10 de março de 2014

Estrela Nascente

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Estrela Nascente






1) Lembranças
“Lembranças são feitas de laços finos e frágeis
Ou de cordões de aço inquebráveis.
Aquelas que queremos guardar,
Se rasgam e se perdem por entre nossos dedos. Aquelas que queremos esquecer,
Permanecem imutáveis e inabaláveis
Cutucando nossos medos.”
(BabySuhBR)

Fugir nunca é a melhor solução. Se bem que eu não estava fugindo…Eu simplesmente havia sido expulsa.
Há mentiras que tentamos esconder o máximo de tempo possível, mas chega uma altura que ela é demasiado visível para poder permanecer oculta.
E por mais que tentemos encobrir com outras mentiras – umas menos eficazes que outras, ou talvez sempre menos eficazes – não há meio de as encobrir para sempre quando todos a conseguem ver claramente.
Só um bom mentiroso consegue manter uma farsa. E mesmo que eu fosse esse mentiroso, as pessoas ao meu redor não são burras. Podem ser cegas – muitas delas por opção – mas nunca burras.
E é até insultuoso tentarmos fazê-las passar por isso mesmo.
Eu bem que tentei…mas uma hora ou outra todos iriam descobrir.

Acariciei minha barriga proeminente de seis meses. Para uma gestante com esse tempo eu parecia que ia ter um urso!
Lógico que ninguém ia comprar a mentira de que eu estava simplesmente gorda por muito tempo, né?
Até porque só apenas minha barriga crescera. Minhas pernas e meus braços permaneciam magros. Só a minha cara bolachuda disfarçava. E mesmo usando roupas largas, 5 tamanhos acima do meu, a barriga ainda se salientava.
Droga! Porque é que eu pertenço àquele grupo que pensa “Ahvá, nunca que vai acontecer comigo!” e PUM!, sou a primeira da lista negra.
Quis fazer os outros de burros mas nem olhei por mim abaixo.

Olhei para fora do ônibus e tentei entender onde estava, mas eu só via verde, verde, verde e…ah, mais verde…esqueci de mencionar o cinzento. Mas não era da cidade, era do céu mesmo. Cadê o sol desse fim de mundo? Será que para além de civilização essa terra também não tem sol?
Era só o que me faltava.

Escutei um dos turistas falar que estávamos chegando e que percorríamos a South Forks Avenue. Nem notara quando passamos pela plaquinha de boas vindas da cidade, mas já podia avistar um pouco de – se é que se podia chamar assim - civilização.
Em poucos minutos passamos pela Forks High School, bem à saída da Estrada Nacional, e sinceramente nada daquele edifício me fazia lembrar um Colégio. Mais perto eu estaria de achar aquilo um Sanatório do que outra coisa qualquer.
Por fim o ônibus parou no cruzamento da 101 e todos nós descemos.
Cada um tomou o seu rumo e eu apenas queria arranjar uma maneira de chegar à casa das minhas primas.

-Ei, desculpe, você sabe como chegar em La Push? – Perguntei ao motorista e ele me negou com a cabeça. – E sabe me dizer onde eu encontro um orelhão? – Resolvi arriscar mas de novo recebi uma negativa.

Deus do céu! Será que nem tecnologia básica eles têm por aqui? Nem um mísero telefone?
Resolvi me aventurar pela extensa Avenida de Forks e depois de uns vinte minutos a pé achei a Esquadra da Polícia.
Ao menos isso eles têm aqui, né?

Não hesitei em entrar na Esquadra e me encaminhei até ao balcão. A esquadra estava praticamente às moscas. Não havia alma viva por ali.
Das duas uma. Ou estava ocorrendo algo grandioso que necessitasse de toda a equipe ou eles estavam pouco se lixando para a população.

-Deseja alguma coisa, menina? – Uma voz grave e arrastada me surpreendeu.

E mais surpresa fiquei ao me voltar e me deparar com o ser mais baixo e mais gordo que eu alguma vez imaginei ver. E olhe que era uma mulher, apesar da voz grave…

-Bo-boa tarde. Eu gostaria de fazer um telefonema. – Pedi relutante.

-Está em apuros? – A mulher perguntou mancando até atrás do balcão, de onde eu a perdi de vista por completo.

Tentei espreitar por cima do móvel, mas me assustei quando ela pulou de repente para cima de um banco.

-Apenas desamparada. Não achei um orelhão para contatar uma parente minha e agora não tenho quem me venha buscar… - Expliquei.

-Mas Forks é pequena. – Ela argumentou matreira.

-Minha prima é de La Push.

-Ah, La Push. – Falou com descaso e de seguida puxou uma extensão até mim.

-Obrigada. – Sorri fraco rodando os números no telefone antigo; do tempo da minha bisavó, eu diria.

Me agradeci mentalmente por ter decorado o número para o qual minha mãe muitas vezes ligava quando queria falar com minha prima Emily. Depois que meu tio morreu, mamãe criou mais zelo por minha prima e a preocupava que ela estivesse longe.
De nós duas, Emily sempre foi a favorita, mas eu nem me queixava disso. Preferia mil vezes meu pai, também. Mas ele nos deixara bastante cedo e viajara para a Europa.
Ele teria sido o meu primeiro recurso de “abrigo” se ele estivesse nos Estados Unidos.
Tive que optar por Emily mesmo. Além de ser minha prima mais próxima, era também a que morava mais perto de Makah.

-Alô? – Uma voz fraca se pronunciou do outro lado da linha.

-Oi. Será que eu poderia falar com Emily Young? – Pedi nervosa.

-Uley. Você quis dizer Uley. – Ele me corrigiu. – Só um momento.

Céus, será que minha prima casou e eu nem fiquei sabendo?

-Alô? Quem fala? – Escutei sua voz familiar questionar.

-Emy? Oi, sou eu, .

- ? Prima! Quanto tempo! Nossa, estou surpresa com a sua ligação. – Falou toda empolgada.

-Pois é. Emy…será que você poderia me vir buscar? Eu estou em Forks. – Falei tudo de uma vez.

Isso porque minha barriga pesava toneladas e minhas pernas já se ressentiam. Para não falar de minha bexiga apertada. Nem sei como aguentei uma viagem de duas horas inteiras, com apenas uma paragem para aliviar.

-Em Forks?

-É. Mas vem rápido. Estou muito cansada…Estou na Esquadra da Polícia mas…

-O QUÊ? – Ela gritou antes que eu pudesse explicar.

-Prima, não é nada disso que você está pensando. Só vem logo, tá? Tchau. – Desliguei na cara dela porque já me contorcia de aflição. – Onde é o banheiro? – Questionei para a mulher.

Ela ergueu um sobrolho, me olhando de alto a baixo e depois torceu a boca, apontando com a cabeça para a direção dos banheiros.
Me apressei até lá e morri de alívio, chegando a revirar os olhos quase de prazer, por estar fazendo minhas necessidades.
Assim que terminei saí da Esquadra, sob o olhar atento da mulher estranha, e me acomodei em um banquinho que havia ali perto.
Retirei a mochila de minhas costas e me estiquei para aliviar os músculos.

.

Eu estava praticamente toda encolhida de sono quando uma pick up preta dos anos 70, mas em ótimo estado, se aproximou de onde eu estava.
Reconheci ao longe minha prima dentro dele no banco do passageiro e um homem conduzindo. Logo ele estacionou ao pé de mim e Emily saiu da carrinha apressada.
Minha boca se escancarou ao olhar seu rosto, mas ela nem me deu tempo de lhe perguntar nada. Foi logo me colhendo em um abraço aconchegante.
Esqueci até de quem eu era ali no conforto e carinho de seus braços.

- . O que você está fazendo aqui? – Ela questionou surpresa.

-É uma longa história, mas para resumir… - Me ergui mostrando minha barriga. – Vim pedir abrigo. Será que você pode me acolher?

Emily encarou minha proeminência exagerada, chocada e eu apenas mordi meus lábios, aguardando uma resposta.
Ela olhou para o homem alto e forte – chegava até a dar medo só de olhar para a sua carranca – e ele assentiu.

-Vamos para casa, querida. Você precisa descansar. – Ela me sorriu terna, me encaminhando até a carrinha.

O homem carregou minha mala e me ajudou a subir para o banco. Fiquei no meio dos dois e foi meio estranho.

-Você se casou? – Me recordei do que o outro senhor dissera.

-Ainda não. Mas estou noiva. – Mostrou uma pulseira cheia de entrelaçados coloridos, muito bonita. – Esqueci de vos apresentar. – Bateu a mão na cabeça. – , esse é meu noivo, Samuel Uley, Sam, essa é   Young, minha prima.

Eu apenas lhe sorri ao que ele me respondeu de igual modo.
O resto da viagem fomos em silêncio. Ou talvez eu não tivesse escutado mesmo pelo simples fato de que adormeci.
Apenas senti quando me pegaram no colo e me carregaram por alguns metros ao ar livre e outros poucos em um sítio fechado – que eu deduzi, mesmo que ensonada, que seria a casa de Emy - até uma cama fofa, eu supus.
A exaustão era tanta que eu nem consegui abrir os olhos ao escutar uns burburinhos vindos de algum canto da casa, por onde eu passei inicialmente.
Estava mais concentrada em descansar.

Lembranças são feitas de laços finos e frágeis ou de cordões de aço inquebráveis. Aquelas que queremos guardar, se rasgam e se perdem por entre nossos dedos. Aquelas que queremos esquecer, permanecem imutáveis e inabaláveis cutucando nossos medos.
Queria puxar pela memória por lembranças boas mas meu subconsciente insistia em lembranças que eu preferia não mais recordar, tornando meus sonhos em pesadelos.
Aquele beco nunca pareceu tão escuro, tão frio e tão sujo como pareceu naquela noite. O som abafado de música rock ressoava dentro do bar do qual acabáramos de sair.

-E o que você quer que eu faça? – Ele gritou puxando seus longos fios loiros.

-Que tal me ajudar! É um começo. – Gritei de volta em tom irônico.

-Eu sei bem o que você quer, . – Ele apontou o dedo para mim e estreitou os olhos, me dardejando com sua fúria.

-Ah sabe? Então me diga. – Cruzei os braços.

-Você quer arruinar minha carreira. Você quer que eu fracasse. Mas se você acha que eu vou ceder fácil aos seus joguinhos, pode ir enganar outro troxa! – Barafustou me virando costas no final do seu discurso.

-Gabe! Volta aqui! O que eu vou fazer? – Gritei começando a me desesperar.

Ele continuou caminhando apressado e apenas gritou um: “Se vira!” antes de cruzar a esquina do beco.
A onda eletrizante de solidão me atacou com pujança me fazendo perder as forças e ir ao chão.
A ardência em meus olhos e o bolo nodoso em minha garganta fizeram lágrimas rolarem por meu rosto enquanto a voz sumida de mim lutava para sair em um grito de desespero.
E então eu gritei. Mesmo que ninguém me pudesse escutar.


- ! ! Ei, shuuu. Está tudo bem. – Emy me embalou em seus braços me acordando de meu pesadelo.

Senti alívio por perceber que meu sonho há muito deixara de ser o meu presente, mas as lágrimas continuaram correndo por perceber que esse passado ainda estava bem enraizado na minha realidade.

Depois de alguns minutos em que apenas se escutava o som dos meus soluços, eu por fim me acalmei. Percebi por entre as frestas da janela que estava amanhecendo. Olhei para Emily e ela já estava vestida.

-Que horas são? – Questionei me erguendo da cama com a sua ajuda.

-7h30.

-Sério? – Me espantei e ela assentiu com um sorriso.

Um sorriso que nunca seria completo pela monstruosidade que deformava sua cara.
Apesar de eu a estar encarando feito uma idiota isso não a pareceu incomodar, mas mesmo assim ela franziu o cenho e me questionou.

-Você não soube? – Apontou para a cicatriz.

-Sei menos ainda do que se passava em minha própria casa. – Revirei os olhos.

-Ataque de urso. – Explicou e eu me alertei protegendo a barriga com ambas as mãos. – Não precisa se preocupar, a guarda-florestal conseguiu atrair os ursos para longe daqui. – Declarou. – Vamos comer? Você deve estar com fome. Vocês. – Se corrigiu me lançando um olhar de: “Você tem muito para me contar, mocinha.”, mas da forma mais doce e compreensiva possível.

Não me senti minimamente intimada nem intimidada. Apenas ciente de que eu não podia tentar impingir a mesma história que impingi durante seis meses a todos os habitantes de Makah.
Caminhamos para fora do quarto e eu segui minha prima até a sala, olhando atentamente cada pormenor da pequena mas singela casa. Me fez lembrar da casa da nossa avó o que me trouxe muita saudade.
Assim que chegamos no cómodo eu quase passei mal.
Por dois motivos.
Primeiro. Eu estava sendo palco de atenção para um monte de gente.
Segundo. Esse monte de gente eram garotos praticamente nus e gostosos pra caramba.

- , esses são os meninos. – Emy falou como se eles fosse filhos dela e se eles não tivessem aquele tamanho TODO bem que eu diria que eram filhos dela sim. – Vamos começar da esquerda para a direita. Tem o Embry Call, o Quil Ateara, o Jared Cameron, o Paul Lahote, o Brady Fuller, o Collin Littlesea, o Seth e a Leah Clearwater. Você lembra de eu falar desses meus primos, né? – Emily os apresentou e eu tentei do fundo do meu ser decorar os nomes de todos e associar aos seus rostos.

Eles eram todos tão parecidos que chegava a ser difícil não serem todos gêmeos.

-Todos são seus primos? – Questionei e vários deles soltaram gargalhadas estrondosas, que me fizeram estremecer.

-Não. Só os dois últimos. A Leah e o Seth. – Ela explicou com o sorriso carinhoso.

-A sim, a Leah! Você falava tanto dela quando morava em Makah que me sinto quase que sua best. – Sorri abertamente olhando Leah.

Mas esta não pareceu retribuir. Pelo contrário. Parecia bem pê da vida pela simples menção que fiz. Eu, hein. Que estranho.

-Meninos, essa é   Young. Minha prima e de Claire. Ela vai passar aqui…uns tempos. – Emily explicou me olhando cuidadosa e eu apenas acenei para eles, meio tímida.

- ! Bonito nome. – Um garoto se pronunciou que eu acho que era o Embry. Acho que foi esse o primeiro nome que Emy disse.

-A Claire fala muito de você. – Um outro que eu acho que era o Jared…ou talvez fosse o Quil…comentou.

-Fala? Ela não tem só dois anos? – Questionei meio confusa.

-É… - Ele passou a mão pelos cabelos. – Mais ao menos. Ela já falou seu nome. – Sorriu tímido.

-Estranho. A piralha nunca que foi com a minha cara. – Falei lembrando das vezes que ela fazia birra no meu colo, e esse tal garoto franziu o cenho chateado com algo que eu disse.

-Você está grávida? – Um dos garotos mais novos, acho que o Brady ou o Collin, perguntou e antes que eu respondesse um garoto que estava do lado dele, penso que o Paul – decorei o nome pela sua expressão super maliciosa no rosto – lhe deu uma pelada forte na nuca.

-Não, sua anta. Ela engoliu uma pipa. – Falou nos fazendo gargalhar a todos.

Eu passei a mão pela barriga e corei fortemente.
Que vergonha. Vou ficar encalhada no meio de tanto gato dando sopa. Só por causa dessa gravidez.

-Quantos meses? – Leah questionou, baixando a guarda.

-Seis. – Minha voz não passava de um sussurro. – Eu tenho de ir. – Falei virando as costas e voltando para o quarto.

Ok, fugi de um pesadelo para me meter em outro pior. O que eu faço?
Depois que me tranquei no quarto, peguei em uma muda de roupa e em passos de lã fui até o banheiro.
Tomei um banho demorado e gelado. Apesar do frio que estava precisava refrescar as ideias. Além de que água gelada é um bom tonificante para os músculos, os deixando mais firmes. Uma gravidez pode deixar nosso corpo bem em baixo, por isso tinha de me prevenir.
Mas sabe qual era o problema agora, depois do banho? É que eu estava morrendo de fome e meu bebê já estava gerando a 3ª Guerra Mundial na minha barriga, me pontapeando em todos os locais; até nas costelas.
Soltei um silvo de dor e acariciei minha barriga.

-Calma, fedelho, isso aqui não é a casa da mãe Joana, não. – Barafustei.

Ok, eu tinha um temperamento um pouco forte e apesar de já ter criado um laço bastante forte com meu filho, eu ainda não estava habituada à idéia de que ia ser mãe. Por isso o tratava como tratava a meu irmão. Bem que quando ele crescer ninguém vai dizer que eu sou mãe dele e sim que sou irmã. Então vamos treinando desde cedo essa relação.

-Posso entrar? – Uma voz feminina interrogou depois de uma leve batida na porta, que eu nem notei.

Ao me virar me deparei com o meio corpo de Leah pendendo para dentro do quarto onde eu estava “hospedada”. Assenti em silêncio, mantendo uma expressão perdida no rosto ao olhá-la tão…dada?
Vejam bem. Quando eu a cumprimentei pareceu que ela ia jogar uma bomba em mim, depois que falaram que eu estava grávida, se derreteu que nem sorvete ao sol. Eu, hein. Gente estranha.
Leah entrou no quarto e fechou a porta atrás de si, mas mantendo-se encostada a ela, a uma longa distância de mim, e pigarreou antes de começar a falar.

-Desculpe a forma rude com que eu a recebi…acordei do lado errado da cama, de rabo virado para a lua e pisei o chão com o pé esquerdo. – Enumerou uma data de “incidentes”.

-Nossa…péssimo dia esse seu, hã? – Ironizei de forma…simpática. E ela riu. Menos mal.

-Verdade. Bom…Em…Emily me falava muito de você também. – Começou. Mas porque ela disse o verbo “falar” no passado? Até parece que nem convive com a Emy!

-Eu estava doida para te conhecer… - Sorri largamente. – Digo, ela falava tão bem, você parecia tão legal…eu queria muito ser sua amiga. – Afirmei com cara de boba.

-E podemos ser. Acho que estou precisando. – Ela quase sussurrou, baixando o olhar.

-De uma amiga? Mas você não tem a Emy? – Questionei confusa.

-Você não soube? – Ela questionou meio irritada.

-Do quê? – Perguntei de volta. – Sabe…eu não me dava bem com minha família. Ovelha negra, sabe. Então as notícias passavam por mim sem nem eu botar a vista em cima. – Expliquei e ela manteve uma expressão fria. – Veja bem que eu nem soube que Emily estava noiva desse tal de…como é mesmo o nome dele? Ah, Samuel Uley. Não fui com a cara dele. – Murmurei baixinho.

Ela soltou uma risada fraca e seca e um brilho triste passou por seus olhos.

-Ele era meu noivo. Mas me trocou por ela. – Leah sibilou.

-Ah, filha de uma pu…lga! – Me exaltei e me corrigi de imediato pela minha estrapolação, vendo Leah me olhar de olhos arregalados e soltar uma gargalhada estridente de seguida.

Tive que rir junto, mas de vergonha. Eu e a minha boca grande.

-Vou adorar ser sua amiga. – Leah falou depois de conseguir se controlar. – Vamos comer. O café da manhã está pronto.

Assenti de imediato e ela enlaçou seu braço entre o meu e me guiou de novo até a sala, mas a meio do caminho ela olhou na minha cara e riu alto de novo, como que se lembrando da minha gafe.

-Meu pai…me diz que ela fumou unzinho nas nossas costas. – Um dos caras…acho que o Embry, comentou.

-Caraca…isso é inédito. A miss mau-humor está rindo. – Paul explanou.

-Ide vocês todos…catar pulgas. – Leah falou se desmanchando de rir de novo me fazendo rir junto dessa vez pela nossa piada particular.

-Maninha, você está se sentindo bem? – Seth questionou realmente preocupado com a saúde mental de minha mais nova melhor amiga.

-Sai pra lá, seu chato. Deixa eu curtir meu bom humor. – Leah o empurrou e eu tive pena dele.

Sei lá, algo nele me fazia lembrar…meu filho-ainda-não-nascido? Ok, bati forte com a cabeça durante o sono e não percebi.

-Vamos comer, meninos! – Escutei Emily falar da sala de jantar e num segundo um tufão passou pela sala da Emy e se concentrou na cozinha.

-Tire a mão. Deixe alguns para . Pare de ser guloso. Juro que não cozinho mais para vocês se não se controlarem. – Emy falava para cada um deles como se fossem crianças.

Eu diria mais que eles eram animais. Porque, meu Deus do céu, que violência para comer.

-Alguém aí vai ceder uma cadeira? – Leah questionou.

-Pra quem? Pra você? – Um que eu não sabia se era o Quil ou o Jared, mas que era diferente do que falou da Claire, interrogou.

-Não, é para a . – Ela explicou e em um piscar de olhos cinco cadeiras ficaram disponíveis.

-Nossa, que consideração… - Falei de olhos arregalados. – Não sou assim tão grande. Minha bunda cabe numa só. – Comentei e todos os garotos gargalharam alto.

-Essa é das minhas. – Paul comentou, me fazendo sentar em sua cadeira.

Lhe sorri agradecida e vi Leah empurrar um dos meninos mais novos e se sentar do meu lado na cadeira dele.
Logo uma balbúrdia se instalou. Uns empurrando outros. Ora para sentar ora para pegar primeiro um muffin, um cookie ou copo de suco.

-Meninos! Se comportem! – Emy reclamou, dando uma pelada num deles, que queria roubar algo do prato que ela segurava na mão. – Isso é para a . – Ela reclamou estreitando os olhos para o menino.

Apesar da confusão armada eu estava amando todo esse clima de boa disposição e de amizade. Me sentia realmente bem por não estar sendo olhada de lado nem nada do género.

-Oi meninos. – Uma voz mais grave, que logo reconheci como sendo a de Samuel, soou atrás de mim.

-Chegou o pulguinha. – Sussurrei para Leah, me inclinando em sua direção, para que mais ninguém escutasse.

Mas de repente um silêncio descomunal se fez e quando ergui o rosto, todo mundo estava olhando para mim.

-Que foi que eu fiz? – Perguntei confusa.

Era impossível eles terem escutado o que eu disse visto que com a algazarra deles e comigo sussurrando bem perto de Leah eles não poderiam ter escutado. Ou poderiam?

-Bom dia pessoal. Sobrou alguma coisa para mim? – Sam desviou a atenção de mim e se aproximou de Emy, a segurando pela cintura e beijando seu rosto.

Eu quase fiz uma cara de vômito, mas me segurei, visto que parecia que ainda estava sendo observada.
Emy pousou o prato, em que tinha separado alguns muffins e cookies, na minha frente e eu comecei a comer esfomeada. Meu neném agradecia, parando de me chutar de 5 em 5 minutos.

-E aí? Menino ou menina? – Seth questionou.

-Nem sei. – Dei de ombros e eles me olharam surpresos.

-Deixem a   em paz, pessoal. – Leah veio em minha defesa e eu lhe sorri agradecida.

.

Depois do café da manhã muitos dos rapazes foram embora com Sam.
Escutei alguns deles falando sobre um tal de Jacob, mas nem liguei.
Apenas ficaram Leah, Embry e Seth. Os rapazes se jogaram no sofá, lutando pelo controle remoto, como se a casa fosse deles e eu fiquei ajudando Emy a arrumar a desordem que ficara a cozinha. Leah ficou na varanda, olhando para a floresta, como se estivesse esperando por alguém. Estranhei isso mas nem liguei.

-Podemos conversar? – Emily perguntou, assim que tudo ficou arrumado.

-Uhum. – Assenti, olhando para a sala e vendo Seth e Embry finalmente se entretendo com algum canal, comendo nachos e bebendo refrigerantes de latinha.

Eles pareciam que tinha um buraco bem grande no estômago. Não paravam de comer um segundo. Me admira como têm esse tanquinho tão sarado. Deus do céu. Vão ser gostosos assim lá em casa.

-Vamos para o meu quarto. – Ela falou e eu assenti a seguindo.

Assim que lá chegamos, nos acomodamos na modesta cama de casal que o pequeno quarto albergava.

-Quer desabafar? – Foi a maneira mais sutil que minha prima arranjou para me fazer desembuchar e eu apenas dei de ombros e suspirei antes de começar.

-Havai uma rapaz…ele era novo em Makah. Gabriel. Esse era o seu nome. Ele era popular sem fazer nenhum esforço. E tinha uma banda. Bem…a banda não tinha membros, visto que ele se mudara recentemente…naquela época, faz um ano e meio. Então ele fez uma chamada e espalhou panfletos por toda a cidade. Logo ele conseguiu seus integrantes. Entre eles estava Tom.

Tom era meu meio-irmão, filho ilegítimo de meu pai. Por causa dele que meus pais se divorciaram. Mas eu não o culpo. Meu pai bem que precisava se livrar da bruxa da minha mãe.

- Você sabe que eu e Tom sempre nos demos bem. - Apesar de ele odiar toda a nossa família, eu fui a exceção. – Todas as garotas eram fascinadas por Gabe, menos eu. Quer dizer. Eu o achava lindo e tudo mais, mas não estava no grupo das loucas, histéricas e oferecidas que sempre o cercavam como abelhas em torno do mel. – Revirei os olhos, olhando para minha barriga.

Quem diria que eu não fazia parte desse grupo. Vejam bem meu estado. Eu não tinha engolido uma pipa, como Paul falou zombeteiro, eu estava REALMENTE grávida.

