17 de novembro de 2012

A Musa by Déh

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Prólogo


Eu entrei furioso naquele maldito camarim, meus olhos estavam embaçados pela raiva, parecia que um leão rugia dentro de mim. Afinal o que ela queria? O que ela queria??? Me humilhar? Me fazer de capacho? Eu acaso era um brinquedo?
                Bati a porta com força esperando ouvir o baque, mas isto não aconteceu. Ela segurou a porta e entrou no camarim atrás de mim.
_ Agora vai ter um ataque de estrelismo, Lautner? Nesta altura do campeonato vai desistir? – Se alguém que não a conhecesse a ouvisse naquele momento poderia pensar que o tom de sua voz era suave. Mas pra mim, destilava veneno.
_ Não era isto que você queria? Me ver longe? Desistindo? Fracassado? – Surpreendentemente o meu tom de voz foi tão suave quanto o dela, embora minha expressão tivesse muito mais alterada do que aquele belo rosto cínico.
_ Não, não era isto que eu queria. Você está me decepcionando, mais uma vez.
                Eu ri. Ela era inacreditável!
­_ E o que você quer afinal?
_ O melhor, sempre o melhor e nada menos que isto Taylor. – ela disse, simplesmente.
                Com uma amargura muito mais profunda do que deveria, eu respondi:
_ Sinto muito, eu não sou o melhor pra você.
                Eu virei as costas, procurando na bancada as chaves do meu carro. Precisava sair dali. Mas congelei assim que ouvi sua gargalhada atrás de mim.
_ Patético! – Ela debochou.
                Eu me enfureci, e antes que pudesse raciocinar a tinha pego pelos braços com muita força e a empurrado contra a parede.
_ Deixa eu te dizer uma coisa, poderosa , patética é você! Quem você pensa que é pra dizer que exatamente tudo o que eu faço é lixo? Quem é você pra jogar minha carreira, de praticamente uma vida inteira, no espaço?
_ Me solta, agora! – Ela ordenou, se remexendo em meu aperto.
_ Não! – Eu rugi.
_ Sabe qual é o seu problema? Você construiu a sua tão valorosa carreira com base no estrelismo, na fama, e não no talento Lautner! Você simplesmente foi conveniente por ter a aparência que era necessária, na hora certa e conseguiu uma legião de adoradores que garantiam lucro pra qualquer filminho podre que seu rosto aparecia. Foi assim por todos estes anos.
_ Só falta falar dos meus músculos. Fala, fala que é pelo apelo sexual que minha carreira foi construída. – Ela devia perceber que estava muito perto de ultrapassar meu limite, mas ela não percebeu.
_ Que bom que você sabe disto, Lautner!
                Em um impulso eu apertei mais os seus braços e a trouxe mais pra mim. Ela não se atemorizou diante da ameaça no meu olhar, continuou a falar.
_ Mas isto aqui não é um filme pra suas fãs sonhadoras, Taylor. Este é o meu filme, é algo sério. Isto aqui é cinema, não é “franquia”, é arte! Eu não vou permitir que qualquer besteira tua estrague isto!
                Eu engoli em seco, não sabia mais o que pensar. Minha respiração parecia mais um rosnado contido, eu a olhava como se pudesse penetrá-la e com os meus olhos arrancar aquele maldito coração morto que ela tinha dentro dela.
_ Para o teu azar, ou para tua sorte, eu não vou desistir! – eu sussurrei em seu ouvido, porque era só isto que eu tinha força pra fazer. No entanto, senti o corpo dela estremecer em minhas mãos.
                Eu voltei a olhar em seus olhos e havia, de novo, aquela maldita chama que me atormentava e me aquecia. Ela sorriu, sorriu como se tivesse acabado de conquistar algo extremamente precioso, como se as palavras raivosas que eu acabara de dizer lhe parecessem mágicas.
_ Eu já sabia disto. – Ela também sussurrou, sua voz parecendo trêmula enquanto eu ainda prendia os olhos dela nos meus. Facilmente ela se desvencilhou do meu aperto, que já tinha afrouxado. – Esteja no set em dez minutos… temos uma cena para regravar.
                Ela me deixou sozinho, e assim que a porta fechou eu me joguei no sofá. O que eu sentia por ela só podia ser uma maldição!

Capítulo 1

Dois anos antes...

Apertei os meus dedos uns aos outros, disfarçadamente. No palco, Anne Hathaway apertava firmemente a estatueta, discursava com a voz clara, mas um tanto trêmula. Ela finalmente havia conseguido, e realmente merecido, um Oscar, o de melhor atriz coadjuvante. Eu entendia o nervosismo dela, o enxergava por trás da bela compostura de atriz experiente que ela tinha, simplesmente porque estava sentindo a mesma coisa.
_ Só falta uma indicação, . E seremos nós. – Carlos, o diretor, disse ao meu lado, me fazendo sorrir. Ele havia sido o responsável por estarmos ali, pois foi ele quem preencheu e enviou o formulário “Official Screen Credits”, nos candidatando ao Oscar na categoria de melhor documentário.
_ Não seremos nós, mas será a indicação de melhor documentário. – Eu corrigi.
_ Não, o nosso é o melhor, então, daqui há uma indicação, nós teremos que subir naquele palco. – Ele afirmou enfaticamente.
Eu sorri, a contragosto, e olhei pra frente.  O que ele havia dito poderia ser verdade, mas eu ainda duvidava que o egocentrismo americano dos Membros da Academia permitissem que uma equipe inteiramente brasileira conseguisse a proeza de roubar o lugar de uma americana, nossa maior concorrente, com o documentário “XXI Century”, que falava de todos os principais ataques terroristas do nosso século de uma maneira completamente diferente do que já haviam feito. Eles produziram tudo de acordo com a perspectiva dos terroristas, e não dos americanos. Muito inteligente, eu devia confessar.
Mas Carlos Andrade, que do dia pra noite havia passado de um diretor falido que lecionava cinema na USP, para o melhor do Brasil, me afirmava que a Academia já havia superado esta fase. Era difícil acreditar, uma vez que até agora, muitos foram indicados, mas nenhum brasileiro pegou uma daquelas estatuetas dourada nas mãos.
O teatro Kodak exalava um brilho poderoso de riqueza e glamour ao meu redor, tão diferente do que eu havia vivenciado no meu ultimo ano, durante a aventura que havia sido a produção do documentário “O tesouro dos povos”. Finalmente a voz de Brad Pitt, anunciou o que nós, na quinta fileira da seção “B” daquele teatro, aguardávamos.
_ E agora, vamos aos indicados na categoria “Melhor Documentário”.
                Enquanto a projeção com trechos dos cinco indicados começava, Brad olhou pra mim, e sorriu. Minutos antes de entrarmos na premiação havíamos conversado, e ele havia dito que torcia por nós. Isto se devia obviamente as influências de Jolie, que havia encontrado comigo na África, durante as filmagens. Acabei por conhece-la mais de perto, conversamos muito durante os dois dias que estivemos na mesma cidade.
                Contra a minha vontade, senti um frio na barriga quando a minha voz soou por todo teatro, junto da minha imagem em meio a um bando de crianças tupis que cantavam e dançavam uma canção em homenagem ao sol. Senti o aperto suave de Maria, uma das produtoras, na minha mão, conforme as imagens do nosso documentário sobre as culturas musicais de vários povos étnicos do mundo encerrava a apresentação dos indicados. Depois, tudo foi como um outro filme irreal. A moça elegante levou o valioso envelope em uma bandeja para as mãos de Brad Pitt, ele fez qualquer brincadeira que eu não entendi até finalmente abrir o bendito envelope.
_ E o Oscar vai para… “O tesouro dos povos”, produção brasileira de Carlos Andrade e .
                Os aplausos pereceram romper a minha bolha, me fazendo olhar para os lados. Carlos me fornecia um sorriso desafiador, como se dissesse “eu avisei”. Ele ofereceu a sua mão, que aceitei rapidamente, e nos levantamos.
_ Esta é sua coroação . Depois disto, nunca mais perderá o reinado. – Ele me sussurrou, enquanto andávamos para o palco.
                Ele pegou a estatueta maciça das mãos de Brad e me ofereceu. Eu sorri e peguei. Ouro puro… um pensamento amargo me passou pela cabeça, quando eu pensei que ao derreter aquilo eu poderia conseguir dar uma preciosa quantia para o Hospital ao norte da Argélia, que atendia milhares e milhares de pessoas com a vida condenada e que estava em péssimas condições de estrutura.
                Não consegui repetir o ato de Carlos e beijar a estatueta, apenas sorri. Logo depois recebi os comprimentos afetuosos de um dos ídolos de minha adolescência.
_ Eu não tinha dúvidas, foi realmente muito bem feito. Parabéns pela ideia e pelo roteiro. – Brad me disse. Eu sussurrei um obrigado e me voltei para o púlpito em que Carlos se pronunciava.
  _… e esta é uma conquista não somente para toda a equipe envolvida neste documentário, mas para o nosso país, Brasil, ao qual estamos representando neste palco. Posso dizer que este projeto foi uma aventura do começo ao fim, e devemos o mérito a inteligência e perspicácia de uma das mulheres mais incríveis que conheci: .
                Carlos, filho da mãe, apontou pra mim iniciando uma turba de aplausos e me indicando que eu tomasse a palavra. Eu realmente não queria falar. Mas não havia alternativa.
_Penso que obrigada, muito obrigada a todos, é a melhor maneira de começar, pelo que pude observar ao longo dos anos. – Foi o começo do meu discurso em inglês fluente. Todos, por algum motivo, riram. Eu sorri e voltei os meus olhos para a estatueta que estava em minhas mãos. – Mas eu acredito que a experiência mais rica e valorosa que tive com esta produção não é, de fato, esta estatueta.
                Pronto, o silêncio reinou abruptamente por todo o Kodaly, e eu pude observar pela visão periférica o sorriso elegante de Brad Pitt congelar. Somente Carlos e o pessoal que ocupava a quinta fileira do setor “B” não pareceram apreensivos com as minhas palavras. Afinal, eles me conheciam.
                Eu ergui os olhos e encarei penetrantemente os rostos distintos da plateia.
_ Porque o que me alimentou o espirito, a cognição, a mente… foram os povos com os quais eu convivi, suas músicas, suas crenças, suas paixões, seus costumes… os verdadeiros tesouros humanos espalhados pelo Brasil, Bolívia, Bali, Angola, Mongólia, China, Austrália… O tesouro humano, os tesouros da vida humana que não precisam de máquinas, que não precisam de dinheiro ou mesmo de uma celebração em Los Angeles para ser eterno. A única coisa que nossa equipe fez foi mergulhar nesses universos culturais tão vastos e tão sufocados pela evolução tecnológica, gravar o nosso olhar pelas lentes de muitas câmeras e espalhar pelo mundo. No entanto, chegar até aqui é, de certa forma, saber que as pessoas ainda se encantam com estes tesouros antigos. Obrigada.
                Depois que eu me afastei do púlpito, o silencio ainda permaneceu por cerca de cinco segundos, até que, para minha surpresa, todo o teatro se pôs de pé e aplaudiu.
                Eu não sabia, mas depois de alguns anos eu voltaria a ser o centro dos olhares daquele teatro estrelando uma cena inusitada e real ao lado de Taylor Lautner.

************
                POV Taylor

Foi a primeira vez que a vi, enquanto subia naquele palco, acompanhada por um homem de meia idade, deslizando pelo corredor que levava até lá. Ao contrário dela, eu não estava no Kodaly para ser premiado, ou sequer, como participante de um filme indicado. Eu estava lá simplesmente porque era uma celebridade badalada excelente para preencher cadeira nas fileiras principais e fazer bonito para as câmeras.
Eu só assistia.
E, naquele momento, meus olhos estavam presos nela, que tinha uma aura magnifica ao seu redor, de imponência, superioridade. Eu não sabia muito sobre ela, nem sequer assisti o tal documentário que ela havia feito, mas era óbvio que ela tinha um certo estrelismo dentro de si.
O vestido de uma variação de rosa claro parecia ser um dos que mais chamavam a atenção entre as mulheres, mas parecia ter sido feito especialmente para ressaltar os atributos curvilíneos daquele corpo e de nenhum outro. Isto acontecia de forma elegante, clássica e… sensual. Ela tinha os cabelos negros, os lábios perfeitos, a pele morena e bronzeada e os olhos incrivelmente azuis. Era uma mistura perturbadora, impossível de passar despercebida.
Observei quando ela começou a falar, e analisei sua postura, o sorriso educado, fechado. Ela perecia bem diferente de todas as brasileiras que eu já havia conhecido… Não havia nela aquela receptividade calorosa, aquela espontaneidade que chegava a assustar. Ela parecia até… ser fria. … este era o nome.
Ela desceu do palco e ao passar pela primeira fileira recebeu alguns comprimentos realmente valiosos: David Yates, Sandra Bullock, Meryl Streep, Anne Hathaway, Jhonny Depp…
Eu não sabia exatamente o que me levou aquilo, mas quando ela passou perto de mim - que me encontrava na ultima cadeira da ponta de minha fileira, ao lado do corredor que dava acesso ao palco - eu me levantei.
_ Parabéns! Bela produção, um prêmio merecido. – Eu a cumprimentei e, sorrindo, lhe ofereci a mão para um aperto.
                Lentamente ela direcionou aqueles belos e grandes olhos azuis para o meu lado. Me olhou e abaixou o olhar para minha mão. Por um instante fugaz eu tive a fria sensação de que ela ia recusar e virar as costas, mas isto não aconteceu. A mão macia dela apertou a minha.
_ Não pensei que atores com suas especialidades se interessassem em documentários deste gênero. Quando assistiu?
                Ela não agradeceu de imediato, apenas me questionou sem titubear. Ela havia pego em um ponto fraco, aliás. Eu não havia assistido e não, eu não me interessava por documentários daquele gênero.
_ Há alguns dias. – Sorri, atuando. Ela estreitou os olhos e sorriu de lado. Eu vi, ela não acreditou.
_ Obrigada Lautner. 
                Dito isto ela soltou minha mão e voltou para o seu lugar. Eu fiquei lá, de pé, até ser puxado para baixo novamente pela Nikki, que também estava na cerimonia com o marido, sentados ao meu lado.
_ As câmeras não podem te pegar babando Taylor! Mantenha a compostura! – Ela ralhou entredentes, enquanto sorria.
                Eu refiz minha expressão como se eu estivesse concentrado na apresentação de Brad Pitt no palco, de qualquer coisa que fosse.
_ Tudo bem… - Eu sussurrei para Nikki como se comentasse algo. Ela balançou a cabeça levemente e deixou um riso escapar.
Mas parecia que a imagem daquela mulher iria ficar gravada em minhas retinas por um bom tempo.


Capítulo 2

N/A: o poema utilizado neste capítulo é originalmente de Pérola Cardoso que gentilmente me emprestou suas palavras para demonstrar o sentir da personagem.

                Eu entrei em meu apartamento de New York após mais uma aula. Era recém contratada da Columbia University, no departamento de Artes. Não tão “recém”, porém. Havia um ano. Isto me fez mudar do Brasil, para a pulsante New York. As aulas lá não seguiam bem a minha área de especialização, em musicologia. Eu precisei expandir o meu conhecimento para outras áreas das Artes, o que era bom. Ocupava-me: mente, corpo e espírito.
                Eu passei pela sala retirando os sapatos. Meu apartamento não era um lugar muito grande, mas tinha cômodos amplos, o espaço bem aproveitado, a decoração era clara. Ele ficava a cinco minutos do Central Park. Era um bom lugar pra viver, eu acabei me adaptando e gostando dali.
Deixei as chaves do meu carro sob a bancada de fotografias e não consegui evitar que meus olhos se prendessem aos porta-retratos. Havia fotos de minha equipe de produção do documentário “O tesouro do mundo”, por muitos lugares aos quais havíamos passado e fotos minhas no dia da premiação do Oscar. Depois daquilo, daquele documentário, minha vida nunca mais foi a mesma.
                No Brasil, como Carlos Andrade gostava de dizer, meu nome foi elevado a realeza. Fui chamada para produzir alguns roteiros, mas recusei a maior parte deles. Isto porque não queria me perder da minha área de formação, a música.
Só fiz mais alguns. Um foi para um filme/musical infantil muito meigo, com texto de Eva Funado. O filme ganhou premiações, inclusive por melhor roteiro infantil… foi exportado para outros países. Este foi o único filme, e não documentário, que produzi, mas ainda assim era um curta-metragem. Depois vieram mais documentários, que eu realmente gostava de fazer. O meu ultimo preferido havia sido “A trupe do trapo”, em que falei sobre um grupo de teatro musical com deficientes físicos e mentais. Era um mundo maravilhoso, me perdi naquilo. Eles montaram uma peça especialmente para o documentário. Então eu mesclei trechos da peça com os depoimentos dos integrantes do grupo e de sua idealizadora. Foi maravilhoso.
Porém, em todas as minhas produções eu mantive vínculos com a música, de alguma forma eu me sentia traindo a mim mesma se me afastasse da minha profissão original. Embora muitos me incentivassem a isto, eu não quis basear toda a minha vida só no cinema. Eu segui com os meus estudos na área da musicologia, das artes como um todo, atuando como pesquisadora e agora como professora universitária. Durante um tempo eu tive uma carreira dupla. No ultimo ano, no entanto, me dediquei mais a Universidade, deixando o cinema de lado para tentar acalmar os ânimos da mídia, que andava me sufocando demais, principalmente a brasileira.  
                Foram muitas as conquistas, mas estas não chegaram nem perto de suprir minhas percas.  Não foram as fotos das premiações ou dos filmes que prenderam os meus olhos naquele momento… foram outras.
                Minhas mãos, já acostumadas a seguir aquele caminho, foram parar justamente no maior porta retrato exposto. Era digital, por ele passavam várias fotos deles… dos meus amores. Ao vê-las eu dei boas vindas a costumeira dor no peito e minha pergunta de todas as noites e manhãs voltou a soar em minha mente: “Por que eu fiquei?”
                Eram fotos do meu casamento, em meu rosto brilhava um sorriso que eu tinha dificuldades em acreditar ter sido real. Outra foto, da minha gravidez, com meu marido Gustavo beijando minha barriga. Eu ainda podia ouvir a voz dele me dizendo:
_ É a gravida mais linda do mundo!
                Outra foto… do meu parto. Murilo, meu filho, entre as cabeças minha e do meu marido. Em nossos rostos mais sorrisos e os olhinhos do meu filho ainda fechados, apertadinhos, o rosto sujo, esbranquiçado e ensanguentado. Na outra foto estávamos só eu e Murilo, na cama, eu estava deitada com as costas no colchão erguendo-o em meus braços enquanto ele me brindava com uma gargalhada maravilhosa. Foi Gustavo quem tirou aquela foto.
                O som da lembrança dos risos do meu filho e marido foram interrompidos pelo som de um forte impacto. Eu me lembrava nitidamente do momento exato em que os perdi: primeiro eu tinha me virado para o banco de trás pra tirar uma foto do rosto de Murilo sujo de chocolate... o caminhão vinha na outra pista, há uns cem metros. Me virei pra frente, Gustavo olhou pelo retrovisor o rosto risonho do filho e o caminhão não estava mais na outra pista, estava em cima de nós. Não senti nada, apenas me lembro do barulho ensurdecedor de ferragens sendo esmagadas.
                Eu larguei o porta retrato bruscamente, buscando por ar, mas o peso da lembrança estava sob o meu peito, me impedindo de respirar. Foi há cinco anos, cinco malditos anos em que eu fui a única sobrevivente de um acidente terrível. Não se salvou o motorista do caminhão, não se salvou o meu marido… não se salvou o meu filho. E eu? Apenas um braço quebrado e um tornozelo deslocado, milagrosamente.
                A dor maior não era por eles terem ido, mas por eu ter ficado. Ficado consciente enquanto as pessoas vieram me dar os pêsames; ficado viva pra me sentar entre dois caixões lacrados sem nem sequer entender o que acontecia… ter sobrevivido ao meu filho, jogado terra em cima dos caixões das pessoas que mais amei. Ficado saudável pra arrumar o quarto do meu filho morto, pra deitar na cama vazia sem o corpo quente do homem da minha vida.
Viva, eu simplesmente fiquei viva!
                Acordei de mais um surto de dor com o barulho do telefone.
_ Alô? – Minha voz estava morta quando atendi.
_ Então, esqueceu da sua mãe na terra dos brasis, é? – Era impressionante, ela sempre me ligava em momentos parecidos. Parecia que adivinhava.
_ Não, Dona Amanda. Eu não me esqueci de você. Só estive um pouco ocupada.
_ Sei… ocupada. Com trabalho, eu presumo. – Ela disse, em tom de quem desaprova.
_ Sim, com trabalho. – Eu tirei o maldito sutiã apertado e me joguei no sofá fofo e claro da sala, ligando a TV e zapeando pelos canais enquanto ouvia minha mãe falar.
_ Filha! Por Deus! Você vive pra trabalhar ou trabalha para viver?
_ Você sabe, mãe. A primeira opção. Não me resta outra.
_ Você não pode passar o resto na vida nisto! Eles não iriam querer te ver…
_ Mãe! – Eu gritei antes que ela tocasse no assunto que pretendia. Dona Amanda entendeu, suspirando do outro lado do telefone.
_ Filha, por favor, por favor! Faça algo por você! Algo que você goste realmente de fazer! Oh, meu anjo, quer você queira ou não, você está viva e é por alguma razão! Então não envergonhe a confiança e amor que todos os que te amam tem por você, inclusive os que já se foram… e não se suicide!
_ Eu não vou me suicidar mãe… já passei desta fase. – Eu suspirei. Certamente aquilo não ia sair da cabeça dela tão cedo.
_ Uma semivida é um suicídio muito pior do que amarrar o pescoço e tirar os pés do chão. – Ela disse, com a voz embargada. Eu estava certa, ela nunca ia esquecer aquela cena. De certa forma, minha mãe era uma das poucas que enxergavam a minha condição miserável apesar de todo o prestígio profissional que ofuscava minha vida.
_ O que você quer que eu faça? – Eu perguntei, cansada e amargurada.
_ Viva! – Minha mãe disse aquilo furiosa, como se me desse um tapa na cara, o que pareceu ainda mais agressivo quando ela desligou o telefone bruscamente. Qualquer coisa que ela pretendia falar comigo foi esquecida por sua revolta.
                Eu deixei o aparelho móvel de lado e exalei profundamente. Ela já havia feito de tudo pra que eu abandonasse o trauma mórbido de viuvez, por inúmeras vezes brigamos. Confesso que ela foi um dos motivos mais fortes para que eu abandonasse a apatia dos primeiros meses do luto e saísse da cama. E ela foi o motivo de eu ter fracassado em meus planos de suicídio. Fora ela que um dia depois do enterro do meu marido e filho, arrancou uma corda do meu pescoço, me impedindo de saltar do banco que eu havia subido… impedindo-me de sufocar, morrer como eles. Depois do que ela me disse naquele dia, eu nunca mais tive intensão de tentar suicídio novamente. Decidi isto mesmo antes de começar a terapia.
Algum tempo depois, quando a música não era o suficiente pra extravasar minha dor, eu me pus a escrever, encontrando nas palavras, na criação de um mundo literário intangível, uma válvula de escape para minha dor. Daí para a minha atuação como roteirista foi rápido. 
Mas eu sabia que apesar de tudo que mudei em minha vida - digo, a exaltação profissional -, minha mãe não estaria satisfeita até ver o meu sorriso brotar de dentro novamente. E tão pouco se enganaria com qualquer felicidade efêmera que eu tentasse fingir. Eu sentia muito mesmo ter que decepcioná-la, mas não era capaz. Depois de eles terem me deixado, tudo tinha ficado raso demais, superficial demais pra mexer com meu coração novamente.
                Meus olhos voltaram a focar a televisão, eu tinha deixado em um canal que transmitia pela milésima vez o meu documentário vencedor do Oscar. Mudei de canal, não queria assistir novamente. Não hoje.
O que havia no canal seguinte era outra superprodução americana a lá 007, com direito a terroristas ameaçando a vida do presidente e tentando conquistar o governo dos Estudos Unidos. Repentinamente a cena de negociação do personagem principal, disfarçado em meio ao inimigo, passou pra uma luta bem coreografada que destruía todo o cenário.
Muito inteligente e inovador! Sem sombra de dúvida aquilo merecia o Oscar! O ator principal exibia os seus dotes nas artes marciais e, providencialmente, sua camisa rasgou no meio da cena, exibindo o peitoral malhado. Sua expressão tinha poucas e pobres variações, e em todas estas variações o principal era o movimento das sobrancelhas. Não se podia esperar muito de uma cópia barata de Tom Cruise. Se ele não fosse bonito, nem sequer teria atenção. Ou talvez tivesse, uma vez que Steven Seagal até que tinha durado bastante, mesmo fora dos padrões de beleza, na minha opinião.
Eu tinha mais birra daquele ator por já ter suspirado por ele lá pelos meus dezoito anos, quando eu já namorava Gustavo. Eu era idiota, tendo o homem real, que realmente valia a pena ao meu lado e perdia tempo olhando para um jovem lobo musculoso.
Aqueles foram os meus pensamentos até o filme acabar: eu enxerguei cada mísero defeito na produção e nem sequer prestei a atenção em uma possível qualidade. No final das contas, destilar minha amargura, mesmo em pensamento, para Taylor Lautner acabou por aliviar a tensão que o telefonema de minha mãe me causara.
O filme acabou com uma cena dos atores principais em uma praia do Caribe, com uma nova investigação eletrizante em mãos. Realmente aquilo era muitoooo original! Rolando os olhos eu desliguei a TV com o propósito de tomar banho e…
Meu telefone tocou.
_ O que é? – Atendi, sem o mínimo de paciência, pouco me lixando pra quem seria.
_ Então a deusa está brava? – Ele disse, com voz branda.
                Eu sorri, de certa forma era um alívio ouvir a voz de um velho amigo.
_ Mateo! – Minha voz pareceu mais um suspiro aliviado. Mateo sempre sabia como me distrair.
_ Quem mais poderia ser? – Ele riu. - Eu te disse que ligava hoje não?
Eu fiz uma careta ao me lembrar do porquê  ele estava me ligando.
_ Por favor, não! Não me venha com aquele assunto. Eu realmente não estou com ânimo para prosseguir com isto.
_ Mas você vai continuar com esta teimosia e desperdiçar aquele material? – Ele falou indignado, sua voz ficando cada vez mais aguda.
_ Eu nem sei porque eu mostrei aquele roteiro pra você, se quer saber. Escrevi em noites de insônia, nada sério.  – Mateo pareceu urrar de indignação do outro lado do telefone.
_ Nada sério? Por Deus! Aquilo foi a coisa mais espetacular que eu já li! Você tem que…
_ Mateo, se você continuar com isto eu desligo o telefone e não atendo você pelas próximas três semanas! – Imediatamente ele percebeu o tom da minha voz e suspirou, desistindo.
_ Certo… não falo mais… mas não significa que vou desistir. – Eu rugi pra ele no telefone. Mas ele riu, sem se abalar.
_ Vou deletar! – ameacei.
_ Tsk, tsk, tsk… tão inteligente e tão tola. Eu fiz uma cópia. – Ele deu aquele risinho afetado quando eu exalei impaciente.
_ Foda-se!
                Ele riu mais.
_ Isto é palavriado de realeza minha rainha? Que decepção! Mas, bem, vamos mudar de assunto então.
_ Mudar de assunto? Pensei que tivesse perdido o amor a vida e quisesse bater na mesma tecla… - eu disse, sarcástica.
_ Não ainda… Mas o fato é que estou com saudade de ter minha musa posando pra mim.
_ Não sou modelo. – Disparei azeda.
_ Andou mergulhando em más lembranças novamente? – A voz de Mateo ficou séria de repente. É claro que ele iria perceber, eu nunca era tão amarga com ele.
_ Não…
                Ouvi um suspiro.
_ Estou indo pra aí.
_ Não venha. - Eu só queria ficar sozinha em momentos assim, era difícil entender isto?
_ Até! – Foi só o que ele me respondeu.
Mateo foi a segunda pessoa que desligou o telefone na minha cara em menos de uma hora. O resultado disto foi que o telefone foi parar no outro lado da sala com a fúria que eu o arremessei. A sorte foi ter caído em cima do sofá, perdendo-se no meio das almofadas, do contrário teria se espatifado.
                Eu precisava esfriar a cabeça, precisava! Ainda com algumas dúvidas, destranquei a porta para Mateo entrar.
Andei até meu quarto e, em cima do criado ao lado da cama, encontrei o caderno em que escrevi um poema na noite passada, depois de mais longas horas de insônia:
**Presa nessa cama,
Incapaz de me mover,
Olho ao redor e te procuro,
Mas não estás aqui.
O ar infla meus pulmões,
Enquanto contenho as lágrimas.
Mordo os lábios e fecho os olhos.
Rezo, pela primeira vez.
Aonde está você?
Por que não está aqui?
Rezo para ver seu rosto outra vez.
Os dias passam,
As noites se acumulam,
Encaro o teto em desespero.
Aonde estás?
Não sinto meus braços,
Ou minhas pernas,
Apenas meu coração,
Que a cada batida dói,
Sofre pela sua ausência,
Implora o seu retorno.
Os murmúrios são vários,
Mas mal os escuto ou entendo.
Procuro seu nome entre os sons,
Mas também não o encontro.
Choro, sem poder me conter,
Meu rosto molhado,
Você não está aqui para secá-lo,
Com seus dedos,
Com seus beijos.
Passou-se um ano,
Dois, três, cinco.
Saí daquela cama,
Mas não lhe vi.
Ninguém fala de você, 
Por que?
Onde você está?
Meu coração ainda sofre,
A cada batida.
Meu rosto ainda se molha,
Todas as noites,
Esperando que você o seque.
Estou perdida,
Sem você não há luz,
Me sinto presa novamente.
Presa na escuridão,
Presa na solidão,
Presa à você.
Por que?
Por que eu fiquei?
_ Gustavo… - eu sussurrei. Uma lágrima ameaçando a umedecer meus olhos. Eu sentia tanta a falta dele enquanto tentava dormir… sentia tanta falta do meu menininho, do meu filinho rindo pra nós.
Respirei fundo mais uma vez e rasguei o papel com aquele poema, jogando no cesto de lixo. Fui para o banheiro e preparei um banho quente na hidromassagem, com sais o suficiente para me embriagar com o perfume. Quando Mateo chegou eu estava quase dormindo na banheira, acordei com o clique da máquina.
_ É péssimo ter um amigo paparazzi. – Eu sussurrei, abrindo os olhos aos poucos pra me deparar com uma careta no rosto bonito de Matt.
_ Não me ofenda. Eu não sou paparazzi, sou fotógrafo. O que eu faço é arte, não fofoca. – Eu sorri, e virei o rosto para o outro lado. – E você é bem consciente de que poderia ter entrado um ladrão no meu lugar com aquela porta aberta, não é? – ele continuou, me repreendendo.
_ Pra que servem as minhas noites treinando Muay thai?
_ Pra te deixar com o bumbum mais empinado? – ele brincou, tacando água em meu rosto.
                Eu voltei a olhar pra ele, recebendo mais um clique de sua maquina. Ele adorava tirar “fotos espontâneas”, dizia que só assim conseguia captar expressões únicas. Eu, por sua vez, dizia que era mania de paparazzi, o que o deixava furioso.
_ Não estou boa pra servir de modelo hoje…
_ Minha querida, pra você não existe dia ruim. Olha este rosto… - ele passou os dedos pela ponta do meu nariz. - … este colo perfeito coberto por espuma… - Matt desceu a mão pelo meu pescoço. – E estes cabelos presos tão displicentemente gloriosos… Você está perfeita! Você é perfeita…
“_Você é perfeita…”
Eu reprimi a lembrança de Gustavo repetindo as mesmas palavras e voltei a me focar em Mateo. A voz meiga dele tentava me ludibriar, eu conhecia bem o amigo que tinha.
_ Guarda a maquina. – Eu disse, pausadamente. Ele sorriu e se levantou da beirada da banheira indo para o meu quarto.
_ Sabe, a Bianca está rouca… o pessoal lá do Louge Brazil está sem cantora hoje… - Ele me gritou enquanto fazia alguma coisa em meu quarto… talvez mexesse em meus perfumes.
Ele sabia que a desculpa “estão sem cantora” não ia me enganar já que eu sabia muito bem que havia outros cantores que poderiam muito bem cobrir a falta de Bianca no Lounge.
_ Nã-ão… - Eu cantarolei, prevendo a proposta dele.
                Mateo apareceu com um sorriso meigo na porta do banheiro.
_ Como diz os brasileiríssimos: quem canta seus males espanta… - Ele piscou. – E eu sei que você adora se divertir naquele palco, cantar com aquela banda maravilhosa e… eu vou escolher sua roupa.   
­ _ Mateo, eu disse que não! – Eu gritei, me levantando da banheira.
_ Você pode ser , meu amor. Mas eu sou Mateo Vasconcellos e estou decidido a te levar pra lá! Vou te fotografar cantando hoje, meu amoorrr!
                Eu disse não novamente… e persisti fazendo isto umas três vezes mais. Porém, uma hora mais tarde eu estava pronta, entrando no carro a caminho do Lounge Brazil pra ensaiar com a banda antes que a casa fosse aberta para o público. Mateo era um homem infernal, tão impossível de se dobrar quanto eu. Ou seja, éramos o par perfeito de amigos.
_ Olha, olha, olha! Que saudades da ! – Rafael, o baterista da banda, me cumprimentou, logo depois fazendo uma sessão rítmica de grande efeito na bateria. Eu aplaudi, sorrindo com a recepção.  
– Vem pro palco que o palco te chama, . Hoje eu estou sentindo que a noite vai ser memorável! – Juliana, uma das backing vocal da banda, uma negra linda de voz espetacular e dona do Lounge, me chamou, já posicionada em seu lugar.
                O Lounge Brazil tinha uma espécie de clã brasileiro. Muitos brasileiros o frequentavam e mais um tanto de americanos descobriram aquele lugar exótico como mais um hobby na ilha de Manhattan.
A banda que tocava lá, Musibra, foi formada por iniciativa de Juliana, que agrupou alguns músicos brasileiros perdidos em New York. Eram Jorge, na guitarra e violão; Bianca, Marina, João e a Ju na voz; Gabriel, no baixo; Jordana no teclado; Bruno, que era um multi-instrumentista (tocava flauta, sax, trompete, clarinete) e Rafael na bateria.
 No início, eles se apresentavam pelos bares de NY, até Juliana ter peito novamente e abrir o Lounge, um lugar cheio de “brasilidades”, como ela dizia. Da primeira vez que vim para Nova York, há uns quatro anos, pra visitar a nova morada de Mateo, eu vim aqui com ele e me apaixonei. Eu ainda estava muito melancólica pelo luto e, em um rompante, pedi pra subir no palco e cantar uma música. O grupo me recebeu com surpresa, mas me acompanhou maravilhosamente. Quando me mudei pra cá, comecei a ser frequentadora assídua e, por vezes, cantava junto, ou no baking ou como vocalista mesmo. Depois de algum tempo acabei por me tornar uma participante remota da banda do Lounge.
_ O que a Bia teve? – Perguntei, enquanto arrumava o pedestal do microfone e testava o som.
_ O que você acha? O maldito cigarro corroendo suas pregas vocais. Ultimamente ela tem ficado mais rouca que o normal. – Gabriel, irmão de Bianca, resmungou. Eu só balancei a cabeça.
_ Não é só o cigarro. Às vezes ela abusa da voz… vocês sabem. – eu disse.
_ Ela não está cantando mais a noite inteira , eu vou pro vocal também. Estamos dividindo. Mas... ela já teve problemas na voz e não se cuida. Não quer ir ao médico, não segue o tratamento. Vai acabar com aquela voz divina que ela tem. – Juliana disse, um tanto melancólica.
                Não demorou muito pra começarmos o ensaio. Eu conhecia a maior parte das músicas do repertório, afinal, na minha época de faculdade meu sustento foi o dinheiro conquistado em cantar em bares noturnos nos fins de semana. E a pedida do pessoal dali girava quase na mesma: samba, bossa-nova, MPB e algumas americanas. Era um barzinho mais intimista, tranquilo, bom pra ir conversar e relaxar.
                Logo que eu soltei a voz, nas primeiras notas, eu senti o meu corpo e alma ficarem mais leves, meu sorriso ampliar. Eu fluía de acordo com cada canção, meu corpo pulsava com cada batida, meu coração vibrava com os acordes do baixo. Era sempre assim, desde que eu me entendia por gente, eu simplesmente amava música, sempre me perdia nela. Isto desde meus quatro anos quando comecei a cantar no coral da igreja. Eu sentia e vivia tudo que a música me pedia: se ela era melancólica, assim eu ficava; se era alegre, meu sorriso ao cantar era o mais sincero do mundo.
                Mateo sabia disto, sabia que quando eu tocava ou cantava, meus ânimos se acalmavam. Por isto que ele escolheu me levar pra cantar justamente pra armar uma das boas comigo. Quando o Lounge abriu eu já estava solta e relaxada, tomando alguns goles de Martini antes de começar a cantar realmente, e rindo das conversas tolas e descompromissadas do pessoal da banda. Desde o ensaio, Matt havia tirado mil e uma fotos de mim, coisa que ele adorava fazer desde que éramos adolescentes e ele começou o curso de fotografia no Brasil.
                Mas eu só descobri o que Mateo planejou para aquela noite quando duas figuras entraram no Lounge, no meio do show, por volta das onze da noite. Era um dos casais mais estimados no mundo hollywoodiano: Emma Thomas e seu marido, ninguém mais, ninguém menos que Christopher Nolan. Mateo simplesmente sabia que eu era fã deste diretor desde quando, lá pelos meus 18 anos, assisti “Batman: O Cavaleiro das Trevas”. Depois que vi este filme eu devorei tudo que Nolan havia dirigido, de “Following” até “A Origem”... E até se ele dirigisse um show de talentos de adolescentes de colegial eu assistiria, porque sabia que ele faria o melhor show de talentos de escola de todo o universo.
                Como Mateo havia conseguido leva-lo ali, eu não sabia, mas só de pensar que poderia ser por minha causa, toda a tranquilidade que eu sentia enquanto dançava e cantava no palco estourou e desapareceu como bolha de sabão.
                Christopher ficou a me olhar o tempo inteiro enquanto eu cantava, perecendo se divertir com o swing da música… ou com o jeito que eu dançava no palco.
_ Muito obrigada. – Eu disse, depois de mais uma leva de aplausos.
_ É isto aí!!! Maravilhosaaaa!!! – Um cara qualquer me gritou da plateia, eu apenas sorri.
_ Vamos de uma americana agora? – Perguntei, sorrindo. Houve um murmúrio geral de aprovação pela plateia. – We foud love… - Anunciei o nome da música tanto para plateia quanto para a banda.



Fizemos esta música em uma versão mais leve, eu me sentei no banquinho pra cantar. Jorge, outro integrante da banda, me emprestou seu violão. Tentei esquecer o friozinho na barriga e simplesmente cantei, de olhos fechados e alma entregue. Aos poucos eu senti as conversas se acalmarem, os olhares se voltando a mim.
                Terminei de cantar em meio a estrondosos aplausos e finalmente desci do palco. Era intervalo, um tempo de descanso para banda. Imediatamente Mateo veio me abordar.
_ Tem gente te esperando. – Ele disse, todo sorrisos.
_ Que diabos você pensa que está fazendo senhor Mateo? – Eu perguntei em um sussurro, enquanto ele me puxava pela mão em direção à mesa de Christopher e Emma.
_ Dando um empurrãozinho básico. – Ele me respondeu no mesmo tom.
_ Como conseguiu traze-los aqui?         
                Ele me olhou confuso.
_ Não foi eu quem os trouxe, foi você, na verdade. Ou melhor, foi o seu texto.
                Eu engoli em seco. O desgraçado do Mateo havia me desobedecido e mostrado aquele bendito roteiro pra outra pessoa? Eu não podia reclamar com ele, uma vez que já estávamos muito próximos da mesa e Christopher já se levantava pra me receber.
_ Bom, aqui está ela. Acho que podemos dispensar as apresentações, já que todos aqui sabem o nome de quem. – Mateo disse com tranquilidade, se sentando ao lado de Emma e pedindo uma rodada de caipirinha pra todos nós. – As pessoas costumam gostar deste drink brasileiro. – Ele disse, incentivando Nolan e Emma a experimentarem.
_ É um prazer conhece-la . Você realmente faz jus a sua fama. – Christopher foi o primeiro a falar depois do afetado do Matt. – Sua presença é impactante… - ele disse e voltou a olhar para o palco agora vazio, como se tentasse se recordar de algo.
_ Sem sombra de dúvidas. Te assistir é uma experiência única. Você conseguiu me transportar a um outro lugar… não sei. – Emma completou os dizeres do marido com um sorriso afável.
_ Obrigada, mas o prazer é todo meu por conhecer vocês. – Eu disse, meio sem jeito. O que eu falaria, afinal?
_ Já pensou em se tornar atriz? – Eu arregalei os olhos quando Christopher disse aquilo, assim, de repente. Ele sorriu e tentou se explicar. - O que eu vi passar em seu rosto naquele palco é raro de se ver em muitos artistas.
_ Eu concordo com o Chris. Você teve a capacidade de se expressar corporalmente, traduzindo o sentimento da música sem se tornar ridícula e forçada… ou coisa do tipo.  – Emma disse, enquanto me avaliava ainda mais. Deixei meu queixo cair involuntariamente.
                Mateo deu uma risada estrondosa.
_ Vejam, vocês já conseguiram deixa-la acuada!
                Eu olhei feio pra ele, mas me recompus rapidamente.
_ Definitivamente não! Eu não penso em ser atriz. – Eu respondi aquilo com tanta convicção que nenhum dos dois pareceu duvidar daquela decisão.
_ Mas você certamente sabe como agir com uma atriz. – Christopher não parecia estar com a mesma postura de quem se diverte, como eu havia percebido que ele estava enquanto eu cantava. Ele parecia, assim que me sentei naquela mesa, ter assumido uma postura de quem negocia, de quem avalia um negócio. Naquele momento eu estava me sentindo “O negócio”.
_ O que quer dizer? – perguntei, confusa.
_ Bom, desde quando eu recebi um texto seu em minha casa e comecei a ler, desde quando procurei assistir os filmes que você já produziu, com enredos e roteiros seus, eu tive a certeza que seria um excelente negócio trabalhar com você. E ver a sua sensibilidade artística naquele palco acabou por reforçar esta opinião em mim.
                Eu respirei profundamente. Como todo profissional eficiente, Christopher era direto e preciso em uma negociação. E sim, aquilo era uma negociação e o casal a minha frente eram duas verdadeiras raposas cercando a caça. Ao observar o olhar dos dois eu imediatamente soube que eles queriam muito que o negócio entre nós desse certo.
_ É uma honra ouvir isto, vindo de vocês. Mas eu realmente não tenho coisas tão grandes em mente nesta área.
_ Isto é bem estranho de se ouvir de alguém que conquistou o Oscar.                - Emma disse, divertida.
_ Ou não. Ter conquistado o Oscar pode ter sido o suficiente para alguém. – Eu respondi. – Além do mais, eu nunca planejei fazer algo para promover a minha imagem. Eu não produzi aquele documentário com o objetivo de ganhar um Oscar. Eu fiz porque eu queria fazê-lo, porque eu acreditava no que estava fazendo, eu gostava, estava apaixonada pelo tema. Eu me dediquei aquilo porque eu acreditava na beleza do material que tinha em mãos. Assim foi com todas as outras coisas que fiz. Agora, se foi com a intensão de conquistar uma promoção na calçada da fama que vocês vieram me procurar eu realmente sinto muito…
_ Não precisa continuar com isto. – Christopher me cortou, sorrindo. – Eu não sou este tipo de pessoa, . Eu não estou atrás de fama vazia. Eu estou atrás de trabalhos que valem a pena, que sejam ricos. Pelas tuas palavras é nítido ver que você tem um pensamento finamente artístico… eu também tenho. E admiro pessoas que o tenham.
                A conversa estava tensa. Mas eu tinha que confessar que eu era uma das principais responsáveis por aquilo. Eu não era uma pessoa muito fácil de lidar em termos profissionais, eu tinha aqueles defeitos básicos de perfeccionismo e era exigente demais. Isto faz com que uma pessoa possa ser intragável em certos momentos.
_ … deixa eu ver se entendi uma coisa… - Emma interferiu, com certa doçura. – Você não quer que o material que Mateo nos mostrou seja produzido?
                Finalmente, eles haviam chego em um bom ponto.
_ Veja bem senhora Emma…
_ Só Emma, por favor…
_ Certo… Emma. Eu costumo escrever pra extravasar emoções. Mas eu não sou aquele tipo de pessoas que escrevem diários ou poemas, eu sempre gostei de escrever histórias, contos. O texto que Mateo lhes mostrou, sem a minha autorização, – eu olhei feio para Matt neste momento. Ele me mandou um beijo. Era um idiota mesmo! – …é uma destas histórias, que eu escrevi nas minhas horas vagas, ou no meio da noite. Eu o fiz em um formato de roteiro por fazer… Eu nem sequer me preocupei em revisá-lo. Eu nem sequer coloquei um título!
_ Sim, nós percebemos isto. Certamente tem coisas a serem aperfeiçoadas, mas o bruto é excelente. – Christopher disse, novamente empolgado.
_ Acontece que minha área profissional não é, essencialmente, o cinema. O que eu aprendi foi pela estrada. Por isto eu nunca ousei me meter em um longa, principalmente com um tema tão diverso dos que eu trabalhei até então. Aquele enredo é um devaneio.
_ Me desculpe, mas as melhores ficções costumam surgir de um devaneio. O seu enredo é um épico, e tem tudo pra ser dos melhores. Ao contrário de você, o cinema é a minha profissão principal, aquilo que me dediquei em toda a minha vida, há mais de vinte anos, o que é mais da metade da sua idade. – O que Christopher dizia parecer ser agressivo, mas a mim pareceu gentil. Ele delicadamente me colocava em meu lugar. Com a experiência dele, ele certamente sabia o que dizia. – Mas, por vezes, estudos e mais estudos especializados em uma área tornam as coisas técnicas demais, rígidas demais. Você, mais do que ninguém, deve saber que é preciso de instinto quando se trabalha com arte. – Ele se inclinou pra frente, em minha direção, quase como quem queria dar o bote. - , eu estou aqui porque quero fazer daquele seu enredo o melhor filme que já dirigi!
                Mas eu não deixei transparecer que fiquei intimidada com aquela sentença de Christopher. Respondi imediatamente.
_ É uma história épica como muitas e muitas outras, Christopher. Não é novidade nenhuma e tem tudo pra cair no ridículo também.
                Christopher voltou a se recostar na cadeira e tomou um gole da caipirinha. Emma riu ao meu lado, aquele riso caracteristicamente britânico: discretamente divertido.
_ Bem que você avisou que ela era dura na queda. – Eu ouvi muito bem quando ela sussurrou isto para Mateo. Mas depois Emma se voltou pra mim. – É medo o que você está sentindo ?
                Okay! Com esta ela havia conseguido minha atenção. Eu não respondi, apenas ergui as sobrancelhas.
_ Medo de produzir algo ridículo, que saia fora dos seus elevados padrões estéticos? – Ela voltou a perguntar.
_ Sim. – Eu admiti. Naquele instante eu ouvi a banda recomeçar a cantar, com a Juliana no vocal. Olhei para o palco, eles não haviam interrompido a conversação certamente a pedido do meu master amigo ardiloso, Mateo. – E você há de convir que isto não é tolice. O mundo não precisa de mais coisas ridículas.
                 Os olhos dela cintilaram quando disse aquilo.
_ É incrível como você é segura na sua própria insegurança! – Ela respondeu, fascinada. – Mas é este medo que evita que erros assim sejam cometidos, . Eu repito o que o Chris disse: seria um excelente negócio trabalhar com você. , nós queremos tudo o que você tem a nos oferecer e se você não se acha capaz de enfrentar o fôlego de uma superprodução, eu digo que estaremos todos juntos nesta. Você nos oferece o seu refinado instinto estético e artístico e nós o nosso profissionalismo e experiência na área. É um desafio que vai valer a pena, eu garanto!
_ Por favor… é só dizer um sim… - Christopher quebrou a tensão fazendo uma expressão melancólica de uma criança que pede algo que realmente deseja aos pais. Ele tinha aqueles olhos claros voltados pra mim de maneira comovente e as mãos juntas uma na outra.
_ Aceita linda… - Mateo sussurrou.
_ Eu posso pensar nisto… - Eu tentei soar neutra, mas aqueles infelizes já haviam plantado uma vontade no meu âmago. Aquela minha sede por desafio já estava acesa… Minha mente já me traia quando eu começava a visualizar o que escrevi em cenas nítidas.
_ Somente os fracos adiam suas decisões… você não parece ser assim . – Emma apertou. Não era a toa que ela era uma produtora executiva bem sucedida. Aquilo era covardia, os três me maltratando… raposas… eu estava certa, estava cercada de raposas!
_ Vocês também são duros na queda! – Eu brinquei. Eu sabia, aquela altura, que eles não sairiam dali sem uma resposta definitiva minha, que eles entraram naquele lugar com isto em mente. E eu também sabia que tudo aquilo, aquele interesse todo de pessoas que eu realmente valorizava, havia contaminado o meu ego o suficiente pra que eu desse a resposta que iria mudar a minha vida de vez: - Que seja… vamos fazer isto juntos!   


