria existência. Tudo foi causado pelo maldito clã italiano, que depois de uma denuncia infundada e precipitada de Irina Denali, vieram até eles com sede de conquistar, de acabar com a ameaça que os Cullens representavam para os Volturi. Fariam isto ainda que à custas da morte dos que resistissem, sob o pretexto de fazer se cumprir a punição pela lei de não tornar uma criança imortal.
Foram dias de terror enquanto eles tentavam arrumar uma saída, para proteger principalmente a vida de Renesmee, naquela época com poucos meses de vida. Mas eles conseguiram se igualar em número com os Volturi, graças a boa influência de Carlisle, reuniram cerca de trinta testemunhas para atestar a criatura particular que era Renesmee. Na clareira ao norte de uma floresta do Alasca, no dia do enfrentamento com a “realeza vampírica”, descobriram a existência de outro hibídrio trazido por Alice, que acabou por garantir a sobrevivência de Renesmee. Descobriram ainda o poder excepcional de Isabela, que protegia a mente de todos. Mas naquele dia, uma coisa saiu errado...
_ O que aconteceu Alice? – Bella entrou ventando dentro da esplendorosa mansão de arquitetura moderna, com traços retos e a tradicional variação da cor branca, preferida pelos Cullens.
Alice estava em um canto da sala, esfregando as têmporas, tentando ver mais daquilo que não podia. Ela ignorou Bella, olhando diretamente para o irmão, estreitando os olhos. Edward socou a parede, quebrando-a e assustando a todos. Isabela parou com o ataque de teimosia, olhando o marido assustada.
_ Eu sabia, eles não iam desistir! – Edward sussurrou raivoso.
Renesmee sentiu uma onda de pânico imediatamente: foi a primeira a conjecturar quem eram os “eles”, da frase do pai. Assim que a onda de controle foi passada por Jasper a ela, a garota se aproximou do vampiro que ainda tinha a mão enterrada na parede.
“O que eles querem pai? O que eles vão fazer agora?”. Ela perguntou diretamente na mente do pai, com o poder de seu toque. Involuntariamente passou a ele também seus medos. Ela temia pela família, principalmente por Alice, a mãe e o próprio pai. Eles conviviam com aquela sombra sobre as cabeças, os talentosos Cullens eram cobiçados profundamente.
_ Não somos nós. – Edward respondeu, abraçando a filha e tentando acalmá-la. Sim, não eram somente os Cullens que Aro desejava. Havia uma outra conquista almejada por ele, outros seres que fascinaram o vampiro insanamente ambicioso. Seres que Aro conheceu na mente dele, de Edward. Se algo acontecesse com aqueles que protegiam todo um povo a culpa ia ser dele!
Isabela saiu de seu topor – Mas o que… - Edward a impediu de continuar.
_ Eu vou explicar – Ele disse.
_ É bom mesmo! – Rosálie já estava exasperada com aquele circo todo.
_ É briga? – Emmett, como sempre, perguntou. Rosálie lhe deu um estrondoso tapa. Depois todos se voltaram para Edward. Ele estava novamente concentrado em Alice, se ajoelhou perto dela e encostou sua testa na dela, como se tentasse ajudá-la a ver mais ou a aclamá-la. Depois de um tempo ele suspirou.
_ Não adianta Alice! É só isso que teremos! – Ela também bufou frustrada. Era tão pouco o que ela tinha visto!
_ Mas que diabo Edward, explique o que está acontecendo logo de uma vez! – Rosálie bradou.
_ Se acalme Rosálie, sem histerismos agora. – Era Carlisle, tentando amainar o ambiente. – Diga Edward, todos precisam saber, todos estamos envolvidos. – O vampiro disse as palavras tentando acalmar o filho, frisando o “todos”, certamente se referindo a Isabela. Ela percebeu e tentou se acalmar, se colocou ao lado de Edward lhe dando a mão.
_ Diga amor, pode dizer. – Eles escutavam o coração de Renesmee ainda mais veloz, Esme se pôs ao lado dela, afagando os belos braços mornos.
_ Alice viu Heide e Félix se aproximando de Forks. Depois tudo sumiu. Agora ela tenta ver os dois e não consegue, algo impede que ela veja… Eles iam em direção a... iam em direção a … La Push...
A expressão de Bella se contorceu, os olhos de Renesmee se arregalaram, Esme pôs a mão na boca...
_ Jacob! – Bella soltou estarrecida.
Ela se mudou de Forks por causa de Jacob, porque sabia o quanto ele ficou perturbado depois de seu casamento, do nascimento de sua filha, de sua transformação, mas jamais poderia esquecer o que ele foi pra ela e o que ele fez por ela. Jacob marcou a sua eternidade, ela devia muito a ele, por diversas vezes ele a salvou, impedindo que fosse morta por vampiros descontrolados, e a tirou da pior de todas as suas depressões. Ela o perdoou por ter tentado matar a sua filha, não podia nunca culpá-lo disto, até porque, Renesmee só nasceu porque ele enfrentou seus irmãos e se colocou ao lado dela. Durante todos aqueles anos ela ligava para Charlie para saber como Jacob estava, mas as pouquíssimas informações que recebera a encheu de uma dolorosa culpa. E Edward sabia disto.
_ Rá, tomara que peguem aquele cachorro idiota! – Rose disse mordaz, logo se sentando no sofá tranqüilamente. Ela realmente tinha motivos para odiar Jacob, mas ninguém ali gostou do que ela disse.
_ Rosálie, você sabe muito bem que o que está em jogo não é só a vida de Jacob, mas de toda a matilha! Os quileutes, e também a população de Forks precisam deles. Eles os protegem de serem mortos por outros vampiros. Os humanos também correm riscos por causa da ambição de Aro e a obsessão de Caius. – Carlisle disse aquilo com um semblante sério, quase exasperado.
_ Pois não brigue comigo, porque eu não tenho culpa dos Volturi terem descoberto sobre os cachorros. Foi na mente de seu filho que Aro viu os fedorentos, os viu de todas as formas e arrancou tudo o que queria saber! – Edward fez uma careta de culpa, fazendo Renesmee se exaltar com a tia.
_ Tia, meu pai só deixou Aro tocá-lo pra me salvar, pra que ele visse quem eu era! Ele não podia controlar o que aquele monstro ia tirar dele! Qualquer um que fizesse isso ia dar informações sobre os lobos. Então quando você culpa alguém, deve culpar a mim, entendeu? Eu fui o motivo! – Ela disse aquilo raivosa, olhando a tia tensamente, como jamais fez. As palavras de Renesmee foram, no entanto, como um soco em Rose. Ela amava a sobrinha, não podia suportar o desprezo da garota, ela era a filha que sempre desejou e nunca teve.
_ Não minha querida, não! Não se culpe, eu não quis dizer isto. Mas que coisa! Será que você não vê querida, não se lembra que aquele maldito quase te matou?! Como pode defendê-lo? Como você pode se colocar ao lado da maluca da sua mãe e defendê-lo com unhas e dentes dos Volturi, desde quando Edward nos disse os pensamentos de conquista de Aro? Por que você não tem raiva daquele cachorro maldito meu amor, por quê?
_ Tia, eu me lembro sim que ele tentou me matar! – A voz dela estava exaltada, mais aguda e intensa – Mas aquela lembrança foi só de alguns minutos! Eu me lembro de coisas quando estava na barriga da minha mãe, você sabe disso. E as lembranças que tenho dos dias e dias que Jacob passou ao lado dela, defendendo ela da forma como defendeu, são muito maiores e mais fortes. Eu não poderia condená-lo, havia amor, ele protegeu a vida da minha mãe por amor e eu não posso odiá-lo por causa disso. Eu cresci tia, tenho a cabeça mais em ordem do que uma humana de dez anos, eu sei, eu sei que ele não é o monstro que você quer que ele seja. Mesmo que ele não desejasse isto, eu estou aqui também por causa do que ele fez! Se você me ama como diz que ama, você deveria deixar seu egoísmo de lado e enxergar isto! Não é heroísmo ou qualquer atitude bonitinha e bondosa de minha parte, é só o obvio, O ÓBVIO!
Ela não agüentava mais a atitude da tia, que sempre tentava fazê-la odiar o lobo, principalmente depois que Carlisle e os outros Cullens decidiram que se colocariam a frente de Aro se ele tentasse fazer algo contra a matilha. Renesmee sabia que ela não fazia por mal, que toda a raiva era despertada principalmente porque o lobo quase tirou a vida de sua preciosa sobrinha, mas era sempre a mesma coisa! A meia-vampira explodiu, desentalou tudo o que tinha atravessado na garganta, raivosamente, deixando todos os vampiros feito estátuas na sala. Principalmente Bella, que realmente pensava que a filha não gostava do lobo, pois ela nunca dizia nada quando o assunto era Jacob, sempre ficava quieta, só observando.
Aquela atitude só não surpreendeu Edward, sempre atento e impressionado com os pensamentos da filha. Por vezes, quando pequena, ela tinha medo do lobo, da lembrança das garras dele perfurando seu pequeno corpo enquanto a tacava em uma parede de vidro. A Renesmee criança não compreendia porque ele tinha cuidado de sua mãe quando estava grávida, mantendo sua presença sempre aconchegante e revigorante por perto. Era bom quando ele estava perto da mãe durante a gestação, tão bom quanto era com o pai. A menina sentia, ainda no ventre de Isabela o “efeito Jacob”, e gostava. Por isso ficava sempre confusa. Aos poucos isso foi se ajeitando na cabeça dela e já fazia algum tempo que os pensamentos da hibídria foram tomando aquela direção.
_ Chega de discussões, se acalme Renesmee. Nós não podemos permitir que Aro faça algo contra os transmorfos e não vamos. – Carlisle disse, conforme se aproximava da neta exaltada e recuperava a atenção de todos. – Alice, pare de tentar ver La Push, filha, tente ver Volterra, Aro! Mantenha o foco em Aro agora.
Carlisle mal terminou de falar e os olhos de Alice já saíram de foco. Depois de um tempo Edward bufou, Alice voltou a encarar os presentes, dizendo com sua voz de sinos, menos brilhante que o normal:
_ Ele toma o cuidado de não decidir nada. Ele só deixou escapar que gostaria de saber mais sobre os lobos em uma reunião da guarda, acho que queria influenciá-los. Só Heide volta pra Volterra, ela deixa Aro ler sua mente ele fica satisfeito e... e... droga! Some...
_ Eles vão até os lobos? – Bella pergunta tensa, enquanto a cunhada perde novamente o foco.
_ Ainda não. Aro sabe que nós estamos de olho, eles se intimidaram com a influência do nosso clã com os outros vampiros no julgamento de Renesmee. Ele só pede paciência para Caius, mas não decide nada.
_ Eu não vou deixar! Ele não vai fazer nada, eu mato ele, eu o mato! – Bella tinha o olhar letal. Edward não precisava ler os pensamentos da esposa pra ver que grande parte daquela atitude se devia não somente ao fato de ela ter amado Jacob, aquilo já tinha se transfigurado, ela já tinha se decidido por Edward. O que brilhava nos olhos de Bella era culpa! Ela sabia dos próprios erros em relação à Jacob e a culpa a corria por dentro. Ela tentava desesperadamente se redimir…
_ Mas e aí? O que agente faz agora? – Emmett perguntou a Carlisle, já flexionando os músculos marmóreos.
_ Esperaremos, é só isto que podemos fazer no momento. Creio que vai demorar, talvez alguns anos ou talvez décadas, mas temos que ficar atentos, qualquer atitude de Aro e nós iremos interferir.
%%%%%%%%%%%%%%%%%%
La Push, Washington.
Jacob percebeu imediatamente a intenção que tinha quando soltou a mão de Leah, logo depois do uivo de alerta. Ela tinha o olhar obstinado, o mesmo olhar que ela tinha quando lutava, ele se lembrava bem disto. Antes que ela desse três passos ele a alcançou, com raiva por ela se esquecer que simplesmente não podia sair pela porta e matar vampiros. Ele se pôs na frente dela, colocou uma mão de cada lado do belo rosto e fê-la olhá-lo.
_ Nós vamos até lá e vai ficar tudo bem. Você fica aqui na casa junto com os outros! – Ele sussurrou impaciente para ela, a voz muito mais imponente, o papel de Alpha já lhe vinha à pele.
Ela olhou para Jacob e se lembrou. Não podia, ela simplesmente não podia ir matar os malditos seres. Ficou mais tensa, eles estavam perto e ela teria que ficar parada, parada! Fechou os olhos e respirou fundo, tentando relaxar os músculos tensionados. Mas um frio lhe passou pela nuca, foi como se tivesse sido tocada, ela abriu os olhos de novo. Jacob a encarava com o cenho franzido, esperando alguma resposta, um sinal de que ela entendera o recado. Ela afirmou minimamente com cabeça, mas com um pressentimento nada bom. Ela tinha medo de algo desconhecido, um medo que se enraizava nela aos poucos, suas mãos começaram a suar. Se concentrou pra não deixar seu cheiro se espalhar demais.
Jacob largou o rosto dela se direcionou aos lobos, todos já se preparavam, os homens com as camisas nas mãos, Leah com o tronco levemente inclinado para frente. O Alpha só precisou fazer um sinal e eles se punham para fora da casa, com olhares sagazes, movimentos rápidos, calculados.
Leah se pôs a frente de todos, na sua tradicional posição. Por ser a mais rápida ela sempre fazia o caminho mais longo, com o objetivo de fechar o cerco sob a caça. Fazia isto junto com Jacob, único capaz de alcançá-la. Mas antes que ela pudesse se despir, ouviu a voz grave do Alpha chamá-la.
_ Leah você fica!
_ O que? – Ela se virou em um giro, vendo Jacob se aproximar rapidamente.
_ Se transforme e fique ao redor da casa. Mantenha o olho no mar, e não se precipite. Qualquer coisa chame ajuda, entendeu? – O queixo de Leah caiu como de todos os outros. Jacob queria que ela ficasse mantendo a guarda para a família? Ele nunca foi disso, a família nunca teve tal privilégio. Ele sempre dizia que deveriam proteger a todos igualmente e isto não explicava a atitude que tomava agora.
_ Na casa? – Ela conseguiu dizer, mas Jacob já tinha lhe virado as costas, ordenando com sinais as novas posições. Leah não tentou entender, foi se despir em um lugar mais próprio. Ela tinha que obedecer.
se prostou em frente à janela da sala, observando os homens se distanciando da casa correndo, se afastando uns dos outros de forma precisa, como que coreografados. Ela viu quando eles tiraram o resto da roupa que tinham, quando saltaram no ar e aterrissaram como cinco enormes lobos e se embrenharam na mata em direção ao uivo, que soava novamente. Logo uma loba cinzenta surgiu no campo de visão de , se colocando na frente dos portões, olhando o mar.
_ Não fique tão tensa querida, eles vão ficar bem! - Raquel lhe disse. Ela tinha o pequeno Jason agarrado ao pescoço e Elisa encostada na lateral de seu corpo, os dois tinham olhares curiosos. Os filhos de Sam, Adam e Brian, também estavam quietinhos ao lado de Emily.
_ Sim – foi só o que a morena respondeu, o coração acelerado. Por quê? Por que ela estava tão nervosa?
_ Rachel tem razão , Jacob é muito bom como líder. Muito melhor do que eu fui, ele treinou a matilha excepcionalmente. Eles são muito bons , nada vai passar por eles, acredite em mim, eu os conheço. – Sam lhe dizia cordato. Ainda que seus instintos e habilidades lupinas estivessem amainadas, pelos anos que se passaram desde a sua última transformação, Sam ainda podia ouvir levemente o som dos batimentos acelerados de Sarah. Esta lhe sorriu, mas não saiu de onde estava, volte e meia olhava para fora, vendo Leah correr ao redor da casa.
Não importava o que dissessem, não conseguia se acalmar, tinha um bolo na garganta, o estomago lhe pesava toneladas, seus pelos se arrepiavam constantemente, sentia frio. Ela começou a andar de um lado a outro, deixando o ambiente tenso, muito mais tenso do que ficava quando todos os lobos saiam em missão.
Leah, vez ou outra, quando estava mais próxima da frente da casa, vislumbrava a silhueta de , o olhar angustiado dela, que sempre encontrava o de Leah. Sempre que a loba olhava em direção a janela, os olhos de esperavam pelos dela, como se quisessem invadir a sua mente e descobrir o que acontecia.
“Se acalme , se acalme.”
“Foco Leah, concentre-se!” Jacob lhe disse rispidamente, enquanto corria atrás de um sanguessuga alto e forte. Havia dois deles, uma fêmea e um macho, ambos muito, mas muito habilidosos. Usavam longos mantos negros idênticos, que chicoteavam enquanto corriam. Estavam dando trabalho, mas pareciam não querer lutar e sim testá-los, pois corriam em círculos, sempre desviando. “Eles são treinados, lutam, pensam para fazer cada movimento” Jacob relatava em sua mente enquanto pensava em formas de encurralá-los.
Leah tentava não pensar muito em , não olhou mais pra janela, concentrando-se na perseguição dos lobos e na sua própria guarda, mas ela tinha certeza que o coração mais acelerado da casa era o da esposa do Alpha.
“Se controle, se controle, são só vampiros e eles serão mortos. Por que você tá nervosa idiota?”. pensava, mordendo os lábios e tentando ficar parada na poltrona que acabara de se sentar. Ela olhou para os olhos preocupados de Billy e tentou sorrir, mas o que lhe veio deve ter sido mais uma careta, porque o sogro não pareceu nada aliviado. Ela desviou os olhos, sacudindo as pernas ritmadamente. “Se controle, não é medo o que você esta sentindo, não é! VO-CÊ NÃO SEN-TE ME-DO!”. Mas parecia que havia uma serpente dentro dela, se enrolando ao redor de seu coração e espremendo, o bolo na garganta só aumentava. Ela fechou os olhos e ... um vulto, ela viu um vulto.
Se virou quase rápido demais para uma humana, olhando a sala de jantar escura, aguçou as vistas e não havia nada.
_ O que foi , viu alguma coisa? – Sam se levantou do lado de Emily e caminhou para onde Sarah olhava. Voltou logo depois.
_ Acho que não foi nada Sam. Só uma impressão boba, deve ser o nervoso.
_ , eu já disse que está tudo be…
_ EU SEI! – ela praticamente gritou, se levantando, não tão rápido quanto queria, enterrando as mãos no cabelo. E ela ainda tinha que ser lenta, lenta como uma humana qualquer! Todos arregalaram os olhos. – Me desculpe Sam, me desculpe, eu não queria te tratar assim, mas eu...
Sue, a mais próxima, se levantou e pegou as mãos da morena, afagando-as, mas ao sentir a temperatura arregalou os olhos.
_ Querida você está bem? Quer dizer, como você está se sentindo? Você está gelada!
_ Eu estou bem Sue, eu vou me acalmar, não é nada demais… - ela tinha que pensar em algo pra dizer, se aproximou do ouvido de Sue e sussurrou: - Acho que é TPM, fico mais sensível, nervosa e com a pressão um pouco baixa. Mas não é nada demais, não se preocupe. - Sue só franziu a sobrancelha, observando a moça mais atentamente.
_ Vou preparar um chá calmante para todos, você tem ervas?
_ Sim Sue, tenho tudo o que precisar, fique a vontade.
Ela definitivamente não conseguia ficar parada. Voltou a sua caminhada inútil de lá pra cá e de cá pra lá, voltou a olhar a janela, mas... de novo, de novo ela teve a sensação de que alguém a espreitava. Não podia ser, não havia cheiro e não eram os elfos, ela tinha certeza, certeza! Apertou os olhos, mas isso não foi a melhor coisa a fazer, pois por trás de suas pálpebras ela se deparou com orbitas vermelhas e assassinas. Antes que ela abrisse os olhos outro vento gélido parecia uma mão agarrando sua nuca. Sua boca secou, ele estava perto, o vampiro estava perto dela! Ela abriu os olhos rapidamente, mas não havia nada!
Ela tentou disfarçar enquanto passava os olhos por todo o canto que conseguia, aguçava ainda mais os ouvidos e nada! Tirando os sons dos humanos junto dela, só se ouvia o som do mar, da mata ao longe e, mais perto, as passadas de Leah.
Uma hora se arrastou… ela enfiou o chá de ervas goela abaixo sem ter consciência de seu gosto ou temperatura. Por que os malditos lobos demoravam tanto se eles eram tão habilidosos? Será que eram muitos os vampiros? Será que eles, os lobos, foram pegos? Não, isso também não podia ser, pois Leah continuava da mesma forma do lado de fora, nem sequer uivava. Ela estava delirando, só podia ser, delirava com os olhos vermelhos que insistia em ver, com o frio que sentia na nuca, com o mau presságio que lhe assolava opressoramente.
Um uivo! Um uivo longo e feroz, mas que os outros não puderam ouvir. Ela foi correndo pra janela, Leah olhava para o mar rosnando. Mas que coisa mais angustiante era não saber de nada!
“A maldita fugiu pelo mar Leah, fique de olho, nós vamos voltar agora!” O uivo raivoso fora de Jacob, que tentara agarrar a fria que conseguira sobreviver, mas só ficou com seu manto negro grudado nos dentes. A vampira se saiu das dentadas do lobo imponente e saltou do penhasco afundando no mar negro, nadando veloz como nunca. O companheiro dela não teve a mesma sorte, embora fosse bom e quebrasse alguns ossos em sua defesa, foi estraçalhado pelos lobos.
“Não tem nada no mar Jacob. Ela não vai voltar sozinha, não parece burra, viu o que aconteceu com o parceiro!” Jacob rugiu.
“Fique de olho no mar merda! Não interessa o que você acha, a maldita fugiu e foi pelo mar então, vigie Leah!” Embry se segurou pra não pensar coisas indevidas, tratou de estilhaçar a coisa fedida que tinha na boca, coisa que queria fazer com o pescoço do Alpha.
estava ainda mais tensa, Rachel só rezava pra que o irmão chegasse logo. Pra ela, só Jacob poderia acalmar a esposa, aquilo só podia ser uma preocupação desmedida, mas que não deixava a irmã nada confortável. finalmente viu, eles estavam longe ainda, mas estavam vindo, como lobos, mas vinham. Ela não podia mais agüentar, irrompeu pela porta da sala, saindo pra fora da casa, se aproximando dos portões.
A loba cinzenta se pôs na sua frente, impedindo sua visão e sua passagem, quase rugiu. Neste movimento Leah se virou de costas para o mar, chamando a atenção do Alpha novamente…
“Leah eu não disse que... o que ela tem?” Jacob começou a ladrar, mas parou assim que viu o rosto de pelos olhos de Leah. A loba estava quase se destransformando para acudir a mulher. estava mortalmente pálida, seus lábios estavam quase rachados, visivelmente secos, seu olhar estava alucinado, ela olhava pra trás constantemente e passava as mãos na nuca e nos braços.
Sem dizer mais nada, o grande lobo castanho-avermelhado se impulsionou mais veloz para frente, liderando a corrida. “Só Embry, Paul e Jared votam comigo. Os outros fiquem em postos ao redor da costa até segunda ordem.” Ele disse aquilo já perto da casa, via a silhueta das pessoas no quintal, a loba não era mais vista e nem estava mais conectada ao pensamento dos lobos: voltara a ser humana.
se saiu dos braços de Rachel e Leah e deu um passo a frente. Foi a primeira a ver os homens se aproximarem, todos vestiam só as partes de baixo de suas roupas. Eles se aproximavam rapidamente, os olhos de Jacob focados nela. Já podia ouvir a pulsação descontrolada dela: ora ficava rápida demais, ora lenta demais. Era como se a pressão oscilasse constantemente, de alta para baixa, a palidez mórbida era evidente mesmo à distância.
Logo que eles chegaram aos portões viu Leah ir para Embry, Kim pular no colo de Jared e Elisa correr para os braços do pai. Ela esperava, só esperava Jacob, que vinha lento, devagar demais, ela olhou nos olhos dele. Mas de repente tudo lhe saiu de foco, ela sentiu tudo rodar, seus pés quase perderam o chão. Jacob estava longe… não, não ele estava perto… ele sumia, um rosto branco giz surgia em seu lugar…
Ela sentiu braços gelados a agarrar, fortes demais… “saborosa, preciosa, sangue precioso…” O sussurro lhe gelou a alma, o vampiro que a mantinha presa nos braços lhe dizia aquilo sorrindo, abrindo a boca e passando a língua nos lábios, se aproximando de seu pescoço… Não, não havia vampiro… os lobos, Jacob corria em direção a ela… muito devagar, ele chegaria tarde, seu corpo caia… caia nos braços do vampiro de cabelos negros, ele sorriu, sorriu antes de enterrar os dentes em seu pescoço. sentiu o veneno se espalhando dolorosamente, entorpecendo seus músculos… Soltou um grito agudo e caiu, caiu em braços quentes…
_ … - A voz rouca chamava ao longe…

CAPÍTULO 11
NOITE TURBULENTA


“Lute contra a morte, mas se ela realmente quiser vir…Nada poderás fazer.
Mas diante dela, quando suas forças não parecem suficientes
O mais poderoso dos reis, o mais forte dentre as realezas,
o rígido e impenetrável…
…cai e simplesmente…
…Implora…
_ Morte, não tome de mim meu bem maior e secreto!”

N/A: Esta foi a MÚSICA q me inspirou pra escrever, escutá-la de fundo qndo se lê pode trazer pra vcs um pouquinho mais do q a cena foi na minha cabeça... só uma dica...


Jacob conseguiu pegar nos braços antes que ela caísse no chão. Ele estava assustado, pois naquele momento não sentia só o cheiro bom que vinha dela, mas o cheiro de medo. Os batimentos dela estavam fracos, a pele morena estava desbotada, sem brilho algum, mas os lábios estavam vermelhos, muito vermelhos e secos. Ele não escutava e nem prestava a atenção na balbúrdia que havia envolta dos dois, de vozes alteradas, choro de criança, nada. Levantou-se com ela nos braços e partiu veloz pra dentro da casa.
Todos se debruçaram envolta deles, na cama de , preocupados. Ela ainda estava desacordada. Leah se aproximou, colocou-se ao lado de Jacob pegando as mãos da morena.
_ As mãos dela estão muito frias, mas a pele está quente. Por Deus, está quase chegando a nossa temperatura, Jacob!
_ É febre e das altas, temos que levar ela pro hospital. – Rachel dizia, o coração palpitando.
_ Eu bem suspeitei que ela estava doente. Se não fosse pelos lábios vermelhos ela ia estar com cara de morta! – Kim também estava assustada.
_ Ela sentia alguma coisa que tentava esconder de nós. Esse mal estar veio com uma preocupação, mas qual? – Sue, índia experiente, achou muito estranho a mulher saudável e vivaz daquela tarde, ficar daquele jeito de uma hora pra outra. Não achava que aquilo fosse só um problema de saúde.
Jacob estava confuso demais, sua cabeça girava. Ele só tinha certeza de uma coisa: não poderia levá-la ao médico, alguns exames e o segredo da natureza de ficaria exposto. Mas ela estava mal, muito mal. Ele se levantou bruscamente, pegou um vaso que tinha em uma mesinha do quarto e jogou as flores longe. Molhou a mão e passou na fronte de .
_ Acorde, acorde, de um sinal de vida merda! – Ele sussurrava. Como se atendesse ao chamado dele ela deu um sinal, mas não foi algo reconfortante. Ela gemeu, dos lábios dela escapou um gemido doloroso, angustiante, os olhos dela se apertaram, por entre os gemidos ela soltou uma palavra:
_ Vampiro… - O sussurro foi tão baixo que Jacob teve que se inclinar para ouvir. De repente outra voz soou na mente dele, forte, tão forte que fez seus músculos tremerem. Mas ele tinha certeza que só ele ouvira, porque era a voz de Quendra: “Tire todos da casa, agora! Não quero ninguém, absolutamente ninguém por perto. Faça!”
Não seria fácil simplesmente tirar todos ali, mas ele não ia ser delicado, todas aquelas pessoas estavam sufocando, deixando tudo pior. Com olhos de raiva ele se levantou, a voz engasgada e rouca:
_ Saiam, sumam daqui, eu não quero ninguém aqui!
_ Jacob você tá maluco? Como não quer ninguém? Nós temos que ajudar ! – Leah, sempre Leah pra enfrentá-lo, as outras mulheres já haviam se encolhido diante de sua fúria desmedida.
_ Eu vou dar a ela tudo que precisar. Mas vocês aqui não vão ajudar. Saiam, saiam todos da casa, vão pra longe. AGORA! – Ele catou braços que não prestava a mínima atenção de quem eram e empurrou porta afora. Alguém chorou, um homem o xingou, tentando ir pra cima dele, uma mulher morena se pôs na frente, impedindo. Ele não viu quem era, podia ser qualquer uma.
_ NÃO! Não, eu vou ficar! – Leah não iria embora sem um enfrentamento duro. Os olhos de Jacob se estreitaram. Mas, fazendo os dois virarem as cabeças, praticamente um grito veio de , só não foi mais alto porque ela estava fraca. A moça, em delírio, esfregou uma das mãos no pescoço. Leah voltou para o lado dela.
“Peça a Leah Jacob, você vai ter que pedir. Ela confia em você, apenas peça, ela pode ajudar para que todos saiam!”. Não era a voz de Quendra, e sim, de Niadhi que soou branda na cabeça dele.
Ele pegou o rosto de Leah nas mãos, seus olhos duros encararam os dela, profundamente…
_ Solte ela seu desgraçado… - Embry vociferou tentando passar por Rachel, que chorava ruidosamente.
_ Não Embry, ele não vai machucá-la, olhe!
Nenhum dos dois ouviu o rompante de Embry. Negro sob negro, os olhos dos lupinos de conectavam. Leah sentiu que pela primeira vez em anos, ela realmente via algo por trás do muro de pedra: era angústia, desespero e algo que… Alegria começou a alterar os batimentos da loba ao ver nos olhos dele uma centelha daquilo novamente.
_ Leah, por favor, confie em mim: ninguém pode ficar, só eu posso ajudar . Saia, leve os outros, eu … eu… - Ele hesitou um instante – Eu vou cuidar dela, ela vai ficar bem! – A voz dele soava como um trovão.
A loba sorriu, pra espanto de Jacob, ela sorriu. Uma lágrima desceu de seus olhos. _ Sim Jacob, eu confio em você! – Ela tirou as mãos de um Jacob estático do seu rosto e beijou cada uma delas, beijou as mesmas mãos que um dia a ferira. _ Só avise quando ela ficar bem.
Leah inclinou-se na cama e deu um beijo na testa fervente de . Ela se virou para os humanos-estátuas parados na porta do quarto e os chamou pra ir embora, e eles foram. Jacob não ouviu o que ela disse para convencê-los disso.
Tão logo eles fecharam a porta da sala, o quarto de se encheu novamente, mas não eram humanos e sim elfos, haviam muitos deles. Quendra passou por Jacob sem ao menos olhá-lo e colocou cada uma das mãos nas têmporas de .
_ O que está acontecendo? O que ela tem? – Jacob perguntava em desespero, mas a rainha não respondia. Ela se abaixou e colou a fronte na testa de , esta soltou outro gemido, o corpo moreno tremeu por inteiro.
_ está vendo algo Jacob. – Koraíny lhe respondeu, os olhos focados nas silhuetas na cama.
_ Vendo algo? Vendo o que? – Os elfos tinham livre acesso na mente deles, com certeza sabiam o que era.
_ Não Jacob, nós não sabemos! – Niadhi falou angustiada, sem o olhar sapeca, sem o semblante suave de pelúcia. – A mente de está trancada, nenhum de nós consegue ver nada do que se passa. Só Quendra, mas mesmo pra ela está difícil!
Jacob voltou a olhar as duas na cama. Quendra estava debruçada sobre , quase deitada em cima dela, suas mãos esfregavam as têmporas da morena enquanto sussurrava um bando de palavras indefiníveis. As palavras começaram a ser sussurradas pelos outros elfos.
soltou uma exclamação rouca, um espasmo de medo e dor, Quendra se levantou bruscamente, dizendo um raivoso: _ NÃO! - Agudo, muito agudo foi o grito da elfo, extremamente brilhante, um humano não ouviria. E por isso mesmo, foi horripilante.
As pupilas da rainha se dilataram, muito mais que o normal, espalhando-se sobre toda a órbita castanha: seu olhar ficou completamente negro. Os elfos pararam de rezar imediatamente, Jacob sentiu o tremor que passou na fileira das criaturas. Quendra balançou a cabeça, sussurrando um não novamente, ela estava perturbada. Voltou a envolver o crânio de com as mãos, sob a casa caiu uma onda pesada de silencio, os ouvidos de Jacob pareceram se tampar, não conseguia ouvir nada, só via estarrecido a cena que se seguia.
Alterada, dizendo palavras que mais pareciam soluços de dor, Quendra começou a pressionar o crânio de . A morena começou a gemer baixinho, suas mãos trêmulas foram em direção as de Quendra, envolvendo-as. Mais pressão… Jacob notava que a rainha mórbida estava pressionando as mãos na cabeça de como se quisesse penetrá-la. Viu Niadhi cair de joelhos ao seu lado, uma lágrima escapando dos olhos, ela movia os lábios, mas Jacob não escutava o som. Leu o movimento e ela dizia:
_ Recebam-na, a recebam, recebam ! – Jacob sentiu o coração pular pra garganta, se convulsionando dentro dele.
Quendra continuava apertando, o gemido doloroso de penetrou o tampão que Jacob tinha no ouvido. abriu os olhos: estavam fora de orbita. Ela gemia, agonizava. Os gritos roucos dela eram fracos, mas poderosamente torturantes. Quendra apertou mais, enquanto sacudia a cabeça dizendo suas preces insanas. começou a se debater, suas mãos faziam gestos de quem tentava desesperadamente tirar a pressão da cabeça, mas não conseguia. Mais força… arqueou o corpo e gritou no delírio da dor com toda a força que lhe restava: seu crânio tão resistente não suportaria por mais tempo aquela pressão…
Foi então que os músculos do lobo criaram força, ele sentiu que algo que o mantia preso se rompeu, quando deu por si estava agarrando o braço de Quendra, mas não conseguia mover um milímetro. Gritou:
_ NÃO, PARE! PARE, VOCÊ VAI MATÁ-LA! - Ele tentava impedir, mas os braços de Quendra continuavam a pressionar. _ SUA MISERÁVEL, PARE AGORA! – Sem perceber, ele usou a voz dual de Alpha para a elfo e então… ela parou como estava.
Os sons voltaram de repente, enchendo a casa, os elfos rezavam, mas aquilo mais parecia um canto agourento. Os olhos assustadores de Quendra fitaram Jacob: ele havia ousado lhe dar uma ordem, ousado usar o poder que ela tinha lhe dado para enfrentá-la. Ele havia xingado sua soberana? Os belos lábios da elfo se contorceram em um sorriso demoníaco, muito rápido ela agarrou o pescoço de Jacob com apenas uma mão e o pressionou contra a parede em um baque surdo, uma rachadura se fez no concreto.
_ Por que devo parar Alpha? Me diga porque! – os elfos pararam de cantar, ficaram um uma fileira estática. Sufocado Jacob respondeu.
_ Porque você vai… matá-la!
_ E você se importa com isto Alpha? – A maldita e miserável criatura continuava a sorrir, Jacob queria ter forças pra estraçalhá-la. _ Você está disposto a me enfrentar para defender uma mulher que você não gosta Black?
Onde ela queria chegar? Que espécie de demônio era ela?
_ Eu não sou um demônio Jacob, eu sei o que faço! Acaso você sabe o que está prevendo por repetidas vezes? Acaso você sabe o vislumbre de futuro que ela está tendo? É uma certeza, vai acontecer, mas eu não posso permitir, não para aquele vampiro, pra ele NÃO!
Ela tinha enlouquecido, só podia ser. Jacob não conseguia responder, lhe faltava ar, ele sufocava.
_ vê a mesma cena repetidas vezes… – o cheiro de infestou tudo de repente, sem controle, mas isso amainou os olhos de Quendra em um único momento – Isole todas as portas e janelas da casa, não deixem o cheiro ir pra fora – dois elfos desconhecidos partiram imediatamente do quarto, ela voltou sua atenção a Jacob – vê e muito mais do que isso, ela vê e sente um miserável vampiro sugando o seu sangue. Ela está desse jeito, porque este seria o efeito que o veneno teria nela, ela ficaria fraca desta forma, não poderia fugir, daria a ele o quanto de sangue e poder ele quisesse! MAS ISSO NÃO PODE ACONTECER!
Os olhos de Black se arregalaram, Quendra realmente não deixaria que isto acontecesse.
_ Não a ma… mate. – Ele tentou dizer aquilo com mais força, mas a voz saiu fraca e esganiçada devido a pressão que tinha no pescoço. Seus pés não tocavam o chão.
_ Quendra, talvez Jacob esteja certo, talvez matá-la não seja a melhor solução! – a voz de Koraíny também estava embargada. Jacob sentiu as mãos da rainha tremerem. Ela fechou os olhos e, pela primeira vez em seus quatro milênios de existência, uma lágrima brotou das órbitas castanhas.
Ela aliviou a pressão no pescoço de Jacob, e falou baixo, pesarosa:
_ Vocês acham mesmo que eu quero matá-la? Acham que eu quero destruir uma mulher como ela? – Quendra finalmente soltou Jacob que acabou por cair no chão, tossindo. Ela foi até a cama onde jazia fraca. Jacob se precipitou para frente, quase engatinhando, tentando impedir Quendra de chegar até novamente. Mas não pode, a rainha se sentou na beirada da cama e acariciou os cabelos úmidos de suor de . – Isso não podia ter acontecido , eu não podia amá-la da forma que amo. Isto torna as coisas mais difíceis, mas eu não posso pensar só em mim, não posso ter o amor egoísta dos humanos, você não pode ser uma fonte de poder para vampiros, eles acabariam com tudo. Principalmente este vampiro que você vê querida!
_ Majestade, tente pensar em outra coisa, não é egoísmo, é só tentar achar outra solução. Vamos tentar, a visão talvez demore pra acontecer. Poderá haver outros meios de proteger . – Niadhi disse aquilo olhando pra Jacob.
_ Talvez… talvez, um tempo… - ela estava se convencendo, ia deixar viver.
Ela se lembrou de Lairon, de quando ele lhe pediu pela filha: “Acabar com a existência dela, pra não permitir que o pior aconteça nem sempre é a melhor solução. Nós nunca vamos conseguir acabar com eles, você sabe disto irmã. Coisas ruins podem acontecer, mas, por vezes, para que a luta seja vencida, nós temos que enfrentar pesadelos, coisas que saem de nosso controle. Deixe-a viver Quendra, deixe. Ela pode nos ensinar que controlar o mundo sobrenatural não é só esconder fontes de poder. Ela pode nos ensinar que talvez, a força maior não está em nosso sangue, mas nos nossos corações. O amor que os humanos podem sentir é magnífico, você sabe disto Quendra. Ela terá isto, minha filha poderá ser mais fonte de amor do que de força. O que vale mais Quendra?”
Quendra se virou para Jacob que estava encostado na parede olhando pra ela, ainda respirando com dificuldade. Ela se levantou da cama e foi em direção a ele, se ajoelhou em sua frente e olhou o lobo mais do que fisicamente, ela procurava desvendar tudo que estava escondido dentro da alma do rapaz. Ela sorriu:
_ Se eu não matá-la Black, o que você pode me garantir em troca? – A reposta dele seria vital, daria a ela o conhecimento de que precisava, a ponta de certeza que faltava para se convencer de que realmente valeria a pena deixar viver e enfrentar as conseqüências disto.
_ Eu vou … eu posso… eu – Jacob se atropelou nas palavras, estava tenso: a vida da mulher estirada na cama dependia dele? – Eu farei de tudo pra protegê-la, pra não deixar que esta visão se realize! – Ele disse com uma firmeza que o assustou: era a firmeza de uma promessa. De onde veio aquilo?
_ Pra sempre? – Quendra perguntou.
_ Enquanto eu… viver. – Ele respondeu, tenso. De novo ele não controlou o que disse.
A rainha sorriu, branda, a fileira dos elfos relaxou. Quendra se levantou e ofereceu a mão para que Jacob se levantasse. Receoso e espantado, ele aceitou. A figura a sua frente havia se metamorfoseado completamente, ela não estava mais sinistra, perigosa. Suas belas feições não pareciam mais agourentas e opressivas. Os olhos tinham um brilho cálido, acolhedor, o sorriso dela estava aconchegante, novamente exuberante, as mãos pareciam novamente delicadas, extremamente macias.
_ Eu deveria saber que eu não poderia matá-la na sua frente Black, eu deveria saber que você a defenderia. Você assume então que é isto o que você fará daqui pra frente: protegê-la, sob todas as formas?
Jacob olhou pra Quendra confuso, ainda sentia o coração palpitando em sua garganta, no entanto sentia um extremo vazio no peito. Ele não entendia porque fazia aquilo, porque agiu daquela forma, não era nada pra ele… nada.
_ Se ela não é nada pra você, por que eu não posso matá-la Black?
Ele virou a cabeça em direção a cama: ela estava estática, os braços soltos ao lado do corpo, a luz do início da noite deixava sua cor ainda mais doentia, sua face tinha uma serenidade opaca, muito parecida com alguém que perdera a vida. Era angustiante ver aquilo, pensar que ela poderia realmente estar… morta. Era inadmissível pensar nela morta, inadmissível vê-la tão fraca, quando ele se lembrava de tudo que já havia visto dela. Lembranças dela, mais lembranças do que ele pensou que tivesse guardado, lhe vieram em uma avalanche de confusão…
… a prepotência e arrogância que ela teve enquanto lutava com ele, a forma como ria debochada enquanto o subjugava… linda arrogância nos traços dela…
…os olhos cálidos que o envolvera, no carro, no dia em que chegaram na casa… a voz macia, tão terna e tão poderosa naquele único instante, o fez sentir conforto, qualquer um sentiria…
… o sorriso inebriante que por vezes ela dava… o riso gostoso e descontrolado do dia anterior, o brilho dos olhos, dos dentes… o carinho que ela conquistou dos quileutes em dois dias de convívio…
… o vigor e notável êxtase de quando dançava, a aura iluminada que a envolveu quando ela se deixou embalar pelo som…
… os pacientes, o zelo e cuidado na profissão… o respeito que os colegas de trabalho tinham por ela… Micheal, o homem que por ela estava vivo, que teve uma chance de lutar graças à doutora, como muitos outros que passaram por suas mãos…
_ Por que Jacob? Por que você se importa com a vida dela? Por que você quer que ela viva? – Era um murmúrio a voz de Quendra, mas parecia um grito para Jacob, um grito que retumbava nos seus tímpanos, que turbava tudo. Os olhos secos dele ardiam, a respiração ainda dificultosa, era como se Quendra continuasse a sufocá-lo. Ele não queria falar nada, ele nunca falava nada, nunca dizia o que se passava em suas emoções, ele não tinha emoções, não tinha!
_ Estamos só nós aqui Jacob, assim como nosso segredo é teu o teu será nosso. Por quê? Diga, por quê?
_ Eu não sei! – Quendra olhou pra ele ainda mais terna, parecia um anjo agora.
_ Sabe sim Jacob, você sabe!
_ Ela é… ela não pode morrer porque…
_ Sim, é só dizer, diga, deixe as palavras saírem anjo, diga…
Ele ia ter que explicar? Por que ele tinha que explicar, se ele não sabia? Não sabia o que o fez quase se engatinhar pra tentar impedir Quendra, mesmo sabendo que não era forte o bastante. Por que algo tremeu dentro dele quando ele ouviu o gemido agonizante de ? Não, ele ia sentir aquilo por qualquer pessoa, qualquer pessoa ia provocar aquilo…
_ Qualquer pessoa Jacob? Qualquer pessoa ia provocar tudo isto? E em você?
_ Sim – Ele quase não teve forças pra dizer aquilo.
_ Esta não é uma resposta que eu preciso ter Jacob, esta é uma resposta que você precisa ter: por que você não quer morta? – Ele ficou quieto, o semblante rígido. Mas Quendra sabia o que o impeliria a dizer.
E então ela sorriu, mas voltou a sorrir do jeito mórbido, diabólico. Jogou as palavras pra Jacob cruelmente – Não precisava agir assim por causa do juramento de proteger a vida humana que seu ancestral me fez Jacob. Eu posso decidir pela morte de e se é por causa disto que você tentou impedir, então pode se considerar livre deste dever!
Jacob olhou pra ela, o espanto novamente em seu rosto. Quendra tinha um olhar que fez Jacob temer, sentir um medo que nunca pensou que pudesse sentir. Contra aquele olhar assassínio ele não poderia lutar, ela venceria, mataria.
_ Eu não posso confiar na promessa que você me fez Black! Se ela é pra você como qualquer um, você não faria de tudo pra protegê-la! Ela não pode dar poder a um maldito vampiro! – A voz da elfo era arranhada, parecia o sibilar de duas cobras em um macabro dueto dissonante. A voz entrava com mais força que o normal pelos ouvidos de Jacob, sacudindo suas entranhas. O olhar de pupilas dilatadas dizia: nada seria capaz de impedi-la.
_ Não! – Jacob sussurrou, se colocando na frente da cama.
_ Você vai me enfrentar? Você vai tentar me enfrentar? – Os dentes suntuosamente brilhantes de Quendra se insinuaram para Jacob como a essência de uma pura loucura. Ela deu um passo em direção a cama.
_ Não! – ele disse mais alto, não pensava, só defendia. Sua postura se encurvou, seus joelhos se flexionaram. Uma posição de ataque. Quendra riu incrédula com o pobre lobo a sua frente.
_ Você não vai me impedir de fazer o que é certo! NÃO VAI ACABAR COM A NOSSA MISSÃO! – Ela começou a gritar.
_ Não! – A palavra se arrastou de dentro dele, carregada de ódio, medo e obstinação.
_ Não tente se colocar contra mim! Você me deve obediência! Se você não suporta ver alguém morrer na sua frente, nós fazemos isto longe Black, longe de você. Depois eu te mando o corpo, eu deixo o corpo, você faz o velório com as honrarias humanas, finge que ficou viúvo e você fica livre do casamento… não é isso que você quer? Eu dou!
_ Não, não! - A cena de carregada em um caixão veio clara como água em sua mente. Ele começou a tremer, mas não era o tremor da transformação, era um tremor que sacudia seu peito, que começava por dentro e chegava aos seus músculos, pele.
_ VOCÊ NÃO PODE CONTRA MIM BLACK! Koraíny pegue ela, vamos fazer isto longe daqui. – Mas Jacob soltou um rosnado que fez os objetos do quarto tremerem.
_ Não adianta tentar Black… basta uma ordem e você sai da minha frente…
_ Não…
_ Uma única ordem!
_ NÃOO!!! - Ele gritou tão alto como não pensou que fosse capaz de fazer, chegou a obstruir seus próprios tímpanos. Os elfos trataram de conter a propagação do som.
_ POR QUE NÃO JACOB? – Quendra perguntou, gritando da mesma forma que o lobo, quando o não dele ainda ressoava pelas paredes da casa.
_ POR QUE ELA É MAIS IMPORTANTE DO QUE EU! – Ele gritou, agarrando os cabelos, o peito em erupção, os olhos queimando como fogo, mas sem lágrimas, secos e desesperados. - Ela tem que viver por que ela é tudo que eu não posso ser, ela dá as pessoas o que eu penso ser ilusão, ela é… é tudo que eu não acredito existir! – As palavras se precipitaram para fora da boca de Jacob sem controle, ele começou gritando, mas depois, a medida que ele tomava consciência do que dizia, sua voz foi enfraquecendo, terminou sem som algum, apenas moveu os lábios na ultima frase. Terminou com os ombros arriados, os olhos conturbados, como se tivesse perdido uma batalha.
Sentou-se na cama, pois suas pernas enfraqueceram, os gemidos de ainda eram constantes, o que deixava tudo pior. Durante todo o conturbado momento ele escutava ela gemer, indefesa, com a morte rondando sua cabeça. Ele olhou pra cima e um belo e terno anjo o olhava. Um blefe! Quendra blefou! Blefou e conseguiu arrancar dele o que queria. Os olhos ferozes do lobo ficaram protetores, mas também temerosos quando Quendra começou o seu jogo… ele caiu, perdeu o controle e caiu na armadilha e nem sabia como e porque caíra.
_ Sim Jacob, eu acredito: você realmente fará de tudo pra protegê-la! – Quendra disse ternamente para o lobo, segurando suas mãos quentes que puxavam os próprios cabelos. Ela já não parecia o Demônio, mas um anjo, um anjo de Deus com pureza e poder confortador. Mais uma lágrima cristalina caía pelos desenhos azulados de sua face, escorrendo até morrer no seu sorriso terno.
_ Rainha, não dá! Nós isolamos a casa, mas o cheiro está muito forte, está saindo da casa e os lobos estão perto. – Um dos elfos que havia saído voltou dizendo aquilo. Quendra afirmou, pensando no que iria fazer. Pôs a mão debaixo do queixo de Jacob e levantou até que seus olhos se encontrassem.
– Jacob, nós não temos poder o suficiente para ocultar o cheiro de , só ela pode fazer isto. Mas nos podemos amenizar um pouco, se estivermos todos juntos. Por isso nós vamos sair agora, vamos ficar ao redor da casa até que ela volte a controlar o cheiro. Eu cuido dos lobos, pra que os postos que você ordenou sejam reorganizados. Agora você precisa ficar e cuidar de , ela vai ficar bem assim que a visão passar, mas vai precisar dos mesmos cuidados de uma humana agora. Faça isto.
Ele olhou a criatura sem nada dizer, sem se mover, mas ela sabia que ele faria, ele cuidaria de . Quendra virou as costas para o lobo e, olhando paras os elfos, procurou lhes passar calma. A soberana sentiu o quanto eles ficaram tensos quando ela quase matou . A um sinal todos eles se preparavam para sair, mas a voz de Jacob chamou baixo…
_ Quendra… - fraca, um murmúrio tão fraco foi a voz dele.
_ Sim?
_ Eu não quero que ela saiba. – Ele disse sem forças, deixando sua fraqueza aparente em sua expressão, em sua postura, seus pensamentos.
Seria só aquela noite, só por aquela noite ele se deixaria enfraquecer, não havia testemunhas e fazia tanto tempo, ele estava tão cansado… Sentia-se como alguém que ficou encolhido por muito tempo, em uma postura tensa, e que depois relaxava: os músculos ficavam cansados, dormentes. Ele sentiu que seus anos de austeridade fizeram aquilo com ele, naquela noite ele se permitiria descansar, deixar sua severidade de lado, depois… depois ele iria se recuperar, não ia fazer mal, era só por uma noite… só aquela noite…
_ O que você não quer que ela saiba Jacob?
_ De tudo… de tudo que eu te disse… que eu disse que eu ia … que eu vou fazer por… por …ela – O fôlego lhe faltava, ele não queria mais falar.
_ Jacob… - Quendra sussurrou como uma mãe pesarosa – Por que quer esconder a atitude mais honrosa que você tomou em todos estes anos, a mais bonita?
_ Ela não precisa saber, ninguém precisa saber de nada desta noite, ninguém! – Quendra suspirou.
_ Se você quer assim, assim será. Quando acordar ela vai estar confusa demais, provavelmente não vai se lembrar de quase nada do que viu. É bom mesmo que ela não saiba o que realmente significou esta visão. Seja evasivo nas explicações, não diga que estivemos aqui, ela pode estranhar, diga simplesmente que ela passou mal, só isto! Ninguém vai saber Jacob, não por mim…
Eles desapareceram antes que a rainha terminasse de falar, todos os elfos. Jacob sabia que eles tinham ido pra fora, o cheiro estava realmente avassalador. Ele não tentou se conter, inspirou o bálsamo, com o nariz, com a boca, deixando o odor entrar no seu corpo, tentando o degustar, cheirava-o como um viciado… só naquela noite… Se debruçou sobre a mulher febril e tremula na cama e afundou o nariz em seus cabelos, inspirando, se inebriando, tentando se entorpecer, só por uma noite. Depois tudo voltaria, suas dores, seus ódios, suas descrenças, seus rancores.
Ele se levantou e olhou para a morena, naquele exato momento não sabia o que fazer. Pegou as mãos dela, estavam realmente frias, mas o resto do corpo estava quente, mais de quarenta graus, ele tinha certeza. Pra ela era uma temperatura muito alta, ela tinha os mesmos 36°C de um humano. Os gemidos que Jacob escutou durante todo o tempo eram na verdade delírio da febre, ela falava coisas, muito, mas muito baixinho.
_ Não… não me morda… eu não… aguen…mais, vampir… dói… ta doen…ai… ah…
As mãos dela se mexiam minimamente, a testa se enrugava vez ou outra, ela suava, suava muito. O que ele tinha que fazer, o que? Banho! Água morna, quase fria, abaixar a febre. Isso, ele tinha que dar um banho para abaixar a febre dela.
Ele se levantou da cama, foi até o banheiro luxuoso e espaçoso, ligou os misturadores da banheira, dosando a temperatura certa. Fuçou nos armários, pegou duas enormes toalhas brancas. Uma deixou no banheiro e outra levou para o quarto, estendeu na cama ao lado da moça.
Alguma erva, ele sentiu o cheiro de alguma erva quando entrou na casa com nos braços. Ervas no banho poderiam ajudar, os índios usam muito isto, ele havia aprendido muitas coisas vivendo na reserva, com as tradições. Correu desembestado pra cozinha, o delírio de sempre o acompanhando onde quer que fosse.
_ Calma, calma ! - Ele dizia enquanto analisava os pacotinhos de ervas secas que tinha na cozinha, coisa dos elfos, poderiam servir pra algo. Pegou algumas delas e subiu veloz. Jogou tudo na banheira quase cheia, sacudindo a água. Voltou para o quarto, olhou na cama e engoliu em seco.
Despir… ele precisava despi-la. Ela não ia gostar se soubesse daquilo, não ia mesmo, ele tinha certeza. Mas ele podia esconder o banho não é mesmo? Poderia ter sido só uma compressa de ervas não é? Isso, esta seria sua desculpa. Devagar ele se aproximou dela, com cuidado lhe tirou as sandálias rasteiras dos pés, jogou no chão. O vestido! Ele subiu o olhar lentamente, como é que ele ia tirar o vestido? Onde ficava os botões, o zíper, o que fosse? Merda! Ele sabia esse tipo de coisa, teve época que despiu uma mulher a cada dia da semana, muitas roupas femininas… se o fecho não estava visível era porque ficava nas costas, claro!
Inclinou-se sobre ela, passou um dos braços pelas costas e a fez se sentar. Para dar apoio, ele se sentou de frente pra ela e a encostou em seu peito, ela estava mole, parecia um boneco. Desceu o zíper do vestido devagar, não havia sutiã, as costas estavam lisas. Ele tornou a deitá-la, e puxou o vestido pra baixo, devagar…
_ Não…- ele parou imediatamente com o sussurro dela, olhou pra cima e… os olhos dela estavam abertos, levou um susto – Não… não…, pare…não me … morda…não… - Ele soltou a respiração ruidosamente, era só um delírio. Os olhos dela não viam nada do que se passava ali, mas viam algo muito pior, algo que a fazia sofrer, sentir dor. Era tão… tão ruim saber disto!
Jacob voltou a seu trabalho, delicadamente, como nunca havia sido ao despir uma mulher, ele tirou o vestido, desvelando aos poucos o belo corpo, o corpo de uma deusa. Eram formas tão harmoniosas, tão divinamente desenhadas. Os belos seios, de tamanhos precisos e redondos, firmes, se moviam no ritmo titubeante da respiração doentia dela. Ele não sentiu desejo naquele momento angustiante, mas não pode evitar o fascínio, algo que fez os olhos dele brilhar. Permitiu-se admirar, ninguém saberia, nem mesmo ela. Sem tocar ele passou as mãos por cima do corpo quente, acompanhando as curvas, só admirava. Outro gemido…
O que ele estava fazendo? Tinha que cuidar dela, não olhar e… enfim. Mas ainda faltava a parte mais difícil, ainda vestia uma peça: pequena, preta, sem rendas ou fricotes, mas muito perturbadora.
Não! Aquilo não! Ela tinha que ter outra parecida porque ele não podia tirar dela e… ele não ia tirar e … e ver… vê-la tão exposta. Correu para o closet da moça, abriu todas as gavetas até achar a que queria. Impaciente caçou algo parecido em meio às inúmeras lingeries, tentava não prestar a atenção no que encontrava longe de seu objetivo. Achou: preta, igual, só um lacinho na frente para atrapalhar, mas… ele arrancou a coisa mínima que atrapalhava os seus planos e pronto: ficou idêntica! Colocou-a ao lado da toalha e pegou nos braços, levantando-a da cama.
Como ela estava muito mole, ele teve que manter suas costas seguras o tempo todo na banheira, enquanto espalhava as águas pelo corpo com a outra mão. Ficou com ela lá até sentir que a temperatura amenizava, não fazia a mínima idéia de quanto tempo levou. O que importava era que a expressão conturbada dela se suavizava, os delírios diminuíam aos poucos, a angústia passava.
A tirou da banheira encostando o corpo molhado no seu, a pele nua de seu dorso despido junto a dela, ambas quentes. Outro tipo de tremor tomou conta de Jacob, ele sacudiu a cabeça, ignorou aquilo. Tentou colocá-la de pé, mas teve que segurar todo o peso com um braço, enquanto alcançava a toalha com o outro. Novamente a pegou e levou pra cama, colocando-a no meio da toalha estendida, como se faz com um bebê. Secou cuidadosamente cada milímetro da pele morena, a cor mais viva voltava aos poucos.
Só então ele pegou a outra calcinha negra, colocando por cima da outra molhada mesmo. Assim que terminou de vestir a seca, Jacob respirou fundo e pegou as laterais da que estava por baixo e puxou, arrebentando o tecido. Com o coração na boca ele tirou devagar demais a calcinha rasgada de baixo da nova, fazendo soltar um gemido, gemido que ele pensou se tratar de um novo delírio e não pelo o tecido que era tirado dela daquela forma, passando por sua pele sensível lentamente. Ela gemeu, mesmo desacordada ela sentiu, ainda que não tivesse a consciência do que realmente era. Jacob teria que esconder aquele tecido, ela jamais poderia encontrar aquilo.
O banho ajudara consideravelmente a febre baixar. Jacob ainda preparou um chá que o pai lhe ensinou há muito tempo. Fez ela tomar a muito custo, colocando o liquido na boca muito lentamente. Depois a colocou deitada nos braços e esperou: agora ela ia melhorar. Ele ficou assim, com ela encostada em seu peito, sussurrando algo vez ou outra, até que a respiração se acalmou, a temperatura voltou ao normal, a cor lhe veio novamente, o brilho da pele, a umidade dos lábios e o cheiro que começou a se abrandar. Ela parou de delirar e caiu em um sono profundo, com Jacob lhe acariciando os cabelos distraidamente… era só por aquela noite…
“Só esta noite!” ele pensou cansado, deixando-se abraçar mais relaxadamente a mulher, deitando-se junto dela na cama grande…

