7 de junho de 2012

The Precious Blood by Déh (a partir do capítulo 37)

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CAPÍTULO 37
AMANHECER


Hoje amanhecemos com uma poesia nova a  nos constituir.
Poesia de uma doçura infinda e um calor sem tamanho...
O calor do teu abraço.
Um aperto solene que reacende todas as nossas estrelas,
Nos trás a dimensão e compreensão deste sentir
Enraizado n’ alma.
E de instantes e instantes, sem tamanho,
Florescemos para a vida.

            Foi devagarinho e foi lindo. O sol brotou por entre as nuvens pesadas dos céus de La Push, fazendo o dia surgir glorioso. Jacob estava sentado em uma poltrona bem em frente a cama com uma visão descomunal, na sua opinião. Sorvia uma xícara de café quente e olhava fixamente para ela, nua, dormindo profundamente depois de uma noite inteira de amor.
            Sim, eles repetiram mais vezes, Jacob matou toda a vontade que sentiu dela durante todo aquele tempo. Ou, pelo menos, parte da vontade, pois esta crescia cada vez que ele lembrava da sensação que era estar dentro dela. Tudo se repetiu desde o primeiro instante, quando não permitiu que ele saísse de dentro dela. Eles se beijaram juntos daquele jeito, e não demorou muito a excitação de Jacob ficou potente novamente, crescendo dentro de . Jacob se lembrava com um arrepio em seu corpo o gemido que ela deu quando ele a estocou repentinamente, depois de curto intervalo após um orgasmo intenso.
            Já naquela segunda transa ele conseguiu se conter, a custo, e somente com o movimento de seus quadris, com as estocas de seu membro nela, teve três orgasmos antes que ele não suportasse mais e também se perdesse em um. Depois ele dormiu, cansado, por algum tempo. Acordou com o beijo dela em suas costas e suas mãos acariciando seu corpo. E novamente se amaram, caindo exaustos no colchão da cama, que já tinha sido quase toda destruída.
            Sentado ali, observando sua mulher dormir, Jacob começou a refletir sobre a sua vida antes dela. Quando ele se vestia de uma armadura forjada de homem inalcançável, quando se fazia de arredio e denso sem precisão, quando caminhava pelas noites colocando mulheres sem rosto em sua cama. Se lembrou da época em que deixou sua alma adormecida e calada, guardando em silêncio suas inúmeras fraquezas e vontades. Por vezes ele se via desgastado na frente do espelho, frustrado. Se via como um espectro do que queria ser, mas escondia de si mesmo aquilo que procurava.
            Depois de chegar de uma noite com uma mulher qualquer ele se sentia vazio… Despia-se de sua armadura nestes raros momentos, lavava sua alma enrijecida no banho demorado e tirava suas lentes de olhos duros e seguros. Confessava seu cansaço de si mesmo numa casa vazia e gelada, sentando em uma poltrona tomando um drink qualquer, que não tinha efeito algum, e mirava um ponto negro e sem sentido na parede. Ficava só, remoendo sua tristeza, seu rancor, seu vazio. Escondia-se, fugia, mas tudo o que ele queria, na verdade, era um amor, um lugar para recolher seu corpo com calor suficiente para derreter o que estava congelado… só queria um sorriso para lhe colorir a alma, ele só queria um amor, mas não sabia disto.... ou não queria saber.
            Quantas noites ele passou assim até ela aparecer? Jacob respirou fundo, aliviado. Não era mais assim, nuca mais seria. A noite tinha cedido seu espaço, estava amanhecendo.
            começou a se remexer na cama, acordando. Seus braços esticaram-se e ela se espreguiçou, abriu os olhos lentamente e encarou Jacob, que lhe dava um sorriso de lado. Ele estava vestido com uma cueca preta e tinha uma xícara na mão. Ela também lhe sorriu, marota.
_ Bom dia esposa… - Ele disse.
_ Bom dia marido… - Ela respondeu, se sentando e colocando o lençol na frente do corpo.
            Jacob sorriu e estendeu os braços, deixando a xicara de lado e indo em direção a cama. Sentou-se perto dela e a abraçou por trás. Esfregou o nariz no pescoço dela, farejando, e descendo pela linha da coluna. Aquilo causava um arrepio leve e gostoso.
_ Me prometa que eu sempre vou acordar com este carinho... – ela sussurrou de mansinho, mantendo os olhos fechados e um sorriso nos lábios.
_ Me prometa nunca mais sair da minha cama... – ele respondeu, fazendo-a rir.
_ Prometo tudo o que você quiser... – levou seus olhos de encontro aos dele e disse: - Agora sou tua... só tua...
            Jacob abriu os lábios devagar, e foi como se um sol despontasse com aquele sorriso. Foi a coisa mais linda que já viu, muito mais lindo que o sorriso ofuscante dos elfos, mais quente do que qualquer chama. E depois veio o som do riso dele, revigorante. Ele a abraçou e afundou o rosto nos cabelos dela.
_ Se eu soubesse que seria assim, nunca teria negado... – ele começou a dizer, depois que parou de rir, ainda com o rosto escondido nos cabelos dela. – Eu teria saído pelo mundo o vasculhando incessantemente até te encontrar, desde o início...
            sacudiu a cabeça e se virou de frente para ele, erguendo o lençol pra cobrir sua nudez. Mas Jacob puxou o lençol dela e passou as mãos pelos seios nus delicadamente. Ela suspirou com o carinho.
_ Do que você está falando Jake? – perguntou, com a voz muito fraca, sentia as reações que as mãos de Jacob passeando pelo seu corpo causavam. Ele riu de novo.
­_ Você sabe do que estou falando... – ele disse, rindo do jeito que ela se encolhia e se entregava a carinhos tão mínimos que ele lhe fazia.
_ Não eu... eu não sei... – ela disse, suspirando quando ele levou a boca para o colo dela, distribuindo beijos leves.
_ Você , é destinada a mim, e eu destinado a você. Coisas além do que há aqui, na Terra, confirmam nossa ligação... é você meu amor... você é meu imprinting... – ele disse, sussurrando perto de seu ouvido. – ou deveria ter sido, se eu não tivesse rechaçado a magia... mas de alguma forma, eu... eu reverti...
            estacou em seus braços, fechando os olhos por um momento. Sentiu em sua pele novamente o poder daquela ligação amorosa, dominando tudo, como se estivesse gravada em seu sangue.
_ , está tudo bem? – Jacob perguntou, assustando pelo fato dela estar estática, quase sem respirar. Ela abriu os olhos, eles estavam vidrados, miravam além dele. Aos poucos ela se desvencilhou dele. Jacob enrugou o cenho, ficando apreensivo.
_ A magia do imprinting é eterna Jacob... e irrevogável... simplesmente porque ela é uma verdade muito maior do que nós... – Ela disse baixinho, séria.
_ E-eu sei disto… algum, problema?
            sorriu, aos poucos. Se ajoelhou na cama, se aproximando de Jacob e beijando a sua testa enrugada.
_ Não há problema... só que você foi castigado Jacob... castigado por ter renegado uma dádiva. Fora deste plano as coisas são definitivas. Você, como parte do povo que lhe concede a magia e que está lá, no outro plano, torna-se subordinado a eles, a vontade deles. E se eles, algum dia, tomaram a decisão de retirar de você a magia que o faria me reconhecer como a sua... a sua predestinada... isto nunca mais poderá ser revertido. – disse, suavemente. Jacob sentiu naquelas palavras uma verdade muito mais profunda e antiga que a própria .
_ Como não? Como pode saber disto? Então o que sentimos? O que aconteceu quando... quando... no casamento... aquilo tudo, muito forte e... – encostou os seus lábios nos dele, o calando.
_ Eu entendo disto Jake, porque eu aprendi com os elfos... as leis deles são praticamente as mesmas que as do mundo ... – torceu os lábios, não sabendo como se expressar. – ... as leis do mundo acima do nosso... do mundo espiritual... é, é isto!
_ Então... ? – Jacob franziu ainda mais a testa, apertando os olhos enquanto tentava se concentrar... – O que eu senti, lá na cerimonia... eu pensei que fosse o imprinting! Ao menos era muito, muito próximo do que eu vi na mente de Sam e de Paul... e de Quil, Jared....
            se inclinou na cama, apoiando a cabeça nos cotovelos e olhando Jacob com mais intensidade, embora os olhos dele não tivesse focados nos dela. Jacob sentiu uma espécie de arrepio.
_ Muito próximo? Você quer dizer na força... no impacto do que sentiu? Foi tão forte quanto o que você sentiu nos seus irmãos lobos, Jake? – perguntou, um tanto sugestiva em seu tom de voz. Jacob percebeu que ela entendia o que aconteceu. Continuou com os olhos baixos, ainda muito confuso, e respondeu:
_ Não! Não foi tão forte quanto... foi mais... foi mais largo, mais amplo e...
_ Diferente? Uma magia diferente?
_ Sim... – Ele murmurou. – que magia foi esta ? – ele escutou o som do riso dela, suave.
_ Acho que sei o que é... está em mim, não só em você, meu amor.
_ O quê? – Jacob perguntou e olhou pra ela. Ela estava com as pálpebras cerradas, sorrindo. Os cabelos longos e volumosos caindo pelo seu colo e costas nuas. Ela estava de lado, o lençol cobria parte de seu corpo, enrolado em seus quadris. Jacob suspirou, ela era linda.
            Ela então abriu os olhos, encarando Jacob profundamente. E aconteceu. Aquele olhar tragou Jacob como fizeram na vez que ela entrou no altar, quando ela lhe disse sim… enquanto se amavam, quando ela disse “eu te amo”, na cama.
_Você... - ele sussurrou.
            se arrastou na cama, até chegar perto dele.
_ De onde vem a origem da sua magia Jacob? Do poder que corre em suas veias? – Ela perguntou a ele, insinuante. Estava feliz, o entendimento sobre o que acontecia estava claro em sua mente.
“Tudo o que você precisa está dentro de você...” Ela se lembrou de Niadhi lhe dizendo.
_ Dos elfos... tudo vem dos elfos... – Jacob disse, começando a entender onde queria chegar.
_ Aquilo que está na fonte costuma ser mais concentrado, Jacob. Os elfos morrem quando se entregam a um amor carnal. É inevitável, simplesmente porque eles não conseguem controlar a intensidade de sua entrega. Passa a ser toda a sua vida... Para os elfos isto é o significado supremo do amor: a entrega. Eles entregam a sua própria vida aqueles que amam. Minha mãe me contava que aquilo que ela sentiu pelo meu pai tinha sido mais forte do que qualquer coisa que pudesse haver entre o céu e a Terra. Ela sentia que ele vivia nela, forte e pulsante. Por isto nunca se entristeceu, de verdade, quando ele desapareceu. A magia do amor dele, da entrega dele, sempre esteve nela.
            Ela sacudiu a cabeça, procurando ordenar tudo o que sabia a respeito daquilo para tentar explicar a Jacob o que tinha entendido.
_ Minha mãe pensava que esta presença do meu pai nela, esta sobrevivência eterna do amor dele nela, era por minha causa. Mas não! Agora eu sei que independia de mim, que seria assim mesmo se ela não tivesse engravidado. Eu sei porque sinto a imensidão do poder da entrega que os elfos podem sentir dentro de mim.
            Jacob engoliu em seco.
_ Mas você está... viva... e vai ficar não é?
_ Vou Jake, vou ficar viva. Sou metade humana, isto ameniza as coisas, não me deixa morrer... diante disto... tudo. – ela parou e segurou o rosto de Jacob em suas mãos, seus olhos ainda muito intensos. – Eu decidi Jacob, eu finalmente decidi me entregar a você. Eu rompi com qualquer barreira que pudesse me fazer resistir. Isto mudou tudo. Naquele altar eu caminhei pra você. Eu entreguei a minha vida a você!
_ Uma vida repleta de magia… - Jacob sussurrou. – O que eu sinto em mim não é o imprinting, não é? O que eu sinto é a grandiosidade da sua entrega... – Os olhos dele marejaram... – eu sinto a sua vida em mim! – a voz dele estava profundamente emocionada e rouca quando ele entendeu aquilo.
_ Sim... e foi recíproco... eu sinto a sua vida em mim também. É mais do que o imprinting entende? Você também tem esta magia em você! – se pôs sentada muito rápido, deixando Jacob até zonzo. – O imprinting... é... talvez o que o imprinting seja é o momento em que um lobo reconhece quem ama em verdade. E por ter esta essência dos elfos em si, evoluída em seu espírito, eles passam a dedicar tudo o que são ao ser amado... eles...
_ Se entregam... completamente... – Jacob concluí. sorri.
_ Sim...
_ O que faz o objeto de imprinting se envolver inevitavelmente é que eles podem sentir... sentir a vida entregue dentro de si... como foi com sua mãe e... como está sendo com você?
_ Sim... – responde, de novo. Suspirando fundo e esfregando as mãos trêmulas.
            Jacob deu um riso trêmulo, e se jogou na cama.
_ Isto é muito louco...
_ Eu sei que é... – ela respondeu, também se jogando na cama ao lado de Jacob. Os dois ficaram lá, olhando para o teto e tentando controlar a batedeira assustada de seus corações.
            Mas, de repente, Jacob pulou em cima de , prendendo os seus braços pra cima. Ela riu.
_ Se você quer saber... meu amor surreal.. – Jacob disse. riu mais. – eu não quero mais saber do motivo ou da explicação sobre o que nos liga... a única coisa que me importa é ter você... do meu lado, sempre. E também me importa muito, recuperar todo o tempo que perdemos afastados... – Jacob deu um sorriso malicioso. – de preferência o mais perto possível.
            arregalou os olhos.
_ Preciso... ir... banheiro... – Ela tentava dizer, sendo constantemente interrompida pelos beijos de Jacob.
            saltou da cama, se desvencilhando habilmente dele. Mas estava cambaleante, suas pernas estavam moles demais.
_ Ai… - Ela reclamou, tropeçando no lençol que ela carregava junto do corpo. Jacob curvou a cabeça pra trás e riu alto. – Não ria! A culpa é sua! – Jacob riu mais e ela balançou a cabeça, estreitando os olhos. – Eu podia até continuar com a minha intensão de só jogar com você e voltar para esta cama... mas você me irritou Jacob Black! – Ela virou as costas para Jacob e, correndo, se trancou no banheiro.
_ Ei! – Jacob disse, se levantando e encostando-se na porta do banheiro. – Desculpa! – Pediu, com voz manhosa demais.
            riu de dentro do banheiro.
_ Não sabia que lobos ronronavam Jacob. Isto não é mais pra gatinhos? – Ela disse, quando Jacob começou a gemer desculpas brincalhonas na porta.
_ Me faça rugir então… - ele disse, com voz maliciosa, espalmando as mãos na porta. Do outro lado, largou o lençol e se recostou na porta também.
_ De novo? – Perguntou, com uma certa palpitação no ventre.
_ Lobos são famintos… - De repente Jacob parou de rir e disse de mansinho. – Não quer?
            rolou os olhos do outro lado da porta e a abriu repentinamente exibindo-se nua para ele.
_ Vem! – Ela disse. Jacob sorriu provocante e a pegou nos braços velozmente, a sentando na pia do banheiro. gargalhou aos quatro ventos, enquanto ele vinha todo afoito pra cima dela, como se estivesse há séculos sem transar, e não apenas há umas duas horas.
            riu da situação em si, dos seus sentimentos. Parecia tão natural agora, tão necessário para o corpo dela o desejo… ele… Dava sede, causava ansiedade... parecia que ele tinha plantado nela um querer infindável!
_ Como eu consegui resistir tanto tempo a você? – Ela perguntou, pegando o rosto de Jacob com uma mão e colocando a outra sobre a dele, que lhe subia pela parte interna das coxas. – Como eu recusei você? Como eu tive medo disto?
            Jacob sorriu para ela. Só Deus sabia o quanto ele teve de se conter para não agarrá-la sem sua permissão, inúmeras vezes.
_ Você não sabia que era bom… tão bom… - Ele disse, e levou a boca para um seio dela, penetrando o dedo em seu sexo ao mesmo tempo. rugiu. Mas ainda que o prazer lhe turvasse os sentidos, ela teve autonomia nas mãos para agarrar o tecido da boxer de Jacob e arrancá-la dele. Ela levou as mãos ao membro dele e começou a estimulá-lo.
_… - Ele parou de lamber seus seios e a segurou tensamente, gemendo o seu nome conforme as mãos dela adquiriam a habilidade suficiente para lhe dar mais prazer. Ele passou a fazer o mesmo com ela então. Suas mãos se moviam no sexo dela com a mesma intensidade que ela o estimulava. começou a gemer, estremecer cada vez mais.
_ Isto é louco… - Ela sussurrou, não reconhecendo a força da sua libido, o poder que ela estava tendo sobre seu corpo.
            percebeu o membro de Jacob ficar mais firme em suas mãos, aumentou sua velocidade, Jacob perdeu o foco por um instante, parando seus movimentos nela. Neste breve segundo agiu como uma leoa, o empurrando contra a parede e se ajoelhando na frente dele.
_ NÃO! – Ele gritou assustado com a atitude dela, segurando seu braço quando ela ameaçou se abaixar mais. – … Eu não vou…
_ Shiii... – Ela disse, tampando a boca dele. – Só quero te dar o mesmo prazer que você me dá…
_ … é cedo… - Ele disse, o maxilar travado, ela tinha envolvido o seu membro com suas mãos de novo.
_ Não é cedo, é tarde. Já vivemos tempo demais sem isto… - sorriu, decidida, sua boca secou. Ela se aproximou dos ouvidos dele. – Me deixa sentir seu gosto? – Ela perguntou, com voz mansa. Jacob arfou, seu coração acelerando.
_ Sinta… - e fechou os olhos.
            Ela se abaixou lentamente, beijando e sugando a pele que havia em seu caminho. Fechou os olhos e simplesmente mergulhou em Jacob. Bom… era bom, tão bom sentir o corpo dele daquela forma, beijar cada parte dele.
            Ela fez ele se deitar no piso frio do banheiro e continuou a deixar o rastro de beijos pela pele dele, até chegar na região mais sensível, onde a virilidade dele pulsava em suas mãos. Ela beijou ao redor do membro vigoroso, mordiscando e lambendo a virilha dele, enquanto passava a mão delicada pelo pênis de Jacob. Ele tinha uma respiração alta, mordia os lábios, socava o chão.
            O que queria era descobrir o corpo de Jacob, degustar sem medo. Então ela começou a experimentar beijinhos, mordidinhas, lambidas aqui e ali, observando a forma como Jacob estremecia, como parecia perder o controle algumas vezes. Aos poucos ela descobria os pontos certos e as formas particulares de incitá-lo.
_ Assim… - Ele disse guturalmente, quando ela sugou a cabeça de seu pênis. Já estava perdido no prazer, só queria mais, mais e mais… sorriu e, literalmente, o abocanhou. Ele deu um grito grave quando ela fez aquilo, e entrelaçou seus dedos nos cabelos dela, guiando seus movimentos.
            Delicadamente levou as mãos para a virilha de Jacob e começou a acariciar juntamente com o movimento de sua boca no membro dele. Os rugidos de Jacob ficaram mais constantes, ele largou as mãos dos cabelos dela e voltou a socar o chão com força, em um baque surdo. As mãos dela caminharam lentamente para a parte inferior dos testículos de Jacob e neste momento o corpo dele teve um tremor forte e repentino.
_ Ah… - ele gemeu, quase não suportando mais. – Sai … chega, eu não pos-so… po… eu não… vou mais segurar…
            Jacob disse, e sentiu a rigidez do membro dele se intensificar em sua boca, tal como o gosto. Mas ela não parou, ao contrario, sugou e o espasmo dele alcançou seu limite. Foi uma atitude impensada, irracional, movida unicamente pelo calor do desejo, mas continuou e teve certo prazer naquilo, principalmente ao sentir Jacob gemer rendido enquanto alcançava novo ápice. E o gosto dele… ah o gosto… tinha certeza que não era natural, que era sobre-humano, que lhe parecia ser tão bom justamente por ser dele. Era forte, era saboroso, era um néctar de prazer.
_ Sua louca! – Jacob ralhou, com voz ainda muito falha e rouca, quando ela subia com beijos e mordidas por sobre o peitoral dele.
_ Você rugiu… - Ela sussurrou, assim que chegou ao ouvido dele. Deu uma mordidinha na orelha, Jacob sacudiu.
_ Muito… - Ele respondeu, depois riu.
            Ela se deitou em cima dele e ficou acariciando a pele de seu tórax enquanto ele recuperava o fôlego, normalizando a respiração. tinha um sorriso satisfeito no rosto, que parecia mais uma tatuagem. As mãos de Jacob começaram a caminhar pelo corpo de novamente, devagar, deslizando e fazendo-a suspirar com os carinhos.
            Ele voltou acariciar os cabelos macios dela e a apertou mais junto de si. Ela ergueu seus olhos pra ele e passou as mãos por sobre cada traço de seu rosto, sobre as linhas sorridentes de seu semblante.
_ Eu não posso mais viver sem você… não posso mais… - Ela lhe disse com voz baixa, mas intensa.
_ E não vai viver sem mim… nem por um segundo sequer … eu entrei em você… dentro… e é pra sempre… - Jacob riu aquele riso contagiante e lindo. – Entrei aqui… - ele colocou a mão entre os seios dela, no centro do peito. – e aqui… - então ele levou a mão para o meio das pernas dela, sorrindo maroto. arfou e depois riu.
_ E eu adorei isto… - Ela sussurrou risonha no ouvido dele, apertando as coxas em volta da mão dele.
_ Você não tinha mais alternativa! Tinha que gostar…
            gargalhou, se soltou dele e ligou os misturadores da banheira.
_ Tinha que gostar Jacob?- Ela perguntou, estreitando os olhos. Despejou alguns sais na agua e colocou um dos pés dentro para sentir a temperatura. – Posso saber por quê?
_ Por que agora eu não vou mais te dar paz… então é melhor que goste… - Ele disse, a abraçando por trás antes que ela entrasse na banheira.
_ Não vai mais me dar paz? – Ela perguntou, rindo com a mão dele subindo mateira em direção a um de seus seios, e com a excitação dele já firme a suas costas.
_ Não…                                                
_ Sem descanso…?
_ Só se for pra dormir em seus braços…
            sorriu e o puxou para entrar na banheira, sentando-se encima dele e beijando-o incessantemente. Ele entranhou os dedos pelos cabelos dela enquanto correspondia aos beijos com vontade. A respiração dos dois começou a ficar mais curta, tateou as cegas para fechar as torneiras da banheira que já estava transbordando, o senso de direção completamente perdido, com a boca de Jake tão junta a sua, com a pele molhada dele deslizando pela sua.
            Jacob ergueu os quadris e pressionou o meio das pernas de , demonstrando ansiedade. levou uma das mãos para o membro dele o posicionando em sua própria entrada. O coração acelerou conforme descia seus quadris e o recebia dentro de si novamente. E cada vez que acontecia aquilo parecia inédito! pensou que depois da primeira vez nem ela e nem ele sentiriam o frisson que foi diante da primeira penetração. Mas não! Parecia cada vez mais sublime, cada vez mais mágico! Era como se dentro deles houvesse uma fonte secreta de magia amorosa que os fazia subir ao sétimo céu cada vez que se conectavam.
            O mundo presente parecia sair de foco, seus corpos pareciam se expandir com a imensidão de um espirito, alcançando o que havia de mais etéreo.  Era o sangue pulsando veloz, correndo como chamas de fogo pelas veias; era o calor fazendo suar a pele; era o corpo, entregue e sublime; eram as vozes e sussurros cantando aos ouvidos, provocando arrepios por dentro; e eram as bocas, extremamente sensíveis e receptivas uma para a outra. Era tudo e mais um pouco.
            Jacob a abraçou com um braço somente, e com a outra mão acompanhava o ritmo maravilhoso do subir e descer dos quadris de . Suas pélvis se encontravam com pequenos e prazerosos choques elétricos, e a respiração ficava cada vez mais escassa e desordenada.
            Ela fechou os olhos e tombou a cabeça pra trás com uma expressão tão bela, tão suave e quente… Linda, só isto poderia descrevê-la. Ele abriu lentamente os lábios e deixou o suspiro escapar, o corpo dela vinha pra ele num ritmo alternado entre lento e ávido. Ela sentia ele dentro de si e encolhia o ventre… mais!
_ … - ele disse, quando ela desceu os quadris sobre ele novamente… - vem pra mim… vem mais… – a voz dele ficou apertada, ele levou as duas mãos aos cabelos dela e a puxou para outro beijo.
            As mãos dela foram se apoiar nos ombros largos, para dar apoio a sua impulsão. Seus olhos se abriram e eles passaram  a se amar daquela forma: de olhos bem abertos, conectados em tudo.
_ Mais… - Jacob pediu, rouco. E ela foi, já sentindo a pressão no ventre aumentar. Ambas as mãos dele foram para as laterais de seus quadris e fizeram dos impulsos mais fortes, mais agressivos. Os suspiros de ficaram mais altos e secos. Ela voltava a se perder…
_ Jake… Jakeeee! – Ele sorria, e beijava-lhe o colo cada vez que ela lhe chamava com aquela boca, com aquela voz ventosa e manhosa, com aquele peito arfante. O chamando enquanto se fazia sua e só sua... inteira como ninguém nunca foi pra ele.
_ Te amo… - ele disse, perto do cume e depois sentiu-se mergulhar na imensidão do corpo dela, em sentidos mais fortes que quaisquer palavra existente.
            Ela caiu debruçada nele, novamente mole. Também tinha sentido nova onda arrebatadora de prazer. Ela gemeu baixinho conforme Jacob saiu de dentro dela de mansinho. Ele a beijou e a colocou sentada entre suas pernas, com as costas em seu peito, e massageou o corpo moreno em um banho lento e sutil. Mãos quentes escorregadias por sabão e sais de banho deslizando pelos seus seios, barriga, pernas, braços…
_ O céu é aqui? – ela perguntou a Jacob, acariciando as pernas dele envolta de si.
_ O céu é você! – Ele disse, fazendo-a rir.
_ Eu digo o mesmo… - ela curvou a cabeça pra trás e recebeu outro beijo… - boca deliciosa… - ela murmurou, ronronando. – Língua suculenta…
            Jacob apenas sorriu e a beijou de novo… que o mundo acabasse, ele se sentia pleno!


CAPÍTULO 38
KADINAH


            Ele ergueu a cabeça, coberta pelo capuz largo do manto negro que vestia, para mirar a entrada da caverna onde aquela criatura lhe aguardava. O vento naquela região era forte e gelado, o oxigênio já estava escasso, considerando a altitude elevada daquela montanha. O dia lá era cinzento, nuvens escuras cobriam o céu em um peso quase esmagador. Não havia som de uma alma viva sequer, somente o sussurro constante do vento cortando as rochas das montanhas.
            Mas ainda assim, ele aguçou os ouvidos o máximo que pode, vasculhando o lugar com sua audição privilegiada. Ninguém poderia saber que ele estava lá. Ninguém, absolutamente ninguém, poderia chegar naquele lugar, descobrir o que ele escondia por séculos. Respirou fundo, procurando distinguir cheiros, mas só havia o odor acre dela. Estava só, como tinha de ser.
            Ele deixou de perder tempo, se moveu ligeiramente para a caverna oculta por entre as rochas irregulares do extremo da montanha. Como um vulto negro cortando a neblina do dia cinzento, ele se assemelhava muito a um morcego agourento.
            A caverna em que ele entrou não era assim, tão comum. Não se parecia com a imagem tradicional de uma caverna sombria, sem luz, coberta de estalactites e musgo. Das rochas irregulares que formavam o interior daquele buraco de rochas, luzes vermelhas e azuis se projetavam como pequenos raios, dançando soltos por entre o vácuo negro e impiedoso. Qualquer olho que não fosse aguçado suficiente, não seria capaz de enxergar onde era o chão ou o teto da caverna, muito menos perceber o lago negro de aguas imóveis que cobria a maior parte da extensão daquele lugar. Ele sabia que mesmo para uma criatura sobrenatural como ele, cair naquele lago era o fim: as aguas tragavam qualquer coisa para dentro com uma força insuperável, e o engolia para o resto da eternidade. Não havia chances.
_ Que surpresa aparecer por aqui meu caro... não pensei que voltasse tão cedo. – Ela riu, o som do seu riso era funesto, sua voz era distorcida, gutural.
_ Como se você não soubesse que eu viria. Você me chamou aqui Kadinah. O que quer? – Ele exigiu a resposta, com voz impaciente.
_ Um velho vampiro ranzinza, é isto que você se tornou. – Kadinah riu novamente. O som da sua voz parecendo ser projetado das paredes rochosas da caverna escura. Estava por toda parte. - Eu lhe chamei aqui somente porque tenho mais informações sobre o seu tesouro... Mas não fique parado aí, entre no meu humilde reino. – Kadinah disse, se fazendo visível no outro oposto da caverna, para além das luzes dançantes. – Que tal mais um passo?
            O vampiro olhou pra ela com cara de deboche. Havia o lago entre eles, ele não poderia simplesmente saltá-lo. A força daquela lagoa o puxaria para baixo irrevogavelmente, mesmo que ele não tocasse os pés na água.
_ Cubra o lago Kadinah! Não tenho a eternidade a sua disposição! – Ele disse, com voz monótona. A criatura bisonha apenas gargalhou.
_ Ashonovrak... – Kadinah sussurrou, e uma trilha de rochas se ergueram do lago para que o vampiro passasse.
            Ele finalmente chegou até ela, que lhe virou as costas e entrou mais a fundo na caverna, passando por um corredor sem luz alguma. Mas, de repente, o corredor de pedra estreito e escuro se abriu para um salão amplo, circular, com seu teto se projetando a dez metros de distância do chão e se estreitando no cume como a ponta de um cone. Aquele lugar tinha a decoração grotesca e distorcida de um recinto real do período gótico. As cores eram apenas variações de cinza e todos os móveis (espécies de mesas e poltronas), eram feitas ou de um cristal fosco ou de uma estranha rocha branca, lapidada.
            No meio do salão, uma parede quadricular de cristal se erguia. Dela vinha toda a luz do lugar.
_ O que tem pra mim? – Kadinah perguntou, se sentando em uma das poltronas do salão. – Como andam as coisas?
            Kadinah... aquela era, com certeza, uma das criaturas mais bisonhas que poderia existir. O rosto dela tinha algo de humano, embora a pele parecesse uma película clara, lisa e dura demais pra ser natural. Tinha os olhos iguais aos de uma mulher humana, mas ninguém ousaria olhá-los em um momento de fúria... eles se tornavam a própria personificação do demônio, distorcendo-se em cor de fogo, causando agonia extrema. Seus dentes, nem tão brancos, eram mais delicados do que o poder daquela criatura, poderia até dar-lhe a capacidade de um sorriso brando. Mas isto, também, eram só aparências. Da cabeça de Kadinah, ao invés de cabelos, saiam um emaranhado de coisas estranhas, que mais pareciam raízes grossas de uma arvore, ou então... chifres entrelaçados. Destes chifres, uma estranha luz branca reluzia fracamente, bem no centro de sua cabeça.
_ Como sempre.  – O vampiro respondeu a ela, mirando a parede de cristal como se ansiasse por algo extremamente prazeroso. Há séculos ele a conhecia, já tinha deixado de ter repugnância ou meramente espanto com a aparência de Kadinah. Estava mais interessado em outras coisas...
 _ Eu quero saber dos lobos... porque, como eu já te disse, chegando nos lobos teremos uma porta de acesso para atingir os elfos e o seu tesouro maior...
            O vampiro deixou seus olhos cintilarem quando, na parede de cristal surgiu a imagem de sua maior fonte de poder. Ele já esteve tão perto dela... porque não podia simplesmente agarrá-la? Kadinah bufou e a imagem na parede desapareceu, dando lugar a imagem de uma poderosa elfo, em enfrentamento com um dos irmãos de Kadinah, a mais de mil anos... Não seria tão fácil enfrenta-los... ou liquidá-los. O vampiro disfarçou suas emoções ao vislumbrar aquela elfo, como era tão capaz de fazer.
_ Não quero mais esperar meu caro....humm... devo te chamar de Volturi... ou rei dos vampiros disfarçado? – Kadinah disse, risonha. O vampiro ignorou.
_ Como não quer mais esperar? Não era você que me impedia de chegar até ela?
_ Sim, mas eu sinto que se não agirmos logo, eles podem evoluir... criar algo mais poderoso... definitivamente, este não é meu interesse.
_ Ela teve um alerta quando pretendi atacar, da primeira vez. Ela me viu. Quendra acabou por me ver também. Não quero isto.
_ Quendra saberá que será você assim que demos um passo. Acho que por todos estes séculos você já aprendeu como agir com ela não? O que importa é que aquela elfo miserável ainda pensa que pode controlar você, por causa daquele acordo maldito... Mas não é bem assim, não é? – Os olhos de Kadinah começaram a adquirir aquela chama de ódio incontrolável. – O fato é que eu já dei tempo demais pra eles... – A criatura elevou sua mão para a parede de cristal e voltou a mostrar a forma como os elfos dizimaram seu povo, há muito tempo. Só ela sobreviveu, justamente por causa do vampiro que a olhava estático.  – E eu sinto que finalmente está chegando o momento dos elfos perderem seu lugar tão elevado de controle do mundo... e vamos usar deles mesmos para eliminá-los. – Kadinah soltou um som gutural de satisfação.
_ O que pretende fazer? – ele perguntou, tentando conter sua expectativa. Frieza era o melhor... sempre. Ele se manteria frio, tão frio quanto sua pele.
_ Eu vou dar ela em tuas mãos... mais rápido do que imagina...
            Ele riu, riu incrédulo e debochado, de uma maneira que irritou a criatura. Depois parou e, mais rápido que a luz, chegou na frente de Kadinah com os olhos vermelhos ardendo em uma descrença rancorosa.
_ E como você pretende fazer isto? Não seja tola! – Ele disse baixo, raivoso. – Ela está protegida! Envolta em uma redoma maior do que ela mesma e do que os elfos imaginam que ela esteja! Me diz como posso tê-la sem ser destruído antes? Se por todos estes vinte oito anos você não encontrou solução nenhuma para que eu pudesse tê-la, agora você me diz que vai trazer ela a mim? Está planejando me trair sua miserável?
_ Não seja tão imbecil! Eu não vou te trair, porque você é minha única possibilidade de vingança, você é a única forma de atingir aos elfos... em romper definitivamente todo o equilíbrio que eles lutam pra manter!
_ Ela está protegida! Quase inalcançável! Como se não bastasse todos os elfos protegendo sua princesa, que na verdade é sua maior arma, ainda há uma legião de espíritos tolos de vampiros que querem alcançar a redenção! – O vampiro riu furioso. Ninguém que convivia com ele, a não ser Kadinah, tinha vislumbrado aquele tipo de descontrole vindo de si. – Isto é tão patético!
_ Eu sei disto sim, meu caro. – A voz de Kadinah se tornou, repentinamente, mansa. Ela deu um sorriso de lado, os olhos excedendo expectativa e algo mais. – Mas eu vou voltar a agir... aos poucos... Está na hora de você me libertar desta caverna. – Ela encarou profundamente os olhos do vampiro. – E então nós vamos brincar um pouco mais sério com eles, até deixa-la exposta e... perturbada o suficiente.
_ Ela é descendente de elfos... diante de qualquer perigo ela não se perturba, ela se torna mais forte.
_ Ela ficará perturbada... confie em mim. – Kadinah riu novamente. – Há nela uma fraqueza, e é nesta fraqueza que vou agir...
_ Qual? – Ele perguntou, um pouco mais calmo e curioso.
_ O lobo... o lobo Alpha é a fonte de tudo. E graças a você, eu já sei como ele pensa, como age... eu sei como as patas dele se movem no chão, eu sei os movimentos de suas mandíbulas em um ataque e eu sei... como atingi-lo. Ele não vai mais poder protegê-la.
            O vampiro deu um sorriso de lado, seu olhos cintilaram.
_ Acho que está na hora de sair ao sol Kadinah... É verão em La Push... um ótimo lugar para se visitar. – Ele respondeu, logo depois acompanhando o riso da criatura.

***********
_ Bem vinda de volta doutora! Você fez falta, por aqui. – Marlon disse, realmente demonstrando alívio. sorriu, um sorriso brilhante, cheio de vida e vigor.
_ Eu disse que podia me ligar caso tivesse qualquer problema, Marlon!
_ Realmente, eu não sou tão louco pra fazer isto. Porque eu tenho certeza que se te ligasse e te tirasse do seu marido um segundo sequer, eu ia ser caçado por ele o resto da minha vida! Não... eu acho que foi mais prudente tentar dar conta do que só você parece ser capaz. Eu fiz o possível, mas... – Marlon fez um muxoxo, entortando os lábios.
_ Marlon, você deu conta das coisas muito bem sim! Não vi nenhum problema desde quando cheguei. – depois ela olhou para o médico com enormes olheiras embaixo dos olhos, a pele cansada, a roupa descuidada, tal como os seus cabelos. – Ok, o problema está com você. É justo um descanso Marlon, eu cubro você. Tire uns dois dias, pelo menos, pra descansar, ou melhor, durma pelo menos doze horas! – Ela disse e voltou a sorrir.
            Mas eis que o médico ficou olhando pra ela como se contemplasse uma obra de arte, com a boca abrindo ligeiramente.
_ Como ele foi capaz de fazer isto? – Ele perguntou, mais para si mesmo do que para .
_ Como assim? Quem?– Ela questionou, confusa.
_ Seu marido... Te deixar tão mais linda... com esta cara de felicidade... Fica difícil não se deslumbrar com você, .
_ Oh, não... não faça isto Marlon... – ela disse, e abaixou os olhos, se deixando corar.
_ Se acalme. Ficar maravilhado com a beleza de uma mulher não te torna fatalmente apaixonado... eu acho… – Ele riu e também.
_ Eu espero que sim, Marlon! – disse, com um fundo de alerta em sua voz. – Mas… mudando de assunto…
_ Muito prudente de sua parte… - Marlon respondeu, fazendo rir novamente. – mas, continue.
_ Bem, você viu a Milla pelo hospital estes dias? – Ela perguntou, precisava resolver aquele problema com Milla, por Seth…
“Ela ficou muito assustada… e disse pra eu não procura-la… eu não posso contrariá-la, mas preciso saber se ela está bem... por favor, , faça isto por mim!” Ele havia lhe dito, profundamente transtornado.        
            Isto tudo porque Milla havia descoberto toda a origem mística dos quileutes. Ela foi convidada para mais uma festa da fogueira, pra ir junto com Seth, há uns três dias. Ela estava junto dele, mas parecia de alguma forma desconfortável, como se não acreditasse que um homem quase 10 anos mais velho, fosse se apaixonar de uma hora pra outra por uma garota de colegial como ela. Na reunião, além do dia marcante em que um imprinting ficaria sabendo do maior segredo dos quileutes, foi o dia em que Jacob entrou para o conselho, por força da imposição de Billy.
“Seu velho não vai durar pra sempre... o legado Black tem que continuar Jake!”
            Jacob não ficou assim, tão feliz, mas aceitou mais aquela responsabilidade. E foi ele que contou a parte tão significativa da lenda da tribo naquele dia, com uma voz nova, forte e vigorosa. Ele contou tudo com o cuidado de olhar diretamente para os olhos de Milla. Foi inevitável, ainda que não quisesse acreditar, Milla sentiu a verdade na voz e olhar de Jacob, um ser que fazia parte daquela lenda.
            Mas ela não reagiu bem, principalmente quando ela e Seth foram conversar a sós e ele se transformou pra ela. Milla nunca esteve nem perto de uma realidade daquela, gostava da sua humanidade, da sua normalidade, saber de tudo aquilo foi como um terremoto que abriu o chão aos seus pés.
_ Bom, isto é estranho, . Ela apareceu aqui ontem e disse que estava mal, que queria uns dias de folga. Não faltou médico para querer examiná-la, ela é muito querida, vê-la abatida assustou todo mundo. Mas ela não deixou, disse que o problema não era o corpo. – Marlon lhe respondeu.
­_ Hanson deu dispensa pra ela? – perguntou, com o cenho franzido.
_ Não, não é ele que cuida da cantina. Quem deu dispensa pra ela foi a Johane, responsável da cantina. Mas Hanson conversou com ela, pra saber o que ela tinha… espera! Você sabe o que deu nela? – Marlon perguntou, estreitando os olhos. suspirou.
_ Sim, eu sei e acho que preciso falar com ela. Acaso a Johane sabe onde Milla mora? Ela nunca disse isto a ninguém.
_ Acho que sim, eu…
“Doutora Black, comparecer ao setor de emergência imediatamente… doutora Black…”
            O auto falante do hospital soou alto interrompendo a conversa. quase tinha se esquecido daquela rotina de hospital. Se levantou, sendo acompanhada por Marlon.
_ Faça o seguinte, vou falar pra ela passar o endereço da Milla pra Sharon. Vou passar na cantina antes de ir embora mesmo. – ele disse, saindo do consultório de com ela do lado.
_Eu ficaria imensamente grata. – Ela sorriu.
_ Então já está feito! Bom retorno ao trabalho. – ele disse, e ambos tomaram rumos opostos.
            De volta à ativa, abriu as portas da emergência e recebeu mais um paciente, com extrema competência. Os afazeres no hospital consumiu praticamente todo o seu dia. Na hora do almoço Jacob lhe ligou, os dois conversaram menos tempo que realmente queria, mas ela tinha que voltar a trabalhar.
_ Hospital: meu maior rival! Vou ter que conviver com isto? – Jacob havia dito, entre irritado e brincalhão.
            Ele também havia dito que Seth estava desatento e cabisbaixo pelos cantos e que Leah estava intragável com isto, o que resultou em uma briga dos irmãos que Jacob teve que interferir com uma ordem expressa.
_ Lee, na verdade, não suporta ver o irmão dela daquele jeito. Ela sempre teve esse espírito protetor aflorado. – Jake explicou, ainda por telefone. – Mas o fato é que ela não precisava ter xingado a Milla de “humana imbecil e fraca” perto dele! Nenhum lobo imprinting suporta isto. Eu entendo perfeitamente ele ter saltado no pescoço dela.
_ Leah não tinha adorado a Milla? – perguntou.
_ Sim, mas eu acho que ela é mais o Seth. – Jacob disse.
_ Bom, vou tentar resolver isto.
_ Ok, mas não demora. Preciso de você esta noite… toda noite, pra ser mais exato.
_ Humm... contando que posso receber um chamado do hospital a qualquer momento... tenho as noites pra você.
            Jacob bufou.
_ Estou em segundo plano? Este hospital pensa que é quem? Eu sou Jacob Black, o lobo alpha gostoso e SEU marido! ... seu marido carente… - ele sussurrou a ultima frase. riu, e se despediu penosamente de um lobo manhoso e dramático do outro lado da linha.
            Foi só no finsinho da tarde que ela pode, finalmente, ir até a singela casa de Milla. Era uma residência pequenina, menor do que muitas casas de La Push e ficava no bairro mais afastado de Forks. Milla vivia só com a mãe, o pai havia falecido e ela era filha única. Algo que lembrava de sua própria história. As duas não tinham muitas condições financeiras, por isto Milla começou a trabalhar cedo.
            parou o carro na frente da resistência e o luxo de sua BMW pareceu brusco demais para aquele lugar. Assim que ela pisou os pês para fora do carro, sentiu a presença de Seth ali. Ele estava escondido no fundo das arvores que rodeavam o outro lado da estrada que cortava a frente da casa de Milla, longe das vistas de qualquer humano. Ela suspirou e foi em direção a porta.
            Havia mais gente do que duas pessoas na casa, mais ou menos umas dez. Conversas um tanto animadas vinham de lá de dentro, mas não podia ouvir a voz de Milla.
_ O bolo é simples, mas a vovó fez de coração querida!
_ Está delicioso, dona Jane. Milla, eu sempre te digo que sua vó é uma cozinheira e tanto! – Uma voz juvenil se dirigiu a Milla, mas ela não respondeu audivelmente. Parecia uma festa pequena de aniversario, pelas conversas. Seria de Milla?
            apertou o embrulho nas mãos e sorriu. Agora achava mais fácil Milla aceitar aquele presente, usaria a desculpa do aniversário para ter trazido.
_ Eu tenho um presente pra você filha, eu mesma fiz. Espero que goste. – Houve um momento de silenciosa expectativa. parou na porta para dar um tempo a todos eles. Não queria interromper aquele momento. 
_ Eu adorei mãe! Obrigada! – Ela disse baixinho.
            considerou seriamente voltar depois. Mas decidiu ser ousada e acabar logo com aquilo. Bateu na porta.
_ Oh! Será que falta mais alguém? – Aquela que parecia a mãe de Milla.
_ Deixa que eu abro. – Milla disse, com voz inalterável. escutou os passos da garota e armou um sorriso aconchegante no rosto.
            A porta se abriu e Milla, com o rosto pálido e abatido, muito, muito diferente do que era, demonstrou a surpresa que era ver a doutora ali. sentiu um aperto no peito ao ver a expressão tristonha de Milla, aquilo definitivamente não era pra ela. A médica sentiu uma necessidade absurda de arrancar aquilo dali! Imediatamente. Mas um sentimento macabro dizia que a felicidade de Milla tardaria a voltar. Um sussurro triste em sua alma dizia que aquela garota enfrentaria coisas difíceis.
            Ignorou aquilo o máximo que pode, não podia ser! Lutou e conseguiu manter seu sorriso inalterável.
_ Você… aqui?
_ Vim te visitar… mas parece que atrapalho algo? – indagou, esticando o pescoço para ver atrás de Milla.
_ Não quero ouvir nenhum recado. – Ela sussurrou, tentando parecer firme. balançou a cabeça.
_ Vim lhe trazer um abraço Milla… é seu aniversário, não é? Você não quer isto de mim? – fez um muxoxo, parecendo estar emburrada como uma criança.
_ Não seja mal educada filha! Deixe a moça entrar. – Uma senhora disse, fazendo um sinal para que entrasse. Ela, no entanto, buscou confirmação no olhar de Milla.
            A garota hesitou um pouco, mas acabou cedendo, com um sorriso tímido. entrou e a sala estava apertadinha de pessoas e muito quente. Alguns colegas de escola de Milla, os avós, uma tia e a mãe dela estavam lá. Todos muitos gentis, pareciam fazer de tudo para Milla se alegrar. E ela sorria, chegava a brincar, mas havia sempre uma ruguinha em sua testa. Ela se manteve afastava de , conversando com os outros, ou agarrada na mãe.
            Tanto a mãe quanto os avós de Milla tinham um sorriso aberto e a capacidade de aconchegar com facilidade todos com que simpatizavam. foi uma destas pessoas, recebida com simpatia entre eles, fazendo o seu desconforto por invadir aquela reunião intima quase desaparecer.
_ Milla sempre falou muito bem da senhora! Não é querida? – o avô de Milla, senhor Jhones, lhe disse.
_ Por favor, sem cerimonias! Me chame de você. – disse, ao perceber Milla corar com o que o avô disse.
_ Oh, sim. Então… só pelo o que ela me dizia a seu respeito eu sabia que você era um bom exemplo pra minha neta. Mas eu pensava que a senho... digo, você… – sorriu para o senhor baixinho. -… fosse mais velha! Veja bem, é quase tão menina quanto minha neta!
_ Vovô! – Milla ralhou e todos riram.
            deixou que a festa acabasse, tomando o cuidado de ficar por ultimo ao ver que todos se despediam. Engatou num papo com a mãe de Milla e ficou enrolando por lá, até que a jovem aniversariante se despedisse de seu último convidado.
_ Ok, pode me dizer o que você veio dizer. – Milla entrou na cozinha onde e sua mãe conversavam falando apressadamente, interrompendo as duas e se encostando na porta com os braços cruzados.
            Dona Celeste, sua mãe, fez menção de reprimir a filha, mas fez um sinal claro de que estava tudo bem.
_ Podemos ter um momento a sós então? – Ela perguntou.
_ Bom, eu vou subir. Se precisarem é só chamar. Foi um prazer conhece-la . – Dona Celeste se despediu carinhosa, deu um beijo na filha e foi para o seu quarto. Milla passou por e foi para o lado de fora, se sentando em um banco que havia na varanda, colocando os pés com os tênis surrados em cima e apoiando a cabeça nos joelhos. a seguiu e se sentou ao seu lado.
_ Ele está aqui!
            Milla disse a , e elaa sabia que a garota falava de Seth, ainda escondido nas arvores.
_ Se é pra falar sobre ele prefiro que ele não ouça. Será que ele pode nos dar esta privacidade? – Ela disse, carrancuda. suspirou e disse, com voz nem tão baixa e nem tão alta.
_ Vá Seth, por favor, querido. – Ela pediu e Milla suspirou, segurando algo que parecia um soluço. Houve um leve farfalhar nas folhas e então viu o lobo correr pra dentro da mata. Logo depois um uivo muito distante foi ouvido por elas, um tanto sofrido. Milla deixou o soluço escapar e virou o rosto.
­_Eu trouxe um presente pra você. – disse, finalmente tirando o embrulho que havia escondido dentro de sua bolsa. – E acredite, foi EU que escolhi. Não trouxe por ninguém. – a médica deixou claro, caso Milla pensasse que era de Seth. Mas a garota ignorou.
_ Você também é normal ou faz parte daquele mundo de aberrações? – Ela disse de repente, com uma agressividade que não pertencia a ela. Auto-defesa! Ela mesmo, , já havia reagido assim. A morena suspirou e abaixou a mão com o embrulho.
_ Se você quer saber, eu faço parte do mundo de aberrações tanto quanto você Ludimilla Werner! Quer você aceite ou não, todos nós fazemos parte disto, porque isto existe. E se é normal ou não, faz parte disto aqui que você chama de mundo e é real! – Milla voltou a virar o rosto, tentando esconder a lágrima que caiu. – E, se resta algo mais a saber, eu sou daquele tipo de aberração chamado de humanos sabe? Aquelas criaturas que matam, que morrem, que também mordem, que estupram, que matam criancinhas, que esquartejam um marido ou esposa infiel, que assaltam a mão armada, que criam bombas nucleares que dizimam uma boa parte do mundo, que julgam um ser superior ou inferior pela cor da pele, pela religião… Eu sou daquela espécie de aberração que causou guerras mundiais que mataram milhões de pessoas pra pegar um pedaço de terra ou por qualquer outro interesse político. Eu e você Milla, somos desta espécie.  Então agora eu vim aqui conversar com uma aberração adolescente que está com medo de outra, mas que no fundo, está resistindo pra não cair na boca do lobo. Está bom pra você? – despejou e quase sorriu com a cara de espanto que Milla fez quando ela terminou seu discurso, tudo em um folego só. Ela conseguiria arrancar algo do que estava entalado na cabecinha daquela garota.
            Milla abaixou a cabeça e balançou os pés.
_ Você é boa nisto. – Disse baixo. – mas não me julgue tá bom? Como você disse eu sou só uma aberração adolescente que viveu sua vida inteira com esta simplicidade aqui que você está vendo, completamente ignorante de lendas, achando tudo isto uma baboseira e de repente descobre que está completamente… sentindo por alguém algo completamente bizarro, que faz o seu corpo ter reações completamente esquisitas e o seu coração ficar numa batedeira só… e… e que de repente você descobre que a pessoa que te provoca tudo isto é… oh Deus, é um lobisomem do tipo bonsinho que limpa o mundo de vampiros maus e… que ele sente algo por você que será pela vida inteirinha dele, irrevogável… e que você, uma aberração que passava despercebida no meio de um monte de outras aberrações mais atraentes, passa a ser tudo para alguém que não é da sua família. Que droga! Eu… eu posso não me achar incapaz de administrar tudo isto? Posso querer fugir disto pra ter a ilusão que vou conseguir controlar a intensidade do … do… - Milla engasgou e entranhou os dedos nos cabelos loiros. - … meu primeiro amor? Droga, amar pela primeira vez, principalmente quando você pensa que isto nunca vai acontecer com você, já é difícil, depois amar alguém tão mais bonito e atraente que você e saber que ele te quer ainda é mais complicado de entender… e então amar alguém com tudo isto de ser sobrenatural e magia a mais… eu… - ela baixou ainda mais o tom de voz, tornando-o apenas um murmúrio. – estou com medo.
            sorriu e puxou Milla para mais perto. A garota resistiu, mas acabou por ceder e aceitou o abraço de , se encolhendo nele.
_ A coisa boa é que você acabou de admitir que ama o Seth, então você já deu um grande passo… - Milla levantou a cabeça confusa e percebeu que, realmente, antes daquele seu desabafo, ela não tinha admitido nem pra si mesma que o que sentia pelo belo quileute era amor. – E eu sei que é muita carga despejada ao mesmo tempo sobre os seus ombros, sei ainda que você está assustada com a possibilidade do seu primeiro amor ser assim, mais definitivo que o usual. Normalmente as garotas tem este tempo pra conhecer o amor, cometer loucuras, descobrir que foi um engano, terminar tudo, ter uma saudável briga de fim de relacionamento, se reunir com suas amigas para chorar e xingar o ex e tudo mais. Você e eu sabemos que se você aceitar fazer parte de tudo isto, sua vida não será assim.
_ É algo assombroso… porque é grande demais, doutora…
_ Oras Milla, me chame de , okay? – Milla sorriu quando a médica bufou, lhe dando um tapinha na coxa.
_ Tudo bem… ! Mas é assustador, porque eu sinto a presença dele mesmo quando eu não estou o vendo, sabe? Eu sabia que ele estava me vigiando aqui em casa, todos os dias depois daquela festa em La Push. E eu tenho certeza que sentia ele triste, mesmo de longe. Mas eu ficava morrendo de medo dele invadir a minha casa no meio da noite, porque ele realmente pode fazer isto. – Milla começou a desabafar, com olhos baixos. – E eu briguei comigo igual uma doida quando eu sonhei com isto: um lobo aparecendo no meio da minha sala, de noite… mas depois ele virou aquele garoto lindo e… ai! Que droga! Eu não sabia se sentia medo ou vontade de ser… bem, você sabe… - O rosto dela corou e riu.
_ Agarrada? Prensada na parede em uma velocidade absurda e ser beijada por uns lábios quentes e mais apaixonados que pode existir? – brincou.
_ Oh Deus! – Milla disse, e se arrepiou diante daquele pensamento.
_ Acredite, eu sei bem como é! – disse, risonha.
_ Sabe? Oh, é claro. Jacob é um lobo, não é? – Milla perguntou.
_ Sim, ele é um lobo. Mais do que um lobo, ele é o lobo Alpha, chefe da matilha. 
_ Vocês também tem um... imprinting? – Milla perguntou, ficando avida por informações de repente. sorriu novamente.
_ Mais ou menos isto… pode-se dizer que temos uma ligação reforçada por magia sim! – Ela respondeu e Milla suspirou, torcendo as mãos.
_ Como você soube dele? … como… como reagiu? – Ela perguntou, baixinho.
_ Bom, eu soube de Jacob desde o início. Eu o vi pela primeira vez como lobo e digamos que ele me salvou de uns vampiros que me cercavam. Dizem as más línguas que eu tenho um cheiro bem atrativo para os vampiros. – disse, em tom de segredo. Levantou as pernas e pôs os pés no banco, como Milla.
_ É sério? – a garota respondeu, curiosa.
_ Sim, é verdade. E teve um tempo que eu também rejeitei Jacob, rejeitei o que ele era pra mim. Como você eu fiquei com medo de tudo… de me entregar.
_ Tá brincando! Não pode ser! Você teve medo? – Milla disse incrédula.
_ Tive, muito até. Eu também fui bem durona para o Jake, mais até do que você está sendo para o Seth. E sabe o que aconteceu com o meu medo depois que eu decidi aceitar tudo?
            Milla riu.
_ Desapareceu! – Ela disse, quase com deboche, como se a resposta fosse óbvia.
_ Não, ele virou outro. O único medo que eu tenho agora é de não ter mais Jake comigo. E Milla, o meu lobo é melhor do que qualquer homem que poderia surgir na minha vida. Ele é homem e é o certo pra mim. Deus sabe das coisas melhor do que nós, e temos que confiar quando coisas divinas como estas acontecem. Acredite em mim Milla: Seth é o melhor pra você! Aconteça o que acontecer na sua vida, se torne você o que for, ele continuará sendo o melhor pra você. E se você permitir e quiser, você também será o melhor pra ele.
            A garota balançou a cabeça e sacudiu os pés, apertou os olhos fortemente e disse:
_ Será? – ainda parecia receosa, temorosa.
_ Sim. E você já tem a certeza que isto é verdade, basta admitir. Mais do que qualquer um que pudesse entrar no teu caminho Milla, Seth vai respeitar os seus momentos, suas vontades, os seus tempos. Se você for até ele não será como um casamento… não precisa nem sequer ser um atestado de namoro. Se você se sentir melhor ele será perfeitamente capaz de se tornar o melhor amigo que você possa ter. Então… é só ir até ele, não precisa explicar nada, vai ser natural, fluir sem esforço algum e toda a insegurança que te perturba vai sumir. – Milla suspirou depois que terminou de falar e fitou o nada por um tempo.
_ Pode abrir meu presente agora? – disse, voltando a exibir o pacote pra Milla. A menina olhou pra ela e pegou o embrulho dourado sorrindo.
_ Como você sabia que era meu aniversário? – Ela perguntou.
_ Coisas do destino…
_ Entendi… você não sabia! – Ela bufou. – Então porque o presente?
_ Abre e eu explico.
            Milla fez uma careta e abriu, se deparando com um delicado vestido perolado de babados em renda. Era delicado e caro, pelo visto. A menina não pode deixar de ficar maravilhada com aquela peça.
_ Estive pensando aqui… e eu adoraria te ver estreando este vestido nesta noite mesmo, na festa de inauguração da B&C Car’s. Vi este vestido na vitrine e achei perfeito para estar em você nesta ocasião. Poderá ser uma noite bem agradável, sabe? – disse.
_ Festa de inauguração? É nesta empresa que ele trabalha não é? A nova super oficina de Forks? – Milla disse.
_ Isto é um mero detalhe. Mas eu acho que seria um bom lugar para uma garota, com recém 17 anos completados, se divertir. Pode levar sua mãe se quiser! – disse.
_ Você está querendo armar um encontro! – Milla disse, abaixando o vestido.
_ Ok, eu não consegui disfarçar isto muito bem. Então? Aceita? – insistiu, com olhos meigos.
_ Acho que um encontro não é um bom lugar pra levar a mãe… só isto.
_ Ok! Eu converso com ela! – disse, empolgada. _ E eu e Jake podemos passar aqui pra te pegar as nove? Você tem bastante tempo para se produzir ainda…
_ Ei, ei, ei! Calma aí doutora! Eu não disse sim ainda.
_ Ah não? – colocou as mãos na cintura. – Devia ter dito! Eu me esforcei aqui pra conseguir um sim sabia?
            Milla gargalhou.
_ Bom, vamos fazer o seguinte… se eu for eu… eu… apareço! Não precisa vir me buscar e não diga pra ninguém me esperar ok? – Ela disse, se levantando do banco.
_ Eu vou ter que aceitar isto não é mesmo? Não tenho outra escolha… mais saiba que eu vou estar de esperando… esperando a menina destemida e forte que eu sei que você é!
_ Ok! Vai nessa! – Milla disse, fechando a cara. Mas lhe deu um beijo estalado na bochecha e sussurrou:
_ Vou indo… até mais tarde!
            E saiu andando graciosamente até o seu carro. Assim que se viu sozinha Milla olhou o vestido em suas mãos e depois fitou as arvores que ela sabia que escondeu Seth por dias. Sorriu decidida e correu para o banheiro tomar um banho.
_ Mãe… vou sair! – Ela gritou.
************
            Na caverna de Kadinah, a imagem de e Milla conversando aparecia nitidamente na parede de cristal. Ele olhava para as duas satisfeito.
_ Acho que isto pode ser interessante. Um bom começo… - Kadinah continuou a dizer ao vampiro.
_ Pode ser… - ele disse, ponderando.
_ Posso te colocar lá sem que seja percebido. – Kadinah voltou a insistir. – Mas precisarei ficar perto, o tempo inteiro.
_ Os elfos poderão descobrir que você sobreviveu a seu povo. – Ele ponderou.
_ Vale o risco. – Ela respondeu. O vampiro ponderou um pouco mais.
_ Certo, vamos fazer isto.
            Ela sorriu.