-Tom me pedia muitas vezes para eu ir assistir seus ensaios. Eu era apenas uma em meio a todo aquele fuzué feminino, mas ele me notou. Não sei mais se hei-de achar maldita a hora em que ele me notou ou se hei-de agradecer por isso. Porque apesar de tudo – Olhei de novo para a minha barriga. – Eu passei bons momentos com ele. Afinal, ele é o pai do meu filho. – Havia muita história pelo meio sobre o Gabe que faltava contar, mas me detive a isso.

Quem me escutasse agora pensaria que eu apenas vivi um mar de rosas com ele, mas não foi bem assim.

-Tentei esconder por meses essa gravidez. Gabe sumiu de Makah quando eu contei e isso deixou minha família alerta. Apenas Tom sabia do meu estado e era ele que cuidava de mim sempre. Mas minha barriga começou crescendo muito. Essa criança é grande demais! Não deu mais para mentir, Emy. E minha mãe…foi um pesadelo. Ela me expulsou de casa. Eu ainda nem tive coragem de ligar para meu pai. Tom quis me receber em sua casa, mas eu não iria suportar os olhares acusatórios do povo daquela Reserva! Eles conseguem ser muito cruéis quando querem, Emy. Você bem sabe disso. Você passou algo semelhante com Christian. – Ela assentiu. – Então eu me lembrei de você. Não tinha a quem mais recorrer, Emy. Me desculpe por trazer esses problemas para você. Se Sam ou você não me quiserem aqui, tudo bem. Só me dê tempo de ligar para meu pai e pedir que ele me venha buscar.

- , calma. Ninguém vai te desampara. Tá? E você é muito bem-vinda aqui. Pode ficar o tempo que quiser. Tanto eu quanto Sam te queremos aqui. Não fique nervosa. – Ela acariciou meu rosto e eu sorri agradecida.

-Você é a melhor prima do mundo! – A abracei.

-Mas tem uma condição. – Ela falou séria.

-O quê? – Franzi o cenho preocupada.

-Eu quero que você se consulte com o melhor médico da cidade. Sei como você é acomodada e pela conversa de há pouco, de não saber o sexo do bebê, tenho certeza que você não consultou um médico uma única vez. – Emily estava certa e não era preciso eu afirmar sua certeza. Ela me conhecia bem.

Aqui em La Push eu tentaria começar uma nova etapa e deixar todas as lembranças do meu passado para trás.
Restaria saber se eu conseguiria.

2) Carinho
“Aprendi que
Sofrer faz parte da vida,
Que amar é uma lição aprendida
E que as feridas da alma,
As de longo caminho,
São curadas apenas com carinho.”
(BabySuhBR)


O resto do dia passou rápido. Leah e eu enlaçamos uma conversa afincada sobre desilusões amorosas e queixumes acerca dos homens. Mas no final de tudo sempre nos ríamos das nossas figuras de velhas rabugentas.


Embry e Seth também conversaram comigo, mas de formas diferentes.
Seth estava sendo um querido, me paparicando e cuidando de mim como um irmão de verdade. Acho que essa era a natureza dele. Dócil e adorável.
Noutra época eu torceria o nariz e a boca a essas qualidades, mas a gravidez me tornou mais…sentimental, por assim dizer.
Já Embry…ele dava em cima de mim. Não importava o meu estado ou o quanto minha barriga era monstruosamente enorme. Ele estava me paquerando!


-E aí, um dia podíamos ir tomar um sorvete. Que tal? – Ele questionou me piscando o olho.


-Emb, me desculpe a pergunta, mas você está me zuando, ou está realmente afim de mim? – O interrompi, um pouco incomodada. Não queria a pena de ninguém pelo meu estado.


-Claro que estou afim de você! – Ele respondeu quase ofendido. – . Você é linda. Não há porque eu não paquerar você. – Ele me sorriu torto.


-Veja bem. Eu estou grávida…


-Eu não estou pedindo você em casamento. – Ele me interrompeu e eu ri aliviada. – Curta a vida. Você me parece uma garota que gosta de viver. – Falou sabiamente e eu até fiquei boba.


Desde quando um garoto tinha maturidade suficiente para dar conselhos? Principalmente na idade do Embry.


-Tem razão. – Respondi por fim, depois do choque passar. – Eu gosto de curtir a vida. – Sorri abertamente.


-Oh galinha. Sai daí, sai! – Leah o enxotou. – Vai debicar outras pintinhas. Essa aqui não é para o seu bico. – Ela troçou.


-Na verdade…eu ia responder a ele que aceito e espero o seu convite. – Falei fazendo careta de culpada para Lee. – Desculpe, amiga…mas o negócio está fraco, sabe…


-Ah, minha filha. Entrou na loja errada, então. Desse daí você só tira uns beijos. Ele tem a garganta toda coçada. – Ela esculambou dele e eu a encarei surpresa. – Não que eu tenha tentado. Credo, longe de mim…mas se ouve por aí… - Ela fez um gesto com a mão ao dizer a última frase.


-O que se ouve por aí não é para ser levado ao pé da letra, ok? Eu sou muito homem, tá?


-Tá, tá, oh, homem com O maiúsculo. Vai ver se está chovendo abacate e depois volta. – Leah continuou pegando com ele e Emb apenas bufou frustrado.


Ainda o escutei reclamar que mulher era tudo igual.


-E então. Soube que amanhã você será submetida a tortura.


-Hãn? – Indaguei confusa.


-Vai no médico. – Ela explicou.


-Ah, sim. – Fiz careta. – Odeio médicos. Odeio hospitais. – Franzi a boca em repulsa ao me lembrar de tudo o que estivesse relacionado com medicina.


-Bom, do hospital você vai se safar. Agora do médico…


-Como assim.


-A cade…Emily pediu para o Pulga te levar na casa do Dr. Cani…Carlisle Cullen. Ele é o melhor médico da cidade. Mas eu acho que vou pedir ao Sam que me deixe ir com você. Não confio naqueles frios! – Leah falou e seu corpo estremeceu ao tempo que ela fazia uma carranca ao pronunciar a palavra “frios”.


Não entendi o significado, mas deixei pra lá. Era visível que Leah não suportava esses tais de Cullen. Agora até eu fiquei receosa.


-Lee. Será que depois da consulta a gente pode ir em Port Angels? Preciso comprar umas coisas. Minha roupa está começando a ficar apertada de novo. – Revirei os olhos.


-Claro. Sem problema. – Ela me sorriu.


-Aproveito e ponho uma idéia em prática. – Falei com um olhar malicioso enquanto analisava minha amiga de alto a baixo.


-Hiii…tá me estranhando.


Eu até ia responder, mas Emily nos interrompeu me estendendo o seu telefone.


-Quem é? – Perguntei bem baixo.


-Seu pai. – Ela respondeu e eu senti meu coração saltar no peito.


Peguei o telefone com as mãos trêmulas. Minha garganta estava seca e um bolo doloroso começava se formando nela.


-A-al-lô? – Minha voz saiu fraca e entrecortada, me fazendo comprimir os olhos e respirar fundo.


- ! – Meu pai exclamou num tom de voz que eu não soube distinguir mas que estava entre o desiludido e o aliviado.


-Oi pai. – Tentei enrolar.


-É verdade? Me diz filha. É verdade? – Ele repetia.


-O quê pai? – Me fiz de desentendida, apertando os dedos na barra do meu vestido.


-Que você está grávida? Que sua mãe lhe expulsou de casa!? – Sua voz gradava para mais alto, me fazendo ter vontade de chorar.


-É, pai. É sim… - Falei sentindo uma lágrima resvalar por meu rosto.


-Aquela…Como ela teve coragem de te desamparar? Como? Eu vou para aí o mais rápido possível, filha. Me espere.


-Pai! – O chamei surpresa. – O senhor não está zangado comigo? – Perguntei embargada.


-Claro que não, meu bebê. Você é o meu tudo. E agora…eu vou ser avô. – Sua voz se emocionou me fazendo chorar também. – Não chora, minha querida, não chora. Eu não vou te desamparar, tá? Eu vou voltar bem rápido.


-Ok. – Respondi. Eu sentia muita saudade de meu pai. E nessa altura tudo o que eu mais precisava era de colo e carinho.


Pois com meu pai aprendi que sofrer faz parte da vida, que amar é uma lição aprendida e que as feridas da alma, as de longo caminho, são curadas apenas com carinho.
Meu pai teve de desligar logo mas mesmo sabendo que logo ele iria voltar e que ele iria me apoiar, eu não consegui deixar de chorar.


Emily e Leah me abraçaram de lado, me reconfortando, e os garotos ficaram olhando para mim como se sentissem meu sofrimento.
Era incrível como em poucas horas eu podia me sentir parte dessa grande família por inteiro e sentir que já era amada e querida. Era muito gratificante.


Na hora do jantar os outros garotos voltaram com Sam e a bagunça saudável e divertida voltou àquela casa, mas eu não estava mais com disposição de sorrir.
Retomei ao meu quarto silenciosamente tirando meu “mau humor” daquele ambiente tão alegre e familiar.


Foi uma noite calma e sem sonhos. Acho que pude finalmente descansar corpo e mente de todo o turbilhão de acontecimentos que me acometia nos últimos meses.
Manhã seguinte acordei bem cedo.
A falta de cortinas nas janelas do quarto onde eu estava não me permitiram a um sono mais prolongado, mas nem me importei.


-Bom dia. – Escutei a voz de Emily e voltei meu rosto para a porta do quarto. – Vinha agora mesmo te acordar para a consulta com o médico. – Ela me sorriu entrando no quarto com uma bandeja nas mãos, repleta de snacks saudáveis e sucos.


-Bom dia, Emy. Não precisava trazer, eu iria comer com vocês. – Falei me sentando na cama ao tempo que ela pousava o tabuleiro de pés no meu colo.


-Está uma confusão danada na sala. Os meninos estão aí. Eles não te acordaram, pois não? -Questionou e eu neguei com a cabeça, franzindo o cenho de seguida.


-Mas eles não têm casa não? Vivem por aqui… - Comentei curiosa.


-Aqui é quase como uma segunda casa para eles mesmo. Mas os meninos trabalham – Emy fez uma pausa me olhando cuidadosamente e depois retomou sua fala. – todos juntos e por isso passam a maior parte do tempo aqui.


-Sam é o chefe deles? Eles trabalham em quê? – Enchi minha prima de perguntas e ela pareceu ficar um pouco tensa.


-Mais ao menos isso. Eles trabalham em…em…várias coisas. Cada um tem sua profissão, outros ainda estão estudando, maior parte, na verdade, mas eles também são…vigilantes nas florestas. – Falou bem rápido, como se tivesse inventado aquilo de última de hora. - Eles ajudam a preservar a floresta, ajudam pessoas perdidas, os animais…enfim…muito coisa. – Ela jogou as mãos para o alto e respirou fundo. – Tome seu café da manhã e se arrume. Sam e Leah te levarão na casa do Dr. Carlisle. – Me informou se levantando da cama e saindo do quarto.


Fiz tudo o que ela pediu e em 20 minutos estava pronta. Assim que fui para a sala, encontrei todos os rapazes comendo como esfomeados.
Vigilantes, hein? Com aqueles corpos e aquela tattoo no ombro de cada um…eles têm mais cara de gangue. Uma gangue boazinha, para falar a verdade. Deve ser porque é uma gangue de interior. Pensei para mim. Só não entendo porque Leah é a única garota. Entendo ainda menos ela fazer parte da “gangue” sendo que ela parece a mais contrariada.


- ! – Escutei a voz de Seth soar bem perto de mim ao tempo que uma coisa escaldante tocou minha pele.


Me recolhi para longe da coisa escaldante e silvei ao tempo que olhava para ver o que estava me queimando. Percebi ser a mão de Seth e me preocupei.


-Você está bem? Está muito quente. – Falei tocando nele e percebendo sua temperatura alta.


-Ah…está tudo bem sim…eu…sou meio quente. – Sorriu tímido.


-Vamos ? O Pul…Sam – Se corrigiu depois de lançar uma olhada no irmão. - está esperando a gente lá fora. – Leah falou e quando me tocou para me encaminhar notei que ela também estava super quente.


Nem deu tempo de perguntar mais nada, apenas fui conduzida para fora de casa e de seguida para dentro da picape de Sam.
De novo eu fiquei no meio e dessa vez a coisa pareceu bem mais estranha do que da primeira vez. Senti uma certa tensão cortante e quase fatal no ar.
O silêncio predominou nessa viagem, mas dessa vez eu estava bem acordada.
Toda a vez que eu queria falar algo minha voz morria na garganta. Acho que por ter tanto medo quanto eu de dizer algo que não agradasse nenhum dos dois. Então resolvi me focar na viagem.


Sabe quando você está vendo aquelas figurinhas na net que parece que se movem mas estão paradas, ou aqueles programas que dão na TV de hipnose? Eu me sentia meio assim, ao olhar aquela paisagem tão…verde. E conforme ela passava como borrões por minha vista, mais eu me sentia sonolenta.
Mas então, no final de uma trilha que nos havíamos metido, uma imponente e moderna casa envidraçada se fez revelar por entre aquele verdume todo, quase como um choque arquitetónico.


Não que não fosse bonita. Ela era. Com três andares e com uma visibilidade total para o seu interior. Mesmo antes de entrar eu já sabia que a casa era tão bonita por dentro quanto por fora.
Nunca fui de me ligar nesse estilo de casa futurista, mas essa tinha uma elegância e toque de bom gosto extremo. Não parecia tão fria, nua e minimalista como costumam ser este tipo de casas. Pelo contrário. Era até bastante acolhedora.


Desci do carro ainda focada na casa e nem cheguei a perceber quando eu já estava bem na frente da porta de entrada, depois de ter subido um lance de escadas, frente a frente com a pessoa mais bela do mundo.
A mulher, de cabelos cor de caramelo, rosto em forma de coração, corpo pequeno, esguio mas curvilíneo, transmitia uma sensação de carinho tremendo através dos seus olhos dourado líquido. Um tom que eu nunca antes vira mas que estava achando lindo.


-Bom dia D. Esme. – Sam a cumprimentou.


-Me trate apenas por Esme, Sam. Leah. – A mulher cumprimentou minha amiga e de seguida olhou para mim com tanto amor que quase ronronei como uma gata. – Você deve ser , prima da Emily, certo? – A pergunta foi retórica mas eu assenti na mesma. – Prazer em conhecê-la. – Me sorriu ternamente e me estendeu uma mão.


Ela era fria como gelo e eu estremeci, mas disfarcei ao máximo.
Ela pareceu nem perceber, e continuou me encaminhando para dentro de casa.
Do cimo da escada, que havia bem em frente à entrada, surgiu uma fada. Bom, foi o que me pareceu. A garota pequenina desceu a escadaria com uma graciosidade tremenda, como se valsasse escada abaixo. Seu cabelo preto era bem pequenino, mas muito bonito. Seus olhos eram do mesmo tom do de Esme.


Assim que ela chegou no fim da escadaria uma loira exuberante surgiu ao seu lado, vinda de nem sei onde. Se eu pensava que já vira e conhecera a mulher mais linda do mundo, bem…ela estava agora na minha frente. Qual Angelina Jolie qual quê. Não havia mulher que se equipara-se a essa que estava na minha frente. E apesar das outras duas serem igualmente muito belas, essa batia as duas sem dúvida nenhuma.
Ela me olhou com uma admiração tão grande – ou melhor, olhou minha barriga com uma admiração tão grande – que me senti um oásis no meio do deserto.


-Carlisle está lhe esperando no seu consultório. – A fadinha falou com voz de sinos.


-Nós te acompanhamos. – A loira falou entusiasmada.


-Meninas. Que péssima educação é essa? Não se cumprimenta as visitas? – Esme ralhou.


-Desculpe. Oi cachorros. – Alice os cumprimentou e apesar de os ter chamado de cachorros ela não parecia estar soando ofensiva.


Escutei o pigarro de Esme e Sam e um rosnado (?) de Leah.


-Brincadeirinha. – Ela sorriu lindamente. – Oi Sam, Leah. E . – Me olhou com um brilho contagiante nos olhos. – Eu sou Alice Cullen e essa é Rosalie Hale. – A fadinha apresentou as duas e me abraçou carinhosamente.


Seu corpo era tão frio quando o de Esme e um pouco…duro. Mas talvez fosse tudo exagero da minha cabeça.


-Vamos? – Rosalie falou diretamente para mim, ignorando Sam e Leah.


Olhei para eles e ambos assentiram e então me deixei ser guiada por ambas até o cimo da escadaria.
Seguimos por um corredor e entramos na última porta que dava para uma enorme biblioteca – isto para os conceitos de uma casa, claro.
Ao fundo do grande salão, por trás de uma secretária de mogno antiga, estava uma maca e alguns aparelhos médicos, além de um biombo em paralelo diagonal com a parede, formando um pequeno vestiário.


Na secretária estava sentado um elegante homem, de fios loiros, compleição média, boa forma e aspeto de estrela de cinema.
Será que nessa família só havia gente linda?
Ele se levantou de sua cadeira e me sorriu, estendendo sua mão para me cumprimentar – a qual notei ser igualmente fria como a dos restantes membros.


-Olá, , eu sou o Dr. Carlisle Cullen. Sente-se. – Ele indicou uma cadeira.


Rosalie a puxou para mim e me ajudou a sentar nela, como se eu fosse feita de porcelana.
Olhei para as duas e percebi uma curiosidade latente em seus rostos, como duas crianças em frente à Disneyland.


-Alice, Rose… - Carlisle olhou para elas como que dando um recado silencioso e educado de “saiam”.


-Será que não podíamos ficar? – Rose questionou me olhando estilo o gato das botas do filme Shrek.


-Por mim… - Dei de ombros e ambas sorriram largamente.


Me senti como que concretizando o sonho delas. E isso me deixou bem.


Carlisle me fez algumas perguntas de rotina e depois me mandou trocar de roupa.
Atrás do biombo estava um banquinho e uma bata hospitalar feita por calça e blusa.


-Precisa de ajuda? – Reconheci a voz de Alice perguntando prestativamente.


-Não. Obrigada. – Respondi de imediato.


Me despi bem rápido até, mas foi mais difícil me vestir, visto que não conseguia colocar as calças. Minha barriga não me deixava baixar. Por isso eu desistira de usar calças no 5º mês e passara a usar apenas vestidos.


Acabei por desistir e no preciso segundo em que bufei de frustração, Alice surgiu na minha frente.


-Me deixe ajudá-la. – Ela sorriu e me ajudou a vestir a calça agilmente.


De seguida caminhei até a maca e Carlisle me pegou no colo para subir nela. Sabe quando você pega numa pluma? Me senti assim nos braços do médico. Estranho!
O Dr. puxou a manga da minha blusa para cima e mediu minha tensão e pressão arterial com o aparelhinho. De seguida prendeu em meu braço uma fita de gel grossa a apertando um pouco e pegou em uma embalagem descartável para coletar meu sangue.
Fechei os olhos e desviei o rosto enquanto ele fazia isso. Odiava ver sangue.
Nem um minuto depois, o médico pediu para eu deitar e levantou a blusa, espalhando um gel gelado em minha barriga gigantesca.


-Seis meses, certo? – Ele perguntou enquanto espalhava o gel com o aparelhinho para ver meu bebê.


-É. – Falei olhando a telinha que ele também olhava.


-Seu bebê é um pouco grande para esse tempo, mas depois dos exames poderei saber a causa.


-Acha que é grave? – Perguntei preocupada e o médico olhou para Alice que fez um gesto com a cabeça e sorriu.


-Penso que não, mas como disse, só depois do resultado dos exames de sangue poderei ter uma resposta concreta. Aqui pelo monitor me parece tudo bem. – Ele sorriu. – Quer escutar o coraçãozinho dele? – Perguntou.


-É… - Limpei a garganta pois minha voz estava falhando. – É um menino? – Perguntei sentindo uma lágrima quente escorregando por minha bochecha.


-É sim. Um belo e forte rapaz. – Carlisle confirmou e eu solucei emocionada.


Rosalie e Alice também estavam com cara de choro, mas seus olhos continuavam impecáveis e secos. Mais uma vez senti como se conseguissem sentir minhas emoções.
De seguida um barulho frenético e contínuo se sobrepôs ao meu choro e eu me assustei.


-O que é isso? – Questionei urgente.


-O coração do seu bebê. Bate forte. Me parece bastante saudável. – Dr. Carlisle tornou a sorrir tranquilamente.


Fiquei olhando o monitor com o meu menino por tempos infinitos ao mesmo tempo que escutava seu coraçãozinho, tão pequeno mas tão forte, bater depressa. Me sentia como num transe. A emoção e a felicidade tomava conta de mim por inteiro e era uma sensação ótima. Me sentia bem. Me sentia mãe.


Depois da consulta Sam nos emprestou sua picape, depois de eu lhe ter pedido com bastante carinho.
Não sei como ele voltou para casa, visto que ele não dirigiu até sua casa, mas nem me importei. Ele merecia um “castigo”. Adoraria ver ele voltando a pé. Acho que até pediria a Leah para seguir sua “caminhada” de perto se não tivesse outros planos.


Leah dirigiu a picape do ex em direção a Port Angels e eu me senti à vontade de ligar o rádio em uma estação qualquer.




Por sorte estava passando uma música que eu curtia bastante, da Pixie Lott, mas ao me recordar da letra me arrependi amargamente de a ter deixado ficar.


-Eu posso mudar. – Falei me inclinando para o fazer.


-Não, deixe estar. – Ela falou quase como mecanicamente e deixei a música e a letra fluírem.


Já estava tocando quase no refrão.


Lembra que você prometeu que você nunca me deixaria?
Eu sei eu deveria estar seguindo em frente
Mas eu não posso sair da pista


Corações quebram todos os dias
E corações quebram todos os dias
Mas você me rasgou em pedaços (Eu deveria ter sabido melhor, eu deveria saber)
E o tempo vai curar a dor e o coração deve bater de novo
Mas o meu não vai se quer começar (eu deveria ter sabido melhor, eu deveria saber)
Esses corações quebram todos os dias


Eu realmente desejo que eu pudesse voltar o tempo agora
Voltar apenas para quando eu era simplesmente para você
Voltar para quando o que nós tivemos era verdadeiro
Agora isso é o fim,
Eu realmente não sei como
Superar essa tragédia
E embora todo mundo me diga...


Corações quebram todos os dias
E corações quebram todos os dias
Mas você me rasgou em pedaços (Eu deveria ter sabido melhor, eu deveria saber)
E o tempo vai curar a dor e o coração deve bater de novo
Mas o meu não vai se quer começar (eu deveria ter sabido melhor, eu deveria saber)
Esses corações quebram todos os dias


Eu não consigo te esquecer
E estou rasgada em duas
Diga-me o que fazer


(Corações quebram todos os dias)
(Corações quebram todos os dias)
(Mas você me rasgou em pedaços)
Você me rasgou em pedaços
(Eu deveria ter sabido melhor, eu deveria ter saber)


E o tempo vai curar a dor e o coração deve bater novamente
Mas o meu não vai se quer começar


Corações quebram todos os dias
E corações quebram todos os dias
Mas você me rasgou em pedaços (Eu deveria ter sabido melhor, eu deveria saber)
E o tempo vai curar a dor e o coração deve bater de novo
Mas o meu não vai se quer começar


Assim que a música terminou, eu desliguei a rádio de imediato, porque rádio é sempre um radar de sentimentos. Quando a gente está mal ou viveu um momento péssimo, a rádio vai e passa aquelas músicas que, opa, estão falando de você. É meio que quase uma perseguição.


-Estamos chegando. – Leah avisou seca e eu suspirei triste por ela.


Mas hoje eu iria mudar isso. Comigo Leah iria se tornar numa nova mulher.


Assim que Leah estacionou a picape e descemos, comecei procurando com os olhos por alguma loja decente. Foi difícil mas por fim achei uma que prestasse minimamente.
Puxei Leah pela mão e adentrei a loja.


Sabe um dos motivos pelo qual eu amava tanto meu pai? Meu cartão de crédito.


Comecei olhando mostrador, por mostrador, pegando num sem nº de roupas.
Leah me seguia meio atordoada tentando me fazer parar, mas não dava.
Assim que terminei entreguei tudo a Leah e a empurrei para um provador mas ela me olhou sem entender.


-Você+roupa+provador = experimenta logo as roupas, criatura! – Falei impaciente e ela fez menção de me contestar. – Ah ah, shuuu. – A repreendi colocando um dedo na boca em forma de dizer “fica calada e vai trocar de roupa”.


Leah bufou mas seguiu direitinho para os provadores.
Ficamos cerca de duas horas naquela loja com Leah num entra e sai de provadores e num troca troca de roupas.
Por fim consegui montar vários looks decentes para minha mais nova melhor amiga.
Ela deixaria de usar aquelas roupinhas tão sem sal para usar algo confortável, como é o seu estilo, mas bonito ao mesmo tempo.
Percebi, nessas compras, que Leah preferia roupas de verão. Disse ela que era muito encalorada. Isso só me trouxe benefícios porque foi bem mais fácil a deixar confortável e sexy ao mesmo tempo. Suas roupas ficaram muito na base dos shorts e das jeans, mas em compensação eu consegui descolar imensas blusas lindas que se destacavam no look.
De seguida fomos numa sapataria, mas foi inútil tentar fazer Lee andar em salto alto. A maluca torcia os pés todos. Desisti e optei por comprar várias sandalinhas e rasteiras lindas. Pena que não pude fugir dos tênis. Ok, eu amo tênis, mas é muito…esportivo, e eu estava tentando tornar minha amiga numa mulher fatal!
Pena que aquela tattoo horrenda não favorecia muito os looks.
Ok, ela não era horrenda, mas apenas ficava bem nos garotos. Nela a tornava mais…masculina. E eu estava tentando tornar ela FEMININA!
No final das compras o balanço foi 85% positivo.
Por fim fomos ao cabeleireiro. Lee quase que arrancou minha cabeça por isso, mas foi inevitável. Pedi para o cabeleireiro fazer uma permanente nela para deixar seu cabelo liso e tirar aqueles cachos horríveis que ela tinha.
O resultado final foi fantástico.


