24 de fevereiro de 2012

The Precious Blood by Déh (a partir do cap. 19)

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PRIMEIRA PARTE
CAPÍTULO 19
MULHERES FERIDAS
“Tu, que em seus atos impensados e impudicos,
Lançaste a dor em corações femininos.
Tu, que se fechou em sua arrogância e ignorância masculina,
Enfrente agora o olhar de suas mulheres.
Enfrente a dor nos olhos delas, a revolta.
Enfrente a decepção feminina lhe torturando o coração.
Não poderás fugir disto: erraste homem, agora pague!
Diante delas se ajoelhe e se arrependa,
Confesse sua miséria e, só assim,
Se faça digno novamente!”

se virou para trás, para a mulher que sorria amarga pra ela, e franziu o cenho.
_ Ora, ora, ora se não é a ilustre senhora Black, esposa do nosso gostoso predileto! – nada disse, aquela mulher só podia estar bêbada demais.
Ela virou as costas para a moça e voltou a cuidar de seus cabelos em frente ao espelho.
_ Estou falando com você, senhora Black! – A ruiva deu um passo em direção a .
_ Estou ouvindo, diga o que quer senhorita…
Mery sorriu.
_ Mery Stron.
_ Sim, senhorita Stron, pode dizer o que deseja.
_ Vejam só, ela é educada! – Mery riu, batendo palmas. _ Devo dizer que é bem diferente do seu marido… … - Ela disse com voz arranhada, os olhos vermelhos, quase alucinados.
respirou fundo e engoliu um bolo em sua garganta. Aquela mulher tinha alguma mágoa, alguma necessidade de afirmação. reconheceu aquilo de longe. Mas ela não ia ficar ali pra ajudá-la, ela nada poderia fazer quanto aquilo.
_ Se não se importa eu tenho que voltar a festa, já esta tarde e devo ir. – disse, se direcionando a porta. Mas a tal ruiva se pôs bruscamente em sua frente, impedindo.
_ Que bonito, vai voltar pra casa com o maridinho. Está com pressa pra que ainda dê tempo de irem pra cama esta noite?
_ Creio que isto não lhe diz respeito. E acho que você tem que voltar pra sua casa também e tomar um banho e um café forte. Você está completamente descontrolada. Me dê licença! – já estava no limite de sua paciência, aquela mulher estava a irritando.
Mery soltou uma risada aguda.
_ Mas você é idiota mesmo, não é? Você acredita mesmo que a cama do seu marido não me diz respeito? Imbecil!
olhou para a mulher e disfarçou a fisgada que sentiu no coração. Suspeitava de que aquela revolta tinha sido causada por Jacob, mas ela não queria saber mais, não queria!
_ Não vejo motivos pra que você me ataque desta maneira, pois em nenhum momento eu agi desta forma com você. Agora eu vou dizer pela última vez: saia da minha frente! – disse, segurando firme sua carteira de mão pra não arrancar a ruiva de sua frente a força.
Mas Mery se virou para trás de uma vez e trancou a porta de saída, jogando a chave com brusquidão na direção de , que desviou facilmente.
_ Você só vai sair deste lugar quando eu te disser tudo o que eu quiser! E você vai escutar! Vai escutar que muitas mulheres dividem a cama de seu marido, ouviu isto? Você pode desbancar esta pose, porque você não passa de uma imbecil traída!
teve ânsia de agarrar o pescoço da mulher e esmagá-lo. Mas ao invés disso, se virou para a pia e agarrou o granizo liberando a sua força ali. Ela queria fugir dali pra não ouvir o que ela já sabia que aquela mulher ia dizer. Mas algo a mantia pregada, algo cruel não permitia que ela se retirasse.
_ Sim, o homem que dorme com você, que desfilou com você por esta festa, esteve na minha cama por mais de uma vez! E todos sabem disto! Você pensa que ele queria só te apresentar para os companheiros de trabalho, orgulhoso da esposa médica? – Ela gargalhou. – Não, o que ele queria era desfilar com a idiota que ele trai com a secretária! E todos sabem, todos que ele te apresentou sabem que Jacob Black se satisfaz na MINHA CAMA!
Mery estava machucada e se achava no direito de também ferir, se achava na razão de humilhar a mulher que ela sabia que Jacob preservava.
_ O que foi, nobre doutora? – Mery disse, enquanto via no esforço de se conter, apertando os olhos. – Você realmente não sabia que você não era suficiente para Jacob?
_ Eu acho que está bom, já disse tudo o que tinha pra dizer, não é? Agora cale a sua boca antes que seja tarde pra você! – disse em um sussurro que Mery mal escutou.
_ Eu também sei que ele faz gostoso. O mais gostoso que eu já tive no meio de minhas pernas... Ele também te penetra com força? Hummm… adoro arranhar as costas dele sabia? Você já viu minhas marcas nele? Já sentiu meu perfume nele?
A bile de subiu de seu estomago e lhe foi a garganta, ela fez uma expressão de puro nojo ao ouvir aquilo. Naquela altura ela já estava quebrando o granizo da pia, seus olhos já estavam perigosos demais.
_ Você vai continuar com seu marido mesmo sabendo disto? Mesmo sabendo que ele transa com outras não fazendo a mínima questão de esconder isto?
soltou perigosamente a pia.
_ Eu disse chega! - Ela voltou a dizer baixinho.
_ Mas é claro que você vai continuar com ele. Eu aposto! – Ela disse com voz arranhada. – Aquele canalha só poderia ter se casado com uma vagabunda que não se importa com o que ele faça fora de casa, com tanto que ele te faça gritar toda noite, não é? Ahhh e ele sabe fazer isto muito bem…
A ira de explodiu, ao mesmo tempo que uma dor estranha lhe rasgava por dentro. Sem conter sua velocidade quebrou o espelho do banheiro e agarrou a nuca de Mery, aproximando o rosto da ruiva, de pele muito bem cuidada, no vidro rachado. A ponta de um caco quase chegava nos olhos de Mery. O espanto fez a mulher ficar estática, sem nem piscar, com o coração batendo furiosamente.
_ Você pensa então que eu sou a idiota? – disse sem alterar a voz, continuava baixa, os lábios dela encostando na orelha de Mery. sorria esplendorosamente má. – Pois eu vou lhe contar um segredo: idiota e imbecil é você meu amor. Você que se preza a um papel de objeto sexual descartável. Sim, descartável! Pois eu tenho certeza que Jacob acabou de te jogar fora. E você se iludiu a ponto de pensar que seria mais do que isto? Ora, é tão burra que me faz rir. Você pode dar sempre o seu corpo minha querida, você poderá fazer um homem gemer como um selvagem em cima de você, mas você não tem aquilo que você mais quer: carinho! Você é desejada como uma fêmea no cio que estava no lugar certo e simplesmente disponível. Então eles vão lá, se enfiam dentro de você com o desejo imundo que eles tem e depois que gozam não se lembram nem de olhar nos teus olhos! Não é verdade cara Mery Stron!?
Lágrimas começaram a cair como cascata dos olhos de Mery, poderia ficar com pena dela, se não tivesse tão exaltada. Ela deu então o golpe de misericórdia.
_ Enquanto você se prezar a ser um depósito de esperma você não vai ter o amor que eu sei que você tanto procura! Não adianta tentar me sobrepujar minha querida, porque a pobre miserável aqui é você!
soltou o pescoço de Mery bruscamente, fazendo esta cair pra trás, chorando copiosamente. Saiu do banheiro arrebentando a porta e pisando firme, sem ao menos olhar pra trás. Seu estomago embrulhava. Ela lembrava que tinha deixado Jacob tocá-la, que quis que Jacob a tocasse e sentia nojo. Queria embora dali imediatamente, mas antes precisava se conter um pouco.
Sentou-se no bar e abaixou a cabeça, tentando controlar a respiração exaltada e acalmar o ódio que fervia dentro dela.
_ Um whisky duplo sem gelo! – Ela pediu ao ver o vulto do garçom parar na frente dela.
_ Boa pedida! Uma mulher que agüenta um drink deste é realmente admirável. – Rick Manson! Era tudo que não precisava ver pela frente. Ela levantou a cabeça, mas não olhou pra ele. Ignorou-o. _ Vejo que Jacob já lhe deixou de canto. – Rick bufou como se lamentasse, mas na verdade sorria por dentro.
direcionou seu olhar revoltado a ele. O idiota sorriu, trincou os dentes. Ele era nojento, nojento como eram todos os homens que traziam a marca daquele desejo horrendo nos olhos!
_ É realmente lamentável minha querida. Eu sei que não deveria, mas eu não posso suportar que uma mulher como você seja tratada como Jacob lhe trata. – Ele disse, fazendo uma voz e expressão forçosamente decepcionada.
pegou o drink que pediu e tomou de um único gole, rindo logo depois da hipocrisia de Rick. Ele continuou a falar, mesmo com o silêncio de .
_ Minha querida, você não pode ficar sujeita aquele canalha do seu marido. Eu sei que é difícil pra você ouvir isto, mas a verdade, por mais dura que seja, é melhor que a ilusão. – Ele colocou ousadamente a mão por cima da dela no balcão. ficou rígida como uma pedra. – Eu não posso suportar mais isto, eu preciso lhe dizer que Jacob Black não te merece querida. – Rick suspirou falsamente – É difícil dizer isto, mas ele te traí minha querida. Aqui mesmo, na nossa empresa, existem algumas mulheres com quem ele já te traiu. Nenhuma mulher merece isto querida, nenhuma. E eu não estou suportando as amantes de Black debocharam de você pelas costas.
fechou os olhos uma vez mais e prendeu um rugido furioso dentro da garganta.
_ A senhorita Stron, infelizmente, é uma delas…
Durante o momento que Rick estava com no bar, Jacob procurava incessantemente pela esposa na festa toda. Ele não a havia encontrado desde que se livrou de Mery. Mas quando, ao longe, sua visão aguçada lhe permitiu enxergar Rick com a mão encima da de , do outro lado da multidão de pessoas na pista de dança, ele sentiu o sangue ferver. Apressou-se em ir para o lugar onde eles estavam, mas a quantidade de pessoas que havia no caminho impedia que ele fosse tão rápido quanto queria.
Rick cruelmente apontava as amantes de Jacob para , a maior parte delas falsas. Acariciava a mão da morena que tinha os olhos vermelhos, mas que não soltavam uma lágrima sequer.
_…ele não merece você … ele não merece sua fidelidade… - Ele disse meloso, apoiando a mão descaradamente na parte descoberta da perna cruzada de . – Pessoas como ele merecem provar do mesmo veneno, você não acha minha querida?
abriu um sorriso lindo, mas dominado por nojo e sarcasmo. Ela procurou os olhos de Rick, sentiu a aproximação de Jacob mesmo sem vê-lo. Ele havia ouvido a última frase de Rick e tentava passar furiosamente pelas pessoas.
Jacob viu espantando quando se inclinou para Rick, com um sorriso nos lábios tingidos de vermelho, quase tão vermelhos quanto seu olhar de ódio, e pegar a mão do miserável que estava em sua coxa. se aproximou mais… o coração de Jacob começou a se contorcer, mas o ódio e a dor eram muito mais nocivos em .
Parecia que Jacob estava andando lento demais, ele não conseguia se aproximar dos dois nunca. Ele ouviu o coração de Rick se acelerar quando os lábios de estavam perigosamente perto dele, de seus ouvidos. Jacob sentiu raiva quando viu o sorriso iluminar a face de seu patrão.
_ Eu sei apenas o que você merece… querido… - sibilou no ouvido de Rick, fazendo este estremecer ao sentir ela enfiar a mão por dentro da manga de seu smoking. – Sabe qual a vantagem de ser médica e estudar tão minuciosamente o corpo humano Rick? – Ela continuou sussurrando, Jacob continuou a se aproximar, ainda longe e lento demais.
_ Adoraria saber meu bem… - quase quis vomitar com a voz impregnada de lascividade daquele ser asqueroso. Ela via um espectro de Xavier nele.
_ A vantagem é que eu sei exatamente a reação que posso causar em pontos específicos do corpo humano. – Logo que disse isto, Rick sentiu o aperto dela em seu braço dolorosamente. Ele gemeu. havia pego certeiramente um nervo que fez doer e travar todo o lado esquerdo de Rick.
_ Eu adoraria te provocar mais gemidos como este canalha… - disse, apertando com mais força…
Mas ela soltou de um Rick verde de dor quando mãos fortes lhe agarraram a cintura e a puxaram para trás. Era Jacob.
Ela a colocou atrás de si, sem que ela esboçasse reação diferente de uma pedra. Ele se virou para Rick, que tinha um olhar espantado e receoso. Jacob também deu-lhe um sorriso raivoso tão potente quanto o de sua esposa, articulando os dedos da mão e os fechando. Os olhos de Rick se voltaram para o punho de Jacob, mas antes que ele cumprisse seu intuito de fugir ou gritar, Jacob elevou o braço, e contendo consideravelmente sua força, socou o meio da cara de Rick. Ele caiu pra trás, voando longe. Com um único golpe ele teve o nariz arrebentado por Jacob, o sangue, que começou a jorrar imediatamente, quase o impedia de respirar, o sufocando.
Ele se encolheu ao vislumbrar Jacob se abaixando para ele. Este agarrou o colarim manchado de sangue de Rick e disse com voz gutural.
_ Isto é um pedido de demissão chefinho. Você realmente tem sorte de não estar morto agora. Porque acredite: eu poderia fazer isto facilmente. Quero que você saiba que eu sei de todos os superfaturamentos que você tem nas peças que comprou a meu pedido… você não gostaria que a Matriz soubesse disto não é? Então amanha você vai depositar centavo por centavo do acerto dos seis anos que trabalhei nesta porcaria. Adeus, idiota. Considere-se um homem de sorte quando acordar vivo amanhã!
Jacob soltou Rick e se virou para , um círculo de pessoas se formou em volta deles. Ele se aproximou dela e tentou lhe pegar o braço pra saírem dali, mas ela recuou rispidamente, virando as costas e cortando um caminho por entre as pessoas.
_ Espera! – Jacob disse, indo atrás de . Mas ela não esperou, pelo contrário, apertou o passo desviando habilmente das pessoas que a encaravam.
Ela se sentia cada vez mais humilhada, o olhar daquelas pessoas dando-lhe ainda mais revolta. Ela ergueu o queixo e continuou a marchar para fora daquele inferno pulsante.
_ Mas que diabos , espera! – Jacob disse, alcançando o braço de e o pegando.
Mas quando ele a vira pra si, quase se encolhe diante do olhar que ela lhe deu. Estava embargado de ódio e decepção. Ela o encarou por um instante, ele nada disse. Bruscamente ela puxou o seu braço das mãos de Jacob. Porém, assim que ela se virou para retornar ao seu caminho, e Jacob se depararam com Mery.
A ruiva tinha a cabeça baixa e o penteado desgrenhado. Ela ergueu os olhos e encarou Jacob. Dor! Havia muita dor nos olhos dela. Seu rosto manchado com as lágrimas, a opacidade da decepção e humilhação tomava conta do olhar de Mery, aquele olhar foi como uma faca aguda penetrando em Jacob. Ela olhava para ele e mais uma lágrima caía lentamente pelo seu rosto, Jacob engoliu em seco.
_ Fique com ela! – disse raivosa, também com pena daquela mulher, mas ainda assim, sua raiva era maior. Ela enfiou a mão no bolso de Jacob e retirou a chave do carro de lá.
Jacob voltou a encarar a esposa, entendendo que e Mery haviam se encontrado e que o resultado daquilo não foi bom pra nenhum deles.
_ Espere… - Foi a única coisa idiota que ele conseguiu dizer. Mas ela lhe escapou novamente, saindo pra fora daquele lugar em busca do carro.
Jacob foi dar um passo imediato na direção de , mas ouviu um soluço esganiçado atrás de si. Era Mery. Ele se virou pra ela, Mery pode ver pela primeira vez uma emoção passar pelo rosto dele, direcionando-se a ela. Era uma espécie de aflição. Ela enxugou as lágrimas e disse:
_ Vai, vai atrás dela. É com ela que você tem que ficar. – Ela disse aquilo e virou as costas, andando perturbada por entre a multidão.
Jacob ficou parado um instante, vendo as costas de Mery se afastar, sentido o peso da angustia dela sobre si. Mas depois se afastou, correndo pra fora quando escutou o motor de seu carro. Ele chegou a tempo de ver saindo com o carro, se pôs na frente. Ela não parou de imediato, chegou a bater nas pernas dele fazendo-o ir pra trás com o impacto.
_ Abre a porta! – Ele disse. Ela saiu do carro arrancando a chave da ignição e jogando pra ele, enquanto se afastava rápida demais para uma mulher com um salto tão alto.
Jacob correu atrás dela, alcançando-a depois de uns passos.
_ Você veio comigo e vai voltar comigo! Entre naquele carro! – Ele disse. Ela riu e se afastou novamente.
_ Sim marido. Eu obedeço já que seu prazer é me humilhar. – Ela disse amarga, havia uma amargura ainda mais intensa em seus olhos castanhos.
entrou no carro, no banco do passageiro, e virou o rosto pra janela. Jacob entrou logo depois, evitando considerar os bochichos das pessoas que olhavam a cena, e deu partida no carro novamente, saindo com os pneus cantando.
A respiração de estava alta, os seios dela subiam e desciam rapidamente, o ritmo forte e doloroso do coração dela parecia socar Jacob a cada batida. Ele apertou as mãos no volante, pisando fundo no acelerador, fazendo as luzes da cidade sumirem atrás deles rapidamente. colocou as mãos na cabeça e tirou a tiara, jogando longe, acertando a perna de Jacob. Logo depois ela desprendeu seus cabelos do penteado, fazendo-os cair em ondas volumosas em volta de seu rosto, descendo pelo seu busto.
Jacob bufou e desviou os olhos da estrada para encarar . Ela novamente olhou para ele como quem olha pra algo podre, franziu os lábios como quem continha um enjôo. Jacob franziu o cenho e desviou os olhos, mas ela não o fez. Passou o restante da viagem silenciosa massacrando Jacob com seu olhar, não movia um músculo além do que a sua respiração exigia.
Rápido ou devagar demais eles finalmente entraram no portão da casa dos penhascos. Assim que Jacob freou com brusquidão, saltou do carro, e entrou veloz como um relâmpago dentro da casa, batendo a porta atrás de si. Jacob fechou os olhos e tentou conter seu tremor, saiu do carro e foi rapidamente pra dentro da casa, esmurrando a porta da sala pra entrar.
_ O que é? – Ele gritou pra . – O que te deu? – Ele perguntou quase não querendo ouvir a resposta. voltou de seu quarto descendo as escadas lentamente, já sem os sapatos.
_ Ora Jacob, você não sabe? Mas o seu plano deu certo! – Ela disse mórbida, batendo palmas e rindo com um sarcasmo exagerado.
_ Do que você está falando? Que plano? Ficou louca?
_ Não se faça de idiota! Você me levou pra visitar o antro que você trabalha por quê? Por que lá é um lugar de respeito? Ora, me poupe! Você me fez conhecer suas amantes, me exibiu como a idiota da esposa traída por que senão pra me humilhar?! Pra que Black?
_ EU NÃO FIZ ISTO!
_ AH NÃO, CLARO, ELE É INOCENTE.
_ VOCÊ ESTÁ MALUCA!
Ambos gritavam exaltados. parecia uma fera raivosa.
_ Você quer dizer que não planejava me humilhar quando me levou pra conhecer suas… suas vagabundas!
_ Do que você está falando? – Ele perguntou, mas ele sabia exatamente do que ela estava falando. E a raiva com que ela falava causava uma dor poderosa dentro dele, dor que há tempos ele não sentia.
_ Vai se fazer de inocente Black? Vai negar que não levava não sei quantas mulheres daquelas pra cama?! Vai negar que aquela Mery não era sua amante? VAI NEGAR ISTO?
Jacob agarrou os cabelos, pegou um objeto qualquer que viu pela frente e tacou na parede.
_ NÃO, EU NÃO VOU NEGAR! Eu transei com elas sim! Fiz sexo com Mery enquanto você estava em Washington! Mas eu não lhe devo explicações, nosso teatro não inclui fidelidade!
Por que aquilo doeu tanto? Por que doeu tanto nela quanto nele? Jacob caiu no sofá com um bolo de espinhos na garganta, colocando a cabeça por entre as mãos. ficou quieta repentinamente, olhando fixamente um ponto qualquer na parede enquanto sentia algo sangrar dentro dela diante da confissão de Jacob. Por que doía?
_ Não, não incluía fidelidade. - Ela disse, com voz tremula. – Olhe pra mim Black!
A muito custo, Jacob se levantou e voltou a encará-la. Os olhos dela estavam secos, mas ainda vermelhos.
_ Não me interessa o que você faz de sua vida sexual Black, não me interessa quantas vagabundas você leva pra cama… duas ou trinta... – Ela bateu uma mão na outra, em um sinal de desinteresse. – Não me interessa o quão canalha você pode ser com cada uma daquelas miseráveis! ISTO NÃO ME INTERESSA!
Ela gritou, fazendo Jacob fechar os olhos e sentir outra pontada no peito.
_ Porque eu sei o quão deplorável vocês homens podem ser, usando como desculpa seus hormônios libidinosos! Vocês se tornam nojentos… - A voz de falhou, um lágrima ameaçou lhe escapar, ela parou e respirou fundo, tentando se conter e continuar. _ Mas eu lhe digo uma coisa Black: nunca… nunca mais pense que pode me expor ao ridículo como fez esta noite, nunca mais pense que pode me humilhar daquela maneira! Porque eu sou capaz de passar pela maldita ordem de quem for e acabar com a sua vida com minhas próprias mãos! Eu não quero saber quem elas são Black, não quero saber quantas são! O que eu não quero é o meu nome envolvido nesta imundice! Não quero a minha imagem rebaixada a este nível. VOCÊ NÃO TEM ESTE DIREITO!
Jacob apertou os punhos com força, reconhecendo e sentindo em si mesmo a força da voz dolorida de . Jacob olhou pra ela e reconheceu algo profundo demais, havia mais do que a revolta por uma humilhação nela, havia uma dor e uma ferida de dimensão muito maior que a que Jacob sabia ter causado. Aquilo o sugou pra perto dela, ele deu um passo a frente, ela deu dois pra trás.
_ FIQUE LONGE DE MIM! – Ela gritou, gritou com o que parecia ser medo e nojo. – NÃO ENCOSTE EM MIM! EU TENHO NOJO DISTO, EU TENHO NOJO DE VOCÊ XAVIER!
Ela estava visivelmente alterada, uma espécie de descontrole havia tomado conta dela, a dor era nítida em cada traço de seu rosto. Jacob sentiu seus olhos umedecerem, parou assim que ouviu ela lhe chamar de outro nome.
_ eu não sou Xavier… quem é Xavier? – Jacob disse, não reconhecendo a suavidade que impregnou sua voz ao se direcionar a mulher que se encolhia fragilmente na parede da sala, alucinada.
arregalou os olhos, logo depois apertou suas pálpebras fortemente, buscando luz no meio do caos que estava sua cabeça. Ela se lembrava das mãos de Jacob passeando pela pele dela, mas também se lembrava das mãos de Xavier, do olhar lascivo de Rick Manson em direção a ela, da mão nojenta dele em sua coxa…
“Ele também te penetra com força?…” A voz de Mery também lhe vinha à mente.
_ … eu realmente não quis que você passasse por isto! Me escute, eu não sou tão canalha a este ponto! – Jacob disse ainda mais brando, confuso com a reação de . Ele tinha um ímpeto forte e irracional de pegá-la nos braços, de acariciá-la.
_FIQUE LONGE DE MIM BLACK! – Ela voltou a gritar, sentindo novamente sua ferida antiga se abrir dentro dela, uma lágrima escorreu transparente de seus olhos. Cristalina e pura, lágrima de uma dor pura de quem um dia teve a inocência corrompida.
_ , o que está acontecendo com você? Me diga? Você está enlouquecendo? – Jacob atravessou o espaço que faltava até em dois passos, segurando-a pelos braços suavemente. Mas ela se debateu e gritou furiosa.
_NÃO… NÃO ENCOSTE EM MIM… ME LARGUE!
O que houve em seguida foi rápido demais, tudo aconteceu em segundos: se saiu dos braços de Jacob puxando-se para trás com ímpeto demais. Ela se desequilibrou e caiu batendo as costas em uma mesinha de canto, derrubando uma bailarina de cristal que enfeitava-a, espalhando caquinhos ao redor de si. Ela ficou caída de bruços no chão, com os cabelos na frente do rosto.
Antes que Jacob esboçasse qualquer reação para acudir , a porta da frente, vitima de tantas pancadas, foi arrombada bruscamente e o vulto de Leah entrou como um furacão na casa. Ela se aproximou de Jacob e empurrou seu peito com um soco, fazendo-o se afastar de perto de Sarah.
_ Merda Jacob! Seu miserável, o que você fez!? O que você pensa que fez com Sarah? – Leah rugiu pra Jacob, ainda socando o peito dele com força, fazendo-o se afastar ainda espantado demais para ter uma reação.
Leah estava em ronda aquela noite, viu quando o carro de Jacob entrou rápido demais em La Push. Não teve um pressentimento bom, depois de algum tempo foi em direção a casa de Jacob. Foi aí que começou a ouvir os gritos da briga entre Jacob e Sarah. Se destransformou e procurou se vestir, mas antes que pudesse arrumar a roupa no corpo corretamente, ouviu o ultimo grito desesperado de , o barulho de vidro quebrando conforme adentrava nos limites da residência. Em sua cabeça veio novamente a imagem de um Jacob transtornado lhe esbofeteando.
Ela chegou à sala e viu caída, encolhida no chão por entre cacos, e Jacob em pé rigidamente em frente a ela.
_ Como você tem coragem? COMO?
Jacob tentou segurar os pulsos de Leah, que insistiam em lhe socar dolorosamente.
_ Leah eu não fiz nada, caiu. Me escute: eu não machuquei !
Ele tentava argumentar desesperadamente, sua rigidez havia virado pó diante da fúria e magoa subseqüente de tantas mulheres.
recobrava o controle sobre si lentamente, mas ainda permanecia no chão ouvindo os gritos/rugidos de Leah para Jacob, tentando compreender o sentido daquelas palavras.
_ Ela não é tão forte quanto eu, seu miserável! Ela não se cura como eu me curo, covarde! Ela é humana e frágil! VOCÊ PODE MATÁ-LA! – Leah continuava se desvencilhando de Jacob e a empurrá-lo para trás com os socos trêmulos que lhe dava no peito.
_ Leah, eu não fiz nada… Eu não machuquei … - Jacob falava atordoado.
_ Comigo você pode fazer o que for, pode deixar a marca que for: eu resisto, eu me curo. Mas nela não, entendeu? Nela eu não perdôo NUNCA!
_Leah! – chamou espantada. A loba parou repentinamente, respirando fundo. Dois segundos depois ela estava em cima de , que ainda estava sentada no chão.
_ Você está bem meu amor? O que ele te fez? Ele te machucou? – Leah se atropelava na articulação das palavras, com a voz embargada. Tirava os cabelos de do rosto com as mãos tremendo.
_ Leah…
_ Está doendo em alguém lugar?…
_ Leah…
_ Levante-se, eu vou te levar pra minha casa…
_ LEAH! – disse impaciente, segurando as mãos da índia. –Está tudo bem comigo. – Ela disse mais branda, articulando cada sílaba devagar. – Eu só caí, Jacob não me fez nada!
_ Não? – Leah perguntou com voz tremula.
olhou para um Jacob agoniado no canto da sala e respondeu engasgada.
_ Não! – olhou bem a reação de Leah diante daquela resposta. A loba respirou aliviada, parecendo tirar um peso enorme das cotas, sorriu levemente. Ela havia mesmo pensado que Jacob pudesse ter batido em … as palavras que ela repetia para ele…
“Comigo você pode fazer o que for…”
olhou de Jacob para Leah novamente e engoliu em seco. Não gostava nada das suspeitas que tinha ao conjecturar no que impeliu Leah pensar que Jacob havia batido nela.
_ Vamos dar uma volta comigo Lee? – Ela disse, mais controlada, encarando os olhos de Jacob. Ele não suportou o questionamento que havia nas órbitas castanhas de , fechou os seus olhos e trincou os dentes.
Leah só ajudou se levantar e as duas saíram sem dar uma palavra sequer. Jacob ficou na casa silenciosa, sentido uma dor e agonia dentro do peito. As emoções que lhe transmitiram o olhar de Mery, de e Leah naquela noite apontavam cada um de seus erros.
“…você precisará retroceder o caminho, enfrentar coisa por coisa do que você tentou esconder e fugir…”
Ele se lembrou das palavras de Quendra. Fechou os olhos, encostou-se na parede e se deixou cair lentamente no chão.
CAPÍTULO 20
ENTRE JAKE E LEE
“É o amor também a irmandade de seres
que se dão àquela cumplicidade descompromissada
que chamam de amizade.
E este é aquele tipo de sentimento ininteligível,
cuja decodificação não pertence a nós.
Pois há nele a compreensão, o abraço, o perdão.
Neste sentimento se compartilham sorrisos e lágrimas.”
caminhava com os pés na areia, silenciosa, há mais de vinte minutos. Seu olhar direcionado a imensidão do mar negro da noite de First Beach. Ela pensava em cada detalhe daquela noite, não queria, mas as lembranças lhe vinham precisas demais. Mas o que ela não esquecia, o que continuava a atormentar a sua mente, era o olhar de Jacob, o último olhar que ele lhe dera antes que ela saísse com Leah de casa: conturbado, pesaroso, dolorido.
Parecia que havia um peso ao invés de um coração no peito dela, um incômodo, uma melancolia.
_ Eu sabia que vocês não estavam bem… - Leah sussurrou baixinho.
suspirou e não disse nada por um tempo.
_Nós estávamos Lee… - Aquilo saiu dela sem que pensasse que tivesse dito em voz alta. Nem mesmo tinha consciência de onde o sentido daquela frase surgiu… nem como…
A voz de Jacob soava clara em sua mente.
“…Não confia em mim?… eu vou ser bom pra você…
…Fiz sexo com Mery enquanto você estava em Washington…
… nosso teatro não inclui fidelidade…
… Me escute, eu não sou tão canalha a este ponto…”
Leah observou quando colocou as mãos na cabeça e se agachou, fechando os olhos. O coração dela tinha um pulsar inconstante, assim como a respiração rarefeita. A loba se aproximou da amiga, acariciando os ombros tensos dela.
_ O que aconteceu ? – Leah perguntou como sempre perguntava: não era uma exigência ou uma curiosidade mórbida. Aquela pergunta significava um “confie em mim!”.
_ Não importa Leah, não importa.
_ Como não importa ? Ele te magoou? – continuou agachada na areia branca da praia de La Push, ainda com os olhos fechados. – , olha pra mim, me diga, pode me dizer… o que ele te fez?
De repente soltou um riso trêmulo, se levantando bruscamente.
_ Por que você não confia em Jacob, Leah?
Leah desviou os olhos de rapidamente, assim que percebeu a amiga espreitando perspicazmente suas reações. A índia se sentou na areia e passou a olhar o mar.
_ Eu só quero saber o que te fez ficar com este olhar … - Leah disse com voz aparentemente normal. Mas já conhecia o suficiente aquela mulher pra reconhecer o mínimo vacilo na voz dela. E quando Leah tentava esconder isto, era porque havia algo.
_ Por que você não confia em Jacob, Leah? – repetiu a pergunta, percebendo Leah travar a mandíbula, seu coração alterar as batidas. Ela não respondeu nada, continuou olhando as ondas quebrando na praia.
_ Lee… - começou a falar… ela não queria saber a resposta, mas precisava. – Por que você pensou que Jacob me bateu?
_ Não … eu… eu não pensei isto, eu não quis dizer isto quando eu…
_ Leah! – interrompeu ríspida. – Não minta!
