11 de dezembro de 2010

Lua de Sangue by Kelly

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Lua de Sangue


































Por: Kellykpc




























Prólogo





Isso era errado. Muito errado.




Eu tinha plena consciência disso, mas eu não conseguia controlar meus atos. Meu corpo agia automaticamente. Num impulso. E nem eu mesma entendia o porquê.




Estranho. Essa era a palavra certa para descrever o que acontecia aqui. Estranho... Como tudo isso mudou de uma hora pra outra.




Estranho que... Nosso primeiro impulso quando nos conhecemos era ficarmos em posições defensivas e atacar um ao outro, e agora... Era algo totalmente inverso.




Sim, realmente estranho e muito – muito mesmo – errado. Mas era o que eu queria.









1. Anjo mau






Eu batia meus dedos impacientemente na pequena mesa de mármore, enquanto esperava que os ponteiros do relógio se movimentassem mais rapidamente.




Tédio. Essa era a palavra que definia o porquê de minha impaciência. Meu professor dava a aula cautelosamente, sua voz grossa fazendo eco pela sala vazia. Digamos que a sala não estava completamente vazia, mas em comparação ao que era antes, sim, a sala estava vazia. Desde que Seattle tornou-se uma cidade “perigosa”, cheia de assassinatos e desaparecimentos, todos optaram por fugir daquela cidade infernal que ela se tornara.




Desde então os dias na escola se tornaram monótonos e entediantes. Poucos alunos ainda vinham para a escola, e os outros foram arrastados por seus pais para outro lugar, mais seguro. Eu não tinha opção, quer dizer, eu não tinha medo do que poderia acontecer comigo. Oh, não, eu não tinha. Minha situação não era uma das melhores para que eu pudesse desejar continuar vivendo. Louca? Sim, sou um pouco, mas quem não é? As pessoas se julgam “normais”, mas não tem exatamente um padrão de “normalidade”, não existem pessoas que se comportem exatamente do mesmo jeito, cada um tem sua personalidade, e com ela a pessoa se torna um pouco diferente das outras. É claro que eu sou muito diferente dos outros, mas isso não vem ao caso.




Por que me considero diferente? Bom, levando em consideração minha idade, é normal que eu ficasse um pouco mais “afeminada”, mas eu sinceramente não me preocupo com isso. Oh sim... em vez de gastar meu precioso tempo com bobagens de maquiagens e roupas, eu gasto lendo livros. Sim, leio livros. A maioria da biblioteca da escola eu já li, mas o que mais me surpreende não é este fato, e sim que eu não gostei de nenhum que li. Eu apenas leio para passar o tempo. Depois de ler uma estória, sempre encontro pequenos defeitos que se tornam suficientes para que eu a odeie. É claro que não existe o livro perfeito, a estória perfeita, e nem estou em busca disso, mas, como mencionei antes, eu leio para passar o tempo. Ainda mais agora que tenho que passar a maior parte do tempo em casa.




Depois que Seattle tornou-se perigosa, minhas amigas foram embora com seus pais. Não tenho pra onde sair, então fico em casa. Além do mas, se eu sair de casa a qualquer momento que não seja pra ir para escola, aí sim as pessoas me achariam louca.




Suspirei aliviadamente quando o sinal tocou. Os poucos alunos que estavam na classe, logo correram pela pequena porta para a saída. É claro que eu estava impaciente, mas não havia necessidade de correr que nem um animal amedrontado. Alias, havia sim, mas eu não me importava.




Peguei minhas coisas e saí calmamente pela porta. Meus olhos vagaram pelo corredor da escola e não encontrei nenhuma alma viva, bem como era as ruas de Seattle agora.




Fui até a sala da biblioteca. Ela fecharia em apenas alguns minutos e eu tinha que devolver o ultimo livro que peguei, e, é claro, pegar outro para ler. O que mais me irritava, era que sempre elas aconselhavam um livro para eu ler, dizendo que era ótimo, mas sempre era horrível. Talvez eu seja exigente demais com as estórias ou com a escrita, mas não consigo evitar.




— Hey Laila! — disse, cumprimentando-a. Laila era a única pessoa jovem que ficava na biblioteca – quer dizer, as outras eram todas anciãs.




Os lábios rosados de Laila, sobre a pele branca, sempre se repuxavam nos cantos num sorriso educado para mim. Seus cabelos louros sempre ficavam presos levemente em um coque mal feito, com algumas mechas escapando disfarçadamente da presilha, enquanto ela ajeitava as mechas que caiam sobre seus olhos constantemente. Era uma mania que ela tinha.




— Olá ! Gostou do livro dessa vez?




— Pior que não, Laila. — suspirei, enquanto tirava o livro da mochila e lhe entregava. — Tem mais alguma sugestão? Alguma sugestão boa?




Ela levantou os olhos, encarando-me com desagrado.




— Todas as minhas sugestões são boas, somente você não gosta!




Eu ri. Ela tinha se irritado com isso. Mas o que eu podia fazer se eu não gostei?




— Você tem ou não mais uma sugestão? — arqueei a sobrancelha desafiadoramente.




Ela revirou os olhos e saiu de trás da mesa, caminhando até uma estante de livros e guardando o que lhe entreguei. Logo se virou pra mim, com as mãos na cintura, sua expressão levemente irritada.




— Promete que dará uma chance ao livro dessa vez? — perguntou receosa. Mantive minha expressão indiferente. Eu sabia que o livro não seria bom, assim como os outros. — Este é realmente bom e antigo, não julgue antes de ler! Garanto que é o melhor!




Ela puxou da estante um livro meio antigo, grosso, e completamente empoeirado. Franzi a testa, confusa. Esse era o tal livro, “o melhor”, que ela falou?




— É isso daí que você quer que eu leia? — perguntei com descrença, apontando para o projeto de livro em suas mãos.




Ela revirou os olhos.




— Eu disse pra você não julgar antes! Não conhece o ditado?!




Oh, claro! O ditado: “não julgue o livro pela capa”! Ugh! Até parece que me importo com esse ditado. Dei varias chances a livros, e todos eles eram péssimos! Eu ainda não entendo como essas pessoas ainda se dizem escritoras...




— Ok... Deixe-me ver. — peguei-o de suas mãos.




O pó se espalhara pelas pontas de meus dedos, e minha primeira reação foi assoprá-lo para diminuir um pouco a poeira, enquanto fazia careta.




— Não tem um mais atual? — perguntei esperançosamente.




Ela negou e veio animadamente ao meu lado.




— Este livro é único! — disse ela, baixamente. Talvez por estarmos numa biblioteca, mas foi relativamente estranho a mudança no tom. —Este livro parece real, sei lá. Você fica intrigada quando lê. É claro que a linguagem é antiquada, mas garanto que a maioria das coisas você entenderá.




— Ok — disse simplesmente, ajeitando o livro entre minhas mãos e saindo. — Eu já vou indo, você vai demorar muito aqui?




Laila às vezes saía junto a mim. Éramos como amigas, mas como só nos falávamos quando eu ia à biblioteca, não éramos de fato amigas.




— Não, eu tenho que organizar algumas estantes. Algumas pessoas pegaram os livros para estudar e não colocaram de volta. — ela suspirou. Eu não era uma dessas pessoas, na verdade, eu era até que muito organizada. — O diretor disse que eu podia deixar isso para amanhã, por... você sabe — ela abaixou os olhos. Eu entendia. O diretor estava zelando por sua segurança. Quanto mais tempo ela gastasse na biblioteca, mais tarde ela sairia, e mais perigoso seria. Mas Laila era como eu, ela não tinha tanto pavor como os outros. Essa era uma das varias características que tínhamos em comum. — Mas eu não quero deixar para amanhã, juntará muita coisa para eu fazer, e, aliás, eu não me importo em sair mais tarde. — ela deu de ombros e sorriu.




— Ok, então já vou indo. — sorri. — Tchau Laila!




— Tchau ! — ela acenou.




Passei pela enorme porta da biblioteca e – finalmente – saí daquela escola. Carregando aquele livro empoeirado. Ugh! Ainda não sei por que dei uma chance a esse livro. Bom... Talvez seja pelo suspense que Laila criou ao falar dele... É, deve ser por isso. Adoro me surpreender, mas nem sempre isso acontece.




Fui até o ponto de ônibus, e – por sorte – consegui chegar a tempo. Entrei no ônibus e – como sempre – sentei-me no fundo. Puxei os fones do meu Ipod e coloquei, escutando as musicas que se seguiam. Eu adorava escutar música. Talvez por eu me sentir normal escutando minhas musicas favoritas, que – por mais incrível que pareça – eram de acordo com minha idade.




Meus olhos fitavam a janela, vendo as figuras passarem rapidamente, enquanto me perdia na melodia que escutava. Bocejei. É, isto estava me dando sono, e eu não posso dormir num ônibus, então...




Suspirei e tirei os fones, prestando atenção no que acontecia dentro do ônibus. Tédio. Nada demais acontecia aqui dentro, aí sim eu ficaria com sono.




Deixei meus olhos caírem para meu colo, e vi a capa do livro misterioso – e empoeirado – sobre meu colo. Um emblema. Franzi a testa e analisei a capa mais de perto. Que tipo de emblema era aquele? E por que eu não havia reparado nele quando peguei o livro?




Era um “V” com alguns detalhes em volta. Realmente estranho.





[n/a: emblema da capa do livro]





Tudo bem. Este emblema já serviu para cativar minha imaginação e ativar minha curiosidade. É um bom sinal, geralmente isso não ocorre comigo.




Agradeci aos céus quando o ônibus parou no ponto em que eu desceria. Saí apressada de lá. Queria logo chegar a minha casa e ler aquele livro. Estranhamente, aquele livro estava chamando muito a minha atenção, eu precisava logo saciar minha curiosidade, lendo. Estranho... Essa era a primeira vez que eu queria ler, por que queria ler, em vez de ler somente para me desocupar.




Virei à pequena esquina com passos apressados e entrei na pequena casa, minha casa. Suspirei quando encontrei a porta destrancada. Tudo bem que eu não tenho medo das coisas que podem acontecer, mas isso é perigoso, e eu tenho medo do que possa acontecer a minha mãe.




— Mãe! — chamei assim que fechei a porta, trancando-a. — Mãe! — chamei novamente.




— Estou aqui — ouvi sua voz do outro cômodo. Provavelmente na sala de estar.




Suspirei quando a encontrei no sofá, assistindo TV. Suas feições estavam relaxadas, mas ela parecia estar com a mente um pouco desligada, como se não desse importância para o que podia acontecer aqui. Típico!




— Mãe! Eu já disse pra você trancar a porta! Você não vê os noticiários? Seattle não é mais segura! — disse cansada. Era como se ela fosse a filha ali. Era ela que estava tomando bronca, e eu a que estava sendo a rabugenta. Outra coisa estranha em mim, eu sempre fui – praticamente – obrigada a amadurecer rápido, devido às circunstancias, com uma mãe irresponsável. Quer dizer, ela agia como uma adolescente, o que ela deixou de ser a muito tempo, e não tem consciência disso.




— Você se preocupa de mais com isso.




— É claro mãe! Isso é peri...




— Perigoso, eu sei. Você sempre diz a mesma coisa, mas sabe o que também é perigoso? Chegar tarde em casa!




Pelo menos uma coisa eu tinha em comum com minha mãe. Nós duas não tínhamos medo do que podia nos acontecer, na verdade, dificilmente tínhamos medo de algo.




— Eu não me importo em chegar tarde em casa.




— Mas isso é perigoso! — insistiu ela, pela primeira vez parecendo uma mãe responsável. Tudo bem que minha mãe sempre se preocupou comigo, mas ela não demonstrava isso em palavras. Tínhamos uma relação estranha. Isso era fato.




— Pra mim, não pra você.




Ela me encarou por um segundo, sua expressão em um misto de preocupação e confusão.




— Por que não se preocupa consigo mesma, em vez de mim? — perguntou ela, arqueando uma sobrancelha.




— Por que você é a única coisa importante em minha vida mãe. Não quero que nada lhe aconteça.




— Mas e com você? Você não tem medo do que pode lhe acontecer se ficar se arriscando assim?




— Não. — respondi simplesmente. Fazendo com que ela me encarasse incrédula.




— Por que não?




— Não é de hoje que minha vida perdeu a graça mãe. Eu... Simplesmente não ligo mais para o que possa acontecer comigo. Nada pode deixar minha vida monótona pior.




Ela permaneceu calada, olhando-me estranhamente. Talvez ela agora considerasse o fato de eu ser louca. Mas eu podia até ser, pois eu não via mais graça no que fazia. Eu não tinha mais amigos, há muito tempo não tinha um ambiente familiar comum, e eu não via sentido em fazer o que fazia, ou o que deveria. Não via sentido em trabalhar, para ter meu dinheiro, sendo que nunca desejei nada de valor para comprar. Não via sentido em sair, sendo que nunca me divertia o suficiente para me fazer sair mais vezes. Definitivamente eu era louca. Alguém que não vê prazer em viver é definitivamente louca. Eu não entendo como cheguei a isso, mas fiquei louca de vez. Ok, talvez eu não seja louca, talvez eu seja anormal. Para uma garota de 16 anos – quase completando 17 – pensar tudo isso... sim, de fato, eu sou anormal.




Mas talvez seja o fato de fazer todo o dia a mesma coisa que esteja me cansando. Talvez eu só esteja cansada... é... pode ser isso. Talvez se eu mudar meu estilo de vida, eu possa ser normal. Argh! Quantos “talvez” para me perturbar! Ok... só vou dar tempo ao tempo, talvez – e lá vem essa palavra de novo – isso seja só uma fase e eu volte ao normal, ou me torne uma pessoa normal. É... Vou torcer pra que isso aconteça, por enquanto vou continuar com essa vida ridícula e ver o que acontece.




Deixei minha mãe lá e subi para o quarto. A única coisa que eu podia fazer agora era ler. Não tinha outra coisa pra fazer e era o que eu sempre fazia, então...




Fechei a porta do quarto, joguei minha mochila no pequeno sofá ao lado e deitei-me na cama.




Peguei o livro e abri. Argh! Mais poeira! Assoprei as paginas e comecei a ler. Ele começava com um trecho extremamente estranho.




“Aquele que ler este livro, conhecerá coisas que nenhum outro humano conhece. Este livro é o único que existe no mundo, que tem os fatos inteiramente reais sobre nossa espécie. Se você ler este livro estará condenado. Nenhum humano pode ter conhecimento do que há escrito aqui. E tenha certeza de que você não será exceção, os Volturi não dão segundas chances. Cabe a você escolher se irá para a página seguinte ou não.”




Estremeci por ler o primeiro parágrafo e me surpreendi. A linguagem não era tão antiquada quanto imaginei. Revirei os olhos pela forma que eles usaram para chamar a atenção do leitor. Típico!




Assim que fui para passar a pagina, quatro batidas na porta de meu quarto me assustaram. Era minha mãe.




, telefone para você. Parece ser importante.




Levantei da cama num pulo. Não imaginava quem poderia ser que estaria me ligando. Minhas amigas estavam do outro lado do país agora e mal nos falávamos pelo telefone.




Ela abriu passagem para eu passar pela porta e eu fui diretamente ao telefone.




— Alo! — atendi.




— Olá, é a ? — a voz era diferente, uma voz que eu não conhecia.




— Sim, quem fala?




— Aqui é Helena. Eu sou irmã mais velha de Laila.




— Como conseguiu meu número? — perguntei curiosamente.




— Laila tinha os números de todos os alunos, que frequentavam a biblioteca, aqui em casa.




— E o que quer? — tentei não soar arrogante, mas acho que foi inútil.




— É que... Bom, é que Laila não chegou em casa até agora e ela não costuma chegar tão tarde, quer dizer, ela não chega quase duas horas mais tarde que o normal. E devido às circunstancias da cidade agora... Achei melhor checar antes de tomar alguma medida drástica.




— Ela disse que ficaria um pouco mais na biblioteca para arrumar as estantes de livros. — respondi despreocupadamente. Agora que a cidade está perigosa, qualquer atraso já é motivo para chamar a policia.




— Eu sei, ela me ligou avisando. Disse que chegaria vinte minutos mais tarde, no máximo meia hora, mas já se passaram quase duas horas. — sua voz soou desesperada.




— Por que não liga para o celular dela?




Estava começando a me preocupar com isso.




— Eu já liguei, mas ninguém atende! — ela começou a chorar do outro lado da linha. Minha respiração acelerou. Alguma coisa aconteceu com Laila.




— Já ligou na biblioteca? — perguntei na esperança de que ela dissesse “não” e ligasse para lá.




— Já! Já liguei e ninguém atende. — ela começou a soluçar. — Desculpe por incomodar. Eu... vou ver se descubro onde ela está.




— Por favor, não deixe de me avisar quando encontrá-la. — controlei-me para não terminar a frase com “se acontecer alguma coisa”. Não queria tornar seu desespero maior.




— Ok, obrigada. Tchau.




— Tchau. — disse e desliguei.




Respirei fundo. Laila está bem. Ela está bem e vai voltar em segurança para casa. Tentei convencer a mim mesma.




— Aconteceu alguma coisa? — perguntou minha mãe.




Virei meu olhar pra ela.




— Ainda não sabemos. Mas tudo indica que sim. — respondi e subi para meu quarto. Aquelas informações estavam me incomodando muito. Eu tinha que arrumar alguma forma de me acalmar.




Tomei um banho relaxante e fui me deitar, esperando para que o sono viesse. O que não demorou muito, pois eu estava cansada.





Estávamos todos reunidos na entrada da escola. O diretor parecia ter alguma coisa importante a dizer para os alunos.




— Bem, alunos, aconteceu uma coisa... e queremos comunicá-los. — o diretor começou a dizer. — Laila, a jovem que ficava na biblioteca. — estremeci ao ouvir o nome. — Ela desapareceu ontem a noite. Peço que se a virem, não deixe de nos avisar, a família dela está desesperada.




Logo os cochichos ao meu redor começaram, todos pareciam desesperados. Eu não estava desesperada, quer dizer, não que essa informação não tenha me incomodado, sim, essa informação me preocupou muito. Não queria que nada de ruim acontecesse a Laila.




— Ainda vai ter aula hoje? — perguntou uma garota ao meu lado.




— Sim. Sei que vocês pensam que será mais perigoso, mas já perdemos muitas aulas, e já estamos no fim do semestre.




Suspirei. Ainda teria que aguentar um dia chato na escola.





Assim que saí da escola, fui até o café que havia perto da escola. Seria um bom modo de acalmar meus nervos. Eu estava nervosa, preocupada, e começando a ficar com medo. Oh, sim. Finalmente a ficha está caindo, finalmente eu estou percebendo a real situação dessa maldita cidade.




Sentei-me numa cadeira qualquer e pedi um capuccino. Enquanto esperava a garota me trazer, procurei o livro em minha bolsa. Droga! Esqueci em casa!




Suspirei e comecei a esperar o capuccino, batucando os dedos na mesa impacientemente. Ok... isso deve ser uma mania minha.




Assim que a garota me trouxe o capuccino comecei a beber. Enquanto ligava meu Ipod e escutava minhas musicas.




Fiquei mais algum tempo bebendo o capuccino, até que recebi um cutucão no ombro, fazendo com que eu me virasse abruptamente para encarar a pessoa.




Era a jovem que me serviu o café.




— Moça, desculpe atrapalhar, mas é que já fecharemos o café. — disse ela, timidamente.




— Oh! — dei um sorriso tranquilizador e me levantei, bebendo o capuccino todo de uma vez. Ugh! Agora tudo tem que fechar mais cedo?! Dãh! Acorda ! Assassino em serie, esqueceu?




Saí de lá e caminhei até o ponto de ônibus. Cheguei lá o ônibus não havia chegado, então esperei. Esperei, esperei e esperei. Nada. Ótimo! Agora vou ter que ir a pé e chegar mais tarde em casa. Ouvir sermões de minha mãe e provavelmente dar uma explicação á policia. Por que, com certeza, se eu chegar tarde minha mãe já chamará a policia.




Coloquei os fones irritada e caminhei pelas ruas vazias e escuras. Ugh, assustador! Que nada! Continuei caminhando tranquilamente, até que ouvi alguns murmúrios numa viela.




Continue andando. Ignore. Continue andando. Apertei o passo e logo já estava quase correndo. De repente, me choquei em algo duro e caí no chão. Estranho, eu não tinha visto nada a minha frente.




Olhei para ver em que eu tinha me chocado e minha respiração ficou presa e meu coração disparou dentro do peito. Era um homem. O homem mais lindo que eu já tinha visto na vida. Parecia um anjo de tão belo.




Abri a boca pra pedir desculpas, mas percebi que ele não havia sofrido nenhum dano. Pelo contrario. Havia um sorriso em seus lábios.




No primeiro momento fiquei deslumbrada com sua beleza, mas depois, percebi algumas características que foram suficientes para me assustar. Seus lábios estavam puxados pra cima, mostrando os dentes brancos e agudos, seus olhos encaravam-me como se eu fosse um pedaço de carne, mas não era essa a parte que me assustou, oh não... A parte que me assustou, era que seus olhos eram de uma íris de cor escarlate. Num vermelho vivido e assustador.




Antes que eu pensasse em fugir, em um piscar de olhos ele já estava sobre mim, segurando com força meu pescoço. Um grito se formou em minha garganta, mas antes que eu pudesse gritar, ele já havia perfurado com seus dentes a pele de meu pescoço. Fazendo com que uma dor completamente insuportável se concentrasse ali.




Um rosnado ecoou atrás dele, o que fez com que ele me soltasse e rosnasse de volta. Céus... o que era aquilo?!




Senti-me fraca de mais, e não conseguia mexer nenhuma parte do meu corpo, pois havia uma dor insuportável queimando por minhas veias, e se espalhando rapidamente por meu corpo.




Olhei para os “seres” que estavam a minha frente, mas eu não os via. Só via vultos. Vultos se movimentando pra cá, vultos se movimentando pra lá. Mas nem me importei com isso. Eu só pensava nessa maldita dor e em alguma forma de pará-la.




Eu prefiro morrer a continuar com essa dor. Era como se lava de fogo estivesse escorrendo por minhas veias, se espalhando cada vez mais por meu corpo.




Um barulho de rochas se chocando tomou parte do ambiente, assim como meus gritos. Oh sim, eu gritei. Gritei por que foi impossível não demonstrar aquela dor através de minhas cordas vocais, quando a ardência em meu corpo chegou em meu peito. Estava indo para meu coração, eu podia sentir.




Logo ouvi um som de pedras se quebrando e os vultos se cessando. Sobrando somente a minha frente, aquele homem belo. Belo como um anjo. Não... um demônio. Por me causar essa dor.




Ele me olhou e voltou a perfurar seus lábios em minha jugular. Mas era como se ele não conseguisse. Como se seus dentes não conseguissem perfurar minha pele.




— Mas o que...? — disse ele e neste mesmo momento eu soltei um grito agudo de dor, pois a ardência estava se concentrando somente em meu peito. — Ela esta sendo...?




— Sim, ela está. — ouvi outra voz dizer. — Temos que levá-la para Riley.




— Oh não! Leve você! Se eu levá-la é capaz de ele me queimar!




— Você fez isso, agora a leve!




Ouvi-o bufar e logo senti seus braços gelados e duros passarem a minha volta. E então me levantar em seu colo, como se eu pesasse como uma pena. Pra onde esse monstro duro, gelado e belo está me levando?!




Gritei mais uma vez quando senti meu coração acelerar incrivelmente, enquanto ardia. O que estava acontecendo comigo? Eu ia morrer? Por que não morro logo?! Por que essa maldita dor não acaba logo?!




Senti o vento chicotear meus cabelos e senti-me como se estivesse voando. Talvez eu estivesse, talvez eu até gostasse da situação, se meu corpo não estivesse queimando e meu coração acelerando cada vez mais, de um modo impossível de se acontecer.




Senti que o “ser” que me carregava parou de andar e continuou comigo em seu colo, apenas dando passos suaves que não omitiam nenhum som pela leveza que eram dados.




— Onde está Riley? — perguntou uma voz.




— Está lá dentro. Quem é essa?!




O homem que me carregava ignorou a pergunta do outro e voltou a andar rapidamente, mais rápido do que eu julgava ser possível.




— Riley! — chamou.




— O que é seu imprestável?!




O homem não disse nada, mas logo um alto rosnado se fez na sala.




— O que você fez?! — rosnou o que eu julguei ser Riley.




— Eu não sei, eu estava bebendo o sangue dela, mas fui interrompido por outro vampiro e a deixei lá, mas quando terminei de desmembrá-lo e fui voltar a tomar seu sangue, eu não consegui mais. — o homem que me carregava dizia tudo rapidamente, que eu mal consegui entender.




Meu coração acelerou mais ainda, e eu não entendia o porquê de eu não ter morrido ainda. Não era possível que alguém vivesse com um coração batendo daquele jeito.




— Devemos queimá-la?




Oh, como eu queria respondê-lo. Eu já estou queimando seu imbecil! Mate-me logo e acabe com isso!




— Não... Um a mais, um a menos, não fará diferença.




— Então o que fazemos?




— Coloque-a aí, daqui um dia ou dois a transformação terminará.




Senti meu corpo ser colocado em algo plano e um corpo se aproximar do meu.




— Já pode sair. — rosnou Riley. Ouvi a porta ser fechada. — Você até que é bonitinha. — senti seus dedos frios tocar meu rosto. — Tomara que seja útil para ela e que seja comportada. Não quero queimá-la como os outros.




— Eu... já estou... queimando. — disse arfante.




Ele riu levemente.




— Eu sei. Logo acabará. — respondeu ele. Tomei coragem e abri os olhos, encarando seu rosto. Seu lindo rosto.




Ele era ainda mais bonito que o outro. Não tinha como eu pensar que ele era um demônio. Não... Ele era belo demais para pensar isso. Ele tinha as feições angelicais e sombrias ao mesmo tempo, mas ele não era um demônio, ele era um anjo. Um anjo mau talvez, mas um anjo. Um lindo anjo.




Ele sorriu levemente, revelando seus dentes agudos, e saiu. Deixando-me sozinha com minha dor. Que aos poucos ia se concentrando cada vez mais em meu peito. O que está acontecendo comigo?







2. Vampira?






Durante muito tempo continuei a sentir aquela dor, mas o estranho era que eu sabia perfeitamente o tempo que se passara. Eu podia contar mentalmente os segundos que se passavam; e desde que cheguei aqui já se passaram 27 horas, 22 minutos e 37 segundos. Era realmente estranho que eu conseguisse contar com tanta clareza com a dor dominando cada parte de meu corpo e meus pensamentos.




Durante todo esse tempo desejei morrer. Cheguei a implorar para aquele “anjo mau”, Riley, que me matasse, mas ele apenas ria levemente e dizia “está quase acabando”. Não sei ao que ele se referia, mas com certeza não era a dor, pois ela continuava e ficava cada vez pior. Se concentrando cada vez mais em meu peito.




Mas apesar dessa dor, percebi algumas coisas que mudaram em mim durante esse tempo. Eu ouvia vozes ao fundo, como se eu pudesse ouvir pessoas conversando em outro andar; eu também escutava rosnados, brigas, discussões, e aquele mesmo som de pedras se quebrando que ouvi quando encontrei aquele maldito ser na rua vazia.




Ouvi passos se aproximando e trinquei os dentes para não gritar com a dor que tinha queimado meu coração de um modo muito mais forte que das outras vezes, fazendo com que ele disparasse numa velocidade quase parando de vez.




— Está acabando, Diego. — ouvi a voz de Riley dizer.




Não consegui mais segurar, e gritei com todas as forças que meus pulmões permitiam, fechando os olhos.




Foi então, que ouvi pela ultima vez meu coração bater. Ele parou. Espera aí, meu coração parou e eu ainda estou respirando? E por que eu ainda estou pensando? Eu deveria estar morta, certo?




Senti um alívio enorme quando a queimação se cessou, mas me senti desesperada para saber o que estava acontecendo comigo. Abri os olhos e me sentei rapidamente – numa rapidez que me surpreendeu –, finalmente consegui mexer meu corpo... mas ainda não entendia por que estava mexendo-o.




Olhei para minhas mãos e uma ruga formou-se em minha testa. Eu estava mais pálida que o normal. Era um branco que parecia quase como papel... Cheguei até a me assustar, arfando.




Olhei para os dois seres que me observavam curiosamente e levantei da onde estava – que só agora percebi que era uma cama sem colchão.




Quase arfei ao perceber como eu estava enxergando tudo mais claramente. Como se antes eu fosse cega. Podia até ver cada traço detalhadamente dos lindos rostos que continuavam a me encarar.




— O que fizeram comigo? — disse e congelei. Essa não era minha voz. Definitivamente não era. Ela era mais afinada, menos rouca, como soar de sinos, como se eu falasse cantando.




— Você foi transformada. — Riley disse, ainda me encarando curiosamente, como se esperasse que eu fizesse alguma coisa.




— Transformada em que? E o que são vocês? E por que eu não estou morta sendo que meu coração não bate mais? – despejei as perguntas todas de uma vez e estranhei o quão rápido elas saíram por meus lábios.




O outro, Diego, suspirou e encarou Riley com tédio.




— Nós somos vampiros. E você é uma agora também. — respondeu ele, como se fosse a coisa mais normal do mundo.




— Vampira?! — arfei surpresa.




— Sim. Seja bem vinda! — disse ele. Fiquei em silêncio, eu ainda estava absorvendo essa informação. Como isso podia ser real?! — Eu acho melhor você levar ela pra caçar, Diego. Já é de noite e ela deve estar com sede.




Assim que ele disse isso, minha garganta queimou. Queimou como eu estava queimando há alguns minutos atrás. Droga! Pensei que isso tinha acabado!




Era como se aquela mesma lava fervente que estava se espalhando por minhas veias, estivesse agora totalmente concentrada em minha garganta. Em reflexo coloquei as mãos no pescoço e apertei, tentando inutilmente parar com a queimação.




— Leve-a e ensine tudo sobre caça! — disse Riley para Diego.




Assim que Riley terminou de falar, a ardência em minha garganta aumentou e eu agarrei a cabeça e fechei os olhos. De repente senti como se tivesse levantando alguma coisa nos braços, mas continuei com as mãos apertando a cabeça, pois a ardência continuava.




— Mas o que...? — ouvi Riley murmurar.




Abri meus olhos e os mesmos se arregalaram com a cena que vi. Todos os móveis que estavam no local, estavam levitando – e eu tinha a leve impressão de que nenhum dos vampiros a minha frente estavam fazendo isso, pois a expressão deles era tão surpresa quanto a minha.




Enquanto Diego e eu mantínhamos expressões incrédulas na face, Riley abriu um enorme sorriso. Encarei-o sem entender, e com um baque todos os moveis caíram no chão.




— Telecinética. — disse ele, a mim. — Você será muito poderosa.




Franzi a testa sem entender e Diego fez o mesmo, enquanto ele ficava sorrindo feliz.




— Ela, com certeza, foi a melhor coisa que Raoul já fez nessa vida inútil. — ele olhava-me tão estranhamente, que desviei o olhar. — Diego, não pode dizer a mais ninguém o que viu aqui, entendeu?




— Por quê? — perguntei. Ele olhou pra mim.




— Quer continuar viva, não quer?




Estremeci com seu olhar sombrio sobre mim.




— Vá Diego! — ordenou ele.




Diego caminhou até mim, e segurou meu braço, puxando-me pela porta.




— Você pode me explicar tudo isso? — perguntei. Ele tinha as expressões serias, mas assim que saímos da vista de Riley, ele relaxou e soltou meu braço.




— Bom, como você já sabe, somos vampiros. — ele suspirou. — Quando sentimos sede, uma ardência na garganta, temos que tomar sangue humano para que ela possa se cessar.




Estremeci. Eu teria que matar um humano para apagar o fogo na garganta?!




— Não tem outro modo? — perguntei esperançosamente.




— Pior que não. — ele suspirou novamente. — Siga-me! Vamos caçar.




Ele começou a correr rapidamente, e meus olhos quase saltaram das orbitas por ele ter ido à velocidade de um raio. Balancei a cabeça e o segui, e facilmente consegui alcançá-lo. Meus passos eram leves sobre o chão, e nem faziam som. Eu voava sobre o chão, sem fazer nenhum esforço.




A sensação dos ventos chicoteando meus cabelos, e de liberdade, fez com que eu começasse a rir. Como se nem me lembrasse mais que há minutos atrás estava queimando que nem uma condenada e que agora eu era um ser que eu nem fazia ideia que era real.




Chegamos numa viela e Diego parou. Parei logo em seguida.




— Você deve caçar somente pessoas que não farão falta. E arrumar tudo quando terminar, para que ninguém suspeite do que aconteceu aqui. — ele dizia tudo rapidamente, e de algum modo meus ouvidos aguçados conseguiram captar cada palavra.




— Eu não posso matar uma pessoa... isso é errado. — disse.




— É o único jeito.




Suspirei. Eu não mataria nenhuma pessoa. Preferia morrer com aquela maldita queimação, mas nunca seria capaz de uma crueldade dessas. Minha garganta queimou insuportavelmente com esse pensamento.




Ouvi passos se aproximando e alguns baques surdos como os batimentos cardíacos de uma pessoa e imediatamente congelei em meu lugar.




— Está vindo um. Pode ficar com este.




Olhei incrédula pra ele. Ele falava como se aquela pessoa fosse um doce sendo dividido.




Mantive minha posição, parada. Mas quando vi a pessoa – um rapaz –, eu senti seu cheiro, o cheiro de seu sangue, e não agüentei; pulei sobre ele, rosnando, enquanto a garganta queimava insuportavelmente.




Eu não pensei em nada, simplesmente agi. Quebrei seu pescoço em menos de um segundo e cravei meus dentes na fina pele de seu pescoço. Meus dentes eram tão afiados, que era tão fácil como morder um chocolate completamente derretido; ou talvez até mais. Suguei com uma força inacreditável o lugar que mordi, e logo o liquido quente desceu por minha garganta, aliviando a ardência, até que ela se cessasse de uma vez.




Assim que terminei, minhas mãos inconscientemente jogaram o humano de lado, como se ele não pesasse nada. Logo quando vi seu corpo seco caído do outro lado, me senti o pior dos seres no mundo. Eu havia matado uma pessoa! Eu havia matado um inocente apenas para saciar minha sede!




Deixei-me cair no chão, abracei os joelhos e deixei a angustia vir. Os soluços saíram, a tristeza também, mas nenhuma lagrima. Nem chorar eu podia mais... Eu sou um monstro!




— Mas por que diabos você está chorando?! — perguntou uma voz que não reconheci.




Olhei para o ser, e me vi encarando outro vampiro. Eu sabia que era um vampiro; por causa de seu cheiro adocicado, de sua pele branca feito papel, de sua beleza angelical e de seus olhos escarlate. Comecei a me imaginar com aqueles olhos. Eu tinha olhos como os deles, mas não consigo me imaginar assim. Isso só comprova mais o fato de que me tornei um monstro desprezível.




— Ela é a nova recém-criada. Ainda não está acostumada a caçar. — disse Diego ao vampiro.




— Essa é a garota que Raoul transformou?




Diego assentiu.




— Ei! — chamou-me ele. Olhei em sua direção. — Qual seu nome?




Hesitei. Eu não sabia o que fazer agora. Quando este vampiro perguntou meu nome, um pensamento ruim passou por minha mente. Eu não queria hospitalidades... Eu não queria fazer parte disso, dessa vida... Eu queria simplesmente voltar a ser quem eu era, o que eu era... Deixar de ser um monstro...




— Qual seu nome?! — perguntou mais irritado, mas não entendi o porquê de sua irritação tão repentina.




— É . — Diego respondeu. — Vai dizer ao Raoul essa informação que conseguiu?!




— Sei lá... Se ele perguntar. — ele deu de ombros. — Eu já vou indo.




Ele saiu. Percebi que Diego não se despediu dele e que seu rosto nem ao menos demonstrava simpatia por ele.




— Quem é ele? — perguntei.




— Kevin. — respondeu e se virou para mim. — Temos que voltar.




Dei uma risada sem humor.




— E por que eu iria com vocês?! Que eu saiba foram vocês que me transformaram neste monstro!




— Não pode ficar aqui agora, o tempo está se esgotando.




Levantei a cabeça para encará-lo confusa.




— Por que o tempo está se esgotando?! — perguntei, levemente irritada.




— Já está amanhecendo. E... Bom, o sol nos mata. Simples.




Franzi a testa e encarei o chão.




— Vamos! — chamou ele, mais uma vez.




— Eu vou ficar. — respondi.




— Por quê?! — ele olhou-me incredulamente.




Levantei-me do chão.




— Por que não quero continuar a ser esse monstro que me tornei.




— Mas se você ficar será pior. Além de morrer cremada no sol, você ainda matará todas as pessoas que ver pela frente até amanhecer.




— Não, eu não vou!




— Você é uma recém criada, não tem tanto controle assim! Você não resistirá ao sangue!




Assim que ele disse isso, a leve ardência na garganta pronunciou-se novamente. E o instinto de sobrevivência falou mais alto. É claro que eu não queria matar as pessoas também, mas eu não sei se morrer cremada pelo sol era o que eu queria.




Suspirei e assenti para que andássemos.




— Só vou dizer uma coisa a você. — sussurrou ele. — Não arrume confusão com ninguém. Eles podem facilmente desmembrá-la e queimá-la se você provocá-los. Você é nova e não está experiente com lutas, morreria facilmente. Apesar dessas coisas que você faz com os objetos... Bom, acho que você ainda não tem controle suficiente para isso te ajudar.




— O que mais preciso saber?




— Não chame a atenção. Alguns vampiros adoram começar uma briga sem motivos. Então fique na sua. E... Bom, sobre a caça eu já te ensinei tudo que precisa saber... E espero que obedeça, Riley não vem gostando muito que alguns vampiros não estejam respeitando isso.




— E como ele descobre que eles não estejam respeitando?




— Pelos jornais, — ele deu de ombros. — Noticiários... Essas coisas.




Foi aí que a ficha caiu. Não era um assassino em serie que estava matando todas as pessoas... E as pessoas não desapareceram... não... Elas foram mortas, ou transformadas...




Apoiei-me na parede e fechei os olhos. Isto não está acontecendo! Aquelas pessoas mortas... Foram mortas por seres que eu nem imaginava que fossem reais, somente para saciar a sede dos desgraçados. E o pior... Agora devido ao que sou terei que fazer a mesma coisa desprezível. O certo a fazer seria permanecer aqui e ser morta pelo sol, mas meu instinto de sobrevivência não permitia.




— Vamos? — perguntou ele.




Passei as mãos pelos cabelos nervosamente e suspirei.




— Vamos.




Corremos pelas ruas vazias e escuras de Seattle e logo retornamos ao mesmo lugar. Onde Riley estava. Era um esconderijo, eu acho. Talvez para que ninguém fosse afetado pelo sol... Talvez.




— Não faça amizades, não confie em ninguém. — Diego disse rapidamente e entrou separadamente de mim dentro do porão, onde havia vários outros vampiros.




Entrei logo em seguida, respirando fundo. Senti todos os olhares sobre mim e abaixei a cabeça, lembrando do que Diego dissera... “não chame a atenção”, bom, acho que já é tarde pra isso.




Mas o que ele disse agora a pouco ficou um pouco em minha mente. “Não confie em ninguém”, “não faça amizades”, então eu não podia confiar em ninguém? Eu estava sozinha no mundo? E se eu confiasse em alguém que não devia? Que prazer essa pessoa, não, esse ser, teria em me matar?! Talvez eles façam jus ao titulo de “monstros” mesmo.




Percebi um canto vazio no porão e fui até lá, me agachando e ficando quase sentada no chão. Qualquer pessoa se cansaria facilmente naquela posição, mas pra mim não havia incômodo nenhum, eu podia ficar um bom tempo assim ali que não me cansaria.




Olhei por um segundo os outros vampiros. Eles não me encaravam mais, como se a “recém-criada” não tivesse importância alguma e já fosse rotina. Talvez até fosse, nas condições em que Seattle se encontra agora por causa desses vampiros, não duvido nada.




Percebi alguns vampiros jogando videogame, outros lendo alguma coisa, alguns discutindo, outros conversando, e uma leve fogueira no canto oposto ao meu no porão. Uma fogueira?! Era uma fogueira estranha, com uma coluna de fumaça arroxeada. Logo percebi o que aquela fogueira significava... os vampiros mais fracos eram queimados ali...




? — chamou uma voz familiar. Levantei a cabeça e encarei a pessoa. — Venha! Quero falar com você.




Levantei rapidamente do chão. Riley pelo o que eu percebera era o líder daqueles vampiros, e se eu não o obedecesse ele com certeza me mataria “facilmente” como Diego dissera.




Ele entrou em uma salinha e fez sinal com a cabeça para que eu entrasse. Entrei e ele fechou a porta logo em seguida.




— Você é nova nisso. E completamente inesperada, mas... Você é de grande importância, então eu vou pedir para que se proteja, ok?




Não respondi; somente franzi a testa.




— Estes vampiros. — ele apontou para a porta. — Se irritam facilmente, são fortes, experientes, e não tem nenhum pingo de compaixão com os vampiros que matam. Eles não matam somente o que os irritam ou provocam, eles matam qualquer um que os desafie, ou qualquer um que eles não vão com a cara. Tente se manter invisível, excluída, não confie em nenhum vampiro, pois na hora da caça, todos eles se viram contra seus parceiros.




— Por que quer que eu continue viva?! — perguntei arqueando a sobrancelha, minha expressão completamente seria.




— Você é a única que tem poderes. Especialidades únicas que poucos vampiros têm. Aqui, somente Fred e você têm poderes, e somos mais de 20 vampiros.




Franzi a testa.




— Por que eu sou importante por causa desses poderes? Que importância tem pra você?!




— Logo saberá. Mas eu preciso que você guarde em sua mente tudo o que eu lhe disse. Preciso que se mantenha viva, entendeu ?




— Eu faço o que eu bem entender Riley! — sibilei. — Eu não quis essa vida pra mim, quanto mais cedo ela acabar melhor.




Olhei em sua cara uma ultima vez e saí da salinha. Apesar de eu estar aqui, eu não fazia parte disso. Oh, não... Não deixarei um ser que nem conheço mandar em mim. De minha vida – se é que posso chamar isso de vida – quem cuida sou eu.





Os dias foram se passando. Tudo sempre tão monótono e solitário para mim. Desde que tive aquela conversa com Riley, venho me mantendo viva do meu jeito.




Eu vivo excluída. Não falo com ninguém. Somente observo o que se acontece naquele pequeno espaço cheio de vampiros. Todo dia alguns brigam entre si e acabam sendo queimados pelo mais forte.




Quando chega a noite, Riley seleciona os que estão com sede para que eles possam caçar. Alguns tentavam fugir, mas Riley não deixava.




Durante essa semana Riley me mandou 3 vezes ir caçar, mas me recusei em todas elas. Permanecendo encolhida no canto do porão, com a garganta queimando cada vez mais e a fraqueza me dominando a cada segundo que se passava.




Eu sabia como Riley percebia que os vampiros estavam com sede. Havia uma diferença em seus olhos. Quando eles saiam por aquela porta para caçarem, seus olhos eram completamente escuros, quase pretos; mas quando voltavam, os olhos vermelho reluzente substituía os escuros.




Os dias tem se mantido os mesmos. Poucos vampiros percebiam minha presença e nem por isso vinham até mim. Ignoravam-me e continuavam com o que faziam, que muitas vezes era brigar e discutir.




Raoul, o que me transformara nisso, era o que mais matava. Ele se dizia o líder de um grupo formado entre os vampiros, e qualquer um que se metia em seu caminho era morto rapidamente.




Eu não queria obedecer ao que Riley disse, mas o fiz. Permaneci na minha, sem falar com ninguém, sem confiar em ninguém.




Percebi que o tal “Fred” que também possuía habilidades, era como eu. Ele se mantinha quieto em seu canto e eu percebera facilmente qual era o seu dom. Se eu tentasse olhar pra ele, ou me aproximar um pouco, sentia uma onda de repugnância e náusea me atingir. Era um poder para afastar as pessoas dele. E acho que é isso o que lhe manteve vivo até hoje, pois nenhum vampiro consegue chegar perto sem passar mal. E nenhum se arrisca a isso.




Eu não tenho usado meus poderes para nada. E me senti agradecida por eles não se manifestarem sozinhos por algum sentimento meu, como aquele primeiro dia. Ter poderes mostrava a mim mesma o quanto eu era anormal, até mesmo para uma vampira eu era anormal.




, já chega! Vá caçar agora mesmo! — Riley rosnou.




— Não, eu estou bem. Não estou com sede. — respondi desviando o olhar e engolindo em seco, pois minha garganta queimou mais ainda quando falei a palavra “sede”.




Riley riu.




— Não pode me enganar, . Posso ver seus olhos completamente escuros. Você deve estar muito fraca, e se continuar assim irá morrer.




— Não me importo. — respondi.




Ele sentou-se ao meu lado no chão.




— Sabe, não adianta lutar contra sua natureza. Na verdade, não sei nem como você está aguentando se manter. Seu autocontrole é formidável.




— Não vou caçar e matar mais uma pessoa inocente. — respondi. — Não vou fazer jus ao titulo de monstro. Já matei uma vez. E essa vez já é o suficiente para me manter culpada pelo resto dessa resistência maldita. Ou o quanto mais ela dure.




— Por que tem tanto desprezo a essa vida?! Você é como uma deusa agora, ! Viverá pra sempre, é forte, é rápida, é poderosa...




— Mas tenho que matar pessoas para sobreviver.




— Os humanos foram feitos para nós. Para saciar nossa sede. — disse ele, sorrindo. Encarei-o incredulamente.




— Por acaso você já se esqueceu que um dia foi um humano, Riley?! Não tem um pingo de compaixão por eles?! Você não teve família, amigos, conhecidos humanos?! Imagine agora que todos eles podem estar mortos agora, por causa destes monstros que você lidera! Pense um pouco, seu idiota... Não acredito que possa ser tão cruel para não ter um pingo de compaixão com estes seres!




— Eu não posso fazer nada, . A morte deles é necessária para a minha sobrevivência. Para a nossa sobrevivência... Se pensar nisso, pode até perceber que isso não seja tão errado se pensar por essa perspectiva.




— Pensar por essa perspectiva?! Nós, malditos vampiros, não éramos nem pra existirmos! Como isso pode aliviar a culpa, Riley?!




, para com isso! Eu sei que você está morrendo de sede. Sua garganta está pedindo insuportavelmente para que o sangue humano, doce e quente desça por ela.




Minha garganta queimou insuportavelmente e eu trinquei os dentes. Eu sabia bem o que ele estava fazendo. Fazendo com que eu pense em sangue e não resistisse... Para que eu sinta mais sede e caça. Ele quer fazer com que o sangue domine meus pensamentos e que eu só consiga pensar nele. Quer que eu me torne ignorante como os demais outros vampiros naquele porão.




— Pare com isso! — implorei. Apertei as mãos na cabeça e tentei manter meus pensamentos livres da sede. Fazer com que eu pensasse em outra coisa rapidamente.




Ele riu.




— Viu? Nem mesmo você está conseguindo convencer a si mesma que não está com sede. Você está morrendo de sede, . Está sedenta por ela. Chega a juntar água em sua boca ao pensar naquele doce sangue descendo por sua garganta. Não tem como você não resistir...




E eu não resisti. Corri porta a fora, a toda a velocidade pelas ruas da cidade. Ouvindo abafadamente a risada de Riley. Idiota. Ele conseguira me convencer. Conseguira fazer com que eu me rendesse aos instintos assassinos.




Corri até próximo a uma viela. Era incrível a rapidez em que meus pés pisavam no chão. Mas agora era diferente. Não havia prazer em correr como antes. Não havia aquela sensação de liberdade. Pois eu sabia o que estava prestes a fazer, e não conseguia impedir. E saber que eu não tinha escolha, mostrava que aquela sensação de liberdade na hora de correr, era apenas uma sensação. Nesta maldita vida não se tem escolhas...




Encontrei uma mulher caminhando pelas ruas. E pela sua postura e suas roupas, deduzi que era uma prostituta. O doce aroma de seu sangue entrou por minhas narinas, e antes que eu percebesse, as pequenas pedras no chão levitaram e a mulher também.




Ela começou a gritar e aquilo me incomodou, o que fez com que ela logo se calasse. Era como se eu estivesse sufocando-a com minhas próprias mãos. Mas não era. Eu estava apenas parada assistindo, enquanto minhas malditas “habilidades” faziam todo o serviço.




Ela não estava conseguindo respirar graças ao meu aperto mental em seu pescoço e logo ela fora ficando roxa e perdendo a vida.




Não quis mais prolongar seu sofrimento e coloquei mais força no aperto mental em seu pescoço, fazendo com que ela morresse de uma vez.




Caminhei até ela e mordi seu pescoço, sugando-lhe todo o seu sangue. Oh... Sangue... Ele estava aliviando a ardência na garganta, mas eu podia perceber que não era o suficiente. Mas... Era o suficiente para que eu recuperasse a razão e percebesse o que eu fizera.




Sentei-me no chão e comecei a chorar sem lágrimas. Foi como um Dèjá vu. Lembrei-me da última vez que matei e senti a mesma onda de culpa me acertar diversas vezes. Era mais uma vida que eu tirei, mais uma vida que pesaria minha consciência.




Fiquei mais algum tempo caída no chão, chorando que nem uma criança e perguntei-me o que havia de errado comigo. Por que era óbvio que eu era diferente dos outros vampiros. Eles cediam ao instinto sem se culpar, sem hesitar, sem se preocupar, e eu chorava toda vez que me rendia aos instintos assassinos e vampirescos. Minha maior vontade era continuar sem matar ninguém, mas eu não conseguia. Por mais que eu tentasse, eu não conseguia mais. Não tinha mais como evitar essa maldita vida. Agora eu já me tornara um monstro, e eu tenho que continuar com essa vida do jeito que ela é. Mesmo que eu não queira... mesmo que seja errado. Era o que eu tinha que fazer.




O tempo passou rapidamente e eu finalmente decidi me levantar e acabar com os vestígios da morte daquela mulher.




Peguei o isqueiro que Riley me dera e queimei seu corpo, chorando por dentro pelo o que eu acabara de fazer.




Suspirei e olhei para o céu. Pela cor, deduzia-se que daqui a uma ou duas horas amanheceria e o sol apareceria. Eu podia ficar mais algum tempo aqui fora... Mas tinha medo do que eu era capaz de fazer. De quem eu era capaz de matar por causa dessa sede.




Suspirei quando um pensamento doloroso veio a minha mente. Minha mãe. Como ela está? Como ela reagiu ao meu desaparecimento? Meu Deus, sei que não ouviria as preces de um monstro, mas por favor, proteja a vida de minha mãe e faça com que ela não seja uma simples vitima de alguns desses vampiros...




Minha mãe... Eu tinha que vê-la novamente. Nem que seja de longe. E foi o que eu fiz. Segui até minha casa rapidamente, para vê-la uma ultima vez...




Parei enfrente a casa e caminhei até a janela de vidro que havia. Estiquei-me na ponta dos pés e olhei dentro da casa. Percebi que a TV estava ligada e que alguns vídeos caseiros de quando eu era pequena se passavam. Olhei para o sofá e encontrei o corpo de minha mãe. Ela tinha uma foto minha em suas mãos, sendo apertada pelas mesmas. Percebi com a visão aguçada alguns vestígios de lagrimas em seu rosto e isso fez com que a angustia aumentasse mais em mim.




Ela achava que eu tinha morrido... É melhor que ela pense assim. Pelo menos o que ela deduziu que aconteceu comigo é mil vezes melhor do que o que realmente acontecera.




Sentei-me na escada em frente a porta de casa, apoiei o rosto nas mãos e comecei a soluçar. Chorando...




Respirei fundo e voltei a minha expressão normal. Tentando controlar a vontade de chorar.




Pensei em como seria minha vida a partir de agora. Eu me renderia aos instintos e continuaria a viver com aqueles vampiros sem nada pra fazer e nem ninguém pra conversar? Ou... não adianta, não tenho mais opções...




Escalei a parede de minha casa e entrei na pequena varanda de meu quarto. Puxei a janela, quebrando facilmente o trinco e entrei. Congelei ao sentir o cheiro de minha mãe no quarto e prendi a respiração.




Comecei a ver as coisas do quarto e quase voltei a chorar novamente. Ver as coisas de minha antiga vida... Da vida que nunca mais terei de volta...




Peguei as fotos de minhas amigas e de minha família e guardei em meu bolso. Eu levaria comigo.




Preparei-me para sair do quarto, mas logo avistei algo que me chamou a atenção. Aquele livro... o livro com o emblema estranho.




Caminhei até ele e o peguei. Eu o leria hoje, era a única forma de distrair minha mente da sede.




Pulei a janela e aterrissei em um baque surdo. Soltei a respiração e corri de volta para o esconderijo. Ugh, meu novo lar agora.






3. Descobertas Valiosas






E lá estava eu. Sentada no canto daquele maldito porão, com aquele livro misterioso e empoeirado sobre meu colo. Eu não sabia se devia ler, ou assistir a briga de Raoul com aquela vampira insuportável que eu odiava. Oh, tomara que ele a mate! Ela merece!




Logo repreendi meus pensamentos. Passar muito tempo com esses assassinos já está me influenciando. Oh, mas eu quero que ele a mate.




Era interessante assistir uma briga de vampiros mais experientes. Eles eram ágeis e lutavam muito bem. Raoul não era tão bom, ele era apenas forte e tinha um bando de vampiros que o seguiam. Se não fosse por essas duas coisas ele já teria morrido rapidinho, pois ele é muito irritante e a maioria dos vampiros aqui o odeia.




Coloquei o livro ao meu lado e prestei atenção na briga. Isso! Raoul agarrou o cabelo dela, só mais um golpe e arranca a cabeça, vai Raoul!




Ela soltou um grito estridente quando ele depositou seus lábios em sua jugular, arrancando sua cabeça. O corpo caiu no chão e os “súditos” de Raoul logo a despedaçaram e jogaram na fogueira. Fiquei me perguntando por que o idiota do Raoul ainda não havia jogado a cabeça da infeliz na fogueira. Os gritos estridentes dela já estavam me irritando.




Logo ele deu um sorrisinho superior para ela e jogou a cabeça na fogueira. Ugh! Finalmente!




Pensei em pegar o livro pra ler agora que a briga acabou, mas decidi pegar minhas fotos. Relembrar um pouco da vida que não tenho mais...




Peguei uma foto. Uma menina com os cabelos cacheados e os olhos meio apertadinhos, estava numa praça abraçada a mim. Franzi a testa tentando lembrar seu nome, mas era como se eu tentasse ver minhas memórias através de um manto negro. Eu sabia que ela era minha amiga, sabia que eu gostava dela, mas... Eu não conseguia lembrar seu nome de jeito nenhum. Nem dos momentos que passamos juntas.




Peguei as outras fotos e comecei a ver. Eu apenas reconhecia a mim nas fotos, as outras eram como desconhecidas. Suspirei e encostei a cabeça na parede. Por que eu não consigo me lembrar da minha vida?!




Apertei os olhos fortemente e tentei forçar alguma memória a vir, mas eu não conseguia. Eu só me lembrava de mim e Raoul numa rua vazia, com ele me mordendo. Antes disso... Somente borrões confusos...




Suspirei irritada e me levantei do meu lugar. Peguei todas as fotos e fui até a fogueira, jogando todas lá. Fotos são feitas para relembrar momentos, então pra que vou querer ficar com elas se não vou lembrar-me de merda nenhuma?! Seria a mesma coisa que ficar olhando um papel em branco!




Voltei ao meu cantinho e fiquei encolhida lá. Olhei para o meu lado procurando o livro, mas não estava mais ali.




— Cadê o livro?! — perguntei-me silenciosamente, enquanto procurava pelo meu lugar.




— Oh, desculpe, não sabia que era seu. — uma voz fina e feminina respondeu.




Olhei para o ser, uma leve onda de irritamento passando por mim. Eu não gostava que ninguém mexesse em minhas coisas! E agora que sou “recém-criada” com qualquer coisa eu já estou me irritando. Era a Bree, pelo menos eu acho que esse era o nome dela. Eu mal a via por aqui. Acho que ela fica com o Fred, por isso não a vejo. Não sei como ela consegue ficar com ele sem sentir-se nauseada... Enfim, voltando ao assunto; eu não gosto que peguem minhas coisas!




— Não o pegue mais! — tomei-o de suas mãos. — É meu, entendeu?! — ela encolheu-se e assentiu com medo. Oras... Eu não queria causar medo nela, eu só estava irritada. Tenho ciúmes de minhas coisas. Apesar daquele livro não ser meu, e sim da escola... Mas se está comigo é meu, pronto e acabou!




Ignorei quando ela afastou-se rapidamente e ajeitei-me no meu cantinho para começar a ler.




Passei a página e vi aquele trecho novamente. Eu não me lembrava muito bem de como era, por causa desse maldito manto que insiste em cobrir minhas memórias, então li novamente.




“Aquele que ler este livro, conhecerá coisas que nenhum outro humano conhece. Este livro é o único que existe no mundo, que tem os fatos inteiramente reais sobre nossa espécie. Se você ler este livro estará condenado. Nenhum humano pode ter conhecimento do que há escrito aqui. E tenha certeza de que você não será exceção, os Volturi não dão segundas chances. Cabe a você escolher se irá para a página seguinte ou não.”




Fiquei ainda mais curiosa quando vi a parte de “sobre nossa espécie” e “nenhum humano pode ter conhecimento do que há escrito aqui”. Bom, não sou humana então estou autorizada. Ri silenciosamente com esse pensamento.




Mas sobre o que seria esse livro...? Sobre criaturas místicas? Vampiros talvez... É, não deve ter nada do que eu já não tenha visto nos filmes, mas agora que me tornei um desses “seres místicos” não custa nada relembrar. Mas depois um pensamento veio em minha cabeça. Se vampiros são reais, então todas as criaturas místicas são? Então o mundo que os humanos pensam que conhecem é uma mentira?




Oh... Agora que eu leio esse livro mesmo.




Comecei a ler, e me senti agradecida por ninguém ter brigado um com os outros mais. Eu não gostava de ler com barulho. Pois eu só conseguia prestar atenção em tudo no mais completo silêncio, ficando exilada e excluída do mundo no meu quarto. Bom... Aqui não estava completamente silencioso, mas em comparação aos outros dias...




Mas como meu cérebro melhorou 1000 vezes mais agora que é vampiresco, eu consegui prestar atenção em cada palavra sem me importar com o que acontecia a minha volta. E o mais interessante, eu lia tudo rapidamente, digamos que em menos de um minuto eu já tinha lido 10 páginas. Incrível, não?




Nossa, parece que acertei! O livro fala sobre vampiros. Só que é meio diferente dos outros que eu li. Não é uma historia, romance, nem nada do tipo. São como instruções, leis, acontecimentos históricos que tiveram interferência e influencia de vampiros... Realmente interessante.




Mas fiquei muito surpreendida pela maioria das coisas sobre vampiros, estarem certas. Quer dizer, elas estavam de fato certas. Como por exemplo: nossa pele fria, dura e pálida; a cor de nossos olhos; as olheiras quando estamos com sede; a força, a velocidade, as “habilidades especiais”... Absolutamente tudo tinha a ver conosco. Tudo era... real...?




Comecei a me questionar se aquele livro não era realmente real... Estava realmente estranho que um livro acertasse tantas coisas sobre nossa espécie, que vários livros e filmes não acertaram. Quer dizer... Os nossos conhecimentos gerais sobre vampiros não são certos. Como: não temos dentes caninos que crescem quando vamos morder alguém; não dormimos em caixões, nós nem sequer dormimos na verdade; podíamos ver nosso reflexo no espelho... Ok, eu precisava ler este livro rapidamente, tenho quase certeza de que ele é real.




Fechei o livro rapidamente quando Riley apareceu. Não sei por que, mas eu tinha um pressentimento ruim com Riley. Eu não podia deixar que ele visse esse livro, nem a capa. Ele poderia desconfiar, já que ele deve conhecer mais coisas que nós.




Volturi... Ele devia conhecer isso, já que no livro diz que são eles que impõem as leis. Então ele não poderia ver a capa, já que o símbolo de “V” significava Volturi. Ele reconheceria...




Coloquei o livro sobre meu colo e esperei até que Riley sumisse dali, mas não... Ele não sumiria tão cedo, pois já era de noite e ele estava selecionando os que estavam com sede.




Eu tinha caçado na noite passada, mas não cacei o suficiente. Então meus olhos poderiam estar meio escuros. E eu poderia ler melhor se estivesse sozinha...




— Riley! — chamei.




Ele virou-se para mim, arqueando uma sobrancelha curiosamente. Talvez por que era a primeira vez que eu dirigia a palavra a ele.




Cocei a garganta para que eu conseguisse falar tranquilamente, afinal, nunca fui boa mentirosa.




— Posso ir caçar? Estou com sede. — disse, desejando que minha voz saísse confiante o bastante para que ele acreditasse.




Ele sorriu e veio até mim.




— Ora, ora, vejo que finalmente rendeu-se ao instinto, .




Assenti, segurando o livro fortemente nas mãos, e escondendo o emblema da capa.




— Pode ir. Mas não se esqueça de limpar sua bagunça depois.




Dei um meio sorriso a ele. Um sorriso falso, mas convincente.




Passei correndo pela porta e fui correndo pelas ruas de Seattle. Eu tinha algumas horas até que o sol nascesse, seria suficiente para que eu pudesse ler este livro, e entender mais sobre minha espécie.




Fui até uma praça que eu costumava ir – uma das poucas coisas de que me lembro – e sentei-me na grama fria e molhada. O vento gélido soprava contra meus cabelos no lugar onde fiquei, e agradeci que este vento não havia trazido consigo o cheiro de um humano. Eu não estava com tanta sede, mas não estou com tanto autocontrole assim.




Posicionei o livro sobre meu colo e abri. Minha respiração – desnecessária – falhava enquanto eu lia cada linha.




Eu estava prestando tanta atenção, que resolvi ler lentamente, só para que pudesse ter mais tempo desfrutando as varias informações que continham naquele livro.




As páginas foram passando, minha mente absorvendo cada informação e formando vários questionamentos, até que cheguei a ultima página. Não consegui entender a ultima linha, era uma língua estranha que não reconheci, talvez seja italiano, é o que está parecendo. E já que os Volturi são da Itália, deve ser mesmo italiano.





“Ricordate che i Volturi non danno una seconda possibilità a coloro che disobbediscono alle regole.”





Fechei o livro e comecei a pensar em todas as coisas que descobri.




1º Os Volturi são um clã de vampiros antigos que impõem as leis. São poderosos e fortes e matam qualquer um que desafie seu poder.




2º As leis são que devemos matar discretamente e não revelar nossa existência a nenhum humano.




3º Não morremos no sol. Nós apenas brilhamos com sua iluminação.




4º Não somos os únicos seres místicos no mundo.




5º Nenhum clã possui tantos vampiros quanto o nosso. Se é que isso é um clã, pois não somos nem um pouco unidos.




Realmente estranho, muito estranho. Mas eu não tinha certeza se devia acreditar ou não. Afinal, era só um livro. Um livro com várias constatações verdadeiras, mas somente um livro... Eu acho.




Afinal, algumas constatações não foram comprovadas. Como... A que brilhamos no sol! Como assim brilhar? Como purpurina? Ok, isso é ridículo. Esse livro não é totalmente verdadeiro. Não tem como brilharmos no sol. Isso é muito tosco.




Suspirei e me levantei, tinha que voltar, já estava amanhecendo. Mas... E se for verdade? E se não morrermos no sol? Aí... Eu poderia sair daquele lugar que tanto detesto e tentar minha vida de outra forma. Ser... Sei lá, viver com os humanos? Ok, isso já está sendo absurdo demais. Eu nunca conseguiria ficar num mesmo ambiente que um humano sem atacá-lo. Apesar que... No livro diz que com o passar dos anos o vampiro consegue ter mais autocontrole. E que facilita muito se você prender a respiração.




Mas... Enfim, eu teria coragem em arriscar? Eu não sei se confiaria em palavras escritas num livro velho e empoeirado. Eu nem sei se é verdade. E se eu morrer cremada pelo sol? Hmm... Morrer cremada? Pelo menos isso daria um basta a essa vida de monstro.




Sentei-me no chão mais uma vez. Eu ainda estava numa discussão interna se deveria ou não ficar, mas eu tinha que decidir logo, pois logo amanheceria. Oh! Que se dane! Eu vou arriscar.




Olhei para o céu e percebi que ainda demoraria alguns minutos. Talvez até meia hora... Então decidi fazer alguma coisa. Há essa hora seria seguro andar pela cidade, afinal, não teria humanos andando por aí para me atentar, pelo menos não nessa hora.




Andei pelas ruas de Seattle e observei as lojas. Automóveis, jóias, móveis, roupas...




Olhei para minhas roupas e percebi que elas estavam completamente sujas. De grama, terra, pó, sangue seco. Droga! Por que não reparei nisso antes?!




Fui até a porta da loja e fui tentar abrir a porta. Talvez eu até conseguiria com a unha, por minha unha ser de aço, mas... Não! Vou fazer do meu jeito mesmo. Quebrei a fechadura em menos de um segundo e entrei.




Andei pela pequena loja e comecei a observar as roupas. Hum... Qual eu pego? Jeans!




Peguei uma calça jeans, uma camiseta colada... e pronto. Estava bom. Não... Faltam os sapatos.




Olhei na sessão dos sapatos e escolhi um tênis simples. Coloquei e me ajeitei para sair da loja. Uh... uma mochila! Seria útil...




Peguei a mochila e logo já fui colocando coisas nela. Coloquei algumas roupas de reserva, o livro e alguns objetos.




Eu sempre sonhei em fazer isso em uma loja. Chegar e sair levando tudo. Claro, eu estou roubando, mas e daí? Sou uma vampira mesmo, isso não tem mais importância. E é muito mais fácil roubar o que eu preciso, do que um banco.




Coloquei a mochila nas costas e fui para sair da loja. Paralisei ao ver o sol iluminando levemente as ruas de Seattle... É agora ou nunca.




Com um impulso de coragem, caminhei até a porta, saindo fechando os olhos. Ou eu morro agora, ou eu brilho. Ugh! Não tinha algo melhor e mais interessante pra acontecer não?! Se eu tivesse lido esse livro quando humana eu teria rido histericamente com certeza.




Arfei quando não senti nada. Não estava doendo... Não estava queimando... Ok, só falta abrir os olhos e conferir se eu virei purpurina.




E foi o que eu fiz.




Abri os olhos e direcionei-os rapidamente para minha pele.




— Caraaamba!! E não é que eu estou brilhando mesmo?! — ri sozinha, enquanto encarava incredulamente meu braço.




Ok, não parecia purpurina, parecia mais um... sei lá, um diamante. É... Como milhões de diamantes brilhando. Há! Que coisa mais absurda!




Comecei a gargalhar sozinha enquanto olhava a minha pele. Isso era ridículo demais. Quer dizer... não tão ridículo, já que eu fiquei gatona daquele jeito.




Olhei meu reflexo no vidro da loja e gargalhei mais ainda. Mas meu riso logo se cessou quando vi meus olhos. Eu não podia sair por aí com os olhos assim... Mostrando aquele vermelho assustador que praticamente gritava “eu vou te devorar!”. Ugh! Que coisa mais idiota de se pensar. Eu não pensei nisso quando Raoul me atacou, pensei? Droga de manto negro cobrindo minhas memórias humanas!




Entrei na loja novamente e peguei um óculos escuro. Olhei-me no espelho. É... Não dá pra ver os olhos vermelhos. É claro que seria mais fácil eu roubar umas lentes azuis, verdes, mas um óculos estava ótimo. Peguei mais um por precaução e coloquei na bolsa.




Agora, é adeus a antiga vida e seguindo em frente. Vou viver minha vida de vampira do meu jeito. E Riley e os demais vampiros que se explodam.






4. Mudança de Planos






Com os fracos raios de sol atingindo levemente minha pele, fazendo com que a mesma brilhasse, que eu encaminhei-me para ir embora. Senti um alivio enorme ao perceber que não retornaria mais àquela vida, onde eu vivia solitária, lutando contra um instinto assassino. Agora eu podia tentar um modo diferente de viver. Seria fácil se eu usasse esse livro como um guia para minhas ações.




É claro que no livro não dizia nada como outro modo de sobrevivência que não fosse matando humanos, mas eu queria que houvesse outra forma. Mas se nem em um livro real de vampiros há explicando outro modo de vida, então quer dizer que eu realmente não tenho escolha a não ser matar humanos para sobreviver. Ainda não gosto muito dessa idéia... Mas o que posso fazer?!




Comecei a andar pela floresta perto das ruas da cidade. Ninguém me veria ali...




Nem corri, andei como um humano normal, para aproveitar um pouco a natureza. Eu não entendo por que a natureza não tinha tanto efeito assim sobre mim antes, e agora era como se fosse algo natural em mim, como se eu... Gostasse. Ugh! Eu nunca saía de casa, ficava só enfiada naquele quarto lendo ou mexendo no computador. Mas agora que posso ouvir tudo mais claramente, decifrar os vários aromas contidos na floresta, sentir o vento sobre meus cabelos, e o canto dos pássaros... Era uma sensação boa. Uma ótima sensação.




Estava tão aliviada, tão bem, que quando dei por mim, estava caminhando pulando e assoviando. Ok... Vamos parar com essa idiotice. Estou até parecendo aquelas princesas ridículas da Disney. Só falta aparecer um príncipe, ou anões, ou animais, ou um lobo mal... Logo me repreendi por meus pensamentos. Lobisomens existem! Deus... Quer dizer, no livro dizia que lobisomens e vampiros eram inimigos naturais, e que Caius – o Volturi mais chato – morria de medo desses seres quando quase perdeu uma luta pra eles e mandou que caçassem todos eles, até ficarem extintos. Mas eu não sei não... Vai saber se não existem lobisomens escondidos por aí e eles não encontraram?! Quer dizer, se eles ainda não caçaram os recém-criados que Riley lidera, então quer dizer que eles podem se esconder dos Volturi, não é?




Senti algo duro se chocar comigo e eu ser levada ao chão com um alto baque. Rosnei e levantei-me rapidamente. Não podia ser um vampiro, Riley não deixaria ninguém sair no sol, e todos tem medo. E um humano não teria força o suficiente para me derrubar.




Mas logo o cheiro entrou por minhas narinas, e nem precisei virar o rosto para ver quem era. Desgraçado!




— A onde você pensa que vai?! — rosnou Riley, rindo sem humor logo em seguida. — Acha mesmo que deixarei você partir? Por acaso você já se esqueceu que é de grande importância?!




— Como me encontrou?! — ignorei sua pergunta.




Ele riu.




— Segui seu rastro, querida. Não sabia que era tão burra assim.




Rosnei para ele. Ele tinha um sorriso debochado nos lábios, que estava me irritando cada vez mais. Era como se ele estivesse debochando de minha tentativa de fugir. Como se ela fosse inútil. Ok... Eu me esqueci disso, mas eu não fazia idéia de que ele sabia sobre o sol. Não pensei na possibilidade de alguém me seguir, com o sol iluminando aqui fora.




— Eu não sei para o que sou importante para você Riley, ou para essa vampira que você segue. Mas eu não voltarei com você. — cuspi as palavras.




Pude perceber pelo seu olhar que ele se irritou.




— Não posso deixar você ir! — rosnou ele. Parecia um pouco desesperado. Mas não entendi por que. Talvez aquela vampira brigue com ele por ele perder a vampira com “habilidades especiais”. Por que, oras... Eu não sou idiota. Se ele diz que eu sou importante, mais importante que os demais outros, deve haver um motivo. E a única diferença que há entre mim e os outros, são minhas “habilidades especiais”.




— Ok, Riley. — relaxei minha posição. Eu não iria com ele, mas antes de ir eu precisava saber pra que ele queria a mim. Por que eu era importante... — Eu volto com você. — ele relaxou sua expressão. Eu não fazia idéia de que ele fosse tão ingênuo em acreditar em minhas palavras falsas tão facilmente. — Mas, somente se me disser o porquê de eu ser “importante”.




Ele olhou com descrença pra mim. Talvez finalmente percebendo que eu não sou tão ingênua e ignorante como os outros.




— Você logo descobrirá. — disse ele. Ele não queria me dizer. Eu precisava convencê-lo.




— Eu quero saber agora. — rosnei. — É a única forma que você tem de continuar a me manter aqui.




Ele começou a olhar para baixo, provavelmente pensando numa mentira. Deu vontade de rir, mas me contive. Esse idiota realmente achava que eu era tão ingênua?!




— É que... — ele pensou mais um pouco, depois levantou o rosto para me olhar. Com um meio sorriso nos lábios. Por um segundo fiquei um pouco deslumbrada. A pele dele brilhando com o sol, realmente deixava-o mais lindo do que já era. Foco ! Este desgraçado quer te enganar! Não seja ingênua! — Você é importante, ...




— Por quê?! — perguntei irritada.




Ele se aproximou um passo, com um sorriso triunfante nos lábios. Como se tivesse certeza de que eu cairia em sua mentira.




— Por que você é importante pra mim. Eu gosto de você. E... eu quero você.




Antes que eu pudesse pensar no que ele disse, ele fechou a distancia entre nós em um flash e agarrou minha cintura. Meu olhar tornou-se incrédulo e quando eu abri a boca para gritar, berrar ou fazer qualquer outra coisa, ele colou seus lábios nos meus.




Fechei meus lábios com força, não permitindo que ele transformasse aquilo num beijo e permaneci com os olhos abertos. Eu tentava me livrar de seu aperto em minha cintura, mas seus braços estavam firmes em um aperto de aço.




Quando ele percebeu que eu não reagiria, apertou mais seu braço em minha cintura e encostou seu corpo no meu. Estremeci quando senti a proximidade de nossos corpos, mas me mantive firme. Eu não me renderia...




Como não consegui me livrar dele, apenas apertei os olhos com força e deixei minhas mãos em punhos ao lado de meu corpo, esperando até que ele terminasse. Eu podia perceber a raiva crescendo em mim, e sentir minhas habilidades agindo; fazendo com que as pedras levitassem, e com que as raízes das arvores se soltassem da terra.




Ele levou sua outra mão a minha nuca e apertou meu rosto ao seu, forçando uma resposta de meus lábios. Uma onda de raiva incomum tomou conta de mim e eu inalei o ar pelo nariz, numa tentativa de tentar diminuir um pouco a irritação. Péssima idéia!




O cheiro de Riley entrou por minhas narinas, fazendo com que toda a minha postura firme caísse, e com que eu me embriagasse com seu cheiro. Seu aroma era doce e único. E quanto mais eu o inalava, mais do seu cheiro eu queria. Mais perto eu queria estar. Sentir seu gosto...




Riley aproveitou do meu momento de fraqueza e passou sua língua pelo meu lábio inferior, fazendo com que eu estremecesse e partisse meus lábios num suspiro. Ele aproveitou-se disso também, e invadiu-me com sua língua; explorando cada cantinho de minha boca. Numa explosão de sabores e sensações maravilhosas.




Quando dei por mim, estava movendo minha boca junto à dele e aproveitando o quanto seu gosto era bom. O quanto seu gosto era doce...




Uma de minhas mãos criou vida própria e subiu até sua nuca; agarrando seus cabelos e trazendo-o mais para mim. Enquanto minha outra mão pousava em seu ombro largo.




Ele pegou meu lábio inferior entre seus dentes e voltou com sua língua em minha boca. Fazendo com que um choque elétrico passasse por todo o meu corpo quando nossas línguas se tocaram. Céus... O que estava acontecendo?!




Foi então que a razão voltou a minha mente e eu o empurrei com todas as minhas forças para longe de mim; fazendo com que ele caísse com força no chão para longe de mim. Desgraçado! Ele me seduziu!




Passei as costas de minha mão em meus lábios e limpei minha boca; como se o que eu tivesse feito fosse algo nojento. Muito pelo contrario... Foi bom. Foi muito bom. Foi maravilhoso. Droga! Isso é ruim. Isso é muito ruim...




Riley levantou-se rindo do chão. E minha raiva só aumentou.




— O que foi ? Está irritada por que gostou? — ele aproximou-se rindo.




— Eu não sou idiota para acreditar em você! — disse rispidamente.




Minha raiva estava crescendo cada vez mais, e eu podia sentir o meu poder tornando-se mais forte e levantando até mesmo as arvores.




Riley encarou o que eu fazia com um meio sorriso.




— Então vamos fazer um acordo então. — propôs ele, mas continuou antes mesmo que eu pudesse responder. — Você volta comigo para o nosso esconderijo, e daqui a uma semana conto a você por que você é importante. E se você nos ajudar, você pode seguir sua vida do jeito que quiser que não impedirei.




— E por que acha que eu farei isso?!




Riley riu.




— Pense ! Eu preciso de você nisso, mas se você for inútil para mim, posso te matar agora mesmo.




Assim que ele disse isso, eu trinquei os dentes, e um alto crack se fez quando as raízes das arvores descolaram da terra, fazendo com que as arvores levitassem e se aproximassem de Riley.




— Ou eu posso te matar agora mesmo. — disse sorrindo sombriamente, pegando impulso para tacar as arvores em Riley com toda a força.




Ele olhou para as arvores despreocupadamente por um segundo, depois voltou seu olhar pra mim.




— Acha mesmo que essas árvores vão me matar? — ele riu.




Coloquei as arvores no chão. Não seja por isso.




Com um alto barulho tudo caiu de volta no chão e eu coloquei Riley no alto, fazendo um aperto mental em seu pescoço. Com um pequeno impulso eu poderia arrancar sua cabeça facilmente.




— Não faça isso, . Posso te contar varias coisas sobre nossa espécie. — ele dizia desesperado, enquanto eu continuava a apertar seu pescoço cada vez mais. Só mais um pouco...




— Por que acha que eu daria ouvidos a você?! — disse debochadamente, enquanto colocava mais força no aperto para finalmente arrancar sua cabeça.




— Existem outros! — gritou ele, desesperado. — Eles estão vindo matar todos nós!




Diminui o aperto em seu pescoço, mas continuei a segurá-lo no ar.




— Eles são muito poderosos. Matarão todos nós facilmente.




— E o que eu tenho a ver com isso? — eu ri.




— Você faz parte dos recém-criados, !




— Não me importo se todos vocês queimarem no inferno. — dei de ombros. — Vocês merecem. Principalmente Raoul, que me transformou nisso. Oh, e aquelazinha que transformou todos. Vocês três merecem queimar no inferno.




— Eu também acho, . Eu me arrependo de tudo o que fiz. Essa vampira que me obrigou! Eu não queria ser esse monstro!




Franzi a testa e coloquei-o no chão, hesitantemente, mas coloquei.




— Então por que faz o que ela manda?! — arqueei uma sobrancelha. Devia ser mais uma de suas mentiras...




— Ela... Ela é muito poderosa. E é a única chance de vencermos contra os outros que virão. Exceto você, é claro.




Pensei nisso por um segundo. Seria os Volturi que estariam vindo? Talvez sejam os Volturi que estejam vindo para acabar com esses recém-criados que não sabem caçar discretamente.




— Quem são eles? — perguntei curiosamente. Os Volturi eram indestrutíveis, nem mesmo eu seria capaz de detê-los.




— São vampiros que viveram aqui antes. São vampiros que... Muito mais fortes e poderosos. Eles nos matarão facilmente se você não nos ajudar, ! Eu prometo que te deixo em paz se nos ajudar. Por favor.




Eu não sabia o que fazer. Eu não sabia se acreditava em Riley ou o matava agora mesmo. Uma parte de mim não queria matá-lo, pois não queria me tornar um monstro como os outros. Mas a outra parte gritava que Riley estava mentindo e que eu tinha que matá-lo agora mesmo.




Suspirei. E se eu os ajudasse? Eles venceriam e continuariam essa matança. Mas eles ainda são seres irracionais que não conseguem pensar em outra coisa que não seja sangue, ainda não tem consciência de seus atos. Talvez... Depois de algum tempo eles se tornem normais. Como os vampiros velhos que o livro diz.




Mas... E se Riley estivesse mentindo? Bom... Eu poderia facilmente matá-lo e sair de lá...




— Tudo bem, Riley. — suspirei. — Eu vou ajudar vocês, mas assim que tudo isso acabar eu sairei daqui e você não poderá fazer nada, entendeu?!




Ele assentiu.




— Então vamos! — disse ele.




— Oh, não! Vamos devagar meu caro Riley. Tenho mais uma condição. — sorri. Ele olhou-me sem entender. — Quero conhecer essa vampira, e ficar a par de tudo que está acontecendo.




— Conhecê-la?




Assenti dando um meio sorriso. Ele suspirou.




— Tudo bem.




Sorri satisfeita e fui para caminhar até o esconderijo. Riley puxou meu braço.




— Não podemos ir agora.




Olhei-o sem entender.




— Por quê?!




Ele suspirou.




— Eles não sabem sobre o sol.




Arqueei uma sobrancelha.




— E por que não conta pra eles?




Ele revirou os olhos.




— Pense um pouco, ! Se eles souberem sobre o sol, sairão o tempo todo para caçarem. Teria mais matança. Vários humanos descobririam sobre nossa espécie.




Abaixei o olhar. Ele tinha razão.




— Somente eu sei sobre o sol?—perguntei.




— Sim.




Suspirei e olhei para o sol. Riley estava certo. Seria muito pior se eles soubessem sobre o sol.




Olhei para meu braço. Riley ainda o segurava com força. E aquilo me irritou.




— Já pode soltar meu braço! — rosnei.




Ele sorriu torto e soltou meu braço.




— Vamos esperar até anoitecer e iremos. — disse ele, sentando-se numa pedra qualquer.




Fiz o mesmo, só que mantendo uma certa distancia dele. Depois do que aconteceu, não confio muito no que ele pode fazer.





Estava tão entediante ficar aqui sentada. E ainda demoraria muito para anoitecer... Eu queria ler o livro mais uma vez, mas com esse imbecil ao meu lado não dá.




Suspirei e comecei a cutucar a grama com um graveto, enquanto Riley permanecia parado de braços cruzados.




— Por que me beijou? — perguntei quebrando o silencio. Droga! A pergunta saiu sem querer.




Ele deu um sorrisinho convencido e eu revirei os olhos.




— Pra te convencer. — ele riu levemente.




Agora foi minha vez de rir.




— Achou mesmo que aquilo me convenceria?!




Ele revirou os olhos.




— Você correspondeu ao beijo.




— Foi por impulso. — respondi rapidamente.




— Claro. — ele riu.




Fechei a cara e voltei a cutucar a grama com o graveto. Mas logo parei quando senti seu corpo ao lado do meu.




— O que foi? — perguntei mal humorada.




— Eu não entendo por que você é tão diferente dos outros recém-criados. — murmurou ele, pensativo. — Você até parece um vampiro com décadas de experiência.




Eu ri. Até mesmo como vampira eu era madura.




— E eu não entendo o porquê de você obedecer a essa vampira. — murmurei. No que ela poderia ameaçá-lo?!




— Oh! A vampira. — ele ficou alguns segundos em silencio. — Ela... Ameaça matar minha família.




Ele deu de ombros. Encarei-o com a testa franzida. Eu não sabia disso...




— Sinto muito. — sussurrei e abaixei o rosto para a grama de novo.




Ele virou-se para mim. Olhei-o. Ele estava com um meio sorriso no canto dos lábios. Dei um meio sorriso também.




Por um segundo deixei meu olhar ir aos seus olhos. E foi o que bastou para que eu perdesse a noção mais uma vez.




Respirei fundo e virei o rosto. O que esta acontecendo comigo?




— Tudo bem. — ele descruzou os braços. — Você vai mesmo nos ajudar, não vai?




Suspirei. Eu iria, mas ainda não sabia se isso era o certo a se fazer.




— Não sei bem se é o certo. — logo me repreendi por ter dito isso.




Ele virou seu rosto para mim novamente. Numa expressão séria.




— Precisamos de você! — olhei-o. Péssima idéia! Seu rosto estava muito próximo ao meu. Eu podia até sentir o seu hálito doce contra meu rosto. — Sei que não gosta muito deles. Eu também não. Mas... Nós precisamos de você... Eu preciso de você...




Ele aproximou mais seu rosto do meu e eu permaneci parada; não havia o por que de resistir, eu já o beijei antes... E eu queria também.




Meus olhos se fecharam automaticamente quando ele encostou seus lábios nos meus. Sem urgência, sem força bruta, somente com delicadeza, num beijo doce e calmo. Ele pousou sua mão em minha bochecha e apertou meu rosto mais ao seu, para me impedir de fugir. Não era como se eu quisesse fugir...





Chegamos juntos no pequeno esconderijo, fechando levemente a porta e entrando. Riley foi na frente e eu em seguida. Depois daquele beijo as coisas ficaram meio esquisitas. Ficamos em silencio absoluto esperando anoitecer. Eu sabia que nutrir um sentimento por Riley poderia não ser a coisa certa a fazer, mas não era como se eu tivesse escolha. Foi algo inevitável e que aconteceu rapidamente, eu não tive a intenção.




Riley disse para que eu mantivesse tudo o que aconteceu hoje em segredo. Eu obedeci. Mas não era como se fosse uma ordem, era um pedido. Pelo menos ele estava mudando aquele jeito grosso de ser. Pelo menos comigo ele estava.




Assim que chegamos, realmente fingi como se nada tivesse acontecido, e me direcionei até meu cantinho. Percebi que alguns vampiros me olhavam curiosamente, mas não vieram até mim. Talvez eles estivessem se perguntando o porquê de eu ainda estar viva, sendo que estive lá fora durante o dia. Mas Riley pensou em tudo. Se caso eles perguntassem alguma coisa, diríamos que estávamos num outro esconderijo que não tinha a luz do sol. Como esses vampiros eram ingênuos demais e acreditavam em tudo o que Riley dizia, eles não fariam mais perguntas.




Peguei minha mochila e peguei o celular. Oh, sim. Eu roubei um celular também. Para me distrair, para fazer o tempo passar mais rápido por meus olhos, e que o dia em que teria que ajudá-los chegasse logo.





Os dias se passaram rapidamente, eu não sabia exatamente quando Riley e essa vampira entrariam em ação, mas eu estava feliz que o tempo estava passando tão rápido.




Tenho usado os objetos que roubei para me distrair um pouco e isso funcionou muito bem. Eu quase não pensava em minha sede. E estava até quase batendo meu recorde de dias sem beber sangue humano. Mas é claro que Riley tinha que estragar isso, e me fazer lembrar dessa maldita sede.




Foi então que ele me mandou ir sair para caçar. Obedeci, mas não gostei que ele tinha vindo junto. Ele provavelmente veio junto para que eu não fugisse dele. Mas não foi exatamente isso que eu não gostei; não gostei por que eu simplesmente não confiava no que podíamos fazer sozinhos. Eu não confiava em Riley, e nem em mim.




Fomos juntos pelas ruas de Seattle, sem trocar nenhuma palavra. Era até bom o silencio entre nós, mas havia um certo incomodo entre mim por causa disso. Eu não sei por que, mas queria ouvir sua voz falando comigo novamente. Sentir seus lábios nos meus novamente... Não! Aquilo acabou! Não acontecerá novamente.




Encontramos dois homens discutindo numa viela. Provavelmente dois cafetões. Fomos rapidamente até eles; eu matei um, e ele outro. Dessa vez não usei meus poderes para matar, eu já havia me conformado e não via necessidade em usar minhas “habilidades especiais” em uma ação tão simples.




Assim que terminei de sugar o sangue do homem, coloquei fogo em seu corpo e me afastei. Olhei para minha roupa e percebi que ela estava suja de sangue, um pouco menos que da ultima vez, mas ainda sim estava suja.




Percebi que Riley queimava o corpo do outro homem, e aproveitei para ir até algum lugar para me trocar. Mas antes que eu pudesse, ele já estava na minha frente.




— A onde pensa que vai? — perguntou.




Revirei os olhos.




— Trocar de roupa. — respondi simplesmente, passando por ele. Olhei para sua roupa e percebi que ela estava perfeitamente limpa. Talvez eu pare de me sujar com o tempo. Ugh! Pareço até uma criança me sujando durante a refeição.




— Tudo bem, pode se trocar. — ele entrou na minha frente de novo e cruzou os braços.




— Com licença?! — perguntei irritada. Eu não me trocaria na frente dele.




— Não confio em você. — disse ele. — Você irá fugir!




Coloquei as mãos na cintura irritada.




— Eu não vou fugir! Sai da minha frente! — disse irritada.




Ele revirou os olhos.




— Ok. — suspirei. — Então vire-se. Não vou me trocar na sua frente.




Ele revirou os olhos novamente e virou-se. Fiquei alguns segundos parada pra ver se ele permaneceria assim. Assim que percebi que estava seguro o bastante para me trocar, abri a mochila e tirei as roupas de lá de dentro.




Tirei rapidamente as roupas sujas e coloquei as limpas. Somente não troquei os sapatos, já que eram as única coisa que não sujei. Assim que comecei a amarrar os sapatos, Riley se virou.




— Terminou?! — perguntou cinicamente.




Revirei os olhos e continuei a amarrar os cadarços.




— E se eu não tivesse terminado?! — arqueei uma sobrancelha, enquanto me levantava do chão e juntava as roupas sujas numa pilha. Colocando fogo nelas logo em seguida.




Virei-me para encarar Riley e logo me deparei com seu corpo próximo ao meu. Muito próximo. Próximo de mais! Minha consciência começou a gritar “perigo!” assim que ele começou a fechar a distancia.




— Talvez eu quisesse te ver. — respondeu, seus lábios próximos aos meus.




Meus olhos se prenderam em seus lábios. E o desejo de beijá-lo aumentou muito. Muito mesmo.




— Sabe... Eu gosto de você, . — ele continuou a dizer, me torturando ao ver seus lábios se mexendo quase que se roçando nos meus. — Desde o primeiro momento. Você foi a única que teve coragem o suficiente para me desafiar... E eu gostei disso. Muito.




Eu ri sem humor. Finalmente me recuperando do choque interno de ter sua boca roçando na minha.




— Não acho que seja possível você gostar de mim. — eu disse convicta. Na verdade eu achava que não era possível Riley gostar de ninguém, ele não parecia ter sentimentos...




— Mas eu gosto. — senti um frio passar por minha espinha. — E muito.




Então ele finalmente encostou seus lábios nos meus. Mas antes que pudéssemos transformar aquilo num beijo, ouvimos algumas risadas ao longe, e sons de gritos.




— Droga! — murmurou Riley, separando seus lábios dos meus e olhando para onde vinha o som. — Raoul.




Suspirei. Tinha que ser o idiota do Raoul e seu bando fazendo alguma bagunça.




— Eu tenho que ir. — ele voltou a olhar para mim. Com um leve sorriso no rosto. — Espero que acredite em mim.




Então ele depositou um leve selinho em meus lábios e partiu em direção aos vampiros bagunceiros.






5. Mudando de idéia novamente






Eu ainda não entendia muito bem o que eu sentia por Riley. Eu gostava dele, gostava até mais do que devia, mas ainda não confiava nele. Eu sentia que ele estava escondendo algo de mim. Eu vou lutar com eles, mas se caso isso for alguma armação de Riley ele pagará caro.




Enquanto Riley ia até os vampiros desobedientes, eu voltei para o esconderijo. Cheguei lá, os vampiros estavam um pouco estranhos. Não sei... Kevin estava meio quieto, e ele sempre arruma confusão com alguém, assim como Raoul.




Ignorei-os e fui até o meu lugar. Pensei em pegar o livro pra ler para me distrair, mas minha mente já estava distraída o bastante para me entreter.




Eu ainda não entendia por que Riley estava demorando tanto para me mostrar quem é esta vampira. Ele me prometeu que me mostraria ela. Foi nosso acordo. Mas até agora nada. Ele nem toca no assunto. Acho que ele está esperando eu esquecer. Há! Memória perfeita de vampiro, querido! Vai ser difícil eu esquecer.




Ouvi a porta abrir e logo a gangue de Raoul estava entrando emburrada, com Riley logo atrás. Talvez eles tenham ouvido algum sermão dele...




Por um segundo ele mandou-me um sorriso, mas eu desviei o olhar e ignorei. Quando voltei meu olhar até lá, ele já estava indo na direção de Diego.




Agucei meus ouvidos para ver o que eles conversavam e peguei o celular pra fingir que não estava prestando atenção na conversa.




— Soube que você tinha conseguido voltar. — disse Riley. Dava pra perceber que ele estava satisfeito com isso. Mas que Diego tinha conseguido voltar do que?! — Eu sempre posso contar com você, Diego.




— Sem problemas. — respondeu Diego. — A menos que prender a respiração o dia todo conte como problema.




Riley riu. Eu não sabia que ele tinha uma relação tão boa com Diego. Ele sempre trata os outros tão mal. Nunca imaginaria uma amizade entre eles...




— Não fique tão no limite da próxima vez. Precisa servir de exemplo para os bebês.