(N/A: Cabelo: Antes / Depois
Roupas: Antes / Depois - Esqueçam o cabelo, foquem na roupa)


-Você me paga, baixinha! – Leah falou entre dentes, dirigindo de volta para La Push.


-Ahvá, vai dizer que não gostou nem um pouquinho? Tá gata! Você notou os trocentos olhos de homens e mulheres que focaram em você depois dessa lavagem de look? – Tentei argumentar, mas Leah estava irredutível.


Nem cinco minutos demorou para chegarmos em casa de Sam e Emy. Leah desceu da picape furiosa e eu tentei alcançá-la.
Assim que entramos em casa o silêncio gerou total. Todos os rapazes encararam Leah de boca aberta e alguns até se atreveram a assobiar.


-Nossa, Leah, você está uma gata. – Collin comentou com os olhos arregalados e um sorriso bobo no rosto.


-Ah não. Se antes era difícil pensar que você era um garoto, agora vestida de mulher ainda menos! – Paul fez um comentário infeliz, que deixou Leah furiosa.


-Eu não falei! Eu não queria essa droga de mudança! – Leah quase gritou comigo. Seus olhos faiscavam de fúria e seu corpo tremia.


-Leah, se acalme agora! – Sam ordenou e ela instantaneamente parou de tremer e respirou fundo.


-Desculpe Lee. Eu só queria te ajudar. Pensei que você quisesse seguir em frente. – Falei num sussurro, com lágrimas nos olhos.


Leah não soube o que falar e preferiu me dar costas e sair correndo do que me pedir desculpas pela forma grosseira e assustadora como me tratou.


Olhei para os rapazes sem entender e Embry veio ter comigo me abraçando.


-Deixa para lá. Leah é mesmo assim. – Ele falou casual.


-Não não é. Eu sei que não. Emy me falava tanto dela que sou capaz de conhecer Leah tão bem quanto se eu estivesse presente todos os dias de sua vida. Ela só ficou assim depois que… - Parei de falar e olhei para Sam e Leah. – Sei lá…eu só acho que ela deveria ser feliz. Parar de se fazer de mártir. Me revolta isso porque era ela quem devia estar por cima! Rindo do alto e mandando tudo para o alto! Me revolta! – Falei já chorando, mas isso já eram os hormônios falando. – Droga de gravidez, droga de neném, droga de vida! Eu quem devia estar mau humorada, não ela! Eu tenho razões para ficar assim porque por todo o sempre carregarei isso na minha lembrança. – Apontei para a minha barriga. - Não dá para esquecer, passar para trás, seguir em frente. Simplesmente não dá! Droga! – Chutei tudo o que estava entalado na garganta na frente de meio mundo desconhecido.


Nenhum deles merecia escutar meus desabafos e meus xingamentos.
Então fiz exatamente igual a Leah. Virei costas e saí correndo para meu quarto.

3) Tempo
“O tempo passa...
Mesmo quando isso parece impossível.
Mesmo quando cada batida do ponteiro dos segundos dói como o sangue pulsando sob um hematoma.
Passa do modo inconstante, com guinadas estranhas e calmarias arrastadas, mas passa.
Até para mim!”
(Stephanie Meyer)

Eu estava cansada. Uma exaustão incompreensível.
Uma semana se havia passado desde que eu chegara a La Push e nesse tempo todo, maior parte do meu dia era trancafiada em casa.
Leah me devolvera todas as roupas que eu lhe comprara e deixara de me falar.
Queria gritar com ela, estapeá-la, mas algo dentro de mim me dizia que eu não o deveria fazer.
Estava de novo sem amigas. Quer dizer, Emily era minha amiga, mas ela era demasiado ocupada para me dar atenção ou para conversar comigo banalidades femininas…
Então, certa manhã, recebi um telefonema surpreendente. Rosalie e Alice estavam me convidando para um chá de bebê que elas mesma organizariam.
Sam se opôs que eu fosse, mas apesar da hospitalidade ele não era meu dono.
Então acabei por ser acompanhada por Seth e Embry, tipo escolta.
Claro que eles não queriam admitir que estavam sendo meus “companheiros” a mando do Pulga, mas também não me importei.

Depois do afastamento de Leah, Seth passou a estar muito mais tempo comigo, me fazendo companhia e me animando. Passávamos tardes vendo filmes, comendo gordices e rindo de tudo.
E Embry, que andou uns tempos “desaparecido” – e eu pensava que era por estar me evitando – finalmente me convida para sair.
Saímos na picape do Sam e em poucos minutos estávamos em casa dos Cullen. Não conseguia parar de a admirar e de me surpreender com a sua magnanimidade.
Alice e Rose vieram me receber na porta e assim que entramos encontrei um monte de gente que eu não conhecia.
Ok, não era tanta gente assim, mas…nossa, será que é só nessa Terra que existem gostosos como esses?

-, deixe eu lhe apresentar meu…companheiro. Esse é Jasper Hale. Jazz, essa é a . – Alice falou toda delicada, nos apresentando.

Jasper era uma coisa de outro mundo. Seu ar superior, mas de um jeito bom, me fazia estremecer. Alice era uma sortuda, isso sim.

-Ei, eu sou o Emmett, irmão de Alice e namorado da Rose. – Um grandalhão falou com voz grossa, me fazendo recuar um pouco assustada. Ele realmente intimidava.

Embry se colocou na defensiva um passo à minha frente e Emmett apenas gargalhou alto.
De repente me senti mais calma e relaxada. Talvez sua risada tivesse cortado minha tensão e então eu dei um passo em frente e o cumprimentei.

-Será que chegamos a tempo desse chá de bebê? – Escutei uma voz soar atrás de mim e me voltei.

Um garoto super alto, de cabelos acobreados e um sorriso de matar, entrou em casa acompanhando de…uma mosca morta?
Esse tal rapaz franziu o cenho como que desgostando de algo, mas eu estava tão aérea que nem notei qual o comentário que haviam feito que ele não tinha gostado.

-Ed, Bella. Que bom que puderam vir. – Esme os cumprimentou.

A moça, denominada Bella – nem sei porquê, né? – sorriu fraco e parecia um peixinho fora de água. Quem quer que ela fosse e por mais que ela gostasse dessa família, ela não se sentia em casa…ou talvez apenas ao pé desse tal de Ed. Porque toda a vez que ela estava insegura, ela olhava para ele e seu sorriso a tranquilizava.
Será que eles eram namorados? Nãa…uma gato como aqueles não escolheria uma tão sem sal…ok, ela não era feia de todo, mas…sei lá…era estranha! Só sei que não fui com a cara dela.

Depois de mais umas frases trocadas, e eu não apanhei nenhuma, percebi Bella olhando fixamente para os meninos. Ela parecia que esperava ansiosamente que eles dissessem alguma coisa.
O cumprimento entre eles foi distante e frio e percebia-se que Embry não estava muito à vontade ali. Apenas Seth interagia com todos com muita naturalidade. Até conversava bastante com Emmett e Alice. E tentava puxar conversa com Ed, mas percebia que ele evitava certas vezes se aproximar de Bella.
Mel bom pra uns, repelente para outros.

A tarde se passou calma e eu me surpreendi com todos os presentes que recebi.
Todas as mulheres da casa, menos a songa, me paparicavam e isso a parecia incomodar. Ela realmente não estava se sentindo bem ali e passava a vida coçando a nuca e olhando para Ed, super inquieta.
Então ele a abraçou e sussurrou algo no seu ouvido, que pareceu a ter aliviado.
Os dois se ergueram, ainda abraçados, e Ed se manifestou.

-Bom, a festa está boa, mas ainda tenho de levar Bella a casa. – Ele argumentou.

-Claro. Bella, não se esqueça que essa semana é a prova do seu vestido de noiva.

-VOCÊS VÃO CASAR? – Minha grande boca se abriu surpresa.

A garota deu o golpe do baú! Meu Deus. Só com uma bela lavagem cerebral para um gato como o Ed se casar com ela.

-Vão sim. E você está convidadíssima. Não aceito um não como resposta. – Alice falou toda serelepe e saltitona.

-Que eu saiba o casamento ainda é meu. – Ed murmurou entre dentes. Ele também não parecia ter ido com a minha cara.

-Edward, você está desconvidando a ? – Rosalie se alterou.

-Não. Claro que não, mas gostaria de ter sido eu, ou a Bella, a fazer esse convite. Vocês nos roubaram essa oportunidade porque era exatamente isso que eu ia fazer antes de sair. – Edward se explicou bastante convincente.

Se bem que eu não comprei sua mentira, nem Alice ou Rose.

-Eu não quero atrapalhar. Não conhecerei ninguém… - Falei tirando o corpo fora.

-Eu virei! – Seth se entusiasmou. – Você pode ser o meu par. – Ele sugeriu, recebendo de seguida uma pelada na nuca.

-Está me querendo roubar a paquera? – Embry perguntou de brincadeira com Seth.

-Eca, que nojo. – Rose fez um careta e eu a olhei confusa. – Comi uma azeitona, odeio azeitonas. – Ela se explicou.

Sério que ela comeu? Não a vi comer em todo o chá. Nem ela, nem seu irmão, nem nenhum dos Cullen. Só apenas eu, Seth, Embry e a Mosquinha comemos. Eita dieta mais estranha, né? Deve ser por isso que eles são perfeitos. Depois de desembuchar, vou pedir a receita dessa dieta!

-E então? – Seth ainda esperava uma resposta.

Eu ia negar, mas todos, menos os noivos e Embry, me olhavam com carinhas de pidões. Então não teve jeito.

Voltamos para casa ainda a meio da tarde, quase finalzinho, visto termos ido na hora do almoço e antes de eu entrar, Embry me puxou à parte.

-Então, nossa noite ainda está de pé? – Ele perguntou tímido, o que eu achei uma FOFURA!

-Claro. Me pega às 21h, ‘tá bom? – Perguntei e ele assentiu.

-Então…até logo. – Ele se despediu, me dando um demorado e fofo beijo na bochecha.

Fui para dentro toda elétrica. Eu estava nervosa, realmente. Não que eu estivesse apaixonada por ele. Meu coração, depois do que o Gabe fez, estava fechado e dificilmente se abriria tão cedo para alguém.
Mas eu ainda era garota. Ainda gostava de me sentir desejada, querida. Gostava de namorar, principalmente. E Embry…Embry não era NADA de se jogar fora. E, ok, ele mexia bastante comigo. Seu sorriso traquina, seu jeito carinhoso de agir comigo sem deixar de lado sua personalidade divertida e atrevida, até. Me sentia de novo pra cima.

Levei horas escolhendo minha indumentária, isto porque já nada do que eu gostava me servia e as roupas que eu tinha comprado ainda eram um pouco largas. E para piorar ainda mais o dia estava frio pra caramba!
Depois de muita reviravolta optei então por uma meia calça de lã cor creme, uma blusa de gola subida e mangas compridas, que mal tapava minha barriga e um vestido de sarja castanho, estilo macacão, que me ficava super justo. Calcei uma bota rasa de inverno de cano médio em castanho e coloquei por cima uma gabardine bege. Deixei meus cabelos soltos e coloquei uma boina de lã em bege, cor creme e castanho.

-, o Emb já está te esperando lá fora. – Emy me avisou e eu sorri. – Você está linda.

-Obrigada. - Respondi pegando minha bolsa a tiracolo e saindo do meu quarto junto com ela.

Assim que cheguei na sala todos os garotos estavam lá reunidos. Maioria estava acompanhado.
Jared estava com Kim, Quil com Claire no colo, Paul com uma que eu nem sabia do nome, pois era diferente da que ele trouxe ontem e com certeza diferente da que ele trará amanhã. Até os meninos mais novos estavam com umas amiguinhas. Notei que uma ruivinha tentava se dar com o Collin, mas ele estava apenas focado noutra coisa. Ou melhor, noutro alguém. Quando segui seu olhar percebi ser Leah. E mais espantada fiquei quando a vi usando um dos vestidos que eu lhe havia comprado.

Ela me sorriu e eu retribuí e de seguida me fez uma careta e eu revirei os olhos. Sem precisar de palavras nós havíamos feito as pazes e ela me pedira desculpas.
Dei tchau para todos e sai de casa, parando na varanda.
Meu queixo deve ter caído uns três andares ao olhar Embry.
Ele estava lindo. Vestia uma calça caqui e uma camisa de botões azul clarinha com riscas quase imperceptíveis de azul mais escuro. As mangas estavam dobradas a ¾ e seus cabelos estavam perfeitamente alinhados e não desarrumados como ele costumava usar.
Apenas em seu pé ele continuava usando um chinelo, mas esse me parecia ser novo.

-Deus do céu, você não tem frio não? – Questionei estremecendo quando uma rajada de vento gelada passou por mim.

-Você está linda. – Ele me sorriu com os olhinhos brilhando.

-Ah. – Dei de ombros, revirando os olhos. – Você também está muito bonito. Se aperaltou todo para nosso encontro? – Perguntei sorrindo sapeca.

-E você não? - Me devolveu o sorriso, mas de forma maliciosa, o que me fez corar.

Eu nem soube o que responder, mas ele também não esperou que eu dissesse nada e foi me encaminhando até a picape de Sam.

-Isso agora é transporte público? – Perguntei quando já estava na quentura do interior do carro.

-Sam é generoso. – Emb sorriu fechado, dando um charme à sua frase.

-Sei. Ninguém dá nada de graça, certo?

-É…Desculpe meu sumiço essa semana. Estive pagando adiantado o transporte. – Ele se explicou e nós dois rimos.

A viagem para Port Angels foi completamente silenciosa e constrangedora. Começava acreditando que isso era efeito da picape e não das pessoas que iam nela.
Assim que chegamos na pequena cidade fomos diretamente no cinema mas acabamos por desistir de ver qualquer filme. Primeiro devido à fila desgraçada que estava e segundo porque só estavam exibindo filmes de m****.
O único que valia a pena estava lotado.

-E agora? – Eu perguntei.

-Nosso programa foi sabotado. – Ele falou me fazendo rir.

-Que nada. Vem. – Falei o puxando pela mão e adentrando em uma sorveteira.

-Sorvete? – Ele soergueu os sobrolhos me olhando espantado.

-Numa sorveteira não vendem apenas sorvetes. É o principal, mas eles têm mais variedades. – Expliquei e ele fez uma cara de “muito bem”, abanando a cabeça junto.

Nos sentamos em um reservado bem do lado da janela e pegamos nos menus.

-Já escolhi! – Revelei toda entusiasmada, poucos segundos depois de ter erguido o menu.

-E o que você vai pedir?

-Um chocolate quente e um crepe de fruta com calda de chocolate quente.

-Isso parece delicioso. – Ele sorriu, mas tornou a olhar o menu com o cenho franzido.

-Posso fazer uma sugestão? – Pedi mordendo o lábio e ele assentiu de imediato. - Eu acho que você deveria de tomar um sorvete tropical com 3 bolas e com calda de chocolate quente. Eu vou pedir um chocolate quente big, assim bebemos os dois. O que você acha?

Embry abriu um enorme sorriso e seus olhos brilharam. Ele pousou seu menu na mesa e no mesmo instante uma moça veio pegar os pedidos.

-Estou adorando nosso programa. – Embry falou sorridente, pegando nas minhas mãos por sobre a mesa.

Olhei meio hesitante para nossas mãos e senti um embrulho no estômago. O tempo pode ter passado, mas as marcas do meu passado ainda estavam bem presentes.

-Desculpe. – Ele pediu, recolhendo suas mãos e eu apenas sorri fraco.

Depois desse “episódio” nós ficamos em silêncio até nossos pedidos chegarem, o que demorou um bom bocado.
Assim que o chocolate quente big, com dois canudinhos, foi pousado no meio da mesa, eu olhei para Embry e sorri.
Logo nós retomamos outro tema de conversa divertido. Dessa vez sobre nossos gostos musicais.
E foi uma discussão aferrada sobre Rock. Embry achava que o verdadeiro Rock era o antigo, dos anos 70/80 e eu contra argumentava dizendo que haviam excelentes bandas atualmente que estavam no mesmo patamar que as bandas “mãe”.
Quando demos conta a sorveteria estava vazia e esperando que a gente saísse para fechar.
Rimos alto, quando chegamos na rua, ao constatarmos que quando “discutíamos” o resto do mundo parecia deixar de existir.
Voltamos para casa ouvindo rádio e cantarolando algumas músicas Pop e nos divertindo e quando chegamos, Sam já nos esperava com cara de poucos amigos.

-Pensei que tivessem sumido com a minha carrinha! Já ia mandar Jared atrás de você.

Eu apenas revirei os olhos e lhe virei costas, dando a entender que queria me despedir de Embry.
Este estava fazendo uns gestos, mas parou de os fazer assim que me voltei e passou as mãos pelo cabelo. Fiz uma careta do tipo “Te apanhei! Mas o que você estava fazendo mesmo?” e olhei por sobre o ombro constatando que Sam já havia entrado em casa.

-Adorei nossa noite. Temos de repetir mais vezes. – Falei e ele assentiu. – Então…tchau. – Falei mordendo o lábio.

Eu esperava ansiosa que ele me beijasse, mas Embry continuava com as mãos socadas nos bolsos, ombros encolhidos e olhar vago.
Frustrada, virei costas depois de me despedir e dei apenas dois passos.
Porque tenho de esperar que ele haja? Porque não posso ser eu a fazê-lo? Ele pode estar esperando que EU faça alguma coisa. Claro! Eu não deixei ele pegar minha mão, ele deve estar com medo de eu lhe dar um tapa na cara se ele tentar me beijar. BURRA!

-Embry! – O chamei me voltando de imediato e vendo ele fazer o mesmo.

Então eu caminhei um pouco rápido demais e me joguei em seus braços, o segurando pela nuca e tacando um beijo em seus lábios.
Uma garoa fininha começou caindo enquanto nossos lábios se tocavam e eu me atrevi a aprofundar nosso beijo, entre abrindo minha boca e deixando que sua língua dançasse com a minha num esquema saboroso.
Quando o fôlego foi necessário, nós nos separamos e encostamos nossas testas. Um sorriso brotava em nossos lábios e eu me sentia tão bem que até havia esquecido que era suposto eu ser uma “rejeitada”. Embry me fazia sentir bem e feliz. Me fazia esquecer de todos os meus problemas e isso era tudo o que eu precisava.

Aos poucos, em silêncio, nós nos separamos, mantendo nossas mãos unidas até que não fosse mais possível. Nossos dedos ainda tentavam se tocar, mas logo o ar tomou espaço entre a gente.
Subi a varanda passando os dedos em meus lábios, recordando do beijo e sorrindo feito boba. Olhei para trás e Embry também me olhou. Parecia haver uma conexão ou um ímã nos puxando um para o outro e quando nossos olhares se cruzaram, tive vontade de correr de novo até ele e nunca mais o largar. Mas não o fiz.

Isto porque o empata-momentos-românticos do Pulga estava parado na porta, de braços cruzados, com a sua habitual carranca de meter apenas medo ao seu reflexo no espelho!
Olhei para ele estreito e bufei, entrando de uma vez em casa e me encaminhando para o meu quarto.
Sei que dessa vez teria bons sonhos!

4) Felicidade


Ser feliz é esquecer dos problemas
É escrever o seu próprio rumo
É não ter medo dos sentimentos
É saber sonhar não só apenas quando durmo.
(BabySuhBR)


Os primeiros raios de sol adentraram pelas frestas da janela, me fazendo abrir os olhos lentamente, mas eu havia acordado com batidas grossas na minha porta. Já haviam se passado alguns dias desde o meu encontro com Embry e diria que nós estávamos…namorando? É, algo do tipo.
Me levantei um pouco mal-humorada. Duvidava que fosse Emily porque ela era DOCE batendo e então abri a porta me deparando com o Pulguinha.


-Bom dia pra você também. – Resmunguei.


-Chamada para você. – Ele explicou sério, me estendendo o telefone e eu juntei as sobrancelhas.


Tipo assim, NINGUÉM me conhece o suficiente para me ligar. E o Embry já quase mora aqui mesmo então não tem porque me ligar, né?


-São as sang…as Cullen. – Sam falou corrigindo o que iria falar antes. Ele ia chamá-las de sangue? Não, não faz sentido…o que mais deriva de sangue… - Não vai atender? – O Pulga me acordou de meus devaneios, balançando o telefone na minha cara.


O peguei na marra, arrancando o aparelho de suas mãos e batendo a porta do quarto na sua cara. Ah, cara mais chato. Não sei como Emily gosta dele. Humpt!


-Alô?


-! Oi, aqui é a Alice. Então, hoje eu, Rose, Esme e Bella estamos indo fazer a prova do vestido de noiva e dos vestidos das damas de honra e queríamos saber se você gostaria de ir com a gente. Com certeza você ainda não tem nenhum vestido. – Falou toda empolgada e apressada.


Vejam que ela não perguntou se eu tinha ou não um vestido para levar. Ela simplesmente afirmou.


-Verdade. – Sorri encabulada. – Então tá bom. – Aceitei, dando de ombros. - Vocês vêem me pegar? – Perguntei, visto que eu não tinha meios de ir sozinha até a casa dos Cullens e eu não iria pedir ao Pulga, de jeito NENHUM, sua lataria velha.


-Er…na verdade…a gente não pode. Mas a Bella te pega! Até já. – Alice despejou a bomba e saiu de fininho. Ok, desligar na minha cara não teve nada de “sair de fininho”.


Fiquei olhando o telefone com cara de idiota e abanei a cabeça, o jogando sobre a cama.
Tomei uma ducha rápida e ao mesmo tempo lavei meus dentes na banheira.
Fui até meu armário e escolhi um vestido de lã com manga curta e gola subida, em branco com fios prateados. Ele era bem justinho – mas flexível -, então minha barriga ficava ainda maior do que ela já era. Calcei uma meia opaca cinza claro e nos pés coloquei uma sapatilha em prateado com uma fivela. Prendi meus cabelos em um coque alto deixando os fios pendendo sobre minha nuca e arrumei a longa franja para trás da orelha.
Sai para a sala já escutando as vozes dos rapazes soar animada se juntando ao som de talheres e pratos. Estavam tomando o café da manhã.


-Bom dia. – Os cumprimentei e recebi um coro de Bom-dia.


Embry se levantou de sua cadeira e a cedeu para mim, se inclinando de seguida para beijar meus lábios. Escutei vários “aeeee” e assobios que me deixaram super corada.
Leah fez careta e revirou os olhos para a cena. Dizia que eu merecia melhor, mas eu nem liguei. Apenas respondi que não iria dispensar a felicidade.
Ser feliz é esquecer dos problemas, é escrever o seu próprio rumo, é não ter medo dos sentimentos, é saber sonhar não só apenas quando durmo. E com Embry tudo isso era possível.
Comi descansada, me divertindo com as piadas e partidas dos garotos uns com os outros.
Observei atentamente cada um deles.
Seth tentava se enturmar com os mais velhos, mas era sempre tratado como o caçula. Algo que ele não levava a mal.
Ele era super meigo e compreensivo. Sempre estava do meu lado, cuidando de mim, me paparicando quando Embry não estava por perto. E eu podia ver que não haviam outras intenções por de trás de suas ações.
Paul e Jared eram os mais palhaços. Sempre zuando todo o mundo. Jared era o mais relax, enquanto Paul era o mais esquentadinho. Adorava uma boa briga. Não que Jared não gostasse. Mas ele preferia ficar apostando do que entrando propriamente na briga.
Quil era o mais quieto. Sempre com um sorriso na cara e com Claire no colo. Super atencioso com ela, brincalhão, fazendo todas as vontades da pirralha e a tratando como se ela fosse uma princesa de cristal. Ele a olhava com uma admiração incompreensível. Tal qual
Sam olhava para Emily. Ou Jared para Kim. E isso me fazia confusão. Porque ele não podia amar a garota como Sam e Jared amam as suas parceiras…tipo assim, seria INSANO! Doentio, para não falar algo mais duro.
Brady jogava um vídeo game que haviam ganhado recentemente em seu aniversário. Collin estava do seu lado, fingindo prestar atenção, mas pelo rabo do olho ele olhava para Leah. OMG! O menino está apaixonado. Aaaaaawn. Os dois fazem um par tão fofinho. Tenho de juntar esses dois. Se bem que ele ainda é um pirralho. Um ano mais novo que Seth e Seth já tem quase 17. Leah terá quantos? 20? Tensoo. Mas quando há amor a idade não importa. Essa é que é essa.
Olhando para Leah eu sorri. Ela estava usando minhas roupas. Os garotos já se acostumaram, mas nos primeiros 2 dias foi um choque.
Nesse momento ela estava usando um vestido florido bem clarinho de alças, que dava a meio da sua perna. Nos pés tinha uma sandália linda, rasa – óbvio -, cor creme com umas pedras.
Seu cabelo estava solto e brilhante.
Apesar de não usar maquiagem ela continuava linda. Não era de admirar que um fedelho se apaixonasse por ela. Qualquer homem poderia se apaixonar por ela. FATO!
Não entendo porque o Pulga a deixou. Ela é tão…! Ok, Emily é bonita também, mas não chega aos pés da beleza da Leah. Tipo, a Leah é uma Miss Califórnia enquanto a Emily é uma Miss…Washington, vá! Mas também, foi melhor assim. Leah merece MUITO MELHOR que esse Samuel Uley. Humpt!
Vaguei meus olhos pela sala procurando por Emily. Ela voltava da cozinha com mais uma travessa de bolinhos e muffins. Sam vinha atrás dela com uma bandeja de cookies em cada mão.
Os dois pousaram as coisas na mesa e os garotos foram logo atacando. Depois disso Sam abraçou Emy por trás e beijou seu pescoço. Os dois sorriram alegres e apaixonados. Sam só sorria perto de Emily. Aquilo era um amor de verdade. Ultrapassava as barreiras da beleza e do preconceito. Eu queria algo assim para mim. Então olhei para Embry. Ele separava um prato para mim o enchendo com tudo. Sua atenção sobre mim era inacreditável. Me fazia sentir tão feliz.