Capítulo 3


Então entramos na árdua tarefa de produzir um filme. Eu, ingênua, enquanto estava na produção de meus documentários, pensei que havia me envolvido com coisas grandes. Mas nada que eu havia feito podia se comparar, porque tudo o que começamos a fazer depois que eu disse sim tinha uma magnitude imensurável. Os Estados Unidos era um verdadeiro monstro na indústria cinematográfica, tudo era feito em proporções monumentais. Não havia o produtor, mas os produtores; não havia o roteirista, haviam os roteiristas.
Chris tinha a sua própria companhia cinematográfica, a Syncopy Films, mas ele queria, para aquele projeto, a co-produção de uma companhia maior e mais tradicional. Ele queria a co-produção da Warner Bros. Depois daquela noite no Lounge, nós – eu, Emma e Chris - nos dedicamos a estudar a premissa de roteiro que eu havia feito - que em linguagem cinematográfica, era mais um argumento, uma síntese do que era o enredo, embora já tivesse algumas falas embutidas. Emma e Chris cuidaram para transformar aquilo em uma proposta audiovisual e só depois disso, nos apresentamos para os executivos da Warner.
_ Então… você quer enfrentar a produção de um épico, Nolan? – Um dos executivos da sede de New York, Sr. Morgan, questionou após a nossa apresentação.
_ Ao que parece… sim. Eu realmente quero fazê-lo. E você tem que concordar que é uma boa matéria-prima. Podemos fazer algo grande e é por isto que estou aqui.
_ Hummm… vejamos… um mundo incomum foi este que você criou senhora . Bastante… ousado. Pensou em escrever um livro com isto aqui? – Morgan disse, erguendo a sinopse em minha direção. – “Kalah”… é um nome bem sonoro… impactante. Eu gostei.
Morgan era um dos diretores principais, a palavra final deveria ser dele. Eu apenas sorri com o que ele havia dito.
_ Eu gostaria de ouvir um resumo da história vindo de você, e não destes velhos maliciosos aqui. – Morgan disse, se referindo a Emma e a Chris, fazendo todos na sala luxuosa rirem. Ele retirou os óculos de leitura e olhou em minha direção.
_ Mas… a exibição do vídeo não ficou clara? Algo faltou? – eu perguntei, me inclinando sob a mesa para poder enxergar melhor o homem que estava na outra ponta.
_ Não… não. Todo o projeto audiovisual está fascinante… Mas entenda Sra. , a ideia é sua… você deu vida a ela e você será a principal a conduzi-la, já que Nolan acabou de declarar que quer você ao lado dele em tudo. Eles conhecem o que você mostrou a eles, mas a alma de tudo está em você. A Warner recebe muitas propostas realmente instigantes. Então… me parece fundamental que você me mostre o porque eu deveria escolher a sua ao invés de todas as outras e disponibilizar bilhões de dólares para viabilizar este projeto. Quero que você reconte tudo… - Ele disse, me explicando calmamente o que desejava.
Chris se virou apreensivo pra mim. Antes de irmos pra lá ele havia me dito que poderiam desconfiar da minha capacidade, apesar do Oscar, pelo fato de eu ter dedicado minha formação intelectual em outra área, sendo que o gênero e caráter daquele enredo era completamente diferente de tudo que eu já havia feito. Morgan queria mais do que a palavra de Nolan a meu respeito, apesar de confiar extremamente nele.
Eu respirei fundo e tentei me concentrar… Okay… Como fazer aquilo? Decidi por contar como contaria uma história de terror para um grupo qualquer, em uma noite inspirada. Me levantei e fui até o interruptor e apaguei todas as luzes da sala. Ninguém se opôs ou questionou nada. Voltei a me sentar na mesa e comecei com a voz baixa, quase em um sussurro.
_ Kalah é um mundo paralelo… seus habitantes, os kalenos, são como nós, humanos. Seres movidos pelo amor, pelo ódio, pela ambição, pelo poder, pela miséria… Há naquele mundo uma aura de suprema magia, que domina a todos desde os tempos de sua origem. – Eu fiz uma curta pausa, para observar os rostos virados para mim. Prossegui. - O equilíbrio daquele mundo, a harmonia entre a magia e o poder, sempre fora medido por seres supremos… como os milhares de deuses dos humanos, os kalenos tinham aqueles a quem recorrer, a quem crer, a quem obedecer. Eles eram chamados “Os Soberanos”. Os Soberanos viviam no limiar do plano terreno e etéreo do mundo Kalah, eles viviam, por vezes, entre os próprios terrenos. Deles partiam toda e qualquer decisão para fazer daquele mundo digno, justo e bom. Os kalenos de toda parte tinham poderes mágicos, mas sua magia era concedida e retirada conforme o julgamento dos Soberanos. A eles cabiam o julgamento dos que mereciam a miséria ou a gloria eterna. Aqueles a quem era concedida a glória eterna, após terem vivido longo tempo entre os terrenos, passavam a habitar as Terras Alvas, perto do Reino Soberano e perto da graça dos supremos seres.
Eu dramatizei a voz, tornando-a mais grave e apertada. Foquei meus olhos em Morgan e dei um riso amargo ao me dar conta de como ele se concentrava mais ao que eu contava, do que no vídeo maravilhoso que Emma exibiu. Me inclinei para frente, com um movimento tão sutil quanto o de uma serpente que hipnotiza sua presa. Funcionou, ele e quase todos ao meu redor se inclinarem um pouco mais pra frente. Somente Chris se manteve imóvel, observando cada uma das minhas ações. Continuei.
– Mas aqueles que eram condenados a eterna miséria devido as suas iniquidades… estes iam habitar as temerosas Terras Negras, onde o nada lhe agarrava o coração e o oprimia na eterna escuridão. As Terras Negras foram criadas por causa de um único Soberano, fora ele que plantou a escuridão em Kalah. O nome dele era Duncan… - Deixei o nome do meu vilão principal ressoar por cinco segundos antes de continuar. - Ele era irmão do mais poderoso Soberano: o grande Noah. Duncan deixou que seu coração alvo se escurecesse ao invejar o seu irmão, ao não se submeter aos seus mandamentos, ao não aceitar que a seu irmão havia sido dado uma dádiva maior.
Eu sorri, aquilo era estreitamente ligado a mitologia grega. Mas na mitologia grega, Zeus nunca havia perdido…
_ Até que ele o traiu… Duncan traiu o próprio irmão e concedeu magia aqueles kalenos que não mereciam, que haviam desobedecido Noah e usado erroneamente seus poderes. A partir daí, Noah se enfureceu e rompeu laços com Duncan, arrancou a magia que lhe concedia poder de Soberano e lhe condenou a eterna miséria em uma Terra privada de tudo o que fosse bom… até mesmo da luz. Mas o que Noah não sabia era que Duncan jamais havia perdido seus poderes completamente… ele esperou séculos, até formar um exército impiedoso nas Terras Negras… E então ele atacou, a Grande Guerra do mundo Kalah aconteceu… e Duncan venceu. Todos os Soberanos foram destruídos… inclusive Noah. Duncan matou o seu próprio irmão. Mas não sem antes ouvir dele uma profecia: “O bem terá força onde o teu mal reina. Perpétua despertará o Ultimo Soberano, o pai da paz…”.
“Noah rogou aquela profecia sabendo que Duncan teria um filho… um filho poderoso, impiedoso, que influenciado pelo seu pai iria espalhar a desgraça por entre os pobres kalenos que eles dominariam. Duncan seria imbatível sobre todos… mas não seria imbatível contra o seu próprio filho, Axel… Em Axel os Soberanos iriam reviver e lutar para dizimar as trevas que os governantes das Terras Negras espalharam em Kalah. Axel seria o reverso de seu próprio progenitor, mas permaneceria maligno até que seu caminho se cruzasse com o de uma rebelde kalena… seu nome, Perpétua… Ela lhe tocaria o coração, despertando-o para algo profundo e desconhecido. Axel se assusta, tenta resistir… mas nele o que impera não é o mal… E então tudo começa aqui. Dentro de um ser maligno o bem desperta e um Soberano surge para enfrentar e dizimar a escuridão.”
Eu terminei e acendi a luz. Como resposta eu recebi o silencio e o olhar pensativo de cada um dos que estavam sentados ao redor da mesa de reunião. Eu sabia que todos tentavam ao máximo explorar todas as possibilidades da história. A primeira a falar foi uma mulher sentada a minha direita.
_ Axel… pela descrição que recebemos e pelo teor de tudo o que disse… é um personagem muito complexo, bipolar, contraditório. Muitas emoções distintas passarão por ele… é um personagem rico… muito rico.
_ A história irá orbitar ao redor dele. A salvação do todo um mundo dependerá de suas decisões… se o bem será forte o suficiente para superar sua natureza obscura. A paz de Kalah dependerá da resolução dos conflitos deste personagem. – Christopher argumentou, complementando o que a mulher antes dele havia dito. – O bom tratamento dos conflitos e embates deste personagem com aquilo que embasa o enredo é que fará o diferencial. Porque a história é mais uma luta entre o bem e o mal de forma magnânima…
_ O clichê de todo bom épico… - Morgan completou a frase de Chris, se pronunciando pela primeira vez após a minha fala. Mas ainda assim ele não tirou os olhos de mim. – Pra mim este é um bom material, nós temos uma excelente equipe e temos que seguir em frente.
Eu sorri, agradecida, tal como Chris e Emma.
_ Mas me prometa uma coisa, . – Morgan disse, como se aquilo fosse a condição principal. Eu acenei a cabeça pedindo para que ele prosseguisse. – Quero que você dê neste filme toda a paixão que eu sei que existe em você. Eu acabei de ver… de ouvir. Faça desta a nossa grande história.
_ Farei tudo o que puder… e mais um pouco. – Eu afirmei, me levantando e pegando firmemente sua mão.
_ Então… vamos aos contratos? – Emma disse, os olhos espertos.
**********
_ Então nós temos o desenho dos cenários, o projeto das maquetes, estamos quase fechando as locações para gravação, temos os desenhos dos figurinos e… não temos os atores! NÃO TEMOS OS ATORES! – Emma dizia, quase histérica.
Estávamos em mais uma reunião com a equipe técnica, montada a partir dos muitos contatos de Chris. Todos os projetos, da maquiagem a sonoplastia, estavam sendo apresentados para a aprovação de Chris, e também da minha. Chris deveria saber de cada detalhe, pra saber com o que ele poderia trabalhar e como ele poderia utilizar as ferramentas para dar vida ao roteiro. Durante toda a pré-produção Christopher quis me colocar ao lado dele, decidido a me ensinar as coisas que eu ainda não sabia, a me fornecer todas as informações técnicas que eu precisava para ajudar a enriquecer a produção com o meu “instinto e paixão artística”, de acordo com ele.
Depois da frase eloquente de Emma, eu olhei para minhas mãos… havia lá vários textos detalhados sobre cada personagem, para estudo dos atores que os fariam. E havia também os trechos de roteiros que eu separei para os testes. E nas mãos de Chris havia outra lista… com os nomes dos atores cotados para os papéis. Eu tinha visto somente alguns nomes, não todos. Fora Chris e os outros roteiristas que elaboraram a lista enquanto eu cuidava de montar a descrição detalhada de cada personagem.
_ Bom, na verdade nós temos os atores… só não temos os principais. – Sandra, diretora de produção, disse.
_ Ou seja… estamos sem os atores! Acho que está mais do que na hora de definir quem serão. – Emma continuou a enfatizar.
_ Bom, eu também acho isto… - Eu disse, desanimada. Aquilo seria o pior… escolher os atores. Eu tinha certeza! Até o momento todos os atores que eu havia visualizado como Axel, por exemplo, tinham outros projetos que não poderiam abandonar.
_ Vamos fazer isto com calma… todos nós já nos empenhamos em pesquisar as possibilidades e estou aqui com a lista das opções. – Chris finalmente passou a lista pra mim. Peguei e comecei a passar os olhos por ela. Haviam nomes bons… outros excelentes e outros… outros eram péssimos!
_ Taylor Lautner? – Eu perguntei, com a voz incrédula. Chris olhou pra mim enrugando a sobrancelha.
_ Bem… sim? – Ele meio que confirmou, meio que questionou.
Eu sacudi a cabeça, tentei me lembrar de algo que Lautner tivesse interpretado que me fizesse entender o motivo daquele nome estar naquela lista. A primeira coisa que me veio foi Jacob Black… o lobisomem legal da Saga Crepúsculo… que garantiu uma excelente experiência das mil formas de tirar uma camisa em cena para Lautner.
_ Você tem certeza que colocou ele para Axel? Um ídolo teen para interpretar o Axel? – Eu questionei, algumas pessoas da equipe pareciam confusas com minha reação, mas Emma parecia entender bem o que eu dizia.
_ Bom, ele não é tão mais ídolo teen. Mas, Chris… acho que ele não seria uma boa pedida pra um personagem tão complexo… - Ela fez uma careta.
Eu não esperei uma resposta de Chris, peguei uma caneta e estava prestes a riscar o nome dele da lista quando ele resolveu me interromper. Chris segurou minha mão.
_ Não seja tão intransigente, ! - Ele me disse. - Estes são os nomes cotados para teste! Terão de passar por isto pra conquistar o papel. Eu confesso que preferia os nomes que você escolheu, mas você escolheu os únicos que já tinham compromissos inquebráveis! As características de Lautner bate com o personagem…
_ Oh… sim… bate: , alto, porte atlético, com aparência entre 25 e 30 anos… - Magda, responsável pela maquiagem, começou a suspirar, ridiculamente, mas eu a cortei.
_ E expressão forte e agressiva! Taylor tem tudo, mas eu não acredito que aquela expressão dele possa se converter em algo alucinado ou perverso como precisamos na primeira fase de Axel! Ao menos eu nunca vi isto… - Eu contra argumentei.
_ , nós vamos entrar em contato com os empresários de todos os atores que estão nesta lista, dar o roteiro para que eles leiam, e aqueles que não tiverem o ego tão grande farão os testes, os outros que não aceitarem passar por testes nós mesmos teremos de selecionar. – Chris bateu o martelo. Eu bufei, mas decidi não insistir naquilo, porque acabaria parecendo uma birrinha sem sentido.
_ Eu acho que Russell Crowe seria um desses que não fará testes. E nem precisa, realmente. – Emma disse, lendo a lista por cima do meu ombro.
_ E eu acho que ele seria perfeito como Noah… posso colocar o nome dele no topo? – Eu perguntei para Chris, recebendo um aceno afirmativo de cabeça.
_ Eu quero Jason Mamoa como Duncan… - Chris disse, dando um sinal para Emma. Eu assoviei…
_ Escolha espetacular! – Murmurei.
_ Sim, senhor… vou entrar em contato com os empresários dele já! – Emma respondeu, batendo continência e dando uma piscadela para o marido depois. Todos nós rimos.
Passamos o resto da tarde naquilo de filtrar e analisar a lista de atores. Conseguimos definir bem o nome de todos, exceto do casal principal: Axel e Perpétua. Pensar e repensar naquilo tudo havia me deixado de cabeça quente. Eu tinha que deixar claro as subjetividades dos personagens, as características que cada ator teria que suprir e discursar sobre isto durante todas aquelas horas incansáveis.
Eu saí do escritório de Chris, que tinha se tornado a “base” da pré-produção, por volta das sete da noite, completamente exausta de tanto pensar. Nem as aulas na Universidade faziam isto comigo. Oh céus! Por que eu abandonei a Universidade e fui para aquilo? Certo, eu sabia a resposta: porque era um desafio novo, uma terra inexplorada. E eu era movida a novos desafios, ao menos no âmbito profissional.
Tudo o que eu queria naquele momento era ir para minha casa, tomar um banho relaxante de espuma, comer qualquer besteira e dormir. Mas o problema era que eu não estava em casa. Atualmente, o escritório central da Syncopy Films era em Los Angeles, o que me obrigou a trancar o meu apartamento em Nova York e me mudar para um quarto de hotel temporariamente. Eu simplesmente não conseguia me sentir relaxada em hotéis, eu odiava ficar em hotéis por mais de três dias e eu já estava em um há mais de um mês.
_ A senhora quer que eu mande o jantar subir? – O gentil recepcionista me perguntou, quando passei na portaria para checar meus recados. – Pode pedir agora se quiser. – O sorriso dele era cordial e bonito, me fazendo sorrir de volta.
_ Não precisa… hum… Jordan. – Eu li rapidamente o nome no crachá.
Logo que eu entrei no elevador vazio eu tirei minhas sapatilhas e desfiz o coque que meus cabelos estavam presos. Entrei no apart que eu deveria estar acostumada, mas que sempre me causava estranhamento. A decoração era moderna, neutra, e o ambiente tinha tudo para ser confortável, exceto pelo fato de que não tinha nada de muito pessoal ali. Sem disposição de preparar um banho de espuma eu simplesmente me enfiei no chuveiro quente e fiquei lá um bom tempo, sentindo o jato de água bater nas minhas costas e aliviar meus músculos. Quando eu saí dali senti o natural sintoma da minha insônia começar a me abater. As paredes brancas meio que me oprimiam e eu sabia que não conseguiria dormir naquela solidão.
Eu estava decidida sobre onde ir, até tinha falado com um velho conhecido, Bryan, quando escuto meu celular tocar em cima da cama. Quem poderia ser? Adivinha?
_ Diga Matt… - Atendi, sem nem precisar olhar o visor para saber que era ele.
_ Oh! Finalmente me atendeu! Viu os trinta recados que te mandei? Custava me mandar ao menos uma mensagem? – Ele reclamou. Estava eufórico do outro lado da linha. Eu quase ri daquilo.
_ Eu estava em uma reunião com a equipe técnica, querido. Saí agorinha. Então, não deu…
_ Eu perdi uma reunião? – Ele perguntou, abismado. Mateo estava na equipe de fotografia do filme, que estava sendo chefiada pela mais nova profissional da área: Annie Bertram. Uma fotógrafa alemã renomada que recentemente havia migrado para o cinema. Ela era a nossa Diretora de Fotografia e Mateo havia passado nos testes para ser o nosso fotógrafo de cena.
_ Considerando que você não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo… sim, você não estava lá.
_ Muito engraçado, ! – Eu podia até prever a careta que ele fez quando disse aquilo. Eu ri.
_ Mas o que há de tão importante pra me dizer?
Certo, nunca faça uma pergunta do tipo “o que você tem pra falar”, para Mateo. Simplesmente pelo fato que ele não sabe quando é que tem que parar de falar. Ele passou quarenta minutos falando de todos os materiais relacionado a fotografia que ele havia adquirido em Nova York nos últimos dias, de como ele estava preparando as suas coisas para estrear como fotógrafo naquela produção, de suas expectativas… enfim, uma matraca!
_ O que você tá fazendo? – Quando ele finalmente parou para me perguntar aquilo, eu não pude evitar soltar um suspiro de alívio.
_ No momento esperando você terminar de falar para visitar a academia do Bryan aqui em L.A. – Eu disse e logo recebi a resposta que eu esperava…
_ Grossa!
_ Eu também te amo.
_ Certo, estúpida, vai lá chutar uma almofada na academia daquele gostoso. Eu sei que você só vai pra lá porque eu não estou aí pra te distrair decentemente. – Ah, como ele era delicado!
_ Primeiro, eu não vou chutar almofada, vou treinar Muay thai. E segundo, duvido que você poderia me distrair mais decentemente do que uma luta. – Alfinetei, enquanto procurava meu top de ginastica preto… onde ele havia ido parar quando desfiz as malas? Será que eu não trouxe?
_ Oh... isto é um desafio? – A voz de Mateo pareceu ardilosa do outro lado.
_ Não, isto é uma verdade imutável. – Que se dane o top preto! Peguei uma regata qualquer na gaveta do armário.
_ Certo… você está indo agora? Vai demorar lá? Onde fica a academia dele? Digo, qual o endereço? Onde você encontrou o Bryan aí em Los Angeles? Pensei que você estivesse sem tempo para os outros, já que você nem me atende e…
_ Cala a boca um minuto? – Interrompi a falação dele, muito pior do que a de qualquer mulher, com aquela frase completamente sutil. Pausadamente eu tentei responder todas as perguntas dele e me despedi antes que ele tivesse chances de prosseguir com aquela falação costumeira.
A academia ficava na região sul de Los Angeles e Bryan foi meu treinador em Nova York antes de vir para cá, administrar uma franquia de uma rede imponente de academia. Faziam seis meses ou mais que eu não o via, mas ele continuava muito gentil e alegre como eu me lembrava. Eu gostava de treinar com ele, pois ele era um dos raros seres do sexo masculino que não se aproveitava do fato de estar lutando para me “pegar”. Os outros idiotas movidos a testosterona sempre me convidavam pra treinar com segundas intenções.
Eu não era uma praticante assídua de Muay thai, mas comecei cedo, com meus quatorze anos, junto com meu pai. Havia um problema com minha mãe, que dizia que aquilo não era nada sutil para uma mulher, ainda mais uma envolvida com artes. Mas meu pai, o habilidosos senhor Jair, conseguiu dobrá-la. Eu acho que o fato de eu me dar bem naquilo se devia mais ao fato de eu praticar a bastante tempo do que ser talentosa como lutadora.
_ O cotovelo, ! Não descuide dele na guarda! – Bryan disse, quando eu não consegui bloquear um golpe.
Acontece que ao parar pra me dizer aquilo, Bryan se distraiu e manteve os pés na posição errada, alinhados. Eu fui mais rápida que a percepção dele e o derrubei.
_ Descuidei dos cotovelos só pra te distrair. – Eu disse, vitoriosa. Não era fácil derrubá-lo. Ele riu.
_ Jogo sujo!
Eu pedi uma trégua para beber água, mas assim que me virei, me deparei com uma pessoa um tanto quanto particular. Certamente, falar demais no diabo pode atraí-lo. Talvez aquele tenha sido o motivo para Taylor Lautner estar bem ali, parado, assistindo minha luta.
Eu o encarei enquanto bebia água, com o cenho franzido, e ele prendeu o seu olhar ao meu. Só então eu me tornei consciente do burburinho das outras mulheres que estavam ali no tatame.
_ Oh, céus, como é gostoso! – Uma delas dizia. Elas estavam exibindo ainda mais seus corpos, tentando, pateticamente, chamar a atenção.
De longe ele me deu um breve aceno de cabeça, parecendo me reconhecer, o que era inacreditável, já que havíamos nos encontrado pessoalmente apenas uma vez, na premiação do Oscar, há dois anos. E o meu nome já havia desaparecido da mídia americana alguns meses após a premiação. O louvor só permaneceu intacto no Brasil, ainda assim entre os profissionais, não para toda a “massa” da população.
Eu respondi o aceno discretamente e ele sorriu. Ele certamente devia se achar muito sedutor com aquela postura forçada de super galã: os braços cruzados firmemente, o cabelo molhado e um tanto despenteado, sua típica barba por fazer, uma calça larga de tactel e uma regata justa. Certamente aquele não era o tipinho que eu imaginava interpretando meu personagem principal, simplesmente porque eu não queria que todos os detalhes complexos de um personagem rico se perdessem em meio a todo aquele assédio que havia ao redor de Taylor Lautner e que, inclusive, ofuscava qualquer coisa… inclusive as minúcias ausentes em seu trabalho como ator.
Eu virei as costas, ainda consciente do olhar dele pra cima de mim. Mas o que diabos acontecia para ele me olhar deste jeito? Ri com o pensamento de que ele mal sabia que a chance dele conseguir um grande papel poderia estar em minhas mãos. Ou será que ele sabia?
Eu voltei a olhar pra ele, estreitando os olhos, desconfiada e meio… raivosa. Não me surpreenderia nada se ele realmente soubesse o que eu significava na carreira dele naquele momento e que estivesse ali, me olhando initerruptamente, justamente para me “ludibriar” a ceder. Oh! Havia tanto daquilo naquele glamoroso mundo de Hollywood! Certos artistas se vendiam para serem comprados. Meu estomago se embrulhou imediatamente com aquela remota possibilidade e eu olhei com ainda mais raiva para aquele ator metido a sedutor do século. O semblante dele pareceu confuso por um instante, mas ele não saiu dali.
Ele definitivamente estava me irritando assistindo a minha aula/treino daquele jeito. Não tinha mais o que fazer, não? Até Bryan havia percebido e, por vezes, olhava confuso de Lautner pra mim. Aquilo acabou por me desconcentrar tanto que eu levei um chute bem no meio do abdômen. Certamente Bryan estava esperando que eu estivesse com os músculos devidamente contraídos para absorver o impacto, mas eu não estava, o que me fez cair pra trás e gemer com uma dor chata.
_ Arrrgh! – Eu rugi, com ódio.
Bryan se abaixou pra me ajudar a levantar quando eu não me mexi.
_ Ok, eu desculpo a sua desatenção. Algo do tipo sempre acontece quando ele aparece. – Bryan sussurrou, e apontou escondido para Lautner, que tinha se mexido e andava em direção ao tatame conversando com um funcionário da academia.
Eu podia responder grosseiramente que eu não era do “tipo” que se distrai por uma montanha de músculos, mas sim, por alguém que não tem outra coisa pra fazer a não ser te encarar. Mas engoli a resposta.
_ Ele é frequentador daqui? – Perguntei, observando com surpresa que ele continuava a andar na minha direção.
_ Hum… é, tem umas vezes que ele aparece por aqui. Só que não é sempre. – Bryan me respondeu, e aquilo não fez com que a possibilidade de ele estar ali pra tentar conseguir um papel fosse descartada.
_ Você está bem?
“Respira fundo, fecha os olhos e contenha a sua mão pra não disparar um soco na cara do galã!”
Este foi o mantra que eu roguei a mim mesma pra não agir conforme meu instinto quando o galã me fez aquela pergunta. Por via das dúvidas eu não disse nada, apenas me levantei e acenei com a cabeça. Eu poderia me virar, me despedir de Bryan, e ir embora. Mas esta não seria eu. Eu decidi ficar e descobrir porque, justamente naquele momento, Taylor Lautner resolveu despencar, Deus sabe de onde, e pousar bem a minha frente.
_ Obrigada por se preocupar. – Eu disse, muito educadamente.
_ Imagine, foi um chute feio. – Ele enrugou o cenho e encarou Bryan, como se o culpasse por me golpear. Oras! Era um treino, o que ele queria?
_ Ela costuma estar preparada pra este tipo de coisa. – Bryan se defendeu e me defendeu daquele olhar.
Ele balançou a cabeça, compreensivo.
_ Eu não esperava que você se interessasse por este tipo de luta… digo, com o que eu conhecia de você, não esperava que praticasse alguma luta.
Quando ele disse aquilo todos os meus poros ficaram em alerta. Com aquela mísera frase Taylor havia despertado minha mente para inúmeras possibilidades. Primeiro, para o fato de que ele sabia muito bem quem eu era, e sendo ele alguém que lida com bilhões de pessoas por mês, o fato de se recordar de uma pessoa que o cumprimentou por dois minutos a mais de trinta meses era algo, no mínimo, admirável. Segundo, ele havia demonstrado que conhecia coisas sobre mim, provavelmente deve ter procurado saber disto. A possibilidade de ele fazer aquilo casualmente era praticamente impossível de eu conceber na minha cabeça.
O fato era: por que isto tudo afinal? Por que ele saberia tantas coisas de mim sem ter nenhuma intenção por trás disso? A ideia “ele sabe do seu roteiro, ele quer o papel” piscava como um enorme letreiro luminoso dentro da minha cabeça.
_ As aparências enganam. – Eu respondi, seca.
O sorriso dele vacilou.
_ Claro… as aparências enganam. – Ele respondeu sem jeito, e fez menção de se afastar.
Mas se era aquilo que eu pensava que ela estava procurando ali, comigo, eu ia descobrir! E antes que eu pudesse controlar minha maldita boca, algo, que eu nunca cheguei a descobrir o que, me fez perguntar:
_ Que tal uma luta?
Ele se voltou pra mim novamente com uma expressão confusa.
_ Hã?
Eu falei pausadamente, como se explicasse algo a uma criança.
_ Você luta, eu luto. Estamos em uma academia onde acontecem treinos e aulas de luta. Estamos pisando em um tatame. E eu estou te chamando para treinar comigo. Ou as técnicas de Muay thai não fazem parte do seu repertório de golpes?
A expressão confusa dele ficou até cômica, Bryan riu baixinho do meu lado. Mas de repente ele me olhou determinado.
_ Certo, isto parece interessante. Vamos lutar.




Capítulo 4


POV Taylor

Faziam cerca de seis meses que eu estava em uma folga entediante. Sem absolutamente nada previsto para trabalho. No início, eu não sentia tanto isto devido a quantidade de eventos que eu tinha que marcar presença. Mas depois… as coisas começaram a se acalmar. Durante o auge da minha carreira eu ansiava desesperadamente por uma folga assim, mas eu não sabia o quanto eu tinha ficado dependente do ritmo veloz da fama, mas sim, eu tinha.
Ficar parado estava me deixando perdido, agoniado dentro do meu apartamento em L.A. Eu já tinha passado um tempo na casa dos meus pais, saído com amigos, feito tudo o que devia fazer. Mas eu não aguentava mais ficar sozinho na minha casa, principalmente a noite. E eu também não aguentava mais fazer mil e um malabarismos pra fugir de paparazzi e ir tranquilo a uma balada ou mesmo ir jantar com amigos.
Na agonia em que eu estava, resolvi sair para a academia perto do meu prédio. Eles tinham excelentes treinadores de artes marciais e era disso que eu precisava no momento. Mas eu realmente não esperava encontrar uma certa pessoa lá. Eu me lembrava muito bem de seu nome, mesmo que pessoalmente eu só a havia encontrado uma vez: .
Eu me encontrei com ela em um dia um tanto quanto especial e o principal motivo de me fascinar por ela foi, obviamente, a beleza estonteantemente incomum. E havia algo mais, uma aura de realeza, de poder, um caminhar seguro e sensual. No entanto, as poucas palavras que fui capaz de trocar com ela me deixou um tanto… constrangido.
“_ Não pensei que atores com suas especialidades se interessassem em documentários deste gênero…”
Ela provavelmente deve ter esquecido disto depois, mas o fato é que eu fiquei obcecado com aquelas palavras em que ela pareceu me subjugar. A primeira coisa que fiz quando tive oportunidade foi assistir o bendito documentário… O tema não tinha nada a ver com os meus interesses, ela tinha certa razão. Nele, ela rodou o mundo falando de culturas musicais exóticas, mas nem por isto, eu deixei de me impressionar com aquela produção. Eu sentia, mais do que nos documentários que eu costumava ver, que aquilo tinha alma, algo poético muito bem construído.
“_ É mais do que uma diversidade de sonoridades… é expressão do que sentem, do que vivem, do que creem os homens do mundo. É expressão de espíritos, racionalidades e natureza. Música tem estas muitas faces… em qualquer canto do mundo…”
Eu havia praticamente decorado o texto que ela falava no início do documentário. Depois eu assisti enquanto ela se embrenhava no meio de povos completamente estranhos, as vezes eram tribos no meio do nada. Ela aprendia com eles o significado de suas músicas e acabava por praticá-las junto deles. Ela não só produziu o documentário, como atuou a frente das câmeras e narrou todas as cenas.
E foi uma das partes mais marcantes daquele documentário que me fez pesquisar sobre sua vida pessoal e descobrir a sua viuvez e a perda de seu filho. Na cena em questão, mostrou-se o funeral de uma criança, em um povoado chinês. Os cânticos do funeral eram belos, sutis e brandos, entoados todos pela mãe da criança e repetidos por todos que ali estavam. cantou com eles… chorando durante todo o tempo… Do dialeto ela só tinha aprendido as palavras das canções, mas nem por isto deixou de cantar com uma devoção que nos prendia do outro lado da tela.
Depois de ver aquilo tudo, foi impossível que a figura dela não ficasse marcada na minha memoria e, mais do que isto, eu imediatamente desenvolvi uma espécie de admiração por ela, pelo seu trabalho, por sua história de vida.
Então, quando eu a vi lutando naquele tatame, eu congelei e tive uma reação que eu imaginava ser comum nos fãs. Fiquei parado, querendo ter alguma desculpa suficientemente boa para me aproximar e conversar. Quando eu tive esta oportunidade fui recebido com certa hostilidade e depois com uma proposta completamente… completamente surpreendente!
Ela me chamou para lutar… aquilo parecia surreal demais. Primeiro porque eu nunca a imaginei em um ambiente de luta, com homens brutais se agarrando e urrando, muito menos imaginei que ela fosse o tipo de pessoa que lutasse alguma coisa. E segundo porque… qual era o motivo de ela querer lutar comigo? De me propor aquele desafio?
Eu me senti intimidado diante da proposta dela, principalmente por ser feita do jeito que foi feita, mas topei.
E ela era boa, realmente boa no que fazia. Na luta, não era instintiva, ela dominava a técnica e conseguia me surpreender por diversas vezes. Ela sabia, acima de tudo, acabar com a desvantagem que o meu peso e tamanho a mais provocavam. E claro, eu ainda estava, principalmente no começo da luta, meio perdido no que estava acontecendo e, admito, perdido na beleza da minha oponente. Então, enquanto eu fiquei nessa de ser cuidadoso ela pareceu furiosa e conseguiu me levar ao chão por duas vezes.
Os movimentos dela eram fluídos e perfeitamente estudados e eu me sentia mais inseguro diante dela do que jamais me senti diante de muitos faixas pretas.
Só depois de um tempo de luta eu percebi que ela parecia me testar, os olhos azuis pareciam captar qualquer movimento miserável dos meus músculos. Por alguma razão ela parecia me analisar. Minha aparente apatia, provocada pelo cuidado que eu tinha em tocá-la, parecia a deixar ainda mais irritada, ela perecia levar aquela luta realmente a sério.
Ela tentou me dar um golpe com o braço, mas eu pude o pegar a tempo e o girar, forçando-a ficar de costas para mim. Quando a senti presa e o corpo dela perigosamente perto do meu, deixei imediatamente de pressionar e a soltei.
_ Ora Lautner! Lute de verdade! Se envolva! – Assim que eu a soltei ela me gritou isto furiosa, o que parecia mais uma ordem. Pela minha visão lateral eu pude ver o cara que antes lutava com ela rir abertamente.
Aquilo me fez estreitar os olhos pro loiro imbecil e encarar novamente , que também me encarava com uma expressão clara de frustração no rosto.
Espera aí! Da ultima vez que nos encontramos, no Oscar, ela tinha toda a razão de me intimidar: estávamos na área dela, ela estava reinando. Mas ali, em uma academia, em um tatame… Aquele era o meu território!
Brevemente eu olhei em volta. Apesar de ser mais de dez horas da noite, a academia estava cheia e muitas pessoas acabaram se acumulando ao nosso redor. No rosto de alguns treinadores, alguns eu conhecia outros não, havia um certo ar de deboche por eu estar sendo colocado “contra o tatame” por uma mulher.
Eu voltei meu olhar pra ela. Os cabelos escuros estavam presos em um rabo de cavalo, mas mechas já haviam caído em seu rosto. Ela estava com os braços abertos em minha direção, esperando eu tomar uma decisão, com uma das sobrancelhas erguidas em desafio. Seu colo, apertado em uma regata branca, subia e descia em uma respiração acelerada.
Eu dei dois passos a frente, o que a fez abaixar os braços e retesar a postura. Foquei meus olhos diretamente no fundo daqueles olhos azuis e perguntei:
_ Você tem certeza disto?
_ Do que?
Eu sorri, ela estreitou os olhos.
_ Lutar pra valer?
Ela me olhou seriamente por alguns segundos, se aproximou lentamente, me espreitando, franzindo levemente a testa. Então ela ergueu o queixo e disse:
_ Tenho! – e sorriu. Um sorriso que se abriu aos poucos até conseguir me abobalhar.
Ela voltou a postura de defesa/ataque, típica do Muay thai, os joelhos flexionados e esperou. Ataquei. Foi um golpe rápido, com a mão reta, pra acertar bem abaixo das costelas dela. Mas a moça desviou rápido ao mesmo tempo que tentou me socar também. Eu passei a bloquear todos os golpes e ela fazia o mesmo comigo, porém com um pouco mais de dificuldade.
Até que ela tentou acertar o meu estomago com o joelho e eu, de forma instintiva, para bloquear o golpe, agarrei a articulação de sua perna e coxa, atrás de seu joelho e… Bem, eu deveria tê-la jogado no chão ou a afastado, simplesmente. Mas ao invés disso eu a puxei pra mim, levando a perna dobrada dela ao lado do meu quadril e prendendo seu braço direito atrás das costas. Com aquilo, ficamos em uma posição que me lembrava tango. Ouvi ela exalar fortemente enquanto tentava se mexer pra se livrar do meu aperto, mas eu havia feito perder qualquer equilíbrio que poderia lhe dar a força necessária para sair dali.
_ Chão! Leva pro chão! – Eu ouvi o loiro gritar desesperado pra ela.
Ela então virou o rosto de frente para o meu e estava muito perto… o nariz a milímetros de encostar no meu, os cílios tão mais nítidos… Eu me mantive firme, e com uma força descomunal, não olhei pra boca, somente para os olhos. Mas ela pareceu seguir a orientação do professor e, repentinamente, impulsionou o próprio corpo contra o meu, levando-nos ao chão, com ela por cima. Minhas costas bateram com um baque surdo e ai das minhas costelas se não estivéssemos em um tatame.
Ela se moveu rápido, ficando entre minhas pernas e apoiando o braço no meu pescoço. Mas deixou minhas mãos livres. Eu sabia que no Muay thai, a luta não é no chão. Eu era maior e mais forte e o chão era meu domínio. A peguei pelo ombro e inverti as posições. Foi difícil, ela fugia facilmente, mas não demorou muito eu tinha a cintura dela presa com minhas pernas e uma chave de braço no seu pescoço. Ela bufou forte e deu três tapas no meu braço, declarando minha vitória. A soltei e ela rapidamente saiu de perto de mim. Houve um burburinho entre o pessoal que assistia, mas logo eles foram se dispersando.
Ela se levantou, enquanto eu continuava sentado a observando, sem saber muito bem como agir depois daquilo. O treinador loiro, que ela chamou de Bryan, se aproximou imediatamente dela falando rápido. Ela apenas acenava com a cabeça. Então ela se virou pra mim e eu finalmente me levantei. Ela curvou o corpo em minha direção no tão comum comprimento entre os oponentes de uma luta de artes marciais. Fiz o mesmo.
_ Isto foi bom… você me parece realmente invencível nestes quesitos… - Ela disse, me brindando com um sorriso cansado e me oferecendo a mão. Eu a apertei meio constrangido… eu nunca havia lutado com uma mulher… muito menos uma mulher bonita… menos ainda com uma mulher tão… tão… intelectual?
Ok, cenas de filme não contam, são coreografadas.
Eu sorri.
_ Você também é muito boa… não esperava isto.
Ela ergueu as sobrancelhas não parecendo acreditar nem um pouco, novamente eu senti um ar de desconfiança nublar os olhos dela.
_ É sério! Eu…
_ Mulheres podem ser boas de luta…
Opa, ela estava levando para o lado errado.
_ Eu sei disto. – Eu respondi, um pouco mais impaciente do que deveria. – Mas você não é do perfil que esperava… - olhei pra ela que ainda tinha os olhos estreitos pra mim. - … esquece!
Ela sorriu e o sorriso me incomodou. Pois eu não poderia considerar uma vitória vence-la em uma luta, uma vez que eu era muito bem preparado para aquilo… mas ela podia considerar uma vitória me deixar sem palavras e confuso na frente de um bando de gente.
Ela soltou o cabelo e os sacudiu com as mãos, virando as costas e indo em direção aos armários.
_ Foi uma honra lutar com você, Lautner. – Ela disse.
Eu deixei de olha-la e sacudi a cabeça pra por meus pensamentos no lugar. Certo: eu a havia conhecido em um evento glorioso, em que ela estava gloriosa e, admitia, ficado fascinado por ela. Depois eu passei assistir coisas que ela havia produzido e gostar destas coisas mesmo que não tivessem nada a ver com os meus interesses. Depois de dois anos a encontro em uma academia da minha cidade, luto com ela, venço e fico pra trás como um idiota enquanto um loiro imbecil, que se diz treinador, me encara parecendo prender o riso?
_ Tudo bem… ela costuma ser impactante quando quer. – Ele me disse, sorrindo.
Eu, que havia ido até ali pra me descontrair e relaxar estava saindo bufando de raiva, Deus sabe do que! No final das contas, aquela deusa brasileira era o cúmulo da arrogância! Não me dei o trabalho de responder o treinadorsinho e saí dali pisando duro.
Cheguei na seção dos armários, respirando fundo e repetindo a mim mesmo que não havia razão para estar tão enfurecido. Catei minhas coisas de dentro do armário e bati a porta com força demais, causando um estrondo.
_ Wow… nervoso? – Uma voz risonha soou atrás de mim.
Ótimo Taylor, feche os olhos, respira fundo e finge calma e educação.
_ Não… só não controlei a força. – Me virei para encarar a digníssima com um sorriso que eu tinha fé que era educado… e só!
O olhar descrente que ela me lançou e o ar de riso que me deu me fez querer encostá-la no armário e esgana-la. Ela baixou os olhos e passou a mão pela alça da sua bolsa em seu ombro. Estávamos só nós dois ali.
_ Então… você se lembra de mim? – Ela perguntou. Quando ela voltou a me encarar, seus olhos estavam sérios novamente, ela parecia ansiar por aquela resposta.
_ , brasileira, produtora e roteirista de “O tesouro do Mundo”, documentário vencedor do Oscar há dois anos. – Eu disparei pra ela.
Ela deixou o queixo cair e exalou.
_ Nossa…
_ E você, se lembra de mim? – Perguntei, por perguntar. Eu tinha certeza que ela sabia quem eu era, já havia deixado isto bem claro.
_ Mas é claro. Taylor Lautner, o lobo sarado da Saga Crepúsculo, eterno astro teen e… astro de filmes de ação?
Não podia ser só impressão minha. A voz dela exalava deboche. Aquela frase, dita como foi dita, me colocou em uma posição inferior a dela em aspectos profissionais. Porque era comum, naquele mundo, os intelectualóides do cinema acharem que atores de filmes de ação tinham músculos e agilidade, mas não tinham cérebro. Ela parecia fazer parte deste grupo.
_ Resumidamente… este é o meu currículo. – Respondi, tentando a todo custo manter a expressão amena.
_ Hummmm… e você anda tendo muitos projetos ultimamente? – Ela perguntou, repentinamente mais branda, se encostando no armário perto do que eu estava parado em frente.
Eu podia dar qualquer desculpa e ir embora, acabando de vez com aquela conversa. Mas não consegui.
_ Não muitos… na verdade, cansei da minha folga e estou procurando algum trabalho… até… - Eu olhei pra ela e vi algo passar por seus olhos rapidamente, não consegui identificar muito bem o que.
Ela sorriu e, mesmo que eu a estivesse achando muito prepotente, eu não podia não me abalar com a beleza daquele sorriso. Ela tirou a franja da frente dos olhos e colocou atrás da orelha em um movimento lento demais.
_ E você encontrou algum? – Me perguntou, me parecendo interessada. Ela desencostou do armário e o movimento a fez se aproximar mais de mim.
Eu pensei seriamente na resposta que daria. O problema era que eu estava me sentindo um tanto pressionado por ela… eu não queira dizer que estava sem previsão pra nada há mais de seis meses e então, eu menti, o que mais tarde eu descobri que foi o meu grande erro.
_ Não. Mas tenho algo em vista.
_ É mesmo? – Ela disparou a pergunta me parecendo ainda mais interessada. – E você acha que vai conseguir isto?
_ Bom… - eu estranhei o rumo da conversa. Na verdade eu estranhei tudo aquilo que estava acontecendo. – Depende de algumas coisas ainda. – tentei ser evasivo, pra que ela não captasse a mentira.
_ De que tipo de coisa? – Ela perguntou, os grandes olhos me espreitando incomodamente.
_ Bom, você sabe… é da área…
_ Sim… eu sei…
_ Falta a parte deles… aprovações, este tipo de coisa.
Ela riu. Um riso de escarnio.
_ E você acha que vai ser … aprovado? – Novamente o tom de deboche, como se a ideia de eu ser aprovado em algo fosse um absurdo. Me enfureci.
Fechei um pouco a distância que havia entre nós e parei a apenas uns vinte centímetros de encostar nela.
_ Não sei… mas me diga você. Acha que eles me aprovariam? – Perguntei diretamente pra ela.
Ela deu um passo curto a frente, engolindo em seco, sua expressão mudou de água para o vinho, ficou novamente suave e ansiosa. Ela fez um movimento com a boca, umedecendo os lábios com a língua, disparando a minha atenção diretamente pra lá. O corpo dela perto despertou muitas coisas em mim, inclusive pelo fato de que eu estava a um bom tempo em “jejum”, se é que vocês me entendem.
A lembrança fresca da sensação do corpo dela em cima do meu em um tatame também não me ajudou muito.
_ Eu não sei… do que depende a sua aprovação? – Ela sussurrou pra mim, a voz causou formigamento até atrás dos meus olhos, se era possível.
_ Bem… eu também não sei… - Eu sussurrei de volta. Ela queria algo comigo? Era impressão minha ou ela estava me dando mole? Bem, não seria a primeira… não duvidei muito disto. E arrogante ou não, seria maravilhoso sair da seca com uma mulher tão atraente e arrebatadora como ela.
Eu experimentei levantar os meus dedos e tocar os braços dela. Ela fechou os olhos e respirou fundo. Deu um sorriso novamente, mordendo os lábios e me perguntando com uma voz ainda mais baixa…
_ E você acha que a sua beleza poderia… facilitar a sua… - ela repetiu o mesmo movimento que eu estava fazendo com ela e acariciou meus braços com as pontas dos dedos, acompanhando as curvas dos meus músculos. Eu fechei os olhos apreciando mais do que deveria aquele toque. - … você acha que a sua beleza poderia facilitar a sua contratação? – ela disse, soltando um risinho frouxo depois.
Eu ri junto dela, e voltei a encará-la. Dei um sorriso sapeca, louco pra acabar com qualquer conversa e encostá-la no armário e… bem, não seria para esganá-la.
_ Não sei… o que você acha?
Mas assim que eu disse aquilo, a face dela se contorceu em uma expressão de puro nojo e asco. Ela se afastou e disse, ainda em tom baixo, mas friamente cortante:
_ Eu acho que você acabou de cavar sua sepultura, Lautner! – Virou as costas e saiu.
E eu fiquei lá, parado igual um idiota confuso, completamente sem palavras e ação pela segunda vez na mesma noite, por causa de uma única mulher.
Realmente, academias relaxam!
*****************
_ Vochê está obchecado! Ischo shim! – Nikki resmungava com a boca cheia dos meus biscoitos prediletos, que ela tinha pego na minha cozinha, sem minha autorização.
Eu roubei o pote dela novamente, a fazendo resmungar.
_ Não estou obcecado coisa nenhuma! – Eu respondi, enfiando um biscoito na minha própria boca.
Nikki estava de passagem ali no meu apartamento, enquanto seu marido tinha ido em alguma produtora ali por perto. Depois que nos conhecemos, nossa amizade nunca esmaeceu, por assim dizer. E como se não bastasse os cinco anos convivendo nos sets de Crepúsculo, depois de três anos que a saga havia terminado, fizemos outro filme juntos, em que fomos irmãos adotivos.
_ Ah, conta outra! Tay, desde aquele dia que você a viu pela primeira vez que você, vira e mexe, fala dela. Veja bem, eu assisti o tal documentário lá exclusivamente por causa da sua propaganda. E agora, desde que eu entrei aqui na sua casa, depois de um mês sem te ver, você só me falou dela! Deu pra perceber?
Eu sacudi a cabeça.
_ Mas é que ontem… ela me disse… eu não entendi! – Nikki curvou a cabeça pra trás e gargalhou da minha nítida perturbação.
_ Olha Taylor, eu realmente acho a mulher um espetáculo da beleza feminina, sou segura o suficiente pra afirmar isto, o nível de inteligência dela deve estar bem acima da média, mas… esquece ela, ok? Só pelo que você me contou eu sei que ela é encrenca, osso duro de roer. Vai por mim… eu conheço minha própria espécie.
Eu fiquei olhando vazio pra cara de Nikki por um tempo, pensando, pra depois dizer, num estalo:
_ Será que ela é bipolar?
Nikki rugiu e pegou uma almofada do meu sofá e atirou pra cima de mim.
_ Olha, eu vou embora. Quando você conseguir desvendar o enigma “ ”, a gente se fala novamente.
_ Nikki… espera… - Eu larguei o pote de biscoitos no chão e corri pra alcança-la, quase na porta. – Você não vai esperar o…
_ Não, não vou esperar meu amor vir me buscar, vou de encontro a ele. Sério cara, você tá um porre. – ela riu e me beijou a bochecha. – Tira ela da cabeça ou você vai enlouquecer… sei lá, saí por aí e cata a primeira bonitinha que te der mole, porque isto, na minha opinião, é a falta…
Ela mesma abriu a porta e saiu me soprando um beijo. Eu, sem a menor cerimônia, mostrei o dedo pra ela e fechei a porta rindo.
E eu estava sozinho de novo e sem nada pra fazer uma vez que eu recusei todos os convites para aparecer em eventos nos últimos dias. Me joguei no sofá, olhando para o teto, mas logo tive que levantar pra alcançar meu celular do outro lado da sala, que estava tocando em uma altura insuportável.
_ Al… - não deu nem tempo de eu terminar de falar pra ser atropelado com uma enxurrada de palavras:
_ Por que você recusou TODOS os convites que eu passei pra você, sem me avisar antes? – Julie, minha nova empresária, dizia histérica do outro lado do telefone.
_ Julie! Não estou a fim deste tipo de coisa... não acho que aquele tipo de festa vai me garantir um bom trabalho. – Ela bufou. – E então… tem alguma novidade pra mim? – Perguntei, morrendo de ansiedade. Eu tinha que começar a ocupar minha mente com coisas que prestassem.
_ Bom… aí é que esta Taylor… tenho uma bomba! – Ela disse, e eu logo reconheci a voz de excitação máxima da minha empresária… Eu até me sentei pra ouvir o que ela tinha pra me dizer, pois ou era algo muito bom ou muito ruim.
_ Diga…
_ Warner! – Ela disse, fazendo uma pausa dramática do outro lado da linha. – Uma super-produção da Warner Bros.! Os caras estão investindo bilhões em um roteiro, que parece ser a promessa dos últimos tempos.
_ E aí?! Vá direto ao ponto, Julie.
_ Calma homem! É o seguinte, estou com uma boa papelada aqui comigo, mas temos que conversar isto pessoalmente… senão não dá pra explicar tudo. Então eu tomei a iniciativa de ir ao seu apartamento… você está em casa?
_ Sim, estou… - respondi impaciente. Julie com certeza estava com alguma coisa pra mim, algo que ia mais além do que mera especulação.
_ Ótimo! Então abra a porta pra mim, estou dentro do elevador! Até daqui uns minutinhos! – Ela disse isto e desligou.
Julie Hortz era uma mulher e tanto, trabalhava muito bem, tinha excelente competência. Eu conheci ela a um bom tempo, mas só decidi trabalhar com ela depois que tive sérios desentendimentos com meu último empresário. Era tinha 45 anos, era divorciada e tinha dois filhos, um de 16 e outro de 12. Ela e minha mãe haviam se tornado amigas de infância do dia pra noite. E, para mim, Julie acabou por se tornar uma ótima amiga e conselheira.
_ Hey gatão!
Eu ri quando ela disse aquilo, passando por mim rapidamente assim que abri a porta e ocupando a mesa de centro da sala com inúmeros de seus papéis.
_ Senta, senta, senta… - Ela disse, apontando um lugar na frente dela. Julie pegou os seus óculos de aro verde e colocou-os na ponta do nariz enquanto vasculhava pelos papéis que ela espalhou por ali… Certo, ela não era muito organizada.
_ E então? Do que se trata especificamente a produção da…
_ ACHEI! – Ela berrou, quase me fazendo saltar pra trás. – A sinopse! Tome, vai lendo enquanto eu explico. – Ela me tacou o papel na cara e endireitou a postura. – O filme não é especificamente de ação, embora tenha muita ação. É um épico… a história em si, a base de tudo, não é algo inédito. O que é inédito é a forma como tudo está sendo organizado, os pormenores, a trama, o enredo… A equipe técnica já está toda formada, trabalhando na pré-produção, alguns atores foram contratados… mas ainda faltam alguns… na verdade faltam os principais.
Enquanto Julie tagarelava eu lia atentamente a sinopse, que por sinal, estava muito bem escrita.
_ É uma história muito boa… - eu disse, já completamente envolvido no que li, tentando imaginar que personagem eu poderia fazer ali.
_ Muito boa não, a história é espetacular! E a equipe técnica formada para a produção é uma das melhores que já vi! Só pra ter uma noção, Christopher Nolan é o diretor e Emma Thomas a diretora de produção. E foi ela, a Emma, que veio me procurar recentemente para avisar que você, você, havia sido cotado para o papel principal, Taylor… o papel principal! – Julie estava me deixando ainda mais eufórico com tudo aquilo.
Eu voltei meus olhos para o texto da sinopse.
_ Axel? – Eu perguntei, lendo mais atenciosamente o trecho que falava deste personagem… uma figura nada fácil. Segundo o texto, Axel primeiro teria de convencer o público de sua maldade e depois demonstrar confusão e insegurança sobre seu próprio caráter, para só então se tornar o Soberano herói. Ele teria várias fases, muitas emoções o dominando, em um único filme. Não era triologia, não tinha sequência. Seria tudo aquilo em um único filme. – Ual...
_ Sim… ual! Até onde eu pude pesquisar, os rumores de dentro da Warner diz que os executivos querem investir para produzir algo que arrebente de ganhar Oscar… na maior quantidade de categorias possível… inclusive a de melhor ator! Tudo isto, é claro, é só uma esperança… mas por todo o peso que este filme tem por trás das câmeras…
_ É um excelente trabalho… - eu completei, fazendo Julie sorrir e sacudir a cabeça euforicamente, dizendo que sim. – E quando nós vamos falar com a equipe da produção? Quando vão me passar o roteiro e… – Eu levantei, já ansioso, já me vendo fazendo aquilo, já querendo saber mais sobre o personagem, mas então eu olhei pra Julie e recuei com minha expectativa. Ela estava mais cautelosa em sua euforia.
_ Ok. Qual é o porém? – Perguntei, adivinhando que Julie tinha um “mas” para me apresentar.
Ela torceu os dedos e vasculhou novamente em seus papéis.
_ Bom… é que, como eu disse, a equipe técnica é bem boa mesmo e, consequentemente, eles são bastante exigentes. Então eles querem ter certeza que o papel e o ator “casam”. Então eles cotaram você, mas também cotaram outros. – Julie fez uma careta e eu voltei a me sentar. – Emma me disse que se você quiser tentar o papel terá de estudar o personagem e fazer um teste. Ela disse que alguns atores já tinham sido escalados como perfeitos, mas nenhum deles tinha espaço pra outro trabalho… então eles estão procurando outro.
_ Um teste? – Eu perguntei. Nem sequer me lembrava de como era fazer um teste, pois nos últimos tempos eu era simplesmente chamado para fazer os filmes.
_ Sim, um teste com outros quatro concorrentes. A notícia boa é que não é nenhum concorrente alcançou a super-fama. A notícia ruim é que são todos atores muito bons mesmo, escolhidos a dedo, mas todos eles participaram só de produções independentes, teatro, musical… ah, tem um que estava fazendo uma série da CBO, você deve conhecer.
Julie me passou uma lista com os nomes e currículos dos meus “concorrentes”, eficiente como era, ela já sabia de tudo. Eu fiquei analisando aquilo um tanto mal-humorado. Eu já tinha mais de quinze filmes na carreira, o que era um bom tanto de material para quem quer que fosse, pudesse analisar o meu trabalho.
Para um ator com a minha experiência, fazer um teste era como regressar a uma posição de iniciante… eu sentia como se tudo o que eu fiz até então havia sido desconsiderado por quem quer que estivesse montando o casting para o filme.
_ Hey, Taylor… por que esta cara? Olha, você não precisa ficar ofendido nem nada… na verdade este é o tipo de coisa que acontece quando a preparação para um filme é de tão alto nível. Eles querem ter certeza de cada detalhe…
_ Então quer dizer que eu e estes outros caras somos a segunda opção? – Eu perguntei, interrompendo a falação de Julie. Ela respirou fundo e levou as mãos aos cabelos, os torcendo até formar um coque.
_ Taylor, analise bem as coisas… sinta o cheiro de coisa grande. Nestas condições, não importa como a oportunidade vem, mas simplesmente que ela está aí, nas suas mãos. Passar neste teste e fazer este papel dará um novo folego na sua carreira. Taylor, eu estou apostando nisto, porque pra mim sua carreira precisa se elevar a um outro patamar… em uma coisa mais… complexa e subjetiva. Sabe, isto será excelente pra você, será a tacada final para tornar seu nome uma lenda! Pá! – Julie fez um gesto espalhafatoso com as mãos me fazendo rir. – Aqui… deixa eu ver… achei! Leia este texto, é exclusivamente sobre o personagem que você foi cotado pra fazer.
Julie estava certa em cada palavra que disse, claro. Não demorou muito, eu já estava ansioso pra fazer aquele teste. Eu peguei o texto que ela me deu, que tinha algumas boas páginas, e me joguei no sofá pra ler enquanto Julie se enfiou pra dentro da minha casa dizendo que iria preparar alguma coisa pra gente comer de almoço. Eu li todo o texto avidamente, nem senti o tempo passar. Só então eu pude entender a verdadeira complexidade do personagem, principalmente na sua primeira fase e em sua transição para passar de vilão a herói da história.
E além disto tudo, eu fiquei maravilhado com a forma como o texto foi escrito. Era tudo muito… inteligente. O texto parecia ter uma personalidade própria, havia um cuidado no uso das palavras, no fluxo de ideias que fazia até mesmo uma coisa simples parecer monumental. Quando eu terminei o texto, fui caçar no meio dos papéis de Julie o roteiro, não demorei a achar. Era enorme… gigantesco. Aquilo deveria dar umas três horas de filme. Não ia dar pra ler tudo aquilo tão rápido. Eu folhei apenas passando os olhos até chegar a ultima folha, onde eu estaquei.
_ Taylor… quem fez as suas compras? A Deborah? Nossa, tem muita coisa boa e saudável na geladeira, não pode ser coisa de homem tudo aquilo. Deu pra fazer um almoço bem gostoso e… ei!!! Tô falando com você!
Pra mim, o que a Julie dizia não fazia o menor sentido, porque todas as engrenagens do meu cérebro estavam compreendendo mil coisas a partir de um único nome que li no final daquele roteiro…
_ … - eu sussurrei.
¬ _ Oh, claro. É a roteirista principal. Sua chefa, já que ela é a “dona da história”.
_ Ela é a roteirista? – Eu perguntei, engolindo em seco…
“Eu acho que você acabou de cavar sua sepultura, Lautner…”
_ Sim… algum problema?
_ Todos, Julie! Todos! – eu exalei forte, quase arrancando meus cabelos com as mãos.
E só então eu entendi todas as coisas que aconteceram entre eu e na noite anterior. Merda! Ela tinha entendido tudo errado!