Os dois riram. Mas do que diabos eles estavam falando?! Ok... Não tinha importância ouvir essa conversa. Mas de uma coisa eu não gostei; bebês?! Argh! Por isso o termo “recém-criado”?! Segurei a vontade de bufar. Oh, mas bem que ele gostou de beijar a bebê aqui, não e?!





Depois que amanheceu tornou-se insuportável ficar naquele porão. Estava lotado demais. Bem que o Raoul ou o Kevin podia matar alguém hoje para termos mais espaço... Mas não. Hoje os idiotas não queimaram ninguém, só deixaram alguns garotos sem braços... E, caramba, nunca vi Riley gritar tanto na vida.




Hoje que eu estava bem distraída pensando, o tempo não demorou muito para passar. Então logo Riley já estava selecionando os outros para saírem. Hoje os garotos estavam animados, queriam por que queriam sair daquele porão. E confesso que eu também queria sair, mas não para caçar, para sair daquele lugar insuportável, que em minha opinião estava cheio demais.




Riley proibia os que já haviam caçado, e logo eles ficavam de cara fechada em algum canto do porão, somente esperando para que Riley saísse para saírem também, quebrando as regras. Mas não sei se Riley sairia hoje, ele caçou comigo ontem...




Vi Riley selecionar Fred para ir caçar, e encolhi-me no meu lugar quando ele passou pelo centro do porão para ir até a porta. E não era somente eu que havia me encolhido, os demais outros vampiros também se encolheram. Pelo visto o poder dele esta cada vez melhor, afastando cada vez mais as pessoas dele.




Percebi que eu não era a única que era “importante” no acontecimento que teria daqui a algum tempo e que Riley precisaria de mim, pois o sorriso que Riley dera a Fred, era o mesmo que ele me dera quando viu pela primeira vez os meus poderes.




Oh... Então eles só dão importância aos que tem poderes. Mas e os que são fortes como Raoul? Ou os que são comportados como Diego? Somente os que tem poderes? Isso é estranho... Bom, talvez não seja tão simples vencer os outros, por isso ele quer vampiros com poderes...




Percebi que Riley estava estranho aquela noite. Ele nem sequer ligou para os vampiros que escapavam pela porta mesmo já tendo caçado antes, ele nem parecia se importar. Ele parecia ansioso...




Ele não iria caçar. Ele caçou comigo ontem. Ele só podia estar ansioso para outra coisa. Mas... o que...?




Enquanto os vampiros saiam para caçar, alguns se juntavam a eles e saiam. Surpreendi-me por encontrar Bree saindo junto com a gangue de Kristie, mas logo me senti mais aliviada pelo porão estar cada vez mais vazio.




Riley continuava a selecionar os vampiros com sede, enquanto eu me mantinha quieta em meu lugar, apenas observando o porão se esvaziar cada vez mais e ficar apenas eu, Riley e alguns vampiros.




Riley suspirou aliviado por finalmente ter terminado e saiu. Esperei alguns minutos e logo saí pela porta também, recebendo alguns olhares curiosos sobre mim. Oh, mas é hoje que descubro quem é essa vampira! Tenho certeza de que ele irá vê-la. Eu sei que vai.




Assim que saí para o lado de fora, farejei o ar com meu olfato aguçado e comecei a seguir seu cheiro. Estranho... Havia outro cheiro. Parecia ser de... Diego...? E outro mais, mas não reconheci.




Mas por que Diego estaria seguindo Riley? Ok, vou descobrir isso agora.




Continuei a seguir o rastro e logo cheguei. Riley estava numa pequena cabana, ou casa, com uma vampira. Oh... Era ela.




Escondi-me atrás de uma árvore e arrumei uma boa posição para olhá-los; com somente minha cabeça aparecendo quase que imperceptivelmente por trás da grande árvore.




Pensei em subir na árvore para não correr riscos de Riley me ver, mas minha visão estava tão boa dali, que não me permiti trocar de lugar.




Foi então que eu vi. Riley estava beijando-a. Beijando-a.




Senti a raiva crescer em meu corpo e minha visão pintar-se em um vermelho vivido nas bordas, mas apenas segurei fortemente um galho da árvore e observei.




Senti uma raiva imensurável dominar cada parte de meu corpo a assistir àquela cena. Eu não estava sentindo dor, não estava sendo magoada, e nem estava com raiva de Riley. Estava com raiva de mim mesma por apenas pensar em acreditar em suas palavras, por ter acreditado no que ele disse. Por ter permitido que ele me tocasse. Tenho nojo de mim mesma por ter me tornado tão tola, por ter me tornado igual a aqueles demais ignorantes que viviam junto a mim. Eles não sabiam de nada sobre o que eram, nada sobre o que Riley e essa vampira planejavam, por isso eram considerados ignorantes. Agora, só por que eu encontrei essa droga de livro e aprendi algumas coisinhas já me considerei melhor do que eles, mais inteligente do que eles, por saber mais. Mas eu nem mesmo percebera o quanto ingênua eu me tornei em deixar que Riley permanecesse vivo naquele dia na floresta. Oh sim... Ingênua, burra e idiota.




— Quantos? — perguntou ela. Sua voz era suave, aguda - um tinir de soprano infantil – e levemente sedutora. Não era uma voz assim que eu esperava ouvir. Essa voz era típica de uma garota mimada do colégio.




— Vinte e dois. — respondeu ele, seu tom parecia orgulhoso. Oh... vinte e dois. Nosso número. — Pensei ter perdido mais dois para o sol, mas um dos meus garotos mais velhos é... obediente.




Foi então que a conversa que ouvi entre Riley e Diego fizera sentido. Diego estava do lado de fora no amanhecer. Ele... não descobriu? Então quer dizer que o idiota ficou lá fora quando estava sol e nem sequer fez questão de testar para ver se morria?! Ugh! Medroso! Podia estar fugindo agora, podia estar vivendo outra vida. Riley não faria questão de ir atrás dele como fez comigo.




Parei com meus devaneios e encarei Riley sem entender. Ele disse “dois”, ele não disse somente sobre Diego. Então ele estava falando de mim? Mas não fazia sentido. Não tinha como ele me perder para o sol, sendo que ele fez questão de me trazer de volta. Ele não devia estar falando sobre mim. Mas se ele não estivesse, de quem mais ele estaria falando?!




— Ele tem um lugar, um esconderijo subterrâneo, e se escondeu com a mais nova. — continuou ele.




Espera... Com a mais nova?! Eu não era a mais nova... Eu era uma das mais novas, mas a mais nova não era eu... A mais nova era... Bree? Seria ela? Mas então por que Riley não falou de mim? Ele não deveria estar contando tudo para a sua... amante?




Por que ele esconderia algo sobre mim dela? Afinal, eu e ela nos encontraríamos em breve, ela precisava saber sobre mim, não é? Então por que Riley não falou sobre mim...?




— Vinte e dois é um bom número. — trinquei os dentes ao ouvir a voz dela. Aquela voz conseguia irritar os meus ouvidos. — Como o comportamento deles está evoluindo? Alguns têm quase um ano de idade. Ainda seguem os padrões normais?




Então ela sabia que com o passar do tempo os vampiros idiotas vão parando de pensar em sangue e começam a pensar?! Bom, para a sorte dela eles ainda continuam idiotas.




— Sim. — respondeu Riley. — Tudo o que me disse para fazer funciona impecavelmente. Eles não pensam, simplesmente agem como já estão acostumados. Sempre consigo distraí-los com a sede. Isso os mantém sob controle.




Ri sem humor baixinho. É claro... Como ele fez comigo. Como ele faz com os demais outros. Quando ele percebe que estamos pensando em alguma coisa que preste, logo vem fazer para que nós pensemos somente no sangue, somente na sede. Por isso aqueles idiotas são daquele jeito... Ele conseguiu. Ele conseguiu fazer com que ninguém desconfiasse sobre o porquê de estar aqui, o porquê de serem criados. Para uma luta, que eles nem ao menos sabiam que aconteceria.




— Você trabalhou muito bem. — ela elogiou Riley e logo depois o beijou.




O idiota estava todo entregue nos braços dela. Mas eu podia perceber que ela não se importava muito. O jeito que ela o beijava, não era tão entregue do mesmo jeito que ele a beijava. Ela beijava-o como se fosse uma obrigação, não por simplesmente querer. E o idiota nem mesmo percebia isso. Ótimo! Está sendo enganado. Bem feito, aqui se faz, aqui se paga. Prove do seu mesmo remédio, seu filho da mãe!




Sorri ao sentir o sabor da vingança. É claro que ela esta o usando, e uma hora ele perceberá isso, mas será tarde demais.




— Vinte e dois! — disse ela, animada. Ela estava feliz com a quantidade de vampiros. Oh... Ela com certeza queria vencer essa luta, não nos ajudar. Riley mentiu sobre isso também. Mentiu sobre ela estar ameaçando-o também. Agora não me conformo como pude acreditar nas palavras daquela víbora do Riley.




— Chegou a hora? — ele parecia ansioso. Oh, está ansioso para receber um pé na bunda, otário?! É isso que vai acontecer quando ela perceber que não precisa mais de você.




Senti vontade de gargalhar da ingenuidade de Riley, mas me contive, não queria chamar atenção.




— Não! — ela praticamente berrou a resposta. — Ainda não decidi quando.




— Não entendo. — murmurou Riley, visivelmente confuso.




— Não precisa entender. É suficiente que saiba que nossos inimigos têm grandes poderes. Todo o cuidado é pouco. — a voz dela tornou-se suave novamente, seduzindo-o. Pobre Riley... Tão ingênuo. Espero que suas atitudes idiotas te façam queimar no inferno!




— Mas os vinte e dois ainda estão vivos. Mesmo tudo o que eles são capazes de fazer... Que efeito terá contra vinte e dois?




— Decisões, decisões. — murmurou ela. Oh, como essa voz me irrita. — Ainda não. Talvez alguns mais, só para ter certeza.




— Alguns, mas pode, no final, reduzir nosso número. — disse Riley. Oh! Riley merece uma estrelinha na testa! Até que enfim murmurou algo útil. Para ela, mas útil. Em vez de ficar lascando beijos naquela boca nojenta. — Há sempre uma instabilidade quando um novo grupo é introduzido.




— É verdade. — murmurou a anta. Finalmente percebendo o que pode acontecer. Eu sinceramente não sei quem é mais burro...




Escutei um barulho ao longe e virei minha cabeça para a campina. Quatros seres se aproximavam da casa, cabana, ou seja lá o que for aonde Riley estava com aquela vampira.




Eles se moviam com graça, de um modo silencioso e elegante. Usavam mantos negros – os quatro – e andavam alinhadamente. Pensei que pudessem ser humanos, mas logo desconsiderei essa idéia, pois nenhum humano se moveria daquele jeito, e também pelo cheiro deles que surgiu por minhas narinas logo depois. Cheiro de vampiro.




Agradeci aos céus por eles estarem vindo pela direção contraria a onde eu me encontrava. Eles não me veriam e nem sentiriam meu cheiro se eu permanecesse ali, parada. E foi o que fiz.




Eu estava curiosa para saber quem eram aqueles vampiros misteriosos. Oh, como eu queria que eles fossem os inimigos e estivessem vindo matar Riley e a vampira arrogante.




Os quatro andavam em perfeita organização e graciosidade. Com passos suaves e silenciosos eles se dirigiram até a casa. Nenhum som era omitido por Riley ou a vampira, então eles também perceberam eles se aproximando. Eles não deviam ser os inimigos, já que Riley e ela não ficaram em posições defensivas, enquanto eles entravam. Mas havia um misto de medo e surpresa nos olhos da vampira. Eles deviam ser perigosos.




Os quatro tiraram o capuz, e me surpreendi com o ser que estava no meio, com um manto mais escuro, quase preto. Era uma menina jovem e loira – pelo menos parecia uma menina. Era muito pequena e os traços de seu rosto eram todos infantis. Ela aparentava ter 15 ou 14 anos.




— Não se incomodem. — a voz infantil da garota disse, de forma entediante e preguiçosa. — Creio que sabem quem nós somos, por isso devem saber que é inútil tentar nos surpreender. Ou se esconder. Ou lutar. Ou fugir.




O maior, ao lado da garota, riu ameaçadoramente. Como se estivesse concordando com o que a garota disse.




— Relaxem. — disse ela, a garota de manto escuro. — Não viemos para destruir vocês. Ainda.




A vampira que estava com Riley, remexeu-se inquietamente, enquanto um breve silêncio pronunciava-se.




— Se não estão aqui para nos matar, então... o que quer? — perguntou a vampira idiota.




Espera aí! A vampira que Riley afirmou ser “poderosa” está com medo de morrer?! Quem são esses vampiros? Por acaso são... não, não deve ser.




— Queremos saber quais são suas intenções. Especialmente, se envolvem... um certo clã local... Estamos imaginando se eles têm algo a ver com a confusão que vocês criaram aqui. Criaram ilegalmente.




Ilegalmente?! Oh... Sim, são eles. Os Volturi. Pelo menos a guarda deles, já que nenhum deles se parece com Caius, Marcus ou Aro que o livro descreve.




— Sim. — sibilou a vampira com Riley. Mas qual é o nome dessa maldita?! — Meus planos visam exclusivamente a eles. Mas ainda não podemos agir. É complicado.




— Acredite, conhecemos as dificuldades melhor que você. É impressionante que tenha conseguido se manter fora do radar, digamos, por todo esse tempo. Diga — a jovem vampira acrescentou interesse em seu tom. — como tem feito isso?




A maldita vampira hesitou, mas assim que a jovem vampira deu-lhe um olhar ameaçador, ela disse tudo rapidamente, completamente intimidada, mas não entendi por que.




— Eu ainda não decidi. — revelou, depois deixou a voz mais calma e lenta. Relutante, mas calma. — Atacar. Não decidi fazer algo com eles.




— Grosseira, mas direta. — observou a jovem vampira. — Infelizmente seu período de deliberação chegou ao fim. Você precisa decidir, agora o que vai fazer com seu pequeno exército. — Há! Então eu estava certa. Ela criou os vampiros com um propósito. E não vamos lutar para nos defender, e sim para ajudá-la. Apenas um exército... Que ela criou para morrer por ela. — Caso contrario, será nosso dever puni-la como exige a lei. Esse adiantamento, mesmo breve, é um problema para mim. Não é assim que atuamos. Sugiro que nos dê todas as garantias que puder... e depressa.




— Vamos agir imediatamente! — disse Riley, animadamente. Ri silenciosamente com o olhar que sua parceira deu a ele. Que interpretei claramente como “cala a boca, seu imbecil!”. Há! Pobre Riley. Ainda vai sofrer muito na mão dela.




— Vamos agir assim que for possível. — ela corrigiu Riley, visivelmente furiosa. — Há muito por fazer. Imagino que queira nosso sucesso. Então, preciso de algum tempo para treiná-los... orientá-los... alimentá-los!




A jovem vampira ficou em silêncio, encarando a víbora.




— Cinco dias. Voltaremos em cinco dias. E não há pedra que poderá se esconder ou velocidade na qual poderá fugir para se salvar. Se não tiver atacado quando voltarmos, você vai queimar.




A jovem não ameaçou, ela tinha absoluta certeza do que faria. Estava apenas constatando um fato.




— E se eu já tiver atacado? — a víbora perguntou abalada. É claro que ela estava contra a parede. Ou ataca ou morre. E eu espero que, seja qual for sua decisão, ela morra e queime no quinto dos infernos, e que leve Riley com ela.




— Veremos. — respondeu a jovem, e logo depois seu tom recebeu um grau de animação. — Suponho que tudo dependa de seu grau de sucesso. Trabalhe e se esforce para nos agradar.




— Sim — respondeu. Oh, eu ainda odeio essa voz.




— Sim. — repetiu o idiota, retardado e influenciado do Riley.




Os quatro vampiros se organizaram, e do mesmo modo que vieram se foram. E fiquei aliviada por nenhum deles terem percebido minha presença. É claro que não quebrei regra nenhuma, e que eles não teriam motivos para me matar, mas era melhor não arriscar. Apesar que, eu vi no livro que eles aceitam qualquer vampiro com “habilidades especiais” para se juntarem a eles, eu poderia simplesmente me juntar a eles e sobreviver. Mas me tornaria mais uma sem coração e assassina, que puniria a todos que quebrassem as regras. Não... Eu não quero isso pra mim.




— Bem... agora eles sabem. — a vampira sussurrou para Riley dentro da casa.




— Isso não importa. Estamos em maior número...




— Qualquer aviso importa! — grunhiu ela, interrompendo arrogantemente o que Riley dizia. — Há muito por fazer. Só cinco dias. — ela gemeu. Argh! Até o gemido dela irrita meus ouvidos! — Chega de confusão. Você começa esta noite.




— Não vou desapontá-la! — prometeu Riley, olhando-a apaixonadamente. Oh, eu vou vomitar...




Não querendo mais assistir os dois pombinhos, virei-me para partir de volta para o esconderijo. Eu pegaria minhas coisas e sumiria dali de uma vez por todas. E não haverá Riley para me impedir dessa vez.




Comecei a sair dali correndo, até que ouvi alguns murmúrios e parei. Não pareciam ser murmúrios de Riley e da vampira, eram outras vozes...




—... Ainda não estamos perto do amanhecer, mas vai ter que ser assim. Se ele não acreditar em mim... — eu conhecia aquela voz. Eu a ouvi poucas vezes, mas a reconheci. Diego. — Ele agora tem outras coisas com que se preocupar, coisas mais importantes que minha imaginação fértil. Talvez esteja mais propenso a ouvir agora. Parece que precisaremos de toda a ajuda que conseguirmos, e poder andar por aí à luz do dia não será nada mal.




— Diego... — ok... Essa voz eu não conhecia. Mas era feminina e infantil.




Ouvi um silencio e um leve estalo. Talvez um beijo... Mas... Diego beijando uma vampira? E que vampira?!




— Vá para casa, esconda-se atrás de Fred e aja como se não soubesse de nada. Eu vou logo depois de você.




Espera... Esconder atrás de Fred? Mas... Só há uma pessoa que consegue conviver com Fred. É claro! Bree... Mas... Ela e Diego? Eles também estavam espionando a conversa dos vampiros? Bom... Talvez alguns recém-criados não sejam tão burros e idiotas como pensei. É! Agora faz sentido eu ter sentido o cheiro de Diego no rastro de Riley, e provavelmente o outro cheiro era o de Bree.




— Tome cuidado.




Logo eles terminaram a conversa e cada um seguiu seu caminho. Oh, sim, eu os via. Eles estavam em cima das arvores, e foi assim que cada um foi pelo seu caminho, pelas arvores.




Pensei em ir com Bree para casa e pegar minhas coisas, mas a curiosidade foi maior. Eu segui Diego.




Ele estava voltando até Riley e a vampira. Assim que avistei Riley, escondi-me atrás de uma árvore e observei de longe. Riley estava vindo para cá, sozinho.




Diego foi até ele. O que?! O que ele está fazendo?! Riley vai descobrir que ele ouviu a conversa!




Assim que Diego apareceu no campo de visão de Riley, o mesmo franziu a testa confuso.




— O que faz aqui, Diego? — perguntou.




Ele hesitou. A expressão de Riley não era nem um pouco boa. Não havia mais aquela expressão de amizade e carinho que havia quando eles conversaram no porão. Oh, não... Riley apenas esperava respostas.




— Eu descobri algo. — disse Diego, seu tom cauteloso, como se esperasse alguma reação de Riley. Talvez ele soubesse o que poderia acontecer. Talvez ele esteja se sacrificando... por Bree.




— O que? — Riley não possuía nenhuma expressão de curiosidade. Talvez percebesse que era uma desculpa de Diego.




— O sol... Ele não nos mata.




A expressão de Riley foi rapidamente para surpresa e decepção. Oh... Então Diego sabia sobre o sol. Então... Talvez Bree saiba também. Ok... Nem todos aqueles vampiros são burros e idiotas.




Riley negou com a cabeça e se aproximou de Diego com o olhar determinado.




— Eu realmente não queria fazer isso. — murmurou Riley, ainda se aproximando de Diego e negando levemente com a cabeça. — Mas não tenho escolha.




Ele agarrou o pescoço de Diego, que não reagiu.




— Você sabe demais, Diego. E eu não posso permitir que você seja uma chance de que os planos de Victoria dêem errado.




Victoria... Esse era o nome da víbora.




Riley não podia matar Diego por causa dessa vampira que nem ao menos gosta dele! Mas eu não podia fazer nada... Eu tinha que fugir enquanto era tempo.




Pensei que Riley mataria Diego ali mesmo, mas ele somente carregou-o até a casa onde estava falando com Victoria.




Pensei em ir atrás e impedir, mas eu não podia me arriscar assim. Por mais que eu quisesse impedir...




Comecei a andar relutantemente de volta pra casa, enquanto gritos agoniados ecoavam pela campina.




Respirei fundo e continuei indo. Eles não o mataram simplesmente. Eles o torturaram. Pois os gritos de dor de Diego continuaram até que eu chegasse a um ponto que não era mais audível.




Finalmente cheguei ao esconderijo. Entrei rapidamente e peguei todas as minhas coisas que estavam por lá, colocando na mochila que eu carregava.




Os vampiros olhavam-me curiosamente por meu desespero em arrumar minhas coisas, mas não me importei. Continuei jogando tudo o que encontrava na mochila. Assim que terminei, levantei-me e fui até a porta, acompanhada por vários olhares.




Dei uma ultima olhada para os vampiros ali e deixei meu olhar cair em Bree, que parecia perdida em pensamentos demais para reparar meu olhar. Pobre Bree... Ela parecia gostar de Diego. Parecia realmente gostar dele.




Pensei em contar a ela, mas não podia demorar mais, logo Riley chegaria. Saí sem hesitar pela porta correndo a toda a velocidade que meus pés permitiam. Eu não faria parte disso. Finalmente vou ter minha vida de um jeito diferente... E é o que eu vou fazer.






6. Viajando






Bom, era difícil admitir isso, mas eu estava completamente perdida – literalmente. Quer dizer, eu não estava sabendo que caminho seguir adiante. É claro que eu tinha que agir o mais rapidamente possível, para evitar que Riley conseguisse me encontrar novamente – apesar que eu poderia matá-lo facilmente – mas eu preferia não arriscar; pois se os Volturi estão a favor deles, eles poderiam facilmente me matar apesar de minhas habilidades.




Eu estava realmente indecisa, ou como classifiquei antes: perdida; é uma ótima definição de como eu me encontrava agora. Eu pretendia um novo rumo pra minha vida, encontrar um novo jeito de viver como vampira, mas eu sinceramente não sabia como começar. E de qualquer forma, eu escolhendo qualquer rumo para minha vida, não alteraria o fato de que eu ainda continuaria sedenta por sangue. Não tanto com o passar do tempo, mas o suficiente para me manter longe de qualquer vida social perto dos humanos.




Bom, era realmente difícil decidir o que fazer agora. Havia vários locais para que eu pudesse ir, mas faria isso como? Roubaria dinheiro de minhas vitimas e compraria uma passagem de avião? Ok, isso é absurdo, isso não devia nem se levar em consideração. Não era uma boa opção eu estar presa num mesmo ambiente que vários humanos; eu provavelmente mataria todos eles, e assim que matasse o piloto e o co-piloto o avião cairia numa espiral da morte e eu morreria com a explosão. Uh... Que imaginação estou tendo. Mas deve ser levada em consideração, pois isso realmente é possível.




Eu estava andando sem rumo por Seattle, com apenas minha mochila cheia de coisas nas costas – que não pesava nada para mim. Eu podia notar a ardência em minha garganta aumentando aos poucos, mas eu simplesmente deixei de lado o pensamento de caçar agora. Eu tinha que arrumar um lugar para ficar, pois logo amanheceria e não seria nada agradável se um humano encontrasse uma aberração brilhando no meio da rua. Ok... Eu ainda não consigo acreditar nessa idiotice que acontece comigo quando saio no sol... É totalmente bizarro e hilário.




Corri para o mais longe possível do esconderijo dos vampiros e procurei um lugar para ficar num canto em Seattle que eu nunca estive. Bom, não era um ponto tão agradável para um humano estar, então eu apenas evitava estar por aqui quando humana.




Caminhei até uma pequena casa abandonada – isso podia ser facilmente notado por não haver ninguém lá e pela casa estar aos pedaços – e me escondi por lá.




É claro que aquele cheiro forte de mofo e aquelas teias de aranha foram de total incomodo para mim, mas eu faria qualquer coisa para evitar meu encontro com Riley. Depois do que eu vi, era capaz de eu matá-lo assim que o visse. E não, eu não estou dizendo sobre o que aconteceu com ele e aquela vampira, mas sim o que ele fez com Diego. Aquilo era totalmente absurdo, até mesmo para um vampiro cruel. Diego era um garoto bom e ingênuo, e que pensava que tinha uma boa relação com Riley, que pensava que Riley abriria uma exceção para ele... Mas aquela víbora sem coração e totalmente cega de paixão, não teve a mínima compaixão. E isso é o que mais me revolta. Juro que se eu encontrar Riley a minha frente a qualquer momento, vou sentir prazer em matá-lo com minhas próprias mãos, e vou rir diante de seu corpo queimando e virando apenas cinzas. Ele merece isso e muito mais pelo que fez ao pobre Diego, que foi o primeiro a me ajudar quando me tornei o que sou agora...




Sentei-me no chão empoeirado e olhei ao meu redor. Era uma casa simples e visivelmente acabada. Não tinha condições nem de um mendigo morar ali. Bom... Isso afastaria os humanos de ficarem num mesmo ambiente que eu.




Suspirei forte, incomodada com aquele cheiro horrível de mofo que insistia em entrar por minhas narinas e logo fiz questão de parar de respirar. Eu podia simplesmente viver sem respirar, mas isso também era um incomodo. O habito de respirar é algo normal entre os vampiros, é claro que é desnecessário, mas muitas vezes é a única coisa que nos liga a nossa humanidade... apesar de não termos nenhuma.




Peguei o celular entre minhas mãos e coloquei o fone de ouvido, ouvindo algumas musicas para distrair minha mente.




Era até engraçado o modo como minha vida mudou drasticamente de uma hora pra outra. Eu sei que tudo isso somente acontecera pelo fato de eu ser cheia de si e dizer não ter medo de nada, nem de algo que devia se ter medo, que devia ser temido... O fato era que eu não era corajosa, e sim orgulhosa demais. Incapaz de convencer até a mim mesma que sou capaz de sentir medo de algo. Oh sim... Vejo meus defeitos mais claramente agora e percebo o quanto eu fui ridícula. Oh... Como eu queria aquelas sensações humanas de volta. Aquelas sensações que eu fiz questão de não sentir quando pude... Aquelas sensações que eu daria tudo para sentir agora.




A única sensação que chega perto de ser parecida com alguma das humanas, era apenas aquela que senti ao beijar Riley. É claro que não senti amor nem paixão, mas aquele gosto bom e satisfação de um beijo que eu sentia toda vez que beijava alguém. Bom, apesar de ser meio estranha, tenho que admitir que não deixei de lado meus hormônios adolescentes. Eu nunca namorei, quer dizer, não aquele negocio serio de chegar e apresentar aos pais, assumir para todo mundo, ter alianças de compromisso; não... Eu apenas ficava com alguns garotos. Apenas por ficar. Nunca me apaixonei, e acredito que isso é muito mais difícil de acontecer agora. Ugh...




O único garoto que cheguei a quase ter uma paixão, era um garoto do terceiro ano... Que assim que percebeu que não conseguiria de mim o que na verdade todos os garotos procuram em uma garota, partiu para outra. Bom, a verdade é que não sou tão experiente em relacionamentos... meu recorde de ficar com um garoto foi de 2 semanas... Apesar de não parecer tão inocente, tenho a minha virtude comigo. Oh, sim... Meu precioso bem ninguém conseguiu tirar de mim. Podem até tirar minha vida e me transformarem num monstro, mas ainda tenho minha virtude para me ligar a minha humanidade. Apesar que acho que essa idéia de manter a virtude até depois do casamento ser antiquada e totalmente ridícula. Pois... Oras, isso é praticamente impossível. Mas se eu tiver que perder minha virtude, que seja com alguém especial. Ugh... Essa definitivamente não parece ser eu.




Balancei a cabeça repetidas vezes até que esses pensamentos idiotas se esvaíssem. Ok... Teria que ficar aguentando esses pensamentos de qualquer forma, já que demoraria um pouco até anoitecer...





Assim que percebi a iluminação do sol finalmente sumindo gradativamente dali, levantei-me e peguei meu óculos escuro, colocando-o.




Bom, minha jornada começa agora. É claro que não tenho um rumo para ir, mas deixarei meus pés me guiarem. Se eu chegar num lugar bom, ótimo! Se eu chegar num lugar ruim, ótimo! Não fará diferença mesmo, já que viverei escondida até essa maldita sede ser controlável o bastante por mim.




Considerei se ficava aqui mais um pouco ou se saia logo. Não seria bom que eu demorasse muito para sair, mas por outro lado; seria fatal se eu encontrasse com algum humano, pois a ardência em minha garganta novamente começou a manifestar-se.




Decidi que sair seria o melhor. Não havia um por que para resistir aos meus instintos. Uma hora ou outra eu teria que fazer isso, e quanto mais rápido fosse, mais rápido o peso na consciência sumiria, dando passagem livre para outros pensamentos.




Caminhei pelas ruas, completamente vazias. Pelo menos as pessoas agora estão conseguindo se manter dentro de casa e isso será ótimo para mim, é claro. Não encontrar nenhum humano seria maravilhoso para minha consciência, mas nem tanto para minha sede.




Eu andava com passos rápidos vampirescos e torci para que conseguisse chegar em algum lugar que não fosse Seattle o mais rápido possível. Não queria dar uma chance de Riley me encontrar, apesar que agora será difícil dele vir atrás de mim, já que o “trabalho” dele começará agora e ele prometeu a Victoria que não a “decepcionaria”. Não sei por que, mas tenho a sensação de que ele não conseguirá cumprir com essa promessa. E torço com todas as forças para que isso aconteça.




Às vezes me surpreendo com o quanto eu posso ser diabólica. Acho que ser vampira já estava destinado pra mim, por meu temperamento e por minha personalidade, apesar de eu ser meio diferente dos demais vampiros...




Fui andando, andando e andando, até que cheguei numa estrada. Eu não sabia se me escondia entre a floresta que estava por lá, ou se continuava a andar, só que mais humanamente caso um humano visse.




Optei por andar normalmente pela estrada. Alguns carros passavam rapidamente por mim e me surpreendi por alguns estarem buzinando para mim. Oh, me lembrei... Vampiros são lindos para olhos humanos...




Bufei e deixei um sorriso se abrir em meu rosto. Nunca me imaginei sendo tão linda assim. Oras... Para conseguir fazer com que os homens buzinem na estrada pra mim e me mandei sorrisos convencidos, eu deveria estar no mínimo sedutora. Apesar que com essa roupa, não favoreça tanto a isso.




Mas definitivamente, era mais divertido quando alguns deles paravam o carro para me oferecer carona e logo depois fugiam, por eu dar um enorme sorriso sombrio, mostrando minhas presas afiadas. Há! Eu bem que queria ter aquelas presas dos filmes clássicos de vampiros. Seria tão engraçado...




Continuei andando por mais algum tempo, até que parei para encarar uma placa, e dois caminhos para se seguir. Pensei por algum tempo e decidi por ir para Renton. Era a cidade mais perto de Seattle e eu estava precisando caçar, a ardência já estava conseguindo me deixar sedenta.




Bom, eu não iria passar a vida inteira vagando por aí, eu tinha que dar um jeito. E é isso que vou fazer.




Parei de andar e comecei a encarar a estrada. Deduzi que já estava de madrugada, então poucos carros passariam por aqui. O que facilitaria as coisas.




Assim que vi um carro se aproximando, fui até o meio da estrada e esperei para que ele se aproximasse o bastante. O homem que dirigia assustou-se por eu estar ali parada e continuou acelerando, com intenção de desviar e continuar seu caminho. Uh, até parece que deixarei isso acontecer.




Assim que o carro aproximou-se a quase um metro de distancia de mim, usei minhas habilidades para pará-lo abruptamente. O homem encarou-me com os olhos assustados e pisou no acelerador para que o carro andasse. As rodas mexiam-se, mas nenhum movimento causava no carro.




Suspirei. Eu não queria tornar as coisas tão assustadoras para minhas vitimas, mas era a única forma.




Assim que o homem percebeu que era inútil tentar mover o carro, abriu a porta e foi para correr, mas fiz com ele a mesma coisa que fiz com o carro, aproximando-me. Era horrível ter que fazer isso, mas já que eu estava com sede, e que isso ajudaria, logo eu já estava perfurando meus dentes na pele fina de seu pescoço e sugando todo o seu sangue.




Assim que seu corpo caiu sem vida no chão, peguei-o nos braços e corri até a floresta. Parando um minuto para queimar seu corpo para que não houvesse nenhum indicio de assassinato.




Quando terminei de queimar seu corpo, uma onda de angustia invadiu-me, mas evitei chorar novamente. Isso era da minha natureza e era completamente inevitável. Do que adiantava chorar?!




Saí de lá rapidamente e fui até o carro.




Bom, ainda bem que já aprendi a dirigir. Foi até um dia engraçado esse. Eu tinha um amigo que era mais velho que eu e minhas amigas, e quando ele tirou carteira de motorista, os pais dele deram a ele um carro e ele fez questão de ensinar cada uma de nós a dirigir. Não que eu quisesse, mas ele insistiu tanto... E eu tinha apenas 15 anos na época. Mas foi muito divertido a cara de assustado dele quando eu pisava com tudo no acelerador. Bom, de qualquer forma, eu sempre gostei de velocidade. Isso era e é um fato.




O carro era simples, mas confortável. Os vidros eram escuros e dificilmente alguém me veria brilhando quando amanhecesse.





Dirigi por um bom tempo, nem sequer passando pelas cidades, apenas procurando um bom esconderijo para ficar por um tempo. Mas como nada é tão fácil pra mim, a gasolina acabou assim que cheguei à cidade de Kent. Bom, eu não podia seguir meu caminho sem o combustível, então parei num posto de gasolina qualquer. Ainda bem que eu andei por dias e agora já estava de noite... Não seria nada bom eu ser flagrada brilhando...




É claro que eu não era burra, então antes de queimar o homem, eu revistei seus bolsos e peguei o que seria útil para mim. Para minha sorte ele tinha vários cartões de credito em sua carteira, junto a um papel que marcava todas as senhas. Havia bastante dinheiro também, mas eu guardaria para outra coisa.




Saí do carro, sentindo os olhos do homem ao meu lado se arregalarem de deslumbramento, e sorri com isso. Bom, é claro que eu não estava respirando e nem sem meu óculos, então ele não se assustou comigo, apenas se deslumbrou com minha aparência. Mas mesmo assim coloquei a gasolina o mais rápido possível, pois só de dirigir meus olhos para ele, meus olhos iam inconscientemente a sua jugular, observando a movimentação de sua veia por baixo da pele fina... Oh, já posso até imaginar o gosto doce de seu sangue... Tão puro quanto o do outro... Bom, em Seattle era difícil achar alguém com sangue puro, pois todos que eu caçava eram drogados, mas era melhor do que nada...




Assim que o galão encheu, passei o cartão e entrei no carro rapidamente, saindo dali. Ufa... Bom, pelo menos meu autocontrole está melhor, pois nunca pensei ficar perto de um humano sem atacá-lo.




Liguei o radio e comecei a ouvir algumas musicas para distrair minha mente e não fazer com que eu volte lá para provar seu sangue... Não! Pense em outra coisa! Pense em outra coisa!




Depois de algum tempo os pensamentos assassinos se esvaíram e eu consegui ficar tranqüila novamente, dirigindo em direção a Auburn. Eu nem sequer parava em nenhuma das cidades que passava, eu apenas parava para colocar mais gasolina e para matar minha sede com algum mendigo a noite.




Bom, minha busca por um bom esconderijo estava difícil. Eu estava cansada de ficar dentro do carro por dias e percebi que já estava mais do que na hora de eu arrumar algum lugar para ficar. É claro que tinha que ser um bom esconderijo, mas não era isso o que me preocupava. Era que eu não queria ficar aqui. Eu havia me acostumado a passar a vida inteira em Seattle e sair de lá agora era estranho, arrumar outro lugar para morar longe da civilização, longe da sociedade, longe dos humanos... Mas eu tinha que aceitar isso. Era a cruel realidade.




Depois de dias dirigindo, finalmente decidi parar. Era noite e a cidade era a “Olimpya”. Eu não queria ficar aqui, mas seria bom eu ficar um pouco longe desse carro, nem que fosse por pouco tempo... Só por alguns dias...




Saí do carro, peguei minhas coisas e comecei a andar pela cidade, com meu óculos escuro. Eu até me surpreendi por consegui passar por alguns humanos sem atacá-los. É claro que eu estava prendendo a respiração, mas dessa vez foi bem mais fácil.




Continuei a procurar um lugar abandonado, mas todos que eu encontrava, eu suspirava e saia de lá. Eu não queria mais ficar em lugares com condições tão ruins assim. É claro que eu não podia ficar em uma casa, ter vizinhos, nem nada do tipo... Mas um porão ou uma casa abandonada cheia de pó e ratazanas não era a opção que eu queria.




Não havia mais um por que para que eu morasse em um porão. Eu não fugiria mais do sol, apenas me esconderia dos humanos. Não seria necessário um porão...




Arrumei minha mochila em minhas costas e fui caçar. Eu mataria minha sede primeiro, depois procuraria um lugar para ficar.




Fui até um mendigo para matá-lo, mas antes que eu pudesse, senti um cheiro estranho... Um vampiro. Desconhecido.




Virei abruptamente para encará-lo e me surpreendi por ele estar tão perto.




— Quem é você?! — rosnou, em uma posição defensiva. Ele aparentava ter 20 anos, era loiro e tinha as demais características de um vampiro.




— Não devo satisfações a você! — rosnei de volta, pondo-me em posição defensiva também... Mesmo que a minha não fosse tão boa.




— Este é meu território! Saia daqui! — rosnou.




Suspirei e me levantei.




— Olha só, eu não quero confusão. Nem precisamos brigar por causa disso. Eu só estou caçando, não pretendo ficar aqui. Então se me der licença...




Ele desfez a posição defensiva e relaxou.




— Oh, ok, desculpe.




Dei um meio sorriso e fui até o mendigo para matá-lo. Ele estava com uma garrafa de bebida alcoólica nas mãos e ele nos encarava incredulamente, mas como não se importou deve ter culpado a bebida pelo que via.




Matei-o rapidamente e tomei o seu sangue, queimando seu corpo logo em seguida.




— Você é uma recém-criada. — concluiu o vampiro, que estava atrás de mim.




Virei para encará-lo confusa. Como ele deduziu isso?!




— Isso pode ser notado muito facilmente, minha cara. — ele deu um risinho. — Primeiro: você só percebeu minha presença quando eu já estava perto o suficiente de você para te matar, você ainda não aprendeu a usar seus instintos corretamente. Segundo: Sua posição defensiva é visivelmente de alguém que não tem experiências nenhuma em lutas, eu poderia matá-la facilmente se levássemos aquilo adiante. Terceiro: o modo relutante como você matou aquele humano, com pena; poucos recém-criados tem a capacidade de perder sua humanidade totalmente, mas alguns ainda tende a se acostumar com o que são com o tempo. E pelo visto você ainda não se acostumou.




Encarei-o de boca aberta. Ele conseguiu deduzir isso tudo em apenas alguns segundos...




— Sou Juan, e você?




.




Ele sorriu simpático.




— Sabe que você tem um cheiro estranho... — disse ele.




Franzi a testa.




— Estranho como?




— Não sei... Não é um cheiro tão forte e doce como o de um vampiro normal. O seu é uma fragrância mais leve, mas com o mesmo aroma doce, só que bem mais leve.




Que estranho... Oh, ótimo! Até meu cheiro é estranho para uma vampira!




— Você tem que idade? — perguntou curiosamente.




Franzi a testa.




— Dezesseis. — respondi simplesmente.




Ele riu.




— Não. Eu digo sua idade de vampira... Há quanto tempo foi transformada.




— Oh... Bom, eu não tenho certeza, mas acho que quase dois meses.




Ele encarou-me incredulamente.




— Você não parece ter dois meses. Você tem muito autocontrole para essa idade. Você nem sequer lutou comigo. E todos os recém-criados são irritados e brigam por qualquer coisa...




— É, eu sou meio estranha. — eu ri levemente, ele riu também. Mas por que diabos este idiota esta rindo?! Como ele concorda que sou estranha sem me conhecer?! Oras... — E você? Quanto tempo tem?




— Oh... — ele riu. — 78 anos.




Arregalei os olhos. Caramba como ele é velho! Mas alguém tão velho devia ter alguma companhia, não é?




— Tem mais alguém com você? — perguntei.




— Não. Vivo sozinho, é mais fácil. Mas tenho alguns amigos... E você? Está com alguém?




— Não.




— Bom, te desejo sorte então, . Vida de recém-criado não é nada fácil, ainda mais se você não tem ninguém para te ensinar. — ele suspirou. — Você sabe sobre as regras e as demais coisas?




— Sim.




— Ok, então tudo que posso fazer é te desejar sorte mesmo. Até mais, .




Assim que ele disse isso, partiu em um flash.




Suspirei e comecei a andar sem rumo pela floresta. Por ela eu via toda a estrada, então seria fácil para ver até onde eu estava indo. Estava cansada de viajar de carro...




Fui pulando pelas arvores, vendo pelo alto delas os lugares. Indo de Olimpya para Hoquiam.




Decidi ficar um pouco por Hoquiam, pois aquela rotina de ficar pulando nas arvores já havia me cansado, quer dizer, não fisicamente.




Andei pelas ruas de Hoquiam. Era de dia, mas como o tempo aqui era nublado sem nenhuma iluminação do sol, eu pude sair pelas ruas normalmente, apenas usando óculos escuros enquanto andava.





Eu fiz minha nova rotina, de caçar e ficar vagando pela cidade, e quando fui procurar alguma roupa em minha mochila, percebi que todas elas já haviam acabado.




Suspirei pesadamente. Eu teria que matar mais alguém, para conseguir uma nova roupa e dinheiro.




Fiquei encostada na parede de uma esquina vazia, apenas esperando para que uma mulher do meu manequim passasse por mim.




E, para a minha sorte, uma jovem passou por mim, e antes que ela percebesse que havia alguém ali, eu já havia a atacado e matado-a.




Peguei suas roupas e coloquei em mim, pegando sua carteira também, junto com seu dinheiro e alguns cartões de credito.




Não gostei muito dessas roupas. Eram completamente diferentes do estilo que eu estava acostumada a usar... Mas até que era confortável. Era uma regata completamente colada de cor marrom, uma jaqueta de couro cheia de detalhes e uma calça jeans justa e de cor escura. Não peguei seus sapatos também, já que eles eram acompanhados com saltos assustadores e que eu poderia facilmente cair. Então apenas continuei com os meus bons tênis, que até combinaram com a roupa.




Bom... Eu queria entrar numa loja pra comprar algumas roupas com esse dinheiro, mas eu não sabia se tinha autocontrole o suficiente. Bom... Não custa nada tentar, se caso eu não resistir, é só sair correndo de lá.




Prendi a respiração desde já e fui até uma enorme loja que havia bem no centro da cidade. Parecia mais um shopping do que uma loja, pois tinha varias coisas vendendo ali.




Assim que entrei uma mulher veio me atender, com um sorriso enorme no rosto.




— Posso ajudá-la?




Olhei-a estranhamente. Ela não estava com medo de mim? E por que eu não estou sentindo tanto desejo por seu sangue? Humm... Meu autocontrole está cada vez melhor.




— Er... Pode me dizer onde está a sessão de calças jeans? — perguntei educadamente. Eu poderia facilmente procurar pelo cheiro, mas quis parecer uma pessoa normal. Apesar que de normal eu não tenho nada.




— Claro! — ela pulou animada. — Por aqui!




Ela começou a andar pela loja, comigo a acompanhando. Até que chegamos à sessão das calças. Puxa... As calças eram realmente lindas. Comecei a olhar todas e fiquei pegando todas as que gostei. Será que o dinheiro vai dar? Bom... Aquele homem tinha bastante dinheiro e aquela garota também não tinha pouco.




Assim que terminei de ver a sessão das calças, fui até as blusas. Para o meu azar, só tinha os estilos que eu não gostava, ou seja, do mesmo estilo das roupas que estou usando. Então não tive outra opção...




Pensei em provar as roupas, mas estava sem paciência e não sei quanto tempo meu autocontrole iria durar, então... Melhor não arriscar. Peguei todas as roupas e sapatos que via e gostava e comprei uma daquelas malas de viagem enormes, para que eu colocasse todas elas lá.




Assim que paguei tudo (nossa! O cartão desse cara era sem limite), fui até um lugar para comprar algumas lentes, para poder tirar esses óculos de vez em quando...




— Posso ajudá-la? — a mulher que estava atrás do balcão perguntou.




— Oh, sim. Eu quero 15 lentes de cor... — pensei numa cor. Eu devia pegar a cor que meus olhos eram antes ou qualquer outra? — 5 lentes de cor verde escuro, 5 lentes de cor azul e 5 lentes de cor de mel... Oh, dá mais cinco de castanho também.




A mulher olhou estranhamente para mim – talvez por eu ter comprado tantas lentes –, mas logo pegou as lentes. Entregando para mim uma sacola cheia de caixinhas.




Fui até o banheiro feminino para colocar uma lente. Entrei lá e dei graças a Deus por não ter nenhuma humana por lá. Assim eu poderia colocar as lentes facilmente...




Tirei uma caixinha qualquer da sacola e tirei o óculos. Coloquei uma lente e logo percebi que era a de cor castanho. Humm... Até que ficou bem legal, mas incomoda muito.




Coloquei a outra e guardei o óculos escuro. Saí do banheiro para sair da loja, mas logo aquela mesma vendedora veio até mim com um enorme sorriso no rosto.




— Com licença, estamos fazendo um desfile de maquiagens e estamos escolhendo as modelos, por acaso você poderia participar para nos ajudar? Será tudo gratuito!




Droga! Odeio maquiagens.




— Não...




— Por favor, você é a mais bonita da loja, seria perfeita! — uma outra mulher disse, vindo até mim.




— Mas eu...




— Será rápido, eu juro! — outra disse. Quando vi, eu estava sendo rodeada por varias mulheres.




Droga! Alem de eu poder perder meu autocontrole a qualquer momento e matar cada uma delas, elas tem que fazerem essa carinha de cachorrinho que caiu do caminhão da mudança e ainda me arrastarem para fazer algo que sempre odiei fazer?!




— E você ficará mais linda do que já é!




Suspirei com o pouco de ar que havia em meus pulmões desnecessários.




— Tudo bem... — respondi, elas gritaram animadamente.




Uma mulher fez menção de puxar minha mão, mas para que ela não sentisse minha pele estranha, eu logo desviei minha mão e segui-as. Eu até podia ficar perto delas, mas sem matá-las e sem dá-las nenhuma suspeita do que sou.




Elas me levaram até um tipo de salão e começaram a trabalhar em mim. Eu não queria que elas me tocassem para sentir minha pele, mas foi inevitável. Elas até acharam estranho, mas não comentaram nada.




Eu não via a hora daquilo acabar para eu ir embora, mas parecia que nunca acabava. Havia outras mulheres que elas estavam maquiando também, mas todas elas ficaram meio intimidadas comigo. Talvez por eu ser mais linda... Há! Eu não sou convencida, apenas estou constatando um fato.




Elas passaram vários tipos de maquiagem no meu rosto – que eu nunca procurei saber o nome –, e faziam um penteado em meu cabelo liso.




— Er... Acho que colocaram sombra demais nos olhos dela, estão começando a irritar os olhos dela, deixando-os vermelhos. — uma mulher disse, encarando meus olhos incredulamente. — Mas não parece os olhos, parece mais as íris.




Levantei-me rapidamente dali, peguei minhas coisas e saí correndo até o banheiro. Droga! A lente não deu certo.




Corri até o banheiro e encarei meu rosto no espelho. Meus olhos estavam realmente ficando vermelhos. As lentes estavam se desfazendo... Mas não entendi por que. Mas o que mais me surpreendeu foi que meu rosto estava muito lindo... Caramba, aquelas mulheres sabem transformar alguém, hein?!




Parei com meu momento egocêntrico e procurei outra lente na sacola, colocando-a. Oh, eu sei que não duraria muito tempo, mas eu não vou jogá-las fora! Gastei dinheiro nelas!




Assim que coloquei, joguei minha bolsa de viagem nas costas, e saí a mil daquela loja, para procurar algum lugar pra ficar.




Pensei em arrumar um esconderijo, mas como meu autocontrole estava formidável e como eu tinha o dinheiro de minhas vitimas. Eu poderia passar pelo menos uma noite em conforto.




Peguei o dinheiro da bolsa e fui até um hotel simples. Eu não atacaria ninguém se ficasse num lugar sozinha, ou seja, num quarto.




Fui até o hotel, e como era tudo barato, com o dinheiro que eu tinha eu consegui pagar para ficar um mês lá. Eu não sei se conseguiria ficar tanto tempo, mas decidi ficar.





O tempo foi passando rapidamente. Minha rotina tornou-se a mesma por um bom tempo, mas eu não estava em condições de reclamar, pois estava muito melhor do que antes.




Eu ficava no meu quarto, lendo os livros que eu pegava na biblioteca da cidade, ou assistindo TV. Quando dava sede, eu saía para caçar e voltava para o hotel.




Mas o melhor disso tudo, é que eu tinha um lugar para manter minha higiene que há muito tempo não fazia e que já estava quase me deixando louca. Eu tomava banho todos os dias, escovava os dentes todos os dias e passava algum creme ou perfuminho para deixar um cheirinho agradável – apesar que vampiros já tem o cheiro naturalmente doce e agradável.




A dona do hotel simples – que parecia mais uma pensão – se preocupava comigo por não me ver sair do quarto e sempre mandava alguma coisa para eu comer. É claro que vampiros não se alimentam de comida humana, mas eu descobri isso somente depois de uma experiência horrível.




É claro que isso estava no livro, mas eu quis testar. Pois eu sentia o cheiro bom do mesmo jeito e eu quis me lembrar de como era o gosto. Mas parecia mais uma macinha de modelar do que comida. Totalmente sem gosto... Argh!




Eu estava começando a gostar daquela cidade humilde – diferente de Seattle – então decidi caçar alguma vitima com dinheiro. É horrível, eu sei, mas era o único jeito. Eu não podia sair trabalhando por aí...




Assim que consegui juntar a quantia necessária para mais um mês no hotel, entreguei na recepção e fiquei mais um mês.




Era até engraçado que o tempo passasse tão rápido para vampiros, quando para os humanos demorava muito tempo... Às vezes desejávamos que o tempo passasse rápido, mas nunca acontecia, mas agora que não tenho pressa nenhuma para que isso aconteça, está acontecendo.




Depois de encontrar Juan naquela vez, eu nunca mais encontrei nenhum outro vampiro. E como eu não estava pronta para me relacionar com humanos, eu estava me sentindo um pouco solitária por ficar o tempo todo trancada neste quarto.




Tomei um banho, escolhi uma boa roupa e coloquei minhas lentes verdes, levando mais três de reserva. Eu ia conseguir um emprego agora, ou eu não me chamo .





Depois de andar um pouco pelas ruas de Hoquiam, procurando um bom lugar para trabalhar, decidi arrumar um emprego simples, já que era meu primeiro emprego. Fui até uma lanchonete que havia no centro. Ela até que era bem movimentada...




Parei enfrente a porta e prendi a respiração, entrando no local, fazendo com que todos parassem o que faziam para me olhar. Eu sabia que se eu tivesse algum sangue em meu corpo, ele estaria completamente concentrado no meu rosto neste momento.




Eu recebia olhares curiosos sobre mim, misturado com alguns olhares de luxuria dos homens e alguns de inveja e ciúmes das mulheres.




Ignorei-os e fui até o balcão; um garoto jovem veio todo sorridente até mim.




— Posso ajudá-la, querida? — ronronou.




Revirei os olhos.




— Começando por não me chamar por “querida”, não te dei essa liberdade. — disse rispidamente, com um pouco do ar que tinha guardado. Eu posso não ser mais tão “recém-criada”, mas tenho a mesma irritação de quando era. — Chame o gerente, quero falar com ele.




O sorriso dele desmanchou-se na hora.




— Ryan! — gritou.




Franzi a testa. Era assim que ele se dirigia ao seu Chefe?!




Logo um rapaz apareceu de lá dos fundos. Ele era um pouco mais velho que eu... Devia ter uns... 20 anos ou mais. Tinha os cabelos escuros e os olhos azuis claros. A pele era pálida – assim como muitos daquela cidade – mas não tanto quanto a minha, e seu rosto estava moldado num sorriso simpático.




— Posso ajudá-la? — perguntou educadamente.




Dei um meio sorriso.




— Eu vi uma placa lá fora de que vocês precisam de atendente, quero me candidatar a uma vaga. — disse. Eu não fazia idéia do que dizer, já que era a primeira vez que fazia isso na vida, mas dei o meu jeito.




O cara que falou comigo primeiro, deixou que algo caísse e logo o “Ryan” mandou um olhar repreensivo para ele.




— Acompanhe-me, por favor. — ele saiu de trás do balcão e seguiu até uma salinha no canto da lanchonete. Segui-o. Ele entrou na salinha – que parecia seu escritório – e sentou-se atrás de uma mesa. — Quantos anos você tem?




— Dezesseis. — respondi automaticamente. Droga, o restante de meu ar está acabando, logo vou ter que soltar a respiração.




Ele fez sinal para que eu me sentasse, mas antes de me sentar eu fui até a janela e a abri, aspirando um pouco de ar.




— Prefiro ficar em pé, obrigada. — para evitar te matar; completei mentalmente.




— Bom, com essa idade você já pode trabalhar aqui. Você tem alguma experiência?




Aspirei mais um pouco de ar.




— Não.




— Er... — ele encarou-me um pouco. — Bom, temos uma vaga para atendente e para garçonete. Uma garota veio aqui hoje mais cedo e acho que ela tem mais chances que você, por ter experiência em caixa.




— Posso ser garçonete. — respondi. Eu não me importava se seria difícil meu emprego, eu apenas queria parar de matar pessoas apenas para conseguir dinheiro. Já era suficiente matar por minha sede, não preciso de outro motivo.




— Ótimo! — ele sorriu. — Você está com seu currículo?




Droga! Droga! Droga! Eu tinha me esquecido deste detalhe. Como vou fazer um currículo se não tenho nem um lugar onde moro?!




— Posso trazer outro dia? — perguntei esperançosamente.




— Tudo bem.




Suspirei em alivio disfarçadamente.




— Qual o seu nome? — perguntou.




.




Ele esticou a mão para me cumprimentar, mas hesitei, não sabia se devia tocá-lo... Mas logo aceitei seu cumprimento. Ele estremeceu quando sentiu a temperatura de minha pele.




— Ryan Davys, é um prazer conhecê-la.




— Igualmente. — soltei minha mão. — Então, quando posso começar?




— Amanhã mesmo. — respondeu. — Seja bem vinda!




— Obrigada!




Sorri. Seria até bom ter um chefe tão legal e simpático.





Depois que comecei a trabalhar, o tempo passou rapidamente. Eu estava bem em meu emprego. Não reclamava de nada e tinha uma boa relação com meus colegas, até mesmo com aquele que me cantou no primeiro dia – cujo nome é David. Eu não sentia tanta vontade de atacá-los, estava até quase me acostumando com o cheiro deles. Minha garganta quase não ardia mais... Meu autocontrole estava cada vez melhor.




Eu inventei para Ryan que tinha alergia do sol, então toda vez que fazia sol, eu esperava até ele se pôr para ir trabalhar apenas algumas horinhas. E meus olhos eram cobertos por varias lentes. Uma boa parte de meu salário ia para minhas lentes.




Mas depois que comecei a trabalhar lá, por algum motivo, a movimentação aumentou e todos tiveram os salários aumentados. O que ajudou com que eu pagasse o hotel, comprasse roupas e lentes.




Minhas colegas de trabalho tentavam se aproximar mais de mim, mas eu logo cortava a amizade com elas; evitando algum tipo de aproximação. Mas conversava com todos normalmente.




O tempo foi se passando rapidamente, e logo alguns começaram a perceber o meu jeito estranho de ser. E como a cidade era pequena, estava ficando notável os assassinatos que eu estava fazendo e isso estava começando a preocupar muitos de lá.




Logo eu percebi, que já estava na hora de mudar de cidade. É claro que agora tudo será diferente, já que meu autocontrole está melhor, mas ainda demorará até que eu me acostume.




Pedi as contas na lanchonete, cancelei minha estadia no hotel, arrumei minhas coisas e fui para outra cidade.




Depois de meio ano naquela cidade, finalmente saírei de lá, apesar de que não estou com tanta vontade de fazer isso... Mas como é necessário... Bom, eu não quero revelar a ninguém o que sou e dar motivo para os Volturi me caçarem... Então tenho que continuar a viajar, quer dizer, arrumar outro lugar para morar. E a cidade da vez agora é... Forks. Bom, aí vou eu.






7. Novo lar




Foi realmente difícil partir da cidade que tanto tempo vivi. É claro que não vivi por lá tanto tempo quanto em Seattle, mas eu já havia me acostumado a viver lá. Eu havia gostado de viver lá...


Mas como um vampiro não pode viver por muito tempo em um local, eu não tive outra opção. Pois as pessoas iam começar a suspeitar que depois que me mudei para lá, começaram os assassinatos cada vez mais frequentes. E como aquela cidade era pequena... Bom, o melhor a se fazer era não arriscar e ir para outro lugar.


Forks, pelo o que eu sabia, era uma cidade como Hoquiam, era pequena e com poucas pessoas vivendo por lá, mas como eu ficaria por pouco tempo mesmo, não faria diferença...


Continuei a andar pela floresta, eu não estava andando tão rápido, pois não tinha pressa nenhuma. Então apenas andei quase que normalmente, enquanto escutava as musicas do celular com os fones no ouvido.


Eu preferia mil vezes viajar andando pela floresta do que de carro. A natureza era algo maravilhoso e era realmente bom senti-la com meus instintos mais aguçados. Agora, dentro do carro todo o aroma que eu conseguia sentir era o do humano que ficou muito tempo por lá – impregnando seu cheiro lá – e o da gasolina. Agora o da floresta... Não tinha comparação.


Fechei os olhos e comecei a andar lentamente, sentindo o sol atingir levemente minha pele – fazendo a mesma brilhar – e o vento acariciar meus cabelos – levando-os levemente ao alto.


Comecei a andar tão lentamente, que quando dei por mim, estava andando como um humano normal.


Suspirei e soltei a bolsa de viagem, com minhas coisas, no chão. Abri os olhos e parei para ver onde eu estava. Bom... Daqui de baixo não dava pra ver nada...


Subi em cima de uma grande arvore que havia na floresta. Eu precisava saber se ainda faltava muito para chegar à cidade...


Assim que cheguei ao topo rapidamente, olhei a minha volta. Era incrível a beleza daquele lugar. Eu podia ver a cidade, sim, eu estava perto. Mas não foi isso que ganhou minha atenção... Foi a nítida e linda paisagem que dominava o lugar. Forks era realmente um lugar maravilhoso, que eu finalmente cheguei!


Um sorriso abriu-se involuntariamente em meu rosto e eu continuei a observar cada detalhe daquele lugar. Meu novo lar. Pelo menos por algum tempo...


Depois de meu momento de deslumbre pela paisagem, desci da arvore e fui até as minhas coisas. Mas assim que me preparei para correr, algo duro se chocou comigo, jogando-me a metros de distancia, com o “ser” em cima de mim. Foi aí que senti o cheiro e decifrei o que era... Um vampiro.


Tentei me soltar, ou tentar virar meu rosto que estava sendo pressionado contra a terra – sujando meu rosto –, mas o “ser” manteve-se em cima de mim. Irritando-me profundamente.


Antes que eu pudesse evitar, senti a telecinética de minhas habilidades ser liberada inconscientemente e começar a arrancar as árvores do chão.


— Solte-me! — rosnei.


O idiota ou a idiota, pressionou mais forte meu rosto no chão, fazendo com que eu quase comesse a terra e a grama.


— Bella! Ela tem poderes! — rosnou o vampiro que estava em cima de mim. Oh, sim, era um vampiro. Então era O idiota.


Tentei levantar o rosto para dizer uma dúzia de insultos, pelo meu irritamento, mas o filho da mãe era muito mais forte que eu e até pressionou ainda mais forte meu rosto contra o chão.


Senti meus poderes perdendo a força e as arvores caírem no chão com um alto baque. Mas não entendi por que isso acontecia.


— Solte-a, Jasper! — disse outra voz.


— Ela pode ser perigosa. — disse ele.


Ele relaxou um pouco a pressão que estava fazendo e eu aproveitei para empurrá-lo com toda a minha força. Assim que ele caiu para longe de mim, levantei-me do chão furiosa, cuspindo a grama que entrou em minha boca.


— Argh! — gemi de nojo, enquanto continuava a cuspir. Se comida humana já é ruim, imagine terra?! Assim que terminei de cuspir tudo, virei para encarar os filhos da mãe que me atacaram. — Podem me dizer por que diabos fizeram isso?! — gritei com todas as forças dos meus pulmões. Eu estava muito irritada.


Olhei para os três vampiros que estavam junto a mim e paralisei. Eles eram diferentes. Os olhos deles eram... dourados? Bom, exceto uma, que tinha os olhos mais para um laranja bem avermelhado.


— Quem é você? — perguntou o outro vampiro. Ele, assim como o outro, tinha os olhos dourados, com as feições do rosto muito belas e o cabelo num tom estranho... Um castanho claro avermelhado ou sei lá o que... talvez num tom de bronze...


Continuei com a expressão incrédula em minha face e nem fiz menção em responder.


— Ela é recém-criada, Edward. — o outro disse. — Ela causará problemas aqui. Os lobos irão matá-la de qualquer forma. Vamos...


— Ela pode não ser perigosa. — a outra disse. Ela era igualmente bela, e tinha os cabelos compridos e escuros.


— De qualquer forma, não somos assassinos, Jasper.


O outro suspirou ao ouvir o de cabelo cor de bronze e encarou-me irritado.


— Quem são vocês?! — disse alto. Aquela enrolação toda já estava me irritando, mas para minha surpresa, uma onda de calma veio cobrir a de irritamento. Que estranho...


— Eu sou Edward. — o de cabelo de bronze disse. — Essa é Bella e aquele é Jasper. Somos os Cullen.


Observei os três vampiros por um momento. Era realmente estranho que toda a minha irritação tivesse sumido tão rapidamente.


— Vocês são um clã bem grande. — observei. No livro dizia que poucos convivem em grande número, apenas os Volturi.


— Em que livro viu isso? — perguntou ele, curiosamente.


Meus olhos se arregalaram e eu me afastei um passo. Mas que diabos?!


— Eu... Como... — tentei perguntar o que acontecia ali, mas estava surpresa demais. Eu por acaso disse isso em voz alta? Como eu não percebi que disse aquilo em voz alta? Não... Eu não disse...


Assim que ele abriu a boca para responder o outro disse primeiro.


— Não conte nada sobre nós, Edward. Não sabemos se ela é confiável.


Irritei-me novamente e forcei as minhas habilidades a tacar alguma coisa nele, mas não consegui fazer nada com meus poderes... Mas o que...?!


— Podemos lhe explicar tudo, sei que você é confiável. — Edward disse para mim. — Você já deve saber que alguns vampiros têm poderes, não sabe?


Eu assenti. Eu não diria a eles sobre meus poderes. Não era tão burra assim de sair falando meus poderes pra qualquer um.


Ele riu. Não entendi qual é a graça. Ele riu de novo. Cara estranho...


— Eu leio pensamentos. — respondeu ele, com um sorriso divertido. O outro vampiro estava parecendo levemente repreensivo com a atitude do outro, mas permaneceu calado. Logo reprimi meus pensamentos. Droga! Agora ele vai saber tudo o que eu penso. — Sim, eu vou... Bom, a Bella tem o poder de colocar um escudo ao redor dela e de quem ela quiser, protegendo-a contra qualquer poder vampiresco. Bom, acabamos de descobrir que ela pode retirar este escudo dela e colocar em qualquer lugar, já que ela prendeu você dentro de um escudo para que você seja incapaz de nos atacar.


Olhei-a incredulamente. Há! Então era por isso que meus poderes não estavam funcionando!


— Exatamente. — disse ele. Cara, isso já está começando a me irritar. Saia da minha cabeça!!! — Não posso. Não tenho um botão de desligar nos meus poderes. — revirei os olhos. — Bem, o Jasper — ele apontou para o outro vampiro. —, ele pode controlar as emoções das pessoas. Deixá-las nervosas, felizes, calmas e etc.


Ok, agora tudo está fazendo sentido... Exceto uma coisa.


— Ok, mas eu ainda não entendi por que vocês têm os olhos dessa cor aí! — encarei seus olhos. Eu queria ter o olho daquela cor. Era bem melhor que vermelho escarlate...


Ele riu levemente.


— É que nós caçamos animais ao invés de humanos.


Fiquei estática por alguns segundos.


— O que ela tem, Edward? — perguntou a vampira.


Sentei-me numa pedra e apoiei a cabeça nas mãos. Eu não acredito nisso!!


Como assim?! Que merda é essa?! Por que eu não pensei nisso antes?! Oh, meu Deus! Oh, meu Deus! Eu não acredito que matei todas aquelas pessoas tendo outra opção!


Apertei as mãos em meus cabelos e comecei a soluçar. A angustia veio com todas as forças, junto com o peso na consciência e o completo arrependimento.


Todas aquelas pessoas...


— Ela está percebendo tudo o que ela podia evitar ter feito se desde sempre tivesse o mesmo estilo de vida que nós.


Sempre teve outra opção... Eu que fui burra demais em não pensar nela... Eu podia estar vivendo normalmente agora, sem ter machucado ninguém... Não. Não. Não... Não...


Senti um corpo se aproximar do meu e apertei os olhos fortemente. Eu não mereço viver. Eu sou um monstro... Eu tenho que morrer para pagar as mortes que cometi...


Senti uma mão em meu ombro e virei-me rapidamente para encarar a pessoa. Era a vampira. Bella.


— Edward... Não podemos...? — ela deixou a voz sumir no final.


— Temos que ver com Carlisle.


Eu estava tão angustiada que nem fiz questão de pensar no que eles diziam. Apenas me rendi a dor. Assassina! Assassina! Assassina! É isso que você é... É isso que você sempre foi...


— Ainda há tempo de mudar. — respondeu Edward.


Olhei-o e percebi pelo seu olhar, que ele me entendia.


— Pode vir conosco? — perguntou Bella.


Virei meu olhar para ela, com alguns soluços ainda balançando meu corpo.


Assenti. Ela sorriu carinhosamente e ofereceu sua mão para me ajudar a levantar.


Edward pegou minhas coisas e Bella me puxou para segui-los, com Jasper vindo, ainda desconfiado, logo atrás de mim.



O caminho não fora tão longo e nem desconfortável. Na verdade, apesar de estar com vampiros que mal conheço, sei que posso confiar neles – já que eles confiaram em mim –, e correr na floresta sempre me fez bem, então isso aliviou um pouco a tristeza que tomou conta de mim. Mas só um pouco.


Eu os segui, calada. Mas eu não sabia para onde eles estavam me levando, e nem me importava. Sei que eles não me matariam, e se tentassem isso seria até bom para que eu pudesse pagar por todas as mortes que cometi...


O silencio se intensificou entre nós quatro, e nenhum parecia desconfortável com isso.


Seguimos por um caminho na floresta, pulando pelas pedras de um rio e chegando a um tipo de trilha. Senti o forte cheiro de vampiro por aquelas trilhas, e deduzi que eles deviam passar muito por ali. Apesar de que o cheiro não parecia ser deles... E havia outro aroma também, mas não consegui identificar.


Entramos no que parecia ser uma campina, e nem levantei meus olhos para observar o local, apenas continuei seguindo-os com os olhos baixos. A tristeza era muito grande...


Assim que eles pararam de andar para me encarar, foi então que percebi que havíamos chegado. Suspirei e levantei meus olhos para encará-los, mas meu olhar foi desviado rapidamente deles, para onde estávamos.


Havia uma casa ali. Não... Parecia como uma mansão. Agora eu percebia que aquela campina não parecia de fato uma campina, e sim um gramado. Que dava ao local, um ar mais gracioso e acolhedor. Nem de longe o que eu esperava de uma casa de um vampiro...


A estrutura da casa era antiga, sim, eu podia perceber que aquela casa poderia ter uns cem anos, e que fora somente reformada e modernizada. As paredes eram pintadas em um branco suave e desbotado – dando a casa um estilo clássico apesar de moderno; um estilo confortável. Apesar de ser uma mansão, ela não era grande em sua largura, somente em seu comprimento; ela possuía três andares, era retangular e proporcional, com uma varanda larga que contornava o primeiro andar. As janelas e as portas tinham uma restauração perfeita – em minha opinião – elas conseguiram deixar a casa num estilo moderno, mas sem perder o estilo clássico. A casa ou mansão era definitivamente, confortável para um vampiro.


É claro que não era o que eu esperava de uma casa para vampiros, mas como sou uma vampira, me imaginei vivendo num lugar como este. Toda a claridade do sol podia adentrar facilmente sobre as estruturas de vidro que havia sobre o lugar. E se eu brilhasse ali, era impossível que algum humano pudesse enxergar. Era um lugar seguro, onde eu podia ser eu mesma, sem me preocupar, sem a insegurança...


— É, nós também achamos isso. — disse Edward, lendo mais uma vez meus pensamentos.


Suspirei e esperei para que algum deles dissesse algo.


— Eu acho isso errado. — murmurou Jasper. — Nós já estamos em um bom número, depois do que aconteceu com os Volturi, eles desconfiariam que estamos aumentando nosso numero para planejar algum ataque contra eles.


Estremeci ao ouvir o nome “Volturi”.


— Ela precisa de nós. — respondeu Bella. Seu tom era determinado, enquanto encarava Jasper seriamente.


— Eu não estou entendendo nada... — murmurei com a voz esganiçada, como se o efeito do choro ainda estivesse ligado. — Por que não deixam isso pra lá e finjam que nunca me encontraram? Será mais fácil se eu continuar a minha vida do mesmo jeito que estava...


— Você não quer isso pra você. — disse Edward.


Suspirei.


— Que diferença vai fazer?! Eu já me tornei um monstro, eu já sou um monstro. E não adiantará nada... Eu já matei antes...


— Eu também. — respondeu Edward. Encarei-o incredulamente. Ele não disse que caçavam animais? — Jasper também.


Encarei Bella. De Jasper eu podia até esperar isso – pela a agressividade que me tratara – mas não me passou pela minha cabeça Bella matando alguém. Quer dizer, quando percebi que eles eram vampiros, isso foi inevitável, mas... Não sei, a personalidade dela não é a de uma assassina.


— Ela não matou ninguém. — respondeu Edward. — Venha!


Ele foi até as escadas da varanda e fez um sinal com a mão para que eu o seguisse. Assim como os outros, eu o segui em direção a casa, subindo os degraus rapidamente e adentrando a casa.


— Edward. — chamou Jasper.


— Ela não está aqui, não será necessário segurá-la. — respondeu ele.


Não entendi, mas não fiz questão de entender. Eles eram misteriosos demais...


— Você nem imagina o quanto. — Edward riu.


Revirei os olhos. Como eles conseguiam conviver com esse cara invadindo a privacidade deles o tempo todo?!


— Posso cuidar disso. — ele sorriu torto e olhou para Bella. Apenas um olhar que ele lhe dera, fez com que ela entendesse o que ele queria. — Bella colocou o escudo ao seu redor. Não lerei mais aos seus pensamentos.


— Ótimo. Uma coisa a menos com o que eu me preocupar. — suspirei. — Seja lá o que for que vocês forem fazer, façam logo.


— Carlisle está? — perguntou Bella.


— Eu ligarei para que ele venha. — respondeu Edward, colocando minhas coisas num canto da casa e saindo de nossas vistas em um flash.


Foi então que eu reparei na casa por dentro. O interior conseguia ser ainda mais surpreendente e perfeito. Era bem como eu deduzi que seria. Bem iluminado – por causa das janelas e portas de vidro. E os moveis eram todos luxuosos e caros. Não entendi muito bem como vampiros conseguiriam tudo isso. Quer dizer, eles não matam ninguém, então como conseguiram tudo isso? Então, em vez de matarem humanos, eles os roubam...?


Bella caminhou até o sofá e jogou-se lá. Seu corpo de pedra afundou no sofá fofo e – aparentemente – confortável. Ela suspirou e passou as mãos pelo cabelo, logo depois olhando para mim, e fazendo um sinal com a mão para que eu me juntasse a ela.


— Sinta-se a vontade, ainda vamos esperar Carlisle chegar. — disse ela.


Respirei fundo e aproximei-me hesitantemente até o outro sofá. Não que eu estivesse com medo de que houvesse alguma bomba ali, mas apenas por não me sentir confortável em me sentir a vontade. Sempre fui assim na casa de estranhos. E não deixaria de ser na casa de vampiros estranhos.


— Vamos ver o que está passando na TV. — disse ela, pegando um controle nas mãos e ligando a enorme TV de LCD que havia ali, passando pelos canais rapidamente.


— Ainda acho que Edward está agindo errado. — grunhiu Jasper, sentando-se ao lado de Bella. Que o encarou com a sobrancelha arqueada e com a expressão de desagrado. Ele suspirou. — Mas, mudando de assunto, quando você acha que Alice chegará?


— Das compras?! — ela riu. — Só dou graças a Deus por não estar junto, ela provavelmente ficará lá a semana inteira.


— Ou não. Rosalie foi junto.


— Mas Rosalie também gosta de compras. — disse ela.


— Mas ela fez Emmett ir junto. — disse ele, com um sorriso triunfante nos lábios.


Bella suspirou e revirou os olhos.


— Ok, está certo. Emmett não ficará tanto tempo por lá. Ele fará com que elas venham. — disse ela, suspirando. — Mas isso não importa. Eu só quero saber quando o meu bebê chegará! — ela choramingou.


Eu estava me sentindo uma intrusa ali, então apenas ignorei a conversa deles. Mas o pior era que não tinha como, meu cérebro captava cada som que eles omitiam.


— Edward não deixa que Jacob traga ela muito tarde, logo ela chegará. — disse ele, despreocupadamente.


Foi então que a ficha caiu e eu percebi uma coisa muito importante.


— Quantos vampiros fazem parte deste clã? — perguntei curiosamente.


Bella olhou para mim com um leve sorriso e Jasper me ignorou, começando a prestar atenção no que se passava na TV.


— Emmett, Rosalie, Alice, Esme, Carlisle e nós três.— respondeu ela. — Mas em total, somos 9.


Franzi a testa.


— Não. Em total é 8. Quatro casais, faça a conta. — eu disse, convicta. Pensei que todos os vampiros tivessem um cérebro superdotado...


Ela riu levemente e Jasper gargalhou.


— Há mais um — ela começou. —, mas não é um vampiro.


— O que?! — arfei. — Como assim? Vocês têm um humano com vocês?!


— Bom, não exatamente... — disse Edward, voltando. — Mas você entenderá quando vê-la.


— É uma garota? — perguntei, arqueando a sobrancelha.


Ele assentiu.


— Sim, o nome dela é Renesmee. — disse ela, com um sorriso carinhoso nos lábios, e uma certa reverencia ao falar o nome.


Arqueei a sobrancelha. Nome esquisito... Chegava até a ser engraçado, mas segurei a vontade de rir.


— Bom, é um nome... interessante. — eu disse, mas não era isso o que eu achava.


— Bella tem muita criatividade. — Edward sorriu torto e sentou-se do outro lado dela, abraçando-lhe os ombros. — Mas todos nós a chamamos de Nessie.


Aí não deu. Eu gargalhei. Uma risada alta e incontrolável. Fazendo com que Bella encarasse Edward com desagrado. Parecia até... o monstro do lago Ness! Nossa... Faz muito tempo que não gargalho desse jeito...


— O nome dela é Renesmee, Edward! — grunhiu. Segurei o riso. — Não Nessie!


Ele sorriu torto e Jasper riu.


— Pensei que já tinha aceitado o apelido. — murmurou ele.


Ela fez biquinho.


— Mas todos chegam a essa mesma conclusão quando ouvem o apelido dela. Maldito seja Jacob por lhe dar esse apelido!


Respirei fundo e finalmente consegui parar de rir.


— Por que você é tão super protetora com ela? São parentes? — perguntei.


Bella hesitou e olhou para Edward.


— Descobrirá em breve. — Edward garantiu. — Assim que os outros chegarem.



Não demorou muito para que ouvíssemos o som de um carro chegando na mansão. Eu até que estava bem a vontade com eles. Eles eram simpáticos e amigáveis e tudo o que eu perguntava eles respondiam de bom grado; exceto sobre Renesmee, que eles diziam que eu entenderia tudo quando a visse. Edward e Bella gostaram muito de mim, Jasper também pareceu gostar, mas ele ainda parecia meio temeroso em confiar em mim.


O baque de uma porta se fechando, fez com que parássemos de conversar e olhássemos para a porta, esperando para que ela fosse aberta.


— Eu queria comprar aquele vestido, Emmett! — uma voz irritada disse.


— É, mas não era você que estava carregando todas essas compras e esperando vocês levarem 2 horas para escolherem uma peça de roupa. — disse uma voz masculina.


— Esquece isso Alice, outro dia nós voltamos. — outra voz feminina.


Continuei encarando a porta, esperando para que alguém entrasse.


— Esperem! — murmurou a voz masculina. — Tem um vampiro aqui.


— Impossi...


— Sim, tem um vampiro aqui. Mas não parece um vampiro normal, não sei... Tem um cheiro mais fraco.


Bufei. Até meu cheiro era anormal.


— Mas é um vampiro.


Revirei os olhos. É claro que eu sou um vampiro!


Então eles empurraram a porta fortemente, ficando em posições defensivas; os três.


Encarei-os e eles me encararam. Todos eles tinham os olhos dourados. Um era alto e muito forte, com o cabelo escuro, mas com a pele pálida. Outra era baixa e tinha o cabelo curto, espetadinho e escuro. E a outra, era loira e linda. Provavelmente a vampira mais bela que eu já vi.


— Relaxem, ela é do bem. — disse Bella.


Eles suavizaram suas posições, mas ainda continuaram a me encarar. Mais especificamente, meus olhos.


— Eu sou Alice! — a baixinha veio até mim em um flash e me abraçou, puxando-me do sofá. Ela também possuía um sorriso radiante no rosto.


Senti-me desconfortável e não retribui ao abraço, apenas esperei para que ela me soltasse.


— Prazer em conhecê-la, Alice. — disse assim que ela me soltou. — Sou .


— Oh! Que nome lindo! — ela pulou animada.


Franzi a testa. Acho que ela só estava tentando ser agradável, não tinha nada de lindo em meu nome.


— Estamos esperando Carlisle. — disse Edward a eles.


Alice mandou-lhe um olhar duvidoso e Edward assentiu. Logo ela pulou animada e olhou para mim com um enorme sorriso no rosto.


— Eu sou Emmett. — disse o grandão, estendendo a mão num cumprimento.


Retribui ao cumprimento e forcei um meio sorriso. Essa situação toda está sendo muito desconfortável. Eu nem sabia o porquê de eu estar aqui!


— Prazer em conhecê-lo, Emmett.


Ele sorriu e soltou minha mão, juntando-se a Jasper no sofá e tomando-lhe o controle de suas mãos.


A vampira loira apenas me olhou com a testa franzida e passou por mim, indo para o sofá ao lado de Emmett.


— Ela já chegou? — perguntou á Bella.


Bella suspirou.


— Ainda não.


Sentei-me no sofá novamente e Alice sentou-se ao meu lado. Emmett mudou de canal e colocou num jogo de basebol.


Encolhi-me em meu lugar e pousei minhas mãos no colo. Assim que abaixei a cabeça, sentindo-me desconfortável ali, Bella e Alice logo fizeram questão de puxar assunto comigo para aliviar a minha tensão.



Eu estava me sentindo tímida. Eu não era assim, nunca fui, mas pela primeira vez na vida eu estava dando respostas curtas e me sentindo pouco a vontade ali. Talvez por ter vários vampiros desconhecidos ao meu redor... um enorme vampiro que pode me matar em segundos, um leitor de mente pra saber quando eu querer fugir, uma vampira que bloqueia meus poderes e dois vampiros loiros que parecem que não vão com a minha cara. Não tem como se sentir a vontade assim. Não nessa situação em que eu me encontro.


Escutamos o som de um carro chegando e logo todos ficaram em silencio. Ouvimos os passos sobre as escadas da varanda e logo eu prendi a respiração.


Eu não fazia idéia do que esperar. Eu não sabia como esse vampiro “Carlisle” podia ser, e o porquê de termos o esperado até agora. Ele devia ser uma espécie de “líder” do clã, o mais poderoso, o mais autoritário...


Por algum motivo, o vampiro estava demorando para entrar em casa. E isso só estava me deixando mais tensa – que até comecei a batucar meus dedos na perna nervosamente.


Foi então que a porta se abriu e um vampiro loiro entrou por ela. Ele não parecia nem um pouco com o que eu esperava. Mas tudo bem, esses vampiros já me surpreenderam demais por hoje.


Ele entrou com um sorriso no rosto, olhando para mim. Puxei o ar novamente para meus pulmões desnecessários.


Ele olhou para os outros vampiros com um sorriso terno no rosto e dirigiu-se até mim.


— Você deve ser . — ele esticou a mão para me cumprimentar e eu levantei do sofá para poder aceitar seu cumprimento.


— Sim, sou eu. E você deve ser Carlisle. — eu disse. Minha voz tremendo, mas mesmo assim passando confiança.


Ele parecia ser mais velho que os outros, mas apenas velho o bastante para parecer um irmão mais velho ou um tio.


— Edward me informou sobre você e sua situação. — disse ele, colocando sua maleta preta sobre uma mesinha. — E eu quero lhe fazer uma proposta.


Encarei-o sem entender.


— Que proposta? — perguntei.


Ele fez um sinal com a mão para que eu me sentasse novamente no sofá e eu o obedeci. Ele sentou-se ao meu lado e olhou-me seriamente.


— Edward me disse que você se arrepende de tudo que fez. Que você não queria ter matado todas aquelas pessoas que matou para se alimentar. — ele suspirou e pegou minha mão na sua. — Sempre há uma chance de recomeçar, . Você pode recomeçar do zero e esquecer esse episodio de sua vida. — franzi a testa. Os outros vampiros estavam em silencio olhando para nós. — Você sabe que nossa família é vegetariana, não sabe? — franzi a testa. Família?! Vegetariana? Eu não entendi por que um clã de vampiros se denominava uma “família”, e nem o porquê dessa classificação “vegetariana”. Mas assenti. — Queremos dar-lhe uma chance de recomeçar, mas a escolha é sua... Queremos que faça parte dessa família.


Franzi a testa mais ainda. Como assim família?! Eu ainda não entendi esse termo. Quer dizer, eu sei o que é família, mas por que eles estavam se denominando assim?!


— Como assim? Você quer me acolher? É isso? — perguntei.


Ele assentiu.


— Queremos que se junte a nós. Você pode fazer parte dessa família e viver como nós.


Abaixei os olhos.


— Isso não tem nada a ver com meus poderes, tem? — perguntei passando as mãos pelo cabelo. Lembrei-me das palavras de Jasper para Edward, estava claro que eles tinham um tipo de rixa com os Volturi, e é claro que seria muito útil alguém com poderes para ajudá-los...


— Poderes?! Oh, fala serio! Que poderes você tem? — Emmett perguntou animado.


Revirei os olhos. E Edward mandou-lhe um olhar repreensivo.


— Você está disposta a aceitar, ? — perguntou Carlisle, ignorando Emmett.


Suspirei. Eu não sabia o que fazer. Muito menos o que dizer a ele.


— Mas e se eu não conseguir mudar? — sussurrei. — E se eu não resistir?


— Você aprenderá a controlar. Todo nós já passamos por isso. — disse ele.


Olhei para todos os vampiros ao meu redor. Se isso era uma família, então era com se eu estivesse sendo adotada? E eles me querem em sua família? Não entendo...


— Vai baixinha. Nós não somos maus. — Emmett disse sorrindo.


Deixei meus olhos irem dele para os demais outros, avaliando suas expressões. Edward estava normal, parecendo apenas na expectativa para ouvir minha resposta, assim como Carlisle. Bella e Alice estavam ansiosas me olhando com um sorriso carinhoso. Jasper e a loira – que ainda não sei o nome – estavam indiferentes e Emmett estava – assim com Alice – animado.


Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, a porta se abriu e uma voz infantil gritou pela casa.


— Chegamos família!


Olhei para onde tinha vindo o som e vi uma vampira de cabelos cor de mel – que parecia ter a idade de Carlisle. E uma criança com sua mão colada na dela. Sorrindo felizmente, com os dentinhos branquinhos e perfeitamente alinhados. Ela tinha a pele branca, com um leve rosado nas bochechas e os cabelos caindo em ondas pelos ombros no mesmo tom de bronze que o de Edward.


Levantei-me assustada do sofá ao sentir seu cheiro e percebi o que acontecia aqui. Era uma criança imortal. Uma criança transformada.


Lembrei-me do que dizia no livro. Crianças imortais são proibidas... Eles quebraram as regras e os Volturi viriam para matá-los. Não posso estar com eles...


Afastei-me de Carlisle e olhei assustada para todos ali, que me encaravam confusos.


— Não posso fazer parte disso. — murmurei para eles, encarando a criança que me encarava confusa, mas que logo me ignorou ao avistar o sofá.


— Mamãe! — gritou ela, correndo numa velocidade inumana até Bella.


— Oi, querida. — disse Bella, dando-lhe um beijo na testa.


Observei aquilo sem entender. Como assim mamãe?!


— Podemos lhe explicar tudo, . — disse Edward.


Olhei para ele e só então percebi que ainda estava com os lábios entreabertos.


— Como? — perguntei. Olhei para a criança no colo de Bella e até me surpreendi com a beleza dela. Era exatamente isso que estava no livro, as crianças eram encantadoras... lindas a todos os olhos...


— Escute-a, verá que ela não é humana se escutá-la. — disse Edward.


Respirei fundo e fechei os olhos, concentrando-me na pequena menina. A sala ficou em pleno silencio, enquanto eu a escutava. O som de batimentos cardíacos acelerados ecoou por meus ouvidos e eu abri os olhos – completamente surpresa com o que ouvi. Então ela não era vampira... Mas a velocidade de seus batimentos não era comum para um humano... Nem a velocidade em que ela correra para os braços de Bella.


— Ela não é uma criança imortal. — respondeu ele, seu tom cauteloso. Deixei meus olhos deslizarem dela para ele. — Ela é uma hibrida.


Deixei minha memória vagar para as aulas de biologia e, através do manto negro, pude lembrar o que significava aquela palavra. É um ser originado de duas espécies diferentes.


— Do que? — perguntei, olhando-a mais calmamente. Os olhos castanho-chocolate dela me encararam com certo brilho, e logo eu já estava encantada pela pequena garotinha. Sem nem me importar com o que ela era.


— Bella e eu somos casados. E nós...


— Eles transaram enquanto Bella ainda era humana. — Emmett respondeu simplesmente, cortando a fala de Edward; que o olhava com desagrado. — O que fez com que Bella engravidasse dela.


Eu continuava a encará-la encantada, e logo um sorriso terno abriu-se em meu rosto, e ela retribuiu de bom grado um lindo e enorme sorriso com os dentinhos pontiagudos a mostra.


— Os Volturi não... farão nada a ela, não é? — perguntei temerosamente. Eu não deixaria que ninguém a machucasse... Ela era inocente demais...


— Os Volturi não farão nada a ela. — assegurou Bella, ao sentir sua filha estremecer em seus braços ao ouvir o nome da família real que impõe as leis no mundo vampirico. — Não farão nada a você, querida.


Bella deu outro beijo na testa dela e a apertou em seus braços.


Eu ainda estava encantada com a jovem criança e aproximei-me com passos cautelosos até ela.


— Posso segurá-la? — perguntei a ela.


Ela olhou para mim com um lindo sorriso e esticou os bracinhos em minha direção. Assim que fui para pegá-la, uma voz cortou meu movimento.


— Edward, ela pode machucá-la. — disse a loira.


Olhei-a sem entender e me afastei de Renesmee. Ok, estava claro que eles não queriam que a pobre garotinha estivesse em meus braços. Tudo bem que eu já matei muita gente, mas eu seria incapaz de machucá-la.


— Eu não irei machucá-la. — respondi.


— Concordo com Rosalie, Edward. Não sabemos o nível do autocontrole dela. — disse Jasper.


Bufei.


— O meu nível de autocontrole foi forte o bastante para que eu convivesse com humanos no mesmo ambiente sem machucá-los por meio ano. — respondi arrogantemente. Até que enfim agi como eu mesma aqui...


Emmett riu. Jasper bufou.


Olhei para Bella, pedindo permissão para pegá-la, e ela assentiu. Renesmee esticou os bracinhos em minha direção e eu abri um enorme sorriso ao pegá-la em meus braços.


— Você é tão linda. — murmurei para ela. Ela encarou meus olhos por um segundo e sorriu levemente. — Você consegue me entender?


Ela levou seus dedinhos ao meu rosto.


Sim, eu entendo. Sua voz ecoou em minha mente e eu arregalei os olhos. Como ela fez isso?! Foi ela que fez? O que... Aconteceu aqui?


— Ela tem poderes. — disse Edward.


Relaxei ao entender e sorri para Renesmee. Ugh! Apesar de Nessie ser um apelido engraçado, era – de fato – muito melhor do que Renesmee.


— Você se divertiu com Jacob, querida? — perguntou Bella à Nessie.


Ela sorriu largamente.


— Fomos à praia. — disse ela. Sua voz era clara e forte, nem aparentava ter 6 anos, parecia ter mais. — Encontramos Claire e Quil lá, e nós brincamos. — Bella sorriu para a filha, mas ela continuou a falar. — Mas aí Jakey ligou para avó Esme me buscar quando ouviu um uivo em La Push e Quil levou Claire pra casa.


Franzi a testa. Uivo? Não sabia que existiam lobos em Forks...


— Será que aconteceu alguma coisa? — Bella perguntou a Edward.


Ele deu de ombros.


— Talvez ele tenha sentido o cheiro novo de vampiro na área. — Edward disse e todos olharam pra mim. — De qualquer forma, temos que avisá-los que agora há mais um conosco... Não é, ?


Tomei um susto ao lembrar-me da proposta que Carlisle havia me feito a alguns minutos atrás...


— Sim. — respondi sem nem mesmo pensar. É claro que isso seria o melhor, e é claro que era o que eu queria...


Renesmee me abraçou fortemente.


— Bem vinda à família! — disse ela.


Surpreendi-me por ela ter entendido tudo tão facilmente, mas logo a apertei em meus braços e beijei levemente sua bochecha. Eu estava em meu novo lar agora. E com minha nova... Hã, família. Bem, posso me acostumar a isso.