N/A: Meninas lindas, leitoras que me inspiram: este cap é meu xodosinho até agora, o que eu mais me envolvi enquanto escrevia. Queria poder exprimir mais dos sentimentos de Jacob, da complexidade do pensamento de Quendra, dos sentimentos confusos entre dever e querer dos elfos, mas as palavras foram tão insuficientes... Ainn garotas, digam o que acharam!! O q acontece aqui é muito importante para a história. Não se esqueçam disto pq isto voltará a ser mencionado e trabalhado na fic. Bom é isto, Grasi vc sabe o quanto eu considero os comentários não é? Eles são muito importantes pra minha imaginação, acho o máximo escrever interagindo c vcs! E qnto a música, ela foi a que me inspirou na hora de escrever, que me deu a emoção necessária na hora H. Ela tem uma carga emocional que me dá mais ímpeto, sei lá... não sei se vcs vão achar q tem a ver mas... pus, né?





CAPÍTULO 12
A MAGIA DOS LOBOS
“Poderá o amor ser forçado?
Poderá ele ser uma coisa imposta?
Imposta por deuses, por anjos, por magias, feitiços ou demônios?
Não! O amor vem pra quem tem de vir, não importa a forma de como vem
E nunca há uma regra… Ele não é previsível , tão pouco explicável!”

Ela se sentia extremamente confortável, estava quentinho o lugar em que ela estava deitada. Acordou, mas não queria se mover, seu corpo estava tão cansado, ela tinha uma preguiça tão gostosa de curtir, não dava vontade nem de abrir os olhos. Pegou a coisinha macia e cheirosa que tinha do lado da cabeça e apertou no meio dos braços. Cheiro bom, cheiro de sândalos e… espera: ela conhecia aquele cheiro. Lentamente ela abriu os olhos, sentindo um arrepio nas costas, uma brisa gostosa vinha da janela aberta, as cortinas também estavam abertas, era dia. Ela não estava sozinha ali, na sacada do quarto havia alguém, um cheiro de café fresco veio as suas narinas, não parecia ter muito açúcar. Uma dor na cabeça a incomodava, eram agulhadas nas têmporas.
A muito custo se levantou da cama confortável, se desenrolando dos lençóis que a envolvia, e foi caminhando silenciosa para a sacada do quarto. Ele tinha a postura rígida, estava com uma xícara de café nas mãos, vestia somente jeans e uma camiseta branca, esta era mais solta no corpo do que as que ele costumava usar, estava descalço.
_ Jacob? – Sua voz saiu falhada, fraca, do mesmo jeito que ela sentia seu corpo: mole demais. Seus movimentos estavam letárgicos. Coisa esquisita! Jacob se virou pra ela, também devagar, e a encarou com seu jeito de sempre, nenhuma diferença, aparentemente. – O que você está fazendo aqui?
Ele suspirou, levou a xícara de café a boca e depois voltou a olhar o mar, se virando de costas pra ela. _ Você não se lembra? De nada? – Ele não demonstrou o mínimo de nervosismo que sentia com a possível resposta aquela pergunta.
_ Lembrar? – Então ela começou a sair de seu estágio pós-acordar, forçando a mente a trabalhar. Sim, a noite anterior, ele vinha em direção a ela, mas ela se sentia mal, uma tontura forte, sentiu-se cambalear e ela via um… um vampiro. Arregalou os olhos levando a mão ao pescoço em um reflexo rápido. – Eu fui mordida? – Perguntou assustada.
Jacob procurou fingir confusão: - Como assim mordida? É claro que não, você só passou mal durante a noite inteira. Segundo Leah, começou quando agente saiu pra atender o chamado de Brad.
_ Passei mal? Mas não teve vampiro? Mas eu vi um, ele era… eu vi o rosto dele… - ela sussurrava confusa, Jacob percebeu de canto de olho que ela se arrepiava.
_ Não, não teve vampiro algum. O que pode ter acontecido é você ter delirado, quer dizer, é óbvio que foi isto, você delirou quase a noite inteira. – A voz de Jacob não tinha alteração alguma, era quase mecânica.
_ Delirei? Por quê?
_ Febre, você teve muita febre.
_ Mas eu nunca tive febre. Aliás, eu nunca fiquei doente.
_ Bom, parece que esta foi sua primeira vez. Mas eu não vou poder te passar um diagnóstico completo, a médica aqui é você.
levou as mãos às têmporas, massageando. Aquela maldita dor não a deixava pensar direito. Mais esta: de onde vinha aquela dor de cabeça? Ela com dor de cabeça? Mas se ela tinha ficado doente e Jacob sabia como ela passou a noite inteira e logo pela manhã estava em seu quarto, aparentemente esperando ela acordar, então…
_ Você cuidou de mim?- Ela perguntou completamente incrédula para Jacob. Ele voltou a se virar para ela, tomando novo gole de café enquanto erguia uma sobrancelha como se dissesse: “é óbvio!”.
franziu a sobrancelha, ainda incrédula: _ Como? O que você me deu?
_ Veneno, mais fez o efeito contrário. Eu não terminei de te matar, você se recuperou… infelizmente! – Ele falou indiferente, olhando pro lado. riu, ele tava fazendo uma piada com o jeito carrancudo e era engraçado.
_ Não vai começar com ataque! – Jacob disse, encarando seriamente a moça de expressão divertida. Ela parou de rir imediatamente, se lembrando no que tinha dado suas gargalhadas da última vez, quase se engasgou tentando engolir o riso. Jacob virou a cabeça para o lado novamente, e mordeu os lábios, tentando conter o próprio riso do susto que ela levou, e ele bem sabia o porquê. Pelo menos ela não ia mais se comportar feito uma louca!
_ Bom, é sério isto, o que você fez pra cuidar de mim?
_ Você não vai morrer por causa de uma compressa de ervas e um chá! Eu fiz coisas que se aprende em uma comunidade indígena, só! Vaso ruim não quebra.
bufou e se virou, rápido demais, a dor em sua cabeça fez tudo rodar e ela cambaleou. Mas logo sentiu mãos quentes segurarem seus ombros. Ele a empurrou em direção a cama e a fez se sentar.
_ O que foi agora? – Jacob perguntou impaciente.
_ Minha cabeça dói! Isto é muito estranho. Perece a dor de uma concussão, uma pancada. Uma de cada lado da cabeça. Acaso eu caí e bati a cabeça? – Jacob engoliu em seco, ele sabia a causa da dor. A moça quase teve o crânio esmigalhado.
_ Pode ser isto. Você desmaiou e caiu, não reparei se você bateu a cabeça.
_ Hummm… - Ela disse, massageando a cabeça de olhos fechados. Ela tinha começado a empalidecer novamente.
_ Você precisa comer. – Ela abriu os olhos e franziu o cenho para Jacob. Ele estava certo, ela realmente se sentia fraca.
_ Certo, eu vou descer e preparar algo. É só a dor melhorar um tantinho só.
_ Não precisa descer. – Ele disse bufando. Ela olhou pra ele confusa. Jacob, impaciente, só apontou a mesinha perto da porta que levava para a sacada. Uma bela refeição matinal estava disposta em cima dela. deixou o queixo cair.
_ Foi você que…
_ Cortesia da sua elfo de estimação. Niadhi passou aqui de manhã, eu deixei ela usar a torradeira. – Ele mentiu, claro. Mas não precisava saber que ele fez aquilo também, não precisava!
_ Espera, de manhã? Que horas são?
_ Onze e meia.
_ O QUE? – Ela levantou rápido demais novamente. Acabou por desmontar na cama de novo. _ Ai, mas que droga! – Ela disse apertando a cabeça – O hospital!
_ Não se preocupe com isto. Você foi liberada.
_ Liberada? Como assim liberada?
_ Leah passou aqui de manhã e ligou pro diretor do hospital, avisando que você estava doente. Ele te liberou.
_ Leah passou aqui de manhã?
_ Sim. Disse que volta mais tarde, quando sair do banco.
_ Banco?
_ É, é, o banco de Forks, emprego dela. Leah é gerente.
_ Ah, certo!
Ela se levantou trêmula e foi em direção a mesinha com o café da manhã. Pegou algumas coisas e começou a comer, devagar. Mastigar lhe dava dor. Argh! Dor de cabeça era insuportável, ela ia passar a considerar melhor as dores de seus pacientes. O café estava realmente bom, nem muito doce e nem completamente amargo: no ponto. Tinha uma panqueca gostosa também.
_ Hum, não é que esta elfo aprendeu a cozinhar bem! Tá muito bom isto aqui, você já comeu?
Ela com certeza não ia elogiar se soubesse quem realmente fez tudo aquilo. Jacob guardou outro riso dentro de si. – Sim, eu já comi. Já que você está bem eu posso me livra do meu posto de babá. Vou pra Seattle, já devia estar lá. – Ele disse aquilo já se direcionando a porta.
_ Certo… _ respondeu, ainda lenta no raciocínio. Mas ela tinha que fazer algo antes que ele se fosse. _ Espera! Jacob!
Ele se virou, com um olhar inquisidor, ficou esperando a moça falar.
_ Eu… eu só queria dizer… – Ela se aproximou dele, que estava com metade do corpo pra fora do quarto, e lhe disse sincera. - …obrigada, você parece ter se saído um bom enfermeiro. – Ela se sentiu, de repente, um tanto envergonhada, abaixou o rosto.
Jacob fechou os olhos e respirou fundo. _ Sim, mas eu não estou disposto a repetir a dose, então não faça mais isto.
levantou os olhos pra ele assim que notou um leve tremor em sua voz. _ Fazer isso o que?
_ Ficar… doente? – Ele respondeu devagar, de novo parecendo engolir em seco.
_ Vocêê... pode ficar tranquilo, como médica eu costumo cuidar e não ser cuidada. Não se preocupe, não vou mais ficar assim, não posso ficar faltando no hospital. – O que ela estava falando? Nada fazia sentido. Mas ela viu Jacob levantar levemente o canto esquerdo dos lábios: um sorriso, um sorriso leve, sem sarcasmo. Era o mesmo sorriso que ela tinha visto em seu sonho. Ela chegou a tombar a cabeça pra observar, logo fazendo uma careta: maldita dor!
_ Certo! Você não pode ficar doente pelo hospital. O.k, então tchau.
_ Tchau. _ Ele saiu rapidamente do quarto.
_Então você já está acorda preguiçosa? Pra quem era acostumada a dormir seis horas para cada 36 de plantão você dormiu como um urso hein?
_ Niadhi! Fala mais baixo! – falou, acenando com a mão um sinal de menos e apontando a cabeça.
_ Oh anjo me per…doe! – Niadhi engasgou no meio da palavra, quase um soluço. olhou pra ela e um olhar angustiado estava em sua face.
_ Que foi Niadhi? Que cara é esta?
_ Nada amor, eu só não gosto de te ver mal… Anda, vem aqui! – Niadhi chamou com as mãos, saltando da bancada da sacada onde estava sentada.
Com a morena perto o suficiente a elfo colocou as mãos na cabeça dela e pensou concisa: “O que um elfo causou, um elfo tira”. abriu os olhos e não havia mais dor.
_ Poxa! Me ensina isto, preciso fazer com meus pacientes, realmente não gostei da experiência de ter dor de cabeça.
_ Nem sempre é possível fazer isto querida. – Niadhi sorriu evasiva.
_ Se você não se importa, vou tomar um banho.
_ É claro que não, pode ir. Eu fico aqui! – revirou os olhos, entrando no closet para escolher sua roupa, ainda estava com o vestido do dia anterior. Mas assim que ela abriu uma de suas gavetas, distinguiu um cheiro particular demais para ser confundido. Ela inspirou com mais calma suas lingeries e não havia dúvidas, fraco mais estava lá.
_ Porque o cheiro de Jacob está nas minhas… roupas? – Ela perguntou já com os ombros tensos. Jacob, terminando de preparar seu material de trabalho no quarto ao lado, ouviu. Praguejou sem som: uma falha.
“Niadhi me livra dessa?”
“Ahhh!!! Agora a Niadhi irritante serve pra algo não é? Você não me queria longe?”
“Niadhiii, vai ser pior pra ela ter que explicar, merda!” Jacob pensou irritado, continuando seu rápido diálogo mental com a elfo.
“Não xinga Jacob, que é feio!”
“Merda não é xingamento, xingamento é p*%#*”
“Ei!”
“Me livra logo!”
“Você fica me devendo uma Jacobii” A voz dela cantou na mente de Jacob, fazendo ele praguejar em silêncio de novo.
_ Cheiro do Jacob aí ? Tá maluca? Desde quando ele veste isso aqui? – Niadhi disse, erguendo uma pequenina calcinha de renda vermelha da moça. – Olha só, eu vi uma destas num programa pornô na casa de um senhor de oitenta anos que eu fingi ser enfermeira!
_ Niadhi!
_ Que foi ? Ele estava vendo e eu não sabia o que era, depois que eu fui entender e desligar a TV, mas já tinha sido tarde: eu vi ué! – Ela disse, sacudindo os ombros.
_ Mas o cheiro está aqui, eu senti! – A voz dela já estava nervosa. Niadhi se abaixou na gaveta e fungou exageradamente. _ Não tem nada aqui!
_ Como não? – Ela cheirou de novo. Estava ainda mais leve mais estava lá. _ Tá aqui sim!
_ você não percebe que é seu vestido que está com o cheiro dele? Você abaixa pra gaveta e fica mais perto do tecido e daí você pensa que é a gaveta! – Jacob descia as escadas em direção a porta da sala, segurando a respiração para a conversa das duas no andar de cima.
_ Não Niadhi! Não pode ser! – A elfo pegou a saia do vestido e levou no nariz de . Estava impregnado com o cheiro do lobo. Para complementar sua versão, Niadhi colocou uma dose de confusão na cabeça de . Bastou para que os pensamentos dela se convencessem que foi um engano.
_ É, o cheiro está no meu vestido mesmo! _ Pronto! Jacob respirou aliviado, finalmente saindo da casa.
“Depois eu penso no jeito que você pode me pagar Black!” Nem tão aliviado assim, agora ele tinha uma divida com aquela criatura… “Não me chame de irritante!”. Nossa! Nem pensar ele podia, argh!
Niadhi estava estranhamente carinhosa e prestativa com , por vezes a morena pegava a elfo lhe espiando com um olhar muito estranho, como se segurasse um choro. Ela tentou saber do que se tratava, mas Niadhi disse brincando que ela tinha passado o dia anterior com alguns jovens que se auto-intitulavam Emos. sabia que não era aquela a verdade, mas não quis pressionar.
ligou para o diretor do hospital de Forks, doutor Jack Hanson, explicando seu mal estar e perguntando se ele queria que ela comparecesse mais a noite. Mas o médico a tranqüilizou, dizendo que estava tudo bem e que era pra ela se recuperar e só ir no dia seguinte se estivesse realmente bem. Ainda fez uma piada dizendo que era só ela escrever um atestado que estava tudo certo.
Mas a morena não achou tão má a idéia de não trabalhar e, ao contrário do que fazia, ela não foi estudar, se exercitar, ou coisa parecida. Pôs uma roupa confortável, pegou um amontoado de cobertas e travesseiros de seu quarto e se deitou no grande e confortável sofá vermelho da sala onde ficava a TV. Passou o dia assim, ora dormia, ora assistia qualquer bobagem. Só se levantou pra pegar comida na cozinha, não cozinhou nada, comeu um bando de besteiras prontas na geladeira. Era dia da preguiça e o seu corpo estava pedindo por aquilo.
Ela estava enrolada em um novelo de cobertas, assistindo um filme de terror, muito antigo, que mais parecia uma comédia, quando percebeu Leah chegar. Era por volta das sete da noite.
_ Entra! – Ela disse com voz controlada assim que ouviu a companhia.
_ Ei mulher, você está maluca? Deixa a porta destrancada e ainda por cima manda qualquer um entrar sem nem verificar quem é? – Leah começou a discursar exasperada. riu por entre os cobertores.
_ Não era qualquer um Leah, era você!
_ Mas podia não ser eu! Já pensou se é um psicopata que entra aqui? Com você mole deste jeito? – Leah enrugava a testa enquanto se aproximava do bolo de tecidos que estava no sofá, mal dava pra ver a cara de no meio daquilo tudo.
_ Sem drama Leah, céus como você reclama!
_ Ainda está com febre? Como é que aquele idiota do Jacob te deixa assim e vai se meter naquele amontoado de lataria barata em Seattle? Com muito frio? – Leah tinha a voz mais branda, não parecia exasperada enquanto colocava a mão quente na testa de pra conferir a temperatura, mas ria.
_ E então doutora Leah, estou com quantos graus?
_ Engraçadinha! Num tá com febre, mas tá quente!
_ É normal Leah, eu estou quente por causa das cobertas. Mas é bom ficar aqui, calor é bom e eu gosto!
_ Hummm! E posso saber por que você está no meio deste bando de cobertas, com este monte de pacote de biscoito e salgadinhos, assistindo um filme completamente sem noção? Tá parecendo uma solteirona depressiva!
_ Hoje é meu dia de preguiça pode ser? Deita aí e curti também que é gostoso. Quer pipoca?
_ Humm pode ser... O Embry não vai em casa hoje mesmo...
_ Então vai lá!
_ Ir lá aonde?
_ Fazer a pipoca!
_ Eu? Mas você é a dona da casa! – riu e fez uma cara de coitada.
_ Oh, mas eu estou tão doente!
_ Credo, você é pior do que eu com o Embry! – Ela disse aquilo, mas foi pra cozinha, logo voltando com um balde de pipoca amanteigada e dois enormes copos de suco de laranja. – Pensei que médicas se alimentassem melhor! – encheu a mão de pipoca e deu de ombros.
Leah era uma excelente companhia. Conversar e rir com ela foi para absolutamente natural, como se ela estivesse acostumada com aquilo. Leah fez deixar todas as cobertas de lado enquanto se deitava nos pés do sofá, de frente pra , tirando os sapatos e a presilha que prendia seus cabelos curtos. olhou toda a bagunça que havia no chão da sala e fez uma careta.
_ Acho que vou precisar de ajuda para manter a casa. Leah, acaso você sabe de uma pessoa que possa fazer isto? Não precisa vir todos os dias, nem cozinhar ou algo parecido. Só pra manter a casa em ordem enquanto eu estiver fora e que seja discreta, muito discreta!
_ Bom, de pessoa assim eu só conheço uma, inclusive ela foi a escolhida pelo seu marido pra cuidar da casa dele de solteiro. O nome dela é Elizabeth, ou dona Beth. Pergunta pro Jacob, ele pode chamar ela pra você! – fez uma leve careta. “Falar com o Jacob! Péssima idéia”.
_ Tá bom, eu vou falar com ele.
_ Vocês estão se dando bem? – Logo que fez esta pergunta, Leah percebeu o coração de acelerar vertiginosamente. Ela foi evasiva na resposta, saindo pela tangente.
_ Sim. E você e o Embry, vão se casar? – Desta vez Leah é quem ficou visivelmente desconfortável: “Quem manda se meter aonde não é chamada! Agora reponde loba, responde!”
_ Nós não pensamos em casamento!
_ Por quê? Não é amor pra casar? – perguntou com voz leve enquanto olhava a TV e comia mais pipoca.
_ Não, não é isso… - A voz de Leah saiu engasgada, quase tremula. virou-se imediatamente para encarar a índia, mas ela estava com os olhos baixos, uma expressão afligida.
_ O que foi Leah? Algum problema? – falou cuidadosa, se aproximando da Loba e pegando sua mão. Ela sorriu, mas foi algo forçado, irônico.
_ Nada, são só problemas de lobos. – Neste momento pode olhar nos olhos dela e percebeu que ela tentava esconder uma angústia. sentiu aquilo bater no peito, sentiu vontade de abraçar Leah. Ela não tentou se fazer de rígida, não tentou criar uma barreira entre as duas, seria amiga dela, se sentia livre e bem pra formar aquele laço. Sem nada dizer ela engatinhou no sofá e foi para o canto que Leah estava amuada e a abraçou, sorrindo suavemente.
_ Ei? O que é isto? Gamou no meu cheiro ? – Leah falou aquilo com voz baixa, tentava brincar, mas ainda não parecia bem.
_ Você não precisa me falar nada Leah, só não tente mentir pra mim porque você não vai conseguir. Eu não vou te cobrar nada e você não precisa se esconder de mim certo? – falou ainda abraçada a índia. Leah suspirou e sorriu, se aconchegando no abraço cheiroso de .
– Acho que eu é que vou gamar no seu cheiro! É de dar inveja sabia? Foi com ele que você fisgou Jacob? – riu, se afastando da loba. Leah lhe olhou e logo depois suspirou. Ela guardava aquilo tão secretamente, queria tanto falar e se sentia tão confortável com , confortável como não se sentia nem com sua mãe.
_ Eu amo o Embry, amo de verdade. Pensei que nunca mais pudesse sentir algo assim novamente, mas é algo forte. Antes eu o achava um idiota completo, um garoto imaturo sem nada na cabeça. Mas ele foi se aproximando de mim com aquele jeitinho e eu… humpf!… eu não resisti. Quando percebi estava envolvida novamente e ainda mais boba porque eu sabia que ele também estava. Mas não é tão simples amar, escolher um amor quando se tem a magia quileute rondando as nossas cabeças. Eu já sofri muito com isto, não gostaria nem um pouco de repetir a dose!
_ Como assim? – perguntou baixinho, sentada ao lado de Leah, apoiando a cabeça nas duas mãos e olhando a loba calidamente.
_ Já ouviu falar do imprinting? – se lembrou do dia do seu primeiro encontro com Jacob....
…“E se eu sofrer um imprinting?”…
…“Ah Jacob… esta magia é inexplicável até mesmo pra nós, ela surgiu de vocês, veio da evolução da magia de vocês!”…
_ Mais ou menos. Não sei muito, é uma espécie de magia do amor ou coisa assim? – respondeu, completamente confusa com o rumo da conversa com Leah.
_ Imprinting: a magia que faz os lobos reconhecerem a razão de seu viver, sua alma gêmea! – Leah disse aquilo com uma pitada de amargura na voz, fazendo um gesto grandioso com as mãos como se mostrasse um slogan de outdoor. Depois riu irônica ante o semblante confuso de . – Parece mais uma praga!
não entendia a forma como a loba tratou aquela magia, quando Quendra havia falado sobre ela com notável fascínio, a pouco mais de dois meses.
_ Tá Leah, agora que você começou explique, e explique direito. O que o imprinting tem a ver com sua história com Embry?
Leah bufou e tomou todo o restante de seu suco em um único gole. _ O imprinting , é uma magia irrevogável, quando ele acontece, toda a vida de um lobo muda. Você não pode lutar contra ele, não pode negá-lo, não pode esconder dos outros. Ele acontece no exato momento em que um lobo coloca os olhos naquela que é considerada sua alma gêmea. Aí tudo muda, o universo do lobo babão vira de cabeça pra baixo e ele passa a idolatrar a criatura imprintada como uma divindade, faz tudo por ela, sofre tudo por ela e sua felicidade passa a ser completamente relacionada à dela. Se você quiser pode chamar esta coisa toda de “amor á primeira vista”. Se é que o amor é tão egoísta!
_ Hein?
_ É, é isto mesmo. Uma história bizarra bem digna desta sua cara de idiota confusa aí.
_ Ei Leah, calma aí. Deixa eu ver se entendi: o imprinting é um feitiço?
_ Não … - Leah desmontou a cara carrancuda e voltou a suspirar baixinho – Não vai considerando só o que eu falo sobre o imprinting porque eu tenho um trauma a respeito dele. – Leah se levantou repentinamente, andando pela sala, sem rumo. Apertou os olhos. _ É bizarro, mas não é banal. Quem dera fosse, assim eu poderia continuar odiando esta magia. Mas é real, é uma espécie de dádiva amorosa, um amor inconcebível, um amor imenso por uma única pessoa. Se você olhar com outro olhar, diferente do meu, você vai encontrar a beleza desta magia, o verdadeiro porque dela existir. Sam e Emily, Kim e Jad, Quil e Claire…
_ CLAIRE? – saltou do sofá rápido demais, fazendo Leah erguer as sobrancelhas e soltar uma exclamação.
_ Calma, mulher!
_ Como calma Leah, como calma!? Eu pensei que o Quil fosse… eu NÃO ACREDITO! Eu vou matar aquele maldito se ele fez algo a Claire, e mato todos vocês que aceitam tudo isto! – esbravejava, seus olhos furiosos, a expressão era uma mistura de asco, revolta e ódio. Expressão tão forte que Leah chegou a recuar, temendo que a mulher fosse realmente capaz de cumprir a promessa que estava fazendo.
“Como os elfos permitem isto, como?” pensava enraivecida.
_ MERDA ! SE VOCÊ NÃO CALAR A BOCA E ME ESCUTAR EU VOU TE AGARRAR E TE DAR UNS TABEFES! – Leah gritou fazendo recuar desta vez, mas não muito.
_ É BOM QUE EXPLIQUE!
_ A CULPA NÃO É MINHA! EU NÃO INVENTEI ESTA MAGIA, TÁ LEGAL?
Sara respirou fundo e voltou a se sentar no sofá, fazendo um gesto brusco pra que Leah continuasse.
_ É o seguinte… droga, como eu explico isto!? – ergueu uma sobrancelha irônica, como se dissesse: “não há o que explicar!”. Ela continuava com expressão assassina. – A mulher imprinting, ou homem, sei lá, passa a ser a pessoa que o lobo terá necessidade de fazer feliz! Não é sempre um sentimento carnal entre homem e mulher , é um amor que se molda conforme as necessidades do imprinting. No caso da Claire e do Quil… – soltou um rugido misturado a um riso de escárnio, voltando a se levantar do sofá. _ Deixa eu terminar, mas que droga !
_ Fala logo de uma vez antes que eu vomite! – ela falou com voz irritada. Leah arregalou os olhos.
_ Bom, como eu ia dizendo, no caso de Quil, o amor de imprinting não tem nada de impuro! Não tem e isto eu garanto, por que um lobo jamais seria capaz de fazer isto. É um amor puro e genuíno , Quil ama incondicionalmente aquela garota como irmã. Ele a protege, cuida dela, brinca com ela, briga com ela, mas como irmão! Agora, se um dia a felicidade de Claire for ter Quil como namorado, esposo, homem, só então ele a amará desta forma. Entendeu? Resumidamente, o imprinting trás em si todas as formas de amor e amor entre homem e mulher é só uma delas. Mas tudo politicamente correto, ok?!
Leah terminou o discurso e desmoronou sentada no sofá ao lado de , que ainda tinha uma cara zangada e a postura enrijecida. _ Sei! – Ela disse, com um olhar desconfiado pra Leah.
_ Mas que mulher mais difícil meu Deus! Olha , se você acha estranho é normal, absolutamente normal. Mas veja bem: você já observou Quil com Claire, conferiu de perto a forma como ela a trata. Agora me diz: tudo que eu falei não fica estampado na cara e nas atitudes de Quil o tempo todo?
_ É, fica…
_ Então… você acha mesmo que algo macabro assim ia acontecer e todos reagirem pacificamente, inclusive os pais de Claire? Você vai ter tempo pra conferir que isto é verdade.
_ É, vou ter tempo… - disse, finalmente desmanchando a zanga e relaxando no sofá ao lado de Leah. Ela não acreditava que os elfos, sendo eles como eram, deixariam que a magia que concederam aos quileutes evoluísse pra algo tão repugnante quanto ela pensou que era a relação de Quil com Claire. Mas, realmente, ela precisaria de tempo pra entender aquilo tudo.
_ Nossa, você é difícil hein? Um furacão! – Leah disse, suspirando como se estivesse extremamente cansada.
_ Você também não fica atrás loba… - falou, também suspirando e procurando relaxar os ombros. Depois elas se olharam e riram.
_ Meu Deus, uma briga entre nós ia destruir esta casa! – Leah ria, novamente divertida…
_ Pode ter certeza que sim! E para o bem da humanidade, acho melhor agente se dar bem! – Elas riram mais ainda. _ Mas eu ainda não sei o que esta história tem a ver com você e Embry… - cantarolou assim que os risos se acalmaram. Leah murchou novamente, passou a encarar o teto.
_ Qualquer um de nós dois pode sofrer um imprinting . E se isto acontecer, do dia pra noite, o sentimento que nós temos puf!… acaba!
_ Não é possível Leah…
_ É sim , é! Eu sei o que eu digo, porque eu já vivi uma situação assim.
_ Já? – A morena se espantou, começando entender o amargor no tom de voz de Leah diante daquele assunto.
_ Eu era namorada de Sam, rumávamos felizes pra um possível casamento quando ele viu Emily, minha prima, na minha casa! Você não sabe o que eu passei quando depois do nosso ultimo beijo, tão bom, tão apaixonado, depois de ele me deixar sorrindo como sempre deixava com um “eu te amo minha Lee” carinhoso… e no mesmo dia ver o olhar dele fascinado por outra. “Foi mais forte do que eu Lee, me perdoe, não culpe a Emily, é mais forte do que nós!” – Uma lágrima escorreu pelo rosto de Leah conforme ela repetia as palavras de Sam. Palavras que ela jamais esqueceu, podia até reproduzir a forma como Sam entoou cada sílaba, os momentos em que ele pausava para respirar, pra conter as lágrimas, tudo.
abriu os braços e Leah foi para o colo da moça sem pestanejar. A morena acariciava os cabelos negros e sedosos de Leah enquanto esta continuava seu desabafo.
_ Ele tentou negar, tentou fugir, mas não pode. Emily também, por muito tempo ela não conseguia me encarar. Eu bati nela sabia? Quando ela foi me pedir perdão com toda aquela meiguice eu lhe meti um tapa que a deixou com o rosto marcado por três dias. Sorte dela que naquela época eu não tinha a força que eu tenho hoje, senão ela ia ter o outro lado do rosto também desfigurado.
_ Leah…
_ Não me repreenda ! Eu senti ódio sim, senti raiva daquela maldita magia que me fez ser trocada, como se eu não valesse nada, como se eu fosse insignificante, uma pedra no caminho tão bonito de Emily e Sam. – O corpo de Leah enrijeceu por inteiro, a voz dela começou a sair engasgada, raivosa e dolorida. – Todos me culpavam por ficar anos amargurada, mas o que eles queriam? Que eu abraçasse o casal infeliz e fosse sua madrinha? Que eu dissesse: “Sim Sam, eu também deixei de te amar de repente, como você deixou de me amar, para a saúde do SEU imprinting!”? Eu não fiquei muito diferente do que Jacob é… - Leah parou abruptamente assim que percebeu a besteira que fez ao dar a deixa sobre o amargor de Jacob à . Ela sentiu imediatamente o carinho em seus cabelos parar, a respiração de ficar presa.
imediatamente fez a conjectura: Jacob tinha uma mágoa de amor tão potente quanto à de Leah. O silêncio era esmagador, mas recuperou o controle, engoliu o bolo de espinhos que se formou em sua garganta e disse simplesmente…
_ Continue Leah, continue… - Voltou a acariciar os cabelos da loba, que demorou a recuperar o fôlego.
_ Mas Embry mudou tudo… eu não queria, não queria me envolver de novo. Eu não queria correr o risco de passar por tudo isto de novo ou pior: se eu sofresse um imprinting e fizesse alguém passar pelo que eu passei? Não, definitivamente não. Eu pensei, no começo do meu envolvimento com Embry, que era só coisa de pele, que era só desejo. Eu sabia que tinha esta necessidade e então eu beijava ele, beijava com fome e com vontade. – Ela riu, escondendo o rosto nas mãos fingindo constrangimento. também riu. – Mas daí os beijos escondidos e bruscos começaram a ficar mais lentos e carinhosos, acompanhados de agrados, de olhares… Ele me pediu, o Embry me pediu que tentássemos, que apenas vivêssemos um dia de cada vez, da melhor forma possível. Ele me implorou isto quando eu o quis impedir de dizer que me amava. E é assim , cada beijo nosso é como o último, cada declaração é única, cada noite pode ser a derradeira… O que me convenceu é que eu sei que, assim como a minha história com Sam não foi mentira, os meus sentimentos e os do Embry também são reais e eles vão ficar em mim… - Os ombros de Leah começaram a se sacudir, sua voz ficou mais baixa e sofrida. – Por isto eu decidi viver assim, eu preferi me agarrar a este amor perecível do que continuar amarga e sozinha, cada último beijo nosso é a minha alegria, é a minha vida
_ Leah… - abraçou ainda mais a loba, como se quisesse fazer ela caber em seu colo como um bebê. Leah não conteve o choro, soluçava e deixava suas lágrimas molhar a camiseta de .
_ Mas um casamento?… ah , eu preferiria morrer a passar por tudo de novo, ou fazer Embry passar por isto. Mas eu não posso mais me esconder e não viver este amor pra não sofrer… é egoísmo isto, é suicídio? – A voz de contralto de Leah estava mansa, entrecortada.
_ Leah não, é claro que não. Sabe o que eu aprendi com a minha mãe, a grande Dona Laura? Que um amor verdadeiro sempre vale a pena Leah, sempre. Ela sabia o que dizia sabe por quê? Porque o meu pai foi o único… homem que ela amou verdadeiramente. Mas foi só por uma única vez, vez esta que resultou em minsinha aqui! Eu sempre admirei a minha mãe, porque ela nunca chorava quando se lembrava do meu pai. Quando me falava dele, ela sorria, sorria sempre e me descrevia ele como se estivesse revivendo todo o amor em cada lembrança. Ela dizia que o amor entre os dois foi verdadeiro porque os dois sentiram, e não importava se tivesse sido por uma década ou um segundo: o que eles sentiram ficou eterno nela e a fazia feliz cada vez que se lembrava. Ela me dizia que eu era um presente a mais, uma prova de que realmente valeu à pena.
Leah acalmou o choro, fechando os olhos com o cafuné gostoso e a voz cantada e macia de . A história que lhe era contada, de uma forma tão apaixonada, tão ternamente envolvente, ia lá no fundo do coração da loba, acalmando.
_ Um dia eu cheguei chorando da escola, porque era dia dos pais e as meninas me disseram que eu havia perdido o meu pai, que eu só tinha um padrasto e padrasto não era pai. Eu falei pra minha mãe que eu tinha perdido o amor de um pai, que eu nunca saberia o que era ter um. Mas sabe o que ela me disse? “Filha, nós nunca perdemos um amor, se ele for real ele nunca se perde e nunca morre!”. Ela me falou que tinha certeza que meu pai me amava ainda que não tivesse me conhecido. Quando ela estava doente e eu dizia que ela era o meu único amor na vida, que ela não podia morrer senão eu ia ficar sem amor, Dona Laura tornava a repetir isto. Cada vez mais doente, ela dizia que não era a morte que determinava a duração de um amor e nem coisa alguma: “Se ele foi vivido, se ele foi sentido então ele vai ser eterno, nas lembranças e no coração. Isto é eternidade meu anjinho, isto!”
_ Eu gostaria de ter conhecido sua mãe .
_ Ah... é uma pena que não possa Leah. Mas eu posso falar sobre ela e cada vez que eu falo é como se eu me reaproximasse dela um pouco mais.
_ Vou adorar te ouvir , mas você é tão magnífica quanto ela – Leah disse, pegando uma das mãos que acariciavam seus cabelos e dando um beijo. _ Com você me falando tudo isto, minha história com Embry parece tão certa, tão mais simples…
_ E é Leah, é! Eu não tenho taanta prática em romance, mas o que eu aprendi nos valorosos nove anos que vivi com Laura Teindder é que o amor se mede pela sua intensidade e veracidade e não pela duração de seu tempo ou pela forma como acabou. Sendo o fim uma morte ou um imprinting dona Leah!
_Pode ser, dona “Conselheira Amorosa”! – balançou a cabeça rindo.
_ Não pense mais no fim Leah, no que pode acontecer, não pense que os beijos serão os últimos… apenas viva, sinta a beleza desta história que fica evidente só com suas palavras e tenha a certeza de que será pra sempre. Se você tiver isto em mente, aquilo que você chama de fim, não vai ser doloroso, mas apenas o fim de um ciclo que não vai poder matar o sentimento que nasceu de vocês dois.
_ Só isto… um fim!
_ É Leah, é! – suspirou olhando pro teto.
_ ? – Leah chamou sonolenta após alguns minutos de carinho.
_ Oi…
_ É impossível não te amar… Você é um tesouro. Aquele idiota do Jacob ganhou na loteria! – Ela disse a última frase já com seu jeito impetuoso. não pode agüentar e riu, leve e gostosamente, fazendo Leah a acompanhar.