CAPÍTULO 39
TRANSFORMANDO-SE

_ Você está linda! – Dona Celeste disse ao ver a filha sair de seu quarto pequenino, vestida com o belo vestido que a doutora havia lhe dado. Ela também usava o colar que havia ganhado da mãe, feito cuidadosamente pelas mãos habilidosas de dona Celeste. Estava parecendo um anjinho mesmo. – Boa sorte meu anjo!
_ Mãe, eu… - Milla suspirou. - Eu estou com medo!
_ Meu amor! Eu sei, você está com medo, porque é… oh, Deus, é o seu primeiro amor. O primeiro amor do meu anjinho! Mas não precisa ficar assim. Escute o que sua velha  mãe lhe diz, eu sei que este Seth é boa pessoa e que será bom pra você!
            Milla sorriu, desconfortável.
_ Não… não é disto que eu estou com medo. É de outra coisa… eu não sei, estou com medo de alguma coisa que vai acontecer e … ok, é paranoia minha!
            Mas o olhar de dona Celeste ficou tenso um instante.
_ Imagine! Vai ficar tudo bem, eu sei disto querida! Tudo vai ficar bem, certo? Não se esqueça disto! – Celeste disse com firmeza.
_ Tá! – A garota respondeu. E aos olhos da mãe, ela não parecia tão mais garota assim. Era uma menina mulher, tão doce e tão pura. Os olhos dela quase marejaram, mas ela escondeu isto da filha, mantendo-se firme. – Então eu… vou indo! Tchau mãe! – Ela disse e foi saindo em direção a porta, balançando os anéis dos seus cabelos claros.
_ Ludimilla… não está esquecendo de nada? – Celeste repreendeu. Milla sorriu e voltou para perto da mãe.
_ Fique com Deus, mãe. – Disse, dando um beijo na face da mãe.
_ Vou ficar, querida. E que Ele esteja contigo! - Celeste abraçou ternamente a menina. – Mamãe te ama, minha flor! Sempre e sempre, não se esqueça! – Ela deu um beijo na testa da filha e sorriu, emocionada. – Mande um recado pra aquele garoto: diga a ele que se ele te magoar eu vou encarnar a sogra terrível!
_ Mãe!
_ Vai querida, vai!
            Milla deu mais um beijo na mãe e saiu para a noite veraneia de Forks. Iria a pé até o ponto de ônibus mais próximo, há uns quinhentos metros de sua casa.
            A rua estava vazia, Milla já estava acostumada com aquilo, seu bairro não era muito habitado. Mas havia algo errado, algo que fazia os pelos de Milla se arrepiarem… e não era frio. Só havia o som do salto dela batendo do chão ritmadamente e um estranho incômodo em seu peito. Parecia que havia uma bolha em seus ouvidos que a impedia de ouvir os sons ao redor. Não dava pra escutar nada, nem o vento ela ouvia. O estranho era que ela via as arvores se movendo com a brisa e sentia seu vestido ir para trás conforme andava. Mas não ouvia nada. Seu coração acelerou as batidas, mas continuou a andar, já podia ver o ponto de ônibus ao longe.
            Mas estacou de repente quando ouviu um silvo de vento bem atrás de si. Algo como um grito distante também pareceu chegar até ela, junto de uma gargalhada histérica.
_ Mãe… - Milla sussurrou, apreensiva, retrocedendo o caminho sem saber ao certo o porquê.
_ Não precisa mais se preocupar com ela querida. Ela ficará bem agora… não dizem que os mortos ganham a paz? – Imediatamente os olhos de Milla marejaram. Bem atrás dela veio aquela voz estranha e arranhada, com o mesmo toque de histeria daquela gargalhada que ela tinha ouvido há segundos. Um frio desceu por sua espinha e ela se virou aos poucos.
            O grito ficou travado na sua garganta quando se deparou com aquela criatura. Era o demônio? Milla começou uma oração desesperada em pensamento, por alguma razão sua voz não saia. Só podia ser um pesadelo. Apertou os olhos, mas a mulher com chifres reluzentes brotando da cabeça continuava na sua frente.
            Se virou de novo em direção a sua casa, mas uma figura encapuzada pareceu se materializar na sua frente, interrompendo o seu caminho.
_ Eu sinto muito, mas você apareceu no caminho… e será boa para transmitir um recado. – o ser encapuzado disse.
            Milla tentou gritar por socorro, via uma luz acesa na casa mais próxima… mas nada, nem um som saia de sua boca aberta.
_ Seus poderes continuam eficientes Kadinah… - o encapuzado disse.  Depois ele se aproximou lentamente de Milla. Ela se afastou, indo para trás, mas seu corpo se chocou com o monstro que estava atrás dela. Mãos de unhas negras e imensas, que mais pareciam garras, apertaram seus braços. Milla gritou novamente, mas não pode emitir um ruído sequer.
_ Gostaria de dizer que não vai doer… - o encapuzado disse, se aproximando de Milla. Presa, ela se debatendo inutilmente naquelas garras. – Mas eu não gosto de mentir… - ele descobriu sua cabeça do capuz, exibindo a pele extremamente pálida e lisa, e os olhos assustadoramente vermelhos. Sorriu, um sorriso que exibia dentes de um predador. – Então eu devo dizer que vai doer sim, mas só no começo… - Ele elevou a mão e tocou gentilmente o rosto de Milla. Esta, de repente, ficou imobilizada, paralisada pelo medo daquelas íris vermelhas e pelo toque gelado em seu rosto. - …depois você não vai mais precisar sentir dor… nunca mais…
            Milla deixou uma lágrima escapar. Seu coração num pulsar desesperado, batendo mais no fim… Os lábios gelados encostaram em sua orelha. – Você vai se esquecer de muita coisa daqui, mas vai se lembrar de dizer a minha querida , que tudo será mais fácil e indolor se ela se entregar a mim… sente espíritos minha querida, ela verá isto em você mesmo que você não queira mostrar…
            O vampiro disse, ainda afagando a nuca da menina. Então foi rápido. As mãos gélidas que afagavam a nuca de Milla se tornaram rígidas e firmes como aço, e os dentes rasgaram a garganta da menina, perfurando e chegando diretamente na artéria carótida direita. Dor! Ela sentiu dor, mas o som de seu grito não se projetou no vento, ficou entalado na garganta cujo sangue estava sendo sugado avidamente.
********
            O lugar estava cheio e pulsante. tinha a incomoda impressão de flash back diante daquela festa, com musica alta, luzes por todos os lados, belos carros em exibição e Jacob em um terno negro exalando sensualidade. A diferença era que o lugar estava repleto de quileutes, o que deixava tudo mais confortável e familiar. Mas o ambiente ainda dava a impressão que poderia ter uma desagradável surpresa no fim da festa, como teve ao fim daquela festa em Seattle.
            Talvez aquele pressentimento não viesse propriamente da festa. Havia uma angustia nela desde que bateu na porta de Milla naquela tarde, mas procurou disfarçar aquilo o máximo possível, obtendo êxito, principalmente com Seth. Ele estava entusiasmado com a mínima esperança de Milla aparecer ali. Sorria depois de dias, e até brincava com os outros garotos da matilha, mas vivia olhando para a entrada. Mal sabia ele que Milla não viria.
            Jacob se aproximou de , vestida magnificamente em um vestido vermelho, justo. Os cabelos soltos muito bem penteados e uma maquiagem neutra.
_ Sucesso total! – Ela disse, sorrindo. Jacob sorriu e a beijou levemente. Depois sussurrou em seu ouvido:
_ Por que a preocupação em seus olhos? – Certo. Ela tinha enganado todos, menos Jacob.
 _ Nada! – Ela sussurrou de volta.
            Jacob olhou pra ela com as sobrancelhas erguidas completamente incrédulo. rolou os olhos.
_ Coisas do hospital, não é algo pra se falar aqui, certo? – Ela respondeu, mas Jacob estreitou os olhos daquele jeito de “isto não foi convincente”. – Vamos dançar? Faz tempo que não fazemos isto. – ela disse, desviando do assunto.
            Jacob bufou.
_ Eu sinceramente não sei porque você ainda tenta me esconder algo. – ele disse, armando um biquinho emburrado e… sexy? riu, beijando o “biquinho”.
_ Assim que eu conseguir desvendar minha preocupação eu te conto. Pode ser assim? – Ele maneou a cabeça. – Agora me distraia. Vamos dançar!
            saiu puxando Jacob pelo meio da multidão e teve a ousadia de impedir que ele conversasse com um possível cliente, dizendo:
_ Sinto muito, mas agora a esposa possessiva do dono da festa o esta sequestrando para uma dança, senhor! – E o puxou dali. Jacob gargalhou.
            Todos os quileutes dançaram, inclusive Seth, que foi arrastado por Leah. Os dois haviam feito as pazes recentemente. Mas depois de algum tempo na festa, Seth deixou de disfarçar a ansiedade e apreensão.
_ Eu não devia ter dito a ele que achava que Milla viria. – sentiu o coração apertar. – Ela me disse que não era pra ninguém esperar por ela. – Neste momento Jacob percebeu o coração de sua esposa acelerar, junto com o movimento nervoso de sua perna. Ele franziu o cenho.
_ Vem! – Disse, e a puxou pela cintura em direção oposta a entrada, onde Seth rondava.   o acompanhou confusa. – Embry, cuide de tudo por um tempo? – Jake disse, com ar sério, enquanto passava por ele e por Leah.
_ Claro cara! Pode deixar! – Embry respondeu.
_ O que está acontecendo? – Leah perguntou.
_ Nada. – Jake respondeu e voltou a se afastar com . Leah indagou com os olhos, mas a morena fez um sinal de que não sabia e continuou a acompanhar Jacob.
            Ele a levou no andar de cima, onde a festa não acontecia, e entrou com ela no que era a sala de administração, a sala que ele dividia com Embry. Fechou a porta.
_ Me sequestrando no meio da festa? Isto é um fetiche? – brincou. Jacob lhe sorriu e mordeu os lábios cheios, mas logo sua expressão se tornou séria.
_ É com Milla que você está preocupada, não é? – Ele falou, sem demora. abriu a boca.
_ O que?
_ … quando estávamos vindo pra cá você me sugeriu passar na casa de Milla e insistir se ela realmente não queria carona.
_ Mas você estava certo. Precisamos dar espaço pra ela decidir.
            Jacob balançou a cabeça.
_ Você não pareceu achar isto tão certo assim. Desde que você chegou da casa de Milla não tira este olhar de preocupação do rosto. Não adianta disfarçar, não pra mim. – Jacob se aproximou e pegou o rosto dela nas mãos, olhando no fundo dos olhos da morena. – O que foi? – Ele perguntou e bufou.
_ Eu não sei! Simplesmente não estou confortável com alguma coisa em relação a Milla… é como se ela precisasse de mim pra algo ou… ainda vá precisar… eu NÃO sei! Só estou angustiada, é isto! – Ela disse, e gemeu frustrada.
_ Vamos buscar Milla! – Jacob disse, tirando as chaves do carro de de seu bolso.
_ O que? – respondeu, confusa. – Não Jacob, já está muito tarde, ela não quer vir.
            Jacob suspirou frustrado.
_ , algo não está certo! Eu também estou sentido que algo fugiu do meu controle esta noite. E, desde as nove da noite o olhar do Seth mudou completamente.
            ponderou. Aquilo era verdade. A partir das nove da noite Seth saiu repentinamente da pista de dança e foi para a entrada da festa… não o viu sorrir desde então. E foi a partir daquela hora que ela sentiu sua agonia aumentar também.
_ Ele sentiu alguma coisa. E se ele sentiu algo que o deixou abalado está relacionado à Milla. Agora, nós vamos até a casa de Milla de uma vez e…
            Mas de repente um Seth pálido, vestido só de sua calça social irrompe pela sala com olhos vermelhos e peito arfante.
_ Milla não está em casa! Ela… ela não está em lugar algum e… a mãe dela está morta!  - ele disse, com voz alucinada.
            Foi como se um redemoinho se movesse aos pés de . Ela cambaleou e os olhos de um vampiro apareceram diante de si. Ela pode sentir o hálito dele, e não foi o fedor de um vampiro que sentiu, mas sim o cheiro do sangue de Milla.
“Será mais fácil e indolor se se entregar a mim…”  Ela ouviu ele pronunciar, da sua boca o sangue de Milla escorrendo.
_ , meu amor! Fale comigo!
            Ela focou os olhos na realidade e Jacob olhava angustiado pra ela, segurando seus ombros. Seth estava encostado completamente perdido na parede.
_ O que você encontrou Seth? – perguntou com avidez, se desvencilhando de Jake.
_ Dona Celeste… o pescoço quebrado.
_ Arrombamento? Cheiro? Rastro? – Ela continuou a perguntar.
_ Nada, só o cheiro dela e de Milla. Nenhum arrombamento eu acho… não vi! – Ele disse e agarrou os cabelos, depois pegou os braços de com força demais. – Onde ela está? Onde ela está? – perguntou, alucinado.
_ Eu vou encontrá-la! – garantiu.
_ Eu senti a dor dela! Eu sei que sim, eu senti a dor dela! – Seth continuou a exclamar, sacudindo . Jacob o agarrou pelas costas.
_ Ei, calma garoto! Nós vamos encontra-la! Fique calmo. – Jacob disse, mantendo o braço fortemente cerrado em volta de Seth. De repente uma trupe de passos pode ser ouvida subindo as escadas. Não demorou muito, quase todos os lobos que estavam na festa apareceram.
_ O que está acontecendo aqui? – Jared perguntou, e deixou seu queixo cair ao ver com lagrimas escorrendo pelo rosto e Seth soluçando no aperto de Jacob.
            Leah irrompeu por todos que barravam a entrada na porta e se ajoelhou imediatamente ao lado do irmão, tomando o lugar de Jake. Depois olhou para , com uma certeza impregnada na voz. -  Você sabe o que aconteceu! Diga! – Leah pareceu raivosa.
_ Leah! Enlouqueceu? – Jacob rugiu. Leah rosnou de volta, mas interrompendo aquela hostilidade, ouviu-se o celular de tocar estridente demais para ouvidos tão aguçados.
            A moça o pegou automaticamente, mas ficou espantada ao ver a identificação na tela: Edward.
_ Alô! – Ela atendeu, pressentindo algo mau.
_ Preciso que me diga… conhece uma moça loira, de uns dezessete anos, com mais ou menos um metro de sessenta e cinco. – A voz de Edward soou urgente.
            O ar na sala pareceu ficar preso de repente.
_ Milla! – disse, imediatamente. – Onde ela está? - Perguntou, apressada, virando as costas para o seu publico perplexo.
_ Renesmee a encontrou nas redondezas enquanto tentava caçar… Ela está… aqui, conosco. – Edward disse, cuidadoso demais. – Ela disse o seu nome… mas chama muito pela mãe e… por Seth.
            Ao ouvir aquilo, Seth deu um sinal de vida, se levantando abruptamente.
_ Como ela está? O que aconteceu? – perguntou, trêmula.
_ Qual a relação dela com Seth? – Edward perguntou, parecendo desconfiar de algo.
_ Imprinting. – respondeu automaticamente. – O que aconteceu? – voltou a perguntar, impaciente. Edward hesitou e, quando voltou a falar, sua voz era só um murmúrio.
_ Ela está se transformando, . Ela foi mordida… era tarde demais para sugar o veneno… é deixar acontecer ou acabar com tudo.
_ NÃO! – O grito nauseante de dor de Seth foi mais alto e forte que a música alta no andar de baixo. Sua espinha tremeu e, rápido demais, um lobo enorme explodiu na sala, quebrando tudo. Jacob pulou na frente de a tempo de desvia-la das garras de Seth. Logo depois, Jake olhou nos olhos do lobo cor de areia feroz e mortalmente, mesmo em sua forma humana. Antes que todos pudessem processar uma pancada foi ouvida e o lobo estava no chão, desacordado. Jacob o havia derrubado mesmo sem se transformar, o lobo não teve força para investir contra seu alpha e se deixou ser derrotado.
            Leah cobriu o corpo nu de seu irmão, quando este se destransformou ainda desacordado, com o terno de Embry.
_ Embry e Jared, fiquem na festa e mantenham tudo em ordem. Leah, leve Seth para casa e o mantenha lá! Custe o que custar! Paul e Quil, vasculhem tudo ao redor, cada grão de terra que for, e me achem o maldito vampiro que pisou por aqui! Chamem os outros da matilha pra ajudar. Caleb, leve pra casa. – Jacob deu as ordens rapidamente, que foram sendo acatadas sem contestação ou qualquer questionamento.
            Depois ele se abaixou e pegou as chaves do carro no meio dos escombros do que fora a sua sala e se dirigiu a porta. recusou a ajuda de Caleb e se levantou rapidamente, alcançando o braço do marido.
_ Aonde vai? – Ela perguntou, mas já sabendo aonde ele ia.
 _ Ver… Milla… - Ele disse tenso, os olhos negros sombrios. Deu-lhe um beijo rápido e brusco, sentia os músculos dele rígidos. Mas antes que ele voltasse a se afastar, puxou seu braço novamente.
_ Deixe acontecer! – Ela disse, desesperada. Jacob olhou pra ela e sua segurança fria desmoronou por um instante.
_ Eu não posso! – Ele disse, com voz apertada.
_ Ela é o imprinting de um lobo da sua matilha! Você não pode mata-la! Mataria Seth junto. – Jacob afagou o rosto da esposa, perturbado.
_ Ela já está morta, . Não vai mais ter coração, vai parar de bater de qualquer jeito! – Jacob olhou para trás dela, e não entendeu até Caleb lhe prender pelas costas, mantendo os seus braços virados pra trás. – Não tente fugir! Por favor! – Ele disse, se afastando novamente.
_ Não! NÃO! Jacob, não! Foi por minha culpa! Ela está assim por minha culpa! – disse em um desespero maior ainda, procurando se conter para não lutar com Caleb e se soltar.
_ Meu amor, você não tem nada a ver com isto! E… eu… eu preciso fazer isto. – Jacob virou as costas.
_ Se você sair vai me magoar! Entendeu? Muito! – Jacob travou imediatamente. – Mande Caleb me soltar! – Ela exigiu. Jacob não se virou para dar um aceno para Caleb, foi solta imediatamente. Correu pra frente de Jacob, puxando seu rosto para encarar seus olhos. -  Ela ainda vai viver! Milla vai continuar, ela vai resistir! Milla tem uma alma boa e ela vai continuar assim! Eu sei que vai! Deixe acontecer Jake! Não a mate! – Ela voltou a implorar, de um jeito que agoniou o peito de Jacob. As lágrimas caiam pelo rosto dela.
_ Vai ser mais difícil pra ela, ! Não vai ser bom! Nem saudável. Nem pra ela e nem pra Seth. – Jacob pareceu irredutível.
_ Nós podemos fazer ela ser diferente! Ela não precisa ser um monstro! Pode dar certo. – Ela ainda insistia, com voz tremula.
_ Não … - Jacob disse, deixando uma lágrima cair de seus olhos tensos. Os ombros de caíram, derrotados. Ela virou as costas.
_ Vai, então! Vai até ela! – Ela disse, raivosa.
            Jacob suspirou, tentou lhe afagar os ombros, mas se afastou. Ele abaixou as mãos. Finalmente se dirigiu a porta, mas parou uma vez mais ao ouvir lhe chamado novamente.
_ Eu confio em você. Sei que vai fazer o que realmente é certo, e não o que parece ser. – Ela se virou, ainda com lágrimas caindo no rosto. – Eu te amo. – Disse. E depois ela mesma passou por Jacob apressada, com Caleb em seu enlaço.


CAPÍTULO 40
POR SETH... SÓ POR ELE...
            Uma sensação nada agradável tomou conta de Jacob quando ele adentrou naquela estradinha no meio da mata. Há anos ele não ia lá, da ultima vez era ainda um menino, que deixou tudo aquilo pra trás completamente fora de si.
            Não demorou muito ele vislumbrou o grande mausoléu branco que parecia a casa dos Cullens. Eles não mudaram muita coisa na casa durante todos aqueles anos. Jacob respirou fundo dentro do carro, com todas as janelas muito bem fechadas, antes de sair e entrar naquela casa. Hesitou somente por um momento, mas saltou porta afora quando escutou um grito torturante vindo de lá de dentro. Era o grito de alguém que se transformava.
            Mas a primeira pessoa com quem se deparou na porta, antes mesmo de ter chance de subir o lance de escadas que havia na entrada, não foi uma presença nada agradável.
_ Então o cachorro teve a ousadia de voltar aqui? – Rosálie disse, com uma postura tensa e um olhar ameaçador. Jacob deu-lhe um sorriso diabólico.
_ Não é algo muito agradável. Mas pode se tornar, se eu tiver um pescoço de sanguessuga loira pra arrancar. Então loira, está com a cabeça no lugar? Não estava assim da ultima vez que nos vimos. – Ele disse, com sarcasmo, fazendo Rose rugir e avançar. Mas antes que ela pudesse, Edward apareceu e segurou-lhe o braço.
_ Não, Rose! – Ele disse, ríspido. Ela bufou e sumiu como um flash pra dentro da casa. Edward se virou para Jacob, encarando-o com um olhar entre lamentoso e desconfiado.
_ Me leve até ela! – Jacob disse, impositivo.
_ O que pretende fazer? – Edward perguntou, se mantendo imóvel na entrada da casa.
_ Isto só cabe a mim decidir. Sua função é me levar até ela. Só isto. – ele disse, ainda arredio. Percebeu que Bella não estava na casa. Talvez estivesse com Charlie na casa dele.
_ Acabar com tudo pode não ser a melhor solução, Jacob. Nós podemos ajuda-la se adaptar. – Ele disse. Jacob riu. Então o sanguessuga estava de acordo com ? Parecia que os dois tinham combinado.
_ O que você quer é condená-la a mesma sina que você Edward? Um monstro eterno? … Não sei se esta é a melhor solução. – Jacob insistiu, dando um passo a frente, ameaçador. – E eu já disse que isto cabe a mim decidir. E se você não me levar até ela eu passo por cima de quem for! É por bem ou por mal! – Ele ameaçou, mas Edward continuou rígido na frente de Jacob.
            Outro grito vindo do andar de cima. A voz de Milla já parecia mais aguda que antes. Ela primeiro gritou pela mãe, depois gritou o nome de Seth. Jacob não pensava que ela estava tão envolvida por Seth quanto ele por ela. Principalmente depois de ela ter fugido dele.
            O índio apertou os olhos, pois se lembrou do primeiro dia que encontrou Milla na cantina, com aquela alegria pura e gratuita. Uma alma boa… havia dito que ela tinha uma alma boa. Ele nunca poderia duvidar daquilo, mas onde aquilo ia parar se ele permitisse que a transformação terminasse? Seth e ela se tornariam inimigos naturais, seus cheiros se tornariam repugnante um para o outro e, o pior de tudo, bastaria uma mordida de Milla e a vida de Seth estava acabada. O imprinting poderia resistir a tudo isto?
_ Eu vou entrar Edward! – Jacob disse, quase rugindo.
_ Não! – Edward disse, também rosnando.
_ Pai! Deixe ele entrar! – Uma voz branda, mas determinada surgiu atrás de Edward. Logo depois ela apareceu, os cabelos ruivos presos em um coque, com mechas caídas no rosto. Sua face estava corada, sua roupa amaçada, seus olhos tensos, uma expressão cansada. E ela tinha, acima de tudo, um olhar perturbadoramente castanho cor de chocolate, que focaram os olhos negros de Jacob com uma segurança maior do que deveria. – Deixe que ele decida depois de vê-la! – Ela disse, colocando a mão no ombro do pai. Edward olhou para Renesmee e não disse nada. Ela olhou, então, para Jacob e disse, simplesmente: - Vem! – E voltou para dentro da casa.
            Jacob ficou estupefato por um instante, sem saber ao certo como reagir. Era ela! A criatura que tinha acabado com a vida da mãe, a menina monstro que foi seu tormento por um tempo angustiante… era ela, a sugadora de vida. Ela parecia tão diferente, tão mais… humana? Tão parecida com Bella e tão diferente…
            Renesmee voltou para fora.
_ Jacob! Vem! – Ela chamou novamente, e ofereceu a mão para que ele entrasse. Uma ação involuntária. Assim que ela percebeu seu ato, os olhos tensos de Jacob fixos na sua mão estendida, a menina recolheu a mão e ruboresceu.
            Jacob saiu de seu topor e passou na frente dela, sem mais olhá-la, e subiu a escadaria do lado de dentro sem olhar para lugar algum, somente sendo guiado pelos suspiros e gemidos altos de Milla. Renesmee o alcançou rapidamente e os dois entraram lado a lado no quarto espaçoso que Jacob se lembrava pertencer a Carlisle.
            Milla estava deitada numa cama grande, de estrutura reforçada, se contorcendo dolorosamente. O coração dela batia velozmente, desesperado, sendo consumido aos poucos pelo veneno. Estava sendo segura por Esme e Alice, uma vampira em cada lado.
_ Olhe o que vai fazer cachorro! – Alice disse, com voz repreensiva. Seu olhar era de quem se compadecia, não daquela coisinha pequena e saltitante que Jacob se lembrava.
_ Saiam! – Jacob disse, tanto para Esme quanto para Alice. Um grito agudo de Milla quase abafou a voz de Jacob. Ela arqueou as costas e gritou de novo.
_ Faça parar! Faça parar de… queimar!!!!! – Ela pedia, incessantemente.
_ Vai ficar tudo bem meu amor! Vai ficar tudo bem, vai passar! – Esme dizia, acariciando os cabelos de Milla, que já tinham um brilho diferente. Jacob apertou os punhos.
_ Saiam! – Ele disse, com os dentes apertados.
            As vampiras hesitaram, se mantendo na mesma posição.
_Tia, vó, podem ir! Vai ficar tudo bem! – Renesmee disse, indo em direção a cama e pegando Milla nos braços. A garota chorava e se sacudia.  – Chore meu anjo, chore enquanto pode. Deixe as lágrimas caírem. – Renesmee disse, ternamente, beijando a testa de Milla. Jacob sentiu um nó na garganta, mas ficou impressionado quando as vampiras acataram o pedido de Renesmee e saíram do quarto. Será que todos acatavam as vontades da meia vampira?
            Renesmee ficou sozinha com Milla na cama, e agora Jacob entendeu a aparência cansada dela. Milla já estava dando trabalho para ser segura, e a força da hibidria não era tanta assim.
            Milla abriu os olhos, que estavam de uma cor estranha. Não mais azuis como Jacob se recordava, nem vermelhos como eram os dos vampiros, mas uma mistura dos dois. Ela o encarou com aqueles olhos turvos e doloridos.
_ O que vai acontecer comigo? – Perguntou a Jacob, dessa vez sem gritar, com a voz cansada.
            Jacob se aproximou com o coração apertado da cama, se sentando do lado oposto que Renesmee segurava Milla. A hibídria o encarava sem nenhum pingo de hesitação. 
_ Vai passar. – Ele disse, e moveu seus braços em direção a Milla, envolvendo o pescoço da garota numa espécie de abraço. Renesmee arfou e disse:
_ Não faça nada que vá se arrepender depois. – A hibidria o olhou de um jeito implorativo. Ela viu, com angustia em si, uma lagrima sair apertada dos olhos imponderáveis do homem lobo. Renesmee também deixou uma lágrima cair de si.
“Humana demais!” Jacob pensou, perturbado. Milla gritou em meio ao seu abraço, se contorcendo e sacudindo Jacob. Tudo ia passar… era só quebrar o pescoço e tudo acabaria…
_ Diga a Seth que eu o amo sim… mais do que eu pensei que… que pudesse amar… - Milla disse, com voz entrecortada, em meio a gemidos. Foi um impulso de sobriedade, de consciência, e era em Seth que ela pensava. Sabia… de alguma forma ela sabia que estava no fim. – Eu… aiiiiii… eu nunca quis que ele sofresse… - Ela disse novamente, como se realmente precisasse, acima de tudo, dar paz a Seth antes que algo lhe impedisse.
            Jacob se lembrou dos últimos dias que passou em ronda com Seth, dividindo seus pensamentos. Ele sonhava com o dia que poderia beijar Milla, coisa que ainda não tinham feito, e a via como uma princesa, suas lembranças dela eram agradáveis e divertidas. Ele ria do jeito espontâneo dela, do sorriso fácil… 
            Jake apertou mais os braços ao redor do pescoço de Milla… ela arfou, Renesmee soltou um suspiro e apertou os olhos.
_ Jacob… pense… - a hibidria pediu.
_ Eu não vou aguentar… a dor… - Milla disse, sufocada. Jacob respirou fundo e então, moveu o seus braços velozmente…
_ Vai sim! Você vai aguentar mais do que qualquer outro! Você vai resistir por você e por Seth! – Jacob, inesperadamente, com um sentido completamente insano, moveu os braços rapidamente e largou o pescoço de Milla. Envolveu seu rosto com suas mãos, fazendo-a encarar seus olhos. Renesmee deixou um soluço de alívio escapar.
– Nós vamos descobrir um jeito, vai dar certo! Me prometa Milla, me prometa que você vai lutar cada segundo da sua existência para ser o melhor, que você vai resistir, vai superar tudo o que vai contra! – Jacob disse com agonia para a menina que gemia, mantendo suas mãos segurando firmemente o rosto delicado. Milla voltou a gemer, seus olhos rolaram de dor. – Prometa! Por favor, prometa! … por Seth, Milla… por ele!
             Ao ouvir o nome de Seth, os olhos de Milla voltaram ao foco por um instante.
_ Tudo… p-por ele… eu… vou lutar… - Logo depois ela gritou, gritou com todas as suas forças e quase saltou da cama. Jacob a segurou firmemente, prendendo seus braços nas costas.
_ Nós vamos lutar com você! – Jacob sussurrou para ela. Então, aos poucos, os gritos dela cessaram, os espasmos do corpo diminuíram. Milla fechou os olhos, apertando-os por vezes, e se encolheu nos braços de Jacob, com os músculos tensos, resistindo à dor sem gritos, sem se contorcer.
            Renesmee olhou para Jacob, que passou a abraçar e não a segurar Milla, com um sorriso cálido.
_ Eu sabia que podia confiar em você! – Ela disse, suavemente, pra completa confusão de Jacob.
****************
            entrou bruscamente em sua casa, transtornada. Como? Como aquilo tinha acontecido? E com Milla e Seth? As pessoas que não mereciam aquilo, umas das poucas pessoas no mundo que não mereciam uma gota de dor sequer! Tão jovens ainda, principalmente Milla.
            se lembrou do medo que a garota demonstrou ao se deparar com este mundo de aberrações, e agora ela seria uma das piores espécies?
_ , você vai ficar bem? – Caleb perguntou.
_ Vou sim, Caleb. Pode ir! Fique com Seth, ele precisa de todos os irmãos ao lado dele. – Ela disse, beijando a mão do garoto, que estava pousada em um de seus ombros.
_  Você acha que Jake vai deixar ela se transformar? – Caleb perguntou, tenso.
_ Não sei ainda, Caleb. Mas prefiro acreditar que sim. – Ela disse, suspirando e se jogando no sofá.
_ E isto é melhor? Deixar que um objeto de imprinting se torne uma vampira? – Caleb divagou, com uma amargura no tom de voz. – Todos nós , todos estamos sentido uma coisa completamente terrível dentro do peito. E ficamos pior quando sabemos que isto é só uma parte do que Seth está sentindo! Precisa haver uma saída! É terrível! você não sabe o quanto é doloroso! – olhou para o jovem lobo, mas não suportou aquele olhar angustiado por muito tempo. Virou o rosto.
_ Vá pra perto de Seth, Caleb. É tudo que você pode fazer por enquanto. – Ela murmurou. – Vou ficar bem aqui, esperando Jake.
            Caleb foi até e beijou-lhe a testa, ela lhe beijou as mãos, e só então ele saiu. Assim que ele bateu a porta da sala, se levantou e começou uma caminhada afligida de um lado a outro. Se lembrou da visão que teve com o vampiro que não pode distinguir o rosto. Ela se lembrou também, de algo que Quendra a fez se esquecer: sua primeira visão, aquela que teve em La Push, no segundo dia que estava ali. Ela tinha quase certeza que era o mesmo vampiro! Alguém sabia quem ela era e o que o seu sangue significava para um vampiro. E estava perto!
            Só podia ser isto!
            Milla estava naquela situação por causa dela, não parava de pensar nisto, aquilo martelava em sua consciência incessantemente. Mas não bastava a ela ficar se remoendo em culpa. Ela queria reverter aquela situação! Precisava pensar em algo. Milla não podia se tornar um ser escravizado pelo desejo de sangue, aquela alma pura não podia ser maculada com morte inocente, Milla não podia se tornar uma assassina!
            Ela arrancou os sapatos e os jogou longe, e continuou a andar pra lá e pra cá, pensando… “Resitir…” Milla precisava resistir ao sangue mais do que qualquer outro, pois ela não seria qualquer vampira, ela seria uma vampira imprinting de um lobo. Ela tinha que imperar sobre os instintos daquela espécie, tinha de ser superior… tinha de resistir ao veneno que o sangue era para a sua alma… o sangue humano, conquistado com morte…
            Veneno… há séculos os homens descobriram que a dose certa de veneno, ministrada diariamente, poderia se tornar o melhor antídoto… o corpo criava resistência com o tempo. Depois a medicina comprovou esta teoria vinda dos primórdios. Hoje, as bactérias estavam mais fortes justamente por resistirem aos antibióticos ao longo do tempo. O organismo se adapta e quanto mais forte os antibióticos, mais resistente as bactérias se tornam… algo que preocupa a comunidade médica em geral.
            Era isto! Se Milla aprendesse a resistir a pior de todas as tentações, aos poucos, então ela poderia lidar muito bem com seus instintos. Milla seria mais resistente até mesmo que Carlisle! Um plano ardiloso e ousado começou a se armar dentro da cabeça de
            Tudo teria que ser afastado de La Push, de Forks! Ela teria de pedir dispensa do hospital para seguir para longe com Milla, num lugar onde nenhuma das duas fossem expostas. Talvez, pra  completa ironia, Edward pudesse ajudar nisto, falando com Carlisle. Talvez Carlisle pudesse te substituir no hospital? Isto seria insano, mas... se Quendra confiava tanto nele... O fato era que não havia tempo para restrições, ela precisava encontrar saídas urgentes!
            E havia mais coisas que começaram a borbulhar no desespero da mente de
            Milla precisaria ficar presa e nenhum lobo poderia ajudar nisto. Um vampiro recém-criado era forte demais e um descuido bastaria para que ela mordesse e matasse um dos lobos. Nem Jacob, o mais hábil, poderia correr este risco. Como fazer isto então?
            Mas a medida que a ideia se formulava na mente de , uma elfo tão conhecida se materializou a sua frente, com uma expressão muito séria.
_ Não, ! – Quendra disse, firme.
_ Sim e sim! Vocês tem que me ajudar a fazer isto!
_ isto não é garantia! Não pode garantir que vai mudar! E nós não podemos interferir nisto, é… - Quando a elfo começou com suas explicações que conhecia de cor e salteado, uma fúria cresceu dentro da morena, parecendo insana demais para ela administrar.
            rugiu e partiu pra cima de Quendra com toda a sua velocidade, parando a milímetros da elfo, a encarando com um olhar escaldante. Sua voz ficou mais forte, mais poderosa.
_ Vai fazer isto, porque eu sei que é o certo e eu quero assim! bradou para a rainha, fazendo-a estremecer com toda aquela intensidade e, ainda, cambalear para trás. Depois tomou consciência do que fez e se afastou, perturbada.
_ Mas o que…? – Quendra perguntou, encarando transtornada . Ela tinha afetado a rainha como ninguém nunca fizera! Quendra sentiu a vontade de se revoltar imperativa dentro de si. sentiu um tumulto no peito, suas mãos começaram a ficar trêmulas: como ela ousara tanto?
            Sacudiu a cabeça e tentou ignorar aquilo, apesar de Quendra parecer de certa forma encolhida e tensa a sua frente.
_ Foi por minha culpa! Eu não sei o que está acontecendo e não sei porque você, Quendra, não quer me dizer quem é este vampiro que me atormenta. – começou a dizer, mais calma. – Porque me escondeu minha primeira visão… - Olhou para elfo que ainda tinha uma expressão confusa. – Mas o que eu sei é que eu posso ajudar Milla, eu sinto isto e eu vou acreditar no que sinto.
            A elfo respirou fundo, e voltou a endireitar sua postura.
_ Você estará interferindo muito perigosamente no destino deles, usando um poder sagrado para isto. Isto é mudar as leis da natureza. A partir do momento que fizer isto, terá de arcar com as consequências. – Quendra alertou, já recomposta.
_ O destino deles foi alterado do rumo certo, Quendra. Você sabe disto. Uma criatura sobrenatural mudou tudo! Isto é ir contra as leis da natureza. – argumentou, com voz cansada. – Tudo o que vamos fazer é tentar reordenar o que foi perdido.
            Quendra se afastou, dando alguns passos pra longe de . De costas para ela, quase imperceptivelmente, a rainha pôs a mão no centro de seu peito, dolorido. Obviamente, não seria prudente revelar a que ela havia atingido tão fortemente um elfo. Se não fosse ela, Quendra, a rainha de seu povo, qualquer elfo teria de obedecer a vontade de sumariamente, sem escolhas. Algo lhe dizia que Lairon sabia muito bem o que sua filha iria se tornar quando implorou por sua vida. estava forte, tanto quanto um elfo.
            A rainha pensou rapidamente em todas as suas possibilidades, tentou vasculhar nos vislumbres de futuro que tinha as consequências de seus atos ao atender o pedido de . Mas, assombrosamente, Quendra não conseguia mais ter tanto acesso ao que se referia a híbrida entre elfo e humana. Tinha que decidir rápido. E o fez.
_ Niadhi levará vocês até uma ilha, algumas milhas abaixo da linha do equador, bem no meio do pacífico. Lá está muito perto do lugar onde há uma… uma conexão para o lar dos elfos. Ninguém, absolutamente ninguém, poderá localizar vocês lá. Somente Niadhi estará com vocês, é a única elfo que dou permissão. O resto será por sua conta. – Quendra não deu uma explicação sequer sobre sua decisão, apenas disse isto.
            afirmou com a cabeça.
_ Você e eu sabemos que alguém te descobriu. Eu desconfio de quem seja, mas não consigo chegar até ele. E você está certa, eu não acho prudente e nem necessário que você saiba de quem eu suspeito por agora… - a elfo suspirou - …algo me diz que isto não irá parar por aqui, descobriram uma brecha. – a voz de Quendra estava tensa, sabia que ela não estava disposta a dizer mais do que já estava dizendo. Aquilo era somente um alerta, o que havia para além daquilo não seria revelado pela elfo. E não estava disposta a cobrar, naquele momento, uma explicação. Só a situação de Milla lhe vinha a cabeça, ocupando-lhe todas as emoções.
_ Eu sei disto. – confirmou, Quendra acenou brevemente.
_ Mas eu não quero que ninguém mais saiba disto por enquanto. Nem mesmo Jacob. Você está bem protegida. Nós vamos fechar o cerco sobre você. – Quendra disse, ainda tensa.
_ Onde isto vai parar? – perguntou, com um medo genuíno de algo muito maior brotando dentro de si.
_ Eu não sei, querida. Eu não sei! Mas em algum momento, todos nós vamos precisar lutar. – Quendra acariciou a face de ternamente, e disse de um jeito manso e um tanto macabro. - Nós não poderemos evitar todas as perdas querida… algumas são inevitáveis.
_ Mas vamos fazer sempre o máximo para evitar! – contestou, até certo ponto. Tentou sondar os olhos de Quendra, saber o que a elfo lhe escondia, o que estava por vir.
_ Não se preocupe com isto agora. Ainda é cedo. Não sabemos com o que lidamos. Não sabemos se o que você vê é passado, presente ou futuro… ou uma mistura de tudo ! O terreno não está firme para pisarmos. – Quendra virou-se e ponderou por um tempo. – Você sabe que, depois de fazer o que pretende fazer, Milla ficará consciente do seu segredo, ela saberá sobre você… - Houve hesitação na voz da elfo. – Você confia nisto? Confia nela?
_ Confio… - respondeu imediatamente, sem nem pensar.
_ Sabe que precisará de mais pessoas pra te ajudar com ela, não sabe? Será que tem alguém a mais que possa confiar? – fechou os olhos e a imagem de Jacob surgiu em sua mente, imediatamente, logo depois a imagem de outra pessoa, uma que ela realmente não esperava, também povoou seus pensamentos. Abriu os olhos. Seria possível?
_ Vai testá-la? Seria arriscado… - Quendra perguntou, vendo a pessoa a que se remeteu os pensamentos de .
_ Não sei o porque… mas algo me diz que posso confiar nela. – respondeu a pergunta da elfo. Quendra lhe sorriu.
_ Irônico isto… como o destino gosta de brincar… - a elfo balançou a cabeça de um lado para o outro. Suspirou e continuou a falar. - Acho que lhe foi dito pra confiar em suas intuições… não sou eu quem irá contestar… Faça Jacob entender, mas não explique demais. – Quendra se afastou, sabia que ela partiria. – Estejam prontos pra partirem antes da transformação se completar… amanhã.
_ Sim. – afirmou, mas de repente se sentiu insegura. Nada seria tão simples.
_ Ficaremos de olhos em La Push enquanto isto. – Foi a última coisa que a rainha disse antes de desaparecer.
            tentou colocar as coisas no lugar em sua cabeça, reordenar a balburdia em seus pensamentos, controlar suas emoções antes de falar com Jacob. E teve tempo para isto. Às duas da manhã Jacob ainda continuava fora e sabia que ele estava com Milla… ele não a havia matado.
            Até que houve o momento em que não havia mais o que esperar. discou o numero de Jacob e, para seu alívio, ele atendeu.
_ Precisamos conversar… com privacidade… - Ela disse, assim que ele atendeu. Ele hesitou um pouco, do outro lado da linha ela distinguiu a voz de Renesmee dizer:
_ Eu cuido dela…
_ Estou voltando pra casa. – Ele disse e desligou o telefone. E isto não demorou a acontecer, logo Jacob irrompeu pela porta, encontrando já de banho tomado, vestida somente com um roupão, seu corpo e cabelos ainda levemente úmidos.
            Ele tirou o terno e o jogou no sofá, coçou o cabelo atrás da nuca e voltou a olhar pra ela, que o esperava de braços cruzados na frente do peito.
_ Ela está viva… o coração ainda bate… mas não por muito tempo. – Ele disse. deu um sorriso triste.
_ Eu sei… sabia que podia confiar em você… fez o que era certo.
            Jacob sorriu.
_ É a segunda pessoa que me diz isto.
_ A primeira foi Renesmee? – perguntou, impulsiva, um brilho estranho nos olhos. Jacob olhou pra ela repentinamente.
_ Como sabe? – Ele questionou. Ela sorriu.
_ Apenas sei…
            Jake franziu o cenho.
_ Ela teve o seu tipo de persuasão … mas nem tão influente quanto a sua… - Jacob disse, se aproximando.
_ Como assim? – perguntou.
_ A monstrinha jogou tudo nas minhas costas, inclusive a confiança… e ela é a única pessoa que não poderia confiar em mim. – Jake chegou perto de e respirou fundo, ponderando aquilo.
_ Uma alma boa… só isto… - A morena disse, com ternura. De repente Jacob fez uma careta de angustia e levou a mão no peito como se quisesse conter alguma coisa. Ao longe um uivo desolado se ouviu. – O que foi? – indagou, pegando o rosto de Jake por entre suas mãos.
_ Seth… - ele arfou. Sua ligação estrema com os lobos de sua matilha fazia com que sentisse a dor tão dilacerante de Seth ainda que não estivesse transformado. – Tive de lhe dar a ordem de não procurar Milla. – Jacob pegou as mãos da esposa e as beijou. – Não vejo saída para os dois… eu quero acreditar nisto, mas… não vejo!
            o abraçou e Jacob sentiu o revigorado alívio que era ter o corpo quente e acolhedor dela junto do seu. O cheiro dela pareceu dissipar todos os maus odores que inalou nas ultimas horas. Ele beijou a curva do pescoço dela, como sempre costumava fazer, e apertou os braços envolta de sua cintura.
_ Eu vejo uma saída… mas vou precisar de sua ajuda e… por enquanto, terá de ser sigiloso… ao menos em partes… - Assim que a ouviu dizer aquilo, Jacob se afastou minimamente, somente para encorajá-la a prosseguir falando.
            o pegou pela mão e o levou até o sofá. Se sentou e ele foi se sentar de costas para ela, encaixado por entre as suas pernas. Então, acariciando os cabelos negros dele, contou tudo o que podia contar e o que pretendia fazer. Jacob escutou tudo em silêncio, mas ficando cada vez mais tenso conforme ela prosseguia.
_ Se Milla aprender a controlar o seu desejo por sangue tudo será mais fácil para os dois. Porque assim ela preservará aquilo de humano que está nela, não se afastará do amor que sente por Seth. – Jacob continuou quieto e tenso. prosseguiu. – Então se ela resistir ao apelo do meu sangue, ela resistirá aquilo que há de mais forte para sua espécie… Um pouco a cada dia. Pode funcionar! 
            Jacob apertou as mãos no braço de que estava apoiado em seu peito e, com o maxilar travado, perguntou:
_ E se não funcionar?
_ Eu sei que vai funcionar… sei também que não vai ser fácil… nem rápido… mas vai funcionar! – disse, efusiva. Jacob saltou do colo dela furioso.
_ Não! Definitivamente não!
_ Jake… - Ela tentou argumentar, com voz doce, mas Jacob voltou a explodir.
_ O que você está me dizendo? Você ouviu bem o que está me dizendo? Que quer servir de isca para um vampiro recém-criado, com uma sede incontrolável? Que quer se expor e incitar esta sede cada vez mais até que Milla resista? NÃO! Isto é loucura e NUN-CA pode dar certo!
            se pôs de pé com uma expressão tão tensa quanto a de Jake.
_ Deixe o seu lado de marido superprotetor de lado e pense Alpha Black! Pense! Esta é a única alternativa e você, enquanto líder e responsável pelos seus irmãos, não pode deixar esta chance escapar para proteger somente o seu lado da história! Ouviu bem? – disse, irritada.
_ Não, esta não é a única alternativa! Ela pode resistir de outra forma! Os Cullens podem ajuda-la nisto.
_ Os Cullens? Jacob, nem mesmo o Carlisle, o mais controlado deles, pode resistir ao apelo de meu sangue! Não, esta não é uma alternativa! Eu sei mais do que você pensa! Eu só te peço que confie em mim! Eu sei que vai dar certo!
            Jacob riu sarcástico e balançou a cabeça diante do novo apelo sem sentido de . Ela bufou.
_ Você pode escolher: ou faz isto comigo… ou eu faço sozinha!
            Jacob se virou com a boca aberta pra ela, a olhando incrédulo. Respirou fundo… de novo, tentando controlar os tremores na sua espinha.
_ Por que sempre tenho que acabar cedendo? – Ele disse, irritado. Mas sorriu e correu para ele, pulando em seu colo.
_ Só quero que tudo dê certo! – Ela sussurrou em seu ouvido.
_ Eu também… eu também… - Ele respondeu, acariciando seus cabelos longos.
_ Confia em mim? – Ela pediu. Ele sorriu e beijou a ponta do nariz dela.
_ Confio! Neste caso, não devia, mas confio!


N/A: Minhas floresssssssss!!!!!!! Hehehe, estoy aqui, toda alegre saltitante e..??? APREENSIVA! Num sei pq me bateu uma insegurança sobre TPB! Aiiiii... é mais sobre o que há de vir sabe?? Preciso, necessito, de aconchego e inspiração de vcs nos comentários mais do que nunca.... vcs tem aí alguma fórmula mágica para inspirar e fazer escrever?? Oh, preciso, sériamente eu preciso disto!
Mas enfim, o caso Milla não é meramente uma maldade minha de ter feito isto com os meus mais fofinhos personagens não! Mas, conforme eu disse, o prenuncio de outro tempo... uma virada completa e absurda e fora de qualquer padrão q eu NÃO estou conseguindo escrever, masssss e nfim! Hmmm... conforme vcs sabem, Renesmee terá um papel importante na história e isto, já neste capítulo a PP ja começou a perceber... oh... falando nistoooo... temos um assunto importantérrimo a tratar: A PP!
Viram só o que ela fez com a Quendra????????????
Hahahaha... isto significa que, ao contrário do que os elfos pensavam, a evolução de poder dela NÃO parou e estagnou ainda... a PP ainda não alcançou a sua maior força! Yeah... e vejam bem, ela abalou as estruturas da rainha elfo, esta mesma rainha tem sua influência sobre o futuro da moça abalada, e a PP começa a tomar conhecimento sobre coisas muito além dela, que dizem respeito a outros.... igualsinho os elfos mais poderosos.... o q isto significa hein??? hullll.... Grandes responsabilidades... a PP irá partir pra ativa, com muitos mistérios e pode ser que vcs achem as atitudes dela incoerentes, mas ela está "vendo" e caminhando mais além a partir de agora.... 
E ela sabe de uma coisa: tem um inimigo mortal! MAUSHAUSHUAHSUA...
E o Jake? Meu bem, quem sabe um dia ele não passe de alpha de uma matilhasinha para rei de um povo??? HOASHAOSHOAHSAOSHAAA...
Eu só preciso escrever tudo isto agora! kkkkkkkkkkkkk
Bssos!



CAPÍTULO 41
ALIADA
            Jacob ainda ficou impressionado com a eficiência prática de . Ela colocou na cabeça que iria livrar Milla e Seth daquele beco sem saída e parecia uma leoa agindo, tirando qualquer pedra que se intrometesse em seu caminho. Jake assistiu, com espanto, pleitear sua substituição no hospital por Carlisle em cerca de uma hora. Ela praticamente fez Jacob o ameaçar de morte se algo acontecesse com seus pacientes enquanto ele estivesse em seu lugar, visto que ela não poderia dar este recado por si mesma, para não se expor.
_ Eu não confio em você vampiro! Mas não me resta muitas escolhas. – havia dito, quando eles -Carlisle, Jake e ela- saíram do hospital, após uma conversa com doutor Hanson, logo nas primeiras horas da manhã.
            Naquele momento, os Cullens ainda estavam completamente perdidos com o que estava se passando na cabeça do casal Black, mas Carlisle viu no pedido de uma bandeira branca de paz e agarrou aquela oportunidade quase desesperadamente.
            Jacob tinha recebido a garantia de que os elfos iriam vigiar La Push. Quendra queria descobrir algum rastro do vampiro que fez aquilo com Milla. Jake não entendia muito bem a repentina obsessão da Rainha para este caso entre tantos outros, mas não questionou. Ele não quis fazer uma reunião com toda a matilha, não queria ter que explicar muita coisa. Além disto, quando eles, os lobos, estavam todos juntos, a tensão sobre o que Seth estava sentindo se tornava pior. Ele procurou somente Leah.
_ Como assim? Sair? Viajar? – Leah começou a lhe dizer baixinho, mas com olhos já nervosos. – Você vai viajar com sua esposa e deixar meu irmão daquele jeito? Jacob, você sabe o que é ver o Seth… veja bem, você sabe o que é ver o meu irmão Seth, num estado lamentável de desesperança e tristeza? – Ela balançou a cabeça, suas mãos tremiam, tal como sua mandíbula. Conforme falava sacudia as mãos esbaforidamente. – Então você dá uma ordem de que não quer que ele procure saber o que aconteceu com seu imprinting e vem me dizer que vai viajar e ficar fora por tempo indeterminado? Jake, seu idiota! Isto não faz sentido!
_ Leah! Me escute! Eu estou indo a caminho, justamente, de uma solução para aliviar o sofrimento de Seth… e de Milla também! Eu nunca seria tão leviano de deixar um irmão da minha matilha pra trás assim! Eu não posso! Se você sente a dor do seu irmão eu a sinto mais, tenho certeza! Eu sou o Alpha, minha ligação com cada um de vocês é mais forte! – Jacob disse, também nervoso.
_ E o que você vai fazer? E porque não vai levar nenhum de nós? – Ela parou e estreitou os olhos. – E porque vai junto?
            Jacob suspirou.
_ Se fosse para você saber dos detalhes, Lee, acredite, eu já teria dito. Mas eu não posso, saiba apenas que eu estarei fazendo muito mais do que eu acredito ser possível. E os riscos são grandes.
_ Jake… mas o qu…? – Leah começou a falar, mas Jacob a interrompeu.
_ Leah, eu só preciso que você ocupe o meu lugar, chefiando a matilha enquanto eu estiver fora. Já falei com Embry, ele também manterá tudo em ordem. – Jake olhou para loba e ela ainda lhe encarava com ar descrente e desconfiado. – Por favor, Leah. – Ele pediu. – Preciso que você seja esta ancora aqui!
_ Eu não sou tão forte, Jake. – Leah disse, e seu queixo estremeceu mais. Jacob foi em direção a ela, que estava encostada em uma árvore da clareira onde estavam, e a puxou, abraçando-a. Não demorou muito ela soltou um soluço e Jacob sentiu uma lágrima quente cair em seu ombro. – Eu não aguento ver aquele pirralho sofrer tanto… faça qualquer coisa Jake… qualquer coisa que pare com isto! – Ela sussurrou.
            Jacob nada respondeu, sua garganta ficou travada, ele somente apertou Leah entre os seus braços e trincou os dentes. Se ele pegasse o maldito vampiro que causou tudo aquilo, faria questão de tortura-lo muito antes de destruí-lo.
            Assim que Jacob se despediu de Leah, saiu para aquilo que seria a ultima parte dos seus “afazeres” no meio de toda aquela loucura. Sua cabeça ainda girava conforme corria em direção a casa dos Cullens, pensando em algo para dizer aos vampiros para tirar Milla de lá. Tinha certeza que eles a protegeriam, não confiariam que ele tiraria Milla de sua guarda e não a mataria.
            Mas assim que ele passou para o lado dos Cullens da fronteira do antigo acordo, sentiu o rastro da meia vampira. Ela parecia estar sozinha. Foi o tempo dele se destransfomar e vestir rapidamente uma calça e ela apareceu. O cheiro de sangue animal ainda estava nela, parecia estar caçando. Jacob sentiu o estomago embrulhar, mas também sentiu uma angustia ao pensar que aquela teria de ser a vida de Milla de agora em diante.
_ Oi! – Ela disse, aparentemente tímida, com uma voz suave. Jacob não respondeu. A menina abaixou a cabeça e torceu as mãos. – Está indo ver Milla, não é?
_ Como ela está? – foi a única coisa que Jake conseguiu dizer. Sua voz saiu rouca e hostil. Renesmee suspirou e Jacob não sabia se era por Milla ou se era pela hostilidade dele.
_ Não grita, não se mexe, não fala e… quase não respira. Está contendo a dor. Minha mãe está com ela… é a que mais se lembra do processo de transformação, da dor…
_ Hum… - Jacob respondeu. – A diferença entre a sua mãe e a Milla foi que sua mãe se meteu nesta desgraça por escolha própria, então… - Renesmee travou a mandíbula pra Jacob e estreitou os olhos castanhos.
_ Sabia que ela sentiu dor? Minha mãe sentiu a mesma dor que Milla sente, mas ficou do mesmo jeito que Milla está agora, para que ninguém percebesse. Pensávamos até hoje que a morfina tinha tido efeito. – Renesmee falou, com uma atitude ainda prematura na tentativa de defender a mãe. Jacob balançou a cabeça e mordeu os lábios.
_ É… isto realmente se parece com Bella. – Jake sussurrou, e virou as costas.
_ Como você pretende tirá-la de lá? – Renesmee perguntou, dando um passo a frente. Jacob parou imediatamente, estacando no lugar onde estava.
_ O quê?
_ Você quer levar ela não é? Mas acontece que meu pai ainda não confia que os lobos desistiram de mata-la e minha mãe acha mais seguro pra todos que Milla fique na casa… então, não vai ser fácil pra você tirá-la de lá! – Renesmee perguntou com naturalidade, e Jacob franziu o cenho perigosamente, dando passos estreitos em direção a criatura de ar doce.
_ Como você sabe que vou tirá-la de lá? – Ele disse, absolutamente desconfortável, cerrando os punhos.
            Renesmee sorriu e ousou se aproximar mais. Seu olhar ficou cuidadoso, sua expressão mais branda, um meio sorriso parecido com o de Edward, mas mais natural, surgiu em sua face. Ela elevou sua mão esquerda e disse:
_ Alguém me contou tudo… posso te mostrar quem… e como… - Seus olhos adquiriram o brilho dos olhos de uma criança que queria mostrar um trunfo.
_ Você é louca garota? Perdeu a noção do perigo? Do que está falando? – Jacob disse, e deu dois passos para trás.
_ Sua mulher me procurou… - Renesmee sussurrou.
_ O que? – Jacob demonstrou claro espanto. – Que jogo é este? – Jacob farejou ao redor, mas não sentiu nada, nenhum outro cheiro.
_ Deixe-me te mostrar. – Renesmee voltou a insistir, elevando a mão na direção de Jacob. – Não tem jogo… por favor! – Algo nos olhos dela fez Jacob ficar parado enquanto ela se aproximava.
            E, conforme ela se aproximava, sempre com os olhos a encorajar confiança, a respiração de Jacob ficava mais tensa e seu olhar mais duro. Renesmee estremeceu.  Sabia, diante daquele olhar, que um movimento em falso de sua parte faria com que sua cabeça fosse arrancada imediatamente. Mas continuou.
            As pontas dos dedos mornos encostaram no rosto de Jacob e aquilo bastou para que uma avalanche de memórias estranhas lhe invadisse a mente. Ele passou a ver outras coisas…
            Na visão Renesmee estava um pouco a leste do lugar onde eles estavam agora, balançando os pés sentada em uma pedra, aproveitando uns raios tímidos de sol. Mas eis que algo muito veloz passa perto da garota, as suas costas. Ela se virou e nada estava lá, não ao alcance de seus olhos.
            Um cheiro doce e maravilhoso encheu suas narinas, ela inspirou e sua cabeça chegou a girar de prazer. Era um cheiro concentrado e puramente… humano… cheiro de sangue deliciosamente humano. Ela imediatamente refreou seus instintos e retesou os músculos.
_ Quem está aí? – Perguntou ao relento e então, um som abafado de um salto foi ouvido por ela em suas costas.
            Ela se virou e, quando viu aquilo na mente da hibídria, Jacob se espantou. Lá estava , com a mesma roupa e sorriso que ele a deixou quando se despediu para encontrar Leah.
– Você… o que faz aqui? – A hibídria perguntou, tensa. Claro, aquele cheiro só podia ser dela!
_ Caçando, Renesmee? – perguntou, ignorando a fala de Renesmee e pendendo a cabeça de lado, com olhar estranho… muito estranho…
_ Sim… como você veio parar aqui? … Como você foi tão… rápida?
            gargalhou, divertida.
_ Está parecendo uma versão distorcida da Chapeuzinho Vermelho, Renesmee… com tantas perguntas.
            A bela morena pareceu muito mais rápida que Edward, enquanto foi se sentar na pedra que antes Renesmee sentava.
_ Eu sabia… meu pai estava certo achando que tinha algo estranho em você! Você não é humana! … Não pode ser! – A garota disse, arregalando os olhos para . Mas a morena apenas ergueu suas sobrancelhas.
_ Será que você é digna de se confiar um segredo, Renesmee? – Ela perguntou, pela primeira vez séria.
_ Você já se expôs… e se eu não for confiável?
            Um sorriso velado, que Jacob conhecia tão bem, apareceu na face de . Era aquele sorriso que ocultava muita coisa, coisas que ela conhecia. Tantas vezes sorriu pra ele daquela maneira… quando ele pensava estar enganando-a, escondendo algo dela. Então ela sorria como se dissesse que sabia exatamente o que havia dentro dele. Jacob concluiu, com espanto, que aquele sorriso que deu a Renesmee significava apenas que ela já havia feito o seu julgamento sobre a hibídria. Ela confiava nela.
_ Você seria capaz de me morder? De me morder sabendo que não importava o que você fizesse, você não conseguiria parar enquanto não drenasse todo o sangue do meu corpo? – perguntou, enigmática, se levantando lentamente.
_ Não! Nunca! – A menina respondeu, espantada.
_ E você seria capaz de lutar e vencer todos os instintos que fazem parte de você pra isto?  - se aproximou mais, Renesmee se afastou, engolindo em seco.
_ Eu não vou te morder. Não posso!
_ Não? – perguntou, e de repente o cheiro dela ficou mais forte, muito mais atraente. Renesmee arregalou os olhos e colocou as duas mãos na frente do nariz e boca.
_ O que está tentando fazer comigo? – A garota perguntou. Jacob percebeu a imagem do rosto de , mostrado naquela visão maluca, se turvar em uma expressão lamentosa.
_ Um teste… Você não chegou a encontrar nenhuma presa não é… há quanto tempo não caça? – disse e tirou uma pequenina lâmina reluzente do cós de sua calça. Renesmee sacudiu a cabeça e abanou as mãos desesperadamente em direção a , pulando veloz nela antes que ela fizesse aquilo.
            Mas ela não foi tão rápida a tempo de conter o movimento da morena e a impedir de fazer um corte profundo em sua pele. Renesmee viu o sangue saindo do ferimento antes mesmo de ter todos os seus sentidos dominados pela necessidade extrema de beber…
            ficou parada, sem fazer um único movimento, observando uma sombra se fazer embaixo dos olhos achocolatados, as bochechas ficaram purpuras e a expressão juvenil tão pura se contorceram para algo selvagem e irracional… era como um demônio se expondo nos olhos de um anjo. Os cantos dos lábios da hibídria se repuxaram levemente, se abrindo. A meia vampira deu mais um passo e pegou o braço ferido e inerte em suas mãos, mas então, ouviu um sussurro…
_ Vai me matar se fizer isto… eu ainda sou humana Renesmee… como uma parte de você é!
            Renesmee ergueu os seus olhos e encarou as pupilas da mulher a sua frente, com expressão resoluta. E, refletido nos olhos dela, Renesmee viu algo que jamais vislumbrou em sua vida. O seu demônio interno dominando sua expressão… a fome consumindo seus sentidos. Algo, lá no fundo, dizia que a forma como ela salivava e contorcia os lábios era errada, mas a ansiedade pelo prazer de saciar sua fome parecia tão mais forte… mas não tão certa…
            Ela ergueu o braço, cujo sangue estava sendo derramado, em direção aos seus lábios, mas não deixou de encarar aquelas pupilas reluzentes… pupilas de sua vítima, que pareciam tão pulsantes… com algo tão precioso e sagrado resguardado dentro delas. Parecia que uma chama habitava o interior dos olhos de sua vitima, algo muito forte e muito além do que aquele corpo regado de sangue suculento em suas mãos parecia capaz de conter… algo mágico e apavorante…
            Então a meia vampira recuperou o mínimo controle sobre suas ações e, só aquele tantinho de controle bastou para que ela largasse o braço de e se afastasse furiosamente dela, com a cabeça zonza. Ela recostou-se em uma árvore e trancou a respiração. Levou as mãos no ar e pegou algo que lhe foi jogado intuitivamente.
            Era uma garrafa, com um liquido vermelho dentro. Era sangue! A hibídria arrancou o gargalo e despejou os dois litros de um sangue desagradavelmente inóspito pra dentro de sua garganta com desespero supremo.
             Mas a visão foi cortada naquele exato momento. Jacob, furioso, agarrou a mão de Renesmee e a tirou de seu rosto bruscamente. Depois agarrou-lhe o braço com punhos de aço e a empurrou para o tronco de uma arvore com um rugido. A árvore sacudiu perigosamente. Ele ergueu o braço em uma velocidade absurda, o punho fechado e a expressão feroz. Renesmee fechou os olhos e soltou um engasgo. Sentiu o silvo do vento zumbir nos seus ouvidos quando o homem lobo levou o punho em sua direção com toda a sua força e velocidade. 
            O golpe acertou em cheio o tronco na região bem acima da cabeça de Renesmee, espatifando a arvore e a fazendo desabar em cima deles. Os troncos bateram nas costas e cabeça de Renesmee, rasgando suas roupas. Ela se ajoelhou, colocando as mãos na cabeça até que os pedaços de arvore parassem de cair.
            Mal houve tempo de ela abrir os olhos e ver que a arvore já estava desabada ao seu redor, sentiu seus cabelos serem pegos pela raiz e todo o peso do seu corpo ser erguido com um puxão dos seus cabelos. A mão de Jacob ainda sangrava por causa do ferimento que o golpe causou, mas ele não parecia perceber aquilo.
_ Eu não tenho pena da sua carinha doce… escutou bem, coisa? – Ele sibilou em seu ouvido. – Se a ideia de morder a minha esposa passar pela sua cabeça novamente será a sua sentença de morte!
            Renesmee bufou furiosamente.
_ Ainda não acabou! – Ela disse, impaciente, o coração veloz ainda mais rápido. Agarrou a pele do braço de Jacob e mais imagens surgiram na mente dele.
            Ele a empurrou longe, interrompendo o contato. Mas ela não desistiu, foi pra cima dele e, na fração de segundo que conseguiu tocar Jacob novamente, antes de ser jogada no ar, bastou para mostrar algo que o fez parar.
_ Ajude Jacob a chegar até Milla, apenas isto… Você irá conosco, vamos precisar de você sim!- Foi o que disse a Renesmee.
            Jacob olhou pra menina que se levantava sacudindo a terra e galhos dos cabelos, passando os dedos pela ferida mínima que sangrava em sua testa, que parecia se fechar rapidamente. Balançou a cabeça, confuso.
_ O quê? – Perguntou.
_ Você é teimoso, turrão e mal educado! Já ouviu a coisa toda de conversa civilizada? É assim: você espera a pessoa terminar o que tem a dizer e depois tira as suas conclusões, ok? – Ela disse, sua voz bem mais aguda. Olhou para a manga em frangalhos de sua blusa e a arrancou raivosamente. – Como vou voltar pra casa neste estado? – Ela pôs as mãos na cintura e olhou pra Jacob com as sobrancelhas erguidas, com o rosto juvenil muito… bravo?
            Não perecia nem um pouco temorosa pra figura ainda bufante e tensa dele a sua frente, alguém muito disposto a lhe matar. Jacob rolou os olhos, foi pra cima dela rapidamente e a garota pertinente não arredou pé de seu lugar, continuou a encará-lo desafiante.
_ Posso te matar… e gostaria muito de fazer isto! – Ele disse.
_ Isto não é novidade… escuto esta sua conversa antes mesmo de eu nascer, então… estou vacinada. – Ela cruzou os braços e fez um bico. O que poderia querer com aquela vampira-lata mimada?
            Jacob, impaciente, pegou o braço da menina e colocou a mão dela em seu rosto sem nem um pingo de delicadeza.
_ Mostre tudo! – Ele ordenou. Renesmee fez um muxoxo e mostrou…
            havia contado quase tudo a hibídria, mas se esquivou o máximo que pode por revelar a sua essência particular.
_ Digamos que sou apenas… uma humana excepcional. Não há nada, além disto, que alguém precise saber. – Ela disse, respondendo a pergunta de Renesmee.
            A morena contou, ainda, cada detalhe do que havia se passado entre Seth e Milla, da maneira como o destino dos dois havia sido corrompido. Aos poucos o desconforto da hibídria perto dela diminuiu, à medida que conteve o seu odor novamente. também disse a Renesmee que planejava levar Milla para longe de todos, e fazer a mesma coisa que fez com a meia-vampira: por o instinto a prova, para que ela resistisse como Renesmee provou ser possível resistir.
            Renesmee agiu com espanto, achando ser loucura e muito arriscado. Neste ponto Jacob concordou com a vampirinha, erguendo uma sobrancelha para ela.
_ Como vai fazer isto? – Renesmee perguntou a .
_ Com uma ajuda mágica e... um pouco de tato. – respondeu. – Mas nem eu e tampouco Jacob poderemos ficar muito próximos de Milla nos primeiros dias sem que isto seja torturante pra ela. Ela vai precisar de companhia... companhia de alguém que saiba mais do que nós o que ela vai passar, que lhe ajude a pensar em coisas que a faça resistir... e tem de ser uma companhia que entenda o lado dela, mas que não se torne um problema em todo o processo... entende?
­_ Eu? – a menina indagou, apontando o próprio peito. – É por isto que me testou?
_ Não poderia ser outro... Não da sua espécie. Nenhum outro resistiria… Você resistiu porque foi condicionada a isto a vida inteira e porque tem seus instintos abrandados pela sua parte humana. Tem de ser você... agora resta saber se você faria isto... – fez aquela insinuação estreitando os olhos em direção à garota, como se a avaliasse milimetricamente, vendo muito mais coisas do que ela mostrava. – …esconder tudo dos seus pais… sair de perto de sua família... confiar em mim… fazer tudo isto por alguém que você encontrou há menos de doze horas… uma desconhecida…
            Renesmee parou um instante, se dando ao luxo de respirar profundamente perto de , mas sentindo a sede queimando sua garganta feito ácido.
_ É o que precisa ser feito… e se não há ninguém além de mim… eu faço! – Ela disse, com voz baixa, mas determinada. sorriu.
            Desta vez foi Renesmee quem tirou a mão do rosto de Jacob por conta própria e se afastou.
_ Então é isto. Entrei na loucura da sua esposa e você vai me ter na bagagem para esta jornada! – Ela disse. – Se você não quer isto, fale com ela! O que ela me disse é que nós vamos parar no lugar certo assim que eu, você e Milla estivermos reunidos e a sós. Como isto vai acontecer ela não me disse.
            Jacob gargalhou.
_ só pode ser louca!
*******
            Por Ludimilla Werner (Milla)
            Sentia cada coisa que estava ao meu redor com extrema precisão. Sentia aquilo que compunha as fibras do tecido que eu estava deitada, sentia os ácaros do lugar tocando minha pele. Meu peito parecia estar preso, petrificado, meus pulmões não estavam cheio de ar e eu, por alguma razão, não respirava… eu sentia que não precisava fazer isto.
            Abri os meus olhos e, tal como o meu tato estava tão mais apurado, minha visão também estava. As paredes do lugar onde eu estava eram feitas de madeira, e eu distinguia muito bem cada nódulo daquela madeira, podia até conta-los. Era um lugar simples, extremamente simples. Mas minha atenção não estava presa aquilo. Eu procurava outra coisa, outra coisa era mais vital para mim e era isto que todos os meus sentidos ansiavam por identificar.
            Em um movimento mais rápido do que eu pensava que seria, eu estava em pé, com a postura rígida, vasculhando os odores ao meu redor. Foi então que percebi algo errado: eu não podia sentir cheiro algum, porque eu não conseguia sugar o ar pra dentro de mim. Aquilo me agoniava, me revoltava!
            Mas eu podia ouvir!
            Eu ouvia o crepitar de ondas, indicando que o lugar onde eu me encontrava estava a cerca de seis quilômetros da beira-mar; ouvia os pássaros, muitos pássaros diferentes... eu podia ouvir até o coração das aves mais próximas batendo;  ouvia patas de animais pisarem em uma superfície fofa, de um chão que parecia arenoso. Areia, só podia ser areia. No chão que eu pisava, podia sentir so os meus pés calçados, mesmo sem olhar, o ínfimo relevo que alguns grãos de areia causavam na sola do meu calçado. Os grãos de areia se esfregavam contra a madeira ao mínimo movimento que eu fazia, fazendo um ruído áspero. Eu podia controlar estes movimentos até ficar imóvel e deixar de produzir qualquer som. E assim fiz.
            Como era fácil adquirir a imobilidade inanimada de uma rocha. Era absolutamente natural e confortável ficar… petrificada.
_ Deixe ela nos ouvir… - uma voz cadenciada, sussurrada ventosamente, chegou aos meus ouvidos, como se perfurasse uma barreira que antes a impedia de ser ouvida. Uma espécie de desespero veio até mim, pois eu ouvi a voz, mas não ouvi e nem senti nada que delatasse a fonte produtora daquela voz. Onde estava o ser que falou?
            Meus músculos se retesaram, meus ombros se projetaram minimamente para frente, meus joelhos se flexionaram e minha coluna se inclinou. Defesa! Eu precisava me defender daquilo que eu não conhecia, não identificava.
_ Se acalme, Milla. Sou eu, Renesmee. – Foi o que a voz disse. Mas eu não prestei muita atenção nisto, me interessava muito, mais muito mais naquilo que passei a ouvir e sentir.
            Uma pulsação veloz e leve, ininterrupta, trabalhando para fazer correr sangue em um corpo. E o cheiro… doce… suavemente doce… agradável e saboroso.
            Senti a secura da minha garganta assim que me deparei com aquelas coisas novas, uma secura que era dolorida, doía como laminas rasgando cada fibra da minha boca e garganta. Estas lâminas pareciam férvidas, produzindo uma ardência aguda nas minhas entranhas. E cada minúscula célula do meu corpo necessitava saciar-se, ser irrigado… eu precisava beber. Estava sedenta, absurdamente sedenta e aquele cheiro incandescia meus sentidos.
            A fonte causadora de tudo aquilo estava bem atrás de mim, parada, respirando, com o seu coração pulsando cada vez mais apelativo pra mim. Havia coisas além… outros talvez… mas eu não podia distinguir muito bem… deveria poder distinguir. Poderia ter outro que quisesse tomar de mim aquela presa, alguém que me impedisse de saciar a sede que me consumia e eu não podia deixar!
            Um rugido se formou lentamente no fundo da minha garganta e soou baixo, escorregando pelos meus lábios, que se repuxavam. Havia mais um coração por perto, também batendo, só que eu não podia sentir outro cheiro. Esperei milésimos de segundo, tentando captar os movimentos que aquele outro ser faria… mas nada. Eles estavam quietos. Sorri com isto. Seria fácil, bastaria um salto e eu alcançaria a fonte do cheiro atrás de mim.
            Me virei lentamente, ainda com as costas inclinadas, e me deparei com os olhos apreensivos da minha presa.
_ Milla? – A presa disse. – Sou eu, Renesmee. Lembra de mim?
            Salivei. Uma saliva espessa, vinda da secura de minha boca. A garganta continuava a raspar. Meus olhos focaram em um ponto específico do corpo a minha frente. Abaixo da cabeça, acima dos ombros, o esguio pescoço, branco reluzente, com uma veia do lado esquerdo fazendo a pele pulsar para cima. Ali estava a fonte. Fechei os olhos só para ouvir o som maravilhoso do liquido correndo dentro daquele corpo, as batidas molhadas de sabor daquele coração.
_ Controle a sua sede, Milla! – Aquilo veio dos lábios da presa? O rugido que me escapava vez ou outra se transformou em um som debochado e desleixado… o controle da minha sede iria vir assim que ela me desse o seu sangue.
            Saltei, já abrindo a boca para abocanhar o pescoço…
            Mas eis que algo me interrompe de chegar até ela. Eu bati contra o nada e a força com que me lancei sobre a presa me fez cair para trás assim que dei de encontro com a barreira invisível. Rugi de frustação e ódio. Saltei antes mesmo que todo o meu corpo tocasse o chão e investi em outro ângulo, mas havia a mesma barreira lá.
_ Milla, pare com isto! Se controle! Não deixe o instinto de dominar! Pense, encontre a sua humanidade aí dentro! – A presa tagarelava, mas eu não me importava com aquilo. O que interessava era que eu precisava me saciar, algo suculento estava a minha frente e eu não conseguia chegar até ela.
            Meus rugidos começaram a sair cada vez mais agudos. Teria de haver uma maneira! Saltei e golpeei contra a barreira invisível inutilmente e aquilo só fez minha raiva aumentar. Não conseguia ficar parada, meus rugidos saiam felinos e altos, ficavam roucos conforme a fúria pela minha insuficiência aumentava.
_ Pare com isto! – A voz da presa estava quase esganiçada em desespero.
_ Saia daí agora Renesmee!
_ Não! Ela só precisa se acalmar. Não deve durar muito este surto, minha mãe disse que…
_ Sua mãe não é uma referência de fúria nem como vampira, Renesmee!
            Outra voz entrou em ação, mas estava do outro lado do cubículo que eu estava presa. Minha agonia fez com que eu destruísse tudo o que estava a minha frente. Estilhacei parte da cabeceira de uma cama com os dentes.
_ Milla…
_Saí daí!
            Eu parei. Fiquei estática de repente, fechei os olhos, tranquei a respiração. Os outros ficaram silenciosos. Evitei sorrir quando percebi que a minha presa deu um passo em minha direção.
_ Eu disse… disse que ela ia se acalmar.
_ Não se aproxime! Não… - a voz grave e rouca dizia.
            Mas ela avançou. Continuei imóvel, por um tempo, esperando ela se aproximar mais... só mais um pouco.
_ Milla, só mantenha a respiração presa. Vamos sair pra caçar e isto vai melhorar.
            Ela deu mais um passo e eu avancei. Um rosnado alto foi ouvido, ao mesmo tempo que eu fui barrada por algo, que me entorpeceu os movimentos, a presa voou pra longe de mim, desviando de uma pata gigantesca.
            Um enorme lobo surgiu do nada na minha frente, suas orelhas baixas, sua pelagem reluzindo na iluminação escassa, seus dentes arreganhados perigosamente, seu odor invasivo poluindo tudo…
            Mas quando eu mirei aqueles olhos, ferozes e profundos, eu… eu senti…
            Como se algo submergisse de uma profundidade muito grande… vinha-me toda aquela turbulência, todas aquelas sensações e lembranças nebulosas. Era como algo vindo a superfície penosamente, escavando um caminho árduo e doloroso até lá. Eu senti aquilo vindo, nadando contra o que parecia ser concreto espesso dentro de mim… lutando contra a minha monstruosidade e vindo… eu senti!
            E me lembrei…
_ Seth… - foi a primeira palavra que saiu de mim com aquela voz tão estranhamente linda.