Capítulo 5


POV

_ Vocês vão amá-la. Eu tenho certeza!
Era o que nos dizia Jack, um dos preparadores de elenco do filme. Estávamos eu, Chris e a Emma no Teatro Municipal de Nova York, em plena terça-feira de manhã, para assistir sorrateiramente o ensaio de uma peça em que uma atriz promissora atuava. Ela não sabia que estávamos ali para avaliar a sua atuação e ver se, conforme Jack insistia, ela seria perfeita para interpretar Perpétua.
_ Assim que li aquele texto, , e quando ouvi você falando da Perpétua, todos os meus pensamentos vieram parar nesta moça. Pra mim, não há outra para este papel, vocês vão ver. – Os olhos de Jack brilhavam, o que já começou a me deixar desconfiada. Ele parecia amar mais do que só o trabalho da moça.
_ Como é mesmo o nome dela? – Perguntei.
_ Nadila Krow. – Jack me respondeu imediatamente.
Eu sorri, e dei um olhar bem significativo para Chris. Mas Chris já trabalhava há muito tempo com Jack e, por isso, confiava nele. E nós também havíamos pesquisado antes a peça e a atuação de Nadila, vilã do drama. Tudo foi muito bem recebido pelos críticos.
Entramos sorrateiramente no teatro, nos deparando com um palco monumental e algumas poucas estruturas do cenário. Era uma peça minimalista, haviam poucas coisas no cenário e o figurino era simples. O foco principal era justamente o que queríamos: os atores e suas expressões.
_ Sente mais a frente, vou ficar aqui atrás, para evitar que ela me reconheça. – Chris sussurrou pra mim, enquanto já víamos Nadila no meio do palco, se alongando. Jack havia ficado para o lado de fora.
Chris e Emma se acomodaram no fundo da plateia e eu me sentei na terceira fileira da frente. O ensaio começou, como a peça já estava sendo apresentada, houve pouquíssimas interferências do diretor. E Nadila, vestida com uma calça de malha, regata e os cabelos em um rabo de cavalo, me tirou o folego. Ela não era boa, ela era fenomenal! Ela fazia a vilã, era uma psicopata fria e cruel. Sua loucura me convencia, me assustava. Ela mantinha no rosto uma frieza aparente e mórbida, enquanto o seu tom de voz baixo e suave parecia o canto de uma sereia enfeitiçando um marinheiro prestes a ser devorado.
E a aparência dela… era tudo o que precisávamos. Não era alta e nem baixa, uma estatura média, o corpo esguio, com curvas firmes. Só os cabelos, que não estavam tão longos quanto precisávamos. Quando a vi de longe, julguei o seu rosto angelical demais. Mas a minha visão mudou completamente quando a vi em cena, quando a vi interpretar um surto psicótico.
Quando ela se enfiou nos camarins, junto com os outros atores - também muito bons, mas não tanto quanto ela - Chris e Emma vieram rapidamente pra perto de mim.
_ Temos a nossa Perpétua! – Emma disse, empolgadíssima. Eu sorri, e acenei enfaticamente que sim. - Agora, só falta o Axel… - Assim que ela disse isto meu sorriso murchou. Os testes estavam chegando e eu não tive coragem de contar a ninguém o que eu pensava sobre um dos atores cotados. Primeiro porque era uma acusação muito grave dizer que eu pensava que Taylor Lautner tentou me seduzir para conseguir o papel, segundo porque me comprometeria e terceiro porque eu não tinha provas disto.
Então, eu não disse nada.
_ Seria excelente se nós acertássemos de vez com Nádila para que ela estivesse presente no teste. Ajudaria muito, pois assim nós poderíamos avaliar também a interação entre os atores principais. – Emma continuava tagarelando, enquanto eu permanecia no meu desconforto. Chris saiu a procura do diretor da peça, nos deixando sozinhas.
_ Sim, seria. – Eu respondi então, voltando minha atenção para ela.
_ Ótimo, então, vamos lá. Conversar com a moça. – Emma sorriu e eu me levantei, para que fossemos pelo mesmo caminho em que os atores haviam seguido.

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POV Taylor.

_ Você o quê? – Julie perguntou, histérica.
_ Eu dei em cima dela na academia porque…
_ Pare Taylor, pare! Eu já ouvi isto! – O rosto de Julie estava vermelho.
_ Mas você perguntou, eu pensei que não tivesse entendido.
Quando eu disse aquilo, Julie fez uma careta em minha direção e, bufando, se jogou no meu sofá, de frente pra mim. Ela colocou a cabeça entre as mãos e ficou quieta um minuto. Um longo minuto, diga-se de passagem.
_ Certo, então você acha que ela entendeu que você já sabia sobre o papel e que estava querendo garantir sua contratação caindo nas graças dela?
_ Pelo que ela disse… pode ser que sim.
Ela rolou os olhos, agarrou os cabelos.
_ Inferno Taylor! Você parece ter um imã pra atrair mulher encrenca! – Dessa vez quem fez a careta fui eu. – Eu vou falar com esta mulher!
Julie se levantou decidida, pegando o seu celular, mas eu a impedi.
_ É claro que não! Se você falar com ela poderá piorar tudo! – Eu pedi, já me arrependendo amargamente de ter ido a academia justo naquele dia.
Julie estreitou os olhos, me olhou fixamente, mas parecendo não me ver, realmente. Eu quase podia ouvir as engrenagens da cabeça dela funcionando.
_ Eu tive uma ideia. – Ela disse, em um rompante. – Primeiro eu preciso descobrir o quanto esta mulher influencia nas decisões finais desta produção, depois descobrir se ela pode ser uma vadia vingativa miserável que se empenhe em acabar com a sua carreira, preciso saber se ela tem algo contra você e eu preciso saber o quanto ela é ardilosa… - Ela parecia falar consigo mesma… - É… é isto! Eu preciso sondar o inimigo! – Só aí ela voltou os olhos pra mim, e sacudindo o celular, me disse: - Vou concertar sua idiotice causada por excesso de testosterona!
_ E como você pretende descobrir tudo isto? – Perguntei, erguendo as sobrancelhas, completamente descrente. Julie era boa, aliás ela era a melhor empresária com quem eu tinha trabalhado em toda minha carreira, mas as vezes eu a achava um tanto exagerada demais...
Ela só ergueu a mão em minha direção, em um sinal de espera, pegou seu telefone e desapareceu para dentro do meu apartamento, em direção ao escritório. Antes de se trancar lá, ela deu uma de mãe autoritária e gritou:
_ Vá comer agora mocinho! A comida está na mesa da cozinha.
Meu estomago rolava na minha barriga de stress, eu fui pra cozinha, coloquei comida no prato, mas não pude comer muito. Pela minha cabeça passavam inúmeras coisas. Eu entendia que se sentisse completamente ultrajada caso fosse tida como um objeto sexual, um degrau para a caminhada de um ator qualquer. De certa forma isto poderia fazê-la pensar que estariam subestimando sua inteligência e pior ainda, sua integridade. Mas eu ficava furioso em imaginar que ela pudesse ter feito um julgamento tão baixo a meu respeito. Eu não podia ter certeza, mas eu senti que era exatamente aquela conclusão que ela tinha feito sobre o episódio na academia. Com base em que ela poderia me ver como um cafajeste daquele estripe? Afinal, eu não tinha espalhado esta fama por aí… ou tinha? Não… não podia ser!
Ela não tinha direito nenhum e seria muito paranoica e antiprofissional se ao menos tentasse me prejudicar por causa de algo que ela supôs. Mas também podia ser que eu havia interpretado errado os fatos e ela não tivesse pensado nada daquilo de mim... No entanto, se ela fosse integra, profissional e ética, ela nunca poderia tomar qualquer atitude se não tivesse uma certeza absoluta, provas.
O problema é que eu sentia que ela era arrogante e prepotente… Eu não fazia ideia do que esperar dela!
Olhei para o relógio da cozinha: havia meia hora que Julie estava trancada em meu escritório. Fui pra sala e peguei novamente a papelada que ela havia trazido. Quanto mais eu lia, mais fascinado eu ficava pela história… tudo escrito pela . Incrível!
Distraído, levei um susto quando Julie abriu abruptamente as portas corrediças do escritório. Eu olhei pra ela na expectativa e acho que pelo riso que ela prendia, minha cara devia estar péssima.
_ Bom… tenho notícias boas e tenho notícias ruins pra você. – Eu não disse nada, continuei a encara-la. – Tudo bem… primeiro as ruins. É o seguinte, eu conversei com a Emma, a principal produtora. Nós nos conhecemos há muitos anos, então a conversa fluiu facilmente. – Julie parou e coçou a cabeça, coisa que ela fazia quase sempre, bastava estar agitada. – Pelo o que ela me disse, os empresários da Warner e o próprio Christopher não apostaram somente na história, mas nela, na tal . Ela é sangue novo, é inovação. Justamente por ela estar entrando agora no meio de cinema americano é que todos apostam que ela está livre dos vícios dos profissionais veteranos, daquilo que os fazem cair nas mesmices. A mulher é puro instinto, tino, sagaz… Emma quase a endeusou pra mim! Ou seja…
_ A opinião dela é quase uma sentença. – Eu completei. Eu tinha anos de estrada, já esbarrei com alguns poderosos quase no mesmo estilo dela… a diferença é que nenhum deles demonstrou antipatia clara por mim.
_ Exatamente.
_ E qual a parte boa disto tudo? – Eu incitei Julie a continuar.
_ Eles te consideram um candidato a vaga em potencial tanto quanto os outros. Eu conheço Emma, se esta tal tivesse feito sua caveira a respeito disto eu teria percebido, ela teria me dito, principalmente porque ela iria me repreender sobre o comportamento de um cliente meu, uma vez que durante todos estes anos como amigas e como profissionais ela sempre soube da integridade do meu trabalho. Ela sabe que eu odiaria saber que qualquer pessoa que eu estive empresariado fizesse isto, levando meu nome pra lama. Eu ia abandona-lo imediatamente. É algo muito baixo, nenhum de nós aprova isto.
_ Você acha então que se a pensou o que eu acho que pensou a meu respeito, ela ficou quieta?
_ Até agora, por tudo que eu conversei com Emma, eu tenho certeza que ela não fez nenhum burburinho com seu nome.
Eu soltei um suspiro de alívio, mas Julie continuou olhando pra mim com aquela cara de “as coisas não estão tranquilas”.
_ O que foi? – Perguntei.
_ Ela não sujou seu nome, mas vai por mim: passar neste teste vai ser a coisa mais difícil da sua vida. Não será suficiente você ser bom, porque todos os outros os candidatos ao papel são bons. Não bastará você ser ótimo, porque você pode correr o risco de algum outro ser ótimo também, já que todos estão muito interessados mesmo em ser o menino de ouro desta produção. Pra conseguir este papel você vai ter que ser impecável! Simplesmente pelo fato de que ela só vai te aceitar se não tiver alternativa, se não puder pegar nenhum defeito seu.
Eu engoli em seco, um frio na barriga. Parecia um iniciante. Eu acenei afirmativamente pra Julie, mas ela não pereceu ficar confiante comigo.
_ Taylor… - Ela pegou os papeis que estavam do meu lado. – Incorpore este personagem, seja este personagem, se prenda a imagem dele… estude muito. Aquela mulher será a advogada do diabo, ela não vai estar interessada em qualquer qualidade sua, só em seus defeitos!
Julie me entregou os papéis e depois deu um sorriso triunfante, o que me deixou confuso.
_ Taylorsinho, isto vai ser a melhor escola de atuação que você já teve! – Disse, gargalhando da minha cara de pânico.

Capítulo 6


POV

_ Tudo o que você tem que fazer é se adaptar ao que o ator propor. Nós estaremos avaliando como eles irão te responder também. Como casal principal vocês tem que ter aquela sintonia. – Chris explicava aquilo para Nádila, já confirmada e devidamente contratada para o papel de Perpétua.
_ Entendi… Então eles receberam o roteiro seco da cena e vão ter que decidir tudo sobre a interpretação e me dirigir também? – Ela perguntou, atenta.
_ Sim... o roteiro que eles receberam tem, praticamente, só falas. As únicas coisas que eles não terão como interferir são os planos de filmagens... as câmeras já estarão posicionadas e eles terão que decidir a melhor forma de se movimentar. – Eu expliquei a ela.
_ Certo… Realmente, isto aqui é pra profissional.
Nádila sorriu, meigamente. Ela era muito eficiente, não tinha muita experiência com câmeras, já que atuava mais em teatro, mas aprendia rápido. Era muito inteligente, mas tímida, quando não estava atuando, falava sempre muito baixo, corava facilmente e sempre se recolhia logo após terminar o que tinha que fazer.
_ Não, não é pra amadores. Nós somos as exceções. – Eu disse, uma vez que em cinema ela podia ser considerada amadora e eu também. Ela corou e sorriu novamente.
_ Certo, serão dois atores por dia e sobra um que ficará para o terceiro dia, pela manhã. – Emma começou a tagarelar. - Daremos o resultado no terceiro dia no fim da tarde. Vamos começar amanhã de manhã… Estas coisas tem que ser rápidas, já demoramos demais pra escolher o casal principal. Tudo bem pra você? – Emma olhou para Nadila esperando resposta, com a caneta que segurava no ar, pronta pra escrever mais qualquer coisa em sua prancheta.
Nadila só deu um aceno de cabeça, confirmando. Emma sorriu e voltou a rabiscar sua prancheta.
_ Perfeito… con-fir-maaado tessstes… – Ela falava pausadamente enquanto escrevia. – Aaaaama-nhã!
Terminado de acertar os últimos detalhes, começamos a nos despedir. Eu ia pro hotel trabalhar em coisas do filme, mas só depois de tomar um bom banho e consumir muita caloria, qualquer coisa bem doce. Precisava relaxar!
Mas antes que eu pudesse sair, uma mocinha - devia ser auxiliar de filmagem - me chamou.
_ Sra. , tem uma pessoa querendo falar com você. Disse que é importante. Ela tá lá na sala do fundo.
_ Falar comigo? Quem seria? – Perguntei curiosa.
_ Bem… uma tal de Sra. Hortz. Disse que é assunto de seu interesse.
Eu não reconheci o nome, mas pra esta mulher ter conseguido entrar ali, é porque devia ter alguma influência.
_ Tudo bem. Avise que estou indo.
Logo a garota desapareceu das minhas vistas. Eu terminei de juntar as minhas coisas e caminhei em direção a sala em que a tal mulher me esperava. Me deparei com uma mulher muito bonita, vestida de forma despretensiosa, mas ainda assim com certa classe.
_ Olá! – Eu disse, incerta. A mulher se levantou da poltrona em que me aguardava e sorriu.
_ ! É um prazer conhece-la. – Ela disse, apertando a minha mão seguramente. – Julia Hortz, empresária.
Eu franzi o cenho e retribuí o aperto de mão.
_ O prazer é meu. Posso saber o motivo da visita? – Perguntei sorrindo, com a voz mais agradável que consegui, para diminuir o impacto da minha objetividade.
_ Claro. Estou aqui para esclarecer alguns maus entendidos.
Eu indiquei o sofá pra que ela se sentasse novamente e sentei na outra poltrona.
_ A respeito do que, especificamente?
Ela sorriu.
_ Do meu cliente.
_ Talvez… ficaria mais fácil saber se me dissesse quem é. – Eu retribuí o sorriso.
_ Taylor Lautner.
Meu sorriso morreu, me levantei imediatamente.
_ Creio que não há nada pra ser esclarecido. Também não é muito profissional a senhora vir me procurar as vésperas da audição do seu cliente, em que eu o avaliarei. Se algum dos outros candidatos souberem, não será bom pra nenhum de nós… Por favor queira se retirar e…
_ Acalme-se senhora . Eu sei muito bem o que faço, pois acredito estar neste meio a mais tempo do que você. E acredite, o zelo pelo profissionalismo é exatamente o que me trouxe até aqui. – Ela disse, ainda segura e inabalável, sentada ereta em sua poltrona.
Eu continuei de pé. Ela elevou as sobrancelhas e voltou a sorrir, me apontando a poltrona que eu havia acabado de me levantar.
_ Como eu disse, vim aqui para esclarecer alguns maus entendidos. Eu sei que não me conhece, mas não admito que questione minha ética profissional, não tenho intenção de induzir a contratação do meu cliente por qualquer meio politicamente incorreto. – Ela novamente argumentava segura de si. Talvez seja a sua postura inabalável que me fez olhá-la com outros olhos.
Me sentei novamente.
_ Pois bem, estou ouvindo. O que seu cliente lhe mandou dizer?
_ Não estou aqui a pedido do meu cliente. Ele nem sequer sabe que estou aqui e acredito que não aprovaria minha atitude, embora eu tenha certeza que não estou errada.
Eu não respondi nada, continuei a encara-la, sem demonstrar se acreditava ou não nela, muito embora algo me dissesse que ela era confiável.
_ Vim para tranquiliza-la. Sei que não tem bases para confiar em mim, ou sequer me dar alguma credibilidade. Mas a verdade é que eu sou movida a um senso de justiça muito forte, e ficaria insatisfeita comigo mesma se permitisse que algo injusto acontecesse. Além de empresária, também sou amiga de Taylor, amiga o suficiente para que ele me contasse sobre o ultimo encontro e conversa que vocês tiveram e compartilhar comigo impressões que ele pensa que você teve dele.
Ela deu uma pausa, esperando que eu me manifestasse de alguma maneira. Não fiz nada, assim ela prosseguiu.
_ No entanto, eu lhe garanto que Taylor só soube que estava sendo cotado para o seu filme depois, especificamente um dia depois, que vocês se encontraram. Não havia nas atitudes dele nada de terceiras intenções. Eu lhe digo isto somente para evitar que você julgue o caráter dele baseada em apenas um episódio.
_ Se o seu cliente percebeu que me causou certa impressão, certamente é porque ele julgou que suas atitudes puderam levar a isto. Estou certa? – Disse.
_ Claro que está. O que eu posso garantir é que ele não agiu como agiu por saber o que você poderia representar para a carreira dele. – Ela sorriu – Sra. , não sei se tem consciência disto, mas você é uma mulher bonita e atraente. Pode despertar interesse de qualquer um. Estou certa?
_ Se você diz… - Fui evasiva.
_ Não estou aqui para fazer papel de mãe e defender o meu “menino”, falar que ele foi bem criado e estas coisas. – Ela assumiu uma seriedade outra vez. – Mas estou aqui para garantir-lhe que o meu cliente é ético e profissional, e ele não irá lhe tratar sem o devido respeito em um ambiente de trabalho. Ele tem boa conduta. – Ela foi enfática ao afirmar isto. - Da mesma forma, o que eu gostaria de receber em troca é a sua garantia que julgará o trabalho, e somente o trabalho, do Taylor independente de qualquer imagem distorcida que tenha tido dele em ambientes externos. Como uma mulher inteligente que é, deve ter consciência que não seria profissional de sua parte prejudicar um ator baseada em algo tão insustentável e fugaz.
Aquela ultima frase dela me pareceu uma alfineta e tanto. Não gostei, na verdade. Porém segurei bem a postura e expressão diante da afronta.
_ Sim, claro. – Respondi, simplesmente.
_ Se ele não for adequado para o papel, o dispense, não hesite. Não estou aqui para pedir que não faça isto.
_ Se ele não for adequado para o papel, você pode ter certeza que qualquer pedido seu não iria influenciar na minha decisão de dispensá-lo. – E aquela frase foi o meu momento de devolver a alfinetada de antes. Mas ela sorriu pra mim, parecendo não se incomodar com minha resposta seca. – Mas é justo. – Continuei. - Pode se tranquilizar também, pois a mim só interessa a capacidade do Sr. Lautner em atuar bem ou não. Nada além disto. Irei esquecer absolutamente tudo o que aconteceu fora daqui e é aconselhável que ele também faça o mesmo.
_ É certo que sim. Posso garantir a boa conduta dele, mas você certamente pode falar com todas as outras pessoas que trabalharam com ele até aqui pra confirmar as minhas palavras.
Ela colocou um papel em cima da mesa de centro. Em uma passada de olhos pude ver nomes e telefones. Alguns dos nomes eu conhecia.
_ Estão todos listados aqui. – Ela disse.
Eu voltei meus olhos para os dela e a encarei sem cerimônia alguma por um tempo, avaliando. A mulher não desviou o olhar um segundo sequer. Havia certeza e transparência naquele olhar.
_ Não é necessário. Vou confiar em você. Pode levar a lista. – Sentenciei.
Ela apenas sorriu e se levantou. Acompanhei-a no ato.
_ Eu lhe agradeço por isto. – Ela disse.
_ Realmente, não é necessário.
_ Eu insisto. Obrigada – Eu apenas sorri levemente. A tensão entre nós diminuiu um pouco com aquilo. – Devo ir agora… mas se não for pedir demais, eu gostaria que esta conversa ficasse só entre nós. Eu realmente não gostaria que Taylor ficasse sabendo disto.
_ Tudo bem. Ficará só entre nós. – Garanti. Ela me ofereceu a mão e eu imediatamente aceitei, dando um aperto cordial.
_ Novamente obrigada. Até um dia.
_ Até.
Então ela foi embora e eu, alguns segundos depois, despenquei na poltrona, absorta em pensamentos. Talvez eu tivesse sido absurda em julgar o tal Lautner daquela forma… mas aquele homem me causava certo incomodo. Não me sentia segura a respeito dele. O motivo disto? Eu não fazia ideia!
De uma forma nada correta ou coerente, eu torcia para que ele fosse péssimo no teste!
Chegando no apart, eu me entupi de sorvete de chocolate. E acabei por não conseguir fazer nada do que eu devia ter feito. Acabei desistindo e dormindo no sofá, acordando no outro dia, em cima da hora pra ir ao estúdio.
EU ODIAVA ATRASOS! Não admitia isto de ninguém que trabalhava comigo e se eu me atrasasse, como ia cobrar isto dos outros??
O resultado? A partir do momento que olhei pro relógio, virei o cão! Fiquei nervosa e com ódio de mim mesma. Como fui dormir tanto?
Me arrumei as pressas, engoli um café e fui ventando para o estudo. Quando cheguei lá todos estavam preparados para o primeiro teste, só faltava eu.
_ Nossa, saiu de dentro de um furacão mulher? – Johan, o maquiador designado para Nádila, disse sorrindo quando eu me sentei toda descabelada na cadeira que tinha o meu nome, atrás das câmeras.
Ele tentou arrumar um pouco meus cabelos, mas eu desviei. Abanei as mãos o mandando para longe.
_ Cuide de deixar Nádila impecável, Johan! – Eu disse, completamente sem paciência... na verdade eu nunca tinha muita paciência. – E me deixe!
Johan se virou para Nádila e deve ter feito uma careta, pois ela riu.
_ Bom dia pra você também, . – Chris me cumprimentou, com um sorriso no rosto. Ele já havia se acostumado com minhas inconstâncias. Eu apenas acenei com a cabeça, nem chegando a sorrir e me voltei para a minha agenda. – Já está tudo pronto. O candidato já está lá fora. Como combinamos eles vão fazer o teste com o cenário e a caracterização dos personagens.
_ Certo... ele já está quase pronto, não é? – Perguntei. Chris confirmou com um breve aceno. Me virei para Nádila, que já estava de pé, pronta. – Logo depois nós lhe daremos um tempo com ele para acertar os detalhes da cena, combinado Nádila? – Ela também me respondeu com um breve aceno. – Certo. Então comecemos!
O primeiro teste aconteceu. O ator era bom, cumpriu a tabela, mas não surpreendeu. Ele fez exatamente o que esperávamos que ele fizesse dado o currículo que ele tinha. Muito seguro, até interagiu bem com Nádila, a máscara de arrogância do personagem muito bem montada. E só.
Fiz algumas anotações e resolvi não comentar nada até que o ultimo candidato terminasse. Assim, fiquei completamente circunspecta durante os testes. Vez ou outra Chris me encarava com sobrancelhas enrugadas, me perguntava alguma coisa logo que o ator saía de cena, mas eu era evasiva.
A verdade é que, até o quarto teste eu não me senti empolgada com os resultados. Isto porque nós entrevistávamos Nádila para saber como os atores se saíram na preparação da cena, quais orientações eles deram a ela.
O único ator que me empolgou mais foi um descendente espanhol, Juan Salez. De todos, ele era o que tinha menos experiência, e talvez por isto seja aquele que realmente se preocupou em dar vida ao personagem e não meramente interpretá-lo. Claro, ele perdeu pontos na técnica e às vezes se perdeu na interação com Nádila.
Conversando com ela, descobrimos que ele pediu para que ela fizesse coisas e depois esqueceu, cabendo a ela improvisar para se integrar ao que ele fazia. Bom, isto era, com certeza, resultado da inexperiência, o fato é que teríamos um bom trabalho se ficássemos com ele.
Tudo se manteve no absoluto controle até chegar o momento em que Taylor Lautner entraria em cena. Eu não sabia explicar, mas uma estranha expectativa tomou conta de mim enquanto permanecia sentada em uma cadeira atrás das câmeras, na manhã do terceiro dia de testes, esperando ele e Nádila começarem.
Joguei este sentimento pra debaixo do “tapete”, no entanto. Fechei os olhos, respirei fundo e vesti uma mascara apática de seriedade, que mantive durante aqueles dois dias anteriores com os outros candidatos.
_ Muito bem, acabou o tempo de preparação, peça para que eles comecem. – Chris falou com alguém.
Pois bem, era só um candidato a mais....
Era o que eu me esforçava para pensar.

******************

POV Taylor

Eu não dormi naquela noite, então não posso dizer que acordei. Me sentia pressionado para aquele teste. Mais tenso do que eu jamais estive em minha vida profissional. Talvez porque o papel fosse grande e fugisse do estilo de personagens que havia feito até então... ou talvez... bem, eu não queria pensar sobre aquilo.
Quando me encarei no espelho, encontrei as olheiras suaves, claro, e um rosto sério e cansado demais. Não pude fazer muita coisa para melhorar, além de tomar um banho, comer uma maça e voltar a ler o script enquanto esperava Julia me buscar.
Mas o fato era que, mesmo depois da Julie chegar, de eu entrar no carro dela, eu não desgrudei do script, nem parei de rabiscá-lo fazendo anotações de última hora. Isto até que os papéis desapareceram da minha mão em um puxão.
_ Hey! – Reclamei, olhando de cara feia para Julia, que tinha se apossado dos meus preciosos papéis.
_ Pare com isto, homem! Tá me irritando! Você já fez tudo o que tinha que fazer. Agora relaxa e segue em frente. – Ela bufou. – Confie no seu taco!
_ Mas eu preciso olhar a parte em que… - tentei argumentar, mas Julia me olhou por cima dos óculos repreensiva.
_ Não. Você nãooo precisa! – Julia disse. Eu afundei no banco irritado. – Vamos, feche os olhos, inspire e expire. Simplesmente, deixe a coisa rolar. Por Deus, nunca te vi tão nervoso!
Tentei fazer o que ela disse. O carro parou no farol e eu não sabia se queria que ela acelerasse logo ou que o farol ficasse um tempo bem maior no vermelho.
_ E se eu esquecer as falas? – Perguntei depois de um tempo, não suportando o silêncio do carro.
Julia voltou a bufar e me olhou como quem olha para uma criança teimosa.
_ Taylor. Pense bem. Você não é mais um garoto, este não é seu primeiro trabalho e muito menos sua primeira audição. Você não precisa pegar este papel, se não der, não deu. Portanto vai lá e faça apenas o que você puder fazer. Okay? Que tal se lembrar de toda a sua experiência até aqui? Hum? – Ela piscou. – Re-la-xa!
Eu ainda queria dizer que estava nervoso porque eu teria que contracenar e orientar com uma atriz que eu não conhecia, vestir um figurino que eu não tinha ideia de como ia ficar, me movimentar em um ambiente estranho. E eu só teria uma hora pra falar com a tal Nádila e combinar os detalhes e também me vestir! Era um absurdo!
Quando eu dei por mim, estávamos em frente ao estúdio.
_ Vem Taylor! – Julie chamou, já fora do carro.
Eu respirei fundo duas ou três vezes e saí.
Era tudo ou nada.