N/A: Tem um copo de água aí? Aconselho que tenha ....

CAPÍTULO 13

MAGMA


“Foste o beijo melhor da minha vida,
Ou talvez o pior... Glória e tormento,
Contigo à luz subi do firmamento,
Contigo fui pela infernal descida!
Morreste, e o meu desejo não te olvida:
Queimas-me o sangue, enches-me o pensamento…
…beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,
Batismo e extrema-unção, naquele instante
Por que, feliz, eu não morri contigo?
Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,
Beijo divino! E anseio delirante,
Na perpétua saudade de um minuto…”
Olavo Bilac


Volterra, Toscana, Itália.

Heidi parecia um espectro pelos corredores subterrâneos de Volterra, tão veloz estava. Corria rumo ao grande salão onde os líderes Volturi lhe esperavam, mais especificamente Aro, o mais influente dos três vampiros reais.
_ Calma Heidi, porque a pressa? Você não parece ter conseguido muita coisa com sua arriscada tentativa de agradar Aro, não é mesmo? Onde está Felix? – Demetri a interceptou a poucos metros de seu destino final, fazendo a bela vampira loira rosnar irritada.
_ Eu não devo explicações a você Demetri! Agora saia da minha frente antes que eu passe por cima! – Sim, ela havia falhado. Seu intuito era ter trazido pelo menos um daqueles cães para seus mestres. Mas não havia conseguido isto e ainda por cima, Félix, seu amante remoto, foi morto. Cachorros infelizes!
_ Ouw! Parece que não foi bom mesmo. Ei! – Demetri riu assim que a vampira passou por ele empurrando, com uma cara nada boa. Ela quis ser a heroína para Aro e Caius e voltara de mãos abanando. Bom, muito bom, Demetri odiava a prepotência de Heidi, odiava ela ter escolhido Félix para se deleitar sexualmente e não ele!
O salão circular estava mais cheio do que ela gostaria que estivesse, grande parte da guarda estava lá. Depois do ataque aos Cullens, há quase dez anos, Volterra caiu em sua eterna rotina monótona. Ao menos no quesito “atividade da guarda”.
_ Heidi voltou mestre – Jane disse com seu sarcasmo pungente – e sem caça! – Heidi olhou para a arrogante vampirinha loura, que se colocava em um posto muito invejado por ela: a preferida de Aro.
_ Heidi, minha querida, por onde você esteve? – Aro se virou para ela com sua peculiar polidez, seus olhos vermelhos carregavam um misto de serenidade e loucura velada. Sua postura, tranqüila e inalterável. Os cabelos negros estavam atrás de suas orelhas brancas, revestidas por sua pele alva com aparência tão frágil.
Aro bem sabia onde Heidi se metera naquela última semana, ela foi a tola a pegar sua isca. Ele sabia que ela era louca por lhe agradar, por tomar o posto de preterida de Jane e por isto foi a que rumou para fazer o seu almejado teste: descobrir mais sobre as fascinantes criaturas que ele conheceu na mente de Edward. Ah, criaturas tão únicas...
_ Acaso sabe onde está Felix querida? – Aro murmurou, se levantando de sua cadeira no centro do salão. Heidi abaixou a cabeça, dizendo em um murmúrio baixo demais:
_ Félix está morto mestre.
_ Como Heidi? – Aro ainda mantia a voz macia e baixa. Mas Heidi não lhe respondeu, não suportaria que todos ouvissem sobre sua missão fracassada em Washington. Ela preferia que somente Aro soubesse, ao menos naquele momento. Assim, como resposta a pergunta de seu mestre, ela elevou sua mão esquerda na direção dele.
Aro sorriu se aproximando pacientemente da vampira. Se encaminhou rumo a mão de Heidi curvando a cabeça e alargando o sorriso, olhando nos olhos enegrecidos dela. Sem mais tardar agarrou a mão dela em um movimento veloz e fechou os olhos diante do turbilhão de imagens e pensamentos estranhos que lhe invadiam a mente. Selecionou exatamente os que queria.
As invejas de Heidi para com Jane, a forma como a vampira usava seu corpo para manipular Félix, as brigas dela com Demetri, as brincadeiras que ela fazia com humanos antes de se alimentar: isto não interessava. Não interessava nem mesmo o fato de Heidi ter jogado Félix, um dos seus mais habilidosos lutadores da guarda, como distração para os enormes lobos para fugir, deixando-o cercado, diante de uma morte certa, e correndo sem ao menos olhar para trás.
_ Fascinante… sim, quanta habilidade… - Os olhos de Aro demonstravam minimamente o desejo que as imagens dos ferozes e hábeis transmorfos lhe despertavam. Eles não podiam ser ignorados, simplesmente não podiam! Se Aro pudesse manipulá-los eles seriam uma importante arma… agora se eles se aliassem a outros, como já haviam feito por uma vez com os Cullens… então eles deveriam ser considerados inimigos… Ah! Mas seria uma pena ter que destruí-los, realmente uma pena!
_ Diga Aro, o que vê? – Caius estava impaciente com o irmão, não suportava seus jogos, suas diversões que só desviavam do objetivo real. Aro era mórbido, gostava de brincar, de surpreender.
_ Os lobos que Edward me mostrou irmão! Heidi nos fez o favor de conhecê-los um pouco mais…
_ Filhos da Lua? – A voz de Caius se arrastou, o brilho do ódio resplandecendo em suas leitosas órbitas vermelhas. Aquelas criaturas eram pestilentas, ele pensou ter eliminado todas, mas pelo visto haviam mais para serem destruídas.
_ Não Caius, não se tratam dos seus odiados Filhos da Lua. Como Edward e meu caro amigo Carlisle se referem a eles, são transmorfos: homens que mudam a sua forma, no caso como lobos, quando bem entendem… Parecem bem treinados Heidi, fazem os movimentos como se estivessem conectados, um completa o que o outro faz! – Aro ainda estava agarrado à mão de Heidi, feliz por ela ter explorado os lobos.
_ Sim mestre, eles parecem ser conectados, agem como uma matilha, só que menos instintivos e mais conscientes. Eles procuravam me cercar sempre.
_ Eles são conectados querida, são. Você não sabe o que Edward me mostrou, com aquele poder incrível dele, ele podia ler a mente destes lobos. As mentes deles são conectadas, eles se comunicam mesmo a distancias imensuráveis! Nunca vi algo assim! É brilhante! – Aro soltou um riso extremamente divertido, soando caricato. Alguns membros da guarda lhe acompanhou, mas Caius continuou com expressão exasperada e Marcus, era como se ali nem estivesse: continuou com sua postura pétrea como estava quando entrou naquele salão, há 15 horas.
_ Mas o cheiro deles é péssimo mestre! – Heidi disse, fazendo uma careta. Pra ela isto foi o mais difícil de suportar.
_ É mesmo querida, mas eles não são a nossa caça pra cheirar apetitosos, não é mesmo? Mas me parece que você distinguiu um cheiro particular em um dos lobos, não é Heidi? – Aro disse, finalmente se afastando de Heidi e voltando para o centro do salão.
_ Sim mestre. O maior deles, o de pêlo avermelhado. Ele tinha um cheiro ruim como o dos outros, mas quando ele se aproximou de mim na luta, eu senti outro cheiro, não era dele, com toda certeza. – Os olhos de Heidi ficaram ainda mais negros com a lembrança, ela não se alimentava há dias, qualquer mínima lembrança de um alimento, sua garganta queimava.
_ Como assim? De que cheiro se trata? – Caius perguntou impaciente.
_ Era um cheiro humano, de sangue humano, mas era diferente… estava muito fraco, eu quase nem senti porque o maldito cachorro fede muito. Mas o que eu pude perceber era particular demais, não tenho a certeza de que era humano, parecia, mas eu não sei… Era muito… diferente, mas parecia apetitoso…
_ Poderia ser de outra criatura? Uma criatura que eles escondem? – Aro pensou alto, também intrigado com aquele vestígio mínimo de cheiro, que só foi distinguido por Heidi em meio à fuga por que ela estava com muita sede. Só que aquilo não era o mais importante, mas os lobos eram. Aro os queria, nem que fosse pra tê-los como os humanos tem os ratos de laboratório, ele os queria.
_ É fácil descobrir isto Aro, vamos até aqueles malditos de uma vez e o pegamos. Quantos eles são? Estamos em número suficiente? – Caius dizia, já analisando os vampiros da guarda e montando estratégias, a euforia de uma caça lhe injetando veneno na boca.
_ Se acalme irmão, nós não podemos, não é prudente. Não queremos provocar a revolta de amigos, não é mesmo? – Aro disse cauteloso, tomando o cuidado para não cair na armadilha de planejar algo para conquistar os lobos.
_ O que? – Caius olhou para Aro com semblante confuso, mas foi Marcus que lhe respondeu.
_ Os Cullens. – Disse simplesmente. Embora não parecesse, ele estava mais inteirado na conversa que o próprio Caius. Este bufou, ele sabia que deveriam deixar a poeira baixar com os malditos vampiros protetores de humanos, depois do motim que provocaram pra defender sua cria bizarra. Aliás, os Cullens sempre se colocavam a favor do que era contrário a natureza vampírica.
_ Eu não acredito nisto! – Caius respondeu, irritado. – E o que agente vai fazer?
_ Calma irmão, calma. A nossa eternidade é longa e além do mais, os lobos não duram tão pouco… Com vampiros por perto, eles continuarão a existir. É uma pena os Cullens terem se afastado daquelas criaturas. A matilha poderia estar maior. Mas não importa, porque infelizmente existem muitos vampiros no mundo e haverá aqueles que passarão por eles e eles continuarão existindo enquanto isto acontecer. Ao menos assim pensa Edward. – Aro falava com olhos distantes, revendo em sua mente as imagens dos lobos que Heidi lhe mostrou. Ele olhou para guarda ao mencionar o fato de que outros vampiros passariam pelos lobos.
_ Enquanto isto esperaremos? – Caius ainda estava impaciente, por mais que lhe dissessem que os malditos lobos não eram Filhos da Lua, ele criou pelas criaturas o mesmo asco que tinha por aquela outra raça.
_ Esperar o que irmão? Não iremos nos por contra os protegidos no nosso caro clã Cullen, é claro. – Jane abriu um sorriso mórbido diante das palavras de Aro. Este se virou para Heidi. – Mas eu realmente lhe agradeço Heidi, por este… presentinho curioso que me deu. – Heidi sorriu presunçosa, fazendo questão de olhar o cenho franzido de Jane. – Pena que perdemos Félix, ele era tão bom… é, mas não foi bom o suficiente pra passar pelos lobos não é? Mas querida, seus olhos estão muito escuros, por que deixou sua sede chegar tão longe? Poderia ter se alimentado antes de voltar para Volterra. Se divertir com suas caças como você gosta antes de voltar para cá, você merece não é mesmo? – Aro sorriu insinuante com aquelas palavras.
Heidi se divertia com suas caças deixando elas sofrerem a dor da transformação, depois de terem quase todo o sangue sugado. Ela gostava dos gritos. Alguns poucos ela deixava terminar a transformação, mas a maioria ela matava antes disso. Era divertido vê-los gritar e se contorcer, a excitava. Mas Aro não jogou aquelas palavras relapsamente. Ao dar a informação sutil de que os lobos se multiplicavam e permaneciam vivos com vampiros por perto e, logo depois, insinuar que Heidi caçasse a sua maneira, antes de sair de onde estava…
_ Não se preocupe mestre, eu conheci lugares interessantes para caçar com esta viagem. Poderia até conhecer mais de nós, alguns novos não é? – Heidi sorria, entendendo a insinuação de seu mestre.
_ Sim, uma nova geração querida Heidi, quem sabe encontramos alguns mais fortes que Félix. Alguns novos que possam passar por … hum… lobos? – Aro riu, Caius também, os olhos brilhando de excitação.
_ Terei prazer em trabalhar para encontrá-los mestre… - Heidi falou, com os olhos ficando ainda mais negros e a boca se enchendo de veneno pensando na sua “divertida procura”. E ainda se alimentaria no processo? Excelente! Mas ela não caçaria ali, em Volterra. Seria em outro lugar…
%%%%%%%%%%%%%%%%%%
La Push, Washington, E.U.A.
Leah havia ido embora já há umas duas horas, por volta das dez da noite. Jacob ainda não havia aparecido, mas sabia onde ele estava. Antes de ir Leah lhe deixou com uma informação que lhe intrigou e muito. Segundo a loba, naquela manhã, enquanto dormia, Jacob a deixou por um momento com Leah e fez uma reunião com a matilha. Passou uma ordem única e bem explicita: os lobos em ronda incluiriam, impreterivelmente, a casa de Jacob no perímetro de guarda, não deixando um único milímetro sem vistoria, principalmente quando estivesse em casa. Ele não explicou o motivo disto, mas pareceu impaciente e irritadiço enquanto passava a ordem sem dar maiores informações.
Leah disse aquilo com um sorriso feliz, dizendo a que ele realmente se preocupava com a esposa. franziu o cenho, não havia pensado que ele levaria a ordem de Quendra tão a sério. Naquele momento, já no adentrar da madrugada, ele estava em ronda junto com Paul e Seth. Leah lhe disse que ele fazia as rondas todos os dias durante a noite, depois de chegar de Seattle.
iria trabalhar no dia seguinte, mas não conseguia dormir, passou o dia inteiro de molho e agora, justamente à noite, a energia lhe voltou, mantendo-a acordada. Ela se levantou da cama, desistindo momentaneamente de dormir, e foi para a sacada de seu quarto. Se debruçando no parapeito, recebia o vento frio da maresia de La Push como um tranquilizante.
Ele estava lá, escondido no meio das arvores, onde um humano sem vistas apuradas não o veria. O lobo Alpha corria pela mata que contornava a casa. o viu mesmo aquela distância, fixando seus olhos nele. Ele parou e também a olhou, permanecendo assim por um tempo que não foi medido.
Ele olhava a bela mulher ao longe, debruçada na sacada, vestida em um penhoar de seda estampado em vermelho, com os longos cabelos soltos. O vento batia contra ela, ajustando a seda às formas de seu corpo, espalhando seus cabelos para trás. Ele não queria voltar pra casa agora, esperaria um pouco mais. Fechou os olhos e quebrou o contato visual, virou as costas e voltou a correr em seu perímetro ao redor da casa. Paul e Seth trocavam de posto com Jared e Jordan, um dos lobos mais jovens da matilha, que se transformou na mesma época que Collin e Brad.
voltou para a cama, fechando sua janela. Ela demorou a se tranqüilizar ao ponto de ficar sonolenta, a casa estava absurdamente silenciosa. Ela sempre morou sozinha, mas naquele momento, não gostava do silêncio e do vazio da imensa residência. Fechou os olhos, respirando calmamente, mantendo seus batimentos cardíacos tranqüilos, como ficam em estado de repouso. Era uma espécie de meditação que ela fazia, mas que parecia um sono profundo. Se ela não conseguisse dormir ao menos relaxaria o corpo, foi um truque muito útil ensinado por Koraíny a ela, quando ainda estava no seu “treinamento” com os elfos.
Mas, embora parecesse que estivesse dormindo, estava acordada às três horas da manhã, quando Jacob entrou silencioso na casa. Ela continuou imóvel na cama enquanto ouvia os passos dele subindo os degraus, entrando no corredor do segundo andar e parando na porta… na porta do quarto dela! estranhou, mas decidiu não dar sinal de que estava acordada, ele com certeza iria embora, rumo ao seu próprio quarto. Mas ela acabou tendo que se concentrar absurdamente para que seu coração não acelerasse quando ele mexeu delicadamente no trinco da porta.
Ele entrou no quarto, andando devagar, parou em frente à cama de , observando a sua expressão serena e saudável, sem dor e nem delírios. Tão diferente do que ela estava na noite anterior, tão serena e bela. Os cabelos espalhados pelo travesseiro, o lençol branco lhe cobrindo da cintura para baixo, o penhoar de seda aberto, uma camisola preta por baixo. Ele fechou os olhos e respirou fundo, ela parecia bem e… sem controlar, ele saiu de sua postura rígida e deu um passo em direção a cama.
não pode mais se conter, sua respiração e coração deram um solavanco, ela abriu os olhos de repente, dando de cara com um Jacob estático a uma curta distância. Ele cruzou os braços, enrijeceu sua expressão e continuou a encará-la. Ela fixou seus olhos nos dele, duvidosos e receosos… ela deveria dizer algo naquele momento, mas assim como ele, não conseguia.
O cheiro dele estava no quarto, ele parecia ter transpirado um pouco, deixando seu odor mais forte. Não vestia camisa, só uma calça jeans escura. Os olhos de , desobedientes e insensatos, foram passear pelo peitoral moreno… um, dois, três, quatro gominhos de músculos rígidos na barriga definida. Músculos que também formavam um “V” perturbador que se perdia no cós da calça, assim como um rastro de pelos que descia de seu umbigo… parecia um caminho…
desviou os olhos, focando novamente no rosto de Jacob. Ele tinha uma sobrancelha arqueada, um olhar indagante. Ela engoliu em seco e, finalmente, depois do que poderia ser minutos ou segundos, falou algo, sua voz mais baixa do que planejava.
_ O que você faz aqui? – Ela falou devagar, ainda deitada do mesmo jeito de quando Jacob abriu a porta. Seu olhar para o índio vacilou, ela deixou transparecer algo como medo. A lembrança do pesadelo lhe vinha à mente. Seria mais um? Ela estaria sonhando novamente?
_ Só queria conferir se você realmente deixou de delirar. – A voz dele também estava baixa, os olhos insondáveis fixos nela. Aquilo era desconcertante!
_ Eu estou… bem… - A respiração dela começou a ficar mais pesada, fazendo seus seios subirem e descerem em um ritmo nervoso. O coração dela acelerou assim que percebeu Jacob abaixar os olhos para seu colo. Ela deveria parar com aquilo, ela tinha que controlar sua respiração! Mas ele sorriu com seu jeito irônico e prepotente.
_ Nervosa com algo? Está realmente bem?
_ Por que se importa? – Atacar era a melhor forma, mas a sua voz ainda estava falha. Por quê? Ora bolas, ela não sabia! Mas Jacob amargou o olhar novamente.
_ É, por que me importo? – Ele repetiu a pergunta se questionando. Voltou a olhar para ela, e por que diabos ela tinha que ser tão linda? O corpo coberto pelas sedas das roupas de noite, ah!… ele se lembrava muito bem de como era aquele corpo… ele a teve tão… Por que ele pensava isto? Por que ele deu outro passo em direção a cama?
A pele dele era quente, fervia como brasa. O cheiro dele era tão poderoso para ela quanto o dela era para ele. Ela sentia aquilo tão bem e eles estavam a pouco mais de um metro de distância. Ambos sentiam as reações incontroláveis de seus corpos, seus pelos se eriçando, como se um imã os puxassem: os dela iam em direção a ele e os dele em direção a ela. Porque eles tinham a impressão de que deveriam dizer algo? Jacob sentiu que precisava de uma explicação para ter ido até ali, uma explicação por ainda estar ali, mas não encontrava.
A respiração dele passou a acompanhar o ritmo da dela, forte, ambos os peitos subiam e desciam exageradamente, um tremor os convulsionando por dentro, era até dolorido. E a força puxando e puxando, imperiosa… ele deu outro passo…
_ Você pode ir para o seu quarto Jacob, eu estou bem. – Ela fechou os olhos para dizer aquilo, se sentando na cama, agarrando o seu penhoar e fechando-o. – Você não deveria estar aqui!
_ Não, eu não deveria estar aqui… eu só queria conferir, já disse!
_ Sim… - Ela disse abrindo os olhos devagar e eles também ferviam, ela respirava com os lábios abertos. Ele se lembrou do gosto que ela tinha, o gosto da boca dela… mas não! Ele prometeu que nunca mais faria aquilo! Idiota! Ele prometeu que não pensaria mais naquilo. Mas ele não podia negar a vontade que lhe agarrava a razão, a vontade que tinha dela…
_ Eu vou então… boa noite.
_ Boa noite – Ele ia embora mesmo? precipitou o corpo pra frente, um movimento mínimo e involuntário, mas pereceu um convite. Jacob desviou do seu caminho da porta e em dois passos ficou ao lado da cama. Rápido demais.
_ O que quer Jacob? – Ela dizia confusa, não reconhecendo os sentimentos que lhe possuíam naquele momento. Ela queria desesperadamente que ele fosse embora, mas por que ela não o expulsava do quarto a pontapés? Por que ela ficava parada, com a pele tremendo, o peito se contorcendo e o sangue fervendo?
“Saia, fuja Jacob, de meia volta e saia deste maldito quarto! Ela está bem e segura, era só isto que você queria ver, só isto!” Ele começou a pensar, tentando se convencer do que para ele era o certo. Mas o errado era mais forte sobre ele, o fazendo inclinar o corpo em direção a cama.
_ O que você está … fazendo? – A voz dela começou a ficar esganiçada…
_ Eu não sei ! Diabos, eu NÃO SEI O QUE ESTOU FAZENDO! – Ele não falou, ele rugiu pra ela. Ela se encolheu, sentindo com precisão cada um de seus poros se agitar. Naquele momento ela viu nos olhos dele a desistência. Ele havia desistido de resistir. O que fazer? Tentar impedi-lo? Era tarde demais…
Ele se aproximou mais dela, engatinhando como um predador. Ela foi se afastando, devagar… um jogo perigoso, muito perigoso. Quando ela encontrou a cabeceira da cama em suas costas o corpo dele já estava muito perto, ela enxergava detalhadamente os traços do rosto dele, da boca dele. Ele continuou a ir para ela e ela não se lembrou que era rápida o suficiente para escapar do lobo. Ficou estática, encolhida entre o moreno sedutor e a cabeceira da cama.
”Você vai se arrepender Jacob Black!” alguma coisa tentou lhe avisar em sua mente, mas Black não pode ouvir. Ele chegou perto, a força do cheiro dela o sugando. Ela pôs as mãos no peito dele, tentando impedi-lo de continuar seu movimento terrivelmente lento, mas os braços dela tremiam. Quando as mãos dela tocaram o peito dele, ele sentiu algo pulsar, reclamando mais urgência. Com ela tentando impedir ele começou a fechar o curto espaço que faltava pra se encontrarem, fazendo os braços dela se encolherem aos poucos, eles sediam ao movimento do lobo.
Perto demais… ela arfava, ele queimava! Em nenhum momento os olhos deles se deixaram, dentro de cada par de íris se via uma luta entre o que pensavam ser a razão e a coisa louca e absolutamente sem sentido que estava acontecendo. O peito dele chegou à ela, impedido apenas pelas mãos tremulas de de se colarem absolutamente. Mas ele pegou as mãos dela com as suas e tirou do caminho, sem que houvesse resistência alguma.
Só se ouvia o ruído das respirações alteradas, como em um suspense angustiante, ele aproximou o rosto do dela, os lábios dela entreabriam-se, ele soltou um suspiro com movimento da boca voluptuosa. Eles já não pensavam naquele momento, a coisa pulsante e forte conseguira dominá-los. De olhos abertos, um encarando o outro, Jacob encostou seus lábios nos dela. , pela primeira vez na vida, soltou um mínimo gemido de prazer, fechando os olhos. Rendia-se.
Jacob enlouqueceu, sua força lupina e selvagem fazendo seu desejo ficar maior. Ele fechou os olhos e começou a sentir, pegou o lábio inferior dela e lambeu, sugando logo após. precipitou o corpo para frente, se encostando mais ao moreno. Ele largou as mãos dela e envolveu sua cintura com os braços, por baixo do penhoar e por cima da camisola. A língua dele começou a contornar os lábios dela, a pele dela começou a se eriçar mais, o gosto dele, tão perto, o calor da língua dele, passeando pelos lábios formigantes dela… era pouco!
Mais, eles tinham sede de mais! Ela nunca fez aquilo, mas naquele momento ela queria! Sua língua começou a se mover acanhada e encontrou a ponta da dele, ele rugiria se não estivesse preocupado em sentir aquilo.
O coração do lobo termia dentro do peito, o que aquela mulher fazia? Poderia ser um movimento simples, outras poderiam ser mais ousadas e apressadas, mas aquilo? Aquilo era insanamente bom. Porque a língua dela era suculenta demais, porque ele faria de tudo para caçá-la dentro da boca dela, para tê-la naquele momento de urgência. Mas a língua tão desejada veio de encontro à dele. Ele queria sorrir de contentamento, mas ao invés disso, entreabriu os lábios e deixou que ela brincasse com ele, que descobrisse o que quisesse. Ela faria o beijo. E ela fez!
Ela não parou assim que encontrou a língua de Jacob, passou a acariciá-la com a sua, procurando sentir todos os gostos que ele possuía. sentiu a pressão em sua cintura aumentar, as mãos dele começando a se mover por suas costas, o penhoar começava a ser uma roupa absurdamente quente! Ela começou a suar e, lentamente, seu cheiro começou a ficar mais forte.
Quantas mulheres ele teve? Vinte? Trinta? Quantas causaram nele aquela loucura? Nenhuma! Jacob também se deparava com algo absolutamente novo enquanto sentia sua língua ser sugada por , os seus lábios serem roçados pelos dentes dela. E ele começou a fazer o mesmo com ela, começou a também sugar a língua, com mais voracidade. Ambas as mãos dele saíram da cintura dela e se entranharam nos cabelos da moça. Ela se aproximou mais, coisa que ele pensou que não fosse possível. Jacob começou a sentir as mãos dela subirem por suas costas, fazendo a carne que entrava em contato com os dedos dela estremecer. Eles estavam ajoelhados na cama a esta altura, o beijo louco durava minutos e eles não separavam as bocas, apenas variavam o ritmo da dança das línguas… lenta, rápida… calma, enérgica… sutil, selvagem… louca!
O que aconteceria? A mente rodopiante de voltava ao prumo e saia rápido demais. Não havia ninguém que gritasse como Seth gritou da outra vez, eles estavam a sós, em uma casa vazia e afastada de tudo. E o que os dominava naquele momento eram as sensações tão magníficas, tão únicas e inéditas. Algo os pararia?
Jacob começou a inclinar o corpo dos dois, ainda sem romper o beijo, suas mãos passaram a apoiar as costas de enquanto eles caiam lentamente para trás. Perdida na boca de Jacob, só percebeu o movimento quando suas costas encontraram o colchão, Jacob se inclinando em cima dela. Sim, havia um fervor trêmulo entre suas pernas, mas um medo conhecido começou a sacudir seu interior. Não! Não, não e não! Aquilo não!
Ela abriu mais a boca, uma de suas mãos agarrou a nuca de Jacob a outra lhe arranhou os músculos das costas. Mais, ela queria mais da boca dele, queria se embebedar naquela umidade saborosa e quente, queria se embebedar nele para esquecer. Ele começou a responder aos movimentos ousados dela não só com a língua, dentes e lábios, mas com as mãos.
Ela havia vivido aquilo no sonho, mas não se comparava com o que ela estava sentindo naquele exato momento. As mãos dele subindo por sua coxa causavam algo inexplicável. E ele subia com a mão de homem forte e incrivelmente macia. Subia apertando a pele, apertando com vontade… E ele não largava a boca dela, ela não conseguia respirar, ela precisava de ar… ela sufocava…
se sacudiu minimamente, começou a soltar fracos gemidos suspirados por entre os lábios ardentes de Jacob e ele grunhiu com aquilo. Sua outra mão foi para a outra coxa de , passearam pra cima, no lado externo, subindo e erguendo o tecido da camisola negra.
O desejo rasgou algo dentro dela, mas aquilo libertou o seu monstro. Quando ela sentia Jacob pegar suas coxas mais firmemente, beijá-la de forma mais voraz e tentar se colocar por entre suas pernas, o seu medo se fez maior que seu desejo. Dor! A dor irrompeu no meio de suas pernas de novo, como há treze anos. O cheiro do hálito de Xavier começou a se infiltrar por entre suas narinas e o pânico lhe vinha. Ela tentou gritar, mas Jacob não percebeu que era pânico o que ela sentia e não prazer. Continuou.
O medo dela aumentou… “Você nunca vai esquecer do nosso momento juntos… nunca vai esquecer do meu corpo entrando no seu… eu te marquei… esteja eu na Terra ou no inferno você é minha…” A voz nefasta de Xavier lhe vinha clara dentro da mente. Não! Ela não suportaria aquilo, o nojo era maior, o medo de sentir tudo de novo, de reviver aquilo era maior… O gosto tão bom de Jacob começou a ficar amargo, o estomago de começou a protestar… Não, era insuportável, ela não podia…
O desespero fez as mãos dela ficarem mais firmes. Ela as colocou embaixo do peito de Jacob e empurrou, rezando pra que conseguisse fazer aquilo parar. Ela conseguiu partir o beijo…
_ Pare, pare agora… - Uma dor também feria o coração dela enquanto pedia para ele parar, enquanto era vencida pelo seu medo. Xavier ria dela, ela podia escutar ele rindo dela em sua cabeça “Minha, eternamente minha e só minha…” O monstro repetia em sua cabeça. Ela queria fazer algo que não fazia há anos: chorar.
Jacob parou ao perceber a súbita mudança de , que estava rígida, empurrando-o para longe com força. Aquela atitude foi como um tapa de consciência nele. O que ele fazia? Saltou de cima dela sentindo o peito sacudir dolorosamente, o sangue correndo em suas veias como se quisesse derretê-lo por dentro, tão quente estava.
_ Suma daquiiii! – A voz arranhada dela era dolorosa, ela apertava os olhos e se cobria com o penhoar, com o lençol, como se tentasse se esconder. Ele tinha uma faca enviesada na garganta, não conseguia responder. _Desapareça daqui!!!
Ele sentiu raiva, raiva dela e de si mesmo. Saiu apressado do quarto, abrindo a porta bruscamente e fechando com muita força, fazendo esta bater em um estrondo e o trinco de metal permanecer em sua mão em um pequeno amontoado distorcido.
Jacob jogou o maldito pedaço de metal no chão e, com o peito tremendo, se meteu em seu quarto. Sentia-se arder, seu desejo o consumia como ele pensou que não era possível. Ele deitou com tudo na cama, fazendo esta protestar, fechou os olhos e tentou conter seus tremores. Não queria explodir em lobo, pois tinha certeza que não poderia contê-lo naquele momento.
O que era aquilo? O que o fazia estar consciente da pele de em contato com suas mãos como se ainda estivesse atracado a ela? O que fazia seus lábios e boca parecerem um buraco incompleto sem a dela, sem a boca e língua dela junto a sua? Ele queria ir até o quarto novamente, satisfazer seus desejos nem que fosse a força. Ele queria se enterrar dentro de e senti-la simplesmente como um bicho, como um animal voraz. Mas não, ele não podia, ele não queria que fosse assim, não com ela… Ele não queria coisa alguma com ela, não queria!
_ Não! – Ele rugiu consigo mesmo, se levantando da cama bruscamente e rasgando sua calça por tirá-la com tanto furor.
No outro quarto, também estava em uma luta interna tão ou mais angustiante que a do lobo. Doía, era absolutamente doloroso se lembrar de seu trauma ao mesmo tempo em que sentia o desejo pulsar em seu ventre. Nojo, fogo, vontade e repugnância se misturavam caoticamente dentro dela. Ela se deixou cair na cama, rasgando o lençol que apertava e puxava, gemendo furiosa e dolorosa. Por que aquele monstro não ia embora, por que ele não foi sepultado dentro dela? Por quê?
Ela começou a sentir nojo de si mesma, por desejar, por queimar com sede de mais. Mas o que ela lembrava quando o desejo lhe vinha era de Xavier, de seu momento pavoroso, imundo. E a dor, como nunca antes, lhe chegava não só ao corpo, mas ao coração, cortando lentamente enquanto Xavier ria dentro da cabeça dela. A voz de escárnio dele possuía todo lugar de sua consciência, assim como a sensação do membro asqueroso dele a rasgando por entre as pernas. Doía, o corpo, a mente e o espírito. Ela apertou os olhos e gritou. Um grito forte, agudo e rouco. Retumbou como alguma coisa maligna dentro da casa, Jacob tampou os ouvidos. A bile subiu no estomago de , o nojo se fez maior quando ouvia o delírio conseqüente do pânico em sua mente…
“Minha, só minha…” Xavier dizia, rindo macabro. Ela correu para o banheiro, para o sanitário, e esvaziou o estômago protestante. Por que ela não esquecia nunca?
Jacob ligou o chuveiro no máximo, queria não só água fria, mas congelante em sua pele, em seu corpo. Nu, entrou no chuveiro, fazendo a água praticamente frigir com o contato férvido de sua pele. Muitos poderiam comparar o desejo de Jacob a fogo, mas fogo é o que ele sentia durante um orgasmo com qualquer mulher, qualquer uma. O que escaldava dentro de Jacob, naquele instante, só poderia ser comparado ao magma que sai das entranhas da Terra, explodindo de vulcões e consumindo tudo. Este magma derretia metais dos mais resistentes, fazia rocha ficar líquida. O desejo de Jacob era um magma escaldante.
A água escorria pelos músculos rígidos das costas do homem perturbado. Ele tinha em si mais do que desejo, tinha algo que fez uma lágrima descer rasgando pela dura face. Ela descia diante da rejeição de , por ele ter visto nojo e repugnância dentro dos ardentes olhos castanhos…
_ NÃO! _ Dessa vez foi Jacob que gritou rugindo. Ele não queria chorar, ele não chorava… por mulher alguma.
Ele colocou as mãos na parede azulejada em frente ao chuveiro, a água fria não podia esfriá-lo, mas ele permanecia lá. Com as gotas descendo por suas nádegas firmes, desenhando um caminho por entre suas coxas frondosas, indo até seus pés. Seu membro ainda ereto. A sensação do corpo dela não ia embora com a água que escorria pelo ralo. Ele precisava esquecê-la, fugir dela.
Saiu do banho, mal se secando, e vestindo qualquer roupa. , ajoelhada no banheiro de seu quarto, ouviu quando a porta da frente foi batida com força e quando o carro de Jacob partiu cantando pneus. Ela estava sozinha novamente, mas não pregaria os olhos aquela noite.
O carro de Jacob parecia um meteoro prata na estrada, voava baixo. Ele só reduziu em Port Angeles: nunca tinha ido aquele lugar, mas já tinha ouvido falar. Na cidadezinha portenha havia um lugar onde mulheres se ofereciam em troca de dinheiro. Eram chamadas de Escorts e não de prostitutas, simplesmente por fazerem o serviço para aqueles que se diziam ricos. Eram prostitutas de primeira linha.
Ele não parou o carro, só passou lento pelo bar elegante com mesas na calçada, aberto em plena madrugada tardia. Elas vestiam roupas elegantes, mas provocantes. Jacob só procurava uma, qualquer uma que tivesse a aparência e jeito completamente contrário a mulher que não saia de sua mente. Uma loira, baixa, mas com peitos exageradamente grandes e duros: não eram naturais. Ela serviria.
Jacob parou o carro perto da beirada da calçada e, com uma das mãos fez um sinal para ela, que veio de encontro a ele, se debruçando na janela.
_ Olá gostoso. – Ela disse, com uma voz que pensava ser sedutora, mas Jacob sentiu ânsia. Só que isto não o fez desistir. – São seiscentos dólares a hora. – O perfume artificial estava forte, confundindo o cheiro de humana que ela tinha que era… normal, absolutamente normal e nada atraente, mas, ainda assim, ela serviria.
_ Entra! – Ele disse seco e ríspido, sem olhá-la. A moça obedeceu de bom grado, a aparência exótica daquele homem a atraiu. Ele possuía um magnetismo único e o “perfume” dele era inacreditavelmente bom… “até que enfim um cliente gostoso. E nem reclamo do preço? Que ótimo”. Ela pensava, satisfeita.
Eles pararam em um motel elegante, Jacob pediu uma suíte em um andar vazio, pagou por todos os quartos. Pararam na garagem e Jacob não se preocupou em ser lento. Contornou o carro rapidamente abrindo a porta e puxando a Escort pelo braço rudemente. Doeu e a mulher começou a ter medo.
_ Calma gostoso, eu faço o que você pedir.
Ele não a respondeu, entrou no quarto e a jogou com tudo na cama, sem se importar com o jeito, só controlando a sua força para não feri-la. Ele se virou pra ela e, agora sim, ela se encolheu, apavorada com o olhar de fera dele. Ela sofreria com aquele lindo e perigoso cliente.
_ Dispa-se! – Ele ordenou com voz gutural, enquanto se livrava de sua camisa. A voz da loira saiu trêmula enquanto ela pedia…
_ Nós poderemos ir com mais calma querido. Também é bom, confie em mim, eu sei fazer gostoso. – Ele se aproximou rápido demais, ela gelou.
_ Não lhe dei permissão pra me chamar de querido, entendeu? Eu pago pra fazer o que eu quero e não o que você quer! Entendeu?
_ Eu não faço assim, mas eu posso te indicar outras que gostam mais desse tipo de… de sexo! – Ela falou nervosa, com medo aparente, o coração pulsante. O aperto dele em seu rosto doía demais.
Mas ele não ouviu. Agarrou a nuca dela e beijou-a forçosamente, com força e brusquidão demais. Mas aquela não era a boca que ele queria, não era o gosto que ele desejava. Ele rasgou a blusa da mulher trêmula e apertou os seios, mas aquela pele também não era macia e atraente para o lobo. A loira gemeu com o aperto dele, mas não de prazer e sim de dor. Ela chorava, o medo lhe pulsando nas veias, exalando o pavor em seu cheiro. Jacob parou abruptamente e se afastou como um raio da mulher, vendo-a se encolher na cama soluçando, não ousando olhar para ele. Ele se sentiu nojento, desprezível.
Não! Nada daquilo iria funcionar, ele não podia ser aquele monstro! Ele se encolheu, o coração sofrendo um terremoto doloroso de culpa diante do pânico da pobre prostituta à sua frente. Ele não queria aquilo, não queria agir assim. Suspirou, seu olhar de fera enfraqueceu, tornando-se sofrido. Se aproximou novamente da moça e ela se encolheu mais.
_Não! Por favor, não… - Ela disse fraca e chorosa. Jacob se sentiu ainda mais revoltado consigo mesmo. O que ele havia se tornado? A que ponto havia chego? Se aproximou dela e acariciou os cabelos loiros com cheiro de cosméticos…
_ Me desculpe… me perdoe… - Ele disse com voz rouca. Mas o corpo da moça tremia por inteiro. Ele viu as marcas de seus dedos nos braços, no rosto e seios dela. Quis se espancar, mas ao invés disso, colocou-a novamente nos braços de forma delicada. Ela suava frio.
_ Me perdoe, eu não vou fazer nada, não vou… - O que aquelas mulheres passavam? Ele sabia que a profissão rentável, não era nada glamorosa ou agradável. Aquelas mulheres passavam o inferno na Terra e, por instantes, ele quase havia se convertido em um demônio deste inferno, para fugir de si mesmo. Mas ela não tinha culpa, a Escort desconhecida não tinha culpa.
Aos poucos a mulher se convenceu que Jacob estava arrependido e seus soluços foram se acalmando. Ela dormiu encolhida nos braços dele, se sentido aquecida e protegida aos poucos. Mas quando ela acordou, ele não estava mais lá. No canto do quarto havia uma mesa com um café posto, roupas novas ao lado da cama, junto com um ramalhete de variadas flores brancas e um maço exagerado de dinheiro. Um bilhete estava amarrado às flores.
“Largue esta vida e me perdoe pelo que lhe fiz passar!”
Ela sorriu com o bilhete e decidiu fugir de seu agente. O dinheiro que havia ali, duzentos mil dólares em espécie, juntado ao que ela tinha, era o suficiente para isto.