CAPÍTULO 42
O PODER
            A ilha em que Milla, Jacob, e Renesmee foram levados por Niadhi era extensa, com um clima tipicamente tropical dos países equatorianos, e era completamente deserta, sendo habitada somente pelos quatro. Ela não estava no mapa e nenhum deles tinha a exata consciência de como chegaram até lá. Foram levados, aparentemente, inconscientes por Niadhi. Quando deram por si, Milla estava no fim de sua transformação presa em uma bolha mágica, dentro um quarto de uma casa singela.
            A única coisa que Jacob se lembrava antes de ir parar no completo nada que era aquela ilha, era do momento em que chegou na casa dos Cullens, com Renesmee ao seu lado, completamente esfarrapada depois do breve contratempo que tiveram na floresta. Eles enfrentaram uma avalanche de perguntas por parte dos vampiros e por um fio não houve uma desordem completa, com uma luta acirrada entre os vampiros e o lobo. Os que evitaram isto foram Carlisle e Esme, que sugeriram que eles ouvissem Renesmee e Jacob com mais calma.  
            Jacob deixou a “bomba” para Renesmee e subiu até o quarto onde Milla agonizava em silêncio. Bella estava com ela, a cabeça da menina apoiada em seu colo, os lábios próximos aos seus ouvidos sussurravam toda a sua história para garota, os motivos dela ter se transformado e como lutava diariamente para resistir a sede de sangue. Jacob ouviu uma ultima frase antes que Bella se calasse para lhe encarar.
“Foi tudo por amor… é sempre a razão mais forte…” Bella disse.
            Assim que avistou Jacob, Bella não deu uma palavra, apenas deixou o quarto e foi ao encontro de Edward, que parecia mais nervoso que o comum enquanto sufocava Renesmee de perguntas. Fazia isto porque percebeu que a filha fazia esforço para esconder algo em seus pensamentos.
            Jacob ousou se aproximar de Milla, mas ela continuou imóvel. Enquanto isto, escutava a briga da família de sanguessugas no andar de baixo.
_ O que você quer esconder!? – Edward praticamente rugia para a filha, que já tinha a voz embargada em soluços.
_ Mãe, me dê um pouco de paz! – A hibídria pedia a Bella, provavelmente se referindo ao escudo que sua mãe poderia dar a sua mente, evitando que o pai a vasculhasse.
_ O que está acontecendo filha? Diga e tudo ficará mais fácil.
_ Bella, será que você não vê que isto só pode ser coisa daquele cachorro sarnento?! Deixe eu ir até lá e mata-lo logo de uma vez que os nossos problemas acabam! - Rosálie disse, mas foi contida por Carlisle pelo que parecia ser a décima vez.
_ Jacob tem algo a ver com o seu estado Renesmee? – Esme perguntou, suavemente. E foi naquele instante que a hibídria fez o seu mais arriscado jogo. Ela balançou a cabeça e afirmou.
            Bella arregalou os olhos, Rosálie rugiu, e Edward estreitou os olhos em direção a filha. Por um segundo a mente dela ficou em branco, ela pensou em algo que ele não pode ouvir, ou identificar.
            No andar de cima Jacob praguejou baixinho, tendo agora a certeza de que sua esposa havia confiado errado. Decidiu pegar Milla e tentar sair dali. Mas quando tomou a garota rígida e fria nos braços ouviu Renesmee falar.
_ Acho que ele pode explicar melhor do que eu… eu… eu… eu já volto. – Ela disse e partiu escada acima velozmente. Edward e Rosálie tentaram ir atrás, mas Bella disse:
_ Deixe que ela o traga até nós! Jacob irá nos explicar tudo o que está acontecendo.
            Mas o fato foi que, depois que Renesmee irrompeu pela porta do quarto onde Jacob mantinha Milla nos braços, nenhum deles se lembraram de mais nada a não ser um céu esplendorosamente azul, com um sol resplandecente. No breve segundo em que os três ficaram a sós, tal como havia alertado Renesmee, eles foram transportados por Niadhi. Eles só precisaram de um segundo.
            Dois dias depois, Milla despertou como vampira. Quando o coração da garota dava a sua ultima batida, Renesmee e Jacob esperavam angustiados do lado de fora do quarto. Somente Niadhi estava com ela, porém Milla não podia vê-la. Isto até o momento em que Renesmee decidiu ir até a recém-criada e foi aí que Milla teve o seu primeiro surto de sede.
            Ela só se conteve no breve momento em que se deparou com Jacob em sua forma lupina, que acabou lhe incitando as memórias que o instinto havia conseguido suprimir. Enquanto Milla permaneceu abismada com o lobo a sua frente e todas as suas memórias sepultadas ressurgindo, Renesmee saiu apressada e voltou rapidamente com uma pantera presa nos braços, jogando-a para Milla.
            Milla só se alimentou do animal por causa do cheiro de Renesmee lhe incitando e a fome exagerada que sentia. Jacob ficou todo aquele tempo observando-a com olhos insondáveis, escondendo que, em sua mente, todos os seus irmãos compartilhavam aquela cena, inclusive Seth.
_ Não é o que eu quero… - Milla disse, depois de jogar a carcaça da pantera de lado e observar, abismada, suas mãos sujas de sangue. – O que eu sou? – Ela perguntou, se virando para as duas criaturas que lhe encaravam.
_ Uma vampira… você agora é uma vampira, Milla. – Renesmee disse, quase inaudivelmente.
            Jacob observou Milla levar as mãos para o meio de seus seios e pressionar lá, como se sentisse a ausência de seu coração.
_ Minha mãe…
_ Sua mãe… sua mãe se foi, Milla. Ela morreu. Eu sinto muito! – Renesmee sussurrou. Sua voz pesarosa tinha alcançado um tom infantil ao pronunciar aquela frase.  
            Jacob não suportou por muito tempo todas aquelas explicações e, tampouco, a voz tão melancólica e cantante da Milla vampira. Saiu impaciente, deixando as duas garotas sanguessugas para trás. Se destransformou rapidamente, antes que Seth saísse de seu topor e começasse a fazer perguntas que ele não poderia e nem saberia responder, e foi atrás de sua esposa.
            se manteve a distância, por ordem de Niadhi e reforço de Jacob. Durante todo aquele tempo ela esteve no lado oposto da ilha, onde seu cheiro não estaria ao alcance de Milla. Aquela não era a hora de entrar em jogo, não ainda.
            Jacob sentiu com precisão quando atravessou a barreira elfica que ocultava a presença de para Milla. Não demorou muito, seus sentidos captaram o cheiro de sua esposa no vento, parecendo mais livre que o comum. Sentiu também o indiscutível aroma de peixe assado.
            Ela estava a frente de outra choupana tal como aquela em que Milla foi abrigada, só que esta estava no centro da mata. Ali eles tinham somente o básico para sobreviver e a aparência daquelas casinhas de sapê, tanto por fora quanto por dentro, lembrava a Jacob casas de pequenas aldeias de pescadores.
_ Como ela está? – A voz de questionou, quando Jacob ainda estava longe. Ela mexia na pequena fogueira improvisada onde assava dois peixes grandes que pareciam muito apetitosos.
_ Ela quase matou Renesmee. Isto porque o cheiro da monstrinha não é tão apelativo quanto o de um humano. – Jacob disse, com cara de poucos amigos. Ele ainda permanecia arredio com , por achar aquela ideia incabível. Ela, no entanto, sorriu docilmente, quase abalando a carranca de Jacob.
_ Ela aprenderá a resistir a Renesmee ainda esta noite. O primeiro surto de sede é sempre mais forte… E depois, lá pela sua terceira caça, eu a imporei ao meu cheiro. – Ela sorriu. – E aí então você vai ver o que é um surto de sede, amor.
            Jacob ergueu as sobrancelhas e encarou com uma mistura de incredulidade e raiva. Onde ela estava com a cabeça?
_ Em que momento aquela mulher que odiava sequer pensar em vampiros foi trocada por você? – Jacob balançou a cabeça quando gargalhou. – Eu não acredito que isto pode funcionar! – Ele afirmou, se aproximando da esposa somente para mexer nos peixes que ela preparava. bufou.
_ Você é muito pessimista e descrente! Isto sim! Você já viu que isto funciona com Renesmee. Ela vem me resistindo cada vez mais.
_ E eu pensando que você tinha tido um surto insano de bondade ao confiar na vampira-lata… e, na verdade, você está fazendo ela de rato de laboratório... ou morcego de laboratório, eu não sei! – Jacob balançou a cabeça.
            Ele disse isto, pois em todos os momentos em que se encontrava com Renesmee, desde que estavam ali, ela não se preocupou nem um pouco em conter o seu cheiro. Pelo contrário, às vezes até se “cortava” acidentalmente perto da meia vampira. A coitada ficava loucamente perturbada e Jacob a via se alimentar muito mais que o comum com sangue de animais para tentar manter a cabeça no lugar.
_ Está com pena dela? – perguntou, estreitando os olhos para Jacob.
_ O quê? Eu, com pena daquela… daquele… projeto de monstro? Nunca!
            sorriu, achando a negação de Jacob completamente insustentável.
_ Acredite, estou fazendo um bem pra ela ao provar seu instinto. Coisa que a família superprotetora dela não faria. Eles a mimam demais. De certa forma estou a “reeducando”. Não que esta seja minha função... mas...
            retirou os peixes assados da fogueira e os levou, nas folhas de bananeiras que estavam, para dentro da pequena cozinha da casa.
_ Vem comer. – Ela chamou Jake, que a encarava ainda carrancudo. Quanto tempo ele sustentaria aquilo?
            Ele parecia fazer uma greve de silêncio ou algo do gênero. Comeu completamente circunspecto, pensativo, sem encarar a esposa por muito tempo. começou a se sentir mal, a se sentir uma estranha perto dele. O peixe, ainda que saboroso, começou a descer como um bolo em sua garganta. Ao fim da refeição, Jacob limpou os restos que havia e saiu sem falar nada, ainda pensativo.
            Escutou o suspiro angustiado de dentro da casa.
_ Eu não estou sendo louca ou masoquista, Jacob! Será que você não entende? Será que você não vê que isto é tudo o que é necessário fazer, o que é preciso fazer? Não me condene! – Ela disse, com a voz apertada. Há quanto tempo ele não lhe dava sequer um abraço? Há dois dias, quando saíram de Forks?
_ Eu sei disto. Sei que é só o que nos resta para tentar dar uma solução para Milla e Seth… É por isto que estou aqui! E... não é isto que me incomoda. – Ele disse, ainda de costas pra ela, os braços cruzados e os músculos tensos.
_ O que te incomoda então? O que te faz ficar longe de mim? – Ela disse, engolindo o orgulho e desabafando aquela frase quase como um lamento, quase implorando por aconchego. Jacob apertou os olhos e trincou o maxilar.
_ O que me incomoda é aquilo que você esconde… - ele sussurrou. estremeceu, da cabeça aos pés.
_ O quê…? – Ela devolveu, em um murmúrio tão mínimo quanto o dele.
            Jacob se virou lentamente para ela, seus olhos não estavam mais duros, estavam angustiados.
 _ … Eu conheço tudo em você! Cada traço do seu rosto, cada expressão, cada reflexo do seu olhar! E eu sei o quão bem você pode esconder coisas que te torturam, traumas apavorantes… tão bem… eu sei quando você se reveste de aço, e se mantém próxima emocionalmente só o suficiente para que sua barreira não caia. Você está fazendo isto agora! Está me escondendo coisas desde quando foi a casa de Milla, pela primeira vez! – ele disse.
_ Jacob… eu não…
_ Não vai me contar? Ou vai negar que está acontecendo algo mais sério do que tudo isto?
            engoliu em seco e abaixou o olhar.
_ Você me diz que sabia muito bem o que fazia… de uma hora pra outra resolve apostar na hibídria sua confiança, testá-la, fazê-la resistir; acredita que Milla vai resistir a você, coisa que nenhum vampiro é capaz de fazer; coloca Carlisle no seu lugar no hospital… Tudo isto sem explicação alguma! – continuou em silêncio, Jacob suspirou cansado. – Não é só pra ajudar Milla que você trouxe Renesmee aqui, e não adianta me negar isto… Não é só pelo Seth, apesar de este ser um motivo mais forte, que você insiste tanto que Milla resista a você e não somente aos humanos. O que está acontecendo ?
_ Eu… eu não sei ainda Jake… eu…
            Jacob a interrompeu, soltando algo como uma risada e um rugido. 
_ Não tente mais me esconder coisas, ! – Ele vociferou.
_ Como você me escondeu a visão que tive com um vampiro meses atrás? – respondeu exaltada diante da acusação de Jacob, logo se arrependendo.
_ Aquilo foi uma ordem de Quendra, eu não tive como… - Mas Jacob parou no meio da frase, com uma luz de compreensão fazendo seus poros tremerem. Ele voltou seus olhos para e a percebeu vacilar. – Você… você o viu de novo…? – Aquilo seria uma pergunta, mas soou com tom de certeza. Jacob se lembrou das palavras que Quendra ao que parecia ser uma eternidade atrás.
“É uma certeza, vai acontecer…” A Rainha havia dito que a visão de com aquele vampiro ia acontecer de qualquer forma. Que era um carma na vida de ...
_ Eu… - tentou dizer algo, algo que desfizesse a agonia que tomou conta do olhar de Jacob, mas aquela agonia a perturbava completamente. Ela abaixou a cabeça e uma lágrima fina escorreu de seus olhos. Sua força diante das repetidas visões que vinha tendo dia e noite naqueles dias, vacilou naquele exato momento, diante daquele olhar de Jacob. Só então teve medo, só então desmoronou e deixou de ocultar aquilo que o destino lhe reservava, as transformações tão extraordinárias que estavam borbulhando nela, dia após dia.
            Ela tentou tanto, se esforçou tanto para esconder tudo o que estava passando de Jacob... mas havia fracassado!
            O coração de Jacob falhou uma batida. Então ele correu para ela e pegou sua face entre as mãos.
_ O que? O que você viu? O que você sabe? Quem é ele? – Jacob dizia desesperado. respirou fundo e colocou os dedos nos lábios de Jacob, o silenciando. Seus olhos o encararam vidrados.
_ Ele vai chegar até mim… mais cedo ou mais tarde… - Jacob soltou um esgar. Os olhos dela se tornaram ferozes de repente. – Mas ele não vai chegar até você! – apesar da voz dela  não passar de um sussurro, o tom era de dar medo, completamente resoluto.
_ Não… ! Eu prometi… eu não vou deixar, não vou deixar que ninguém chegue perto de você, eu…
_ Shiii... – Ela disse, novamente o silenciando, desta vez com um breve roçar de lábios. - Se você quer que eu explique o que está acontecendo então… você vai precisar ser forte. O desespero só vai fazer tudo pior.
            Jacob a olhou mais atento, mais sedento, como se quisesse tatuar a imagem dela em suas retinas. Depois a abraçou, a envolveu no tão aclamado abraço caloroso que só ele podia dar. Naquele aperto, que parecia ter toda a segurança do mundo, começou a dizer tudo o que estava mantendo só pra si por aqueles dias.
_ O mesmo poder que os elfos… Eu tenho. Eu posso ver além, aqueles pontos distantes para onde o destino nos suga. Por vezes são apenas sensações, como intuições que eu sempre tive, mas que vem ficando mais fortes a cada dia. Outras vezes são cenas conturbadas, sem cenário claro, mas que me revelam coisas das quais não podemos fugir. Nada é completamente definido, como se tivesse hora marcada… ou dia. Não é nada disto. A única coisa que eu sei é que vai acontecer, porque faz parte do caminho que devemos seguir.
            Jacob a apertou mais fortemente em seus braços, sem coragem de perguntar o que, exatamente, ela via. Ela continuou, a voz abafada por ter a cabeça enterrada no peito dele.
_ Desde que Milla foi mordida eu passei a ver tudo com mais frequência… meu pai, antes de nos casarmos, apareceu em uma visão e me disse que assim seria… que eu passaria ver e a sentir e que seria fundamental que eu acreditasse e seguisse aquilo que intuísse. O mesmo vampiro que mordeu Milla, é aquele que me procura, que procura o meu sangue, e tudo o que eu vejo até agora diz que ele vai encontrar o que deseja… Mas eu sei também que ele quer o meu sangue pelo poder que isso poderá lhe garantir e isto… isto eu não posso dar! – Ela encolheu a cabeça no ombro de Jacob e inspirou o cheiro dele longamente antes de continuar.
_ Se ele tiver este poder, vai querer dominar tudo… até vocês, os lobos e… não! – Havia uma raiva desesperada em sua voz. – Vai haver lutas… eu não sei direito… o que eu sei é que vamos precisar de aliados… eu não vejo ainda a dimensão de tudo, não posso ter acesso ao todo…
_ Milla e Renesmee… como aliadas… aliadas contra a própria espécie? – Jacob sussurrou, com a cabeça zonza.
_ Agora eu sei que realmente há vampiros que cultivam o que há de mais valioso em sua alma. Mas nenhum deles podem resistir a mim, então é preciso que eu tenha um elo de ligação entre… entre… os inimigos… elas são este elo.
            Jacob soltou repentinamente, se afastando, quase arrancando os cabelos da nuca.
_ Nisto tudo… você é a que corre mais risco… e o que você está lutando pra fazer agora é achar o caminho menos pior pra você? Quer dizer, algo que minimize as consequências? – Jacob disse, incoerentemente, a voz embargada. – Você está… está procurando alternativas de não dar poder a … quem? Quem é ele? – as palavras saiam confusas e trôpegas dele, mas entendia o que ele queria dizer.
_ Eu não sei! Não sei quem ele é, mas ele sabe quem eu sou! E você sabe que a alternativa não é fugir… eu não vou escapar, mas não vou deixar que ele cause tantos… - a voz dela ficou esganiçada, sua respiração ficou rala. – …danos por causa disto. – Ela deixou de encarar Jacob e empalideceu, seus batimentos aceleraram.
            Jacob voltou pra perto dela e, por sua face tão dolorida e dura, escorriam lágrimas traiçoeiras as quais ele ao menos havia se dado conta.
_ O que mais? O que mais você vê? Que danos? – Ele perguntou, sua voz quase não saía. Tinha raiva, ódio do destino que poderia lhe fazer perder novamente… perder tudo o que ele tinha… ela…
_ Você… eu vejo o seu sangue, Jacob! O seu sangue! – Ela disse, e caiu em um pranto desesperado nos braços de Jake.
            Aquele era o início de um inferno. tinha certeza disto! A transformação de Milla, a tragédia em uma magia tão linda como o imprinting, suas visões afloradas constantemente: tudo aquilo era o início de um tempo sombrio. Nada seria fácil, nada que ela pudesse fazer deixaria as coisas mais simples. Nem o seu sacrifício.
            Jacob, no entanto, não sabia o que fazer. Pois queria ter força suficiente para acalmar e manter em segurança sua mulher, queria ter força para sustenta-la diante do desespero, mas se sentia esmorecer também. Pois era ela, a mulher da sua vida, o centro de tudo, aquela que mais correria perigo, a que mais sofreria. Não havia como poupá-la, escondendo coisas ruins dela, a fazendo viver em uma ilusão feliz enquanto pudesse, pois ela era quem sabia de tudo, ela que tinha o peso de um poder nas costas, a ela foi dada a missão de suportar tanto.
                        A visão mais recente de a perturbava mais e mais, fazendo-a soluçar sem controle enquanto vislumbrava um futuro incerto em que suas mãos se lambuzavam de forma apavorante com o sangue que jorrava de um Jake pálido. Ela sentiu as mãos dele apertarem mais ao redor de si, seu corpo colando ao dela em um desespero profundo, que era transmitido pelo contato de suas peles.
            Poder maldito! Ela queria gritar, esbravejar contra quem quer que lhe tivesse dado aquele fardo. Não, ele não! Jake não podia ser ferido! E ela não permitiria! Ela precisava dele vivo, por tudo que era mais sagrado em si! Ela abriu os olhos e tornou a olhar para o rosto desolado e tão bonito do homem que lhe abraçava. Ela precisava sentir ele vivo, muito vivo. Sentir que isto não acabaria.
            Jacob percebeu quando o olhar dela mudou, escurecendo com uma sede tão apavorante quanto de um vampiro. Uma fome pulsava dentro dela, coisa que ele jamais vira naquele rosto. Com uma determinação surpreendente ela sorriu, quando as lágrimas que ainda haviam em seus olhos secavam antes mesmo de cair.
_ Eu não vou perder você. – Ela sussurrou com certa arrogância, sentindo que ela podia reivindicar algum poder para aquilo, de alguma forma.
            Uma inquietação tomou conta do corpo de Jacob como fogo em pólvora. Em um movimento rápido ele pegou a nuca de e a puxou para um beijo necessitado, desesperado, esfomeado e vivo, pulsantemente vivo e forte. A língua dele reivindicou a dela com uma quase agressividade e o enrosco das duas se fez turbulento e prazeroso, imensamente prazeroso. agarrou os ombros de Jake com força e sentiu sua mente se esvaziar com um desejo que queimava do interior de seu útero para o corpo todo.
            As mãos de Jacob agarraram os quadris dela, fazendo com que suas pernas se encaixassem ao redor dele. Mais rápido do que seu pensamento, ela sentiu o chão fofo do lugar sob suas costas e a pressão do corpo de Jacob em cima de si, entre suas pernas, dominador de tudo. O desespero da situação se tornou um desejo incontrolável que os fazia parecer dois animais se enroscando.
            Jacob rolou seu quadris, roçando sua ereção em fazendo-a virar os olhos e ronronar um gemido de rendição, elevando sua pélvis de encontro a dele e retribuindo o gesto. Ela sentiu a alça do vestido singelo que trajava se desfazer em pedaços sob as mãos poderosas de seu marido. Meio segundo depois, sentiu a boca dele tomando posse de seus seios, sua língua roçando seus mamilos, suas mãos e dedos habilidosos e ferventes torturando suas coxas em apertões firmes e prazerosos.
_ Ah… - ela suspirou, em meio a uma onda nebulosa de prazer lhe turvando os sentidos e fazendo suas visões lhe deixarem pela primeira vez em dias.
            O resto do vestido foi arrancado para fora de seu corpo e então a tortura mudou, a língua dele passou a descer lenta pelo corpo dela, do meio de seus seios até o seu umbigo, mordiscando sua barriga para depois descer mais um pouco e… parar…
            Ela abriu os olhos e olhou pra baixo, para os olhos loucamente apaixonados dele, que pareciam um buraco negro e lhe sugar. Sem desprender o olhar do dela, Jacob capturou a borda da calcinha dela com os dentes, roçando sua língua deliberadamente por sua pele ao fazer este movimento. Os músculos de travaram de tanto tremor, e ela gritou quando ele puxou e rasgou sua calcinha com os dentes, soltando um rugido possessivo e imediatamente afundando sua boca no meio de suas pernas, em sua intimidade pulsante e molhada, lambendo, sugando em uma perigosa mistura de lentidão e rapidez, suavidade e força.
            E eles se amavam, em meio toda aquela turbulência infernal, eles se entregavam a um amor magnânimo.
            Antes que alcançasse o ápice, Jake parou e voltou para cima dela, beijando-lhe e deixando que uma mistura insana de gostos incendiasse o beijo que os fazia contrair ainda mais os músculos do abdômen. Com uma mão, começou a arranhar as costas de Jacob, e com a outra arrancou-lhe a bermuda.
_ Entra em mim… me faz tua… agora… já… - Ela sussurrou rouca, inebriada.
            Jacob lambeu lentamente sua  orelha, pegou delicadamente suas pernas e as abriu mais, elevou seu quadril e os deixou suspenso em cima dela.
_ Nós vamos passar por qualquer coisa juntos… não se esqueça disto… - Ele sussurrou e deslizou pra dentro do mar quente que era ela, muito devagar, saboreando cada milímetro, fechando os olhos e exalando forte.
            E tudo voltou a se completar um instante, a leveza voltou para dentro de seus corpos. suspirou, seu peito estremeceu quando sentiu Jacob inteiro dentro de si, possuindo tudo que era seu, e só seu. Um sorriso genuíno, a tanto tempo privado de seu rosto, quase rasgou sua face ao meio, fazendo Jacob lhe olhar fascinado. Era uma pequena amostra externa da plenitude que ela sentia dentro.
            Ele  sentia que possuía a personificação de uma deusa, com um corpo maravilhoso, uma pele saborosa e uma… oh Deus… uma vagina enlouquecedora. Ele riu de seu pensamento e rápido saiu e entrou nela, a impulsionando pra trás, fazendo-a soluçar um gemido. E os movimentos continuaram, bruscos e excitantes. empurrava sua pélvis de encontro a dele fazendo um choque percorrer os corpos cada vez que seus quadris colidiam.
            Jake pegou os pulsos de com uma mão, os prendendo acima da cabeça, e com a outra apertou firmemente sua coxa direita para cima e empurrou com mais liberdade e lascividade, fazendo os gemidos dela se tornarem gritos curtos e agudos, sua respiração ficar presa. Ele começou a gemer roucamente nos ouvidos de , o hálito quente roçando na curvatura do seu pescoço. A sensação eletrizante aumentou nos dois, o universo se perdia aos poucos, se desintegrando átomo por átomo. Jacob afundou a cabeça nos ombros dela e continuou com seus movimentos, se possíveis, ainda mais prazerosamente loucos.
            fincou as unhas nos ombros dele e sufocou o maior de seus gritos quando seu corpo explodiu de prazer de dentro pra fora e quando Jacob se derramou em prazer tórrido dentro dela, se enterrando ao máximo em uma última estocada.
            Ele deixou seu peso cair em cima dela, mas logo depois rolou na terra a trazendo para cima de seu peito e voltando a prender seu braços em volta dela, beijando seus cabelos desgrenhados, cheio de folhas e terra.
            Sorriu… se amaram de forma selvagem exatamente como dois selvagem. Ela suspirou satisfeita em seu peito e pareceu relaxar os ombros, coisa que não fazia há tempos.
            Involuntariamente a lembrança do que aconteceu antes daquele ato de amor descontrolado, voltou a mente de Jake. A garganta do lobo fechou, sua respiração ficou presa e ele apenas segurou em seus braços desejando fortemente que aquele fosse o único lugar que ela pudesse permanecer por toda a eternidade.

