13 de novembro de 2012

A Guardiã by Liane

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A guardiã: Nosso destino é a eternidade...
Prólogo
Eu estava apavorada.
Mas enfrentar a morte não era o que me dava medo. Eu estava assustada com a possibilidade de Edward se machucar.
Eu queria que ele fosse embora, que se salvasse.
Jacob e eu provavelmente seríamos suficientes para retardá-los até que os outros conseguissem ajuda. Eu, com certeza, não desistiria enquanto conseguisse me manter de pé.
Mas Edward era teimoso demais e, como ele mesmo havia dito: Vivos ou mortos, estaríamos juntos pela eternidade.
*Trilha sonora: I say Yes – Zero no Tsukaima (Música de abertura da 2ª temporada interpretada por Ichiko.)
I say yes zutto kimi no soba ni iru yo
Donna mirai ga bokura wo tameshitatte kitto
Eu digo sim, ficarei ao seu lado pra sempre
Não importa como o futuro nos teste, certamente...

Ah futari no unmei meguri aeta no ha
Kimi no koe kikoeta kara
Sou pinchi na dekigoto oshiyosete kitemo
Kimi to ireba nori koerareru
Ah, foi o nosso destino, eu pude encontrá-lo
Porque ouvi sua voz
Sim, mesmo nas situações críticas deixe isso comigo
Se estiver com você, eu posso superá-las
Tokimekito maken kito
Uraharade haraharasuru kedo
Palpitações e espírito competitivo
Excitam-me ao contrário, mas...

Stay with me tada kimi wo mamoritai yo
Tooi sekai de umareta futari dakedo
I say yes zutto kimi no soba ni iru yo
Donna mirai mo kibou ni kae you
Forever
Fique comigo, eu só quero protegê-lo
Mesmo que tenhamos nascido em mundos distantes
Eu digo sim, Estarei sempre ao seu lado
Não importa o futuro que virá
Ele pode ser transformado com a nossa esperança
Pra sempre

Ah tatoeba kono koi mahou datto shitemo
Eien ni kokenai hazu
Sou modore yashinai yo haru kana ano hi ni
Kimi to deau mae no jibun ni
Ah, se este amor é mágica
Ele certamente durará eternamente
Sim, não volte para aqueles dias distantes
Antes de eu ter te encontrado
Hitamukide namaikide
Tokidoki wa dokidoki suru kedo
Sincero e Insolente
Mas às vezes isso faz meu coração bater

Stay with me mou hitori ni hashinaiyo
kiseki mitai ni deaeta bokura dakara
I say yes zutto kimi wo sosaetai yo
toki ga subete no keshiki wo kaetemo
Forever
Fique comigo, não te deixarei mais sozinho 
Porque nosso encontro foi como um milagre
Eu digo sim, vou sempre auxiliá-lo
Mesmo que o tempo mude todo o cenário
Pra sempre

A guardiã: Nosso destino é a eternidade...

Capítulo Um: O Pacto

Enquanto preparo minhas malas, ouço gritos no andar inferior. É o meu pai se esgoelando lá de baixo.

– Já vou! – Gritei de volta.

– Ande logo, Isa, venha ver! É sobre a Academia! – Ele gritou a palavra mágica. Quando ouvi “Academia”, larguei tudo o que tinha nas mãos e voei escada abaixo, quase trombando com meu pai, Charlie, que vinha subindo.

– Ande, venha ver! – Ele me agarrou pelo braço e me puxou para frente da televisão.

“A Academia de Guardiões já enviou os convites para os jovens pré-selecionados. Esta noite, o baile cerimonial para realização do Pacto acontecerá em grande estilo.” Uma repórter sorridente entoava. “A Academia sempre espera para mandar os convites em cima da hora, como um dos modos de testar os candidatos. Um Guardião deve estar sempre preparado para tudo, inclusive antes mesmo de se tornar um.” Ela deu uma risadinha marota e agradeceu, passando a palavra à âncora do telejornal.

– As cartas devem estar chegando nas próximas horas. – Charlie falou ansioso.

– Minhas malas já estão praticamente prontas, meu vestido está passado, tudo está nos conformes. – Eu falei automaticamente.

Esse havia sido o meu sonho desde criança, incentivado pelo meu pai. Agora que chegou a hora, eu simplesmente nem posso acreditar.

Todo mundo fala como é bom ser o protetor de um Vampiro Branco e eu mal vejo a hora de fazer a minha parte. Quero dizer, eles protegem a nós, humanos, dos Vampiros Vermelhos, então devem ser maravilhosos.

Pra falar a verdade, eu nunca estive com um Vampiro Branco de verdade. Eu apenas os vejo de longe, às vezes quando fazem a patrulha. São tão lindos, tão perfeitos...

Mas pra quê vampiros precisariam de proteção humana não?
Os Guardiões dos Vampiros não são pessoas comuns. Depois que o contrato é selado, eles ganham força e poderes inimagináveis. Enquanto os vampiros dormem durante o dia, os seus Guardiões os protegem. À noite, quando estão acordados, os servem fielmente.
Mas deve ser uma droga ser o servo de alguém não?
Claro que não.
Os Guardiões são privilegiados. Todos os humanos os adoram, gostariam de ser como eles. Mas nem todos conseguem.
A maioria de nós, quando completa dezesseis anos, escreve para a escola de Guardiões. Alguns são convocados a uma cerimônia onde os Vampiros Brancos mais novos escolhem os seus Guardiões definitivos. A pré-seleção inclui vários aspectos, incluindo notas e boa saúde, dentre outras coisas.
Eu, pelo menos, esperava ser pré-selecionada, o que já seria uma grande honra para uma debutante como eu.
Os Vampiros atingem a maioridade com dezessete anos e é nessa idade que se desligam de suas famílias e vão para a escola de Guardiões. Lá, treinam junto com seus servos antes de assumirem seu lugar de direito como Patrulheiros.
Todos os Vampiros treinam para isso desde o momento em que nascem, só que alguns se desencaminham, caem na tentação do sangue humano e não conseguem sair. Esses são chamados de Vermelhos.
Alguns têm apenas um deslize, mas conseguem se recuperar.
Já a maioria nunca se quer provou o sangue de um humano comum.
Essa também é outra função dos Guardiões. Os Vampiros Brancos se alimentam do sangue dos seus Guardiões, que são fortes o suficiente para agüentar a força e a intensidade do ato.
Um humano comum, quando atacado, morre.
Se eu vou me alistar pra ser a comida de alguém?
Quase isso.
Mas como eles se alimentavam antes de ter um Guardião?
É aos dezessete que a sede se manifesta. Antes disso, a comida humana comum é suficiente para saciá-los.
Também é nessa idade que o envelhecimento começa a diminuir. Eles mantêm a aparência de jovens de dezenove ou vinte anos para sempre.
Então é isso.
Pode parecer idiotice para alguns, mas eu cresci ouvindo histórias de como os Vampiros Brancos lutaram bravamente para cuidar dos humanos. Meu pai adora me contar essas coisas.
A minha mãe foi morta por um Vampiro Vermelho quando eu tinha três anos. Eu estava com ela e quase fui morta também, mas um Vampiro Branco me salvou.
Sir Carlisle Cullen. Um dos mais poderosos e adorados Vampiros de todos os tempos. Ele é simplesmente maravilhoso e eu tenho esperança de que possa servir a um Vampiro quase tão bom quanto ele.
Por isso meu pai está quase mais animado do que eu com a perspectiva de eu entrar para a Academia. Ia ser a realização de seu sonho. Ele também se inscreveu quando era jovem, foi pré-selecionado, mas nenhum Vampiro o reivindicou. Isso acontece muito.
Acontece que o contrato entre Vampiro e Guardião é invocado com uma magia antiga e poderosa. Eles estão destinados a estar juntos e quando o contrato é selado, a vida de um está ligada à vida do outro. Pelo menos a vida do Guardião está.
Se seu Vampiro protegido morrer, você morre junto com ele. Mas se o Guardião morrer, o mesmo não acontece com os Vampiros. Embora um Vampiro que tenha perdido seu Guardião nunca mais se torne o mesmo. A maioria fica sozinho pelo resto da vida, alguns desistem de ser Patrulheiros e desaparecem. Poucos são os que decidem tentar invocar outro Guardião, mas isso é praticamente impossível. Na maioria das vezes eles estão destinados a apenas um Guardião, por toda a eternidade.
Sim, por que os Vampiros vivem para sempre, a menos que sejam assassinados. E enquanto um Vampiro viver, seu Guardião viverá. Com isso, ganham a imortalidade.
Essa é uma das coisas pela qual estou mais ansiosa. Viver para sempre deve ser maravilhoso.
Enquanto eu devaneava ao lado do meu pai, que estava quase mais sonhador do que eu, ouvimos o gemido da portinhola de cartas. Soltei um gritinho histérico e Charlie correu para pegá-las.
Academia para Formação de Guardiões
Diretor: J.J. Philips
Vice-diretor: M.L. Dickenson
Prezada senhorita Marie ,
Temos o prazer de convidá-la para o Baile Anual de Contratação da Academia, devido ao seu delicado pedido de aceitação.
Pedimos que compareça pontualmente hoje à noite, às oito da noite, no endereço indicado abaixo. Internamento imediato em caso de convocação.
Traje a rigor.
Boa sorte.
M.L.Dikenson.
Vice-diretor.
– Você foi selecionada! – Charlie gritou com os olhos cheios de lágrimas.
– Ah, eu não acredito! – Eu gritei de volta.
– É, mas calma filha. Esse é apenas o primeiro passo. – Ele falou. Estava tão emocionado quanto eu, talvez até mais, mas não podíamos nos precipitar. Ainda havia muita coisa pela frente.
– É, eu sei pai. – Eu falei. Olhei novamente para a carta.
Internamento imediato em caso de convocação.
Meu pai estava incluído no convite também. Essa seria a ultima vez que o veria por pelo menos seis meses, se fosse escolhida. Já sabíamos que isso aconteceria, mas me senti repentinamente ansiosa. Não queria deixar meu pai sozinho nessa casa. Havia tantas lembranças perdidas aqui.
– Papai, eu... – Eu comecei, olhando para ele. Meu pai deve ter visto algo em meu olhar, por que sorriu imediatamente.
– Shh. Não precisa se preocupar, criança. Vai ficar tudo bem. – Ele me garantiu.
Não insisti no assunto, ou acabaria criando um clima ruim.
Fui então arrumar minhas malas. (Mentira, elas já estão arrumadas!)
Vasculhei o quarto em busca dos mínimos detalhes que pudessem estar fora do lugar e me despedi dele.
Mesmo morando perto da academia, os alunos iniciantes não recebiam permissão para deixar a Academia pelos primeiros seis meses. Eles diziam que tínhamos de nos desligar de nossas famílias para sermos realmente fortes. E isso incluía os Vampiros também.
Então, às sete e meia o carro estava carregado.
Eu estava vestida em um modesto vestido negro de cetim, com um broche de diamantes que fora da minha mãe preso no peito. Arrumei meus cabelos chamativos, muito vermelhos, em um coque alto e me maquiei de um jeito que vi na televisão. Minha mãe não teve tempo de me ensinar essas coisas, mas acho que ficou bom.
Meu pai estava de smoking. Ele era bem jovem e muito bonito. Eu sempre insistia para que ele voltasse a namorar, mas ele insistia que não queria. Minha mãe havia sido o amor de sua vida e ele ainda não tinha superado a perda.
Muitos carros se aproximavam dos muros da Academia a estas horas.
O lugar era uma mansão enorme, antiga e muito bem cuidada. Eu já tinha ouvido rumores sobre passagens secretas e outras coisas estranhas. Eu, pra falar a verdade, achava tudo muito legal.
A frente da mansão, que incluía uma varanda enorme, que a circundava inteira, estava decorada com luzes brancas muito intensas. Luzinhas brilhavam enroladas nas plantas e as grandes portas de folhas duplas estavam totalmente abertas.
Dois homens de fraque recebiam os convidados na porta. Deveriam ser mordomos, devido ao modo servil com que se dirigiam às pessoas. Estacionamos e nos dirigimos às portas de braços dados.
Eu até conhecia alguns dos humanos ali. Muitos haviam estudado comigo no ensino fundamental e outros ainda eram meus colegas de classe no ensino médio. Eu não precisaria voltar à escola se conseguisse entrar para a Academia. Isso já não importaria.
E os Vampiros?
Eu nunca tinha chegado tão perto de um.
Eles tinham um cheiro maravilhoso, eram lindos e altivos. Simplesmente perfeitos. Eles sorriam, acenavam com a cabeça, cumprimentavam. Era um sonho.
Meu pai e eu nos sentamos a uma mesa que continha o nosso nome. Não pude deixar de reparar que haviam agrupado vampiros separados de humanos e não entendi bem por que.
Logo esqueci essas coisas, por que o diretor, o Sr. Philips, começou a falar.
– Sejam bem vindos todos a esta maravilhosa cerimônia. A cada seis meses recebemos jovens corajosos nesta Academia, que estão dispostos a dedicar sua vida a uma causa nobre. – Ele começou, comovido. – Ao longo dos anos tenho visto muitos humanos valorosos, dispostos a abandonar sua mortalidade e com isto, sua família, pelo bem maior.
“Esta noite, alguns de vocês serão escolhidos pela coragem e sinceridade de seus corações. Alguns voltarão para casa decepcionados, mas não se preocupem. Nós todos temos um papel importante a desempenhar neste mundo, seja aqui dentro, seja no mundo lá fora. Mais uma vez, sejam bem vindos.”
Todos aplaudiram aquelas palavras e eu senti um frio na barriga. Começava mais uma vez a me sentir ansiosa, mas agora pelo fato de talvez não ser escolhida. Isso foi tudo que sempre imaginei para mim. Se não conseguisse, não sei o que faria.
O vice-diretor disse algumas palavras também e uma música começou a tocar, os garçons passaram a servir comida e bebida. Meu pai já havia achado algum conhecido e estava no maior papo. Comecei a observar as pessoas na sala, uma a uma, tentando saber quem eram os vampiros mais novos, os que nos escolheriam hoje.
Um rapaz alto com cabelos loiros e olhos verdes encontrou o meu olhar. Era um vampiro e piscou para mim com um sorriso maroto. Desviei o olhar, constrangida. Nunca tinha visto um vampiro se comportar assim.
Olhei de esguelha novamente.
Ele estava em uma mesa com outros vampiros barulhentos. Eles riam e cutucavam uns aos outros. Pareciam estar se divertindo muito. Achei estranho ver um vampiro sorrindo. Os da Patrulha estavam sempre tão sérios... Mas acho que esses eram muito jovens ainda, por isso eram tão animados. Esperava que quem me escolhesse não fosse tão bobo. Seria constrangedor.
Quando a comida finalmente acabou e estavam todos satisfeitos, o silencio começou a se abater entre todos. A ansiedade começou a pairar sobre a sala como uma massa palpável. Estava chegando a hora da convocação.
O diretor se levantou e voltou a falar.
– Jovens Patrulheiros se preparem. Venham aqui à frente, por favor. – Ele chamou. Cerca de dez vampiros se levantaram e se postaram à frente das mesas, logo abaixo do palco.
É, decididamente havia mais candidatos humanos do que Vampiros Patrulheiros para escolher. Isso realmente me preocupou.
– Agora os candidatos, se apresentem. – Ele disse. Olhei para o meu pai, que sorriu me encorajando. Então me levantei e me juntei aos outros humanos que se enfileiravam à frente dos vampiros, de costas para as mesas. Éramos cerca de vinte e seis.
– Como todos sabemos, o Vampiro e seu Guardião estão predestinados. Uma vez que se escolhe um Guardião, suas vidas estarão ligadas pela eternidade. Quando um Vampiro perde seu companheiro, é quase impossível que se consiga outro, mesmo se alguém quisesse tentar se submeter a isso. Mas a dor da perda é grande demais. É um pedaço que se perde. Logo, o ritual de escolha é simples. Todos os humanos têm o mesmo cheiro para os vampiros. Com uma pequena magia antiga, invocamos a sede dos novos vampiros e eles serão atraídos por uma fragrância especial, de um dos jovens que se ofereceram bravamente para este ritual. Depois que o vampiro provar o sangue de seu escolhido, o contrato está selado para sempre e a magia, finalizada. Então, boa sorte a todos.
O diretor juntou as palmas das mãos e fechou os olhos, murmurando coisas que não dava para entender. Apenas ele podia invocar essa magia. Era um segredo passado de diretor para diretor e ninguém mais. Ele terminou o que dizia com um suspiro e em seguida abriu os olhos.
– Vampiros, fechem os olhos e deixem-se ser guiados pelos seus instintos. – O diretor ordenou. E foi o que fizeram. Senti minhas pernas ficarem bambas em expectativa.
Os vampiros começaram a se mover devagar. Uma garota morena se dirigiu a um rapaz no fim da fila, ela cheirou seu pescoço por alguns segundos antes que suas presas surgissem e ela o mordesse. Tive um pouco de medo, ao presenciar aquela cena. Será que doeria?
Outros vampiros começaram a se mover. Eu vi o loiro que havia piscado para mim mais cedo começar a andar na minha direção. Meu estômago embrulhou, mas ele passou direto por mim para o garoto loiro ao meu lado.
Faltavam poucos agora.
Surpreendi-me quando vi um rapaz de cabelos acobreados vindo para cima de mim. Quase gritei, mas consegui me conter quando ele segurou os meus ombros.
Sua cabeça desceu, se aproximando do meu pescoço. Esfregou longamente seu nariz na minha clavícula, fazendo arrepios me percorrerem a espinha.
Então senti seus lábios se abrirem, passeando macios pela minha pele. Agarrei a manga de sua camisa por reflexo. Eu estava realmente com medo agora. Então seus dentes penetraram a minha pele e o medo se foi.
Senti meu sangue fluir pela minha jugular, seguindo as batidas do meu coração acelerado. Logo não era apenas o meu coração que eu podia sentir. O dele estava calmo, ritmado, e o meu logo se acalmou para acompanhá-lo. Agarrei-me mais a seu corpo, a mente leve como nunca havia estado antes. Senti um ardor se espalhar do local da mordida por todo o meu corpo.
Não era ruim, era apenas... Diferente.
Eu me senti diferente, mudada de alguma forma.
E quando aquele vampiro desconhecido me soltou, encarei seus grandes olhos azuis como se nos conhecêssemos há muito, muito tempo.
A cerimônia havia acabado.
Agora eu era dele por toda a eternidade.


E quando aquele vampiro desconhecido me soltou, encarei seus grandes olhos azuis como se nos conhecêssemos há muito, muito tempo.

A cerimônia havia acabado.

Agora eu era dele por toda a eternidade.




A guardiã: Nosso destino é a eternidade...

Capítulo Dois: Edward Cullen

O rapaz apenas me encarou de volta, sem dizer nada. Era como se o tempo tivesse parado e se afogado na piscina azul que era o seu olhar. Percebi, atrasada, que o diretor voltara a falar. Tentei, com dificuldade, olhar para ele.

O meu vampiro agarrou minha mão e me puxou para perto do palco, nos virando de frente para as mesas, onde todos aplaudiam. Engraçado, eu não me lembrava de quando eles haviam começado a bater palmas.

– ... O início de mais uma geração de novos guerreiros, que protegerão a nossa sociedade. Parabéns. – O diretor dizia.

Os outros humanos, que não haviam sido escolhidos, voltaram devagar para suas mesas, a maioria quase depressiva. Foi triste vê-los irem embora sem realizar seu sonho.

Olhei para a fila de vampiros e humanos perto de mim. Todos pareciam felizes. Olhei então para o meu pai, que tinha os olhos marejados. Sorri para ele, alegre.
– A cerimônia está encerrada e sacramentada. Nossa festa teve seu objetivo atingido. Esta é uma grande noite para todos nós, senhores. Boa noite a todos. – O diretor nos dispensou.
Olhei para o rapaz que ainda segurava minha mão.
– Eu... – Eu comecei.
– Edward Cullen, prazer. – Ele disse calmamente.
. – Eu respondi.
– Nome diferente. – Ele disse, me olhando de cima a baixo.
– É Italiano. – Eu respondi corando.
– Despeça-se do seu pai, a bagagem deve ser entregue a um serviçal. Estarei esperando você de volta aqui em dez minutos. – Ele mandou de repente. Fiquei momentaneamente abobalhada com aquele tom. Ele parecia um general, falando com algum soldado. Estava preparando uma resposta insolente quando ele estalou os dedos no meu rosto. – Está esperando o quê?
– Ora, seu... – Estava prestes a chamá-lo de alguma coisa muito abaixo do meu nível quando ouvi meu pai me chamar. Olhei para trás e andei até ele.
– Isa! – Ele exclamou me dando um longo abraço. – Você conseguiu!
– Eu sei pai. – Eu falei, contagiada pela sua alegria.
– Vou sentir saudades, amor. – Ele disse e eu sabia que nada, além do momento da despedida, poderia fazê-lo admitir isso.
– Pai... – Eu gemi, começando verdadeiramente a chorar. Uma lágrima solitária escorreu pela minha bochecha.
– Não, nada disso. Estamos felizes, não? – Ele falou, enxugando meu rosto.
– Claro. – Eu falei fungando.
– Senhorita. – Um homem que parecia um mordomo me chamou.
– Sim? – Eu respondi.
– Devo pegar sua bagagem. – Ele disse.
– Claro, está no carro. Pai... – Eu falei.
– Sim, vamos... – Meu pai passou o braço pela minha cintura.
– A senhorita deve ir com seu mestre, por favor. – O homem falou, nos parando. Olhei para trás e vi que Edward me esperava, parado no mesmo lugar.
– Claro. – Eu falei.
– Até breve Isie. Seis meses passam rápido. – Meu pai falou.
– Até, pai. – Eu falei com um aperto no coração.
Ele me abraçou mais uma vez e saiu com o mordomo no seu encalço. Fiquei olhando até que desaparecesse de vista. Em seguida suspirei e me voltei para o meumestre.
Ele estendeu a mão quando cheguei mais perto e eu deixei que a minha escorregasse por ela.
– Se vai ficar depressiva, era melhor nem ter se oferecido para isso. – Ele comentou friamente.
– Me desculpe se vou ter saudades de meu pai. Algumas pessoas têm coração. – Eu falei sem pensar. Edward estacou no lugar e eu percebi o quanto havia sido desrespeitosa. – Eu... Sinto muito, não queria...
– Aprenda a ter modos, ou terei que castigá-la. – Ele disse com os olhos queimando de raiva.
– Eu... – Ia o mandar enfiar o castigo lá onde o sol não bate, mas não podia dizer isso. Ele era meu dono, afinal. – Claro.
– Ótimo. – Ele me arrastou pela porta do salão.
Todos os outros vampiros novos estavam indo pelo mesmo caminho, com seus respectivos Guardiões.
– Ed! Hey, conseguiu coisa boa ein? – O rapaz loiro que piscara para mim veio atrás de nós.
– E você... Interessante a sua escolha, Alec. – Edward avaliou o rapaz loiro que era o Guardião do tal Alec. Fiquei imaginando o que ele quis dizer.
– Sabe que sou bem liberal, Ed. Homem, mulher... Dá no mesmo, não? – Alec mais uma vez me olhou e sorriu de um jeito travesso.
– Não para mim, mas não sou de julgar ninguém. – Edward deu de ombros.
– Que bom. Vemo-nos depois, então. – Alec se afastou para falar com uma garota morena, arrastando seu Guardião.
– Faz diferença ser homem ou mulher? – Eu perguntei curiosa.
– Em teoria não, mas na prática... – Edward me olhou, me avaliando. – Isso demonstra as preferências de um vampiro.
– Como as... Oh... – Algo me ocorreu, então. – Sexualmente, você quer dizer?
– Pode-se dizer que sim. – Edward sorriu.
Aquilo era realmente interessante. Se isso fosse mesmo verdade, então...
– Ohhh... – Falei com mais ênfase, corando. Edward riu alto, provavelmente achando a minha cara de idiota engraçada. – O tal Alec é gay?
– Isso não é lá uma surpresa, se é que me entende... – Edward falou desdenhoso.
– Que desperdício. – Eu resmunguei. O Alec era tão fofo...
– Estava interessada, ? – Edward quis saber, com uma sobrancelha erguida enquanto me arrastava por um lance de escadas.
– Ah, não... Eu só... – Corei furiosamente, gaguejando. Edward me cortou com uma risadinha de desprezo.
Havia mais pessoas pelo caminho, mas Edward não falava com ninguém. Ele tinha cara de ser meio fechado. Subimos mais algumas escadas e nos deparamos com um longo corredor cheio de portas. Alguns dos outros vampiros abriam portas aqui e ali. Quase no fim do corredor, Edward abriu uma porta do lado esquerdo.
Do outro lado havia um quarto amplo com grandes janelas de persianas azuis. Havia uma grande cama de casal no centro. Uma escrivaninha ficava de frente para ela, ao lado de um closet espaçoso de um lado e uma porta do outro. Reconheci minha mala em um canto e outra mala ao seu lado.
Aquele mordomo não devia ser humano. Como ele conseguira chegar aqui tão rápido com as minhas coisas?
Mas outra questão preencheu a minha mente antes que eu pudesse me aprofundar mais naquele assunto.
– Onde... Onde eu fico? – Eu perguntei constrangida. Edward me olhou avaliativamente.
– Você sabe que não pode mais dormir, certo? – Ele perguntou duvidosamente.
– É, eu sei disso. Nós Guardiões ficamos acordados durante o dia para proteger os nossos mestres e à noite caçamos com eles, mas... Eu achei que teria um lugar pra... – Eu estava pensando em privacidade, pelo menos.
– Pois achou errado. – Edward disse simplesmente. Jogou-se confortavelmente na cama. – Vá preparar o meu banho, .
Estreitei os olhos em sua direção.
– Não está se esquecendo de nada, Sr. Cullen? – Eu perguntei ironicamente.
– Do quê? – Ele franziu a testa, sem entender.
– Educação. – Eu falei cruzando os braços contra o peito.
– Que tal eu dizer pra você preparar o meu banho agora? – Edward mandou numa voz suavemente perigosa. Eu estava mesmo preparada para uma briga, já que ele estava sendo super idiota, mas não sei o que deu em mim. Eu simplesmente entrei no banheiro e fiz o que ele mandou.
Era como se cordas invisíveis me guiassem, me obrigando a obedecê-lo.
Liguei a torneira da banheira, peguei os sais de banho sobre a pia e comecei a preparar a água. Eu simplesmente não tive escolha.
– Você é obrigada, literalmente, a fazer tudo o que eu digo. – Edward falou da porta, onde ele estava displicentemente encostado no portal. – É obrigação de todos os Guardiões obedecerem a seus mestres incondicionalmente.
Senti-me revoltada, humilhada e com raiva. Aquilo era uma coisa que ninguém tinha me contado.
– Você é um imbecil. – Eu concluí por fim.
– Olha a língua. – Ele advertiu, sem parecer irritado. Na verdade, parecia se divertir muito.
– Ah, também não posso pensar o que quiser? – Eu perguntei sarcasticamente.
– Talvez... – Ele disse sorrindo.
Olhei para a banheira, evitando o impulso de jogar alguma coisa naquela cara debochada dele. Estava quase cheia.
– O seu banho... – Quando olhei para Edward novamente, ele estava retirando sua roupa. – O que está fazendo?
– Acha que vou tomar banho vestido? – Ele perguntou deixando a calça escorregar pelas pernas. Virei o rosto.
– É, mas se esqueceu que eu ainda estou aqui? – Eu perguntei com a voz aguda.
– Claro que não, você é que vai me ajudar, não? – Ele disse, passando por mim e entrando na água. Corei furiosamente a agradeci aos Céus pela espuma que encobria tudo.
– Como é? – Eu perguntei finalmente, tentando me focar em suas palavras.
– Tome, esfregue as minhas costas. – Ele empurrou uma esponja na minha mão e se virou. Olhei-o incredulamente por alguns segundos. – Vou precisar pedir com delicadeza mais uma vez?
Trinquei os dentes, irritada. Eu deveria ser uma guerreira, não uma empregada. Quando se falava em servir, eu imaginava algo mais digno do que isso.
Comecei, então, a esfregar as costas de Edward, tentando ao máximo evitar qualquer contato com sua pele. Acho até que esfreguei com um pouco de força demais, por conta da raiva, mas se ele sentiu algo, não reclamou.
– Ótimo... – Ele suspirou. Tomou a esponja da minha mão e começou a esfregar os braços e o peito. Virei o rosto, mirando os azulejos do banheiro com excessiva atenção, tentando não ficar pensando no quanto ele era forte e bem definido.
Enquanto Edward se lavava, ficava me controlando para não olhar em sua direção. Uma tarefa que se mostrou surpreendentemente difícil.
– Pegue uma toalha, . – Ele mandou por fim com voz de tédio.
Levantei-me de meu nicho ao lado da banheira e fui pegar uma toalha debaixo da pia, quando me voltei novamente, Edward estava de pé com tudo de fora. Cobri meu rosto com a toalha.
– Pelo amor de Deus! Você tem alguma espécie de síndrome de narcisismo? Eu não preciso ficar te vendo pelado o tempo todo, sabia? – Eu reclamei exasperada.
– Você é minha serva, , não seja pretensiosa. Apenas faça o que tem que fazer. – Ele disse e podia jurar que estava revirando os olhos. – Venha, me enxugue.
– Eu não vou fazer isso! – Eu exclamei, jogando a toalha para ele e me virando de lado, cruzando os braços com força.
... – Ele falou em tom de ameaça.
Fechei os olhos e comecei a contar até dez. Em seguida fui andando até ele, tomando o cuidado de olhar acima de sua cabeça. Tomei a toalha de suas mãos e comecei a enxugá-lo, de olhos fechados.
– Você está engraçada. – Edward comentou e eu podia sentir o riso em sua voz. – Nunca viu um homem pelado, ma petite rousse*?
– Isso não é da sua conta! – Eu falei mais irritada ainda tentando imaginar do que ele me chamara. Com certeza não devia ser coisa boa! – E é !
– Não precisa ficar tão irritada, ma petite rousse. – Ele disse rindo. Ele estava me provocando.
– Ah, faça isso você mesmo! – Joguei a toalha na cara dele e saí do banheiro batendo os pés. Meu estomago revirou de medo, esperando pelo castigo que Edward me daria. Esperei ele me chamar de volta com a voz cheia de raiva, mas isso não aconteceu.
Eu estava sentada no batente da janela quando Edward voltou para o quarto enrolado na toalha. Não olhei para ele, intimidada. Ouvi o baque da toalha no chão e o barulho das cobertas sendo puxadas.
Uma tênue linha esverdeada no horizonte indicava o nascer do sol. Era estranho não ter sono. Eu sentia vontade de dormir, mas não era necessário.
– Venha aqui, . – Edward falou. Olhei para a cama e ele estava com os braços atrás da cabeça, relaxado. Não parecia querer me chicotear. Levantei-me e me aproximei devagar. – Ande logo, deite-se aqui.
Ele bateu na cama ao seu lado, mas eu simplesmente parei ali, de pé mesmo.
– Eu não tenho sono, obrigada. – Eu falei.
– Não é para dormir que eu quero você aqui. – Ele falou me olhando com aqueles intensos olhos azuis. Era melhor quando estava sendo insuportável, pois aqueles olhos estavam me matando. Sentei-me timidamente ao seu lado e Edward me puxou com firmeza para perto de seu corpo.
Ele afastou meus cabelos do rosto, acariciando a minha bochecha. Seus dedos desceram para a minha clavícula e ali ele desceu seus lábios, os quais ele deslizou pela minha pele até a minha jugular.
Então entendi o que ele queria.
Seus dentes mais uma vez se cravaram em mim e toda a minha raiva se esvaiu junto com o sangue que me abandonava. Não sei como aquilo aconteceu, mas aquela sensação de mente vazia me dominou mais uma vez, me deixando leve.
Apertei-me contra ele enquanto sentia nossos corpos conectados. Edward deslizou com a mão, passando pela minha barriga e indo para a minha cintura, colando seus quadris nos meus, com o lençol nos separando.
De repente ele estremeceu levemente e então me soltou, passando a língua pelos lábios rubros com meu sangue. Edward se deitou de costas, e me puxou para o seu peito. Logo sua respiração se estabilizou. Ele estava dormindo.
Raios preguiçosos de sol começaram a invadir o quarto aos poucos e eu me levantei. Fui até a janela e fechei as cortinas. O sol poderia transformar o meu mestre em meras cinzas se o alcançasse.
Em seguida peguei a toalha que ele deixara no chão e as roupas na porta do banheiro. Coloquei no cesto de roupas e voltei para o quarto, para pegar algumas roupas. Esvaziei a banheira e tomei um banho bem quente.
Parei durante um tempo em frente ao espelho. No meu pescoço, onde Edward me mordera, uma marca havia se formado. Mas não eram os furos dos seus caninos. Era um dragão tribal, que mordia o próprio rabo, que se destacava negro na minha pele muito pálida. Aquele era o símbolo dos Guardiões, o ouroboros, símbolo alquímico para imortalidade.


Senti um arrepio ao pensar na eternidade. Agora, me parecia um tempo longo demais. Sacudi a cabeça para me livrar daquele pensamento.
Essa era minha realidade agora.
* Ma petite rousse: Minha pequena ruivinha.