CAPÍTULO 14

TRABALHO


Três meses depois…


_Pode almoçar comigo hoje? – Leah lhe perguntava, mais uma vez naquela semana, pelo telefone.

_ Se você aceitar almoçar com um bagaço, sim… Mas não no Salty, quero e mereço comida caseira! – dizia, checando a ficha da sua última paciente.
_ Ah , mas a comida do Salty é muito boa. O melhor restaurante que abriram em Forks, sem dúvida!
_ Mas não pra comer todo dia. E eu quero almoçar depois de um banho. Vá lá Leah, agente não precisa comer do lado do Banco, você tem duas horas de almoço!
_ Tá, tá legal dona . – Leah disse rindo. Embry dizia emburrado pra loba que conseguia dobrá-la mais facilmente que ele. Ele morria de ciúme da nova amiga de Leah, mas era por birrinha entre casal. Como quase toda a reserva quileute, ele fazia parte do fã clube da Doutora Black. – Que horas acaba seu plantão doutora?
_ Daqui à uma hora, exatamente quando você sai para o almoço. – Leah escutou a moça bocejar no outro lado da linha.
_ Quantas horas você está de plantão senhora Black? – Leah começou a chiar com ares de rispidez no outro lado da linha. Ela sempre fazia aquilo: brigava com que ela trabalhava demais, se exaurindo em plantões exagerados no hospital. Essa ladainha entre uma amiga e outra sempre se repetia, mas nenhuma cedia.
_ É meu trabalho Lee, não vai reclamar de novo! – bufou para a índia.
_ Quantas horas? – Leah repetiu a pergunta.
_ Só 38h Leah.
_ Cacete! Só trinta e oito? Só? Meu Deus, assim você vai virar um zumbi em menos de dois dias!
_ Sigo o ritmo que segui a minha vida inteira Leah. Vai desistir de almoçar?
_ Não.
_ Então nem mais uma palavra dona turrona! – soltou rindo.
_ Rá, olha quem me chama de turrona, olha quem! – Leah também riu. _ Até daqui a pouco!
_ Quero um ECG dela… ah oi Leah, tava falando com a enfermeira... sim, sim até daqui a pouco! Beijo.
_ Beijo e tchau!
desligou o telefone e voltou a se enfurnar nas fichas e prontuários de pacientes do hospital de Forks. Há três meses ela havia começado a trabalhar, feito louca, naquele hospital. Não havia lá metade dos recursos que ela tinha disponíveis em Washington e a maior parte dos pacientes de neurologia eram encaminhados a Port Angeles ou Seattle.
Mas a moça logo começou a agir. Com seus contatos na capital, conseguiu uma boa quantidade de aparelhos médicos e verbas para reformas nas salas cirúrgicas e U.T.I’s. O problema era que ela não tinha uma boa equipe, teve que começar do zero, treinando os poucos profissionais que havia disponível para ela ali. Mas já haviam realizado algumas tantas cirurgias e estava satisfeita com o entrosamento e dedicação dos companheiros.
Foi uma verdadeira reviravolta no hospital, fazia um furor por onde passava e, além dos pacientes de Forks, que foram reencaminhados para ela, outros, de cidades vizinhas, eram mandados pra lá. Todos indicados para se consultar com a médica referencial. Mas Leah estava certa: não havia necessidade de a moça trabalhar tanto, empilhando um plantão atrás do outro.
Elas ficaram muito amigas, pois sempre que podia, Leah tentava arrancar do trabalho. Muitas e muitas vezes elas almoçaram juntas em um restaurante entre o hospital e o Banco, o Salty. Aliás, tudo em Forks era perto de tudo. Impressionante!
Porém o motivo do afinco exagerado de não era só o amor a profissão, mas sim uma fuga. Depois da tórrida noite que tiveram, tanto como Jacob fugiam de se ver, de se olhar. se escondia no trabalho e Jacob também, além da matilha. O Alpha fazia mais rondas que o necessário. Quando acontecia de se encontrarem na casa, tratavam-se como duas sombras se tratam. Só havia um porém: sombras não sentiam estremecimentos quando se esbarravam ou quando, acidentalmente, se encaravam.
Jacob e não apareciam juntos entre os quileutes, justificavam dizendo que era conseqüência do trabalho. Mas, ao contrário de Jacob, aparecia vez ou outra para visitar os novos amigos, quase sempre reunidos em alguma pequena casa de La Push. Os filhos de Rachel e Paul, ela já considerava como sobrinhos de coração. Ela achava que a relação com Jacob não era o suficiente para ela adotar os quileutes como família, como havia feito. Mas ela os adotou porque gostou deles, porque eles eram irresistíveis.
A moça passou a cobrir a ausência da presença vitalizante do jovem Jacob entre os quileutes, principalmente com Billy. Ainda que eles se vissem pouco, ela já era a nova filha de Billy Black e a irmã das gêmeas Raquel e Rebecca. Esta ultima, conheceu primeiro por telefone e, depois, pagou uma passagem para que ela e toda a família viessem do Havaí visitar o pai. Esta atitude fez ganhar a linda Rebecca de vez.
A irmã distante de Jacob era mãe de um lindo casal: Matt, de oito anos e Julia, de dez. a viu pouco durante a estada em La Push, por causa do hospital, mas achou ela, seu marido Jorge e seus filhos, tão envolventes quanto os outros quileutes.
Naquele dia, exaurida pelo trabalho, saiu do hospital e deu de cara com o lindo e jovem índio encostado no capô de seu carro. Ele sorriu pra ela assim que a viu, se levantando e indo em direção as arvores a leste do estacionamento do hospital.
_ Não precisa correr atrás de mim Caleb, vou estar com Leah.
_ Ah ! Eu queria apostar corrida de novo! – riu. O jovem era Caleb, o mais novo lobo da matilha, tinha só quinze anos. Tinha se transformado há algumas semanas e, depois de um treinamento rigoroso com Jacob, foi designado a fazer a guarda da esposa do Alpha. , no início, ficou irritada com um lobo lhe seguindo a todo o momento, só porque estavam aparecendo mais vampiros recém criados pelas redondezas. Ela podia se defender, Jacob sabia daquilo! Mas quando ela foi falar com o marido, ele a olhou estranhamente e disse somente:
_ É preciso! – Pronto, mais nada. Ela ficou exasperada e, cada vez que saía de casa e via o jovem Caleb lhe seguindo, todo alegre por ser um lobo, ela pisava no acelerador e cortava a estrada com sua BMW. Só que Caleb começou a se divertir com aquilo, nem se preocupando que se espatifasse em uma curva com o carro, mas dizendo que era o máximo apostar corrida com ela. , depois do dia que ele falou aquilo, parou de implicar com Caleb e se divertia com estes rachas imprudentes pelas pistas de Forks.
_ Hum, ok então. Só até La Push. Leah já deve estar me esperando lá. – Ela disse, respondendo a um Caleb com expressão pedinte, ele imediatamente sorriu entusiasmado. Ela então foi para o carro enquanto Caleb corria se esconder em meio às arvores para se transformar.
saiu devagar do estacionamento e, da mesma forma, seguiu pelas ruas de Forks, úmidas pela chuva. Correr com risco de aquaplanagem? Extasiante! Assim que ela chegou à rodovia que levaria a La Push parou, esperando o lobo se colocar ocultamente à margem das arvores na beira de estrada. Ela começou a acelerar e o lobo, de pelagem prata-chumbo, a esfregar a pata dianteira na terra, levantando tufos. riu como sempre ria quando pisou fundo no acelerador, mas Caleb disparou na frente antes que o carro alcançasse velocidade. Ela demorou a alcançá-lo, mas chegaram juntinho na entrada da reserva.
_ Eu ganhei! - Ela gritou para as arvores onde Caleb se escondia, escutando o latido dele, possivelmente de protesto. Mas quando ela olha pra trás se xinga mentalmente: um carro policial lhe dava sinal para permanecer parada. No calor da corrida, nem ela e nem Caleb haviam prestado a atenção naquilo. O jeito era esperar.
_ Posso saber o porquê de tanta pressa moça? – O policial, já passado os cinqüenta anos, tinha os olhos castanhos, a testa calva e poucos cabelos castanhos com alguns fios embranquecidos. No bolso da farda havia um nome em uma plaqueta de metal: Chefe Charlie Swan.
_ Me desculpe senhor, eu realmente não devia ter corrido tanto. – não podia dizer que apostava corrida com um lobo e, tampouco, que ela tinha muito mais habilidade que qualquer humano para domar um carro em uma estrada perigosa.
_ Está consciente disso e não respeitou o limite de velocidade? Os documentos! – “Droga!” pensou, avistando Caleb de longe fazendo uma careta de culpa.
_ Aqui está. – Ela disse ao policial, passando os documentos. Mas, de repente, assim que leu o documento que lhe foi passado, o policial arregalou os olhos.
_ Black? – Ele perguntou, com voz engasgada.
_ Sim, algum problema?
_ Acaso você é a esposa de Jacob Black, a médica? – Por Deus, naquela cidade não havia privacidade!
_ Sim, sou. Algum problema?
_ Não, não é só que… faz muito tempo que eu não vejo aquele garoto. Quer dizer, acho que ele é que não quer me ver depois que… bom, nada. – enrugou a testa, absolutamente confusa. Não pelo fato do policial conhecer Jacob, aquela cidade era um ovo, mas pela expressão lamentosa e saudosa que surgiu na face do homem enquanto se atrapalhava nas palavras ao mencionar Jacob.
_ Garoto? – Ela perguntou, deixando só uma parte de sua confusão escapulir pelos seus lábios.
_ É, você tem razão, ele não é mais um garoto. Quantos anos ele deve ter agora, vinte oito, vinte nove? Nossa, mas eu ainda lembro dele como o garoto alegre e brincalhão que freqüentava minha casa junto com Billy. – Charlie falava distante. ficou ainda mais curiosa: brincalhão? Alegre?
_ Você o conhece então? – Ela disse, descendo do carro e também vendo naquilo um motivo pra se livrar de perder uns bons pontos na carteira. A multa ela pagaria, mas ficar sem carteira… “Que este homem goste de Jacob!”. Ela pensou, mas curiosidade também pulsava dentro dela.
_Sim, sim, desde criança. Ele e minha filha foram muito che…gados – O policial travou no meio da palavra, parecendo arrependido pelo que disse.
_ É mesmo? – perguntou levemente, sem demonstrar curiosidade, mas… chegados? Como assim chegados?
_ É quando crianças, eles brincavam quando criança. Minha filha não morava comigo. – Ele estava mentindo claramente. Era simplesmente muito fácil de identificar aquilo. Ela saberia daquilo mesmo se o coração dele não tivesse alterado o seu ritmo, só o olhar dele o entregava.
_ Ah, sim. Amigos de infância, compreendo…
_ Como ele está? E o Billy? Faz uns meses que não vejo aquele velho! – O policial emendou rapidamente, ainda segurando os documentos dela na mão.
_ Bem, bem. Estão todos muito bem! – disse. – Mas por que você não vem visitá-los? – Ao perguntar aquilo, observou Charlie corar e engolir em seco.
Ele se lembrou quando tentou falar com Jacob pela última vez, na casa de Billy, a pedido de Bella. Acabou que ele foi enxotado de La Push pelo garoto raivoso, que lhe disse pelas costas que não queria nunca mais ver a face de um maldito Swan. Foi doloroso para Charlie, mas isto resultou no afastamento dele com a família Black.
_ Alguns problemas aí! – Ele disse sorrindo amarelo e voltando a atenção aos documentos de . – Bem doutora, eu não vou poder te livrar de uma multa bem gorda, considere-se sortuda por eu não levá-la pra delegacia comigo. Mas eu acredito que, como médica, você deverá ser responsável e não correr mais assim, colocando não só a sua vida em risco, mas a de outras pessoas. Certo?
_ Certíssimo. Eu fui mesmo irresponsável, mas isto não vai se repetir senhor… Chefe Swan certo?
_ Sim, certo. – Ele lhe dizia enquanto preenchia a papelada da multa de 700$. Não era tão gorda!
_ Confio que isto não vai mais se repetir doutora…
avistou o carro de Leah que vinha pela estrada. Ela encarou Leah à distância, dentro do carro, e viu a testa da loba enrugada encarando o policial e ela própria parados na estrada. Ela não demorou a chegar com o carro perto dos dois e, imediatamente, estacionou. Caleb se aproximou de , ficando do lado dela e cumprimentando minimamente o homem fardado. Mas o jovem índio estava visivelmente nervoso, aí dele se Leah descobrisse que ao invés de fazer a guarda da Sra. Alpha (como ele chamava ), ele ficava apostando corridas com ela. Ele estaria visivelmente frito.
_ O que está acontecendo aqui? – Leah perguntou seca ao sair de seu Ford Focus bordô. Se direcionava com uma cara nada boa para o policial, que ficou um tanto desconfortável.
_ Nada Leah, foi só uma pequena imprudência de minha parte, mas que já foi resolvida! – respondeu, achando estranha a reação de sua amiga com o tal Chefe Swan.
_ Imprudência? – Leah disse, espiando o papel com a multa que Charlie passava a – 700 dólares? Que imprudência custou 700 dólares dona ? – Leah encarou com as mãos na cintura, enquanto esta fazia uma carinha de inocente.
_ Passei um pouco da velocidade só!
_ Um pouco? Moça, 200km/h não é um pouco! – Charlie disse, mas logo pulando com o grito de Leah.
_ O QUE? 200 km/h? Você quer morrer ? Como você me dirige a esta velocidade em uma pista molhada!? – Leah bufou, olhando pra Caleb quieto ao lado da médica e estreitou os olhos pra ele – Como permitiu isto? – A loba sussurrou muito rápido e veloz para ele. Pronto, agora ele estava perdido!
_ Bom, eu já fiz o meu trabalho e vou indo. E cuidado doutora, prudência, dá próxima eu posso te prender! – Charlie disse em tom de aviso, logo depois se voltou para Leah receoso. – Mande lembranças minhas à sua mãe e ao Seth, Leah.
A índia ergueu uma sobrancelha e afirmou minimamente com a cabeça. Mas assim que a viatura voltou para seu caminho, em direção a Forks, ela voltou seu olhar reprovador para Caleb.
_ O que você entende por cuidar da segurança de , Caleb? – Leah, apesar de seus maus entendidos com Jacob, era a que tinha a maior “posição” na matilha. Ela era boa e os anos lhe deram paciência e controle para agir em uma caça. Assim, sua posição de “beta” adquirida na primeira formação da matilha de Jacob - quando eram só Leah, Jacob e Seth - permaneceu subentendida entre os demais lobos. Jacob nunca oficializou o posto, mas nunca agiu de forma discordante com este pensamento da matilha.
Mas para o recém-transmorfo Caleb, Leah era uma mulher tão assustadora quanto o seu Alpha, que dizer, um pouco menos. Bem menos, ninguém conseguia ganhar do pânico que os negros olhos de Jacob podiam causar. Mas, ainda assim, Caleb não achava prudente irritar uma loba como Leah. Além de tudo, ela era mulher e mulher quem entende? Assim ele pensava.
_ Eu cuidei dela sim Leah, eu sei que ela dirige bem. – Ele disse, evitando olhar diretamente para Leah.
_ Pelo amor de Deus Leah! Caleb só fica no meu radar por causa de vampiros e não pra ser minha babá! E assim você me ofende, ele tem quinze anos, quinze! Eu que deveria cuidar dele e não o contrário! Caleb, pode ir, deixa que com Leah eu me entendo! – Ela disse, piscando pra ele. Ele sorriu e deu um abraço de urso nela antes de ir.
_ Até a próxima doutora...
_ Até a próxima, lobo adolescente! – disse, se despedindo com carinho.
_ Deixa só o Black ver você pegando a mulher dele deste jeito… é melhor esconder seus pensamentos Cacá – Leah soltou mórbida, logo depois caindo na gargalhada com a cara de espanto de Caleb.
Depois de ralhar com Leah por ela ficar colocando pilha na cabeça do pobre Caleb, elas pegaram seus carros e foram para a casa dos penhascos, como acabou ficando conhecida a casa de e Jacob. A médica subiu ao seu quarto, deixando a amiga aos cuidados de dona Beth, que acabou sendo contratada por Jacob antes que pedisse. Só que a empregada se afeiçoou muito mais a patroa do que com o patrão. A senhora Elizabeth, com seus 50 anos, os cabelos que um dia foram negros já grisalhos, tinha força e energia maior que muitos jovens. Ela preparou de almoço para as duas amigas o prato que mais gostava: Capeleti.
_ Escolha um bom vinho madame Black. Só você pra me fazer beber algo descente! – Leah disse brincando, enquanto observava a adega montada em uma das paredes da cozinha. Só havia uma bebida que realmente gostava: vinho. Acabou fazendo Leah, que não bebia, acompanhá-la neste gosto requintado.
_ Pode deixar!
_ Você vai na festa hoje a noite com Jacob, não vai?
_ Festa? Que festa? – começou servir o vinho a Leah, que já tinha o capeleti posto em seu prato.
_ Como que festa !? A tradicionalíssima festa da fogueira. Faz meses que não fazemos uma, os velhos do conselho já estavam chiando. Seu sogro falava: “temos que apresentar as nossas lendas a devidamente!” – Leah disse, imitando o jeito do patriarca dos Black. – Mas Jacob não lhe avisou que seria hoje? Nós falamos com ele há dois dias, logo que ficou decidido.
_ Ah Leah, ele se esqueceu de me avisar. Mas hoje eu estou tão cansada, não sei se vai dar pra eu ir.
_ Ah mais você vai sim! Ora, você tem a tarde inteira pra dormir. Nem pense em fugir! Você vai gostar, eu já enjoei das lendas, mas você não. Então eu acho que você vai achar bacana. Ah vamos vai! – Leah começou a fazer uma carinha pedinte, se encolhendo, juntando as mãos e batendo os cílios rapidamente. riu. Aquela expressão não combinava nem um pouco com Leah, ficou absolutamente falso!
_ Tá eu vou! – Ela disse, e Leah levantou a taça fazendo brindar com ela.
_ Dona , vai precisar de mim ainda? – A voz meiga de dona Beth interrompeu os risos das amigas.
_ Não, não querida. Pode ir, hoje você já fez muito! Seu capeleti está delicioso, como sempre. Eu não disse Leah, que era melhor comer em casa?
_ Disse sim e com toda a razão. Nenhum chefe ganha da Dona Beth.
A senhora sorriu, corando diante dos elogios. _ Imagina! A dona também cozinha muitíssimo bem! Ela já me fez provar de seus pratos. Muito bons mesmo.
_ É verdade, você também cozinha bem . Aliás, tô com saudade da sua comida. Vou te levar pra cozinhar em casa um dia desses. O Embry já ta enjoado da minha macarronada, mas ele sempre come.
_ É… isso que é prova de amor, não é dona Beth? Comer sempre a macarronada da Leah… - A loba se virou imediatamente pra com um olhar assassino, enquanto Elizabeth ria timidamente. – Que foi Leah? Amiga precisa ser sincera ué! – riu e Leah balançou a cabeça.
_ Até semana que vem então dona , Leah.
_ Até. – Responderam as duas, enquanto a empregada saía.
Logo Leah arrancou o blazer que usava, ficando com uma blusa muito fina e levemente transparente. A diferença entre a Leah com roupa de bancária e com roupa de quando se vestia pra ficar na tribo era grande. Para o trabalho ela usava tailleurs, saltos e maquiagem, leve, mas usava. Mesmo nestas roupas ela conseguia ficar “sexy e lupina”, segundo as palavras do próprio Embry. Já para o dia-a-dia da reserva, usava roupas práticas pra facilitar sua transformação. Jeans eram seus prediletos.
observava a postura ereta de Leah e um olhar observador demais direcionado para ela enquanto comiam. A médica reconhecia aquela expressão da amiga: ela desconfiava de algo e queria saber a respeito. Não demoraria ela faria uma pergunta. E ela fez daí cinco minutos.
_ Eu não entendo como nós parecemos conversar com Jacob mais do que você ! E olha que falar com ele não é muito usual. Vocês parecem distantes demais, dá pra desconfiar que o casamento de vocês não anda bem. Não que eu queira me meter, mas… eu só me preocupo com vocês, só isso! É estranho. Se não fosse pela preocupação constante que ele tem com você…
_ Preocupação constante? – estava muito desconfortável com aquela insinuação de Leah. Ela era observadora demais e isso era mal. Mas a menção que Leah fez sobre a preocupação de Jacob a moveu a perguntar. Como assim preocupado constantemente? E com ela?
_ Sim ! – Leah bufou, como se aquela constatação fosse óbvia. – Ele fica quase que… agoniado, é, acho que posso dizer agoniado. Enfim, ele sempre frisa a importância de que você não pode ficar próxima de nenhum vampiro pro bando todo. Ele não explica muita coisa sabe? Mas quando agente pergunta por que você tem que ser protegida, ele fala que seu cheiro é mais raro e muito mais atrativo que o dos outros humanos. Eu sei que é verdade isto, porque o seu cheiro é realmente único, mas ele nunca demonstrou este cuidado com ninguém antes.
_ Ah! Sei. – Aquela preocupação ainda era estranha. Por que ele fazia aquilo? Alguma recomendação de Quendra, talvez? É, deveria ser isto.
_ Mas então? – A loba insistiu.
_ Então o que? – Leah estreitou os olhos. Sabia que estava consciente de que ela queria saber sobre o casamento com o Jacob, mas fugia da resposta.
, se você não quiser falar não fale. Mas eu acho que tem coisa errada aí!
se desesperou: e agora? O que ela ia fazer? Tinha que ser convincente, Leah não ia engolir qualquer coisa. Ela estremeceu ao pensar que teria que falar com Jacob. Eles precisavam ter mais convívio com os quileutes, pra que perguntas demais não fossem feitas. Perguntas como a de Leah, que tamborilava os dedos na mesa, enquanto esperava a resposta da amiga, comendo o fim de sua refeição.
_ Bem, agente meio que andou distante por causa dos compromissos de trabalho. Não é fácil se casar com uma médica, que pode sair correndo a todo o momento em um chamado urgente. Além do mais, Jacob trabalha longe e… isso meio que pode parecer distância pra vocês. Mas não há risco de separação… – “Não quando uma ordem de Quendra exige a união de nós dois”. completou em pensamento. -… Leah. Fique tranqüila, é só por causa da nossa vida atarefada. Mas está tudo bem!
Ela tentou soar convincente, mas Leah só ergueu a sobrancelha e murmurou:
_ Sei!
“Droga!”, pensou, “por que ela tem que ser tão desconfiada?”
Leah não demorou a partir e se jogou no sofá da sala assim que ela saiu. Era só pra relaxar um pouco antes de ir pra sua cama. Mas ela estava tão cansada, que acabou por pegar no sono ali mesmo.
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O barulho do motor não estava bom, não estava mesmo. Tinha algo errado.
_ Você conferiu tudo? – Jacob perguntou ao mecânico parado ao lado do belo carro. O mais novo modelo que estavam testando.
_ Sim senhor! Eu revisei cada detalhe. – Jacob não gostava daquele mecânico, não sabia por que não o despediam. Ele já havia cometido vários erros, era preguiçoso e relapso. Mas o idiota de seu chefe, o diretor da fábrica, Rick Manson, não queria ter trabalho em procurar outro empregado. Mas Jacob tinha sua influência e já tinha avisado: mais um erro e o mecânico não trabalharia mais para ele. E aquele som do motor indicava um erro.
_ Se eu encontrar algo, você já sabe o que vai acontecer, não é? – Jacob falou sério, vendo o homem engolir em seco, sua pulsação acelerando.
Jacob olhou para sua camisa branca pensou bem no que fazer antes de ir “botar a mão na massa”. Acabou por decidir tirar a camisa. Entregou sua prancheta com os dados do carro para a sua assistente, tirou a camisa e também deu a ela, indo em direção ao carro. Mas antes, ouviu o suspiro da ruiva atrás de si. Porque ele tinha que trabalhar justo com ela? Aquilo ali tava virando um inferno!
_ Cuidado senhor Black, está quente! – Mery, a secretária ruiva, disse com sua característica voz melada. Ele rolou os olhos e não respondeu, abrindo o capô e vistoriando tudo enquanto o mecânico tremia ao seu lado.
_ Pode me dizer o que é isto, senhor Jordan? – Jacob perguntou com um sorriso irônico. Lá, no motor, no compressor volumétrico, havia uma pecinha solta. Uma pecinha que se saísse dali ia causar um estrago no funcionamento do carro tunado. O homem ficou pálido imediatamente.
_ Bem... eu... senhor Black, eu...
_ Está demitido! A menos que queiram preferir você a mim. Porque com você eu não trabalho mais, estes teus erros podem colocar a vida de um piloto de teste em risco! Suma daqui. – Jacob falou, enquanto pegava ferramentas e, ele mesmo, arrumava o motor do carro.
Assim que a equipe terminou os testes de potência, que correu bem depois do concerto da peça que demitiu o mecânico, Jacob voltou a sua sala. Era ela o lugar aonde planejava e estudava a montagem dos carros. Mery lhe devolveu a camisa relutantemente, direcionando um olhar nada discreto ao seu patrão. Olhar que Jacob nem se importou.
_ Me traga os desenhos do design do modelo B-52 senhorita Stron. – Jacob ordenou sem nem olhar pra assistente, se sentando na cadeira de sua mesa. Havia uma caixa com as peças que ele tinha pedido do Japão, ele abriu e começou a olhar cada uma delas.
_ Os desenhos já estão aqui senhor Black. – Ela se aproximou demais para entregar aquilo, quase enfiando o decote avantajado na cara de Jacob. Ele se irritou. Por que diabos aquela mulher pensava que podia seduzi-lo? Por que ele teve o azar de tê-la escolhido uma noite e transado com ela? Aquilo foi há meses e agora a ruiva insistente ficava se insinuando pra ele constantemente, mesmo com a aliança que brilhava em sua mão esquerda.
_ Deixa em cima da mesa e pode ir. Se eu precisar de você lhe chamo. – Ele falou impaciente.
_ Pode me chamar sim, pra qualquer coisa que você queira! – Ela sussurrou insinuante, pegando na mão de Jacob e fazendo charme.
_ Inclusive para demiti-la, se você não parar com isto! – O sorriso da ruiva vacilou.
_Você tem certeza que não quer repetir a dose, como daquela vez?
Jacob suspirou irritado e não respondeu, só a olhou furioso . Ela entendeu o recado e saiu da sala, esbarrando com Rick Manson na porta. Jacob bufou ao ver o idiota do patrão, hoje ele não teria paz mesmo.
_ Então você conseguiu demitir o mecânico? – Ele perguntou, alisando os cabelos lisos e, depois, coçando a barba bem aparada, como se fosse o homem mais sexy do mundo. Idiota!
_ Você pode tê-lo de volta. Mas eu saio.
_ Oh, não, não, imagina! Você tem nos dado belos lucros, principalmente com os chineses! Aliás, o nosso vernissage de carros, para o grupo de compradores chineses, vai ser este fim de semana. Você sabe não é? Será imprescindível que você venha e eu sugeriria até que trouxesse sua esposa, fará bem para a sua imagem se ela acompanhá-lo!
_ Não sei se ela poderá vir. Ela é médica, eu já disse!
_ Mas você nunca a trouxe nos eventos da empresa! Depois não reclame das investidas de empregadas daqui. Elas acham que sua esposa não vale muita coisa pra você e se sentem a vontade em se insinuar. E eu, sinceramente, não acharia isto ruim se fosse comigo, sabe? – Jacob continuou catalogando suas peças e não olhou para Rick. – Bom, o fato é que eu não posso demitir ou remanejar toda assistente que der em cima de você, porque todas elas fazem isto.
_ Nenhuma é tão insistente quanto a Stron. – Ele murmurou, fazendo Rick rir.
_ Ela é a melhor profissional que arrumamos, você sabe disso.
_ Sim, eu sei! – Jacob se levantou, pegando os papéis do design que haviam sido deixados em sua mesa.
_ Mas também, foi a única daqui que realmente conseguiu alguma coisa não é? – Jacob quase furou o prepotente e invejoso Rick com os olhos diante daquela insinuação. Era verdade, mas o patrão só lhe jogava aquilo na cara por inveja. Apesar de ele ser um homem com boa postura, Rick não recebia a metade da atenção das mulheres como Jacob recebia. Tinha inveja.
_ Isto não lhe diz respeito! – Jacob respondeu seco.
_ Não, não diz. Você tem razão. Mas como eu ia dizendo, seria bom para a sua imagem e para a da empresa, consequentemente, que você estivesse acompanhado de sua esposa este sábado. Os chineses prezam por este tipo de coisa.
_ Se ela puder, ela vem. Se não os chineses vão ter que aceitar o que eles tiverem de mim.
_ Certo então. Você é quem sabe. Eu já vou indo.
Logo que o homem saiu, Jacob se sentou em sua cadeira e enfiou as mãos nos cabelos. Ele não estava suportando mais aquele emprego. Pela ruiva insistente, pelo patrão invejoso e pela distância que ficava de La Push! Lá ele estava longe da matilha, longe de um chamado, longe de saber se algo desse errado. A matilha era muito bem treinada, Jacob sabia que eles haviam melhorado consideravelmente em todos aqueles anos de formação. Mas o aumento de vampiros pela região, logo depois daquela visão angustiante de … Ele não se sentia bem estando longe, não quando Quendra havia lhe garantido que a visão de era algo certo, que não se poderia fugir tão facilmente.
Aquilo não foi como os relances de futuro que ele se lembrava que a vampira Cullen tinha. Segundo Quendra, o que viu não era tão dependente de decisões, era como um carma, um destino que não se alterava. Mesmo que coisas mudassem, os caminhos rumariam para aquilo impreterivelmente. Ele havia deixado um Caleb bem treinado ao lado de , não que ele fosse vencer algum vampiro que pudesse sobrepor à destreza de sua esposa, mas serviria ao menos como um alarme. Leah estava sempre por perto e os outros lobos também. Mas ele não estava perto o tempo todo e isto o irritava. Pela promessa que ele fez a Quendra, ele não podia permitir que aquilo acontecesse, não podia permitir que fosse pega por um vampiro. Mas aquilo era só uma questão de assumir seus compromissos, cumprir sua palavra! Só!
Ele chegou a La Push por volta das sete da noite naquele dia. Ao contrário do que sempre fazia, não foi se transformar, foi direto pra casa. A festa dos quileutes seria naquela noite e sua presença foi praticamente exigida pelo conselho. Ele não ia a uma reunião como aquela a mais de dois anos.
“Esta é a tradição do seu povo Jacob. Povo do qual você carrega a maior de todas as magias. Você não pode renegar as nossas tradições, não pode ser relapso a ela. Você é o Alpha!”. Sue havia lhe deixando bem claro aquilo, exatamente há dois dias.
Ele entrou na garagem espaçosa e viu o carro de estacionado: ela não estava no hospital, será que iria a festa? Entrou dentro de casa silencioso, como sempre, e a encontrou dormindo no sofá. A mais de três dias eles não se esbarravam, isto porque ele não ousou nunca mais entrar no quarto dela e, quando ele chegava em casa, quando ela não estava no hospital, estava dormindo em seu quarto.
Ela estava deitada de bruços no sofá espaçoso, uma almofada agarrada no braço esquerdo, a franja caída nos olhos e as pernas desnudas, visto que vestia um shorts curto. Ele não se aproximou dela. Subiu, tomou banho, desceu de novo, comeu um pedaço de bolo na cozinha e ela continuou dormindo. Ele parou na porta, na divisão entre a sala de jantar e o cômodo que estava e a observou. Leah disse que era pra ele levar a esposa, mas ele não ia acordá-la. Ia esperar. Mas a moça abriu os olhos segundos depois, encontrando exatamente os de Jacob.
Ela se levantou abruptamente, desorientada. Estava na sala? A cabeça dela ainda estava tonta.
_ Que horas são? – A voz dela estava embargada pelo sono. Ela coçava os olhos e bocejava, pondo a mão na boca.
_ Quase oito da noite. – Jacob respondeu sem se mover de onde estava. – Você vai à festa?
_ Festa? – Ela o encarou confusa, mas logo se lembrou – Ah! A festa, claro. Eu tenho que ir não é mesmo? Quer dizer, nós temos que ir!
_ Você não tem que ir, eu é que tenho obrigações de estar lá. – Jacob falou inalterável, enquanto via se espreguiçar e sacudir a cabeça como se quisesse espantar o cansaço, que era visível nela.
_ Não Jacob, nós temos que ir. Temos que fazer o nosso teatrinho. _ se levantou e foi caminhando para seu quarto. Ela ainda tinha sono e precisava se banhar para espantar aquilo.
_ Teatro? – Jacob foi se sentar no mesmo sofá onde estava.
_ Sim, sim Jacob. – Ela parou no meio do caminho e se virou para o índio, suspirou. – Leah me fez umas insinuações esta tarde. Pelo que eu conheço dela, ela está com uma pulga atrás da orelha sobre o nosso “casamento”. Ela disse que todos acham estranho a nossa distancia. Agente tem que fazer uma ceninha ou outra antes que eles interfiram demais.
_ Que tipo de cena você quer dizer? – Ele perguntou com olhos rígidos, mas com a pulsação a se acelerar levemente. engoliu em seco.
_ Nada demais. Agente... sei lá, improvisa? – Um frio passou pela barriga dela. Improviso com Jacob? Ela não gostava de não ter controle das coisas quando se tratava dele. Não gostava mesmo. Jacob sorriu amargo.
_ Então vamos improvisar esta noite. – Ele a olhou perspicaz. Os olhares se prenderam e o conhecido estremecimento passou pelos dois.

N/A: Então, eis aí mais um cap. Digamos q as informações deste cap são absolutamente necessárias, masss ele não um dos meus preferidos, não :-/ Porémmmm, Mery, quero dexar bem claro q a Mery DA FIC aparece aqui. É a segunda aparição dela, lembram da ruiva do começo? Entonces, é ela. Bono, ela não é um exemplooo de mulher sabe? No próximo tem mais sobre imprinting! Começa já com um poeminha básico q eu escrevi em uma inspiração para definir o imprinting, sabe, cansei das palavras q o Jake falou em Lua Nova? Foi Lua Nova? Axo que sim. Pois então, eu meio q cansei das palavras dele pra definir o imprinting então to trabalhando arduamente nisto! Será q vou ter comentários? Hummmm... este cap. Sei não, mas valeu, se tiver eu me animo, fuisss...