[N/A: a letra diz o que ficou ausente em palavras...]
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            Niadhi olhava a vampira Milla caçar no meio da mata, cuidando para manter uma barreira ao redor da hibídria, que a acompanhava na caça. Embora pensasse que aquilo não era mais necessário, pois sabia que a recém-criada não voltaria a atacar a meia-vampira, ainda a protegia, como uma medida de segurança extra. A elfo ainda não entendia porque Quendra havia lhe mandado naquela missão, e também não entedia o mistério que passou a cercar o futuro de de uma hora pra outra.
            Ela se lembrou que, há anos atrás, Quendra havia dito que deixar que um hibídrio entre humano e elfo nascesse e crescesse, seria algo sem precedentes e arriscado. Isto porque eles não poderiam saber que tipo de criatura iria surgir desta tal relação. Quando a menina, tão idêntica a uma humana, nasceu, eles tiveram a certeza de que o que pulsava mais fortemente nela era a sua essência humana, tanto que todos os elfos sentiram a obrigação de protege-la diante de qualquer perigo sobrenatural. Porém, com o passar dos anos, este senso de proteção dos elfos não diminuía, muito embora não fosse tão desprotegida e frágil quanto qualquer humano era diante do sobrenatural.
            A menina ia crescendo, ficando forte e poderosa, seu sangue élfico a fazia evoluir, de corpo, mente e coração, mas ainda assim os elfos tinham uma força que os impulsionava a protege-la, a cuidar dela mais até do que quando ela era apenas um bebê. Este senso protetor foi o que moveu Quendra interferir no destino dela e atrelar a vida de com a de Jacob mais “apressadamente”; e foi também por isso que Quendra poupou a vida de quando soube que ela daria o poder de seu sangue ao pior inimigo dos elfos… aquele vampiro…
            Por causa de os elfos sentiram dor e tristeza quando ela foi violentada. Por causa de , eles, os elfos, sentiram uma angustia ao pensar que ela poderia morrer naquela noite fatídica quando Quendra quase esmagou o crânio da moça em suas mãos. Nunca os elfos lamentariam uma morte, pois eles estavam mais ligados ao mundo espiritual, e sabiam que por vezes, a morte que as criaturas da Terra conheciam, significa uma nova e verdadeira vida. Poucos elfos compreenderam porque foram dominados por aquele sentimento tão grande de poupar a vida de .
            E o ápice de tudo foi quando Koraíny modificou o destino da moça, a impedindo de se tornar uma assassina… Ele desobedeceu as leis de seu povo e escolheu ela…
_ Niadhi… - A elfo saiu de seus devaneios com o chamado de sua Rainha.
_ Sim, majestade… - Respondeu, fechando os olhos e mergulhando sua atenção na imensidão de sua mente, lugar onde Quendra lhe chamava. Então Niadhi vislumbrou as costas da Rainha. Ela olhava para uma cachoeira muito bela, a lua cintilava um brilho prateado em suas águas. Niadhi sabia que lugar era aquele… a Rainha estava lá, a aguardando no portal para o mundo élfico.
_ Se apresse… desejo falar contigo…
            Quendra não precisou requisitar a presença de Niadhi uma segunda vez, a elfo deu uma olhada para Milla e Renesmee e partiu, logo surgindo na frente de Quendra. Niadhi curvou-se ligeiramente em uma reverência.
_ Como andam com tudo? – Quendra perguntou.
_ Tudo ocorrendo conforme o previsto. A hibídria tem se comportado bem, não tardará muito ela poderá se controlar bem diante do apelo de . A outra vampira pode ser facilmente controlada por mim sem que me perceba. Aceitou submeter sua sede ao sangue de animais não-humanos Rainha…
_ Você esteve perto da jovem vampira… a alma humana… o quanto a alma humana dela resiste? – a voz de Quendra estava impessoal, ela não dirigia seu olhar a Niadhi, apenas fitava as aguas caindo das pedras ininterruptamente.
_ Devo dizer que, como todo recém-criado que nos deparamos ao longo dos séculos, era quase impossível sentir sua alma quando despertou como vampira. Mas a aparição de Jacob como lobo evocou… evocou o amor sepultado... então...
_ O laço imprinting não morreu? – Quendra se virou para encarar Niadhi ao indagar isto. Seus olhos cintilaram de alguma forma.
_ Não… e isto pareceu resguardar a alma da jovem… ela aceitou o imprinting, se entregou a ele antes de ser transformada. A magia protege a alma dela, o amor que a garota reconheceu pela magia deixa a alma dela mais… forte…
             Quendra sorriu.
_ Então está certa. Certamente esta vampira será a única que poderá resistir ao apelo de seu sangue… A magia do imprinting protege, resguarda, é mais forte...
_ Acredito que sim, majestade… Nós sabemos que o que preserva a humanidade nestas criaturas é a supremacia do amor… criaturas como os vampiros são condenados a possessão, ao egoísmo, a ganância… o que eles procuram é somente se satisfazer… Não são capazes de se doar a outros... vivem por si só...
            A Rainha elfo maneou a cabeça, concordando.
_ Majestade… me permite? – Niadhi perguntou de repente. Quendra sabia que a dócil elfo queria lhe fazer uma pergunta.
_ Fale…
_Sinto mais forte… mais parecida… mais parecida…
_ Conosco? – Quendra completou, já supondo pra onde seguiriam as dúvidas de Niadhi.
_ Sim… porém, sinto uma necessidade maior de… protege-la… – A elfo continuou, fazendo os músculos de sua Rainha se retesarem.
_ Sentes necessidade de proteger ou de servir, Niadhi? – Quendra falou, com a voz mais baixa. Niadhi não disse nada, apenas abaixou a cabeça, confusa. – Quero que observe muito bem as ações e decisões de … sem que ela perceba. É importante também que não a contrarie, não tente confrontá-la e não use nenhuma influência magica sobre ela.
            Niadhi ergueu os olhos para a figura imponente de sua Rainha.
_ É próprio que eu saiba do que se trata tais prevenções, Alteza? – perguntou. – Por que os caminhos de já não são claros aos nossos olhos?
_ O que saberá aqui, não deverá contar a ninguém… ainda que necessite… - Quendra disse aquilo em tom de ordem e, como sinal de obediência, Niadhi se curvou, colocando seus joelhos no chão lentamente. A Rainha elevou seu peito e começou a falar a sua súdita, que lhe ouvia atenta:
_ A evolução dela não estagnou como pensamos que aconteceria no início… , filha de Lairon, continua a evoluir enquanto ser único no universo. – aquilo soou como uma sentença grandiosa.
_ Majestade, que dizer que ela caminha pra se tornar uma elfo puro-sangue? – Niadhi ousou interromper.
_ Não… nunca… nunca poderá se tornar uma elfo puro-sangue. O sangue feminino nunca pode ser subjugado… é mais forte, sempre. Os genes humanos de Laura permanecerão em . É mais do que isto. é a união equilibrada entre dois mundos de igual força… o mundo natural e o sobrenatural. Ela preserva em si tudo o que há de mais forte em ambos…
_ O elo entre os dois mundos… isto significa que…
_ Que ela pode reinar entre os dois mundos, porque ela é o centro de ambos, o cerne. Nós, os elfos, somos aqueles que nunca deixaram de existir desde que criaturas sobrenaturais passaram a habitar a Terra, nossa existência foi consagrada por Deus, somos as únicas criaturas sobrenaturais consagradas por Ele. Somos aqueles que reinam em direito no mundo sobre-humano, enquanto os homens foram os escolhidos de Deus a herdar a Terra... este mundo foi criado pra eles e por eles. preserva em si a essência de cada um destes seres… e juntas tais essências não subtraem. Ao contrário do que pensávamos, o sangue humano da fêmea não neutraliza a grandeza do sangue élfico... e o sangue élfico não diminui a preciosidade do sangue humano… eles se somam e evoluem em algo que poderá ser a chave de tudo.
            Os olhos de Quendra se fecharam. Sem necessidade alguma ela sugou o ar pra dentro de seu corpo, como se tivesse passado longo tempo sem respirar.
_ Queres dizer que poderá ser decisiva na coexistência de ambos os mundos? – Niadhi questionou. Quendra apenas sorriu, um sorriso estranho, não tão fluido como normalmente era.
_ Pode ser mais que isto… nós sabemos Niadhi… sabemos que não é tão próprio que os dois mundos coexistam. Não quando há seres que querem eliminar e imperar sobre outros… outros que nem sequer tem consciência que eles existem. Está chegando o tempo em que o equilíbrio entre o sobrenatural e o natural não poderá mais ser controlado. Estamos perto do tempo em que não teremos mais controle… Talvez, um destes mundos tenha que deixar de existir.
            Niadhi percebeu os olhos de sua soberana ficarem mais densos, o sorriso se amargar estranhamente.
_ é mais forte que nós? Poderá ela por um fim em tudo isto? Será ela a fonte do equilíbrio que buscamos por toda a nossa existência, Alteza? – Niadhi perguntou, e percebeu Quendra ainda mais misteriosa, suas expressões não pareciam tão claras. A Rainha parecia distanciar ainda mais suas emoções por trás de uma áurea de sobriedade.
_ Se ela o for… creio que nossa existência não fará mais sentido. A supremacia dela poderá significar o fim da nossa existência. – Quendra abaixou os olhos, os cabelos prateados caíram por sobre seus olhos. Seus dentes se insinuaram para Niadhi, dentes forte e brilhantes, um tanto ocultos pelos belos lábios. – Abriria mão de sua existência para que impere, Niadhi?
            Niadhi estranhou a pergunta, estranhou ainda mais o tom com que foi feito. Tinha algo espinhoso nas palavras da Rainha, sua voz parecia querer provocar algo.
_ Se minha existência não fizer mais sentido, não há porque permanecer aqui. Voltaria para o lugar de onde vim. Farias o mesmo,  Majestade?
            Quendra não teve nenhuma reação diante da pergunta da elfo. Seu sorriso continuou imutável na face.
_ Volte para sua missão atual, Niadhi. Vão precisar muito de ti por lá. – Dito isto, Quendra desapareceu, deixando Niadhi sozinha com a brisa fresca daquele lugar.
CAPÍTULO 43
ENTRE O INFERNO E A DOÇURA
            Era o inferno de novo. Milla sentiu o aroma já tão impregnado em seus sentidos se tornar mais forte. Ela estava sendo cruel, muito cruel.
            Misteriosamente, os animais da ilha haviam sumido há duas semanas, e Milla tinha certeza de que aquela era mais uma das artimanhas da criatura azulada que tinha conhecido a pouco tempo, a elfo. O fato era que a vampira já tinha os olhos enegrecidos pela sede de sangue e, justo naquele momento, resolveu se aproximar, lhe provocando.
_ Por favor, deixe me alimentar primeiro… não vou resistir. – Milla sussurrou baixinho, sabendo que escutaria, apesar de estar longe ainda. Internamente ela rezou pra que Jacob aparecesse com seu cheiro forte para distrair seu olfato. Mas não havia nem sinal dele por ali.
_ Vai sim, Milla. Confie mais em você, garota. Eu sei que pode. – A voz de penetrou por entre as arvores chegando nitidamente a Milla.
            A jovem vampira trincou os dentes, a dor insuportável já havia começado a corroer sua garganta, o veneno começou a lhe encher a boca, os músculos começaram a apelar por sangue. A sede parecia um ácido fatal que de tanto queimar parecia lhe derreter por dentro. Nestes momentos era que ela perdia a razão. Quando deu por si já estava andando a passos lentos ao redor da bela morena rígida e determinada no centro da mata. 
_ Resista! – disse bruscamente. Seu tom era tão duro quanto o granizo que parecia compor a pele de Milla. Era uma ordem mais expressiva do quaisquer outra que Milla já recebeu em toda a sua vida.
            Milla trancou a respiração e fechou os olhos. Mas pode sentir o calor de se aproximando de si, provocando uma espécie de terremoto em seus músculos. Ela tinha vontade de chorar naquele momento, de correr e se esconder nos braços de alguém que lhe assegurasse, que garantisse que ela não perderia o controle de novo.
            O cheiro ficou mais forte, insuportavelmente forte. Mesmo com a respiração trancada Milla sentiu o odor na sua língua, e era como se sentisse o sabor. Sua cabeça girou em uma tontura insana. Em um reflexo rápido ela agarrou os cabelos de . Mas a morena foi mais rápida. A velocidade com que o braço dela voou em direção a seu rosto fez sua maça arder com o tapa que levou. O tapa a fez recuperar o mínimo da consciência que estava perdendo.
_ Resista! – proferiu a ordem tão insuportável novamente. Quantas vezes havia lhe dito aquela palavra nas ultimas semanas? Três mil??
            Milla soltou um rugido furioso e abriu os olhos felinos em fendas apertadas.
_ Eu quero! – Sua voz de cristal saiu arranhada.
_ Não, você não quer! Quem quer é o seu demônio insaciável! Você é mais forte Milla! Mais forte do que tudo isto, já provou ser! Vença seus instintos! Você não pode me ferir! Você não quer me matar! Você não é uma assassina.
            Um sorriso macabro manchou a expressão tão suave da menina vampira.
_ Não sou? – Em um movimento rápido Milla foi para as costas de . Inspirou fortemente e lambeu os lábios vermelhos. Era dia, sua pele brilhava fortemente refletindo os raios solares.
_ Não, não é! – disse e então deixou que todo o seu cheiro se libertasse pelos seus poros. Milla se aproximou mais, os lábios semi-abertos.
_ Por que não? – Perguntou para que, a partir daquele momento, era unicamente a sua presa.
_ Por que o amor que você quer em si não pode coexistir com este demônio assassino que quer se tornar.   Não suje a sua alma! – A voz de tinha uma ferocidade incomum. Parecia ser feita de lâminas que cortavam qualquer superfície. Até mesmo o coração congelado daquela vampira.
            deixou que as mãos frias da garota agarrassem fortemente seus ombros. Queria ver até onde ela iria.
            Milla encostou o nariz nos cabelos cheirosos e sugou o ar pra dentro do corpo novamente, sentindo a dor dominar tudo e torturar mais, muito mais. Ficou ofegante, engoliu o próprio veneno e deixou um rugido escapar como um chiado doloroso de sua garganta. Novamente ela queria chorar, queria proteção contra aquela aberração que lhe dominava.
            Abriu os lábios, exibiu os dentes e os roçou no pescoço tão irresistível de . A pele parecia uma seda. Por que ela lhe deixava ir tão longe? Por que se deixava tão loucamente passiva em seus braços?
_ Eu quero… - Milla sussurrou, sentindo algo a mais lhe espremer o coração imóvel, como se uma mão mais forte que a sua própria o agarrasse e esmagasse. Doía também, mais até do que a dor na sua garganta.
_ Você quer muito mais do que meu sangue, Milla. Você quer a capacidade de amar verdadeiramente, sem sombras aí dentro. Você pode, eu quero que você possa. Mas não posso continuar a querer se você me matar.
            ouviu o rugido de sede de Milla retumbar em seus ouvidos novamente. Muito perto, os músculos frios pressionavam suas costas. O desespero lhe atingiu e ela fez um apelo desesperado.
_ Se erga menina! Volte menina! Impere menina! Volte a ser a menina que tentaram matar, Milla. Pelo amor do ser mais forte do universo! PELO AMOR DE DEUS, MILLA! – gritou, cansada de ser aquela carrasca que vinha sendo para Milla nos últimos dois meses. Cansada de lutar com ela enquanto lhe impunha ainda mais a tentação de seu sangue. Uma lágrima sofrida saiu de seus olhos quando ela sentiu o aperto de Milla se afrouxar.
            Ela foi para sua frente, ainda com um olhar furioso demais, maníaco demais para aqueles traços tão angelicais. E estavam negros, a pele debaixo deles funda e arroxeada. Ela sorriu furiosa, uma gargalhada lhe escapou, parecia uma criatura louca a deixar seus ombros se chacoalharem num riso quase mudo. A expressão dela era de uma besta sedenta, podia sentir os músculos de Milla se prepararem para um ataque eminente. Fechou os olhos...
            O silvo do vento indicou o movimento veloz de Milla para perto de . Mas a morena sentiu, com um arrepio sofrido,  as mãos geladas passarem suaves demais debaixo de seus olhos capturando as lágrimas que caiam.
_ Queria poder lavar minha alma assim, chorando… Eu não sou mais menina, mas não vou ser um monstro. – A voz dela parecia se trincar de dor. percebeu que ela trancava a respiração novamente. – Chega por hoje. Eu resisti.
            abriu os olhos a tempo de ver os cabelos dourados de Milla se esvoaçarem pelo meio das árvores. Sorriu tristemente. Ela não tinha atacado como das ultimas vezes, em que tinha precisado derruba-la e fugir para impedi-la. Ela estava forte o suficiente. Era capaz de suportar.
            ficou parada um instante no meio das cores vibrantes da mata  daquele lugar. Era uma ilha linda, muito linda. O sol estava sempre radiante, o céu sempre limpo e azul, as noites eram frescas e estreladas, mas aqueles dias foram duros e pesados demais para os seus ombros. Ela sentia o cansaço lhe esmagando as forças e sabia que era só o início. Durante aqueles sessenta dias, ela vinha sentindo o peso de um poder muito grande tomando conta de si. Já havia se habituado a ver mais do que o tempo presente, ainda que as visões não fossem nada suaves e bonitas. Mas pra suportar ela teve que endurecer. Sabia não ser mais aquela companhia leve e agradável que um dia foi. Até mesmo com Jacob, nos últimos dias, enquanto estavam sós eles haviam compartilhado mais o peso do silêncio. Principalmente porque as coisas para Jacob também não estavam nada fáceis.
            Mas a resistência de Milla naquele momento a fez sentir um certo alívio, um peso a menos sob si. Ela finalmente resistiu a pior das tentações. Ela estava sem caçar há dias e sequer atacou verdadeiramente quando todo o seu cheiro estava liberto. Sua consciência havia continuado firme naquele surto de sede, o instinto não a fez parar de sentir. reconheceu cada resquício de medo que transpareceu os olhos de Milla durante a sede aguda, a vontade estrema de fugir de seu instinto. E ela o fez, conseguiu!
            A morena voltou lentamente para a praia, sem pressa alguma no andar. Ao contrário disto, ela contava e media cada passo que dava. Era hora de outra missão difícil: Renesmee. Na noite anterior ela tinha tido uma visão absurda com a hibrida, e teve que pensar muito para tentar contornar aquilo que iria acontecer no futuro. Acabou entendendo que teria de ser radical… mais uma vez… Só havia aquela alternativa…
_ Pode desistir. Você não vai pegar um bronzeado. – Ela ouviu a voz de Jacob com um tom implicante, mas leve. Aquele tom a fez sorrir.
_ Será que você pode me deixar em paz senhor fedido? Quero aproveitar o sol, não pegar um bronzeado! – Renesmee respondeu no instante que saiu da mata fechada para a praia. Jacob estava sentado na areia a dois metro de distância de Renesmee. Já ela estava estirada na areia, com os cabelos espalhados e os olhos fechados.
            Assim que a viu, Jacob se levantou. Olhou para os olhos tão exaustos de e sentiu nova pontada no peito.
_ Onde está a Milla? Ela sumiu desde manhã! – Renesmee perguntou, também se levantando.
_ Ela costuma ficar reclusa depois de nossos encontros, não é mesmo? – respondeu, se sentando na areia e fitando o mar.
_ Como foi desta vez? Ela esta bem? – A hibídria perguntou, novamente se sentando, só que ao lado de . – Será que devo procura-la? Faz tanto tempo que agente não caça, deve ter sido mais difícil desta vez…
_ Sim, foi mais difícil. Mas ela resistiu. Não me atacou. Ela saiu de perto de mim por vontade própria. – respondeu, sentindo o braço de Jacob lhe envolver a cintura.
_ Você conseguiu… - ele sussurrou em seus ouvidos.
_ Nós conseguimos… - ela corrigiu. – Mas não é nem o começo.
            Jacob suspirou, sabia que sua mulher se referia ao mundo além daquela ilha vazia.
_ Isto quer dizer que podemos voltar? – Renesmee perguntou. Jacob olhou com certa hostilidade para ela. Mais hostilidade do que olhou durante aqueles dias. Fez a menina engolir seco.
_ Talvez… Eu acho que isto quis dizer que você foi uma boa companhia para Milla durante este tempo. Não a deixou enlouquecer. Você fez tudo o que precisávamos que você fizesse. – sorriu, mas aquele sorriso não trouxe conforto a Renesmee. Havia algo estranho... algo muito estranho. Jacob se levantou, a postura densa, o sorriso maligno fez Renesmee também se levantar e dar dois passos para trás.
            O que estava acontecendo com os humores dos dois?
_ Milla é como minha irmã agora. Um laço muito forte nasceu entre nós. – Renesmee disse, e aquilo realmente era verdade. As duas tinham se tornado inseparáveis. Renesmee foi para Milla o sopro de esperança continuo, a voz que vivia a lhe repetir que vampiros não eram unicamente monstros. A única pessoa naquela ilha que lhe abraçava, oferecendo um conforto palpável. A única que não lhe incitava os instintos. Isto porque Jacob trazia a lembrança dolorosa de Seth, e … bem, sempre acabava por “acordar” seu monstro.
_ É… eu sei, Nessie… eu sei. _ disse, respondendo Renesmee, mas ainda com o rosto sério.
_ Mas até você! – A hibídria ralhou. havia proferido o apelido irritante que Jacob lhe dera, se referindo a um monstro bem feio de um filme. O Monstro do Lago Ness.
_ Soa bem este apelido… e combina com você. Monstrinha. – Jacob provocou novamente e ela nem percebeu que ele estava a suas costas.
            Renesmee percebeu dar um olhar sugestivo demais para o marido, um olhar que não a fez ter bons pressentimentos. Era como se ela desse um aval… ou um sinal.
_ O que tá acontecendo com vocês dois?
_ Muito obrigado pelo que você fez, Nessie. Muito obrigado por ter acreditado. Você ajudou muito. – disse aquilo como se fizesse uma despedida. Suspirou cansada e virou as costas. – mas agora nós não precisamos mais…
            Então uma pontada de medo sacudiu o peito de Renesmee. Ela não podia acreditar naquilo! Atrás de si sentiu a oscilação do vento que indicou a transformação de Jacob.
            Não! Ela não podia ter se enganado tanto!
_ Você me usou! – Ela sussurrou indignada para , enquanto se virava e encarava o lobo feroz a sua frente. Mas não respondeu.
            Renesmee deu dois passos trôpegos para trás. O medo embrulhando seu estômago. ia deixar Jacob completar o serviço que começou anos atrás, no dia em ela que nasceu. Ela ia deixar Jacob lhe matar!
_ Não… não faz isto… não faz isto comigo… - Ela disse chorosa, implorando. Mas o lobo só maneou a cabeça e arreganhou os dentes.
            E ela estava quase acreditando que Jacob já tinha superado a raiva que tinha dela, que tinha até um afeto. Suas implicâncias com ela lhe pareciam mais engraçadas do que verdadeiras. Teria ela se enganado?
            continuou de costas, parada, sem parecer sequer ouvir Renesmee. O que tinha acontecido com ela? Parecia ser uma pessoa completamente diferente daquela que conversava horas e horas com ela naquela ilha. estava tal como uma pedra fria e insensível assistindo o medo e a confusão brotar dos poros de Nessie como se testemunhasse o pôr-do-sol.
             Jacob avançou, sem mais demora, arranhando o rosto de Renesmee a fazendo gritar de dor. O corte foi profundo, imediatamente ela sentiu seu próprio sangue inundar sua face. Ela recuou e fugiu, mas ele voltou a lhe cercar, rápido demais, ágil demais, feroz demais.
            Ela não podia! Não tinha forças contra ele! Esqueceu de tentar entender a reviravolta de tudo aquilo, e só sentiu o medo percorrer as veias.
            O lobo investia repetidas vezes, parecendo brincar enquanto ela apenas desviava, tentando se defender. Ele fazia pra ferir, ela já sentia seu pulso lesionado, um corte profundo na sua coxa, a bochecha arder com os cortes, tal como seus braços e costas.  
            Ele investiu antes que ela pudesse desviar novamente, lhe acertando as costelas e lhe jogando do outro lado da praia, quase aos pés de . Ela se agachou e lhe olhou furiosa.
_ Não! – praticamente rugiu, deixando sua apatia de lado. – Você pode fazer muito mais que isto! Ataque! Salve sua vida!
            Renesmee se levantou, mas ainda estava muito trôpega com os golpes. Mas tentou lutar, ao invés de só fugir. Se lembrou então de quando lhe chamou pra brincar nas noites monótonas daquela ilha, quando lhe contava que era muito hábil com vampiros. E ela lutava com ela! Lutava rindo, mas lhe ensinava golpes, lhe falava sobre fraquezas na defesa… Renesmee não percebeu… mas ela estava lhe… ensinando a lutar…?
            Ela tentou manter o foco, mas o seu corpo todo doía. Quando Jacob veio pra cima dela novamente tentou lhe golpear a cabeça, mas seu estado de nervos passou todo o medo para Jacob assim que suas mãos tocaram a pele dele. Renesmee percebeu o lobo vacilar um instante, paralisado pelo teor do medo dela, coisa que ele não tinha e não sabia administrar.
_ Quase lá menina! Não é só o seu corpo que tem força pra lutar… - Aquela voz veio da criatura chamada Niadhi, que assistia a luta tranquilamente, sentada em uma pedra a metros de distância.
            Renesmee passou a avançar em Jacob aproveitando, nos poucos milésimos de segundos que conseguia lhe tocar, para passar imagens confusas a ele pelo seu poder. Mas isto não estava ajudando tanto. Os golpes dele continuavam imponderáveis, ela sentia que não podia mais se manter em pé.  
            O desespero lhe invadiu mais… não interessava o que era aquilo, ela só sentia que estava prestes a morrer. Sentia o pavor da morte lhe assolar mais que qualquer coisa, viu quando os dentes de Jacob vinham em sua direção e deixou seu pavor se liberar, como se vazasse de sua mente, como se escorresse de seus olhos e então Jacob deu um uivo desesperado.
            O lobo passou a sentir a dor por todo o seu corpo, a fraqueza de tanto lutar e não conseguir nada, o fracasso e o rancor por ter sido traído… ele sentia os sentimentos de Renesmee. Mas depois de um tempo o que sentiu foi um golpe na nuca. Perdeu os sentidos.
            Renesmee olhou para o lobo caído aos seus pés e soltou um suspiro apavorado. O que ela havia feito? Como ela havia feito aquilo se não o tinha tocado?
_ Shiiii... Se acalme criança, se acalme. Jacob vai ficar bem, ele se cura rápido.
            Renesmee não entendeu, mas lhe dava um sorriso de conforto, enquanto lhe apoiava nos braços.
_ Vem, eu vou cuidar de você. – Ela disse.
_ Ela ainda tem muito o que aprender. Ela tem que sobreviver ao que há no mundo lá fora. Do contrário não será uma aliada. – outra voz lhe disse, mas Renesmee não entendia mais nada. Tinha vontade de gritar.
_ Agora não, Niadhi. Acho que foi demais pra ela. – disse, erguendo a hibídria ensanguentada e confusa nos braços.
_ Só assim ela descobriria o que pode fazer. Mas vá. Cuide dela… - Niadhi sussurrou.
            Renesmee não ouviu mais nada, também perdeu a consciência.
*********
_ Ei, pode acordar! Você está ocupando demais! – Ela ouviu a voz rouca sussurrar muito perto de si. Seus músculos se retesaram e doeram. Ela abriu os olhos e Jacob estava sentado em cima da cama macia e simples em que ela estava deitada. – É, você bateu forte. – Ele disse, sorrindo e coçando a nuca. Parecia perfeitamente bem, perfeitamente calmo e quase… quase inofensivo. Mas ele tinha tentado lhe matar? Ou não tinha? Os pensamentos da hibrida estavam confusos.
_ O que foi isto? Por que…? – Renesmee tentou falar, mas estava mole.
_ Não se altere querida. Está tudo bem… aquilo foi só mais um… teste… - disse, e colocou um pano úmido, com um cheiro fresco, sob uma ferida quase fechada em sua coxa.
_ Eu não gosto dos seus testes. – Ela respondeu.
_ Por incrível que pareça… eu também não. – Jacob disse.
_ Mas você me pareceu muito convincente… ai… hoje. – Renesmee disse, sentindo uma pontada nas costas quando tentou se levantar. Jacob se aproximou mais e ela se encolheu. Mas ele  sorriu e lhe pegou delicadamente, lhe ajudando a se sentar. – Vocês dois só podem ser bipolares!
            riu.
_ Veja só! Seu  pulso já está bom! Posso tirar a atadura! – A morena lhe disse, se concentrando naquela tarefa. Tanto Jacob quanto trabalhavam agora pra cuidar dela. Jacob tinha se recostado na parede e apenas olhava, um tanto pesaroso até.
_ Você pode me pedir desculpas por me por em migalhas, se quiser. Me deixaria mais confiante sabe? – Renesmee disse, pra cortar o silêncio. Jacob sorriu de novo.
_ Era preciso. Você precisava chegar no seu limite.
_ Ok. Ele não pede desculpas. – Renesmee bufou, mas ainda sentido a pele tremer de tensão.
_ Nessie… - advertiu suavemente quando percebeu o coração da menina se acelerar. A cabeça dela ainda doía um pouco. – Já foi agora… ainda que a duras custas você passou no teste. Agora se acalme.
_ Eu sei que não foi fácil, Renesmee. Eu senti. – Jacob se aproximou e ocupou o lugar que a poucos minutos ocupava, sentando-se na cama, ao lado da hibídria. – Você não pode deixar o medo ter tanto controle sobre você.
_ Por que? Por que vocês fizeram isto? – A menina respondeu, sacudindo a cabeça e tentando buscar alguma justificativa pelo que passou há pouco tempo.
            Jacob suspirou e olhou pra . Ela acenou brevemente com a cabeça e ele saiu, indo pra fora da casinha que Nessie ocupava com Milla durante aqueles meses.
_ Digamos que os tempos não serão tão mais fáceis quanto você se lembrava quando sairmos daqui. – lhe disse. Renesmee suspirou.
_ Eu sei.
_ Sabe mesmo?
_ Sim, eu sei. Eu percebi o quanto você mudou desde a primeira vez que nos vimos. É como se não fosse só a Milla aquela que se transformou nesta ilha. Eu sei que você e Jacob vem escondendo algo do que anda acontecendo em La Push, em Forks e…
_ E? – incentivou quando Renesmee desviou o rosto.
_ Eu perguntei mais coisas pra Niadhi quando vocês não estavam por perto.
_ Pode se considerar sortuda. Aquela elfo gostou de você.  – Renesmee sorriu quando ouviu isto. – O que ela te disse?
_ Disse que é o tempo em que todos precisamos resgatar nossas maiores forças. Ela é meio estranha, fala por enigmas.
            sorriu, acariciando os cabelos da menina. Renesmee suspirou aliviada, parecia que ela tinha voltado ao normal. A hostilidade que recebeu da morena mais cedo lhe fez muito mal.
_ Os elfos são assim mesmo.
_ E agora você é assim. Você não só fala por enigmas, você age por enigmas… Milla acha que Jacob não está contando tudo o que tem de contar sobre La Push. Outro dia vi vocês dois na mata. Jacob estava transformado e imóvel e você estava do lado dele, parecendo lhe dar apoio pra algo muito… difícil. O que estava acontecendo?
            bufou e se levantou da cama, soltando os cabelos e massageando as têmporas.
_ Jacob estava liderando mais um ataque em La Push… a distância. Tem ocorrido muitos nos últimos dias.
_ O que? – Renesmee saltou da cama, quase caindo depois.
_ Há muito tempo tem aparecido vampiros recém-criados aos arredores de La Push. Mas eles nunca foram problema para os lobos. Jacob suspeitava que eles estivessem a procura de algo, ou que fossem a ponta de um iceberg muito maior. Ele estava certo. Depois do ataque de Milla, vampiros mais experientes vêm atacando a reserva. São ataques mais planejados, mais difíceis de vencer.  E eles procuram algo.
_ O que? – Renesmee perguntou ávida.
_ O lobo mais forte. – abaixou a cabeça e suspirou. – Outras transformações ocorreram enquanto estivemos longe, a matilha tem mais de vinte e cinco lobos agora, mas os vampiros tem atacado os veteranos… e eles parecem saber muito bem quem são eles. Leah sofreu uma emboscada ontem, quase foi mordida. Mas depois que Milla foi se transformou, Seth vem buscando vingança e ficou mais feroz. Se não fosse ele, Leah não teria escapado.
            Nessie arfou.
_ Quem são os vampiros que estão atacando? – Renesmee perguntou.
_ O seu pai reconheceu um na mente de Seth… da guarda Volturi. – No instante que disse aquilo, Renesmee levou as mãos a boca. 
_ Mas como eles sabem dos lobos? O que eles podem… Oh, meu Deus! Meu avô disse que Caius odeia os Filhos da Lua, que eliminou todos… e se ele…?
 _ O seu pai pensa a mesma coisa. – disse, respondendo a pergunta inacabada de Nessie.
_ Vocês tem falado com meu pai novamente? – Renesmee perguntou. Depois que eles foram pra ilha, Jacob pediu a Seth que fosse procurar Edward. Renesmee tinha implorado que pudesse falar com os pais para tranquiliza-los de seu sumiço. teve a ideia de Seth mostrar Renesmee a Edward, deixando que ele vasculhasse seus pensamentos. E, uma vez que ele podia ver tudo o que Jacob via, foi por meio da conexão mental lobos que Renesmee passou um recado de que estava tudo bem ao pai.
_ Jacob tem falado. Ele aceitou a ajuda da sua família quando descobriu que eles conheciam os vampiros que atacam La Push. respondeu. – E seus pais deixaram de ficar furiosos com os lobos quando descobriram que foi melhor pra você estar longe de Forks.
_ Como assim?
_ Um tal vampiro, chamado Aro, pareceu voltar a mostrar interesse em você. Parece que ele procurou os Cullens pra saber como você tinha crescido.
            Renesmee prendeu a respiração. Aro era sempre uma sombra de terror em seus pensamentos. Por que ele voltou a lhe procurar?
_ Seus pais acham que ele quer você para adicionar a sua coleção de… tesouros? – sussurrou. Sim, Renesmee conhecia aquele tipo de desejo de Aro. Ainda se lembrava claramente o fascínio que iluminou os olhos vermelhos dele quando ela lhe mostrou o seu poder, quando era criança ainda. Ela olhou pra , desesperada, mas algo nos olhos da morena parecia descrente.
_ É mais do que isto não é? – A meia vampira perguntou, voltando a se sentar.
_ Tudo o que nós sabemos aqui, nesta ilha, são as informações que Jacob consegue com a ligação mental com a matilha. O que eu sei é que os Volturi são os mais poderosos de sua espécie, e sei que não é fácil manter este posto entre seres que são tão egocêntricos. Me parece que é fundamental que eles não deixem nada que ameasse seu reinado se fortaleça.
            Renesmee enrugou a testa.
_ O que quer dizer?
_ Criança… - deu outro suspiro cansado. – Quanto mais poder se tem, mais se quer ter. E quando ele é conquistado a força, nada é suficiente para se manter seguro, por mais alta que seja a posição, sempre haverá riscos de cair do cume. Então, tudo que é ameaça deve ser eliminado, e tudo que for força deve ser conquistado. Uma matilha forte é uma ameaça. Um clã poderoso e unido é uma ameaça…
_ Uma mulher de sangue precioso é força. – Renesmee completou, fazendo enrijecer.
_ Um sangue poderoso é força. _ Ela disse, concordando.
_ Os Volturi sabem de você? É você que eles procuram em La Push? Aro te quer? – Renesmee disparou as perguntas em disparada, se assustando com aquela possibilidade. Mas maneou a cabeça e soltou um suspiro.
_ Somente um vampiro sabe sobre mim… E não é vantajoso que mais de um vampiro saiba de uma fonte preciosa de poder. De certa forma, eu conto com ele pra guardar meu segredo. Quando mais vampiros souberem de mim, a guerra pelo meu sangue será feita entre eles próprios. Uns destruirão aos outros. Nas lutas com vampiros nômades que já enfrentei, era exatamente isto que eu fazia para me salvar. Fazia com que todos me quisessem, então, eles se matavam para conquistar. O que eu acho que os Volturi parecem querer é apenas legitimar o seu poder, acabar com as ameaças. Destruindo os lobos mais fortes eles poderiam até ter chances de domesticar os mais novos… se ameaçassem a tribo, talvez… E se acabarem com os Cullens…
_ Vão eliminar os ataques de rebelião entre os nossos… por um bom tempo.
            concordou. Renesmee parou, voltando a se recostar na cama.
_ Você acha que o vampiro que sabe sobre você não é um Volturi, então?
_ Eu não sei, não conheço os Volturi. Mas eu acho, que seja ele deste clã ou não, ele os domina. Ele domina tudo e age nas sombras. Ele incitará uma guerra, porque o que ele quer é deixar de se esconder, é estender os seus limites, deixar de se esconder dos humanos… é… é… eu não sei definir ao certo…
_ E o por que do teste hoje? Por que você me fez acreditar que só fui usada por você?
            se aproximou de Nessie e pegou as suas mãos.
_ Me desculpe por isto. Durante o meu treinamento com os elfos, passei por coisas parecidas… E quando sairmos desta ilha, enfrentaremos coisas realmente difíceis. Eu fiz aquilo, combinei de lhe fazer passar por aquilo com Jacob porque eu vi Renesmee, vi o seu poder ampliado, vi o que você pode fazer. Isto afloraria em você, de uma maneira ou de outra. Eu só vejo o inevitável. Mas o seu poder só seria ampliado se você passasse por uma tensão e dor muito grande. Se não fosse aqui, conosco, seria lá fora e lá, seria pior. Eu tinha que antecipar as coisas.
­_ Poder? Ampliado?- Renesmee se sentiu a completa personificação da confusão naquele momento.
_ Você viu o que fez menina? Percebeu o que você fez com Jacob? O nosso guerreiro mais hábil? – Niadhi apareceu no quarto apertadinho em que elas estavam, falando tranquilamente. Renesmee já havia se acostumado com aquela elfo aparecendo e desaparecendo depois que contou tudo sobre suas origens.
_ O que?
_ Uma visão! Você confundiu Jacob em meio a uma luta, o distraiu tempo suficiente para desacordá-lo. Se você fosse um pouco mais hábil, daria tempo de mata-lo. Você pode usar isto com um exército inteiro,até. – Niadhi falou e logo depois de um tempo completou. – É, ela fará isto, não é mesmo ?
_ Quer dizer que eu não preciso mais tocar pra passar a alguém meus pensamentos? Algo parecido com Zefrina…
_ Quanto a quem quer que seja Zefrina eu não sei, mas por não precisar tocar para mostrar o que desejar a alguém… sim. – respondeu.
            Naquele momento Nessie soltou sua conclusão apavorada com tudo o que disse:
_ Você quer nos preparar para uma guerra! Eu e… Milla também?
            não respondeu, e nem precisava. Tudo tinha ficado muito claro. Ao que parecia, a guerra já havia começado desde a transformação de Milla.
 _ Vocês não teriam isto fora daqui.
            Renesmee se enfureceu.
_ O que é isto aqui afinal? – disse, abrindo os braços e apontando pra todos os lados. – Um campo de concentração? Por que eu? Por que  você me escolheu? Por que você insiste em me fazer resistir, em me endurecer, em me tornar uma guerreira custe o que custar? Você sabe a dor que eu senti aqui dentro quando pensei que a confiança que eu tinha por você era uma mentira? Sabe? Eu não sei o que me deu, até hoje eu não entendo porque eu abandonei tudo o que eu tinha para te seguir: minha casa, meus pais, minha família inteira! A segurança do meu lar! Eu confiei em você e nem sem o motivo… e quando eu pensei que você tinha me usado, eu fiquei sem chão! Sabe o quanto custou mais este teste pra mim? Por que você faz isto assim??
_ Porque eu não posso te deixar morrer! – também confessou exaltada. – E eu não posso deixar que quem quer que seja te capture e te leve para um exército qualquer de vampiros! Porque a sua vida está nas minhas mãos! Eu… eu… não posso te deixar morrer! – Os olhos de começaram a ficar mais densos, uma vez mais passando a eletricidade de um segredo pelas veias da hibídria… havia algo em … algo dentro dela… -  Você pensa que eu também não estou me sentindo mal por fazer tudo o que fiz com você e com Milla aqui? Pensa que eu também não gostaria apenas de te conhecer tranquilamente, sem corromper a doçura que você tem?  Mas eu não posso! Não posso!
_ Por que? – Renesmee voltou a perguntar, se levantando rapidamente da cama, ignorando a dor latejante em seu corpo. Só então percebeu que titubeou.
_ Porque alguém me pediu.
            Renesmee franziu a testa.
_ Quem?
_ Eu não sei! Eu não sei! – gritou e se jogou sentada na cama, entranhando os dedos nos cabelos. – Algo me liga a você… - ela sussurrou, vencida.
_ Renesmee se acalme. Sente-se. Eu vou tentar explicar. – Niadhi interviu, pegando a menina pelos braços e a sentando ao lado de , se ajoelhou na frente dela. – O destino é uma coisa tão magnânima e incompreensível, que mesmo para seres mais evoluídos, como nós elfos, lidar com ele é confuso e aterrorizante. lida com coisas do destino, mas ela só teve uma vida humana pra compreender e digerir tudo isto. Acredite: diante de tudo o que a vida é, uma vida de 28 anos é muito, mas muito pouco. Não exija dela todas as respostas. Apenas confie que os caminhos do coração dela estão sendo iluminados por seres além de nós. Se ela está dizendo que você precisa se tornar uma guerreira, acredite, é o melhor pra você.
            Renesmee respirou fundo, uma lágrima escorreu no canto de seus olhos. Ela limpou rapidamente.
_ Nessie… mesmo que você tenha passado difíceis momentos no início da sua vida, nada é comparado com o que vamos sofrer agora. Entenda isto! Você só conheceu doçura, cresceu rodeada de veneração e amor e muita proteção… mas isto não é tudo… infelizmente não é… - a voz de estava cansada, seu rosto abatido.
            Renesmee se aproximou da morena e pegou seu rosto entre as mãos.
_ Será que isto não é tudo? – As mãos da menina eram mornas e suaves. – Eu sei que as coisas não serão fáceis daqui pra frente. Eu sei! Mas olhe pra você ! Olhe para os seus olhos! Você está endurecendo! Milla disse que nunca tinha visto tanto brilho em uma mulher quanto viu em você no dia do seu casamento. Disse que aquela era uma lembrança muito nítida de seu tempo de humana. Por que eu vejo este brilho se perder? Eu sei que você está passando por momentos difíceis, sei que você está passando uma transformação também.  Mas eu prefiro acreditar que não precisamos embrutecer tanto pra passar por isto! Você diz que o meu mal é doçura em excesso, eu digo que sem ela nós não vamos suportar!
_ A menina está certa, . Seu poder não é fácil, mas até o Jacob perdeu o brilho que tinha ao seu lado. Você endureceu demais minha querida! – Niadhi também acariciou o rosto de .
_ Eu prefiro acreditar , que mesmo que o mundo se torne um inferno, ainda é possível manter a doçura aqui dentro! – Renesmee ousou colocar as mão entre os seios de . – A guerra não pode impedir as flores de nascer. Eu posso ser tudo o que você quiser, vou lutar do seu lado como nunca lutaria do lado de ninguém, mas não se esqueça disto. É o que fará a diferença.
            sorriu, pegou as mãos de Nessie e beijou delicadamente.
_ Eu não vou esquecer mais, Nessie. Não vou. – Ela se levantou. – Cuide dela por mim, Niadhi.
_ De uma vampira? – Niadhi gracejou. – Ok, eu aprendi a fazer isto muito bem estes dias. Onde vai?
_ Vou amar meninas… vou amar… 
CAPÍTULO 44
A DECISÃO DE ÉVORA
Um ser indistinto,
Um ser isolado,
Esconde-se em lembranças...
E as Vozes do passado...
Mortas, quietas, abafadas;
Lhes cantam uma canção qualquer:
Sórdida, profunda, que remoem tuas memórias.
Tão perto de Deus, tão perto das sombras.
Nobre nebulosa,
Misteriosa indefinida...
Criatura de vida mortífera.
Tens nas mãos o bem, tens nas mãos o mal.
            Seus pés deixaram de ser humanos. Suas patas pousaram no chão de areia com um baque surdo depois da transformação. Sua mente foi povoada com a ligação forte de outras mentes, lhe transmitindo pensamentos em uma corrente turbulenta junto de sentimentos e visões. Imediatamente pode distinguir os pensamentos de Leah em meio aos outros três presentes e chiou um rosnado.
_ O doutor presa não lhe mandou ficar em repouso, Leah? -  Jacob falou em pensamento, cobrando da loba teimosa aquilo que Embry havia lhe dito.
_ E desde quando um vampiro sabe o que é melhor pra mim? – Ela resmungou, azeda. Jacob bufou.
_ Como você está? – perguntou, visivelmente preocupado com o recém-ataque que Leah sofreu.
_ Sou dura na queda, Jake. Não sou mais aquela idiota que te fez quebrar as costelas pra me salvar um dia. Eu sei lidar com imprevistos… se quer saber, me sinto muito bem por ter arrancado um braço de um dos infelizes que me atacaram. O sanguessuga leitor de mentes diz que o cara era hábil.
_ Edward reconheceu mais um? De novo? – O alpha ficou mais atento, sua mente trabalhando tão rapidamente que Leah não entendia nada.
_ Não outro, o mesmo. Um tal de Félix. Os vampirões Cullens, metidos a heróis, dizem estar se armando para um possível contra-ataque. Só que o problema é que eles querem outros vampiros amigos em Forks… – Leah resmungou, achando a ideia insana e repassando em sua mente a conversa turbulenta que Carlisle tentou ter com ela, amenizada, de certa forma, por Seth. Claro.
_ O que? – Os pensamentos de Jacob foram imediatamente para , e mais vampiros perto do território onde ela vive. – Nem pensar! – Jacob rugiu.
_ Eu imaginei que fosse pensar assim. Então eu disse não por você. Agora… eu preciso saber… Quando vocês voltam? – Leah perguntou.
_ Não vai demorar muito. _ foi só o que Jake respondeu, desconfortável quando percebeu sua beta vasculhando sua mente para tentar descobrir o que afinal acontecia no lugar onde ele  se metera.
_ Sei… - Ela pensou.
_ Como estão as coisas? – ele disparou, ansioso por mudar de assunto.
_ Sem vampiros desde minha emboscada. Isso não deve ter importância agora, mas os garotos estão fazendo um bom trabalho na sua oficina. Principalmente Seth, isto quando nós lhe obrigamos a se destransformar. Ele insiste em se desgastar em alguma espécie de esforço físico… pra esquecer… ou se anestesiar.
_ Ele ainda não pergunta dela? – Jake perguntou, tendo consciência que Seth já viu Milla como vampira em seus pensamentos, mas nunca fez uma menção ao fato.
            Leah suspirou, cansada.
_ Do mesmo jeito. Ele não anda falando muito mesmo. Está no automático. – Jacob percebeu a dor velada na mente da loba. Suspirou.
_ Certo. Tome cuidado com tudo, Leah. Voltarei assim que puder. Não deixe que os Cullens façam qualquer idiotice só porque demos uma brecha a eles.
_ Nem precisava falar isto. Já que tem de ir… mande um “oi” para por mim… - Leah soltou, como uma alfinetada pra ele.  Durante todo aquele tempo ela vem tentando desvendar o “enigma” . Tinha se convencido que havia algo com a sua esposa que Jacob escondia e colocou isto na cabeça de toda a matilha. Estava quase insustentável a situação. Tanto ele, quanto sabiam que a revelação estava próxima. Mas por enquanto ele apenas ignorava as indiretas muito diretas dela.
_ Pode deixar. – E com isto se despediu dela, sentindo seu corpo se tornar humano novamente com um fogo quase doloroso descendo por sua espinha.
            Vestiu-se com uma bermuda gasta e voltou a caminhar sob pés humanos pela mata, logo identificando o cheiro de Milla. Torceu o nariz, mas seguiu em frente. Ela estava sentada em uma pedra gigantesca na extremidade leste da praia, seus cabelos batendo com a brisa fresca de início de noite, os olhos fechados e a cabeça tombada para o lado. Tinha uma expressão serena e melancólica, seus ombros estavam baixos, seus músculos visivelmente relaxados… uma postura frágil. Ao longe, ela parecia um anjo, emoldurada por um céu salpicado de estrelas. Daquela forma ela se parecia tanto com a menina humana que fez Jacob sorrir lhe servindo café numa cantina de hospital.
_ Planejando um ataque, lobo? – Ela sussurrou, sorrindo para Jacob e o mirando com os olhos cor de âmbar. Jake se lembrou que os olhos azuis da humana que ela foi eram muito mais faceiros, mas tinham a mesma doçura que ainda permanecia naqueles olhos vampíricos.
_ Não, estou prevendo um ataque… - Ele disse, já alcançando a pedra em que ela estava e saltando pra cima dela. – Sabe como é… regra numero um para um lobo: jamais confiar em uma vampira, mesmo se ela parecer boazinha.
            Milla sorriu timidamente, mas aos poucos deixou seu sorriso alargar, tornando-se belo, e depois assustador, predador.
_ Pareço boazinha? – Ela perguntou, apertando os olhos.
_ Oh! Não… isto é só porque eu sou muito pior do que você. – Jacob deu um sorriso de ameaça a ela também.
            Ela riu, jogando a cabeça pra trás e voltando a fitar o mar. Jacob se sentou ao lado dela e ambos torceram os narizes para o cheiro do outro. Os músculos de Milla ficaram em alerta, tal como os de Jacob. Ficaram um momento em silêncio.
_ Conta de novo? – Milla sussurrou, com voz pequena e cantante, como de uma criança.
_ Você disse que se lembrou disto…
_ É sempre bom ouvir. Pra ter certeza que não foi fantasia… - Ela voltou a pedir, e Jacob sentiu o estranho impulso de afagar os cabelos de uma vampira. Naqueles momentos ela parecia exalar carência.
            Jacob olhou na mesma direção que ela e voltou a contar aquilo que já tinha repetido vezes e vezes desde que Milla deixou de se esconder ou rosnar cada vez que sentia o seu cheiro.
_ Vocês se conheceram no meu casamento… Seth ficou fissurado em você desde a cerimônia. Depois eu soube que toda a lembrança que ele tinha do meu casamento era um par de olhos azuis e um sorriso trêmulo de uma menina loura e corada. Depois ele ficou te secando quando a festa começou, mas morrendo de medo de se aproximar. Pra ele era como se um oásis estivesse a sua frente e havia o risco de um passo mais próximo o fazer desaparecer. Você era o oásis dele…
            Jacob já estava se sentindo hábil em recontar os pensamentos e sentimentos de Seth quando ele descobriu o seu imprinting. Há duas semanas aquela história tinha sido a coisa que aproximou lobo e vampira, ligando-os em um momento sem tensão e sem a revolta que as suas naturezas provocavam um no outro. Milla ouvia tudo com uma expressão angelical, aquilo parecia aplacar sua dor. Certa vez ela disse a Jacob que aquela era a história que fazia o seu monstro interno dormir.
_ …você estava morrendo de medo, mas eu e te arrastamos para o Seth e você saiu arrastando as unhas pela área e dizendo: “nãooo, aquele lobo vai me devorar e…
_ Mentiroso! – Milla ralhou, espremendo os olhos. Jacob riu.
_ É só pra dar mais emoção a esta história. Cansa repetir a mesma coisa. – Jacob disse, e fez um biquinho. Ele gracejou incomodado com a expressão pacificamente dolorida que começou a tomar conta do rosto de Milla conforme prosseguia com o seu relato.
_ É uma história real, então mantenha-se fiel aos fatos… - ela bufou. – É por isto que não se pode confiar em lobos! – Disse, maneando a cabeça, mas rindo logo depois.
_ Mas eu nem mudei tanto as coisa, sanguessuga…
_ Jacob… - Ela disse, jogando a cabeça de lado e erguendo uma sobrancelha de forma intimidante.
_ Ok, ater-se aos fatos… hum… como eu ia dizendo, você estava morrendo de medo e nós saímos te arrastando pela praia até Seth. Depois, quando você estava perto ele te olhou como um idiota babão e você o olhou… bem… eu não sem bem como definir aquela sua cara… - Jacob colocou a mão no queixo enquanto fazia uma expressão de extrema concentração. Milla soltou um rugido e elevou o punho para socar Jacob… mas como sempre, ele desviou.
_ Lentaaa… - Jacob cantarolou, tirando sarro dos reflexos de Milla.
_ Eu não sou lenta, só estou sem vontade de te dar uma lição! – ela disse, armando um bico. – Mas não me provo… - antes  que ela pudesse terminar, Jacob soltou uma baforada de ar no rosto da vampira, que trancou a respiração rapidamente, mas não a tempo de sentir o odor do lobo vir como uma avalanche pra cima de si. Ele riu e saltou graciosamente da pedra, sabendo que ela iria atrás dele.  Dito e feito, ela foi.
_ Como você é infantil! Brinca com o perigo, brinca! Uma só dentada e não vai ter alpha pra contar história! – Ela ameaçou, se curvando em posição de ataque.
­ _­Uma só patada e vai ter cabeça de vampira rolando pela areia! – ele também ameaçou, fazendo uma expressão feroz tão falsa que Milla não conseguiu se conter e riu.
_ Como diabos você faz isto? – Ela disse, entre o tilintar cristalino e agudo de seu riso.
_ Isto o que? – Ele perguntou. Milla rolou os olhos, mas depois deixou sua alegria esvair-se e seu rosto voltou aquela reservada melancolia.
– Me fazer rir…
            Jacob respirou fundo e se aproximou dela.
_ Não me dê uma de Edward Cullen. De vampiro deprimido na face da terra já basta um. – Milla deu um meio sorriso mole, que não durou nem meio segundo. – Soube de hoje… você sabe… com … você resistiu bem… é um grande passo.
_ E o que isto significa? Que mereço os parabéns? Jacob… minha condição ainda é uma… uma… merda! E pior que isto: minha condição é uma eterna merda, multiplicada pelo infinito. – ela rosnou, carrancuda.
_ Bom, a proposta da patada ainda está de pé… então as multiplicações da merda pelo infinito e além acabam. Mas o problema é que, até onde me lembro, eu deixei uma certa garota continuar a existir justamente porque ela me disse que ia lutar, não só pra resistir… mas lutar pelo o seu amor. Mas pode ser que o veneno vampírico deixe as criaturas burras e melodramáticas…
            Milla olhou para Jake com censura, mas ele apenas suspendeu as sobrancelhas.
_ Melodramáticas ou realistas? Veja bem… você sabe o rumo da minha… existência agora? Sabe o que me restou? Eu descobri que tudo o que resta da minha alma ama uma criatura que não suporta o meu cheiro, que tem agonia da condição fria e morta de minha pele, e que pode morrer com um simples descuido meu, caso os meus dentes perfurem a sua pele. E eu não posso me aproximar mais da minha família, pois é melhor pra eles que eu esteja realmente morta, que eles sejam completamente ignorantes da minha condição… - Ela parou,  soltando um suspiro desnecessário. -Eu temi Seth quando eu descobri que ele era um lobo, o chamei de aberração e agora eu sou a pior delas, muito pior do que ele. – Ela deixou um engasgo lhe travar as palavras. Jacob ficou em silêncio, esperando ela desabafar. Era a primeira vez que ela fazia aquilo. – Que vida poderemos ter juntos? Eu sou seca agora, morta por dentro, nada de filhos… e vou condená-lo a esta tortura eterna de venerar aquilo que odeia? Eu não vejo Jake, não vejo uma forma, uma saída… ainda que eu resista a todo sangue humano: eu sou uma vampira e ele um lobo.
_ Ninguém disse que ia ser fácil e doce… é um caminho além do impossível. Mas se não fosse pra ser… o sentimento estaria morto junto com o som do teu coração. – Jacob sussurrou, brando.
_ Que sentimento Jake? Que sentimento? Amor, dor? – ela deu um riso amargo. –Me diz você: ele está feliz agora? Eu estou fazendo bem a ele assim? – sua voz se converteu em um murmúrio quase imperceptível. – Dói pra ele sequer perguntar de mim… não é?
_ Sim, dói Milla. Seth está sofrendo. Muito. Mas ele esta sofrendo porque sabe o quanto é penosa a sua condição pra você mesma. Ele está sofrendo porque você está, porque você não abriu a brecha pra que ele lhe faça feliz. Quando ele encontrar um caminho que te traga felicidade então ele vai ser feliz. – A voz de Jacob tinha deixado o tom brincalhão e juvenil naquele momento. Ele falava com os olhos fixos no rosto angustiado da vampira.
_ Um caminho além do impossível… - ela murmurou, virando o rosto.
_ Mas não inalcançável…
            Milla riu novamente, um riso descrente, acre. Jacob se lembrou da primeira vez que viu o riso e alegria pulsante em Milla. O quanto se lembrou de sua própria juventude através dela e o quanto desejou que ela não perdesse aquilo. Eis que agora ele testemunhava exatamente o que não queria. Engoliu em seco, sentindo o peito sacolejar e não era só por Seth, seu irmão querido que sofria por Milla, mas por ela mesma, aquela menina perdida em um mundo paralelo.
            Antes que pudesse racionalizar qualquer coisa ele ergueu a mão, elevando-a em direção a vampira. Ela viu o gesto e deixou seu olhos fixos lá, sem saber ao certo o que significava. Jacob estendeu a outra mão, de forma que seus braços ficaram abertos em direção a ela. Ela ergueu os olhos e encarou Jacob. Nos olhos negros dele, em sua presença tão imponente e ameaçadora de lobo alpha, havia algo inédito: uma receptividade gratuita à vampira. Os braços abertos eram o convite a um abraço.
            Jacob viu os traços do rosto de Milla se contorcerem ainda mais, em uma agonia profunda. Era o choro seco daqueles vampiros que estavam perto demais de sua própria alma. Lentamente, muito lentamente, ela deu um passo a frente… depois outro… e outro… e estacou, tampando o rosto com as mãos e depois puxando os cabelos tão lindos ainda que desgrenhados pelo vento.
            Ficou lá, sem coragem de se mover mais, já sentindo a tensão pelo calor do lobo tão perto de si. Poderia ela se deixar indefesa naqueles braços, que de um momento a outro poderiam se converter em garras? Ela não se moveu, nem mesmo quando sentiu que ele se aproximava. Ficou lá, com a pele trepidando cada vez mais e os instintos gritando em sua mente: ataque… fuja!
            Não pode. Ela deixou então que o calor e o cheiro agressivo rodeasse a si. Tremeu e um chiado escapou abafado de seu peito quando a pele de Jacob encostou nela e os braços férvidos cercaram o seu corpo e… aconchegaram. Jacob se sentia tenso enquanto a afagava, sua cabeça doía pela ardência que o cheiro dela provocava em suas vias aéreas, mas se permitia envolver sorrateiramente o corpo estático e rígido dela.
            Pararam de respirar.
            Um terremoto pareceu se formar no interior de Milla, conforme ela sentia um tremor incessante passar da pele de Jacob para sua, ruindo suas estruturas. Ela soltou a respiração e ficou zonza com o cheiro quente golpeando seu interior. Havia, depois de tantas barreiras incitadas pela natureza daquelas criaturas, uma migalha de aconchego, de conforto, que crescia aos poucos a cada milissegundo que o choque de corpos inimigos se misturavam.
            Os ombros dela caíram, seus braços penderam, a solidez de seus músculos gelatinaram-se e ela sussurrou:
_ Obrigada… - E depois estava a metros de distância, dispensando um sorriso cálido para Jacob e se afastando.
            Jake a viu partir e depois encarou os próprios braços, como se eles fossem membros alienígenas:
_ Eu. Abracei. Uma. Vampira. – Ele sussurrou, pausadamente, e depois riu. – Isto foi estranho…
_ Estranho e mágico… - ele escutou a voz mansa atrás de si, vislumbrando a silhueta de vir em sua direção iluminada pela lua. Ela sorria, um sorriso lindo, envolvente… leve… tão leve.
_ Me espionando? Está ficando hábil em se esconder, hein? – Ele disse, andando para ela buscando diminuir a distância que os separavam mais rapidamente. Jacob a olhava minuciosamente, estranhando a expressão despreocupada que havia no rosto de sua esposa. Parecia haver mais cor em suas bochechas… parecia com ela mesma, há meses atrás.
            Ela deixou ele ficar parado na frente dela a encarando, juntando as sobrancelhas.
_ O que foi? Vai me dar um castigo por isto? – Ela disse, com um riso sapeca. O peito de Jacob se encheu, era como se um vigor estivesse o inflamando. Que saudade ele estava daquela ! Tanto que ele nem tinha percebido o quanto, tanto que só um olhar mais leve já o fazia sorrir bobamente.
             Mas no fundo ele esperava que os olhos dela se conturbassem novamente, que seu semblante se agravasse e ela lhe escondesse mais uma de suas visões, fechando-se em uma postura composta.
_ Jake? – Ela chamou, quando ele parecia aéreo demais. – O que foi? Esta tudo bem? – ela perguntou, preocupada, mas ainda com a face dócil.
_ Está… - ele deixou escapar, mas ainda observava. Depois de tantos dias ao lado de uma mulher tão determinada a esconder suas perturbações ele se sentia… desconfiado…
_ E então… notícias de La Push? – Ela perguntou, o puxando pelo braço e o fazendo deitar na areia. Ela se inclinou em cima dele, apoiando a cabeça nos cotovelos e o encarando com olhos brilhantes.
_ Tudo em paz… na medida do possível. Só Leah, desconfiada e teimosa… - Ele disse, com os olhos pregados em cada expressão de . Ela rolou os olhos.
_ Como sempre… - ela riu
            Jacob se remexeu desconfortável. Na noite anterior ele reclamou com ela que sentia falta de seu riso e ela havia dito que as coisas não estavam tão leves pra que ela sorrisse assim. E agora… ela parecia tão… tão do jeito que ele sentia falta?
_ Você não está fingindo… está? – Ele perguntou, direto. franziu a testa.
_ O que?
_ Você não está tentando me esconder as coisas… amenizar minha preocupação… ? – colocou os dedos nos lábios dele e fez uma carranca.
_ Não, não estou! Eu também sinto falta disto, Jake! De sentir o peito leve. Posso me permitir isto?
            Ela se afastou, se levantando e virando as costas. “Droga!” Jacob pensou.
_ Pode… sim… é só que… com tudo que está acontecendo. Você tem tentado me poupar e…
_ Eu estava era perdendo você… perdendo o alívio que só você pode me dar no meio de tudo isto! Precisei de uma garota meia-vampira pra me abrir os olhos! – Ela resmungou, deixando a impaciência escapar de sua voz. Ela se virou, ficando contra o vento, seus cabelos sendo jogados para frente. – E estava te puxando junto…
_ Como?
_ Jake… você já me puxou de um abismo uma vez. Só você tem este poder, de me dar brilho quando eu me sinto estar afundando na escuridão. – Ela abaixou a cabeça. – Eu não estava me fazendo de alegre pra te deixar feliz. Eu estava igual… igual a uma criança esperando um doce, pra ficar feliz… - De repente ela parecia sem jeito, começou a retorcer os dedos das mãos. – Não me deixe esquecer de como é sorrir… por favor… - Ela sussurrou.
_ Se você perder isto… eu perco também… - Ele murmurou. Andou para perto dela e lhe abraçou, cheirando e depois beijando o seu pescoço. – Dança pra mim? – ele pediu.
_ O que? – ela disse. Fazia tanto tempo que ela não dançava, que já tinha se esquecido que podia fazer isto.
_ Dance… dance igual aquela vez que te vi em seu apartamento de Washington.
            E ela sorriu largamente. Ele se lembrava! Naquele dia ela dançou com tanto vigor que se esqueceu de tudo, só deixou que a satisfação de seu corpo brincando no ar lhe dominasse. Então ela se deu conta de algo que até então não tinha atentado: aquela foi a primeira vez que sentiu desejo por Jacob.
_ Sem música? – Ela perguntou, olhando pra ele. Ele sorriu e levou o indicador aos lábios indicando silêncio. Depois a fez fechar os olhos. E havia uma música constante na praia, composta pelo vento e pelas aguas que iam e vinham em ondas que quebravam na areia.
            Devagar, ela se desprendeu dele, e se afastou em direção ao mar, de costas, os olhos fixos no moreno que a observava. Ela abriu os braços, como se fosse se jogar no mar e, tão lentamente, foi deixando que seu corpo insinuasse ondas tais como as que vinham do mar. E Jacob passou a testemunhar novamente e graça celeste que ela parecia alcançar enquanto se entregava daquela forma ao movimento. Ela sorria, seus olhos dispersavam um turbilhão de sentimentos, eram ardentes e dóceis, misteriosos e claros. Os pés dela batiam na água, molhando o seu corpo aos poucos, ensopando o vestidinho branco que vestia. A transparência causada pela água revelou a Jacob que era só o vestido que cobria o seu corpo e nada mais.
            Da suavidade de uma brisa, os movimentos dela foram evoluindo para uma espécie de furacão, hipnotizando Jacob como na primeira vez. Os olhos negros se fixaram no subir e descer constante dos seios dela, nas pernas que se projetavam com tanta desenvoltura, dos braços que desenhavam movimentos tão sedutores no ar. Ela ia se entregando, cada vez mais… o corpo deixando-se perder na dança, parecendo implorar por uma explosão de êxtase. Ela apertou os olhos e continuou e Jacob encontrou semelhança nos movimentos que ela fazia ali com aqueles que a embalavam quando faziam amor. A mesma suntuosidade nos quadris, os braços que erguiam os seus cabelos.
            Ela abriu os olhos, turvos por uma emoção desconhecida a Jacob, sorriu ardente e elevou os braços, despencando no chão… ela caiu tal como na primeira dança que ele testemunhou dela, com os cabelos espalhados ao seu redor, com os braços moles acima de sua cabeça, erguendo o peito e encolhendo levemente as pernas torneadas. Sorriu, completamente inebriada… seu vestido havia subido demais, caindo na base das coxas.
            A eletricidade que emanava dela sugou Jacob e ele nem pensou em lutar contra. Foi rapidamente em direção a ela, se ajoelhando ao seu lado. Ela continuou com os olhos fechados, sorrindo… sorrindo tão entregue! Seu corpo clamando por outro corpo, apelando pelo corpo dele.
            Ainda de olhos fechados ela sentiu as mãos de Jacob em suas cochas, fortemente contraídas no impulso de conter o desejo,  abrindo-as. Sentiu ele se colocar entre elas, a pele  dele fervendo na sua própria. Não conteve o gemido. O fogo que se alastrava por seu corpo não era abrandado nem mesmo pelas aguas que ainda chegava até eles, os últimos resquícios das ondas.
            As mãos firmes deslizaram por seu corpo, subindo o vestido. Ela ergueu-se apenas para deixar a roupa sair por sua cabeça. Finalmente, abriu os olhos, encontrando a imensidão dos olhos negros fixos nela. E se sentiu em um outro universo, onde só ele existia… só ele. Ele olhava o seu corpo nu, parecendo fascinado e sedento, ajoelhado por entre as suas pernas. Ele estava nu. O vento batia livre por todas as partes de seus corpos e isto só fazia a chama que os consumia aumentar, os arrepios lhe torturarem a pele. Ela gemeu em antecipação.
            Ela o queria, e queria com urgência, sem demora…  Seus olhos gritaram isto pra ele, e sem nada dizer, Jacob a penetrou, mergulhando fundo e forte dentro dela. Inteiro, completando o que faltava. Ela arfou, deixando escapar um suspiro ruidoso. Ergueu seus próprios quadris em direção a ele querendo sentir mais.  As mãos de Jacob agarraram firmemente a lateral de seus quadris, deixou seu corpo cair por sobre o dela e abocanhou-lhe um seio, sugando, ao mesmo tempo que saia lentamente dela, para depois estocar impiedosamente de novo. Loucura! O coração dela falhou… parecendo parar. agarrou os cabelos negros de Jake e o puxou os lábios dele para os seus com urgência.
            E outra dança iniciou-se, provocando um ruído incessante de gemidos quentes. Jacob começou lento, torturando cada vez que saia do corpo dela devagar demais e lançando-se para dentro com velocidade completamente oposta. Aos poucos, porém, a necessidade fez o ritmo acelerar, e Jacob dar mais vigor as estocadas, mergulhando no corpo de com afinco. Ele vinha se chocar com ela e ela erguia seus quadris querendo mais e mais…
            A ondulação de prazer começou insuportavelmente se alastrar do ventre para o resto do corpo de , fazendo até suas pálpebras formigarem. E vinha a onda de prazer que fazia seu corpo se perder aos poucos. Jacob reivindicou o seu olhar perto do clímax. Ela lhe olhou e abriu o sorriso mais pleno que poderia dar quando sentiu o orgasmo os arrasar divinamente, cruelmente.
            Aos poucos os gemidos se converteram em risos leves. Jacob saiu lentamente de dentro de e salpicou pequenos beijos pelo rosto dela.
_ Eu te amo… - sussurrou.
_ Eu amo mais… - gracejou. Jacob a puxou pra cima de si, fazendo-a rolar na areia.
            Areia… praia… vento… ar livre… expostos…
_ As meninas! Elas podem nos ver aqui Jake! – disse, em alerta, olhando para todos os lados. Ele gargalhou.
_ O problema é delas! – Disse, a puxando de repente para adentrar o mar, saindo da margem. Ambos mergulharam juntos, e ficaram a brincar nas aguas, perseguindo um ao outro.
            emergiu quase sem folego, mas logo sentiu seus pés serem puxados para baixo, fazendo-a mergulhar no fundo sem ter chance de ao menos ter enchido seus pulmões de ar na superfície. Logo a boca de Jacob cobriu a sua, em um beijo sem ar algum, no fundo da agua. Aquilo pareceu deixar tudo mais intenso, terminou com a cabeça zonza, acabou por engolir água quando as bocas se separaram.
_ Louco! – Ela soluçou, quando pode voltar a superfície novamente, tossindo. Jacob apareceu a frente dela, sorrindo, sorrindo lindamente. – Quer me matar?
            Em duas braçadas ele tinha o corpo colado no dela novamente, em uma proximidade perturbadora. Lambeu a agua salgada do pescoço dela e depois mordeu-lhe a orelha.
_ Sim… te matar de amor… - Ele sussurrou. Logo depois cobriu os lábios de em um beijo quente e molhado. Era praticamente impossível não se perder nos braços dele.
            Mas eis que ele desaparece de repente, deixando-a com o bico do beijo nos lábios, e afundando nas aguas azuis novamente. Ela bufou.
_ Cadê você? – Perguntou, para o que só parecia ser uma imensidão de águas. – Se eu te pegar vou te matar!
            Nada… Nem sinal…
            Ela mergulhou e saiu nadando a toda velocidade com os olhos bem abertos, vasculhando tudo em baixo do mar. Como ele havia desaparecido assim? Ela ficou tão letárgica com os beijos dele que perdeu os sentidos?
            Voltou a submergir, bufando raivosa. Gritou.
_ Jake! Eu vou sair daqui!
            Assim que acabou de falar um corpo caiu como um meteoro a sua frente, espirrando agua para todos os lados. Era Jake, ele havia subido em umas pedras próximas dali e saltado repentinamente.
            Ele voltou a emergir rindo da expressão carrancuda de . Tentou pegá-la nos braços novamente, mas ela fugiu a nado. Jacob a perseguia, mas não era tão rápido quanto ela embaixo d’agua. Ela acabou conseguindo pular nas costas dele e afundá-lo a força.  
            Jake ria, um riso gostoso e leve que a muito tempo não ouvia dele. Parecia deixa-lo mais jovem, havia nele uma energia que pulsava para o corpo e para a alma de e a aquecia, envolvendo-a em uma vitalidade amorosa. Ouvindo aquele riso, empenhada em faze-lo perdurar mais e mais, teve a impressão de ouvir o riso de Jacob, duplicado… triplicado. Mais risadas pareciam se juntar a dele, mas os outros risos pareciam brotar de dentro dela. Ela ficou estática de repente, querendo ouvir mais… fechou os olhos e viu bochechinhas coradas de tanto rir, sorrisos abertos, que ofuscavam a luz… cabelos negros…
_ ? – Jacob a chacoalhava, com o semblante preocupado. – Fala comigo… o que foi desta vez?
            Ele tinha parado de rir? Há quanto tempo? sacudiu a cabeça, parecia ter sido transportada pra outro lugar. O riso, o sorriso que viu a poucos segundos era tão… tão de Jake, tão próprio dele.
_ Outra visão? – Jacob continuava perguntar. Só então ela percebeu que estavam perto da margem novamente, o corpo de Jacob cobria o dela, prensando-a em uma pedra grande que havia ali.
_ Não… eu… não sei  o que foi… - Ela murmurou, tentando recuperar o que tinha visto e ouvido, mas era tudo muito difuso, muito distante.
_ Mas o que…? – Jacob começou a perguntar, mas colocou os dedos nos lábios dele, o silenciando.
_ Não… não me pergunte mais nada… eu não sei quem era, mas não foi uma coisa ruim. – Ela sorriu e passou os braços ao redor do pescoço de Jacob, ficando quieta. Ambos estavam encharcados, os cabelos de estavam colados em suas costas, a agua batia na cintura dos dois. Aos poucos a consciência de foi se libertando da imagem nebulosa que viu e se prendendo mais no presente… na pele de Jacob junto a dela, do calor dele a cercando. Delicadamente ela desceu as mãos pelos músculos vincados das costas dele, sugou a agua da curvatura de seu pescoço com beijos. Aos poucos Jacob também relaxou…
_ Está tentando me distrair de uma visão sua de novo? – Ele murmurou, fechando os olhos e apertando a cintura de quando sentiu as mãos dela envolverem o seu membro.
_ Não está funcionando? – Ela disse, roucamente, passando a língua no lóbulo da orelha  dele. Jake soltou um rosnado baixo.
_ Está… - Ele voltou a sorrir com o rosto afundado nos cabelos molhados dela, para depois capturar seus lábios novamente, procurando avidamente o seu sabor, a sensação frenética de ter a língua dela enroscada a sua.
            E Jake estava novamente tão perto de , de seu corpo e de seu coração, que a fez tremer por dentro, como se isto fosse possível. Ela se deixou embalar pelas sensações que aquele corpo férvido lhe provocada, se enroscando mais e mais nele, enquanto suas vontades imploravam por ainda mais. Ela, que tentava durante todo aquele tempo parecer segura e controlada, forte o suficiente para suportar as novas responsabilidades que o destino lhe dera, permitiu-se enfraquecer novamente, entregar-se a Jake de forma plena.
            E naquela entrega, enquanto faziam amor encostados naquela pedra, ela teve consciência de que estava cheia de medos, mas que apesar disto, não havia e não haveria coisa no mundo que ela quisesse mais do que ele...
            Jake fez com que ela circundasse as pernas a sua volta, sustentou seu corpo agarrando a sua cintura e novamente se enterrou nela. Era impulsivo nas estocadas e absolutamente terno em seus beijos, acariciando os lábios dela com os seus e sua língua tinha um sabor de amor eterno. Os olhos dele tinham um poder absoluto de lhe trazer paz em meio ao inferno, tal como de a fazer arder em pleno céu. tinha certeza que aqueles olhos negros enxergavam mais do que ela mostrava. Ele era, enfim, tudo o que a fazia esquecer de seus dissabores, perder a consciência do amanhã e se viver somente aquele momento. Um momento em que ela o sentia teu, e só teu... um momento em que ela era dele... e só. Era o que bastava, e não passava pela sua cabeça lembrar de outra coisa que não fosse o cheiro dele, só havia a vontade de viver para sempre a magia que envolvia o gozo dele nela e o dela por ele.
            Ela se deixou ser apenas amante naqueles braços porque, naquele instante, era tudo o que queria.
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       Estava só! Ao seu redor só havia o céu indescritivelmente único do mundo dos elfos, em que a noite era colorida por luzes efêmeras que pareciam fazer do céu a tela de um pintor magno. Aquele lugar, que ninguém poderia ir a não ser a rainha, era reservado para que os soberanos estivessem puramente com sua alma, com seu interior. Como um templo sagrado de meditação, feito só para ela.
            Quendra se sentou embaixo de uma árvore frondosa, cujas flores tinham um brilho particular e olhou para frente, os olhos desfocados. Passou as mãos pela relva macia e deixou que sua mente se recordasse de outro tempo… a quase três milênio atrás…
#1.050 a.C. – Recanto dos elfos #
_ Como pôde majestade? Sei que é belo se entregar a um amor puro, mas agora tu nos deixará assim que esta criança nascer! – Quendra disse, olhando a figura gloriosa de sua majestade, acariciando o ventre cheio de uma criança elfo, fruto de um relacionamento humano.
_ Todos nós temos nossas fraquezas Quendra… eu sei que partirei assim que meu filho nascer, que serei julgada por Deus, mas não pude evitar. – Évora, a única e suprema rainha dos elfos sorriu lindamente para Quendra. Seu corpo já não tinha característica alguma de um elfo, o filho que estava em seu ventre havia tomado tudo pra si. A partir daquele momento ele seria o elfo e sua mãe a humana. Mas Évora ainda conservava beleza única. Sua pele era clara e delicada, tinha uma cor rosada nas bochechas, seus olhos daqueles castanhos límpidos, seus cabelos com grades cachos loiros. – Eu tenho que confessar que admiro a sua resistência Quendra…
            Évora lhe disse aquilo com olhar cúmplice, se referindo a ele.
_ Não há nada parecido acontecendo comigo alteza... eu... eu apenas o protejo, sinto que precisa....
_ Quendra… aquele homem precisa realmente de proteção, mas não é do que virá, e sim de si mesmo. – A elfo abaixou a cabeça resignada diante das palavras de Évora. – Ele te venera, guarda em si um sentimento muito grande e também muito perigoso… Se há uma coisa que devo lhe alertar antes de partir é: tome cuidado! – As mãos delicadas e não mais tão fortes acariciaram os cabelos de Quendra.
_ O que a majestade sabe que eu não sei? – Quendra ousou perguntar. Évora sorriu.
_ Eu sei de tudo… tudo querida… - Ela sorriu, erguendo o queixo de Quendra para que ela encarasse seus olhos. Imediatamente Quendra estremeceu ante aquele olhar que pareceu se converter em um abismo, de uma intensidade incalculável. Ela quase podia ver a sua própria existência gravada nos olhos da rainha Évora e nitidamente analisada por ela… havia algo de glorioso e havia algo de sombrio. Ela não suportou a carga de seu próprio destino e fechou os olhos.
_ Há sempre dois caminhos Quendra… ambos repleto de sacrifícios. Nada é simples para criaturas como nós. Eu posso confiar em você Quendra… de tudo o que sou eu ainda posso confiar em você, por isto lhe digo: muito cuidado, você andará muito perto das sombras. Não se perca nelas.
            Quendra engoliu em seco, estremecendo por dentro.
_ Eu… tomarei… - sussurrou, temerosa. Resolveu mudar a conversa para outros rumos. _ Mas ficaremos como? Sem uma rainha, como ficaremos? – Perguntou, nitidamente preocupada.
            Évora soltou o seu rosto e se virou, encarando as planície coberta de flores coloridas e o grande lago azul que havia ao norte. As aguas do lago, apesar de azuis, eram cristalinas, e revelavam os corais coloridos que havia em sua profundidade. A rainha ficou observando aquilo durante um tempo, voltando a acariciar o seu ventre. Parecia tomar uma decisão difícil.
_ Terão outra soberana… - ela disse, depois de um tempo.
            Quendra ergueu-se e arqueou as sobrancelhas azuis.
_ Teremos? – perguntou, sentindo um arrepio lhe percorrer a espinha. Sentimentos não tão frequentes aos elfos causavam um frenesi em Quendra, fazendo sua postura hesitar diante da rainha.
            Évora se virou aos poucos, até ficar novamente de frente para Quendra.
_ Sim, terão. – Os olhos dela revelavam uma sabedoria milenar, maior do que somente o tempo presente poderia compreender. – Você! – Ela disse, encarando Quendra analiticamente.
_ O que? Mas… mas eu? Como eu majestade… - Quendra sentiu sua mente girar.  Olhou o ventre de Évora. – Mas e a sua criança?
            A rainha sorriu.
_ As crianças elfos levam muito tempo para evoluir. Você reinará até que Lairon… - ela sorriu, olhando para sua barriga. – …tenha sabedoria o suficiente para decidir por si. Mas saiba Quendra, Lairon será o único elfo que você não terá o poder de esconder nada, absolutamente nada. Ele terá tanto acesso ao seu interior quanto eu.
_ Mas majestade, somente o seu filho, Lairon, terá a sua sabedoria e poder semelhante ao seu... ele será o teu sangue, nele será preservado tudo o que és.
            Évora sorriu uma vez mais, sabia que Quendra estava com medo…
_ Sim, eu sei disto… como também sei a escolha que meu filho fará na sua existência. Uma escolha com uma bela e grandiosa consequência. Ele saberá agir certo, tenho certeza disto, e não importa se seja como rei ou não. Mas, por agora, eu sei Quendra, que o melhor a fazer é lhe conceder isto… a realeza…
            Évora lhe tocou, colocando a mão no meio de suas costas e apertou. Uma eletricidade irradiou dentro dela, fazendo o coração da elfo bater mais forte, mais rápido.
_ És teu o poder… e todas as tuas glorias e chagas… - Évora murmurou pesadamente. Retirou as mãos das costas de Quendra e era como se uma parte de seu corpo fosse rompida.
            Quando Quendra abriu os olhos sabia: era a soberana, o luz do poder parecia irradiar de seus ossos. Esperou poucos segundos para se acostumar com aquilo e depois… sorriu… um sorriso com milhares de segredos…
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#Tempo presente, séc. XXI#
            Quando Quendra despertou daquela lembrança sentia como se tivesse acabado de receber a “coroa” novamente. Os ventos do lugar, que agitavam a relva ao seu redor pareciam diferentes, pareciam trazer pra si a presença da primeira e única rainha antes dela. Parecia que a voz da soberana morta lhe sussurrava aos ouvidos. No fundo, por mais que ousou fazer aquilo, sabia que sempre seria incapaz de matar a neta da única rainha legítima dos elfos. descendia dela, de Évora.
            Quando Lairon nasceu, aquela criatura tão iluminada, Quendra soube que a existência de Évora continuaria a perdurar até o fim dos tempos. Fechou os olhos e se lembrou de lhe dando uma ordem, no dia que impôs sua vontade a Quendra, querendo que a vampira Milla fosse salva… de alguma maneira, de qualquer maneira. Naquele dia, ao olhar para os olhos de , foi como se pudesse ver os olhos de Évora no auge do seu poder.
“É perigoso pra ela ainda Quendra…”
            A voz de Lairon sussurrou nítida, repentinamente. Ali, naquele templo, ela podia ouvi-lo com clareza. Ele ainda se mantinha próximo, fortalecido pelo laço forte e imponderável do sangue de sua filha viva.
_ Ela saberá lidar com isto, Lairon. Todas as suas artimanhas para mantê-la viva garantirão a supremacia dela. – Disse, com voz aparentemente controlada.