A guardiã: Nosso destino é a eternidade...
Capítulo Três: Esgrima
Troquei de roupa e voltei para o quarto. Edward parecia um anjo dormindo, diferente do idiota de quando estava acordado. Peguei nossas malas e comecei a arrumar tudo no closet. Esperava que Edward não ficasse bravo por estar mexendo nas coisas dele, mas eu tinha quase certeza de que ele iria mesmo me obrigar a fazer isso quando tivesse uma oportunidade.
Havia alguns uniformes para nós dentro do closet. Calça social preta, camisa de gola alta preta, blusa cinza para colocar sobre a camisa e paletó cinza para Edward. A única mudança no meu uniforme era que tinha uma saia preta e um meião, no lugar da calça.
Tanto na sua mala como na minha havia apenas roupas e alguns produtos de higiene e, no meu caso, maquiagem. Eles não permitiam pertences sentimentais na Academia. Fotos, presentes, celulares. Nada de nada. Tínhamos que aprender a deixar nossas emoções de lado e eu não tinha idéia de como fazer isso.
Estar aqui, imaginando meu pai sozinho naquela casa enorme, me deixava de coração partido.
Lá pelas seis da tarde, quando o tédio e a fome ameaçavam minar a minha recém conseguida imortalidade, Edward acordou. Ele se espreguiçou suspirando lentamente e varreu o quarto com os olhos, parando finalmente em mim.
– Você não deveria dormir até o anoitecer? – Eu perguntei na mesma hora.
– Eu posso andar durante o dia sabe... Como os humanos podem andar durante a noite... Só que o sol me machuca um pouco. – Ele resmungou dando de ombros.
– Machuca um pouco? – Eu perguntei incredulamente. – Te transforma em cinzas!
– Só se eu for idiota para ficar exposto por muito tempo. Mas isto não vem ao caso... Isso é sua barriga roncando? – Edward perguntou franzindo a testa. Eu corei furiosamente.
– Estou com um pouco de fome. – Eu admiti timidamente.
– Por que não saiu para comer? – Ele quis saber.
– Eu tinha que ficar para te proteger, não? – Eu perguntei duvidosamente. Edward gargalhou.
– Proteger do quê? Não há perigo dentro dessa escola, . E além do mais... Mesmo que quisesse, você não teria capacidade de me proteger ainda, sem treinamento, garota. – Edward falou divertido.
– Eu... Não sabia. Além do mais, não tinha certeza de poder sair sem você. – Eu falei fugindo do assunto.
– Sei... Vamos. Vamos descer para você comer algo. – Ele se levantou e estava pelado. Virei o rosto para a janela. – Pegue minhas roupas, .
Eu me levantei rapidamente, evitando olhar para ele. Mais uma vez foi uma tarefa extenuante. Seu corpo parecia atrair o meu olhar como um ímã.
Peguei o uniforme da Academia, sendo que eu já trocara minhas roupas pelo meu, e levei até a cama.
Ele as pegou e começou a se vestir, de costas para mim. Observei pelo canto dos olhos a curvatura de suas costas, os músculos de suas coxas e subindo para as nádegas. Edward se virou nesse instante e me pegou olhando. Desviei o olhar e corei furiosamente.
Ele não disse nada, mas ouvi uma risadinha divertida.
Quando voltei a olhar, Edward já estava vestido. Só posso dizer que o uniforme ficou melhor nele do que em mim. Com certeza.
Ele se aproximou e catou uma mecha dos meus cabelos ruivos que escorregavam para fora da trança.
– Está soltando... – Ele comentou, acariciando o lugar do meu pescoço onde a mecha estivera. Estremeci e levei as mãos à trança, desfazendo-a. Nunca conseguia fazer direito, era uma das minhas maiores frustrações.
Deixei os caracóis caírem pelos meus ombros quase na altura da minha cintura, Edward acompanhou suas curvas.
– Tem um belo cabelo. – Ele comentou.
– Obrigada, é igual ao da minha mãe. – Eu falei. Pensei na minha mãe, em como ela morrera e no homem que me salvara.
– Onde está ela? – Edward quis saber.
– Ela foi morta por um Vampiro Vermelho. – Eu comentei distraída. Olhei para ele pensativamente. – Eu quase fui morta também, mas um Vampiro Branco me salvou. Você é filho de Sir Carlisle Cullen?
Eu não tinha me tocado antes, mas eu tinha a impressão de que Sir Cullen tinha um filho chamado Edward... Ed...
– Oh, man! Foi ele que te salvou? – Ele perguntou desgostoso. Eu ergui uma sobrancelha.
– Você acha que seria melhor se ele tivesse me deixado morrer? Pode me matar então, e tentar conseguir outro Guardião, se é isso que te incomoda. – Eu falei friamente, indo em direção ao closet para pegar minha mochila. Com permissão ou sem permissão, agora eu ia realmente sair daquele quarto.
– Não foi isso que eu quis dizer... – Ele agarrou o meu braço, coçando a cabeça, parecendo constrangido. – É só que... Você deve achar que ele é o máximo, como todos os outros.
– E ele não é? – Eu questionei confusa. Edward bufou e me soltou.
– Deixa pra lá. Vamos... – Ele olhou para o closet arrumado. – Você fez isso?
– Claro, quem mais seria? Desculpe ter mexido nas suas coisas, mas...
– Obrigado, ma petite rousse. – Ele disse, me deixando de boca aberta. Ele estava me agradecendo? Essa é nova.
E até que aquele apelido idiota não havia soado tão mal agora, sem o tom de deboche na voz dele. O que significaria?
– Hum... Por nada. – Eu falei duvidosamente.
Edward pegou sua mochila também e nos encaminhamos para a porta. Antes que saíssemos, porém, Edward me parou e olhou fundo em meus olhos.
– Mas antes, uma coisa... – Ele sussurrou, aproximando o rosto do meu e me fisgando pela cintura, colando nossos corpos. Seus lábios foram parar em meu pescoço e sua língua estava úmida ao percorrer sua extensão. Inclinei minha cabeça dando-lhe mais espaço, levei minhas mãos ao seu peito e me senti amolecer em seus braços.
Ele podia pelo menos avisar quando ia fazer algo assim! Fui pega totalmente de surpresa e se ele não estivesse me segurando, cairia de cara no chão.
Uma de suas mãos afastou algumas mechas de meus cabelos que caíam sobre meu ombro e então seus dentes se cravaram em minha pele. Fiquei me perguntando se algum dia me acostumaria àquilo. Aquela sensação era simplesmente entorpecente e me deixava totalmente fora de ar.
Eu sentia os músculos de Edward se flexionarem enquanto ele sugava meu sangue com vontade. E então, com um ultimo movimento de sua língua em minha pele arrepiada, Edward ergueu a cabeça, os olhos brilhantes para mim e uma gota de sangue pendendo em seu lábio inferior. Ele a captou com a língua, ainda me encarando.
Então se afastou levemente, sem me soltar de todo, coisa que eu agradeci fervorosamente, ou desabaria aos seus pés.
– Vamos? – Perguntou por fim.
– Claro. – Respondi fracamente.
Todas as janelas ao longo do corredor estavam fechadas.
– Eles só as abrem depois do anoitecer, para que possamos caminhar por ai sem maiores problemas. – Ele explicou.
No geral, o prédio parecia bem silencioso. Faltavam cerca de duas horas para o anoitecer e acho que todos os vampiros estavam dormindo ainda.
Edward me guiou pelo corredor até a escada principal. Descemos até o salão onde fora a cerimônia de ontem. Não havia mais palco ali, mas várias mesas pequenas, como mesas de refeitório de escola.
Havia alguns Guardiões aqui e ali, bem como uns dois ou três vampiros. O ambiente estava iluminado por um lustre e eu estava me sentindo meio claustrofóbica, sabendo que o sol estava logo ali fora daquelas paredes.
A sensação passou quando vi que havia comida nas mesas. Obviamente a hora do jantar estava se aproximando e minha barriga estava começando a me envergonhar, rosnando como um animal selvagem.
– Você... Não pode mais comer, certo? – Eu perguntei, só checando.
– Comida humana, não. Não preciso mais. – Edward falou. Olhou ao redor. – Vá comer, vou falar com algumas pessoas.
– Certo... – Antes que eu terminasse, porém, ele já havia se afastado. Andei até uma mesa onde outros Guardiões estavam sentados. – Oi.
– Olá. – Reparei que o garoto moreno era o mesmo que eu vira sendo mordido ontem.
– Posso me sentar com vocês? – Eu perguntei timidamente.
– Claro, sente-se. – Ele disse. Um garoto de cabelos pretos e olhos amendoados, com traços latinos, e uma menina de cabelos castanho-escuros e olhos negros, que estavam sentados ali, concordaram. Eu me acomodei e peguei o rosbife e o purê que estavam mais próximos. Coloquei tudo no prato e comecei a comer com vontade.
– Você está mesmo com fome. – O garoto moreno falou, com seus olhos verdes se enrugando com o sorriso. Eu corei e engoli o que tinha na boca. Não estava sendo educada.
– Desculpe. Sou . – Eu me apresentei.
– Tyler Crowley. – Ele se apresentou. – Esses são Eric Yorkie e Angela Webber.
– Prazer. – Eu falei sorrindo timidamente.
– Adorei seu cabelo. – Angela falou na hora. Eu sorri. Meu cabelo era um dos meus maiores orgulhos. Chamava muita atenção, coisa de que eu não gostava, mas ainda assim...
– Obrigada. – Eu falei. Voltei a comer, dessa vez mais devagar.
– Nós não a vimos por ai durante o dia. – Tyler falou.
– Eu passei o dia todo no quarto, sabe, por isso estou morrendo de fome. Não sabia que tinha permissão do meu mestre pra sair. – Eu falei.
– É, eu fiquei com medo de sair também. – Angela falou, olhando nervosamente ao redor. – Eu não sabia que eles deviam ser assim.
– Nem eu... Eles nunca contam isso na TV. – Eric concordou. Seu sotaque latino era audível e muito sexy.
– Ah, os seus vampiros também foram idiotas com vocês? – Eu perguntei surpresa.
– Shh. – Angela mandou nervosa. – Não diga isso!
– Desculpe. – Eu olhei ao redor nervosamente também. Se Edward me ouvisse... – Ed quase me mata quando o chamei de imbecil.
– O quê? – Tyler gritou. Algumas pessoas olharam para ele, que abaixou novamente a voz. – Você o chamou de imbecil?
– Não foi por mal, eu estava com raiva. – Eu falei.
– Eu deixei a toalha da minha mestra cair e quase tive a cabeça decepada. Você teve sorte. – Eric falou.
– Mas e aquela história de que a vida sem os Guardiões não vale a pena? Eles não deviam nos tratar melhor? – Eu quis saber.
– Diga isso a eles. – Angela falou.
Eu me concentrei de volta na comida, pensando que talvez tivesse sido enganada. Tudo que eles mostravam na TV, sobre os Guardiões serem as pessoas mais felizes da Terra estava começando a parecer mentira. Tudo bem, Edward não era tão ruim, se você prestasse bem atenção. Ainda assim... Pensei que seria diferente.
Terminei de comer e me recostei satisfeita na cadeira. Olhei ao redor e vi que o salão estava mais cheio agora.
– Onde vocês estiveram, se não estavam no quarto, então? – Eu quis saber.
– Lá fora. Esse ambiente fechado não está te matando? – Angela perguntou.
– Com certeza. Gostaria de dar uma olhadinha no sol. – Eu falei saudosa.
– Pois é... Tem um ginásio atrás do prédio. Tem piscina, quadra, sala de musculação... Tudo. – Tyler falou animado.
– Como vocês acham que vão ser as aulas? – Eu perguntei. – Quero dizer, quando Edward me mordeu, eu me senti diferente. Mas até agora não senti nenhum poder extraordinário brotar do nada em meu corpo.
Eric riu, acompanhado por Angela.
– É, é estranho. Imaginei isso de muitas formas, pensei que me sentiria invencível, mas até agora, nada. – Tyler falou sério.
– Edward disse que eu não teria condições de protegê-lo ainda, sem treino. Talvez a gente se sinta melhor depois. – Eu arrisquei.
– Pode ser. – Tyler falou pensativo.
– Eles vão nos ensinar esgrima, lutas estranhas e me disseram que poderemos escolher uma arma, depois. A que melhor se ajustar a nós. – Eric falou animado. Ele tinha um jeito tão espontâneo de falar que contagiava todo mundo.
– Essa é a parte estranha. Eu nunca fui de lutar nem nada... Aprendi defesa pessoal e tal, mas sei lá... – Angela falou dando de ombros em seguida.
– É, eu também não sou lá um grande lutador, mas é pra isso que serve a academia, não? – Eric falou.
– É. – Tyler disse.
– Eu pratiquei boxe, Kong fu, esgrima, e essas coisas assim. – Eu falei calmamente. Todos me olharam como se eu fosse louca.
– Por quê? Estava esperando um ataque a qualquer momento? – Tyler perguntou. Eu corei.
Na verdade era isso mesmo. Desde que minha mãe morreu, eu tinha medo de ser atacada a qualquer momento, por isso tinha estudado diversos tipos de lutas e outras coisas.
– Eu gosto. – Menti, dando de ombros.
– Você que sabe. – Tyler deu de ombros também.
– Hey Angela, Tyler, Eric... Tudo beleza? – Um garoto com cabelos e olhos muito negros se aproximou da nossa mesa.
– Oi Jake. Quer sentar com a gente? – Angela perguntou.
– Claro. – O tal Jake sentou-se, puxando o prato para perto.
, esse é o Jacob Black. – Angela apresentou.
– Oi... Vocês podem me chamar de Isie, sabe. – Eu falei corando. Jacob sorriu.
– Prazer, Isie. – Ele disse, estendendo a mão para apertar a minha. – Sobre o que estavam conversando?
Continuamos especulando sobre que tipo de aulas teríamos, quem seriam os professores, o que nossos mestres fariam nas aulas, já que lutavam desde que nasceram. Esse tipo de coisas.
Algum tempo depois uma garota de cabelos castanho-avermelhados e incríveis olhos cor de violeta se aproximou um pouco da mesa.
– Essa é a minha deixa. – Jake falou, levantando-se. – A gente se vê.
Ele foi com sua mestra, que tinha cara de poucos amigos, apesar de ser muito bonita.
– Acho que a hora das aulas está se aproximando. – Erik falou parecendo empolgado.
– É mesmo. – Concordei, vendo Edward se aproximando da mesa também. – Até daqui a pouco galera. – Eu falei me levantando e me aproximando dele.
– Fez novos amigos, ? – Ele quis saber.
– Acho que sim. – Eu dei de ombros.
– Claro que sim. – Ele falou dando um sorrisinho presunçoso em direção à mesa em que eu estava. Olhei para trás para ver do que ele estava falando, mas não vi nada demais. – Vamos, as aulas vão começar. Temos aula de esgrima agora.


– Ah, ótimo. - Eu respondi feliz. Era um dos meus esportes favoritos. Edward me olhou de cima.

– Você gosta de esgrima? - Ele perguntou interessado.

– Gosto sim. - Eu falei sorrindo enquanto entravamos em um corredor escuro no andar térreo. Era estreito, com painéis de madeira forrando as paredes, e havia outros vampiros com seus Guardiões por ali. A maioria estava aglomerada num espaço circular no fim do corredor, de frente para grandes portas de folhas duplas, mas não tão rebuscadas como as da entrada.


Tyler chegou logo depois de nós com sua mestra, uma garota morena com grandes olhos cinzentos. Ao ver Edward, ela se aproximou de nós, trazendo Tyler junto.

– Olá Edward. - Ela falou formalmente.

– Oi Lauren. – Edward disse. Eu sorri para Tyler, que sorriu timidamente de volta. Edward olhou de Tyler para mim por um instante e em seguida voltou a falar com a tal Lauren. - Como você está hoje?

– Ótima. Apenas essa coisa de escola que está me matando. Pensei que já tivesse visto o pior com o Internato Birmingham. - Ela falou mal-humorada.

– Não exagere. Aqui temos muita liberdade, diferente daquele lugar. – Edward falou muito sério.

– Claro, meu pai fez questão de que realmente tivéssemos. – Lauren disse.

– Ah, seu pai. – Edward falou como se estivesse considerando a idéia. Olhei para Tyler, as sobrancelhas erguidas. Ele deu de ombros, o que queria dizer que ele também não tinha idéia do que estavam falando. Eu ri baixinho e ele me acompanhou.


– Qual é a graça? – Edward perguntou para mim, alternando os olhares entre nós.

– Ah... Nada, nada. - Eu falei corando.

– Ora, dividam conosco sua alegria. – Lauren falou fuzilando Tyler com o olhar.

– É só... Estávamos rindo por que não estamos entendendo nada da conversa de vocês, só isso. – Tyler falou cautelosamente.

– Claro, por que não é da sua conta. – Lauren cruzou os braços.

– Ora, não fale assim Lauren. – Edward pediu, o que eu achei uma extrema hipocrisia da parte dele, por que quando estávamos sozinhos ele também não me tratava lá essas coisas de bem. - Ela é assim com todos, garoto, não é nada pessoal.
– Cale a boca, seu intrometido. – Lauren falou olhando para Edward com raiva e em seguida arrastou Tyler para longe de nós.
– Ai, que garota nojenta! - Eu exclamei com raiva. Esperava que ela não castigasse Tyler por isso.
– Então... Já combinou sinaizinhos secretos com seus amigos, não foi? – Edward perguntou acidamente.
– Você também? Eu não acredito nisso. Nunca imaginei que os Vampiros pudessem ser assim! - Eu falei cruzando os braços com força, olhando para o lado.
– Acho que você não entendeu uma coisa, ma petite rousse. – Edward falou suavemente, perto do meu ouvido. Aquele tom me deixava amedrontada de um jeito que eu não conseguia explicar. - Nós, vampiros, temos uma natureza muito possessiva. Nossos Guardiões... Bom, são as coisas mais preciosas para nós. É por isso que agimos de forma um tanto quanto... Rude... Com vocês.


Voltei-me para ele, surpresa.

– Então está querendo me dizer que vocês agem como idiotas por que gostam de nós? - Eu tentei captar a essência daquela declaração.


Edward riu.

– É basicamente isso. - Ele respondeu sorrindo.

– Eu não entendi. - Concluí.

– Não, mas talvez um dia entenda. - Ele falou misteriosamente.

Continuei confusa, mas não tive mais tempo para pensar sobre aquilo, pois as portas duplas se abriram e um homem alto, moreno, musculoso e com incríveis olhos amendoados apareceu ali.

– Entrem, Aprendizes. - Ele nos convidou.
A sala do outro lado daquela porta era redonda. Arquibancadas circundavam uma espécie de tatame circular. No centro o piso era de um material impermeável e nas arquibancadas, de pedra. Vampiros e Guardiões sentaram-se juntos num dos lados da arquibancada, esperando. Outro homem entrou e se juntou ao primeiro no centro da sala. Este tinha cabelos loiros e olhos cinzentos como nuvens de tempestade.
– Sejam bem vindos ao seu curso de aperfeiçoamento. Ao saírem daqui, esperamos que sejam ótimos guerreiros. Meu nome é Arlan e este é o meu Guardião, Demetrio. - O homem de olhos cinzentos falou.
Fiquei imaginando se Arlan era gay, como Edward me dissera na noite anterior, sobre as preferências de um vampiro.
Bom, ele e Demetrio pareciam uma dupla legal e se olhavam de um jeito cúmplice que me dava certa inveja. Se Edward pudesse ser assim...
– Hoje, iremos dar a vocês a noção inicial de esgrima. Sei que alguns dos vampiros aqui já praticaram essa modalidade, então espero que não morram totalmente de tédio. - Demetrio falou, arrancando risadas de algumas pessoas, inclusive de mim. Mesmo sendo um Guardião, eles o tratavam com respeito, coisa que eu achei estranha.
– Antes de colocar vocês em uma prática provavelmente danosa para alguns, gostaríamos de explicar algumas coisas. - Arlan se adiantou. – Como todos sabem, esgrima é a arte de lutar portando uma espada. Sim, uma arte. Cada movimento seu e do seu adversário tem que ser minuciosamente estudado, analisado e compreendido. Existem vários tipos de espadas, para vários tipos de guerreiros. Há aquelas para os rápidos e leves, bem como para os mais altos e lentos. A arma deve ser uma extensão do seu corpo, por isso deve-se escolher com cuidado o tipo a ser usado por cada um.
Eu me pendurava em cada palavra que ele dizia, embevecida. Não que eu já não soubesse dessas coisas, porém o modo como ele falava me deixava hipnotizada de paixão.
– Embora cada tipo de arma exija um tipo especifico de guerreiro, temos de ensiná-los a lidar com todas, de modo a estarem preparados em caso de precisarem mudar de arma subitamente. – Demetrio completou a fala de Arlan, como se tivessem combinado.
– Hoje lidaremos com a Montante. Essa é a mais comum, a que se vê com freqüência nos filmes. Lâmina longa e reta de duplo fio, com um a dois metros de comprimento e cerca de um e meio a três quilos. Bastante pesada para alguns, embora seja uma das mais ofensivas, já que se pode manter distância enquanto se golpeia. – Arlan disse, indo até o canto e pegando duas espadas longas, perfeitamente polidas. – Temos algum voluntário para começar?
Arlan olhou para as fileiras de pessoas, mas ninguém se moveu. Por fim, Edward ergueu a mão, para minha surpresa. Ele se levantou e agarrou minha mão.
– Vamos! Você não disse que gostava de esgrima? – Ele disse entre debochado e curioso. Ele estava me testando?
Ah, se tem uma coisa que eu não recuso é um bom desafio.
– Ótimo, ótimo. - Arlan disse quando nos viu. - Guardiã, nada de ser boazinha com o seu mestre e você, vampiro, nada de mortes nesta sala. Você vai sentir falta de sua Guardiã se ela morrer.


Edward riu debochadamente, me olhando cheio de si.

Demetrio revirou os olhos atrás de Arlan.

– Ele acha que é melhor do que eu, mas nunca me ganhou em uma luta. - Ele resmungou para mim, que estava mais próxima dele. Eu ri, imaginando que seria ótimo vencer o Edward nesta aula.

– Eu ouvi isso, Demetrio. - Arlan falou alegremente.

– Você sempre ouve, meu velho. - Demetrio respondeu se aproximando de Arlan, lhe dando palmadinhas nas costas.

– Vou lhe mostrar quem é velho... - Arlan resmungou baixinho, fazendo alguns vampiros rirem. - Bom, vamos voltar à aula. Quais são os seus nomes?
– Edward e . – Edward se adiantou.
– Já estudou esgrima, ? – Demetrio perguntou bondosamente.
– Um pouco. – Falei corando quando ele me olhou com aqueles seus grandes olhos amendoados.
– Não fique nervosa, tenho certeza de que Edward não vai te machucar. – Ele levou a mão ao meu ombro paternalmente.
– Acho que não. – Estreitei os olhos para Edward, que se mantinha naquela pose altiva.
– Peguem suas armas. – Arlan mandou, estendendo as duas espadas para nós. Apoiei a espada nos pés e puxei um prendedor do braço, fazendo um coque de qualquer jeito para manter meus cabelos longe do rosto. Edward retirou o paletó e jogou-o de lado, me encarando intensamente.
Arlan e Demetrio se afastaram de nós.
– Podem começar. – Demetrio anunciou.
– Vamos dançar. – Edward sussurrou presunçosamente.
Fiz um movimento rápido com os pés, fazendo a espada voar para minha mão, surpreendendo a todos. Edward estreitou os olhos para mim e deu um passo à frente.
Imediatamente me coloquei em posição de defesa, abrindo mais as pernas e inclinando meu corpo para frente. Ergui a espada com as duas mãos, esperando.
Edward se jogou sobre mim a uma velocidade surpreendente. Ainda assim, eu estava preparada e aparei o seu golpe agilmente. Faíscas voaram tanto das espadas como dos olhos de Edward.
Ele girou ao redor de si mesmo e me atacou mais uma vez. Eu me mantive em posição de defesa, apenas observando seus movimentos. Cada golpe seu era aparado por mim, sem se quer pestanejar.
Ficamos vários minutos daquele jeito, até que eu resolvi realmente atacar, pegando Edward desprevenido, com um golpe de cima para baixo. Ele cambaleou para trás, mas se manteve firme.
Em pouco tempo estávamos atacando e defendendo com força total, mas Edward estava mais cansado do que eu, tendo atacado sozinho no início. Ao perceber isso, comecei a atacar mais rápido e com mais força.
Edward se distraiu durante apenas um segundo, mas foi o suficiente para mim.
Com um único golpe, fiz um talho em seu queixo. Foi um corte pequeno, exatamente calculado, e uma única gota de sangue brotou. Uma gota que acabou com a luta.
Meu mestre paralisou em seu lugar e lentamente levou o dedo ao queixo. Pegou a gota com seu indicador e olhou o líquido vermelho, espantado.
Um silêncio opressor caiu sobre a sala. Todos me olhavam assombrados enquanto eu ofegava com o braço da espada molemente pendendo do lado do meu corpo.
O mais incrível é que eu tinha consciência de que nunca lutara tão rápido nem com tanta força, apesar de ser boa. Meus reflexos estavam melhores do que eu poderia me lembrar e a velocidade em que nos movíamos... Era simplesmente maravilhoso.
Eu podia sentir a ardência que sentira quando Edward me mordera em cada um dos meus músculos.
Sim, eu havia mudado. Muito!
E pra melhor.
– Tentou nos enganar, ? – Demetrio quebrou o silencio, parecendo animado.
– Enganar? – Eu perguntei confusa.
– Sabe lutar como eu nunca havia visto antes. É um dom nato. – Ele falou orgulhoso.
– Eu... Tive algumas aulas antes, nada demais. – Eu falei dando de ombros e corando levemente.
Alguém começou a bater palmas. Olhei para a arquibancada e percebi que era Tyler, que sorria abertamente. Angela e Eric o acompanharam, sendo logo seguidos por todos os outros, tanto vampiros quanto guardiões. Apenas uma pessoa na arquibancada não aplaudia: Jacob Black. Ele apenas me encarava especulativamente.
– Bela demonstração, garotos. Agora os outros, se aproximem. Vamos começar o treino de verdade. – Arlan falou quando os aplausos pararam
Edward ainda me encarava intrigado. Olhei para ele e uma culpa me atingiu, embora eu soubesse que não tinha feito nada de errado.
Apenas não gostara de vê-lo sangrando. Olhei para o corte mais uma vez, mas ele já havia desaparecido. Edward ergueu o dedo sujo de sangue para o lábio, sugando-o, e se aproximou de mim.
– Você foi bem, . – Ele disse.
– Você também. – Eu respondi desviando o olhar do seu.
– Não vou te deixar ganhar da próxima vez. – Ele falou indiferente.
Olhei para ele com raiva.
Deixou-me vencer? Mas não tinha jeito mesmo!
A culpa passou totalmente quando mirei seu olhar convencido brotar novamente no rosto.
Não ia deixar isso barato.
*OBS: O motivo original para os vampiros beberem sangue humano era que, pelo fato de estarem mortos, eles precisavam de nutrientes e oxigênio para os seus tecidos. Seu corpo não era mais capaz de consegui-los sozinhos por meio das reações químicas normais, já que as células e as enzimas já não funcionavam normalmente. Como no sangue humano tudo isso já estava basicamente pronto (glicose, oxigênio, enzimas, etc.), eles precisavam bebê-lo para continuar vivos. Detalhe: Seus corações batiam, se não, como o sangue se espalharia pelos tecidos?
Óbvio que a explicação não é perfeita, mas faz muito sentido. *-*

Capítulo Quatro: Distração
O resto da aula de esgrima se passou com a maioria dos outros guardiões tentando desajeitadamente lutar com seus mestres, mas muitos se quer conseguiam segurar a espada direito. Resultado: muito sangue derramado, embora não tenha havido nenhum ferimento fatal.
O único além de mim e dos vampiros que parecia ter familiaridade com aquela arma era Jacob Black. Pra falar a verdade, ele era muito bom.
Depois daquela primeira luta em que eu saíra vitoriosa, desafiei Edward para mais uma. Se ele achava que eu ia deixar barata aquela história de ele ter me deixado ganhar, estava muito enganado.
Nossa luta não tinha nada de treinamento, era pra valer. Nos empenhávamos ao máximo em cada golpe. Em pouco tempo estávamos sem fôlego e suando.
Depois de muito tempo de luta infrutífera, em que ambos golpeávamos e nos defendíamos na mesma medida, Arlan e Demetrio tiveram que nos mandar parar e declararam um empate. Então pediram para Edward e eu, que tínhamos lutado tão bem, ajudá-los com os outros. Ou seja, passamos o resto da aula dando dicas às pessoas de como segurar a espada corretamente e o jeito certo de se posicionar.
Jacob e sua mestra estavam muito concentrados em sua batalha, quase tanto quanto Edward e eu estivéramos. Óbvio que eles faziam uma dupla e tanto. Os olhos violeta da garota chamavam a atenção de todos, bem como os músculos morenos de Jacob.
– Renesme. – Edward sussurrou quando passou por mim.
– O quê? – Eu perguntei sem entender.
– O nome dela é Renesme. – Ele explicou.
– Ah. Ela é linda. – Eu comentei.
– Está com ciúmes? – Ele quis saber.
– Fala sério. – Revirei os olhos. – Por que você tem que ser tão chato?
– E por que você tem que ser tão irritante? – Ele perguntou.
Nós miramos um ao outro insistentemente. Era quase um desafio. Então Arlan chamou a atenção da turma e tivemos que nos voltar para ele.
– Bom, alguns de vocês vão ter bastante trabalho nesta aula. – Ele comentou, mirando o guardião de Alec, cujo nome eu não sabia, e que se atrapalhava o tempo inteiro com a espada. – Mas no geral, foram bem. Espero que pratiquem com dedicação, principalmente vocês, Guardiões, pois um erro pode custar a vida do seu mestre e, com isso, a sua própria. Estão dispensados.
Saímos da sala silenciosamente.
Depois de três horas dentro da sala de aula, era hora do intervalo, finalmente.
Os vampiros e seus guardiões foram todos para o pátio traseiro da mansão. Eram dez vampiros e dez guardiões, totalizando vinte alunos. Depois dos seis meses de treinamento inicial, os Patrulheiros eram mandados para postos exteriores para finalizar seu treinamento nas fronteiras.
Acontece que antigamente humanos, Vampiros Vermelhos e Vampiros Brancos conviviam juntos. A guerra entre as duas raças vampíricas devastava milhares de vidas humanas e foi desse jeito que minha mãe foi morta.
Hoje, as cidades humanas eram cercadas por grandes muralhas fortificadas e defendidas pelos Patrulheiros. Esses também fazem rondas dentro dos muros para ter certeza de que nenhum Vampiro Vermelho poderia ter transposto as suas defesas de alguma forma, coisa que eu achava bem difícil, para não falar impossível.
Em cada entrada para a cidade havia uma espécie de forte protegido pelos Patrulheiros. Se algum Vampiro Vermelho conseguisse ultrapassar o portão principal, o alarme era imediatamente acionado e todos os Patrulheiros da cidade eram convocados ao local.
Os muros ao redor da cidade eram extremamente altos e cercados por um sistema de detecção de movimento. Se algo ousasse se aproximar pelo lado de fora, o mesmo alarme soava.
Fora dos muros das cidades humanas, os Patrulheiros mais competentes eram colocados em postos para proteger as estradas. Ali era território inimigo e um verdadeiro campo de batalha. E era lá que o pai de Edward estava.
Sir Carlisle Cullen e sua guardiã, Esme eram alguns dos mais fortes e competentes de nossa raça.
Eu até podia entender por que Edward era tão arrogante. Ser filho do Patrulheiro mais famoso e amado pelos humanos deve ser uma carga bem pesada para se agüentar.
Desviei meu olhar do meu mestre e olhei para um pedaço do muro que eu podia ver ao longe, entre as árvores. Senti um arrepio me percorrer a espinha e resolvi voltar minha atenção para os terrenos da escola.
Havia um vasto gramado ali e, como Tyler dissera, um enorme ginásio.
A noite estava calma e sem nuvens, o que significava que a luz da lua crescente banhava os terrenos sem empecilhos. Fora ela, as únicas luzes ali eram as que saíam das janelas da mansão, o que significava que a maior parte do gramado estava na escuridão.
Embora isso não fosse de forma alguma um problema para mim. Eu conseguia distinguir cada folha que se sacudia ao vento com assustadora precisão.
– Edward, isso é demais! – Eu exclamei olhando novamente para ele, que estava parado ao meu lado.
– O quê? – Ele quis saber.
– Esses poderes! Estou me sentindo invencível! – Falei animada. Edward gargalhou.
– Você é tão boba, petite rousse.– Ele desarrumou meus cabelos como se eu tivesse cinco anos de idade. Fiz uma careta. Eu detestava ser tratada como criança.
– Edward! Venha, precisamos conversar. – A tal Renesme, mestra de Jacob, o chamou.
– Já volto. – Ele falou simplesmente e foi com ela.
A eles se juntaram todos os outros vampiros. Eles formaram um circulo a um canto do gramado, conversando aos sussurros.
Continuei parada onde estava, morrendo de curiosidade.
– Sou só eu, ou você também acha que eles estão nos escondendo algo? – Jacob apareceu subitamente ao meu lado. Ainda assim, eu havia podido perceber a sua chegada.
– Concordo com você. – Eu falei, mirando-o. Ele sorriu.
– Você foi muito boa na aula de esgrima. Embora eu deva dizer que deveria ter deixado o seu mestre ganhar, só por segurança. – Ele falou divertido.
– Você deixou sua mestra vencer? – Eu perguntei, embora me lembrasse muito bem de ver a espada de Renesme caída no chão.
 Touché*. – Ele riu. – Eu não sou de me deixar intimidar.
– Eu muito menos. – Concordei.
– Já gostei mais de você. – Ele disse e eu lhe lancei um sorriso.
– Oi. – Tyler falou se aproximando com Angela e Eric.
– Olá. – Jacob cumprimentou.
– Tudo bem com você, Tyler? Aquela coisa com a sua mestra... – Eu falei me lembrando da discussão.
– Ah, tudo bem. A Lauren só sabe ficar de cara feia, mas no fim não faz nada. – Ele disse baixinho, checando para saber se não tinha ninguém ouvindo.
– Que ótimo! – Eu exclamei aliviada.
– Ah, parabéns, Isie. Você foi ótima na aula de esgrima... – Angela comentou animada. – Nunca vi ninguém se mover tão rápido!
– Não foi nada demais. – Eu falei sentindo meu rosto esquentar um pouco.
– É verdade, você foi excelente. – Eric concordou.
– Claro que foi. Vocês viram quem é o mestre dela? O filho de Sir Carlisle Cullen. –Tyler falou seriamente. – Ele precisava de um Guardião à sua altura.
– E vocês não se acham bons Guardiões? – Jacob perguntou e eu concordei. Não era por que Edward era meu mestre que eu era boa.
– Não, apenas... Acho que Isie é a melhor de nós todos. Inclusive melhor do que você, Jake. – Tyler falou com um sorrisinho malicioso brincando nos lábios. Segurei-me para não rir da careta que Jacob fez.
Ele já ia responder quando o grupo de vampiros se desfez e tivemos que nos juntar aos nossos mestres. Edward veio na minha direção e quando estava próximo o bastante, estendeu a mão para mim.
– Vamos, hora da aula. – Ele disse.
– Temos o quê agora? – Eu quis saber.
– Boxe. Também gosta dessa luta? – Edward perguntou curioso.
Apenas sorri.
O boxe era uma das minhas lutas favoritas, só pra constar. Ensinava a ter disciplina e, se não houvesse paixão, não haveria vitória.
Edward me guiou para dentro até a escada principal. Do seu lado esquerdo havia uma passagem que levava a outro corredor, sendo que este tinha paredes de pedra nua.
Diretamente à frente, no fim do corredor, havia uma porta simples de madeira.
Nós e todos os outros nos aglomeramos à frente dela, esperando.
Cerca de dez minutos depois um homem baixo, porém muito musculoso, abriu a porta e, sem nada dizer, se afastou para que passássemos. Ele usava um short e uma regata básica. Não parecia um professor, mas como a matéria em questão era boxe, releva-se.
Havia um ringue de boxe bem no meio do aposento, cercado de arquibancadas em dois lados. No lado oposto àquele por que entramos havia duas portas com figuras de homem e de mulher. A um canto da mesma parede ficavam algumas prateleiras contendo as luvas, faixas de gaze, esparadrapo e cordas de pular.
De frente para a parede esquerda, havia uma fileira de sacos de areia pendurados no teto.
Uma mulher morena com profundos olhos verdes estava parada bem no meio do ringue, usando um short preto muito curto e uma baby look branca, deixando aparecer o quanto ela havia malhado para chegar àquele corpo.
Claro que sua aparência atraiu imediatamente a atenção da maioria dos garotos. Edward, no entanto, se mostrava indiferente, coisa pela qual eu agradeci muito. Não teria paciência para agüentar que ele ficasse babando em cima daquela mulher.
– Boa noite, garotos. Sejam bem-vindos à Academia de Guardiões e à sua primeira de muitas aulas de boxe. Aqui vocês vão aprender o quanto seus punhos são importantes tanto no ataque quanto na defesa. – A mulher começou. Tinha uma voz sedosa e calma, que a fazia parecer muito segura de si. O homem que abrira a porta para nós se juntou a ela no ringue. – Sou Eleanor e este é o meu Guardião, Samir. Ele não fala muito.
Ela soltou uma risadinha, dando uma palmada no ombro do homem, que se quer piscou. Medo!
– Nessa aula vamos ensinar a vocês tanto o boxe comum ou pugilismo, quanto o boxe tailandês, mais conhecido como muay thai. Mas não se preocupem, vamos tentar fazer com que seus ossos tenham o menor dano possível. – Ela riu mais uma vez e pela primeira vez a acompanhei. E fui uma das poucas.
Lembro como se fosse hoje da cara que o meu pai fez quando decidi que queria praticar muay thai, aos dez anos de idade. Os golpes dados com os cotovelos, joelhos e canelas costumam causar danos quase permanentes nos ossos. Ele queria que eu fosse uma guardiã, mas também queria que eu estivesse inteira quando a hora chegasse.
Mas acontece que eu me apaixonei mesmo foi pelo pugilismo puro e simples. Apesar dos possíveis danos cerebrais.
– Hoje vocês irão apenas praticar a precisão dos golpes nos sacos de areia. Vamos ajudá-los no posicionamento e na forma correta de golpear. – Ela disse. – Na próxima aula, lembrem de trazer roupas de ginástica.
Com isso nos adiantamos até as estantes para pegar a gaze. Peguei um rolo e comecei a enfaixar as mãos de Edward com cuidado. Em seguida prendi tudo com esparadrapo. Ele fez o mesmo comigo e, em seguida, fomos até um dos dez sacos de areia ali presentes.
– Você começa. – Edward falou, indo para trás do saco para segurá-lo para mim.
– Pode começar se quiser. – Eu falei, estalando as articulações do pulso e dos dedos.
– Vá você. – Ele disse.
Concordei com a cabeça e me posicionei. Flexionei os joelhos, inclinei-me para frente e coloquei os punhos em frente ao rosto como já havia aprendido. Notei que o loiro, Guardião de Alec, estava logo ao meu lado e imitava todos os meus movimentos.
Ele tinha cara de ser meio delicado e desastrado. Tive pena. Olhei para ele e sorri, fazendo gestos para que colocasse os punhos mais altos. O rapaz me imitou e eu fiz gestos com a cabeça em direção ao saco, para que ele prestasse atenção.
Olhei para Edward, que me observava com uma expressão curiosa no rosto.
– O quê? – Eu perguntei.
– Nada. – Ele disse sorrindo. – Vamos, bata. Devagar para que seu amigo a imite. – Ele finalizou em voz baixa. Sorri de volta e dei um soco no saco.
Vi, pela minha visão periférica, que o rapaz tentava fazer igual. Continuei como se nada estivesse acontecendo, só que batendo muito mais devagar do que seria necessário. Pouco tempo depois aumentei a velocidade, batendo normalmente. Esperava que o garoto conseguisse ir bem e impressionar o seu vampiro.
– Você está indo muito bem. Já praticou boxe antes? – Eleanor perguntou chegando pelo meu lado direito.
– Já sim, durante dois anos. – Eu falei, continuando com o que estava fazendo.
– Tem muita precisão de movimentos. – Ela elogiou satisfeita.
– Obrigada. – Eu falei, sorrindo levemente para ela, que voltou a passear entre os alunos. Parou no garoto ao meu lado.
– Tente fixar um ponto e socar apenas nele. – Ela falou, tentando ajudá-lo. – Não precisa ficar nervoso, é apenas a primeira aula.
Pelo que eu podia ver pelo canto do olho, ele ficara nervoso quando a professora se aproximara e quase socara seu mestre.
Voltei a me concentrar no que estava fazendo antes que acabasse socando Edward por pura distração.
– Vamos, , com mais força. – Edward mandou.
Joguei meu peso contra o saco, imaginando a cara de Edward bem no meio dele. Estava dando certo. Pelo menos poderia descontar minhas frustrações no objeto.
– Troquem de lugares. – Eleanor mandou.
Parei de socar e mudei de lugar com Edward. Ele se posicionou em frente ao saco e eu o segurei por trás.
– Acho que comigo não vai funcionar. – Ele falou dando um soco no objeto.
– O quê? – Eu perguntei sem entender.
– Imaginar o seu rosto aqui. Não estou tão irritado com você. – Ele disse sorrindo, sem tirar os olhos do lugar onde batia. Corei furiosamente. Como ele sabia que eu estivera imaginando seu rosto naquele saco? – Você foi meio óbvia, na verdade. Sempre faz uma careta quando olha pra mim com raiva. Fez a mesma careta olhando para o saco, e acho que ele não pode tê-la ofendido tanto.
Ele riu por fim, mas eu fiquei mortificada.
– Eu não estou irritada. – Eu menti.
– Não? – Ele ergueu as sobrancelhas.
– Só um pouquinho. – Admiti, sorrindo levemente. Edward riu também. Até que ele estava sendo agradável. Será que se eu pedisse, ele seria legal sempre?
Até que tentei, mas não tive coragem.
Preferi olhar ao redor e vi que alguns dos Guardiões estavam tendo dificuldades em socar com precisão. Não é sendo metida nem nada, mas eu não via dificuldade nisso.
Quando olhei para Edward novamente, recebi um soco bem no queixo. Deslizei para trás e caí sentada.
– Puta que o pariu! – Reclamei, sentindo meu rosto parecer rachar ao meio.
– Droga! Desculpe-me, não foi proposital. – Edward falou, correndo para perto de mim. Abri a boca, testando. Parecia que meu queixo estava se soltando do meu rosto, de tanto que doía. Olhei para Edward, que me olhava preocupado.
– O que você estava querendo fazer? – Eu perguntei, aceitando a mão que ele estendia para me levantar do chão.
– Eu... Distraí-me. – Ele falou vagamente.
– O que houve aí? – Eleanor se aproximou de nós. Muita gente havia parado para nos olhar.
– Foi um acidente. – Eu disse, movendo o queixo novamente, para testar.
– Você está bem? – Ela perguntou olhando preocupada para mim.
– Claro, tudo bem. – Eu falei. A dor estava começando a diminuir.
– Então continuem. – Ela mandou.
Voltei para trás do saco para segurá-lo para Edward.
– Com o quê você se distraiu? – Perguntei interessada. Afinal, meu rosto foi que pagou o pato.
– Nada demais. – Ele disse, coçando o queixo meio pensativo.
– Tem que ser alguma coisa importante, pra você quase quebrar a minha cara! – Falei indignada.
– Desculpe-me. Eu realmente sinto muito. – Ele disse.
– Tudo bem. – Eu dei de ombros.
– Você... Sabia que seus olhos tem pintinhas verdes? – Ele perguntou me olhando de soslaio e me deixando boquiaberta. Foi com isso que ele se distraiu?
Pigarreei e disse pra ele voltar a bater, mais corada do que antes.
Claro que eu sabia que meus olhos tinham pintinhas verdes. Eles eram iguais aos de Charlie, castanhos com pintinhas verdes. E eu não sabia o que Edward queria com isso agora.
Depois da aula estávamos todos cansados e suados. E eu, particularmente, estava com fome.
– Vai ter comida no refeitório pra vocês. – Edward falou quando saímos no hall de entrada.
– Estou morrendo de fome. – Falei animada.
Dirigimo-nos ao refeitório junto com os outros. Havia muitas travessas sobre as mesas, contendo ovos, bacon, torradas e suco de laranja. Minha barriga quase falou, desejosa.
– Vou te esperar. – Edward falou, indo para junto de Lauren, numa mesa afastada. Logo Renesme e Alec se juntaram a eles.
Sentei-me à primeira mesa que encontrei e comecei a comer.
– Estou faminta. – Angela disse, sentando-se ao meu lado.
– E eu. – O garoto loiro que eu havia ajudado se juntou a nós. – Ah, obrigado pelas dicas na aula.
– Não tem problema. – Eu falei.
– Sou Mike. Mike Newton. – Ele se apresentou.
– Isie. – Eu disse apenas. Estava com fome demais para ficar falando. Mike não insistiu, enchendo o prato à sua frente.
Depois de nos fartarmos, começamos a conversar de verdade.
– Alec até que é bom pra mim, sabe. Ele não fica falando por que eu sou meio fraco e desastrado. Quando eu era humano, era bem pior. – Mike admitiu.
– Entendo. Mas o Alec parece ser muito legal mesmo. – Eu comentei.
– E ele é. – Mike concordou. Agora, imaginei se Mike era gay.
– Quem é o seu mestre, Angela? – Eu perguntei. Já havia visto o rapaz moreno com olhos amendoados que andava com ela, mas não sabia seu nome.
– Ah, é o Benjamim. Ou Ben, como ele gosta. – Ela disse apenas.
– E ele é legal? – Eu perguntei.
– Do jeito deles. – Ela comentou e eu entendi o que queria dizer. – O seu mestre te deu um soco e tanto hoje.
– Ele se distraiu. – Resmunguei desgostosa. Angela e Mike riram.
– Vamos petite rousse? – Edward falou, tendo se aproximado pelas minhas costas.
Corei furiosamente.
Primeiro por que ele poderia ter ouvido o que eu falei. Segundo por ele me chamar por aquele apelido estranho na frente dos meus amigos.
Segurei sua mão e fui com ele.
– Por que me chama assim? – Eu perguntei.
– Assim como? – Ele perguntou sem entender.
– Esse negócio de petite rousse das quantas... – Eu falei. Edward riu.
– Você não sabe mesmo o que significa? – Ele quis saber. Fiz que não com a cabeça. – Ma petite rousse, significa que você é a minha pequena ruivinha. É Francês, .
Minha pequena ruivinha.
– Gostou do apelido? – Ele perguntou calmamente.
– Me faz parecer criança. – Eu falei pensativa.
– Posso parar se você quiser. – Ele sorriu.
– Eu gostei. – Corei ainda mais e Edward gargalhou.
– Que bom. – Ele disse apenas.
Não sei se era apenas impressão minha, mas estávamos nos tornando amigos. Apesar de irritante, pelo menos Edward podia ser divertido às vezes. E isso já era um avanço e tanto no nosso relacionamento.
De volta ao nosso quarto, Edward pediu que eu preparasse seu banho. Isso mesmo, pediu. Eu sabia que ele podia me obrigar se quisesse, por isso obedeci.
Preparei a banheira para ele e Edward veio se deitar nela sem roupa alguma. Desviei o olhar o máximo que pude. Ele ficou relaxando na água morna por alguns minutos e, em seguida, me pediu para esfregar suas costas. Fiz o que era mandado, mais delicadamente dessa vez. Não estava com raiva agora.
– Mais forte, . Como na outra noite. – Ele pediu.
– Na outra noite eu estava com raiva, Edward. – Eu falei, mas mesmo assim esfreguei com mais força.
– Está ótimo. – Ele suspirou. – Pegue uma toalha.
Ele tomou a esponja, terminando o banho sozinho. Em seguida se levantou e eu me aproximei para enxugá-lo. Sequei seus cabelos com cuidado e em seguida parti para o corpo.
– Não precisa, obrigado. – Ele tomou a tolha de minhas mãos, me deixando aliviada. Eu nem se quer tinha certeza de como fazer aquilo. Em seguida ele se enrolou nela e saiu.
– Tome seu banho. – Ele disse.
Esvaziei a banheira e a enchi novamente para mim. Encostei a porta, retirei minhas roupas e peguei um roupão, colocando-o ao lado da banheira. Então entrei, relaxando meus músculos na água morna. Em poucos segundos já me sentia renovada.
– Quer uma ajuda para esfregar as costas? – Edward perguntou, de volta ao banheiro ainda enrolado em sua toalha. Assustei-me e me encolhi na banheira, espalhando água pelos lados.
– Não obrigada. Pode sair. – Eu falei muito corada.
– Não precisa ter vergonha de mim, . – Edward falou aproximando-se mais da banheira, seus olhos captando os meus intensamente.
– Mas eu tenho. Por favor, pode sair? – Pedi, nervosa.
– Claro. – Ele então virou de costas e saiu, para o meu alívio.
Logo terminei o meu banho e me enrolei no roupão. Quando voltei ao quarto, Edward estava confortavelmente deitado na cama, a toalha caída ao lado da mesma.
Hum... Pelo visto ele gostava de dormir nu.
Nota mental: sempre deixar a porta do quarto trancada quando Edward estiver dormindo.
Ele me olhou e eu me aproximei da cama, já sabendo o que ele iria querer antes de dormir. Ele ergueu a colcha, me chamando para perto dele. Entrei sob as cobertas e Edward me puxou para junto de si. Fiquei nervosa com seu corpo nu tão perto do meu.
Edward me fez deitar ao seu lado e colocou o corpo sobre o meu. Seu nariz roçou a minha orelha, fazendo um arrepio me percorrer, e foi descendo. Seus lábios roçaram a pele sensível de meu pescoço, mandando estímulos pelo meu corpo. Levei minhas mãos aos seus ombros, em busca de apoio. Sua língua percorreu um caminho sôfrego para, em seguida, seus caninos se cravarem em minha pele.
Depois de beber uma grande quantidade do meu sangue, Edward se aninhou em meus braços, a cabeça sobre meu seio, para dormir. Acariciei seus cabelos como se o ninasse, e esperei.
Nenhum de nós disse uma palavra.
O mais importante não precisava ser dito.
*Touché (do francês: tocado) na esgrima, é usado como um reconhecimento de um golpe, dito pelo esgrimista que foi golpeado.