-Posso entrar? – Uma voz baixa e fina nos fez olhar a todos para a porta.


-Bella! – Seth se ergueu de rompante e foi até a songa a abraçando.


Emily se seguiu e Quil também. O resto dos meninos – e eu disso MENINOS, porque eu e Leah a olhávamos com descaso – a cumprimentou do lugar apenas com um aceno de cabeça e um “Oi!”.


-A que se deve essa visita? – Sam perguntou meio sério.


-Vim pegar . Alice pediu. É a última prova do meu vestido de noiva. – Ela foi falando e a última frase saiu como um sopro do vento, como se ela tivesse receio de falar.


E então um silêncio se gerou, o que me surpreendeu bastante. Olhei os rostos de cada um e eles pareciam bastante tristes e desapontados. Alguns até furiosos.
Caraca, todo o mundo era contra esse casamento? Eles não deviam de gostar mesmo do noivo. Só podia ser dele, porque estavam recebendo bem, Bella ali.


-Legal. Edward já me ligou. Eu também vou com os rapaz pegar um monking para o casamento. - Seth comentou alegre.


-Smoking! – Eu e Leah o corrigimos ao mesmo tempo.


-Ou isso! – Ele riu encabulado. – Vou lá ter na casa deles mais tarde. – Ele contou e Bella apenas assentiu e me olhou.


Peguei um casaco e minha bolsa e fui atrás dela, me despedindo de Embry com um selinho. Bella ficou surpresa, mas tentou disfarçar, girando nos calcanhares e saindo de casa.
Assim que sai estaquei na varanda olhando o carro dela. Ou deveria de chamar chaço? Cara**o! - Até falo palavrão. - Que lataria velha e horrível era aquela? Até a picape do Sam parecia novinha em folha perto daquela.
De olhos arregalados e boca entreaberta eu fui entrando na picape.
Em todo o caminho temi que a monstra – a picape, não Bella – desse o berro e começasse soltando fumaça pelo capô, fizesse um barulho estranho e parasse de andar, mas por fim chegamos a Port Angels.
Paramos em frente a uma loja de roupas de festa e fomos entrando como se fossemos as donas do pedaço.
Que fique claro que isso foi irônico.
Bella se escondia atrás de mim, literalmente, olhando para todos os lados como se fosse ser assediada a qualquer momento pelo homem da carrocinha. Só faltava saltar no meu colo, como o Scooby Doo fazia.


-Bella! ! – Alice veio saltitante até nós, enquanto eu via ao fundo da loja Rosalie passarinhando atarefada de um lado para o outro com duas atendentes atrás dela. Esme estava em frente a um maravilhoso vestido de noiva, branco, dando os últimos retoques nele. – Venha, venha, Bella. Seu vestido está quase pronto. – Alice a foi puxando e eu fiquei parada no meio da enorme loja, olhando todos os recantos.


Resolvi ir procurando um vestido. Mas duvidava que o fosse achar. Nenhum cabe nesse corpo de pipa!
Comecei desanimando quando Rose surgiu ao meu lado com um enorme sorriso e com as duas atendentes atrás de si, carregando uma data de vestidos.


-Fui adiantando sua procura e achei uns modelistos que irão cair bem em você. – Ela falou apontando para as atendentes.


Fiquei espantada, mas nem tive tempo de falar nada. Rose foi me empurrando até os provadores e foi me passando os vestidos um a um.
Eu, sem outra alternativa, tive de os experimentar a todos.
Depois de uns tantos experimentados sem sucesso, - ou porque eu não gostava, ou porque Rose não gostava, ou porque eu gostava mas não me assentava bem… - lá conseguimos achar um que era lindo, do gosto de ambas e me caia que nem uma luva, apesar de ser justo. Ele era um tomara que caia roxo, comprido, com uma vestido de renda, trasnparente, por cima, na mesma cor, mas com mangas e decote de barco.
Quando me olhei no espelho, da parte de fora dos provadores, vi no reflexo Bella vestida de noiva, com Esme e Alice a rodeando, ajeitando alguns pormenores da barra do vestido e do véu.
Não pude deixar de admirar o quão bonita ela ficara com ele vestido. Dava algum “gosto” à sua pessoa. Nem poderia imaginar como ela estaria no casamento, toda pronta.
Não querendo admitir, mas já o fazendo, no fundo ela tinha o seu encanto…mas só bons olhos o conseguiam enxergar.
Tinha que aceitar que ela podia até ter conquistado de verdade o Edward sem ter feito lavagem cerebral alguma…e a forma como ela parecia deslocada com aquele luxo e atenção toda, me fazia também acreditar – penosamente – que ela não queria também, dar golpe de baú algum…


Depois de horas infinitas e tortuosas naquela loja, finalmente regressamos a La Push.
No caminho eu tentei iniciar alguma conversa, mas todas saiam furadas. Uma pergunta mais idiota que a outra. Do tipo. Você vai se casar? E coisas do tipo: óbvias!


-Você está namorando o Embry? – Ela questionou.


-É…algo do tipo.


-O filho é dele? – Continuou e eu fiquei sem fala.


-Não. – Meu tom de voz demonstrou que eu não queria tocar nesse assunto de jeito algum.


-Gostei muito do seu vestido. – Ela mudou de tema e eu ri. Mas ri com vontade, sabe. Tipo doida!


Bella me olhou sem entender e mesmo eu não entendia porque estava rindo. Talvez por nervoso. Então algo inesperado saiu da minha boca.


-Sabe que eu não fui com a sua cara! – Bella me olhou espantada com a minha frontalidade e eu corei. – No início. – Comecei remediando. - Na verdade eu ainda estou me acostumando a “lidar” com você. – Fiz realmente aspas com os dedos e ela me escutou atenta. – Afinal eu vou no seu casamento e estou andando no seu carro. – Encolhi os ombros, mas continuei. – Sabe, é que é difícil ainda “aceitar” – Fiz aspas novamente. – que você vai realmente casar com Edward. Tipo assim. Ele é um deus da beleza! E você é…tão…mosquinha morta. Desculpe a sinceridade. – Desabafei e ela assentiu, se remexendo no banco e mexendo no cabelo.


-Eu te entendo. – Ela falou super compreensiva. – Para mim também é difícil acreditar que eu vou mesmo me casar. E mais difícil é entender como eu sou correspondida por Edward. Como você disse, ele é um deus da beleza. Ele é inteligente. Sensível. Quase como uma miragem. Mas ele é meu. – Falou sem qualquer tom de posse nas suas palavras. – Eu não acreditava em contos de fadas ou príncipes encantados. Nunca achei que fosse achar um cara ideal para mim. Mas eu achei. O cara. Perfeito. E ele também gostou de mim. De entre todas as outras que ele podia escolher, bem mais bonitas e sexy’s e…você entende…ele me escolheu. – Continuou e eu assenti.


Agora entendia um pouco da história deles. E achava bonito e romântico. Uma verdadeira introdução de fazer jus às grandes obras literárias e românticas de época que permanecem na nossa cultura intelectual até hoje e que perpetuará. Pode parecer exagerado…mas é a minha opinião…de momento.


-Continuo sem ir com a sua cara…mas melhorou. – Sorri e ela também.


Logo avistamos a casa de Sam e assim que ela estacionou me virei para lhe agradecer a carona.


-Gostei de falar com você. – Ela confessou meio tímida e eu sorri, mas não deixei a oportunidade de pegar com ela.


-Espero que o casamento te faça melhor. Você está precisando. – Falei sarcástica e saí do carro.


xXx


O grande dia chegara e - apesar de não ser o meu casamento nem o de alguém que eu conhecesse a ponto de ficar nesse estado – eu estava pralá de nervosa. Me mirei no espelho inquieta, alisando pela milésima vez meu vestido – e olhe que ele nem precisou de ser passado – e me virando e revirando vendo pelo reflexo aquilo que já era óbvio. Eu estava pronta.
Passei a mão pelos cabelos me certificando que o penteado não iria desmanchar a qualquer momento e dei uma última equilibrada nos monstruosos saltos que me fizeram usar.


-, o Seth já está lá fora te esperando. – Emily avisou pela fresta da porta.


Eu assenti e peguei minha bolsa e síi do quarto em passos lentos e calculados. Não queria me estabanar no chão.
Assim que cheguei na sala vários assobios ecoaram, me fazendo ficar mais vermelha que camarão na brasa.


-Você está muito linda. – Embry sussurrou no meu ouvido, beijando minha bochecha de seguida.


-Queria que você viesse comigo. – Sussurrei de volta.


-Não posso. – Ele fez uma careta.


-Não pode ou não quer? – O corrigi, mas antes que ele me respondesse – o que aposto que ele NÃO iria fazer, Seth nos interrompeu.


-Desculpem vos tirar dessa bolha romântica, mas temos um casamento para ir. Sue e Billy já estão nos esperando lá fora no carro. – Seth me despachou e eu deitei uma última olhada para Emb me despedindo de seguida com um selinho.


Em poucos minutos chegamos à mansão dos Cullens. A decoração estava esplêndida fazendo parecer um belo dia de primavera, não fosse o sol se esconder por trás de grossas e cinzas nuvens num final de crepúsculo.
A cerimônia toda foi emocionante e eu cheguei a engolir em seco e me emocionar ao vislumbrar Bella iniciando a marcha nupcial. A beleza que exalava, resultado da sua felicidade, estampava em sua aura.
E caraca, quase todos os convidados por parte do noivo eram esplendidamente LINDOS. Eu estava sentada na zona dos convidados da noiva, pois era onde os Quileutes se encaixavam.
Notei Billy ficar particularmente nostálgico quando o padre começou perguntando se era de livre e espontânea vontade que ambos se casavam. Pude até julgar que ele iria empurrar sua cadeira para o meio da cerimônia e dizer que se imponha firmemente àquele casamento. mas ele apenas suspirou, se resignando. Sue também não parecia muito contente, mas estava mais com cara de quem estava indiferente, do que quem iria fazer alguma coisa para impedir. Ela olhava de rabo de olho o seu acompanhante, que por acaso era o pai de Bella. Acho que tinha esperança de que ele passasse para palavras e atos aquilo que ela tinha vontade de dizer: “Parem esse casamento!”


Logo de seguida dos “Sins” e da troca de alianças se deu a recepção aos convidados.
Vi Bella e Edward ciricutiando e forçando sorrisos ao cumprimentar todo mundo.
Percebia-se perfeitamente que ambos queriam dar o fora dali o mais rápido que pudessem.
Nos acomodados numa mesa reservada para nós e eu praticamente me joguei na cadeira. Meus pés estavam me matando.


-! – Escutei Rose me chamar, se aproximando da nossa mesa com Emmett.


Pouco tinha convivido com seu parceiro, mas de caras se via que ele era uma pessoa extremamente extrovertida e brincalhona. E eles faziam um par TÃO lindo. Emocionava.
Ok, gravidez é um cocktail mortal de emoções!


-Oi Rosie! – A cumprimentei sem me levantar. – Eu devia processar você e Alice por me fazerem andar com esses saltos. – Falei com os sapatos nas mãos, os balançando no ar.


-Minha ursinha é danada mesmo. – Emmett falou piscando o olho para ela e gargalhando alto.


-Bom , eu só vim te dar um oi. Temos de combinar um dia desses de ir comprar coisinhas para seu neném. Sei que não tem quase nada, hein! Espero que se divirta. Esteja há vontade. E vocês também. – Rose falou a última frase, fazendo uma leve careta e virando costas de seguida.


Agora era fato. Os Quileutes – pelo menos aqueles com quem eu me dava – não iam com a cara dos Cullens e vice-versa. Só queria entender porquê.
E vejam que só Bella conseguiu fazer a proeza de que ambos permanecessem no mesmo espaço durante horas, sem se matarem. Essa garota tem muito mais que se lhe diga. Há caroço nesse angu. E dos grandes. E eu ia descobrir.


A noite começou caindo serena e o tempo foi se abrindo.
Logo avistei Bella se aproximando da nossa mesa, junto com Edward, e Seth foi logo os cumprimentando.


-Parabéns pessoal. – Falou todo sorridente e eu lhe segui nos cumprimentos.


Edward agradeceu, mas por um curto momento ficamos em silêncio.
Então Seth se aproximou de Edward, de braços abertos e pude escutar eles falando entre si.


- É bom ver as coisas dando certo pra você, cara. - Seth disse. - Eu estou feliz por você.


- Obrigado, Seth. Isso significa muito pra mim. - Edward se afastou de Seth e olhou para
Sue e Billy. - Obrigado a vocês também. Por terem deixado Seth vir. Por dar apoio a Bella hoje.


- De nada. - Billy assentiu calmamente e isso fez um pequeno sorriso emocionado se formar nos lábios de Bella.


Depois disso eles foram falar com outros convidados e continuar a fazer sala.
Seth foi com Billy pegar coisas para comer e Sue foi falar com Charlie. Fiquei sozinha olhando para o nada. Meus olhos vagavam pela festa sem realmente verem. Me sentia um pouco agitada.
Meu bebê chutava minha barriga insistentemente e isso me causava desconforto e algumas dores, mas tentei camuflar isso. Não queria preocupar nem estragar a festa de ninguém.


Meu coração pulou no peito repentinamente me fazendo suar frio. Uma sensação ruim cresceu em meu peito, juntamente com uma ansiedade desmedida, eu só queria entender por quê de me estar sentindo assim.
Discretamente me calcei e caminhei para dentro de casa. Me recordava, da última vez que cá estivera, onde era o banheiro e me encaminhei de imediato para lá.
Torci a boca quando percebi a fila que estava formada para esse banheiro e suspirei, girando nos meus calcanhares.
Precisava passar água no rosto. Precisava de espaço e ar.
Então subi a escadaria até o andar superior. Vaguei pelo corredor, espreitando porta por porta por um banheiro mas todos eram quartos com suites. Não iria invadir a intimidade de ninguém. Não mesmo. Resolvi subir a outra escadaria que dava para o 2º andar. Nunca tinha ido lá, mas torcia para que houvesse um banheiro disponível.


Assim que comecei buscando, achei logo. Entrei no enorme banheiro – quase maior que a casa do Pulga – e me tranquei aí. Caminhei até uma das janelas e as abri, precisava realmente de ar.
O som de uma valsa soou como um som de fundo e eu me encaminhei até a pia, abrindo a torneira e jogando água no meu rosto. Sabia que iria borrar a maquiagem, mas estava pouco me lixando.
Mesmo depois de me refrescar, me sentia sufocando, como que com falta de ar. Meu coração batia descompassado, doloroso, como se algo de ruim fosse acontecer. Então fui até a janela apanhar um pouco mais de ar e foi quando vi algo que me fez perder o ar.
Num canto bastante afastado da festa eu vi Bella dançando com alguém que eu não reconheci. Embry estava mais para dentro da floresta, mas eu o poderia ver bem, e Edward estava mais perto da festa.
Não sei qual a razão, mas meus olhos se focaram apenas em Bella e naquele estranho com que ela dançava e algo dentro de mim me alertava de perigo. Para Bella.
Não sei o que me fez correr como uma louca, escadas abaixo, quase tropeçando. Retirara os sapatos no início do primeiro lance. Passei pela multidão de pessoas que mal notavam a minha aflição. Por fim cheguei ao jardim e avistei Seth se aproximando de Edward.
O cara estranho segurava Bella pelo braço com força e raiva, mas ninguém tomava atitude alguma. Parecia que estavam todos receosos por algo.
Ao me aproximar mais ainda, pude ouvir Seth falar:


- Jake, mano, se afasta. Você está perdendo o controle. Você vai machucá-la. - Seth falou com calma, num tom baixo. - Solte-a. – Pediu.


- Agora! - Edward rosnou me fazendo sobressaltar.


-Solte ela agora! – Eu gritei para esse tal de Jake.


Ele me olhou com raiva e eu dei um passo para a frente ficando quase lado a lado a Bella.


-, se afaste agora! – Embry falou com um tom de ordem na voz, o que não me agradou de todo.


-Por favor. – Edward falou de seguida, como se o corrigisse.


-Você não vai fazer nada!? Esse cara está machucando sua mulher, caramba! – Falei furiosa.


Odiava de morte violência contra mulher. Por mais que ela merecesse.
Por fim o cara pareceu se tocar do que estava fazendo – ou talvez do perigo em que eu me poderia tornar caso ele não a soltasse (fui irónica, tá!).


- Anda, Jake. Vamos. – Embry falou.


Ao longe, dentro da floresta, vi duas silhuetas monstruosas, como se fosse enormes ursos, mas estavam imóveis. Tentei focar meus olhos, mas estava escuro demais. Talvez fossem apenas sombras da noite.


- Eu vou matar você. – Esse tal de Jake falou cheio de raiva, trincando a mandíbula e apertando os olhos ao focar Edward. - Eu vou matar você com minhas próprias mãos! Eu vou fazer isso agora! – Ele continuou ameaça e seu corpo tremulou como se estivesse em convulsão.


Julguei ter escutado um rosnado mas nem liguei, dei um passo em frente e me meti na frente de Bella, encarando de volta aquele idiota metido a bad boy.


- , saia do caminho. - Edward pediu um pouco receoso.


-Faça o que ele está dizendo! – Embry falou num tom mais elevado, me enfurecendo. Quando chegássemos a casa ele iria ouvir das boas.


-... – Bella me chamou.


-Mas que é!? Esse covarde além de bater em mulher, também bate em grávidas, é? Então vem grandão. Você não me conhece. Eu sei Kong Fu. – Menti, mas ele lá sabia disso. – Estou grávida mas não estou inválida!


O cara continuou tremelicando e Embry começou o puxando enquanto Seth o empurrava.


-Vai, vai, foge, seu covarde. Vai lá. Idiota!


-, pára! – Bella me implorou.


- Tudo bem. Vamos voltar. – Edward começou nos puxando.


-Mas Jake… - Bella insistiu. Caramba, ela só podia querer apanhar, não? Não de mim, claro. Mas desse bad boy de quinta!


-Ele já se foi. – Ed falou calmamente.


- Edward, eu lamento. Eu fui estúpida…


- Você não fez nada errado. – Edward tentava consolá-la.


- Eu tenho uma boca tão grande! Por que eu... Eu não devia ter deixado ele me tirar do sério
assim. O que eu estava pensando? Eu não devia de ter dito aquilo. – Ela se lamuriava, abanando a cabeça e contendo as lágrimas.


- Não se preocupe. - Ele tocou seu rosto. - Precisamos voltar para a recepção antes que alguém perceba a nossa ausência. – Ele falou e depois me olhou. – Vamos . – Me estendeu a mão.


Olhei para ela, mas a recusei, soltando um sorriso encabulado.


-Desculpem ter me metido onde não era chamada, mas…foi instintivo. – Falei me recordando das sensações estranhas que tive e da vontade que tive de me intrometer, mesmo me borrando de medo.


O cenho de Edward se franziu, mas ele tentou disfarçar, olhando para a festa.
Eu comecei me afastando e Bella continuou falando com Edward. Assim que me aproximei de Billy e Sue eles me bombardearam de perguntas.


-Era Jake ali? – Billy começou.


-Você ficou louca? Foi se meter em um terreno minado, garota! – Sue me repreendeu.


-Calma, calma. Sim, era esse tal de Jake. O cara é louco! Ele estava ameaçando matar o Edward e estava machucando Bella. E vejam que ele tentou me bater. Ok, ele não tentou, mas com certeza foi o que ele mais quis. Covarde! Idiota! Bad boy de quinta!


-Meu filho só estava nervoso. – Billy falou num tom baixo me fazendo engasgar.


-Se-seu, seu filho? – Questionei de olhos arregalados.


-Vamos embora. Essa festa já deu o que tinha que dar. – Sue falou e nós saímos de fininho, sem ter de cumprimentar nem nos despedir de ninguém.


A viagem de volta a La Push foi silenciosa. Durante toda a viagem, de cabeça encostada na janela, fiquei relembrando cada detalhe daquele confronto no casamento. Foi uma cena estranha demais e agora, pesando tudo numa balança, foi aterradora.
Ele realmente podia ter me agredido devido à forma como eu o enfrentei. Mas para mim, naquele momento, me pareceu a coisa mais natural. Eu não pensei em nada. Nem em meu filho. Eu pus em risco meu filho. Eu sou uma idiota!
Acariciei a barriga e ao fundo avistei a casa de Sam se aproximando. Apesar de ser de noite e de não haver iluminação, pude vislumbrar uma silhueta sentada nos degraus da varanda. Logo o reconheci como sendo Embry.
Meu coração se apertou ao recordar da maneira grossa com que ele me falou lá na festa. Eu desconhecia esse lado selvagem e mal-educado dele e isso me fazia ponderar seriamente sobre nosso “namoro”.
Agradeci a boleia e desci do carro caminhando lentamente até a varanda.
Embry se ergueu com cara de poucos amigos. Trajava apenas uma bermuda e um ténis surrado, o tronco nu.
Parei a poucos centímetros dele, o encarando no fundo dos olhos.


-Onde você está com a cabeça, hein, ? – Ele foi logo cuspindo sua ira.


-Eu quem devia perguntar isso! – Atirei de volta e ele fez cara de confuso. – Quem você pensa que é para falar comigo daquele jeito? Me tratar como se eu fosse seu pau mandado e ainda pra mais de forma grosseira. – Inquiri irritada. Sua expressão suavizou e ele quis falar, mas eu não o deixei. - Eu pensei que te conhecia bem, mas mais uma vez me enganei. Nunca se conhece profundamente uma pessoa, por mais anos de convivência que se tenha com ela, por mais horas que passemos falando uma com a outra. Nunca se sabe o que cada um esconde por de trás das máscaras que exibem como caras. – Continuei atirando farpas e ele me olhava dolorosamente, arrependido. Mas agora eu estava pê da vida demais para poder sentir pena. - Eu devia ter suspeitado. Quando se está feliz demais, há alguma coisa que está demasiado errada. Comigo é sempre assim. Eu não sei manter os pés assentes na terra. Eu nunca devia de ter te dado oportunidade nenhuma…


-Está terminando comigo? – Ele me interrompeu.


-A gente realmente está namorando? Digo, oficialmente? – Perguntei e ele trincou a mandíbula, fitando o chão. – Eu preciso de um tempo, Embry. Tudo o que aconteceu hoje mexeu comigo. Eu preciso de tempo…preciso de tempo. – Falei repetidas vezes, como se me estivesse dizendo isso a mim mesma.


Magoada, ferida, destruída, era assim que eu me sentia agora. Talvez o que eu sentisse não se comparasse ao que eu senti quando Gabe me deixou, mas custava na mesma.
Me virei para ir embora, mas Embry me chamou uma última vez. Me voltei já com os olhos marejados. Seu rosto transparecia dor e seus olhos alagavam igualmente.


-Eu não preciso que você entenda, até porque isso não seria possível, mas eu só quero que você saiba que eu agi daquela forma para te proteger. De verdade. Desculpe a forma como lhe falei, mas eu estava muito nervoso. Você não pode entender o nível de perigo em que você estava, mas acredite que eram níveis astronómicos. Eu…eu lamento muito. – Terminou, derramando uma lágrima e virando para ir embora.


Solucei querendo correr até ele e o abraçar, mas algo prendia meus pés ali.
Então fiz a única coisa que podia e que meu corpo deixava. Virei costas e corri para o meu quarto.

5) Amizade


“A amizade pode brotar
Onde menos se espera,
Pode acabar
Entre quem menos se avizinha,
Pode perdurar
Naqueles que uma segunda oportunidade
Souberem dar.
Ninguém vive sem amizade.
E todo o amor tende a assim começar.”
(BabySuhBR)


Meus olhos estavam fixos no teto se focando em nada. Passara a noite em claro, sem conseguir dormir e não me sentia exausta de todo. Meus olhos ardiam e doíam, mas isso estava relacionado com as lágrimas que haviam secado.
Já tinha amanhecido e pela forma como os raios de sol deixaram de invadir meu quarto, eu suspeitava que passava das 10h.
Joguei os cobertores para o lado e me levantei lentamente da cama. Minha barriga hoje pesava mais do que em qualquer outro dia, bem como o resto do meu corpo. Ou talvez eu só estivesse sem forças para suportar o peso.