Capítulo 7

               
POV Taylor

Há muito tempo eu não me sentia tão inseguro. Isto era fato. Mas eu não podia transmitir isto. Não para a atriz que iria contracenar comigo e que, de certa forma, eu tinha que direcionar.
                A sorte era que, ao contrário de mim, ela parecia tranquila, como se estivesse em casa.
_ Você entendeu bem? Eu gostaria de dar uma dramaticidade a cena, mas não algo que ficasse muito forçado. Eu também acho que… Axel tem que ser agressivo com você nesta primeira parte. Certo? – Eu disse a ela, que sorriu e acenou com a cabeça. – Okay.
                Eu voltei a olhar para o papel e depois para o estúdio onde estávamos, aquele não era o que faríamos o teste. Eu tive oportunidade de analisar o espaço que eu faria a audição quando cheguei, mas foram só por alguns minutos.
Por um tempo fiquei encarando tudo perdido até que senti uma mão delicada pousar em meu ombro.  Me virei lentamente para Nádila Krow, me deparando com seu sorriso um tanto meigo demais para quem iria interpretar uma guerreira rebelde. Ela era bonita, um tipo de beleza suave e delicada, traços harmoniosos e uma pele tão branca... Os cabelos ruivos cheios e volumosos da personagem contrastavam de forma quase brusca com aquele olhar singelo.
_ Você parece nervoso. – Ela me disse, cuidadosa.
Fechei os olhos e inalei profundamente.
_ Deu pra notar, não é? – Perguntei, dando um riso sem graça.
A mão dela desceu até que encontrasse a minha, dando um leve aperto.
_ Vai dar tudo certo. Sua ideia está boa e você já é deste meio há bastante tempo. Não é nada de outro mundo. – Ela disse, tentando me acalmar. Inocentemente ela afagava minha mão, havia um leve franzido em sua testa enquanto ela me avaliava, parecendo preocupada. – É só fazer o que você sempre fez.
                Ela soltou minha mão e se afastou. Eu penteei meus cabelos com os dedos.
_ Não. – Eu sussurrei. – Não se trata de fazer o que eu sempre fiz. E é isto que está me deixando… nervoso.
_Olha… Taylor… - Ela disse meu nome de forma comedida, como se dali há alguns minutos nós não tivéssemos que estar completamente entrosados em cena. – Se é você quem está nervoso, se é você quem está com medo, apenas… - Ela não concluiu a frase, apertou os lábios como se estivesse arrependida.
_ Apenas… - A incentivei continuar.
_ Eu não devia te dar dicas… mas, por incrível que pareça, você é o mais nervoso de todos os outros. – Ela disse assim que, pela décima vez, eu sequei minhas mãos suadas na roupa. – Olha, eu só vou dizer o que eu acho... o que eu faço pra me livrar do nervosismo, não é como se eu te desse nenhuma dica sobre o personagem... certo? 
                Ela piscou, um tanto cúmplice. Eu sorri, conivente.
_ Taylor, apenas deixe de ser você. A partir de agora, seja Axel, o Soberano.
                Eu a encarei por um momento. É, devia ser assim... talvez aquilo funcionasse... mas de repente eu não sabia mais como era ser Axel!
                Céus, eu estava perdido! Olhei pra saída considerando seriamente sair correndo dali.
_ Achas que é tão superior quanto o Grande Sétimo Sol? Não és! Você é apenas sombra pálida de Duncan! – Atrás de mim, a voz furiosa de Nádila me deu um susto, me arrancando dos meus pensamentos covardes ao recitar uma das falas.
                Quando voltei a encará-la, ela não era mais Nádila. Ela era Perpétua: a prisioneira kalena, a rebelde que estava prestes a morrer, se não convencesse Axel a ir para o seu lado.
                E foi incrível a metamorfose daquela mulher... até a pele, antes tão alva, estava corada, quase rubra, ela forçava as veias da garganta e me olhava com fúria e… esperança? Sim, esperança… Porque só ela sabia que o demoníaco filho de Duncan era a salvação de seu povo.
_ Tempo esgotado, se preparem para começar! – A porta se abriu e alguém entrou anunciando o início de tudo. Eu engoli em seco e larguei o script.  
                Olhei pra porta que o cara que nos alertou para o início da audição deixou aberta. Parecia a boca de um leão, prestes a me devorar.
                Apertei os olhos e conversei comigo mesmo: “Chega de covardia, você não é assim! Vamos lá!”
                E antes que eu pudesse pensar muito, eu estava andando para dentro.
“Não seja Taylor, seja Axel. Não seja Taylor, seja Axel…”  Este era o meu mantra. Eu entrei e nem olhei pros lados. Não me apresentei pra banca, não conferi se estava realmente na posição certa para ser filmado pela câmera principal… Eu só entrei.
                E eu ainda não me sentia Axel… eu me sentia Taylor. Meus olhos arderam e não era só nervoso, era raiva, raiva de mim mesmo. O Taylor rato, o Taylor covarde – que eu não conhecia até aquele momento – que dizia pra eu sair correndo dali antes que sujasse meu nome perante quem quer que fosse. Mas eu não ia fazer aquilo.
                Eu ia tentar. Mas o ódio de mim estava me atrapalhando. Me cegando. Fechei minhas mãos em punho, travei os dentes, meu olhar fixo para o foco de luz da câmera fazia meus olhos arderem mais, ao ponto de quase lacrimejar.
“Seja Axel…”  
_ Tragam a líder kalena. – Eu cuspi a primeira fala. Minha voz saiu quase gutural.
                Não tinha mais volta, eu ia fazer a maldita – ou bendita - cena. Parei de pensar… todos os planos milimetricamente calculados para cada atitude minha naquele momento deixou de existir. Eu não lembrava deles… eu simplesmente agia… minha cabeça perdida em algum lugar que eu não sabia definir.
Ouvi a pancada na porta, Nádila entrava, fingindo lutar contra soldados invisíveis. Escutei seus balbucios, ela já devia ter colocado a mordaça que sugeri que ela colocasse. Meus pés se moveram então, eu contornei uma coluna para chegar até Perpétua, ocultando propositalmente minha imagem da câmera por um tempo. Ao fazer isto eu me coloquei de frente para uma outra câmera, enquanto Nádila ficou de frente – ajoelhada – para a câmera central.
Me curvei lentamente e suguei o ar, como se cheirasse o corpo de Perpétua... mas na verdade Axel fazia aquilo só porque queria sentir o quanto de magia restava na perigosa prisioneira a sua frente. Na sinopse geral falava algo sobre isto.
Tentei me concentrar nas possíveis reações do personagem: muita magia… havia muita magia nela quando não era pra haver nada. Eu sorri… sim, eu me lembrava de como eu havia imaginado a cena. Mas não era pra eu sorrir... era?
Mordi a língua antes que eu praguejasse alto. E o ódio de mim mesmo voltou.
Talvez tenha sido rápido demais o meu movimento seguinte, porque senti que Nádila levou um susto quando eu me curvei e segurei os seus cabelos pela nuca, a puxando pra cima.
Não foi difícil puxá-la até mim, ela deu um impulso para me ajudar, mas ainda assim chiou de dor, um chiado muito parecido com o de uma gata. Logo que estávamos quase cara a cara ela voltou a amolecer as pernas, cambaleando, eu a sacudi pelos cabelos e ela voltou a chiar, talvez de verdade… Talvez tivesse doído mesmo, eu não tinha controle da minha força naquele momento.
_ Onde roubou esta magia? Como entrou nas criptas? – Perguntei perto de seus ouvidos, minha voz ainda um chiado gutural. Eu forçava para que assim fosse.
                Nádila me encarou… e só. Não fez nada além disso. Nada além de me encarar. O olhar dela me incomodou, parecia me alertar pra algo… eu estava esquecendo de algo?
                Quase deixei minha ansiedade desmontar a ‘mascara’ do personagem… e foi neste momento que eu me lembrei… Eu não era Axel.
                Eu não ia conseguir. Eu apertei os olhos, não sabia o que estava acontecendo comigo. Sobre minhas pálpebras cerradas, apenas em breves segundos, eu vi interrompendo a cena e me chamando de estúpido.
                Eu abri os olhos. Nádila continuava a me encarar… profunda demais, parecia carregar um poço de piedade no olhar e era o que eu veria nos olhos de todos depois que saísse destruído daquele teste.
                Soltei os cabelos de Nádila, ela se jogou no chão como se eu tivesse a jogado. Ela ainda insistia na cena. Eu olhei pra ela com raiva e ela me devolveu o olhar de ódio. Ela ainda continuava amordaçada e caída aos meus pés.
                Mas ela era a profissional excelente ali, não devia estar naquela posição, ainda insistindo que eu tomasse uma atitude… Eu me abaixei, as mãos trêmulas, e arranquei a mordaça dela com força demais. Ela exalou fortemente e cuspiu em mim. Sem a menor cerimônia ela fez aquilo… Cuspiu em mim!
                Eu não havia combinado aquilo com ela… eu havia combinado que ela me desse um tapa, um soco ou qualquer coisa assim.
_ Abutre… estúpido.  – Ela me xingou, enquanto eu limpava, completamente descrente, a saliva dela do meu rosto.
                Por que ela não parou? Ela não viu em meus olhos que eu estava desistindo?
Não. Ela continuava recitando com maestria as benditas falas. 
_ És tão estúpido…
_ O que fez? …  - Eu perguntei realmente abismado. Mas aquilo não fazia parte do script… não aquela fala. – Como ousa?  - Sim… isto estava no script.
                Nádila não disse nada… apenas sorriu. Um sorriso enviesado e sacana. Como se ela tivesse ganhando algo me deixando daquele jeito. E eu não a entendia… ela me provocava, me impactava e confundia exatamente… exatamente como Perpétua faria com Axel, desde o primeiro instante que se vissem!
                Eu, diante da Perpétua de Nádila, realmente me sentia como Axel se sentiria. Por isto, talvez, eu tenha visto uma vitória a mais no sorriso que Nádila tinha no rosto.
                Sim, ela havia percebido minha desistência, e sim, ela não havia desistido. E sem dizer uma palavra, ela havia acabado de me convencer que eu podia me sentir Axel.
_ Ouso como tu ousa ao invadir todas as nossas terras e escravizar meu povo… e roubar a nossa magia! – Ela continuou, afrontando Axel abertamente.
_ Quer morrer por minhas próprias mãos kelena? – Eu respondi, rindo, realmente me divertindo com toda aquela rebeldia. – Quer que eu lhe dê o maior sofrimento já visto…?? – Enquanto eu falava, eu fingia lhe chutar o estomago, até que ela se encolhesse tossindo. E Axel batia nela, porque no lugar onde estavam as magias eram bloqueadas. Tanto a dele quanto a dela. - Por isto me afronta abertamente? Quer mais dor? É por isto que afronta o filho do Soberano Duncan?
_ Duncan… - Nádila grasnou em meio a tosses convincentes. -…aquele velho demônio não é um Soberano!  Nunca foi e NEM SERÁ! – Ela gritou, como se sentisse dor ao fazer aquilo.
                Eu ri, gargalhei e despejei todo o meu nervosismo naquelas gargalhadas.
_ Mas vejam só! É uma jovem kalena louca! Só assim para defender um bando de miseráveis!
                Ela riu comigo, parecendo um tanto cansada.
 _ Acha que é tão superior quanto o Grande Sétimo Sol? Não é! Você é apenas sombra pálida de Duncan! – Ela voltou a dizer aquela frase que me desestabilizou lá fora. E ali, naquele momento, a frase teve o mesmo efeito. E então ela voltou a me olhar, aquele olhar de raiva e esperança… e eu podia ler aquilo claramente nos olhos dela.
                Eu fechei a expressão, senti a minha pulsação acelerar, estava chegando ao ápice da cena. Me permitindo caminhar lentamente pra perto dela, eu me ajoelhei. Senti minha garganta seca.
_ Não existe poder do Sétimo Sol, kalena estúpida. Aquela estrela há muito deixou de brilhar... É uma estrela morta.
                Minha voz saiu mais baixa do que eu pretendia.
_ Se você crê que é uma estrela morta, é porque Duncan te enganou. – Ela disse aquilo convencida, a respiração ainda alta, como se estivesse se esforçando muito para falar. Diante da frase eu voltei a gargalhar, de um jeito que me pareceu histérico demais. - Você sabe… - Nádila voltou a falar, ainda sussurrando. - Você sabe da profecia… o Sétimo Sol vai voltar. Nós vamos trazê-lo de volta! – Ela deslocou o seu corpo de forma suave, se arrastando pra perto de mim um pouco mais. – Nós vamos trazê-lo de volta!  - Repetiu.
                Nádila disse aquilo ainda sussurrando, seu rosto muito perto do meu. Realmente parecia uma serpente hipnotizando a presa. Ela voltou a me olhar, mas desta vez havia a sombra de um sorriso em seu rosto. 
_Nós… - Ela disse, uma vez mais. Eu fechei os olhos.
                “Ser Axel…” Entoei internamente meu mantra. Abri meus olhos: eu era Axel.
E eu estava tão perto dela… de Perpétua. Nádila a fazia muito bem… até onde eu sabia, Perpétua teria uma presença forte, como um campo magnético em volta de si… que puxava pra perto…
                Eu mantive meu olhar fixo nos olhos de Perpétua, no meu rosto um sorriso que era pra ser malvado, vacilava. Levantei minha mão direita em direção ao seu rosto. Engoli em seco, imaginando sentir ansiedade e prazer para fazer aquilo: tocá-la. Mas tudo ficou suave demais, não era pra ser assim. Ainda nervoso eu apertei os olhos e soltei um grunhido e a minha mão, que estava prestes a afagar o rosto de Nádila, a puxou pelos cabelos, curvando a cabeça dela para trás em um puxão.
                O olhar de fúria de Nádila se fez novamente, mais evidente desta vez, tanto que eu me mantive firme pra não esboçar nenhuma reação e recuar.
_ Jamais ouse repetir isto! – Murmurei com raiva em seu ouvido.
_ É a verdade! – Perpétua insistiu, seu olhar, apesar da cabeça curvada pra trás, ainda não deixava o meu. – Você sabe que a profecia é verdadeira… você sabe!
                Soltei seus cabelos e a agarrei pelos ombros.
_ Não existe profecia! É uma mentira… uma mentira! Você será punida por espalhar esta mentira, por se levantar contra aos que deve beijar os pés! – Na verdade, eu queria gritar, mas ainda havia algo que travava minha garganta.
_ É verdade!
_ Não! - Eu a soltei, me levantei, e me preparei para apanhar a lança que havia no cenário. Matar! Axel só queria matar aquele que chegasse perto da vergonhosa verdade!
­­                Eu me virei contra ela, com a lança falsa em punho, levantei ao ar enquanto Nádila recuava. Mas meus braços tremiam.  
_ Não pode me matar! -  Nádila gritou, assustada.

Eu investi para frente… queria que tudo terminasse logo, aquilo estava me agoniando.
_ EU SEI DA MARCA! – Ela gritou, quando eu já estava muito perto.
                Eu deixei a suposta lança cair. Não sabia como agir diante daquilo… talvez porque eu tivesse permitido que o grito de Nádila me atingisse demais. Eu sabia que eu não poderia parecer fraco, eu não deveria ser fraco. Eu era Axel!
                Mas ainda assim, minha voz escapou em um chiado.
_ O que… diz?
                Sem tirar os olhos de mim, Nádila fingiu rasgar ainda mais o vestido puído que vestia, mostrando a parte superior das coxas. Meus olhos se voltaram para o local, e eu me permiti encarar, olhando a coxa direita de Nádila como se ali realmente estivesse o sinal da minha destruição. Olhei para a perna dela como se ali estivesse gravado o grande “não” que eu levaria naquela audição, olhei para aquele pedaço de pele, como se ali estivesse tatuado o sinal da minha derrocada.
                Eu ainda tentei levar as minhas mãos para perto de Nádila, ela dizia algo, mas eu não prestava a atenção, absorto demais em meu nervosismo e com a vontade de ainda assim continuar, ainda assim seguir com os meus planos.
_ … a profecia existe… eu sou a prova dela! – Pedaços da frase de Nádila entraram no topor que era meu ouvido. Eu a olhei, com dúvida sobre o que deveria fazer, minhas mãos ainda estendidas no ar em direção a sua perna, onde estaria a marca em que ela e Axel compartilhavam.
                Nádila, ou Perpétua – eu já estava em um ponto que confundia as duas – rastejou em minha direção, prendendo os olhos nos meus. Naquele momento não havia mais raiva, somente um brilho claro que poderíamos ler como esperança.
_ Você só precisa aceitar. – Ela murmurou, suave, sutil. Axel deveria sentir notável atração pela mulher que estava entrelaçada a ele pelo destino, uma mulher que, fatalmente, fazia parte dele… uma parte que ele não conhecia. Talvez fosse esta atração que estragou meus planos e me fez seguir para mais perto daquela Perpétua, hipnotizado com seu olhar e…
_ Aceite e eu te tiro das trevas!
                Ela bradou… eu me lembrava que a próxima frase que Axel diria era um corte abrupto. Havia um percurso enorme entre as duas falas, mas não havia nenhuma dica no script da cena. Eu não sabia que reação Axel deveria ter para dizer o que diria a seguir… em casa eu pensei em várias: descrença, ódio, ironia… mas, naquele momento, talvez influenciado por meus próprios sentimentos, nenhuma daquelas reações pareciam adequadas.
                Então, quando eu voltei a encarar Nádila, tudo o que eu deixei fluir foi o meu medo. Meu medo do futuro. Talvez eu tivesse dado vazão demais a isto, Axel ainda era poderoso, não podia sentir tanto medo das palavras de uma mulher. Tentei camuflar o medo com raiva, mas parecia que não estava certo. Virei às costas para as câmeras e despejei a ultima fala.
_ Matem-na!
                Depois sai, fui direto pela mesma porta onde tinha entrado, saindo em tal mal estado quanto quando eu tinha entrado naquele lugar.
Não olhei pra trás, não pensei em voltar para agradecer Nádila por ser tão brilhante, não voltei para olhar no rosto daqueles que me avaliavam por detrás das câmeras.  
                Não, nada disto! Às pressas eu voltei para o camarim onde estavam minhas roupas. Por graças, estava tudo vazio. Entrei, arranquei a roupa que haviam me feito vestir, coloquei a minha e voltei a sair. Não me dei ao trabalho nem de tirar a maquiagem, que já devia estar em péssimo estado devido a minha transpiração.
                Só no meio do caminho encontrei Julia, que me encarou com um olhar assustado.
_ O que você tem? – Ela me perguntou, enquanto me avaliava.
                Desviei meus olhos dos dela e apenas disse:
_ Me tire daqui!

***************
POV
                 Eu tamborilava os dedos no braço da cadeira enquanto esperava a ultima audição começar. Me sentia mais impaciente, isto devia ser porque eu já havia ficado tempo demais sentada naquela cadeira nos últimos três dias. Não estava mais suportando assistir a mesma cena. Esgotada eu achava que tudo estava muito ruim, e não era só das interpretações que eu falava, mas sim das falas que eu mesma escrevi.
                Tudo um saco! Ansiava para que aquilo terminasse, mas já estava sem esperança de encontrar uma interpretação impressionante. Já estava conformada com o fato de que teríamos que praticamente construir um Axel perfeito com nossas próprias mãos.
_ Quanto tempo eles ainda tem? – Perguntei para Jack.
_ Só mais cinco minutos … - Eu acenei concordando e voltei a enfiar minha cabeça nas anotações que havia feito dos testes anteriores. Dos quatro atores, nós já havíamos riscado dois nomes, que realmente não tinham entendido a proposta.
                Os cinco minutos se arrastaram até que Jack finalmente se levantasse pra pedir que os atores começassem. Meus olhos permaneceram fixos nas minhas anotações, enquanto eu esperava algum movimento que me indicasse que eles estavam se posicionando.
                Escutei passos apressados… depois silêncio. Olhei pra cima e senti um certo impacto ao dar de cara com Lautner me encarando furioso. Demorei segundos pra perceber que ele não me encarava, até porque havia um foco de luz bem na minha frente, o que com certeza ocultava minha presença para ele.
                Olhei pra Chris, que tinha se inclinado para frente e olhava atento do monitor, para o ator parado a nossa frente. Tinha começado. Lautner simplesmente havia começado sem  nenhuma pergunta ou apresentação. Voltei meus olhos pra ele, desta vez apenas avaliando cada traço de sua expressão. E ele não dizia a primeira fala nunca!
                Mas havia algo ali, nos olhos dele, que me chamou a atenção… Havia raiva e medo, o que me remeteu imediatamente a cena que teríamos anterior a esta, em que Axel brigava com seu pai e tinha mais um indício que ele lhe mentia sobre a suposta profecia que lhe atormentava.
                Mas não… era impossível que Taylor soubesse da cena anterior, muito menos que reagisse da exata forma como eu esperava que Axel reagisse ao sair da briga com o pai. Olhei de novo para o seu rosto, estreitando os olhos, e percebi que aquilo era outra coisa…
                Me inclinei em direção a Chris e murmurei o mais baixo que pude.
_ Muito nervoso…
                Chris sorriu, abanou a cabeça e me respondeu no mesmo tom.
_ Pode não ser tão ruim. Espere. – Ele me alertou.
                A primeira fala veio, Taylor finalmente a despejou. E foi exatamente assim: um despejo nervoso. Me incomodei com aquilo… um nervosismo de amador, mas que ainda assim, não era capaz de fazer da coisa toda algo ruim.
                Nádila então entrou. E havia algo diferente nela. Eu imaginava que ela, mais do que qualquer um de nós, tivesse seu pior rendimento naquele ultimo teste, devido aos tantos outros que ela teve que fazer. Mas havia algo a mais, uma disposição a mais nela.
                Ele estava amordaçada e, mais do que nunca, parecia ter encarnado a personagem. Eu sorri, ela realmente foi uma boa escolha. Ela se jogou ajoelhada bem atrás de Taylor, parte do corpo dele cobriu minha visão dela. Mas foi ela cair no chão (ou se jogar), que ele se moveu.
                Observei ele mudar as posições atentamente, e a decisão dele pareceu acertada ao deixar a câmera central com foco em Nádila. Só achei que ele poderia ter ficado atrás dela, também de frente para a câmera principal, mas ele ficou de lado, com a câmera lateral. Não era de todo ruim, mas poderia ser melhor. Encarei os monitores, ficou até bom o jogo de imagens, daria pra fazer uma edição satisfatória com os dois ângulos. Mas se ele estivesse de lado para a câmera da direita talvez…
                Parei de pensar em coisas técnicas quando Taylor se inclinou para cheirar? Isto, farejar o corpo de Nádila.
Ohhh..... mostrava que ele tinha tentado conciliar informações da sinopse geral com a cena em si. Espertinho.
                Então ele sorriu, quase imperceptível movimento de lábios, mas casou com o exato momento em que Nádila fechou os olhos com certa expressão de prazer. Ele voltou a montar uma falsa máscara de raiva, ao ponto que Nádila estatelou os olhos abertos, recebendo quase imediatamente um puxão vigoroso na raiz dos cabelos que a fez saltar para cima, corpo quase colado com o de Taylor.
                Descruzei e cruzei as pernas e só então percebi que estava tão inclinada para frente quanto Chris. Refiz minha postura. Taylor falou as frases novamente. Ele havia mudado o timbre de voz, me pareceu muito forçado, mas no fundo a intenção poderia ser útil.           
                Mas novamente houve uma interação mútua entre ele e Nádila. Os olhares dos dois ficaram presos por bons instantes, naquele momento, a posição das câmeras não me permitiu ver muito bem o rosto de Nádila, mas deu-me uma visão em cheia de Lautner. Novamente percebi claramente o nervosismo latente nele, tanto que me incomodava, desregulando um pouco da minha pulsação. Ele fechou os olhos e naquele momento jurei que ele iria perder o controle. Suas mãos soltaram Nádila, ela caiu no chão, e a troca de olhares permaneceu.
                Havia o nervosismo, mas havia mais do que isto. Havia uma sintonia perfeita de Nádila para ele, ela parecia se comunicar muito bem com ele, só com olhar, coisa que não tinha feito com nenhum dos outros. Creio até que não houve oportunidade pra isto.
                Nesta troca de olhares ele ficou furioso, arrancando, com novo movimento impulsivo demais, a mordaça de Nádila. E então ela cuspiu nele, me causando outro impacto. Eles haviam combinado aquilo?
                Do meu lado Chris soltou um riso abafado. Talvez porque ele tivesse percebido o mesmo que eu em relação a Nádila. Mas ainda assim, ela não poderia sustentar tudo sozinha. Não se Taylor desistisse…
                Porém ele continuou… teimando. Eu via que ele estava a um passo da desistência em alguns momentos, ele conseguia disfarçar bem, mas não para mim. Eu podia ser muito mais sensitiva para ser enganada pela superfície. Ele reagiu incrédulo com a atitude de Nádila, e aquela incredulidade encaixou bem na sequência.    
                A interpretação continuou e eu tive certeza de algo: Nádila nunca foi tão perfeita como Perpétua quanto naquela manhã. O nervosismo de Taylor jamais passou despercebido por mim, mas foi impossível negar que ele interagia muito bem com Nádila, o que fez com que o ápice da cena fosse algo… que eu não soube muito bem como categorizar.
                Havia uma sintonia perfeita e eu não tinha certeza, em certos momentos, se ele enxergava ou tinha consciência de algo a mais a não ser Nádila. Como quando ele quase afagou seu rosto, quando permitiu que uma ternura que não era para estar ali, tomasse conta do personagem. Neste momento, a resposta corporal de Nádila a qualquer coisa que ele fazia era magistral. Eu podia ler a crença da conquista nos olhos dela.
E naquele momento, o nervosismo do Taylor, como antes Chris havia dito, foi bom, quando o fez ter, mais uma vez, um ato impulsivo e romper bruscamente o breve momento de ternura.
                Aquilo tinha sido bom, quase comparável ao que o outro ator que eu havia gostado foi capaz de fazer… Mas o que aconteceu a seguir foi o que realmente marcou a cena. Foi o momento em que pude ter certeza do sim ou do não.
                Foi no breve momento em que Taylor permaneceu estático, encarando a perna de Nádila, foi no breve momento antes dele dizer a ultima frase e sair abruptamente do estúdio, deixando Nádila lá, ao relento. A saída dele me pareceu de muito mau tom, aliás. Mas foi ali que tomei minha decisão.  
                O teste acabou, eu me encostei melhor na cadeira e encarei Chris, ele viu certeza em meus olhos, e balançou a cabeça.
                Nádila ia se levantar, aparentemente para correr atrás de Taylor, mas Chris a chamou para permanecer no estúdio, impedindo-a de sair. O que foi muito bom… afinal, ela não tinha razão de correr atrás dele!

_ Vamos decidir agora Nádila. Fique. – Ele disse. 


 Capítulo 8


POV

                Nádila ainda olhou para porta onde Lautner havia saído com uma ruga na testa. Mas logo depois caminhou em nossa direção, muito tranquilamente. Já acostumada, ela se sentou em uma cadeira entre eu, Chris e Collin, o diretor assistente. Houve uma breve troca de olhares entre ela e Jack, o principal responsável por termos a conhecido. Como sempre ela ruborizou sutilmente ao encará-lo.
_ Muito bem Nádila. Pode respirar aliviada. Acabamos esta etapa. – Collin disse disse, enquanto se levantava e se alongava.
_ Algo me diz que esta foi a etapa mais fácil. – Ela disse, sorrindo.
_ Pode ter certeza que sim. – Eu disse. – Mas bem, o que você tem a nos dizer sobre ele? – Perguntei logo, não queria enrolações.
                Ela se voltou pra mim, ainda sorrindo.
_ Bom. Quer dizer, ele estava nervoso e tal… mas achei que ele teve boas ideias para a cena.
_ É mesmo? – Eu disse, quase não conseguindo disfarçar um cinismo em minha voz. – Como a ideia de te amordaçar? Realmente, muito… teatral.
                Nádila desmanchou o sorriso, me encarando avaliadora. Sustentei o olhar.
_ Eu realmente gostei do momento em que você o agrediu cuspindo nele. Uma grande afronta. Mas acontece que me pareceu que aquilo foi ideia sua, Nádila. – Chris rebateu, a encarando também. Nádila se virou para ele…
_ Bom… não foi uma ideia, ideia… – Ela disse, voz trêmula.   – Eu agi por impulso.
_ Um impulso que ajudou bastante, diga-se de passagem. Um impulso que provocou nele exatamente aquilo que comentava com você outro dia: espanto e descrença diante de uma afronta. Eu acho que este impulso foi muito bem pensado Nádila. – Disse tudo a ela, enquanto ela permanecia me encarando. – Aliás, nós pudemos perceber bem o quanto você se dedicou neste teste, em particular.  
_ O que quer dizer? – Ela perguntou, sem desviar os olhos. Para alguém que ruborizava facilmente, ela conseguia me enfrentar muito bem.
_ O combinado era que o ator agisse independentemente Nádila. Sem interferência e nem ajudas. Você cumpriu a tabela muito bem nos outros testes, tanto que pudemos ver a tomada de decisões de cada ator durante eles. Mas não foi este o caso. Você ajudou bastante, embora de forma sutil. No entanto, eu fui altamente treinada para perceber coisas sutis.
                Afrontei Nádila abertamente, a colocando contra parede. Tanto eu quanto Chris, ou Collin, percebemos que ela havia, claramente, elegido Lautner como seu predileto.
_ Eu não diria que o ajudei… isto é desconsiderar o que ele fez. E sim, ele realmente fez coisas … admita. - Nádila maneou o tom de voz, parecia tão suave como algodão quando ela me disse aquilo. – Eu prefiro dizer que com ele, mais do que com os outros, me senti mais aberta para interagir. Ele me oportunizou isto melhor do que os outros, aliás. – Eu percebia a certeza em cada palavra que ela dizia.
                Algo em Nádila se assemelhava muito a mim mesma. Exceto o fato de ela tentar ser sempre mais sutil.
_ Você gostou de contracenar com ele… é isto? – Chris perguntou. Era quase uma pergunta retórica, pois estava óbvia a resposta.
_ Isto. – Ela disse, calmamente. Mas apesar disto, eu novamente distingui muito bem a determinação de Nádila ao deixar claro sua predileção.
_ Muito bem… mas você certamente sabe que a decisão final compete a muitas coisas mais além dos seus gostos e caprichos. Não entende? – Também deixei claro a posição dela ali.
Ninguém estava ali para seguir ordens de atores, tampouco se submeter a ataques de estrelismos, como se eles fossem o centro de tudo. Talvez, poderíamos deixar que a mídia e consequentemente os fãs entendessem assim, mas aquela não seria a realidade.
Nádila permaneceu com expressão inalterada, mas eu sabia, eu sentia, que a havia incomodado profundamente com aquele comentário.
_ Eu sei. Na verdade eu acredito que aqui não é lugar para gostos ou caprichos… de ninguém. – Ela enfatizou o “ninguém” olhando diretamente em meus olhos. Eu sorri, aquilo foi pra mim. Talvez ela pudesse reformular a frase e dizer abertamente: “aqui não é lugar nem para os meus caprichos e muito menos para os seus, ”. – Mas eu também sei que minha opinião não é carta fora do baralho, do contrário vocês não me chamariam pra conversas como estas após cada teste. Assim como vocês devem saber e ver, meus gostos e caprichos podem influenciar no resultado final.
                E ali ela virou a mesa. Eu ergui as sobrancelhas para ela, um sorriso debochado aflorando em meu rosto. Então aquela era a força de Nádila Krow? Chris soltou um assobio baixo diante do claro enfrentamento dela para comigo, coisa que nem mesmo ele havia feito até então.
                E ela fez aquilo só pra deixar claro que a predileção dela por Lautner iria influenciar em sua atuação? Era isto? Ela queria deixar o peso do seu voto ali?
                Estreitei os olhos. Sim, era isto.
_ Muito bem, vamos considerar isto Nádila. Pode ir agora. – Chris anunciou, fazendo com que ela se levantasse quase imediatamente.
_ Também vamos considerar ainda mais, Nádila, sua capacidade de ser profissional e excepcional com as condições de trabalho que lhe forem oferecidas e com os parceiros que estiverem a disposição. Independente de gostos ou caprichos. Não se esqueça disto. – Eu disse antes dela sair.
                Nádila se voltou para mim e sorriu, parecendo divertir-se com algo. Talvez por saber que, certamente, eu não iria permitir que a última palavra fosse a dela. Ela não me respondeu, simplesmente se virou e seguiu seu caminho.
                Eu me voltei para as minhas anotações, passando os olhos por cima de todos os meus rabiscos de avaliação.
_ Okay, okay. Falta agora decidir quem será o tal, meus caros. – Chris novamente se fez ouvir, desta vez envolvendo o resto do pessoal que assistia os testes com a gente e que, durante a nossa conversa com Nádila, não se intrometeram.
_ Falamos dos pontos positivos e negativos de cada ator por vez? Podemos fazer na ordem que se realizou o teste? – Jack, nosso preparador de elenco, perguntou.
                Eu fiz uma careta, pra mim aquilo tudo era enrolação. Já estava cansada daquilo. Rapidamente rabisquei um nome em caneta vermelha, em cima de todas as minhas anotações, com letras enormes. Sublinhei o nome com raiva, causando um ruído nervoso no papel que não passou despercebido pelos outros. Emma me encarou com a sobrancelha erguida.
                Dei, quase jogando, o papel para Chris.
_ Esta é minha opinião. Decidam como quiser. – Enquanto eu juntava minhas coisas para sair, eu vi, pela minha visão lateral, Chris ler o nome e sorrir, balançando a cabeça.
                Não dei muita atenção.
_ Quando você marcar a reunião de elenco, depois de definir o candidato, me avise. To precisando de descanso por um tempinho. Mas acho bom que faça isto logo… temos prazos. – Falei baixinho para Chris antes de ir.
                Ele se empertigou todo e bateu continência pra mim, fazendo todos rirem. Eu bufei alto e finalmente saí dali. Tudo o que eu precisava naquele momento era de… um pote de sorvete de chocolate!
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                Dois dias foi o tempo que Chris levou para finalmente marcar a reunião de elenco e me chamar. Eu dirigia pelo centro de Los Angeles tranquilamente, a caminho do Studio, ouvindo minha mãe tagarelar no viva-voz do meu celular.
_ … e o seu pai simplesmente não entende que eu preciso fazer esta reforma na escola! As salas de balé, principalmente, eu tenho que trocar todo o piso, aquele chão está em péssimas condições, como os alunos não sofreram algum acidente eu não sei! Só por um milagre.
_ Mãe, você sabe como o pai é. Ele é regulado com os gastos… e se não fosse por isto, você já teria fechado a escola de artes faz tempo. É só entrarem em um acordo com esta coisa toda, deixe ele regular os gastos da reforma, ele vai ficar mais tranquilo assim. – Eu falei a esmo, tentando mostrar o óbvio para minha mãe e prestar a atenção no sinal ao mesmo tempo.
_ O que? Seu pai vai ficar me podando em tudo se ele ficar a frente dos gastos! – Ela chiou, teimosa.
                Eu rolei os olhos.
_ Mãe, você sabe que às vezes, na maior parte delas, te podar é a melhor atitude a se fazer.
_ ! Como me diz isto garota?! Mas o que eu estou falando com você?! Você e seu pai sempre se juntam contra mim!
_ Sua teimosia às vezes levam as coisas por água abaixo dona Amanda, sabe disto.
_ Olha quem fala! Você é igualsinha a mim então! Você é até mais teimosa e intransigente do que eu… - Ela deu uma pausa, suspirando. - Agora me diz, anda menos estressada?
                Eu fiz uma careta quando minha mãe mudou o foco da conversa para mim. Se eu deixasse ela ia vir de novo com todo aquele papo de que eu ainda estava presa ao luto e que precisava viver, ela não ia parar mais. 
_ Estou perfeitamente “zen”. Mas agora é hora de dar tchau, to chegando no trabalho, mãe.
_ Não, não, não! Nem falamos direito! Prometa que vai me ligar! – Ela ordenou, enquanto eu estacionava o carro.
_ Sim, mãe, quando der eu ligo.
_ Hoje a noite! – Ela disse categórica.
_ Vou ver…
_ ! Você não conversa comigo e nem me ligar quer… onde já se viu?
_ Beijo mãe, tchau! – Desliguei o celular, tirando o fone do ouvido, antes que minha mãe me irritasse logo de manhã.  
                Saltei do carro e sorri ao dar de cara com Mateo me esperando. Ele havia chegado de viagem ontem e ainda não tínhamos nos visto.
_ Hey, deusa!!! Saudades desta mulher po-de-ro-sa!! – Ele disse, com todos os jeitos de uma bicha afetada - coisa que ele não era - só porque sabia que me irritava assim.
_ Menos Mateo… bem menos!
                Ele me agarrou, tirando meus pés do chão, me fazendo rugir e socá-lo logo que ele voltou a me por no chão.
_ Idiota como sempre!
_ E você, amorosa como sempre. – Ele respondeu, enquanto seguia meus passos apressados para a sala onde a reunião estava marcada.
                Eu fiz uma careta pra ele antes de abrir a porta impetuosamente e entrar na sala, seguindo a passos firmes em direção ao lugar onde meus colegas de equipe estavam. Assim que eu cheguei percebi o burburinho de vozes diminuir drasticamente.
_ Nem fala bom dia… - Ouvi alguém resmungar. Respirei fundo para deixar aquilo passar. Eu estava ali pra trabalhar, não pra ser simpática.
_ Que bom que chegou, . Chris avisou que vai se atrasar, está com problemas... bem, uns problemas sérios.
_ Algo a ver com Collin? – Perguntei, em um sussurro. Ultimamente Chris e seu diretor assistente vinham tenho sérias discussões a respeito de ideias. Muitas vezes o ambiente não ficava nada agradável com tudo aqui.
_ Bem, parece que sim. Mas, enfim… - Jack deu de ombros. - Você pode ir tocando a reunião? – Ele perguntou. Acenei afirmando que sim e logo ergui a voz. Eu sabia a pauta daquela reunião de cor, e boa parte do que seria discutido dizia eu poderia levar numa boa.
_ Se sentem e se silenciem senhores. Vamos começar sem o Chris.
                Silenciosos todos já estavam, só esperei que eles se acomodassem pelas cadeiras dispostas pela grande sala. Olhei para cada rosto ali, estavam quase todos da equipe técnica e todos os atores. Ou seja, tinha muita gente. Todos, inclusive o casal principal: Nadila Krow e… Taylor Lautner. 
                É, tinha sido ele o eleito. Foi o nome dele que eu rabisquei naquele papel que entreguei para Chris há dois dias atrás. Eu o encarei por um breve momento, ele acenou a cabeça em um comprimento mudo e sorriu. Desviei os olhos dele imediatamente. Por que ele sorriu pra mim, aliás? Achou que eu escolhi o nome dele por que motivo?
                Sacudi a cabeça discretamente, para voltar ao meu foco.
_ Primeiramente, em nome do Chris e de todos os produtores, eu gostaria de dar às boas vindas a todos nesta empreitada. Todos nós esperamos que juntos possamos fazer um trabalho excelente… e nada menos que isto. – Eu disse tudo àquilo sem sorrisos, mas com uma voz mais branda. Todos riram quando terminei a frase… eu não. Na verdade, nem sei porquê riram.
                 Eu continuei encarando todos com a expressão séria, talvez um pouco impaciente pela interrupção de risos sem sentido, mas logo todos se acalmaram, as expressões novamente centradas. Respirei fundo e prossegui com o discurso.

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POV Taylor
                Eu ainda não acreditava que estava ali, que havia passado naquele teste que, pra mim, havia sido um fiasco. Mas eu estava sonhando. Me lembrava bem de quando Julie esmurrou a porta do meu apartamento, um dia antes, me xingando por não atender o telefone ou responder seus recados.
_ Inferno homem! Tire esta cara de enterro e se mexa! Temos um contrato pra assinar agora!
                E foi assim, bem sutilmente, que eu recebi a notícia que havia passado no teste. Eu confesso que até agora, não sabia calcular muito bem o que me fez ganhar o papel. Quando Julie me contou e depois, quando assinei o contrato, eu estava em um estágio meio letárgico.
                Mas eu realmente estava ali, tendo a incumbência de interpretar um dos mais difíceis personagens da minha vida. Não era algo fácil. Foi só quando eu entrei naquela sala de reunião, me deparando com Russel Crow, Jason Momoa, Diane Kruger, Sally Field, Day-Lewis.... Foi somente ali que eu senti o impacto do que iria fazer. Havia tantas estatuetas de Oscar nas mãos de boa parte daquele elenco, que eu tinha dúvida se poderia contá-las usando somente com os dedos das mãos.
                De uma forma completamente estranha, me senti amador, como se aquele fosse, na verdade, o meu primeiro filme. E talvez, de certa forma, aquele seria meu primeiro trabalho.
Assim que cheguei no estúdio a adrenalina começou a correr pelas minhas veias imediatamente, mas, inacreditavelmente, eu não me sentia nervoso como estive no dia do teste. Eu estava na verdade… extasiado? Não sei se esta seria a melhor palavra.  
                Antes que o diretor chegasse e a reunião começasse, propriamente dizendo, o elenco foi sendo apresentado uns aos outros pelo nosso preparador, Jack Low. É claro, eu já conhecia boa parte deles, mas não era intimo de nenhum, a pra meu completo desalento, eu nunca tinha trabalhado com ninguém ali.
_ Então vocês serão o casal principal? Terão uma missão e tanto, até onde li do roteiro. – Momoa disse, se voltando para mim e Nádila.
_ Pois é… eu tive um gostinho da dificuldade durante os testes. Realmente é um personagem um tanto complexo. – Eu disse, sorrindo.
_ Testes… até agora não entendo porque eles fizeram testes com atores que já tinham um considerável currículo de atuação. Por que simplesmente não escolheram?
                Dei de ombros diante da pergunta de Sally Field, que no filme faria a mãe da personagem principal, Perpétua.
_ Bom pessoal, não é tão simples assim. Não sei se vocês perceberam, mas a sinopse pode parecer carregada de clichês, mas é só avaliar o roteiro pra perceber que tudo aqui é explorado ao máximo. – Jack tentava nos explicar. – Nós precisávamos ter algumas certezas em relação aos personagens principais, porque o peso da história está sobre eles… o diferencial de tudo estará na atuação deles… então…
_ Resumindo: eles vão arrancar o coro de vocês dois! – Russel disse, soltando uma gargalhada grave logo depois.
                Nadila fez uma expressão de absoluto terror, para logo em seguida sorrir sutilmente. Eu balancei a cabeça.
_ É, estamos ferrados. – Eu disse, inacreditavelmente contente com toda aquela responsabilidade jogada sobre meus ombros.
_ Ferrados… - Momoa disse com deboche. – Vocês estão fudi…
                Mas antes que Jason pudesse terminar sua frase delicada, a porta principal se abriu em um quase estrondo, uma morena séria entrou pisando duro, seu salto (nem tão alto), quase perfurava o chão.
_ Me digam, vocês que já conhecem um pouco mais o pessoal… esta daí é a dona da história? – Russel perguntou, os olhos grudados em .
_ Sim. A roteirista. – Nádila murmurou.
                Jack desapareceu do nosso lado e correu para ela. A equipe técnica, que parecia relaxada e contando piadas enquanto a reunião não começava, silenciou rapidamente, alguns fazendo caretas. E contra toda a minha vontade, senti um arrepio dolorido na espinha quando olhei diretamente pra ela.
                Jack sussurrou algo para ela e recebeu uma resposta que pareceu curta. Logo em seguida ela arrastou uma cadeira na frente de todos, no ponto mais alto do grande salão e anunciou o início da reunião. As pessoas, inclusive eu e meus colegas de elenco, fomos nos sentando calmamente, todos os olhos grudados nela, que discursava como se fosse dona de tudo e não somente da história. Parecia agir como se o filme fosse dela e representava muito bem este papel. Com um alto grau de pedância, eu diria.  
                Por um breve momento ela me olhou nos olhos, a cumprimentei com um aceno mudo e não fui respondido. Muito pelo contrário: ela virou o rosto para o outro lado de forma brusca, claramente me ignorando. Franzi o cenho, o princípio de uma irritação nascendo dentro de mim. Porra! Quem aquela mulher pensava que era pra agir assim?
                Era louca. Como se pudesse – talvez pudesse, intimidar todo mundo. Ela começou a explicar a pauta da reunião, dizendo que seria longa, com duas grandes partes e um intervalo de meia hora.
_ Ela chama isto de recepção? Vai nos matar nesta reunião! – Day-Lewis resmungou ao meu lado esquerdo.
_ Só pra dar um gostinho do que vai ser o restante do filme. – Momoa respondeu, se curvando um pouco sobre Nadila e eu pra sussurrar para Lewis. – Ela parece ser boa, mas parece que tem excesso de hormônio acumulado… por Deus, Nadila, você que está há mais tempo com ela, diz que isto é TPM ou algo assim.
                Nadila sorriu enviesado.
_ Antes fosse. – Respondeu.
_ Tenho a impressão de que ela é louca. – Murmurei também. Talvez fosse a parte ruim daquele filme.
_ … inclusive os atores. – Ouvimos a voz de se sobressair de repente. Viramos as cabeças pra ela, quase que imediatamente. Ela nos encarava, os olhos verdes cintilando. – Alguma dúvida? – Ela perguntou, diretamente pra nós, que por um momento, só por um momento, nos distraímos da sua fala. Como o salão estava muito silencioso, nossa conversa baixa não passou despercebida.
                Como atores experientes que éramos, ninguém fez cara de espanto ou nervosismo… ou qualquer outro sentimento. Jason mantinha a expressão neutra assim como todos os outros.
_ Sim, alguns de nós temos algumas dúvidas sim. – Nádila foi rápida na resposta.
_ Quais seriam? – perguntou, elevando as sobrancelhas.
_ Na verdade, alguns de nós ainda não lhe conhecem, então estavam apenas tentando esclarecer esta dúvida. – Nádila disse aquilo de forma calma, quase tímida, mas os olhos dela estavam grudados nos de , que haviam se tornado fendas. Com todo o seu jeito meigo, Nádila havia pego uma gafe da toda-poderosa-roteirista.              
Ela simplesmente chegou botando banca, parecendo se esquecer que não era tão conhecida no mundo do cinema e não tinha tido contato com a maior parte do elenco. Pareceu também, que com aquilo, Nádila sutilmente a lembrou que ela devia descer um pouco do seu pedestal.
Eu tentei evitar sorrir, mas não pude evitar de olhar Nádila pelo canto do olho. Eu, definitivamente, tinha um motivo a mais para admirá-la.
_ É verdade! Acabei me esquecendo deste detalhe. Que falta a minha. – Ela respondeu, com um sorriso, mas com os olhos ainda postos em Nádila. – Pois bem, pra quem ainda não me conhece, eu sou . Sou roteirista e criadora do enredo. Eu…
                Mas antes que ela pudesse terminar, uma nova entrada tempestiva a interrompeu. Dessa vez com o próprio diretor, Christopher Nolan.
_ Ela é também a nova diretora assistente. – Ele entrou assim, com esta notícia que fez toda a equipe e a própria o encarar espantados. Chris parecia visivelmente alterado, o rosto vermelho. Sem mais nenhuma palavra ele se sentou ao lado da mais nova diretora assistente que ainda o encarava boquiaberta. – Pode continuar, .
                Ele disse, com um gesto impaciente das mãos. Ela ficou um momento sem fala, abrindo e fechando a boca pensando no que responder. Só depois de um tempo conseguiu recuperar o fôlego e voltar a sua atenção para nós.
_ Bom, parece que ainda estamos definindo alguns postos, mas nada que atrase ou atrapalhe o resultado final, eu garanto. – Ela voltou olhar na direção onde o elenco estava sentado. – Acredito que não faltarão oportunidades pra nos apresentarmos melhor, mas por enquanto iremos focar a reunião em… outros aspectos. E nos concentrar nisto.
                Ela sorriu, quase afável.
                Ok, talvez ela fosse bipolar. Ou então emoções fortes a deixassem mais maleável. Mas logo ela recuperou o controle, voltando a discursar como antes, só que desta vez Chris dividia as falas com ela. Nos falaram sobre os prazos, os planos de filmagens, as expectativas da Warner Bros. Ainda antes do intervalo fomos apresentados ao restante da equipe técnica e só depois fomos liberados.
                Havia um elegante e delicioso coffe break a nossa espera quando saímos da sala. Todos nós do elenco ficamos em uma sala, enquanto o restante da equipe foi para outro lugar. Quando já estávamos bem a vontade, e Chris se juntaram a nós. O clima mudou. tinha uma expressão tensa e Chris ainda parecia um pouco nervoso.
_ Então esta é a nossa equipe rumo ao Oscar? – Chris nos disse, ostentando um sorriso nervoso. 
_ Vamos trabalhar duro pra isto! – Jason respondeu, erguendo a taça de champagne na direção de Chris.
                apenas deu um sorriso cordato, ficando a margem da conversa, logo agarrando uma taça de champagne pra si.
_ Contamos com isto. – Ele suspirou. - Nos perdoem a confusão no início da reunião… houve alguns problemas técnicos. – Chris continuou a nos explicar, penteando os cabelos com os dedos. – Mas gostaria que soubessem que é uma honra ter cada um de vocês aqui. Com alguns de vocês eu já trabalhei. – Ele sorriu para Lewis e Sally. – Mas tenho boas expectativas em relação a todos vocês, e já tive a oportunidade de conhecer pelo menos um pouco das características de cada um.
                E foi ali que Chris acabou por fazer a devida recepção, com os desejos de bom início de trabalho e tudo mais.
A primeira interação minha com o elenco já foi boa. Depois de pouco tempo, eu e Jason engatamos em uma conversa empolgada sobre nossas experiências antigas e os planos para os nossos personagens, que seriam pai e filho. Acabei me intertendo na conversa e só depois de um bom tempo fui perceber minha fome e ir comer algo.
                Tarde demais… foi eu colocar um croquete na boca que anunciaram que a reunião ia recomeçar. Bufei alto, me perguntando se pegaria mal eu levar alguns salgados pra comer lá dentro. Estava nesta dúvida cruel quando uma voz um tanto sarcástica se dirigiu a mim.
_ Ainda não tive a oportunidade de te parabenizar pela conquista.
                Me virei lentamente na direção de , ainda mastigando o maldito croquete. Engoli o bolo de massa, que passou raspando pelo meu esôfago.
_ Obrigado. – Disse, ainda engasgado.
_ Imagine. Foi o seu dia… - Ela sorriu. – Teve sorte.
_ Sorte? – Eu disse, tentando disfarçar minha indignação. O que ela queria dizer com “teve sorte”?
_ Sim. – Ela deu de ombros. – Espero que você saiba repetir algo do que fez lá no teste… Exceto, é claro, o nervosismo absurdo.            
                Mas que merda era aquilo? Por que ela estava me atacando, afinal? Eu estava quieto com meus croquetes e a mulher me surge dizendo que deve me parabenizar não pelo meu talento, interpretação… mas pela minha sorte? Sorte?
_ Vou trabalhar nisto. – Respondi, me concentrando para não esmagar os salgadinhos que estavam nas minhas mãos.
_ Sim, você vai. – Ela disse, imperiosa, como se me desse uma ordem. Eu de repente tive uma vontade esmagadora de tirar dela aquela pose de rainha do mundo.
Tão bonita e tão intragável.
                Fiquei a encarando, imaginando a melhor forma de fazer fazê-la cair do pedestal de arrogância. E foi aí que minha mente traidora me pregou uma peça.
Eu pensei sim em uma forma de subjugá-la, mas foi uma forma muito prazerosa pra mim. Eu queria arrancar dela aquela expressão de cinismo agarrando seus cabelos com as mãos, curvando seu pescoço pra trás e beijando-a. Beijando-a de uma forma bruta, sem nenhum cuidado, com a intenção de sufocá-la, até que ela se rendesse e gemesse pra mim.
Imediatamente uma memória antiga me veio, do dia em que nos atracamos naquele tatame. Me lembrei nitidamente da sensação de ter o corpo dela preso entre meus braços, um corpo com curvas demais para o bem da minha sanidade, firme demais…
                Respirei fundo e fechei os olhos, tentando desesperadamente lutar contra as imagens que se formavam na minha cabeça.
_ Eu espero que você seja profissional em relação… a tudo. – Ela me disse, enquanto eu ainda tentava recuperar o controle. A voz dela estava diferente… rouca, baixa.  
                Abri os olhos, olhando no fundo das orbes verdes. Seu olhar também estava diferente, ela parecia incomodada com algo.
_ Serei. – Disse a ela, só então percebendo o que poderia ter a deixado incomodada: talvez eu não estivesse deixando transparecer o que eu estava pensando sobre ela.
                E quando eu a respondi minha voz também estava um pouco rouca, mais grave.
Ela engoliu em seco, observei o movimento de sua garganta, desviando meus olhos para o seu pescoço. Voltei a encará-la, imagens impróprias invadindo minha mente sem que eu pudesse controlar…
Eu desejei jogar o corpo dela naquela parede e prensá-lo com o meu…
                 Ela não desviou o olhar do meu nem por um segundo, como se estivéssemos presos um ao outro. Reparei que não havia mais nenhum resquício de cinismo em sua expressão. Lá no fundo daqueles olhos, sempre tão frios e sérios, parecia haver uma chama. E de alguma forma incompreensível, aquilo me atraia… demais.
_ Hey! Vamos pessoal, já começou! – Jack gritou da porta e aquilo foi o suficiente pra quebrar a espécie de bolha em que estávamos.
                olhou pra porta de repente, sugando o ar com força, como se tomasse fôlego após um longo período de imersão. Eu me mexi, percebendo que eu realmente havia esmagado os salgadinhos que estavam em minhas mãos.
_ Anda logo! – Ela disse pra mim, a voz raivosa, a postura tensa. Ela não me olhou mais, virou as costas e seguiu na direção da saída. – O tempo pra comer já acabou. – Ralhou.
                Mas o que foi aquilo?
Joguei os salgadinhos no lixo e quando fui limpar minhas mãos, percebi que elas tremiam levemente.
                Droga! Ela não fez nada, eu não fiz nada e no entanto… eu senti… eu quis tantas coisas…
                Não! Não, não e não Taylor!
                Eu não senti nada! Eu só preciso sair e ficar com alguém! Tudo isto deve ser falta de uma boa noite com uma boa mulher!
                Talvez eu pudesse resolver isto, se eu fosse do tipo de cara que sai por aí só pra aliviar a tensão sexual com qualquer uma a qualquer hora.
Bufando eu rumei para a saída, minha fome esquecida.
Meu sexto sentido, se é que eu tinha um, me dizia que ainda ia me dar muito trabalho. Com ou sem tesão acumulado.

