14 de setembro de 2011

Reino Dividido by Miss Félix

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Reino Dividido













Prólogo


Nunca pensei que minha não vida se tornaria nesse inferno. Um coração morto e petrificado se desfez em pedaços por causa de um lindo sorriso e este mesmo coração agora amarga o sabor da traição e tem sede, muita sede de vingança. Quando foi que eu falhei? Como foi que eu não vi tudo isso acontecer bem debaixo do meu teto. Aquilo que eu mais amo se tornou agora algo que eu odeio e objeto de meu desprezo. Meu pequeno milagre, meu mundo está destruído e meu reino divido.

Tempos atrás...

“Mais uma batalha contra aqueles malditos lobisomens. Mais uma batalha cruel e cheia de vítimas inocentes . Muito sangue desperdiçado. E um amigo conquistado, Félix – meu amigo, meu irmão.

-Aro meu filho, se aproxime e admire esta mulher de pele bronzeada pelo sol das ilhas Baleares*. - disse Viktor.

-Mestre ela é...- como dizer? Pensei enquanto o mestre supremo de nossa espécie me oferecia o corpo e o sangue daquela mortal como premio por mais uma conquista.

-O que há Aro? Não pretende se apossar do seu sangue ou de sua ‘formosura’?

Meu coração bateria a mil se ele fosse vivo. Que mulher inacreditavelmente bela. Olhos verdes , cabelos negros como a noite que tanto aprecio, longos e cacheados . Ela usava um vestido de seda, estava uma maltrapilha e só Deus sabe o que raios acontecera a ela durante seu cativeiro . O veneno em minha garganta queimava e meu desejo por seu sangue que parecia cantar para mim crescia rápido demais. Só me refreie por um motivo que eu não sei bem qual. Não podia machucá-la, não queria. Seus olhos verdes me olharam com suplica e eu desmoronei por dentro.

-Aro estou ficando impaciente. Pegue-a ou a dê ao Félix, ele é tão merecedor quanto você ! – exclamou meu pai.

Félix que estava ao lado daquela linda morena me olhava constrangido, não era preciso dizer uma única palavra , não era preciso eu tocar para saber o que ele pensava.

-Sim mestre – forcei meu olhar frio e calculista – pegarei o que é meu e me divertirei. Agora que os lobos estão quase extintos devemos comemorar a soberania vampírica.

Andei dois passos firmes e puxei a bela dos punhos fortes do meu amigo Félix. Ela soltou um gemido , não sei se de dor ou de medo. Como eu me odiei por fazê-la assustar-se. Félix parecia um tanto relutante em deixá-la comigo, meu mestre ria largamente.

-Isso não acabou! os senhores não venceram a guerra. Podem ter meu sangue, meu corpo mais nunca minha obediência . Não me importo quem é o mais forte ou o mais soberano, lobisomens sempre existirão e um dia esse ódio acabará. – ela gritou.

-Cale-se sua bruxa maldita antes que eu mesmo consuma do seu sangue. – levantou meu pai de seu amado trono , seus olhos vermelhos agora era tingido de um tom de ódio pela insolente cativa.

-Mestre , permita-me que lhe mostre boas maneiras. Ela deve saber como se portar diante de um Volturi! – exclamou Félix.

-Tirem-na daqui!

-Sim mestre. – falamos juntos .

Dos olhos verdes da morena escorreram lágrimas e de seus lábios apenas o mais profundo e obscuro silencio. Saímos os três porta a fora.

-Félix meu amigo daqui por diante eu assumo . Vá .

-Aro meu amigo....

-Não discuta Félix!

[...]

Passados três dias , minha morena não falou, não comeu. A deixei descansando em meus aposentos. Passei as noites velando seu sono inquieto. Até ela chamar meu nome.

-O que há querida? – falei me apressando para estar ao seu lado na cama. Ela estava ofegante.

-QUE HORAS SÃO? – perguntou desorientada.

-Já passam da meia noite. O que houve? está tão pálida! – toquei sua pele e deixei meus poderes fluírem.

Cada pensamento , cada mínimo detalhe de seus pensamentos passaram como um filme diante dos meus olhos. E o que mais me chocou, eu estava em seus sonhos.

-Não precisa temer a mim, eu te protegerei meu amor.

A partir daquela noite um amor surpreendentemente forte nasceu no meu coração de gelo. A guerra cessou por uns tempos depois que em uma emboscada meu pai foi destruído. Eu herdei o posto do meu pai, Félix assumiu o meu lugar na chefia de toda a guarda Volturi e o inesperado ocorreu....

-Não posso resistir ! a morte está ...Aro! – Minha adorada Coraline gritava.

-NÃO! Você não vai morrer eu não permito!

Como uma vampira recém-criada gerou um filho meu? E as conseqüências disso eu não sabia.

-Aro...a dor..não consigo...respirar

-FÉLIX RÁPIDO! ME AJUDE COM CORALINE!

-Aro , os lobisomens começaram uma rebelião. Volterra está cercada, tivemos muitas baixas. Não posso me afastar!

-ARO!!!!!!!

-CALMA CORA EU VOU CHAMAR AJUDA! – disse em meio ao meu desespero.

Olhei para Félix e foi tudo o que eu precisava fazer, ele compreendera meu pedido mudo . Corri pelos aposentos atrás de ajuda de algum criado. Gritos eram ouvidos de longe, meu império ruindo e o amor de minha existência trazendo ao mundo com muita dor o fruto de verdadeiro milagre.

-Criadas andem logo vossa majestade precisa de ajuda!

-O que houve mestre? O que há lá fora? – uma mulher meia idade perguntou apreensiva.

-Esqueça lá fora venha até Coraline ela está precisando de ajuda!

-Chegou a hora? – ela me perguntou se apresando em pegar alguns objetos.

...

Corri a frente da minha legião e lutei contra aquela espécie asquerosa . As ruas, praças e becos de Volterra estavam tomados por corpos e guerreiros. Olhei para trás e algo me dizia para voltar. Mais não podia me afastar dos meus soldados.

Após uma carnificina voltei tão veloz quanto o brilho do sol ou tão quanto um vendaval. Ouvi de muito longe um choro de recém-nascido . Adentrei no quarto e vi o que mas temia.

Félix inconsciente agarrado protetoramente ao pequenino, minhas criadas esquartejadas e em meu leito um vazio.

Naquele dia me tornei de verdade um Volturi e jurei vingança em nome da minha Coraline. Os lobos iam pagar caro.
.
CAPÍTULO 1
Pov Aro
- Ora ora ora! Quem é vivo sempre aparece ! não é isso que os humanos dizem?
-Aro, creio que isso não se aplica a nós meu caro amigo. – disse-me Caius adentrando em minha sala.
Era dia de São Marcos e meus conselheiros sempre vinham passar a temporada comigo e com meu pequeno milagre, minha filha .
-E o Félix? – quis saber.
-Creio que em breve chegará. Depois que ele se foi para a América latina com aquela criança ele não é mais o mesmo. – Falou Marcus.
Enquanto conversava a porta do grande salão se abre revelando minha mais fiel conquista. Jane. Seu cabelo loiro preso e em sua capa rubra , de longe uma menina.
-Mestre? – falou Jane.
-Sim minha criança.
-Conselheiros, sejam bem vindos de volta a Volterra. – continuou ela.
-Obrigada Jane e onde está Alec? – quis saber Marcus.
-Está a serviço da srta Volturi ,conselheiro.
-Então Jane, o que você quer? – ordenei que falasse.
-Vim comunicar meu mestre que o Sr Félix Volturi e sua filha acabaram de chegar.
Ouvi murmúrios de meus conselheiros. Finalmente poderíamos caçar alguns humanos que estavam no festival de São Marcos e iria rever a filha de Félix, meu outro tesouro, uma verdadeira Volturi. Pena que não foi gerada no ventre da minha agora morta Coraline. Ao invés disso, abandonaram aquele anjo em forma de criança nos arredores de Volterra.
O inacreditável foi Félix ter tido compaixão pela criança a ponto de adotá-la . Sair de Volterra para morar na Argentina, abrir mão de seu posto, declinar a liderança junto a mim não é algo que um vampiro faça. Mas ele o fez. Abandonou tudo pelo amor aquela criança.
-Titio! – falou a minha adorável adentrando o grande salão .
Levantei-me do meu trono e meus conselheiros que estavam sentados ao meu redor também o fizeram.
-Olá minha pequena! – falei sorrindo. Apenas , e minha amada Coraline eram capazes de me fazer esquecer os lobisomens e todo o ódio que eu sentia por eles.
-Félix, já não era sem tempo! – repreendeu Caius.
-Perdoe-me meus amigos é que fica difícil viajar a luz do dia. – justificou Félix.
-Não me conformo como está crescida ! – falou Marcus.
-Oi tio Marcus , também estou feliz em te ver. Além do mais eu nem cresci tanto assim. – ela disse risonha.
-Não vai falar comigo ? – perguntou Caius.
-Não fique enciumado tio Caius eu também te amo! – ela falou e foi ao seu encontro.
Com leveza e graça se curvou diante de nós. Ela era muito parecida com . Acho que Félix estava mais perceptível do que eu naqueles dias, naquele maldito dia em que os lobos destruíram a minha vida ao retirar Coraline de mim. Ele se sentia culpado pelo o que aconteceu, acho que foi por isso que um mês depois quando ele encontrou enrolada em um manto azul ele se afeiçoou .

Minha precisaria de companhia já que a ausência da mãe nunca poderia ser compensada com uma ama, ao menos seria como uma irmã que ela nunca teve. Nunca teria.

- bella ragazza , por que não vai atrás de sua prima? Ela está com o Alec se preparando para hoje a noite. Jane ficará a seu dispor enquanto estiver aqui. Entendido Jane?
-Sim mestre. – ela respondeu contrariada. Sei que Jane não suporta minhas preciosidades .
-Sim mestre irei até meus aposentos me trocar e irei atrás da . Senhores conselheiros , papai , com licença - falou imitando Jane e mais uma vez se curvou . Saíram porta a fora.
Nos entreolhamos e rirmos da cena que se passou. é bem amável , doce quase uma santa. Mais sabia ser azeda, áspera, imponente e bem divertida também. Me lembrava a mim mesmo antes do meu pai ter sido destruído. Eu era quase um humano para um vampiro .
-Não consigo entender o que ocorre com nossas pequeninas. – Falou Caius seriamente.
-O que quer dizer ? – Marcus quis saber.
-Elas são vampiras, sinto o cheiro delas, elas possuem dons porém elas tem um quê dos humanos. eu até entendo , já que sua mãe fora um mistério. Mesmo sendo uma vampira recém-criada ela gerou uma criança. Mas...e ? – indagou Caius novamente.
-De certo tens razão meu amigo. Coraline fora um mistério, vampiros não podem ter filhos e no entanto ela me agraciou com um. Mas eu nunca me importei com os mistérios que envolvem a . – mais sempre quis saber, pensei.
-Minha filha também é um mistério para mim meus caros. Ela cresceu muito e em muito pouco tempo. Seus poderes são especiais e a cada dia ele descobre novos dons.
-E é por isso Félix que eu dei meu sobrenome a todos vocês. Vocês me são de grande valia e com não é diferente. A amo como a uma filha e tenho planos para ela e seus dons. – falei.
-Chega de conversa meus amigos, viemos para caçar! – falou Félix pondo fim a conversa.
Pov
Papai sempre me super-protegeu. Minha única amiga é . Eu estava muito feliz por reencontrá-la.
Volterra é o meu lugar, foi onde papai me encontrou abandonada, onde dei meus primeiros passos, disse minhas primeiras palavras e onde eu me sentia em casa. Eu tinha e tio Aro e nós todos formávamos uma família.
Fui retirada de meus devaneios quando Jane parou bruscamente diante de mim e me fuzilou com aqueles olhos e seu ar superior.
-Chegamos ... - ela disse secamente - e boa estadia. – completou com sarcasmo.
-Obrigada criada...- retribui o olhar cínico – e quando eu precisar , esteja ao meu lado numa velocidade de um piscar de olhos! – pisquei o olho e sorrindo adentrei no salão .
-! Gritou
-Oi !
-Srta Volturi – me cumprimentou Alec se curvando a mim.
estava elegantemente vestida e estava decorando o ambiente.
-Não vai me dar um abraço? – perguntei e ela prontamente correu até mim me dando um abraço caloroso.
-Estarei lá fora. – disse Alec saindo do recinto.
-Se ele pudesse corar eu poderia jurar que ele ficou sem graça - falei sorrindo.
-Ele é um fofo mesmo mas você não veio para falar dele não é mesmo? – disse-me .
Comecei a ajudá-la com a decoração para o baile que haveria a noite. E tagarelamos a tarde toda. Eu sentia falta disso. De uma irmã. A falta que me fazia uma mãe e uma família.
Eu invejava isso da , mesmo ela não tendo conhecido a própria mãe ela pelo menos sabia que houvera uma, sabia quem era seu pai de verdade. E eu? Uma coitada que foi abandonada com alguns meses de vida em uma viela. Nem um cartão minha mãe deixou com um "cuide dela, eu não posso, mais a amo".
-? Você está me ouvindo?
- Perdão estava pensando no meu passado.
-, você sabe que eu te amo. Somos como irmãs, se você se entristece eu também fico triste. O que foi dessa vez?
Ela me conduziu até um sofá de veludo vermelho. Pegou as minhas mãos entre as dela.
-Conte-me o que há.
-...- suspirei pesadamente – eu estava vendo você . Você tem um pai de verdade, tio Aro ama sua mãe , você tem ‘’certa’’ liberdade, sabe? Uma família, amigos. E eu? Tenho a compaixão de Félix.
-Shii nunca mais diga isso! Tio Félix te adora, eu te adoro, tio Caius, tio Marcus, papai te idolatra tanto quanto a mim, acho até que o Alec te adora.
-Alec? Cala a boca você não sabe o que diz. Ele é um capacho por você , ele te ama .
-Ele é um amor mesmo mais eu não quero nada com ele. O vejo como um primo distante.
-Você não sabe o que é viver naquele casarão sozinha, já que o papai viaja tanto e nunca quer me levar , fico sendo vigiada pelos guardas Volturi . Onde quer que eu vá durante o dia , isso quando eu consigo ou quando papai deixa, tenho aqueles guardas atrás de mim ou ele mesmo fica colado comigo.
- , você quer dizer a mim o que é estar presa? Olha ao redor. Alec e Jane são minhas companhias , não posso sair de Volterra, fico dentro deste castelo vendo o meu pai amargurado por causa daqueles cães miseráveis. ODEIO AQUELES MALDITOS LOBOS!
-Se papai me deixasse morar com você... – falei com o olhar triste de novo.
-Nunca entendi por que tio Félix tem medo de Volterra.
-Papai não tem medo. Ele se sente culpado.
De repente minha visão foi ficando turva , meu olhar se fixou no nada em qualquer ponto a ermo , meu corpo tremia e um show de imagens passaram diante dos meus olhos.