Ela se colocou na frente de Leah e segurou o seu rosto firmemente entre as mãos, para que ela não fugisse de seu olhar.
_ O que você quis dizer com: “comigo você pode fazer qualquer coisa: eu me curo… com ela não!”?
_ Não leve tão a sério o que eu digo ! Eu tava nervosa e uma loba nervosa você sabe que…
_ CHEGA LEAH! – O grito de saiu agudo, assustou Leah. As mãos da médica começaram a tremer tanto quanto as de um lobo em iminência de uma transformação. – O que Jacob te fez? – disse com voz trêmula, fechando os olhos.
Quando ela conseguiu encarar os negros olhos de Leah novamente, eles estavam úmidos, os lábios dela tremiam levemente. observou Leah fechar os olhos e segurar um suspiro choroso.
_ Leah… o que ele te fez? Por que você agiu daquela forma? – Leah não respondia, o coração dela em uma angustia que jamais percebeu antes.
Ainda atormentada, sentindo a garganta raspar, fez a pergunta a qual tinha suspeitado da resposta desde quando observou a reação de Leah com Jacob, há alguns tantos minutos.
_ Não minta pra mim… Jacob te bateu Leah?
Leah sugou o ar com força, ainda de olhos fechados uma lágrima escorreu lenta por seu rosto, os lábios tremiam ainda mais. A índia abriu os olhos e encarou melancólica a amiga.
_ Não o deixe … não importa o que aconteceu… ! – Leah chamou no impulso assim que viu a amiga se afastar perturbada, praticamente rugindo.
_ Não! – Ela exclamava. A morena não queria acreditar naquilo, não podia ser… não, ele era igual… Jacob era igual a ele…
colocou a mão em seu próprio rosto, lembrando-se claramente da dor que sentiu ao apanhar do padrasto, há treze anos. Mas por que ela sofria por pensar em Jacob fazendo aquilo? Por que ela tentava arrumar algo em sua mente para que aquilo fosse mentira?
Ela sentiu Leah lhe pegar os ombros e a abraçar por trás, enquanto sussurrava em seu ouvido explicações sem sentido.
_ Nossos genes às vezes nos torna um tanto incontroláveis e… e eu e Jacob juntos então! Meu anjo, isto não importa, passou!… , eu conheço Jacob, eu conheço o coração dele… isto… isto não foi nada, isto foi boba…
_ Não diga que foi bobagem! – Leah estreitou os olhos pela forma brusca com que se desvencilhou dela. Ou ela estava segurando leve demais ou tinha tido uma força além do comum para afastá-la? Mas a agonia da amiga era mais importante naquele momento.
_ Não diga que foi bobagem Leah, porque uma coisa assim não é bobagem! Eu sei muito bem o que eu falo… - se refreou no momento que ia falar que conhecia a dor que aquela violência provocava, e como aquilo estava a deixando tão frágil ultimamente, como as lembranças estavam mais nocivas e latentes.
_ Procure entender que eu fiz com que Jacob…
_ Chega Leah! Chega! Não fale mais nada! E não se preocupe… eu não posso deixar aquele… eu não posso deixar Jacob tão facilmente! – falou com voz entristecida.
_ O que…
_ Me deixe sozinha!
_ , não! Vamos conversar, eu preciso explicar, eu…
_ Não! Eu não quero saber mais nada! Me deixe sozinha… por favor Leah!
Leah suspirou, mas não insistiu em ficar ali. Se aproximou de e deu-lhe um beijo terno e quente em sua bochecha. Só disse uma única frase antes de ir…
_ Assim como todos erram, todos merecem perdão
E partiu, voltando a sua ronda no extremo norte da floresta de Forks.
passou a concentrar suas forças para controlar sua fragilidade emocional, sua vontade de não conter as lágrimas, seu desejo insano de gritar. Lentamente ela foi se encaminhando para o mar, até que seus pés tocaram a água.
Era primavera no noroeste pacífico, logo seria o verão, mas, apesar disto, a água daquele mar não era tão quente. As águas de La Push eram gélidas, não eram propícias a roupas de banho pequenas e cavadas. Mas aquela temperatura, que fazia eriçar os pelos, estava sendo boa para , pois afastaria as lembranças do calor dele…
Assim que se aproximou da água, ela observou dois lobos se movimentarem para a orla da floresta, na beirada dos penhascos, um de cada lado em que ela se encontrava. Eram Seth e Jared que, com certeza, se puseram a guardá-la a pedido de Leah. O mar ainda era uma fraqueza para a matilha.
não se importou se eles estivessem vendo, queria afogar-se na imensidão negra e fria daquelas ondas pra esquecer, pra fugir da confusão que havia dentro de si, de sua ferida antiga que voltara a latejar, dos sentimentos confusos em relação a Jacob, de suas próprias vontades. Começou então a desabotoar seu vestido, fazendo este descer lentamente por suas pernas. Ficou com os pés nas águas, trajando apenas uma lingerie preta, pequena.
Seth e Jared continuaram ao longe, com os focinhos elevados, enquanto varriam o mar com os olhos precisos. Havia neles um respeito majestoso e bonito por , pelo corpo dela quase desvelado com roupas tão intimas, tão mínimas. Ela era mais do que a esposa de seu Alpha, ela era a esposa de um irmão, de alguém que integrava a corrente daquela matilha, corrente que os unia em um só. Não importava a distância emocional que Jacob impôs a seus irmãos, eles continuavam integrados em algo muito mais profundo, continuavam a se respeitar, a se proteger. Todos viam como uma irmã e assim cuidavam dela: como uma frágil irmã humana, que, com um olhar triste, mergulhava lentamente no mar.
As ondas quebravam na cintura dela conforme adentrava mais a fundo. Foi só quando finalmente submergiu no mar, que ela deixou que as lágrimas saíssem de seus olhos, misturadas e ocultadas pela imensidão das águas salgadas. Ninguém as percebia ali, nem mesmo ela as sentia descer de seus olhos. Submersa, mantendo sua respiração presa, chorou. Não havia soluços, não havia gritos. Havia somente o barulho surdo que a pressão do mar provocava em seus tímpanos, o desaconchego da temperatura baixa que não a podia fazer tremer, mas que tirava seu conforto. Havia aquela imensidão das profundezas oceânicas a revelar a pequenez de diante da vida. Pois lá, outra vida existia, sem ar, sem sol, mas ainda assim pulsante e bela.
Raramente voltava à superfície, só o fazia porque sabia que Seth e Jared continuavam a espreitá-la. Passou muito tempo nadando, deixando-se livre nas águas, afastando de si todo e qualquer pensamento. Só quando se achou controlada o suficiente, voltou para a praia. E, conforme ela voltava, percebeu que nem Seth e nem Jared estavam por perto. Caçou-os com os olhos pelo meio das árvores ao longe, mas nada.
Porém, assim que olhou pra frente compreendeu o motivo.
Jacob estava lá. Ele continuava em seu terno, porém este estava aberto. Também não calçava nada. Ele estava com os braços cruzados rijamente, olhando para o ponto onde surgia. Ela veio andando devagar, assim que chegou a areia pegou seu vestido nas mãos, sem fazer menção de vesti-lo novamente. Jacob nunca a vira daquela forma, vindo com o corpo molhado, os cabelos pesados descendo até o início de seus quadris. A água havia os deixado ainda mais escuros.
Jacob estava na direção que levava a casa, mas passou por ele como se não o visse, os olhos distantes. Ele lhe segurou o braço. Ela parou feito um robô e só virou o pescoço na direção dele.
_ Você está bem? – Ele perguntou com voz mais rouca e seca que o comum.
Ela não respondeu a pergunta dele, apenas intensificou o olhar e sussurrou baixinho:
_ O que você fez com ela…?
Poderia ser uma pergunta, mas parecia mais um lamento. Jacob soltou seu braço, virando o rosto para o outro lado. Ele sabia que falava de Leah.
_ Qual a diferença? – Ele disse aquilo com os dentes apertados.
Os dedos dela foram sutilmente para o queixo dele. Jacob deixou que o toque aveludado e delicado o guiasse. Mas os olhos dela ainda estavam fortemente angustiantes.
_ Apenas a diferença entre um homem e um monstro Jacob… - Ela abaixou a cabeça, sua voz estava controlada, tal como sua pulsação. – E eu conheço o que monstros assim causam…
Por que ela dizia aquilo? Por que Jacob sentia um peso doloroso nas palavras dela?
_ E o que eles causam ? – Ele disse, tentando conter sua vergonha.
Ela sorriu, um sorriso amargo.
_ Não queira saber. Saiba apenas que não é bom, e não é admirável… não é… - Ela disse, novamente se afastando. Mas Jacob voltou a retê-la.
_ Saiba que eu não me orgulho disto…
_ Não se orgulhar… o que é deixar o orgulho de lado Jacob? É se arrepender? Em que o seu arrependimento pode apagar as marcas que sua atitude deixou? O que você fez em relação a isto?
Os questionamentos ficaram no ar, Jacob não mais a segurou, deixou que ela partisse.
Nada! Ele nunca havia feito nada em relação a um de seus erros mais desprezíveis. Ele só fugiu e depois escondeu aquela cena de si mesmo e dos seus, agradecendo a Leah internamente por ela jamais ter deixado que aquilo escapasse em seus pensamentos para a matilha. Mas era doloroso lembrar do rosto ferido dela, das lágrimas em meio a sangue que ela derrubou, e das palavras que ela repetia…
“…eu te amo amigo, volta, nós ainda te amamos…”
E o que ele tinha feito em relação aquilo? Enterrado a lembrança pensando que estava tudo certo?
Mas naquele noite ele percebeu que Leah ainda carregava as marcas pelo o que ele fez…
“Nela eu não perdôo NUNCA!”
Estava insuportável agüentar aquilo, insuportável reviver aquilo. Jacob soltou os braços, deixando a brisa bater em seu rosto, pra lhe dar clareza. No ar ele ainda podia sentir a suavidade do cheiro de .
Ele permaneceu daquela forma por algum tempo, apenas sentindo o vento e caminhando pela areia. Chegou até o meio da praia, havia um pedaço do que um dia foi um enorme tronco esbranquiçado. Ali era um lugar marcado, marcado por Isabella. Jacob olhou para o pequeno pedaço de tronco como se pudesse ver a primeira vez que se sentou ali com Bella, com ela passando a mão delicadamente pelos cabelos castanhos e lhe dando um olhar adocicado cor de chocolate que, naquele dia, fez seu coração pulsar. Ele também se lembrou do sorriso que deu a ela: sincero, intenso, feliz…
À Isabella ele deu aquele sorriso, mas e à mulher, que mesmo ferida, chorou por ele? E a mulher que disse que lhe amava, que continuaria a lhe amar apesar de tudo e que não iria lhe virar as costas? O que ele deu a ela? O que ele deu a Leah? Nem sequer uma atitude honrosa…
Quando Jacob percebeu, estava sentado na varanda dos Clearwater, ouvindo o ressonar de Sue. Ele esperaria Leah chegar da ronda, o que não tardou a acontecer.
_Jacob? – Ela perguntou, saindo do meio das árvores, ainda a uns cinco metros de distância.
Jacob só ergueu os olhos pra ela, que se aproximava rapidamente.
_ O que você está fazendo aqui?- Ela lhe perguntou.
Ele continuou mudo, sentado na varandinha, olhando a loba fixamente. Leah chegou até ele e sentou ao seu lado, e também ficou quieta. Jacob sentia uma trava na garganta, sabia o que precisava falar a ela, mas de repente a coragem lhe faltava. Como se soubesse, Leah esperava ao lado dele, respirando calmamente, direcionando seu olhar a lua parcialmente oculta pelas nuvens.
Uma hora se passou assim…
_ Vai ficar a noite inteira assim? – Jacob finalmente falou algo, sua voz em um sussurro rouco. – Sentada com este maluco na frente da sua casa?
_ Gosto de avaliar comportamentos de malucos! – Ela disse, fazendo Jacob rir baixinho.
_ Isso é muito arriscado… nem sempre as consequências são boas. – Ele completou, abaixando a cabeça. Leah só suspirou, não forçaria nada, deixaria que Jacob conduzisse aquela conversa como ele preferisse. E ele, então, prosseguiu. _ Uma coisa que eu nunca imaginei, é que você, a insuportável Leah, aquela que fazia todos fugirem, inclusive eu, se tornasse… você de agora… Alguém muito melhor do que eu…
_ Eu não tenho tanta certeza disto Jacob. Não acho que eu possa ser tão melhor do que você.
_ Sim Leah, você é. Você não desisti, não desiste de … amar. A sua amizade Leah, mesmo que você ainda seja muito… muito arrogante e chata… - Leah riu, balançando a cabeça. Jacob a acompanhou, dando um sorriso, mas ainda mantendo os olhos baixos. – Ainda assim, sua amizade é verdadeira e pura. Poucos são dignos dela e eu não sou um deles.
_ Jacob… não seja imbecil!
Ele finalmente olhou pra ela, fazendo uma careta e logo depois abaixando os olhos. Parecia novamente um garoto. Ela bufou e pegou o rosto dele, erguendo-o pra ela.
_ Ok, você é mesmo um imbecil. Mas os idiotas também são bons! – Jacob sorriu sem mostrar os dentes. – Você esqueceu que nós dois somos mais parecidos do que qualquer um daquela matilha? Acho que o fato de nós não termos nascidos irmãos foi um mero acidente do destino. Nós passamos pelas mesmas coisas Jacob, nós sentimos as mesmas dores, sofremos a mesma decepção, alimentamos uma mesma amargura. Eu conheço os seus sentimentos assim como eu sei que você conhece os meus! Se você não se acha digno de minha amizade Jacob, então quem é?
_ Você sabe muito bem Leah, que eu feri muito mais do que você!
Leah sorriu, seus dentes surgiram brilhantes demais, iluminando o rosto da índia e enchendo-o de uma luz alegre. Jacob franziu as sobrancelhas para a expressão repentina de Leah.
_ Não foi uma piada. – Ele disse baixo. Ela gargalhou, e Jacob percebeu que ela chorava também, seu rosto umedecendo com as lágrimas.
_ Ah, eu sabia Jacob, sabia que um dia você me diria o que está dizendo agora, que você veria o que está vendo agora. A cura pra qualquer coisa que você tenha causado é este teu olhar de novo Jake, é o seu sorriso que nunca mais foi o mesmo. Você sente Jake, você não é insensível, você voltou a sentir por nós! – Ela disse suave, com sorriso e lágrimas.
Jacob apertou os olhos, fazendo uma careta angustiada. Jake… há quanto tempo ele não ouvia aquele apelido?
_ Eu não sei Leah, eu não sei se eu posso ser o mesmo, porque eu não vejo a vida como eu via antes. Eu mudei, inevitavelmente eu mudei. Sorrir pra mim não é natural como era, uma corrente me prende… eu não sei… se posso… não sei se posso sentir como eu sentia. Não sei se isto é recuperável Leah.
_ Ah Jake… não seja… não seja idiota! – Leah disse soluçando novamente. Rápido demais ela fez algo que nunca fez antes, nem quando eles eram apenas garotos.
Ela quase pulou em Jacob e o abraçou. Ele sentiu pela primeira vez os braços quentes dela o envolverem e, apesar da postura firme que ela tinha, aquele abraço era aconchegante, confortável. Ele não recusou, como uma criança tímida ele envolveu seus braços na cintura dela e enterrou sua cabeça em seus ombros. Jacob era maior que Leah, mas naquele momento, parecia que as dimensões haviam se invertido.
Ele tremia, um tremor suave, ainda tinha os olhos apertados e a convulsão de arrependimento, provocada pelas lembranças de Leah ferida, o torturavam por dentro. Era uma tortura extremamente poderosa, que rompia com amarras que ele mesmo atara em volta de si. Leah o abraçava e chorava e sorria e dizia…
_ Nós dois somos uns idiotas!
Mas Jacob ainda não estava tão feliz quanto ela. O tormento dentro dele exigia algo, exigia uma atitude, algo que tinha que sair de muito fundo, do lugar onde ele não procurava ter acesso há muito tempo.
_ Lee… - Ele disse ainda muito baixinho, muito rouco. – Lee… - Ele tinha que dizer, mas era difícil, era vergonhoso, pois ele estaria enfrentando face a face o seu erro. Leah ficou quieta, só acariciando as costas de Jacob. – Me perdoa Lee… me perdoa…
Finalmente as palavras saíram, e vieram em um atropelo, saíram dele levando um peso imenso, uma âncora.
_ Ah Jake… - Ela dizia, o apertando mais. – Eu sempre esperei por isto… sim, eu te perdôo… perdôo porque eu nunca guardei mágoa de você! – Ela disse com voz séria, mas tremula.
E então veio dele o soluço grave e rouco. Ele se permitiu chorar, deixou que suas lágrimas caíssem não somente por Leah, mas para Leah, diante dela. Por aquilo valia finalmente quebrar sua promessa. Ele chorava abertamente por uma mulher.
Leah o envolveu nos braços enquanto ele se encolhia ainda mais nela.
_ Xiii... se acalme Jake… - Ela dizia com a voz suave, mais parecendo um acalanto. – Está tudo bem, eu te perdôo sim!
Jacob nada respondeu, lentamente ele se desvencilhou dela, largando sua cintura e levando as mãos para o rosto da loba. Passeou os dedos quentes na também pele quente do rosto dela. Havia uma ternura incomparável naquele toque, era como se ele acariciasse asas de borboleta. Os traços belos e expressivos do rosto de Leah alcançaram certa candura conforme ela fechava os olhos e deixava Jacob acariciá-la.
Como uma mãe faz com o machucado de um filho, Jacob passou a dar leves e lentos beijinhos no rosto de Leah, a cada vez que os lábios dele encostavam no rosto dela, um soluço saia de cada um deles.
_Me perdoa… - um beijo terno na bochecha esquerda – …pela dor… - outro beijo na testa – que eu lhe causei. – Outro beijo na bochecha direita.
Leah balançou a cabeça minimamente afirmando.
_ Ei, eu não sou tão frágil assim esqueceu? – Ela falou com voz entrecortada. – Vamos parar com isto porque tá ficando muito meloso pro meu gosto. – Leah saltou dos braços de Jacob, de repente, se sentindo envergonhada.
Ele sorriu.
_ Sim, chega. – E também se levantou, secando as lágrimas de seu rosto. Lentamente ergueu seus ombros, criando coragem novamente para encarar Leah nos olhos. – Por hoje chega. Eu vou indo. Tchau.
Jacob colocou as mãos no bolso e foi se afastando lentamente. Leah ficou parada, atordoada pela cena que acabara de protagonizar. Foi real mesmo? Jacob lhe pediu perdão? Eles se trataram como irmãos?
Ela ainda processava tudo e, por isto, demorou a perceber que Jacob se afastava.
_ Jacob! – Ela chamou quando ele já estava de costas.
_ Sim? – Ele se virou novamente para ela.
_ Me desculpe você, eu deixei … eu cometi um erro grave, eu … deixei que ela percebesse, eu não devia ter me metido, ela sabe agora e ela…
_ Leah pare! Eu não estou entendendo nada!
A índia parou um instante e fechou os olhos, suspirando.
_ A maneira como eu agi, eu deixei transparecer pra e… bom ela suspeitou e é muito difícil enganar ela e então… então ela sabe que… sabe…
_ O que eu fiz com você. – Jacob completou, obscurecendo o olhar novamente e enrijecendo a voz. Leah soltou outro suspiro.
_ É, ela sabe e… ela reagiu muito mal.
_ É, eu sei.
_ Jacob me perdoa, eu não deveria ter me metido entre vocês dois, eu não devia…
_ Leah, não está errada em me julgar, em reagir mal. E você não cometeu erro algum, ela precisa saber com quem vive. – Jacob falou com voz rígida.
_ Jacob… - Leah se aproximou dele. – Não deixe que se vá, não deixe que ela lhe escape pelos dedos. Ela é um tesouro, um tesouro de mulher que caiu direto em suas mãos. Ela pode te fazer feliz, nela você pode confiar sua felicidade, eu sei disto!
Jacob fechou os olhos.
_ É mais complicado do que você imagina Leah.
_ Mais complicado o que? Os seus sentimentos ou a situação?
Novamente a intensidade do olhar de Jacob invadiu os olhos de Leah. Ele ficou a olhando parecendo ver para além dela.
_ Os dois Leah, os dois!
Leah estreitou os olhos.
_ Jacob Black, não perca por idiotices! – Ela disse com o cenho franzido, a voz tensa e ríspida, cruzando os braços.
Jacob não resistiu, rolou os olhos e depois riu. Aquela era Leah Clearwater.
**************
chegou em casa, segurando o vestido, se encaminhou direto para seu quarto, mas antes reparou que não havia mais um caco de vidro espalhado na sala, e em cima da mesinha que havia sido derrubada por ela havia um ramo de tulipas azuis. Tulipas azuis grandes e impecavelmente lindas. Coisa de elfos.
Ela se lembrou do aviso que Niadhi havia lhe dado mais cedo. Ela sabia que ia acontecer algo…
“Segure firme este coração esta noite! Aconteça o que acontecer não perca o controle!”
sempre gostou das tulipas azuis dos elfos. Mas era sempre Koraíny quem as dava, logo após as horas que ela passava com ele, cansada pela tensão que fazia para aprender a controlar seu cheiro, cansada de desviar dos golpes que Koraíny lhe dava para que ela treinasse, de correr até a exaustão enquanto, tanto Koraíny quanto Quendra, lhe pediam mais e mais velocidade. Nesses dias em que ela adormecia extremamente exausta, sempre acordava com um ramalhete de tulipas azuis por perto.
_ Por que me deixa estas flores Koraíny? – Ela perguntou certa vez, sorrindo enquanto as cheirava.
_ É para que a suavidade do azul lhe traga forças. Uma recompensa de beleza após seu esforço. Eu lhe dou as flores, você sorri, e nós continuamos a seguir em frente…
Era o que ele havia lhe dito naquele momento, há tantos anos.
Ela virou o rosto e foi para seu banheiro. Tirou o que restava de sua roupa e entrou no chuveiro para tirar a água salgada de si. Lavou os cabelos, escovou os dentes e vestiu um pijama de mangas longas. Ela não conseguia dormir, sentou-se na cama e se encolheu, enfiando a cabeça entre as pernas.
O que era aquilo que não saía dela? tentou extirpar aquele sentimento de dentro si de todas as formas possíveis, mas ele continuava lá, a remoendo por dentro, trazendo o olhar de Jacob pra suas lembranças como uma chaga que não se podia fugir. Por que Quendra havia feito ela se casar, viver tão perto dele por tanto tempo? Era pra aquilo? Pra que ela sofresse? Pra que fosse humilhada e tivesse que permanecer casada, como se concordasse passivamente em ser traída?
_ Não , não foi por isto. – ergueu a cabeça assim que ouviu a voz de Quendra. Ela estava sentada aos pés de sua cama, o rosto suave.
_ Então por que foi? – Ela perguntou raivosa. Quendra se aproximou, elevando sua mão para acariciar o rosto de . Mas esta se levantou veloz, se afastando com brusquidão.
_ Não faça assim anjo… Você precisa, me deixe abraçá-la! – Quendra pediu terna.
_ Apenas responda! Teu abraço não me adianta nada enquanto me obrigar a viver neste inferno! Por que me fez casar com ele? Por que não me livra disto logo de uma vez!?
Quendra abaixou a mão, desistindo de oferecer conforto a , ela nunca aceitava.
_ Inferno? , eu não acho que você pensa mesmo isto! Dor e inferno nem sempre são as mesmas coisas. E agora, você não esta sofrendo sozinha. Alguém compartilha o sentimento que está aí dentro de você da mesma forma… ou até pior.
riu.
_ Que bonito … alguém também sofre o mesmo que eu? Deixa eu pensar em quem pode ser… humm... acho que um tal Black, não é? – Ela disse sarcástica. – Ele acaso sofre uma humilhação? Sofre por não conseguir… não conseguir…
_ Não conseguir o que ?
de repente emudeceu, voltando a se sentar na cama, porém no lado oposto ao de Quendra.
_Não conseguir afastar a lembrança de quem lhe causou mal? Não conseguir afastar o pensamento dele? Ter uma fé estranha dentro de si para que os erros que ele cometeu, e que te machucaram, fossem mentira? _ Quendra disse.
continuou quieta.
_ Eu sinto que você está próxima de saber o motivo real pelo qual eu ordenei que vocês se casassem. E também está chegando perto da única coisa que pode fazer a minha ordem ser revogada. – Sara franziu o cenho para o que Quendra disse.
_Eu só queria que tudo acabasse… - Ela sussurrou cansada, deixando seu corpo cair na cama.
Na cabeça de o pensamento da traição de Jacob, da confissão dele e depois… do pior, daquilo que fez realmente sentir raiva dele… saber que ele foi covarde o suficiente para bater em Leah, bater de uma forma que ela sabia, Jacob não tinha direito.
Ela fez uma careta. Por que ele era assim?
_ Eu sei que é difícil pra você compreender isto , mas vocês se precisam: Jacob precisa de você e você precisa de Jacob.
_ Eu não quero mais Quendra! Eu não suporto mais ficar perto dele, eu não quero viver com ele nem mais um segundo. Jacob é… Jacob é o meu tormento! Acabe com isto, acabe com isto, por favor! Eu não quero mais! – Ela disse arfando, com a voz grave e funda.
_ Minha ordem não será revogada . Você sabe como funcionam as coisas, uma vez que eu disse, não volto atrás. Jacob é sim seu tormento, tormento porque você tem medo do quanto ele pode chegar até você, o poder que ele pode ter sobre você, sobre seus sentimentos. Você está com medo , medo. Mas você não terá escolha, cedo ou tarde você vai ter que enfrentar o seu pior medo, não adianta escondê-lo e você sabe disto. Vocês se precisam , Jacob precisa de você… Ele cometeu erros sim, fez uma escolha que eu mesmo reprovo.
se virou para a frente de Quendra, perturbada demais com o que ela lhe dizia.
_ O quê?
_ Sim querida. Desprezo sim! Mas eu não posso me dar ao luxo de sair crucificando todos aqueles cujas atitudes não me agradam. Eu sabia que Jacob enfrentaria as consequências e assim está sendo.
_ E você quer que eu passe por isto pra que ele aprenda!? Você quer me sacrificar junto!? E ainda diz que despreza os atos dele?
_ Jacob se tornou alguém intragável, espalhando amargura por todos os lados, justificando-se pelo sofrimento que um dia passou. Mas o que ele passou nunca poderia lhe dar propriedade o suficiente para causar a dor que causou aqueles que se dedicavam a ele, nunca lhe daria o direito de recusar o amor deles e ainda por cima, desprezá-lo. Jacob conservou e quis que o rancor tomasse conta dele, preferiu isto a encarar a dor. Nem a pouca idade que ele tinha justifica isto, porque ele cresceu, amadureceu, e ainda assim permaneceu na mesma atitude, deixando-se cair mais fundo naquele abismo escuro.
_ Se você sabe disto, por que quer que eu o compreenda? Por que quer que eu o ajude? Por que você faz isto comigo Quendra? – A morena dizia, apertando os punhos.
_ Porque você também poderia ter feito a mesma escolha que Jacob meu amor… você poderia ter se tornado uma pessoa muito pior do que ele e, no seu caso, seria tão mais compreensível! Oh meu anjo, o que você passou, a violência que você foi submetida, tão jovem. E você passou por tudo sozinha, pensava não ter ninguém por si. , naquele momento, quando você acordou apática naquele hospital, com os olhos tão impenetráveis eu temi… temi que você se tornasse alguém rancorosa, que você se achasse no direito de fazer os outros passarem pela dor que você sentiu…
ficou estática, olhando Quendra com um olhar pétreo, sem esboçar reação alguma.
_Tantas mulheres, tantas meninas passam por isto, todos os dias… ah meu anjo, nenhuma delas, nenhuma deles jamais se esquecem. E as que continuam, que vivem com esta marca, merecem sim ser admiradas, mereceriam estar sempre acariciadas e confortadas… Naquele dia , você poderia ter feito a mesma escolha de Jacob, poderia ter escolhido ser dominada pelo rancor para fugir daquela dor, mas não. O que você fez foi enterrar o trauma dentro de si e continuar vivendo. E pra isto você se agarrou firmemente ao sentimento mais belo e puro que pode existir neste mundo querida… Você se agarrou ao amor que sentia por sua mãe, você teve consciência, mesmo ferida, de que havia algo que poderia lhe anestesiar, que faria você ter uma vida digna, que tem força suficiente pra te fazer seguir…
Quendra parou, indo para perto de e se sentando em frente aos pés dela, se colocando em um nível inferior ao dela. ainda permanecia imóvel e impassível.
_ O amor que você escolheu para viver minha querida, lhe fez crescer uma mulher honrosa, lhe fez reconhecer a preciosidade de bons valores, lhe fez ser dedicada a outros, lhe deu suavidade para tratar com os outros… Pois você nunca quis impor a ninguém a carga dos sentimentos ruins que quase te destruíram por dentro. Como , como eu posso não te admirar? Como eu posso permanecer impassível e não te amar? E como eu posso aprovar e sequer aceitar a escolha que Jacob fez? Diante do que você passou e do que ele passou, os motivos dele pareceram a mim tão… tão menores, tão efêmeros. Vocês tinham a mesma idade, a mesma boa criação, eram amados e porque ele se tornou o que se tornou? Eu só vejo uma resposta: fraco, Jacob foi fraco. Então você é o oposto dele, você é aquilo que ele não achou possível existir, e, ainda que você confesse a si mesma sua própria fraqueza, você sabe melhor do que ele como lidar com a dor… e como lidar com o amor.
_ Não encha de beleza e glorifique demais algo Quendra! Não faça isto comigo e não me compare a Jacob porque isto não é o certo. – A voz de estava mecânica. - Nem você Quendra, que pode ter vivido milênios e milênios, nem você pode prever o que a dor, seja ela pelo que for, pode causar as pessoas. Se ódio ou amor. Não eleve demais o que eu vivi porque eu fiz o que era necessário fazer, eu reagi quase inconsciente e naquele momento o que me guiou foi mais do que eu mesma. Eu não posso fazer por Jacob o que ele tem que fazer sozinho, então não me incuba esta tarefa. Se é por isto que você quer que eu permaneça casada, então desista. Não é razão suficiente.
Quendra suspirou.
_ Será ? Será que não é razão suficiente?
mordeu os próprios dentes e não disse nada.
_ Pois eu não penso assim. – Quendra disse, se levantando. – E como eu disse, minha palavra não será revogada. Você e Jacob permanecerão casados. E se você acha que não é possível mensurar, ou até mesmo julgar o que a dor pode causar as pessoas, então não condene Jacob tão irrevogavelmente. E apenas conviva com ele. Não lhe cobro mais nada.
sabia que a resposta de Quendra seria exatamente aquela. Mas antes que ela fosse embora, a chamou.
_ Sim anjo? – disse a elfo, já sentada majestosamente na sacada do quarto.
_ Não foi para que os lobos me protegessem que você me fez casar com Jacob, não é?
_ Elfos não mentem , foi pra que você fosse protegida sim. Mas digamos que isto não foi o mais importante.
_ E o que foi então? – perguntou, realmente esperando que Quendra desse uma explicação elaborada e racional, que justificasse toda aquela loucura.
Mas ao invés disto, ela disse simplesmente:
_ Você sentirá a resposta querida. – Desaparecendo logo depois.
agarrou a cadeira que havia no canto de seu quarto e jogou na direção em que a rainha desapareceu, rugindo frustrada com as respostas de Quendra.