Merda!

CAPÍTULO 9
Pov
                Ele me olhava daquele jeito hipnótico, sedicioso. E só com o olhar parecia me devorar em todos os sentidos possíveis. Sentia minha pele quente, minha boca seca, o meio das minhas coxas tremia.
                Me avaliava minuciosamente e era como se eu o sentisse me tocar em cada ponto que seu olhar se fixava. Ele me acariciava com os olhos. Acariciava minha boca, meu pescoço, meu colo e seios, minha barriga, minhas pernas. Tudo. Seus olhar me incomodava tanto, porque eu queria estar mais perto, só um pouco mais perto dele. Mas o de olhar sedutor parecia estar tão longe!
                Mas meu corpo insistia em querer ir pra ele, porém ao invés de caminhar para mais perto, eu caminhava para longe. E cada vez que eu desejava que ele realmente me tocasse, eu me afastava. Era como se a cada passo que eu quisesse dar em sua direção, minha mente entendia o contrário e retrocedia dois passos para trás.
                Então ele sorria, apertava seus olhos de traços indígenas e lambia os lábios finos e bem feitos com a língua vermelha. Lentamente. Loucamente.
_ Você não vai conseguir fugir por muito tempo. – Ele disse, a voz baixa e sensual. Um som luxurioso aos meus ouvidos. Ouvir a voz dele quase me fazia entrar em combustão instantânea.
_ Vou sim! – Esta frase pareceu sair de mim contra minha vontade, as palavras pareciam ferir minha garganta enquanto percorriam seu percurso para fora de meus lábios.
_ Não, não vai.
                E de repente ele não estava mais na minha frente. Soltei o ar, uma parte de mim parecia aliviada por aquela tentação em forma de homem ter desaparecido. Mas outra parte, parte considerável, ficou desesperada por não poder vê-lo mais, nem sentir o peso do seu olhar sobre mim.
Senti frio.
                Mas de repente eu sabia exatamente onde ele estava: bem atrás de mim. Meu ventre se contorceu, gritei quando os braços dele se enrolaram ao redor da minha cintura.
_ Não vai. – Ele soprou no meu ouvido, me fazendo derreter…
                Acordei em um salto, minha respiração acelerada, tal como meu coração.
                Não! De novo não!
                Voltei a me jogar na cama, abafando um grito no travesseiro.
_ NÃO!
                Soquei o colchão uma, duas, três vezes. Senti minha garganta quase fechada ante ao desespero de me dar conta que, mais uma vez naquela semana, eu tinha tido aquele sonho com ele!
                Não, não era sonho, era pesadelo! Pesadelo! Minha vontade era chorar de agonia. Eu não sabia o que era aquilo, mas o fato era que, desde o dia em que Taylor havia me encarado de uma forma bem absurda e indiscreta, naquela primeira reunião geral do filme, eu não tive mais paz.
                Contra todas as minhas vontades e entendimento, ele passou a invadir meu sono durante quase todas as sete noites que se seguiram aquele fatídico dia. Era raro o dia, ou melhor, noite, em que eu tinha paz. E eu sempre acordava do mesmo jeito: com muito calor, meu corpo suado – não importava a temperatura do ar condicionado -, minha respiração e coração acelerados e… bem…
                Eu nunca queria confessar, mas sim. Eu acordava com o corpo ardendo, uma frustração sem tamanho tomando conta de mim, sem contar a raiva e o desespero sem fim! Eu não suportava aquilo, aquela peça macabra que meu subconsciente preparava pra mim.  E eu tinha vontade de chorar, sempre. Já não suportava.
                Me levantei da cama, rugindo, meu peito tremendo de raiva tanto quanto o ponto no meio das minhas pernas.
                Inferno!
                A única coisa que me vinha à mente naquelas situações era recorrer a um clichê bem típico: banho frio. Regulei a temperatura, abri o jato no máximo, arranquei a camisola e entrei no chuveiro, com calcinha e tudo. O choque térmico do meu corpo literalmente quente com a água fria me fez soltar um soluço. Por um instante pensei que fosse ouvir minha pele frigindo.  Mas nada disto aconteceu e o banho não me acalmava. Meu corpo parecia se recusar a se acalmar. Comecei a tremer por inteiro.
                Um soluço saiu da minha garganta imediatamente. Eu estava ainda ardendo de desejo. Era isto que estava acontecendo. E eu mal podia acreditar naquilo. As lágrimas desciam do meu rosto, se misturando com a água fria, as lembranças dos sonhos me perturbando.
_ Não… - Voltei a negar o que sentia.
Não era possível. Não depois de tanto tempo, quando já me sentia frígida, morta desde o dia em que acordei do acidente que matou meu marido e filho. Meu corpo se tornou um iceberg.
Gustavo!
O ultimo homem que havia tocado em mim. Na primeira manhã de primavera, na cidade de Parati, no Brasil, no nosso ultimo dia de férias. Há cinco anos. Horas antes de pegarmos estrada e seguirmos para uma viagem fatal.
Meu filho dormia e Gustavo me amou loucamente na cama daquele hotel de frente pra praia. A sacada aberta, a brisa com cheiro de maresia invadia o quarto.
Naquele momento fiz de tudo para evocar a imagem daquele dia, tentando afastar as lembranças do meu sonho. Era doloroso lembrar do Gustavo, mas isso também me dava conforto. Eu me sentia mais em paz, tinha mais controle sobre o que sentia com aquelas lembranças do que com as imagens que se formavam em meus últimos sonhos.
“Diz que é minha! Diz que será só minha pra sempre, amor!”
                Gustavo me dizia, enquanto me penetrava, nós dois muito perto do clímax. Eu havia dito o que ele queria ouvir e me senti feliz em dizê-lo no momento.
“Sua! Sua pra sempre!”
                Ele havia sorrido pra mim… um sorriso lindo. O sorriso que havia feito me apaixonar por ele. Um sorriso largo, aberto. Sua boca… eu buscava em minha memória detalhes da sua boca, mas o que me veio não foi, nem de longe, os traços da boca que eu queria evocar.
                Era outra boca. Menos cheia, com contornos mais finos… lábios vermelhos. Céus! Era a boca de outro homem! Outro homem!
                Era a boca do homem do meu pesadelo.
                Me senti suja naquele momento, porque pensar em outro homem fez o meu corpo e meus desejos sepultados junto com meu marido ressuscitar, de forma avassaladora. Me consumindo. Me sentia traindo Gustavo, que por tanto tempo permaneceu imaculado na minha mente e coração.
                Mas eu não tinha controle sobre mim, não tinha! E era durante a noite, alta madrugada, que aquela coisa aterradora me assombrava. Por todos aqueles dias eu apenas me encolhia em baixo do chuveiro frio, assustada demais com a forma como meu corpo, de um dia para o outro, passou a reagir, até que eu me sentia cansada demais até pra sonhar.
                Deixava que o jato forte me chicoteasse as costas, como se me castigasse por agir daquela forma insana. Eu prometi ao Gustavo que seria pra sempre dele e sempre pensei que assim seria, durante aquela meia década. Mas nada daquilo surtia efeito. Porque todos os dias eu tinha que passar doze horas, pelo menos, vendo o maldito Lautner no estúdio. Eu tinha que checar sua prova de figurino, tinha que checar sua preparação para o papel, tinha que acompanhar as leituras dos textos de cada cena… e tinha que suportar o olhar dele para mim. Por vezes raivoso, por vezes enigmático, outras vezes confuso. Mas ele sempre me olhava. SEMPRE!
                E só a presença dele me incomodava, de uma forma que eu mal sabia explicar. Talvez tudo aquilo fosse resultado da antiga admiração que senti pelo seu personagem Jacob, já no fim da minha juventude, antes de conhecer Gustavo. Enfim, eu não sabia explicar.
                O que eu sabia era que eu odiava, eu o odiava com todas as minhas forças, cada vez que ele me olhava e mais ainda: cada vez que invadia meus sonhos. E odiava porque ele parecia ter sido o estopim pra acordar em mim o monstro chamado desejo. Um monstro pavoroso demais para uma mulher que havia decidido passar o resto da vida sozinha. Para uma mulher que fez esta promessa em um momento em que seu coração sangrava, aos pés de um túmulo.
Talvez Lautner não tivesse ideia, mas eu preferia pensar que ele era um agente do demônio que nasceu com o dom de me tentar. E era por isto que eu o odiava.
Mas parecia que não importava a intensidade do sentimento que eu cultivava por ele: o desejo crescia, os sonhos persistiam. E aquela noite estava sendo uma tortura. Meu corpo tão tenso implorava por alívio e minha mente cruel ajudava-o se excitar com imagens dele. E o que mais me aterrorizava era que o que mais me deixava sem controle era apenas o seu olhar.
Eu já não suportava mais. Me encostei na parede de azulejos, novamente sentindo certo choque térmico com a temperatura fria. Fechei os olhos, chorando. Mas eu precisava de alívio.
Não conseguiria dormir sem aquilo. Desci minha mão direita pelo meu ventre, deslizei meus dedos para dentro da calcinha molhada até sentir o calor de meu próprio sexo. Tentei controlar as imagens que minha vinham à cabeça. Tentei pensar em Gustavo, na sua beleza e só. Tentei recuperar as nossas lembranças mais quentes e passei a mover meus dedos, primeiro devagar, até que meu corpo, impaciente, me fizesse acelerar os movimentos. Minha mão não dando conta, comecei a mexer os quadris, ansiando por alcançar logo o alívio que buscava.
Mas ele não vinha, parecia não querer vir…
“Você não vai conseguir fugir por muito tempo”
                Eu podia jurar que passei a ouvir a voz de Lautner no meu ouvido, repetindo a mesma frase que atormentava minhas noites de sono. Senti raiva, ao mesmo tempo que sentia uma carga de hormônios que me fazia estremecer mais. Gemi baixo. O prazer ansiado chegando. Eu precisava… precisava tanto!
“Você não é só dele… você me quer.”
                Outra frase dos sonhos, outra vez era como se ele sussurrasse ao pé do meu ouvido, outro arrepio me descia pelo ventre. Soltei um ofego, olhos castanhos invadindo todos os meus pensamentos primitivos. Eu parecia apenas uma fêmea, só instinto, me agarrando ao macho que me dava prazer, fosse ele quem fosse. E que fosse o mais forte deles, aquele que vencesse a batalha que travavam em minha mente.  
                Para meu desespero os olhos castanhos apagaram os olhos azulados do meu marido morto, deixando-o a um canto obscuro em minha mente, tão escuro quanto o interior de um tumulo.
“Me nega porque sentiu atração por mim desde o primeiro instante.”
                A voz luxuriosa continuava a murmurar. Nova lembrança me veio a mente, há dois anos, quando Lautner se levantou da plateia numerosa do teatro Kodaly e me olhando daquele jeito insano, sorriu pra mim. Me lembrei quando os seus dedos quentes apertaram os meus em um singelo aperto de mão, que foi como um choque elétrico pra mim. Há muito tempo ignorado.
                Mas minha mente cruel lembrava. Soltei novo gemido, meu ventre se contorcendo por dentro, meus músculos se tencionando mais. Suguei o ar e o prendi em meu peito, me recusando a respirar.
                Me lembrei dos braços dele me prensando contra seu corpo, enquanto nos atracávamos em um tatame. Me lembrei do momento em que vi os olhos dele arderem por um beijo, enquanto eu fazia um jogo de sedução ridículo na academia.
“Não pode fugir do seu desejo. Ele nunca esteve morto…
                Alucinação maldita! Maldita! Mas parecia suficiente pra me enlouquecer. Soltei um gritinho apertado quando finalmente um orgasmo me atingiu, meus dedos manipulando meu clitóris tremiam, mas eu me recusei a parar, querendo prolongar a sensação ao máximo. Uma sensação que há muito, muito tempo não sentia.
                Continuei e outro orgasmo me veio, mais forte e profundo. E parei, escorregando as costas pelo azulejo até cair sentada no chão, o jato de água fria castigando minhas pernas, meus braços trêmulos e a respiração curta.
Abri os olhos, encarando meu reflexo no vidro espelhado do Box. Meus lábios estavam vermelhos, sinal de que eu os havia mordido fortemente durante a masturbação. Meus olhos estavam brilhantes e úmidos, sinais do meu orgasmo e de minhas lágrimas. Meu coração parecia em frangalhos.
                Eu me sentia traidora. Pela primeira vez depois de mais de anos, eu havia sentido prazer pensando em outro homem.
                Encarnado meu rosto no reflexo, recomecei a chorar.
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                O despertador soou estridente demais aos meus ouvidos pela manhã, me levantei com o corpo pesado, exausto, como se estivesse de ressaca. Havia conseguido dormir muito pouco durante a noite, me recusei a me lembrar do motivo.
                Mal encarei o espelho, me arrumando com pressa para me dirigir ao estúdio. Eu tinha que chegar lá antes de todos, porque Chris estava me ensinando tudo sobre a minha nova função: diretora assistente. No dia em que Chris me promoveu a este cargo, eu disse que não podia aceitar, não tinha experiência nenhuma em dirigir algo, muito menos algo tão grande. Eu podia me garantir no que se referia ao roteiro e enredo, mas não na direção.
                Mas Chris foi irredutível, tão teimoso quanto eu, e naquele dia ele estava intragável. Nunca havia gritado comigo, mas o fez.
_ Perdemos a merda do diretor assistente nas vésperas das filmagens e você quer perder a porra de mais tempo procurando outro porque esta com medo? Eu tenho experiência por nós dois e se estou dizendo que você é a pessoa indicada pra substituir o idiota do Collin, é porque você é! Se não sabe, aprenda. Ponto final!
                Foi o que ele disse durante nossa breve conversa durante o intervalo da primeira reunião de elenco. Chris tinha a personalidade forte e há muito tempo vinha discutindo com Collin, que foi indicado pela Warner pra assumir aquele cargo. O problema era que eles nunca falavam a mesma língua. Era previsível que as coisas não iam dar certo.
                Desde então eu me revirava em duas pra assumir uma posição inteiramente nova pra mim, ao mesmo tempo  que disfarçava minha insegurança para o elenco e para equipe em geral. O resultado era que todos me achavam pedante e arrogante, a mulher que nunca assumia suas falhas ou inexperiências. Mas era melhor assim. Eles tinham que sentir firmeza na minha direção, isto era o mais importante.
                Fechei os olhos e um olhar castanho irritado me surgiu na mente. Sem permissão. Foi assim que Lautner me olhou ontem, quando eu critiquei toda a leitura que ele e Nádila fizeram do texto.
Suspirei. Balancei a cabeça pra afastar aquela imagem da cabeça.
                Mais um dia. Só mais um dia. Eu dizia durante as ultimas manhãs, como um mantra de um viciado em recuperação. Eu era dona de mim, das minhas vontades e decisões. E assim eu ia permanecer.
                Tive trabalho com meu cabelo, já que dormi com ele molhado e sem pentear. Arranquei uma boa quantidade de fios na escova, enquanto desembaraçava a juba. Acabei fazendo um coque, incapaz de domá-lo de outra forma.
                A campanhia tocou e eu já sabia quem era. Abri a porta para o Mateo entrar, ele sempre me acompanhava na curta viagem até o estúdio, já que quase todo mundo da equipe e do elenco passou a se hospedar num hotel bem próximo.
_ Santo Deus da misericórdia! Você está horrenda! – E este foi o bom dia dele pra mim.
                Fiz uma careta.
_ Não dormi bem. – Respondi, virando o rosto para o outro lado, fingindo mexer no celular.
                Mas meu amigo insistente pegou meu queixo e virou meu rosto em sua direção. Seu olhar estava tenso.
_ Passou a noite chorando. – Disse com uma voz grave, que raramente usava. Não foi uma pergunta. Ele sabia. 
_ Vamos logo, compramos um café no caminho.
_ Pensei que você tinha parado com estas crises. Mas elas voltaram, não é? Há dias estou percebendo que você está se acabando de novo. – Ele continuava a falar comigo com ar de repreensão, sua voz grave e séria. Eu preferia mil vezes mais quando ele fazia a versão bicha afetada.
_ Só estou nervosa com esta coisa de dividir a direção com o Chris. O trabalho aumentou, estou me dedicando o dobro e…
_ Você não precisa mentir pra mim! – Ele rosnou. – Não pra mim. – Disse, sentido.
                Eu me afastei dele, indo pra porta.
_ Deixe de bobagem. Da minha vida cuido eu. Vamos! Se não quer ir agora, tudo bem. Fique. Mas eu não vou perder a hora.
Mas eu devia saber que quando Mateo usava sua voz grave era sinal que ele tinha chego a um limite. Ele correu na minha frente e bateu a porta aberta com força.
_ Você não vai a lugar algum! – Disse firme. Suspirei, impaciente. Não era fácil dobrar Mateo Vasconcellos. E só alguém de personalidade muito forte poderia me suportar por tanto tempo.
_ Sai da minha frente! – Disse com raiva, sentido minha voz tremer. Eu sabia o que ele queria fazer e ele era bom nisto. Mateo queria que eu falasse. Mas eu não queria e não ia falar.
                 Mas ele também estava irritado, pegou meu braço sem o mínimo de cuidado, tentei dar um golpe pra me desfazer do aperto, mas ele também era bom nisto. Torceu meu outro braço, me fez perder o equilíbrio e me jogou no sofá.
_ Fala! – Ordenou.
_ Não tenho nada pra falar! – Eu gritava com ele, que me encarava imperturbável. Eu tinha medo quando ele fazia aquilo, porque significava que eu não poderia vencê-lo.
_ Quando você abriu aquela porta pra mim , eu vi em seus olhos o que eu tinha visto há cinco anos atrás! Eu vi que algo morreu em você. De novo. Vi em seus olhos algo corrosivo e grande demais. E você faz loucuras imensas diante de um sentimento assim. Eu e sua mãe sabemos que sim. Porque você tenta negar tudo e quando não consegue… Deus, eu tenho até medo do que você é capaz.
                Eu sabia a que ele se referia. A maldita vez em que tentei me matar. Desviei o olhar. Por que Mateo tinha que me conhecer tanto?
Talvez porque ele é seu amigo de infância, idiota!
­_ Não pira! Não torne as coisas mais sérias do que são. Só vamos logo pra aquele estúdio. – Murmurei.  
                Ele suspirou, fechando os olhos. Sacou o celular, discando um número.
_ Alô, Chris! Eu só to ligando pra avisar que não vai poder ir esta manhã, pode segurar as coisas sem ela?
                Soltei um esgar e corri pras mãos do Mateo pra lhe arrancar o celular. Mas ele me deu outro golpe covarde, uma rasteira que me fez cair de novo no sofá.
_ É, ela não me parece nada bem. Vou cuidar dela, acredito que até o meio da tarde tudo vai estar bem… Sim, avise a Annie que vou mais tarde. Obrigado. Tchau.
                Ele desligou o celular enquanto eu o encarava com uma expressão patética.
_ Por que fez isto?
_ Você sabe porque, . Não vou sair daqui enquanto não descobrir o que está acontecendo com você.
_ Não tem nada! NADA! – Gritei.
_ Tem sim. E você vai ter que confessar. Já que parou de ir a terapeuta, eu não confio em você lidando com qualquer sentimento forte demais sozinha.
                E este era o preço eterno que eu iria pagar por ser uma ex-suicida.
_ Mas eu posso fazer isto! Eu posso! Já passei por coisas piores, o que está acontecendo agora não é nada comparado ao que foi… é só uma fase, alguma coisa louca que… - Eu parei, observando o meio sorriso de Mateo. Ele tinha conseguindo. Eu estava falando, estava confessando que havia algo errado. – Eu te odeio!
                Ele suspirou, sentando-se no meu sofá, ao meu lado. Ele tinha baixado a guarda, talvez eu pudesse sair correndo daquele flat naquele instante. Mas eu sabia que não podia. Admitindo ou não, eu precisava dos cuidados do meu amigo.
_ Mas eu te amo, . Já te amei de todas as formas possíveis. Jamais seria capaz de te deixar, mesmo você sendo esta cadela arrogante e insuportável que vem sendo nos últimos anos.
                A declaração de Mateo me derrubou. O que ele dizia era verdade. Eu sabia porque ele era a única pessoa, além da minha família, que jamais me abandonaria. Era verdade que ele tinha me amado de todas as formas possíveis, assim como eu já o tinha amado de todas as formas possíveis. Conhecia Mateo e sua família desde sempre. Estudamos juntos desde o berçário.
                E na adolescência, foi Mateo que me roubou o primeiro beijo, querendo fazer um “experimento”, como ele me disse. Tínhamos 12 anos.
Com 14 anos ele estava confuso em relação as suas preferências sexuais e sem ninguém pra confessar suas dúvidas, sendo sua família completamente conservadora. O pai dele era diácono da igreja, sua mãe uma irmã da caridade, seu avô pastor, suas irmãs beatas.  Era pra mim que ele confessava que comprava escondido revistas masculinas e sentia algo inusitado ao observar um corpo semelhante ao seu. Foi no meu ombro que ele chorou copiosamente depois de ter levado uma surra quando seu pai descobriu as tais revistas.
Foi eu que o vi negar sua preferência sexual, quase convencendo a mim e a todos com isto. Ele negou tanto, que com 16 anos, nos beijamos novamente, de um jeito muito mais ousado, porém. Havia línguas naquele experimento. E nós pensávamos que estávamos apaixonados. Ele foi minha primeira paixonite.
E foi com ele que eu perdi a virgindade, no sofá da minha casa, num domingo à tarde. Sim, eu provavelmente fui à única mulher que transou com ele na vida.
Mas isto tudo não durou nem seis meses e tudo acabou quando ele conheceu Tiago. Foi Tiago que fez tanto ele, quanto eu mesma entender que nunca havíamos nos apaixonado daquela forma, foi Tiago que fez Mateo entender que sua atração por homens não era uma doença passageira como seu pai havia o feito pensar. E eu estive ao seu lado quando nosso namorico acabou, com lagrimas e a promessa de que ainda seriamos amigos.
E assim como Mateo esteve firmemente presente no momento mais negro da minha vida, eu também estive na dele. Eu estava lá quando Mateo foi expulso de casa, com 17 anos, depois de ter contado que amava outro homem. Eu que dava parte da minha mesada pra ajudá-lo a pagar o aluguel de uma quitinete, levava almoço e janta todos os dias, fazendo uma marmita especial pra ele em todas as minhas refeições.
E foi eu que o ajudei a superar a morte de Tiago depois de um espancamento, resultado de um ataque homofóbico.
Não. Por mais que eu fosse uma cadela arrogante nos últimos tempos, eu jamais teria coragem de negar Mateo.
_ Vem aqui. – Ele disse, a voz novamente mansa ao perceber que minha muralha de proteção estava ruindo. Não resisti quando ele abriu os braços, me chamando.
                Me joguei em seu colo, soltando um suspiro cansado. Ele me apertou como se juntasse meus cacos e beijou os meus cabelos.
_ O que anda acontecendo com a minha ? – Ele murmurou.
_ Não é nada. – Disse, já sentindo minha voz manhosa demais, de uma forma que eu só me permitia ficar com Mateo. Nem meu pai e minha mãe tinham o poder de me deixar daquela forma. Talvez Gustavo um dia pode.
                Uma lagrima escapou de mim. A enxuguei com raiva, não aguentava mais chorar, passei dois terços da noite assim.
_ Mas é inacreditável que ainda negue! – Ele riu. – Você é incorrigível mesmo! O problema é que eu não acredito nisto. Mas sou paciente, qualquer coisa eu ligo e digo pro Chris que você, na verdade, vai precisar do dia todo de folga.
                Bufei. Ele era bem capaz disto mesmo. Me recusei a responder, me permitindo ficar tranquila nos braços dele, me permitindo ser mimada um pouquinho só. Ficamos ali durante um tempo, até que a vontade de chorar me assaltou de novo, assim que eu mirei uma foto minha e do Gustavo na mesinha perto do sofá. Era como se Gustavo me encarasse e me acusasse de mentir pra ele, de descumprir a promessa de ser pra sempre sua.
                Eu chorei, e não suportando aquilo, me levantei e abaixei o retrado, deixando-o virado para baixo. Mateo observou minha atitude sem dizer nada, apenas abriu os braços quando eu voltei pra ele, chorando mais. Me sentia tão cansada.
_ Ele está morto, . E tenho certeza que, ao contrário do que você pensa, tudo o que ele gostaria é que você seguisse a vida feliz. Sem ele. – Mateo sussurrou em meu ouvido, me fazendo parar de chorar abruptamente. Fiquei paralisada em seu abraço. – É isto não é? Você manteve Gustavo intacto na sua mente e coração por todo este tempo, mas está percebendo que não pode ser assim.
                Estremeci.
_ Não! – Eu disse, apavorada. – Não! Eu amo Gustavo. Amo com todas as minhas forças. Amo demais! – Eu disse, desesperada, como se eu precisasse fazer que Mateo acreditasse em mim.
_ Não . Você o amou. Você o amava. Isto nunca vai mudar, nunca vai perder a força e a beleza. Mas é passado. Passado, meu anjo.
_ Não! – Grasnei. – Não!
_ Então porque está chorando tanto agora? Chorando como se Gustavo tivesse morrido novamente? Por que, quando você abriu aquela porta, eu vi em seus olhos a mesma coisa que vi quando a terra cobriu o caixão dele?
                Fiquei muda. Mateo suspirou.
_ Eu sempre te disse isto. Que um dia você tinha que, realmente, sepultar o Gustavo e deixar o amor de vocês descansar e se conservar no passado. Isto não é traição. Não é desonroso. É claro que você nunca poderá substituir o que ele foi pra você, claro que você nunca poderá substituir o seu filho. Mas tem que entender a morte, . Como eu entendi a de Tiago. E segui adiante, sem medo. Você não precisa sofrer tanto pra manter seu amor intacto, como estava quando eles estavam vivos. Porque não é mais assim.
                As palavras de Mateo me machucavam. Ele já havia dito coisas parecidas outras vezes, mas naquele dia tudo parecia fazer um sentido absurdo.
_ Não! Eu não sou capaz! Jamais seria capaz disto! – Minha voz estava fraca… fraca demais. Como se eu não tivesse mais força de acreditar no que dizia.
                Me lembrei do que aconteceu no chuveiro, quando os olhos castanhos venceram os azulados. Quando eu deixei a lembrança de Gustavo longe… no fundo de um túmulo. Por Deus! Não! Eu não podia!
                Me senti pior. Gustavo tinha sido tudo pra mim, eu nunca tinha amado tanto na vida, nem mesmo Mateo me fazia brilhar tanto e ser tão feliz quanto Gustavo me fez. Nada podia substituí-lo, nada podia afastar a lembrança dele de mim. Muito menos um galã fajuto de cinema, um metido a sedutor e com peitoral definido. Não! Não fazia sentido.
                Senti raiva de mim.
_ Não aperte tanto o meu braço, dói sabia? – Mateo murmurou, me fazendo soltar o braço dele imediatamente, vendo as marcas dos meus dedos em sua pele.
                Meu amigo voltou a beijar o topo da minha cabeça.
_ Você é capaz disto sim, . É capaz de seguir em frente. E aposto que esta nova crise é porque, de alguma forma, você está tomando consciência disto.
_ Não! Não é nada disto. – me levantei, encarando-o de frente. – É só que eu tenho… que eu sinto muita falta. Dele. Eu ando sentindo falta do Gustavo de uma forma diferente. De um jeito que eu pensei que eu não fosse sentir mais.  – Disse, envergonhada. Senti minhas bochechas esquentarem.
_ Falta? De que jeito?
                Engoli em seco, apertando os olhos. Eu não queria confessar aquilo, mas não podia negar.
_ Meu corpo sente a falta dele. Demais.
                Não tive coragem de encarar Mateo depois de dizer isto. E ele ficou quieto por um instante. Quieto demais. Eu tinha medo quando ele ficava muito quieto perto de mim… porque indicava que ele estava me avaliando muito atentamente. E geralmente ele descobria o que não devia.
_ E o que despertou o seu corpo pra esta… falta? – Bingo! Ele fez justamente a pergunta que eu não sabia ou não queria responder.
_ Nada.
                Ele riu.
_ Nada? – Perguntou.
_ Nada.
                Ele suspirou.
_ Eu sinto te dizer amiga, mas você e eu sabemos que esta falta o Gustavo nunca mais poderá satisfazer. E você e eu sabemos que ela simplesmente não vai passar. Não importa quantas vezes você se masturbe, a tendência é piorar.
                Me senti corar mais. De vergonha e de raiva. Porque eu sabia que Mateo estava certo.
_ Vem comigo.
                Ele levantou do sofá e me puxou junto, me levando em direção ao grande espelho que havia no quarto do flat. Me virou de frente pra ele, agarrou a barra da camiseta que me cobria e puxou, me fazendo tirá-la. Se abaixou na minha frente e arrancou os meus jeans, sem a menos cerimônia. E eu, feito uma boneca inanimada.
_ Olhe! Olhe no espelho! Olhe pra este corpo. Lindo! Perfeito! Jovem. No auge da vida. No ápice do fulgor. Você acha mesmo que pôde sepultar junto com o Gustavo tudo aquilo que seu corpo precisa? Você pode controlar sua mente de uma forma macabra, meu anjo. Pode até ludibriar seu coração pela vida inteira. Mas vai chegar o momento em que seu corpo vai exigir de você o que quer. Você não é uma viúva seca. Tem vida, muita vida em você. Não se sinta culpada por estar viva, por ter um corpo saudável. Você não pode mais negar, . Precisa viver!
                Mateo deslizou o dedo do meio dos meus seios, pela minha barriga até a borda da minha calcinha. Me arrepiei inteira. Ele riu atrás de mim.
_ Definitivamente não pode mais negar.
                 Cobri o rosto com as mãos.
_ O que eu faço? – Perguntei, de novo com vontade de chorar.
_ Quer mesmo que eu te diga? Pois bem. Arrume um macho. Tire o luto. Siga em frente. Você é jovem demais!
                Eu ergui os olhos para Mateo, uma ideia louca passando pela minha mente. Ele deve ter percebido.
_ Não. Eu não sou o macho que você precisa. Eu não sou mais um garoto com dúvidas sobre sexualidade. Tenho tudo muito resolvido, obrigado. Não ficaria mais com uma mulher, nem pra te fazer esta caridade, amor. – Ele disse, com um sorriso zombeteiro no rosto.
                 Eu rugi, meu rosto pegando fogo. Comecei a catar minhas roupas que Mateo tinha jogado no chão.
_ Você está maluco! Não é como se eu fosse escrava de qualquer hormônio. Não é como se eu fosse escrava do meu corpo jovem. – Disse, com ironia. – Se tem gente que vive bem com a castidade, é porque eu também posso me controlar.
_ Talvez. Talvez você possa. Mas vejamos: você se masturbou ultimamente?
                Eu parei de me vestir abruptamente. Encarando-o de boca aberta. Como eu tinha permitido que a conversa chegasse aquele ponto? De algo tão delicado para algo tão… tão, tão… frívolo!
_ Porque se você se masturbou, significa que não. Você não vai conseguir sossegar seu fogo sozinha. Além do mais, ninguém vive bem com a castidade. As freiras e os padres sempre acabam virando uns velhotes rabugentos demais e os que não viram, dão uma burlada legal nesta coisa de castidade. Você sabe.
                Revirei os olhos. Mateo já tinha recuperado o seu humor, sua voz fanhosa e seu incrível talento de ser irritante e absurdo. Voltei a me vestir, bufando cada vez mais alto. Tudo aquilo era um… absurdo. Não pude pensar em palavra melhor.
_ E tenho que confessar que, realmente, você virou uma velha rabugenta apesar de nem ter trinta ainda. – Ele continuou a tagarelar. - Sabe por quê? Porque você sempre foi uma mulher ativa sexualmente. Gustavo me contava sobre seu fogo inacabável. E você acha mesmo que eu não sei que você não sossegou a periquita nem quando estava com um barrigão de quase nove meses? Gustavo me contou. Ele disse que tinha medo de transar naquela altura da gestação, mas que você o tentava até conseguir.
_ Isto não é brincadeira, Mateo. Não trate tudo com tanta leviandade! Pare de dizer asneiras!
_ Ei, mas eu estou falando sério. Você até que suportou demais, dado o fogo que você tinha. Esqueceu que eu falo isto por experiência própria? Mas atribuo sua resistência inacreditável, por cinco anos, ao amor monumental que você sentiu por Gustavo.
_ Sinto! – Insisti, entre dentes.
                 Mateo revirou os olhos. Depois me encarou.
_ Você está com vontade de dar. Admita. Isto não é tão grave.
_ MATEO! – Eu realmente estava furiosa agora. Mateo era insuportável às vezes.
_ Eu fico feliz por isto sabe. Eu tava quase perdendo a esperança que você um dia fosse capaz de superar a morte do Gustavo. Porque você sempre teve esta dificuldade em se apegar, mas quando gruda em algo, aí você não larga mesmo. Mas esta sua vontade de dar é sinal de que você ainda tem esperança. – Ele sorriu, como se tivesse descoberto outro planeta.
                Desisti de ter raiva dele, fui pro banheiro lavar meu rosto. Mateo quando colocava uma ideia na cabeça era impossível.
                Bem feito ! Bem feito! Devia ter ficado de bico calado. Mas o fato é que, mesmo estando puta com Mateo naquele momento, eu me sentia mais leve. Muito mais leve depois daquela sessão tresloucada de terapia do que após a minha masturbação de hoje à noite.
_ Eu daria um braço pra saber o que te arrancou da pose de viúva casta. Deve ter sido algo muito considerável… ou então alguém muito considerável.
                Naquele momento, tive ganas homicidas e empurrei Mateo da porta do banheiro e a bati com força na cara dele, antes que desse uma chave de pescoço e o fizesse morrer sufocado.
                Tudo ficou silencioso por um tempo e voltei a respirar. Talvez Mateo tivesse percebido que estava passando dos limites. Ele nunca tinha ousado falar aquelas coisas sobre minha viuvez, até porque ele sempre respeitou a memória de Gustavo. Os dois eram muito amigos. Depois de alguns minutos, enquanto eu fazia uma maquiagem pra tentar cobrir minha cara horrível de choro e noites mal dormidas, Mateo bateu na porta.
_ Pedi nosso café, . A copeira já trouxe. Sai logo daí.
                É, ele tinha deixado o assunto irritante de lado.
_ Ah, e nem pense que eu vou desistir de descobrir quem é o ser que acendeu seu fogo. Porque estou me convencendo de que foi alguém mesmo.
                Catei o que vi pela frente – minha escova de cabelo – e joguei na porta.
_ Suma da minha vida! Sua bicha irritante! – Praguejei.
                Escutei a risada escandalosa dele do outro lado. Dei um rugido e sapateei como uma criança. Depois, inevitavelmente, sorri. Só o Mateo pra fazer aquilo comigo.
                Eu saí do banheiro dez minutos depois. Mateo assoviou pra mim, dizendo que a maquiagem tinha feito milagre com meu rosto.
_ Até disfarçou este seu cabelo de palha. – Ele avaliou, pensando que estava me fazendo um elogio.
                Eu comi, melhor do que comia há tempos e depois arrastei o Mateo para o estúdio, me recusando a esperar até depois do almoço. Ele me xingou de Caxias e disse que ninguém ia se incomodar se eu me demorasse um pouco mais.
_ Eles iam até ficar aliviados com a sua falta. Tá todo mundo de saco cheio deste seu humor negro. E agora você pode ver que, se você desse uma transadinha, ia ficar bem mais maleável. Acho que vou inaugurar um movimento: “hashtag façasexo”. Sério, seria para o bem geral da nação!
                Eu ignorei aquilo. Sabia que o insuportável do Mateo não ia me deixar em paz por um bom tempo. A melhor maneira de fazer ele esquecer o assunto era ignorando. Puxei ele porta afora e entrei no elevador. Já eram dez da manhã aquela altura. Eu devia estar no estúdio há três horas. TRÊS HORAS!
                 Mas quando o elevador parou no décimo andar e abriu as portas, meu estomago deu uma volta completa. Dei de cara com o Taylor. Ele ficou paralisado por um instante e só entrou quando a porta estava quase fechando de novo.
_ Bom dia. – Ele disse, muito perto de mim. O cheiro do perfume irritante dele tomou conta do lugar, quase me sufocando. Ele estava com os cabelos molhados, parecendo ter acabado de sair do banho.
                Eu não respondi nada. Meu humor piorando consideravelmente.
_ Bom dia gato! – Mateo, atrevido como sempre, respondeu, piscando para ele como se flertasse. Olhei pra ele de cara feia, mas fui ignorada. Taylor apenas riu. – Preparado pra nossa primeira sessão de fotos amanhã?
_ Pode apostar que sim. Esta é a parte fácil de tudo. – Ele respondeu Mateo com voz gentil.
                 Não resisti e dei uma alfinetada.
_ Então talvez você devesse investir na carreira de modelo fotográfico, talvez se desse melhor. – Eu disse, ácida.
                Taylor bufou, não disfarçando a impaciência.
_ Estou bem onde estou.
_ Que bom que acredita nisto. – Disse, sorrindo. Péssima ideia. Porque ele me encarou, os olhos sempre gentis para os outros me olharam com raiva. Uma emoção muito forte pra ser ignorada, mas me recusei a desviar o olhar.
_ , não seja mal criada menina! – Mateo me repreendeu como se fosse minha mãe. Um absurdo!
                Taylor riu de novo. Então, pela primeira vez, ele retribuiu minha alfinetada. De forma indireta, mas o fez.
_ Sua menina realmente precisa de mais educação Mateo. – Ele se dirigiu somente ao Mateo quando disse aquilo. Logo em seguida a porta do elevador abriu e ele disparou pra fora.  
                Mas que idiota! Como ele ousou? E fugiu depois! Covarde.
_ Olha, que abuso! Ele te enfrentou! – Mateo disse, divertido, enquanto me acompanhava pra fora.  – Adorei!
                O infeliz riu feito criança na frente de um pote de doce. Nem pensei ao dar uma bolsada no meu querido melhor amigo.
_ Aí! Mas o que eu fiz?!  Taylor tem razão. Você precisa ser reeducada.
                Ele ficou quieto, mas eu devia saber que Mateo, ao contrário de Taylor, realmente tinha armas e argumentos muito melhores pra me atingir.
_ Ou talvez, sua má educação se resolvesse com orgasmos múltiplos. Talvez o próprio Taylor pudesse te reeducar, neste caso. Ele é uma boa opção de macho, aliás. Um belo espécime.
                Ali ele passou dos limites. Me virei pra ele quase tendo um infarto, de tanta raiva.
_ Vá a pé pra merda do estúdio! E não apareça na minha frente pelos próximos séculos!

                Saí pisando duro, mas sorri com um prazer medonho ao me lembrar que as duas da tarde seria só eu, Taylor e Nádila, na leitura para a primeira cena que eles iriam filmar em estúdio.




CAPÍTULO 10

N/A: a criança nas fotos do capítulo é uma menina, chamada Valentina, filha da Adriana Lima. Mas, tomando uma certa "liberdade poética", aqui o bebe vai ser "Murilo", filho da PP. Okay? Okay!