Pov
-O que está vendo? ! ALEC! SOCORRO!
Gritei apavorada, se debatia violentamente não tive como contê-la ela foi escorregando fazendo seu corpo de chocar com o chão, seus olhos de um verde esmeralda transformou-se em um branco gelo, ela olhava para o nada e murmurava palavras sem sentido.
-RÁPIDO ALEC!
-Volterra...
- CHAME SEU PAI EU FICO COM ELA! – falou Alec
-NÃO! EU NÃO SAIO DO LADO DELA!
-futuro...
Enquanto seu corpo se debatia freneticamente contra o chão ela murmurava palavras aleatórias, seu corpo estava gélido e seu respirar era falho. Alec tinha medo em seus olhos.
-Amor....NÃO! – ela gritou e tornou a baixar a voz- ...vingança...sede...MEU MILAGRE!
-RÁPIDO EU TENHO MAIS FORÇA PARA CONTÊ-LA! CHAME AJUDA! – vociferou Alec e de imediato obedeci.
Sai correndo pelos corredores até entrar sem a menor cerimônia no grande salão dos tronos. Todos pararam de imediato e me olharam espantados. Meu coração batia em frenesi, meu pai se levantou e veio até mim e tocou a minha mão.
-Félix vamos logo é ! – meu pai disse e todos saíram o seguindo em passos largos.
Entramos no ambiente e Alec estava contendo os pulsos dela.
-Meu filhinho....PAI POR QUE FEZ ISSO? – ela gritou....Coraline....LOBISOMENS.......HERDEIROS. – ela continuava a se debater e com um suspiro se calou.
-FILHA!- gritou tio Félix correndo até o sofá onde ela estava inconsciente.
-PAI? O que está havendo com ela? – ansiava saber.
- Não sei querida. Félix saia daí, vou tocá-la.
Meu pai se ajoelhou ao lado do leito de e tocou sua mão. Todos estavam apreensivos. Tio Félix bagunçava os cabelos e os conselheiros tentavam me consolar.
-INACREDITÁVEL! – exclamou meu pai.
-O que houve mestre? – perguntou Alec.
-Não vejo nada. Nenhum pensamento, é como se ela estivesse se protegendo ou protegendo alguém. Só não acho muita coerência em suas palavras. Algumas coisas fazem sentido mais as outras não me dizem nada.
-Alec – chamou Caius – leve-a para o quarto. Vamos esperar que ela acorde Aro.
Depois disso nos dissipamos . Fiquei ao seu lado enquanto dormia, Alec e Jane ficaram de vigia na porta e os mais velhos foram discutir o acontecido.

Pov

Abri meus olhos e me deparei com os olhos castanhos de .
-O que aconteceu? – perguntei com a voz rouca.
-Céus! Você está bem? Seu pai está a ponto de enlouquecer, você nos assustou, desde quando você tem esse tipo de coisa?
Ela disparou perguntas que eu não consegui absorver totalmente as informações. Me levantei e encostei-me junto aos travesseiros.
-O que houve? – perguntei novamente.
me relatou todo o ocorrido e todas as palavras que disse.
- você se lembra do que viu?
Indiquei que sim com a cabeça.
-Conte-me.
-Me lembro de algumas coisas apenas. Lembro-me de uma lua cheia, o futuro de Volterra está incerto, eu vi você ao lado de um homem...e...- e o que mais? Pensei.
-E...quem era esse homem e por que ele estava comigo? Por que Volterra corre perigo? Serão os lobos de novo?
-Não sei, apenas vi.
-Viu algo mais?
-Sim. Duas crianças em dois berços de madeira , estavam em um quarto e seus berços estavam lado a lado. Vi meu pai diante de Aro e de...lobos. – espantei-me ao tomar conhecimento do que falava .
-Lobisomens?
-Eu não entendo, as imagens são borradas e eu não tenho certeza .Mais temo que a guerra contra aqueles cães sarnentos recomece. – admiti.
-Vamos esqueça isso por ora, tome um banho e vista-se, você carrega um sobrenome valioso e temos uma festa para ir. Esteja pronta em duas horas Volturi.


CAPÍTULO 2
Pov Félix
Depois de algumas horas discutindo o que diabos ocorrera com minha filha desisti de ir para o baile. Aro haveria de me perdoar afinal ele também era pai.
Ouvi passos se aproximando do meu quarto e reconheci o cheiro de Jane.
-Entre. – antecipei o seu anúncio.
Ela entrou e curvou-se a mim.
-Conselheiro, sua filha pede para vê-lo.
Jane saiu e eu loucamente me dirigi aos aposentos da minha dádiva do destino.
-Papai – ela me disse sorrindo.
-Minha pequena! Não faça mais isso comigo, você tem noção da preocupação que nos causou? O que houve contigo? O que você viu?
Ela se encolheu na cama e me olhou ....assustada?
-Filha sou eu, seu pai. Por favor não me olha assim, me fala o que você viu eu estou desesperado. Não sei mais o que fazer com seus poderes descontrolados desse jeito.
Eu estava realmente alucinado sem saber o que fazer com ela. Minha menina à medida que crescia perdia o controle sobre suas visões. Eu a amava muito e não poderia perdê-la como perdi sua mãe há poucos anos atrás.
Ela saiu das cobertas quase em lágrimas, estava usando apenas uma camisola longa de seda.
-Pai eu tenho tanto medo. – ela disse desabando em lágrimas e soluços.
-Calma minha vida, eu estou aqui contigo. – disse a abraçando protetoramente.
-Eu vi muitas coisas sem sentido e tenho medo de ser uma anormal, de estar louca.
-O que você viu? – quis desesperadamente saber.
Ela me contou tudo. Para mim também não fazia sentido ou fazia até de mais. Senti meu corpo travar ao ouvi-la mencionar que me viu com Aro diante de lobos. Aquilo nunca poderia acontecer. Não permitiria que a guerra recomeçasse e nunca permitiria que aqueles sarnentos tocassem em um só fio de cabelo de ou .
-Esqueça isso princesa. Hoje ficarei aqui no quarto com você, velarei teu sono. – ela se afastou do meu abraço paterno.
-Papai, não podemos fazer isso. Viemos de tão longe para nada? É sua temporada aqui em Volterra, divirta-se com seus amigos. Vá caçar – ela disse fazendo cara de nojo, sempre teve repulsa por sangue – eu vou me divertir com e além do mais as tradições devem ser respeitadas. Há mais de três séculos que o baile acontece intra-muros de Volterra.
-Mas...- comecei e fui silenciado.
-Sem mas Sr Félix Volturi, você carrega um nome e uma história. Temos que dar o exemplo, quase toda a elite da sociedade vampírica estará aqui e eu me recuso ser uma desculpa para faltarmos com nossa obrigação. Somos nobres e somos soberanos pai.
-Sabia que eu odeio esse tom mocinha? – perguntei em tom brincalhão mas por dentro aquilo me irritava.
-Pai, o senhor sabe que eu odeio tanto quanto o senhor estas coisas. Esses eventos sociais são o que há de pior em nosso meio, mas temos um brasão e temos que mostrar que estamos com eles. Como quer passar confiança e despertar o respeito da sociedade se o próprio líder ou líderes não marcam presença?
Ela era extremamente habilidosa e sabia argumentar.
-Ok, nós vamos porém se tiver outro episódio como o de hoje voltamos de imediato para o Buenos Aires. E tenho dito!
Pov
Depois que saí do quarto de pedi a Alec que monitorasse tudo relacionado a ela e me avisasse se algo ocorresse. Fui até meu pai para saber em que conclusão eles chegaram sobre o ocorrido. Porém fui carinhosamente repelida.
Frustrada e temerosa comecei a meditar sobre o que me contou. Vencida pelo cansaço resolvi ir me aprontar.
Tomei um banho relaxante na banheira.
Pus um belíssimo vestido longo que me caia muito bem valorizando meu corpo e suas curvas. Preto e decotado em V na parte de trás, calcei meu salto refinado, maquiei-me e com a ajuda de uma ama fiz um penteado elegante.
-Srta Volturi, se me permite o comentário - começou a ama – está divina!
A olhei cheia de amor, afinal ela me criou.
-Muito obrigada Anastácia. Você é que é talentosa, repare o belo trabalho que você fez no meu cabelo e este vestido então! Você o fez à mão! – retribui com um beijo e segui rumo a .
Pov
Troquei de roupa e me sentei diante da minha cômoda completamente desmotivada. Eu sempre fui péssima para escolher roupas.
Jane estava dentro do meu closet e muito contrariada me mostrava as minhas opções.
-Jane vá! – ordenei – Eu mesma procuro.
-Sim srta Volturi – ela respondeu amarga e se foi.
-Com que roupa eu vou?
Me indaguei em alta voz.
Já estou indo” ouvi a voz do meu socorro, em meio segundo estava no meu quarto.
-Você demorou – reclamei brincando.
-Desculpa se não sou uma boa telepata. Nem sempre ouço você e nem sempre você me ouve então...fica difícil não é mesmo? – falou.
-Quando é que nós vamos dominar esses poderes afinal de contas? Do que adianta ver flashes do futuro se não entendo absolutamente nada e do que adianta ser telepata se você mal escuta os pensamentos da única pessoa que você ouve? – falei frustrada.
-Não sei por que você vê e não entende e eu não sei por que só você me ouve e eu mal ouço você, mas agora a srta está atrasada. Vamos ver o que faço com você .
revirou meu closet e nada a agradou.
-Amanhã mesmo vamos fazer compras minha amiga. Não tem nada aqui que nos agrade!
-Olha ali - indiquei um guarda roupa antigo que eu não usava para nada. – Será que ali tem mais roupas? Eu nunca abri para ver.
-Bom...a esperança é a ultima que morre !
Ela foi graciosamente e eu ao seu encalço e abrimos juntas as portas do guarda roupa. Ambas boquiabertas com a descoberta de lindos vestidos, coloridos e clássicos.
-WOW! – exclamamos.
Retiramos tudo um por um, até que meus olhos se prenderam em um vestido vermelho incrivelmente sofisticado e com um leve tom de sensualidade.
-É PER.FEI.TO – gaguejou . – rápido vista-o e calce isto. Você estará magnífica .
Depois de breves minutos eu estava pronta. Delineei meus olhos ressaltando os verdes característicos e soltei meus cabelos, cuidou para que eles ficassem ondulados.
Paramos diante do espelho e nos admiramos.
-Está muito formosa e altiva srta Camilla Volturi – brinquei em meu melhor tom galante .
-Devo salientar que a srta Volturi não foge a regra! – ela piscou para mim e sorriu.
-Ok , estamos lindas, afinal somos Volturi. Agora vamos que nossos súditos nos esperam. – disse saindo do quarto e demos de cara com um Alec surpreendido.
Pov Aro
Mais um baile tradicional, meu castelo estava repleto de convidados. Enquanto a alta sociedade vampiresca conversava sobre negócios e parcerias minha atenção estava voltada para uma questão importante. já aparentava ter seus 20 anos humanos, seria minha sucessora mas para isso eu precisava que ela se casasse.
Me doía imaginar minha menina, pura e ingênua, casada. Sei que posso ser o rei eternamente, minha imortalidade me garantiria isso. Mas além da questão da sucessão ao meu trono, um casamento arranjado com os russos me deixaria em larga vantagem econômica e territorial.
-Aro meu amigo – começou Caius admirando o esplendor do ambiente – é uma artista!
-De fato ela é. – respondi sorrindo – Ficou espetacular a decoração e todo o resto. Mudando de assunto, o Félix descerá com ?
-Creio que não – respondeu Marcus.
-E os Romanov já chegaram? – quis saber Caius.
-Sim, eles acabaram de chegar. – respondeu Marcus.
-Ótimo, peçam para um dos gêmeos buscar e por favor nem uma palavra sobre meus planos.
-Sim. – falaram em uma só voz.
-Mestre! – falou um homem de aspecto rigoroso e calculista que veio se aproximando.
-Olá meu caro amigo da Rússia – o cumprimentei – senhora – curvei de leve para a sua esposa e ao me levantar vi um vampiro alto, forte de aparência vigorosa e intransponível.
-Majestade , este é meu filho Yuri Romanov. – falou o seu pai.
-É uma honra conhecê-lo majestade. – o homem alto, de pele pálida e olhos extremamente azuis disse em um sotaque carregado.
-A honra é minha Yuri, ouço falar de suas proezas há quase 100 anos. Você tem pulso firme e é estrategista, habilidoso com as armas e é um ótimo general. – disse e lhe estendi a mão para tocá-lo.
Cada pensamento seu passou como um clarão em minha mente. Ele não queria o casamento arranjado mas aceitou a ordem do homem que o transformou em vampiro e a quem ele chama de pai. Eles também viam vantagens nessa união.
-Você meu caro Yuri possui algum dom?
-Apenas o dom da guerra, majestade. Sempre fui homem de armas.
-Mestre, Yuri é perfeito, fala 10 idiomas e conhece o ponto fraco dos lobisomens além de ser muito fiel, decidido e ser um bom articulador. – Mikail Romanov se vangloriava de seu trabalho bem feito na criação de seu filho.
-Claro, posso ver suas qualidades de longe, Yuri é muito polido e muito bem apessoado. Nota-se sua essência russa e os esmeros da educação que sua senhora e o senhor, é claro, deram a ele. Vocês formam um clã tão bem quisto quanto os Denali e os Cullen.
-Mestre – falou Jane
- Sim querida?
-Srta pede para avisá-lo que está a caminho.
-Claro e a outra srta? Onde está ?
-Srta Volturi está circulando por entre os presentes mestre, está coordenando o baile e recepcionando os convidados.
-Está dispensada por ora querida. Vá e se divirta.
-Claro mestre.
Jane se foi e o clã à minha frente estavam com expressões que misturavam dúvida e o medo de perguntar.
- é minha filha, como bem sabem, e é filha de Félix Volturi. Infelizmente nem Caius e nem Marcus quiseram aumentar nosso clã. Por enquanto divirtam-se, a noite é uma criança e quando for a hora apresentaremos nossos rebentos.
Pov
Com a educação principesca que recebi e pelo fato do sobrenome que carrego pelo amor de Félix por mim, fiz minha obrigação.
Polidamente circulei pelo recinto e cumprimentei os convidados. De longe vi Aro conversando com um clã oriundo do norte a julgar pelos rostos sisudos e aspectos soberbos. O mais moço era o menos assustador.
A noite foi regada a vinho e sangue, poucos vampiros sentiam a necessidade de consumir comida humana. Mas mesmo assim canapés e outros quitutes foram servidos.
Já cansada, se é que eu podia estar, de sorrir e ser o que a sociedade precisava que eu fosse resolvi ir para minha sala de música. Senti um cheiro de vampiro sendo exalado em um corredor próximo, mas não vi ninguém.
-Bom, agora é você e eu apenas. – falei segurando na maçaneta.
Ouço a melodia morrer em seu acordes finais e uma sombra estava a tocá-la. Fui me aproximando lentamente e eu comecei a ficar mais consciente do homem sentado ali. Ele era alto, ombros largos, estava impecavelmente bem vestido e tinha cabelos que caiam brevemente em cascata pelo pescoço.
Ele pareceu não notar minha presença e eu fui me aproximando cada vez mais dele.
-Toca muito bem senhor, mas posso saber como chegou até aqui? – falei querendo realmente saber e também assustá-lo, mesmo sabendo que não teria graça já que seu coração não batia dentro do peito. Mas pegá-lo de calça curta seria divertido.
Ele de súbito olhou para mim como uma criança que é flagrada fazendo traquinagem.
-Er... perdão, não sabia que não podia entrar aqui. – ele desatou a falar. Seus olhos eram de um azul quase violeta e seu cabelo era de um tom achocolatado.
-Calma senhor. A majestade, o rei Aro não proibiu ninguém de entrar aqui. Eu só achei estranho a festa ser do outro lado do castelo e você está aqui sozinho tocando este velho piano empoeirado.
-A orquestra que está lá fora é muito boa, sabe? Mas eu prefiro a solidão a um monte de gente sem escrúpulos ou sinceridade.
-Hum...então o senhor é um poeta sombrio. – afirmei.
-Não, prefiro apenas a companhia do silêncio.
-Você e seus mistérios. – falei rindo – Tudo bem, já que você faz o gênero da sociedade dos poetas mortos vou deixá-lo na companhia mortal da solidão.
-Não precisa ir, pode ficar. Não quer dizer que eu não conviva na presença de outras pessoas, já estava ficando chato tocar para o nada.
-Você não disse seu nome ou de que clã você é? - questionei.
-Sou de um clã muito distante, sou do Brasil e me chamo Bernardo. Vim com minha família, somos no total de quatro vampiros...
Enquanto ele falava eu pude perceber o quanto ele amava sua família e em como ele não sofria por ter sido transformado. Eu estava simplesmente encantada com ele. Tão simples e tão feliz. Além do mais, ele era dono de uma beleza espetacular. Ouvi ecoando dentro da minha cabeça um grito de socorro.
-!
Falei alto de mais e sai correndo da minha sala e ouvi ele dizer algo do tipo “Você não disse seu nome!”, não olhei para trás eu só precisava chegar na minha amiga.
CAPÍTULO 3

Pov

“NÃO!” – berrei mentalmente quando Jane me pediu para acompanhá-la até os nossos convidados oriundos do norte. Já sabia o que vinha pela frente. Teria que ficar servindo de guia turística além de ser “anfitriã”.