CAPÍTULO 21
LIMITE
“Onde está a força que nos fazia suportar?
A resistência que nos fazia rígidos?
O controle para esconder a nós mesmo dos outros?
Perdemos o controle, estamos exauridos…
Nossos segredos se revelam,
Nossas dolorosas verdades escapam
da jaula que estavam presas!”

            A equipe estava tensa. entrou na sala de cirurgia já consciente de que aquele caso seria difícil, mas precisava conter as reações de sua equipe. Tratava-se de uma grave laceração do tecido cerebral, houve o chamado rompimento das meninges e o mesmo acontecia com os vasos intracranianos.
_ Houve perda significativa de sangue com o desprendimento do escalpo doutora. Lesão grave escore 4.
_ O sangramento já está contido?
_ Fizemos o possível com a compressão direta. Dá trabalhar agora. – A enfermeira respondeu. avaliava precisamente a dimensão da lesão naquele cérebro. A fratura foi expressiva, na base do crânio, este sofreu um afundamento com o violento acidente que aquele jovem havia sofrido. Moto, o capacete se desprendeu de sua cabeça no segundo grande impacto com o chão.
_ Nível de consciência? – tornou a perguntar.
_ Nula. – Grace, a enfermeira chefe, respondeu.
            logo reconheceu que houve perda de substância encefálica. Os fragmentos ósseos estavam comprimindo o cérebro. As chances naquele caso estavam quase nulas. Mas ela trabalhava.
_ Precisamos conter a hemorragia intracraniana. Vamos nos concentrar nisto primeiramente, certo? – disse com voz calma, enquanto começava a manusear os instrumentos cirúrgicos sem um único descontrole em seus movimentos, direcionando a equipe numerosa que rodeava a mesa. – Caminharemos então para a redução cirúrgica.
            A equipe concordou, logo passaram a se concentrar exclusivamente nas orientações de , ela chefiava todo o processo, sem ter sequer um vacilo. Mas estava difícil, muito difícil, o semblante dela estava concentrado, os olhos focados como os de uma águia.
_ Não está funcionando.
_ Ainda é cedo para afirmar. Vamos continuar. – Disse , depois de uma leve complicação dada por uma alteração na pressão encefálica do paciente.
            Por cinco horas eles permaneceram debruçados naquela mesa. Mas o resultado não foi bom. O trabalho dos médicos estava se restringindo a angustiante espera por uma reação do paciente, mas sabia que aquilo não ia acontecer tão facilmente. Durante os dois dias seguintes ela já sabia que iria perder aquele garoto, que tinha só 17 anos. Mas ainda assim não abandonava nem a ele, nem a sua família. Tentava já preparar os pais de Erick Janckson, mas a mãe estava irredutível, dizia a todo momento que seu filho ia acordar e chamar por ela. Não aceitava que não podia ficar ao lado do filho na U.T.I.
            só voltou para casa para tomar banho, comer e dormir umas poucas horas. Logo voltava para o hospital, completamente esquecida de si mesma, ela vestia as roupas mecanicamente, sem se importar com isto.
            Como ela previra, as reações de Erick não foram boas. Depois das horas necessárias para que o diagnóstico fosse afirmado, atestou aquilo que sabia ser inevitável.
_ Perdemos. – Ela disse, os ombros de todos que ela podia ver se abaixaram. Os médicos que estavam ao redor daquela cama de U.T.I estavam com o semblante compenetrado, sendo isto perceptível apesar das máscaras que eles usavam.
_ Doutora Black isto é…
_ Morte encefálica. Não posso recuperar a função cerebral, é tarde demais.
_ Pupilas não reativas, reflexo de tronco cerebral ausentes…
_ Não há esforço ventilatório espontâneo… - Começaram então os diagnósticos daquilo que já havia afirmado.
            Era preciso o atestado de mais médicos para que a morte encefálica (ME) fosse garantida, para evitar qualquer avaliação precipitada. Ela era a especialista, e não costumava dar uma sentença daquelas sem que estivesse certa, mas aquele era o procedimento padrão, absolutamente necessário.
_ Temperatura abaixo dos 32,2º C. Você fez os devidos testes doutora Black? – Perguntou-lhe o Dr. Hanson, diretor do hospital.
_ Não houve respostas satisfatórias do paciente na tentativa de manutenção arterial. Utilizei o máximo de luz possível nas pupilas, cheguei a fazer uso de uma lupa para ampliar o reflexo, mas não houve réplica pupilar. Também não houve respostas nos testes de reflexo corneano. Todos os demais testes foram realizados. Também foram feitos dois EEG, uma Angiografia e uma Ultrassonografia. Todos os resultados apontam para isto. – respondeu prontamente, com seriedade.
_ Creio então que devamos informar a família. Não há mais dúvidas, o paciente Erick Janckson sofreu morte encefálica. Ele é doador doutora?
_ Sim, é. Eu vou encaminhar o paciente para que os seus órgãos sejam avaliados, aqueles que forem passíveis de doação.
_ Certo . – Dr. Hanson disse. – Providenciarei o transporte para os lugares conforme a fila de espera. Já temos que organizar a equipe para a coleta.
_ Sim. – Ela disse, respirando fundo pelo cansaço, aquele plantão foi exaustivo.
            Depois que todos os procedimentos burocráticos foram tomados, foi cumprir a pior função de sua profissão: informar a família o óbito de um paciente. As reações nunca eram boas.
            Na sala de espera estava a mãe, já apática e com os olhos inchados, ela segurava firmemente um rosário na mão. O pai andava de um lado a outro, o cabelo grisalho e ralo estava bagunçado. Estavam ainda a irmã e alguns tios do jovem Janckson.
_ Doutora! – A Sra. Janckson suspirou assim que viu apontar na porta, queria saber notícias do filho. Mas o que ela perguntava a já não fazia parte do equilíbrio total de uma pessoa. Aquela senhora sempre perguntava:
“Erick já acordou? Posso falar com ele agora?… Doutora, você pode tirar aquelas ataduras horríveis da cabeça dele?”
            olhou então para a irmã mais velha, a mais plausível de se direcionar em uma conversa como aquela.
_ Boa tarde. – disse cordial. Mas Karla, a moça de 23 anos, irmã de Erick, não respondeu, apenas olhou o semblante grave de e se sentou lentamente no sofá.
_ O que aconteceu doutora, como está meu irmão? – Ela perguntou com voz insegura, sua mãe começou a manusear o rosário enquanto o Sr. Josh Janckson foi para a esposa segurar-lhe os ombros.
_ Nós fizemos o possível para reverter o caso. Mas o grau da lesão provocada pelo impacto do crânio de Erick no chão foi muito elevado. Não pudemos evitar a perda significativa de massa encefálica e isto diminuiu drasticamente as chances de recuperação de seu irmão, Karla.
            Karla achou a voz ponderada e macia de absolutamente fria por falar do cérebro de seu irmão daquela forma, dos ferimentos tão violentos que ele sofreu, assim. Ficou olhando a doutora de forma impassível. Porém não ficou parada em pé na porta, mantendo a segura distância emocional que os médicos costumavam manter dos familiares naquela situação. Ela se aproximou e se sentou ao lado de Karla, pegando as mãos da moça e apertando suavemente.
_ O que isto significa doutora? – O pai, Josh, lhe perguntou.
_ Em casos assim, Sr. Josh, as consequências, nem tão boas, não podem ser evitadas. Seu filho teve áreas vitais irrevogavelmente lesadas, isso traria seqüelas expressivas. Porém, devido a quantidade de massa encefálica, de tecido cerebral eu quero dizer, perdida, seu filho infelizmente não pôde resistir. O cérebro dele já não possui o funcionamento necessário para que ele possa continuar vivendo. Não é mais o cérebro de seu filho que mantém o funcionamento básico do corpo, mas as nossas aparelhagens, e ainda assim, por pouco tempo. Erick sofreu o que chamamos de morte encefálica, em que as funções do cérebro não podem mais ser recuperadas, logo, o corpo de seu filho não pode mais se manter vivo.
            terminou seu discurso já acariciando as costas de Karla que soluçava baixinho e dizia repetidos “não’s”. Ela esperou, eles estavam em um estado aparente de choque, estáticos, absorviam as informações.
_ Você quer dizer que meu filho está morto? – Sra. Janckson perguntou, derrubando seu crucifixo no chão.
_ Não há como ele se recuperar. Seu filho faleceu, infelizmente. – disse.
            Foi somente um segundo de silêncio. Depois disso o grito nauseantemente sofredor daquela mulher pareceu invadir todos os cantos daquele hospital. O choro se fez presente em todos os familiares dali, e a única reação que poderia ter ela teve: mandou que a enfermeira injetasse tranquilizante na veia da mãe, não para que ela parasse de se debater, mas para que não sofresse uma crise hipertensiva.
            Depois de controlados os ânimos, de tomadas as devidas providencias com o pai e a irmã de Erick para a doação dos órgãos do rapaz, pode voltar a sua sala.
_ Doutora, você recebeu duas ligações de sua cunhada. Ela quer saber se você vai passar na casa dela. Disse pra ligar assim que pudesse.
_ Obrigado Sharon. Faça a ligação pra mim, irei atender lá dentro. – Ela respondeu a sua secretária.
            se sentou em sua cadeira desamarrando os cabelos e sacudindo-os. Parecia que os gritos da mãe de Erick continuavam em sua cabeça.
“Ele está vivo! Ele me prometeu, não é Karla? Você e seu irmão me prometeram que não iam morrer antes de mim! Ele está vivo, meu amor não morreu… meu filhooo!”
            Inevitável, não importa quantas habilidades os médicos desenvolvessem, a morte parecia sempre inevitável. Eles, os médicos, sabiam que quando ela decidia vir, ela vinha e vinha com força, subjugando as valorosas técnicas medicinais.
            respirou fundo e massageou a cabeça, se despedindo de Erick mentalmente, pois ele já não estava sob seu poder. Pouco tempo depois ela atendeu a ligação que pediu.
_ ! Você mora em La Push ou neste hospital? – Rachel lhe disse brava.
_ Oi pra você também Rach. – disse, tentando sorrir.
_ Há três dias eu estou tentando falar com você e nada! Jacob falou que era plantão, mas por três dias?
_ Um caso complicado Rachel. Eu não podia ficar em casa por mais de cinco horas.
_ É minha querida, eu sei. Foi aquele acidente horrível com o filho caçula dos Janckson não é? Nossa, está todo mundo abismado.
_ Sim Rachel, este mesmo.
_ E como ele está? – Rachel perguntou com voz mais tensa do outro lado. pode ouvir o barulho da cadeira de Billy se aproximando.
_ Conseguiu falar com a ?- Ele sussurrou do outro lado, mas Rachel não pareceu ter respondido o pai.
_ Infelizmente ele faleceu Rachel – respondeu.
_ Oh! Meu Deus, que coisa horrível! Semana passada mesmo topei com ele no mercadinho de Forks! Ele me ajudou a carregar as compras. Meu Deus!
_ O que aconteceu? – Billy voltou a sussurrar do outro lado. Mas foi Paul quem respondeu.
_O filho dos Janckson morreu, Billy!
_ Quem que morreu? – ouviu a voz de Elisa perguntar.
_ Está todo mundo aí? – Ela perguntou a Rachel.
_ Não, só nós e as meninas: Leah, Emily e Kim.
_ Faça o seguinte então Rachel, eu só preciso assinar o atestado de óbito e já saio do hospital, então eu vou pra aí. Pode ser?
_ Ai Meu Deus ! Você tem certeza que consegue falar de casamento saindo deste meio de morte aí? – Rachel disse com voz embargada.
­_Quem morreu mamãeee? – Elisa insistia.
_ Ninguém querida, ninguém que você conheça. Agora deixa a mamãe conversar. ­- A voz de Emily disse.
            inspirou fundo.
_ São os ócios do ofício Rachel. Lidamos ao mesmo tempo com mortes e nascimentos nesta profissão. O pesar existe, mas são coisas inevitáveis. Eu vou indo pra aí sim, não se preocupe. Aproveite e prepare um prato pra mim porque eu ainda não almocei hoje.
_ O que? Como não almoçou? São quatro da tarde! Leah tem razão, você não trabalha, você se mata!
            desligou o telefone rindo da preocupação excessiva da cunhada. Ela estava tentando adiar aquele encontro há dias, mas seria inevitável. As mulheres de La Push já estavam cuidando de quase todos os preparativos do casamento quileute de , mas ainda não haviam conversado direito com a noiva para explicar as tradições, falar detalhadamente como era o ritual da cerimônia e tudo mais.
            Uma hora mais tarde desceu de seu carro em frente a casa de Billy, que havia passado por uma reforma para que Raquel continuasse ali com o pai e com a família. A antiga garagem de Jacob havia virado quartos, a varanda estava maior assim como a cozinha e a sala. Era a casa de Billy a segunda maior de La Push agora, porque a primeira era indiscutivelmente a casa de .
_ Foi complicado querida? Você demorou! – Rachel lhe disse, enquanto abraçava ternamente a cunhada e tirava o jaleco branco de , já amarrotado pelo uso, colocando-o no pedestal perto da porta.
_ Estas coisas nunca tem prazo certo Rachel. Mas não vamos falar mais disto.
_ Tiaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!! – Jason pulou com tudo em cima de e ela fingiu sofrer com impacto leve dando um passou pra trás.
_ Ei garoto, vai estrucidar a deste jeito! Seu tio vai te pegar hein?
_ Paul, não põe medo de Jacob no menino!
_ Eu não tenho medo do tio Jacob mãe! – Jason disse, inflando o peito orgulhoso. riu.
_ Mentirosoooo!!! Ô mãe, tia, tia, o Jay tá mentindo! Ele morre de medo do tio Jacob sim! Ele disse que o tio Jacob tem olho de lobo Dark!
_ Eu não falei não!
_ Falo sim!
_ Não falei menina besta! Ô mãe ela tá mentindo!
_ Parem os dois! Que coisa é esta de lobo Dark? – Rachel perguntou.
_ O papai que falo que o Quil chama o tio Jacob assim! – Jason disse, apontando Paul, que, no momento, se protegia do olhar da esposa atrás de uma almofada.
_ Será possível que vocês nunca vão crescer, Paul?
_ É claro que não Rachel. Estes daí vão continuar sendo os mesmos garotos idiotas de sempre! – Leah disse, saindo da cozinha com um prato de lasanha na mão.
_ E você Leah, vai continuar sendo a mesma chata de sempre. – Paul disse, tacando a almofada nela. Ela desviou mantendo o prato perfeitamente equilibrado.
_ Obrigada Paul! - Leah respondeu com um gracejo forçado.
_ Por nada!
_ Vocês podem parar de caluniar Jacob pelas costas e ainda por cima levarem as crianças juntas nesta! Não é ? – Rachel ralhava com o marido e buscava reforço na cunhada.
_ Hein? – disse, disfarçando.
_ Ah, qual é amor!? Até a sabe que o Jacob é um porre às vezes! Isto porque ela não tem ele vasculhando sua mente o tempo inteiro. Aquele lá desempregado é um tormento pra matilha. Pior que a irmã dele de TPM! – Paul sussurrou a última parte pra .
_ Paul! Quer o divórcio? – Rachel ralhou novamente.
_ Ei meu amor, eu estava só brincando! É claro que eu não penso isto do seu irmão. – Paul disse todo sedutor e carinhoso pra Rachel, fazendo ela se derreter.
_ Mãe, o papai tá cruzando o dedo nas costas. Ele tá mentindo! – Jason disse rindo.
_ Ei garoto, não dedure seu próprio pai… ai! – Paul disse para Jason, mas logo levou um tapa de Rachel na cabeça.
_ Que você tá falando “ai” Paul? Você não sente nada!
_ Amor, você é uma Black! Você pode não ser loba, mas tem mais força que o comum! Tá no seu sangue! Seu tapa incomoda Rach! – Ele disse, fazendo biquinho. Raquel rolou os olhos bufando, mas logo depois se aproximou sorrindo para beijar o marido.
_ Já disse para vocês não fazerem isto na frente das crianças! Vocês se empolgam de vez em quando. – A voz de Billy irrompeu na sala, enquanto ele repreendia a filha e o genro.
_ É vovô, é nojento! – Elisa disse, fazendo careta.
_ É bom que você continue achando isto nojento pelos próximos quarenta anos mocinha! Isto não é pra você! – Paul disse, cruzando os braços.
_ Ah vai nessa Paul. Se tua filha puxar a Rachel ou a Rebecca, ela vai mudar de opinião logo, logo. Estas gêmeas eram “as pegadoras” da escola. Eu me lembro bem.
_ Leah! Não era bem assim… - Rachel disse, enrubescendo.
_ Pegadoras? – perguntou faceira, enquanto comia a lasanha deliciosa que Leah havia trazido.
_ Vamos parar com este assunto! Temos um casamento pra organizar. Homens, se mandem! Agora a conversa é entre mulheres!
_ Os velhos podem ficar? – Billy perguntou.
_ Se os velhos forem homens… não!
_ Porque é que eu fui dar tanta autoridade pra Rachel mandar nesta casa? Agora ela virou um general! – Billy saiu resmungando pra Paul enquanto se afastavam da casa.
_ Eu chamo isto de mal dos Black! Já reparou que todos vocês são mandões sogrão? – Paul foi respondendo, fazendo balançar a cabeça sorrindo. Era verdade.
_Este Paul me enlouquece às vezes! – Rachel disse, com voz risonha.
_ Normal, o Paul enlouquece todo mundo! – Leah disse, também se sentando na mesa junto de Rachel e .
            nada dizia, apenas sorria e comia a lasanha, pois só agora tinha percebido o quanto estava com fome.
_ Bom querida, mas vamos ao casamento… O EMILYYY TRÁS O VESTIDO!
            Leah se encolheu tampando os ouvidos com o grito de Rachel.
_ Ei? Dá pra gritar menos? Meu ouvido é sensível, esqueceu? – Leah ralhou.
_ Desculpe Leah, eu esqueci. Mas é que a Emily tá lá dentro…
            ficou realmente impressionada enquanto Emily e Rachel derrubaram por cima de seu corpo o que seria seu vestido de casamento. O que era mais impressionante era a renda, tão fina, tão delicada. Os desenhos que ela formava eram flores, feitas ponto a ponto pelas índias mais velinhas da tribo. Pouco a pouco elas teciam aquela renda, com desenhos únicos, formando exatamente os contornos precisos para ornamentar o vestido de . Aquela renda fazia jus a mais cara das rendas francesas.
            Emily tinha mão boa para costura, ela era nitidamente uma mulher que nasceu para ser do lar. Suas habilidades naquele sentido eram inesgotáveis, era ela que estava montando o vestido de e o arranjo de seus cabelos. Além disso, ela fazia a roupa de Jacob. Emily fora a escolhida, em alguma espécie de reunião repleta de miticismo quileute, organizada por Sue, para cuidar das roupas dos noivos, que teriam de ser lavadas, assim que ficassem prontas, com uma infusão de pétalas de flores típicas dali, juntamente com um canto espiritual quileute.
            Rachel também cantava um canto suave e melodioso enquanto Emily fazia as medições no vestido em . A voz da cunhada tinha, no fundo, uma suave rouquidão, mas que não chegava a ser acentuada, era como um toque a mais para suavizar o timbre de sua voz, que era de uma soprano menos brilhante, mais escura, porém linda.   
_ São tantas minúcias Leah. É mesmo necessário tudo isto? – perguntou, enquanto Kim ajudava Rachel e Emily a decidir as pedras mais propicias ao bordado do vestido.
_ Bom, … grande parte da tribo pensa que este casamento está sendo assim, porque Jacob quis e o Billy fazia questão. Na verdade, Billy faz mesmo questão, mas o fato é que estes rituais específicos são mais direcionados aos “líderes quileutes”. Para nós, integrantes do mundo das lendas, sabemos que os líderes quileutes não são somente aqueles que integram o conselho e tudo mais, mas sim “Os Alphas”. O casamento do Sam… bom… o casamento deles foi parecido, mas o Sam não quis fazer tudo porque, segundo ele, a linhagem real dos Alpha é de Jacob. – Leah disse, enquanto tateava as amostras de flores para a decoração que Rachel havia trazido para que escolhesse.
_ Não imaginei que vocês ainda mantivessem estes costumes, Leah. Vocês parecem fazer parte daquelas comunidades que já se enraizaram com os costumes dos “brancos”. – disse, fazendo aspas no ar ao dizer a palavra “brancos”.
_ Bom, na verdade, nós somos em muitas coisas, mas os velhos do conselho continuam mantendo firme com as coisas, sabe? Com a morte do velho Quil, há três anos, a gente pensou que eles iam relaxar um pouco. Mas acabou que minha mãe é a pior deles! Não sei se você percebeu ela no seu pé? – deu um riso suave, que era uma afirmação do que Leah dizia. - Então… eu só aviso que é bom ter paciência, porque você vai ter que ficar andando com um bando de índias velhas que vão ficar rezando pra você, cantando, te dando banho e te contando uma cacetada de histórias monótonas.
_ Eu não me importo, é gostoso participar disto, é bonita esta crença, este cuidado por um casamento.
_ … - Emily escutou a conversa entre as duas e finalmente resolveu opinar. – O mais sagrado entre nós, quileutes, é o amor. Quando se trata dele, todos nós temos cuidado e respeito. O casamento pra nós é o significado de toda esta preciosidade e magnitude. Ele é a consagração de um amor, é o início de uma família. Por isto há este cuidado na benção dos noivos querida.
            engoliu em seco, afirmando constrangida. Era tanta dedicação, tanta ritualidade naquele ato e ela não se sentia digna daquilo, sentia que deturpava uma crença. Mas disfarçou.
_ E é tão bonito! Eu nunca cheguei a ver um casamento assim, igual ao seu , que é mais das linhagens mais “nobres”, só ouvi minha mãe contar e parece tão lindo só de ouvir. Você vai gostar! – Kim disse sorridente, ela também não tardaria a se casar, Jared já havia pedido a mão dela e os dois agora, começavam a montar sua casinha.
_ Tia , posso fazer seu penteado do casamento? – Elisa perguntou, com um pente e umas flores campestres na mão.
            sorriu e afirmou. A pequena foi então mexer no cabelo da tia tagarelando de que deixaria uma trança do lado com uma flor pregada na ponta, uma outra flor de baixo da orelha, outra prendendo a  franja… quase dormiu com as mãozinhas suaves dela mexendo em seus cabelos, provavelmente embaraçando todo, enquanto as outras mulheres conversavam.
            Elas ficaram matraqueando por muito tempo ainda, estava absolutamente aliviada de que elas tinham toda a empolgação para cuidar de seu casamento, uma vez que ela não a tinha. Mas Leah, como sempre, tinha a atenção focada na amiga. Mas, por incrível que pareça, não fazia mais uma única pergunta comprometedora sobre aquele casamento à . Mal sabia a médica que a loba fazia aquilo por causa de um pedido de Jacob.
            Eram sete horas da noite quando ouviu a voz de Jacob a uns cem metros de distância da casa. Seus músculos se retesaram e não demorou Leah avisou.
_ Guardem qualquer coisa da noiva porque o noivo ta chegando!
_ O que? Aí meu Deus! Está tudo espalhado! Jacob: NÃO ENTRA! – Rachel gritou, enquanto fazia uma algazarra para guardar alguns retalhos do tecido do vestido.
            mais sentiu do que ouviu quando ele se aproximou da porta e ficou parado lá, respirando profundamente. Embry estava ao lado dele, também muito quieto.
_ Posso entrar? – Ele perguntou, depois de alguns minutos.
            Rachel não respondeu, apenas foi abrir a porta. Assim que ela escancarou a porta esbaforida, ela parou e ficou olhando para o irmão, sorrindo timidamente.
_ Desculpe te fazer esperar Jacob, mas tradição é tradição, você não pode ver nada. – Rachel dizia com voz baixa, mexendo nas mãos nervosamente.