“Quendra… minha rainha… não se magoe comigo…” Ele disse, e uma vez mais a voz daquele elfo, tão amado por ela, lhe afagava os sentidos. Ele, o único conhecedor de todas as suas faces, de todas as suas sombras e luzes.
_ Não tenho o direito de guardar mágoas de ti, Lairon… não tenho… não para aquele que me permitiu ficar com o poder que era seu por direito… diante de todos os riscos…
            Não havia porque se esconder dele, morto ou vivo, ele a conhecia tanto, que parecia morar dentro de seu coração.  
Chegará o tempo em que você descobrirá o porque eu e minha mãe confiamos isto a você… Mas tal como eu lhe concedi o meu reinado, eu lhe peço… não se perca daquilo que precisa fazer por … por favor…”
            Os olhos de Quendra se tornaram obscuros, sua postura ficou petrificada, ela apertou a mandíbula fortemente.
_ Talvez chegue o tempo que você descubra que não poderia ter me confiado isto…
“Ah Quendra!…” A ultima palavra de Lairon soou como um lamento penoso, até que sumiu, desapareceu, deixando novamente aquele silêncio, quebrado somente pelo vento constante que agitava a copa da árvore que estava acima de Quendra.
            Ela suspirou, suas mãos agarraram a relva que outrora acariciava. Ela fincou as unhas na terra e curvou-se. Fechou os olhos e deixou um grito agonizante cortar o vento. Uma gota cristalina de lágrima escorreu pelo seu rosto conforme ela via a bela a sua frente… chorando…
CAPÍTULO 45
DOAÇÃO
O sangue, senhor da Vida,
Acorda a alma, a liberta...
Irriga-me peito a dentro e queima.
Soa de nós o murmúrio de dor…
Triste, simples…
Junto de lágrimas intermináveis,
com sua chama ardente e eterna...
Fecho os olhos,
com a promessa gloriosa
De vida em morte:
É o fim e é o começo.    
_ Elas estão indo bem… - Niadhi disse, enquanto avaliava as três demonstrando as suas maiores habilidades no meio da praia.
_ É, estão. – Jacob respondeu, mas estava sério. Ainda lhe passava um arrepio pelas costas toda vez que Milla estava perto demais de atacar . Mas ela nunca era pega. Jacob tinha que admitir que de todos eles, inclusive ele mesmo, era a melhor.
            estava, naquele momento, em mais um de seus treinos com Milla e Renesmee. Depois da conversa clara que teve com Nessie a cinco dias, e depois que Milla tinha superado consideravelmente seu descontrole diante do cheiro de , as três decidiram investir naquilo: treinamento.
            O mais difícil estava sendo o de Renesmee, pois ela precisava lidar não só com o corpo, mas com o seu poder, tentando expandi-lo. tentou várias formas de faze-la apenas se concentrar e tentar fazer com que sua influência mental atingisse aos outros a distância. Mas somente concentração não adiantava, Nessie só conseguia algo quando estava no limite de suas emoções.  As coisas eram densas, e certas vezes Niadhi assumia o treinamento com Renesmee, revelando o quanto poderia ser rígida, apesar de sua carinha fofa de elfo meiguinha. Depois que viu Niadhi em ação com Renesmee, Jacob passou a respeitá-la bem mais.
_ Acha o que? Que nós vamos proteger seus vampiros queridos Renesmee? Não! Nunca! Nós sempre escolheremos os outros, o destino deles acabará assim… - Niadhi dizia a Nessie nos treinamentos e com o seu poder transformava o cenário ao redor deles em algo terrível para Nessie. As imagens variavam entre Cullens sendo esquartejados e Cullens sendo queimados, e Bella’s gritando enquanto via Edward’s com os olhos vermelhos sangue serem mortos por elfos. Eram coisas assim.
            No início Renesmee se controlava o suficiente, permanecia firme, consciente de que tudo aquilo era uma ilusão. Mas a medida que aquilo lhe era imposto incessantemente, perdia o controle, e fazia com que tudo o que havia em sua mente fosse visto por todos que estivessem a um raio de 300 metros ao seu redor. O pavor parecia corroer a menina de tal forma, que ela tinha que dividir aquilo com os outros. Jacob, tantas vezes atingindo por aquilo durante os últimos dias, achava angustiante, insuportável. Sabia que, no fundo, aquela era apenas a reação de uma menina que sempre viveu debaixo da asa de seus pais. Queria, por vezes, enxerga-la como uma aberração sugadora de sangue, mas com a convivência, com a forma como tratava a garota, ele não conseguia vê-la assim. Tinha que admitir até, que a garota era determinada, dada as suas condições.
            Naquele dia, já durante a noite, Renesmee estava com os olhos exaustos fixos nos movimentos rápidos de Milla e enquanto lutavam. Milla tinha melhorado muito, estava realmente boa em seus golpes, mas sempre acabava com o pescoço preso por , perto demais de ter sua cabeça arrancada.
_ Ok! Você venceu! – Milla rugiu, visivelmente alterada. Os olhos dourados dela encaravam exasperada.
            A morena soltou os cabelos de Milla e se afastou, se concentrando em diminuir a latência de seu cheiro exalado ao redor. Conforme conseguia, percebia os olhos de Milla se abrandando, e ela voltando a respirar sem tantas expressões de dor.
_ Uau… você foi incrivelmente bem hoje… - disse, sorrindo amigavelmente pra Milla. A vampira fez uma careta.
_ Sei… eu tô é precisando de um urso com sangue bem gordo. – Murmurou.
_ Oh, não tem ursos por aqui... eu também preciso de um… quem sabe isto poderia fazer minha cabeça parar de doer um instante? – Nessie resmungou do outro lado de .
_ Deus meu! Agora eu sei o quanto sou forte pra suportar esta conversa nojenta de sanguessugas! – Jacob bradou, elevando as mãos e o olhar pra cima. As garotas riram.
_ Sua cabeça dói muito Nessie? – perguntou, com cara de culpada. Sentia que Niadhi deveria ter sido mais sutil hoje. Há cinco dias ela vinha bombardeando Nessie incessantemente dizendo que estava “amolecendo” com a hibídria.
            Nessie fez um bico, maneou a cabeça.
_ Um pouco… mas eu estou feliz… consegui fazer tudo sozinha hoje! – Ela disse, sorrindo, mas logo em seguida fez uma careta, tendo uma pontada dolorida em sua nuca. – Maldito lado humano, fraco!
_ Ou bendito… - Jacob completou.
            sorriu minimamente e se sentou ao lado de Jake, perto da fogueira enorme que ele tinha aceso ali, segundo ele pra se lembrar de La Push.
_ É, veja bem, eu nem precisei exercitar meu poderes com você hoje hibídria! Você fez tudo como deve ser: conseguiu transmitir visões a nós sem que fosse imagens de seu próprio desespero. Muito bom! – Niadhi sorriu, absurdamente dócil. Nem parecia o demônio azul que aterrorizava Nessie nos últimos tempos.
_ É… mas eu preciso de mais treino. Minha cabeça pareceu explodir hoje, quando eu consegui que vocês vissem algo que tive que “criar”.
            Nessie se deitou perto do fogo e fechou os olhos, massageando as têmporas. Logo sentiu as mãos frias de Milla massageando a sua cabeça delicadamente. Olhou pra ela e ela sorriu.
_ Até onde eu me lembro, gelo aplaca a dor. – Disse, delicada. Nessie sorriu e acenou de forma afirmativa, fechando os olhos e recebendo de bom grado os carinhos gelados de sua nova amiga-irmã.
_ Logo vocês verão que tudo isto que estão se esforçando pra desenvolver vai ser tão fácil quanto respirar… - disse, aconchegada nos braços de Jake.
_ Xiii... falou a senhora enigmática… - Renesmee chiou. – Não entendi na-da!
            riu, mas não explicou nada, apenas encarou o olhar espantado de Niadhi a encarando. Sabia que a elfo deveria ter vislumbrado aquilo que pretendia fazer, ainda aquela noite, enquanto Jacob dormisse. Sorriu mais e ergueu a sobrancelha como que exigisse que Niadhi controlasse sua expressão. A elfo entendeu o recado e logo estava com cara de paisagem.
Eu não entendo… você lutou tanto pra que elas ficassem longe e agora vai dar isto a elas… assim?” Niadhi perguntou em sua cabeça, mas apenas deu de ombros disfarçadamente, fazendo parecer que apenas se ajeitava no colo de Jacob, que discutia alguma coisa com Milla naquele momento.
_ …e o seu soco me parece completamente fraco, não faria o mínimo estrago em mim, nem se eu te deixasse me bater… - ele dizia.
_ Haha! Sei… mas na ultima vez que você lutou comigo eu quase lhe quebrei a pata… lobo prepotente! – Milla respondeu, também petulante.
_ Quase, quase, quase… quase mas não quebrou! Ou seja, você ainda não pode chegar nem perto de me vencer! – Ele disse todo convencido. olhou pra cima e ele realmente parecia um menino prepotente vangloriando seus músculos antes de uma queda de braço. Girou os olhos, mas sorriu. Ele estava mais aliviado sabendo que La Push estava dentro de seus padrões normais desde o ataque com Leah. Nada de vampiros!
            suspirou audivelmente, chamando a atenção pra si.
_ O que foi? – Ele perguntou imediatamente, colocando uma mecha de cabelo desprendido de sua trança para trás.
_ Pra um lobo poderoso você me parece muito capacho às vezes… Jake… - Milla murmurou com ironia, se referindo ao fato de que sempre que chamava a atenção ele largava tudo e se virava pra ela imediatamente, alerta e todo preocupado.
            Jacob mostrou  a língua pra ela e voltou seus olhos pra esposa, que tinha um sorriso brincalhão no rosto. Ela se levantou dos braços dele e jogou um punhado de área em Renesmee, fazendo-a acordar no colo de Milla.
_ Aiiii… - ela reclamou, cuspindo alguns grãos.
_ Eu acho que já chega isto tudo aqui. É hora de voltar. Niadhi, podemos partir amanhã?
            Niadhi apenas afirmou com a cabeça, sorrindo minimamente.
_ Voltar? – Milla questionou, de repente ficando tensa.
_ Voltar? – Nessie disse, o brilho da saudade pelos seus familiares nítido em seus olhos cor de chocolate. Ela sorriu, sua face corou.
_ Sim, voltar… encarar tudo de perto… - respondeu, olhando para Jacob e encontrando a concordância em seus olhos, agora mais sérios do que antes.
_ Mas… mas… … você acha, realmente você pensa que é a hora? Digo, você acha que estamos realmente preparados e que… que … sei lá, que podemos lidar com… com todas as coisas que tem lá fora? – A voz aguda e impecável de Milla tinha um tom de histeria, ela parecia nervosa, seus olhos estavam vidrados novamente.
_ Sim, Milla. Eu acho que não há mais tempo para adiar tudo isto. Temos que voltar.
_ Mas… mas… - Ela se levantou repentinamente, fazendo Nessie pular pra trás. Começou a andar de um lado a outro, como um vulto. – E como é que vai ser? Meus avós acham que eu estou morta e... ninguém que eu conhecia pode me ver de novo, e… e eu não tenho pra onde ir eu…
_ Você poderá ser recebida na reserva, Milla. Se acalme. – Jacob disse, tentando acalmá-la, mas ela sacudiu a cabeça em uma negativa desesperada.
_ Não! Jake, só porque eu aprendi a te tolerar muito bem, não significa que eu possa viver com muitos iguais a você me cercando… não ainda… eu não tenho certeza! – Ela disse aquilo, mas Jacob sabia que havia outra justificativa que ela ocultou: ela ainda não se sentia preparada para estar tão perto de Seth.
_ Eu entendo a Milla, mas não tem porque tanto desespero… - Nessie se levantou, colocando uma das mãos na cabeça e parecendo segurar uma careta de dor. – Você vai morar comigo, lá em casa. Tenho certeza que ninguém vai se opor, minha avó vai até gostar. – Nessie sorriu, segurando uma mão de Milla e fazendo-a parar com toda a sua agitação.
_ Eu acho que esta pode ser uma boa alternativa pra você por enquanto, Milla. – afirmou, sorrindo. – E nós não vamos adiar o retorno por causa de sua insegurança. Eu já disse e repito: pare com isto!
            Milla engoliu em seco e abaixou os olhos, vencida.
_ Tá legal… - murmurou.
_ Mas … será que vai dar pra eu continuar meus treinos quando voltarmos? … - Nessie perguntou, mordendo os lábios. – Quer dizer… eu acho que meus pais não serão muito a favor dos meios que isto acontece. Você sabe, eles são altamente superprotetores e eu acho que pra gente continuar vai ter que ser meio que escondido… e eu também acho que eles vão querer me proibir de ver você depois de nossa fuga e…
_ Chega Ness! – disse, interrompendo a tagarelice da menina. – Você não vai mais precisar de treinos depois daqui. – Ela disse, como se aquilo encerrasse a discussão. Jacob franziu a testa, e Nessie a olhou incrédula.
_ Mas como não? – Perguntou, mas só teve como resposta um elevar de sobrancelhas de e uma cruzada de braços. Obviamente aquilo queria dizer: “eu apenas sei disto”. Bufou, não teria uma resposta melhor, mas ficou intrigada quando percebeu os olhos de Niadhi estreitados em direção a e sua cabeça balançando quase imperceptivelmente.
_ Então está resolvido. Vamos descansar agora e recuperar nossas energias para a “viagem” de volta. – E com isto saiu com Jacob em direção a casinha que ocupavam no meio da mata, deixando as garotas ainda espantadas para trás.
_ E então minha vidente predileta… o que vê para a nossa volta? – Jake perguntou, fungando o pescoço de enquanto andavam abraçados. Ela sorriu.
_ Hummmm... – Ela fechou os olhos e fingiu se concentrar. A imagem de um Jacob pálido e inconsciente povoou a sua mente, mas ela espantou aquilo, sorrindo com tanto empenho, que não havia quem se convencesse do contrário. – Vejo Leah esperando explicações nossas de braços cruzados bem na nossa porta. – Disse, com ar risonho. Não era difícil ficar assim perto dele e não era totalmente falso.
            Jacob olhou pra ela um instante, estreitou os olhos e riu, passando uma mensagem bem clara de que ela não tinha conseguido enganá-lo tanto assim.
_ Oh, isto eu também vejo… e é algo tenebroso… urgh! – Ele disse, entrando na brincadeira dela. – Mas deixando isto de lado… acho que esta ilha é muito linda e paradisíaca pra não ter uma despedida a altura... que tal nos despedirmos corretamente das paisagens deste lugar esta noite? Aquela cachoeira parece um bom lugar pra isto. – Ele sussurrou, mordendo sua orelha e dando um riso rouco, malicioso.
_ Oh, eu acho que estou vendo que esta será a melhor opção para minha noite… - disse, imitando uma cigana charlatã. Jacob riu. – Mas só se você me alcançar lobo! – E saiu correndo, fazendo Jacob rugir de raiva.
_ Não vale! Você sabe que nunca vou te alcançar sem me transformar! – gritou, mas só escutou a gargalhada dela ao longe. Decidiu correr com seus pés humanos mesmo, já que não tinha alternativa. Se ele se transformasse os outros lobos veriam correndo e ainda não era a hora. – Mas eu ainda te pego, !
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_ Um excelente sonífero este! – Niadhi murmurou, observando finalmente conseguir se afastar do corpo adormecido de Jacob já na alta madrugada. Depois de tanto se amarem, Jacob finalmente cedera ao cansaço e dormia profundamente.
_ Nem tanto, Niadhi. Garanta pra mim que ele não vá acordar tão cedo? – Pediu, acariciando os cabelos negros dele, ainda molhados pelo banho de cachoeira.
            Niadhi rolou os olhos e colocou uma de suas mãos sobre a cabeça de Jake. Um instante e elas já puderam perceber sua respiração ainda mais pesada, o ritmo do seu corpo ainda mais lento.
_ Feito. – A elfo disse, com voz monótona. sorriu e beijou a testa dele.
_ É melhor assim… ele não ia deixar que eu fizesse isto. – Ela murmurou.
_O que é bem compreensível, não? Isto é insano! Você está brincando com isto, . Você sabe que sangue humano corrompe a alma delas! – Niadhi bronqueou, mas só rolou os olhos.
_ Sim, eu sei. Mas há um jeito disto ser feito da forma correta e é isto que eu vou fazer. Não vou corrompe-las... não depois de tudo o que elas passaram pra resistir. Eu sei o que faço!
            Niadhi olhou pra cima e respirou fundo.
_ Que seja! Vamos logo com isto!
_ Trouxe o que eu pedi? Tudo? – perguntou, ávida. Resignada as vontades dela, Niadhi tirou de suas vestes duas seringas grandes e metálicas, e agulhas, as mais rígidas que pode encontrar, e mais alguns outros materiais.
– Dei um jeito nas agulhas... estão perfurando diamante como se fossem algodão doce. – A elfo explicou, vendo um sorriso satisfeito brotar dos lábios de .
_ Bom…
            A morena pegou outra agulha, nem tão cortante, presa a um longo fio atado em uma bolsa plástica vazia. Esticou seu braço esquerdo e apertou fortemente o pulso, até que visse uma veia saltar na articulação de seu braço. Habilmente perfurou sua pele com a agulha sem precisar de muitas frescuras para fazer seu sangue tão precioso escorrer pelo fiosinho começando a encher a bolsa.
_ Esta quantidade é o suficiente pras duas? – Niadhi disse, balançando a bolsa que se enchia rapidamente com o sangue de enquanto ela abria e fechava a mão esquerda.
_ Sim, é. Nessie terá mais do que Milla. Ela precisa. – respondeu ainda concentrada no que fazia.
_ Hummm... – Niadhi respondeu, apertando os lábios.
            Logo a bolsa de sangue estava cheia, o cheiro forte e poderoso daquele sangue inundava o ar. pegou a seringa maior e encheu com parte considerável de seu sangue, colocou a agulha e deu para que Niadhi guardasse. Fez o mesmo com a seringa menor.
_ Pronto… Agora vamos ao mais difícil.
                        Niadhi suspirou.
_ Você vai conceder a elas, pelo menos, a possibilidade de escolha? – A elfo perguntou. hesitou um instante.
_ Não! São muito altruístas para isto. – Ela respondeu, e Niadhi já esperava por uma resposta como aquela. Elas partiram.
            Na outra casa daquela ilha, Milla se levantou alerta da poltrona que sentava tediosamente em mais uma noite enquanto Nessie dormia. Um som veio de fora, deu dois passo e soube o que era. Relaxou, mas prendeu a respiração imediatamente. estava vindo.
_ A que devo a visita? – Ela perguntou, antes que pudesse alcançar a casa. – Tá tarde pra visitar os outros, sabia? – sorriu.
_ Por que? Eu te acordei? – ironizou, recebendo um muxoxo de resposta. – Acorde Nessie, Milla. – De repente não havia mais brincadeira em seu tom, estava sério, firme.
            Milla foi pra dentro da casa, mas não precisou fazer muito, quando entrou Renesmee já estava de pé, com a testa franzida observando entrar no aperto daquela casa às quatro horas da manhã.
_ O que aconteceu? – Ela perguntou tensa. O semblante de estava uma vez mais pesado. – Algo em Forks?
            se sentou, respirando profundamente. Sentia-se nervosa.
_ Não... não aconteceu nada em Forks. Está tudo certo. – Ela disse e se calou. Não sabia como prosseguir. Ela sabia que ela tinha que prosseguir, todos os seus sentidos apontavam que o que pretendia fazer era o certo.
_ Então…? – Milla pressionou, cruzando os braços. continuou em silêncio. Ela havia se sentado no banco que havia no que poderia se chamar de sala. Tinha os ombros curvados e os olhos fixos no chão. – ? – Milla sussurrou. Sua voz perfeita e sedutora de vampira penetrou o ouvido de de forma dolorosa.
_ Eu não queria… não queria ter que fazer isto, não queria que um dia você tivesse de precisar disto, Milla.  – ergueu seus olhos. Estavam tristes, abatidos, com lágrimas contidas os fazendo brilhar. – Eu entrei em seu caminho e condenei a sua alma. Sentimento de culpa não irá me expiar de qualquer pecado, muito menos trazer sua humanidade de volta. Mas eu vou lhe dar tudo o que eu tenho... de mais precioso. Eu te darei o meu respeito, o meu afeto e um lugar especial e eterno dentro do meu coração.
            Milla recuou, dando alguns passos pra trás e fechando os olhos. continha o máximo o seu próprio cheiro, mais do que ela era acostumada fazer. Milla sabia que a tensão evidente de seus ombros era também por causa disto. Sabia o motivo disto. queria a consciência humana da vampira desperta e o mostro de seu instinto longe. Ela queria ter a alma de Milla perto, latente. E, de uma maneira absurda, ela estava conseguindo, somente com o teor profundo de seus olhos castanhos.
            A morena se virou para Nessie, que tinha pendido a cabeça de lado e a olhava serena e curiosa. Dez anos... aquela menina só tinha um pouco mais de dez anos.
_ Eu prometi, Nessie. Prometi que ia cuidar de você, mesmo sem saber o motivo para isto e vou… Sua morte está marcada meu anjo. Só você poderá evita-la, se tiver força suficiente para isto. O que eu vi... o que eu vi quando disse que seu poder iria se manifestar mais amplamente fora daqui... Seria na guerra, onde sua família lutava... e perdia. Seu desespero a faria transcender o seu poder, mas você se esforçaria mais do que o possível. Você o usaria  pela primeira vez e forçaria o seu corpo ir mais além do que o certo naquele momento. Seu cérebro não suportaria... ele é limitado para algo tão grande. As dores que você sente são provas disto…
            Nessie tinha os lábios semi-abertos e a respiração suspensa. Ouvia com terror aquelas palavras.
_ Naquela luta, na primeira que você enfrentasse, você sucumbiria a própria dimensão do teu poder, usado em excesso para proteger quem ama. É um dom máximo, união do que há em Edward e em Isabella, mas em um corpo não totalmente vampírico. Há um limite...
_ Eu vou... morrer? – Nessie perguntou baixinho, mas sua voz não estava tremula ou temerosa. Perecia que a menina se concentrava em outra coisa...
            suspirou.
_ Não tão cedo... se eu der a você a proteção que precisa.
_ Por que nos diz isto... agora? – Milla voltou a falar, pressentindo que planejava algo.
            tombou a cabeça olhando para o chão novamente. Lentamente ela caminhou e se recostou na janela, fitando o céu. A brisa lenta da noite fez os seus cabelos dançarem para trás de si. Ela fechou os olhos e quando voltou a abri-los... eram os olhos de outra... Ao longe, Niadhi vislumbrou aquele olhar e sentiu seus músculos retesarem desejosos de se curvar.
_ O sangue tomado a força condena a alma, envenena o espírito. Então, cedo ou tarde, isto será cobrado... e se a criatura não se arrepender em verdade... então, ela pagará... sentirá a dor eterna do dilacerar de sua alma, como se chamas corroessem a pele todos os dias.
            Milla e Nessie receberam as palavras como uma sentença, algo as lembrou do teor de suas naturezas.  
_ Mas é também o sangue a purificação suprema... ele também é força… - se virou para as meninas. – Eu darei tudo o que tenho…
_ Não! – Milla rugiu, compreendendo o que queria dar a elas. – Não! – Gritou agudamente.
_ Depois que vocês domaram os seus demônios, eu lhes darei o meu sangue, pois sei que eu o darei a vocês, não ao demônio que as habita. Eu sei que eu não irei alimentar o monstro, mas que darei força a quem merece ter!
            Nessie se afastou, indo para trás, recuando tal como Milla. Ela não podia, não podia resistir mais se tivesse contato com o sangue de !
_ Você enlouqueceu, ! Você sabe que isto é alimentar e fortalecer o nosso pior lado, sim! – Ela implorou, com medo, com medo do que os olhos estranhamente determinados de indicavam.
_ Não, eu não vou. – Ela afirmou. Sua voz soando sábia, profunda, preenchendo todo aquele casebre.
_ Não! – Milla rugiu novamente. Virou as costas, se preparando para fugir, mas imediatamente sentiu seu corpo paralisado. Olhou para o lado e percebeu Nessie do mesmo jeito. Logo depois Niadhi entrou na casa. Ela olhou em direção a , curvou a cabeça e lhe entregou dois cilindros brilhantes.
            O cheiro raro de um sangue muito especial se alastrou aos poucos por ali. Milla rugiu. Sentia-se presa, presa como esteve quando o maldito vampiro lhe mordeu a garganta. Novamente sem escolhas!
_ É isto? Você vai fazer isto a força? Você vai dar aquilo que nos tanto lutamos pra resistir assim? Que espécie de pessoa é você, ? – Os olhos de Milla ficaram revoltados, soltando fagulhas.
_ , vai ser o início de um tormento de novo e ainda pior! Se nós experimentarmos sangue não vamos mais parar! Por favor! – Nessie implorou, sua pele trepidando em antecipação. Algo dentro dela ainda gritava desesperadamente: simmm!!
_ Não meu anjo… fique tranquila… vai dar tudo certo. – A voz de Sara mudou completamente de novo. Não parecia dela... parecia que outra voz falou com Nessie... uma voz que fez sua face corar. E depois veio um sorriso quente e reconfortante, brilhando e agarrando o coração de Nessie. – É para o bem... apenas aceite… princesa…
            Envolta pela centelha de amor que brilhava lá no fundo dos olhos de , Nessie não percebeu como ocorreu a aproximação dela para si. Logo pode sentir a respiração dela bater suavemente contra seu corpo paralisado. A bolha de magia se quebrou, era , e só ela, novamente.
_ Aquilo que irriga o meu coração, passará a irrigar o teu também. É meu e eu o dou a ti... para que seja a força e a vida preciosa da mesma forma como é em mim.
_ Oh! – Nessie suspirou, quando sentiu algo muito afiado penetrar o centro de seu peito lentamente, dolorosamente.
            Milla assistiu embasbacada injetar o seu próprio sangue direto no coração da hibídria. Logo, já no primeiro instante, o coração da meia-vampira pareceu ganhar ritmo novo, o corpo de Nessie foi sacudido com um solavanco. Ela apertou a mandíbula, sua respiração ficando mais e mais profunda.
_ Desacorde-a durante o processo… - a voz de sussurrou. Niadhi surgiu atrás de Renesmee e com um toque a hibídria despencou em seus braços.
            olhou, então, em direção a vampira que tinha o belo rosto em expressão alucinada. Ela sacudia a cabeça de um lado a outro, confusa. Sentia que se tivesse um coração vivo, ele estaria batendo furiosamente.
            As mãos de seguraram o seu rosto, a fazendo encarar seus olhos.
_ Eu sempre me perguntei o que aconteceria se o coração de um vampiro voltasse a ser irrigado com sangue. Você certamente não sabe, mas depois de morto, por mais sangue que os vampiros bebam, nunca mais uma gota sequer chega ao seu coração. Ele permanece para sempre seco, endurecido. Como uma pedra impermeável a água… - Uma das mãos de abandonaram o rosto frio. – Nos vamos descobrir isto… - com um suspiro Milla encheu seus pulmões de ar. - …agora…
            A agulha longa e fina penetrou sem dificuldade alguma o peito da vampira, parecendo lamina perfurando pedra. Corroeu a pele, rompeu os ossos de aço, deslizou pelos músculos rígidos até que tocou a superfície morta de um coração. Milla suspirou, sentindo a agulha contra seu coração... tocava-o, perturbava a caverna do seu monstro. Ela rugiu, mostrando os dentes ferozmente para . A morena não se intimidou, forçando a agulha mais para dentro. Os olhos dourados se arregalaram quando a lâmina passou da superfície do coração empedrado, parecendo cortar seu corpo ao meio. Doía…
_ Sua alma… está aqui dentro… - sussurrou, Milla gemeu… doía…
            Mais fundo… Milla gritou, algo ardeu dentro dela, queimou.
_ Aqui! – sorriu. E então pressionou o embolo da seringa, irrigando o centro do coração da vampira, que soltava gemidos baixos. sabia que se pudesse se mexer ela estaria se debatendo.
            O sangue se pareceu agua em terra seca quando começou a se espalhar pelo coração de Milla. Ela silenciou-se, fechando os olhos, seu corpo estático, imóvel. não poderia ter a mínima ideia do que acontecia com ela. Continuou a injetar o sangue, até que não havia mais nada.
            Niadhi se aproximou da vampira silenciosa, elevou as mãos para sua cabeça. Mas antes que a elfo pudesse desacordá-la, Milla abriu os olhos e encarou , fazendo-a se contorcer de medo. Vermelhos! Um vermelho pulsante e vivo… irradiava luz… E então, daqueles olhos vermelhos brotaram gotas cristalinas e puras, que desceram uma de cada olho, escorrendo pela face bela.
            Niadhi agiu, os olhos perturbadores se fecharam, Milla caiu. estendeu os braços, soltando a seringa vazia no chão e amparando Milla.
            Deixou um soluço lhe escapar e chorou, chorou e apertou o corpo frio em seus braços, soluçando.
_ Foi para o bem… foi para o bem… - ela soluçava. Ao seu lado os cabelos acobreados de Nessie se espalhavam no chão, sua expressão desacordada era serena e ainda mais bela. Sua pele parecia iluminada mesmo no escuro da noite, as maçãs coradas.
            viu aquilo e permitiu-se chorar ainda mais desesperada. Deus a ajudasse! Deus a ajudasse que aquilo realmente fosse o certo! Ela se curvou sobre Milla, deitando a cabeça no peito da jovem vampira e... sentiu…
            Não havia um único som, mas havia calor. Do centro do peito de Milla, um calor reconfortante contrastava com toda a frieza do restante de seu corpo.
            Sutilmente sorriu e saudou a força da alma de Milla irradiando no corpo morto.
CAPÍTULO 46
TENDES FÉ
O que era estranho
Torna-se belo e claro.
De olhos flamejantes,
Fez-se um brilho intenso.
Arde neles a incerteza do próximo passo.
Lágrimas vertem,
O olhar negro, tão firme, se torna deserto.
E no caos do acaso,
A vida se transforma,
Faz do distante, o próximo,
Da menina, um anjo sábio
E do homem rei, um andarilho errante.
Mas é da voz mansa, outrora nunca ouvida,
Que se sopra a razão da força: a fé!
            Jacob abriu os olhos se incomodando com a claridade do dia. Ali, o sol brilhava sempre muito forte. Mas depois que acordou, sorriu, sentindo abraçada em si, sua cabeça recostada em seu peito. Ele se mexeu minimamente na esteira de palha em que estavam deitados para ver melhor o rosto adormecido dela. Ela ressonava suave e profundamente, tinha o semblante cansado e, mesmo dormindo, Jacob percebeu uma ruga de tensão no meio de sua testa. Suspirando ele levou os seus lábios até lá, beijando suavemente, acariciando a pele do rosto moreno com o roçar constante dos lábios. Aos poucos a expressão dela suavizou-se e Jacob sentiu o aperto dela mais firme em si.
            Ele não teve coragem de se afastar, permaneceu com ela em seus braços, acariciando seus cabelos e observando-a dormir. só acordou depois de algumas horas, fungando o cheiro do peito de Jacob como se fosse um bálsamo, antes mesmo de abrir os olhos. A respiração dela na pele do seu peito fazia cócegas, ele riu.
_ Boa tarde, dorminhoca. – Ele sussurrou roucamente. estatelou os olhos e se levantou de um salto.
_ O que? – Ela olhou pra fora, vendo as sombras na varando indicar que o sol já havia passado do meio do céu, seguindo seu caminho para oeste. Ela colocou as mãos no rosto e suspirou.
            Tinha voltado quase ao amanhecer para perto de Jacob, mas não planejava dormir. Ela iria esperar ele acordar para poder contar o que havia feito. A esta hora, não só ele estaria acordado, mas Milla e Nessie também.
_ Por que a preocupação? Você não tem horário para ir ao hospital, pode acordar tarde aqui. – Ele disse, ainda brincando. Ela olhou pra ele se sentando com as costas encostadas na parede oposta em que ele estava. Encolheu as pernas e enfiou a cabeça no joelho, como uma criança travessa sem coragem de enfrentar o adulto. Jacob percebeu.
_ O que você aprontou menininha? – Ele perguntou, tentando disfarçar a dureza em sua voz.
_ Dormiu bem? – Ela disse, enquanto pensava em uma forma de dizer tudo a ele.
_ Como não dormia a muito tempo. – Jacob respondeu, se dando conta de que não tinha tido o privilégio de um sono tranquilo desde a transformação de Milla. – O que foi? – perguntou novamente.
            inflou o peito e o encarou, criando coragem. Disse sem rodeios:
_ Dei meu sangue a Milla e Renesmee! – Saiu tudo num folego só. Ela apertou os olhos e voltou a por a cabeça entre os joelhos.
            Silêncio…
            De repente mãos agarraram seus braços e Jake a puxou de pé para que pudesse encará-lo. Ele vasculhou cada centímetro de sua pele tentando encontrar uma mordida, seu coração batendo alucinadamente. Até que os olhos negros encontraram novamente os de ... furiosos!
_ Por quê? Por quê você fez isto? – Ele a sacudiu, mas parou imediatamente, soltando-a e agarrando seus próprios cabelos. – Depois de fazer todo um circo para que elas resistissem ao seu cheiro, você simplesmente faz isto? – Ele cobrou, a voz ainda nervosa.
_ Jake… Jake, não foi do jeito que você está pensando! Elas jamais sentiram o gosto do meu sangue e jamais vão sentir… eu…- Um rugido furioso de Jacob interrompeu a explicação.
_ Quando? – Exigiu.
_ Ontem a noite. Enquanto você dormia. – Ela disse, a voz serena, tentava trazer calma para o ambiente. Mas ele rugiu mais.
_ Você me colocou pra dormir pra que eu não te impedisse? – Ele olhou furioso para ela, olhou como o Alpha imponderável que era. Algo dentro de dizia que as posições estavam invertidas, mas ela se resignou e abaixou a cabeça. Ela o havia enganado. Jacob entendeu o silêncio como uma confirmação e levou os dedos fechados em punho até a boca, para morder.
– Suas ações estão me enlouquecendo, ! Me enlouquecendo! Você não confia em mim! Maldição! – Ele gritou. – Por que você acha que eu vim pra esta ilha? Por que você acha que Milla está aqui? – não teve coragem de responder. – Porque eu confiei em você, confiei em tudo o que você me disse, em tudo o que você me pediu! E o que você faz? Tem visões atormentadas todo santo dia e me esconde, toma decisões e nem sequer procura compartilhar comigo, age como se fosse sozinha e independente… age como se não tivesse ninguém por você e tivesse que… - Ele perdeu a linha do pensamento, a razão. – Eu sinto a cada segundo que estou ao teu lado que você muda, teu corpo, teu espírito, tudo! Eu enxergo, !  Enxergo no seu olhar a mudança… para algo maior! Mas eu sou o teu marido! Eu não sou o seu súdito!
            arregalou os olhos e o encarou embasbacada. O que ele estava dizendo?
_ Você decide as coisas e o que você decide passa a ser lei! Você está agindo como uma déspota... já percebeu? Seu principal argumento tem sido sempre: eu sei o que estou fazendo… eu sei o que estou dizendo… faça o que eu falo e não pergunte porque… EU SEI DE TUDO!
            Novamente teve de se encolher diante da fúria de Jacob, engolindo seco.
_ É isto o que você quer ser? Quer agir sozinha? Quer carregar o mundo nas costas sozinha? Quer ser Deus na vida de qualquer um?
_ Não! Não, Jake! Eu não penso assim, eu não… - ela tentava argumentar inutilmente.
_ Então porque age assim, merda! – Jacob deu dois passos velozes pra cima dela e recuou novamente. Era mais seguro não estar perto.
_ Mas, Jacob… eu, eu senti que era o que eu devia e…
            Jacob riu, sarcástico. estremeceu. Parecia que havia séculos que ela não o via assim, principalmente se dirigindo a ela.
_ Claro, você sabe o que é certo. – Ele riu mais, um riso rouco e sem humor. – E é certo botar o seu marido pra dormir pra não ser contestada, é certo calar a voz do homem que te ama pra você não ter que mandar ele calar a boca e dizer que, no fim, é a sua vontade que vai prevalecer.
            As palavras de Jacob estavam amarguradas. se sentiu ferida, mas sabia também que Jake estava se sentindo da mesma forma.
_ Jake… - ela murmurou e uma lágrima escorreu de seu rosto. Ele olhou pra ela, mas não conseguiu dizer mais nada, não tinha o que falar.
_ Me diz … as suas atitudes tem te livrado da visão da minha morte? As tuas atitudes, tão corretas, tem te livrado da visão da sua escravidão por um vampiro lunático?
            Ele foi direto no centro da ferida. Desesperadamente vinha tentando agir para evitar tudo aquilo... mas todos os dias ela via a mesma coisa… e Jacob sabia. Uma vez mais ela abaixou a cabeça. Não suportava mais tanta verdade ser jogada em sua cara por Jacob.
_ E o que você fez agora? Enganou duas criaturas imbecis, as fez sofrer inutilmente durante 68 dias e deu seu sangue a elas por qualquer razão DISTORCIDA DE NOBREZA! – Jacob continuou esbravejando, o soluço que veio de o machucou, mas não o fez parar. – Diga … elas aceitaram isto de bom grado? Elas quiseram isto e sabiam da consequência?
            balançou a cabeça. Jacob bufou.
_ Ela não precisa perguntar nada a ninguém pra fazer o que é certo! Claro! – Ele disse, e já não gritava. Mas aquilo machucou ainda mais... ela sentia a lástima e decepção de Jacob cortando o seu peito. – Os fins justificam os meios…
            Com um soluço a mais caiu de joelhos.
_ Não foi assim Jake… não foi! Eu… eu… e-eu não corrompi, a resistência vai continuar intacta… eu… elas não sentiram o gosto… não beberam… eu doei… eu… foi por amor também… ahhh... – Jacob escutou as lamúrias incoerentes de apertando os punhos.
_ Nós vamos embora daqui. Vamos voltar pra La Push. Milla e Renesmee ficarão com os Cullens. Vamos agora, nem que for a nado!
            E dizendo isto, ele saiu pela porta velozmente, sem olhar de novo na direção dela...
            Saiu em disparada pelo meio da mata, com o corpo ansiando pela transformação, mas ele simplesmente não podia. Não com tudo aquilo em primeiro plano nos seus pensamentos.
_ Deu pra ouvir de longe… - Uma voz sussurrando fez Jacob parar abruptamente. De onde tinha vindo?
_ Niadhi? – Ele perguntou, uma vez que não sentia e nem via nada ao redor.
_ Não… não é a Niadhi… - Naquele momento Jacob reconheceu a voz. Era de Milla. Menos de um segundo depois ele se virou e lá estava ela, bem nas suas costas, parada, lhe olhando. A cor de seus olhos provando o que sua mulher havia feito. Um cheiro doce, mas suave e muito particular, invadiu as narinas de Jacob. Ainda lhe parecia um pouco enjoativo, mas não repulsivo. – Vocês brigaram… - Milla disse, com um olhar triste.
_ Como você chegou aqui sem que eu te ouvisse? – Jacob falou, juntando as sobrancelhas, ignorando o que Milla havia dito antes. Ela sorriu... e conforme o fazia Jacob percebia as diferenças em sua aparência. Ela estava sendo iluminada pelo sol, sua pele irradiava, mas com muito menos intensidade do que antes. Era apenas uma aura de luz que parecia refletir do sol de forma sutil. A pele era branca, mas não pálida, os lábios de um vermelho quase carmim. Os cabelos, que antes evidenciavam os dias sendo lavados só com agua do mar ou cachoeira e muito sol, estavam novamente anelados e brilhantes, feito fios de seda.
_ Habilidades extras… acho que você sabe a fonte…
            Jacob travou a mandíbula.
_ Bom… ela estava certa… no final… não foi tão ruim… embora eu não quisesse, de verdade. – Milla continuou.
_ Sim, ela sempre está certa! – Jacob falou ainda amargurado e virou as costas. Mas as mãos frias de Milla o impediram de sair. Ele tentou se desvencilhar, mas acabou descobrindo que se não se transformasse, teria que fazer muito mais do que aquilo para se soltar dela, vencer a nova força. Era como uma recém criada de novo… só que ainda mais forte.
_ Jacob… Não fique assim… - Ele ficou quieto, não disse nada, mas Milla podia sentir, pela forma como o coração dele batia e pela sua respiração entrecortada, o quanto ele estava magoado. Impulsivamente ela agarrou a mãos dele e as levou para entre os seus seios. Jacob estranhou o movimento, mas quando tocou lá seus olhos se arregalaram.
_ Está sentido? Senti a profundidade do que ela fez? Ela disse a mim e a Nessie que nós tínhamos que aprender a dominar nosso demônio para que ela pudesse nos dar o seu sangue sem que isto nos corrompesse. Ela não deu o pescoço pra gente morder, Jake. Ela injetou o sangue direto aqui! – Ela apertou mais as mãos de Jacob no lugar de seu coração. – E agora é como… se eu me sentisse mais… com mais… alma!
            Jacob franziu ainda mais a testa, achando absurdo o calor que sentia no lugar onde o coração de Milla estava. A mão fria segurando a sua. Ele olhou nos olhos vermelhos e… doces? Muito confuso.
_ Não me incomoda o que ela fez, mas como ela fez. Ela não confia em mim o suficiente para dividir suas decisões, seus tormentos! Ela sempre foi assim, só divide as coisas na pressão, quando não suporta mais e seu limite estoura… enfim… É uma coisa entre nós, Milla.
             A vampira suspirou.
_ Ela não está sempre certa, Jacob. Você está certo neste caso… mas, é angustiante ver vocês dois… assim… 
_ E Nessie? – Ele perguntou, mudando de assunto e seguindo em direção a praia.
_ Humm... ela estava meio pensativa. Está bem mais rápida e nos primeiros momentos tudo o que eu via era o que ela queria que eu visse. Ela não conseguia controlar seu poder. Agora ela está melhor nisto… eu acho. – Milla fez uma careta.
            Jacob acenou, mas estava incomodado com o fato de Milla o acompanhar sem fazer nenhum som. Se ela não estivesse falando... Os pelos de sua nuca estavam eriçados involuntariamente.
_ Sabe onde ela está agora? Ou Niadhi?
_ Não, nenhuma das duas. Mas eu posso procurar… vasculhar a ilha vai ser um pouco mais… fácil e rápido… - Ela respondeu, desconfortável, e Jacob só acenou a cabeça.
            Ele não ouviu, mas sabia que ela havia se afastado. Continuou andando para frente, com o propósito não muito firmado do lugar em que queria parar. Só depois de algum tempo percebeu que se encontrava próximo a pedra onde ele e haviam se amado outro dia, bem a beira-mar. Ele fechou os olhos e respirou fundo. Por que era tão difícil ter paz na vida?
_ Decepcionado?
            Jacob se assustou ao ouvir a voz tão perto. Se virou bruscamente para olhar Quendra com os olhos fixos no horizonte.
            Lentamente ela dirigiu seu olhar pra ele, sempre tão altiva, sempre tão profunda e misteriosa. Jacob abaixou levemente a sua cabeça, desviando o olhar.
_ Olhe para mim… - Ela disse, mas não era uma ordem como foi outras vezes. Ele voltou a olhá-la.
_ O que está acontecendo com ela? – Ele perguntou e ambos sabiam do que se tratava. Não era preciso explicar.
            Quendra sabia que Jacob não tardaria a sentir que havia se unido a uma mulher que deveria reinar sobre ele. Pela primeira vez a elfo se perguntou qual foi a verdadeira intenção de Lairon ao leva-la aos quileutes, a lhe convencer a dar-lhes poder. Ele não poderia saber, naquela época, que um dia sua filha acabaria por escolher um deles, mas Quendra agora tinha certeza que Lairon pressentiu algo predestinado a linhagem quileute. Foi pelas mãos de Lairon, o rei que renunciou, que os quileutes obtiveram magia.
            Jacob jamais pôde saber o que significou o sorriso que Quendra lhe deu naquele momento. Poder do rei nas veias de Jacob... guardado, reservado... Os quileutes haviam cumprido bem a sua missão... até ele, até Jacob.
_ descobrirá por seus próprios meios o que está destinado a ela, Jacob. Não cabe a mim revelar... Mas respondendo a sua pergunta não verbalizada: não, Jacob! Não será fácil estar ao lado dela. E nem sempre ela dividirá tudo…
_ Por que? – Ele insistiu. Quendra lhe olhou compassiva.
_ Nós nem sempre dividimos.  – A elfo deu certa ênfase no “nós”. Jacob não ficou satisfeito com a resposta.
_ O que você quer afinal? – Ele perguntou, impaciente. Quendra voltou a sorrir.
_ Eu não posso garantir a segurança de quando vocês retornarem. Eu vim aqui para lhe cobrar uma promessa…
            Jacob sentiu um peso imediato nos ombros quando ouviu aquilo. Olhou o semblante da elfo e estava denso, quase frio.
_ O momento está próximo… - Ela prosseguiu, fazendo Jacob engolir em seco. – Uma dia você prometeu que faria de tudo para proteger e seu sangue…
_ E eu farei… - Jacob se lembrou do que disse a Quendra naquela noite, há quase um ano atrás, desesperado por salvar das garras da elfo. – Enquanto eu viver… - Ele ecoou as mesmas palavras que retumbavam em sua memória. Mas Quendra balançou a cabeça negativamente.
_ Enquanto você viver… - Ela suspirou, fechando os olhos novamente e se concentrando. Depois de um instante voltou a abri-los e olhou analiticamente o índio a sua frente. – Pode não ser o suficiente…
            Jacob inspirou profundamente, tragando o vento pra dentro de si e sentindo como se ele fosse lâmina. Se lembrou da visão de
_ Então… eu…
_ Não a deixe renunciar, Jacob! Mas você… - ela sorriu. – Você irá renunciar… pelo que é melhor, você terá de abrir mão. Você disse que faria qualquer coisa Jacob… por ela... – Os olhos de Quendra de repente, pareciam o de uma cobra ansiando o bote. – qualquer coisa…
            Jacob sentiu algo dentro de seu peito sacolejar ao observar as pupilas da rainha se dilatarem e enegrecerem o seu olhar. Hipnotizava-o.
_ Qualquer coisa… - Ele respondeu, mecanicamente.
            Sentia que fazia uma espécie de pacto…
_ Nem que isto signifique arrancar o tesouro do teu coração, da tua memória… e perder a vida que virá… Tudo Jacob… você fará tudo!
            … com o demônio…
_ Sim, tudo… - A voz de Jacob sussurrou em resposta.
            A criatura ante a ele deixou a face ser tomada por uma expressão de jubilo.
_ Sim… eu sei…   
            Ela fechou os olhos e Jacob pareceu recobrar o senso de tempo e espaço.
 _ Ficará entre nós… até que eu morra… - Quendra disse. – Não vai acontecer tão cedo. – Ela afirmou, convicta, e desapareceu.
            Jacob respirou fundo, tentando acalmar o martelar incessante do seu coração. Mas mal havia se recuperado, se assustou ao se deparar com um enorme buraco a frente de seus pés. Saltou pra trás e esbarrou em algo… ou alguém.
_ Te peguei! – A voz sussurrou e mãos mornas agarraram seus braços. Parecia um carma do seu dia, todas as mulheres, de todas as espécies, resolveram o surpreender e leva-lo ao seu limite! Inferno!
_ Nessie! – Sua voz saiu esganiçada e falha.  Voltou a olhar em direção ao buraco e ele havia desaparecido. Praguejou em voz alta. Era coisa da hibídria testando suas habilidades novas nele.
_ Ei, calma! Parece que viu o lobo mau! – Ela murmurou, tentando brincar, mas sua voz estava embaraçosa.
            Ela recebeu um olhar cortante dele que fez com que ela retirasse as mãos dos braços trêmulos rapidamente, como se tivesse levado um choque.
_ Me desculpe! – Ela disse, sem jeito… - Eu… só queria que você visse que… que agora está funcionando… eu não sinto mais dor pra fazer isto… eu… me desculpe! – Ela implorou.
            Jacob se sentiu culpado quando a garota olhou pra ele tão arrependida. Ele não podia descontar nela as instabilidades que Quendra havia lhe provocado.
_ Olha, não precisa ficar assim, por causa do que fez… Eu já superei isto. – Ela começou a se justificar, visto que Jacob nada dizia. - Eu fiquei mal no começo, mas é porque eu sou uma medrosa… Eu tinha medo de dar tudo errado. Mas veja, ela sabia o que fazia... não foi ruim mesmo... só foi... assustador. Mas olha, não assustador de ser mal, mas assustador de ser grande... algo muito grande... e é uma grande mudança... e eu nem tô me sentindo tão esquisita, como se a minha cabeça fosse maior que o meu corpo… Quando eu acordei eu me senti assim… mas eu tô bem e eu…
            Jacob foi com tudo pra cima de Nessie com a intenção clara de lhe tapar a boca, mas ela desviou antes que ele pudesse terminar de levantar o braço. Ótimo! Agora ele não conseguia alcançar um projeto de vampiro!
_ Só não me enche, tá legal! Fica quietinha! – Ele disse e, virando as costas para Renesmee, sentou na areia.
            Ele sentiu o suspiro pesado de Nessie atrás de si. Ela se sentou ao seu lado. Abriu e fechou a boca, mas ficou quieta. Mais ou menos quieta, começou a balançar o pé. Jacob rugiu entredentes e puxou o cabelo da nuca.
_ Tá… fala logo o que quer sanguessuga! – Disse ele, se virando para ela.
            Ela sorriu meiga, um sorriso que fez a bochecha corar, como se estivesse envergonhada.
_ Eu não queria dizer…
_ Não? – Ele perguntou confuso. Há um minuto ela estava tagarelando incessantemente e agora não queria mais falar?
_ Não… eu… eu queria fazer… - Ela murmurou. Jacob abriu a boca pra questionar, mas antes que pudesse, Renesmee saltou pra cima dele, quase em seu colo, e lhe rodeou o pescoço com os braços.
            Jacob ficou estático, sem saber como reagir. Tentou afastá-la, mas ela prendeu os braços ao seu redor com mais força.
_ Quieto! – Ela chiou. Jacob achou aquilo um absurdo… mas não fugiu.
            Aos pouquinhos ele finalmente pode sentir o que Renesmee lhe oferecia. O calor tímido do corpo dela afagava o seu de uma maneira pura e ingênua. Era quase como se uma criança estivesse dependurada nele, exigindo atenção. Ela se posicionou ao seu lado mais confortavelmente, enterrando a cabeça em seu ombro e afagando as suas costas com as mãos bem de mansinho, parecia que dedos de pluma lhe acariciavam. Ele se rendeu, deixando-se se levar pela sensação de conforto que Nessie tentava transmitir.
            Relaxou e deixou-se ser afagado pelas mãos de uma hibídria, sentido apenas a doçura e sensibilidade do toque e não pensando em mais nada… nada que o pudesse fazer se afastar.
_ Vai ficar tudo bem… você vai ver! – Ela murmurou meigamente. Jacob apertou os olhos.
_ Você realmente acredita nisto? – Ele respondeu, também em um murmúrio.
_ Acreditar é o que devemos fazer para sobreviver… não é? Eu acredito Jake… acredito em tudo o que você deixou de acreditar, mas que ainda quer. Então, mesmo que você não diga mais para si mesmo isto, eu vou dizer quando eu estiver perto… - Ela ergueu os olhos, encarando Jacob de perto. – Tudo vai ficar bem! – O sussurro dela lhe cantou no fundo da alma, ele apertou os olhos e desejou de todo o coração que aquilo fosse a profecia que não tinha.
_ Quando? Quando? – Ele perguntou.
            Nessie apertou os lábios, afastou o corpo um tantinho só e passou a ponta do dedo indicador pela testa franzida de Jacob.
_ Lobo… um dia, um vampiro me ensinou que quando nós temos fé, não devemos questionar. Apenas crer e esperar. Virá a tranquilidade… é apenas isto que devemos ter em mente e revestir o coração com esta armadura. – Nessie citou as palavras de Carlisle a Jacob, quase rindo da ironia que aquilo significava. – Uma armadura bem forte…  Não é?
            Ela lhe encarou um pouco mais, mas Jacob não fez nada, apenas lhe olhou impassível. Ela se deu conta de como estava com ele e imediatamente seu rosto ficou vermelho como um tomate. Com os lábios trêmulos e cabeça baixa ela fez menção de se afastar. Mas então, a mão dele agarrou a sua.
_ Obrigado monstri… - Ela elevou as sobrancelhas, ele sorriu, remendando. – Obrigado… princesinha… - Ele disse, ainda com um sorriso tímido nos lábios.
            Nessie se lembrou da palavra “princesa” saindo da boca de na noite anterior… e agora… de Jake. Ela novamente sentiu calor em seu coração e sorriu, abaixando os olhos. Puxou a mão de Jacob devagar e ele não resistiu tanto para voltar a lhe abraçar. Ele se curvou, deixou que ela lhe colocasse deitado em seu colo, não parecendo que aquilo poderia ser inadmissível a algumas semanas atrás. Ela, ainda com um pouco de falta de jeito, penteou os cabelos negros com as pontas dos dedos.
_ Eu sabia que o meu coração não me enganava… desde antes de eu nascer… eu gostei de você, lobo. – Ela riu, um tanto travessa. 
            Pela primeira vez em anos, Jacob sentiu remorso por ter devotado tanto ódio por aquela criatura que lhe sorria, por ter tido tanta sede de mata-la um dia. Lembrou-se do amor que viu brotar nos olhos de uma Bella esquelética quando estava grávida… lembrou-se como sentiu nojo de Edward quando ele sorriu fascinado quando pode ouvir a voz da filha no ventre de Bella… Lembrou de como ficou abismado quando Edward lhe disse que a criatura corroendo o corpo de Bella sentia por fazer a mãe sofrer e que ela gostava dele, de Jacob, perto…
            Ele ergueu os olhos e foi como se ele avistasse um verdadeiro acidente natural. Ela parecia mesmo um anjinho, de alma pura e imaculada, condenada a uma sede de sangue… Ou talvez ela significasse a redenção de uma raça maldita… algo criado por Deus coexistindo com algo criado pelo demônio, e se sobrepondo, subjugando a parte ruim. Ela poderia significar então, a esperança de que tudo poderia ficar bem… que a estranha magia do bem poderia prevalecer… ao fim. 
_ Não pense muito nas explicações, senão a cabeça funde! – Ela brincou, percebendo a face pensativa de Jake.
            Ele sorriu, ainda triste.
“Foi por amor também…”
            Jacob se lembrou de uma das justificativas de por ter dado o seu sangue a Renesmee. Ela amava… por alguma razão mais profunda do que ele poderia entender, amava aquela criatura. Ao contrário do que um dia ele chegou a imaginar, não seria capaz de sacrificar a meia-vampira em uma guerra…
            Guerra… Jacob voltou a se lembrar de Quendra e de seu mau agouro. Estremeceu. As mãos de Nessie apertaram os ombros largos dele.
_ Se você precisar lobo, eu posso te lembrar sempre de acreditar: tudo vai ficar bem! – Ela disse, nada contente por ouvir o pulsar angustiado do coração de Jacob novamente.
            Então ele teve uma reação inesperada para Renesmee... escapou-lhe um soluço e ele chorou em seu colo, como se fosse um menino, se agarrando em suas pernas. Nessie prendeu a respiração e voltou a acariciar os cabelos negros com mãos trêmulas, o deixando chorar.
            Ele chorou parecendo libertar toda a angustia que lhe atormentava. Havia tanto para suportar… tanto… E ele queria, desejava tão desesperadamente que a voz de Renesmee dizendo que tudo acabaria bem fosse mágica e se tornasse realidade. Que ela, com um poder de fada ou anjo, pudesse lhe transportar a um lugar tranquilo onde ele poderia se esquecer que era um lobo, que existiam vampiros ou elfos, que pudesse envelhecer, que pudesse se cansar depois de trabalhar. Um lugar onde poderia ficar sentado com sua esposa, olhando a paisagem e planejando o futuro, nem que isto significasse economizar dinheiro para comprar uma casa. Ele queria desesperadamente que pudesse ser apenas uma dona de casa, sem traumas, angustias ou visões, que pudesse lhe esperar ao fim da tarde e contar todas as novidades e ouvir as suas... Depois lhe beijar após o jantar e se deitar com ele em uma cama macia e quente… pro resto da vida... até que pudessem morrer, juntos, e serem enterrados por seus filhos e netos em uma mesma lápide, depois de uma vida longa e branda.
            Mas não seria assim, ele sabia que não seria assim quando ele saísse daquela ilha. Quase podia sentir a dor em seu peito de ter o coração rasgado, os braços vazios sem ela, a sua amada, ao seu lado. Ele agarrou mais as pernas da meia-vampira, que aquela altura murmurava um canto dócil, como se ela pudesse realmente ser um milagre.
_ Diga… diga! – Ele implorou em meio aos soluços, com a voz rouca e cortada. Ela entendeu.
_ Tudo vai ficar bem, Jake. Tudo vai terminar bem! Nós vamos resistir. – Ela murmurou, absolutamente convicta.  – Tudo vai ficar bem… tudo vai ficar bem… - Ela passou a cantarolar incessantemente, tendo a pretensão de que aquilo se enraizasse nele.
            Ninguém apareceu para interromper. As duas criaturas, antes separadas por uma aura de inimizade, foram deixadas a sós, compactuando um momento secreto e sagrado, como que protegidos pelas mãos da Divina Providência a proclamar que a imponência de um sentimento puro pode ser compartilhado por quem Ele desejar. Como se os céus proclamassem a limitação dos seres terrenos por julgar tão irrevogavelmente quem são os bons e quem são os maus.
            As mãos e carinho gratuito de Nessie assolavam o homem que alimentou, por tanto tempo, rancor por ela. Aquele homem, nobre alpha, forte e poderoso, ao ser vencido pelo pranto nos braços de quem tanto odiou por motivos distorcidos, parecia fornecer em suas lágrimas o pedido de perdão e redenção. Ao fim, ela era filha de um amor genuíno e isto permanecia nela… e se multiplicava. De pesadelo, ela passou a ter um cheiro revigorante de sonho bom.
            Jacob não soube ao certo quando recobrou o controle de si, e nem de quando foi que se levantou do colo de Nessie, ou do momento exato em que ela parou de cantarolar e se sentou de pernas cruzadas em frente a ele, lhe transmitindo imagens de sua infância. Nas imagens, Jake via a felicidade de uma garotinha de cabelos ruivos correr pelo meio de uma colina coberta de flores. As imagens só pararam quando Jacob sentiu o cheiro já tão enraizado nele lhe bater nas narinas.
            Se levantou a tempo de ver caminhar incerta em sua direção, com os olhos inchados e vermelhos, acompanhada de Milla e Niadhi.
_ Está na hora? – Nessie perguntou... também se levantando. Ela não fez som algum com seu movimento, o que a denunciava era o som do coração. – De ir?
            não respondeu, tinha os olhos fixos em Jacob, percebendo que ele também havia chorado tanto quanto ela. Renesmee recebeu a resposta de Niadhi, que acenou afirmativamente com a cabeça. Depois ela passou a olhar de para Jacob e de Jacob para .  
_ Humm... que tal nós irmos na frente, Milla? A Niadhi podia vir buscar o Jake e a depois... não é? – Nessie sugeriu, ansiosa. Imediatamente Milla sacudiu a cabeça concordando, dando um aceno a Niadhi, que apenas esperava dizer algo… mas a morena estava silenciosa, apenas olhando Jacob.
_ , vou levar as meninas... não vou voltar. Vocês terão apenas dez minutos antes que não possam mais ver um único resquício do que é esta ilha. – A elfo avisou, mas nenhum dos dois lhe respondeu. Ela abanou a cabeça e olhou para as garotas que esperavam lado a lado, com os pés sendo lavados pelas ondas. – Prontas?
_ Não. – Milla respondeu, recebendo um cutucão de Renesmee.
_ Coragem vampira! Honre suas presas! – Ela chiou e Niadhi sorriu. Olhou uma vez mais para as duas estátuas que eram Jacob e e disse:
_ É hora de dizer tchau! – E de repente, não havia mais ninguém ali a não ser marido e mulher.
            Só por dez minutos… finalmente desprendeu os olhos de Jacob e abaixou a cabeça, murmurando nervosa.
_ Me perdoe… por favor… - A voz dela parecia verter sangue, de tão dolorida.
            Jacob lhe encarou agoniado. Suspirou, seus braços formigando pra tê-la.
_ Confie em mim! – Ele pediu, por sua vez.
             Ela torceu os dedos das mãos.
_ Eu confio! – Ela conseguiu dizer em um mero sussurro. – Mas embora estejamos irrevogavelmente unidos, meu amor… nós não somos a mesma pessoa. Nossos corações se encaixam e se ligam… mais ainda assim são dois! Cada um de nós ainda tem a sua porção no mundo, do que deve suportar, do que deve fazer… Eu confio minha vida a você, todo o meu amor, mas não posso deixar que você viva aquilo que é pra eu viver, Jake! Compartilhar não é isto…
            Ele sorriu.
_ Eu não estou pedindo isto… você não entende? – elevou seus grandes olhos castanhos para ele. – Quando eu digo confiar eu quero dizer que você poderá contar a mim as suas decisões e confiar que eu vou lhe entender, não bater o pé como uma criança birrenta, exigindo que você faça o que eu quero. – Ele viu engolir em seco.  – Confiar em mim o suficiente para ouvir o que eu tenho a dizer, mesmo que isto vá contra com o que você pensa, porque, no fim das contas, talvez eu também possa enxergar um caminho, uma saída melhor… E não importa o quanto poder você tenha, eu estou aqui para ficar ao seu lado… não para ficar de lado.
            Os olhos de se aqueceram e Jacob viu que ela finalmente havia entendido, de dentro pra fora, o que ele queria dizer. No fundo, ela não estava acostumada com aquilo. sempre viveu sozinha, independente, autossuficiente. Ela aprendeu a carregar e suportar seus males sozinha e achava que não devia impor isto aos outros.  
_ Está enraizado em mim... esta... postura? – balançou a cabeça confusa. – Jacob, eu não entendo nada do que está acontecendo comigo! Sempre que estive tão confusa a respeito das minhas… das minhas coisas sobrenaturais, os elfos me davam uma resposta. Mas agora não! Quendra simplesmente desapareceu desde que viemos pra cá, Niadhi está muito evasiva... Eu estou tendo que tentar compreender tudo sozinha! Mas eu não sei, eu definitivamente não sei o que está acontecendo comigo!
            Jacob se aproximou de sua esposa, que tinha os dedos entranhados nos cabelos e a abraçou.
_ Eu sei… - sussurrou, brando.
_ Sabe? – Ela elevou os olhos.
_ Eu acho que você tem um posto muito mais elevado do que pensávamos entre os elfos. Sem uma explicação certa deles não podemos saber qual é, mas certamente não é de alguém que precisa acatar ordens.
            apertou os olhos, suspeitava mesmo daquilo. Jacob prosseguiu.
_ Mas independente disto , mesmo que você tenha assumido responsabilidades maiores, não me deixe de lado. Eu estou com você e é assim que quero ficar.
            ergueu sua cabeça em direção a ele. Claro, se havia alguém no mundo que ela pudesse confiar cegamente este alguém era Jacob.
_ Eu sei… me desculpe, me perdoe. Eu… é só que tem certas coisas que eu faço que eu sei que não é por mim, Jake! É como se eu estivesse inclusa no destino de outros também. E quando é assim, eu não posso simplesmente compartilhar algo que não me pertence. O que eu vejo pra Milla… o que eu vejo pra Nessie… Você dividiria comigo os segredos dos seus lobos que você compartilha em pensamento?
            Jacob entendeu onde ela queria chegar. Não, ele não tinha este direito e nunca o faria. Respirou fundo e afundou o nariz nos cabelos de .
_ Ah Jake… é tão difícil! Tão difícil caminhar em um labirinto desconhecido… tendo que desvendar todos os seus mistérios sem nenhum guia… Eu me perco… eu me perco! Eu não sei ao menos o que eu sou! Mas, apesar de tudo, a única certeza que eu carrego, a única coisa que me define é o que está relacionado a você! Nunca duvide disto, se lembre sempre disto! Você é tudo!
            Jacob nada disse, tinha necessidade de fazer ao invés de falar. Pegou o queixo de e o levantou em sua direção. Então, perderam a consciência. O tempo havia acabado, a ilha estava novamente vazia.
CAPÍTULO 47
REGRESSO
Eis que tão sabiamente a Rosa disse ao Príncipe:
“Torna-te eternamente responsável por aquilo que cativas”.
Aquele que ama é cativo... sempre... ainda que seja rei.
Os tesouros guardados no coração, serão eternamente preservados.
_Que lugar é este? – Milla perguntou, vasculhando cada partícula do lugar com sua visão.
_ É o lugar onde se revelou a mim. Fica perto da minha casa, um pouco depois da fronteira com La Push! – Renesmee explicou, pensando que da ultima vez que estivera ali, não imaginava o rumo que sua vida iria tomar. – Vamos! Vamos pra casa... – Ela pegou na mão de Milla e a puxou para correrem juntas. Seu coração batia descontrolado em seu peito, ansioso pelo reencontro com a sua família.
            A saudade, tão perto de ser saciada, parecia lhe esmagar neste momento.  Tanto tempo sem ver o sorriso de seu pai, tanto tempo sem sentir o afago gelado extremamente carinhoso e protetor de sua mãe.
_ Faça barulho! Eles devem estar em alerta e assustados com os ataques de ultimamente. Não é bom surpreendê-los. – Renesmee recomendou a Milla, lembrando-a que seus movimentos eram muito mais sutis enquanto deslizavam pela floresta, não incomodando nem mesmo aos animais que passavam perto.
            Milla podia sentir, mesmo a distância, a alegre expectativa do reencontro pulsar em Renesmee, ao ponto que Milla, tinha o peito comprimido. Só havia uma única pessoa ali que ela poderia rever... mas em que condições? Chacoalhou a cabeça e seguiu em frente.
            Elas escutaram uma movimentação veloz a frente e o cheiro doce no vento que vinha do leste. Nessie sorriu e, olhando para Milla, pediu que ela apressasse o passo.
_ São eles! – disse.
             Quando as criaturas estavam muito perto de se encontrar, no entanto, a situação foi um tanto caótica. O cheiro modificado pelo sangue de , impediu que os parentes de Nessie a reconhecesse. Por isto, as viram como possíveis inimigas e avançaram.
            Renesmee viu quando Emmett foi pra cima de Milla furioso, sem nem mesmo raciocinar, pra tentar pegá-la. Mas antes que pudesse tomar uma atitude, teve que se livrar dos golpes do querido tio Jasper, que tinha a clara intenção de lhe arrancar a cabeça. Desviou com muito mais facilidade do que imaginava, mas ele ainda não tinha percebido que era ela, o seu movimento estava muito mais rápido que o dele. Ele avançou novamente e Nessie desviou uma vez mais, pegando os braços do tio e os prendendo nas suas costas, fazendo-o rugir.
            Do outro lado Milla chiou exasperada.
_ O que você disse sobre o fato de fazer barulho?  Estes caras são loucos? Atacam sem nem ver o que?
            Milla também tinha prendido Emmett, torcendo o braço direito dele para trás e o forçando a ficar de joelhos a sua frente. Quando ele parou de se debater inutilmente para escapar do aperto de Milla, olhou na direção de Jasper  e soltou um ofego.
_ Por Deus! – Exclamou assustado.
_ Lute Emmett! – Jasper bradou, ainda inconsciente que quem lhe prendia era sua sobrinha.
_ Tio… tio… sou eu… - Nessie girou  Jasper para sua frente, se assustando com sua expressão feroz. – Sou eu… a Renesmee!
            Então a face de Jasper desmoronou, sua mandíbula caiu e ele murmurou:
_ Rê? – Ele a chamou da mesma forma que Alice lhe chamava. Ela sorriu, acenando freneticamente que sim, era ela. – Mas… mas…
_ Monstrinha? – A voz de Emmett também parecia incrédula. Aos poucos Nessie soltou os braços de Jasper.
_ Solte tio Emmett, Milla! – Ela disse, enquanto sorria para os dois que pareciam completamente confusos.
_ Você tem certeza? – Milla apertou um pouco mais o braço de Emmett de forma involuntária, fazendo-o gemer.
_ Ei, brutamontes, vai com calma aí! – Ele reclamou.
            Milla riu pelo “brutamontes” e o soltou. Quando ele pode finalmente ver a figura tão pequena e delicada de Milla fez uma carranca, nada contende por ter sido subjugado por alguém tão menor que ele.
_ Não mereço um abraço? – Nessie abriu os braços e Emmett foi rapidamente na direção dela, mas Jasper se pôs no caminho.
_ Eu não reconheço o seu cheiro… Você nunca poderia ter esta força… Sua… sua aparência está diferente… - A voz de Jasper destilava desconfiança, era claro que ainda não tinha baixado sua guarda.
            Milla estreitou os olhos, o sorriso de Nessie vacilou. E agora? Como explicar as mudanças?
_ Tio… as coisas sobre mim nunca foram certas. Eu sou a diferente… esqueceu? Confie em mim, sou eu, a Renesmee, filha da Bella e do Edward! Olha… por várias vezes você acalmou os nervos do meu pai quando eu aprontava travessuras com tio Emmett! Lembra? Quando nós desaparecíamos caçando e meu pai ficava furioso com a gente? – Ela tentou dizer qualquer coisa pra convence-lo, mas os olhos dele ainda vacilavam. Ela poderia passar imagens de lembranças na mente do seu tio, mesmo a distância que estavam, mas sabia que isto ia assustá-lo ainda mais.
_ Deixe de ser imbecil Jasper! É ela sim! É minha monstrinha! – Emmett empurrou os braços de Jasper do seu caminho e correu para a hibídria, a levantando do chão com um pouco mais de esforço do que se lembrava ser necessário. Desnecessariamente ela colocou a mão no rosto de Emmett, imitando um gesto comum entre eles, e lhe disse quietamente: “que saudades!”
_ Está vendo? É ela!! – Ele gritou, querendo que outros escutassem. A gargalhada do vampiro grandão retumbou pela floresta completamente verde dos arredores de Forks.
            Era tão espontâneo, que Milla acompanhou o riso, mas se calou assim que percebeu os olhos de Jasper estreitados em sua direção.
“Mas que merda de vampiro desconfiado!” Ela pensou.
_ Não reconhece a Milla também, tio Jasper? – Nessie sussurrou, se aproximando e pegando na mão do vampiro loiro lhe transmitindo algumas imagens dela e de Milla juntas. Ele balançou a cabeça e questionou.
_ O que diabos aconteceu com vocês?
_ Uma longa história… longíssima… - Nessie saltou para os braços do tio o surpreendendo, fazendo cambalear para trás. Mas logo ele a estava apertando também.
_ Você não tinha que estar com os olhos dourados já? – Emmett se aproximou desconfiado de Milla…
_ Eu… - Milla olhou para Nessie aflita.
_ Não, ela não devia estar com os olhos dourados! E não! Ela nunca colocou sangue humano na boca, ao contrário de todos nós aqui! – Milla exalou e “descongelou” a postura, agradecendo a abençoada interferência de Nessie. – Os outros? Onde está todo mundo?
            Perguntou logo depois, empolgada, encerrando de vez os questionamentos e fazendo os vampiros a levar em direção a mansão dos Cullens. Milla, no entanto, ficou para trás, se sentindo perdida, deslocada, vendo-os desaparecer a distância. Mas logo Nessie aparece sorrindo.
_ Não desgrude de mim! Você vai conhecer a sua nova família agora! – Ela sussurrou firme e enlaçou o seu braço no de Milla.
            Seguiram o caminho tranquilamente, com Renesmee fazendo inúmeras perguntas aos tios, sobre tudo o que tinha acontecendo.
_ Sua mãe enlouqueceu no dia que você desapareceu… e seu pai… meu Deus, fazia tanto tempo que eu não via Edward tão desesperado! Seus pais morrem de medo de te perder, sempre foi o que eles mais temeram. E, de certa forma, foi assim que eles se sentiram durante estes meses… como se tivessem te perdido… - Emmett contou, fazendo a carinha da menina se entristecer e os olhos marejarem.
            Antes que eles pudessem entrar na mansão, Esme e Rosálie esperavam na escadaria, e Alice parecia muito ansiosa na frente das duas. Tal como em seus tios, a reação das vampiras quando viram Nessie foi de espanto. Por frações de segundo elas apenas olharam fixamente para menina. Alice foi a primeira a se mover, seguida de Rose e depois, Esme.
            Milla se afastou para permitir que Nessie fosse abraçada por todas elas, entre vozes emocionadas que tilintavam em uma melodia saudosa. Elas pararam momentos depois, e Nessie finalmente disse que havia trazido Milla para morar com eles. Carinhosamente Esme se aproximou da jovem vampira, lhe dando um sorriso afável e acolhedor. Esme não questionou nada, apenas disse:
_ Oh minha querida! Bem vinda a nossa família! – estendeu os braços, envolvendo delicadamente o corpo de Milla e então arregalou os grandes olhos dourados quando sentiu o calor que irradiava do centro do peito dela. – Oh, Deus! Seu coração… é… quente?
_ Como é que é? – Rosálie perguntou, se aproximando.
            Milla apertou a mandíbula desconfortável e acuada novamente.
_ Eu não vejo o seu futuro… como com Nessie… está tudo em branco! – Alice exclamou assim que seus olhos voltaram ao foco.
_ Gente, por favor! Não estão a recebendo bem, certo? Milla é mais que uma amiga pra mim, passamos por muita coisa juntas, crescemos, evoluímos e compartilhamos mais coisas do que vocês possam imaginar! Nós não fugimos para um lugar bucólico pra passar férias… muitas coisas aconteceram com a gente, mas tudo vai ser esclarecido no seu… - Nessie parou de falar quando o cheiro de sua mãe veio com o vento. – …tempo…
            Ela podia ouvi-los correr na direção da casa. Seu coração acelerou ainda mais, ela sentiu o aperto delicado da mão de Milla na sua, ao qual retribuiu. O restante dos Cullens demoraram um pouco mais para perceber o que vinha da direção em que as meninas tinham fixado o olhar.
            Bella foi a primeira a aparecer, os lábios entreabertos, os olhos atentos imediatamente se fixaram nas orbes que eram a cópia daquilo que um dia tinha sido as suas. Ela não duvidou que fosse a sua filha a sua frente, não questionou os traços mais aperfeiçoados de Renesmee, mais do que eram antes, não questionou ao menos o cheiro da menina, que agora lhe coçava a garganta.
            Para Nessie, sua mãe parecia ainda mais linda e perfeita… os lábios cheios, os cabelos grandes cor de mogno, o rosto delicado. Bella fez o primeiro gesto em meio ao silêncio absoluto que havia se instaurado. Abriu os braços, receptiva, fornecendo o colo que só ela teria para Renesmee… o colo de mãe, protetor, abrigo de um amor infinito. Nessie foi em sua direção imediatamente, se aconchegando nos braços de Bella e soltando um soluço, iniciando um choro quase incontrolável.
_ Filha… filha… - A voz da vampira cantarolou. – Você voltou pra mim… você voltou pra mim! – Bella afagou os anéis ruivos dos cabelos de sua filha e a apertou mais em seus braços.
_ Mãe!
            Bella fechou os olhos como se degustasse um néctar precioso ao ouvir a voz da filha soando novamente, a chamando de mãe. Quanta, quanta saudade ela sentiu daquele anjo de olhos de chocolate… o anjo da sua vida! Como o medo lhe corroeu por todos aqueles dias ao pensar que ela poderia nunca vê-la e senti-la novamente!
            Edward andou lentamente em direção as duas. Ele teve todos os sentimentos possíveis na ausência de Renesmee, de saudade a ódio. No dia anterior mesmo, ele tinha armado um sermão gigantesco para dar a ela assim que chegasse, pois, no final das contas, ela tinha decidido fugir daquela maneira  tão imprudente e intempestiva. Mas quando a viu novamente, tudo caiu por terra. Ele só pensava em pega-la no colo e prendê-la lá, pra que ela nunca mais pudesse fugir. Queria apertá-la em seus braços até que ela encolhesse e voltasse a ser a garotinha que vivia em suas pernas. Fazia tão pouco tempo…
            Com Nessie ainda abraçada a mãe, ele se aproximou e beijou-lhe o topo da cabeça. Ela largou Bella e se jogou nos braços dele.
_ Ah pai!
_ Não faz isso de novo… não suma assim de novo… você vai e leva o único coração vivo que há em sua mãe e em mim, filha! – No fim, o sermão havia sido leve e com voz delicada, sussurrada por entre os cabelos da menina, mas a fez chorar mais.
_ Me desculpe…
            Milla assistia tudo de longe e aquela cena lhe atormentava muito. Como se antes, durante todo aquele tempo, a ilha tivesse sido uma bolha que aplacou as suas dores. Fora de lá ela sentia os sentimentos virem com força, se rebelando em seu peito. Ela invejou Nessie, pois ela queria ter os braços de sua mãe pra lhe receber.
            As duas foram sempre tão unidas… Celeste sempre lhe fez tudo o que podia, lhe deu amor da forma mais preciosa, lhe sustentou em todos os momentos difíceis da vida… naquele exato momento, enquanto via o olhar que Bella direcionava a Renesmee, Milla pode ouvir claramente o ultimo grito que sua mãe deu antes de morrer… na noite da sua infeliz transformação.
            E aquela lembrança, mais nítida do que antes, foi como uma adaga no centro do peito… doía, doía muito! Ela também sentia saudades de casa, do cheiro da sua casa, do calor dos braços dos seus… mas ela não podia voltar… não havia como voltar.
            Ela não suportou mais, virou as costas e disparou pra longe daquilo tudo, correndo ao máximo de sua velocidade sabendo que nem a própria Renesmee, agora tão forte quanto ela, poderia lhe alcançar. Correu em um caminho incerto, sentindo as consequências dolorosas de ter sua alma tão latente dentro de si. Dor, falta, medo… saudade… muita saudade.
            E mesmo sendo ela, possivelmente, uma das vampiras mais resistentes da Terra, sentia-se derrotada pela dimensão daquela dor. Queria se ajoelhar diante do sentimento, se curvar miseravelmente e deixar que ele lhe consumisse, fizesse dela o que quisesse, o que pudesse… que a destroçasse. 
            Ela sugou o ar fortemente, procurando se embriagar no cheiro forte e poderoso que o vento passou a transmitir. Deixou se conduzir por um odor que lhe penetrou o peito com força, sacudindo suas entranhas, a fazendo estremecer. Até que ela parou e finalmente fez o que tinha vontade: deixou-se cair de joelhos, fragilmente. Levou as mãos ao vão de seus seios e apertou, querendo arrancar a dor que parecia vir de lá…
_ Mãe… - Ela resmungou a mesma palavra que antes saiu de Nessie. Mas não havia ninguém pra ouvir… ninguém! – Mãããeeee!!! – Gritou, sua voz aguda fazendo pássaros voarem ao seu redor.
            Ela se arrastou pra frente, fincando as unhas na terra úmida e movida que havia abaixo de si, que parecia exalar aquele cheiro de força acolhedora. Ela reconhecia aquele cheiro de algum lugar, mas a nebulosidade de seus sentimentos a impedia de pensar muito naquilo.
            Mas a resposta não tardou a vir. Os músculos dela pararam assim que ela ouviu o som de passadas incertas em sua direção e o cheiro mais forte, mais perto. Permaneceu de joelhos, olhando o chão angustiada, até que sentisse a criatura a sua frente… parada. Outro solavanco no peito, outra intempestividade dentro de si, outro sentimento que parecia maior do que poderia caber nela a assolou…
            Não! Não! Não agora… não tão cedo! Ela não estava preparada ainda!
            Ela levantou os olhos muito lentamente, observando a cor tão linda e clara dos pelos, as patas grandes e fortes. A pelagem do peito era mais clara, fazendo uma linha que seguia até o focinho. Os olhos! Escuros, densos, profundos…
            Seth! Seth! Seth! Seth! Uma voz irrompeu gritando em seu interior. Ela não poderia chegar perto, seu corpo não poderia tocar o dele, mas ela sabia que ele lhe daria algo que poderia a reconfortar… ela sabia, que de alguma forma, qualquer que fosse, ele poderia ser a fonte do seu conforto…
_ Onde… onde ela está? – A voz dela saiu grotesca e, assim como aconteceu na noite que injetou sangue em seu coração, ela sentiu lágrimas quentes escorrerem de seus olhos. – Onde ela está agora?
            Ela não conseguia dizer mais, não podia explicar, não podia explicar quem ela queria ver… Abaixou a cabeça e se curvou mais, soltando um gemido sofrido. O lobo a sua frente se moveu inquieto, um uivo apertado saiu dele.
            Ela voltou a olhar pra cima, pra ver que ele apontava em uma direção com o focinho. Quando ela olhou ele saiu em disparada para lá… ela sentia o que teria de fazer. O seguiu.
            A cada metro vencido ela sentia seu peito se espremer. Ela tinha certeza que Seth lhe guiava justamente para o lugar que ela queria ir. Milla avistou de longe os grandes muros brancos que rodeavam o terreno… Sentiu mais dor, um soluço escapou, acompanhado de mais um uivo seco dele. Eles rodearam o lugar pela fronteira que fazia com a mata e não com  a cidade. Seth parou ao lado do muro, abaixou a grande cabeça.
            Milla abriu a boca, tentou dizer algo, mas não conseguiu. Passou por ele sentindo os músculos se agitarem e saltou, pulando o muro com facilidade. Pousou no chão com os olhos fechados, consciente das passadas do lobo se afastando novamente. Ele havia a deixado a sós em seu triste reencontro.
            Ela abriu os olhos e se deparou com as lápides do cemitério de Forks… Não demorou a encontrar a certa. Lá estava, feita com mármore branco, caro demais pra ter sido pago por seus familiares. Uma foto dela com o rosto tranquilo tinha uma moldura dourada, ainda nova. Abaixo, o seu nome: Celeste Werner.
            As mãos da vampira acariciaram a foto como se acariciasse o rosto de Celeste. Milla se deitou sobre o túmulo e baixinho, sussurrou:
_ Mãe…
            Até mesmo os anjos mais distantes conseguiram ouvir aquela voz e, de algum lugar, Milla sentiu o afago de sua mãe aquietando seu coração.
********
            O vampiro tinha os olhos fechados, sua mente e coração morto presos em um passado distante e remoto. Por vezes ele pensava que não poderia ter vivido aquilo, que nunca fora real. Mas ele sabia que era, e que fora reciproco. E ao pensar no que sentiu por ela um dia, por tudo que lhe ofereceu e ela recusou, o ódio lhe percorria as entranhas e fazia com que a sua sede daquele sangue élfico se multiplicasse.
            Houve um tempo em que eles estiveram tão próximos de ficar juntos, tão perto de descobrir um caminho para vencer um destino de morte dos elfos.
            Ele ainda se lembrava de sua vida humana, em 1368 a.C., quando seu nome ainda era Hector, quando era um líder político da cidade-estado de Atenas, um homem no auge de sua juventude. Naquela época o seu vigor diante dos outros era imponderável, sabia sempre como usar as palavras para governar um povo, sua postura segura e firme trazia segurança. Sempre teve visão ampla, via que podia dominar outros povos, outras terras. A ambição dele era mansa, mas sempre presente, sempre o direcionava para o melhor, nada além do melhor. Afinal, só era digno de conquista o que havia de mais precioso.
            E ela, a bela criatura loira, era uma das coisas mais preciosas que ele poderia ter encontrado.
#Flash Back#
_ O oráculo me disse que tu serás minha destruição… - Ele lhe sussurrou, enquanto a via pentear as madeixas prateadas com os dedos alvos, mirando um céu grego.
            Ela sorriu, aquele sorriso inumano e glorioso, digno de uma rainha.
_ Eu só serei a destruição do que há de mal em ti… E porque resolves crer no que o oraculo diz a respeito de mim, se não segues os conselhos do mesmo sobre os teus caminhos? – Ela perguntou, estando ciente das artimanhas que o belo homem fazia para conquistar o poder, para burlar o povo em favor de suas ambições.