8. Vegetariana




— Que demais! — exclamou Emmett ao observar as pedras do quintal levitar com a telecinética de meu poder.
Eu possuía um leve sorriso no canto de meu rosto, enquanto permanecia sentada no degrau da escada do hall da mansão, com Renesmee em meu colo. Eu sentia uma ligação forte entre eu e ela e era quase impossível ficar longe dela. Eu simplesmente não resistia àquela carinha encantadora. Mas o mais estranho nisso era que eu não gostava muito de crianças quando humana; quer dizer, eu gostava, mas não demonstrava tanto fascínio como para Renesmee.
Ela pulou de meu colo até onde havia um pequeno jardim no quintal, com um sorriso encantador na face.
Nos poucos instantes em que estive com Renesmee, pude perceber algumas diferenças dela para os vampiros e humanos. Seus olhos não mudavam o tom da íris de acordo com sua alimentação; mas, de acordo com Edward, ela prefere sangue à comida humana, mas alimenta-se dos dois. Sua pele é dura como a dos vampiros, mas a temperatura é quente; como uma chama ardente; e sua pele reluz levemente quando exposta o sol, mas não o bastante para que os humanos possam perceber, pois é um brilho quase que imperceptível. Seu coração bate e funciona perfeitamente, mas é em um ritmo acelerado incomum. Sua voz, sua aparência e capacidade mental, são como os dos vampiros; ela é encantadora e deslumbrante aos olhos de qualquer um, assim como os vampiros; sua voz é forte e apenas um pouco infantil para a idade que aparenta ter; e sua mente consegue absorver tudo com clareza, ela consegue aprender tudo apenas com uma explicação, assim como consegue acertar em tudo na primeira tentativa. Ela é – realmente – única.
Observei-a, enquanto ela tentava alcançar as pedras que levitavam ficando nas pontas dos pés, e quando percebia que sua tentativa era inútil, dava um salto e apanhava a pedra, soltando-a logo em seguida, gargalhando com sua risada melódica e infantil.
— Levante as flores, ! — ela disse animada. Eu sorri. Os Cullen até acharam estranho que Renesmee também tenha gostado de mim facilmente, mas não diziam nada, apenas ficavam felizes com a animação e interação da pequenina comigo.
— Acho que Esme não gostará que eu arranque as flores de seu jardim. — tentei convencer Renesmee e ela assentiu pensativa.
Emmett estava em pé ao meu lado, observando atentamente cada movimento que eu fazia com meus poderes. Ele parecia-me eufórico com um poder que era igual ao daquela ruivinha do “x-man”. Então ele começou a dizer que agora eles têm uma Jim Grey completa, que era a junção do meu poder e o de Edward. Toda vez que ele dizia isso eu revirava os olhos numa reação inconsciente e ria logo em seguida. Era incrível o quanto eu já me sentia a vontade com eles em apenas um dia.
! — Nessie chamou-me. Olhei-a com um sorriso carinhoso nos lábios. — Pode me fazer voar?
Sorri marotamente. Eu sabia que levitar Renesmee seria fácil e não exigiria esforço algum, mas decidi enganá-la um pouquinho.
— Não sei, estou um pouco cansada. Não sei se consigo. — murmurei fingindo um bocejo e descendo as pedras do ar.
— Ah! Como pode estar cansada se é uma vampira? — disse ela, fazendo biquinho e cruzando os braços, fazendo com que Emmett risse ao meu lado em conjunto comigo.
Arqueei a sobrancelha e logo ela estava no ar. Ela soltou um gritinho de animação e começou a rodopiar no ar como uma bailarina. Sorri com isso e voltei a pensar, enquanto deixava-a brincando no ar.
! — chamou-me Edward. — Pode vir aqui, por favor?
Ele estava na sala de estar dentro da mansão. Bom, a diversão da pequena durou pouco. Assim como o momento que reservei para meus devaneios.
Levantei-me do degrau e trouxe Renesmee até mim levitando. Ela riu e esticou os bracinhos para mim. Peguei-a nos braços e ela logo enlaçou os seus em meu pescoço, abraçando-me carinhosamente.
Eu adorei voar, ! Eu gosto de correr, mas voar superou tudo! Obrigada! Ouvi sua infantil voz melódica soar pelos meus pensamentos e sorri com isso.
— De nada, Ness. — sorri.
Entrei na sala com ela em meus braços e Bella logo sorriu ao nos ver.
— Vejo que vocês duas se deram muito bem! — disse ela. — Já estou começando a ficar com ciúmes, Nessie.
Bella fez uma falsa cara triste e Renesmee levantou a cabeça de meus ombros para sorrir carinhosamente para ela.
— Tem espaço para todos aqui! — ela apontou para seu coração e eu não consegui controlar um sorriso que se formou em meu rosto. Ela conseguia ser tão encantadora...
Entreguei-a á Bella e encarei Edward, esperando que ele dissesse o que tivesse que me dizer.
— Creio que faz algum tempo que você não se alimenta. — ele deduziu e eu assenti, sentindo uma leve ardência na garganta manifestar-se. Toda vez que eu pensava na sede ela queimava minha garganta, mas com o passar do tempo aprendi a suportar um pouco; o que facilitou muito em minha convivência com humanos. — Seu processo para mudar de alimentação, será longo e muito difícil. Vai exigir muito autocontrole de sua parte.
— É, eu já esperava por isso. Nada é fácil e tudo exige esforço. — eu murmurei e ele assentiu.
— Bella e eu iremos caçar daqui a pouco e você nos acompanhará, tudo bem?
Assenti. Eu já estava prevendo que o gosto do sangue de animais não seria tão bom quanto humano, mas pelo menos não teria peso na consciência na hora de me alimentar.
— Vamos sair de Forks ou caçar por aqui mesmo? — Bella perguntou, havia excitação em seu timbre de voz.
— Estava pensando que o gosto de leões da montanha seria melhor para a primeira vez de , já que ela está acostumada com a alimentação... mais saborosa.
Bella pareceu animada, mas eu apenas arqueei a sobrancelha curiosamente. Então leões da montanha são mais saborosos? Existe variações de gostos entre os animais? Interessante...
— Vocês vão ficar longe por muito tempo? — Nessie perguntou a Edward.
— Vamos apenas caçar, querida. Sabe que é necessário para nós. — Edward respondeu, como que para mostrar a filha que aquilo era necessário e que mais cedo ou mais tarde ela teria que aceitar isso.
— Tudo bem, papai. — ela murmurou e olhou para sua mãe, colocando seus dedinhos delicadamente sobre o rosto de mármore de Bella.
— Eu não sei se Jake virá hoje. Ele está ocupado. — Bella respondeu e Nessie franziu a testa. — Por que não liga para ele? Acho que ele já deve estar em casa.
Ela sorriu e desceu do colo de Bella, subindo correndo as escadas e pegando o telefone. Podíamos até ouvir sua respiração acelerada pela ansiedade de falar no telefone com o tal Jacob. A todo o momento em que eu falara com ela hoje, ela sempre falava alguma coisa sobre esse Jacob, era até como se ele fosse a pessoa mais importante de sua vida, ou pelo menos, uma delas. Eu não sabia o que esse Jacob era. Edward me garantiu que ele não era humano, mas não me garantiu que era vampiro, apenas disse que ele me explicaria depois, pois era muito complicado, então eu assenti e o assunto deu-se por encerrado.
— Jakey! — ela gritou no telefone quando pareceu que ele atendeu. — Senti sua falta!
Desviei meu olhar de onde ela havia sumido e olhei para Edward.
— Então... Eu caçarei meu primeiro leão da montanha hoje? — perguntei animada. De certa forma, parecia excitante, como um desafio!
— Você não é a única. — respondeu ele e eu segui seu olhar até Bella. Franzi a testa. — Ela foi transformada a pouco tempo e com a ameaça dos Volturi, ela não queria se separar de Nessie, então apenas caçava por aqui.
Carlisle havia me explicado que os Volturi pensaram que Nessie era uma criança imortal e que isso causou uma grande confusão, mas por algum motivo, eu tive a impressão de que ele estava ocultando alguns fatos. Como o porquê dos Volturi terem desistido tão facilmente se estavam em maior numero... Um tanto estranho, mas se ele não queria contar, eu não o forçaria.
Olhei para Bella sorrindo marotamente.
— Aposto que eu pego o maior! — eu disse e ela gargalhou sarcasticamente.
— Apesar de você ser mais velha, eu sou mais experiente com animais! — ela disse triunfantemente.
Eu sorri maliciosamente.
— Veremos. — eu disse desafiadoramente e ela sorriu largamente.
Os passos de Nessie fizeram eco pelo andar de cima e logo ela desceu rapidamente as escadas e se jogou nos braços de Edward fazendo biquinho.
— Posso ir com vocês? Jake não vai vir. — ela fez uma carinha tão linda, que por um instante pensei que Edward não resistiria, já que ele sorriu docemente para a filha.
— Seria ótimo se você viesse. — ele disse e ela sorriu largamente. — Mas, infelizmente, não pode. Já está tarde e você tem que dormir. Aliás, pode ser meio perigoso.
— Sou mais durona que leões da montanha! — ela fez biquinho e cruzou os braços, nos fazendo rir.
Edward beijou a ponta de seu nariz delicadamente e sorriu torto.
— Não é isso, querida. É que os vampiros ficam um pouco fora de controle enquanto estão caçando, rendem-se ao instinto... — ele olhou para mim. — ainda é nova para se controlar e você tem sangue em suas veias.
Impressionei-me por Edward contar toda a verdade sem ocultar os fatos para uma criança, mas a cara de compreensão que Renesmee fez logo em seguida me fez retirar todos os meus pensamentos. Ela era muito madura para a idade que aparenta ter.
— Diga a Rosalie para lhe dar um banho antes de dormir, está fedendo a cachorro. — disse Edward, fazendo uma careta. Franzi a testa. Acho que ele estava brincando com Renesmee, pois não senti nenhum cheiro de cachorro quando ela estava em meu colo. Ele olhou para mim, confuso. — Bem, isso é estranho, . Mas garanto que entenderá isso depois.
Dei de ombros e caminhei até Renesmee, dando um beijo estalado em sua testa e sorrindo carinhosamente para ela.
— Boa noite, princesa! — disse e ela sorriu.
— Queria tanto ir com vocês. — ela fez biquinho.
Torci os lábios. Pena que essa decisão não dependia de mim.
— Pense positivo, Ness! — tentei animá-la. — Quem sabe eu não tenha bom autocontrole e você possa vir sem correr riscos da próxima vez?
Ela sorriu fraco e eu fiquei de pé, olhando para Bella e para Edward, esperando-os.
— Estão esperando o que? — perguntei, já na porta da saída.
Eles sorriram largamente, despediram-se de Nessie e correram atrás de mim.
Como eu não sabia em que direção ir, deixei Edward me ultrapassar para que eu pudesse segui-lo.
Ele bufou.
— Até parece que você me deixou passar. — ele revirou os olhos.
Estreitei os olhos e apertei o passo, ficando ao seu lado facilmente.
— Deixei sim. — disse arqueando a sobrancelha e ele bufou.
— Só por que você bebe sangue humano e está mais forte. Mas eu sou o mais rápido de toda a família!
— Pelo visto, vai deixar de ser! — provoquei. Sempre adorei irritar os outros. Mas se alguém me irritasse, aí era outra conversa.
— Enquanto tiver sangue humano em seu corpo, você não pode dizer nada. Portanto, eu sou o mais rápido!
— Não é!
— Sou sim!
— Não é!
— Ei, ei, vamos parar com a briguinha infantil! — Bella bronqueou, segurando o riso. — Faria vocês se sentirem melhor se eu dissesse que sou mais lenta que os dois?
— Sim. — murmuramos em uníssono e nós três rimos logo em seguida.

Corremos por um bom tempo, apostando corrida e rindo por todo o caminho. Pela primeira vez desde que fui transformada, eu não estava me sentindo solitária. Eu podia ainda não considerá-los como família, mas com certeza eles já eram meus amigos; e com o passar do tempo, quem sabe, eu me acostume com essa idéia de família.
Senti-me bem e relaxada ao correr. Sentia todos os membros de meu corpo alongar-se ao correr, sentia o aroma da natureza entrar e sair por minhas narinas e o ar puramente limpo encher meus pulmões desnecessários e limpá-los. O vento chicoteava contra minha pele e levantava meus cabelos a medida que eu aumentava a velocidade para ultrapassar Edward. Tudo bem, ele é realmente mais rápido que eu.
Ouvi sua gargalhada alta ecoar pela floresta e revirei os olhos.
— Bella... — gemi baixinho e ela riu. Ela sabia exatamente do que eu estava me queixando. Que ela estava deixando o marido dela invadir meus pensamentos!
Bella piscou para mim e eu sorri satisfeita. Pensamentos seguros agora!
Corremos por mais alguns minutos em direção ao norte, então Edward parou subitamente e olhou para mim, indicando com a cabeça que havia alguma presa naquela direção. Que ele e Bella deixariam para mim.
Franzi a testa ao perceber que não sentia um cheiro tão forte assim. Será que o cheiro do sangue dos animais não é tão forte quanto os dos humanos ou tinha algo de errado com meu olfato aguçado de vampiro?
Assenti para eles e caminhei, forçando meu olfato ao máximo para seguir o cheiro. Não estava sendo tão difícil rastrear o cheiro, mas era uma sensação estranha não conseguir sentir muito bem o odor de algo. Lembrei-me do que Edward dissera, que Renesmee tinha sangue em suas veias. Em momento algum eu senti o cheiro de seu sangue, apenas o doce aroma de sua pele. Será que tem algo errado comigo?
Edward deu um cutucão em minha costela e eu logo percebi o que ele queria dizer. Eu estava distraída num momento de concentração.
Parei de correr e fechei os olhos, aguçando meus sentidos. Podia ouvir as respirações desnecessárias dos dois vampiros ao meu lado e concentrei-me por ir mais a fundo em meus sentidos. Como estava sendo um pouco estranho trabalhar com o olfato, eu trabalharia com a audição.
Eu podia ouvir cada barulho da floresta. Do mais leve e silencioso, ao mais grave e estrondoso. Podia ouvir as formigas andando pela terra, podia ouvir serpentes rastejando pelo chão, podia ouvir as folhas das arvores se mexendo com o vento, podia ouvir os passarinhos assoviando a quilômetros de distancia, e – finalmente – pude ouvir o coração de minha presa. Com a respiração acelerada, como se estivesse esperando o pior, caminhando com passos pesados sobre o chão.
Sorri felizmente e abri os olhos, correndo com toda a leveza e velocidade para pegar minha presa. Concentrei minha audição apenas em seus movimentos, tomando todo o cuidado para que não fosse possível que ele me escutasse chegando perto.
Quando a distancia torno-se menor entre nós, pude sentir o cheiro de seu sangue surgir por minhas narinas. Não era tão ruim quanto imaginei. Depois de algum tempo apenas consumindo sangue de pessoas drogadas e doentes, sangue de um animal quase não faria diferença.
Senti um rosnado formando-se em minha garganta, mas o segurei, apenas aproximando-me cautelosamente do enorme leão da montanha a minha frente. Ele virou sua enorme cabeça em minha direção e rosnou pra mim.
Projetei um rosnado, sem nem mesmo perceber, mais alto que o seu e ele saiu apressado na direção oposta a mim.
Senti o instinto dominar minhas ações e corri atrás dele. Não demorou muito para que eu o alcançasse e o derrubasse facilmente. Ele debatia-se em meus braços, mas consegui imobilizá-lo facilmente. Meu tamanho para o seu era uma diferença tão grande que me prendeu uns minutos apenas observando.
Senti a sensação de adrenalina surgir por meu corpo e sorri triunfantemente quando consegui imobilizá-lo totalmente, fazendo com que ele apenas rosnasse furiosamente, mas não conseguisse se soltar.
Então, numa ultima ação, cravei meus dentes no pescoço peludo do animal. Era tão fácil quanto morder um humano, mas a sensação de repulsa ao sentir seu pelo em minha boca foi inevitável; mas, quando meus dentes atravessaram a camada de pelo, chegando rapidamente aonde eu queria, qualquer sensação de repulsa desvaneceu-se totalmente. Apenas fechei os olhos e não prolonguei muito o momento. Senti o veneno fazendo efeito em seu corpo, fazendo com o que o animal parasse de se debater e relaxasse os movimentos, enquanto eu sugava-lhe seu sangue.
O sangue era quase como o de um humano, só que em um gosto mais fraco; mas consegui aliviar a ardência que a sede causava em minha garganta. Assim que terminei, senti-me totalmente satisfeita; pois o tamanho daquele animal era enorme, então...
Levantei-me de cima do animal e limpei a boca com as costas da mão, cuspindo alguns pelos que haviam ficado em minha boca, fazendo careta logo em seguida.
Observei Edward e Bella caçando. Eles caçavam tão graciosamente, que até senti-me envergonhada. Olhei para minha roupa e percebi que ela estava suja de terra, grama e pelo. Bufei irritada. Pensei que já tinha passado dessa fase!
Edward e Bella terminaram juntamente e olharam para mim, como se esperassem que eu dissesse algo.
Dei de ombros.
— Estou satisfeita! — murmurei rindo e eles sorriram.
Logo eles me mostraram como fazer depois de uma caça. Cavando um pequeno buraco e jogando o corpo do animal lá dentro. As pessoas achariam estranho se encontrassem animais mortos sem um pingo de sangue, com apenas uma ferida no pescoço, então eles precaviam.
— O que achou? — perguntou Bella, assim que terminamos.
— Não é tão ruim. — sorri marotamente. — E foi divertido quando ele tentou lutar. Com os humanos tudo é muito fácil, agora com os animais podemos brincar e nos divertir um pouco antes de nos satisfazer. — olhei para Bella que ria divertidamente e lembrei-me de algo quando olhei para seu leão da montanha. — Aliás, dona Bella, eu peguei o maior. Eu ganhei!!
Ela revirou os olhos e deu com a língua.
— Estou começando a achar que você se dará bem com Jacob, são parecidos em vários aspectos. Ambos gostam de Nessie e são competitivos.
Franzi a testa confusa.
— Por que ainda não conheci esse famoso Jacob? — perguntei. Até pensei em pedir para Nessie me mostrar quem e como ele era com seu dom, mas agüentei a curiosidade e decidi esperar pacientemente.
Bella e Edward entreolharam-se.
— Você o conhecerá logo. — garantiu Edward. — Só espero que não dê confusão.—o tom da voz de Edward diminuiu gradativamente, tornando-se apenas um murmúrio muito baixo, como se ele tivesse dizendo isso para si mesmo. Deixando-me levemente desconfiada.

A volta pra casa não foi tão divertida quando a ida. Pois fiquei tão pensativa com o que eles disseram, que mal liguei para as brincadeiras que eles estavam fazendo. Eu só queria entender o porquê de tanto suspense. Quem diabos é Jacob afinal?!
Chegamos à mansão de madrugada e, como previsto, Renesmee estava dormindo. Então apenas fiquei com os Cullen na sala de estar, enquanto Edward e Bella iam para o chalé deles aproveitarem que ela estava dormindo. Tudo bem, prefiro não pensar no que eles devem estar fazendo a esse momento. Ugh!
Assim que cheguei à mansão, Alice veio correndo até mim e – sem mais nem menos – levou-me para um cômodo do andar de cima.
— Esme fez algumas mudanças e transformou o antigo quarto de Edward num mais feminino. Com minha ajuda, é claro! — ela disse sorrindo animadamente. Ela abriu a porta do quarto e, praticamente, me empurrou pra dentro dele. — Esse é o seu quarto!
O quarto dava para o sul, com uma janela de parede inteira; com uma cortina de cor creme ao lado, num tecido delicado e fino. O quarto tinha uma vista incrível para o sinuoso rio Sol Duc. Além da vista das enormes montanhas, que ficavam bem perto daqui.
As paredes eram pintadas, de um lado, num creme suave e delicado, e no outro, um branco desbotado que trazia ao quarto uma sensação aconchegante.
Na parede oeste havia uma escrivaninha, com espaço para colocar alguns objetos e com um notebook sobre ela. No canto, havia um sistema de som sofisticado. Em outro canto do quarto havia um sofá de couro, largo e preto. E uma cama colossal tomava conta do espaço central do quarto.
O edredom sobre a cama era de um tom creme claro, com alguns detalhes dourado opaco – combinando perfeitamente com a cortina delicada –; a estrutura da cama era preta, de ferro, com um estilo complicado. Rosas de metal esculpidas subiam em gavinhas pelos altos postes e formavam uma trama frondosa.
— Aqui — Alice caminhou até a parede oeste e sorriu para mim. —, ficavam os CDs de Edward. Mas quando ele mudou-se para a outra casa, ele os levou, então Esme pensou no que poderia transformar esse pequeno espaço para lhe agradar. — ela sorriu novamente. — É claro que ela não teve muito tempo para fazer tudo do jeito que queria, mas deixou de um modo que você pode mudar depois se quiser. Você pode colocar suas coisas pessoais sobre essa escrivaninha. — ela passou a mão sobre a escrivaninha e abriu o notebook. — E como você é jovem, Carlisle ofereceu seu notebook para você já pensando que você possa gostar de usar a internet. Se você não gostou de alguma coisa aqui...
— É perfeito! — consegui dizer, interrompendo-a. Eu estava completamente deslumbrada. Nem o meu antigo quarto, quando eu era humana, era tão perfeito, tão moderno, e tão... meu estilo. — Mas Carlisle não precisava abrir mão de seu notebook e nem Esme precisava fazer tudo isso. Estou acostumada a coisas simples.
— Você pode mudar o que você quiser nele. É seu quarto agora. E pode ir se acostumando ao luxo, agora sua vida será assim! — ela sorriu tão largamente em seguida, que se ela não fosse vampira eu teria certeza de que machucaria suas bochechas. Ela pegou minha mão e me levou até uma porta no quarto. — Isso aqui é obra minha! — ela abriu o closet e minha boca abriu-se inconscientemente ao olhar. — É claro que essas são apenas algumas roupas que Bella não quer usar e que eu coloquei aqui, mas não se preocupe, essa semana mesmo faremos compras pra você!
Encarei-a de boca aberta. Já não bastavam as roupas que estavam ali, ela queria comprar mais?
— Não preciso de mais roupas, eu trouxe as minhas. — respondi, ainda sem conseguir desviar os olhos do closet. As roupas não faziam tanto o meu estilo, mas eu tinha que admitir que eram perfeitas! Elas provavelmente eram do tecido mais caro e delicado e cada detalhe parecia que um estilista fez especialmente para aquela roupa. Como se fosse modelos únicos ali.
Alice revirou os olhos.
— Eu doei aquelas roupas junto com as nossas para a caridade se não se importa. Você é uma Cullen agora, não pode usar roupas daquele jeito.
Franzi o cenho.
— Não tinha nada de errado com minhas roupas!
— Você se veste um pouco melhor do que Bella, mas ainda não se veste bem. Vai por mim, aquelas roupas não combinam com você.
Revirei os olhos e resolvi não discutir, estava claro que ela insistiria naquele assunto até que eu me desse por vencida. Observei o quarto novamente e meus olhos pousaram demoradamente na enorme cama centralizada no quarto.
— Ainda não entendi o porquê da cama. — murmurei. Afinal, já havia um sofá ali, não havia necessidade de cama sendo que não durmo.
Alice deu de ombros.
— Bem, todos nós temos camas. Edward era o único que não tinha, mas após conhecer Bella...
— Ok! Já entendi! — disse, interrompendo-a. Eles tinham camas para “dividi-las” com seus parceiros. Mas não havia necessidade disso para mim, eu não tenho parceiro e depois do que aconteceu com Riley, vou demorar um pouco para render-me aos encantos de um ser do sexo masculino. Não que eu vá jogar para o outro time, mas apenas dar um tempo em relacionamentos, apesar que aquilo que vivi com Riley nem chegara perto de ser um relacionamento já que eu estava sendo usada... Ok, mudando de assunto! Já estou começando a ficar irritada com esses pensamentos e essas lembranças.
— Esme não sabia se você fosse querer cama. E, bom, nunca se sabe... — Alice deu de ombros e sorriu.
Se eu fosse humana, estaria corando agora com seu olhar. Ela podia ser pequenininha, mas era muito maliciosa.
— Agora, tome um banho e se troque. Estaremos esperando você lá em baixo.
Ela saiu em um piscar de olhos do quarto e eu suspirei olhando para todas aquelas roupas. Pra que tantas?

Fiz o que Alice disse. Escolhi a roupa mais simples do closet – uma missão quase impossível – e deixei sobre a cama, entrando no banheiro logo em seguida. Tomei um banho demorado e relaxante; deixando a água morna deslizar por meu corpo e assim que terminei, enrolei-me na toalha e fui até a cama colocar a roupa que escolhi.
Era uma calça jeans escura, uma blusinha de um tecido delicado de cor bege e um sapato de salto alto – se me lembro bem, o nome do sapato é scarpin – coloquei-o e tentei equilibrar-me em seus saltos, de mais ou menos 15 cm. A ultima vez que eu tinha usado um salto, fora no baile de primavera da escola, onde eu fui – praticamente – obrigada a usar um vestido e um sapato de salto alto por minha amiga, para acompanhar o Josh na festa. Ele era um dos caras mais lindos e populares da escola – um completo idiota –, mas como ele me pediu para acompanhá-lo e como minha amiga não me deixou negar, eu fui obrigada a aturá-lo durante toda aquela festa, com aqueles malditos sapatos apertando meus pés!
Pelo menos agora que eu era vampira os sapatos não incomodavam tanto e não era tão difícil me equilibrar neles. Ok, até que dá uma ótima sensação usá-los, mas vou usar para outra ocasião.
Procurei por algum sapato decente naquele closet e eu tive que revirá-lo de cabeça pra baixo para achar um tênis. Suspirei baixinho e coloquei o tênis preto e cheio de detalhes. Podia ser um tênis, mas era tão detalhado que mal parecia.
Passei a toalha rapidamente pelos cabelos e os deixei meio molhados, passando uma escova rapidamente por cima. Já que ele era liso, não precisava de tanta dedicação.
Desci as escadas em um flash e me juntei aos Cullen na sala, jogando-me no sofá ao lado de Emmett e Esme.
Estava passando um jogo, mas o volume estava tão baixo, que se eu fosse humana, não estaria ouvindo um som sequer, mas como éramos vampiros, ouvíamos tudo perfeitamente sem esforço algum.
— Você só sabe assistir jogo?! — indaguei para Emmett e tomei o controle de suas mãos.
— Ei! Já está soltando as asinhas, hein! — ele disse irritado e eu ri.
Joguei o controle para as mãos de Alice e ela olhou-me com a testa levemente franzida.
— Escolhe um canal melhor para nós, por favor. — implorei. Eu não me sentia a vontade para mudar de canal, mas Alice tinha autoridade naquela casa. Pelo menos, sobre Emmett ela tinha, além de Rosalie é claro.
Ela tirou os olhos da revista feminina que via e mudou de canal, colocando em um canal de moda.
Bufei. Eu disse “melhor”, não mais chato.
Emmett estreitou os olhos pra mim e eu sorri amarelo.
— Ok, baixinha, vamos fazer alguma coisa. — Emmett puxou-me do sofá e me jogou sobre uma cadeira, com uma mesinha a frente dela.
Encarei-o sem entender, mas antes que eu pudesse perguntar ele sumira de minhas vistas e voltara com um enorme tabuleiro.
— Sabe jogar xadrez? — perguntou Emmett, sorrindo torto.
Arqueei uma sobrancelha e sorri largamente.
— Se eu sei? — perguntei com sarcasmo. — Ganho fácil de você!
Ele revirou os olhos.
— Você que pensa! Eu sou o melhor dessa casa! — ele disse rindo.
— Mentira! — Alice gritou pra mim. Mas não havia necessidade de gritar, somos vampiros... — Ele perde pra todo mundo!
— Pelo menos eu sou o único que ganha justamente!
Jasper aproximou-se perto de nós e sorriu divertido.
— Ela está falando a verdade, . Nem mesmo da Nessie ele ganha.
Eu ri e Jasper acompanhou-me, com Emmett fechando a cara logo em seguida. Percebi que Jasper não estava mais com aquela expressão desconfiada e receosa. Era como se ele finalmente tivesse me aceitado. Bom, até que foi bem rápido, pensei que ele me odiaria por mais tempo.
— Vamos lá grandão, mostre-me o que sabe fazer! — murmurei divertidamente.

Percebi a luminosidade do sol manifestar-se pelas janelas e percebi que aquele jogo demorou mais do que o necessário.
— Vai logo Emmett! — Alice urrou irritada. Ela e Jasper estavam assistindo a partida e não estavam agüentando mais a enrolação de Emmett.
Ele demorava tanto, que comecei a entregar o jogo na esperança de que acabasse logo. Mas ele demorava tanto para ver as jogadas obvias que era como se estivéssemos no mesmo.
— Ah, rá! — urrou ele, deixando sua rainha em uma posição para capturar meu rei. Estava em “xeque”. — Toma essa! Xeque!
Revirei os olhos e mexi minha peça. Coloquei meu rei de um modo que ainda dava para ele capturá-lo e ele gargalhou triunfantemente.
— Xeque mate, baixinha! — ele gritou jogando com força a peça no chão, fazendo com que ela quebrasse.
— Meus parabéns, Emmett! Você é muito mais esperto que eu! — eu disse revirando os olhos. Ele nem mesmo percebera que eu havia entregado o jogo. Mas deixe as coisas como estão, se não ele irá querer revanche. Tenho certeza que o jogo seria mais interessante com a Nessie do que com ele.
— Acordei! — uma voz infantil e fina soou pela sala e todos nós viramos para ver Renesmee, vestida com um vestidinho rodado rosa bebê, com os cachos caindo em mechas por seus ombros, com uma tiara sobre sua cabeça. — Jake já chegou?
Esme pegou-a nos braços e beijou sua bochecha.
— Garanto que ele virá vê-la hoje, mas você tem que entender que ele tem responsabilidades, querida. — murmurou Esme.
— Mas eu queria caçar com ele hoje. — ela murmurou tristemente, fazendo biquinho.
— Acho que não dará tempo. Por que não vai com ? — perguntou Esme. — Você ainda não caçou com ela.
Ela seguiu seus olhos até mim e sorriu largamente. Ela pulou do colo de Esme e veio correndo até mim.
— Você pode me fazer voar de novo, na floresta? — ela perguntou animada, pulando em meu colo.
— Claro! — disse. — Mas será que Edward e Bella confiam em mim para levá-la para caçar?
Alice fez uma expressão, como se a resposta para minha pergunta fosse obvia.
— É claro que vão! — Alice disse. — Mas antes Nessie tem que tomar o café da manhã.
— Eu já tomei! Meu pai me deu e eu vim pra cá. — ela sorriu.
Coloquei-a no chão e levantei-me da cadeira.
— Bom, então vamos, Ness. — murmurei sorrindo e ela saiu em disparada pela porta.
Dei um aceno para os vampiros e parti atrás da pequena.
Ela corria na frente e eu a deixei ir, já que ela conhecia o caminho melhor do que eu. Eu apenas a supervisionava ao longe, enquanto acompanhava seus movimentos.
Ela ria e corria saltitando como uma bailarina e isso me fez sorrir.
Não muito longe da mansão, ela achou alces. E sem nenhuma ajuda, pegou o maior, sorrindo triunfantemente em seguida e vindo até mim.
— Tenho que admitir. Caçar alces não é a mesma coisa sem Jake. — ela murmurou tristemente e eu a peguei em meus braços. — Nós sempre apostamos pra ver quem consegue pegar o maior e eu sempre venço... Mas ele não está aqui agora.
— Você gosta muito dele, não é? — perguntei e ela assentiu prontamente.
— Muito! Ele é o melhor amigo da minha mãe e cuida de mim desde que nasci. É meu melhor amigo também!
Assenti e a coloquei no chão.
— Quem sabe as coisas não se tornam mais divertidas voando?
Seus olhinhos brilharam de excitação e eu a levitei. Ela rodopiou no ar e tentou alcançar os passarinhos, gargalhando e rindo lindamente. Qualquer resquício de tristeza já havia sumido de sua face, e agora só havia divertimento e alegria.
Sentei-me numa pedra e a observei brincar. Ela subia nos galhos das arvores e saltava de lá, sorrindo logo em seguida pelo salto não ter causado nenhum impacto.
Mas logo ouvi passos se aproximando e coloquei Renesmee no chão. Parecia serem passos humanos. Droga! Eu tenho que sair daqui. Se eles virem meus olhos vermelhos logo pensarão que não sou humana.
Nessie não pareceu perceber os passos e soltou uma alta gargalhada ao rodopiar no chão feito uma bailarina.
— Nessie? — uma voz chamou e eu instintivamente a trouxe até mim e posicionei-me defensivamente a sua frente.
Foi então que um humano saiu de entre os arbustos e começou a tremer o corpo ao me ver; como se tivesse tendo uma convulsão.
— Solte-a! — ele rosnou e eu rosnei de volta, ficando na frente dela. Ela tentava ver para quem eu estava rosnando, mas minha posição não deixava.
Senti um cheiro estranho entrar por minhas narinas e logo percebi que ele não era um humano normal. Havia uma espécie de mutação eu seu sangue. Não era tão apetitoso quanto o de um humano. Era estranho... Como um cheiro que meu olfato não conseguia decifrar, mas parte dele era um cheiro amadeirado e almiscarado; fazendo-me lembrar da floresta inconscientemente ao inalar o odor.
— Quem é você? — rosnamos juntos.
Isso só o enfureceu mais e ele aproximou-se de nós, parecendo ter uma convulsão. O corpo de cor avermelhada tremia violentamente e era como se ele fosse explodir. Mexas de seu cabelo negro caiam sobre seus olhos a medida em que sua cabeça abaixavas-se por causa dos tremores. Seus olhos negros estavam tomados de fúria e senti um pouco de medo, mas não relaxei minha posição. Seja quem for, seja o que for, não vai encostar um dedo em Renesmee.
— Solte-a agora! — ele gritou, fechando as mãos fortemente em punhos. — Ou eu te mato agora mesmo!
— Jake? — Nessie murmurou e saltou a minha frente.
— Nessie, não! — gritei, mas ela já estava junto a ele. Estava abraçando-o carinhosamente.
Ele logo parou de tremer e a colocou ao seu lado, olhando pra mim com fúria.
— Volte pra casa, Nessie. Eu cuido disso! — antes que ela pudesse dizer algo, antes que eu pudesse fazer algo. Um enorme lobo castanho-avermelhado estava a minha frente, rosnando e avançando em minha direção com os dentes afiados a mostra.

9. Conhecendo





Eu estava parcialmente em choque ao constatar que aquele homem acabara de explodir em um lobo mutante a minha frente. Bem que eu notei que ele era estranho! Mas não podia imaginar que fosse isso.
O lobo era quase maior que um cavalo, mas era mais musculoso e possuía os olhos inteligentes; eu sabia que aquele homem ainda era ele, seus olhos estariam selvagens se ele se transformasse totalmente num lobo. Mas, apesar disso, seus olhos estavam tomados de fúria e ele rosnava furiosamente para mim; na intenção de me atacar.
Logo me dei por mim quando o lobo deu um salto em minha direção, e mais do que rápido eu o imobilizei com meus poderes. A raiva, por tamanha ousadia em me atacar, tomou parte de meu corpo e eu controlei-me para não matá-lo ali mesmo.
Agora tudo fazia sentido. Ele era o tal Jacob. Por isso Edward estava receoso em me contar quem ele era, mais precisamente, o que ele era. Ele devia ter medo que eu não quisesse me envolver com essa família por eles terem ligações com lobisomens. E ligações bem fortes eu presumo, já que Nessie disse que ele era seu melhor amigo e o de Bella também. Que tipo de vampiros mantém familiaridades com um lobisomem?! O livro dizia claramente que eles são inimigos naturais!
Eu sentia tanta raiva daquele lobo, que queria matá-lo ali mesmo, mas como ele era o Jake que Nessie não parava de falar, eu não consegui fazer isso. Eu podia magoá-la se o fizesse. Mas bem que ele merecia uns estragos por atacar alguém sem saber quem é. Afinal, ele é amigo de vampiros, por que atacaria um sem mais nem menos?
Eu o pressionei no chão com meus poderes e não deixei que ele conseguisse mexer nenhuma parte de seu corpo. Lobo atrevido! Como ousa me atacar?! Droga, ainda estou frustrada com isso. Ok, é muita coisa para digerir. No livro dizia claramente que todos os lobos foram extintos pelos Volturi... Oh, céus... E se eles descobrirem que os Cullen possuem uma aliança com esses lobos? Eles viriam me matar também!
O lobo, impossibilitado de se mover, apenas rosnou furiosamente. Ugh! Minha vontade era sufocá-lo até ele morrer. Mas estava claro que ele só me atacou por que pensou que eu estava machucando Nessie. E ele é ridículo por pensar nisso! Eu nunca a machucaria! Será que ele ainda não percebeu que estamos do mesmo lado? Eu acho...
— Nessie? — chamei-a e ela me olhou com a testa franzida de preocupação. Pelo visto, ela não estava gostando nem um pouco do que eu fiz com o “precioso” Jacob. — Diga ao seu amigo que eu não sou uma inimiga.
Ela assentiu e sentou-se ao lado da enorme cabeça do lobo, colocando uma de suas mãozinhas entre seus pelos. Eu sabia perfeitamente que ela estava se comunicando mentalmente com ele, já que ele relaxara um pouco e parou de rosnar, apenas continuou a me encarar curiosa e desconfiadamente.
Suspirei e o livrei de minha pressão no chão. Ele bufou e balançou a cabeça algumas vezes.
O observei em pé e senti uma pontada de medo. Ele era ainda maior do que eu deduzi! Esperei que ele voltasse ao “normal”, mas ele apenas me encarava desconfiado.
— Que é? — resmunguei pra ele. Ele bufou e soltou um rosnado baixo. Como se tentasse resmungar algo. Revirei os olhos. — Desculpe, eu não falo cachorrês.
Nessie olhou repreensivamente para mim e eu suspirei, saiu sem querer. Era como se já fosse um instinto brigar com ele. E talvez fosse.
— Ok, lobão — murmurei e peguei Nessie no colo. Ele pareceu meio receoso ao me ver pegando-a no colo, mas assim que viu a expressão tranqüila de Nessie, relaxou um pouco. —, vamos para a mansão dos Cullen. Tenho certeza de que eles têm muita coisa para me explicar e você tem que estar lá. Então desvira lobo e vamos!
Ele bufou e revirou os olhos.
Olhei irritada pra ele e Nessie colocou seus dedinhos delicadamente em meu rosto. Ele explodiu as roupas quando se transformou, não pode se transformar de volta agora sem ter pelo menos uma bermuda.
Soltei um suspiro surpreso e compreensivo, e revirei os olhos.
— Ok, vamos. — murmurei e coloquei Nessie em minhas costas, correndo com ela a toda velocidade até a casa dos Cullen. Quer dizer, minha casa. Tudo bem que eu tinha medo que os Volturi podiam se meter com eles e tentarem algo comigo também, mas eu já peguei amizade com eles de qualquer forma, não conseguiria abandoná-los se soubesse que os Volturi estariam vindo matá-los. Então, não tem jeito, eu estou envolvida nisso e não há como voltar a trás.
O lobo correu logo depois de mim e alcançou-me facilmente. Hmm, pelo visto eles são rápidos.
Assim que nos aproximamos da mansão, o lobo foi entre as arvores e Nessie pulou do meu colo, indo até o chalé e voltando com uma bermuda; indo até o lobo com a bermuda nas mãos. Esperei-a pacientemente e logo ela voltou até mim, esticando a mãozinha para que eu a segurasse.
Segurei sua quente mão na minha e passamos pelo hall da mansão, entrando nela. Olhei para onde o lobo havia sumido e pensei em voltar para trazê-lo até aqui. Afinal, não haveria como eles negarem os fatos com ele junto a mim; mas parece que esse infeliz fugiu!
Soltei a mão de Renesmee e fui para ir até onde ele tinha sumido, mas logo ele apareceu por entre as arvores em sua forma humana. Bufei. Demora mais que uma mulher só para por um bermuda? Será que o processo de transformação de volta é tão longo? Acho que não, ele se transformara tão rapidamente a minha frente... Espera! Ele se transformou! E não tem nenhuma lua cheia no céu! Nem está de noite!
— Que tipo de lobisomem é você? — perguntei incrédula, ao constatar que ele pode se transformar a hora que quer.
Ele revirou os olhos e passou por mim, entrando na casa sem fazer cerimônias.
— Por que vocês insistem em trazer mais sanguessugas pra cá? — ele murmurou lá dentro e eu entrei apressada para ouvi-los. Ele está brigando com eles por me acolherem?! Quem esse cachorro imbecil pensa que é afinal? Ele faz parte da “família” por acaso?
— Ele é quase isso, . — respondeu-me Edward quando entrei. — Mas não se preocupe, as opiniões dele nessa família não contam.
Sorri satisfeita. É bom mesmo!
— Então Edward? Pra que outro sanguessuga? Nessie me contou que vocês a acolheram, mas por acaso vocês não repararam nada de estranho nos olhos dela? — ele disse irritado e eu revirei os olhos.
— Ela está mudando seu estilo de vida. — respondeu Bella. — Ela não irá caçar humanos mais.
Suspirei e juntei-me a Alice no sofá. Já estava vendo que as explicações demorariam um pouco.
— E de onde ela vem? Tem certeza que ela não é um dos assassinos italianos tentando espioná-los?
— O que?! — indaguei, levantando-me do sofá no mesmo segundo em que me sentei. — Está insinuando que eu estou aqui a favor dos Volturi?!
Ele nem me deu atenção, apenas esperou para que Edward respondesse.
— Eu nem sou italiana! — disse exasperada e ele olhou desconfiado para mim.
— Então de onde você é? Quem é você? Como foi transformada? — ele despejou as perguntas arrogantemente e cruzou os braços sobre o peito desnudo ameaçadoramente.
Olhei para Edward e ele deu de ombros.
— Também queremos conhecer sua historia. Mas por motivos diferentes é claro. — ele murmurou e eu suspirei em rendição.
— Ok, então se sentam, pois a historia é longa. — murmurei, voltando a me sentar no sofá.
Edward sentou-se com Bella e Nessie num outro sofá, mas Jacob apenas permaneceu em pé com os braços cruzados.
— Ela não é nossa inimiga, Jacob. — Bella disse.
— Como tem tanta certeza de que ela não faz parte dos assassinos itáli...
— Por que eu não faço parte! — gritei frustrada. — Mas que merda! Quantas vezes vou ter que repetir, imbecil?! Quer que eu desenhe para você entender de uma vez?
Edward mandou-me um olhar repreensivo e só depois percebi que tinha perdido a linha. Ops, foi mal. Ah, mais cedo ou mais tarde eles terão que acostumar com o meu temperamento. Ugh.
Edward revirou os olhos para meus pensamentos e voltou seu olhar até Jacob.
— Por que, Jacob, ela é uma recém-criada, possui apenas pouco tempo de diferença de Bella. Os Volturi nunca mandariam alguém inexperiente como ela para nos espionar sabendo os riscos. — Edward disse e ele pareceu relaxar sua expressão um pouco, sentando-se numa poltrona a poucos metros de mim, ainda me encarando desconfiado e irritado – talvez pelo o que eu disse para ele agora a pouco.
— Bem, já que não me conhecer está causando tanto alvoroço, eu vou contar minha história — comecei, tentando controlar meu irritamento. Todos pararam o que faziam e me encararam esperando que eu continuasse. Até mesmo Carlisle estava ali. —, eu morava em Seattle. E quando estava tendo aquela época de assassinatos, desaparecimentos e coisa e tal, eu fui transformada. Pois não eram assassinos em serie que atacavam a cidade, eram vampiros. — percebi que todos da sala prenderam a respiração e ficaram completamente surpresos. Talvez eles não imaginassem que houvesse vampiros envolvidos nessa historia.
— Pelo contrario, . — Edward disse. — Conhecemos essa historia tão bem quanto você. Estamos surpresos por você saber disso.
O encarei confusa e ele suspirou, olhando para todos os presentes na sala – que possuíam expressões indecifráveis – e pairando seu olhar em mim.
— Aqueles vampiros foram criados para um propósito. E acredito que você também.
— Eles foram criados com um propósito, exceto eu. Eu fui criada acidentalmente. — interrompi-o. Ele pareceu confuso e eu continuei. — Eu não sei o quanto você sabe dessa historia, mas o que eu sei é que uma vampira chamada “Victoria” criou todos aqueles vampiros para formar um exercito, para que eles pudessem defende-la de sei lá o que... Mas aí, numa noite que saí tarde pelas ruas de Seattle, eu fui atacada por um desses vampiros recém-criados e, quando ele parou de sugar meu sangue para enfrentar outro que vinha, eu acabei sendo transformada. Eu não estava nos planos dessa vampira e nem nos de Riley, mas eu era de grande importância para eles pelos meus... poderes.
Bella arfou.
— Então... A historia poderia ter tido um final diferente se ela estivesse junto a eles, Edward. — ela disse com a voz embargada. — Naquele tempo eu não podia protegê-los, então ela usaria todo o seu poder contra vocês e vocês... perderiam.
— Espera aí! — indaguei. — O que quer dizer com isso Bella? O que vocês sabem sobre essa historia? Como sabem tanto? Por acaso...
— Sim. Nós éramos o clã que Victoria planejava atacar. — Edward respondeu.
Arregalei meus olhos e o encarei com descrença.
— Então... Se vocês estão aqui... Sãos e salvos... Quer dizer que...
— Todos estão mortos. Inclusive Riley e Victoria. — respondeu Edward. — Eu sinto muito.
— Não me preocupo com eles. — murmurei prontamente. Eu queria mesmo que eles perdessem essa luta. Eles mereciam... Exceto uma... — E Bree? Vocês a conheceram? Ela também morreu?
Edward trocou um olhar com Carlisle e suspirou.
— Ela se rendeu, e demos uma chance dela se unir a nossa família. — ele começou. — Mas os Volturi apareceram e a mataram, por ela fazer parte do exercito e por ter quebrado as regras.
— Mas ela nunca quebrou as regras! — disse num tom mais alto, sentindo uma enorme tristeza ao pensar que aquela pobre menina deve ter sofrido apenas por causa daquela víbora do Riley. Eu devia ter contado tudo a ela! Ela podia estar viva e bem, assim como eu. — Os outros que matavam e destruíam tudo o que tocavam! Ela sempre caçou discretamente, assim como Diego, Fred e eu. — murmurei, sentindo minha voz tornar-se embargada. Oh, Fred deve estar morto agora também. E eu pensando que ninguém seria capaz de encostar-se a ele pelo seu dom...
— Fred está vivo. — Edward murmurou e todos o olharam sem entender. — Bree mencionou, antes de morrer, que fossemos bons para ele, caso algum dia o encontrássemos.
Encarei um ponto vago por um momento. Então Fred e eu éramos os únicos que saímos ilesos? Vinte e dois vampiros e apenas dois saem vivos? Como os Cullen conseguiram...?
— Com a ajuda de alguns lobos vencemos facilmente. — ele murmurou e eu arregalei os olhos. “Alguns”? Havia mais? — Sim, há mais. Mas, continuando a historia, , se quiser saber o que aconteceu, é claro.
— Sim, eu quero. — disse animada. Queria saber todos os detalhes da morte de Riley e sua parceira. Oh... Como é bom sentir o gostinho da vingança novamente. Eu sabia que as atitudes de Riley o condenariam algum dia. E eu estava certa! Ah que felicidade! Deixei um sorriso enorme e ansioso abrir-se em minha face e olhei para Edward. — Prossiga com a historia, por favor. E quero sabe tudo nos mínimos detalhes!

Edward me contou todos os detalhes de absolutamente tudo. Contou o motivo de Victoria ter criado um exercito para atacá-los, contou o porquê da aliança com os lobos. Bem, pelo o que eu entendi, Jacob era melhor amigo de Bella e quando soube que vários vampiros estavam vindo para matá-la, ele e sua matilha se uniram aos Cullen para protegê-la. Edward matou Victoria, os Cullen e os lobos mataram os recém-criados, e um lobo chamado “Seth” matara Riley.
— Mas vocês vão aceitá-la mesmo? — Jacob perguntou com descrença. Ah qual é?! Eu já provei que não sou do mal. Cachorro idiota... Ok, se controle. Perder a linha duas vezes é feio, ...
— Ela já é parte da família, Jake! — Nessie o repreendeu. Oh, que coisinha mais fofa!
Olhei para ele com um sorrisinho vitorioso no rosto e ele revirou os olhos.
— Legal... Mais um sanguessuga. Que ótimo! — sua voz estava totalmente carregada de sarcasmo e ironia. — Bom, eu tenho que avisar os outros que tem uma nova sanguessuga na área então.

Eu estava no meu quarto, usando um pouco a internet. Mas, para minha surpresa, aquilo não me interessava tanto como antes... Que estranho.
Fechei o notebook e deitei um pouco na cama. Era estranho que eu me sentisse tão adaptada aqui por tão pouco tempo. Eu já estava amiga de Bella e Alice. Já considerava Emmett e Edward como meus irmãos, até mesmo Jasper – que não foi com a minha cara no começo – eu já havia me acostumado. Carlisle e Esme eram sempre prestativos e amáveis, fazendo-me sentir-me cada vez melhor aqui. Rosalie... bom, ela é a única que ainda nem troquei uma palavra; ela é muito fechada e como eu sou nervosa... Não quero arrumar confusão. E tem Renesmee... Agora, a idéia de eu ter pensado que ela era um monstro na primeira vez em que a vi soava totalmente absurdo... Ela era amável, graciosa e muito encantadora. Se eu tivesse uma filha, ou uma irmã, com certeza eu ia querer que fosse uma cópia perfeita dela.
Suspirei ao constatar que eu estava aqui de bobera sem fazer nada. Pelo menos, quando eu morava na outra cidade, eu tinha meu emprego para me entreter... Agora aqui não se tem nada para fazer...
Levantei rapidamente da cama e em alguns segundos eu já havia descido as escadas e chegado na cozinha, encontrando Esme fazendo um bolo para Renesmee.
— Oh, olá querida! — ela sorriu docemente ao me ver.
— Oi — murmurei. — Esme, você precisa de ajuda em algo?
Ela olhou para mim com um sorriso divertido nos lábios e deu de ombros.
— Não. Se estiver entediada, por que não faz algo com os garotos ou dá uma volta com Alice? — ela perguntou. Eu suspirei. É... Talvez eu até pudesse dar uma volta com Alice... — Alice estava mesmo querendo fazer compras com você.
Pensando bem, mudei de idéia.
Assenti e dei um leve sorriso, saindo de lá suspirando. Será que não tem nenhum lugar em Forks que eu possa trabalhar? Será melhor do que ficar em casa sem fazer nada.
Fui até a sala e a encontrei, estranhamente, vazia. Franzi a testa confusa e fui até a varanda do lado de fora para ver se tinha alguém no quintal. Não havia ninguém.
Assim que resolvi entrar novamente em casa, vi Bella com Renesmee no colo. Renesmee estava com suas madeixas claras caídas em cachos por seus ombros, e usando um maiô marfim.
Bella usava um vestido que parecia ser de seda e estava vindo até mim com um sorriso no rosto.
— Eu vim te chamar, ! — ela sorriu.
Franzi o cenho.
— Pra quê? — perguntei.
— Todos estão nadando no rio aqui perto. Afinal, estão aproveitando o pouco de sol que fez em Forks, não é muito comum. — ela olhou para Nessie e deu um sorriso. — Estou levando Nessie para aprender a nadar. Jacob disse que ensinaria, mas ela reclama que ele tem medo dela se afogar e mal a deixa entrar na água.
Ri levemente.
— Você vem? — Nessie perguntou com seus olhinhos brilhando.
— Eu não tenho roupa de banho. — inventei uma desculpa qualquer. Odeio ficar de biquíni na frente das pessoas. É muito desconfortável.
— Eu te empresto um. Alice comprou vários para que eu usasse em minha lua de mel com Edward, mas não tive a oportunidade de usar todos já que voltamos mais cedo do que o planejado...
Droga...
— Pronto! Já tem um biquíni, agora vamos pegá-lo e vamos para o rio! — Nessie bateu palminhas animadamente.
Suspirei.
— Ok.

O biquíni de Bella era um absurdo! Como Alice compra uma coisa dessas?! Agora entendi por que ela pretendia usar na lua de mel, afinal, só Edward a veria... Eu não vou sair com isso. Não vou sair com isso. Não vou sair com isso...
Ele é preto e as alças da parte de cima são amarradas no pescoço, puxando meus seios para cima e deixando um enorme decote – meus seios praticamente saltavam pra fora pra dar um “oi”. A parte de baixo é amarrada em laço aos lados e quase parece um fio dental de tão pequena que é. Eu não vou sair com isso!
— Eu não vou sair com isso! — disse em voz alta o que se repetia em meus pensamentos.
— Você está linda! — Nessie disse.
— Não, eu não vou sair com isso!
, se fosse eu, até que você teria razão em não querer ir. Afinal, eu sou uma magrela, mal tenho corpo. — isso era mentira. — Mas você tem um corpo muito bonito, cheio de curvas, não precisa ter vergonha.
— Mas não é por isso. — murmurei, fazendo careta ao me ver no espelho. — Eu me sinto nua. — gemi. Ela riu e eu a encarei com desagrado. — Eu vou com uma regata e um shortinho, é bem melhor.
Bella deu de ombros e eu peguei uma regata e um shortinho em seu closet. Caramba, e eu achando que meu closet era grande... E isso é por que a Alice tirou algumas roupas dela pra mim...
Procurei por um bom tempo e logo achei. Eu tinha mais quadril que Bella, então o short ficou um pouco apertado, mas estava bom. Eu também tinha mais seios, então o tecido na regata colou em meu corpo e deixou uma parte de minha barriga a mostra. Pelo menos é melhor que aquele biquíni.
— Pronto? — ela perguntou.
— Pronto!

Quando chegamos lá, eu fiquei surpresa ao ver os vampiros se divertindo tanto. Emmett pulou de uma pedra com Rosalie, caindo no rio com ela nos braços; fazendo-a brigar com ele, pois ela só queria tomar sol. E Jasper e Alice jogavam água em Edward e ele se esquivava rapidamente.
Os olhinhos de Renesmee brilharam e ela chamou seu pai para pegá-la, esticando os bracinhos para ele. Ele a pegou com um enorme sorriso no rosto e colocou-a em suas costas.
Bella sentou-se numa pedra qualquer e só observou.
Alice subiu em cima de um galho numa arvore perto do lago e jogou-se no lago. Seu corpo de pedra, ao atingir a água, fez com que varias gotículas voassem no ar.
— Vem ! — Nessie chamou, enquanto Edward colocava-a para boiar.
Sorri e pulei no rio. Eu não era nadadora profissional, mas em compensação, eu nadava muito bem. Mergulhei meu corpo mais a fundo no lago e observei tudo em baixo da água. Antes, quando eu tentava olhar debaixo d’água, eu ficava pouco tempo, pois meus olhos começavam a arder. Mas agora, nem faz diferença se estou dentro ou fora da água.
Meus pulmões não necessitavam de ar, então aproveitei para poder mergulhar mais. Ganhando velocidade a medida em que meu corpo ia num impulso pela água.
Nadei até a superfície e vi que Renesmee já estava nadando pelo rio graciosamente, enquanto ria e seu rosto se iluminava de felicidade. Nossa, como ela aprendeu rápido.
— Ela consegue aprender tudo facilmente. Bastou apenas uma explicação e ela saiu nadando sozinha. — Edward respondeu ao meu lado, olhando orgulhosamente para sua pequena nadadora.
— Por que Bella não entra na água? — perguntei curiosamente.
Ele seguiu meu olhar e encontrou Bella sorrindo ao ver Renesmee feliz enquanto nadava.
Ele sorriu maroto e afastou-se de mim, indo até ela. Ela pareceu notar sua presença, quando ele já estava agarrando-a e dirigindo-se – com ela em seu colo – até a água.
Gargalhei quando ela deu um tapa em seu ombro irritada, dizendo: “eu não queria nadar, Edward!”.
Nessie veio nadando até mim e eu a coloquei em minhas costas e nadei rapidamente até Emmett, tentando afundá-lo na água, junto a ela. Ele gargalhou e tentou nos pegar. Logo depois, estávamos fugindo de Emmett e esbarrando em Jasper. Emmett afundou Jasper na água e Alice jogou uma grande corrente de água nele. Emmett foi jogar água nela também, mas a água veio até mim, mas antes de me atingir eu as parei no ar com meu poder, pois Nessie ainda estava comigo e ela podia se afogar nessas brincadeiras de vampiros.
Edward veio até mim e eu entreguei Renesmee para ele. Assim que Nessie saiu de minhas costas, olhei para Emmett com um olhar ameaçador e um sorriso maroto nos lábios. Então comecei a erguer uma grande quantidade de água com meus poderes e joguei em sua direção o mais forte possível.
Todos gargalharam e ele apareceu irritado na superfície, mandando um olhar ameaçador em minha direção.
— Você me paga, baixinha! — ele gargalhou, antes de jogar uma quantidade absurda de água em minha cara. Mas, novamente, antes delas acertarem meu rosto, eu as parei. Fazendo ele bufar e olhar irritado para Bella. — Bella, me ajuda aqui!
Eu gargalhei e mandei outra quantidade de água em sua direção, acertando Alice e Jasper também. Eles olharam com desagrado para mim e logo eu estava correndo de três vampiros irritados vindo em minha direção...

A água do chuveiro deslizava por meu corpo suavemente, enquanto a temperatura aquecida formava uma nuvem de fumaça dentro do banheiro.
Enxagüei meu cabelo rapidamente e estiquei minha mão pra fora do Box para pegar a toalha. Desliguei o chuveiro e enrolei uma toalha em meu corpo molhado, e outra em meu cabelo.
Hoje o dia tinha sido bem divertido. Não me sentia bem assim há muito tempo... Depois que meus amigos mudaram-se de Seattle, eu me mantive afastada de todos, apenas ficando sozinha na escola, nos intervalos e ficando o dia inteiro em casa. Eu os conhecia desde minha infância, e me separar deles foi um tanto difícil, pois a partir do momento em que eles foram embora eu me senti solitária e incapaz de fazer alguma amizade para substituir meus amigos em meu coração.
Mas hoje eu me senti em família. Hoje, não foi só a sensação de amizade que me dominara, mas, também, a de familiaridade.
Sorri para mim mesma e passei a mão pelo espelho embaçado a minha frente. Vi meu reflexo por alguns instantes e logo depois comecei a passar um creme no corpo. Ele não hidrataria minha pele de mármore, mas eu gostava do cheiro.
Saí do banheiro, completamente relaxada, como se fosse uma nova pessoa, e fui até o closet escolher alguma roupa.
! Os lobos estão aqui, pode descer, por favor? — perguntou Carlisle.
Estranhei por os lobos terem vindo me ver e, ainda por cima, a essa hora da noite. Estava quase madrugando e eles estavam aqui.
Dei de ombros e escolhi a primeira roupa que vi. Um vestido de seda roxo claro. Tirei a toalha de meus cabelos e passei meus dedos entre os fios, apenas para que eles ficassem apresentáveis.
Desci as escadas até o andar debaixo descalça e assim que cheguei na sala, me deparei com vários homens de pele avermelhada, sem camisa e parecidos com aqueles caras que tomam bomba na academia de tão musculosos e monstruosamente grandes que eram. Nesse momento me senti uma anã. Como Alice.
Edward abafou o riso e eu percebi que ele ria de meu pensamento. Conte a ela e você se verá comigo! Lhe disse. Ele riu levemente e se levantou do sofá, onde ele estava sentado ao lado de Bella e Nessie.
Ela estava totalmente mole nos braços de Bella, quase caindo de sono. Mas a forma como seus olhos abriam-se rapidamente a medida em que iam se fechando e o modo como ela os fixava em Jacob, deu a perceber que ela se recusava a dormir.
— Eles estão aqui para conhecer você, para que eles não causem enganos. Eles somente gravarão seu cheiro e seu rosto e irão embora. — Carlisle disse.
— Ok — murmurei. Pouco me importava com isso. Exceto se eles vierem meter o nariz em mim e me farejar que nem um cachorro faz.
Edward não conseguiu controlar a gargalhada e todos olharam pra ele confusos.
— Eles não farão isso. — garantiu ele, divertidamente. — Mas creio que seria horrível para você eles se aproximarem tanto, sem você estar acostumada ao cheiro deles.
— Que cheiro? — perguntei curiosamente. Todos os vampiros franziram o cenho confusamente.
— Eles fedem a cachorro molhado com a pele podre. Vai me dizer que você nunca sentiu o cheiro deles?! — Emmett disse indignado.
Encolhi os ombros.
— Eu senti um cheiro estranho, mas não consegui identificar. Para mim não parece ser cachorro molhado com a pele podre... Apenas uma fragrância desconhecida. — murmurei.
— Você também não fede. — um dos lobos disse e só depois percebi que era Jacob. Caramba, eles são todos iguais... Difícil diferenciar os rostos. Ele disse isso tão firmemente, que eu percebi que ele não dizia isso apenas para ser gentil, ele estava mesmo constatando esse fato. — Acho que para os outros também, já que quando sentimos seu cheiro na floresta de Forks, pensamos que fosse um outro meio vampiro.
Franzi o cenho. Eu já ouvi alguns vampiros dizendo que meu cheiro não é como o de um vampiro, mas até para os lobos...?
— É verdade. Eu também não sinto o aroma dela tão... igual ao de um vampiro. — Alice disse. — Mas ela não tem o cheiro de uma meia vampira, ela tem uma fragrância mais suave, mas não chega a ser como o de Nessie, pois ela possui sangue em seu organismo e não.
Arregalei os olhos. Que droga de cheiro eu tenho afinal?!
— Ok, vamos mudar de assunto! — me exasperei. — Vocês já conhecem meu cheiro, não é? Agora chega disso!
Emmett abafou o riso e os lobos reviraram os olhos.
— É realmente estranho que você não tenha conseguido decifrar o cheiro deles. — Carlisle disse. — Será que você não possui seus sentidos no mesmo nível aguçado que os demais vampiros?
— Será que é pelos poderes dela? — perguntou Jasper. — Pode ser que os poderes dela a mudaram um pouco, já vi casos assim.
— Como assim? — perguntei.
— Ela tem poderes? — um outro lobo perguntou animadamente. Ele tinha a pele um pouco mais clara que a dos outros e era o menor dali.
— É, ela tem, Seth. — Jacob murmurou com tédio, cortando a animação do outro.
— Bom, continuando — Jasper disse. —, Alguns poderes, por serem fortes demais, acabam exigindo demais dos vampiros. Fazendo com que um pouco mais de energia vá para seus poderes, fazendo com que esse vampiro mude ou que causem consequencias. Teve alguns que tinham os olhos em outro tom vermelho na iris. Tinha alguns que não conseguiam ser velozes ou não possuíam muita força... E tem Alice como exemplo também, quando ela tenta ver o que não consegue, ela tem dores de cabeça. E com essas dores ela não consegue usar nenhum de seus sentidos aguçados.
— Tudo bem, já terminamos? Não quero continuar nesse fedor. — uma mulher dentre os lobos urrou. Ela parecia irritada... Será que ela é uma loba?
— É, vamos embora. — Jacob disse.
— Você encontrará com Sam? — perguntou aquele que lembrei ser o Seth. Seth! Cara, foi ele que matou o Riley!
— Cara! Você matou o Riley! — eu disse de repente. — Nossa, me senti tão bem quando soube disso...
Ele sorriu triunfantemente.
— Edward e eu trabalhamos em conjunto! — ele disse orgulhosamente, olhando para Edward. Jacob revirou os olhos. — Mas foi bem fácil matar aquele vampiro.
Eu soltei uma risada alta ao imaginar Riley todo destroçado e todos olharam para mim. Talvez pensando que eu era louca por pensarem que eu ri de algo sem graça que o garoto dissera.
— Ok, vamos tampinha! Você conta sua “maravilhosa aventura com o leitor de mentes” depois. — Jacob disse.
Os outros lobos riram, mas a mulher entre eles permaneceu emburrada.
— Vamos! — Jacob disse e eles começaram a se retirar.
— Tchau gente! — Seth disse e acenou para todos antes de sair e Jacob revirou os olhos, antes de ir até Nessie, que já havia adormecido, e dar-lhe um leve beijo na testa.
Suspirei aliviada. Até que esses lobos não eram do jeito que imaginei. Pensei que eles seriam inimigos, mas estavam mais para crianças. Crianças que sofreram mutações no corpo, mas ainda sim crianças. Afinal, todos eles tinham alguns traços jovens no rosto, apesar de, pelo corpo, aparentarem terem mais de 20 anos.
— Bom, eu vou ler um livro. — disse e fui em direção a biblioteca que Carlisle me mostrara hoje. Ele disse que eu podia pegar quantos livros eu quisesse para ler, então eu vou aproveitar, já que não tenho nada para fazer...
— Faça bom proveito da minha pequena biblioteca, ! — Carlisle sorriu amavelmente.
Arregalei os olhos incredulamente. “Pequena biblioteca”? Ele com certeza não viu a da minha escola pra dizer isso. Cara, a dele dá 20 daquela. Fiquei meio incrédula, mas agradeci mesmo assim.
— Valeu Carl! — murmurei. Ele franziu a testa e gargalhou, assim como todos na sala.
— Carl? — ele perguntou divertido.
— É! Um apelido carinhoso. — eu ri e todos me acompanharam.
— Esse apelido vai pegar. — murmurou Alice.
— Com certeza! — ouvi a voz e a gargalhada estrondosa de Emmett ecoar pela sala enquanto eu me dirigia à escada.
Sorri e revirei os olhos enquanto subia as escadas. Definitivamente, estou cada vez me sentindo mais a vontade aqui... Lar doce lar!


10. Visita





Eu já estava em meu quarto livro e não passava mais de 2 horas que comecei a ler. Os livros de Carlisle eram muito bons. Isso é um elogio um tanto estranho vindo de mim, mas eu gostei mesmo.
Os livros da escola, ou eram antiquados demais a ponto que eu nem conseguia entender muito bem a linguagem, ou eram modernos demais com aquelas historinhas adolescentes sem graça. Mas os livros de Carlisle eram clássicos, maravilhosas escrituras que me encantaram desde a primeira linha.
— Meus maiores sofrimentos neste mundo têm sido os sofrimentos de Heathcliff; fui testemunha deles e senti-os todos, desde o começo. Meu maior cuidado na vida é ele. Se tudo desaparecesse e ele ficasse, eu continuaria a existir. E se tudo o mais ficasse, e ele fosse aniquilado, eu ficaria só num mundo estranho, incapaz de ter parte dele. Meu amor por Linton é como folhagem da mata: o tempo há de mudá-lo como o inverno muda as árvores, isso eu sei muito bem. E o meu amor por Heathcliff é como as rochas eternas que ficam debaixo do chão; uma fonte de felicidade quase invisível, mas necessária. — murmurei uma das citações mais emocionantes do livro que eu estava lendo agora: O morro dos ventos uivantes.
— Também gosto dessa parte. — olhei para trás ao perceber Bella aproximando-se vagarosamente. Cara, me envolvi tanto com o livro que nem percebi a aproximação dele. — Esse é meu livro preferido.
É, ela tem bom gosto. É um ótimo livro. Eu gostei.
— O que achou dele? — perguntou ela curiosamente, sentando-se na poltrona ao lado da que eu estava na biblioteca.
Respirei fundo. Hora da minha critica sincera e bem elaborada. Eu costumava dar minhas criticas dos livros para Laila, e ela muitas vezes se irritava, pois eu praticamente só via os pontos negativos do livro. Mas, pelo o que eu percebi hoje, eu sei reconhecer um bom livro quando vejo um.
— Este é um dos romances mais apaixonantes que eu já li. — respondi. Era primeira vez na vida que eu dizia isso na vida. — O ambiente sombrio e tempestuoso nos transmite um senso de mistério. Uma estória muito intensa e cativante. Uma estória sobre amor não correspondido e vingança... Eu gostei muito.
— É, é um ótimo livro. — Bella sorriu levemente. — , eu bem que queria continuar a discutir com você sobre essa fantástica estória, mas vim até aqui para falar algo com você. Outra coisa.
— O que? — perguntei curiosamente, deixando o livro de lado e encarando a face de Bella.
— Meu pai, Charlie, está vindo aqui visitar Renesmee. E há dois problemas. — esperei ela continuar. Ela suspirou e colocou uma mecha de seu cabelo atrás da orelha. — O primeiro problema é que nós não sabemos o seu nível de autocontrole. Não me leve a mal, mas eu tenho medo que...
— Eu faça algo a ele? — completei com indiferença. Eu não a julgava por ela não confiar em meu autocontrole. Ela tem todo o direito de se preocupar com seu pai. — Não, eu não sou tão fraca assim. Apesar de fazer um tempinho que não bebo sangue humano... — murmurei a ultima frase para mim mesma, mas Bella ouviu. — Bem, eu posso me controlar. Sou forte o bastante para isso!
— Bem, então ok. — ela parecia um pouco receosa, mas aceitou o que eu disse por fim.
— E o segundo problema? — perguntei assim que ela se levantou da poltrona para sair.
— Este nós falaremos mais tarde, com todos reunidos.
Que estranho. Será que era algo tão difícil de dizer que necessitava da presença de todos? Ok, não entendi e nem gostei do suspense, mas não criei caso.
Assenti e ela saiu. Encarei o livro em minhas mãos por um momento. Logo suspirei, fechando-o e saindo da biblioteca. Era melhor eu falar com eles primeiro, não estou tão confiante de que eu possa me controlar mesmo.
Desci as escadas correndo e fui até a sala, juntando-me aos outros na sala.
Assim que os avistei, bufei. Era incrível como Emmett conseguia arrumar um jogo todo dia para assistir. Ele não cansa não?!
— É que quando ele está com vontade de jogar, ele fica obcecado para assistir os jogos que passam. — respondeu Edward.
Não sabia que vampiros jogavam basebol. Como eles conseguem sem quebrar o taco ou transformar a bola em pó? Enfim. Deixei esse pensamento de lado e dei de ombros.
Emmett arqueou a sobrancelha para Edward e revirou os olhos. Ele deve ter percebido que estávamos falando dele.
Suspirei e dei uma olhada rápida em todos na sala.
Rosalie estava sentada numa poltrona ao lado dele e estava lixando suas unhas, sem parecer se importar com minha presença – e, de fato, ela estava; já que até hoje ela nunca me dirigira uma única palavra. Jasper estava olhando pela enorme janela da sala, enquanto Alice segurava sua mão e lhe dizia coisas carinhosas que preferi evitar escutar. Edward e Bella estavam sentados ao lado de Emmett no sofá e, como sempre, estavam de mãos dadas, enquanto observavam Renesmee montando um quebra-cabeça no chão da sala.
Nessie estava debruçada sobre as peças, com a face cheia de concentração e as sobrancelhas franzidas pensativamente. As várias peças estavam espalhadas pelo tapete, enquanto ela as organizava aos poucos, colocando-as no quebra-cabeça e montando-o facilmente, embora que, através de sua expressão, não esteja sendo tão fácil.
Sentei-me no chão ao lado do sofá, apoiei minha cabeça no mesmo e fechei os olhos, me concentrando para não pensar na sede. Mas quanto mais eu evitava pensar, parecia que surtia o efeito contrario.
— Tente relaxar, . — disse Edward, fazendo com que eu abrisse os olhos para encará-lo. — Quando ele chegar, prenda a respiração e pense em qualquer outra coisa. Vai ajudar.
— Não sei por que vocês estão tão tranqüilos. — murmurei. Afinal, eles mal conhecem o nível do meu autocontrole e pouco estão se preocupando. E se eu pular na garganta do pai de Bella?
— Confiamos em você. Sabemos que é forte o suficiente para agüentar a sede. — murmurou Alice, deixando de falar com Jasper, para vir em minha direção, sentando-se ao meu lado. — E prepare-se, ele chegará em cinco minutos.
— Como você sabe? — perguntei. Ela não poderia deduzir isso e ainda dizer com tanta certeza como disse.
— Oh! Pensei que soubesse. — ela murmurou e eu franzi a testa confusa. — Eu posso ver o futuro.
— O que? — arregalei os olhos. Ela não pode estar falando serio! Por que ninguém me contou antes? Caramba... Eu quero saber meu futuro!! — Sério mesmo? Pode prever o meu futuro então?
Agora o que Jasper disse fez sentido. Que Alice tem dores de cabeça quando tenta ver o que não consegue. Mas eu estava tão nervosa naquele dia, que nem prestei muita atenção. Eu não fazia idéia que Alice também tinha poderes...
Ela revirou os olhos.
— Não funciona como nos filmes. — ela resmungou. — Minhas visões são subjetivas. Elas acontecem de acordo com a decisão da pessoa. E eu não posso ver todos também...
— Como assim? — perguntei sem entender.
— Por exemplo. — ela pensou por um segundo e apontou para Bella. — Se Bella tomar a decisão de se levantar do sofá. Eu saberei no mesmo instante em que ela pensar nessa decisão e eu vejo as conseqüências dessa decisão também.
— Uau! — exclamei. — Mas o que você não pode ver? Será que consegue me ver? Ou eu sou estranha até nisso e você não consegue...
— Eu não vejo os lobos e nem crianças como Nessie. Então, resumindo, eu não vejo... mestiços. Algum “ser” metade humano e metade alguma coisa eu não consigo ver. Apenas vampiros e humanos. Mas vampiros é o que eu vejo melhor. Apesar que os mestiços podem, muitas vezes, atrapalhar minha visão deles.
— O que vê sobre mim? — perguntei animadamente. Ela revirou os olhos.
— Não sou uma cigana. — ela resmungou. Eu fiz biquinho e apertei os olhos, implorando. Normalmente eu só fazia isso com meus amigos quando queria algum favor deles. E eu conseguia. Alice revirou os olhos e suspirou em rendição. Há! Ainda sou boa nisso! — Ok, vou tentar ver algo. — ela fechou os olhos rapidamente, mas antes que ela pudesse dizer algo, escutamos um carro estacionando enfrente a mansão e Alice voltou ao normal, com a testa levemente franzida de preocupação.
Eu queria perguntá-la o que ela viu, mas apenas me concentrei em prender a respiração e não atacar o pai de Bella.
Bella estendeu uma caixinha pra mim e foi em direção a porta – que nem fora tocada ainda. Logo depois vi que na caixinha continham lentes e logo me repreendi por não me lembrar da cor de meus olhos.
Assim que Bella direcionou um olhar rápido em nossa direção, pude perceber que seus olhos estavam castanhos. Eu não sabia que cor eram os meus, mas coloquei rapidamente as lentes em meus olhos, piscado repetidamente. Argh! Esses negócios ainda me incomodam.
Assim que a campainha tocou, Bella prendeu a respiração e eu fiz o mesmo. Alice segurou meu braço disfarçadamente e sorriu reconfortantemente para mim.
Bella deu uma ultima puxada de ar, antes de abrir a porta, sorrindo um sorriso amável e alegre para o homem a sua frente.
— Oi pai! — disse ela.
Ele sorriu e a abraçou levemente. E percebi que ele estremeceu ao sentir a temperatura da pele dela, mas não disse nada.
— Ele ainda não se acostumou, já que não sabe o que ela é. — Edward sussurrou para mim.
Assenti.
— Como você está, Bells? — perguntou ele.
Ele aparentava estar na casa dos quarenta. Bella se parecia muito com ele. O mesmo tom de cabelo, assim como as mechas onduladas iguais dos mesmos.
Os olhos deles se apertaram quando sorriu para a filha, foi então que percebi seus olhos da mesma cor que os de Nessie, num castanho num tom de chocolate derretido. Então deduzi que Nessie herdara aqueles olhos de Bella em vez de Edward. E apesar de ter a aparência seria Charlie parecia muito amigável, mas não aparentava aquele tipo que fala muito. Bem como a Bella mesmo. Há! É uma Bella versão masculina!
— Cala a boca, . — Edward sussurro pra mim, segurando o riso. Revirei os olhos. Eu estou com a boca calada. — Então cale seus pensamentos.
Mostrei a língua pra ele e os vampiros presentes na sala abafaram o riso.
— Estou muito bem. Não sei por que o senhor ainda pergunta. — Bella riu levemente.
— Só checando. — ele sorriu e Bella deu passagem para que ele adentrasse a mansão. — Então? Cadê minha netinha linda?
Nessie levantou em um pulo do chão, assim que o ouviu. Correndo em sua direção com um enorme sorriso no rosto, enquanto gritava “vovô”.
Franzi a testa. Ele sabe que Bella tem uma filha? Mas ele não acha estranho que ela tenha uma filha, que aparenta quase 8 anos, com apenas 18 anos?
— Ele pensa que ela é uma sobrinha minha que adotamos. — Edward explicou numa velocidade incompreensível para ouvidos humanos.
Assenti e resignei um suspiro nervoso ao ter a visão do pescoço de Charlie. A pele tão fina... Tão macia... Tão tentadora...
— Alice. — Edward sibilou e Alice apertou mais meu braço. E Jasper caminhou disfarçadamente, sentando-se ao meu lado e segurando meu outro braço, mas um pouco mais agressivamente do que Alice.

— Eu estou bem. — sibilei com um pouco de ar que tinha em meus pulmões. — Não se pode nem mais pensar?

Alice e Jasper relaxaram um pouco o aperto em meu braço, mas ainda o mantiveram firme. Relaxei os ombros – que estavam tensos – e desviei meu olhar de Charlie.
— Como você está, querida? — perguntou ele. Eu só estava esperando não chamar a atenção dele. Se eu tivesse que usar minhas cordas vocais com ele... Ia ser um tanto difícil. E muito – muito mesmo – desconfortável.

— Ótima! Também por que agora eu tenho uma nova amiga! — ela disse animadamente.
Praguejei baixinho. Tomara que ela tenha outra amiga e não fale de mim. Eu adoro ela, mas ela não vai facilitar nada as coisas pra mim se falar sobre minha pessoa.

— É mesmo? Quem?

! — ela sorriu largamente. Droga! — Ali está ela! — ela ainda apontou em minha direção. Agora lembrei por que quando eu era humana não gostava de crianças. Elas fazem uma coisa inocente, mas que pode fud* com toda a sua vida!

Edward chutou minhas costas repreensivamente. Olhei raivosamente para ele, mas ignorei quando Nessie começou a falar novamente. Ele entendeu meus pensamentos errado. É claro que eu não estou falando que a odeio. Pensei para ele.
Argh! Quem manda ficar fuxicando na mente dos outros?! Acaba ouvindo o que não quer!

Percebi pelo canto do olho que ele revirou os olhos, então agarrei-me em Alice para que ela o visse caso ele tentasse me chutar de novo e me defendesse. Irmão chato! É por isso que nunca pedi irmãozinhos pra minha mãe. Mas agora é inevitável, já que tenho três. E mais três irmãs.

— Oh... não a conheço... — murmurou Charlie, olhando em minha direção.

— Ela é a nova filha adotiva. — murmurou Esme, surgindo pela sala.

Charlie arqueou as sobrancelhas surpreso. Claro que é de se surpreender que um cara que já tenha cinco filhos adotivos, e mais a família de seu filho para sustentar enquanto ele não pode, e ainda adote mais uma.

— Oh! Prazer em conhecê-la, . Sou Charlie Swan, chefe da policia de Forks. — ele disse educadamente, enquanto estendia a mão em um cumprimento em minha direção.

Senti a garganta arder insuportavelmente quando abri a boca para dizer algo e estiquei a mão para retribuir ao gesto educado. Então apenas assenti e agarrei-me a Alice e Jasper, mostrando-lhes que estava um pouco difícil minha situação.

Os dois apertaram meu braço e Alice abriu um sorriso amável para Charlie, que franziu a testa ao perceber que eu não retribuiria ao cumprimento.

— Ela é muito tímida. — respondeu ela.

Evitei bufar. Eu sempre fui fechada com algumas pessoas, mas nunca fui tímida. Não mesmo.

— Eu vou subir com para o quarto. Temos coisas importantes a fazer. — respondeu Alice. — Você pode nos acompanhar, Jasper querido?

Ele assentiu. E logo os dois estavam me carregando pelo braço pra longe da sala. Revirei os olhos. Claro que Charlie não estranharia eles me carregando pelo braço! É, eu estava sendo irônica.

Assim que achei seguro, soltei a respiração e puxei uma forte arfada de ar para gritar:

— Também foi um prazer conhecê-lo, Charlie!

Alice olhou para mim sem entender e eu dei de ombros.

— Eu não ia deixar que ele pensasse que sou tímida. Melhor que ele pense que eu estava indisposta. — respondi. Tímida? Ouch! Nem pensar!

Jasper e Alice riram, enquanto me acompanhavam até meu quarto e me deixavam na varanda, para que eu pudesse respirar melhor e acalmar meus instintos assassinos.
— Até que você tem um bom autocontrole. — Jasper murmurou, enquanto Alice sentava-se em minha cama e ele encostava-se na porta.

— Muito bom. — Alice o corrigiu, enquanto se acomodava mais confortavelmente em minha cama.—Geralmente, vampiros da sua idade e a de Bella não agüentam nem estar num mesmo ambiente que um humano sem atacá-lo... É, mas é melhor não abusar desse seu autocontrole.

Foi então que percebi que eles ficariam me vigiando até nossa visita ir embora.
Suspirei longamente quando me senti bem novamente, mas eu tinha certeza que minha palavra não os convenceria. Então me dei por vencida e sentei-me ao lado de Alice, com o notebook nas mãos.

— Tão a fim de um joguinho pra passar o tempo? — perguntei enquanto ligava o notebook.

Jasper revirou os olhos e Alice riu. Bem, pelo menos não terei de ficar enfiada no quarto sozinha.

11. Plano





A minha situação e a dos vampiros ao meu lado não era muito boa. Estávamos dentro de meu quarto há 3 horas e nada de Charlie ir embora. Tudo bem que somos vampiros, mas sentimos tédio como qualquer ser humano. E, neste momento, é o que mais sentimos.


Eu tentei amenizar a situação, procurando algo na internet que pudesse nos entreter, mas isso servia apenas por alguns minutos; pois logo virávamos a cara para outra coisa que não fosse a tela do notebook.


— Ah, mas que droga! Quanto tempo mais teremos que ficar aqui? — esbravejei. Eu sabia que a culpa de tudo isso era minha, mas quanto tempo mais Charlie poderia levar apenas para matar a saudades da filha e da neta? — Eu estou controlada o suficiente, será que não podemos nem ao menos descer?


— O seu autocontrole é muito bom , mas não podemos nos arriscar assim. — respondeu Jasper. A voz passiva que ele usou para dizer-me isso, fez com que eu arqueasse a sobrancelha e estranhasse sua expressão.


— Não posso prever quando Charlie vai embora, já que parece que Jacob está lá embaixo. Então só nos resta esperar mesmo, . — disse Alice.


Suspirei. Isso apenas ajudou para que me deixasse mais nervosa e com mais tédio. Será que não podíamos ao menos ficar em outro cômodo da casa? Estou enjoada de ficar aqui.


Senti uma onda de calmaria atingir-me – cobrindo totalmente a de nervosismo – e percebi que Jasper estava manipulando minhas emoções.


— Eu quero sentir o que eu tenho que sentir, Jasper. — resmunguei. Minha voz mal conseguia sair nervosa, pela quantidade de calmaria que dominava meu corpo.


Alice riu e apoiou-se mais no peito de Jasper.


Logo depois de entrarmos neste quarto, Jasper percebeu que Charlie demoraria a chegar e deixou de encostar-se na porta, para sentar-se na cama ao lado de Alice.


Tentei procurar mais alguma coisa na internet, mas foi em vão. Eu fechei o notebook – controlando meus movimentos para que eu não o fechasse forte demais – e deite-me na cama. Seria tão bom se eu pudesse dormir.


Todas às vezes em que eu discutia com minha mãe, eu tentava controlar as lagrimas de raiva e acabava adormecendo. E eu tenho que admitir, essa era a melhor parte. O sono relaxava meu corpo completamente, fazendo-me esquecer os motivos de tanta raiva, ou os motivos da discussão. Apenas me rendendo a minha imaginação, criando sonhos que eu queria que se tornassem reais.


Sonhos que eu sabia que nunca seriam reais, mas que eu – pelo menos – tinha a chance de viver em minha mente.


Como, os meus amigos juntos a mim novamente. Nós nos divertindo como sempre fazíamos. Ou... Meu falecido pai.


Antes, minha família era uma família quase perfeita. Éramos felizes, pelo menos. E eu era uma pessoa mais normal. Feliz.


Mas depois que ele morreu, as coisas só pioraram. Minha mãe se fechou em seu próprio mundo e mal falava comigo. Não se importava com nada ao seu redor... Então, aos meus 10 anos de idade, eu tive que tentar amenizar a minha dor, para conseguir me manter; pois minha mãe estava tão triste, que mal conseguia me consolar.


Foi por isso que amadureci cedo demais. Tentando cuidar das coisas que minha mãe deixava de lado, e tentando criar a responsabilidade de um adulto, sendo apenas uma criança.


As coisas foram muito difíceis pra mim, e a única coisa que me mantinha feliz nas horas vagas, eram meus amigos. Sempre divertidos, sempre me dando apoio, sempre me ajudando nas horas difíceis. É disso que mais sinto falta.


E eu temo por minha mãe agora. Como ela deve estar, pensando que estou morta. Como ela deve estar se mantendo... Eu queria ter notícias dela, mas eu logo eliminava esse pensamento de minha mente. Isso seria muito pior, se eu o fizesse.


Eu sou imortal. Ela é humana. Não podia viver junto a ela, sabendo que um dia, eu teria que suportar a dor de perdê-la. É melhor manter as coisas assim. Minha mãe sabe se cuidar. Eu tenho apenas que manter em minha mente o pensamento positivo, de que ela está bem. É o suficiente para me convencer a não ir até ela.


Fechei os olhos levemente e suspirei. Como eu queria ver seu rosto mais uma vez. Uma última vez...


Minhas memórias humanas são tão apagadas, que não faz jus nenhum a sua aparência. Seria ótimo pelo menos poder sonhar com ela algumas vezes. Sonhar com ela sorrindo, sendo feliz. É tudo o que eu queria pra ela.


Sonhar com meus amigos. Sonhar com o tempo onde tudo era mais fácil pra mim...


!


Abri os olhos ao ouvir o soar da voz de Nessie pelo corredor a fora. Escutei seus passos apressados correndo em direção ao meu quarto e sorri.


Acomodei-me melhor em minha cama e sentei-me. E logo nós nos deparamos com uma figura pequenina escancarando a porta e jogando-se na cama, com altas gargalhadas.


— Você não vai descer? — ela perguntou pra mim. Ela estava sentada no meio da cama, me encarando com os olhos inquisitivos.


— Não enquanto seu avô estiver aí embaixo. — respondi.


Ela franziu a testa.


— Ele já foi. Só o Jake que ainda está aí. — respondeu sorrindo.


Alice e Jasper pularam pra fora de minha cama e saíram dali no mesmo segundo.


Bufei. Pelo visto eu não era a única que não aguentava mais ficar neste quarto.


Nessie engatinhou até mim e deitou-se ao meu lado.


— Você não quer descer e brincar com Jacob? — perguntei. Eu já havia notado o quanto ela gostava dele. E ela preferir ficar comigo ao invés dele, era um pouco estranho.


Ela bocejou.


— Ele está conversando com o papai e a mamãe. — ela explicou.


Puxei-a até mim e posicionei sua cabeça confortavelmente sobre minha barriga. Ela estava com sono.


Comecei a acariciar seus cabelos e ela começou a bocejar, enquanto coçava os olhinhos.


Ela segurou minha outra mão entre as suas e fechou os olhos.


— Você sempre estará aqui... Não é? — ela perguntou temerosamente, sua voz mal passando de um sussurro pelo sono que sentia. Mas eu escutei perfeitamente, é claro.


Franzi a testa para sua pergunta. Eu não entendia por que ela estava incerta disso. Ou o porquê de tanto medo em saber a resposta. Mas tratei logo de tranquilizá-la.


— Sempre. — beijei o topo de sua cabeça. — Afinal, você precisa de uma melhor amiga para te ajudar quando você ficar adolescente. Pois não é nada fácil enganar um leitor de mentes.


Eu ri. Com certeza ela não estava entendendo muito o que eu dizia. Mas ela podia – pelo menos – entender que eu sempre estaria ao seu lado, ajudando-a e apoiando-a.


Ela sorriu sonolentamente e bocejou mais uma vez seguidamente.


— Bons sonhos, querida. — acariciei seu cabelo mais uma vez e a observei, enquanto suas expressões relaxavam e ela começava a ressonar baixinho.


Encarei um ponto vago por um momento. Era muito estranho esse amor maternal que eu sentia por Renesmee. Eu mal a conheço... E sinto como se ela fosse uma irmã... uma filha...


Balancei a cabeça fortemente para me livrar desses pensamentos loucos. Afinal, não possuo laços sanguíneos com Nessie...


Mas é realmente estranho.


Coloquei-a delicadamente sobre a minha cama e saí do quarto. Todos estavam lá embaixo.


Desci as escadas com passos silenciosos – para não acordá-la – e logo escutei os vampiros na sala.


Adentrei a sala e vi que todos estavam distraídos – mas ainda sim, com tédio – enquanto cada um fazia uma coisa. Alice estava com um caderno de desenho sobre o colo, enquanto fazia alguns rabiscos que pareciam ser um vestido. Jasper assistia ao jogo de basebol junto a Emmett, enquanto Alice acomodava-se em seu peito. Emmett estava atento ao jogo, mas parecia meio desanimado. Rosalie lixava as unhas. Bella conversava com o cachor-Jacob e Edward assistia ao jogo, parecendo impaciente.


Sentei-me no sofá, entre Esme e Edward e suspirei, enquanto deitava minha cabeça no encosto do sofá.


— Parece chateada. — disse Esme. Sua voz soando preocupadamente por meus ouvidos.


— Só estou... entediada. Todos os dias não há quase nada para se fazer. — murmurei.


Edward torceu os lábios e virou seu olhar para nós.


— Nós vamos propor algo a você que pode mudar isso. Mas só quando Carlisle chegar.


Franzi a testa, mas dei de ombros. Logo ele chegaria mesmo, não havia motivos para pressionar Edward a contar.


— Mas eu ainda não entendi por que eu tenho que continuar aqui. — murmurou Jacob. Fazendo com que Edward, Esme e eu o encarássemos. — Afinal, Nessie já adormeceu. Não há mais nada que possa me manter aqui.


— Eu hein. — murmurei. — Pensei que Bella também fosse sua amiga. Mas você prefere vir aqui somente para ver Nessie. Que estranho.


— Bem, é um pouco complicado de se explicar. — Edward respondeu.


— Hã? — murmurei sem entender. Havia uma explicação?


— Sim, er... Jacob é um lobo Quileute. E os lobos Quileutes, antes de serem lobos, eram espíritos mágicos e...


— Espera aí sangussuga. Não vai sair contando as lendas antigas do meu povo pra qualquer um. É proibido!


— Não vejo mal algum saber. Afinal, ela faz parte da família e todos nós sabemos sobre essas historias. — Bella murmurou.


Jacob estreitou os olhos pra ela.


— Então quer dizer que vocês ficam fofocando sobre os lobos...


— Conte logo Edward. — resmunguei.


Ele olhou para Jacob e deu de ombros.


— Como eles eram espíritos mágicos, ao se tornarem lobos, eles herdaram uma... capacidade “mágica” também.


— Que capacidade? — perguntei sem entender.


Jacob revirou os olhos.


— Até o leitor de mentes com esse negocio de magia. — ele bufou.


— Continuando. — Edward pigarreou para que Jacob calasse a boca. Ou pelo menos, foi assim que interpretei. — Os lobos podem “identificar” sua alma gêmea, através de um olhar apenas.


— Como um amor a primeira vista. Só que muito mais poderoso. Pois ele não é capaz de ficar longe da pessoa a partir do momento em que a vê. E ele sempre estará disposto a qualquer coisa por ela. A felicidade dela estará sempre em primeiro lugar pra ele. — continuou Bella.


Arregalei os olhos. Eu já estava vendo onde isso ia chegar... Mas era um absurdo!


— Eu também acho. Mas aconteceu. Esse acontecimento é chamado de “imprinting” e Jacob sofreu um imprinting por Nessie assim que ela nasceu.


— Mas ela era só um bebê! Ela é só uma criança! — eu exasperei-me. O que esses lobos são afinal? Pedófilos caninos?


— Não é bem assim. — Edward começou a explicar enquanto eu mandava um olhar raivoso para o cachorro. Já fiz trabalhos escolares o suficientes para ter nojo de qualquer pedófilo. Como eles permitem isso? Edward e Bella são loucos por acaso? — , pode por favor calar seus pensamentos e deixar eu explicar antes de tirar conclusões precipitadas? — cruzei os braços e revirei os olhos. — Ótimo. Então, er, os “imprintings” podem ser qualquer pessoa, em qualquer idade. Pois o amor que o lobo dará a essa pessoa, é de acordo com o que ela precisa. Renesmee não precisa de um namorado. — ouvi alguém bufar um “ainda” e Edward revirar os olhos. — Então Jacob ainda não a ama como um namorado. Ele a ama de acordo com o que ela precisa. Ela, nessa idade, precisa de um irmão, de um melhor amigo. E é isso que Jacob é para ela. Ele a ama como uma irmã. Por enquanto.


Estreitei os olhos. É bom mesmo. Se ele tentar alguma coisa com a Ness...


— Ele não vai. — Edward revirou os olhos. — Acha que aceitaríamos isso se ele fosse ser assim? Eu posso ler os pensamentos dele, eu sei que ele não a ama desse jeito. Não a quer desse jeito. Ele apenas quer protegê-la e vê-la feliz.


— Por enquanto. — murmurei, entendendo.


— Sanguessuga idiota. — Jacob bufou. — Até parece que eu seria assim. Preferia morrer a ser esse monstro que você pensa.


Mostrei a língua pra ele e ele revirou os olhos. Voltei a deitar minha cabeça no encosto do sofá e comecei a prestar atenção no jogo de basebol que Emmett assistia. Sério, qual o problema desse cara pra assistir só basebol o tempo todo?!


Assim que ouvi o som do carro de Carl do lado de fora da casa, levantei a cabeça do sofá e esperei ansiosamente para que ele entrasse logo. Afinal, Edward disse que eu só saberia o que eles queriam me propor quando Carlisle chegasse.


Assim que o escutei colocando o carro na garagem, em menos de 10 segundos, ele já estava entrando em casa com sua atual maleta – na velocidade vampiresca.


Ele sorriu para todos nós e colocou sua maleta sobre uma mesinha – como ele sempre fazia quando chegava.