POV’  Taylor

Tudo era maravilhoso. Tudo era pavoroso. Mas eu não trocaria por nada aquele papel. Era desafio atrás de desafio. O roteiro era muito complexo e a direção – tanto a de Chris quanto a de – exigia originalidade. Eles sugavam e nos exauriam a cada estudo de cenas, a cada leitura de texto, a cada ensaio.
As coisas estavam corridas pra nós, pois tínhamos alguns prazos bem apertados. A primeira semana passou como um flash, mal percebi os dias. E assim também foram a segunda e a terceira semana. Eu ficava no estúdio em torno de 12 horas, nem me dava ao trabalho de ir para o hotel para estudar os textos. Meu camarim virou uma segunda casa.
Não muito diferente de mim, Moreno permanecia ali exercendo mil funções ao mesmo tempo. Muita gente achava que ela não ia aguentar muito. Ela era a roteirista principal e a primeira assistente de direção, ou seja, o braço direito de Chris.
Ela marcava e cuidava de TODOS os ensaios e, portanto, eu convivia constantemente com ela. O que era… insuportável.
_ Eu não sou aquele que pode depositar todas as esperanças. Esta marca, esta profecia… nada significa. – Eu disse, enquanto lia uma cena nova.
                Estávamos em mais uma leitura dos textos, mais uma cena minha e de Nádila. Eu estava curvado para o meu texto e Nádila estava a minha frente, sentada displicentemente enquanto encarava o seu próprio texto.  E como uma ave de rapina, estava lá, andando ao nosso redor, os passos soando abafados pelo tapete, os olhos encaravam ora os próprios pés ora o rosto de quem falava. Coincidentemente (ou não), quando Nádila lia, ela olhava para os pés, já quando eu era o leitor, sentia seus olhos quase me perfurando.
_ Achas mesmo, que se fosse de minha escolha, tu seria minha opção? – Nádila deu uma pausa, mordendo os lábios e franzindo o cenho, decidindo a melhor entonação para dizer a próxima frase. – Você acabou com minha família, destruiu tudo o que tenho… o que tinha, de mais precioso.  – Ela murmurou aquilo em tom de raiva.
_ Tem que ter um tanto de lamento nesta frase Nádila, não só raiva. Perpétua sente ódio por tudo isto, por ter de ser ela, e mais ninguém, a salvar seu mundo, a se sujeitar a Axel. Mas ela sente algo por ele também, embora negue. Então ela lamenta… lamenta profundamente por ele ser como é, por ele ter feito tudo o que fizera com ela. – explicou.
                Nádila respirou fundo, folheou o texto mais algumas vezes.
_ Okay. Estou entendendo.
_ E você Taylor… - me encarou, me recusei a permanecer curvado sobre o texto, então levantei os olhos e a encarei também. – Te sinto ainda muito… - Ela colocou uma mão no queixo, como se estivesse em dúvida. – Te sinto muito… frouxo. – Eu travei a mandíbula para não bufar alto.
– Eu quero dizer, - ela continuou – Axel é mais rígido, ele ainda não está “amolecido” pelo sofrimento de Perpétua. Ele ainda é um ser… um ser arrogante e frio, extremamente frio.
_ Não acho que ele seja tão frio assim. Não acho que ele deva parecer tão frio assim, tão durão. – Antes que pudesse me conter, eu disse aquilo.
Ela elevou as sobrancelhas pra mim.
_ É mesmo? Por que não? – Sua voz era um claro desafio. Claro, ela era “a dona da história”, estava claro que sentia uma certa “possessão” pelos personagens.
_ Bem, é como você falou de Perpétua… a coisa toda dos sentimentos dele em relação a Perpétua e a seu povo não pode surgir do nada, não faz sentido! Eu não posso simplesmente fazer Axel parecer 100% demônio e, de uma cena pra outra, ele se torna um anjo redentor. As pessoas não vão acreditar nisto.
_ Concordo. –Nádila disse, me apoiando. Excelente!
                pareceu hesitar.
_ Eu entendo sua opinião. Mas acho que você não entende.
_ Não entendo, por quê? Bom, que pena, porque faz meses que eu estou estudando este personagem. Então, eu ainda simplesmente não entendo nada.
                Nádila rolou os olhos. Ela previa o que iria acontecer.
_ Sim, parece ser algo preocupante. Porque Axel jamais tem que se tornar um anjo redentor. Jamais. Ele tem uma força suprema, uma personalidade intensa. O fato de ele ser bom, não deve fazer dele um “docinho”, de uma hora pra outra. Axel não vai abandonar a personalidade dele, só irá lutar de outro lado, mudar suas escolhas. – Ela respirou fundo. – Entendee??
                Ela cantarolou a ultima palavra como se estivesse falando com uma criança.
_ É claro. – O que ela dizia era bem óbvio. Eu suspeitava que era ela quem não entendia. – Não foi isto que eu quis dizer, eu apenas estou…
_ Então eu acho que você precisa aprender a se expressar melhor, Lautner. – Ela me interrompeu, brusca. – Urgentemente. E agora, vamos fazer um intervalo para o almoço.
                Dizendo isto, ela saiu. Eu me deitei no sofá e joguei meu texto longe.
_ Isto está virando rotina. – Nádila murmurou. – Vai, desabafa.
_ Ela é uma… vaca! – Eu vociferei.  Nádila gargalhou.
 ___________
               
                E assim era nossa rotina, realmente. Sempre, sempre havia algum tipo de discordância entre eu e . É claro, ela sempre era impositiva demais com todo mundo. Eu não fui o único a discutir com ela, Jason Momoa também já havia perdido a paciência com ela algumas vezes e era até bonito de ver as respostas afiadas trocadas entre ela e Nádila.
Quase todo mundo da equipe técnica tinha criado o hábito de fazer careta pelas costas de quando ela reclamava do figurino, da iluminação, da sonoplastia, do cenário… de tudo! Nada nunca parecia perfeito.
                Ela discutia também com o Chris, mas estas discussões eram mais pesadas e tensas, porque Chris era a única pessoa capaz de afetá-la. Então era ele que a repreendia, que a fazia se explicar. Mas tirando ele, ninguém nunca conseguia a fazer descer daquele pedestal. E o que piorava as coisas era que ela era boa. Ela era muito boa, apesar de tudo aquilo ser a sua estreia.
                Nós já tínhamos começado a gravar algumas cenas, mas eram coisas simples, a maioria nem tinha fala e provavelmente, algumas delas seriam descartadas.
Naquele dia, uma sexta feira, depois de uma cena que gravamos com uma pancada de figurantes, todos nós estávamos muito cansados, cada um largado em um canto da sala de reuniões aguardando Chris, que havia nos chamado ali.  Havia duas semanas que todos estavam trabalhando ininterruptamente… eu quase não dormi nos últimos dias.
_ Este é o problema de ter muitos figurantes em cena: a gente tem que regravar umas mil vezes. – Momoa reclamava, tirando alguns adereços de seu figurino. – Mas o que será que o Chris quer que não pode esperar pra amanhã? Porra, é sexta-feira!  
_ Não faço a mínima ideia, mas bem que podia ser uns dias de descanso. – Eu disse e todos pareceram concordar comigo. O ritmo de estudos e ensaios estava muito intenso desde o começo, todo mundo precisava de um “tempo”.
_ Nem começou e já quer parar, Lautner? – Ouvi a voz de , arrastada e debochada. Quase pulei de susto, jurava que há dois segundos ela não estava ali. Mas quando fui procurar ela por perto, só encontrei Nádila, rindo da minha cara.
                É óbvio, ela tinha imitado a Moreno. Ultimamente ela tinha ficado profissional nisto.
                Mas antes que eu pudesse responder aquela gracinha, Chris chegou.
_ Ouvi alguém falar de descanso? – Chris entrou, como sempre, muito enérgico.
_ Simmmmm poderoso diretor. Queremos folga! Yeah! – Jason se levantou e ergueu o braço direito como se chamasse um exército a acompanhá-lo. Todos riram.
_ Bom, pois então o seu clamor será ouvido. – Chris nem tinha terminado de falar e todos explodiram em aplausos, assovios e vivas, rindo. – É, podem comemorar. Porque só estamos conseguindo este tempo de folga porque vocês estão fazendo um bom trabalho e conseguimos voltar a ficar “de bem” com o cronograma. Vocês terão quatro dias de folga, mas escutem bem: é folga, descanso. Nada de estripulias ou excessos, entendido?
_ Putz Chris, estávamos armando a maior festa! O que há de melhor pra todo este povo aqui descansar a cabeça do que uma festa?
_ O melhor pra cabeça e o pior pro corpo, Miranda! – Chris respondeu à nossa maquiadora. – Vocês se divertem em uma festa e todos voltam com olheiras e cara de ressaca. Pense bem: é um trabalho muito maior pra você e todos da equipe de maquiagem.
                Miranda fez uma careta.
_ Mas nós não vamos ter quatro dias? Vamos pra festa amanhã e descansamos os outros dias! – Johan, outro integrante da equipe de maquiagem falou. Com um gesto exagerado ele mexeu no seu topete. – Garanto pra você, Chris querido, que até nosso retorno todos estarão com pele de bebê!
                Chris ergueu as mãos, demonstrando rendição.
_ Meu Deus! Vocês querem tanto uma festa assim? – Perguntou, recebendo uma ovação de afirmação de todos nós. – Ok, ok! Já que insistem! Vocês se organizem! E estejam inteiros na volta!
_ Pode deixar, amor. Esta festa vai ser um arraso! Pode deixar tudo comigo! – Johan disse, dando uma piscadela para Chris, que balançou a cabeça.
_ Cuide também de manter a imprensa longe. Não quero alarde ao redor de nós por enquanto. – Chris deu aquele aviso bem sério, fazendo com que, subitamente, o clima da sala mudasse. Com aquilo nosso querido diretor quis dizer que todos nós deveríamos tomar cuidado com a imprensa. Estava no contrato: nada de escândalos flagrados pela mídia durante a produção.
_ Muito bem, mas agora precisamos discutir coisas mais sérias. – Ele continuou. – Como, por exemplo, as gravações externas. Nós as faremos depois da folga, e também é por isto que vocês terão este tempo: para se preparar para as nossas viagens e… - Chris olhou ao seu entorno, procurando alguém. – Cadê a ?
                Todo mundo pareceu esticar os pescoços a procura dela também, mas era inútil, ela não estava lá.
_ Da ultima vez que vi, ela estava na sala de fotografia, Chris. – Johan elevou a voz por cima do pequeno burburinho de conversas. 
_ Okay. Alguém pode chamá-la pra mim, enquanto vou começando a reunião? – Assim que Chris fez o pedido, todo mundo fez cara de paisagem, não querendo fazer aquilo. – Ou melhor, os atores podem ir tirar o figurino, quero falar com a equipe técnica primeiro. Então aproveitem e chamem até aqui, sim? Obrigado. – Chris disse, em tom de ordem.
                Sem que fosse preciso ouvir mais, todos nós do elenco nos levantamos em silêncio e saímos da sala. Mas foi passar pela porta, que todo mundo começou a falar.
_ Eu não vou, sem chance. – Jason disse.
_ Meu figurino é o maior, se eu não for direto pro camarim, vou me atrasar. Fui! – Lewis se mandou, sem dar chance a ninguém.
_ Nada disto! – Sally disse. – Somos todos adultos, porque estamos fugindo desta mulher? - Sally pôs as mãos na cintura e nos encarou carrancuda.
                Mas todo mundo olhou pra ela e fez uma careta.
_ Que tal porque ela é uma esmagadora de bolas? – Jason disse. – Aquela lá tem o humor do cão! E é contagioso!
_ Tenho uma sugestão! Vamos fazer um sorteio! Quem tirar diferente vai chamá-la. De zero a cinco. – Nádila disse, mostrando o punho fechado para zero e todos os dedos da mão direita aberta para o cinco.
                Eu ri.
_ Isto é ridículo! – Disse.
_ Não é ridículo, você sabe. É um jogo pra saber quem de nós tem menos sorte. Vai, mexe esta bunda Lautner e vamos ver quem é o azarado do elenco!
                Dei de ombros e, como todos os meus colegas, parti pra aquela criancice. E como crianças bobas, entre risos e piadas, esperávamos Nádila contar “3” e jogávamos as mãos. Foi uma, duas e na terceira vez eu fui o único da roda a mostrar só dois dedos.
_ Merda! – Eu disse.
_ Se ferrou! Boa sorte, Lautner! – Lewis bateu no meu ombro, com ar de deboche.
_ Lewis, vai se f… - não pude terminar a frase.
_ Vamos lá querido, coragem de Axel pra ti! – Sally disse, rindo. – Enfrente o dragão com bravura!
                E em meio a risos e piadas eu fui em direção a caverna do “dragão”.  A sala de fotografia ficava do outro lado do prédio, no segundo andar e bem longe do meu camarim. Era o que Chris costumava chamar de centro de operações, onde ficavam sala de sonoplastia, de edição de vídeo e tudo mais. Naquele horário, tudo ali estava vazio, sendo que a maior parte da equipe técnica estava na sala de reunião com Chris.
                Ela estava lá mesmo, na sala de fotografia, curvada sobre a tela de um computador, parecendo imersa em outro mundo. estava olhando fixamente para as imagens que passavam pela tela. Imagens dela mesma abraçada a um bebê… abraçada a um homem. Eu fiquei um tempo parado na porta, decidindo qual a melhor forma de chamar a atenção dela.
_ Eu não sabia que estas fotos existiam… jamais as vi. Mateo as guardou muito bem. – Ela murmurou com voz branda e eu não tive certeza se ela estava se dirigindo a mim. Por um momento, fiquei sem reação. – Eles pereciam tão felizes… - ela continuou, deslizando a mão sobre a tela quando uma nova foto dela com o bebê apareceu.
                Não respondi. Não sabia muito bem o que dizer. Eu sabia quem era aquele homem e quem era aquele bebê. Todos sabiam que ela já havia perdido o marido e o filho… mas parecia um tabu comentar sobre aquilo ali.
_ Venha aqui! Venha conhecer meus amores… - ela disse, com uma voz incrivelmente amorosa, como eu jamais ouvi. Naquele momento eu soube que ela sabia que eu estava ali, mesmo que os olhos dela continuassem fixos na tela.
                E na voz e postura dela… havia tantas coisas diferentes. Ela parecia mais serena, mais dócil. Hesitei por um momento, mas finalmente me mexi e andei até ela, imaginando que talvez ela estivesse pensando que eu era outra pessoa. Sei lá. Ela nunca tinha sido tão receptiva a mim… nem próxima a isto.
                Me sentei ao lado dela e percebi que ela sorria. Era um sorriso bonito, mas melancólico. Os olhos dela estavam ainda fixos na tela, de forma que eu só podia ver o seu perfil. Mas alguma coisa me dizia que se eu olhasse para os olhos dela naquele momento eu iria enxergar sentimentos muito fortes ali.
                 Ela mexeu no mouse e pausou a sucessão de imagens, deixando parado em uma foto da criança e dela, em uma cama. Na foto, estava debruçada sobre o bebê, com a mão na barriga tão pequena. Ela sorria largamente, os olhos brilhando e a criança parecia gargalhar. Sorri diante daquilo.

_ Meu filho. Murilo. Ele era uma criança linda! Linda, saudável e alegre. A risada dele era coisa mais gostosa do mundo! – suspirou, fechando os olhos. – Ainda me lembro do som. 
                E sim, eu estava certo. Eu jamais estive perto daquela , que me parecia tão amorosa, tão delicada e frágil diante de uma dor que parecia esmagá-la. Senti um bolo se formar em minha garganta, lembrando das vezes que minha mãe me dizia:
_ Que Deus queira que eu morra antes dos meus filhos! – Dona Deborah vivia repetindo isto, e não importava o quanto eu e Makena pedíamos para que ela parasse ela continuava. – Vocês não sabem, queridos. Não pode existir coisa pior no mundo do que perder um filho. Não há quem mereça esta dor. Só de pensar meu peito espreme!
                Por vezes eu e Makena dizíamos que ela tinha uma tendência ao drama, porque vire e mexe dizia aquilo, principalmente quando eu ou minha irmã tínhamos um pouco mais que uma febre. Mas olhando pra naquele momento, as palavras de minha mãe começaram a fazer sentido. Eu quase podia sentir a dor daquela mulher passando pra mim. E as próximas palavras dela pareciam deixar esta sensação cada vez mais forte:
_ Murilo gostava quando eu fazia cócegas nele, assim. – Ela apontou pra foto. – Às vezes ele chegava a agarrar minha mão com os dedinhos e puxar pra própria barriga. Era incrível. E quando eu fazia ele ria, ria muito! Foi em um destes dias que Mateo tirou esta foto.
                mudou a fotografia na tela e na imagem seguinte eu senti um certo desconforto. Parecendo trajar só lingerie, ela estava encolhida no abraço de um homem, que tinha o rosto colado ao dela e a envolvia com os braços com um ar de possessão… ou talvez eu estivesse afetado demais com as estranhas emoções que vinham da mulher ao lado e estivesse vendo coisas além da realidade.


_ Meu Gustavo. – Ela disse. E havia tanto sentimento em sua voz, tanto carinho, uma quase devoção, que quando ela disse aquilo, senti um arrepio involuntário.
                Outra foto. Nesta estavam ele e ela sorrindo muito e uma das mãos dele estavam pousadas na barriga de .

_ Eu estava com três meses de gestação aqui. Tá vendo? – Ela apontou o indicador em direção a própria barriga na foto. – Minha barriga ainda estava pequena, mas dá pra perceber, não é? – Ela me perguntou ansiosa e então voltou seu rosto para mim. Os olhos dela estavam iluminados, como se ela estivesse sentindo a sensação de estar grávida de novo.    
                Um novo bolo se formou em minha garganta e, um tanto engasgado, eu murmurei.
_ Sim, eu vejo.
Ela sorriu mais.
– Foi uma época mágica! Ter Murilo crescendo dentro de mim.
                Ela mudou de fotografia, nesta estava a família toda. Ela, Gustavo e o pequeno Murilo deitados em uma cama. tinha os olhos voltados para o filho, os dois sorriam. Já seu marido, Gustavo, tinha os olhos voltados para ela, lhe dirigindo um olhar intenso. E não era necessário que me contassem nada para que eu pudesse perceber, que pelo jeito que o cara a olhava, ela a amava muito.


_ Vocês pareciam felizes. – Eu murmurei.
_ Sim. Eles eram minha maior felicidade. Eram… - Ela enfatizou o verbo passado. – Hoje eles são minha maior saudade.
                O sorriso dela foi se desfazendo então, enquanto ela encarava a fotografia. A expressão iluminada que ela me dera ainda a pouco foi se escurecendo, a melancolia voltando com força total. O queixo dela tremeu e eu previ uma avalanche de lágrimas. Mas veio só uma, que escorreu lentamente pela sua bochecha esquerda. Ela apertou as mãos no braço da cadeira em que estava sentada e soltou um suspiro entrecortado.
                Em um gesto involuntário eu agarrei a mão dela. Deve ter sido involuntário também, mas ela agarrou minha mão. fechou os olhos e abaixou a cabeça, seus cabelos caindo na frente do rosto.
_ Eu sinto muito. – Eu disse, absolutamente sincero.
_ Eu também sinto… muito… muito! – A voz dela estava baixa, a dor soando nítida por trás das palavras.
                Com meu polegar eu lhe acariciei o dorso da mão, enquanto ela respirava fundo, tentando recuperar o controle. Mas quando isto aconteceu, quando ela recuperou o controle, eu percebi rápido. Ela abriu os olhos e encarou as nossos dedos entrelaçados, meu polegar desenhando círculos em sua mão. Também me peguei encarando nossas mãos. Parecia um gesto tão singelo, mas tão íntimo.
                franziu o cenho e então deixei de sentir a pressão dos dedos dela agarrando minha mão antes que ela puxasse sua própria mão de forma abrupta e se levantasse. Ela enxugou os vestígios de lágrima que havia em seu rosto e voltou a me encarar. Os olhos dela estavam vermelhos, mas ainda assim, havia outra na minha frente. Ela tinha colocado a mascara de “dragão” imponente e a sensibilidade que eu senti emanar dela pareceu se perder em algum lugar muito longe do rosto lindo e rígido que me encarava.
_ O que você veio fazer aqui? – Perguntou, já sem nenhum tom de doçura na voz.
                Impressionante! De água passou a ser vinho… ou vinagre?
                Mas quando eu consegui assimilar a pergunta e lembrei da resposta é que eu fui cair em mim. Merda, merda, merda! Quanto tempo tinha passado desde que saí da sala de reuniões? Será que foi muito?
_ Eu vim lhe chamar. – Eu disse, me levantando, de repente incomodado com os tecidos do meu figurino. – Chris pediu… pra reunião. Ele está lá em baixo, com a equipe técnica e…
                Conforme fui falando os olhos dela foram se arregalando.
_ Ele já começou? – Perguntou apressada, me cortando.
_ Bem… já.
_ E você ficou aqui e não me disse nada? Por que não fez o que tinha que fazer logo que chegou?? Não era esta a sua função? – Ela ficou furiosa, passou a andar pela sala pegando um papel dali e outro daqui.
_ Bom, eu pensei que falar naquele momento seria grosseiro. – Eu disse, indignado. O que havia com aquela mulher?
Ela parou, de costas pra mim, seus ombros caíram assim que eu disse a palavra “momento”.
_ Esquece. – Ela disse e passou feito um furacão por mim, evitando meus olhos.
                Eu fiquei ali, olhando para as fotos que voltaram a passar sucessivamente pela tela. Fui até lá e fiquei apenas observando, uma após a outra. A mulher que estava nela, que sorria em todas elas, não era aquela que eu convivia nos últimos meses, eu tinha certeza. O mais próximo que havia chego da que estava nas fotos foi ali, naquele breve momento, quando nossas mãos permaneceram entrelaçadas, enquanto ela me permitiu compartilhar um pouco de sua dor.
                A da foto exalava outra coisa que eu mal podia definir. Parei em outra foto em que os três estavam ali novamente, numa perfeita pose de família feliz. Ela tinha perdido muito…
Então talvez eu soubesse “o que havia com aquela mulher”…

Dor. 

N/A: Gente, não me matem!! Eu sei que demorei, sendo que o capítulo ficou pronto semana passada, mas eu simplesmente não to tendo tempo pra piscar! Veja bem, são quase duas da manhã de uma quarta feira e eu to aqui, morta de sono, postando (finalmente) este capítulo. Foi o único tempo que me restou. 
Então, voltando pra história, teve um momento fofis ali no meio, entre o Tay e a PP... mas isto é raro, visse? Pq  o natural da nossa PP, agora, é ser a "vaca" que o Taylor vem conhecendo nos ultimos tempos. Pq ela é assim? Talvez isto fique mais claro no prox, capítulo. Com sinceridade, não sei quando vou poder postar, mas ele tá praticamente pronto. 
Obrigadaaaaaaaaaaaaaaaa a todas as fofas, lindezas do meu coração que comentaram no ultimo capítuloooo li cada comentário, assim, nos segundinhos que tenho, sempre dou uma passadinha na pag, pra ver e considerar o que as leitoras estão me dizendo! Vcs continuam sendo importantíssimas pra mim e oque mais me motiva escrever! Então podem comentar pq eu to lendo SIM!!!! 
O que acharam deste capítulo? O que isto vai dar?? hummmmmmmmmmmmmmm...captaram algo além? Teorias? Falem, falem, isto inspira!!! kkkkkkkk
Bjs fufuras! Desculpa mais uma vez pela demora.... <3 <3 <3




Capítulo 11



Pov
                Eu não estava bem. Eu não estava nada bem!
                Meus pés pareciam se mover por conta própria em direção à sala de reunião, enquanto uma mistura de muitos tipos de emoções me atormentava. Eu sentia meu coração bater pesado, minha garganta travada com o peso do choro que segurei. Eu sentia minhas veias das têmporas pulsarem, meus olhos ardiam e minha mão esquerda queimava.
                Eu sempre ficava muito sensível quando lembranças de Gustavo e Murilo me vinham um pouco mais fortes… Mas, nos últimos tempos, sempre que eu passava por aquilo eu estava sozinha. E agora não sentia só o peso no coração, como das outras vezes. Eu sentia ainda o calor da mão dele na minha, a suavidade do polegar esfregando minha pele tentando me passar conforto.
                Eu apertei meus dedos, fincando minhas unhas na carne da minha palma até começar a sentir dor. Um tanto alterada eu esqueci qualquer delicadeza e abri a porta da sala de reuniões com um soco um tanto barulhento demais.
                Quando dei por mim, ninguém parecia respirar, me encarando, todas as cabeças viradas em minha direção. Chris me deu uma olhada tensa.
_ Demonstrando o impacto que nosso filme terá para os espectadores, ? – Ele disse, me repreendendo na frente de todo mundo. Afinal Chris era inglês e tudo o que ele mais primava eram os bons modos, que eu acabava de não ter ali.
                Eu estava atrasada e entrei interrompendo tudo. Eu devia fazer alguma coisa em relação aquilo, mas minha cabeça ainda girava. O que eu devia fazer? Ah, sim:
_ Desculpem. – Eu disse, me virando pra fechar a porta. Mas antes que eu pudesse alguém a segurou.
                Era Mateo. Ele e Anne também estavam chegando agora. Mateo sorriu pra mim, mas logo franziu o cenho. Maldita percepção ele tinha!
                Antes que meu amigo intrometido pudesse me perguntar qualquer coisa eu fui em direção a Chris e me sentei ao lado dele. Chris continuou e eu me mantive a margem, somente entregando os papéis que ele me pedia e dando as informações necessárias. Estavam todos decidindo os detalhes para as gravações externas, que aconteceriam na Austrália.
_ Só vamos até lá com o elenco principal. Será necessário fazermos isto no máximo em duas semanas. Não podemos passar disto. Já tem um pessoal nosso lá, preparando as coisas, testando o clima, o que as luzes naturais de cada paisagem tem a nos oferecer. – Chris dizia e eu fazia um esforço enorme pra prestar a atenção. – , o ultimo relatório da nossa equipe de lá, por favor.
                Eu me mexi subitamente quando ouvi Chris me chamar de novo. Procurei meio atrapalhada o que ele me pediu e o entreguei.
Ok, , respire. Recupere seu controle já! Você está trabalhando!
                Mas nada daquilo estaria acontecendo se eu não tivesse descoberto aquelas fotos no pendrive de Mateo, que ele havia me passado pouco tempo antes para que eu escolhesse as fotos do elenco. Eu olhei na direção dele e ele me encarava com aquele olhar de “eu-sei-que-você-não-está-bem”.
_Muito bem… por enquanto eu acho que é só. Vamos decidir o resto quando voltarmos do breve recesso.  – Chris finalizou e todos se levantaram.
_ Divino recesso! – Jack disse.
_ Hey Chris, você vai na nossa festa amanhã? – Alguém, que eu não sei quem, perguntou.
_ Festa? Que festa? – Mateo finalmente desviou os olhos de mim pra perguntar. O desgraçado adorava festas.
_ Isto mesmo, que festa? – Eu perguntei. Quem me respondeu foi o maquiador, Johan.
_ É só uma distraçãosinha pra gente, poderosa . – Ele disse, com voz melosamente falsa. – Estive pensando em fechar uma boate pro pessoal do filme se reunir. Nada demais.
_ O que? Fechar uma boate? – Eu olhei pra Chris. – Mas isto é um absurdo! Este recesso é pra todos descansarem e se prepararem pra viagem longa e exaustiva que vamos fazer! Não pra ficar farreando em boate, francamente! E além do mais, fechar boate? Isto é um chamariz de imprensa e ainda não é hora de divulgar nada.
_ Olha, poderosa , o poderoso Chris já liberou. – Johan disse, colocando as mãos na cintura e apontando Chris com o queixo.
                Este deu de ombros.
_ É só um dia. Eles vão tomar cuidado. E todos precisam disto também. As coisas já começaram bem agitadas. – ele disse.
_ E quanto à imprensa, fique tranquila . Johan conversou comigo, a boate que ele comentou é bem discreta. É claro, é impossível fugir de todo mundo, mas não vai ser nada que não possamos lidar. – Emma disse.
_ Tudo bem, já to vendo que as coisas já estão bem firmadas. – Cruzei os braços e afundei na cadeira.
_ Me avise onde vai ser depois, Johan! – Mateo gritou, enquanto todo mundo saia da sala.
                Acabou que ficamos só eu e ele ali. Chris havia dado uma pausa antes de começar a conversa com o elenco.
                Mateo se sentou onde Chris estivera antes, ao meu lado. Sem dizer nada ele pegou uma de minhas mãos e me fez esticá-la. Ela tremia, pouco, mas tremia. Mas antes elas estavam tremendo bem mais.
_ O que aconteceu?
                Eu bufei.
_ Eu encontrei fotos minha, do Gustavo e do meu filho que estavam no seu pendrive… Fotos que você nunca me mostrou.
_ Ah! – Ele falou. – É, eu também tinha esquecido delas. – Ele agarrou minha mão e começou a fazer um leve carinho. Involuntariamente eu me lembrei de outra mão junto da minha. – E então você as viu e ficou revivendo o passado?
                Não respondi, apenas puxei minha mão da dele.
_ Foi só isto mesmo? – Ele perguntou.
_ Como assim foi só isto? Cada vez que eu revejo algo novo, que eu recordo uma coisa mínima, é como se eu os ganhasse de volta e os perdesse novamente! Você sabe! E me pergunta se foi “só isto” que me deixou alterada? – Eu murmurei furiosa.
_ Sim. – Ele disse, com naturalidade, acostumado com todo o meu drama. – Te pergunto se foi só isto, porque eu acho que tem algo mais te perturbando.
                Enquanto ele dizia aquilo o elenco foi entrando pra sala de reuniões. Taylor foi o ultimo a entrar. E foi inevitável. Meus olhos se fixaram nele imediatamente. Ele me olhou de uma forma diferente, como se procurasse me desvendar, como se tivesse achado uma brecha pra invadir lugares só meus.
Sim, ele tinha encontrado esta brecha. Eu tinha dado isto a ele.
                Eu ainda não entendia o que me fez falar todas aquelas coisas do meu filho e marido pra ele assim, do nada. Mostrar a ele a parte mais intima de minha vida, a que eu procurava manter só pra mim nos últimos anos. E do nada eu simplesmente falei, sorri e chorei na frente dele… demonstrei minha dor, minha fraqueza.
                Por que?
_ ?… ? – Mateo murmurou muito perto do meu ouvido, me fazendo dar um pulo na cadeira.
_ O que? – Disse, ríspida.
_ Você não responde e… - Mateo parou de falar. Olhou para o Taylor e depois olhou pra mim. – Nada. Depois da reunião a gente conversa.
_ Não há nada pra conversar. Quero ficar sozinha hoje.
_ Tem certeza?
_ Absoluta.
_ Tudo bem.
                Sem dizer mais nada Mateo saiu da sala, nem me disse tchau. Não que isto fizesse a diferença. Chris e Emma voltaram e eu desviei meus olhos de Taylor e me concentrei nos papéis e nas falas dos dois.
                A reunião não foi muito longa, mas pra mim pareceu durar uma eternidade. Meu desconforto crescia a cada segundo e eu sentia que estava muito perto de desabar a qualquer momento. Havia muita coisa passando pela minha cabeça. Eu não devia ter visto aquelas fotos. Não naquele momento, quando estava tão perto do aniversário de morte de Gustavo e Murilo.
_ Então, é isto. Até breve pessoal. - Emma encerrou a reunião e eu quase louvei a Deus.
                Me levantei imediatamente.
_ Vocês vão precisar de mim, Chris, Emm?
_ Não, pode ir, querida. – Emma me avaliou por um momento. – Está se sentindo bem?
_ Só cansada mesmo. – Respondi, tentando esboçar um sorriso.
_ Ok. Se precisar é só nos chamar, entendeu? – Chris disse. – Bom descanso.
                 Mal murmurei um “obrigada” e peguei as minhas coisas pra sair. Na porta haviam algumas pessoas aglomeradas, mas eu nem sequer as enxergava. Eu queria passar em outro lugar antes de ir para o hotel. Furei o círculo de pessoas e esbarrei em duas ou três quando saía. Escutei reclamações, mas não parei. Não parei nem mesmo quando ouvi alguém me chamando.
                Será que Mateo já tinha pego o seu pendrive? Ele me daria aquelas fotos se eu pedisse?
_ ! – Alguém agarrou meu braço, me puxando.
                Como eu estava muito distraída, não esperando por aquilo, meu corpo se voltou imediatamente pra quem me puxou e eu me choquei com ele. Ergui os olhos para encarar quem era. Taylor.
_ Você está bem? – Ele perguntou, sério, olhos fixos nos meus.            
                Por que ele queria saber? Por que todas as pessoas queriam saber? Ninguém poderia fazer nada pra tirar aquilo de mim, então não fazia diferença se eles soubessem ou não. Puxei meu braço do aperto dele e cambaleei pra longe.
_ Não te interessa!
                Virei minhas costas e continuei andando.
_ As fotos não estão mais lá. – Ele disse. E eu estaquei. Como ele podia saber que eu estava atrás das fotos? Ele continuou. – Mateo chegou logo depois que você saiu e pegou o pendrive.
                E agora? Eu sabia que Mateo não me daria as fotos se eu pedisse. Ele achava que eu me torturava demais com aquilo, cavando lembranças do passado. Mas aquilo era importante! Muito importante! Eu precisava senti-los perto de mim… e ver as fotos, olhar os detalhes dos traços de cada um deles, fazia minhas memórias mais vivas, mais quentes.
                Eu suspirei e, desistindo, me dirigi a saída, pegando as chaves do meu carro na bolsa. Mas Taylor voltou a agarrar meu braço.
                 Eu me voltei pra ele furiosa, mas antes que eu pudesse abrir a boca ele disse:
_ Pegue um taxi. – Ele apertou minhas mãos, que estavam frias e trêmulas, ao contrário das suas, que me pareciam tão firmes e quentes. Novamente eu me vi desfazendo aquele contato, puxando minhas mãos com força demais, fazendo a chave que eu ainda segurava voar longe. Taylor apenas olhou aquilo e voltou seus olhos pra mim. – Pegue um taxi.
                Então virou as costas e saiu. Eu sorri amargamente para suas costas. E daí que eu não estivesse bem pra dirigir? E daí se eu sofresse um acidente? Eu não tinha muito a perder. Andei até a chave perdida no chão e a peguei de volta.
                Ainda trôpega, andei até meu carro, sentindo minha visão embaçar conforme caminhava, resultado das lágrimas que eu insistia em conter. Eu voltaria pra porra de um hotel vazio, sem ninguém a minha espera. Era só um apartamento vazio. E minha vida era assim: vazia. Meu marido e filho deixaram espaços dentro de mim que ninguém jamais poderia preencher.
                Tentei colocar acionar o botão do alarme, mas acabei derrubando a chave três vezes e em nenhuma delas fui capaz sequer de apertar um botão! Suspirando eu desisti. Andei lentamente até a frente do estúdio e acenei para o primeiro taxi.
Eu só precisava ir embora e dormir. Chorar e dormir.
OooOooOooOOooOO
POV Taylor
                Do lugar onde eu estava, pude ver do lado de fora do Studio, entrando em um taxi. Sorri brevemente, pensando que talvez aquela fosse a única vez em que ela seguiria um conselho meu. Sinal de que ela, realmente, não estava bem.
                Não que isto não estivesse claro em seus olhos e em sua postura. Todo mundo havia percebido que ela estava estranha durante a reunião, com o olhar distante, os ombros encolhidos, sempre quieta.
                sempre tinha algo importante a dizer, era assim em todas as nossas reuniões, mas naquele dia ela se manteve quieta do início ao fim.
_ Que bicho mordeu ela? – Sally tinha perguntado, antes que a própria furasse nosso circulo de conversa esbarrando em Sally e em mim.
                E antes que eu pudesse pensar eu corri atrás dela. Só não me pergunte o que me levou a fazer isto. Eu simplesmente fui atrás dela. O fato era que eu preferia muito mais a versão “vaca”, do que ver em um estado “a beira do precipício”.
_ Muito bem… algo me diz que você sabe qual é o mal dela.
                Quase pulei de susto quando ouvi Nádila conversando comigo. Estava tão distraído que esqueci que ela estava do meu lado. Ela também olhava pela janela em que eu estava encostado, observando ir embora.
                Eu apenas balancei a cabeça.
_ Eu não sei. – disse.
                Nádila apertou os olhos e me encarou, claramente não convencida. Mas logo deu de ombros.
_ Tudo bem. Vou fingir que você não levou mais tempo que o necessário para chamá-la pra reunião. E vou fingir que não vi você correr atrás dela e depois voltar com um letreiro piscando na sua testa com a palavra “preocupação”. Tudo bem, eu finjo. Fingir faz parte do meu ofício.
                Ela disse aquilo com aquela sutileza tão intrínseca a ela, com a meiguice nada forçada que ela tinha. Eu ri, jogando a cabeça pra traz.
_ Muito bem dona espertinha! – Eu apertei a bochecha dela, como se falasse com uma criança travessa. Ela emburrou e me deu um tapa no ombro. Eu ri mais. – Eu sei o que ela tem, mas não acho que eu deva sair falando isto por aí.
_ Certo. Com esta resposta eu posso lidar. – Ela enfiou seu braço no meu. – Agora vamos. Você me prometeu uma carona até o hotel naquele seu “super-carro”.
                Nádila tinha se revelado uma excelente amiga nos últimos tempos. Ela parecia ser o oposto de : enquanto todos odiavam uma, todos se encantavam por outra. Ela tinha um jeito meigo, mas esperto. Raramente alteava o tom de voz, mas sempre tinha uma resposta afiada pra tudo que lhe dissessem. E era uma profissional espetacular. Quando Chris ou gritavam “ação”, ela se transformava. Era impressionante.
                Chris e os demais produtores estavam investindo pesado nela, e todos nós suspeitavam o porquê: eles almejavam o Oscar de melhor atriz. E eu, vendo-a atuar a todo momento, achava bem possível que ela conquistasse a estatueta na sua grande estreia nas telonas.
                E talvez por ser uma excelente atriz, Nádila tinha uma qualidade perigosa pra quem queria manter algum sigilo: ela era observadora. Muito observadora. Ás vezes eu tinha até medo quando eu pegava ela me encarando, porque parecia que ela estava invadindo minha mente ou coisa parecida. Isto era maravilhoso quando estávamos em cena, porque ela parecia prever o que eu ia fazer e o feeling entre nós ficava perfeito.
                Assim, quando ela me perguntou o que tinha, eu suspeitava que ela já estava muito perto de descobrir o que era. Eu só não sabia o que tinha passado pela cabeça dela quando eu simplesmente corri atrás de um pouco mais cedo. Quando eu voltei ela estava me encarando, seus olhos espertos pareciam querer decifrar algo que estava além da minha capacidade entender. E vez ou outra, enquanto estávamos a caminho do hotel, ela me olhou da mesma forma.
_ O que foi? – perguntei.
_ O que foi o que? – Ela disse, fazendo cara de inocente. Aquela mulher era um perigo.
_ Você está fazendo “aquilo” de novo. – eu disse.
                Ela simplesmente riu.
_ Quando você diz “aquilo” quer dizer que eu estou…
_… me encarando como quem quer descobrir meu segredos mais íntimos. Anda, fala o que é.
_ Bem… - Ela hesitou um pouco, enquanto saíamos do meu carro e entravamos no hotel. Pra variar vimos um paparazzi há alguns metros dali, tirando fotos e mais fotos. Antes que pudéssemos entrar, encontramos uma pequena comoção de fãs, pedindo autógrafos.
Nádila ainda não era muito conhecida, então ela se afastou enquanto eu atendia aos fãs. Quando estávamos razoavelmente protegidos no hall do hotel, ela voltou a falar:
 – Então… eu estava só pensando que parece agir de uma forma estranha, como se ela se esforçasse pra ser intragável, só pra afastar os outros dela.
                Pera aí… fiquei confuso.
_ E o que olhar pra mim te faz pensar nisto?? – Expressei minha confusão e ela riu da minha cara.
_ Digamos que… você é a pessoa que ela mais repele. De todo mundo, ela é mais agressiva com você. Como se você representasse algum perigo para algo que ela quer manter.  – Ela disse séria, como se aquilo que ela estivesse falando fosse bem plausível.
_ Eu acho… - falei com cuidado. - … que você está maluca.
                Ela me direcionou um sorriso travesso e não disse mais nada, apenas me deu um beijo no rosto e saiu do elevador em que estávamos, indo pro seu quarto. Eu sacudi a cabeça, tentando esquecer aquilo que Nádila havia me dito. Com certeza, havia um outro motivo pra ser tão mais intragável comigo.
                A porta do elevador abriu com um “ding” no meu andar. Saí, já vislumbrando o número do meu apartamento, mal olhando para os lados, ansioso para simplesmente entrar e tomar um bom banho relaxante. Então nem me dei conta que alguém me esperava por ali.
_ Taylor, posso falar com você um minuto? – Era Mateo. Ele parecia sério.
                Eu estava muito cansado, por isto hesitei um pouco.
_ Claro… agora? – Perguntei.
                Ele sorriu pra mim, me avaliando por um momento.
_ Só queria saber sobre a .
                Eu franzi o cenho.
_ ? – Ele afirmou com a cabeça. Eu abri a porta do flat. – Entra.
                Mateo entrou atrás de mim sem cerimônia.
_ Quer alguma coisa? Tem suco, água, refrigerante… - Ofereci.
_ Não, não. Obrigado, estou bem. – Ele suspirou. – É só que mais cedo, quando eu passei na sala de fotografia a gente não pode conversar direito. Você disse que estava olhando aquelas fotos que estavam na tela, certo?
_ Sim. – Respondi, sem saber ao certo onde ele queria chegar.
_ Ela lhe pareceu muito mal com isto? – Os olhos dele estavam preocupados.
_ Bom… por um momento pensei que não. Ela me parecia apenas saudosa. Mas depois… ela ficou… um pouco triste.
                Mateo fez uma careta quando eu disse aquilo.
_ Triste como? Pouco ou muito?
                Eu dei de ombros.
_ Não sei explicar muito bem… o suficiente pra me afetar também. Entende?
_ Acho que sim. Ela desabafou com você? Disse algo?
_ Sim. Ela falou um pouco sobre o marido e o filho… e depois disse que sentia muito. Mas, desculpa… por que tanto interrogatório?
                Mateo sorriu amargamente e se levantou. Passando os dedos entre os cabelos.
_ Bom, nunca soube lidar muito bem com esta perca. Ela costuma agir impulsivamente às vezes. Então, desde que tudo aconteceu nós temos que “vigiá-la” quando ela demonstra… alguns sinais. Eu só precisava saber se ela está sob controle. – Ele parecia desconfortável ao dizer aquilo. – Ela precisa desabafar em alguns momentos, não ficar remoendo as coisas sozinha. E hoje ela me dispensou… enfim…
                Ele parecia tenso, como se estivesse com medo de algo. Hoje, definitivamente, as pessoas me pareciam fora dos eixos. Primeiro , depois Nádila e agora Mateo. Qual é?
_ Calma, cara. – Eu disse, tocando nos ombros dele. – Eu acho que ela está bem. Ela até me deu uma bronca depois.
                Ele riu.
_ não está bem há muito tempo.  Há cinco anos, pra ser mais exato. – Ele suspirou. – Não leve muito em conta os rompantes que ela tem, o histerismo. Ela é uma pessoa maravilhosa, pode acreditar. Só está ferida e como um animal ferido, ela tende a “rosnar” para todos que se aproximam, mesmo que a intenção seja ajudar.
_ Entendo. 
_ Eu acho que você descobriu o mal que ela sofre hoje. Mas tente não olhar pra ela com pena ou compaixão. Ela não suporta isto… E, por favor, não comente muito por aí o quanto ela ainda sofre. Não ia pegar bem. – Ele fez outra careta.
_ Claro. Pode confiar. Vou ser discreto.
_ Obrigado! – Ele disse, dando um aperto forte na minha mão.
                Depois que Mateo se despediu, eu fiquei pensando e repensando a atitude dele. Não me pareceu uma preocupação banal que o tinha trazido até aqui. Eu sabia muito bem avaliar as emoções nos rostos das pessoas e o que eu vi em Mateo foi medo. Medo por … mas por que?
                Poderia parecer exagero ele ter vindo até mim somente para perguntar aquelas coisas, mas algo me dizia que ele tinha uma razão bem forte pra isto, algo que ele não me disse. Ele havia dito que precisava “vigiar” , que ela agia impulsivamente... O que isto significava?
                De qualquer forma, eu sabia que realmente estava mal, o jeito que ela saiu do estúdio, a forma como suas mãos não paravam de tremer. Eu suspirei, encarando o nada. Tava pra nascer mulher mais complicada!

                Desistindo de encucar sobre isto, eu fui para o banheiro, já tirando a roupa no meio do caminho. Eu realmente merecia descanso.



CAPÍTULO 12

POV

                Eu tinha chego ao flat por volta das três horas da tarde. Meu corpo parecia ter vontade própria, me arrastando até ali sem que eu quisesse. Eu sentia novamente o conhecido cansaço, sentia as mãos gélidas do desespero me agarrando.
                O apartamento vazio parecia gritar angustia para mim, eu não suportava mais uma vida assim. Fria, gelada, um buraco. Alguns diziam que o tempo era curador, mas não parecia ser este o meu caso. Anos se passaram e volta e meia eu era devastada pela sensação de perca recente. Eu sentia que não podia suportar mais nenhum segundo vivendo sem eles… minha vida era eles, então o que eu estava fazendo ali? Respirando? E o dia de amanhã seria uma tortura ainda maior para mim. Não seriam mais cinco anos. Seriam seis. Seis anos.
                 O pior da dor era ter que senti-la e tudo o que eu queria era um anestésico definitivo, algo que me poupasse daquela autocomiseração eterna. Eu era fraca, sempre soube disto e durante todo aquele tempo, minha maior luta foi me manter viva, buscando um motivo para isto. Frequentei terapia por quatro anos, tomei remédios controlados por dois anos, me afundei nos estudos e depois no trabalho. Mas tudo me parecia vazio demais.
                Eu me arrastei até o banheiro, tirei a roupa sem ao menos me dar conta do que fazia, e entrei no chuveiro quente aos cacos. Eu só teria que sobreviver a mais uma crise… sozinha.
“Evite ficar sozinha em momentos assim, . Procure conversar, falar tudo o que sente para as pessoas que confia.”
Eu me lembrava bem dos conselhos do meu terapeuta, assim como meu subconsciente sabia por que tipo de “momento” eu estava passando. A beira de um precipício, com uma imensa vontade de dar mais um passo e cair naquele abismo negro que me chamava. Mas todos que eu confiava já estavam fartos daquilo, dos meus desabafos.
“Você está viva, minha filha! Há um motivo, um bom motivo de você ter sobrevivido. Encontre isto! Se agarre a isto e se permita viver! Realmente viver!” – Era o que minha mãe dizia sempre. Mas acontece que eu nunca fui capaz de compreender porque eu tinha sobrevivido, muito menos achado algo bom pelo qual viver. Tudo me parecia um castigo. Viver, conviver com a ausência dos meus amores todos os dias e noites me parecia uma penitência.
                Eu só queria ter morrido! Morrido naquele dia. Eu tinha a estranha certeza que se eu tivesse partido junto deles eu poderia ser feliz em algum lugar longe dali. A morte, ás vezes, era a melhor saída… a melhor escolha.
                Eu saí do banheiro, me sequei e vesti um robe mecanicamente. Meus pés descalços vagaram pelo pequeno apartamento, em busca de conforto. No fundo do armário do quarto eu encontrei minha inseparável caixa. Era grande, retangular. A peguei e a abracei, ouvindo um suspiro doloroso escapar de mim. Caminhei com ela para minha cama vazia e fria.
                Abri a caixa e distribui o conteúdo pelo colchão de forma cuidadosa. O primeiro sapatinho de Murilo. Era amarelinho, feito de tricô, foi a primeira coisa que Gustavo comprou, assim que soube que eu estava grávida. Cheirei... o perfume de bebê desaparecendo. Remexi na caixa e encontrei o frasquinho verde que eu fazia questão de continuar comprando sempre: o perfume que eu usava em Murilo. Borrifei um pouco na lã do sapatinho e voltei a cheirar, meu coração se aquecendo no ato. Sorri debilmente.
                Havia outras coisas na caixa: bilhetes e cartas que Gustavo me dava, a roupa de batizado do Murilo, um brinquedinho, um livro de poesia que Gustavo me deu com um ramo de lavanda seco entre as páginas. Li um pedaço do poema que ele recitava pra mim, minha voz embargada: “nega-me o pão, o ar, a luz, a primavera, mas nunca o teu riso, porque então morreria.”
                E então eu retirei fotos, fotos e mais fotos. Olhando demoradamente para cada uma delas, como se meu olhar fosse capaz de fazer viver aqueles que estavam no papel. Os restos do meu coração se estilhaçaram.
Fui até o frigobar, peguei a primeira bebida que achei… um suco, um chá, um vinho.… eu não sabia. Derrubei um pouco do conteúdo em um copo. No fundo da gaveta haviam os comprimidos que poucos sabiam que eu ainda mantinha. Eu havia parado de tomar a maior parte dos antidepressivos que meu psiquiatra receitava, mas não aqueles que me faziam dormir. Eu precisava daqueles.  
                Abri o frasco de comprimidos, virei na mão, fechei o frasco, virei a mão na boca, tomei o líquido. Não me pergunte quantos eu tomei, não me pergunte que gosto tinha. Eu não senti nada. Eu já estava dopada antes de entorná-los garganta abaixo, entorpecida pela minha melancolia, pelo meu melodrama contínuo.
                E assim eu simplesmente me deitei em cima das coisas espalhadas na cama, como se elas pudessem me dar o abraço de aconchego que minha alma implorava. Nada. Senti meu rosto cada vez mais úmido, mas não tinha consciência das lágrimas. Meus olhos pesaram aos poucos, não antes de eu colocar pra tocar uma música, uma que eu vivia cantarolando ao longo dos anos.


