26 de agosto de 2012

Two Different Worlds Collide by Brenda

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Two Different Worlds Collide
Two Different Worlds Collide by Brenda



Capítulo 1 - Ser Forks, ou não ser Forks? Eis a questão.


’s POV

- Eu não quero ir! Eu não vou! Soltem-me! - Eu gritava, enquanto aquelas duas tentavam puxar meu braço e eu me segurava na cabeceira da cama.
- Você vai, ! Pára com isso, vai ser legal. - disse, revirando os olhos.
- Não vão me enfiar em um avião para me levar àquela cidade desconhecida e estranha. Vocês não sabem que todo filme de terror tem como cenário uma cidadezinha pequena e desconhecida?
- Ai, , dá pra parar com o drama? Obrigada. – Agora, foi a vez de se pronunciar.
- Não, não e não. Se vocês querem ir, vão em frente. Eu estou dizendo, eu não saio desse quarto. No way.
- Caramba, estou vendo que vou ter que usar medidas drásticas. - disse, em um tom ameaçador. Olhei para ela, com medo. Quando ela começava assim...
Ela simplesmente se enfiou no meu armário e começou a futucar em tudo. Eu me soltei lentamente da cabeceira da cama, puxando meu braço da mão da . Fui andando com cautela até a , quando se tratava dela, não podia fazer movimentos bruscos.
- , o que está fazendo? - Eu perguntei, com a voz baixa.
- AHÁ, ACHEI! - Ela gritou, dando um pulo com algo nas mãos, algo que eu não podia ver. Ela começou a rodopiar pelo quarto com a coisa nas mãos, e eu não conseguia fazê-la parar.
- O quê? O QUE É? O que você pegou, ?
Então, ela deu a língua pra mim e saiu correndo pela casa. Eu não sabia o que ela estava segurando, mas sabia que era algo muito importante. Fui correndo atrás dela, tentando alcançá-la. Pude a ver entrar no quarto dela e fechar a porta. Entrei logo em seguida, em tempo de ver aquele sorrisinho cínico no rosto dela. Não pude deixar de reparar que , agora, tinha as mãos vazias. acabava de entrar no quarto também, sorrindo.
- Querida , eu realmente não queria ter que fazer isso, mas foi você que pediu.
- O que é, ? O que você pegou? Seja lá o que for, eu quero de volta.
- Bem... É meio que uma chantagem. Mas, não se preocupe, tudo vai acabar bem, se você aceitar viajar com a gente. - Declarou a diabinha loira na minha frente, com um sorriso maligno.
- O-QUE-É? - Eu gritei, finalmente impaciente.
- Seu pôster do Paramore autografado pela Hayley. - ela declarou. E meu rosto ficou vermelho de raiva, eu tinha certeza.
- NÃO! , ISSO NÃO É BRINCADEIRA, ME DEVOLVE AQUILO. É MINHA VIDA, VOCÊ SABE DISSO! ONDE VOCÊ COLOCOU? ME DEVOLVE! - Comecei a gritar e correr pelo quarto, procurando em todo o canto.
- Você não vai achar, . Fica calma. Ele não precisa ir para a fogueira, se você for viajar logo.
Eu olhei para e para , que sorriam triunfantes, e suspirei.
- Tá, vocês venceram. Mas, por favor, deixe o pôster em paz, ele não tem culpa de nada.
- Tudo bem, ele estará a salvo. Não se preocupe. Agora, vá arrumar suas malas.
- Isso vai ter volta, vocês vão ver. - Eu disse, saindo do quarto, emburrada.
Embora estivesse realmente chateada pelo sequestro do meu pôster, eu sabia que ia passar logo. Apesar de elas serem duas loucas, que não entendem o valor que um autografo da Hayley pode ter, eu ainda amava aquelas duas. E até que a viagem poderia ser boa. Se o avião não caísse. E se não fôssemos sequestradas por nenhum psicopata. E se não fôssemos torturadas por nenhum psicopata. E se não fôssemos mortas por nenhum psicopata. E... E...
- AAAAAAAAAAAAAAAH, MENINAS, SOCORRO! - Eu gritei, enquanto saía correndo pela porta do quarto, apavorada.
- Nem vem, ! - Ouvi a gritar lá do outro lado do corredor.

’s POV

Omg, eu estava tão feliz. Consegui as passagens, e, o mais difícil, convenci a -tenho-pânico-de-viagens a ir com a gente. Sinceramente, achei que o pânico dela fosse maior que o amor pelo Paramore. Pelo visto, eu estava errada. Que bom. Realmente seria uma pena queimar um pôster tão bonitinho.
Eu saltitava feliz e alegre (eu sei que são sinônimos, mas os dois juntos deixam o texto mais... contente?) pelo quarto, enquanto jogava peças de roupa na minha mala rosa da Hello Kitty.
Era tão mágico, finalmente eu ia sair do país. Mesmo que fosse para uma cidade pequena, ainda assim seria muito legal. Eu fiz questão de escolher um lugar frio, embora tenha tido que chantagear a também para isso. É completamente irracional que ela quisesse ir para um lugar quente; nós já vivíamos nesse inferno de Brasil, valia a pena ver, pelo menos, um pouco de neve dessa vez. Se tivermos sorte.
Forks parecia um bom lugar, e barato, o que era importante, já que ninguém aqui era milionária. Eu esperava que Forks tivesse muitos gatinhos, ia ser tão divertidinho.
Eu continuei saltitando feliz o dia inteiro, pra lá e pra cá. Só pra vocês verem, eu não sou uma pessoa do mal o tempo inteiro, geralmente sou uma garota boazinha. Só de vez em quando eu tenho que mostrar meu lado mau. Muahahaha.
Durante a janta, a tagarelava o tempo inteiro sobre alguma característica de Forks que ela tinha descoberto na internet. apontava em cada característica uma coisa perigosa.
- Mas, amicíssima, você não sabe que lá só chove o tempo todo? É horrível. Ainda não é tarde para mudar de idéia e irmos para o norte da Austrália, ou Hawaii, com os surfistinhas, o que acha? - tentou a sorte, pela milésima vez só hoje.
- Chuva o tempo todo? Com certeza, é um lugar perfeito para assassinatos. Estou dizendo, garotas, é melhor ficar por aqui. - , claro.
- Aaaah, chega! Não vamos mudar de ideia, vamos para Forks e ponto. Eu gosto muito da chuva e do frio, então, sem problemas. E, , pelo amor de Deus, aqui você pode colocar a cabeça para fora da janela e levar uma bala perdida no meio da testa! - Eu disse, perdendo a paciência.
A viagem conseguiu sobreviver ao jantar. Era bem difícil, já que eu era a única realmente a fim de ir. queria ir, mas não exatamente para Forks. E não queria ir para lugar nenhum, talvez até a esquina. E eu realmente estava animada com isso. Eu sentia que algo bom ia acontecer, que tinha que ser Forks e nenhum outro lugar, era estranho, mas, às vezes, eu tinha esses pressentimentos esquisitos, vai entender. A parada é que sempre estou certa. Tinha algo de mágico e emocionante esperando por nós em Forks, e, no fim, as meninas me agradeceriam por isso.
Eu rolei muito na cama naquela noite, sem conseguir entrar em um sono profundo, por conta da ansiedade. Até que peguei meu Ipod e coloquei os fones, fiquei ouvindo Jesse Mccartney até pegar no sono, quase sempre funciona. Se não funciona, o resultado é que eu começo a cantar a música sussurrando bem baixinho, e no fim estou cantando a plenos pulmões e dançando de um jeito estranho, deitada na cama. Felizmente, dessa vez o resultado foi o sono profundo mesmo.
Quando acordei, percebi que estava cedo. Que estranho, eu nunca acordo cedo. E também percebi que eu estava feliz. Mas não feliz feliz, estava feliz de um jeito estranho. Eu não sabia bem por quê. Só sabia que tinha tido um sonho perfeito, tinha algo como um homem muito lindo, mas não me lembro de mais nada, só sei que me fez feliz.
Bem, saí da cama, calcei minhas pantufas de coelhinhos cor-de-rosa e fui descendo a escada, encontrando a casa vazia (pelo menos, de gente acordada), como o esperado. Devia estar realmente cedo.
Aproveitei que eu estava sem sono e sem nada para fazer, e fui pegar minha caixinha de manicura. Comecei a dar um jeito nas minhas unhas enquanto cantarolava Jonas Brothers. Não demorou muito, como eu estava acostumada, para que eu estivesse cantando em alto e bom som. E também não demorou muito até aparecer e atirar um tamanco contra a minha cabeça. Ela sempre fazia isso, dizia que era tratamento de choque, e que um dia eu aprenderia a lição. Bem, esse dia ia esperar, porque eu continuei cantando feliz enquanto pintava minhas unhas de rosa pink.
bateu o pé no chão e me olhou emburrada. Eu estava ignorando ela totalmente.
- , para de cantar essa musiquinha fresca e me ouça…
- Fale, . – Eu autorizei, pacientemente.
- A que horas devemos estar no aeroporto?
- Hm... Não sei... Deve ter a hora nas passagens, por que não dá uma olhada? – Eu sugeri, ainda concentrada na minha unha.
- Ai, , você é muito imprestável.
- Eu sei, amor. – Eu respondi, mandando um beijo para a .
Ela deu as costas para mim e subiu as escadas.

’s POV

Ai, às vezes a torrava minha santa paciência, cara. Ainda não estava acreditando que ela me acordou cantando aquela musica tosca. É impressionante o sono pesado da , ela nem parece ter ouvido a cantando. Às vezes eu meio que desconfio que a está sempre dormindo, de tão desligada que ela é.
Bem, isso não importava. Eu subi as escadas e entrei no quarto da para pegar as passagens em cima da escrivaninha dela. Eu segurei uma das passagens aleatoriamente, só para conferir a hora e... E... AAAAAAH, EU MATO AQUELA GAROTA!
Levei uma das passagens comigo, como prova, para esfregar na cara daquela irresponsável, enquanto descia correndo as escadas. Cheguei até o sofá, onde estavam e seus esmaltes.
- ! Levanta daí, sua tapada! Nosso vôo sai daqui a exatamente uma hora!
- Uma hora? – Perguntou a lesadisse em pessoa. Aaaai, como eu queria dar um soco nela!
- UMA HORA!
- Nossa! Por que não me avisou antes?
- PORQUE VOCÊ DEVIA CUIDAR DISSO! Ai, deixa, eu te mato mais tarde. Agora, precisamos correr e pegar nossas coisas.
- Caaaaaaalma, , estamos de pijama!
- ai, droga!
Eu disse para a ir se arrumar depressa, enquanto ia acordar a . Eu sacudi a pamonha adormecida até cansar, e ela não acordava. Que merda, o aeroporto era muito longe daqui. Se não corrêssemos, não daria tempo! Tudo bem, ia ser pelo jeito difícil, então. Me aproximei bastante do ouvido da e preparei meus pulmões e minha garganta.
- AAAAAAAAAH, OLHA! O PARAMORE ESTÁ AQUI! – Gritei com todo o volume que conseguia, e, no mesmo instante, pulou da cama.
- Paramore?! Onde?! Onde? – A anta questionava, correndo em círculos pelo quarto.
- Lugar nenhum, . É só que estamos super atrasadas pro vôo, graças à , e você tinha que acordar e se arrumar.
- Ah, que bom que estamos atrasadas, assim é melhor. Se eu enrolar bastante, nós não vamos. –Ela deduziu, dando um sorrisinho como se fosse a idéia do ano.
- Jura? Aaah, a vai adorar saber disso. Já o seu pôster do Paramore talvez não vá gostar tanto assim... Pobrezinho.
- NÃO! Tudo bem, estou indo me arrumar! – Ela gritou, correndo para o banheiro.
Eu dei sorte porque já tinha tomado um banho de madrugada, como eu gostava de fazer. Então, apenas fui vestir algo decente e escovar os dentes. Fui arrastando minhas malas pela escada até a porta da frente, onde a já me esperava. Uau, quando a vida dela estava em jogo, ela era bem rápida. Bom, tínhamos poucos minutos para chegar ao aeroporto, e cadê a ? Fiquei batendo o pé por um tempo até me estressar de vez. Caramba, ela era a que mais queria ir, e agora ia ficar enrolando?
Subi as escadas, raivosa, e abri a porta do quarto da . Não acreditei no que vi. Ela estava semi-enfiada embaixo da cama, usando um roupão grosso rosa.
- , o que está fazendo? Por que ainda não está pronta?
- Aai, , socorro! Não encontro meu shampoo especial. – Ela respondeu, saindo debaixo da cama e me olhando com uma expressão triste no rosto.
- Deixa isso pra lá, a gente compra outro por aí. Se veste logo e vamos!
- Mas ainda não tomei banho.
- O QUÊ? O que ficou fazendo durante esse tempo?
- Procurando meu shampoo, oras. – Ela declarou, revirando os olhos, como se fosse óbvio.
AAAAARGH. Nota mental: paciência com a esgotada. Lembrar de comprar um novo estoque.
Eu agarrei a loira irritante pelo braço com uma das mãos, com a outra fui puxando a super mala de carrinho dela, e com o pé, fui chutando para frente a maleta de “produtos de primeira necessidade” dela.
- Ai, ! O que está fazendo?
- Te levando para a droga do aeroporto!
- O quê? Está ficando louca? Olha o meu estado! – Ela disse, sinalizando com a mão livre para o roupão e as pantufas de coelhinhos.
- Não me interessa.
- , me solta!
- Não, ! Eu cansei, cara.
Eu fui arrastando-a com todas as minhas forças até a porta da frente. segurava o riso.
- Eu já chamei o táxi. Está esperando aqui na frente. - disse, rindo da situação da .
- Nem pensar que eu vou assim! Vocês não podem me obrigar! - reclamou. Mas e eu a agarramos e enfiamos no táxi, rindo demais. O taxista também estava se cagando de rir.
- Desista, , você não tem chances. – Eu disse a ela. Em resposta, ela fechou a cara para mim e cruzou os braços.
, eu e o taxista colocamos as malas no carro também. Depois todos entramos e seguimos nosso caminho para o aeroporto. Se tudo desse certo, não estaríamos mais atrasadas.

’s POV

EU NÃO ESTAVA ACREDITANDO NAQUILO! NÃO ESTAVA ACONTECENDO! NÃO ERA POSSÍVEL!
Respira fundo, , eu disse para mim mesma.
Sim, estava acontecendo. Eu estava mesmo em um táxi, usando roupão e pantufas. estava comigo no banco de trás do veículo, e estava sentada no banco do carona. E, para piorar meu dia, a roupa que a estava usando era totalmente inaceitável. Até eu estava mais bem vestida que ela. E, para piorar ainda mais, eu não tinha mesmo achado o meu shampoo querido. Na verdade, eu podia ter resistido. Eu tinha forças para me recusar a ir assim pro aeroporto. Mas eu não queria me atrasar. Eu sentia que não podia perder essa viagem de jeito algum.
Finalmente tínhamos chegado ao aeroporto. Com apenas três minutos para chegar a tempo pro nosso vôo. Droga, eu não teria tempo para ir ao banheiro trocar de roupa! Saímos do táxi correndo, e nosso vôo estava um pouquinho atrasado. Ufa! Eu fui correndo para o banheiro, com várias pessoas olhando para mim, e alguns homens babacas jogando cantadinhas de pedreiro. Eca.
Cheguei no banheiro com minha mala, e não tinha muito tempo. Apenas tirei o roupão, coloquei uma calcinha e vesti um sobretudo por cima. Coloquei um óculos escuro para esconder o fato de não estar usando nenhuma maquiagem.
Eu saí do banheiro, com as meninas impacientes esperando por mim. Elas me olharam, segurando o riso. Aff, será que elas não podiam esquecer que eu vim pro aeroporto usando um roupão? Isso era passado, agora eu estava linda e arrumada. Elas podiam parar de rir, por favor?
Bem, ignorei as duas e fomos embarcar. Estavam fazendo a última chamada para o vôo quando adentramos os portões.
Eu entrei e reparei todos me olhando dos pés à cabeça, a maioria tentando ser discreta. Na certa deviam estar imaginando o motivo por trás do fato de uma pessoa chique como eu estar perambulando pela classe econômica. Um garotinho retardado, no fundo do corredor, soltou uma gargalhada em alto volume.
Eu me sentei com as meninas em nossos respectivos lugares.
- Vem cá, gente, alguém sabe por que estão todos olhando tanto para mim? - Eu perguntei, e as duas começaram a rir. - Será que dá para dizer qual é a graça?
- ... - começou, ainda rindo. - Eu sei que você já trocou de roupa e está muito gata, mas...
- Você esqueceu de trocar as pantufas! - completou, gargalhando.
Eu olhei para os meus pés e vi a confirmação cor-de-rosa ali. Malditos coelhinhos! Essa será a última vez que usarei essas pantufas; elas definitivamente não me dão sorte. As meninas ainda riam, mas, francamente, o que eu podia fazer agora? Ficar descalça? Aí, em vez e acharem que eu sou louca, iam achar que sou uma mendiga. Sendo assim, sosseguei no meu canto, como a e a já estavam fazendo. Na verdade, a já estava quase dormindo.
- Soninho, ? - Eu perguntei, sorrindo.
- Não muito, na verdade. Só não quero estar acordada caso o avião caia, sabe como é. - Ela respondeu, dando de ombros e voltando a fechar os olhos.
A viagem foi tão entediante que e eu também dormimos, então, parecia que não tinha se passado nem um minuto quando o pouso foi anunciado.
Assim que saímos do avião e pegamos nossas malas, eu tratei de colocar um sapato decente, claro. Depois, deduzimos que pegar um táxi de Seattle para Forks ia sair um pouquinho caro.
- Ah, então, o que pretendem fazer? Pedir carona para caminhoneiros? - A questionou, sarcástica.
- Eu não sei, . Será que alguém tem uma idéia decente? - Respondi e acabei perguntando de volta.
Eu só percebi que estávamos falando super alto quando um garoto se aproximou de nós.
- Oi, desculpe, mas... Precisam de carona para Forks?
As meninas e eu avaliamos o rapaz. Ele era alto e forte, mas não parecia especialmente perigoso.
- Hmm... Está indo para lá? - Eu perguntei.
- Na verdade, La Push, baby. Mas posso deixar vocês por perto... - Ele sugeriu.
Nós pedimos licença ao garoto e fizemos uma reuniãozinha. Decidimos que ele nos deixaria perto e depois pegaríamos um táxi.
- Er... Ok, nós vamos com você, er... Qual o seu nome mesmo? - perguntou.
- Eu sou o Jacob.
- Prazer, Jacob. Eu sou ; e essas são minhas amigas - eu acenei - e .
- Oi. - Ele saudou, sorrindo.
Após as apresentações, fomos até o carro do suposto Jacob. Cara, aquilo era uma carroça ou o quê?
Bem, carroça ou não, era a única coisa (não chamo aquilo de automóvel) disponível. Então, entramos todas. parecia que ia ter um piripaque a qualquer momento.
- , você está bem? - Eu sussurrei para ela.
- Vocês não ouviram suas mães? Não se deve pegar carona com estranhos.
- Aah, ele não me é estranho, já conhecemos o Jacob. - acrescentou.
Seguimos em silêncio grande parte da viagem. ligou o Ipod e eu peguei um dos fones para escutar música com ela. Não deu em outra: em menos de um minuto, estávamos as duas cantando escandalosamente.
- Hey, hey, you, you, i don't like your girlfriend. No way, no way, i think you need a new one. Hey, hey, you, you, i could be your girlfriend. Hey, hey, you, you, i know that you like me. No way, no way, no, it's not a secret. Hey, hey, you, you, i want to be you girlfriend. You’re so fine, i want you mine. You’re so delicious... - e eu estávamos dançando no carro, jogando o cabelo para todos os lados e apontando para o Jacob, que nos observava pelo retrovisor, assustado.
Então, reparamos que também estava paralisada, olhando para as nossas caras. Imediatamente, e eu paramos de cantar e dançar, e fitamos Jacob e . Em seguida, soltamos um sorrisinho sem graça.
- Er... Oi, gente. Tudo bem? - Eu perguntei, ainda sem-graça.
- Elas são sempre assim? - Jacob disse, rindo, mas mantendo os olhos na estrada.
- Nããão. - respondeu, parecendo ofendida. - São piores. - Ela acrescentou, rindo.
- Shut up and drive, drive, drive, drive! - e eu cantamos juntas para o Jacob, aproveitando que o Ipod havia mudado de música.
Todos nós rimos juntos. Mas depois de causar aquela super má impressão pro Jacob, que é bem gatinho, e eu achamos melhor permanecermos caladas daqui pra frente.