Estava sem vontade nenhuma de me arrumar. E muito menos queria me olhar no espelho agora. Talvez querendo prolongar a sensação de que ainda estava dormindo e que tudo o que eu passei a noite pensando não passasse de um sonho ruim.
Então apenas esfreguei o rosto, a fim de me livrar das remelas e prendi o ninho de ratos que se formava na minha cabeça em um coque alto e mal feito e fui caminhando até a sala.


Pelo silêncio que se instaurara eu poderia julgar que não estava ninguém em casa, mas muito pelo contrário. Ela estava cheia como o habitual.
Leah correu até mim e me abraçou forte, murmurando uns “graças aos céus que você está bem” e outras frases do tipo. Não entendi bem aquilo, mas minha mente estava de raciocínio lento. O que era benéfico para mim nessa altura.
Corri meus olhos por todos me surpreendendo com suas caras de furiosos ao me devolverem o olhar. Embry não estava entre eles, o que me cortou o coração.
Mesmo assim fiquei sem entender o que eu fiz de errado para ser “recepcionada” desse modo. Mas ninguém falou nada.
Me sentei na mesa e Seth me estendeu um prato com alguns snacks matinais. Ele, além de Leah e Emily, era o único que não me olhava de maneira hostil. Parecia até…compreensivo.


Tentei empurrar pela garganta algumas gororobas, mas parecia que eu tinha uma parede espessa que impedia a comida de descer. Por fim desisti. Não estava aguentando aquele clima então empurrei o prato, praticamente intocado, e me ergui da cadeira.


-Onde você vai? – Emily questionou preocupada.


-Dar uma volta. Preciso de ar. Isso hoje aqui está de cortar a tensão à faca! – Resmunguei olhando todos e virei as costas.


-Você não tem a noção do que fez! – Escutei alguém falar de forma acusatória.


-Jared! – Sam repreendeu.


-Então me digam, o que foi que eu fiz? Hã? Vão me dizer que todos vocês são amiguinhos daquele troglodita idiota que tentou bater em mim e Bella e ameaçou de morte o Edward.


-Você não sabe de história à metade, portanto não se intrometa! – Paul cuspiu, tremendo.


-Claro que não sei. Mas nenhum motivo do mundo é motivo para um homem bater numa mulher! Mas bom, vocês são todos farinha do mesmo saco, não é? Vai querer me bater também? – Provoquei e Paul deu dois passos em frente, me olhando com uma fúria desmedida.


-PARA TRÁS, PAUL! – Sam ordenou e Paul obedeceu de imediato e só nessa altura percebi que mais uma vez eu estava colocando, sem pensar, a vida do meu filho em risco.


Indignada comigo mesma, eu virei costas e fui para o meu quarto fazer minha higiene e trocar de roupa.
Depois de alguns minutos, saí estufando o peito, pronta a encarar mais um confronto na sala, mas assim que lá cheguei, já ninguém se encontrava.
Um bolo se formou na minha garganta, consequente do vazio imenso que eu sentia no peito. Sei que eu tinha agido errado, mas não pelos motivos – que nem eu entendia – que aqueles covardes mencionaram e sim por meu filho. Mais uma vez coloquei minhas emoções à frente de tudo, me esquecendo por completo que eu carregava uma vida dentro de mim.
Indesejada, sim, mas nada era motivo para eu o colocar em risco dessa forma vezes seguidas.
Sei que eu era temperamental e tudo o que estava entalado na minha garganta pulava pela minha boca sem que eu antes desse permissão e isso trazia consequências desastrosas. Nomeadamente físicas, no caso de me meter com aquele tal de Jake e com Paul…


Quando dei por mim meu rosto estava todo banhado e meus olhos desfocados, sem conseguir enxergar por onde ia. Mas o cheiro fresco a maresia me dizia que eu estava próxima da praia.
Assim que senti a areia gelada tocar minha pele – visto que eu estava de rasteirinha – eu me deixei cair de joelhos nela. Meu rosto pendia para baixo enquanto meus braços envolviam minha barriga.
Era ridículo! Eu nunca fui de chorar. Eu odiava chorar mas desde que Gabe me deixou eu só sabia fazer isso. E eu queria tanto parar, mas quanto mais eu lutava, mais lágrimas inundavam meu rosto.
Ergui o rosto para fitar o sol espreitando pelas nuvens e me surpreendi ao dar de caras com ele.


Seu rosto tinha uma expressão indescritível ao olhar para mim, mas nem de longe parecia um cara perigoso. Pelo contrário. O achava um cara…vulnerável. Alguém que precisava de consolo. Mas então me lembrei do acontecido na noite anterior e apenas supus que ele estava com dor de corno.
Limpei as lágrimas com violência e me ergui com dificuldade a fim de me ir embora.


-Ei! Espere! – Escutei sua voz rouca ecoar e chegar até mim como uma brisa do vento, me fazendo arrepiar.


De imediato estagnei. Porque raios meu corpo adorava me contrariar?
Antes que eu pudesse mandar uma nova ordem ou sequer continuar a andar, senti a proximidade dele atrás de mim.


-Ei. – O escutei me chamar de novo e me virei lentamente. – Não precisa ter medo de mim. – Ele sorriu fraco. Mas que idiota! Pensar que eu tinha medo dele? Eu só estava com frio!


-Haha, medo de você? Faça-me o favor… - Revirei os olhos, retirando uma mexa do meu cabelo da frente da minha cara.


Ele riu. Tipo assim. O cara só pode se drogar! Uma hora está me matando com o olhar outra está todo alegre. Ou se droga ou é bipolar mesmo. De qualquer das formas o quero bem longe de mim!
Então o silêncio se instaurou. Cruzei os braços esperando que ele falasse o que queria de mim mas ele simplesmente socou as mãos nos bolsos e ficou olhando em volta.


-Achou?


-Achei o quê? – Seu rosto se voltou de imediato para mim. Sua testa vincada de confusão.


-O que está procurando. – Falei como se fosse óbvio e ele apenas estreitou os olhos de forma desentendida. – Esquece. – Suspirei fundo. – Eu vou embora. Isso é ridículo. – Falei irritada me voltando.


-Espera! – Ele me pegou pelo braço e minha primeira reação foi proteger minha barriga.


Jake olhou de mim, para minha reação e por fim para a sua mão que segurava meu braço e finalmente me soltou.


-Droga! – Xingou, passando nervosamente as mãos pelos cabelos negros e – aparentemente – macios.


Jake ficou ainda mais agitado do que antes e seu corpo começou a tremer. Como que querendo se acalmar, ele começou andando de um lado para o outro, em passos curtos, despenteando insistentemente seus fios curtos.
Então ele se jogou na areia e baixou a cabeça. Mesmo assim eu ainda conseguia vislumbrar uma ruga vincada em sua testa.


Mas não uma ruga tristonha qualquer. Uma que nos dá a entender que ele carrega o mundo nas costas e não divide esse fardo com ninguém. Uma que demonstra que ele já viveu e sofreu mais daquilo que ele julgou que fosse viver e sofrer só quando chegasse na velhice. E, nesse instante, eu apenas quis tirar essa ruga da sua testa.


Ok, agora eu virei a Madre Teresa de Calcutá!


De qualquer das formas - como meu corpo não era meu de todo, visto que não obedecia aos meus comandos de DAR O FORA DALI e deixar aquele troglodita chorando baba e ranho por suas idiotices – me deixei cair ao seu lado.
Então ele ergueu um pouco o rosto para me olhar e suspirou fundo.


-Olha, …não é mesmo? – Ele questionou e eu assenti. – O fato…eu estou envergonhado pela forma como você me “conheceu”. Aquela pessoa que você viu ontem não era eu…quer dizer, era, mas…não era. Não sei como te explicar. Mas aquela pessoa de ontem não é o eu normal. – Ele falou todo baralhado, me fazendo prender o riso. – A questão é. Me desculpe pela cena de ontem…Aquilo ficou parecendo para você uma coisa que realmente não tinha nada a ver e eu lamento por isso. Me fez parecer um descontrolado, agressivo e um louco! – Jake falava exaltado, mas apenas consigo mesmo.


Eu não soube o que falar. Não sabia os seus motivos e por isso o julguei de primeira mão. Mas no fundo sentia que ele era boa pessoa.
Ninguém com uns olhos tão meigos, gentis, sofredores e ainda assim divertidos pode ser um verdadeiro vilão. Se via perfeitamente que por detrás de todo aquele capado ele tem um bom coração. É quase palpável. E infelizmente eu estava melodramática demais para calar minha boca ao que iria dizer a seguir. Mesmo que tivesse uma ponta típica de humor negro, caraterístico da minha personalidade.


-Então somos dois que precisamos de terapia! Podemos ir juntos. – Falei sorrindo de lado e o olhando pelo canto do olho.


Jake sorriu um sorriso imenso e tão ou mais luminoso que o próprio sol. Era um sorriso que aquecia e nos fazia retribuir, mesmo que não na mesma intensidade.


-Isso quer dizer que quer ser minha amiga? – Ele questionou, franzindo o cenho.


-É, algo do tipo. Eu não sou de relações fixas nem permanentes. Prefiro ficar no meio-termo, entende?


-Então ficamos no meio-termo. – Ele comentou e eu assenti.


-Mas vou logo avisando. Não jogo videogames nem vejo filmes pornográficos! De resto a gente pode falar sobre tudo. – Dei de ombros e Jake riu com vontade.


-Vamos dar uma volta? – Ele perguntou apontando com a cabeça para a praia, se erguendo da areia e socando as mãos nos bolsos.


Eu apenas assenti, apertando o agasalho contra meu corpo, no momento em que uma brisa gelada passou por mim.
Essa fora a mais estranha amizade que eu montara com alguém. Num segundo a gente se odiava e no outro a gente se compreendia. Mas os bons e os maus sentimentos estão separados por uma ténue linha invisível. A qual eu tinha ultrapassado em instantes sem que eu pudesse controlar.


A curiosidade por saber um pouco mais sobre Jake me assolou de seguida como uma criança na idade dos porquês e a primeira questão já borbulhava em minha mente.


-Jake, de Jacob, certo? – Perguntei sem grandes rodeios.


-É. Jacob Matheus Black.


-É, seu pai não deve ter grandes impressões sobre mim depois que eu chamei você de tudo quanto eram nomes na frente dele. Isto porque eu não sabia que ele era seu pai, né? – Eu dei de ombros e Jacob tornou a rir.


-Se soubesse falava muito pior! – Ele gargalhou. – Tenho certeza que diria a ele que eu fui trocado na maternidade ou que eu nasci da cova de uma pedra dura. – Ele brincou e mesmo eu tentando me contar, não consegui deixar de gargalhar.


Jacob era muito divertido e tinha um humor semelhante ao meu. Mas em contraste, seu olhar parecia gritar o quanto ele era infeliz e o quanto aquela máscara falsa de felicidade estava custando ser mantida…


-E você? Qual é o seu nome completo? – Ele perguntou de volta.


-Não vá rir, tá? – Eu pedi séria e ele prometeu, mesmo que em seus lábios, já brotasse um sorriso sacana. – Ella Young. – Falei bem séria e chateada com meu nome e vi Jake fazendo um esforço sobrenatural para não rir na minha cara. – Idade? – Perguntei querendo pular de assunto o mais rápido possível.


-17. - Ele respondeu de imediato me fazendo cair o queixo.


-Só pode estar brincando, né? Sou mais velha que você? – Questionei boba.


-Qual sua idade? – Ele questionou pensativo.


-18. Ok, faço 18 daqui uns tempos.


-Qual dia?


-13 de Setembro. – Falei e Jacob perdeu a cor no rosto. – Que foi? – Perguntei preocupada.


-Er…nada. É só que…Alguém que foi muito especial para mim fazia anos exatamente nessa data.


-Fazia? Não faz mais?


-Não. Para mim…ela morreu. – Ele falou tremendo de raiva.


-Você por acaso estaria falando da recém casada? – Tentei não mencionar o nome da “defunta” para não o irritar mais, mas nem foi preciso uma afirmação para saber que era ela. – Hoje em dia já se pode mudar até data de nascimento, se você quiser… - Brinquei, tentando aliviar a tensão e Jacob sorriu, se acalmando de imediato.


-Irmãos? – Foi a vez dele de mudar de assunto.


Já havíamos andado uns bons metros, quase percorrendo metade da praia e eu já estava cansada. Assim que avistei um tronco caído, caminhei até ele e me sentei. Jacob ficou parado no mesmo sítio olhando o tronco e eu o olhei também. E logo percebi o seu estado. No tronco estava gravado o nome dos dois e isso me fez suspirar e me erguer. Jacob veio de imediato até mim e colocou as mãos em meus ombros.


-Fique sentada. Você está cansada. É só um tronco. – Ele deu de ombros, tentando ocultar seu sofrimento.


-Um meio-irmão. – Voltei a me focar na nossa conversa e ele se sentou de imediato do meu lado. - Da parte do meu pai. Se chama Thomas Brandon. E você se pergunta. Porque você não adotou o nome de seu pai? E eu respondo: Merdas da minha mãe! Ops, desculpe o palavreado. – Ri sem jeito e de seguida revirei os olhos. – E você?


-Duas irmãs gémeas mais velhas. Rachel e Rebecca.


-Elas moram aqui? Não me lembro de as ter conhecido. Mas também não conheço exatamente toda a gente dessa Reserva. – Dei de ombros e ele sorriu.


-Não que essa Reserva seja grande demais para não conhecer todo o mundo. Mas não, elas não moram aqui. Rachel está fazendo faculdade em Seattle e Rebecca está morando no Hawaii com seu marido Solomon. – Ele explicou e eu apenas assenti.


-O que você quer seguir quando for para a faculdade? – Questionei curiosa mas ele forçou uma careta.


-Nem sei se eu algum dia irei para uma universidade. Não sou tão inteligente como minha irmã, Rachel, que conseguiu uma bolsa. Mas gostava mesmo de poder fazer Engenharia Mecânica. – Falou sonhador. – E você?


-Artes cinematográficas e guionismo. Acho que daria uma boa Realizadora. – Falei com o mesmo ar que ele fez ao falar do que ele gostaria de seguir.


-Sério? Nossa, vejo que é amante da 7ª arte. Que tipo de filmes você gosta?


-Terror, Suspense, mas nada com muito sangue ou muita ação, como guerras e combates. Acho isso nojento. Mas também gosto de musicais, ou de filmes românticos e dramáticos. Acho que faria um pouco de tudo. – Expliquei.


-E já escreveu algum guião?


-Ah, apenas uns rascunhos, nada que eu algum dia leve para a frente como um filme, né? Além de que eu preciso aprender muitas técnicas e segredos para ter um bom argumento. E você, já praticou alguma reparação ou montagem de veículos?


-Claro! Toda a minha vida eu mexi em motores. Montei de raiz uma Rabbit vermelha que ofereci a… - Jacob parou de falar e baixou o olhar. – Já fiz muitos trabalhos e nenhum reclamou do que fiz. – Ele continuou o tema mas mudou de assunto.


-Só acreditarei quando vir você trabalhando. – Cruzei os braços, presunçosa e ele me olhou de esguelha.


-Haha, o mesmo digo eu, dona “Eu tenho a mania que vou ser uma grande Realizadora!”


-Está certo, senhor “Sou a reencarnação do Leonardo DaVinci.” – Zombei de volta.


-Mas o DaVinci é pintor! – Ele falou muito certo de si.


-Era também um grande Engenheiro Mecânico. Ele inventou muitas coisas super avançadas para a sua época e… - Antes que eu pudesse continuar, um alto uivo se escutou na floresta, me fazendo encolher de medo.


Jacob olhou de imediato para trás e se ergueu, ao mesmo tempo que suspirou chateado.


-Olha , a nossa conversa está muito boa, mas eu tenho de ir. Nos vemos por aí. – Ele se despediu apressado e saiu em direção…imaginem de onde? Ganha um doce quem tiver dito floresta.


Acertou? Pronto, pode ir comprar seu doce.
Eu fiquei sem saber o que fazer, vendo-o partir mas, resignada, fui embora para casa. Afinal o tempo parecia estar se fechando e mais cedo ou mais tarde choveria de novo.


Estava terminando de subir o último degrau da varanda quando escutei alguém me chamando.


-! – Virei meu rosto para trás de imediato e vislumbrei Embry se aproximando meio acanhado.


-Ei. – O cumprimentei sorrindo fraco. Meu coração se apertou me fazendo engolir em seco. Sentia muita falta de Embry.


-Tudo bem com você? – Ele perguntou casualmente, mas ele realmente queria saber de mim.


-Tudo sim. Menos o clima que está aí dentro. Espero que os garotos já tenham ido. Não quero ser olhada de lado de novo pelo que aconteceu ontem. – Falei normalmente. Queria voltar a poder ser amiga de Embry.


-Eles te trataram mal? – Embry questionou entre dentes, parecendo bem chateado.


-Nem fala. – Revire os olhos, como se não me importasse. – Não é que eu seja uma santa que fica caladinha quando deve, mas Paul teve a mesma reação que Jacob. Tremelicou todo e quase pulou em mim. Esses dois são uns esquentados… - Dei de ombros, mas o corpo de Embry tremeu igual os outros dois.


-Calma, bro. Eu não fiz por mal. – Escutei a voz de Paul falando debochado atrás de mim.


-Você e eu. Na floresta. AGORA! – Embry rosnou para Paul e este apenas sorriu, estalando os pulsos e o pescoço e correndo na frente em direção à floresta.


-Embry, não vá. Sabe que Paul não dá mole. – Seth tentou o impedir.


-Ele mexeu com a minha garota, mexeu comigo! – Emb se soltou e foi atrás do troglodita número 2.


Ok, sei que agora era a mais nova “amiga” de Jacob Black, mas ambos não deixavam de ter um corpo de dois homens juntos. Aliás, todos eles tinham. Só Embry e Seth eram os mais estreitinhos, não deixando de ser musculosos também.
Nesse momento eu me preocupei. Paul era muito mais forte que Embry e tinha medo que ele saísse machucado.
Ao perceber isso, dei dois passos para a frente gritando.


-Ei, mas quem disse que eu sou sua garota! Volta aqui. Você não tem que ir defender minha honra! Eu nem tenho honra… - Tentei falar mentirinhas, mas foi inútil, eles tinham se embrenhado na floresta e eu tinha deixado de os avistar.


Fiz menção de tentar descobrir onde eles tinham ido, mas Seth me segurou.


-Mas o que raios há nessa floresta para todo mundo ir para lá? Uma casa de garotas de programa? Um ringue de boxe? Uma casa de terror? Poxa, eu também quero ir. – Falei irritada por ter sido impedida.


-E o que você iria fazer numa casa de meninas da vida? – Seth me questionou com um sobrolho erguido.


-Ué, ser garçonete. Sou muito boa de fazer bebidas. – Falei altiva, tentando não me dar mal em minha resposta.


-Claro, claro. E Madame Zázá iria mesmo aceitar uma grávida para trabalhar na sua casa. – Ele encolheu de ombros.


-Existe uma casa da vida na floresta? – Perguntei surpresa e Seth apenas gargalhou alto, me virando as costas e entrando para a casa do Pulga. – Ei, volta aqui! – Exigi irritada por ter sido deixada na mão de novo.


Olhei de novo para a floresta preocupada com Embry, mas não me arrisquei a ir atrás dele. Vai que eu me perdia.


-Deixa eu mais é ir forrar meu estômago. – Falei sentindo um pontada no alto da barriga. - Já te alimento projeto de badboy cantante. Espero bem que você não saia ao seu pai. Tanto de aspeto como de personalidade. Credo…juro que te deserdo. – Fui falando enquanto acariciava minha enorme barriga e adentrava em casa.


Dentro de casa agora só estava Seth, Emily e Collin. Seth e Collin disputavam o comando da TV e Emily preparava entretida o almoço.
Sem muito para fazer fui até a cozinha e me disponibilizei a ajudá-la, visto que ela preparava um panelão de macarrão e outro de carne de vaca em picadinho e outros tipos de carne para dar outro sabor.


-Precisa de ajuda? – Perguntei já colocando um avental.


Minha prima ia negar mas ao me ver disposta ela apenas sorriu e perguntou.


-Você ainda sabe fazer aquele molho delicioso?


Eu sorri abertamente e arregacei as mangas, vasculhando seus armários, buscando os ingredientes que necessitava. Em 15 minutos o cheiro agridoce do meu molhe já embriagava o ar de um modo viciante e de fazer água na boca.
Seth e Collin haviam desistido na TV no momento que foram atingidos pelo cheiro e agora me cercavam querendo colocar suas mãos atrevidas dentro da minha panela, para se lambuzarem com o meu molho.


De repente a algazarra voltou a tomar conta da casa e risadas preencheram todo o cómodo.


-Eu sabia que ia ganhar! – Escutei Embry falar e me apressei a ir ver seu estado.


Com certeza ambos estavam completamente machucados e sangrando.


-Você trapaceou. – Paul rosnou incomodado.


Assim que cheguei na sala e observei os dois, eles pareciam tão amigos que me surpreendi. Nem parecia que minutos atrás Embry estava com cara de assassino defendendo minha honra inexistente.


-Você chama trapacear eu te vencer duas de três partidas? Eu posso ter apanhado no corpo a corpo, mas te venci na queda de braço e na corrida. – Embry falou orgulhoso.


-Você trapaceou na queda de braço. Não valia fazer cócegas na minha perna.


-Embry estava te seduzindo, cara, não percebeu? – Jared falou batendo os cílios de forma cômica.


-Rárárá. Veja se não quer ser o próximo a comer poeira. – Embry ameaçou.


Cansada daqueles bebezões eu pigarreei e cruzei os braços, me fazendo presente.


-Legal. Vocês estão vivos…e não estão faltando pedaços. Muito obrigada por me deixarem esse tempão preocupada com vocês. – Dei meu sermão à lá mãezona.


Ok, eu juro que nunca mais fico grávida. Isto dá a volta aos meus neurónios. É uma autêntica lavagem cerebral.


-Desculpe, . – Embry falou envergonhado, coçando e despenteando os cabelos da nuca.


-Como se você tivesse realmente ficado preocupada com o cara que horas atrás queria te estrangular. – Paul fez descaso.


-Digamos que se me conhecesse 6 meses atrás eu estaria sendo cínica naquele momento, mas agora…essa coisa aqui dentro me faz ter um coração de manteiga. E se eu perdoei certas e determinadas pessoas, porque não perdoaria você? – Soergui um sobrolho o deixando sem fala e um pouco encavacado com o que eu dissera.


-O almoço está pronto! – Emily anunciou. – Meninos, ajudem a colocar a mesa, porque aqui todos ajudam. – Ela falou como a boa “mãe” que era daquelas crianças grandes.


-Tem lugar para mais um? – Escutei uma voz conhecida e um formigueiro passou por meu corpo. Devo estar muito tempo de pé.


Me voltei para olhar a entrada e no mesmo segundo todo mundo ficou calado olhando de mim para Jake, numa tensão cortante.
Ele olhou para mim e sorriu fraco e eu devolvi o sorriso.


-Claro. – Respondi de imediato.


Vi Embry me olhar surpreso, sem entender nada, mas continuei agindo normalmente.


-Jake, bem-vindo a casa. – Seth correu até ele o abraçando.


-Também estava morrendo de saudades de você pirralho. De todos vocês. – Ele falou olhando todos eles.


-Nunca mais me deixe com o coração nas mãos sumindo daquele jeito. – Emily falou emotiva e o envolvendo maternalmente em seus braços.


-Desculpe, Emy. Eu estava fora de mim. – Ele se lamentou, contorcendo o rosto em uma dor interior.


-Vocês ainda não colocaram a mesa porquê? Estão se esquivando do trabalho de casa? Pensam que é só chegar aqui e encher o bucho? Vamos, toca a levantarem essas bundas das cadeiras e agilizando a colocar a mesa antes que a comida esfrie e eu tenha que dar aos cães do mato. – Falei me fingindo de zangada, colocando as mãos na cintura e rompendo o silêncio, gargalhadas encorpadas preencheram os espaço. – Que foi que eu disse? Eu não falei nada engraçada, seus idiotas. Hahaha, eu estou morrendo de rir. Emily! – Eu falava reclamona, embirrando no final por ninguém parar de rir de mim.


-Não liga não. Eles riem sem motivo mesmo. Tipo palhaços, sabe? – Leah me apoiou entrando naquele momento em casa e olhando de seguida para Jake num olhar que me pareceu amigável e compreensivo. Algo que eu não a vi fazendo para nenhum dos outros meninos.


Seus olhos sempre eram amargos e irritados, mas agora demonstravam um resquício do que eles eram antes. Meigos e amigáveis.
Jake lhe sorriu ternamente, como se tivesse entendido o porquê daquele olhar. Me senti meio que à parte. Na verdade, se eu pensasse bem, haviam muitas coisas que estavam me deixando com os olhos em bico de tanta curiosidade.


Coisas como: porque raios todos eram tão fortes? Até mesmo os mais menininhos. Pareciam que malhavam muito e tomavam bombas, mas nunca os vi fazendo nada disso. Aliás, pelo contrário, eles pareciam demasiado sedentários quando estavam aqui em casa. Estavam sempre sentados nos sofás e cadeiras, enfardando kilos de comida gordurosa.