            Jacob olhou pra a irmã compenetrado por um instante. Depois suavizou a expressão e confirmou com a cabeça, entrando dentro da casa. Porém, ao passar por Rachel, ele fez um gesto mínimo, mas que fez o coração dela voar e seu sorriso aumentar: ele pegou a mão da irmã e deu um beijo rápido e suave.
            observou aquele gesto com olhos aguçados. Ela mantia sua expressão suavemente sorridente, seus olhos quase ternos, mas ela estava mais fria com Jacob, quase não falava com ele. Ele também não forçava, quase não tinha coragem de olhá-la nos olhos. Mas naqueles momentos, na presença dos tão empolgados quileutes para o casamento, eles mantiam uma certa reserva, e se punham a interpretar.
            Jacob já havia ficado habituado em se aproximar dela e beijá-la suavemente, colocando a mão em sua nuca e dando um leve carinho antes de soltá-la. também não recusava, sempre fechava os olhos quando ele vinha, e seu coração sempre mudava para um pulsar angustiado.
            Jacob entrou na casa e não fez diferente, mas antes reparou no rosto dela. Estava exausto, cansado. Ela havia prendido o cabelo em um coque com uma caneta, mas uma mecha caia nos seus olhos e ela não parecia se incomodar para retirá-la. Ela estava sentada recostada no sofá, com as pernas cruzadas em cima, sem os sapatos.
_ Está cansada. – Ele afirmou. – Ainda tem que voltar para o hospital?
            olhou pra ele e sorriu de leve: “Não o julgue tão irrevogavelmente…” Ela se lembrou da voz de Quendra.
_ Não hoje.
            Ele afirmou levemente, logo depois se voltando para Leah, que começou a falar com ele.
_ Conseguiram descobrir mais alguma coisa? – Ela se referia as suspeitas que Jacob havia levantado sobre a proliferação de vampiros recém-criados na região.
            Ele pensava seriamente que poderia haver um outro vampiro interessado em montar um exército, ou fazendo residência ali. Mas o problema é que não fazia sentido! Se era um exército, por que os novos sanguessugas ficavam soltos por aí? E se era um vampiro guloso, por que ele não matava as vítimas ao invés de transformá-las?
_ Nada. Eles aparecem, mas não são treinados, agem por instinto, são muito fáceis de vencer. E eles não vem de um só lugar, às vezes aparecem do norte, às vezes do sul, do oeste… É impossível saber o que os está atraindo pra cá! – Embry falou pensativo. Leah enrugou o cenho e Jacob olhou para imediatamente.
_ Mas Sam me disse que você iria viajar com uma parte da matilha pra tentar descobrir a causa de tudo isto, Jacob. – Emily disse.
_ Não, eu pensei nisto, mas não é prudente desfalcar a matilha assim. Não temos certeza do que é, então é melhor que todos fiquem juntos por aqui.
_ E Jacob, o casamento vai precisar ser adiado por causa disto? – Rachel perguntou.
            Jacob respirou fundo e olhou para , querendo saber se ela queria que o casamento fosse adiado. Ela nada disse, mas seu olhar indicava que a decisão estava nas mãos dele.
_ Não Rachel, não vai. Mas de qualquer forma, alguns lobos não poderão ir ao casamento, terão de ficar em ronda.
            Rachel fez uma careta e confirmou. Elisa estava encostada em , no lado oposto do sofá ao que Jacob havia se sentado. Ela esticou o pescoço por baixo do abraço de e olhou o tio com olhinhos cautelosos.
_ Tio Jacob? E se um vampiro escapar e pegar a gente? – Ao dizer aquilo o coração da pequena acelerou, a abraçou mais terna. Jacob olhou pra ela e logo depois para , pensando no que Elisa tinha dito.
_ Nenhum vampiro vai escapar Lisa, eu não vou deixar, nem eu e nem nenhum da matilha certo? – Ele disse, suave. Ela balançou a cabeça, afirmando. – Confie em nós! – Ele sussurrou, passando a mão delicadamente na cabeça dela. Elisa se encolheu no abraço de , que lhe beijou o topo da cabeça.
            Rachel pensou em abraçar a filha para acalmá-la, mas desistiu ao ver que ela se confortava no meio de e Jacob.
_ Vocês serão bons pais! – Ela disse sorrindo. - Mamãe estava certa Jacob, ela estava certa em dizer que você seria um bom pai de família.
            sentiu um frio por dentro a sacudindo… mãe? Como ela seria mãe? Não foram só Jacob, Embry e Leah que perceberam a angustia que tomou conta dela, com as reações nervosas de seu corpo, mas os outros, quando ela fechou os olhos e engoliu em seco. Ela não fez um comentário sequer a respeito daquilo, apenas continuou a acariciar a cabeça de Elisa. Jacob também ficou desconfortável e nada falou.
_ Bom, Jacob, agora é sua vez! Nós temos que decidir o ponto da praia que vamos fazer a festa, e você e os garotos tem que montar o altar e… - Rachel começou a falar ininterruptamente para se livrar do clima que ficou. Jacob continuou sentado, somente ouvindo. ainda voltou a conversar, brincando por vezes.
            Logo Paul, Billy e Jason chegaram. Jason fazia algazarra e olhava pra Jacob com olhar desafiador, como para atestar que não tinha medo dele. Mas na única vez que Jacob franziu o cenho pra ele, o pequeno virou as costas disfarçadamente. Leah riu e Elisa começou a caçoar o irmão, fazendo ele ficar bravo e pular em cima dela. Paul e Rachel foram socorrer e separar os filhos, que não sediam e se pegavam.
_ Meu Deus, crianças, assim vocês botam fogo nesta casa! – A voz de Billy soou profunda e grave, fazendo os netos prestarem a atenção no avô e pararem de brigar.
_ Obrigada pai.
_ Estes pequenos tem um gênio que vou dizer! Ainda matam seu avô de infarto crianças! – Billy disse, ainda carrancudo.
            Jacob viu quando olhou para Jason e Elisa, fazendo um gesto de abraço e apontando Billy disfarçadamente. Os pequenos entenderam o que ela quis dizer e logo estavam em cima da cadeira de Billy beijando o avô e pedindo desculpas.
_ Ou! Hey, eu desculpo sim. Sou um avô bem bobo, não é? Sempre desculpo! Mas não se matem!
            Jacob se levantou em meio aos risos.
_ Nós precisamos ir. – Disse olhando recostada com olhar mole no sofá. Ela olhou pra ele e se levantou também.
_ Sim, precisamos.
_ Haaaa!! Tia, não vai não! – Elisa e Jason vieram lhe agarrar as pernas.
_ Meus amores, eu preciso. Titia está cansada.
_ Dorme aqui, eu te empresto minha cama! – Jason falou. – Daí eu te conto história pra dormir, aquelas que o vovô Billy conta. Você gosta de história de terror?
_ Jay, não se conta história de terror pra dormir! – Elisa disse brava.
_ Conta do que então?
_ De princesas!
            Ele fez uma careta.
_ Princesas são chatas!
_ Mas é coisa de menina e tia é menina. E ela vai dormir no meuuuu quarto, tá?
_ Ei, ei crianças, não vão começar a brigar de novo. Hoje eu não posso ficar aqui, mas quando eu puder, eu fico e cada um conta a sua história pra mim, certo?
_ Certo! – Eles responderam, dando um beijo nela e voltando correndo brincar com o pai, que era a diversão dos dois.
            Jacob se despediu cordialmente de todos, mas em cada um dava um abraço e conversava. Emily resolveu conversar alguma coisa que tinha esquecido sobre o vestido e arrastou pra dentro novamente. Jacob foi para fora esperá-la.
_ Então? Como ela está com você? – Era Leah, que veio atrás dele. Ele balançou a cabeça e sorriu.
_ Educada.
_ Boa relação entre marido e mulher. Tudo que um precisa do outro. Educação! Tipo, bom dia e boa noite?
_ Não, tipo aceno de cabeça na chegada e aceno de cabeça na saída. Quando muito: “tem comida pronta”.
_ E o que você faz? – Leah disse, colocando a mão na cintura.
_ Como assim, o que eu faço?
            Ela bufou e colocou a mão na testa, sussurrando: “E eu que pensei que ele era inteligente!”
_ Eu ainda não fiquei surdo Leah. – Jacob ergueu a sobrancelha. Ela bufou novamente.
_ Jacob! Será possível que eu vou ter que te ensinar como dobrar uma mulher durona?
_ O que?
_ Jacob, se ela não fala com você, fale com ela oras! Eu sei que você não é tão idiota assim pra não saber puxar uma conversa amena! E você já olhou esta sua cara aí? Já tentou fazer uso dela pra conseguir algo? Tipo, um olharzinho…
_ Ei! Pera aí! Leah, você está me dando aula de sedução?
_ Você tá precisando!
_ Ah, eu to precisando? Você ficou é muito intrometida!
_ Eu sempre fui assim.
_ Tem razão, você sempre foi. E comigo mais do que com os outros! – Ele fechou a cara. Leah riu.
_ Mas no final vale a pena! – Ela deu uma piscada, sussurrando enquanto ouvia os passos de se distinguir dos demais. Jacob rolou os olhos.
_ E confie nas minhas dicas. Porque eu consigo dobrar pessoas duronas! – Ela disse, apontando para ele.
_ Inclusive você mesma?
_ Engraçadinho!
            abriu a porta a tempo de ver Leah dar um tapa nos ombros de Jacob, sorrindo.
_ Eles estão se dando bem ultimamente. – Embry lhe sussurrou pelas costas, fazendo se virar pra ele.
_ E você está com ciúme? – perguntou também muito baixinho para que Leah não escutasse. Ela quase estava falando a ele que não havia motivos para ciúme, mas Embry foi mais rápido.
_ É claro que não! – Ele disse sorrindo. – Só comentei, ele tá diferente. É mais com ela, mas está.
_ Diferente? Diferente com a Leah? Diferente como? – perguntou, voltando pra dentro da casa com Embry aos sussurros, fingindo ir pegar o jaleco que tinha esquecido. Jacob e Leah estavam longe o suficiente para não ouvir.
_ Está com ciúme? – Ele perguntou. fez uma careta, ele riu. – Sei lá, eles estão conversando, isto não acontecia muito.
_ Humm... – ela murmurou.
_ Por que?
_ Por que o que?
_ Por que você pareceu ficar espantada !? Leah é sua amiga, ela vive na sua casa, por que você ficou espantada por ela estar conversando com Jacob? Você devia achar isto mais natural do que eu.
_ Bom, é que isto não depende do meu grau de influência sabe?    Aqueles dois não são tão manipuláveis assim. – Aquilo era uma meia verdade.
_ É, não são.
            Eles voltaram pra fora de novo e Embry acompanhou até onde Jacob e Leah aguardavam.
_ Posso saber o que vocês dois sussurravam tão secretamente? – Leah perguntou a Embry assim que o abraçou. Mas foi que respondeu.
_ Só se vocês falarem o que vocês sussurravam tão secretamente!
_ Boa Dona Alpha! Agente fala se vocês falarem!
_ Isto é um complô? – Leah perguntou, apontando Embry e . Eles riram e Embry apontou para Jacob e Leah e perguntou:
_ Isto é um complô?
_ Talvez seja, mas é para uma boa causa. – Leah disse, penetrando com os olhos. A morena devolveu o olhar apertando os olhos, desconfiada.
_ Bom, temos que ir. – Foi a única coisa que Jacob falou.
_ Sim, vamos. – falou aquilo um tanto desanimada, enquanto tirava a chave de seu carro do bolso.
            Mas Jacob passou a mão na dela e pegou a chave, fazendo ela estranhar.
_ Eu dirijo, você está quase dormindo.
_ Tudo bem. – Ela respondeu se virando para o carro. Mas, pelo reflexo da lataria ela viu Leah sorrir pra Jacob e fazer um aceno de positivo. Virou as costas e Leah imediatamente disfarçou, beijando o rosto de Embry, que também fazia uma cara desconfiada, e acenando um tchau.
            olhou pra Jacob, e ele só fez um gesto para que ela entrasse no quarto. Ela estreitou novamente os olhos e entrou no carro. Jacob logo deu partida, ficando em silêncio e se encostando ao máximo no banco, dirigindo suavemente. olhava pra ele constantemente.
_ Diga… - Ele falou, depois de alguns minutos.
_ Dizer o que?
_ Você quer perguntar algo, então pergunte.
_ Não me diz respeito. – confessou.
_ Por que não diz? Por que é entre mim e Leah? – respirou fundo, ela nunca havia tocado naquele assunto com ele, ficou desconfortável com a forma como ele estava sendo direto. – O que quer saber? – Ele voltou a insistir ante o silêncio dela.
_ Ela… Ela não… esquece Jacob!
_ Se ela me perdoou? Se ela me perdoou por eu ter agido covardemente com ela?
_ Jacob… - se mexeu desconfortável no banco. – Não quero entrar em qualquer assunto que acabe em discussão.
_ Por que acabar em discussão? Por quê? Você tem vontade de fazer o que comigo? Diga , pode fazer o que quiser, jogue na minha cara o que eu fiz! Discuta, mas não reaja mais como um ser inanimado!
_ Um ser inanimado não incomoda, e é assim que precisamos ser um para o outro pra suportar este casamento! Não vou impor meus achismos à você, Black! – Ela já estava alterada. Qual era o conselho de Leah mesmo? Ah, sim, uma conversa amena…
            Aquilo estava muito tranquilo certamente. Jacob resolveu ficar quieto e respirar fundo para completar o caminho. Eles entraram na casa em um silêncio angustiante, Jacob não agüentava mais aquilo.
_ Você não precisa passar por isto se quiser! – Ele disse, enquanto ia para a cozinha beber água e tirava a camisa no caminho, jogando em qualquer lugar.
_ Por isto o que? – Ela disse, arrancando o jaleco novamente.
_ Por mais este casamento. Quanto menos atividade melhor não é? Então deixe que as opiniões se danem e nós apenas nos suportemos nesta casa. Acabamos com os teatros que te incomodam tanto.
_ Pensei que isto fosse importante pra vocês. Digo, os quileutes.
_ Não é nada do que eu não possa me livrar. – Ele suspirou. Já com uma jarra de água na mão.
_ Pensei que Billy fizesse questão.
_ Sim, ele faz questão sim. Mas é mais por outra coisa do que pela tradição. – percebeu Jacob vacilar. – Mas eu posso falar com ele.
_ Não, não precisa, eu não quero magoá-lo. Eu posso fazer isto. – Ela disse um pouco mais branda, logo parando de falar e ficando olhando Jacob beber um litro de água de uma só gole. Ele olhou para ela novamente e disse:
_ Pergunte.
_ O que? – Ela disse confusa. Como ele sabia quando ela estava encanada com algo?
_ Você quer saber algo de novo: diga. – Ela encarou o chão.
_ Pelo que Billy faz questão deste casamento então?
_ Pela minha mãe. – Jacob disse, deixando a jarra de água na pia e se sentando na mesa de centro da cozinha.
_ Sua mãe?
_ Sim, ela. Minha mãe, antes de morrer, deixava bem claro que queria que os filhos constituíssem família, nos contava as lendas de amor quileutes… Ela dizia que eu seria um guerreiro e teria um casamento de guerreiro quileute, com todas as honras, porque eu era um Black.  Eu era pequeno, mas me lembro bem disto. – A voz dele estava entre o seu habitual controle e o saudosismo. desfez sua rigidez por um instante.
_ É por ela que Billy faz questão então?
_ Sim, não só ele, mas Rachel e Rebecca também. De nós, só Rachel fez um casamento mais dentro das tradições. Minha mãe era uma sonhadora, ela gostava daquilo. De preparar os detalhes, de cantar os cantos quileutes, das nossas lendas, de nossas crenças.
_ Você também quer este casamento por ela Jacob? – perguntou baixinho, se sentando na cadeira próximo a ele.
_ Não.
            engoliu em seco.
_ Por que não? – Perguntou, se sentindo boba por fazer aquela pergunta.
_ Porque eu sei que ela queria um casamento verdadeiro. – Ele disse grave, colocando a cabeça entre as mãos.
_ Eu… sinto muito… - novamente abaixou os olhos. Jacob suspirou. – Por não poder ser assim…
             Jacob deu um sorriso irônico. resolveu mudar de assunto.
_ O que Leah pretende?
_ O que você quer dizer? – Ele se virou pra ela.
_ Eu vi ela te acenando quando você decidiu dirigir pra mim. – Jacob riu, franziu a testa.
_ Leah é maluca.
_ Ela quer que eu te perdoe. – disse, se levantando bruscamente, dando um riso de escárnio. Jacob se irritou.
_ Se você sabia, por que perguntou?
_ Diga a ela que não tem por que eu te perdoar, o que você faz não me diz respeito.
_ Posso dizer a ela que você também não concorda que ela tenha me perdoado? – Jacob sentia novamente um incômodo no peito ao encarar os olhos de retomar sua dureza.
_ Se você sabe, por que pergunta? – Ela disse, ainda mantendo a expressão sarcástica.
            Jacob se levantou também, com os nervos a flor da pele. A situação entre os dois deixavam aquela casa como um vulcão em atividade: prestes a explodir.
_ Certo. Você não acha que tem motivos pra me perdoar, porque isto não lhe diz respeito, mas acha que tem motivos pra me julgar?
_ Tem razão, eu também não posso te condenar por coisa alguma. O problema é entre você e ela, então vocês que se resolvam! – Ela virou as costas.
_ Não me vire às costas! – Ele disse exaltado, com voz ríspida, o peito subindo e descendo rapidamente.
            se virou pra ele raivosa.
_ Por que não devo virar as costas? Por que se eu te desobedecer você vai me bater? – Ela disse rancorosa, mas meio segundo depois do que disse, quando ela viu os olhos de Jacob se arregalarem e a expressão dele se contorcer em agonia, ela se arrependeu, ficando parada em frente a ele.
_ Isso… diga , diga o que pensa de mim! Diga que eu sou um monstro! Diga que me odeia e me despreza, seja sincera! – Ele disse, sorrindo loucamente.
            Ela ficou quieta, parada olhando pra ele. Jacob continuou a falar:
_ Você tem razão, não é? Então diga, grite e faça o que você tem vontade! – engolia em seco enquanto observava Jacob respirar cada vez mais agoniado.
_ Não… - Ela sussurrou. – Eu não quero fazer nada! – Ela falou atordoada, voltando a virar as costas para sair de lá.
_ Eu não te entendo! Você diz ter raiva, você despreza claramente e não tem coragem de rechaçar quando lhe dão a oportunidade? – Ele foi atrás dela, tampou os ouvidos. – Acha que eu sou capaz de te bater? Acha que eu sou este tipo de covarde que espanca sem qualquer motivo!? Você tem nojo de mim !
_ Não… - Ela voltou a dizer atordoada com a voz dolorida dele.
_ Como não !? Como não!? – Jacob se aproximou dela ainda mais, fazendo com que ela parasse de andar. – Você tem pesadelos comigo ! Você pensa que eu não escuto seus gritos nas poucas horas que você vem dormir aqui? Pensa que eu não escuto quando você grita para o monstro dos seus sonhos? De você dizendo que tem nojo dele? Para que ele não te bata? Você até grita que quer que eu morra!
            Ele escutava! Jacob escutava os pesadelos infernais que ela tinha, escutava e pensava que era ele.
_ Jacob não… - Ela tentava dizer, mas ele estava um tanto descontrolado. A angustia de tantos dias suportando aquilo estava sendo extravasada.
_ Pois eu suporto você dizer isto pra mim , mas diga isto acordada. Se livre disto para que eu pare de atormentar seus sonhos e …
_ NÃO É VOCÊ! – Ela gritou, caindo ajoelhada no chão. – Não é você o monstro dos pesadelos Jacob, você não é aquele monstro, não é!
            Jacob só se lembrava dela fragilizada daquela forma quando eles brigaram da última vez, quando ela disse…
“NÃO ENCOSTE EM MIM! EU TENHO NOJO DISTO, EU TENHO NOJO DE VOCÊ XAVIER!”
            Ela havia dito outro nome, um nome que ela já havia escutado, mas não se lembrava de onde.
_ Então quem é ? - Ele perguntou, exaurido de tantas discussões.
_ Não importa… - Ela sussurrou com voz entrecortada.
_ É Xavier o nome dele? O que ele fez com você? – Ele começou a dizer novamente tenso, sentindo o aperto no peito aumentar. Mas fugiu quando ele tentou tocá-la.
_ Não importa! Isto não importa a ninguém Black! Eu já disse que não lhe interessa!
_ . Importa sim… o que te faz ter pesadelos quase toda noite?
_ Não, você não tem que saber! NINGUÉM VAI SABER!
_ Por que ? O que você esconde? O que te deixa assim?
_ O que lhe importa a maneira que eu fico Black? Me deixe em paz! – Ela enfiou as mãos nos cabelos e apertou os olhos. Se sentia oprimida, atacava feito um bicho acuado. Não, ninguém podia saber!
            Nesta hora o telefone toca, ela sai feito louca e atende.
_ … - é tudo o que ela diz ao atender.
_ Doutora! Nós tentamos lhe ligar no celular, mas você não atendeu.
_ Diga o que é! – Ela quase ordenou, tentando conter o tremor em sua voz. Se virou para longe das vistas confusas de Jacob.
_ Uma emergência doutora! Eu sinto lhe importunar agora, mas a garota foi muito ferida e tememos algum trauma no crânio e…
_ Estou indo pra aí! – Ela disse, desligando e saindo procurar um novo jaleco e as chaves do seu carro.
_ Você não pode ir deste jeito. – Jacob segurou a mão dela quando ela tentou pegar a chave.
_ Me solta…
_ escute, você não está em condições! Fique, passe as orientações a outras pessoas…
_ Não tente me aconselhar! Eu sei o que faço! – Ela se livrou rudemente da mão dele e pegou a chave.
_ Você está tentando fugir , mas não está em condições disto…
_ Você não é ninguém pra me dizer isto Black! – Ela continuava com a voz extremamente aguda e trêmula.
_ Não …- Ele correu até ela e pegou-lhe pelos braços, fazendo com que ela se virasse para ele. Ela abaixou os olhos, ele pegou o queixo dela e o elevou. – Você sabe de coisas demais sobre mim e porque você se esconde tanto do que eu posso saber de você? Olha como você está , olha como você treme tentando esconder o que for! Me conte, eu posso ajudar…
            Ela riu.
_ Não, você não pode ajudar! E por isto não adianta você saber!
_ … - Ela se desvencilhou dos braços dele e correu veloz até o carro, não demorando a partir.
            Como? Como ela havia deixado a conversa ter chagado aquele limite? Ela não devia ter insultado Jacob de início. Se sentiu extremamente mal ao ver a dor e vergonha passar pelo rosto dele quando ela disse que ele poderia batê-la. E depois sofria com ele pensando que os gritos desesperados, que o seu travesseiro não conseguia abafar, eram por horror a ele. Doía nela saber a agonia que estava provocando em Jacob durante todo aquele tempo… Ela não tinha este direito, não tinha!
            Mas agora também lhe atormentava o olhar que ele deu a ela quando chegou tão perto de sua ferida, quando a viu frágil. Parecia que ele compartilhava sua angustia, parecia realmente que ele queria fazer algo… Mas ele não podia… e era péssimo pra ela imaginar que alguém pudesse descobrir aquilo, sua fraqueza.
            entrou novamente no hospital forçando o seu corpo a um tipo de estado mecânico e sem emoção, se direcionando a sala de emergência. Mas antes esbarrou com um médico de sua equipe, Dr. Marlon.
_ Doutora! Sentimos muito em ter que incomodá-la, mas os únicos que podiam examinar a paciente são homens e ela está um tanto irredutível para nós. Achamos que uma presença feminina iria acalmá-la.
_ Ela está consciente? – perguntou.
_ Estava, mas agora nós tivemos que sedá-la. Ela sofreu concusões muito fortes na cabeça e desmaiou logo em seguida. Acordou enquanto a examinávamos e teve uma crise nervosa.
_ Crise nervosa? – conversava com Marlon voltando a andar rumo à ala onde a paciente deveria estar. – Do que se trata o acidente?
            Marlon parou um instante, suspirando fundo, obscurecendo a expressão.
_ Não foi um acidente.
_ Não foi um acidente? Então o que foi?
_ Estupro. O nome dela é Amanda, tem 15 anos e foi violentada.
            estacou onde estava, sentindo o que parecia ser um soco no estomago.