's POV

Eu tinha que admitir que apesar de estarmos presas em um carro velho com um estranho (gostoso, mas ainda assim, estranho), em uma cidade estranha (bonitinha, mas ainda assim, estranha), a viagem estava sendo legal. Eu não pude deixar de rir quando tinha visto a cara do Jacob a presenciar minhas loucuras com a . Pobrezinho, ele pensou mesmo que tinha oferecido carona para pessoas normais.
Jacob disse que estávamos na fronteira entre La Push e Forks, então, as meninas e eu dissemos que íamos ficar por aqui mesmo.
- Têm certeza que está tudo bem, gente? - Jacob perguntou, preocupado.
- Está tudo bem, Jake, a gente se vira a partir daqui. - Eu o tranquilizei.
- Hm... Ok, então. Boa sorte. Foi um prazer conhecê-las, meninas. Eu posso aparecer por Forks a qualquer hora dessas, quem sabe nos vemos por aí.
- Quem sabe... - disse, parecendo animada com a idéia. - O prazer foi nosso. - Ela completou.
Então, , e eu saímos do carro, pegamos nossas malas e nos preparamos para esperar na beira da estrada, enquanto Jacob e seu... Carro - Incrível, aquilo era mesmo um carro! - desapareciam das nossas vistas.

5 horas depois...
Cara, parecia que estávamos ali há uma eternidade! Já estava tarde e nem sinal de táxi nenhum até agora. estava sentada em cima de sua mala de carrinho. estava sentada na grama (lê-se mato) mesmo. E eu andava de um lado para o outro. Sim, isso há 5 HORAS!
- Enquanto houver sol, enquanto houver sol, ainda haverá... Enquanto houver sol... - Eu cantava, entediada.
- Tá, acho que a idéia de pedir carona a um caminhoneiro não me parece tão ruim agora. - declarou.
- Ah, claro, é uma ótima idéia... SE PASSASSE ALGUM CAMINHÃO POR AQUI! Nessa cidade não tem um carro decente! - se revoltou.
E, como se já não estivesse ruim o suficiente, começou a chover.
- AH! Não acredito que está chovendo! Que merda! - berrava, enquanto erguia o capuz para proteger o cabelo.
- E aí, , FELIZ POR TER ESCOLHIDO UMA CIDADE CHUVOSA? HEIN? - gritou, também procurando algo para se proteger da chuva.
- When it rains on this side of town it touches everything. Say it again and mean it. We don't miss a thing. You made yourself a bed at the bottom of the blackest hole. Convinced yourself that it's not the reason you don't see the sun anymore. No, oh how could you do it? Oh I - I never saw it coming. No, oh I need an ending. So why can't you stay just long enough to explain? No, oh how could you do it? Oh I - I never saw it coming... *(*Quando chove desse lado da cidade, toca em tudo. Diga isso de novo e queira dizer isso. Nós não sentimos falta de nada. Você se levou a uma cama no fundo do mais escuro buraco. Se convenceu de que esse não é o motivo de você não ver mais o sol. Não, oh, como você pôde fazer isso? Oh, eu - eu nunca vi isso chegando. Não, oh, eu preciso de um fim. Então por que você não pode ficar tempo suficiente para explicar? Não, oh, como você pôde fazer isso? Oh, eu - eu nunca vi isso chegando...) - Eu cantava justo essa parte quando percebi algo.
De repente, tão rápido que eu nem vi de onde veio, um carro prata manobrou e parou na nossa frente.
- Retiro o que eu disse sobre os carros decentes. - Eu ouvi sussurrar para .
Eu não estava acreditando no que via. Um carro finalmente apareceu! Fiquei tão animada que não pensei em nada, apenas corri para chegar ao carro, mas, sendo eu, é óbvio que eu tinha que tropeçar e cair no chão, me apoiando nas minhas mãos para salvar meu rosto, mas minhas roupas não foram salvas da lama. "Ai, droga!" - Eu pensei comigo mesma, e quando levantei a cabeça, quase desmaiei com o que vi.
Quem era aquele garoto? Como ele podia ser... Como ele podia ser tão... Tão... Indescritível? Fiquei olhando para ele, embasbacada. Ele vinha na minha direção e perguntou alguma coisa com a voz mais linda que já ouvi na minha vida. Continuei fintando-o, sem reação. Ele disse mais alguma coisa naquela voz perfeita, e, então, outro ruído não tão majestoso rompeu o meu clima de transe.
- ! - Ouvi gritar.
- O quê?
- O garoto esta falando com você, acho que ele queria uma resposta, sabe.
- Ah... – Então, reparei que eu estava fazendo papel de idiota com síndrome de down (nada contra as pessoas com síndrome de down), o que o garoto-deus ia pensar de mim ali, praticamente de quatro no chão enlameado? Como certeza, ia me achar retardada. Tratei de levantar do chão e falar com o menino. - Desculpe, eu não ouvi.
- Eu perguntei se estava tudo bem com você. Se machucou?
- Eu... Eu... Estou bem.
- Hm... Vocês precisam de alguma ajuda?
- Er... Er... Nós... Hãã... - Eu tentei dizer alguma coisa, mas era impossível, olhando naqueles olhos profundos.
- A gente meio que se perdeu. Queríamos pegar um táxi, mas não apareceu nenhum. - entrou na minha frente, percebendo que me status atual era: "Incapaz de falar com clareza. Tente novamente mais tarde".
- Precisam de uma carona, então? Para onde vão? - O garoto lindo perguntou.
- Forks. Conhece?
- Eu moro lá, estava indo para casa.
- Hmm... Não sei, não queremos dar trabalho nenhum. - começou a dizer, mas eu a interrompi.
- Não! Claro que aceitamos! Seria muito útil, obrigada. - Me apressei para dizer. O menino sorriu para mim. ELE SORRIU PARA MIM! E que sorriso...
- Bem, então, vamos. Não será trabalho nenhum. A propósito, meu nome é Edward Cullen.
- Oi, Edward. Eu sou . - Eu me apresentei, com um sorriso.
- Eu sou a .
- E eu me chamo .
- Então... você mora em Forks, é? - Eu perguntei, tentando puxar assunto, mas, ao mesmo tempo, sem saber o que falar.
- É, , foi o que ele disse. - disse, zombando.
- Ok, é muito bom fazer uma social com os moradores locais e blábláblá, mas será que dá pra gente entrar logo no carro e sair da chuva? - sugeriu, já toda estressadinha.
- Uuh, falou a garota que é fã de chuva. - provocou.
- Eu disse que gostava da chuva, e não que gostava de me molhar. - respondeu em um tom ignorante. Como eu disse, estressadinha.
Mas todos concordamos e entramos no carro. Edward entrou após colocar nossas malas molhadas no porta-malas.
A viagem para Forks foi silenciosa. Edward tinha o rádio ligado em uma estação suuuuper brega. Eu tinha que lembrar de, durante o tempo que eu fosse passar com ele - que eu esperava que fosse muito -, ensinar algumas musiquinhas mais atuais.
Eu queria conversar mais com Edward, e as meninas também gostariam de conversar um pouco. Mas, cara, tínhamos acordado cedo, tudo chegou muito perto de dar errado, ficamos paradas no meio do nada por 5 horas, depois pegamos chuva, e eu ainda tropecei e sujei toda a minha roupa. Definitivamente, estávamos todas muito cansadas. Eu estava sentada no banco do carona, ao lado de Edward. A última coisa que me lembro é de ter encostado a cabeça no vidro da janela e apagado.

Quando acordei, eu estava em um lugar que nunca tinha estado antes. Era um quarto elegante. Eu estava deitada em uma cama super confortável, enrolada em lençóis quentes e macios. Eu rolei um pouco até levantar da cama e reparar que eu ainda usava as mesmas roupas sujas de ontem. Eu precisava urgentemente de um banho. Olhei em volta e achei uma porta. Eu a abri e me vi em um corredor enorme. Caramba, eu estava completamente perdida naquele lugar. Onde estavam e ? Onde estavam minhas coisas? Onde estava Edward? Aliás, onde eu estava?
Então, vi Edward chegando. Ele parou na minha frente e eu o olhei, deslumbrada.
- Que bom que acordou. Você dorme muito, hein.
- Er... onde eu estou?
- Ah, sim... Bem-vinda a minha casa. - Ele anunciou, com um sorriso.

Capítulo 2 - Ninguém sabia onde estavam se metendo.

Edward's PoV
*Os pensamentos vêm em itálico, logo em seguida das falas dos respectivos donos.

Tudo bem, eu ainda me perguntava por que eu estava fazendo aquilo. Eu não era de confraternizar com humanos. Enquanto eu dirigia, percebi que não sabia para onde, exatamente, elas queriam ir. Quando me virei para perguntar à , vi que ela estava dormindo. Então virei para perguntar às outras, mas elas também estavam dormindo.
Involuntariamente, captei os sonhos da . Algo com ela em um aeroporto usando roupão e pantufas... eu hein.
Bom, já que estavam todas dormindo, deviam estar cansadas, então, não quis acordá-las. Para onde levá-las? A única opção era a minha casa. Ok, meus irmãos iam me matar por isso.
Parei o Volvo na frente da casa. Emmet e Jasper ouviram o som da minha aproximação e trataram de aparecer. Não demorou até que eles percebessem que eu não estava sozinho.
- O que é isso, Edward? Trouxe o lanche para viagem? - Emmett brincou. Como se eu fosse fazer algum mal àquelas garotas humanas.
- Uma para cada? - Jasper entrou na brincadeira, rindo.
- Haha. - Eu ri sem humor algum. - São turistas, ao que parece. Estavam perdidas, esperando um táxi, como se fosse aparecer algum por aqui. Então, eu pensei: Por que não ajudá-las? - Eu expliquei, dando de ombros.
- Hmm... elas estão dormindo? Por que as trouxe para cá?
- Elas dormiram antes que eu pudesse perguntar onde ficariam hospedadas.
- Elas podem ficar aqui! - Emmett deu a brilhante idéia.
- Emmett, não... - Jasper começou, mas eu interrompi.
- Olha, elas ficam aqui esta noite, e quando acordarem, podem decidir melhor.
Emmett e Jasper assentiram. Com a ajuda deles, cuidadosamente tiramos as garotas do carro, para não acordá-las, e colocamos cada uma em um quarto. Carlisle e Esme não estavam em casa, mas eu não me preocupei com a aceitação deles, porque sabia que eles gostariam de ajudá-las.
Enquanto elas dormiam, fui conversar com Emmett e Jasper.
- Se vamos dividir, a loira é minha. - Emmett anunciou, já marcando território. Jasper e eu rimos.
- Bem, já que está interessado... O nome dela é . - Eu disse e Emmett parecia mesmo interessado na garota.
- Emmett, pelo amor de Deus, ela é humana. - Jasper repreendeu.
Eu conversei com eles por um tempo, mas depois todos foram fazer suas próprias coisas. Emmett estava bem animado com a chegada das garotas. Digamos que a nossa vida não tem muitas novidades, então agora que havia aparecido uma, as coisas estavam mais interessantes, eu tinha que admitir. Mas Jasper parecia um pouco preocupado, ele não se sentia confortável abrigando humanos aqui em casa.
Eu não percebi o tempo passando, isso foi até perceber movimentos no andar de cima. Ouvi acordando, parecia animada. Ela se vestiu a jato e logo estava descendo as escadas. Emmett entrou na sala como um foguete, a tempo de ver descendo.
- BOM DIA, GENTE! - Ela saudou, muito contente.
- Bom dia. - Emmett respondeu. Eu falei o mesmo quase ao mesmo tempo em que ele.
- E aí, o que tem pro café? - Ela perguntou, se sentindo bem à vontade.
- Er... não sei, na verdade. - Eu enrolei. Me esquecendo completamente que humanos precisavam de comida. - Nossos pais saíram... a comida tá zerada. Mas o Emmett vai comprar, não é, Emmett? - Eu disse, acotovelando levemente o meu irmão.
- Por que não vai você, Edward?
- Porque a nem te conhece e... - Eu tentei dizer, mas fui interrompido pela .
- Posso conhecer agora. Oi, Emmett. É Emmett, não é? "Caramba, que gato. Não é possível... Ele consegue ser mais gato que o Jacob e o Edward juntos! Essa cidade foi mesmo uma boa escolha, eu disse que sempre acerto." - Ela pensou.
- É. Oi, . "Com certeza, é a humana mais gostosa que eu já vi. Não que as outras sejam de se jogar fora, mas... cara! " - Emmett disse e pensou, com um sorriso largo. - Vai logo, Edward! A gente está esperando. Cadê o rango? - Emmett se dirigiu a mim agora, me empurrando na direção da porta. Eu saí sem reclamar. Não precisava ficar ali ouvindo os pensamentos pervertidos do Emmett e nem os da , cheios de segundas intenções.

Emmett's PoV

Assim que Edward saiu, eu me joguei no sofá, sinalizando para se sentar ao meu lado. Ela sorria quando se sentou e olhou bem para mim. Eu não lia pensamentos, mas sabia que ela estava me avaliando. E pela expressão dela, ela gostava do que via.
- Então, como vieram parar em Forks? Tantos lugares para ir... e é aqui que resolvem passar as férias? - Eu perguntei, puxando assunto.
- A escolha foi minha, na verdade. Eu achei que Forks pudesse ser legal e tal... - Ela respondeu.
- E, então, mudou de idéia sobre Forks, já que você achou que seria legal?
- Não. Na verdade, não me arrependi nem um pouco. - Ela disse isso olhando intensamente nos meus olhos, e sorriu em seguida.
- Que bom. - Eu ia dizer mais alguma coisa, mas ela falou primeiro:
- Hm, então, quer dizer que eu não conheço todos os moradores dessa casa? Quem mais mora com vocês? - Ela perguntou, curiosa.
- Bem, tem meu irmão, Jasper. Ele foi dar uma volta por aí, deve chegar logo. O nosso pai, Carlisle, que saiu por alguns dias com nossa mãe, Esme, mas eles voltam amanhã. E Edward e eu você já conhece. Isso é tudo.
- Então, vocês são todos irmãos? - Ela perguntou, surpresa.
- Sim. - Eu confirmei.
- Será que Jasper é gato como você e Edward? - Ela perguntou naturalmente, sem parecer constrangida com aquilo. Como se estivesse perguntando o que achei da novela ontem... (Foi muito boa, caso vocês queiram saber. A Maya e aquele outro cara lá formam um belo casal e... ok, voltando à história...)
- Ah, claro. Jasper é o mais gostoso. - Eu zombei, e ela riu. O riso era doce, me fez esquecer o que estava dizendo e me concentrar apenas naquela risada.
- Uau, então, eu devo ter morrido e estou no paraíso.
- Mais ou menos... acho que anjos não curtem uma suruba, né? - Ela riu de novo, e me deu vontade de ficar o dia inteiro fazendo piadas, falando bobagens, só para ouvir aquele som.
- É, ok, opção paraíso: eliminada. Deve ser um sonho, então.
- Hm... se for, tome cuidado para não acordar.
- É, vou mandar um sinal para que me mantenham sedada.
- Na real, pra que ficar sonhando quando você pode ter a coisa de verdade? - Eu perguntei, e fui me aproximando dela. Eu não estava nem aí se ela era humana e eu era um vampiro. Eu não precisava ficar pensando nisso agora. Eu raramente pensava em alguma coisa, por que resolver pensar agora?
Eu hesitei, imaginando se era isso que ela queria. Afinal, acabamos de nos conhecer. Mas ela já tinha os olhos fechados, só esperando. Então, encostei meu lábios nos dela, com cuidado...
- EI, PESSOINHAS! - Ouvi uma das meninas gritar, aparecendo no alto da escada, de repente. Caramba, será que todas elas ficavam gritando quando acordavam?
deu um pulo no sofá, se assustando. E, consequentemente, se afastou de mim. Ela lançou um olhar matador para a garota parada na escada.
- ! Vai interromper a mãe, merda! - gritou, com raiva.
- Mamãe está muito, longe agora. Vou ficar interrompendo você mesmo, desculpa aí. - A tal da anunciou, já no ultimo degrau da escada. Ela olhou para mim e reparou que não me conhecia. – Oi, menino, eu sou a . - Ela disse, com um sorriso no rosto. podia estar com raiva, mas eu levei na boa. Eu e ela teríamos muitas outras chances como essa, mais tarde.
- Oi, . Sou Emmett. - Eu acenei para ela, e ela retribuiu o aceno, de um jeito animado e saltitante.
- Emmett, desculpa atrapalhar você e a , mas eu adoro perturbar a vida dela, é tão legal! - Ela disse, lançando um sorriso implicante para a... .
- ... - começou, com um sorriso cínico - ... MORRA! - Ela terminou, revirando os olhos. não pareceu se abalar.
- Ai, cara, que fome! - declarou, ignorando a ameaça da .
- Dois votos! - concordou, de repente esquecendo que havia acabado de desejar que a amiga morresse. - Sabe há quanto tempo que não como nada? Acho que mais de 24 horas!
- Jura? - Eu perguntei. assentiu com a cabeça. Humanos não precisavam comer de três em três horas? - Merda, e o Edward que não chega...
- Aonde ele foi? - perguntou.
- Foi buscar nossa comida. - respondeu, olhando esperançosa para a porta.
- E a ? Alguém sabe dela? - questionou, lançando um olhar para a escada.
- Deve estar dormindo. - Eu respondi.
Ficamos ali por algum tempo, até que a maçaneta da porta girou. e pareciam estar realmente famintas, porque os olhos delas brilharam, observando a porta ainda fechada começar a fazer um ruído. A porta se abriu e Jasper entrou na sala. Não era o café-da-manhã que elas esperavam, mas o interesse não saiu das faces delas. Imaginei se elas estavam o vendo como um cachorro-quente, que nem nos desenhos animados.
- Er... oi. - Jasper disse, acenando levemente com a mão.
- Oi. - disse, como se estivesse vendo uma coisa chocante, totalmente admirada.
- Sou Jasper. - Ele se apresentou, tentando parecer educado. Mas eu podia imaginar o quanto seria difícil para ele.
- Oi, Jasper. Me chamo . - Ela disse, e esperava que dissesse seu nome também, mas a garota estava paralisada, olhando para o Jasper, praticamente o comendo com os olhos, se me permite dizer. Então, falou por ela: - E essa é a .
Jasper olhou para a menina ao meu lado - -, e a expressão dela se transformou de paralisada abismada para admirada com um sorriso abobalhado. Ou, então, apenas esfomeada, imaginando Jasper como algo de comer.
- A propósito, você estava errado. - disse para mim. Eu levantei uma sobrancelha, sem entender do que ela estava falando. - Você é o mais gostoso. - Ela concluiu, sussurrando sensualmente no meu ouvido.