-Srta Volturi, este é o recado do seu pai. O que vai fazer? Devo dizer que não pretende juntar-se a ele e seus amigos ilustres? – disse-me a pupila do meu pai com desdém na voz. Ela não perderia a oportunidade de me ver em maus lençóis.

-Diga-lhe, criada, que eu estarei ao seu lado em instantes. – Enfatizei o “criada” para fazê-la enxergar qual o seu lugar. Papai estava dando-lhe muita asa.

Tio Caius veio até mim próximo ao salão, onde uma orquestra tocava maravilhosamente bem. Ele me rodopiou fazendo meu vestido flutuar, dançamos uma breve valsa até ele me indicar a direção de meu pai.

Resignada, segui sorrindo até alcançá-lo.

-Boa noite ilustres amigos de meu pai, sejam bem vindos a Volterra ! – disse com a expressão mais falsamente simpática.

-Ora ora minha pequena! – disse meu pai amavelmente.

-Perdoem-me pelo meu atraso, é que são tantos convidados que merecem meu respeito e minha dedicação. Mais agora, estou a disposição. – finalizei sorrindo.

-Mestre, sua filha é o que dizem. Uma jóia lapidada pela natureza, se me permite o elogio, claro. – falou o velho carrancudo.

-Sim, ela é – disse o mestre sorrindo para mim e me trazendo para mais perto dele. – minha filha é inacreditavelmente bela e refinada.

-Bom srta concede-me a honra de uma contra-dança? – falou o mais jovem. O olhei rápido e me virei para encarar meu pai, que assentiu, eu aceitei a mão que me era oferecida e partimos junto ao salão.

De longe vi meu pai e o carrancudo sumirem , a mulher ficou no canto , solitária em uma mesa afastada. Concentrei-me no meu parceiro. Olhos azuis claros , seu cabelo loiro num corte baixo como dos militares , sua pele era pálida e pelo pequeno contato entre nossos corpos pude comprovar que de baixo daquela roupa elegante havia um homem incrivelmente forte.

-Справиться с меньшим количеством формальностей, мисс? – ele disse olhando dentro dos meus olhos, então pisquei e respondi.(Tradução: Lida com menos formalidades, senhorita?)

-Предпочитаю говорить на моем языке, сэр, да, мы можем общаться без формальностей. (Tradução: Eu prefiro falar a minha língua, senhor, sim, nós podemos lidar com as formalidades.)

-Oh claro. – ele respondeu. – Então, como prefere ser chamada? De Srta... ou algum nome em especial? – ele falou educadamente.

-Como já falamos à pouco, sem formalidades e em meu idioma. – respondi sendo cordial.

-Posso te chamar de então? – o seu sotaque carregado me fez rir.

-Sim pode...mas ainda não me disse seu nome e perdoe meu riso fora de hora, não era de você e sim do seu jeito de falar. – admiti enquanto ele me rodopiava no salão, se não tivesse bebericado do vinho poderia jurar que ele tentava me seduzir ou me fazer ficar encantada em excesso. Mas a verdade seja dita, ele é de longe o vampiro mais belo que já vi e nós dois tínhamos uma sintonia. Todas as mulheres no salão nos observavam com inveja.

-Me chamo Yuri Romanov. – depois que ele se apresentou a música chegou ao fim. Ele me conduziu até uma mesa onde conversamos .

Pov Aro

Yuri, como um bom cavalheiro tirou minha dama para uma dança. Ótimo! – pensei. Assim fica mais fácil o casamento.

-Diga-me Romanov, como anda a situação com os Mercenas? Aqueles miseráveis continuam a nos atacar?

-Não mestre. Eu reuni os mais influentes clãs nortistas e com o talento nato de Yuri conseguimos combatê-los.

-Ótimo! Mas a guerra não acabou. Só me dou por vencido quando eu exterminar todos aqueles malditos cães do inferno!

Era inevitável não sentir o ódio “fervilhar o sangue”, só de pensar no que eles fizeram a minha querida Coraline. Sorte a minha que ao menos Félix conseguiu salvar o fruto do meu amor. Agora, é orgulho ferido.

-Mestre?

-Sim.

-Yuri capturou recentemente um Mercenas. Nós o torturamos até fazê-lo confessar qual a missão dele e os planos dos mercenários. E ele o confessou em seu último suspiro.

-Que maravilhosa notícia meu caro. Conte-me sua descoberta e tomarei as medidas cabíveis.

-O mercenário disse que ganhou três carregamentos de ouro e uma ilha particular em Dubai para descobrir nossas trincheiras, o paradeiro de vossa filha e quem são os nossos aliados. Sabemos que muitos vampiros que se rebelaram, agora estão aliados aos mercenas. Eles pretendem se vingar.

-Milha filha? Eles pretendem... - o nó em minha garganta me impediu de pronunciar e o veneno e a fúria me consumiam de tal forma que meu corpo estava trêmulo.

-Sim, mestre. Eles pretendem matá-la. Todo o cuidado é pouco! O mercenário disse também que existe um inimigo lutando contra eles e não somos nós.

-O que dizer Romanov? – já estava impaciente.

-Quero dizer que existem lobisomens que estão lutando contra os mercenários para que não haja mais luta entre vampiros e lobisomens. São lobisomens que estão a todo o custo ao encalço dos mercenários.

-Isso já está ficando fora de controle, são vampiros que consomem sangue de animais ao invés de sangue humano, vampiros se aliando a lobisomens mercenários, são lobisomens contra lobisomens mercenários com pretensão de evitar outra guerra entre espécies! Onde isso vai parar?


Pov

Cheguei ao grande salão de baile e não vi , meu coração se batesse por necessidade estaria descompassado. Sai correndo até esbarrar em algo duro como mármore. Que idiotice a minha – pensei. Somos vampiros.

-Desculpe senhor não tive intenção. – falei e a pessoa lentamente se virou e me direcionou o sorriso mais belo que já vira.

-Você saiu e não me disse seu nome . – era o mesmo que tocava o meu velho piano.

-Como chegou aqui tão rápido? Eu sou um pouco lenta para uma vampira, confesso, ainda assim sou veloz e não vi você e nem senti teu cheiro. Como fez isso?

Eu estava realmente surpresa.

-Bom, tenho lá meus truques minha querida.

-Perdão, mas eu preciso ir. – Disse fazendo uma varredura no local em busca de .

-Quem você tanto procura? E você ainda não me disse seu nome, princesa.

Quando fiz menção de sair, ele me segurou pelo punho forte porém não que estivesse me machucando. O olhei firmemente e desci o olhar até meu punho, ele percebendo que eu não havia gostado de sua atitude afrouxou até libertar meu punho.

-Primeiro, se quiser ser meu amigo nunca me prenda desse jeito e segundo nunca me chame de princesa, Entendeu?

Ele levantou as mãos num gesto de quem se rende e uma expressão no rosto que não consegui decifrar se medo da minha reação hóstil ou surpresa.

-Perdão srta...srta....você não vai mesmo dizer seu nome não é?

Tive que rir.

-Você é muito bobo sabia? A cara que você fez foi impagável! Parecia que estava vendo um monstro. Eu não sou grosseira desse jeito, só queria te assustar.

-Parabéns, conseguiu.

-Obrigada e a propósito, meu nome é .

Sorri para o meu novo amigo e sai em busca de .

Pov Aro

Dado uma certa hora, o salão estava apinhado de casais dançando, os mais jovens conversavam animadamente pelos cantos.

Félix e os demais conselheiros tomaram seus lugares ao meu lado, estava a um passo atrás de mim e simplesmente sumira do meu campo de visão.

-Peço a atenção de todos. – comecei meu discurso e um silêncio mortal entrou em cena. – Muito boa noite aos clãs aqui presentes. Infelizmente nem todos estão aqui, sinto falta de meu amigo Carlisle e de sua adorável família assim como os Denalli. Enfim, bem vindos a Volterra e bem vindos a mais um baile.

Todos aplaudiram e brindaram com um “viva”.

-Este ano tivemos muitas vitórias contra as investidas daqueles...cães por assim dizer. Temos nossa dignidade preservada mais não irei estragar esta magnífica reunião de amigos com questões políticas ou militares. Peço a todos que se encaminhem à grande mesa e desfrutem de um belo jantar ao som de uma bela canção e de boas companhias.

Lentamente os grupos foram se mesclando e estavam muito bem aconchegados em seus assentos.

Meus conselheiros um a um foram sentando em nossa mesa privada. Duas longas mesas preenchiam verticalmente a sala de jantar e uma mesa na horizontal, menor, comportava seis cadeiras.

Lírios brancos estavam decorando nossa mesa com requinte de delicadeza, méritos de .

-Aro? – chamou-me Félix.

-Sim, meu amigo.

-Não vejo .

-Sim, eu também não vejo porém seu cheiro ainda está aqui. Provavelmente ela deve ter ido se deitar. Acalme-se, mandarei um guarda atrás dela.

-Sim, mestre.

A comida foi servida e o vinho também, brindamos mais uma vez em nome da supremacia vampírica e nos deleitamos .

- minha pequena, por que você não canta para nós esta noite? – pedi para meu pequeno milagre.

-Claro papai.

Quando minha preciosidade levantou-se do meu lado, chegava acompanhada dos meus guardas.

-Perdão meus tios, perdão meu pai pela minha irresponsabilidade. Deveria estar aqui há mais tempo. – meu raio de luz disse-nos sorrindo com aquele seu olhar meigo de menina.

-Tudo bem mais que não se repita. Você é uma Volturi. – ralhei e logo desfiz a cara, elas tinham um dom de me desarmar.

-Filha onde esteve? Fiquei preocupado com você . – Félix questionava.

-Fui na ala oeste do castelo aí fiquei conversando com os convidados papai. Perdoe-me.

-Senhoras e senhores, hoje por ser uma noite especial pedi para que minha filha única nos presenteássemos com sua linda voz, portanto maestro, música.

Sentei e aproveitei o resto da noite.

Pov

Tomei o microfone entre as mãos e comecei a cantar uma canção que adorava. Muitos dos convidados simplesmente pararam só para me ver cantar, o meu verdadeiro dom.

-Senhor, me dê dois minutos por favor. – pedi ao velho pianista . – Damas e cavalheiros, eu não acho correto que apenas eu os divirta. O que vocês acham de um dueto Volturi?

A platéia adorou a idéia.

-Bom sendo assim gostaria de intimar, opa, quero dizer convidar aqui ao palco, Volturi.

O publico aplaudiu e direcionou a mesa principal olhares convidativos para juntar-se a mim. Papai também instigava e logo um coro clamando por ecoava no ambiente.

, os seus súditos clamam por ti. – brinquei.

Ela a muito contra-gosto veio desfilando por entre as duas mesas verticais .

-Te pego por isso. – Me ameaçou enquanto me abraçava.

-Também te amo minha amiga.

pegou o outro microfone .

-Senhor, se importa que eu toque? – pedi gentilmente, o velho retirou-se e eu assumi o piano, ajustou o meu microfone.

Eu comecei uma canção que falava de amor. A preferida de meu pai. Uma canção francesa de quase duzentos anos. Em meu francês perfeito e com uma intimidade com as teclas do piano levamos emoção aos convidados. até então não abrira a boca.

Na segunda parte da melodia deixei dominar a letra da canção. Aplausos eufóricos poderiam ser ouvidos fora do castelo.

No final agradecemos e voltamos aos nossos lugares.

Pov

O dia estava já raiando quando resolvi ir caminhar pelos jardins secretos de Volterra. Sentei em um banco e contemplei o vazio.

-Então a dama misteriosa, a simples convidada na realidade é uma nobre soberana. A minha na verdade é uma princesa. – falou uma voz masculina.

Olhei e não vi ninguém próximo.

-Eu sou apenas um plebeu alteza. Como poderei ser amigo de uma princesa?

-Saia daí Bernardo, já o vi atrás do velho carvalho.

-Muito perceptiva. Me achou fácil!

-Impressão sua meu caro. E o que eu lhe disse sobre me chamar de princesa. Eu não sou de fato. sim, eu não.

-Mas para mim você é uma princesa, tem todas as qualidades para ser.

-Não precisa me elogiar tanto, fico até sem jeito.

-Deveria estar acostumada. Como uma mulher tão linda, educada e talentosa, não está?

-Você está me constrangendo Bernardo.

-Perdão srta Volturi.

-Isso aqui não é lindo? – falei admirando um pequeno labirinto feito de um cerca viva com menos de um metro de altura. Bem ao centro encontrava-se um coreto cercado de um lago artificial com peixes ornamentais.

-Perdão, mas sinceramente não acho.

O olhei incrédula e logo ele se explicou.

-Você é muito mais bonita que tudo isso junto, em meus pouco mais de 60 anos nunca vi nada que seja digno de ser chamado de lindo tendo você por perto.

Fiquei sem reação tamanha surpresa que suas palavras doces me causaram. Abri e fechei a boca para responder, mas nenhum som emiti.

Me perdi em seus olhos azuis, não percebi quando sua mão acariciou meu rosto com a ponta dos dedos e gentilmente contornou meus lábios. Senti algo diferente naquele toque. Os primeiros raios do sol já acalentavam meu corpo e eu ansiava por eternizar aquele momento.

Sua mão me fazendo um carinho, aquele oceano profundo me fitando gentilmente, os pássaros a cantar e um belo sol tingindo de um vermelho alaranjado o céu azul clarinho.

Parecia mágica.

Mas me lembrei que logo que sentissem minha ausência guardas viriam atrás de mim então resolvi despertar daquele transe e me levantei bruscamente .

-Tenho que ir. – falei insegura.

Bernardo em sua velocidade inacreditável até para um vampiro se pôs a minha frente, uma mão segurou minha cintura e com a outra se perdeu em meus cabelos agora não mais ondulados e me beijou doce e superficial.

Adrenalina percorreu minhas veias e uma chama ameaçava queimar meu coração.


Capítulo 4

Pov

Cheguei em meu quarto e tranquei-o por dentro. Não sabia o que de fato havia acontecido. Não podia acreditar na audácia de um desconhecido em me tomar nos braços e ter me beijado. Eu carrego um sobrenome que causava arrepios e o temor em todos.

Fico pensando o que se passava na cabeça daquele brasileiro para tomar tal atitude. Se bem que parte de mim gostou do toque dos lábios, tão sereno e passivo. Aqueles olhos azuis tão gentis e palavras tão sinceras, de longe uma contradição, já que os vampiros sul-americanos em especial os brasileiros são bastante grosseiros e intratáveis.