CAPÍTULO 15
LENDAS…
“E quando os espíritos consagrados em um só se encontram
Lança-se sobre os corpos mortais a sensação de encantamento.
É como perfume nascido de uma ninhada de auroras.
A beleza, visível ou não, é marcada em brilho e em cores,
A alma se desnuda e é feito o amor.
E como cada dia dependerá de uma pureza cálida,
Todo o mundo dependerá daquele olhar.
Todo o sangue do corpo terreno correrá nos olhos um do outro,
Do primeiro instante, ao ultimo segundo.”
(N/A: Minha definição do imprinting, inspirada em Éluard)
não demorou pra descer do banho, mas, apesar da rapidez, ela não deixou a desejar. Estava com uma trança solta que pendia em seu ombro esquerdo, uma calça jeans escura e extremamente colada ao corpo. Sua blusa branca de manga longa era caída nos ombros, descia até um pouco abaixo do cós da calça, onde um belo cinto marrom estava circundando o corpo. Da mesma cor do cinto eram as botas de montaria.
_ Onde vai ser? – Ela perguntou a Jacob, que se encaminhava para a porta, sem se preocupar em esperá-la. Mas ela logo estava do lado dele.
_ Não é muito longe daqui. Dá pra irmos a pé.
_ Correndo? – pensou, abrindo um sorriso. Há tanto tempo ela não corria livremente pela mata, sentindo o vento chicotear seus cabelos em sua velocidade máxima. Não pensou que sentisse tanta falta daquilo. Mas Jacob lhe tirou a empolgação logo.
_ É claro que não vamos correndo. Você é humana esqueceu? Tem lobo por perto e eles não podem desconfiar de sua anormalidade.
_ Anormalidade que você possui em maior quantidade que eu, não é? – Jacob suspirou e saiu para a fora com as mãos nos bolsos. ficou pra trás, fechando a casa, e depois foi andando propositalmente lenta, contando os passos.
_ Anda logo!
_ Mulheres humanas andam desta forma! – disse, se colocando ao lado dele.
_ Não precisa ser tão lenta também! – Ela riu.
_ Gosto de extremos, Black. – falou, olhando desafiadora para Jacob.
_ Eu sei que gosta. E eu também gosto. – Jacob sussurrou de volta pra ela, se inclinando imperceptivelmente em sua direção, atraído pelo seu olhar. Mas antes que qualquer coisa acontecesse, ele fechou os olhos e disse: _ Vamos!
Assim que eles saíram dos muros da casa, Jacob puxou a esposa pra perto, enlaçando o braço na cintura dela, fazendo-os andar lado a lado. sabia que ele fez aquilo porque já havia testemunhas para a encenação: os lobos que estavam em ronda. Mas o contato dos corpos provocou a natural descarga elétrica, que ambos fingiram não perceber. Porém não era ruim ficarem daquela maneira, juntos, perto, sentindo o calor de suas peles se trocando com a proximidade. Nem mesmo eles, que tentavam desesperadamente fugir de qualquer aproximação do gênero, cada um envolto em sua própria resistência, nem mesmo eles não podiam negar que era boa aquela proximidade, aqueles choquinhos leves que ligava-os tão gostosamente.
Jacob tinha a certeza de que o cheiro daquela mulher era o melhor do mundo e não importava quem ela fosse, o que ela poderia causar em si, não importava se ela era o seu inferno, seu carma: ele gostava, adorava sentir o cheiro dela, mesmo que de leve, mesmo que a distancia. Ele não pensava no que aquilo consistia exatamente, não fazia reflexões profundas sobre o que isto significava para os seus sentimentos, pois era melhor assim, evitaria muitos problemas, ele tinha certeza. Mas era tão bom... e ela estava tão perto...
Jacob abaixou a cabeça e inspirou profundamente os cabelos de . Quase quis sorrir quando sentiu a reação dela, o corpo que estremeceu, o coração que falhou uma batida, o suspiro rápido e quase imperceptível que ela deu… Não, isso não era bom, não era! Ele levantou a cabeça e continuou a seguir em frente, mas não se importava mais com o ritmo extremamente lento que impunha a caminhada.
Não demorou muito para avistar o brilho de uma fogueira ao longe, cerca de um quilômetro de distancia de onde estavam. Chegaram logo e, conforme se aproximavam, se surpreendeu pela quantidade de gente que estava reunida ali. Mesmo com todos os meses em que vivia na reserva, ela nunca tinha visto tanto quileute junto. O resultado disso? O ambiente estava pulsante e enérgico. Viam-se sorrisos em praticamente todos os rostos, ouviam-se conversas amenas e outras empolgadas e havia beleza, muita beleza na alegria daquele povo.
Eram belos até mesmo os rostos enrugados dos mais velhos, o vigor das mulheres mais gordas, a sutileza das magricelas e até mesmo as marcas no rosto de Emily. Porque o que fazia tudo suntuoso não eram os belos traços de um rosto ou as perfeitas proporções de um corpo. Era belo o significado daquilo tudo: irmandade, união, família. Uma família bem mais barulhenta e, até mesmo mais briguenta que a de um comercial de margarina. Mas, por isto mesmo, era mais real a felicidade deles.
Isto fez a face de se iluminar imediatamente, um sorriso estonteante prostrou-se em seus lábios, parecia um imã: todos os que a conheciam vieram cumprimentá-la efusivamente, a presença do carrancudo Alpha ao lado da moça não intimidava como de costume.
_ E aí doutora, saiu do isolamento? Pensei que não se importava mais com os bons e saudáveis … - Seth parou no meio da frase, olhando para os lados exageradamente desconfiado. Depois se inclinou no ouvido de fazendo uma cobertura com ambas as mãos e sussurrou: - … lobos!
riu e se desvencilhou suavemente dos braços de Jacob para abraçar Seth.
_ É claro que eu me importo com vocês. Mas, neste caso, não sou eu quem devo cuidar da saúde de vocês, mas vocês da minha, certo? – deu uma piscadela.
_ Certíssima grande senhora! – Caleb respondeu, se aproximando dela enquanto fazia uma leve reverência.
_ E aí cãozinho de guarda, como estas?
_ Cãozinho? – Paul apareceu rindo. – Xiii, Caleb que espécie de reputação você está fazendo da nossa matilha? – Ele sussurrava o segredo para que os demais humanos não ouvissem. Caleb emburrou, fazendo um bico e cruzando os braços.
_ Ah, qual é ? Olha só o que você fez com este apelido idiota? Estes caras quando resolvem encher a paciência são ainda mais insuportáveis!
_ Mais respeito com os veteranos pirralho! – Embry se aproximou com Leah, rindo tanto quanto do bico de Caleb.
_ Ohhh, não fique emburrado criança! Me desculpe, não falo mais! – caiu na brincadeira, fazendo os que estavam no cerco sobre ela soltarem exclamações e brincadeiras para o lobo caçula.
_ Xiiiiii.... Garotiiinho?
_ Ai, bebezinho não emburra não vai.
_ É, não chola criança... Quer a mamãe?
_ Eu criança? Qual é! Ahhh você me paga! Você vai ver só a força de um garotinho! – Caleb disse com uma cara que fingia braveza, enquanto se encaminhava para com o máximo de velocidade permitida naquele ambiente. Pegou-a num aperto e a tirou do chão.
_ Chega Caleb! – Jacob bufou irritado, a voz grave fez o pobre Caleb congelar com a risonha nos braços. Ele esqueceu que não podia brincar com como estava acostumado, não na frente de Jacob.
“Merda! Esqueci do chefe!”. Ele pensou, mas era tarde demais para se arrepender, pois Jacob já estava na frente dele, pegando na cintura de . Caleb imediatamente a soltou, abaixando os olhos com o coração palpitando.
_ Com ciúme Jacob? – A voz arrastada de Leah se direcionou a Jacob, o cerco de pessoas ao redor do casal ficando mais silencioso.
Jacob encarou os olhos perspicazes e avaliativos de Leah, a mesma coisa fez , só que esta tentou ir em direção a amiga. Mas não pode, Jacob enlaçou o braço na cintura dela e a manteve junto dele.
_ Ciúme? - Jacob perguntou a Leah, erguendo uma sobrancelha.
_ Sim, ciúme Jacob. Acaso está com ciúme de com…
_ Não Leah, ele está é com inveja da minha popularidade. – tentou desviar do assunto, não gostava daquilo. Mas ela escutou o riso de Jacob soprando hálito quente em sua nuca, quente e cheiroso. Ele firmou as mãos na cintura dela e ela sentiu seus pelos malucos se eriçarem.
_ Eu não tenho ciúmes Leah. Mas é bom lembrar que é minha… - Jacob roçou o rosto no de e terminou a frase ali, com a boca pertinho da dela –… esposa. É bom que não se esqueçam disto!
engoliu em seco e Jacob teve vontade de fazer mais, porém se conteve, voltando a ficar ereto e a encarar Leah, que sorria.
_Hummmmmmm.... – Alguns murmuraram com o comentário de Jacob.
_ Acho que ninguém vai esquecer disto, Jacob. – Leah respondeu.
_ Ei, homens, por favor! Precisamos que carreguem os bancos e mesas, tem mais gente aqui que o comum. Vamos! – Era Raquel que chamava ao longe, se direcionando principalmente aqueles que ela sabia ser lobos, pois eles fariam o serviço mais rápido e sem cansaço.
Jacob fez um sinal para que os homens dali fossem atender ao pedido de sua irmã, mas antes de sair, Embry puxou Leah para um beijo rápido, coisa natural entre um casal. Jacob foi pra se afastar de , sem nada fazer, mas a cena entre Leah e Embry lhe havia trazido lembranças… Ele virou o corpo de , que estava falando qualquer coisa com Leah, e a fez encará-lo. Não foi lento como costumava ser naqueles momentos, antes que ou ele mesmo pudessem pensar muito, Jacob capturou os lábios da morena com os seus. Não foi um beijo longo, poder-se-ia chamar de selinho, por não ter havido língua ou demora, mas imediatamente o martelar insistente do coração dos dois parecia um alarme de paixão para os ouvidos aguçados de Leah. Jacob se afastou, descolando os lábios dos de , mas ela pareceu levar a cabeça pra frente enquanto ele se afastava…
Outro sorriso rápido e insondável… Foi o que Leah percebeu em Jacob assim que ele tornou a beijar rapidamente sua esposa antes de se afastar na direção dos demais. ficou lá, parada e confusa por um momento. Se sentia surda com o pulsar grave que obstruía seus ouvidos, parecia que uma corrente gelada lhe subia pelos pés ao mesmo tempo em que outra fervente lhe descia pela cabeça, quando as duas se encontraram no centro de seu corpo, sentiu seu peito sacudir. Ela olhou pra Leah a tempo de ver os lábios sorridentes dela se moverem com um som indefinido saindo deles. A índia parecia falar com ela.
_ Hã? – Ela perguntou como se fosse uma retardada.
_ Nada não. O que eu disse não pode ser mais importante do que aquilo que te distraiu, não vou ousar competir! Vem, vamos junto com Rachel, ela quer ajuda com o bando de comida que preparou.
piscou umas três vezes e sacudiu a cabeça antes de ir atrás de Leah, procurando se livrar do topor que lhe dominou por um instante. Coisa mais idiota! Ela estava ficando idiota, idiota e mole!
Rachel e Emily estavam insuportavelmente agitadas enquanto tentavam fazer o que só um Buffet daria conta. teve vontade de colá-las em uma cadeira e fazer tudo sozinha, já que tinha mais velocidade que elas. Mas ao invés disso, somente as ajudou a por tudo no lugar. Havia muita comida e muita gente, estava tudo muito agitado.
_ Nossa, é sempre assim isto aqui? – Ela perguntou a Kim.
_ Não, não. As reuniões costumam ser mais intimas, com restrição de pessoas e tudo mais. Mas como hoje é um dia especial então toda a tribo está presente.
_ Dia especial?
_ Ué, você não está sabendo? Hoje é aniversário da reserva, estimasse 850 anos, mas Billy diz que tem mais tempo que os quileutes vivem aqui. Mas esta é a data que estabelecemos por convenção e a idade também. O Jacob não lhe falou isto?
_ Claro, ele falou, mas eu esqueci. – tentou disfarçar de novo. Ela deveria saber daquilo como uma esposa presente na vida do marido? Ela não tinha idéia, mas era melhor disfarçar.
_ Finalmente! Vamos lá que a seção histórias de terror vai começar! – Leah disse, entrando no meio do grande círculo abarrotado de pessoas ao redor da fogueira.
procurou um lugar pra ficar, Jacob havia sumido depois que foi atender o pedido de Rachel, pelo visto ela teria que ficar em pé. Mas, depois de menos de um minuto, ela viu Jacob se sentando no lado oposto do círculo barulhento, em um lugar que parecia privilegiado: ao lado dos membros do conselho. Ele olhou pra ela a distancia e fez um sinal pra que ela fosse até ele, mas simplesmente não havia onde ela se meter ali perto dele. Ele chamou de novo, enquanto se levantava e saía da roda por um instante.
_ Vai lá , ao lado do conselho é a posição da mulher do Alpha! – Leah lhe sussurrou ao ouvido.
Só então a moça decidiu ir pra lá, atravessando o meio de círculo. Muitos olhares se desviaram pra ela. Ela se aproximou e cumprimentou Billy.
_ Minha querida! Quanto tempo você não vai me visitar hein? Leah anda me dizendo que você está trabalhando demais. – Billy disse, com ar de reprovação. Leah tinha conseguido convencer mais um.
_ Leah é exagerada Billy!
_ Não é não . Eu conheço minha filha e se ela insiste tanto é porque ela está dizendo a verdade! – Sue lhe disse, beijando uma das faces da médica como cumprimento. só balançou a cabeça. Ela ia pegar aquela loba!
_ Venha se sentar. – Por que ele tinha que fazer aquilo? A voz de Jacob veio inesperada em seus ouvidos, perto demais. Era uma voz firme e rouca e, como sempre, parecia mais ordenar do que pedir. pensou sinceramente em não ir e desobedecê-lo.
_ Sim querida, vá se sentar que nós já vamos começar! – Mas contra o pedido de Billy ela não poderia ir. Resignada, ela aceitou a mão de Jacob e foi para o lugar reservado para eles, estranhamente tratados como algum tipo de autoridade na comunidade. achou estranho, mesmo sabendo que Jacob era realmente uma figura importante para eles. Mas o fato é que muitos ali não sabiam que suas lendas eram reais e que Jacob Black era o lobo Alpha, porém o tratamento parecia vir de todos da tribo.
Jacob se sentou na cadeira que estava antes, e colocou um banco mais baixo entre as suas pernas, não havia espaços ao lado, teria que se sentar ali. Jacob sorriu sarcástico ao perceber o descontentamento que ela tentava disfarçar. Ela não suportou aquilo e se comportou igual a uma criança birrenta: mostrou a língua pra ele antes de se sentar. Ele riu e o som do riso fez o pescoço de Rachel e de Billy se voltarem imediatamente para Jacob, com o ouvido tão mais sensível por se tratar do irmão e do filho.
Billy sorriu enquanto observava se ajeitar por entre as pernas de Jacob, sentando-se no único banquinho disponível. Ela fazia um biquinho, provavelmente achando ruim tendo que ficar naquele lugar, e Jacob ainda tinha um sorrisinho mínimo no rosto. Billy conhecia o filho e por isto estava ainda mais alegre ao ver aquela cena.
O velho Black começou a cumprimentar os presentes, pedindo silencio, enquanto encostava suas costas no peito de Jacob pra ter mais conforto, mas não teve exatamente este efeito. Ela e ele ficaram mais agitados internamente.
Billy começou a falar sobre o aniversário da reserva, mas Jacob não queria prestar muita atenção, ele passou a observar a curva do pescoço de , que estava exposta em seu lado direito e muito perto dele. estava tensa, dava pra perceber pelos seus músculos rígidos, era impossível ficar imune a presença de Jacob, ainda mais perto daquele jeito. Mas ela quase teve um ataque cardíaco quando sentiu o nariz de Jacob roçando na curva de seu pescoço. Ele sentia o cheiro dela ali, naquele lugar tão mais sensível e tão mais intimo. Ele já causava arrepios de longe, precisava fazer aquilo e confundir a cabeça de ainda mais? Se ele estivesse encenando, teria que admitir que ele estava sendo um ótimo ator, porque ela quase estava se convencendo de que aquele carinho não era planejado e sim involuntário.
Ela encolheu o ombro, tentando fugir, e quase rindo pela cosquinha gostosa que Jacob estava provocando, mas os braços dele eram mais fortes que ela, e eles estavam a apertando firmemente. Ele continuou fazendo aquilo, parecendo se divertir enquanto fingia prestar a atenção em Billy, mas se encolhendo com o roçar insistente do nariz e lábios de Jacob ali no seu ombro.
_ … os espíritos guerreiros. Era assim que eles eram chamados…
desistiu de prestar a atenção na lenda e a tentar fugir discretamente de Jacob. Ela pendeu a cabeça pra trás, relaxou nos braços dele e fechou os olhos, pensando que ele pararia se o intuito fosse irritá-la. Mas ele não parou, ao invés disso começou a dar leves beijinhos ali, vez ou outra olhando para os membros do conselho, fingindo ouvir, ele já não se controlava. Há muito tempo ele não queria realmente beijar uma pele e a dela era especialmente saborosa, ainda que degustada parcimoniosamente.
E era tão bom, se lembrou involuntariamente de como Jacob beijava, beijo que ela só havia tido há três meses atrás. A boca dela começou a ficar seca, era realmente bom, tanto que dava pra sentir falta, muita falta. Era por isto que ela não queria pensar, era por isto que ela se enfurnava no trabalho: para não pensar no que não devia. Ali, naquele lugar quente, com Jacob tão terno fazendo-lhe um carinho mínimo e tão gostoso, ela não poderia pensar o contrário, ela tinha que confessar a si mesma que era bom. Mas estaria ele fingindo?
Ela abriu os olhos e virou o pescoço, encarando fundo os olhos de Jacob e tentando suportar o pulsar que aquele olhar lhe provocou, sem estremecer mais uma vez. Poucas vezes ela havia visto nele aquele olhar, parecia que ele pensava o mesmo que ela. Parecia que ele pensava na possibilidade de tê-la de novo, de se deixar levar por algo que eles desconheciam, algo de que ambos fugiam.
Mas não foi só o beijo bom que atormentou naquela noite secreta entre os dois, ela também havia sofrido com o trauma que a mantia acorrentada, naquela noite ela descobriu que era imperdoavelmente fraca diante daquela lembrança de sua adolescência. pensou ser mais forte que aquilo, mas esconder algo não é vencer algo. Seguir em frente fingindo esquecer pareceu só dar forças e alimentar o seu monstro. Mesmo que em uma realidade absurda ela se deixasse levar com Jacob, ela não poderia se dar a ele por inteira.
Jacob, ainda com o olhar fixo nos de , notou a tristeza e melancolia que foi tomando os olhos dela aos poucos. Ela olhava pra ele triste e logo ela também percebeu que o semblante dele também se obscurecia. Ela fechou os olhos e suspirou cansada, tentando acalmar sua revolta de si mesma por ser tão miseravelmente fraca. Seus ombros ficaram ainda mais tensos, mas não demorou muito ela sentiu as mãos de Jacob massageando lá, revezando com um beijo ou um cheiro no pescoço. Por que ele agia daquela forma? Ele era tão cruel a ponto de querer torturá-la? Os batimentos dela começaram a ficar mais acelerados e angustiados e, pra Jacob, aquele era o único som do lugar.
_…e quando Taha Aki viu que Utlapa havia roubado seu corpo… - A voz de Billy parecia um espectro ilusório.
Jacob começou a subir com o caminho de selinhos, da ponta do ombro, foi subindo pelo pescoço e chegou ao queixo dela. Nesta hora, tanto ela quanto ele já antecipavam o que iria acontecer, já estavam inconscientes diante de tudo, só havia a ansiedade por sentir o gosto. virou o corpo um pouco pra trás, com as mãos de Jacob a auxiliá-la e jogou a cabeça no ombro dele. Ela continuou com os olhos fechados e entreabriu os lábios, era sua forma discreta de dizer “vem”. Jacob, então, a beijou sem demora.
Não ficou enrolando, quis logo a língua dela e, embora o beijo fosse lento e carinhoso, ele tinha vontade de rosnar ou sair uivando. Eles continuaram se beijando, as bocas indiscutivelmente grudadas, nem ar passava entre elas… e céus como era bom, como era perfeito, como era inebriante. Jacob começou a alisar suavemente as costas de , como se sentisse que ela quisesse carinho. Ela tinha ficado melhor, o gosto parecia melhor, o modo como ela movia a língua junto à dele parecia melhor, era impossível aquilo!
_ Ahrãm!!!
O espectro de voz continuava vindo de algum lugar. Pareciam também haver alguns risos leves vindos deste lugar distante…
_ Ei? Agente não precisa de demonstração ao vivo do amor da terceira esposa tá?
_ Jacob! – Billy falou mais alto e só então Jacob e pareceram descer pra Terra novamente. Jacob separou com relutância os lábios de dos seus e abriu os olhos, quase tendo estes ofuscados com o brilho da fogueira.
Ele voltou a fechar os olhos e caçou os lábios de de novo, que estava com as bochechas rosadas e os olhos baixos. Ele ergueu a cabeça dela em direção a ele e deu um beijo curto, mas carinhoso antes de se endireitar e encarar o pai, que estava com uma expressão quase indecifrável: era um misto de alegria, de espanto, de braveza.
_ Agora não Jacob, vocês distraíram todo mundo! – Billy disse.
Jacob franziu o cenho, bravo por aquele bando de intrometidos, como se estivesse na razão em não querer que as pessoas olhassem um beijo um tanto quanto publico demais. abaixou a cabeça, envergonhada por estrear daquela forma em uma tradicional festa quileute, ela podia ouvir o suspiro de algumas mocinhas dizendo: “que casal bonito!”. Ela achou que havia passado dos limites, perdendo mais uma vez a razão com Jacob, o insondável e inconstante Jacob.
Billy respirou fundo e procurou chamar a atenção de todos novamente, que ficaram entretidos com o nobre herdeiro Black aos carinhos com sua esposa ao lado do conselho quileute. Era uma situação inédita para uma reunião daquelas.
_ Bem… de onde eu parei? – Billy perguntou confuso para Sue.
_ O amor da terceira esposa, Billy. Você falava sobre o amor espiritual que fez a terceira esposa se sacrificar. – Sue lhe sussurrou, tentando ajudar.
_ Ah sim, claro, claro. – Billy fechou os olhos por um momento e quando os abriu, eles já estavam graves e compenetrados. O velho Black parecia extremamente ligado aos seus ancestrais, parecia estar em um outro lugar e apenas transmitir aos demais o que havia lá.
– O amor espiritual, um amor tão sublime e tão inexplicável como nenhum outro. O amor entre Taha Aki e sua terceira esposa pode não ter sido o primeiro amor espiritual entre os quileutes, mas foi o primeiro a que nossas histórias se remetem. Diante de algo tão sublime como este sentimento, muitos de nós, rudes homens, limitados pelo saber desta vida terrena, não podemos compreender a forma como ele se dá. Alguns até ousam dizer que ele é banal.
Billy parou de falar e o peso de suas palavras pairou no ar e todas as pessoas abarrotadas ao redor da fogueira ficaram silenciosas. Ao dizer aquilo, Billy encarou demoradamente o próprio filho e, uma vez mais, o pai se deparou com uma barreira, um rancor que fez Jacob quebrar o contato visual e fechar os olhos, trincando o maxilar. percebeu imediatamente a mudança de Jacob, ao longe ela viu o desconforto de Leah e Embry e de alguns lobos mais. sabia com aquilo do que o sogro iria falar: o imprinting! Ela se inclinou em direção a Billy e passou a prender sua atenção lá, com o coração ainda martelando no mesmo ritmo que o de Jacob. Billy continuou.
_ Aquilo que faz os homens sobreviverem a raças muito mais fortes que eles; aquilo que une diferentes pessoas em uma só comunidade; aquilo que nos faz esquecer de nós mesmos, zelando por outro; aquilo que faz a dor do outro ser mais forte em nós do que a nossa própria dor… Aquilo que não se restringe apenas à breve e curta dimensão desta vida, vida que tem hora marcada pelos céus para começar e para terminar. Isto é o amor, que mesmo em humanos miseráveis pode ser sublime. Amor de mãe pelo filho, amor de pai pelo filho, amor de irmão para irmão, amor de invejoso pelo seu cobiçado, amor de mulher pelo seu ventre frutífero, amor de mulher para homem e de homem para mulher, amor de criança para criança, amor de líder para seus liderados, amor de um súdito pelo seu rei, amor de homem para Deus e amor de Deus para o indigno homem. Poderemos nós compreender ou mensurar tudo isto? – Billy balançou a cabeça, sorrindo. – Não, nós não podemos. Então como explicar o tipo de amor que surgia entre o homem lobo e sua alma espiritual?… Quase impossível.
observou Leah com os olhos baixos e Embry com o rosto enterrado nas costas dela, abraçando-a por trás. Caçando com os olhos, encontrou Claire sentada no colo de um índio mais velho que alisava carinhosamente seus cabelos. Não era Quil, mas sim o pai de Claire. Quil estava sentado ao lado da mãe de seu imprinting, mas seus olhos, volte e meia, iam em direção a menina no colo do pai. E ele a olhava com a atenção e extremado carinho de quem observava o desabrochar das mais rara e bela das flores.
fechou suas pálpebras e lhe veio a mente um outro tipo de olhar, um olhar que era seu tormento e inferno, o olhar de um homem para uma menina da idade de Claire, um olhar de quem esperava uma comida apetitosa ficar no ponto, um olhar de um homem ansioso por devorar. Ela era a menina e o devorador imundo era seu demônio secreto!
voltou os olhos para Billy ainda com um semblante de puro asco na face, esperando por uma explicação que pra ela era tão difícil de entender.
_ Nós, quileutes, fomos privilegiados com a magia em nosso sangue e, a mesma magia que faz alguns de nós lobos, ajuda-nos a reconhecer o nosso amor espiritual, a reconhecer a alma que está mais fortemente ligada a nossa. Nossos espíritos tinham a habilidade de se expandir para além da prisão do nosso corpo e, por isto, nosso amor poderia não ser somente o corpo, mas o espírito. Muitos dizem amar nesta Terra, mas eles amam com o corpo, os corpos muitas vezes se ligam, mas as almas permanecem separadas. Este é um amor que terá fim, que fenecerá e se tornará pó assim como o corpo. Os lobos, protetores de nosso povo, aqueles poucos escolhidos entre nós, eles possuíam a dádiva de reconhecer uma alma ligada à deles. Não era só um amor de vida, era um amor de espírito… de espírito.
Billy abaixou a cabeça e, em uma perfeita sincronia, com uma voz tão suntuosa quanto a de Billy, Sue continuou o discurso.
_ E quais são as necessidades que duas almas têm de uma para outra? Nenhuma daquelas que pensamos ser vital, pois por mais ampla que seja nossa visão, só se pode compreender este sentimento quem verdadeiramente o sente. Mas o que podemos dizer é que estas almas, quando encontradas, se completam, fazem as órbitas do Universo mais harmoniosas entre si, se ligam de forma pura, intensa e sagrada. Esta relação foi uma concessão sagrada do Grande Rei do Universo aos lobos. Como homens de espíritos expandidos por sua magia, eles alcançam este sentimento altivo desta forma tão única. E, quando olham nos olhos cujo seu espírito de amor eterno habita, eles simplesmente a reconhecem e passam a sentir o poder deste amor, seja sob qual circunstancia for.
_ Mesmo sendo ela uma circunstância errada? – deixou seu pensamento escapar alto demais, pois até os humanos puderam ouvir. O silêncio que já havia no lugar pareceu ficar mais denso.
Nunca, em nenhuma das reuniões, nem mesmo um dos lobos, nem mesmo Jacob ou Leah, nunca se havia questionado algo enquanto as lendas eram contadas ao redor da tradicional fogueira. poderia querer se enfiar dentro de um buraco bem fundo, mas ela já tinha se exposto demais naquela noite, aproveitaria pra tirar toda a confusão de sua cabeça.
Quando Sue olhou pra ela com um olhar indagante, desviou o olhar sutilmente para Claire, a índia anciã entendeu rapidamente ao que se referia. E sorriu.
_ Limitações terrenas... – Sue disse, balançando a cabeça levemente. – Nós vivemos em um tempo e em um espaço cujo amor maior é visto de uma única forma, como se para amar alguém que seu destino não o ligou por sangue, só houvesse uma única forma. Nós primamos uma sensação corpórea demais, carnal e fugaz demais. Por isto, quando nos deparamos com um tipo de amor eterno que não se liga desta maneira, não pensamos que este tipo de amor possa ser a dedicação de toda uma vida. Mas a transcendência deste sentimento não está no corpo, não está na vida terrena e, enquanto espíritos, todos os amores tem igual importância e significado, todos eles são puros e todos são sagrados. Em tudo, sob todas as formas, sob tudo o que é verdadeiramente belo, o amor está presente. Se é por amor, até a dor se torna bela. Mas nós, em uma mente recortada e tão limitada não entendemos o que é um sentimento que vai além do que é possível medir! – Sue respirou fundo e olhou Quil com muita ternura. – O que é errado diante dele então? O desrespeito? A corrupção de uma idade pura? Pois se há isto, não há amor! O amor não se constrói diante de algo tão profano.
_ Diante de tudo que se há pra explicar minha querida, o amor é o mais ininteligível, pois ele só pertence a quem sente e pra senti-lo é preciso se libertar, abrir mão, render-se, doar-se. O amor se completa na doação, você ama com tudo que há em si e nada mais espera em retorno, porque o que lhe apraz não é receber, mas sim, se sentir capaz de fazer feliz alguém. E em fazer a felicidade de alguém residirá a sua própria felicidade. Isto pode parecer injusto com quem ama? Então você e cada um de nós poderemos cair por terra, deixando os vermes nos comer as carnes! Porque somos miseravelmente injustos, pois recebemos a todo o momento um amor imenso do Grande Rei dos Céus e em quase nada o retribuímos. Mas ele continua a nos amar e continua a ser feliz cada vez que também o somos. Ele não espera que nos o beijemos, Ele não ficaria feliz somente se o amassemos da maneira que Ele quer que nós o amemos, Ele não sentiria necessidade alguma além de deixar nos nossos caminhos frutos para colher alegria. Somos então amados da forma mais linda que há e nós amamos Aquele que assim nos cuida da mesma forma? Não, nunca.
_ Se você tiver a necessidade de cobrar algo daquele que diz amar para se sentir realizado, então você não alcançou a magnitude desse amor. – Desta vez Sam veio se pronunciar, os lobos todos passaram a encarar o antigo líder, também membro do conselho, prendendo a atenção nele de forma inexorável. _ Mas se fosse apenas escravidão o amor não seria amor. Porque escravos não possuem tesouros, e o que os lobos possuíam quando amavam alguém desta forma era uma riqueza sem tamanho. E o que se descobriu é que para merecer este tesouro não precisaria se arrastar, mas teria que se ajoelhar, não precisaria humilhar-se, mas teria que se render. E isto se fazia não por obrigação, mas única e exclusivamente por vontade, por vontade pura e genuína. E assim se ama mais do que com o corpo, ama-se a cada sorriso, a cada olhar, a cada suspiro, a cada dor, a cada superação, a cada mínimo e irrelevante sinal de alegria.
Leah olhou para Sam e, incentivada pela ousadia de , fez a sua pergunta.
_ Mas e a falta de escolha? O amor eterno dos homens lobos é também cárcere eterno?
Um burburinho começou a passar pela roda de pessoas. Muitas das que não estavam conscientes de que aquelas lendas eram reais estavam começando a se confundir com o rumo da conversa, que se iniciou somente para explicar o sacrifício da terceira esposa.
_ Ligar-se não é acorrentar-se. Poderiam dizer: não há escolha. Mas eu diria que se houvessem mil escolhas, os lobos escolheriam exatamente a mesma coisa. Talvez não da maneira como aconteceria se a magia do reconhecimento não agisse sobre eles, mas ainda assim, escolheriam. – Sam respondeu olhando para Leah, tentando passar mais uma vez uma verdade tão complexa, tão maior de seus próprios sentimentos.
Ela sustentou o olhar por um momento e depois se virou, abraçando-se a Embry. Leah ergueu seus olhos para Embry e soube que o que ela sentia por ele era sim sagrado, era sim precioso. Os olhos dela queimaram com a chama amorosa, espalhando candura pelo coração de Embry e agarrando este com todas as suas forças. Sim, eles sentiam em si tudo o que estava sendo falado, e decidiriam ficar juntos por quantas vezes fosse necessário. E o imprinting diante disto então?
_ Mas existem certas coisas para as quais não há regras Leah – Billy começou, como que completando as palavras de Sam, como que desvendando os tormentos dos pensamentos da loba. – Por isto tantas e tantas coisas disto permanecem ocultas. Esta magia se molda de acordo com a necessidade das almas que se amam, por isto ela é sim, imprevisível Leah. E eu digo novamente: este entendimento é reservado para quem deveras sente tal amor. Por isto não é sacrifício morrer por tal amor, não é escravidão se render a ele. Seja ele de que forma for, ele será sagrado. Não há impurezas em um amor de lobo. Podia até começar de muito jovem este amor, mas assim ele permanece ainda mais indiscutível e ininteligívelmente glorioso. Pois a pureza e preciosidade deste amor tão jovem… - Billy, neste momento, olhou para o semblante grave de Quil. – …não podem ser alcançadas por nós, e tão pouco deve ser corrompida pelas limitadas e deturpadas visões terrenas.
Billy passou os olhos sob cada rosto daquele círculo ao dizer aquilo e, muitos, mesmo desconhecendo a profundidade e verdade do que ele falara, engoliram em seco. – O que nós sabemos sobre o amor é pouco, mas sabemos o suficiente para reconhecer que sem respeito, sem zelo e cuidado não há verdade neste amor. E este amor pode ser verdade ainda que seja casto. Se aquelas almas se ligarem, eles então se amarão legitimamente.
Nunca uma explicação sob uma lenda havia ido tão longe. As últimas palavras de Billy pareceram ficar ecoando por um tempo. O respeito de todos os quileutes pela sabedoria de seus antepassados, que chegou até seus anciões, era demonstrado pelo silêncio pacífico que se instaurou no ambiente. A chama da fogueira crepitava, refletindo em cada olhar, e o significado de tudo aquilo se instaurou em cada coração.
entendeu naquele momento porque nenhum quileute se revoltava com o imprinting entre Quil e Claire. Todos eles se sentiam indignos de compreender aquele sentimento tão imaculado, que não se media pela idade efêmera dos corpos terrenos, mas pela imensa espiritualidade de um povo que cria que forças maiores guiavam seu viver. Eles, os índios, não poderiam julgar aquele amor, não poderiam profaná-lo inserindo na relação complexa entre Quil e Claire a lascividade impura de um corpo dominado por instintos irracionais. Pois o que controlava aquela magia tão complexa, inexprimível e imprevisível, estava em um outro plano, em um lugar cuja visão de qualquer um ali não abrangia.
olhou novamente para Quil, pegando-o em um momento terno com seu imprinting. Claire estava sentada entre o pai e Quil, em um tronco grande, passando os bracinhos envolta dos dois. Ela sorria imensamente, assim que a mãe dela veio lhe dar um beijo na testa, se juntando no abraço carinhoso.
_ Minha família, meus amores! – A voz suave e risonha de Claire disse para aqueles que a acariciavam como se pudessem tocar um anjo.
Quil agia desta forma, como se estivesse diante de um anjo, como se seu coração fosse dominado pelo poder deste anjo. Diante do anjo Claire, Quil estava livre de desejos impróprios, Claire ensinava a Quil o amor verdadeiro, que crescia e se enraizava em ambos a cada dia que se passava, sempre consagrado.
percebeu que não havia em Quil necessidade de mais nada naquele momento, nem para o coração dele e nem para o seu corpo. Era algo tão belo e tão indiscutível que os olhos de brilharam com fascínio e dor, sua própria dor por ter ousado comparar Xavier com Quil. Não havia, nunca haveria comparação, porque o demônio dela não amava. sentiu que se tivesse um Quil em sua vida desde o início ela iria aprender a superar qualquer desventura em sua vida, tudo ficaria menor diante daquela dedicação e inevitavelmente ela o amaria, de forma livre e intensa. E seria o amor mais belo do mundo, porque ela sentiria a extrema necessidade de que ele sentisse tudo o que ele a fizesse sentir, instaurando um ciclo de trocas amorosas inesgotáveis. viu então o que era o destino de Quil e Claire e o destino do que era cada um dos lobos com seus imprinting. Ela não tinha dúvida que eles escolheriam aquilo quantas vezes fossem lhes dado a oportunidade, com ou sem a magia. Magia esta que agora parecia ser unicamente uma forma de reconhecimento.
sentiu dedos suaves e quentes passearem por baixo de seus olhos. Era Jacob, ele lhe enxugava uma lágrima. Ela havia chorado diante de tudo aquilo sem se dar conta. Ela fechou os olhos e pegou a mão de Jacob, fazendo-o parar. E então o olhou com cuidado, encontrando angustia e confusão. Será que ele pensava o mesmo que ela? Será que ele também se questionava se sofreria um imprinting?
_ Mas que coisa vocês dois hein? Desviando a atenção das lendas com esta... estas... bem, com aquele beijo! – Sue se aproximou deles, fazendo com que o olhar que os prendiam fosse quebrado.
se virou delicadamente para a índia e se surpreendeu que a maior parte das pessoas já não estavam envolta da fogueira, mas festejando e comendo o banquete que havia sido preparado. A narração das lendas já havia sido encerrada por aquela noite.
_ Nos desculpe Sue, não foi a nossa intenção fazer isto. – respondeu com a voz branda e cálida, como que ainda anestesiada pelo misticismo da sabedoria quileute. Jacob nada acrescentou, nem sequer olhou pra Sue, mas seus braços ainda permaneciam em volta de
_ Imagine querida. Eu compreendo, mas tentem se controlar da próxima vez, certo?
_ Claro, claro!– respondeu sorrindo levemente. O abraço quente de Jacob já estava deixando ela novamente sonolenta. Afinal foram dois plantões de mais de 30 horas seguidos e apenas 12 horas de sono para os dois. O cansaço ainda estava em seu corpo.
_ Pegando a mania dos Black ? – Billy chegou, empurrando sua cadeira e, como sempre, sorrindo pra .
_ Que mania Billy? – Sue sorriu diante da confusão de e, sentando-se de frente para o casal, respondeu.
_ A mania de dizer como resposta: claro, claro!
_ Ah! É mesmo?
_ Sim, é mesmo querida. Bom...
Billy hesitou e, só então percebeu que, tanto o sogro quanto Sue, não haviam se aproximado dos dois por acaso. Eles queriam falar algo, Jacob também pareceu perceber isto, pois direcionou o seu olhar aos dois anciões.
_ Diga o que tem a dizer Billy. – incentivou. Mas foi Sue quem começou.
_ Bom, presumo que agora, depois de todos estes meses, vocês já estejam ambientados por aqui, não é?
_ E vocês querem marcar o nosso casamento quileute? – Jacob disse quase debochado, mas este deboche parecia sair quase forçado e não impacientemente natural como antes…
_ Isto mesmo filho. Está mais do que na hora e é preciso, vocês sabem. Vocês se casaram longe de tudo e de todos, de uma forma corrida, sem as devidas bênçãos. O casamento de vocês precisa ser abençoado meu filho.
elevou sua cabeça recostada nos braços de Jacob, tentando olhá-lo, mas ele não retribuiu este olhar, apenas respondeu Sue, sem consultá-la.
_ Pra quando?
_ Bom, Jacob, pensei que vocês quisessem decidir isto. Afinal precisa-se de um certo tempo para os preparativos, para o…
_ Pra quando? – Jacob repetiu a pergunta, sem alteração nenhuma na voz. respirou fundo e falou com a voz ainda mais baixa.
_ Pode ser daqui a dois meses Sue, Billy. O que vocês acham? – Não tinha porque adiar demais aquilo tudo, era simplesmente inevitável.
_ Dois meses está ótimo !
_ Sim, daqui há dois meses vocês se unirão pelas benção quileutes! – Billy respondeu, mas a voz dele já estava longe pra . Ela não pensou que estivesse realmente tão cansada…
_ Leve ela pra casa Jacob. Eu disse que ela não ia agüentar tanto trabalho…
Parecia que a voz de Leah que disse aquilo, tentava protestar, tentava dizer que não. Mas era tão difícil não se entregar ao sono naquele aconchego tão bom…
Jacob resolveu não ficar mais na festa, os eventos da noite haviam lhe trazido lembranças que ele não queria recuperar. Ele ergueu a mulher sonolenta nos braços, com leves e suaves protestos dela, e caminhou de volta pra casa, sem nem ao menos se preocupar em comer, sem ao menos se despedir de todos.
Casa… Jacob queria novamente um refúgio pra fugir de suas lembranças…
N/A: cap. cheio de ternura pra vcs minhas lindas! Foi o primeiro cap q eu consegui escrever dpois que eu tive perdas em minha vida q muito me abalaram. Eis então q eu tinha q escrever esta cena falando de amor... meus sentimentos estavam a flor da pele, e eu acho q isto me deu o impulso certo pra escrever sobre algo tão complexo qnto o imprinting. Axo q a Tia Steph ñ tinha noção de cm este conceito do imprinting é intricado e profundo. Se ele for visto de uma forma errada, cm eu via antes de decidir me aprofundar nele pra escrever, ele vira uma coisa absurda, profana! Eu me exauri neste cap., em termos de sentimentos, mas por favor garotas, me avisem se eu passei do ponto, procuro o equilibro acima de tudo, axo q é a formula certa.
Mas agora eu queria falar com a Aline Theo: flor, vc disse q não agüentava mais a negação dos dois e eu pensei seriamente sobre isto…Mas isto fugiu do meu controle, não se trata mais do ritmo q EU quero impor a fic, mas dos conflitos dos próprio personagens, sabe? Eles se negam sim, por que estão presos em coisas realmente difíceis. No próximo cap. terá um conteúdo q poderá esclarecer um pouquinho isto. O foco será Jake, com direito a uma narrativa muito especial! Sei q tá grande a notinha masss... só uma coisinha mais: garotas vcs estão com trauma da Renesmee!!! Kkk é ela aparecer q vcs acham q vai estragar tudo! Kkkk ... ela é uma personagem chave sim...mas em algo q vai se esclarer em uma outraaaaa fase da fic... (oia o mistériooo) kkkkk