Capítulo Cinco: Sentindo

Depois que Edward dormiu naquele dia, eu fechei as cortinas do quarto e me atrevi a dar uma volta pela escola, depois de trancar bem a porta, claro. Obviamente todas as janelas pelos corredores estavam fechadas, então voltei para o quarto e troquei de roupa.
Coloquei uma calça preta de microfibra, um top de mesmo material, deixando minha barriga de fora, e um casaco de moletom por cima para não chamar tanta atenção.
Estava pensando em dar uma passada no ginásio depois de tomar um pouquinho de sol, por isso pus as roupas de ginástica.
Desci novamente e saí pela porta dos fundos. O sol tinha acabado de nascer e a manhã estava muito agradável. Não havia ninguém à vista. Perambulei pelo terreno e por fim achei um carvalho promissor sob o qual me sentar.
Virei meu rosto para cima e apreciei os raios quentes que me banhavam. Havia mais de vinte e quatro horas que eu não via o sol e aquilo estava me torturando. Estar aqui fora, de dia e ao ar livre me deixava mais do que satisfeita.
Mesmo assim, não podia deixar de pensar em Edward e se ele estaria bem sozinho. A vontade que eu tinha era de voltar para vigiar o seu sono, mas aquilo não fazia sentido algum, então balancei a cabeça para afastar aqueles pensamentos.
Continuei apreciando a manhã por um tempo.
Mesmo distraída e de olhos fechados, pude ouvir claramente aquela aproximação. E aqueles passos predadores só poderiam pertencer a uma pessoa.
– Tentando me assustar, Jacob? – Eu perguntei sem mover um músculo além dos da boca.
– Droga! – Ele resmungou baixinho. Soltei uma risadinha divertida e abri os olhos. Jacob terminou a sua aproximação e sentou-se ao meu lado. Ele estava usando calça de moletom e uma regata branca fresca.
– Pensando em se exercitar? – Perguntei interessada.
– Sim, e pelo visto você também. – Ele me olhou de cima a baixo.
– É. Um pouco de treino não vai me fazer mal. – Eu dei de ombros.
– Não que você precise, Srta. Perfeitinha. – Ele resmungou divertido.
– Eu faço o que posso. – Eu disse, curvando minha cabeça como em uma reverência brincalhona. – Vamos treinar juntos? Que tal um pouco de esgrima, Black? Você está meio enferrujado.
Já era provocação demais, já que eu sabia que Jacob estava muito bem.
– Engraçadinha você. Vamos sim, está precisando de uma liçãozinha. – Ele disse estreitando os olhos.
– Ótimo. Mas por enquanto me deixe apreciar o ar livre. – Eu falei fechando os olhos novamente.
– Eu também senti falta disso. – Ele resmungou e senti que ele se acomodava melhor no tronco da árvore.
Ficamos longos minutos em silencio.
Estar aqui, apreciando a manhã sem fazer nada específico, me fazia lembrar Charlie. Ele adorava ficar de bobeira, apesar de não ter muito tempo pra isso. Onde ele estaria? O que estaria fazendo?
Provavelmente estaria no hospital.
Quando não foi escolhido para ser Guardião, Charlie deu outro jeito de ajudar as pessoas e acabou se tornando cirurgião. E um dos bons.
Gostaria de poder vê-lo, de lhe contar como as coisas são por aqui e como Edward e eu estamos começando a nos entender. Suspirei, saudosa.
– Pensando em alguém especial? – Jacob perguntou de repente e eu me virei, percebendo que ele me observava.
– Sim. Pensava no meu pai. Gostaria de poder falar com ele agora. – Eu disse nostálgica.
– Eu sei. Fico imaginando como meu pai e minha irmã estão se virando... – Ele disse muito sério.
– Ah, você tem uma irmã? – Eu perguntei animada. Sempre quis ter um irmão ou irmã.
– Tenho. Ela é muito louca e trabalha como secretária. – Jacob falou com os olhos brilhando.
– Aposto como é engraçada. – Eu falei sorrindo.
– Quando o assuntou sou eu, ela é engraçada até demais. – Ele riu.
– Posso imaginar. E o seu pai? – Eu quis saber.
– Ah, o velho é uma rocha. É militar, por isso eu sou tão durão e às vezes muito competitivo. – Ele disse sorrindo.
– Já percebi. – Eu ri.
– E o seu pai? – Jacob perguntou interessado.
– Ah, ele é médico. – Eu disse simplesmente.
– E um sonhador, aposto. – Ele comentou.
– Acertou. – Eu ri mais uma vez. – Como você sabe?
– Por que você é uma sonhadora também. – Ele me deu uma pancadinha divertida no nariz e deu de ombros. Não deixava de estar certo.
– Que tal aquele treino agora? – Perguntei animada.
– Ótimo, vamos. – Jacob se levantou e me deu a mão para me ajudar a levantar.
Fomos até o ginásio. Havia três portas de folhas duplas ao longo da fachada.
– A primeira é a sala da piscina. – Jacob falou apontando. – A segunda é uma sala de musculação e, a terceira, um tatame para vários tipos de lutas, inclusive esgrima.
– Terceira porta, então. – Falei, me dirigindo a ela com Jacob logo atrás.
A sala era forrada de um material impermeável e meio fofo tanto no chão como até a metade das paredes. Havia bancos, como para uma platéia, do lado esquerdo. Logo à direita ficavam algumas prateleiras cheias de coisas, inclusive espadas.
– Você sabe usar a Katana? – Jake me perguntou animado.
– É a minha favorita. – Respondi divertida.
Fomos até as prateleiras e pegamos um par delas. Até que estavam bem cuidadas, apesar de parecerem meio antigas.
Nós dois fomos para o meio do tablado. Segurei o sabre, testando.
Era mais leve do que eu me lembrava. Ou eu estava mais forte do que antes, o que realmente era uma possibilidade.
Coloquei a espada no chão e me livrei do casaco, ficando apenas com o top. Jake me olhou de cima abaixo e assoviou, parecendo aprovar.
– Cala a boca. – Eu falei sem graça.
– Pronta? – Jake perguntou rindo da minha vergonha.
Apenas sorri e me coloquei em posição. Jacob fez o mesmo, mas ficou parado apenas, me analisando, então resolvi atacar. Foi assim que a luta começou.
As faíscas voavam para todos os lados enquanto Jacob e eu atacávamos e nos defendíamos. Ele era grande e forte, mas também sabia ser rápido, o que era uma grande vantagem.
Mesmo assim eu não fraquejei. Ainda era mais rápida do que ele, então conseguia me esquivar facilmente. Logo, estávamos em pé de igualdade e não havia sinal de quem seria o vencedor.
Não sei quanto tempo passamos lutando, mas aos poucos algumas pessoas foram aparecendo e sentando para nos assistir.
Jake golpeou, tentando me pegar desprevenida pelas costas. Eu girei ao redor de mim mesma e aparei o seu golpe com o punho da espada. Nossos rostos ficaram a poucos centímetros um do outro, sobre nossas katanas. Jacob sorriu e seus olhos brilhavam muito quando ele fazia isso, tão sincero era o seu sorriso. Ele estava se divertindo, assim como eu.
– Eles vieram ver você perder. – Ele falou sorrindo ainda mais.
– Não cante vitória antes da hora, Black. – Falei sorrindo de volta.
O empurrei para longe para livrar minha espada. Logo em seguida Jake voltou a atacar, mas eu estava preparada e já sabia o que fazer. Com um golpe, cravei a ponta de minha espada no punho da sua e, com um giro do meu pulso, a arranquei de suas mãos.
O sabre bateu no chão com um golpe metálico e o som seguinte foi a minha risada, seguida pelos aplausos das pessoas, entusiasmadas. Acho que devia ter uns sete Guardiões assistindo.
– Foi sorte! Quero uma revanche. – Jake exigiu.
– Você é um péssimo perdedor. – Eu revirei os olhos.
– Está com medo de ter sido sorte mesmo? – Ele provocou.
Eu já disse que não recuso desafios? Pois é.
Lutamos ainda mais três vezes.
No total, eu venci duas e Jacob, duas. Acabamos decidindo que era empate, já que a hora do almoço estava chegando e ambos estávamos famintos.
– Vocês dois são muito competitivos. – Angela falou se aproximando de nós enquanto caminhávamos pelo gramado.
– Acho que não vamos nos dar bem, Black. – Falei divertida.
– Nem um pouco, . – Ele concordou rindo.
Havia mesmo sido uma manhã divertida. Eu ainda sentia a adrenalina nos meus músculos. Era sempre assim quando eu me esforçava em algum exercício físico e eu adorava isso.
Estávamos comendo e conversando.
Jake sempre me provocando e eu, claro, não deixava nada passar batido. Já estávamos combinando uma disputa na piscina quando Mike entrou correndo no refeitório.
– Vocês precisam ver isso! – Ele exclamou sem fôlego e correu para fora. Sem piscar, o segui, bem como todos os guardiões presentes. Mike entrou em uma porta do lado direito da escada que eu tinha a vaga idéia de ser a sala da TV.
E era.
Quando entramos, a grande TV de plasma que ficava pendurada na parede estava ligada e o som estava bem alto, não deixando dúvidas sobre o que estava sendo falado.
“...Alertar a comunidade e acalmá-los. Já foram cinco ataques de Vampiros Vermelhos às muralhas da cidade em menos de um mês. O Rei mandou que todos os Patrulheiros e seus Guardiões, que estão fora de nossas fronteiras, voltem imediatamente para suas cidades. A nossa proteção é a prioridade.” Um homem forte e sério falava. Na verdade, não parecia ter mais de vinte anos, como a maioria dos vampiros, mas dava para perceber a importância e a seriedade tanto em sua voz como em sua postura. Eu o reconhecia como o general das tropas Vampíricas. Era ele que mandava em todos os Patrulheiros. “Todas as viagens estão proibidas temporariamente, menos aquelas aprovadas diretamente por Sua Majestade.”
Em seguida cortaram para a âncora do telejornal.
“As autoridades Vampíricas já tomaram todas as providências para a proteção da cidade. A maioria dos Patrulheiros está de volta à cidade e sob ordem direta do Rei. Tudo indica que estamos em boas mãos.” A mulher finalizou com um sorriso amarelo.
Começaram a mostrar outra notícia, então todos os Guardiões ali presentes começaram a falar ao mesmo tempo, tentando entender aquilo.
– O que você acha que isso significa? – Jacob perguntou se virando para mim.
– Eu não sei, mas o caso deve ser mais grave do que eles querem nos fazer crer. Por que outro motivo o Rei mandaria todos os Patrulheiros externos voltarem à cidade? – Eu perguntei intrigada.
– Concordo. E sabe do que mais? Lembra-se dos nossos queridos mestres cochichando ontem? Talvez eles saibam. – Jacob comentou com a testa franzida.
– Vou falar com Edward. – Eu falei imediatamente.
– Vou procurar Renesme. – Jacob disse decidido.
Eu subi as escadas correndo em direção ao quarto. Quando entrei, encontrei Edward todo embolado nos cobertores, dormindo a sono solto. Fiquei com um pouco de pena de acordá-lo, mas aquilo não podia esperar.
– Edward! – Chamei. Fui até a cama e me ajoelhei ao seu lado, afastando os cabelos de sua testa suavemente. – Edward!
– Espero que seja algo importante ou você está morta. – Ele resmungou enquanto se remexia e se espreguiçava. – Estava tendo um sonho tão bom.
– Deixa isso pra lá... Espera, com o que você sonhou? – Perguntei curiosa. Ele me olhou parecendo bem acordado e se ergueu, sentando-se apoiado na cabeceira da cama.
– O que você quer? – Ele perguntou mudando de assunto.
– Ah, é, isso. – Eu falei, me lembrando do que vim dizer. – Acabamos de ver o General Aro fazendo um pronunciamento na TV. Ele disse que temos sido atacados por Vampiros Vermelhos há um mês e que todos os Patrulheiros externos estavam sendo convocados para voltar à cidade.
– Droga! Então o caso é mais grave do que eu esperava! – Edward resmungou, levantando-se da cama. Preciso dizer que ele estava nu?
Mas tentei, com todas as forças, me desviar desse fato e me focar em suas palavras.
– Espera, você sabia o que estava acontecendo? – Eu perguntei.
Edward foi até o armário pegar uma roupa e eu desci da cama, olhando para suas costas musculosas com coxas bem torneadas... Em fim...
– Sim, todos os Vampiros sabiam. Pelo menos tínhamos uma idéia. – Ele disse enquanto vestia uma calça de moletom.
– Ah, que bom saber o quanto você me estima! – Exclamei irritada. Edward se virou confuso.
– Do que você está falando? – Ele perguntou.
– Estou falando que você ficou fofocando sobre isso com seus amiguinhos vampiros e nem teve a dignidade de contar a mim, que sou sua Guardiã e dei minha vida para te proteger! – Eu disse. É verdade que era um discurso meio dramático, mas como eu estava com raiva...
– Uma coisa não tem nada a ver com a outra, . – Ele disse balançando a cabeça.
– Claro que não. Não importa o que eu faça, nunca vou ser digna da sua confiança! – Eu disse irritada.
– Nos conhecemos há apenas duas noites! – Ele falou exasperado.
– E minha vida já está ligada a sua desde então. Pensou, por acaso, que meu pai está lá fora, sozinho? – Eu falei. Comecei a andar em direção à porta, com raiva.
– Isie... – Ele chamou. Reparei que Edward nunca havia me chamado assim e senti um arrepio percorrer a minha espinha.
– Não enche! – Falei maldosamente. Então saí para o corredor. Ali, saí correndo para o gramado dos fundos. Ainda era dia, então Edward não poderia vir atrás de mim.
E agora eu estava com medo dele.
Claro que eu percebi que agi como uma criança mimada. Era assim que eu agia sempre que me negavam alguma coisa importante. E Edward havia me negado a sua confiança. Poderia não ser para tanto, mas eu gostaria de ter sabido disso. Afinal, meu pai está lá fora, sujeito a qualquer ataque que possa ocorrer. Mesmo sem poder fazer nada, gostaria de pelo menos ficar alerta.
Fiquei vagando pelo gramado por um longo tempo, até que decidi que teria que pedir desculpas a Edward logo. A noite estava se aproximando e eu não queria ser chicoteada antes de ir para a aula.
Subi de volta para o quarto e entrei devagar, tentando não fazer barulho.
Encontrei Edward deitado na cama, vestindo apenas a peça de moletom que eu o havia visto pegar. Seus braços estavam atrás da cabeça e ele olhava para o teto, pensativo.
Aproximei-me da cama devagar e me ajoelhei ao lado dela, de cabeça baixa.
– Perdoe-me, mestre. Eu agi como uma boba. – Eu falei tentando fazer uma voz doce e inocente. Não sei se funcionou muito bem.
Edward ficou calado e, nervosa, resolvi olhar para ele para checar.
Ele me observava com o rosto pensativo. Quando me viu olhando, Edward me chamou com o dedo indicador.
Fiquei nervosa, mas mesmo assim me levantei e me aproximei da cama cautelosamente.
– Não precisa ficar nervosa, eu só quero te sentir. – Ele falou. Eu não sabia o que ele queria dizer com sentir, mas também não tive coragem de perguntar. Apenas acenei que sim com a cabeça.
Ele estendeu a mão e eu a agarrei, me sentando na cama. Edward me puxou com firmeza para junto de seu corpo, me forçando a deitar ao seu lado. Ele então rolou e ficou sobre mim.
Edward puxou meus braços, entrelaçando nossos dedos e levando nossas mãos acima de nossas cabeças.
– Deixe seus braços aí e relaxe. Você confia em mim? – Ele perguntou com a voz sedosa, soltando minhas mãos. Acenei mais uma vez com a cabeça e deixei os braços no mesmo lugar em que ele mandara enquanto seus dedos desciam lentamente pelos meus braços, me causando arrepios irreprimíveis. – Nunca mais permitirei que duvide da minha confiança em você, petite rousse. Minha vida está em suas mãos.
Em seguida Edward colocou seus braços sob o casaco que eu usava e, por baixo dele, começou a puxar meu top para baixo. Ele o deslizou por toda a extensão do meu corpo até tirá-lo pelos meus pés. Fiquei sem ação, esperando o que viria a seguir.
Ele voltou a ficar sobre mim e levou seus dedos ao zíper do meu casaco. Fiquei nervosa. Agora eu não usava nada sob ele e tive um pouco de medo do que ele iria fazer. Edward deslizou o zíper até o fim, mas afastou o casaco apenas o suficiente para colocar o rosto entre meus seios. Ele estava ouvindo meu coração, que parecia se debater contra o meu externo.
Logo o meu não era o único coração que eu podia ouvir. O de Edward estava calmo e compassado e, em pouco tempo, o meu também se acalmou, como se estivesse recebendo ordens, como se Edward também fosse seu dono.
Ele levantou o rosto e me fitou intensamente com seus olhos azuis, me fazendo sentir como se estivesse sendo radiografada.
Edward então desceu seus lábios macios para a minha pele, descendo com eles pela minha barriga. Em nenhum momento ele desviou os olhos dos meus.
Eu me sentia febril. Levei minhas mãos ao meu rosto, que estava quente. Eu suava e os olhos de Edward só me faziam sentir pior.
Mas então ele levou os dedos à minha calça e eu senti como se minha pele fosse começar a ferver a qualquer instante.
– Edward! – Eu gemi, colocando um braço sobre o rosto, com vergonha.
– Fique quietinha e olhe pra mim. – Ele mandou.
Afastei o braço e o encarei. Edward se levantou, levando minha calça consigo. Em seguida se ajoelhou e brincou com os lados dos meus quadris, acariciando devagar.
Por um instante abrasador achei que ele fosse arrancar minha calcinha, mas ele não o fez. Apenas segurou uma de minhas pernas, acariciando o interior de minha coxa com as pontas dos dedos.
Mais arrepios me percorreram, bem como outras sensações escaldantes.
Edward abaixou seus lábios, sua língua deixando um rastro úmido e borbulhante por onde passava. Em seguida seus caninos penetraram a minha artéria femoral. Quando meu sangue fluiu, me senti imediatamente mais calma. Edward ainda tinha meus olhos presos aos seus e eu me perdi na imensidão daquele olhar, embriagada.
Ele agarrou minha coxa com mais força e logo depois ergueu o rosto. Seus lábios estavam rubros com o meu sangue.
– Já provou sangue, ? – Ele quis saber, vindo postar seu rosto sobre o meu. Uma gota pendia de seu lábio inferior de forma hipnotizante.
Eu acenei que sim com a cabeça.
– Tem gosto metálico e enjoativo. – Eu respondi em um fio de voz. Edward sorriu levemente.
– Quer saber que sabor seu sangue tem para mim? – Ele perguntou sugestivamente. Eu mais uma vez acenei que sim e Edward aproximou seus lábios dos meus. Estendi minha língua e captei a gota que me seduzia, sentindo ainda a textura macia da pele de Edward.
Provei o sangue pela primeira vez desde que me tornei guardiã e o gosto era indescritível. Era uma suave mistura de tudo que eu mais gostava no mundo. Não tem como ser menos vaga do que isso.
Enquanto devaneava, percebi vagamente o gemido gutural que Edward soltou. Ele encostou sua testa em meu queixo e, em seguida, ergueu seus olhos para mim. Uma chama azul parecia brilhar neles e Edward atacou meus lábios com voracidade.
De todas as coisas que ele poderia fazer comigo, a ultima que eu esperava era que me beijasse. No entanto, quando o fez, pareceu-me que eu havia esperado por aquilo há muito tempo, talvez a vida inteira.
O gosto de sangue permanecia ali, imponderável e delicioso. Levei meus dedos aos seus cabelos macios, agarrando-me com força a ele. Sua língua tinha um gosto doce em contato com a minha, viciante.
Então alguém bateu à porta.
Edward ergueu a cabeça para olhar e, em seguida, se voltou para mim. Seus lábios desceram mais uma vez em direção aos meus, com mais suavidade dessa vez.
Ele manteve os olhos abertos, bem como eu. Ficamos nos encarando enquanto nossos lábios se tocavam sensualmente.
Bateram novamente.
Eu me virei para a porta.
– Se ficarmos em silencio irão embora e poderemos ficar sozinhos novamente para continuar. – Edward sussurrou captando o meu olhar. Senti um frio na barriga.
– Pode ser importante. – Falei nervosamente.
Ele me olhou longamente e em seguida se levantou.
– Vista-se. – Edward mandou. Senti-me vazia com a distância de nossos corpos e me recriminei pela minha boca enorme.
Mas agora o clima havia acabado. Fechei o zíper de meu casaco e peguei minha calça. Quando viu que eu estava apresentável, Edward abriu a porta.
Um homem desconhecido estava parado ali com o rosto muito sério.
– Sir Cullen, tenho um recado urgente de Vossa Majestade para o senhor. – O homem estendeu um rolinho de pergaminho para Edward.
– Obrigado. – Ele agradeceu e fechou a porta. Desenrolou o papel e o leu com a testa franzida. Ao fim, suspirou. – Arrume nossas coisas, iremos ao Forte Dois.
– Pensei que não pudéssemos sair até o fim do treinamento. – Eu falei duvidosamente.
– E não podemos, normalmente, mas é uma ordem expressa do Rei Vampiro, então acho que teremos que ir. – Edward falou sentando-se na cama parecendo preocupado.
– Você está bem? O que diz a carta? – Sentei-me ao seu lado, preocupada.
– Diz apenas que o Rei quer me ver urgentemente, e acho que tem a ver com esses ataques. – Edward falou.
– Por que você acha isso? – Eu perguntei.
– Por que meu primo nunca me pediria ajuda se realmente não fosse grave. – Ele falou.
– Você é primo do rei? – Eu perguntei assombrada.
– Sim. Meu pai teve dois irmãos. O General Aro e o pai de Emmet, o Rei Marcus, que morreu há muitos anos. – Edward explicou.
Isso eu não sabia e fiquei impressionada, por sinal.
– Vamos, eu ajudo você. Temos que partir imediatamente. – Edward falou levantando-se. Pegamos nossas mochilas e colocamos nossas roupas e materiais de higiene pessoal. Vestimos a farda da escola e saímos do quarto.
Eu quis dizer algo, não sei bem o quê. Apenas sentia certa culpa por nosso momento ter acabado. E não sabia como admitir que gostaria que pudéssemos ter tido mais tempo.
Ao chegarmos ao hall de entrada, o homem sério, como eu vou chamá-lo já que não sei seu nome, estava lá, junto com Jacob e Renesme.
– Ele mandou chamar você também? – Edward perguntou sério.
– Ele deve estar com problemas realmente grandes. Emmet não é de sair pedindo ajuda à família assim. – Renesme falou.
– Vocês são parentes? – Perguntei curiosa.
– Renesme é filha do General Aro e minha prima. – Edward explicou.
Aí está outra coisa que eu não sabia e que me impressionou. Se bem que se olhasse com mais atenção, os cabelos dos dois tinham quase o mesmo tom de cobre e os rostos tinham o formato parecido.
Olhei para Jacob. Se ele estava surpreso, não demonstrou. Estava muito calado e pensativo.
– Temos que ir agora. – O homem sério falou.
– Claro. – Edward concordou e saímos do prédio. Pela cor do céu, o sol tinha acabado de se pôr. Mesmo assim, o carro que nos esperava tinha vidros totalmente escuros. Para falar a verdade, era mais uma limusine do que um carro mesmo.
Fomos os quatro na traseira, com folga. Eu estava ao lado de Jake e aquela expressão séria dele estava me deixando nervosa.
– Algum problema? – Perguntei em voz baixa.
– Saiu mais uma noticia no telejornal depois que você saiu. Eles estão pedindo a ajuda do exercito humano também. – Jacob falou.
– E você está com medo pelo seu pai? – Eu perguntei. Ele apenas confirmou com a cabeça. – Vai ficar tudo bem, Jake.
Segurei sua mão, consolando-o. Jake sorriu para mim e apertou meus dedos aos seus.
– Para eles pedirem ajuda humana, sabe o que significa, não? – Renesme falou ignorando a nós dois.
– Que a situação está ficando cada vez pior, a meu ver. – Edward disse.
– E ao meu também. – Renesmee concordou.
O resto da viagem foi passada em silencio, cada um perdido em seus pensamentos.
O Forte Dois ficava a norte da academia, há cerca de uns dez quilômetros. Em pouco tempo o carro parou na frente do local e o homem sério nos guiou para dentro do Forte.
No pátio, uma comitiva nos esperava.
*OBS: Apesar de os Vampiros terem um Rei, as autoridades humanas têm uma organização normal, com prefeitos, governadores, presidentes e etc.