Outra coisa que me fazia pensar era as tatuagens que todos tinham igual. Emily me disse, uma vez que perguntei. que tinham a ver com um “culto” à tribo. Então porque ela não tinha uma também? Ok que ela nasceu em Makah, mas era praticamente apenas Quileute. Talvez os habitantes daqui não permitisse. Mas então porque eu não via essas mesmas tatuagens nos ombros dos mais velhos? Ah, acho que estou viajando. Desde quando que os velhos iam fazer tattoos?
Mas e as idas frequentes para a floresta? Ok que a Emily também disse que eles eram tipo guardas florestais e que faziam rondas e tal, mas era meio estranho eles passarem metade do dia lá, um terço aqui dentro e o resto do tempo que sobrava indo na escola ou trabalhando e se sobrasse tempo, dormindo.


Ok, sei que não estou aqui há tanto tempo assim para opinar sobre o quotidiano deles, mas que era intrigante era.


-O que você tanto pensa? – Leah me questionou me despertando para a realidade.


-Nada de… - Parei de falar quando uma pontada forte atingiu meu ventre.


-O que foi? – Leah questionou um pouco alto demais.


-Nada, acho que estou apertada para ir no banheiro. – Falei torcendo o rosto com um pouco de dor.


Olhei Embry inflar o peito, como se estivesse farejando o ar.

-Você está sangrando! – Seth gritou e uma nuvem negra enevoou meus olhos, me fazendo deixar de ver.


6) Paz


“Um peso na alma
Um sopro no coração
Um momento de calma
Uma eternidade de confusão.
Todos estamos destinados a um momento de Paz
A espera é longa, mas nunca em vão.”
(BabySuhBR)


Meus olhos pesavam toneladas e meu corpo parecia sem vida. Eu estava consciente, mas não conseguia responder aos apelos dos que estavam à minha volta.
Senti meu corpo ser carregado por braços quentes. Extremamente quentes. E fortes, mas mesmo nesses braços, capazes de derreter um iceberg, o frio não deixava de consumir meu corpo. Não que eu sentisse esse frio, mas o vento batia tão forte no meu corpo que me fazia estremecer. Era como se eu estivesse correndo em cima de uma moto, mas eu não escutava esse barulho. Na verdade eu não escutava barulho nenhum.


Tentei forçar meus olhos a se abrirem mas era quase inútil. Mesmo assim não desisti. Eu precisava acordar. Precisava saber o que tinha acontecido comigo.
Meus olhos se abriram em pequenas e fracas frestas e tudo o que eu consegui enxergar em minha volta eram meros borrões. Borrões verdes e raios de luz ofuscando minha vista. Girei o olhar para o lado quente e me vi nos braços de Jacob. Era suposto que fosse Embry me carregando, visto que ele era mais próximo de mim, mas…pensando bem, talvez ele nem me conseguisse carregar. Ele podia ser muito forte, mas eu não estava propriamente leve.


A luz forte que adentrava em meus olhos os fizeram arder e forçar a fechá-los e então uma negritude calmante me consumiu e eu não mais acordei.


(POV Jacob)


A vida pode ser um grande amontoado de erros, mas nenhum deles é feito sem um propósito. Eu errei muito, em minhas escolhas, em minhas decisões, em minhas amizades, em minhas paixões…E todos esses erros se resumiam única e exclusivamente a Isabella Swan. Eu devo dizer agora, Isabella Cullen?
Como era minha vida antes dela aparecer?
Sem vida, sem graça, sem cor…mas uma coisa eu tinha e deixei de ter quando ela apareceu. Paz. Paz de espírito, paz mental, paz interior.
Ela me trouxe as coisas mais boas da minha vida, mas também as piores. Ela pode me ter dado a conhecer o amor, a amizade, a afeição extrema, sorrisos fáceis, alegria, esperanças… Mas ela também me trouxe preocupações, desilusões, coração partido, tristeza, sofrimento e desgraça.
Era assim que eu me sentia agora desgraçado.


Saber que se Edward nunca tivesse cruzado o nosso caminho eu a teria para mim me desgraçava, me destruía por dentro como uma bomba relógio.
Saber que ela daria sua vida por ele em qualquer que fossem as circunstâncias, me reduzia a nada, a lixo. Por mais que ela me amasse, mesmo que ele nunca tivesse cruzado o nosso caminho, não teria tantas certezas que Bella fizesse o mesmo se eu estivesse no lugar de Edward.
Mas a diferença é que eu nunca a colocaria nessa posição. Mais rápido seria eu a dar minha vida por ela do que Edward.
Não, o que aconteceu em Itália não foi o caso. Edward não ia dar a vida por ela. Ele ia tirar a vida por não a ter…aliás, ele nem coragem teve de tirar a própria vida de uma vez. Queria deixar sua morte ao encargo dos outros. Não seria mais fácil se ele se tacasse fogo de uma vez?
Parecia até que ele sabia que ainda existia uma ínfima possibilidade de ela estar viva e ir ao encontro dele, como foi o caso.


Já estava cansado de pensar nela. E por causa dela eu me tornei um monstro. Meu Deus, eu quase ataquei uma mulher grávida. Eu quase ataquei Bella!
Tudo ela, tudo ela, tudo ela!
Talvez seja realmente melhor se ela deixar de existir para mim, se ela se tornar uma deles…uma inimiga.


O melhor que eu tinha a fazer era mudar o meu foco de pensamentos. E com essa mudança veio .
O que dizer dessa garota? Maluca, esquentada, doida, língua afiada, pirada, sem noção do perigo, mal-humorada, nariz empinado…e a única que me conseguiu fazer rir fácil, como já há alguns meses eu não fazia com tanta frequência. Além de que apesar de maluquete ela era muito divertida e parecia bem legal, amiga e, no fundo, doce.
Em uma hora eu a odiava, na hora seguinte eu só a queria por perto. Porque a sensação de paz que ela me trazia era indescritível. Era algo que eu não sentia desde que eu conheci Bella.
E foi só pensar nela que todas as minhas preocupações anteriores sumiram.
De repente um sorriso leve já espreitava em meus lábios e eu estava parado à porta de casa de Sam onde um cheiro maravilhoso embrulhava gostosamente meu estômago.


-O almoço está pronto! Meninos, ajudem a colocar a mesa, porque aqui todos ajudam. – Escutei a voz doce de Emily anunciar no preciso momento em que eu empurrei a porta e entrei na casa.


-Tem lugar para mais um? – Perguntei hesitante e todo mundo se silenciou, voltando seus olhares para alguém.


Assim que meus olhos se cruzaram com os dela eu me senti em casa. Tudo de mal havia sumido de minha mente, mesmo que temporariamente, e isso me dava joio. Lhe sorri e ela devolveu um sorriso quente e de seguida respondeu.


-Claro.


-Jake, bem-vindo a casa. – Seth veio logo me receber com um abraço caloroso.


-Também estava morrendo de saudades de você pirralho. De todos vocês. – Falei olhando meus irmãos.


Pela primeira vez eu estava parando de pensar somente em mim e em Bella e olhando de novo para meus irmãos e para o quanto eu me sentia amado e feliz perto deles.


-Nunca mais me deixe com o coração nas mãos sumindo daquele jeito. – Emily fungou, me abraçando forte e maternalmente.


-Desculpe, Emy. Eu estava fora de mim. – Me lamentei, engolindo uma lágrima.


-Vocês ainda não colocaram a mesa porquê? – Escutei a voz animada e agora resmungona, de grasnar. Eu juro que ela grasnou. - Estão se esquivando do trabalho de casa? Pensam que é só chegar aqui e encher o bucho? Vamos, toca a levantarem essas bundas das cadeiras e agilizando a colocar a mesa antes que a comida esfrie e eu tenha que dar aos cães do mato. – Assim que ela terminou de dizer aquela frase todos nós rebentamos numa gargalhada estrondosa, capaz de fazer estremecer a casa. Mas ficou irritada. Muito irritada. - Que foi que eu disse? Eu não falei nada engraçado, seus idiotas. – Ela se justificava sem sucesso. - Hahaha, eu estou morrendo de rir. – Falou sarcástica, me fazendo rir mais. -Emily! – Embirrou de seguida, feito criança, quando nenhum de nós cedeu na risada.


-Não liga não. Eles riem sem motivo mesmo. Tipo palhaços, sabe? – Escutei a voz de Leah e logo me voltei para olhá-la.


Ela fez o mesmo e nossos olhares transmitiam apoio e compreensão. Agora eu entendia o porquê do sofrimento e amargura de Leah. Eu estava numa situação muito semelhante. Mas de todo eu queria me tornar como Leah. Não, eu não podia deixar que essa desilusão transformasse minha vida num mar negro.


Vi Leah ir para o pé de , que parecia estar em outro mundo. Leah passou a mão na frente dos olhos dela, como se a quisesse chamar à atenção, mas nada. estava completamente absorvida em seus pensamentos.


-O que você tanto pensa? – Leah perguntou, a cutucando e abandonou a expressão concentrada e confusa e a olhou.


-Nada de… - Sua frase não terminou pois ela se encolheu ligeiramente e colocou uma mão no ventre.


-O que foi? – Leah questionou alerta.


-Nada, acho que estou apertada para ir no banheiro. – falou mas isso não me convenceu.


Respirei fundo e torci o nariz ao sentir o cheiro de sangue. Não que fosse desagradável, mas não era uma delícia também. Este cheiro parecia diferente. Além de pouco doce, parecia que vinha com uma mistura de ferrugem. Era diferente do sangue normal. Como se já fosse sangue morto.


-Você está sangrando! – Seth gritou ao chegar primeiro à conclusão de que o sangue morto vinha de e antes que eu me pudesse preocupar, ela desmaiou.


-! – Um coro de vozes gritaram ao tempo que Leah a amparava antes dela chegar ao chão.


-Meu Deus, prima, por favor, acorde! – Emily a chamava nervosa.


-Se afastem, ela precisa respirar. – Leah instruiu quando todos nós pulamos para perto dela, querendo ajudar.


-! . – Embry se manteve ao seu lado, estapeando de leve seu rosto.


-O sangue não está estancando. Temos de a levar no hospital! – Sam sugeriu, mas outra idéia me surgiu.


-Daqui ao hospital de Forks é quase 1h30 de carro. Se formos correndo até onde dá, levamos meia hora e outra meia em passo normal ou quinze minutos de carro…


-E o que você sugere? – Leah me questionou.


-Daqui a casa dos Cullen é meia hora correndo!


-Então eu a levo. – Embry falou já querendo pegar dos braços de Leah.


-Não. – Eu falei e Embry parou de imediato me olhando interrogativamente. – Eu a levo. Sou o mais rápido de vocês. – Falei olhando os outros.


-Mas…os Cullen…você… - Embry não sabia o que dizer.


-Não podemos perder tempo! – Eu falei num tom de voz mais alto e Embry assentiu, me passando ela para os meus braços.


Em segundos me pus na floresta e corri com todas as minhas forças. Na forma humana não era tão rápido como em forma de lobo, mas podia chegar a uma velocidade bastante aproximada se eu me esforçasse.
As árvores passavam por mim como borrões e eu apenas me concentrava em chegar o mais rápido possível.
Nesse momento eu até agradecia se Edward estivesse por perto. Assim ele escutaria meu chamado e avisaria Carlisle.
Sem ele eu corria o risco de não apanhar o Dr. Caninos em casa ou de ele não ter o necessário para ajudar . Mas eu não podia esmorecer. Eu tinha de pensar positivo.
Olhei o rosto de de relance e ela parecia bastante serena. Como se não tivesse mais dores. O sangue também havia parado de escorrer e eu não sabia se havia de suspirar de alívio por isso ou se havia de me preocupar.


E se ela tivesse…não! Eu não podia pensar em coisas tão negativas. Eu tinha de me concentrar apenas em chegar. Chegar lá o mais rápido possível.
Por fim avistei ao longe a entrada da mansão e apertei mais o passo. Minha velocidade no momento se assemelhava quase à de um vampiro e isso me fez chegar ainda mais rápido à mansão.


Assim que eu comecei me aproximando mais, a porta se abriu e Carlisle me recebeu de imediato, como se soubesse, como se me esperasse.
Será que Edward estava ali? Bella? Já transformada ou em pleno processo de transformação? Escutaria seus gritos de dor ou já estaria terminando o processo?
Não me importei. Adentrei apenas em casa e segui o médico até onde ele me indicou.
Uma sala/biblioteca com um pequeno consultório no fundo.


Pousei cuidadosamente na maca e fiquei olhando para ela todos os segundos possíveis.
Carlisle a examinava minuciosamente e eu aguardava impaciente o diagnóstico.


-Jacob. – Escutei uma voz doce e terna me chamar, seguida de um toque tão gélido quanto um iceberg.


Me voltei para olhar sobre o ombro e ver Esme me chamando preocupada. Atrás dela estavam Rose e Alice olhando quase chorosas para . Pareciam bichos acuados querendo ajudar, mas sem saber o que fazer. Pareciam eu.


-Por favor, vamos descer. Carlisle precisa de espaço e você precisa se distrair. E está com fome. – Falou ao escutar meu estômago roncar. – Vem, eu vou preparar algo para você comer. – Eu refutei em ir, mas realmente estava me sentindo um pouco fraco.


Não comia direito há dias, tudo porque minha cabeça estava longe, cheia de problemas desnecessariamente.
Acabei por descer junto com Esme, Alice e Rosalie, que foram puxadas inconformadamente pela matriarca.
Assim que cheguei no solo a sala foi invadida por Embry, Leah e Seth. Embry fez menção de subir, mas eu o impedi.


-Calma. Ela vai ficar bem. Está em boas mãos. – Falei tentando passar ao meu irmão uma falsa calma.


-Ela não pode perder essa criança. Você não imagina os planos que eu já fiz para ele. Como se fosse meu filho de verdade. Sei que não queria apressar as coisas e que nós não estávamos bem desde aquele dia na festa, mas…eu estava gostando mesmo dela. Mesmo muito. – Meu irmão e melhor amigo falou embargado, não contendo uma lágrima que escapou solitária.


Puxei Embry para um abraço e tentei reconfortá-lo. Também não estava sendo fácil para mim – afinal eu não era insensível nem indiferente a um acontecimento tão calamitoso-, mas não imagino como estava sendo para ele que era apaixonado por ela e por essa criança.
Escutei os soluços de alguém e me voltei de leve para ver Alice chorar sem lágrimas. Será que ela sabia de alguma coisa? Me desprendi de Embry e foi a vez de Leah o abraçar. Nem me preocupei em ficar admirado com seu gesto, apenas me aproximei o suficiente da vidente da Little People e sussurrei apenas para que ela escutasse.


-O que você sabe? Anda, fala!


-Eu não sei de nada, Jacob! – Ela retribuiu chorosa.


-Então porque você está nesse chororo todo? – Falei a ponto de perder a paciência.


-Porque…porque… - Ela gaguejava e soluçava como se chorasse de verdade, mas nenhuma lágrima saia de seus olhos. – Porque eu quero muito ser a madrinha do neném. – Ela explicou e eu rolei os olhos.


-Oh Alice, vai ver se está dando o Bob Esponja na TV, vai. – Falei, lhe voltando costas ao tempo que ela me fez uma careta.


Sei que não era tempo para piadas secas nem para ligar para as baboseiras de Alice, mas não consegui me conter. Eu suava em bica e mesmo querendo desesperadamente notícias de , como todos os outros ali presentes, tentei focar minha atenção em outra coisa qualquer, simplesmente para não pirar.
Olhei em volta tentando achar a figura pálida e emproada de Edward, mas nem sinais.


-Onde está o cusquinha? – Perguntei mesmo que não quisesse muito saber da resposta.


-Na lua-de-mel, vira lata. Onde mais queria que ele estivesse? – Rosalie me respondeu importunada.


Resolvi apenas ignorar o seu mau-humor e me virei de frente para Alice com uma dúvida latente em minha cara.


-Como Carlisle soube que eu estava vindo com ?


-É complicado. – Alice tentou desviar o assunto.


-Complicado como, projeto de Minie disfarçada de gente!? – Perguntei irritado.


-Bom…eu consegui ver fragmentos. Não sabia quem estava chegando mas sabia que era muito importante estarmos preparados. – Se explicou mesmo que eu não tivesse comprado metade do que ela falou.


Antes que eu pudesse refutar sua resposta, o Dr. Caninos desceu as escadas calmamente com uma expressão indecifrável, o que só me deixou ainda mais irritado. Não podia colocar logo uma cara de boa ou má notícia!? Tinha de estar com essa cara de bosta boiando na privada?


-Podem todos ficar calmos. já acordou e está bem.


Embry sorriu de imediato, acabando por abraçar Esme por seu entusiasmo.


-E o neném? – Leah perguntou logo, voltando a instalar a tensão entre nós, que o sanguessuga-mor fez questão de reforçar, prolongando o seu silêncio.


-O sangue que perdeu foi devido a uma ruptura da membrana que liga a placenta ao útero.


-E isso é grave? – Perguntei ansioso.


-Pode ser grave se se exaltar ou fizer esforços. Ela precisa de repouso absoluto. Não precisa ficar confinada a uma cama até o final da gravidez, mas é necessário evitar que ela se canse demasiado ou que tenha picos de emoção elevados. Por enquanto recomendo que durante a próxima semana ela fique realmente de repouso em uma cama, mas depois será bom ela dar alguns passeios, curtos. – Firmou as regras médicas.


-Posso vê-la? Podemos? – Ele olhou de relance para Leah e depois para mim.


-Claro. Mas um de cada vez. Peço que vá primeiro você, Embry. Eu acabei de lhe contar o que aconteceu e ela está um pouco abalada. Acho que precisa do seu apoio. – Carlisle aconselhou e Embry assentiu, se encaminhando de imediato para o lance de escadas que o levaria até o consultório de Carlisle.


(Fim POV Jacob)


Meus olhos fitavam o teto enquanto minha mente arranjava mil e uns motivos para me culpar pelo sucedido.
Minha garganta arranhava pelo bolo doloso que eu prendia. Queria me punir de alguma forma pela minha tamanha imprudência em relação a esta gravidez.
Sei que não estava muito conformada com ela e que muito menos estava acostumada, mas por mais que eu tentasse repelir esses sentimentos, eu já amava esta criança. E tudo o que eu tinho feito até agora fora colocá-la em perigo. E olhe onde isso me levou? Eu quase perdi esse neném! E ainda estou em risco de o perder!


Por fim uma lágrima resvalou por meu rosto sem que eu a conseguisse conter e um soluço brotou de minha garganta.
Senti uma mão quente afagando meu rosto fazendo meu choro contido despoletar em algo descomedido.
Me aninhei de lado me agarrando firme à mão que me acariciava e chorei como nunca antes chorei. Nem mesmo quando Gabe me deixou.


(POV Jacob)


Todos conseguíamos escutar o choro de e isso nos deixava num silêncio constrangedor.


-Bom, acho que não temos mais nada a fazer aqui, né…Jake? – Leah falou, me fazendo sinais pouco discretos, porque na verdade sendo todos o que somos nada passa desapercebido.


-É…vamos. – Concordei e comecei seguindo ela até a porta da mansão, mas não sem antes me voltar para trás e fazer uns pedidos aos sanguessugas. – Não digam a ela que eu estive aqui. Caso…ela…ligue. – Especifiquei meio atrapalhado.


Já estava cheio dessa história e queria começar deletando ela e tudo o que represente ela de minha vida e minha mente o mais rápido possível. Já quando se trata do coração…isso é outra história. Não se pode forçar ninguém a deixar de amar alguém como eu amei Bella. Por mais mal que ela me tenha feito, são feridas difíceis de sarar.


Carlisle assentiu e se deixou abraçar por Esme e por fim eu saí daquela casa, sentindo um peso do tamanho do mundo ser deixado ficar para trás, no lugar onde ele pertencia e de onde ele tinha vindo.


Leah me esperava na orla da floresta e me permiti a respirar aliviado. Ela percebeu a mudança de expressão no meu rosto, mas antes de começar qualquer interrogatório, nos permitiu a um minuto de silêncio.
Caminhamos em passos lentos para lobos, mas mais rápidos que os passos apressados de um humano normal.


-Grande dia, hã. – Ela começou de forma casual.


-É.


-E pensar que quando você não estava isso aqui era bem mais calmo… - Ela comentou e eu revirei os olhos. – Mas menos engraçado. – Deu de ombros. – Excepto quando chegou essa humana maluca e embuchada. – Falou fingindo descaso, mas sorrindo.


-Cara, Leah sorrindo. Grandes acontecimentos se deram aqui na minha ausência. A começar por seu figurino. – A olhei de alto a baixo, assobiando baixinho.


Leah fez uma cara séria capaz de meter medo a qualquer um, mas eu sabia que era tudo uma máscara para esconder o embaraço que eu causei com meu elogio.
Eu via uma aura diferente em torno da amarga e sofrida Leah. Sentia uma proximidade maior com ela não só por estarmos ligados sobrenaturalmente, como irmãos guerreiros, mas por entendermos verdadeiramente o sofrimento um do outro. E eu sabia que realmente ela estava começando a ultrapassar seu passado.
Seria o efeito Young atuando nela também?
Porque realmente, em apenas uns poucos minutos, conseguiu tornar o meu fardo bem mais suportável do que eu alguma vez pude imaginar que se tornasse de forma tão…rápida.


-E você parece que voltou de umas férias no Hawaii. Foi visitar a Becca no paraíso? – Ela zombou de uma forma bem mais leve e eu sorri abertamente.


-Diria que o regresso a casa não foi dos melhores, mas rever quem eu amo me fez bem. – Menti.


-Espero que isso não inclua…uma certa Carraça! – Leah falou alerta.


-Carraça? – Questionei confuso.


-Você sabe de quem eu estou falando. – Ela deu de ombros.


-Sim, eu sei. Mas não entendi essa da carraça. – Fiz minha maior cara de desentendido, porque eu realmente estava nadando em águas desconhecidas.


- chama o Sam de Pulga. Não só porque ela o queria chamar de outra coisa, mas porque ele realmente é uma pulga na minha carapaça de Loba. Sempre pulando e aporrinhando a nossa paciência sem nunca o conseguirmos apanhar. Mas sabe, a carraça é bem mais grudenta e difícil de nos livrarmos e causa grande mossa. Da pulga é mais fácil nos safarmos. Basta uma boa dose de repelente Ignore Ele e o assunto fica resolvido. Eu só não sabia disso antes. – Leah explicou sabiamente eu contive minha enorme vontade de gargalhar.


-Pulga. O Sam. Interessante. E não, a carraça não está incluída. Na verdade eu estou começando a usar esse mesmo repelente. Tá difícil, mas vai no bom caminho. Basta aplicar ele todos os dias. – Falei engolindo o bolo doloso que queria se alojar em minha garganta, mas sorrindo sincero no final.


(Fim POV Jacob)


7 - Surpresas
Julgamos o tempo que passamos
Com aqueles que amamos
Como um ato comum
E quando as surpresas surgem
Sem aviso prévio algum
Agimos como estranhos
Deslocados e imputados num mundo incomum
(BabySuhBR)

Depois de um dia sob a supervisão do Dr. Carlisle, por fim eu pude voltar para casa. A minha recepção em casa da Emily foi quase como um acolhimento a uma princesa de cristal. Todos estavam animados, mas mal se aproximavam de mim com medo que eu quebrasse.
Apesar de ter ficado “acamada” em casa do Dr. Cullen, eu ainda me sentia cansada e minha mente borbulhava de confusão.
Embry me carregou no colo até meu quarto e permaneceu comigo lá.

-Você não imagina o quão preocupado eu fiquei com você, . Eu julguei…tive medo… - Embry não conseguia concluir sua frase.

-Eu fiz tudo errado. Eu quase matei meu filho. Eu tenho agido como se não houvesse uma segunda vida dentro de mim, Embry. Eu não sei o que fazer…eu não quero essa criança, mas…eu já a amo. Eu serei uma péssima mãe. – Choraminguei, me deixando ser abraçada por ele.

Ele era o meu pilar e agora eu percebia que sem ele eu não conseguiria lidar com essa gravidez. Quando eu estava com ele eu me sentia amada e sentia que ele seria o pai perfeito para o meu filho. Longe dele eu só tinha vontade de desistir de tudo.
Mas o que aconteceu no casamento da Isabella…eu não compreendia quem era aquele homem. Como ele poderia mudar tão drasticamente de uma pessoa tão doce para uma tão seca e autoritária.
Essas e tantas outras dúvidas me rondavam, sufocando minhas ideias.

-Você vai ser uma excelente mãe, . Eu tenho a certeza disso. Estarei aqui presente para garantir isso…se você me deixar. Eu não quero dizer que tenhamos que manter um relacionamento, mas eu já amo esse filho como… - Embry hesitou e baixou o olhar meio envergonhado.

-Pode ter certeza que ele é mais seu do que poderia ser para o pai biológico. – Falei com um nó na garganta.

Embry sorriu abertamente e me abraçou novamente, de forma carinhosa e cuidadosa.
Abri um espaço na minha minúscula cama para ele se deitar e me aconcheguei em seu corpo, me permitindo a adormecer pacificamente sabendo que meu sono seria velado protetoramente.

xXx

Acordei com um leve remexer de Embry, que tentava sair silenciosamente da cama.

-Onde você vai? – Perguntei com a voz rouca de sono.

-Desculpe. Acordei você. – Ele acariciou meu rosto e beijou minha testa. – Estão batendo na porta. – Anunciou.