CAPÍTULO 16
O ENIGMA DA RAINHA ELFO


_Pode me soltar agora Jacob…
A voz macia e baixa de assustou Jacob. Ele já havia se afastado bastante do local onde a festa da fogueira acontecia, se aproximando de sua casa. estava aninhada em seus braços, ressonando levemente por todo o caminho, que foi percorrido sem nenhuma pressa por parte de Jacob.
_ Como você faz isto? – Ele perguntou, também baixo, se certificando que não havia lobos por perto.
_ Isto o que? – Ela respondeu no mesmo tom de voz, ainda com os olhos fechados.
_ Parece que você está dormindo, mas não, está acordada e sem dar o mínimo sinal disto. – riu levemente.
_ Um truquezinho de elfos… Muito útil pra surpreender os monstros da noite e não ser surpreendida por eles.
_ Realmente… - Jacob parou e colocou no chão delicadamente, eles estavam diante da porta da casa. Quando os pés dela tocaram o chão ela abriu os olhos. – …um truque muito útil. Você ensina?
O olhar dela aconchegava Jacob, provocando um formigamento gostoso.
_ Não, eu não ensino!
_ Malvada! – A brincadeira escapou de Jacob fazendo-o enrugar a testa depois de ter feito. O riso de veio cristalino. Jacob também sorriu, suavemente, mas sorriu.
_ Se eu sou malvada, você é o que então?
_ Nem te conto… - Ele se jogou no sofá, olhando o relógio com design moderno sobre uma mesinha ao lado: 01h30min! O tempo passou rápido.
_ Um lobo mal talvez? – sugeriu, se sentando no pé da escada e tirando as botas. Bocejou logo depois. Mas um vento perturbou suas franjas soltas, quando ela ergueu os olhos, Jacob estava em sua frente.
_ O lobo mal não é nada perto de mim! – Ele disse, e depois sorriu com todo o sarcasmo que tinha em si. engoliu em seco: a postura imponente, os olhos que pareciam um buraco negro a sugar tudo pra dentro deles, os dentes brilhantes e perfeitos, os traços másculos e harmoniosos, a expressão forte… sim, aquilo tudo era realmente muito pior que um mero lobo mal. Lobos maus devoram a carne, Jacob Black devora a alma.
se levantou bruscamente, também elevando-se em postura, em pose segura, mirando em Jacob um olhar tão forte quanto o dele. E ela também sorriu, sorriu com todo o brilho de seu pulsar fugaz de vida humana, e também com a magia eternamente fascinante dos elfos. Ela o desafiava e sabia muito bem como fazer isto. Sem grito, apenas a voz ventosa que soprava perfume em Jacob, espalhando topor em cada poro do homem lobo.
_ Sim, eu acredito que você seja muito mais que um lobo mal, mas eu não tenho medo Black. – Ela virou as costas pra ele. Mas antes que ela pudesse subir as escadas rumo a seu quarto, Jacob lhe segurou o braço firmemente, se aproximando de suas costas enquanto sussurrava:
_ É mesmo? Não tem medo?
tinha certeza que ele tinha no rosto um sorriso irônico, mesmo ela estando de costas pra ele. Pois ela não pôde controlar o arrepio que lhe eriçou a pele com a aproximação perturbadora de Jacob. Ela respirou fundo e se virou pra ele lentamente e ousou aproximar-se mais… seria perigoso pra ela, mas ela suportaria pra dar uma lição nele!
E Jacob a viu vindo pra ele, lenta. Estremeceu. Com olhos de pantera, ela vinha, encostando o corpo no dele suavemente, prensando seus seios no peitoral rígido dele, mordendo os lábios e respirando profundamente e devagar… a cada expiração o hálito com perfume saboroso inundava a face de Jacob. Ele fechou os olhos, seu coração vacilando, as suas mãos reclamando urgência em agarrá-la, mas ele queria que ela viesse e não que ele a trouxesse… Esperou…
continuou o jogo, em sua aproximação, quando seu corpo já se encostava no de Jacob, ela cometeu outra ousadia: colocou uma de suas pernas no meio das de Jacob, ele tentou lhe pegar as costas, mas afastou a mão dele de forma rápida e brusca… e continuou. Olhou pra ele e começou a entreabrir os lábios, mas teve que fechar os olhos para que não perdesse o controle ao ver Jacob passando a língua em seus próprios lábios para umedecê-los. Ela juntou seu rosto na lateral do dele, a pele estava macia… e era quente…
sugou o ar com a boca, fazendo parecer um suspiro e, finalmente, respondeu a pergunta de Jacob:
_ Você é quem deveria ter medo de mim Black… - Então ela se afastou tão rápido quanto um relâmpago, deixando só vento pra trás, enquanto corria se meter em seu quarto, batendo a porta e se recostando nela pelo lado de dentro.
Jacob abriu os olhos com a ira brilhando neles: ela conseguira enganá-lo, o coração dele ainda estava batendo veloz, a eletricidade ainda percorria seu sangue. Sim, ela era perigosa demais…
Ele subiu as escadas devagar, percorrendo o corredor do segundo andar da mesma maneira, seguindo o caminho que era tão sedicioso. Parou em frente à porta do quarto dela, quase podia sentir o calor dela atravessando a madeira e o tocando. Provocar e fugir… era muito fácil assim.
_ Uma porta não é nada. Posso atravessá-la e mostrar quem deve temer a quem… … - Jacob cantarolou com sua voz rouca. Sorriu satisfeito assim que percebeu o coração dela alçar vôo, acelerando veementemente dentro do peito. – Mas eu não vou fazer isto! Mas já que não me teme, presumo que terá a coragem de me acompanhar em um lugar… - Silêncio, Jacob deixou que ela controlasse o susto e digerisse a informação…
_ Que lugar? – Ela perguntou baixinho, ambos separados somente pela frágil estrutura de madeira.
_ Um evento da empresa, em Seattle. Dizem que a presença de esposas é importante… você tem a coragem de viajar comigo para esta noite, caríssima esposa? – Ele perguntou irônico. Ela demorou a responder.
_ Quando?
_ Amanhã, às oito da noite.
_ Eu irei Black, agora suma daqui!
Jacob se afastou da porta dela e foi para o seu quarto. Tirou a camisa e jogou sobre a cama indo em direção ao banheiro e… Jacob parou de repente ao se deparar com seu reflexo no espelho. Há quanto tempo ele não via aquilo em si mesmo? Há quanto tempo ele não via a sua própria face iluminada por um sorriso puramente divertido?
Jacob encarou-se no espelho e, aos poucos, seu cenho voltou a obscurecer-se, a perturbar-se.
_ O que está acontecendo com você? Quem é você Jacob Black? – Feito um louco ele questionou sua própria imagem, cujo olhar duro e confuso lhe encarava.
Ele era um homem rígido, com o coração mantido absolutamente estável durante todos aqueles anos. Mas agora… agora estava tudo indefinido, seus atos não estavam mais tão controlados como ele gostaria que estivessem. Seus sentimentos, que ele pensou estarem mortos, provocavam nele um medo estranho. Ele não queria reconhecer o que havia por trás de sua resistência.
Seria a causa de sua confusão aquela mulher que parecia dormir no quarto ao lado? Jacob não suportou encarar seus próprios olhos ao se fazer esta pergunta. Não queria saber a resposta, porque doeria muito mais se houvesse outra rejeição.
“…_Suma daquiiii!!…”
A voz de lhe veio à mente novamente, juntamente com o olhar de repugnância contida que ela lhe direcionou naquela noite, há três meses. Uma lembrança que, por mais que ele tentasse, não lhe escapou da consciência um dia sequer. Rejeição! Eis algo difícil de lhe dar. Mas por quê? Por que ele se importava tanto?
Nunca mais... Ele havia prometido… nunca mais…
#Flash Back on#
Dez anos atrás. Noite do nascimento de Renesmee.
Por Jacob Black

“Fique onde estão! Deixem-me em paz!”
“Jacob, não fique assim! Aquela maldita não merece!” Leah não se calava, eu queria que ela se calasse, que eles sumissem, mas eles continuavam lá, vendo e sentido tudo o que eu sentia.
“Jake, você está muito nervoso. Deixa agente te ajudar, libera agente desta ordem, deixa agente ir até aí ajudar você! Não faz besteira!” O choramingo de Seth deixava tudo pior. Eu não suportei mais, mesmo ardendo em raiva e descontrole, eu forcei minha forma lupina recuar. Eu não queria ninguém vasculhando minha cabeça, eu queria sumir!
Mas não havia paz, minha mente se sacudia e as imagens dela me vinham como uma avalanche. Por quê? Por que Bella teve que escolher aquele caminho? Por que ela não me deixou amá-la? Eu saí daquela maldita casa sentindo um pedaço meu ser rasgado e deixado lá, sentia que eu me modificava. Eu sentia a dor pela rejeição de Bella, mas eu também sentia raiva.
Eu sabia, no fundo eu sempre soube que ela não me escolheria. Mas eu fui imbecil, um idiota pra continuar tentando. Eu me arrastei aos pés dela como um verme, chantageei e mendiguei um beijo miserável.
Mas ainda sim eu acreditei, acreditei que a força daquilo que eu sentia pudesse fazê-la mudar de idéia, mas eu fui um …
_ IDIOTA! – Eu gritei pro vento, minha voz saiu quase irreconhecível. Uma mistura de dor e ódio.
Eu corria nu para o mais longe possível daquele lugar, lugar onde Bella está queimando e se transformando em monstro, lugar onde o seu príncipe vampiro está cuidando da coisa bizarra que ela pariu. Se aquela coisa pode morrer com o golpe que dei nela, não me importa! Nada mais importa, porque aquilo que eu dei tanta importância era falso! Por que então acreditar na maldita coisa que chamavam de amor? Não faz sentido, não vale à pena… não vale…
Eu parei no meio de qualquer lugar da mata, não fazia diferença o onde, e caí. Caí de joelhos em mais uma fraqueza idiota por algo também idiota. Mas doía… eu me contorcia por dentro porque algo em mim ainda preferia ficar agarrado na ilusão de que eu amaria… mais do que isto… ficar agarrado na ilusão de que Bella me amaria.
Gritei, gritei tanto até que minha garganta doesse. Finquei minhas unhas na terra úmida e fria tentando cavar um buraco para enterrar as malditas lágrimas que saiam de mim. Eu chorava, eu estava chorando sim, mas seria pela ultima vez. Nunca mais eu vou me permitir chegar tão baixo quanto estou agora. Este sentimento que me faz rastejar, nunca mais vai me dominar!
_ NINGUÉM, NUNCA VAI ME FAZER ACREDITAR NESTA MALDIÇÃO! – Ok, eu tinha enlouquecido, virado um maluco. Um louco gritando no meio do nada pra ninguém ouvir. Eu ri depois que disse aquilo, ri enquanto os soluços idiotas me faziam engasgar. Eu estava uma miséria, uma miséria de garoto e isto era por ela?
_ É por você Isabella? É por você que eu me perdi nesta loucura? POIS NUNCA MAIS EU VOU CAIR NISTO DE NOVO! NUN-C-CA!
Maldito soluço! Eu rugi enquanto chorava. Eu não suportava aquilo, não suportava aquela dor, não! Eu continuei falando sozinho, meus miolos só podiam estar torrados. Como se não bastasse meu coração que se perdia, eu ia perder também os neurônios?Que ótimo Jacob, que ótimo!
_ Eu não quero isto de novo, eu não quero! Eu não quero sentirrrrrrr!!! – E eu continuava falando, ou rugindo… eu não sei! Mas, conforme eu falava, eu sentia algo em volta de mim, poderia ser o vento talvez, que parecia estar mais forte, mais frio.
Meus olhos estavam ardendo, era como se um balde de areia tivesse sido jogado neles. E eu continuei lá, me lembrando de quantas vezes haviam me dito que o amor era a coisa mais bela do mundo, enquanto mentiam pra mim que o amor era o que nos dava alegria…
Mas eles, eles que diziam aquilo, já sofreram o que eu estava sofrendo? Em tudo, em quase tudo eles falavam, mas nada mais me faria acreditar. Eu não ia mais acreditar, nem obrigado, nem que… nem que… aquela magia estúpida tentasse fazer efeito sobre mim!
E pensar que naquele desespero eu cheguei a querer ser cegado por um imprinting… um amor irreal, devocional… era maldição também, maldição do meu maldito sangue…
Mas assim que eu tive este pensamento, fui arremessado de cara na terra pela força inacreditável de uma rajada de vento… não era possível, como um vento me derrubaria, como? Eu devia estar mais fraco do que eu pensava. E, de cara para terra, eu gritei ainda mais alto, ainda mais louco.
_ Seu idiota, seu imbecil! Por que você chora por ela, por que você sofre por esta porcaria?
Outra vez eu senti a força do vento me impedir de levantar, ao mesmo tempo este vento parecia produzir um rugido, um som que me remexia por dentro, como se me dominasse. Eu ri, ri de novo da minha loucura. Eu extravasaria tudo ali, tudo naquele momento… porque depois eu não seria mais tão estúpido, tão tolo por derramar lágrimas… por sentir… nada seria mais forte do que esta resolução…
_ NADA! Nem este maldito imprinting!
De repente lembranças que eu não evoquei tomaram conta da minha cabeça. Eram as lembranças do olhar terno e fascinado de Quil para Claire, lembranças do sorriso estonteante e feliz que Jared dava a Kim e do mesmo sorriso que ele recebia de volta, da aura de felicidade que invadia tudo diante das trocas de carinho de Emily e Sam… Eu não queria pensar naquilo, mas minha mente estava me traindo. Aquelas lembranças vinham sem controle e tentavam me oprimir, me contrariar, me dizer que minha revolta com o amor era mentira, que o imprinting poderia ser feliz como aquelas imagens…
_ NÃO!!!!! – Parecia uma espécie de magia macabra, um espírito contrário querendo tomar conta de mim, tentando fazer meu ódio por aquele sentimento recuar. Mas quanto mais ele tentava, mais eu me enfurecia…
E parecia que o vento formava um redemoinho em volta de mim, à força dele quase arrancando meus pelos da pele… parecia que o vento também brigava comigo, como se ele estivesse sendo controlado…
Novas imagens, novas recordações invadiram minha cabeça. Desta vez eu ouvia o velho Quil falando sobre o imprinting nas reuniões da fogueira, enaltecendo o amor surreal que dominava os lobos. Meu pai também parecia adorar aquela magia, como se fosse uma dádiva. Eu ouvia novamente as palavras de Billy sobre o imprinting, ditas em um momento passado…
_ Dádiva de amor aos lobos… - Eu repeti em voz alta o que meu pai dizia em minha cabeça. Mas só de lembrar naquela palavra, só de dizer amor em voz alta, a dor parecia ainda maior, parecia me comer inteiro. Esta dor também é uma dádiva?
_ Maldição! Maldita é esta magia isto sim! – Eu não ligava mais para o vento em volta de mim, parecendo mais forte que uma tempestade… – O que é? – então estava acabado! Eu tinha finalmente enlouquecido completamente, porque senti vontade de gritar com o vento como se ele fosse algo… ou alguém… - O imprinting não é dádiva merda nenhuma, porque o amor não é uma dádiva. Isto tudo é uma desgraça! Uma desgraça!
E o vento me respondeu com um assovio agudo, ao mesmo tempo ele ficava mais gelado, tão gelado que o impossível parecia acontecer: eu, um lobo, estava começando a sentir frio.
_ Pois saiba que se esta desgraça tiver que acontecer comigo eu vou preferir a morte! Prefiro morrer, me matar a ficar mais uma vez cego!
As lembranças de momentos românticos e felizes pareceram me invadir com mais força e em maior quantidade, incontroláveis. Desta vez eu também me lembrava de Rachel declarando seu amor a Paul… mas era ilusão, era ilusão o que aquelas lembranças tentavam me mostrar. E eu tinha raiva de tudo aquilo, muita raiva porque a única garota que eu amei, a única que eu quis, me negou. E ela dizia que me amava e eu, iludido ou não, via isto nos olhos de Bella. Eu enxerguei amor contido nos olhos dela… mas era mentira!
Então eu evoquei um ódio de dentro de mim, porque eu queria que o ódio me livrasse daquela fraqueza que a dor me causava, eu queria que a raiva me fizesse forte pra suportar… porque fora isto eu não tinha mais nada, eu não queria mais nada. E ele veio, o ódio que eu evoquei veio com força e as outras lembranças pararam de repente. E foi movido por este ódio que eu gritei:
_EU RENEGO O AMOR, EU RENEGO ESTE MALDITO IMPRINTING!
Eu caí depois daquilo, fechando os olhos com a última chicotada que o vento me deu nas costas. E então a ventania simplesmente parou, mas antes - talvez aquilo ainda fosse resquício de minha loucura descontrolada – o vento pareceu me dizer em um sopro revoltado:
“Você vai se arrepender disto…”
Aquilo me sacudiu por dentro, parecendo romper algo em mim. Aquele rompimento, que parecia tendões se arrebentando devagar, doeu, doeu demais. Mas depois daquilo eu dormi naquele lugar, nu, coberto pela terra e extremamente cansado.
No outro dia, quando eu acordei, quando eu abri os olhos, eu não era mais um tolo. Eu não era mais o idiota do “Jake”, o sol particular de Isabella Swan…

#Flash Back off#

Jacob abriu os olhos novamente, sua respiração ofegante. Há muito tempo a lembrança daquele dia infeliz não lhe vinha com tanta exatidão. Muitos detalhes ele havia até mesmo esquecido. Ele voltou a levantar o rosto e a encarar seu reflexo, mas quase soltou um grito quando olhou para o espelho: uma magnífica mulher loira estava à suas costas, somente a alguns centímetros de distância, quase o tocando e ele não sentiu sua presença tão próxima.
Os olhos castanhos eram circundados por cílios claros, sua sobrancelha formava um desenho impecável sob seu olhar, os lábios tinham um desenho suntuoso, seu corpo alto, tão alto quanto Jacob, era esguio, lembrando as perfeitas proporções de uma estátua grega. E seus cabelos loiros prateados iam-lhe até abaixo do quadril, chegando ao início das coxas, cheios e lisos.
Ela o olhava de uma maneira única, com o seu jeito perturbador e enrijecido, jeito que ele odiava, porque lhe causava calafrios internos. Era Quendra, era a rainha elfo com o esplendor que Jacob jamais vira: o esplendor de sua aparência humana. Ela estava tensa, a seriedade tomava a bonita face de pele branca e rosada. O olhar dela dizia a Jacob que ela estava consciente de tudo o que se passava dentro dele.
Ele então soube:
_ Foi você que me fez lembrar disso, não foi? – A perfeita exatidão da lembrança, de tantos anos atrás, tamanha perfeição que pareceu mais um momento revivido, não podia ser somente um privilégio de sua memória.
_ Sinto que você se esqueceu do que disse, do que fez naquela noite. O que aconteceu lá foi crucial.
Jacob se virou pra ela e franziu a tez, mas logo a lembrança da voz do vento, coisa que ele pensou ser um delírio, lhe veio novamente. Quendra voltou a lhe incitar aquela lembrança.
_ Não foi delírio. – Quendra falou, enquanto sumia da frente de Jacob e reaparecia sentada imponente em uma poltrona ao lado da cama. A postura dela naquela poltrona fez o assento parecer o seu trono.
_ Como assim não foi delírio?
_ Tentaram te ajudar naquele momento… - Quendra parou e voltou a penetrar rasgando os olhos de Jacob. Um brilho insondável surgiu nas órbitas castanhas. E então ela disse: - Mas você negou! – A voz dela estava muito baixa, mas ainda sim tinha um peso esmagador.
Jacob soltou um riso incrédulo, logo depois se lembrou de no quarto ao lado.
_ Ela não ouvirá. – Quendra garantiu. Depois ela finalmente fechou os olhos, suspirando. – Você tem a mínima consciência da força de seus sentimentos Jacob? Você tem consciência de que a magia em teu sangue não é maldita, mas gloriosa e que faz tudo em você ser expandido e elevado à altura dos céus? Você é cego o suficiente para não saber que a força imponderável de sua descendência, vinda tanto da família de sua mãe, quanto da de seu pai, faz isto em você ainda maior?
_ Aonde você quer chegar? – Jacob fazia força pra permanecer de pé, mas se Quendra estava ali, ele sabia que ela não ia lhe dar uma informação tão fácil de digerir. Ela sorriu.
_ Você tem idéia da força de seus sentimentos Jacob, do poder deles sobre qualquer coisa?
Então Jacob riu, na sua cabeça vieram as palavras: “Poder dos meus sentimentos sobre qualquer coisa? Então por que Isabella me negou?”
Quendra certamente ouviu aquilo, pois logo depois o som do riso de escárnio dela sacudiu o estomago de Jacob.
_ E você ainda quer isto? Você ainda deseja voltar ao passado e mudar a escolha de Isabella Swan?
Jacob nada respondeu, emudeceu a voz, o pensamento e até o coração. Quendra olhou pra Jacob e falou algo que voltou a lhe sacudir mais.
_ Você se iludiu, mas não foi pelo amor, foi por Isabella. O sentimento que você tinha por ela não carregava a força que os seus sentimentos verdadeiramente possuem!
_ Você está então querendo me dizer que meu sentimento verdadeiro e real seria um imprinting? – Ele disse, com claro ar de deboche e ironia. Quendra estreitou os olhos e sombreou a tessitura se sua voz.
_ Se eu fosse você não debocharia do que estou dizendo…
_ Ah não? Não debocharia? Quer dizer então que os nossos sentimentos verdadeiros têm uma força inestimável, mas é uma força que não é capaz de vencer um maldito feitiço?
_ Em primeiro lugar, o imprinting não é um feitiço, mas puramente o vosso sentimento. O imprinting é simplesmente a conseqüência do verdadeiro sentir de um lobo. E este sentir é tão forte, que se revela imponderável desde o primeiro olhar. – Quendra havia se levantado e caminhava muito devagar para Jacob, falando mansa demais. Aquilo era também perigoso em se tratando da rainha elfo. – Em segundo lugar: os sentimentos de vocês, lobos, podem sim subjugar um imprinting. Só que não é algo muito aconselhável.
Aquelas palavras fizeram algo dentro de Jacob se contorcer, disparando seu coração, causando um barulho ensurdecedor em seus tímpanos…
“Você vai se arrepender disto…”
A voz estranha e desconhecida voltou a sua memória e, naquele instante, não parecia mais ser simplesmente do vento, mas de algo que vivia dentro de Jacob, algo que era mais antigo do que ele próprio.
_ Como assim?
_ O que eu quero dizer Jacob, é que o amor de um lobo tem tanto poder quanto o ódio de um lobo. Um pode anular o outro, são como dois caminhos. Os lobos podem sim escolher, mas para cada escolha há uma consequência. Naquela noite você fez a sua escolha, você escolheu o seu caminho, escolheu o sentimento que preferia se agarrar. Só que esta escolha teve consequências.
O olhar de Quendra dava-lhe medo, mas lhe causava medo porque eles pareciam refletir o ódio que ele evocou naquela noite no meio da mata. Tinha uma força liquidante.
_ Consequências? – Jacob repetiu engasgado. – Que consequências?
_ Em dez anos você perdeu muita coisa Jacob, muita coisa. Seu destino poderia ser outro, suas verdades poderiam ser outras. Isto modificou não só a sua vida Jacob, não foi só a sua vida… – Quendra se afastou e passou a alisar a parede do quarto de Jacob que era a divisa com o quarto de . Esta estava completamente entorpecida por um sono profundo que Quendra incitara.
Jacob estremeceu ainda mais.
_ O tempo, meu querido, pode ser precioso pra se viver quando há algo pelo o que realmente vale a pena viver. O tempo concedido diante disto pode ser uma oferenda divina… o tempo. A cada segundo perdido cabia um mundo Jacob, um mundo inteiro de experiências perdidas, um mundo inteiro… Quanto mais tempo se perde, quanto mais tempo se continua agarrado em algo errado, mais coisas serão perdidas, mais tesouros incalculáveis deixarão de ser acumulados em seu espírito. Quando eu digo que vocês não têm consciência do que realmente é esta magia de vocês, eu não falo besteira. Imensa e preciosa… Deus queira que você tenha tempo…
O olhar de Quendra passou a ficar melancólico, enquanto ela continuava a alisar a bendita parede como se acariciasse a própria .
_ Eu não… entendo… - Jacob se deixou cair no chão, confuso. A coisa revolta continuava a perturbar seu interior.
_ Entende Jacob, você entende. Mas o que impede de que tudo fique claro pra você é simplesmente a cegueira a qual você se agarra. Cegueira que você preferiu para não ver a sua tola fraqueza, foi quando você imperdoavelmente profanou algo tão glorioso. Mas você, como muitos outros, não tinham ainda este direito, porque eram ignorantes, completamente ignorantes de seu significado. Você Black, quando você se enfraqueceu e deixou-se dominar pela baixeza de um sentimento ignóbil, simplesmente pra fugir de algo que você precisava passar para crescer. Sim, você era uma criança, uma criança muito frágil pra lidar com algo tão forte. Você cometeu um erro, revoltou aqueles que iluminavam seu caminho, aqueles que mesmo partindo para outra dimensão, uma dimensão muito maior do que esta, ainda continuam guiando os seus, alimentando uma união que nem a morte pode vencer. A união de um povo evoluído Jacob. Mas você recusou aquela ajuda, recusou e agora, faz grande parte do seu caminho só!
_ Por que você está me dizendo isto? Por que então você está se preocupando com alguém tão miserável quanto eu?
Ele sentiu as mãos de Quendra levantar-lhe o rosto, se esquivou.
_ Olhe nos meus olhos Jacob Black! – Uma ordem! Jacob teve que levantar a face e fixar seus olhos nas imponderáveis órbitas._ Qualquer ser que vive sobre esta Terra está sujeito a miséria Jacob. Mas cair na miséria não significa que você seja realmente desprezível. Muito pelo contrário, você ainda possui algo dentro de si que pode evitar que você morra na cegueira deste erro. Mas para isto, você precisará retroceder o caminho, enfrentar coisa por coisa do que você tentou esconder e fugir. Você vai ter que lutar contra coisas mais poderosas do que você e tomar para si mais do que a sua própria dor, mas a dor de outro ser, um ser atrelado a você mais fortemente do que até mesmo eu posso compreender. Não compreendo porque até mesmo diante de sua recusa ela é mais forte, ela me obrigou a interferir, esta força me impediu de fazer algo que realmente era ponderável para o propósito de minha existência. Eu vejo a todo momento a consequência deste meu ato, mas, ainda assim, não tenho como exterminar isto. É mais forte do que eu.
Jacob viu tantas emoções distintas nos olhos de Quendra, no desabafo confuso daquela criatura que sua cabeça girou, dando-lhe ânsias. Ele queria fechar os olhos e fazer aquilo parar, mas a ordem de Quendra era mais forte, ele ainda mantia seus olhos fixos nos dela.
_ Não é explicável a força gloriosa que ainda existe em você Jacob, uma mesma coisa que também vive em outro ser. Algo que não morreu mesmo quando você a renegou. Isto ainda vive em você, com uma força que me subjuga, ela está ai, pulsando dentro de você, em algum lugar dentro de você. – Quendra colocou a mão no centro do peito de Jacob- Você está quase a encontrando Jacob, quase. Mesmo quando os seus te abandonaram em relação a isto, mesmo quando os seus deixaram de influenciar seu caminho e fazê-lo seguir para o seu tesouro, ainda sim você caminhou para isto. Cego, inconsciente. Mas caminhou. Mas lembre-se: sua escolha do passado teve conseqüências e nada tão sublime poderá erguer-se sob estas coisas mal resolvidas. É preciso desconstruir para reconstruir Jacob. Por isto eu vim aqui esta noite, pra lhe dizer apenas uma coisa, pra lhe conceder o benefício de um único conselho: se você realmente quer, se você realmente sente, destrua-se! Destrua tudo o que você escondeu primeiro, todos os fantasmas que você escondeu em seu caminho. Sua fraqueza diante desta destruição será também a sua glória Jacob. E você não terá que destruir só os teus monstros, não só os teus monstros Jacob…
Quendra desapareceu então, deixando mais aquele enigma no ar.

CAPÍTULO 17
PECADO OU TRAVESSURA?

se espreguiçou lentamente, sentia que finalmente tinha conseguido por o sono em dia. Bocejando ela se levantou devagar, só então percebendo que havia se deitado de roupa e tudo, por cima dos lençóis. Só teve o trabalho de retirar os sapatos. Ela nem sequer lembrava como havia adormecido. A folga naquele dia era realmente necessária. Mas, ainda assim, após seu banho ela ligou para o hospital, só pra conferir se estava tudo bem.
Só então ela saiu do quarto, mas assim que fechou a sua porta, uma espécie de imã pareceu lhe puxar para o lado oposto das escadas. Ela caminhou tentando se refrear, mas sua impulsividade foi mais forte. Tirou a sandália dos pés e, muito silenciosamente, foi até o quarto ao lado do seu. Ainda na porta ela sentiu o cheiro de Jacob. Colou os ouvidos na mesma e fechou os olhos, escutando atentamente o ressonar profundo de Jacob. Mas alguma coisa ainda fez com que ela cometesse outro atrevimento: abriu a porta devagar, estava destrancada, e entrou no quarto de decoração sóbria.
“Que merda você está fazendo?”. Ela se questionou enquanto caminhava dentro do aposento. Ao adentrar na porta, não podia-se ver a cama, mas sim, a mesa de trabalho de Jacob, com revistas automobilísticas de todos os cantos do mundo espalhadas junto de um computador. Ela esticou o pescoço e viu de longe uma partezinha do que seriam os pés da cama e parou. E se ele a pegasse ali?
Aliás, o que ela estava fazendo lá? Conhecendo o quarto?
Realmente ela nunca tinha entrado ali, mas ele, por sua vez, já tinha invadido o quarto dela muitas vezes… ela tinha este direito de invadir o dele também, não? Ela caminhou mais um pouco, apertando os olhos e se concentrando para que sua pulsação alterada não funcionasse como um alarme. Será que ela conseguia pegar ele de surpresa? Ela teve vontade de rir de si mesma. Estava parecendo uma criança arteira que cutucava a onça, ou melhor, o lobo, com vara curta.
Mas a visão que ela teve a mais alguns poucos passos a fez se desconcentrar de todo. O queixo dela caiu inevitavelmente, o controle da pulsação foi pro espaço. Ela ficou estática e com reações muito estranhas em seu próprio corpo.
Não havia nenhum lençol cobrindo o corpo dele, nada para obstruir a visão. Ele estava de bruços, o rosto másculo tinha uma suavidade maior enquanto ainda permanecia em um sono profundo, os lábios semi-abertos, as pernas nuas jogadas displicentemente sobre o colchão. Os olhos de percorreram cada detalhe daquelas pernas, se demorando nas coxas morenas que pareciam tão firmes.
O coração dela deu outro solavanco conforme seu olhar subia para o monte também firme e redondo das nádegas de Jacob, cobertos pelo tecido vermelho de uma tentadora cueca boxer. Aquela peça escondia exatamente a parte mais perturbadora daquele corpo. Mas escondia de uma forma insinuante demais, porque era justa, e seu tecido fino e elástico se moldava perfeitamente naquelas curvas masculinas, dando a exata noção daqueles contornos e acendendo a vontade de ver mais.
E as costas de Jacob, com músculos que nele pereciam absolutamente naturais, como que moldados por Deus para que fossem exatamente assim, como se não houvesse corpo de Jacob sem aqueles músculos, pareciam dunas de um deserto a luz do crepúsculo. Este deserto era quente e neste deserto poderia se perder e nunca mais encontrar-se. Como em um fluxo perfeito do desenho corporal seguiam-se os braços de Jacob, um estendido ao lado do corpo, virado para cima e outro acima de sua cabeça, quase escondendo seu rosto.
tinha algo a conturbá-la por dentro, julgava que algum diabinho a carregou até ali para tentá-la… mas por quê? Ela sorriu, ele dormia tão profundamente e tão mais sereno. Daquela forma ela se sentia um tanto mais a vontade para abusar… abusar de sua insanidade e abusar da inconsciência de Jacob. O porquê disto? Bom, ela não estava interessada neste tipo de pensamento, não naquele momento.
O perigo de ser pega deixou tudo mais… eletrizante? ergueu o vestido que trajava e testou suas maiores habilidades em ser silenciosa. Tinha os músculos completamente rígidos ao tentar obstruir o máximo possível de seu cheiro, pra que ele não ficasse ali quando ela saísse. Ela colocou uma de suas pernas na cama, tão perto dele… muito perto… ela esperou, segurando a respiração…
Nada! Ele continuou a dormir profundamente.
Ela sorriu divertida com sua travessura e, ainda mais delicada e lenta, subiu de vez na cama, ao lado dele, nos espaços onde o corpo grande não ocupava. Os dedos dela começaram a ser puxados para ele, sugados pelo calor da pele dele. Sutilmente ela ousou passar as pontas de seus dedos por ele, refazendo o caminho que antes ela havia percorrido com os olhos. Ela fechou os olhos concentrando seus sentidos na sensação tão deliciosa de seu tato. Os dedos dela formigavam enquanto desenhava os contornos de Jacob com as mãos. Ele começou a se mover levemente, mas ainda assim, não acordava. Sua respiração era a mesma e as alterações de seus batimentos eram quase inconsideráveis.
Ela teve vontade de apertar o firme monte da bunda dele, uma vontade tão grande que chegou a assustá-la. De onde vinha aquilo? Mas ela se conteve e, se sentando ao lado dele, continuou desenhando com os dedos os músculos de Jacob, acariciando suavemente. Como se fosse possível, a expressão de Jacob começou a ficar ainda mais suave, ele parecia dormir mais tranquilamente com os “carinhos” de . Ela tinha no rosto um sorriso bobo, achando aquela aventura louca muito divertida e gostosa. Então ele não acordava tão fácil?
Mais segura de que o sono de Jacob era pesado, ela se inclinou sobre ele e, ainda acariciando suas costas, moveu os lábios em um sussurro imperceptível…
“Eu sou perigosa lobo mal… mas você também é…”
Finalmente ela conseguiu desgrudar os dedos dele e, ainda silenciosa, deixou o quarto, só que de forma mais veloz do que entrou.
Ela desceu as escadas com o corpo elétrico, uma euforia tomava conta dela e ela tentava tirar da cabeça as imagens de cada detalhe do corpo moreno de Jacob. Mas enquanto ela comia seu desejum, um riso ou outro lhe escapava. O que deu nela pra fazer aquilo? E pior: o que deu nela pra gostar tanto de fazer aquilo? Ela só podia rir deste seu rompante.
Eram nove horas da manhã, mas ela tinha no corpo uma inquietude tão grande que coisa alguma lhe prendia a concentração.
“Pegue um caso complicado!” Ela pensava, remexendo nas fichas de seus pacientes em seu computador que ela trazia pra estudar os casos. Mas nem uma paralisia cerebral conseguiu lhe prender.
“Irresponsável!” Ela pensou, largando tudo e indo fazer a única coisa que seria capaz de acalmá-la: dançar!
Jacob acordou momentos depois, ouvindo um suave e envolvente som de música no andar inferior. Ele havia ficado acordado metade da noite depois que Quendra foi embora, tentando absorver tudo o que ela havia lhe dito e depois, finalmente, apagara, vencido pelo cansaço. Ele esticou os músculos, que pareciam mais leves que o comum, e respirou profundamente antes de se levantar, sorrindo assim que o ar do quarto entrou com força em suas narinas.
Assim que terminou o banho, Jacob desceu, não se importando com a refeição matinal ou qualquer outra coisa. Caminhou decididamente para o lugar onde ele sabia que estava. Chegou sorrateiro, vislumbrando a suave sensualidade com que ela se balançava ao som de um blues.