A guardiã: Nosso destino é a eternidade...
Capítulo Seis: Provando

Um homem alto, com cabelos castanhos e olhos amendoados usava um fino aro de ouro ao redor da cabeça, que se misturava com seus cabelos. Ao nos ver, sorriu para os primos, que iam à frente.
Quando chegamos perto o suficiente, Edward e Renesme se ajoelharam diante dele e, por conseguinte, Jake e eu fizemos o mesmo.
– Vossa Majestade! – Edward cumprimentou.
– Sejam bem vindos, meus primos. Levantem-se, não é hora para formalidades. – O Rei se adiantou, sendo seguido por uma linda loira, e tocou os ombros dos primos para que estes se levantassem.
– Estivemos preocupados, Emmet. E mais ainda quando mandou nos chamar. – Edward murmurou de forma que apenas nós cinco o ouvíssemos.
– Precisamos conversar agora. – O Rei murmurou no mesmo tom. Em seguida se dirigiu às outras pessoas. – Preciso falar com meus parentes a sós. As apresentações podem esperar.
As pessoas concordaram, fizeram reverências e se afastaram.
– Venham comigo. – O Rei chamou.
Olhei para Jake, na dúvida se deveríamos ir junto.
– Venham. – Edward nos chamou, parecendo entender a minha dúvida. Fiquei aliviada com isso. Não queria ser deixada de fora, a curiosidade me mataria.
Seguimos o Rei Emmet e a loira alta que se movia como se fosse sua sombra. Seria sua Guardiã?
Adentramos o forte e entramos por alguns corredores de pedra nua até chegar a um que tinha carpete verde no chão e painéis de madeira nas paredes.
Fomos guiados a um quarto ricamente mobiliado, com acabamentos de veludo vermelho. Imaginava como devia ser o quarto do Rei em sua mansão, se este, no forte, era meramente improvisado.
– Sentem-se. – O Rei mandou, ele próprio sentando-se a uma mesa de madeira escovada com quatro cadeiras. A loira ficou de pé atrás de sua cadeira.
Edward e Renesme se sentaram à mesa. Eu me postei atrás de Edward, as mãos em seus ombros. Uma de suas mãos ele colocou sobre a minha e ficamos assim.
– Desculpem-me por isso. Eu sei que acabaram de entrar para a Academia e não queria atrapalhar seu treinamento. Eu não os chamaria se não fosse importante. – O Rei começou. – Além do mais, conheço a capacidade de vocês. E os meus informantes me disseram que têm ótimos Guardiões.
– Temos os melhores da nossa turma. – Edward afirmou. Corei, mesmo sem que ninguém estivesse olhando para mim. Ouvi-lo me elogiar com tanta firmeza fez meu coração pular.
– Ótimo. – O Rei aprovou, mas em seguida continuou. – A situação lá fora não está nada boa, meus amigos. Os Vampiros Vermelhos estão se organizando de uma forma que nunca se viu antes. É como se eles estivessem formando um exército.
– Isso não é possível. Eles estão mais preocupados em beber sangue, não em se organizar. – Edward falou incrédulo.
– Vocês sabem que eles continuam racionais e inteligentes, mesmo com uma sede tão intensa. Mas é mesmo verdade que nunca se organizaram. Costumam tratar um ao outro como competidores, mas alguma coisa os fez mudar de idéia. Nossas fontes nos informaram que agora eles estão agindo em grupo e algo me diz que estão tramando algo. – O rei finalizou muito sério.
– Isso é uma péssima notícia. – Renesme resmungou.
– E por que nos chamou com tanta urgência? – Edward quis saber.
– Por que em tempos como esses, eu preciso me cercar de pessoas em quem confio plenamente. E na política há muito poucas pessoas assim. – O Rei falou. – Vocês dois são algumas das pessoas em quem mais confio no mundo e eu preciso de sua ajuda. Vocês devem ter sabido que mandei que todos os Patrulheiros externos retornassem à cidade. Também proibi todas as viagens.
– Ouvimos falar. – Edward falou apertando meus dedos levemente e eu corei mais uma vez, me lembrando da minha ceninha infantil.
– O que eu não informei à imprensa é que Alice estava viajando quando eu dei essa ordem. Ela estava voltando, mas foi atacada na estrada. Os outros guardas, que faziam sua segurança, foram mortos, mas Jasper conseguiu protegê-la e eles se esconderam. Mas é muito perigoso saírem de seu esconderijo sozinhos. Estou mandando uma missão de resgate atrás deles. Tudo que eu menos preciso agora é que a irmã do Rei seja morta. – O homem parecia cansado e preocupado. Tive pena. Parecia carregar o peso do céu nas costas.
– Alice está em perigo? – Edward perguntou alarmado.
– Sim, mas eu sei onde ela está e como chegar lá. Gostaria de ir eu mesmo, mas o general diz que não podemos correr o risco de perder o Rei em tempos como esses. – Ele revirou os olhos, divertido.
– E ele está certo. Mas como você sabe tudo isso? – Edward quis saber.
– Você conhece Alice. Ela me fez saber. – O Rei Emmet riu. Ele tinha lindas covinhas nas bochechas e sua risada era musical. Suspirei encantada. Não era à toa que todos o amavam.
Ele era considerado o Rei mais querido dos últimos mil anos. Os dois anteriores foram depostos e mortos pelos próprios súditos, incluindo o pai de Emmet, que fora um tanto quanto tirano por cerca de quinhentos anos. Emmet havia assumido há dez anos, quando o pai morreu. Tinha acabado de se formar na Academia e muitos não colocavam muita fé nele. E se enganaram.
– Ah, Alice. Posso entender o que quer dizer. – Edward concordou divertido. Eu estava mesmo boiando nesta conversa. Nem havia chegado a saber que o rei tinha uma irmã.
– E qual o nosso papel nisso? Faremos o que for preciso para ter Alice de volta viva. – Renesme afirmou determinada. Jacob travou o queixo.
– Quero que vão junto com essa missão. Desconfio de todos à minha volta. Sei que minha irmã estará segura se vocês estiverem lá, mas não precisam concordar. Será muito perigoso... – Ele completou.
– Considere feito. – Edward falou imediatamente e Renesme concordou com a cabeça. Por dentro, eu também concordava fervorosamente. Perigo? Era comigo mesma.
– Muito obrigado. Mas antes, o General faz questão que treinem com o exército por pelo menos duas noites. Ele acha que por serem inexperientes, podem estragar a missão. Disse a ele que isso era uma idiotice, no entanto, me preocupo com sua segurança. – O Rei falou voltando a ficar sério.
– Mas quanto mais tempo demorarmos, mais perigo Alice correrá. – Renesme falou preocupada.
– Pior será se a missão for mal sucedida e todos morrerem. – O Rei retrucou.
– Então vamos logo aceitar isso. Não precisamos de discussões inúteis. Faremos o que ele quer o mais rápido possível e então poderemos partir. - Edward falou.
– Mais uma vez, muito obrigado meus primos. – O rei falou emocionado.
– Não precisa agradecer, Emmet. – Edward dispensou.
– Seus aposentos estão preparados dos lados do meu. Você fica à direita, Edward. E Nessie, à esquerda. Deixem suas coisas lá e vamos ao treino. – O Rei finalizou. Em seguida olhou para Jacob e para mim, que estivemos em um silêncio sepulcral o tempo inteiro. – E não sejam mal-educados. Apresentem-me seus Guardiões!
– Essa é . – Edward me puxou para o seu lado. Ajoelhei-me, achando falta de educação ficar de pé diante do Rei.
– É um prazer, majestade. – Falei timidamente.
– Seja bem vinda à família. – O Rei riu. – Chame-me Emmet. Tenha paciência com Edward, ele pode ser um casca grossa às vezes.
Eu ri e Edward fez cara feia para o primo.
– Claro. – Eu concordei.
– E este é Jacob. – Renesme apontou para ele, que se adiantou e me imitou, ajoelhando-se.
– Majestade! – Jacob cumprimentou.
– Seja bem vindo também, Jacob. – O Rei sorriu. Apontou para a loira atrás de si. – Essa é Rosalie, minha Guardiã.
– Prazer conhecê-los. – Ela sorriu um sorriso ofuscante. Era extremamente bela.
– Devemos ir agora, Emmet. Precisamos nos apressar. – Edward falou se levantando.
– Claro. Encontrarei com vocês lá fora. – Emmet nos dispensou.
Edward, Renesme, Jacob e eu saímos do quarto do rei e nos dirigimos aos aposentos indicados por ele.
O quarto em que Edward e eu ficaríamos era similar ao do Rei, embora sem veludo e tanto conforto. Jogamos nossas coisas nos cantos e eu olhei para Edward.
– Edward... Eu nunca ouvi falar que o Rei tinha uma irmã. – Eu falei intrigada.
– A maioria das pessoas não a conhece como Alice, ou como a irmã do Rei. Ela é mais conhecida pela sua posição. – Edward explicou.
– Como assim? – Eu ainda não havia entendido.
– Alice é o Oráculo, . – Ele completou.
Fiquei chocada, processando a informação por algum tempo.
O Oráculo era o sábio vampírico, encarregado de aconselhar o Rei. Por vezes se dizia que ele conseguia enxergar o futuro. De fato, o Oráculo (e aqui eu não posso afirmar se foi Alice ou algum outro, pois o Oráculo era uma entidade e jamais se ouvia falar em sua substituição) havia mesmo feito algumas profecias, mas eu não sabia muito sobre isso.
– E como o Rei ficou sabendo de todas essas coisas? Quero dizer, como ele sabe o que aconteceu e onde ela está? – Eu perguntei curiosa.
– Alice é uma criaturinha curiosa. Por vezes, ela consegue nos enviar mensagens através de sonhos. Ela já era o Oráculo quando eu nasci e algumas vezes evitou que eu fizesse alguma besteira ou outra. Foi dessa forma que ela conseguiu passar aquelas informações a Emmet. Através dos sonhos dele. – Edward explicou.
Agora sim eu conseguia entender aquela conversa cheia de piadinhas internas que os dois haviam tido.
– Então me deixe entender isso... Quer dizer que o Oráculo, que é irmã do Rei, sua prima Alice, está lá fora em algum lugar, cercada por Vampiros Vermelhos que querem matá-la e precisando de nossa ajuda? – Eu resumi a história.
– Isso. – Edward confirmou.
– Cara, que bagunça! – Eu exclamei. – O que está acontecendo, Edward?
– Eu não sei. A única coisa que importa agora é que Alice precisa de nós. – Edward falou muito sério.
– Tudo bem. – Eu concordei.
Edward começou a andar até a porta e eu o acompanhei. Então ele parou e se virou, encarando o chão. Em seguida seus olhos se ergueram para o meu rosto, cristalinos como água de uma nascente, captando os meus com intensidade.
– Obrigado por estar ao meu lado, . – Edward falou, segurando uma de minhas mãos.
– Não é nada. – Eu falei corando diante daquele olhar embaraçoso sem, no entanto, conseguir me desviar deles.
Edward se inclinou para frente e colou seus lábios macios aos meus. Senti um arrepio àquele toque leve.
Então Edward se afastou e me puxou para fora do quarto.
Eu ainda estava com as pernas meio bambas quando chegamos ao pátio.
Havia muita gente ali. Eram Patrulheiros formados e seus Guardiões, que estavam começando o treinamento desta noite.
Vi que os vampiros e os Guardiões tinham diferentes tipos de armas. Alguns seguravam lanças, outros usavam bigornas ou machados, e mais alguns seguravam espadas. Eu não tinha dúvida de que minha arma favorita era a espada.
– Aproximem-se. – Era o homem sério que chamava a mim e a Edward para que nos juntássemos a eles. – Vocês ainda não tem armas?
– Escolheríamos ao fim do treinamento. – Edward falou.
– Sei. E com quais armas estão familiarizados. Você já deve ter estudado todas em outra ocasião, Sr. Cullen, mas e a sua Guardiã? – O homem sério perguntou com certo ar de desdém.
– Ficaria bem com o daisho*. – Eu falei convicta.
– Claro. Então está familiarizada com as armas? – Ele perguntou em tom brincalhão.
– Estou perdendo algo aqui? – Edward perguntou intrigado.
– Mais do que imagina. – Um cara loiro que estava entre os Patrulheiros falou divertido. Alguns outros perto dele riram.
– Não se meta, James. – O General Aro, que eu havia visto na televisão, falou. Ele estava entrando no pátio e havia ouvido a conversa. Aproximou-se de nós e parou ao lado de Edward. – Você deveria voltar para a academia, Edward. Aqui não é lugar para alguém cujo Guardião não finalizou o treinamento ainda.
– Também é um prazer encontrá-lo, tio. Como sempre. – Edward falou irônico.
– Não seja desrespeitoso, garoto. – O homem sério falou.
– Então tudo isso é por minha causa? Por que se for, posso provar para quem quiser ver que eu não sou uma idiota como vocês parecem pensar. – Eu falei irritada.
– Ora, ora, ora. Não se exalte, mocinha. – O General falou fazendo cara feia para mim.
– Eu apenas quero uma espada. E você... – Apontei para o tal James, o loiro idiota que falara antes. – Vamos ver quem é que está perdendo alguma coisa aqui.
– Eu sou um vampiro, mocinha. – O tal James falou presunçoso.
– E faz diferença? – Eu perguntei com desprezo.
... – Edward me advertiu. Apenas olhei para ele com raiva.
Aquela era minha luta, e eu não ia permitir que ele se metesse. Se havia uma coisa que eu detestava era gente que se achava melhor do que os outros. E isso me dava nos nervos.
Olhei novamente para o James e ele agora estava sério.
– Que tal outra arma? Eu luto com uma lança, não seria justo com você. – James falou sorrindo.
– Ótimo. Preciso apenas dos meus punhos. – Repliquei.
– Se é assim... – James se adiantou e uma garota ruiva de cabelos curtos e espetados o seguiu.
– Não precisa fazer isso, James. – O General Aro falou, mas podia ver um brilho de expectativa em seus olhos. Ele queria me ver sendo humilhada.
– Está tudo sob controle, General. – James falou confiante. – Será boxe, então, garota.
– É , se não se importa. – Falei, me posicionando à sua frente.
Edward ficou onde estava, mas podia sentir seu olhar reprovador em mim.
– Então precisam de luvas. – O homem sério falou, entregando um par delas a cada um de nós.
– Obrigado, Capitão Caius. – James agradeceu. Pelo menos agora eu sabia que ohomem sério se chamava Caius.
Vesti minhas luvas de boxe e me coloquei à frente de James. Caius ficou entre nós.
– Conhecem as regras. Serão três rounds de três minutos cada. – Disse apenas. – Vão.
Encarei James. Ele me olhou nos olhos e então atacou. Eu estava com a guarda alta, então ele socou os lados de minha cabeça, minha barriga e meus braços. Eu estava preparada para isso e a dor não incomodava tanto a minha concentração.
Andei de lado enquanto ele atacava. Eu observava seus pés e o modo como se movimentava. James estava muito confiante. Tanto que deixara sua guarda baixa.
Aproveitei aquele deslize e lhe dei um soco no queixo que o desequilibrou. James cambaleou para trás. A garota ruiva, que eu imaginava ser sua Guardiã, deu um passo à frente, mas Edward a segurou em seu lugar.
Esperei que James se firmasse e voltei a atacar. Dei-lhe dois socos nos lados da cabeça antes que ele erguesse os braços. Em seguida ataquei seu abdome com ferocidade.
– Fim do round. – Caius anunciou. – venceu o primeiro round.
Afastei-me de James, que ofegava. E eu ainda nem havia começado a suar. Eu não sorri. Não havia feito nada demais até agora.
– O que está havendo aqui? – Jacob perguntou chegando ao pátio com Renesme. O Rei Emmet e Rosalie vinham logo atrás dele.
– Treinamento. – Eu resmunguei, voltando a mirar James, que me olhava com raiva.
– Segundo round. Vão! – Caius falou.
James avançou enfurecido para mim. Ergui a guarda, mas não fui rápida o suficiente e o soco me acertou no queixo. Cambaleei, mas me firmei rapidamente.
Senti o liquido quente em minha boca. Era sangue, mas não tinha nem de longe o gosto delicioso de quando Edward me fizera prová-lo. Meu mestre avançou para perto de mim, mas o parei com um gesto, enquanto limpava do rosto o sangue que descia pelo canto de minha boca.
– Eu estou bem. – Falei.
– Isso já foi longe demais, . – Edward tentou.
– Mas ainda não acabou. – Insisti.
Edward recuou para o lugar onde estivera anteriormente e me voltei para James mais uma vez. Ergui os braços e ele me atacou. James estava novamente confiante. Sempre que ele ficava assim, abaixava a guarda. Poderia tê-lo acertado ali mesmo, mas resolvi esperar e deixá-lo ganhar o round.
– Fim do segundo round. – Caius falou e depois acrescentou, satisfeito: - James venceu o round.
James sorriu radiante e muito, mas muito confiante. Eu queria sorrir, mas fiz o que pude para ficar séria. Vi, no entanto, que Jake sorria abertamente enquanto assistia. Ele já havia lutado comigo e conhecia o meu estilo. Eu gostava de deixar que meu oponente derrotasse a si mesmo. Como James estava fazendo.
Quem vencesse o ultimo round, venceria a luta e James já estava posicionado.
– Terceiro round. Vão! – Caius sinalizou mais uma vez.
James avançou para mim sem proteção alguma. Fiquei decepcionada. Queria mais emoção, mas também não estava com paciência para ficar enrolando. Por isso, quando ele chegou perto o suficiente, dei um único soco bem no meio de seu rosto.
Seu corpo se vergou para trás e ele caiu, nocauteado. Caius contou até dez, mas como James não se levantou, a luta acabou. E eu havia vencido.
venceu. – Caius anunciou com desgosto.
A ruiva correu para junto de James e segurou a cabeça do mestre em seu colo. Ele estava finalmente voltando a si. Um silêncio pesado se erguera sobre todos os presentes, que pareciam aturdidos.
Retirei as luvas e as joguei no chão, aos pés do General Aro.
– Foi fácil demais. É só isso o que tem? – Perguntei com desprezo. O homem me olhou de cima a baixo analiticamente.
– Você é muito petulante, garota. – Foi tudo que ele disse, mas de um jeito neutro. Não parecia estar com raiva ou ofendido. Já Caius me olhou com verdadeira repugnância. Tive vontade de rir da cara dele, mas me contive.
– Vamos começar o treinamento. – O General anunciou.
Os soldados que nos cercavam, ainda perplexos, obedeceram ao seu comando.
– Isso foi incrível, . – O Rei me elogiou. Corei furiosamente. – Agora entendo por que me disseram que era uma ótima Guerreira.
– Não foi nada demais. Aquele James praticamente acabou consigo mesmo sozinho. – Eu falei sem graça e Jacob riu.
– Você foi ótima, Isie. Queria ter tido essa chance. – Jacob falou desarrumando meus cabelos.
– O treinamento vai começar. – Caius falou em voz alta, se aproximando de nós.
– Vocês quatro precisam ir à sala de armas para escolherem as suas agora mesmo. – O Rei falou. – Rosalie, leve-os lá.
A loira assentiu e fez sinal para que a seguíssemos. Do outro lado do pátio havia uma espécie de galpão com portas de folhas duplas. Entramos e havia homens aqui e ali, limpando e polindo armas.
– Ali temos espadas produzidas todos os dias. A maioria é de prata ou aço, o que acharem melhor. Poderia lhes mostrar outras armas, mas não acho que vão se interessar. – Ela falou com uma bela voz musical.
– Como sabe? – Eu perguntei.
– Eu entendo de pessoas e entendo de armas. Vocês quatro tem cara de espadas. – Ela disse enigmática. Não sei se aquilo era um elogio ou uma ofensa, mas imaginei que fosse um elogio, já que estava se referindo também aos primos de seu mestre.
E no fim ela estava certa. Fomos em direção às armas que reluziam de tão novas. Havia várias estantes a um canto cheias de espadas de todos os tipos e tamanhos.
... Acho que essas vão lhe agradar. – Rosalie falou caminhando reto em direção à uma prateleira e pegando um conjunto de duas espadas. Ela tinha me ouvido falar sobre o daisho?
Seja como for, o conjunto que ela me mostrava era lindo.
A Katana tinha cerca de um metro de comprimento, lâmina de prata muito polida e uma curvatura delicada. O couro da empunhadura era vermelho escuro, cor de sangue, com cordões marrons. A Wakizashi tinha metade do tamanho de sua companheira, com uma empunhadura semelhante. Estavam amarradas uma à outra por um pedaço de couro vermelho.
Fiquei emocionada.
– Achei-as perfeitas para você. – Jacob falou às minhas costas.
– Eu... P-posso ficar com elas? – Eu perguntei gaguejando.
– Claro. Agora faz parte do exercito e pode ficar com quaisquer armas que quiser aqui dentro, mas não acho que vá querer outras. – Rosalie falou sorrindo levemente.
– Obrigada. – Eu nem sabia o que dizer. Meu próprio daisho! Charlie iria morrer quando soubesse!
Nem prestei muita atenção às armas que os outros estavam escolhendo. Terminou que Renesme escolheu uma montante. Jacob achou uma Cimitarra, que eu considerei que combinava muito com ele e Edward me deixou surpresa ao escolher seu própriodaisho.
Olhei para ele, impressionada.
– O quê? Achou que só você gostasse dessas espadas? – Ele perguntou erguendo uma sobrancelha e sorrindo. Estava tão lindo com aquela cara arrogante, porém não petulante, que suspirei involuntariamente.
– Vamos, temos que nos juntar aos outros no treinamento. – Rosalie nos chamou e fomos com ela.
Eu não poderia estar mais feliz do que naquele momento, com minhas armas em minhas mãos e a promessa de uma aventura extremamente perigosa.
Eu havia acertado em escolher a eternidade.

*Daisho (大小): É o conjunto das duas armas: katana e wakizashi, e significa literalmente "grande e pequeno". Podia ser usado apenas pelos samurais representando seu prestígio social e honra pessoal.

A guardiã: Nosso destino é a eternidade...
Capítulo Sete: Confusão de sentimentos

Sabe o que é engraçado?
Durante o treinamento, percebi a tatuagem no pescoço de Caius.
Sim, ele tinha um ouroboros marcando sua pele e isso só podia significar que ele era um Guardião. Perguntei a Edward e ele me disse que Caius era o Guardião de Aro.
Ah, não achou engaçado?
O problema é que agora eu ficava imaginando se Aro e Caius eram gays. E a culpa disso era de Edward, que foi me falar aquelas coisas. Eu tenho uma imaginação fértil demais.
E ainda tem outra coisa.
Eu ficava olhando para os Guardiões e seus mestres, imaginando o que faziam quando estavam sozinhos. E isso também era culpa de Edward, por causa daqueles beijos e daqueles toques.
Ainda não achou engraçado?
Pois escute essa: eu parecia estar doente, com o rosto todo corado o tempo inteiro e cheia de calor ao ficar imaginando isso. E Edward acabou me perguntando se eu ia conseguir ser mais estranha do que eu já era, já que os Guardiões nunca ficavam doentes.
Tirando esses fatos engraçados (e leia-se aqui que eu não achei graça nenhuma), o treinamento correu bem. Eu fiz dupla com Edward, e depois, quando obrigaram os Guardiões e os Vampiros a treinar com sua própria espécie, fiz par com Jacob.
Aparentemente nós dois estávamos nos saindo muito melhor do que o General e o Capitão estiveram esperando. Jake, claro, acabou impressionando a todos tanto quanto eu.
Ainda assim, teríamos que treinar ainda amanhã à noite. Depois, na manhã seguinte, partiríamos em missão.
Por hoje, então, fomos dispensados para que os Vampiros descansassem.
Quando chegamos ao nosso quarto, Edward foi tomar banho. Dessa vez ele não quis usar a banheira. Separei minhas roupas para entrar depois dele, mas quando Edward saiu, ele estava com a expressão séria.
... Por que você fez aquilo, no pátio? – Ele perguntou de repente.
– Aquilo o quê? – Perguntei sem entender.
– Aquela luta idiota com James. – Ele disse.
– Eu não podia deixá-lo ficar falando daquele jeito. Não tenho estômago pra isso. – Eu falei na defensiva.
– Ainda assim, você deveria ter me obedecido quando falei para parar. – Ele reclamou.
– Eu pensei que você já tivesse percebido que eu não sou assim, Edward. – Eu falei muito séria. – Não gosto que mandem em mim e muito menos de ser forçada a fazer algo que eu não queira.
– Então terá que aprender. Por vezes, vai ter que obedecer às minhas ordens. Ainda mais agora, enquanto estivermos lá fora. – Edward falou com seriedade.
– Você pode me obrigar, não é? – Eu falei entre dentes.
– Posso, mas não queria chegar a isso. – Edward falou.
– Não pode me domar. – Eu falei definitivamente.
– Não é isso o que eu quero. – Edward negou.
– Ah, dá um tempo! – Eu exclamei incrédula, me voltando para sair do quarto.
– Volte, . – Edward mandou.
Pela segunda vez desde que conheci Edward, senti meu corpo se dobrar à sua vontade como se cordas invisíveis me obrigassem a isso. Meus olhos arderam quando me voltei para ele.
– Não é isso, não é? – Eu perguntei amargamente.
– Perdoe-me por isso. Você me tira do sério! – Edward exclamou. Então respirou fundo e olhou em meus olhos. – Eu prometo não fazer mais isso, se você me prometer que não vai mais ser tão rebelde. Por favor, Isie, me ajude.
Senti as cordas afrouxarem em meu corpo e suspirei. Com ele pedindo daquele jeitinho...
– Eu vou tentar, mas meu gênio é meio imprevisível... – Falei como quem não quer nada.
Edward riu e se aproximou, estendendo os braços em minha direção e me acomodando entre eles com força. Aproveitei aquele abraço o máximo que pude, então Edward me soltou.
– Pode ir tomar seu banho agora. – Edward falou indo em direção à cama. Peguei minhas coisas em me dirigi ao banheiro.
Imitei Edward e resolvi não encher a banheira. Fiquei apenas debaixo do chuveiro relaxando meus músculos na água quente e logo estava vestida em uma calça folgada de moletom, com uma blusa larga de cor cinza.
Edward estava todo encolhido sob as cobertas quando saí e fui direto até ele. Meu mestre ergueu as cobertas para mim e eu me acomodei junto dele.
Ele me abraçou e pude perceber que ele mais uma vez não usava nada para dormir. Ai Senhor, precisava disso?
Edward me apertou com mais força em seus braços, distribuindo beijos por meu rosto até chegar aos meus lábios. Sua língua deslizou sensualmente para dentro da minha boca e eu acompanhei seus movimentos. Uma das mãos de Edward passeava lentamente pelas minhas costas.
– Por que tem que ser tão teimosa, petite rousse? – Edward sussurrou em meus lábios.
– Você não se importaria se também não fosse teimoso, Edward. – Eu respondi divertida. Ele riu, deslizando seus lábios pelo meu pescoço.
– Faz sentido. – Ele disse com a língua atormentando a minha pele já sensível.
– Agora se alimente, mestre. – Mandei.
Imediatamente senti suas presas em minha pele, drenando meu sangue em minha jugular. Suspirei, a mente vazia como sempre.
Pouco depois Edward se afastou com um suspiro e se acomodou na cama, me puxando para junto de si. Acomodei-me na curva de seu corpo e permaneci ali mesmo muito tempo depois de ele ter adormecido, apenas vigiando seu sono, observando seu rosto sereno.
Levantei-me apenas quando a fome atingiu seu auge. Tranquei bem a porta antes de sair. Prendi meus cabelos em um rabo-de-cavalo e me dei conta de que não sabia onde ficava o salão de refeições.
Peguei o caminho para o pátio e saí sob o sol forte, que indicava que estava perto do meio-dia.
Para minha sorte, Rosalie estava ali, e para meu azar, ela estava treinando com a ruiva que era Guardiã de James. Ela me lançou um olhar de repulsa, enquanto o de Rosalie era de extrema apreciação.
– Olá, . – Ela me cumprimentou.
– Pode me chamar de Isie. – Eu falei. – Eu estava procurando o salão de refeições. Estou morrendo de fome.
– Ah, pode seguir pelo corredor direto até uma porta dupla de madeira. – Rosalie informou.
– Obrigada. – Eu falei.
– Quer treinar conosco? – Rosalie convidou. A ruiva me lançou um olhar que indicava que ela me queria longe. Pigarreei.
– Acho que talvez mais tarde. – Falei me esquivando.
– Claro. – Rosalie assentiu.
Saí pelo corredor de entrada do forte e logo achei o lugar que Rosalie me indicara. Acho que devia ser a hora do almoço, por que o refeitório estava cheio.
Primeiro achei que fosse impressão minha, mas quando metade do refeitório se virou para me olhar e depois cochichar, tive certeza de que estavam falando de mim.
– Isie! Oi, Isie! – Jake me chamou de uma mesa no canto. Fui em sua direção sem olhar para ninguém. Nem queria saber o que estavam falando de mim.
– Hey, Jake. – Eu cumprimentei.
– Parece que fomos excluídos por sermos bons demais. – Jake falou.
A mesa onde ele estava era grande, mas não havia mais ninguém sentado ali, as pessoas preferindo se apertar em outras mesas, que estavam lotadas.
– É isso ai, parceiro! – Falei divertida, erguendo a mão para ele bater, coisa que ele fez rindo muito.
Eu não estava me importando muito com isso. Não era boa no que fazia para me exibir e qualquer um que achasse isso não sabia nada sobre mim. E se tem uma coisa que eu odeio mais do que gente que se acha, é gente que faz pré-julgamentos. E não faço questão de ser amiga de gente assim.
Jake e eu começamos a comer e estávamos conversando alegremente, sem nos importar com mais nada ou ninguém.
– Você acredita que já vamos sair em uma missão? – Eu perguntei animada.
– Nem um pouco! Fala sério, dá pra acreditar na nossa sorte? – Jake falou tão feliz quanto eu.
– Com certeza. – Respondi.
– Você soube da história do Oráculo? – Jake perguntou em voz baixa.
– Edward me contou. – Eu falei.
– Vai ser super excitante estar lá fora, lutando pela vida e salvando alguém importante. – Jake sussurrou.
– Concordo com você. Estou tão animada. Você me acharia louca por isso? – Perguntei. – Quero dizer, não quero morrer, mas isso vai ser simplesmente demais!
– Bom, se você é louca, então também sou, por que estou louco para sentir a adrenalina correndo! – Jake falou rindo.
– Jake, você é a minha alma gêmea! – Exclamei feliz. Jacob gargalhou estrondosamente.
– É isso ai, palito de fósforos. – Ele desarrumou meu cabelo. Eu fiz uma careta.
– Odeio esse apelido. – Eu resmunguei. – Me chamavam assim na escola.
– Mais um motivo pra eu te chamar assim. – Jake falou contente. Lancei-lhe um olhar mortal. – Tenho medo não, filhinha. E aí, vai querer treinar agora à tarde?
– Não, vou voltar para o quarto. – Eu falei distraída.
– Fazer o quê lá? – Jake quis saber.
– Nada só... Ver o Edward dormir. – Falei sem pensar. Jacob riu.
– Você está tão caidinha por ele que nem disfarça. – Ele disse.
– Não viaja, Jacob. Não viaja. – Falei na defensiva.
– Não está mais aqui quem falou. – Ele ergueu as mãos em sinal de rendição e eu revirei os olhos. Então me levantei.
– A gente se vê. – Eu disse.
– Beleza. – Jacob estava terminando seu quarto prato de macarronada, então não estava prestando muita atenção em mim quando eu saí.
Voltei para o quarto e Edward continuava do mesmo jeito que o havia deixado.
Entrei devagar sob as cobertas e me concheguei ao seu lado. Automaticamente Edward se moveu para me acomodar junto dele, ainda adormecido. Era como se estivesse esperando por mim. Então fiquei ali, acordada, apenas velando-o em seu sono diurno.
Admirei seu rosto calmo, com linhas delicadas e perfeitamente delineadas, porém com traços fortes e masculinos principalmente em seu queixo quadrado.
Suspirei involuntariamente.
Eu não sabia que horas eram agora, já que estava apreciando minhas horas de admiração. Só que alguém bateu à porta e eu me sobressaltei, pulando da cama para o chão rapidamente. Edward se mexeu sob as cobertas e eu me apressei a abrir a porta antes que ele acordasse.
Era Caius.
– O treinamento já vai começar. Se os dois puderem nos dar a honra de comparecer, seria maravilhoso. – Ele falou ironicamente.
– Não se preocupe com isso, Caius, estamos indo. – A voz de Edward chegou cortante até nós. Fiz uma cara de quem dizia “Bem feito!” para o Capitão e fechei a porta sem dizer mais nada.
Querendo ou não, Edward era primo do Rei e sobrinho do General.
Olhei para ele, que se espreguiçava na cama. Andei até lá e me sentei ao seu lado. Edward sorriu divertido, colocando os braços atrás da cabeça, deixando os músculos de seus braços e peito bem evidentes.
– O Caius é um chato. – Ele disse.
– Eles não querem que nós vamos a essa missão. – Eu afirmei. Na verdade aquilo estava bem óbvio.
– É despeito. Emmet não contou a ninguém onde Alice está. Ele disse que vai contar apenas a nós. Por isso o General e o Capitão estão com raiva. – Edward explicou.
– Emmet te disse isso? – Eu perguntei impressionada.
– Sim, durante o treinamento de ontem. – Edward contou.
– Agora entendi o stress. – Eu falei pensativa.
– Mas vamos, temos que começar o treino o quanto antes. Sairemos ao amanhecer. – Edward falou se levantando. Eu me apressei a buscar suas roupas e trouxe-as para ele.
Virei de lado para não olhar seu corpo nu, embora não tivesse deixado de registrar os pelos acobreados e sedosos que subiam até um pouco abaixo do seu umbigo.
Corei e resolvi falar alguma coisa para me distrair.
– Tem certeza de que é melhor partir de dia? – Perguntei com a voz fraca.
– Sim. Ganharemos tempo, já que os Vampiros Vermelhos também não podem sair ao sol. – Edward falou calmamente.
– Nem vocês! – Eu repliquei, me virando para encará-lo ao perceber que ele já estava usando a calça.
– Os carros tem vidro escuro Isie. Sem stress! – Edward revirou os olhos.
Ele terminou de se vestir e então estendeu a mão para mim, me puxando de encontro ao seu peito. Minhas pernas fraquejaram.
– Apenas me prometa que vai fazer de tudo para sobreviver. – Ele sussurrou em meu ouvido.
– Tanto quanto vou fazer para protegê-lo. – Eu respondi com firmeza, mirando a piscina de seus olhos e praticamente me afogando nela.
– Espero então que goste o suficiente de mim para que ambos voltemos vivos. – Edward falou desviando o rosto para o meu pescoço, seu hálito quente em minha pele me deixando totalmente arrepiada.
– Eu... Gosto de você, Edward. – Eu falei em meio aos ofegos de minha respiração entrecortada.
– Que bom! – Ele sussurrou mais uma vez. Agarrei a manga de sua camisa enquanto seus lábios tocavam minha pele para depois furá-la com seus caninos.
Depois de beber meu sangue, Edward levou seu rosto devagar e olhou para mim. Sentia minha boca entreaberta, esperando. Ele então deitou seus lábios rubros nos meus, permitindo que o sabor delicioso do sangue invadisse a minha boca junto com sua língua.
Meus joelhos cederam e Edward me segurou com firmeza pela cintura.
Nossos lábios brincaram em um jogo sensual, fazendo dueto com nossas línguas. Edward voltou ao meu ouvido para sussurrar.
– Só assim para você perder a marra, não é, ? – Ele falou.
Suspirei, indefesa em seus braços. Era apenas ali que eu sentia que não podia me defender, embora também me sentisse totalmente segura.
– Não me provoque! – Respondi meramente com um fio de voz. Edward riu.
– Vamos, já estamos atrasados. – Edward falou e segurou a minha mão, me puxando para fora.
– Claro. – Eu disse.
Eu não entendia o que estava se passando entre Edward e eu.
Não tinha certeza se aquilo acontecia com todos os Guardiões e seus mestres, mas me impressionava a intensidade do que eu sentia por ele e do meu instinto de proteção.
Quero dizer, eu mal o conhecia. No entanto...
Eu sem dúvida colocaria minha vida à sua frente para protegê-lo. De qualquer forma, não haveria vida para mim sem ele. Logo, se eu partisse, seria bom pelo menos ter a certeza de que ele estaria bem.
Não sei por que essas coisas estavam me ocorrendo agora, talvez pela iminência de uma missão arriscada, mas com certeza era algo sólido e palpável.
Edward era minha vida agora, mesmo que ele me tirasse do sério às vezes.
O pátio estava cheio como na noite anterior. Jacob e Renesme já estavam lá. Ao me ver de mãos dadas com Edward, Jake sorriu com cara de safado, me fazendo corar. Ele estava pedindo um sacode. Ah se estava!
Essa noite foi como a anterior, para mim. Não via dificuldades em nenhum dos exercícios. Embora, ao que me pareça, o General parecia estar pegando mais pesado comigo e com Jake. Pelo menos foi isso que Edward achou, embora eu não tivesse percebido.
Algumas horas antes do amanhecer, o Rei chamou Edward, Renesme, Jacob e eu aos seus aposentos.
– Eu só podia confiar a localização de minha irmã a vocês. Marquei a localização no mapa. Ela não está muito longe da cidade, mas está em meio à floresta, o que dificulta a movimentação de vocês. – Emmet explicou, mostrando um mapa das redondezas.
– Vou guardar esse mapa como se fosse a minha vida. – Edward prometeu.
– Obrigado. Não sei o que faria sem vocês. – O Rei falou meio emocionado.
– Não se preocupe, Emmet. Vamos trazer Alice sã e salva. – Renesme apertou seu ombro.
– Claro. – Emmet concordou. – Agora precisam arrumar suas coisas. Vamos nos encontrar no pátio daqui a dez minutos.
Concordamos com a cabeça e saímos do quarto, Edward levando o mapa com ele. No nosso quarto, arrumamos nossas mochilas e Edward guardou o papel na sua.
Eu estava de costas quando senti braços fortes me agarrando pela cintura e puxando minhas costas de encontro a um peito firme. Perdi o ar com o ato inesperado.
Edward afastou meus cabelos do meu rosto, expondo meu pescoço. Ele beijou e mordiscou meu ombro, me forçando a encostar-me ao seu peito em busca de apoio.
– O que está fazendo? – Eu perguntei ofegante.
– Prometa que não vai fazer nenhuma besteira. – Edward pediu, ainda deixando beijos em meu pescoço. Ele afastou levemente minha blusa, expondo mais meu ombro.
– E-eu não sei do que es-tá falando. – Eu resmunguei, subitamente muito consciente de todo o meu corpo e deu suas mãos circulando em minha barriga.
– Não vai sair por ai arriscando sua vida sem motivo. – Ele explicou.
– Edward... – Sussurrei.
– Eu não posso te perder, Isie. Sabe disso, não é? – Ele perguntou.
– Claro, sou sua Guardiã. – Respondi ainda fraca.
– Não é apenas por isso e você sabe. Apenas prometa. – Ele pediu, dando o golpe fatal ao morder o lóbulo de minha orelha.
– Eu prometo. – O que mais eu podia dizer? Quero é saber quem conseguiria resistir a isso!
– Obrigado. – Ele disse por fim, me virando de frente. Tocou meus lábios levemente com os seus e sem seguida se afastou. – Temos que ir.
Tudo que eu mais queria agora era perguntar o que Edward quis dizer quando falou que não era apenas pelo fato de eu ser sua Guardiã que ele não podia me perder.
Apenas não tive coragem de perguntar.
Estranho como eu me sentia pronta para enfrentar um exercito, mas não conseguia fazer uma simples pergunta a Edward.
Isso é engraçado?