Emmett abaixou mais ainda o volume da TV e todos voltaram sua atenção para Carlisle.


— Você já contou a , Edward? — perguntou ele, logo após dar um leve beijo na testa de Esme.


— Só disse que tínhamos uma proposta para ela. E que você a explicaria quando chegasse.


— Você não contou tudo a Jacob, contou? — ele perguntou preocupado e eu arqueei a sobrancelha. O que ele tinha a ver com a proposta que fariam a mim?


Edward negou levemente e Jacob franziu a testa, enquanto observava Carlisle. Pelo visto eu não era a única que não estava entendo nada desse propósito.


— Bom, temos que lhes explicar nossa situação. — Carlisle começou. — Alice, Bella e Edward se formaram a pouco tempo. E quase todos em Forks, sabiam que iríamos nos mudar para o Alasca para que eles fossem à faculdade. Só que, pelas circunstancias há um tempo atrás, nós não fomos embora. Pois — ele olhou para Bella e Jacob. —, Renesmee é o imprinting de Jacob, e eles não suportariam ficarem separados. Assim como Bella não pode abandonar seu pai, sendo que ele já se apegou a neta e não suportará ficar sem noticias da filha.


— Então vocês decidiram levar Nessie de mim agora? — perguntou Jacob, com sua voz adquirindo um tom descrente.


— Tomamos uma decisão. — respondeu ele. — Nós iremos permanecer mais algum tempo em Forks. Não tínhamos argumentos para convencer os moradores de Forks por que ficaríamos, mas nós conseguimos uma idéia.


Ele olhou para Bella.


, quando eu lhe disse que tínhamos um segundo problema, era que... Charlie conheceu você. Ele é chefe da policia de Forks, todos na cidade o conhece. E, com certeza, ele deixará escapar que os Cullen adotaram mais uma garota. E nós vamos nos aproveitar da situação, para termos mais um motivo para ficarmos, pelo menos por algum tempo. — Bella explicou.


Franzi a testa.


— Assim que seus olhos tornarem-se dourados, você irá para a Forks High School. — respondeu Edward e eu arregalei os olhos. — Alice, Bella e eu continuaremos em Forks, pois diremos que só iremos para a universidade ano que vem. Enquanto isso, você começa seu primeiro ano no colégio, novamente.


— Depois de um ano, Emmett, Jasper e Rosalie “voltariam” para casa da universidade que, supostamente, estariam cursando e ficariam por Forks. Bella, Alice e Edward se esconderiam por mais algum tempo, estando supostamente cursando a universidade do Alasca. E assim que você se formar, nós nos mudaremos, de verdade, de Forks.


— Então querem dizer que vão levar Nessie de mim assim que ela se formar? — Jacob rosnou. — Não podem fazer isso! Nem ela suportará os laços rompidos do imprinting.


— Você terá 4 anos para ficar com ela, Jacob. Assim que ela completar a maior idade, na aparência, ela poderá vir visitá-lo frequentemente. Essa foi a forma mais fácil que encontramos de não fazê-los sofrerem. — disse Edward. — Como Nahuel disse, ela terminará seu surto de crescimento aos 6 anos. Só dois anos longe dela. Vocês conseguirão.


Jacob respirou fundo e logo eu percebi que suas mãos tremiam. Ele estava nervoso com tudo isso. Mas Jasper tratou logo de mandar uma onda de calmaria para ele, que o fez relaxar e parar de tremer no mesmo segundo. Bom mesmo, eu ainda não estava acostumada com aquele lobo gigante.


Percebi que eu mantinha-me quieta durante toda a discussão e vi que estava na hora de eu me meter no assunto, que me envolve alias.


— Quanto tempo levará para que meus olhos fiquem dourados? — perguntei.


Edward olhou pra meus olhos e franziu a testa.


— Acho que três ou quatro meses. — deduziu e olhou para Carlisle. — Em três ou quatro meses ela começará a estudar.


— Mas espera aí! — todos olharam pra mim. — Eu começarei no primeiro ano? Mas eu parei no segundo...


— Mas você pode cursar esse ano novamente. — Bella disse pra mim. — Para o bem de Nessie, .


Suspirei.


— Tudo bem, é melhor do que ficar aqui sem fazer nada. — murmurei, recostando-me no sofá e suspirando.


— Mas e o autocontrole dela? Ela conseguirá ficar num ambiente com tantos humanos? — perguntou Jasper. — Em três meses o autocontrole dela não estará tão desenvolvido. Não podemos correr riscos, mandando-a sozinha.


— Mas não há como mandá-la com ninguém. Todos nós já estudamos em Forks. — respondeu Edward. — Pelo visto, teremos que cancelar esse plano. Não podemos correr riscos de atacar alguém. Teremos que ir embora de Forks mesmo.


— Todos nós estudamos em Forks, exceto um. — Bella murmurou e todos olharam para Jacob.


— Oh, não! — murmuramos juntos.


— Eu não quero um cão de guarda na minha cola. — resmunguei. Emmett abafou o riso.


— Eu não vou ficar correndo atrás de uma sanguessuga pra saber se ela morde alguém ou não. E nem vou para aquela escola cheia de mauricinhos. Estou muito bem na reserva. — murmurou ele.


— Você parou de estudar na reserva desde que Nessie nasceu! — Bella acusou. — Você disse que voltaria a estudar depois da luta com os Volturi, mas Seth me contou que você nunca mais colocou os pés naquela escola.


— E você parou no segundo ano. — concordou Edward. — Você deve ir com pra escola, Jacob.


Reprimi um gemido. Será que eles me obrigariam a estudar com aquele cachorro mesmo?


— Eu não vou. — ele rosnou.


— Tudo bem, então vamos fazer nossas malas para irmos para o Alasca! — disse Alice, provocando-o, enquanto piscava para nós.


— Ok! — ele gritou. — Mas não em Forks. Melhor que seja na Reserva, aí todos os lobos jovens que estudam lá pode vigiá-la. Em vez de mim.


— O povo Quileute conhece as lendas dos frios, Jacob. Não podemos correr riscos de que eles descubram que há um vampiro por lá. — disse Edward. — Aliás, nenhum não-quileute pode estudar lá.


Jacob soltou um suspiro frustrado e levou as mãos ao rosto.


— Se isso não fosse magoar Nessie, eu iria para o Alasca na boa. — resmunguei.


— Ok! Ok! Eu vou vigiar essa sanguessuga. — ele disse irritado.


Revirei os olhos. Já que ele pode me chamar de sanguessuga, vou começar a chamá-lo de cachorro. Totó, Fido... É, são ótimos apelidos.


— E estudar. Você não terminou os estudos, Jake. — disse Bella.


Ele suspirou de novo.


— Tudo bem, eu faço qualquer coisa, desde que não a levem embora. — ele respondeu com a voz baixa.


— Então, vamos ficar mais tempo em Forks! — comemorou Bella. — Foi ótima essa idéia! Será tão bom para Nessie.


— É, e não pensem que sãos os únicos a fazerem sacrifícios pela Nessie. Eu também farei, já que terei que ficar um longo tempo presa em casa, enquanto eles pensam que estou na universidade. — Rosalie resmungou. — Bem que nós poderíamos ter outra lua de mel, Emmett.


— Seria ótimo, ursinha. — ele beijou o rosto dela demoradamente.


Eu ri levemente. Eles são tão diferentes, mas ainda sim se gostam tanto. Chega a ser estranho.


Suspirei. É, vou ter que fazer um sacrifício pela minha melhor amiguinha. Mas é como eu mesma prometi, eu sempre faria qualquer coisa por ela. E esse será um sacrifício e tanto. E até agora não sei qual é a pior parte.


Ter que estudar o primeiro ano de novo. Ter que conviver com um bando de humanos sem saber se estou preparada. Ou ter que aturar um cachorro no meu pé, esperando para que eu ataque alguém para que ele possa ter um motivo para me matar.


É, que ótimo plano. ¬¬


12. Olhos dourados

3 Semanas depois

— Preste atenção! — Edward repreendeu-me.

Revirei os olhos, enquanto observava atentamente seus dedos moverem-se graciosamente sobre as teclas do piano. Foi só eu dizer que curtia o som do piano que ele já me obrigou a ter aulas – como se eu quisesse...

— Eu ouvi isso. — resmungou. — Mas eu garanto a você que é bem relaxante quando não se tem nada para fazer de madrugada. — ele sorriu torto. — Afinal, eu entendo o seu tédio, já passei anos e anos assim até conhecer Bella.

Eu ri. Lembrando-me de quando Emmett me contara que ele pulava a janela do quarto de Bella para vê-la dormir. Primeiro eu achei isso uma atitude idiota, mas depois que Emmett contou que ela falava enquanto dormia, percebi que Edward não era tão bobo assim. Quer dizer, ele podia descobrir tudo somente ouvindo-a a noite.

— Não era nada demais o que eu ouvia. Apenas ela dizendo meu nome... — murmurou ele. Ele usou o cotovelo para cutucar minhas costelas, indicando que eu voltasse minha atenção para seus movimentos. — Agora a melodia vai afinando-se no final, você notou isso?

— Claro. — reprimi a vontade de revirar os olhos.

Sua mão voou até minha cabeça fortemente, seguido de um “preste atenção”, enquanto eu soltava um muxoxo indignado. Ele pegou essa mania idiota de me repreender agora, é?

— Como estão indo? — perguntou Bella, interrompendo sua leitura para olhar para nós.

Ela estava ali na sala lendo “o morro dos ventos uivantes” – pela milionésima vez – e rindo das broncas que Edward me dava enquanto tentava me ensinar a tocar.

— Bem — respondi, ao mesmo tempo que Edward respondeu “péssimo”. Estreitei os olhos pra ele. — Eu sou uma vampira, entendo tudo numa só explicação! — resmunguei, empurrando suas mãos do piano e empurrando-o para mais para o lado no banco. — Agora dá espaço para uma profissional, maninho. — prendi meu cabelo num coque frouxo e fingi estralar os dedos. — Bella, poderia fazer o favor de bloquear minha mente? Sabe como é, vou me concentrar e ele vai rir dos meus pensamentos e eu não vou conseguir.

Ela riu e assentiu. Sorri satisfeita.

A verdade era que eu não tinha prestado atenção em nada do que Edward disse – haja paciência para prestar atenção – e se ele ouvisse isso seria mais um tapa na minha cabeça. Eu não prestei atenção, mas observei seus movimentos pelo piano e decorei – com minha memória perfeita de vampiro – todas as teclas que ele tocou seguidamente.

Fora que eu tive algumas aulas de piano aos meus 9 anos. Então eu aprendi o básico e parei de ir para essas aulas entediantes. Mas, pelo menos, aprendi a ter a postura e a entender as notas.

Estiquei meus dedos sobre as teclas e franzi a testa ao me lembrar do que Edward tocara. Então comecei a deslizar meus dedos suavemente pelo piano, enquanto a melodia ia se espalhando pelo local.

Não era bem a melodia de Edward que estava soando – aquela musica já havia me enjoado, então apenas inovei aquela musica ao meu estilo ou – pelo menos – tentei.

Sem saber como terminar a musica, apenas imitei o final da musica de Edward e terminei, passando minha mão por todas as teclas rapidamente – mostrando que terminei.

Edward estreitou os olhos e Bella aplaudiu levemente – rindo da cara de Edward.

— Pensei que não tivesse prestado atenção. — ele murmurou e eu reprimi a vontade de rir. — Bem, mas você ainda cometeu erros, imperceptíveis, mas ainda sim erros. Então você tem que...

Antes que ele terminasse de falar, pulei pra fora do piano e saí correndo do chalé deles. Ah, qual é? Fui apenas fazer uma visita a eles e ele me enche de tédio?! Ele não tem pena de mim não?

Caminhei pela trilha de volta pela mansão, pensando no quanto essas semanas passaram rápido.

Eu vivia reclamando de tédio pelos cantos, mas até que isso havia parado um pouco, já que eu tinha aprendido a me entreter lendo livros ou conversando com alguém que não estivesse... Bem, fazendo outras coisas em seus quartos.

As únicas pessoas com quem eu não conversava de madrugada eram Bella, Rosalie, Emmett e Edward. Pois eles não perdoavam uma noite.

Eliminei as lembranças de quando ouvi aquelas pancadas barulhentas e escandalosas e voltei a prestar atenção em meus passos. Eu precisava arrumar algo que me distraia o suficiente a noite para que eu não os ouça, isso já está corrompendo minha inocência.


4 Semanas depois


Para a alegria de Emmett, o inverno havia chegado, ou seja, hoje teria uma tempestade, ou seja, ele poderá jogar beisebol. Mas a melhor coisa é que será minha primeira atividade em família.

Nesse pouco tempo que eu estava com os Cullen, foi o suficiente para que eu os amasse mais do que tudo e nós nos afeiçoássemos.

Jasper nunca mais fez cara feia pra mim – eu sabia que era só questão de tempo. Meus três irmãos sempre me cumprimentam com um beijo terno na bochecha e sempre se sentem culpados quando eu estou com tédio e sem nada para fazer, enquanto eles estão... Er, sem detalhes.

Já Alice, essa adora tentar me mimar. Se eu não fosse tão chata, acho que já teria mudado minha personalidade drasticamente pela quantidade de dinheiro que ela desperdiçava comigo.

Falando em dinheiro, mês passado, Carl me deu um carro. Mas não era um carro qualquer era o carro, um Nissan GT-R [http://z.about.com/d/cars/1/0/3/4/1/ag_09gtr_front.jpg].

Eu fiquei chocada e tentei recusar, mas aí Bella disse que recusar não adiantava nada, então não insisti, né?!

Assim que ele me deu o carro, ele me deu um cartão de credito sem limites.

E Bella veio toda sorridente me entregar todos os meus documentos falsificados. Minha identidade, dizendo que eu tinha 15 anos – apesar de ter 16. E meu nome: Cullen. E ela ainda disse que foi ótimo reencontrar um tal de J. Jenks – o que fez Edward revirar os olhos e Jasper rir – mas não dei muita importância, pois ela continuou me entregando os documentos.

Uma carteira de motorista, passaporte, entre outros.

Eu sabia que se eu possuísse canais lacrimais estaria chorando naquele momento, então demonstrei minha emoção através de um abraço apertado em cada um.

Eu não conseguia esquecer aquele momento, pois foi a “oficialização” de que eu pertencia a família. Eu sei que é algo idiota, mas me senti muito bem ao ver o sobrenome Cullen ao lado do meu nome.

! — Emmett chamou-me, e parecia impaciente. Chacoalhei a cabeça minuciosamente e o encarei. — Nós já estamos indo, vai ficar aí parada?

Levantei-me da escada da varanda e sorri para ele. Ele estava radiante, todo eufórico, enquanto usava um boné de beisebol.

Alice veio até meu lado e logo colocou um boné igual ao de Emmett em minha cabeça.

— Você sabe jogar? — perguntou Alice. — Se não, pode se juntar a Bella na arbitragem.

— É, pra reforçar a vigilância em Alice e Edward, pois eles roubam. — disse Rosalie. Ah é, esqueci de contar que até Rosalie já está diferente comigo. Demorou, mas ela me aceitou.

Não que ela estava “toda sorrisos” pra mim agora, mas ela me trata igual trata a Bella. E pra mim isto já é suficiente.


Já estávamos todos na grande campina. Parecia mais um campo aberto ao pé dos picos Olympic do que uma campina, então entendi por que eles gostavam de jogar ali. E era realmente muito maior que qualquer estádio de beisebol que eu já tenha visto.

Cada um posicionou-se em seu lugar e eu olhei para Bella ao meu lado. Ela estava tranqüila, enquanto os observava.

— Não vai jogar? — perguntamos ao mesmo tempo e rimos logo em seguida.

— Eu vou ficar na arbitragem. Apesar de agora ser uma vampira, isso não ameniza o fato de que eu não sou boa em esportes.

Eu ri. Pra mim já era o contrario. Eu sempre fui boa em esportes, adorava jogar qualquer coisa, principalmente quando era com meus amigos no colégio. Mas... Depois que eles foram embora, apenas jogava por obrigação nas aulas de educação física, pois sem eles tudo perdeu a graça.

— Bem, então eu vou jogar. — eu disse, procurando com os olhos uma posição que eu pudesse entrar.

Pelo o que eu vi, faltava mais um jogador para começarmos. Mas Bella não queria jogar, então como...?

— Falta um! Deixe-me jogar! — Renesmee pediu e todos olharam para ela com o cenho franzido. — Eu não sou uma humana indefesa e o tio Emmett me ensinou todas as regras, eu consigo!

Ela fez biquinho e Edward sorriu torto pra ela, colocando-a ao seu lado para jogar junto a ele.

Carlisle me entregou um taco e ficou ao meu lado. Beleza! Adoro ser rebatedor!

Assim que formamos os times, todos posicionaram-se em seus lugares e olharam para Alice. Não entendi muito bem, mas quando seus olhos perderam o foco e ficaram vazios fitando o nada, eu entendi. Estavam esperando ela anunciar a hora certa.

Os olhos de Alice voltaram ao foco rapidamente e ela sorriu.

— Agora! — disse, suficientemente alto para que todos nós ouvíssemos.

Meio segundo depois dela dizer isso, um estrondo extremamente alto cortou no céu, ecoando por toda a campina, assim como nas montanhas no pico Olympic.

Carlisle lançou a bola até mim e um sorriso confiante apareceu em minha face. Minha percepção aumentou muito também, eu podia notar. Pois foi quando a bola estava suficientemente perto, eu lancei o taco para trás e atingi a bola em cheio o mais forte que pude.

Um barulho ensurdecedor sucedeu-se com o meu lançamento e eu assustei-me no mesmo instante.

Olhei para o taco para conferir se ele ainda estava inteiro em minhas mãos – só então percebendo que ele era feito de alumínio – e sorri. Meu lance foi perfeito! Saí correndo pelas bases, enquanto gargalhava de entusiasmo. Definitivamente, a excitação de um jogo também aumenta mil vezes mais quando se é vampira.


O jogo acabou e todos olharam pra mim totalmente chocados. Eu tinha feito jogadas incríveis, poderia até dizer que eu era quase como uma profissional – mas sei que isso é só por que eu sou uma vampira.

O jogo foi realmente muito divertido – Emmett tem razão, e agora não é só ele que ficará ansioso para a próxima tempestade para o próximo jogo.

Edward comprovou que era o mais rápido da família mesmo e até estragou umas jogadas minhas com essa velocidade que ele possui. Mas meu time acabou vencendo!

Emmett fazia parte do meu time, então ele não ficou emburrado nem nada, ficou eufórico.

— Essa é a irmã que eu sempre pedi aos céus! — Ele levantou-me em seus braços e colocou-me sobre seus ombros, gritando animadamente.

— É, agora você diz isso. Mas quando eu te venço no xadrez você fica resmungando o quanto eu sou irritante quando ganho. — eu ri.

Alice revirou os olhos. Pelo visto ela não se importava com essas atitudes de Emmett nas preferências de irmãs. Na verdade, até eu não me importo. Emmett é bipolar, uma hora ele me ama, uma hora ele ama Alice, outra hora está todo amiguinho da Bella ou lembrando a todos o que ela e Edward fazem no quarto todos os dias sempre que tem oportunidades.

Dei um tapa em seu outro ombro pra que ele me colocasse no chão e assim ele o fez.

— Que tal irmos caçar agora para comemorar? — Emmett propôs ao nosso time e olhou para os outros. — Os perdedores são bem vindos a vir também. — ele sorriu triunfantemente.

Edward revirou os olhos.

— Eu quero caçar um leão da montanha, papai! — Renesmee pediu e Edward a pegou no colo.

— Ok, princesa. Hoje você terá sua vez.

Eu sorri pra ela. Desde que ela começou a aparentar 10 anos, Edward estava permitindo que ela tivesse quase todas as experiências que ela quisesse.

Ele estava com medo dela crescer rápido demais e ele perder seus momentos com sua filha. Então, agora ele está tendo essa crise e vive grudado com Renesmee.

Nem Bella, nem Jacob, nem Rosalie, nem eu temos chances. Ele sempre está grudado com ela.

E por mais que ela adore passar seus tempos com ele, ela já está começando a ficar irritada, pois ela sempre gostou muito de seus momentos com o resto de nós e Edward estava sufocando-a. Pobre Renesmee.

— Bella, por favor bloqueie a , não agüento mais. — Edward resmungou e eu ri.

Ele também não agüenta mais ouvir meus pensamentos, pois eu sempre acabo zoando a cara dele sem querer com qualquer coisa, por mais simples que seja. E ele se irrita.

Então, pra evitar uma briguinha infantil de irmãos, Bella sempre bloqueia meus pensamentos, mas há vezes que ela esquece... Há! Perturbar os outros é tão bom.

Pena que é só ele que lê mentes... Ok, eu sou idiota mesmo. Pra quê estou desejando mais alguém fuçando minha mente? Já basta o Edward né!

— Então, vamos? — Emmett chamou, abraçando a cintura de Rosalie. — Quero só ver a caçando ursos.

Eu sempre caçava com alguém da família, mas a única vez que cacei fora das redondezas de Forks, foi na minha primeira vez com Bella e Edward.

Então somente eles me viram caçar animais mais selvagens. Mas isso não quer dizer que eu sou inexperiente com esses animais. Eu nem me sujo mais quando caço e desde que cheguei à Forks, não matei ninguém. Graças a Deus.

Meus olhos estão começando a perder o tom alaranjado de um mês atrás. Assim que eu vi a mudança, eu sempre pegava os espelhos que Rosalie usava e ficava encarando meus olhos maravilhada ao ver aquela cor horrível esvaindo-se de meus olhos.

Agora meus olhos estavam numa cor de mel, quase com o tom de ouro liquido; aquele tom castanho-dourado que eu tanto invejo em minha família... Mas meus olhos estão quase assim, pois ainda estão com alguns pontos alaranjados sobre eles. Mas isso não diminui minha felicidade, pelo contrario, isso prova a minha vitoria. A grande vitoria que obtive ao vencer meus instintos assassinos.

Sorri ao constatar que fui deixada pra trás e corri logo em seguida. Eles não podem nem esperar minha sessão de devaneios acabar para saírem correndo?


4 Semanas depois


Ouvir os saltos ecoando sobre assoalho do andar superior da mansão era um tanto estranho...

O baque que eles causavam em encontro com a madeira, não trazia-me nenhuma sensação de confiança e superioridade. De onde Alice tirou isso?

Ok, eu estava me sentindo alta, quer dizer, eu estava alta. Era isso que ela queria dizer com “superioridade”? Por que eu sinceramente não entendi por que eu tenho que usar essas coisas monstruosamente grandes e que podem me derrubar facilmente. Ok, eles podem não me derrubar facilmente, por que eu sou uma vampira e tenho um equilíbrio perfeito... Mas...

Droga! Eu não gosto dessas coisas!

— Alice isso não vai dar certo. — resmunguei, praticamente choramingando; enquanto ela forçava-me dar mais uma volta pelo corredor com aqueles scarpin de 15 cm.

, você ainda não está conseguindo andar perfeitamente no salto, você só parará de dar voltas quando acertar andar direito. E é claro que isso dará certo. Deu certo com a Bella... Mais ou menos.

Gemi. Quanto tempo mais ela me prenderá aqui?

— Lembre-se: primeiro os saltos, depois as pontas dos pés. — disse Alice. Revirei os olhos. Já era a milionésima vez que ela dizia isso. — Dê passos curtos. Não curve os joelhos, ! Eu já disse que não pode curvar os joelhos mais do que normalmente você faria!

— Desculpe Alice, mas por que eu estou fazendo isso mesmo? — murmurei sem entender.

— Por que, daqui duas semanas você irá para a Forks High School. E você não irá manchar a imagem dos Cullen!

— Pensei que o único empecilho era que não era pra eu desmascarar os Cullen matando um humano. — murmurei sem entender.

Alice revirou os olhos.

, querida. Eu e Rosalie éramos as que ditávamos moda naquele lugar. Todas as garotas queriam as roupas como as nossas, babavam pelas nossas roupas e tinham tentativas inúteis de nos imitar. Mas somente nós tínhamos a graça, postura e elegância de uma Cullen. Não manche nosso nome, agindo como Bella e indo de jeans e tênis.

Arregalei os olhos.

— Você está dizendo que quer que eu vá assim pra escola?! — apontei para a roupa que eu usava. Ok, não era tão exagerado. Era apenas um vestido bem detalhado e com decote e abertura nas costas. Mas eu nunca iria para a escola assim! Ainda mais com esses sapatos gigantes.

— É claro! — ela colocou as mãos na cintura.

— Alice, escola é um lugar onde eu vou passar a maior parte do meu tempo. Eu tenho que me sentir confortável. — olhei para a roupa que eu usava. — E essas roupas não me deixam confortável.

— Como não?! — ela exclamou. — Você está dizendo que quer ir de jeans para a escola? E de tênis? Francamente, Bella está te dando aulas de como ser brega também?

— Alice, todo mundo vai pra escola de jeans e tênis. Bem, tem aquelas garotas loiras e mimadas que vão com roupas de grife e que não tampam nada... Mas eu não sou uma delas e nem quero ser!

Alice riu e eu bufei irritada, tirando os sapatos de meus pés com uma mão só.

— Você não será como elas, . Você será melhor que elas. Superior.

— Eu não quero ser superior. — resmunguei. — Não quero chamar atenção.

— Ah, prepare-se querida, pois atenção é o que você mais vai chamar, mesmo que você entre lá vestida como uma mendiga.

Pensei nisso por um segundo. Todos me avisaram que somos belos, lindos, como deuses aos olhos humanos. Mas eu já sabia disso. Eu lembro-me bem de quando eu trabalhava na outra cidade e como todos os caras iam até meu emprego apenas para ficar me encarando deslumbrados.

Revirei os olhos. Tirei a – quase – pilha de livros que Alice colocara em minha cabeça e saí do andar, indo em direção ao meu quarto e deixando Alice sozinha bufando.

Eu ri levemente da irritação dela e fui até meu closet, procurando no meio de todas aquelas roupas alguma calça jeans.

Como foi mesmo que Bella me ensinou? Ela disse que eu tinha que decorar os cheiros e depois só farejar até achar.

Droga! Por que eu tenho que ter o olfato menos aguçado do que os outros?

Depois de um bom tempo revirando aquele closet, joguei-me na cama bufando e olhei para o nada. Eu estava irritada, prestes a explodir minha frustração.

Mas a melhor forma de eu não explodir, é eu permanecer quieta em meu canto até que meus ânimos diminuíssem. Mas nem sempre isso acontecia, pois sempre alguém vinha me ver e saber o porquê de eu estar com o olhar vazio igual ao da Alice. E estragavam minha tentativa.

Edward passou pelo corredor chamando por Renesmee – pois é, ele ainda está agarrado a ela e ela deu pra se esconder dele agora – e ele parou subitamente ao avistar a bagunça de roupas que vinha de meu closet e espalhava-se por meu quarto.

, você está bem? — ele perguntou, enquanto balançava a mão na frente do meu rosto.
Revirei os olhos.

— Eu preciso de algo que não seja de seda. — gemi frustrada. — Mas não consigo achar por causa dessa droga de olfato! — gritei de repente, fazendo ele dar um salto pra trás.

Ele riu e foi até a pilha de roupas. Não demorou nem alguns segundos e ele já conseguiu farejar uma calça jeans e lançar em minha direção.

— Uma camiseta também? — perguntou.

— Sem ser de seda ou rosa. — resmunguei.

Ele riu e jogou uma camiseta preta em minha direção. Ok, eu já disse que amo meu irmão?

Ele gargalhou.

— Nunca. — ele gargalhou de novo e depois parou. — , você viu a Nessie? Ela anda sumida. — ele torceu os lábios. É, eu sem bem por que ela anda sumida. — Por quê? — ele perguntou curioso e eu deixei meu pensamento ir a outra coisa.

— Ela... Ela... Eu não sei onde ela está. Agora eu vou me trocar, com licença. — disse qualquer coisa e levantei da cama, empurrando-o para fora de meu quarto antes que ele visse em minha mente que Nessie estava enjoada da companhia dele.

— Ela o que?! — ele perguntou assustado.

Dei um tapa na minha própria testa e o expulsei de uma vez do meu quarto. Por que será que quanto mais nós tentamos evitar pensar em algo é aí que mais pensamos? Mas que droga! Agora ele vai ficar chateado com Nessie, Nessie ficará chateada comigo e eu ficarei me xingando o tempo todo.

Coloquei a jeans e a camiseta e procurei por um tênis no meio da bagunça, mas não consegui achar nenhum. Droga, usar saltos?

Peguei a sandália mais simples que tinha – observe, era uma com o salto de 13 cm pra você ter noção.

Mas até que ela era mais confortável que os sapatos que Alice me dera.

Desci as escadas rapidamente e procurei por Renesmee pela casa.

Ouvi uma voz soando abafada e segui o som – eu tinha certeza que era a voz dela. Até que fiquei parada enfrente a uma porta – e se me lembro bem, é a porta do armário que Esme guarda todos os seus produtos de limpeza.

Abri a porta de uma vez só e vi Renesmee se assustar ao me ver, segurando um telefone contra o ouvido. Ela soltou um suspiro de alivio e colocou a mão no peito.

— Você não sabe o susto que me deu . Graças a Deus não era meu pai. — ela suspirou novamente e eu ouvi baixamente a voz do outro lado da linha. — Ah, eu estava falando com a , Jake.

Revirei os olhos. Será que ela não consegue ficar longe desse cachorro nem um dia sequer?

— Por que você está aqui? — perguntei.

Ela coçou a nuca.

— Promete que tentará não pensar nisso perto do meu pai? — ela perguntou receosamente.

Isso era inevitável, mas eu sempre tento – então não quebrarei a promessa, tecnicamente.

— Sim. — respondi.

Ela me puxou pra dentro do armário e fechou a porta – antes de olhar para os lados checando se havia alguém.

— Eu não agüento mais o meu pai no meu pé. — sussurrou ela. — No começo era até legal e divertido, mas agora ele quase não me deixa brincar com as outras pessoas. Nem o Jake eu estou vendo mais! Parece que ele me quer somente para ele!

Segurei o riso. Ele só está com medo de perdê-la.

— Então... por isso você se escondeu... — deduzi e ela assentiu.

— Então eu liguei para o Jake. — ela apontou para o telefone. — Para que ele pudesse me buscar para irmos até um parque em Port Angeles.

— Por que não pediu para que eu lhe levasse? — perguntei chateada. — Também estou com saudades de você, baixinha. Edward não deixa nem mesmo eu ficar com você. — eu ri, enquanto a abraçava de lado.

Ela sorriu levemente.

— É que o Jake prometeu me levar. — ela deu de ombros e depois arregalou os olhos e abriu a boca. — Já sei! Por que não vai com a gente?

Reprimi uma careta. Eu ainda estava me acostumando com o fato de que teria que ir pra escola com o cachorro. Não quero ficar perto dele.

— Não sei não, Ness...

— Por favor, por favor, por favor!! Talvez o Quil vai levar a Claire também. E já que você não se dá bem com o Jake, pode tentar conversar com o Quil, ele é bem legal. Ah, podemos chamar o Seth também! Ele se dá bem com você.

— Nessie, já é ruim o suficiente estar com um cachorro, com três então... — coloquei a mão na boca ao perceber o que eu tinha dito. Renesmee não gostava quando eu mostrava o quanto eu não gostava dos lobos, ainda mais chamando-os de “cachorros”.

Ela franziu as sobrancelhas e repreendeu-me silenciosamente.

— Está na hora de você parar de ter essa aversão a lobisomens. — ela balançou a cabeça negativamente. Incrível o quanto ela parece estar cada vez mais madura. Parece ter apenas 10 anos e se comporta como se tivesse 14 ou 15.

— Ok, mas eu não quero ir e ficar lá com eles. Se você pelo menos chamasse alguém que não fosse lobo para ir, eu até iria. — dei de ombros.

— Ok, eu até chamaria a Emily, ela é bem legal. Mas ela não iria querer sair sem o Sam e você não quer lobos demais conosco então... Olha, podemos ir somente eu, você e o Jake. O Quil ainda estava meio em duvida de ir, então não duvido se ele ficar em casa.

— Mas eu não me dou bem com o Jake. — frisei o apelido dele com desgosto.

— Por favor, somente um lobo não faz mal, ! — ela implorou.

— Não Ness. Você vai hoje com o cacho... com o Jacob e vai outro dia comigo. — eu propus.

Ela fez biquinho.

— Mas eu queria tanto você e o Jake comigo... Ao mesmo tempo.

Continuei firme em minha resposta, até que ela olhou pra mim com aqueles olhinhos fofinhos... Droga, ela ainda é boa nisso.

— Ok, ok! — gritei. — Mas eu não garanto que ficaremos em paz, Nessie. Aliás, eu não sei se já estou pronta o bastante para me controlar. — arregalei os olhos ao descobrir uma desculpa convincente. — Ah, Nessie querida. Eu ainda não tenho controle o suficiente para ficar perto de tantos humanos, não vou poder ir. Sinto muito.

Ela franziu os lábios e ficou em silencio por um tempo.

— Tudo bem... — ela suspirou. Reprimi a vontade de fazer a “dança da vitoria”. — Você pode chamar um vampiro pra vir conosco para te vigiar. Mas não pode ser o papai!

Reprimi uma careta, mas logo pensei que até que não era má idéia. Era a primeira vez que eu iria sair desse lugar. Seria legal.

Mas quem eu chamo? Bem, Edward não pode por que Nessie está se escondendo dele. Bella também não, pois quando Edward não achar Nessie, ele procurará por ela. Alice... Bem, ainda estou com raiva dela por me fazer usar roupas que não gosto. Rosalie... Bem, ela também não gosta de Jacob e Nessie ficaria irritada com nós duas atacando-o e xingando-o ao mesmo tempo. Jasper... Bem, ele seria perfeito para me vigiar, mas ele não se sente confortável perto de tantos humanos também. Bem, restou meu irmão querido (olha a ironia): Emmett!

— Que tal o Emmett? — perguntei. Ele com certeza não dispensará, ele adora coisas divertidas.

Os olhinhos de Nessie brilharam.

— Ótimo! — ela disse animadamente e pegou o telefone, discando um numero e colocando o telefone de volta no ouvido.

— Jakey! — Nessie disse animadamente e eu sorri. Tudo bem que ele era chato, mas a forma que ela gosta dele chega a ser fofo. — Mais duas pessoas irão com a gente!

— Quem? — ouvi a voz dele perguntar.

— A e o Emmett!

Silencio.

— Por que os sanguessugas estão indo?

— Cachorro. — bufei e Nessie me olhou torto. Ah, qual é? Ele pode e eu não?

— Jake! — ela repreendeu-o e ele bufou do outro lado da linha. —Quando você vem?

— Logo estarei aí, princesa.

Ela sorriu largamente.

— Tudo bem. Beijo Jakey! — ela olhou para mim animadamente e eu arqueei uma sobrancelha. — Vamos falar com o tio Emmett!!

Ela abriu a porta vagarosamente e olhou pros lados, antes de sair. Revirei os olhos.

Ela correu em direção a varanda na entrada da mansão e encontrou Emmett sentado na escada, enquanto jogava um jogo no celular distraidamente.

— Tio Emmett! — Nessie abraçou-o pelo pescoço e ele sorriu pra ela.

— Fala, monstrinha. — ele beijou a bochecha dela e eu revirei os olhos. Não gostei desse apelido. Pelo menos ela não se importa.

— Quer ir com a gente ao parque? — perguntou animadamente.

Emmett sorriu largamente.

— Claro, quem vai?

— Eu, a e o Jake!

Emmett olhou pra mim franzindo a testa e piscou.

— Beleza. — ela pulou animada e voltou para o armário, dizendo que era para a chamarmos assim que Jake chegasse. Emmett se levantou da escada e veio até mim, sorrindo marotamente. — Vamos aprontar contra o cachorro?

Revirei os olhos.

— Nessie não gosta quando fazemos algo contra o precioso Jacob. — resmunguei. Mas essa proposta era tentadora.

Ele bufou.

— Mas eu vou chamá-lo de cachorro do mesmo jeito.

Eu ri.

— Ok, vamos chamá-lo de cachorro, já é suficiente. Mas você precisa me vigiar, Emm. Eu ainda não me acostumei a ficar perto de humanos. — eu disse.

Ele franziu o cenho.

— Não vão tantas pessoas naquele parque. — ele deu de ombros. — Tem mais brinquedos para crianças do que para adultos, mas os adolescentes costumam ir lá como um “ponto de encontro” para saírem.

Assenti pensativamente. Então não seria tão ruim.

— Pelo menos não ficarei mais um dia trancada em casa. — murmurei. — Pela primeira vez na vida, eu estou ansiosa para ir para o colégio.

Ele gargalhou e me abraçou de lado.

— Pode escrever o que eu vou dizer, : você ainda vai se arrepender de ter dito isso. Não existe escola mais chata do que a dessa cidade. — ele gargalhou. — Cheia de pessoas mesquinhas e fofoqueiras que farão de tudo para conseguir sua amizade em busca de popularidade.

— Popularidade? — franzi o cenho. — Mas eu vou ser nova na escola.

— Mas não deixará de ser popular. Você será a mais bonita e encantadora da escola, então eles farão de tudo para se juntar a você. Mas você deve ser fria e cortar qualquer tipo de papo. Pois depois que você se relaciona com um humano, é difícil se separar dele e mais ainda manter seu segredo guardado.

Fiz careta. Eu nunca gostei de atenção em mim e se eu for popular... O que eu mais vou ter é atenção. Pessoas parando para me ver chegar, pessoas me olhando enquanto eu caminho até meu armário, pessoas fofocando sobre o que descobriram sobre minha vida... Droga. Isso não é pra mim. Pelo menos eu não tenho mais a capacidade de corar quando fico envergonhada...

— E aí sanguessugas?

Emmett e eu olhamos com desgosto para o cachorro que chegava. Estava com seu usual sorriso de deboche direcionado para nós, enquanto arqueava uma das sobrancelhas para que disséssemos alguma coisa.

— Então, já que vocês não vão falar nada... Onde está a Nessie? — perguntou.

Soltei-me do abraço de Emmett e fui até o armário que Nessie estava escondida. Abri a porta e ela levantou os braços aliviada.

— Até que enfim ele chegou! Aqui está muito abafado... — ela fez careta e eu ri.

— Ele está lá fora. — disse assim que ela me olhou com os olhos inquisitivos.

Ela foi rodando feito uma bailarina até a varanda e eu a segui.

— Jakey! — ela o abraçou fortemente, como se fizesse séculos que não se viam. O que fez eu e Emmett revirarmos os olhos.

— Então, vamos logo? — perguntei impaciente.

— Podemos ir no seu carro, ? Eu ainda não andei nele. — Nessie disse com os olhos brilhando e pude ter certeza que os meus também brilhavam a essa altura. Eu ia estrear meu bebê!

— Vamos!! — eu disse animadamente, enquanto corria pra dentro de casa, entrava no meu quarto e pegava as chaves.

— Que carro? — ouvi Jacob perguntar curiosamente, enquanto eu descia as escadas.

— Um Nissan GT-R que Carlisle deu a ela. — Emmett respondeu rindo. — Espero que ela pelo menos saiba dirigir rápido.

— Ah, sim. Eu adoro dirigir em alta velocidade. — disse, assim que apareci. — Até me lembro bem quando eu dirigia pelas estradas para as outras cidades, com um carrinho velho que eu tinha roubado. Eu forçava o motor a sua maior velocidade, até que ele não agüentou mais...

Emmett riu e Nessie desceu do colo de Jacob, vindo até mim.

— Eu posso ir na frente? — ela perguntou, segurando minha mão.

Olhei para Emmett.

— Crianças até que idade não podem ir na frente? — perguntei.

— A partir de 10 anos já pode.

Nessie pulou animada quando eu sorri pra ela.

Abri a porta da garagem e quase soltei um gritinho animado ao avistar meu carro.

Nessie cutucou minhas costas e eu me virei pra ela.

— Você vai deixar o Jake ir no carro, não é? — perguntou receosamente.

Olhei para Jacob que estava com os braços cruzados e bufei. Fazer o que, não é?

Entrei no carro, Nessie entrou no banco passageiro e Emmett entrou no do carona.

Olhei para Jacob, que ainda estava do lado de fora e revirei os olhos.

— O que você está esperando? — perguntei irritada. Será que ele não percebeu a minha ansiedade em ligar logo meu carro?

Ele riu levemente.

— Você não tinha respondido a pergunta da Ness.

Ajustei o retrovisor e coloquei as chaves lentamente – curtindo o momento e nem sequer dando atenção ao que o cachorro disse.

Depois que ele entrou no carro e sentou-se ao lado de Emmett que eu percebi que não tinha respondido.

— Só por que seu cheiro não me incomoda. — murmurei.

Emmett bufou.

— Sorte sua. — disse ele, enquanto franzia o nariz e abria a janela. E Jacob fez o mesmo. Revirei os olhos.

Coloquei o cinto de segurança em Nessie e liguei o carro. Ah, que emoção!

Não demorou muito para chegarmos ao parque – para o meu desanimo – então saímos logo do carro e Nessie já pulava animada para ir aos brinquedos.

O parque era grande até, e, diferente do que Emmett falara, ele estava cheio. Ainda estava entardecendo então ele estava cheio de crianças, famílias, skatistas, ciclistas e etc.

Nessie segurou minha mão e a de Jacob, enquanto corria e nos puxava pelo parque.

Emmett ria ao meu lado, enquanto ela nos levava a fila da roda gigante e quase todas as pessoas pararam para nos olhar deslumbrados.

Revirei os olhos e abracei Emmett, Rosalie não iria gostar desses olhares maliciosos em cima dele.

— Que coisa mais irritante. — murmurei. — Eles nunca aprenderam que ficar olhando demais uma pessoa é falta de educação?

Emmett gargalhou e passou o braço por meus ombros.

— Eles não conseguem evitar. — ele deu de ombros.

Nessie soltou minha mão e pediu para que Jake a colocasse em seus ombros – e como ele era extremamente alto, ela provavelmente conseguiu ver o parque inteiro dali.

Virei o rosto para a roda gigante, na intenção de desviar o olhar daquelas pessoas extremamente irritantes e tentadoras. Droga.

Finquei minhas unhas no braço de Emmett e ele se sobressaltou, olhando-me franzindo a testa; enquanto eu fechava os olhos e travava a garganta, com a mesma queimando no desejo do sangue daquelas pessoas.

— Devíamos termos caçado antes de vir, você não está tão preparada. — sussurrou ele.

Engoli em seco, como que para diminuir a queimação, e prendi a respiração.

— Você quer voltar? — ele perguntou delicadamente, enquanto segurava meu braço firmemente.

Abri os olhos e me concentrei, enquanto olhava para as pessoas com o desejo de matá-las brutalmente. Elas se encolheram assim que viram meu olhar e desviaram assustadas.

Continuei olhando, pensando em outra coisa qualquer e segurei mais forte no braço de Emmett.

Neguei levemente com a cabeça e usei meu estoque de ar pra responder.

— Eu consigo. — disse determinadamente.

Ele sorriu de lado e beijou minha cabeça.

— É isso aí, baixinha. Agüente firme. Você é mais forte que o instinto.

Assim que chegou a nossa vez, o funcionário fez questão de me ajudar a entrar na cabine da roda gigante – como se eu precisasse de ajuda.

Assim que começamos a subir ao alto, pude sentir a ardência se esvaindo a medida em que eu me afastava das outras pessoas e o ar batia mais forte contra meu rosto.

Abri a boca levemente e aspirei o ar a minha volta. Nenhum humano perto o bastante. Tudo de volta ao normal.

— Olha lá! — Nessie apontava para as coisas animadamente e eu sorria pra ela.

Depois disso meus pensamentos sobre sangue conseguiram sumir completamente de minha mente e eu me senti bem. Me senti equilibrada e confiante. Eu não atacaria ninguém.


Nessie nos fez andar em quase todos os brinquedos e eu já estava me acostumando com a ardência na garganta que os humanos causavam em mim. Então tudo foi até que bem divertido.

Jacob já havia conseguido vários brindes para Nessie; inclusive um enorme urso de pelúcia e vários outros brinquedos – que a deixou radiante. Emmett também se divertiu bastante jogando quase todos os jogos com Jacob e ganhando brindes que ele disse que era pra mim, Nessie e Rosalie.

Eu nem me importava com aqueles brindes. Na verdade, eu queria ganhar meus próprios brindes e dar alguns a Nessie também, mas eu não pude por que eu era uma garota pequena e indefesa e eles desconfiariam de minha força e capacidade avançada.

Já Emmett e Jacob eram tão monstruosamente grandes e musculosos, que eles apenas se assustavam.

Nessie já estava cheia de brindes e com sono – ela queria ir embora. Então eu apenas joguei todos os meus brindes a Emmett e os brindes dela a Jacob e a peguei no colo para que ela pudesse dormir.

E o efeito foi imediato. Ela deitou a cabeça em meu ombro e abraçou meu pescoço, bocejando constantemente.

Eu sei que muitos estranhariam que eu – uma garota não muito grande e magra – conseguisse carregar tão facilmente uma garota com quase 11 anos, mas não me importei. Ela estava cansada e as duas crianças gigantes estavam se divertindo demais para quererem ir embora.

Sério, não sei quem é mais infantil, Jacob ou Emmett. Emmett aposta alguma coisa com Jacob e ele aceita prontamente e quando um perde, fica brigando com quem ganhou dizendo que o mesmo roubou.

Eu já estava começando a me irritar, quando eles decidiram por fim ir ao “martelo de força”.

— Já chega! Esse é o ultimo! Nessie já está dormindo em meu colo e eu não agüento mais essas briguinhas infantis que vocês têm sempre quando um jogo termina! — gritei e varias pessoas olharam pra mim, mas não me importei.

— Nessie já dormiu? — Jacob perguntou surpreso, olhando pra ela em meu colo.

Revirei os olhos.

— É claro, imbecil. Foi por isso que te entreguei as coisas dela. — murmurei.

— Ah, chega de papo. Já que é o ultimo, vamos logo. — Emmett puxou Jacob e eu os segui.

— Ah, está ansioso pra perder grandão? — Jacob debochou.

— Eu sou muito mais forte que você, Fido!

— Vai sonhando!

— Claro que sou!

— Ei, ei, ei! — gritei. — Eu já disse para pararem com as briguinhas infan...

— Próximo! — o cara gritou, me interrompendo.

Ok, eu não estou com sede, mas estou com vontade de arrancar a cabeça daquele cara. Como ousa me interromper?

Emmett foi correndo na frente e o homem lhe entregou um martelo que lhe parecia – visivelmente – muito pesado. Emmett pegou de suas mãos como se o objeto tivesse o peso de uma caneta e o homem arregalou os olhos.

O homem havia segurado com as duas mãos e fazendo uma enorme força para entregá-lo a Emmett, mas Emmett apenas segurou com uma mão enquanto lhe dava um sorriso sacana.

Um forte estronde houve quando o martelo acertou a base. O ponteiro subiu tão rápido e forte, que voou e quebrou o brinquedo.

Emmett gargalhou, enquanto todos arregalavam os olhos e escancaravam a boca.

O pino voltou e Emmett o pegou facilmente nas mãos e entregou ao homem – que ainda estava estático.

— Ah, qual é Emmett?! Eu queria jogar também. — Jacob reclamou e Emmett gargalhou.

— Como se você fosse me vencer. — debochou.

— Ok, agora que você já quebrou o brinquedo, vamos embora. — puxei-os pelo braço.

Emmett tirou um bolo de notas do bolso e jogou nas mãos do homem que ainda permanecia estático.

— Espero que essa quantia resolva o pequeno problema. — Emmett disse segurando o riso e nós partimos em direção ao carro.

Jacob logo pediu para que ele dirigisse meu carro – com a desculpa que eu estava com Nessie no colo – e eu fiz careta, mas lhe entreguei as chaves.

Emmett sentou-se no banco passageiro e eu no do carona, colocando Nessie mais confortavelmente ao meu lado.

A viagem pra casa foi longa. Muito longa. Mas somente pelo fato de que Jacob e Emmett não paravam de discutir um minuto sequer. Um dizendo que o outro roubou nos jogos que jogaram.

Eu apenas controlei minha irritação – antes que eu desse um soco na cabeça dos dois e Jacob batesse meu carro – e acariciei os cabelos de Nessie inconscientemente durante todo o percurso.

Até que hoje foi um dia bem divertido, além de irritante. Mas eu gostei de passar meu tempo aqui com eles. E pela primeira vez eu consegui me controlar quando me encontrei num ambiente cheio de humanos. Um ambiente aberto, mas mesmo assim cheio de humanos.


1 Semanas depois

Cheguei em casa depois de uma maravilhosa caçada ao lado de Alice e Jasper e entrei em casa, doida por um banho. Eu não estava suja, nem de terra, sangue ou grama e pelo. Mas eu já havia me acostumado a tomar banho toda vez que chegava da caçada, então corri pro meu quarto e peguei uma roupa qualquer.

Depois de eu me queixar sobre Alice para Carlisle, ele disse a ela para comprar mais roupas ao meu gosto. Então ela comprou varias e varias calças jeans, camisas e tênis. Mas nenhuma era simples; mas fazer o que? Pelo menos ela comprou alguma coisa mais chegada ao meu gosto.

Fechei a porta do quarto, joguei as roupas sobre a cama e fui para o banheiro.

Fiquei enfrente ao espelho, tirei o laço que prendia meu cabelo, balancei a cabeça para que ele se soltasse mais facilmente; olhei para o espelho e paralisei.

Minha boca escancarou-se e meus olhos se arregalaram.

Meu olhar prendeu-se a íris de meus olhos e eu encarei aquela cor absurdamente clara e dourada em meus olhos. Meus olhos estão dourados!!



13. Início do Tormento




Terminei de ler o livro e coloquei-o sobre meu criado-mudo.
Deitei minha cabeça sobre o travesseiro macio de plumas e virei a cabeça para o relógio; que marcava 05h58min.


Pensei e repensei diversas vezes se procurava alguma coisa para fazer para me distrair, ou se começava a me arrumar para o colégio.


Bufei. Me arrumar para o colégio? Durante duas horas? Onde eu estou com a cabeça? Eu nem ao menos demorava uma hora quando era humana, imagine agora que sou mais rápida como vampira.


Olhei para a enorme parede de vidro de meu quarto e encarei o céu escuro da noite cheia de estrelas. Ainda nem havia amanhecido! Por que estou com essa ansiedade doentia para fazer algo que não quero fazer?


Tudo bem, não era bem assim. Eu queria ir pra escola. Mas, pelo simples fato, de que eu me livraria de ficar aqui e faria alguma coisa que me lembrasse dos antigos tempos. Do tempo quando eu era humana...


Levantei da cama num salto e fui até o closet. Escolhi uma roupa qualquer para meu primeiro dia de aula, joguei sobre a cama e corri para o banheiro.


Já que eu tinha tempo de sobra pra me arrumar, então vou demorar muito no meu banho. Deitada confortavelmente na banheira com o cheiro de sais dominando o ambiente.


Está certo que eu não me sentirei relaxada, por que não tem como eu me sentir relaxada, mas ajuda a me distrair. Ou pelo menos, é o que eu penso.


Pensei ter ouvido algum ruído em meu quarto, mas eliminei esse pensamento. Todos ainda estavam em seus quartos aproveitando a madrugada. Quer dizer, quase todos. Já que Carlisle ficou de plantão no hospital e Esme foi até Seattle para comprar alguns mantimentos para a casa – ou seja, comprar comida para fazer para Renesmee; já que Bella e Edward não prestavam para sair daquele quarto e irem comprar algo.


Assim que o ruído tornou a soar por meu quarto, eu levantei num pulo da banheira e enrolei-me na toalha.


Saí do quarto e dei-me de cara com Alice. Ela sorriu pra mim e voltou a fuçar no meu closet.


— O que você está fazendo? — Exigi saber, enquanto posicionava as mãos sobre minha cintura.


— Estou procurando a roupa perfeita para seu primeiro dia. Não temos muito tempo, faltam menos de duas horas.


Suspirei. Lá vem ela com esse papo de novo.


— Eu vou usar o que eu escolhi! — Apontei para a cama, só então percebendo que a roupa que eu havia escolhido não estava mais ali.


— Não — Ela pulou até mim com alguma roupa em suas mãos. —, você vai com essa maravilhosa roupa! — Ela mostrou pra mim uma roupa que não chegava a ser tão exagerada quanto pensei que seria.


Quer dizer, ainda não era algo parecido com o que eu costumava usar, mas não era tão... Do estilo de Alice.


Suspirei e peguei as roupas de suas mãos. Ela soltou um gritinho animado e saiu do quarto; mas com a promessa de que voltaria depois para fazer algo legal em meu cabelo. Bufei – como se eu fosse deixar.


Coloquei a blusa decotada de cor bege; a calça escura e agarrada, com um zíper na barra que dava um toque bem legal; e, por fim, uma jaqueta de couro preta – que deixei aberta mesmo, pois não sentia frio.


Prendi meu cabelo num coque frouxo e simples, coloquei um tênis qualquer e fui em direção à cômoda de meu quarto procurar o material escolar que Carlisle pediu para Alice comprar pra mim.


Peguei as coisas – absurdamente rosas – e guardei na mochila totalmente enfeitada – e rosa – que Alice comprou pra mim. Por que essa obsessão pela cor rosa? Cara, sério, eu não sei como consegui pegar amizade por essa baixinha – somos totalmente opostas!


! — Franzi a testa ao ouvir essa voz fina e infantil me chamar a essa hora da manhã.


Virei meu rosto em direção a porta e logo Renesmee entrou por ela, vindo em minha direção.


— Nessie, o que faz acordada há essa hora? — Perguntei confusa. Ela ainda parecia cansada e com muito sono; mas apenas deu de ombros e sentou-se em minha cama, observando-me.


— Mamãe disse que você e Jake iriam para a escola às 08hrs. Eu queria lhe desejar boa sorte antes disso.


Eu sorri e sentei-me ao seu lado na cama, abraçando-a pelos ombros.


— Não precisava ter acordado só pra isso. Está muito cedo e provavelmente você não conseguirá recuperar o sono perdido.


Ela bocejou – quase como que provando que eu estava errada.


— Eu não consegui dizer isso a vocês ontem antes de dormir. — Ela sorriu fraco.


Isso era verdade. Ela passou o dia todo com Edward e Bella numa caçada fora das redondezas de Forks e chegou exausta – indo direto para a cama.


— Bem, ainda falta muito pra eu ir pra escola. E já que você já disse o que queria dizer, pode ir dormir. — Eu beijei sua testa e voltei até a cômoda, continuando a arrumar meu material.


— Não... — Ela prolongou a palavra, por ter sido acompanhada por um bocejo. — Eu ainda preciso desejar boa sorte ao Jake.


Revirei os olhos.


— Então liga pra ele e volte a dormir. — Sugeri; na verdade, eu praticamente mandei.


— Como você disse, ainda falta muito para vocês irem para a aula. Não quero atrapalhar o sono dele, já que ele ficou de patrulha um bom tempo da madrugada.


Suspirei e olhei para ela.


— Mas como irá dar boa sorte a ele se não sabe a que horas ele estará acordado então? — Perguntei.


— Ele virá pra cá na hora de ir.


Fechei a gaveta da cômoda mais forte do que o realmente necessário – e rezei mentalmente para que o impacto não tenha quebrado nada, se não Esme brigaria comigo.


— O que?! — Exclamei. — Pra quê ele virá aqui antes?!


Nessie deu de ombros.


— Papai disse a ele para ir ao colégio junto a você, para o caso de você... — Ela bocejou. — Querer atacar alguém ao chegar ao estacionamento.


Bufei – como se isso fosse necessário. O estacionamento da escola é um ambiente bem aberto, eu não sentiria sede. Aliás, semana passada eu fui ao parque com Emmett, Jacob e Nessie e não ataquei ninguém. Na verdade, eu nem preciso desse cão na minha cola. Eu estou perfeitamente bem e sob controle.


— Somente precaução, . — Disse Edward, entrando em meu quarto. Revirei os olhos.


— Ok, mas ele não vai dirigir meu carro. — Disse amarguradamente. Eu já o deixei dirigir na volta do parque, e já vou cortando isso aqui; antes que ele adquira esse vicio de dirigir o meu carro.


— Tudo bem, acho que ele irá com a moto dele de qualquer forma — Edward deu de ombros e sentou-se ao lado de Renesmee na cama. — Que tal ir dormir mais um pouco, querida? Posso te chamar quando Jacob chegar.


Ela negou levemente com a cabeça e encostou-a no peito dele, bocejando mais uma vez.


— É melhor levá-la para dormir. — Eu discordei dela. — Não há motivos para ela esperar por ele durante duas horas.


— Eu estou bem. — Resmungou ela coçando os olhos. — Só preciso lavar o rosto para despertar melhor. E mais, eu posso dormir a qualquer hora do dia, não há por que ser agora.


Olhei para Edward, – esperando ele dar uma ordem de pai – mas ele apenas sorriu torto e deu de ombros.


— Renesmee é teimosa como a mãe. — Ele riu e eu voltei a arrumar meu material bufando.


Forks High School podia ser uma escola pequena, mas fez uma lista enorme de livros. Sorte que eu tinha força suficiente para carregá-los nas costas sem sofrer nada na coluna com o passar dos anos.


— É sério, Edward? Ouvi dizer que ela herdou a teimosia de outra pessoa. — Disse Alice, adentrando o quarto com alguns cremes para cabelo e uma escova.


Encarei com desagrado os objetos em sua mão e ela sorriu inocentemente para mim.


— Ah, nem vem Alice! Eu vou assim mesmo! — Apontei para o coque frouxo em minha cabeça. — Já estou usando as roupas que você escolheu, contente-se com isso.


Ela bufou.


— Pelo visto a teimosia da Nessie não foi herdada, e sim aprendida. — Ela murmurou, virando o olhar em direção a mim. — Com .


Eles gargalharam e eu revirei os olhos, terminando de arrumar minha mochila. Bem, agora é só esperar a hora passar para eu ir.



Assim que o cachorro chegou Renesmee logo desejou boa sorte a ele e – praticamente – desmaiou no sofá. Bella pegou-a no colo e Edward veio até mim, abraçando-me pelos ombros.


— Boa sorte, . — Ele beijou o topo de minha cabeça e estreitou os olhos para Jacob. — Não briguem, é muito temperamental.


— Obrigado pela parte que me toca, irmãozinho. — Belisquei sua bochecha e dei tapinhas em seu peito.


Alice pulou animadamente em minha direção e avaliou-me. Ela tinha conseguido mais algumas coisas de mim. Como: fazer-me usar um scarpin escuro com material aveludado e fazer-me usar um básico de maquiagem: Rímel, lápis, sombra e gloss.


— Você está maravilhosa! — Ela abraçou-me fortemente. — Você vai arrasar!


Bufei. Como se eu fizesse o estilo de garotas que gostam de arrasar.
Peguei minha mochila – idiotamente rosa – e caminhei até a entrada, mas antes que eu pudesse completar o percurso, braços circularam minha cintura e me giraram no alto.


Revirei os olhos. Já tinha uma idéia de quem era.


— Não acredito que já estava indo sem eu lhe desejar boa sorte. — Emmett beijou minha bochecha e colocou-me no chão.


— Não queria interrompê-los. — Sorri cinicamente. — E nem ouvir.
Rosalie gargalhou e jogou algo em minha direção. Peguei-o rapidamente e identifiquei como sendo uma caixinha enfeitadinha.


Arqueei uma sobrancelha pra ela e ela revirou os olhos.


— É só um presentinho para que você possa se lembrar de mim e de Emmett. Eu escolhi.


Abri a caixinha e vi uma linda gargantilha de ouro branco com um pingente de coração e as palavras gravadas numa linda grafia: para nossa irmã preferida.


— Ei! E eu? — Alice fingiu indignação.


Rosalie deu leves tapinhas na cabeça dela e a abraçou pelos ombros.


é a caçula, tem privilégios. — Respondeu. Há algum tempo atrás, um elogio vindo de Rosalie para mim, assustaria a todos. Mas, pelo visto, eu consegui conquistá-la com meu mau humor. Ou pelo fato de que eu estava fazendo algo que eu não gosto por Nessie, o amorzinho dela.


— Desculpe atrapalhar a reunião familiar, mas eu não quero me atrasar no primeiro dia de aula. — Jacob disse com sua voz soando arrastada e cansada. Puxa, ele estava com sono mesmo.


— Beleza, vamos, Fido. — Dei um tapa em seu ombro ao passar por ele. Ele estreitou os olhos, mas não disse nada. Embora a gargalhada de Rosalie e de Emmett tivessem sido ofensivas.


Ele subiu em sua moto, que identifiquei sendo uma Harley, e eu fui até a garagem para pegar meu carro.


Deixei que ele fosse à frente e o segui.



Assim que chegamos, estacionei meu carro e peguei minhas coisas, saindo do carro.


Pude ver vários olhares direcionados a mim e dei graças aos céus por não ser mais capaz de corar. Mas fiquei ligeiramente confusa... A atenção seria direcionada ao meu carro caro e lindo? A minha aparência inumana? Ou a preparação de Alice?


Numa sensação de desconforto, fui até Jacob e fiquei ao lado dele. Talvez ele desviasse a atenção de mim com aquele tamanho todo.


— Há! Tá com vergonha! — Ele riu e eu soquei seu ombro, ouvindo o barulho de algum osso se quebrando, em conjunto com seu gemido de dor. — Calma! Você pode falar e eu não?


— Ah, cale a boca, Jacob. Não tinha a intenção de ser muito forte.
Ele revirou os olhos e olhou no relógio.


— Faltam apenas cinco minutos para o sinal tocar, é melhor nos apressarmos. — Disse ele.


Ele começou a caminhar para o prédio da secretaria e eu o segui, com vários olhares acompanhando meus passos.


— Será que não tem um botão de desliga pra essa atenção toda? – Gemi ao olhar para os alunos que ainda me encaravam. Outro sorriu abobalhadamente quando olhei para ele. Eu mereço.


— Você não é a única que está se incomodando com isso. — Disse ele. — Seria mais fácil se eu mantivesse distância de você, mas como os Cullen me matariam se eu fizesse isso...


— Eu estou controlada, não precisa ficar na minha cola. — Rosnei.


Jacob me ignorou e continuou seguindo em frente, algumas pessoas olharam para ele, mas a expressão no rosto dele fazia desviarem o olhar rapidamente. Reparei em como ele fazia e percebi que ele possuía um olhar assustador.


Tentei imitar, mas não deu muito certo. Afinal, por que estou fazendo olhar de lobo assassino se posso muito bem fazer o olhar de uma vampira fatal?


Olhei para um garoto que me encarava e sorri sombriamente, transparecendo meus dentes brancos e pontiagudos. Ele desviou o olhar e eu voltei a andar, seguindo Jacob.


Todos que me olhavam, eu dava o mesmo sorriso, o que fazia com que eles se repelissem.


— Olha, ainda temos que pegar nossos horários na secretaria, então se apressa, sanguessuga. — Disse ele, impacientemente.


Bufei e apertei o passo, num ritmo mais rápido, mas que não deixasse mostrar minha resistência física ou velocidade.



Depois de pegarmos nossos horários, fomos rapidamente até nossa primeira aula. Inclusive, Carlisle fez questão de não manter as aparências ao me colocar nas mesmas aulas de Jacob. Todas. Será que ele não confiava nem um pouco no meu autocontrole?


Assim que entramos na sala, fui em direção a terceira carteira da quarta fileira – local que eu costumava sentar quando era humana – mas Jacob me puxou pelo cotovelo para a última carteira da primeira fileira – a que ficava mais perto da janela.


— Você tem que ficar num lugar que tenha mais ar, anta. — Disse como se fosse obvio.


Bufei e controlei um rosnado.


— Eu estou bem. — Disse entre dentes.


— Não vou correr riscos. Apesar, que seria bem legal arrancar sua cabeça caso você matasse um humano. Aliviaria um pouco meus tímpanos, já que você só sabe falar e reclamar.


— Não é verdade. — Me defendi. — Eu só reclamo no que eu tenho razão.


— Você sempre acha que está com razão. Bem como Alice.


Revirei os olhos. Eu pensei que podia, mas estava errada. Eu não podia agüentar isso por três anos. Muito menos esse bando de pirralhos me encarando como se eu fosse uma Deusa grega que saiu do Olímpo. Afinal, tudo seria mais aturável se eu estivesse na serie certa pra mim. Eu devia estar no terceiro ano e estou no primeiro, olha só que maravilha.


Não sei nem como ninguém não desconfia do Jacob. Quer dizer, devem desconfiar, mas secretamente. Afinal, os adolescentes do primeiro ano são tão pequenos e magrelos e ele é tão monstruosamente grande.


— Será que Nessie sentirá nossa falta? — Perguntou Jacob, após alguns minutos de aula. Estávamos copiando uma formula de física, mas aquilo eu já sabia, então nem dei muita atenção. Afinal, eu já estudei esse ano. Não precisava prestar atenção.


Suspirei. Realmente, Nessie poderia sentir nossa falta. Com quem ela mais ficava, era comigo e com Jacob. E nós dois estávamos presos aqui. Por ela, inclusive.


— Tenho certeza de que os outros a manterão ocupada. — Garanti. — Mas seria inevitável, não é? Nós dois somos os que ela mais brinca, então acho que sim.


— Sabe, ela tem um motivo pra gostar de mim. Mas não tem um pra gostar de você. Então eu não entendo por que ela gosta tanto de você.


— Todo mundo gosta de mim. — Disse convencidamente.


Ele revirou os olhos. E permanecemos quietos por alguns minutos.


— Você acha que conseguiremos agüentar todo esse tempo? Quer dizer, além de estarmos repetindo uma serie que já estudamos, também vamos estudar com pessoas mais novas. — Eu disse. Eu sempre tive essa rivalidade de idades. Ao menos na escola.


Ele deu de ombros.


— Já estou acostumado com infantilidades. — Ele mandou-me um olhar que dizia claramente o significado daquela frase.


— Eu não sou infantil! — Gritei e todos me olharam. Fuzilei Jacob com os olhos ao ser repreendida pelo professor. E fiquei com ainda mais raiva quando ele disse:


— Se a carapuça serviu, não posso fazer nada. — E sorriu de canto.



A hora do almoço foi excessivamente cansativa. Já estava me irritando com todos aqueles olhares em cima de nós. Quer dizer, em cima de mim já que ninguém se atrevia a olhar para Jacob por mais de um segundo.


Fiz careta enquanto tocava em meu lanche intacto na mesa. Era assustador e nojento de mais assistir Jacob comendo, e eu não queria olhar para os lados e ver olhares em mim, então apenas mantive minha atenção em meu prato cheio de comida. O que aumentou mais ainda meu tédio.


Senti passos se aproximando e fiquei, no mesmo instante, tensa.

Parei de cutucar meu lanche e paralisei meu corpo.


Um corpo se aproximou do meu e puxou uma cadeira para sentar-se ao meu lado.


— E aí? — Sorriu. E eu tinha que admitir que ele era muito bonito. Um sorriso brilhante, olhos azuis intensos e cabelos castanhos e ondulados caindo sobre seus olhos. — Sou Wesley, e você?


Jacob parou de comer e me observou. Uma pergunta clara em seu rosto: “você está controlada? Será que posso voltar a comer?”.


O ar quente do sangue de Wesley entrou por minhas narinas e levei, impulsivamente, a mão para o rosto. Tampando a boca e o nariz.


Ele olhou-me confuso e, disfarçadamente, aspirou o ar sob seu braço. Vi pelo canto do olho Jacob prender o riso.


O cachorro arrastou a cadeira pra mais perto de mim, imperceptivelmente, e segurou um de meus pulsos por baixo da mesa, enquanto continuava a comer com a outra mão.


— Sou . — Respondi dificilmente, sentindo a garganta arder muito ao avistar as linhas azuis tão tentadoras de seu pescoço.


Wesley franziu o cenho e percebi que ele encarava meus olhos.


— Er... Prazer em conhecê-la, seja bem vinda. — Ele levantou-se da cadeira, com o olhar um pouco assustado. — Tenho que ver algo com meus amigos do futebol, queria conversar com você, mas infelizmente não posso.


Ele saiu e eu suspirei aliviadamente. Jacob soltou meu pulso e voltou a comer com as duas mãos.


Peguei a colher de alumínio de meu prato e olhei meu reflexo. Meus olhos, que hoje cedo estavam num dourado claro e liquido, agora estavam totalmente obscurecidos pelo desejo. Desejo por sangue.


— Depois diz que está controlada. — Jacob riu, negando com a cabeça. — Fiquei realmente ansioso pra quebrar sua cabeça, mas isso não seria legal na frente de tantas testemunhas, apesar de que você seria vista como um monstro e eu, conseqüentemente, como herói. É, seria ótimo se você vacilasse...


— Cale a boca. — Rosnei. Ele gargalhou com a boca cheia, fazendo com que eu reprimisse a ânsia de vomito; apesar de que eu não vomitaria nada. Ele riu mais ainda.


Revirei os olhos e apoiei o cotovelo na mesa, apoiando meu queixo nele. Seria um longo ano.




14. Irritação, raiva e amor


Depois da hora do almoço, Jacob finalmente calou a boca. Primeiramente, pensei que ele havia parado com as provocações por estar cansado— como Nessie dissera —, mas logo desconsiderei esse pensamento, essa criatura devia estar apenas desprovida de criatividade. As piadinhas se esgotaram. E isso costuma acontecer muito freqüentemente quando Rosalie diz algo que lhe ofende e ele fica quieto.

Fomos até nossos armários para pegar nossos livros de inglês e, sem querer, acabei trombando com um garoto. Ah, sabe como é, eu sou muito distraída e não notei aquele ser minúsculo cheio de livros na minha frente. E, obviamente, ele caiu de bunda no chão — derrubando todos os livros — e eu permaneci intacta.

Jacob foi para rir da minha cara constrangida, mas o olhar em meu rosto fez com que ele prendesse o riso. Eu odiava quando alguém ria de mim num momento de constrangimento, por esse motivo que eu nunca fora zoada no colégio, pois eu sempre fui muito temperamental pra essas coisas.

Agachei-me e comecei a recolher todos os seus livros rapidamente, antes que ele percebesse. Ele ajeitou os óculos e encarou-me boquiaberto.

— Me desculpe por isso, eu estava distraída — disse eu, sorrindo o mais gentilmente que consegui. Isso era raro.

Ele assentiu exageradamente e olhou para os livros em minhas mãos. Minha mente avançada conseguiu contar, inconscientemente, onze livros, todos grossos. Ele parecia impressionado com a facilidade com a qual eu os segurava, então logo estiquei-os para que ele os pegasse.

Ele foi para pegar, mas suas mãos estavam tremulas e ele derrubou tudo novamente. Respirei fundo para acalmar-me, eu estava começando a odiar esse efeito dos vampiros nos humanos.

Fui para pegar os livros novamente, mas ele me impediu.

— P-pode deixar, e-eu me viro — gaguejou. Quanto mais ele se apressava para pegar os livros, mais vezes ele os derrubava. Alguns garotos riam da cena e eu olhei para Jacob para checar se ele fazia a mesma coisa, mas não. Ele apenas estava com as sobrancelhas arqueadas para o garoto, parecendo confuso com o jeito atrapalhado dele.

Jacob olhou pra mim e eu inclinei a cabeça em direção ao garoto, uma pergunta clara em meu olhar “será que posso ajudá-lo sem você me segurar?”. Ele revirou os olhos e eu tomei isso como um sim.

Agachei-me novamente e peguei todos os livros, o garoto foi pra protestar, mas eu já estava irritada e sibilei um “cale a boca”.

— Pra onde você ia? — perguntei, impacientemente.

— Pra bi-biblioteca — gaguejou. Ah, claro.

Peguei o mapa confuso que a mulher da secretaria me entregou e caminhei apressadamente até a biblioteca. O garoto ficou pra trás, mas pude sentir Jacob me seguindo.

— Não fica irritada com o garoto, a culpada foi você — disse ele.

— Não estou irritada com ele, estou irritada com tudo. E se você prezar pela sua vida, não vai vir com mais piadinhas pra cima de mim, pois eu já perdi a paciência.

Eu não sabia muito bem por que estava tão irritada, mas logo percebi que os ânimos vampirescos conseguiram assumir minhas emoções. Irritada, de novo. Sentia-me uma recém-criada novamente.

O garoto apareceu ao meu lado, correndo para ficar no mesmo ritmo que eu. Eu revirei os olhos. Esse era o nerd dos nerds. Tinha todo o jeito de nerd: os óculos, as roupas xadrez, calça por cima da blusa, cabelo lambido num penteado brega, e livros. Sorte dele que eu nunca tive esse “preconceito” contra esses “tipos” de alunos.

Entrei na biblioteca feito um raio e joguei — não literalmente — os livros numa mesa qualquer.

— Muito obriga...

— Ta, ta, ok — resmunguei e saí daquela sala. Até me surpreendi por não sentir sede naquele lugar abafado, mas a minha irritação estava tão elevada, que mal me importei com isso. O corredor já estava quase vazio, então tentei ser mais rápida. Tentei ler o mapa confuso em minhas mãos e me irritei mais ainda por não compreender nada.

— Pra que lado? — perguntei pra Jacob.

Ele fez uma careta ao tentar ler o mapa e bufou.

— Não sei. Só sei que de onde estávamos, era só virarmos a esquerda e estaríamos na sala, mas agora não faço a mínima idéia de onde estamos. Essa letra da secretária é horrível.

O sinal tocou e todos os alunos sumiram. Joguei as mãos pro ar exasperadamente ao ver o inspetor vir em nossa direção. Era só o que me faltava.

— Por que ainda não foram pra sala? Não ouviram o sinal tocar? — disse rabugentamente, e eu vi meu olhar se tornar vermelho.

— Por que essa merda de escola não dá tempo suficiente para um aluno novo ir até seu armário e entender esse mapa que parece mais ter sido rabiscado em um papel higiênico! — disse com uma oitava maior na voz.

O inspetor franziu as sobrancelhas e assentiu preguiçosamente.

— São os alunos novos... — suspirou. — Tudo bem, vou aliviar vocês dessa vez. Mas aconselho que decorem as salas, pois essa minha súbita bondade não irá se repetir.

Fechei os olhos e respirei fundo. Eu precisava me acalmar, parecia até que tinha acabado de ser transformada. Mas com o dia que eu tive hoje, estou até certa de ter explodido.

— Ok, onde fica a sala de inglês? — perguntou Jacob.

Notei que o inspetor avaliava o tamanho de Jacob e arqueava uma sobrancelha.

— Está em que série, senhor...?

— Jacob Black.

— Ok, Black, está em que série? É um veterano, não é? Então por que quer ir para a sala de inglês, sendo que a aula de inglês de agora é apenas para o primeiro ano?

Jacob revirou os olhos e bufou.

— Eu sou do primeiro ano — sua voz soou rouca, o que fez com que a tornasse mais assustadora.

— Ah! Bem... Er, talvez precise ir para o reforço da escola. Temos ótimos tutores. Talvez assim você possa se formar dessa vez.

— Eu não sou burro — ele disse descrente. — Estou no primeiro ano por que parei no primeiro ano e decidi continuar os estudos. Nunca repeti nenhuma serie.

Segurei o riso. Isso era mentira, ele estava repetindo o primeiro ano, assim como eu. E, ah, há outra mentira, já que ele é burro e disse que não é.

— Ah, bem, então devia estar fazendo o supletivo e não o colegial — sua voz era debochada e, mais uma vez, ele avaliou Jacob, como que dizendo que ele não pertencia àquele lugar.

Isso me irritou também. Ele não estava julgando Jacob apenas por ele ser grande, ele estava julgando por suas vestimentas também. E ninguém pode tentar humilhá-lo, a não ser eu!

— Creio que isso, quem decide é ele e não o senhor. E o diretor vai gostar muito de saber que você está prendendo os alunos no corredor em horário de aula, quando apenas perguntamos onde fica a sala de inglês — disse rispidamente e senti meus olhos deslizarem até seu pescoço.

Senti um fogo se arrastar por minha garganta e me encolhi, sem desprender meus olhos do pescoço do inspetor. Eu queria atacá-lo, mas não era pelo desejo por seu sangue, era desejo de matá-lo e livrar o mundo daquela criatura insignificante.

— Vamos, — Jacob segurou meu braço com força e me puxou, mas eu resisti e continuei com meus olhos focalizados no humano. Isso, humano. O que ele era não tinha a menor significância pra mim agora. — Vamos, — Jacob disse mais forte, conseguindo me arrastar pelo corredor. Assim que ficamos fora de vista do inspetor, ele me empurrou para a parede e apertou meu braço com mais força ainda. — Você ficou maluca? Eu vi o olhar psicopata na sua cara, não era sede. Você queria matá-lo!

Trinquei os dentes e fechei os olhos. Ele estava conseguindo me deixar com mais raiva apertando o meu braço daquele jeito. Mas então um pensamento veio a minha mente: eu já estou me irritando demais hoje, já é exagero. Respirei fundo e me acalmei um pouco.

— Eu me sinto estranha — murmurei de repente. Abri os olhos e o encarei. — É como se eu voltasse a ser uma recém-criada. Como se eu tivesse perdendo o controle de mim mesma como antes.

Ele franziu o cenho e afrouxou o aperto em meu braço. E foi então que eu vi em seus olhos: ele iria me matar um segundo atrás. Ele estava me compreendendo agora, mas não antes.

— O que você quer dizer com isso?

— Que nem eu mesma conhecia o monstro dentro de mim — ele franziu as sobrancelhas e eu suspirei. — Eu ainda não estou pronta. Eu me irritei com tudo e com todos. Achei que tinha passado dessa “fase”, por que na mansão tudo é mais calmo, mais simples... E como não fiquei mais irritada durante todo esse tempo, achei que essa “fase” não existia mais. Mas ela existe. Ainda.

Ele torceu os lábios e sorriu levemente, parecia um sorriso... Reconfortante? Jacob se solidarizando comigo? Há, essa é nova.

— Agora já era, . Você vai ter que superar isso.

— Eu sei.

— E, querendo ou não, você vai precisar de mim pra isso.

— Eu até poderia querer se você colaborasse! Qual é, você lembra do que Edward disse, não lembra? Eu sou temperamental, e você me irrita muito com essas piadinhas sem graça.

— É inevitável — ele riu. Bagunçou meu cabelo como Emmett faz e gargalhou. — É a relação que construímos para nós.

— Ok — estreitei os olhos e ri também. Era verdade. Por mais que brigássemos, eu gostava de Jacob. Ele é como aquele tipo amigo chato que todo mundo tem. E nós éramos assim, pois nós construímos essa relação “briguenta”.

Depois daquela conversa “sincera” que eu e Jacob tivemos, nós fomos para a aula mais pacificamente e o dia passou-se mais calmo. Agora, minha relação com ele estava mais parecida com a que eu tenho com Emmett, do que a que eu tinha com qualquer inimigo que eu quisesse matar — como antes. Bem, digamos que isso tornou as coisas mais confortáveis. Ainda brigamos algumas vezes, mas agora tudo era mais suave, mais amigável. Foi bom termos aquela conversa, eu gostei.

Pisei no acelerador com mais força e estreitei os olhos. Ok, Jacob era muito competitivo — e eu também, infelizmente. Tudo começou com uma inocente conversa sobre velocidade, e agora estávamos disputando uma corrida de quem chegava mais rápido à mansão. E eu tinha que admitir, aquela lataria que ele chamava de moto era veloz.

Sua moto apareceu ao lado do meu carro e eu quase gritei de ódio. Então apenas pisei o máximo que podia no acelerador e o carro chegou rapidamente a entrada da mansão, um segundo antes da moto de Jacob. Freei abruptamente e saí do carro triunfantemente.

— Ganhei! — dissemos em uníssono e logo desfizemos nossos sorrisos triunfantes.

— O que? Fui eu quem ganhou! — eu disse exasperadamente.

— Eu que cheguei primeiro! — ele disse, também exasperado.

— Não chegou! Eu tenho memória fotográfica de vampiro, meu querido, eu vi que fui eu!!! — berrei.

— Ei, vocês vão ficar aí discutindo, enquanto eu espero aqui um abraço? — Nessie cruzou os braços e fez biquinho.

Paramos de discutir e olhamos pra ela, ambos abrindo um sorriso no rosto.

— Ah, que saudades, minha florzinha — abracei-a como um urso e a beijei na bochecha. — Sentiu minha falta?

— Claro! — ela apertou seus braços no meu pescoço e beijou meu rosto. Logo desceu do meu colo e Jacob a abraçou do mesmo jeito que eu. Paga pau. — Senti sua falta também, Jakey. Isso aqui fica um tédio sem vocês.

— Ei! — berrou Emmett, parecendo irritado. Ele apontou um dedo para Renesmee e ela sorriu inocentemente. — Eu brinquei de cavalinho, de dança, de bailarina, de fada e de castelo encantado e você ainda vem me dizer que seu dia foi um tédio?

— Ah, tio Emmett, ele seria muito pior se não tivesse você!

Ele sorriu de canto e negou com a cabeça, murmurando “essa garota vai dar trabalho daqui uns anos” e vindo até mim. Eu revirei os olhos. Não tinha jeito, Renesmee encantava a todos.

— E, aí? Como foi seu primeiro dia? — Emmett me abraçou de lado.

— Insuportável.

Bella apareceu ao meu lado, franzindo a testa.

— Você não conseguiu se controlar? — perguntou preocupada.

— Mais ou menos. Mas não é bem por isso que meu dia foi insuportável.

Rosalie apareceu ao lado de Jacob e socou o braço dele.

— Cachorro! Além de estar sendo difícil para ter que se controlar, você ainda torna as coisas piores? — disse ela, visivelmente irritada.

— ‘Tá tudo bem, Rose, ele não fez nada. Quer dizer, ele fez, mas não foi tão insuportável, foi bem como ele é sempre.

Jacob revirou os olhos pra mim e eu dei de ombros. Ele queria o que? Era a verdade.

Vi Edward, Alice e Jasper se juntando a nós e fui até eles. Coloquei um braço no ombro de cada um e sorri para os outros.

— Não vamos entrar? Não quero ficar conversando do lado de fora de casa.

Jasper revirou os olhos e eu belisquei sua bochecha com a mão que estava por cima do ombro de Alice; ele estreitou os olhos pra mim, depois riu. Eu adorava esse povo.



Depois de relatar tudo o que aconteceu para todos — e depois para Carlisle e Esme que chegaram depois. Seth chegou á mansão depois — procurando por Jacob — e eu contei tudo pra ele também, e eu tinha que admitir: ele era mais legal que Jacob. Ele já tinha um ponto comigo por matar Riley e, agora que batemos um papo, ele se tornou meu lobo preferido.

Edward até disse que está pra existir pessoa mais sociável que eu e estranhei isso. Quer dizer, eu não era tão social quando era humana. As pessoas que chegavam para falar comigo na verdade, não o contrario. Estranho que eu tenha mudado assim.

Enfim, agora já estava de noite e Nessie estava morrendo de sono, deitada com a cabeça no colo de Jacob e as pernas no meu colo. Fala se existem pessoas mais corujas com uma criança do que nós?

Finalmente, Jacob decidiu ir embora e Nessie pediu para que eu lhe contasse uma historia, já que ela gostou de ouvir, como eu gosto de dizer para ela “minha primeira aventurinha como vampira na escola”. Fomos até o chalé e eu implorei para que Edward e Bella não se trancassem no quarto (para fazerem vocês sabem o que) enquanto eu estivesse ali.

Pensei em contar a Nessie algum conto de fada, mas ela já sabia todos. Na verdade, ela mesma leu os livros. Então decidi inventar uma historia qualquer, o que não deu muito certo, já que ela se animou com o enredo e não dormiu.

Contei uma história de uma garota que havia perdido a memória e precisava desvendar os mistérios de seu passado. Então, como percebi que Nessie amava romance, eu inventei que o namorado que a amava, tinha que reconquistá-la novamente e tentar fazê-la lembrar de todos os seus momentos juntos. Mas, como eu adoro suspenses, eu acabei tornando essa historia uma ficção e Nessie não dormiu. Então dei um final besta e romântico e ela dormiu logo em seguida.

Alisei seus cabelos e sorri, eu realmente não entendia o porquê de eu me dar tão bem com ela, de eu gostar tanto dela, como uma irmã ou filha. Cobri-a com o tecido fino que era sua coberta e beijei delicadamente sua testa.

Assim que virei-me para a porta, dei de cara com Edward, assistindo tudo com um sorriso terno no rosto. Coloquei as mãos na cintura e estreitei os olhos. Seu espião!

Ele riu levemente e eu saí pra fora do quarto, fechando a porta logo em seguida.

... Eu vi seus pensamentos e, devo admitir, eu também não entendo essa ligação que você e Renesmee têm — disse ele, baixinho. Olhei seriamente para ele, calada. — Posso ler os pensamentos de minha filha também. E o amor e carinho que ela sente por você, equivalem ao que ela sente por mim, por Bella e... por Jacob.

Olhei vagamente para a parede e franzi a testa.

— Por que...?

— Eu também não sei o porquê. Eu poderia dizer que é afeto, convívio, mas não é. É como se vocês tivessem sido irmãs ou mãe e filha em outra vida. É estranho, diferente, mas real. E fico feliz por isso, pois todos nós também gostamos muito de você.

Abracei Edward e sorri. Eu sentia uma sensação tão boa de conforto. Era a mesma sensação que eu sentia quando sentava na sala de minha casa entre meu pai e minha mãe, dando risada com eles dos programas da TV. Eu sentia-me bem novamente, pois eu tinha uma nova família.

— Eu amo vocês — solucei. Ele passou os braços ao meu redor e senti seus lábios em meu cabelo.

— Pode ter certeza que todos nós também amamos você, acredite em mim — ele riu e eu sorri levemente, ainda abraçada a ele. — Você nos conquistou muito rapidamente, . E agora que nos conquistou, nunca irá nos perder.

— Amém.


15. Suprindo



O segundo dia é sempre melhor. O segundo dia é sempre melhor. O segundo dia é sem...


, quer parar com esse mantra, está me irritando. — Resmungou Edward, tocando piano na sala da mansão.


Por mais estranho que isso possa parecer, ele e Bella não foram para o chalé terem os seus momentos. Eles apenas ficaram me fazendo companhia. No começo foi legal, conversamos sobre diversas coisas, mas depois eles começaram com aquele Love todo e eu fiquei com tédio e enjoada. E quando vi que estava dando a hora pra me arrumar pra escola, comecei com esse mantra de que o segundo dia sempre é melhor. E é, não é? Tomara.


, relaxe, no começo é sempre dificultoso, mas logo isso acaba. — Disse ele, parando de tocar e olhando pra mim.


— Se Jasper pudesse ir junto, seria mais fácil. Já que o único problema é eu controlar meus ânimos.


— Nem vem! Você ir pra escola já está me dando dor de cabeças. — Disse Jasper, aparecendo na escada com Alice em seu encalço.


Pensei em rir dele dizer que está tendo “dor de cabeça”, sendo que Alice é a única vampira no mundo que tem isso, mas depois entendi o significado de sua frase. Alice estava saindo do quarto todos os dias mais cedo que o normal só para escolher minhas roupas. O que atrapalhava um pouco as coisas para Jasper...


— Ugh! — Fiz careta. — Podem voltar para o quarto, eu me viro. Não quero ser a culpada pela abstinência de vocês.


— Pare de graça, . — Chiou Alice, vindo até mim e me puxando pela mão. — Agora vamos!


Gemi frustradamente, mas deixei que ela me arrastasse escada acima. Afinal, ninguém conseguia vencer Alice.



Hoje Alice tinha conseguido que eu colocasse um vestido de seda e uma sandália monstruosamente alta. Fora um penteado trabalhoso no meu cabelo e maquiagem. Eu estaria mais incomodada com isso, mas não estou. O porquê? É que eu não fui a única que cedeu a vontade de Alice.


Olhei para Jacob ao meu lado no carro e gargalhei mais uma vez. Ele estreitou os olhos e vi que suas mãos tremiam.


— Ah, qual é, não está tão ruim. — Eu disse, mas gargalhei logo em seguida. Eu não imaginei que isso era possível, mas Alice conseguiu transformar o Jacob num mauricinho. Quer dizer, ele estava vestido como um, mas não estava gostando nem um pouco.


— Por que diabos você teve que contar a ela do inspetor avaliando minhas roupas? — Ele rosnou. E torceu o nariz. — Além disso, essa roupa está fedendo a vampiro.


Eu gargalhei mais uma vez e voltei meus olhos pra estrada. Ah, é, esqueci de comentar. Jacob e eu fizemos um acordo. Na verdade, ele propôs e eu cedi contra gosto. Afinal, ele fez a proposta na frente de Renesmee e ela fez aqueles olhinhos até eu aceitar. A proposta era que eu dirigisse meu carro na ida pra escola e ele dirigisse na volta. Ele sempre foi doido pelo meu carro, tentava disfarçar, mas eu sabia. E ele comprovou meus pensamentos com isso.


— Se você não parar de rir, eu vou me transformar e arruinar seu carro todo. — Ameaçou e eu fechei a cara.


— Você não faria isso. — Estreitei meus olhos pra ele. — Assim você não dirigiria na volta.


Ele sorriu de canto.


— Se arrisque então.


Bufei e fiquei séria. Ele sabia que eu não arriscaria. E estava certo. E ele podia se transformar apenas no prazer de que arruinaria aquela roupa toda que Alice preparou pra ele. Uma camisa social (até bonita, não sei por que ele não gostou) e calça jeans escura de marca, muito cara. Sério, não sei por que ele está reclamando, não é ele que está em cima de uma arma mortal de 15 cm (vulgo sandália) e em um pano que deixa a mostra o máximo possível de pele (o vestido). Ok, você deve estar pensando: se ele não está tão ruim, então por que eu estou rindo? Simples, a cara irritada dele. É muito engraçada, sério.


Assim que chegamos á escola, comecei a repetir aquele mesmo mantra. E até me senti melhor. Sério, até consegui ignorar os olhares em cima de mim. Saímos do carro e eu sorri tranqüila, hoje seria melhor. Com certeza.



Hoje nossa primeira aula era Educação Física, junto aos veteranos. Hã, sério? Em Seattle as aulas de Educação Física terminavam no segundo ano. Bem, que seja, sempre gostei de esportes mesmo.


Dei graças a Deus por não estar sol e fui até o vestiário feminino me trocar. Enquanto pegava minha roupa no armário, senti que me observavam. Virei-me para ver e era a maioria das garotas me encarando com inveja. Eu hein, quem diria que algum dia alguém sentiria inveja de mim. Ignorei isso e me troquei.


Fiquei realmente com vergonha de sair do vestiário com aquele micro short e aquela blusa curta. Quer dizer, a blusa devia ser mais longa para cobrir o que o short não cobria, mas ok, eu agüento isso.


Fui até a quadra e notei que todos me olhavam, revirei os olhos. Isso já estava começando a ficar ridículo. Fui até onde Jacob estava e cruzei os braços.


— Já vai começar. — revirou os olhos. — ‘Tá irritada com o que agora?


— Com a atenção. — Disse como se fosse obvio. E era, ele que não via.


Notei o uniforme de Jacob e me solidarizei com ele. Afinal, ele era todo quente e ainda tinha que ficar com calça moletom pra fazer aula de educação física. Devia incomodar. Ainda bem que sou vampira e não sinto calor.


— Vocês dois! — A professora apontou pra mim e pra Jacob, que estávamos mais afastados dos outros. — Corram com o grupo.


Todos começaram a correr e Jacob e eu os seguimos. Demos várias voltas em círculos ao redor da quadra e eu reparei que nós dois éramos os únicos que não nos cansávamos. Cutuquei as costelas de Jacob com o cotovelo e ele me olhou. Eu respirei mais apressadamente e coloquei a mão no peito, dando a entender que eu estava cansada e ele devia estar também.


— Ah ta. — Resmungou e começou a diminuir o passo, acelerando sua respiração e fingindo cansaço.


Até que eu era boa nisso. Eu conseguia reparar nas diferenças melhor que Jacob!


Coloquei as mãos nos joelhos, como se estivesse dando uma parada pra respirar e um garoto veio até mim. Wow. Ele era realmente lindo. Se não tivesse os olhos verdes, eu diria que ele era um vampiro por tamanha beleza. Físico de atleta, forte, louro. Lindo. E veterano, pois era muito grande pra ser do primeiro ano.


— Hey, você está bem? — Perguntou, parecendo realmente preocupado.


— Sim. — Respondi, levantando-me e prendendo a respiração. Eu não queria correr o risco de atacar uma criatura tão bonita, seria um pecado enorme.


— Não quer tomar água? Você parece muito cansada. — Disse, ainda preocupado.


— Não obrigada. De qualquer forma, acredito que a professora não permitiria isso.


Ele olhou para a professora e sorriu levemente.


— Sou o representante da escola, acho que tenho privilégios. — Ele sorriu. — A propósito, meu nome é Oliver Cowell.


Ele estendeu a mão e eu estiquei a minha para cumprimentá-lo.