-Filha? – disse a voz do meu pai atrás da porta me fazendo pular de susto.

-Sim papai. – respondi apressadamente.

-Abra a porta, quero falar com você meu bem.

-Só um segundo pai. – falei retirando os saltos e pondo por cima do vestido vermelho o lençol da cama.

Abri a porta e simulei um cansaço inexistente . Vampiros não cansam, não se assustam, mais eu era a exceção à regra. As vezes me sentia como uma humana, poucos vampiros mestiços eram tão “mestiços”, pensei rindo.

-Oi pai...estava cochilando – menti.

-Estou vendo – ele respondeu risonho enquanto eu fingia um bocejo. – vim ver como você está , se você se divertiu, se quer alguma coisa do seu velho pai...?

Eu adorava o jeito como Félix me olhava, sentia seu amor de verdade por mim. Eu não seria nada sem ele, se ele não tivesse tido compaixão de uma órfã. Eu daria minha não meia vida por ele. Senti pairar no ambiente um amor incondicional, de seus olhos brilhavam uma luz angelical e de seus lábios um sorriso escapou.

-Ah pai...o senhor sabe, sorrir, ouvir conversas chatas e fingir interesse, gente te bajulando só para ter uma forma de acesso a tio Aro. Essas coisas.

-Então você odiou?

-Não. Até me diverti pai, conheci clãs interessantes, fiz amizades e até cantei. Mais isso o senhor viu...ai que vergonha pai – fingi me jogando contra o peito marmóreo do meu pai que afagava meus cabelos, novamente lisos e pretos.

-Minha menina e seus talentos...fico tão orgulhoso que mesmo sem ajuda de uma mulher consegui de educar, te proteger. Estou vendo seus talentos aflorarem e o que é pior para qualquer pai.

O olhei sem entender o que ele queria dizer.

-Você é uma mulher feita. Quando ouvi um comentário sobre uma morena de vestido vermelho, confesso que fiquei curioso. Que mulher fatal era essa que capturou a atenção em especial de tantos homens e qual a minha surpresa? – ele levantou uma sobrancelha fazendo tipo.

-Quê?

-Não se faça de boba. Aquele vestido, me lembre de tocar fogo nele, ok? Não quero você tão...tão...não me faça ter que rastrear cada um deles que ousar pensar bobagens, certo?

-Ai pai deixa de ser ciumento.

-Sabe como vai ser difícil para mim no dia em que você me deixar? E se você casar? E se você quiser sair de casa? Como fica esse velho aqui?

-Primeiro, o sr não é velho, é no máximo um quarentão de seiscentos anos e segundo eu não vou deixar nunca de ser sua criança, mesmo que eu case, fuja, saia de casa, entendido general? Agora me deixa dormir.

-Tudo bem, promete mesmo não deixar de ser minha princesinha? A mesma que eu embalava quando eu encontrei chorando numa viela com pouco mais de três meses?

-Pai – o repreendi . – Isso foi a muito tempo e sim eu prometo.

Ele soltou de seu abraço e já estava ante a porta quando virou para mim.

-Filha , eu já ia esquecendo ..quando cair a noite você , e Yuri irão sair para um passeio. Sabe? Mostrar a Itália para os Romanov.

- Tudo bem, agora eu preciso de fato descansar pai, eu estou bem. Nada de visões, eu juro. – falei encorajando-o a ir.

Quando ele saiu corri para trancar novamente a porta e me desfiz do lençol que se arrastava. Tomei um banho e cochilei.

Pov

- Filha venha aqui. – ordenou meu pai.

-Sim, o que desejas? – perguntei.

-Querida, leve a sra Romanov para conhecer os arredores de Volterra. Yuri fará companhia a vocês três.

-Três meu pai?

- também irá.

E foi com aquilo na cabeça que me perdi nas horas. Odeio esse tipo de serviço que cabe a mim fazer. É a única coisa que eu detesto quando recebemos hóspedes no castelo.

Não vi desde o fim da festa. Então resolvi acatar as ordens do mestre. Planejei uma rota turística e entreguei a Yuri, para que ele pudesse verificar a segurança do local e montar um sistema de segurança.

-Te vejo mais tarde então princesa. – falou o sedutor Yuri Romanov.

Confesso que ele ganhou pontos comigo. Bonito, educado, instruído , gentil, me dava espaço.

Logo o entardecer tingiu o céu . Ordenei para Alec ir buscar .

-Princesa. – falou Yuri beijando o dorso de uma das minhas mãos.

-Yuri, o que falei sobre formalidades?

-Perdão, .

-Vejo que nossos filhos se deram muito bem, sra Romanov. – Aro disse sorrindo amavelmente.

-Faço muito gosto mestre, na amizade deles. – A velha carrancuda falou.

Eu não precisa ser uma boa telepata e nem prever o futuro para perceber que algo era escondido de mim.

-Perdão. Os fiz esperar muito? – entra da sala de visitas sorrindo largamente , seus olhos verdes cintilando.

- Il mio amore, nunca é esperar demais quando somos recompensados com sua alegria e seu sorriso encantador. – Meu pai disse, curvou –se diante dele e beijou o dorso de sua mão.

-Assim fico com ciúmes papai, parece que o sr prefere a que a mim. – disse fazendo beicinho.

-Ah essas crianças! O que seria de mim sem minhas meninas sra Romanov? Agora vão e se divirtam.
Saímos rumo a cidade vizinha.

Pov

Fui apresentada formalmente aos Romanov. Yuri só tinha olhos para e eu estava entretida mostrando a sra Romanov os casarões e arquitetura da cidade. Parei em uma floricultura e comprei algumas tulipas e pelo trajeto pelas ruas de pedra distribui para algumas pessoas que estavam por ali.

A sra Romanov se divertia afinal com meu jeito de ser e com as histórias que eu contava. ia bem mais atrás com Yuri.

-Boa noite sr! Uma tulipa? – ofereci.

O homem idoso me olhou e sorriu.

-Você é um anjo menina, um anjo de lindos olhos verdes. Deus te proteja ragazza! – o velhinho que estava se esquentando na labareda de uma fogueira no meio da rua me disse.

-E eu concordo. – uma voz disse na escuridão da rua mal iluminada.

Yuri prontamente se pôs entre mim e o velhinho e emitia um rosnado inaudível aos humanos. Olhei ao redor e nada vi. Yuri começou a recuar e alguns guardas Volturi surgiram das sombras.

-Bernardo é você? – perguntei já reconhecendo o jeito dele aparecer sempre do nada e aquele cheiro característico dele o denunciou.

-Calma sr Romanov, sou amigo da srta Volturi. Vim em paz.

-Tudo bem sr Romanov, sra romanov, . Este sr é meu amigo Bernardo Montenegro.

Os guardas sumiram nas sombras, e a sra Romanov relaxaram. O russo nem tanto.

-Sr Montenegro, se tem respeito pelas nobres aqui presentes não faça isso. Não é forma de um homem se portar diante da realeza. – Yuri ralhou.

-Perdão general – rebateu num tom de deboche o latino americano. – Princesa , sra, bela , posso me juntar ao passeio noturno? Estava mesmo a caminho do vilarejo .

-Claro! – disse entusiasmada, provavelmente sua habilidade de ler a minha mente estava se tornando bem eficaz e constrangedora.

Depois eu quero saber de tudo” – sua voz decretou em minha cabeça. A olhei e assenti.

Subimos uma pequena rua íngreme que dava acesso a um vilarejo bucólico . O lugar era meu preferido desde a infância. Fomos até as lojinhas e compramos pequenas lembranças, conversávamos alegremente .

Bernardo sempre que podia chegava mais junto e fala algo doce de se ouvir, Katarina Romanov pareceu perceber nossos olhares trocados e também não era difícil perceber o entrosamento entre Yuri e .

-Bom meus jovens...- começou Katarina – acho que deu a minha hora. A noite é de vocês . Divirtam-se que eu irei me recolher.

Ela se curvou diante de mim e , beijou o filho e acenou para Bernardo. Indo embora sendo acompanhada por dois guardas à paisana, adentrou na limo indo de volta ao castelo.

- Bom ...acho que seremos apenas nós quatro...e os guardas, não é mesmo? – disse .

-Claro alteza. – falou sorrindo Bernardo .- Srta Volturi, que tal ir comigo até a ponte da rua de baixo? – falou direcionando um olhar doce para mim.

-Eu não sei se devo Bernardo, as ordens são claras. Devo ficar sob vigia constante do sr Romanov.

- Félix Volturi, eu ordeno que vá. Garanto que o sr Romanov não se importará , além do mais tem guardas suficientes para nos vigiar. – ordenou.

Esperei pelo consentimento do russo que lançou um olhar fulminante para o brasileiro como um aviso mudo de que ele estaria sempre por perto. Os olhos azuis de Bernardo cruzou mortal os olhos também azuis do russo.

Yuri assentiu sem nem me olhar.

Bernardo gentilmente me ofereceu seu braço, o aceitei e começamos a andar pelas ruas de pedras.

-Princesa, vim comunicar que estou de partida em uma viagem de negócios. Porém muito em breve estarei de volta e gostaria de te propor algo. – ele começou.

-Sr Montenegro, se continuares a me chamar de princesa dou meia volta . – ralhei.

-Perdão, mais sinto-me até imundo por não tratá-la como merece.

-Diga-me então o que tem a propor.

Ele subitamente parou de andar e tomou minhas mãos entre as dele num momento sereno. Pessoas conversavam alegres e passavam ao nosso lado a todo o momento. Mais algo estava errado com o tempo. Ele parou. Ou será minha cabeça zonza?

O latino beijou o dorso da minha mão num beijo que fez formigar minha pele fria. Até o vento que soprava forte numa noite fria parecia ter se acalmado, o vento não passava de uma leve brisa.

Estava alheia a qualquer ameaça que pudesse me cercar, eu seria um alvo fácil. Fui mar adentro nos azuis dos seus olhos e pude enxergar uma luz. O cabelo castanho claro e ondulado balançava timidamente.

-Eu estou indo a trabalho para os Estados Unidos e na terceira alvorada estarei de volta, vou deixar um sinal quando chegar. Quero que esteja pronta para uma pequena viagem, por ora vamos apenas aproveitar o momento. Já observou como está perfeita a lua?

Como eu poderia admirar a lua dos marinheiros quando se tem dois oceanos azuis me fitando?

Um arrepio atravessou meu corpo e eu tinha certeza que algo em mim mudou.

Delicadamente os braços fortes de Bernardo me envolveram e num piscar de olhos estávamos entregues em um beijo que não era mais superficial. Havia algo como certeza naquele ato.

Ouvi então um ruído e me afastei do corpo dele. Uma cesta estava no meio da ponte do vilarejo de Santa Ana. Então um choro.

-Mais...é uma criança? – Bernardo perguntou incrédulo.

-Só saberemos se formos ver!

Andei timidamente até me aproximar um pouco mais do meio da ponte. O choro estava mais alto e insistente.

Me ajoelhei ao lado da cestinha e desenrolei o manto branco.

Uma linda criança de olhos negros e de pele pálida choramingava . A retirei do leito e aninhei em meus braços. Um flash do me passado passou como um borrão na minha cabeça. Não pude conter as lágrimas .

Bernardo sem compreender , se ajoelhou ao meu lado e me abraçou.

-O que houve? Por que chora minha srta?

-Mais um mestiço foi abandonado, assim como eu. Quem faria isso? É só um bebê, Bernardo.

Ouvimos então uivos de lobos, Bernardo olhou para a mata além da ponte e encarou a lua cheia que emoldurava o céu estrelado de uma noite atípica.

-Vamos, vamos voltar para Volterra. É mais seguro para você e para o bebê. – apenas recolhemos a cesta e regressamos a Sta Ana procurar por minha prima e o nosso hóspede .

Pov

Perceptível. Essa é a palavra que melhor define a mente de . Ela é tão clara quanto água cristalina. Se minha telepatia não fosse algo ainda indomado por mim seria mais fácil.

Mais aquele tal de Bernardo me fez o favor de clarear tudo, aqueles olhares denunciaram as suas intenções.

-? – falou uma voz de trovão bem ao meu lado , me fazendo sair do transe de meus pensamentos.

Me virei para fitar o convidado do meu pai. Ele me sorria muito sedutor e seus olhos não eram tão claros .

-Sim , Yuri. – respondi fingindo não notar a mudança de sua postura.

-Não prefere ir a um lugar mais ...digamos reservado ?

-Não, obrigada. Aqui está tão agradável não acha? Olha aquelas crianças ali com os pais! E aquele grupo ali ao fundo, estão cantando e se divertindo tanto. Bem que a vida poderia ser assim, concorda? Nada de guerras, fome ou violência gratuita. – desatei a tagarelar a fim de fazê-lo recuar.

-O mundo , para a srta , infelizmente se resume ao interior de seu castelo. Não sabe como é viver em um campo de batalha ou ver seus companheiros de batalha sendo brutalmente mortos. Sua vida é cheia de luxos e prazeres. Você não sabe o que é vida!

Confesso que a aspereza de suas palavras que me julgavam sem nem ao menos me conhecer me fizeram perder a simpatia que tinha por ele. Afinal, quem era ele para dizer o que sei ou não da vida. Posso ser nobre mais não sou insensível para não me importar com a vida alheia.

Estávamos sentados na varanda de um pequeno café, ele começou a contar sobre suas façanhas de guerra o que admito, não me interessava em nada. Ele deixava transparecer seu lado frio e brutal que nem notava e aquilo me assustou. Os russos sempre tiveram fama de serem cruéis e frios.

-Yuri volto em instantes. – falei e indiquei o caminho do interior do café.

Andei para o mais longe dele possível, bufando, só tentando descobrir o por que de meu pai ter convidado os Romanov para uma temporada em Volterra.

Chegando no balcão pedi um café forte e sem açúcar.

-Dia ruim? – perguntou um homem.

-Dias meu caro e hoje só foi o primeiro. – respondi.

-Acompanhada? – ele tornou a perguntar.

-E muito mal eu arriscaria dizer.

-Pena, porque eu adoraria fazer companhia a uma moça tão bela.

Levantei para encarar o tal que falava comigo e foi instantâneo . Uma sensação muito boa preencheu meu corpo e minha mente. O cheiro que ele exalava era amadeirado, muito bom, sua pele era avermelhada, um moreno legítimo, olhos e cabelos negros, alto e forte.

-Er...- gaguejei até esquecer o que ia dizer naquele momento.

-Desculpe, não me apresentei. Meu nome é Nahuel e o seu ?

-.

-...sabe o que significa?

Fiz que não com a cabeça.

-Significa “Moça virgem de caráter inquestionável.”

Poderia ter corado ali, se pudesse. Mudei logo o rumo da conversa.

-Você não é daqui, seus traços e seu sotaque te revelam. – falei desviando o olhar dele.

Ele tornou a encarar seu café e eu o meu.

-Sou panamenho por nascimento, filho de mãe uruguaia e de pai estado-unidense . Por isso meu sotaque. É nisso que dá misturar idiomas. – ele falou descontraído.
-Bom sr Nahuel tenho que ir. Boa estadia aqui na Itália. – falei sorrindo tímida e me levantei indo embora .

-A gente se vê por ai . – ele falou sem me olhar.

Voltei para a minha mesa e Yuri estava discutindo com um homem que dava dois dele. Num piscar de olhos Yuri explodiu em fúria e virou a mesa partindo para cima do humano. Gritei em desespero.

-PÁRA YURI VOCÊ VAI MATÁ-LO!