“Sei exatamente como é querer morrer, como dói sorrir,
como você tenta se ajustar e não consegue,
como você se fere por fora tentando matar o que tem dentro.”
(Susana Kaysen, 1999. Frase do filme: ‘Garota interrompida’)

CAPÍTULO 22 
DESCONTROLE 



“Oh, o silencio quieto define nossa miséria
A bagunça dentro continua tentando me visitar
Não importa como nós tentamos, é muita história 
Muitas notas ruins tocando na nossa sinfonia 
Então deixei isso respirar, deixe isso voar, deixe isso ir 
Deixe isso cair, deixe isso quebrar, queime lentamente (...) 
Fugindo da noite, fugindo da luz, 
fugindo para salvar sua vida…” 
Hurricane - 30 Seconds To Mars. 
_ Doutora? Você está bem? – Era a décima vez que alguém lhe fazia aquela pergunta, mas continuava negando. Porém durante todo o tempo que dedicou a paciente, ficou extremamente silenciosa.

_ Estou sim. É só cansaço.

_ Acha que pode fazer isto Doutora Black?

_ Posso, ela não aceitaria outra pessoa, a família também está traumatizada.

havia chegado a conversar com a menina, quando esta estava novamente resistindo aos sedativos e acordando. Os enfermeiros retiravam dela as roupas ensangüentadas e rasgadas, mas, ainda mole pela medicação, seu olhar começou a transmitir um desespero absurdo e imediatamente ordenou que os enfermeiros saíssem, decidindo fazer o que não era de sua ossada sozinha.

_ Está tudo bem Amanda, estamos só nós duas aqui. – acariciou o rosto da jovem tão machucada, tão ferida interna e externamente, enquanto aplicava mais uma dose de sedativos para que ela realmente dormisse.

havia chego ao hospital em tempo de pegar o início do tratamento de Amanda. Após os procedimentos de emergência, a garota passou pelas mãos de vários especialistas, não somente . Amanda não fora somente violentada sexualmente, ela fora torturada em fantasias sádicas. Depois do que pareciam ter sido horas, os médicos que haviam cuidado de Amanda tiveram de se reunir.

_ Vamos ao laudo! – Marlon disse tenso. e ele se encaminhavam junto com o restante dos médicos que atenderam Amanda para preparar o laudo médico como parecer a polícia.

quase não sentia as pernas conforme andava, os olhos da garota o perseguiam, o corpo ferido dela lhe atormentava. A médica sentia novamente a dor latente, sentia a dor de Amanda multiplicando a dela. Eles entraram na sala do diretor, eram ao todo cinco médicos, contando com o doutor Hanson.

_ Aparentemente está tudo bem com a área neurológica. Mas como ela sofreu repetidas pancadas… - respirou fundo, sentindo um tremor ao ter que continuar em seu prognóstico. – …os problemas podem tardar a aparecer. Eu aconselho que ela fique internada por uns dias sob monitoramento.

Os outros médicos, conforme Marlon havia dito, eram homens, e pensavam que o visível mal estar de se referia unicamente a uma espécie de solidariedade feminina.

_ Não digo o mesmo de minha parte. – Dr. Krall, ortopedista, falou. – O braço esquerdo dela sofreu uma fratura que requer cirurgia. Nós imobilizamos e colocamos os ossos no lugar, mas será preciso mais que isto para que os ossos se reordenem corretamente. O pulso direito também sofreu uma lesão, mas foi menor. Uma de suas costelas trincou, nós já imobilizamos. Esta lesão, pelos hematomas, foi causada com algum tipo de objeto rígido que foi jogado contra ela.

_ Ela não poderia ter sido jogada em cima do objeto Dr. Krall? – O diretor do hospital questionou, cruzou os braços fortemente no peito, tentando conter suas angústias.

Será que os médicos que a trataram naquele dia infeliz de sua vida fizeram uma reunião parecida? Eles foram enumerando os danos em que ela havia sofrido para escrever em um laudo policial que seria engavetado no meio de tantos outros parecidos?

_ Não acredito nisto Hanson. Acho que algo foi jogado contra ela…

_ Algo jogado contra ela… você quer dizer que o criminoso jogou algo nela não é? – disse tensa, os colegas pararam.

_ Doutora , acredita que está realmente em condições de permanecer nesta reunião? – Dr. Hanson lhe perguntou cauteloso.

_ Me desculpe o rompante doutor. Isto não vai se repetir, ficarei sim.

Eles respiraram fundo e continuaram, não era tão fácil manter uma fleuma emocional naquela caso. E o pior estava sendo relatado com o diagnóstico do ginecologista, o jovem Dr. Patrick Norton, ele era dois anos mais novo que .

_ Ela sofreu escoriações graves na genital. Segundo o relato da mãe ela era virgem, mas não acredito nisto. Mas o… - Ele vacilou nesta parte, preferindo ocultar o homem que fez aquilo – …ele não pareceu penetrá-la somente com seu membro. Há fortes indícios que ele tenha inserido outros tipos de materiais nela, alguns eram perfurantes e acabaram ferindo o canal vaginal e a cérvix, principalmente. Assim que ela chegou, realizamos os devidos procedimentos para estancar o sangramento, mas há um considerável risco de infecção, não sabemos a procedência do material que a feriu.

olhava as imagens da ultrossonografia no monitor ao canto da sala. Que diabos aquele monstro havia feito? Ele a feriu demais.

_ Patrick o útero! Ele conseguiu ferir o útero! – Ela disse, quase não contendo o asco na voz.

_ Isto é realmente para se espantar doutora. É difícil conceber este tipo de coisa, mas ele parecia querer realizar algum fetiche ou algo parecido. A polícia encontrou alguns objetos propícios a um perfil sádico. O fato é que dificilmente poderemos evitar que estes ferimentos prejudiquem a saúde uterina dela.

_ Não, não pode. Se o útero permanecer assim, os riscos de infecção serão maiores. – Dr. Hanson disse. – É mais prudente uma histerectomia*, estes danos são irreparáveis, ela não poderá ter filhos.

_ Não, não poderá. Eu já considerava esta possibilidade, só não o fiz porque a mãe não autorizou.

_ Se o caso apresentar riscos a paciente, como de fato apresenta, e se, em nova conversa, a mãe não autorizar a retirada do útero, você está autorizado a fazer esta cirurgia Patrick!

_ Certo doutor.

Eles conversaram as minúcias de cada ferimento, procurando desvendar a forma como foram causados, chegando a conclusões cada vez mais absurdas. Era insuportável!

_ Bom senhorita Jeniffer, creio que não há mais nada para este laudo por agora. Pode imprimir para que assinemos. – O diretor se direcionou a secretária que redigia o parecer dos médicos, após duas horas exaustivamente tensas de reunião. Ela pediu licença e se retirou para corrigir sua redação e imprimir.

_ O que eles sabem sobre o criminoso? – Finalmente um deles fez a pergunta que estava se contorcendo pra saber. Aquele miserável estava preso? Morto?

_ Ah, Krall. O que você acha? A polícia de Forks encontrar um bandido que parece ter vindo de fora? Ele está fugitivo! – Dr. Hanson disse.

se levantou com ímpeto, fazendo os outros colegas se retraírem.

_ Fugitivo? Eles deixaram ele fugir? – Ela perguntou abismada.

_ A vítima não está em condições de dar seu depoimento à polícia, por isto eles não fazem a mínima idéia de uma característica física que seja. Quando ela foi encontrada ele já havia fugido. O sêmen foi coletado para DNA, mas isto não é algo de imediato. E as digitais dele também não ajudaram muito, eles estão fazendo uma busca nos bancos de dados, as polícias de Port Angeles e Seattle estão auxiliando, mas enquanto eles tentam descobrir quem é, o cara ganha tempo para desaparecer.

_ Miserável! – deixou escapar em um rugido.

A secretária logo retornou com as cópias do laudo de várias páginas. Cada um se sentou e pôs-se a ler. Mas Jeniffer era eficiente, não havia erros, eles puderam assinar.

_ ?

Ela estranhou o Dr. Hanson lhe chamando pelo primeiro nome, mas se virou pra ele, os outros se retiraram discretamente.

_ Você está de folga. Sua exaustão física está afetando seu psicológico. Não posso permitir que continue a trabalhar desta forma. Terá uma semana, se precisar de mais me avise.

_ Não doutor, eu estou bem.

_ Querida, você é uma excelente profissional, mas os anos que eu tenho de carreira é mais do que a sua própria idade. Portanto sei reconhecer a exaustão de um médico. Isto não é insuficiência , nós somos humanos também, temos nossas fraquezas.

_ Mas a paciente de hoje… eu tenho que monitorá-la.

_ É justamente desta paciente que eu quero que você se afaste. Suas reações emocionais para este caso não estão boas. Eu não sou cego, posso ver isto.

_ Mas doutor eu posso…

_ Não insista Doutora Black, eu ainda sou a pessoa que toma decisões neste hospital! – se calou, abaixando os olhos. Ele não podia ter percebido! Ela já tinha lidado com casos assim em Washington e sempre conseguira se conter. Ela poderia passar por isto novamente!

_ Não se preocupe quanto aos seus afazeres aqui, porque nós sobrevivemos muito tempo sem a sua presença por algum tempo, apesar de que ela tenha se tornado vital. Mas nós podemos nos virar por uma semana. – Ele disse, sorrindo compreensivo.

suspirou.

_ Você precisa. Os pacientes precisam de você sim, mas precisam de você controlada . Descanse e você verá que é o melhor a fazer.

_ Tudo bem Doutor. Mais alguma coisa?

_ Não , vá pra casa.

Ela afirmou e saiu da sala ainda conturbada. O trabalho era sua única válvula de escape, sem ele o que ela iria fazer? Nem nos sonhos ela tinha paz!

Ela caminhou a esmo pelo hospital, evitando ter que voltar pra casa e enfrentar os problemas de lá. Mas quando percebeu, estava parada em frente ao quarto de Amanda. Entrou silenciosa e eis que a garota estava novamente acordada. O que seria necessário para que ela dormisse? Uma dose de elefante?

Mesmo com o rosto ferido, cheio de curativos, viu uma lágrima brilhante escorrendo dos olhos dela. Parecia que uma navalha cortava lentamente a garganta de ao ver aquela cena. Ela se aproximou da cama já com outra dose de tranquilizante, só que dessa vez era uma mais forte.

_ Não… - ouviu o sussurro fraco vindo dela e parou com as mãos elevadas. A jovem continuou a falar com extrema dificuldade.

A médica encarou os olhos dela e a força da angustia de Amanda se voltou a ela com ainda mais força, como se fosse possível.

_ É só um tranquilizante meu bem… Um remédio pra você dormir e descansar. Assim você não precisará sentir mais dor. – disse suave, tentando conter suas próprias lágrimas.

_ Não… - Ela protestou novamente, mas antes que voltasse a argumentar ela sentiu a mão de Amanda, com o pulso engessado, se mexer em sua direção. A médica pegou a mão dela e segurou delicadamente. Ela voltou a falar. – Não me faça dormir… pra… depois acordar. Eu não quero mais acordar.

sentiu seu tremor aumentar, a dor se convulsionar dentro de si como uma fera revolta. Soltou a mão de Amanda para que ela não percebesse seu nervosismo.

_ Não diga isto meu bem! Você tem muitas pessoas que te amam lá fora, te esperando. Eles não querem que você desista. Seus pais, seus irmãos… seu namorado meu anjo. Henrique, seu namorado, conversou comigo, ele também espera que você se recupere. Eles vão te ajudar a passar por isto e você vai conseguir querida. – Como era difícil! Como era difícil se controlar e não desabar na beirada daquela maca. Como era difícil não dizer àquela jovem o que ela verdadeiramente passava com uma situação daquela.

O olhar de Amanda se tornou amargo, o rancor encheu aqueles olhos que um dia poderiam ter sido de um azul suave e brando. Suavidade era o oposto do que Amanda passava em seus olhos naquele momento.

_ Você diz isto… diz isto porque não sabe o que eu sinto… você fala que eu posso conseguir porque não passou por isto. – A voz dela parecia um sopro de tão fraca, mas ainda assim estava raivosa.

Não, não queria que ela se tornasse mais uma pessoa rancorosa. Aquilo não podia acontecer, aquela garota não podia perder o brilho da vida… Mas seria difícil, assim como era imensamente difícil para .

_ Eu sei Amanda, eu sei sim o que você sente!

Amanda deu um suspiro engasgado. Era na verdade um riso mole de ironia, mas como sua boca estava inchada, não pareceu isto.

_ Não, não sabe. Ninguém nunca… vai saber! – Ela disse um pouco mais forte, fazendo excessivo esforço para isto. Mas a morena de olhar cansado e melancólico que estava a sua frente balançou a cabeça e deu um sorriso triste.

_ Eu sei Amanda. Sei porque passei pela mesma coisa.

Amanda então ficou estática, seus olhos se prenderam em e então entenderam o que era aquela melancolia dos olhos castanhos da médica. Se sentiu ligada a médica, se sentiu compreendida. Amanda deixou-se chorar novamente… não era só ela, não foi só com ela que aconteceu…

_ Como… - Amanda sussurrou, quase inaudivelmente.

_ Eu tinha a sua idade… - começou a falar e aquela era a primeira vez, primeira vez que mencionava aquilo. E ao dizer ela se sentia destroçar novamente, não tendo forças ao menos para chorar junto com Amanda. – …e ele era meu padrasto. Minha mãe tinha morrido há um pouco mais de cinco anos, me deixando sozinha com ele… - Ela sussurrava quase tão fracamente quanto a garota ferida na cama. Sussurrava enquanto acariciava a única parte de Amanda que parecia não estar ferida: os cabelos. – Foi em um dia em que… não havia ninguém na casa. Eu … eu era virgem, nem ao menos tinha beijado na vida. Desde a morte de minha mãe passei a me preocupar mais com outras coisas. Ele sabia disto… sabia!

Amanda queria confortar de alguma maneira, mas só podia olhar para ela e com o olhar dizer que entendia, que sentia.

_ Doeu… doeu tanto! Mas não foi só no meu corpo. Foi aquele tipo de dor que agente pensa não ser possível existir quando falam dela. Era aquela dor imensa e cruel que dilacerava o coração, a alma. Eu pensei que não fosse suportar, pensei que quando eu desmaiava eu iria morrer e nem sequer queria ir pra outro lugar depois daquilo. Eu não almejava o paraíso ou o inferno… eu queria simplesmente deixar de existir.

Amanda mexeu a cabeça em sinal de concordância, como para demonstrar que aquilo era exatamente o que sentia.

_ Mas eu acordei Amanda. E quando eu acordei não havia mais nada, nem ele e nem eu de antes. Então eu continuei, continuei a viver sem nenhum parente, apenas com um bando de advogados que decidiam por mim enquanto eu não tinha idade pra isto. Mas eu continuei e procurei algo que me alimentasse a vida… Ao contrário de você, ninguém me esperava do lado de fora disposto a tudo para me ajudar a passar por este trauma. Eu não tinha ninguém do outro lado da porta daquele quarto empenhado em me conceder todo amor que possuísse em si para me dar forças… pra me confortar e me abraçar e dizer que me amava. Eu não tinha o calor de um abraço para me refazer.

Amanda soltou um suspiro ainda maior, que chegou a sacudir seu peito dolorosamente, mexendo com as costelas fraturadas. Fechou os olhos: não havia apenas alguém que havia sofrido o mesmo que ela. Havia alguém que tinha sofrido mais que ela… e continuado.

_ Mas eu procurei Amanda, eu procurei algo pra ainda continuar e eu encontrei, encontrei na lembrança do sorriso da minha mãe morta, na lembrança do abraço dela, na lembrança da pureza do amor dela. E depois eu me achei útil cada vez que um paciente se curava com a minha ajuda, cada vez que as famílias deles sorriam e me agradeciam… - parou, voltando a respirar fundo, e prosseguiu. – Por isto eu digo que é possível sim continuar, é possível acordar amanhã e lutar para vencer este horror. E eu tenho certeza meu anjo, certeza que você vai conseguir e que muita gente vai te ajudar pra isto…

disse aquela frase já injetando a dose de sedativo na veia de Amanda. Mas antes que ela dormisse novamente, a garota lhe disse…

_ Obrigada… eu vou tentar… - E voltou ao estado de inconsciência, ao menos por mais algumas horas.

ainda ficou acariciando os cabelos encaracolados de Amanda por um tempo, com os olhos fixos em nada particular. Depois que conseguiu despregar os pés do chão, se encaminhou para o lado de fora, mais dolorida do que jamais esteve depois daquele dia, mais fraca do que jamais se sentiu. Mas antes de sair, ela pegou a mão de Amanda e inspirou o odor que havia debaixo das unhas dela.

não teve dúvidas de que aquele era o cheiro do miserável que violentou a garota. Era o cheiro de um humano podre. Cheiro da pele arranhada de um homem monstro. Aquele cheiro ficou gravado em suas narinas. Ainda que estivesse no inferno, o reconheceria.

Quando ela abriu a porta do quarto um outro cheiro, um cheiro também singular e impossível de ser esquecido, foi a primeira coisa que chegou até a ela. ergueu os olhos assustada e ele estava lá. Jacob estava do outro lado daquela porta com os olhos úmidos e o semblante torturado olhando pra ela com uma candura incomparável.

Ele escutou! No exato momento que viu os olhos de Jacob, soube que ele havia escutado toda a sua história. Seu peito sentiu as pancadas de seu coração acelerado, o tremor dela passou a tomar conta de todo o seu corpo. Raiva, dor e vergonha eram os sentimentos que lhe vinham. Não, ela não queria que ninguém soubesse! Nunca!

_ Ah… … então foi isto… é isto que você esconde… - Ele lhe disse, elevando as mãos lentamente para lhe tocar.

Mas não! Era por isto que ela não queria que ninguém soubesse, para que ela não precisasse conviver com o seu tormento multiplicado com um olhar de pena. E ela via pena na atitude de Jacob.

Ela se afastou, em direção a saída, balançando a cabeça negativamente.

_ … venha comigo… deixe que eu cuide de você… venha comigo – Jacob disse, não querendo se aproximar dela a força. Ela estava assustada, desorientada. Ele queria cuidar dela e queria arrancar daqueles olhos a dor que via.

“Doeu… doeu tanto!”. Aquilo martelava na mente de Jacob.

_ Não, não! Me deixe Jacob… me deixe em paz!

_ , confie em mim. Deixe eu te ajudar.

_ Você não pode me ajudar Jacob! E eu não preciso da sua ajuda! Me deixe sozinha! Se você quer ajudar em alguma coisa, desapareça e me deixe sozinha! – Ela não gritou pra dizer aquilo, mas seus olhos chegaram a escurecer tamanha raiva com que proferiu aquelas palavras.

Jacob percebeu naquele instante que não poderia ir atrás dela, que se ele tentasse forçar algo seria pior. Mas quando ela virou as costas, claramente desequilibrada, e partiu como se quisesse fugir, Jacob sentiu que ela havia agarrado algo dele e levado junto. Ele queria ir com ela, estar com ela de alguma forma…

“Eu era virgem, nem sequer havia beijado na vida…

…Ele sabia disso… sabia…”

“Não havia ninguém do outro lado da porta…

…eu não tinha o calor de um abraço pra me refazer…”

Ele sentia o peso das palavras de , de sua história tão densa, agir como um martelo em suas têmporas e como uma navalha em seu peito. E agora parecia tão claro, tão clara a resistência que ela parecia ter em seus beijos, a maneira como ela contraia o ventre quando estava perto dele, o grito que ela deu na noite em que ele pensou que ela o havia simplesmente rejeitado…

Tantos detalhes, tão claros, tão óbvios. Mas ao mesmo tempo a forma dela sorrir era pura e ainda oferecia conforto, o cuidado que ela tinha com os outros era, por não ter mais como definir, admirável… Não havia rancor… só havia dor… Uma dor secreta, uma dor solitária.

Jacob esperaria o tempo que julgava ser necessário para que ela se acalmasse, ainda que agoniado com isto, longe. Mas ele tinha que arrumar um jeito de ajudá-la!

******************* 

Seu pé estava fundo no acelerador, mas ela não sentia a velocidade que havia alcançado com seu carro. Ela partiu o mais rápido que pode do hospital, com a agonia parecendo um demônio dentro dela. Não! Ela não podia mais suportar aquilo, ela tinha que fazer algo…

“A garota foi encontrada na saída para Seattle, em um chalé abandonado em uma trilha a duas milhas da rodovia principal. Um local ermo… ela foi levada pra lá depois que saiu da escola, foi dopada para isto…”

Aquela informação valiosa foi ouvida por um pouco antes que ela ligasse seu carro no estacionamento. Um policial falava pelo rádio com alguma central policial de outra cidade. Mas ela poderia achar aquele lugar e ela acharia!

Ela não queria pena… ela não suportava mais o horror dentro de si, não suportava mais mastigar a mesma cena por anos… ela não queria a pena de Jacob… porque doía ainda mais!

Pena não era pra ela e ela não teria pena.

Dirigindo no rumo certo daquela rodovia, uma vez mais, chuvosa, ela sorriu. Mas sua razão já não estava mantendo o controle sobre si. Algo gritava dentro dela, macabramente pedindo que prosseguisse em seu intuito estranho… mas algo também lhe implorava que parasse, que freasse o carro, que voltasse.

Mas havia cansado de se conter, de esconder suas emoções! Do que adiantava? Ela tinha uma máscara bela e honrosa no rosto, mas a fragilidade e agonia por dentro. E ela segurava, ela resistia, pra cumprir a promessa, para prosseguir, tentando achar seu conforto em sorrisos distantes. Seu sorriso? Ela sorria porque reconhecia a beleza, a felicidade. Reconhecia o amor também. Mas estas coisas eram como uma miragem: quando ela se aproximava mais, tudo se desvanecia.

Agora, ali, ela não ia se controlar. Ela não queria se controlar porque queria fugir livremente de si mesma, porque queria sentir o que fosse sem se conter, porque queria fazer algo… tinha sede daquilo ao se lembrar dos doloridos olhos azuis de Amanda refletindo seus próprios olhos castanhos, também doloridos. Então eram duas almas machucadas… e pelas duas ela estava caçando, caçando sua fuga, sua vingança, seu grito, sua vida ou sua morte…

Ela iria procurar aquele miserável, iria caçá-lo e iria…

_ Encontrar … eu vou encontrar você! – Ela disse sorrindo, com uma voz grotesca e um olhar sanguinário. Parecia possuída.

estava caçando, em absoluto descontrole, o criminoso que violentou Amanda.

Ela parou no ponto certo daquela estrada escura, mas que pra ela estava clara, tão clara que ofuscava seus olhos. E ela sabia que foi ali, que era ali que ele tinha descido com Amanda desacordada. inspirou e sentiu o cheiro podre, sentiu o cheiro daquele verme… sorriu e cantarolou com voz infantil…

_ Eu vou pegar você… - Ainda sorrindo, mas com os olhos vermelhos e com os músculos rígidos. – Você sabe o quanto dói verme? – Ela continuava cantarolando sua melodia infantil e macabra enquanto se embrenhava em uma trilha tortuosa que descia para algum lugar. – Não? Não sabe miserável? Eu vou mostrar pra você então! – gargalhou, seu riso ecoando na noite…

“Vem comigo… deixa eu te ajudar…” Era a voz e olhar de Jacob atrapalhando suas vontades, fazendo com que ela de repente enfraquecesse seu intuito. Ela parou, olhou ao redor, procurando por ele, como se esperasse que ele tivesse vindo lhe buscar com os braços estendidos. Mas ele não estava lá, e se estivesse, ela não iria.

_ Eu não sou boa… eu não sou admirável… Eu sou imunda, eu sou uma mulher de corpo imundo. Eu sou a mulher de um monstro… eu fui possuída e suja por ele… – Ela continuou a seguir para a cabana, que agora já podia avistar.

Inspirou o a ar e ela sentia o cheiro pútrido, doce cheiro pútrido daquele humano. Ao longe, ela aguçou os olhos ao ver o verme abrir a porta com Amanda nos braços. Sim, ela via, ela podia ver conforme se aproximava.

Havia fitas de isolamento policial ao redor, mas nenhum deles estavam mais lá. Se estivessem, não poderiam impedi-la, os policiais nem sequer a perceberiam.

Ela entrou na cabana e Amanda estava acordada e ela gritava amarrada naquela coluna… mas na realidade, o que realmente havia sob as vistas de , eram cordas cortadas e os resquícios do sangue de Amanda em uma coluna no centro da cabana quase vazia. Muita coisa havia sido tirada dali… Mas o que havia deixou o rastro claro dele, era o suficiente. Ela inspirou novamente e se virou para o lugar onde o cheiro estava mais forte…

_ Eu vou pegar você… - Ela tornou a cantarolar enquanto inclinava seu corpo para frente, se preparando para correr.

E ela saiu dali, como que já sabendo o lugar que iria parar, tendo a absoluta certeza de que nada a seguiria: nem lobos, nem vampiros, nem elfos…

Aquela noite era dela, de Amanda, de suas dores e do fim… do fim daquele verme.

Então ela correu, mais veloz do que poderia, correu com o sangue pulsando nos tímpanos, com a presilha que prendia seus cabelos se desprendendo, com os galhos maltratando seu jaleco que um dia tinha sido branco. Seus pés mal chegavam ao chão e…

E o miserável não estava longe! Estava ainda em Seattle e parecia gostar de lugares inundados de feiúra. Era uma pousada suja de beira de estrada. parou e tirou o seu jaleco, segurando-o em suas mãos… “Não deixar pistas”… O jaleco não poderia ficar pra trás.