Cullen.


Ele franziu a testa — meio que imperceptivelmente — ao tocar minha mão, talvez pela temperatura, e logo sorriu educadamente.


— É um prazer conhecê-la.


Eu sorri. Ele era encantador.



Depois da aula de Educação Física, eu comecei a pensar que talvez não seria tão ruim a escola. Afinal, o Oliver foi muito simpático e amigável, nem parecia que ele tinha aquela admiração ridícula que todos os humanos tinham por mim. Ele era muito fofo e bom de papo. É, isso mesmo, nós batemos um papo durante a aula de educação física. Eu estava muito melhor por fazer uma amizade, mas Jacob teve que, infelizmente, trazer a razão para minha mente.


— Você sabe o que os Cullen lhe disseram. Você tem que manter as aparências, ficar longe para que eles não desconfiem de nada. — Disse repreensivamente. Bufei, ele achava que era quem pra me repreender? Mas ele estava certo.


— Ok, mas é que ele foi tão educado...


— Terá que resistir.


Torci os lábios. Tudo bem, era o certo a se fazer mesmo.


Mas quando chegou a hora do almoço e ele veio falar comigo, eu não consegui evitar. Eu falei com ele.


— Vocês não gostariam de se juntar a nós? — Ele apontou para uma mesa ao longe, onde havia pessoas se divertindo. E, olha que legal que ele é, incluiu o Jacob no convite também.


— Sim.


— Não.


Olhei para Jacob e me encolhi. Eu estava fazendo de novo. E eu não podia me envolver.


— Er — torci os lábios. — Não obrigada, prefiro ficar.


Ele olhou para Jacob por um segundo e voltou seus olhos pra mim, assentindo compreensivamente.


— Tudo bem, mas nada me impede de me juntar a vocês. — Ele puxou uma cadeira e olhou para mim como que perguntando “posso?”. Eu sorri e ele sentou-se ao meu lado.


Jacob parou de comer e encarou aquilo preocupadamente. Certo ele estava pensando se eu estava controlada. Mas eu estava. Eu estava reprimindo todos os meus sentidos para não atacá-lo, e não estava sendo difícil.


— Então, o que estão achando de Forks? — Perguntou ele, com um lindo sorriso.


— Eu já conheço Forks desde que nasci. — Resmungou Jacob e eu revirei os olhos. Ele podia ao menos tentar ser educado, não é?


— Ah, sério? Onde você mora?


Jacob o olhou como quem diz “não te interessa” e ficou calado. Olhei para ele e percebi que eu era quem devia estar agindo daquele jeito. Suspirei e olhei para Oliver.


— Oliver, nós queríamos nos manter excluídos, se não se importa. — Disse eu a contra gosto.


Ele pareceu magoado, mas logo mudou sua expressão e sorriu.


— Tudo bem, vou ser um excluído por hoje também.


Evitei dar um tapa em minha própria testa. Seria difícil.


— Fique atento. — Disse para Jacob, de forma que Oliver não conseguiria ouvir.


Aspirei profundamente o ar em volta de Oliver e senti minha garganta arder insuportavelmente com o cheiro de seu sangue. Segurei com uma mão na mesa e a apertei fortemente, enquanto Jacob segurava meu cotovelo.


Eu sorri para Oliver, sombriamente. Meus olhos focalizados em seu pescoço e o desejo de tomar seu sangue aumentando dentro de mim. Ele pareceu assustado ao ver meus olhos, mas manteve-se parado.


— Acho que você devia ir. — Eu disse, minha voz não saindo tão melódica e aveludada como antes. Soou assustadora.


Ele franziu o cenho e cruzou os braços.


, eu só quero pegar amizade com vocês, será que e tão horrível assim? — Perguntou ofendido. — Quer dizer, se eu for tão insuportável assim pode me dizer, não precisa ficar tentando me assustar com esse truque aí de mudar a cor dos olhos.


Senti que o material da mesa começava a ceder sobre minha mão, então a soltei. Mas por que Oliver não sentia medo como qualquer humano normal? Senti meu corpo relaxando aos poucos e prendi minha respiração.


— Você não é insuportável. — Eu garanti. Olhei para Jacob, implorando para que ele deixasse que eu amenos tivesse um dialogo amigável com aquele garoto. Eu não queria ser grossa. Ao menos, não com ele. — É que será melhor pra você que não pegue amizade conosco.


— Por quê? — Questionou e eu senti uma sensação estranha enquanto ele insistia em prender seus olhos verdes nos meus.


— Por que... Er, por que... — Eu não sabia o que dizer. Soltei meu cotovelo que Jacob segurava e o cutuquei nas costelas. — Diga a ele o porquê, Jacob.


— Hã? — Ele pareceu confuso. Olhou para Oliver sem saber o que dizer. — Por que... Somos muito irritantes... Problemáticos... Má companhia, er, má influencia... Tudo de ruim e...


— E... — Tentei continuar. — E nós...


— Ok, podem parar. Eu sei quando alguém está mentindo. — Ele arqueou uma sobrancelha pra nós e sorriu levemente. — Tudo bem, eu saio. Mas eu gostei das tentativas de vocês de se livrarem de mim.


Ele se levantou e saiu. Olhei para Jacob, confusa e sem entender nada, e percebi que ele estava da mesma forma.


— Acha que ele insistirá nessa amizade? — Perguntei.
— Não sei... Ao menos ele não é tão irritante. — Disse ele, voltando a comer. — Mas seria melhor que não. Ele não faz parte do mundo que vivemos.


— Tem razão. — Suspirei. — Mas eu também gostei dele.



As outras aulas foram menos estudo e eu quase gritei de estresse com aquele bando de pirralhos tacando bolinha de papel pra todo lado. Isso estava me irritando demais, principalmente a gritaria. O professor não fazia nada não?


Bufei e me recostei na cadeira, cruzando os braços e tentando me controlar. Era difícil me acostumar com esse descontrole todo que estou tendo, já que eu sempre fui controlada o bastante quando eu trabalhava com os humanos e... Quando eu vivia em Seattle. Mas as coisas eram diferentes agora, pois naquela época eu tinha todo o sangue humano que eu queria, na hora que eu queria. E, agora, eu tenho que me contentar com sangue de animais nojentos. A sede se tornou maior, mais incontrolável, pois meu organismo sente a falta do sangue humano... O doce e quente sangue humano...


Fechei os olhos com força e evitei dar um tapa no meu rosto pra recuperar a razão. Eu tinha que deixar de ser idiota. Eu já havia descoberto a muito tempo que quanto mais você evita pensar numa coisa, mais você pensa. E eu não posso pensar em sangue!


Senti o veneno pulsar em minha garganta e eu levantei correndo, saindo da sala rapidamente, pra não correr riscos de atacar alguém. Corri até o banheiro, mas antes de entrar senti puxarem o meu braço com força. Eu já sabia quem era é claro, já que ninguém mais naquele colégio teria força suficiente pra me parar.


— Você está bem? — Perguntou Jacob.


Comecei a respirar mais aceleradamente e levei meu olhar até ele.


— Eu só preciso ir ao banheiro e tentar me acalmar. — Respondi, soltando meu braço dele.


— Espere. — Disse e abriu a porta do banheiro. Encarei-o incredulamente e ele entrou no banheiro e fechou a porta, me deixando pra trás. Alguns segundos depois ele voltou. — Pode ir, não tem ninguém.


Eu suspirei frustrada e entrei. Fui até a pia e joguei o máximo de água fria em meu rosto. Mas não adiantava. Sequei meu rosto e me observei no espelho, sentindo uma vontade enorme de chorar.


Eu odiava isso. Odiava tudo isso. Estar com os Cullen aliviou a dor e a tristeza que eu sentia por ser esse monstro, mas tudo estava retornando avassaladoramente... O descontrole, a dor, a ardência, a sede...


Levei as mãos ao pescoço e apertei, começando a soluçar. Observei meus olhos escuros pelo desejo e me afastei do espelho, sentindo os espasmos do choro pelo meu corpo. Fui até a janela e passei minhas pernas por ela, pulando do segundo andar do prédio e pousando silenciosamente no chão. Saí correndo pela floresta que cercava o colégio e deixei o instinto me guiar.


Deixei toda a humanidade sair do meu corpo e corri livremente, em direção ao cheiro de um veado que estava próximo. Era isso, era só me alimentar dele que tudo ficaria bem de novo. Não, era mentira. Eu sentiria a sede de novo em breve. Sentiria o desejo de matar de novo... Eu não merecia viver! Esse monstro dentro de mim não merecia viver!


Encontrei o animal e, ao perceber minha presença, ele correu, mas eu o segui. Assim que o peguei em minhas mãos e, quando estava pra cravar meus dentes em sua pele, congelei ao ouvir passos atrás de mim. Sorri em deleite ao sentir o doce aroma de sangue... Sangue humano.


Soltei o animal e ele saiu correndo. O garoto estava parado ao meu lado, me encarando paralisado. E eu não sabia se o olhar em sua face era de medo ou deslumbramento. Sorri, olhando para as linhas azuis de seu pescoço. Com o sangue correndo por ali... Tão quente, tão doce...


Comecei a caminhar em direção a ele e senti um tremor em meu corpo ao notar um corte em uma de suas mãos. Parei meus movimentos e sacudi a cabeça com força. O que eu estava pensando? Eu não podia fazer nada com ele!


Dei um passo pra trás e senti o medo em meus pensamentos. O medo de matá-lo... E o medo de não sentir o gosto de seu sangue. O gosto maravilhoso que era o sangue humano pra mim, e que a tanto tempo eu não sentia...


Só uma gota bastaria... Só o toque de uma gota em minha língua seria suficiente... Não! Eu sabia que uma gota nunca seria suficiente. Eu não podia fazer isso. Mas então um pensamento, que não era meu, veio a minha mente. Assustador e tão... Tentador.
Você sabe que não merece viver. E a forma mais fácil de acabar com isso, é saciar sua sede com esse delicioso humano e deixar que o Quileute lhe mate rapidamente. Toda a dor, toda a frustração, tudo... Sumiria. E você estaria em paz.
Eu não pensei. Eu apenas escutei aquela voz em minha mente, repetindo e repetindo o que eu tinha que fazer. Eu nem pensei em que voz seria aquela e por que estava me induzindo, eu apenas dei passos em direção ao garoto sentindo tanto desejo que nunca senti em minha vida.


Ele parecia hipnotizado por mim, e não se mexia. Ótimo, facilitaria pra mim. Observei o sangue saindo do corte de sua mão e inspirei o cheiro, fechando os olhos ao imaginar o prazer ao prová-lo.


Peguei sua mão na minha delicadamente e vi um suspiro sair pelos lábios dele. Era como se ele quisesse... Como se ele estivesse se oferecendo pra mim. Levei sua mão aos lábios e passei minha língua pelo seu sangue, seguindo até seu corte. Ele estremeceu e fechou os olhos e eu senti a ardência queimar mais e mais em minha garganta. Meus pensamentos se tornaram irracionais ao provar seu sangue e eu o puxei para mim. O corte em sua mão se fechou após eu lambê-lo, então eu levei meus lábios ao seu pescoço. Inspirei o aroma de sua pele e não entendi por que eu estava prolongando tudo isso, mas eu não conseguia resistir, era como se eu não estivesse mais no controle de meu corpo, ou de minhas ações.


Encostei meus lábios em sua pele como um beijo e abri-os, mordendo-o delicadamente e segurando-me em seus ombros. Eu devia ter acabado logo com tudo, drenado o sangue de seu corpo o mais rápido possível, mas eu não conseguia. Era como se eu estivesse aproveitando o momento, pois sabia que seria o último; assim que Jacob me encontrasse com o humano morto, ele me mataria no mesmo instante.


Senti o seu sangue quente e doce aliviar totalmente a minha ardência e eu gemi em prazer. Tudo estava normal de novo. Não havia mais ardência, apenas o prazer. O delicioso prazer de provar seu sangue.


Segurei-o com mais força contra mim e suguei o resto de seu sangue. Por mais estranho que parecesse, ele não havia reagido, não havia tentado fugir, e não havia gritado ao sentir meu veneno em seu corpo. Isso tudo era muito estranho, mas eu ignorei.


Assim que seu corpo foi completamente drenado eu o soltei e ele caiu como um boneco no chão. Limpei minha boca com as costas das mãos e senti a razão voltar a minha mente.


Não... Não!


Arregalei os olhos ao ver o corpo do garoto no chão e comecei a soluçar. Não! Depois de tanto tempo sem sangue humano, como eu pude fazer isso?!


Deixei-me cair de joelhos no chão e gritei, muito alto. Se eu não estivesse longe da escola, todos escutariam. Sentei sobre meus tornozelos e levei as mãos ao rosto, chorando desesperadamente.


Ouvi um rosnar alto e levantei os olhos. O mesmo lobo enorme que eu havia visto antes estava com os lábios repuxados sobre os dentes, rosnando alto pra mim e pronto pra me matar.


Não tentei reagir, não tentei explicar, não tentei nada... Apenas o olhei tristemente e abaixei a cabeça... Com apenas uma frase sendo sussurrada por meus lábios:


— Acabe logo com isso.






N/A: Pois é, a tensão na fic começa a partir de agora!!
O que acharam desse novo humano querendo sua amizade??
O que foi esse descontrole?? E essa voz falando na sua cabeça? E, a questão maior de todas, Jake vai te entender ou vai te matar???
Comentem!!!! ;D

16. Induzida



Segurei o soluço que ameaçava escapar por minha garganta e apertei meus braços ao meu redor. Por que ele estava demorando tanto? Por que ele não acabava com tudo de uma vez? Por que não acabava logo com minha culpa e me dava paz?


Levantei minha cabeça levemente e encarei-o.


Não havia nada ali. Ele havia ido embora e eu nem ao menos percebi. Eu não acredito que ele fez isso! Justo por que eu queria morrer, ele vai embora.


Sentei na grama e abracei os joelhos, voltando a chorar. Tudo estava acabado agora. Minha família não me perdoaria quando eu chegasse lá com os olhos vermelhos. Eles teriam nojo, raiva, desprezo... Decepção. Me odiariam, e eu não seria capaz de agüentar.


Coloquei a cabeça sobre os braços e solucei fortemente, fazendo meu corpo balançar e estremecer. Senti um choque térmico ao sentir o que parecia ser fogo rodeando-me. Levantei a cabeça e vi Jacob com um de seus braços sobre meus ombros e um olhar que transbordava compaixão. Em qualquer outro momento eu teria rido, zoado ele, brincado... Mas tudo que eu consegui fazer agora foi abraçá-lo e chorar sem lágrimas em seu ombro.


— Você devia ter me matado. — Sussurrei, minha voz soando tão embargada que mal a reconheci.


Ele respirou fundo e deu de ombros.


— Eu não mato meus amigos. — Murmurou. — Eu os ajudo.


O fantasma de um sorriso surgiu em meus lábios, mas logo me lembrei do quanto ele estava soando errado e desmanchei-o.


— Eu não mereço ter amigos. Eu... Você tem que me matar — fiquei enfrente a ele e me ajoelhei, voltando a mesma posição vulnerável de antes. — Por favor.


Ele suspirou e me olhou com pena. Eu odiava que as pessoas me olhassem com pena. Mas nesse momento eu sentia que merecia.


— Eu não entendo como é se sentir assim, mas... Tudo que eu posso te dizer, , é que você nunca deve desistir. Você está arrependida e isso é tudo o que importa. Você vai superar isso, assim como todos os Cullen superaram.


Outro soluço escapou por meus lábios ao me lembrar de minha recém formada família. Que agora eu perderia.


— Eles vão me odiar... Eu não posso voltar pra casa... E eu não vou conseguir superar sem minha família.


— Eles não vão te odiar. — Jacob me garantiu.


— Para de ser tão otimista! — Gritei, ficando de pé e começando a ter ódio de mim mesma. Do quão injusto o mundo estava sendo comigo. — Eu nunca vou deixar de ter essa fera compulsiva e sedenta por sangue dentro de mim! Ninguém pode garantir quantas vezes eu cometerei esse mesmo deslize, esse mesmo erro. E eu não quero voltar a cometê-lo! — Passei uma mão tremula pelo meu rosto e puxei meu cabelo pra trás. — Não importa se minha família irá me consolar ou não, por que não há mais esperanças dentro de mim! Eu não mereço viver!! Eu tenho que morrer o mais rápido possível!


Isso... Você tem que morrer.


Paralisei meus movimentos e arregalei os olhos. Eu realmente ouvi outra vez uma voz em minha cabeça? Não... É somente o nervosismo, só isso. Eu não ouvi voz nenhuma. Você não ouviu voz nenhuma, . Sim... Eu não ouvi nada.


Notei uma névoa negra ao meu redor e sacudi a cabeça para livrar-me de pensamentos insanos. A névoa anormalmente escura deslizava pelo meu corpo e envolvia-me pelos braços, pernas e cabeça. Olhei assustada para aquilo e me afastei desesperadamente.


A névoa simplesmente sumiu e Jacob me encarava com um ponto de interrogação na cara.


— O que foi? — Perguntou ele.


Olhei mais uma vez a onde estava a névoa e fiquei sem o que dizer. Mas o mais estranho era que, assim que a névoa sumiu, todos os pensamentos negativos e suicidas sumiram da minha mente. E eu voltei a pensar normalmente. Sim, eu estava triste por ter feito aquilo, mas eu não sentia como se fosse desistir de tudo, como antes.


O que estava acontecendo comigo? Estou tendo transtorno de bipolaridade? Ou de personalidade? E... Droga! Eu juro que alguém falou nos meus pensamentos antes de eu atacar aquele humano e agora pouco... Eu não queria aquilo... Eu fui induzida.


— Temos que ir pra mansão, Jacob. Há algo muito mais complicado que um deslize acontecendo.


Jacob franziu o cenho pra mim e negou com a cabeça.


— Não podemos enquanto o corpo desse cara continuar aqui.


Olhei para o corpo do humano e senti uma tristeza me dominar, mas me mantive firme. Não era a primeira vez que eu matava, eu superaria. Com minha família.


Peguei meu celular e disquei a discagem rápida. O telefone foi atendido no primeiro toque.


— Sim?


— Edward, vocês precisam vir para a floresta ao redor do colégio. Agora.


Ele hesitou um pouco antes de responder.


— Tudo bem, mas o que...


— Ótimo, tchau.


Desliguei na cara dele, não sendo capaz de explicar através de um telefone que matei um humano.



Depois que liguei pra Edward, nós ficamos esperando até que eles chegassem. Jacob sentado, parecendo pensativo, enquanto eu lhe contava tudo andando de um lado pro outro nervosamente.


— Você vai ficar aí sem dizer nada? — Resmunguei, parando com meus movimentos inquietantes e sentando no chão, de frente pra ele.


— E o que você quer que eu diga? Eu não faço idéia do que isso significa.


Bufei. E olhei atentamente para o lado onde alguns passos se aproximavam. Eles chegaram.


, o que aconteceu? — Edward foi o primeiro a surgir, mal chegando e já despejando a pergunta que eu temia. — E por que diabos você desligou na minha cara?


— Ed, esse não é o momento pra brigas. — Eu disse, levantando-me e olhando para Alice, inconscientemente, com um olhar acusatório. — Você não viu nada? Não sentiu nenhuma visão estranha?


— Hã — ela arqueou uma sobrancelha pra mim, franzindo o cenho. — Não.


! — Jasper gritou, indo até o corpo humano no chão. Isso atraiu o olhar de todos. E eu fechei os olhos não querendo ver suas reações.


— Ah-meu-Deus! — Alice disse tão rápido que mal escutei.


, você... Você matou esse humano? — Emmett perguntou, preocupado.


Olhei para ele e evitei um soluço que queria sair por minha garganta. Acho que meu olhar já era culpado, pois não foi preciso dizer nada para que Emmett me abraçasse confortavelmente.


— Ah, tampinha, vai ficar tudo bem. — Ele sussurrou, alisando meu cabelo. — Isso acontece com todo mundo, você vai superar.


— E-eu decepcionei vocês. — Gaguejei, apertando-o e aproveitando o que seria o último abraço de meu irmão. Ele até podia me perdoar, mas os outros...


... — Edward veio até mim e colocou uma mecha de cabelo atrás de minha orelha, sorrindo ternamente. — Não se lembra do que eu disse ontem? — Perguntou delicadamente, com a voz doce. Eu assenti fracamente, ainda com os braços ao redor de Emmett. — Então. Nós amamos você. E não abandonamos ou desistimos de quem amamos. Todos nós cometemos erros, e todos nós podemos superá-los.


Soltei-me dos braços de Emmett e fui para os de Edward, apertando meu rosto contra seu peito e soluçando altamente. Ele disse tudo o que eu precisava ouvir. Ele me apertou em seus braços e levou seus lábios gélidos ao meu cabelo, beijando delicadamente.


— Edward disse tudo. — Alice disse, sorrindo tão docemente pra mim, que ela parecia uma linda criança meiga. — Nós te amamos e ficaremos ao seu lado até o fim.


Eu sorri e fui para seus braços, apertando-a contra mim. Logo Rosalie e Bella se juntaram ao abraço e eu senti falta de outro. Soltei-me delas e procurei entre eles.
— Onde está Nessie? — Sussurrei, eu precisava tanto ver aquele sorriso confortante pra me acalmar. Ou seus bracinhos ao meu redor, enquanto diz o quanto me adora. Foi então que percebi a falta de mais pessoas. — E Carlisle e Esme?


— Não achamos que estivesse acontecendo uma coisa tão grave para trazer todos. Então Esme ficou com Renesmee, que ainda está dormindo. E Carlisle está no trabalho.


Eu assenti compreensivamente e olhei para todos eles, respirando profundamente para acalmar-me.


— Mas o que aconteceu hoje, não foi somente um deslize... Ou um erro comum. Há muito mais que isso — eu disse e todos eles franziram pra mim.


— Você não matou outros, matou? — Bella perguntou com a voz baixa e cautelosa.


Neguei levemente com a cabeça e olhei para minhas mãos.


— Não, eu não matei mais ninguém. — Senti um caroço na garganta ao lembrar que acabei de matar alguém, mas logo pigarreei e continuei. — Era como... Como se eu estivesse sendo obrigada a matar. Meus pensamentos não pareciam racionais, eu não conseguia encontrar a razão nem mesmo quando pensava que encontrara.


, do que você está falando? — Perguntou Jasper, confuso. — É normal nossos pensamentos ficarem irracionais com a sede, mas isso de você encontrar a razão, mas não ter encontrado... Não entendi nada.


— Não, Jasper. O que eu quero dizer é que...


— Ela foi induzida a fazer isso. — Disse Edward, e pela primeira vez me senti aliviada por ele xeretar em minha mente. — Era como se alguém tivesse controlado a mente dela. Fazendo-a pensar que aquilo era o certo a se fazer.


— Como ela foi induzida? — Perguntou Bella.


— E por quem? — Continuou Jasper.


— Isso eu não sei. Mas como ela foi induzida, acho que a névoa negra tinha alguma coisa nisso. — Disse ele.


— Que névoa negra? — Alice perguntou, totalmente confusa. Era raro vê-la assim, já que ela sempre estava por dentro de todos os assuntos, bem como Edward.


— Ela estava literalmente me implorando para matá-la, como se aquilo fosse extremamente certo. Então ela notou uma névoa negra ao redor dela e simplesmente... Parou. — Disse Jacob, levantando-se do chão.


— Espera aí, como assim parou? — Perguntou Emmett. — Ela parou de implorar pra morrer? De um minuto pra outro?


— Assim que eu notei a névoa, ela desapareceu. E levou todos os meus pensamentos ruins com ela. — Eu respondi.


— Edward... — Bella engoliu com dificuldade. — O que está acontecendo?


— Seriam os Volturi? — Sugeriu Rosalie e eu senti um arrepio passar por meu corpo, fazendo-me estremecer. Esse nome ainda me aterrorizava.


— A essa altura do campeonato, eu não duvido de nada do que os Volturi possam fazer. Mas não é algo que eu tenha visto antes... Ou lido.


— Como assim “lido”? — Eu murmurei para Edward. — Há livros de vampiros? Algum livro com histórias reais, explicando tudo? — Perguntei meio confusa. O único livro assim que eu conhecia, é o que eu tenho.


, você ainda tem esse livro? — Edward praticamente gritou. — Talvez haja alguma coisa escrita nele que...


— Acho que não. Eu li aquele livro todinho e não me lembro de nada parecido com “névoa negra”. — Respondi. — Era mais como um guia para jovens vampiros.


Edward pareceu decepcionado, mas logo se iluminou novamente.


— Carlisle... Ele não é uma enciclopédia dos vampiros, mas ele já viveu o suficiente para ter algumas informações. — Disse ele.


— As anotações de Carlisle! — Disse Rosalie, se iluminando junto com Edward.


— Que anotações? — Perguntamos juntos, todos confusos.


— Antes de transformar Emmett, Carlisle escrevia anotações sobre tudo de diferente que ele encontrava no mundo. E ele escrevia essas anotações desde que encontrou os Volturi pela primeira vez. — Explicou Edward e eu gelei.


— E-ele encontrou com os V-volturi? — Gaguejei.


— Encontrar, todos nós já encontramos, se você não se lembra. Mas, na verdade, Carlisle viveu um tempo com os Volturi. Ele e Aro eram amigos até que...


— Renesmee aconteceu. — Deduzi, lembrando-me de quando eles me contaram que quase houve uma guerra entre eles e os Volturi para defender Renesmee.


— Exatamente. — Disse Jacob, suspirando.


— Ok, deixe-me ver se entendi... Carlisle pode ter a resposta em alguma dessas anotações? — Perguntei esperançosamente.


— Assim acreditamos, — disse Rosalie — mas caso ele não tiver, sempre temos sua incrível memória de vampiro.


— Ok, então vamos logo antes que essa névoa volte e eu mate mais alguém.


— Como se fossemos deixar. — Bufou Emmett, passando um braço pela cintura de Rosalie e a puxando para o caminho de volta.


Logo todos eles estavam indo embora e eu fui junto, só Jacob que ficou para trazer meu carro.


Estávamos a algum tempo procurando algo nas anotações de Carlisle e, devo admitir, não eram poucas. Eu descobri mais coisas sobre os Volturi e suas leis, sobre os filhos da lua... E até caçadores de vampiros, humanos. Eu até me assustei um pouco com isso, mas Edward me explicou que não existem mais caçadores de vampiros, pois os vampiros tornaram-se mais discretos e a lenda foi se perdendo dentre os humanos.


Todos nós estávamos na biblioteca, exceto Emmett e Jasper, que foram cobrir meus erros e deixar a entender que o humano foi atacado por um animal na floresta. E Jacob foi avisar para Sam dobrar as patrulhas, com mais lobos e ficarem atentos, mas logo voltou para distrair Renesmee, enquanto nós líamos as anotações.


Cada um estava com um grosso diário em mãos, lendo atentamente. Edward até nos disse para tentarmos lermos devagar para realmente prestarmos atenção em cada detalhe, então estava demorando muito para terminarmos. Ou encontrarmos alguma coisa.


Uma pilha de diários estava sobre a mesa de mármore da biblioteca, e nós não tínhamos lido nem a metade. Caramba, pelo visto Carlisle é muito velho.


“Hoje Aro encontrou um filho da Lua. Eu nunca tinha visto algum com meus próprios olhos e, devo dizer, que realmente fora interessante, apesar de um pouco preocupante. Aro, Caius e Marcus realmente não têm nenhum um pouco de compaixão com aquela espécie, apesar deles serem mais humanos do que nós.
Aro ordenou para que o trancafiassem, até que ele respondesse onde estavam os outros lobisomens, já que ele não consegue ver os pensamentos de um filho da lua, mas ele não lhe respondeu.
Lembro-me perfeitamente de quando Aro derramou prata derretida sobre a criatura e sua pele se despedaçou, queimando. Apesar de aquilo ser uma monstruosidade, eu não conseguia pensar em outra coisa a não ser o quão fiel aquela criatura era com seus parceiros.
Ele morreu com honra.”



Após ler este trecho, senti-me completamente compadecida com os lobisomens e jurei a mim mesma que não tornaria a chamar nenhum Quileute de cachorro, vira-lata ou qualquer outra coisa. Afinal, eles ainda são mais humanos do que eu jamais serei. Bem, mas vou abrir uma exceção pra quando Jacob me irritar.


“Aro encontrou mais um filho da lua hoje. Faz 13 anos desde que ele encontrou o último e ele estava excitado para começar com a tortura. Eu tentei convencê-lo a ser mais razoável, ou desistir de caçá-los, mas Caius foi completamente indelicado e agressivo ao me responder e negar.
O lobisomem era apenas uma criança. Aparentava ter 15 anos. Estava assustado, mas mesmo assim tentou atacar a guarda. E conseguiu, antes que Jane usasse seus poderes dolorosos sobre ele. Mas o que mais foi um choque para mim, foi o choro agoniado e cheio de dor que a criança dera.
Ela era tão humana... Tão inocente. Mas Aro não a poupou.
A criança, com a pele queimada pela prata derretida, gritava desesperadamente aos Volturi que não sabia de nada, que ele havia se tornado lobisomem há pouco tempo e nunca chegara a conhecer mais ninguém como ele, mas Aro julgou que ele estava mentindo.
E Caius quebrou-lhe o pescoço com um simples mover dos pulsos.”

Arfei, fechando o livro. Eu não conseguia mais continuar lendo. Carlisle descreveu tudo com tanta riqueza nos detalhes, que eu conseguia imaginar a cena perfeitamente e minha mente. Mas eu não queria.


— Este que você está lendo é sobre os Volturi e os filhos da lua. Vai falar muito disso ainda, — disse Edward — mas se você quiser trocar...


— Sim!


Joguei meu livro para ele e roubei o seu. Eu estava tão desesperada pra entrar em outro assunto, que eu teria trocado com Edward mesmo se ele não oferecesse.


Comecei a ler o diário a partir da pagina que Edward parara e senti-me aliviada por não ser algo tão monstruoso quanto o outro.
“Eu havia recentemente chegado ao lugar onde eu moraria e me surpreendi ao ver outro vampiro com olhos dourados na cidade, mas, de fato, isso não foi a única coisa que me surpreendeu.


Nós conversamos e eu descobri que ele havia se transformado há poucos anos. E tinha uma filha. Humana.


Sua mulher havia morrido ao ataque de um vampiro e, antes que ele pudesse ser o próximo, ele atirou fogo na criatura. Mas não antes que ela o atacasse e deixasse uma pequena mordida em seu braço. Então ele entrou em processo de transição.


Ele acordou forte e com fome. Mas como ele e a mulher estavam numa floresta, ele estava com tanta sede, que não se lembrava do caminho de volta para a cidade.


Ele vagou por muito tempo, até que encontrou um gado. Matou-o, mas ainda sentia sede. Então começou a caçar cada vez mais animais... Até que se tornou mais são e conseguiu lembrar o caminho de volta pra casa.


Mas agora ele não voltava pela sede. E sim por sua filha.


Ele pensava que já era capaz de se controlar, mas não era. E viveu afastado da cidade por muito tempo, caçando animais, até que estivesse controlado o suficiente para voltar para sua filha.


Assim que se tornou forte o suficiente, voltou para ela. E encontrou-a, jovem, uma moça formada e linda. Parecida com a mãe.


E ele vivia até hoje a criando, como vampiro. E ela não se importou ao descobrir a verdade.


Ela o apoiou e protegeu, pois o amava.”



Sorri e desviei meus olhos para os vampiros ao meu redor. Eu não estava aqui faz muito tempo. E eles podiam até não me amar como um pai ama sua filha, ou vice versa. Mas eles me apoiaram. E isso é o suficiente para que eu não desista.


— Achei! — Rosalie gritou e eu pisquei.


Rosalie levantou-se da poltrona em que estava num segundo e veio até a mesa onde o resto de nós estava.


— Você conseguiu descobrir como que controlaram ? — Bella perguntou, inclinando-se para ler o que estava escrito.


Rosalie negou.


— Eu encontrei algo que pode ser uma pista. — Ela arqueou uma de suas perfeitas sobrancelhas, sorrindo. — Ainda não entendo por que Carlisle nunca nos contou sobre isso, mas deve ser por que o assunto nunca surgiu.


— O que é? — Perguntei impaciente e ela revirou os olhos.


— Ela achou...


— Ah, pode parar, Edward! Você não vai levar credito dessa vez! — Ela reclamou e ele a olhou incrédulo.


— Eu não estou roubando seu credito, eu só estou tentando explicar o que você fica enrolando pra dizer!


— Calem a boca e digam logo! — Berrei e eles me encararam franzindo o cenho.


— Ok. — Rosalie olhou para todos nós na mesa. — Carlisle leu alguns livros com mitologias reais na biblioteca dos Volturi e fez algumas anotações aqui. E eu vi que há um livro de magia lá dentro, onde eles podem tentar usar em pessoas. Como... hipnose.


— Carlisle já me contou sobre isso uma vez. — Disse Edward. — E parece que essa magia não pode ser usada em vampiros. Tem que ser outra coisa. E talvez isso não envolva os Volturi.


— Quem mais tentaria ferrar um Cullen? — Disse Bella, arqueando uma sobrancelha para Edward.


— Às vezes podemos ter inimigos e nem imaginamos, Bella. — Eu respondi, mas o que ela disse ainda tinha sentido. Os Volturi eram os únicos que podiam ter um motivo para fazer isso contra mim.


E apesar de não termos achado nada que responda o que aconteceu comigo. A única certeza que tenho é que alguém me quer morta. E o porquê... Não faço idéia.





17. Inesperado



Recostei-me na cadeira e encarei todos ao meu redor. Já estava claro, desde que entrei nessa família, que eles passaram por coisas horríveis e complicadas. E eu não precisava surgir para trazer mais disso. Eles mereciam um pouco mais de paz. Contudo, eu não era capaz de deixá-los, não mais. E sim, eu era egoísta.


— Eu nem vou gastar meu tempo respondendo a esse seu pensamento idiota. — Disse Edward revirando os olhos.


Bufei. Pelo menos a tensão jogada sobre meus ombros diminuiu um pouco. Observei por um tempo o fraco sol de Forks atravessar a enorme janela de vidro da biblioteca e concentrei meus pensamentos apenas em quantas árvores haviam a vista — isso relaxaria um pouco minha mente de todos esses pensamentos confusos.


— O que vamos fazer? — Perguntou Jasper. Ele e Emmett já haviam voltado pra casa e se juntaram a nós, que estávamos sem fazer nada, somente pensando com expressões preocupadas nos rostos.


— Alice, consegue ver alguma coisa ao redor de ? — Perguntou Bella, delicadamente.


Alice torceu o nariz e bufou. Apesar do pouco tempo que eu a conhecia, eu sabia que ela estava frustrada por não poder ajudar.


— Não. Eu consigo vê-la... Mas tudo está tão... Turvo. É como se ela estivesse indecisa sobre algo. O que faz com que eu não seja capaz de vê-la.


— Ou — disse Edward, atraindo a atenção de todos para ele —, algum ser que não é vampiro ou humano, está envolvido no futuro de e está atrapalhando sua visão dela.


— Jacob e Renesmee não são. — Garantiu Alice. — Apesar de eu não poder vê-los, eu passei a saber identificar quando eles estão envolvidos ou não.


— O que mais, além dos mestiços, você não vê, Alice? — Perguntei com a voz temerosa. Há pouco tempo eu nem imaginava que vampiros existissem, eu não seria capaz de agüentar algo mais sobrenatural do que isso na minha vida.


— Eu não sei o tipo de coisas que têm nesse mundo, . — Disse ela tristemente como se pudesse ler meus pensamentos. — Até pouco tempo eu nem imaginava que eu não pudesse ver alguém... Quanto mais imaginar especificamente quem mais.


— Tudo bem, já que está difícil descobrir o que está acontecendo. — Emmett se pronunciou pela primeira vez. — O que faremos em relação a ? É obvio que alguém quer prejudicá-la e temos que estar preparados para protegê-la.


— Vamos ter que nos mudar? — Perguntou Bella parecendo triste.


Claro, nenhum vampiro tinha a mesma sorte de poder ainda conviver com quem amava quando humano. E perder isso agora, que já está acostumado, pode ser ainda mais doloroso do que seria no início.


— Nem pensar! — Jacob apareceu na sala e todos nós o encaramos. Era para ele estar entretendo Renesmee. — Eu faço o possível e o impossível para proteger , desde que vocês não vão embora e levem Nessie de mim.


— Você falhou uma vez, cachorro. — Rosalie rosnou, levantando-se da cadeira.


Jacob avançou em direção a ela e eu percebi que seu corpo tremia do mesmo modo de quando eu o vira pela primeira vez. Ah, não, eu ainda não estou acostumada com aquela figura enorme!


Como se lendo meus pensamentos — e ele realmente estava —, Edward correu mais rápido que um raio e parou entre eles, olhando-os repreensivamente e fazendo-os parar.


— Vamos conversar como adultos, crianças?


Eu teria rido, se o tom de Edward não fosse tão assustador. Jacob parou de tremer e Rosalie foi para o lado de Emmett, que a abraçou pela cintura prontamente.


— Edward — Jacob olhou para ele e eu percebi o desespero em seu olhar. Realmente, era de partir o coração. —, eu juro que isso não irá se repetir. Se depender de mim, nunca atacará mais ninguém e não será morta por sei lá o que!


Eu olhei para Jacob, como se o visse pela primeira vez. Eu não fazia idéia que o amor que ele sentia por Renesmee era tanto assim.


— Eu não sei Jacob. — Edward diminuiu o tom e fez menção de tocar o ombro de Jacob, mas desistiu. Eu ainda não entendia essa relação deles. Edward e Jacob podiam ser irritantes de vez em quando, mas eram pessoas muito sociáveis, não havia um por que para eles terem alguma rixa.


— Bella — Jacob foi até onde Bella estava sentada e ajoelhou-se enfrente a ela. —, você sabe o quanto isso me machucaria, não sabe? Por favor...


Percebi que ela desviou o olhar do dele e fez cara de durona.


— Jacob, não é como se nós fossemos desaparecer com Renesmee e nunca mais voltar.


Eu pisquei. Eu era a única que se solidarizava com Jacob? Nossa, isso é que é amizade, dona Bella. Além do mais, Jacob não seria o único a sofrer com a separação — pelo que eu me lembro, o imprint é mútuo. Nessie também sofreria.


Levantei de minha cadeira e parei enfrente a Edward.


— Vocês podem até ir, mas eu não vou. — Disse determinadamente. Eu sabia que todo esse alvoroço para se mudar era por minha causa e se eu me recusasse a ir, não havia mais como eles continuarem com essa idéia. — Edward, podemos resolver as coisas de outro modo. Nem sabemos o que está acontecendo! E se isso se repetir no nosso novo lar? Terá valido a pena se mudar e separar Renesmee e Jacob?


Senti que todos me olhavam surpresos e eu respirei fundo. Ok, talvez nenhum deles soubesse que eu não tenho mais ódio pelo Jacob. Mas isso também não é só por causa dele. É por causa de Nessie também. Ela sofreria tanto quanto ele.


— Nós não vamos. — Disse Alice, vindo até meu lado e colocando uma mão em meu ombro. — Eu também não sou a favor disso. Eu farei o possível para proteger , mas sem machucar mais ninguém.


A sala ficou em silêncio por alguns instantes, enquanto Edward parecia calcular qual seria a melhor decisão. Afinal, ele é quem pode ler a mente de todos aqui.


— Tudo bem. — Disse Edward. — Todos concordam com você, . Nenhum de nós irá embora.


Eu sorri levemente e olhei para Jacob, que movia os lábios silenciosamente num “obrigado” pra mim. Eu sorri ainda mais. Era ótimo ajudar um amigo.


— Eu não vou tirar os olhos de por nem um segundo. — Jacob veio até meu lado. — Eu prometo. Eu até vou entrar junto a ela no banheiro se for necessário.


Eu fiz careta. Agora, ele realmente está fazendo jus ao que eu disse sobre “ter um lobo na minha cola”.


— Talvez seja melhor que evite se afastar de você, do que você segui-la nestes lugares...


— O que você fazia num banheiro? — Alice pôs as mãos na cintura e me olhou curiosamente. — Nós não temos a mesma necessidade que humanos... Você finalmente está se preocupando com a aparência e foi até lá checar a maquiagem?


Revirei os olhos para o enorme sorriso de Alice.


— Não! Foi, digamos que... Um impulso humano. — Respondi. — Quando vi que estava ficando com sede, fui até o banheiro molhar o rosto... Aí tive a decisão estúpida de ir caçar e enganei Jacob ao pular a janela...


Abaixei o olhar. Eu me envergonhava dessa ultima parte. Essa decisão estúpida custou uma vida inocente.


— Já que estamos falando do incidente... Quem era o cara que matou? — Perguntou Rosalie.


— Tony Steven. — Respondeu Jasper. — Eu não o conheço, mas costumava vê-lo no colégio. Ele era do primeiro ano.


— Se ele era do primeiro ano quando você estudava, então ele devia ainda estar estudando. — Disse Bella, parecendo meio imersa em pensamentos.


— E se ele estudava até hoje... Ele devia estar na escola, não é? — Eu perguntei. — Quer dizer, eu o encontrei muito longe da escola. Em horário de aula. —Todos pareciam pensativos e eu arregalei os olhos ao me lembrar de sua reação quando eu o ataquei. — E-e eu nunca vi ninguém como ele... Eu nunca vi alguém que não reagia e nem sequer ficava com medo... Era como se ele quisesse que eu o mordesse...


Todos me olhavam estupefatos e eu senti que coraria se ainda fosse humana. Como eu não me lembrei de contar sobre isso? Afinal, eu já matei humanos o suficiente para saber que nenhum deles entrega sua vida tão pacificamente quanto esse cara...


— Ele foi induzido! — Emmett deu um berro. — O garoto também foi induzido!


— Não. — Sussurrei. Minha mente estava distante, pois eu revivia todo o momento nela. O quanto ele ficava imóvel... O quanto ele não se importava ao constatar que eu queria seu sangue... — Não, ele não foi induzido. Ele estava hipnotizado.


A sala ficou em completo silêncio. Apenas era audível o leve bater do coração de Jacob e a respiração desnecessária dos vampiros.


— Jake! — Nessie chamou, surgindo na sala e fazendo com que todos saíssem de seus choques internos. Ela surgiu tão silenciosamente, que eu me surpreendi por não tê-la ouvido vindo. — Por que você me abandonou?


Ela parecia emburrada e nervosa quando entrou, mas assim que nos viu, encarou-nos com os olhinhos inquisitivos.


— O que está acontecendo?


Bella levantou-se da cadeira e correu até a filha.


— Vamos, Renesmee, está na hora do banho.


— Não, mãe. Eu quero saber o que está acontecendo. — Ela afastou-se dos braços da mãe e foi até Edward. — Papai, o que aconteceu para deixar todos tão preocupados? — Ela perguntou com a voz doce. E eu soube identificar que ela estava usando seu encantamento para obter respostas. Ela não era nada boba. — Ou vocês acham que eu sou uma criança tão tola que não iria reparar nessa tensão toda?


Edward torceu os lábios e olhou para todos nós. Ele vai contar, eu conheço aquela cara rendida dele.


— Renesmee já tem idade suficiente para saber. — Respondeu ele, como se tivéssemos perguntado algo. Eu não disse. — Acho que será melhor que ela saiba, assim pode ter mais cuidado na hora de caçar.


Essa era uma desculpa idiota. Afinal, Renesmee sempre caça com a companhia de alguém e sempre sob vigilância.


— Na verdade, ela tem idade mental suficiente para saber. — Eu corrigi. — Por que, nem um ano ela fez ainda.


Fiquei feliz em ver que diminui a tensão na sala e que todos estavam sorrindo novamente.



Depois de toda aquela confusão, as coisas foram voltando aos poucos ao normal. Jacob continuou indo à escola, enquanto eu esperava que meus olhos voltassem ao tom dourado. E, como nenhum de nós conseguiu entender o que houve naquele dia, apenas paramos de bancar os detetives e tomamos mais cuidados.


E agora, eu estava me preparando para ir para a aula. Levaram apenas uma semana e meia para que meus olhos se tornassem claros de novo, e, durante o processo, Carlisle foi até a escola dizer que eu estava com “mononucleose”. Bem, e agora eu “sarei” e estou voltando.


Já o garoto que eu matei, estava “desaparecido” na cidade, mas logo a policia encontrou seu corpo na floresta e deduziu que seria outro dos tantos antigos ataques de lobos. Foi até que uma solução pra mim também, já que eu nunca mais encontrei nenhum humano na floresta.


Enquanto colocava meu tênis, começava a sentir o nervosismo me consumir. E se aquilo se repetisse de novo? Por mais que Jacob tenha me falado que não houve nada de diferente por lá, e que ele estará ao meu lado o tempo todo, eu não consegui me acalmar.


Essa coisa que me induziu me queria morta. E se eu finalmente cedesse e eu mesma me tacasse numa fogueira? E se eu tentasse me matar por ordem de uma voz em minha mente?


— Nós também te vigiaremos. — Edward disse ao entrar no quarto. Se eu não tivesse ouvido seus passos silenciosos, teria me assustado. Olhei para ele sem entender e ele continuou: — Todos nós estamos preocupados com você, então nós vamos te vigiar de longe.


Sorri um pouco mais tranqüila. Se Jacob falhasse novamente, ao menos eles estariam lá para me ajudar. Bem, na verdade não foi Jacob que falhou, fui eu, mas isso não vem ao caso.


— Obrigada. — Respondi sinceramente e ele sorriu torto.


— Vamos, Jacob já te espera lá embaixo. — Disse, passando um dos braços por meus ombros e me guiando até a porta.



Após todos me prometerem que nada de errado iria acontecer, eu estava no meu carro, com Jacob ao meu lado dirigindo. Eu estava tão preocupada, que não tinha nenhum pique pra discutir com ele que eu dirigiria meu carro.


— Ainda ‘tá preocupada?


O olhei surpresa com o som de sua voz. Estávamos num completo silêncio, que foi difícil não se assustar.


— O que você acha? — Tentei ser grossa, mas minha voz soou tão sem graça, que minha tentativa foi inútil.


— Você parece pensativa. Mas eu acho besteira você se preocupar, sendo que os Cullen e eu estamos fazendo todo o possível para que nada lhe aconteça.


Continuei olhando para a estrada, fingindo ignorá-lo. O que ele dizia fazia sentido, mas eu não conseguia me sentir tranqüila. Apesar de estar cansada de tanto pensar no que poderia acontecer.


— Você está fazendo isso por Nessie, certo? — Perguntei para mudar de assunto. Porém, era uma pergunta que eu gostaria de saber a resposta.


Ele hesitou. E, pela primeira vez no dia, eu virei meu olhar para ele. Por que a dificuldade em me responder? Era uma pergunta tão simples... Não era?


— Também. — Respondeu e eu franzi o cenho, sem entender.


— Como assim?


— Eu aprendi a não te odiar, .


Não sei por que, mas senti um sentimento frio passar por meu corpo. E eu não soube decifrar se eu havia gostado ou odiado essa resposta dele. É claro que eu também não o odiava, mas não passava disso.


— Principalmente depois de você me ajudar. Os Cullen teriam levado Nessie de mim se não fosse por você. — Sua voz soou leve, delicada... Agradecida. Mal parecia que era mesmo o Jacob que falava comigo.


— Não fiz isso por você. — Disse rispidamente. Eu não gostava do quanto ele estava sendo simpático comigo. Nossa relação sempre foi baseada em brigas, eu não estava pronta para ter sentimentos por Jacob, como eu tinha por meus irmãos. Essa idéia, não sei por que, me assustava.


— Tente se convencer melhor disso. Pois parece que nem você tem certeza do que disse.



Eu deveria estar mais calma, afinal, o dia foi absolutamente normal. Eu estava tão distraída que o sangue dos humanos não me tentou por nenhum instante. Eu até fui capaz de conversar com Oliver normalmente. Quer dizer, quase normalmente, já que eu ainda continuava distraída.


Depois do que Jacob me disse, eu comecei a pensar no por que de minhas ações passadas. Do por que de eu ter me recusado a sair de Forks. E ele estava certo. Eu tentei me convencer que fazia isso apenas por Renesmee, mas a verdade é que a tristeza de Jacob me machucou também. Eu não queria que ele sofresse, assim como não queria que Nessie sofresse.


— Você anda um pouco distraída.


Sacudi levemente a cabeça e voltei minha atenção a Oliver. Ele estava o dia inteiro comigo e com Jacob, conversando e fazendo gracinhas. E, apesar dele ser humano, eu já havia me acostumado com sua presença.


— Impressão sua. — Respondi, indo até meu armário e guardando minhas coisas para ir até o refeitório.


— Posso não te conhecer a muito tempo, mas você está bem pensativa hoje. — Ele franziu os lábios e eu o achei uma gracinha ao fazer isso. — Ou talvez você ainda esteja no efeito da mononucleose.


Evitei bufar e sorri.


— Estou bem. — Garanti, já começando a andar a caminho do refeitório. E, mais uma vez, Oliver se sentou conosco. Só que dessa vez não o expulsamos.



Apoiei meus pés no porta-luvas e abri a janela para que o vento soprasse contra o meu rosto. O dia foi bem fácil hoje. Não senti sede, não fiquei tentada com nenhum humano, conversei com Oliver e não briguei com Jacob. Na verdade, nós nem ao menos trocamos uma palavra hoje.


— O que você achou de Oliver? — Perguntei, tentando começar um assunto, já que ele ficou calado o dia inteiro hoje.


— Normal. — Respondeu simplesmente e continuou dirigindo.


— Acha que é errado eu manter uma amizade com ele? — Perguntei receosamente. Eu ainda estava indecisa sobre isso.

Vampiros não deviam se envolver com humanos, certo? Mas ele era tão legal...


— Contanto que ele não se apaixone por você, não vejo como isso pode ser errado.


— O que quer dizer? — Perguntei assustada, tirando meus pés do porta-luvas e o olhando.


— Um humano se apaixonando por um vampiro, nunca termina em boa coisa. — Ele torceu os lábios, pensativo. — Bem, na maioria dos casos não.


— Edward e Bella deram certo, não deram? — Arqueei uma sobrancelha, desafiando-o.


— Depois de... Muita confusão.


Ele parecia saber de algo que eu não sabia.


— Além da confusão Victoria e Volturi, o que mais aconteceu? — Perguntei desconfiada. — Bella já sofreu algo mais por ser uma humana apaixonada por um vampiro?


— Emocionalmente, sim. E não só ela.


Fiquei sem entender. Como assim Bella já sofreu emocionalmente? Não fazia sentido, fazia? Edward não é do tipo que magoa alguém, disso eu tenho certeza.


— Pode me contar sobre isso? — Perguntei. Eu me sentia uma zé, mas era só minha curiosidade, oras...


— Não. — Respondeu simplesmente e voltou a ficar quieto.



O fim de semana chegou rápido e, com ele, o tédio. Todos tinham algo para fazer, menos eu – se é que me entendem – e Nessie foi passar o dia em La Push com Jacob. Grande egoísta ele, isso sim. Ficar com ela só pra ele, enquanto eu fico aqui sozinha nessa mansão chata.


— Ei, . — Bella apareceu no meu campo de visão, um pouco descabelada e com a roupa amassada. Argh, já dá até pra saber o que a levou a essa condição.


— Oi. — Respondi, desviando o olhar e reprimindo uma careta.


— Eu estou indo buscar Renesmee em La Push, e Edward me pediu para lhe chamar, já que ele não quer que eu saia sozinha.


— E por que ele não vai? — Resmunguei. Eu até fiquei um pouco animada por buscar Renesmee, mas pensar que seria num lugar cheio de lobos que odiavam vampiros não me agradava em nada.


— Apesar de não existir mais nenhuma rixa entre eles, Edward se sente desconfortável indo até lá.


Assenti compreensivamente e levantei da escada da varanda para acompanhá-la. Edward não era o único que se sentia desconfortável.

Fomos a pé mesmo, enquanto conversávamos e ela me contava histórias cheias de nomes desconhecidos, enquanto eu assentia e fingia entusiasmo. Nem sequer passamos pela praia de La Push, apenas caminhamos perto da estrada em direção a uma casa avermelhada que eu via ao longe. Devia ser a casa de Jacob.


Assim que chegamos, Bella já foi logo até a porta e bateu. Um senhor, de cadeiras de rodas, atendeu e sorriu ao vê-la.


— Bella, quanto tempo! — Disse e ela lhe abraçou delicadamente.

— Creio que veio buscar Reneesme, certo?


— Sim, Billy. — Sorriu.


— Hmm, Jake foi até a praia com ela. Ela ficou implorando para ele levá-la, e como Quil levaria Claire, eles foram juntos.


— Ah, então vou até lá. Até mais, Billy.


Ela voltou ao meu lado e eu agradeci mentalmente por Billy não ter me visto e por Bella não ter me apresentado. Eu não queria correr o risco de atacar aquele senhor, apesar de já estar um pouco mais controlada.



Assim que chegamos à praia de La Push, notei o quanto ela estava vazia. Afinal, não estava o tempo tão bom – o que é normal por aqui – para alguém ir à praia. Todavia, não havia problema para Reneesme, já que ela não sentia frio.


Avistamos ao longe dois homens e duas crianças. Uma tinha uma beleza incrível que se podia ver de longe – Renesmee. Outra estava amontoada por casacos e mais casacos, mal conseguia se mover, enquanto um homem a seguia por todos os cantos e a puxava quando chegava próximo ao mar – deviam ser Claire e Quil. E o outro era Jacob.


Não me surpreendi ao notar que os dois estavam somente com uma fina camiseta naquele tempo invernal – afinal, eles não sentiam frio como eu. Porém, de fato, me surpreendi pela pequenina Claire estar tão agasalhada.


Bella caminhou até eles e foi cumprimentada por Quil, antes de dar um beijinho em Claire e ir até Renesmee. Todavia, a pequena nem reparou em sua mãe vindo até si ao correr para mim, gritando “!!”.


Fiquei sem graça com a cara de tacho de Bella e a peguei no colo, abraçando-a.


— Se eu soubesse que você não se importava de vir aqui, teria te chamado pra vir. — Disse ela, abraçando-me fortemente pelo pescoço. E vamos admitir, Renesmee já era grandinha pra bancar a criancinha manhosa pendurada no pescoço de alguém.


— Ok, princesinha, deixa pra próxima. — A coloquei no chão e desviei do olhar de Bella, que parecia um pouco chateada com a filha. E não era para estar? Ela é a mãe, não eu.


— Vamos embora, querida? — Disse Bella, finalmente recebendo um abraço da filha.


— Ah mãe, só mais um pouquinho. — Ela sorriu docemente para Bella e, é claro, que ela conseguiu uma resposta positiva.


Suspirei e sentei-me na fina areia branca, encostando-me na enorme pedra. Bella sentou-se ao meu lado, e, também, suspirou. Continuamos em silêncio, enquanto assistíamos as quatro crianças brincando divertidamente.


— É tão estranho... O quanto ela gosta de você. — Disse Bella quebrando o silêncio. Olhei-a e esperei que continuasse. — Quer dizer, Edward e eu somos os pais... Jacob o imprint... Mas você...


— É, é, eu sei, ela gosta muito de mim sem ter motivos. — Resmunguei, esse mesmo papo sempre estava me cansando. Não dava pra simplesmente aceitar os sentimentos da pequena sem os “por quês”? — Mas me conta aí, Bella. Você se sente a vontade em ter que dividir o amor de sua filha comigo e com Jacob?


Ela pegou um graveto e começou a rabiscar distraidamente na areia.


— Não sei te responder. — Deu de ombros. — No começo, eu não gostei nem um pouco sobre o imprint... Mas depois eu percebi que não existiria pessoa melhor para Renesmee do que ele, e vice e versa.


— Por que você acha isso? — Perguntei sem entender. Está certo que Jacob era o melhor amigo dela antes disso. Mas, fala sério, era estranho uma mãe aceitar uma coisa tão estranha como essa.


— Por que eu o amava. — Disse simplesmente, olhando para o nada. — Eu sempre quis a felicidade dele. E se ele só é feliz com minha filha... Eu aceito isso.


Arregalei os olhos.


— V-você o amava... Como amiga, certo? — Perguntei incerta. Não seria possível que ela amasse Edward e Jacob ao mesmo tempo.


— Eu pensava que sim. — Suspirou. Desviei meu olhar do seu e escancarei a boca. Eu nunca esperava uma coisa dessas de Bella. — Eu amava Edward, mais do que tudo na minha vida. Mas também amava Jacob, e queria vê-lo feliz.


Ficamos em silêncio por um instante e eu segui seu olhar até a praia. Jacob e Renesmee corriam pra lá e pra cá, o tempo todo rindo, gargalhando, e com brilho nos olhos. Ele estava feliz, disso eu tinha certeza.


— Jacob sempre foi meu melhor amigo, meu porto seguro.

Principalmente quando Edward me abandonou numa tentativa inútil de me fazer esquecê-lo... — Ela fechou os olhos, como se lembrasse da dor. — Jacob me deixou inteira de novo... Só que ele se apaixonou por mim. E antes que eu pudesse sequer pensar na probabilidade de retribuir esse sentimento, Edward e eu, depois de muita confusão, estávamos juntos de novo. Mas Jacob não desistiu de mim.


Fechei a boca, ao perceber que estava tempo demais com ela aberta, mas continuei com os olhos arregalados. Então Jacob amava Bella? Então era isso que ele quis dizer que não foi só Bella que sofreu emocionalmente...


— O que aconteceu? — Perguntei curiosa para saber como a relação deles chegou a que é agora.


— Nós nos beijamos, eu descobri meus verdadeiros sentimentos por ele, mas não desisti de Edward. Ficamos sem nos ver, eu me casei. E... Depois eu fiquei grávida e os Quileutes acharam que meu filho poderia ser um risco e tentariam me matar. Jacob se virou contra eles e me protegeu até... Renesmee acontecer.


Permaneci calada, enquanto digeria tudo que Bella me dissera (ela disse tudo muito rápido!), e só uma coisa se passava em minha mente: quem diria!! Bella me pareceu tão boazinha quando a vi e... Ela traiu Edward!! Com Jacob!! Que é o imprint da filha dela!! Ok, chega de exclamações nos pensamentos. Mas que isso é surpreendente é.


Bella aproveitou o meu silêncio e saiu do meu lado. Ela devia estar desconfortável perto de mim, depois de todas essas revelações. Ela se juntou a Jacob e Renesmee, observando-os de braços cruzados. Eu que não a acompanharia, afinal, odeio climas tensos.


Saí de fininho e voltei o caminho que seguimos para casa. Pensei em correr como vampira, mas achei melhor caminhar como humana. Queria ficar sozinha um pouco, pensar em paz.



Caminhei por um bom tempo... E enquanto caminhava por aquela floresta fria, lembrei-me do quanto eu me sentia feliz, em liberdade, ao viajar pelas cidades de Washington. O quanto era bom sentir aquele aroma provindo da terra, e a brisa fria passando por meu corpo e atingindo meu rosto. La Push me lembrava tanto essas sensações...


Avistei uma enorme pedra lisa um pouco adiante e corri até lá, para sentar-me. Sei o quão idiota estou sendo por estar aqui sozinha, mas eu queria um tempo... Sem ser na mansão. Depois do que aconteceu, todo mundo vive na minha cola. Não posso nem respirar, que já tem alguém ali pra ver.


Apoiei-me nas mãos e fechei os olhos, sentindo o leve ar gelado contra meu rosto. Respirei fundo o ar ao meu redor e abri os olhos subitamente ao sentir um cheio diferente, numa mistura de sangue humano e almíscar, um cheiro amadeirado. Eu conhecia esse cheiro: Jacob.


— O que você pensa que está fazendo ao sair por aí sozinha? — Chiou ele, parecendo extremamente irritado. Revirei os olhos. — Não sabe qual seria a atitude dos Cullen se eu falhasse novamente?


No segundo seguinte, ele já havia me levantado da pedra e estava segurando meu braço com força, com sua mão queimando em minha pele fria. Seus olhos negros estavam em chamas.


— Me. Solta. — Disse pausadamente. Ele estava irritado, eu sei, mas eu podia ser bem pior. Meus olhos já começavam a ver tudo vermelho e eu podia sentir, depois de tanto tempo, meus poderes ganhando vida dentro de mim.


— Quando você vai colocar alguma razão nessa cabeça e não tomar atitudes estúpidas? — Ele berrou e eu vi seu corpo tremendo para se transformar. Me assustei e soltei meu braço, afastando-me dele.


— Nada aconteceu, Jacob! — Gritei de volta. — Não se preocupe, não vou deixar que levem Renesmee de você. Não precisa ficar me torrando a paciência por causa disso.


Afastei-me antes que me irritasse mais e comecei a caminhar. No mesmo segundo ele estava a minha frente, agarrando meus dois braços e olhando dentro dos meus olhos com fúria. Suas mãos ainda queimavam em minha pele.


— Não é só por isso! — Gritou. — Acha mesmo que eu quero que sei-lá-o-que te machuque e te mate? Eu já disse que não te odeio!


Fiquei paralisada, enquanto continuava a ouvi-lo.


— Você não tem noção do que poderia ter acontecido nesse pouco tempo que ficou sozinha?! Alguém te quer morta, ! Morta!


— Isso não é motivo para você bancar o louco! — Berrei, soltando-me novamente. E antes que pudesse me afastar totalmente dele, senti minhas costas se chocarem contra um tronco e seu corpo prensando o meu.


— Não. Mas isso é. — Ele disse. E antes que eu pudesse reagir, seus lábios estavam contra os meus.


18. O Erro dos Erros



“Há duas tragédias na vida: uma a de não satisfazermos os nossos desejos, a outra a de os satisfazermos.” – Oscar Wilde.


Foi um choque. Metafórica e literalmente falando. Além de ter sido uma surpresa total e completamente inesperada, o encostar de nossos lábios causou um forte choque térmico. Afinal, minha pele era fria como gelo e a dele quente como fogo... E por que diabos isso ainda está acontecendo?

Pensei em empurrá-lo e berrar desesperadamente para que parasse, mas minha mente não conseguia mandar essas ações para meus membros, e eu simplesmente fiquei parada ali, enquanto aquilo continuava.

A telecinética de meus poderes logo se expandiu e eu pude sentir o levantar das pedras ao nosso redor — isso simplesmente ganhava vida dentro de mim quando a confusão ou raiva me dominava. E o estranho é que não era a raiva que me dominara nesse momento, e é estranho pois Jacob e eu nunca combinamos, e apesar dessa nossa “amizade” nós nunca nos demos, de fato, bem. Mas agora minha mente estava confusa, por que eu não estava sentindo nenhuma raiva ou repulsa e tampouco queria afastá-lo de mim.

Estremeci ao sentir sua mão extremamente quente deslizar por meu rosto até meu pescoço e permanecer ali. Eu estava queimando, fervendo. Porém, isso não era nem um pouco ruim. Era diferente e... Bom, ótimo. Era como se nossas temperaturas fizessem com que aquilo tivesse mais intensidade.

Senti meus olhos se fecharem contra minha vontade, enquanto um gemido escapava por meus lábios ao traçar de sua língua em meu lábio inferior. Céus... Isso era errado.

Um arfar alto saiu por minha boca ao sentir sua mão forte e quente deslizando por meu corpo até pousar em minha cintura e trazer-me mais para si. Colando nossos corpos — o que foi mais um choque térmico.

Eu não conseguia pensar em nada. Tudo simplesmente se desligou de minha mente, enquanto eu desejava que aquela sensação prazerosa não acabasse. Não existia mais nada em meu cérebro... Como o quanto aquilo era errado... O quanto aquilo não fazia sentido... Ou o quanto o beijo de Riley não significava nada perto desse. Pensar nos beijos de Riley agora seria como pensar beijar uma pedra, fria e dura, sem nenhuma sensação diferente. E Jacob... o beijo dele estava causando sensações estranhas no meu estômago – e meu estômago nem funciona! – e minha mente começava a gritar cada vez mais que eu o queria, o desejava.

Minhas mãos traçaram um caminho inconsciente por seu peito e eu gemi ao sentir a textura macia e quente de sua pele sob o tecido fino de sua camisa. Céus, como eu queria livrar aquele pedaço de pano dali! Minhas mãos continuaram a percorrer o caminho, e logo meus dedos aninharam-se por entre os fios lisos e sedosos de seu cabelo escuro, aproveitando para trazer seu rosto mais próximo ao meu.

Tracei minha língua por seus lábios e senti um gemido fraco sair de lá, junto a uma arfada de ar contra os meus. Meus dedos se enrolaram nos cabelos de sua nuca com força, puxando-os selvagemente. Eu queria mais, muito mais.

Isso era errado. Muito errado. Eu tinha plena consciência disso, mas eu não conseguia controlar meus atos. Meu corpo agia automaticamente. Num impulso. E nem eu mesma entendia o por que.

Estranho. Essa era a palavra certa para descrever o que acontecia aqui. Estranho... Como tudo isso mudou de uma hora pra outra.

Estranho que... Nosso primeiro impulso quando nos conhecemos era ficarmos em posições defensivas e atacar um ao outro, e agora... Era algo totalmente inverso. Sim, realmente estranho e muito – muito mesmo – errado. Mas era o que eu queria. E, Deus, como eu queria!

Era esquisito imaginar que toda nossa relação fora baseada, desde o início, em brigas e patadas e agora cedíamos um ao outro como se houvesse um desejo obsceno e totalmente insaciável desde que nos conhecemos, e que agora explodia de nossos corpos. Sua implicância comigo fez com que minha mente trancasse esse desejo existente a sete chaves e com que eu nem ao menos reparasse em sua aparência. Mas eu podia sentir agora, eu podia ver... eu gostava de vê-lo irritado, gostava de chamar sua atenção e adorava sua implicância. Meu próprio cérebro bloqueou isso de mim e eu fui capaz de mentir para mim mesma e transformar toda aquela luxuria pelo lobo irritantemente lindo em repulsa e implicância. Porém, como seria agora que eu sou capaz de ver realmente o que quero?

Jake me sustentou no tronco e mais do que rápido eu enlacei minhas pernas ao redor de sua cintura, aproveitando para deslizar minhas unhas de aço por suas costas e rasgar aquele tecido que tanto me atormentava por estar ali.

A imagem de seu tronco nu surgiu por minha mente e o desejo de tê-lo aumentou dez vezes mais. Por que eu nunca senti isso quando beijava alguém? Por que agora estou agindo como se, desde sempre, um simples beijo me excitasse a tal ponto? Droga, isso está totalmente fora do normal. Estou perdendo a razão!

Nossos lábios se separaram e eu gemi frustradamente, afinal, eu ainda tinha fôlego. Porém, Jake não. Mas ele não poupou tempo, levando seus lábios ao meu pescoço de mármore.

Respirei fundo para controlar mais um gemido que ameaçava sair por meus lábios e seu cheiro embriagante adentrou por minhas narinas. Contudo, não somente aquele maravilhoso aroma amadeirado, que me lembrava a sensação de liberdade que eu sentia ao correr pela floresta e sentir aquele aroma natural, como também o de... seu sangue.

Trinquei os dentes e, de repente, eu não sentia mais nada. Os beijos de Jacob por meu pescoço não faziam a mínima diferença em mim, assim como toda a excitação do momento começava a sumir... dando lugar a sede.

Ao desejo por seu sangue.

Fechei os olhos com força e tentei trazer razão a minha mente. Droga, isso realmente não estava acontecendo comigo.

Levei minhas mãos, que, por mais incrível que pareça, estavam tremulas, a seu peito e tentei afastá-lo de mim. Quanto mais ele continuava, quanto mais ele investia em mim, mais eu sentia minha garganta queimando com o veneno e meus dentes coçando para perfurar aquela magnífica pele avermelhada, macia e quente.

— Jake... — disse com dificuldade, mas não por seus lábios habilidosos em meu pescoço, ou suas mãos fortes deslizando livremente por meu corpo... Eu não podia continuar mais com isso, ou iria atacá-lo. — Pare...

Ele pareceu não me ouvir, ou fingiu que não ouviu, e eu tentava inutilmente unir forças para afastá-lo. Eu podia sentir meus lábios se entreabrindo e meu olhar focado em seu pescoço. Nada mais fazia sentido agora, como antes. Só que, dessa vez, o que eu queria era seu sangue... ah, seu sangue.

Fechei os olhos com força, tentando parar-me, e senti minhas mãos se fecharem em punhos na camiseta de Jake, cravando minhas unhas afiadas como navalhas em sua carne.

Ele sobressaltou-se e se afastou. Dei graças a Deus por isso e me encolhi no chão, agarrando a cabeça para tentar trazer razão à mente e ignorar o sangue que escorria das costas de Jake.


Eu não conseguia... não podia... Acreditar. Como eu fiz tudo isso? Porque eu permiti? O que estava acontecendo? Esse era o pior erro que eu podia cometer na minha vida! Céus, ele é imprint de Renesmee! Ele é um lobo e eu uma vampira! Isso nunca podia ter acontecido!

Eu não tinha coragem de olhá-lo, enquanto segurava a cabeça entre as mãos e ouvia sua respiração acelerada. Deus, como eu queria aquela respiração contra meu pescoço novamente... Não, , você não pode querer isso!

Senti minha garganta queimar e minha mente pesar para que o choro viesse. Claro, só que sem soluços. Deus, como eu queria poder chorar agora... Como eu queria sentir as quentes e úmidas lagrimas deslizarem por meu rosto...

Engoli o choro e enchi meu corpo de coragem o suficiente para levantar a cabeça e olhá-lo. Ele estava sentado e, também, evitava me olhar. Seu peito ainda subia e descia rapidamente, enquanto ele parecia estupefato com o ocorrido. E eu somente senti o desejo de deslizar minhas mãos por aquele peito forte me consumir.

Sacudi a cabeça e olhei para meus pés, completamente assustada comigo, com meus pensamentos... Por que eu estava pensando assim? Por que, agora, eu não conseguia olhá-lo sem sentir a necessidade de repetir tudo isso que acontecera? Por que esse desejo tão desesperado formou-se em mim de uma hora para outra? E o pior... Por que com ele?

Levantei minha cabeça de novo e vi que me olhava, mas era indescritível sua expressão. Ele parecia... chocado demais para sentir alguma coisa. Assim como eu.

— Isso foi um erro — dissemos em uníssono e nos encaramos por um tempo. Seus olhos continham uma emoção, que eu não conseguia decifrar e nem fazia questão em tentar.

— Por que você fez isso, Jacob? — exigi com a voz embargada, fechando os olhos com dor. Minha vida já não era complicada o suficiente? Ele tinha mesmo que trazer algo mais?

— Eu não sei — respondeu num fio de voz, que até tive que me esforçar para ouvir. — Me desculpe.

Senti minha garganta se fechar e engoli em seco.

— Não tenho que desculpar nada, eu também tive culpa! — gritei. Afinal, eu não impedi nada. — E não podemos contar a ninguém o que houve aqui!

Ele assentiu lentamente, desviando o olhar de mim.

Permanecemos em silêncio por um tempo, e eu apenas continuei com os olhos fechados – tentando digerir tudo o que aconteceu – e concentrando minha mente, inconscientemente, no leve soar de sua respiração. Era tão ritmada... tão relaxante...

Como seriam as coisas entre nós agora? Como eu olharia no rosto de Renesmee sem sentir a culpa de que a traí? Jacob era destinado a ela... e eu fiz isso! Será que um dia ela seria capaz de me perdoar? Ela sofreria se soubesse? Deus, eu não agüentaria vê-la sofrer por minha causa. E, nossa, como eu sou hipócrita. Como pensei aquelas coisas de Bella, sendo que no instante seguinte eu vou e faço a mesma coisa e... pior, gostei? E foi muito mais intenso que um simples beijo... Meu Deus, se eu não sentisse sede, nem sei o que aconteceria se continuássemos naquele ritmo. Mas como? Eu sou uma vampira e ele um lobo... Isso nunca daria certo, não é? Bem, dando certou ou não, isso nunca irá se repetir. Foi apenas um impulso, nada mais. Jacob e eu não temos nada além de desejo um pelo outro e... Uma hora isso vai passar, e tudo voltará ao normal.

Ao menos, eu desejo que sim.

— Temos que ir — disse ele e eu ainda evitei olhá-lo. Eu tinha medo de sentir tudo aquilo de novo apenas ao ver seus olhos negros sobre mim.

Eu podia facilmente imaginar aqueles mesmos olhos negros cheios de desejo, enquanto beijava meu pescoço... Droga, minha mente me trai demais. Demais.

— Como esconderemos de Edward? — perguntei com medo. Edward seria capaz de contar a Renesmee? Ou outro alguém?

— Pense em outra coisa — disse ele e eu revirei os olhos. Como se fosse fácil pensar em outra coisa. — Uma coisa que seja mais importante do que o que aconteceu.

Sua resposta foi como um tapa na cara, mesmo eu não sabendo o porquê. Eu senti que aquilo não era nada importante para ele e que seria fácil esquecer... Bem, Jacob, pra mim não seria.

E pensar em outra coisa? Uh, seria difícil no momento. Muito difícil.

Droga, eu estava ferrada.

19. Segredo

A luz prateada da lua reluzia florescentemente em meus braços brancos e pálidos – embora a luminosidade mais forte fosse a do sol –, porém, sua doce claridade parecia resplandecer mais na pele avermelhada de Jacob, que caminhava alguns passos a minha frente. Seus músculos eram largos e a fina camisa – com três linhas grossas de rasgos nas costas, que eu causei – estava quase apertando-os, por eles serem tão grandes para a pequena peça. Porém, é claro que não era aquele simples fato que prendia minha atenção, e sim o quanto seus braços eram fortes e seus músculos se contraiam ao pisar de seus passos pesados sobre o solo.

Jacob era lindo. Era claro que minha visão estava sendo ocultada até esse momento, mas poder enxergá-lo verdadeiramente agora, mexia-me de uma forma totalmente desumana. Qualquer coisa nele me atraia agora, forçando meu corpo a unir-se com o seu e nunca mais soltá-lo. E a cada vez que estes tenebrosos desejos me assombravam, a lembrança de seu beijo e de seus braços fortes ao meu redor invadia minha mente sem permissão.

Eu queria ser capaz de esquecer. De poder agir como sempre agi com ele, mas parecia ser impossível. Somente sua presença já era suficiente para que eu focasse minha mente apenas nele, somente imaginando o nosso único e último momento juntos. Todavia, o que mais me confundia era que eu não amava Jacob.

Essa atração, esse desejo, é tão forte, então porque eu não me sinto apaixonada? Ou amando-o? Jacob não se tornou especial na minha vida, nem essencial. Tornou-se apenas uma tentação. Um fruto proibido. Talvez fosse exatamente isso que me atraísse tanto a ele: o gosto do proibido. Porém, não fazia nenhum sentido, já que nunca me senti atraída a nada proibido antes.

Apertei meus braços ao meu redor e desviei meus olhos para o chão – longe de Jacob –, mas ainda sentindo o banhar da luz da lua sobre mim e sobre ele.

Numa tentativa desesperadora de trazer paz à minha cabeça, pensei em meu lar, minha família. Desde que saí com Bella, já se faz muito tempo. Estariam preocupados comigo? Edward com certeza estaria e me daria um sermão daqueles assim que chega...

Edward!

Meus pés não prosseguiram mais nem um passo e fixaram-se no solo. Meu corpo estava completamente paralisado, enquanto meu interior tremia pressentindo o pior. Afinal, eu ainda não pensara nas conseqüências de meus atos.

Seria impossível esconder meus pensamentos do que ocorrera de Edward e ele descobriria. Não teria nem como eu lhe pedir piedade, já que isso afeta emocionalmente sua querida filha. Céus... O que os Cullen pensarão de mim quando souberem? O que... farão comigo?

Minha mente não conseguia nem sequer imaginar o que eles fariam a uma traíra qualquer, quanto mais a uma que era da família: eu. Sei que os Cullen são boas pessoas, mas eu fiz algo imperdoável. E se o que aconteceu afetou Renesmee? E se ela sentiu dor a cada prazer que eu sentia? Deus, ela está ligada à Jacob pelo imprinting, e se ela sabe?

... Ela me perdoaria algum dia...?

Levantei os olhos – que, só agora percebi, estavam focalizados no chão – e olhei a minha frente. Jacob já desaparecera pelo caminho... E nem sequer notara que eu não o seguia mais. E isso, de alguma forma, causou um leve incômodo onde estava meu coração congelado.

Senti meu queixo estremecer e levei as mãos aos lábios para abafar um soluço. Eu não era muito de chorar, nem quando brigava com minha mãe quando pequena, e ela me magoava, eu chorava. Mas, por que, agora que eu simplesmente desejo sentir as lágrimas rolarem por meu rosto, eu não posso? Sempre tive a liberdade de chorar a vida inteira e nunca o fiz, mas, agora que não posso, os acontecimentos estão conspirando a favor de acabarem comigo emocionalmente com tanta desgraça.

Afastei-me lentamente, antes que Jacob percebesse minha ausência, e caminhei sem direção para lugar algum. Qualquer lugar que não fosse a casa dos Cullen poderia me abrigar agora.

Levantei os olhos para o céu e vi que a lua continuava a brilhar, enquanto meus passos prosseguiam um caminho inconsciente com minha mente vagando para longe dali. Minhas pernas não estavam firmes a cada passo que eu dava, era como se eu fosse desmoronar a qualquer segundo apesar de minha incrível resistência física.

Eu não conseguia me concentrar em nada que estava a minha frente, no mundo real, já que estava tão perdida em meus próprios pensamentos conspiradores e deprimentes. Em poucos minutos, milhões de pensamentos diferentes passavam por minha mente, porém, todos com algo em comum: meu erro. E mesmo com a cabeça longe, às vezes, eu conseguia focalizar meus olhos no meu caminho, quando sentia um suave incômodo nos pés ou nas pernas: todas as vezes que eu tropeçava e uma pedra ou árvore se quebrava para me ceder passagem.

Assim que cruzei a fronteira com o Canadá, subi em uma árvore qualquer e recostei-me em sua estrutura cascuda e com o aroma tão acolhedor. Aquele mesmo aroma de almíscar e amadeirado que me trazia memórias que eu preferia esquecer, mas não conseguia... nem queria.

Evitei fechar os olhos para que minha mente não me traísse e vi acima a celestial abertura que as folhas das arvores me cediam para uma colossal vista para a enorme lua brilhante e prateada que eu venerara o caminho todo até aqui.

Outra coisa estranha em mim: o quanto eu me encantava com o esplendor que a luz da lua trazia. Sua luminosidade conseguia chamar minha atenção mais do que a luminosidade brilhosa e quente do próprio sol. Claro que o calor do sol era acolhedor e familiar, e trazia uma sensação enorme de conforto, mas a lua me atraia muito mais. Apenas sua figura já fazia-me perder incontáveis minutos apenas olhando-a. Era como se ela me trouxesse força, coragem e confiança apenas por estar ali.

Folhas balançaram no chão e meus olhos se desviaram da lua para abaixo de mim. Apesar da graciosa iluminação dela, não era o bastante para que eu pudesse identificar o causador do som. Estreitei os olhos e tentei forçar minha visão vampiresca ao máximo, mas nada eu via. Deitei-me de barriga para baixo no tronco e abaixei a cabeça em direção ao chão para enxergar melhor, mas a coisa se moveu antes que eu pudesse enxergá-la.

Assim que fui para ficar em uma posição mais séria – e no mínimo defensiva – senti um baque surdo de alguém juntando-se a mim no tronco. Meu queixo ergueu-se tão alto para observar a figura, que eu podia ter torcido o pescoço se fosse humana.

Ao ver Edward a minha frente, eu fiquei de pé tão rápido que ele até se sobressaltou de susto. Várias emoções começavam a me dominar aos poucos, mas poucas eram boas. Medo, surpresa, familiaridade, dor, tristeza, arrependimento, saudade, aflição...

— O-o que faz aqui? — gaguejei e praguejei por minha voz não soar tão firme quanto eu imaginava.

Ele sentou no tronco de frente para mim e apenas ergueu uma de suas sobrancelhas inquisitivamente, com seus olhos inexpressivos sobre mim.

— Eu que pergunto, — sua voz soou forte, fria e séria, fazendo-me estremecer de medo e esperar pelo pior. Ele já sabia. Mas o que viera fazer? Caçar-me? Matar-me? — Não seja ridícula — sibilou rispidamente. — Posso estar com raiva de você, mas nem por isso viria aqui te matar.

Abaixei meu olhar vergonhosamente e senti a garganta se fechar de medo – mas não de Edward, e sim do que eu sentiria ao receber toda sua ira sobre mim.

— O que faz aqui, Edward? — perguntei novamente, só que dessa vez com a voz mais firme.

— Você desapareceu. Todos estavam preocupados, então vim atrás de você.

Minha boca se entreabriu levemente, mas a fechei mais do que rápido. Como eles se preocupavam comigo depois do que fiz?

— Quando você entenderá que somos uma família e te apoiaremos em tudo? Por mais idiota que seja o seu feito — bufou a ultima parte e fez sinal para que eu me sentasse.

— Mas você disse que está com raiva de mim — disse baixinho após me sentar defronte para ele.

— E estou — abaixei o olhar. — E muito decepcionado também. Você fugiu, , sem enfrentar seus problemas de frente. Eu realmente não esperava isso de alguém tão forte e destemida quanto você.

— Eu tinha medo do que vocês pensariam de mim.

— E pensar que você fugiu por medo já não é um pensamento ruim o bastante? O que você achava que pensaríamos, afinal?

— Edward... Você sabe o que eu fiz... Renesmee... Jacob... Eu... Traíra — eu dizia frases desconexas, enquanto soluçava.

Percebi a armadura de Edward cair e os olhos, frios e sérios, serem substituídos pelos quentes dourados de compaixão. Mais rápido que um raio, ele estava sentado ao meu lado, com seus braços ao meu redor, ninando-me e alinhando meus cabelos docemente. Afundei o rosto em seu peito e inalei o aroma calmante e doce que provinha de seu corpo. O descontrole tomou conta de mim, enquanto meus soluços tornavam-se mais fortes e desesperados – dizer meus medos em voz alta machucava mais do que eu poderia imaginar.

Fechei minha mão, que estava sobre seu peito, em punho, em sua camiseta e tentei abafar o choro.

Senti uma sensação engraçada de cócegas deslizando por meu rosto e estremeci. O líquido era mais gelado do que gelo e deslizou por toda extensão de minha bochecha até concluir o percurso á meu queixo e a camisa de Edward.

Edward ainda alinhava meus cabelos num gesto calmante, mas após sentir a gelada gota molhando sua camisa levemente, parou. Senti mais do mesmo líquido concluir o mesmo percurso até a camisa de Edward e estranhei por não estar sentindo nenhum deslizar de liquido em mais nenhuma parte de meu corpo. Levantei a cabeça para olhar o céu – e ver se estava chovendo –, mas tudo continuava normal, a lua continuava a brilhar sua luz prata e o céu estava limpo, num manto negro escuro e estrelado sem nenhuma nuvem.

Assim que meus olhos saíram do céu, Edward agarrou meu rosto abruptamente entre suas mãos e contemplou minha face perplexamente, arregalando seus olhos dourados para o liquido que molhara meu rosto de mármore.

— Isso é impossível — o sussurro mal saiu por seus lábios, mas fui capaz de ouvir.

Sem entender o que ele dizia, levei a mão ao rosto e deslizei a ponta de meu dedo pelo percurso do líquido... E arfei surpresa ao perceber que, antes de chegar até meu queixo, o líquido viera de meus olhos. Eram lágrimas. Lágrimas congeladas.

— Você está chorando, . Lágrimas — Edward sussurrou, só que um pouco mais alto, e secou-as com seus polegares. — Temos que ir para casa. Agora.

Apesar de algo completamente anormal estar acontecendo comigo agora, fui incapaz de não sentir o choque de realidade e compreender o que Edward dizia. Voltar pra enfrentar a ira dos Cullen? Eu não podia.

— Eu não posso ir, Ed — murmurei, soltando meu rosto de suas mãos e olhando para baixo, sentindo mais uma lágrima fria rolar por meu rosto. Era uma sensação tão boa de alivio, como se aquelas lágrimas fossem capaz de colocar todos os meus sentimentos prendidos para fora e tirar um pouco do peso que pairava em meus ombros. — Como isso é possível? — sussurrei para mim mesma, levando os joelhos ao peito e os abraçando assustadamente.

— Não sei — murmurou. — Isso é mais um motivo para você voltar comigo, , precisamos entender o que acontece.

— Não — sussurrei com o olhar distante, mas levando as mãos a cabeça e enroscando os dedos em meus cabelos, puxando-os frustradamente. — Por que eu tenho que ser uma aberração?

Mais lágrimas rolaram e eu soquei o tronco frustradamente. Por que eu sempre tenho que ser a mais estranha? Por quê?

— Você não é uma aberração, — ele voltou a me abraçar. — Na verdade, você está justamente provando o contrário. Você ao menos tem algo humano. E os outros vampiros não.

Apertei os olhos fortemente, para que nenhuma lágrima saísse, mas senti minhas pálpebras gelarem, como se estivessem submersas num rio congelado, e eu as abri rapidamente.

— Mesmo assim. Eu sempre tenho que ser a anormal.

— Considere isso um presente — ele sorriu torto, fazendo-me acalmar-me um pouco. — Algo bom que a diferencia de todos os outros.

Eu nada disse, apenas voltei a afundar o rosto em seu peito e controlar os soluços – que diminuíam aos poucos.

— Temos que voltar — repetiu ele.

— Não sei se posso — murmurei e minha voz saiu abafada, por meu rosto ainda estar em seu peito. — Não sei se agüentarei o ódio, a repugnância... a decepção de todos. Você pode ter me perdoado, mas eles perdoarão?

— Não há o que perdoar, — sussurrou. — Todos nós cometemos erros ao agir por impulso. Além do mais, ninguém mais sabe.

— Como?! — levantei a cabeça para encará-lo.

— Quando li a mente de Jacob, corri o mais rápido possível para encontrar seu rastro e te achar. Jacob estava tão distraído que nem notara que você não estava junto a ele. Estava muito confuso e arrependido. Mas não me importei com ele. Apenas com você. Renesmee não sofrerá se saber, e não saberá. Então você é minha única preocupação.

Apertei-o fortemente contra mim e sorri levemente. Ele me protegeria, não contaria a Renesmee e isso já bastava. Porém, não era isso que rodava em minha mente, e sim: “estava muito confuso e arrependido”. Jacob estava como eu, pelo visto.

— Eu não contarei a ninguém o que aconteceu, , nem mesmo a Bella... Vamos para casa?

— E-eu não sei — disse nervosa, pensando em minhas opções. — Não tenho como saber se as coisas voltarão a ser as mesmas tão facilmente. Ainda mais depois... daquilo acontecer.

— É apenas atração, — ele torceu a cara. — Logo acabará. Você encontrará um vampiro... ou humano... para passar a eternidade e Jacob será deixado de lado.

Abaixei os olhos para que ele não percebesse a incerteza em meu olhar.

— Você virá comigo? — perguntou delicadamente, como se qualquer palavra errada pudesse me machucar. E talvez pudesse, nunca me senti tão frágil como agora.

Mordi o lábio inferior, enquanto apertava os olhos com força.

— O que você acha... disso? — perguntei, esperando uma resposta sincera. Ele sabia que eu não me referia a minha volta e nem as anormais lágrimas que saiam de meus olhos.

— Nenhum de nós tem controle completo de si mesmo. Você não queria fazer aquilo, foi um impulso, . Nós cometemos erros quando agimos por impulso. Eu não te julgarei por nada. E tenho certeza de que Renesmee também não, ainda mais sabendo que perderia você se julgasse. Apesar, que ela nunca saberá disso.

Olhei para os olhos sinceros de Edward e senti os meus gelarem para que mais lágrimas caíssem. Apesar das implicâncias, eu, desde o inicio, sempre percebera o quanto Edward era uma pessoa maravilhosa. E agradeço aos céus por ter uma pessoa assim ao meu lado, tão bondosa. E por ele gostar de mim o suficiente para vir me buscar.

— Você é minha irmãzinha querida, — ele sorriu e eu o apertei contra mim, sorrindo felizmente. — Você sabe que sempre estarei aqui para você.

— Agora tenho certeza disso — murmurei, ainda sorrindo.

Ele me apertou também, mas logo nos separamos e decidimos voltar. Eu tentaria fazer as coisas serem como antes, apesar de não ter tanta fé assim de que conseguirei.

Descemos da árvore com um salto perfeito e sincronizado e nos preparamos para voltar para casa. Um vento soprou forte e jogou meus cabelos contra o rosto, tirei-os de lá com a mão e senti a umidade de meu rosto.

— Edward — chamei, ele virou-se para me olhar. — Quero lhe pedir que mantenha mais uma coisa em segredo.

— O que?

— Não quero que saibam que sou diferente — murmurei. — Não quero que saibam que sou capaz de chorar.

, não há por...

— Por favor — pedi, sentindo mais uma lágrima deslizar por meu rosto e jurei a mim mesma que aquela seria a última.

— Tudo bem — suspirou. — Ninguém saberá disso.

Sorri um pouco mais aliviada, por não correr riscos de ser tratada diferente... por ser olhada diferente, e entrelacei minha mão a de Edward para voltar para casa. Sua mão preencheu-me com enormes sensações de conforto e familiaridade e eu sorri.

Olhei para cima e vi a lua. Ela encheu-me de coragem e força e senti minhas pálpebras deixarem de estar frias e nenhuma lágrima ameaçar cair. Agradeci mentalmente àquela maravilhosa forma prateada no céu e finalmente pude encontrar uma analogia boa o suficiente para explicar minha atração à lua... Sangue. A lua me atraía, encantava e dava forças, assim como o sangue. ,
Era como uma lua de sangue.


20. Deslize


Minha mente estava sobrecarregada. Mesmo sendo uma mente superior a dos humanos e completamente mais avançada, eu a sentia pesar, queimar e exigir um descanso. Tudo o que aconteceu apenas serviu para que as divergências de idéias atormentassem meu cérebro, gerando cada vez mais dúvidas e confusão.

Edward segurava minha mão firme e guiava-me delicadamente, como se agora, por chorar, eu tivesse tornado-me uma frágil humana. Eu reclamaria, se não estivesse tão exausta e tão ocupada pensando em como seriam as coisas a partir de agora.

Soltei um suspirou frustrante e minha garganta protestou, queimando. Eu estava tão perdida em pensamentos que nem sequer percebera que estava com sede, mas, é claro, ela se manifestou para provar que ainda estava ali para ser mais uma das coisas para atormentar minha vida.

— Edward, acho que vou precisar caçar — disse, diminuindo a velocidade de meus passos, ainda sentindo o cérebro incomodado com tantos pensamentos.

— Eu estava pensando nisso. Sua mente está tão fraca, que você precisa adquirir mais energia para agüentar ir embora.

— Não é como se eu fosse desmaiar, não sou humana, esqueceu?

— Mas parece ser — murmurou e eu abaixei o olhar. Ele estava certo. E eu não conseguia imaginar o porquê de eu não ter gostado disso.

— Onde caçamos? — perguntei para mudar de assunto.

¬— Pelo que vejo, ainda estamos perto da fronteira com o Canadá, então tem um lugar aqui perto que têm alguns alces.

Ele fez um sinal leve com a cabeça e eu o segui, meio morta, como se estivesse com preguiça.

Após caçarmos, Edward e eu seguimos para casa. Demorou um pouco, mas eu já estava totalmente recuperada e cheia de energia, porém, meus pensamentos continuavam perturbadores e irritantes, insistindo no mesmo assunto.

Mal colocara meus pés no quintal e senti algo se chocar em minha perna e agarrá-la fortemente. Primeiro me assustei, mas logo sorri, era Renesmee segurando minha perna. Notei que ela já passara o tamanho de minha cintura e me senti um pouco mal, afinal, minha pequenina estava crescendo muito rápido.

— Onde você estava? — disse emburrada, cruzando os braços e fazendo biquinho. Apesar de todos os sentimentos conflitantes dentro de mim, eu consegui esquecê-los por um segundo e me ajoelhar para abraçar a lindinha sem culpa. Ela estava enorme, não seria certo mais pegá-la no colo para abraçá-la.

Seus cabelos de bronze caiam em enormes ondas por suas costas e seu rosto em formato de coração estava cada vez mais cumprido — como o de Bella —, porém, as feições não deixavam de ser iguais à de Edward: os lábios, o jeito de olhar, o nariz... Ela era a cara do pai.

— Queria passar um tempo sozinha — disse, não querendo lhe contar nada que pudesse levá-la a desconfiar da verdade. — E Ed, como o louco preocupado que é, foi atrás de mim para checar se eu estava bem.

— Claro — ela fez uma cara séria. — Com todas essas coisas estranhas acontecendo com você, você não deveria ficar, um minuto sequer, sozinha.

Reprimi uma careta, ela não fazia idéia do quanto aquilo era verdade.

Eu queria poder dizer que as coisas voltaram ao normal rapidamente, mas, acredito eu, que não posso sequer dizer que eu estou normal.