A guardiã: Nosso destino é a eternidade...
Capítulo Oito: Emboscada

O céu estava clareando devagar ao longe quando Edward e eu chegamos ao pátio do Forte. Dois sedans pretos com vidros totalmente escuros nos esperavam.
As únicas pessoas além de nós ali eram o Rei Emmet e Rosalie, Aro e Caius, Renesme e Jacob, James e sua guardiã ruiva e um cara moreno com uma loira alta que eu não conhecia, mas que eu já havia visto durante o treinamento.
– Estamos prontos. – Edward anunciou.
– Pode dizer a localização agora? Vossa Majestade... – O General perguntou visivelmente irritado.
– O Edward já tem o mapa, ele estará no comando da missão e... – Emmet começou, mas foi interrompido pelo seu tio.
– James é muito mais capacitado para estar no comando desta missão. Edward mal entrou para a Academia! – Aro exclamou desdenhoso.
– Acho que essa discussão já foi encerrada, General. – Emmet falou em tom definitivo. Ele pareceu crescer onde estava e eu subitamente percebi por que ele era o Rei. A autoridade estava no seu sangue. – Edward mostrará o caminho.
– Claro. – O General concordou por entre dentes.
– Edward e Nessie vão à frente. Acho que Jacob ou podem dirigir. – Emmet continuou. – Laurent e James os seguem.
Olhei para os dois homens. James parecia ter chupado um limão particularmente azedo, já o outro homem, o tal Laurent, parecia calmo, confiante e desinteressado.
– James vai com a gente? – Sussurrei desgostosa para Edward. Ele apenas acenou que sim com a cabeça, um sorrisinho no canto de seus lábios devido ao meu tom.
– Boa sorte a vocês. – Emmet desejou.
– Obrigado, primo. Não vamos decepcioná-lo. – Edward prometeu. Andamos até um dos carros e fiz sinal para que Jake dirigisse. Quando ele se cansasse, trocaríamos de lugar.
Edward e Renesme foram no banco de trás, enquanto Jacob e eu fomos na frente. James e o tal Laurent entraram no outro carro com suas Guardiãs.
Então partimos em direção ao portão que o forte guardava. Era um grande portão forjado em ferro e madeira, que cobria cerca de cinco metros do muro de pedra e chegava ao topo da parede. Alguns Patrulheiros ali usaram um mecanismo eletrônico para abri-lo para nós.
Meu coração acelerou. Eu nunca havia estado fora da cidade, nem mesmo antes de ela ser fortificada e a maioria das minhas lembranças incluía uma mancha cinza no horizonte. Estar saindo e sentindo esse tipo de liberdade era extremamente excitante. Olhei para Jake, que sorriu para mim, radiante, e sorri de volta.
Aquela era nossa aventura.
Edward nos mandou seguir pela estrada principal por muito tempo. Ele entregou o mapa a mim e se acomodou para um cochilo junto com Renesme. Eu podia ver o outro sedan nos seguindo de perto.
Tudo estava deserto ao longo da estrada. Passamos por algumas cidades pequenas, mas tudo estava abandonado e caindo aos pedaços.
Eu me lembrava bem de que um ano depois que minha mãe morreu, a maioria das pequenas cidades humanas foi evacuada. As grandes cidades foram ampliadas e fortificadas para proteger e abrigar a todos.
A desolação do mundo externo não era nada comparada à imensidão do horizonte infinito, à liberdade que eu sentia por estar ali.
Verifiquei o mapa mais uma vez quando o meio-dia se aproximou.
– Você vai ter que virar na próxima entrada à direita, Jacob. – Eu disse. Ele concordou com a cabeça e em seguida fez uma careta.
– Estou com fome. – Ele falou.
– Eu também. – Eu falei, sentindo meu estômago se contorcer. Virei-me e peguei a bolsa preta que Rosalie havia providenciado com comida para nós. Ela havia pensado em tudo, o que fora muito bom, por que eu jamais teria me lembrado de detalhes práticos como esse.
Eu sei, eu sei... Boa com a espada, mas com uma cabeça de vento. É o que o meu pai sempre diz.
Comemos sanduíches e bebemos um pouco de água. Havia comida ali para uns três dias, e se nos regulássemos, talvez até mais. Eu não tinha a mínima idéia de quanto tempo passaríamos aqui fora, mas não estava me importando muito.
Alguns quilômetros mais tarde, nós encontramos a estrada que saía à direita da principal. Era de terra batida e adentrava por uma floresta bem espaçada. Quando fomos penetrando mais fundo naquele caminho, no entanto, as árvores foram se fechando ao nosso redor.
Eram três da tarde quando o caminho ficou estreito demais para continuar de carro. Jake parou e eu me virei no banco.
– Edward! – Chamei, cutucando-o levemente. Ele acordou quase no mesmo instante. – Não dá pra continuar de carro.
– Teremos que completar o caminho a pé, então. – Edward disse enquanto Renesme se mexia e se ajeitava no banco.
– Mas é dia ainda. – Eu falei apreensiva.
– O General equipou o porta-malas do carro para uma eventualidade como essa. – Edward falou enigmático.
Jake e eu descemos do carro ao sol da tarde. A ruiva e a loira nos esperavam do lado de fora do carro.
– E agora? – A ruiva perguntou com a cara azeda.
– Procure na mala do carro. – Jacob mandou. Ela e a loira fizeram cara feia, mas o obedeceram.
– Você sabe quem são essas duas? – Perguntei enquanto seguia com Jake para procurar o que quer que fosse no porta-malas do carro.
– Só de nome. A ruiva é Victoria e a loira é Irina. São duas sebosas intragáveis. – Ele falou.
– Já percebi. – Resmunguei.
Abrimos o porta-malas e lá dentro havia duas bolsas pretas de viagem. Pegamos as duas e voltamos para dentro do carro. Entregamos as bolsas aos nossos mestres, que imediatamente as vasculharam em busca de alguma coisa.
Dali eles tiraram grossos casacos pretos, luvas pretas de couro e capuz de esquiador, daqueles que deixava apenas os olhos de fora.
– Vocês vão fritar de calor lá fora. – Eu resmunguei ao perceber que eles iriam vestir aquilo para sair.
– Melhor do que virar pó. – Renesme disse divertida e eu ri.
Depois de devidamente empacotados, Edward e Renesme saíram do carro. Edward puxou o capuz da capa por cima do capuz de esquiador e colocou a bolsa de onde tirara as roupas no ombro juntamente com sua mochila. Renesme o imitou. Peguei a bolsa com comida no carro e a minha mochila.
Logo vimos duas figuras negras saindo do carro atrás do nosso, acompanhadas por Victoria e Irina.
– Vamos andando. – Edward chamou com a voz abafada. Ele havia colocado o mapa na sacola. Então começamos a seguir pela trilha que se abria à nossa frente.
Embora o caminho fosse estreito demais para seguir de carro, era largo o bastante para dois de nós andarmos lado a lado. O sol penetrava com facilidade por entre os galhos das árvores e eu estava adorando, embora Edward bufasse e resmungasse de vez em quando. Devia estar um forno debaixo de tanta roupa.
A trilha foi ficando mais e mais estreita até que não dava mais para vê-la. Éramos apenas nós e a floresta. Lá pelas cinco da tarde o sol havia sumido por entre os galhos e os vampiros se sentiram seguros para retirar a proteção. Guardaram tudo na bolsa e voltamos a andar.
Agora eu estava mais alerta. Se não havia mais perigo com o sol para nossos vampiros, também não havia para os Vermelhos. Eu havia retirado meu daisho de dentro da mochila e o amarrei em minhas costas por segurança.
Na verdade, todos os outros também haviam colocado suas armas à mão e andávamos com mais cuidado, ouvindo com atenção.
Um estalo estranho veio da penumbra ao meu lado. Apesar de estar escuro, eu conseguia enxergar muito bem ao meu redor. Meus sentidos estavam aguçados procurando o mínimo de perigo imaginável.
– Estamos perto. – Edward sussurrou.
Ouvi mais um estalo e vi um vulto correndo ao lado de uma árvore próxima. Saquei a Katana e parei, no que fui acompanhada por todos os outros. Todos haviam sentido o perigo tanto quanto eu. Mais um estalo e o vulto outra vez.
Meu coração ribombava em meus ouvidos e eu sentia a adrenalina deixando meus músculos tensos.
Tudo ocorreu em um segundo.
Houve um grito muito alto e um lampejo prateado. Aparei o golpe e fiz força, empurrando o agressor para longe. Mais um grito e outro golpe, dessa vez aparado por Jacob.
O vulto sumia em meio à escuridão e golpeava do nada. Meus sentidos conseguiam captar seu golpe, mas apenas quando estava perto demais. Fosse quem fosse, era um bom espadachim.
Edward se protegeu de mais um golpe. Olhei para Jake, que acenou que sim com a cabeça. O agressor golpeou mais uma vez e agora, Jake e eu revidamos juntos. Jake conseguiu cravar a ponta de sua espada na empunhadura da espada do estranho.
Corri a me postar às costas do homem, disposta a dar o golpe fatal.
– Espere! – Edward gritou. Fiquei parada e Edward se aproximou. Jake empurrou o estranho de encontro a uma árvore. – Jasper?
– Mas quem... Edward? – O estranho, que agora eu imaginava se chamar Jasper, perguntou muito surpreso.
– Jasper! Emmet nos mandou buscar vocês! – Edward exclamou parecendo aliviado.
– Graças aos Deuses Vampíricos! – O tal Jasper exclamou suspirando aliviado. – Alice começava a achar que Emmet não havia entendido a mensagem.
– Demoramos um pouco, mas precisávamos nos preparar. – Edward falou animado.
– Claro. Bom... Você pode me soltar agora? – Jasper perguntou ao Jake, que o mantinha imobilizado. Jake recuou constrangido. – Desculpem pelo ataque, mas estávamos começando a ficar paranóicos.
– Onde Alice está? – Renesme perguntou adiantando-se.
– Venham comigo. – Jasper partiu à frente.
Guardei a espada e o seguimos. Consegui vê-lo melhor sem toda aquela tensão.
Jasper tinha cabelos loiros e cacheados como os de um anjinho, embora seu corpo fosse musculoso e nada angelical, com as costas e as pernas bem torneadas. Seu rosto era forte e masculino, com uma covinha no queixo e brilhantes olhos amendoados. Parecia mais um ator famoso do que um Guardião, daqueles pelos quais a gente suspira quando vê em um filme romântico.
Ele foi se embrenhando cada vez mais na floresta até que chegamos a um rochedo. Ele adentrou uma fenda quase invisível na rocha, que descobrimos ser a entrada para uma caverna.
Estava muito escuro ali e não se ouvia nenhum passo além dos nossos.
– Alice! Alice, Edward está aqui com Renesme! – Jasper chamou. Uma garota baixinha pareceu se materializar das sombras. Senti um arrepio e recuei ao mirar seus olhos.
Achei que fossem brancos e tomei um baita susto quando eles brilharam em meio à escuridão. Depois percebi que eram azuis, porém tão claros que mal se distinguia a íris da córnea. Ela tinha longos cabelos negros que, envoltos em seu corpo esguio, lhe davam um ar sobrenatural. Fiquei imediatamente fascinada por ela. Parecia ser de outro mundo.
– Eddie! Nessie! Que bom que vieram! Achei que a anta do meu irmão não tivesse entendido o recado! – Ela falou correndo em nossa direção, parecendo flutuar. Sua voz parecia música e quando a ouvi falar do Rei daquela maneira, segurei uma risada, que escapou pelo meu nariz. A garota olhou para mim com curiosidade, me fazendo corar.
– Você sabe como o General é. Só nos deixou vir agora. – Renesme falou se adiantando para abraçar a garota. – Estou tão feliz que você está bem!
Edward se adiantou e Alice pulou em seu pescoço em um abraço apertado.
– Mas foi por pouco. O local fica infestado de Vampiros Vermelhos à noite. – Alice comentou. Edward franziu a testa.
– Não encontramos nenhum lá fora. – Ele falou pensativo.
– É realmente estranho. A floresta estava totalmente vazia, exceto por vocês. – Jasper concordou.
– Ótimo! Então vamos aproveitar e partir antes do amanhecer. – Alice falou energicamente.
– Vamos logo então. – Edward nos apressou.
Aquilo me deu uma sensação esquisita. Isso não me parecia certo. Por que os Vampiros Vermelhos cercariam o lugar por várias noites e justo quando vínhamos para salvar Alice, eles sumiam da face da terra?
Mesmo assim saímos da caverna. Fomos voltando pela trilha com cuidado, atentos aos ruídos da floresta ao nosso redor.
– Então? O que aconteceu, Alice? – Edward quis saber enquanto andávamos por um trecho de trilha mais espaçoso.
– Não sei bem. Estávamos voltando à cidade quando fomos atacados. Barraram nosso caminho com troncos de árvore durante a noite e quando descemos dos carros para ver, um exercito caiu sobre nós. – Alice explicou. – Todos os outros morreram, mas Jasper é um ótimo espadachim. Conseguimos fugir e ficamos escondidos naquela caverna. Hoje ele saiu por que ouvimos pessoas próximas demais de nós, mas eram vocês!
– Isso é estranho. – Edward comentou pensativo.
– Eu só não entendo por que eles se deram a esse trabalho. Por que sou a irmã do Rei? Por que sou o Oráculo? – Ela parecia confusa.
Continuamos andando, dessa vez por uma trilha mais estreita.
– Provavelmente os dois. – Edward comentou. – Você é importante em tempos de guerra, Alice.
Entramos em uma larga clareira e seguimos para o seu lado oposto.
– Não sei, acho que... – Alice continuou, mas Jasper colocou a mão sobre sua boca rapidamente.
Eu também havia sentido a aproximação. Algo se movia ao nosso redor e não era coisa boa. Vários cracks estalaram na floresta. Formamos um circulo, cada um olhando para um lado. Joguei minha bagagem no chão às minhas costas e esperei.
Foi então que vimos um grupo de pessoas surgindo de várias direções, rápidas demais para que apenas se cogitasse a possibilidade de serem humanos. Edward estava ao meu lado e segurou a minha mão com força. Uma onda de medo me perpassou. Não por mim, mas por ele. Não queria que nada lhe acontecesse.
As pessoas se aproximaram ainda mais.
– Esperem. – Edward mandou.
Esperamos em nosso circulo cerrado até que se aproximassem o suficiente. Eram cerca de vinte, o que nos deixava em uma desvantagem de mais ou menos dois para um.
Edward soltou minha mão e eu sabia que estava na hora.
Não vi os rostos das pessoas, apenas o brilho de suas armas. Saquei minha Katana na hora certa e aparei o golpe de um homem grandão que lutava com uma lança.
Ele a puxou e tentou espetá-la em mim mais uma vez. Com um golpe de espada, quebrei-a em duas. O grandão gritou frustrado e avançou querendo me socar. Girei em torno de mim mesma e me agachei, espetando minha espada em sua barriga. O homem simplesmente se desfez em cinzas me envolvendo em poeira.
Ergui-me e vi Edward bem à minha frente. Ele estava se dando bem na luta, porém outro Vampiro vinha sorrateiro por trás dele, querendo pegá-lo desprevenido. Corri naquela direção e entrei no caminho da espada, que rasgou minha blusa e quase espetou o lado do meu corpo, deixando um fundo corte em minha pele. Empurrei o homem e ele me atacou mais uma vez. Aparei seu golpe e bati de costas com Edward.
– Você prometeu que não sairia por ai dando uma de heroína! – Edward exclamou enquanto golpeava.
– Prometi também que iria te proteger como a mim mesma. Se você morrer, eu morro do mesmo jeito, lembra? – Perguntei com os dentes trincados devido à concentração para atacar meu oponente.
– Dessa vez eu vou deixar passar! – Edward resmungou, trespassando seu oponente com a espada, no que foi imitado por mim. Os dois vampiros viraram cinzas e nos viramos imediatamente para nos olharmos. Edward sorriu e eu sorri de volta.
Vi um vampiro se aproximar por suas costas e corri a atacá-lo, sendo que Edward fez o mesmo, dirigindo-se às minhas costas. Fiquei empenhada no combate e perdi Edward de vista. O vampiro com quem eu lutava fugiu em determinado momento. Corri atrás dele, mas no caminho, vi Alice.
Um cara alto e magro tentava espetá-la com sua espada enquanto ela... Dançava?
Não, ela estava desviando de seus golpes. E desviando bem, por sinal. Percebi então que ela não tinha nenhuma arma. Procurei seu Guardião com os olhos, mas Jasper estava do outro lado da clareira lutando com duas mulheres ao mesmo tempo.
Corri em direção a Alice. Ela não conseguiria se desviar para sempre.
O homem me viu e se voltou para mim com sua espada, aparentemente percebendo que não estava obtendo sucesso com Alice. Aquele foi seu maior erro.
Quando ele se virou de lado, a baixinha magricela pulou em seus ombros e quebrou seu pescoço de um único golpe, arrancando a cabeça do homem com as próprias mãos. Ela pulou para o chão ao mesmo tempo em que o homem se transformava em cinzas.
Ela sorriu para mim de um jeito meigo e eu a encarei, perplexa. Agora eu sabia por que ela não tinha armas. Ela era tão linda e delicada, no entanto...
– Atrás de você. – Ela disse calmamente.
Vire-me em tempo de ver uma mulher loira vir em minha direção com a espada levantada. Aparei seu golpe e ela rosnou, mostrando seus caninos crescidos. Ataquei-a com força e rapidez, fazendo-a recuar. Ela se desequilibrou ao bater o pé em um tronco caído e eu cravei a espada em seu peito. A brisa levou suas cinzas embora quase imediatamente.
Olhei para os lados à procura de Edward, mas não o vi em lugar algum. Preocupei-me. Mas o fato de eu estar bem significava que ele estava bem também, não é?
Ainda assim corri na direção em que eu o havia visto pela ultima vez e cheguei a tempo de ver James tropeçar. Ele caiu no chão e tentou recuar, mas seu agressor já estava com a espada pronta. O homem estava de costas pra mim, então tudo que tive que fazer foi enfiar minha Katana em seu peito até abainha, cobrindo James das cinzas do vampiro.
Ele se levantou imediatamente, empertigando-se.
Parei, arfando e suja dos pés à cabeça. Já não ouvia mais o som de espadas ao meu redor. Mais uma vez me perguntei onde Edward estaria. Olhei em volta, mas a poeira impossibilitava que eu visse muito longe.
– Não precisava ter feito aquilo. Eu sei me cuidar sozinho. – James falou chateado. Irritei-me.
– Tudo bem, na próxima eu deixo você morrer! – Falei estressada e corri a procurar os outros em meio às cinzas.
Enquanto corria, uma mão me agarrou pelo braço. Olhei e vi Edward ali parado. Suspirei aliviada e ele me puxou para seus braços, me abraçando com força. Seu rosto desceu sobre o meu em um beijo ávido, quase violento. Suas mãos me apertaram pela cintura e eu gemi de dor.
– O que foi? – Ele quis saber, se afastando para me olhar.
– Nada, só um arranhão. – Falei, olhando para o lado direito do meu corpo. Edward levantou a minha blusa e vimos um corte profundo em meu flanco.
– Um arranhão? – Ele perguntou incrédulo.
– Não é nada demais, nem ta sangrando mais! – Eu falei na defensiva. Apesar de o lado direito de meu corpo estar molhado de sangue por toda a parte e minhas roupas estarem escuras (embora eu mal tivesse percebido isso), o corte em si já não sangrava.
Nessa hora ouvimos Renesme gritar e Edward desviou sua atenção de mim, ainda bem.
– Seu retardado! Eu não ia me machucar, não precisava se jogar à minha frente! – Ela reclamava enquanto lágrimas lavavam sua face em cascata.
Quando me aproximei o suficiente, vi Jake caído no chão com a cabeça em seu colo e coberto de sangue. Todos estavam reunidos à sua volta. Meu coração perdeu uma batida e minhas pernas fraquejaram.
Por favor, que ele esteja bem!
– Eu sou seu Guardião, sua idiota! – Ele replicou e fiquei feliz ao perceber que sua voz estava firme.
– Você está bem? – Perguntei me ajoelhando ao lado dele.
– Foi um cortezinho de nada. – Ele resmungou.
– A lança atravessou seu ombro! – Renesme falou perplexa. Vislumbrei o corte através de um buraco em sua camisa e vi que realmente estava horrível.
– Mas já está se fechando. Guardiões de curam rápido, lembra? – Jake perguntou chateado.
Edward estava ao meu lado e agora estava rindo por causa da discussão boba dos dois. Olhei para ele com atenção.
– Você está bem? – Perguntei.
– Claro, melhor do que você. – Ele falou olhando para a minha cintura. Olhei novamente e me pareceu que o corte estava menor.
– Viu, não foi nada. – Falei contente.
– Você e Jacob são idênticos. – Ele revirou os olhos e eu ri.
Em seguida ajudamos Jake a se levantar.
A clareira estava calma e a poeira havia baixado. Juntamos alguns galhos e acendemos uma fogueira. Sentamo-nos em volta dela para descansar.
– Vamos esperar o ombro de Jacob melhorar e depois partimos. Faltam seis horas para o amanhecer e temos que nos apressar. – Edward falou.
Fui para junto de Jake. Renesme havia sentado bem longe dele, chateada. Sorri e peguei minha mochila, tirando a comida de lá. Do outro lado da fogueira, James e Victoria ficavam me lançando olhares irritados.
É isso que dá querer ajudar os outros!
Comi umas barrinhas de cereais com Jake e em seguida saí para olhar o perímetro da clareira.
Era estranho como todos os vampiros haviam sumido misteriosamente das redondezas da caverna onde Alice estava escondida e aparecido todos ao mesmo tempo naquela clareira.
Era quase como se soubessem que nós viríamos. Quase como se tivesse sido uma emboscada. Uma emboscada que falhara miseravelmente.
Fiquei me perguntando o que aquilo poderia significar, mas não cheguei à conclusão alguma.
A guardiã: Nosso destino é a eternidade...
Capítulo Nove: De mal a pior

Examinei o perímetro da clareira com cuidado, prestando atenção aos sons, mas não havia mais nada além do som do vento ali. Eu sabia, ou melhor, eu sentia que não havia mais ninguém ali além de nós.
Enquanto estudava as árvores com cuidado, vi um brilho prateado a certa distância e resolvi checar, só por precaução. Andei cautelosamente por entre as árvores, me perguntando se seria um brilho de espada. No fim, descobri que era um pequeno lago refletindo a lua. Olhei ao redor, cautelosa e me agachei na beirada da água.
Toquei sua superfície e ela estava fria e agradável. Eu estava tão suja, com as roupas cobertas de sangue...
Olhei em volta mais uma vez e ouvi com atenção.
Nada.
Desamarrei minhas espadas e as coloquei cuidadosamente ao lado de uma rocha. Joguei minha mochila ao lado e tirei minha blusa. O corte em minha cintura estava praticamente fechado, tendo restado ali uma cicatriz rósea e sensível.
Retirei também a saia, que possuía uma mancha preta enorme. Estas peças estavam perdidas. Joguei-as de lado, sem me importar. Retirei então os sapatos, a meia e a lingerie, e coloquei-os cuidadosamente ao lado de minhas espadas.
Então entrei devagar na água. Quando estava submersa até os joelhos, mergulhei de uma vez, sentindo a pureza da água me envolver. Emergi bem no meio do lago, alegre. A água estava relaxando meus músculos contraídos devido à adrenalina e diminuindo minhas dores.
Mergulhei mais uma vez, sentindo a água passar entre meus cabelos imundos. Passei as mãos por eles para tirar a sujeira e ouvi um ruído estranho. Emergi mais uma vez e olhei ao redor.
Não vi nada de diferente.
Olhei em direção às minhas roupas e minhas espadas, mas estava tudo do mesmo jeito.
Foi então que senti algo roçar meu calcanhar e virei de costas, querendo saber o que era. Não vi nada, mas fiquei nervosa. Estava resolvida a nadar de volta à margem para pegar minhas armas quando algo emerge à minha frente.
Engoli um grito e preparei os punhos para uma luta, mas então percebi o familiar brilho acobreado à minha frente e suspirei, o coração batendo freneticamente.
– Seu louco! Você me assustou, sabia? – Eu perguntei irritada para Edward, que sorria.
– Algo consegue assustar você, ma petite? – Ele questionou divertido, nadando em minha direção. Revirei os olhos.
– O que está fazendo aqui? – Perguntei quando ele chegou a menos de meio metro de mim.
– Achou que era a única que precisava de um banho? – Ele perguntou erguendo uma sobrancelha. Sua mão deslizou por um de meus braços, me fazendo ficar arrepiada. – Além do mais, eu estava com fome.
Mirei-o por um segundo, sem entender. Então me toquei sobre o que ele estava falando e estremeci.
– Você vai querer se alimentar agora? – Perguntei nervosa.
– Por que não? – Ele perguntou baixinho, seus grandes olhos azuis capturando os meus com intensidade.
Ah, por nada! Quero dizer, eu só estou nua e molhada. Que importância isso tem?
É claro que não falei isso em voz alta, até por que achei que havia perdido a capacidade de falar.
A outra mão de Edward me puxou pela cintura de encontro ao seu corpo. Eu meio que já imaginava, mas ainda assim fiquei surpresa ao perceber que ele também estava nu. Senti seu grande membro se apertar contra minha coxa e arfei, meus seios se colando ao seu peito firme.
– Edward... – Sussurrei, achando que morreria ali mesmo.
Os lábios de Edward foram para o meu pescoço. Rezei para que ele cravasse logo os dentes ali, se alimentasse e fosse embora, ou meu corpo poderia virar cinzas como os dos vampiros que matamos.
Ele deitou beijos por meu ombro, voltando ao meu pescoço e seguindo dali para o meu rosto. Edward então colou seus lábios aos meus, me penetrando com sua língua quente.
Suspirei e me derreti em seus braços enquanto suas mãos passeavam por minhas costas. Joguei meus braços em seu pescoço e Edward desceu suas mãos pelos lados do meu corpo, me causando arrepios irreprimíveis. Ele parou em minhas nádegas, as quais ele apertou, colando nossos quadris.
Fiquei sem ar, respirando com dificuldade e sentindo meus mamilos se colarem e se afastarem de sua pele seguindo o ritmo de meus pulmões. Edward deslizou suas mãos por minhas coxas e as puxou para cima, me levando a enlaçar sua cintura com minhas pernas. Senti certa tontura, por puro nervosismo.
Deus, até onde ele iria dessa vez?
Por que eu nunca conseguiria pará-lo mesmo que quisesse. E eu não queria.
Enrolei meus dedos em seus cabelos, aprofundando o beijo até que a falta de ar ficou insustentável e afastei minha boca da sua. Edward se aproveitou para voltar a beijar meu pescoço e ele foi descendo.
– Você n-não esta-va com fome? – Perguntei nervosamente.
– E eu estou. – Edward falou com a voz rouca.
Suas mãos foram para minha bunda, me erguendo mais em seu colo. Perdi o ar e joguei a cabeça para trás, o calor subindo em ondas pelo meu pescoço. A água ao nosso redor começaria a ferver daqui a pouco, se ele continuasse com isso.
Foi então que senti os lábios de Edward em meu seio e soltei um gemido involuntário. Ele beijou e mordiscou meu mamilo enrijecido. Agarrei seus cabelos com mais força, arrancando mesmo alguns fios. Então senti as presas de Edward se cravarem na pele do meu seio, me fazendo ofegar ainda mais do que antes.
Ele sugava meu sangue como uma criança faminta sugaria o leite do peito, enquanto sua língua brincava com meu mamilo. Senti meu corpo mole e o sangue me abandonar enquanto uma onda de calor descia por meu ventre em direção ao meu sexo, que estava úmido, embora aquilo não fosse água.
Aquela era a coisa mais excitante que eu jamais poderia ter imaginado.
As presas de Edward ainda estavam cravadas em meu seio quando ele deslizou uma de suas mãos em direção à minha entrada, que pulsava de desejo. Um de seus dedos deslizou pelos meus pequenos lábios em direção ao clitóris. Foi minha vez de cravar os dentes em seu pescoço.
– Edward... – Sussurrei.
Ele ergueu então a cabeça e levou seus lábios aos meus em um beijo ávido, quase violento.
Seu dedo fez o caminho contrário e chegou à minha entrada, penetrando parcialmente ali.
– Deus... Pare com isso, por favor... – Pedi fora de mim.
– Não está gostando? – Edward sussurrou e colocou outro dedo ali, me fazendo arquear a coluna de prazer.
– Eu disse para parar com essa tortura. Faça logo o que tem que fazer, maldição! – Resmunguei irritada. Edward riu baixinho e me ajeitou em seu colo.
– Primeiro sinta isso... – Ele segurou uma de minhas mãos e a infiltrou entre nossos corpos. Ele a levou até seu membro ereto, e eu o segurei, como se minha mão estivesse precisando daquilo. E como era grande! – Você não tem idéia das sensações que causa em mim, . Tudo é tão intenso sempre... A raiva, o desejo... Tudo. Tive tanto medo que se machucasse hoje...
– Ah, Edward... – Gemi, apertando-o ainda mais. – Eu morri de medo de que algo acontecesse a você...
 Ma petite... – Ele suspirou e, afastando minha mão, nadou comigo em seu colo até a margem oposta àquela em que estavam minhas roupas. Havia uma grande pedra ali e ele foi direto até ela. Saiu da água me carregando e me deitou ali em cima.
Meu mestre ficou ajoelhado entre minhas pernas, me olhando com aquela chama azul, muito conhecida minha, brilhando em seus olhos. Corei, o calor me envolvendo como se a rocha estivesse em brasa, embora ela estivesse fria como aço.
Edward levou sua mão até minha barriga, acariciando e subindo até o meu seio. Seus olhos me devoravam e eu não consegui agüentar muito daquele olhar. Puxei Edward para cima de mim de uma vez, envolvendo meus braços em seu pescoço. Ele se acomodou entre minhas pernas e levou seu membro até minha entrada.
Beijou-me brutalmente mais uma vez.
– Posso? – Ele sussurrou contra os meus lábios.
– Deve. – Murmurei de volta, arrancando uma risada dele.
Edward voltou a me beijar enquanto seu membro deslizava em meu interior úmido. Ele foi devagar, se acomodando, me sentindo. A verdade tanto ele quanto eu sabíamos muito bem. Eu era virgem, obviamente.
Ao sentir minha recepção, Edward atravessou minha resistência como se ela fosse nada e eu gemi de prazer. Eu gostava que ele fosse carinhoso, mas adorava quando ele era bruto também. Quero dizer, doeu um pouco, mas o prazer compensava tudo.
Enrosquei minhas pernas em seus quadris, forçando-o a ir mais fundo dentro de mim. Edward rosnou, vindo cravar suas presas em meu pescoço enquanto começava a estocar em meu interior.
A sensação de vazio em minha mente se fundiu ao desejo e ao prazer que percorriam meu corpo, tornando aquela experiência plena. Passei as mãos pelas costas de Edward, sentindo seus músculos contraídos enquanto ele sugava o meu sangue e me penetrava mais vigorosamente a cada vez, nossos quadris se chocando quase dolorosamente.
Agarrei seus cabelos, incitando-o a continuar bebendo de meu sangue, e meus olhos se voltaram para o céu e a lua cheia que brilhava acima de nós. Ela lançava um brilho quase sobrenatural na silhueta perfeita de Edward.
Nada poderia ser mais romântico e espetacular do que me entregar a ele sob as estrelas, sabendo que elas estariam me invejando nesse exato momento, se pudessem.
Fechei os olhos, me entregando ao prazer. O calor me consumia e eu achava que morreria de combustão espontânea a qualquer momento. Mas se isso era preciso para estar aqui com Edward, eu queimaria minha vida feliz e completamente, apenas por este momento ao seu lado.
Uma estocada mais forte, um gemido. Eu me contorcia de prazer sob seu corpo pesado e quente. Vi Edward me olhando com os lábios rubros de sangue e olhar negro de desejo. Outra estocada, o gosto de sangue em minha boca quando ele me beijou mais uma vez, mais uma estocada insana...
Meus músculos se contraíram em volta do membro enorme de Edward. Ele continuou a estocar, indo e vindo rápido, com força, entrando tão fundo quanto era fisicamente possível... Então minha mente abandonou o meu corpo, que se sacudia em espasmos impossíveis.
Deus, se isso for morrer, morro feliz!
Desfaleci sobre a pedra fria e Edward desabou sobre mim, ofegante. Continuei de olhos fechados, respirando com dificuldade e sentindo os lábios de Edward em meu colo.
– Isie... – Ele sussurrou. Não consegui responder, apenas engoli em seco e suguei o ar. – Isie, fale comigo.
Ele parecia preocupado. Abri os olhos e encontrei-o me encarando ansioso. Ainda assim não disse nada. Nem sei se conseguiria. Meu rosto estava impossivelmente quente, bem como o resto de meu corpo.
– Isie, eu te machuquei? Deus, fui um bruto com você! Perdoe-me! – Ele pediu parecendo torturado. Balancei a cabeça fazendo que não.
De onde ele havia tirado isso?
Bom... Se bem que ele quase havia me partido ao meio, mas de jeito nenhum que tinha sido ruim.
– Edward... – Sussurrei. Minha voz saía muito baixa e rouca. Pigarreei antes de continuar. – Foi perfeito. Não estou machucada.
– Tem certeza? Não sei o que me deu, eu... – Ele começou, mas eu o calei com um beijo.
– Foi perfeito. – Repeti com a voz mais firme dessa vez. Edward suspirou, em seguida sorriu para mim. Sorri de volta, extasiada. Ele se inclinou sobre mim mais uma vez e me deu um beijo calmo.
– Acho que temos que ir agora. Logo estarão procurando por nós. – Edward falou levantando-se.
Quase perguntei: “Quem?”
Então lembrei que estávamos em uma missão de salvamento. Belos heróis que éramos, saindo à surdina para... Bom, pra isso.
Ele me ajudou a ficar de pé a pulamos de volta na água. Nadamos vagarosamente até a outra margem, onde Edward me ajudou a sair da água. Aquilo até foi bom pra esfriar meu corpo em chamas.
As roupas de Edward estavam ao lado das minhas coisas, mas antes que eu começasse a me vestir, ele me puxou para os seus braços e me beijou com paixão, quase com fome. Suspirei, sentindo meus seios colados em seu peito mais uma vez. Mordi o lábio quando ele se afastou.
– Vista-se antes que eu desista de ir embora. – Ele falou de forma brusca.
Estremeci de prazer, mas não o contradisse. Peguei roupas limpas na mochila, uma calça de microfibra preta e uma regata branca, e as vesti rapidamente.
Edward catou as suas e fez o mesmo, então pegou minhas espadas e esperou por mim. Estendi minhas mãos para elas e as amarrei de volta nas costas. Coloquei um casaco de moletom cinza por cima e então voltamos até onde os outros estavam.
Todos eles estavam sentados em círculo à volta da fogueira pequena acesa entre eles.
Jacob olhou para nós de uma forma neutra, mas eu podia ver a perversão brotando em sua mente, com todo fundamento, claro. Ainda mais por que estávamos os dois com as roupas e os cabelos molhados. Já estava imaginando o quanto ele ia me encher assim que tivesse oportunidade.
Alice também olhou para nós, mas com curiosidade. Os outros não nos deram muita atenção. Edward me puxou para sentar ao seu lado em um tronco. Não consegui mais segurar a minha curiosidade e me voltei para ele, muito corada. Ele me olhou interessado.
– O que foi? – Ele quis saber.
– Edward... Aquilo que você me falou sobre a escolha do Guardião ser baseada nas preferências de um vampiro... Quer dizer que sempre há... Ligação física entre eles? – Perguntei sentindo o calor subir ainda mais pelo meu pescoço.
– Sempre, ou quase sempre. – Edward respondeu então sorriu. – O Guardião geralmente é o tipo físico que mais atrai o seu Vampiro.
– Ah. – Foi tudo que eu disse, olhando para meus pés, envergonhada.
– Está com vergonha de mim, Isie? Depois de tudo que aconteceu? – Edward perguntou com a voz divertida. E pensar em tudo que aconteceu me deixou ainda mais envergonhada. Fiz que sim com a cabeça e Edward gargalhou. – Pois não devia.
– Diga-me... Quando um Vampiro escolhe um Guardião do mesmo sexo, sempre quer dizer que ele é gay? E se for, o Guardião também é gay? Ou ele meramente tem que se submeter aos desejos de seu mestre? – Eu quis saber confusa.
– Você entendeu errado, . A relação de Vampiro e Guardião não é meramente física. – Edward falou balançando a cabeça negativamente.
– Mas você falou... – Eu comecei confusa.
– Eu sei, mas não é apenas isso. O Vampiro se sente atraído fisicamente, mas isso não significa que o Guardião também se sinta. O que acontece é que a relação de companheirismo e cumplicidade acaba unindo os dois de forma mais plena. Eles estão unidos por toda a eternidade. Isso faz toda a diferença. – Edward explicou.
– Hum... Não entendi. – falei finalmente. Edward gargalhou mais uma vez.
– Tenho certeza de que com o tempo você vai entender. – Ele disse simplesmente. Eu então fiz mais uma pergunta.
– Se é assim, por que nós nos aproximamos tão rápido? Quero dizer, eu te detestava... – Falei corando ainda mais e Edward riu. – Por que eu me sinto tão atraída agora?
– Eu te escolhi por que você é o tipo de garota de quem gosto. Teimosa, briguenta, linda... Embora eu não soubesse disso na hora. Já você... Bom, isso eu não sei. Só posso imaginar que eu faço o seu tipo também... E que você não me detestava de verdade. – Ele sussurrou tomando meu olhar com intensidade. Minha boca se abriu e perdi o ar nos meus pulmões. Edward sorriu e afastou uma mecha de cabelos do meu rosto. Fechei a boca e olhei novamente para o chão.
– Então... É normal que Vampiros e Guardiões tenham uma relação mais... Íntima? – Dessa vez eu realmente achei que morreria de vergonha.
– Sim, é quase inevitável que aconteça. – Edward respondeu calmamente. Olhei para ele, pronta para confessar que havia adorado a intimidade de nossa relação, mas fui interrompida.
– Acho que podemos que ir agora, Edward. – Renesme falou se aproximando de nós. – Jacob já está melhor.
– Já pode usar o ombro, Black? – Edward perguntou levantando-se.
– Com certeza. – Jake falou, girando o ombro que estivera machucado. O furo em sua camisa permanecia ali, porém a pele parecia recomposta.
– Ótimo, podemos ir. Não é seguro continuarmos parados aqui. E logo irá amanhecer. Temos que chegar até os carros o mais depressa possível. – Edward falou energicamente.
Todos se levantaram, arrumaram suas coisas e começamos a andar. Edward me manteve ao seu lado, segurando minha mão com firmeza. Andamos por trilhas estreitas, que aos poucos foram ficando mais abertas.
Não tinha certeza de que horas eram, mas o amanhecer devia estar próximo quando vimos um clarão alaranjado ao longe e ouvimos um crepitar estranho. Era fogo?
Corremos naquela direção para checar o que era e eu fiquei paralisada a poucos metros da labareda, chocada. Os nossos carros estavam em chamas bem à nossa frente.
– Droga! – Edward xingou chutando uma pedra próxima.
– O que aconteceu aqui? Por que fizeram isso? – Renesme perguntou chocada.
– Querem nos deixar a pé, desprotegidos. Isso deve significar que há mais deles por ai... – Jasper falou soando preocupado, mas antes que ele terminasse, Alice gritou.
– Afastem-se, vai explodir!
Corremos em direções diversas. Senti um peso cair sobre mim e fui jogada ao chão bem na hora que a explosão reverberou no ar. Pude sentir o calor que emanou em todas as direções. Logo me virei para ver Edward deitado ao meu lado. Ele se levantou e me ajudou a ficar de pé.
– O que faremos agora, Edward? – Perguntei nervosamente.
– Vamos voltar andando. – Ele falou com a testa franzida.
– O dia já vai amanhecer. – Eu ressaltei.
– Não se preocupe com isso, o sol não é o maior de nossos problemas. – Edward falou.
– Sei... Edward... Eu andei pensando... Os Vampiros Vermelhos não sabiam onde Alice estava escondida, certo? Pelo menos não exatamente, ou teriam se unido e atacado. – Eu falei devagar e em voz baixa, enquanto os outros se levantavam e viam se estava tudo ok.
– Prossiga... – Edward mandou.
– Se isso é verdade, então eles sabiam que viríamos e queriam que a encontrássemos, por isso nos atacaram na clareira. Mas aquela luta foi fácil demais... Você não acha? – Eu perguntei.
– Acho que estou entendendo aonde quer chegar... – Ele acenou que sim com a cabeça e eu concordei.
– Eu fiquei imaginando: eles não estariam testando nossa força, naquele momento? – Completei.
– Não gosto dessa idéia, apesar de achar que você está certa. – Edward finalizou me fazendo estremecer. No fundo, queria que ele negasse, que dissesse que era loucura.
– Estou com medo, Edward. – Confessei. Só mesmo o pavor que eu sentia de que ele se machucasse me faria admitir algo assim.
– Não tenha, ma petite, vai dar tudo certo. – Edward tentou me confortar, mas percebi a dúvida em sua voz.
Essa missão começava a me parecer mais e mais impossível.