Ela deu uma volta e já sabia que ele dormia no terceiro quarto à direita do segundo andar. Era ele! Ela podia sentir isto porque ele não havia se lavado. Ou, se tivesse feito, não o fez bem. Porque seu cheiro ainda estava mais forte pelos hormônios sexuais e ainda havia nele a gota suave do cheiro do sangue de sua última vítima.

Sim, Amanda seria definitivamente a sua última vítima. escalou as paredes para chegar à janela como uma felina silenciosa, seus movimentos eram precisos. Abriu a janela emperrada sem dificuldade alguma e ele não acordara.

Então era aquela a cara do homem? Ele tinha os cabelos negros e lisos caídos por sobre um rosto branco anguloso. No supercílio esquerdo havia um piercing, seu nariz era desproporcionalmente grande, sua boca escancarada exibia dentes tortos.

sentiu seu estomago embrulhar, mas se aproximou do leito medíocre, se curvando sobre aquele homem que não tinha nome. Para ela era simplesmente “o verme”.

Ele acordou com uma mulher magnífica olhando pra ele com um sorriso insano nos lábios cheios. E, crente de que aquele era mais um de seus sonhos eróticos, sorriu também, passando a língua pelos lábios.

_ Boa noite verme… - Ela disse, e a voz era de um tom suave e arrastado ao mesmo tempo. Raivoso e cantado. Ele definiu aquela voz como uma voz sexy, morbidamente sexy.

Ele fechou os olhos quando ela rasgou-lhe a camisa com brusquidão. se enfureceu e fincou as unhas naquele peito magro e branco. Desceu então arranhando e dilacerando a pele dele. Ele fez menção de gritar, ela enfiou o retalho da camisa rasgada na boca dele até que chegasse quase a garganta. Ele então arregalou os olhos, sua pulsação acelerou e o cheiro de medo passou a exalar dele.

Ela lhe segurava os braços com apenas uma das mãos sem demonstrar esforço algum e doía, ela quase lhe quebrava os pulsos. O joelho dela prendia as pernas dele com uma força esmagadora que o peso dela em si, não parecia ter.

E a mulher linda e louca sorriu ainda mais ao ver o pânico tomar conta dele.

_ Você não gosta de dor? Não gostou de causar dor em uma garota? Não achou excitante? Então eu vou lhe dar tempo para senti-la! – Ela disse. Esmurrando o peito ferido dele e o fazendo urrar abafado devido o pano que lhe sufocava a garganta.

Ele sentiu sua costela se quebrar e a dor insuportável invadir tudo.

_ Você também quase quebrou a costela dela então… o que nós oferecemos aos outros, recebemos em dobro… - Ela sussurrou, ele voltou a gemer sufocado. – Já ouviu isto? – Ela gargalhou.

destruía e feria não somente aquele pobre miserável, mas também o homem que a violentara um dia. Sua visão se turvava entre aqueles dois monstros e os dois estavam com medo: Xavier e o verme. Ela não se sentia bem fazendo aquilo, não sentia o alívio que queria sentir enquanto matava aquele homem, querendo ver ele sofrer de dor lentamente. Ao contrário disso, sua agonia estava maior e sua sanidade inteiramente corrompida pelas vozes que se turbavam em sua cabeça.

ouvia a voz de sua mãe, doce e cativa; a voz de Xavier, nojenta; a voz de Jacob, rendida e branda; a voz de Quendra, de Niadhi, de Koraíny… ela ouvia a voz dolorida de Amanda. Algumas destas vozes lhe diziam pra parar, a maioria delas, mas o seu coração estava em chamas, ela queria deixar explodir, queria deixar que aquela ardência insuportável a consumisse.

Ela sacudiu a cabeça e voltou a falar com sua vítima.

_ Amanda foi a última… - Ela sussurrou e levou lentamente sua mão para o baixo ventre dele. E então ela sentiu os olhos dele ficarem suplicantes quando compreenderam a intenção dela.

Ela voltou a sorrir, não haveria o que pedir. Ela fechou a mão em punho e socou o meio das pernas dele com toda a força que tinha, que era demasiada para aquele humano. Ele tentou se contorcer em consequência da dor, mas ela continuava lhe mantendo preso.

_ Dói? – Ela perguntou gargalhando. Elevou a mão ao alto para que ele pudesse ver o soco se formar novamente. Ele tentava gritar, mas não conseguia. Respirava com velocidade e suas costelas quebradas faziam o processo ser terrível e doloroso.

Então ela novamente socou o membro dele com toda a sua força, e tal foi o ímpeto que seus cabelos castanhos se espalharam revoltos para a frente de seu rosto. sentia ele tentando se contorcer embaixo de seu aperto, mas ele era agora um verme fraco, fraco e liquidado! Ela sorriu quando pode ver o sangue dele manchando a calça de moletom clara.

Ele não havia ferido o útero de Amanda irrevogavelmente? Xavier não havia lhe garantido o tormento eterno? Então aquele verme pagaria, ela socou novamente o pênis já gravemente ferido, ele desmaiou, não suportando a dor.

Era hora de acabar com tudo!

Com asco visível ela virou a cabeça dele e mirou o lugar frágil e fatal das têmporas. Esmagaria o crânio dele ali…

Mas de repente mãos fortes demais a agarraram, puxando seus cabelos rudemente para trás e tirando-a de cima do futuro cadáver com uma rapidez incomparável.

_ Chega! – Era a voz seca e ríspida de Koraíny, ele a mantia presa.

ficou apática, deixando-se ficar presa nos braços do elfo. Ela esperaria para acabar com tudo… esperaria pra matar…

_ Não! Não , você não vai matar ninguém! – Ele não gritava, mas sua voz estava impregnada de uma agressividade incomum aos elfos. – Você tem sangue elfo, não pode matar nenhum humano, é sua condenação!

Ela pensou: “E o que importa se eu for condenada ao inferno? Já estou vivendo nele”. Koraíny não respondeu, mas segurou mais firme, como se quisesse impedi-la até mesmo de pensar daquela forma.

Ele a virou, fazendo-a encarar seu olhar denso. – Estanque o sangue da hemorragia dele agora ! – Ele ordenou. Mas ela riu e disse:

_ Não!

_ Estou aqui pelo seu pai, estou aqui, desobedecendo minha soberana pelo seu pai ! Então não me faça me arrepender do que estou fazendo, não me faça arrepender-me de ter orgulho de você e obedeça! Agora! – Koraíny a soltou, praticamente a jogando em cima da cama com o homem ensangüentado.

Ela olhou pra ele e sentiu o seu estômago protestar com mais violência.

_ Faça! – A voz de Koraíny veio ainda mais forte, ainda mais imperiosa. Ela se sentiu ser curvada para o homem pálido, suas mãos sendo direcionadas a ele.

_ Eu não quero… - Ela dizia rancorosa, chorosa.

_ Faça ! Você não é uma assassina! A mancha da vingança não vai poluir a honra da filha de Lairon! Pense nele, no seu pai, ele que decidiu que você deveria viver, ele que pediu por você! Ele não queria que você vivesse para se tornar uma assassina, que enlouquecesse por um humano indigno! Não é você quem deve julgar este homem ! Você não tem poder e direito de decidir sobre a vida e a morte de nenhum humano! Nem você, nem nós elfos e nem ninguém!

Sob o peso da ordem, da força imperiosa de Koraíny sob seu corpo e sob sua consciência, ela se curvou sob o homem, mas ainda assim, não conseguia fazer nada. Em sua turbulência interna, percebeu Koraíny pegar o telefone do quarto e ligar para a polícia e para a ambulância. Ela não entendeu nada do que ele dizia, mas sabia que ele ia agir para ocultar a sua participação naquilo, arrumando uma cena perfeita para que tudo ocorresse da melhor maneira possível.

O elfo ainda se movimentou pelo quarto, sussurrando coisas enquanto fazia magias para criar uma cena que nunca chegou a acontecer, mas que justificaria o estado daquele criminoso. Logo depois ele voltou a agarrar , levantando-a.

_ Vamos embora daqui! – Ele disse, e logo o quarto desapareceu das vistas dela. sentiu tontura com a escuridão silenciosa que tomou conta de tudo por apenas dois segundos. Fechou os olhos.

_ Venha ! – Koraíny voltou a lhe chamar. Ela abriu os olhos e estava em La Push, na sua casa. Na sala de sua casa.

não se moveu, ao invés disso olhou para as suas mãos lambuzadas com o sangue do homem que ela quase matara. Ela tinha ainda o sermão de Koraíny ecoando em sua cabeça, mas tinha também a turbulência de sua dor em toda a sua força, impregnando seu coração de rancor.

Ela queria que ele morresse!

_ … - E a voz do elfo veio não ríspida para ela, mas suave. Ele falava com ela com candura, pegando em seu rosto e elevando-o para ele. – Depois de tanto tempo… não se perca neste trauma, não se deixe vencer…

_ Eu não quero lutar. Eu cansei disso… - Ela sussurrou amarga.

O elfo olhou pra ela e a pegou no colo, subindo os degraus da suntuosa escadaria rapidamente. Ela estava apática enquanto via Koraíny lavar suas mãos sujas de sangue na pia de seu banheiro, enquanto via ele se cortar para que o cheiro de seu próprio sangue subjugasse o cheiro do humano.

_ Quendra disse a todos nós que você cometeu um erro que é uma armadilha pra si mesma. – Koraíny ia lhe dizendo enquanto lavava suas mãos. – você fez amigos, sabe que pode confiar neles e ainda assim não é capaz de aceitar ajuda. Orgulho , você cometeu o pecado do orgulho em excesso. Orgulho em não admitir que você não pode vencer sozinha tudo que está sob suas costas, orgulho em não confessar que você não é auto-suficiente, em não confessar que você tem suas fraquezas, em não aceitar ajuda, em ter medo de um olhar de compaixão pensando que é só pena. E por causa disso você não soube reconhecer quando estava sucumbindo, você não reconheceu quando estava perdendo a razão, e recusou ajuda no momento que você mais precisava, no momento que você mais precisa!

nada dizia, apenas olhava a água escorrer pela pia lenta demais, ao mesmo tempo que sentia seu peito sacudir em uma agonia infinda.

_Quendra não costuma interferir em atos, em decisões que constroem destinos e por isso ela não nos permite fazer isto! Mas eu estou aqui, por razões que já lhe disse. Eu desobedeci a minha soberana por você e pelos seus pais, algo que a nós, elfos, parece uma atitude egoísta.

_ E é Koraíny! – finalmente saiu de sua apatia ao ver Quendra surgir em suas costas olhando para ela e para o elfo que a abraçava. Ela continuou a falar, se direcionando a Koraíny. – O fato de nós sabermos mais do que os outros não nos dá o poder de mudar tudo. Isso é perigoso, é não usar devidamente a sabedoria que nos foi concedida. É bom que você esteja consciente de sua desobediência Koraíny. Alguém que se desvia uma vez, pode se desviar outras! Você será julgado pelos outros. – A rainha elfo estava solene. Apesar de Koraíny ser o elfo mais próximo dela, aquele que melhor conhecia o coração de sua soberana, ela não poderia ser leviana com uma atitude dele.

_ Estou ciente disso majestade. – Koraíny respondeu, soltando as mãos de e curvando-se levemente em direção a Quendra.

_ Volte para os outros e me aguarde. Vá e me deixe sozinha com !

_ Majestade… compreenda que não tentou matar aquele homem…

_ Ela matou aquele homem! Você sabe que se não tivesse impedido era isto que teria acontecido, seria agora uma assassina. E assassina de um miserável humano indefeso diante dela. Vá Koraíny, me deixe a sós com , obedeça!

Koraíny nada disse para interceder por , apenas desapareceu. ergueu os olhos turvos para Quendra e se enfureceu com o que viu. Nos olhos de Quendra havia pena!



“[…] Coisas deste tipo estão cravadas nas vítimas como um cordão de ferro cheio de espinhos! 
E tem de se ter calma ao tirar o cordão de volta do coração, porque doerá 
mais e mais cada vez que forem tentar […]” 
(BabySuh, comentário2/12/2011) 


CAPÍTULO 23 


CONFIE EM MIM 



“Então vem, repouse os seus medos nos meus ombros. Adormece o seu cansaço nos meus braços. Descanse suas pálpebras nos meus olhos. Deságue um pouco dessas lágrimas nos meus dedos. Encaixe a sua alma bem aqui, nesse espaço largo que eu chamo de coração… Deposite a sua vida no meu colo e deixe-me cuidar de você… Esquece tudo e ama, porque isso basta!” 
Érica Gaião 



_ … ah o que você fez? Onde você se permitiu chegar? – Quendra lhe dizia com aquela voz afinada e cadenciada. Ela falava com balançando a cabeça com pesar.

_ Agora não me admira mais Quendra? – Ela disse irônica, seu sorriso continuava louco. A elfo suspirou.

As duas continuavam no banheiro espaçoso e claro da suíte de . Esta estava na exata posição que Koraíny lhe deixou: parada rigidamente em frente a pia, mirando Quendra na porta.

_ Isto é só fraqueza… mas sucumbir a fraqueza não lhe dá o direito de matar…

O riso de interrompeu o dizer da elfo.

_ E o seu poder não lhe dá o direito de me julgar… Não me venha com o seu saber nobre e inquestionável dizendo estas coisas bonitinhas e certinhas, isto é tolice Quendra! – A voz dela estava grave e arranhada.

_ as palavras são poderosas… tome cuidado com o que diz. Você não está em boas condições, poderá dizer coisas que realmente não acredita… - Quendra avisou, tentando recuperar um pouco da consciência e controle que ela sabia que tinha. Mas ela riu.

_ Eu estou cansada dos teus discursos Quendra! Cansada dos teus malditos discursos, dos sermões de vocês, malditos elfos! Estou cansada da maneira como vocês se intrometem na minha vida! Me deixe enlouquecer em paz!

_ Não grite! – Quendra novamente falou. – Contenha-se !

riu da maneira autoritária com que Quendra falava, como se quisesse ordenar que ela voltasse a razão. Ela saiu apressada do quarto descendo as escadas sem saber ao certo aonde ir, só querendo fugir da elfo.

_ Você não vai a lugar algum! – Quendra apareceu diante da porta, barrando sua saída.

_ O que você quer? Quer me manter presa aqui pra que eu escute mais um de seus sermões? O que você vai me dizer? Que eu não podia matar aquele verme porque eu tenho sangue élfico? Que eu desobedeceria a mais valorosa de todas as leis dos elfos de nunca fazer mal a um humano?

_É exatamente isto ! Não importa a situação que você estivesse, nós jamais poderíamos aceitar que você se tornasse tão desprezível quanto aquele homem que você tentava matar! Mas nós não podemos tratar você como uma criança ! Você é mulher e apesar de ferida, de estar a um passo da loucura, você sabe muito bem o que é certo e o que é errado. Você sabe que matar aquele homem só duplicaria seu tormento!

_ Que ele fosse duplicado! Que este maldito tormento aumentasse até que eu realmente não pudesse mantê-lo dentro de mim e morresse com ele! Ao menos acabaria e eu não precisaria mais encarar isto! O fim, eu só quero o fim!

_ … - Quendra suavizou a sua voz, a sua expressão.

_ O que é a minha vida Quendra? O que eu tenho? O que é suportar isto mesmo lutando tanto pra esquecer? Eu não me acho capaz de esquecer e quando eu tento então tudo volta com aquela garota. EU ME VI NOVAMENTE QUENDRA! – O peito de inflava e ela andava de um lado a outro no hall de entrada em uma velocidade absurda. – Eu me vi novamente naquela jovem ferida e machucada, presa na cama daquele bendito hospital! E eu senti tudo de novo… tudo de novo…

Quendra nada disse, deixou que a mulher desabafasse seu desalento, coisa que nunca antes havia feito. Ela gritava, tinha os olhos vermelhos e brilhantes com as lágrimas que não permitia cair. Mas ela estava ali, a elfo pensava, sob as suas vistas, contida nas paredes daquela casa, longe da liberdade que lhe faria matar em um momento de loucura.

_ Mas não foi só a dor que voltou Quendra, foi o ódio! O ódio que eu sentia daquele miserável, a única criatura que me fez ter medo. E é isto, eu fiquei tempo demais tendo medo dele, tendo medo de me lembrar dele, do que ele fez! Mas eu queria poder matá-lo, esganar sua garganta com as minhas próprias mãos e vê-lo implorar pra não sentir dor, eu queria poder matá-lo e…

_ Ferí-lo não te faria sentir melhor! Você não o esqueceria… - Quendra continuava a dizer com parcimônia.

_ E O QUE ME FARÁ ESQUECÊ-LO? – Ela vociferou para a elfo. – A minha morte? É isto?

_ Não , não é isto…

_ O que é então? – Ela não suportava mais. Suas pernas cederam, seus joelhos se dobrando com o peso de sua angústia, ela caia lentamente no chão frio. – O que é…? – Ela passou a sussurrar cansada.

_ O que esta acontecendo agora . Deixe este trauma sair de você, coloque pra fora e deixe ir… não tente esconder tanto isto, não foi sua culpa… Não guarde dentro de você as emoções que isto lhe provocou… deixe ir … - As palavras da elfo pareceram incitar algo dentro de si. Ela deixou que escapasse de seus lábios os pensamentos absurdos que lhe atormentavam.

_ Vocês estavam lá, assistindo… assistindo tudo… você gostou Quendra? Gostou de ver Xavier montando em cima de mim enquanto não fazia nada? – falou aquilo em um sussurro rancoroso, vendo novamente a cena daquela noite. Então ela finalmente conseguiu atingir o controle tão rígido da rainha. Mesmo com os olhos turvos, enxergou a postura de Quendra enrijecer e seu peito belo estremecer.

_ Não diga… isto… - Ela disse baixo, não querendo acreditar que havia guardado aquela mágoa.

_ Vocês se acham nobres por quê? Por que Quendra? Mas claro! É porque os elfos são protetores dos humanos, eles não ferem nenhum deles, mesmos os mais indignos. Ah! Mas eles resguardam os inocentes e os puros de coração… que bonito… - se levantou a custo, pendendo a cabeça de um lado enquanto olhava os olhos de Quendra se obscurecerem. – …e sabe como eles te protegem? Ah… eles deixam você sofrer, olham você sofrendo e depois dizem: “você tinha que passar por isto para crescer, para se tornar digno”.

_ Não é assim … existem certas coisas que não podemos evitar…

_ Claro… esta é a desculpa favorita de vocês não é? “Não podemos interferir no destino de alguém … fazemos só o que é permitido”… E não era permitido impedir aquele verme de me violentar, só era permitido ver ele me espancar e… e…

_ Você não sabe o que está dizendo! Por você , por você, nós elfos compartilhamos o sentimento mais torturante que pode haver…

_ A PENA? EU NÃO QUERO PENA… - interrompeu gritando agudamente.

_ NÃO FOI PENA , FOI DOR! – Ainda que esbravejasse com todo o seu furor, o seu gritar não teria o impacto que teve o grito de Quendra. foi silenciada com o eco que a voz da elfo fazia em seus ouvidos. – Nós compartilhamos a sua dor e sentimos de uma maneira que jamais sentimos antes… tão de perto… tão de dentro… Não seja ingrata e cega ! Agora, se você quer que eu admita que nós, elfos, somos também fracos e insuficientes… eu digo: nós somos fracos! Nós não podemos tirar das pessoas a dor que a vida lhe reserva, não somos personagens de um conto de fadas capazes de salvar o mundo, os livrando do sofrimento! Somos poucos, mas nós somos algo! Não desmereça o que fizemos por você, não desmereça o amor que fez Koraíny desobedecer e fugir a regra de seus irmãos para te impedir de se tornar uma assassina! Ele me desobedeceu, mas mais do que isto, ele foi chamado pelo seu desespero, pelo seu coração que estava a um passo de ser maculado! Não despreze o afeto maior que sentimos por você!

sacudiu a cabeça e voltou a se jogar no chão, se balançando para frente e para trás.

_ Desapareça Quendra… eu não quero ouvir mais nada… eu quero ficar sozinha…

_ … por Deus meu anjo… você não precisa passar por isto sozinha!

_ Me deixe Quendra… isto vai acabar, vai acabar hoje…

_ Não, não , não pense nisto… – Quendra se aproximou de novamente, impelida pelo que vislumbrou nos pensamentos confusos da moça, mas ela se esquivou gritando:

_ É A MINHA ESCOLHA! ME DEIXE! – Disse com voz entrecortada, virando as costas para Quendra.

Logo depois ela sentiu somente um farfalhar suave do vento as suas costas indicando a partida da elfo. Ela estava só… ela e sua ferida que parecia ter criado vida, lhe atacando ferozmente, dizendo-lhe que era mais forte. Doía de novo… Tinha que parar, tinha que acabar…

Trôpega, ela caminhou rumo à cozinha até a adega, o local reservado a bebida que ela gostava de apreciar, mas agora queria que servisse de anestésico… Catou as garrafas tão bem armazenadas e quebrou o gargalo na pressa de fazer o líquido descer pelo seu esôfago e se espalhar em sua corrente sanguínea.

Uma, duas garrafas e… nada! Não adiantava! Ela tomava o vinho com mãos trêmulas, o líquido tinto caindo-lhe por entre os lábios, manchando sua roupa clara, e a dor continuava firme, as lembranças continuavam pungentes.

Ela queria algo mais forte!

Vasculhou em suas coisas e encontrou um frasco de remédio que receitava a alguns de seus pacientes, era algo que serviria… Ela sabia que não iria morrer fazendo aquilo, muitos humanos “normais” faziam aquilo em tentativa de suicídio, mas seu organismo era mais forte, não sucumbia assim…

buscava a embriaguez que a levasse pra inconsciência, pra onde tudo findasse.

Ela se sentou no sofá, já com tontura, e juntou mais algumas garrafas. Os comprimidos foram espalhados no chão e ela os pegava e engolia com a ajuda do vinho que já estava insípido, sem sabor algum.

Aos poucos ela foi sentindo um formigamento lhe subir pelos dedos, adormecendo e retardando seus movimentos. Tudo ao redor girava e em seus ouvidos surgiu um zumbido forte que parecia vir de dentro de seu cérebro. Seu corpo pendeu de lado no sofá, ela sentia dificuldade de respirar normalmente, a musculatura de seu peito parecia dormente demais para se contrair e relaxar puxando o ar pra dentro e jogando-o para fora. Mas ainda assim ela pegava os comprimidos e os engolia, empurrando-os com o vinho para dentro.

Logo não tinha mais forças para segurar ou até mesmo abrir outra garrafa de vinho. Seus olhos turvos a impedia de enxergar onde estavam mais comprimidos… A escuridão em sua mente quase escondendo o rosto de Xavier…

Ela sorriu mole…

Quem sabe tivesse a sorte de não resistir?

************ 

_Você não vai me dizer o que é? – Leah insistia preocupada.

Jacob havia aparecido em sua janela a olhando angustiado. Ela imediatamente foi pra fora, perguntando o que havia acontecido, mas ele nada disse. Ele havia lhe conduzido para a praia e se sentou com ela na areia muito quieto.

_ Não posso… - Ele respondeu a sua pergunta. Ela já havia feito a mesma pergunta umas cinco vezes e só agora ele respondeu.

_ Se você não consegue dizer então agente se transforma e você me deixa ver seus pensamentos. Você não precisa falar. – Ela disse, tentando arrumar uma solução pra a agonia aparente dele.

_ Não Leah. Eu não posso mostrar isto a ninguém. Não vou me transformar enquanto não tiver forças pra esconder isto dos meus pensamentos. Não é algo que pertence a mim. – Ele disse baixo.

_ O que você quer que eu faça pra ajudar então? – Ela perguntou, pegando na mão dele em um ato automático.

_ Só fique comigo enquanto eu penso.

Leah enrugou a testa.

_ Pensar? Pensar vai te ajudar?

_ Não sou eu quem precisa de ajuda Leah! – Ele disse irritado.

Leah enrijeceu de repente, entendendo o que poderia causar aquele surto em Jacob.

_ ! É ela que precisa de ajuda? O que aconteceu? – Havia certa urgência em sua voz.

Jacob fechou os olhos, bufando. Ele era tão transparente assim? Por que aquela loba sempre conseguia desvendá-lo e ir direto ao alvo do problema?

_ Leah, não tente saber… não é algo que possa ser exposto… por favor, não insista. – Ele apertou os olhos ao dizer aquilo. Leah percebeu que ele não brincava, mas lhe afligia a expressão dele… era algo sério.

_ Há algo que eu possa fazer então? – Ela sussurrou, apertando a mão quente dele.

_ Como se cura uma dor? Como se alivia um martírio? – Ele encarou Leah confuso, esperando dela a receita de uma fórmula mágica. Os olhos perturbados de ainda lhe estavam claros na mente. O corpo trêmulo, o coração acelerado, a aflição resguardada em sua voz ao falar com aquela moça no hospital, também.

“Doeu… doeu tanto!”. Ela havia dito.

Ah! Porque aquilo era tão insuportável? Ele se sentia impotente, inútil e miserável sabendo daquilo e não podendo fazer nada. Ela não merecia aquilo, aqueles olhos não podiam abrigar uma dor tão profunda. E ela estava tão longe… tão longe dele, tão longe do lugar que ele queria que ela estivesse: bem ali, nos seus braços. Não sabia o momento exato em que aquela vontade se enraizou com tanta força dentro de si, mas Jacob tinha a impressão que poderia oferecer algo a ela em seu colo, tinha a necessidade de dispensar a ela um carinho, um certo cuidado que esqueceu que era capaz de oferecer.

A aflição por ela era tanta, que ele se esquecia de si mesmo, só pensava nela, partindo desorientada pra longe dele, exigindo solidão.

Ele foi à casa dos penhascos assim que saiu do hospital, mas lá, o lugar que guarda o cheiro dela, o som da voz dela, o deixou ainda mais inquieto. Foi aí que decidiu procurar Leah e agora olhava pra ela esperando por uma resposta que poderia ser o bote salva-vidas em um naufrágio.

A índia suspirou, seus traços tornaram-se cálidos. Era a candura que poucas vezes se contemplava no semblante de Leah Clearwater, a poucos ela reservava aquilo.

_ Eu só sei um jeito. – Ela disse, olhando com mais intensidade para Jacob.

_ Que jeito? – Ele perguntou, com pressa febril.

_ Pode parecer uma piada se você não entender isto direito, mas é mais sério do que qualquer coisa que eu possa dizer. – Sua voz estava cordata.

_ Fala logo Leah! – Jacob exigiu.

– Amando Jacob. Só com o amor se consola a dor. Se você quer tirar a dor dela então simplesmente a ame. Clichê isto não é? Mas eu acho que certos clichês vem de verdades que tem de ser repetidas inúmeras vezes pra que os outros aprendam. Então os idiotas dizem que é bobagem, que é tão clichê, e acabam por não fazer o que é mais simples, o que está aí, na cara. Amar para curar, até rima.

Jacob engoliu em seco e ficou encarando Leah sem, ao menos, piscar. Ela estalou os dedos na frente dele após algum tempo, vendo sua rigidez. Ele pegou os dedos da loba no ar, logo depois abaixou os olhos e sorriu amargo. Sabia que merecia amor, mas…

_ Como é que se ama? – Seu pensamento escapou em voz alta. Jacob tinha fugido daquilo por tanto tempo, que agora não se sentia capaz de cumprir com o conselho de Leah.

_ Não é tão difícil Jacob – Leah não questionou aquela pergunta desconexa de Jacob, nem sequer procurou refletir sobre ela. A índia apenas sorriu e acariciou com o polegar a palma de Jacob. – É muito mais difícil não amar. Você vai ver só! – Ela sorriu.