Jasper's PoV

Ah, cara, agora até Emmett estava socializando com as garotas humanas. Não entendi o que aquela quis dizer sobre Emmett estar errado; concluí que devia ser uma piadinha interna.
E qual era o problema da outra garota, a que se chamava ? As ondas de emoção que emanavam dela não faziam a menor coerência. Nem mesmo eu poderia dizer o que era aquilo que ela estava sentindo. Era uma coisa confusa e estranha.
Outra pergunta que não queria calar era: Por que ela não se movia? Por que ela não dizia algo? (É, eu sei que foram duas perguntas. Ignore)
Foi aí que eu percebi que talvez eu pudesse entender o estado dela, porque eu estava no mesmo estado! Eu estava totalmente parado, assim como ela. Eu não ouvia nada do que Emmett e falavam, assim como ela. Eu a observava, sem desviar o olhar, tal como ela fazia comigo.
Sendo assim, ela devia estar pensando sobre mim, e me analisando, assim como eu fazia com ela. Decidi fazer alguma coisa, qualquer coisa. Nós não podíamos ficar daquele jeito para sempre. Bem, pelo menos, ela não podia.
Eu estava focado demais na , então, mal percebi quando Emmett atirou um abajur em mim. Eu pisquei, e parecia a primeira vez em muito tempo.
- Emmett! O que é isso? - Eu gritei, repreendendo meu irmão, que ria junto à .
- Você estava brincando de estátua com a e não convidou e eu para participarmos? Estamos ofendidos. - Ele disse, fazendo uma falsa expressão de descrença.
- É, e a Esme vai te matar quando ver o que você fez com o abajur dela. É uma raridade do século XIX. Quer dizer, era uma raridade do século XIX. - Eu corrigi, olhando os cacos do abajur delicado, no chão.
- Ai, merda. - Emmett disse, levantando do sofá e indo catar os pedaços do abajur. - Jasper, tem superbonder aqui?
Eu e as duas meninas rimos, enquanto Emmett olhava, preocupado, para o que um dia fora um abajur.
- Cola com sabonete. - sugeriu. Eu olhei para ela, reparando que era a primeira vez que eu ouvia sua voz. Engraçado como não me surpreendi. É como se eu já conhecesse a voz dela, como se a tivesse ouvido a vida toda.
- Ok, Jasper sempre foi meio autista, mas hoje ele está viajando mais do que o normal. - Emmett tinha que ser o dono dessa frase.
- Já a não... então, acho que tem mesmo algo mais errado com ela hoje. - disse para o Emmett, que riu.
- Vem, , vamos deixá-los a sós. Formam um belo casal de estátuas.
Eu olhei feio para Emmett, era a cara de ele ficar brincando com essas coisas. Ele pegou a mão da e ela foi com ele, sem nem ao menos perguntar para onde iam. Se eu fosse ela, não confiaria assim tão cegamente em um vampiro como Emmett, apesar de ela não saber exatamente o que ele era, imaginei se ela não o achava perigoso só de olhar para ele. Bem, medo era a última coisa que ela sentia quando estava perto dele. Assim que Emmett e saíram pela porta, voltei meu olhar para .
- Parece que a encontrou alguém tão retardado quanto ela, né? - Ela perguntou para mim.
- Não. Emmett é mais. - Eu respondi, rindo.
- Não vejo como isso pode ser possível.
- Se ficar por aqui por tempo suficiente, vai ver.
- Hm... isso é um convite? - Ela perguntou com um sorriso e eu gelei. Era um convite? Eu queria que ela ficasse por mais tempo? Bom, não sou em quem vai resolver essa história mesmo, então, não importa a minha resposta.
- O convite está aberto, você e suas amigas poderão ficar quanto tempo precisarem. Ah, isso é, claro, se quiserem. Quer dizer... Forks não é uma cidade muito voltada para o turismo, acho que será difícil encontrarem um bom lugar para ficar.
- Acho que não posso tomar essa decisão sozinha, mas eu quero ficar.
- Bem, quando sua outra amiga acordar, e quando Emmett terminar de brincar com a , vocês podem conversar sobre isso. Agora não. Acho que Edward já está chegando com o café de vocês. - Eu disse, ouvindo a aproximação de Edward.

Edward's PoV

Eu estava dirigindo de volta para casa, agora. Depois de ter ido ao mercado, só para me deparar com o dilema de não saber o que elas gostam de comer e comprar de tudo.
Coloquei o Volvo na garagem e saí. Eu carregava várias sacolas em cada mão, e, quando passei pela entrada, vi Emmett e sentados na varanda da casa. Eles pareciam realmente terem se dado bem.
- Oba! Comida! - gritou, quando me viu passar, se levantando do batente da varanda imediatamente.
- Corre, Edward! Corre! Ela está te confundindo com um hambúrguer! - Emmett berrou, e eu ignorei os dois, revirando os olhos.
Eu entrei e encontrei Jasper e lá dentro. Cara, eu saio por um tempo, e, quando volto, estão todos organizados em casais? O que eu perdi?
Lancei um olhar questionador para Jasper. "Ei, o que foi? Só estou tentando ser gentil". -Ele pensou.
Dei de ombros e levei as sacolas para a cozinha.
"Uau, ele não morre cedo. Jasper acabou de dizer que ele devia estar chegando". - pensou, e eu me segurei para não rir.
Assim que coloquei as sacolas no chão, e apareceram.
- Edward, não precisa se preocupar com isso, não. Deixa que a gente prepara o nosso café. - disse, indo mexer em uma das sacolas.
- Ah, ok. Qualquer coisa, estamos na sala. - Eu disse, saindo da cozinha.
Quando estava chegando na sala, ouvi que tinha acordado. Mas ela não parecia ter acordado bem, como as outras. Ela estava confusa e assustada, eu percebi, pelos pensamentos dela. Então, fui ao andar de cima, dar uma mãozinha a ela, afinal, ela também parecia meio perdida. Ela estava parada na porta, olhando para o outro lado. Então, ela se virou, e eu parei na frente dela.
- Que bom que acordou. Você dorme muito, hein. - Eu disse, sorrindo.
- Er... onde eu estou? - Ela perguntou, confusa.
- Ah, sim... Bem-vinda a minha casa. - Eu expliquei.
- Sua casa? Como eu vim parar aqui? Não me lembro de nada... - Ela dizia, parecendo um pouco nervosa.
- Desculpe, você dormiu. E, como as outras também estavam dormindo, não pude perguntar aonde queriam ir. Então as trouxe para cá.
"Ai, meu Deus. Não acredito em como eu estive perto de ter sido sequestrada! Como eu pude dormir? E se ele me levasse para um cativeiro? Mas, se bem que... Eu não acho que me importaria muito de ser sequestrada por ele. " - Ela pensou, os devaneios dela rumando para um lado pervertido.
Eu ri, sem consegui evitar. Humanas eram tão bobas, não conseguiam ver o real perigo com clareza.
- Então... onde estão as outras? - Ela perguntou, claramente preocupada com as amigas.
"Omg, será que fomos mesmo sequestradas? Será que ele vai me matar? "
- Er... suas amigas estão no cativeiro no andar de baixo. - Eu disse, brincando um pouco com a situação. Ia ser engraçado, até porque ela não sabia que eu podia ler os pensamentos dela. - Vou te levar para o cativeiro agora, me siga. - Eu disse, retirando um molho de chaves do bolso e as girando nas mãos, falando com uma voz ameaçadora. recuou um passo, me olhando, apavorada. Então eu caí na gargalhada. - Eu estava brincando!
- Ah! - Ela exclamou, compreendendo e, agora que estava tudo bem, soltando risinhos bobos de alívio.
- Não acredito que você levou a sério! - Eu disse, rindo junto com ela. - Suas amigas estão tomando café-da-manhã lá embaixo. Vem comigo.
- Você é louco! Eu quase tive uma parada cardíaca, ok?! - Ela reclamou, mas ainda rindo. Se apressou para ir atrás de mim pelo corredor.
"Cara, cara, caaaara. Como ele pode ser tão gostoso? Meu Deus, eu realmente tenho que agradecer à . Incrível, mas dessa vez ela acertou, tenho que admitir. Tá, pára de ficar olhando pra bunda dele, , que coisa! " - Ela pensava consigo mesma, e eu precisava me concentrar para não rir, senão ela ia achar que eu sou louco. Se bem que eu acho que a loucura está ficando cada vez mais comum por aqui...
Eu desci as escadas com a bem atrás de mim. Assim que pus meus pés no primeiro piso que eu ouvi os gritos.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH, cuidado com isso, ! ! AAAAH, ESPERA, TIRA DE PERTO DE MIM! - A gritava da cozinha. Todos corremos para lá para conferir se estava tudo bem, o que claramente não estava.
Quando cheguei na porta, me deparei com a correndo em círculos pela cozinha com um prato de bananas em chamas, e a do outro lado, em um canto, encolhida, com um copo d'água, atirando pequenas gotículas pela cozinha, sem que as gotas nunca conseguissem tocar sequer em algum lugar perto de e das bananas.
- , será que dá para apagar o fogo direito? Socorro, eu vou me queimaaaaar! - gritava.
Incrível como todo o cavalheirismo desapareceu dessa casa tão de repente, porque, em vez de algum de nós ir ajudá-las, permanecemos na porta, rindo.
- Gente, o que pensam que estão fazendo com essas bananas? - questionou, em meio às risadas.
- Bananas flambadas, vai dizer que nunca ouviu falar? - respondeu, revirando os olhos.
- É, mas acho que elas descobriram o nosso plano maligno de atacá-las no café-da-manhã e resolveram se voltar contra nós. - completou, parecendo realmente com medo das tais bananas.
- Em caso de bananas em chamas, chame o Emmett! - Eu nem tinha percebido que Emmett tinha saído, mas agora ele voltava com um balde cheio de água e o atirou pela cozinha. Quando eu digo que ele o atirou pela cozinha, imagine que ele realmente atirou água para todos os lados.
Gritos. Muitos gritos.
Então, e , após terminarem com os gritos histéricos, ficaram totalmente paradas no meio da cozinha.
- Er... então... o que tem pro café, já que as tais bananas já eram? - perguntou, bem devagar.
- Torradas molhadas, que tal? - respondeu, apontando para as torradas em cima do balcão, afogadas em uma poça de água.
- Oops. - Emmett disse.

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Após o café desastroso, que terminou em pão francês com ovo frito, as garotas se espalharam, eu nem sabia dizer onde todas elas estavam. Mas estava por perto, em um banco do jardim. Ela estava sozinha, então, fui até lá fazer companhia para ela.
- Oi, . - Eu saudei, enquanto me sentava ao lado dela.
- Ah, olha só quem é... Meu querido sequestrador. - Ela disse, sorrindo. Eu correspondi o sorriso.
- Sinto muito por isso. Tenho certeza de que você preferia estar em uma pensão/terreiro-de-macumba do que em uma casa cheia de loucos como essa. Mas, eu juro, nós não somos sempre assim. Não sei o que está acontecendo hoje.
- Há, estou acostumada em estar em um hospício. Eu moro com a e a , sabia? E, pior, elas são assim o tempo todo. E, pior ainda, eu também! - Ela riu com isso, e depois olhou para o céu nublado, suspirando.
- Quer dizer que elas quase põem fogo na casa todos os dias, na hora do café? Você deve ter mesmo uma vida agitada.
"Ele é simplesmente tão... perfeito. Ele está perto demais. Oh, meu Deus, se controle, . Ele está sorrindo para mim, CARA, ver esse sorriso de perto me deixa muito tonta. Puts, se eu continuar assim, ele vai achar que eu sou drogada! " - Ela não estava prestando atenção no que eu estava dizendo. De novo. Eu ia a fazer prestar atenção agora.
- Se eu te sequestrasse por um tempo, você ia se importar? - Eu perguntei, e, imediatamente, ela focou o olhar em mim, fazendo uma expressão surpresa.
- Er... sequestrar? O que... é... eu... hm... - Ótimo, agora ela tinha prestado atenção, mas não conseguia responder.
- É, vou te prender por um pequeno período de tempo. - Ela ainda me olhava, sem conseguir fazer uma palavra coerente sair pela boca dela. - Esquece, não é um sequestro de verdade se eu tiver que pedir sua permissão. - Eu disse, e a puxei gentilmente pelo braço. Ela se levantou.

Jasper's PoV

Após as meninas tomarem o café-da-manhã delas, Emmett saiu arrastando a para algum lugar. Eu não estava aprovando nada nada esse comportamento irresponsável característico do Emmett. A outra garota - -, após sermos todos apresentados, disse que ia passar um tempo no nosso jardim e se retirou. Edward saiu, logo em seguida.
Então eu me vi sozinho na sala de jantar com a olhando para mim. Ela parecia ter sido tirada de uma distração intensa, porque, de repente, ela olhou em volta e viu que estávamos a sós.
- Aonde foi todo mundo? - Ela perguntou, confusa.
- saiu com Emmett, foi dar uma volta e Edward, provavelmente, foi atrás dela.
- Aaah, que sem-graça! Não posso deixar que todos se divirtam e eu não! Jasper, vamos dar um passeio também? Por favor, não quero ir sozinha. - Ela pediu com um olhar de súplica que, com certeza, era falso, mas ainda assim era de dar dó.
- O que quer fazer? - Eu perguntei, cedendo aquele olhar.
- Hmm... não sei. Quem mora aqui é você. O que tem de legal para fazer em Forks?
- Legal? Acho que veio ao lugar errado, . Não tem nada de legal para se fazer em Forks.
- Ah, sem problemas. Quando se está com a pessoa certa, qualquer lugar pode ser divertido. Agora, vamos, o que tem por aqui?
Eu fiquei parado por um tempo, absorvendo o que ela tinha dito. Ela achava mesmo que eu era a pessoa certa para tornar qualquer lugar divertido? Ela não fazia idéia do quanto estava errada e de quanto perigo corria.
De qualquer forma, ela estava esperando uma resposta.
- Além das florestas e todo aquele mato...
- É isso! Já sei, já sei, já sei! - Ela gritou, dando pulinhos no mesmo lugar.
- O quê?
- Vamos fazer um piquenique! Você falou em floresta, aí a idéia me veio à cabeça. - Ela dizia, e seu corpo se enchia de animação.
Tentei pensar em um jeito de escapar dessa. Afinal, o que ela ia pensar se eu fosse fazer um piquenique com ela e não fosse comer nada?
- Não acho que seja uma boa idéia, ...
- Por que não? - Ela perguntou, agora sentindo decepção. Usei meus dons para fazê-la se sentir melhor.
- Depois do desastre da cozinha, você já está pensando em comida de novo? - Eu brinquei, ao mesmo tempo tentando arranjar uma desculpa para eu ter dito não. - Nada mais de bananas flambadas ou torradas molhadas, ok? - Deu certo. Ela riu.
- Tudo bem, então. Tem uma idéia melhor?
- Para falar a verdade... tenho. Podíamos ficar aqui até Emmett e voltarem. Então, iríamos todos até Seattle e você iria se divertir com suas amigas. - Era o que parecia o mais certo a ser feito. Ela devia se divertir com humanos, não com um monstro como eu. Idem para as outras duas.
- Hmm... é uma boa idéia. Mas caso Emmett e demorem, qual é o seu plano para me distrair?
Algo me dizia que isso era pra ser uma proposta indecente. E algo também me dizia que ela queria uma resposta indecente. É claro que era só uma impressão, uma suposição. Ela sentia ansiedade, mas eu estava sem criatividade para responder algo interessante.
- Não sei. Vou deixar as coisas nas suas mãos, que tal?
- Hm... então tomara que a e o Emm demorem bastaaaante. - Ela disse, sorrindo. deu alguns passos na minha direção, fechando a distância entre nós. Os sentimentos, de repente, saíram de controle, encheram a sala, e eu não sabia mais o que eu estava sentindo e o que ela estava sentindo. Estava tudo confuso, parecia uma coisa só. Ela se aproximou de mim e eu não conseguia me mover. O cheiro dela encheu minhas narinas e eu senti minha garganta queimar. Ela parecia deliciosa, em todos os sentidos (e isso não era bom). Se ela chegasse mais perto, eu não ia aguentar, então eu me afastei.
- O que foi? - Ela perguntou, um pouco constrangida pela minha rejeição.
- Nada. É só que...
- O quê? - Ela insistiu. Meu cérebro não estava trabalhando rápido o suficiente para formular uma resposta. - Er... quer dizer, deixa pra lá. - Ela disse, agora sentindo constrangimento. Provavelmente, pensando que ela quase não me conhecia.
- Não, tudo bem.
Então ela sorriu pra mim e fez menção de se retirar da sala.
- Aonde vai? - Eu perguntei, mais interessado do que talvez eu devesse estar.
- Vou esperar o Emm e a na sala. - Ela respondeu com um sorriso e saiu pela porta. Eu saí logo em seguida.
Ok, algo estranho está acontecendo comigo.


Capítulo 3 - Bem-vindas a Forks.
 PoV

Quando terminei de tomar o café, meu cérebro involuntariamente começou a planejar o que eu faria hoje (tá pensando o que, rapá, meu cérebro funciona, sim). Eu tenho que admitir: todos os meus planos para essa viagem acabaram de mudar completamente. Mudar para melhor, é claro. Eu simplesmente não poderia ter imaginado que viríamos parar nessa mansão linda, com três homens maravilhosos e solteiros (pelo menos, eu esperava que fossem solteiros).
Bem, agora que tudo mudou, as meninas e eu precisávamos de um tempo, só nós três, para decidir os novos planos.
Enquanto pensava nisso, levantei minha cabeça e avistei Emmett encostado na parede da sala de jantar, do lado oposto ao meu, me encarando intensamente. Meu Deus, será que eu já percebi o quanto estou a fim dele? Será que alguém já percebeu? Ok, talvez a pergunta certa seja: Será que alguém não percebeu?
Enquanto eu olhava, admirada, para ele, ele fez um sinal com o queixo, indicando a porta da sala. Era claramente um convite. Beeem... parece que a reunião com as meninas vai ter que esperar (esperar muito, se depender de mim).
Eu me levantei da grande mesa e caminhei ansiosamente até Emmett; meu coração batia inquietamente no meu peito. Ele sorriu, divertido, para mim. Não entendi qual era a graça. OMG, será que eu de repente estou usando pantufas de coelhinhos de novo? Rapidamente olhei para os meus pés e verifiquei que minhas sandálias eram perfeitamente normais. A não ser que ele visse alguma graça em moda e tendência.
Talvez eu esteja com alface no dente! Ai, meu Deus, que mico! Vou me matar, enfiar minha cabeça na privada e dar descarga (é, eu sei. Isso foi nojento). Mas, espera, eu nem comi alface.
Eu decidi parar com essas suposições bobas. Talvez o motivo para Emmett estar rindo seja só porque ele é o Emmett. Nesse pouco tempo em que o conheço, percebi que ele é uma daquelas pessoas que riem o tempo inteiro. Eu adorava isso; destacava as perfeitas covinhas nas bochechas pálidas dele.
Quando o espaço entre nós reduziu consideravelmente, Emmett e eu nos direcionamos à saída. Ninguém perguntou aonde íamos, isso era bom. Ficaríamos sem interrupções por um tempo.
Saímos da sala de jantar pela porta que dava para a cozinha, onde havia a porta dos fundos da casa, que se emendada a uma janela, a qual se você reparar bem, verá que é a própria parede. A casa tinha muitos vidros.
O quintal dos fundos da casa poderia ser resumido a mato. Quando Emmett fez menção de se enfiar na floresta densa, eu estaquei no chão.
- O que foi? - Ele me perguntou quando percebeu que eu não tinha a intenção de segui-lo.
- Para onde vamos?
- Só dar uma volta. Está tudo bem, null. - Ele encorajou, sorrindo de novo.
- Er, não podemos dar uma volta por um lugar menos... natural e com menos... insetos? - Eu não pude deixar de fazer uma cara de nojo ao mencionar a última palavra.
- Desculpe, null, mas... Bem-vinda a Forks! - Ele brincou, e eu ri. Eu devia imaginar que isso aqui era uma evolução de roça.
- Hmm... ok. Mas... podemos passar na cidade mais tarde, não é? - Eu questionei em um tom implorativo.
- Claro, como quiser. - Ele disse, estendendo a mão para mim. Eu a segurei e percebi que estava muito gelada. Se bem que o clima estava frio mesmo. Assim que demos as mãos, Emmett e eu nos embrenhamos entre as samambaias, que eram apenas uma camada na borda da floresta. Assim que passamos por elas, um espaço plano, cheio de árvores se abriu a nossa frente.
Emmett parou repentinamente a caminhada e se jogou no chão, encostando em uma das árvores mais grossas dali. Não sei o que deu em mim, não faço idéia de onde meu senso de urbanização foi parar, mas imediatamente minhas pernas cederam e eu me vi sentada na terra úmida, ao lado de Emmett.
- Viu? Não foi tão ruim, foi? - Ele perguntou, divertindo-se.
- Não. Eu acho... eu acho que gosto daqui. Eu nunca estive em uma floresta antes, sabia?
- Imagino. - Ele respondeu, obviamente. - Aliás, tem muita coisa sobre você eu não sei. Mas pretendo descobrir.
- Digo o mesmo. Até porque você parece muito mais interessante do que eu.
- Por que acha isso? - Ele perguntou, com um olhar intrigado fixado no meu.
- Porque vocês me parecem tão diferentes... superiores. - Eu fiz uma pausa. - Vamos fazer um joguinho? - Eu sugeri, de repente, tendo uma boa idéia de como conhecê-lo melhor. Ele abriu um sorriso tão grande quanto o meu.
- Claro! Adoro jogos! - Ele disse com a voz alta, parecendo, de fato, muito animado.
- Você me conta seu maior segredo e eu te conto o meu. O que acha? - O sorriso dele desapareceu junto com as covinhas. Ele não precisava dizer nada para que eu soubesse que ele não gostou desse jogo. Mas ele disse, mesmo assim:
- Eu acho que se eu contar, não vai ser mais segredo, não concorda? - Ele disse, claramente tentando escapar. Mas isso só me fez arder ainda mais de curiosidade. O que será que ele escondia?
- Não, não concordo. Eu penso que podem existir segredo entre duas pessoas. - Eu argumentei - Ah, vamos, só um segredinhozinho, não me deixe morrendo de curiosidade!
- Que tal o segundo maior segredo? - Ele pediu, novamente na evasiva.
- Não, aí não vale. Tem que ser o maior, o mais importante. - Eu insisti. Ele fechou os olhos, obviamente em um conflito interno.
- null, confie em mim. Você vai saber no tempo certo. - Ele finalmente disse, depois de pensar bastante. Como eu queria poder ler mentes!
- AAAH, se eu sobreviver até lá! - Eu disse em um tom choroso. Os olhos dele se arregalaram de espanto, eu não entendi por quê.
- Por que você disse isso? A que se refere? - Ele perguntou, preocupado com alguma coisa.
- Porque... eu posso morrer de curiosidade? - Eu disse, como se estivesse fazendo uma pergunta. Imediatamente, a expressão dele relaxou.
- Ah, sim. Claro. Não se preocupe, você vai sobreviver. - Ele disse, sorrindo. Eu não entendi bulhufas, mas achei melhor deixar quieto.