A guardiã: Nosso destino é a eternidade...
Capítulo Dez: Renascida

Edward não quis esperar para prosseguir. O sol começava a lançar uma luz esverdeada no horizonte quando os Vampiros voltaram a vestir suas capas de proteção e continuamos a andar.
Os Vampiros Vermelhos não ousariam nos atacar durante o dia, seria tão perigoso para eles quanto para nós.
Saímos na estrada principal lá pelas oito da manhã. Edward nos apressava o tempo inteiro. Eu não me importava, não estava cansada e o sol não me incomodava. No entanto, para eles, deveria estar difícil. Era como se um humano tentasse ficar acordado a noite toda. Era cansativo demais.
Pouco depois do meio dia, convenci Edward a parar com a desculpa de que estava com fome. A verdade era que eu queria mesmo que ele descansasse.
Sentamo-nos à beira da estrada, à sombra de algumas árvores. Edward se encostou a uma delas e ficou muito parado. Depois de comer uns sanduíches e beber alguma água, fui para junto dele.
Sentei-me ao seu lado e segurei sua mão enluvada.
Seus olhos azuis me focaram sob a máscara e se enrugaram como se ele estivesse sorrindo. Sorri de volta.
– Está cansado? – Perguntei preocupada.
– Nada demais. – Ele deu de ombros.
Puxei-o para o meu colo e ele apoiou a cabeça ali. Queria poder acariciar seus cabelos macios, mas me contentei em deslizar meus dedos sobre o capuz. Edward fechou os olhos por alguns minutos.
Olhei em volta, para cada um dos meus companheiros de viagem. Fiquei imaginando o que seria de nós, se conseguiríamos voltar, se alguém se machucaria e quem. Esse pensamento era torturante demais e eu fiz de tudo para me livrar dele.
Em pouco tempo Edward se levantou e nos apressou para voltarmos a andar.
Andamos durante todo o resto do dia. Paramos apenas mais uma vez, bem no meio da tarde. Eu havia convencido Edward de que eles precisariam estar descansados caso fôssemos atacados antes de podermos chegar ao forte. Não estávamos tão longe, mas eu não achava que conseguiríamos chegar até lá antes do anoitecer mesmo com nossa velocidade sobre-humana.
Estava anoitecendo quando vimos a sombra do muro no horizonte. Suspirei aliviada e olhei para Edward. Ele arrancou o capuz e sorriu para mim.
Apressamos nossos passos, ansiosos. Os vampiros despiram suas capas e as colocaram de volta nas bolsas.
Mas a nossa esperança não durou muito tempo. Nós todos paramos ao mesmo tempo, esperando. Não, não havíamos visto nada. Mas podíamos sentir aquela aproximação. E eles eram muitos.
Jogamos nossa bagagem no chão e sacamos nossas armas. Olhamos ao redor, mas nada vinha até nós pela estrada. Entretanto, havia movimentação na floresta, pelos dois lados.
Olhei para Edward e ganhei coragem ao mirar seu rosto decidido. Eu tinha que fazer isso por ele.
Eles eram muitos e vieram por todos os lados. Parei de contar quando cheguei aos trinta e dois, pois eles caíram sobre nós com todas as suas forças.
Eu comecei a atacar, basicamente no piloto automático. Eu lutava com dois, até três ao mesmo tempo. Não havia tempo para jogar ou ficar trocando golpes de espadas. Era só matar e partir para o próximo.
Tentei ficar perto de Edward dessa vez. Eu não suportaria me perder dele no meio de uma luta como essa. Não havia muitos postes acesos na estrada. Alguns estavam decididamente destruídos, mas havia alguma luz, embora não fosse totalmente necessária para nós.
Eu só tinha a esperança de que alguém na guarda do forte pudesse nos ver, ou pelo menos ver algo de estranho, e se dispusesse a verificar o que poderia ser. A luta estava muito árdua e eu começava a ficar realmente furiosa.
O que foi que fizemos para isso? Qual é a desses parasitas?
Saí golpeando desenfreadamente, deixando cinzas e mais cinzas para trás. Eu suava e começava a ficar cansada.
Parecia que quanto mais cinzas minha espada espalhava à brisa, mais Vampiros caíam sobre mim. Logo, perdi as contas de quantos havia matado, já que eu mal podia ver seus rostos.
Embora eu me esforçasse ao máximo, eles continuavam a surgir por todos os lados, como insetos. Eu via Edward logo ao meu lado, golpeando como nunca na vida.
Perdi a conta também do tempo que passamos lutando. A noite havia ficado cada vez mais profunda, sem que eu percebesse. Eu já havia ganhado uma coleção de cortes e hematomas pelo meu corpo durante esse tempo, embora eu pouco me importasse.
Em um segundo de trégua, em que eu pude respirar fundo e enxugar o suor do rosto com as costas da mão, olhei ao redor.
Vi Jake limpar o sangue de um corte na sobrancelha com a manga, bem perto de mim, enquanto continuava a golpear apenas com apenas uma mão. Renesme estava logo ao seu lado, o rosto todo sujo de poeira. Ela dardejava olhares constantes na direção de Jake, parecendo nervosa.
Alice estava mais longe de mim, dançando daquele seu jeito sobrenatural, quebrando pescoços e arrancando corações com as mãos a uma velocidade impressionante. Observei os outros, que se empenhavam ao máximo e, por fim, meu olhar voltou para Edward. Ele lutava com dois vampiros ao mesmo tempo, sujo dos pés à cabeça com cinzas.
Ao olhar todos eles, exaustos e se esforçando daquele jeito, tive vontade de chorar pela primeira vez desde que minha mãe havia morrido.
Eu mal conhecia aquelas pessoas, mas não suportava a idéia de que um deles se machucasse. Nem mesmo James, que eu definitivamente detestava.
Deus, havia esperança para nós?
Nessa hora, senti um aperto no coração e imediatamente voltei os meus olhos para Edward. Ele acabava de atravessar o pescoço de um de seus oponentes com sua espada, mas o outro, um homem de cabelos alaranjados, acertou a bainha de sua arma no rosto de Edward, que caiu. O homem ergueu sua espada, pronto para dar o golpe fatal.
Então tudo ocorreu em uma fração de segundo.
Eu gritei e corri. Corri o mais rápido que eu podia, tão rápido que pareceria um borrão para quem me olhasse naquele momento.
Quando cheguei perto o suficiente, tomei impulso com os pés e saltei em sua direção. Minha espada se cravou direto no peito do atacante de Edward.
No entanto, a dele atravessou direto o meu esterno, rasgando a pele quebrando o osso e se infiltrando no músculo que impulsionava a minha vida e que pertencia totalmente a Edward.
Em seguida ouvi um grito e depois, escuridão.
POV Edward
Tudo o que eu vi quando aquela espada ameaçava me transpassar foi um borrão vermelho. Senti o roçar macio do cabelo de em meu rosto, seu cheiro tão característico, e em seguida ouvi o barulho repugnante de metal atravessando osso.
– Não! – Gritei desesperado. Não, não era possível!
O corpo inerte de caiu em meus braços, como uma boneca de pano pesada demais.
– Isie! – Jacob gritou e, em um átimo, um monte de cinzas caiu sobre nós.
Jacob estava parado à minha frente, olhando o rosto vazio da minha pequena parecendo chocado e torturado ao mesmo tempo.
Sacudi-a, fora de mim.
– Sua idiota! Você prometeu que voltaria viva! – Gritei ainda mais, sacudindo-a com mais força enquanto meus olhos começavam a queimar.
Pensei nos momentos que havíamos passado juntos apenas na noite anterior. Parecia ter sido há muito tempo. Depois lembrei que eu conhecia há menos de uma semana.
Parecia impossível que o que eu sentia por ela já fosse tão forte a ponto de eu sentir que morreria nesse exato instante, se não pudesse ter a minha pequena em meus braços novamente.
Foi como se o tempo houvesse parado. Era como se estivesse sonhando, nada parecia real. Apenas cinzento e sem vida. O som da luta havia sumido, o mundo parecia estar em câmera lenta, tão pesaroso quanto eu pelo destino de .
Uma lágrima me escapou, caindo solitária em seu colo e rolando suavemente por sua pele macia.
Inesperadamente, no entanto, o corpo vazio em meu colo começou a se convulsionar. Olhei-a, espantado, sem saber o que fazer. Tão repentinamente quanto haviam começado, as convulsões pararam e o corpo de ficou imóvel. Logo em seguida ela se ergueu como se cordas invisíveis a puxassem. Ela ficou de pé e eu a acompanhei, mirando seu rosto duvidosamente.
Nessa hora abriu seus olhos e eu dei um passo atrás, chocado. Eles estavam totalmente negros, tanto as íris quanto as córneas. Seu rosto se virou para mim e ela se ajoelhou à minha frente.
– Ao seu dispor, mestre. – Sua voz saiu mecânica e sem vida. Fiquei encarando-a, sem saber o que pensar ou como agir. O que era aquilo? Que merda que estava acontecendo?
Mesmo se movendo, ainda parecia sem vida, ajoelhada à minha frente como se fosse um objeto que eu pudesse comandar.
– Mande-a nos ajudar, Edward. – Alice gritou.
Pela primeira vez olhei ao redor e vi que meus amigos haviam formado um circulo ao nosso redor, impedindo que algo chegasse até nós.
– Do que está falando, Alice? – Eu perguntei sem entender, chocado demais com essa... Sei lá o quê que estivesse acontecendo.
– Mande-a nos ajudar! – Alice repetiu.
Olhei para Isie duvidosamente, então fiz o que Alice mandou, minha prima geralmente tem razão nas coisas que diz e resolvi confiar.
– Ajude-nos com essa luta, Isie. – Eu pedi suavemente.
Ela imediatamente ficou de pé e fez uma pequena reverência em minha direção, antes de catar sua Katana no chão. Puxou a Wakisashi das costas e correu, as duas espadas nas mãos e aquele olhar negro que me arrepiava.
O que se seguiu foi assustador e impressionante ao mesmo tempo, embora eu nem mesmo tenha noção do que se passou ali.
parecia um borrão e por onde suas lâminas passavam, deixando um rastro de cinza para trás. Voltei a lutar, ajudando os outros. Só que depois que viram do que era capaz, os vampiros que nos atacavam começaram a debandar aos poucos.
Em menos de dez minutos estávamos sós numa estrada deserta, em meio à poeira e sujos dos pés à cabeça.
estava parada a poucos metros de mim, as roupas sujas de sangue misturado com cinzas em sua pele e suas roupas. Vi quando suas espadas caíram e seu corpo se precipitou em direção ao chão. James a aparou antes que batesse no asfalto e eu corri em sua direção.
Estendi meus braços para ela e a segurei. Todos se juntaram ao nosso redor. Afastei os cabelos do rosto de Isie a tempo de ver seus olhos se abrindo, castanhos, como eram ao natural.
Suspirei, meu coração perdendo uma batida.
Minha pequena estava de volta.
POV
Tudo de que me lembro é de uma queimação irritante. A sensação era desconfortável e se espalhava por todo o meu corpo.
Então abri os olhos e estava nos braços de Edward. Suspirei, feliz que ele estivesse bem.
– Você se sente bem, petite? – Edward perguntou.
– Claro, eu estou ótima, mas você... Espera... – Lembrei da espada que atravessou meu coração e levei a mão ao peito. Olhei para baixo e não havia nada ali além de uma mancha enorme de sangue em minhas roupas, um buraco e uma mancha preta.
Abri mais o buraco e vi que a mancha preta, na verdade, era uma tatuagem.
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Eu sabia o que era aquilo, eu havia estudado na aula de história na escola. Aquele era um símbolo egípcio antigo, um tal de Ankh, eu só não lembrava direito o que significava.
– O que é isso? – Edward perguntou observando a marca que se destacava no vão entre meus seios.
– O que foi isso tudo? Como essa garota conseguiu fazer isso tudo? – James perguntou assombrado.
– O que você é? – Renesme perguntou.
Olhei para eles sem entender. Eu não tinha a mínima idéia do que estava acontecendo.
– Você se lembra Isie? O que você fez? Como... – Edward parecia abalado.
– Você não está abordando isso pelo lado correto, Edward. Isso não tem a ver com Isie. Isso é com você! – Alice falou como se isso fosse óbvio.
– Como é? – Edward perguntou agora decididamente confuso.
– Você é o mestre dela! Isso tem a ver com você! – Alice tentou explicar.
– Mas eu não estou entendendo. – Edward concluiu.
– Vejam, aquilo são carros? – Victoria apontou na direção em que sabíamos que o forte ficava.
Realmente, haviam luzes se aproximando de nós como faróis de carro.
– Isso que aconteceu com tem que ficar entre nós, entenderam? Nem uma palavra sobre isso. – Alice avisou.
Edward me estendeu seu casaco.
– Esconda essa mancha de sangue. – Ele disse e foi o que fiz. Vesti seu casaco, escondendo a marca em meu peito.
Em poucos minutos os carros chegaram até nós. Era um grupo de patrulheiros que haviam visto os brilhos de espadas ao longe e uma movimentação estranha. O Rei havia mandado três carros com três patrulheiros e seus guardiões para ver do que se tratava. Nós nos apertamos nos carros e eles nos levaram de volta ao forte.
Lá, fomos recebidos pelo Rei Emmet em pessoa. Ao ver sua irmã, ele me pareceu perder dez quilos que pesavam em seus ombros. Acabou com a distância entre eles em apenas alguns passos e a abraçou com força. Fiquei emocionada com aquela cena.
Em seguida o Rei se soltou da irmã e abraçou Renesme, sem parecer se importar com o fato de que as duas estavam sujas até o ultimo fio de cabelo. Ele se aproximou de Edward por ultimo, dando-lhe um abraço caloroso.
– Eu sabia que não me desapontariam. – O Rei falou quando soltou Edward.
– Mas foi por pouco. – Edward suspirou, olhando para mim de esguelha.
O Rei pareceu ver a nossa aparência terrível apenas agora. Olhou de um para o outro com os olhos arregalados.
– O que houve com vocês? – Ele quis saber.
– Nós precisamos ter uma conversa séria Emmet, mas não agora. Caminhamos o dia inteiro, precisamos de uma pausa. – Alice falou com uma cara de quem realmente precisava de uma soneca.
– Claro, claro. Agora que estão todos a salvo, temos tempo para isso, podemos conversar amanhã à noite. – O Rei falou.
– Obrigado. Estamos todos exaustos. – Edward disse.
Fomos todos levados aos nossos quartos. A primeira coisa que fiz ao entrar no aposento e ver Edward girando a chave na fechadura foi correr na direção do espelho e retirar o casaco. Puxei ainda a minha camisa estragada, ficando apenas de sutiã, e fiquei mirando o símbolo desenhado a fogo em minha pele.
– Mas que merda... – Eu comecei exasperada. – O que houve lá Edward?
Surpreendi-me ao senti Edward logo atrás de mim. Ele segurou meus ombros e me virou de frente para ele. Colocou as duas mãos nos lados do meu rosto, uma expressão de dor em seus traços perfeitos.
– O que você estava pensando, ? O que você estava pensando? – Ele perguntou descontrolado. – Você sabe o que eu senti quando achei que tinha perdido você? Como ousou se jogar na frente de uma espada daquele jeito? Como pôde fazer aquilo comigo?
– Edward... Seria eu ou você... Você poderia viver sem mim, mas eu... Preferia muito mais que um de nós sobrevivesse àquilo! – Eu falei meio desnorteada. A dor dele me contagiava, me fazendo sentir um buraco aberto em meu peito.
– Você está errada. Totalmente errada, Isie. – Ele parecia fora de si. Seus olhos começaram a transbordar de lágrimas. Senti também meus olhos arderem. – Eu não poderia, de modo algum, viver sem você.
Ele encostou sua cabeça em um de meus ombros, apertando minha cintura em direção ao seu corpo. As lágrimas desceram por meu rosto enquanto eu acariciava seus cabelos. Eles estavam grudando devido ao suor misturado às cinzas.
– Venha. – Chamei, tentando enxugar as lágrimas em meu rosto. – Venha, precisamos de um banho.
Edward meramente me olhou, parecendo desamparado. Segurei-o pela mão e o puxei em direção ao banheiro. Lá, liguei a água quente e me virei para Edward. Havia um rastro branco em seu rosto, onde as lágrimas haviam varrido a poeira. Levei meus dedos ao topo de sua cabeça e agarrei seus cabelos com força. Mais uma onda de lágrimas me escapou e eu puxei seu rosto em direção ao meu, beijando-o com intensidade.
Edward enroscou seus dedos nos cabelos de minha nuca com força e me puxou em direção ao chuveiro ligado. Entramos sob a água quente e eu imediatamente avancei meus dedos para retirar a camisa de Edward. As mãos dele foram parar em minha calça, que deslizou facilmente em direção ao chão. Encarreguei-me dos seus jeans e logo estávamos sem roupa alguma.
Meu mestre colou seu corpo ao meu, me apertando na parede fria. Nossas línguas se moviam em sintonia, bem como as batidas aceleradas de nossos corações. Eu quase podia sentir o sangue sendo bombeado dentro das veias de Edward tanto quanto podia senti-lo nas minhas.
Ele deslizou as mãos pelos lados de meu corpo, apertando com força a minha cintura. Apoiei meus braços em seus ombros e pulei em seu colo. Edward me segurou pelas nádegas, descendo seus beijos pelo meu pescoço em direção ao meu colo.
Agarrei seus cabelos entre os dedos quando ele chegou ao meu seio. Edward atacou minha pele sensível sem delicadeza alguma. Agarrei seus cabelos, suspirando e voltando meu rosto para o teto. Podia sentir o membro de Edward pulsando em minha entrada e aquilo me tornava um tanto quanto irracional.
Edward me ajeitou em seu colo e, sem seguida, me penetrou devagar e completamente, me preenchendo por completo.
Impulsionei-me em seus braços, enquanto ele controlava os movimentos com as mãos segurando fortemente os meus quadris.
Ele se movimentava lentamente em meu interior, porém com força suficiente para me arrancar um gemido sôfrego sempre que saía e entrava novamente dentro de mim.
Em pouco tempo senti meus músculos se contraírem em volta de Edward, que gemeu e puxou meu rosto de encontro ao seu. Nossas bocas se colaram no momento exato em que explodíamos em prazer ao mesmo tempo.
Ainda ofegante, Edward me colocou no chão. Tratei de pegar uma esponja e limpar toda a sujeira de seu corpo perfeito. Edward fez o mesmo comigo, de forma lenta e extremamente sexy. Então ele mais uma vez me puxou para os seus braços.
– Sua vida não deveria estar presa à minha. Preferia saber que você estaria viva, mesmo com a minha morte. – Ele falou de repente.
– Mas eu não. Francamente, Edward, prefiro assim. Mesmo que soubesse que ficaria bem se você não estivesse mais aqui, eu me jogaria na frente de qualquer espada para tirá-la do seu caminho. – Eu falei com sinceridade. Edward segurou meu rosto entre as mãos, acariciando meus lábios levemente com os seus.
– Mas isso seria idiotice. – Ele disse, me olhando desaprovador.
– E não tem nada que você possa fazer contra isso. – Eu finalizei teimosamente. Ele sorriu de leve.
– Não acredito que vou dizer isso, mas eu sentiria muita falta dessa ruga de teimosia que sempre fica entre suas sobrancelhas quando está me desafiando. – Ele disse, os olhos semicerrados. Ele estava exausto, e eu sabia disso.
– Não vou me esquecer disso. Agora venha, vou te colocar na cama. – Eu falei.
Peguei uma toalha e o enxuguei. Em seguida fomos para a cama e me coloquei sobre Edward, os braços dos lados de seu pescoço.
– Você precisa se alimentar e dormir agora, Edward. Foi um dia exaustivo. – Eu falei calmamente. Ele suspirou e eu envolvi meus dedos em seus cabelos, puxando seu rosto em direção ao meu pescoço.
Senti os dentes de Edward se cravarem ali. Agora já não havia estranheza. Era natural, como era natural amamentar um bebê recém-nascido. Na verdade, creio que devia ser um sentimento parecido, exceto pelo fato de que quando Edward grudava sua boca à minha pele, eu me sentia excitada quase no mesmo instante.
Pouco tempo depois a cabeça de Edward desceu sobre o travesseiro e ele me puxou para me deitar em seu peito.
– Fique comigo, ma petite. Não a quero longe de mim por nada nesse mundo. – Edward falou, sonolento, os olhos fechados.
– Claro. – Sussurrei.
E assim eu fiz, ficando ao seu lado todo o tempo em que dormiu. Mesmo que Edward não tivesse pedido, era isso que eu faria, pois não havia nada mais agradável a mim do que ficar o seu lado.
PS: Como vocês viram, o Ankh original não tem as asas que o da tem, mas isso tem uma explicação que vocês saberão em breve... hehhehe