            Quendra sabia que o seu protegido seguia por um caminho escuro tanto quanto sabia do poder que ele tinha em mãos. Ele era especial, um humano especial.
_ Porque, por vezes, o oráculo fala demais. – Hector, o belo grego de cabelos negros, sorriu. – Mas você nunca acreditou no oráculo. Por que me dizes isto?
_ Porque sei que segues no caminho errado. Não podes continuar nele! – Ela voltou a enfatizar, se levantando da pedra em que estava sentada e se aproximando. Ela tinha cachos belos e grandes em seus cabelos, que tinham poucas mechas presas. Sua túnica clara, amarrada com um cordão na cintura, marcava perfeitamente o corpo esguio.
_ Se eu sair deste caminho… tu seguirá ao meu lado?
            Ela afirmou, pegando em suas mãos e encostando os lábios nelas delicadamente. Um arrepio quente percorreu o corpo inteiro de Hector.
_ Estarei ao seu lado até a sua morte, Hector. Porque este é o meu caminho.
            Um brilho estranho cintilou nos olhos castanhos quando ela disse aquilo. O que ela era afinal? Uma deusa descida do Olimpo? Mas se era, porque ela não sedia nunca aos prazeres que ele, enquanto homem mortal, poderia fornecer ao seu corpo de deusa, já tantas vezes oferecidos. Enquanto pensava em como seria desfrutar de prazeres secretos com a misteriosa mulher a sua frente, Hector viu o rosto dela enrubescer.
_ Não pense no que não pode ter… - Ela virou o rosto em outra direção longe dos olhos negros de Hector. Ele pensou em questionar, como fizera tantas vezes antes, como ela parecia saber em que ele pensava. Mas ao invés disso, perguntou outra coisa.
_ Não posso o que? Não posso amar-te? Por que…? - Ele se aproximou dela, e ela desapareceu de sua frente mais rápido do que ele poderia piscar.
_ Não… - ela disse, acomodada em outro canto, com a postura rígida. – Vim para ajudar-te, guiar-te. Você é um homem que a muitos influencia… tens o poder para fazer muitas coisas… vim para ajudar-te.
_ Não és humana como eu. Sei disto. Com tanta certeza quanto sei que te quero, não apenas para me guiar. Quero-te para amar-te… para que tu me ames. Se queres me fazer seguir no caminho bom… me dê… seu amor. – Hector ergueu a mão em direção a ela. – É de todo o meu coração que lhe digo isto… de toda a minha alma. Eu não irei morrer enquanto não puder ter o vosso amor… conceda-me isto, deixe-me ama-la…
            Ele viu a postura sempre segura de sua bela desmontar diante de suas palavras. Ela olhou-o com os olhos enternecidos e também quentes.
_ Se sabes que não sou humana, também deves saber agora que não sou criatura que ama como um humano. Não fui concebida para isto… - Ela disse, com a voz sussurrante e culpada, como se segredasse algo que não poderia ser dito jamais.
_ Então me ensine a amar da forma como tu foi concebida para amar. Como chama o sentimento que lhe rege? É também amor? – Ele insistiu e Quendra, ainda que não pudesse ser atingida por aquilo como os reles humanos eram, sentiu a essência sobrenatural se esvair de Hector em sua direção… querendo tornar forte um laço. Mas ele não tinha ideia do que era plantar um amor humano em um coração élfico… não tinha…
            A elfo apenas sorriu, se aproximando dele devagar.
_ Ah… meu singelo humano… Isto não é possível. Teu corpo tem necessidades que o meu não tem, tu tens uma ânsia que não pode me dominar como é contigo. Conte-te em saber que te amo o suficiente para estar aqui, ao teu lado.
_ Não podes consumar o amor carnalmente? És uma criatura casta de natureza? É isto não é? – Ele perguntou, dando um passo em direção a loira. Ela balançou a cabeça e se afastou brevemente.
_ Hora de ir, Hector.
_ Eu abdico disto.
            Quendra estacou, pega de surpresa pela verdadeira revolução dos pensamentos de Hector.
_ Como? – Ela não poderia compreender aquilo.
_ Torno-me casto para estar ao seu lado. – Ele andou até sua frente e se ajoelhou. – Só coisas belas me fascinam, só o que é magno me domina. E tu és assim. Te amarei como uma deusa, como a única na Terra, como uma rainha. Se não podes haver carne… - ele engoliu em seco. - … então não haverá. Eu abdico disto… por ti.
            Ele nunca soube o quanto aquilo significou para a elfo. Alguém renunciando ao que era, por ela. Não era algo que ela foi criada para ter, e diante de tudo, Quendra admirava atos como aquele como os mais sublimes. Ela abaixou os olhos, sentindo o seu coração se preencher com um sentimento que manteve controlado durante os anos que esteve ao lado daquele humano. Para um elfo, aquilo era uma sentença… eterna.
_Poderias me amar, sem isto? – Perguntou, baixo, não tendo certeza se ele poderia lhe ouvir.
_ Sim…
            Em um movimento tão leve, ele se levantou aos poucos, se pôs de pé frente a ela e estendeu as mãos até que seus dedos tocasse a pele brumosa do belo rosto. Ela fechou os olhos e pôs as mãos sobre a sua.
_ Como tu quiseres… só te quero ao meu lado… minha… para reinar junto de mim. – Ele sussurrou, e Quendra suspirou ao perceber que havia verdade nos pensamentos dele.
            Ela pensava que dedicar amor a ele, deixar que ele lhe amasse daquela forma poderia tira-lo do caminho escuro que rondeava seus passos. Pensando nisto, ela disse, naquele instante, as palavras que impediriam os elfos de exterminar os vampiros.
_ Aceito teu amor e lhe dedico o meu também. Por isto protegerei a você e aos teus…
            Dois segundos depois que disse aquilo, logo após ver o brilho nos olhos de Hector, Quendra recebeu a ordem furiosa de sua rainha para retornar ao mundo dos elfos. Pois a partir daquele dia, todos os elfos estariam presos aquele voto de Quendra, como irmãos inseparáveis em espírito que eram.
            Três anos depois, já rainha elfo, Quendra chegou tarde para impedir que a criança transformada pelo Diamper mordesse Hector. Ela a tirou de cima dele, mas o veneno maldito já lhe corria pelas veias. O seu voto impediu que ela matasse o objeto de seu amor casto, o impedindo de se transformar… Ela só pode destruir a criança. Hector se transformou e tudo aquilo de escuro que Quendra sempre enxergou ao seu redor, passou a fazer parte da existência dele. Hector queria o poder e o que havia lhe ofertado isto fora algo maligno. Hector, então, abraçou o maligno.
            Os elfos não poderiam, porém, destruir a raça que se gerou a partir dele, pois isto seria quebrar um voto sagrado de uma irmã, agora soberana entre eles. Quendra se manteve afastada de Hector nos anos que se seguiram a sua transformação, preferindo estar longe daquilo que ainda lhe atormentava o coração. Ela só retornou a vê-lo cinquenta anos depois, com Lairon adulto ao seu lado, exigindo dela a mais difícil das ações.
_ Não deixe que o seu coração te ponha ao lado dele, Quendra. Nenhum de nós conseguiu salvá-lo de um destino sombrio, porque isto faz parte do que ele é. Não nos enganemos mais. Ir para ele é escolher o lado oposto a luz, irmã. – Lairon disse, antes que ela fosse novamente vê-lo.
            E no dia que isto aconteceu, ficou acertado o acordo secreto entre elfos e vampiros: os elfos só matariam vampiros que ameaçassem a vida élfica. Hector, como primeiro vampiro, cuidaria para que sua espécie não perdesse o controle e rompesse o equilíbrio entre o sobrenatural e o humano. Naquele mesmo dia, também, Quendra escolheu ser rainha élfica de todo e se afastar de Hector…
_ Eu ainda a amo… até mais… - Ele dissera. Seus olhos vermelhos eram como uma sentença maligna das mortes que ele carregava nas costas. – Olha, veja… - ele apontou para si mesmo sorridente - Tenho poder agora para te dar tudo, tudo o que mereces… minha rainha… será tudo como quiseres. Só eu posso te dar isto… este amor só comigo você pode ter.
            Ele disse, sabendo torturar o coração forte da elfo.
_ Será tudo como eu quiser? – Ela sussurrou, procurando esconder suas emoções do… vampiro…
_ Sim… - Ele disse, ávido.
_ Então… não será…
Flash back off#
            Dizendo aquelas palavras, ela desapareceu da existência de Hector. Ele mudou o nome, a personalidade, as expressões e a sagacidade. E seu amor insano, tornou-se um ódio insano. Amor e ódio fundidos em um só… imortais, como eram aqueles que os sentiam.
            O vampiro se perdeu de seus pensamentos pela voz estridente do maldito demônio mágico que salvou dos elfos.
_ Ela voltou! Posso vê-la! – Kadinah gritou, entrando tempestivamente no aposento luxuoso do vampiro.
_ E então? – Ele perguntou, se inclinando em direção a Kadinah.
_ Está acontecendo… a evolução…
            O vampiro se ergueu, lhe encarando.
_ Evolução? – Ele perguntou, sua voz calma escondendo a fúria por não saber do que Kadinah estava falando.
            Ela olhou pra ele e sorriu.
_ Ela é rainha elfo. Legitima. Sua adorada amada é fajuta… e por alguma razão, sempre fez questão de poupar a filha de Lairon da dimensão pesada de seu próprio poder. Bondosa, não acha? – Kadinah riu, parando logo que percebeu que o vampiro estava prestes a pular em seu pescoço. Prosseguiu explicando. – Entenda… você precisa fazer com ela o que tem de fazer… logo! Rápido, antes que ela consiga roubar o posto da maldita Quendra.
_ Há algo mais além do que o poder do sangue de Black que possa me estimular a fazer isto, Kadinah? – Ele continuou com a voz furiosamente mansa. O que ela lhe escondia?
_ Entenda… eu precisei te manter odiando-a, para me dar aquilo o que quero. A minha libertação… os elfos tem de ser destruídos para que minha espécie volte a reinar. Então…
_ O. Que. Você. Esconde? – ele perguntou, com ênfase em cada palavra.
_ Bom… há alguns aninhos atrás, seu ato romântico e humano conquistou o coração de uma elfo de forma irrevogável. Você conseguiu ter de uma elfo um amor verdadeiro e devocional. Isto não acaba assim, com uma despedida dramática como foi a sua e a de Quendra. – Kadinah dizia aquilo de forma enfadonha. – Então, o que quero dizer, vampirão, é que em Quendra isto está lá, impossível de ser morto. Então, o reinado dela é… digamos que uma das principais razões de você estar vivo… ou morto-vivo, sei lá. Porque não haveria um único elfo que pudesse ir contra algo tão sagrado como um voto de amor de um irmão… nem mesmo o filho da rainha conseguiu isto… Lairon só conseguiu sossegar o coração da elfo pra ela não correr atrás de você durante este tempinho de afastamento.
_ Seja direta…- ele ordenou.
_ Acontece que a neta de Évora foi gerada exatamente de uma situação como esta que te liga a Quendra, em um voto de amor entre humano e elfo. Então… de uma forma estranha, eu tenho certeza de que ela é a chave para destruir o voto sagrado que te liga aos elfos e protege a existência dos vampiros. Se ela reinar, no lugar de Quendra, então você e todos os vampirinhos terão grandes chances de desaparecerem da face da Terra. Porque ela, Black, tem o poder de decidir o que deve prevalecer no mundo. A menos que você consiga ter algo dela que te ligue a você, tanto quanto Quendra está ligada… Do contrário, não será páreo para ela.
_ Sim… - a voz do vampiro sibilou em compreensão.  
_ E, mesmo que eu odeie a criatura… Quendra atrasou bastante o reinado de … ela anda ajudando… estive pensando: será que ela te ajudaria mais?
            O brilho insinuante nos olhos de Kadinah fez o coração morto do vampiro estremecer. Compreendendo, ele sorriu.
CAPÍTULO 48
VIDA E MORTE
“Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.” 
Carlos Drummond de Andrade
            Colchão macio, lençóis, mais de duas peças de roupa, agua morna, geladeira, forno elétrico, cosméticos, calçados, televisão, comida temperada e um barbeador. Pareciam artigos de outro mundo depois de tempos vivendo como primatas em uma ilha.
            Jacob achava a vida normal de antes, estranha. Naquele momento se olhava no espelho, com o rosto coberto de espuma de barbear, com o vapor do chuveiro ligado inundando o banheiro, pensando se tiraria a barba crescida.
_ Se os pêlos não incomodam seu lobo, pode deixar assim. Você fica sexy estilo naufrago. – Ele sorriu quando escutou a voz de sair debaixo da água do chuveiro. Ela sorria mais tranquila depois da conversa que tiveram na ilha.
_ Não posso dizer o mesmo de você… - Jacob franziu o cenho e olhando para esposa, com um sorriso sacana, disse: - Sabe, prefiro você assim, mais depiladinha.
            Em troca ele recebeu mil xingamentos e gestos obscenos em sua direção, mas que só o fez rir da situação. Ele optou por diminuir os pelos, ainda sobre os resmungos de , que murmurava algo como “sem sexo por uma década… eu sou capaz disto”. Se barbeou, mas tem tirar os pêlos completamente.
_ Está bom assim? – Perguntou a , que enxaguava o creme do cabelo. Ela nem olhou pra responder.
_ Está horrendo.
             Em dois passos ele estava dentro do box, a pressionando contra os azulejos.
_ O quanto está horrendo? – Ele perguntou, subindo a mão pela coxa dela.
_ Nem vem… você vai ficar sem isto mocinho! Se  gosta de me ver sem pêlos, então só olha! – Ela disse, mas aquilo não parecia sério.
             Ele mordeu a orelha dela e sussurrou:
_ Estou com saudade de te amar na nossa cama… em um colchão macio… ouvir o barulho dos nossos lençóis sendo rasgados por você bem no meio de um orgasmo.
            Aquilo, aliado ao corpo excitado e quente dele grudado ao dela, a fez soltar um gemido.
            Mas antes que pudessem levar aquilo adiante, tanto Jacob quanto ouviram batidas insistentes na porta da frente da casa.
_ Podem abrir. Sei que estão aí!
_Leah! – Jacob e murmuraram com caretas. Hora de enfrentar a loba.
            O casal se encarou, cada um pensando  no que fariam dali em diante. Jacob foi o primeiro a agir. Relutantemente ele se afastou do corpo molhado e nu de sua esposa e alcançou uma toalha, se enxugando rapidamente.
_ Eu cuido disto. – Ele sussurrou para e, após ter vestido uma bermuda qualquer, desceu para abrir a porta pra Leah.
_ Obrigada por não se dar o trabalho de nos avisar que você voltou do além, Alpha! – Leah irrompeu porta a dentro resmungando aquilo. Seus passos estavam apressados e sua pulsação acelerada.
_ Ei, loba. Vai com calma! Nós acabamos de chegar e… - Jacob parou, cruzou os braços e encarou Leah - …como ficou sabendo?
            Leah parecia um tanto perturbada e confusa. Sacudindo os cabelos ela disse:
_ Seth. Ele acabou de se encontrar com a Milla. E se ela voltou, imaginei que vocês também tivessem voltado. – Leah terminou de falar e olhou para cima, na direção do quarto de Jacob, com uma expressão impaciente. O chuveiro havia acabado de ser desligado.
_ Eles já se encontraram? – Jacob se aproximou mais de Leah. – Como Seth está?
            Leah pareceu desatenta por uns minutos, voltou a olhar para o andar superior enquanto os passos de ecoavam suavemente acima da cabeça dos dois. Só então Jacob passou a olhar mais atentamente. Definitivamente ela não estava em seu estado normal. Jacob podia sentir de longe a ansiedade pulsar do corpo de Leah… ela evitou a todo momento olhar em direção a ele, vez ou outra esfregava uma mão na outra, engolindo em seco e enquanto alpha, Jacob sentiu algo nitidamente distinto parecendo irradiar do corpo de sua beta… algo estava diferente. Não era de hoje que Leah estava estranha, Jacob não quis se aprofundar, mas desde que estava na ilha, percebeu que ela escondia algo nos pensamentos. Mas sempre pensou que era sobre Seth, ou sobre as suposições dela sobre .
_ Leah! – Ele chamou bruscamente e, como que pega de surpresa com a presença de Jacob ali, Leah o olhou assustada.
_ Oh, o encontro foi tumultuado, mas foi muito… muito rápido… acho que nenhum dos dois estão bem agora.  – A loba disparou as palavras velozmente, mas Jacob balançou a cabeça. Se aproximou dela, pegando-lhe pela mão e a fazendo se sentar.
_ O que está acontecendo? – Jacob disse aquilo lentamente, de um jeito calmo, mas imponente. Leah desviou os olhos, estremecendo… Jacob a conhecia bem demais e ela não estava bem para poder disfarçar nada. E além de tudo, de uma hora pra outra, seus hormônios a faziam ficar mais instável, vulnerável. Naquele momento ela tinha vontade de sair correndo para longe do olhar intimidante de Jacob. Aquilo não podia ser normal! Mas não podia ser o que ela estava pensando!
            Ela se levantou bruscamente, sentindo uma leve tontura por causa disto, seu estomago embrulhou novamente. Não!
            Jacob se levantou, agora a sua expressão estava nitidamente preocupada diante da palidez notória de Leah.
_ Você está bem? – Perguntou, tentando ampará-la, mas Leah foi hostil e empurrou suas mãos. Jacob recuou, apreensivo. Leah só o olhou, demonstrando uma espécie de angústia no olhar.
_ Eu preciso ver … - ela finalmente sussurrou, confessando a necessidade que tinha daquilo em seu tom.
_ Estou aqui.
            Jacob e Leah imediatamente olharam para o topo da escada, onde descia lentamente, seus olhos fixos na loba, como se só ela estivesse ali.
_ ! – Leah soltou o nome em uma exclamação de alívio, a loba tinha certeza que só aquela mulher poderia tirar dela aquela duvida que a maltratava nos últimos dias.
            Ao som da voz de Leah o conhecido portal de visões de se abriu, fazendo com que ela se deparasse com um futuro próximo da vida da índia. Ela respirou fundo, perdendo a cor e com um único olhar, pôs Jacob ainda mais alerta.
_ Eu preciso que…
_ Aqui não. – respondeu, interrompendo Leah. – Não tenho o que preciso aqui. Nós vamos para o hospital. Jake nos leva? – A morena olhou para o marido, com uma promessa no olhar de que esclareceria tudo quando pudesse, rezando para que ele compreendesse.
            Jacob balançou a cabeça, logo indo em direção a .
_ Vou me vestir, já desço. – Ele beijou rapidamente a testa de e subiu os degraus de quatro em quatro.
*******
_ Doutora! – Sheron se levantou em um rompante ao vislumbrar sua chefe aparecer a sua frente. Parecia que faziam séculos que ela havia partido de viagem para uma especialização no exterior, segundo o que lhe disseram.
            estava vestida somente com um jeans e camiseta, sem o habitual jaleco. Ao ver a secretária, ela sorriu, parecendo ainda mais bela do que Sheron poderia se recordar.
_ Minha sala ainda está desocupada? – Doutora Black perguntou, ainda sorrindo.
            Mas a verdade era que se sentia estranha naquele ambiente. Não se sentia acolhida, quase não se lembrava de como se embrenhava naquele hospital por horas a fio, sem se incomodar com o fato. Não se recordava de como trabalhar ali era tão importante e revigorante para ela. Assim que ela desceu do carro e entrou naquele hospital com Leah a tiracolo, tudo parecia dizer que aquele não era mais o lugar em que ela deveria estar. Aquele ambiente não lhe pertencia mais, não era familiar, as paredes pareciam se espremer para expulsá-la dali. Era como se a doutora Black que atuava naquele hospital pertencesse a outra vida.
            Em seu retorno, para o lugar de onde ela havia partido, sentiu de forma mais brusca e impactante que tudo havia mudado. Nada mais seria como antes. O seu lugar não era mais ali.
_ Claro! Doutor Carlisle preferiu ocupar outra sala. Eu tive o cuidado de mantê-la limpa e arejada. – Sheron disse solicita e eficiente como era. – Estávamos ansiosos para o seu retorno, doutora!
_ Muito obrigada por tudo, Sheron. Bom, eu vou precisar da minha sala… - Ela olhou para a mulher que estava ao seu lado. – Uma emergência com minha amiga.
_ Ah, claro! – Sheron disse, saindo de trás de sua mesa e seguindo para a sala que ocupou por um longo tempo.
            havia tido o cuidado de recolher os instrumentos básicos que precisaria para examinar Leah antes de ir para sua sala.
_ A senhora voltou pra ficar, ou está só de passagem? – Sheron perguntou, sem poder se conter.
            pensou naquela resposta mais do que deveria, mas ainda assim não conseguiu dar certeza de nada.
_ Eu ainda não sei, Sheron. – Respirando fundo, fechou a porta ficando a sós com Leah.
_ Com tudo o que aconteceu, eu não pensei que eu fosse te reencontrar assim … eu… eu nem falei com você direito. Nem com o Jake. – Leah gaguejava, ainda mais nervosa pela forma estranha como o olhar de pesava pra cima dela.
            A médica apenas sorriu e, pegando ambas as mãos de Leah, a fez se sentar.
_ Eu acho que agora não é hora de se preocupar com este tipo de cordialidade, Lee. Agora, o nervosismo não vai melhorar a sua situação… portanto, só respire fundo e procure se manter calma… cabeça fria loba!
            Leah riu, tentando arduamente controlar o seu stress. Olhou para com mais cuidado, sentindo algo diferente nela, mas não sabendo exatamente o que. Eram óbvias as mudanças físicas: a pele mais bronzeada, o cabelo mais claro, queimado de sol. Mas havia algo mais.
_ Vamos nos preocupar somente com você neste momento, Lee. Todo o resto vem depois. – foi bem sugestiva em sua afirmação e Leah não a contradisse. Ela se sentou na mesa, de frente para Leah, colocando as mãos em uma das coxas. – Então quer dizer que você acha que precisa de um médico, mas não confiou no doutor Cullen para isto?
            Leah fez um muxoxo estranho.
_ Claro que eu não ia confiar em um frio! Principalmente para… - Leah parou de falar, engolindo em seco.
            endireitou sua postura, respirando fundo.
_ Certo… Lee, eu preciso que você me conte detalhadamente tudo o que você acha que está acontecendo com você. – disse, assumindo a seriedade não só da profissão, mas também da mulher que sabia sobre o futuro da loba mais do que ela própria.   
_ Sim… bem… por onde eu começo? –Leah disse, confusa.
_ Do princípio Lee… bem do comecinho.
            Leah mordeu os lábios e desviando os olhos, começou a falar.
_ O meu corpo… quando eu me transformei, ele meio que congelou em alguns aspectos.
_ Ciclo menstrual, por exemplo. – completou, dando a volta na mesa e se sentando na poltrona.
_ Sim… eu nunca mais tive isto. Foi aí que eu descobri que eu era estéril… eu só poderia engravidar se eu parasse de me transformar. – Leah olhou para , ela tinha um olhar concentrado, mas nada disse. – Mas eu me lembro muito bem de como era a sensação de um período pré-menstrual… lobos tem boa memória. Há um tempinho atrás eu comecei a sentir coisas parecidas, mas como eu não cheguei a menstruar… e eu estava liderando a matilha… e havia toda aquela coisa com Seth… bem, eu não liguei.
_ Teve cólicas?  - perguntou.
_ Não.
_ Alteração de humor, seios sensíveis, inchaço na região do abdômen? – Ela voltou a perguntar. Aquela não era sua especialidade, genecologia,  mas já havia sido clinica geral, tinha bagagem suficiente para lidar com aquilo.
_ Isso… sim.
            confirmou com a cabeça e fez um aceno para que Leah prosseguisse. A loba espreitou os ouvidos para ter certeza de que Jacob havia atendido o seu pedido e se afastado. Mas não havia nem sinal dele por perto.
_ E tem algo mais… quer dizer… menos… hum… natural.
_ Diga, Leah. Pode confiar em mim.
_ Com Embry. Ele foi essencial pra mim por estes dias, eu acabei ficando muito mais próxima dele do que jamais estive, eu passei a sentir uma necessidade muito grande dele do meu lado… algo quase insano… que eu nunca senti.
            franziu o cenho. Pois até onde ela se lembrava, Leah tinha uma barreira com Embry pelo medo de se envolver completamente e perder novamente. tinha certeza que aquilo era a única coisa que impedia Leah de ver que Embry era sim a pessoa que deveria estar ao lado dela, a pessoa que ela havia escolhido para isto. Mas pelo modo como a índia falava, aquilo havia mudado.
_ E não é só emocionalmente. O meu corpo pedia muito mais por ele, eu sentia muito mais… muito mais…
_ Desejo? – perguntou, recebendo um aceno afirmativo da loba. – É a libido elevada… eu diria que isto é muito comum… ainda mais no período fértil. - Assim que ela terminou de dizer aquilo, o coração de Leah disparou e ela se mexeu desconfortavelmente na cadeira. – Você atendeu os desejos de seu corpo, sim?
            Leah não respondeu, virou o rosto.
_ O que você está sentindo agora?
_ Coisas estranhas. – Leah disse, seca.
_ Coisas estranhas que te fazem pensar que está grávida?
            Leah se virou bruscamente, encarando a médica estarrecida, a cor se esvaindo do rosto moreno.
_ Não… eu… sim! – Ela confessou, abaixando a cabeça, a perturbação nítida. Ela não entendia como compreendeu tão rapidamente toda aquela situação, quando ninguém mais havia o feito.           
            Doutora Black fechou os olhos e franziu a testa por um momento, mas logo sorriu.
_ Deite-se aqui, Leah. – Ela disse, indicando uma maca confortável no canto da sala, quase nunca utilizada ali. A quileute obedeceu, tirando as sandálias, se deitou rígida na cama.
            Ela observou prender os cabelos com uma caneta e, com mãos leves e sutis, apalpar seu baixo ventre e depois os seus seios. A expressão da médica nada revelava, no entanto, ela estava séria, compenetrada.
            Ela pediu para Leah esperar e fez uma assepsia nas mãos, pegou uma tira de borracha e amarrou fortemente no braço direito da paciente.
_ Não tem medo de agulha, não é? – Perguntou, finalmente sorrindo de lado. Leah negou, também sorrindo, mas bem mais nervosa. – Que bom. Um exame de sangue é o mais rápido, nestes casos.
            Rapidamente colheu o sangue a loba e se afastou, se dirigindo a sua mesa. Leah, no entanto, se espantou quando percebeu que a médica se pôs a examinar seu sangue imediatamente, a olho nu! Ela apenas colocou uma pequena quantidade em duas lâminas de vidro, ou coisa parecida, e ficou a observar. A loba arfou.
_ Não faz mais questão de disfarçar, ? – Ela não suportou, finalmente questionou a amiga tão misteriosa. 
            Sem levantar os olhos em direção a Leah, deu um sorriso torto.
_Por que ousaria continuar escondendo algo de uma mulher tão perspicaz feito você, Lee?
_ Pela mesma razão que você fingiu ser uma humana normal durante todo este tempo. – Leah respondeu imediatamente.
_ As circunstâncias mudaram, você sabe disto. – disse, ainda concentrada em seu trabalho.
            Leah bufou, exasperada com a normalidade e paciência de como falava do assunto.
_ O que diabos você é? – Ela exigiu, se pondo sentada na maca.
            finalmente ergueu seus olhos, a encarando de um jeito que fez Leah se encolher. Por um momento fugaz, Leah sentiu que deveria temer a mulher que estava a sua frente, ou simplesmente respeitá-la mais. Mas logo a expressão da moça suavizou-se, o sorriso brando voltou.
_ Não cobre respostas antecipadas. Saiba apenas que sou um ser nem tão longe de ser humana e nem tão longe de ser sobrenatural. – Ela disse aquilo dando fim ao assunto, fazendo Leah engolir suas palavras a contragosto, mas sem insistir. Novamente ela voltou os olhos para a amostra de sangue em suas mãos e suspirou audivelmente. – Eu acho que o que importa agora é você, Lee.
_ Você já… você sabe a resposta? – Novamente a ansiedade tomou conta da índia, um frio desceu por sua espinha.
            deixou a amostra sanguínea de lado e com uma força descomunal, tentou aparentar normalidade. Não queria, de forma alguma, que Leah percebesse o que via, o que compreendia cada vez melhor segundo à segundo, quando todos os eventos fatídicos que ela vislumbrava se conectavam uns aos outros de forma impecável. Aquele momento deveria ser sublime para Leah, esta não poderia perceber o quanto aquilo que ocorria consigo era motivo de devastação dentro do coração da nobre médica.
            Como se erguesse toneladas de aço em cada musculo, soergueu seus lábios em um sorriso cálido.
_ Lee, minha querida… Você não faz parte de algo simples e fácil de ser compreendido. – Ela voltou a se aproximar de sua paciente e amiga, delicadamente lhe envolveu as mãos. – Sim, Leah. Você está grávida. – Com uma de suas mãos, tocou o ventre da índia. – Aqui dentro há um ser forte e poderoso… você será mãe.
            O queixo de Leah caiu, sua expressão congelou em um completo choque e aos poucos seus olhos se encheram d’água.
_ Co-mo é pos-sí-vel? – A futura mãe sussurrou pausadamente, a voz rouca.
            “Porque os quileutes precisam de mais lobos para lutar contra o que está por vir; porque lobos mais fortes precisam nascer; porque o povo quileute deverá se multiplicar para sobreviver.” Todas aquelas foram as respostas que veio a mente de involuntariamente. Ela poderia, naquele momento, dizer a verdade que ela via diante desta gravidez, mas se refreou.  Deveria explicar tudo sob uma ótica menos fria, ou melhor, menos dolorosa.
_ Da mesma forma que nós existimos, seres constituídos por células que se multiplicam, se alimentam, que se agrupam formando cada mísera parte de um organismo. Da mesma forma como as cores de um pôr-de-sol se compõem harmoniosamente, uma flor nasce lindamente perfeita a partir de uma semente feia. A natureza é magnânima, ela é perfeita. Nada, Lee, nada acontece sem que faça parte de um todo. Cada coisa vem compondo algo. Por mais superiores que nós nos julgarmos, por mais entendidos que nos fizermos, não há como desvendar todos os mistérios da natureza. A magia  mais complexa que existe é ela. Não há o que é possível e o que é impossível, Lee. Há apenas o que é para acontecer.
            Tremulamente Leah soltou sua mão de e a levou ao ventre. Como? Como ela poderia imaginar aquilo? Quando pode tocar seu próprio corpo, sabendo que gerava vida, sentiu um arrepio arrebatar cada parte do seu corpo, a emoção lhe arrancar um suspiro da garganta e lágrimas lhe inundar os olhos. E ela chorou, as lágrimas desceram de seus olhos e morreram  em seu sorriso aberto e sublime.
_ Eu… eu… vou ser mãe? – Ela perguntou, ainda incrédula.
_ Sim, vai. – repetiu, complacente. - Nascerá o filho de dois lobos fortes e saudáveis. Não um lobo e uma mãe, como sempre aconteceu… mas de dois lobos Lee, ainda transmorfos… - Leah sorriu com as palavras, não percebendo a hesitação na voz de quando ela disse aquilo. – Ele nascerá… forte e poderoso.
            Sem fazer nenhum movimento brusco, se afastou de Leah e, fingindo arrumar sua mesa, virou-se de costas e apertou os olhos fortemente.
_ Eu tenho que contar pra Embry! Eu … preciso. – Leah disse, se levantando. A custo se virou e sorriu novamente.
_ Você está bem pra ir? – Questionou.
_ Como nunca estive! – Ela disse, estonteante. Realmente nunca tinha visto aquela felicidade plena no rosto da loba. Aquilo seria bom… alguém seria feliz.
_ Tudo bem… só não se transforme. Evite arroubos.
            Leah sacudiu a cabeça, concordando, virou as costas.
_ Lee… - chamou, fazendo a índia se virar para ela novamente.
            Em três passos ágeis alcançou Leah e envolveu o seu corpo em um abraço caloroso.
_ Que seu filho venha saudável, com luz e força. – Ela sussurrou nos ouvidos da amiga, que chorou mais com suas palavras. Queria poder estar tão feliz e leve como Leah estava, mas uma pontada lhe golpeou o peito e não pode mais se conter, uma lágrima gélida lhe escapou. Se afastou rapidamente. – Agora vai… e nos conte depois como Embry reagiu. – disse, virando as costas, sem poder conter o tremor na voz.
            Leah, estando em um mundo a parte, não percebeu os humores estranhos de . Sorrindo ela se foi. ficou estática, ouvindo os passos de Leah até que ela saísse do hospital e se afastasse consideravelmente, até que não pode mais ouví-la…   Quando se deu conta que finalmente estava só, se rendeu a avalanche tempestuosa de seus sentimentos. Suas pernas amoleceram, seu coração se contorcia rebelde dentro de si, uma corrente de espinhos parecia lhe apertar a garganta. Grávida! Leah estava grávida!
            O problema  para não era a gravidez, mas o que a criança representava. Assim que pôs os olhos na loba, descendo as escadas de sua casa, viu a criança, o filho de dois lobos fortes, no auge da vida transmorfa, quando a magia dos genes lupinos corriam nas veias dos pais de forma latente. A criança que Leah daria vida seria mais forte do que qualquer lobo de La Push, e sim, ele se tornaria um lobo.
            tinha certeza de que jamais uma criança quileute havia nascido de uma  situação parecida. Os ventos pareciam lhe sussurrar que a criança que estava vindo seria, num futuro nem tão distante, o lobo mais forte, tão ou mais que o próprio alpha. A morena entendia o porque disto, tal como ela dissera, a natureza tinha uma dinâmica perfeita, tanto para a destruição, quanto para a criação. Em sua mente, a sequencia dos fatos aprecia em um ciclo perfeito e devastador: Jacob morreria, o alpha não tinha herdeiro, quem o substituiria? A criança que Leah carregava seria um sucessor digno de estar no lugar do alpha, talvez como nenhum outro Black poderia estar. Os sobrinhos de Jake não seriam assim.
            A mestiça de elfo e humano fechou os olhos e viu o seu pior pesadelo: o Jake… o sangue se esvaindo incontrolavelmente de seu corpo, sem controle, sem volta… morrendo. Depois via o nascimento do filho de Leah, os seus cabelos negros, sua pequena face corada, seu riso amplo e aconchegante. Ele veio para ficar no lugar em que o filho de Jake deveria ocupar após a morte do pai.   
            caiu ao chão, abriu os olhos e se encolheu em uma posição fetal. Mas os olhos abertos não a impedia de ver a mesma coisa, a todo momento. Durante todo aquele tempo, permaneceu firme e crente de que impediria que levassem Jacob de si, de que impediria que a morte o tomasse de seus braços. Havia decidido que faria de tudo, daria vida e alma por ele, não deixaria Jacob morrer! Mas o seu poder cruel vinha para lhe impor o carma de seu destino por meio de visões, como se debochasse da crença inútil de que ela poderia superar os desígnios de vida e morte.
            A criança de Leah era a prova cabal de que o destino era mais forte do que ela…
_ Não! – Ela soltou em meio a um espasmo de dor. Apertou as mãos na cabeça… não queria aquilo, não queria ver! – Pare! Pare, pare, pare! – Ela pedia, se balançando pra frente e para trás. O quão doloroso seria perder o seu amor de alma vezes seguidas? Era assim que se sentia enquanto via tudo aquilo.
            E ela nem fora capaz de gerar um herdeiro! Se lembrou do riso de criança que via enquanto passava momentos com Jake. Chegou a pensar que ele seria de seu filho, mas agora não pensava mais assim. não poderia ter certeza, não deveria ter, mas seu desespero a fez entender que a criança que viu enquanto estava nos braços de Jacob era o filho de Leah, e não o seu. Assim ela interpretou suas visões.
            Socou o chão, caindo de frente, ainda encolhida, sentiu o gelo do piso contra a sua testa. Seu corpo se sacudia em pranto e em dor.
            Carga cruel a moça tinha sobre si, de ver mais do poderia suportar. Desejou desesperadamente o aconchego de alguém, alguém com o poder de lhe dizer que tudo aquilo era só um pesadelo, um sonho ruim que logo passaria. Mas não havia quem pudesse fazer isto.
            Tal era o seu topor, que ela não sentiu o cheiro, não ouviu a aproximação, não ouviu o chamado.
_ … - A voz dizia. Mas a moça não se importava, apenas chorava. Não queria, não podia permitir que ele morresse! – !
            A voz lhe chamou de forma mais contundente, mas foi inútil, o pranto descontrolado não cessava. Ela não percebeu que seu choro beirava o descontrole até sentir mãos frias envolverem seus ombros, não se deu conta do quão alto estavam os seus soluços até que o frio lhe despertou para o tempo presente.
            Os olhos turvos da morena se fixaram no vampiro a sua frente, em sua face contida, seus olhos dourados. Carlisle Cullen a olhava assustado, e deveria, pois a mulher estava tendo um colapso.
_ Será culpa da tua maldita raça! – Ela vociferou para o vampiro e cruelmente libertou todo o seu cheiro, até ver o extremo controle de Carlisle se esvair, até se deparar com a sede assassina nos olhos do frio. Ela tinha que culpar e se vingar de alguém!
            Ele avançou, ensandecido pelo sangue, sem controle. De um único golpe de fúria e descontrole, lhe quebrou o pescoço, mais veloz do que pensou que de fato era. Depois soluçou ainda mais, ao se dar conta do que fizera. O amado avô de Nessie. Ela se afastou do corpo do vampiro, forçou-se a tornar seu cheiro sutil novamente e cobriu o rosto com as mãos.
_ Doutora!? Doutora Black, está tudo bem?
            Os olhos de voaram para a porta, onde Sheron chamava.
_ Volte ao trabalho! – Sua voz saiu seca, ríspida. Jamais tratou qualquer pessoa daquele hospital de tal forma. Ouviu os passos incertos da secretária ir pra longe.
            Voltou a olhar o médico vampiro a sua frente. Só tivera o pescoço deslocado, já estava se recuperando. se levantou do chão penosamente e foi ao banheiro de sua sala, onde lavou o rosto rapidamente.
            Bravamente conseguiu controlar seu choro, respirando fundo vezes seguida. Ouviu um movimento vir de Carlisle e velozmente pegou sua bolsa e saiu da sala, o deixando lá dentro. Vasculhou dentro da bolsa até achar um óculos de sol, colocou-o e foi de encontro a Sheron, que lhe dirigiu um olhar assustado.
_ Eu… tive más notícias. – Tentou explicar, para amenizar a situação. A pobre secretária nada entendeu, mas acenou afirmativamente, percebendo que não teria mais explicações do que aquela. – Quando Jacob vier me buscar, diga que já fui pra casa… e não diga mais nada além disso. Tudo bem?
            Sheron afirmou, seus olhos condolentes, estava doída por ouvir tamanha dor na voz da bela médica. se afastou, sem dizer mais nada, indo para casa. Precisava de Jacob… agora e sempre!
            Ela se esquivou de todos que pudessem querer falar com ela, saindo apressadamente do local, porém não foi muito longe e Jacob a alcançou. O carro parou na frente dela e Jacob desceu imediatamente.
_ ! É verdade o que eu ouvi de Embry agora? Leah está… ? – Jacob parou de falar assim que percebeu os modos de sua esposa, a angustia de sua expressão, a lágrima que escorria por baixo dos óculos.
_ Jake! – Ela disse, lhe agarrando possessivamente. Jacob a apertou por entre os seus braços. Firme, segura. – Me leve pra casa… me ame… pra sempre! – Ela pediu, implorou.
            Jacob não questionou nada, a pôs dentro da BMW e voou para a casa no alto dos penhascos. Mal pode estacionar, saiu impulsiva do carro, dando a volta e lhe puxando pelo braço.         
_ , o que foi? – Ele perguntava, mas ela seguiu lhe puxando, até que entrassem na casa.
_ Não me deixe! Prometa pra mim que você vai deixar tudo de lado, até mesmo eu, e lutar por sua própria vida mesmo quando você pensar que não pode mais! – A voz da morena ao exigir isto fez o coração de Jacob se espremer.
            Jake a puxou para o meio de seus braços, inclinou a cabeça dela em seu peito e lhe beijou o topo da cabeça.
­_Meu amor! Tudo vai ficar bem! – Aquela frase escapou da boca de Jacob com uma facilidade e uma fé imensa, parecia que estava enraizado em seu coração. Era exatamente a mesma frase que Nessie havia lhe repetido por incontáveis vezes.
_ NÃO! – O grito de saiu abafado por seu rosto estar enterrado no peito do marido. Ela se debateu até que pode encarar Jake novamente. Seus olhos inchados e vermelhos do pranto encurralaram os de Jake com uma fúria exigente, um amor tempestuoso. – Prometa! Prometa! Tudo pela sua vida! Me ajude Jake! – Com as duas mãos a moça agarrou o rosto do marido. – Me ajude a lutar por sua vida!
            Jacob então, se esforçou por fazer aquela promessa, se esforçou pra dizer aquelas palavras que aquietariam o coração de sua amada… mas não pode. Sua garganta fechou, sua língua travou… ele não era capaz, não era capaz porque sabia que aquela promessa iria de encontro com a promessa que ele já tinha feito por ela, com Quendra.
_ Eu não posso… - e quando ele disse aquilo, pode ouvir e ver o coração de Jacob parar. Uma dor intensa lhe veio no peito, ela apertou o meio dos seios e se afastou de Jake.
_ Não… - ela sussurrou, sua voz fraca. A testa da moça enrugou e seus lábios ficaram brancos.
            Jacob correu de encontro a ela novamente, a pegou no colo e correu escada acima. A deitou na cama já sentindo seu corpo completamente mole.
_ Meu amor! Não faz isto comigo, ! – ele pediu, sofrendo.
_ Não fa… faz isto comigo, Jake! – Ela disse, por sua vez. – Eu preciso da tua vida! Por favor!
            A lagrima desta vez banhou o rosto de Jacob, ele colou sua testa na dela.
_ A minha vida está em você! – Ele disse, sua voz grave e rouca irrompendo os ouvidos de e agarrando o seu coração doente. – Eu vivo  em você!  Seu respirar é o meu respirar, teu coração é o meu. Nada pode me separar de você, nada pode me fazer morrer em você! Nada! – Embora não passasse de um sussurro, a voz de Jacob atingia como um forte brado.
_ Não! AH!!! – Ela gritou, o grito arranhava sua garganta. Ela não queria que ele se sujeitasse assim, e ele estava! E ele não podia!
            De repente o corpo de ficou imóvel na cama, a respiração dela parecia cortar aço. Jacob não se moveu. Não se moveu nem mesmo quando sentiu a chuva branda que caia naquele pedaço do Noroeste Pacífico se revoltar, nem mesmo quando sentiu ventos fortes arrombarem os caminhos abertos de janelas e portas e invadir furiosamente a casa.
            Dentro de , no cerne de seu coração, deu-se a revolta. A magia grandiosa que havia dentro da mulher deu um gosto de sua dimensão e ela sentiu o frêmito de seu interior diante daquilo. Ela queria arrancar, libertar tudo, todo o poder, para reivindicar a posse sobre a vida ou a morte de Jacob. Os olhos dela se abriram, como duas pedras de andradite e focaram em Jacob.
_ Você vai viver. – disse. Não era uma ordem, não era uma profecia. Era a proclamação de uma fé amorosa e suprema, um pedido poderoso que tinha a pretensão de chegar aos ouvidos de Deus para que Ele fizesse isto valer da forma como deveria ser. nada mais poderia fazer, pois ainda que se tornasse rainha, só poderia imperar em um plano inferior ao Supremo Sagrado.
            Mas a fé daquela mulher, naquele momento, teria força para destruir a Terra de seu Núcleo até a Atmosfera.
            Então tudo parou: ventos, tremores e mágica. Restou apenas o corpo exausto e dolorido de e um homem reclinado sobre sua amada, beijando-lhe ternamente o rosto. ainda o olhava, seus olhos ainda presos nos dele, seu amor intocado. Ela percebeu que Jacob estava certo: nada faria ele morrer nela, tampouco faria ela morrer nele. O amor era infindo, perene.   
_ Ama-me! – Sussurrou, recebendo como reposta nenhuma lágrima, mas o sorriso lindo e imortal de Jacob Black.
            Desfizeram-se das roupas, deixaram os corpos nus. Sentiram a pele um do outro de forma que só amantes amados podem sentir, como se um fosse a continuação do outro. A dança lenta da criação humana passou a ser regida pelo casal. A cada toque de Jacob, fremia, ardia, gemia. Sua voz doce e entregue queria se declarar, queria dizer o quanto amava, mas de seus lábios, enquanto sentia a impetuosidade do corpo de Jacob dentro de si, só escapava: Jake, Jake, Jake, Jake…  
            A Jacob, no entanto, ouvir seu nome dito pela voz de sua esposa, cheia de gozo e amor,  era tudo o que poderia ansiar, dava-lhe tanto prazer quanto sentir seu membro sendo envolvido pelo interior dela.
_ Vem… vem… Em cima de mim… em cima… - Jacob disse, de repente, depois do primeiro orgasmo de , ao qual ele se recusou bravamente em acompanhar.
            Ele lhe pegou os quadris, inverteu as posições, a colocando sentada sobre si e a fazendo descer lentamente sobre o seu membro,  o tirando quase todo dela e descendo ao máximo, tudo, até que ela o pudesse sentir inteiro dentro dela.
_ Devagar… - a voz dele lhe dizia, a boca férvida colada ao lóbulo sensível de sua orelha. – Cavalgue-me… - ele ergueu o quadril dela e abaixou sob si, os olhos negros hipnotizantes mantendo os dela aberto e presos aos seus. - … devagar… quero te sentir assim… devagar… - a voz dele parecia ter até sabor, tão deliciosa era, tão capaz de lhe provocar prazer por todo o corpo.
            Não havia pressa, porque ambos queriam eternizar o momento, gravar-se um no outro. Jacob não tinha a face triste, não havia um resquício de pesar ou medo em seus traços. Naquele momento ele oferecia a sua mulher sua mais pura essência, de criatura divina que era. Ele sorria, em seus olhos reluzia prazer e amor, paixão e devoção. Mordia os lábios, de um jeito sapeca, quando descia completamente o seu quadril sobre o seu membro e ele se movimentava, rebolando deliciosamente embaixo dela.
            O prazer, a anunciação do orgasmo, fazia ter gana de mais: mais força, mais velocidade. Jacob sorria e se recusava, lhe segurava firmemente os quadris a impedindo de se movimentar como queria, ainda que ela estivesse por cima. rugia e a ânsia de prazer se multiplicava. Então ele a trazia para perto pela nuca e a beijava languidamente, sua língua dançando com a dela com uma suavidade que enlouquecia e que fazia o beijo ser muito mais intenso e arrebatador. Dava sede.
_ Mais… - ela pediu, enlouquecida.
_ Pensa que eu não queria estar metendo forte e rápido em você, minha linda? – Ele sussurrou, ainda ao pé do ouvido. – Eu vou fazer isto… ainda vou… mas vou te enlouquecer antes e te sentir minuciosamente… - dito isto ele lhe lambeu a orelha.
_ Hummmm.... – Ela gemeu. – Jake…  … Jake…
            Jacob cumpriu a promessa a risca, enlouqueceu , transportou-a em um mundo seu, a sentiu completamente e a fez lhe sentir. Ela pode perceber o orgasmo se formando em seu interior como uma promessa de morte… impossível de suportar… resistir… lutar contra.
            Repentinamente Jacob mudou as posições novamente, caindo sobre ela e arremessando forte e lento. Acelerou aos poucos, seguindo a intensidade da respiração de , até que perdeu o controle. Ele queria apenas se perder nela. A voz ficou entalada na garganta de , nem gemidos ela tinha força para soltar… E o orgasmo veio realmente como uma morte, devastando ambos e oferecendo  uma paz tão sublime, tão pura… 
            Era a mais linda morte que poderiam ter, no mais intenso momento de suas vidas.
(N/A: é imprescindível a leitura da N/A no fim do capítulo) CAPÍTULO 49
O INÍCIO, O FIM
“Uma sombra perpassa, toda vagarosa,
pelo campo amargo do acônito e cicuta.
Ela abre largas asas de carvão e oculta
um corpo cor de medo na veste ondulosa.
Todo o seu grande ser, belo como um lenda,
tem perfumes subterrâneos de argila e avenca.
Nas suas mãos frias e embalsamadas de óleos
há dez unhas agudas que vazam os olhos.
Ela traz asfódelos e heléboros bravos
em torno dos cabelos negros como víboras.
Ela ri sempre: e o seu riso de dentes alvos
brilha como um punhal mordido entre as mandíbulas.
Os homens fortes sorriem quando ela chega:
os poetas, à sombra ilustre da árvore grega;
os heróis, sob as asas de ouro da vitória.
— Porque ela talha as estátuas e a engendra a glória!”
(Guilherme de Almeida)
            Na base das costas, quase na curva de seus quadris, um beijo quente foi depositado. Ela sorriu. Outro beijo, mais acima, no meio das costas, seguindo a curva da coluna.
_ Jake! – Ela murmurou, sorrindo preguiçosa. – Deixa eu virar! – pediu.
_ Quieta! Continue de costas! Só eu beijo. – Ele ordenou, sua voz mais imperativa. Ela riu, mas estremeceu quando os beijos chegaram em sua nuca. – Vire-se. – ele sussurrou, quando já estava completamente entorpecida com os beijos nos ombros e nuca.
            Obedeceu.
            Ele voltou para os pés dela, e tal como fez com a parte de trás, beijou cada parte do corpo de . Beijou os pés, subiu para as pernas, coxas, virilha. Riu quando ela suspirou um audível “ah” quando ele lambeu seu sexo, mas prosseguiu com o caminho de beijos, pela barriga, pelos seios, onde ele foi lento e minucioso. Beijou gostosamente cada mamilo entumecido, envolveu o seio firme com seus lábios de forma carinhosa… Era exatamente isto, um carinho manhoso que ele fazia, após incontáveis horas de amor. Ela ronronou sob os lábios dele.
_ Relaxada? – Ele sussurrou, quando finalmente chegou a boca e começou a lamber e morder os lábios de , levemente.
_ Hummmmm... – foi a resposta. Ele riu abertamente em seu ouvido.
_ Gostosa… - ele disse provocante, enquanto lhe apertava as coxas e nádegas. Ela riu.
_ Gostoso… - Ela respondeu, lhe beijando mais ousadamente, acariciando a boca dele com sua própria língua. Jacob fechou os olhos e prendeu a respiração para melhor degustar.
            Ele se virou e a puxou para cima dele, para se deitar. Ficaram um momento assim, sem nada dizer. Ele fazia de tudo para que ela ficasse relaxada, calma. E foi assim, enquanto lhe acariciava os cabelos, que ele tocou no tão temível assunto.
_ Que tal  me explicar um pouco mais sobre esta coisa de gravidez da Leah? – a voz dele não passava de um murmúrio suave, mas imediatamente ele sentiu o corpo dela enrijecer. Puxou a cabeça dela em direção a sua, beijou-a até que ele próprio ficasse sem folego e sorriu, um sorriso de confiança.
Compartilhar… Era aquele o pedido que as atitudes de Jacob denotavam.
_ A criança de Leah é um verdadeiro milagre. Uma concessão dos espíritos de sua tribo. Mais crianças fortes como ela virão. – Ela disse, enquanto alisava o peito largo de Jake e entrelaçava mais as pernas nuas nas dele.
_É mesmo? – Jacob comentou, levemente, sem parecer se abalar. – O quão forte ela será?
_ Muito…nestes tempos, os genes lupinos se manifestarão logo na puberdade. Eu vi isto e eu sei disto. Quando eu toquei na barriga de Leah eu senti uma força poderosa naquela criança, ela me permitiu ver mais, sentir mais de si. Então eu senti a mesma onda vigorosa de magia élfica que sinto quando você se transforma em lobo. Coisa que não sinto em nenhum outro lobo da alcateia. A criança tem a alma muito pura ainda, por isto mesmo é mais forte. – parou de falar, engoliu em seco, logo sentindo o abraço de Jacob se estreitar, oferecendo mais conforto. – Eu senti que ela poderá ser tão mais poderosa quanto o alpha.
            Jacob riu, uma risada estrondosa. arregalou os olhos e se ergueu para melhor encará-lo.
_ Então quer dizer que o pirralho de Leah pode roubar meu lugar é? – Ele disse, divertido.
            o encarou impaciente, voltou a se deitar, porém mais afastada dele.
_ Talvez, ele venha justamente para isto… para ficar no seu lugar. – sussurrou e Jacob percebeu de imediato a melancolia em seu tom de voz. Tornou a puxá-la para cima de seu peito.
_ Por que você diz isto? Nem Leah e nem Embry descendem de alguma linhagem de Alpha. Ao contrário do que acontece com os meus sobrinhos. Não seria natural que eles ficassem em meu lugar? – Jacob procurou disfarçar o desconforto que sentia enquanto conversava sobre aquilo, como se presumisse o que aconteceria depois de sua própria morte. Ele conseguiu disfarçar bem, porém não.
            Ela se levantou em um rompante, nua como estava, e se meteu  no banheiro, levando consigo uma peça de roupa qualquer que encontrou no chão.
_ Não Jacob, eles não teriam a sua preponderância como alpha, ainda que se transformassem, justamente por sua causa. Você nasceu e requisitou a posição de alpha com uma impetuosidade maior do que o comum. E toda a magia que havia em seu sangue foi direcionada a você, nesta geração. Só pode ser isto, do contrário suas irmãs teriam se transformado assim como Leah. Mas nenhuma delas se desenvolveram nesta magia como você, consequentemente, os seus sobrinhos nunca seriam tão fortes quanto os seus próprios… filhos. Os genes lupinos são melhor transmitidos de pai para filho, principalmente quando se trata do alpha. – Nas ultimas palavras, a voz dela saiu em um murmúrio mínimo, Jacob quase não pode ouvi-la.
            A voz de estava apertada, agoniada, enquanto atravessava as paredes do banheiro e chegava aos ouvidos de Jacob. Ele sentiu um certo amargor quando mencionou a palavra “filhos”, como se ela invejasse a posição de Leah, ou como se lamentasse não estar gravida. Ele respirou fundo, procurando reordenar sua mente, pedindo auxílio aos espíritos dos seus para ilumina-lo. Mas continuou com o assunto, algo em si o impulsionava a saber mais, e parecia ter adquirido a sabedoria reservada aos elfos sobre a magia que envolvia sua linhagem.
_ Você viu ele no meu lugar? Foi isto? – Ele perguntou, surpreendentemente mantendo a calma. , no entanto, não respondeu. Jake pode ouvi-la suspirar arduamente e permanecer quieta. Ele se recostou na cabeceira da cama e esperou até que finalmente saísse do banheiro vestindo sua camiseta.
            Ela não lhe olhou, se dirigiu com uma postura rígida para a sacada e olhando para o mar de La Push começou a falar, com uma voz fria, como se estivesse distanciada de tudo aquilo.   
_ Eu não vejo tudo claramente… o que eu vi é que ele poderia ocupar o seu lugar em certo momento… eu não sei o quando. Não tenho a experiência de Quendra ou de qualquer um dos outros elfos pra desvendar o que sei, eles tiveram milênios para isto. São informações esparsas, cabe a nós interpretá-las. – Disse, simplesmente.
_ Então, quer dizer que você pode estar errada em algumas coisas? – Jake voltou a perguntar, se aproximando dela.
_ Sim… há uma possibilidade remota… de eu estar errada. – Ela disse, a voz rouca. Apertou os olhos. – Mas aquilo que mais me apavora, é o que se mostra mais claramente a mim.
            Jacob não ousou perguntar mais sobre aquilo. A abraçou por trás, e beijou-lhe o ombro.
_ Jacob… tem gente que enxerga demais na redondeza e você está completamente nu. Saia desta janela, ok?
            Ele riu e não se moveu... apenas endireitou o corpo dela na frente do seu.
_ Você já pensou na possibilidade que você pode estar presa sempre ao pior lado? Interpretando tudo da pior maneira?
            Não, ela não tinha pensado naquilo.
_ Talvez… - Ela disse, relaxando mais nos braços dele.
            Ele a virou, fazendo-a ficar de frente pra si. Ela, por sua vez, o empurrou para longe da sacada.   
_ Vamos combinar o seguinte. – Jacob disse, sorrindo. O peito de se apertou: como poderia haver vida sem aquele sorriso? – Vamos viver um dia de cada vez… Não se esforce pra entender mais nada além do que o que acontecer no agora. A vida é maior do que tudo isto… talvez ela nos surpreenda. Ela sempre nos surpreende.  
            se concentrou no conforto dos dedos quentes dele retirando a sua franja dos olhos.
_ Vou tentar… - sussurrou.
            Ele lhe beijou a testa.
_ Você sabe que é preciso mais empenho que isto.
 _ Tudo bem. – Disse, engolindo em seco. Jacob percebeu que não conseguiria mais nada além daquilo.
_ E no agora… que tal se você me ajudasse a tomar um banho… - ele lhe mordeu a orelha. - …me vestisse… - desceu a mão pelas costas dela até chegar a bunda e apertar. - … porque eu tenho que visitar o pavilhão e ver os lobos de perto.
            Foi fugaz, mas não passou despercebido a hesitação de por um segundo. Ela se conteve rapidamente.
_ Você tem mesmo que ir? Vai seguir com a oficina? – Ela perguntou, como quem não queria nada. Mas Jacob sabia que ela queria, na verdade, lhe manter atrelado a ela o tempo inteiro.
_ Não é a mesma coisa a oficina… eu não tenho mais a preocupação que deveria ter com toda esta coisa de trabalho. Mas ela foi uma boa distração para Seth nestes dias. Ele trabalhou bastante e isto evitou que ele enlouquecesse. Tem alguma… utilidade. – Jake fez uma careta. - Vou seguir com tudo… até onde der.
            Ela entendia muito bem o que Jacob dizia. Foi exatamente assim que se sentiu quando entrou no hospital. Não parecia mais fazer sentido seguir com um trabalho tão … humano.
_ E você não poderia adiar isto mais um pouquinho, pra ficar comigo? – Ela fez uma carinha linda de criança pidona. Jake riu e fez que não com a cabeça.
_ … nós não vamos adiar nada. – A voz dele foi um pouco mais firme desta vez, finalizando aquela discussão.           
            A morena engoliu o bolo na garganta e sorriu.
_ Te ajudo a tomar banho se eu puder tirar uma casquinha. – Ela sussurrou, deslizando os dedos pelo peito nu de seu marido.
            Ele estreitou os olhos e logo mordeu o lábio inferior, fazendo uma cara safada.
_ Esta era a intenção.
            riu.
_ Eu também queria saber das meninas… como elas estão. Principalmente Milla. – Ela disse, enquanto já se encaminhavam para o banheiro.
_ Não tem possibilidade de você estar a pelo menos um quilometro de distância da casa dos Cullen! Eu posso até confiar na Nessie e na Milla perto de você, mas eu tenho certeza absoluta que qualquer um dos outros Cullens saltaria no seu pescoço na primeira oportunidade. – Jake despejou tudo carrancudo, fazendo o encarar com uma sobrancelha arqueada.
_ Ei, calma! Os Cullens são meu menor problema. – Então ela fez um careta. – E eu meio que cometi um deslize… não é bom eu estar perto de qualquer um deles agora.
            Jacob parou a meio caminho.
_ Deslize? – Perguntou. fez uma cara de culpada.
_ Eu me descontrolei esta tarde, era muita coisa na minha cabeça e… quando eu vi eu quase tinha arrancado a cabeça do Carlisle. – Ela confessou, se encolhendo quando a expressão de Jacob se convertia em um completo espanto.
_ Você… merda! Eles vão ficar malucos. Todos eles!
_ Jake, todos os Cullens, principalmente Edward, sabem que eu não sou uma humana qualquer. Eles não vão ficar completamente espantados com a minha habilidade em decepar um vampiro. E eu acho que as meninas podem controlar uma possível… revolta deles.
            Jacob rolou os olhos.
_ Acho difícil conter os ânimos deles. Você é a segunda Black que chega muito perto de arrancar a cabeça de um Cullen. O primeiro foi eu mesmo. E eu pensei que você estava empenhada em fazer uma política de boa vizinhança com eles… como vai ser agora?
            sacudiu a cabeça e soltou uma espécie de rugido.
_ Podemos pensar no banho? – Ela finalmente disse, apontando o chuveiro.
_ Como pensar no banho, ? – Jacob vociferou, como se repreendesse duramente. Ela imediatamente recuou, assustada, pensando que ele finalmente havia sucumbido a toda a avalanche de tensão que pairava ao redor deles. Mas logo o rosto dele se modificou, e com uma carinha meio melancólica, meio safada, ele disse: - Tudo o que eu menos quero fazer neste banho é pensar.
            Então, com um rosnado que estremeceu cada milímetro da pele, Jacob avançou para a encarcerando em seus braços com um desejo animalesco. De certa maneira, aquele era um jeito de sucumbir a tensão.
*************
            Ele só precisava de um momento a sós. Ordenou que todos os lobos se destransformassem. Havia silêncio em sua mente, havia silêncio dentro, mas não havia paz. O lobo alpha estava próximo a beira mar, sentia o cheiro de maresia em suas entranhas, o vento frio do mar penteava os seus pelos. Como animal tudo lhe parecia mais claro, mais simples.
            Jacob se lembrava bem de como deixou em casa, do sorriso sofrido que ela lhe deu, de seu olhar que parecia querer tatuar cada um de seus traços na retina dela. Doía ver ela assim. Ele não tinha medo por si mesmo. Ali, como lobo, isto parecia fácil. Ele lutaria para proteger os seus, até o fim. Era o seu dever, sua condição de vida... e ele, como criatura mística que era, sabia que chegava o momento em que isto seria tão necessário como jamais foi em toda sua vida de transmorfo. Ele não era mais um menino que maldizia a sua sorte, a sua condição.
            O grande lobo, no entanto, não podia suportar o medo claro nos olhos da sua amada. Ele olhou pra cima: que Deus lhes concedesse forças... a ele e a ela. Suspirando pesadamente ele sacudiu a cabeça, voltando a se recordar em coisas mais amenas, do que havia passado durante aquela tarde. Tudo pareceu quase normal.
            Depois do que parecia décadas, ele voltou a pisar em sua oficina, que durante muito tempo, havia sido o seu sonho... O sonho do menino Jacob, que fuçava em qualquer ferro velho tentando fazê-lo funcionar. Ele havia deixado tudo aquilo que finalmente havia construído nas mãos dos garotos mais jovens da tribo, de antigos colegas de trabalho de Seattle e de Embry. Estava tudo a pleno vapor, ele não parecia fazer falta, Seth parecia o ter substituído perfeitamente. Durante todos aqueles dias ele passava a maior parte de suas horas lá, debaixo de um carro ou com a cara em um motor. Acabou aprendendo muitas coisas por si só, e em pouco mais de dois meses, fazia muito mais do que qualquer trabalhador de lá. Com tudo isto eles haviam entregue a encomenda dos chineses, a primeira da oficina, duas semanas antes do prazo.
            Quando Jacob chegou na oficina, Seth estava mexendo no motor de três motos Kawasaki. Ele viu Jacob, o viu conversar com todos, viu a pequena comemoração que teve com Embry, que havia descoberto que seria pai, mas não se mexeu do lugar em que estava. Seus olhos completamente centrados no que fazia, sua mandíbula cerrada, ele mal murmurou um parabéns para Embry.
            Durante o restante do tempo, Jacob foi para o lado de Seth e se pôs a trabalhar silenciosamente, o tempo todo. Quando estavam de saída Seth lhe deu um meio sorriso e um sussurro mínimo:
_ Obrigado por cuidar dela. – Foi só o que ele disse, antes de virar as costas e ir embora.
            O lobo castanho soltou um latido-risada ao se lembrar disto. Seth sempre teria aquela alma boa e grata. Não importava pelo que passasse.
            O vento frio sacudiu seus pelos em uma rajada mais forte, mudando de direção. Com o vento, veio uma sensação desagradável a Jacob... a sensação estranha de que estava sendo observado. A fera se levantou, em um movimento sutil, rondando o local com os olhos estreitados, inspirando qualquer cheiro distinto.... nada! Mas a sensação continuava. Apertou os olhos negros, aquilo poderia ser uma paranoia, sua mente brincando consigo devido a tensão. Voltou a se sentar observando o fim do pôr do sol, porém mais desconfortável do que antes.
            Logo isto se aliviou, quando ele pode sentir alguém que conhecia se aproximando. O passo dela era quase imperceptível, estampado em seu rosto havia um sorriso brando de reconhecimento... Ela parecia uma aparição dos céus, tão linda que estava. Os cabelos arrumados, parecendo recém cortados, roupas finas: um jeans justo, uma jaqueta de couro que deveria ser muito cara. O lobo soltou uma baforada... ela tinha realmente, entrado para a família Cullen.
            Depois de certa tensão, agora praticamente superada, Milla chegou perto de Jacob e lhe acariciou os pelos.
_ Pensando sentado nas patas cachorro? – Ela brincou, suave.
            A criatura bufou largamente, Milla riu.
_ Perdeu as calças no caminho! – Milla disse, tirando de trás das costas e sacudindo o que o lobo reconheceu ser sua calça jeans, que ele pensou estar amarrada em sua pata.
            Um leve rugido e ele abocanhou a peça entre os dentes, se metendo atrás de algumas arvores. Não demorou muito ele voltou sob dois pés, os cabelos completamente desgrenhados.
_ Que roupa é esta sanguessuga? E esta cara de Patricinha? – Ele perguntou, fazendo uma careta engraçada.
_ Gostou? – Ela deu uma volta em torno de seu eixo. – Coisa de uma baixinha espevitada e uma loiraça arredia.
_ Sanguessuga Alice e chupa sangue Rosálie. – Jacob disse, como se traduzisse o que Milla havia dito. Novamente ela riu, sem que, no entanto, este riso lhe iluminasse os olhos.
_ Tem se dado bem lá? – Ele perguntou, cruzando os braços. Um leve relâmpago de angustia brilhou nos olhos dela, ainda vermelhos.
_ Eles são bons... me receberam com carinho... podem se tornar minha família uma dia. Mas é que... eu ainda não sinto como se o fossem. – Ela apertou os olhos. – Eu não queria estar lá Jake, não queria estar assim. – Ela fez um gesto, apontando para si mesma.
            Jacob exalou.
_ Mas você está Ludmilla.... e você é exatamente isto. Nós não podemos mais mudar o passado, ninguém pode. Não nos tornaremos fortes, tão pouco aprenderemos a viver se  a gente perder tempo lamentando tudo o que gostaríamos de ter e não temos.
            Milla estreitou os olhos e depois abaixou a cabeça.
_ Eu... eu sei. – A voz dela saiu engasgada.
            Jacob praguejou baixinho. O que ele estava fazendo?? Ela era uma criança! Milla só tinha recém completados 17 anos! Ele andou rapidamente em direção a ela, não se importando com mais nada e a apertou no meio dos seus braços. Ela não recuou, recebeu de bom grado o abraço. Um sentimento fraterno invadiu o coração de Jacob naquele momento, como se os céus atestassem o fato de que Milla fazia parte dos seus.
_ Você terá uma nova família, Milla... e se sentirá bem com ela. Você tem a mim e a ... não sou tão velho, mas você pode nos considerar seus segundos pais... ou irmãos mais velhos! – Ele sussurrou, Milla sacudiu a cabeça em seu abraço.
_ Sim… sim. – Ela disse.
            Jacob se apertou mais no abraço, tentando confortar e ser confortado ao mesmo tempo. Mas eis que, repentinamente, Milla enrijeceu em seus braços. Jacob sentiu o peito dela, estranhamente quente, aquecer ainda mais em contato com sua pele.
_ O que foi? – Ele perguntou. Ela se afastou rápido de mais, se curvou como uma fera acuada e rosnou.
_ Não estamos sós.
             Jacob imediatamente prendeu sua atenção no ponto da floresta em que Milla tinha os olhos fissurados. Um arrepio frio atravessou sua espinha e, antes que pudesse tomar qualquer atitude, ou perceber alguma coisa que fosse, Milla já tinha desaparecido, se embrenhando na mata. Imediatamente ele explodiu em lobo e uivou, com todo o seu folego. Maldita hora que ordenou que todos se destransformassem.
            Rapidamente ele seguiu para o lugar onde Milla desapareceu, devorando o chão com suas patas velozes. Não demorou muito ele percebeu a primeira mente se conectar a sua. Uma sensação de pânico lhe invadiu.
_ Sam?
            Era Sam! Sam tinha voltado a se transformar! Não era possível! Jacob vasculhou a mente de seu antigo alpha, enquanto outros lobos se uniam a eles, igualmente espantados por ver Sam ali.
            Sam simplesmente havia explodido em lobo, de forma dolorosa, mais dolorosa como jamais foi uma de suas transformações, assim que ouviu o uivo alto e forte de Jacob. Mas não havia tempo para pensar em porquês. Os lobos ouviram o rugido alto e nervoso de Milla e logo depois uma gargalhada fria.
_ MALDITA! – Milla gritou, a ninguém em especial, enquanto perseguia a sua presa.
            A jovem vampira, com sentidos únicos, captou algo que dificilmente outra criatura sobrenatural perceberia. Aquela coisa, aquela criatura! Milla se lembrou dela nitidamente... das suas garras, de seu riso maldito... aquela criatura que lhe segurou o corpo e a voz enquanto um vampiro lhe tirou a vida... o sangue. Era ela!
            Milla corria, ao máximo de sua velocidade, uma velocidade que nem mesmo ela sabia que tinha... os lobos jamais a alcançaria. Mas a coisa a sua frente era mais esperta, arredia... e até mais veloz. Sumia quase tão rápido quanto luz se propagando no espaço.
            Milla rugia, gritava, xingava, esticava as mãos para alcançar os tentáculos malditos que saiam horripilantemente daquela cabeça. Mas não podia... não podia pegar! A criatura desgraçada ria, fazia chacota de cada um de seus fracassos.            
            Tarde demais Milla percebeu que a criatura lhe guiou novamente para onde a matilha dos lobos corria... eles as circulavam. Alguns corriam pelo norte, outros vinham pelo sul... Tão claro quanto um raio de sol, Milla sentiu o cheiro de Seth vindo do leste e o cheiro de Jacob vindo do oeste. A criatura seguia para o centro, onde os lobos se encontrariam. Ela corria para os lobos.
            Milla arregalou os olhos... se ela não podia pegar aquela coisa… os lobos não teriam chances… Céus!
            Desesperada ela forçou mais os pés, até ver o primeiro lobo, negro, sombrio, aparecer arrancando arvores enquanto despontava na frente das duas. A coisa diminuiu seu passo, Milla não, passou tão perto dela, tanto que sentiu sua pele rígida tremer, e foi direto para o lobo, o jogando para longe das duas. Mais arvores vieram abaixo, o vento bateu forte em seu rosto…
_ Nessie! – Ela sussurrou tendo percebido o cheiro da hibídria, enquanto se virava e, finalmente, agarrava os tentáculos secos que saia da cabeça da coisa. Gritou, suas mãos queimaram, imediatamente ela soltou aquilo. Suas palmas ardiam como o inferno!
            Voltou os olhos para a sua oponente, com medo que ela desaparecesse.
_ Jacob! – Ela suspirou quando viu o corpo do grande lobo castanho saltar na direção da criatura. – Não!
            Pulou na direção dele, logo ouvindo som de diamante arranhando mármore. Ela pulou na frente de Jacob, levando o golpe que era pra ser dele. As garras lhe raspavam as costas. Com um pouco de dificuldade, empurrou o lobo, que caiu praticamente em pé na sua frente. Voltou a correr em direção ao ser bizarro... estranhamente a velocidade dela havia diminuído… parecia perdida.
            Então a silhueta de Nessie surgiu por entre as arvores… Uma visão! Nessie havia conseguido manipular a mente da coisa!
            Milla sorriu, armou o punho fechado para acertar as costelas da criatura. Estava a meio de segundo de alcançar seu intento quando a coisa se virou, sorriu e avançou.
            Milla sentiu um baque no peito antes que pudesse bloquear, ficou tonta... ouviu o grito de Nessie, os uivos ferozes dos lobos. Se levantou em meio a escombros de floresta e… não havia mais nada! A coisa havia sumido!
_ Oh Deus! Onde está? – Nessie perguntava, desesperada. Havia um corte profundo em seu queixo, o que fez sua roupa se manchar de sangue.
_ Não sei! – Milla sussurrou,  com o máximo de cuidado a cada suspiro que a floresta emanava. – Calem a boca! – Ela rugiu, uma raiva que não era sua a fez gritar com os lobos que rosnavam incessantemente. Ela agarrou esta raiva de seu instinto predador pra fugir do apelo que seu coração fazia ao sentir os olhos de Seth mais fixos nela do que em qualquer outra coisa.
“O que era aquilo?”
“Pra onde foi?”
“Que diabo de velocidade destas sanguessugas! Nunca vi algo assim.”
“Aquela coisa era horrenda!”
            A mente dos lobos era um caos. Jacob inflou o peito, rosnou baixo, amedrontador e ordenou.
“FOCO!”.
            A ordem do alpha fez os lobos se aquietarem e vasculharem com todos os seus sentidos tudo ao redor.
“Frios!”. Julia, a loba mais nova da matilha, ladrou.
“São os Cullens”.
_ Nessie! Filha! Oh, meu Deus!
            Jacob viu Bella parecer esquecer de todo o caos ao seu redor - lobos ferozes, uma vampira com olhos letais para os recém chegados, uma floresta abaixo – e correu para sua filha, ensanguentada.
_ Agora não! – Nessie bradou, a voz mais grave e densa que o comum, a expressão de uma fera que Bella jamais viu na filha... Ela recuou.
_ O que é isto? – Carlisle perguntou. Ninguém lhe respondeu.
_ Ela está aqui… eu sei que está… ela está perto. – A voz de Milla estava gutural.
“Separem-se… em grupos …” Jacob rapidamente montou outra estratégia em sua mente, passando a matilha. Os grupos se ordenaram sem demora. vasculhem tudo… e protejam-se…”
            Os lobos partiram, Milla seguiu o grupo de Seth, Nessie o de Jacob. O dom de Renesmee se fez pavorosamente útil para os Cullens... imediatamente ela transmitiu todas as suas lembranças para a sua família, que também se desenfrenharam em uma busca alucinada por um inimigo desconhecido.
            Incansavelmente eles correram, correram e correram… mas nada encontraram. Milla, no entanto, continuava a teimar que a “maldita” estava ali. Ela sentia a criatura os espreitando, como se planejasse algo. Seu coração se espremia... ela sentia uma angustia tremenda, uma necessidade de, no meio da caçada, se aproximar do grupo que Jacob liderava.
            Não demorou, tanto ela, quanto Nessie, perceberam que a angustia delas era dupla… sentia algo, embora todos estivessem muito longe de La Push, ambas podiam sentir isto. A ligação selada pelo sangue unia o coração das três.
“Vamos voltar!” Cansado, Jacob ordenou. Desistiram... Em passadas mais lentas todos eles, lobos e vampiros, retornaram para casa… Forks, La Push. Só na volta perceberam o quão longe estavam.  Se aproximando de seu destino, os lobos encontraram os companheiros que ficaram com a proteção da reserva. Embry imediatamente foi em direção a Leah, que tinha se transformado mesmo com as suas restrições.
“Vão todos para casa… Eu, Sam, Paul, Seth e Julia ficaremos na ronda até o amanhecer. Seremos substituídos por Brad, Embry, Caleb, Jared e Quil. Depois eu pensarei no resto. Vão!” Jacob deu as coordenadas e se meteu em meio a um arbusto alto para se destranformar, nos dentes, as calças que pegou na pata de Quil, as suas haviam se perdido na transformação.
_ Jacob! Era ela! – A voz de Milla se sobressaiu em meio aos murmúrios nervosos dos Cullens assim que Jacob apareceu pra si.
_ Ela quem? – Dez vozes perguntaram ao mesmo tempo, os Cullens, Nessie e Jacob.
            Milla agarrou os braços quentes de Jake, os olhos dela não eram mais os de uma predadora letal. Eram assustados, os olhos de uma menina assustada.   
_ O monstro…  a coisa... Ela estava lá, foi ela que me pegou, ela estava com ele!
_ Milla, se acalme... não estou entendendo. Respire. – Jacob disse, enrugando a testa. – Ela estava com quem? Onde?
_ Com o vampiro que me mordeu! – Ela soltou em um engasgo, estremecendo. – Eu me lembro.. posso me lembrar agora!
 _ Você já viu aquela coisa antes? – Ele perguntou, tenso.
_ Sim, Jacob! Sim! Ela estava lá, junto com o vampiro que me transformou! Eu me lembro agora, de cada detalhe! Ela estava lá… eles estão juntos!
            Aquilo poderia ser mais grave do que Jacob pensava. Aquela criatura bizarra estava rondando o local a muito tempo... se o que Milla estivesse dizendo era verdade…
            Jacob se lembrou dos ataques, da sensação antiga de que alguém espreitava os lobos, dos recém-criados sempre vindo diretamente para La Push… Um estalo se fez na mente de Jacob. Aquela criatura asquerosa em que se depararam poderia estar perto deles há muito tempo. E havia o agravante de que havia dito que o vampiro que mordera Milla era o mesmo que sabia o que o sangue dela significava… o único vampiro que sabia do poder que corria pelas veias de sua esposa.
            Jacob empalideceu.
_ Você pode senti-la? Pode alcança-la? – Jacob passou a perguntar desesperado para a garota vampira.
_ Posso, posso. Mas ela… ela é mais forte do que eu… eu… - Milla engoliu em seco. – Eu estou com medo. – A menina confessou.
_ Jacob… eu acho que devemos unir forças agora. Há um inimigo maior do que nós aqui. Está na hora de dizer o que nos esconde, só assim poderemos ajudar… e queremos ajudar! – Carlisle disse, seu semblante sério. Jacob sabia que ele falava de . Edward olhava para Jacob com a mesma expressão que o chefe de seu clã, Bella, abraçada a Renesmee, parecia confusa, tal como o restante dos Cullens.
_ Carlisle… eu sinto muito pelo que aconteceu, mas… eu não posso. – Ele respondeu.
_ Jacob! Trata-se da segurança de todos…
_ Silêncio! – Nessie pediu repentinamente. A tensão que emanava ao redor de todos fez o pedido ser acatado imediatamente. Nessie apenas olhou para Milla, que tinha um olhar alucinado. Jacob sabia que naquela altura, as duas eram as únicas mais sensíveis ali, as únicas que poderiam captar coisas que passavam despercebidas por eles.
            Todos passaram a observar as duas, como se ambas fossem, por aquele segundo, o centro do universo. O choque tomou conta aos poucos da expressão de Milla, ao mesmo tempo que os olhos de Nessie se encheram d’agua.
_ Não… - Milla sussurrou. Seguido de seu sussurro, ecoou pela floresta uma gargalhada sinistra. Milla se lembrou, a mesma gargalhada que ouviu após a morte de sua mãe… o prenuncio de um desastre. A vampira cambaleou sobre seu eixo, Nessie sacudiu a cabeça e disparou para longe dali.
            Dez segundos depois o que ecoou foi o grito de Nessie, penetrando a floresta como um lamento agourento… de morte. O grito dela tirou todos do topor, fazendo-os seguirem a direção do som. Estava perto, muito perto.
            Um a um todos chegaram e estacaram ao lado de Nessie, que soluçava diante da aterradora visão. Jacob foi o ultimo a chegar, seu peito se dilacerando a cada passo. Ele não teve força, ao menos, para explodir em fera. O alpha sabia o que tinha acontecido… ele, mais do que qualquer outro, sentiria aquilo. Eles correram, perseguiram, mas nenhum deles foi capaz de impedir o pior, impedir que aquilo que há tempos parecia rondar La Push, acontecesse.
            Todos deram espaço para que Jacob passasse, o cheiro de sangue nobre e sagrado banhava o lugar. Na pequena clareira, a um quilometro da área residencial de La Push, jazia o corpo do jovem lobo Caleb. Em seu peito, um grande rombo: o coração havia sido arrancado do corpo.
            O alpha se ajoelhou ao lado dele, da criança, do menino, tão jovem… Seu grito retumbou por todos os cantos, grito de dor, grito de raiva… grito de vingança!
CAPÍTULO 50
ENIGMA DE MORTE
Então a morte vem, com ela o pranto, com ela a dor. Por que celebramos a vida e lamentamos a morte? O que é bom? O que é certo?
Se a vida é nossa razão, por que ela tem fim?
Se a morte é passagem para a riqueza eterna, por que a tememos? Por que ela causa dor?
 Continuaremos a lutar pela vida ainda que soubermos que o Paraíso não é aqui? Então por que viver? Se o nosso galardão está na ‘além-vida’, por que estar aqui? A resposta pra tudo não seria: “deveríamos morrer ao invés de nascer”?
          abriu os olhos… o grito de seu marido a despertou. Ele havia gritado… perto. Olhou ao redor, confusa, completamente confusa. Quando ela tinha dormido tanto? Como? Ela não se lembrava de ter se deitado em sua cama, de ter sequer cogitado a hipótese de dormir quando Jacob saiu. Algo estava errado.
            Seu peito se espremeu. Se levantou da cama em um salto, saindo correndo da casa como estava: descalça. Jacob ainda gritava. Correu, olhando ao redor. Não havia lobos por ali, mas ela podia sentir um leve tremor no chão indicando que eles corriam perto. Sua cabeça ainda estava sonolenta, as árvores em torno da estradinha que levava até o coração da reserva estavam borradas… como ela esteve dormindo? Já parecia tarde da noite! Deus! Alguém havia a dopado,  manipulado!
            Ao chegar perto da parte mais movimentada da reserva, percebeu pessoas saindo de suas casas assustadas, trajando vestes de dormir, seus semblantes sérios, o ar estava pesado. Teve que diminuir o passo. Uivos incessantes eram ouvidos a todo momento. Sentia uma áurea sombria pairando por tudo, quase agarrando completamente o lugar. Uma barreira havia sido quebrada, o inimigo havia penetrado a segurança de La Push.
_ Jacob! – Ela sussurrou. Correu sem se importar que a vissem, mas suas pernas estavam bambas de medo. Entrou na orla da floresta e percebeu logo que não estava a sós.
_ Volte para a reserva. Agora!
_ Niadhi! – Ela sussurrou assustada, olhando para a elfo. Estavam todos eles lá, todos os elfos caminhando para o lugar que ela sabia que Jacob estava. – O que aconteceu?
            Assim que a elfo olhou nos olhos de soube  que a mente dela havia sido invadida… , por alguma razão se deixou enfraquecer, alguma emoção forte demais a deixou exposta pra quem quer que fosse que tivesse a espreita. Ela foi manipulada. Ainda sem responder, Niadhi tocou a cabeça de e murmurou algo. Imediatamente esta se sentiu mais desperta, mais lúcida.
_ O que aconteceu? – Tornou a perguntar para elfo.
            Niadhi suspirou.
_ Um demônio voltou do inferno! – Nos olhos da elfo havia fogo. se afastou dela.
_Volte a reserva, . O povo precisará de alento e força. – Desta vez foi Quendra quem falou, dando uma ordem a distância. – Jacob está bem… na medida do possível. – A rainha concluiu seca, respondendo a pergunta muda de .
            Então todos eles se afastaram, deixando estática para trás, ouvindo agoniada os grunhidos de uma matilha de lobos. Os elfos deslizaram e rapidamente chegaram ao lugar onde um grupo de vampiros e lobos transformados velavam um corpo jovem. Jacob, no entanto, foi o único a perceber a chegada deles. Ele era o único dos lobos que permanecia em sua forma humana.