null's PoV

Eu me sentei no sofá da sala, morrendo de vergonha. Qual era o meu problema? O que eu tinha para ter tentado agarrar o Jasper daquele jeito?! Eu mal o conheço, ele deve ter ficado com muito medinho de mim, isso é fato consumado. Eu queria ser um avestruz e enfiar minha cabeça na terra. Se a fada azul transformou o Pinóchio em menino, ela pode me transformar em avestruz, não pode? Não é biologicamente possível? Claro que é! Mas se, de repente, eu começasse a fazer um culto invocando a fada azul bem aqui, no meio da sala, Jasper ia achar, com toda a razão, que eu sou uma macumbeira. É, acho melhor não.
Eu decidi encará-lo, porque, de repente, a vergonha desapareceu. Ok, isso foi estranho. O silêncio era constrangedor, então, eu resolvi falar.
- Então, se por aqui só tem comida de cavalo para todo o lado, o que vocês, moradores, fazem para se divertir?
- Bem, minha família costuma acampar quando o tempo está bom.
- E quando está ruim como hoje? - Eu insisti.
- Sei lá, ficamos em casa e jogamos alguma coisa. - Eu não me segurei, eu tinha que rir.
- Tipo o quê? Baralho? - Eu chutei, ainda rindo. Não conseguia imaginar aquilo: três irmãos super gatos que passam o dia todo em casa jogando... baralho! Quando podiam estar em uma cidade grande e ensolarada, fazendo o maior sucesso com todas as garotas e... pensando bem, é melhor eles ficarem trancadinhos aqui com os joguinhos deles, er.
Eles parecem tão isolados morando aqui no meio de uma floresta que eu chego até a pensar que minhas amigas e eu achamos um tesouro escondido para o público feminino.
- A gente joga mais vídeo game. - Ele explicou.
- Vocês não saem muito, não é? - Eu perguntei, sentindo o isolamento deles. Eu só não entendia o porquê. Eles eram lindos, ricos e muito legais. Então, por que se esconder da sociedade?
- É, na verdade não. A gente gosta de ficar em casa. - Ele disse, parecendo sincero.
- Vocês gostavam. Até hoje. A gente vai sair e se divertir, e não jogar "paciência" no computador. - Eu disse, sorrindo. Ele correspondeu ao sorriso.
- Você e suas amigas não deviam conversar sobre sua hospedagem antes de irem passear em Seattle?
- A gente conversa sobre isso quando voltar. Aliás, cara, como a null e o Emm estão demorando! Não quero nem imaginar o que eles estão fazendo. A null e o Edward também sumiram, meu Deus. - Eu protestei, já impaciente. Se eles demorassem muito mais tempo, eu mesma ia atrás deles e ia arrastá-los para casa. Elas não perdem tempo mesmo. E, pensando bem, eu também não. Pena que Jasper não parecia ser desse tipo.
Uma onda súbita de tristeza me atingiu com esse pensamento. E de repente, se esvaiu, tão rápido quanto apareceu. O meu humor estava mudando com tanta freqüência que não me parecia natural. Mas seja lá o que for, estou agradecida por não precisar sentir coisas ruins.
Depois de um tempo incontável só olhando pra cara do Jasper (sim, é uma ótima visão), eu finalmente cansei de esperar pela null. Tudo bem que a null e o Edward também não estavam presentes, mas pelo menos eu sabia que eles estavam em casa.
Já com a paciência esgotada, me levantei do sofá. Jasper me lançou um olhar confuso.
- Aonde vai? - Ele perguntou.
- Dar uma volta. - Eu respondi, planejando encontrar a null e trazê-la de volta.
- Quer que eu vá com você? - Ele se ofereceu, já se colocando em posição para sair.
- Não, tudo bem. - Eu recusei, não querendo dar trabalho.
Eu saí pela porta da frente e escaneei o jardim com o olhar. Nem sinal deles. Só o que havia além do jardim era uma floresta.
Se eu fosse parar para pensar duas vezes, eu provavelmente não entraria na floresta. Mas eu raramente fazia isso, então, segui o caminho para a floresta sem preocupações.
Comecei a procurar por eles entre as árvores e arbustos por algum tempo até que veio aquele típico pensamento que aparece depois de você ter tomado uma decisão impensada. Nada muito complexo... Pensamentos como: o tamanho que uma floresta pode ter; o tempo que pode levar até você encontrar uma pessoa em uma floresta de tamanho desconhecido; o fato de você nem sequer saber se essa pessoa está mesmo ali, dentre tantos outros lugares em que ela poderia estar; e, por último e mais importante, O FATO DE QUE VOCÊ NÃO CONHECE O CAMINHO DE VOLTA!
Tudo bem, eu devia ter feito uma trilha com pedacinhos de pão ou algo assim.
Mas não preciso me desesperar. Logo, logo eu vou dar um jeito de sair daqui. Se eu me apressar, talvez chegue em... alguns anos.
Bem, alguém pode estar me procurando nesse exato momento. Talvez Jasper. Eu aprendi que o melhor a fazer quando se está perdida é sentar e esperar que alguém te encontre. Então, me sentei no chão e me preparei para esperar.

null's PoV

O meu coração quase saiu pela boca quando Edward pediu para... me sequestrar!
De novo, eu perdi capacidade de falar com clareza enquanto ele pegava minha mão e me levantava do banco. Minha mente girava com as possibilidades. Para onde será que estávamos indo? Bem, agora andávamos em direção a casa, então, imaginei que não devia ser nenhum lugar especial. Já o acompanhante... aí já é outra história.
A confusão dominou minha expressão, quando Edward e eu começamos a subir as escadas da sala. Ele me guiava pelos corredores que pareciam que não tinham fim. Então, parou tão abruptamente que eu me choquei com ele. Uau, eu não sei se foi a força do impacto ou sei lá, mas, cara, aquilo doeu.
Enquanto eu me recuperava, Edward abriu a porta diante de nós depois de sussurrar um "Desculpe".
A porta se abriu, e eu pude finalmente avaliar o ambiente. Parecia... um quarto! Tá, não é uma boa hora para desmaiar. Fique em pé, null, fique em pé! Eu não estava surtando à toa dessa vez. Edward diz que vai me sequestrar e me traz para um quarto! Agora sim meu coração ia sair pela boca.
- Você está bem? - Ele perguntou, parecendo preocupado.
Eu olhei para o rosto dele e tudo se acalmou.
- null? null? - Ele me chamava, estalando os dedos na frente do meu rosto.
- Ãã? - Eu disse, piscando e acordando pra vida.
- Tudo bem?
- Ah, tudo ótimo, estou ótima. Nunca estive melhor. - Eu respondi, sorrindo e olhando em volta, para o quarto elegante.
- Isso é bom. Só queria te trazer para conhecer melhor a casa. Pensei em começar pelo meu quarto. Assim, quando precisar de qualquer coisa, já sabe onde me encontrar.
- Aah, como se eu tivesse decorado o caminho do jardim até aqui.
- Não é um caminho difícil. Como você não decorou?
- Não consigo me concentrar muito nas coisas com você do meu lado. - Eu respondi, e depois quis me socar quando percebi o que eu estava dizendo. Automaticamente, coloquei minha mão na frente da minha boca para evitar que mais coisas idiotas e constrangedoras como essa escapassem de mim.
Edward estava sorrindo para mim, provavelmente me achando a maior babaca deslumbrada da face da Terra.
- Estamos quites, então. - Ele respondeu, por fim.
Ele não devia estar falando sério. Devia estar... sei lá, me iludindo. Bem, quem se importa? Ilusão, aí vou eu!
Ainda estávamos parados na porta, então, eu resolvi me mover.
Caminhei vagarosamente pelo quarto. Não toquei em nada, não queria quebrar algo (algo que provavelmente eu levaria uma vida toda para poder pagar).
- Fique à vontade. - Edward disse. Impressionante como ele sempre dizia as coisas certas, no momento exato em que eu estava pensando nelas. Quem sabe nós realmente combinamos, e pensamos na mesma coisa ao mesmo tempo com tanta frequência? Ok, estou sonhando alto demais. Daqui a pouco, vou acabar batendo a cabeça no teto, se continuar muito alto.
Nesse momento, Edward riu. Foi completamente do nada, eu hein.
- O que foi? - Eu perguntei, assim que ele cessou o ataque de risos.
- O que foi o quê?
- Do que você está rindo?
- Er... nada. Só uma coisa que eu lembrei. - Ele explicou, nada convincente, aliás. Mas eu deixei passar.
- Tá, né. - Eu disse, só pra ter uma resposta. E, como ele havia dito para que eu ficasse à vontade, me senti livre para fuxicar melhor pelas coisas dele... Uau, ele tinha uma estante enooorme cheia de CDs e alguns discos. Algumas bandas conhecidas, outras que eu nem sequer tinha ouvido falar. - Caramba! Você é musicomaníaco! Que medo.
- Você não gosta de música? - Ele perguntou, fazendo uma expressão que dava a entender que ele já conhecia a resposta.
- Gosto. Bastante. - Eu respondi, visualizando mentalmente minha humilde coleção de CDs em casa. Ele me lançou um sorriso, satisfeito.
- Estamos quites de novo, então. - Edward concluiu, falando mais para ele mesmo do que para mim.
Eu sorri de volta e continuei a observar as coisas dele. O silêncio encheu o quarto, e eu não gostava disso. Eu queria ouvir a voz dele.
- null... - Ele começou a dizer, e meu coração acelerou ao ouvir meu nome dito por aquela voz perfeita. - ...Você e suas amigas... Vocês... Pretendem ficar? - Ele perguntou, e meu coração ficou ainda mais frenético quando eu detectei o tom esperançoso na voz dele.
- Por mim, Edward... eu ficaria aqui para sempre. - Eu respondi, falando besteira de novo, o que não deixava de ser verdade, a propósito.
Ele lançou um sorriso tímido para mim, e eu me deixei deslumbrar por aquilo tudo (realmente, aquilo TUDO).
Ele parecia indeciso se devia me dizer alguma coisa... Eu tentei sorrir mais abertamente para encorajá-lo.
- Isso é bom. Muito bom. Gosto da sua presença aqui. - Ele disse, me olhando com tanta intensidade que eu, inconscientemente dei um passo em direção a ele.
- Não quer que eu vá embora, então? - Eu questionei, usando um tom de voz com a mesma intensidade que ele me olhava. Agora, foi ele que deu um passo para mais perto de mim.
- Nunca. - Ele respondeu, e eu tinha certeza que meus olhos nunca brilharam tanto. Agora, nós dois demos um passo ao mesmo tempo, mandando pro inferno qualquer distância que pudesse haver entre nós.
Ok, era a hora. "Não surte, null, não surte! " Eu dizia para mim mesma, enquanto o rosto de Edward (vulgo perfeito) chegava cada vez mais perto do meu. Foi naquele momento que eu percebi que eu tinha um problema muito sério. Eu senti vontade de me chutar até a morte quando meu corpo involuntariamente deu dois passos desajeitados pra trás. O QUE EU ESTAVA FAZENDO, MERDA? POR QUE EU ME AFASTEI DELE QUANDO TUDO O QUE EU QUERIA ERA ESTAR MAIS PERTO?
O que eu não esperava era que talvez meu corpo fosse mais inteligente do que eu pensava. Porque, nesses dois passos para trás, eu não calculei que havia uma cama imediatamente atrás de mim. Eu ia cair com tudo, tentei me segurar em Edward. Nós dois caímos juntos no colchão macio. E ele não desistiu em nenhum momento da ideia de me beijar.
Deus existe, galera... Eu estava beijando Edward Cullen! Minhas mãos passeavam pelos cabelos cor-de-cobre perfeitos dele, enquanto as mãos dele alisavam gentilmente o meu rosto. O beijo foi ganhando mais urgência com o passar dos segundos. E eu o queria cada vez mais, cada parte perfeita daquele homem. Eu o queria para mim e nada me faria mudar de ideia. Nunca.
Até que, cedo demais, nossos lábios se separaram. Edward sorriu caloroso para mim e eu não conseguia nem piscar. Ele parecia realmente radiante, como se, assim como eu, ele também tivesse esperado ansiosamente por aquele momento.
Ele segurou minha mão e saiu de cima de mim, em seguida me ajudando a levantar da cama. Ainda sorrindo, muito feliz, ele nos guiou para fora do quarto.

null's PoV

Emmett e eu estávamos nos divertindo juntos. Incrível, eu sei, mas é, sim, possível se divertir em uma floresta, acredite.
Emmett era aquele tipo de cara descontraído e que sempre diz o que pensa. Durante toda a manhã, ele esteve jogando indiretas o tempo todo. Eu não aguentava mais aquilo, eu queria ir direto ao ponto. Isso estava sendo torturante.
De repente, ele se levantou do chão barrento onde estávamos sentados.
- Ei, aonde você pensa que vai, Emm? - Eu perguntei, não querendo acabar com meu pequeno tempo a sós com ele.
- Acho que devemos voltar agora. Você não quer voltar para a civilização? - Ele respondeu, com um lindo sorriso divertido no rosto.
- Hmm... civilização... é uma idéia realmente atraente. Mas sabe o que eu acho?
- Eu devia saber?
- Eu acho que tem gente demais na civilização. Não que Forks seja muito civilizada. E, além do quê, ainda não consegui o que eu quero com você. - Eu acrescentei, dando um tom pervertido à minha frase. O sorriso de Emmett cresceu ainda mais. Ele, obviamente, havia gostado do que ouviu.
- E o que você poderia querer comigo, null?
Eu não queria responder, mas eu podia mostrar.
Quando eu terminei de pensar, decidi que era hora de agir. Me aproximei sugestivamente de Emmett, enquanto ele me olhava intensamente. Estávamos os dois de pé, frente a frente, e ele era tudo que eu precisava. Nunca estive atraída por ninguém da mesma forma que eu estava por ele.
Quando a distância entre nós tornou-se inexistente, e nossos lábios se tocaram, Emmett pôs ambas as mãos na minha cintura e o simples contato me fez estremecer.
Então, antes mesmo do beijo começar realmente, Emmett se separou de mim. Eu estava delirando tanto que, como uma idiota, continuei a procurar os lábios dele enquanto ele se distanciava. Tudo que eu consegui com isso foi quase cair para frente, se Emmett não tivesse me segurado. Ok, por que motivo justificável ele não tinha me beijado, agora? Eu juro que se a null estiver por aqui agora eu vou esmurrar a cara dela. Sim, eu fico violenta quando estou frustrada.
- O que foi? - Eu perguntei, sem conseguir esconder minha frustração.
- Hmm... acho que precisamos voltar agora, null.
- Por quê?
- O que foi? Gostou da natureza, é? - Eu ri.
- Tá, vamos voltar, então.

Emmett fez o caminho do modo contrário ao que eu esperava. Eu não era nada boa em caminhadas, mas podia jurar que não estávamos voltando pelo mesmo percurso que viemos. Decidi nem questionar, apenas andei atrás dele.
Enquanto caminhávamos, Emmett me surpreendeu quando, de repente, ele segurou a minha mão. Estava tão frio, e a mão dele estava gelada. Mas eu não me importei com isso.
Eu percebia cada vez mais que estávamos demorando mais para voltar do que tínhamos demorado para chegarmos onde estávamos antes.
Quando passamos por uma grande árvore, ouvimos uma voz familiar.
- Emmett! null! - A pessoa gritou, e eu me virei para a null, que agora corria na minha direção e me abraçava.
- null, o que você está fazendo aqui? - Eu perguntei quando ela me soltou.
- Eu vim procurar você e o Emm, e acabei me perdendo.
- null! Meu Deus, o que você tem na cabeça? Titica de pombo? - Eu perguntei, repreendendo-a.
- Bem provável. - Emmett disse, rindo. null também riu.
- Gente, isso é sério! E se a gente não tivesse te encontrado? Como ia ficar? Você não pensa não, é? - Eu disse, muito preocupada com minha amiga desmiolada.
- Ei, null, relaxa. Tá tudo bem. - Emmett disse, tentando me acalmar, enquanto passava a mão pela minha cabeça.
- É, cara, ela se preocupa demais com as coisas. - null falou, apoiando o Emmett. Então eu respirei fundo e me senti mais calma.
- Ok, ok. Tudo bem. - Eu sorri, para mostrar que estava de boa. - Agora, vamos voltar logo para a casa. Esses insetos estão me dando nos nervos.
Emm riu abafado e todos demos a volta pelo caminho. Eu estava louca para sair logo dali. E estava com uma sensação estranha de que havia algo diferente com Emmett, muito esquisito.
Parecia até... que ele sabia que a null estava perdida e sabia, também, onde encontrá-la. Ele seguiu o caminho oposto de propósito... muito, muito esquisito.
- O que foi, null? - Ele perguntou, me tirando de meus devaneios.
- O que foi o quê?
- Por que está me olhando desse jeito?
- Como? - Eu me fiz de desentendida.
- Como se eu nem estivesse aqui. Está me olhando como se estivesse tentando ver através de mim.
- Só testando minha visão de raio-X. - Eu brinquei, piscando pra ele. Ele sorriu com isso, e eu escapei de ter que explicar para ele as coisas bizarras que se passavam na minha mente.
Caminhamos alguns passos, Emmett ainda mantinha o mesmo sorriso no rosto, como se estivesse pensando calculadamente em uma resposta para dar. Então, ele sussurrou no meu ouvido:
- E você estava gostando do que estava vendo com sua visão de raio-X?
- Só vou responder quando eu puder ver com clareza. - Eu provoquei.
- Olha só, gente, qual foi? Eu estou ouvindo, sabiam? Não quero saber do seus "dons especiais", null. - null repreendeu, e Emmett e eu caímos na gargalhada.
Quando Emmett teve certeza de que null não estava mais prestando atenção, sussurrou, quase inaudível até mesmo para mim:
- Breve.