Mas dessa vez ela o percebeu assim que ele entrou na grande sala e, ainda dançando, o encarou pelo espelho que ocupava toda uma parede. Um sorriso sapeca tomou a face dela, sorriso que se refletia em seu olhar. Ela não se intimidou diante de sua platéia, continuou a dançar quase sem se deslocar de seu eixo. Movia-se com a suavidade hipnotizante de uma serpente, apoiando as mãos nas coxas e erguendo minimante o vestido de tecido leve com este movimento.
Ela deixou escapar um risinho comprometedor enquanto encarava Jacob, fazendo ele enrugar a sobrancelha, mas sorrindo logo depois. Naquele sorriso havia um brilho de entendimento, ele demonstrava saber de algo. E ela continuava em seu balançar, se envolveu com a música e deixou suas pálpebras fecharem. Ela não viu, mas sentiu quando Jacob se aproximou ás suas costas.
_ O que quer? Dança também? – Ela disse, se virando pra ele.
_ Você duvida que eu dance?
fingiu avaliá-lo, mas novamente teve de segurar um riso ao se lembrar de sua travessura.
_ Talvez…
Jacob balançou a cabeça e se aproximou da sofisticada aparelhagem de som e colocou a música para repetir.
_ Já fui muito ruim nisto. Mas acho que me superei.
_ É mesmo? – perguntou com as mãos na cintura. – E quer que eu ateste isto pra você?
_ Não é capaz de dançar com um par?
_ Não sou acostumada que me tolham os movimentos em uma condução. Só isto.
_ Talvez um bom parceiro não seja aquele que inibe os movimentos da dançarina com sua condução, mas aquele que integra os movimentos dela aos seus…
riu, encarando a expressão gravemente ameaçadora de Jacob. O que ele queria?
_ Uma filosofia e tanto, caríssimo teórico de dança.
Jacob fez uma careta.
_ Se teóricos disserem coisas idiotas como esta… bom, eu virei um teórico.
voltou a rir.
_ Vem então, vamos ver se sua reflexão é de toda desprezível. – convidou, enquanto a música voltava ao seu início.
Jacob sorriu e se encostou nela, encaixou suas pernas por entre as dela e envolveu sua cintura delicadamente. reiniciou seus movimentos leves e sutis, só que dessa vez o corpo de Jacob se integrava ao dela, ele seguia os movimentos dela, porém no mover dele havia mais firmeza. Não era necessário exagero nos movimentos, não era um espetáculo acrobático, era uma oscilação envolvente.
Ele passou então a conduzir alguns poucos passos, a afastando dele em momentos contados, a trazendo pra perto novamente. E correspondia aos movimentos sem sobressalto algum, com extrema naturalidade e leveza.
_ Aprovado? – Ele perguntou quando a trouxe pra perto novamente, encostando as costas dela em seu peito, mirando-se pelo espelho.
_ Aparentemente. O tempo foi curto para uma avaliação apropriada. – disse leve, completamente perdida na suavidade do momento. Jacob sorriu, novamente o seu sorriso velado.
_ E você anda arrumando outro tempo para avaliar-me mais apropriadamente?
sentiu um frio na barriga assim que distinguiu um olhar sarcástico de Jacob refletido no espelho.
_ Como assim?
_ Vamos direto ao ponto… - Jacob encostou os lábios no ouvido dela, enquanto a apertava mais junto de si. – O que a levou ao meu quarto hoje?
A mente de , espantada e acuada, trabalhou como um meteoro, um turbilhão de reações passou-lhe pelo cérebro, mas ela foi rápida por disfarçar seu espanto diante do flagra. Antes que as reações de seu corpo a deletassem notoriamente, em menos de meio segundo, ela rebateu.
_ Fui avaliar a melhor forma de me livrar de um problema. Considerei seriamente a viuvez. Mas pensei que minha vítima estava inconsciente pra me perceber.
_ Vítima… - Jacob sentia o vacilo do coração dela, a oscilação dos batimentos. Ele sabia que podia controlá-los quando se esforçasse, e ele tinha certeza que ela estava empenhada nisto naquele instante. – Você foi ao meu quarto para me matar então? E desistiu?
_ Achei covardia matar alguém em desvantagem. Prefiro e adrenalina de uma luta. – Ela estava sendo evasiva… Jacob sorriu novamente. – Mas pensei que você estivesse em desvantagem mesmo, em um sono pesado… pelo visto não estava.
se afastou de Jacob rapidamente, no segundo seguinte o som já estava desligado.
_ Realmente você descobriu meu ponto fraco. Eu tenho um sono pesado. E sim, eu dormia profundamente. – ergueu as sobrancelhas expressando a dúvida: como ele havia a percebido então? – Mas o seu cheiro eu posso distinguir por mínimo… - Jacob impulsionou seu corpo e, num salto silencioso, estava diante de -… que seja! E hoje ele está um tanto…
_ O que tem meu cheiro hoje? – novamente desviou, se praguejando mentalmente. Por que ela fez aquela idiotice?
_ Hoje ele está diferente… pra mim… eu não sei! – Jacob obscureceu o cenho e cerrou os pulsos, sacudindo a cabeça logo depois. – Apesar de você estar controlando ele muito bem, ele está quase imperceptível, mas eu ainda percebo… esquece!
fechou os olhos e bufou ao fazer suas contas mentalmente. O coração dela disparou, o sangue subiu pras bochechas, ela cruzou os braços e sentiu seus pelos se arrepiarem: era seu período fértil! Mais raro e demorado nela do que nas outras humanas, no entremeio do ritmo humano e élfico, mas ainda assim, um período particular da sua natureza feminina. Acontecia a cada seis meses, contados sistematicamente. Jacob era lobo, Alpha, sentidos aguçados… sim, ele notaria aquilo. Mas seria simplesmente uma observação conseqüente de seus sentidos? Ou era outra coisa? se encolheu na parede oposta a Jacob, encostando-se no espelho.
_ Certo. – Ela disse, estremecendo com o olhar de Jacob. Ele respirou fundo, mas logo voltou a rir sarcástico.
_ Parece então que terei que trancar a porta do meu quarto pra não ser assassinado. Certo?
“Ótimo , sua idiota, o que você pensa? Que ele vai pular em cima de você só por causa do cheiro? Ele não é tão animal assim e nem tão … sua maluca! Não fique com medo dele!” . tinha na cabeça uma confusão e no corpo reações completamente… desconhecidas.
_ Uma porta não é nada pra mim… - Ela disse as mesmas palavras que Jacob lhe dissera na noite anterior, sorriu mórbida.
_ Eu conheço esta frase – Ele disse, ainda sorrindo, se aproximando dela inconscientemente.
_ É? De onde será? – esqueceu o que lhe fez se encostar ao espelho e também deu um passo a frente.
_ Ouvi de um cara que transpõe barreiras…
não pode evitar prender seus olhos nos dele.
_ Que tipo de barreiras?
_ Muitas…
_Muitas não são todas.
disse a ultima frase já encostada em Jacob.
_ Muitas não são todas… - Ele repetiu, com o semblante grave, engolindo em seco. Ele inclinou a cabeça em direção a ela. pareceu sair de um estado de topor, sacudiu a cabeça e pôs a mão no peito dele, o impedindo.
_ Jacob, não, por favor!
Jacob voltou a sentir um conhecido gosto amargo. Era o gosto da rejeição. Ele não suportava aquilo. Ele a puxou pra si antes que ela se afastasse, ela viu a agonia no olhar dele, agonia que passou pra ela.
_ Não negue… - Ele disse, com uma nota mínima de fragilidade na voz.
não negou, seu coração pulsou mais forte quando ela pegou a nuca de Jacob e o puxou pra si. As bocas se encontraram em júbilo, as línguas dançavam se reconhecendo, eles se beijavam em um desespero de querer mais.
_ O que é… isto? – murmurou por entre os lábios de Jacob.
_ Isto o que? – ele sussurrou roucamente.
se enroscou mais em Jacob, seu corpo parecendo uma labareda, ela enfiou as mãos por baixo da camisa dele, ele agarrou a cintura dela e a levantou, levando-a velozmente de encontro a parede dos espelhos, fazendo estes tremerem, quase racharam.
_ Isto… - Ela disse no breve intervalo que conseguiu separar a boca de Jacob. pegou o rosto de Jacob nas mãos e fê-lo olhar pra ela. E sob a mira daquele olhar, ela circundou os lábios dele com sua própria língua, muito devagar. Ele suspirou, se agarrando mais a ela.
_ Eu não sei… eu não sei… - Ele disse, afundando o nariz no pescoço dela e cheirando profundamente. – Ah… - Ele exclamou, fechando os olhos. Era tão bom, tão inacreditavelmente bom!
Jacob procurou os lábios dela de novo e os encontrou sedentos. Invadiu novamente a boca dela, saboreando sua língua. A pele! A mãe dele formigava por sentir novamente a textura da pele dela. Ele tirou uma das mãos da cintura dela e levou para a coxa. Apertou em cima da saia antes de fazer o mesmo movimento que ela fez com sua camisa: levantar o tecido.
_ Ah… Jacob… eu não posso… - não conseguiu concluir a frase, pois ele passou a lhe mordiscar a sua orelha enquanto subia a mão por dentro da saia do vestido dela, passeando por sua coxa. O corpo dela sacudia de tanto tremor. Por que aquilo tinha que ser tão forte?
Jacob não sonhava com a luta que travava dentro de si pra continuar a ser levada por suas vontades, ela tentava vencer o seu medo, mas parte do tremor do corpo dela ainda eram causados por lembranças ruins. Mas ela também podia sentir sede e vontade com Jacob e se agarrou aquilo, trancando dentro de si o pedido para que ele parasse.
_ Você é mau! – ela sussurrou, enquanto os lábios dele desciam pelo pescoço dela.
_ Você é mais! – Ele disse, convencido de que só podia ser maldade a forma como o corpo dela o estava atraindo, como o cheiro dela estava tão bom.
_ É melhor… - tentou falar, mas ele voltou os lábios para os dela, interrompendo a frase em um momento - … parar…
_Huhum… - Mas ele não parou, o vestido dela já estava curto demais, sua calcinha já estava quase sendo desvendada.
_ Oh meu Deus! – Os dois se afastaram quase rápido demais, Jacob virou de costas e encarou a estarrecida dona Beth na porta. Ela tentou se ajeitar, arrumando o vestido e ajeitando o cabelo, enquanto Jacob tentava recuperar sua respiração que tinha se perdido em algum lugar. Mas primeiro ele precisava saber onde o ar da sala tinha ido parar.
_ Dona Beth! – A voz de ainda tinha um certo tremor. A pobre empregada tentava catar a vassoura, o balde, o rodo e as demais coisas de limpeza que ela deixou cair ao se assustar com a cena que flagrou.
_ Me desculpe, me perdoem, eu… eu… já estou de saída… a Dona disse que eu poderia vir limpar hoje e eu não sabia… me perdoe… - Ela falava atrapalhada enquanto tentava catar as coisas. E era pegar um objeto, o outro caía no chão.
_ Imagine Beth, agente devia ter te ouvido… nós nos… distraímos… enfim, não foi culpa sua. Nos desculpe.
_ O que? Eu desculpar? Não, não, não. Ai meu Deus, me perdoe Dona , não me demita, eu não irei fazer mais isto! – Elizabeth ainda não direcionava seu olhar a patroa, mesmo com ela ajudando a catar as coisas espalhadas pelo chão.
_ Está tudo bem! – Jacob disse com voz firme. – Deixe tudo aí e pode ir. Volte depois.
Ele tinha falado com ela? E não foi para demiti-la? Ele disse que estava tudo bem? O queixo de Elizabeth caiu antes que ela respondesse um rápido:
_ Sim, senhor. – e saísse dali o mais rápido que podia. Ela achava o casamento dos patrões estranho, mas em nada se intrometia. Mas que era estranho que em dias eles nem se falassem, que dormissem em quartos separados e depois se pegassem daquele jeito, era!
pôs a mão na testa.
_ Eu me esqueci completamente dela.
_ Eu não ouvi ela chegar. Ela devia estar aqui faz tempo. – Jacob pensou alto.
_ É!
Eles se encararam, ambos lembrando-se da causa de tamanha distração. Engoliram em seco e desviaram os olhos. Mas logo soltou um riso leve, sendo acompanhada por Jacob.
_ Isto é loucura. – Ela disse.
_ Sim, é!
Silêncio. Eles não podiam ficar muito perto mais, senão…
_ Vou passar o dia na ronda com a matilha. Esteja pronta as oito em ponto.
_ Hã? Pronta pra que?
_ A vernissage, em Seattle.
_ Ah! O.k!
Jacob passou por ela e percebeu as narinas dele inflarem, mas ele não se aproximou muito. esperou até que não pudesse mais ouvi-lo e desabou no chão.
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_ Isto é antinatural! – Niadhi dizia enquanto olhava preparar mais uma de suas especiais injeções anticoncepcionais.
_ Isto é necessário!
_ Mas interrompe o ciclo do nosso corpo! Não é bom ir contra estas coisas.
_ Niadhi, você queria o que? Que eu continuasse a menstruar como menstruava na adolescência? Por que você não me coloca na toca de vampiros de vez! Eu não posso controlar meu cheiro se não for assim!
_ Humpf! Não sei como Quendra permite que você injete veneno nas veias por causa disto!
só rolou os olhos com as naturais insistências de Niadhi. Há muito tempo não permitia que seu ciclo menstrual se completasse. Ela sofreu se esforçando para controlar seu cheiro durante estas situações, mas era muito esforço que ela precisava fazer pra isto, começava a lhe dar dores e era ela dormir e pronto: perdia o controle e o cheiro dela ficava tão forte que chegava a irritá-la. Então ela se meteu meses em uma pesquisa fora de sua área medicinal para elaborar algo que cortasse aquele problema ao mínimo sinal de evidencia. Ela aplicava então, uma injeção com uma dose que seria suficiente para oito mulheres normais, mas que acabava com tudo rapidinho. A preocupação voltava só depois de seis meses, pelo menos demorava!
Niadhi fez careta enquanto observava enfiar a agulha na própria pele e pressionar o líquido transparente pra dentro de suas veias.
_ Não sei por que você fica implicando com isto Niadhi!
_ Pra mim este ciclo é precioso, significa vida! Não acho que deva ser interrompido.
_ Pra mim isto não faz diferença Niadhi. – disse suspirando.
_ Só por enquanto meu amor…
Niadhi tinha novamente o olhar brilhante e um sorriso faceiro no rosto. engoliu em seco diante da insinuação de Niadhi e resolveu fingir que não escutou, porque senão a elfo ia desencadear em um assunto que ela não estava nem um pouco afim de ouvir.
_ Então… Manhã agitada a sua não? – Mas quem disse que se podia controlar aquela elfo intrometida? - Ei, tá pegando a mania do seu marido de me ofender em pensamento é?
_ Você anda me espionando?
_ É melhor do que televisão. – Niadhi disse rindo, riu ainda mais ao ver a cara de espanto de . – É mais eletrizante…
_ Calada! Nem uma palavra sobre isto.
_ Acho que o seu marido também não gostaria que você fizesse o que fez com essa injeção aí!
_ Você está passando dos limites Niadhi! Chega! – disse aquilo realmente nervosa, em sua cabeça veio novamente toda a confusão entre o que o seu corpo sentia perto de Jacob e as sensações traumáticas que guardava. Ela não sabia o que era certo, não sabia se podia se deixar levar por aquele início de desejo que a descontrolava perto de Jacob, mesmo sabendo que não tinha forças pra seguir adiante, que aquilo acabaria muito mal… só podia acabar mal!
_ É natural meu anjo, é natural o que você sente!
_ Niadhi…
_ Black me escute! – A voz sapeca de Niadhi se tornou impositiva, autoritária. – Eu só quero te ajudar… - sentou em sua cama e fitou o mar atrás da elfo, visto das amplas vidraças de seu quarto.
_ Você não quer ouvir, mas o que eu vou dizer não é o que você vai e tem que descobrir sozinha. A única coisa que eu queria dizer é pra você não lutar contra o que sente, não se proclamar fraca, se decepcionando consigo mesma e decidir se entregar aos seus fantasmas. Eu sempre me orgulhei de você de uma forma que eu sei que seu pai se orgulha também. Porque você é sim guerreira , você pode vencer. Não se rebaixe tanto, não pense que você é fraca, porque esta luta realmente é muito árdua. Eu queria poder te ajudar mais, mas a única coisa que posso fazer é sentir o que você sente junto com você. , eu sei, eu sei que isto não vai acabar mal. Tudo já é tão lindo… e está só no começo!
_ Eu não sei do que você está falando Niadhi! – respondeu rígida e indiferente.
Niadhi conhecia aquela expressão. Aquela mulher era cativante, solidária, querida, afável, mas insondável. No início, Niadhi tinha esperança que os quileutes pudessem fazer ela se abrir mais, que ela se confessasse, se mostrasse. Mas não, ela não falava sobre as coisas mais turbulentas dentro de si, ela não confessava as coisas mais fortes dentro dela, ela não demonstrava suas piores fraquezas, ela não pedia conforto, não pedia conselho. Seus piores mistérios ainda eram só seus. No fundo, apesar de toda a boa relação que Niadhi se alegrou por ver construir com sua nova família, ainda assim, ela mantia grande parte de seu coração afastado dos outros. Era a parte que precisava, não a parte que concedia.
_ Bom, está dito! Agora se faça linda e confiante porque Jacob deve chegar logo pra buscá-la. Foi bom, como sempre, passar o dia com você meu anjo.
_ Está mesmo quase na hora! Eu nem percebi!
_ É, seus pensamentos te distraíram bastante hoje. – Niadhi respondeu novamente sapeca. bufou.
_ Tchau Niadhi!
_ Também te amo viu?
balançou a cabeça e tirou o semblante sério, sorrindo para elfo.
_ Até mais minha elfo predileta!
_ Ah... ficou melhor assim! – Niadhi sorriu. – !
Niadhi chamou fazendo voltar de seu caminho para o closet.
_ Segure firme este coração esta noite! Aconteça o que acontecer não perca o controle! – Niadhi disse séria a ela, sentiu um arrepio com o olhar da elfo.
_ Por que você está falando isto?
_ Fique bem ! – Niadhi não respondeu, apenas desapareceu, deixando aquela sensação ruim em por alguns instantes. Ela odiava quando eles faziam aquilo. Davam uma de oráculo enigmático e desapareciam do nada. Às vezes os elfos a irritavam muito!
N/A: Arram!!! Dois capítulos para brindar minhas leitoras lindas e carinhosas que me deixaram imensamente inflada de felicidade com os últimos comentário!!!! Brinde pra vcs! Gostaram? Mereço coments estendidos? Hehehehe... Brinks *-* Bom, mas tem coisas muito importantes para falar... por onde começarr… Ah!
O CAP 16! Cm vcs puderam perceber tem um POV do Jake! Bom, eu não sei se consegui, mas a intenção era infiltrar vcs dentro da cabeça e do coração de Jacob no exato momento que ele se revoltou com o amor para compreender o conflito DELE! Masss, algo muito, mas muito importante começou a ser tratado neste cap... Acharam os comentários de Quendra confusos? Pois não era pra ser claros msm (hehehe), pq em cada frase que ela disse está o resto da história inteira, então muito cuidado ao digerir o que ela disse! Aliásss, uma frase, de um comentário muito antigoo da Arícia me ajudou a caminhar com estas idéias a partir deste ponto!
O CAP 17! Ahhh, eu adorei escrever este cap com o momento dos dois e sabe a parte da interrupção da Dona Beth? Quando eu li dpois eu cai na risada, parei numa parte meio hãn, de ápice? Kkk..... Mas a culpa foi da Dona Beth! Kkkk ... Masss o recadinho da Quendra e da Niadhi NÃO FORAM A TOA! A partir de agora a fic vai entrar em momentos de tensão a flor da pele, tanto para o Jake, qnto pra PP, qnto pra Leah, para o Koraíny, pra Quendra e.. Vai ser tenso! Então, segurem os corações pq tá ficando cada vez mais complicado de escrever... Até o proximoooo ... (quem sabe tem mais att dupla por aí?)

CAPÍTULO 18
BELO INFIEL
“Os erros do passado não são sepultados,
Eles voltam quando você pensa tê-los esquecidos,
Batem a sua porta mesmo quando há festa dentro de sua alcova.
Teus erros surgem como fantasmas para cobrar-lhe:
‘Pecaste, estavas consciente, enfrente-me agora:
sou a consequência!’”

Ele estava na sala, faltava somente cinco minutos. Ela estava em seu quarto ainda, silenciosa, não parecia se mover, quase não parecia respirar. Por que ela não descia logo?
Mas a agonia dele não demorou muito tempo, logo apontou no ponto alto da escada. Ela vestia um belíssimo vestido de tecido fino e negro, sutilmente transparente, com bordados em pedras requintadas. Os cabelos estavam presos em um penteado elegantemente despojado, a franja jogada de lado, uma tiara dourada, muito fina e delicada, suavizava a sensualidade da produção. Sim, ela estava esbanjando uma certa sensualidade, mas Jacob achava que este termo ainda não era o correto para definir a mulher que descia as escadas.
Havia um brilho dourado em suas pálpebras, uma maquiagem muito bem feita, com os cílios marcados, ainda mais curvados, os lábios tingidos de um vermelho pulsante. Ela sorriu enquanto descia, e o batom vermelho serviu apenas para destacar a brancura de seus dentes.
_ Aprovada? – Ela perguntou, enquanto também admirava Jacob. Ele usava os cabelos com um brilho molhado, a barba estava novamente por fazer, porém muito charmosa. Ele vestia um blazer negro fechado por cima de uma camiseta branca. O corte da roupa era impecável, e a elegância dele também era evidente, também era sensual.
_ Aparentemente. – Jacob disse, os olhos com sua natural intensidade pareciam agarrar . – O tempo foi curto para uma avaliação apropriada.
riu, era a mesma frase que ela tinha usado pra avaliá-lo na dança.
_ E quanto tempo levaria uma avaliação apropriada? – Ela perguntou.
Ele sorriu, olhou-a de cima a baixo, como se considerasse cada detalhe, depois disse: - Talvez a noite inteira.
É claro, ela estremeceu, pois ele falou aquilo como que querendo provocar, explorando todo o poder que sua voz rouca tinha quando sussurrava algo. Parecia ser um sopro quente atrás da nuca. Jacob percebeu mais uma vez a reação que causou em e quase quis gargalhar.
_ Vamos logo! – Ela disse, passando por um Jacob com cara de convencido.
Mas eis que a pretensão de Jacob acaba quando ele tenta fixar os olhos na estrada e não olhar para as pernas cruzadas de , sentada no carro bem a seu lado. E ela, parecia inconsciente de que seu vestido, embora nem tão curto, era insinuante demais ao deixar aquelas pernas a mostra.
_ Chegamos! – “Finalmente!” Jacob pensou. A viagem fora inteira silenciosa, porém uma tensão os dominava, um desconforto causado pela proximidade, um perigo para o descontrole, para a perdição dos atos, que estava dominando muito os dois ultimamente.
olhou para o lado de fora, para a suntuosidade da festa, não combinava com Jacob. Havia fotógrafos, muitas mulheres exageradamente produzidas, ao contrário de Jacob, muitos homens trajavam smoking, um canhão de luz espalhava uma iluminação luxuosa na frente do elegante pavilhão onde a festa acontecia. Já na entrada, haviam belos carros estacionados em plataformas que giravam lentamente. Em cada carro, haviam duas mulheres, uma de cada lado, com elegantes vestidos justos e beleza chamativa: modelos com certeza.
_ Nossa! – Ela disse. – Não pensei que fosse tanto.
_ Eles exageram. Como se para vender carros precisasse deste circo. Os chineses não ligam muito pra isto. Se o produto não for bom, eles simplesmente não compram.
_ São teus estes modelos? – perguntou ao observar carros aparentemente de alta velocidade com um design distinto.
_ Eu só dou sugestões no exterior, tem um designer que trabalha comigo. Minha parte é mais por dentro, o coração das máquinas. Mas eu também sei trabalhar com elas por fora.
_ Você gosta disto. – constatou, ao perceber a entonação com que Jacob falava do trabalho.
_ Gosto do trabalho em si, não do que eu preciso aturar pra fazê-lo. – Jacob olhou novamente para a decoração da festa, a música muito alta. – Mas vamos logo de uma vez!
Eles entraram no ambiente com luzes que pareciam de uma boate, lotado de pessoas e garçons pra todo lado, e imediatamente se destacaram. A beleza distinta do casal era atraente, sugava atenções ainda que despropositalmente. segurou o braço de Jacob e andou segura diante dos muitos olhares que recebia. Haviam mulheres que pareciam perfurá-la com os olhos, tantos comentários e burburinho havia sobre ela, que ainda não compreendia o motivo.
_ Então é ela? – Este comentário ela pode distinguir dos outros, porque veio de uma voz debochada, amarga, quase diria despeitada.
Ela virou a cabeça procurando a origem daquela voz feminina e encontrou uma ruiva, em um vestido branco, justo, evidenciando as formas do seu corpo, estava no limite daquilo que seria vulgar, porém ainda apropriado para a ocasião. encontrou com os olhos verdes da ruiva e ela deu um sorriso de deboche, depois desviou o olhar pra Jacob, olhando-o despudoradamente de cima a baixo e logo depois mordendo os lábios. estreitou os olhos, mas logo foi puxada por Jacob para outro canto.
_ Finalmente Jacob! Só faltava você! – Rick Manson veio andando na direção dos dois, falando alto para sobrepor sua voz à forte batida da música, caminhando com o seu ar exageradamente pomposo. Ele se aproximou de Jacob e ofereceu a mão, mas Jacob se limitou a dar um breve aceno de cabeça, circundando seu braço pela cintura de .
Rick abaixou a mão desajeitadamente, mas logo voltou seus olhos para . Jacob não gostou da maneira que ele a olhou, ele conhecia seu patrão, aquele olhar era de cobiça, de desejo.
_ Vejo que nos brindou com a presença de sua senhora Jacob. – Ele disse com um olhar que pensou ser galante, oferecendo a mão desta vez a . Mas assim que ela concedeu sua mão, por educação, ele praticamente a agarrou e depositou um beijo nela, sem desviar os olhos de . – Agora entendo porque você nunca nos apresentou a ela Jacob, você estava escondendo um tesouro. – Ele disse, enquanto mexia nos seus cabelos lisos, jogando a franja curta pra trás.
puxou a mão tentando não ser indelicada, enrijecendo com o olhar de Rick sobre ela. Jacob apertou a cintura dela mais firmemente e lançou um olhar nada amigável para o patrão. Rick pareceu ficar desconfortável por um minuto, mas não foi muito, ele realmente não tinha noção do perigo.
_ Então é… me desculpe, o seu nome? – Ele perguntou diretamente a .
_ Senhora Black. – Jacob respondeu firmemente.
_ Sim, eu sei. Quero dizer o primeiro nome. – Jacob suspirou fundo perigosamente, resolveu interferir.
_ Meu nome é , senhor…
_ Manson, Rick Manson. Diretor Administrativo daqui, sou o patrão do seu marido. – Ele frisou o “patrão” um tanto demais. só ergueu as sobrancelhas. – Então, … posso te chamar de não?
_ Não, não pode! – Jacob respondeu ao mesmo tempo que respondeu um educado: “Claro!”. riu imperceptivelmente ante a carranca de Jacob. Mas ela tinha que confessar que estava com vontade de socar aquele cara, coisa que parecia que Jacob também estava a fim de fazer.
Mas Rick pareceu ouvir só a resposta de , estava visivelmente ignorando Jacob.
_ Então , gostando daqui? Do trabalho do seu marido?
_ Sim, claro. Embora não tive tempo de olhar os carros apropriadamente.
_ Ah, mas o que Jacob faz não é tão visível minha querida. Ele cuida mais de motores, não dos desenhos dos carros. Ele faz algo pra deixar nossos carros mais velozes. – Ele explicava como se fosse completamente alheia a qualquer coisa que envolvesse carros. Ela respirou fundo para não revirar os olhos. Jacob estava impaciente ao seu lado.
_ Sim, eu entendo. – respondeu lentamente.
Neste momento Jacob se abaixou e sussurrou discretamente no ouvido dela:
_ Posso matar ele? – sorriu, mas com o ato ela iluminou ainda mais sua beleza e o fascínio de Rick aumentou. Ele formava em sua cabeça um plano, sorriu consigo mesmo pensando que poderia dar certo. Em sua limitada visão, ele imaginava que poderia conquistá-la.
Um garçom passou com varias taças de champagne, Jacob esticou o braço e pegou duas, só pra ter o que fazer. Ofereceu uma a , ela pegou e bebeu um gole mínimo. Rick continuou tentando conversar.
_ Então você é médica? Profissão completamente diferente do que essa que você esta vendo aqui, não é?
_ Nem tanto.
_ Não? Como não? – Rick sorria, Jacob tinha vontade de arrancar cada dente dele, um de cada vez.
_ Digamos que tanto eu quanto Jacob cuidamos do centro vital de máquinas. Só que a minha é a máquina humana.
_ Pensando por este lado… Você já tinha feito esta ligação Jacob?
_ Não. – Jacob respondeu seco, procurando um outro lugar pra ir com .
_ Bom, mas de qualquer forma sua profissão continua sendo mais nobre que esta, e um erro seu é fatal. Então você merece mais créditos que nós.
sorriu, mais com a impaciência de Jacob, que tentava puxá-la dali disfarçadamente, do que do idiota do patrão dele. Mas quando Jacob foi se virar, viu Mery sorrindo comprometedora pra ele. A postura dela, a maneira como ela segurava a taça de champagne, evidenciava que ela já havia bebido demais. Ele resolveu ficar onde estava.
“Festa infernal!”. Ele pensou.
_ Mas quando você diz “cuidamos do centro vital de máquinas…”, você quer dizer que é cardiologista?
_ Não, eu mexo com outra coisa, algo ainda mais complexo, por assim dizer. Aquilo que também controla a mecanicidade do coração. Eu mexo com o cérebro.
_ Nossa, dito assim me pareceu horripilante.
sorriu novamente, bebeu um gole de sua bebida e virou a cabeça como quem observava a festa, dizendo em um sussurro pra Jacob:
_ Horripilante seria se ele soubesse que com um soco eu posso atravessar o estomago dele e pegá-lo com as mãos.
Jacob tomou seu champagne de um gole só, e sorriu ante o comentário discreto de .
_Seria excitante pra mim. – Ele respondeu no mesmo tom de voz, enquanto observava um grupo de empresários se aproximarem de Rick para conversar, desviando a atenção do patrão deles.
procurou o olhar de Jacob, dizendo confusa:
_ Excitante?
_ Sim, ver você espancando ele.
_ Você não pode pensar assim, você tem que proteger humanos Alpha! – Ela sussurrou de volta.
_E você também não poderia desejar arrancar o estomago de alguém. Você é médica, tem que salvar vidas, não acabar com elas.
torceu os lábios, fingindo pensar. Olhou pra Rick e ele a pegou olhando. Sorriu faceiro.
_ Acho que no caso dele podemos abrir uma exceção. ¬– Ela disse, fazendo Jacob rir baixinho, afundando o rosto no cabelo dela pra passar despercebido. Ainda com o rosto lá ele respondeu.
_E você dividiria ele comigo? Eu poderia ficar com a parte de arrancar os dentes, quebrar o nariz e arrancar os olhos? – Jacob falou.
_ Claro. Mas deixe o cérebro intacto. Precisamos de cérebros de primatas para estudar.
Rick voltou a chamar a atenção dos dois e eles tiveram que interromper seus planos momentaneamente. quase não conseguia disfarçar o semblante risonho ao olhar pra Rick, que estava se direcionando mais a Jacob naquele momento, apresentando um grupo de chineses interessados nos carros. Para conter o riso, começou a morder os lábios delicadamente, enquanto movia a perna no ritmo da música que tocava alta. O olhar de Rick foi parar nos lábios da moça, um brilho surgiu neles. Jacob não suportou mais, rispidamente pediu licença aos chineses e arrancou dali, a puxando pela cintura.
_ Belos companheiros de trabalho. – falou, enquanto caminhavam por entre as pessoas.
_ Pra você ver como tenho sorte. – Jacob disse pra ela.
Naquele momento ele a carregava para o mais longe possível de Rick, ele sabia que o patrão estava descaradamente interessado em , e para que ele não acabasse matando Rick, era melhor se afastar. Jacob não fazia idéia de que levar ali, em seu ambiente de trabalho, ia causar tanto transtorno. Mas ela tinha que estar atraindo olhares por onde quer que passavam?
Jacob surpreendeu o olhar de Mery enquanto caminhava com . Ela olhava com nítida inveja para a morena, não julgava que a esposa de Jacob fosse tão bela, no fundo a ruiva tinha esperanças de que Jacob se tornasse ao menos seu amante. Ela fora a única com que Jacob foi para a cama mais de uma vez, sendo a última a cerca de três meses, e nesta época ele já estava casado. É certo que ele não parecia nada carinhoso com ela, mas Mery caiu inevitavelmente no campo magnético de Jacob, se sentia atraída irrevogavelmente.
Porém Mery não suportava ser recusada. Ela sabia ser bonita, sabia que era uma boa amante, não concebia rejeições como as que estava tendo de Jacob durante todos aqueles meses que trabalhavam próximos. Mas agora ela entendia o motivo da recusa. Ainda que não confesse a si mesma, uma mulher sabe imediatamente quando é subjugada por outra, e a bela morena que caminhava gloriosa ao lado de Jacob, havia sim, subjugado a assistente de Jacob.
Mery perseguia o casal por toda a festa, incomodando Jacob. Ela tinha raiva, raiva daquela mulher que pensava ser melhor que ela quando mantia aquela pose, aquela mulher que se pensava tão segura por estar ao lado de seu marido sem saber que fora trocada um dia, trocada por ela, por Mery! A ruiva sorriu insinuante para Jacob, com os olhos já vermelhos em consequência dos drinks que havia misturado e ele, mais uma vez, a ignorou, agarrando a cintura de e a levando para a pista de dança, enquanto sussurrava algo no ouvido dela.
“Isto não vai ficar assim.” Foi a promessa que Mery fez a si mesma, revoltada com tanta recusa de Jacob.
_ Estou me sentindo uma marionete. Você pode aproveitar, porque não planejo ser assim sempre, não faz parte da minha personalidade. – disse a Jacob, depois de um tempo na festa, enquanto ele a carregava por todos os lados. Ora ele conversava com os benditos chineses que falavam um inglês mecânico e com forte sotaque, ora ele conferia os carros em exposição, explicando aspectos técnicos a respeito de tuning para alguns curiosos, enfim: ele fazia seu trabalho. Longe de Rick.
Jacob sorriu – Está se colocando a minha disposição esta noite?
inspirou profundamente, mantendo a respiração presa por um instante. Jacob parecia ter esquecido a enérgica festa ao redor deles e fixou toda a sua atenção em .
_ Talvez… Mas isto pode ser um teste. – Ela disse, também sorrindo.
_ Teste para que?
_ Pra saber se você pode ser bom. Mas não sei se você pode se sair tão bem neste teste. – Ela disse, gracejando, sorrindo, desafiando, mas sentindo um estranho aperto no peito. Ela tinha impressão de que não iria gostar tanto daquele desafio que estava propondo.
_ Não confia em mim? – Ele disse, impulsionado a continuar com o jogo.
_ Não! – Ela disse. Jacob balançou a cabeça.
_ Então eu vou ser bom com você. Escolha o que quer fazer… marionete.
riu e colocou a mão no queixo fingindo pensar, nesta mesma hora a música mudou. Ela esticou a cabeça para a pista de dança e ergueu a sobrancelha. Jacob sorriu levemente e a carregou para a pista.
http://www.youtube.com/watch?v=BQRZSNy4qTY&feature=bf_next&list=PL9D99A823A0B0EB32&lf=results_video (musica – vídeo)
foi para o meio e fechou os olhos, começou a dançar, seu corpo em um movimento ondulatório envolvente, pulsava com as batidas da música. Jacob parou um instante e ficou a observá-la, ela sorria ora ou outra, parecendo mais leve, mais envolvente e próxima dele. Ela o atraía e não seria necessário que ela lhe chamasse, como fez com o dedo indicador, para que Jacob se juntasse a ela.
_ Você pode ser bom nisto? – Ela perguntou enquanto ele se aproximava dela lentamente.
Ele não respondeu, pegou a cintura dela e a impulsionou para traz, fazendo com que ela curvasse as costas. impulsionou o peito para frente rapidamente, fazendo Jacob recuar, e voltou em seu ondular. Uma mexa se desprendeu de seu penteado.
Jacob riu novamente, sem se dar conta que estava rindo mais que o costume. Fez ela se encostar nele e seguiu o requebrar dela com seu próprio corpo. engoliu em seco e não parou de dançar, mesmo sentindo a perna de Jacob no meio de suas coxas, o corpo dele encaixado ao dela, correspondendo aos seus movimentos.
se afastou, começando a dançar longe dele, o provocando com o olhar. Jacob olhou ao redor e eles já haviam conquistado um espaço maior que o normal na pista de dança, muitos homens olhavam para , praticamente a comendo com os olhos, mas ela não parecia estar consciente disto, se estava, ignorava.
Jacob começou a dançar sem ela, mas com seus olhos presos em cada movimento que ela fazia. Neste momento algumas mulheres começaram a soltar exclamações exaltadas. gargalhou. Céus, ele sabia rebolar! Aquilo estava divertido.
Ela se aproximou dele novamente, intuitivamente os braços dele foram abraçá-la pela cintura e os dela, envolvê-lo pelo pescoço.
_ Onde aprendeu isto? – Ela perguntou.
_ Nasci sabendo.
Ela gargalhou novamente.
_ Não acredita?
_ Você mesmo disse que não era bom em dança! – Jacob estreitou os olhos para ela, logo fazendo uma expressão de convencimento que irritou de uma maneira que… deu vontade de mordê-lo!
_ Então você está confessando que eu sou bom! – Ele afirmou. revirou os olhos.
_ Só na dança. E seus genes de lobo podem ajudar na flexibilidade do seu corpo. – Desta vez foi Jacob que revirou os olhos.
_ Não daria pra dizer só: sim você é bom?
_ Por que você quer que eu diga isto?
_ É impossível pra você simplesmente dizer?
_ Ok! – sorriu, eles já não seguiam o pulsar enérgico da música, simplesmente se moviam no meio do espaço que voltara a ficar lotado. Ela ergueu os olhos, e encarou Jacob concupiscente – Você não é tão ruim quanto eu pensava.
_ E você é pior do que eu pensava. – Ele disse, já inclinando a cabeça em direção a .
_ Jacob?
Ao ouvir aquela voz Jacob imediatamente enrijeceu. Era Mery. Ele tentou ignorar, mas já havia se afastado dele e estava encarando a ruiva. Ele se virou lentamente e disse seco, com um humor completamente adverso ao que estava segundos atrás:
_ Sim!
_ O senhor Manson está te chamando. – Ela disse suavemente, com um sorriso aberto demais. – Olá! – Ela ousou dizer a , com uma expressão risonha. _ Você deve ser a esposa de Jacob, digo, do senhor Black.
estreitou os olhos, não havia gostado daquela mulher desde o primeiro momento que a viu. Respondeu quase apática.
_ Sou.
_ Onde ele está Mery? – Jacob perguntou impaciente.
_ Deixe que eu te mostre, venha. – Ela ofereceu a mão. Jacob virou as costas, olhando .
_ Eu já volto. – Era um nítido recado “não venha comigo”. Jacob não queria que se encontrasse com Rick novamente.
Mas engoliu em seco e olhou novamente para a ruiva com olhar debochado atrás de Jacob. Novamente um aperto em seu peito a incomodou, ela sentia algo se revoltar dentro dela cada vez que olhava para a tal de “Mery”, que Jacob nem fizera menção de apresentar corretamente.
_ Vou tomar algo. – falou, olhando em direção a um quiosque de bebidas montado no lado esquerdo de onde se encontravam.
Mery, então, guiou Jacob para o lado oposto ao que se direcionou. Ela foi caminhando a frente dele, olhando para trás constantemente enquanto sorria.
_ Ele está logo ali! – Ela dizia.
Jacob nada dizia, só pensava que Rick estava venerando os tal chineses, quando Jacob sabia que eles só haviam ido ali pra espionar e não para fazer a tão almejada parceria com Rick. Os orientais haviam, inclusive, feito uma proposta para que Jacob largasse a empresa e trabalhasse direto com eles.
No instante que Jacob voltou sua atenção para o mundo real. Percebeu que Mery o levou para um canto afastado da multidão que estava na festa, a luminosidade era quase nula. Ela parou lá, se virou para ele e sorriu. “Merda!” Ele pensou.
_ Onde está Rick senhorita Stron? – Ele perguntou, mas aquela altura, olhando nos olhos de Mery, ele sabia que havia sido um jogo dela aquele chamado.
_ Adoro quando você me chama de “senhorita Stron”! – Ela disse, se aproximando, com ares sedutores.
Jacob agarrou os braços dela e a fez parar, a encarando com raiva. Ela fechou os olhos diante daquilo e mordeu os lábios.
_ Eu já disse inúmeras vezes para que pare com isto. Você não percebe que eu não quero nada com você? Como ousa ainda insistir, ainda por cima com minha esposa presente? – Ele disse com voz arrastada, raivosa. Mas Mery riu.
_ Gosto do perigo! Ninguém vai ver agente aqui gostoso. E com a idiota da sua esposa perto é ainda mais excitante.
Jacob sentiu a mão formigar, mas tratou de soltar aquela mulher com asco.
_ Eu não diria que minha esposa é idiota, mas sim você, que se rebaixa mais uma vez, mesmo sabendo que nenhuma destas suas caras pode me atrair. – Jacob disse, virando as cotas. Mas Mery começou a gritar.
_ Ela é a idiota sim! Pois foi pra minha cama que você foi por mais de três vezes, e duas dela você já estava casado! Agora vem dar uma de bom samaritano e usar sua mulher como desculpa pra me recusar? Você a traiu e não foi só comigo! Você pensa que eu não sei que durante os primeiros meses do seu casamento, quando a sua digníssima senhora estava longe, você não continuava com a sua vida como se ela não existisse?…
_ Cala esta boca! – Jacob disse ameaçador, enquanto olhava ao redor pra checar se alguém ouvia os gritos esganiçados de Mery. Ele não queria se aproximar dela, tinha receio de se aproximar daquele jeito e machucá-la.
_ EU SEI QUANTAS MULHERES VOCÊ TEVE! Sei que você não se importava com a sua fidelidade coisa nenhuma! Mas agora você esta mais discreto, não é? Não se ouve mais nada a respeito de sua canalhice!
_ Calada.
_ Diga, diga que você não gostou das nossas transas! Diga que foi porque você gostou que você veio pra mim mais de uma vez, como você não fez com as outras. DIGA! – Ela estava descontrolada, Jacob nunca a havia visto daquela maneira, Mery mantia uma pose distinta na maior parte das ocasiões, mesmo quando se insinuava pra ele.
_ Se você quer mesmo saber eu digo. Foi exclusivamente por conveniência. Eu precisava daquilo e você estava perto, não me daria trabalho pra explicar ou tentar atrair. Você se dava sem questionar e quieta, absolutamente conveniente. Quando eu não queria ter trabalho e quando eu tive vontade eu fui sim pra sua cama Mery. Mas agora você não me atrai mais, nem você e nem mulher alguma. – Sim aquilo era verdade, as palavras que saíram de Jacob nunca fizeram tanto sentido, a única mulher que ele queria ele tinha perto, mais nem tão fácil. Nenhuma outra lhe atraía.
Mery ficou quieta, se sentindo humilhada diante do discurso de Jacob: “Foi exclusivamente por conveniência…”
Aquilo girava na cabeça dela e destruía seu ego e a raiva, que já estava em seu limite naquela noite, retumbava dentro dela. Ela olhava Jacob como um animal selvagem. Jacob aproveitou a quietude para se afastar definitivamente.
_ Nunca mais ouse se aproximar de mim, você não trabalha mais comigo. E não ouse se aproximar de , porque os motivos que estou com ela nunca foram tão superficiais quanto aqueles que me levaram pra sua cama. Adeus senhorita Storn. – Ele disse se afastando rapidamente, com a cabeça fervendo.
Mery enxugou bruscamente a lágrima que caiu de seus olhos, respirou fundo e conteve sua expressão ao voltar para a festa. Procurava algo pra descontar sua raiva, se direcionava ao banheiro, no caminho pegou duas taças de champagne e virou de uma vez só em sua boca.
O banheiro estava vazio, ela se enfiou dentro de um dos reservados e agarrou os cabelos, rangendo os dentes.
_ Seu miserável! Você me paga Jacob Black, ah você me paga!
Logo que ela conseguiu um pouco mais de calma para refazer sua postura, ela percebeu alguém entrar no banheiro. O salto fazia um barulho suave, um perfume singular chegou até Mery. Ela abriu a porta minimamente e viu a distinta e elegante senhora Black em frente ao espelho, arrumando o penteado solto.
“Sim Jacob, você vai ter que arcar com suas atitudes!” Mery pensou, enquanto saía do reservado e encarava com um olhar penetrante, escondendo sua ferida. Em seu sorriso brilhava o anseio da vingança…
N/A: Briga, briga, briga.... kkkkk... Banheiro e mulher revoltada hummmm... q cenário hein? Bom, momento ápice da fic “as descobertas”. Meninas, sei q muitas de vcs ficarão com dó do Jake, mas ele cometeu erros, e esse deus não é um ser tãooo impecável assim (ok. ele é sim! Mas neste momento em particular...), então, ele vai precisar enfrentar as reações de suas ações. E aposta da Nannah estava... CERTA... vejam no próximo o que a Mery e o Rick vão aprontar...
“…Mery se virou para trás de uma vez e trancou a porta de saída, jogando a chave com brusquidão na direção de , que desviou facilmente…
…Agora cale a sua boca antes que seja tarde pra você! – disse em um sussurro que Mery mal escutou…
…A ira de explodiu…
…Jacob procurava incessantemente pela esposa na festa toda …sua visão aguçada lhe permitiu enxergar Rick com a mão encima da de , do outro lado da multidão de pessoas na pista de dança, ele sentiu o sangue ferver…
se inclinou para Rick, com um sorriso nos lábios tingidos de vermelho, quase tão vermelhos quanto seu olhar de ódio, e pegar a mão do miserável que estava em sua coxa…”
Chega néh? Vamos deixar para o próximo... agora estou preparando att dupla em dois capítulos q não podem se desgrudar então terá, mas está sendo meticulosamente calculado o quando... Comentem flores, eu fico inspirada e muito feliz e AH!!!!!!!! Tenho uma notícia boa: dpois de 15 dias sem conseguir escrever uma única palavra em TPB, por falta de inspiração, eu consegui! Voltou a inspiração e saiu um cap inteiro numa tacada só! hashshashahsa... bjs flores, amo vcs!

254 comentários:

  1. eu simplesmente amo qndo consigo ser a primeira a comentar *-* hahahaha
    enfim,sobre a fic:
    essa coisa dos elfos morrerem..nossa é mto tragico!isso é maldade rs
    e a morte da minha mae quase me fez chorar aki sabia? rs foi bem intenso tbm...
    poxa vai demorar pro jake aparecer? =/ mas tp é aparecer pra mim ou na historia msm? tipo, nao vai ter pov dele em la push fazendo sei la oq?
    estou curiosa com essa fic, entao por favor nao demore a postar
    bjinhos

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  2. Esse capítulo me deixou sem fôlego.
    Você realmente me surpreendeu, Déh. Toda a narrativa e descrição tão perfeitas, organizadas e bem computadas. Toda a história descrita bem delineada pela linha do tempo, sem esquecer nenhum pormenor. Toda a magia e todo o conjunto de sentimentos inteligíveis.
    Enfim, tudo! Principalmente esse final tão intenso e triste, tão real. Você me surpreendeu de verdade. Adorei o capítulo e já me tornei fã da fic. Pode ter certeza de que estarei aqui todas as vezes que postar!

    Kisses da Baby

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  3. Você está de PARABÉNS!!!
    Nunca chorei tanto em uma fic, a cena da morte de minha mamis foi emocionante; a cena foi tão bem escrita e detalhada que eu senti na pele o sofrimento da PP.
    Está tudo PERFEITO, você escreve muito bem. Já me apaixonei pela fic, com certeza serei presença constante aqui.
    Bjssss e até o próximo capítulo.

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  4. amei essa fic...vc escreve muito bem, devo dizer que esse capitulo foi tenso e muito triste...já estou ansiosa pelo proximo capitulo...bjim e inté embreve.

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  5. Flor você está mais que de parabéns, a fic está tão bem escrita que eu me senti realmente dentro da estória. Nossa eu acho que nunca chorei tanto lendo um capitulo! Foi tão emocionante a cena mãe e filha que me deu até vontade de correr pro colo da minha mommy.... foi lindo, tudo incrivelmente lindo... please não demora a enviar capitulos que eu não sei se aguento esperar pra ler..... kkkkk..... Bjos.

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  6. Nossa flor amei, a escrita, o enredo a construção inteira está incrivel!
    Simplesmente adorei essa mistura do sobrenatural de vampiros, transmorfos e elfos!
    Amei, muito boa! Esperando pelos proximos capitulos! :)

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  7. Muitooo boa sua Fic. está de Parabénss, quero ler muito mais!!

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  8. Aaah que lindoo e muito trágico, maiiis eu gosteei...
    Quero ler maiis hein
    Bjks

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  9. Uauuuuu! sem palavras com essa ficção, não vejo a hora de ver o proximo capitulo, e espero que seja em breve, vc escreve super bem, e tem ótima criatividade! nossa estou triste, muito triste, carakas desde pequena ja estou sofrendo!!!!! tem que valer a pena mesmo! rsrsrssr mas sei que vou viver um grande amor com um final feliz, posta mais ok! bjs

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  10. - Nossa, no primeiro capitulo eu já adoreei! Você sabe como emocionar alguém e faze-lá chorar (mesmo contra a minha vontade,você conseguiu rs) *olhar revoltado*
    - Puutz você tem talento para escrever, Parabéns,vou acompanhar sua fic constantemente c:
    - Só duas perguntinhas táh, antes da minha mamis casar com esse traste nós morávamos em La Push?
    E sobre o Jake, essa história vai ser passar em algum momento do livro, ou você vai criar toodo o cenário?
    - Adoorei a mistura de mundos, é a primeira história que vou ler com elfos e estou animadíssima com isso! =D Parabéns pela ideia original!
    - Esperando ansiosamente o próximo capitulo!
    Kiss kiss bye bye! sz

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  11. Adorei sua fic.
    Já no primeiro capitulo me fez chorar D:
    Quero ver nos proximos :D
    Adorei o jeito como vc escreve, o ponto de vista, tudo..
    Como vc vai encachar o Jake?
    Vai ser na sequencia dos livros ou vai ser em realidade alternativa?
    Bom de qualquer maneira, tó esperando o proximo capituloo :D
    Bjoss

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  12. Adorei!!
    Me emocionei... Foi muito lindo *-*
    Bjinhos

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  13. Olá meninas, brigadinha pelos comentárias estou lisonjeada!!!
    Só vou responder a Grazzi:
    1- vc nunca esteve em La Push (ainda), a cidade em que vc nasceu chama-se Gold Beach, ela existe mesmo, é uma city litorânea do E.U.A
    2- Não é em universo alternativo, é uma espécie de reeleitura da saga, e Ah! sob o Jake, kkkk, ele vai aparecer de uma maneira que eu acho que seria se não tivesse a impressão!!
    Segurem o coração grils, vem uma cena forte mesmo por aí!
    Sem mais, senão perde a graça!!
    bjokas!!

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  14. Pode apostar que eu lerei a fic todas as vezes que vc postar... Simplesmente amei o primeiro capítulo, foi muito bem escrito, vc não se perdeu na narrativa, mesmo com tantos fatos relatados. A carga emocional foi intensa, muito bem escrita e cheia de detalhes o que facilita o envolvimento do leitor. Eu chorei em bicas, pois passei por uma cena parecida quando perdi minha mamãe, portanto me identifiquei intensamente com a PP.
    Estou ansiosa pelo próximo capítulo.

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  15. amei a fic parabens ela ta otima me emocionei mt com essa parte final do capitulo parabens msm bjs continua logo Gabhy

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  16. Parabéns, eu adorei o capítulo foi muito emocionante, ela realmente mexe com os nossos sentimentos eu acredito que essa fic promete.