Mais fui completamente ignorada. Eles duelavam , o homem mesmo sendo maior que o russo ainda era humano, frágil. Mulheres gritavam e eu corri para cima de Yuri para fazê-lo afastar do homem.
Mais ele me ignorou mais uma vez. Me empurrou violentamente para o chão que foi amortecida por uma cadeira de madeira que se partiu devido a força do choque .

Yuri pagaria por aquilo. Mãos me tocavam oferecendo ajuda mais apenas uma fez toda a diferença.

-Saiam – disse Nahuel para as pessoas que tentavam me ajudar.

-! – gritou chegando perto.

-Obrigada Nahuel- falei limpando a roupa.

-O que está havendo? – tornou .

-Não sei, quando cheguei aquele estúpido do Romanov me jogou no chão. – reparei na cesta em seus braços, revelando o rosto de uma criança. - Mais quem é esse bebê?

-Vamos! – falou Bernardo enérgico.

Bernardo conteve o impulsivo Yuri e lançou um agradecimento mudo ao homem misterioso.

-Tudo bem sr. Estou segura agora. – falei agradecendo a gentileza. – vamos logo , papai não vai gostar nada do comportamento desse homem – indiquei com repulsa o Romanov mais jovem.

-Obrigada senhor. – agradeceu a Nahuel. – agora eu cuido dela.

Voltamos para casa num silêncio mortal . Adentrei sem a menor cerimônia na sala dos tronos, onde o mestre estava numa acalorada discussão com os conselheiros e Mikail Romanov. Meu pai levantou-se enfurecido.

-O que está acontecendo aqui?

Cap 5

Pov

Adentramos na sala dos tronos interrompendo a reunião entre os Volturis e o Romanov. Tio Aro explodiu .

-Papai, Yuri Romanov duelou com um humano, quase nos expôs! – berrou .

-Por que fez isso meu filho? – perguntou exasperado Mikail Romanov.

-O humano ousou profanar a pureza de sua filha mestre. – ele falou diretamente para meu tio e depois voltou-se para o pai. – Não podia deixar por isso mesmo. Era meu dever protegê-la!

Tio Aro sem delongas tocou a mão do russo , ninguém de fato havia prestado atenção na criança que eu embalava em meus braços até meu pai se levantar e andar pisando firme no solo.

-, de quem é essa criança? Explique-se. – Félix me ordenou. Porém Bernardo se atreveu a responder.

-Sr conselheiro, eu estava junto ao grupo quando tudo aconteceu. Essa crian..

-Cale-se! Não te perguntei nada, aliás quem é você ? – explodiu meu pai ao fitar as mãos de Bernardo envolvendo minha cintura.

-Filha? – ele direcionou para mim seu olhar preocupado e fuzilou Bernardo o fazendo se afastar de mim.

-Calma Félix! – pediu Caius.

-Explique-se minha pequena . – me disse Marcus.

-Eu estava andando pelo vilarejo de Sta Ana quando ouvi um choro. Esse bebê estava abandonado no meio da ponte da parte mais baixa da vila. Ouvimos uivos.

-Uivos? – repetiu Aro.

-Sim . – afirmei.

-Quem é você forasteiro? – meu pai perguntou mais calmo para Bernardo.

-Me chamo Bernardo Montenegro conselheiro, sou brasileiro e amigo da srta Volturi.

-Montenegro...Montenegro...você e seu clã são donos das refinarias de petróleo , correto? – falou Caius.

-Ah claro! – tio Aro pareceu surpreso – também são donos das joalherias e de diversas minas .

-Sim , meu mestre. – respondeu Bernardo respeitosamente.

-Romanov fique para conversarmos sobre sua atitude, vá para seu quarto, me entregue esta criança e siga para seus aposentos e sr Montenegro , agradeço pela ajuda. Fique esta noite, para conversarmos. – decretou Aro.

Saímos em silêncio, não entendíamos o que de fato aconteceu na ultima meia hora.

-? – chamou-me .

-Sim.

-Quem é este senhor Bernardo Montenegro e que criança era aquela?

Suspirei parando na frente dos meus aposentos e indiquei para que entrasse. Me sentei na cama e acolhi entre meus braços uma grande almofada. fez o mesmo e me olhou interrogativamente.

-Tudo bem. – comecei. – Ontem durante o baile eu dei uma fugida até a ala do castelo onde se encontra minha antiga sala de música, queria ver como estava . Encontrei Bernardo lá, tocando. Fiquei na espreita vendo-o tocar, trocamos meias palavras e ouvi você .

-Me ouviu?

-Você pedia socorro.

-Estava pensando alto apenas, não corria risco de vida. O único risco era morrer de tão contrariada que eu estava por causa dos Romanov. – me explicou.

-Me conte o que houve em Santa Ana, .

-Confesso que nem eu mesma o sei. Estava tentando fugir das garras de Yuri, quando voltei do interior do café ele já estava lutando contra aquele humano. Nunca vou o perdoar por ter me lançado ao chão.

-Ele poderia ter nos revelando, pensei que ele só tivesse olhos para você , mais pude ver sua aura e é cinza, amargurada e prepotente.

-Conversarei com papai, não quero mais ser obrigada a ficar na presença desse Romanov!

-As aparências enganam minha cara e eu que achei que ele era um homem galante.
-E por falar em homem galante , percebi um certo....entrosamento entre você e nosso caro e galante senhor Montenegro. – disse rindo me lançando um sorriso torto e malicioso.

-Ele é...- comecei na intenção de ganhar tempo e despistá-la com alguma mentirinha tola.

-Confessa! – ela pediu.

-Ok, trocamos algumas palavras antes do jantar e depois também....- mordi o lábio em nervosismo ou constrangimento , talvez – eu estava no jardim e ele me seguiu . Nos beijamos! Pronto admiti!

-Minha prima linda! – estava entusiasmada com o fato. – Ele é tão...tão...ele é perfeito para você ! vocês combinam como o sol e a lua , sabe?

-Pára com isso antes que eu fique mais sem graça!

-E o que mais aconteceu? E hoje? Ele te beijou de novo?

-Sim. – deixou escapar um gritinho e me abraçou, confesso, desnecessário tamanha euforia, aquilo só me deixava mais encabulada. – ele apareceu, a sra Romanov foi embora, você e Yuri foram para um lado e eu para o outro. Sabe?

-Saber o quê? Conta tudo!

-Foi lindo, mágico . Ele é tão doce e amável, conversamos e ele fez o tempo parar ao nosso favor!

-Você está apaixonada?!

-Não! – apressei-me em dizer. - Não ainda – tive que admitir – ele tem esse dom. Ele pára o tempo ao nosso redor, nos beijamos de novo e foi diferente do primeiro. Foi mais intenso e cheio de posse.

-Ai que lindo minha amiga! Só quero ver a cara do tio Félix quando souber disso. – disse entre risos.

-Shii – desespero bateu a minha porta. – Se meu pai sonhar com algo dessa natureza estou perdida! Não viu a reação dele ainda a pouco?

-De fato tens razão. Mais e a criança?

-Ouvimos o choro agoniado do pequenino, fui me aproximando e agachei para consolá-lo...

Meu olhar tornou-se triste, era inevitável conter a emoção de ter uma criança em meus braços, a frustração de também ter sido rejeitada numa noite fria sem o calor dos braços de quem me gerou, medo , ódio, rancor e compaixão, tudo misturado e à flor da pele.
...foi então que ouvimos uivos , confesso que tive medo da escuridão da floresta que cerca aquela área e quando contemplei a lua cheia a única certeza que tive era que eu precisava ir embora. Nunca estive tão perto de lobisomens, fato.

-E como sabia que eram lobisomens ?

-Não sabia e também não ficaria para constatar.

-E o que fará com a bebê? Digo, você não poderá criá-lo e só os conselheiros poderão dar um destino a criaturinha.

-Intercederei pelo indefeso, mesmo que não assuma como meu lhe darei a mesma educação que recebi e tentarei persuadir , apelarei se for o caso. Espero que me ouçam. – esse era meu pedido de fé.

Pov Aro

Pedi para que me entregassem a criança. Ele tinha olhos expressivos e um sorriso encantador, mais não poderia me preocupar com ele agora.

Félix estava agitado, meus conselheiros conversavam baixo, os Romanov encaravam o chão como se esperassem algum veredicto e o latino permaneceu em sua postura firme e destemida.

-Onde está Jane? – pedi calmamente antes de começar de fato a raciocinar .

-Encontra-se a nosso derredor Aro. – me respondeu Caius. – Vou chamá-la.

Dito isto se retirou da sala dos tronos voltando com a figura infantil de Jane atrás de si, resignada.

-Mestre. – ela disse.

-Jane, sua missão por ora é cuidar desta mestiça , providencie tudo que for preciso e peça para seu irmão ficar a disposição das srtas Volturi. Agora vá.

Lhe entreguei a menina e logo sumiram da sala.

-Agora, temos outras questões para tratar aqui. Primeiramente, nunca sob hipótese alguma devemos chamar atenção sr Yuri Romanov , te perdoarei desta vez já muito em breve serás meu genro, mas se isso se repetir não serei tão compreensivo ; segundo, fico muito grato pela ajuda esta noite sr Montenegro. Não esperava contar com seu apoio.

Me dirigi para meu trono , no centro, e lhe dei a palavra enquanto os Romanov permaneciam em silêncio profundo.

-Não precisa agradecer , mestre. Eu não fiz nada, apenas ajudei a srta e controlei o impulso do nosso amigo russo aqui presente. Faria muito mais se necessário fosse. – Explanou o brasileiro.

-Conte-nos com riqueza de detalhes sobre esta criança – tomou a frente meu amigo Félix lançando ao sul americano olhares furtivos.

-Sim sr conselheiro, como fora dito estávamos passeando pela vila....

-Quem estava passeando pela vila ? seja mais claro latino! – vociferou Félix, a meu ver, de desnecessária atitude e postura, mais não o repreendi.

-Eu e a srta Volturi senhor conselheiro, eu e . Estávamos próximos a velha ponte que leva à floresta quando ouvimos o choro desesperado da criança que se encontrava numa cestinha. Ela se aproximou e tomou nos braços a menininha, ela me falou sobre crianças mestiças e ai uivos foram ouvidos vindos da escuridão da floresta. Não tive dúvidas e a retirei da ponte. E bem...o resto da história os senhores já sabem.

Félix andou de um lado a outro e depois juntou-se a nossos amigos Caius e Marcus.

-Sr Montenegro, acha que os lobisomens tem algo a ver com esta criança? Ou que eles ofereçam riscos ? ou na menor das hipóteses , acha que esta criança poderia ter sido uma emboscada? – disparou Marcus, seguindo minha linha de pensamento.

-Sinceramente....- começou ele e se calou.

-Termine . – pediu Marcus.

-Não , definitivamente esta criança em nada tem haver com os lobisomens. Pura intuição. Eu teria notado qualquer indicio de presença de mercenários.

-E como sabe? – Félix.

-Conheço os sinais. Eles deixam marcas, sinais ou evidências e como já tivemos problemas com eles lá no Brasil, os conheço bem. Se fosse uma emboscada para capturar as srtas Volturi eles teriam conseguido.

-Mais uma vez, como sabe? – Félix indagou novamente.

-Com todo respeito sr conselheiro, mais é óbvio. Os guardas Volturi estavam em grande número e no entanto não foram capazes de evitar o escândalo do Romanov e não estavam aptos a proteger na ponte. Perdoem minha franqueza, mais verdade seja dita.

Comecei a gostar desse homem a partir do momento em que ele tomou uma postura defensiva com minhas preciosidades e sua firmeza me fez pensar em formas de tê-lo ao meu lado. Homem de fibra ou muito destemido para desafiar com palavras os Volturi. Não que tenha gostado das palavras , mais ele tinha razão. Minhas princesas correram riscos e eu não me perdoaria se aqueles malditos cães do inferno me tirassem minha filha ou minha sobrinha.

-Aro? – chamou-me a realidade Caius.

-Sim meu grande amigo?

-Esperamos poder tomar uma postura mais ofensiva. Meu voto é a favor a uma varredura completa na floresta e se for preciso banho de sangue...- deixou a frase morrer.

- Claro, reúna os melhores homens e averigúem a floresta atrás de rastros. Marcus meu grande amigo, peço que reúna todos os guardas que estavam responsáveis pela segurança delas e os puna como achar melhor. – decretei por fim.

-Aro meu amigo e o que faremos com a criança? – perguntou Caius.

-Neste momento não tenho planos para ela. Por que? – o olhei esperando uma resposta.

-A quero.

-Ora essa Caius! Você vai adotá-la também? O que você vai querer com uma mestiça ainda nas fraldas? – perguntou Marcus num que me deixou desgostoso.

-Explique-se Marcus, o que quis dizer com isso? – indaguei friamente. – Ou não percebeu o que disse? – falei irônico e raivoso por suas palavras rudes. Lancei-lhe um sorriso diabolicamente falso.

-Aro , não me referi a . Todos sabem o quanto a amo, mais o que um velho e solitário como Caius pode querer com um bebê? Como ele vai cuidar de seus afazeres se sua mente estiver longe? – tagarelou em resposta , percebi desespero em sua voz e Félix travar cada músculo em reação a Marcus.

-Marcus, do mesmo jeito que o Félix tomou conta e educou nossa eu também posso e isso não impediu Félix de tomar conta de seus afazeres assim como não vai me impedir de caçar os mercenas.

-Mesmo assim , sou contra. – retrucou Marcus.

-Agora chega! Basta nessa conversa, se Caius quer a criança ele a terá e sendo assim a partir de hoje nasce mais uma Volturi e ai de quem ousar afirmar que ela não é uma Volturi. Ela será como e como , uma nobre.

Minha voz ecoou alto e forte dentro do recinto.

-Sr Montenegro seja bem vindo a este lugar, pedirei para uma das criadas lhe preparar um aposento da casa e amanhã conversaremos a sos. Mais agora pode se retirar. O mesmo para você Yuri, retire-se e cuidado no que faz, não serei piedoso se falhar . Mikail, amanhã trataremos sobre as estratégias e sobre a oficialização da união de nossos filhos.

Todos os convidados se retiraram na sala restando apenas os Volturi.

-Temos um problema meus caros. – afirmei.

Todos assentiram .

-Os mercenas querem a cabeça de numa bandeja de prata e não pouparei a vida de quem tentar tirá-la de mim. Reforçarei a segurança das srtas Volturi e a partir de hoje , estão proibidas de sair deste castelo, não quero iniciar outra guerra porém não impedirei meu sangue de ferver em ódio por aqueles que tiraram Coraline de mim. Se é guerra que os lobos querem é guerra que eles vão ter!


CAP 6

Pov Bernardo

Minha “irmã” era muito ligada a mim, fomos transformados juntos na época em que estive nas trincheiras italianas e ela era uma pobre e inocente vítima da 2° guerra mundial. E não havia um só dia em que eu não pensasse em protegê-la.

Foi pensando em proteger a quem se ama e em guerras que me obriguei a voltar para a realidade.

Estava em um luxuoso quarto de hóspedes e apesar de Volterra permanecer com seu aspecto medieval ele já dispunha de tecnologias. Meu quarto era rústico e com Internet.

Sentei na escrivaninha e me conectei com a rede em busca de meus contatos.

“Querida irmã, você não é mais a única no meu coração. Espero que ele seja enorme para comportar você e . Mais temo que este assunto – diga-se de passagem, que você mesma previu dias antes - não deva ser mencionado agora, tudo ainda é prematuro mais ela mexeu comigo de uma forma irreversível. Espero que isso não me tire o foco do meu trabalho.