null's PoV

Edward e eu descemos até a sala de estar e encontramos Jasper, prestes a sair. Ele se virou, assim que percebeu nossa presença.
- Ah, oi. Vocês sumiram. - Jasper disse para Edward e eu. Eu corei instantaneamente; Edward se limitou a rir.
- Pois é. Eu só estava mostrando a casa à null. - Edward explicou.
Bem... Ele me mostrou muitas coisas, mas não creio que a casa estivesse entre essas coisas.
- Você ia atrás da null? - Edward perguntou a Jasper. Fiquei um pouco confusa. A null não estava com Jasper? Edward sabia disso?
- Sim, mas vou esperar mais um pouco. Ela foi atrás da null e do Emmett.
- Por quê? - Eu perguntei, querendo saber por que a null estava se metendo na vida da null.
- Ela queria reunir todas vocês para que pudéssemos ir até Seattle.
- Aaah, vamos sair! - Eu gritei, animada. Edward sorriu calorosamente para mim e... e... err... onde eu estava mesmo? (Longa pausa) AH, É! Na sala dos Cullen!
Quando eu acordei do meu transe, a porta da frente se abriu. Entraram pela porta a null, primeiramente, seguida por Emmett, e, por último, null.
- null! - null gritou ao me ver. - Achei que você tivesse sido abduzida.
- Só se o Edward tiver um disco voador na garagem. - null disse, zoando com a minha cara. - Na verdade, eu não duvido nada. Levando em conta que ele tem aquele carrão prata.
- Ai, null, qual foi? A null não é você não, tá? Ela não sai atacando os garotos logo no primeiro dia. - null provocou a null. Como se também não estivesse rolando um climinha entre ela e Jasper.
Ao perceber que as palavras de null contrariavam a realidade, não consegui evitar olhar para Edward, ruborizar e desviar o olhar para um local que não houvesse ninguém.
Eu sabia que esse ato dava uma super dica para a null e a null, pois elas conheciam minhas reações e expressões faciais como ninguém. Sendo assim, não ia demorar muito até elas deduzirem que Edward e eu já... somos meio íntimos.
Eu sabia que a ficha havia caído para elas quando ambas lançaram um olhar chocado para mim, exatamente ao mesmo tempo. Droga!
- O QUÊ?! - null e null perguntaram juntas, certamente pensaram na mesma coisa, ao mesmo tempo. Elas me conheciam tão bem que chegava a ser deprimente. Nesse caso, muito vergonhoso.
- Você tem que contar essa história, null! - null implorou. Eu revirei os olhos, parecendo cada vez mais com um tomate maduro. Os garotos estavam totalmente por fora, exceto o Edward, que já tinha sacado do que elas estavam falando.
- Ai, gente, será que dá pra parar? - Eu pedi. E eu sabia que elas não me dariam ouvidos.
- Não! Caraca, não acredito! Você tá pegando o Edward! - A null não disse. ELA GRITOU! Eu vou acabar com essa garota agora! Ela não sabe que certas coisas exigem um pouquinho de discrição?!
- null! - Eu repreendi. Edward riu. Ele estava rindo da minha vergonha? Era isso mesmo? Estranho, mas nessa hora ele parou de rir, segurando o riso. Ele sempre sabe o que fazer nas horas certas. Isso é tão esquisito.
- Não... peraí. Isso só pode significar uma coisa... - A null começou de novo. Caramba, eu sabia que não ia vir boa coisa desse começo de frase. - A null foi mais rápida do que eu! Não acredito! Emmett, eu vou te matar! - null gritou, avançando no Emmett.
- Espera! O que eu fiz? - Emmett perguntou, já se afastando para trás do sofá, enquanto a null se aproximava dele.
- Você me fez perder para a null!
Com essa frase da null, todos tivemos que rir.
- Ah, então é o quê? Uma aposta? Estou me sentindo usado. - Edward brincou. Mas, mesmo com o tom de brincadeira, me preocupei que ele realmente achasse isso.
- Não! A null é que é maluca com essas coisas. - Tentei explicar.
- É que a null sempre foi a mais lenta nos relacionamentos. - null disse, para o meu total constrangimento.
- Tá, tá... Olha só... vamos para Seattle ou não? - Eu lembrei, na tennullva de desviar do assunto sobre minha vida amorosa.
- Seattle? - null questionou, confusa. Eu reparei que ela já estava nos braços do Emmett de novo, esquecendo o acesso de raiva que havia tido contra ele.
- É, é, é! Vamos para Seattle agora, não é feliz? - null explicou.
- Ah, sério? Uh, tenho que ir me arrumar! - null saiu voando pelas escadas em um piscar de olhos. Em outro piscar de olhos, a sala estava praticamente vazia. Apenas eu e Edward estávamos lá.
Eu fiquei hipnotizada pelo olhar dele de novo, nem conseguia me mover. Mas um pouco e eu ia começar a babar.
- Não vai se arrumar? - Ele perguntou.
- Ah... é... arrumar. Vou sim. - Eu disse, meio sem-graça, dando passos desajeitados para trás.
- Ok, eu também. - Dizendo isso, ele me deu um selinho rápido e subiu as escadas. Levei um tempinho para me recuperar da pequena surpresa. (Lembre-se: Na minha percepção do universo, um tempinho não significa o mesmo que significaria para você. Pode ser algo como... 20 minutos). Então, eu subi para o quarto também.

Capítulo 4 - Cuidado, Seattle!
Edward's PoV

Estávamos todos prontos e reunidos na sala de estar. Quer dizer... quase todos.
null ainda estava se arrumando, e null estava batendo na porta do quarto dela para apressá-la.
Enquanto esperávamos, me sentei no sofá, ao lado da null. Depois de todo aquele constrangimento que ela apresentou quando as amigas anunciaram sua descoberta sobre nós, eu estava um pouco receoso de tocá-la na frente de todos. Ela poderia não gostar disso.
null parecia cansada de esperar, e me surpreendeu quando deitou sua cabeça em meu ombro. Aquilo não ia ser muito confortável para ela, mas se ela não ligasse, quem sou eu para fazer o contrário? O ato dela me fez ver que um relacionamento público não a incomodava tanto, então, me senti livre para envolver seus ombros em um dos meus braços. Com esse movimento, acabei tirando meu ombro de baixo da cabeça dela, mas ela não se importou em escorregar suavemente para se apoiar em meu peito.
"Edward, como você consegue isso? Tê-la, assim, tão... perto? " -Jasper pensou, surpreso. Lancei um olhar tipo "conversamos depois" para ele.
"Edward é do mal, pega um, pega geral! " - Emmett cantarolava em pensamento para me irritar. Eu o ignorei.

Quando null ficou pronta e desceu as escadas com null, todos nos levantamos e saímos pela porta dos fundos, para a garagem. Quando a garagem se abriu, sucedeu-se o que eu já imaginava que ia acontecer:
- Wow! - As meninas disseram ao mesmo tempo.
- Agora, eu já sei por que não tem nenhum carro decente na cidade. Vocês escondem todos aqui. - null disse, fazendo eu e meus irmãos rirmos.

Nos dividimos em dois carros, para ficar mais confortável.
Fomos null, eu e null no Volvo; e Emmett, null e Jasper no Jeep.
Na velocidade com que dirigíamos, não demoraria muito para chegarmos à Seattle.
- O que vamos fazer quando chegarmos lá, Edward? - null me perguntou, pensando em várias possibilidades tentadoras de passarmos um tempo juntos.
Mas eu não havia esquecido o propósito daquela pequena viagem.
- Na verdade, null, o plano era que você e suas amigas saíssem juntas. - Eu expliquei.
- Você não vai com a gente? - Ela tornou a perguntar. Não pude deixar de ficar satisfeito ao sentir a decepção dela.
- Não. Vou dar uma volta com Jasper e Emmett.
null tentou animar null, e até que deu um pouco certo.
Como eu havia previsto, não demorou para chegarmos à Seattle. Eu estacionei o Volvo em uma rua comercial, ao lado do Jeep do Emmett. Saímos dos carros e fomos combinar o passeio.
As garotas iriam andar pelas lojas, e eu e meus irmãos iríamos encontrá-las em uma lanchonete lá perto.
Claro que eu usaria meu dom para monitorá-las e garantir que nada de ruim acontecesse em nossa ausência.
Não deram nem três minutos que elas sumiram de nossa visão periférica, e Emmett e Jasper já queriam saber o que elas estavam fazendo.
- Então? - Emmett insistiu.
- Ok... Estão só andando. null está pressionando a null para que ela conte sobre mim. - Eu narrei. Emmett riu. - Shh... Eu quero prestar atenção nisso.

"Ai, null... o que eu posso dizer? "
"O que rolou que a null e eu não estamos sabendo. Come on... sem segredos. "
"Tá. Nós nos beijamos, foi isso. " - null respondeu, rápido demais.
"Detalhes, null! Anda logo! " - null ordenou. Agora, elas se sentavam em um banco de praça.
"Querem detalhes do beijo? Eu não mereço vocês, cara. " - null protestou. Até mesmo eu estava quase gritando para ouvir os detalhes. Esperava que null e null não desistissem de arrancar tudo da null.
"Detalhes de tudo. Queremos saber como foi. "
"Aaah, tá bom. Desisto. Foi perfeito, mas acabou muito rápido. " - null começou o relato, mas null a interrompeu:
"Foi quando? Onde? "
"Hoje cedo. No... Quarto dele. " - null respondeu, meio apreensiva com a última parte.
"Ôôôôh... Então, parece que você está escondendo mais do que a gente pensava! Não acredito, null! Tô rosa! " - null gritou. null fez sinal para que ela falasse mais baixo, olhando para os lados para verificar que ninguém tivesse ouvido.
"A gente não fez nada demais. Como eu disse, acabou muito rápido, foi só um beijo. Mas foi incrível! Ele é tão... lindo."
"Uuh... tem alguém apaixonada aí? Acho que sim! Que fofo! " - null brincou. Eu pude sentir, pela primeira vez em muito tempo, que algo ainda existia dentro do meu peito esquerdo. Foi uma sensação incrível ao ouvir a palavra que null usou para definir o estado em que null sem encontrava em relação a mim.

- Edward? - A voz de Jasper invadiu meus ouvidos. Eu foquei o espaço onde eu me encontrava. Nunca estive tão concentrado em outro lugar que não fosse no qual eu me localizava no momento.
- O que está rolando lá? - Emmett perguntou.
- Hmm... nada. Elas só estão... vendo roupas. - Eu disse, ainda meio fora de mim.

Apaixonada...

Emmett's PoV

Eu não tinha sacado o que houve para o Edward ficar tão estranho. Ele estava distraído, devia estar escutando as meninas.
- Do que elas estão falando, agora? - Eu perguntei, louco para saber. Parecia interessante.
- null e null querem saber o que tem entre null e você. - Edward disse para mim.
- E o que você está esperando para começar a narrar?
- Estou esperando ela começar a falar. - Ele fez uma pausa. - Aah, pronto.
Então, Edward começou a transferir para nós as conversas.

"Tá, antes que vocês comecem com as suposições, eu NÃO estou pegando o Emmett, tá? " - null começou.
"Aham... vamos fingir que acreditamos. " - null contrariou, e foi interrompida por null:
"Não, não vamos fingir, não. A gente não acredita mesmo. "
"Mas é verdade! Tudo bem, eu admito que eu tentei, mas não deu muito certo. " - null disse. As meninas olharam para ela, boquiabertas, segundo Edward.
"NÃO CREIO! Ele... BROXOU? " - null gritou. Aff... Eu acho melhor a null explicar as coisas direito, senão ela acaba com a minha reputação. Edward e Jasper começaram a rir da minha cara; eu revirei os olhos.
Edward demorou para se recuperar do ataque de risos, eu tive que mandar ele se focar.
"Não! A gente não chegou tão longe. Você atrapalhou nas duas vezes, null. " - null acusou.
"Eu? " - null perguntou, confusa.
"É. Primeiro foi na sala, de manhã... "
"Tá, isso eu lembro. E a segunda? "
"A segunda foi na floresta. Por ter se perdido. "
"Mas vocês não sabiam que eu estava perdida... Como eu posso ter atrapalhado? "
"Hmm... ok. Vocês vão me achar louca, mas eu tenho que contar isso para alguém... " - null sussurrou.
"O que é? " - null perguntou, curiosa.
"Acho que... tem algo diferente no Emmett. " - null sussurrava, cada vez mais baixo.
"E o que seria? " - null perguntou.
"Eu acho que... sei lá... que ele sabia como achar a null, não sei como. Como se ele pudesse... sentir a presença dela."
Então as outras duas riram. Edward parou o relato e todos nos olhamos, sérios.
- Emmett, contou algo a ela? - Edward me perguntou.
- Não contei nada. É só que eu ouvi a null e tentei disfarçar que eu estava procurando por ela. Parece que a null estava mais atenta do que eu pensei. Não achei que ela fosse reparar que eu fui pelo caminho contrário, ela não liga para as plantas, achei que pareceria tudo a mesma coisa para ela.
- A gente conversa sobre isso depois. Vamos ouvir o que elas acham da teoria da null. - Jasper propôs. Todos concordamos e Edward prosseguiu com o relato.

"Ai, null, que bobeira. Como ele poderia saber? Foi só coincidência vocês me encontrarem." - null disse, não levando a sério o que null havia dito.
"Na verdade, eu também reparei uma coisa. Sobre o Edward. " - null disse. null revirou os olhos e null a olhava, atenta.
"O quê, null? " - null perguntou, muito interessada.
"Ele... parece... não sei... Ele parece saber o que eu penso. " - Ela concluiu, enfim, torcendo os lábios e desviando o olhar para o chão, constrangida pelo absurdo das suas palavras. null a olhou, séria.
"Ah, gente, qual foi? Do que vocês estão falando? Isso é loucura! Vocês... vocês não estão levando esse negócio a sério, né? " - null perguntou, confusa e atordoada com aquelas teorias.
"Olha, null, a gente fala sobre isso depois. " - null disse, balançando a cabeça. Elas cessaram o diálogo e foram observar as lojas em silêncio.
Edward e Jasper se entreolhavam, parecendo muito preocupados com alguma coisa. Não entendi o que poderia ser.
- O que foi, gente? - Eu perguntei, tentando entender. - Qual a preocupação? As garotas estão bem. - Eu disse, sorrindo. Edward ainda mantinha o olhar triste.
- Elas gostam da gente, Emmett. - Ele disse. E eu boiei.
- Eu sei. E daí? Também gostamos delas, não gostamos?
- Você não vê o problema aí? Você ouviu o que o Edward contou. Elas desconfiam de nós. - Jasper tentou explicar. Eu ainda não via razão para tanta preocupação.
- Tudo bem, elas desconfiam. Mas elas ainda não sabem nada, de fato. - Eu disse, mantendo o sorriso.
Edward olhou sério para mim. Eu conhecia esse olhar; era agora que ele dizia algo que não ia me agradar.
- Emmett, vamos ter que parar de nos envolvermos com elas. Não é certo. - Ele disse, por fim. Eu me recusei a levar aquilo a sério. Ia fazer piadinha, como sempre.
- Aah é, Edward. E isso dito por você, o pegador! - Eu brinquei, rindo. Edward revirou os olhos. - Você dizendo aí que é errado como se não fosse o único que já andou dando "uns pegas" por aqui.
- Tá, Emmett, eu errei, ok? O que... - Ele ia dizer algo mais, mas eu o interrompi:
- Olha, eu gosto da null. Sei o que eu tô fazendo, não precisa se preocupar com isso.
- É esse o problema, Emmett! Ela gosta muito de você! Você devia protegê-la de você mesmo. - Edward repreendeu.
- Ela não quer ser protegida. Ela quer ficar comigo.
- Ela não sabe quem você é.
- Talvez ela devesse saber.

Jasper's PoV

Tá, agora era oficial: Emmett enlouqueceu de vez. Não que ele fosse muito normal anteriormente. Ele não podia contar nada, ia estragar tudo!
- Emm... você não pode contar à null! É loucura! - Eu disse, tentando convencê-lo.
- Tudo bem. Vamos fazer um trato, então. Eu não conto nada a ninguém, e vocês tiram essa idéia idiota de nos afastarmos delas da cabeça, que tal? - Emmett propôs. Eu espero que ele não achasse que eu e Edward não perceberíamos que isso era uma chantagem.
- Qual a diferença, Emmett? Elas vão acabar descobrindo se continuarmos tão próximos. Nos conhecem há um dia e já repararam um monte de coisas. - Edward disse, eu concordei.
- Eu propus um trato. É pegar ou largar. - Emmett disse com seu sorriso despreocupado de sempre.
- Faça o que quiser, Emmett! - Eu disse, por fim, desistindo de persuadi-lo.

Quando terminamos nossa pequena discussão, vencida pela irresponsabilidade característica do Emmett, resolvemos seguir para a lanchonete, esperar as meninas.
Edward estava as vigiando pelos pensamentos. Segundo ele, agora elas estavam em uma loja de roupas íntimas. Apenas observando, pois não haviam levado dinheiro suficiente para compras.
Edward não queria ficar observando-as nessa situação, mas Emmett ficou enchendo o saco para saber o que elas estavam fazendo na tal loja.
Quando Emmett viu que não era nada de interessante e que a null não ia comprar nenhuma lingerie nova, Edward teve permissão para dar a elas privacidade.
Estávamos andando normalmente até a lanchonete, até que Edward sobressaltou-se e riu. Emmett e eu lançamos olhares questionadores.
- null esbarrou em uma pilha de lingeries e caíram todas por cima dela. - Ele explicou, rindo. Emmett riu também.
- Ela está bem? - Eu perguntei.
- Jasper, é só um monte de pano. - Emmett disse, revirando os olhos.

Andamos mais um pouco - como era irritante caminhar à velocidade humana! -, estávamos quase chegando à lanchonete, quando avistamos null, null e null correndo desesperadas em nossa direção, com um guarda no encalce delas.
Quando elas chegaram ao nosso encontro, rapidamente se esconderam atrás de nós, como se o guarda não tivesse visto.
- O que houve? - Eu perguntei.
- Socorro, Jazz! Esse homem está nos seguindo desde que saímos da loja! - null disse, muito assustada e ofegante.
- Obviamente! Essas três garotas foram pegas roubando a loja. - O guarda disse. Eu e meus irmãos arregalamos os olhos.
- O quê?! É mentira! Não roubamos nada! - null se defendeu.
- Espera. Deve haver uma explicação. - Edward disse, tentando controlar a situação.
Todos nos calamos e tentamos pensar em alguma coisa que pudesse justificar. Até que null rompeu o silêncio.
- null, o que é isso preso na sua bolsa? - null puxou um pedaço de pano da bolsa de null. Acho que devia ser uma... calcinha. Mas aquilo não cobria quase nada.
- AÍ! A PROVA DO CRIME! - O guarda gritou, puxando o pedaço de pano da mão da null.
- Eu não roubei essa coisa! - null gritou em seu favor.
- TODO MUNDO PRO XILINDRÓ! - O guarda insistiu.
Eu tinha que pensar rápido e nos tirar dessa. Certamente, null era inocente. A calcinha fio-dental com um rabinho tosco de coelhinha atrás devia ter prendido na bolsa dela quando ela esbarrou no balcão e foi atingida por uma avalanche de roupas de baixo femininas.
Eu usei a primeira saída que veio na minha cabeça.
- É, amor, eu gostei dessa. Vamos levar. - Eu disse, pegando a calcinha da mão do guarda e passando o braço pela cintura da null. O guarda nos olhou, confuso. - Ela fica com vergonha de entrar nas lojas comigo. Só trouxe até aqui para que eu pudesse dar uma olhada, não é, amor?
- Err... claro. - Ela disse, tentando ser convincente; e não conseguindo.
- Vamos voltar para a loja e comprar. - Eu disse.
Então, voltamos à loja para comprar aquele pedacinho de pano. Eu sabia que tava demorando para Emmett fazer alguma piada:
- Então, null, agora que comprou vai ter que usar. Jasper vai se dar bem, hein. - Todos riram. Menos eu, que revirei os olhos, e null que abaixou a cabeça, constrangida.
- Jasper, vai ficar chateado comigo se eu jogar fora? Eu posso te pagar depois. - null perguntou, eu ia responder, mas Emmett chegou na frente:
- Mas, null, o pagamento que o Jasper queria incluía justamente você usando o presentinho dele.
- Emmett, cala a boca. - Eu repreendi. - Eu não me importo, null. É sua, pode fazer o que quiser com ela.
- Uuuh... vocês entenderam a indireta na última frase? - null provocou. null olhou feio para ela. Ignorando a null, null se dirigiu a uma lixeira com a sacola da loja na mão.
- Não joga fora! Eu fico com isso. - null disse, arrancando a sacola da mão da null. Todos nós olhamos para ela com caras surpresas; menos Emmett, que sorriu.

Edward's PoV

Depois de todo aquele vexame desastroso e humilhante para a null, finalmente pudemos ir à lanchonete. As meninas estavam morrendo de fome. Emmett, Jasper e eu fingimos que já havíamos comido.
Quando entramos na lanchonete, tentei não me sentar perto da null, tentei fazer a coisa certa. Mas foi inútil. null tratou de trocar de lugar com ela para poder se sentar ao lado do Emmett.
Minha segunda opção era ignorá-la, mas eu sabia que isso não ia dar certo, eu não ia conseguir.
- Então, Edward, se divertiu na minha ausência? - Ela perguntou. Não consegui ser mal-educado e não responder.
- Não. - Respondi, simplesmente.
- Quem? Edward? - Emmett começou, eu queria bater nele se ele resolvesse mesmo dizer o que estava pensando em dizer. - Pegador do jeito que ele é... Se divertiu muito. - Ok, eu queria mesmo bater nele.
- Emmett, fica quieto, tá? - Eu disse, tentando calar a boca do meu irmão preferido, mas também mais irritante.
Consegui fugir do assunto sobre a minha mais nova fama de pegador quando sugeri que fizessem seus pedidos.
- Vou querer uma salada de frutas... - null começou. null fez uma cara de reprovação.
- Detesto frutas. - Ela disse.
- Eu adoro todas as frutas. Desde tamarindo... - null foi interrompida pela null:
- Até o Zac Efron.
Então, todos rimos, inclusive a null, que não ligou para a ofensa ao seu ídolo da beleza.
Estávamos todos rindo tão alto que uma senhora atrás de nós ficou um pouco irritada.
- Posso saber qual é a piada? Quero rir também. - Ela disse, se voltando para nós. Imediatamente nos calamos, exceto Emmett, é claro:
- Conta pra ela, null! Conta a piada! - Ele disse, rindo.
- Err... Emmett, ela quis dizer que estamos incomodando. - null explicou. Todos nós reviramos os olhos.
- Aaah, tá. - Emmett entendeu, finalmente, e riu, sem se constranger.