 A guardiã: Nosso destino é a eternidade...
Capítulo Onze: Death Knight

Fiquei deitada, velando o sono de Edward durante o resto da noite e todo o dia seguinte. Não sentia fome, apenas o desejo de ficar perto dele, mesmo que estivesse dormindo.
Ele acordou logo que anoiteceu.
Creio que teve um pesadelo, pois se sentou subitamente e, como ele ainda me segurava apertado em seus braços, me levou junto.
Ele suspirou e me olhou daquele jeito assustado e sonolento que as pessoas ficam quando acordam de um sonho ruim. Isso e o cabelo amassado de um lado e arrepiado do outro o tornavam a coisa mais fofa que eu jamais havia visto, incluindo na conta aqueles filhotinhos de gato do dia dos namorados, sabe?
Sorri para ele.
Edward levou sua mão ao meu lábio inferior, acariciando-o com o polegar. Em seguida afastou meu cabelo do rosto e desceu seus lábios sobre os meus. Sua língua deslizou macia entre eles, me fazendo suspirar.
Ele então se afastou um pouco, me olhando com atenção.
– Sonhei que havia perdido você. – Ele disse com uma ruga entre os olhos.
– Isso não vai acontecer. Esqueceu que eu sou a Super Guardiã? – Eu falei divertida, passando o dedo entre suas sobrancelhas para relaxar aquela ruguinha incômoda. Edward olhou para o símbolo entre meus seios nus.
– Isso é assustador. – Ele comentou passando um dedo ali. Estremeci levemente.
– O fato de eu ainda estar viva depois do que aconteceu ou o que houve enquanto eu apaguei? Por que você ainda não me contou nada sobre aquilo né? – Eu disse perspicaz.
Edward me olhou nos olhos profundamente.
– Aquilo foi... Bizarro e impressionante ao mesmo tempo e... Arrepiante. – Ele falou desconfortável.
– O quê? – Eu quis saber.
– Isie... Você estava lá, mas ao mesmo tempo... Não era você. E seus olhos... Eles estavam negros, quero dizer... Totalmente negros. – Ele falou com os olhos muito abertos como uma criança assustada.
– E o que isso significa? – Eu quis saber, acariciando o lado de seu rosto.
– A melhor pista que eu tenho é quando Alice disse que isso era por minha causa. Só posso imaginar que eu sou algum tipo de aberração ou algo assim. – Ele falou pensativo.
– Temos que falar com ela então. – Eu finalizei.
Nessa hora ouvimos uma batida na porta. Ficamos de pé e Edward jogou uma de suas camisas para mim, que chegava um pouco acima dos joelhos. Ele vestiu uma calça e foi abrir a porta.
Eu perdi o fôlego e corei de vergonha quando reconheci as pessoas paradas ali, mesmo que eu apenas as tenha visto na televisão. Carlisle Cullen e Esme. O homem tinha cabelo loiro, meio acobreado. E tinham os mesmos olhos azuis de Edward. Aparentava ter uns vinte anos, como a maioria dos vampiros, mas dava para ver que era mais velho. Era como se sua experiência transparecesse por todos os seus poros. Já a mulher tinha cabelos e olhos castanhos e jeito doce.
– Meu filho! – O homem falou adentrando e puxando Edward para um abraço. Não foi muito bem correspondido, pelo que eu pude notar. Edward parecia mesmo desconfortável. Quando se soltou do pai, no entanto, Edward praticamente se jogou nos braços de Esme.
– Mamãe! – Ele falou feliz.
– Que bom que está bem, meu filho. – Ela falou com uma voz baixa e calma.
– Essa é sua Guardiã, Edward? – Carlisle me olhou dos pés à cabeça com curiosidade.
– Sim. Isabella, meu pai, Carlisle. Essa é Esme, minha mãe. – Ele me apresentou.
Avancei meio insegura para apertar-lhes as mãos.
– Ouvi comentários de que sua aventura no mundo exterior foi muito bem sucedida, filho. Parabéns. – Carlisle falou depois de um ultimo olhar indefinido para mim.
– Obrigado pai. – Edward falou com a voz dura.
– O seu primo pediu que fosse vê-lo, Edward. Ele disse que precisam conversar. – Esme contou.
– Ah, sim. Já estávamos indo. Obrigado. – Edward falou.
– Nos vemos novamente mais tarde, então. Esme e eu vamos ficar aqui no forte por uns tempos. – Carlisle falou saindo depois de dar uma tapinha nas costas de Edward. Esme o beijou na bochecha, sorriu para mim e o acompanhou. Edward fechou a porta logo em seguida.
Ele suspirou, parecendo cansado.
– Seu pai pareceu meio... Seco. Se meu pai soubesse do que passamos lá fora, começaria a chorar como uma criança. – Falei, tentando quebrar o clima. – Já sua mãe parece legal, mas você não se parece muito com ela, quero dizer, fisicamente.
Edward me olhou com uma sobrancelha erguida e sorriu de lado.
– Você acha que Esme é minha mãe de verdade? – Ele perguntou divertido.
– E não é? – Repliquei confusa.
– Não. Quero dizer, era ela que sempre estava lá para me proteger quando meu pai ficava bravo por eu não ser tão perfeito quanto ele. Pelo menos quando ele não me largava em algum colégio interno e passava às vezes mais de um ano sem me visitar. Coisa que, na realidade, todos os vampiros fazem com os filhos. – Edward falou amargurado.
– Eu sinto muito. – Falei sentando-me ao seu lado e colocando o braço em volta de seus ombros. – Mas quem é sua mãe então?
– Nós nunca sabemos. Os vampiros tem essa regra estúpida de que as crianças tem que ser criadas longe das mães vampiras para ser mais fortes. – Ele disse franzindo os lábios.
– Mas então... E se seu pai tivesse tido um filho com Esme, o que fariam? – Eu perguntei meio confusa. Edward me olhou como se eu fosse retardada.
– Vampiros e Guardiões não podem ter filhos, Isie. É impossível. – Ele falou agora ficando sério.
– Por quê? – Eu perguntei muito surpresa.
– Por que somos de espécies diferentes. Isso não é biologicamente possível. – Edward falou agora com a voz dura, sem olhar para mim.
– Eu não estou entendendo direito como isso funciona Edward. – Eu disse simplesmente, me empertigando ao seu lado.
– Quando chegamos à idade certa, nossas famílias escolhem os parceiros que julgam melhores para nós e então, procriamos. – Ele falou simplesmente.
– Mas eu nunca ouvi dizer que os vampiros casavam. – Eu comentei começando a ficar com raiva daquela situação. Sentia minhas bochechas esquentarem apenas por imaginar Edward procriando com alguma vampira por aí.
– Nós não casamos. Nossos únicos parceiros eternos são vocês, nossos Guardiões. – Ele falou ainda sem me olhar.
Mas eu já não estava prestando atenção. Só havia uma coisa em que eu podia pensar no momento.
– E então? Já escolheram uma parceira para você? – Eu quis saber, falando por entre os dentes e cruzando os braços com força.
– Bom, eles esperam até a maioridade para isso, você sabe. É quando estamos maduros o suficiente, entende, pra... Bom... – Era impressão minha ou ele estava fugindo da pergunta?
– Quem é? – Perguntei irritada.
– Renesme. – Ele falou finalmente.
– Mas ela é sua prima! – Eu falei revoltada.
– Geralmente gostam que procriemos entre parentes. Irmãos e primos principalmente, para preservar a linhagem. – Ele falou com a voz grave.
Fiquei em silencio, sendo atingida por uma onda indistinta que eu não reconhecia. Pensei em Renesme.
Ela era bem bonita, na verdade, com os cabelos acobreados como os de Edward e seus incríveis olhos violeta.
É, eu não tinha como competir com ela. Embora eu tivesse a leve sensação de que não era bem uma competição. O que eu era, afinal, além de uma mera serva para Edward? Quero dizer, ele precisava de mim. Era por isso que ele se preocupava comigo. Ele se alimentava do meu sangue e eu o protegia, então, era bem óbvio que ele tivesse medo de me perder.
Já eu... Sentia-me despedaçada por dentro. E quando eu fico magoada... Bom, a coisa fica feia. Por que eu só consigo ficar com raiva, muita raiva. E geralmente quando eu fico com raiva eu fico meio irracional, se é que vocês ainda não perceberam isso.
Foi por esse motivo que eu me levantei.
– Seus filhos serão lindos. – Falei impassível, andando até minha bagagem para pegar uma roupa.
– Isie... – Edward chamou com um tom de súplica na voz. De costas, não consegui sentir nem um pouco de pena dele.
– E eu? – Atirei de repente, sem me virar.
– E você o quê? – Ele perguntou desconfiado.
– Quando eu vou procriar? – Voltei-me para ele com as sobrancelhas erguidas.
– Não entendi. – Ele disse simplesmente.
– Ora, eu tenho que ter filhos um dia não? Não vou precisar procriar com algum Guardião ou coisa do gênero? – Perguntei indiferente.
– O quê? Não! Nunca! Ninguém além de mim vai tocar você desse jeito! – Ele falou se levantando da cama e ficando de frente para mim, parecendo furioso.
– É o que veremos. Aposto como Jake toparia numa boa... – Eu falei parecendo pensativa, mas me sentido maldosamente satisfeita por dentro quando ele arregalou os olhos para mim. Eu nunca disse que era boazinha, disse?
– Não! Isabella, eu a proíbo de deixar qualquer outro homem te tocar. Proíbo-a de procriar com qualquer um! – Ele falou autoritariamente e senti o poder de suas palavras em mim. Lembrei-me de quando ele prometera nunca mais usar esse poder contra mim e trinquei os dentes. Ali estava ele fazendo exatamente o que havia dito que não faria. – Você entendeu?
Apertei os dentes com mais força para não deixar o “Sim” escapar de meus lábios. Meus olhos começaram a arder quando minha cabeça fez que sim para ele sem o meu consentimento.
Minha raiva só cresceu.
Dei-lhe um soco no peito. Não muito forte, mas o suficiente para ele dar um passo atrás e me olhar surpreso.
– Eu te odeio, sabia? Odeio! – Eu gritei, me virando para marchar em direção à porta.
– Volte! – Ele mandou.
Meu corpo estacou e eu parei, me voltando para ficar de frente para ele. Encarei a parede atrás dele, o rosto impassível e me segurando para não chorar na sua frente. Como eu disse, racionalidade não é o meu forte nesses casos.
– O que foi isso? – Ele perguntou exasperado. Fiquei resignadamente em silencio, sem encará-lo. – Ficou maluca, Isabella?
Finalmente fiquei de saco cheio e olhei para ele com raiva.
– Não sou eu que quebro promessas, então não fale comigo nesse tom. – Eu disse sem inflexões na voz. Ele pareceu confuso por um segundo, em seguida a compreensão se espalhou por seu rosto e, ainda depois, a culpa.
– Isie... Eu... Desculpe-me por isso, mas você... Você sabe que me provocou! – Ele disse nervosamente. Continuei meramente a olhá-lo com cinismo. – Diga algo!
– Claro, mestre. Perdoe-me. – Eu falei me ajoelhando à sua frente e curvando a cabeça obedientemente.
É óbvio que ele percebeu a ironia do meu gesto e soube que eu estava fazendo aquilo apenas para irritá-lo.
– Chega de ironias, Isabella. – Ele falou muito sério. Estreitei os olhos em sua direção.
– Tanto faz. – Dei de ombros. – Eu não to nem aí, ta bom? Já saquei qual é o caso. Eu sou a serva, você manda. Entendido chefe. Agora podemos ir ver o Rei? Ele não está esperando por nós?
Edward pareceu finalmente se lembrar disso e me olhou
demoradamente.
– Isso ainda não terminou. – Ele disse finalmente.
– Não sei do que você está falando. Pra mim terminou. Eu não posso deixar ninguém me tocar e ponto final. Acabamos aqui. – Falei com indiferença.
– Por que você está fazendo isso? – Ele perguntou finalmente, vindo tocar meu braço. Desviei-me dele e fui em direção às minhas roupas sem dizer mais nada.
Eu sabia que não era apenas raiva, mas nem morta que eu ia admitir pra ele que estava com ciúmes e fazer papel de otária. Nunquinha!
Troquei de roupa em silêncio, consciente do olhar de Edward sobre mim enquanto ele fazia o mesmo. Não trocamos mais nenhuma palavra, apenas saímos pelo corredor e batemos na porta ao lado. A voz do Rei nos mandou entrar.
– Ah, aí estão vocês. – Emmet falou sorrindo para nós. Sorri para ele. Não tinha como não sorrir de volta para aquelas covinhas, mesmo que eu ainda estivesse fula da vida com Edward.
Alice estava lá com ele, bem como Jasper, Rosalie, Jacob e... Bem, Renesme. Não olhei para ela. Não me sentia confortável com ela ali, depois do que Edward havia dito, mas tentei ignorar aquela sensação de traição. Eu até gostava da garota, na boa. Mas agora... Bom, deixa pra lá.
– Estavam falando de nós pelas nossas costas? – Edward perguntou divertido.
– A gente bem que queria, mas Alice fincou o pé e mandou a gente esperar vocês. – Jacob falou como se Alice tivesse acabado com toda a sua diversão. Sorri pra ele.
– Bom, agora então vocês podem me contar o que está acontecendo. – Emmet falou incomodado.
– Claro. – Então Edward começou a contar em detalhes tudo o que havia acontecido desde que saímos do forte. Alice contou a parte dela e também os ajudamos com alguns detalhes. Quando chegou a parte de falar sobre mim, todos ficaram meio hesitantes. Alice por fim acabou com aquele momento desconfortável e detalhou o que havia acontecido.
Ouvi-la falando sobre o modo como eu havia agido tipo, sei lá, O Exterminador do Futuro, me deixou arrepiada, e não de um jeito bom.
– E então... Reparamos na tatuagem. – Ela disse por fim.
– Que tatuagem? – Emmet perguntou. Ele parecia meio abalado com a história toda.
Eu, por minha vez, desabotoei alguns botões de minha blusa e mostrei o símbolo gravado em minha pele. Ele o encarou, pasmo.
– Alice, aquilo é... – Emmet começou.
– Foi o que eu achei quando vi. – Alice confirmou.
– Mas para que ela tenha essa marca, Edward precisava ser... – O Rei continuou.
– Eu sei. – Alice finalizou.
Os dois ficaram olhando de Edward para mim. E eu tipo “Ahn?”. Um completando a frase do outro já estava dando nos nervos.
– Vocês podem explicar o que está acontecendo, por favor? – Renesme pediu nervosa.
– Claro. Há muito tempo atrás, havia um grupo de guerreiros invencíveis. Seus Guardiões tinham poderes insuperáveis e tinham um símbolo como esse de Isie gravado no peito, logo acima do coração. – Alice começou. Senti, sem saber como, que aquilo não ia ser nada agradável. – Esses Guardiões eram puramente máquinas de matar, demônios alados, como muitos dos que lutaram contra eles e por acaso sobreviveram, os chamaram. Eles pareciam vir de lugar nenhum e simplesmente deixavam um rastro de destruição num campo de batalha.
– Eu nunca ouvi falar sobre isso. – Edward falou.
– Por que esse é um assunto proibido. Não se fala sobre isso, não se escreve sobre isso, nem mesmo deve-se pensar sobre isso. Foi um Pacto que os vampiros fizeram há muitos anos. – Emmet explicou, olhando para Alice. – Apenas algumas pessoas ficam sabendo, para não deixar a história morrer e ser esquecida. Nem preciso dizer que o que for falado aqui, não deve sair desta sala em hipótese alguma, não é?
– Mas por que tanto mistério? O que esses guerreiros fizeram? – Eu perguntei apressada. Afinal, estavam falando de mim, certo?
– Como eu disse, esses Guardiões eram invencíveis. Tanto que havia quem os chamasse de Death Knights. E conseqüentemente eram muito perigosos. Seus Mestres tentaram tomar o poder para si. Planejavam matar o Rei e seu líder tomaria seu lugar. Ainda assim, eles eram poucos. E já que não se podia enfrentar esses guerreiros de frente... Aniquilaram seus mestres para que isso não acontecesse. Não sei se isso foi certo ou não, mas foi o que aconteceu. – Alice finalizou.
– E não há mais guerreiros como esses? – Eu perguntei interessada. – Quero dizer, se eles existiram uma vez, por que não há mais deles nascendo por aí todos os dias, assim como eu?
– Não. Uma magia antiga foi invocada para que nada como eles surgisse mais uma vez. – Alice trocou um olhar misterioso com Emmet.
– O quê? Tem mais coisa, não tem? – Edward perguntou desconfiado.
– Vocês precisam saber que os mestres desses Death Knights eram de um tipo bem específico. Um tipo que não é visto há muito tempo e nem deveria existir. – Emmet falou olhando muito sério para Edward.
– Eu não estou entendendo. – Edward finalizou.
– Eles eram Mestiços, Edward. Filhos de Vampiros com seus Guardiões. Eram raros, mas não impossíveis. – Alice falou. Olhei para ela com a boca meio aberta.
– Uma magia antiga foi invocada pelo Rei, para que não nascessem mais crianças como essas. É meu dever agora monitorar isso. – Emmet disse.
– Mas eu não sou mestiço. – Edward finalizou.
– Eu não tenho idéia do que pode estar acontecendo, Edward, mas você tem que considerar essa possibilidade. Precisa perguntar ao seu pai. – Alice falou.
– Mas... Se isso for verdade... O que irá acontecer conosco? – Eu quis saber. Imaginei se eles iriam querer matar Edward para me aniquilar, como Alice havia dito. Já começava a pensar em formas de nós escaparmos.
Quero dizer, eu ainda estava com vontade de dar umas belas bolachas em Edward, mas também não ia querer o cara morto né?
– Edward já demonstrou sua lealdade para comigo muitas vezes. Vocês estão sob minha proteção, embora eu ache que o segredo ainda é extremamente necessário. – Emmet concluiu.
– Isso é... Insano. Então eu sou uma máquina de matar? Quer dizer que sempre que tiver uma luta eu vou virar um robô e sair matando tudo pela frente? – Eu perguntei exasperada.
– Eu sinceramente não sei como isso funciona. Nem mesmo sei por que você não morreu. Aquilo que aconteceu... Eles costumavam dizer que os Death Knights eram imortais, mas pensei que significasse no sentido geral da palavra, do mesmo modo que todos os vampiros são imortais. Agora começo a imaginar se não queria dizer que eram impossíveis de matar, a menos, é claro, que seu mestre fosse eliminado. – Emmet disse.
– Isso é confuso demais. – Jacob concluiu.
– Concordo, mas vejamos o lado positivo disso tudo. – Alice começou.
Eu tinha a impressão de que ela era daquele tipo de pessoa que sempre via o copo meio cheio, se é que você me entende. Eu gosto desse tipo de gente, apesar de eu mesma ser totalmente pessimista.
– Que lado positivo? – Edward perguntou.
– Se houver mesmo uma batalha contra os Vampiros Vermelhos, coisa que eu acho bastante provável, depois do que passamos lá fora, Isie será nossa arma secreta. – Alice terminou sorrindo.
Sabe que eu até gostei dessa coisa de arma secreta?
– Não. Sem chance. Eu não gostei daquilo, daquela coisa que aconteceu e se depender de mim, Isie não vai ser usada dessa forma. Não temos certeza de nada disso ainda! – Edward se opôs.
– Qual é! – Reclamei. Ele adorava cortar o meu barato.
– Eu concordo com Edward. Não vamos colocar Isie em perigo desnecessariamente. – Emmet concordou. Fiz um muxoxo, chateada.
– Bom, tudo bem, esse assunto pode ser encerrado, mas temos que falar de outra coisa extremamente importante. – Renesme começou.
– O que pode ser mais importante do que Isie sendo uma provável arma de matar centenária? – Jacob perguntou parecendo muito animado com a minha situação. Era óbvio que o cara era tão problemático quanto eu. Por isso que a gente se dava bem.
– O fato de que provavelmente há um espião entre nós. – Renesme concluiu, deixando a todos em um silencio atordoado.
Eu não havia pensado exatamente nisso, mas agora que ela havia falado, achei que na verdade era bem óbvio. Quero dizer, aquela coisa lá fora havia sido bem estranha, com os Vampiros Vermelhos sabendo de todos os nossos passos.
Claro que havia um espião, sua idiota! Falei para mim mesma.
E eu já sabia até pra quem era o meu voto.
Um certo loiro, o qual eu havia salvado a vida e que me odiava por isso.
Devia mesmo tê-lo deixado morrer.
A guardiã: Nosso destino é a eternidade...
Capítulo Doze: Relembrando o passado
– Espião? – Emmet perguntou desconfortável.
– É o que parece. – Alice falou. – Ninguém sabia onde eu estava, se é que você seguiu as minhas instruções direito.
– Claro que eu segui, Alice! Eu só dei o mapa a Edward, ninguém mais sabia onde encontrar você. – Emmet falou exasperado.
– E pouca gente sabia da missão de resgate. – Rosalie completou.
– Logo, só alguém de dentro, mas que não estava por dentro do mapa, poderia ter dado as dicas. Ou não precisariam nos atacar numa clareira, eles iriam direto atrás de mim. – Alice completou.
– É, parecia que eles estavam nos esperando ali, como se não conhecessem o caminho da ida, mas soubessem que iríamos voltar pelo mesmo caminho. – Renesme continuou.
– Aquele miserável! Devia tê-lo deixado morrer! – Eu falei revoltada.
– Do que você está falando Isie? – Edward perguntou.
– Do James, é claro. Eu salvei a vida daquele otário e ele me odeia por isso, mais do que já me odiava antes. É obvio que ele é o espião. – Eu expliquei.
– Não vamos nos precipitar. Uma acusação assim é muito grave. – Emmet falou cauteloso.
– Quem mais seria? Nenhum de nós fez isso. – Edward concordou comigo, mas tive a impressão de que ele só fez isso para cair nas minhas boas graças de novo. Se fosse isso, então ele estava perdendo tempo.
– Eu nunca gostei mesmo daquele puxa-saco. Vive babando atrás do meu pai. – Renesme reclamou fechando a cara.
– Mas precisamos de provas para acusá-lo definitivamente. – Emmet disse.
– Precisamos saber como ele estava se comunicando com os outros. Quero dizer, em algum momento ele teve que dar algum tipo de sinal, não? – Jasper falou, o que foi muito inteligente da parte dele, por que eu não tinha pensado nisso.
– É verdade. – Edward concordou.
– Bom, James estava logo à minha frente o caminho todo. Eu não o vi fazer nada suspeito. – Jacob falou. Mais um pra cortar o meu barato, fala sério!
– E a Victoria? Ela poderia ter recebido ordens dele. – Eu falei. Fiquei orgulhosa de mim mesma por ter pensado rápido. É isso ai, garota!
– Aquela vadia ficou reclamando do mato no meu ouvido o caminho inteiro. Além disso, não a vi fazer nada de errado, apesar de querer matá-la do mesmo jeito. – Renesme falou fazendo uma careta.
– Que droga! E como eles deram o sinal então? – Eu perguntei mal-humorada. Minha teoria toda perfeita estava meio que furada e eu já não estava com o melhor humor do mundo, então já deu pra ver que Edward ia sofrer quando ficássemos sozinhos de novo né?
– Bom, talvez não seja ele. – Jacob falou hesitante.
– Tem que ser ele! Quem mais seria? – Eu perguntei com raiva.
– Bom, não sei se o Laurent é muito de confiança. – Renesme arriscou. Fiquei olhando para ela com a testa franzida.
Hum... Laurent. O cara era tão caladão que eu nem me lembrava dele direito, só daquela mala sem alça da Irina.
– Bom, ele não estava perto de mim durante a viagem. – Jacob falou.
– Nem de mim. – Eu disse logo. Os outros acenaram que não com a cabeça ou deram de ombros.
– É... Talvez o James não seja culpado. – Alice falou com um sorrisinho de lado para mim. Fiz uma careta.
– Eles podem ser cúmplices. – Eu falei teimosamente. Ela riu.
– Temos que dar um jeito de provar. – Renesme finalizou.
– Bom, vamos precisar de um plano. – Edward completou.
– Mas acho que agora temos que voltar ao treinamento. – Emmet disse.
– Mas... E se eu tiver um surto daqueles no treinamento e sair matando todo mundo? – Eu perguntei apreensiva.
– Mas você nunca teve um surto em um treinamento antes. – Jacob falou, mas ele tinha uma ruga de preocupação no meio dos olhos.
– E antes eu não sabia que isso podia acontecer né? – Eu falei.
– Não tem como isolar você. Temos que continuar como se nada tivesse acontecido. – Emmet falou decidido.
– Não se preocupe, isso não deve acontecer desse jeito. Acho que só acontece quando você está em perigo de verdade. Ou, pra ser mais exata, quando Edward está em perigo. – Alice me tranqüilizou.
– Espero que sim. – Eu falei.
– Edward, mais tarde vou pedir que seu pai e Esme venham aqui e vamos conversar com ele. Precisamos ter certeza se você é mesmo um mestiço. Se isso ocorreu com você, então é provável que o feitiço tenha se desgastado. Ou alguma coisa deu errada com ele ao longo do tempo e temos que descobrir. Se houver mais mestiços por aí, não temos como saber se eles serão tão fiéis quanto você a mim. – Emmet falou pensativo.
– Eu vou pesquisar sobre esse feitiço. Vou precisar passar no castelo ainda hoje, Emmet. Preciso visitar a Biblioteca. – Alice falou.
– Eu já estive na biblioteca do palácio milhões de vezes e nunca vi nada sobre isso. – Edward comentou.
– Não a biblioteca comum Edward. Temos uma Biblioteca secreta no subterrâneo. Agora não tão secreta, mas ainda assim, só Emmet e eu podemos entrar lá. – Alice falou.
– Quantos outros segredos vocês me esconderam todos esses anos? – Edward perguntou fazendo uma careta.
– Você não vai querer saber. – Alice disse divertida.
– Vamos, vamos para o pátio. – Emmet chamou.
Saímos então do quarto e fomos para o pátio, onde o treinamento já havia começado. Caius fez algumas piadinhas sobre sermos importantes demais para um mero treinamento, mas se calou a um olhar do Rei.
Alice não ficou. Ela e Jasper pegaram um carro e foram á cidade, ao castelo do Rei, para visitar lá a tal biblioteca secretíssima. Sabia que se ela achasse alguma coisa lá, com certeza não ia ser coisa boa.
Nós que ficamos treinamos normalmente, embora quando eu fiz dupla com Edward, ele tenha levado umas pancadas desnecessárias. É como já dizia minha vózinha, que descanse em paz: A mulher pode não saber por que está batendo, mas o homem com certeza sabe por que está apanhando.
A diferença é só que eu sabia exatamente por que estava batendo.
Mas eu também tive uma surpresa naquela noite. Os outros alunos da Academia estavam ali. Eu realmente fiquei surpresa ao entrar no pátio de dar de cara com Tyler, Angela, Mike e Erik.
Não pude falar logo com eles, claro, pois o treinamento já havia começado, mas quando terminou consegui chegar perto deles, bem como Jake, que estava tão surpreso quanto eu.
– Hey! O que vocês estão fazendo aqui? – Eu perguntei me direcionando direto para eles.
– Isie! – Angela correu em minha direção, se jogando em meus braços. Aparei-a com dificuldade e nós duas quase caímos. – Que bom que você está bem!
– Calminha... Por que eu não estaria? – Eu perguntei me afastando dela e sorrindo para os outros.
– Vocês dois sumiram da Academia do nada e sempre que perguntávamos, diziam que era assunto sigiloso e mandavam a gente ficar de bico fechado. – Tyler explicou, já que Angela estava emocionada demais para falar alguma coisa.
– Sinto muito se ficaram preocupados. – Eu me desculpei sinceramente.
– Mas então vocês estavam mesmo juntos? – Erik perguntou. Já tinha me esquecido de quanto o seu sotaque era charmoso.
– Sim. – Jacob respondeu.
– E o que estiveram fazendo? – Mike quis saber.
Olhei para Jake meio na dúvida e ele fez uma careta.
– Sinto muito galera, mas realmente não podemos contar. – Jake falou meio sem graça.
– Tudo bem. – Tyler deu de ombros.
– Senti sua falta nas aulas de boxe Isie. – Mike falou corando em seguida. Sorri para ele.
– E eu senti muita falta de vocês! – Falei sentindo um aperto no coração.
Parecia fazer séculos que eu havia entrado para a Academia e conhecido eles. Tudo havia mudado em tão pouco tempo! Eu própria não me sentia a mesma, como se algo tivesse surgido repentinamente dentro de mim, algo que nem mesmo eu fazia idéia de existir.
– Agora me digam, por que vocês estão aqui? O treinamento não deveria durar seis meses? – Jacob perguntou.
– É, mas o Rei pediu reforços. Todos nós que entramos para a Academia tivemos que vir para cá mesmo sem ter terminado o treinamento, bem como os professores e o diretor. A Academia está temporariamente fechada. – Erik contou.
– Por que Emmet não nos disse? – Eu perguntei a Jacob.
– Tínhamos muitas outras coisas para falar, lembra? – Jacob falou muito sério.
– Mas a situação das fronteiras está tão ruim assim? – Eu perguntei para eles.
– Tivemos mais dois ataques nos últimos dois dias. Um aqui mesmo no Forte Dois e um no lado leste da cidade. As notícias que temos recebido de outras cidades humanas são as mesmas. Ataques freqüentes. Uma cidade menor ao norte foi derrubada. – Tyler explicou.
– Como assim derrubada? – Eu perguntei, mas no fundo sem querer realmente saber.
– Invadiram totalmente. Ninguém sobreviveu. – Tyler falou com a voz rouca.
Olhei para Jacob, que parecia tão perplexo quanto eu. Durante esses poucos dias que havíamos ficado fora nossa situação havia se deteriorado exponencialmente. Uma cidade inteira havia sido perdida, muitas pessoas haviam morrido. Era terrível.
– Isso só pode ser um pesadelo. – Falei sacudindo a cabeça negativamente.
– Eu sei, mal pude acreditar quando soube. – Angela falou pela primeira vez. – Por isso pensei que algo de ruim poderia ter acontecido a vocês, sabe. Tudo está tão bagunçado!
– Estamos treinando com o exército todos os dias. Revezamos-nos com os Patrulheiros na guarda dos muros do forte. – Mike contou ansioso.
– Na verdade, fomos promovidos a Patrulheiros de forma emergencial. – Erik explicou.
– E dentro da cidade? Está tudo bem? – Eu perguntei ansiosa, pensando em meu pai.
– Tudo normal, mas as pessoas estão começando a entrar em pânico. Todos estão com medo de os suprimentos de comida e água acabarem. Nenhuma viagem para fora dos muros está sendo permitida. Está virando um pandemônio lá dentro. – Tyler falou.
– Meu Deus! – Eu exclamei.
– Isso é loucura! – Jacob falou exasperado.
– Eu sei, mas é o que está acontecendo. – Tyler disse, por fim, suspirando pesarosamente.
– Isie! – Ouvi Edward me chamar. Olhei para trás e o vi se aproximar. – Emmet está nos chamando, vamos falar com meu pai. – Ele disse de forma significativa.
– Ah, claro. – Eu falei meio tonta ainda por tudo que havia acabado de ouvir. – Nos vemos depois pessoal.
– Até mais Isie. – Angela falou.
Segui Edward em direção ao quarto do Rei.
– O que você tanto conversava com aqueles garotos? – Edward quis saber. Ignorei prontamente a pergunta, respondendo com outra.
– Você sabia que uma cidade inteira foi perdida essa semana? – Eu perguntei ainda horrorizada.
– Emmet estava me contando agora pouco. Isso é terrível. – Ele disse com a testa franzida, ecoando meus pensamentos.
– Isso é loucura Edward. Eu sinto como se o mundo estivesse prestes a desabar sobre nós! – Eu falei exasperada.
– Não se preocupe, vai dar tudo certo, ma petite. – Ele falou pegando a minha mão, mas eu me soltei dele.
Ele que não pensasse que eu tinha me esquecido daquela coisa da procriação. Se há uma pessoa que não esquece uma briga facilmente, essa sou eu. Se Edward ia mesmo procriar com Renesme, ele que não pensasse que ia colocar suas mãos em mim de novo. Estava declarada uma greve de sexo até segunda ordem.
Hum... Talvez um século o fizesse repensar suas atitudes.
– Isie... – Ele sussurrou me olhando com o olhar pidão. Ignorei prontamente aquela carinha fofa, olhando para o outro lado. Também se eu ficasse olhando demais ia acabar não resistindo.
Chegamos à porta dos aposentos do Rei e Edward bateu. Emmet estava lá sozinho com Rosalie. Entramos e nos aproximamos da mesa à qual ele estava sentado.
– Pedi a seu pai que viesse me ver. Ele deve estar chegando a qualquer minuto. – Emmet falou. Sentamo-nos à mesa para esperar.
– Vossa alteza, se me permite... – Comecei.
– Me chame de Emmet, Isie. – Ele pediu.
– Emmet... Eu soube que os humanos estão entrando em pânico na cidade. Estão com medo dos ataques. – Eu falei.
– Sim, a situação está ficando cada vez mais grave. No entanto, os ataques estão mais freqüentes, porém não mais intensos. É como se estivessem brincando conosco. – Emmet comentou parecendo frustrado.
– Eu... Eu gostaria de pedir permissão para visitar o meu pai. – Eu falei meio duvidosamente. A idéia não estava totalmente formada em minha cabeça, mas no momento em que falei percebi que aquele era o meu maior desejo no momento.
– Eu não sei se vai ser possível por enquanto Isie. Precisamos de todos os reforços que pudermos obter. – Emmet falou parecendo sentir muito.
– Sei, você mandou buscar os alunos da Academia. – Eu falei séria.
– Exato. Mas se tiver uma oportunidade, eu farei com que saiba. – Ele prometeu.
– Muito obrigada, Majestade. – Eu falei realmente agradecida. Emmet era um cara legal, se ele achava que eu não poderia ir por enquanto, ele tinha seus motivos. Não sei como alguém poderia pensar em traí-lo. Ele despertava total confiança de qualquer um que falasse com ele.
Ouvimos então uma batida na porta.
– Entre. – Emmet mandou.
Sir Cullen entrou, seguido por Esme.
– Edward! Você aqui? – Ele perguntou surpreso.
– Sim pai. Temos algo importante para falar com você. – Edward explicou.
O engraçado foi que os olhos de Sir Carlisle e de Esme voaram imediatamente para mim. Com certeza eles estavam por dentro de algo que nós não sabíamos e eu com certeza podia imaginar o que era.
– Então... Sobre o que querem falar? – Ele disse, desviando o olhar de mim para Emmet. Já Esme continuou me encarando.
– Tio, todos os anciões importantes de nossa raça são presenteados com conhecimento. Um conhecimento privilegiado sobre nosso passado, nossa história. Conhecimento esse que é dever do Rei e do Oráculo proteger a cada geração. O senhor é um desses privilegiados. O senhor teve permissão para ler dos livros antigos e tenho certeza de que conhece essa marca. Isie, se fizer o favor... – Emmet olhou para mim.
Levei os dedos à minha blusa e comecei a abrir alguns botões. Antes mesmo de ver a tatuagem, os olhos de Carlisle já estavam arregalados. Ele olhava para mim como se visse um fantasma, bem como Esme. Quando botou os olhos na marca queimada em minha pele branca, o homem, horrorizado, chegou perto da mesa e sentou-se em uma cadeira.
– Ah, Deus! Tive esperanças de que isso não acontecesse! – Ele falou com os dedos apertando a ponte do nariz. Esme se postou atrás dele e colocou as mãos em seus ombros.
– Então é verdade. Eu sou mesmo filho de vocês dois? – Edward perguntou indignado.
– Sim, Edward, é verdade. – Esme falou parecendo se sentir culpada.
– Por que vocês nunca me contaram? – Edward quis saber.
– Eu estava tentando proteger você, filho. Você não sabe o medo que tive de que eles quisessem matar você, que quisessem eliminá-lo para proteger o trono. Na época, seu tio ainda era o Rei e, perdão Emmet, mas ele era muito paranóico e decididamente um tirano. Ele foi assassinado exatamente por isso! – Carlisle falou olhando para Edward parecendo torturado. Fiquei com pena do homem. Eu entendia totalmente o que ele havia feito. Em seu lugar, faria o mesmo.
– Você mentiu pra mim todos esses anos! – Edward reclamou.
– Seu pai está certo Edward. Meu pai era mesmo um tirano. Ele não hesitaria em matá-lo se previsse a menor sombra de perigo no futuro. – Emmet falou.
– Mentir não é o melhor a fazer, Edward, mas às vezes é nossa única opção. – Eu disse. Edward olhou para mim, em seguida para o pai e logo depois para Esme.
– Eu teria gostado de saber. Você sabe que eu já considerava você minha mãe de verdade Esme. – Edward falou baixinho, parecendo constrangido.
– Ah, meu filho! – A mulher deixou escapar um soluço e se jogou no pescoço de Edward. Este a abraçou, enfiando seu rosto nos cabelos de sua mãe. Funguei.
Eu não vou chorar, eu não vou chorar!
Resisti bravamente às lágrimas, mas Rosalie não. Quando olhei para ela, seu rosto estava totalmente molhado. Ela sorriu lacrimosa para mim e eu sorri de volta.
– Agora me diga, Edward, o que aconteceu? Como essa tatuagem apareceu? – Carlisle quis saber.
Edward e Esme se afastaram, e Edward contou a história do que passamos lá fora. Carlisle não pareceu tão surpreso. Tive a impressão de que ele já esperava algo assim acontecer.
– Eu tive a esperança de que ela nunca precisasse usar esses poderes. De que nunca tivesse que passar por isso, mas estamos em uma situação muito difícil. – Carlisle falou suspirando. Em seguida olhou para mim. – Na verdade, fico feliz por isso. Sei que você estará mais bem protegido do que qualquer um de nós, Edward, e para mim é isso que importa.
– Ele vai estar senhor. – Eu garanti.
– Você deve ser uma garota muito especial, . Seus pais deveriam se orgulhar de você. – Carlisle falou.
– Na verdade, senhor, eu só estou aqui hoje por sua causa. – Eu disse.
– Como assim? – Carlisle perguntou.
– Quando era pequena, não havia muros em torno da cidade. Minha mãe e eu fomos atacadas por Vampiros Vermelhos e minha mãe morreu. Mas o senhor me salvou. O senhor e sua Guardiã chegaram a tempo de me tirar de lá. Foi por sua causa que eu me alistei, foi por sua causa que eu decidi ser uma Guardiã. – Eu disse.
Meu pequeno discurso pareceu pegar a todos de surpresa, até mesmo Edward, que já sabia da história. Sir Cullen parecia mesmo emocionado.
– Eu me lembro de você. – Esme falou animada. – Era uma garotinha tão linda, os cabelos tão vermelhos! O Edward ainda era um garotinho.
– Eu sou muito grata pelo que fizeram. – Eu falei.
– Não precisa agradecer, criança. Você arriscou a vida pelo meu filho mais de uma vez. Isso não tem preço. – Carlisle falou abanando a mão.
Sorri para ele e para Esme. Ela sorriu largamente de volta, os olhos marejados.
Foi nessa hora que a porta do quarto foi escancarada, bateu na parede e quicou, porém foi aparada por Alice, que embarafustou pelo quarto como um rinoceronte enfurecido, com Jasper a seguindo de perto.
– Acabei de voltar da biblioteca e a coisa não está boa para nós. Vão querer saber primeiro a boa ou a má notícia? – Ela foi logo falando.
Belo jeito de quebrar o clima sentimental do momento.
Tava sentindo que mais uma bomba ia cair na minha cabeça hoje.