Desde que voltamos, Edward e eu inventamos logo uma desculpa e todos acreditaram — ou, ao menos, assim parecia —, mas Edward logo me dissera que eles estavam desconfiando de algo, já que Jacob e eu estávamos estranhos, principalmente na presença um do outro.

Edward tenta me confortar dizendo que um dia essa atração acabará, mas não vejo como. Somente com um olhar, ele é capaz de esquentar meu corpo interiormente e fazer uma irresistível necessidade de aproximar nossos corpos me consumir.

Os Cullen não reparavam quando eu olhava o corpo de Jacob inconscientemente, mas Emmett já repara quando Jacob olhara uma vez ao decote que um vestido, que Alice escolhera, formara em mim. Confesso que senti uma sensação de contentamento, mas reprimi-a.

Na escola as coisas eram mais difíceis ainda. Só trocávamos palavras quando ele pensava que eu estava com sede, então perguntava “você está bem?” e eu apenas respondia “sim” ou “mais ou menos”. Oliver reparara nos diálogos amenizados entre mim e Jacob e começou a aproximar-se cada vez mais, tornando-se mais claro em suas intenções comigo.

Apesar de Jacob ter sido foco de meus pensamentos por vários instantes, eu sempre reparava em como Oliver era lindo, fofo, inteligente e simpático. Ele era aquele tipo de cara que podia ser astro de cinema e ter incontáveis fãs (e nem sequer um vampiro é).

Suas ações vão avançando aos poucos e a cada dia ele dá um novo passo. Já segurara minha mão pela primeira vez e não se sentira incomodado com a pele gélida, já se preocupara quando eu parecia estranha por estar com sede, já elogiara minha aparência diversas vezes. Todavia, a única coisa que eu notara era o quanto Jacob se afastava de mim a cada vez que Oliver se aproximara.

Uma parte de mim dissera que aquilo era bom. Outra parte, queria ignorar tudo e todos e repetir tudo o que acontecera naquele dia, sem se arrepender.

Decidi ouvir a primeira parte e aproximação de Oliver continuou.

— Você só pode estar brincando — Oliver resmungou, ao sentarmos numa mesa qualquer de almoço. Eu ria, enquanto ele se revoltava aos poucos. — Código Da Vinci é o melhor livro que já existiu!

— Desculpe, mas — gargalhei. — não está na minha lista de favoritos.

— Não sei qual está. Você não gosta de nenhum clássico.

— Aí que você se engana — arqueei uma das sobrancelhas. — Eu gosto de O Morro Dos Ventos Uivantes.

Ele rolou os olhos e bufou.

— Ainda bem que é sexta-feira, não terei mais que agüentar esse seu mau gosto — brincou e eu franzi o cenho.

— Não seja por isso, posso adiantar o momento de minha ausência pra você — fingi seriedade e levantei da mesa. Ele arregalou os olhos e puxou meu braço.

— Sério que você achou que era verdade? — ele riu. — Você é muito boba, eu adoro passar meu tempo com você.

Percebi – pensei, mas não disse nada. Oliver abandonara completamente seus amigos depois que apareci, só falava com eles quando o procuravam, se não, ele nem se importava. Porém, ele não era do tipo que abandonava os amigos, apenas estava gastando muito do seu tempo comigo. E o mais legal disso, é que ele é a única pessoa que não se encanta só com minha aparência vampiresca, mas também com meu jeito de ser, minha personalidade.

— Oliver — chamou-o uma voz feminina, assim que voltei a me sentar em meu lugar. Nós desviamos o olhar um do outro para a garota de cabelos acobreados e Oliver sorriu docemente. Ele era fofo com todo mundo, como isso era possível?

— Hey, Ju — disse e a garota aumentou o sorriso, encantada.

— Você está sabendo da festa em minha casa, não é? — perguntou, ele assentiu. — Conto com você lá — sorriu timidamente e, só então, reparou em minha presença. Ainda sorrindo, ela falou para mim: — Todos estão convidados e será maravilhoso se você também puder vir.

— Vou pensar — respondi, retribuindo o sorriso. Ela era um garota legal e a festa podia ser até boa, mas eu nunca gostei de festa e não me arriscaria a ir num lugar aglomerado de humanos.

O sinal tocou e Oliver se despediu de mim com um beijo no rosto para ir para a próxima aula. Fui para a minha com Jacob e só então percebi seus olhos indiferentes para mim. E, mais uma vez, uma ação de Jacob causou um leve incômodo em meu peito.

Assim que a aula acabou, e eu estava saindo a caminho para a última, Jacob segurou meu braço levemente e fez sinal para que eu esperasse os alunos saírem.

Com meu braço queimando, mesmo sem sua pele lá, eu assenti e esperei. Assim que os alunos saíram, ele olhou para o chão e suspirou.

— Quero lhe pedir uma coisa.

Arqueei uma de minhas sobrancelhas, mas sem olhá-lo, já que ainda tinha medo do que podia acontecer se nossos olhares se prendessem um no outro.

— O que? — perguntei.

— Quero que voltemos ao normal. — franzi o cenho, sem entender, e ele continuou: — Todos estão percebendo que algo aconteceu entre nós, já que mudamos o comportamento de uma hora para outra. Eu quero que você, ao menos, finja que nada aconteceu e que somos amigos.

— Eu não posso — murmurei e fechei os olhos, praguejando baixinho por ter dito isso.

— Por que não pode? — perguntou irritado. — Caramba, é algo tão simples. É só disfarçar. Por que não poderia fazer isso?

— Eu não consigo! — disse, também irritada. Odiava quando alguém levantava a voz pra mim.

— Não consegue? — ele riu descrente e irônico. — Droga, eu não devia estar me humilhando para você... você não passa de uma sanguessuga sem alma e egoísta.

Ele já pegava suas coisas para sair, mas eu me irritei e segurei seu braço com força. Minha visão já estava borrada num vermelho assassino e eu já não tinha mais consciência de meus atos.

— Egoísta? — sussurrei, com a voz soando extremamente sombria e assustadora. — Você é um vira-lata estúpido e retardado se pensa que só você está sofrendo e se arrependendo com tudo isso. Acha que não me importo? Acha que é só você que tem algo a perder? Os Cullen são tudo o que tenho, cachorro, se eu perdê-los por algo tão idiota e sem importância, como o que eu fiz com você, eu seria capaz de me matar e levar você para o inferno junto comigo por causar tal coisa.

Eu causei? — gritou, soltando seu braço de meu aperto e começando a tremer o corpo. — Que eu saiba, você também retribuiu de bom gosto! E só por que eu disse a verdade, de você ser egoísta, vai ficar me atirando pedras por algo que você também fez? Além de egoísta é hipócrita!

Meu punho foi em direção ao seu rosto — e eu já podia prever o estrago que causaria, com tamanha força que investi —, mas ele o segurou e torceu meu braço para trás das costas.

— Você pode ser forte, sanguessuga, mas não tem nenhuma experiência em luta como eu — sussurrou e um rosnado de fúria escapou de meus lábios.

Girei sobre os calcanhares e segurei seu pescoço, com a mão livre, apertando-o. Minhas unhas cravaram na pele ali e o sangue escorreu por meus dedos. Eu estava tão irritada, que até repugnância senti por seu sangue.

Seus olhos estavam queimando em pura fúria, mas isso não diminuiu nem um pouco a minha. Libertei meu outro braço e tentei outro soco em seu rosto, mas ele o segurou novamente e me empurrou contra as carteiras fortemente, massageando a garganta logo em seguida.

Levantei-me mais do que rápido e preparava-me para atacá-lo, mas ele se afastou e fechou os olhos. Não entendi o porquê disso e tomei aquilo como mais fácil para vencer, mas quando reparei que ele se concentrava para acalmar-se e parar de tremer, parei meus movimentos.

— Eu não quero te machucar, — disse, abrindo os olhos. — Mas se der mais um passo, isso será inevitável.

— Pensei que eu fosse uma sanguessuga egoísta e hipócrita — sibilei, ainda irritada. — Por que não iria me machucar?

— Por que ainda quero sua ajuda.

— Eu não posso! — gritei, sem me importar que estava numa escola.

— Por que não pode? — gritou de volta. — Por que custa tanto voltar a ser minha amiga?

— Por que eu não te vejo como amigo! — gritei e não me arrependi, ele me irritou num tal ponto que aquilo saísse sem cautela. — Satisfeito? Já tem sua resposta e sua explicação agora me deixe em paz. Não te vejo como amigo, pronto!

Peguei minhas coisas e passei por ele até a saída, mas ele prensou-me contra a porta e aproximou seu rosto do meu.

— Infelizmente, somos dois, .

Mordi meu lábio inferior, já prevendo o que estava por vir, e passei meus braços por seu pescoço. No segundo em que vi seus lábios se entreabrindo, eles já estavam contra os meus, trazendo consigo todas as sensações prazerosas da última vez e o magnífico choque térmico.

Sorri em deleite e levei uma de minhas mãos até seu rosto, deslizando sem dó minhas unhas por sua pele avermelhada. O contraste de sua pele contra a minha era incrível, mas não dei importância a isso e fechei os olhos – como uma forma de triplicar aquelas sensações.

Sua mão passou pelas minhas costas, sob a camisa, e desenhou minhas curvas com movimentos satisfatórios e fortes. Nossas línguas se encontraram e começaram uma dança doce e sensual, que fazia meu corpo esquentar mais do que um dia pensei ser possível.

Grunhi contra seus lábios e levei minhas mãos até a barra de sua camisa. Pensei em puxá-la por sua cabeça, mas apenas fiz o que mais tinha vontade – adentrei pelo tecido fino e explorei seu abdômen definido com as palmas das mãos. Sentir a textura quente e macia de sua pele, fez com que eu desejasse viajar mais além por seu corpo. Minhas mãos subiram até seu peito e eu sorri inconscientemente ao sentir o bater acelerado de seu coração sob minhas palmas. Minhas mãos continuaram o percurso e foram até suas costas, larga e forte, pressionando ali minha palma e deslizando levemente minhas unhas por sua pele. Jacob grunhiu contra meu lábios e me apertou mais forte, fazendo com que um gemido rouco saísse de meus lábios.

— Por que... isso acontece... com nós? — perguntou ele, mal separando nossos lábios ao dizer.

— Cale a boca, cachorro — murmurei, voltando a unir nossos lábios com voracidade, sentindo nossas línguas brincarem uma com a outra, e não me importando com nada ao meu redor. Não me importando com o porquê de nada.

Seu corpo pressionou mais o meu, e sua mão apertou minha cintura com mais força ainda –se eu fosse humana, já teria um hematoma garantido –, fazendo com que um arfar saísse por meus lábios ruidosamente. Sua outra mão se enfiou por entre os fios de cabelo de minha nuca e apertou meu rosto mais próximo ao seu.

Sua excitação pressionou contra minha coxa e minha mente foi intoxicada com puro desejo, com pura luxuria. Não havia amor, nem paixão, apenas tesão, portanto, não consegui encontrar nenhuma brecha de culpa em meus pensamentos. Não era amor, então pra quê sentir culpa?

Apoiei as mãos em seus ombros largos e dei impulso para selar minhas pernas em sua cintura. Mais do que rápido, ele aproveitou a situação e vagou suas mãos por minhas coxas, subindo-as sob o tecido da saia.

Seus lábios foram até meu pescoço e eu prendi a respiração para que a sede não atrapalhasse o momento. Fechei minhas mãos em punho sobre sua camiseta e tomei o devido cuidado para não machucá-lo com essa ação novamente.

Trinquei os dentes para que nenhum gemido soasse por meus lábios e apenas me ocupei em sentir os beijos de Jacob indo em direção a meu colo e o quanto aquela ação esquentava meu corpo.

Uma de suas mãos apertou um de meus seios com força e eu puxei seu rosto para o meu para abafar o gemido alto com um beijo. Assim que nossos lábios se tocaram novamente, minha mente divagou e era como se eu não estivesse mais ali, e sim no ar, com Jacob junto a mim. Era tão intenso o que ele provocava em mim.

Assim que sua mão, que estava sobre minha coxa, tornou-se mais atrevida indo até o elástico de minha calcinha e brincando com ela, enquanto a outra mão ameaçava puxar minha camisa sobre a cabeça, o sinal da escola soou.

Jacob deu um pulo para longe, atordoado, e eu caí de bunda no chão, causando um ruído barulhento. Chacoalhei a cabeça, tentando livrá-la de pensamentos pervertidos, e olhei para Jacob com os olhos arregalados – o volume abaixo de sua cintura estava tentadoramente alto demais. Deus, aquilo estava fugindo do controle.

Sem dizer nada, me levantei, ajeitei os cabelos e corri para fora da sala. Eu tinha que fazer alguma coisa. Eu tinha que acabar com essa... coisa que Jacob e eu temos. E já tinha o plano perfeito.

Saí correndo pelos corredores e agarrei a cintura de Oliver assim que o vi. Era enorme o alivio que eu sentia. E a esperança de que essa idéia pudesse resolver meu problema.

— Vamos juntos a festa de Júlia? — perguntei e vi um enorme sorriso se abrir em sua linda face. Essa festa seria a oportunidade perfeita de seduzi-lo e tentar esquecer esse desejo por Jacob. Oliver seria minha válvula de escape agora. Eu espero.


21. Aliada

[N/A: coloquem essa musica para carregar



e dêem play quando eu disser, ok?]


, isso é completamente ridículo — dizia Edward, enquanto observávamos a linda paisagem de Forks sobre uma árvore.

Edward se tornara meu confidente, afinal, só ele sabia o que realmente acontecera e o que se passava em minha mente. Contei a ele sobre o “deslize” que tive na escola e lhe contei sobre minha idéia envolvendo Oliver e uma festa.

— Eu não entendo como pode ser ridículo. Oliver já deixou claro várias vezes que quer ser algo mais que um amigo. Ele é lindo, simpático e gosta de mim, qual o problema?

— Ele é humano.

— Bah! — mostrei a língua. — Você é a última pessoa que pode dizer que um relacionamento entre um vampiro e um humano não dá certo.

— Está enganada. Sou a pessoa certa para dizer que isso dá errado.

— Deixe Bella ouvir isso — bufei, quebrando um galho para brincar distraidamente.

— Não me arrependo de amar Bella — disse ele, baixinho. — Mas tudo o que ela sofreu com essa relação foi... horrível. E eu não desejaria isso para ninguém.

— Mas ela passaria por tudo isso novamente se soubesse que chegaria aonde chegou — contra-argumentei e Edward torceu a cara.

— Mas nós tínhamos nosso amor para recompensar. Você e Oliver não.

— Como tem tanta certeza de que eu não me apaixonarei por ele? Assim que eu o vi, fui com sua cara, e isso é um grande avanço para uma pessoa como eu.

— Você não foi com a cara de Jacob quando o viu e olha no que deu.

— Argh! Quer parar de me lembrar disso?! — gritei irritada. Quando Jacob estava longe, tudo o que eu sentia era ódio e repugnância... mas quando estava por perto... Droga, só sentia desejo e atração e isso me irritava.

— É a verdade — ele levantou as mãos para o alto, como se estivesse se rendendo. — Só estou usando argumentos para te convencer a desistir dessa besteira.

— É minha única opção, Edward!

— Por que não tenta um relacionamento com um vampiro? Será bem mais fácil.

— Um vampiro eu não posso ter a certeza de que irá gostar de mim — murmurei.

— Sei como se sente — disse ele, colocando uma mão em meu ombro. Será que ele se sentia rejeitado também? — Várias vampiras e garotas não tinham a certeza de que eu gostaria delas.

Revirei os olhos. Às vezes Rosalie tinha razão, Ed era um metido.

— Será Oliver e pronto — disse determinadamente. Edward revirou os olhos e bufou um “teimosa”.

— Depois não diga que não lhe avisei.

Levantou-se sobre o galho e me puxou para descermos e irmos embora.

— Sabe de uma coisa — disse Edward, enquanto corríamos de volta a mansão. — Vou com você a essa festa. Quero ver se isso irá prestar. Aliás, acredito que Jacob não gostaria de lhe acompanhar depois do que fizeram juntos na escola... E você precisa ter cuidado num lugar cheio de humanos.

— Por mais que essa noticia tenha me deixado aliviada, não havia necessidade de mencionar o que aconteceu entre mim e Jacob na escola! — gritei. — Aquele beijo foi um erro e eu não quero me lembrar dele!

— Beijo? Eu vi em seus pensamentos, , não era só um beijo.

— Ahá!

Parei de súbito e encarei totalmente chocada e amedrontada a figura a nossa frente: Rosalie.

— Rosalie, o que faz...

— Eu sabia que tinha algo acontecendo! — disse ela, felizmente, interrompendo Edward bruscamente. — Desde que sumiu e você foi buscá-la que tudo anda estranho... Mas, nossa, nunca imaginaria isso...

— Ro-Rosalie, do que vo-você está falando? — banquei a inocente e ela riu.

— Não adianta tentar me enganar, , eu ouvi cada palavra do que vocês conversaram naquela árvore.

— Como? — perguntou Edward, assustado. — Eu não senti nenhuma presença próxima. Nenhum pensamento...

— Pedi a Bella que bloqueasse meus pensamentos ao ver você saindo com . Eu tinha certeza que você sabia o que estava acontecendo e que estava ajudando a esconder.

— Como Bella fez isso? Então ela também está desconfiada? — perguntei.

— Não, ela não sabe de nada. Eu pedi para que bloqueasse meus pensamentos para que eu pregasse uma peça em vocês dois e a tonta caiu. — Edward rosnou, mas Rosalie continuou. — Pelo visto, ela conseguiu expandir bem seu escudo, já que durou até aqui.

— Rosalie...

— Rose — interrompeu-me Edward. — Não pode contar nada a ninguém. não está preparada para...

— Calma lá, Edward — ela levantou uma mão para interrompê-lo. Estremeci de medo. — Posso parecer má e egoísta, mas nem mesmo eu faria isso. Sei o quanto aquele cachorro é importante para Nessie e sei o quanto também é. A criança não agüentaria tamanha traição.

Abaixei o olhar vergonhosamente e ouvi o suspiro aliviado de Edward.

— Então... — Edward arqueou uma de suas sobrancelhas. —, por que não diz a verdade? — disse ele. — Por que não diz toda a verdade? Sei que ela vai gostar disso, não precisa ter vergonha.

Levantei o rosto para encará-lo com um “?” na cabeça e vi que ele falava com Rosalie, não comigo.

— Do que está falando? Eu já disse toda a verdade — disse ela, com sua linda face totalmente dura, para não demonstrar qualquer emoção.

— Vamos, Rose.

Ela permaneceu parada por uns dois minutos, olhando para Edward indiferentemente. Depois, sua expressão forte caíra e ela me olhara com compaixão.

— Eu não vou contar a ninguém, pois... Estou do seu lado, — murmurou timidamente. — Sempre gostei de você, do seu jeito de ser... E não quero que vá embora de nossa família por uma coisa tão estúpida. Renesmee ficaria triste se você se fosse, Emmett ficaria, eu ficaria... Não podemos perder uma Cullen assim.

Sem conseguir me controlar, pulei no pescoço de Rosalie e a abracei com todo o carinho e amor que eu estava sentindo pelo seu apoio.

— Argh! Eu gosto de você, mas nem por isso quero contato físico com uma amante de cachorro — rosnou, mas eu percebi que era brincadeira e continuei a abraçá-la. Ela retribuiu o abraço, mas logo nos afastamos. — Não posso dizer que não estou decepcionada com suas ações... Mas... Você parece estar arrependida, então não a culpo. Mesmo você tendo se atracado com o mais insuportável dos fedorentos cachorros.

Eu ri. Era ótimo ter Rosalie ao nosso lado.

— Que tal conversarmos e lhe contarmos tudo o que acontecera? — disse Edward, apontando para a árvore que estávamos sentados.

Rosalie assentiu e nós corremos para lá.

Depois de contar tudo a Rosalie – e assisti-la fazendo várias caretas de nojo – esperamos sua reação final. O sol já estava para se pôr e nós não havíamos nem caçado, como dissemos que caçaríamos aos Cullen.

— Eu acho isso uma boa idéia — respondeu ela e eu reprimi a vontade de fazer a dança da vitoria para Edward. — Se o garoto gosta dela e ela se simpatiza com ele, o que há de mal? Fará ela esquecer o vira-lata com certeza.

— Quem é você e o que fez com Rosalie? — disse Edward, parecendo assustado. — Desde quando você defende um relacionamento humano?

— Eu nunca fui contra a um relacionamento humano. Apenas contra Bella — Edward rosnou e ela levantou as mãos para o alto. — Não sou mais! Aceito Bella completamente, ok?

— Bom mesmo.

Rose e eu reviramos os olhos.

— Então, eu também quero ir a essa festa — disse ela e eu e Edward a encaramos sem entender. — Quero ajudar!

— Ela está curiosa para ver o que vai acontecer — Edward desmentiu-a, revirando os olhos.

— Tudo bem — respondi. — Desde que mais nenhum Cullen saiba que iremos a uma festa, senão desconfiarão.

— Festa? Que festa? Edward e eu vamos à Seattle comprar peças para turbinar nossos carros e você só nos acompanhará — Rose sorriu cinicamente e eu a acompanhei. Com mais uma aliada, tudo se tornaria mais fácil para mim agora. — Mas tem mais uma coisa.

— O que? — perguntei confusa.

— Se você quer mesmo seduzir esse garoto, terá que deixar que Alice ou eu a arrume.

Fiz careta e Edward riu.

— Será melhor que seja você Rosalie, Alice pode desconfiar e usar suas visões para saber onde vamos — respondeu Ed.

— Então está tudo ok! — disse ela e eu sorri, mais aliviada com a situação e um pouco culpada por planejar usar Oliver dessa maneira.


— Fique quieta! — chiou Rosalie, enquanto aplicava rímel em meus olhos.

Bufei. Rosalie e Edward já estavam fabulosamente vestidos para a festa e nós estávamos no carro perto da rua onde seria a festa. Nos arrumamos dentro do carro mesmo. Quer dizer, Rosalie e eu nos arrumamos ali, Ed se arrumou numa viela qualquer. Cavalheiros e damas separados, ok?

Oliver havia me ligado mais cedo perguntando meu endereço, mas eu disse que não seria necessário, pois iria junto a meus irmãos à festa.

— Pronto! Está perfeita! — disse ela, afastando-se e sorrindo brilhantemente e duvidei que eu estivesse tão bonita quanto ela.

Edward deu partida no Volvo e nós fomos até a festa.

Podíamos ouvir de longe o estrondo da música e franzimos o cenho – nenhum de nós gostava dessas coisas. Alguns humanos bêbados largados pela rua, cederam passagem para que o Volvo estacionasse. Os olhos dos adolescentes estavam vermelhos e pareciam meio alienados, então percebi que não era só álcool que consumiam ali.

Soltei o cinto e saí do carro mais do que rápido, o instinto protetor me dominando aos poucos ao pensar que Oliver podia estar se metendo com drogas. Edward e Rosalie estavam em meu encalço, enquanto eu tentava andar tão graciosamente quanto Rosalie sobre aquele monstruoso salto alto.



A barra do vestido circulava ao meu redor conforme eu andava com passos largos a procura de Oliver. Para todos os lados tinha alguém ou bebendo ou se atracando com outro alguém, era repugnante. Como alguém conseguia gostar de eventos assim?

Meus passos se tornaram mais irritados conforme meus pés aumentavam o ritmo e minhas mãos empurravam aqueles seres idiotas que tentavam uma cantada estúpida. Já estava desistindo de procurar quando avistei Julia – dona da festa – ao longe.

— Hey, Julia! — gritei, mas o som alto abafou minha voz e ela não foi capaz de ouvir. Aproximei-me mais e toquei-lhe o braço. — Julia!

— Ah, oi ! — ela sorriu exageradamente e notei uma animação sem sentido em seu rosto. Com certeza, ela também consumia aquelas coisas. — Que bom que veio! Fique a vontade!

— Sabe onde está Oliver? — perguntei impaciente.

— Oliver? — ela pareceu confusa, ou era o efeito de alguma droga. — Ele veio? Sério? Pensei que não curtisse esse tipo de evento. Onde ele está, ?

Evitei dar um tapa na cabeça dela e me afastei. Como a anta perguntava a mesma coisa que a perguntei? Eu mereço. Puxei Edward do circulo de meninas que formou ao seu redor e puxei Rosalie – que estava prestes a perder a cabeça com aquelas cantadas idiotas.

Comecei a caminhar rumo à saída, agradecendo aos céus Oliver não gostar desse tipo de coisa, até que o avistei ao longe. Estava muito afastado dos outros e encostado numa parede com os braços cruzados e a expressão desconfortável – estava obvio que ele não fazia parte daquele meio, fiquei feliz com isso.

Sorri e acenei para que Rosalie e Edward não me seguissem. Caminhei até Oliver, enquanto o observava vagar seus lindos olhos verdes pelo chão.

— Hey — chamei sua atenção e assisti seus olhos se apertarem nos cantos ao formar de um lindo sorriso em seu rosto.

— Oi — disse, enquanto seus olhos tentavam disfarçar o olhar sobre minhas pernas desnudas. — Você está linda. Acho que não precisava tanta produção para uma festa como essa, mas gostei muito você ter exagerado.

Evitei correr para estrangular Rosalie – por me obrigar a vestir esse tipo de roupa desnecessariamente – e sorri amarelo para Oliver.

— Por que está tão afastado de todo mundo? — perguntei, mesmo já sabendo a resposta.

— Er, não faço parte desse meio — ele sorriu timidamente. — Eu não viria se você não me chamasse. Não costumo ir a festas.

Encostei-me na parede ao seu lado e senti sua pele se arrepiar ao encostar-se à minha – talvez pela temperatura, mas meu lado egocêntrico fez questão de imaginar outra coisa.

— Eu tenho tanta influencia assim em você? — brinquei.

— Você não faz idéia — murmurou ele e segurou minha mão. — Quer dançar?

Observei a grande sala onde os móveis estavam arrastados para ter mais espaço para uma pista e observei as pessoas dançando uma música agitada. Fiz careta, mas assenti e deixei que me guiasse até lá. Porém, ao chegarmos, a música agitada acabou e começou uma um pouco mais lenta e linda. [N/A: Dê play!]

Suas mãos foram até minha cintura e eu levei as minhas até seu pescoço, encostando minha cabeça em seu ombro e inalando a adorável fragrância de seu perfume e de seu sangue. Ele começou a me guiar conforme a música e, mesmo não sabendo dançar, eu o acompanhei e sorri por estar em sua companhia, fechando os olhos inconscientemente.

— Hey... faz um tempo que eu queria te dizer isso — abri os olhos e o encarei ao som de sua voz doce. — Isso pode parecer meio clichê, mas eu me encantei por você assim que te vi.

Não é à toa, vampiros tem esse efeito, querido.

— Eu também, você sempre foi tão carinhoso e simpático — respondi, sem em nenhum momento mentir.

Seus braços se apertaram ao meu redor e eu voltei a encostar minha cabeça em seu ombro. Minha mente alertou que havia alguém me observando e eu deduzi que seria Rosalie e Ed, mas assim que levantei o olhar para um pouco adiante às costas de Oliver, pude ver aqueles olhos negros se prenderem aos meus.

Tudo ao meu redor desapareceu e minha mente ficou em branco, em choque. Sua face parecia tão chocada quanto a minha, mas tudo que pude fazer foi contemplar seu corpo exuberante e se perder na imensidão do mar negro de seus olhos.

Uma das mãos de Oliver deslizou por minhas costas e foi até meu rosto, erguendo meu queixo e obrigando-me a desviar minha atenção de Jacob e olhá-lo.

Ele olhou para meus lábios e eu dei um meio sorriso, tentando parar de pensar em Jacob. Levei uma de minhas mãos aos cabelos de sua nuca e envolvi meus dedos por entre os fios lisos e loiros de seu cabelo, puxando-o para mim numa tentativa desesperada de não imaginar os lábios de Jacob contra os meus.

Os lábios de Oliver vieram de encontro aos meus e eu apertei os olhos com força, pois minha mente não conseguia prender-se ao momento, e sim as lembranças proibidas. Apertei meus braços mais fortemente ao seu pescoço, unindo nossos corpos o máximo possível, e entreabri os lábios para que Oliver pudesse começar uma deliciosa dança com sua língua junto a minha.

Oliver beijava bem, mas eu não conseguia impedir meus pensamentos de divagarem na comparação. Naquela comparação. Beijava melhor que Riley. Mas não chegava aos pés de...

A mão de Oliver, que estava sobre meu queixo, adentrou pelos cabelos de minha nuca e a outra ocupou-se a apenas apertar minha cintura com força – mesmo que sua força não fosse o suficiente para deixar-me sem ar como...

Seu beijo se tornou mais voraz e sua respiração ofegante e cortante soprou contra meus lábios ao mínimo separar dos meus. Mas sua boca voltou até a minha e seus dentes deslizaram levemente por meu lábio inferior.

Imitei sua ação o mais levemente possível, mas não foi suficiente. Seu lábio se cortou e uma gotícula de sangue pairou em minha língua.

Meu paladar se aguçou e meus olhos se arregalaram, perdendo toda a humanidade e dando espaço à mente selvagem e desumana de um vampiro.

Minhas unhas cravaram em seus ombros fortemente e Oliver gemeu levemente, mas continuou a me apertar contra si. E meu lado vampiro aproveitou a situação e separou nossas bocas, para levar a minha ao seu pescoço.

Assim que meus lábios se esticaram para cima, para que meus dentes perfurassem aquela fina pele branca, senti um puxão em meu braço e Oliver me olhar sem entender.

Olhei desorientada para quem me segurava e reprimi um rosnado de fúria ao ver Rose me puxando e dando uma desculpa esfarrapada para Oliver dizendo ser minha irmã e que nós precisávamos ir.

Edward segurou meu outro braço e nos guiou até a saída. Ainda desnorteada pela sede, olhei para trás para ver Oliver uma última vez naquela noite, mas meus olhos se prenderam inevitavelmente a figura de Jacob e Seth me olhando com uma dose de curiosidade e preocupação.

Desviei o olhar e fechei os olhos, vendo meu plano ser estragado por minha culpa. Grunhi frustradamente, mas prometi a mim mesma que não desistiria tão facilmente e que Oliver me ajudaria a esquecer esse desejo irracional por Jacob. Enquanto eu tiver o apoio e ajuda de Edward e Rosalie, isso se tornaria mais fácil. Minha última aliada aliviou meu caso com certeza e eu não desistirei tão fácil enquanto não tiver Oliver para mim e Jacob para Renesmee – bem longe de mim.

Devo muito a Rosalie hoje. Se não fosse por ela, eu teria estragado tudo e provavelmente seria morta. Uma aliada a mais, fazia muita diferença.

22. Tempot

Meus pés mal tocaram o chão do estacionamento da escola e eu já senti braços circularem ao redor de minha cintura. Virei meu corpo de súbito e dei de cara com o sorriso exuberante de Oliver para mim.

Sorri ao vê-lo e senti uma enorme e boa sensação de conforto, segurança. Era ótimo ter alguém sempre te tratando bem e fazendo de tudo para te conquistar.

Desde novinha, nunca fui de me prender em relacionamentos e nem de ficar só curtindo. Às vezes, surgiam uns garotos que se interessavam por mim e eu ficava com eles, mas eles sempre eram exigentes demais e eu não conseguia me entregar completamente à relação. Claro que eu tinha experiência na hora de beijar, de fazer carícias, de provocar, mas toda vez que chegava na hora “h” pulava fora. Não era aquilo que eu queria para mim.

Oliver é o primeiro garoto que me encantou logo de cara e não mostrou ser apenas um cara que queria me levar para cama e contar aos amigos depois. Sempre preferiu minha companhia a de qualquer um, sempre fora delicado, simpático, preocupado, cauteloso... Era o tipo de garoto que sempre desejei que aparecesse em minha vida.

Mas eu não conseguia entender porque nem mesmo ele era capaz de livrar Jacob de minha mente. Nem mesmo quando nos beijamos.

Há uma confusão exorbitante em minha mente, que nem mesmo me deixa raciocinar direito. Jacob é o único cara que me fez superar os limites e quase partir para o momento sem nem mesmo pensar nas conseqüências, ou racionalizar. Mas Jacob não me fazia me sentir especial, não me fazia parar o mundo apenas para observá-lo, não me fazia criar uma coragem louca de morrer em seu lugar para preservar sua vida... E não fazia mais nenhuma sensação idiota que Shakespeare citava acontecer comigo. Sou eu a pessoa problemática? Será que há possibilidade da relação entre duas pessoas ser baseada apenas em desejo e sem amor? Isso é o que confunde minha mente. Eu tenho certeza de que não amo Jacob. Mas tenho certeza de que o desejo mais do que posso agüentar.

Antes de levar meus braços ao pescoço de Oliver, sacudi minha cabeça imperceptivelmente para voltar minha atenção ao mundo real.

— Você parece um pouco frustrada — disse ele, fazendo uma expressão linda de preocupação e dúvida.

— Não é nada demais — respondi e ele sorriu levemente.

— Espero que não tenha feito você arrumar problemas com seu pai — disse ele e eu uni as sobrancelhas em confusão. — Sua irmã me explicou que vocês tinham que ir embora logo, pois o pai de vocês era muito severo.

— Ah — disse, sem nada melhor para dizer. Então essa era a desculpa que Rosalie lhe dera na festa?

— Uma pena que foi bem naquela hora — disse ele, sorrindo torto. — Mas podemos dar um jeito nisso.

Seus olhos se prenderam aos meus e eu pude ver um brilho diferente existente ali e isso fez com que minha mente se enchesse de culpa. Sua mão deslizou delicadamente até pairar em minha bochecha e ele segurou meu rosto como se eu fosse uma boneca de porcelana e o mínimo movimento brusco pudesse me partir em pedaços.

Sorri, tomada em culpa por usá-lo assim, e permiti que seus lábios se unissem aos meus num delicado e doce beijo. E, por um instante, a sensação de conforto que seu beijo trouxe, aliviou a confusão em minha mente e me prendeu, por um mínimo segundo, ao momento. Talvez isso funcione.

O tempo começou a passar rápido e, finalmente, eu consegui me recuperar. Não pensava tanto em Jacob mais e Oliver aos poucos foi tomando seu lugar existente. Porém, Oliver começava a querer avançar para um próximo passo e eu não conseguia ter a mesma liberdade, o mesmo impulso, que eu tivera tão facilmente com Jacob duas vezes. Fazê-lo esperar tornou-se meu hobbie – além de ouvir minha família paparicando o novo casal.

Todos gostaram do nosso relacionamento, que se tornara rapidamente um namoro, e torciam para que um dia Oliver fosse transformado e nós vivêssemos juntos. Edward era o único que sabia que eu não desejava isso. Eu gosto muito de Oliver, desconfio até que estou me apaixonando, mas não seria capaz de sacrificar sua vida humana assim sem lhe dar a garantia de que ficarei com ele por toda a eternidade, era injusto.

Jacob desapareceu da mansão, nunca mais foi lá desde nosso último... deslize na sala de aula. Nessie que tem que visitá-lo agora, pois ele não se atreve a por os pés na mansão. O único lobo que vem até aqui, é o Seth – ele estava diferente comigo, um pouco desconfortável perto de mim e sem assunto, e antes não era assim.

Rosalie e Edward ainda são os únicos da família que sabem da verdade, mas Alice anda cada vez mais desconfiada pela nossa tão recém formada união ao irmos caçar juntos. Outro dia ela quis vir e o silêncio pairou por todo o percurso e por toda a volta, então ela não quis vir mais – o que foi um alívio para nós três.

Já havia se passado um ano no colegial e Oliver e eu estávamos namorando firme. As garotas da escola pareciam chocadas, já que acabei descobrindo que Oliver não era do tipo que namorava. Mas ele não surpreendeu somente as meninas, surpreendeu a Jacob também, já que Oliver se tornara facilmente amigo de Seth. Os dois passavam horas conversando na mansão, enquanto ele me esperava do passeio ao shopping – na verdade, da caça – e Renesmee era outra que havia se encantado por Oliver, mas estava um pouco tristonha por Jacob não vir mais visitá-la.

Minha relação com Jacob mudou drasticamente. Eu já havia adquirido controle sobre minha sede absolutamente – afinal, namoro um humano agora – e Jacob foi liberado de minha constante companhia. Então, nesse novo ano, quase não temos aulas juntos e mal nos vemos, além de que quando nos encontramos, não trocamos nem mesmo um “oi”. Sinceramente, prefiro assim e espero que as coisas continuem do jeito que estão.

— Onde você foi ontem à noite? — perguntei a Oliver, enquanto caminhávamos abraçados por uma praça em Forks. O tempo, como sempre, não estava muito bom, então não havia quase ninguém por ali.

— Onde? — perguntou confuso.

Dei de ombros.

— Te liguei três vezes ontem a noite para perguntar se você iria até minha casa hoje, mas ficou na caixa postal em todas elas.

— Tenho o sono pesado — murmurou distraído e eu assenti compreensivamente, mas me lembrando das noites passadas que ele atendia algumas de minhas ligações no primeiro toque na madrugada. Se tivesse alguém que pudesse atender por ele em sua casa, facilmente eu descobriria o que ele fazia ou se dormia mesmo.

Às vezes, era triste pensar que Oliver não tinha nenhum parente e que eu era a única pessoa próxima e que estava o usando a um bom tempo. Ao menos, eu sempre tive sentimentos verdadeiros por ele, por mais que ainda não trocamos aquelas três palavras cheias de peso e significado.

— Às vezes, me pergunto por que me atraí tanto a você — disse ele e eu franzi o cenho. — Você é linda e todo cara poderia lhe querer... mas o que eles sentiam por você somente é atração... e eu... Droga, não estou me expressando direito.

Eu ri e toquei-lhe a face, fazendo-o para de andar.

— Pode tentar novamente — disse docemente e ele sorriu.

— Quando os garotos te vêem, eles sentem somente atração, por você ser tão bela. Mas o que eu senti por você ao te ver, superava isso. Por isso insisti tanto em nossa amizade. Nunca fui muito de pegar no pé de uma pessoa para que se tornasse minha amiga, mas com você eu nem me importei com meus princípios. — abaixei o olhar, sentindo a culpa pesar sobre minhas costas. Ele levantou meu queixo e fez com que eu enxergasse o brilho apaixonante em seus olhos. — Naquele tempo eu não tinha certeza, mas... Hoje eu sei... Eu te amo, .

Fechei os olhos e pensei em alguma coisa sensata para dizer. Eu não podia mentir... Eu não conseguia mentir sobre uma coisa tão séria que era meus sentimentos por Oliver. Mas se eu não dissesse, ele ficaria magoado... Deus, o que eu faço?

— Tudo bem — disse ele e eu abri os olhos, ele ainda sorria docemente. — Se você ainda não está preparada para dizer, tudo bem. Vou esperar por quanto tempo quiser.

Sorri torto, ainda com culpa, e o abracei. Eu gostava muito de Oliver, mas ainda não conseguia amá-lo. Será que sou um monstro frio incapaz de nutrir algum sentimento bom por alguém? Por que não consigo amar tão facilmente quanto qualquer garota normal de minha idade? O que há de tão diferente em mim? O que há de errado?


Mais algum tempo se passou e eu ainda era incapaz de dizer que amava Oliver, porém, ele não parecia se abalar. Era como se sua paixão por mim o cegasse, hipnotizasse, e ele não fosse capaz de se importar com mais nada ao seu redor.

Dois anos se passaram rapidamente e nossa relação continuava a mesma, como é possível?

Jacob também continuou o mesmo, me evitando. Edward e Rosalie nunca contaram a ninguém meus segredos. E, a pouco tempo, Rosalie descobriu sobre as lágrimas e disse que morria de inveja de mim por ter algo tão humano – o que me deixou um pouco melhor, apesar das palavras. Os Cullen continuavam os mesmos. Renesmee crescera muito e já aparentava 15 anos. Fizemos uma linda festa em seu primeiro aniversário e agora Alice planejava fazer outra – com direito a valsa entre ela e Edward – e uma para minha formatura e de Jacob.

Oliver se formara á dois anos, mas continuava junto a mim, sem ter menção em ir á alguma faculdade – o que me deixou um pouco satisfeita.

Os Cullen já planejavam tudo para nossa ida ao Alasca e eu planejava como contar a Oliver minha partida. Por mais que eu gostasse dele, não precisaria mais manter uma relação, já que Jacob não estaria lá e eu, finalmente, estaria livre de todo esse tormento dos últimos três anos.


— Oh, meu Deus, você vai arrasar hoje, ! — disse Alice, olhando para mim com um sorriso satisfeito de trabalho bem feito.

Revirei os olhos e, depois de duas horas, levantei do assento enfrente a penteadeira de Alice. Contemplei minha imagem refletida no espelho e nutri uma opinião indiferente – gostei, mas não gostei, então não demonstrei reação alguma.

— Wow! — exclamou Oliver, ao entrar em meu quarto e se deparar com minha figura. — Você está... incrível.

Sorri timidamente e estiquei a mão para segurar a sua. Logo já estávamos descendo as escadas da mansão, assistindo todos me olhar como se fosse uma princesa – droga, odeio isso.

Alice veio correndo até mim – nem tanto, já que Oliver estava presente – e me entregara uma feiosa beca de formatura de poliéster amarelo. Fiz uma careta e ela me acompanhou.

— Pelo visto, Forks High School ainda mantém essas vestes horrorosas. Bem, na festa todos verão o quanto está maravilhosa.

Revirei os olhos, mas sorri. Oliver me puxou em direção ao carro de Carlisle e nós partimos em direção à minha formatura.


Durante todo o percurso, a única coisa no qual eu conseguia pensar, era no quão fácil as coisas seriam no Alasca. Não terá Jacob, meus irmãos irão comigo à escola, não terá Jacob, não terei mais descontrole de sede, não terá Jacob, não estarei em mais nenhum relacionamento e... não terá Jacob. Só que eu não conseguia calcular o quanto esse fato era bom.

Ao chegarmos, tive de ir sozinha – após um beijo de despedida de Oliver – até a porta dos fundos do ginásio de esportes, junto aos outros alunos que se formariam comigo.

Assim que cheguei, os professores começaram a organizar uma fila em ordem alfabética. Pude avistar um ser já posicionado a frente, na fila do “B”, mas desviei os olhos.

Fiquei duas pessoas atrás dele, na fila do “C” de Cullen, e eu desviava meu olhar para qualquer coisa que não fosse suas costas, ou sua cabeça com os cabelos negros recém cortados – embora não tão perfeitamente cortados.

Os nomes começaram a ser chamados um a um e Jacob logo fora pegar seu diploma, sorrindo para os lobos e os Cullen que gritavam na platéia – fui incapaz de não sorrir ao ver um sorriso tão verdadeiro, e estilo lobo, em seu rosto. Não demorou muito para que meu nome fosse chamado e que os Cullen fossem os primeiros a me gritar e aplaudir de pé. Seth também participou da euforia e eu sorri ao perceber que ele não parecia tão diferente de quando o conheci.

Logo após toda a cerimônia – e uma garota fazer um ótimo discurso –, nós fomos embora até a festa. Alice fez questão de chamar todos que estavam se formando – mesmo eu não tendo amizade com nenhum – e uma festa barulhenta começou na mansão.

Tentando escapar daquele meio no qual eu não fazia parte, fui até a floresta respirar um pouco.

A noite estava bonita, com várias estrelas, e eu apenas me limitei a observar o céu, sentada sobre um galho de árvore qualquer. Fiquei incontáveis minutos ali, apenas respirando o ar natural que aquele lugar omitia.

Mas tudo desapareceu quando uma névoa negra circulou ao meu redor e tampou minha vista para qualquer coisa.

Desesperei-me ao reparar que era a mesma névoa daquela vez e comecei a abanar o ar com toda a força para que ela sumisse, mas ela se moveu por conta própria e adentrou por minha boca e por minhas narinas, fazendo com que tudo escurecesse, que minha mente queimasse e contorcesse, e que meu corpo despencasse com toda força da árvore.

N/A: Decidi fazer uma nota especial para o inicio do capítulo, pois é para dar um aviso: preparem suas mentes e seus corações, pois esse capítulo vai revelar MUITA coisa ;) Boa leitura!

23. Escolhida

Minhas pálpebras tremularam e minha mente se contorceu levemente, só que amenizando a dor. Podia sentir a estrutura gelada no qual minha testa estava pressionada, mas não conseguia abrir os olhos para enxergá-la enquanto a dor em meu cérebro não se esvaía completamente.

Senti meu corpo se curvar em posição fetal e meus pulsos arderam posicionados frente ao meu estômago. Um último arder apossou-se de minha mente, antes que a dor sumisse por completo, fazendo com que meus olhos se abrissem lentamente e se focassem a primeira coisa a vista: uma luz.

A luz era vermelha, flamejante, e se mexia levemente. Logo, pude identificá-la como a chama de uma vela, posicionada um palmo a minha frente. Tentei focar meus olhos no ambiente ao meu redor, mas minha visão ainda era borrada e tonta, pela dor causada anteriormente ao meu cérebro.

Remexi-me levemente e gemi baixinho ao sentir meus pulsos arderem novamente. Uma figura posicionou-se a minha frente, mas fui incapaz de vê-la com clareza. Minha cabeça rodopiou, tentando enxergar mais alguma coisa no lugar, mas tudo girava ao meu redor e uma sensação de náusea cobriu meu estômago, fazendo-me fechar os olhos de imediato.

— Oh, então já acordastes — dissera uma voz, rouca e fraca, que queimara meus tímpanos. — Vai sentir alguma dor e ficará com os sentidos fracos enquanto a fumaça telepática deixa seu corpo.

Pisquei os olhos para tentar enxergá-la, mas minha mente contorceu-se mais uma vez, fazendo-me trincar os dentes involuntariamente.

— Quem... Quem é você? — sibilei fracamente, era como se minhas cordas vocais tivessem se cortado e eu tentasse encontrá-las desesperadamente para poder usá-las. E, é claro, isso machucava minha garganta.

— Shh, não se esforce. Logo entenderá tudo — disse a voz, soando tão calma quanto Carlisle. Tentei grunhir, gritar, tentar arrebentá-la, mas tudo que fiz fora fechar os olhos e obedecer a voz, relaxando meu corpo e deixando de usar meus sentidos. — Daqui alguns instantes se sentirá melhor, acalme-se.

Como eu poderia me acalmar, sendo que fui atacada por uma névoa negra – ou fumaça telepática, que seja –, sentia quase tudo em mim machucado e estava num lugar e com alguém que eu não conhecia? Porém, minha mente obedeceu sem meu consentimento.


Abri os olhos e um arfar alto e ofegante saiu por meus lábios, como se eu fosse uma humana que estava submersa na água e finalmente pudesse respirar. Não lembrava do que aconteceu enquanto eu estava com os olhos fechados, mas sei que estava inconsciente. Como isso é possível? Vampiros não ficam inconscientes. Ao menos eu não sonhei nada...

Olhei ao meu redor e, dessa vez, pude enxergar tudo claramente. Era um lugar escuro, iluminado apenas por velas, que, aliás, estavam formando um circulo ao meu redor. Não havia janelas no local e também não pude enxergar nenhuma porta – ótimo, sem saídas. O chão era de uma cerâmica lisa e escura, com a mesma temperatura de minha pele. Havia algumas coisas estranhas sobre uma mesinha e eu agucei minha visão para tentar decifrá-las. Ofeguei ao avistar um punhal e meu corpo pulou para trás, sentindo a proximidade quente da vela á minhas costas, e sentindo meus pulsos arderem – como antes.

Olhei para baixo e vi minhas mãos unidas por uma estranha algema que não se encostava a nenhuma parte de minha pele e que se movia como a chama de uma vela.

— Está melhor agora, não está? — perguntou aquela mesma voz, e minha cabeça girou até o local mais obscuro do lugar, procurando a origem do som.

— Quem é você? — rosnei e agradeci aos céus por minha voz soar normal novamente. — O que você quer de mim?

— Eu não quero nada de você, apenas estou cumprindo ordens. Chamo-me Raistlin Majere, mas pode me chamar de Ray.

— Por que me trouxe aqui? — rosnei, sem me abalar com sua simpatia.

A figura aproximou-se e a luz da vela a alcançou. Era uma senhora que aparentava ter uns 80 anos. Usava um vestido que se dividia em várias camadas de panos finos e de péssima qualidade. Sua pele era pálida e seu corpo era de um magro doentio. Havia marcas, cicatrizes, por seu pescoço, mas desviei o olhar – começava a sentir pena dela, mas uma pessoa que me fez de vitima não merece piedade.

— Estou aqui a mando dos Volturi — respondeu e meu corpo estremeceu violentamente de medo ao som do nome sombrio. — Sou uma feiticeira escravizada e a única forma de me manter viva e manter minhas netas seguras, é obedecer todas as ordens.
Permaneci dois minutos em silêncio, apenas a encarando com a expressão chocada. Mas... Os Volturi? O que eu fiz a eles?

— Parece mesmo ser uma pessoa que sofre — murmurei distraidamente, observando novamente sua figura. — E o que eles ordenaram que fizesse a mim?

— O propósito de Aro, desde que ele vira os novos Cullen, é obter Edward, Alice e Bella para sua nova coleção. Mas eles descobriram sobre você e, observando ao longe, perceberam o quanto você é forte e poderosa. — havia admiração em seu tom, mas não me importei. — Primeiro, queriam trazer você para seu lado, depois, decidiram que seria um risco mantê-la na guarda, pois a qualquer momento poderia se rebelar e obter vitória por tamanho poder que possuía. E como eles não podiam derrotar os Cullen, para obter Alice, Bella e Edward, com você entre eles, decidiram lhe eliminar primeiro.

— E por que está me contando tudo isso? — perguntei assustada, minha voz começando a ficar embargada.

— Não é obvio? — sorriu tristemente. — Eliminar você é a ordem que mandaram a mim. Nem mesmo a guarda inteira dos Volturi seria capaz de lhe deter. Somente minha magia conseguiria e eles viram a oportunidade perfeita para me ameaçar.

Solucei alto e tentei me levantar, mas as chamas das velas do circulo aumentaram e formaram uma barreira a minha frente. Estremeci de medo e senti as algemas de fogo queimar meu pulso com o mínimo mover de minhas mãos. Era o fim.

— Foi você que me fez matar o humano, não foi? — perguntei, tentando ganhar tempo para tentar livrar minhas mãos da algema flamejante. Porém, qualquer movimento, por mais leve que fosse, queimava meus pulsos dolorosamente.

— Sim — ela suspirou. — Estava pensando na forma mais fácil de lhe eliminar, então lhe observei por um tempo. Percebi que aquele garoto, Jacob, tinha que garantir que você não machucasse ninguém. E quando ele lhe ameaçou, dizendo que lhe mataria se atacasse alguém, decidi fazer isso. — ela fez uma pausa e eu apertei os olhos, tentando ignorar a dor insuportável que estava sendo causada nos meus pulsos por eu tentar livrá-los. — Hipnotizei um garoto que não tinha família nem amigos e o mandei até a floresta. — outra pausa. Já chega, pensei. Parei de tentar soltar meus pulsos e abri os olhos. Com meu poder, eu tentei levantar algum objeto para que a acertasse, mas ele não funcionou. Droga, ela bloqueou meus poderes. Derrotada, parei de tentar escapar e ouvi o resto da história. — Fiz com que a fumaça telepática entrasse em você e...

— Como funciona essa fumaça telepática? — perguntei tristemente. Se ao menos esse era o fim, pelo menos eu descobriria tudo.

— Ela se mistura ao oxigênio e entra no corpo da pessoa, em direção ao cérebro, para que possa controlá-la de todas as formas possíveis mentalmente. Mandei apenas uma pouca quantidade para entrar em você na escola e fazê-la pensar que estava com sede... Mas não foi suficiente. Você ainda tinha consciência que matar um humano seria errado. Então mandei mais da fumaça telepática e ordenei que usasse todo o seu poder para lhe convencer.

— Se essa fumaça pode induzir qualquer um assim, por que não usou contra os Volturi?

— Ela não funciona em vampiros antigos, apenas em novos. E como os Volturi me disseram que foi transformada a pouco tempo, percebi que poderia usá-la em você. — ri sem humor e voltei a fechar os olhos. — Consegui te induzir. Mas você a percebeu ao seu redor e a espantou, já que não estava sozinha. Quando a névoa pode ser vista por uma pessoa que não é sua vitima, ela desaparece, e foi o que aconteceu. E dessa ultima vez, usei-a em você para que ficasse inconsciente para que eu pudesse trazê-la a esse lugar.

— Mas como fiquei inconsciente? Vampiros não ficam...

— Ela entrou em seu cérebro e desligou todos os seus sentidos, então você ficou inconsciente sim... Bem, e foi assim que tudo aconteceu.

Bem, ao menos eu morreria sabendo que não tive total culpa por matar aquele humano... Porém, ainda era triste esse fim assim...

Caí de joelhos e fechei os olhos, pensando em tudo que acontecera em minha vida.

Quando finalmente as coisas se resolveriam, minha vida acabaria. Quando eu finalmente poderia esquecer os erros que cometi... Quando eu poderia recomeçar... Merda de vida.

— Oh, meu Deus — a feiticeira ofegou e eu já sabia o motivo, pois sentia o deslizar das lágrimas geladas por meu rosto. — Oh, meu Deus! É você...

Abri os olhos e a encarei sem entender. Ela sorriu abertamente para mim e suas mãos voaram para meus pulsos. Sua boca pronunciou palavras estranhas e a algema sumiu, seus dedos acariciaram minha pele ferida e queimada, e logo ela estava absolutamente normal e em perfeito estado novamente.

— Não se preocupe, princesinha — ela sussurrou, passando uma de suas mãos para secar uma de minhas lágrimas. — Nada irá lhe acontecer.

— Por quê? — perguntei confusa, ainda com a voz embargada. Não era uma ordem me eliminar? Não era obedecer a ordem ou morte? Do que ela estava falando?

— Porque você é a escolhida.

Pisquei duas vezes e observei seu rosto com expressões felizes. O que ela queria dizer com isso?

— Escolhida? — murmurei, tentando obter uma resposta.

— Por acaso você conhece um livro antigo, que possui a insígnia dos Volturi? — perguntou e minha boca se entreabriu levemente, enquanto absorvia suas palavras.

— O que o livro tem a ver comigo?

— Você o conhece? — exigiu, sem me responder.

— Sim... Estava na biblioteca de minha escola. Era antigo e tinha algumas frases em italiano, acho. Era como um guia para jovens vampiros.

Agora pensei no por que do livro nunca mencionar existência de feiticeiras...

— Deus... Você o leu?

— Sim — assenti.

— Quando humana?

— Quando humana li apenas a primeira página, que dava um tipo de aviso em italiano. O resto li apenas depois de transformada.

Ela abriu um sorriso que parecia rasgar seu rosto ancião de tão largo que era.

— Você se considera diferente dos vampiros normais?

Franzi os lábios e considerei a hipótese daquela mulher ser louca. O que tinha uma coisa a ver com a outra? De qualquer forma, respondi mesmo assim.

— Totalmente.

— Olfato menos avançado, emoções diversas, aroma da pele mais leve e lágrimas frias como gelo? — perguntou e eu arregalei os olhos. Ela riu. — Minha querida... Você, com toda a certeza, é a escolhida!

— Escolhida para quê? — chiei, impaciente.

— Escolhida para ter uma segunda chance.

Tentei disfarçar meu olhar de “essa senhora está completamente maluca” e me ajeitei melhor ao chão, cruzando as pernas como os indianos. Ela se afastou de mim e voltou para o canto obscuro onde estava. Uma vela fora acesa por ela e colocada sobre a mesinha e mais uma parte do ambiente entrou a minha vista – apenas um espaço vazio com uma cadeira.

— Creio que acha que sou louca — sorriu. Desviei meus olhos dos seus para que meu olhar não me denunciasse. — Mas tudo que disse é verdade.

— Ok, se é verdade, então por qual motivo sou uma escolhida e por que você sabe disso?

— Bem, é uma história longa...

— Estou presa aqui e não vejo nenhuma saída, então acho que tenho tempo para te escutar — respondi arrogantemente.

Ela suspirou.

— Quando eu era menina, minha avó contava histórias sobre nosso povo e sobre nossa magia... Uma dessas histórias foi a profecia.

— Deixe que eu continue, sim? — ela disse calmamente, mas suas palavras ainda eram ríspidas para mim. Fechei a cara, mas assenti concordando. — Meu povo podia se comunicar com alguns espíritos sábios e um deles contou sobre a profecia. Sem entender o que aquilo significava, os feiticeiros escreveram as palavras do espírito num pergaminho, para que um dia alguém fosse capaz de entender e fazer com que a profecia fosse cumprida. Durante gerações ninguém era capaz de entender o que queria dizer tais palavras: “Deverá ser dada uma nova chance á criança da noite e, somente assim, todo o mal acabará. O livro sagrado será a chave e apenas um será marcado no meio de muitos”, então esse pergaminho fora guardado num livro antigo de feitiços, que passaria de família para família, até que alguém fosse capaz de realizar a profecia.

“Depois de séculos sem nenhum de nós entendermos o real significado da profecia, cada um seguiu seu caminho com sua família. Mais tarde, a família que ficara com o livro de feitiços descobriu que uma legião de vampiros estava caçando todos os feiticeiros da face da Terra e matando-os. Esses seres diabólicos não queriam mais nenhum ser místico existente e fariam de tudo para eliminar cada ser que não pertencesse a vida humana, como: lobisomens, sereias... feiticeiros.

“A família com o livro percebeu o primeiro enigma da profecia e se escondeu para sobreviver. O primeiro enigma era o “mal” no qual a frase se referia. E esse mal era os Volturi.

“Um dia, essa família encontrou outra e passou todas as informações aos novos feiticeiros. Então, eles ficaram encarregados de proteger o pequeno pergaminho. Essa nova família, era uma família de classe alta e possuíam estudos avançados de diversas ciências e histórias, então eles foram capazes de, finalmente, interpretar a profecia.

“A criança da noite no qual a profecia se referia, era um jovem transformado em vampiro. Os únicos seres da noite nas lendas, são os lobisomens e os vampiros, e como os lobisomens já são “filhos da lua”, eles descobriram que na profecia se tratava de um vampiro.

“Um vampiro quando é transformado perde toda sua essência humana e muitos deles desejavam uma segunda chance de vida, uma verdadeira vida. Então a família concluiu que deveriam trazer a essência humana para um vampiro como uma segunda chance no qual a profecia se referia.

“Depois de muito tempo analisando como fariam isso, os feiticeiros sábios decidiram inventar uma nova magia, um feitiço desconhecido e nunca feito.

“Um livro fora criado, para ser o livro sagrado da profecia. E para que não fosse motivo de desconfiança para os seres diabólicos, o símbolo do inimigo fora pregado na capa. O livro tinha que falar sobre coisas irrelevantes, mas teria que ter uma magia para que passasse para quem o lesse.

“Os feiticeiros colheram uma gota do veneno de um vampiro, uma essência de libertação da humanidade interior para o ser, e, por fim, o sangue de um lobisomem numa lua de sangue – o dia em que um lobisomem passa seu DNA para um humano através de uma mordida, o dia em que o sangue do ser é mais forte e resistente.

“A receita fora criada, mas ninguém conseguia coragem suficiente para conseguir os itens. Então marcaram os itens junto à profecia no pergaminho e passaram o livro de feitiços que o continha adiante, para outra família.

“Essa era a família ideal. Fora criada em meio à matanças, gangues, lugares amaldiçoados e com almas perdidas. Eram feiticeiros que nada temiam. Então, foram os que conseguiram tudo facilmente, matando um vampiro quando caçava um humano, e hipnotizando um lobisomem, para roubar-lhe o sangue, no dia da lua de sangue. E, por fim, a última, porém, a mais difícil. Convencer
um espírito a dividir parte de sua essência da humanidade interior. E o espírito só aceitou com uma condição: que a vida de um feiticeiro fosse sacrificada.

“O homem mais velho e mais sábio da família se ofereceu e, mesmo diante das lágrimas de seus filhos, ele se entregou a morte para defender a causa de todos os feiticeiros no mundo. E então, a receita estava concluída.

“Fora escrito um livro, que pudesse ser passado como um escrito por alguém da guarda, e o feitiço fora jogado nele. Qualquer humano que o lesse e fosse transformado, herdaria a libertação da humanidade interior.

“O livro fora levado para diversas cidades onde ocorriam ataques de vampiros, mas não havia nenhuma coincidência que pudesse levar um humano que lesse o livro a ser transformado. Assim, fora perdido as esperanças e a família abandonou o livro em uma biblioteca qualquer, deixando tudo nas mãos do destino e esperando pelo dia em que o escolhido apareceria.

“Depois de 10 anos, uma família invocou o espírito que mencionara a profecia e lhe perguntou se o escolhido já havia aparecido. O ser respondeu que o feitiço fora criado com sucesso, mas que a profecia só se cumpriria daqui á séculos. Os feiticeiros se desesperaram e fizeram uma última pergunta: “como saberemos quem é o escolhido?” e o ser respondeu: “a criança da noite permanecerá com parte de sua humanidade em seu interior. Ouvirá melhor que um humano, mas não como um ser de sua raça. Terá o aroma diferente dos humanos, mas não como o de sua raça. Terá a mente melhor que dos humanos, mas não como o de sua raça. Lágrimas lhe cobrirão a face em momentos de sofrimento ou desespero, mas frias, como a pele de sua raça, serão”.

— Então eu sou mesmo a escolhida? — murmurei chocada. Era apenas uma coincidência, não destino!

— Sim, e é meu dever preservar sua vida, mesmo que a minha seja sacrificada.

— Mas como diabos eu vou livrar vocês do mal? Eu não posso vencer os Volturi!

— Os Volturi podem ser apenas quem interpretamos que seja o mal, mas pode ser qualquer outra coisa. Além disso, você não livrará o mal de nós, feiticeiros, livrará o mal do mundo inteiro.

Minha cabeça rodou com o excesso de informações e eu comecei a brincar com uma mecha do cabelo nervosamente.

— Quando você leu o livro, o feitiço entrou em você. Você adquiriu a resistência de um lobisomem ao veneno de um vampiro e, assim, permaneceu com metade de sua alma no corpo e, consequentemente, com parte de sua humanidade.

— E isso é ter segunda chance? Segunda chance do que? — bufei.
— Você ainda não teve a segunda chance, mas, com minha ajuda, terá.

— Como?

Ela sorriu com todos os dentes e eu a encarei impaciente.

— Vamos trazer de volta ao seu corpo a outra metade da alma.

— Então quer dizer que...

— Sim, você se tornará humana.

N/A: Um minuto de silêncio para vocês digerirem a última frase do capítulo u.u
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Pronto! OMG, o que vocês acharam dessa surpresa? Sim, é isso mesmo! Você é a ÚNICA vampira na face da Terra que terá uma chance de se tornar humana. Agora chega dessa coisa de “um vampiro com lobo é estranho”, pois isso pode mudar!!! HUSHAUSHUA
Entenderam agora por que você sempre foi diferente? Aquele livro sempre teve um envolvimento, mesmo que eu tenha deixado (propositalmente) ele de lado no decorrer da história.
Agora é a vez de vocês falarem tudo o que acharam. E que tal um comentário bem caprichado, daqueles que uma autora quase desmaia antes de ler? Com suas reações, sua parte favorita, suas duvidas, criticas... etc xD
Bem, agora vou deixar um enorme beijo para todas as novas leitoras lindas que comentaram: Thais, Leandra, Flavia e Victoria Lira. E as maravilhosas, divas e lindas que são minhas leitoras fiéis e não deixam de comentar UM capítulo sequer: Baby Suh, Nannah Andrade, LuhH, Raquel, ViviBlackCullen, Nathalia e Juh Black (apesar de ter sumido por uns tempos, rs). Adoro vocês lindas!! Enquanto eu escrever e tiver uma de vocês para comentar, eu nunca vou desistir da fic! (Se eu esqueci de alguém, não deixem de me avisar nos comentários e MIL perdões :~)
Todas as leitoras que comentam aqui são muito especiais e se você também quer ser, apenas não seja uma leitora fantasma e deixe um comentariozinho! ;)

Beijooos ;*

N/B Menina que foi isso?O.O

Péra deixa eu me recuperar primeiro!

Por isso essa fic é diva. Você sempre nos surpreendendo, flor. Bjs Ane



24. Velha, chata e... amiga?
Eu ainda estava em um choque interno completo após suas ultimas palavras e ela pareceu respeitar meu silêncio, já que suas unhas grandes se tornaram mais interessantes que minha face tomada por descrença.
Por mais que aquela história parecesse convincente, minha mente ainda tentava achar alguma coisa que mostrasse o quão fictícia ela era. Mas não adiantava, eu acreditava na velha maluca.
Isso tudo estava sendo surreal demais. Eu nem sequer conseguia me imaginar humana novamente – isso simplesmente parece algo fora desse universo. Minha mente começou a divagar em memórias, mas, por mais que tentasse, nenhuma de minha vida humana surgia... Borrões era tudo o que se via. Eu não conseguia lembrar nem qual era a cor da minha casa.
— Você ainda está em choque? — ela perguntou, deixando de olhar suas unhas e levantando-se do meu lado.
— Não, só estou com a boca entreaberta há duas horas para ver se uma mosca entra nela.
— Você é muito mal criada — ela bufou, indo até a mesinha no canto do lugar e sentando-se na cadeira que havia perto dali. — Mas tudo bem, terá um tempo para pensar.
— Como assim um tempo para pensar? Pensar em que?
— Em suas escolhas.
— Ahh, pensei que eu não tinha opções, qual são elas? Lutar feito a mulher maravilha para salvar o mundo ou ficar presa aqui até aceitar a proposta?
— Não seja sarcástica, isso é um assunto sério.
— Se é um assunto tão sério, então por que você age como se nada pudesse te abalar?
— Eu disse que é assunto sério, não desesperador. Pra que vou ficar preocupada com tudo se no final a decisão é sua?
— Ok, ok... — suspirei. — Eu vou pensar.
Meu cérebro avançado podia calcular que já se passara três horas e trinta e sete minutos que estou pensando em alguma coisa para fazer e aquela velha está tomando um tipo de chá fedorento.
Torci o nariz e observei a chama da vela – era bem mais interessante do que aquela bruxa bebericando seu chá esquisito. Suspirei e comecei a pensar em minha família, provavelmente estavam preocupados comigo e o pior é que nós viajaríamos hoje e eu nem contei a Oliver a novidade.
Era incrível que quanto mais eu desejava que as coisas melhorassem com o passar do tempo, o contrário acontecia. Sou uma pessoa bem azarada se isso ainda não ficou óbvio em minha vida.
Para conseguir chegar melhor num consenso final, tentei ver os dois lados de minhas opções. Se eu aceitasse, ela me transformaria em humana e eu lutaria contra o mal... mas que utilidade eu teria numa luta sem meus poderes de vampira? Claro, teria a utilidade de espatifar sangue para todo lado quando eles me quebrassem ao meio, assim distraindo todos os Cullen para que perdessem a briga.
Agora se eu não aceitar...
— Escuta, Ray — chamei-a e ela virou-se para mim. — O que faria se eu recusasse?
— Bem, você ficaria presa aqui até aceitar. Não vou sacrificar minha vida e a segurança de minhas netas para você viver a vida livre por aí do jeito que quer e jogando séculos de esperança dos feiticeiros fora.
— Hum — foi tudo o que eu disse. Então eu não tinha opção a não ser aceitar ou morrer? Então por que ela me deu tempo para pensar? — Como você trará a outra metade de minha alma?
— Não vou gastar saliva explicando coisas que você não vai entender, se nem ao menos garantiu se irá fazer.
Bufei, essa velha conseguia ser muito chata. Brinquei com meus dedos por um tempo e suspirei entediada.
— Então, Ray... Como é ser uma feiticeira? — tentei puxar assunto para adiar o momento de dizer minha resposta. Aliás, eu também estava curiosa sobre essa coisa de feiticeiros.
— Legal.
— Só legal? — bufei indignada. — Como se tornou uma feiticeira? Ou vocês já nascem com poderes?
— Nascemos feiticeiros. E tudo o que eu sei foi ensinado por minha avó.
— E seus pais? Por que eles não te ensinaram?
— Por que eles não eram feiticeiros — ela disse calmamente, enquanto ainda bebericava seu chá fedido.
— Por que não eram?
Ela suspirou e colocou o chá sobre a mesinha.
— Você quer mesmo saber minha história?
— Se estou perguntando. — ela fechou a cara e eu suspirei rendida. — Claro, Ray.
— Bem... Meu pai não era feiticeiro, pois não tinha sangue de feiticeiro correndo nas veias. Já minha mãe, ela não era feiticeira, pois sua linhagem foi pulada.
— Como assim “pulada”?
— Você já deve saber que não gosto de interrupções, então feche a boca. — bufei. — Acontece que o sangue de um feiticeiro não é mais puro. Antes, no inicio dos tempos, nós vivíamos separados dos humanos, como uma tribo, e nos relacionávamos entre nós, então nenhuma linhagem era pulada. Mas quando decidimos nos separar, cada família foi para seu lado e, consequentemente, vivendo no meio de humanos. Claro que a partir daí os feiticeiros começaram a se relacionar com humanos, então o sangue místico foi ficando cada vez mais fraco, até que começou a pular linhagens. Se uma pessoa era feiticeira, era impossível que seu filho seria feiticeiro, talvez seu neto, bisneto, mas isso não é algo que controlamos. Os poderes de um feiticeiro só se revelam aos seis anos, e podemos perceber isso quando a criança pode se comunicar com animais, sentir a natureza, o tempo e prever coisas, como: mortes, acidentes, gravidez...
“Bom, quando eu comecei a me envolver com a floresta, aos seis anos, e a ter pequenas premonições sobre como seria o tempo, minha mãe ficou desconfiada, mas não fez nada. Porém, só quando fui capaz de conversar com um tio que havia morrido a uma semana, ela teve a confirmação.
“Minha mãe me levou até a casa de minha avó – um chalé no meio da floresta, cercado de natureza e calmaria, bem longe da cidade –, e me deixou aos cuidados dela. Meu pai sabia da verdade, então não se importou, sabia que era o certo a ser feito.
“Minha avó me ensinou todos os segredos e todas as historias do nosso povo, além de me ensinar a controlar meus poderes que se desenvolveram com o tempo.”
— E seus pais? — perguntei e logo senti um peso na consciência por ter deixado de pensar em minha mãe, ter esquecido ela.
— Bem, eles me visitavam no começo, mas cada vez que eu aprendia mais sobre o mundo místico, mais eu me distanciava deles por viver em um mundo completamente diferente dos deles.
“Eu cresci, aprendi tudo sobre o verdadeiro mundo, e minha avó falecera. Como eu ainda tinha 20 anos, e naquele tempo éramos de menor até os 21, meus pais me criaram novamente, levando-me para a cidade.
“Aquele lugar era estranho para mim, eu não reconhecia mais nada ali. Tudo era diferente, tudo e todos. E todos também me achavam diferente e me olhavam torto.
“O tempo passou e eu não via a hora de poder voltar para o lugar onde era meu verdadeiro lar, mas então meu pai recebeu o pedido de minha mão feito por um jovem. No começo eu não queria aquilo, queria apenas voltar para a floresta e viver sem a opinião de ninguém, mas ele me conquistou. Provou que era diferente dos outros e que não se importava com o quanto eu era excluída naquele lugar.
“Eu lhe contei a verdade, ele aceitou, nós nos casamos e vivemos quase felizes. Quase, pois todos naquela cidade ainda me achavam estranha e, com o tempo, decidiram me classificar como louca por eu tentar avisá-los com acidentes e me comunicar com animais. Então decidimos morar no pequeno chalé de minha avó e lá vivemos felizes por incontáveis anos.”
— Que romântico — disse eu e me repreendi por minha voz ter soado debochada e indiferente. Por mais que eu fosse uma garota de 16 anos eternamente, eu era incapaz de suspirar com romances. Claro, estranha eu sempre soube que era.
“Tivemos um filho e, como eu esperava, ele não herdou meus poderes, então eu decidi cria-lo nos primeiros anos e depois o mandei para morar com meus pais. Ele não pertencia ao mesmo mundo que eu e seria melhor que ele ficasse onde deveria ficar. Era um sacrifício enorme para mim, mas tive que fazê-lo.
“Meu filho cresceu e se casou com uma mulher linda e adorável, e eles tiveram lindas filhas gêmeas. Ele estava feliz com a vida humana que tinha, e eu estava feliz com a vida feiticeira que eu tinha ao lado de meu marido. Eu estudava todos os livros antigos de minha avó e ele usava todo o dinheiro de sua herança para meu conforto.
“Mas um dia ele morreu e me deixou só.”
Notei uma fraqueza em sua voz e dor em seus olhos, então resolvi não fazer nenhum comentário.
“Vivi sozinha seis longos anos depois disso. Meu filho me visitava frequentemente para que eu não passasse tempo sozinha e em uma de suas visitas ele veio com suas duas filhas agarradas as suas pernas. Elas me conheciam, mas estavam com medo por algum motivo.
“Estranhei aquilo, mas ele me contou que desconfiava que suas filhas herdaram meu poder e decidiu deixa-las sobre meus cuidados. Disse que era difícil abrir mão delas, mas faria isso por elas assim como eu fiz por ele. Então eu as criei.
“A mulher de meu filho não sabia sobre nossa historia, então não gostou quando suas filhas foram embora, mas meu filho a convenceu com alguma historia, então ela se conformou e assim os dois começaram a visita-las frequentemente.
“Elas cresceram e viraram garotas lindas que entendiam tudo sobre o mundo dos feiticeiros. Porém, um dia previ a visita dos Volturi e mandei que elas fossem morar com seus pais. Não entenderam o que acontecia, mas me obedeceram. Eu sabia que, se fugisse com elas, os Volturi me seguiriam, então me sacrifiquei para mantê-las seguras.
“Quando me levaram a Itália, um vampiro, Aro, tentou encontrar algo em minha mente que lhe mostrasse onde havia mais feiticeiros, mas eu usei todo o meu poder para bloquear sua visão sobre minhas netas.
“Ele dissera que eu era a última feiticeira que encontraram e que me mataria se não os ajudasse. Eu me recusei, mas uma vampira descobriu sobre meu filho e sua família e usaram aquilo contra mim. Disseram que se eu não fizesse sua vontade, meu filho e sua família morreriam. Por sorte eles não descobriram sobre os poderes de minhas netas.
“Então eu fui mantida em cativeiro até que precisassem de meus serviços. E minha primeira missão era... eliminar você.”
— Nossa — suspirei. — Que história mais emocionante.
— Pois é.
Remexi-me inquieta e observei Ray pegar a xícara com o chá fedido novamente para levar aos lábios.
— Ray...
— O que?
Bufei. Eu tinha impressão de que me arrependeria disso, mas...
— Eu aceito. Eu vou te ajudar.
— Maravilha! — ela pulou da cadeira animadamente, mas notei que não parecia surpresa com minha resposta. — Bom, tenho que preparar as coisas.
— Coisas? Que coisas?
— Coisas para o ritual para trazer sua alma de volta. — ela colocou os panos, que pareciam um casaco, e se preparava para sair.
— Você vai sair? — perguntei surpresa.
— Claro, posso prever algumas coisas, mas não sou vidente. Não fazia ideia que me encontraria com a escolhida. Então eu não tenho tudo aqui para o ritual.
— E como vai conseguir?
— Posso conseguir tudo o que quero aqui em Forks.
Suspirei aliviada ao perceber que ainda estava em Forks.
— Espere! — ela parou antes de sair. — Pode tirar essa barreira de velas ao meu redor?
— Pra que? Esse lugar é pequeno e não tem nada de diferente, não fará diferença você ter mais espaço. Aliás, posso ser velha, mas não sou idiota, você pode tentar fugir.
Bufei.
— Espere! — gritei de novo e ela me olhou impaciente. — Pode trazer noticias de minha família?
Ela me observou sem expressão por alguns segundos, mas saiu sem dizer nada. Velha miserável.
Depois de muito tempo entediada contando quantas vezes a chama da vela se mexia, Ray retornou cheia de sacolas.
— Nossa, até que enfim cheguei. A cidade está um inferno.
Olhei-a com tédio e abracei os joelhos. Até que enfim ela vai começar esse ritual, não vejo a hora de voltar para casa para minha família.
— Os vampiros estão loucos atrás de você.
— Hã? — pisquei ao ouvi-la. Ela estava mesmo me dando noticias de minha família? — Você os viu?
— Como não os ver? Estão rondando que nem doidos a cidade e a floresta.
— Você foi até a floresta? — perguntei confusa.
— Claro, muitos dos materiais que preciso estão na floresta, já que essa cidade não tem nada do que preciso. Cidade sem cultura.
— Você quer dizer: cidade normal, sem suas mandingas de macumba.
Ela revirou os olhos.
— E o que são essas coisas que você comprou? — perguntei.
— De novo: não vou gastar salivas explicando coisas que você não sabe o que é e nem vai entender.
Bufei. Pensei em minha família e se estavam mesmo tão desesperados atrás de mim.
— Será que estão mesmo tão preocupados? — murmurei distraidamente e Ray parou de mexer nas sacolas para me olhar com... pena?
Ela se aproximou vagarosamente de mim e se agachou ao meu lado – e até fiquei feliz por ela confiar em mim o suficiente para não ter medo de eu mordê-la.
— Quer ver sua família?
Olhei-a sem entender e ela tirou alguma coisa enrolada num pedaço de pano de dentro da blusa.
— Tome — entregou-me e eu desembrulhei a coisa. Era um pedaço de espelho. Olhei-a com uma sobrancelha arqueada em dúvida e ela sorriu levemente. — Com ele você poderá ver o que mais quer ver.
— Como o espelho do Harry Potter? — perguntei animada, com os olhos brilhando, mas logo me repreendi, essa velha com certeza nem deve saber o que diabos é Harry Potter.
— Não, aquele mostrava qualquer coisa no mundo, sendo real ou não. Esse só mostra o que existe.
Me surpreendi por ela conhecer Harry Potter e neguei com a cabeça, ela conseguia me surpreender.
— E onde está o resto do espelho?
— Bem, eu o tinha em minha casa, mas quando os Volturi me pegaram, o pegaram também. Mas antes que eles pudessem usá-lo para encontrar alguma vítima, eu o quebrei e escondi um pedaço em minhas roupas.
— E eles não fizeram nada a você?
— Me machucaram e me morderam. — ela deu de ombros.
— Morderam? — indaguei. — Então feiticeiros têm resistência ao veneno?
Então ela não confiou em mim ao se aproximar, ela apenas sabia que nada a aconteceria. Aff. Bem, pelo menos ela se mostrou uma pessoa incrível por se arriscar para salvar pessoas que nem conhece.
— Bem, quando os feiticeiros souberam da existência dos vampiros, eles criaram um feitiço para que não nos transformássemos naquilo quando nos mordessem. Então esse feitiço ainda está no sangue de todos os feiticeiros existentes, então nós não nos transformamos, apenas sentimos a dor do veneno.
— Deve ser horrível — deduzi, lembrando-me da agoniante e queimante sensação do veneno deslizando em minhas veias.
— É sim — deu de ombros e voltou a mexer nas sacolas. — Mas é por uma boa causa.
Olhei para minhas mãos e vi o pequeno pedaço de espelho ainda em minhas mãos, então o observei e esperei que uma imagem aparecesse.
Meu reflexo sumiu do espelho e começou a formar outra imagem ali. Eu esperava que aparecesse um dos Cullen, mas o que apareceu me surpreendeu mais do que um dia eu me surpreenderia... O espelho se dividiu ao meio em dois cenários diferentes, um que mostrava a enorme cidade de Seattle e outro que mostrava a floresta de Forks. E, além desses cenários, o espelho mostrou... De um lado a imagem de minha mãe e do outro a imagem de... Jacob.
25. O Ritual

Meus olhos não sabiam qual cenário observar, então variavam vendo ora um ora outro, porém, ao ver a tão familiar expressão séria no rosto de minha mãe, meus olhos foram incapazes de se desviarem do cenário novamente.

Ela caminhava com passos rápidos pela calçada da enorme cidade de Seattle, enquanto seus olhos revezavam ora olhando a hora no relógio, ora olhando para o caminho a sua frente. Eu sabia muito bem que ela estava atrasada para o trabalho, já que conhecia perfeitamente aquela expressão séria, num misto de irritação, que ela fazia toda vez que se atrasava para um compromisso. Notei que a cada tempo que passa, mesmo os anos não fazendo diferença em mim por ser vampira, eu encontro-me cada vez mais parecida com minha mãe, cada vez mais herdando sua personalidade explosiva e sarcástica.

Seus cabelos ondulados voavam para trás conforme a brisa fria chicoteava-os. Um sorriso de canto abriu-se em meu rosto e senti meus olhos arderem. Por mais que brigássemos, eu sempre fora incapaz de nutrir algum sentimento ruim por ela. Claro que ela tornou-se mais rancorosa e fria após a morte de meu pai, mas éramos tão parecidas que eu compreendia perfeitamente suas ações, embora algumas me irritassem e eu não conseguisse ficar calada.

O enorme lobo castanho-avermelhado deu um tranco, interrompendo sua corrida, e com isso meus olhos foram atraídos para o outro cenário.

Jacob estava em sua forma canina, observando o lugar ao seu redor com olhos atentos, assim como fazia o lobo – cor de areia – que o acompanhava. Os dois olhavam para um mesmo foco na floresta e eu agucei meu olhar para poder enxergar o que era, porém, não vi nada.

As expressões sérias dos dois lobos foram substituídas por uma mais relaxada, enquanto Bella surgia no cenário. Minha curiosidade foi tão grande, que o cenário de minha mãe sumiu completamente cedendo espaço para o de Jacob.

— Então? Encontrou alguma coisa? — perguntou ela, olhando apreensivamente para os lobos a sua frente.

O lobo/Jacob balançou sua enorme cabeça em negação e Bella soltou um suspiro impaciente.

— Pode se transformar? Preciso de detalhes.

Ri silenciosamente quando Jacob revirou seus olhos antes de se afastar, isso me lembrava de quando as coisas eram mais fáceis... quando nosso único problema era a implicância que tínhamos um com o outro. Aliás, a implicância nem era algo tão ruim, já que eu me divertia toda vez que brigávamos.

Jacob saiu de entre alguns arbustos ajeitando a pequena bermuda em sua fina cintura, exibindo seu magnifico e tentador abdômen.

— Não há detalhes — ele bufou, dirigindo-se a Bella. — Essa sanguessuga sumiu sem deixar nenhum rastro.

Franzi o cenho e considerei que talvez falassem de mim. O outro lobo se afastou para se transformar e Bella suspirou.

— Qual área você já...

— Norte, sul e leste. Seth e eu estávamos seguindo para o oeste de La Push, perto de Forks, quando você apareceu.

— Como ela sumiu assim...? Do nada...

— Talvez essa fosse a intenção — disse Jacob baixinho, porém Bella fora capaz de ouvir.

— Você ficou maluco, né? — disse Seth, surgindo dentre algumas arvores. — nunca iria embora assim, sem nem mesmo se despedir, ela ama os Cullen. Aliás, mesmo que ela sumisse não sumiria sem deixar nem mesmo um rastro. Ah! E também tem o Oliver, ela não o deixaria assim.

Jacob bufou e Seth e Bella o encararam sem entender. Mordi o lábio ao perceber que falavam sobre mim e que Jacob parecia... com ciúmes.

— Eu concordo com o Seth, parece gostar muito de Oliver, não partiria assim. Talvez eles até se amassem.

—Claro, claro— disse ele, sorrindo irônico, fazendo com que Bella franzisse as sobrancelhas desconfiada.

— Você sabe de algo que não sei,Jake?

— Do que você está falando? Eu não sei de nada — ele disse calmamente, porém desviando os olhos dos dela. — E os outros? Onde estão?

— Hm — ela arqueou uma sobrancelha, mais desconfiada do que antes, porém cedeu a tentativa frustrada de mudar de assunto de Jacob. — Eles estão procurando-a. Já rondamos Forks inteira, a floresta perto da mansão e agora decidimos procurá-la em Seattle. Tudo bem que não fugiria, mas devemos considerar essa opção, e já que ela tem a mãe por lá...

— E as coisas como estão? — perguntou Seth. — Como eles estão se sentindo com o desaparecimento de ?

—Todos estamos péssimos, apesar de Edward, Emmett, Rosalie e Renesmee estarem bem mais desesperados. Eles não querem nem cogitar a possibilidade de ter partido por conta própria. Edward e Rosalie têm certeza de que ela está em perigo.

Notei uma preocupação latente nos olhos de Jacob, mas, para o bem de minha mente, fingi para mim mesma que não percebi aquilo.

— Acha que os Volturi estão envolvidos? — perguntou Jacob.

— Não sabemos, apesar deles serem os primeiros de quem desconfiamos. Porém, Aro não sabe da existência de e eles não tentariam nada assim... não depois do que aconteceu entre nós.

— O que Alice viu em relação a eles? — perguntou Seth.

— Parece que eles não estão envolvidos. Estão até que bem quietos, já que toda vez que ela os observa eles estão calmos e serenos sem tomar nenhuma atitude.

Talvez seja para não gerar desconfiança nos Cullen.

— E Nessie? — perguntou Jacob, com a voz tão baixa e indiferente que parecia que não era isso que queria perguntar. — Como ela está? Ela adorava a sanguessuga afinal.

— Nada bem. Sempre quer vir junto procurá-la mesmo sabendo que é perigoso. Ela pronta o berreiro para Edward deixá-la ir, mas nem assim. Sempre fica ansiando por notícias toda vez que algum de nós volta para a mansão.

Todos ficaram em silêncio e eu me preocupei com Renesmee.

— Não precisam se preocupar com nossa região, os lobos estão rondando por todos os lugares e se encontrarmos algo não deixaremos de avisá-los — disse Jacob, com a voz distante.

— Tudo bem... Acho que vou me juntar a Edward, então.

— Qualquer coisa não deixe de nos avisar também — disse Seth, com compaixão.

Bella sorriu sem mostrar os dentes para ele e acenou um tchau. Os dois lobos assistiram ela sumir de vista e, assim que isso aconteceu, Jacob suspirou e virou-se para Seth.

— Você pode ir rondar o norte, eu sigo sozinho a partir daqui. — disse ele e Seth o olhou sem entender.

—Jake, não há necessidade de ir sozinho, Embry, Quil e Brad já estão rondando norte.

— Eu já disse, Seth.

— Mas, Jake...

— É uma ordem, Seth! — Jacob disse com o timbre de voz aumentado. Seu tom ganhou uma sonoridade dupla e forte, fazendo com que eu sentisse medo e Seth se encolhesse. Hm, talvez esse seja o tom de alpha... é assustador.

— O que foi,Jake? Está acontecendo alguma coisa com você. Você não é de dar ordens, mesmo sendo o alpha.

— Não há nada comigo, Seth, apenas obedeça! — Jacob disse entre dentes e Seth suspirou.

— Tudo bem, Jake, eu vou. Aliás, não é como se eu não pudesse obedecer — Seth sorriu um pouco, mas Jake continuou pensativo... distante. — Mas antes... posso te perguntar uma coisa?

— Se eu responder você vai logo de uma vez?

—Jake.

— Ok, ok, diz logo.

— Seja sincero, Jake... o que está acontecendo com você?

— Não seja idiota, Seth. Eu já disse que não há nada comigo. Vá logo antes que eu perca a paciência.

— Eu sei que não devia fazer isso, Jake, mas eu andei vasculhando sua mente e... eu vi algumas coisas. Você está muito confuso e frustrado e eu quero ajudar de alguma forma, afinal, somos amigos, não somos?

— Você não sabe o que está acontecendo. Você não sabe de nada! —Jake disse furioso.

— Eu sei o que está acontecendo, Jake. Sei muito bem por que vi em sua mente. Eu só não sei o que está acontecendo com você.

— Não é como se eu soubesse resolver as coisas tão simplesmente assim, Seth! — Jacob soltou, grunhindo irritado. — As coisas estão fugindo do meu controle e não há como eu saber o que fazer, já que isso nunca aconteceu na história.

— Eu sei que é difícil, mas... Você tem que se decidir,Jake. Escolher.

— É fácil para você dizer, já que não está passando por essa situação.

—Pense,Jake. Sei que é tosco dizer isso, mas quando você decidir escolher, você terá a resposta. Você terá a certeza.

— Como se você entendesse alguma coisa — bufou ele e passou as mãos nervosamente pelo rosto. — Vai logo, Seth, quero ficar sozinho.

Seth suspirou e começou a se afastar.

—Jake— ele disse antes de ir. — Não negue para si mesmo... Você sabe muito bem o quanto isso o afetou... Você sabe muito bem o quanto o desaparecimento de te abalou.

— Seth, vai...

— Ok, Jake... Até mais.

Jake sentou-se numa pedra e afundou o rosto nas mãos, enquanto seu corpo começava a ter tremores subindo pela coluna. Senti o choque consumindo meu corpo e neguei a mim mesma que tinha ouvido meu nome nessa conversa deles... Não, aquilo não era comigo.

Fui trazida de volta a realidade quando Jake levantou-se bruscamente sobre seus pés e, com um alto rosnado raivoso, dirigiu seu punho fortemente contra uma árvore. O movimento foi tão forte que a árvore se partiu e caiu, enquanto Jake continuava com o punho fechado sobre o pedaço de arvore que ainda permanecia em pé e sua respiração se acalmava aos poucos.

— Droga... — ele fechou os olhos, mas não antes de eu ver uma lágrima deslizar por sua pele avermelhada, brilhando onde estava. — Por que tenho que me sentir assim por ela?

Afastei o espelho para longe de minhas vistas e escancarei a boca. Meus olhos insistiam em juntar lágrimas, mas eu não permitia que elas caíssem.

Minhas mãos iam compulsivamente ajeitar meus cabelos num ato nervoso, enquanto minhas pernas balançavam de um modo paranoico. Não, a garota que ele se refere não sou eu, pensei tentando convencer a mim mesma a todo custo Ele não citou nomes, com certeza não sou eu. Não sou eu, não sou eu, não sou eu...

— Pode ser — assustei-me ao ouvir Ray e arregalei os olhos na hipótese dela ouvir meus pensamentos. — Não, esse não. Vou usar esse daqui, será melhor. É, pode ser.

Olhei indignada para a velha a minha frente e tive vontade de pular nela e quebrar-lhe o pescoço. Ela não percebe o que estou passando e ainda vem falar essas coisas para me assustar?

— Do que você está falando? — gritei irritada, sentindo ódio por ter me enganado desse jeito. Ela pulou assustada quando me viu. — Por que disse “pode ser”?

— Ah, não vi que já tinha parado de olhar o espelho — ela disse, olhando para mim. — Bem, estou decidindo se uso o material novo ou velho. Para alguns feitiços, quanto mais velho o material é melhor, mas para outros o novo tem o mesmo efeito... Então eu murmurei comigo mesma que o novo pode ser. Que eu podia usá-lo sem problemas.

Revirei os olhos frustradamente e continuei a balançar as pernas inquietamente, minha mente ainda tentando convencer a mim mesma de que não ouvi aquilo. E não ouvi. Não ouvi mesmo.

— Está pronta? Acho que já tenho tudo preparado.

— Até que enfim — murmurei, abraçando as pernas ao levar os joelhos ao peito. — Podemos começar logo com isso então? E, agora, me dirá o que devo fazer?

— Bem, eu a mandarei para onde sua alma está e a partir daí é trabalho seu.

— Como assim?

— É seu dever encontrá-la, não poderei fazer nada para lhe ajudar.

— O quê?! — indaguei. — Mas como diabos vou encontrar essa alma?!

— Você terá indicações. Não terá erro.

— E depois? O que eu faço?

— Bem, assim que encontrá-la você terá que uni-la a você, ou seja, completar sua alma e voltar. Enquanto isso eu prepararei seu corpo para receber a alma completa.

— E como vou uni-la a mim?

— Não sei.

— Como assim não sabe? — perguntei desesperada. Como assim ela me mandava para uma missão maluca e surreal sem nem ao menos me dizer o que tenho que fazer?

— Quando encontrá-la, você descobrirá como trazê-la de volta. Haverá sinais.

— Ótimo, agora vou ter que ficar filosofando sinais para saber como consigo completar essa missão maluca. Sabe o que é pior? É que filosofia era minha pior matéria!!

— Não seja besta, para você será fácil descobrir. Não será impossível.

— Só quero ver, então.

— Tudo bem, está pronta?

Respirei fundo e a olhei determinadamente, sentindo uma certeza que não senti antes dominar minha mente com todas as forças.

— Vamos logo.

— Ok, deite-se no centro do círculo, eu vou preparar tudo — disse ela, enquanto pegava nas mãos as coisas.

Os tipos de plantas que ela havia colhido pela floresta de Forks agora ela queimava e fazia com que a fumaça cobrisse todo o lugar. Torci o nariz com medo de que fosse fedido como aquele chá, mas a fumaça até que tinha uma fragrância boa, relaxante, calmante...