-Que horas são? – Perguntei olhando o sol ainda batendo nas portadas de madeira.

-Sete.

-Já são sete da tarde? – Perguntei surpresa.

-Sete da manhã. Dormimos um dia inteiro. – Ele sorriu se espreguiçando e fazendo seus ossos estalarem.

-Você dormiu todo torto… - Não tive tempo para me lamentar, mais pois batidas ocas me interromperam.

Embry se inclinou para abrir a porta e detrás surgiu Emily com uma bandeja farta de comida.

-Bom dia meninos. – Emy nos cumprimentou do seu jeito doce de ser.

-Bom dia Emily. – Cumprimentamos em coro. – Prima, desculpe do Emb ter dormido aqui…

-Não precisa se desculpar. – Ela falou lançando um olhar significativo para ele. – Embry, poderia chegar um minutinho na sala, por favor. Sam quer falar com você. – Ela pediu e eu me alertei.

-O que ele quer? – Perguntei um pouco grossa, mas me redimi sorrindo feito anjinha para Emy.

-Acho que quer falar sobre as rondas. – Ela falou um pouco nervosa e eu logo percebi que ela mentia.

Embry assentiu e me beijou no rosto como um “até já” mas eu não me segurei e puxei sua nuca para o beijar nos lábios. Embry abriu um largo sorriso e eu mordi o lábio reprimindo minha felicidade. Não me queria precipitar em sentimentos, apenas continuar curtindo da companhia e amor que ele tinha para me oferecer.
Ambos saíram, me deixando com um delicioso café da manhã pronto a ser devorado e não me fiz de rogada; muito menos esperei por Embry ou guardei algo para ele. Não que eu fosse devorar tudo aquilo, mas iria comer até me fartar.

Escutei uma alteração de vozes na sala que me roubou a atenção da comida. Pousei o tabuleiro na cama e me calcei, caminhando lentamente até à sala, estacando ao ver quem lá estava.

-Papai? – Questionei completamente surpresa.

-Filhota! – Henry exclamou correndo até mim e me abraçando cuidadosamente, como se eu fosse feita de porcelana. – Oh céus, você está bem? Emily me contou o que aconteceu. Você precisa de ir num hospital conceituado para ser vista por médicos de renome. Temos de garantir sua saúde e a de meu neto. Oh Gosh. Meu neto. – Papai tagarelou se baixando para beijar minha barriga.

-Henry, menos drama, ok? – Pedi morrendo de vergonha.

- Ella Young! – Meu pai falou meu nome, todo sério, me enterrando em vergonha. - Eu estou tentando zelar pela sua saúde e do meu neto e você ainda reclama?!

-Ok, ok. Me desculpe. É só que o médico que me viu é muito bom e me atendeu em particular, na sua casa, então está tudo bem, ok? – Falei revirando os olhos. – Você demorou. – Falei me jogando em seus braços, matando a saudade.

-Desculpe, meu anjo. Complicações no trabalho. Tem vezes que nem mesmo se tua mãe morrer eles me dão folga. Mas você é a minha filhota favorita, que seu irmão não me escute. – Falou sorrindo e me fazendo sorrir.

-Ah papai, eu sei que você só diz isso para me mimar. Tanto eu quanto Tommy sabemos o quanto você nos ama por igual! – Torci o nariz e ele também sorriu.

-Mas vocês estão mesmo bem? – Ele perguntou colocando a mão na minha barriga e a outra em meu rosto.

-Estamos pai. – Falei abaixando o rosto.

-Quem fez isso com você? – Ele perguntou meio autoritário, tentando exercer um pouco seu papel de pai.

-Ah, pai, não começa. Você não conhece e também não importa. Quem ajudou na reprodução já morreu para mim. – Menti, mas reprimi isso.

-! – Escutei a voz preocupada de Leah me chamar e me virei para abraçá-la.

-Eu estou bem. Eu juro. – Falei sorrindo.

-Desculpe não ter aparecido antes para te visitar, mas estive ocupada…nas rondas. – Ela revirou os olhos, mas tomou cuidado para sussurrar a última parte ao notar a presença de meu pai.

-Porque você está sussurrando? – Questionei também num sussurro.

-Não estava. – Ela falou agora normal. – Minha voz… - Pigarreou. – Falhou. Preciso de água. – Falou saindo.

-Uau. – Me voltei para trás apenas para constatar que o som realmente tinha vindo de meu pai. Mais, ele estava olhando para Leah fixamente. Praticamente secando ela.

-Papai! – O repreendi.

-O que foi? – Ele perguntou se fingindo de santo.

-Minhas amigas não, ok? Nós já tínhamos combinado isso. O “contrato” se estende onde quer que eu esteja e não apenas em Makah! – Falei entre dentes e Henry ergueu as mãos em sinal de descarte, indo se sentar no sofá.

-Seu pai é bonitão. – Leah falou no meu ouvido me fazendo dar um salto.

Fiquei sem fala olhando minha amiga fixar o olhar – malicioso, note-se bem isso – em meu pai.
Ok, o mundo está perdido!
Chateada com o flerte dos dois, resolvi me vingar. Sim, às vezes eu posso ser muito má.

-Sabe, papai. Quando eu disse que o pai do meu filho tinha morrido para mim, na verdade eu estava mentindo. Estamos apenas zangados, mas hoje de manhã fizemos as pazes. – Escutei todo mundo parar de falar e olhar para Embry. – Pai, esse é o pai do meu filho. – Apontei para Embry, que se engasgou e me olhou chocado.

Por um segundo me arrependi de ter dito aquilo, ao vislumbrar um olhar assassino em meu pai, mas nem tive tempo de pensar em dizer: “brincadeirinha” pois meu pai saiu correndo atrás de Embry, pronto a sová-lo.

Quis correr atrás deles, mas apenas fiquei gritando o nome de meu pai, o chamando e tentando fazê-lo parar. Os garotos, em vez de socorrerem Embry, ficaram rindo e fazendo apostas, aumentando meu pânico.
Só via uma maneira de fazer aquilo parar.

-Emy, estou passando mal. – Falei e todo mundo parou, até Embry.

Só meu pai não percebeu e socou Embry mesmo assim. Este permaneceu no sítio enquanto meu pai gritava de dor e apertava a mão que socou o rosto de Embry.

-Papai! – Falei correndo, conforme podia, até ele e o amparando.

-Aiaiai, acho que quebrei a mão. – Ele choramingou e vi Leah surgir do meu lado, pegando na mão dele de imediato e analisando enquanto ele xingava.

-Não está partida. Foi só um entorse. – Ela falou devolvendo um sorriso para meu pai.

-Mas está doendo. – Ele fez manha para ela. Ah, não. Isso tem de parar. Assim não dá, meu Deus.

-Vou desmaiar. – Falei fingindo um desmaio e sendo de imediato amparada por Embry.

-, . Acorde! .

Fui carregada num colo quente e aconchegante até o conforto do meu quarto onde me depositaram na macia cama e deram leves palmadas em meu rosto.
Fingi acordar aos poucos e vi meu pai de joelhos ao meu lado…rezando?

-Pai? – O chamei

-Oh filhota! Que susto você me deu. Não faça mais isso perto de mim se não quer ficar órfã de pai. – Ele falou do seu jeito meio sério meio sem noção.

-Pai! – Me irritei me sentando rápido. – Quanto tempo você vai ficar? – Perguntei já impaciente.

Henry mal tinha chegado e eu já estava querendo vê-lo pelas costas. Tá bom, não queria mesmo. O quanto de saudades que eu estava dele e que ainda precisava matar, não chegavam perto da vontade de o matar ou de mandá-lo embora.

-Até você se recuperar o bastante para poder fazer uma viagem grande. – Ele falou, pegando em minhas mãos e as beijando.

-Uma viagem? – Eu, Embry e Leah interrogamos ao mesmo tempo.

-Sim. Até à Europa. Você vai morar comigo em Praga. – Falou bastante decidido. Engoli em seco, prendendo a respiração e começando a sentir uma onda forte de calor.

-Estou passando mal. – Falei abanando as mãos na minha cara. – Eu não quero morar na Europa! – Falei muito rápido.

-Mas…filha, você não ligou para mim exactamente para vir morar comigo? – Ele perguntou e aí eu me lembrei que eu não tinha intenções algumas de ficar aqui quando pensei em vir para La Push.

-Pai…algumas coisas mudaram desde que eu cheguei aqui. – Falei olhando para todos os que se empoleiravam na entrada da porta e para os que já estavam dentro do quarto.

Não conseguia mais me ver sem eles.
A imagem de Jacob Black me veio de imediato à mente me fazendo dar um solavanco na respiração. De seguida a imagem de Embry e de tudo o que passamos juntos.
Não conseguia mais me ver ser eles.

-Bom…tudo bem. – Ele falou, fazendo todos nós sorrir abertamente. – Mas com uma condição. – Assim que ele falou, meu sorriso morreu em antecipação do seu pedido. – Irei ficar aqui com você até o nascimento do meu neto.

Tossi engasgada com a condição de meu pai. Não que ela fosse má de todo, era apenas a troca sensual de olhares entre Henry e Leah que me incomodava. Já vi que meu contrato com papai ficou nulo. Quem mandou você engostosar a Leah?

xXx

Uma semana inteirinha se passou desde a minha alta no Dr. Cullen. Uma semana que eu tinha papai sobre o mesmo teto e eu já estava planejando mil e uma formas de o matar.
Primeiro porque ele estava dando uma de paizão, me envergonhando em frente dos meus amigos. Chegou até ao cúmulo de ele me dar comida na boca e falar comigo como se fala com um neném. Tipo: Guti guti do papai e outras coisas do género.
Segundo porque ele estava dando uma de ciumento para cima do Embry o impedindo de me abraçar, beijar ou sequer dormir comigo. E eu disse apenas DORMIR! Qualé, ele é bem quentinho e de noite aquece meus pés. E eu gosto bastante disso…
Terceiro porque ele anda atrás de Leah o tempo todo.
Eu até acho que ela passa mais tempo cá em casa apenas para flertar com Henry e não para me fazer companhia.
E quem não está gostando NADICA de pitibirim disso é o Pulga. Sério, até eu fiquei chocada quando ele quase armou maior barraco porque apanhou papai passando a mão na perna desnuda de minha amiga. Ok, nesse dia eu fiquei do lado dele e o apoiei. Mas foi a única exceção.
Até a Emily ficou chateada com o seu descontrole. Ela que nunca se incomoda com nada, ficou pê da vida e fez greve. E sabe o que foi mais engraçado. Essa greve juntou de novo as duas. Nessa tarde eu vim no banheiro e apanhei as duas no quarto de Emy falando “mal” de Sam. Falava mais Leah do que Emily, porque minha santa prima ainda era capaz de o defender…Enfim, vamos lá perceber as mulheres. Nem eu, que sou uma da espécie, entendo.

Aproveitei o dia ensolarado para dar um pequeno passeio. Papai quis vir comigo, mas de última de hora ele recebeu uma chamada importante e se trancou no quarto de hóspedes em reunião. E Embry estava numa ronda da qual eu não tinha meios de me comunicar com ela para o convidar para o passeio.
Caminhei calmamente desfrutando do bom tempo. Minha barriga pesava ainda mais que antes e me assustava pensar que eu ainda poderia engordar mais, pois ainda faltam 2 meses. Céus…hoje faço sete meses que estou grávida.
A lembrança de como tudo começou me fez ficar nostálgica. Memórias de Gabriel invadiram novamente minha mente e quando dei por mim já estava lavada em lágrimas.
As limpei apressadamente antes que alguém me visse, mas era tarde demais.
Assim que ergui meu olhar, encontrei a profundidade tranquilizante dos olhos negros de Jacob.

-Ei. – Ele me cumprimentou com um sorriso caloroso se sentando na areia fria e me ajudando a sentar de seguida. – Problemas com seu pai? – Atirou na sorte.

-Não. Papai não me traz problemas. Me irritam suas atitudes, mas já estou acostumada. – Dei de ombros fungando um pouco mais.

-Então o que fez a garota mais corajosa verter lágrimas?

-Corajosa, eu? – Sorri sardônica abanando a cabeça numa negativa. – Por fora eu pareço ser forte e inabalável, mas por dentro… - Baixei o olhar.

Me custava falar tão abertamente de meus sentimentos. Estava tão habituada a camuflar tudo o que sentia que chegava a acreditar que realmente eu estava bem, quando na verdade eu estava caindo aos pedaços por dentro.

-Destruída, devastada, frágil, inconsolável? – Ele chutou na sorte e eu sorri, mas um nó se foi formando mais forte em minha garganta, me forçando a chorar.

Jake passou seu braço em torno dos meus ombros e eu me deixei apoiar, chorando convulsivamente.

-Ele jurou que me amava e que era comigo que queria ter um futuro, mas quando eu falei que estava esperando um filho dele…ele simplesmente mudou, me rejeitou. Me deixou chorando na sarjeta e no dia seguinte apareceu com outra garota! Eu não queria ter me apaixonado. Eu nunca fui burra ao ponto de acreditar nos “discursos” de caras como Gabriel, mas…eu me senti segura. – Chorei minhas mágoas e Jake afagou minhas costas me consolando.

-Se te deixa mais descansada, a garota que eu amava me correspondia, mas ainda assim ela preferiu voltar para o cara que não teve piedade em dar os pés nela e que a deixou em depressão e quase a fez se matar. – Ele contou, me fazendo arregalar os olhos

-Sério que ela voltou para ele depois de tudo? E eu que pensava que tinha sido ela a fazer uma lavagem cerebral nele…

-Porque diz isso? – Ele perguntou confuso.

-Veja bem, Edward é um pedaço de mau caminho e Bella, venhamos e convenhamos que ela é meia insossa. Não digo que é feia, longe disso, mas…não entendo como ela conseguiu dois master gatões babando por ela. Nem eu estou nesse padrão todo! – Revirei os olhos e Jacob riu.

-Eu até entendo que você me ache gatão, mas o Edward!? – Jake fez piada e eu abri a boca em espanto com o seu convencimento.
Mas não sei porque me espantei. Caramba, ele tem espelhos em casa…Jacob era lindo para caramba!

-Bom, como eu vou explicar isso para um homem entender… - Falei puxando pela cabeça. – Veja, você tem todo esse ar de bad boy sem perder o ar de menininho. E isso é super atrativo para qualquer mulher. Sem falar nesse seu corpo bombado aí, né. – Falei deitando uma olhada para o seu tronco coberto por uma fina camada de roupa. – Já o Edward…tem todo aquele ar cavalheiro renascentista romântico, o que é super encantador para uma garota. – Expliquei de modo super claro. – São tipos completamente opostos. Como o lobo mau e o vampiro. – Comparei e Jake tossiu, me olhando arregalado.

-Lobo mau…vampiro. – Ele falava entre tossidas.

-É. – Eu falei dando de ombros sem entender o seu espanto. – Tipo o Brad Pitt e o Tom Cruise do filme A Entrevista com o Vampiro. Ou o Lestat do filme A Rainha dos Malditos. Sem falar do Lucian e dos outros lobisomens do filme Anjos da Noite. Entendeu?

-Claro. – Ele assentiu, se recompondo.

-! – Escutei a voz de meu pai me chamando e a custo me levantei.

-Pai, você arranjou tempo para mim! – Falei irônica sacudindo a areia da minha roupa.

-, não seja assim! – Ele suspirou. – Bom, a gente precisa conversar.

Hii, quando pais falam “A gente precisa conversar” e junta aquela expressão séria e nervosa, é porque aí vem chumbo grosso!

-Podemos ir lá para dentro? – Ele perguntou e eu assenti.

-Pode vir comigo. – Eu pedi nervosa e Jake franziu o cenho. – Pressinto que papai vai me falar algo que eu não vou gostar nadica de nada. Preciso de ter um porto seguro para me amparar. E já que Embry não está…queria que fosse você. – Falei meio sem jeito.

Era estranho como tão de repente a gente se odiava e mais rápido ainda a gente tinha construído uma ligação inabalável. Com ele eu sentia que podia ser eu mesma. Aquela que poucos conheciam e que eu morria de vergonha de mostrar pelo simples fato de não querer que ninguém sentisse pena de mim. A menina frágil, magoada, sensível e intocável…aquela que tinha o poder de repelir todos os que gostavam dela.
E eu sabia que podia ser essa garota com Jacob porque ele, bem lá no fundo, era uma parte idêntica dessa garota, o qual ele lutava para manter submerso mas quem em uma parte dura da sua vida ele viu exposto sem precedentes ou meios de controlar.

-Seria uma honra. – Jake sorriu se erguendo em um átimo e me acompanhando.

Chegamos a casa de Emy em poucos minutos e assim que entramos nos deparamos com Leah perto de meu pai, sem falar de Sam e Emily e…Dr. Cullen.
Só sua presença fez meu coração disparar no peito e meus braços envolverem minha barriga protetoramente.
Alguma coisa estava errada. Eu pressentia isso em antecipação do que quer que eles fosse falar.

-O…o que…o que está acontecendo? – Questionei em gaguejos, sentindo minhas pernas já não suportarem meu peso.
Jake me segurou firmemente como que adivinhando que dentro em nada eu iria despencar, mas nem isso me fez sentir mais segura ou calma.

-

-É alguma coisa de errado com meu bebê? – Perguntei num fio de voz, sentindo meus olhos se embaciarem por lágrimas.

-Não. Está tudo bem com seu filho. – Carlisle me tranquilizou, mas nem assim a expressão preocupada abandonou o seu rosto.

-Então o que é? – Esganicei tremendo quase convulsivamente.

-Filha, Tommy acabou de me ligar…

-É mamãe? – Eu perguntei o interrompendo e ele negou com a cabeça.
Isso me fez pensar. Se não era mamãe nem meu neném que traziam notícias péssimas com essas caras de enterro, então quem era?

-Ele me ligou dizendo que ele e a sua banda tiveram um acidente e…

De imediato levei a mão à boca reprimindo um grito e minhas pernas fraquejaram. Só não caí redonda no chão porque Jacob me amparou firme e delicadamente.

-Gabriel morreu, querida. – Emily falou de uma vez me fazendo perder o ar ao mesmo tempo que uma nuvem negra envolvia minha vista, fazendo a realidade se desvanecer aos poucos até por fim deixar de ser realidade e se tornar inconsciência!

8 - Desilusão
Devemos esperar tudo de uma relação:
Amor, carinho, amizade, cumplicidade
Ódio, repulsa, intrigas, deslealdade
Discussões e picardias
Mas principalmente, uma grande desilusão.
(BabySuhBR)

9 meses atrás

-, ! Eu passei! Eu passei! – Tom gritava pulando na minha cama.

-Me deixa dormir! – Atirei uma almofada na cara dele, colocando a outra sobre os meus ouvidos, para abafar o som da sua euforia.

-Sai da hibernação, ursa ibérica! – Ele me insultou como sempre.

-Cala a boca, sua taquara rachada. – Devolvi o insulto com muito carinho.

-Se eu fosse taquara rachada eu não teria passado no teste. – Ele revidou.

-Se eu fosse ursa ibérica… - Parei no mesmo segundo em que FINALMENTE processei a sua frase. – VOCÊ PASSOU! AAAAAHHH, VOCÊ PASSOU! – Foi a minha vez de dar a louca e pular no seu colo, quase o estrangulando com o meu abraço.

-Isso é porque você é uma ursa ibérica. Olha só seus abraços? São de botar medo aos próprios ursos! – Ele falou tentando me parar e me afastando.

Dei um tapa no braço dele, botando a língua para fora e abrindo um sorriso enorme de seguida. Sim, eu era meio – completamente – bipolar.

-Tom, você passou! – Falei mais calma, mas com cara de alien contente. Não tente endender essa minha analogia.

-Vou ser um Dexter Boy! – Ele falou empolgado, fazendo um gesto com os braços, como se deslizasse os seus dedos pelas cordas de uma guitarra com violência.

-Não dá para mudarem o nome da banda não? É meio cafona. – Torci o nariz.

-Cafona é a senhora sua m…

-Ow ow, veja lá o que vai falar. Eu posso odiar ela e achá-la uma bruxa, mas só eu posso insultar minha mãe.

-Claro, papai só poderia acertar uma vez com a mulher certa para fazer filhos. Foi na terceira. – Se vangloriou me fazendo ferver de raiva.

-Seu abusado! – Gritei pegando em tudo quanto eram objetos e atirando na direção dele.

Thomas se desviava com perícia, já acostumado com esses meus ataques de violência, e fazia caras e bocas caçoando de mim.
Por fim ele abriu a porta do quarto e sumiu, gritando um “Te vejo mais tarde, maninha” no mesmo segundo em que eu atirava um frasco de perfume barato que mais um dos meus pretendentes me enviara, o estilhaçando por completo contra a porta.

-Merda. Agora esse fedor vai ficar entranhado nesse quarto. VOCÊ ME PAGA, THOMAS BRANDON!

-Ei, que gritaria é essa, mocinha. Isso aqui não é a casa da mãe Joana! E olhe-me só para esse chiqueiro? Trate de arrumar tudinho num instante, . – Mamãe foi logo reclamando de tudo como sempre fazia.

Oh mulherzinha insuportável.
Na minha história não havia madrasta-mocréia-bruxa-má não, era a mãe mesmo!
Bufando pelos cantos, fiz tudo como mamãe mandou e catei as coisas que atirara para Tom, as arrumando nos seus devidos lugares, ou as jogando no lixo.

Em meia hora eu já estava correndo pela casa com metade das roupas por vestir e café da manhã por tomar. Iria chegar atrasada de novo.
Cacei uma maçã na fruteira e a prendi entre os dentre, sem a realmente trincar. Peguei minhas botas cano baixo e as fui calçando ao mesmo tempo que andava e tentava alcançar minha bolsa da escola. Abri a porta de casa e me arrependi imediatamente de o ter feito pois havia esquecido do sobretudo castanho no suporte de casacos do hall. Apressada, joguei tudo no chão e corri até o casaqueiro, retirando o agasalho pesado e vestindo uma das mangas, correndo de volta para a porta da entrada e pegando na bolsa da escola. Pelo caminho fui vestindo a outra manga e me ajeitando, tentando comer a maçã. Na verdade, tentando ENGOLIR a maçã, mas quando olhei o relógio de pulso desisti da batalha contra a maçã e a deitei fora.

Numa corridinha rápida cheguei até os portões do colégio de Makah, entrando no preciso segundo em que eles começavam a fechar.

-Atrasada de novo, Senhorita Young. Da próxima vez não a deixaremos entrar. – O zelador reclamou e eu tentei ao máximo não fazer uma careta desagradável para ele, mas não consegui deixar de responder à altura.

-Tecnicamente eu estou dentro dos limites do tempo. – Apontei para o relógio da torre principal que marcavam 9h09 minutos, sendo que o limite eram 9h10 minutos.

O zelador formou uma carranca irritada, mas eu nem dei tempo dele reclamar, pois só tinha 1 minuto para chegar na sala de aula antes de me proibirem de entrar e me mandarem para a detenção e a sala ainda ficava do outro lado da escola. Mamãe não iria gostar nadica de nada disso.
Minha sorte era eu ser uma atleta dedicada, adorar correr e nem me cansar quase nada, mas mesmo assim eu ainda não era nenhuma Flash Gordon da vida em versão feminina.
Estava eu virando abruptamente uma das esquinas quando meu corpo chocou violentamente contra algo bastante duro, mas não tanto quando uma parede ou um armário.
Caí para a frente sentindo meu corpo ser amparado por algo – que eu poderia até considerar dado o caso – fofo.
Ergui o rosto lentamente, protestando dolorosamente, vendo contra o quê - nesse caso quem – eu tinha trombado.
E lá estava ele. O famoso metidinho a cantor rock. Gabriel Dekker.
E poxa, ele tinha de ser isso tudo de lindo?
Se comporta, . Você não é como as peguetes dele!

-Não olha para onde anda não? – Reclamei começando a me erguer do chão e a me afastar dele, catando as coisas que tinham caído da minha bolsa aberta.

-Desculpa. Você está bem? – Ah não…ele não pode ser educado, né? Só pode ser zuação comigo.

-E porque você se importa? – Falei na defensiva, ajeitando a alça da bolsa no meu ombro.

-Porque você pode ter se machucado. – Falou como se fosse óbvio.

-Fui eu que caí em cima de você e não o contrário. – O relembrei de forma um pouco agressiva.

-Mas eu não sou completamente mole, né? – Revidou e eu olhei seu tronco malhado, exposto por um pólo meio justo demais para ele.

Sabia que tinha de haver um podre nesse menino. Convencido.
Ele se olhou também, entendendo o que eu examinava e sorriu, me fazendo ficar com raiva dele.
Irritada trombei meu ombro contra ele de propósito, andando apressada em direção à detenção. Já não adiantava de nada ir para a classe se o professor iria me mandar mesmo para a detenção.
Escutei passos atrás de mim, mas nem fiz questão de olhar para trás e reclamar de ele me estar seguindo. Obviamente ele havia chegado à mesma conclusão que eu de que não adiantava nada ir para a classe.
Droga, um período inteiro na detenção com aquele badboyzinho. É, agora você está no top das sortudas da semana, calculando pelo critério das meninas do colégio.

Bati na porta da sala de detenção e fui logo entrando sem cerimônias. Meu sangue ferveu quando vi quem iria nos vigiar e eu só quis dar meia volta e telefonar para alguém plantar uma bomba nessa bosta de escola.