            Quendra olhou os olhos revoltos de Jacob e se abaixou, observando o corpo de Caleb. A mão delicada da elfo circundou a grande ferida no peito do lobo. Jacob a ouviu sussurrar.
_ Ukhaha. Um ukhaha… aqui!  - Os olhos da rainha enegreceram, ela olhou para os seus irmãos e murmurou. – Caça!
            Eles se dispersaram como vento, ao contrário dos que antes corriam atrás da criatura que causou aquele caos, os elfos conheciam bem o seu oponente… já haviam lutado com muitos deles, há séculos atrás. Era um ukhaha, um demônio procedente da Africa oriental. No entanto, todos eles pensavam que os ukhaha haviam sido dizimados na batalha élfica há oito séculos.
            Pela primeira vez, eles estavam enganados. Os elfos eram silenciosos, se movimentavam feito sombras, seus atos eram conhecidos uns pelos outros como se fossem todos os vinte e tantos, um único corpo.
            Kadinah logo percebeu que estava sendo perseguida e sabia o que lhe denunciava: o coração que ela havia acabado de comer, o coração jovem e forte do lobo. Sim… este era o seu alimento. Sorriu: era exatamente aquilo que ela queria… que os elfos fossem atrás dela depois que ela tivesse a força revigorada com um alimento tão poderoso quanto o coração de um guerreiro de magia élfica. Ela queria  que eles viessem persegui-la, tal como faziam agora: ansiosos, letais. Só assim é que estaria a frente do grupo o elfo mais forte: a rainha.
            Kadinah, a ultima demônio ukhaha sobrevivente, sabia como os elfos agiam. Eles vinham não somente para vingança, vinham para saber quantos dela restavam pelo mundo, quais os males que ela havia causado e assegurar que sua raça fosse dizimada completa e definitivamente.
            Ela fingiu correr, mas logo percebeu elfos surgindo a sua frente. Sorriu.
_ Olá… - murmurou.
            Nenhum deles respondeu, mas imediatamente ela teve que bloquear uma onda de magia que lhe golpeava a cabeça, tentando encontrar o seu único ponto fraco: o centro. Então, os tentáculos distintos que compunham a cabeça da criatura, que mais pareciam galhos secos com vida própria, envolveram-se protetoramente ao redor da cabeça. Outro baque e ela começou a sentir dor. Maldição! Eles adoravam torturar!
            Mas eis que o que ela queria aconteceu. A elfo mais forte, canalizando a magia de todos os outros, veio a frente, para eliminar de vez o problema: Quendra!
            A rainha avançou tão rápido que seu corpo parecia se materializar de um lugar pro outro… mas o oponente não era tão fraco. Na verdade, um dos mais difíceis que os elfos já enfrentaram. As garras de Kadinah conseguiram agarrar o pescoço esguio da elfo e jogá-la longe. A rainha titubeou, mas logo voltava na direção da ukhaha. Tomou cuidado para desviar dos membros extras que haviam na cabeça da criatura, os tentáculos, e agarrou o pescoço. Quendra só precisava esmagar o interior daquela cabeça. No entanto, as mãos de Kadinah vieram lhe dificultar o processo, agarrando o pescoço da elfo novamente, ficando as unhas e descendo arranhando até o coração.
            Kadinah sentiu o poder dos outros elfos blindando o corpo da rainha, tendo força suficiente pra praticamente expulsar suas grandes unhas que perfuravam a pele. Coisa extraordinária eram os elfos, uma pena que grande parte daquilo ia se perder.
            A ukhaha esperou até que a rainha a considerasse indefesa e então fez o que fazia de melhor: manipulou a criatura a sua frente por meio de sua fraqueza.
_ Hector! – Murmurou, um sorriso brincando nos lábios, abrindo a mente para que a rainha elfo vislumbrasse seu conteúdo. Quendra afrouxou o aperto e arregalou os olhos castanhos assim que viu tudo o que o demônio a sua frente lhe mostrava.
            A rainha desfez a ligação com seus irmãos e simplesmente desapareceu com a criatura demoníaca.
******************
            Ela se encolheu mais em seu xale branco, o vento que vinha do mar estava frio e assobiava tristemente, passando por entre os corpos rígidos dos quileutes ali reunidos. Estavam todos na praia, quase no mesmo ponto em que ela havia se casado com Jacob. No centro do círculo de pessoas, não havia um altar, mas um gigantesco sepulcro, composto por uma pilha bem montada de madeiras, flores, muitas flores ao redor da enorme fogueira que seria o ultimo leito de Caleb. O corpo do jovem estava posto acima, seu peito precisou ser coberto por uma túnica para que fosse escondido o arrombo que havia nele. Ele havia sido pintado como um guerreiro quileute, um cocar glorioso havia sido confeccionado as pressas pelas mulheres, com as penas das aves mais nobres que puderam encontrar.
            olhou para o marido, para o seu semblante pesado, cansado, mas ainda firme. Enquanto o corpo de Caleb estava sendo preparado para a cerimonia fúnebre, durante o restante da madrugada e início do alvorecer, o alpha se transformou em lobo, foi para o penhasco mais alto de La Push e uivou incessantemente por longas e longas horas.  Durante este tempo, não se pode ouvir um único vão suspiro ou choro de nenhum quileute, somente o lamento do alpha, que parecia proclamar a dor de seu povo aos quatro cantos do mundo. não pode se aproximar dele, conteve-se em conservar seu coração em prece pela alma de Caleb, seu adorável garoto, enquanto auxiliava na preparação do corpo e nos proclames oficiais de sua morte.
            Ela ainda estava assustada, paralisada de medo, pois não sabia o que causou a intorpecência em sua mente durante todo caos que ocasionou a morte de Caleb. E além de tudo, os elfos haviam desaparecido desde o momento em que se afastaram do corpo de Caleb... não gostava do silêncio deles. Mas aquilo não prendia sua atenção no momento, pois tinha seus olhos e coração voltados para a cerimonia que acontecia a sua frente.
            Os lobos veteranos, em suas formas humanas, encontravam-se em uma fileira composta na cabeceira do lugar onde o corpo repousava, todos pintados tal como Caleb. Em cada mão, uma tocha queimava em um fogo ardente, estando a maior delas nas mãos de Jacob.  Ele estava um passo a frente dos outros, seu olhar fixo no horizonte, parecendo ver muito mais além do que todos ali.
            Todos o demais quileutes, incluindo , seguravam um ramalhete de acácias em suas mãos e, quando o corpo de Caleb foi colocado no tumulo, eles ergueram seus ramos ao alto e quebraram os talos. Eram as acácias símbolo da imortalidade da alma e o gesto de partir as flores proclamava a fragilidade da vida.
            apertou os olhos, as lembranças de Caleb apostando corrida com ela, de sua inocência, dos abraços, dos sorrisos lhe voltando a mente como em um filme. Quando ela abriu os olhos, Jacob estava mais a frente, sua tocha um pouco mais erguida.
_ Caleb… - Ele disse. Sua voz estava forte, mais grave que o costume, mais limpa, menos rouca. Era a voz do alpha.- Tu nasceu como guerreiro, viveu como guerreiro e deixou a Terra como um. Seu nome está gravado em nós como sinônimo de coragem, de luta. Tu agora se tornou maior do que todos nós... porque ainda é guerreiro. Deixaste de viver como homem para ser espírito. És um Espirito Guerreiro. Mais radiante do que o sol, mais belo do que a lua é o teu espírito eterno em nós, menino guerreiro. – Jacob parou por um momento o seu discurso ao ouvir o suspiro profundo da mãe de Caleb, Nadie Yuorah, ao seu lado esquerdo. A mulher caiu sob seus pés, não suportando mais ficar firme, mas logo foi segura pelo marido.
            observou a veia no pescoço de Jacob saltar, Leah envolver protetoramente o seu próprio ventre, contorcendo a expressão e fugindo o rosto da direção em que a mãe de Caleb sofria. Jacob deu um passo a frente e Nadie deu um grito, precisando ser segura não só pelo marido, mas por Sue e pela sobrinha, prima de Caleb. Jacob desceu sua tocha sobre o amontoado de palha na base do sepulcro, os outros membros da matilha repetiram o gesto do alpha e logo a chama se espalhou.
_ Senhor da Vida… receba Caleb Yuorah em teus domínios. – Jacob disse, em seus olhos negros as chamas se refletiam. reconhecia sob toda a firmeza e suntuosidade da voz de seu marido a dor, o pesar... uma tristeza profunda e pura. – Leve-o para longe... para os aléns de qualquer um de nós que fica. Conceda-lhe a paz de animal tranquilo, de árvore serena, de rocha segura. Que o fogo que consome este corpo que já não tem valor, acalente em braços quentes sua alma, que seja dispersada ao vento, no giro das águas e suba em direção aos Teus braços. Reduza este corpo ao pó e imortalize e engrandeça esta alma. Caleb retorna para o lugar de onde veio, maior, muito maior do que partiu.
            não conteve a lágrima, deixou-a cair enquanto via cada quileute beijar seu ramo de acácia, se aproximar da fogueira e jogar no fogo. Eles retornavam ao lugar de onde vinham e então se ajoelhavam, fechando os olhos e erguendo as mãos ao alto. Aos poucos o círculo que outrora estava de pé ficou ajoelhado e vozes baixas sussurravam preces sagradas. fez então seu caminho, ternamente apertou seu ramo de flor no peito, para depois beijar, inspirando o odor suave e puro da planta. Ela passou por Jacob e lhe apertou a mão. Ele não se moveu do lugar em que estava, seus olhos fixos na fogueira, mas retribuiu o aperto.
            Ela ousou chegar mais perto do fogo do que os outros, as chamas quase tocaram suas mãos quando ela jogou as flores.
_ Vá em paz, Caleb. E zele por nós. – Ela sussurrou.
            Ela voltou então para o lugar em que estava, perto de Rachel, Kim e Emily. Se pôs de joelhos então, ergueu as mãos, abaixou a cabeça e, tal como todos os outros pediu pelo espírito do jovem guerreiro quileute.
            Quando todos estavam já nesta postura, Jacob deu um olhar de comando aos companheiros e eles se afastaram, para se juntar aos demais lobos na orla da floresta. Jacob não discutiu quando Leah seguiu com eles e se transformou também. Eles se transformaram... todos os lobos. E faltava um, faltava um pedaço, faltava um membro, os corações dos lobos batiam aleijados. Faltava um.
            As lembranças da matilha eram um turbilhão que repassava toda a vida lupina de Caleb, o alpha se lembrava de quando ele se assustou com a transformação, de quando ele o recebeu. O primeiro lobo a se transformar depois de dez anos da matilha formada.
            O lobo negro, Sam, não havia vivido com Caleb na matilha, mas o sentia ainda enraizado em todos ali e, consequentemente, nele próprio também. Jacob esfregou as patas no chão, com seguidas cabeçadas no dorso de alguns, colocou os lobos em um perfeito círculo e então todos eles uivaram enquanto sentiam o cheiro de Caleb se alastrar no vento conforme a fumaça era dispersada.
            Os uivos tomaram conta de tudo, foi ouvido a quilômetros de distância. Dos quileutes em comunhão ao redor da pira fúnebre na praia, a prece deixou de ser sussurrada. As vozes se ergueram juntamente com o uivo dos lobos… Além da fronteira para a Reserva, os Cullens permaneciam petrificados em um silêncio mórbido. Nem mesmo Rosálie tinha coragem de dizer qualquer coisa diante da notável dor dos lobos. Nessie e Milla estavam grudadas uma a outra, silenciosas.
            E todos, mesmos aqueles que não queriam admitir, mesmo aqueles ignorantes acerca do mundo sobrenatural que os rodeava, sentiam muito mais aquela morte, pois sabiam que ela era um anuncio de tempos funestos… talvez aquela morte não seria a única.  
            Aos poucos as pessoas se levantaram, uma a uma foram se afastando da grande pira fúnebre que ia se reduzindo a cinzas. permaneceu em seu lugar quando as preces acabaram, o fogo a hipnotizando, fazendo-a perder a noção do tempo e do espaço. Quando deu por si os lobos haviam parado de uivar e na praia só restava poucas pessoas. A família de Caleb, Rachel, Emily, Sue e Billy.
            A mãe de Caleb ainda tinha o rosto banhado por lágrimas, ainda murmurava frases inconformadas, havia uma certa revolta nos traços dela. Quando a pira estava quase reduzida a pó, os lobos retornaram para a praia, já transformados. se levantou do chão imediatamente, logo que viu Jake vir a frente dos outros.
            Imediatamente, a passos trôpegos, ela partiu para perto de Jacob, ansiosa por lhe ter em seus braços, para que ele pudesse enfraquecer em seu colo, para que em seus braços ele deixasse de ser alpha, que pudesse ser apenas um homem que padecia, que sentia, que temia. Ela precisava acolhe-lo, dá-lhe forças, porque a força dele era também a dela. Quando os olhos de Jacob encontraram com os dela, apesar de toda a compostura que ele ainda mantinha, o mais ereto dos poucos companheiros da matilha que tinham retornado para a praia, percebeu a necessidade de tudo aquilo, a necessidade dela.
            Tão conectados estavam que nenhum deles perceberam o burburinho entre as outras pessoas da praia e a movimentação conturbada da mãe de Caleb. Jacob só percebeu a mulher quando estava quase em cima dela. Os olhos de Nadie crispavam ódio e asco voltados para Sam, Embry, Leah e principalmente a Jacob.
 _ Maldição! Isto tudo é uma maldição! – Ela disse, sua voz gasta, direcionando-se a Jacob como se o xingasse.
_ Senhora Yoruah…
_ Você se responsabilizou pelo meu filho, Black! Você me garantiu que isto tudo não seria ruim para o meu menino! Mas você colocou ele pra morrer! VOCÊ COLOCOU ELE PRA MORRER! – O grito de ódio da mãe fez Jacob engolir em seco. se aproximou da mulher, mas sua voz desapareceu em algum lugar dentro de si.
_ Nadie, as coisas não são assim. Você sabe, você é uma quileute, conhece tudo isto tão bem quanto qualquer um de nós. – Billy disse, tentando ser cordato.
_ Tia, pelo amor de Deus, pare com isto! – A menina Carlie, prima de Caleb, implorou a tia. Mas nada parecia adiantar. O marido de Nadie segurou os braços dela, murmurou algo para que ela se contesse, mas ele também parecia partilhar do mesmo rancor que a esposa.
_ Não! Não… Meu menino não devia estar nisto! Não devia! Por que nenhum dos mais velhos não morreram? Ele era o caçula, o mais indefeso! Você tinha que protege-lo, você tinha que tê-lo livrado da morte! Ele não merecia! – Os soluços da mulher quase a impediam de falar, mas ela prosseguia, quase se esganiçando, mas prosseguia.
            Ela andou cambaleante para Jacob, ainda com raiva, se livrou dos braços do marido e foi. Transtornada ela começou a dar sucessivos golpes no peito desnudo de Jacob. Imediatamente os outros se movimentaram pra tentar impedi-la, mas Jacob fez um sinal mínimo, para que não se movessem. Jacob sabia que ela precisava extravasar a dor, culpar alguém, castigar alguém, vingar a morte de seu filho. Ele não lamentava aquilo, não sentia raiva da mulher por ela estar tentando feri-lo fisicamente como se tentasse impingi-lo uma parte da dor que ela sentia. O que Jake lamentava era o fato de que quando ela parasse, quando ela voltasse pra casa e tentasse dormir, ela perceberia que nada daquilo adiantaria. Nada iria diminuir a sua dor, ninguém teria outra escolha senão senti-la. Todos no fundo compreendiam aquilo e assistiam a cena chorando junto com a mulher.
_ Maldição! Malditos! Não é uma dádiva é uma maldição! Ma-malditos! – Enquanto esmurrava o peito de Jake com mãos trêmulas e braços fracos, ela maldizia a magia que rondava o seu povo. – Você devia ter impedido… impedido ele… morrer! – Ela lhe deu um ultimo tapa, desta vez na face, Jacob virou o rosto acompanhando o movimento da mulher para que ela não machucasse a mão.
            Depois disso ela se afastou, os olhos alucinados, ela colocou as mão no peito e depois cobriu a face chorosa. Não demorou muito ela sentiu um toque quente sedoso e extremamente delicado lhe acariciar o cabelo. Era tão terno que parecia o próprio Caleb fazendo carinho na mãe. Ela chorou mais. Lentamente as mesmas mãos quentes afastaram as suas próprias, tirando-as do rosto. Nadie olhou pra cima e se deparou com o rosto sério, imponente, porém compreensivo de Jacob.
_ Eu não pude… e não tinha poder de fazer isto. – Jacob tomou folego e continuou. – Quando a morte tem que vir para alguém… ela virá.
            No exato momento em que Jacob disse aquilo, deu um passo a frente, sua expressão tensa, um estilhaço de dor cortou algo mais dentro de si. Nadie estava mais branda para com o alpha, mas ainda assim sacudia a cabeça freneticamente, negando.
_ A morte virá para todos nós aqui, Nadie… cedo ou tarde. É o caminho natural da vida. O tesouro maior não está na Terra… - Sue lhe disse mansamente, com muito cuidado.
_ Não! É mentira! – Nadie agarrou os pulsos de Jacob e pediu com os olhos para que ele a soltasse. Assim ele fez. A mulher se virou para os outros. – Vocês mentem! Eu… eu duvido que algum de  vocês assistiriam passivamente a morte de alguém que vocês amam, sem tentar lutar contra, sem tentar impedir! Eu duvido que algum de vocês se conforme com a morte de alguém precioso acreditando que era sua hora de morrer! Não é assim! ME FALE SE É MENTIRA!
            Ninguém poderia desmenti-la… nunca. Todos sabiam que no fundo, quase ninguém aceitava a morte. Estavam presos: a vida… davam valor: a vida. Como se o amor só fosse completo entre os vivos. E seria realmente assim?
            Jacob abaixou a cabeça, apertando os olhos. Era verdade o que a mulher dizia. Nadie olhou para cada um dos rostos apáticos e inertes que lhe encaravam, incapazes de ir contra qualquer uma de suas palavras, mas havia um olhar, um rosto que parecia entender tudo o que se passava dentro de si como se vivesse a mesma coisa. Como mãe, Nadie estaria disposta a descer ao inferno para poupar a vida do filho, ela morreria no lugar de seu garoto, único filho. A índia reconheceu o mesmo sentimento nos olhos castanhos brilhantes de Black.
            A moça lhe acenou, um movimento mínimo de entendimento e se aproximou dela. Pegou-lhe as mãos.
_ Ninguém deixou de lutar pela vida de seu filho… mas não foram suficiente. Ninguém deixaria de lutar desesperadamente pela vida um do outro, ninguém aqui prefere a morte. Caleb faria a mesma coisa. Todos farão de tudo um pelos outros para preservar a vida. Não se engane. Reze, reze conosco Nadie, para que sejamos o suficiente. Não queira que ninguém mais se sinta tão impotente quanto estamos nos sentindo agora. – levou as mãos da mulher aos lábios, beijando-as ternamente. – Vá pra casa, Caleb ainda permanece conosco… de alguma forma, permanece.
            Nadie, a índia de rosto cansado e poucas rugas abaixou a cabeça, soltou um último suspiro.
_ Vamos querida… agora chega. Venha. – Seu marido lhe sussurrou, lhe envolvendo pelos ombros.
_ Sim…         
            A índia se deixou conduzir e se afastou, não antes de olhar para as brasas se tornando cinzas amontoadas no meio da praia e soprar um beijo naquela direção. Ninguém pode dizer mais nada. Sam e Embry se direcionaram ao que sobrou da fogueira que tinha se erguido, apagaram o que ainda restava de fogo e tudo se tornou um amontoado de cinzas que foram pegas em punhados e pouco a pouco jogados no mar. Jacob e foram ajudar, mas a morena deu ordem expressa pra que Rachel e Emily levasse Leah para repousar.
            Quando não havia mais nada a fazer, Embry e Sam voltaram para suas mulheres, para os seus filhos, deixando Jake e na praia. A sós, abriu os braços e Jacob foi para ela, se encolhendo lá da maneira que pode. Abraçados, eles caminharam pra casa.
CAPÍTULO 51
REVELAÇÃO
“O rancor pelo bem não conquistado secou seu o coração.
A sede torpe - torpe sede pelo poder sem medida - putrificou sua alma,
Endureceu seu cenho, deixou sua face severa e inóspita.
Escondeu-se por anos em sua própria sombra.
Seu interior é negro, um buraco que tem fome de poder.
Clama por soberania a cada segundo
dos miseráveis séculos vividos.
E ele, ser infernal, buscará tal poder...
.. e não há nada que lhe impeça.”
_ O que você acha que era aquilo? – Nessie perguntou baixinho.
_ Só pode ser algum demônio. – Milla respondeu, logo depois ela enxugou uma lágrima que caia do rosto de Nessie.
_ Os lobos não mereciam aquilo. Aquele garoto… morrer daquele jeito. – Nessie estremeceu, e se encolheu em sua cama, se lembrando do corpo de Caleb na floresta. Ela não se esqueceria daquilo tão cedo.
_ Por que você não tenta dormir, Ness? Se Jake der notícia eu te chamo. – Milla sugeriu. As duas estavam no quarto que um dia pertenceu a Edward.
_ Não. Eu vou esperar eles voltarem da caça. – A meia-vampira hesitou um instante. – A gente devia ter ido junto com eles. E se…
_ Eles não vão encontrar com a coisa. Carlisle disse que ela não ia voltar tão cedo, eu acho que ele está certo… De qualquer forma, seus pais já estão voltando. – Milla se levantou e foi para a janela. – Olha eles lá.
            Nessie pulou da cama e em um segundo estava no andar de baixo, abraçando Edward e Bella.
_ Tá tudo bem. – Milla ouviu Bella sussurrar. – Os outros já estão vindo.
_ Milla, você poderia vir aqui um instante? Nós vamos ter uma reunião de família. – Edward pediu, com aquela voz branda.
            Milla evitou bufar, mas fez uma careta enquanto descia lentamente as escadas. Por aqueles dias, Renesmee e ela haviam conseguido contornar a enxurrada de perguntas dos Cullen, mas depois do que aconteceu na ultima noite, Milla apostava que não poderiam mais segurar a situação.
_ Oi Edward… Bella. – Milla os cumprimentou gentilmente. Edward sorriu e Bella lhe deu um beijo carinhoso na face.
_ Está melhor? – Bella perguntou.
_ Melhor do que? – Milla respondeu imediatamente, confusa.
            Bella sorriu, olhando para o marido e depois voltando a olhar pra Milla.
_ Eu vi o quanto você estava abalada enquanto falava com Jake, Milla. Não é fácil passar por tudo o que você está passando.
_ Obrigada Bella. Mas eu supero. Eu tenho que superar, não é?
_ Mas não precisa superar sozinha. – Edward acrescentou, dando uma piscadela para moça.
_ Ela sabe disto, pai. A gente é uma família,  no final das contas.
            Edward sorriu para filha, orgulhoso, quase babando. Todos haviam rido quando, certa vez, Milla deixou escapar que achava que o Edward era um pai babão.  Ela, no entanto, ficou morrendo de vergonha.
            Não demorou muito os outros Cullen chegaram da caça, seus olhos completamente dourados.
_ E aí meninas super-poderosas? – Emmett cumprimentou as garotas com o novo apelido que tinha arrumado pra elas. Ele flexionou os músculos e deu um soco no braço de Milla, bufando quando viu que ela nem demostrou ter sentido algo.
            A vampira riu.
_ Emmett, onde já se viu fazer isto?  - Esme ralhou.
_ Conseguiram dar o recado? – Bella perguntou aos recém-chegados, mas quem respondeu foi o seu marido.
_ Sim, conseguiram. Eles estão vindo.
_ Mesmo? – Bella perguntou, parecendo surpresa. Edward confirmou com a cabeça.
­_ De quem vocês estão falando? – Nessie se fez ouvir, mas ninguém respondeu. A garota fez um bico, Rose lhe apertou as bochechas.
_ Teremos visitas completamente desagradáveis, querida.
_ Rose… - Carlisle alertou, a loira esbelta torceu o nariz.
            Mas não demorou muito pra que as garotas soubessem de quem se tratava. O cheiro não demorou a chegar as suas narinas. Milla arregalou os olhos.
_ Estão malucos? Como é que… como eles toparam vir? Jacob está maluco? – Milla começou a tagarelar, abrindo a porta da sala e disparando para fora. – ! Jacob! O que pretendem vindo a uma casa de vampiros?
_ Eu não acredito! – Nessie murmurou.
_ Por que acha que todos fomos caçar além da conta? – Emmett disse a sobrinha. – Recomendações do papai Carlisle!
            Nessie disparou os olhos para o seu pai, apostava um braço que tinha sido ideia dele, o que era verdade. A hibídria não tinha certeza se todos eles poderiam se controlar perto de , principalmente seu tio Emm e o Jasper. Tão pouco entendia o que fez Jacob concordar com aquilo. Será que tinha decidido se revelar?
            Um clima de ansiedade que Jasper não teve força pra desfazer completamente se instaurou na casa enquanto o casal se aproximava. Os poucos minutos pareceram uma eternidade. Quando estavam mais perto, saltou das costas do grande lobo castanho, com uma expressão minimamente divertida por isto e esperou a magica da transformação acontecer e Jacob recuperar a sua forma humana.
_ Como foi o passeio? – Ele perguntou.
_ É sempre bom te ter entre as pernas. – piscou, fazendo Jacob rir um pouco, pela primeira vez desde que se deparou com o corpo de Caleb. Depois ele olhou em direção a casa dos vampiros.
_ Tem certeza que quer ir falar com eles? – O lobo murmurou, enquanto vestia sua bermuda e a camiseta que tinha tido o cuidado de trazer. Ela balançou a cabeça. – É bom que controlem suas presas sanguessugas! – Ele avisou, enquanto saiam da proteção das arvores.
            Foi Seth que encontrou com Alice na fronteira e passou o recado para Jacob de que os Cullen queriam falar com o alpha e com a sua mulher. A resposta imediata de Jake foi não, mas disse que era necessário, que eles precisariam unir forças sim. Depois da morte de Caleb, Jake sabia que quanto mais forças tivessem, melhor. Não pode contestar o argumento de , os talentos dos Cullen seriam necessários.
            Eles foram e Jake só estava mais tranquilo porque sabia que Nessie e Milla seriam capazes de conter seus “familiares” se eles tentassem alguma gracinha com .
            As duas meninas esperavam no pé da escada, Milla com uma cara carrancuda, como se não aprovasse a decisão dos dois e Nessie confusa.
_ Hey ! – Renesmee logo saltou para perto da morena, a abraçando. sorriu e lhe deu um beijo na testa.  De dentro da casa, Bella estreitou os olhos para a aparente intimidade das duas. – Jake eu… sinto muito. – Ao dizer aquilo, novamente a imagem do corpo do jovem lobo veio a Nessie. Ela apertou os olhos, todos puderam ouvir a inconstância de seu coração.
            Jacob ergueu os olhos e deu um sorriso atravessado.
_ Todos nós sentimos, Nessie. Todos sentimos.
_ O que deu em vocês? – Milla disparou, o rosto tenso, se aproximando deles.
_ Fomos chamados. – respondeu, simplesmente. Milla a encarou erguendo as sobrancelhas.
            Neste momento um vampiro dentro da casa se mexeu. Carlisle.
_ Jacob… . – Carlisle olhou para fixamente, recebendo de volta um olhar de desculpas. Incomodou o sorriso brando que Carlisle lhe deu, vindo de um vampiro, um sinal de perdão. É certo que ele parecia um tanto arredio quanto a ela, mas ainda assim… não havia ódio, não havia rancor aparente… estranhava aquela posição. –  Vamos entrando. – Ele disse.
            Jacob ergueu uma sobrancelha e espiou para o lado de dentro. Bella já parecia prender a respiração, Edward estava com a sua habitual cara azeda, Esme estava com um olhar de pesar, Rosálie parecia prestes a arrancar sua cabeça e vez ou outra lançava um olhar curioso para . Emmett e Jasper tinham os olhos brilhantes, desejosos, mas pereciam se conter. Já Alice estava quase em cima de Carlisle, erguendo os pés e com os olhos redondos grudados em .
            Em um movimento simples Jacob colocou um pouco atrás de si. Nessie e Milla, entendendo o receio do índio, se colocaram ao lado dos dois. Só assim finalmente entraram. manteve a postura ereta e expressão segura, enquanto se sentia ser praticamente devorada pelo olhar dos vampiros.
_ Sentem-se queridos. – Esme disse, apontando o sofá. Era outro, segundo Jacob se lembrava, não o mesmo em que Bella ficou deitada durante a gravidez de Renesmee.  
_ Estamos bem assim. – Jake respondeu.
_ Não estão. Vocês estão com uma cara péssima, cachorro. Todo mundo vai sentar também, não precisam temer um ataque. – Alice disse, logo depois se virando e dando um olhar sugestivo para os outros.
            Não demorou muito todos arrumaram um canto pra se sentar na sala, o mais distante possível do casal, mais especificamente de . Jacob do lado dela ajudava a amenizar o cheiro, mas ainda era difícil para os vampiros. Milla pegou pela mão e a puxou pra sentar. A morena sentou ereta, nada confortável, o olhar avaliativo. Coitado daquele que tentasse dar um passo em falso, Nessie pensou. A menina deu uma empurradinha sutil em Jake que o fez dar um tropeção pra frente. A gargalhada de Emmett soou pela casa.
            Rose deu um olhar divertido e esnobe para cena, enquanto Jacob sacudia a cabeça.
_ Desculpa, Jake... ainda tô me acostumando. – As bochechas dela ficaram rosas.
_ Desta vez passa. – Ele disse, com um riso contido, como se desse uma bronca em Nessie.
_ Ouse chegar perto de um fio de cabelo dela, fido! – Rose rosnou para Jacob.
_ O que você faria? – Uma voz melodiosa soou ameaçadora. . A morena havia se inclinado para frente, um sorriso malicioso brincava em seus lábios, seus olhos soltavam faíscas. As duas se encararam, mediram forças por um tempo. Rosálie perdeu, com um rugido ela desviou o rosto.
_ Eita! Calma aí gente, senão isto não vai dar certo. – Renesmee avisou. Naquele instante sentiu uma onda de palpável tranquilidade se dispersar, os olhos da morena foram direto para Jasper.
_ Muito útil… - ela murmurou, observando o vampiro com atenção.
_ Isto não vai dar certo. – Milla disse no mesmo tom.
_ Tem que dar. – Edward se pronunciou.
_ Também acho sanguessuga. – Jake respondeu.
_ Pelo amor de Deus… a gente poderia usar os nomes? É pra isto que eles servem, não? Que tal um comportamento civilizado? – Ness tentava a todo custo melhorar a situação nada boa.
_ Um cachorro sabe se comportar civilizadamente? – Rose alfinetou.
_ Tia! – Não daria muito certo, claro.
_ Não mije no sofá! – Ela ignorou Nessie e provocou mais, Jacob deu um riso amargo.
_ Não brinque com fogo. Vampiros queimam. – voltou a enfrentar a vampira, quando Jacob abria a boca pra responder.
_ , por favor. – Ness implorava.
_ Chega! – a voz de Edward soou mais alta e ríspida. – Eu não chamei vocês aqui pra isto!
_ Então por que foi? Diga. – A voz de Jacob soava cansada. Ele não perecia irritado com as provocações de Rosálie como ficava antigamente, nem disposto a revidar. Bella somente observava aquilo, quase não podia reconhecer aquele homem que estava a sua frente. Era o mesmo Jake, aquela alma boa, aqueles olhos quentes, o sorriso belo ainda que sofrido. Mas havia mais, uma aura de responsabilidade, poder.
            Edward, ao seu lado, respirou fundo sem precisar, sentindo a ardência dilacerar sua garganta e deixar todo seu corpo em alerta. Engoliu em seco. Bella sabia o que ele ia dizer, mas não se intrometeu, suspeitava que ele era um dos poucos que conseguiriam tirar algo, não de Jacob, mas de . A vampira de cabelos cor de mogno apertou a mão de Edward de forma delicada.
_ Jacob, nós já tivemos muitas desavenças no passado, mas nós não gostaríamos que as coisas entre nós se concretizassem em uma completa inimizade. – Foi Carlisle quem começou a falar. – Eu acho que nós temos interesses em comum e você já nos conhece tempo suficiente para saber que tudo o que não queremos é colocar a vida humana em risco.
            Os olhos de Renesmee se voltaram para Jacob um tanto esperançosos… afinal ela amava a família e aprendeu a amar os novos amigos. A situação entre eles a incomodava.
            Jacob coçou a nuca e suspirou.
_ É muito pouco provável que nós, um dia, possamos ser melhores amigos. Até os nossos genes se repelem. – Ele por fim, falou. Neste momento Edward se levantou.
_ Eu sei disso, Jacob. – Ele disse, havia um esforço notável para que o vampiro pudesse controlar seu tom. - Sei também que você tem muita coisa contra nós. Mas será que você pode pensar em tudo o que aconteceu além desta barreira de raças? Quando chegamos aqui não fomos nem um pouco bem recebidos por sua esposa.
_ Eu fiz o possível, Edward. – sussurrou, olhando o vampiro com seriedade. Ele maneou a cabeça.
_ Nós trouxemos Milla para dentro da nossa casa, dispostos a fazer o melhor por ela.
_ O que Milla tem a ver com isto? – Jacob bradou, enquanto Milla disparava sua atenção para Edward.
_ Nós sabemos do laço imprinting. – Milla se encolheu suavemente quando ouviu isto. – Ela é como parte de vocês, não é? – Edward continuou, Jacob concordou. – Eu lhe recebi quando veio aqui, Jacob, pra cuidar dela. Mas você entrou na minha casa  e tirou a minha filha daqui. Não nos deu satisfação alguma, apenas a tirou de nós. Sabe o que é isto? De repente os pais tem sua filha nos braços e de um segundo a outro ela desaparece com alguém que já teve ânsias de mata-la? Com que direito você pensou que poderia fazer isto? – Edward já não escondia a raiva.
_ Pai, calma. Eu…
_ Quieta Renesmee! – Edward foi duro na ordem, como nunca foi antes. Nessie emudeceu imediatamente. – Eu tinha todo o direito do mundo, como pai, de ir atrás de todos da sua raça e dizimar um a um até ter minha filha de volta. Mas não fiz! Você reconheceu isto? Não! No fundo vocês lobos são prepotentes e hipócritas! – Abaixo dos olhos de Edward, apesar de continuarem dourados, já havia uma mancha escura. O vampiro parecia a beira do descontrole.
            Jacob começou a tremer, foi para se levantar, no entanto sentiu uma mão lhe contendo. lhe conteve, com um olhar ela passava o recado de que deveriam apenas ouvir. A contragosto Jacob não se moveu.
_ Hipócritas porque colocaram a vida da minha filha em risco. Ela é uma menina, dez anos! Ela só tem dez anos! E tem algo humano dentro de si!
_ Onze anos… eu fiz onze… - Nessie murmurou, logo aquietando com o olhar duro do pai.
_ Edward… - Bella sussurrou, mansa. Edward fechou os olhos e parou de falar um instante.
_ Depois disso, ela volta… - a voz do vampiro parecia mais calma. – Completamente diferente do que partiu. Eu vi que minha menina voltou como se tivesse sido treinada para matar. Sabe o que eu vi naquela mata, na noite passada? Eu vi em Renesmee os olhos de uma predadora! Nem em suas caçadas mais ousadas eu me deparei com aquilo! E o que você fez com minha filha? Não, você não diz! Você se acha no direito de não dizer o que fez com a minha filha! – Edward gritou outra vez, apertou o braço de Jacob mais forte. Isabella se levantou e se pôs ao lado do marido. – Um demônio apareceu entre nossas terras, um de nós também poderia ter morrido, também corremos riscos, e vocês não explicam nada! A SUA MULHER QUASE ARRANCA A CABEÇA DE CARLISLE E VOCÊS NÃO EXPLICAM NADA! – Edward teve vontade de arrancar o pescoço do lobo que continuava a lhe encarar com paciência, somente ouvindo. Parecia irônico aquilo, pois no passado o impulsivo e raivoso sempre fora o Jacob.
O vampiro deu um passo, mas antes que pudesse pensar sua filha estava entre os dois, uma postura de ataque.
_ Não! – Ela disse.
            Edward perdeu o rumo, olhou assustado para Renesmee, rugiu, se virou e estraçalhou uma poltrona na parede. Depois riu e olhou para Jacob, atrás de Nessie, com ódio.
_ Acha-se no direito de esconder o que fez com ela? – Ele murmurou, sua voz saia grossa.
_ Pai…
_ Eu mandei ficar quieta Renesmee! Você teve oportunidade de dizer algo durante todo este tempo, e não disse! Não é de você que quero explicação agora.
_ Mas pai, eu…
_ Vá para o lado da sua mãe.
_ Pai! Não! Você está entendendo tudo errado… - Renesmee choramingava.
_ Agora! – O vampiro bradou, fazendo a filha engolir um rugido.
_ Renesmee, venha. – Isabella chamou, mas doeu nela quando a filha hesitou. – Ninguém vai fazer nada contra eles, eu não vou permitir. Venha! 
            Todos esperaram até que Renesmee arrastou os pés para o lado da mãe. Os olhos da garota suplicavam para que a mãe intercedesse na atitude do pai, mas aí ela viu que Bella estava do lado dele.
_ E então?
            Jacob continuou a encarar Edward, por um tempo, e sem desviar os olhos começou a falar.
_ Você está certo. Ela é sua filha, agimos errado. Estamos em dívida. – Quando Jacob disse aquilo, Edward se desarmou. No fundo ele esperava aquela mesma revolta e teimosia do Jacob jovem. Quando ele não media as consequências, quando a raiva e a inimizade dos dois sempre falava mais alto.
_ Estão… em dívida? É isso? Consideram tomar a nossa filha e devolvê-la assim, uma dívida?
_ Até parece que eu voltei defeituosa! – Renesmee bufou, Bella lhe olhou severa.
_ Bom, você não tá normal monstrinha… - Emmett disse, recebendo um tapa nada sutil de Rose depois.
_ Eu nunca fui normal tio. Nenhum de nós é. – Nessie tinha a impressão de já ter repetido aquilo inúmeras vezes desde que voltou pra casa.
            Jacob ignorou aquele burburinho, focou sua atenção em Edward.
_ Sim, estamos em dívida. De postura. Você poderia compreender que quebramos o tratado no exato momento em que sumi com Nessie e partisse contra a matilha. Mas não fez. Isto é uma divida. Eu não vou esquecer isto. Mas eu quero que saiba, que apesar de tudo o que possa parecer, a intenção jamais foi prejudicar Renesmee.
_ Não? – A voz de Edward soou incrédula.
_ Não! – Desta vez quem respondeu foi . Jacob a olhou tenso, mas ela não pereceu se importar com aquilo. – A ultima coisa que eu desejo é que algo de ruim aconteça com Nessie. E eu não me importaria Edward, eu realmente não me importaria se algo acontecesse a vocês, exceto com Nessie e Milla. Então você pode ficar seguro quanto a isto. Eu as protegeria tanto ou até mais que um de vocês.
_ Por que?  - Bella indagou, seus olhos dourados estavam cerrados. Num ato impensado, a vampira colocou o braço na frente da filha.
_ Pergunta errada. – respondeu.
_ O que é você? – Alice perguntou desta vez, fazendo cabeças se voltarem em sua direção. Os olhos da vampirinha estavam aguçados, a curiosidade dela era palpável.
            Jacob olhou para a esposa. Não havia mais como esconder, mas ele não podia revelar aquilo jamais, era um voto que seu povo fez aos elfos. Não era capaz de rompê-lo nem com seus próprios irmãos. seria? E justo para vampiros?
_ É… esta é uma boa pergunta.
_ Você não é humana! – Edward sussurrou, focando os olhos na mulher. Ela sorriu.
_ Eu também sou uma hibídria. – Contou! Milla, Nessie e Jacob soltaram uma exclamação audível, enquanto os demais vampiros paravam de respirar.
_ Como? – Carlisle disse.
_ Do que? Hibídria do que? – Quase não saiu voz de Edward.
_ Humana… e outra criatura. – disse, evasiva.
_ Qual criatura? – Carlisle parecia ávido, aparentemente porque não sabia de que espécie aquela mulher descendia.
_ Com certeza, criaturas muito acima de todos vocês! Mais antigas também.
            Todos ficaram em silêncio, Jacob colocou a cabeça entre as mãos, Milla se levantou, impaciente, escovou os cabelos com os dedos. Carlisle, o mais antigo deles, pensava freneticamente se em algum momento de sua existência já se deparou com alguma criatura superior. Mas nada lhe vinha a mente. Absolutamente nada. Todos pensavam, até que Emmett resolveu dar sua opinião e soltar uma pérola.
_ Anjos? – Ele disse, meio incerto.
            olhou pra ele, fez cara de espanto, como se tivesse sido pega em flagrante. A boca de Edward se abriu. Não era possível! Anjos? Quando os Cullen começavam a acreditar, riu.
_ Não! Não anjos. Nem tão alto, meu caro.
_ Putz! Você me assustou! – Ele disse, enquanto os outros exclamavam exasperados.
_ Tem medo de anjos grandalhão? – provocou.
_ Quem eu? Claro que não!
_ Pois devia! – Ela disse, soando ameaçadora. Emmett fingiu não se importar, mas Nessie sabia que era fachada. Quase rolou os olhos.
_ O que então? – Edward perguntou, trazendo a conversa ao foco novamente.
_ Sem chances! Vocês não vão saber disto tão cedo. E não depende da minha vontade ou de qualquer um aqui. – respondeu.
            Edward percebia a momentânea mudez de Jacob, como se tivesse a língua travada. Talvez aquilo justificasse o porque de Jake não ter deixado escapar nada durante todo aquele tempo, o porque de Edward não poder ler pensamentos quando estava por perto, o porque de lembranças com ela aparentemente se apagarem na mente dos outros, o porque da mente do lobo alpha ter se tornado um túmulo. O poder do sigilo também poderia justificar a ausência de visões de Alice na região de Forks e com pessoas que tivessem alguma relação estreita com a morena. Se fosse aquilo, o poder que a rondava era realmente grande.
_ Aquela coisa de ontem… foi atraída por sua causa? – Bella perguntou, um tanto trêmula. apertou os olhos.
_ Pode ser que sim. – Ela murmurou.
_ Mas o que é isto? A gente tem que mata-la! Ela está colocando a nossa vida em risco!
_ Tente! – Jacob finalmente se levantou quando Rosálie disse aquilo.
_ Cachorro idiota! Foi por culpa dela que um dos seus filhotes está morto! – A loira grunhiu.
            fez uma careta.
_ Não diga o que não sabe! A coisa estava vigiando Jacob! – Milla respondeu mal humorada para Rose.
_ O que? – Havia um certo temor em , então ela ficou pálida. A visão que antes  era só sangue se fez um pouco mais nítida: ela viu Jacob, garras e sangue. Estremeceu.
_ ! – Jacob lhe sacudiu.
_ Tudo bem… - ela sussurrou, seu lábios secos, voltando seus olhos para o marido. Seus dedos trêmulos acariciaram a face de Jacob. Ela franziu o cenho e disse: – Eu preciso acabar com aquela coisa.
_ Mas o que diabos é aquilo afinal? – Emmett urrou. A pergunta de Emmett pareceu incitar algo no interior de e imediatamente veio a sua mente uma lembrança que não era sua, mas que sentia que lhe pertencia de alguma forma...
            “Haviam duas centenas deles, por toda a parte. Os elfos sentiam cheiro de sangue no raio de trinta quilômetros. Os demônios devoradores de corações haviam acabado com todos os habitantes dos vilarejos da região. A rainha Évora os via e deu a ordem:
_ Mate cada um deles!”
_ Ukhaha! – A palavra escapou dos lábios de . Era como se ela ainda estivesse há séculos atrás, vendo elfos partindo as cabeças daqueles demônios e arrancando o miolo reluzente que havia lá.  
_ Os olhos dela estão mais vidrados que os da Alice… - Emmett sussurrou o mais baixo que pode, mas todos ouviram.
_ O que é isto ? – Jacob lhe perguntou e pareceu acordar. Olhou assustada para os pares de olhos dourados lhe encarando.
_ É uma lenda africana perdida… - Carlisle foi quem disse, quase sem folego, como se realmente a falta de ar lhe fosse prejudicial. O vampiro mais antigo dali teve sua memória incitada pelo nome pronunciado pela voz clara de . Ele havia ouvido aquela lenda por duas vezes: uma quando esteve de passagem pela Somália, na África, e em uma segunda, em algum rumor entre vampiros anciões pelos domínios de Voltera.
_ Não é só uma lenda. – afirmou, olhando nos olhos de Carlisle. Este vampiro lhe olhava parecendo bestificado e completamente fascinado. Aquela mulher lhe parecia um tesouro, um tesouro muito precioso.
            Nessie se assustou quando reconheceu nas orbes do seu afável avô um brilho de cobiça, desejo pela mulher meio humana que tinha porte de realeza. Todos poderiam ficar impressionados por algo tão digno de “Aro Volturi” lampejar pelos olhos de Carlisle se também não estivessem tão espantados para tirar qualquer conclusão.
            Mas não se surpreendeu, pois aquela era a reação que ela sabia ser capaz de causar nos vampiros: desejo, sede, cobiça. Estava no seu sangue, no seu cheiro, no seu porte a capacidade de despertar naquelas criaturas aquele fascínio. E era uma condenação, tanto pra ela, quanto para aqueles que ousassem sucumbir ao desejo e usurpar o tesouro sagrado guardado em suas veias.
_ Que lenda? – Milla perguntou, rompendo o momento em que tudo pareceu suspenso e inerte.
_ É de séculos atrás, hoje não há mais nada sobre ela. Alguns anciões de tribos localizadas na região mais oriental da África diziam existir demônios que ganhavam força e poder ao devorar corações humanos… Mas nunca nenhum deles foi visto. Não havia nem vestígio. A lenda desapareceu. – Carlisle começou a falar tudo o que se lembrava a cerca do nome pronunciado por , desviando os olhos dela para que pudesse recuperar o seu controle. Seus olhos foram parar em Edward, que parecia agoniado por estar incapacitado de ler qualquer pensamento e saber de tudo o que seu pai vampiro sabia.
_ Caleb teve o coração arrancado. – Milla murmurou. – Uma coisa destas matou ele! Esta coisa existe! Esteve tão… perto…
_ Meu Deus! – Esme disse, levando as mãos a boca.
_ Como você sabe deles? – Edward voltou a questionar .
_ Lembranças que não são exatamente minhas… - a moça respondeu, apertando as mãos de Jacob, que tinha toda a sua atenção nela.
_ De quem…
_ Não adianta! Eu não vou dizer de quem descendo! Não posso! Simplesmente não posso!
_ Ótimo! – Edward ralhou impaciente. Sentou-se em um banco que antes Bella ocupava. – Então diga tudo o que puder! Começando, talvez, pelo motivo que fez vocês desaparecerem com minha filha, trazê-la de volta tão diferente. Garanto pra vocês que por mais longa que seja esta história, nós não vamos dormir! 
            bufou, cansada, impaciente e irritada. Não sabia o que fazer… não sabia! Aquela altura ela nem ao menos sabia porque obedeceu aquela intuição de ir de encontro aos Cullens, de revelar seu segredo perante eles antes mesmo que o fizesse para os lobos. Por que? Por que fizera aquilo?  Fechou os olhos e sentiu uma carícia tenra em seus braços, logo foi puxada em meio a um calor tão fortalecedor e conhecido. Jacob. Ela estava nos braços dele.
_ tem um sangue muito… poderoso… - Ela ouviu a voz de Milla tomar a frente e começar a contar tudo o que sabia, incerta do que poderia fazer. olhou pra ela e pediu com os olhos que ela continuasse. Certamente a garota sabia o que revelar e o que esconder. Milla prosseguiu. – É algo raro e sagrado. Por isto ela nos atrai mais que qualquer outra criatura nesta Terra. Ela ofertou um pouco de seu sangue a mim e a Nessie… e é por isto que estamos assim… - Milla abriu os braços, mostrando a si mesma.
            Se seguiu então que as meninas, tanto Nessie quanto Milla, contaram aos Cullen tudo o que podiam sobre . Contaram que o preço que um vampiro pagaria caso tomasse o sangue de a força seria a condenação completa da alma que restava neles. Ele alcançaria um poder infindável, mas a custa de profanar um bem sagrado. A criatura se tornaria extremamente poderosa e eternamente perdida.
            Contaram que havia um vampiro que sempre soube disto, mas que não se importava com as consequências que poderia haver a si mesmo caso bebesse do líquido vital de . Contaram que via um vampiro que a desejava e que não media esforços pra obter o poder que ela tinha em si. Contaram que quando este vampiro conquistasse isto, ele provavelmente iria querer impor seu poder sobre todos os outros e isto, todos eles podiam sentir...  
            disse então as mesmas coisas que dizia a Jacob, que sentia um peso enorme sobre suas costas, que haveria guerra, que haveria luta. Rosálie interferiu, dizendo que era o mau de tudo e que só haveria guerra por ela, então ela deveria se entregar e pronto. Jacob nem se deu o trabalho de perder a paciência, apenas deixou explicar o que ele já sabia: se ela fugisse haveria guerra, se ela se entregasse daria imensurável poder a um ser que queria dominar acima de qualquer outro. Ela só ocultou o fato de que se ela se matasse, ele não iria desistir e, tampouco, poderia ser vencido.
            Nenhum deles: nem Jacob, nem , Nessie ou Milla, puderam dar clareza a tudo o que acontecia aos vampiros, ou ao que aconteceria e isto pareceu os deixar ainda mais inquietos do que antes.
_ Vocês não tem que se envolver nisto. Mas o nosso povo quileute tem o dever de proteger , de não permitir de maneira nenhuma que um mal qualquer lhe aconteça. Faz parte da nossa razão de ser preservá-la… e isto não está relacionado exclusivamente ao fato de ela ser minha esposa. – Jacob disse.
_ Não, nós não temos nenhum dever sobre ela! Então não vamos nos envolver nisto mesmo. Nós vamos pegar tudo o que nos temos e desaparecer de perto de vocês! – Rosálie disse entre dentes.
            Mas então uma voz sofrida penetrou por entre todos os outros.
_ Por que você ligou minha filha a você? Por que você atrelou ela a tudo isto? – Bella estava encolhida em um canto da sala, sua face estava distorcida em uma grande agonia, ela olhava para e só.
            Ela havia entendido e sentido perfeitamente o significado de ter simplesmente “dado” sangue e poder para sua filha. Ela tinha certeza que aquilo era um sinal que ela queria Renesmee junto de si para o que quer que fosse.
_ Ela não tem que estar nisto! Não tem! Se isto diz respeito somente a você, porque você colocou Nessie nisto? – A voz de Bella se sacudia em agonia.
            abaixou a cabeça, resignada. Entendia a agonia de Bella, pois suspeitava que se fosse mãe, sentiria o mesmo por sua filha. Mas a morena não sabia como explicar que precisava de Renesmee junto de si, que precisava protege-la, dar força a ela, que algo dentro de implorava por isto. A hibídria tinha um grau de importância inexplicável para ela.
            Mas Renesmee tentou se justificar para a mãe, tomando a frente quando se calou mais uma vez, naquela noite.
_ acha que o vampiro que sabe e quer o sangue dela tem alguma relação com os Volturi. – Nessie disse o que ainda não havia dito, trazendo a tona aquilo que havia lhe revelado na ilha. – O motivo que ele deseja o sangue dela é alcançar mais poder… Ele guardou este segredo de todos por que? Ele só quer para ele, ele quer que todo o poder dela seja só dele. Mãe… os Volturi sempre quiseram isto, estar no controle, dominar. Nós nunca nos mostramos favorável aos métodos deles, somos ameaça. Então vocês acham que estamos afastados de toda esta loucura que está nos contando? Que não sofreríamos as consequências? Os lobos lutaram pra proteger a sua vida quando era humana, o Jake se quebrou todo nesta ocasião. Acham justo deixarmos eles de lado caso algo resolva se por contra eles, e como covardes, fugirmos pra algum lugar neutro? Não!
            Edward parecia transtornado, Bella tinha um claro ponto de interrogação na expressão. Tudo parecia muito confuso! Eles pareciam caminhar em areia movediça, seus pés afundavam sem ter em que se firmar.  Esta era a sensação quando tentavam compreender e se precaver de algo que ainda estava por vir.
            Alice pressionou as têmporas, sua cabeça doía... mas ela não via nada! Ela tentava, sentia que precisava ver algo, mas ela não conseguia. De súbito, uma luz se acendeu em sua mente, fazendo-a se mover, alarmando todo mundo com a sua repentina corrida escada acima. Logo ela voltou, com um quadro nas mãos.
_ Você disse que o vampiro que sabe de você tem alguma relação com os Volturi? – Alice bradou para , sua voz cristalina tremia.
_ Sim… - a morena respondeu.
_ Você já viu a face dele? Sabe como ele é? Você tem visões com ele... é isto? – Alice continuou a pressionar.
            sentiu uma palpitação nos músculos.
_ Sim… já o vi.
_ Pode reconhece-lo?
_ Posso. – respondeu, convicta.
            Alice virou o quadro que tinha nas mãos para , revelando a imagem.
_ É algum destes?
            O coração de parou por meros segundos, todo o seu corpo estremeceu ao velo pintado distintamente próximo a Carlisle naquele quadro. Atrás de si ela ouviu um grito.
_ É ele! Ele é o meu assassino! Foi ele que me mordeu! – Milla gritava, com ódio.
            estava muda.
_ É ALGUM DESTES? – Alice, a baixinha sempre tão alegre e saltitante estava histérica.
            moveu a cabeça lentamente. Para cima e para baixo. Sua face pálida. Jacob quase não podia conter seu lobo dentro de si. Era um Volturi! Um maldito sanguessuga italiano metido a rei!
_ Qual? QUAL DELES!?
            Tremulamente e Milla apontaram para um mesmo rosto. Um rosto duro, inóspito, circunspecto.
            Carlisle arfou. _ Marcus! – Edward sussurrou…
CAPÍTULO 52
VERDADES
“Ouçam: os espíritos falam.
Eles clamam! Clamam pela verdade. E ela vem.
É ela, ela quem deve imperar.
O tesouro está nela.
Reverenciem esta majestade. A verdadeira.
Nela está o poder, a cura e o tesouro maior.”
            As criaturas trespassaram o portal para o seu recanto secreto com os corações oprimidos. Koraíny observava os irmãos se dirigirem ao centro do jardim que ficava ao norte das terras élficas, onde normalmente se reuniam para tomar decisões importantes. Caminhou para lá já sentindo que algo estava errado, algo faltava. Seus irmãos cederam lugar pra que ele pudesse se juntar ao grande círculo que formaram… havia um lugar vago, o lugar mais importante.
            Quendra não estava lá.
_ Onde ela está? – Ele perguntou, um incomodo desconhecido cercando seu coração.
            Niadhi ergueu os olhos pra ele, confusos.
_ Não sabemos… nós nem sequer a sentimos. – Ela disse, esperando que o outro, mais velho que ela, pudesse a tranquilizar.
_ É como se não a tivéssemos. Não sentimos a presença da rainha em nós. – Danae, outra elfo, explicou.
            Koraíny se sentou, abismado. Os elfos eram intima e profundamente ligados uns aos outros, sentiam em si a presença de cada um e, nem mesmo a morte poderia tirar a presença de um no espírito de todos. Era como se o espírito de cada irmão que existe ou já existiu formassem as fibras de seus corações. Naquele instante, sentiam-se mutilados, pois a presença mais forte, que sempre foi a da rainha, não pulsava neles.
            Eles juntaram as mãos e passaram para Koraíny todas as ultimas imagens que tinham de Quendra até o momento de seu desaparecimento, no instante em que sentiram a ligação se romper. Nenhum deles sabiam dizer se a ligação foi rompida propositalmente ou não, a única coisa que puderam perceber é que Quendra havia descoberto algo com a demônio Ukhaha. Mas nenhum deles tiveram a chance de saber exatamente o que, pois no momento que tentavam, Quendra desapareceu em corpo e em espírito diante deles.
  _ Nós achamos melhor voltar pra cá, onde temos mais força, pra tentar localizá-la. É impossível que não possamos fazer isto!
            Koraíny olhou para Morian, concordando.
_ Mas nós não sabemos se a Ukhaha pode ter evoluído ao longo destes séculos. Não sabemos se ela teve o poder de tirar de nós nossa rainha. Além disso, ela comeu o coração de um lobo, repleto de nossa magia. – Outro elfo, Jeyn, argumentou.
_ De qualquer forma nós temos que tentar. E, talvez, descobrindo onde Quendra está, chegaremos até onde se esconde a Ukhaha. – Koraíny disse. – Não podemos perder mais tempo, temos que fazer isto, agora. Se o coração do lobo deu mais força ao demônio, ele não hesitará em tentar tomar outro.
            Um murmúrio de aceitação percorreu o círculo de elfos. Novamente juntaram as mãos e canalizaram o poder, uma chama azul surgiu no meio do círculo. Logo perceberam que também sentiam falta do poder real para completar a magia. Murmuravam incessantemente palavras antigas, tentando cobrir aquela ausência. Cada um dava tudo de si. Mas não podiam conseguir nada com precisão e nem com tanta facilidade como faziam.
            De repente, a voz de Niadhi se sobrepôs as outras, tornando-se um grito agudo, sua expressão contorcida, a chama azul ganhou uma coloração mais forte. A elfo havia captado a essência de sua rainha. Os irmãos tentaram imediatamente conduzir todas as energias em Niadhi, para ajuda-la. Aos poucos, o que havia na mente da elfo, era o que havia na mente de seus irmãos.
            Mas não havia imagens, apenas uma sensação difusa sobre algo. Quendra estava viva, eles sabiam… Mas onde? Os cânticos se misturaram a preces que clamavam por mais poder para descobrir o que acontecia com a rainha elfo.
_ Quendra… Quendra… teus servos te chamam… abra teu coração a nós! – Niadhi praticamente implorava aquilo em sua mente, esperando uma resposta da rainha que não vinha.
            Até que, no meio das chamas de um azul quase negro, forma-se uma imagem distorcida. Um local amplo, escuro, sem luz e sem calor… abaixo da terra, com longos túneis. Quendra estava lá!
            Todos eles abriram os olhos juntos, já decididos sobre o que fazer.
            Sabiam onde a rainha estava, e iriam atrás dela naquele exato momento.
_ Não posso sair. Tomem cuidado. – Koraíny recomendou a todos. – Não podem entrar nos domínios deles, mas estando próximos o suficiente, poderão reestabelecer a ligação com Quendra.
            Um murmúrio de compreensão soou dos elfos enfileirados como o mais poderoso exército existente. Em seus olhos castanhos chamejava a gana da luta.
_ Não iremos falhar Koraíny. E se o vampiro Marcus ou qualquer um de sua raça ameaçar a vida da rainha, nós declararemos guerra contra todos eles. – Disse Norian, um dos elfos mais fortes. Ele tinha os traços belos, porém eram duros. Sua face era sempre a mais séria dentre eles.
_ Sim, o façam. Estarei aqui, mas a minha energia estará toda com vocês. Mas Deus permita que Quendra esteja viva, ainda que com isto não possamos dizimar os vampiros. – Koraíny respondeu, recebendo novas exclamações de concordância.
            Os elfos se dirigiram então para a cachoeira de águas puras, portal para o mundo que os humanos habitavam.  Norian tomou a frente, mas foi surpreendido.
            Assim que os pés do elfo tocaram a superfície da água, esta se cristalizou, como se congelasse e se tornasse uma pedra brilhante, linda e intransponível. Imediatamente Norian se afastou.
_ O que é isto? – Danae falava assustada.
            Norian se aproximou novamente, concentrando-se, fechou o seu punho e com toda a força esmurrou a superfície sólida. O impacto causou um som indescritível, que de tão forte, permaneceu ressoando no espaço por um longo tempo. No entanto, nada aconteceu. A superfície continuou ilesa!
_ Não pode ser! – Niadhi sussurrou.
_ Vamos sair de outra forma. – Danae propôs.
            Para que todos os elfos saíssem dali, haviam duas formas: ou passavam no portal, e neste todos poderiam passar todos ao mesmo tempo, ou se desmaterializavam para o mundo externo. Mas a desmaterialização só poderia ser feita por um elfo de cada vez.
            Danae concentrou-se então, fechou seus olhos, sentindo a sensação de formigamento que precedia ao momento em que seu corpo se dissolveria na dimensão espaço-tempo. No entanto isto não aconteceu, o formigamento cessava tão repentinamente, que até doía, mas o corpo permanecia no mesmo lugar. Outros elfos tentaram e o mesmo acontecia.
_ Não! – Jeyn exclamou inconformado.
_ Estamos presos. – Koraíny sentenciou o que todos já sabiam.
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_ Você tem certeza disto? – Alguém lhe perguntava, alguém que ela não fazia ideia de quem era, e também não dava a mínima importância pra isto.
_ Sim! É ele! – Uma voz jovem e raivosa soou atrás de , mas ela novamente não se importava. Seus olhos estavam fixos no quadro a sua frente, no rosto daquele maldito soberbo, que lhe encarava como se fosse, realmente, a única criatura na Terra capaz de destruir a sua vida... a vida de qualquer um que se pusesse em seu caminho...
            No quadro, ela procurava gravar cada traço daquele rosto, da pele branca, os cabelos negros, os olhos de sangue… Olhava tanto, que em determinado momento a imagem se tornou real, de um momento a outro era como se o vampiro tivesse se materializado em sua frente, lhe olhando com o rosto aparentemente impassível, mas ela podia enxergar a carga infernal que havia dentro daquela criatura. Ele não tinha alma, ele não queria uma…
            A passividade dele era o que mais lhe assustava, pois ela sabia que ele, por séculos e séculos, adestrou seus sentimentos e ações pra ter tudo sobre controle, pra fazer o que quer que fosse com louvor… um inimigo cujas armas haviam sido aperfeiçoadas pela dimensão do tempo... O que ela poderia fazer contra ele?
            Ela, uma moça, com nem três décadas de vida completas, com poderes fervilhantes e confusos dentro de si, imatura, assustada consigo mesmo… e com medo… muito medo de perder não a si mesma, mas o homem que amava. O homem que ela sabia rosnar ao seu lado e exigir dos Cullen toda e qualquer informação sobre aquele vampiro.
            Com toda a sua certeza, ela sabia que o vampiro milenar TINHA que ser destruído…
_ A guarda Volturi foi montada por Aro… ele tem uma obsessão em adquirir talentos…
            Quando voltou ao tempo presente, o quadro estava jogado em um canto da sala. Percebeu que Bella permanecia com os olhos brilhantes bem longe dela, tal como o vampiro Jasper e o grandalhão Emmett. Seu coração batia em uma velocidade absurda, provocando ainda mais os vampiros. Esme parecia controlada, abraçada fortemente a Alice, que tinha as mãos nas têmporas e os olhos sérios. Edward e Nessie tentavam acalmar Milla, uma vez que Jasper não parecia em condições de controlar as emoções de ninguém.
            Jacob tinha as costas tensas, a veia em seu pescoço pulsava, podia ver o tremor de seus músculos a distancia. Ele andava de uma lado a outro na frente de Carlisle, enquanto  o interrogava.
_ O quão preparados eles são? – A voz de Jake estava ainda mais rouca, seca.
_ Os melhores, Jacob. Aro sempre almejou os melhores… ele já demonstrou muito interesse em Alice, Edward e Bella... Em Alice principalmente. – Carlisle parou um instante, franzindo o cenho e puxando um pouco de ar devagar, logo experimentando uma tontura ao se deparar com o cheiro de , que agora tinha os olhos voltado pra eles. – Eu não entendo como pode ser Marcus… ele… ele ficou sempre tão apático depois da morte de Didyme… Aro sempre pareceu o mais obcecado por poder, controle.
_ Quem é Didyme? – perguntou, sua voz saiu falhada, e o foco de tudo recaiu sobre si.
_ Irmã de Aro… Única parceira que Marcus teve. Ele a amava, por ela ele planejava abandonar o trono dos Volturi… Didyme tinha o poder de tornar as pessoas ao seu redor alegres, satisfeitas… depois da morte dela Marcus passou a ser um espectro, caiu em uma eterna depressão. – Carlisle respondeu solícito.
_ Amava? Amava mesmo? O amor era real ou consequência do poder dela? – questionou, se aproximando inconscientemente do vampiro. Havia algo errado naquela história… algo que não batia…
            Carlisle se mexeu desconfortável quando avançou, mas Jacob agarrou o braço dela e a fez retroceder.
­_ A… a… bem… - Carlisle apertou os olhos tentando recuperar o raciocínio. – A vida de Marcus nunca foi muito exposta. Ele sempre foi o mais retraído de todos os Volturi. O que sabemos sobre ele é fruto de inúmeros boatos. A relação com Didyme foi estranha… todos diziam que eles eram felizes, mas que Aro a teria matado pra que Marcus não abandonasse o clã e a seguisse para outro lugar…
_ Por que este Aro daria tanta importância para a presença de Marcus no clã? – Jacob perguntou. – No que eles se dependem? Por que a fidelidade um com o outro? Sanguessugas são egoístas… se você diz que este Aro é obcecado por poder, porque ele não gostaria de se manter sozinho no trono?
_ Aro não teria necessidade de Marcus… Mas se Marcus planejava algo grande, ele provavelmente não gostaria de nenhuma atenção sobre si… Aro é uma excelente distração pra todos os inimigos dos Volturi. Ele sempre tomou a frente de tudo. – Edward disse, novamente focado na conversa principal, tal como Milla e Nessie, agora mais tranquilas e atentas. – A verdade é que não sabemos muito sobre Marcus… na verdade, nunca houve interesse de ninguém em saber muito sobre ele.
_ Mas se você tiver errada, nada disso fará sentido… - Rosálie disse a , azeda. A morena se deu conta da presença da loira atrás de si. Ela estava ali há muito tempo?
_ Sim, não faria. Mas ainda assim há algo que não se encaixa Tia Rose… - Nessie respondeu. – Jacob disse certo ao perguntar aquilo… Qual o motivo da fidelidade entre os irmãos Volturi? Aro não precisa dividir o poder com ninguém… precisa?   
            Nessie não teve resposta, apenas silêncio.
_ Jacob, nós nos colocamos contra os Volturi uma vez, por Nessie, quase tivemos um enfrentamento. O que os parou foram alguns amigos de Carlisle que se uniram a nós. Alguns tinham poderes formidáveis, mas se houvesse luta, eu não sei se nós iriamos vencer… Talvez sim, mas com muitas, muitas percas. – Bella sussurrou de seu canto. Ela parecia falar pouco pra não precisar tomar ar.
_ Amigos? Mais sanguessugas vegetarianos? – Jacob se virou para Carlisle.
_ Bom… somente alguns tinham o nosso estilo de vida Jacob.
            Jacob estreitou os olhos passando uma mensagem clara de que qualquer outro vampiro que se alimentasse de humanos, amigo dos Cullen ou não, morreria se se deparasse com ele.
_ Não importa Isabella… se estes Volturi decidirem vir contra nós, iremos enfrenta-los de qualquer forma. Eu vou preparar a matilha para isto. O ataque de Caleb foi o primeiro, mas não será o ultimo. – Havia na voz do alpha uma certeza e uma imperatividade impossível de se questionar. O lobo olhou para , esta respirou fundo, endireitou a postura e com um aceno de cabeça, confirmou as palavras do marido.
_ Iremos… revelar tudo a eles. Aos lobos. – Ela disse, sentia um certo tremor nas mãos, mas não ousaria tentar fingir que tudo o que sentia, tudo o que acontecia ali, era apenas uma ilusão.
            Com passadas largas Jacob voltou para o seu lado, as mãos quentes  envolveram as dela e logo não havia mais tremores nem nele e nem nela.
_ Juntos… vamos fazer tudo juntos… sempre. – Jake lhe sussurrou ao pé do ouvido, fazendo-a exalar fortemente.
_ Jacob, nós podemos ajudar, estar com vocês. Não precisaremos ficar de lados opostos. – Carlisle propôs antes que o casal saísse da casa.
_ Jake, por favor… Aceite, confie. – Os olhos achocolatados de Nessie estavam novamente clamando um pedido. – Minha família conhece mais o inimigo do que vocês… pode haver mais chances!
            Jacob apertou a mão de mais forte.
_ Eu não … sei… - disse.
_ Jake, eu acho que pode dar certo. Vocês só precisam esquecer de todas as coisas do passado… começar de novo… perdoados… Não seria irmandade como é com os lobos… mas uma aliança. – Milla caçou os olhos de Edward enquanto falava aquilo, querendo que não só o lobo compreendesse, mas os vampiros também.
            correu os olhos pela sala, até se deparar com Rosálie. Nessie percebeu o movimento  da morena e também a mensagem oculta nele.
_ Tia Rose não será nenhum problema… - Nessie disse. Voltou-se para a loira com expressão soberba. – Ela é boa, eu sei que você sabe disso , você sente as coisas de dentro mais que a aparência. Ela vai se manter do lado certo, independente de qualquer coisa. Eu sempre confiei no amor dela… não é tia?
            A expressão de Rose vacilou, ela virou o rosto na direção oposta, longe do apelo nos olhos da híbrida, mas depois de alguns segundos, ela confirmou com a cabeça. Nessie sorriu e naquele momento Jacob teve certeza que a monstrinha tinha um poder muito forte sobre aqueles vampiros.
            procurou os olhos de Jake.
_ Eu nunca pensei que fosse estar nesta situação. – Ela disse, ainda olhando só para Jake. Ele maneou a cabeça, atento. voltou seus olhos para Carlisle. – Eu fui treinada pra manter os vampiros o mais longe possível de mim. Eu aprendi a abominar todos eles, sem exceção alguma. Mas já não é assim. Isto aqui não é uma simples luta entre raças. É mais do que isto. Se os nossos valores são os mesmos, se nos mantemos por amor e queremos preservar a vida… - Ela suspirou. – Devemos lutar juntos. Não há porque nos separar.
_ Sim. Não há, . – Carlisle murmurou, complacente. – Nós admiramos os lobos, a forma como eles defendem os humanos. Nunca nos poríamos contra vocês.  
            abaixou os olhos, novamente envergonhada por ter descontado sua ira naquele vampiro. Por Deus! Havia algo tão humano nele. Ele se esforçava tanto pra preservar sua alma.
_ É um novo começo. – Jacob finalizou. – Mas eu prefiro que vocês não pisem em nossas terras, apenas com autorização minha. Eu não vou poupar nenhum de vocês se descumprirem o tratado e ousarem se alimentar de um humano. Caso queiram chamar algum amigo pra ajudar, é bom que eles se tornem tão vegetariano quanto vocês. Eu não posso ser complacente com nenhuma morte, Carlisle.
_ Eu entendo Jacob. Entendo perfeitamente. – O vampiro respondeu.
_ As meninas tem livre acesso a La Push. Tanto Milla quanto Nessie. Se precisarem falar conosco, elas podem ir nos procurar a qualquer hora. Os lobos se porão em defesa de vocês, se precisarem. O mesmo esperaremos de vocês.
_ Arriscar a cabeça pra defender cachorros? – Rosálie perguntou incrédula. Nessie fez uma careta, esperando uma explosão de fúria ou de Jacob ou de .
            Mas não aconteceu nada disto. O alpha apenas direcionou um olhar sério para a vampira esbelta e com voz firme disse:
_ Se assumirmos este compromisso, eu e minha matilha arriscaríamos a nossa cabeça em sua defesa. Nunca será prioridade, mas não a deixaremos morrer se pudermos evitar. Não há mais nada que me prenda ao passado. Os tempos são outros. Você assume isto?
            Rose elevou as sobrancelhas, espantada. Ainda manteve a pose, mas engoliu seu próprio veneno a seco diante da dignidade do lobo ao lhe encarar e dizer tudo aquilo sem titubear. De repente a loira simplesmente ergueu o queixo e disse:
_ Assumo.
            Os oito Cullen soltaram a respiração em uma única vez.
_ É um novo tratado? – Edward perguntou. Jacob se virou pra ele então.
_ Sim. Penso que será necessário. – Respondeu.
_ Eu espero que você não coloque a vida da minha filha em risco. E que esteja sempre lembrado que eu sou o pai dela e Bella, a mãe. Tudo o que diz respeito a ela, diz respeito a nós. – Jacob somente afirmou com a cabeça. Edward olhou para e ela repetiu o movimento do marido.
            O vampiro então estendeu a mão em direção ao casal. Jacob olhou aquilo um instante, era tão comum selar um acordo com apertos de mãos. Mas um acordo entre vampiros e lobos? Ele respirou fundo e se lembrou, involuntariamente, de tudo o que passou desde que aqueles vampiros apareceram em sua vida. O saldo não era positivo. Os olhos negros se puseram então a encarar os dourados. Se havia uma coisa que Jacob não podia negar, era a honra que aquele vampiro tentava manter em si. Podia confiar? No instinto vampiresco, nunca, jamais. O lobo Jacob sempre estaria em alerta, esperando para estraçalhar um vampiro sanguinário. Mas o homem Jacob se propôs a confiar em Edward Cullen e em sua família.
            A mão morena e forte se ergueu e apertou a mão gelada do vampiro. Naquele instante algo se partiu, muitas coisas se apagaram e algo se construiu. Jake apertou seus olhos e clamou uma prece muda aos espíritos guerreiros: “é por um bem maior”. Em seu coração havia paz e o alpha sabia que de seus antepassados, veio aceitação. sorriu ao seu lado, também sentindo um peso a menos sobre si.
_ Nós vamos ir. – O índio disse. – Passarei à matilha tudo o que foi dito aqui. Será uma noite longa.
_ Sim, claro. Saiba que faremos de tudo pra honrar este compromisso. – Carlisle disse.
_ Eu acho que se vocês saírem daqui eu volto ao normal. Se eu conseguir ver algo em Voltera eu te aviso, cachorro. – Alice se levantou, sua expressão ainda estava tensa.
_ Seria muito importante. – foi quem respondeu, recebendo um sorrisinho da vampira.
_ Eu levo vocês até a fronteira! – Milla se levantou e quase no mesmo instante estava do lado do casal.
_ Eu também posso… - Nessie começou a dizer, mas antes que terminasse recebeu um sonoro:
_Não! Filha, ainda temos que conversar direito. Fique aqui. – Bella foi firme com a filha. Nessie nem tentou contestar. Entendia a preocupação dos pais. - E Milla, não se afaste tanto e volte logo. Evite ficar sozinha. – Bella sorriu pra jovem, que lhe deu um aceno de cabeça.
 _ Sim senhora. – Disse, leve.
_ E por favor, Jacob, leve sua esposa daqui. Eu já pensei em mil formas de beber o sangue dela. – Bella confessou,  contorcendo a expressão em uma agonia aparente.
            Jacob não conseguiu evitar um rosnar baixo, mas se controlou. Se despediram e logo partiram.  
            Os três saíram a passos lentos, mas qualquer humano que os tentasse acompanhar, teria que correr um pouco pra isto. Milla ia no meio do casal, com as mãos nos bolsos de seu jeans e a cabeça baixa. Depois de um tempo, quando estavam já no meio da mata, ainda em silêncio, a vampira finalmente falou.
_ Eu me sinto completamente perdida. Parece que estou vivendo um pesadelo… que uma hora vou acordar e voltar pra vida que eu levava… Mas eu também teria medo se isto acontecesse. – Ela olhou pra . – Porque me sinto cada vez mais longe da minha vida humana.
_ Isto é um pesadelo, Milla. Até pra mim… isto tudo parece um pesadelo. – pegou a mão dela, dando um aperto leve. – E eu não sei até quando ele vai durar.
_ Não se preocupem garotas. Vocês tem um lobo alpha pra lhes proteger. – Jacob disse. Subitamente com a voz mais leve, de um jeito quase brincalhão. A súbita mudança de humor de Jake contrastou tanto com o momento, causou tamanha surpresa nas duas, que elas simplesmente riram.
_ Pois saiba o senhor, óh grande alpha, que eu tenho mais poderes que você! – Milla respondeu, no mesmo tom de gracejo. Ele sorriu e apesar de toda a escuridão que pesava ao redor deles, havia luz. Havia luz no sorriso de Jacob e havia luz dentro de cada um deles.
­_ É mesmo tão poderosa? Tão corajosa? – O índio desafiou a vampira. Ela, por sua vez, ergueu a sobrancelha desconfiada e interrompeu a caminhada.
_ Sim… - ela hesitou. – Na verdade, depende.
_ Não existem “meio” corajosos, Milla. Ou eles são corajosos para enfrentar qualquer coisa, ou são covardes bem disfarçados. – disse.
_ Bom… eu tenho uma missão muito importante pra você. – Não havia mais sorriso no rosto do lobo. Jake estava novamente sério. Milla engoliu em seco.
_ O que? – Ela murmurou.
_ Seth está em ronda ao norte. Exatamente naquela região em que estávamos quando aquela criatura apareceu. – Rapidamente Jacob notou a mudança na postura de Milla. Ela ficou tensa assim que ouviu o nome de Seth. Jake continuou a falar, olhando para os olhos dela sem hesitar. – Farei uma reunião com a matilha agora. Todos eles, pra contar tudo que está acontecendo, tudo o que eles ainda não sabem. Menos com Seth.
            Naquele momento , que somente ouvia, percebeu qual era a intensão de Jacob. Ele prosseguia.
_ Seth não estará porque será você, Milla, quem vai conversar com ele. É você quem vai contar tudo a ele. O procure, o ache, e converse com ele. Fale tudo.
            A boca da vampira se escancarou, ela parecia não acreditar no que ouvia. Depois de sacudir a cabeça, apertar os olhos, é que respondeu.
_ Eu não posso. Os Cullen estão esperando eu voltar logo. Eu disse que voltaria logo.
_ Covarde… _ a voz de soou arrastada atrás dela, lhe insultando com uma verdade profunda e complexa demais.
            Involuntariamente Milla rugiu e se virou com raiva para a morena, que não se abalou em nada.
_ Vou falar para que não te esperem. Você vai até Seth.
_ Por que? – Milla se virou com a mesma raiva acuada para Jacob.
_ Porque eu preciso, porque ele precisa e porque você precisa. E vai ser agora. Este vai ser o momento da verdade. A verdade entre vocês e a verdade sobre tudo que está ao redor de vocês. – Jacob disse categórico.
_ Ou você pode fugir. Se esconder de si mesma, como os covardes fazem. E viver a eternidade morta e incompleta. – A morena disse. Milla suspirou com os tormentos que sempre colocava em sua cabeça. Quando aquela mulher resolvia ser incisiva, ela não era nem um pouco agradável.
_ Foi uma armadilha sua? – Milla perguntou a Jake, que esperava uma atitude sua de braços cruzados.
_ Não. Foi um impulso. Se esqueceu que foi você quem escolheu vir conosco? – Ele disse, aparentemente calmo.
             Milla respirou fundo, sua cabeça girando.
_ Não se preocupe. Ele não vai te devorar… se você não quiser. – Jacob completou com um sorriso mateiro.
_ Eu vou. Por livre e espontânea pressão, eu vou. – Ela disse, fazendo uma careta.
            O sorriso de Jacob e aumentou.
_ Então vai logo! – disse aquilo dando um empurrão nada sutil em Milla. A menina respirou fundo e correu, nem tão rápido quanto podia, mas indo exatamente na direção em que Jacob havia indicado.
            Assim que ela partiu, Jacob tirou suas roupas e se transformou em lobo. Junto com a esposa, o lobo correu até uma parte deserta da praia de La Push. Só lá ele uivou. Seu chamado ecoou longe e sentiu um estremecimento. Era hora da verdade.
            O lobo alpha sentou imponente sobre as patas traseiras, o focinho erguido em direção a lua, até que a esposa se pôs a sua frente.  Dentro da cabeça de Jake, os lobos perguntavam a que se referia o chamado, mas Jacob nada esclarecia, apenas mantinha seu olhar fixo em . Ela estava de costas para o vento, seus cabelos eram jogados para frente, estava ereta, séria e bela. Tinha adotado a postura majestosa de seus antecedentes élficos.
            Não tardou os lobos chegaram. Exceto Seth. Jacob havia visto Milla chegar até ele e então, ele voltou a sua forma humana e interrompeu a conexão.
            Leah estava ao lado de Embry, no entanto permanecia em sua forma humana. Como havia recomendado, ela evitava ao máximo a transformação, em vista de sua gestação. A india olhou primeiro em direção a Jacob e depois para . O olhar de entendimento que ela passou aos dois dizia que ela não se surpreenderia nem um pouco com o que seria revelado.
            foi até a índia e examinou cuidadosamente sua barriga.
_ Pode se transformar, mas evite se movimentar muito. – A morena disse.
            Leah apenas confirmou com a cabeça e logo era a grande loba cinza. A matilha formou um círculo ao redor de . Ela se sentou de frente para Jacob, olhando diretamente nos olhos negros.
_ Apenas se lembre de tudo. – Ela lhe disse. E então, a ordem maior do segredo élfico foi quebrada e substituída pela de . Jacob fechou os olhos com o peso de suas lembranças e passou aos lobos tudo, exatamente tudo que se referia aos quileutes, aos elfos e a .
            A matilha viu, inclusive, o início da magia quileute. O poder sendo passado a seu antepassado quileute por Lairon. O pai de . Viram, por meio de Jacob, Quendra interferindo no tratado entre lobos e Cullen. Viram quando Jacob encontrou , a sua luta com os vampiros, a ordem de Quendra. Viram cada detalhe, como se o revivessem naquele exato momento.
            apenas ouvia as respirações entrecortadas dos lobos, os corações que aceleravam e se acalmavam em uma estranha sincronia. Quando Jacob abriu os olhos, ela sabia que tinha acabado, que todos os lobos sabiam, não só sobre todos os últimos acontecimentos, mas também sobre origem da magia que impregnava o seu quileute, tal como sabiam a posição em que ocupava entre os elfos.
            Não ouve grunhidos, uivos, latidos. Nada. Todos os outros lobos abriram os olhos quase imediatamente depois de Jacob, com todo o foco voltado a ela. E então curvaram as cabeças em direção a moça, fazendo-a perder o fôlego.
            Jacob se surpreendeu com o tamanho da reverência que passou a tomar conta do coração dos lobos. Reverência por ela, por sua esposa. Era quase o mesmo respeito que eles tinham pelo alpha, como se ela fosse tão importante na vida da matilha quanto o próprio alpha.
            Era um sentimento involuntário e muito mais profundo do que Jacob ou poderia entender. Mas sabia de onde via aquilo. Ainda trêmula pela reação dos lobos ela olhou pra cima, em direção aos céus e se deparou não com estrelas ou lua, mas com os olhos de seu pai, Lairon, olhando diretamente para eles, pairando em cima dela, sobre ela. Dando-se a ela e habitando dentro dela. Naquele momento soube que os lobos não se curvavam somente perante ela, mas também diante do elfo Lairon.
            Ela continuou vendo as órbitas castanhas de Lairon cada vez mais perto, cada vez mais nítidas, até que o espírito do elfo e ela estavam frente a frente. Lairon foi perdendo a consistência de matéria, se tornando fluido como o vento. Ele sorriu paraha antes de se desfazer em uma grande chama azul  e se chocar contra o peito de . Ela gritou de dor e caiu para trás, desmaiando.
            Mas no segundo antes de perder a consciência, ela soube de uma verdade até então desconhecida: ela era filha do rei legítimo. Sua linhagem élfica era a suprema. O seu sangue era real.