— Pra quê isso? — perguntei, enquanto ela ainda andava pelo lugar com as plantas soltando fumaça.

— Isso afastará presenças malignas — respondeu com tanta naturalidade que me fez estremecer. — Muito bem, agora fique quietinha.

Ela pegou alguma substancia em pó nas mãos e jogou sobre mim. Comecei a achar aquilo tudo ridículo, mas quando tentei mexer uma de minhas mãos, era como se aquilo pesasse toneladas e eu fosse uma reles humana.

— Por que não consigo me mexer? — grunhi irritada.

— Por que qualquer movimento seu pode quebrar o ritual.

Ela veio caminhando até mim e começou a murmurar palavras estranhas e sombrias. O medo começava a dominar meu corpo conforme as luzes da vela foram ficando cada vez mais altas e fortes e uma camada negra e obscura se abria sob mim – no teto.

— Mas o que é...

Me calei assim que Ray começou a gritar as palavras estranhas, como se estivesse discutindo com alguém em fúria e desespero. Seus olhos estavam fechados, mas sua expressão era como se ela estivesse fazendo um enorme esforço – e talvez tivesse, já que gotas de suor contornavam sua face.

Ela ficou ainda mais próxima de mim e ergueu uma mão para o alto, enquanto ainda dizia as palavras estranhas.

Olhei para o que ela segurava e engoli em seco... ela segurava um punhal. Mesmo que aquilo não fosse capaz de perfurar minha pele, eu sentia o medo consumir meu corpo cada vez mais que meus membros tentavam se mover – para sair dali – por conta própria.

— O que está fazendo?! — gritei, quando a ponta da lâmina começou a adquirir uma cor dourada e cintilante que poderia queimar meus olhos se eu observasse mais atentamente.

E então, antes que eu pudesse digerir o fato, Ray desceu sua mão numa velocidade incrível, fazendo com que a lâmina do punhal perfurasse meu peito esquerdo.


Narração Terceira Pessoa

Ray assistia com remorso os olhos da garota vampira olhá-la com descrença e incredulidade, mas não havia motivo para isso... Essa ação fazia parte do ritual, total e completamente. Mesmo que a garota estivesse sofrendo e sentindo o arrependimento – por confiar na feiticeira – ela logo entenderia a situação quando percebesse que não estava morta.

A feiticeira continuou pressionando a lâmina contra o coração da garota, até que, enfim... uma camada, fina e espessa, brilhosa e hipnotizante, branca e reluzente, começou a contornar o punhal e deixar o corpo da garota.

Os olhos de foram se fechando aos poucos conforme ia perdendo a vida... Conforme sua alma deixava o corpo...

Assim que Ray começou a sentir um formigamento nos dedos – com a alma de querendo tocá-la –, ela percebeu que a alma já estava toda concentrada ali. Então, antes que a alma de entrasse em seu corpo – já que nenhuma alma consegue sobreviver fora de um corpo – ela ergueu o braço para cima e a alma foi sugada da lâmina do punhal para o negro e obscuro portal no teto... que levaria ao Outro Mundo.


26. O vazio eterno

Eu sentia como se meu corpo estivesse sendo lançado contra o ar numa velocidade maior que a de um foguete. Tentei abrir os olhos para enxergar para onde eu estava indo ou onde estava, mas eu não era capaz nem de senti-los.

Eu não conseguia sentir nenhuma parte de meu corpo, mas o mais estranho não era isso. O estranho era que parecia que as partes não estavam apenas dormentes, mas sim inexistentes.

Eu era capaz de sentir o vento contra mim fortemente, mas ouvir, cheirar, falar e me mexer não. O desespero começava a crescer dentro de mim, até que eu senti a velocidade do meu lançamento diminuir e algumas partes de meu corpo se manifestarem. Mas não somente se manifestarem, mas sim... nascerem, como se estivessem se formando agora em meu corpo.

Assim que fui capaz de sentir os dedos em minhas mãos, apertei-os tão fortemente contra minha palma que era capaz de eu ter me cortado. Suspirei aliviada ao saber que estava com meu corpo normal novamente... Abri os olhos para tentar enxergar alguma coisa, mas o vento contra mim era tão forte que em apenas um segundo que eles ficaram abertos, já foram capazes de queimarem e soltarem inúmeras lágrimas.

Apertei as pálpebras fortemente e apenas esperei para que aquela velocidade diminuísse por completo. Mas antes que isso acontecesse, senti-a sumir de repente e meu corpo chocar-se com o chão – consequentemente, meu rosto também.

Meu nariz começava a latejar e eu começava a soltar inúmeros palavrões... quando abri os olhos. O chão sob mim era de um branco reluzente e a estrutura dele era espessa... parecia neblina.

Apoiando-me nas mãos, eu levantei-me e olhei tudo ao meu redor. Não havia nada. Em lugar nenhum.

Aquele lugar era a visão perfeita do vácuo, do vazio. Tudo branco e vazio, de um tamanho infinito que não dava para calcular. Tudo era tão branco que eu não sabia onde terminava e começava o chão e o teto.

Estou morta? O pensamento surgiu em minha mente involuntariamente, então eu tentei divagar em memórias e lembranças para saber se isso poderia ser possível... Mas eu não conseguia ver nada.

Persistentemente, tentei mais uma vez revirar minha mente a procura de algum sinal para que eu soubesse a onde estava, mas tudo o que surgiu foi uma confirmação do meu pensamento anterior... Uma velha pressionando uma lâmina contra meu coração.

Céus, eu estou morta.

Incansavelmente, revirei minha mente novamente a procura de mais alguma lembrança, mas ainda obtinha o mesmo resultado... nada. Porém, havia uma pergunta que não queria calar... como diabos eu fui capaz de enxergar a velha e seus olhos receosos mesmo após ela ter perfurado meu coração? Isso é impossível... não é? Eu deveria ter morrido instantaneamente com isso...

— Mas quem é você?

Meu corpo pulou de susto ao ouvir a voz e minha cabeça girou em direção a ela, porém, mesmo meu corpo dando um giro de 360º não fui capaz de enxergar nada nem ninguém.

— Cadê você? — foi a primeira coisa que surgiu em minha mente para falar.

— Qual seu nome? Onde nasceu? Quando nasceu? Quantos anos têm?

— Ei, ei, ei, eu não devo satisfações para você! — respondi mal criada. Mesmo que eu estivesse morta, não deixaria nenhuma entidade espiritual falar assim comigo. — Pra começar, quem é você?

— Eu perguntei primeiro.

— É, e mais um monte de coisas também.

— É o meu trabalho. Agora me responda que eu lhe respondo.

Bufei.


— Sou .

? — sua voz pareceu confusa. — Não tinha nenhuma marcada para hoje. Quando nasceu?

Com um ponto de interrogação na cara, eu respondi com outra pergunta:

— Pra que quer saber?

— Quantos anos você tem? — insistiu.

— 16 — respondi automaticamente e depois me perguntei se era essa a resposta mesmo. Afinal, eu não me lembro de ter feito 17 anos...

— Não, não tem nenhuma de 16 anos para hoje. O que faz aqui?


— Minha vez de perguntar! — apontei um dedo acusatoriamente, mesmo não sabendo pra qual direção se encontrava o ser. — Pra começar, cadê você?

— Você não é capaz de me ver? — sua voz tinha um tom incrédulo que me irritou.

— É claro que não!

Ele permaneceu em silêncio por alguns minutos e eu comecei a me perguntar se estaria sozinha aqui novamente.

— Hm... Então você deve ser uma alma viva... Isso explica tudo.

Minha cara confusa devia estar muito engraçada.

— Alma... viva?

— Isso significa que você está no mundo espiritual sem estar morta. Não sei como, mas você separou sua alma do corpo sem estar morta.

Assim que ele terminou de dizer isso, minha mente rasgou-se numa dor lancinante e eu caí de joelhos. Imagens passavam rapidamente por meu cérebro numa velocidade que parecia estar jogando meu cérebro em fogo. Porém, fui capaz de lembrar de tudo...

Vampira... os Cullen... Feiticeira... Escolhida... Missão... Humana...

— Hm, você deve estar recuperando sua memória — disse a voz e então a dor passou e eu pude perceber toda a minha memória de volta a minha mente. — Isso é normal para vocês almas vivas. Suas lembranças não resistem muito bem ao passarem pelo portal, mas depois de um tempo vocês a recuperam... Bem, agora pode me dizer o que quer aqui?

— Por que eu diria? Você nem mesmo disse quem é!

Massageei as têmporas, mesmo a dor já tendo passado, e me levantei do chão lentamente.

— Eu sou o Guia Do Vazio — disse pomposo e minha primeira reação foi olhar para o nada, procurando seu rosto, e pensar se ele falava sério. Minha segunda reação foi me contorcer de tanto rir.

— Que nome ridículo! — gargalhei ainda mais, segurando a barriga que já doía. — Não sabe ser mais criativo não?

— AHHH fica quieta, você não sabe de nada!

A irritação dele me fez rir mais, mas uma vozinha irritante na minha cabeça me lembrou que esse não era um momento para risos e que eu precisava fazer tudo de uma vez.

— Isso por que você não responde minhas perguntas.

— Pois saiba que eu sou a única pessoa que pode fazer com que você saia desse lugar, então tenha mais respeito.

— Ok, ok — disse com a voz cansada, afinal, ri demais. — Mas que diabos é esse lugar?

— Não fale esse nome aqui, criatura! Nomes dos seres da profundeza atraem presenças malignas.

— Aff, era apenas modo de falar, eu não estava invocando nenhum demônio.

— AHH você não ouviu o que eu disse? Cale a boca!

— Ok — fiz com as mãos como se passasse o zíper nos lábios. Mas é claro que isso não dá muito certo se tratando de mim. — Então, por que eu não sou capaz de vê-lo?

— Por que não é uma pessoa pura.

— O quê?! — grunhi indignada. Eu nunca fui uma pessoa ruim! Nem mesmo como vampira! — Pra sua informação, eu nunca desrespeitei meus pais e raramente falo palavrão! Então não me venha com essa. Além de que sou uma vampira vegetariana e não mato pessoas.

— Ninguém é puro totalmente, somente crianças. Afinal, se você já mentiu, já desejou algo ruim para alguém ou fez algo apenas para beneficio próprio, você não é e nunca será uma pessoa pura.

— Ugh — bufei. — Mas se ver você é tão difícil, então por que se surpreendeu quando viu que eu não podia vê-lo?

— HAHAHA é por que estou mentindo. Você não pode me enxergar por que é uma alma viva, somente as almas mortas podem me ver, pois eu as guio para seu destino final.

— Pelo visto eu não sou a única pessoa impura daqui já que você mentiu — arqueei a sobrancelha, mesmo não sabendo se ele está vendo meu rosto.

— AHH você é muito irritante — se queixou num tom irritado. — O que você quer aqui afinal?

E você é muito escandaloso para uma entidade espiritual, pensei, mas não disse nada para não irritá-lo ainda mais.

— Ok, é o seguinte: acontece que fizeram uma macumba braba pra mim e agora estou somente com metade de minha alma. Então fizeram outra macumba pra eu recuperá-la, entendeu?

— Macumba? — ele pareceu confuso. — Então você está no lugar errado, já deveria ir direto pro inferno e...

— Não é macumba, é só modo de falar. Acontece que eu li um livro enfeitiçado e fiquei enfeitiçada, então quando um vampiro me mordeu, fui transformada em vampira, mas ainda permanecia com metade de minha alma, enquanto a outra ia embora. Agora estou tentando recuperá-la por que uma feiticeira louca me chantageou.

Ele ficou dois minutos em silencio digerindo as informações rápidas que dei, enquanto eu normalizava minha respiração.

— Então você é uma vampira? Mas vampiros não vêm para cá...

— Você não ouviu o que eu disse, animal? Eu disse que ainda tenho metade de minha alma! Portanto, eu posso estar aqui! Eu acho...

— Ah, sim, você está certa. Mas um pouco mais de respeito seria bom.

Revirei os olhos. Seria difícil, já que minha pouca paciência já está se esgotando.

— Você sabe o que eu posso fazer para recuperá-la?

— Bem... — ele pausou um pouco, talvez estivesse pensando numa forma... ou zoando com a minha cara. — Nunca vi isso acontecer alguma vez, mas, pela lógica, a metade de sua alma ficou presa no meio do caminho já que sua outra metade estava viva.

— Como assim se perdeu na metade do caminho?

— Bem, para chegar ao seu destino final, as almas devem estar mortas. E a sua alma não está morta por completo.

— E onde fica esse caminho?

— Bem, você terá que seguir todo o caminho que ela seguiu até encontra-la. E esse caminho passa por várias dimensões, então não temos como saber em qual dimensão ela está perdida. Você terá que procurar por todas.

— Mas espere aí, você não chegou a atendê-la? Quer dizer, se todas as almas mortas vêm para cá...

— Não, não cheguei a atendê-la. E eu acho que é por que você foi transformada em vampira. Vampiros não vêm para cá.

— Não me diga que eles vão para o inferno? — arregalei os olhos. Desculpe, mas, que essa promessa que se dane, eu não vou seguir minha alma no inferno só para me tornar humana e salvar o mundo, não sou louca.

— Claro que não, isso é apenas lenda. Vampiros não vão para o inferno.

— Então para onde vão?

— Você verá.

Pronto, já começou a ser enigmático.

— Então, o que tenho que fazer para ir para esses caminhos?

— Bom, você apenas precisa se concentrar. As dimensões são muito diferentes umas das outras, então você precisa se concentrar sempre em algo diferente. A primeira dimensão é a dimensão dos sonhos, onde tudo o que você mais sonhou estará lá. Mas não se engane, sempre há um lado sombrio nos sonhos. A segunda dimensão é a dimensão do medo, onde você terá que enfrentar seus medos para passar, mas não precisa se assustar, no final tudo valerá a pena. Bem, a terceira dimensão é a dimensão do Limbo, que é como se fosse o purgatório para aquelas almas que não podem seguir o caminho, já que não tem destino definido ainda. A quarta dimensão é a da Paz, somente almas boas podem chegar lá, pois tudo naquele lugar é pacífico. E a ultima dimensão é o destino final, para cada pessoa é um lugar diferente.

— Ok, como faço para chegar nessas dimensões e como faço para encontrar minha alma?

— Para ir para a primeira, se concentre nos seus maiores sonhos e desejos. Para ir para a segunda, pense em seus maiores medos e receios. Para a terceira, é só pensar em nada. Para a quarta, fique o mais calma e relaxada possível, pensando somente em coisas boas. Já a ultima você não pode chegar já que não está morta. Não se preocupe com a volta, é só me chamar em seus pensamentos que te trago de volta.

— Tudo bem, e como encontro minha alma?

— Você tem uma ligação com ela, quando estiver próxima vai sentir.

Suspirei, por que isso tudo era tão complicado? Por que não aconteceu com Rosalie já que ela é mais inteligente e sonha em ser humana? Droga.

— Tudo bem — fechei os olhos e respirei calmamente, já imaginando meus maiores sonhos de viajar pelo mundo e passar momentos de felicidade com as pessoas que amo. — Até breve, Guia Do Vácuo.

— É Guia do Vazi...

Não consegui terminar de ouvi-lo, pois logo já estava sentindo ser arremessada no ar novamente e com destino a primeira dimensão. A dimensão dos sonhos.

N/A: Acho que escrevi esse capítulo bem diferente do que eu havia feito antes, mas ficou com o mesmo... qual a palavra? Sentido. É, agora as coisas serão mais fáceis já que não preciso lembrar de mais nenhum capítulo, então farei o possível para que haja capítulos o mais rápido possível.
Ah, espero que tenham gostado desse capítulo e do anterior também, já que não deu para vocês comentarem... *cry*
Era para mim ter mandado esse capítulo antes, mas acontece que meu irmão foi se mudar para um apartamento e como a mulher dele trabalha direto, eu fui ajuda-lo a organizar as coisas e eram MUITAS coisa.. ufa, ainda bem que acabou.
Bem, enfim, não sei se já dá para comentar... mas caso não consigam, a Baby Suh falou uma vez q dá pra comentar pelo Internet Explorer, então não custa nada tentar, né? *-*
Agora falando do capítulo: O próximo capítulo era pra ser um só com o nome “uma viagem surreal”, mas eu percebi que ele seria grande demais e demoraria muito para ser mandado pro blog, então decidi dividi-lo com subtítulos... ou seja, o capitulo “viagem surreal” será dividido em partes (1, 2, 3, etc) com os nomes das dimensões como subtítulos. Então, digamos que cada dimensão terá seu capítulo.. Preparem-se, pois essa fic vai misturar muitas coisas estranhas haha
Beijoos e até a próxima ;*


27. Uma Viagem Surreal Parte 1
A Dimensão dos Sonhos
Dessa vez a velocidade no qual eu fui arremessada foi mais suave, e, apertando meus dedos com força contra minha palma, eu percebi que ainda podia sentir meu corpo – que ele ainda estava formado.
Senti uma graciosa brisa contornar meu rosto, e, então, vi que já havia chegado ao meu destino. Meus pés pousaram suavemente no chão e então eu senti a sola de um sapato sob meus pés... estranhei aquilo, pois até um momento atrás eu estava descalço.
Um sentimento estranho de nostalgia me consumia, enquanto eu um buraco crescia em minha mente, sugando minhas memórias novamente. Meu corpo estava coberto por várias camadas de tecido quente, enquanto um vento congelante soprava contra meu rosto. Ainda sem coragem para abrir os olhos e enxergar a onde estava, eu apenas escutei tudo ao meu redor... Conversas, passos. Barulho de rua, carros... Palavras pronunciadas em um sotaque estranho, mas que eu conseguia compreender perfeitamente.
Não vendo então mais motivos para adiar minha surpresa, abri os olhos e me vi enfrente a... torre Eiffel de Paris. Arregalei os olhos e observei mais atentamente os detalhes... parecia tão real. Mas... espere... Por que não seria real? Será que estou sonhando?
Antes que minha mente pudesse digerir o fato de que eu estava na cidade que eu mais desejei visitar na vida, senti um toque em meu ombro e alguém se aproximar de mim.
— Ah, até que enfim te encontrei, mocinha!
Virei-me de súbito e dei-me de cara com Edward. Só que... Um Edward totalmente diferente do que eu estava acostumada. Esse Edward tinha um sorriso contagiante aberto no rosto e uma felicidade latente nos olhos e... Oh my God!
— Edward! Por que está usando lentes de contato? — perguntei irritada. Não tinha graça me enganar assim. Afinal, por que ele quer ficar com os olhos verdes?!
— Quê? — ele ficou confuso. — Você está bem? Eu nunca uso lentes de contato, e não estou usando agora.
— Pare de mentir! — apontei um dedo ameaçadoramente em sua cara. — Você sabe muito bem que seus olhos não são dessa cor! Pare de tentar me enganar!
Partes de minhas memórias haviam desaparecido, mas eu conseguia encontrar facilmente a figura de Edward em meus pensamentos com os olhos dourados, talvez mais escuros ou mais claros, mas continham o tom dourado, assim como todos os vampiros vegetarianos, não verde.
— Bem, acho melhor voltarmos logo pra casa, você deve estar doente — ele segurou meu braço e me arrastou pelas ruas francesas que eu não conhecia.
— Por que estamos em Paris? — perguntei confusa, deixando que ele me guiasse. E... O que eu estava fazendo antes de encontrar Edward mesmo? Eu tinha que fazer alguma coisa, mas... o que?
Vi-o revirar os olhos e então notei o quanto sua pele estava corada nas bochechas pelo frio e seus lábios rosados. OMG! O que está acontecendo com Edward?! Vampiros não coram!
— Você está pálida! — ele se assustou ao olhar para meu rosto. — Vamos logo, tio Carlisle dará um jeito nisso!
— Tio... Carlisle?
Minha mente se confundiu mais ainda, e isso somado as memórias que estavam sumindo, resultou numa dor de cabeça angustiante.
— É! Esqueceu que viemos à França para visitá-lo? E visitar a tia Esme também. E nós estamos prestes a ir para o aeroporto para voltar para casa, quando você sumiu...
Tentei forçar minha memória para entender o que acontecia, mas... eu não entendia porr* nenhuma e estava começando a me irritar com isso!
— Onde estão os outros?
— Quem? Rosalie, Alice, Emmett, Jasper...?
— É, eles mesmos, onde estão?
— Em casa ué, nos esperando. Meu Deus, como você está estranha hoje, !
Edward me arrastou pelas ruas por mais algum tempo, até que chegamos a uma majestosa mansão no centro da cidade, que ficava enfrente a uma linda praça. Quando entramos no local, logo meus olhos vagaram procurando os outros e eu tentei usar minha audição avançada para saber onde estavam, mas não consegui...
— Ah! Até que enfim!
Uma criaturinha apareceu a minha frente e eu arregalei os olhos. Alice estava com os olhos castanhos cheios de rímel e com roupas muito vulgares, além de que seu cabelo estava enorme num liso rebelde. Ela era... uma adolescente?
— Maninha, por que foi sumir assim? Quer que fiquemos aqui para sempre? Eu sei que eu adoro Paris, mas você sabe que quando papai está de férias eu não posso ter nenhum momento a sós com meu Jasper.
Franzi o cenho.
— Papai? Férias? E desde quando você fala enrolando a língua assim?
— Como enrolando a língua? — ela revirou os olhos, enquanto inclinava o quadril para um lado, enrolando uma mecha de cabelo nos dedos. — Eu sempre falei assim.
está estranha hoje, não ligue para ela, Lice — disse Edward.
— Lice?
— ...É, já notei — disse ela, com a cara descrente para mim. — Desde quando ela estranha o apelido que ela mesma deu pra mim?!
— Como eu disse — Edward segurou meu braço novamente. — Tio Carlisle ainda está aí?
— Sim, lá em cima falando com papai.
Papai?, pensei, mas não perguntei nada. Enquanto eles falavam coisas que eu não entendia, eu observava a casa. Uma casa muito diferente da que eu estava acostumada. Não havia paredes de vidro, e os tons das paredes não eram claros e pálidos, mas sim chamativos e modernos. Meu Deus, em que universo alternativo estou? Que mundo louco é esse?
— Ok, vou falar para que ele veja a situação de , talvez ela tenha caído e batido a cabeça, sei lá.
Despertei de meu transe ao notar que Edward falava como se eu estivesse insana e ele não entendesse nada do que acontecia comigo.
— Edward! Você pode ver em meus pensamentos que eu não estou entendendo nada do que está acontecendo aqui e que não é por amnésia nenhuma! — chiei impaciente, não estava com humor para piadinhas de mau gosto. Afinal... só podia ser uma piada, já que eu não podia sonhar por que... por que... Por que eu não podia sonhar mesmo?
— Ihhh, melhor não leva-la lá não, Ed, parece que está chapada — respondeu Alice, olhando-me com uma feição divertida.
— Não seja ridícula — Edward revirou os olhos. — De onde tirou isso de ler pensamentos? Está bêbada?
Bufei. Por que eles não conseguiam me entender?
— Vamos lá com tio Calisle e papai.
— Espere aí! — dei um tranco, parando seus movimentos. — Se Carlisle é nosso tio... Quem é nosso pai?
Alice e Edward escancararam a boca, enquanto eu cruzava os braços sem entender nada do que acontecia. Eles demoraram tanto para saírem de seu choque interno, que eu já me preparava para berrar com eles, quando ouvi passos atrás de mim.
— Oh, vejo que a sumida apareceu!
Desviei meus olhos das feições chocadas de Alice e Edward para o senhor que descia as escadas graciosas da mansão. Meu queixo foi ao chão, enquanto meu coração começava a dar pulos dentro do peito. Minha garganta se fechou e meus olhos começaram a acumular lágrimas.
— P-papai? — chamei, com minha voz imediatamente ganhando um tom choroso. — É... você?
Ele franziu as sobrancelhas da mesma forma que eu me lembrava que fazia e sorriu levemente.
— Quem achou que fosse, minha pequena?
Imediatamente corri para seus braços e enlacei os meus a sua cintura com força, sentindo as lágrimas mancharem seu terno elegante. Soluços fortes e selvagens saíam de minha garganta, enquanto ele me abraçava carinhosamente sem entender a situação, mas tentando me acalmar.
— Como isso é possível? — sussurrei, sem acreditar, com minha voz ainda embargada.
— Como o que é possível?
Levantei a cabeça do peito de meu pai e girei a cabeça em direção a voz de minha mãe, que estava estupendamente elegante num vestido de seda, com os cabelos preso num moderno penteado no alto da cabeça.
— Mãe! — chorei. Ela assustou-se com meu tom e veio correndo até mim, ninando-me em seus braços, igualmente sem entender a situação.
— Edward, filho, o que houve com sua irmã? — perguntou minha mãe, com a voz baixa.
Levantei a cabeça de súbito e a encarei incredulamente.
— Como assim “filho”? Eu sou sua filha!
— Ih, lá vem ela com suas crises de ciúme — disse Alice tediosamente, enquanto se jogava no sofá. — Até parece que ela é a caçula, não eu.
— Do que você está falando? — gritei, aquela Alice adolescente estava conseguindo me irritar. — Eles são meus pais! Que eu saiba você foi adotada pelos Cullen!
! — disse minha mãe, repreensivamente, enquanto Alice parecia que tinha levado um tapa na cara de mim, imediatamente me fazendo sentir-me mal. — Sua irmã sabe que é adotada, mas não foi pelos Cullen! O que há com você, garota? Por que está agindo assim?
— O que está acontecendo? — Emmett surgiu do nada pela porta, com Rosalie segurando sua mão. Atrás deles, vinham Bella, Jasper e duas bebezinhas.
Bella colocou a menininha com cachinhos de cobre no chão e a garotinha correu até mim, agarrando minhas pernas. A outra de cabelos encaracolados e loiros veio em seu encalço.
— Tia ! — disse a de cabelos cor de bronze, de um modo enrolado como os de bebês. Arregalei os olhos quando percebi as feições de seu rosto iguais as de...
— Nessie...? — perguntei em dúvida. Eu nunca a vira naquela idade antes.
— Não reconhece mais nem sua sobrinha? — disse Alice incrédula. — Céus, ela pirou de vez! Jasper, venha, quero comprar alguma coisinha antes de irmos embora e escapar dessa confusão!
Alice saiu saltitando e agarrou a mão de Jasper, levando-o para fora antes que pudesse entender o que acontecia. A outra pequenina agarrou minha perna e me chamou com as mãozinhas. Parecia menor que Nessie, mas igualmente linda e fofa.
— Você é tão lindinha — sorri, pegando-a no colo, e por um segundo esqueci da confusão na qual eu me encontrava. Observei mais atentamente seu rosto e notei uma covinha muito conhecida ali... OH! MY! GOD! — Você é filha de Rosalie e Emmett?!
— O que há com ela? — perguntou Rosalie, de um modo doce que me assustou. — Esqueceu-se de Marie?
— Ela deve apenas estar chapada — disse Emmett, que recebeu um olhar torto de meu pai.
— Não fale isso de sua irmã — repreendeu minha mãe e eu arregalei os olhos. Mas que diabos está acontecendo aqui?
Coloquei a pequena no chão e encarei o nada por alguns segundos, enquanto os outros indagavam entre si qual poderia ser o meu problema.
— Mas que diabos está acontecendo na minha vida? — murmurei baixinho, mas todos foram capazes de ouvir, já que cessaram as conversas.
— Vamos resolver isso, — disse meu pai, com o seu tão conhecido tom preocupado.
E lá estava eu, deitada na cama de meu quarto enquanto um Carlisle de 40 anos, com olhos azuis, me questionava sobre tudo o que acontecia em minha cabeça.
— Posso perguntar uma coisa, tio Carlisle? — fingi inocência, já que esse assunto poderia fazer com que eles me achassem uma louca de vez.
— Claro.
— Você acredita em vampiros?
Ele me olhou por uns vinte segundos e depois balançou a cabeça levemente.
— Posso saber o porquê dessa pergunta?
— Só curiosidade. Sabe, quero aliviar um pouco a tensão que se instalou depois que cheguei — menti.
— Bem, , você sabe muito bem que não acredito em coisas sobrenaturais. Somente na ciência. — olhei para minhas mãos e comecei a me perguntar se eu estaria realmente louca. Será que toda a minha vida vampira não passou de uma ilusão? — Meus antepassados acreditavam em vampiros. Eu até tinha um antepassado que cassava vampiros... ou ao menos tentava. Mas essa coisa não passa de mito, sugiro que não gaste seu tempo pensando nisso.
— Ok — suspirei resignadamente. — Então, o que acha que eu tenho?
— É óbvio que você perdeu a memória, mas já que garante que não caiu nem nada, não posso garantir que tipo de amnésia seja. Mas acho que é apenas uma amnésia psicogênica.
— Amnésia o quê?
— Psicogênica. É uma amnésia temporária. Sua memória pode voltar em apenas alguns dias. Enquanto isso, tenho certeza de que você receberá todo o cuidado possível vindo de sua família que te ama tanto.
Dei um meio sorriso. Desde pequena eu sempre quis ter irmãos, mas meus pais nunca realizaram meu desejo. Minha mãe chegou a ficar grávida uma vez, mas com a morte do meu pai... Bem, a notícia foi tão forte que ela perdeu o bebê. Bem, agora eu tenho a chance de ter muitos irmãos. Irmãos esses que eu já conheço muito bem e que amo.
— E então, como minha princesa está? — disse meu pai, surgindo na porta de meu quarto. Senti uma vontade enorme de chorar ao vê-lo falar assim comigo depois de tanto tempo, mas me controlei e apenas contemplei sua figura, guardando a imagem em minha memória.
— Teve uma perda de memória temporária. Voltará daqui alguns dias. Sugiro que tenham paciência com ela, ela descobrirá toda sua vida novamente.
Descobrir toda a minha vida novamente... Será que essa é realmente a minha verdadeira vida?
— Sim, claro, claro — meu pai assentiu repetidamente. — Posso falar com ela um instante?
— Claro, eu já estava de saída para deixa-la em repouso.
Carlisle saiu do quarto, mas eu continuei olhando para meu pai, com os olhos marejados insistindo para as lágrimas caírem.
— O que você tem, minha querida? — perguntou, sentando-se na beirada da cama ao meu lado e tirando uma mecha de cabelo de meu olho. — Hm... Por que me olha com tanta admiração se estava chateada comigo a pouco tempo?
— Estava?
— Ah... você não se lembra. Bem, acontece que você queria trazer seu namorado junto na viagem, mas estava difícil aceitar que minha pequenininha estava namorando tão sério e...
— Namorando sério? — franzi a testa. — Eu briguei com você só por causa de Oliver?!
— Quem é Oliver? — ele pareceu confuso.
O ar escapou de meus pulmões, enquanto eu digeria a informação de que aqui Oliver não fazia parte de minha vida. Mas... se não era ele... quem era? Não, não deve ser...
— Q-quem é meu n-namorado?
— Jacob, ué. Ah, sempre me esqueço dessa sua falta de memória. Eu devia ter aproveitado para dizer que você não namora e que esse cara não existe — bufou ciumento. Eu teria rido se não estivesse tão chocada. — Enfim, ele mora perto de Seattle, e você o conheceu quando sua escola fez uma excursão para as montanhas perto de Forks, numa reserva indígena lá.
— Oh meu Deus. — sussurrei em choque.
— Desde então começou o namorico. E sua mãe e sua irmã cobrindo tudo para que eu não descobrisse. Ugh, essas duas...
— Pai — torci o rosto, minha cabeça começava a latejar com tanta informação. — Chega desse assunto, por favor.
— Tudo bem. Bom, já que você perdeu a memória, vou lhe contar mais uma coisa que aconteceu que te deixou com raiva de mim. Acontece que seu aniversário é nesse fim de semana. E quando lhe perguntei o que queria de aniversário, você respondeu que queria uma viagem em família pelo mundo afora. Eu cancelei meus compromissos para te dar esse presente e nós começamos por França, para visitar Carlisle. Porém, você ficou indignada quando eu não deixei Jacob vir acompanha-la.
Jacob meu namorado? Ok, vamos mudar o foco para outra coisa. Fiquei com a boca escancarada mais alguns segundos. Meu pai era rico? Como ele conseguia bancar um presente assim? E... Meu Deus, esse é o sonho da minha vida... Tudo está tão estranho... A minha vida inteira eu desejei uma família grande e unida, uma viagem incrível pelo mundo... e meu pai vivo novamente.
Isso só pode ser um sonho.
E com essa constatação final, eu lembrei de tudo. Caramba, me esquecer das coisas está começando a me irritar.
Eu sabia que tinha que procurar a outra parte de minha alma, mas... Meu pai estava a minha frente! Com aquele olhar fraterno que tanto senti falta...
Enlacei meus braços em seu pescoço e o abracei com toda a força possível, chorando em seu ombro baixinho. Eu não quero perde-lo novamente...
— Eu te amo, pai — sussurrei, apertando-o mais. Fechei os olhos com força, enquanto inalava seu cheirinho confortante e tentava guarda-lo na memória. — Eu sinto sua falta.
— Oh, eu também te amo, princesa — ele me abraçou de volta e eu vi todas as lembranças de nossos momentos juntos surgirem em minha mente.
Como quando ele assistiu as maratonas de desenhos comigo, mesmo estando morto de cansaço após um dia inteiro de trabalho. Quando ele me buscou na escola apenas para passar um tempo comigo, já que estava a semana inteira ocupado e não tivera chance de me dar atenção... Quando ele, eu e minha mãe ficávamos fazendo nossas tentativas culinárias em família...
?
Abri os olhos de repente ao perceber que alguém havia me chamado. Mas percebi que o chamado fora apenas em meus pensamentos... e que eu reconhecia aquela voz.
Guia do Vácuo? Perguntei mentalmente.
Aff, é Guia do Vazio. Mas, sim, sou eu. Escute! Você precisa se concentrar! Precisa entender que essa vida não é real, é apenas o que essa dimensão te faz enxergar. Lembre-se de que nada nesse universo é perfeito, então esses sonhos irão se desmanchar a qualquer momento e você precisa cair em si antes que seja tarde demais e fique presa aí.
Ficar presa aqui? Assustei-me. Você não me disse nada disso antes!
Ande, não perca tempo! Tenho um limite de tempo para me comunicar com você, então entenda que tem que cair em si e perceber que aí não é o seu lugar. Seja forte! Você conseguirá!
Mas... chorei, olhando para meu pai. Meu pai está vivo! E está comigo!
Ele não é seu pai! É apenas uma alucinação que a dimensão está fazendo você ver. Ela fará de tudo para que você decida ficar, e quando você decidir ficará presa aí para sempre. E quando ficar aprisionada, o sonho se desmanchará e não lhe restará mais nada!
Não sei se consigo deixa-lo.
Você precisa! , você tem que...
E então a voz se calou, interrompendo-se. Pensei em chama-lo em meus pensamentos, mas eu sabia que seu limite de tempo apenas havia terminado.
Tentei restaurar minhas forças e conseguir coragem de deixar esse universo... mas isso conseguia ser tão difícil.
— Eu te amo, pai — repeti. — Eu te amo, eu te amo, eu te amo... muito... Nunca vou te esquecer.
Meu choro foi ficando cada vez mais selvagem conforme eu tentava arrumar forças para sair daquela dimensão e ir até a outra parte de minha alma.
Quando a realidade na qual eu me encontrava começou a desfocar, tornando-se apenas um borrão preto, senti o aperto de meu pai mais forte contra mim, enquanto uma voz assustadora saia de seus lábios.
— Você não vai nos abandonar, vai, filha?
— Eu tenho que ir, pai — chorei, mesmo percebendo que aquela voz não era a dele.
— Não tem não. Você pode viver aqui. Aqui todos os seus sonhos se realizarão, aqui tudo será perfeito. Tudo ao seu modo, não há o que temer.
— Não posso.
— Você terá a vida que sempre quis. A vida perfeita, com todos os seus sonhos e ambições realizados.
— Pai, você não entende, eu...
— Você não irá, ! — agora a voz definitivamente não era a de meu pai. Tudo sumiu e a realidade ficou tudo num negro sombrio e sem fim. — Você não quer ir! Só sairá daqui quando quiser, e você ainda não quer, não quando sabe que tudo o que quer está aqui.
— Eu quero ir! — tentei passar confiança através de minha voz, mas o medo a continha.
— Você quer seu pai morto junto a você. Você quer uma família grande e feliz ao seu lado. Você quer as pessoas que você ama junto a você não importa o quê.
— Não! — gritei. — Meu pai está morto sim, e eu o quero junto a mim sim, mas eu não posso mudar a realidade no qual fui posta! Eu já tenho uma vida feliz, com uma família grande e unida que me ama! Não preciso de uma vida perfeita, pois a que eu tenho já é mais do que isso! A vida que tenho é suficiente para mim! Eu já superei meu passado, e não preciso disso!
Assim que terminei de dizer isso, a voz se calou e eu voltei a estar enfrente a torre Eiffel, com pessoas passando por mim sem nem me notar.
Respirei fundo e me concentrei em minha alma, tentando ver algum reflexo meu em algum lugar. Fiquei mais algum tempo procurando minha alma pelas ruas francesas, até que percebi que não havia sentido aquela “ligação” que o Guia disse, então pensei nos meus maiores medos e receios. Já superei a dimensão dos sonhos, agora preciso ir a dimensão do medo.
N/A: Olá minhas leitoras divas!!! Adivinhem!!! A fic Lua de Sangue fez um aninho! Eeeeeee õ/
Ela fez um aninho dia 03/10, segunda-feira, mas como eu não tive tempo de concluir o capítulo não deu para manda-lo para a att de segunda. Bom, mas consegui ao menos escrever um capitulo. Sei que disse que mandaria uma att dupla de comemoração, mas não consegui tempo. Bom, ao menos o capítulo está grandão, hein?
Hm, mas eu deixarei aqui uma N/A especial falando da fic, o que acham? Quem não quiser ler esse texto gigantesco tudo bem.
...
Tudo começou quando eu li o livro da Bree. E assim que terminei de lê-lo, logo bateu aquele pensamento “e se ela tivesse escapado antes e encontrado os Cullen depois?”. Bom, acontece que eu não queria criar mais uma fic com base o enredo de “e se”. Então desde o começo tentei bolar um esquema para que eu conseguisse fazer todo um enredo sem modificar a história original ao meu gosto.
Então criei uma vampira que não foi criada por Victoria, e que ninguém conhecia. Uma vampira que conseguiu escapar, viver ao seu modo e um tempo depois encontrar os Cullen. Foi minha primeira fic interativa, então foi uma experiência marcante.
Como sempre fui Team Jacob, tentei bolar um jeito de fazer a PP ficar com ele sem problemas. Claro que os problemas foram bem destacados, mas ainda posso me livrar deles hehe. Com o passar do tempo, novos mistérios foram se ligando a outros, então eu decidi criar um roteiro com tópicos. Cada tópico rendeu 3 capítulos ou mais, então como eram mais de 20 tópicos, eu percebi que a fic seria imensa.
Essa “viagem surreal” estava planejada para ser curta, mas como minha mente adora dar uns surtos de loucura, eu criei essa coisa de dimensões, então esse tópico acho que será o mais longo da fic.
Bom, agora mudando de assunto.
Confesso que quando comecei com aquele mistério de quem seria o par da PP, comecei a pensar em outras possibilidades... Por isso a PP é tão ligada aos vampirões, pois até um certo tempo eu estava em dúvida se colocava o Jacob ou não. Mas aconteceu que o lado Team Jacob falou mais alto. Sorte que a maioria das leitoras eram team Jacob :D
Bella no começo pensei em coloca-la como inimiga, mas acabei fazendo algo muito melhor: ignorá-la. Sabe, em Lua de sangue ela é deixada totalmente de lado, fora do foco. Se ela fosse uma rival da PP, inevitavelmente ganharia foco, então para não me irritar ao escrever sobre ela, deixei-a de lado.
Rosalie sempre teve uma história tentadora para mim. É como se uma parte sobre ela não tivesse sido revelada na saga, então isso me instigou. Claro que ela amoleceu depois que Nessie nasceu, mas eu queria mostrar um lado melhor dela, já que eu nunca a odiei. Na verdade, sempre a admirei por não gostar de Bella assim como eu (apesar de que ela odeia o Jacob também, mas enfim).
Vou revelar um segredo a vocês que pode chocar algumas pessoas: Eu era team RenesmeexJacob. Mas que fique bem claro que não sou mais ú.ú
Acontece que eu nunca gostei de Leah para ser par de Jacob e nunca pensei numa possibilidade de outra personagem aparecer para ele, então me conformei com Renesmee. Claro que a idéia dele virar uma babá durante seis anos era desagradável, mas eu apenas pensei em quando ela ficasse no período certo. Investi no casal em várias fanfics, mas após descobrir as fanfics interativas, meu gosto por esse casal foi se perdendo.
Hoje se falarem para mim que Jacob e Renesmee fazem um lindo casal, eu mato a pessoa.
Mudar a opinião tão drasticamente assim, fez com que eu desistisse de minhas fics do nyah, que era sobre esse casal, para tentar uma nova. Foi então que Lua de Sangue surgiu.
Para que não complicasse a situação, eu não investi mais em outras historias, pelo menos até lua de sangue acabar. Afinal, eu não queria prejudicar as leitoras ao demorar para postar. Eu até tentei uma outra fic, original, que foi postada aqui no blog, mas isso me rendeu tanto tempo, que eu fiquei com medo de não ter tempo para nenhuma de minhas fics. Escolhi lua de sangue.
Tempo está corrido, mas eu ainda dou meu jeito para continuar postando essa fic que tanto amo.
Confesso também que há horas que leio a fanfic desde o começo e tenho vontade de reescrevê-la novamente, pois eu vou mudando tanto meu estilo de escrita com o tempo, que quando vejo como eu escrevia antes, faço careta de desgosto.
Comentários, ah como eles me ajudam! Às vezes tenho tempo para escrever mas estou sem vontade... então quando vejo um comentário de uma fofa leitora, eu já corro para o documento para escrever. Viram o quanto vocês são importantes para o desenvolvimento da fic?
Quando escrevi os três primeiros capítulos de lua de sangue, pedi a Ane que me ajudasse com o script para que postássemos no nyah. E de lá eu postei no FFTT. Quando o nyah proibiu fanfic interativas, eu parei de postar lá e postei apenas no FFTT. Mas quando o FFTT ficou em manutenção eu fiquei todo esse tempo sem escrever. Quando o FFTT voltou eu voltei a escrever, mas eis que dá aquele problema e eles fecharam o site. Antes disso acontecer eu havia falado com a Ane e ela colocou a fic em seu blog, que começou a bombar após o fechamento do FFTT. Ter minha fic postada aqui é MARA! As meninas são super fofas, a Ane me deu apoio desde o começo com a fic... Nossa, tantos momentos bons que essa fic me trouxe...
Bom, a data de aniversário dela não é a data de quando foi postada no blog nem no FFTT, é de quando ela foi postada no nyah, onde foi o primeiro lugar que postei. Estou feliz por uma simples história ter rendido tanta coisa... Obrigada a todas que leem! Muito obrigada mesmo!
Bem, essa N/A especial (gigantesca) de aniversário chegou ao fim, espero que tenham curtido a história de como criei lua de sangue.
Beijos, até a próxima e comentem!





28. Uma Viagem Surreal Parte 2
A Dimensão do Medo

Mais uma vez meu corpo estava sendo lançado no ar, porém agora eu já me sentia mais acostumada àquela situação. Nesse momento, posso até comparar essa situação à quando eu corria pela floresta na velocidade de um vampiro.
Senti meus lábios soltarem um suspiro involuntário e comecei a pensar em como seria minha vida se eu voltasse a ser humana. Minha mãe pensa que estou morta, os Cullen não pode ter uma humana vivendo com eles novamente... Será que serei mais uma vez uma criatura sem ninguém? Apenas por que isso estava escrito numa profecia idiota de feiticeiros? O que aconteceria comigo depois de completar essa missão estúpida? Isso se eu conseguir completa-la...
A velocidade estava diminuindo e, consequentemente, eu estava chegando ao local. Minhas narinas inalaram um aroma estranho que eu nunca havia sentido em toda a minha vida assim que botei meus pés no chão. Não havia como descrever, dava uma sensação ruim ao senti-lo... como um frio subindo pela barriga ou um arrepio pelo corpo fazendo os cabelos da nuca se eriçarem.
Com certeza essa era a dimensão do medo. Até o cheiro daqui trás medo.
Meus pés pousaram no chão e eu abri os olhos com um receio latente. Afinal, o que eu veria? As coisas que mais temi na vida? Isso não seria nada agradável...
— Ora, ora, o que temos aqui — uma voz soou atrás de mim e eu me virei subitamente. Pensei que poderia encontrar apenas um espaço vazio, mas havia sim alguém ali... e era Aro Volturi. Exatamente como eu havia visto na pintura do livro. — Vejo que a preciosa Cullen veio até nós.
Revirei minha mente tentando ver se alguma memória havia desaparecido, mas, graças ao bom Deus, ainda me lembrava de tudo. Talvez por eu já estar me acostumando com os portais...
Observei mais atentamente a figura de Aro e senti um frio no estomago sem fim. Eu vou morrer, o pensamento involuntário surgiu em minha mente. Mas eu podia morrer aqui nesse mundo? É realmente possível?
— Tenho uma proposta para você, querida .
— Não me chame assim! — cuspi as palavras, querendo avançar em seu rosto pálido e assustador, mesmo com o medo consumindo cada célula de meu corpo.
— Que tal se juntar a família Volturi? — ele continuou, como se eu não tivesse dito nada. — Não precisará ser da guarda... Afinal, você é especial demais para estar num nível tão... inferior.
— Prefiro morrer! — disse entre dentes.
— Oh — ele sorriu diabolicamente. — Achei que diria isso. Mas... e se eu conseguir uma motivação para você?
Não disse nada, enquanto ele levantava uma mão e um ser atrás dele trazia todos os Cullen para perto de mim... inclusive Renesmee. Os olhos deles estavam claramente transparecendo toda a dor e agonia que sentiam e meu estomago revirou ao ver que havia camadas de chamas circulando seus corpos – que o vampiro ao lado de Aro controlava.
As bocas dos vampiros estavam tampadas, mas eu podia perceber como era enorme e vontade que eles tinham de gritar. Meus olhos lacrimejaram e eu corri em direção a eles, mas algo me segurou por trás.
Um rosnado furioso escapou de minha garganta, mas o ser não pareceu se abalar. Olhei para trás e meu rosto empalideceu ao ver aqueles tão familiares e quentes olhos negros... tão frios e vazios.
— Jacob? — sussurrei ao perceber o quão diferente ele estava, enquanto minhas sobrancelhas se uniam e eu tomava consciência do que acontecia.
— Sabe... Foi bem fácil conseguir todos os Cullen sem nos causar nenhum dano — Aro sorriu mais uma vez aquele psicopata e diabólico sorriso. — Esses lobos aqui foram bem úteis.
Me afastei de uma vez das mãos de Jacob e o olhei com descrença, com uma pontada de dor agoniante ferindo meu peito.
— Como você pôde? — perguntei num fio de voz e percebi que meu rosto já estava húmido pelas lágrimas. Não havia nenhum sinal de sentimento ou misericórdia no rosto de Jacob e ele parecia tão satisfeito com aquela situação que eu senti como se tivesse levado um soco no estomago. — Pensei que os Cullen fossem seus amigos... Que nós dois fossemos.
— Eu sempre fui seu inimigo — ele rosnou. — Jamais seria amigo de seres tão repugnantes como vocês.
Ouvi o choro agoniante de Renesmee e olhei dele para ela e dela para ele novamente.
— E seu imprint? Não sente nada vendo-a sofrer assim?! — apontei para Renesmee, sentindo meu coração apertar por vê-la daquele jeito e não ser capaz de fazer nada.
— Sinto! — ele sorriu de lado. Mas era um sorriso estranho... maldoso. — Sinto liberdade. Por isso sou tão grato aos Volturi. Eles foram capazes de quebrar essa maldição de imprint. Eles foram capazes de quebrar esse único vinculo que eu tinha a esses seres repugnantes do inferno.
Senti toda a minha descrença se tornar ódio e cerrei os punhos para acertar seu rosto, mas ele foi mais rápido e prendeu meu punho em sua mão enorme. E a força que usou em mim foi tanta que senti os ossos de minha mão se quebrarem e um grito de dor escapar de meus lábios. Ele sorriu em deleite, como se minha dor trouxesse prazer para ele.
Caí de joelhos, enquanto ele ainda apertava meu punho apenas com uma mão. Eu tentava livra-la dali com todas as minhas forças, mas Jacob parecia ser infinitamente mais forte, sendo que nem ao menos estava transformado.
— Você se tornou completamente inútil, — disse Aro, aproximando-se. Ele tocou o mão de Jacob que segurava a minha e ele me soltou, como se recebesse uma ordem silenciosa. — Não sei por que teve essa ideia ridícula de se tornar humana. — ele gargalhou. — Achou que um ser tão inferior conseguiria nos derrotar? — gargalhou mais uma vez e todos os presentes, exceto os Cullen e eu, gargalharam. Até mesmo Jacob e Seth, que estava mais afastado. — Você fez justamente o contrário. Nos deu a vitória... Afinal, os Cullen fariam tudo para proteger a preciosa humana que tanto amavam! Até mesmo se entregarem para a morte! Oh, e a doce Renesmee! Ela estava tão chocada pelo seu melhor amigo traí-la que foi a primeira a se entregar.
— Estupidamente ingênua — Jacob riu.
Senti vontade de soca-lo, mas ao fechar a mão em punho, tudo que consegui foi causar uma dor insuportável.
— E já que você se recusa a se unir a nós e se tornar vampira novamente... Terá o pior dos castigos. — disse Aro novamente e eu senti as lágrimas embaçarem minha visão. — Assistirá seus amados Cullen queimarem... um por um.
— NÃO! — gritei com todas as forças de meus pulmões e tentei impedi-lo, mas ele apenas segurou-me pelos cabelos e olhou para meu rosto com um divertimento doentio.
— É realmente uma pena uma jovem tão linda — ele aproximou seu rosto do meu e eu senti meu estomago revirar. — Não fazer parte de minha família... Não ser minha — ele aproximou seus lábios dos meus, mas eu consegui ser mais rápida e cuspir nos seus antes que a coisa mais repugnante do mundo acontecesse comigo. Uma fúria incomum tornou seus olhos escarlates mais escuros e ele segurou meu queixo com força, fazendo com que eu sentisse minha mandíbula sair do lugar e o gosto de sangue invadir minha boca. — Matem todos. Um de cada vez. E deixe-a por último, numa morte muito mais dolorosa.
Aro me jogou no chão com tanta força que senti outras partes de meu corpo se quebrarem. Soltei um grunhido de dor, mas ainda sim tentei impedi-los, rastejando no chão e deixando um pequeno rastro de meu sangue.
Pude ver alguns vampiros da guarda desejarem meu sangue, mas o desejo por meu sofrimento pareceu ser maior, já que os manteve no lugar.
Continuei me rastejando, até sentir uma pesada forte em minhas costas, pressionando-me no chão. Gritei o mais alto que meus pulmões me permitiam e vi que o autor dessa ação agora erguia minha cabeça pelos cabelos e me forçava a ver Esme queimando lentamente.
NÃO! Tentei gritar, mas estava fraca demais, enquanto cuspia um gorfo de sangue.
— Ah, você não vai desmaiar de jeito nenhum — disse Jacob, que me segurava pelo cabelo. Então ele segurou meu queixo em direção a eles e impediu que meus olhos se fechassem. Eu ainda podia ouvir baixos gemidos de dor saírem fracamente de meus lábios, mas a dor em meu peito por ver aquela cena estava sendo muito pior.
Lágrimas deslizavam sem fim por meu rosto enquanto aqueles demônios queimavam um por um de meus irmãos... Os últimos que restavam eram Edward, Renesmee e Rosalie. E eu queria unir forças suficientes para ajuda-los, mas eu era completamente inútil. E tornar-me inútil estava sendo mais doloroso do que todas as lesões que me causaram.
Tentei ao máximo fechar os olhos quando chegou a vez de Edward, mas parei quando uma voz gritou em meus pensamentos.
!!!!!!!!!! Reaja, garota! REAJA!
Abri os olhos levemente e percebi que aquele só podia ser o Guia do Vazio.
Fico feliz por finalmente acertar meu nome, mas esse realmente não é o momento. , você precisa unir forças e conseguir vencê-los!
Eu estou completamente machucada. Sou inútil agora. Estou prestes a morrer.
Não seja ridícula! Aí nada é real! Esses ferimentos são reais apenas em sua mente, você precisa dizer a si mesma que está bem e que esses ferimentos não existem... que eles desaparecerão. O seu tempo aí está acabando, tem que sair antes que fique presa!
Eu quero sair! Mas não sei como!
Reaja! Lute...
A voz dele começava a ficar distante e eu entrei em desespero.
Espere! Me ajude! Eu não quero continuar aqui! Chorei.
Então os vença!
Espere! ESPERE! Gritei em meus pensamentos, mas ele já havia partido. Guia do Vácuo imbecil.
Jacob segurou mais forte meus cabelos e eu soltei um gemido alto. Tentei fechar os olhos novamente, mas ele ergueu minha testa e minhas pálpebras esticaram para cima, forçando-me a ver Edward olhar-me com os olhos queimando de dor, enquanto um vampiro da guarda começava a queimar seu corpo.
Me perdoe, Edward. Chorei e vi sua cabeça negar levemente, mesmo com toda a dor que sentia.
Você não tem culpa de nada, ouvi a doce voz chorosa em meus pensamentos e foquei meu olhar em Renesmee, que sangrava e queimava dolorosamente. Jacob também não tem culpa ela chorou mais ainda em meus pensamentos e eu senti minhas próprias lagrimas deslizarem por meu rosto. Os Volturi são os culpados.
Vi um vampiro segurar a cabeça de Edward e senti meu corpo reagir ao aperto firme de Jacob. Quando ele estava prestes a arrancar a cabeça de meu irmão, uma força inexplicável surgiu em meu corpo e eu lancei Jacob para o outro lado da sala.
O vampiro que controlava as chamas se distraiu e foi o suficiente para mim, pulei em cima dele e arranquei sua cabeça fria e dura. Logo em seguida soltei Edward, Rosalie e Renesmee e me virei para os outros vampiros que avançavam em minha direção.
Se tudo não passa de uma ilusão, então eu ainda não sou humana. Então isso pode funcionar...
Fechei os olhos e me concentrei, sentindo cada parte de meu corpo se esquentar e uma energia forte sair de meu corpo, circulando ao meu redor.
Abri os olhos e sorri triunfantemente ao perceber que dera certo.
— Espero que queimem muito no inferno — rosnei, transformando toda aquela energia em telecinética e usando-a contra todos eles de uma vez.
A energia que eu sentia emanarem levemente de seus corpos eu fui capaz de controlar com mais facilidade. Consegui erguê-las, paralisa-las, separa-las... Enfim. Consegui controlar cada vampiro que se encontrava naquela sala.
Todos paralisaram os movimentos e eu vi a vitória garantida, quando tudo desfocou e desapareceu, me levando para um lugar vazio e sem nada.
Só então percebi que superei a dimensão do medo e então me concentrei para ver se sentia alguma ligação que me levasse até minha alma, mas mais uma vez não senti nada.
Então estava na hora de ir até a dimensão do limbo... Mas como diabos eu vou conseguir ficar sem pensar em nada? GUIA DO VÁCUO APAREÇA!
Agora eu havia errado seu nome de propósito para ver se conseguia chamar sua atenção.
Estou aqui.
Ótimo! Preciso que me diga como chegar a dimensão do Limbo!
Não pense em nada!
Nossa, que coisa mais simples, nem sei por que perguntei!
Odeio seu sarcasmo.
Como diabos eu faço isso?!
Relaxe e mande embora todos os pensamentos que vierem a sua mente. Para um humano isso é praticamente impossível, mas para uma alma é muito fácil. Apenas tente encontrar a essência de sua alma no corpo que sua mente ficará completamente vazia.
Encontrar minha essência?!
É fácil para você! Você é uma alma! Apenas mande sua mente para dentro de você.
Minha mente já está dentro de mim.
Você entendeu. Agora tenho que ir, é errado te ajudar tanto assim.
Espere aí Guia do Vácuo, eu preciso de você!
Droga. O filho da mãe foi embora.
Bem... vamos tentar.
Sentei no chão e fechei os olhos, tentando relaxar e esvaziar a mente de qualquer pensamento a todo custo... E... até que não era difícil. Ugh, quando eu precisava fazer isso para esconder meus pensamentos de Edward eu não conseguia né...
Minha mente relaxou tanto, que eu senti como se meu corpo estivesse se desfazendo e se tornando fumaça. Mas não de um modo ruim, era como se eu estivesse deslizando no ar.
E antes que eu pudesse digerir esse fato, ou não, senti meu corpo ser arremessado no ar mais uma vez.
Ok, então eu tinha conseguido esvaziar a mente e encontrar minha essência... Até que foi fácil!
Só espero que essa dimensão do Limbo seja mais fácil do que essa.


29. Dimensão do Limbo

Minha respiração prendeu-se automaticamente enquanto minha mente divagava nas memórias da dimensão do medo. Eu temia que aquilo pudesse me assombrar pelo resto da vida... Foi a pior das experiências que vivi, ultrapassando até mesmo minha transformação em vampira e o momento em que matei um humano pela primeira vez. Aquela dimensão mexeu profundamente em minha alma... aterrorizando-me num tal ponto que me fazia indagar a mim mesma como consegui forças para conseguir sair de lá.

Apertei os braços ao meu redor e tentei convencer a mim mesma que nada daquilo fora real. Mas minha mente insistia nisso. Insistia de que aquilo parecia real demais para ser mentira, para ser apenas uma ilusão... Chacoalhei a cabeça levemente e pensei se havia probabilidades daquilo se tornar realidade. E descobrir que havia uma resposta positiva fez com que um arrepio subisse por minha espinha e o medo aterrorizasse meus pensamentos.

Será que realmente é uma boa ideia virar humana? Será que sou mesmo uma escolhida para salvar o mundo ou apenas sou uma escolhida para ter a pior das mortes? Tudo ainda estava muito confuso para mim, e conseguia ficar cada vez pior com o tempo.

A dúvida consumia cada parte de meu cérebro, num tal ponto que fazia-me levar em consideração que eu começava a ficar totalmente paranoica sobre isso. Mas como não ficar? Esse tipo de coisa não acontece com todo mundo...

Meus devaneios foram interrompidos assim que senti meus pés pousarem no chão e um vento frio circular ao meu redor, trazendo arrepios para meu braço pela temperatura tão baixa. Meus braços continuavam ao meu redor, então minhas mãos apenas fizeram os movimentos automáticos esfregando meus braços numa tentativa nula de esquentá-los.

Observei tudo a meu redor e tentei lembrar do que o Guia do Vazio havia dito sobre esse lugar, mas as memórias mais recentes conseguiam transformar as informações dele distantes e turvas.

O lugar era escuro, o chão era difícil de enxergar, mas a textura era tão firme quanto pedra. Havia uma iluminação fraca em alguns lugares, como se fosse a claridade de um luar – porém, quando minha cabeça ergueu-se ao alto, nada havia no céu.

— Bem... vamos lá, , as coisas serão mais fáceis agora. O pior já passou — mantive esse pensamento firme em meu cérebro, como se fosse um mantra.

Suspirei. Vamos lá, não sinta medo. Senti minha voz mental tornar-se mais alta em minha mente, até que me senti mais confiante e segura – pelo menos o suficiente para dar alguns passos e sair do lugar.

Ainda com os braços apertados contra o peito, meus pés foram dando passos lentos em direção ao lugar onde havia uma iluminação um pouco mais forte.

Mesmo que meus olhos vagassem por todo o espaço, eu não conseguia encontrar nenhum ser. Nenhum. Nem mesmo um projetado pela dimensão em minha imaginação.

Concentrei-me tentando encontrar alguma ligação com a minha alma, mas novamente nada senti. Já me sentia pronta para sair daquela dimensão, quando algo dentro de mim disse que havia algo aqui que era de meu interesse.

Claro que essa pequena parte de mim poderia ser alguma indução da dimensão, mas minha curiosidade – como sempre – falou mais alto. Eu sentia algo forte em mim dizendo que eu precisava seguir aquela luminosidade, pois encontraria algo... algo ligado a mim.

Processei um pouco o que poderia ser essa sensação e logo me toquei que poderia ser a ligação com minha outra metade falando mais alto. Apressei o passo em direção àquela claridade e senti todo o medo e receio se dispersar de mim.

Cuidado.

A voz ecoou em meus pensamentos tão forte que foi um choque ouvi-la, um choque tão grande que levou-me a pular no mesmo lugar de susto.

— Quem está aí? — perguntei e percebi o quanto minha voz saiu tremida.

Sou eu. Reconheci a voz imediatamente, mas percebi uma certa diferença se comparado a antes.

Por que sua voz está mais fraca?, perguntei, de uma forma educada, ao Guia do negocio lá.

A cada dimensão que você vai, mais se distancia de mim. Minha voz está fraca, pois a ligação de nossas mentes se tornou mais fina, mais fraca.

Tudo bem, mas o que quer agora? Você costuma sempre aparecer na última hora.

Acontece que essa ligação que está sentindo não é uma ligação com sua alma. A ligação com sua alma será mil vezes mais forte que essa.

Então eu tenho que sair daqui agora?

Não... Precisa averiguar isso que está sentindo primeiro. Talvez seja um atalho até sua alma, não sei. Apenas garanto que dessa vez você não correrá riscos de ficar presa aí.

Menos mal.

Escute, talvez eu não consiga entrar em contato com você ao próximo passo que der. Acredito que mais uma dimensão distanciando-nos faria com que você não me ouvisse.

Tudo bem... Pode me dar alguma dica para a próxima então?

Na próxima dimensão procure pela guardiã, ela lhe ajudará.

Que guardiã?!


Ele não respondeu. Eu podia perceber que sua voz estava ficando mais baixa a cada palavra que dizia, mas nem ao menos me dera conta que nosso tempo de telepatia estava acabando. Bem, então essa fora nossa ultima conversa... ou não.

Continuei caminhando em direção a claridade, até que meus pés pararam repentinamente ao ter tido a impressão de ver uma pessoa ao meu lado... um vulto...

Continuei andando, só que com passos mais suaves e olhos atentos ao meu redor. Hm... Se tivesse perigo o Guia diria né?

Dispensei o medo e corri até a claridade que começava a tomar forma a minha frente pela proximidade entre nós estar diminuindo.

Vi novamente o vulto a minha esquerda e me apressei mais ainda á coisa que omitia luz, num tal ponto que parecesse que eu estava disputando numa maratona.

Finalmente pude enxergar o objeto e franzi o cenho ao ver uma enorme esfera pousada sobre uma pedra cumprida. Havia fragmentos negros da pedra contornando-a, como se estivesse segurando-a, então percebi que aquela esfera parecia mais uma... bola de cristal.

Meus olhos prenderam-se a claridade que o cristal omitia e senti meus pés se aproximando sem o meu comando. Vi o vulto a minha direita dessa vez, mas não consegui achar motivos para me importar com aquilo.

Toquei a ponta dos dedos na enorme bola e ela apagou-se. Assustada, me afastei e olhei ao meu redor com medo.

— O que você fez?! — gritou uma pessoa, aproximando-se de mim.
Olhei para suas feições e percebi que de alguma forma elas pareciam familiares para mim.

— Como ousa apagar a única coisa que ilumina esse mundo? — berrou ela, irritada. E mesmo que parecesse furiosa, não consegui sentir medo dela... apenas... sentia que a conhecia.

Como não respondi, ela bufou irritada e caminhou até a bola de cristal. E ao bufar de irritação... eu pude perceber... Foi como uma pancada na cabeça, rápida e marcante, que a memória apareceu e eu pude lembrar-me dela.

— Laila? — sussurrei, com minha face sendo tomada por descrença.

Ela olhou-me com uma surpresa latente e franziu o cenho.

— Como sabe meu nome? — chiou e eu sorri.

— Não se lembra de mim?

— Por que deveria? — arqueou uma sobrancelha.

— Lembra: a garota que sempre lia livros, mas não gostava de nenhum?

Ela encarou-me desconfiada por alguns segundos, mas logo sua expressão se deteve aos poucos.

— A única pessoa que não gostava de minhas sugestões... — ela pareceu se lembrar, até que arregalou os olhos. — !!! Mas... Mas o que faz aqui?!

— Longa história — dei de ombros. — Mas como você veio parar aqui? A última vez que tive notícias suas você estava desaparecida.

Ela sentou-se numa pedra e olhou para os próprios pés, soltando um suspiro derrotado.

— Talvez você não acredite nisso... mas vou contar de qualquer jeito — ela suspirou novamente e levantou a cabeça para me encarar. Como ela podia dizer que eu não acreditaria em alguma coisa se nós duas estamos conversando numa dimensão do mundo dos mortos? Ignorei esse pensamento e foquei minha atenção nela. — Na verdade, eu não fiquei desaparecida... Eu... Eu fui transformada... Transformada numa...

— Vampira? — chutei e ela me encarou descrente, enquanto eu tentava a todo custo não sorrir ironicamente.

— Como sabe?

— Sei por que somos duas.

Ela encarou-me por alguns segundos, até que se levantou e fez uma cara “entendida”.

— Oh! Então quer dizer que você está aqui pelo mesmo motivo que eu?

— Acredito que não, Laila, meus motivos são meio que... raros. Ou únicos. Mas, me diga, qual é o motivo de estar aqui?

— Pelo que sei... Todos os vampiros que são mortos e foram boas pessoas quando humanos... São mandados para cá, para que no juízo final possa ser decidido o que acontecerá a eles.

— E como você foi transformada?

— Naquele estupido dia que fiquei até mais tarde arrumando as estantes da biblioteca... foi a decisão mais idiota que fiz! — ela lamuriou-se, arrependida. — Quando eu vinha embora, fui atacada. Acordei com uma queimação agoniante na garganta... que me levou a atacar a primeira pessoa que vi pela frente. Vivi poucos dias com os outros vampiros, pois eu era totalmente descontrolada e não conseguia controlar nenhum pouco a sede. Fui morta por outro vampiro que... eu roubei a refeição. Sinto repugnância por toda essa curta vida que tive, mas não posso mudar a história... nem o que fiz.

— Sei como se sente — sussurrei, lembrando-me do quão horrível foi sentir a culpa de matar um humano e o quanto me senti suja por ser um ser tão desprezível...

— Esse lugar é horrível — ela mudou de assunto, mas sua voz ainda era morta, fria. — Não há nada aqui. Apenas almas de vampiros vagando para lá e para cá sem ter nada com que se entreter... E eu a única coisa que faço é ficar observando essa bola de cristal... que você apagou... E eu nem sei como, já que eu sempre toquei nela e nada acontecia.

— Er... — pigarreei, envergonhada. — É, é estranho... Laila, eu estou muito feliz por poder te rever, mas acontece que aqui não é meu lugar e eu tenho que ir.

Talvez essa ligação boba que tinha sentido fosse apenas Laila, uma amiga do passado... uma ligação com minha vida humana... Talvez.

— Mas... mas o que você quer dizer com isso?

— Não tenho tempo para explicar — eu disse, já passando pela bola de cristal apagada e me dirigindo ao caminho que vim. Até que a bola de cristal acendeu-se novamente ao eu passar por ela.

Observei-a um pouco e franzi as sobrancelhas ao ver que ela começava a girar misturas de cores, como se formando uma imagem... um lugar...

Pude ouvir um suspiro surpreso escapar dos lábios de Laila, mas não dei atenção. Aquela bola de cristal estava sendo muito familiar ao espelho que Ray me emprestou onde pude ver minha mãe e Jacob.

Virei-me de súbito para enxergar melhor aquilo, quando senti meu corpo se chocar a outro. Envergonhada, levantei a cabeça lentamente, com receio de olhar para o ser, quando todo o ar escapou de meus pulmões ao ver que a pessoa era... Riley.

Ele parecia tão surpreso quanto eu... talvez até fascinado, mas eu neguei a mim mesma que notei esse tipo de olhar. Tentei dizer mais alguma coisa, mas a sensação de haver um redemoinho em meu estômago não me permitiu.

— É... é você — ele sussurrou com a voz fraca, com um olhar tão cheio de admiração que me senti envergonhada. Sua mão esticou-se para tocar meu rosto, mas pairou no ar antes disso. Ele abaixou-a, como se soubesse que aquilo não era certo. E realmente não era. — Mas... Se você está aqui... Então você... Não, eu não queria esse mesmo destino para você...

Afastei-me alguns passos e olhei-o com a face fria e amarga.

— Do que você está falando, Riley? — minha voz soou mais ácida do que eu esperava.

Ele pareceu sair do transe em que estava e olhou para o chão.

— Laila, Bree está te procurando, parece que descobriu algo.

— Sei — ela riu, sorrindo maliciosa. — Não sou ingênua, sei que tem alguma coisa entre vocês dois e você quer ficar sozinho com ela!

Eu a encarei incrédula, enquanto ela erguia as mãos para o alto como se dizendo que se rende e afastava-se voando como uma fumaça que mal pude enxergar. Eu queria gritar para que ela voltasse e não me deixasse a sós com esse monstro, mas já era tarde.

, sei que você acha que eu sou um mentiroso, mas...

— Cale a boca, Riley. Não gaste seu veneno de cobra tentando me enganar, por que eu já sei muito bem como você é e não cairei em sua conversa.

Virei o rosto para a direção onde Laila sumiu, negando-me a olhá-lo.

— Sabe muito bem como eu sou? — ele pareceu incrédulo. — Então diga! Como eu sou?

— Um mentiroso. Um mentiroso completamente alienado e induzido por uma vampira vingativa.

Ao dizer isso, olhei para ele mostrando todo o desprezo que sentia. Ele abaixou os olhos.

— Então você já sabe sobre Victoria.

— Achou que poderia esconder isso pelo resto da vida? Eu posso parecer ingênua, Riley, mas estou longe de ser.

— Eu sei que você não é.

— Você tentou me usar numa guerra estúpida apenas para agradar a sua queridinha Victoria! Você quase me fez acreditar naquele papinho de que se importava comigo.

— Mas eu me importo com você!

— Mentira!

— Eu te protegi, droga! Será que não entende? Victoria nunca soube de sua existência!

E foi com essa afirmação dele que um pensamento antigo surgiu em minha memória. Um pensamento não, uma memória...

— Quantos? — perguntou ela. Sua voz era suave, aguda - um tinir de soprano infantil – e levemente sedutora. Não era uma voz assim que eu esperava ouvir. Essa voz era típica de uma garota mimada do colégio.
— Vinte e dois. — respondeu ele, seu tom parecia orgulhoso. Oh... vinte e dois. Nosso número. — Pensei ter perdido mais dois para o sol, mas um dos meus garotos mais velhos é... obediente.

[...] Parei com meus devaneios e encarei Riley sem entender. Ele disse “dois”, não disse somente sobre Diego. Então ele estava falando de mim? Mas não fazia sentido. Não tinha como ele me perder para o sol, sendo que ele fez questão de me trazer de volta. Ele não devia estar falando sobre mim. Mas se ele não estivesse, de quem mais ele estaria falando?!


E como mais tarde descobri que o outro vampiro de quem ele falava era Bree... então quer dizer que realmente era verdade que ele nunca contou sobre mim à Victoria...

Essa constatação silenciosa e mental que fiz, fez com que minha atenção se focasse em Riley e que meu cérebro digerisse o restante de suas palavras sem todo aquele rancor anterior.

Ele suspirou.

— Eu menti sim, mas apenas para salvar minha vida quando você tentou me matar. Mas... depois do beijo... Eu senti algo por você. Comecei a rever meus valores e pensei em abandonar Victoria. Mas era mais forte do que eu. Eu não conseguia escolher entre vocês duas.

Minhas face estava completamente tomada por choque e descrença e tudo o que consegui fazer foi vociferar fracamente “mentira” para ele. Mesmo com o ódio e o rancor amenizados, eu não conseguia acreditar.

— Eu nunca contei a ela sobre você ou seus poderes. Eu sempre te protegi de Victoria, pois ela sim te usaria! Eu te protegi, ! E quando os Volturi se intrometeram nos planos de Victoria, eu percebi que aquilo seria muito perigoso para você.

— Você matou Diego — sussurrei, já sentindo minha voz se tornar embargada. Não importa que ele me protegeu uma vez, isso não mudava o fato de que ele agiu monstruosamente... com um amigo. — Não importa quantas mentiras diga, eu sei o monstro que você é. Eu vi! Você o matou sem nenhuma piedade!

— Eu sei o que fiz. Não gostaria de ter feito aquilo, mas fiz. Diego era o que eu tinha mais próximo de um amigo naquele lugar.

— E você o matou.

, por que não entende? Aquele não era eu! Era o vampiro que eu havia me tornado! Victoria aproveitou que um vampiro tem a mente fraca e emoções fortes para me manipular, me fazer acreditar que ela me amava e que eu retribuía esse sentimento. Eu não tinha escolha! O veneno dela corria em minhas veias, a ligação era inevitável!

— Não consigo acreditar em você. Você é ruim, um ser totalmente maligno.

Raoul me transformou e nem por isso alguma vez me senti ligada a ele.

— Por qual outro motivo eu estaria aqui? Não vê, ? Eu já fui bom uma vez, por isso estou aqui.

— Edward me contou como foi sua morte — o olhei com todo o desprezo que podia. — Ele te deu a chance de escolher. Se você estava tão confuso, então por que preferiu morrer por ela a que abandoná-la e se salvar?

— Por que eu estava cego.

— E quando deixou de estar? Depois de morto?! — sorri ironicamente.

— Depois de morto eu recuperei minha consciência humana, eu vi tudo o que fiz de errado. E percebi que a única coisa certa que fiz quando vampiro foi gostar de você, salvar você.

— Me salvar? — eu ri. — Eu sempre soube cuidar de mim mesma, Riley. E mesmo que você revelasse a Victoria sobre mim, eu teria conseguido escapar sem nenhum esforço.

, acredite em mim... eu me importei e me importo com você. Sei disso por que assim que te vi tive a certeza de que você era especial.

Ele aproximou-se um passo e eu não recuei.

— Por qual motivo eu inventaria tantas mentiras agora se não há por que usar você em nada mais? Não percebe? Eu realmente estou dizendo a verdade — ele aproximou-se mais, de forma que eu podia sentir seu hálito quente contra meu rosto. Ele esticou a mão para tocar-me.

— Tudo bem, Riley. Se você estiver ou não dizendo a verdade, não me importa, tenho coisas mais importantes a fazer.

Desviei de seu toque e comecei a indagar apressadamente no que eu precisava pensar para sair dessa dimensão logo. Eu não queria admitir, mas estava tensa... nervosa com aquela situação.

— Eu só preciso que você acredite. Estou morto... Estamos mortos. Não é como se isso fosse mudar nosso destino, sendo que ele já se cumpriu.

— Riley, por favor, chega. É sério.

Eu já começava a ficar desesperada, pois minha mente começava a me trair e pensar “e se ele está sendo sincero?”.

— Eu quero diminuir a culpa que sinto por toda essa raiva e ódio que fiz você sentir por mim... É realmente difícil acreditar que você tenha morrido antes de conseguir me perdoar, mas... por favor, eu preciso que acredite em mim. Preciso que me perdoe.

— Eu não estou morta! — eu disse automaticamente e ele olhou-me com desdém.

— Se você está neste lugar, sim você está.

— Riley, é muito complicado explicar o que está acontecendo comigo agora, mas a única coisa que posso afirmar e garantir, é que não estou morta.

— Como isso é possível?

Ele não parecia estar acreditando em mim. Beleza, estamos quites.

— Como vampiro existir é possível? — rebati. — Acredite, Riley, depois de minha transformação, eu nunca mais indaguei se alguma coisa era possível ou não. Você devia fazer o mesmo.

— Tudo bem, essa não é a questão. Eu apenas preciso que você me perdoe. , eu não quero nada de você. Não quero me aproveitar de você. Tudo que peço é seu perdão. Por favor.

Suspirei e o observei. E é claro que se tratando de Riley, essa foi uma péssima ideia. Seus olhos capturaram os meus e enfeitiçaram-me com seu doce veneno de cobra. Tudo bem que eu ainda não acreditava em suas palavras, mas não podia negar a inevitável atração que tinha por ele. Repugnante, eu sei, mas incontrolável... os olhos de Riley eram duas esferas negras que absorviam meus pensamentos e forçava-me a me aproximar. Eu não gostava disso, admito, mas não era como se eu conseguisse resistir.

— Você irá me perdoar? — ele aproximou-se perigosamente perto e deslizou seus dedos finos sobre minha pele, para levar uma mecha rebelde de meu cabelo liso, até atrás de minha orelha. Seus olhos desviaram-se suavemente dos meus para meus lábios, enquanto eu sentia o ar próximo a nós chiar e a distancia entre nossos corpos diminuir aos poucos. Porém, eu continuava parada. Completamente imóvel e sem reação. — Irá me perdoar... algum dia?

Assim que percebi a distancia entre nossos lábios diminuindo, tomei um choque de realidade e me afastei um passo para trás abruptamente, acertando meu cotovelo contra a bola de cristal, que imediatamente reagiu ao meu toque.

Pensei em gritar ao Riley alguma coisa, ou simplesmente dizer que nunca o perdoaria, mas todos esses pensamentos se desfocaram quando percebi a imagem familiar de Jacob dentro da bola de cristal.

— Mas... o que... — Riley parecia sem palavras quanto aquilo, enquanto minha boca se escancarava de surpresa.

Jacob girou sob seus pés, parecendo procurar algo ao seu redor, até que sua cabeça estalou para a esquerda e ele correu até lá. Conforme seus passos aceleravam inumanamente, ele lançava peças de sua roupa para o alto. E quando pouco tecido cobria seu corpo, e seus pés voavam numa velocidade extraordinária, ele se transformou.

— Mas que diabos?! — Riley indagou ao meu lado, um arfar surpreso saindo de seus lábios. Claro, era de se surpreender já que ele foi morto por um lobo igual a esse.

O enorme lobo castanho-avermelhado correu diante a mesma direção, enquanto um rosnar se formava em seus lábios caninos e selvagens.

Ele correu, correu tão rápido quanto eu corria durante uma caça, talvez até mais. Senti meus olhos se prenderem a cada movimento que ele fazia, enquanto minhas sobrancelhas se uniam de curiosidade.

Um rosnar alto estalou em seus lábios assim que ele pareceu encontrar-se com um ser a sua frente. Esse ser era peludo e seu pelo era brilhoso e negro, ele era tão alto quanto Jacob, mas eu só era capaz de ver seu ombro e sua pata. Deduzi que era outro lobo da matilha.

Ao lado desse ser havia alguns outros lobos e... todos os Cullen. Pareciam apenas estar esperando por Jacob.

— Acho que já podemos ir — respondeu Edward. — Estão todos aqui.

O lobo negro que estava a frente, e que citei antes, correu em disparada na frente e todo o pessoal o seguiu prontamente.

— Acha que...? — disse Bella, numa pergunta interna a Edward que me irritou. Poxa, eu também queria saber a pergunta.

E para me irritar mais ainda, Edward apenas assentiu.

Eles correram por alguns minutos, e mesmo assim meus olhos foram incapazes de se desviarem dali. Eu observava cada um com o coração na garganta, prevendo que aconteceria algo importante, mesmo não sabendo se aquela imagem, aquela reprodução de momentos, era atual ou tão pouco real.

Finalmente eles chegaram ao seu destino. Era um lugar subterrâneo e escondido, onde apenas se enxergava uma porta de ferro aparentemente bem resistente. Degraus levavam a ela e algumas plantas tentavam esconde-la superficialmente.

Carlisle observou aquilo com o cenho franzido e olhou para alguém que não pude enxergar.

— Você tem certeza que é aqui? — perguntou ele, e eu não tive como saber qual resposta ele obteve. Mas essa mesma resposta o levou a ser o primeiro a se aproximar da porta. — Emmett.

Emmett aproximou-se ao chamado de Carlisle e com um simples golpe ele fez a porta voar para dentro do local. Ali parecia ser estranhamente silencioso. Ninguém lá de dentro parecia ter notado essa aparição nada sutil deles, ou simplesmente não demonstrou ter notado.

Três pessoas entraram. Carlisle, Edward e Emmett. A imagem que era reproduzida na bola de crista os seguiu, mostrando logo a seguir o local no qual adentraram. Minha boca foi ao chão.

Lá estava Ray, sentada numa cadeira enquanto assistia meu corpo sem vida deitado sobre o chão do lugar. Ela parecia não ter dado importância as presenças no local, enquanto os três ali dentro arregalavam os olhos ao perceberem meu corpo rodeado por velas.

— Aquela... é você — disse Riley, engolindo em seco. Não respondi, apenas assenti e continuei olhando.

— Mas o que diabos está acontecendo?! — a voz de Emmett chiou, mas Ray permanecia quieta e parada no lugar.

Carlisle se aproximou um pouco de Ray, com seus movimentos sendo os mais cautelosos possíveis, e esticou uma mão para tocar-lhe o ombro.

— Carlisle, não faça isso — disse Edward, impedindo-o de continuar o movimento. — Ela é obviamente uma feiticeira. Talvez lhe aconteça alguma coisa se tocá-la.

Carlisle assentiu compreensivamente e aproximou-se mais de Ray, mas sem intenção se tocá-la – ou ao menos fora isso que deduzi.

— Senhora — chamou. Eu sabia que todos ali pensavam que Ray era inimiga, mas somente Carlisle seria capaz de trata-la opostamente, com a calma genuína que possuía. — Será que pode me dizer o que está acontecendo aqui?

Pude ver meus irmãos trincarem os dentes para controlar a raiva e, não sei por que, não gostei daquilo. Edward estava com sua tão conhecida expressão calculista, já Emmett cerrava os punhos com força – e eu podia apostar que ele queria ser o primeiro a atacar Ray.

— Ela disse que qualquer palavra soada por ela pode quebrar o ritual — disse Edward, enquanto Ray continuava parada e silenciosa, com seus olhos fechados.

— Que ritual? — Carlisle perguntou-lhe calmamente.

— Ela não responde — disse Edward. — E há algo que bloqueia minha leitura de seus pensamentos.

— O que fez à ? — Emmett chiou furioso e eu pude notar o quanto ele se controlava para não ataca-la.

Jasper se juntou a eles e permaneceu no meio da porta. Talvez bloqueando a única fuga que Ray poderia tentar.

— Creio que não acreditará em minhas intenções, jovem vampiro — Edward murmurou os pensamentos de Ray. — Mas garanto a todos vocês que não estou machucando-a. Preciso terminar com esse ritual o quanto antes e sem interrupções.

— Não deixaremos que isso aconteça! — rosnou Emmett. — Não sabemos o que planeja nesse ritual! E já que não quer nos dizer do que ele se trata, é óbvio que isso é ruim.

— Emmett, devemos ser cautelosos. — murmurou Edward. — Ela é uma feiticeira e não sabemos como ela pode prejudicar .

Emmett estreitou os olhos para Ray, ignorando Edward.

— Se não nos dizer do que se trata tudo isso, não nos haverá outra saída que não seja matar você — respondeu Jasper. — Não podemos confiar um dos nossos nas mãos de uma pessoa desconhecida.

— Então quer dizer que agora você é uma Cullen? — perguntou Riley, com descrença. Mas nem lhe dei atenção.

— Vocês não podem compreender — respondeu Edward, repetindo os pensamentos. — Se vocês fizerem qualquer coisa para quebrar o ritual, isso trará consequências muito ruins para .

— Não importa! Se não sabemos o que diabos você está fazendo a ela, que diferença isso fará? — Emmett surtou. — Temos que acabar com essa feiticeira maldita e quebrar essa droga de ritual!

— Emmett! — gritei, numa tentativa ridícula de tentar me comunicar com ele e fazê-lo parar. — Não a machuque, Emmett! Acredite nela! Acredite!

Riley arqueou uma sobrancelha pra mim, enquanto eu agarrava a bola de cristal entre minhas mãos com desespero.

— Por favor, não faça isso. Todos os nossos esforços serão em vão. — repetiu Edward.

— Dane-se — Emmett chiou essa ultima frase e quebrou o pescoço de Ray numa rapidez impressionante, com Edward vindo impedi-lo tarde demais. Assim que o corpo sem vida de Ray caiu no chão, um vento selvagem entrou pelo lugar e rodou todas as velas ao meu redor, apagando-as.

— Não — sussurrei. — Ray... Meu Deus, ele não podia... Ray... O que acontecerá comigo agora?!


Eu simplesmente não podia acreditar. Ray estava morta... Ela disse que prepararia tudo para que meu corpo recebesse a alma de volta, mas foi impedida... E por Emmett! Meu irmão!

Afastei-me da bola de cristal enquanto jogava meu cabelo para trás com uma mão e andava pra lá e pra cá – atos que comprovavam o quanto eu estava nervosa, preocupada e desesperada.

Respirei profundamente para acalmar-me e voltei a olhar para a cena. Será que tudo aquilo era real? Será que não era, para minha sorte, uma simples miragem? Algo dentro de mim dizia que não se tratava de uma mentira.

, acorde — dizia Edward, com meu corpo sem vida em seus braços. Minha cabeça pendia para trás e meus lábios estavam entreabertos... como uma morta. Aquela cena realmente mexeu comigo. — Vamos, , sou eu: Edward.

— Edward, tem certeza de que ela está bem? — Carlisle se aproximou e pousou uma mão delicadamente em meu rosto. — Ela parece estranha.

— Bem, isso é estranho! Vampiros não podem ficar inconscientes, mas de alguma forma ela está.

Emmett aproximou-se também e tocou meu braço.

— Não acham que a pele dela está fria?

— Claro, Emmett, ela é uma vampira — respondeu Edward rispidamente, com impaciência.

— Não... A pele dela não está numa temperatura normal. Nossa pele de vampiro é gelada Edward, mas a de está fria... e um pouco frágil.

— Agora que disse, Emmett — disse Carlisle, contornando meu braço com sua mão. — A textura da pele de está mesmo diferente. É como se esse corpo não fosse o de um vampiro. E sim o de um humano morto.

Eles se entreolharam por alguns segundos.

— Aquele ritual poderia ser algo importante. Você foi imprudente ao agir por impulso, Emmett — disse Carlisle.

— Ah, então nós confiaríamos nas palavras de uma desconhecida que raptou ?! Além do mais, ela era uma feiticeira!

— Tínhamos que averiguar tudo antes de tomar uma atitude tão drástica, Emm — respondeu Edward, pondo-se de pé comigo em seus braços. — Mas agora já é tarde. Devemos levar para casa e procurar uma forma de acordá-la.

E então eles saíram. Antes que eles se encontrassem com os outros do lado de fora, a imagem se dissipou da bola de cristal e ela voltou a ser aquela claridade de antes.

, o que significa tudo isso que vimos? — perguntou Riley, sem entender nada.

— Para resumir, Riley... Agora eu faço parte da família que você tentou destruir junto a sua vampirinha querida.

Virei-me de súbito e tentei pensar nas palavras do Guia. Pense em coisas boas. Coisas boas, . Lembro-me perfeitamente de quando ele dissera-me que o acesso de espíritos naquela dimensão era limitado... bem, talvez eu não chegue lá, mas preciso ter fé. Pois não há dúvidas de que minha alma se encontra lá. Hmm, se ela pode eu também posso.

...

— Adeus, Riley — fechei os olhos e pensei em cada momento feliz que tive durante toda a minha vida. Mas, é claro, os únicos momentos que minha memória teve acesso foram os de quando eu era vampira. Porém, eles foram suficientes para me fazer rir e me sentir leve num tal ponto que meu corpo fosse erguido no ar e logo em seguida lançado no mesmo.

Eu estava indo em direção à Dimensão da Paz.

N/A: Olá gente. Estou meio sem ânimo hoje e alguns até já devem saber por que. As coisas andam bem desanimadas desde... Bem, desde que Mary se foi. Ela era uma pessoa incrível e eu me sinto honrada por tê-la conhecido. Vou sempre guarda-la na memória, pois até o último instante ela foi uma grande batalhadora. Que Deus a tenha!

Agora, sem querer mudar de assunto tão drasticamente, eu só quero comentar que estou um pouco chateada. Não sei quais foram os motivos de cada um, mas o capítulo anterior teve somente 5 comentários sendo que normalmente é entre 10.

Sei que aquele capítulo estava horrível, mas mesmo que fosse um “não estava muito bom, mas vou continuar lendo” eu ficaria feliz.

Por essa razão fiquei sem inspiração algumas semanas e este capítulo demorou para sair. Na verdade, eu só consigo escrever após ler um comentário, daqueles bem fofos. E dessa vez tive poucos, ou seja, inspiração também foi pouca.

Se não quiserem que eu tire umas férias da fic e volte a escrevê-la somente ano que vem, melhor comentarem! #ficaadica

Beijos

PS: O capítulo anterior teve um corte de parágrafos então deve ter ficado meio sem sentido. Pedi às meninas que concertassem, então vão até a parte em que o Guia do Vazio aparece e releiam (se quiserem entender, é claro).


30. Dimensão da Paz –
Retornando á vida p.1


A viagem foi incrivelmente curta dessa vez. Foi como se eu tivesse chegado ali através de teletransporte, ou algo parecido. Meu corpo ainda parecia leve... Era como se eu estivesse passando pela melhor sensação da minha vida. Como se... não houvesse razão para se sentir triste, infeliz ou algo do gênero.
Mesmo antes de poder olhar para o lugar, eu já sentia a enorme e boa vibração que ele trazia. E, por um segundo de surto, até pensei ter sentido nostalgia.
Abri os olhos.
Acho que nunca encontraria palavras suficientes para descrever a perfeição daquele lugar. Tudo bem que algumas pessoas têm gostos diferentes, mas eu aposto que qualquer ser no universo pensaria a mesma coisa.
Era incrível o quanto os detalhes se encaixavam. O quanto cada coisa conseguia ter a textura e a cor perfeita... Definitivamente, era o lugar mais lindo que existia no... se eu disser mundo, será que estaria certo? Afinal, isso é uma dimensão do mundo dos mortos, então seria outro mundo e não envolveria os outros mundos... Ah, fiquei confusa, deixe quieto.
Dei alguns passos e senti o contato físico de meus pés com a grama incrivelmente macia e verde (como uma grama poderia ser macia??). Foi então que notei que meu corpo estava com outras roupas. Roupas leves, claras e confortáveis, além de que não havia nenhum sapato em meus pés.
Meus cabelos estavam soltos em cascatas por minhas costas – não que isso não fosse normal, mas eles pareciam tão... leves. Tudo aqui parecia leve, suave, e totalmente não-enjoativo. Com certeza, essa era a Dimensão da Paz, pois tudo traz paz... Até mesmo meus cabelos soltos – como pode??
Soprei o ar pra fora dos pulmões e finalmente pude perceber o quanto de tempo estava perdendo ficando parada aqui. Eu preciso encontrar minha alma e descobrir uma maneira de voltar ao meu corpo sem a ajuda de Ray.
Assim que me prontifiquei para andar, senti de relance uma pontada dentro do peito – profunda e marcante. Não era uma pontada qualquer... era uma que seria impossível ignorar. Apesar de que não era nem um pouco dolorosa, tão pouco agoniante, apenas... chocante.
Olhei ao horizonte onde havia um lindo por do sol e senti a pontada dentro do corpo ficar mais forte. Dei um passo adiante e ela intensificou mais ainda.
A ligação! Tenho certeza.

Narração em Terceira Pessoa

O pequeno e frágil corpo de foi pousado tão delicadamente sobre o colchão da cama, que alguém de fora pensaria que fosse feita de vidro. Porém, mesmo parecendo frágil e morta, todos naquele lugar tinham fé de que ela estava viva, pois, de alguma forma, conseguiam sentir sua graciosa presença.
estava muito diferente de um vampiro normal. Estava... ganhando cor. Não um tom rosado, mas um tom de pele normal, sem palidez. Além de que sua pele não estava mais tão dura e impenetrável.
Não havia dúvidas... estava mudando. Para o quê? Essa era a questão que assombrava a todos.
— Carlisle, eu não consigo mais vê-la — murmurou Alice, do lado de fora do quarto.
Os outros se encontravam dentro do quarto em silêncio, apenas observando e indagando a si mesmos o que estaria acontecendo. Seria isso o indício de uma nova ameaça? – Era essa a pergunta mais frequente em suas mentes, que Edward podia escutar com perfeição, apesar de não querer.
— Achei que você nunca tinha a visto alguma vez — respondeu ele, com dúvida.
— Não... Eu a via... Como via Nessie. Eu tinha que me esforçar para vê-la, mas agora é como se ela estivesse morta, sem nenhum tipo de futuro definido.
— Alice, não diga isso. não está morta.
— Mas que diferença faz, Carlisle? Não sabemos como trazê-la de volta... Não sabemos nem mesmo o que está acontecendo a ela. Isso também não me agrada nem um pouco, mas temos que encarar os fatos... pode nunca mais estar viva e conosco novamente.
— Nós descobriremos uma forma — disse Edward, surgindo de repente. — Não a abandonaremos. Farei o possível e o impossível para trazê-la de volta... e isso é uma promessa que pretendo cumprir a todo custo.
— Não é como se houvesse uma maneira — disse Bella, friamente, saindo do quarto. — Não sabemos nada sobre isso, Edward. Alice está certa, temos que encarar os fatos... só pode estar morta. Desista.
Edward a observou por um minuto completo, com a face tornando-se descrente a cada segundo que se passava. Ele pensou ter visto de relance nos olhos dourados de sua esposa uma faísca de ciúmes e sentiu-se ofendido. Ofendido o suficiente para ignorá-la e voltar ao quarto onde se encontrava uma das pessoas que mais se importava no mundo.
Como Bella não conseguia entender? Ele desenvolveu um sentimento sim por , mas era totalmente diferente do que o que ela imaginava. Não havia paixão, apenas carinho... como Bella poderia sentir ciúmes sem motivo? Desconfiar dele...? Achar que ele amaria alguém mais do que a amava...?
Edward sentou-se á beira da cama de sua irmã e segurou sua mão entre a sua, apertando-a forte e prometendo silenciosamente que a traria de volta.