-Senhorita Young, eu sabia que você iria parar aqui. – O zelador comentou irónico, zombando da minha cara.

-Espero que ele saiba também que você está prestes a arrancar os olhos dele se não tirar aquele sorrisinho idiota da cara. – Dekker murmurou no meu ouvido, me acordando para a realidade. Ou talvez diria, me puxando para o inferno de volta!

Espero que ele saiba também que eu não estou propriamente de bom humor para ele mexer comigo.” Pensei comigo, olhando de relance para Gabriel, que já se acomodava em uma cadeira.

Inconformada, joguei minha bolsa numa das mesas mais próximas à saída e mais longe da de Gabriel e me sentei de braços cruzados.
Fitei o relógio fixamente, torcendo para que os ponteiros rodassem mais rápido, mas por pura implicância comigo, eles rodavam cada vez mais devagar. O tempo me odeia.
Meia hora depois eu já estava quase dormindo na carteira, mas meus olhos se mantinham fixos no relógio, ou nem tanto, pois as pálpebras estavam pesando cada vez mais e mais e mais…

-SENHORITA YOUNG! – Despertei num salto com o susto da voz esganiçada do zelador, me gritando quase no ouvido. – Aqui não é dormitório para a senhorita tirar um cochilo.

Estava prestes a insultar aquela abécula de tudo quanto eram nomes, me danando para a suspensão que eu fosse levar, quando a porta foi aberta e uma das funcionárias o chamou em particular.
Um minuto depois o zelador enfiou a cabeçorra entre a frincha da porta que ele abriu e nos olhou demoradamente.

-Vou ter de me ausentar por uns minutos. Não façam nada de imprudente ou direi ao Diretor para vos passar uma suspensão!

-Claro, claro, senhor zelador. Eu vou tentar não cometar suicídio por puro tédio! – Eu balbuciei forçando uma cara ensonada e deixando minha cabeça empurrar o braço que a sustentava contra a mesa.

-Eu estou falando sério, senhorita Young. – Ele formou uma carranca.

-Por quem me toma, senhor zelador. Eu também. – Falei de forma teatral e quase ofendida, colocando uma mão no peito e fazendo uma careta exagerada para a interpretação do meu papel.

Ele quis revidar, mas a funcionária o chamou mais uma vez e ele teve apenas de respirar fundo e me lançar um olhar ameaçador antes de fechar a porta e partir.
Escutei o riso abafado atrás de mim quando eu fiz uma vénia depois do zelador sair.

-Você é muito hilária, . – Gabriel ria despreocupadamente, enquanto eu paralisava diante da sua frase.

Aquela coisa linda, gostosa e famosa sabia o meu nome. O meu nome. O de uma simples, excluída e entediante aluna do Colégio de Makah. Aquela que esteve metade de um semestre inteiro partilhando a mesma classe que ele sem que ambos trocássemos sequer uma única palavra, um único olhar.
Ok, eu sei, estou julgando o conteúdo pelo pacote. Mas veja bem. Ele é popular. Um intocável e inalcançável popular. Era suposto ele ser esnobe e metido e indiferente a garotas da minha categoria escolar, vulgo: escalão dois. Sim, porque essa maldita escola tinha escalões.

Interessada em saber sobre os escalões, leia a informação abaixo. Desinteressada, salte a informação chata.

O escalão zero era para os esquesitões. Aqueles que se vestiam de escuro e tinha vários furos e desenhos pelo corpo. Ou simplesmente os hippies e todos aqueles que se vestissem de forma DIFERENTE das pessoas ditas NORMAIS. Tudo o que é diferente é tido como ANORMAL, ponto.

O escalão um era para os nerds e geeks e afins. Aqueles cabeções estudiosos e complexos. Só não estavam no escalão zero porque os de escalão mais alto precisavam da inteligência deles para passarem nas provas.

Depois vinha o meu escalão. O escalão dois. Era o escalão onde se enquadravam todos aqueles que não molhavam nem deixavam molhar. Aqueles sem interesse, mas que não incomodam. Somos quase que invisíveis, entendem.

A seguir vinha o escalão três. O escalão dos semi populares. Aqueles que estavam alcançando aos poucos a sua própria popularidade, como o Tom – sim o meu querido irmão Tom fazia parte do escalão 3 – ou os lambe-botas dos populares e intocáveis.

Por último vinha o escalão quatro. O dos populares. Vários tinham esse estatuto, por isso foi criado mais um escalão.
O escalão cinco, o dos intocáveis, e só a nata mais poderosa e popular fazia parte dela. Tipo, uns 3 ou 4.

E pelo que eu andava escutando, Gabriel Dekker estava conquistando seu posto no escalão 5.
Há quem dê um duro para receber a sua “promoção”, há outros que já nascem com o escalão. Gabriel chegou sendo um zé-ninguém, mas em menos de um dia já alcançou o escalão 4. E da maneira como todas as garotas do escalão cinco babavam por ele, logo ele seria a nova mascote delas. Ou talvez fosse o contrário.

Fim de informação chata. Obrigada para quem leu minha explicação sobre escalões.

A minha “curta” tese teórica foi interrompida por uma sacudida em meu ombro.
Olhei para Gabriel tentando captar em meu cérebro o segundo em que ele se levantou e chegou até mim, mas isso era apenas um buraco negro impossível de desvendar.
Acho que viajei aqui noutra dimensão.

-Garota, você foi abduzida? Tô te chamando faz mó tempão. – Ele falou visivelmente preocupado. – Será que a pancada que levou te deixou com sequelas? Melhor levar você na enfermaria. – Ele foi tagarelando enquanto eu voltava lentamente à realidade.

Desculpem se nasci com defeito de fabrico. Culpem os criadores do produto em questão. Beijo.

-Que enfermaria que o quê. Tenho nojo de tudo o que se relacione com medicina. – Falei, me tremelicando toda e sacudindo os braços teatralmente.

Eu acho que devia tentar uma vertente artística quando for para a faculdade.
Olha eu viajando de novo para outras terras, hein.

-Nojo, ou medo? – Gabriel provocou.

Fiquei sem resposta, claro. Estava óbvio que era medo, PAVOR. Mas se eu mentisse iria me dedurar, se eu falasse a verdade, iria me humilhar. E eu não quero descer de escalão porque eu não me enquadro DE TODO no mundo Geek e Nerd e por mais que eu pareça meio roqueira e alternativa na minha maneira de vestir, ainda tenho estilo e no tattoos or piercings.
Ok, minha mente deu agora para pensar estrangeiro.

-Que te interessa. Eu não quero ir e ponto. – Cruzei os braços feito criancinha que bate o pé para os pais.

-Tudo bem, você é que sabe. Mas depois não venha chorar no meu ombro se tiver uma convulsão em casa e sua mãe te internar num hospital. Ao menos na enfermaria da escola não tem aquele cheiro intenso e horrível dos hospitais. – Ele deu de ombros se sentando de novo na sua carteira, me aterrorizando ainda mais.

-É sério, eu estou bem. – Só sou um pouco alienada. Mas claro que não disse isso em voz alta, né? Era me condenar.

-Você é namorada do Thomas Brandon, certo? Eu te vejo várias vezes com ele. – Gabriel comentou, tentando puxar conversa, o que por si só já era de se admirar, mas eu nem tive maneira de responder pois me rompi numa gargalhada escandalosa.

-Eu…e o Tom…namorados…muito hilário. – Falei entre gargalhadas, batendo a mão na mesa.

-Eu não vejo qual é a piada. – Ele enrugou a testa visivelmente chateado com a minha reação exagerada.

-Isso seria impossível por vários motivos. Primeiro porque não somos do mesmo escalão. Depois porque somos os melhores amigos. E terceiro porque seria incesto. Ele é meu meio-irmão. – Esclareci e ele pareceu surpreso ante a última declaração. – Veja bem, se já é proibido pessoas dos escalões superiores se relacionarem com pessoas do escalão inferior, vergonha seria se admitissem ter parentes nos escalões inferiores. Tom não liga a isso, mas sei que ele se importa quando se toca nesse assunto de eu ser meia-irmã dele. Então todo mundo apenas finge que eu não existo. – Fui tagarelando e dando de ombros.

-Eu não entendo isso dos escalões. – Ele fez cara de confuso.

-Ah, conta outra. – Eu falei descrente mas perante sua cara verdadeira eu arregalei os olhos. – Não deixe eles saberem que você é meio alienado se não você nunca vai chegar no topo do escalão e com certeza ainda irá descer um degrau! – Falei meio histérica.

Porque raios eu estava mesmo me importando? Aliás, porque eu estava mantendo uma conversa com um ser supostamente desprezível e antipático. Mais outra coisa que eu deveria avisar a ele. Ou ele se mostrava um da laia deles, ou se ele continuasse bonzinho com gente do meu escalão ou de escalão inferior ainda, ele estava danado. Iria para o sub-escalão num pulo.

Ah sim, porque ainda existe o sub-escalão. Aquele que todos temem falar, mas que não deixa de existir por isso mesmo. É o escalão para o qual todos aqueles que desafiam os escalões superiores ou são odiados por eles de forma OBSESSIVA, são enviados. Na história dos escalões só se registaram 3 casos em 50 anos – sim, isso vem do tempo da minha avó – e todos eles se suicidaram. É isso mesmo, leram bem, SU-I-CÍ-DI-O.

Compadecida – ou até mesmo dopada. Talvez eu devesse escutar o Gabriel e ir na enfermaria, porque só uma pancada muito forte na cabeça explicaria o motivo de eu estar falando tranquilamente com Dekker e até lhe dando dicas para ele subir de escalão – eu expliquei o que eram os escalões e onde cada grupo se encaixava.

-Isso é ridículo. – Ele falou descrente. – Sério que isso existe aqui? Essa cidade é tão pacata.

-Não se deixe enganar pelas aparências. – Céus, a quem eu estava falando isso. Acho que era a mim mesma e não a ele. – Aliás, devido ao seu escalão, você nem deveria estar trocando sequer duas palavras comigo. Por isso, se quer manter seu estatuto, me esnoba. – Eu falei virando meu corpo totalmente para a frente.

-Eu não ligo para isso. Se quiserem me colocar no escalão zero, que me coloquem. Eu falo com quem eu quiser. – Meu rosto se virou lentamente para o lado, olhando boquiaberta para ele.

Acho que podia ver como reflexo em seus olhos, o brilho intenso de admiração dos meus, mas isso poderia ser só impressão. Porque eu implorava mentalmente a mim mesma não estar a dar tanta bandeira.

X

A verdade é que Gabriel Dekker não estava tirando uma com a minha cara quando falou que não dava a mínima para os escalões e suas regras. Tanto que na hora do almoço ele veio sentar na minha mesa e na de Thomas.
O choque dos meus amigos foi total ao vê-lo se entrosar numa conversa comigo, então imaginem a careta horrível dos populares ante esse ultraje.
Eu estava amando só o fato de ele estar pouco se lixando para a cara deles. Eu sempre quis fazer isso e só não o fiz antes, não por medo, mas sim por puro desinteresse.
Já nos intervalos entre classes não foi a mesma coisa. Os populares estava tentando ao máximo afastar Dekker dos escalões inferiores e estavam conseguindo. O monte de guria que o interpelava no caminho e arranjavam mil e uma desculpas para o levar para outro lugar. Mas eu não me importei. Ele tinha subido na minha consideração.

X

-O que foi aquilo hoje, maninha? – Tom me questionou quando chegou em casa.

De tarde, depois das aulas, eu sempre ia para casa de Tom estudar com ele, mesmo que fossemos de anos diferentes. Ambos eramos meio crânios em certas matérias, independentemente do ano, e nos ajudávamos mutuamente.

-Aquilo o quê? – Fingi distração, mantendo a atenção nos livros e no exercício que estava realizando.

-Aquilo com o Gabe que todo mundo está comentando. Desde quando vocês são amiguinhos?

-A gente não é amiguinho. Apenas somos colegas de classe que não dão a mínima para os escalões. Você não deveria se surpreender tanto, Tom, afinal você não liga para os escalões também. – O olhei significativamente, mandando a indireta.

Tom suspirou e se jogou na cadeira ao lado da minha, me fazendo voltar toda para ele e o escutar com atenção.

-É claro que eu não dou a mínima para os escalões, mas eu dou a mínima – a máxima, até – para você, . Eu te amo, irmã, e não quero que você se machuque de qualquer jeito.

-Você ainda está falando dos escalões, certo? – Questionei meio suspeita da mensagem subentendida que ele passava naquela frase.

-Claro, claro. – Ele se levantou meio incomodado.

-Tem certeza? É que de repente pareceu que você estava dando um ciuminho básico de irmão em relação ao Gabriel. – Cruzei os braços, examinando a sua expressão, mas ele foi muito mais arteiro na sua resposta.

-Tenho motivos para isso? – Questionou, sorrindo matreiro

Deitei a língua para fora e enfiei a cara de novo nos estudos. Por sorte Tom não era daquelas pessoas chatas e insistentes que fica te puxando a verdade até você confessar, mas meu simples silêncio já era uma mera confissão.
Mas confissão exatamante do quê? Nem eu tinha bem a noção disso e acho que nem queria ter.

XxX

As semanas foram se passando calmas. Isto porque Gabriel não causou polêmica novamente.
A verdade é que ele e os Dexter Boys – sim, ele era o vocalista principal dos DB e o que fizera a convocatória para novos membros – estavam muito entrosados em criar músicas novas para o Baile Primavera que ocorreria dali a dois meses. E além da criação das letras e melodias, eles ainda teriam de treinar bastante até acertarem nos tons certos e entrarem todos em sintonia.

Por várias vezes eu ia assistir eles ensaiando – bem como a maioria das garotas da escola, fãs exclusivas e privilegiadas da banda – mas eu ia apenas para ver e torcer por Tom. Ele finalmente havia conseguido subir para o escalão quatro, afinal estava bastante próximo do Gabe e não podia ser menos que um escalão 4.
Gabe? Eu o chamei em pensamento de Gabe?
Sei que estão admiradas, mas a verdade é que meio “escondido” a gente se esbarrava e ia se falando. Estávamos nos dando bem e virando meio que…amigos. E meio que pintava um clima da minha parte, mas eu tentava ao máximo esconder. Quantas mais outras garotas muito mais interessantes estariam tão ou mais afim dele que eu?

Muitas das vezes a banda estava toda em casa de Tom – ele era o único que morava sozinho – enquanto eu também estudava. Lá eles compunham as músicas e apesar da confusão e barulheira que faziam com os vocais e os acordes das violas, eu conseguia me concentrar.
Hoje era um desses dias. Tom se dividia entre estudar comigo e compor músicas, mas estava difícil para ele. Decidi então estudar sozinha. Peguei nas minhas coisas e fui para o quarto do meu irmão. La dentro, de porta fechada, abafava melhor o som confuso que se dava na sala.
Não deu nem dois minutos para a porta do quarto ressoar três batidas.

-Eu não estou nua, pode entrar. – Falei, porque só podia ser esse o motivo para o meu irmão bater na porta do próprio quarto.

-Obrigada por avisar antes de eu entrar. – Escutei Gabe falar.

-Oh, desculpa, pensei que fosse o Tom. – Falei envergonhada pelo que dissera anteriormente. - Precisa de alguma coisa? – Perguntei, arrumando o cabelo atrás da orelha.

-Bom, eu estou aqui com uma música na cabeça e gostaria que você escutasse. – Ele falou me pegando de surpresa.

-Não deveria de mostrar para os meninos primeiro? – Perguntei confusa e nervosa. Eu estava tremendo e nem entendia porquê.

-Eu prefiro mostrá-la para você antes. – Comentou puxando uma cadeira e se ajeitando.

-Porquê? – Minha voz quase falhou.

-Porque ela é sobre você. – Falou me olhando nos olhos.

Meu coração falhou uma batida e a garganta se fechou impedindo a passagem do ar por meros segundos. Apenas quando escutei os primeiros acordes da viola relaxei.

(http://youtu.be/C2FxIjtndsQ - Colocar a música a tocar e acompanhar o som com a letra)

I feel it everyday it's all the same (Eu sinto que todos os dias são iguais)
It brings me down but I'm the one to blame (Isso me bota para baixo, mas sou o único a quem culpar)
I've tried everything to get away ( Eu tentei de tudo para me manter distante)
So here I go again (Mas aqui estou eu de novo)
Chasing you down again (Te perseguindo mais uma vez)
Why do I do this? (Porque eu faço isso?)

Over and over, over and over (De novo e de novo)
I fall for you (Eu me apaixono por você)
Over and over, over and over (De novo e de novo)
I try not to (Eu tento não o fazer)

It feels like everyday stays the same (Eu sinto que todos os dias continuam iguais)
It's dragging me down and I can't pull away (Está me deitando abaixo e eu não consigo escapar)
So here I go again (Então aqui estou eu de novo)
Chasing you down again (Te perseguindo mais uma vez)
Why do I do this? (Porque eu faço isso?)

Over and over, over and over (De novo e de novo)
I fall for you (Eu me apaixono por você)
Over and over, over and over (De novo e de novo)
I try not to (Eu tento não o fazer)
Over and over, over and over (De novo e de novo)
You make me fall for you (Você me faz apaixonar por você)
Over and over, over and over (De novo e de novo)
You don't even try (Você nem mesmo tentou)

So many thoughts that I can't get out of my head (Tantos pensamentos que não consigo tirar da minha cabeça)
I try to live without you, (Eu tentei viver sem você)
Every time I do I feel dead (Toda a vez que tento eu me sinto morto)
I know what's best for me (Eu sei o que é melhor para mim)
But I want you instead (Mas eu prefiro você)
I'll keep on wasting all my time (Eu continuarei perdendo meu tempo)

Over and over, over and over (De novo e de novo)
I fall for you (Eu me apaixono por você)
Over and over, over and over (De novo e de novo)
I try not to (Eu tento não o fazer)
Over and over, over and over (De novo e de novo)
You make me fall for you (Você me faz apaixonar por você)
Over and over, over and over (De novo e de novo)
You don't even try (Você nem mesmo tentou)

Assim que ele terminou de cantar, um impulso me fez ir em direção dele, feito um fuguetão, e atacar seus lábios com os meus. Eu sabia que estava errado e que eu iria me dar mal, mas ele conseguira. Eu estava completamente apaixonada por Gabriel Dekker.

Atualidade

Daí até eu ficar grávida foram dois passos. O namoro e a transa.
Eu não era fácil, nunca fui. Não só por minha personalidade, mas porque eu ainda era virgem. Mas meu instinto estava avariado e eu achei que ele fosse o cara certo para eu entregar a minha primeira vez.

Dois meses depois, o Baile Primavera chegou e a atuação dos Dexter Boys foi um sucesso. A fama deles começou se espalhando por toda a Washington e daí foi só um passo para eles começarem uma digressão de férias por todo o Estado.
As vezes em que nos víamos se tornavam cada vez mais escassas e a última vez que estivemos juntos fora pouco depois do Baile e antes da digressão da banda.

Eu tentei contar antes da confusão toda começar, eu tentei acreditar que ele não tinha mudado e que ainda gostava de mim, mas ainda assim eu lutei contra o meu próprio senso e fui escorraçada como um cão sarnento sem piedade nenhuma.

Eu ainda podia reviver em minha mente aquele dia como se fosse ontem. O monstro que falou comigo, não era de todo o Gabe que eu conhecia.

-Fala logo, , o que você quer que não podia esperar o show terminar.

-Se ele ainda vai demorar a começar, porque não pode me dar um minutinho de atenção? – Perguntei chateada. Na verdade magoada, com o coração despedaçado. Aterrorizada com a verdade que crescia dentro de mim.

-Fale então. – Cruzou os braços, impaciente.

-Gabe…você me ama? – Perguntei. Eu só precisava de me sentir segura para contar.

Ele me analisou demoradamente com uma expressão indecifrável e baixou o rosto inquieto ao tempo que respondia.

-Sim, eu gosto de você.

-Mas você me ama? – Tornei a insistir naquela resposta, sentindo meus olhos arderem e meu coração palpitar amedrontado.

-Para quê isso agora, ? Você está com medo que eu te traia, é isso? Se quer saber eu nem teria tempo, se quisesse… - Ele barafustou uma desculpa me deixando incrédula.

-Quer dizer que se você tivesse tempo você pegava a primeira que aparecesse? – Acusei, cruzando os braços na defensiva.

-Não foi isso que eu quis dizer… - Tentou se desculpar se aproximando de mim e segurando meu rosto com ambas as mãos. – Eu gosto de você. – Falou, mas aquilo me soou mais a uma desculpa.

Desviei o olhar e mordi o lábio, tentando segurar as lágrimas. Eu não estava mais insegura. Eu estava destruída. Gabe não me amava e nem se importava mais comigo ou com nosso namoro. E eu estava grávida.
Me afastei dele com brusquidão Minhas guardas estavam no máximo, mas eu não iria morrer com essa bomba sozinha.

-Gabe, eu estou grávida. – Despejei de uma vez, nem olhando para a sua cara.

O silêncio nos corroeu como ratos num esgoto.
Aquele beco nunca pareceu tão escuro, tão frio e tão sujo como pareceu naquela noite. O som abafado de música rock ressoava dentro do bar do qual acabáramos de sair.

-E o que você quer que eu faça? – Ele gritou puxando seus longos fios loiros.

-Que tal me ajudar! É um começo. – Gritei de volta em tom irônico.

-Eu sei bem o que você quer, . – Ele apontou o dedo para mim e estreitou os olhos, me dardejando com sua fúria.

-Ah sabe? Então me diga. – Cruzei os braços.

-Você quer arruinar minha carreira. Você quer que eu fracasse. Mas se você acha que eu vou ceder fácil aos seus joguinhos, pode ir enganar outro trouxa! – Barafustou me virando costas no final do seu discurso.

-Gabe! Volta aqui! O que eu vou fazer? – Gritei começando a me desesperar.

Ele continuou caminhando apressado e apenas gritou um: “Se vira!” antes de cruzar a esquina do beco.
A onda eletrizante de solidão me atacou com pujança me fazendo perder as forças e ir ao chão.
A ardência em meus olhos e o bolo nodoso em minha garganta fizeram lágrimas rolarem por meu rosto enquanto a voz sumida de mim lutava para sair em um grito de desespero.
E então eu gritei. Mesmo que ninguém me pudesse escutar.

23 comentários:

  1. promete!!!!!!!!!!!!!

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  2. Ah Baby, ja amei sua fic. Sim,sou uma leitora fantasma,mas estou sempre acompanhando suas fics. Essa promete,hein. Ta perfeita,continua
    JennyMalik'

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  3. Mais uma fic perfeita sua Baby,vou amar acompanhar ela.

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  4. Perfeita com certeza vou acompanhar...
    Bjos

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  5. Adorei. Muito interessante e diferente. A menina vem gravida pra reserva e vai começar a se relacionar com os meninos. Louca pra ver como vai ser a interação deles com a criança, se alguem vai bancar "o paizão" e ficar brincando com a barriga dela... enfim. imagino mta coisa pra essa fic :D Queria bater no pai da criança por ser um perfeito imbecil. E ADOREI as comédias da galera... "pulguinha" hahahahahahahahahha ri mto! Adoro esses meninos, eles são hilários *-* Bjs e poste logo

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  6. Amei... Estou louca para saber o que vai rolar... Fic bem diferente.... Continue assim parabéns :D

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  7. Amei aqui!Mas gostaria que ela ficasse com o Jake,Cadê?!!!!

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  8. Meu Deus, não acredito que a PP beijou o Embry... sinceramente eu prefiro mil vezes o Seth... Amo que amo ele rsrs...
    mas então continue, foi lindo esse capítulo... parabén :D

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  9. Meninas, obrigada pelo vosso carinho e apoio. Vcs são umas lindas.
    Vou tentar ser menos esquecida e postar com mais frequência, vcs merecem :*

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  10. Ja estava com saudades....rsrs
    Como sempre lindaaaaa....
    Continuq por favor....

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  11. Um momento por favor, essa fic é team embry ou team jake? Só pra saber rsrsrs
    Adorei a att. Fiquei feliz pelo Embry, to intrigada por Collin e Leah, afinal, eles n tiveram um imprinting, como ele ta apaixonado por ela? Hummm, como isso vai funcionar...
    E pra finalizar, o Jake aparecendo explosivamente hahaaha N sei se a fic era pra ser team jake, mas se fosse, teria sido perfeito ela empurrando ele e mandando ele se afastar dela, ai ele olhava nos olhos dela e puf, imprinting... E virasse um gatinho domesticado hahahhahaha ia ser DIVO! hhahahahha
    Enfim, posta mais, bjs

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  12. Então né gente? Jake ou Embry?!
    Muito engraçada a PP to adorando! Bjs

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  13. adorei o papaikkkk mas ninguém merece um pai assim é tudo demais ali kkk.jake ou embry oh duvida cruel

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  14. Meu Deus que fic é essa espero os próximos capítulos a PP é super engraçada kkkkk

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  15. Quero saber o que acontece dps!!! Meu Deusss

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  16. Ameeeeeeei essa fic do começo ao fim, li tudo de uma vez e me apaixonei!!!! Att logo ok? Bjs:**

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  17. Pela amor de Deus continua esta muito legal eu amei tudo esse Gabe foi um filho de uma mãe com ela coitada ela sofreu demais quero saber o que vai acontecer ? Mesmo o Gabe tedo magoado ela ele não merecia morrer né talvez um pouquinho mais enfim continua sua historia me comoveu :) bjs amanda

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