As meninas fizeram seus pedidos e todas comeram felizes por ser a primeira comida decente que ingeriam em dois dias.
Quando todas acabaram, resolveram ficar na lanchonete descansando por um tempo. Os sapatos de null não era adequados para bater perna nas ruas.

- Gente, já repararam uma coisa? Só tem coroa por aqui. - null apontou, e todos observamos que realmente, o local estava cheio de pessoas de idade.
- É verdade... eu não tinha reparado. - null concordou.
- É... eu estava olhando, procurando algum gatinho... aí eu vi esse monte de velhos.
- Nossa, null, eu não sabia que esse era o seu tipo de homem. Se eu soubesse, tinha te dado um vale-tiozinho no seu último aniversário. - null brincou.
Então, uma música começou a tocar na lanchonete, era uma música clássica. As pessoas começaram a se levantar para dançar. Agora eu entendi o porquê de tantos senhores por aqui... Era um pequeno clube de dança clássica e também lanchonete.
A música que tocava me agradava muito... Então, eu me levantei da minha cadeira, rindo da situação, e estendi a minha mão para null, convidando-a para uma dança comigo. Ela me olhou, meio confusa, meio constrangida.
- O que foi, Edward?
- Estou te tirando para dançar.
- Dançar? Mas... eu... eu não sei dançar.
- Está me dando um toco? - Eu perguntei, fazendo uma falsa expressão de ultraje.
- Estou. - Ela disse, rindo. - Eu não vou dançar. Sem chance.
Eu olhei em volta, tentando pensar em um modo de convencê-la... Antes que a música acabasse. Aproximei meus lábios do seu ouvido e sussurrei:
- Por favor. Poderia me dar a honra dessa dança? - Eu a senti se arrepiar. Ela me olhou, indecisa. Não respondeu nada, apenas se levantou, segurando a minha mão. Eu sorri para ela, enquanto a guiava para a pista de dança.
Eu resolvi não abusar muito da boa vontade da null, então, começaríamos com uma dança leve. A música era lenta; ela olhava para mim, sem ter a mínima ideia do que fazer.
Puxei as mãos dela para a minha nuca, pus as minhas duas mãos ao redor da cintura dela e apoiei meu queixo em seu ombro. Ela imitou meu gesto. Então começamos a girar pelo salão.
Aquilo estava sendo muito agradável. A respiração quente da null em contraste com minha pele gelada...
"Ah, droga. Meu celular descarregou. Ainda bem que eu trouxe o carregador. Agora, vejamos... onde eu consigo uma tomada? Essa deve servir, é só desligar esse negócio aqui e... " - Emmett estava pensando. Eu nem tive tempo de impedi-lo. Ele tirou o fio que estava na tomada e a música parou no mesmo instante.

- EMMETT! - Eu, as meninas e Jasper gritamos ao mesmo tempo. Impressionante como todos sabíamos que só ele poderia ser o responsável por aquilo.

Emmett's PoV

Depois que eu acidentalmente desliguei a música dos coroas ("coroas" – incluí o Edward, obviamente); o dono do estabelecimento veio me dar uma bronca. Eu fingi que estava ouvindo, enquanto ele falava um monte de coisas.
Ele disse algo sobre os clientes terem que esperar até ele reconfigurar o som e não sei o quê. Depois, pediu que eu me retirasse.
Eu dei de ombros e me preparei para sair. Assim que passei pela mesa onde estava o pessoal, null se levantou para ir comigo.
- Parabéns, Emmett. Conseguiu ser expulso do bar dos tiozinhos.
- Obrigado. Eu fiz o melhor que pude. - Eu agradeci, sorrindo. Ela riu também. Agora já estávamos na rua... a luz do dia já tinha se esvaído.
- Para onde vamos? - null perguntou.
- O que acha de... qualquer lugar?
- Parece legal. - Ela respondeu, sorrindo. Eu passei meu braço pela cintura dela e fomos andando sem rumo pelas ruas.
Era uma ideia muito inteligente, assim, não nos perderíamos. Afinal, não tem como se perder quando você não está indo para nenhum lugar específico, certo? Eu sou mesmo um gênio.

Nós andamos um bom pedaço de Seattle, até que null resolveu parar um pouco para descansar, pois, segundo ela, seus sapatos estavam realmente a machucando.
Então, ela se sentou em um banco e eu me ajoelhei na frente dela para tirar-lhe os malditos sapatos; em seguida, me sentei na outra ponta do banco e fiz um gesto para que ela deitasse a cabeça no meu colo. Foi o que ela fez.
Só então eu prestei mais atenção em onde estávamos. O banco no qual eu estava sentado ficava de frente para a baía de Seattle. A Lua se refletia na imensidão do mar a nossa frente.
- Hmm... Fico feliz que Edward tenha chamado a null para dançar. Antes, ele parecia tão frio com ela. - null comentou.
- Como assim?
- Respondendo com monossílabos... sei lá.
- Não se preocupe com isso, null. Edward e Jasper podem pensar o que quiserem, mas eu não vou me afastar de você.
- E por que Edward e Jasper pensariam algo sobre isso? Por acaso pretendem se afastar da null e da null? Por quê? - Ela perguntava, parecendo meio nervosa. Tentei pensar em um jeito de acalmá-la.
- Ei, fique calma. Eu já disse que não ligo para o que o Edward e o Jasper pensam. Eu gosto de você, null. Estamos apenas começando, então não se preocupe.
- Mas não é só por mim que me preocupo. - Ela disse, agora se levantando do meu colo para me olhar nos olhos. - Eu sei que a null e a null gostam deles. Não quero que elas sofram, eu só quero que fique tudo bem, sabe? Não entendo por que eles estão fazendo isso. Principalmente o Edward. Cara, a null leva os relacionamentos muito a sério.
Perturbava-me muito ver a null tão desesperada. Eu olhei em volta, procurando por alguma solução para aquela angústia, que não envolvesse contar a verdade ou qualquer outra coisa que fizesse meus irmãos arrancarem minha cabeça.
Foi então que eu vi... Os iates flutuando nas águas da baia...
- É ISSO! TIVE UMA IDÉIA! - Eu gritei. null se assustou, mas logo prestou atenção.
- Idéia? Que idéia?
- Um iate.
- Hã?
- Simples. O fato dos meus irmãos quererem se afastar das suas amigas não tem nada a ver com eles não gostarem delas... Porque eles gostam, confie em mim. A gente só precisa de uma ocasião para fazê-los verem que vale a pena, entende? - Eu expliquei, sorrindo. null fez uma cara pensativa, tentando entender.
- Hmm... Um iate? - Ela perguntou, começando a compreender.
- Exatamente.
- Ei... Até que não é uma má ideia. Vai ser divertido. - Ela concordou, abrindo um lindo sorriso. - Quando?
- Ainda não sei. Vamos ver o que rola até lá.
- Ok. - Ela fez uma pausa, olhando para o horizonte. - Está ficando tarde. Eu quero voltar.
- Tudo bem.
Nós nos levantamos do banco e null olhou para o chão, confusa. Acho que procurava alguma coisa...
- Emmett, onde você pôs meus sapatos?
- Eu coloquei aqui no chão. - Eu disse, abaixando para procurar.
- Ow, o que aquele cachorro tem na boca? - Ela disse, apontando para um animal que passou correndo na calçada. Era mesmo um lado do sapato dela. - Não acredito! Era o meu Prada preferido! - Ela gritou e tentou ir correndo atrás do bicho-ladrão. Mas foi no exato momento em que eu me abaixava para procurar pelo menos o outro pé do sapato, então, ela tropeçou por cima de mim, que estava de quatro que nem um idiota no chão. Eu rapidamente rolei para baixo dela por reflexo, porque se ela se machucasse o bagulho ia ficar feio aqui.
Naquela embolação toda, o cachorro desgraçado já tinha corrido pra longe há muito tempo, com os gritos da null. Ainda por cima, passou uma senhora com uma criança que nos olhou horrorizada e usou as mãos para tampar os olhos do menininho que estava com ela. Ela tratou rapidamente de sair de perto da gente.
- Ah, null, pense pelo lado bom. Agora o sapato não vai mais machucar seu pé. - Eu disse, rindo. Ela mostrou a língua pra mim.
Nesse momento eu ouvi a aproximação de alguém. Eu levantei junto com a null e olhei para trás; eram Edward, null, Jasper e null.
- Finalmente achamos vocês. Vamos, a gente já está indo embora. - null disse. null e eu concordamos e todos fomos andando juntos para onde tínhamos estacionado os carros.

- Espera, por que a null está descalça? Por acaso é porque ela esqueceu as pantufas de coelhinho em casa? - null perguntou, rindo.
- Cala a boca, null. - null respondeu, revirando os olhos.
Eu não entendi nada, mas ri mesmo assim.


Capítulo 5 - Quem foi que disse que seria um mar de rosas?
null's PoV

Ontem, quando chegamos, não tivemos tempo para falar sobre nada. Apenas fomos dormir.
Quando eu acordei, tratei de me arrumar rapidamente e fui dar uma olhada nas meninas.
Passei no quarto da null primeiro, porque é quase certo que a null devia ainda estar dormindo.
- Bom dia, null! - Eu disse, quando entrei. null arrumava algumas peças de roupa na mala.
- Ah, oi, null. Bom dia. - Ela respondeu, sorrindo. - E a null?
- Provavelmente ainda dormindo. Vamos passar lá e acordá-la?
- Espera, melhor ainda. - null disse, pegando o celular em cima da mesa de cabeceira. - E se a gente filmasse a null gatinha dormindo pra pôr no youtube?
- Ótimo!
Então, fomos nós duas, catar o quarto da null. Os quartos de hóspedes ficavam todos em linha, pelo que eu tinha percebido, então, a null devia estar na porta depois do quarto da null, considerando que o meu quarto era o último do corredor.
null preparou a câmera e, então, abrimos a porta com tudo, já filmando.
- Oh, my God! - Eu gritei, tapando os olhos. AQUELE ERA O QUARTO DO JASPER! E isso era o de menos... Ele estava trocando de calça nesse exato momento! Ele se sobressaltou quando entramos no quarto. Eu estava morrendo de vergonha, mas a null estava se borrando de tanto rir. - Jasper, desculpa! A gente... Er... A gente... Tá saindo e... - Eu olhei para a null, muito sem-graça para olhar para o Jasper e vi que a louca ainda estava filmando! - null! Desliga isso, agora! - Eu disse, tentando tomar o celular da mão dela.
- Peraí, null. Qual foi?
- Ei, tudo bem. Apaga o vídeo e fica tudo certo. - Jasper disse, já devidamente vestido. - É, null, apaga.
- Tá brincando? Isso aqui é mil vezes melhor do que a null dormindo. - null disse, correndo do quarto com o celular na mão.
Jasper foi atrás dela e a alcançou sem dificuldade.
- Com licença. - Ele pediu educadamente ao tirar o celular da mão dela e apagar o vídeo.
Ela olhou para ele emburrada, enquanto ele devolvia o aparelho.
Foi nesse momento que a null apareceu, confusa, no corredor.
- Gente, o que houve? Que gritaria é essa?
- null, você acredita que consegui filmar o Jasper trocando de roupa, mas a null o deixou apagar o vídeo?!
- Eu? Eu não fiz nada. - Eu me defendi.
- Você o apoiou.
- Cara, que droga! Eu queria ter visto isso! - null protestou.
- Nossa, gente, que fogo. Eu hein. - Eu repreendi.
- Hmm, null... Você diz isso só porque é o Jasper. - null provocou.
- Er... Nada a ver, null. É só que eu acho sacanagem, pô.
- Aham... Sei. - Ela continuou provocando. Decidi ignorar. - Ué, o Jasper sumiu. - null reparou. Eu olhei em volta e vi que ele não estava mais lá.
- Claro, ele ficou com medo de vocês, suas taradas. - Eu disse. null riu.
- Tá, que seja. - null disse. - Vamos conversar no quarto, tá? A gente tá bem no meio do corredor, já repararam?
Todas concordamos e fomos para o quarto da null, que não era o do Jasper, obviamente.

Tudo bem, mas eu tinha que admitir que... WOW. Certo, eu devia ter defendido aquele vídeo com unhas e dentes. Mas, beleza, as imagens não vão sair da minha cabeça tão cedo.

null's PoV

Chegamos no quarto que a null estava hospedada e nos sentamos na cama. Ok, nós tínhamos mesmo muito o que conversar. Só nós três.

- Então, gente. - null começou. - Sobre o que vamos falar?
- Os Cullen! - Eu sugeri, dando pulinhos sentada no colchão de molas.
- Os Cullen, que surpresa. - null brincou. - Agora, falando sério; não que eu esteja reclamando da hospitalidade deles, mas... vocês não acham que estamos abusando? Quer dizer, Edward só nos trouxe pra cá porque estávamos dormindo e ele não tinha mais para onde nos levar. A gente se apossou da casa... Sei lá, é estranho.
- Edward quer que nós fiquemos. - null disse.
- Bem, Jasper também não se opõe...
- Muito menos o Emmett. Então, assunto encerrado. Vamos ficar.
Todas ficamos felizes com a decisão. Então, eu me lembrei dos planos de Emmett ontem...
- Gente, gente! Tenho uma coisa para dizer. Emmett planeja que a gente tenha um cruzeirinho particular com os Cullen, não é legal?
- Como assim? Cruzeiro? - null perguntou, confusa.
- É. Acho que ele quer alugar um iate... Não entendi muito bem. Para que a gente possa aproveitar melhor o tempo em que estamos todos juntos.
- Parece muito legal! - null disse, muito animada.
- Para quando? - null perguntou.
- Não sei... Emmett ainda está planejando. Mas, então, vocês têm planos para hoje?

Nenhuma das garotas tinha planos para hoje, então, ficamos no quarto com nossas conversas estúpidas. Até que ouvimos alguém bater na porta.
- Quem é? - Eu perguntei.
- Serviço de quarto. - Ouvi a voz de Emmett responder e sorri automaticamente para o som.
- Entra. - Eu autorizei, tomando posse do quarto da null.
Então, a porta se abriu e os três garotos lindos entraram no quarto, segurando bandejas cheias com comidas deliciosas para o nosso café-da-manhã. OMG, isso é tão lindo.
- Bom dia! - Eles disseram em coro. Nós respondemos o mesmo, sorrindo.
Eles se sentaram no carpete e puseram as bandejas no chão. Rapidamente, todas nós levantamos da cama para nos juntarmos a eles.
- Own, meninos, obrigada! - null disse, já atacando a fatia de pizza.
null e eu também nos servimos, mesmo achando que tinha comida demais para nós ali, que não comíamos quase nada no café, mas não queríamos fazer desfeita.
Eu, particularmente, estava achando que estávamos todos silenciosos demais. Varri a bandeja a minha frente com os olhos, a procura de algo para falar. Meus olhos pararam em uma coisa muito melhor do que assunto: duas latinhas de chantilly.
Quando olhei para cima, meus olhos encontraram o rosto do Emmett, com a mesma expressão divertida. Ele piscou para mim e sinalizou com os olhos para as latinhas.
Eu quase não pude segurar o riso quando vi o Emmett pegar uma xícara com café e colocar o chantilly por cima. Discretamente, ele encheu a mão com a espuma branca.
- null, que negócio é esse no seu cabelo? - Ele perguntou.
- Que negócio? Onde? - null disse, passando a mão pelo cabelo.
- Aqui. - Ele respondeu, metendo a mão cheia de chantilly no cabelo dela. Aí não aguentei: caí na gargalhada.
null ficou irritada, mas logo começou a rir também.
- Agora você vai ver, Emmett! - Ela ameaçou, pegando uma latinha e espirrando na camisa dele. Emmett ia revidar, mas Edward o impediu.
- Tá, chega, Emmett. - Ele repreendeu.
- Ok, Edward, parei. - Emmett disse, nada inocente.
- Essas brincadeiras não são legais, Emm. - Edward dizia, enquanto tirava a latinha da mão do Emmett. Inesperadamente, ele se virou e espirrou chantilly na cara do Jasper. - Só quando você briga com alguém do seu tamanho! - Ele completou, rindo da cara do Jasper, literalmente.

O café terminou com muita bagunça. Ainda bem que a sujeira ficou toda no quarto da null.
Antes de todos irmos tomar um banho, Emmett sugeriu que fôssemos assistir um filme na sala para passar o tempo. Então, quando terminei meu banho e me arrumei, fui imediatamente para a sala, onde todos já estavam reunidos no sofá e no carpete.
Eu fui me sentar ao lado do Emmett.
- Então, que filme vamos assistir? - Eu perguntei.
- Esse aqui. - Ele respondeu, mostrando um DVD. - Baby, o porquinho atrapalhado.
- Ah, não acredito que vamos assistir essa coisa! - Eu protestei.
- E quem disse que é para assistir? Eu disse que era para passar o tempo. - Ele respondeu em um tom malicioso.