Narração em Primeira Pessoa

Me guiei o caminho todo pelo que eu estava sentindo e percebi o quanto me sentia cada vez melhor a cada passo que dava para perto de minha alma. Como se... ela fosse a última peça do quebra-cabeça. A última peça do meu quebra-cabeça.
O sol banhava minha pele, enquanto a brisa acariciava meu corpo solenemente de uma maneira tão sincronizada e graciosa que quase me fez deixar todos as preocupações de lado.
Mas a ligação falou mais alto. E eu cheguei ao lugar.
Diminui meus passos e caminhei até uma árvore a minha frente, onde eu sabia que haveria algo ali me esperando... Algo pelo qual eu procurava durante toda essa viagem estranha.
Dei a volta e encostei levemente a mão na textura cascuda da árvore, vendo, por fim, uma imagem perfeita de mim mesma sentada no chão lendo um livro.
Eu não entendi o porquê, mas meu corpo paralisou. É um choque poder enxergar outra parte de você, tão familiar, e perceber que aquilo é o que falta para você estar completa... é estranho. E forte, uma sensação muito forte.
O meu alter ego desviou a atenção do livro e levou seus olhos até mim.
Foi como voltar ao passado. Foi como se eu estivesse de volta em meu quarto em Seattle observando meu reflexo no espelho, ansiosa para mais um dia divertido com meus amigos na escola.
Meus lábios estavam entreabertos, enquanto eu parecia voltar àquele dia e sentir tudo novamente... ver a antiga eu novamente.
Pisquei os olhos e fechei os lábios, sem saber o que dizer ou o que fazer.
— Quem é você? — perguntou ela, e foi como ouvir uma gravação de minha própria voz, só que mais nítida e real.
— Não me reconhece? — zombei a mim mesma e me considerei idiota por isso.
— Você é como eu — ela constatou lentamente, levantando-se tão cautelosamente que me lembrou da época de quando eu caçava animais para beber sangue. — Mas isso não significa que você seja eu... Você pode ser uma ilusão.
Suspirei. Ok, acho que terei que ir direto ao ponto.
— Eu sei como é. Viver nesse mundo não é fácil, nós nunca sabemos se o que vimos é real ou ilusão, vai por mim, eu sei disso: acabei de passar pela mesma experiência. Mas você precisa acreditar em mim! Eu sou você e você sou eu — franzi o cenho, sentindo-me confusa, mas continuei falando. — Somos duas partes de uma mesma alma. Precisamos nos unir e voltar á vida.
— Isso é completamente insano — ela zombou e eu percebi o quanto eu devia irritar as pessoas sendo tão idiota daquele jeito. — Ressurreição não existe.
— Não estamos mortas de fato. Precisamos voltar antes que isso aconteça.
— Por que eu deveria acreditar no que você diz? — ela cuspiu.
— Por que, uma vez um Guia idiota me disse que apenas pessoas boas poderiam entrar nessa dimensão. Por que eu estaria te enganando se sou considerada uma boa pessoa por estar aqui?
Isso pareceu fazê-la mudar de ideia. Como se ela acabasse de se lembrar desse fato.
— Prove que você sou eu — disse ela, desafiadoramente. — Se somos a mesma pessoa, devemos compartilhar os mesmos momentos. Eu quero que me conte... quero que me conte sobre nossa vida.
Arregalei os olhos e respirei de uma forma falha. Como ela poderia pedir justamente isso? Eu não me lembro de minha vida humana! E provavelmente ela não tem memórias de minha vida vampira por não estar mais comigo... Meu Deus, o que faço?
— É... Você não passa de uma impostora — deduziu ela, vendo o desespero em meu olhar. — Adeus.
Ela pegou seu livro e desapareceu de minhas vistas, deixando-me só, com apenas meu desespero e medo como companhia.

Narração em Terceira Pessoa

Já se passou uma semana desde que encontraram a jovem vampira. E ela nem mesmo apresenta sinais de que irá acordar.
Edward continua a pesquisar a qualquer custo lendas de feiticeiros, mas não consegue encontrar nada, porém, nem por isso desiste. Renesmee o ajuda na maioria das vezes, mas até mesmo a criança perdera as esperanças.
Bella estava sendo ignorada por seu marido desde que dissera aquilo e sentia-se culpada e idiota, mas não conseguia pensar em nada que pudesse remediar a situação. O que a fez sentir-se pior e torna-la completamente inútil.
Alice estava tendo constantes dores de cabeça ao tentar enxergar alguma coisa sobre o futuro de e não conseguir absolutamente nada. Porém, nem mesmo ela desiste. Jasper a conforta sempre que está frustrada com seu fracasso.
Emmett apenas fica andando inquieto pela casa e ora ou outra soca alguma coisa, culpando-se por ser tão impulsivo. Rosalie tenta confortá-lo, mas até mesmo ela sente raiva da atitude que o marido cometera.
Carlisle não sabe o que fazer. Ele apenas fica pesquisando em seus livros para tentar deduzir o que está acontecendo a , mas de nada adianta. E Esme o conforta com palavras silenciosas.
Os lobos estão prontificados para qualquer tipo de ataque e fazem patrulhas o tempo todo ao redor da mansão.
Jacob está evitando ver , pois, após ver seu corpo tão sem vida, sentiu-se tão mal que prometeu a si mesmo que não se mataria assistindo aquilo... como fizera com Bella. Ainda sentia-se estranho em relação à garota, mas procurava ignorar o que sentia ao invés de entender.
Frustrado mais uma vez por não encontrar nada, Edward se afastou do computador e decidiu ver , mesmo que não houvesse muita diferença nela desde que a viu. Ver seu rosto traria forças para que continuasse a buscar uma forma de salvá-la.
Entrou no quarto e sentou-se mais uma vez ao seu lado.
Fechou os olhos e suspirou, sentindo vontade de chorar, mesmo sendo incapaz.
Estava começando a perder as esperanças. Talvez sua irmã problemática não voltaria nunca mais para irritá-lo – e isso o matava. Daria qualquer coisa para trazê-la de volta, assim como daria se Bella ou Nessie estivessem naquela situação.
Segurou a pequena mão dela na sua delicadamente e teve um choque.
Ela estava mais quente. Não quente como um humano, mas estava numa temperatura morna.
Assustado, ele encostou a mão no braço dela e assistiu sua pele se arrepiar com o contato frio.
Arregalou os olhos e abriu a gaveta mais próxima a si a procura de algo afiado. Não encontrou, então usou a própria unha para traçar um risco no braço da garota.
E com surpresa, ele viu que a pele dela foi perfurada. A pele se dividiu em dois lados e uma pequena quantidade de sangue saiu do corte. Não o suficiente se fosse um humano, mas o suficiente para assustá-lo, afinal, vampiros não possuem sangue no organismo. Foi então que ele conseguiu entender...
— Carlisle!!! — gritou.
Todos se sobressaltaram com a voz alta de Edward, e, mesmo não sendo convidados, foram apressados até ele, com uma curiosidade mórbida.
Carlisle adentrou o quarto e o olhou chocado.
Edward estava rindo. Estava rindo de felicidade.
— Eu sei o que está acontecendo a — disse ele, com um brilho nos olhos. — Escute, Carlisle, escute!
Todos fizeram silêncio e se concentraram para escutar o que Edward queria que escutassem.
O sangue.
Todos puderam escutar o sangue se espalhando pelas veias do corpo de lentamente... em direção a um lugar...
— Mas isso é impossível... — murmurou Carlisle, assombrado. Enquanto todos pareciam sem reação de tanta surpresa.
— O sangue está voltando a seu corpo... Está indo ao coração, Carlisle! — ele apertou a mão de e sorriu olhando-a. — está voltando a ser humana.


N/A: Quero agradecer a todas pela imensa quantidade de comentários que recebi no capítulo anterior. Com isso, pude perceber o quanto vocês se importam com a fic, então não tirarei férias dela!
Quer dizer... se aquela falta de comentários não se repetir, hehe
O capítulo de hoje está curtinho, mas é que ele está dividido em duas partes. Se eu fosse manda-lo completo ficaria enorme, mas demoraria muito, então decidi dividi-lo, ok?
Espero que estejam gostando do rumo da história! E não se preocupem, pois não demorará muito para que volte o romance! ;)
Beijos e até a próxima!!



31. Dimensão da Paz –
Retornando á vida p.2

Era tão estranho que eu não conseguisse ficar frustrada naquele lugar, mesmo sabendo que tudo o que eu estava querendo – e minha vida – poderia estar em risco... Mas aquele lugar era mágico demais, parecia até que Jasper estava aqui controlando minhas emoções e impedindo-me de entrar em desespero.
Bufei e me joguei no chão, sentando-me abraçando os joelhos e tentando viajar pelos buracos mais profundos de minha memória... Mas era tudo negro, tampado por uma longa e grossa camada escura. E essa minha tentativa, mesmo simples e plena, conseguiu deixar-me atordoada e com a visão turva por tamanho esforço.
... Procure pela Guardiã...
A memória de minha conversa com o Guia surgiu tão clara em minha mente que era como se eu estivesse ouvindo sua voz engraçada outra vez.
Bem, era isso o que eu tinha que fazer. Encontrar a Guardiã dessa dimensão e pedir ajuda.
E eu vou encontra-la custe o que custar!

POV Jacob
Um. Dois. Três. Um. Dois. Três... Eu tentava a todo custo concentrar minha mente no ritmo constante de minhas patas para que outros pensamentos – perturbadores – não surgissem, mas era meio que impossível. A essa altura todos da minha matilha sabiam sobre meus pensamentos e sentimentos confusos quanto á sanguessuga. Mas, é claro, nenhum deles parecia ter uma solução, tampouco uma teoria para aliviar minha tensão. Eles simplesmente pioravam tudo trazendo consigo mais pensamentos confusos para invadir meu cérebro.
Já esqueci de quantas vezes lamentei ter essa proeza de dividir pensamentos, pois já havia superado essa questão, mas, com certeza, esses lamentos estão prestes a voltar por tamanha revolta que estou sentindo ultimamente!
Ao menos eu estava apenas com Embry hoje, correndo pelo perímetro á procura de um sanguessuga italiano. Maaaas logo tinha que surgir Seth com sua tagarelice infinita para ferrar com minha cabeça de vez...
Ei! Vocês não vão acreditar!, disse ele, de um modo animado, como sempre, apesar de que a situação não requer nenhum tipo de animação. Requer sim, Jake! Algo fantástico está acontecendo!
Sem mais paciência para esperar a boa vontade de Seth para saber, invadi sua mente e procurei as respostas – ouvindo seu rosnado de repreensão. Ahh, quem se importa? Eles podem invadir minha mente a vontade e quando faço isso sou repreendido? Ah, vá caçar suas pulgas que você ganha mais, Seth!
Ele revirou os olhos, enquanto deixava que pudéssemos ver suas memórias recentes.
Ele foi até a casa dos Cullen ver como estavam as coisas. Eles estavam com mais brilho no olhar, mais esperançosos e isso atiçou a curiosidade de Seth – ô novidade, estou tão surpreso! Percebendo a curiosidade do garoto, o leitor de mentes o guiou até o quarto da sanguessuga adormecida e sorriu torto vendo-a na cama. Seth a olhou também, mas ainda não entendia nada. Edward disse para que ele escutasse com atenção e ele o fez. Então Seth pôde perceber... Havia sangue se movendo no corpo da garota, mesmo que lentamente. Esse sangue estava se acumulando e indo em direção ao coração... Entendendo o que acontecia, Seth aproximou-se mais do corpo e analisou-a. Seu rosto estava com mais cor e as manchas escuras não rodeavam mais seus olhos...
Ela estava se tornando humana...
Balancei a cabeça para livrar-me das lembranças de Seth e quase tive uma convulsão com tantos pensamentos aleatórios surgindo em minha cabeça e entrando em conflitos. Embry parecia estar surpreso também, mas isso não o chocou/abalou tanto quanto a mim.
Sei que era insuportável ter esses pensamentos na forma humana, mas logo Embry e Seth compartilhariam sua confusão e isso pioraria as coisas pra mim. Eu precisava sair!
Jake, não precisa... Espera, cara!
Ignorei Seth e me concentrei. O calor queimou por meus ossos rapidamente e, mais do que rápido, eu estava em duas pernas novamente. Puxei meu calção amarrado no tornozelo e o vesti, correndo de volta pra casa.
Eu precisava esquecer. Eu precisava me livrar disso tudo!
E eu precisava, desesperadamente, parar de me importar...

POV
Não demorou muito para que eu avistasse uma linda mulher á beira do exuberante rio, brincando com um cachorro feliz que a lambia e abanava o rabo. Sei que ela poderia ser qualquer outra alma que estava naquele lugar, mas eu consegui ter certeza de que era a Guardiã. Pois, assim como o lugar, olhá-la trazia uma paz enorme... e também, ela possuía uma beleza divina. Não como a dos vampiros, era algo mais gracioso, angelical.
— Er... Com licença — chamei, aproximando-me vagarosamente.
Ela olhou sobre os ombros e sorriu levemente. O brilho de seus dentes quase me cegou, juro.
— Ora, acho que temos mais uma convidada, Din — disse ela, ao cachorro. Sua voz era tão aveludada e agradável, que se ela gravasse um CD apenas falando coisas sem sentido faria um enorme sucesso. Sorri timidamente, apesar de que era raro eu estar assim. — Ah, peço que me perdoe, estou com maus hábitos, nem me apresentei. Eu sou a Guardiã da Paz e você?
— Esse é seu nome mesmo? — perguntei em dúvida, evitando fazer uma careta. Será que nenhuma entidade espiritual tinha nome? Ou seus nomes eram os postos no qual eram responsáveis?
— Ah — ela riu delicadamente. — No Outro Mundo ninguém possui nomes. Somos apenas quem devemos ser... ou quem queremos ser. Não é como se esses pequenos detalhes humanos tivessem importância aqui — ela acariciava o pelo do animal enquanto falava e eu abri a boca para me apresentar, mas ela foi mais rápida. — Você deve ser a outra metade de . — arregalei os olhos e ela piscou. — Não se preocupe, não leio pensamentos. Apenas deduzi isso pela aparência idêntica de vocês duas... e também pelo pedaço que falta em ambas. Uma completa a outra, chega a ser algo poético.
— Não chega a ser não! — cruzei os braços, fechando a cara. Até que enfim consegui um pouco de sentimento negativo nesse lugar! — Já que não conseguimos nos completar por que a outra parte de mim é desconfiada e idiota demais.
— É normal que ela seja desconfiada — ela sorriu docemente pra mim. — Ela passou por muitas coisas para poder chegar até aqui. E nem mesmo consegue chegar ao seu destino final... Muitas almas passam por aqui, mas somente ela fica. Seria algo frustrante para qualquer um.
Abaixei o olhar. Nunca havia pensado por esse lado.
O cachorro que estava com ela, Din, deu um pulo em minha direção com o rabo abanando para todos os lados rapidamente. Eu teria dado um passo pra trás se aquela criatura não parecesse tão fofa. Ele apoiou suas patas no meu quadril para ficar mais alto e me olhou como se pedisse um carinho – Awnnnnnn *-*!
Mais do que rápido respondi ao seu chamado, esquecendo dos problemas que eu tinha. Cara, até o cachorro trazia paz... esse lugar só pode ser o Paraíso!
Minhas mãos passaram apenas uma vez por seu pelo macio, pois logo ele lambeu minha mão e deu um pulo para o ar, transformando-se em várias – várias mesmo – flores.
Olhei para aquilo sem reação e encarei a Guardiã.
— Eu juro que não tive intenção! Eu não sabia que se eu tocá-lo isso aconteceria! — desculpei-me desesperada.
— Não foi culpa sua — ela gargalhou. E eu ri também, mesmo não sabendo a graça, afinal, a risada dela era muito contagiante. — Espíritos de animais não vêm para o Outro Mundo. Então ele não poderia permanecer muito por aqui, sendo que era apenas uma manifestação minha. Algo como uma ilusão.
— O que acontece com os animais quando morrem? — perguntei tristemente, seria tão bom se ele ficasse aqui por mais tempo.
— Eles renascem. Renascem em outra espécie. É um ciclo sem fim. Morre e nasce outra vez.
Suspirei. Então reencarnação existia apenas para animais? Eu não sei se prefiro morrer definitivamente e ir para o céu ou inferno ou nascer em outra pessoa e passar por tudo o que passei novamente. Acho que uma vez só basta... Se ao menos eu pudesse concluir essa vez do modo que deveria ser... Se ao menos essa minha alma malcriada me ouvisse.
— Será que você poderia me ajudar a convencê-la? — perguntei esperançosamente, mesmo mudando de assunto tão drasticamente. — Ela quer que eu diga lembranças que compartilhamos, mas eu, quando estava viva, me transformei em vampira e perdi essas lembranças... Não consigo me lembrar de nada!
Ela levantou-se e chegou perto de mim. Esqueci de mencionar que falava de minha alma, mas ela deve ter entendido, pois sua expressão não era confusa. E sim sábia.
— As memórias nunca abandonam uma alma, , nem mesmo se ela tiver vidas passadas. Algumas almas são selecionadas para reencarnar, aquelas que não concluíram o que tinham pra concluir, que não aprenderam o que tinham que aprender. E, um dia, quando vierem para cá, elas conseguirão lembrar de tudo com facilidade, pois serão espíritos. E você já tem a sorte ao seu lado por ser um neste momento — ela colocou um dedo em minha testa. — Suas lembranças estão escondidas no mais profundo do seu inconsciente, você precisa apenas trazê-las a superfície.
— E como eu faria isso?
— Como eu disse: você tem sorte de ser um espírito, ou alma, agora. Tudo que precisa fazer é se concentrar em sua essência e esforçar-se para lembrar algo importante de seu passado, assim, automaticamente, todas as lembranças estarão a sua disposição novamente.
Suspirei. Isso estava parecendo complicado demais.
— Hm... acho que sei como posso te ajudar — antes que eu pudesse perguntar, sua mão agarrou minha cabeça e ela fechou os olhos. Senti uma dor repentina rasgar meus pensamentos, fazendo minhas pernas falharem por um instante, enquanto uma luz luminosa saia de sua mão em minha cabeça, mas tão rápido quanto começou terminou. Ela abriu os olhos e tirou sua mão de mim. — Pronto. Tirei um pouco da escuridão que lhe escondia as memórias. Será mais fácil agora.
— Obrigada! — sorri em agradecimento e caminhei para algum lugar que fosse mais calmo ainda para que eu pudesse começar com isso.

POV Jacob
Joguei-me sobre a cama e já senti o peso do sono sobre mim, quase me derrubando. Bocejei e agradeci aos céus por já ter tomado banho, assim eu não precisaria levantar dali pra mais nada.
Pensar em , no que estaria acontecendo a ela e o quanto isso importava pra mim trouxe um cansaço mental tão grande que eu acho que se um sanguessuga italiano aparecesse agora eu morreria por não ter forças suficientes para me transformar... Eu precisava esquecer todos esses transtornos ao menos por alguns minutos...
Fechei os olhos e instantaneamente já me vi vagando pelo inconsciente, imaginando coisas totalmente sem noção enquanto o sonho começava a se formar. Bella tinha razão afinal, eu tinha uma capacidade inumana de dormir rápido em qualquer condição... Ao menos agora isso parecia ser bom... eu finalmente podia ter um descanso... Paz...
Eu me encontrava num lugar totalmente obscuro, sem nenhuma fonte de luz ou algo parecido. Eu não conseguia enxergar sequer minhas mãos que havia colocado frente aos olhos.
O sonho parecia tão vago, tão vazio, que era como se eu estivesse apenas esperando o tempo passar para acordar – simplesmente esperando.
Tentei forçar minha mente a imaginar alguma coisa, mas isso parecia uma tarefa impossível, como se alguém estivesse controlando tudo, não eu.
Como não havia como fazer nada para mudar aquela situação, fiquei vagando por aquele espaço por alguns instantes. Porém, logo parei por perceber que andar não me levaria a lugar nenhum.
Tudo bem, cérebro, eu queria sossego, mais aí você já ta tirando com a minha cara. Tudo escuro e vago, sério? O que eu ando fumando pra te afetar tanto?
Ok, pensar sobre já está me causando abalos mentais demais, afinal, já estou ficando louco como ela...
... Ah, bons tempos aqueles em que minha única preocupação era encontrar alguma frase boa o suficiente para deixa-la irritada... Mas por que tudo teve que mudar? As coisas estavam indo tão bem entre nós, mas eu tive que estragar tudo! Já não bastava a situação complicada que era ser “amigo” de uma sanguessuga sendo lobisomem, eu ainda tinha que me sentir atraído por ela? Por que esse tipo de coisa só acontece comigo? Eu devo ter feito alguma coisa pra Deus me odiar tanto...
Parei com os devaneios idiotas e observei tudo ao meu redor por um tempo, notando um ponto de luz fraco surgindo ao longe.
Pude enxergar a pequena e perfeita silhueta da única vampira pela qual senti atração na vida naquele lugar e, instantaneamente, meu corpo foi impulsionado a ir até ela, como se houvesse uma atração magnética impossível de ser rejeitada... o que levou-me a caminhar automaticamente em sua direção.
Porém, quando cheguei lá, nada encontrei. Apenas um ponto claro de luz que começava e terminava ali.
Fechei os olhos, derrotado, e desejei que esse momento acabasse logo.
— Jacob!
Abri os olhos assustado e me coloquei em posição defensiva. Quem quer que fosse que havia me chamado, não era alguém que eu conhecia, pois não pude reconhecer a voz.
— Quem é você?! Apareça! — rosnei.
— Pode me chamar de Ray — uma senhora idosa surgiu do ponto de luz e a claridade triplicou, clareando todo o lugar. Desfiz a posição defensiva ao perceber o quão frágil e indefesa ela parecia e a encarei inquisitivamente. — Eu sou uma feiticeira, e venho lhe pedir ajuda.
— Feiticeira? — perguntei em dúvida e logo me vi na necessidade de me transformar, pois foi uma feiticeira que sequestrou . — O que diabos você quer?
— Não precisa se preocupar, Jacob. Estou morta, apenas me comunico com você pelo seu sonho. Não há o que temer.
Confuso, não fui capaz de fazer nada a não ser encará-la descrente.
— Eu preciso de sua ajuda. Mas, primeiramente, para que possa entender, irei lhe contar tudo...

POV
Nunca imaginei que algum dia eu conseguiria tamanha proeza, afinal, nunca sequer consegui me concentrar o suficiente para estudar, imagine viajar pelas profundezas do meu inconsciente. Mas estava dando certo, o manto negro em minhas memórias havia se tornado mais fino e eu era capaz de enxergar através dele. O único problema era identificar em que época se encaixava tal lembrança.
Não demorou muito para que eu encontrasse a essência de minha alma novamente, e isso fez com que eu me sentisse mais leve e capaz – muito mais confiante. Consegui eliminar totalmente o manto negro com a essência e pude reconhecer cada uma de minhas lembranças... A infância... adolescência... os momentos em que pareci um emo... Enfim, lembrei de toda a minha vida sem graça novamente!
Eu consegui! Agora só tenho que encontrar minha alma novamente e convencê-la a nos unir.

POV Jacob
Eu estava completamente atordoado com toda aquela história de lendas, feiticeiros, Volturi, vampiros... Era muita coisa para uma cabeça só.
— Ok, ok, eu já entendi tudo o que aconteceu — sentei no chão, cobrindo o rosto com as mãos. — A única coisa que não entendi é por que você está me contando tudo isso.
— Quando o vampiro me matou, ele quebrou o ritual e o portal entre os dois mundos foi fechado. Mesmo que complete sua missão, ela não voltará para seu corpo por causa disso. Seu corpo está se tornando humano aos poucos, o sangue está se juntando para bombear o coração novamente, mas... Quando o sangue chegar totalmente ao coração... E o corpo não estiver com sua alma... O corpo de morrerá instantaneamente.
Suspirei, levantando o rosto. Ok, o corpo dela estava realmente mudando, Seth viu isso. Então isso provava que era tudo verdade... E eu me importava demais para deixar de perguntar:
— E como posso ajudar?
Ela sorriu satisfeita, mas havia algo em sua expressão que me levou a pensar que ela já previa isso.
— Desde que morri, tentei descobrir uma forma que pudesse fazer com que cumprisse sua missão de algum jeito. Então eu descobri sobre você.
— O que tem eu? — levantei a cabeça, confuso.
— O sangue que corre em suas veias, Jacob. — ela disse simplesmente, como se aquilo fosse suficiente para minha compreensão.
— O que? Meu sangue?! — indaguei, incrédulo demais para usar o tom debochado.
— Seu sangue é mágico. — revirei os olhos. Mais uma com esse papo de que sou mágico? Que idiotice. — Seus antepassados tinham essa mágica... Eles eram espíritos guerreiros! — olhei-a descrente. Como ela conhecia as lendas do nosso povo? — Como a mágica se alterou ao longo dos anos, somente um herdeiro direto pode conseguir realizar o mesmo feito. E o herdeiro direto é você, pelo que descobri.
— Não estou entendendo nada — murmurei.
— Jacob, quando uma alma, ou espirito como vocês chamam, sai de um corpo ainda vivo, ela abre portais. E ela pode passar por esses portais. Seus antepassados apenas não sabiam disso. Você precisa se transformar num espírito guerreiro que você é e abrir os portais para a passagem de ... E então terá que entrar nele e guia-la de volta ao corpo.
— E onde diabos ficam esses portais?!
— Como não são abertos por feitiços, eles não se abrem em qualquer lugar. E sim em rios, lagos, mares... A água da natureza é o espelho que há entre esse mundo e o outro...
— Mas como vou me transformar em um espírito? As lendas não são tão complexas assim, elas não nos ensinam nada, apenas contam o que aconteceu.
— Você terá que descobrir, Jacob. A resposta está em você. Você é o único que pode salvá-la.
Suspirei resignadamente quando a velha desapareceu do meu sonho sem esclarecer mais nada. Já estava tudo complicado o bastante, mas essa feiticeira teve que trazer mais responsabilidades na minhas costas para complicar tudo de vez!
Comecei a sentir a textura do colchão sob mim e os sons vindos do lado de fora de minha casa, então percebi que meu pequeno sono chegara ao fim.
Eu estava mais determinado do que realmente aparentava.
Minha mente era incapaz de abandonar , pois, mesmo que não admitisse, havia um sentimento forte e ardente em mim que clamava por ela... E esse mesmo sentimento fazia um grito surgir com toda a força em minha mente, dizendo:
Eu vou trazê-la de volta!

32. Dimensão da Paz –
Retornando á vida p.2


Senti a pontada no peito novamente e percebi que estava chegando perto do meu alter ego extremamente irritante – como eu – mais uma vez. É claro que eu estava um pouco insegura quanto a isso, afinal, se ela não acreditasse em mim eu nunca poderia sair daqui... pelo menos acho que não, mas eu tentava manter uma pose calma.
Caminhei aspirando um pouco do ar puro daquele lugar e me acalmei, sentindo um pouco da confiança surgir novamente – e agradeci aos céus por isso.
— Eu ainda não consegui captar seu ponto — ouvi minha voz dizer. Quer dizer, não eu, mas sim minha voz... ah, finja que entendeu. Me escondi atrás de uma árvore e observei as figuras que se aproximavam.
— Meu ponto é que você devia compreender um pouco o desespero dessa jovem — reconheci essa voz como a da Guardiã e sorri comigo mesma ao perceber que ela poderia estar me defendendo. — Ela precisa de você... e, por mais que não admita, você precisa dela para ser completa.
Meu alter ego fez careta. Nossa, até que eu ficava fofinha fazendo isso.
— Isso parece extremamente gay. Não tem palavras melhores para me convencer?
Esqueça o que eu disse. Nada fofinha.
— Não, vou deixar que ela mesma faça isso — sorriu para ela e beijou-a delicadamente na testa. — Boa sorte, querida.
— Obrigada, Guardiã.
E assim que a Guardiã se afastou, eu surgi. Meu outro eu não se surpreendeu com minha “inesperada” presença ali.
— O quanto você ouviu? — perguntou, arqueando a sobrancelha.
Arregalei os olhos.
— Como você...
— Ah, por favor, se quer ao menos fingir que sou eu, não se surpreenda com minha inteligência.
Torci a cara. Nota mental: assim que voltar a viver, tentar diminuir a arrogância com os outros – isso é extremamente cansativo e irritante.
— Sabe, passar esse tempo com você não está sendo nada agradável, é como receber um tapa na cara por perceber o quão arrogante sou e não sabia. — respondi mal humorada.
— Não deveria se surpreender, afinal, sempre me disseram isso.
— Na verdade, Julian me disse uma vez que eu tenho três fases da arrogância. Uma é quando estou apenas sendo eu, a outra é quando me sinto desconfortável e parto para a ignorância e a ultima é quando estou de mau humor ou irritada e parto para o nível extremo.
Ela me observou sem reação por um minuto completo.
— Como sabe de Julian? — perguntou descrente e completamente chocada.
— Eu me lembrei de algumas coisas — suspirei. — E me sinto bem por isso. Nunca mais quero esquecer meus amigos...
Ela recompôs a pose de durona.
— Já que se lembra de algumas coisas... Diga-me, qual era a cor do meu diário?
Revirei os olhos. Isso era uma armadilha, e eu não cairia nela.
— Nós nunca tivemos diários, pois achamos uma perda de tempo.
— Ok, qual foi a última coisa que papai me disse antes de morrer?
Ok, agora ela pegou pesado. Lembrar disso era muito doloroso.
Suspirei e olhei para baixo, com meus olhos começando a arder.
— Ele disse... não pegue o ônibus, pois hoje eu vou te buscar na escola, princesa. Até mais.
Uma lágrima escorregou por meu rosto e, mais do que rápido, eu a tirei de lá. E quando levantei o rosto, percebi que ela fazia o mesmo. Essa memória sempre me assombrou... às vezes me confortava, outras vezes me trazia raiva. Mas doía lembrar que ele não estava mais ali para me apoiar em tudo o que fazia e me chamar de princesa, por isso eu preferia lembrar de nossos melhores momentos juntos... não de um que parecia mais uma despedida.
— Ok — ela disse com a voz embargada. — Me convenceu... — a olhei com alivio. Não era como se eu estivesse disposta a continuar a convencê-la depois disso. — Mas o que quer afinal?
Pigarreei para que minha voz não soasse chorosa.
— Eu já te disse... Precisamos nos unir e voltar à vida.
Ela olhou para o lado e suspirou, como se ceder fossa algo doloroso de se fazer.
— E como faremos isso?
Olhei para os lados também, como se procurando a resposta, mas nenhuma ideia ou teoria consegui ter.
— Me dê sua mão — pedi, esticando a minha.
Hesitantemente, ela segurou minha mão. E tudo aconteceu rápido demais. Uma explosão de claridade surgiu e eu senti como se meu corpo estivesse sendo esmagado. Minha mente parecia estar se cortando em dois, meus ossos pareciam estar diminuindo... mas nada disso acontecia, pois eu tinha certeza que era apenas nós duas nos tornando uma mesma pessoa.
Foi uma experiência horrível, mas quando tudo acabou não havia como eu me sentir melhor. Completa, inteira, sem nenhuma parte faltando... eu me sentia... eu de novo. O eu feliz e normal que eu era antes de meus amigos se mudarem para outra cidade.
O sentimento foi tão bom e grande, que um sorriso formou-se involuntariamente em meu rosto. Eu estava completa!
Droga, se eu soubesse que era só segurar a mão dela pra tudo acontecer, já teria feito isso a muito tempo.

POV Jacob
Todos me encaravam como se fosse um ET.
Ok, deixe-me explicar. Depois do meu sonho maluco, eu me transformei e mandei todos os lobos irem até a casa dos Cullen. E assim que todos estavam presentes, eu despejei tudo de uma vez, sem enrolações.
Até Sam estava lá e ele me encarava como se fosse louco. Parecia que o único que não pensava assim era o leitor de mentes, que parecia até feliz com o que eu dissera.
— Vocês vão dizer uma coisa ou vão continuar me encarando feito retardados? — perguntei impaciente.
— Jake, tem certeza do que sonhou? — perguntou Nessie e eu bufei assentindo.
Não sei por que, mas eu já não conseguia trata-la como se fosse uma boneca de porcelana ou como se qualquer palavra que eu dissesse pudesse machuca-la, na verdade, ultimamente eu venho tratando-a como uma pessoa qualquer e não como meu imprint. Estranho, eu sei. Mas o que na minha vida não era estranho?
— Jacob, temos que descobrir um modo para que você consiga ser um Espírito — disse Edward.
Ótimo, sanguessuga! Agora virou o capitão-óbvio?, pensei irônico. Ele revirou os olhos.
— Sam, tem alguma ideia de como podemos fazer isso? — perguntou ele.
— Não, Jacob não pode fazer isso. Foi proibido fazer isso desde o que aconteceu. É perigoso.
— Não acho que alguém queira roubar meu corpo — revirei os olhos, abrindo os braços como que para indica-lo. Nessie corou, mas não entendi. — Aliás, vocês podem ficar protegendo-o, certo?
Seth e Leah assentiram.
— Ok, eu não sei ao certo como é, Jake, mas podemos ver com os anciões... Quil Ateara deve saber alguma coisa.
Concordei em silêncio. Todos já se retiravam da casa dos Cullen e eu estava prestes a fazer o mesmo quando Edward tocou meu ombro. Droga, odeio quando ele faz isso, o cheiro repugnante fica grudado ali depois.
— Por favor, Jacob, traga de volta.
Seus olhos estavam num dourado líquido e eu vi o mais sincero sentimento em seus olhos. Ele a amava, se preocupava como se fosse realmente sua irmã. Eu pude enxergar de relance o vampiro daquele dia em que pode ouvir os pensamentos de Renesmee quando Bella estava grávida. Esperança. Era o que se refletia em seus olhos.
Tudo bem que às vezes eu não vou com a cara dele e que em vários momentos de minha vida o odiei, mas agora eu consegui sentir compaixão por ele. era realmente importante nessa família. Tanto quanto era para mim e eu não sabia...
— Vou fazer o que puder — respondi o mais sinceramente possível.
Senti braços finos agarrarem minha cintura e olhei para Nessie, que me abraçava forte.
Ela estava mais alta, mas perto de mim ainda era pequena e delicada. Sua aparência agora era de mais ou menos 15 ou 16 anos, mas eu ainda a enxergava como aquela garotinha de 11 anos.
— Por favor, tome cuidado, Jakey!
Sorri ao ouvir o apelido que me dera. Fazia um bom tempo que ela não o usava... mais precisamente, desde que eu me afastei da mansão depois de começar a me sentir atraído pela sanguessuga.
Alisei seu cabelo e bocejei.
— Ok, Ness. — respondi cansado, eu mal tinha dormido por causa daquela feiticeira maluca.
Assim que tirou seus braços de ao meu redor, olhou para meu rosto numa expressão estranha e eu notei seus olhos brilharem de uma forma muito diferente. Não sei por que, mas não estava gostando muito daquele olhar.
Ela se esticou nas pontas dos pés e beijou o canto de minha boca, corando e saindo correndo logo em seguida. Olhei assustado para onde a criatura correu e fiquei completamente incrédulo.
Que porra aconteceu aqui?!

POV
Mal me acostumei em ter minha alma completa novamente e fui sugada pelo portal, levando-me sei lá onde.
Suspirei, abraçando meu corpo pela corrente de ar, terrivelmente forte, estar soprando contra ele.
Mas pra que lugar eu estou indo afinal? Pelo que me lembrava, não havia mais nenhuma Dimensão disponível para que eu pudesse ir.
Assim que meus pés pousaram no chão senti meu estômago revirar, mas reprimi a vontade de colocar o que eu – não – comi pra fora. Olhei o espaço no qual eu me encontrava e suspirei em alivio.
Não havia nada ali... Puro nada. Ok, voltei até o Guia do Vácuo.
— Realmente fiquei surpreso por você conseguir superar todas as dimensões. Parabéns!
Virei inconscientemente até onde vinha o som da voz e quase caí pra trás. Eu podia enxerga-lo! Eu podia ver o Guia do Vazio e OMG como ele é HOT! Ok, posso estar parecendo uma tarada, mas acreditem se quiser, ele é meio que uma mistura de Brad Pitt, Tom Cruise e Ian Somerhalder. Droga, será que ele ainda tem ressentimentos por eu ter zoado com sua cara?
— Obrigada, Guia do Vazio — sorri o mais lindamente que consegui.
— Ah, acertou meu nome — ele riu escandalosamente, como quando o ouvi pela primeira vez, então ele pareceu menos bonito por isso. — E pode me ver agora?
Revirei os olhos. Santa estupidez...
— Não sei se reparou, mas estou com o olhar fixo em algo enquanto falo com você, então acho que isso pode significar algo que responda sua pergunta...
Ele fez uma cara confusa.
— Apenas responda se pode me ver.
Dei um tapa em minha própria testa.
— Estou! Seu estúpido Guia do Vácuo! Isso é óbvio, sua anta! — me irritei e percebi que agora ele não parecia nem um pouco bonito pra mim. Está vendo como burrice deixa uma pessoa feia?
Ele revirou os olhos.
— Ok... Você deve estar me vendo agora por que uma parte de você está morta, mas não se preocupe, você se tornará totalmente viva quando voltar á Terra. Falando nisso, agora você tem que ir embora — respondeu.
— Graças a Deus!
— Mas tem um problema.
— Tinha que ter um — bufei.
— O portal no qual você veio foi fechado quando sua feiticeira foi morta.
Eu. Vou. Matar. O. Emmett.
— E agora? — perguntei, controlando a raiva que começava a se espalhar por meu corpo como a lava de um vulcão.
— Você vai ter que esperar aqui até que um novo portal se abra.
— E quando um portal novo se abre? — perguntei.
— Não sei, acho que o próximo se abrirá no Juízo Final.
O olhei como se fosse arrancar sua cabeça e ele se encolheu.
— Ok, na verdade eu tive uma conversinha com sua feiticeira e ela me explicou como vai ser.
— E?
— Parece que alguém vai abrir o portal para você, só que é o portal universal, ou seja, esse portal pode te levar para vários mundos diferentes, então você precisará ser guiada.
— Então é aí que você entra! — sorri sem mostrar os dentes. — Afinal, você é um Guia.
— Sou, mas sou um Guia do Vazio, ou seja, sou o Guia dessa dimensão.
— Ferrou — bufei. Mas isso não era novidade, afinal, quando é que as coisas não ferram pra mim?
— Não, ainda não ferrou. Parece que esse mesmo alguém que vai abrir o portal vai te guiar.
— E como ele saberia o caminho?
— Sem os feitiços necessários uma alma viva não pode chegar até aqui. Ou seja, se ela entrar no portal, ela será sugada de volta para seu mundo, sempre assim, ela nunca conseguirá passar por ele. Então tudo o que esse alguém tem que fazer, é entrar no portal, te encontrar, segurar você e esperar ser sugado de volta.
— Mas e se eu me perder no caminho antes de encontra-lo?
— É aí que eu entro. Mesmo isso sendo contra as leis da natureza, eu vou te ajudar. Afinal, uma alma meio-viva permanecer no mundo dos mortos também é contra as leis da natureza.
— Valeu — sorri felizmente. — E agora, o que fazemos?
— Esperamos o portal se abrir.

POV Jacob
Mais uma vez todos pareciam estar vendo um ET. Porém, dessa vez não era eu e sim o lugar por onde Nessie correu.
Ninguém entendeu o que aconteceu. Eu mesmo não fazia ideia do que isso significava.
— Acho que as coisas vão se complicar mais ainda para você agora, Jacob — disse Edward, que era o único que não parecia surpreso.
— O que você quer dizer com isso? — perguntei irritado. Ele quer ferrar de vez com minha vida, é?
— O momento chegou.
— Edward Anhony Masen Cullen! — Alice berrou. — Se você começar a ser enigmático agora eu juro que arranco sua cabeça fora e queimo seu corpo pedaço por pedaço a cada dia apenas para ver você sofrendo o máximo que puder! Já não basta eu não enxergar nada em volta desses dois e de você quer me deixar mais perdida do que já estou?
Ok, a baixinha surtou, mas eu concordava. Se ele quer ser o rei do drama, que seja em outro momento e que NÃO envolva minha vida.
— Renesmee atingiu a puberdade e seus sentimentos por Jacob começaram a evoluir.
— Você quer dizer que... — Bella parecia em choque, arregalando os olhos em pura descrença.
— Nessie está apaixonada por mim — engoli em seco. — Mas ainda não se passaram seis anos, Nahuel disse que...
— Jacob, já se passaram cinco anos, Renesmee está perto de concluir seu crescimento acelerado, portanto, nada a impede de se apaixonar pelo lobo que sofreu um imprint por ela quando bebê!
Edward parecia nervoso agora.
— Pra quê botar tanto drama nisso? — Emmett bufou. — Todo mundo sabia que um dia isso ia acontecer. Agora é só os dois ficarem juntos e pronto.
Edward e Rosalie me encararam, como se pensassem que o mesmo que eu: que as coisas não seriam tão simples assim.
— Acho que está na hora de quebrarmos a promessa — disse Rosalie para Edward. — Senão Nessie se ferirá.
— Não — eu disse assustado. — Quer dizer... Não precisam mais manter em segredo o que eu pedi, eu digo — eles me olharam sem entender nada, principalmente Edward, que estava perdido com meus pensamentos provavelmente. É sério, está uma confusão na minha cabeça, nem ele entenderia o que se passa nela. — A verdade é que eu ainda vejo Nessie como criança. N-não estou pronto para isso. E-ela não se ferirá, pois quando tiver que ser... nós ficaremos juntos.
Parecia ser a primeira mentira que eu dizia na minha vida. Meu corpo estava tenso e começava a soar em nervosismo. A verdade era que eu não queria que eles revelassem o que aconteceu entre e eu...
— Então é isso?
Olhei em direção ao canto da sala e engoli em seco mais uma vez. Nessie estava lá, me encarando com os olhos num misto de tristeza e esperança.
— Você ainda me vê como criança? — perguntou triste e eu abaixei o olhar.
— Acho melhor conversamos a sós, Ness — eu disse seriamente. Eu precisava esclarecer a pequena que... Deus, o que eu diria? Eu não me sinto da mesma forma, mas isso a machucaria.
Ela assentiu timidamente e eu me dirigi para fora, afastando-me o máximo da mansão para que nenhum sanguessuga escutasse a conversa.
— Me desculpe — ela soltou assim que paramos de andar. Encarei-a. — E-eu não devia ter feito aquilo com você, Jake. Eu sou só uma criança e você é meu melhor amigo.
— Na verdade você não deve se sentir culpada — suspirei. A tristeza dela me machucava muito. — Você estava destinada a se sentir assim.
— O quê? — ela levantou os olhos marejados até os meus e eu senti meu estômago afundar. Realmente, a tristeza dela me matava.
— Você é meu imprint, Ness.
Ela ficou alguns segundos encarando o chão sem expressão, até que levantou seu olhar até mim novamente.
— Eu bem que devia ter percebido — ela riu sem humor. — Toda a minha vida... você esteve lá. Em cada momento, em cada lembrança...
— Assim que você nasceu eu sofri o imprint. Você era apenas um bebê, então não havia modo de eu me apaixonar por você... e agora preciso que entenda que meus sentimentos ainda não evoluíram como os seus.
— Eu não sei o que sinto — sussurrou, aproximando-se. — De repente... Eu comecei a me sentir estranha perto de você. — uma lágrima escorreu por seu rosto rosado. — Aquele ato agora á pouco foi um impulso, eu não queria ter feito, Jake, me desculpe. Não quero que se sinta pressionado ou nada do tipo, e-eu não fiz por querer, e-eu...
Eu a abracei, tentando confortá-la. Ela estava muito desesperada, tanto que eu podia até sentir em mim.
— Está tudo bem, Ness, está tudo bem — alisei suas costas, tentando acalmá-la.
— Eu te amo — ela sussurrou e eu congelei. — Eu sei que não posso, pelo menos não agora, mas eu te amo... e eu te desejo muito, Jake. Muito.
Senti o meu próprio desespero crescer e tentei a todo custo pensar numa forma de acabar com aquela situação. Eu não estava preparado, eu ainda não a queria...
Eu ainda estava paralisado e tenso quando ela levantou o rosto de meu peito, encostando seus lábios nos meus.
Fechei os olhos, tentando fugir daquele momento e pensar numa forma de parar aquilo sem ferir seus sentimentos. Isso não podia estar acontecendo, não com Nessie, que sempre foi uma criatura tão doce e frágil...
Suas pequenas mãos vieram até meu pescoço e eu continuei parado. Ela movia seus lábios nos meus, mas tudo o que aconteceu foi uma comparação surgir em meus pensamentos.
Os lábios dela eram quentes, os que eu pensava eram gelados. Seus toques eram delicados, os que eu pensava eram impulsivos e selvagens. O beijo era inexperiente e sem nenhuma reação, o que eu pensava era caloroso, experiente e me enlouquecia de forma sem igual. Definitivamente... Ela não era quem eu queria que fosse.
Segurei sua cintura e tentei afastá-la delicadamente, mas a criança entendeu errado. Sua língua tocou meu lábio inferior e logo em seguida pediu passagem, e tudo o que pude fazer foi ceder.
Agora eu retribuía seu beijo, mas de forma automática, não impulsiva. Eu tinha medo de magoá-la, mas acabei me sentindo o maior pedófilo do planeta. Como eu queria que algo acontecesse e fizesse esse momento difícil acabar.
Ela se afastou sem fôlego, a respiração acelerada e o olhar admirado. Ela tocou com os dedos os próprios lábios e sorriu, fechando os olhos.
— Eu sabia — sussurrou e eu olhei para o lado, envergonhado por não ter parado aquilo. — Foi exatamente como sonhei — aspirou o ar profundamente e me olhou nos olhos. — E você cedeu... Você me beijou de volta — eu queria negar e esclarecer tudo á ela, mas permaneci calado. — Isso significa que você não me vê mais como uma criança... não é?
Droga, as coisas só pioram. O que eu faço? Ok, não há outro jeito, terei de magoá-la ago...
— Não precisa dizer nada! — ela disse felizmente, assim que abri a boca. — Eu entendi — ela se aproximou de repente e me roubou um beijo. — Agora vá e traga minha amiga de volta. Mas tome cuidado, estarei te esperando.
Olhei-a totalmente incrédulo, enquanto ela corria de volta para a mansão totalmente saltitante.
PUTA QUE PARIU ESSA PORRA DE DESTINO SÓ FODE COM A MINHA VIDA!

N/A: Prevejo uma chuva de pedras em minha direção kkk Ok gente, acho que a maioria sabia que uma hora alguma coisa do tipo ia acontecer, pois o imprint continua intacto – ao menos para Nessie – mesmo depois de tudo. Nessie é inocente, então não a culpem. Ela não sabe sobre o que aconteceu entre vocês dois, por isso agora tem a absoluta certeza de que ele está começando a vê-la com outros olhos.
Jacob está ferrado, é só isso que posso dizer. Ok, vou explicar. Mesmo que ele não se sinta da mesma forma, os laços do imprint ainda são fortes para fazê-lo sentir tudo o que ela sente e se importar com a felicidade dela, então ele não aguenta vê-la magoada. Então ele não diz nada sobre seus reais sentimentos para não ferir os dela. Agora pensa gente: tem alguém mais perfeito que o nosso lobão?! É claro que NÃO!
Sei que já estão de saco cheio dessa coisa de dimensões (eu sei, eu dei uma viajada legal kkk), mas não se preocupem, pois isso acaba no próximo capitulo, ok?
Agora quero dar as boas-vindas as novas leitoras que apareceram por aqui e mandar um enorme OBRIGADOO pelos elogios e pelo comentário!
Caso essa att chegue depois do ano novo, feliz ano novo atrasado para todas vocês!!! xD
Bjs


33. Retornando á vida p.3



Cheguei até a casa de Sam totalmente aéreo, até que encontrei os anciões reunidos e me lembrei de qual era meu real objetivo. Tudo bem que minha vida estava uma droga, mas havia coisas mais importantes para se pensar no momento. E, sim, eu realmente acabei de constatar que é importante pra mim, pois desde que Nessie me beijou percebi que gostava tanto de que seria impossível continuar a mentir para mim mesmo, então simplesmente admiti – ao menos para mim.
— Então, Sam, por que nos chamou até aqui? — perguntou o velho Quil Ateara, assim que entrei.
— Nós precisamos saber como nos tornamos Espíritos Guerreiros — respondeu Sam, sem rodeios. E mesmo com seu tom e semblante sério, os olhos dos anciões foram totalmente preenchidos com descrença.
— Vocês não podem se transformar em Espíritos Guerreiros! — bravejou ele. — Essa é uma de nossas leis. Ninguém pode voltar a fazer isso.
— E nem se pudesse vocês conseguiriam — continuou meu pai. — Houve alterações na magia em nosso sangue desde aquele tempo.
— Na verdade, eles não podem se transformar, mas eu sim — respondi impaciente. Precisávamos começar logo com isso, não ficar perdendo tempo aqui jogando conversa fora.
— Como você pode saber? — meu pai perguntou espantado.
— Por uma fonte segura. Agora, por favor, digam logo como eu posso fazer isso. — deixei claro minha impaciência na voz. Além de um pouco de desespero.
— Não lhe diremos — disse Sue. — Não é seguro, Jacob.
Eu estava começando a me irritar.
— Não há por que temerem, Seth e eu vigiaremos o corpo dele até que retorne — respondeu Leah antes que eu pudesse planejar uma resposta mal criada a sua mãe.
Eles pareceram pensar por um tempo, entreolhando-se.
— Está bem, filho — disse meu pai, suspirando, mas com o olhar temeroso e preocupado. — Mas por que precisa saber disso?
— É uma longa história, Seth conta pra vocês depois, aposto que ele já planejava fofocar sobre isso mesmo.
— Ei! — ele gritou e eu rolei os olhos. Não era como se eu estivesse contando uma mentira.
— Será que dá para dizerem logo como posso fazer essa merda?! — disse irritado. Eles suspiraram e meu pai me repreendeu com o olhar.
— Você precisa ficar num lugar isolado, silencioso. Para que possa limpar seus pensamentos e expulsar seu espírito do corpo.
Arregalei os olhos. Droga, isso não seria fácil. Como eu limparia meus pensamentos sendo que o que mais venho fazendo ultimamente é pensar?
— Limpar meus pensamentos será impossível — murmurei meus pensamentos.
— Na verdade, não será, Jacob — disse Quil Ateara. — Se você realmente pode se transformar... quando ficar a sós com seus pensamentos, em plena paz... você conseguirá facilmente.
Evitei bufar para não ser repreendido por meu pai mais uma vez.
— Conhecem um lugar assim?
— As montanhas. O topo delas é sempre o lugar ideal.
Pensei no por que meus ancestrais usarem cavernas ao invés de montanhas e percebi que eles deviam ter mais facilidade em controlar seus pensamentos.
— Seth, Leah. — chamei. — Vocês vigiarão abaixo da montanha enquanto isso. Não deixem que ninguém suba até lá, nem mesmo um animal.
Leah gargalhou irônica.
— Como se um animal conseguisse subir no pico de uma montanha. Fala sério, você bebeu, Jake?
Bufei e corei. Ok, eu dei uma viajada, mas a culpa não era minha, afinal, não dormi direito e a garota que até pouco tempo era uma criança aos meus olhos praticamente abusou sexualmente de mim.
— Ok, vamos.
— Tenha cuidado, meu filho.
Assenti e saí da casa de Sam, sendo seguido pelos meus fiéis parceiros.

E lá estava eu, voltando a minha forma humana após subir naquela montanha enorme. Lá o vento soprava tão fortemente, que se eu fosse um humano qualquer já teria sido arremessado de lá. Além de que ali devia estar muito frio, mas graças a minha temperatura eu não sentia nada.
Respirei fundo e chacoalhei os ombros, trazendo um mantra positivo á minha mente de que aquilo seria fácil, de que eu conseguiria. Droga, um mantra é um pensamento... Me repreender é um pensamento... Pensar meus pensamentos é um pensamento...
É, ferrou.

POV
Sentei em qualquer lugar ali – no nada – e esperei, encarando o Guia do Vácuo, que me observava de um jeito irritante.
— Por que ta me olhando assim? — chiei impaciente.
— Estou tentando encontrar algo de especial em você, afinal, não é qualquer uma que consegue fazer tudo o que você fez... Mas não consigo enxergar nada demais.
Bufei e revirei os olhos. Eu também venho tentando entender o motivo de tudo isso á um bom tempo.
— Então somos dois.
— Você queria mesmo voltar a ser humana? — perguntou ele, curiosamente.
— Pra falar a verdade, no começo eu não queria não. Mas não pelo fato de voltar a ser humana, e sim por ter que enfrentar tudo isso que a profecia citou... sendo apenas uma frágil garota sem nada de especial.
— Sabe, essa profecia pode ser uma alegoria.
— Como assim? — perguntei confusa.
— Ela pode ser... bom, como te explicar... Já sei, ela pode ser como uma obra de arte.
— Ainda não entendi — murmurei, arqueando a sobrancelha.
— Uma obra de arte pode significar uma coisa para quem a fez, mas coisas totalmente diferentes para as pessoas que a veem. Enfim, as palavras dessa profecia podem ter várias interpretações... Ás vezes pode significar uma coisa que ninguém fazia ideia de que fosse.
Olhei-o pensativamente e percebi o quanto ele poderia estar certo – e o quanto ele parecia sábio naquele momento, até ficou atraente de novo.
— Eu realmente espero que seja assim — suspirei e abracei os joelhos, olhando para o nada e pensando em absolutamente tudo.

Narração em terceira pessoa
Jacob estava numa dificuldade latente para conseguir concentrar seus pensamentos. Já estava começando a perder a paciência, quando se jogou no chão e fechou os olhos.
Aquilo estava sendo difícil, muito difícil. Talvez aquela feiticeira estivesse errada. Talvez ele não fosse a pessoa certa para salvar ... Talvez não existia uma modo de salvá-la e ela nunca retornaria... Talvez...
Pensar em tantos “talvez” estava perturbando-o, tanto que sentiu um aperto no coração por um desses “talvez” significar que nunca mais veria aquela vampira tão irritante, mas, de alguma forma, tão importante em sua vida.
Era claro que sentia algo por ela, mas não ser capaz de definir esse sentimento é que lhe causava tamanha frustração. Afinal, como ele poderia gostar tanto de alguém se já possui um imprint? Como foi capaz de enxergar alguém além daquela que estaria destinado a amar?
E para piorar as coisas ela era uma vampira. Estava voltando a ser humana, mas isso não mudava o fato de que ele, um lobo, uma vez sentiu atração por uma vampira.
Fechou os olhos e suspirou, concentrando com toda a força seus pensamentos nos sons que era capaz de ouvir. Foi então que percebeu o silêncio absurdo que fazia naquela montanha.
Nada. Absolutamente nada era capaz de se ouvir ali. Apenas o leve som da brisa soprando pra lá e pra cá. E esse “pra lá e pra cá” tornava aquele suave som tão ritmado que ele começou a se perder ali... Podia perceber seus pensamentos se amenizando, sua respiração se aprofundando e seu corpo paralisando... E de repente seus pensamentos não se preocupavam com mais nenhuma coisa e sua mente começava a ficar sonolenta, vazia.
Jacob já não estava pensando em nada, podia sentir isso, mas não constatar, pois não era mais capaz de fazer isso. Nunca algo pareceu tão fácil... e tão relaxante.
Ele se sentiu flutuar, mas era aí que podia perceber... era somente essa a sensação que sentia. Não conseguia mais sentir os braços, as pernas ou qualquer outro membro. Era como se tivesse se dispersando no ar, como fumaça... E quando foi capaz de pensar outra vez, conseguiu enxergar tudo ao seu redor, e era como se uma pequena chave abrisse seus olhos – ou seja lá o que fosse que o permitia enxergar.
Sentiu aquela mesma brisa misturar-se a si e sentiu aos poucos partes de seu corpo se formarem, mas não tão nítidas quanto sempre foram. Era como se fosse apenas uma imagem – um holograma – dele mesmo.
Olhou para baixo e tomou um choque ao ver seu próprio corpo sobre o chão. Piscou os olhos algumas vezes e se conformou com o fato de que agora ele era um Espírito. E não um Espírito qualquer e sim um Espírito Guerreiro. De uma linhagem poderosa e rara.
Aquilo era assustador. Esse momento estava sendo tão surpreendente quanto o que descobriu que as lendas eram reais, que vampiros existiam e que a partir daquele momento ele era um lobo que teria que proteger todas as pessoas do perigo que os frios eram. Assustador era absolutamente a palavra certa para descrever.
Era difícil acreditar que existiam pessoas com realidades tão distintas da dele nesse momento – e pensar que um dia ele foi uma dessas pessoas chegava até ser engraçado. Na verdade, mesmo sendo aterrador descobrir tudo o que realmente acontece no mundo, de alguma forma era revigorante. Saber que você era uma das poucas pessoas que conhecia a verdade do mundo tornava aquilo até que meio especial, e fazia você se sentir privilegiado. Você se sentia livre da mentira, deixando de ser cego e passando a enxergar as coisas como elas realmente são.
Virou o olhar para longe de seu corpo e pensou que agora teria que descer essa montanha novamente. Sentiu vontade de rir por pensar em quantas vezes, quando criança, ele divagou em ideias de como era ser um Espírito guerreiro vagando por aí. Seria como o desenho do Gasparzinho? Eles voavam? Se movimentavam junto ao ar? Não. Era bem mais simples que isso.
Ele podia tocar seus pés no chão, mas sentia seu corpo tão leve que parecia estar pisando na lua. Se sentia mais ágil, mais forte e mais rápido, mas apenas ignorou tudo isso e começou a descer aquela montanha o mais rápido que conseguia. E realmente, era muito rápido.
Chegou até a floresta e pode avistar Leah – loba – correndo ao redor da montanha e Seth fazendo o mesmo do outro lado. Tentou fazer algum sinal para que eles lhe vissem, mas não o enxergaram. Não entendeu por que – afinal, eles agora eram animais, deveriam vê-lo –, mas logo constatou que deveria ser pela parte humana que tinham em si.
De qualquer forma, não poderia perder tempo, tinha que acabar logo com isso. Então foi o mais rápido possível ao rio próximo dali, comandando o vento para que o ajudasse a ir mais rápido.

Um estalo se passou pela cabeça do Guia do Vazio e ele deu um pulo, assustando que estava próxima a ele.
— O que foi? — ela perguntou debochada e curiosa ao mesmo tempo.
— O Portal Universal se abriu — ele arregalou os olhos. — Então é verdade... Ainda há seres capazes de fazer isso.
se levantou rápido e o encarou inquisitivamente.
— Certo, agora faça o que tem que fazer — disse ela, autoritária.
— Eu vou guia-la até chegar ao portal do mundo dos vivos, mas temos que esperar o momento certo.
— E qual é esse momento?
— Precisamos chegar lá no momento exato em que a pessoa de lá entrar no portal.
— E como saberemos?
— Deixe comigo.

Edward estava cada vez mais preocupado com . Tentou se repreender por não pensar nos sentimentos de sua filha estarem aflorando agora e o quanto a faria sofrer descobrir que Jacob preferia outra, mas tudo o que pode pensar era que isso não tinha nenhuma importância agora.
Fechou os olhos e concentrou-se. Estava sentado ao lado de na cama e Rosalie estava encostada na parede os observando. Pode ouvir os pensamentos dela se intensificando, e os dos vampiros do andar debaixo também, mas tentou focar seus pensamentos apenas no que acontecia dentro do corpo de .
Jacob não entrara em detalhes sobre o sonho que teve com a feiticeira, mas Edward pode descobrir cada detalhe, cada palavra que conversaram. Então ele sabia que quando o sangue chegasse ao coração de sua irmã e sua alma não estivesse no corpo ela morreria instantaneamente. Isso o preocupava muito, pois esse momento estava muito próximo e não sabia se Jacob seria capaz de trazê-la de volta a tempo.
Suspirou e abriu os olhos, constatando que realmente faltava pouco tempo. Concentrou seus pensamentos no de Alice e se decepcionou por saber que ela não conseguia enxergar nada sobre .
— O que há, Edward? — Rose perguntou, preocupada também, mas sem saber o porquê.
— Jacob precisa se apressar — murmurou ele. — não tem muito tempo.
— Do que você está falando?
— Quatro minutos. É o tempo que dou para que o coração de volte a bater.
Ela sorriu.
— Mas isso é uma coisa boa... não é?
— Não, Rose — ele suspirou, impaciente. — Em quatro minutos estará morta se Jacob não se apressar.

Jacob avistou o rio bem próximo a si e comandou o vento a lança-lo com toda a rapidez até lá, para que pudesse mergulhar. Antes mesmo de seu “corpo” se impactar na água, ele pode vê-la transformando-se... Ela rodou como se um ralo tivesse sido aberto e mostrou uma escuridão profunda, como um buraco negro.
Jacob pensou em reverter sua ação, mas antes que pudesse já havia sido arremessado dentro do portal. Prendeu a respiração, mas não era como se precisasse.
Seu corpo afundou para bem longe do portal e começou a sentir receio de não encontrar o caminho de volta... Porém, foi quando a avistou que todo o receio e a preocupação ficaram de lado. Nada seria mais importante do que ajuda-la.
Seus olhares se encontraram e ele sentiu uma pontada estranha e extremamente forte no peito ao enxergar o brilho que existia nos olhos dourados dela. Podia perceber a surpresa que ela sentia por vê-lo ali, mas isso só o motivou mais. Fazê-la enxergar que ele era o único que podia ajuda-la e que aquele idiota do Oliver não servia para nada naquele momento.
Um ser estava com ela, mas desapareceu assim que o enxergou, sorrindo para Jacob como se soubesse o que faria. Jacob nadou na escuridão e agarrou a mão de o mais firme possível, como se sua vida dependesse daquilo.
Observou seus olhos e viu a confiança – além da incredulidade – que esbanjava deles, assim como ela enxergou a determinação que esbanjava dos dele.
Ela também firmou o aperto de suas mãos, sentindo-se segura apenas com aquele toque, e fechou os olhos.
Jacob tentou pensar em como voltaria, mas antes que fizesse alguma coisa, sentiu seu corpo ser sugado, puxado de volta numa velocidade incrível. E durante cada segundo que era sugado, não ousou diminuir o aperto de sua mão na de por nenhum segundo. Não arriscaria perde-la ali... Não arriscaria perde-la nunca mais.
Assim que saíram da água, Jacob a segurou contra si o mais forte que conseguia. Queria poder sentir o calor de seus corpos unidos novamente, mas como eram apenas Espíritos, não foi capaz de realizar esse pequeno e secreto desejo.
Você está bem?, tentou dizer, mas tudo o que conseguiu fazer foi pensar forte. E assustou-se ao perceber que ela assentia, respondendo.
Eu não sabia que seria você, ouviu a doce voz dela em seus pensamentos e sorriu. Fazia tanto tempo que não ouvia aquela voz irritante, que agora ela parecia ser a mais linda do mundo. Obrigada, Jacob. Por se arriscar... por me salvar.
Ele a encarou, pensando no que poderia dizer. Milhões de frases ecoavam em seus pensamentos – Eu faria isso e mais por você, você merece tudo o que fiz, não me arrependo de salvá-la, me importo o bastante para não te deixar... –, mas nenhuma que tivesse coragem em dizer. Na verdade, ele queria agir ao invés de dizer. Queria beijá-la, abraça-la e nunca mais deixar que fosse para longe de si. Mas reprimiu seus pensamentos e afastou-se, fazendo com que ambos sentissem como se estivessem perdendo uma parte de si.
Você precisa voltar, ele respondeu. Ela assentiu. Vamos, eu te levarei.
E os dois foram em direção á mansão dos Cullen, mas sem trocar mais nenhuma palavra.

Assim que chegaram lá, virou-se para Jacob, mas ele já não estava mais ali. E de alguma forma, não enxerga-lo lá lhe tirou um pouco da confiança e do conforto que sentia antes.
Suspirou e entrou em casa. Finalmente, estava de volta á seu lar. Seu corpo atravessou a parede e ela riu com o quão estranho aquilo pareceu.
Pode ver todos os que amava presentes naquela sala e sentiu vontade de chorar de tanta saudades que sentia. Todos eles pareciam preocupados e nenhum pronunciava sequer uma palavra. O silêncio era absurdo, e tão incomodo que ela sentiu vontade de gritar para eles, mas sabia que eles não poderiam ouvi-la.
Viu Alice e Jasper sentados de mãos dadas no sofá e sorriu, aquela era uma cena tão típica de se ver, que sentiu uma certa nostalgia a dominar.
Carlisle observava o céu pensativo e preocupado, enquanto Esme alisava seu braço.
Emmett estava sentado ao lado de Bella e notou o quanto o olhar dele estava apagado e preenchido de culpa. Sentiu-se tão incomodada com aquilo que quase foi para abraça-lo, mas parou ao perceber que de nada adiantaria, pois não podia tocá-los.
Suspirou, não tinha nada mais a fazer aqui, tinha que voltar a seu corpo.
Foi em direção a seu quarto e sentiu uma pontada no peito alertando-lhe, como aquela da ligação com sua alma – então percebeu que estava no caminho certo. Observou seu quarto e viu Edward sentado ao lado de seu corpo na cama, segurando sua mão. E Rosalie ao seu lado, com uma mão no ombro de Edward.
Ambos tinham uma esperança e preocupação tão grande no olhar que sentiu-se sortuda por ser tão amada. Jamais conseguiria amizade tão verdadeira quanto aquela.
Aproximou-se dos dois e sorriu os olhando, sentindo vontade de chorar. Era como se ela fosse invisível, mas mesmo assim podia aproveitar aquele momento – á sua maneira. Deixou suas mãos pairarem levemente contra o rosto deles – mesmo não podendo tocá-los e sorriu quando eles olharam para o lado, sentindo algo, mas não sabendo o que.
sorriu satisfeita e foi em direção a seu corpo, notando o quanto ele parecia diferente. A beleza inumana continuava, mas agora seu corpo tinha mais cor, assim como suas bochechas estavam levemente rosadas. Seus olhos não continham mais olheiras e o sangue se espalhava por seu organismo rapidamente, chegando cada vez mais próximo ao coração.
Sem perder mais tempo, deitou-se sobre seu corpo... então sua alma estava novamente onde devia estar.

POV
Senti meu peito esquentando aos poucos e comecei a sentir uma ardência onde devia estar meu coração. Escutei meu sangue chegando até ele e percebi que ele começava a bombeá-lo... meu coração começava a bater novamente.
Meus pulmões fizeram com que meus lábios puxassem uma enorme quantidade de ar para eles e eu pude sentir o oxigênio purificando-os. Eu estava respirando de novo.
Mal abri os olhos e senti braços me agarrarem. Eu estava sendo sufocada por dois vampiros extremamente lindos e chatos. Mas que eu amava tanto.
— Finalmente você voltou — Edward soluçou e eu notei que era a primeira vez que o via chorando. Bom, pelo menos chorando no modo vampiresco.
— É, estou de volta — consegui responder, apertando os dois em meus braços e sentindo meus olhos juntarem lágrimas.

N/A: Eu sei, eu sei... To escrevendo cada vez pior. Ando meio desleixada, mas prometo que vou melhorar, garanto!
Mudando de assunto... Eu finalmente posso ouvir o coro de aleluia??? Então, o momento que vocês queriam chegou, ela voltou a seu corpo... Mas o que será que vem a seguir? Além das complicações amorosas será que acontecerá mais alguma coisa misteriosa? HAHAH Fala sério, acho que vocês já me conhecem o suficiente para saber essa resposta né :B
Quero agradecer as flores lindas que são as novas leitoras que deram as caras por aqui e pedir para que nunca abandonem a fic. Não só as leitoras novas, mas as antigas também, pois já estou dando falta de algumas mimimi.
Estou mandando esse capítulo bem cedo, antes mesmo de ver seus comentários pelo capítulo anterior... Então espero que me recompensem muito por isso enchendo-me de comentários ;)
Ah, e eu queria avisar que criei um Formspring para que vocês possam estar me fazendo perguntas. Podem perguntar o que quiser! Sobre a fic, sobre mim, qualquer coisa. Quer dizer, só não me perguntem o que vai acontecer na fic, pois não solto spoilers hahaa
Que tal perguntarem sobre meus projetos de fics ou algumas coisas que não entenderam em Lua De Sangue e querem uma explicação? Eu respondo na hora! ;) Aliás, não precisa de cadastro para perguntar, pode perguntar até como anônimo, então as leitoras fantasmas podem participas tbm HAUSHUAHSU
Vão nesse link para me fazer perguntas>>> www.formspring.me/Kellykpc
Então é isso, vou me calando por aqui e esperando os comentários foffs de vcs!
Beijoooos ;*






35. Revelações




Oliver estava com uma postura rígida, séria, e uma aura tão misteriosa que cheguei a pensar que não fosse ele ali. Seu olhar nefasto, fazia seus olhos verdes praticamente sugarem minha alma. Um arrepio percorreu por minha espinha, mas não fui capaz de entender o que aquilo poderia significar.

— É bom te ver — murmurou ele. Sua voz era grossa, rouca, como se ele não a usasse á dias. Sua expressão era tão fria, que parecia que ele tinha passado pelo inferno, mas mesmo sua voz soando fria, indiferente, havia uma intensidade nítida nela.

A saudade gritou dentro do meu corpo, eu queria abraçá-lo, sentir seu cheiro e ver seu sorriso resplandecente mais uma vez, mas algo me impedia. Eu simplesmente não conseguia mover um músculo, não tinha certeza se era pela surpresa momentânea em vê-lo, ou por ele parecer diferente, distante. Mas o que impedia Oliver de me abraçar? O que lhe acontecera? Ele definitivamente não era assim.

— Eu senti sua falta — murmurei e me surpreendi por minha voz ter soado tão chorosa. Eu sempre soube que gostava de Oliver, mas não fazia ideia do quanto.

Por um momento pensei ter visto o olhar amistoso do antigo Oliver, mas foi tão rápido que não pude ter certeza.

— Eu também — sua voz soou cortante, fraca. — Mas venho me despedir.

— O que? — arregalei os olhos, sentindo um desespero inesperado crescer em mim. — Por quê?

— É complicado... Preciso ir, — respondeu. Senti meus olhos marejarem e instintivamente dei um passo em sua direção, mas parei quando ele recuou.

— Por que está tão distante? — perguntei dolorosamente. Ele fechou os olhos, como se sentisse dor.

— Por que você merece ficar longe de mim.

— Que papo é esse?

, você não pode simplesmente facilitar isso pra mim? Não é como se tivesse retribuído meus sentimentos mesmo.

Abaixei o olhar. A culpa me dominava por completo agora. Não é como se eu não tivesse tentado amá-lo.

— Apenas me diga por que está agindo assim — murmurei, tristemente.

Ele hesitou, mas se aproximou um passo.

— Por que preciso te esquecer.

— Por quê? — levantei o olhar até o dele e vi a dor contida ali.

... — ele suspirou. — Você se tornou humana agora.

Gelei. Entrei em um choque tão grande, que fiquei sem dizer nada por dois minutos completos. Como ele sabia disso? Como ele descobriu? Ele parecia respeitar minha surpresa, pois esperou pacientemente até que eu me pronunciasse.

— C-como...

— Como eu sei? — ele riu levemente. — Eu sempre soube que você era uma vampira. Uma vampira totalmente diferente, mas ainda sim, não era humana.

— Por que se envolveu comigo então?

— Por que me apaixonei por você. — ele passou a mão por meu rosto tão delicadamente, que meus olhos tremularam, fechando-se conforme a caricia dele continuava em minha pele.

— Você não devia... Era perigoso.

— Não, não era.

— É claro que era — abri os olhos, as lembranças da noite em nos beijamos pela primeira vez clara em minha mente. — Uma vez eu quase te ataquei! Se não fosse por Edward e Rosalie, você estaria...

— Não, eu não estaria morto, .

Ele parecia impaciente agora, como se quisesse dizer alguma coisa.

— Por que está teimando tanto sendo que isso é um fato?

Ele suspirou frustradamente.

— Por que também é um fato eu ser um filho da lua imune a veneno de vampiro.

Arregalei os olhos e me vi dando um passo para trás.

Filho da lua. Filho da lua. Filho da lua... Será que ouvi direito?

Não... isso não podia ser verdade. Por que um filho da lua se relacionaria com uma vampira? Como eu não perceberia isso namorando-o por dois anos?

Lembro-me perfeitamente de quando li naquele livro que os Volturi exterminaram completamente os filhos da lua... Apesar que aquele livro foi escrito por um bando de feiticeiros, mas ainda sim, havia histórias como essa nos diários de Carlisle. Além disso... Era impossível namorar um lobisomem e não perceber o que ele é, ainda mais sendo vampira...

Foi quando uma memória pequena surgiu em minha mente...

— Onde você foi ontem à noite? — perguntei a Oliver, enquanto caminhávamos abraçados por uma praça em Forks. O tempo, como sempre, não estava muito bom, então não havia quase ninguém por ali.

— Onde? — perguntou confuso.

Dei de ombros.

— Te liguei três vezes ontem a noite para perguntar se você iria até minha casa hoje, mas ficou na caixa postal em todas elas.

— Tenho o sono pesado — murmurou distraído e eu assenti compreensivamente, mas me lembrando das noites passadas em que ele atendia algumas de minhas ligações, no primeiro toque, de madrugada.


Tentei relembrar aquele dia... Sim... passei a madrugada inteira contemplando, pela enorme janela de vidro da mansão, a imensa e linda... lua cheia. Eu sempre admirava o intenso brilho da lua, sempre observava maravilhada aquela enorme forma prateada no céu, ainda mais em noites de lua cheia... Eu não podia estar enganada, lembro-me perfeitamente que naquele dia fiquei sentada no chão da sala olhando o céu com o celular na mão... Por isso ele não atendeu minhas ligações, por isso deu uma desculpa esfarrapada... por isso ele desaparecia todos os meses durante apenas uma noite... Céus, como pude ser tão cega?

Senti meu corpo transpirar e minha respiração acelerar, mas tentei manter a calma apesar disso.

— Sei que é difícil de acreditar, mesmo você fazendo parte desse mundo sobrenatural... mas peço que não tenha medo de mim, por favor... eu seria incapaz de te machucar... — seus olhos imploraram, enquanto ele me estendia a mão. — Confie em mim, ...

Olhei para sua mão por meio segundo, enquanto tentava reprimir o medo para não magoá-lo, mas parecia ser meio tarde para isso, pois seus olhos tornaram-se tristes e sua mão foi recolhendo-se devagar. Agarrei-a sem pensar duas vezes e trancei meus dedos nos seus.

Ele sorriu levemente.

— Sempre? — perguntei, engolindo em seco.

— Sempre — respondeu, entendendo minha pergunta não específica. — Desde que nos conhecemos, desde que entrei naquela escola... desde que os filhos da lua foram sendo exterminados um a um pelos Volturi há séculos atrás... desde que fui transformado em 1567.

Fechei os olhos, sentindo minha mente sobrecarregada, mas os braços de Oliver me confortaram e fui conseguindo voltar ao normal aos poucos.

— Por que não me contou?

— Você era uma vampira, . Você pertencia a um clã. Percebi logo que você era diferente ao ver seus olhos claros e seu cheiro leve, mas ainda sim éramos inimigos naturais... Mas havia algo em você que me atraía, eu não conseguia evitar. Você pensa que a primeira vez que te vi foi na aula de Educação Física? Não... Eu te vi assim que pousou os pés naquela escola. Tentei negar, tentei fugir, mas não pude.

Sangue de filho da lua... A voz de Ray tilintou em minha mente. O feitiço jogado em mim para ser a escolhida continha sangue de filho da lua! Essa ligação que tínhamos podia ser por isso... Só podia ser por isso.

Suspirei. Era tanta coisa para minha cabeça, que a ficha ainda não tinha caído totalmente. Oliver não podia ser um lobisomem original... Ele era o meu Oliver. O garoto mais simpático e encantador que já conheci na vida, o garoto que tinha um futuro promissor o esperando. O jovem garoto talentoso que sabia compor músicas, cantar e encantar pessoas. Oliver era mais humano do que eu jamais fui.

E então eu percebi. Não era que a ficha não tinha caído, era simplesmente por eu não querer aquilo para ele, eu estava me recusando a acreditar. Sempre pensei no que ele poderia conquistar depois que eu fosse para o Alasca – depois que saísse completamente de sua vida –, mas tudo isso parecia tão distante e irreal com ele fazendo parte desse mundo...

— Hey, — Oliver disse suavemente. Só percebi que estava chorando quando ele limpou minhas lágrimas com os polegares delicadamente.

— Eu sinto muito — chorei, abraçando-o.

— Pelo que?

— Por você... ser o que é, enquanto eu, tão inútil, tenho uma vida para viver como qualquer outro humano.

... — ele riu, como se o que eu dissesse fosse bobo. — Sou um lobisomem á centenas de anos. Sou mais velho que Carlisle, até. Já me conformei com o que sou a muito tempo, faz parte de mim, de quem sou. E mesmo se eu não tivesse me conformado com isso, que culpa você teria? Você teve uma chance incrível de se tornar humana novamente. Deve aproveitar, não sofrer pelas pessoas que não tiveram a mesma sorte que você.

Suspirei. Oliver sempre tinha a coisa certa para dizer. Sempre conseguia me acalmar, confortar e deixar-me bem. Por que não consegui me apaixonar por ele? O que me impedia?

— Por que você disse que veio se despedir? — mudei de assunto, mas me arrependi no mesmo instante. Essa era a última coisa que eu queria falar no momento. Não queria pensar em ficar longe de Oliver, pois mesmo não amando-o, ele fazia parte da minha vida, não queria perde-lo. Aliás, eu o amo sim, mas não como deveria.

Ele desviou o olhar do meu.

— É perigoso para você — apertou os lábios. — agora que você é humana...
— Só por isso? — perguntei sem acreditar. — Não, Oliver! Só por que eu sou humana agora eu tenho que te perder? Nem pensar.

, você pode se machucar. Quando nós, filhos da lua, nos transformamos, nós vamos direto á pessoa a qual temos uma maior ligação. E se eu perder o controle quando estiver perto de você? Eu sempre me trancafio para que você não sofra nenhum risco, mas se um dia eu escapar?

— Não sou tão indefesa.

Ele me olhou como se eu fosse uma criança teimosa e suspirou.

...

— Estou falando sério — o cortei. — Não tenho certeza se isso vai continuar ou se é passageiro, mas descobri que ainda possuo todas as capacidades vampirescas. Posso me curar rápido, correr na velocidade da luz, ouvir coisas a quilômetros de distância... e não duvido nada que meus poderes continuam comigo também.

Oliver com um misto de surpresa e incredulidade.

— Então você não é uma humana normal?

— Estou longe de ser.

— Eu não tenho certeza do que isso pode significar para mim... para nós. Mas fico extremamente aliviado de ouvir isso. Ao menos você poderá se proteger de qualquer coisa que possa te machucar... como eu.

— Você nunca me machucaria — afirmei com uma certeza inesperada.

— Não conscientemente, mas... , o melhor é que eu vá.

— Você não precisa ir — sussurrei. — Eu não quero que vá.

Ele olhou em meus olhos com tanto amor e carinho que não consegui desviar. Havia mesmo uma ligação entre nós dois, eu não podia negar.

— Eu não quero ir — acariciou minha bochecha, ainda olhando em meus olhos. Senti minha pele se arrepiar e pensei no que isso poderia significar. — Eu não quero te deixar... — sussurrou, encostando sua testa na minha. Nossos lábios estavam tão próximos que nossas respirações misturavam-se. Meus olhos se fecharam e uma expectativa grande me dominou. Minha mente ofuscou confusa quando constatei que queria beijá-lo. Queria mesmo. — Eu te amo tanto...

Nossos lábios se uniram e meu corpo esquentou. Nunca havia sentido algo assim quando beijava Oliver, mas agora parecia ser tão especial que comecei a indagar se estaria começando a gostar dele. Realmente gostar. O contato era leve, simples, especial demais para se tornar agressivo ou selvagem.

O beijo dele era tão doce... seus lábios eram tão macios e suaves... Por que estou me sentindo assim com um beijo de Oliver? Houveram tantos em nossas histórias e nenhum significou tanto... Será que...?

Mas... Deus, eu também sentia algo por Jacob. Por Jake parecia ser infinitamente mais forte, mas algo me impedia de me afastar de Oliver, de vê-lo longe de mim.

Minha mão começava a percorrer o caminho até sua nuca, para aprofundar o beijo, mas parou quando um alto uivo partiu no céu. Cortei o beijo e senti uma dor rasgar meu peito dolorosamente. O uivo era agoniante, sofrido, tão doloroso que eu podia jurar que senti minha alma estremecer.

O som era tão alto que o chão tremeu sob meus pés, tão forte que um arrepio circulou meu corpo... Era cortante, de partir o coração.

Tristeza, sofrimento, dor... Se houvesse um som que pudesse definir essas palavras, com certeza seria esse uivo. E mesmo não podendo saber, tive absoluta certeza de que ele provinha de Jacob. E constatar isso fez com que a dor se aprofundasse mais em meu peito e uma vontade absurda de chorar nascesse em mim.

, você está bem? — perguntou Oliver, preocupado.

— Quero ir para casa — murmurei, sentindo minha voz mais embargada e dolorosa do que nunca.

— O que aconteceu? Por que está chorando? O que você tem? !

Meu peito parecia rasgar por dentro, mas eu podia perceber que aquele não era um sentimento meu. Era como um reflexo... um reflexo dos sentimentos de outra pessoa, que misturava-se aos meus. Minha visão tornou-se turva e minhas pernas fraquejaram ao contorcer de meu coração. Enfiar milhões de alfinetes no meu coração, um de cada vez, doeria menos.

— Por favor, pare — chorei, escorando-me numa árvore. Mas não disse isso para Oliver... A dor que eu sentia era tanta, que parecia ser minha, mas de alguma forma eu tinha certeza de que era de Jacob. Eu sentia sua dor. — Pare!
Meu grito foi tão alto, que Oliver recuou assustado.

O uivo se sessou.

Abri os olhos, mas as lágrimas embaçavam minha visão. A dor pareceu adormecer agora, mas permanecia ali, presente. Jacob estava sofrendo... mas por quê?

— Me desculpe.

Olhei para Oliver sem entender.

— Pelo que?

Ele ficou mais confuso.

— Não sei, mas acredito que fiz algo errado.

— Apenas me leve para casa — sussurrei fracamente.

Ele fez menção de me pegar no colo, mas eu apenas enlacei meu braço em sua cintura, como se estivesse me escorando sobre seu corpo. Como se minhas pernas não bastassem para me manter firme. Oliver pousou seu braço em meus ombros, e assim caminhamos até minha casa.

Ao chegarmos, nos deparamos com Nessie e Esme na sala de estar. Elas pareciam surpresas por ver Oliver junto a mim, mas havia algo diferente em seus olhares. Elas o encaravam de um modo misterioso e receoso.

— Olá Oliver — disse Renesmee, mas aquele brilho encantador, que ela dava toda vez ao vê-lo, não estava presente.

— Oi Nessie. Esme. — disse ele, sorrindo educadamente para elas e colocando-me no sofá, mas havia uma tensão em seus ombros que me fez desconfiar da situação mesmo estando totalmente preocupada com Jacob, com o que poderia ter lhe causado tamanha dor.

— É bom te ver — Esme sorriu docemente. — Quer alguma coisa? Está com fome, sede?

— Não, obrigado, já estou de saída.

— O quê? Não! — gritei desesperada. Eu precisava dele comigo para me sentir melhor. Se ele fosse embora, eu teria que aguentar a dor de Jacob e a minha própria.

Ele me olhou sem entender nada.

— Achei que precisasse ficar sozinha... ou simplesmente longe de mim.

— Não quero que vá — murmurei chorosamente, puxando-o para sentar-se ao meu lado. — Preciso de você.

, o que está acontecendo?

— Apenas quero que fique — menti. Ele não entenderia... nem mesmo eu entendia.

— Tudo bem. Se é o que quer...

— Mas não foi isso que combinamos — Nessie murmurou friamente e tão baixo que, se minha audição não continuasse tão boa, eu não teria ouvido. Oliver a encarou sério, negando com a cabeça, como se dissesse “agora não”.
— Espere, o que? — perguntei, encarando Renesmee inquisitivamente.

Ela olhou em meus olhos inocentemente, mesmo que um pouco surpresa por eu ter sido capaz de escutar.

— Nada, — ela riu nervosamente. — Estava pensando alto. Que Jacob e eu precisamos remarcar o passeio que combinamos.

Abaixei os olhos. As palavras dela mexeram comigo. E não por ela ter mentido pela primeira vez para mim e sim por ter mencionado Jacob.

— Eu ouvi o que você disse — murmurei friamente. — Não minta para mim. Diga a verdade.

Ela me olhou com culpa e abaixou os olhos arrependida.

— Não posso.

— Tudo bem — Oliver suspirou. — Não faz diferença, ela já sabe.

— Como?! — Nessie pestanejou. — Você contou?

Ele assentiu e ela arregalou os olhos, olhando-me como se analisasse minhas expressões.

— Eu fiz um acordo com os Cullen, — respondeu Oliver. — Que eu me afastaria de você, para sua segurança.

— O... o que? — perguntei fracamente, sem conseguir acreditar que minha família já sabia de Oliver e que tentaram manda-lo para longe de mim sem que eu soubesse.

— Quando eles descobriram que você podia correr risco quando eu me transformasse, eles disseram para eu tomar uma providência. E como eu disse que não poderia garantir 100%, eles disseram para me afastar... se eu realmente a amasse.

— Como é que é? — urrei, levantando-me do sofá e andando em círculos pela sala. — Eu não posso acreditar que eles fizeram isso — murmurei nervosamente, passando as mãos pelo cabelo num ato um tanto compulsivo. — Eles não podiam ter tomado essa decisão, não podiam ter feito isso... E como eles souberam sobre você? Ah... Edward deve ter visto em seus pensamentos.

— Não, ele não pode ler meus pensamentos. Bom, na verdade ele pode ver o que eu quero que veja.

— Como é?

— Nós, filhos da lua, possuímos um tipo de sensor... quando algum vampiro tenta usar seus poderes contra nós, conseguimos perceber e desviar. Ao menos, os poderes mentais sim.

— Ahn, então como descobriram?

— Ele se revelou — respondeu Renesmee. Encarei-a. — Quando você desapareceu... havíamos perdido as esperanças de te encontrar, então ele apareceu e disse que sabia onde você estava.

— O que? — arregalei os olhos.

— Quando você desapareceu, te procurei por todos os lugares dessa cidade. E encontrei seu rastro.

— Meu pai acredita que a feiticeira conseguiu bloquear seu cheiro e o dela dos vampiros e dos Quileutes, mas não chegou a pensar em filhos da lua.

Olhei para Nessie e ela possuía uma expressão tão indecifrável, que por um segundo pensei ter enxergado Edward ali.

— Fui capaz de te encontrar. Queria te resgatar eu mesmo, mas quando não estou transformado minha força não é tanta, então pensei que não seria capaz de enfrentar quem quer que fosse que tivesse te sequestrado e a situação continuaria a mesma. Me revelei para sua família e, á noite, que por sorte era de lua cheia, eu os guiei até o local. Resgatamos você... e eu jurei a mim mesmo que aquela seria a última vez que te veria. Mas fui fraco demais e tive que voltar para me despedir, ou essa era a desculpa que eu dava a mim mesmo.

Abracei Oliver. Apesar de toda aquela história, ocultada descaradamente, ser surpreendente e esclarecedora, minha mente encontrava-se ocupada com duas outras preocupações, totalmente distintas: perder Oliver e o que acontecera a Jacob.

— Você fez bem. Não deixarei que vá para lugar nenhum — murmurei, afundando meu rosto na curva de seu pescoço. Sua pele se arrepiou.

— Mas ... é arriscado para você — disse Nessie, preocupada.

— Não importa.

— a voz de Edward surgiu na sala e eu olhei para a porta pelo qual ele surgiu rapidamente. — É claro que importa, não banque a teimosa.

— Droga garota, você sempre tem que estar perto de algum ser que não posso ver? — Alice chiou irritada, chegando logo em seguida. — Se eu tivesse visto essa discussão, teríamos chegado mais cedo.

— Não adiantaria de nada, pois não mudo minha opinião por nada — murmurei. — Como puderam tomar essa decisão por mim? E por minhas costas?

— Queríamos protege-la — disse Rosalie.

— Sou eu que tomo as decisões sobre minha vida!!! — gritei irritada.
, você não compreende... Você não é mais uma vampira indestrutível, qualquer coisa pode fazer você em pedaços agora.

— Isso mesmo, temos que protege-la de qualquer perigo.

Meu corpo esquentou numa temperatura equivalente a dos lobos Quieleutes e meu olhar pintou-se nas bordas num vermelho vívido. Um vermelho escarlate e selvagem.

Sempre odiei quando as pessoas tentavam se meter em minha vida, cuidar do que não lhes interessava... Eu me sentia incapacitada, retardada, como se não tivesse opinião própria. Por isso, não fui capaz de controlar a fúria que me dominara em questão de segundos.

— Só por que vocês não estão vivos, não significa que têm que roubar minha vida e vive-la do jeito que quiserem! Eu tenho uma notícia para vocês: a vida é MINHA!

Eu sabia que tinha pegado pesado, mas não me arrependia. Aquilo me irritou tão profundamente que senti meus ossos queimarem como uma lava flamejante. Todos me encaravam chocados, mas não parecia ser por minhas palavras.

Meu cabalo voava por meu rosto e, ao notar isso, virei o olhar para que estava ao meu redor e notei todos os móveis flutuando no ar, inclusive o sofá com Oliver em cima. Arregalei os olhos quando percebi o que acontecia.

— Meus poderes... — sussurrei, observando a palma de minha mão tão quente e resplandecente, como se estivesse pegando em chamas, mas não chamas de fogo e sim de poder, exalando o poder. Ergui a mão até frente ao rosto e sorri com prazer, fechando-a em punho agressivamente, numa ordem silenciosa. Os seres presentes pareceram escapar do choque ao soar estrondoso dos objetos voltando ao chão. Sorri num deleite latente, satisfeita. — não foram embora.



N/A: Bom, é a partir de agora que as coisas vão se tornar mais sérias na fic. Muita coisa vai rolar: romance, ação, mistério... Falando em mistério, a coisa do Oliver foi bem legal né? (eu acho, pelo menos). Confesso que no meu roteiro original, ele seria apenas um humano que se relacionaria com a , mas sabem como é, me apeguei ao personagem... E, bom, se não fosse por ele, os Cullen não teriam a encontrado.

Agora falando sobre isso que está acontecendo entre a e ele é uma coisa um tanto complicada que será mais explorada daqui uns capítulos, não sei ao certo, mas é capaz que possa ser no próximo. Vocês terão uma surpresa em breve e aposto que ficarão animadas, porém, não envolve beijos, amassos e coisa e tal com Jacob. Será algo bem legal.

Agora a parte que sentiu a dor de Jacob, eu tentei mostrar a vocês o quanto eles estão ligados. Pode ser (não estou afirmando nada!) que essa “coisa” entre eles seja mais poderosa que o imprint, mas enfim, vocês verão.
Vocês também perceberam uma insinuação de triângulo amoroso? Lógico né. Apesar que está mais para quarteto... mas Renesmee logo não será um problema. Ok, já estou falando demais :X

Fiquei muito animada com esse capítulo, foi o mais fácil de escrever... tudo fluiu tão naturalmente que quando me dei conta o capítulo já estava pronto em apenas duas horas. Isso mesmo! DUAS horas! Meu record. Normalmente um capítulo leva uma hora de cada dia numa semana...

Bom, chega de falar pq to meio tagarela ultimamente e isso não é legal. Enfim, espero que tenham gostado tanto quanto eu gostei desse capítulo!

Comentem! Beijooos

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