Jacob ergueu os ombros, se sentando mais ereto. Uma impaciência maior veio até ele, parecia que ouvia a voz de lhe chamando, parecia que via ela caída em algum lugar escuro esperando por ele, precisando dele. Onde ela estaria? Pra onde ela havia ido?

Idiota! Ele deveria tê-la seguido! Jacob se levantou, soltando a mão de Leah e enfiando os dedos em seus cabelos.

_ Onde ela está? – Leah perguntou.

_ Gostaria de saber. – Ele disse, seus pés formigando para correr e procurá-la.

_ Quer encontrá-la? – Ela voltou a perguntar.

Sim ele queria! Mas se a visse o que faria? E se ela recusasse sua ajuda novamente? E pior, e se ela O recusasse? Ele suportaria ouvir ela dizendo que ele não era ninguém para se meter na vida dela? E se ela não aceitasse mais ele, se ele visse novamente a recusa no olhar dela, ele suportaria vê-la obrigada àquele casamento falso por mais tempo do que já tem visto?

_ Posso te ajudar a procurá-la… se você quiser eu falo com ela e… - Jacob não escutou mais o que Leah lhe dizia, mesmo a uma boa distancia, ele pareceu ter ouvido o eco de um grito vindo de sua casa.

Se virou imediatamente para lá, apertando os olhos para a bela construção elevada pela inclinação dos terrenos costeiros, no outro extremo do lugar onde estava. E de novo, parecia a voz dela, de .

_ Ouviu isto? – Ele perguntou a Leah.

_ Isto o que? – Ela se levantou e se pôs em alerta, seus ombros se juntando para trás e seus olhos percorrendo tudo ao redor.

_ Parece que… parece que ouvi … na casa… - Ele falou, sem despregar os olhos da casa que, daquela distância, parecia vazia, não havia luzes acesas.

_ ? Mas agente só ouviria daqui se ela realmente soubesse gritar Jacob! Até para nós é difícil, nós mal vemos a casa daqui. Está muito longe e… eu não ouvi nada.

Mas agora ele sentia um imã lhe puxando pra lá. Poderia ser delírio dele, mas ele podia ouvir ainda a voz de , e parecia vir de lá. Parecia ser um chamado. Não dava pra ver o interior da casa daquela distancia, mas ele sabia que ela estava lá, que ela precisava dele lá.

_ Eu vou até lá. – Ele disse, já andando apressado rumo a sua casa.

_ Ei! Jacob! Ao menos me avise se ficar tudo bem! – Ele parou e se virou pra ela. – Não precisa explicar nada é só dar um sinal de ok! Eu preciso saber. – Ela disse, parada com os braços cruzados e a expressão tensa.

_ Certo. – Ele disse, voltando a seu caminho.

Leah observou Jacob se afastar sentindo uma movimentação atrás de si. Era seu irmão, Seth.

_ O que ele tem Lee? – Ele perguntou baixinho, com cuidado para que o Alpha não ouvisse.

_ Nada que seja da sua conta. – Apesar do que disse, a voz de Leah estava mansa ao se dirigir a Seth.

_ Tá ficando intima do impenetrável Jake hein? – Ele lhe disse, se chegando ao lado dela e lhe dando um leve empurrão com o ombro.

Leah olhou pra cima, procurando os olhos dele. Quando é que Seth havia crescido tanto mesmo? Leah continuava achando que seu irmão, o Seth, aquele garoto sonhador, não tinha o direito de ser maior que ela. Ele tinha que ser eternamente o “irmãozinho chato”.

_ Nem mais tão impenetrável assim Seth. – Ela respondeu. Voltou a olhar para Jacob, que desaparecia a distância enquanto corria.

_ Eu sei disso Lee… eu conheço aquele cara. – Leah notou que novamente havia a nota de admiração na voz de Seth ao falar de Jacob, como havia quando o seu irmão era um pequeno magricela que seguia qualquer rastro que Jacob deixasse. Parecia uma outra vida. – Aquele Jacob eu conheço e reconheço.

Leah sorriu, afirmando com a cabeça levemente, enquanto ainda mirava a direção que Jacob havia partido fazendo uma prece interna: uma prece por Jacob e por .

**************** 

Por maior que estivesse sua velocidade, ainda parecia pouca. A casa nunca estava próxima o suficiente e a escuridão e o silêncio que havia naquela direção deixava os pelos de sua nuca eriçados.

Quando Jacob chegou ao quintal quase se sentiu desanimar. O carro dela não estava lá. Ele parou um instante, sem saber o que fazer. Foi então que pode ouvir uma respiração rasa e um coração pulsar lento dentro da casa. Tinha certeza que era ela.

Saiu novamente desembestado pra dentro da casa, abrindo a porta rapidamente. Não tinha uma única luz acesa. Ele não precisava acender a luz, mas foi o que fez, como se a luz fosse aliviar o medo de encarar novamente. O cheiro dela estava controlado, mas a respiração que vinha tão perto de onde ele estava, era árdua, pequenos espasmos acompanhavam. Junto ao cheiro dela Jacob reconheceu o cheiro forte de álcool, de bebida fermentada, que chegava até a irritar suas narinas.

Criando coragem ele caminhou para dentro, e logo que chegou a sala a viu. Suas pernas travaram e seus olhos se arregalaram. Parecia que uma mão apertava seu coração querendo impedir de bater.

estava caída na beirada do sofá, suas pernas pendidas pra o lado de fora, os cabelos embaraçados e soltos estavam espalhados pra trás de sua cabeça. Um dos braços dela descansava em sua barriga que se movimentava lentamente no ritmo da respiração. O outro braço estava caído do lado de fora do sofá, perto de sua mão solta, uma garrafa de vinho derrubava o liquido vermelho no tapete. Os lábios dela estavam abertos, era pela boca que ela respirava; suas pálpebras fechadas tremulavam como a de alguém que tinha uma convulsão.

Jacob correu para ela, pegando seu tronco e elevando seu corpo para o sofá em uma posição mais coerente.

_ … acorda… fala comigo! – Ele sussurrava em desespero, tirando a franja de sua testa, a sacudindo levemente. As pálpebras dela tremeram com mais força, seus lábios se moveram minimamente, um gemido fraco saiu deles, quase inaudível. – ! O que você fez?

Ele olhou ao redor mais atentamente e viu cerca de sete garrafas de vinho quebradas no chão. Um frasco transparente jogado perto delas. Jacob pegou o frasco e percebeu o aviso escrito na embalagem. A tarja preta indicava que aquele medicamento era de uso extremamente controlado. Passando os olhos ele conseguiu ler que os comprimidos tinham efeitos sedativos, agindo diretamente no sistema nervoso central. O frasco estava vazio, dois ou três comprimidos restavam no chão.

_ ? você tomou isto? Você tomou tudo? – Jacob perguntou, mas ela continuou da mesma maneira, mole como uma geléia em seus braços. Aquilo era forte, muito forte e com a bebida… - Você queria se matar, é isto?

Jacob deu leves tapinhas no rosto dela, sentindo naquele momento o seu coração vacilar ante a possibilidade de ela ter conseguido cumprir seu intento suicida. Ela era resistente, mas era médica também, sabia muito bem como causar uma morte.

_ fale comigo… - Ele pediu novamente, com uma voz apertada.

Os olhos trêmulos se abriram minimamente. sentia um calor a envolvendo, um hálito envolvente soprando em seu rosto e uma voz chamando… Sob a sombra de seus cílios ela viu o rosto de Jacob muito perto, com seu cenho franzido, sua voz a chamando sem cessar.

_ Isso ! Abra os olhos, fale alguma coisa… - E ela falou…

_ Não deu certo… estou viva… - Ela tinha certeza que estava viva, pois nunca sentiu braços a segurando tão protetoramente, tão seguramente. Nunca sentiu tanto calor a sua volta.

_ Sim você está viva e é assim que você vai permanecer! – Ele disse aquilo com tanta intensidade que mesmo com os sentidos completamente latentes, sentiu a voz forte a sacudir por dentro.

_ Eu não agüento mais… - O sussurro dela foi como um golpe duro nele. desistia, desistia de viver? Não, não e não!

_ Vem, vem comigo… - Ele disse, já a erguendo do sofá.

abriu completamente os olhos: estavam vermelhos, brilhantes e dolentes.

_ Não… - Ela sussurrou, tentando empurrá-lo com as mãos, mas estas não tinham força alguma.

_ Eu só vou cuidar de você! Você não pode continuar assim…

_ Não… - Ela sussurrou novamente, pendendo a cabeça pra trás, fechando os olhos, se esquivando de Jacob.

Ele olhou pra ela, pra sua roupa manchada de vinho, no colo havia vinho seco também, mas ele se surpreendeu com o que distinguiu em meio as manchas de vinho na blusa branca. Era sangue, sangue seco sem sombra de dúvida. E não era sangue dela.

Ele passou os dedos pelas gotas secas de sangue na blusa.

_ O que aconteceu ? Onde você estava? – Ele acariciava os cabelos dela, seus dedos se enroscando nos nós que havia, retirou folhas ainda verdes dos fios.

_ Tentando… tentando me livrar disto… - colocou a mão no peito, e ainda que fraca, conseguiu se arranhar. Jacob pegou a mão dela e segurou firme entre as suas. – Eu estava matando… matando o verme que fez aquilo com a gente… - Enlouquecido, ela só podia ter enlouquecido. O sussurro fraco não acompanhou a intensidade dos olhos vermelhos de .

Ela passou a encarar Jacob rigidamente, suas mãos ainda tentavam empurrá-lo. Ora ou outra ele percebia o queixo dela tremer, ela esconder um soluço, seus olhos brilhantes encarcerarem lágrimas.

Ainda que ela protestasse, ele a apertou mais nos braços, querendo fazer aquilo tudo parar. Era loucura, ela não era assim, ela não podia estar daquela maneira tão lamentável. Jacob sentiu a conhecida força do ódio lhe perturbar as entranhas. Era ódio pelo homem que causou tudo aquilo, homem que ele jamais tinha visto, não sabia nada sobre ele, mas o odiava. Odiava por ela… pelo que ele tinha feito a ela.

Mas ele não podia fazer nada contra quem quer que fosse aquele homem. A única coisa que estava a seu alcance era .

_ Não toque em mim… não… - Ela continuava a cochichar alterada. Jacob esqueceu então o ódio que estava sentindo e passou a se concentrar na angustia de . A deitou um pouco mais inclinada no sofá, sentou-se ao lado dela e pegou suas mãos delicadamente.

_ Olhe pra mim … - Ele pediu, encostando a testa quente nas mãos dela. abriu os olhos, e passou a encarar Jacob silenciosa, sua cabeça pendia no braço do sofá. – Eu sei que não mereço… que não mereço sua confiança… mas acredite em mim! Por favor … eu te peço, eu… eu te imploro, confie em mim, me deixe te ajudar! Eu posso, eu sei que posso, mas eu preciso que você confie em mim! Acredite em mim, eu só quero fazer algo por você… Confie em mim…

Jacob deixou de encarar os olhos dela e abaixou a cabeça, tentando conter o arranhar de sua garganta. Ele deixou que sua cabeça pendesse até cair na barriga dela.

_ Confie em mim… - Ele disse mais uma vez, nunca sentindo tanta necessidade de ouvir um sim. Mais do que isto, ele queria merecer aquele sim, queria ser útil porque ele simplesmente precisava que ela ficasse bem. E ele faria tudo pra isto… mas ela precisava confiar…

nada disse, Jacob sentia a respiração lenta dela, que não era calma, apenas conseqüência da dopagem que ela se sujeitou. Ele não tinha coragem de erguer os olhos e ter que encarar uma recusa, pois aquela recusa não prejudicaria somente ele, mas principalmente.

Demorou, mas Jacob sentiu mãos trêmulas e quase frias tocaram delicadamente sua cabeça. Ele respirou fundo e ergueu-se, voltando a encarar … Ela o olhou por um instante e depois fechou os olhos. Respirou fundo, soltou o ar de forma irregular, com fortes solavancos no peito. O movimento que ela fez a seguir foi lento, mas claro. balançou a cabeça para cima e para baixo, em um sinal de afirmação, depois apertou a mandíbula para conter um novo tremor de seu queixo.

Sim, ela estava deixando-se nas mãos de Jacob, ela havia aceitado. Ela confiaria nele.

Jacob não precisou de mais, logo voltou a circundar o corpo de com seus braços para poder erguê-la do sofá. sentiu que ele a segurava firmemente e com delicadeza. Ela se sentia uma criança sendo abrigada nos braços de um adulto amoroso e condolente. Pensou que se sentiria desconfortável naquela posição, mas não. Ele lhe cheirava os cabelos e andava lentamente, seus passos ainda mais cuidadosos, ele não queria que ela sentisse a brusquidão de movimentos.

queria perguntar o que ele faria, pra onde ele a levaria e se ele seria capaz de tirar de dentro dela o que nem o tempo, nem uma vingança e tampouco a dopagem de remédios e bebida conseguiram tirar. A dor, o trauma.

Algo insistente martelava na cabeça dela, como um medo algoz, gritava ao fundo de sua mente: “ele é homem, ele também deseja… ele é controlado pelo desejo… ele vai te querer desta forma…”. Nestes momentos um calafrio tomava conta de seu corpo e ela estremecia, tentava retrucar para seu inconsciente: “Não… não… eu confio…” Repetia isto, mas ainda se sentia fraca pra lutar com a imensidão oculta de sua mente.

Porém, cada vez que estremecia, Jacob a envolvia ainda mais terno e pedia novamente:

_Confie em mim… - Como se soubesse que para ela, aquela certeza era vital.

Um vazio e desproteção repentina aconteceram quando se sentiu longe do calor envolvente, com suas costas encontrando com algo frio e rígido demais. Abriu os olhos de repente e reconheceu, novamente, seu próprio banheiro. Mas e Jacob? Ele havia a deixado?

Não, logo sentiu as mãos dele em seu rosto, então o distinguiu em meio ao borrão de sua visão embaçada.

_ Você precisa de um banho… Vai melhorar este seu estado. – Ele dizia, a voz baixinha e com a rouquidão que tinha tanto o poder de ser sombria, como de ser aconchegante e envolvente. confundia em sua cabeça estas duas características da voz. Ela piscou e continuou a olhar pra ele apaticamente.

Jacob se levantou e ligou o chuveiro, queria não ter que causar qualquer desconforto a , que estava sentada inseguramente no chão do banheiro. Mas a água, para despertá-la, teria de ser fria.

Ele foi então em direção a ela, se ajoelhando a sua frente. Seria a segunda vez que ele faria aquilo, mas a diferença era que, naquele momento, ela estava acordada. Ele respirou fundo e olhou para os olhos inertes de . Entristeceu-se com o que via. Ele queria ser detentor de alguma magia que desse um brilho de felicidade que retirasse as sombras dos olhos dela.

Delicadamente, e sem quebrar por um segundo sequer o contato visual, Jacob começou a retirar a blusa suja de . Porém ela não reagiu bem aquele movimento. Jacob vislumbrou os últimos resquícios de resistência nela. debateu as pernas tentando se afastar e levou as mãos rapidamente para cima das de Jacob, empurrando-as, dizendo um assustado…

_ Não!

Ele ergueu as mãos acima e mostrou o fato de que não queria forçá-la. Ela continuou a encará-lo desconfiada, perecendo querer se enterrar na parede para fugir. Paciência, muita paciência era o que Jacob sabia ser necessário.

_ Eu não vou fazer nada com você… - Ele disse, ainda com olhar fixo nos olhos dela. Abaixou a mão delicadamente, fazendo questão de demonstrar a ela cada mínimo detalhe de seu gesto. Tocou o seu rosto e acariciou levemente. pareceu relaxar um pouco, ao menos parou de se afastar. – Você precisa de um banho, sua roupa está suja, é preciso retirá-la… só isto.

Jacob percebeu ela prender a respiração tensamente. Acariciou com dedos suaves a linha da mandíbula dela, enquanto torcia pra que conseguisse convencê-la.

_ Eu não vou fazer nada com você . Nada de ruim. Eu só vou cuidar de você. Me deixe fazer isto… só por hoje. Eu prometo que não vou deixar seus olhos, não vou olhar para nada além dos seus olhos, só eles me interessam. Confia em mim? – Jacob continuava em sua prece para que ela aceitasse, mas na verdade esperava uma recusa.

Por isto se surpreendeu quando, mais uma vez, ela afirmou com a cabeça, abrindo mais os olhos e fixando-os nele. Ele sorriu suavemente. Daquele momento em diante Jacob cumpriu a risca sua promessa. Nada mais lhe interessou além daquelas órbitas castanhas e profundas. Enquanto ele retirava a roupa dela, sem ver, apenas por reflexo, percebia que havia uma linha muito escura que circundava as pupilas dela. Era quase negra. Esta linha ela mais clara ao redor da íris, um marrom café que se desfazia pra dentro da íris clareando em reflexos de um castanho brilhante, era como uma terra encobrindo ouro. O brilho dourado conseguia passar por sobre a sobriedade do marrom e iluminar de forma singular uma cor tão fechada.

se sentia tragada pra dentro de um espírito profundo e insondável q ue eram os olhos de Jacob. Era quente lá, havia um calor que causava um aconchego que fazia formigar as bochechas. Mergulhada nos olhos dele e vendo ele tão concentrado em seu próprio olhar, as mãos dele mantendo seu corpo completamente nu em baixo da água fria ficaram em segundo plano.

Aos poucos suas terminações nervosas voltavam a se conectar mais rapidamente, seus sentidos se aguçavam novamente, mas seus músculos continuavam desobedientes e moles demais. Ela conseguia firmar seus pés no chão, mas suas pernas tremiam.

Ele a tirou da água, sua roupa molhada por ter ficado com ela praticamente dentro do chuveiro. Mas aquilo não importava. Ele pegou a toalha grande e branca e jogou por cima do corpo dela e a secou. Só deixou de ver os olhos de quanto colocou a toalha na cabeça dela para secar os cabelos compridos, esfregando levemente.

Jacob sentiu sua tensão aliviar quando percebeu um riso fraco vir por baixo da toalha. Ele retirou a toalha da cabeça de e um emaranhado de cabelos escondiam o rosto dela. Ela ajudou, com movimentos lentos, ele reordenar um pouco os seus cabelos. Juntos eles livraram o rosto dela dos fios longos e embrenhados. Seus olhos puderam se encontrar novamente, mas os dela continuavam sombrios e tristes.

Ele a enrolou na toalha e ofereceu sua mão. abaixou os olhos e ficou encarando a mão direita de Jacob, sem ter certeza do que aquele gesto significava. Elevou sua mão e a encaixou na dele e ficou observando os dedos dele cobrirem sua mão, a envolvendo quase totalmente, como uma lagarta num casulo.

Ele a guiou para o quarto, para a cadeira em frente a sua penteadeira, com um belo espelho. se deixou sentar e quando se olhou no espelho percebeu que somente uma toalha ocultava sua nudez de Jacob. Procurou o olhar dele e, mesmo pelo espelho, ele só mirava seus olhos. Seu ventre estremeceu com aquele olhar e não foi de medo.

Ela teve que sorrir com o que ele se prestou a fazer. Jacob pegou a escova que estava no móvel e passou a pentear seus cabelos, como se ela fosse uma criança que não soubesse fazer isto. Ela tentou pegar a escova para fazer sozinha, seus movimentos ainda estavam muito lentos, mas ela seria capaz de dar conta daquilo. Mas Jacob pegou sua mão e a pôs de volta no colo, fazendo um gesto negativo com o indicador. abaixou a cabeça e deixou que ele continuasse a penteá-la. Penteá-la com carinho… cuidado… nada mais do que isto.

Ela tentou segurar, mas a gota salgada escapou de seus olhos antes que ela pudesse contê-la. Abaixou ainda mais a cabeça para que Jacob não visse. Mas os movimentos da escova só pararam momentos mais tarde, quando ele disse:

_ Vem… - Já a pegando nos braços e a erguendo sem que ela sequer raciocinasse.

Jacob a deitou na cama e ficou alguns minutos acariciando sua cabeça. A respiração dela voltava ao padrão de repouso, seus olhos começavam a se fechar e sua pulsação a se normalizar. O corpo dela, em sua mágica capacidade regenerativa, já se recuperava por si só dos efeitos das drogas tomadas.

Os olhos melancólicos finalmente se fecharam. Jacob se levantou da beirada da cama, se afastando dela, rumo a seu quarto. Um passo na frente do outro ele se direcionou para a porta, sentindo que mesmo ali, naquele quarto, era um lugar muito frio para deixá-la sozinha. Abriu a porta ainda pesaroso, mas então ouviu a voz fraca e sonolenta chamar…

_ Jake… Jake… - Ah! Aquele chamado tão delicado… sentiu seu coração disparar ao ouvir o seu nome ser chamado daquela forma por ela. “Jake”, mas do que um apelido, aquela era uma forma tão mais íntima, tão mais carinhosa de se dirigir a ele.

Jacob largou a porta e em um instante estava ao lado dela novamente.

_ Eu estou aqui… - Ele murmurou, levando os dedos automaticamente para o rosto dela.

_ Fica Jake… fica comigo… fica aqui… – Ela falava com voz trêmula, a fragilidade ainda mais evidente.

_ Eu fico, eu fico. – Era o mínimo que ele podia fazer: atender o pedido dela. Se levantou e retirou a roupa molhada. Para não ter que se afastar demais, correu ao banheiro em busca de um roupão.

_ Jake… Jacob… - Ela sussurrava.

_ Estou indo. – Ele respondeu, já se deitando ao lado dela na cama.

Jacob a puxou para si, fazendo-a aconchegar-se em seu peito. Ela o envolveu com os braços e apertou-o com a força que lhe restava. O tremor do peito dela chegava a sacudir Jacob e ele tentava enroscá-la mais em seus braços.

_ Estou aqui… - Ele disse novamente. – Nada de ruim vai acontecer… acabou , ficou no passado, não vai mais acontecer…

Um gemido esganiçado saiu dela, ela fincou as unhas nele e rangeu os dentes, sua respiração começou a ficar presa. Ela estava se contendo, tentando segurar o descontrole dentro de si mais uma vez.

_ Deixe isto sair de você . Chore, grite. Só eu vou escutar. Chore…

E aquilo foi como o quebrar de correntes pesadas que a aprisionavam. Um choro doído se libertou dela, choro que fazia seu corpo se sacudir e mesmo com Jacob a segurando firme, ele sacudia também. As lágrimas caíram, finalmente, livres por seus olhos, molhando o roupão branco que Jacob havia encontrado nos armários.

_ Nããããooo.... – Ela gritava enquanto soluçava e chorava. E a cada grito era como se uma estaca se enfiasse no peito de Jacob o quebrando por dentro.

_ Ahhhhh... Eu não queriaaa.... – E doía nele aquele lamento. Ele a apertava procurando também se conter, mas não pode. O choro e o desabafo dela o tocaram de forma tão absoluta que ele nem teve consciência de quando seus sentimentos se misturaram aos dela.

Abraçado a , enquanto ela se desmanchava em lágrimas e gritos, ele também chorou. Dividiu com ela o pranto e deixou a dor, antes oculta, se esvair em lágrimas.

_ Vai acabar… - Ele conseguia murmurar.

_ Ah… a-ah… Jake-eeee… doeu… - Eram as lamúrias soluçantes dela, a mulher que havia voltado a ser a garota de anos atrás.

_ Eu estou aqui… vai passar… - Consolava, tentando controlar seu próprio soluçar.

Não queria saber mais nada além do que havia ouvido ela contar no hospital e do que estava ouvindo em suas frases soltas durante o pranto. O que importava era que ela se livrasse daquilo, que se refizesse.

Ela chorou, chorou tanto que sentia seu peito murchar se esvaziando de um conteúdo amargo e torturante que a preenchia. Aquilo parecia a deixar ainda mais fraca, pois ela perecia sentir que as lágrimas sugavam suas forças. Mas não parou. Chorou, gritou, libertou sua chaga em choro nos braços de Jacob Black… no colo de Jake…

http://www.youtube.com/watch?v=PPuB13oZ558&feature=fvwrel



“[…] só no momento em que eles confiarem um no outro é que
o amor entre ambos ultrapassará as barreiras que os impede de
serem verdadeiramente felizes juntos[…]” 
(Clau, comentário 19/01/2012)

*************
ATENÇÃO:

Devido a intensidade e emoção que me passaram a leitura destes últimos comentários, postarei uma singela e louca homenagem as minhas leitoras.
Não sei se ficou plausível, mas eu fui levada unicamente por uma necessidade de demonstrar, de alguma forma, a importância que estas garotas tem pra mim.
Leiam minhas queridas, espero que gostem, foi do fundo do coração, como todas as coisas que escrevo para vocês!


NOTA ESPECIAL
CARTA DA AUTORA PARA ELAS...

                Senti uma necessidade absurda de simplesmente agradecer. Agradecer todas as palavras que foram postadas nos últimos capítulos desta minha fantasia literária, palavras que me adoçaram os olhos e por que não dizer, o ego? Lisonja, há de se ter cuidado com ela, ela pode nos cegar, por isto me apaguei a outras coisas. Vocês verão (do verbo ver)!
                Escorri emoção pelos meus dedos, formatei em linhas, scriptei um nome, escolhi a música ou a música me escolheu, e coloquei tudo em uma página de internet, aos olhos delas, para que elas lessem…
O que eu pretendia com isto? Não sei, talvez compartilhar coisas fortes que vivem dentro de mim… é, acho que é mais isto, mais do que despejar uma ideia no papel, acho que é uma espécie de decodificação de sentimentos em forma de história. Escrevi, e também chorei escrevendo, chorei porque eu queria sentir e me obriguei a isto, sim. Não, não é loucura… ou talvez seja. Mas pode ser que as coisas mais sinceras venham dos loucos…
Porém elas, leitoras que se revelam, que me falam, que me escrevem… elas… simplesmente me surpreendem! Surpreendem porque elas se tornaram poetizas em seus comentários e me fizeram espantar: como, como o que eu escrevi causou isto? Desordem de sentimentos?
Seus comentários? Não acho dignos de se chamarem apenas comentários, mas de cartas. Cartas são um charme a parte, antigas, delicadas, secretas, lacradas em envelopes com mil segredos e amores. Me colocaram cartas em baixo dos capítulos, e tinha tanta poesia nelas e eu conseguia ver tanto isto, que novas inspirações me vieram, que sorrisos me brotaram na face em frente a uma tela velha de computador. Ei, Monitor! Meu sorriso não é pra você, meu sorriso é pra elas. Mais que leitoras, elas são minhas cúmplices de emoções.
Algumas mais tímidas, ou simplesmente objetivas, sintetizam sua opinião em poucas valiosas linhas... é como um verso... outras despejam tudo, alma coração, conversam comigo, me dão outra história para pensar... é uma prosa...
Mas todas elas já fazem parte do meu pensamento, todas elas me ajudam a escrever, me impulsionam.
Para vocês, as respostas de cada comentário:

Baby Suh:

“Ele viu! Viu que sua dor não tinha significância ante a agonia secreta dela.”