CAPÍTULO 53
O CAOS
          
 Estava confusa, perdida em uma imensidão. Seu peito agonizava, sentia que possuía algo nas mãos muito maior do que poderia carregar. Alguém lhe segurou a mão.
_ Não está sozinha querida. – olhou para a criatura ao seu lado. Ela era tão linda, tão perfeita e majestosa. No decote de suas vestes resplandecia um colar com um belo pingente de coração. Era uma pedra azul. – Nós sempre vamos estar com você. O tempo inteiro.
_ Eu não quero isto. Não quero isto. – Ela sussurrou. Mas o que? O que ela não queria?
_ Não é uma questão de escolha. Você nasceu assim. Nasceu para isto. – A criatura lhe disse.
_ Não posso. Não posso ser como você. Não quero. – Ela continuava insistindo. A criatura majestosa ao lado dela entristeceu-se.
_ Não negue. Enquanto você negar, mais difícil será. Todos precisam de você. Eles precisam de você. Você precisa tomar esta decisão. Se preparar para quando for preciso tomar o trono.
            Trono? Não, ela não queria trono algum. No fundo ela sabia que teria que renunciar muitas coisas para tomar o tal trono. Coisas que ela não podia e não queria abandonar. 
_ Você não vai abandonar. Vai se afastar, mas nunca abandonar. Na hora certa você vai entender tudo.
_ Não… - Ela disse, em um eco fraco.
_ Sim. – A figura foi incisiva.
_ Quem é você? – perguntou. A criatura sorriu: perfeita.
_ Sou teu passado. – Ela disse.
            Tudo desapareceu. voltou a ficar perdida em sua inconsciência, entre o despertar e o sono profundo. Ela sentiu uma mão quente apertando a sua. Aos poucos se sentia mais próxima de acordar, podia escutar Jacob conversando ao lado dela.
            Mas antes que pudesse abrir os olhos, ouviu um chamado.
_ !
            Ao ouvir aquela voz, abandonou tudo e se concentrou somente naquele som, no timbre daquela voz. Saudade, quanta saudade ela sentiu dele!
_ Koraíny! – Ela respondeu.  – Mas como…? – Como ele podia conversar com ela? Como? Ele não estava impossibilitado de se comunicar com qualquer coisa que estivesse além das terras élficas?
_ Eu não sei! – Ele lhe respondeu, parecendo confuso.
_ Procurávamos falar com Quendra, . – Outra voz. Niadhi. – Chegamos a você.
_ Pode nos ver, ? – Koraíny perguntou.
            A moça ficou confusa.
_ Não. Não vejo nada. Só ouço… Estou dormindo? É sonho? estava confusa. Mas não parecia sonho e sim uma realidade paralela. A seus olhos tudo parecia obscuro, sombrio.
_ Não é sonho! Mas … preste atenção em uma coisa: tome cuidado! – Koraíny parecia um tanto nervoso, sua voz estava acelerada.
_ Por que?
_ Quendra desapareceu… nós estamos presos. Presos nas terras élficas.
             Não! Um medo se alastrou por todo o corpo de . Na realidade além de sua mente, ela percebeu a ansiedade de alguém, uma voz desesperada lhe chamando, braços lhe envolvendo.
_ O que … como? O que isto significa?
            Silêncio. Por um instante a morena não teve resposta alguma de nenhum dos elfos. A moça tentou se concentrar mais. Foi estranho, mas ela podia sentir a presença mental de todos os outros elfos, silenciosos, concentrados. Só Niadhi e Koraíny, mais próximos a ela, lhe falavam.
Só uma explicação nos ocorre, . Nossa existência corre perigo. Fomos mantidos aqui para que nada chegue até nós. Nem bem e nem mal.  – Niadhi, enquanto dizia aquilo, parecia comprovar as piores suspeitas de .            
            Era pior, pior do que ela pensava! Para os elfos sempre eram os mais poderosos, os seres intocáveis. Como eles poderiam correr tamanho perigo a ponto de uma defesa mágica protege-los tão fortemente?
_ Você não pode ficar aí! Não podemos interferir em nada, ! Não podemos lhe proteger de coisas que você não conhece. – Agora o desespero havia se tornado claro na voz de Koraíny. – Você tem que estar aqui, conosco. Até sabermos o que estamos enfrentando!
_ Não posso! Não posso entrar nas terras élficas! Só elfos puro-sangue podem. – falou o que lhe parecia óbvio. Todos haviam lhe dito aquilo desde que era menina.
_ … - Niadhi começou receosa. – Você já entrou aqui. Você está aqui. Você não poderia estar falando conosco se não pudesse, se o portal para as terras élficas fosse oculto a você. Entende? É bloqueado, tudo! De alguma maneira, por algum motivo, sua entrada aqui foi liberada.
            Voltou a memória de a figura com quem sonhava a pouco tempo. No momento do sonho não havia feito a conexão, mas agora sabia. Era uma elfo. A elfo mais imponente que tinha visto. Aliás, ela não se lembrava de já a ter visto antes de sonhar com ela. Diante daquela lembrança, uma dúvida lhe veio.
_ E Quendra? – A moça se concentrou.  – Onde ela está?
_ , o perigo que corremos pode ter haver com ela. Talvez a própria Quendra acionou a proteção sobre nós. Talvez ela te proteja também. – Niadhi disse. Havia notas claras de esperança em sua voz.
_ Como assim? – Ela tentava se concentrar mais. Onde afinal ficavam as terras élficas? Ou como Quendra chamava: O recanto dos elfos?
            Não via nada. Estava perdida em uma espécie de vácuo. Somente ouvia e sentia. Sentia as almas, a energia dos elfos.
_ Não. Não posso chegar até vocês. Algum de vocês pode me ver? – Ela perguntou. clamou que eles a estivessem vendo, que soubessem onde estava. Eles tinham que ter algum controle sobre as coisas ainda. Só assim ela poderia se sentir mais segura, menos sozinha diante do perigo desconhecido.
_ Não vemos nada. Onde você esta? – Mas a resposta não foi o desejado. Quando Niadhi fez aquela pergunta abriu os olhos automaticamente.
            Nessie estava com o rosto muito próximo ao seu. Ela arfou e sorriu. Moveu os lábios, falou algo com ela, mas não se deu o trabalho de ouvir. Ela olhou ao redor. Não estava na sua casa, mas na casa do sogro. Estava no quarto de Rachel e Paul. Vasculhou o local. Jacob não estava lá.
_ Jake…?
            Sua voz saiu rouca, como se estivesse a muito tempo sem usar. O rosto de Nessie obscureceu. Leah entrou no seu campo de visão parecendo transtornada.
_ . Estamos te perdendo! Volte! – Niadhi parecia gritar ao fundo de sua cabeça. A morena voltou a fechar os olhos, percebendo então a energia de todos os outros elfos tentando manter a delicada ligação entre eles.
_ Estou aqui. Mas acho que não por muito tempo. – Ela disse, insegura. Um murmúrio de compreensão veio de Koraíny. Sim, a ligação se romperia a qualquer momento, era muito frágil. – Não posso ver vocês, nem saber onde estão. Vocês também não. Estamos separados.
_ O que mudou ? Por que conseguimos nos falar? Não pensávamos que poderíamos. – Koraíny perguntou.
_ Meu pai. – Ela percebeu uma exclamação dos outros elfos. Com isto eles se desconcentraram, ela sentia a ligação se perder, a presença dos elfos desaparecer aos poucos de sua mente. Mas eles voltaram antes que tudo se fosse. respirou aliviada e resolveu falar tudo o mais rápido que pudesse. – Eu o vi. Tive contato com o espírito dele. Foi algo mais forte do que jamais senti. Eu o senti dentro de mim… vivo. Ele… ele me deu algo. E me disse… disse que eu era… eu era…
_ Rainha? – Niadhi sussurrou.
_ Princesa. E… e… uma elfo apareceu em meus sonhos, dizia que eu precisava tomar o trono.
_ Que elfo? – Koraíny lhe perguntou, sua voz baixa, estranhamente calma.
_ Nunca a vi antes. Era linda. Usava um colar com um pingente de coração…
_ Coração azul? – A voz de Koraíny estava mais fraca, mais longe. Estavam se perdendo.
_ Sim. – Ela respondeu, rápido.
            Escutou um arfar, sentia a dificuldade dos outros elfos tentando manter a ligação, as ondas de energia vindo escassas até ela. A morena não sabia como exatamente fazer aquilo, mas tentava colaborar com o esforço dos elfos a todo custo, mas nada surtia efeito.
_ Évora… rainha… - As palavras iam e vinham de Koraíny.
_ Não entendo! Meu Deus! Não entendo! – Ela disse, desesperada.
­_ … Quendra! Quendra está caindo! Estamos perdendo a rainha! Encontre Quendra!
            Silêncio. sabia que Niadhi havia gritado, mas tudo o que pode ouvir foi um eco abafado de sua voz. Ela ainda ficou um tempo com os olhos fechados, com a esperança de encontrar os elfos na imensidão de sua mente novamente. Mas não havia nada. Só uma tensão palpável.
            Seu coração batia acelerado, havia suor escorrendo pela sua testa e pelo vão de seus seios. Sentia-se trêmula.
_ . – Mãos mornas lhe acariciavam. – , por favor: acorde.
            Como se tivesse levado um choque, ela se levantou rapidamente, sentando-se na cama de Raquel.
_ Há quanto tempo estou desacordada? – Perguntou nervosa a ninguém em particular. Aguçou os ouvidos, o olfato. Na casa só haviam Billy, Rachel e as crianças. A moça estranhou. Estavam lá os filhos de Rachel e os dois meninos de Emily. Leah e Nessie estavam com ela, no quarto. Olhou para a loba, que tinha os cabelos desgrenhados e os olhos inchados.
_ Quatro dias. – A índia sussurrou.
_ O QUE? – Não podia ser! Não podia ser! – Como quatro dias!?
_ Você desmaiou assim que Jacob nos revelou a verdade sobre você e sobre a nossa origem. Nós não entendemos nada. De um momento tudo o que percebemos foi a sua força, uma áurea de magia ao seu redor. Depois você gritou, caiu e não acordou desde então. – A voz de Leah ainda estava baixa.
            apertou os olhos, agarrou os cabelos. As mãos de Nessie cobriram as suas.
_ Você está bem? Como está se sentindo? – A meia-vampira perguntou, afrouxando o aperto de sobre seus próprios cabelos.
_ Estou bem… só estou confusa. – Ela disse, enquanto respirava fundo e tentava clarear as ideias. Percebeu algo lhe incomodando no braço direito. Soro. Ela estava recebendo soro. Pegou a mangueirinha que levava o líquido  até sua veia e puxou com força. Nessie imediatamente prendeu a respiração devido a gota de sangue que saiu dela. Permaneceu com os olhos fechados um único instante, logo os abrindo, parecendo recuperada.
_ Jacob ficou nervoso no começo, quando você não acordava e ficava dizendo palavras estranhas. – Leah continuou seu relato após aquilo, enquanto observava Nessie cuidadosamente.
_ Palavras estranhas? – indagou curiosa.
_ Sim. Parecia de outra língua. Algo que eu nunca ouvi antes. Carlisle veio até aqui, te examinou. Conseguiu se conter muito melhor diante do seu cheiro. – Nessie deu um sorriso tímido enquanto falava. – Ele disse que os seus sinais vitais estavam normais. Você parecia tensa, mas era só. Nem febre você teve. Vovô também não reconheceu a língua que você estava falando o tempo todo. Disse que nunca tinha ouvido nada igual.
            Estava explicado o soro. Carlisle havia injetado nela. Agora entendia muito bem o que Nessie quis dizer com “se controlou muito melhor diante do seu cheiro”. O vampiro esteve perto do sangue dela e, pelo visto, não havia surtado. A moça sacudiu a cabeça levemente enquanto seus pensamentos caminhavam rapidamente em outra direção.
            Nessie disse outra língua? Só uma coisa lhe vinha a mente: ela tinha falado a língua dos elfos durante seu aparente coma. E o seu sonho e conversa com os elfos, que pareceram tão rápidos, deviam ter durado muito mais. Dias.
_ Onde está o Jake? O que aconteceu enquanto eu… dormi?
            encarava seu próprio corpo, tentava ajeitar as roupas, arrumar os cabelos. Mas o silêncio das duas prolongou-se mais que o normal. voltou a encará-las. Estavam as duas nitidamente nervosas.
_ As coisas não tem sido fáceis. – Nessie sussurrou.
_ Por que? – Novamente um bolo de ansiedade começou a crescer dentro de . Ela buscou os olhos de Leah.
_ O caos! Estamos vivendo o caos. É isto que está acontecendo. – A loba respirou fundo.
            franziu o cenho, olhou pra Nessie.
_ Vou explicar tudo. Mas antes você precisa se alimentar. – A meia-vampira enfatizou. Antes que pudesse protestar, a menina já tinha saído do quarto e chegado até Rachel, pedindo-lhe que preparasse uma refeição pra ela. escutou a breve conversa que Billy e Rachel tiveram com a hibídria, perguntando dela, como ela estava.
            A voz dos dois estava tensa, Rachel perecia chorosa.
_ O que está acontecendo, Lee?
            Leah abaixou os olhos. Não sabia por onde começar. Se pelo menos Jacob pudesse estar ali. Mas agora ela não fazia ideia do que os lobos estavam fazendo. A índia resolveu contar a o mais simples de toda aquela confusão.
_ Não posso mais me transformar. Não consigo entrar em fase. Depois daquela noite em que eu descobri tudo sobre você eu… simplesmente não consegui mais.
            se segurou para não demonstrar impaciência. No fundo ela queria saber de Jacob, porque ele não estava ali, com ela. A morena exalou profundamente e refez a postura. Leah percebeu pelo olhar da moça sua mudança, sua repentina seriedade e autocontrole. se aproximou da índia e começou a tocá-la, examiná-la cuidadosamente, atenta a cada sinal vital dela e do feto. Ela não precisaria de nenhum aparelho para isto, seus ouvidos e sentidos extremamente apurados eram tão ou mais satisfatórios do que aqueles.
  _ Não precisa se assustar, Lee. – Ela disse – O seu bebê está crescendo, se acomodando em seu corpo. Ele precisa de estabilidade, pra se desenvolver melhor. Seu corpo está procurando o melhor para os dois. Por isto você não está conseguindo se transformar.
            Leah afirmou com a cabeça.
_ O doutor presa me disse a mesma coisa.
_ Ele te examinou também? – perguntou.
_ Sim. Mas eu não confio na palavra de um sanguessuga.
            sorriu minimamente quando escutou Nessie bufar. A menina já voltava para o quarto carregando uma bandeja. Dentro havia um prato de sopa quente. O cheiro parecia bom, tal como a aparência. Mas tudo o que menos queria fazer no momento era comer.
_ Não faça esta cara. Enquanto você não comer tudo o que está neste prato, ninguém vai te explicar coisa alguma sobre qualquer coisa. – A hibídria disse resoluta para , percebendo a careta que ela havia feito para o prato.
_ Ness eu…
_ Vai comer! – Ela quase rosnou para , sua face ficando rosada. Logo depois ela fechou os olhos e se concentrou um instante. – … - Disse, parecendo mais calma. – Eu prometi a Jacob que cuidaria de você, que ia fazer tudo o que meu avô recomendou se você acordasse e ele não estivesse aqui. Então, por favor, coma. Você não vai arrancar nada de mim enquanto estiver com esta cara de zumbi!
            Relutantemente pegou o prato e se pôs a comer. A sopa poderia estar boa, mas ela não sentia gosto algum. Comeu o mais rápido que pode, quase se engasgando. Quando terminou aceitou de bom grado o copo de água que Nessie lhe ofereceu.
_ Está vendo! Agora está até mais coradinha. – Nessie disse, com a voz branda, no entanto não podia enganar a percepção tão sensível da moça. Renesmee estava tensa, tal como Leah, que também havia pegado um pouco da sopa e comido junto com .  
            tentou fazer as duas começarem a falar, mas naquele momento Emily chegou na casa com uma muda de roupa suas. A índia pensava que ainda estava desacordada, mas ao se deparar com ela sentada na cama, resolveu, junto com Rachel, que ela devia tomar um banho quente e trocar as roupas que estavam molhadas de suor.
            Ela obedeceu, mas o fato era que odiava ser tratada como paciente. E lhe incomodava ter necessidades tão humanas em um momento daqueles. Ela sentia um peso no ar, a magia a oprimir. E precisava falar com Jacob.
            Quando finalmente se viu liberta de Rachel e Emily, correu a sala, onde Leah e Nessie ainda lhe esperavam.
_ Se vocês não abrirem o bico agora, eu vou sair por aquela porta pra saber, exatamente, o que está acontecendo! – Ela disse, impaciente.
_ Não! – Nessie saltou da cadeira, parecendo assustada. estreitou ainda mais os olhos.
_ Então fa-lem! – Ordenou, com a voz arrastada.
            Leah olhou pra ela e respirou fundo.
_ Aconteceu que o mundo virou de cabeça pra baixo, isto que aconteceu! – A loba disse, se levantando e ligando a televisão no canal de notícias. estranhou aquilo, mas assim que passou a prestar a atenção nos noticiários, seu sangue gelou.
_…os crimes bárbaros e um tanto estranhos tem colocado a população em pânico. As autoridades acreditam que estes crimes podem ser frutos de algum ritual macabro de uma nova seita adepta ao vampirismo. As semelhanças entre as mortes e os desaparecimentos indicariam que esta seita pode ter adeptos em vários países. – Uma repórter jovem falava, séria.
            se sentou no pequeno sofá da casa do sogro, enquanto Rachel e Emily ralhavam com os filhos para que eles não saíssem de casa.
_ Nos últimos dias, a incidência dos crimes despertou o alerta da população. No entanto, de acordo com alguns arquivos policiais, podemos encontrar mortes com as mesmas características, cujas investigações foram arquivadas com explicações variadas....
            mudou de canal. Era início da noite, horário dos noticiários. Não demorou muito uma entrevista com o mesmo tema surgiu em outro canal.
_ Bom, não podemos dizer, com exatidão, se todos esses crimes foram praticados por uma só pessoa ou por um só grupo, mas há, realmente, indícios que apontam para algumas coincidências entre eles- Era o que dizia um dos investigadores responsáveis pelos casos em Nova York. Ele ainda mencionou a forma idêntica como ficaram os corpos após os crimes. O local dos ferimentos eram exatamente onde se localizavam as artérias principais. Não havia sangue nos corpos.
_ É muito cedo para definir se esses crimes têm conotação religiosa. Provenientes de uma seita. Mas todos eles estão sendo apurados. Nós estamos buscando informações de outras delegacias para confirmar ou não a procedência dessa versão… - Um tal delegado, Harry Stevenson, explicava, já em outro canal.
_ Seattle passa pelo mesmo terror que passou há mais de uma década atrás, quando assassinatos e desaparecimentos assombraram os moradores da cidade. A diferença é que agora, crimes parecidos tem acontecido em outras cidades dos Estados Unidos, no Canadá, em Londres, Irlanda, Rússia. Os especialistas pedem para que a população se acalme, que as relações entre os crimes nos outros locais e entre muitos que já foram arquivados há anos pode ser feita por pessoas assustadas. Não há nenhuma prova que confirme a ligação entre estas mortes…
            Era um outro canal. Este era regional. O estomago de embrulhava. Se lembrou dos ataques que La Push começou a sofrer quando eles estavam na ilha. Algumas mortes os lobos não puderam evitar. Carlisle fazia atestados de óbitos falsos. Estas mortes, nas mesmas condições que as outras, pareciam ser lembradas pelos humanos. Eles estavam muito perto da verdade.
            Leah se levantou e desligou a televisão. Logo depois foi a uma mesa pegando um jornal e entregando para . Na página policial, o mesmo assunto.
“Os rituais macabros estão de volta em pleno século XXI! Cresce os crimes possivelmente relacionados ao satanismo e os adeptos do mundo Dark. As figuras que parecem inspirar adoração agora são os vampiros, velhos conhecidos das lendas urbanas e sedutores criaturas presentes em romances, filmes…”
            largou o jornal e colocou a cabeça entre as mãos.
_ Eles perderam o controle… não foi?
_ Antes conseguíamos camuflar tudo isto. Mas os Volturi sempre agiam de imediato pra impedir que o descontrole de recém-criados espalhasse terror por aí. Não estão fazendo nada! – Nessie sussurrou baixinho. – Foram dez mortes em Seattle… os corpos foram deixados em locais ermos, mas de fácil acesso. Os humanos encontraram antes de nós. Os Denali, nossos amigos, foram para Seattle tentar encontrar o motim de tudo isto. Mas são tantos vampiros que eles não podem contê-los sozinhos.
            A morena ergueu os olhos pra jovem hibídria.
_ E aqui? Em Forks?
_ A mesma coisa… só que aqui parece ser um foco. Nos estamos sendo inescrupulosamente atacados. – Leah falou e agora percebia o motivo da tensão da loba. Ela abraçava fortemente o seu  próprio ventre, o medo brilhava em seus olhos. Seu coração estava acelerado, tanto quando o pequeno coração da criança que estava dentro dela. – Eles descobriram nossa fraqueza… o mar. Ontem vieram um monte deles por lá… Nós não conseguimos proteger a costa toda… Os Cullens tinham ido ajudar os outros sanguessugas em Seattle… ficou só a Milla com a gente. – Leah respirou fundo. Uma lágrima escorreu em sua bochecha. – Três deles entraram em La Push. Pegaram um ancião e uma mulher… não conseguimos evitar… outros viram. A tribo inteira sabe que as lendas são verdade. Jacob não conseguiu contê-los. Esta manhã, depois do velório e cremação dos corpos dos nossos mortos, Jacob fez uma reunião com todos os quileutes e contou toda a verdade…
_ Meu Deus… - sussurrou. Sentia seu corpo inteiro tremer. Em alguns dias, tudo havia virado de cabeça pra baixo. Nessie havia dito que era porque os Volturi não estavam controlando os outros vampiros. Mas sabia que era outra a razão.
            Os elfos sempre mantiveram o equilíbrio entre o natural e o sobrenatural. Sempre controlaram os vampiros e fizeram os humanos se esquecer do que era necessário que eles se esquecessem. E agora eles estavam presos… Quendra desaparecida.
            Os lobos podiam lutar contra os vampiros, mas não poderiam proteger o mundo. E se os transmorfos se tornassem o foco…
            A morena se levantou, tremendo. O que ela ia fazer?
            Há tempos Jacob e os outros lobos sabiam que estavam sendo vigiados. Agora Leah dizia que os vampiros que os atacaram sabiam como e por onde atacar. Vampiros sabiam o que enfrentariam e eles não só passaram pelos lobos como entraram dentro da aldeia. Mataram quileutes.
            Começou a andar pela pequena sala de um lado a outro. Rachel entrou no cômodo, tão cansada quanto Leah. No quarto, Billy e Emily distraiam as crianças.
_ Onde Jake está agora? – A voz de era apenas um fio.
_ Visitando casas… casas dos possíveis novos lobos. – Nessie respondeu. virou-se tão rapidamente para menina que assustou Rachel.
_ Estão se transformando?
_ Todos com mais de 15 anos. São muitos. Sam está ajudando Jake. Ontem, durante o ataque, três completaram a transformação em uma velocidade absurda. Lutaram por puro instinto. Sam teve que se dividir entre lutar e proteger os novatos. – Leah disse.
_ Por que você está aqui? – disse olhando para Nessie. Suspeitava do motivo, mas queria confirmar.
_ Ontem, um dos vampiros que escapou do cerco dos lobos veio direto pra cá. Você e Leah estavam na casa. Minha função era protege-las. Jake pediu isto… papai concordou. Eu consegui ludibriar o vampiro… mas ele era guiado pelo seu cheiro. – Nessie respirou fundo. – Eu escondi a casa da mente dele, mas isto não funcionou muito bem. – Ela fez uma careta. – Eu saí e o matei.
            entendeu perfeitamente bem a agonia da menina. Era a primeira vez que ela tinha matado.
_ Ness! – a morena suspirou e a abraçou. queria poder dizer que tudo ia ficar bem, queria pegar Nessie no colo e a embalar para dormir tranquila. Os olhos da hibídria estavam tão cansados que tinha certeza que a garota não tinha dormido um segundo enquanto esteve ali.
_ Vá descansar. Eu posso dar conta das coisas por aqui.
_ Não, não. Está tudo bem… - Nessie começou a dizer, mas calou-a colocando dois dedos na frente dos lábios vermelhos.
_ Se você não descansar vai perder força. Vá! – A morena falou aquilo em tom de ordem incontestável. Algo que foi involuntário, mas ela observou com assombro Nessie virar as costas e ir para o quarto sem questionar. – Vocês duas, façam o mesmo. Vocês precisam, são o arrimo para seus filhos. – Ela disse para Leah e Rachel, mais branda.
_ Eu vou… - Rachel disse, com a face apática. Leah no entanto ficou, observou a irmã de Jake desaparecer em direção ao quarto em que seus filhos estavam, para depois voltar seus olhos sérios para .
_ Se as coisas continuarem assim, não vamos resistir por muito tempo… O ataque de ontem, a coisa que matou Caleb… não estamos preparados pra isto. – Leah jogou impiedosamente para . Esta se sentou novamente, mas com a postura ainda firme. 
“Só uma explicação nos ocorre, . Nossa existência corre perigo”.  Ela se lembrou das palavras de Koraíny e estremeceu por dentro. Porém a imagem da moça permaneceu inabalável para Leah. A loba havia observado dormir profundamente durante todos aqueles dias. Ao redor dela, o tempo inteiro, pairava uma energia pesada, quase palpável. Muito mais forte do que qualquer coisa que Leah já sentiu na vida.
            Agora ela estava lá… sentada a sua frente, muito bem composta e parecendo segura de si. Não havia resquícios do pânico e do terror que havia tomado sua face no momento em que ela lia as reportagens e ficava sabendo de tudo. Leah já não podia sentir cheiro de medo vindo dela. De novo uma estranha energia pareceu se desprender de , conforme os olhos castanhos se tornavam ferozes.
_ Vamos resistir sim! – Ela disse. – E eu darei a vida por isto, se for preciso. Fique tranquila, Leah. Eu sei… - parou e engoliu em seco. – Sei que posso fazer coisas para proteger-nos. E vou fazer. Tudo o que eu puder.
            Leah aceitou de bom grado o aperto de mão que lhe oferecia. A índia agarrou as mãos macias da moça e as apertou.
_ Os elfos podem nos proteger? – A voz de Lee estava fraca, quase sem esperança. Por um momento se assustou pela existência dos elfos ser conhecida. Mas logo se recuperou disto, se lembrando que tudo havia sido revelado aos lobos.  
            Seus olhos vacilaram pouco antes de responder.
_ Podem… - Murmurou para a loba, com o coração espremido. Naquele momento, o que disse era uma mentira. Os elfos não poderiam fazer nada.  
            Leah abaixou os olhos, suas mãos foram para o seu ventre. Sua voz saiu fraca.
_ Eu não quero isto para o meu filho. – Ela encarou , seus olhos brilhantes devido a lagrimas contidas. – Não quero que ele viva em um mundo assim. Eu olho para os jovens meninos que estão se transformando no meio deste furacão, lembro-me de Caleb… nós não temos mais paz… não temos.
            , a muito custo, se manteve encarando Leah, mas por dentro se despedaçava cada vez mais.
_ Cada um tem que viver aquilo que é reservado para si. -  A morena se levantou e sentou-se no chão, de frente para Leah. – Mas acredite em mim, seu filho vai resistir a todo desafio que tiver que enfrentar… ele será forte, tanto ou até mais que os pais.
_ Você não entende … eu não quero que meu filho seja um bom guerreiro… eu quero que ele seja feliz! Que ele seja feliz em paz! – Uma lágrima teimosa escapou de Leah, ela secou rapidamente, um pouco raivosa.
            não suportou, apoiou os cotovelos nos joelhos e colocou a cabeça entre as mãos. Sem olhar para a loba, disse:
_ Vá descansar agora, Leah... e tente não pensar nisto. – Ela disse, sua voz fraca.
_ Tente não sair daqui. Espere o Jake, ele logo deve aparecer. – Leah disse.
            não voltou a olhar para cima, nem respondeu. Ouviu os passos de Leah se arrastarem para longe, ouviu a cama que outrora ela mesmo estava deitada ranger sob o peso da loba. Logo, tanto Leah quanto Nessie dormiam um sono leve. Billy foi para a sala, as rodas de sua cadeira rangendo conforme andava, encontrando a nora na mesma posição em que Leah havia a deixado. Não disse nada, apenas se aproximou dela e lhe acariciou os cabelos ainda úmidos pelo banho.
_ Tenho a impressão de que há um grande peso nas suas costas. – A voz rouca de Billy lhe sussurrou. não respondeu, apenas abanou a cabeça. – Você é uma quileute agora . Os quileutes nunca estão sozinhos, somos todos um pelo outro. Desde o início da nossa tribo era assim…
            Sem olhar diretamente para o sogro, lhe pegou a mão enrugada e a beijou.
_ Temo pelo que vai acontecer conosco… temo pelo que vai acontecer com Jacob… - Ele disse, encarando a nora. engoliu em seco, olhando assustada para o sogro. – Eu não estou sentindo coisas boas dentro de mim, minha filha… faz tempo. Só que depois do ataque de ontem, isto está mais forte. – Billy apertou os olhos. – E hoje… hoje Jake saiu de casa pedindo pra todo mundo cuidar bem de você. Me disse para te amar como minha filha.
            enrugou o cenho, seu coração se espremeu, um gosto amargo encheu sua boca.
_ E ele me deu um abraço como nunca antes tinha dado… e me pediu perdão de novo pelo tempo que se afastou de todos. Parecia uma…
_ … despedida… - completou. Billy apenas acenou com a cabeça.
_ Talvez seja só receio de um velho pai. Porque, por mais que eu conheça as tradições, por mais que eu me orgulhe do meu filho ser o grande alpha… é difícil saber tudo o que ele tem que enfrentar.
            mal ouvia as palavras do velho índio aquela altura. Tudo que pensava era: “preciso ver Jake.” Repentinamente ela se levantou e beijou a testa de Billy.
_ Onde vai filha? Jake disse, que se você acordasse, era pra espera-lo aqui, até ele voltar.
            encarou o sogro. A cada segundo uma premonição macabra lhe assombrava. “É hoje. Está perto”.
_ Eu preciso garantir que ele volte, Billy. – Disse apenas isto, e num piscar de olhos, tudo o que Billy pode ver foi a sala vazia. Gelada e vazia.
_ Vovô… a tia sumiu! – Eliza sussurrou, saindo de seu esconderijo atrás da porta, e caçando a tia que a dois segundos estava parada bem ali, do lado do avô. – Ela também é uma loba? Ou é uma sanguessuga?
            Billy abriu os braços e sua neta pulou em seu colo.
_ Ela é uma mulher muito especial. E poderosa… - Silenciosamente Billy completou a frase em seu coração, tentando acalmar sua própria angustia: “Deus, que o poder dela seja suficiente pra trazer meu filho de volta”.
************************
            Tudo estava estranhamente silencioso. No momento em que saiu para fora da casa de Billy, percebeu a bruta diferença dos tempos em que pisou pela primeira vez na reserva para aquele dia. Não havia nenhuma criança brincando e rindo para fora das casas. Portas e janelas fechadas, o cheiro do medo e da angustia dominava o lugar. E faltava o calor tão próprio de La Push. Ela sabia que a morte de Caleb ia trazer angustia aos quileutes, mas não esperava que tudo ficasse assolado de forma tão rápida. Suas visões se tornando reais.
            Precisava encontrar Jacob naquele exato instante. Urgente! Inspirou o ar, o cheiro de muitos lobos era forte… mas não pode sentir o dele. Porém, de uma forma estranha, ela sabia onde ir. Deu um giro em torno de si mesma e se embrenhou na floresta que rodeava os fundos da casa do sogro, cuidando para ser silenciosa e não acordar Nessie. Correu, e não demorou muito deu de cara com um lobo: Jared.
            O lobo arregalou os olhos, lhe encarou por um tempo, e logo abaixou a cabeça, num cordato comprimento.
_ Jared… - sussurrou. O lobo lhe deu um latido, confirmando sua identidade. – Preciso ver Jacob.
            Jared andou um pouco em sua direção e apontou na direção onde tinha vindo.  A moça franziu o cenho, exasperada. Porque ele não podia falar com ela? Irritada ela encarou pesadamente o lobo e assustou-se quando uma voz soou em sua cabeça.
“Oh, merda! Volte para dentro da casa de Billy,
            Ela arregalou os olhos ao ouvir nitidamente a voz de Jared em sua mente.
_ Como? – Perguntou. Não teve resposta, somente mais um grunhido confuso do lobo. Então ela voltou a olhar atentamente os olhos de Jared e ordenou. – Fale comigo.
“Mas que porra é esta?” Novamente ela ouviu a voz de Jared em sua mente. Sorriu.
_ Posso te ouvir, Jared.  – O lobo recuou, encarando como se ela fosse um E.T. – Onde está Jacob?
“Como assim, me ouvir?”
            Jared ainda parecia incrédulo. A moça se irritou. Ela sabia como podia ouví-lo. Era porque ela simplesmente tinha poder pra isto. Como se aquilo fosse absolutamente natural, se fez ouvir de uma forma diferente.
“Ouvindo”. Respondeu. Desta vez, a voz dela soou clara na mente de Jared. Ele se agitou.
“Meu Deus… como pode isto?”. Ele questionava. Mas não queria saber disto agora.
_ Onde está o Jake? – Perguntou em voz alta. Jared se concentrou um instante e depois respondeu.
“Não está transformado. Ele estava na casa dos Makai, o mais velho deles estava se transformando muito rápido… e isto é mais… doloroso.” Jared deu um grunhido. pensou que talvez ele estivesse vendo algo relacionado a dor do jovem lobo em seus pensamentos. Mas ela  não podia entrar na preciosa ligação mental dos lobos e ver o que eles viam. E ela só ouvia o que Jared dizia diretamente a ela.
_ Hummm… onde fica a casa dos Makai? – Perguntou.
“Nada disto. Você não vai pra lá. Não vou dizer.” O lobo se empertigou, resoluto. Ergueu o focinho pra cima fazendo ter gana de esganá-lo. Por que ele simplesmente não entendia que precisava estar perto de Jacob a todo momento agora?
_ Vou procurar sozinha. Obrigada pela informação. – Disse, virando as costas.
“ESPERE!” Jared gritou em pensamento, mas não foi isto que fez parar. Porque, pela mente de Jared, ela pode ouvir outra voz.
“O que ela faz aí?” Jacob disse exasperado. Ele havia se transformado e mesmo que não estivesse falando diretamente com , mesmo que ela, até o momento, não pudesse ouvir mais nenhum lobo além de Jared, ela pode ouvir Jacob. Muitos estavam transformados, todos acompanhavam abismados conversar com Jared e gritavam coisas a todo momento na cabeça dele. não ouvia. Mas a voz dele, de Jake, ela ouviu.
            Ela se virou.
“Se transforme e carregue ela pra casa do meu pai, Jared!”. Jacob grunhia pra Jared.
, espere aqui, vamos voltar para casa do Billy. Eu só vou…” Jared dizia, mas a voz de dentro da sua cabeça lhe interrompeu.
“Onde você está, Jacob?” Ela perguntou. Toda a balburdia das vozes dos lobos cessou no instante em que ela falou com Jacob pela mente de Jared.
“Cacete, ela pode ouvir a gente? ? Você está me ouvindo?” Embry falou primeiro, enquanto Jacob ainda permanecia mudo. Mas a moça permaneceu encarando Jared sem esboçar reação. Não ouviu Embry.
“Jacob?” A voz macia dela soou novamente. O lobo alpha fechou os olhos, quase sorrindo ao poder ouvir a voz dela depois de tantos dias.
“Pode me ouvir?” Ele lhe perguntou. Pelos olhos de Jared, Jake viu ela afirmar com a cabeça, os olhos brilhantes. Os lobos voltaram a ficar em silêncio e Jared parado encarando , ciente de sua posição de “elo de ligação” entre marido e mulher.
“Onde você está?” Ela voltou a perguntar.
“Eu estou…” Jacob ainda falava, mas sua voz foi cortada repentinamente.
“Jacob?” e os outros lobos perguntaram ao mesmo tempo.
_ Onde ele está? Se destransformou? – perguntou, com seu coração martelando na garganta.
“Não, ele não entrou em fase… ele sumiu…” Jared disse, estranhando. “Jacob?” Voltou a perguntar, quase ao mesmo tempo que uivos soaram estridentes. sentiu o chão tremer, os lobos que estavam ali perto corriam desesperados em direção a costa. Jared olhou desesperado para .
“Outro ataque! Volte para a casa do Billy! Agora!”
            Outro uivo. Era outro ataque de vampiros. Muitos deles. Jacob havia sumido da mente dos lobos e todos corriam em uma mesma direção. Mas algo estava errado. Algo gritava no coração de que o perigo maior não estava naquela direção.
            Jared se moveu em direção a e deu um empurrão nela com o focinho.
“Vai!” Disse grunhindo, enquanto partia na direção dos uivos. Por um único momento permaneceu parada. Mas logo ela corria. Seu corpo cortava o vento, corria com o máximo de sua velocidade, sua vida parecia depender daquilo.
            Ela corria na direção oposta a todos os outros. Corria para Jacob.
_ JACOB!!! – Gritou… ele precisava ouvi-la.
************
            De repente ele não pode mais vê-la. Tudo ficou silencioso. Jacob chamou em sua mente:
? Jared? Quil? Embry?” Ninguém respondia. E era impossível que todos eles tivessem voltado a forma humana de repente. Mas Jacob parecia sozinho.
            Ele se concentrou na paisagem ao seu redor. Estava perto da fronteira de La Push com Forks, no meio da floresta. Tudo parecia calmo e silencioso… muito silencioso.  Seus sentidos pareciam abafados.
            Fora de seu comando, seu coração começou a acelerar, ele aguçou a visão, vasculhando tudo ao redor. Nada. Um frio percorreu sua espinha. Ele sentia alguém lhe chamar, mas não ouvia, exatamente. Se virou em uma direção de repente. Algo parecia vir de lá, ele esperava encontrar algo ao olhar, mas nada poderia lhe preparar para aquilo.
            Olhos vermelhos, dentes brancos, lábios repuxados em um sorriso torto… pele pálida. Um sanguessuga. O cheiro pareceu brotar do nada e invadir sua narina, embrulhando o seu estomago. Mas não era qualquer sanguessuga, era o mesmo rosto que havia apontado no quadro na casa dos Cullen. Marcus Volturi, bem a sua frente… e do seu lado, a coisa que havia matado Caleb. A Ukhaha olhava para ele sedenta, lambendo os lábios.
_ Jacob Black… o rei quileute. – Marcus sussurrou… a voz fria. – Minha melhor isca. – Ele sorriu.
            Jacob franziu o cenho antes de compreender. Ao longe viu correndo exatamente na direção dos dois, parecia não vê-los, mas corria.
não!” Ele queria gritar, mas ela não podia ouvir. Tentou uivar, mas parecia que algo prendia sua garganta, não podia emitir som. Ao seu lado, a Ukhaha gargalhou. Ela fazia aquilo com ele.
            Apavorado, Jacob viu parar a sua frente, exatamente nas costas de Marcus. Seus olhos estavam fixos nele, mas parecia não ver nada. O coração dela batia forte, seus cabelos estavam revoltos, seus olhos assustados e brilhantes.
            Marcos se virou lentamente para ela, Jacob queria evitar, suas patas, no entanto, estavam congeladas.
_ … minha preciosa fonte de poder… - Ele sussurrou.
            Os olhos antes assustados e perdidos de se tornaram ferozes. Ela deu um passo a frente e tudo se tornou o caos.

N/A: Chegaram até aqui? Não desistam, por favor. Algo difícil irá acontecer no próximo capítulo... algo que está sendo extremamente difícil de escrever, pq me dói imaginar. Mas agora, mais do que nunca, eu preciso que vocês confiem em mim. A guerra é esta. Começou. E sim.... não há mais interesses dos vampiros se manterem ocultos. O pacto entre elfos e vampiros será quebrado. é dona do trono, mas para assumí-lo, terá de renunciar a algo, por um tempo. E sim: a vida de Jacob está por um fio. Não é brincadeira. Quando digo que confiem em mim é porque, acreditem: aconteça o que acontecer, o amor de e Jacob há de prevalecer. Repito: não importa o que aconteça, o amor dos dois sempre irá prevalecer. Confiem nisto e continuem a ler.... Obrigada a todos os comentários maravilhosos que recebi, amo-os, eles me alimentam, de certa forma. Comentem, please... recomendem se gostarem... Bjs e até a próxima.

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