Temo, as notícias podem não ser boas. Acabo de presenciar uma cena no mínimo estranha na sala dos tronos – isso mesmo que você leu – permaneci conforme o combinado e os segui, já tenho, pelo menos acredito, a confiança de Aro.

Nossos aliados estiveram muito próximos e quase se revelaram, avise aos lobos para evacuarem a floresta. Estou indo viajar a trabalho e aproveitarei para ir a Washington, regressarei o quanto antes para a Itália. Aro quer ter um particular comigo, Félix me odeia, nossos amigos de quatro patas deixaram um bebê na ponte – quero saber de tudo, quem é, quem são os pais – o fanfarrão do Yuri andou aprontando e qual a minha surpresa? Nahuel estava com a princesa Volturi. Ele não podia ter se mostrado.

Enfim, temos que dar um passo à frente e tentar derrubar o líder. O resto cairá em dois segundos. Ah! Antes que eu esqueça, a criança foi adotada pelos Volturi. Caius será o tutor. O que não agradou em nada nosso amigo Marcus.

Do seu irmão que tanto te ama, B.

P.S : Suzane me envie todas as informações que preciso o quanto antes e me diga em que pé anda suas investigações.”

Desliguei o computador e me larguei na cama, pensando em . A premonição de minha adorável irmã estava certa, eu conheceria em noite de festa a razão maior para minha existência.

Nossos tão curtos momentos juntos já estavam marcados a fogo em mim, seu toque era tão suave, seus lábios tão doces e tão cheios de paixão, uma mulher de beleza inacreditável. O que ela estaria fazendo agora? Seria eu muito atrevido em ir até seu quarto e bater à porta?

Eu precisava conversar com ela, apertá-la em meus braços e sentir como ela amolece com meus carinhos.

-Foco Bernardo, foco. Você não pode se apaixonar, você está em serviço. Você sabe aonde isso pode terminar...- falei em murmúrios apenas para mim como se falar em voz me fizesse recolher todo o sentimento que estava surgindo em mim. Passados meia hora estando eu absorto em pensamentos algo me chama a atenção.

Meu telefone já a muito esquecido no casaco começou a tocar. Olhei no visor “Suzane”

-Boa noite irmã! – falei sorrindo já imaginando a cara dela no outro lado da linha.

-Boa noite amor, acabei de abrir o e-mail que me mandou.

-E...- instiguei para que continuasse.

-Primeiro, nossos inimigos estiveram muito perto, houve luta, alguns dos nossos estão feridos mais nada grave. Segundo te enviei todos os nossos passos desde que viemos para Les Baux, seguimos uns canalhas e viemos parar aqui, a pista é quente. Terceiro, a criança é filha de uma cortesã que foi violentada por um vampiro traidor e por fim, minhas visões nunca falham...

-Su...- a repreendi e logo tratei de contar tudo para ela - ela é demais, mais é impossível esse relacionamento. – uma pontinha de tristeza me atingiu.

-Por que B?

-Não é óbvio? – pensei em todos os momentos em que estiver fora, e ela desprotegida, tenho inimigos e o ponto fraco de qualquer homem é a mulher que ele ama.

-Sim. Mais minha visão ainda não mudou, vejo você e ela...se bem que o rosto dela para mim ainda é desfigurado, não a vejo.

-Mana, estamos falando de uma Volturi. Estamos falando de

-O QUÊ? – ela gritou e tornou a baixar a voz - Ficou louco? Ela é sua missão e não ...sei lá, você entendeu. Foco Bernardo, foco.

Pov Aro

Permaneci em meu trono pensando no por que das coisas e dos últimos acontecimentos. Até Alec entrar na sala.

-Mestre?

-O que passa?

-Os conselheiros já montaram pelotões e suas estratégias, me pediram para avisá-lo que ao cair da noite de hoje sairão em missão.

-Obrigado e onde estão as srtas Volturi?

- ainda dorme e sua filha está tomado café da manhã.

-Ótimo, assim que acordar a faça vir com minha filha para uma pequena reunião familiar.

-Sim mestre – me disse e saiu.

Voltei a raciocinar no silêncio de minha sala. Estava tudo arquitetado. Cada detalhe de meu plano.

Não demorou muito para e adentrarem sorridentes e tudo se iluminou, a sala, minha mente e até minha alma – se é que a tenho.

-Queria nos ver papai? – disse me beijando a face minha descendência.

-Sim, mais antes de conversarmos, preciso saber se não irá me dar um beijo também? Sabem, ser rei e ter a disposição duas lindas princesas que não doam nem um segundo de afeto é triste – fiz charminho. Elas se entreolharam risonhas e me beijaram simultaneamente as bochechas.

-Agora sim sou um rei feliz!

-E então tio, qual a razão desta reunião? – inquiriu minha sagaz .

-Não vou mentir para vocês, suas vidas correm muito perigo. Não vou arriscar perdê-las, uma guerra se aproxima caso eles cheguem perto de vocês outra vez. Algo me diz que os uivos que você, , ouviu foram dos Mercenas e eles por algum motivo desconhecido, talvez a presença do Sr Montenegro os tenha feito recuar e não a atacaram na ponte.

Despejei toda realidade dos fatos e elas estavam inexpressivas.

-Quando o senhor fala guerra...- começou .

-Sim, guerra. Sangue, dor, mortes. Yuri Romanov interrogou um Mercena e ele confessou que sua cabeça vale ouro, você é a caça. Este também deve ser o motivo pelo qual não atacaram , ela não era você. E isso me leva a crer que é vingança pessoal ou pelo fato de que eu sou o rei e não Félix.
-Caso papai fosse o supremo eu era a caça. – falou com uma nota de pânico na voz. Os sorrisos de minutos antes morreram em suas delicadas faces.

-Agora vão, o dia será longo e a noite...talvez violenta.

Ordenei e em silêncio causado pelo medo e terror que se instalava nos muros do meu castelo e que agora era de conhecimento superficial de minhas herdeiras, elas saíram.

Pov

Como sua vida muda tão rápido? A uma semana estava fazendo charminho para meu pai vir para Volterra e cá estou, a dois dias e um mundo de coisa acontece e quase ao mesmo tempo.

Mal preguei os olhos a noite toda pensando no que aconteceu na ponte, no calafrio trazido pelo medo dos inimigos da minha espécie, naquela escuridão do vilarejo mais nada se compara ao que possa ter acontecido a Bernardo.

-Que meu pai não tenha extrapolado! – me ouvi suplicar.

E o que terá sido feito da criança? E o que será que vai acontecer quando a noite cair? E se forem lobisomens sanguinários como minha família tem me dito sempre? Essa guerra é necessária? – meu desespero martelava meu cérebro .

-Aqui não fico!

Sai decidida a procurar meu pai . O procurei por todo o lado e nada dele, já cansada de procurar resolvi ir até meu antigo atelier. Todos pareciam ter sumido do castelo e os empregados tinham medo nos olhos.

Tinha algo errado e ninguém falava.

Cheguei no velho corredor e fui agradavelmente surpreendida por uma essência já familiar e querida. Abri a porta bem lentamente e me deparei com a mesma cena de antes. Bernardo estava sentado tocando meu piano.

Um sorriso bobo fugiu dos meus lábios, não pude deixar de elevar minhas mãos a boca enquanto admirava a beleza simples e impactante dele, a música preenchia o lugar, a cortina permitia que raios solares entrassem e iluminassem o ambiente e aquilo me deixou tão leve e despreocupada com o futuro.

-Sabia que é feio ficar vigiando os outros principalmente em seus momentos íntimos? – Bernardo disse sem parar um segundo de tocar  muito menos para me olhar. – Droga, como ele percebeu que estava aqui. Juro que não bati em nada! - pensei.
                              
-E o Sr Montenegro acha bonito invadir um estúdio de uma dama para tocar em seus bens pessoais? – rebati fingindo desaprovação.
Caminhei até seu lado e ele me indicou o espaço ao seu lado no banco.

-Dueto srta Volturi?

Disse me lançando um sorriso radiante e com certeza inesquecível. Meu coração acelerou e ele pareceu notar. Fiquei rubra e me concentrei nas teclas.

Uma brisa adentrou pela janela fazendo um mecha do meu cabelo escorrido voar pelo meu rosto. Com um toque sutil ele colocou atrás da minha orelha e pude ver pela minha visão periférica que ele me encarava.

-Não vai tocar? – perguntei

-Ah er...tinha esquecido.

-Como você pode esquecer algo que falou a dois minutos? – ri

-Como a srta espera que eu me concentre em qualquer coisa por menor ou simples que seja se te tenho ao meu lado? Se teu perfume inebria meus sentidos? Se tenho um anjo como amiga?

Cada palavra fazia meu coração disparar em galopes. Ele pôs uma de suas mãos sobre a minha e aquele tão simplório toque me derreteu por inteira. Perdi a consciência dos problemas e do mundo.

Como era possível ele fazer isso comigo? Com meu coração mestiço? Mais ele fazia, senti que Bernardo utilizava seu poder ou será minha mente que está livre e voando como pássaro? Não sei dizer ao certo.
                                           
-Terei uma conversa particular com o Mestre e logo em seguida partirei meu anjo. Sentirei sua falta nesses dias que estiver longe de ti e espero que sinta a minha ausência também, isso me dará uma alegria tamanha, saber que meu anjo imortal se inquietou por não me ter por perto.

Ele me fitou tão doce e tão profundamente que suas orbes azuis, pareciam implorar por mim.

Nossos rostos estavam tão próximos, nossas bocas reclamavam o contato e com o vento leve como brisa litorânea que invadia a sala fui me deixando levar pelos seus carinhos na minha face e muito lentamente ele foi me trazendo para mais perto...minha consciência tomou a razão me fazendo levantar.

Eu tinha coisas a pensar. De um salto me levantei ofegante, não pelos problemas que cercavam Volterra e sim pelo medo de me deixar levar ao sabor daquelas confissões que me levariam a me perder em seus braços e meus lábios se perderiam nos dele.

-Não precisa temer meu anjo imortal – ele disse ainda me olhando doce e amável. – Nada que não tenhamos feito antes, só quero um beijo seu para poder viajar em paz sabendo que tive o beijo doce mais perfeito e meu.

Eu já não comandava meu corpo muito menos minha racionalidade. Bernardo lançou seu braço ao redor da minha cintura colando nossos corpos, sua mão atrevida se misturou aos meus cabelos e o tempo parou.
                           
Ele me beijou a testa, meu nariz e depositou um beijo no canto da minha boca. Seu toque não era agressivo mais era possessivo, de olhos fechados absorvi toda aquela magia. Pude ouvir seu riso contido em forma de agrado.

Seguiu, me martirizando com suas carícias, roçou seus lábios carnudos nos meus sem parar um segundo e continuou sua trilha até meu ouvido.
                                
-Não sei explicar como fui me apaixonar por um anjo – sussurrou roucamente me levando a uma agonia sem fim.

Com a ponta do nariz foi deslizando pela minha face. – Não me deixa na expectativa...isso me mata. – Admiti alto demais o fazendo emitir uma risada gutural e sem mais rodeios me consumiu num beijo ardente e voraz.

Sua mão desgrenhava meu cabelo e minhas mãos se certificavam que ele estava ali comigo. Nos separamos muito a contra gosto e nos abraçamos cheios de carinhos compartilhados. Deitei minha cabeça na curva de seu pescoço e ficamos em silêncio.
                          
-Promete que vai me esperar voltar?

-Claro. – falei sem fitá-lo.

-Quando voltar você saberá reconhecer meus sinais.

Não sabia por que mais iria esperá-lo sempre, cada parte de mim sabia disso. Me tornei dependente de seu carinho.

-Você foi a coisa mais importante que já me ocorreu em décadas, me sinto tão livre com você , me sinto eu mesmo como se não houvesse amanhã e o que de fato importa é ter você do meu lado.

Não falei nada, palavras não tinham nenhuma valia aquele momento. O que importava era o calor de abraço.

- Bella ragazza, já é hora. Vou ter um particular com seu tio e parto em seguida.

Nos separamos e ele me olhava com um sorriso que vinha da alma chegava aos olhos.

Ele beijou a minha mão e a conduziu ao próprio peito.
-Vou mais de certa forma te levarei comigo, aqui. – me fez espalmar no peito fechando a sua mão por cima da minha. – Se ele batesse seria por você e não existe a menor dúvida disso.

-Isso é loucura! Nos conhecemos a dias e...

-E compartilhamos momentos lindos, eu sei, para mim também está indo rápido demais. Meu coração nunca se apaixonou e quando este sentimento tão nobre veio não pediu por favor para entrar. Temo meu anjo imortal que eu tenha me apaixonado de forma irreversível, criei uma dependência de você e do fundo da minha alma condenada tenho medo que não seja da mesma forma que me veja.

-Você...- eu não sabia o que fazer ou o que dizer, meu coração também nunca teve um ocupante e das mesmas aflições que ele padecia eu o acompanhava em silencio. – por favor não se atrase para a reunião com meu tio, ele não tolera atrasos ou faltas para com ele.
                         
Disse e sai caminhando até senti seu toque em meu braço.

-Aguarde meu sinal e não se assuste com tudo que acabei de confessar. A ultima coisa que quero é que você me ache um louco ou algum tipo de alpinista social, meus sentimentos por você são sinceros.

-Não duvidei um só segundo de suas palavras. – sorri e fui atrás de informações sobre a criança e de tudo que se relacionava-se com a noite intempestiva que viria.

Pov Bernardo

Definitivamente vou dar sopa ao azar. Tudo o que eu não posso, ou melhor, não devo é misturar trabalho com vida pessoal. Isso nunca deu certo, por que daria agora? Mais não, eu tinha que me deixar levar, tinha que ter misturado as coisas...e agora estava , sem a menor sombra de dúvida perdido de amores por ela.

Minha missão era apenas tê-la sob custódia, havia um propósito maior. Eu só precisava vigiá-la e não me apaixonar. Eu sou um idiota! – pensei.

, a dona da minha razão de existir foi embora e enquanto sua ausência, refiz meus planos, definitivamente fui mandado para monitorar a princesa mais jovem e não amá-la. Mais quem pode impedir um coração petrificado de ansiar por um beijo dela?

Perdido em meu diário, revisei cada passo que daria em Washington e tentei inutilmente ligar os pontos das informações colhidas. Tinha algo que eu não estava vendo...

-Quem é? – perguntei após duas leves batidas na porta do meu quarto .

-Alec.

-Por favor, entre.

-Aro deseja te falar agora.

-Obrigado Alec.

Saímos em silêncio. Alec me anunciou e partiu me deixando com o Mestre.

-Bom dia sr Montenegro. – disse ele friamente.

-Bom dia Mestre. – respondi cordialmente.

-Não vou ficar de maçada. Diga o que desejo saber, mais antes de qualquer coisa, como foi sua estadia aqui? Espero que tenha sido boa...- ele suspirou com o olhar perdido – apesar das circunstâncias.

-Não tenho do que reclamar majestade.

-Então sente-se, logo meus irmãos chegarão e precisaremos de toda boa informação sobre os mercenários. Não te acanhe em me pedir algo em troca das tais informações.

-Senhor, ser digno de tua confiança e com todo respeito, todo o bem-querer que a Srta Volturi mais nova possa ter por mim...- me perdi em poucos segundos pensando num futuro onde só existisse eu e ela. Um sorriso surgiu e Aro pareceu notar – já é recompensa mais que suficiente. – tentei mostrar neutralidade disfarçando meus desejos.

-Ah não! Esse olhar...- ele disse e fomos interrompidos pelos conselheiros.

-Tão cedo meu jovem? – falou Marcus.

-Sim senhor, estou de partida em algumas horas e...