    Bjos

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  17. - PQP eu já não gostava desse verme antes,agora entaun,bem feito, levou o castigo que mereceu,seu F...D...P...
    - Nossa eu fiquei com o coração na mão enquanto lia esse capitulo,que horror,tadinha da PP! =/ O bom é que ela superou (em termos)!
    - Obrigado por tirar minhas dúvidas Deh, mais só mais uma perguntinha sim? rs.. Não vou ter que aguentar BellamoscamortaSwan nem lutar com ela o amor do Jake ou infelizmente vou? rs..
    - Nossa sou habilidosa mesmo, imagina uma médica com sentidos tão aguçados? Vou poder salvar muitas vidas! (animação on)
    - Mesmo com esse episódio nada agradavel de my videnha, adorei o capítulo! =D
    Kiss kiss bye bye! sz

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  18. Gente... Que capítulo foi esse? Tô surtando até agora... Esse velho asqueroso, nojento e pedófilo, deixou a PP traumatizada... mas espero que o Jake tire esse trauma com muita paciência e amor. E agora o que virá a seguir... quem me segue para explicar o que sou? Ansiedade a mil, esperando o próximo capítulo.

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  19. Meu Deus, que cena mais chocante!!!
    Eu sabia que não viria boa coisa daquele F...d...p..., mas não imaginava que seria algo tão montruoso. Ahhh que ódio!!!!
    Ainda bem que aqui na fic ele teve o final que merecia, aquele verme.
    E nossa, como sou habilidosa, inteligente e esperta, adoreeeei.
    Amandoooo, bjsssss!!!!

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  20. Xavier FDP!!! Teve o que mereceu... caramba fiquei com dó de mim!!!! Mas como boa guerreira dei (na medida do possivel) a volta por cima, não é mesmo?.... Quem são as pessoas/criaturas, na floresta? O que eles sabem de mim? Ahhhhhh no proximo cap tem Jake? Adoooooro!!!! Manda logo então viu? Menina eu amei essa fic, divina, super.... recomendo pra td mundo que eu conheço e que lê fics...

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  21. Eu imaginava que o Xavier fosse ruim, mas não dessa forma! O que ele fez foi imperdoável! Fiquei com dó de mim mesma (rsrsrs). E ele ainda teve um fim pouco merecido! Tinha que sofrer mais... humpf
    Adorei o capítulo!
    Bjos

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  22. Ain, caramba, Deh, esse capítulo foi tudo. Sua fic é D+! super bem escrita. Entrou para o meu TOP 5, querida!
    Estou mto orgulhosa que mh capinha faça parte dessa incrível fic.

    Mas vamos nos focar no cap. CARALIO! Que raiva desse padrasto. Como ele pode fazer isso. Canalha, teve o final que merecia. E foi pouco. Deviam ter feito o mesmo com ele que ele fez comigo. Ah se deviam!

    E nossa, eu sou bem "poderosa" né? Toda habilidosa. Me senti a Catwoman qd desci do telhado e pulei para o chão. rsrsrsrs

    Th certeza que quem estava correndo cmg e me interceptou foram os elfos! Louca para ver os próximos caps! XD

    Kisses da Baby

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  23. Ai, Ai, essa fic tá me fazendo chorar um moooonnte, parabéns pela maneira que vc escreve realmente ta muito boa a fic. E estou ansiosa por esse encontro com nosso amado e lindo Jake, não demora pra postar, bjsss

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  24. Surtei! menina o que foi isso?

    simplesmente magnifico....
    sem comentários, só quro vr meu Jake agora...

    quem sera que chegou ali? talvez o protetor dela?
    Humm Mistério!!!

    louquinha pelo próximo!

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  25. Nosa que padrastro terrivel, que peninha da PP!
    Eita e essa voz, quem será? Será que é o gardião?
    Não vejo a hora de ver o proximo capitulo e necontrar com o jake! :)

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  26. Amei esse capítulo, mas devo dizer que essa rainha me dá calafrios múltiplos... Fiquei com medinho dela!!!! Ah... o Jake já começou a aparecer o que é bom sinal... Não vejo a hora de ler o que vc nos reservou para o próximo capítulo, pela prévia parece que vai ser tenso.

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  27. Ameeeei o capítulo e devo concordar com a Clau essa rainha me faz tremer na base.
    Ai meu Jakelícia começou a aparecer, que maravilha; será que ele vai matar a monstrinha?! Se ele fizer isso vai ser guerra declarada, ah se vai!!!!
    Esse pouco que postou do próximo, já deu pra perceber que vem cenas bem tensas por aí; e me deixou com gostinho de quero mais.
    Ameeeei até o próximo, bjsssss!!!!!

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  28. Estou completamente apaixonada por essa fic.
    Completamente diferente de tudo que eu já tenha visto/lido.
    Pode ter certeza que você ganhou mais uma leitora. ^^
    Bjusss.

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  29. Nossa, emocionante com todos estes misterios sendo revelados!
    E essa rainha, provocando calafrios!
    é como vc falou, o que sera que aconteceria se não exisse o impringting! Surtando!
    Esperando pelo proximo capitulo flor! :)

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  30. noooossaaaa, show de bola esta fic, comesseia a ler e não consegui parar antes de terminar este capitulo.simplesmente demais. por favor ,não faça como algumas autoras que não concluem suas fics e nos deixam frustradas sem saber o final da fic. confesso que ando desanimada de ler por este motivo. Bom parabens e por favor não demore a postar novamente. Sua fic é otima!!!!

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  31. Foi bem light mas ao mesmo tempo mega emocionante. Tantas revelações foram feitas que eu ainda nem consegui processar direito. E esse trechinho do Jake. Ain, me deixou com o coração nas mãos! Amei! XD
    Quero mais caps, Déh. Kisses da Baby

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  32. Vixe maria, nunca pensei que veria o Jacob tão frio e calculista. Realmente vou ter um trabalho danado para trazer meu lobinho de volta.
    A Leah de antigamente era fichinha perto do que o Jake se tornou e tudo culpa do egoísmo da Bella, aff!!!!
    Finalmente parece que vou me encontrar com meu lobão, louca pelo próximo capítulo, bjsssss!!!!

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  33. MEU DEUS! Foi tenso... Senti os super tapas que o Jake deu na Leah em mim, e doeu. Tenho uma coisa pra dizer: Tadinho do Jake! Ele se transformou e não foi pra melhor. Ele praticamente regrediu!
    Adorei o capítulo!
    Bjinhos

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  34. - G-zuis! Céus,nunca imaginei que o Jake alegre,engraçado e etc pudesse se transformar em alguém tão frio,nossa se eu tive dó do Embry imagina quando ele bateu na Leah, ver ela sofrer pela monstruosidade que a Swan fez com ele, tudo por culpa daquela cobra venenosa! ;@
    - Nossa senti medo dessa rainha rs, muitas coisas reveladas, mais ainda tenho algumas dúvidas (como sempre kk) mais vou esperar e ver o que vai acontecer!
    - Huum,sera que o Lobo vai salvar a pp? To até imaginando o trabalho que ela vai ter para trazer o antigo Jake de volta.. Boa sorte pra ela (pra mim) rsrs..
    - Capitulo tenso e emocionante, claro que me doeu vê-lo assim, mais eu seei que a PP vai mudar isso C:
    - Adoorei cada minimo detalhe =D
    Kiss kiss bye bye! sz

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  35. Ai caralho. Desfaleci aqui com a perfeição desse capítulo. A parte antes dos 10 anos atrás foi...indescritível. Menina. A luta com Rosalie, a quase morte da mini monstra. A força do ódio em seus pensamentos.
    O sol sepultado de um sorriso. Men...morri aqui.
    E pensar que as coisas poderiam melhorar com o passar do tempo...Jake virou um vilão sem causa. Não um vilão de matar pessoas, mas de fazer mal aos que mais o amam e a ele mesmo. Bater na Leah foi uma grosseria e covardia desgraçada. Mas tudo o que ela disse foi a mais pura e dura verdade. Foi cuma uma estaca de aço em seu coração de pedra e ela finalmente conseguiu abrir uma racha tão grande capaz de chegar em seu coração!
    Como será que ele reagirá quando me conhecer? Medooo.
    Mesmo assim, AMEI o capítulo. Foi TDB. Parabéns Déh. Vc é um geniozinho literário autêntico!
    Kisses da Baby

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  36. OMG que Jake é esse?
    Como eu odeio a Bella, pqp, fdp...
    Admiro muito a Leah por enfretar ele, sacanagem o que o Jake tem feito cas as pessoas.
    Tomara que a PP consiga da um jeito no estrago na songa sem sal da Isabella fez no nosso Sol.
    Amei o capitulo, esperando o próximo.
    Bjusss.

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  37. esse capitulo foi tenso, nunca imaginei um jacob tão frio, ele virou um verdadeiro lobo mal. acho que a pp vai ter um pouco de trabalho com ele porem nós somos determinadas enão desistimos nunca, principalmente quando o objetivo é jacob black. amei, amei,amei. beijos e não demore a postar por favor.

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  38. Estou surtando até agora... Que capítulo mais tenso foi esse?!! O meu Jake fofo, docinho, raio de sol virou um monstro de pedra, com coração de pura rocha... Me deu medinho!! Adorei o início com toda a descrição do ataque à monstrinha e a luta com a Rosalie. Me assustei ao ver o que o Jacob se transformou 10 anos depois, em como ele começou a atacar até mesmo quem ele mais amava, em como ele se fechou de tal forma afastando a todos que o amam. Vê-lo bater tão covardemente na Leah, depois que ela teve a coragem de dizer-lhe as verdades nuas e cruas me fez sentir mais pena desse cara perdido que está longe de ser o Jake que todos nós amamos e respeitamos. Espero que ele não demore a achar a PP para que esse coração gelado volte aquecer dentro de seu peito e seu lindo sorriso de sol volte a estampar aquele rosto de Deus Grego. Parabéns Deh pela sua escrita envolvente, você faz com que nós leitoras entremos literalmente na história viajando nessa luta de sentimentos tão bem escritas por você.

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  39. Gentee eu estou cheguei a chorar na parte da briga de Jacob e Leah.
    Muitoo Boom.... Amei
    COntinue escrevendo, por favor

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  40. Poxa eu não gostei desse Jacob, a atitude dele com Leah foi monstruosa, mas fora isso adorei o capítulo. Parabéns continua assim que vai ser sucesso.

    Bjos

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  41. carakassssssss! to bege! que historia maravilhosa é essa, uma ficção que te prende de tal forma que te faz querer arrancar os cabelos quando o capitulo acaba...amei a briga do Jake com a Rosaly, e nossa estou morrendo de dó do Jake, cheguei a chorar na briga dele com a Leah, tadinha dela, foi emocionante a parte em que ela diz que o ama! pra ele voltar! ai doi tanto ver o sofrimento dele! Posta logo, muito mais capitulos, estou super anciosa! bjs Deia

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  42. MENINAAAAAAAAAAAAAAAA O QE É ESSE JACOB?
    O que fizeram com o nosso caramelinho T-T
    Maldita Bella Swan!
    Será qe o Jacob vai aproveitar o momento "estou puto e quero matar alguem" pra matar os vampiros que estao correndo atras de mim? Tomara...

    posta mais por favor! Nao desanime

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  43. AHHHHHHHH!!!!
    Amei, amei, ameiiii!!!!
    Essa rainha é demais, vou ter que me casar com o Jakelícia, como se isso fosse algum castigo, ah tá!!!
    Fiquei até emocionada ao ver meu pai.
    Quer dizer que os elfos foram os responsáveis pela magia?! Inacreditável!!!!
    A luta foi sensacional, fiquei admirada com toda a minha habilidade e inteligência, realmente sou uma guerreira em todos os sentidos.
    Amandooooo, cadê a novidade, você como sempre me surpreendendo com um capítulo melhor que o outro.
    Bjsssss!!!!!

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  44. Cada vez eu fico mais e mais apaixonada por essa fic!
    Gente que poder é esse da Rainha *-* Ela é foda! Virei fã dela hahahahaha
    A cena de La Push foi mto tocante...Ficou mto interessante os elfos darem a magia pros quileutes...Pareceu historia veridica hahahhaha
    Mto foda a rainha me mandar casar com o Jacob hahahahahha Eu amo qndo o casal se odeia hahahahah é tao interessante
    Eu quero é ver o q o Jacob vai falar pros lobos qndo aparecer casado de uma hora pra outra hahahahahahaha
    Nao duvido que a Leah solte o comentario: eu falei pra vc deixar se ter um coraçao de pedra, e nao pra vc voltar casado
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    rindo demais só de imaginar
    posta logo por favor
    bjinhos

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  45. Me diz como eu posso me apaixonar por essa fic cada vez mais a cada capitulo?!
    Amei tudo, a emoção da cena em La Push, mostrando a historia dos quileutes! A adrenalina da luta com os vampiros, foi incrível!
    E esse casamento arranjado, muito hilario, só espero que eles não permaneçam muito tempo com os sentimentos guardados, não vejo a hora que eles descubram o q sentem realmente!

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  46. - C A S A D O S ? ? ?
    - Sem dúvida isso vai ser engraçado.. Me casando com um lobo turrão em Las Vegas suahsuah.. vai ter lua de mel? [/kkkk.. *pensamento perva on*
    - Que briga emocionante, quanto ela pegou o cantil para jogar no vampiro eu achei que ela ia jogar nela mesma, senti um frio na espinha! =/
    - A luta dos dois e a intervenção da Quendra foi Demais! adoreei cada detalhee!
    - Já vi que a convivência entre eu e o Lobo não será nada naada fácil! E eu vou me divertir muuito com isso! =D
    - Capítulo D I V I N O!
    Kiss kiss bye bye! sz

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  47. Ameei....
    OMG
    Vou me casar com o Jacob
    Essa é boa...
    Postaa maiis
    Tô muito curiosa

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  48. hahahahaha!!!! não acredito! Ja acabou?????? como assim???? Casadossssssss?????? Essa ficção está mais que fantastica, estou amando tudo, simplesmente adoro quando o casal se "odeiam" kkkkkkk amo essas brigas ridiculas que acabam em grandes beijos e depois voltam a brigar...srsrsrs isso será fantastico, AMEIIIIIII essa rainha, sou fã numero 1 dela!!!! cara, to super, hiper, mega anciosa pro proximo capitulo, posta mais, muito mais!!!!!! ahhh como nessas horas faz falta o livro completo, assim ñ teria que esperar a postagem do proximo capitulo!!!! Essas é daquelas ficções que me deixaria acordada dia e noite!!!! amei, bjs

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  49. Me tornar a Sra Black, que demais... Agora só falta consumar a lua de mel com o meu lobão, espero que não demore muito. Esta fic está se superando a cada capítulo... Já estou ansiosa pelo próximo.

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  50. Caraca! Eu vou ter um enfarto! Esse cap está recheado de tudo! Desde o derradeiro encontro, muita ação, briga de cão e gato entre mim e Jake, toda a verdadeira história Quileute e essa sentença de Quendra. A GENTE VAI SE CASAR! AAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHH
    Surtei aqui. Aqui vamos nós, Las Vegas. Sei que agora as coisas vão apimentar XD
    Espero ansiosa pelos próximos caps!
    Kisses da Baby

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  51. Menina, fiquei 3 capitulos sem ler... porque??????? Bom agora que li, vou comentar (os 3!)
    Capitulo 3 - My God, Quer dizer que eu sou mega poderosa?Uhuhhhhh!!!!! Adorei o capitulo, mega esclarecedor, eu imaginava que seria algo assim, tipo com poderes e talz... E o Jake? Menina do céu, Veloz e Mortal hein..... Sem imprinting = Nessie se ferrou!!!!!! kkkkkkkk

    Capitulo 4 - (O maior coment de todos kkkkk) Ainnnnn Dio Mio.... Que briga! Quase morri achando que Rosalie ia morder o Jake!.... Eita que Edward conseguiu salvar a monstrinha!!!! .... menina demorou pro Jake enchergar que Bella usou ele né? Safada... se aproveitou do amor dele enquanto era bom pra ela, depois foi lá e se deixou 'morrer' sem nem ligar pra como é que ele ia ficar.... Afffff "...ela preferiu a eternidade de um frio a intensidade do fogo que queimava nele..." Putz... Dhé tu tava inspirada hein moça!..... Aiaiaiaiaiaia eu quero queimar nesse fogo..... ô meu pai.... Eita que me deu vontade de matar a Bella viu, ela judiu demais do Jake FATÃO.... e ele virou um carrasco por causa dela!.... Mas hein.... eu AMOOOOOOO a Leah.... Quase chorei com a cena dela 'salvando' o Jake dele mesmo.... Lindo demais..... SALVE SANTA LEAH!!!!!!

    Capitulo 5 - Mais luta..... ui que eu adoooooro principalmente se eu me mostro super habilidosa.... ainnn gente que eu me senti nessa cena..... mas a parte da briga co Jake me deixou tensa!.... Isso ai Quendra bota ordem nessa joça! Ui que a elfo arrasou galera.... adorei a cena da miragem explicando a verdadeira história quileute... e menina eu vou casar com o Jake? Ahhhh eu adoooooro!!!!! *pulando de alegria* Eita que vou ser a Senhora Black!!!! Bão demais sôh!!!!!

    Fim dos coments .... Ufa!!!! Eu escrevo né gente? Ta doido.... mas tb fiquei 3 capitulos sem ler! Ainda to me perguntando como isso foi possivel..... Cabeçuda eu viu.... Mas hein Deh... se eu já amava TPB, agora eu idolatro essa fic....... LINDA DEMAIS!!!!!!!!!!!!!! Quero mais!!!!! Bjo

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  52. - PRIMEIRÍSSIMO comentário no capítulo 6! Que honra! C:

    - Eu danço ballet? O.O Que máximo =D Jake me pegando no flagra? para um homem a cena deve ter sido bem sexy, a PP toda suada,com os cabelos "voando" ao redor de si, fazendo movimentos lentos e provocantes (aii eu tenho quase certeza que vai demorar, mas já penso se o Jake ter um deslize e deixar a frieza e indiferença cair ao chão e pegar a PP de jeitoo? , e a PP será que deixaria algo acontecer? kkk eu e minha mente pervertida, mais Okays vamos parar por aqui mesmo kkkkk...)
    - Nossa sou uma influência e tanto no ramo da medicina néh? vou trabalhar no hospital de Forks? Que emoção..
    - Deh, os Cullens não residem mais em Forks não néh?
    - Estou aqui pensando nas histórias que os dois vão inventar para os quileutes.. Como se conheceram? quando se casaram? como? amor a primeira vista? o grande homem de ferro perdidamente apaixonado aponto de se casar tão rapidamente? e outra como vão convencer os lobos que são um casal sendo que não rolou imprinting? Dúvidas e mais dúvidas, vai lá autora bota pra quebra viu! [/sauhsuahs..
    - Capítulo simplesmente perfeito, a arrogância do Jake, o medo da PP quando o assunto sexo veio a tona, a emoção quando você descreveu a partida dela do hospital, dos pacientes! Ficou ótimoo , Parabéns!
    Kiss kiss bye bye! sz

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  53. PERFEITO!!!!
    Ain, Senhora Black, realmente combina comigo.
    Ai, ai, eu tinha que deixar minha marca, morder a mão do Jake na hora de colocar a aliança, foi demais, eu sou terrível, fato!
    Já disse o quanto amo os elfos, primeiro a Quendra me obriga a casar com o Jakelícia e agora Koraíny me faz beijar o lobão mais lindo de La Push; ameeei!!!!
    A despedida do hospital foi emocionante, adorei.
    Agora é ver o que me espera em La Push, "ansiosa".
    Bjssss e até a próxima att!!!!

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  54. Serio eu amo essa fic ela é incrivel ...
    senhora Black? tudo que eu sempre sonhei..
    Só na cabeça da pp mesmo pra casar com o Jake ser um sacrifico .
    Amo os elfos rsrs.
    La Push oq será que vai acontecer lá?
    Ai o que o Jake sentiu me vendo dançar??Essa fic me faz esquecer do mundo real é como se eu realmente estive-se vivendo em TPB continua..
    QUERO MAIS DEH

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  55. Nem tenho o que falar, como todos os capítulos esse tbm foi maravilhoso.
    Não vejo a hora de derrubar as barreiras do coração do nosso Jake e que ele derrube as minhas.
    não vejo a hora de chegar em La Push e ver a reação da matilha quado souber do casório.
    Agora eu não sei o que achar de Quendra, sempre apendi a duvidar de muita gentileza ainda mais acompanhada de tanto poder. Ela parece um amor, mas mostra o quando é perigosa. Mas tenho realmente que agradecer a ela por me forçar a casar com Jake.
    Bjuss.

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  56. Deh esse capitulo foi d+...
    Minha linda confesso que ja perdi as contas de quantas vezes eu ja li ele, tá perfeito! Olha eu nunca li em uma fic, um beijo tao perfeito como esse(e olha que eu ja li muuuuuuitas fics)Você conseguiu passar toda a emoção desse beijo e imagine quando eles tiverem sua primeira noite juntos!!! Eu vou infartar se vc não postar logo, é serio, sua fic esta me fazendo perder o sono e fico imaginando o que vem pela frente! Continua assim flor, bjssss

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  57. Amo demais essa fic... Esse capítulo foi muito maravilhoso!!!!!!!!
    A descrição ao sair do hospital foi muito bem escrita e me fez sentir toda a emoção. O casamento, a PP se tornando a Sra. Black, a mordida no dedo do Jake ao colocar a aliança, o beijo foi tudo bem detalhado o que enriquece mais a história. Agora é só ficar no aguardo desses dois teimosos decidirem realmente se entregarem aos sentimentos.

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  58. adorei! hahahahaha amo essa fic!
    adoro essas rixinhas, essas ironias entre o casal... amo mto tudo isso hahahaha
    esse casamento deles foi tao... MEIGO -Q
    fiquei com pena do padre kkkkkkkkkkk
    esse final era totalmete esperado,CLARO KKKKKKKKKKK quero ver os pensamentos dele *-*
    posta logo please

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  59. Ah eu gosto da Quendra. Mesmo com medo ela sempre me protegeu e me juntou ao Jake, mesmo que contraria. Esse cap foi fascinante. Desde a paixão pela neurocirurgia até ao mais ínfima e bem detalhada descrição da dança. A música era mto bonita realmente e imagino que a PP estivesse dançando dança contemporânea, certo? Era o estilo que mais se encaixava na descrição. E que descrição. É de fazer jus a uma visão real. Parabéns Déh, vc é mto mto talentosa. Não me canso de dizer isso.
    Kisses da Baby

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  60. Olá Déh!

    Então tah, toh aki pra deixar meu comentário pra você...

    Eu li o primeiro cap assim que foi lançado e confesso que fiquei meio perdida, afinal são tantas novidades, seres "novos" e inusitados que você nos apresentou... ai depois nao li mais, até a ultima att, qnd vi já estava no cap 06... Aff!

    Mais coloquei a leitura em dia e simplesmente vidrei na idéia!

    Caramba! ficou mto perfeito o encontro deles, toda aquela tensão entre eles, o nível dos sentimentos ainda desconhecido entre os dois...
    As exigências da rainha Quendra (foto da hora)... A história sobre a origem da magia dos lobos, que eu NUNCA tinha visto alguém dar um sentido nela, ficou perfeito!

    Menina, a descrição dela dançando, a entrega nos movimentos e no final, ela se dá conta que tinha platéia... Show!

    Agora as perguntas... rsrsrs

    - Jake não vai ter imprint certo? Ou ela é o imprint dele, mais ainda não se deu conta, por causa de todo seu amargor? hummm mistério!
    - Os Cullens, vão aparecer?

    Então deixa só eu dizer que vc é mto TALENTOSA... sua imagina nos brinda a cada capitulo postado...

    Meus Parabéns!

    e vc ganhou uma nova leitora e prometo comentar sempre!
    Bjo
    Aricia

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  61. Muito perfeita essa fic *-* amei tudo até agora! ♥

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  62. amei sua estoria e estou torcendo pra vc nao demorar pra postar !!perfeito!!parabens !!!

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  63. - Geeente, que qui foi isso? suahsuahsuah..
    - Hum, o jake ficou com ciumes ou foi impressão minha , na parte do "não gostei desse cara" rs..
    - Adooorei a cena deles na entrada do hospital, ele dando bola para as descaradas e ela lhe dando uma lição, ri muuito!
    - Putz fiquei emocionada com a história do Michael, a nossa PP é uma heroína pessoal! Realmente o povo de Forks está ganhando muuito com a chegada da PP!
    - Esse final foi Demais, mano como o Jake é cara de PAU!
    - Mais agora, voltando lá para o início do capitulo, será que ele conseguiu mesmo digamos "exterminar" com a magia do imprinting? como será que ele vai aceitar a PP? *colocando a cabeça pra pensar* talvez sem que percebam eles se apaixonam e quando o cabeça dura do Jake admitir para si mesmo o que sente por ela o imprinting rola? ou não vai rolar imprinting? ai senceramente é melhor controlar a curiosidade e deixar que a mente brilhante da Déh responda isso para mim mais tarde! rs..
    - Definitivamente eu adoooooro a Niadhi!
    - Nem preciso dizer o que achei do capítulo néah? rs...
    Kiss kiss bye bye! sz

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  64. Ameeei o capítulo!!
    Adooooro minhas implicâncias com o Jake, mandar ele carregar as malas pois era coisa que os maridos faziam, foi demais.rsrsrsrsrs
    A cena das pequenas rixas no hospital, acabaram comigo, quase morri de rir com esses dois.
    A despedida que prepararam pra PP, foi mais que lindaaaa e a cena com Michael me fez chorar, foi muito emocionante e muito bem escrita.
    Jacob ainda vai se surpreender muito com a PP.
    Ain, estou louca pelo próximo, quero ver logo a recepção dos Quileutes, estou ansiosíssima!!!
    Amandooooo, bjssss!!!!

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  65. que cap é esse linda perfeitooooooooo por favor nao demora bjus

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  66. Ai meu Deus.... barba por fazer roçando meu rosto... hálito quente soprando no meu ouvido.... lábios carnudos.... ok ainda to viva? *conferindo geral* é to viva.... mas que esse capitulo quase me matou isso é verdade! Afff que Jake é uma coisa de outro mundo..... e a elfinha - desculpa ai esqueci o nome dela - mas ela é hilária.... eu gosto dela... mas hein o que foi aquele momento Jake olhando a dança... faltou pouquinho pra ele ceder né?.... mais um tequinho de nada e ele tinha corrido pra agarrar a PP e ela ia ter adorado.... tudo bem que eu acho que ela daria uns tapas nele, mas depois ela ia ceder....

    E o momento com o Michel... gente quse chorei... foi lindo! E mais uma vez Jake deu uma balançada.... sério às vezes tenho vontade de dar um bifa na Bella.... gente olha em que o Jake se transformou por causa dela! Um turrão, mal humorado! Afffff mas eu acho que a PP ainda vai corrigir isso.... e se bobear vai ter uma ajudinha da Leah.... eu acho....

    Déh, nem precisa falar né? Depois desse mega coment, ficou obvio que eu AMEI o capitulo.... TPB é MARAVILHOSA... e Jake como sempre é uma dilécia..... ÔHHH lá em casa..... kkkkkkkk..... Bjo e até o próximo capitulo flor....

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  67. Completamente sem palavras para descrever esse capítulo. *.*
    Por Merlin não demore a postar o próximo.
    Bjudds.

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  68. Déh, ameiii foi d+! To amaaaaando essas rixinha deles, essas provoçações só apimentam mais a fic, continue assim, essa fic ta perfeita só por favor não demora pra postar! bjssss

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  69. Leitora nova se apresentandoo \o/, meninaaa que fic é esta??? ela é simplismente OTIMAAA vc esta de parabens!!! e como as meninas acima jah disseram essa rixinha entre eles deixa a fic cada vez melhor hehe e nao demore a postar por favor *-*(olhos do gatinho do shrek) bjuusss

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  70. Eu também gosto dessa intriga dos dois, mas acho que estou mais interessada em vê-los enroscados nas cama de casal da casa deles em La Push.

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  71. Sim sim Sou eu mesma que amo casais briguentos... Ai ai!
    Sabe como é né, eu AMO sarcasmo,ironia e cinismo... TUDO que tem nesse tipo de relacionameto... Eu fico só rindo aki hahahahaha mto bom!
    Incrivel como a mulherada é descarada né kkkkkkkkkkk se fosse eu ali, ia rolar o msm, mas enfim rs
    eu bem adivinhem q ia rolar essa coisa com o Victor kkkkkkkkkk
    Adorei esse capitulo, me diverti demais! Parabens amora! A fic fica cada vez melhor...
    Doida por mais!
    Bjinhos

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  72. Menina, não consigo mais viver sem sua fanfic. Ela é tudo de bom. Minha fav das favs! Sério.
    Esse joguinho de cão e gato é imperdível e mto hilário. E adoro a forma como eles reprimem o desejo. Até eu fico com os sintomas pós rejeição. suei aqui.
    Será que aquilo foi uma afirmação machista ou foi o ciúme começando a falar mais alto no Black? rararara
    Amei!
    Aguardando ansiosa por mais!
    Kisses da Baby

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  73. cada vez melhor heim !!! adorei nao demora nao bju

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  74. Oi Déh!

    iiiii oia eu aki travez!

    Uau que capitulo foi esse... fui muito bem recebida por todos!
    Gostei dessa Leah, me parece que vamos ser amigas, toh certa?
    Agora, eu espero que eles tenham uma discussão bem feia q que role o primeiro beijo deles... *jatamaisdoquenahora* mais tem que ser um beijo de verdade! daqueles! nada de borboletinhas no estomago e nhenhenhe... quero paixão e urgência no acontecimento, tem que ser algo que os faça quase perder o controle. O que vai acontecer nesse almoço de domingo heim?

    Ai ai
    Ansiosa por mais...

    Bjos

    Aricia

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  75. - Sinceramente, eu não esperava nenhuma atitude do Jake para convencermos os outros que somos marido e mulher e tals, mas pelo visto me enganei, porque eu quase tive um surto aqui quando aquele pedaço de mal caminho colocou ela no colo..a elogiando? O.O
    - Já cheguei mostrando a todos a minha profissão? que TUDO! (rs)
    - Adoorei a recepção em La Push, todos foram adoooraveis! A casa também é LINDA, Déh você fez uma ótima escolha,já estou até imaginando uns momentos nada nada comportados entre a PP e o Jake naquela piscina! (Eu tenho uma mente muuito maliciosa eu seei! kkkk)
    - Disse e repito adoooro a Niadhi! rs
    - Agora para o momento tensão.. Poxa a Leah só estava me dando umas dicas, isso é crime? Pelo jeito, para o nosso amado Alpha é sim.. Mas eu ACHO que ele não vai fazer um escândalo nem nada do tipo,ele tem que manter as aparências, e a PP não sabe de nada, então ele não vai descontar a raiva nela,ou vai? =/ Jake Jake as aparências, não se esqueça do teatrinhoo viuu!
    - Será que a PP e a Leah serão muito amigas? Falando em Leah, Déh, já resolveu qual será a profissão dela?
    - Esse almoço PROMETEE! Eu estive pensando aqui,tem coisas do lobão na casa certo? e se uma das crianças, sem querer, quebrasse algo ou fizesse qualquer outra coisa, será que ele ficaria muuito irado? e a PP como tiraria as crianças da mira desse lobo-turrão?
    - Esperando ansiosamente o próximo capitulo!
    Kiss kiss bye bye! sz

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  76. Nossa.. eu adorooo essa fic!! Afinal,para a PP e o Jacob se entenderem, eles tem que descobrirem o quanto de coisas negativas aconteceram no passado, um do outro, e mais que isso, tentar superar tudo.. para poder se entregarem ao Amor!!
    Beijo, Flor!

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  77. Que capitulo mais fofo, toda essa animação em receber pp, muito lindo!
    Eita meninas falando do Jake, isso só vai sobrar pra PP!
    E só vai rolar, brigas, gritaria, mas algo me diz,que vai ter alguma cena forte no quesito romance, posso ate estar enganda mas...
    Muito bom, incrivel amo essa fic!

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  78. Nossa, fiquei admirada com a linda casa que os elfos fizeram, ela é perfeita.
    Essa Niadhi é hilária, adooooro!!!
    A recepção do povo Quileute foi mais que perfeita, todos realmente gostaram da PP e recíproca é a mesma.
    Leah com certeza será uma ótima amiga pra PP, essa loba é bem intuitiva e já percebeu que há uma ligação entre os dois.
    Ain, já estou vendo que Jacob vai soltar faíscas no próximo capítulo, e como disse a Grasi, olha lá heim Jake, é preciso manter as aparências.
    Amandooooo, Deh essa fic é MARAVILHOSA, bjssss!!!

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  79. Hey,
    to adorando muito a sua histoia... Parabens... Ta bem legal... To super ansiosa... O que sera q vai acontecer?????

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  80. simplismente amandu mais e mais sua fic e loka pelo proximo cap o que será q o Jacob vai fazer????concerteza esta todo estressadinho.... e eu nao poderia deixar de falar da Niadhi aii eu amu o jeito doidinho dela ela me lembra muito a Alice Cullen alguem mais além de mim acha?!!!... LOKA PELO PROXIMO CAPITOLO (são tantas emoções!!! huashuasaushas)

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  81. Não acredito que ele vai brigar com a Leah de novo.
    E to achando que ele vai querer se afastar de vez de mim agora, pensando que to com pena dele.
    Eu sou louca pela sua fic.
    Esperando o próximo capítulo.
    Bjudds.

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  82. caraca esse capitulo terminou tenso mas acho que a nossa pp vai comessar a quebrar o gelo do nosso lobo já que lapush quebrou o gelo do coração dela. ai esta história esta esquentando e euzinha estou adorando d+.

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  83. Ao mesmo tempo que a fortaleza do Jake tá caindo, ele tá construindo outra, mas tô doida pra ver o estrago (no bom sentido, claro) que vai ser quando cair de vez.
    Pelo visto meu lobinho não gostou de me ver falando com a Leah. Tô achando que a briga vai ser boa, mas no final com uma pequena amostra do futuro.... um beijo de me tirar do chão, com muito "fogo"..... aí que o Jake se fecha mais...

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  84. Cara, meu coração pulou pela boca com esse final BAM!
    aMEI TODA ESSA RECEPÇÃO EM lA pUSH E CHOREI COM ESSA CONVERSA entre mim e a Leah. Baaaaaaa, será que eu consigo realmente a proeza de mudar meu lobinho irritante?
    Aaaaaaaah
    Quero logo um pouco de romance. O primeiro beijo? O de verdade, claro. aaaaaaaaahh
    Mto ansiosa.
    Kisses da Baby

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  85. Bem que o Jake podia aproveitar a deixa da Leah e abrir seu coração pra mim. Eu adoraria ver um momento de fraqueza desses dois e quem sabe rolar um beijinho só para quebrar o gelo. Tá na hora desses dois verem que continuam vivos e que a paixão pode chegar a qualquer momento.

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  86. eu tbm tive meu coração parado por um segundo nesse final!Tipo, a Leah vai ouvir mtooooooooo depois!
    Enfim, eu amei essa chegada a La Push!Impossivel nao amar essa cidade!
    Achei mto fofo!Mas confesso q fiquei meio decepcionado com a disculpa q deram pra eles terem se casado...Eu imaginava q ia rolar um rebuliço e o escambal kkkkkk Mas enfim!Ficou bom do que jeito q ta!
    Quero mais!
    RAPIDO!
    Bjinhos

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  87. Oh Raquel!!! Me desculpe a decepção mas é q não faz parte da "personalidade" do atual Jacob dar satisfação de sua vida sabe? E os quileutes já não se sentem a vontades para exigir isto compreendes? Faz parte da historinha... eu só queria deixa isto claro, sabe? Ele criou mesmo uma fortaleza ao redor de si... se escondendo... escondendo o... dexa quieto! kkkk vo aproveitar e agradecer a vcs todas leitoras!!! Minhas adoráveis companheiras de imaginação... bjo!!! continuem comentando pq eu leio e relio os comentários sempre!! os oitenta e poucos! Qndo eu to desanimada, axando tudo ruim, me ajuda pra caramba... me despeço agora... bjo e mais bjo em cada uma de vcs!

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  88. aaaaaaaaaaaaa

    Assim que eu queria! forte e voraz...

    Déh Parabens TPB é a melhor fic do blog!!!!!

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  89. AMEI.
    Esse capítulo foi perfeito!!!
    Só o beijo que eles deram no início já tinha me deixado satisfeita, mas para minha total surpresa teve mais detalhes logo a seguir.
    Fiquei tristinha ao ver o sofrimento que a PP passa só de pensar em ter prazer com o sexo, tudo por causa do trauma que aquele pedófilo FDP causou nela.
    Espero que o Jake se apaixone tanto por ela que tenha paciência, carinho e esbanje amor para tirar esse trauma horroroso que expande na mente da PP.
    Adoraria ver o ponto de vista do Jake naquele beijo de tirar o fôlego, o que será que ele sentiu? Será que os sentimentos dele deram um nó? Será que a sementinha da dúvida foi plantada? Será que ele sonhou com ela tb? Adoraria saber.
    Pelo menos a PP está mais feliz em estar em La Push, criando vínculos e despertando a simpatia dos mais próximos, isso foi muito legal.

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  90. Uau, que beijo!!!
    Fiquei até sem fôlego.
    Coitadinha da PP pelo visto ainda vai sofrer um bocado por causa daquele pedófilo de um figa.
    Agora ela é uma ótima anfitriã, já conquistou a todos e isso é muito bom, os quileutes serão a família que ela precisa. Foi um dia super divertido.
    Agora parece que teremos visitantes e com certeza, não desejáveis. Vampiros já estão na área.
    Amandooooo, bjsss!!!!

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  91. Ah dude, eu sou péssima em adivinhação. =/
    Sei lá, mas acho que eles vão dá uma desconfiada de mim.
    Será que eu vou lutar contra o vampiro q alguém vai ver?
    E me diz que foi aquele beijo com meu Jake? Ficou quente aqui em casa. rsrsrsrsrsrsrs
    Esperando o próximo.
    Bjudds.

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  92. Menina que Bjo foi esse???\o/ amei este cap e como a Juh eu tmb sou pessima em adivinhações mas eu tmb achu q vão desconfiar um pouquinho da PP, sei não mas tipo tenho uma leve impressão que os Cullens vão aparecer estou certa????!! bom esta foi minha aposta mas ansiosa pelo prox cap não demore a postar por favorrr *-* bjuss

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  93. Déh minha flor, mais um capitulo PERFEITO!!! Dei risada junto imaginando a cena do ataque de riso! E o beijo, ah, o beijo, mais uma vez vc conseguiu passar toda a emoção desse beijo, dá um frio no estômago só de imaginar, uiiii
    Adorei o sonho dela, cheguei a imaginar que o Jake estava realmente invadindo o quarto dela. E esse almoço em família foi muito bom, e estou curiosa pra saber que vampiro apareçeu por lá. Eu tambem ia amar se tivesse uma versão de Jake contando o que esta se passando por sua cabeça. Só por favor posta logo, tua fic é a melhor mesmo, ela tem tudo, drama, comédia, suspense, romance, essa fic tá me tirando o sono!!! Parabéns, bjsssss

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  94. ah eu sou péssima em adivinhações mais vai lá eu acho que a bellasonsa com a renemonstra e familia voltaram para atormentar nosso jacob . será que é isso ? Acho que não. Bom tudo é possivel. De qualquer forma amei este capitulo, por favor, por favor, por favor, não demore a postar o proximo capitulo pois fico sem unhas de tanta ansiedade. Bejos e muitos parabens pela fic.

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  95. Menina! Que capitulo perfeito é esse? A-DO-REI. Simplesmente já estou apaixonada por sua forma especial de escrever. É como se todos as palavras que você escreve é escrita com muito carinho pensando em todas as palavras possíveis para a historia ficar perfeita para as suas leitoras. Continue assim viu. Estou amando.
    AGORA SOBRE O POST:

    Achei incrível o fato de Jacob beijar a PP - eu - na frente de todos. Será que eles perceberam toda a tensão no beijo? Déh, você está fazendo um bom trabalho com o imprinting fazendo eles descobrirem aos poucos. Eu acho que podem ser ou os Cullens, os os Volturis .. se bem que os Cullens é bem mais provável ..Enfim estou amando, não demora para postar.
    Beijinhos*

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  96. Esse capítulo foi maravilhoso, e bom ver que a pp está se dando bem com a família do Jacob. Agora sobre o próximo capítulo eu acho que eles descobrem sobre a pp é, e eu acho que esses vampiros são os cullens. Vamos aguarda.

    Bjos

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  97. flor você simplesmente me deixou sem folego neste capitulo. d+ . Acho que agora o gelo do coraç~co do nosso jacob comessa a ser quebrado de vez.estou muito anciosa pelo proximo capitulo. bjs.

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  98. Uau, esse capítulo foi demais!!!
    Reneesme se preocupando com o Jake depois de tudo! Bom, pelo menos ela percebeu o quanto ele protegeu a Bella até o último momento.
    A Bella tem mesmo que se sentir culpada, ela acabou com o meu lobinho.
    Fiquei curiosa, o que será que aconteceu com a PP?
    Será que depois dessa o Jake melhora um pouco seu temperamento? Acho que não, mas que vai ser um começo, ah vai!!
    Amandooooo, bjssss!!!!

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  99. Menina, que capítulo foi esse?
    Será que agora vamos ter uma aproximação com Jake?
    Será que ela teve uma premonição ou foi atacada psicologicamente por algum dom de algum vampiro?
    Dude, que curiosidade do hell.
    Please,não demore a postar, se não eu tenho um filho.
    Bjudds.

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  100. A não isso não é justo vc sempre para nas melhores partes e me deixa cm uma curiosidade imensaaaa haushaushua mas amei o cap foram muitas novidades e informações hihi. Achu q a Renesmee nutre um sentimento a mais do que deveria pelo Jake viu, ela ficava calada quando falavam dele e agora defendeu ele cm unhas e dentes (é claru q os Cullens devem sentir muita gratidão pelo que o Jake fez) mas a Renesmee sei não viu ai temm mas o que foi aquilo q a pp sentiu, achu q foi uma premonição mas so vamos saber depois bjus e ansiosa pelo prox cap naos demore a postar por favorrrr *-*

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  101. Confesso que no começo nao gostei muito desse papo de elfo. mas sua historia eh mt bem escrita e gostei muito dos personagens q vc criou e continuei lendo. sinceramente mudei de ideia. gostei muito dessa ideia de elfo e mei-elfo e como eles se relacionam a origem da transformação em lobos dos quileute. uma ideia muito mais criativa do que a tia setph criou.

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  102. fiquei com pena dele tadinho... mas gostei demais da sua versao de amanhecer e como o jake ficou depois que os cullen se foram. e adorei a heroina, ainda estou no inicio da historia, então resolvi dar uma paradinha e comentar, pois vc merece!!! conseguiu mais uma leitora!!!

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  103. adorroooo casal briguentoooo...
    quebra o barr