                A voz de Lana Del Rey encheu o ambiente, soando pelos alto-falantes do meu celular, que estava no ultimo volume. Ela dizia exatamente as coisas que eu sentia. Meus olhos pesaram, se fechando aos poucos, eu murmurava algumas frases da música em minha sonolência forçada.
                Sonhei, ou delirei... não sei ao certo.
Em meu delírio eu sentia um pouco de conforto, um conforto mínimo, mas parecia o suficiente. Uma mão sobre a minha, um carinho sutil, que aquecia meu corpo e espírito. Me concentrei na sensação da mão junto da minha. Algo, um vulto chamou minha atenção. Havia uma porta e encostado nela estava Gustavo, ele estava com nosso filho nos braços, seus olhos fixos em minha mão, entrelaçada a outra mão.          
                Eu não podia ver a quem pertencia a outra mão, mas meu primeiro impulso foi desentrelaçar meus dedos daqueles outros. Mas eu não tinha força pra isto, parecia que com aquilo eu iria perder uma importante fonte de calor… vida.
“Está tudo bem, . Tem que ser assim. Você só precisa dizer adeus a nós dois agora. Só isto” -  Gustavo disse, sua voz parecia etérea demais, distante demais.
“Não!”  - Eu ecoei, em um desespero fraco. Eu vi Gustavo sorrir.
“Sim. Você sabe que deve. Você quer. Só é teimosa demais” – A voz dele saiu divertida, suave.
“Não…” Eu disse novamente, mas senti um aperto mais forte da outra mão na minha, quase como se me puxasse pra outro rumo. Eu não havia soltado, meus dedos firmemente entrelaçados aos de quem quer que fosse.
                Pesarosa eu olhei em direção a Gustavo e Murilo, meu bebê lindo, que acenava as mãosinhas gordinhas pra mim, com um sorriso largo.
“Diga tchau pra mamãe, ela vai nos deixar ir agora.”
                Eu senti as lágrimas inundando meus olhos, Murilo juntou as mãosinhas na frente dos lábios e soprou um beijo infantil para mim.
“Não posso deixá-los… não posso!” Eu disse. Gustavo ainda sorria.
“Não vai  nos deixar. Mas devemos ficar somente em seu passado. Estamos nos despedindo do seu presente, meu amor… Adeus…”
                A voz do Gustavo foi abafada pelo som estridente da realidade. Meu celular tocava. Olhei para o aparelho, mole, sem força para mover um músculo sequer. Eu tinha minha mão esquerda no campo de visão, onde minha aliança e a do Gustavo ocupava o dedo anelar. Não liguei para o celular até que ele parou de tocar, sempre encarando as duas alianças em meu dedo. Parecia ter um peso enorme.
                O “adeus” de Gustavo ainda parecia retumbar no meu ouvido. Não tinha sido ele a me dizer aquilo, não é? Era o meu subconsciente, confuso. Ou será que o sonho era realmente uma mensagem?
                Não sei exatamente em que momento, mas voltei a dormir. Acordei um tempo depois, desta vez o telefone do quarto tocava insistentemente. Ignorei. Meu celular voltou a tocar. Arrastei minha mão pelo colchão e só tive força para pegá-lo debilmente e jogá-lo o mais longe de pude. Continuou tocando, minha força parecia insuficiente para quebrá-lo.
                Apertei os olhos e voltei a mergulhar na escuridão. Algum tempo depois, eu não sei dizer o quanto, acordei novamente, desta vez com os sons da campainha do flat, que tocava incessantemente. Bem lá no fundo da minha consciência, eu parecia ouvir alguém me chamar. Mas poderia ser só impressão. Continuei imóvel apenas ouvindo o som da campainha, e depois o som abafado de batidas graves.
_ ! ! Abra! – Alguém dizia, perecia estar desesperado.
                Mas eu não queria me mover. Não queria ou não conseguia?? Tanto faz.
                Depois de um tempo as batidas pararam, mas logo eu ouvi uma voz. Não, não era só uma. Eram duas... ou três.
_ !
_ Calma, senhor. Deve estar tudo bem.
_ Você tem certeza que ela está aqui? Tem certeza que ela não saiu?
_ Eu não saí da recepção, senhor. Desde que ela chegou pela tarde. Não a vi sair depois disto.
_ Santo Deus! !
                Eu escutava o diálogo, as vozes pareciam estar dentro do flat. Logo escutei passos apressados, cada vez mais próximos.
                Eu deveria me levantar, acalmar quem quer que seja que estava me chamando, que parecia agoniado. Movi minhas mãos lentamente pra me levantar, minha cabeça pesada, minha visão embaçada.
_ ! ! – Alguém chegou perto de mim, me agarrou pelos ombros, me sacudiu. Eu gemi. – O que você fez!? O que você fez!?
_ Mateo… - Finalmente reconheci a voz, minha língua enrolava na boca quando eu tentei falar, parecia dormente. – Não… não… - Eu queria dizer que não tinha feito nada. Só estava dormindo. Mas me parecia muito complicado falar, então desisti.
_ O que você tomou? O que tomou? – Mateo parecia muito, muito nervoso. Falava com desespero e um tanto de raiva. Ele me soltou, eu caí na cama feito uma geleia.
_ Aqui, senhor. Ela pode ter tomado isto. Acho que é um calmante.… – Alguém, não fazia ideia de quem, disse.
_ Me dê aqui. – Mateo disse, brusco. Depois de um momento me senti agarrada de novo. – Abra os olhos, . Abra! – Mateo me ordenou, ríspido. – O quanto disto você tomou? Quanto?
_ Hummm… - respondi.
_ Fale comigo, merda! Pelo amor de Deus! – Mateo implorou. Eu abri os olhos, piscando algumas vezes. Mas só enxergava borrões indistintos.
_ Senhor, acho melhor chamar um médico. Tem um que está hospedado aqui do lado, talvez ele possa… – Outra pessoa disse. Virei minha cabeça na direção da voz e enxerguei outro borrão.
_ Sim! Eu preciso de um médico! Rápido! Agora! Chame-o, por favor. – Mateo disse. Depois se virou pra mim. – , fala comigo! Fala comigo!
_ Estou bem… - consegui dizer. Minha voz não mais que um murmúrio.
                Mas depois me senti muito zonza. Voltei a fechar os olhos. Eu estava morrendo de sono. Eu só precisava dormir… dormir bastante…
                E foi o que fiz, voltando pra escuridão.
My dark paradise.
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POV Taylor
               
_ E aí, já jantou? – Nádila perguntou ao telefone. 
_ Hhummmm… não. Preferi dormir. – Eu bocejei, me esticando na cama. – Que horas são?
_ Nove horas da noite, Bela Adormecida. – Esta foi a resposta que eu tive, mas não de Nádila.
_ Jason?
_ Eu mesmo.
_ Ah, é: você está no viva-voz. – Nádila deu a informação tão vital, como se eu não tivesse percebido.
_ Obrigado por avisar.  – Eu disse e escutei algumas risadas.
_ Por nada.
_ Então, Bela Adormecida, a gente acabou de fazer o pedido aqui no restaurante do hotel, se você correr consegue jantar com a gente. ­– Desta vez foi Jack, eu acho, que falou.
_ Mas anda logo! Levante! – Jason disse, impaciente.
_ Isto é um convite? – Perguntei, mas já estava de pé, sacudindo o cabelo e indo atrás de uma roupa.
_ Deixa de frescura e desce logo!
                Eu ri. Jason era um idiota.
_ Ok. Como eu sei que minha presença é vital, chego aí em dez minutos. – Eu disse.
_ Que declaração mais gay, Taylor!
_ Deixa de graça, já demorou pra tá aqui.
_ Dez minutos? Seu lerdo! Não precisa se embonecar não, tá limpo de câmeras por aqui.
                Eu desliguei o telefone em meio a um monte de piadinhas e fui me vestir. Em menos de dez minutos eu estava entrando no restaurante do hotel. A maior parte dos hóspedes já estava acostumada com a movimentação do elenco, então a gente já se sentia mais a vontade em se movimentar por ali sem ser parado a todo momento pra dar um autografo, tirar foto, ser sufocado por um abraço, ou coisas assim.
                Uma parte do pessoal do filme, umas quinze pessoas, entre elenco e equipe técnica, estavam sentados em uma mesa enorme no fundo do restaurante, fazendo uma algazarra. Todo mundo se dava muito bem e a intensidade e continuidade dos trabalhos aproximou todos ainda mais.
                Quando cheguei os pedidos de alguns já tinham saído, mas outros ainda aguardavam.
_ Então, a festa vai ser na Greenhouse… Eu consegui fechar só pro pessoal do filme mesmo, então espero que todo mundo vá. – Johan discursava, animadíssimo.
_ Mas qual o sentido de eu ir a uma boate se eu não quero dançar? – Nádila disse, fazendo uma careta.
_ Ô meu amor, vá pra beber então. – Johan respondeu, como se fosse óbvio.
_ Não bebo.
_ Genteeeee, que bafo, ela é santa! 
                Todo mundo riu e Nádila ameaçou jogar a faça que segurava em Johan. Ele, por sua vez, agarrou a sua faca e apontou pra ela.
_ Olha aqui, quiridinha, você vai  de todo o jeito.
_ Nada de briga crianças, daqui a pouco vocês fazem a segurança do hotel vir até aqui. – Sally disse, toda cordata.
_ Ou então o próprio Chris sai de seus aposentos e vem botar ordem nisto aqui com aquele jeito dele de dizer: CORTAAA! – Jack disse, fazendo todos rirem novamente.
_ Ou pior, sai de seus aposentos a poderosa com aquela cara esnobe e diz: “O que a equipe do meu filme está fazendo se comportando desta forma, como um bando de hienas infantis!?” – Miranda nossa chefe de maquiagem disse, até se levantando para imitar .
                Todo mundo riu mais, mas de repente Jason engoliu a risada e olhou sério para a entrada do restaurante.
_ Disfarça pessoal, porque a em carne osso vem vindo ali.
                Miranda ficou pálida e se sentou no ato, só então se virando pra olhar a porta e vendo que era mentira de Jason.
_ Seu idiota! – Ela disse, fazendo todo mundo rir ainda mais, feito um bando de hienas, realmente.
                Porém eu não ri tanto. Quando Jason disse aquilo, eu também olhei pra porta, esperando ver ela ali. No fundo, eu queria ver se ela já estava um pouco mais normal. A conversa com o Mateo ainda me incomodava.
                Mas ela não desceu e logo eu esqueci daquilo, me envolvendo na conversa do pessoal. O jantar durou um bom tempo e nós, entre besteiras e conversa inútil, falamos sobre o filme, sobre nossas expectativas com a viagem para gravação das externas, sobre os planos de filmagem, divulgação, contratos e tudo mais.          
                A mesa foi se esvaziando aos poucos, ao ponto que por volta das onze e meia da noite só estávamos eu e mais cinco: Nádila, Jason, Sally, Miranda e Jack. Quando os garçons deram sinais de que queriam fechar o restaurante, pedimos a conta e Jason acabou por bancar todo o resto que ainda não tinha sido pago, já que o pessoal que foi saindo tinha pago alguma coisa.
_ Então, o clima lá é bem seco, vai ser difícil se acostumar, mas por um lado, eu acho que pode ajudar na veracidade da cena. O corpo sentindo tudo, o calor, a falta de umidade… ajuda a entrar no personagem melhor. Eu prefiro gravar as externas por causa disto. – Jason continuava o assunto conforme o nosso grupo ia andando pelo hotel, chegando à recepção.
_ Eu também penso assim. – Eu completei. - É mais difícil entrar no clima da cena quando tudo o que temos ao nosso redor são paredes verdes e câmeras. É mais cansativo ir pra fora, mas…
                Minha fala foi interrompida por uma sirene de ambulância que estacionou na frente do hotel. Paramédicos saíram apressados carregando uma maca, um rapaz com uniforme do hotel saiu do elevador e os recebeu.
_ Vixe, o que será que aconteceu?  - Sally disse.
_ Coisa boa não deve ser. – Eu disse.
                Por um momento nos esquecemos daquilo, voltando a nossa conversa. Por um momento continuamos com o tom leve, risos aqui e ali. Mas só até o elevador a nossa esquerda abrir novamente e por ele sair quem precisou de cuidados médicos.
                A primeira pessoa que eu vi foi Chris, que saiu do elevador com expressão transtornada, falando ao celular. A conversa morreu naquele momento, todo mundo do nosso grupinho ficou mudo, gelado.
                Depois de Chris veio Mateo, os olhos vermelhos, era nítido o seu desespero. Então meu sangue gelou ainda mais. Eu me lembrei da nossa conversa mais cedo.
nunca soube lidar muito bem com esta perca. Ela costuma agir impulsivamente às vezes.”
                 E antes mesmo que eu pudesse distinguir quem era a pessoa que vinha na maca atrás dele, eu já sabia: .
                Sally e Nádila deram um suspiro quando a maca chegou perto o suficiente pra que pudéssemos vê-la. estava pálida, imóvel, olhos fechados, ela tinha no rosto uma mascara ligada a uma espécie de bolsa, eu não sei. Um dos paramédicos não parava de bombear aquilo nela, empurrando ar pra dentro.
_ Gente, aquela é a ! – Ouvi Jason falar o óbvio, enquanto todos nós continuávamos imóveis.
                Mas antes que eu pudesse me conter eu corri pra perto de Mateo, que neste momento estava quase debruçado na maca que corria pelo saguão do hotel a toda velocidade. Agarrei seu braço. Ele se levantou e virou pra mim.
_ Mateo? – Foi a única coisa que eu pude dizer. Mas eu queria perguntar muito mais. Pela minha cabeça muitas peças começavam a se encaixar e a conclusão que elas me empurravam era aterrorizante demais.
                O medo que eu vi em Mateo antes e agora só pareciam me empurrar para uma única conclusão, a qual eu tentava evitar a todo custo. E a única resposta que eu tive de Mateo não aliviou em nada a minha apreensão.
_ Não fale nada daquilo a ninguém. – Ele me disse, como se eu já soubesse de tudo o que acontecia, como se eu tivesse deixado transparecer minhas suspeitas.
                Ele se afastou e correu atrás da maca que já tinha saído do hotel. Eu fiquei parado, só assistindo. Logo Nádila, Sally, Miranda, Jason e Jack estavam em volta de mim.
_ O que ele disse? O que aconteceu? – Eles me perguntavam, mas eu só sacudi a cabeça, negando. Minha garganta fechada.
                Eu só podia estar enganado. Claro que eu estava enganado.
_ Cara! Cara! Meu Deus! – Jason disse, passando as mãos no cabelo. – Será que o que ela teve foi grave?
_ Acho que sim. Você viu a cara do Chris? E o Mateo, amigo dela? – Sally comentou.
_ Realmente ela não me pareceu bem todo o dia de hoje. Vocês viram ela na reunião? Ela estava estranha. – Todos concordaram quando Miranda disse aquilo. – E depois ela saiu tão louca do Studio que até deixou o carro lá.
_ Taylor, você sabe o que ela tem? – Nádila perguntou, direta. Todos os pescoços se viraram para mim.
                Eu pisquei e encarei Nádila, que tinha o cenho franzido e me observada atentamente.
_ Eu? Eu não. Por que eu saberia? – Rebati, minha voz trêmula.
                Nádila deu de ombros.
_ Bom, seja lá o que for, espero que ela fique bem. De qualquer forma não podemos continuar aqui, com esta ambulância e movimentação toda, já deve ter algum paparazzi a espreita aí fora. – Ela disse.
_ Sim, você tem razão Nádila. O melhor que temos a fazer é subir e, bom, rezar por ela.  – Sally completou.
                Todo mundo caminhou para o elevador, mas eu não podia simplesmente ir para o quarto. Eu precisava tirar aquela dúvida da minha cabeça. Eu me despedi de todos, mas não subi. Eu fui direto pra recepção, para o rapaz que recebeu os paramédicos. Eu já o conhecia dali do hotel, embora não soubesse o seu nome.
_ Por favor… será que você sabe informar pra que hospital levaram ela? – Eu apontei vagamente para a saída do hotel.
_ Não, senhor. Eu sinto muito.
_ Não mesmo? – Insisti.
_ Bom, tem um hospital bem grande aqui perto. Ela pode ter sido levada para lá.
_ Qual? – Perguntei, imediatamente.
                Ele hesitou por um momento.
_ Não se preocupe, você sabe que nos conhecemos. Estamos trabalhando juntos e hospedados bastante tempo aqui. – Falei, tentando acabar com qualquer hesitação que ele pudesse ter.
_ Tudo bem. – Ele se curvou e rabiscou o endereço do provável hospital que levaram .
                Eu agarrei o papel e me virei pra saída... mas então me lembrei: imprensa. Não podia arriscar tanto alarde depois que uma ambulância saiu do hotel em que o elenco inteiro de uma produção tão grande estava hospedado. Voltei para a recepção e pedi ajuda pra sair por uma “saída mais discreta”. Demorou mais do que o previsto até eu conseguir sair. Antes eu tive que subir e pegar blusa de capuz e boné.
                Eu preferi não sair com meu carro, que era conhecido, então pedi um taxi. Fui pego na saída da lavanderia do hotel e só depois de meia hora eu consegui chegar ao bendito hospital. Mas quando eu entrei na recepção do hospital, eu não sabia, exatamente, o que eu ia fazer ali.
_ Posso ajudá-lo? – a recepcionista disse, os olhos arregalados pra mim, que estava parado na frente dela sem saber o que fazer.
_ Bem, sim. Será que você pode me dizer se uma paciente, , deu entrada aqui? Ela deve ter acabado de chegar.
_ Um minuto, por favor. – Eu assenti enquanto ela digitava no computador. Volte e meia ela voltava a me encarar, tal como a outra recepcionista sentada ao seu lado. Provavelmente me reconhecendo. Ignorei.
_ Olha, senhor, até o momento não chegou nada pra mim. Mas normalmente demora um pouco pra efetuar o registro. O senhor sabe se ela foi atendida por emergência?
_ Sim, emergência. – Eu disse.
_ Bom, então o registro só é feito quando um dos familiares vem até aqui fornecer os dados do paciente.
_ Ok. Muito obrigado.
                Eu me virei para sair, começando a achar ridículo meu impulso de ir até ali. Mas foi quando eu vi Mateo sair por uma das portas, acompanhado de um médico e de Chris. Ele não me viu imediatamente, falava ao telefone, mas eu não entendia uma vírgula. Ele falava em outra língua.
_ Taylor? O que está fazendo aqui? – Chris me perguntou.
_ Bom, eu vi quando vocês saíram com e… vim ver se está tudo bem. O pessoal que estava comigo ficou assustado e… bem. Estou aqui. – Eu parei de falar porque eu não sabia muito bem o que dizer.
_ Hummm… - ele disse, me encarando.
_ Taylor? – Mateo veio pra mim, depois de desligar o telefone, me fazendo a mesma pergunta. Mas nem me dei o trabalho de me explicar. Fui logo perguntando:
_ Ela está bem?
_ Vai ficar. Está sendo bem cuidada. – Mateo disse.
_ Bom, Mateo, eu tenho que ir. Tenho que falar com a Emma e tentar adiar um pouco nossa viagem, ou pelo menos a de . Quanto antes eu fizer, melhor. – Chris disse, se dirigindo a Mateo.
_ Tudo bem, Chris. Obrigado pelo apoio.
                Chris deu um tapa no ombro de Mateo.
_ Imagine. Fique bem também rapaz. Ela vai precisar de você.
                Mateo deu um sorriso cansado.
_ Eu sei.
                Chris passou por mim com um aceno, enquanto Mateo foi até a recepção passar os dados de . Eu esperei. Sem saber muito o porquê, mas eu esperei.
Depois que ele terminou andou até mim hesitante, olhando para baixo, mas passou direto, indo em direção de uma capela que ficava ao lado da recepção. Ele não disse nada, mas eu o segui. Nos sentamos em um dos bancos, lado a lado. Mateo se curvou e soltou um suspiro.
_ Eu sabia que ela não estava bem. Eu te disse. Eu devia ter ficado do lado dela o tempo todo. O tempo todo!
                Sem saber o que fazer – eu não sabia de nada com nada aquela altura – eu toquei o ombro dele, apertei, tentando passar conforto.
_ O que aconteceu? – Criei coragem pra perguntar. Mateo ficou mudo por um tempo, e quando falou, não me deu uma resposta.
_ Amanhã… amanhã é o aniversário de morte deles. Vai fazer seis anos.
                Ele não precisava me esclarecer nada, porque eu sabia exatamente do que ele estava falando. Do marido e do filho de . Daquela vez, eu é que fiquei mudo.
_ Mas eu também canso, sabe? – Mateo disse de repente, se erguendo da posição curvada e quase me dando um susto. – é uma mulher espetacular, mas ela suga a gente.  Eu a amo, de uma forma que você não vai entender. Conheço-a desde criança, ela já fez muito, muito mesmo por mim. Mas desde que ela perdeu os dois tem sido difícil não só pra ela, mas pra todo mundo que está perto dela. Eu tomei a decisão de estar sempre junto, de protegê-la de si mesma até, mas com a esperança que ela se recuperaria algum dia. Mas agora, quando eu pensava que ela estava quase lá… - Ele soltou um suspiro. – Eu não devia falar nada disto com você.
_ Mas você precisa falar isto com alguém, não é? – Ele ficou quieto. – Pode confiar em mim. Eu já disse, sei ser discreto.
                Mateo soltou o ar novamente, parecendo aliviado por poder falar com a consciência mais leve. E então, ele começou a falar quase ininterruptamente.
_ Eu fiquei com raiva dela hoje, lá no Studio ainda, quando eu vi nela aquele olhar de novo, de luto, de depressão. Eu não aguento mais! Não aguento mais ver aquela mulher tão magnífica se afundando em uma cova como ela vem fazendo. Porra, Taylor! – Ele parou abruptamente quando soltou o palavrão, olhando para a cruz no pequeno altar com cara de culpa. – Bom, eu já perdi um grande amor. O grande amor da minha vida. Eu fiquei do lado dela, durante todos esses anos, justamente por saber exatamente o que ela sentia. Mas eu dei a volta por cima, eu jamais cheguei tão fundo como ela chegou… eu não entendo como ela pode, pode tentar…
_ Tirar a própria vida? – Eu sussurrei minha suspeita. Isto o fez se calar, estremecendo. Mateo voltou a se curvar e agarrar os cabelos.
_ Ela tomou uma dose grande de calmante. Um bem forte. Estava completamente dopada. – Ele disse, depois de um tempo.               
                Eu engoli em seco, horrorizado. Meu Deus! De um dia para o outro eu descobri que a intragável carregava uma dor imensa... e depois descobria que ela era... uma ex-suicída? Eu podia chamar assim? Era inconcebível. Ela sempre parecia tão autossuficiente, tão dona do mundo, tão segura de si. Mesmo que eu já suspeitasse daquilo, eu fiquei embasbacado ao ter tudo confirmado.
                Tal como Mateo, eu jamais conseguiria compreender como alguém poderia chegar ao ponto de tentar se matar. Claro, os motivos dela pareciam bem fortes. Não era como aqueles adolescentes que se matavam porque brigaram com os pais ou terminaram um namoro de dois meses. Mas ainda assim…
_ Por favor, ninguém pode saber disto! Você sabe mais até do que o Chris, que ficou muito assustado quando soube. Ele não sabe o que fazer com ela agora. Não sabe como lidar e… ninguém mais pode saber sobre isto! – Ele concluiu.
_ Mateo, calma. Eu já disse que pode confiar em mim. Não vou dizer nada a ninguém. Nem a minha própria sombra. Eu sei a seriedade disto, imagino as consequências se esta história se espalhar.  – Eu disse, tentando tranquilizá-lo. – E pode contar comigo. Para o que precisar. não precisa saber, ninguém precisa saber. Mas eu acho que ela não é a única que vem sofrendo muito durante esses anos, não é a única que precisa de apoio.
                Os ombros dele caíram ainda mais.
_ Obrigado.  Eu… eu… Ah! Obrigado. – Ele disse, sorrindo sem jeito.
                Mateo ainda ficou conversando comigo durante um tempo, simplesmente desabafando. Contou como a encontrou no apartamento: deitada na cama, em cima de um monte de fotografias antigas e objetos do marido e do filho que ela tinha escondido e ninguém sabia que carregava. Falou que ela já tinha feito aquilo antes – tentativa de suicídio, dias depois da grande perca. Contou que foi a mãe dela que a encontrou, literalmente com uma corda no pescoço, uma cena horrível.
                Eu tremi só de imaginar aquilo. Parecia bizarro demais. Eu ainda me recusava acreditar que a que eu conhecia seria capaz daquilo. Depois disto ela ficou anos fazendo terapia com psiquiatra, tomando remédios e tudo. Aos poucos voltou a estudar e trabalhar, mas nunca mais foi a mesma de antes do acidente.
_ Esta que vocês conhecem agora, a intragável , é até bem legalsinha em comparação com as outras fases que ela teve. Teve um tempo que ela tinha uma presença pesada, ela carregava um mar de tristeza com ela que parecia afogar todo mundo. – Ele contava.
                Eu o ouvi, tentando reter a menor quantidade de informações possíveis, já pensando que não seria saudável pra mim saber de tanto e ter que trabalhar com ela depois. Se é que ela voltaria ao trabalho tão cedo. Mas a história era tão densa, que isto era quase impossível. Aquilo entrava na minha cabeça e dava voltas e voltas. Minhas emoções eram despertadas cada vez mais conforme o Mateo me contava detalhes.
                No meio da conversa ele parou para atender mais dois telefonemas dos pais de . Eles estavam a caminho de Nova York, ao que parecia. Mas depois, ele voltava a se sentar no banco ao meu lado e falava, falava e falava.  Mateo falou muito, bastante, parecia realmente despejar o que guardava em anos. E eu ouvi, raramente falando algo. Só paramos de conversar quando um médico o chamou para dar as ultimas informações sobre .
Ele voltou alguns minutos depois, quando eu já pensava em voltar para o hotel. Parecia mais aliviado.
_ O médico acha que ela não tentou se matar. Disse que o que ela tomou foi o suficiente para dopá-la bastante, uns quatro comprimidos, foi perigoso, mas não lhe pareceu a quantidade que um suicida tomaria. Em casos assim, a ingestão costuma ser muito maior… A cartela inteira ou um frasco inteiro. Ele acha que foi um pouco de descuido dela, talvez.
_ Isto é bom, não é? Significa que ela não teve uma recaída tão grande. – Eu disse, tentando animá-lo.
_ Bem, se ela realmente não tentou se matar, se só tomou esta quantidade por desespero em dormir… isto é uma grande coisa, realmente.
                Eu assenti. Mateo olhou para o relógio.
_ Taylor! Já está tão tarde! Eu fiquei aqui te alugando com problemas de terceiros até estas horas! Me desculpe!
                Eu sorri.
_ Imagine, cara. Isto foi coisa séria, não qualquer bobagem. Já disse e repito: pode contar comigo.
                Mateo balançou a cabeça, dando um riso frouxo, parecendo incrédulo.
_ Não existem mais no mundo muitas pessoas como você, sabia? Eu nem sei como te agradecer! Eu acho que você não tem a mínima ideia do quanto me ajudou hoje.
                Eu fiquei sem jeito quando ele disse aquilo.
_ Que isso! Era o mínimo que eu podia fazer.
_ Sei. – Ele disse, desconfiado. - O médico liberou visita. Ela está dormindo, vai ficar assim por um bom tempo. Você vem comigo?
                Meu coração disparou.
_ O que? Ir ver ?
_ Isso. Você veio até aqui não pra saber os meus sentimentos. Isto foi consequência. Você veio aqui por causa dela.  Então, vamos ir vê-la. – Nada do que ele disse foi uma pergunta. Só afirmações.  
_ Bom, eu não sei. Já está tarde, talvez seja melhor eu voltar outra hora e…
_ E você voltaria outra hora? Quando ela estivesse acordada?
                Não, eu não voltaria. Mas fiquei quieto.
_ Olha, vamos lá. Me acompanhe. Eu também vou voltar pro hotel, trocar de roupa e voltar pra cá, esperar os pais dela. Nós vamos até o quarto dela, vemos como ela está e depois voltamos juntos pro hotel. Pode ser?
                Eu dei de ombros.
_ Tudo bem.
                Subimos um lance de escadas, o cheiro forte de remédios e álcool infestando minhas narinas. No primeiro andar viramos à direita e percorremos um longo corredor branco. Estava tudo silencioso, mas o ambiente era opressor para mim. Mateo, ao meu lado, parecia cada vez mais cansado, mais tenso. E depois de tanta conversa, eu sabia que seu cansaço e exaustão não era um problema físico. Mais que isto.
                Minha cabeça tentava entender toda a situação pela qual passou e o quanto deveria ter sido difícil permanecer ao lado dela, vendo-a sofrer daquela forma. Mateo parecia ser muito mais que um amigo para ela. Ele havia me dito que ela era filha única, mas do jeito que ele falava dela, parecia que ele tinha um sentimento de irmão por ela. Reconheci nele o mesmo carinho e preocupação que eu dedicava a Makena, minha irmã. Tentei imaginar como eu me sentiria se fosse Makena no lugar de , sofrendo tanto ao ponto de tentar contra a própria vida.
                Isto me pareceu doloroso demais pra pensar. Eu não sei se eu teria a mesma força que Mateo teve para se manter ao lado dela e sustentá-la. Quando chegamos ao quarto que nos foi indicado pelo médico, Mateo parou, apertando o maxilar. Então eu fui no lugar dele e abri a porta.
                estava estendida na cama, parecendo dormir pacificamente, serena, inofensiva e bela… absurdamente bela. Vestia uma espécie de robe azul, não parecia roupa de hospital. Seus cabelos, lisos, volumosos e negros, emolduravam seu rosto ainda pálido. Ela tinha no dedo um aparelho de monitoramento cardíaco e no braço o soro injetado na veia.
                Ela não parecia em nada um suicida, não parecia aquela mulher sofrida que eu tinha vislumbrado mais cedo, na sala de fotografia. Também não chegava nem de perto demonstrar a arrogância e prepotência que tinha a , roteirista e assistente de direção que me infernizava no trabalho.
                Ela parecia tão somente uma bela mulher, frágil e delicada, que precisava de aconchego e muitos cuidados. Fiquei apenas observando a respiração calma dela fazer seu tórax subir e descer em um ritmo lento. Não me dei conta da aproximação de Mateo até o ver se debruçar sobre ela, agarrar-lhe a mão e colar a testa em seu dorso. E ele chorou, sem receio ou vergonha por eu estar assistindo tudo.
_ Por que você tem que fazer isto consigo mesma, baby? Por quê? – Ele murmurou.
                Comecei a me sentir mal, um intruso assistindo uma cena intima entre dois amigos-irmãos. Pé ante pé, eu me afastei até sair do quarto e fechar a porta, procurando fazer o menor ruído possível.
                Subitamente me senti cansado, sentindo sobre meus ombros todo o peso da história de . Me encostei na parede e fechei meus olhos. Ela roubava todos os meus pensamentos, sua tristeza, seu desespero contido, suas lágrimas – as poucas que vi e aquelas muitas que eu imaginava.
                Abri os olhos. Definitivamente não foi bom pra mim saber de tudo aquilo. Não foi. Eu estava sentindo coisas demais que eu não sabia como ordenar. Comecei a me sentir sufocado com tudo isto, minha vontade era correr pra longe dela, o mais longe possível.

                Naquele momento eu descobri que era uma presença forte demais na vida de alguém. Não podia ser saudável. Não podia! 


N/A: Olá moças! Fui mais rápida, neah?? Vão aproveitando, vão aproveitando! Boa fase de inspiração em “A Musa”. Deêm vivaaaaaa!!! Kkkkkk...
Bom, o que me dizem do capítulo??? Lucynda, acho que o começo do cap. a parte do POV da PP, responde o seu comentário!! Só não teve a parte do conto de fadas, pq né?
E eu sei que as meninas, tipo a Clessiane, aguardam ansiosamente as cenas hot’s. Mas aguardem, aguardem. Elas virão! Estão sendo construídas... confiem em mim, beleuza?
Que mais... bom, o capítulo seguiu um rumo inesperado por mim, foi dramático (eu tenho uma forte tendência ao drama, vcs sabem), masssssss.... fundamenta boa parte da história. O que será que vai acontecer depois disto? Pois eu digo que a partir daqui as coisas vão mudar para a PP e para o Taylorsinho. O que vcs acham que vai dar?? Tô curiosa aqui pra saber a opinião de vcs! Bjitos da Déh!

P.S.: obrigada a todas as fofas que comentam! Amo vcs!

139 comentários:

  1. Tenho certeza que essa vai ser mais uma fic SUCESSO do tfi! HAHAHA

    serio mesmo, só de ler o prologo e esse primeiro capitulo me empolguei toda! Essa PP é uma personagem muito intrigante e singular, não vejo a hora dela ceder aos encantos do Taylor *-*

    Estou AMANDO a historiasinha! kkkkk Vou aguardar ansiosamente os próximos capítulos!

    Besos :*

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  2. É claroo que vc pode (e deve!) continuar!!
    Já adorei a PP e o jeito 'confiante' que ela parece ter e já deu pra ver que ela vai judiar um bocado do Tay....
    Com certeza vou amar acompanhar essa fic!!

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  3. Uiii . Adoreei esse prólogo, digno de oscar .kkkkkkkkkkkkkkkkkk Nem gosteei neeh de receber 1 kkkkkkkkkkkk. Continua postando gata, qe fiqueei curiosa pra saber o pq da briga !!! Beijooos

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  4. Déh, acho que nem é surpresa eu dizer que você começou essa fic com louvor! Quando eu a vi na att, nem mesmo hesitei ao clicar - e olha que eu estou um pouquinho ocupada aqui ks. Pelo que eu vi no prólogo eles não terão uma relação muito boa no início.. e mudar o caminho pelo qual ela está seguindo dependerá apenas de uma única pessoa: nosso amado Lautner... Ele terá que provar pra essa - desculpe dizer - bitch que ele não é só um rostinho bonito para que a admiração dela ceda espaço ao amor.
    E eu gostei de saber que você será plenamente sincera/crítica sobre a saga ao longo da história, pois você basicamente só dirá o que todas nós achamos, mas, como fãs, ignoramos/negamos.
    Enfim, o capítulo foi curto (ou eu que li rapido demais, não sei), mas já bombou, com toda certeza.
    E eu posso não estar muito presente em TPB agora (vou mudar isso logo, prometo), mas garanto que acompanharei fielmente A Musa ;)
    Beijos Déh e continue com essa escrita maravilhosa e encantadora sempre!

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  5. Prólogo:
    Como eu disse quando você me passou um trecho da fic, essa PP é construída em valores. Ela anseia melhorar, de uma forma rude, admito, o Taylor. Ela quer destilar a imagem dele do lobo, ela quer que Taylor Lautner brilhe, não Jacob Black, como tem sido ao longo dos anos...

    Capítulo 1:
    Simplesmente amooo essa primeira parte! Lembro da emoção de ter lido, a realização de um sonho... Como eu disse, a PP cria-se e ganhar seguidores através de seus valores, valores que ela não havia percebido que existiam dentro dela, até o momento em que ela começou a gravar o documentário, e descobriu diferentes formas de vida, felicidade,cultura entre os seres humanos, que em uma entidade, deveriam ser todos iguais. É isso que a muda e a faz perder a meninice, abre os olhos da mulher e afaz se provar para ser alguém melhor e tornar melhor, aqueles que estão a sua volta.

    Quanto a parte do Taylor, vejo que ele começou a sofrer do Complexo de Histocompatibilidade. O que ser isto? Bem, o Complexo de Histocompatibilidade é um aviso do corpo, que você o parceiro geneticamente compatível com você, ou seja, junto, vocês teriam filhos perfeitos, completamente saudáveis. Ah, isso se descobre através do cheiro de do olhar. O quanto esta pessoa te fascina?
    Ok, exagerei! Kkkk'
    Mas eu quis dizer mais ou menos isso mesmo. Ele se encantou, por ela ser completamente diferente de tudo o que ele conhecia (Ô benção! Seria bom acontecer de verdade, seria tão bonito... *---*).
    Se você pode continuar? Você DEVE continuar.
    Não gosto de jujuba, então nem me arrisco a tentar adivinhar! Kkkk'
    Quando começar a se desenvolver mais eu faço comentários mais elaborados, ok?
    Beiijos Déh!
    P.S. Se não postar logo, eu descubro onde mora e vou aí te enforcar! MUAHAHAHA. E lembre-se que já sei a cidade *aperta os olhinhos*
    Beiijaneses!

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  6. Com Certeza, já estou envolvida nessa fic, muito boa! *-*

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  7. A fic ta maravilhosa! Adorei!

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  8. Dona Déh só tenho uma coisa a dizer: Uau!!!
    Por mais que a PP tenha sedo fria nesse começo com o caramelinho eu já amei! Todo diretor só quer o melhor para o seu projeto e se vc pega pesado como ela está com o Tay é pq ela acredita que ele ainda nao se entregou ao personagem totalmente!!!
    Adorei esse começo e pode ter certeza que vou acompanhar sempre que der (e comentar tbm)...
    P.S.: Amei o video da Att muito froids kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  9. Que pergunta mais descabida é essa, D. Déh? Você não só pode como deve e precisa continuar postando essa fic, que já está bombando sem sombra de dúvidas.
    Meu gzuis cristinho, que PP mais arisca, omg, Taylor vai passar maus bocados até conquistar essa fera de vez. rsrsrs
    Esses dois juntos certamente pegarão fogo, em todos os sentidos, literalmente... rsrsrsrs
    Ain, que sonho, conhecer o Tay... ai, ai... "Le suspirando"
    A fic começou com o pé direito, e como sempre estarei aqui firme e forte, aguardando mais um capítulo divo.
    Amandooooooooooo, bjsssssss!!!!

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  10. Muito massa. Dando uns puxões em Taylor rsrs

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  11. Aaah, a minha capa! hahaha Obrigada por ter a colocado no início da fic, não sabe como orgulhosa estou! hahaha
    Não preciso dizer que A-M-E-I a história, né?! É ótima, tão... complexa, de um jeito diferente... Bom, quero mais, com certeza! Beijos e parabéns! Até mais xx

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  12. essa fic promete muito

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  13. Post de Lucynda
    Se isso foi para nos deixar com agua na boca, acredite, acabei de me afogar
    Eu amo fics interativas com Tailor
    Foi so o primeiro cptl. e eu ja gostei do enredo, e estou super curiosa com essa PP linha dura, que espero, não seja tão dura com amado TaiTai.
    bjs.

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  14. Acho que não preciso nem dizer que a fic vai bomba né, também não poderia esperar menos da nossa maravilhosa escritora Deh, que conseguiu apaixonar todas as leitoras com TPB e com certeza também vai fazer nós apaixonar por A Musa. Parabéns Deh o capítulo foi maravilhoso.
    Bjos

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  15. Acho que não preciso nem dizer que a fic vai bomba né, também não poderia esperar menos da nossa maravilhosa escritora Deh, que conseguiu apaixonar todas as leitoras com TPB e com certeza também vai fazer nós apaixonar por A Musa. Parabéns Deh o capítulo foi maravilhoso.
    Bjos

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  16. Como assim "Posso prosseguir?" ? ! Deve!Por favor querida, poste logo o próximo capítulo porque eu ja to amando a fic ! \o/

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  17. ja esperando anciosa pelo proximo cap maravilhoso com tudo que escreve vc te o DOM bju

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  18. Ai meu Deus!!! Deh, eu tenho que te dizer que já fiquei doida por essa fic só de ler as suas ideias no Grupo, quando você postou o resumo (como é que se fala?? é resumo mesmo??) Eu já sabia que: essa fic vai ser um sucesso. Com o prologo e o primeiro Cap. então.... Sem comentários!!!! Eu AMEI você mais que deve prosseguir com ela! Agora eu só tenho uma coisa pra falar antes de escrever um texto de 30 linhas kkk Posta logo outro cap. mulher!!!

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  19. OMG!!!

    Ke fic I.M.P.A.C.T.A.N.T.E!!!
    Foi nisso que eu pensei após ler o Prólogo e o 1° caps.

    Cara essa PP vai dar trabalho para o nosso pobre TayTay...

    Cara essa mulher tem fibra e garra vamos apostar que ela tem segredinhos da vida e com toda a certeza do mundo que ela vai lutar e lutar para não cair nos braços*fortesaradoetudodebom* do nosso caramelinho!!!

    Mas ja dizendo a fic vai ser PHODA.. opss hehehe

    Ja gostei.... Gostei não ameiii DEH !!!

    Não perco por nada e vou sempre acompanhar.!!

    beijones

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  20. A-M-E-I. Muito boa essa fic, vou acompanhar fielmente kkkkkk. nossa, imagino quem fara tudo descer goela abaixo de maneira prazerosa hsaushausahsuabsas mal posso esperar. beijos , continua ta otima a fic.

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  21. PODE, DEVE E NECESSITA DE CONTINUAR! Isso é só o comecinho mas já me prendeu! Quero saber mto mais sobre a minha pessoa e o pq de ser tão diferente e arrelia! Amei

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  22. déh como sempre você arrassou eu já sou sua fã e óbvio que vou acompanhar adorei você vai ter q me aturar aqui tb,adorei pode continua sim senhora

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  23. OIE
    bom ja fui uma leitora árdua do blog hj não o frequento mais não só por falta de tempo, mas também pq acabei perdendo o interesse eram muitas historias q eu lia juntas acompanhava fic a fic tantas q depois de um tempo enjoei. Então hoje aproveitando que estou com a tarde livre resolvi dar uns clicks no blog e por fim acabei curiosamente nessa historia li o prologo e fiquei com aquele gostinho de quero mais que a muito não sentia a ler uma fic, comecei a ler então o primeiro capitulo e me decepcionei ao vê-lo terminar fiquei doida por mais me deu vontade ate de voltar a frequentar esse cantinho todo dia nem que seja correndo para ver se tem + uma att dessa fic incrível q esta apenas no começo sinto, porem que essa é uma daquelas fics q te surpreende do começo ao fim. Por isso já vou lhe parabenizando por este incrível começo e dizendo q pode contar comigo como leitora dessa historinha sobre o meu querido Taylor Lautner. Bjin Bjin bay bay. Gabhy até mais

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  24. isso promete.... akakakakakakakakk.... tão diferente... será????

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  25. OIE!!!
    Tudo bem levantando a mão e me declarando culpada, sei que demorei para ler e comentar essa fic.
    Déh, estou sem paçavras para esse fic, serio, não sei o que dizer, sabe aquele historia que deixa aquele gostinho de quero mais, que quando a gente ve que tem atualização começa a sentir uma anciedade misturada com uma euforia, louca pra saber o que esta por vir, e vai a loucura por que a internet ta lenta e ta demorando pra carregar??? Eis a tua fic, já sinto que ela vai ser um fenomeno, tem tanta coisa passando pela minha cabeça agora, o que pode acontecer.... AH flor demora não, por favor, hum to anciosa pra saber o que vai acontecer em TPB, aguardo os proximos capitulos.
    Bjos

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  26. To vendo que essa fic vai bombar e entrar na minha lista de favoritos!!
    Já amei o prologo e o 1 capitulo!!
    O prologo foi de arrepiar!! De fazer essa fic ser viciante!!
    Adorei o jeito da PP e melhor ainda como ela enfrenta as coisas e o Taylor!!
    E você nem precisa perguntar se deve continuar.. Você tem que continuar!!
    Já to querendo mais e mais...
    Quero ver o dia que você for escrever algo que eu não goste!! Será impossível isso...
    Mesmo com o meu tempo curto.. Estarei aqui acompanhando essa fic!!
    Que já tem cara de sucesso..
    Amei ver o Taylor encantado pela a PP e ela sendo a superior!! E vejo que terá muitos momentos assim...
    Amei...
    já quero o segundo capitulo!!

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  27. Seja, pleaseeeee, continua, eu me apaixonei pelo jeito como vc escreve, o seu Taylor eh irresistível, continua!!!

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  28. Ain, coitada da PP!! Passou por um tremendo desafio, ou melhor ainda está passando por um tremendo desafio, que é continuar vivendo depois de perder o homem que ama e seu filho em um acidente de carro. :(
    Puxa vida, essa teve que aprender a ser forte na marra. ( acho que é assim com suas personagens, né Déh?! ¬¬)
    E com ajuda e empurrãozinho da mamis, pois se não fosse ela, a PP já teria desistido, como ela mesma já tentou. Ter também o Mateo como amigo a ajuda e muito a superar suas aflições e seus medos. Os amigos são sempre o nosso abrigo e o nosso alicerce nessas horas.
    Deu para perceber o quanto a PP é forte, decidida e dura na queda, mas com um jeitinho todo especial... dá para domar a fera. Os produtores e o Mateo é quem sabem. ^_^
    Bora, escrever e colocar a mão na massa PP.
    Ain, e a música foi divina!!! Que voz maravilhosa!! Ameeeeei!!!
    Amandooooooooo demais!!!!
    Bjssss!!!!

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  29. Perfeitoo!
    Agora sim da pra entender um pouco o jeito da pp putz tadinha perder marido e filho em um acidente deve ser foda!!
    Essa musa é O talento né escreve canta mais o que? Caramba assim até eu apaixono o Tay não vai ter chance vai se apaixonar de primeira!!!
    Bom Ta tudo maravilhoso Deh Posta mais!! Bjos

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  30. Maravilhoso!!! Déh vc não tem noção de como eu queria que vc escrevesse uma fic do Taylor. Sou apaixonada por tudo que vc escreve, e essa fic ja mostrou que veio pra ABALAR!!! Vou estar acompanhando com certeza. Adorei a voz, o enredo, confesso que ja imaginei muuuuuuitas vezes o Taylor se apaixonando por uma brasileira que ganha um Oscar, e vc colocou isso nesta fic... Ta muito bom, estou ansiosa por outro capitulo. Bjs

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  31. post. por LUCYNDA
    Mis essa agor, estou tão curiosa que não sei se vou aguentar até a proxima att.
    por que vc fz isso com a gente?
    tem mania de parar quando as coisas ficam mais interessantes, m eu te perdoo por que sei que vai compensar na proxima att.
    então bjs e
    até a proxima

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  32. post. por LUCYNDA
    Ops.
    meu teclado ainda está ruim ms acho que vc entendeu né?

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  33. A pp revelando partes da sua vida coitada senti pena agora,mas com certeza ela vai saber dá a volta por cima penso eu coitado do taylor que vai ajudar nessa virada .
    Com0 sempre ótimo capitulo.parabens.

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  34. Maravilhosa! Vc está escrevendo cada dia melhor Deh! *_*
    A fic mal começou e já aguçou minha curiosidade. Quero maaais!

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  35. Oii, meu nome é Isabella, to postando anonimo pq não tenho conta.
    Sua fic é mt boa, por favor, não pare de postar como outras aqui que começam a escrever e desistem.
    Parabênssss

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  36. PP's difíceis e osso duro de roer? Adoro! Só n pode ficar chata demais, pq ai é dose... Mas, sei q vc conseguirá dosar isso, Deh!
    Esperando mais capitulos, bjs

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  37. Adorei o cap. fiquei com pena da PP pela sua historia, mas ela precisa é superar
    Adorei esse genio difícil da PP, mas fazer o que? brasileiros são msm esquentados rsrsrs

    Continua Deh
    Bjus

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  38. não sei nem o que dizer chorei ao ler algumas partes deste novo capitulo sua escolha de palavras e roteiro é muito boa vc tem uma fic excelente em mão amei de verdade e com certeza lerei capitulo a capitulo assiduamente
    bjs té mais

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  39. Demorei mais estou aki!

    Adorei o capitulo.
    a história da PP é muito complicada
    imagina perde marido e filho desse jeito.
    mas a vida tem ke seguir em frente e
    esperamos ke o nosso caramelinho consiga fazer ela superar e VIVER.

    Já vi ke vai ter muito pano pra manga nessa história.

    espero ke vc autora continue a escrever.

    Porque adorei a história e a nossa PP é DIVA!


    rsrsrsr

    bom Agora me vou

    Beijones*cabelosaovento* FUIII!!!!

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  40. Meu pai amado!! Caramba a PP conseguiu hipnotizar todo mundo com a sinopse da estória de Kalah, nossa, eu mesma fiquei encantada, ai,ai... *----*
    E que luta meu deus, logo imaginei o meu moreno me dando uma chave, uiaaa... seguuuura cabriiiita!! Que calor, só de imaginar a cena, também preciso de água. :p
    E gzuis... a PP tem mesmo uma grande cisma com nosso Lautner, sério, ele não pôde nem olhar para ela e nossa amada PP já cavou a sepultura do menino. ¬¬ Pois ela já havia dado seu veredito lá mesmo na produção, coitado do Tay, se não fosse Chris ele já teria sido riscado sem nem ter tido a chance de lutar pelo seu papel. u.u
    Ele terá que ser muito forte para aguentar essa PP, o páreo vai ser duro, muito mais duro que uma luta de Muay thai, que cá entre nós foi fichinha, a PP bem que se aproveitou daquele corpicho. ¬¬
    E quem diria, ele já está fissuradinho por minha pessoa, ain, que coisa mais linda... ^_^
    Agora vamos ver como ele vai se sair no teste, ele terá que ser o melhor do melhor, e talvez nem isso seja suficiente. :(
    Vamos ver como ele vai dobrar a fera. E eu já estou louquinha para ver isso. hehehehe
    Amandoooooooo demais, demais, demais!!!
    Bjksssss!!!!

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  41. POST. por Lucynda

    Cara, agora fiquei com pena do taylor, o que será ue vai acontecer
    Será que ele vai tentar se explicar
    melhor, será que ela vai querer ouvir
    suas explicaçõaes.
    Ai meu deus, estou muito anciosa, mas vou entender se ouver demora, afinal TPB não pode parar e na minha opinião, vc deve concluir um projeto, antes de comessar outro, mas como vc é muito boa no que faz, tenho certeza que vai dar conta do recado, mesmo que um tenha que ficar parado por um tempo.
    Que esse tempo seja curto, por favor, por favor, por favor.
    Bom, por hoje é só, te espero na proxima ATT., seja aqui ou em TPB.
    BJS.e até a proxima.

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  42. Clessiane Magalhães30 de janeiro de 2013 09:49

    PERFEITO!!!

    Está ótimo! Coitado do Tay, vai sofrer na mão da pp... Espero que o romance desses dois comece logo!