null's PoV

- Ah, qual foi? Pelo amor de Deus, vão assistir isso em um lugar mais reservado, por favor. - null protestou.
- Tá bom. - Eles disseram juntos e se levantaram do sofá.
Ok, agora que a nossa sessão tinha furado, já que Emmett levou o DVD que todos queríamos tanto assistir, todos ficamos parados, olhando para a tela plana de incontáveis polegadas a nossa frente. Quando cansei de ficar naquela posição, apoiei minha cabeça no Edward. Eu ouvi Jasper sussurrar alguma coisa para a null e, em sequência, ambos se levantaram do chão e saíram não sei por onde, não me dei o trabalho de perguntar ou olhar. Era óbvio que procuravam dar privacidade para Edward e eu.
Depois que eles saíram, eu olhei para Edward. Ele não estava olhando para mim, simplesmente encarava o teto. Fiquei observando os traços perfeitos do rosto dele, esperando desesperadamente que ele dissesse algo, pois eu não sabia o que dizer. Então, de repente, ele olhou para mim, e eu sorri.
- Então... todo mundo nos abandonou, né? - Eu disse, tentando puxar assunto.
- Querem nos dar privacidade. - Ele respondeu, indiferente.
- Bem, eles devem ter um motivo por trás disso, devem pensar que queremos ficar a sós por alguma razão. - Eu disse, e fiz uma pausa, encarando intensamente meu Edward. - Nesse caso, acho melhor não os desapontarmos. - Eu completei, sorrindo e me aproximei dele.
Edward pôs a mão suavemente sobre o meu rosto e a deslizou pela minha bochecha, mas algo nos olhos dele estava tão errado, tão diferente da primeira vez em que nos beijamos. Eu não queria mais olhar nos olhos dele, senão minha imaginação ia começar a criar asas e isso ia acabar sendo doloroso, já que o olhar dele não me inspirava bons pensamentos, não era feliz. Então, em um impulso, colei meus lábios nos dele, fechando meus olhos com força.
Ele estava muito imóvel enquanto eu, desesperadamente, corria minhas mãos pelos cabelos macios dele. Havia momentos em que ele parecia prestes a se distanciar, e outros em que ele correspondia melhor ao beijo.
Quando ele, enfim, decidiu o que queria, escolheu a opção que não me agradava, rompendo o beijo.
- O que foi? - Eu perguntei, ofegante.
- Nada. É só que... tínhamos que parar em algum momento, não é?
- Não é só sobre isso que estou falando, Edward. Você... Está estranho desde Seattle. - Eu acusei. Ele desviou o olhar. Culpado!
- Não sei do que está falando, null. Continuo perfeitamente eu mesmo. - Ele argumentou, agora com mais convicção. Perfeitamente... põe perfeito nisso.
- Não é o que parece. - Eu disse, simplesmente, e me levantei do sofá. Edward segurou meu pulso.
- Onde está indo?
- Você não vai me explicar nada, vai?
- Não há o que explicar! - Ele disse, tão convincente... Mas eu não ia me deixar convencer.
- Foi o que pensei. – Então, puxei meu pulso e Edward o soltou.
Eu subi as escadas correndo, tentando afastar para bem longe aquele aperto no meu peito. Entrei no quarto, sem ter nenhuma outra opção de conversa e desabafo agora, já que a null devia estar por aí com Jasper, e null devia estar "assistindo" Baby, o porquinho atrapalhado com Emmett, me joguei na cama, com o rosto enfiado no travesseiro.
Eu nem sabia pelo que eu estava lamentando, droga! Como eu sou idiota de levar tão a sério um garoto com quem eu fiquei uma vez, por mais que ele seja absolutamente perfeito. Pfff... Nem acredito que cheguei a pensar que tínhamos alguma coisa.
Afinal, o que ele podia querer comigo? Ele é... Edward! E eu sou só... Sei lá, alguém por quem ele não devia estar interessado.
Na verdade, eu nem sei por que eu estava pensando nessas coisas, aliás, ele nem disse nada. Bem, ele queria dizer algo porque ele segurou meu pulso, mas eu o impedi. Com certeza devia ser algo como: "null, não há coisa alguma entre eu e você, então, pare de me atacar".
Não pude evitar a maldita lágrima que escorria pela minha bochecha agora. Nem a outra que a seguia.
Eu ouvi batidas na porta e me sobressaltei, rolando para o lado para tentar levantar, mas eu não estava acostumada com aquela cama, então, tudo que consegui foi um lindo encontro do meu rosto com o chão.
- OUCH! - Eu gritei, e tentei levantar, ficando de joelhos.
Ouvi a porta se abrir e me virei para ver quem era. Edward.
- Você está bem?
- Estou ótima. Muito ótima. - Cara, muito ótima? De onde eu tirei essa?
- Ainda está com fome? - Ele perguntou, sorrindo.
Eu não entendi o porquê da pergunta, até que ele passou o dedo indicador na minha testa e mostrou a porção de chantilly que ele havia removido de lá. Eu olhei pro chão onde eu havia caído e percebi que o carpete estava sujo de chantilly do café-da-manhã. Ah, que mara, agora, ele vai me achar ainda mais lesada.
- Hm... O que você quer? - Eu perguntei para fugir do assunto do quão retardada eu posso ser, caindo da cama e ainda me sujando.
- Eu vim... Pedir desculpas. Eu não queria te magoar. - Ele disse, olhando no fundo dos meus olhos, ardendo em sinceridade. Confesso que delirei um pouco até poder responder.
- Er... Tudo bem. Eu acho que não estou interpretando as coisas corretamente. Se você diz que não há nada errado, vou confiar em você. – Eu disse, sorrindo, mas ele não correspondeu. Ele parecia meio... Torturado, quando desviou o olhar, fitando a vegetação que transparecia pela janela.
- Na verdade, eu acho que você interpretou certo.
- O quê? O que você quer dizer com isso? - Eu perguntei, quase engasgando com o vento.
- Eu acho que nós dois... - Ele demorou muito para terminar a frase, e eu demorei mais ainda para perceber que ele não ia terminá-la.
- Ok, já entendi. Por que veio pedir desculpas, então? Pessoas pedem desculpas quando estão arrependidas do que fizeram.
- Só vim me desculpar por ter te magoado.
- Não estou magoada. - Eu disse, tentando parecer forte. Mas, por dentro, eu estava prestes a desmoronar.
- Que bom. Desculpe, mesmo assim. - Ele disse, sem se convencer. E, então, saiu do quarto.

null's PoV

Jasper e eu deixamos a null lá se pegando com o Edward e aproveitamos para seguir o exemplo deles. Não, brincadeira, quem dera.
Jasper, na verdade, andou até a cozinha comigo e, quando eu parei para ajeitar a sandália que estava saindo do meu pé, ele desapareceu.
Eu comecei a andar pela casa, tentando encontrá-lo. Fui para o quintal, dessa vez ficando longe da floresta para não me perder de novo e levar outra bronca da null.
Até que aquela droga de sandália saiu do meu pé de novo e eu quase caí. Eu a tirei do meu pé, porque obviamente ela tinha um plano maligno para me assassinar, pelo visto. Então, a atirei para frente, sem olhar direito.
Quando olhei, Jasper estava segurando a sandália.
- Jasper! Hm, eu estava te procurando. - Eu disse, enquanto pegava a sandália da mão dele. - Desculpa, eu não te acertei com isso, né? - Era só o que faltava, eu ter acertado o Jasper com aquela sandália assassina.
- Não. Só não fique descalça, pode machucar o pé e pegar tétano. - Ele disse, e eu podia jurar que detectei um tom de preocupação ali.
- Ok. Então, coloca para mim. - Eu pedi, levantando um pouco a perna.
Jasper pôs um dos joelhos no chão e eu apoiei meu pé sobre a perna dele. Ele segurou meu calcanhar para encaixar o calçado no meu pé, e eu não sei o que deu nele, mas a mão dele começou a deslizar pela minha ante perna. Hoje eu não estava usando calça comprida, porque eu não esperava ter que sair de casa e lá dentro tem aquecedor.
Bem, quem disse que eu me importava? Jasper estava me deixando louca, não que eu estivesse reclamando, claro que não.
Era muito estranho, alguns segundos antes, eu estava perfeitamente normal, e agora estava sentindo uma coisa muito estranha. Mas era tão forte que estava me deixando descontrolada! Jasper pareceu pensar um pouco e tirou a mão da minha perna, se levantando logo.
Eu apenas olhei para ele e... o ataquei! Não sei o que deu em mim, mas não tava nem aí. Mandei tudo às favas e aproveitei o momento.
Eu o beijava; era tudo muito rápido. Minhas mãos deixando os cabelos dele ainda mais desgrenhados iam descendo pela nuca dele. Já as mãos de Jasper, se aventuravam pela minha cintura. Eu não sei se eu estava enlouquecendo ou sei lá, mas... Ele parecia tão selvagem. Como se estivesse se controlando muito pra não fazer alguma coisa. Imaginei o que seria... Seja lá o que fosse, estava sendo muito difícil para ele.
Eu sei, era loucura, mas eu realmente não conseguia me importar com nada, pelo menos, não o suficiente para parar. Minhas mãos foram parar na gola da jaqueta do Jasper, fui deslizando-a pelos ombros dele, até que a peça de roupa caiu no chão.
- null... - Eu não entendi muito bem se ele queria dizer alguma coisa ou só estava sussurrando o meu nome mesmo. Seja lá o que for, continuei beijando-o.
Eu nem sabia como é que eu fui acabar encostada na parede da casa, com Jasper de frente pra mim. Ele parou o beijo abruptamente, me deixando ofegante, procurando pelos lábios dele. Ele segurou meu rosto e eu abri os olhos. Eu me assustei com o que vi, ele parecia mesmo muito feroz; me olhava com muita intensidade.
As mãos dele deslizaram da minha bochecha para o meu pescoço, eu voltei a fechar os olhos.
- Jasper, eu... - Eu queria dizer alguma coisa, mas eu não sabia o quê. Então achei melhor ficar quieta e calar a boca.
Os lábios dele se encostaram no meu de novo, mas, dessa vez, de um modo mais tranquilo, bem suave.
Então, nossos lábios se separaram. Eu abri os olhos e ele não estava mais onde estava antes. Jasper se afastou de mim, parou para pegar a sua jaqueta no chão e começou a andar.
- Jasper, aonde você vai?! - Eu gritei, tentando alcançá-lo. Ele se virou pra mim. Uma expressão estranha no rosto.
- Me deixe em paz, null. - Ele disse, de um modo muito grosseiro, e continuou a andar. Dessa vez, não tentei impedi-lo. Apenas fiquei parada, observando, sentindo como se a terra fosse se abrir embaixo dos meus pés a qualquer momento. Seria ótimo se isso acontecesse, seria uma bela vingança para essa droga de sandália. Afinal, a culpa era toda da sandália, para começar.

null's PoV

Eu fiquei refletindo sobre tudo depois que Edward saiu do quarto. Por que isso estava acontecendo?
E eu não conseguia deixar de pensar no quanto eu gostava dele, e no quão incrível ele era e... Em como não estava nem aí para mim.
Eu não podia nem pensar em olhar para a cara dele depois disso, só o faria ver o quanto eu estava magoada. E ver que ele não estava nem um pouco magoado me deixaria ainda pior.
Mas... Se eu não podia mais vê-lo, como poderia continuar aqui na casa dele, com esse clima tão estranho entre nós? Essa era a casa dele, e eu era a intrusa aqui.
Eu não queria mais pensar em nada disso agora, então, peguei uma muda de roupas e fui tomar um banho. A água quente na minha pele gelada pelo clima frio me fazia relaxar. Infelizmente, quando voltei para o quarto, mais relaxada, percebi que isso só me deixou mais calma para... Pensar com clareza.
Eu simplesmente não podia mais ficar hospedada aqui, não fazia o menor sentido. Edward não me queria mais aqui, e eu devia aceitar isso.
Mas... A null tinha o Emmett, e a null tinha o Jasper. Eu não podia arrastá-las comigo. Elas estavam felizes aqui, e eu nunca poderia fazê-las irem comigo.
Mas, também, se eu dissesse que ia sozinha... Elas não iam permitir, iam querer ir comigo. Era mais que óbvio que elas tinham algo especial com o Emmett e o Jasper, e seriam capazes de desistir deles para me apoiar.
A solução era... Se eu fosse embora sozinha e não contasse a ninguém. Eu não ia ser a "estraga-férias", porque eu tinha certeza de que elas me apoiariam agora, mas depois iam ficar o resto da vida me culpando por elas não terem ficado com o Emm e o Jazz; isso era a cara delas.
Então, era isso, ninguém ia ficar sabendo.

Capítulo 6 - E termina o último round
Emmett's PoV

Eu tinha ido até o meu quarto com a null fingir que ia assistir "Baby, o porquinho atrapalhado", mas obviamente não era isso que a gente pretendia. Pelo menos, não eu.
null entrou meio tímida no quarto e ficou meio que parada em um canto. Eu não queria que ela se sentisse assim perto de mim, embora eu saiba que é da minha natureza ser intimidante. Mas como eu sou gostosão, deve ser fácil 'desentimidá’-la.
Coloquei o DVD em cima da estante da TV, e fui pra perto da null.
- Tudo bem? - Perguntei.
- Aham, tudo. E você? - Ela retornou a pergunta, desviando um pouco o olhar para o chão. O que o chão tem que eu não tenho? Por que ela fica olhando para ele?
- Também. E você? - Retornei de volta, de brincadeira. Ela riu abafado, mas levantou a cabeça para mim.
- Bem também, e você? - Ela perguntou, rindo mais evidentemente agora.
- Também estou bem. - Eu respondi e percebi que ela ia me impedir de retornar a pergunta, então, falei antes dela. - Mas dá pra ficar melhor. - Completei.
- Er... vai ficar melhor quando a gente for assistir ao filme? - Ela perguntou, tentando olhar para a televisão, enquanto eu ficava cada vez mais próximo dela.
- Quase isso.
- Haha, er... eu tô com sede. - Ela disse, tentando se esquivar. Eu a segurei delicadamente pelo pulso.
- null, aconteceu alguma coisa? - Eu perguntei, meio preocupado. Geralmente ela não era assim.
- Não, nada. Eu só tô com sede.
- Aham, nessa eu não vou nem fingir que acredito. Pode dizer o que é, pode me dizer qualquer coisa. - Eu disse, tentando encorajá-la. Ela hesitou por um momento.
- Não, você vai me achar boba.
- Ah, isso eu já acho, não se preocupe. - Eu disse, e ela quase riu. Quase. O que estava acontecendo com ela? - Conta, null, senão eu vou te obrigar, hein?
- Posso saber como? - Ela perguntou, com aquela cara de "duvido".
- Nem queira saber, meu bem. - Eu provoquei.
- Ah, eu quero saber sim...
- Você quer? Eu vou te mostrar o verdadeiro significado da palavra 'dor'.
- Ah, vai é? – Ela disse, totalmente me provocando.
- Vou sim. E quer saber o que eu vou usar pra te mostrar isso? Quer mesmo saber? Se eu fosse você, eu contaria agora, ou então fugiria.
- Eu pago pra ver.
- Você vai pagar caro. - Falei, com um tom muito macabro, e juro que vi ela se arrepiar. As garotas sempre se arrepiam por mim.
- Você fala demais e faz pouco.
- Tá bom, mas foi você quem pediu.
Após concluir minha frase, fui andando lentamente até a mesa de cabeceira, segurando os pulsos da null o tempo todo. Não ia deixá-la fugir. Cheguei até a mesa de cabeceira e fui abrindo lentamente a gaveta; ela olhava por cima do meu ombro, curiosa.
Em um daqueles movimentos desconcertantes para os humanos, peguei o objeto em um vulto e comecei:
- Dor, do latim, dolor. Substantivo Masculino. 1. Sensação mais ou menos aguda, mas molesta. 2. Pesar, mágoa, sofrimento. 3. Dor de alma ou de coração, mágoa profunda. - Eu li, e null imediatamente começou a rir. Ela tentou respirar um pouco para poder responder.
- NÃO! PÁRA COM ISSO! PÁRA! ISSO É MUITO CRUEL! É MUITA CULTURA PRA MIM! - Ela gritava, tentando entrar no teatro.
- Acho bom você falar logo o que te incomoda, senão eu vou começar a te mostrar o verdadeiro significado da palavra 'prazer', hein? - Eu ameacei, voltando a abrir o dicionário.
- Ah, essa eu quero saber.
- Sério, null... fala o que é. Você tá diferente e eu quero saber por quê. - Eu pedi, delicadamente colocando o dicionário em cima da mesa de cabeceira e acariciando a mão dela com o polegar.
- Hmm... ok. Eu... to com um mau pressentimento em relação à null. - Ela falou rápido, olhando pra uma parede o tempo todo.
- Como assim um mau pressentimento?
- Sei lá, desde que a deixei sozinha lá com o Edward, eu fiquei meio... sei lá, não sei explicar.
- Eu tenho certeza que ela está bem. O Edward tem a cabeça no lugar.
- Hm... - Ela resmungou, ainda sem se convencer. Eu passei meus braços ao redor da cintura dela, no intuito de abraçá-la.
- A gente pode ir assistir ao filme, e aí vamos lá falar com a null, o que acha?
- Assistir ao filme? - Ela perguntou, erguendo uma sobrancelha.
- É, podemos assistir se você quiser. Ou...
- Ou o quê?
- Ou eu posso te mostrar o verdadeiro significado da palavra 'prazer'.

Jasper's PoV

Após ter deixado null lá plantada, o que com certeza era a coisa certa a fazer, eu fui dar uma volta por um lugar que de preferência fosse bem longe dela. Mas à medida que eu avançava, correndo pela floresta a toda velocidade, mais eu queria voltar pra lá e terminar o que começamos.
Não, Jasper, nem pense nisso. Você está fazendo a coisa certa, não vai cometer o mesmo erro de novo.
O negócio era que eu queria cometer o mesmo erro de novo. Qual é o meu problema? Eu estava tentando salvar a vida da null, e ficar me agarrando com ela com certeza não era o jeito certo de fazer isso.
Então, enquanto eu corria, me deparei com um lago e achei melhor não atravessar, embora a água não fosse me incomodar, as minhas roupas não eram tão imunes quanto eu.
Eu me sentei à beira do lago, tentando tirar null da minha cabeça. Mas o mais irritante era que quanto mais eu tentava não pensar nela, mais eu pensava. Nem na minha mente complexa de vampiro, fácil de distrair, eu conseguia afastar os pensamentos. Talvez porque fosse tão difícil me afastar dela.
Então, como não conseguia lutar contra minha mente, resolvi me render à batalha. Deixei as imagens invadirem e então visualizei.
Visualizei que eu a deixei sofrendo. Isso parecia muito mais cruel, pensando melhor, agora. Se eu tivesse que matá-la, seria uma morte bem rápida, do tipo que ela nem perceberia. Mas isso que eu estava fazendo nem se comparava, era um sofrimento lento, que ela certamente estava sentindo. E eu também.
Sendo assim, talvez não seria melhor eu matá-la de uma vez do que fazê-la sofrer assim?
Eu sacudi a minha cabeça, tentando com mais força tirar esses pensamentos da minha mente. Não, eu não ia matá-la. E não, eu não a faria sofrer mais.
Eu tinha que encontrar um modo de poder fazê-la feliz sem feri-la, em nenhum sentido.
Eu percebi que o jeito brusco como me afastei dela em meio àquele beijo foi o modo mais cruel que eu poderia ter feito. Eu precisava voltar, falar com ela, e pedir desculpas. E, acima de tudo, explicar que não podíamos ficar juntos. Mas talvez pudéssemos ser amigos, sem proximidade.
Resolvi dar meia volta, então, e procurar null. Mas eu não voltei correndo a toda velocidade como eu tinha feito para chegar aqui; queria ir mais lentamente dessa vez, para poder pensar. Mas não na velocidade humana, porque isso já era irritante demais, e era capaz de eu só chegar em casa amanhã, se fosse assim.

Quando adentrei o quintal, automaticamente olhei para o lugar onde eu tinha visto null pela última vez, como se esperasse que ela ainda continuasse lá parada. Esperança vã, não havia nada ali, exceto um par de sandálias. As sandálias da null.
Entrei na casa e a primeira coisa que eu ouvi foi:
- NÃO! PÁRA COM ISSO! PÁRA! ISSO É MUITO CRUEL! - Pelo o que eu detectei, era a voz de null gritando. E o som vinha do quarto do Emmett.
Meu Deus, o que o Emmett tava fazendo agora? Como se eu precisasse de mais problemas para me preocupar.
Eu corri pra porta do quarto não muito rápido, pro caso da null ou a null verem. Fui abrindo a porta com tudo, na intenção de chegar a tempo de impedir o Emmett de fazer a maior besteira de todas.
- Emmett, o que... - Eu comecei, mas parei assim que vi que ele não estava tentando matá-la. Pelo menos, não diretamente.
- Jasper! Será que dá pra ter um pouquinho de privacidade aqui? - Emmett reclamou, tirando os braços da cintura da null e a afastando um pouco.
- Er... desculpa. Eu ouvi gritos e fiquei preocupado.
- A gente nem começou ainda. Você tá ouvindo coisas, cara. - Emmett disse com um sorriso debochado. Só ele pra falar uma besteira dessas. null corou e olhou pro chão.
- Ok, continuem, então. Estou saindo. - Eu fui me virar e, na mesma hora, null apareceu na porta do quarto.
- Emm, a null tá com você? - Ela foi perguntando, sem prestar muita atenção. - Ah... oi... Jasper. - Ela cumprimentou, totalmente constrangida.
- Oi, null. Eu estava te procurando. - Eu falei delicadamente, tentando me redimir do meu comportamento anterior.
- É? Eu estava procurando a null. Achei! - Ela exclamou, vendo a amiga em um canto do quarto. - null, desculpa interromper, mas eu posso falar com você?
- Ah, será que todo mundo tirou o dia pra atrapalhar a gente? - Emmett reclamou, se jogando na cama, inconformado.
- É, null, a null e o Emm estão ocupados agora. Você conversa com ela depois, eu quero falar com você primeiro. - Eu pedi, andando em direção a ela.
- E quem disse que eu quero falar com você? - null perguntou, muito séria, olhando para a null.
- OUCH! OUCH! TOMA JASPER! DEPOIS DESSA, EU IA DORMIR PRA SEMPRE! AI! AI! - Emmett começou a gritar pra mim, eu lancei um olhar matador pra ele.
- null, por favoooor. - null pediu, fazendo null olhar por um momento para Emmett.
- Hm... Emm, eu já volto. - Ela disse, já andando até null.
- Ah, fazer o que, né? - Emmett reclamou. - Depois eu te mostro, então.
- Mostrar o quê? - null perguntou com os olhos surpresos.
- Nada, null. Vamos?
- Espera, null. Será que não dá pra você me ouvir nem um pouco? - Perguntei, persistindo.
- Não, Jasper! A null sumiu! - Ela gritou, de repente.
- WHAT? - null perguntou em um tom alto. Emmett levantou na hora. - Tem certeza? Você já falou com o Edward? Eles devem estar se pegando em algum canto...
- Só se eles foram se casar em Las Vegas, null. Eu chequei tudo, a null levou as malas dela.