 A guardiã: Nosso destino é a eternidade...
Capítulo Treze: A profecia
– Bom... Se tiver que escolher, acho que prefiro a boa primeiro. – Eu falei meio na dúvida.
– Fala logo Alice! – Emmet mandou.
– Bom, a boa notícia é que não há outros mestiços por aí. O que houve com Edward foi um fato isolado e bem específico, na verdade. – Alice disse se aproximando da mesa e se jogando em uma cadeira.
– Sério? Como você sabe? – Edward perguntou.
– Do que vocês estão falando? – Carlisle perguntou.
– Alice foi até a biblioteca do castelo. Precisávamos saber por que Edward nasceu, sem ofensa cara. – Emmet falou, olhando culpado para Edward. – Poderia haver um defeito no feitiço que impede o nascimento de mestiços e, se houvesse mais Death Knights por ai, precisávamos saber o quanto isso poderia nos afetar agora, que estamos praticamente em guerra.
– Bem pensado Emmet. E então Alice, o que descobriu? – Carlisle perguntou.
– Bom, como eu disse, não há outros mestiços por aí. O feitiço está funcionando perfeitamente bem. Mas... – Ela falou naquele tom que parece quase uma ameaça. – Encontrei uma profecia muito antiga, que previa o nascimento de um mestiço com uma função bem específica.
– Não tem como você ser mais vaga não? – Edward perguntou impaciente.
– Argh, como você é irritante! Então escute isso, senhor tenho-que-saber-de-tudo. – Ela ergueu então um papel e começou a ler:
A sede de sangue pintará tudo de vermelho,
E a ordem será abalada pela matança.
O mundo humano cairá em desgraça,
A menos que se levante um da extinta raça.
Para que a vida se preserve,
A Fênix deverá morrer e das cinzas se erguer,
Então, em sua glória, o Tirano irá perecer.
– Quem fez essa profecia? – Edward perguntou de olhos arregalados para Alice.
– Não olhe pra mim, isso aqui tem quase quinhentos anos. Foi alguns séculos depois da extinção dos Death Knights. O Oráculo que fez essa previsão provavelmente estava vendo o que está acontecendo agora. – Alice falou passando o papel para Emmet.
– Sabe, eu acho que não gostei muito dessa coisa de sede de sangue, matança,desgraça e morte. – Eu falei meio atordoada.
– Um da extinta raça, é o Edward, claro. A Fênix provavelmente é a Isie, que já quase morreu uma vez e voltou. Mas quem seria o Tirano? – Emmet quis saber.
– É o que nós temíamos desde o começo Emmet. Alguém está agrupando os Vampiros Vermelhos e os transformando em máquinas de fazer sangue. O Distrito J já caiu sob os ataques deles. Agora temos que aguardar e ver qual será o seu próximo passo. – Carlisle falou seriamente.
– Isso é terrível. – Falou Rosalie, ecoando o pensamento de todos ali presentes.
– Aguardar? Vamos ficar aqui sentados esperando que eles venham com tudo para cima de nós? – Eu perguntei exasperada.
– Não há nada que podemos fazer enquanto não soubermos com quem estamos lidando Isie. – Emmet respondeu.
– Claro que podemos. Sabemos que há um espião entre nós e temos dois suspeitos na mira. Está na hora de tomar decisões drásticas para descobrir qual deles é o culpado. – Eu falei decidida.
– Que decisões? – Edward quis saber, desconfiado.
– Vamos perguntar. Se eles não responderem por bem... Bom, terão que responder por mal. – Eu falei inexpressivamente.
– Eu tenho medo de você, sabia? – Alice perguntou balançando a cabeça negativamente.
– Você está pensando em tortura Isie? – Edward perguntou parecendo espantado.
– Eu não vou ficar de braços cruzados esperando que eles invadam a fronteira da cidade. Meu pai está lá dentro e farei qualquer coisa para protegê-lo. – Eu respondi seriamente.
– Acho... Eu... – Emmet não sabia o que dizer.
– Eu concordo com . É uma tática antiga de guerra. Os espiões devem ter o tratamento merecido. – Carlisle falou e abanou a cabeça em concordância.
– Mas veja... Não temos certeza sobre James... – Edward começou.
– Eu estava pensando em Laurent. Apesar de ter minhas diferenças com James, não temos realmente uma motivo para acusá-lo além do fato de ele ser insuportável. – Eu falei.
É, o que eu podia fazer? Adoraria que James fosse o espião só para ferrar com ele, mas essa não era uma possibilidade muito viável. Já Laurent... Ninguém o vira durante a nossa busca por Alice, por isso ele era o primeiro suspeito.
Edward olhou para mim muito surpreso. Aposto como ele achava que eu não seria madura o suficiente para admitir que estivesse errada. Há! Toma pra tu, cabeçudo. Já ele... Teria que admitir que estava errado com todas as letras para me ter de volta.
– Então... O senhor se encarrega disso tio? – Emmet perguntou parecendo enojado.
– Claro. Mas gostaria que a me ajudasse. – Carlisle pediu.
– Claro. – Eu disse logo.
Torturar alguém não devia ser a coisa mais agradável do mundo, mas eu estava disposta a ir até o fim para proteger as pessoas que eu amava.
– Isie... Você não pode estar falando sério! – Edward falou.
– Claro que estou. – Eu disse me levantando.
– Então eu vou junto. – Ele decidiu, levantando-se também.
– Você que sabe! – Dei de ombros.
Carlisle ficou de pé e se dirigiu para a porta, com Esme logo atrás. Os segui, com Edward na minha cola. Saímos do quarto em direção ao pátio em silencio. Uma tênue linha de luz verde indicava que o amanhecer estava próximo.
– É o turno do Laurent e da Irina no portão. – Carlisle falou.
Então seguimos naquela direção.
Logo vi a figura loira e alta de um lado e o moreno do outro lado do portão.
– Laurent! – Carlisle chamou.
Eu não estava esperando pelo que aconteceu quando Laurent ouviu seu nome.
Ele viu nossa aproximação, observou nossos rostos resignados por alguns segundos e, então, parecendo adivinhar o que estávamos pensando, sacou a espada, correndo para perto de Irina, o que foi basicamente uma confissão de culpa.
– Abra o portão! – Ele gritou para ela, mas não deu tempo se quer de eles se mexerem direito e eu já estava em cima deles, bem como Esme. Nossas lâminas apontavam direto para os seus pescoços.
– Eu não posso acreditar. Ainda tive esperanças de que não fosse verdade. – Edward sacudiu a cabeça com desgosto. – Você nos traiu.
Laurent ergueu o queixo, orgulhoso.
– Eu sirvo a um bem maior. A humanidade nos mantém presos em nossos corpos, afastados de nossa verdadeira natureza. Não é justo abandonarmos nossos irmãos por causa do gado. Eles sacrificaram seu bem mais precioso por nós. – Laurent falou duramente.
– Como é? – Perguntei sem entender. Ele sorriu cinicamente.
– Como você acha que são criados os Vampiros Vermelhos, garotinha? – Laurent perguntou com as sobrancelhas arqueadas para mim. Fiquei calada, tentando pensar em algo para dizer, mas não me ocorreu nada.
– Quem lhe dá as ordens, você tem um parceiro? – Carlisle perguntou se aproximando. Tive a nítida sensação de que ele queria afastar o assunto.
– Minha parceira é Irina, a única que vale a pena. Quanto ao meu senhor... Por nada nesse mundo revelarei o seu segredo. – Laurent falou com um brilho fanático em seus olhos, estendendo a mão para segurar a de Irina.
– Nem se eu cortar a garganta dela? – Esme perguntou, apertando mais a espada na jugular da loira.
– Ela sabe que lutamos por uma causa maior do que nós mesmos. Se fizer isso, terei apenas que me juntar aos meus irmãos como um deles, não é mesmo? – Laurent falou seriamente.
– Você é louco. – Edward sentenciou.
Laurent não respondeu. Parecia que decidira que já falara demais e agora ficaria de bico fechado. Percebi que não importava o que fizéssemos, ele não voltaria a falar. Olhei para Carlisle em busca de orientação, bem como Esme.
Foi nessa hora que Irina puxou sua arma e abriu caminho por entre nós, dando passagem ao seu mestre. Eles saíram do abrigo do portal e tentando subir as escadas que levavam ao topo do muro. Eu não pensei bem no que fiz a seguir e essa é uma das coisas das quais me arrependo, embora tenha certeza de que era tudo o que poderia ter feito naquela hora. Laurent não podia fugir levando nossos segredos com ele, seria arriscado demais.
Por isso, por puro instinto, saquei a minha Wakisashi que estava presa em minhas costas e atirei-a na direção de Laurent. O sabre atravessou-o diretamente na altura do coração e ele imediatamente se desfez em cinzas. Surpreendentemente, Irina também de dissolveu, sendo levada pelo vento junto com o seu mestre enquanto minha espada se cravava no espaço entre duas pedras do muro.
Eu nunca tinha pensado em como era a morte de um guardião caso seu Vampiro morresse. Não me pareceu agradável.
Ainda chocada pelo que havia acabado de fazer, fiquei apenas parada, olhando para a espada que ainda parecia zumbir, ecoando as mortes que acabara de causar.
Ninguém disse nada, mas percebi um desconforto ao meu redor. Edward se virou lentamente para mim, espantado. Evitei o seu olhar e fui em direção ao muro para pegar a minha espada. Arranquei-a da pedra e a coloquei de volta em sua bainha. Em seguida passei por todos, voltando para o meu quarto.
Eu sabia o que todos estavam se perguntando, por que eu ecoava seus pensamentos me perguntando o mesmo: Será que eu tinha mesmo controle sobre os meus instintos de assassina?
Algum tempo depois ouvi a porta se abrir. Eu havia tomado banho e trocara de roupa. Vestira minha roupa de treinamento e estava me preparando para sair para ir treinar com Jacob. O dia já devia ter amanhecido e os vampiros já deveriam se recolher. O forte ficaria para os guardiões.
Peguei minhas espadas e me virei, para ver Edward parado no meio do quarto, as mãos nos bolsos, olhando atentamente para mim. Eu havia me demorado propositalmente. Havia uma coisa que eu queria lhe perguntar.
– Edward... O que Laurent quis dizer quando me perguntou se eu sabia como os Vampiros Vermelhos eram criados? – Eu perguntei meio que timidamente. Ainda estávamos brigados e ele teria todo o direito de não responder se quisesse.
Edward, no entanto, suspirou e tirou uma de suas mãos do bolso, passando os dedos pelos cabelos acobreados.
– Essa é uma deficiência que sempre me envergonhou, em nosso sistema. – Edward falou, os ombros tensos de pesar. Esperei apenas. – Você já se perguntou o que acontece quando um vampiro perde o seu guardião?
– Já. Muitas vezes. – Eu falei sinceramente.
– Como eles se alimentariam sem seus guardiões, Isie? – Edward perguntou devagar, me testando.
Olhei para ele com incredulidade. Ele não queria dizer o que eu achava que queria dizer, certo?
– Você está me dizendo que todos os Vampiros Vermelhos já tiveram guardiões um dia? – Eu perguntei, imaginando por que nunca havia percebido algo tão óbvio.
– Sim. O Vampiro não morre quando perde seu Guardião. Torna-se algo muito pior. Sua sede é incontrolável, sobrenatural. Há milhares de anos, decidimos apenas excluí-los de nosso meio, sem pensar nas conseqüências. Agora eles são muitos e há séculos que não podemos controlar isso. É nossa culpa, pura e simples, que eles estejam mais famintos de vingança do que de sangue, nesse momento. – Edward falou com a expressão sombria.
– Há algo que pudesse se fazer por eles? – Perguntei exasperada.
– Não sei. Algumas pessoas, há muitos anos, sugeriram que os vampiros poderiam deixar seus guardiões doarem seu sangue para alimentar nossos irmãos, que perderam seus companheiros a serviço do rei. É obvio que isso não preencheria o buraco que a perda de seus guardiões deixava, mas pelo menos os alimentaria sem ferir ninguém. – Ele deu de ombros. – Mas os vampiros são muito egoístas, possessivos demais. Não dividiriam o que havia de mais precioso em suas vidas. E agora simplesmente é tarde demais.
– Não me admira que Laurent estivesse com tanta raiva. – Falei pensativa.
– Você agora concorda com ele ? – Edward perguntou, seus olhos faiscado em minha direção.
– Não, claro que não. Mas posso entender o que ele sentia. – Dei de ombros. Edward me olhou atentamente.
Pensei no que eu havia feito, me lembrando do corpo de Irina desaparecendo sem nem mesmo ser tocado. Por que, afinal, eu havia feito aquilo?
Olhei para Edward mais uma vez.
Embora eu quisesse culpá-lo pelo fato de eu ser uma aberração, isso simplesmente não fazia sentido. O que ele havia feito, afinal, além de nascer?
Lembrei ainda daquela profecia e do seu significado sombrio.
– Quando eles vão me trancar no calabouço? – Eu perguntei tentando brincar.
– Não temos calabouço, . – Ela disse simplesmente. Cara, ele sempre estragava as minhas piadas.
– Eu sou um monstro. – Falei naturalmente. Já tinha me acostumado com a idéia. Acho que sempre soubera que eu nunca me encaixaria em lugar algum.
– Você fez o que era necessário, Emmet concordou comigo. – Ele disse decidido. Eu não disse nada, apenas revirei minhas armas entre os dedos.
– Você precisa se alimentar. – Eu disse para mudar de assunto.
– Sim. – Ele disse apenas.
Aproximei-me dele, joguei as espadas sobre a cama e curvei o pescoço de lado, esperando. Edward penetrou seus dedos por entre os meus cabelos e com a outra mão apertou fortemente a minha cintura. Pensei na minha resolução de não ceder a ele e achei que seria meio difícil, no momento.
Fechei meus dedos em seus braços enquanto seus lábios percorriam minha pele com delicadeza. Então senti seus caninos se cravarem e minha pele. Edward sugou meu sangue com vigor e eu permiti que a sensação enervante tomasse conta de mim por um tempo. No entanto, quando senti seus dentes me abandonarem e seus lábios repousarem em minha pele em um beijo, me afastei. Edward tentou ainda me segurar, mas eu já estava agarrada às minhas armas novamente.
– Você quer falar sobre isso? – Ele quis saber.
– Sobre o que? – Perguntei inocentemente.
– Sobre por que você está sendo tão cruel comigo. – Ele falou parecendo magoado. Magoado, veja você! Como se eu fosse a vilã aqui. Será que ele realmente não entendia o que estava se passando aqui? – Qual o sentido de ferir meus sentimentos desse jeito?
– Você já parou para pensar que eu tenho sentimentos a ser feridos também? Ou apenas pensa que eu sou um objeto que carrega pra todo o lado? – Eu perguntei estressada. Edward me olhou duvidosamente por um segundo.
Encaminhei-me para a porta, decidida.
– Onde você está indo? – Ele ainda perguntou, cautelosamente.
– Treinar, mestre. – Eu falei séria.
– Pode ficar comigo? – Ele quis saber.
– Desculpe, mas não estou com vontade. A menos, é claro, que seja uma ordem. – Falei maldosamente e saí do quarto sem esperar resposta.
No corredor, me encostei à parede para respirar fundo. Um nó havia se formado em minha garganta. Não sabia se era puramente raiva ou a mesma mágoa que havia visto nos olhos de Edward.
Então outra porta se abriu e por ela saiu Jacob, corado e parecendo animado. Provavelmente ele ainda não sabia o que havia ocorrido com Laurent. Logo a história se espalharia e eu seria motivo de cochichos por todo o lado. Queria aproveitar enquanto isso não acontecia.
Jacob me viu ali parada e sorriu para mim.
– E ai Isie? Tudo beleza? – Ele quis saber.
– Para você, parece estar tudo às mil maravilhas. – Eu desviei o assunto. Não queria dizer que estava bem, já que era uma mentira, mas também não queria dizer que não estava, para evitar perguntas.
– Eu vou levando. – Ele falou.
Seu tom me deixou curiosa e, vendo meu olhar interrogativo, Jacob olhou para os dois lados do corredor. Em seguida se aproximou ainda mais, cúmplice.
– Eu vi você e Edward se beijando na clareira. E sei o que aconteceu quando vocês sumiram. – Ele comentou. Corei furiosamente.
– E? – Perguntei, desafiadoramente. Aonde ele iria com isso?
– E... Eu acho que é comum essa coisa entre vampiros em guardiões, não é? – Ele perguntou animado.
– Ah. – Falei simplesmente, sorrindo. Agora entendi.
– O quê? – Ele perguntou na defensiva.
– A Renesme andou te dando um carinho. – Eu respondi rindo em seguida.
– Fica na sua. – Ele disse se virando de lado para se encostar à parede e me olhando com o canto dos olhos. Eu ri ainda mais e ele não resistiu, me seguindo.
– Agora vamos treinar garanhão. – Eu falei divertida.
Jacob me levou pelos corredores até uma ampla sala forrada com um tatame parecido com o da academia, fofo e bom para qualquer tipo de luta.
– Sabe, eu nunca pensei que fosse sentir algo assim por alguém. Eu queria poder... Você sabe. – Jacob comentou enquanto jogávamos nossos casacos no chão e empunhávamos nossas espadas.
– O quê? – Perguntei distraída.
– Ter filhos com ela. Aquela coisa de feitiço me deixou meio pensativo. Afinal, como eles nascem? – Jacob quis saber.
Acho que todo o guardião que começava a se apaixonar por seu mestre acabava fazendo essa pergunta uma hora ou outra. Eu só não queria que ele tivesse perguntado a mim.
– Jake... – Eu sussurrei mordendo o lábio em seguida. Estávamos unidos nesse caso mais do que ele poderia imaginar.
– Você sabe de alguma coisa? – Ele perguntou desconfiado. Engoli em seco.
– Você deveria perguntar a Renesme. – Eu disse por fim, tentando me livrar da responsabilidade.
– Estou perguntando a você agora. – Ele replicou, largando a espada e vindo mais para perto de mim.
– Jake... Os vampiros só podem procriar com outros vampiros. – Eu falei.
– E? – Ele pressentiu que havia algo mais.
– As famílias escolhem os parceiros deles. Os que acharem melhor. Edward estava me falando sobre isso no outro dia. E... Ele disse que já escolheram uma parceira para ele. – Eu disse de uma vez, como quem puxa um curativo. – Renesme.
Jacob me olhou incredulamente por alguns segundos e em seguida virou as costas, agarrando suas coisas e saindo do ginásio. Eu podia entender o que ele estava sentindo. E me doía saber que ele estava passando pelo mesmo que eu. Jacob era meu amigo. O melhor que eu já tivera até hoje e era difícil, para mim, vê-lo sofrer.
A guardiã: Nosso destino é a eternidade...
Capítulo Treze: A profecia
– Bom... Se tiver que escolher, acho que prefiro a boa primeiro. – Eu falei meio na dúvida.
– Fala logo Alice! – Emmet mandou.
– Bom, a boa notícia é que não há outros mestiços por aí. O que houve com Edward foi um fato isolado e bem específico, na verdade. – Alice disse se aproximando da mesa e se jogando em uma cadeira.
– Sério? Como você sabe? – Edward perguntou.
– Do que vocês estão falando? – Carlisle perguntou.
– Alice foi até a biblioteca do castelo. Precisávamos saber por que Edward nasceu, sem ofensa cara. – Emmet falou, olhando culpado para Edward. – Poderia haver um defeito no feitiço que impede o nascimento de mestiços e, se houvesse mais Death Knights por ai, precisávamos saber o quanto isso poderia nos afetar agora, que estamos praticamente em guerra.
– Bem pensado Emmet. E então Alice, o que descobriu? – Carlisle perguntou.
– Bom, como eu disse, não há outros mestiços por aí. O feitiço está funcionando perfeitamente bem. Mas... – Ela falou naquele tom que parece quase uma ameaça. – Encontrei uma profecia muito antiga, que previa o nascimento de um mestiço com uma função bem específica.
– Não tem como você ser mais vaga não? – Edward perguntou impaciente.
– Argh, como você é irritante! Então escute isso, senhor tenho-que-saber-de-tudo. – Ela ergueu então um papel e começou a ler:
A sede de sangue pintará tudo de vermelho,
E a ordem será abalada pela matança.
O mundo humano cairá em desgraça,
A menos que se levante um da extinta raça.
Para que a vida se preserve,
A Fênix deverá morrer e das cinzas se erguer,
Então, em sua glória, o Tirano irá perecer.
– Quem fez essa profecia? – Edward perguntou de olhos arregalados para Alice.
– Não olhe pra mim, isso aqui tem quase quinhentos anos. Foi alguns séculos depois da extinção dos Death Knights. O Oráculo que fez essa previsão provavelmente estava vendo o que está acontecendo agora. – Alice falou passando o papel para Emmet.
– Sabe, eu acho que não gostei muito dessa coisa de sede de sangue, matança,desgraça e morte. – Eu falei meio atordoada.
– Um da extinta raça, é o Edward, claro. A Fênix provavelmente é a Isie, que já quase morreu uma vez e voltou. Mas quem seria o Tirano? – Emmet quis saber.
– É o que nós temíamos desde o começo Emmet. Alguém está agrupando os Vampiros Vermelhos e os transformando em máquinas de fazer sangue. O Distrito J já caiu sob os ataques deles. Agora temos que aguardar e ver qual será o seu próximo passo. – Carlisle falou seriamente.
– Isso é terrível. – Falou Rosalie, ecoando o pensamento de todos ali presentes.
– Aguardar? Vamos ficar aqui sentados esperando que eles venham com tudo para cima de nós? – Eu perguntei exasperada.
– Não há nada que podemos fazer enquanto não soubermos com quem estamos lidando Isie. – Emmet respondeu.
– Claro que podemos. Sabemos que há um espião entre nós e temos dois suspeitos na mira. Está na hora de tomar decisões drásticas para descobrir qual deles é o culpado. – Eu falei decidida.
– Que decisões? – Edward quis saber, desconfiado.
– Vamos perguntar. Se eles não responderem por bem... Bom, terão que responder por mal. – Eu falei inexpressivamente.
– Eu tenho medo de você, sabia? – Alice perguntou balançando a cabeça negativamente.
– Você está pensando em tortura Isie? – Edward perguntou parecendo espantado.
– Eu não vou ficar de braços cruzados esperando que eles invadam a fronteira da cidade. Meu pai está lá dentro e farei qualquer coisa para protegê-lo. – Eu respondi seriamente.
– Acho... Eu... – Emmet não sabia o que dizer.
– Eu concordo com . É uma tática antiga de guerra. Os espiões devem ter o tratamento merecido. – Carlisle falou e abanou a cabeça em concordância.
– Mas veja... Não temos certeza sobre James... – Edward começou.
– Eu estava pensando em Laurent. Apesar de ter minhas diferenças com James, não temos realmente uma motivo para acusá-lo além do fato de ele ser insuportável. – Eu falei.
É, o que eu podia fazer? Adoraria que James fosse o espião só para ferrar com ele, mas essa não era uma possibilidade muito viável. Já Laurent... Ninguém o vira durante a nossa busca por Alice, por isso ele era o primeiro suspeito.
Edward olhou para mim muito surpreso. Aposto como ele achava que eu não seria madura o suficiente para admitir que estivesse errada. Há! Toma pra tu, cabeçudo. Já ele... Teria que admitir que estava errado com todas as letras para me ter de volta.
– Então... O senhor se encarrega disso tio? – Emmet perguntou parecendo enojado.
– Claro. Mas gostaria que a me ajudasse. – Carlisle pediu.
– Claro. – Eu disse logo.
Torturar alguém não devia ser a coisa mais agradável do mundo, mas eu estava disposta a ir até o fim para proteger as pessoas que eu amava.
– Isie... Você não pode estar falando sério! – Edward falou.
– Claro que estou. – Eu disse me levantando.
– Então eu vou junto. – Ele decidiu, levantando-se também.
– Você que sabe! – Dei de ombros.
Carlisle ficou de pé e se dirigiu para a porta, com Esme logo atrás. Os segui, com Edward na minha cola. Saímos do quarto em direção ao pátio em silencio. Uma tênue linha de luz verde indicava que o amanhecer estava próximo.
– É o turno do Laurent e da Irina no portão. – Carlisle falou.
Então seguimos naquela direção.
Logo vi a figura loira e alta de um lado e o moreno do outro lado do portão.
– Laurent! – Carlisle chamou.
Eu não estava esperando pelo que aconteceu quando Laurent ouviu seu nome.
Ele viu nossa aproximação, observou nossos rostos resignados por alguns segundos e, então, parecendo adivinhar o que estávamos pensando, sacou a espada, correndo para perto de Irina, o que foi basicamente uma confissão de culpa.
– Abra o portão! – Ele gritou para ela, mas não deu tempo se quer de eles se mexerem direito e eu já estava em cima deles, bem como Esme. Nossas lâminas apontavam direto para os seus pescoços.
– Eu não posso acreditar. Ainda tive esperanças de que não fosse verdade. – Edward sacudiu a cabeça com desgosto. – Você nos traiu.
Laurent ergueu o queixo, orgulhoso.
– Eu sirvo a um bem maior. A humanidade nos mantém presos em nossos corpos, afastados de nossa verdadeira natureza. Não é justo abandonarmos nossos irmãos por causa do gado. Eles sacrificaram seu bem mais precioso por nós. – Laurent falou duramente.
– Como é? – Perguntei sem entender. Ele sorriu cinicamente.
– Como você acha que são criados os Vampiros Vermelhos, garotinha? – Laurent perguntou com as sobrancelhas arqueadas para mim. Fiquei calada, tentando pensar em algo para dizer, mas não me ocorreu nada.
– Quem lhe dá as ordens, você tem um parceiro? – Carlisle perguntou se aproximando. Tive a nítida sensação de que ele queria afastar o assunto.
– Minha parceira é Irina, a única que vale a pena. Quanto ao meu senhor... Por nada nesse mundo revelarei o seu segredo. – Laurent falou com um brilho fanático em seus olhos, estendendo a mão para segurar a de Irina.
– Nem se eu cortar a garganta dela? – Esme perguntou, apertando mais a espada na jugular da loira.
– Ela sabe que lutamos por uma causa maior do que nós mesmos. Se fizer isso, terei apenas que me juntar aos meus irmãos como um deles, não é mesmo? – Laurent falou seriamente.
– Você é louco. – Edward sentenciou.
Laurent não respondeu. Parecia que decidira que já falara demais e agora ficaria de bico fechado. Percebi que não importava o que fizéssemos, ele não voltaria a falar. Olhei para Carlisle em busca de orientação, bem como Esme.
Foi nessa hora que Irina puxou sua arma e abriu caminho por entre nós, dando passagem ao seu mestre. Eles saíram do abrigo do portal e tentando subir as escadas que levavam ao topo do muro. Eu não pensei bem no que fiz a seguir e essa é uma das coisas das quais me arrependo, embora tenha certeza de que era tudo o que poderia ter feito naquela hora. Laurent não podia fugir levando nossos segredos com ele, seria arriscado demais.
Por isso, por puro instinto, saquei a minha Wakisashi que estava presa em minhas costas e atirei-a na direção de Laurent. O sabre atravessou-o diretamente na altura do coração e ele imediatamente se desfez em cinzas. Surpreendentemente, Irina também de dissolveu, sendo levada pelo vento junto com o seu mestre enquanto minha espada se cravava no espaço entre duas pedras do muro.
Eu nunca tinha pensado em como era a morte de um guardião caso seu Vampiro morresse. Não me pareceu agradável.
Ainda chocada pelo que havia acabado de fazer, fiquei apenas parada, olhando para a espada que ainda parecia zumbir, ecoando as mortes que acabara de causar.
Ninguém disse nada, mas percebi um desconforto ao meu redor. Edward se virou lentamente para mim, espantado. Evitei o seu olhar e fui em direção ao muro para pegar a minha espada. Arranquei-a da pedra e a coloquei de volta em sua bainha. Em seguida passei por todos, voltando para o meu quarto.
Eu sabia o que todos estavam se perguntando, por que eu ecoava seus pensamentos me perguntando o mesmo: Será que eu tinha mesmo controle sobre os meus instintos de assassina?
Algum tempo depois ouvi a porta se abrir. Eu havia tomado banho e trocara de roupa. Vestira minha roupa de treinamento e estava me preparando para sair para ir treinar com Jacob. O dia já devia ter amanhecido e os vampiros já deveriam se recolher. O forte ficaria para os guardiões.
Peguei minhas espadas e me virei, para ver Edward parado no meio do quarto, as mãos nos bolsos, olhando atentamente para mim. Eu havia me demorado propositalmente. Havia uma coisa que eu queria lhe perguntar.
– Edward... O que Laurent quis dizer quando me perguntou se eu sabia como os Vampiros Vermelhos eram criados? – Eu perguntei meio que timidamente. Ainda estávamos brigados e ele teria todo o direito de não responder se quisesse.
Edward, no entanto, suspirou e tirou uma de suas mãos do bolso, passando os dedos pelos cabelos acobreados.
– Essa é uma deficiência que sempre me envergonhou, em nosso sistema. – Edward falou, os ombros tensos de pesar. Esperei apenas. – Você já se perguntou o que acontece quando um vampiro perde o seu guardião?
– Já. Muitas vezes. – Eu falei sinceramente.
– Como eles se alimentariam sem seus guardiões, Isie? – Edward perguntou devagar, me testando.
Olhei para ele com incredulidade. Ele não queria dizer o que eu achava que queria dizer, certo?
– Você está me dizendo que todos os Vampiros Vermelhos já tiveram guardiões um dia? – Eu perguntei, imaginando por que nunca havia percebido algo tão óbvio.
– Sim. O Vampiro não morre quando perde seu Guardião. Torna-se algo muito pior. Sua sede é incontrolável, sobrenatural. Há milhares de anos, decidimos apenas excluí-los de nosso meio, sem pensar nas conseqüências. Agora eles são muitos e há séculos que não podemos controlar isso. É nossa culpa, pura e simples, que eles estejam mais famintos de vingança do que de sangue, nesse momento. – Edward falou com a expressão sombria.
– Há algo que pudesse se fazer por eles? – Perguntei exasperada.
– Não sei. Algumas pessoas, há muitos anos, sugeriram que os vampiros poderiam deixar seus guardiões doarem seu sangue para alimentar nossos irmãos, que perderam seus companheiros a serviço do rei. É obvio que isso não preencheria o buraco que a perda de seus guardiões deixava, mas pelo menos os alimentaria sem ferir ninguém. – Ele deu de ombros. – Mas os vampiros são muito egoístas, possessivos demais. Não dividiriam o que havia de mais precioso em suas vidas. E agora simplesmente é tarde demais.
– Não me admira que Laurent estivesse com tanta raiva. – Falei pensativa.
– Você agora concorda com ele ? – Edward perguntou, seus olhos faiscado em minha direção.
– Não, claro que não. Mas posso entender o que ele sentia. – Dei de ombros. Edward me olhou atentamente.
Pensei no que eu havia feito, me lembrando do corpo de Irina desaparecendo sem nem mesmo ser tocado. Por que, afinal, eu havia feito aquilo?
Olhei para Edward mais uma vez.
Embora eu quisesse culpá-lo pelo fato de eu ser uma aberração, isso simplesmente não fazia sentido. O que ele havia feito, afinal, além de nascer?
Lembrei ainda daquela profecia e do seu significado sombrio.
– Quando eles vão me trancar no calabouço? – Eu perguntei tentando brincar.
– Não temos calabouço, . – Ela disse simplesmente. Cara, ele sempre estragava as minhas piadas.
– Eu sou um monstro. – Falei naturalmente. Já tinha me acostumado com a idéia. Acho que sempre soubera que eu nunca me encaixaria em lugar algum.
– Você fez o que era necessário, Emmet concordou comigo. – Ele disse decidido. Eu não disse nada, apenas revirei minhas armas entre os dedos.
– Você precisa se alimentar. – Eu disse para mudar de assunto.
– Sim. – Ele disse apenas.
Aproximei-me dele, joguei as espadas sobre a cama e curvei o pescoço de lado, esperando. Edward penetrou seus dedos por entre os meus cabelos e com a outra mão apertou fortemente a minha cintura. Pensei na minha resolução de não ceder a ele e achei que seria meio difícil, no momento.
Fechei meus dedos em seus braços enquanto seus lábios percorriam minha pele com delicadeza. Então senti seus caninos se cravarem e minha pele. Edward sugou meu sangue com vigor e eu permiti que a sensação enervante tomasse conta de mim por um tempo. No entanto, quando senti seus dentes me abandonarem e seus lábios repousarem em minha pele em um beijo, me afastei. Edward tentou ainda me segurar, mas eu já estava agarrada às minhas armas novamente.
– Você quer falar sobre isso? – Ele quis saber.
– Sobre o que? – Perguntei inocentemente.
– Sobre por que você está sendo tão cruel comigo. – Ele falou parecendo magoado. Magoado, veja você! Como se eu fosse a vilã aqui. Será que ele realmente não entendia o que estava se passando aqui? – Qual o sentido de ferir meus sentimentos desse jeito?
– Você já parou para pensar que eu tenho sentimentos a ser feridos também? Ou apenas pensa que eu sou um objeto que carrega pra todo o lado? – Eu perguntei estressada. Edward me olhou duvidosamente por um segundo.
Encaminhei-me para a porta, decidida.
– Onde você está indo? – Ele ainda perguntou, cautelosamente.
– Treinar, mestre. – Eu falei séria.
– Pode ficar comigo? – Ele quis saber.
– Desculpe, mas não estou com vontade. A menos, é claro, que seja uma ordem. – Falei maldosamente e saí do quarto sem esperar resposta.
No corredor, me encostei à parede para respirar fundo. Um nó havia se formado em minha garganta. Não sabia se era puramente raiva ou a mesma mágoa que havia visto nos olhos de Edward.
Então outra porta se abriu e por ela saiu Jacob, corado e parecendo animado. Provavelmente ele ainda não sabia o que havia ocorrido com Laurent. Logo a história se espalharia e eu seria motivo de cochichos por todo o lado. Queria aproveitar enquanto isso não acontecia.
Jacob me viu ali parada e sorriu para mim.
– E ai Isie? Tudo beleza? – Ele quis saber.
– Para você, parece estar tudo às mil maravilhas. – Eu desviei o assunto. Não queria dizer que estava bem, já que era uma mentira, mas também não queria dizer que não estava, para evitar perguntas.
– Eu vou levando. – Ele falou.
Seu tom me deixou curiosa e, vendo meu olhar interrogativo, Jacob olhou para os dois lados do corredor. Em seguida se aproximou ainda mais, cúmplice.
– Eu vi você e Edward se beijando na clareira. E sei o que aconteceu quando vocês sumiram. – Ele comentou. Corei furiosamente.
– E? – Perguntei, desafiadoramente. Aonde ele iria com isso?
– E... Eu acho que é comum essa coisa entre vampiros em guardiões, não é? – Ele perguntou animado.
– Ah. – Falei simplesmente, sorrindo. Agora entendi.
– O quê? – Ele perguntou na defensiva.
– A Renesme andou te dando um carinho. – Eu respondi rindo em seguida.
– Fica na sua. – Ele disse se virando de lado para se encostar à parede e me olhando com o canto dos olhos. Eu ri ainda mais e ele não resistiu, me seguindo.
– Agora vamos treinar garanhão. – Eu falei divertida.
Jacob me levou pelos corredores até uma ampla sala forrada com um tatame parecido com o da academia, fofo e bom para qualquer tipo de luta.
– Sabe, eu nunca pensei que fosse sentir algo assim por alguém. Eu queria poder... Você sabe. – Jacob comentou enquanto jogávamos nossos casacos no chão e empunhávamos nossas espadas.
– O quê? – Perguntei distraída.
– Ter filhos com ela. Aquela coisa de feitiço me deixou meio pensativo. Afinal, como eles nascem? – Jacob quis saber.
Acho que todo o guardião que começava a se apaixonar por seu mestre acabava fazendo essa pergunta uma hora ou outra. Eu só não queria que ele tivesse perguntado a mim.
– Jake... – Eu sussurrei mordendo o lábio em seguida. Estávamos unidos nesse caso mais do que ele poderia imaginar.
– Você sabe de alguma coisa? – Ele perguntou desconfiado. Engoli em seco.
– Você deveria perguntar a Renesme. – Eu disse por fim, tentando me livrar da responsabilidade.
– Estou perguntando a você agora. – Ele replicou, largando a espada e vindo mais para perto de mim.
– Jake... Os vampiros só podem procriar com outros vampiros. – Eu falei.
– E? – Ele pressentiu que havia algo mais.
– As famílias escolhem os parceiros deles. Os que acharem melhor. Edward estava me falando sobre isso no outro dia. E... Ele disse que já escolheram uma parceira para ele. – Eu disse de uma vez, como quem puxa um curativo. – Renesme.
Jacob me olhou incredulamente por alguns segundos e em seguida virou as costas, agarrando suas coisas e saindo do ginásio. Eu podia entender o que ele estava sentindo. E me doía saber que ele estava passando pelo mesmo que eu. Jacob era meu amigo. O melhor que eu já tivera até hoje e era difícil, para mim, vê-lo sofrer.

A guardiã: Nosso destino é a eternidade...
Capítulo Quatorze: Ataque

Jake havia ido embora furioso e eu acabei ficando sozinha na sala de treinamento. Olhei ao redor sem saber o que fazer e fui até o saco de areia. Estava precisando extravasar a minha raiva em alguma coisa.
Comecei a bater, o saco balançando pateticamente à minha frente.
Descontei toda a minha raiva ali, até ficar dolorida e ofegante. Então parei e quando me voltei, percebi que havia alguém na sala comigo, me observando.
– Com raiva de alguém? – Esme perguntou daquele seu jeito calmo.
– Não. – Menti.
E eu ia dizer o quê?
“Ah, não, estava apenas imaginando que esse saco de areia é a cabeça do seu filho.”
Isso não seria nem um pouco legal.
– Eu vou fingir que não sei que você está mentindo. – A mulher falou para mim e eu corei. Havia sido pega no ato. – Você é muito boa nisso.
– Obrigada. – Eu disse parada no mesmo lugar. Esme começou a se aproximar de mim.
– Fico feliz que o meu filho tenha você. Ele vai estar muito bem protegido. – Ela disse, agora muito perto.
Eu tentei não fazer uma careta às sua palavras, mas acho que não fiz um trabalho muito bom, por que ela sorriu de um jeito misterioso.
– Eu costumava ter raiva deles também, mas isso passa com o tempo, . E Edward é um bom garoto. Ele vai fazer a coisa certa.
Eu não disse nada. O problema era exatamente esse: fazer a coisa certa. Por que a coisa certa que Edward tinha que fazer, nesse caso, era procriar com Renesme e manter a sua espécie.
Quando olhei para cima de novo, Esme já não estava lá. Olhei ao redor. Wow! Eu nem ao menos a ouvira sair.
Voltei então minha atenção para o saco de areia e comecei a atacá-lo mais uma vez.
Corri para o refeitório quando deu a hora do almoço.
Eu não havia comido nada no dia anterior e agora estava morrendo de fome.
Lá, encontrei Mike, Tyler, Erik e Angela sentados juntos. Eles me chamaram para me juntar a eles e eu fui em sua direção.
– Isie! Por que você não nos contou sobre a sua missão? Todo mundo está comentando! – Angela falou assim que eu me sentei.
– Sobre a nossa missão? – Perguntei confusa.
– É. Disseram que você e Jacob foram resgatar o Oráculo e que você venceu um solado em uma luta logo que chegou aqui. – Mike continuou animado.
Lembrei da briga que tivera com James logo que cheguei ao Forte Dois e como todos haviam excluído Jacob e eu por causa disso. Imaginei como todos já sabiam da missão. De qualquer jeito, devia ser uma questão de tempo até todos descobrirem, eu acho.
– Ah, isso. – Falei simplesmente.
– É verdade? – Tyler quis saber. Dei de ombros. – Uau!
– Você deve ser melhor do que nós imaginamos. – Erik comentou.
– Nem tanto. – Pensei em Laurent e Irina, que eu havia matado sem se quer pestanejar. Olhei em volta, me sentindo distante de todos ao meu redor.
Vi Victoria comendo sozinha a um canto. Normalmente ela estaria com Irina, mas agora sua amiga não existia mais. Seria ridículo se eu dissesse que fiquei com pena dela?
– Claro que é! – Mike insistiu.
Fiquei calada e comecei a comer. Eles perceberam que eu não queria falar sobre o assunto e me deixaram quieta.
Naquela tarde voltei para o quarto na ponta dos pés para tomar um banho. Estava suada e me sentindo suja. Imaginava que Edward estaria dormindo, mas o encontrei deitado e de olhos bem abertos, mirando a porta.
– Você não devia estar dormindo? – Perguntei surpresa.
– Eu não estou conseguindo dormir. – Ele resmungou, sentando-se.
– Bom, eu não vou atrapalhar. Vim apenas tomar um banho. – Eu disse me dirigindo à minha mochila para pegar minhas roupas. Eu ainda não havia arrumado nossas coisas nas cômodas.
– Venha aqui. – Edward pediu. Virei-me e olhei para ele desconfiada.
– O que você quer? – Perguntei.
– Precisamos conversar. – Ele respondeu.
– Você pode falar, estou ouvindo. – Cruzei os braços sobre o peito teimosamente.
– Você pode, por favor, vir até aqui, Isie? – Edward perguntou revirando os olhos. Bufei e me aproximei da cama, sentando-me na beirada, olhando para ele.
– O que é? – Perguntei emburrada.
Edward se aproximou de mim e estendeu a mão em direção ao meu rosto.
– Eu sei que você tem sentimentos, Isie. E me desculpe se não tenho sido muito sensível com relação a eles. Eu não sei como agir com você. Não tem idéia de como é importante para mim e como eu odeio brigar com você. – Ele falou com a testa franzida.
Fala sério, ele estava parecendo tão vulnerável naquela hora. Ah, gente, me derreti! Levei minha mão até a sua e apertei os seus dedos no meu rosto.
– Então você sabe o que tem que fazer. – Falei esperançosamente.
– Sei sim. – Ele então suspirou. – Eu libero você.
Olhei para Edward, confusa.
– Libera de quê? – Eu quis saber.
– Para procriar se quiser. – Ele finalizou com uma careta.
Juro que eu não esperava por isso. Esperava qualquer coisa no mundo, menos isso.
Olhei para Edward, boquiaberta por um segundo, depois me levantei da cama furiosa.
Aquele babaca era muito sem noção!
– Edward Cullen, hoje eu percebi uma coisa. – Anunciei com a voz contida. Ele estreitou os olhos, esperando. – Eu não posso ficar furiosa com você. Você não tem culpa por ser um RETARDADO!
– O quê? – Ele perguntou chocado.
– Será que eu vou ter que desenhar para você? EU – NÃO – QUERO – PROCRIAR – COM – MAIS – NINGUÉM – QUE – NÃO – SEJA – VOCÊ – SEU – IMBECIL! – Falei as palavras pausadamente, gritando, para ver se elas penetravam naquela cabeça dura.
Edward ficou me olhando de boca aberta por algum tempo. Eu já estava me preparando para jogar algo (de preferência pesado) em cima dele, quando Edward sorriu e correu em minha direção mais rápido do que o olho humano poderia acompanhar.
Ele me puxou bruscamente para os seus braços, atacando meus lábios com os seus. Eu ainda estava puta da vida e, ao mesmo tempo em que o beijava desesperadamente, eu o empurrava para longe de mim. Edward agarrou meus dois braços e os prendeu em uma de suas mãos, agarrando minha nuca e segurando meu rosto com firmeza contra o seu.
Eu me debatia, mas meus esforços estavam ficando cada vez mais fracos enquanto Edward ia me puxando em direção á cama. Ele me empurrou sobre ela sem nenhuma delicadeza e eu, com as mãos finalmente livres, rasguei sua camisa sem fazer força alguma.
Edward agarrou o cós da minha calça e a puxou com tudo pelas minhas pernas, levando a calcinha junto
Agarrei-o pela nuca e o puxei para mim desesperadamente. Edward infiltrou suas mãos entre nossos corpos colados, enquanto eu atacava os seus lábios com violência, e começou a desabotoar a sua calça.
Ele então me empurrou de costas na cama mais uma vez, me puxou pelas coxas, posicionando-se entre minhas pernas e meramente abaixou um pouco a sua calça, apenas o suficiente para liberar seu membro ereto.
Edward me penetrou sem pedir licença. Gemi, arfando pela falta de ar. Joguei meus braços em seu pescoço e me ergui da cama, subindo em seu colo. Edward estava ajoelhado e eu só precisava me movimentar para cima e para baixo em seu colo. Ele agarrava minhas coxas com força, forçando a si mesmo a ir cada vez mais fundo dentro de mim.
A violência com que nossos corpos se chocavam era exasperadora e excitante ao extremo, e não demorou muito para que eu começasse a sentir os espasmos. Soltei um gemido sôfrego, sentindo meu corpo desfalecer em seguida. Edward me segurou, estocando ainda mais algumas vezes em meu interior. Então o senti se derramar em mim.
Ele me deitou na cama e afundou seu rosto no espaço entre meus seios. Eu ainda usava a camiseta do treino, nem se quer a havia tirado e as calças de Edward ainda estavam vestidas pela metade.
– Isso foi loucura. – Ele resmungou.
– Eu sei. – Concordei.
– Mas foi maravilhoso fazer as pazes assim. – Ele continuou.
– E quem disse que fizemos as pazes? Você se aproveitou por que eu estava carente. – Eu falei, mas estava tão relaxada que as palavras não soaram tão indignadas quanto eu as havia imaginado em minha cabeça.
– Eu não vou procriar com Renesme. – Ele anunciou de repente.
Olhei para ele exasperada.
– Por que não? – Perguntei.
– Por que não quero ver você infeliz. – Ele disse me olhando com carinho. Fiquei tocada, gente, fiquei mesmo.
– Ótimo. – Foi a minha resposta. Edward riu.
– Não era essa a hora para você dizer que não se importava, que eu tinha que fazer o que fosse necessário para manter a minha espécie? Então eu diria que só o que me importava era fazer você feliz e então ficaríamos bem? – Ele perguntou divertido.
– Claro que não, eu não sou hipócrita. Acho ótimo que você não vá procriar com Renesme. – Eu falei enfaticamente. Dessa vez Edward soltou uma gargalhada.
– Eu adoro isso em você. – Edward falou, me beijando ternamente.
Ouvimos então uma batida na porta.
– Só um minuto. – Edward gritou.
Vestimos nossas roupas e eu fui abrir a porta.
Fiquei surpresa ao encontrar Renesme e Jacob parados ali.
– Podemos entrar? – Renesme perguntou em voz baixa.
– Claro. – Ela passou por mim, com Jacob na sua cola. Jake estava com cara de poucos amigos, mas parecendo profundamente satisfeito.
– Eu vim falar com você, Edward. – Ela disse.
– Ótimo, eu ia mesmo te procurar. Mas diga, o que foi? – Edward perguntou.
– Eu sei que nossos pais esperam que você e eu... Que procriemos... Mas eu não sei se vou conseguir. Eu não quero, Edward... – Ela começou parecendo meio chorosa.
– Tudo bem por mim. – Edward respondeu calmamente. Renesme ergueu os olhos, esperançosa.
– Sério? Por que seria maravilhoso. – Ela disse animada.
– Claro, era isso que eu ia falar com você, na verdade. – Edward disse.
– Mas, você sabe, meu pai não vai gostar de saber. – Ela falou seriamente.
– Nem Carlisle. Mas eles não precisam saber. Podemos fingir que fizemos o que queriam e, quando você não engravidar, não será nossa culpa. – Edward falou sorrindo malignamente.
– Boa idéia. Eles não vão poder nos obrigar se isso não der certo. – Renesme falou animada.
Olhei para Jacob, feliz. Ele sorriu radiante para mim. A injustiça é que eu tive que sofrer muito mais tempo com aquela angustia do que ele, mas tudo bem por mim.
Acordo feito, todos nós ficamos felizes. Edward e Renesme não procriariam, Jacob e eu ficamos bem. Tudo perfeito.
Com o passar do tempo, eu percebi algo crescendo dentro de mim. Mais do que aquele sentimento de proteção que eu tinha por Edward, mais do que desejo, eu sentia algo forte, algo doloroso e maravilhoso ao mesmo tempo. Eu não queria nem pensar naquela palavra com “A”, mas aparentemente era isso que eu estava começando a nutrir dentro de mim.
Eu nunca pensei realmente nisso. Tudo que eu sempre quis na vida foi ser uma guerreira, vingar a morte de minha mãe matando a maior quantidade de Vampiros Vermelhos que eu pudesse encontrar.
Mas aquela palavra com “A” nunca havia cruzado a minha mente até agora.
Mais do que descobrindo novos poderes e uma nova vida, com Edward eu estava descobrindo todo um mundo novo e isso, mais do que uma horda de vampiros sedentos de sangue e uma profecia de fim do mundo, me assustava.
Nós treinávamos todas as noites com o exercito do Rei.
Eu ainda não havia recebido permissão para visitar o meu pai e nem achava que conseguiria num futuro breve.
Outra cidade havia caído sob o poder dos Vampiros Vermelhos e a nossa recebia cada vez mais ataques.
A boa notícia é que eu não havia virado um zumbi assassino nem uma vez desde o fim da nossa missão. A má é que o episódio com Laurent havia se espalhado pelo forte e muitos soldados me evitavam agora.
Incrivelmente, James e Victoria não faziam parte deles.
Para falar a verdade, meio que estávamos nos dando bem, dá pra acreditar?
Quero dizer, James ainda era um puxa-saco cheio de si e Victoria ainda era um pau mandado que não tinha cérebro, mas eu até que gostava dos dois. Eles formavam uma dupla divertida, principalmente quando estavam brigando. Coisa que eu adorava incitar os dois a fazer, claro.
Com todos se afastando de mim, os dois, os meus amigos