-E?... Vamos logo Aro com isso. – interceptou Félix me ignorando.

-Deixemos nossas opiniões de lado por ora meus irmãos. O jovem empresário tem algo para nos ensinar. – disse Caius.

-Montenegro...agora é sua vez. – Aro me deu a palavra.

-Bom, no Brasil meu clã quase foi exposto por causa de um grupo de lobisomens mercenários. Uma algazarra foi iniciada no norte do país. Meu “pai” foi até a tribo onde residem os vampiros guerreiros e as “temidas amazonas brasileiras”. Lá elas são como divindades. Nahuel é um vampiro mestiço que escapou com vida de um ataque e ensinou como combater os mercenas.

Parei por um momento relembrando como o Philip, grato pela ajuda do índio brasileiro de sangue vampírico na luta contra os malfeitores, o homenageou pondo no seu filho ‘lobisomem’ o mesmo nome, Nahuel.

-Enfim, os mercenas deram sinais em outras localidades e deixaram para trás um rastro de baderna e mortes. Primeiro na Amazônia, seguido por Belém do Pará, Maranhão, Recife, nas regiões pantaneiras e por fim na minha região, Rio Grande do Sul…

-E como eles agem e por que eles foram nesses lugares? – inquiriu Marcus.

-Como combatê-los? – questionou Aro.

-Bom, acredito que a ligação desses lugares se dê pelo fato deles serem ricos em cultura mística e assim camuflariam o paradeiro do conselheiro Felix e de sua jovem filha. Eles querem vingança, não sei de quem ou por que, mais é o que querem. Tive a felicidade de perceber os sinais deles e me precavi, isso não tem dois anos de ocorrido. Eles deixam gravado a letra M quando vão atacar ou quando querem se reunir. É um código. Eles não têm escrúpulos, ateiam fogo, seqüestram, torturam todos que cruzem o seu caminho ou se neguem a ajudá-los com esse plano de vingança, eles querem destruir os Volturi em seu ponto mais débil, as princesas. Para combatê-los...- suspirei pesadamente – apenas fogo contra fogo, o que quero dizer é que para vencê-los ou capturamos o líder-mor ou tocando no ponto fraco deles.

-Que seria...? – incentivou Caius.

-Fogo. Eles não suportam o fogo. Eles têm que ser carbonizados.

-Muito valiosa sua informação meu caro...- disse Aro pondo-se de pé e caminhando em minha direção enquanto os conselheiros observavam. – dê-me sua mão meu jovem.

Obedeci.

-Interessante...vejo sua família, vejo...seus novos sonhos...vejo a verdade de suas palavras e novamente vejo...meu caro, este é um tesouro difícil de lhe entregar. É valioso demais o que você deseja, não posso te dar. Deseje outra coisa e será seu.

-Sendo assim Mestre, não quero mais nada.

Como poderia desejar algum presente, jóias – se tenho minhas minas e joalherias -, reconhecimento – se de nada me vale isso – tudo o que eu quero me foi negado antes mesmo de eu haver solicitado. e seu coração de ouro. Ela é a princesa e eu o plebeu.

Pov

-Pai? – perguntei na porta de seu escritório.

-Entre chica guapa!

Entrei no escritório e me sentei em seu colo como uma menininha de 5 anos.

-Pai eu queria te pedir para não assustar meus amigos e também te pedir para que tenhas cuidado, tenho muito medo por ti e por essa maldita guerra contra aqueles animais bárbaros.

-Amigos ?! Você não tem amigos!

-Pai Bernardo é meu amigo sim e eu fiquei envergonhada pela forma que o senhor falou com ele, ele me ajudou, aliás, ele nos ajudou. A mim na ponte e a com o brutamonte do Romanov.

-Pensa que eu não sei que ele só está querendo te ganhar? Que ele tem olhos de caçador para cima da minha boneca? Ele é o predador e você é a presa . – ele nunca havia se alterado daquela forma. – Você é tudo para mim a única lembrança de ...ah eu não vou te perder!

-Me perder? Lembrança de quem?

Nunca tinha visto o sr amor e serenidade tão confuso e tão...qual a palavra?

-Nada, não disse nada.

-Ah não pai – disse me levantando – o senhor já fez isso antes, fala como se lembrasse de alguém. Seria com minha mãe?

Meu coração estava em flagelos.
              
-Pai, confessa! O senhor sabe quem era a minha mãe não é? – disse alto e em desespero.

-Filha eu...eu..

-Por favor – falei em um fio de voz.

-Sim, conheci sua mãe. Ela morreu a muito pouco tempo.

-O senhor mentiu para mim...sabia do meu desejo de saber quem era minha mãe e por que me abandonou.

-Filha eu fiz isso para te proteger! Eu a amava mais que tudo! Eu ainda a amo e não tive coragem...e se você a conhecesse e me trocasse por ela? E se você deixasse de me amar? Sua mãe me traiu uma vez e se ela te confundisse a cabeça te pondo contra mim? Não suportaria perder você e o que de bom que ela te deu!

Perdi meu chão, minha cabeça rodava. Como é que eu chego aqui querendo ouvir um ‘sim querida, pedirei perdão ao seu amigo’ e escuto uma verdade tão reveladora sobre minha natureza?

-Por favor , me perdoa?

Ele tentou me abraçar mais uma idéia surgiu na minha cabeça e de imediato o repeli.

-Você – disse apontando para ele – disse “Eu a amava”, você disse “sua mãe me traiu”. Me responde pai, sou sua filha de verdade? Você me encontrou mesmo ou você é de fato meu pai?

- Sua mãe me traiu sim, me trocou por outro sem se importar com meus sentimentos. Eu a protegi, lutei por ela e ela deitou-se com outro, repeliu meu amor eterno pelo amor de outro.

Felix se largou na poltrona com o rosto enterrado nas mãos.

-Ela...eu... filha me perdoe mais eu não pude protegê-la, apenas a você . Um homem apaixonado fica cego, forte e também amedrontado. Fiz besteira e ela me odiou ainda mais, o amor que ela dizia ter por mim era de amigo e nada mais que isso. E não, cada poro do meu corpo me faz lembrar que você não é minha filha. Quando eu a perdi pela segunda vez foi quando te achei.

-Pai, porque não me disse antes? – as lágrimas marejavam meus olhos.

-Não podia permitir que sua fantasia se destruísse, na sua cabeça sua mãe um anjo que não pode te cuidar. Não podia dizer que ela me rechaçou por outro homem e... , se te serve de consolo as ultimas palavras dela foram “Que alguém proteja meus filhos e que um dia eles saibam a verdade. Eu os amo acima de tudo!”

-Filhos? – falei alto demais. Pai, eu tenho irmãos?

Aquilo foi um golpe inesperado. O que mais da minha vida estava escondido intra-muros desse lugar?



N/A: Palpites??? Ui* a coisa ficou tensa...querem saber mais? Comentem bem muito ai embaixo. Bj da Miss Félix.

Cap 7

POV

Passei o dia todo caminhando de um lado para o outro pelo meu quarto, o medo estava me deixando louca.
-Por que aqueles vira-latas querem minha cabeça? O que eu fiz? – isso martelava em minha mente. A única coisa que me fazia esquecer por completo todo o ocorrido e tudo que estava por acontecer tinha nome e endereço – Volturi e seu amado Bernardo e Nahuel, o estranho.
A voz daquele homem misterioso estava fielmente marcada na minha cabeça. O sorriso dele também era bastante reconfortante, me fazia querer também sorrir.
A noite caiu e meu coração estava ínfimo, se afogando no medo das lutas que estavam prometidas. Tentei conexão com a mente de e só captei medo.
Saí em sua busca e não a encontrei em seu quarto, Alec me guiou como uma sombra até a sala de estar. Minha amiga estava encolhida no sofá diante da lareira acesa. Seus olhos estavam amedrontados e seu coração descompassado.
-? – a chamei dispensando Alec.
Minha prima se levantou e quase chorando me abraçou me sufocando em sua agonia, não sei como, mas eu sentia o que ela sentia, e de uma forma mais íntima.
-Não chore, também estou com medo. Dará tudo certo , nossa guarda voltará sã e salva. Não haverá derramamento de sangue, eu sei!
Do que adiantava dizer todas aquelas palavras se em meu íntimo aquilo não me convencia?
-Será mesmo que os cães querem nos matar? Por que? É o que me pergunto. Não fizemos nada! Eles querem nos matar para atingir nossos pais! Quão sujo é a guerra ! Isso é inaceitável!
-Eu sei chica, eu sei. Também temo pela nossa segurança...- a abracei com mais força.
-Será que era isso que minhas visões estavam querendo nos alertar? – ela questionou, agora me encarando nos olhos.
Não era nenhum absurdo o que ela disse, mas...
-Não sei querida, mas vai ficar tudo bem.
Jane, sem a menor consideração ou respeito, adentrou nos informando que nossos pais estavam de partida para a caçada na floresta. Nossos corações falharam juntos e o medo nos consumiu.

Félix POV

Como eu sou um imbecil! Como pude baixar a guarda para dessa forma? Eu prometi para mim mesmo nunca revelar nada sobre seu passado...admitir que o amor de sua mãe não era meu já era doloroso demais e eu ainda deixo brechas para ela tentar xeretar... Como sou idiota!
Tentei não mais pensar em minha estupidez e voltei a me concentrar na varredura que faríamos na floresta.
-Félix? – me chamou Caius.
-O quê? – respondi rudemente.
-Você está estranho, houve algo? – Caius. O fitei indignado por sua pergunta estúpida.
-Tem um bando de assassinos querendo a cabeça de nossas filhas e você ainda me pergunta se estou estranho? – falei ríspido e grosseiro.
-Não está mais aqui quem falou. – me respondeu com uma expressão que dizia “desculpas”.
-Viu Caius, percebe porque sou contra do fato de você se afeiçoar àquela criança? Veja como Félix está afetado. Em outrora ele estaria compenetrado na missão. – falou Marcus me irritando profundamente.
Antes de que eu pudesse revidar ao comentário do meu irmão, Aro se antecipa.
-Calem-se todos! – falou enérgico. – Não quero falhas, vocês já sabem o que fazer. Félix vai para o norte, Marcus para o sul, Caius pelo leste e Demetri pelo oeste. Eu ficarei e montarei retaguarda. Tenho pelo menos 500 homens cercando Volterra, conforme o combinado, vocês se encontrarão no centro da floresta. Vasculhem tudo, ateiem fogo se necessário. – ele estava agitado, coisa rara de se ver. - E por fim, voltem inteiros meus irmãos.
Aro estava absoluto em sua capa negra, bem no centro da sala dos tronos, com seus braços estendidos como quem pede um abraço. Muito se engana quem o vê dessa forma.
Na hora da partida apenas nos entreolhamos e saímos para a vila de Santa Ana. Bem na entrada principal da cidade e surgiram com seus olhos repletos de medo. Nos despedimos e fomos em busca do inimigo.
Minha última imagem ao olhar para trás foi ver Aro consolando as duas em seu abraço paterno.

Chegamos ao vilarejo por diferentes regiões, minha legião se dispersou em busca de marcas ou qualquer vestígio que, segundo o insolente namorador, nos instruiu.
A mata ficava mais escura e densa a cada passo que dávamos para o epicentro. Nada me abalaria, ao contrário de meus homens que se mostraram cismados com a própria sombra.
Nenhum sinal da presença daqueles traidores, nenhuma pegada, nenhuma árvore quebrada, nada.
Estava tudo no mais profundo e inquietante silêncio, depois de 5 malditas horas- o que eu já esperava – não encontrei nada, eu saberia se encontrasse os capangas de Simon.
A lua estava plena e banhava as copas das árvores.
-Homens, se agrupem aqui e agora – ordenei e a minha companhia que continha 10 soldados da guarda Volturi, se alinhou à minha frente.
-Pelo que tudo indica não haverá banho de sangue por aqui hoje, contudo, vamos tentar avançar ainda mais para o centro da floresta, quando chegarmos ao coração dela fincaremos nossos pés lá e esperaremos pelas outras companhias. Antes do amanhecer regressaremos para Volterra, entendido?
-SIM SENHOR! – gritaram.
-COMPANHIA, MARCHEM!
Gritei e eles rumaram para o coração escuro e frio da mata.

Demetri POV

Tudo estava calmo demais até que um dos meus homens me alertou de algo.
-Capitão, encontrei algo que o senhor gostaria de ver.
-O que foi? – pedi.
-Uma clareira, tem sinais de acampamento e existe sinais de luta, pelo menos 36 horas.
-Anda homem! Me mostra isso!
-Fica a uns bons 10 km a frente senhor.
Corremos em nossa velocidade vampírica e logo reconheci os vestígios citados pelo soldado.
Uma enorme clareira foi aberta no centro da floresta densa. Ao redor da campina haviam árvores estilhaçadas, galhos quebrados e muita bagunça.
-Fiquem por perto e tentem sentir qualquer cheiro que não seja sangue humano ou essência de vampiros.
Me abaixei para investigar os vestígios quando ouvi um dos meus homens gritar.
-SEU CÃO DO INFERNO!
Um vulto passou por mim tão veloz que não identifiquei quem ou o que era.
Fui derrubado com violência, seja o que for era super veloz. Me levantei, apenas para perceber que estávamos acuados no meio da campina. Eles eram pelo menos uns 25 homens. Todos fortes e altos.
Cada vez mais encurralados e portando apenas nossas tochas, nos mantivemos unidos até um dos meus atacar um lobisomem e a batalha começou.
Estávamos em minoria, mas daríamos conta, e quando os Volturi chegassem nos dariam apoio e tudo estaria liquidado.
Mais árvores foram arrancadas, outras tombaram ao chão e nossas forças se equivaliam. A coisa estava sangrenta, coloquei fogo numa árvore e logo com a ajuda do vento se alastrou.
-MORRAM SEUS MERCENÁRIOS! – gritei.
O fogo fazia um circulo ao redor da campina, cabeças rolavam e foi quando levei uma mordida de um lobo gigante.
Me atraquei com ele tentando me livrar dele o jogando nas chamas, mais ele estava relutante a me deixar vencer.
Outros lobisomens abocanharam meus membros inferiores e a luta não era justa para mim. Senti um cheiro horroroso de carne queimando e um uivo agoniado foi ouvido de longe.
Félix chegou com seus homens enquanto eu lutava pela minha libertação. Mordi o pescoço do saco de pulgas que tentava me arrancar o braço, ele soltou um grunhido de dor, meu veneno se espalhava pela corrente sanguínea dele.
Agonia, dor, espasmos e por fim a morte. Rápida, porém, dolorosa.
Felix veio em meu socorro e derrubou o lobisomem perto do fogo. O mal cheiro dos corpos carbonizando queimavam minhas narinas.
Já em larga vantagem acuei os remanescentes.
-Félix Volturi, eles são todos seus. – ofereci ao conselheiro.
-Mercenários, vocês vão pagar por tudo o que fizeram! – Félix berrou empunhando uma espada.
Ele chegou perto o suficiente de um e com um manuseio rápido e preciso cortou o ar com sua espada, um “X” ficou gravado no rosto do Mercenário que se prostrou ante ele.
-Isso não ficará assim e você sabe disso Félix. – falou com escárnio o Mercenário.
-Cale-se seu imbecil!
-Ué, está com medo? Simon não vai te perdoar, seu fraco! E quanto a sua filha – eu prestava bem atenção na conversa, Félix havia perdido o olhar vitorioso dando lugar ao pânico, o Mercenário travava uma batalha psicológica e Felix estava caindo – Opa... Será mesmo sua filha? Oh oh... hum... tão deliciosa... igual a mãe... ah, Simon teve muito prazer com ela antes de descartá-la.
-CALE-SE SEU IMUNDO! NÃO PROFANE A MEMÓRIA DELA! E SE VOCÊS, SEUS SARNENTOS, OUSAREM TOCAR NUM FIO DE CABELO DA MINHA FILHA, EU VOU ATÉ O INFERNO ATRÁS DE CADA MERCENÁRIO FILHO DA MÃE E MATO UM POR UM!
O que estava acontecendo? Por que não acabar logo com isso?
-Félix, esse insolente deve morrer como punição e os outros levaremos como prisioneiros, Aro irá adorar torturá-los.
-É Félix, me mate e virão outros em meu lugar. E o seu mestre irá “adorar” saber as informações que Simon tem para ele. Faremos assim, você me mata aqui hoje e amanhã outro Mercenário virá contar o...
Ele não teve tempo de terminar. Félix o degolou e jogou o corpo que ainda se debatia na fogueira. Aquilo estava cada vez mais estranho. O que aquele maldito mercenário iria dizer?
Os Mercenários explodiram em forma de lobos gigantes e a batalha recomeçava. Sangue se espalhava pelo solo e quando eu ia de encontro a um lobo cinza rajado um, outro lobo surgiu pulando a fogueira, suas enormes patas arrancavam pedaços de terra do chão e então o inesperado aconteceu, ele atacou o lobo cinza numa batalha de gigantes.