Edward's PoV

Assim que acabei de "terminar" com a null, fui imediatamente caçar. Primeiro porque eu estava começando a ficar com sede, e segundo porque eu queria descontar a raiva de mim mesmo em alguma coisa. De preferência algum leão-da-montanha suculento.
Mas, pra piorar ainda mais o meu humor, não havia droga de leão-da-montanha nenhum por perto, então, tive que me contentar com alguns alces. Eu até me senti um pouco mal por ter matado dois alces só por matar, eu nem cheguei a beber o sangue deles, já estava cheio. Então, resolvi que ficar ali e acabar com toda a fauna da península não era justo, só porque eu não queria voltar pra casa e encarar todo mundo. Eu não podia ser tão covarde e ficar aqui caçando pra sempre, eu tinha que voltar.
Após tomar essa decisão, já com a cabeça fria, eu corri de volta pra casa.
Tudo bem que esse meu dom de ler mentes pode ser um castigo às vezes, mas eu tenho que admitir que eu adoro. Eu nem preciso perguntar o que eu perdi, eu simplesmente posso ler as mentes das pessoas e saber todas as novidades. Isso me faz lembrar quando o Emmett me deu aquela ideia de fazer um blog fofocando a vida de todo mundo... só podia ser ideia dele mesmo, até parece que eu sou desocupado que nem ele (ok, todos nós Cullens somos desocupados, é o que a eternidade faz com você), mas eu não chegaria ao ponto de fazer um blog de fofocas pra tornar minha vida mais interessante.
A minha linha de pensamento foi interrompida assim que me aproximei o suficiente para ouvir os pensamentos dos meus irmãos. Era isso mesmo que eu tinha entendido?
Imediatamente, corri o mais rápido que pude e entrei pela porta da frente, surpreendendo null e null, que não esperavam a minha chegada, e estavam distraídas conversando com Jasper e Emmett nos sofás da sala.
- AI, EDWARD! QUE SUSTO, MAN! - null gritou, colocando uma das mãos sobre o peito para controlar a respiração.
- Onde está a null? - Eu perguntei, e tinha certeza que a minha expressão devia estar assustando ainda mais a null e a null, mas não consegui me importar o suficiente com isso.
- Ai, caramba! A gente tinha a esperança de que ela estivesse com você! Onde essa garota se meteu agora? - null disse, preocupadamente passando as mãos pelos cabelos.
- Ninguém sabe aonde ela foi? - Eu perguntei, embora a resposta fosse óbvia. Pude ouvi-la nos pensamentos de todos eles antes que dissessem uma só palavra.
- Como a gente saberia? A última pessoa que esteve com ela foi você, Edward, até onde a gente sabe. - null atirou para cima de mim, em um tom acusador.
- Er... foi. Mas a gente meio que discutiu, então, eu a deixei sozinha. Mas, da última vez que eu a vi, ela estava no quarto dela.
- Olha só, Edward, se você fez alguma coisa à nossa amiga, eu... eu... - null me ameaçou, levantando do sofá e dando um passo na minha direção. Mas Emmett tratou de segurar o braço dela e puxá-la para ele, prevendo que quem ia sair machucada da briga era a própria null.
- Hey, hey, calma, null. Guarda a violência para mais tarde, quando estivermos só você e eu, que tal? - Emmett disse, tentando tranquilizá-la. Não deu muito certo.
- Meninas, se acalmem. – Jasper disse, lançando uma onda tranquilizadora pela sala. Eu tentei resistir, porque tranquilidade não ia trazer a null de volta agora, mas o dom de Jasper não me dava escolhas.
- Tá, estamos todos calmos. Mas temos que achar a null. - Eu insisti. Claro que para três vampiros não seria nada difícil encontrá-la, já que poderíamos rastrear a trilha dela pelo cheiro. O problema era que não podíamos fazer isso na frente da null e da null, e também seria impossível elas aceitarem ficar aqui sozinhas enquanto procuramos a null.
- Então, vamos! O que estamos esperando? - null disse, pondo-se de pé.
- Olha, null, não acho que vocês devam ir. Está anoitecendo e não sabemos por onde a null foi, se ela tiver ido pela floresta, sem chances de vocês irem com a gente. – Jasper disse, bem decidido. Mas null olhou pra ele com uma expressão descrente. "HÁ, ele que tente me impedir. Agora ele quer me dizer que não posso ir procurar a minha melhor amiga?! Quem ele pensa que é?" - Ela pensava, furiosa.
- Ele tem razão. - Eu comecei, antes que null começasse a pôr a sua revolta em palavras. - Essa casa fica no meio de uma floresta, então, eu aposto que a null deve estar perdida por aí a essa altura. E não seria bom vocês irem com a gente, sem querer ofender, mas vocês só atrapalhariam.
- Mas ela é nossa amiga, Edward! A gente tem que ir com vocês! - null insistiu, batendo o pé no chão.
- Podemos ficar com as garotas, se for necessário. - Eu ouvi de repente, e todos se viraram para a porta.
- Carlisle! Esme! - Emmett saudou, indo recebê-los na porta.
- Olá, Emmett. Edward, Jasper. - Carlisle nos saudou de volta, entrando na sala e colocando seu casaco pendurado. - Vejo que temos visitas.
- Olá, meninos, eu senti a falta de vocês. - Esme disse, sorrindo carinhosamente. - Quem são as adoráveis garotas? Creio que ainda não fomos apresentadas.
- Ah sim, Esme. Essas são null e null. É uma longa história, explicamos depois. – Jasper disse, apresentando as garotas rapidamente. - Meninas, essa é a nossa mãe, Esme. E nosso pai, Carlisle.
- Er, é um prazer. - null disse e null concordou com a cabeça, as duas com os olhos fixos em Carlisle. "WOW, wow, wow, se eu tivesse um pai desses... meu Deus"
- A gente queria ter mais tempo para explicar, mas não vai dar. Estamos com um pouco de pressa, Carlisle. - Eu disse, já me preparando para sair e sendo seguido pelos meus irmãos. - Mas foi bom vocês chegarem agora, assim, podem tomar conta da null e da null, por favor.
- Mas é claro, vamos poder conversar bastante. Inclusive, estou certa de que elas mesmas poderão nos explicar o que está acontecendo. - Esme disse docemente, indo se sentar ao lado delas no sofá.

Emmett, Jasper e eu saímos e fomos correndo em volta da casa. Não demoramos a pegar o rastro da null, ele vinha do quarto dela, saía pela janela e parava no chão. Ela era louca? Não acredito que ela pulou da janela do segundo andar. Impressionante não haver nem sinal do sangue dela no local, ela realmente teve sorte.
Então, assim que pegamos o rastro dela, foi a coisa mais fácil do mundo, apenas fomos seguindo o cheiro e, como eu imaginava, ela nunca ia conseguir encontrar a saída para a estrada, que estava bem discreta na vegetação. Como eu previ, o rastro de null seguia um caminho desigual floresta adentro.

"Edward, e se ela estiver sangrando? Quer dizer, você sabe como essas garotas conseguem se colocar em perigo, ainda mais em uma floresta, à noite..." - Jasper pensava, preocupado com a nossa vulnerabilidade em relação ao sangue humano.
- Eu sei, Jasper, mas vamos ter que correr o risco. Preciso achá-la. - Eu disse, enquanto fazíamos uma pequena volta, ainda seguindo o rastro de null e, consequentemente, andando em círculos.
- A propósito, você sabe o que deu nela pra fugir assim? Acha que ela sabe alguma coisa sobre o que nós somos? - Emmett perguntou em voz alta, pela primeira vez se preocupando com esse assunto.
- Dificilmente, Emmett. E, falando nisso, agora você resolveu levar isso a sério, é? - Eu perguntei, erguendo uma sobrancelha para ele. Ele desviou o olhar pro chão.
- Não é que eu me importe com isso, eu só... não sei se a null se importaria.
- Até parece que ela não se importaria. Você acha mesmo que... - Jasper dizia, mas eu tive que interrompê-lo.
- Estão sentindo? Aqui o rastro dela se cruzou... ela está realmente perdida, passou duas vezes aqui. Vamos seguir o rastro mais fresco.

Seguindo o rastro mais fresco, não demorou nem um minuto até que os pensamentos da null entrassem na minha mente. Eu suspirei de alívio ao "ouvir" a voz dela na minha cabeça.
"O que eu estava pensando? Tudo bem que não quero olhar na cara do Edward, mas passar os restos dos meus dias presa aqui não fazia parte do meu plano de fuga. Mas se eu ligar pra null e pra null, cara, elas vão falar pra caramba da minha irresponsabilidade, e eu não estou a fim de ouvir sermão. Eu só queria saber como eu faço para chegar à cidade, que droga!"
- Estou ouvindo os pensamentos dela. - Eu avisei aos meus irmãos, que imediatamente ficaram mais atentos.
- É, acho que dá pra ouvir o coração também. - Jasper disse e colocou o braço na frente de Emmett quando ele fez menção de se mover. - Vamos te deixar falar com ela. Mas, qualquer coisa, estamos aqui.
- Obrigado, Jasper. - Eu agradeci, e fui correndo até onde ela estava.
Eu me aproximei bem delicadamente, não fazendo nenhum som para os ouvidos humanos. Ela estava sentada embaixo de uma árvore, abraçando os joelhos e com a cabeça baixa.
Eu tinha que parecer preocupado, porque, para um humano, seria muito difícil encontrá-la, e eu tinha que agir como um.
- null? null, é você? - Eu disse, fingindo que não estava vendo direito.
- Edward? - Ela perguntou, levantando a cabeça e encontrando meus olhos. Eu me aproximei para que ela pudesse me ver melhor.
- Não acredito! Você ficou louca, é? Eu achei que nunca fosse encontrar você! - Eu gritei, começando a minha farsa, porque obviamente eu sabia que ia encontrá-la.
- Ah, maravilha! Alguém para gritar comigo, tudo que eu precisava - ela disse, com seu sarcasmo característico. - Olha, Edward, se você veio aqui só para me dar lição de moral, pode ir embora.
- Pára com o drama, null. Eu vim pra te levar para casa - eu disse, estendendo uma mão para ela. Ela levantou o olhar para mim, mas não se moveu nem um pouco para se levantar do chão. -Vamos?
- Não. Sua casa não é a minha casa. - Ela disse, me olhando com certo desprezo. Isso machucou, mas eu não podia culpá-la, porque eu sabia que eu a havia machucado mais.
- Por favor, null. Suas amigas estão preocupadas, então, não me faça carregar você a força. - Eu propus, mas ela decidiu continuar com a teimosia. - null, olha para mim. - Eu pedi, mas ela fez justamente o contrário, então, eu me abaixei para ficar ao nível dela. - Eu sei que você está chateada comigo, mas você não pode tomar decisões precipitadas assim, entende? Não é porque eu disse aquilo tudo mais cedo que eu não me preocupo com você, tá? - Eu tentei me explicar, mas ela não parecia convencida.
- Não, Edward, isso não faz o menor sentido. Por que você se arriscou a entrar no meio da floresta à essa hora para vir procurar por mim? - Ela perguntou em um tom nervoso, totalmente confusa.
Enquanto eu observava atentamente a expressão de angústia dela e lia todo o conflito nos pensamentos dela, eu desejei não ser um mentiroso tão bom assim. Eu queria que ela pudesse ver a verdade: que eu somente estava tentando afastá-la de mim enquanto ainda conseguia, porque eu sabia que pelo jeito que null me fazia sentir, não ia demorar muito até que me afastar dela se tornasse insuportável. Inclusive, eu acho que já se tornou.
A percepção desse fato chegou tão rápido que nublou meus pensamentos. Eu tinha que ser forte o suficiente agora para admitir para mim mesmo que eu estava de fato apaixonado por ela. E uma vez que eu deixei que ela se aproximasse, eu era o único culpado por isso.
- É mais forte que eu. - Eu sussurrei, mas não foi baixo o suficiente para que ela não ouvisse.
- O quê? - Ela perguntou só para confirmar, porque ela tinha entendido perfeitamente bem o que eu disse.
- Nada. Eu só vou te dizer uma coisa, mas somente se você prometer voltar comigo para casa. - Eu propus, esboçando um sorriso, que ela retribuiu para o meu alívio. Ela não parecia mais me odiar tanto.
- Ok, eu prometo. Agora diz o que você ia dizer.
- Tudo bem, é minha parte do trato. Eu ia dizer para você não ficar com tanta raiva pelo que eu disse. Eu disso aquilo só para proteger a nós dois.
- Proteger do quê? - Ela perguntou, confusa.
- Nada disso, eu já cumpri minha parte do trato, agora é sua vez. - Eu disse, pegando as malas dela do chão, enquanto ela se levantava também, com uma expressão aparentemente indignada.
- AAAH! Você é tão extremamente irritante que isso me deixa louca! - Ela reclamou. "Ele me deixa louca de todas as maneiras possíveis" - Ela acrescentou em pensamento.
- Desculpe, mas trato é trato. - Eu disse, guiando null pela floresta. À essa altura meus irmãos já tinham voltado para casa, pois já sabiam que eu havia encontrado null e que estávamos indo para casa. Demorou um pouco para chegarmos até a casa, e null parecia exausta. Quando eu abri a porta, imediatamente null e null correram na nossa direção e deram um abraço grupal na null. Os olhos das duas estavam visivelmente inchados por causa do choro.
- ! Eu achei que nunca mais veríamos você de novo! - null disse, abraçando a amiga.
- É, eu sei que vocês iam sentir a minha falta loucamente. - null disse, rindo um pouco. null e null riram também.
- Até parece. A gente só estava preocupada com o que sua mãe ia fazer com a gente quando descobrisse que deixamos você ir brincar sem segurar na sua mão. - null explicou, fazendo null e null rirem.
- Que bom que Edward conseguiu trazê-la de volta, null. Eu me sentiria muito culpada se algo acontecesse a você. E também queria muito te conhecer. - Esme disse carinhosamente, fazendo com que null ficasse um pouco sem graça. "Oh, Edward! Ela é simplesmente adorável!" - Esme se dirigiu a mim por pensamento; eu apenas assenti discretamente com a cabeça. - Ah, perdão. Eu quase esqueci. Meu nome é Esme.
- null, Esme é minha mãe. - Eu disse, tentando explicar melhor.
- Ah, sim! É um prazer conhecê-la, senhora Cullen. - null disse, simpática.
- Por favor, me chame apenas de Esme.

Jasper's PoV

Após null ter sido apresentada à Esme e ao Carlisle, todos ficaram mais tranquilos do que aquele desespero que estava antes. null e null agora estavam rindo como se nada tivesse acontecido.
- Hm, gente, eu queria me desculpar pela minha irresponsabilidade. Eu não sei o que eu estava pensando. E... Edward, obrigada por ter arriscado ir até lá para me buscar. - null disse, lançando um sorriso sincero para Edward no fim da frase. - Agora, eu to indo lá pra cima. null, null, vocês vêm comigo?
- Aham, eu vou! Aí você me explica bem direitinho essa história aí. - null disse, levantando imediatamente do sofá.
Assim que null fez o primeiro movimento para se levantar do sofá e seguir null, eu falei:
- null, espera. Será que a gente pode conversar agora? - Eu perguntei em um tom baixo, e imediatamente usando meus dons para deixá-la o mais calma possível.
- Er, agora não, Jasper. Já está meio tarde, e eu queria conversar com a null e a null. - Ela disse, e nem me deu uma chance de responder. Foi correndo para onde a null estava.
- null, você não pode adiar essa conversa para sempre, sabe? Se vocês têm alguma coisa para resolver, então é melhor resolver logo. - null disse para null, que se virou um pouco para olhar na minha direção.
- Eu não tenho nada para resolver com o Jasper, null. - null disse, tentando parecer determinada.
- Tem certeza? Não é o que parece. - null disse, levantando uma sobrancelha.
- Olha, eu nem faço ideia do que está rolando entre você e o Jasper, null. Mas eu to com a null. Vai lá e conversa com ele. Depois você sobe correndo e conta tudo pra gente, ok? - null aconselhou, o que fez null rir.
- Como se você pudesse dizer alguma coisa. Fugiu de casa na primeira briga que teve com o Edward.
- Faça o que eu digo, não o que eu faço. Agora vai lá, ele ainda está esperando. - null disse, empurrando null de volta para o centro da sala.
null veio andando na minha direção bem lentamente. Edward, Carlisle e Esme se retiraram da sala. Mas Emmett ficou olhando para a nossa cara.
- Com licença, Emmett? - Eu pedi, bufando.
- Ah, eu tenho que sair também? Achei que você confiasse em mim, irmãozinho! - Emmett disse, fazendo um falso tom dramático. Eu revirei os olhos para ele. Como se ele não fosse ouvir a conversa de qualquer lugar da casa onde ele estivesse.
- Se manda, Emmett! - Eu disse, e ele prontamente saiu, rindo. null também riu um pouco, mas depois voltou ao seu tom de seriedade. Ela se sentou no mesmo lugar onde estava antes.
- Então, o que é isso que você quer taaaanto me dizer? - Ela perguntou, me olhando firmemente. Eu queria poder abraçá-la agora, mas isso não estava nos meus planos.
- Basicamente, desculpas. - Eu disse, e ela revirou os olhos. Provavelmente achando que era tudo que eu tinha a dizer. -Eu sei que o jeito como eu agi com você hoje cedo não foi certo, mas eu queria poder me explicar.
- E você não pode?
- Eu posso tentar. - Eu disse. Comecei a colocar as palavras em ordem na minha mente. Eu vinha pensando no que dizer pra ela durante o dia todo, e eu tinha toda a desculpa decorada. - null, eu gosto de você. Inclusive, mais do que eu devia.
- Não foi o que pareceu hoje de manhã. - Ela disse, mantendo a expressão. Mas, pro dentro, todas as emoções que vinham dela mudaram. Isso não era bom.
- Na verdade, foi exatamente o que pareceu hoje de manhã. Você e eu... não devíamos ter chegado aquele ponto...
- Você não quer um compromisso, é isso? Olha, Jasper...
- Me deixe terminar, ok? Não é isso, null. O problema é que se nos envolvermos demais agora, vai ficar ruim depois, entende? - Eu tentei explicar. Ela com certeza não ia entender o que esse "ruim" queria dizer.
- Ruim como? - Ela perguntou, exatamente como eu imaginei que ela faria.
- Você tem que voltar pro seu país, e vai ser difícil para nós dois se deixarmos as coisas irem longe demais. - Eu disse, jogando a minha primeira carta. Essa era a única desculpa que eu poderia dar por enquanto.
Eu fiquei surpreso quando o sentimento de nervosismo da null se esvaiu sem que eu precisasse interferir, e em seguida mudou para felicidade. Ela estava feliz?
- É só isso, então? Você tem medo de sentir minha falta? - Ela perguntou, deixando escapar um sorriso.
- Bem... sim. Mas eu não queria ter me afastado daquele jeito, entende? Eu acho que podemos ser bons amigos.
Ela ficou calada por um tempo, provavelmente pensando se sermos amigos era o suficiente para ela. Os olhos dela cruzaram com o relógio de repente, e ao seguir o olhar dela e vi o quão tarde estava.
- Hm... null e null devem estar esperando por mim. - Ela disse, se levantando do sofá. Eu fui andando atrás dela enquanto ela chegava até a escada.
- E sobre o que eu disse? - Eu perguntei quando chegamos na porta do quarto da null. Não podia deixá-la fugir assim. Ela riu.
- Ok. Eu só não vou garantir pra você que a sua ideia de amizade é a mesma que a minha. - Ela disse, piscando para mim antes de entrar no quarto.
Eu fiquei olhando para a porta por um tempo, até ouvir Emmett se aproximando.
- Hey, Jasper! Acho que não tem hora mais certa para a gente alugar aquele iate, o que acha?

6 comentários:

  1. Minha nossa, como eu sou maluca! Tô ficando como Ed! Amo ele!!
    Haha, continuaaaa.

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  2. AAAAHHHH!!!! quase morri de ri agora essas meninas são muito malucas kkkkk parece eu e minhas amigas sem tirar nem pôr kkkkk to mto ansiosa aqui por mais...não demore pra postar outro cap
    bjos

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  3. kkkk,nossa amei.
    Att logo.

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  4. Por Merlin! Nunca ri tanto em uma fanfic. Pareço uma maluca aqui em casa de tanto rir com as frases do Emmett!

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  5. Meu deus!!! Eu amei demais! Essa fic é fantástica!!! Continua pelo amor de Deus!!! E outra, o Jake apareceu antes mas e agora?? Eles tem que tentar interferir nessas relações, não é???
    Mas ENFIM, fics agora, críticas e opiniões a parte.
    Eu vou COM TODA A CERTEZA DO MUNDO acompanhar a fic!! Ela é muito perfeita!!

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  6. por favor, continue.

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