    Déh, você está de parabéns! Além de escrever a fic, ainda fez o roteiro de filme! Estou impressionada! Se eu escrevesse com metade da perfeição que você escreve eu estaria feita na vida! rsrsrs

    Beijos, continue assim, e por favor posta logo. =D

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  43. que encontro foi esse na academia AMEI! pp super inteligente e brava coitado do tay que tera que segurar essa mulher.
    to amando a fic

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  44. Eu não acredito!!!
    Perdi a att, só fiquei sabendo agora, tem quatro capitulos e eu só li um? Vê se pode. pode reclamar que mereço ouvir.
    Mas vem cá, que encontro foi esse?
    E o Taylor pensando que ela tava dando mole e ele se f****, kkk, tadinho do meu lindinho, agora é se preparar e fazer o melhor teste que puder, se dedicar ao personagem como nunca fez antes, e enfrentar a fera, por que ca entre nos não vai ser facil convence-la.
    Posta mais, prometo ficar de olho nas atts, dessa vez.
    Beijos

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  45. Déh meu beeem, eu ainda não acredito que eu não tinha visto isso, e se vi não dei atenção merecida ou vai ver é porque tenho feito muitas coisas ultimamente e esqueci dessa fic(coisa que eu divido muito que tenha acontecido) Enfim, eu ameeeeei mesmo tudinho que eu li até agora, tipo assim li sem parar e quando eu vi que não tinha mais cap. eu fiquei chateada :P akspoakspoaks, curti muuuito mesmo, fiquei louca pra ler o próximo agora, vou roer as unhas :S hahaha, boom vou esperar pelo próximo que é o que me resta e torcer pra que não demore muito para acontecer :D Beijos meu bem até o próximo. PS:Esse encontro dos dois rendeu muitas coisas viiiu... :*

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  46. Que fic perfeita! ela vai dar o que falar com certeza, to muito curiosa quero++++ posta please.Bjos

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  47. PUTZZZZZZZZZZZ!Inacreditavel! Como que as coisas acontecem ne? Ele foi tão idiota de mentir e tentar se vangloriar... E agora, caiu em si e percebeu que tudo nao passou de um jogo dela, que ele caiu direitinho. Agora ele vai ter q penar bastante pra conseguir fazer ela entender q ele não sabia do papel até aquela noite... Já to vendo tudo! Tadinho do meu caramelinho...
    Posta mais logo, bjs

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  48. up!amei parabens ah e obrigada por posta e mocinha nao deixa de posta em!!!

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  49. Post. LUCYNDA
    Que rufem os tambores, vamos dar incio a uma batalha de gladiadores talentosissimos:
    De um lado Taylor tentando provar que não é só um rostinho bonito agregado à um corpo com musculos perfeitamente distribuidos e ah, ta bom, acho que me empolguei, mas sim um ator com talento, inteligencia, dedicação e persistencia.
    Do outro, uma PP dotada de uma inteligencia e talento incrivel, determinada a provar que seu oponente não é tão talentoso assim.
    O que podemos esperar disso tudo?
    Eu acho que muita emoção.
    Então é isso
    Bjs Déh e até a proxima att.
    Esperarei como sempre anciosa.

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  50. Ahhhhhhh!!! Quase surtei quando vi que tinha capítulo novo e nem pude ler no dia. Argh, somente agora consegui ler esse capítulo magnífico. *o*
    Ain, tadinho do meu Tay, vai sofrer horrores para conseguir o papel e como disse a Julie, esse trabalho será com certeza a melhor escola de atuação do nosso moreno e a professora será bem exigente, se bem que eu acho que exigente vai ser bem pouco, para dizer o que ela realmente será. ¬¬ Se prepare, Tayzinho e dê o seu melhor como sempre. u.u
    Nossa Perpétua já foi escolhida, hum, será que eu devo me preocupar com essa garota? o.O Sei não, mas sinto que ela será importante, agora como? É o que nos resta saber. ¬¬
    Gostei da Julie, essa daí vai saber proteger muito bem o meu moreno. Até mesmo das burrices dele próprio e ela tem razão, ele é um imã para mulheres problemas. somente a PP é o imã certo. u.u Uhuuuu!! Bora para o show!!
    Amandoooooo demais, demais!!!
    Enfim, consegui ler e comentar... ô vida tumultuada está a minha ultimamente, mas não fico sem ler minhas fics de jeito nenhum. u.u
    Bjinhosssss!!! Até a próxima att!!! ^_^

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  51. OIE..
    Bom como prometi, estou aqui de olho nas atts, não pude ler no dia, mas acabei de ler e como não da para deixar de comentar essa fic magnifica mesmo atrasada vale o comentário.
    É a empresaria do Tay tem rezão, ele terá que ser perfeito neste teste, mostrar que não poderá ser outra pessoa a não ser ele a interpretar esse personagem.
    Desculpe pelo minimo comentário, mas ando completamente sem tempo, espero as próximas atualizações, to louquinha pra ver o que vai acontecer, té mais.

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  52. Que bom que teve att ja tav morrendo de saudades de pegar no pé do taylor pq é isso que vai acontecer o coitado que se prepare.
    Adorei n demore tanto da proxima vez,já que vc disse que ta quase com outro capitulo pronto
    vamos tirar o couro do taylor kkk

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  53. Deh querida, eu simplesmente amei esses últimos capítulos!!!!!!!!Linda maravilhosa perfeita são alguns adjetivos que eu dou para sua fic!!! Continua... posta logo!! bjos e a té a proxima

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  54. é Taylorzinho... Vc vai ter q penar mto, meu amor! Vai ter que dar uma de São Jorge, e matar um dragão hahahahha Quero mais Deh, posta plis

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  55. Continuaaaaaaa!! Amei!!!!

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  56. posta logo mais capítulos,estou amando a sua fanfic, é diferente,menina q ideia ein,esse roteiro esta perfeito,imagina se fizessem um filme com esse roteiro eu seria uma q estaria na fila para ver kkkk independente se for Taylor ou não eu veria kkkk,coitado do Taylor vai ter q se esforçar,e a luta deles foi a melhor parte kkkk amei aquele capitulo!! vê-se posta estou muito ansiosa para ler!!

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  57. Porque nao posta mais????? Queremos mais! Essa historia é otima!!! Bjs Jennifer

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  58. nem acredito q esta fic foi atualizada
    aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
    essa historia é otima, eu amo demais
    Promete q a prox. ATT vai ser logo logo?? promete??
    Eu naum aguento mais ter q esperar tanto pra atualizarem as melhores historias, mas eu entendo vc, amada escritora!
    Bjs ate a prox.
    ~Lya

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  59. nossa qnt tempo sem att tive q reler alguns capitulos para puxar pela memoria a estoria vc sabe lendo muitas ooutras fics ainda por cima escrevendo a gente acaba se esquecendo de algumas coisas,mas ta beleza agora já me enterei e achei o capitulo ótimo,esse teste vai dar o que falar ein! acho q a pp vai se surpreender com o taylor e vai ter q repensar muitas coisa n só do lado profissional mas algo me diz q ela va\ai começar a ve-lo com oiutros olhos depois desse teste e da conversa com a Julie.

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  60. Amei essa fic:) ta complicado acha fics agora do Taylor espero realmente que não demore tanto a postar,vamos ver o desenrolar dessa historia...
    Bjjs Até logo.

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  61. Clessiane Magalhães16 de setembro de 2013 20:57

    Tem coisa melhor do que a ATT do blog? ... Tem sim! A ATT com a atualização de A Musa! Perdi a conta de quantas vezes eu olhei o blog para ver se tinha a atualização e suspirava tristemente quando não tinha nem sinal dela! Déh, mulé, sou tua fã declarada! Essa coisa toda de Taylor Lautner e a PP serem mais velhos, mais maduros, de sua história não ser meramente um romance previsível e "água com açúcar" me fascinaram completamente. Sempre fui fã de histórias, como eu posso dizer, mais profundas, mais brutas se me permite dizer. Não que não eu goste de romances em que a personagem é uma menina doce, alegre ou coisa do tipo. Simplesmente as protagonistas fortes, decididas me cativam mais, acho que até pelo fato de que minha personalidade é parecida. A forma como você descreve a PP me despertou a curiosidade. Quero muito ver a forma que sua história irá continuar. Estou muito impressionada contigo e com sua capacidade de desenvolvimento da imaginação escrita. Parabéns!
    Beijos.

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  62. aleluia! quero e preciso de mais

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  63. preciso de mais. essa fic promete

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  64. Eu to amando a fic cada vez mais!! Eu acho que o Taylor vai simplesmente encarnar o personagem e a pp não vai poder nem dizer nada vai ser ele e ponto! kkk A pp nessa fic é o capeta kkk To amando isso!! O Tay vai penar tadin kkk Continua Deh ta maravilhoso!! Bjos e até a próxima!!!

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  66. Que felicidade em poder ler mais um cap de a musa, estava com muitas saudades.
    Estou louca para saber como será o teste do Taylor e como a PP reagirá com ele, sim porque eles terão que se falar depois do teste, será que ela vai ser pelo menos educada com ele, ela anda muito estressada, acho que é excesso de trabalho.
    Posta logo o próximo tá
    não se esqueça , vc é a melhor!
    bjs

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  67. Oieeeeeee adorei a fic!!!! ´Posso falar um segreinho pra vc? Eu desobri esse site a um mês a tras e A Musa foi a primeira historia que eu li aqui. Posso dizer que fiquei meio triste quando soube que vc não atualizava ela a tempo0s mas olha vc aqi!!! Amei esse cap ele está simplesmente incrivel!! Pleae não demore tanto para postar o proximo u.u Beeeeeeeeeeeeijimhos!!!

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  68. Own, Júlia é mesmo o anjo da guarda do meu Tatay. *o* Só ela mesmo para enfrentar a fera da PP e conseguir com que meu moreno tenha uma avaliação justa. u.u Pois a PP já tinha a caveira dele, sem sombra de dúvidas... mas vamos ver como ele sairá no teste. Omg, meu core já está apertadinho... Coitado do meu caramelinho. :(
    E para piorar a situação... Ela acorda com um péssimo humor. ¬¬ se prepare Taylor, por que ela vai vir com tudo pra cima de você... Eu iria de outro jeito, mas a PP vai bufando mesmo. u.u rsrsrsrsrs
    Louquinha pra saber como isso vai se suceder... Que tenha um corpo de bombeiros por perto. u.u
    Amandoooooooo demais, demais!!!
    Bjinhossss!!!

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  69. eu não acredito q vc postou mais capitulos *o* feliz pra caramba aqui kkkkkk,pois é,eu penso como todo mundo o Taylor esta inseguro agora,mais tenho certeza q quando ele entrar e ver a cara de todos,assustado e ver principalmente a PP ,q esta muito estressada e torcendo q ele não se sai bem,ele vai tomar uma coragem danada e vai atuar melhor q todos q estao na lista(acredito q é isso q vai acontecer),e a PP vai se impressionar com a atuação do Taylor,tanto q não vai poder dizer nada de ruim kkkkkk,agora não demore para postar,eu posso dizer q ja amo essa fanfic e esta na lista dos ''meus preferidos'',loka para ver esse teste e a reação da PP e de todos do estudio kkkkkk,adoro esse jeito confiante da PP,alem de linda,é inteligente e determinada ^_^

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  70. Adorei! A Julia fez muito bem em ter essa conversa com a PP, muito bem mesmo! Fiquei orgulhosa dela!
    Que ótimo os outros atores não terem sido lá essas coisas... Mais chances para o nosso caramelinho *-* Ele ta realmente se esforçando...Morrendo de curiosidade de saber como vai ser a audição dele. Não demore muito pra postar, por favor. Bjs

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  71. nossa que bom que vc voltou a postar estou realmente muito interesada nessa fic nao demora a postar nao tenho certeza que ela vai ser otima

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  72. eeeeeeeeeeeeee mais um capitulo!!!
    Então querida Déh vamos ao que eu achei sobre o cap.
    A pp sente alguma coisa pelo Tay, não pode ser só implicancia, naum pode, e ele de alguma forma se sente atraido por ela, claro que naum me parece ser amor a lá TPB, mas ha sentimentos..
    E sim, o Lautner deveria sofrer um pouquinho na mão de uma mulher, ela deve deixa-lo louquinho, louquinho..
    Ah, o Tay deveria ter algo com a Nadila, sei la, eles poderiam virar melhores amigos que aos olhos da pp eles fossem namorados e ela ficasse com mta raiva.. eu gosto deste tipo de coisa, pra mim a historia naum tem que ter logo os ''finalmente'' tem que ter todo um... drama, talvez seja essa palavra, ou não, mas sei que vc nunca decepciona.
    Só te peço uma coisa: ''PLEASEEEEEEEEEEEE, NÃO DEMORA PRO PROX. CAP. OOK???''
    bJUS dÉH
    ~Lya

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  73. Não estou conseguindo entrar no blog para ler, só leitores convidados! eu quero lerrrrrrrrr!!!! cry TT______TT

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  74. Ahhhhhhhhhhhhhhh que perfeito cara!!!!! Amei :3 Coisa diva, perfeita! DIVA!!!! Posta mais please!!!!! Ameeeeeeeei :3

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  75. Aiiii Déh quer me matar mulher? Po tinha que parar agora? serio? Tipo P E R F E I T O!!!! Cap. perfeito!! Amei! O jeito que o Tay e a Nadila contracenaram... por* eu nem pisquei kkkk Areação da pp foi... E cara o Tay tava nervoso de mais quase que estragou tudo!! Ja vi que o Taylor e a Nadila vam se tornar muito importantes um pro outro e espero que seja algo tipo irmãos amigos e nada mais o Tay é MEU ou melhor da pp kkk Amei Déh posta mais e não demora please!! Bjos e até a próxima!!

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    1. Oh, obrigada Paulinha! Foi difícil escrever a cena do teste, pq eu meio que não tinha noção de como é o procedimento, sabe? Vc está certa nos seus palpites sobre o Tay e a Nadila... mas o que a PP ai pensar disto... aí é outra história.
      O tempo é sempre curto, mas tenho um capítulo no "gatilho" kkkk
      Bjss....

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  76. Adorei! Embora o Tay estivesse mega nervoso, as reações dele se encaixaram na cena, e deixaram ela boa. Eu acho que ele consegue o papel sim. Especialmente por conta da entrosação dele com a Nadia... Achei q ficou ótimo! Pena que ele saiu correndo rs Posta mais logo, por favor. Bjs

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  77. Eu quase surtei lendo essa fic! Está demais! Parabéns! Estou doida para saber a resposta da PP, se ela vai ou não aprovar o Taylor... Isso está fazendo com que eu fique roendo as unhas... Ha ha ha... Estou ansiosíssima para os próximos capítulos...

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    1. Leitora nova??? Huhul... que demais!
      Olha, a PP aqui é uma boa bisca no começo, vai dar um pouco de trabalho... masssssss.... isto é garantia de muita emoção! Seja bem vinda na fic!

      Bjs amore!

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  78. que briguinha ridicula foi aquela da PP com a Nadia? AFF! E tudo isso pra dps ela indicar o nome dele? LOL! To ficando com raiva dessa PP bitch! u.u E é mto descaramento dela ir até ele falar aquelas coisas... Só eu fiquei rindo dele imaginando as cenas na cabeça dele? Homens... Sempre tão pervertidos... ahahahhaha ADOGO! Louca pra essa bitch perder a pose... hahahahah Bjs

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    Respostas
    1. kkkkkkkkkkkkkkkkk... eu falei que a PP é uma vaca! Infantil as vezes. Difícil suportar uma personagem assim.
      Mas vamos ver como ela vai descer do salto. hummmmmm... Vai dar trabalho.

      Pobre Tay.

      Excluir
  79. Cap 7

    Omg!! Caramba, surtei com o teste do Tay... Mesmo todo nervoso, ele chegou a me arrepiar com a atuação de Axel. *o*
    E Nádila foi perfeita, além de ajudar e muito o meu moreno. ^_^
    Essa sintonia que tiveram em cena realmente deixou todos boquiabertos, inclusive a PP. Vamos ver como ela vai se portar, mas ela é profissional acima de tudo, então creio que vai julgar seriamente. u.u
    Mas Tay já acha que vai levar um belo não. ¬¬ Ohhh, falta de confiança, precisa de um sacode. u.u

    Cap 8

    Essa PP é osso duro de roer, heim?! Caramba, não dá uma folga. Tay que se prepare, a coisa vai ser feia. u.u
    Mas Nádila em compensação sabe como deixar a PP urrando, não?! Adoooro!!
    E pelo visto a tensão não é só por causa do trabalho... Taylor que o diga. rsrsrsrsrs Já estava subindo pelas paredes. hehehehe
    Amandooooo demais, demais!!!
    Capítulos maravilhosos!! ^_^
    Pronta para outros. rsrsrs
    Bjinhosssss!!!!

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    Respostas
    1. A a Binha nunca me deixa!!!
      Olha, tá me dando um bom trabalho criar esta PP. Chataaaaaaaaaaaaa....
      Mas ela ainda vai ser pior. Não sei como vcs vão se sentir sendo ela por um tempo. kkkkkkkkkk....
      Obrigada pelo comentário flor!
      Bjs!

      Excluir
  80. Oi Déh, até que em fim, eu estava muito tempo sem vir aqui e em outros blogs que acompanho também, minha vida ta uma correria só, mas vamos lá, adorei esse cap. e achei o maximo vc dar a entender que aPP ficou balançada com o nosso Ty, eu achei ela muito arrogante neste cap. mais do que nos outros, mas relevo por que acho que é devido ao trauma que ela sofreu e resolveu se fechar pra tudo literalmente, mas nada como um belo e profundo olhar negro para quebrar aquele gelo.
    Quanto TPB meu Deus, que saldades, estou clamando por sua criatividade voltar com força
    Bjs, e por favor não demore a postar o próximo, 15 dias é muito tempo para alguém ancioso ao extremo.
    Até a próxima

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    1. Oi Lucynda! Minha flor, não se incomode com os erros, entendo a correria. Mas olha, vcs vão ter que ter muita paciência com os arroubos de ignorância da PP até o Tay conseguir domar ela, hein? Difícil.
      Mas bem, parece que Taylor já tem uma brecha ali... vamos ver no que vai dar!

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  81. Déh, me desculpe os erros é que escrevi com pressa, muita pressa
    Espero que tenha entendido o comentário, e meu teclado não está ajudando nada
    Bjs.

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  82. Heeeeeeeeello autora.
    Eu vim aqui Ler o capitulo 8 tranquila estou lendo pronta pra aguardar o final e comentar quando me deparo com o capitulo 9 eu fiquei tipow assim. O.o
    Meu eu griteii Fiquei feliz pra C@()`%%``%
    Eu sou uma sortuda da poha. Deh sua fique e diva e essa pp cara ja te falei que ela e osso duro de roar vou te falar. Se a intenção era deixar ela intragavel para nos leitoras (p

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  83. Olha eu de novo meu comentario foi sozinho afffs.
    Mas continuando pelo menus eu oque eu acho eu sei que a pp sofreu mas ela precisa ser sempre uma vadia arrogante e estupida. Desculpe se ofendi alguem mas E oque eu acho e naum mudo a minha opinião. Rsrsrs
    Eu entendo tudo que aconteçeu com ela em.relação ao o marido e ao bebe dela, compreendo os fatos da amargura em relação ao amor , mas em questões da vida social ela.precisa ser assim... Gzuis essa mulher precisa ser dobrada e espero que o nosso gostoso caramelo Tay tay consiga ... eee apesar de tudo que eu acho dela ela tem uma alma matavilhosa pelo que deu pra ver em.relação ao documentario que ela fez.. ah e ainda aguardo ansiosa as nossas senas Hot Hot tenho certeza que serão de arrepiar e de explodir muito ovarios por ai. Kkkkk
    Esse dois tem muito tesão Acumulado e quando aconteçer. Aiaai sonhando aqui. Bom e isso...
    Beijones cabelos ao vento fui :*

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    1. Obrigada Lee!!!!!
      Sim, a PP é osso duro de roer, esta sendo uma vadia intragável sim, não tem como negar, masssssssssssss.... sempre tem o "mas".
      Enfim, ela não vai ser muito legal por um tempo, mas confiem em mim e tenham paciência, que nosso Taylor vai ensinar muita coisa a ela ainda!
      Obrigada pelo comentário empolgado demais!
      Bjss linda!

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    2. Deh imagina sua linda. Sempre que poder eu venho comentar. Não esta facil pq eu ando muito atarefada principalmente por conta de una baby pequena.
      Masss sempre venho aqui e comento.
      Ansiosissima pelo proximo capitulo. Ahhh e me desculpe pelos erros escrotos nos comentarios que fis e que so posso comentar pelo celu e como eu escrevo muito rapido o teclado naum acompanha e acaba indo erros banais demais para minha pessoa. Ai quando vi ja enviei mas enfim e isso beijones fuii

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  84. Caracolis.... A PP já está começando a mostrar que ela não é tão forte assim, bem, eu já disse que amo o Mateo e tenho CERTEZA que ele logo descobre que o Tay é o causador do fogo dela... A fiction está P-E-R-F-E-I-T-A, vê se posta logo

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  85. nossa adorei o capitulo to cada dia mais obsecada por essa historia ansiosa por mais

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  86. Que capitulo,a Nádila bem que alfineta a PP né não deixa passar nada gosto do jeita dela,Mateo e demais,ansiosa pelo proximo :)

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  87. Ahhhhhhhhh My God!!! Eu AMO essa fic!! O Mateo é divo d emais!! Amei os dois ultimos caps!! Perfeitos :3

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  88. meu deus o q foi isso?!? kkkkkk eu entendo a PP kkkkkkk,o Taylor é uma coisa de loko q ate eu surto kkkk,o Mateo é o cara mesmo kkkkkkk,agora sim,to vendo logo logo ela com o Taylor!

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  89. Clessiane Magalhães7 de março de 2014 19:48

    Caaaaaraaaa! Que máximo! Que tudo! Que perfeeeeito! :D :D :D
    Tá tão maravilhoso! Me surpreendi com os "pesadelos" que a PP está tendo. Que situação pra resolver em?
    E o Mateo? EU QUER UM AMIGO DESSE PRA MIM! Ri e chorei com a história dos dois. Caso sério esse da PP não superar a morte do marido e do filho. Mas vamos combinar, é difícil pra caramba.
    Finalmente ela está dando uns sorrisinhos. Estou ansiosa para o começo dos amassos entre ela e Taylor. E não vou mentir, estou tão curiosa sobre o filme que eles estão gravando. Parece ser muito emocionante!
    Fiquei tão feliz quando vi que tinha atualização da sua fanfic, Deh. E fiquei mais radiante ainda quando li o capítulo. Totalmente perfeito!
    Espero que tenha novos capítulos logo. Já estou até roendo as unhas de ansiedade.
    Meus parabéns pelas histórias que você escreve! Vai além do profissional.
    Abraço.

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  90. Déh,que d+ esse cap., confesso que me sensibilizei com o sentimento de culpa da PP, mas eu bem que gostei de saber que a causa do sofrimento dela são lindos olhos castanhos que habitam sobre uma massa muscular muito bem distribuída e trabalhada, revestida de uma pele macia, quente, morena, cheirosa e muito desejável, e mais feliz ainda por que imaginei que se ele descobrir que ele é a cura para esse stress todo, ele pode aproveitar um pouquinho e se vingar fazendo ela ,quem sabe, implorar por sua "cura". Acho que vc me entendeu né, mas é isso, estou adorando a fic cada vez mais.
    Bjs e até a próxima.

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  91. Ok, então ela é uma vadia sem coração pq sofreu mto no passado e está de luto eterno? Anotado. Mas, não diminui a minha raiva dela. Ok, talvez um pouco. Só um pouco. u.u Preciso dizer que amo melhores amigos bichas? hahahaha eles são TUUUUUDO!!!! E essa alfinetada no final do Taylor? HAHAHAHAHAHAHAHA ADORÁVEL! Venha, baby boy, sou muito malcriada, me dê uma lição! ;9 HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHA Você é demais, DEH! Posta mais, logo. Bjs

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  92. Omg!! Agora que vi o capítulo 9... ¬¬ Oh vida!! u.u
    Bora comentá-lo! ;)
    Senhor que sonho... Pra PP foi um pesadelo, mas quem me dera ter um sonho desse... Ai, ai... "Le sonhando"
    A PP está passando por uma senhora luta contra o luto do falecido. Não é fácil pra ela, afinal ele acabou a fazendo prometer algo que agora ela está vendo que é impossível. :\
    Tanto que não conseguiu burlar as imagens de Taylor com as lembranças de seu marido. Taylor está chegando aos poucos e certamente é pra ficar. Ela que se prepare. :3
    Ahhhh, surtei geral com o Mateo. Jura que ele foi o primeiro dela. Nuss, quem diria. rsrsrsrs Realmente se amaram de todas as maneiras possíveis. hehehe E a amizade entre eles continuou de forma única e especial. Mateo com todo seu jeito louco conseguiu o impossível... Ela acabou revelando praticamente tudo e de uma maneira bem inusitada. # PPfaçasexo foi demais... Me acabei de rir aqui! Fato!
    Taylor e seu olhar leve qualquer uma ao delírio... Que homem é esse? Senhor me abana! :3
    E Mateo tem razão, a pp precisa mesmo de sexo, anda muito rabugenta. rsrsrsrsrs Taylor está aí, gata, não perca tempo e agarre o Lautão. :3
    Amandooooooo demais, demais!!
    Bjinhossss!!!

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    1. Binhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!!! Queria te dar um abraço! Vc é uma leitora nota mil, nota dez mil!!!! Sempre por aqui com seus comentários maravilhosos, prá lá de motivantes! Nunca nos deixa, nunca nos falta. Maravilhosa! É em leitoras como vc que a gente pensa quando posta. Pq escrever podemos ter muitos motivos, mas motivação pra postar.... ohhhhhh..... só Deus sabe!
      Obrigada por suprir, com um comentário só, minha "carência de comentários" nesta fic!!!
      Te adolú!
      Pronto, falei o que penso de ti, sinto que precisava!

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  93. Ela tem motivos para estar triste e deprimida, mas não lhe dá o direito de ser amarga com os outros. E tay não tem culpa de despertar desejos nela.
    Amei o capitulo. Mas é serio déh, sei que é complicado para autores postar sempre. ainda mais para aqueles que não são adultos e responsáveis com tantas outras coisas primordiais na vida. isso aqui não é obrigação, mas brocha a gente.kkkk a expectativa é frustrante! essa historia é fantástica!

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    1. Antes de tudo: aleluias por vc ter conseguindo postar um comentário!!!! Eeeeeeeeeeeeeeee \o/
      E vc tem toda razão aí pelo que disse da PP, ela não tem direito de ser uma vaca e os outros terem que engolir pq ela tem um trauma, massssss..... sácoméné? kkkkkkkkkk
      Oh, eu sei que é dificil aguardar a demora, pra postagem principalmente. Eu entendo o lado de vcs e sempre tento me preparar para a consciência de que terei menos feedback das leitoras por isto. Só que realmente, as vezes eu não consigo tirar tempo mesmo. Temos que ir se ajeitando então.
      Mas vamos que vamo que o show não pode parar!! Obrigadu!

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  94. Corrigindo." que são adultos"

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  95. Olá Déh, eu estava sem internet, por isso não vi que tinha cap novo, mas assim que vi, vim aqui comentar, se é que se pode chamar isso de comentário, pois eu estou indignada com a PP, achei que ela finalmente ia se abrir um pouquinho, até desisti de pensar em uma vingança bem hot da parte do Tay, mas de uma hora pra outra ela volta a ser uma "VACA" fria e inalcançável, confesso que fiquei frustrada e com pena dele, mas não fique chateada com meu desabafo, acho que já deu pra vc perceber o impacto que suas histórias causam em mim e eu tenho um sério problema de entrar na história, o engraçado é que sou assim até quando vejo um filme, fico querendo brigar com os personagens, é muito engraçado depois que passa, mas deixa isso pra lá e vamos ao que interessa, como será essa festa no próximo cap? será que vai rolar um enfrentamento já que vão estar em território neutro longe do estúdio, ou seja fora do campo profissional?
    Ansiosa aqui por um cap cheio de emoções fortes
    Bjs pra ti e até a próxima att

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    1. Oieeeee Lucynda!!! Eu entendo vc ter raiva da PP, pq as vezes, até eu mesma tenho vontade de dar uns cascudos nela! kkkkkkk.... Mas o fato é que esta personagem tem a personalidade dificil sim e tem mais algumas coisas que fazem ela ser insuportável. Hahahahahaha.... Massssss..... sempre tem um "mas". Vamos ver no que vai dar este lance.
      E a festa não vai ser no próx, capítulo ainda, pois o próximo ainda guarda algumas revelações e tals. Mas com certeza teremos surpresinhas nesta festa. :P

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  96. Estou amando cada dia mais essa fic, essa pp esta dando trabalho, mas temos que entender perdar marido e filho foi barra pra ela. Que bom que o Taylor esta preocupado com ela que sabe agora ela resolva ser menos rude com ele....
    Porfavor cont....

    Bjs até...♥♥♥♥♥

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    1. Vou continuar sim, só acho que vou demorar um pouquinho desta vez... mas eu volto com mais história! Que bom que está gostando!!!!

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  97. Amei a surpresa Dhé! Obrigada pelo esforço...
    bom, as coisas estão se estreitando... e Nádila perspicaz já deduziu o obvio! Mulher tem sexto sentido! ahhhhh
    Não faço a menor ideia do que vc guarda na mente querida autora, por que sua fic, graças a Deus não é previsível, mas a gente imagina algumas coisas!
    Taylor presenciou um momento de "fraqueza" da nossa Musa, será que ele presenciará outros? ainda piores, como esse sugerido por Mateo nas entrelinhas? E conseguir salvá-la de alguma forma?
    e estou curiosa quando houver uma cena quente de Taylor no filme e nossa querida amarga pp presenciar. ahhhhhh!
    está cada vez melhor, com toda a certeza!

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    1. Mas olha que coisa, eu respondi seu comentário e não foi! Que raiva! Mas bem, vamos lá DE NOVO!
      É claro que o Tay vai presenciar mais momentos de fraqueza da PP, mas... não como serão estes momentos ainda.
      Qnto as cenas hot's... elas estão sendo cuidadosamente construídas. aksakskakskaksa.....
      Bem, acho que demorarei um pouco mais pra trazer novo cap., por causa da minha monografia da pós-graduação. Mas vou me esforçar!
      Bjsssss

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  98. bom eu acho que agora finalmente vou consegui comentar.
    Quero dizer que adoro essa fic e entendo que vc anda ocupada e td mais mas de vdd eu sinto falta de TPB mais voltando a musa acabei o capitulo anterior as lágrimas no começo tbm achava essa pp uma vaca mais entrando mais na história eu logo me sensibilizei com ela especialmente depois q eu soube da tragédia da vida dela isso antes mesmo do capitulo de hj e por falar nele ta muito bom explicou td aquilo que eu já sabia dela agora vamos ve se Taylor vai sacar tudo Nádia já sacou td e já cantou pra ele
    No final nas notas vc pergunta se alguém sacou alguma coisa na preocupação de mateo em relação a pp na minha opinião ela já tentou se matar por isso que ele tem que vigia-la e acho que Taylor vai passar a fazer isso tbm.Isso td na minha opinião.

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    1. Oie!!!
      Minina. TPB tá tenso. To passando por uma crise daquelas. Mas vamos ver no que vai dar. Qundo a inspiração voltar eu volto a escrever e postar!
      Já "A Musa", tá indo melhor, tá menos complicado escrever. Vc acertou ali, as coisas que mateo disse é mesmo pelo fato da PP ser uma ex-suicida (se é que isto existe), mas enfim. Taylor nem imagina que seja isto, até o momento, mas pode descobrir... o fato é: a PP odeia pena ou misericórdia.
      Obrigada por comentar amore! Bjss

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  100. Cara, agora fiquei nervosa de verdade, será que ela vai tentar '"aquilo" de novo, afinal ela está sob uma pressão extrema tanto do lado profissional quanto do lado sentimental.Me corrija se eu estiver errada: Ela usa o lado profissional ao máximo até o esgotamento físico e mental para não ter que pensar no seu lado emocional, para não ter lembranças que a levam a uma sofrida saudade, porém seu lado sentimental não está mais suportando todo esse sufocamento forçado e está pronto para explodir em emoções, emoções estas que a estão deixando apavorada ao ponto de não aceita-las pois ela sabe que elas, as emoções, a faram viver coisas que ela não viveu com seu marido, ou que até já tenha vivido, porém virão de forma diferente pois será com uma pessoa totalmente diferente, e cá pra nós, o novo assusta ou pelo menos nos deixa receoso e alerta, já que não sabemos o que esperar. Em resumo, analisei melhor a situação da nossa querida e confusa PP e acabei compreendendo e compadecendo dela.
    Agora vamos a minha mais nova versão do que "eu" espero que vá acontecer: Nossa querida PP, em seu acesso de confusão sentimental tenta novamente algo prejudicial a sua saúde e eis que nosso lindo, maravilhoso, tudo de bom Lautyner, entra em ação e a impede de alcançar seu objetivo.
    KKKKK , já te disse que eu adoro conto de fadas? pois é eu gosto, mas deixa meu lado infantil pra lá e vamos lá, rumo ao próximo capitulo .
    bjos pra ti minha ídola da escrita
    Ps.; Espero que tenha entendido toda a minha analogia, se é que se pode chamar dessa forma .

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  101. Clessiane Magalhães28 de maio de 2014 19:15

    Capítulo 10.
    Muuuuuuuuuuuito perfeito!
    As coisas estão tensas em? Deu para entender mais a PP. Me deu uma dor no coração o sofrimento dela, e as fotos do capítulo o deixou ainda mais comovente e intenso. Cara, eles finalmente estão se aproximando mais um pouquinho! Ta tão emocionante! O engraçado é que eu tô louca para que a PP dê logo a volta por cima! Não consigo ficar chateada com o comportamento dela, acho que é até porque tenho o temperamento, ressalto que as vezes, parecido com o dela! Só tenho raiva do povo do elenco! kkkkkkkk Povo chato! Ela é uma musa, caramba! Eles tem é que idolatrá-la! kkkkkkkkk Ta muito lindo, intenso, perfeito, apaixonante, emocionante, de tirar o fôlego! :D Parabéns!

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  102. Clessiane Magalhães28 de maio de 2014 19:33

    Capítulo 11.

    Fico realmente admirada com seu talento, Déh! É simplesmente impressionante! Mesmo sendo um capítulo pequeno, o trouxe com mais informações sobre a PP, sobre Taylor e sobre o elenco. Mas ainda continuo chateada com eles. Rum u.u kkkkkkkk
    Ta tão bom que nem tenho mais palavras para dizer isso. Acho que já mostrei um pouco da cota de elogios que sua fanfic merece. Ótima, ótima, ótima!
    Poste sempre mais viu? Faça nossa alegria como fez nessas duas semanas!
    Eu agradeceria muito! :D
    Mais uma vez: Parabéns pelo talento e criatividade!
    Até a próxima semana com um novo capítulo, COM FÉ EM DEUS!

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  103. por favor nao demora mais a atualizar suz fic é a melhor que eu já vi

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  104. Há, eu não acredito que eu sou a 1º a comentar esse captl. isso nunca acontece comigo, será que é um bom sinal, espero que sim, mas vamos ao que interessa, mais uma vez, somente "para variar" né déh, eu fiquei aqui de boca aberta, literalmente, lendo esse capt. dramático que me fez sentir o que Taylor sentiu, sim por que acho que vc me conhece pessoalmente, pois quando descreveu os sentimentos dele eu senti as mesmas emoções dele, a confusão de sentimentos e a vontade de sair correndo, em resumo, numa situação daquelas, eu reagiria do mesmo jeito. Já te disse o quanto vc é intensa nas emoções que descreve? acho que sim, mas não tem como não dizer novamente, VOCÊÉMUITOINTENSA.
    Mas e agora o que vai ser do nosso Tay, e a nossa PP, será que ela depois da despedida do marido, vai acordar com outra visão sobre o rumo de sua vida.
    Espero que sua inspiração continue a todo vapor.
    Bjs e até a próxima.
    PS.: Não me esqueci de TPB, morrendo de saudades aqui.

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    1. Oiiiii Lucynda! Sim, vc estreiou os comentários deste capítulos! Adorei! <3
      Antes do seu comentário eu já tava cansada de tanto atualizar esta pagina pra ver se tinha algum comentário!
      E nossa, eu tinha ideia que o capítulo poderia ter ficado intenso a este ponto, conforme vc descreveu. kkkkkkkkkkkkkkkk.....
      Mas bem, a coisa fluiu bem enquanto estava escrevendo e aconteceu que ficou assim!
      E eu tenho uma notícia triste sobre TPB: estou muito, mas muito bloqueada na fic... então eu decidi colocá-la em Hiatus, por enquanto. TPB tá muitoooo.... intensa(?), enfim, complicadíssima de escrever e eu to na loucura da vida, com meu casamento chegando e concluindo da pós-graduação e trabalho. Enfim, minha cabeça tá muito louca eu não consigo "entrar" no mundo de TPB, sentir de verdade, pra escrever algo bom, que valha a pena ser lido. Então, preferi para um pouquinho. Sorry, eu tbm estou triste com isto.
      Mas eu volto, vou terminar a fic sim, ou não me chamo Déh! kkkkkkk
      Bjs e muito obrigada pelo carinho!

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  105. Que capítulo fantástico pesar da tensão em torno da automedicação da pp.
    Poxa Déh, cada capitulo que eu leio melhora ainda mais, atiça ainda mais e de certa maneira me frustra ainda mais, sabendo, ou melhor não sabendo quando vou ler o próximo.
    Tay está envolvido, isso é óbvio e até o Mateo já está reparando.
    Agora fiquei com pena do amigo dela...que barra! É como ele diz: PP sofre e arrasta a família inteira com ela e com essa até o Tay está impressionado.
    e aquela visão, sonho ou mensagem divina? ou foi pura imaginação num ato histérico e desesperado que o inconsciente dela tentou projetar?
    Caraca!
    So digo uma coisa....está fantástica a historia.
    Agora acho que vai rolar alguma coisa no sentido ciúmes da pp quando ver tay com uma peguete por que o cara não é de ferro ou numa cena romântica com a nadia.... será? A pp vai entrar em combustão ahhhhhh

    posta outro, tipo assim, sabe..... logo logo logo logo logo logo logo logo ......

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    1. Bom, sou professora, então, ao fim de cada bimestre é impossível eu pensar em fic com o tantooooooo de nota que eu tenho pra fechar! kkkkkk.... Nestas épocas é impossível escrever e a atualização demora um pouco mais!
      Mas está chegando férias!!!!! EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE..... TTo com fé que eu vou ter um pouquinho mais de tempo pra andar na fic.
      Agora falando do capítulo: sim, Mateo sofre muito e está cansado do peso que a PP representa. E Taylor já está bem ciente agora de toda a bagagem desta mulher (eita, e agora?). Aquela visão que ela teve do marido e do filho não é assim, tão sobrenatural. No fundo, PP tbm já está cansada do luto, no fundo, no fundo, ela quer seguir em frente. Aquela visão é o reflexo de uma decisão dela que já está formada, mas que ainda não foi tomada.... entende?? kkkkkkkkkkkkk
      Vamos ir seguindo e ver o que tudo isto vai dar.
      Obrigada pelo carinho! Bjus!

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  106. Passei muito temo afastada de todas as fics, falta de tempo e até mesmo de entusiasmo para ler. Vi no face a atualização de a musa e do nada me veio uma vontade de ler, então estou aqui só pra me surpreender mais uma vez com a suas capacidade como escritora! Simplesmente fic incrível. A intensidade, a força e a emoções que você transmite são incríveis.
    A PP simplestemente utilizando de todas as mascaras e barreiras possiveis pra cobrir a sua dor e o mais interessante é a maneira sutil como Taylor vem quebrando cada uma dessas barreiras. O ultimo capitulo foi simplesmente emocionante, agora sim pude compreender a imensidão da dor que ela possui e o Taylor descobriu isso também e mesmo ele afirmando que não é saudável estar perto dela, ele não vai mais conseguir se afastar tudo vai levar ele de encontro a ela, ao passado dela, a dor que ela possui e quero muito ver como ele vai aos pouco curar essa dor!
    Como sempre incrível! Bjos Déh!

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    1. ADRIANA! A.D.R.I.A.N.A!!! OMG, OMG, OMG! É uma felicidade tão grande que me dá quando uma leitora antiga retorna! Bem vinda de volta, espero que possa continuar por aqui!
      Obrigada pelo comentário, pelo carinho, os elogios e tudo o mais. Fico muito feliz tbm por vc ter gostado de "A Musa".
      Vc, como sempre fazia, pegou bem o espírito da coisa e captou a essencia da coisa alí, em relação ao Tay. Parabéns! kkkkkkkkkkk....
      Bjss!

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  107. Clessiane Magalhães8 de junho de 2014 23:34

    Impressionante!
    Fiquei chocada, emocionada, impressionada! Chorei muito! Que sofrimento, meu Deus! Déh, estou mais que amando. Foi totalmente lindo, intenso e doloroso. Que dó que me deu da PP! E do Mateo também!
    Só sendo uma Déh da vida para escrever um capítulo desses! Sério! Até esqueci que quero capítulos quentes. kkkkkkk Espero que a PP se recupere logo. Gustavo e Murilo já se despediram, só falta ela finalmente se conformar...

    Meus parabéns novamente Déh, minha autora do coração!
    Estou super admirada com seu desempenho! Um máximo! :D
    Estou mega ansiosa pelo próximo capítulo! *-*

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  108. Clessiane Magalhães8 de junho de 2014 23:37

    Já ia esquecendo:

    FUI CITADA NAS NOTAS DA AUTORA!!! o/

    Ihuuuul! Estou super orgulhosa de mim mesma! kkkkkk Vou lhe chatear sempre agora!
    Vou fazer várias campanhas! Me sentindo muito feliz!

    Beijos!

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  109. Que perfeito! *-* Posta mais! Ta super ultra mega óóóóótima! Fanfic ma-ra-vi-lho-sa! Parabéns!

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  110. Amei aquele momento lindo entre Tay e PP. Mto emocionante ela toda sensibilizada pelas lembranças e adorei tbm as fotos rs
    Essa Nadila é mto sagaz, ela n vai demorar nadinha pra entender tudo o q ta acontecendo
    Tenso, mto tenso. Eu tento imaginar como deve ta a cabeça do taylor... Em um momento ele ve a mulher nostalgica e com um brilho diferente... E de repente... Ele ve ela lá na merda, fica sabendo sobre tudo... Vira o ombro pra chorar do BFF dela... Tadinho! HHAHAHAHAHHA Muita coisa num dia só. Eu acho q isso vai ser bom e ruim pra relação deles. Bom, pq ele agora sabe q ela n é aquela fdp. Ruim, pq n sei como ele vai lidar em conviver com ela sabendo de tudo. Muito complicado Deh. Vc sempre complica a nossa vida rsrsrs Posta mais, bjs

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    1. BEM VINDA DE VOLTA! Heehehehehe...
      Pois bem, a coisa agora realmente vai ficar tensa pra cabeça do Taylor... até pq a PP não é uma fdp, massssssss ela tem uma personalidade difícil, naturalmente.. E este é o tempero desta relação que (como eu amoooo) será assim complicada.
      Até pq coisas muito facinhas não me causam fortes emoções! hahahahha
      Obrigada por comentar!

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  111. Bom o que dizer, parabens Deh eu amo essa fic.Entao minha humilde opinião é que ainda bem que a pp esta se mostrando nao ser tão fdp assim néh e ela ate me lembra um pouquinho a minha querida pp de TPB ambas passaram por traumas dificeis, porem essa ta mais dificil ainda de se dobrar, mais claro um certo moreno de olhos pretos e muito gostoso vai ajudá-la eu espero já que não sei o que ele vai fazer depois de saber td isso sobre a pp...ta tenso, mais acredito que ele supere kkkk então anciosa pelo próximo capitulo.

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  112. Bom, eu nem sei como começar a falar dessa fanfic maravilhosa. Cada pedaço da história desses dois que eu leio, é tão profundo... Déh, amo suas fanfics, em geral, porque são bem intensas, e eu adoro dramas, assim as histórias ficam mais reais, e com essa não é diferente, é quase palpável as dores da PP, é incrível como você faz isso... Amando de paixão (essa redundância foi estranha, mas ok) e aguardando ansiosamente os próximos capítulos. Ah! Mais uma coisa, pelo amor que você têm as suas leitoras... manda logo o próximo capítulo! #Morrendodecuriosidade... Ha ha... Bjssss

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  113. Caramba, faz tempo que não lia sua fic! A conturbação do dia a dia as vezes nos impedem de fazer coisas das que gostamos, que no meu caso uma delas é ler essa história.Não para não viu! Quero continuação.

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  114. ooooh UAU!

    Aiii que droga, eu tinha acabado de escrever um comentário gigante e quando estava finalizando, meu navegador fechou MERD** =@

    Enfim, vamos ver se ainda consigo me manter acordada para fazer outro comentário digno.

    O que dizer da fic? sinceramente nem sei, Déh só pra vc ter uma noção de como essa história magnifica me atingiu, eu comecei a ler não era nem meia noite, e olha só a hora O.O (ainda bem que eu não vou trabalhar amanhã, ou melhor hj \o/ )

    Vc continua a criar PP maravilhosas, nunca achei que teria alguém tão boa quanto a minha idolatrada PP de TPB mas A Musa é uma adversária a altura, maravilhosa, guerreira, batalhadora, inteligente, orgulhosa kk, linda e é claro como marca registrada de D.Debora mais doq um rostinho bonito, onde atras de uma linda mulher á um grande ser humano que merece ser admirado.

    Déh sério, vc continua magnifica na escrita, céus eu mal consigo manter meus olhos abertos de tanto sono mas eu não consegui desgrudar os olhos da tela enquanto não devorei cada palavra, vc descreveu os sentimentos dela tão bem que eu tenho que admitir que cheguei a chorar, sabe aquele momento que a agonia é tão grande q dá aquele aperto no peito o nó na garganta e a única coisa que eu pensava era "Mateo chega logo nesse quarto pelo amor de Deus".
    A cena dela com o Gustavo foi tão fofa, será que ela vai finalmente deixar ele e o lindo baby partir? e seguir em frente? eu acho que ela ainda vai continuar a ser teimosa, mas não vejo a hora de ver a continuação dessa fic que é claro não podia ter outra definição a não ser DIVINA! *-*

    Aiii e não posso deixar de falar do Tay que está muuuito fofo nessa fic, e ele dando apoio pra PP mesmo depois de toodos os esporros que ela deu nele? foi outra cena que encheu meus olhos de lágrimas, lindo!

    Não vejo a hora dos dois realmente começarem a se entrosar e fluir essa química q está nos matando, só meras leitoras que não vemos a hora dele prensa ela na parede e mostrar toda a pegada e a explosão de calor que á nele.. uuui como está quente aqui kkkk

    Déh, desculpa pelo comentário muxoxo e sem criatividade, mas eu realmente to caindo de sono, só quero q saiba que continuo apaixonada pela sua escrita, e vou continuar acompanhando suas histórias MARAVILHOSAS (falando nisso quando sai o próximo capitulo de TPB? Ai não me aguento de tanta espera) Parabéns vc é uma escritora DIVA!

    Kiss kiss bye bye! sz

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  115. Por favor continua , quase todo dia em entro para ver se a Fic está atualizada ♥
    estou torcendo ♥

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  116. Nossa, fic perfeita. por favor CONTINUA (sim em letras gritantes) preciso do resto mulher continua pq a fic esta boa de mais.
    Nuca tinha lido uma fic que nema sua sobre o tay, sua fic me conquistou.

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  117. Por favor CONTINUA LOGO!!!!
    EU TÔ AKI A SECULOS ESPERANDO SEU RETORNO>>>>>
    CONTINUA ESSA FIC
    continua...
    continua...
    continua...
    continua...continua...continua...
    continua...
    continua...
    continua...continua...continua...
    continua...continua...continua...
    continua...
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    continua...continua...continua...
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    continua...
    CONTINUA ESSA FIC

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