Dentes arreganhados eram vistos em todos os lugares, nossa distração fez com que os sobreviventes fugissem. Nem de longe poderíamos nos meter, nossos pelotões estavam destruídos e nada dos outros Volturi aparecerem.
Um Mercenário se moveu na tentativa de se camuflar na mata. O segui travando com ele uma luta violenta, apenas um sairia vivo.
-Lute como um homem seu cachorro vira-lata!
Ele apenas se pôs em posição de ataque. Não foi fácil derrubá-lo, por um milésimo de segundo fui mais rápido e mais engenhoso.
Ele caiu agonizando devido ao veneno. Lancei seu corpo ainda vivo nas chamas. Quando voltei ao centro da luta, vi Félix ferido, sua regeneração era lenta e os dois lobos ainda duelavam.
Um vulto surgiu ao meu lado e não possuía qualquer essência de vampiro. O homem alto e moreno correu em direção ao lobo menor.
-SAI EMBRY, ELE É MEU! – o homem gritou e explodiu em forma de lobo. Aquilo era demais para mim. Desde quando lobisomens lutam contra a própria espécie? O lobo cinza que foi derrubado pelo preto, começou a retornar a forma humana.
O homem estava bastante ferido, cambaleou o máximo para longe do fogo. Olhou para mim e para Felix que estava quase recuperado e fez o sinal dos antigos imperadores romanos para com os gladiadores na arena, e significava morrer. Apontou para Félix e caiu.
Os outros lobos ficaram estáticos e não pareciam que iriam me atacar, mas foram afugentados pelas flechas queimando em chamas lançadas pelos soldados de Caius e Marcus.
Os lobos fugiram com a maior facilidade e eu apenas presenciei, sem entender absolutamente nada.


N/A: Meninas espero que tenham gostado do cap. Agora o que eu preciso saber de vcs é se estão gostando da história, pois não estou vendo os comentários de vcs... então comentem dizendo se gostam ou não das att’s. Bj.

Cap 8

Pov Aro

Ordenei para que meus homens me mantivessem a par de tudo o que ocorria. Alec e Jane estavam liderando a chefia da guarda de minha filha e de .

Dispersei parte do meu pelotão para as entradas de Voterra, fortemente armados ficamos de guarda. Fiquei na saída da cidade. Por lá ninguém passaria despercebido por mim, principalmente aqueles cães.

O dia já clareava quando resolvi voltar para o castelo.

-Mestre?- chamou-me um guarda mensageiro.

-O que é homem?

-Trago notícias do vilarejo. Houve luta, poucos dos nossos sobreviveram, o conselheiro Félix se feriu e temos pelo menos um Mercenário como prisioneiro. Já estão no castelo.

-Obrigado. Agora vá. – dispensei o mensageiro. – Homens, quero pelo menos 50 na floresta agora. Já sabem o que fazer. Vão!

Seja lá o que tiver acorrido naquele lugar, ninguém mexe com minha família, muito menos com meu irmão Félix, não ficará por isso mesmo...eu prometo!

Retornei o mais rápido possível para Volterra.

Fui direto para a sala dos tronos. Rompi o silêncio instaurado, Felix estava sentado em seu trono tendo ao seu lado Marcus e Caius, sua aparência era um misto de ódio ou preocupação – estava difícil traduzir.

-FALEM! – explodi.

Minha guarda trazia sobe escolta armada um homem alto de cabelos negros. Estava ferido, sangrava. Demetri, meu capitão – sucessor de Félix, se antecipou.

-Mestre, eu os encontrei. Eles nos emboscaram e nós reagimos, infelizmente eles não são tão fáceis de matar como nos disse seu amigo.

-Não me importa isso, quero saber o que de fato aconteceu capitão. – pedi impaciente.

-Na luta apenas este sobreviveu, tivemos baixa de 90 % do meu grupo de liderados. Já o grupo do Conselheiro Félix houve uma perda 80%.

-Agora...- me virei para o Mercenário, eu tentava canalizar todo meu ódio, tremia. – Qual o seu nome seu verme? – cuspi entre dentes.
O homem apenas me encarou.

-FALE! – berrei dando-lhe um golpe no abdômen o fazendo cuspir sangue e gritar em dor.

-Martin. – finalmente disse.

-Sabe o que vai te acontecer não é? – não esperei resposta dele – portanto, responda o que quero saber! – falei.

-sim – disse com muito esforço.

-Por que o imbecil do seu líder quer a cabeça da minha filha? Sabendo que uma e outra vez os lobisomens se levantaram contra nós e foram subjugados. Eu quis a paz entre as espécies, desde que nenhum cruze a linha estabelecida...- respirei fundo na tentativa de continuar a falar dos sonhos que minha mulher havia plantado em mim – e vocês se rebelaram , me tiraram a razão da minha existência! Vocês mataram Coraline após ela ter dado a luz!

-Si..- ele começou a tossir expelindo mais sangue. – ele! – apontou para a frente, onde Felix estava sendo observado por Marcus. – Traidor.

-Seu insolente! – esbofeteou Demetre ao tal mercenário. – Como ousa?

-Aro – disse Martin sorrindo e depois suspirou – pobre Aro! Irá perder suas princesinhas, vai pagar por ser idiota...

-Levem-no para as masmorras – ordenei tentando não arrancar sua cabeça. Antes lhe arrancaria as informações que preciso e depois seus membros, sua língua e por fim sua cabeça.

Uma vez, apenas os Volturi, fui até meus irmãos. Félix que até então estava fechado e sombrio, suavizou um pouco, sua regeneração já estava completa. Marcus bufava e praguejava baixo.

-Fala homem! – mandou Caius.

-Vocês – gesticulou Marcus para mim e nossos irmãos – estão fracos! Percebem como , e esta fedelha vos deixaram sensibilizados? Isso é inaceitável! Temos que torturá-lo já e o mataremos de uma forma aberta como forma de aviso!

Marcus se levantou e saiu.

-Por favor – pedi de olhos fechados centralizando minha raiva do meu irmão. –, chamem os Romanov, pai e filho.


Doze horas depois...
- – bati em sua porta.

-Papai! – respondeu pulando em meu pescoço. – eu estão tão preocupada , por que tive que ficar presa aqui ? Como vão meus tio? E o senhor se feriu?

-Calma, minha filha. Apenas Félix se feriu mais já está regenerado.

-Onde está ? Por que não posso ficar com ela?

-Filha, raciocine...se você e minha estiverem juntas e se hipoteticamente os vermes as alcance, não seria melhor para eles ?

-E separadas podemos ter uma chance de escapar.

-Exato.

Minha menina me abraçou chorando. Como eu vislumbrava essa capacidade tão humana que ela tinha. Herança da humanidade de Cora.

-Filha tenho uma coisa para conversar com você.

-Diga pai.

-Um momento princesa. – levantei de sua cama e ordenei a entrada de Yuri.

-O que ele faz aqui papai? Não quero olhar na face desse homem!

-A partir de hoje querida receio que tenhas que aturá-lo.

Dito isto saí para que ele pudesse cumprir com sua parte.


Pov


Não entendi o comportamento do meu pai. Yuri Romanov se ajoelhou a minha frente segurando uma de minhas mãos.

Ah não! – gritava minha mente.

-Srta, sei que fiz besteira e fui rude contigo. Peço perdão!

-Está desculpado mais nunca perdoado seu bruto! – respondi sem olhá-lo.

-Srta Volturi, minha jóia lapidada, a srta me concede a honra e prazer de concebê-la como minha esposa?

O olhei surpresa pela proposta de casamento mais sem nexo, ele me fitava paciente e minha mente gritou um sonoro NÃO! Mais nada saiu de minha boca. Apenas o choque atravessava minha expressão facial.

Um estalo me fez puxar minha mão da dele que logo se pôs de pé e me beijou à força. Senti asco, nojo de mim. Como ele pode?

Me soltei de suas garras e o esbofeteei sentindo um leve formigamento na mão, como se doesse, ele riu alto. Me irritando.

-NUNCA MAIS FAÇA ISSO SEU IDIOTA! E NÃO EU NUNCA ME CASARIA COM VOCÊ!

-Pena minha noivinha. Seu pai já me concedeu sua mão e em três semanas seremos marido e mulher! – ele disse com um sorriso de triunfo e olhos brilhantes.

-MENTIRA!

Espera, não era mentira. Isso explica a reação do meu pai.

-SAIA DAQUI SEU PLEBEU IDIOTA!

Pov Aro

-Mestre, como já desconfiávamos ela me odeia e recusou o meu pedido formal. – disse Yuri.

-Ela aceitará, é inteligente. – disse reavaliando a decisão que tomei.

-E o mercenário? Já abriu o jogo? – quis saber.

-Vou olhá-lo agora, venha comigo meu futuro genro. – sorri sem nenhum humor e fomos para o cativeiro.

Seguimos para as masmorras e nos deparamos com uma cena nada esperada.

Como fez isso? – interroguei- me incrédulo.

Demetri estava esquartejado e em chamas. Morto.

Ouço passos apressados e a voz de Caius corta o silêncio da barbárie.

-ARO MEU IRMÃO! ALGUÉM MATOU A CRIANÇA, A MINHA CRIANÇA! – ele disse jogando as palavras e depois ao deparar com as chamas completou lentamente, chocado. – O que houve aqui? Oh céus, Demetri!

O olhei e minha mente voou até e . Elas corriam perigo.

-AS PRINCESAS! – disse

-GUARDAS VASCULHEM O CASTELO! O MERCENÁRIO FUGIU! – gritava Yuri enquanto corríamos como loucos. – Mestre , onde estavam os guardas que não viram o lobisomem agir?

Isso era o que eu queria saber.

A mesma intuição que me disse para voltar quando Cora deu à luz me dizia agora que já era tarde.

-! – gritei escancarando a porta de seu quarto.

Tudo revirado, tudo quebrado e ela não estava lá.

-Yuri ela é sua responsabilidade também, vá atrás dela! Chame os gêmeos e revirem este castelo! E você Caius, reúna os conselheiros. Mais não antes de ver se eles também não levaram ...eles vão pagar!

Uma vez solitário no quarto me entreguei ao medo e a dor da perda, perdido em lembranças.

Oh céus! Não! Mil vezes não! Não podia perder minha única filha, a única lembrança do amor e do milagre.

Me ajoelhei perante seu leito e cerrei meus punhos . Eles foram longe de mais, perdi Cora, não perderia ! Respirei fundo e fechei os olhos. Me lembrei da véspera de minha desgraça e também da minha redenção.

Flash back on....

-Aro, rei meu ? – me chamou Cora à realidade, estávamos na varanda do nosso quarto , seu cabeça com seus lindos cachos negros repousavam em meu ombro. Seu ventre volumoso criava vida sob o toque da minha palma, meu filho se agitava na minha presença.

-Diga o que queres querida. – beijei seu rosto.

-Algo me diz que eu não vou estar aqui por muito tempo...- a olhei incapaz de assimilar tamanha loucura.

-Cora, pare com este assunto! Você e nosso filho viveremos juntos sempre! Não importa o que eu tenha que fazer, vou proteger vocês com minha existência .

-Por favor Aro, se eu não estiver ao seu lado quero que siga em frente, case-se de novo e ame nosso fruto, nosso pequeno milagre por que eu os amo desde antes de viver para a imortalidade, eu te amei muito antes de te conhecer.

-Ah é? – disse brincalhão.

-Aro! Estou falando sério!

-Perdoe –me não quis zombar de ti, continue.

-Eu te amei , meu rei, em meus sonhos de mocidade, sempre desejei a ti e amo nosso pequeno milagre desde que ele tomou forma dentro de mim . Proteja nosso herdeiro acima de qualquer coisa!

Nos beijamos com ternura, paixão e desejo pela ultima vez....

Flash back off


N/A: E então amores, gostando?



10 comentários:

  1. Amei o prólogo q peninha do Aro bom vamos ver no q dá *--*

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  2. Ai nem acredito que vou ler mais uma fic sua *------------*

    essa ctz vou tomar cuidado pra não perde e me atrasar toda.
    To anciosa pra ver o que vai ser dessa historia. So o prologo ja foi mt bom.

    posta mais logo,please *-*

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  3. Amoreee.
    Ameii.Tipo amei de verdade.
    Uma pena o que se ocorreu com Aro,mas vamos ver o que vai ocorrer sim,sim.
    Diva,poste logo ok
    XOXO

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  4. Nossa estou boquiaberta com o que aconteceu. Aro se envolvendo com alguém é novidade e tendo um filho então nem se fala, choquei!!!!
    Adoreeeeei, bjsssss!!!!!

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  5. Adorei o capítulo!!!!
    Bjssss!!!!

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  6. Legal a iniciativa. A filha de Felix tem mais participação na fic do que a principal... no caso eu... que chato. Mass posta mais!

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  7. Oiee florzinha, estou gostando muito. Desculpa por ter demorado tanto a ler e comentar. Desculpa. Prometo não voltar a falhar mais.
    A história é inédita. Nunca tinha visto um enredo assim. Aro se apaixonando já foi chocante e ainda mais tendou uma filha, no caso sou eu. Mas tenho que conversar que estou gostando mais da história da filha do Felix. Aquele amor todo com o vampiro brasileiro já me conquistou. Ainda mais sabendo que este tem muitos segredos por revelar, segredos esses que não são tão bons assim.Não quero ver quando a coitada ddescobrir a verdade que seu amado quer acabar com a sua família, será algo horrível, ela irá se magoar muito. Já sobre mim, o casamento obrigado com o vampiro russo, não gosto nenhum pouco dele. Deus me livre! Um casamento desse ninguém merece. Muito menos eu. Mas muitas coisas estão porvir e as ccoisas logo vão mudar. Só quero ver o que vai acontecer. E agora hein? Esses lobos estão só por deus. Não estou entendendo muito por que o bando do Jacob está contra os lobisomens. Mas gostei muito por eles entrarem na história. O que está acontecendo? Nossa estou morrendo de curiosidade. Mal posso esperar. Continue viu florzinha.
    Um grande beijo. Até o próximo capítulo!

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  8. Nossa estou morrendo de curiosidade também estou amando a historia continuaa

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  9. Adorando a fic.... curiosa pra saber o q vai acontecer... att logo!!!!!

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