Esta moça me escreveu que sentiu verdade em uma fantasia… “Me pareceu tão real…”  Ela bradou em suas linhas que o amor cura outra frustração qualquer, de uma dor profunda, até mágoas por alguém que lhe magoou um dia. Desejou que o verme tivesse seu julgamento após sua morte, que fosse para o inferno! O verme representa outros, outros tantos homens execráveis que fazem sim coisas como estas, ou piores. Que eles pagem Baby!
Era como se ela me sussurrasse, ou assim eu li, como que declamado um poema, que eles, amados personagens protagonistas “abram seus corações um para o outro…” e que seu amor fosse novo “forte e curador…” e que ele “nasça, cresça e fortaleça…”
Foi isto o que ela me disse.
Ela é um tanto especial pra mim, esta portuguesinha meiga e linda. Me ajudou em muitos sufocos, e eu tenho uma estima especial a apurada por ela. Quanto à fic, ela foi a PRIMEIRA a me apoiar e me incentivar. Foi quando eu mandei a sinopse pra ela fazer a capa e ela tinha disse que adorou. Ninguém tinha lido ainda. Eu falei pra ela que estava sentindo uma certa insegurança e ela me apoiou, dizendo pra eu mandar o link  ela quando a fic fosse postada. Que agradável surpresa quando ela apareceu no primeiro capítulo, e que honra maior ainda quando ela indicou minha fic lá na tag do blog.
Foi por uma capa de fanfic que eu conheci a doce e inegavelmente amável Suh! Te adoro!

Camy Caroline:

Só por seus comentários percebi, como que gravados nas entrelinhas do que ela escreve, que esta moça, jovem bailarina, tem um anseio forte de mergulhar no ser humano e descobrir… descobrir aquilo que nos compõe e o que nos esconde a mente. Por isto, talvez, ela procure explicar minuciosamente ações como consequências de um sentir secreto. Assim ela me descreve a minha personagem principal com olhos aguçados, e me mostra dela o que eu não conhecia. Ela me contou segredos da minha história que ela escavou e descobriu! Surpreendente!
Não era mentira o que ela me dizia, não era viagem o que ela me explicou sobre a forma como o medo se configurou na minha personagem. Aos olhos de Camy, a PP criou uma amplitude que eu não pensei que ela tivesse. Aos olhos de Camy, era como se esta personagem se tornasse pessoa, susceptível aos sabores e dissabores da vida real que vivemos.
Camy me contou ainda razões que conectou Jacob a mulher que sofria, a mulher que eu coloquei em seus braços. E não é que havia razão?
“Jacob amou a PP por ela ser tudo o que ele queria ter sido. O brilho nos olhos, a felicidade e carinho para com os outros e amor incondicional pela vida…” … “este amor ele sentiu… isto os conectou…” …”Esta conexão tornou-se maior quando ele descobriu o que havia por trás da recente amargura da PP… este sentimento…” … “amargura que um dia ele sentiu”… “ele se doou para cuidar de alguém que antes ele odiava…”
Era como se ela me revelasse que meu Jacob durão já é o mesmo Jacob que se doou pra Isabella… é ele, ele está lá e eu não pensei nisto pra escrever… Mas ela viu, Camy viu isto…
Ela contou pra mim uma história, Camy me contou a sua The Precious Blood… e eu amei!

Kelly Kpc

Imagino a Kelly como uma garota firme, sem frescuras, objetiva e sincera… Menina durona ela parece… mas eu vou te contar um segredo Kelly… há uma sensibilidade em você que muitas pessoas “melosas” não possuem… As palavras dela, desde de uma fanfic até um comentário, tem força… Sim, é inexplicável, mas tem! 
Então ela, neste comentário tão especial, me confidenciou seu próprio sentimento, uma parte de sua vida. Ela me contou o impacto que sentiu ao ver a dor real, brotando nos olhos de uma amiga, cuja alegria era sua marca registrada. E quando a gente vê algo assim, algo mexe dentro da gente, e aquelas metáforas alegóricas que usamos em um texto qualquer, vira realidade… é como um monstro, vem um bolo na garganta…
Não tenho dúvidas que Kelly foi um excelente apoio para esta garota, em um momento tão difícil, pois alguém sincero é um amigo valioso… ele representa a verdade em sua vida e só na verdade… bom… nela você confia…
Então sim, a dor fictícia se misturou com a dor real e as palavras do comentário como que me contaram um pouquinho do que Kelly tem dentro dela… será? Não sei, mas ela me pareceu determinada, daquelas pessoas que erguem a cabeça diante de qualquer coisa e seguem em frente, sabe pq? Pq se confessando abalada ela me escreve “Enfim, tudo é superação. Não importa o quão marcante possa ser, aquela dor uma hora tem de sair de você, mesmo com um caminho ardente e doloroso a sua saída…”
Mesmo que você não acredite que tenha esta determinação Kelly, por pensar assim, você irá se surpreender com o que poderá encontrar dentro de si em momentos precisos de sua vida. Continue com verdades tão bonitas dentro de você… se me permite dizer… e será mulher exemplar!
Seu comentário foi mais profundo do que parece… Entendi nele o que postei na notinha anterior: “mais do que imaginação, nós compartilhamos emoções…”
Você me lembrou a Leah… E com certeza irá me inspirar para descrevê-la!

Myh…

Frases soltas… com reticências no final… significado? Ela quer dizer muito mais do que escreve. Tem muitas coisas naquelas reticências… Havia tanta coisa que ela queria dizer, tanta emoção junta, que ela me deu o essencial e sim, eu entendi todo o resto…
Ela, a moça de apelido pequeno e leve… Myh… conversou com a personagem.
‘Ela tem que deixar ele ajudá-la…
O PP cabeça dura!…
Ela não é uma assassina… mas que deu medo disso, deu…’
Myh, fiquei emocionada lendo seu comentário, tinha a forma de um poema, tanto que escrevi um:
“Beber não é teu remédio,
A lembrança não vai sumir.
Tu não esquecerá mulher!
Não esquecerá da tua dor mergulhando em álcool!
Então deixe-se… deixe-se nos braços dele… ele saberá cuidar de ti!

E ele? Ele sentiu a tua dor…
Poderei dizer que isto é outra coisa,
Além de amor?

Assim, ela permitiu, intuitivamente, ser cuidada.
Permitiu porque o que ele queria era só o seu bem…
Só o seu bem, querida…
Teus olhos, tão negros e profundos, ele devotou a ti.

Ela se deixou ser cuidada,
E nos braços de teu zeloso cuidador, se libertou,
Desmoronou, desmoronou em lágrimas.
Mas ela não estava mais sozinha…
Havia um abraço a sustentar-lhe!
Os braços tornaram-se seu apoio, seu firmamento.
Nos braços do belo de pele vermelha, ela enfrentou sua dor!”

Continue assim que escreverei muitos poemas mais, embalada por seus comentários. Ficou bom?

Nannah Andrade

Ela me diz que chora por qualquer coisa… sempre fala de suas filhas, de seu marido. Sabe por quê? Ela não pode esquecê-los, ela os ama. Dá pra perceber, fácil, fácil. E tenho certeza: NÃO ESTOU ERRADA!
Um dia ela se chamou de manteiga derretida em um comentário. Do outro lado da tela eu balancei a cabeça. Meu bem, minha avó, mulher experiente e admirável, que já comeu farinha e água pra deixar o arroz para seus filhos, me dizia uma coisa: “As lágrimas limpam a alma! Limpa tudo. Se você estiver limpa, você não fica fraca, você fica forte. Porque tudo que é ruim você despeja pelos olhos”.
Então, Nannah, se você tem na cabeça que mulher que chora é mulher frágil, esqueça. Minha avó era sabida, ela já chorou muito… Que Deus a tenha acolhida em seus braços!
Tu me intrigaste com a “conversa literária”, sobre a água ser símbolo de renovação. Pensei sobre isto, a origem disto. Não me parecia “lorota”. E então me lembrei: vem da Bíblia.
O batismo é feito na submersão e emersão da água. O submegir significa morte, e a emerção significa renascimento. Daí o significado de que a água renova. Vem de lá, dos tempos de Cristo.
Olha só o que tinha no seu comentário? Olha só o que tinha numa ação da minha fic? Você me fez descobrir isto! Quanta coisa nas entrelinhas… inimagináveis!

Jéssica
Garota, você leu a fic pelo final? Coisa inédita!
Me senti honrada por você dispensar o seu tempo para ler… simplesmente para ler! Chegou atrasada? Nem acreditei quando falou isto!
Agora, se tiver tempo, leia tudo, e volte neste cantinho sempre que quiser!

Binhablack

Veja bem, este seu apelido é complexo! Eu começava e ler e sempre lia errado. Às vezes eu queria falar seu nome e tinha que colar... mas olha só: eu decorei!!! Escrevi sem colar, fico certo?
Esta garota sempre me motiva, e é uma heroína, ela lê minha fic em dois lugares! Eita disposição!
É divertido e leve o jeito que ela comenta. O faz com entusiasmo, me parece… eu fico alegre e assim que leio penso… “Ain!!!! Adorei!”
Turbilhão de sentimentos… lágrimas… sentiu isto querida? 
O que ela escreveu em suas frases me mostrou que ela sentiu ódio ao ler, pelo “verme”, coisa que foi expressa pelo seu *sorrisomaléfico*…
E o seu “isto foi lindooooo” me mostrou outra emoção: ternura, amor.
Outras vezes ela me demonstrou alívio, desejo de ver o amor entre os personagens florescer. Me dá uma louca vontade de escrever este envolvimento quando vocês me falam isto, sinto a ansiedade e aquilo me atormenta. Eu tenho que por pra fora!
Binha… é uma honra te ter como leitora…

bell
Linda! Está sempre lá, me pedindo mais, mostrando que está comigo! Ela não fala muito, mas o que fala me deixa consciente de que ela gosta e que quer mais… e então eu continuo, te dou mais!
Você nunca fala de você mesma quando comenta, mas desta vez, falou! Falou o que sentiu e como recebeu os capítulos! Eu adorei isto!

Adriana MB…
 Um momento! Eu tenho que ler seu comentário outra vez!
“Feridas, arranhões e ossos quebrados nada são diante de da dor da alma.” Isto me veio lendo uma frase tua. Uma verdade muito sábia Adriana!
Você foi mais uma daquelas meninas que me recontaram TPB. E a cada releitura de vocês, coisas novas se revelam. Você fez isto com delicadeza, em um belo texto. Sim, você me explicou muitas coisas e eu gostei de ouvir.
“ela não queria parecer frágil… estava cega pelo orgulho e pela raiva…”
Sobre a  música? Elas me inspiram, afinal sou musicista, e interpretar musicas é meu trabalho e meu gosto extremo, mesmo aquelas que não tem letra. Por isto, primeiro eu ouvi a música e depois escrevi o capítulo. Eu usei a música e a emoção que ela me despertou pra escrever e narrar tudo aquilo. O capítulo rondou em volta daquela música, tão forte e expressiva, então as coisas se encaixaram, se fundiram. Deu impressão realmente, no final, que musica e capítulo foram “feitos um para o outro”. Mas foi assim que aconteceu. A verdade é que a música pode não ter sido feita pra estar ali, mas eu fiz o capítulo pra que aquela musica estivesse ali. Compreendes?
Ah! Achei interessante que no começo do comentário você explicou o porque a PP não queria parecer frágil, e depois explicou o como ela se deixou ficar frágil diante de Jacob. Você captou exatamente o que eu intuí escrever!
Mas então você fechou com chave de ouro! Sua ultima frase foi EXPLÊNDIDA!! Esta é uma daquelas frases que eu copio no papel da agenda pra não esquecer e ela irá me ajudar escrever um capítulo inteiro, sei até qual!
Eis ela aqui, digna de ser reproduzida: “Agora ela sabe que precisa dele e ele fará de tudo para protegê-la e amá-la como ela realmente merece. Ele dará sua vida por ela, se preciso for, afinal ela se tornou parte dele, se tornou a escolhida dele sem que ele percebesse e agora eles estão juntos e um não conseguirá sobreviver sem o outro!”
Está vendo só? Outra poetiza, suas palavras me encantaram tanto!
Você pegou uma charada aqui garota! Algo que está na minha cabeça antes de eu escrever a primeira palavra de The Precious Blood!

Clau
Mulher, seus comentários sempre reservam uma frase chave pra me impelir a escrever! Por isto postei um no fim do capítulo. Você vai fundo, capta essências. Igual a Baby… e outras…
E o jeito que você escreveu este comentário foi tão… tão… tão inexplicavelmente emocionando. Você me acariciou com palavras, me senti aconchegada enquanto escritora nas tuas frases. Vi algum sentido mais preciso em escrever e postar esta fic.
Em algum momento eu fiquei com você! Pois o que eu escrevi é parte de mim e se isto, em algum momento, passou a fazer parte de você, se interiorizou em você, como disse, então neste momento nós estávamos juntas. Eu te contei a história com o coração, com emoção na ‘voz’ e você sentiu. Sim, eu sei que você sentiu, talvez da mesma forma forte que eu senti tua emoção ao ler seu comentário.
Não é difícil passar emoção quando se escreve, basta realmente sentir emoção quando se esta escrevendo. Se eu tive sucesso ao me propor fazer isto, então você é tão escritora quanto eu Clau, porque em um simples comentário, você conseguiu o fazer. Suas palavras se encadearam uma nas outras como as notas se encadeiam para compor uma música. E foi lindo, Clau, lindo comentário!
“… acreditar no amor e se entregar a ele de corpo e alma…” >> Esta frase é parte de seu comentário, e isto que você falou Clau, é pra mim a razão da vida!

Déborah Lylian

Ei minha chará! É claro que eu não poderia deixar de atender um pedido seu. Eu ouvi tua voz e li TODO seu comentário, duas, três vezes… e lerei outras vezes ainda, porque eu gosto de ler comentários!
Você é tão especial quanto qualquer outra leitora que dispensa de seu tempo e, além de ler, me escreve. Então se você faz isto comigo, como eu poderia deixar de fazer isto com você, flor? Como?
Sim, eu converso com vocês e vocês conversam comigo e acaba que eu não sou autora sozinha desta história, escrevo com um monte de garotas me guiando, e você é uma delas.
Talvez vc acompanhe esta história faz tempo, então eu fiquei realmente emocionada de vc colocar seu nome lindo aki pela primeira vez! Você se revelou, se mostrou pra mim e eu não vou te esquecer!
Que nossas conversas, entre leitora e autora, não parem por aqui, talvez eu não possa responder desta mesma forma todos os seus comentários, pq o sistema do blog complica isto, mas não tenha duvidas que eu lerei devorando cada palavra que vc me escrever. E não deixe de assinar seu nome, de me dizer quem és, assim sei com quem falo e quem me fala.
À você um grande beijo e obrigada!

Juubs, a adorável Julia Prado!

O que você disse é realmente verdade, muitas vezes colocamos as mãos na frente dos olhos pra não ver as coisas “feias” do mundo, mas elas existem não é? Negá-las não faz com que elas desapareçam, muitas coisas “feias” do mundo continuam a existir, justamente porque muitos fingem não ver, não olham, principalmente as autoridades.
O “olhar algo” pode mudar muitas coisas e atitudes… por que estas janelinhas que chamamos de olhos, são portas para o coração… e isto não é apenas uma frase clichê, os humanos são mais dependentes da visão do que de qualquer outro sentido. Por isto admiro extremamente aqueles que não enxergam no sentido literal da palavra. Mas eles veem de outras formas, com certeza. Mágica isto!
Você me compreendeu Juubs! Compreendeu que eu tenho uma vontade imensa de que vocês sejam conduzidas pra dentro da minha “cabeçola”. Em bom português, que vocês compreendam e sintam o que eu imagino e o que eu sinto também!

Lohanne Rocha

Ela voltou!!! Pensa que eu não percebi que você sumiu? Pois eu percebi. Ficava me perguntando: Cadê aquela moça que sempre me deixava comentários? Aquela que tem uma foto exibindo cachinhos comportados e lindões? Morena fatal... hehe! A olhadinha pra trás, por cima do ombro demonstra aquele tipo de poder que as modelos de propaganda de shampoo tem ao exibir seus cabelos e… Ops, não era pra avaliar sua foto, mas o comentário! Então vamos lá!
“Libertação de Jacob, da PP…” Libertação, ninguém escreveu exatamente isto, mas foi o que aconteceu, de certa forma. Foi uma libertação, usando uma frase manjada “quebra de correntes”.
Lhe faltou palavras, você disse, e então vc foi mais uma daquelas que colocou reticências no fim da frase, como se dissesse com elas: “eu senti tanta coisa, que não cabe aqui, então coloco na infinitude de uma reticências!”
Eu uso reticências nos capítulos, como para denotar que tem mais coisa, mas que elas ficam no ar, pairando, se vc inspirar, vc sente. Faz sentido? Por isto eu vejo uma reticências como tudo isto, então eu volto para a frase que tem antes das reticências e lá você me diz que sentiu! Ah, e como esta palavrinha se torna tão larga e mágica neste sentido, pq sentir, em verdade, nunca é banal.
Mas o que me cativou, de uma forma tão gostosa, foi você dizer que tenho uma forma simples e doce de escrever… ah, é só o que eu procuro, o equilíbrio nas coisas, não exagerar e ainda assim, alcançar algo pleno. Simples e doce, foi um elogio que me deixou tão feliz!!!!
Muito, muito obrigada morena dos caracóis!

Anônimo do dia 10/03/2012!

Ah, ele não me disse seu nome, ou ela. Q agonia, eu não sei quem é!!! Queria poder agora escrever seu nome aqui e lhe agradecer com mais propriedade… Mas de qualquer forma obrigado amore!
É bom saber que vc acompanha a fic , e gosta! Sim, até a próxima, pode ser que eu não te “veja”, mas agora vou saber que tem alguém que eu não conheço lendo! Isto tbm é pra vc viu? Minha dedicação ao escrever é pra vc gostar tbm!

ThatahBlack

Ei!!! Te reconheço do Nyah!!! Como vc veio parar aki? Ou você já estava aki?
Ao ler seu comentário, vi, mais uma vez, que algo real se misturou com algo fictício. Talvez isto aconteça porque os sentimentos que descrevi realmente existem.
A história da sua amiga me chocou! Querida, sabe aquele choque quando você se depara com este tipo de realidade? Ah, eu queria tão fervorosamente que isto só pudesse acontecer em histórias de “mentirinha”.
Mas eu fico feliz que ela ter se superado, e o caso dela prova que amigos podem ser mais valiosos que irmãos de sangue. Eles são a família que agente escolhe!
Fiquei muito contente em saber que você irá acompanhar minha história. Até o fim? Te esperarei em todos os capítulos!

Lilly

O que dizer deste comentário? Honra, honra por ser eu uma das suas poucas escolhidas para receber seu comentário.
Não, a PP não é frágil, ouso dizer que ela é minha guerreira. Mas é claro, isto não significa que ela não cometa erros, que ela não chore, que ela não enfraqueça em determinados momentos, que ela não magoe alguém… Ao contrário, é justamente por ela passar por tudo isto, e pela formo como ela passa, é que a considero guerreira.
Espero não te decepcionar no que vem pela frente!

Karol...
Ela sempre comenta, leitora fiel, não me falta. Coisa linda!
E saber que você não deixa de fazer isto mesmo tendo outros afazeres me demonstra que você se dedica a mim!
Quão emocionada eu fico por saber que você considera que esta história seja parte da sua vida, meu amor! Não se pode viver sem? Ahhhh... que felicidade, que honra!
Por ser assim, não deixo de escrever. Viciei!
Outro segredo?
Você também faz parte da minha vida e assim como você espera a postagem dos capítulos eu espero seus comentários!

Lucy!!

 Não faz muito tempo que eu percebi ela nos comentários. Na ultima att, ela esteve aqui, postando seu comentário. E numa segunda-feira chata eu abri TPB e encontrei suas palavras, endereçadas a mim, me dizendo que quer mais....
Mulheres, meninas, musas! Vocês tem consciência do quanto esta coisinha nos instiga? É sério! Faça isto mais vezes Lucy, eu estou esperando você, eu quero conversar com vc... coloco a história em debate, me diga o que achou e me ajude!
Te espero ansiosamente aqui!

Raquel...

Uma coisa muito marcante da Raquel é o fato de ela ter sido a primeira a comentar! Foi a primeira moça que me fez sentir a emoção do que é ter o retorno de uma leitora. Quando eu vi que a Flavinha tinha postado minha fic, eu ficava atualizando a página toda hora, pra ver se alguém ia ler.
Meu coração deu um salto quando, finalmente, o primeiro comentário apareceu, e era dela! Lembro até hoje, sem precisar voltar lá pra conferir, que ela disse que adora quando é a primeira a comentar. Será que é por ser a primeira a botar um sorriso na cara da autora e tirar de nós o medo monstruoso de não ser lida ou, pior ainda, simplesmente descartada?
Depois dela veio as outras, estupendas, mas a Raquel foi a “abre alas”. Inesquecível!
Fria... você se disse fria. Mas meu anjo, frio não é quem não chora, quem não sente estremiliques na pele. Frio é alguém que não acredita no amor, quem maltrata os outros sem ter compaixão. Você não é fria, eu posso apostar!
Suas palavras mostram que vc realmente entende das coisas, sabe que é impossível esquecer algo que nos feriu tão grandemente, e o quão difícil é viver com isto, se lembrando disto, sem que isto te afete. A coisa está lá, superar não é virar o rosto e tentar não ver. Superar é olhar pra coisa de frente e não se abater mais. Isto não é tão fácil, nós não somos tão eficientes, capazes de passar por cima destes monstros sozinhos.
Li em um poema, não me recordo qual, que dizia que a dor ou o medo compartilhado, subtraí-se, torna-se menor.
Agora me diga, se alguém tem isto na cabeça e me escreve nos comentários… como uma pessoa desta pode ser fria? Meu anjo, as verdades não estão nas suas expressões ou na sua postura na frente dos outros ou do espelho. A verdade sobre você mesma está lá no fundo, num lugar com acesso restrito, o caminho até lá é valioso.
“A entrega dos dois, cada um da sua forma…”
É... você compreendeu... aqueles capítulos não foram marcantes pela dor em ebulição, mas, principalmente, pela entrega que houve ali... “cada um a sua forma”… Foi exatamente isto!

Arícia Black
Ela também me concede tão honrosa presença aqui e lá no Nyah! Indescritível isto para uma autora: a dedicação voluntária de uma leitora. Às vezes me pergunto como elas podem ser tão maravilhosas a este ponto? Me acompanhar, como que para me sustentar, me livrar da insegurança...
Vocês me sustentam nos braços às vezes! Nunca, eu nunca poderia imaginar que sentiria isto só escrevendo uma fic, só “conversando” com elas, mas é tão bom! Lembro muito bem que ela comentou minha fic logo no primeiro cap. E depois parou. Voltou depois de um tempo dizendo que tinha achado minha ideia muito louca, mas que no fim, tinha ficado bom! Eu ri com isto! Depois ela sempre aparece, aqui e lá. E eu? Eu só posso ficar mega feliz com isto!
Eu nunca pensei que a frase “como é que se ama?” pudesse ter tanto impacto. É claro, eu estava muito mergulhada na cabeça do Jake quando escrevi isto e então a pergunta saiu natural e eu escrevi... Uma reação do personagem... conseguem entender este tipo de coisa garotas? É meio doido...
Depois ela começou a me explicar certas coisa e, como ela diz, PQP em Arícia?
Ela me advinha “quase” tudo! Me diz que quer saber como será o “acordar” deles e o capítulo seguinte tem justamente o nome “Despertar”...
Antes disto, de um jeito muito lindo, ela explica a forma como o Jacob se sente: “a vontade de se entregar e ao mesmo tempo o medo de se ferir e ferir alguém. Ele deu o primeiro passo em direção a rendição, a rendição de sua alma e de seu ser…” Isto foi profundo! Foi lá na essência da coisa toda.
E você está certa sobre a “coisa” que faltava no amor deles e NINGUÉM percebeu antes. Algumas garotas me diziam nos comentes “Como eles não entendem que se amam?” Mas no amor deles falta algo fundamental para a entrega: a cumplicidade, em suas palavras, a amizade entre os dois. Eles precisam se entender, um ao outro, só assim poderão se... Vou falar demais!
Eu adoro te ter como leitora, te ter comigo!

Anix, Mery Ferraz e Grasi
Minhas lindas!!! Elas sempre comentam e não é porque não apareceram neste capítulo que eu deixarei de falar delas!
A Mery até teve seu nome na fic! Tá certo que a personagem não era lá estas coias, mas o nome me veio e, de primeira, eu nem relacionei ela à personagem. Depois me atentei a isto. Mery, você é uma das meninas que tem lugar reservado no meu coração, pra vocês escrevo!
Anix! Ela me deixou um recado na tag, eu sei que ela leu, senti falta dela por todos estes dias, que não apareceu por na tag do blog. Mas você é presença certa, não posso me esquecer de você e nem deixar de colocar seu nome nesta homenagem. Você também é minha musa!
Grasiiii!!!!! Eu preciso falar algo de você? Eu te conheço um pouquinho mais agora e sei que você é uma figura, você já teve todos os seus comentários “avaliados” por mim, eu te mandei um textaço pelo email que você até assustou! E olha só, ela é autora também! A diferença do que você começou escrever para o que está escrevendo agora foi incrível. Adoro sua presença animada e não: EU NÃO POSSO ME ESQUECER DE VOCÊ! Te adoro! Tendo tempo pra comentar ou não! Mas... quando puder me dar a honra de uma comentadinha as portas estão abertas e o tapete vermelho estendido!
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                E assim elas me tocam, me formam, me ajudam e compõem o espírito que brota em mim enquanto escritora em sua primeira aventura fictícia. É como se elas pegassem em minha mão em certos momentos, e me ensinassem a escrever. Às vezes eu penso no que tenho que escrever e falo pra mim mesma: “Não vou conseguir!”… Então, depois de um capítulo postado, eu vou lá e leio seus dizeres. E então elas me dizem, inconscientemente, inocentes disto: “sim você pode, pode porque estamos todas junto de você”. Então os sentimentos de todas elas se juntam em mim e tudo se torna tão grande, que resulta em uma certa intensidade em cada capítulo, em cada ação descrita.
                Espero sempre ser digna do sentimento que cada uma de vocês tem no coração. Tocá-lo, o seu coração, a emoção que está guardada nele, no centro da vida humana, me eleva. Me dá a impressão de que sou sensível de alguma forma, e vejo as coisas mais belas que um humano pode ter… sentimentos…
Até aqui, numa fanfiction, eles aparecem e ensinam! Quem diria!
Ah, sim… aqui tem coisas bonitas, sinceras e profundas. Não, não é banal.
Por isto, você que nada conhece sobre este mundo, aquele que vê o fã, como algo fanático e ilusório… Aqueles que nos condenam, chamando-nos de um bando de meninas fúteis… Ou aqueles que julga ser loucura palavras arrancar suspiros, tome consciência de uma coisa: você é raso e tua visão é superficial. Você não vê o que é mais essencial na vida, aquilo que o meu Pequeno Eterno Príncipe sabe ser invisível aos olhos!
Parafraseando J.K. Rowling… “as palavras são poderosas”.
Deixo agora uma música que diz muita coisa que gostaria de dizer a vocês. (desconsiderei o "my sacrifice")


AGORA MAIS UM CAPÍTULO PARA VOCÊS! 

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 CAPÍTULO 24
DESPERTAR
“Ela agora pode resistir
ao mais feroz dos tempos,
à ira, ao pior julgamento.
Repara, ela renasce e brota nova rosa.
Atravessou a história, foi queimada viva,
Acusada desceu ao fundo dos infernos
e já não teme nada.
Retorna inteira, maior, mais larga
Absolutamente poderosa.”
            
Eram três horas da tarde. Como raras vezes acontecia naquela parte do mundo, não chovia em La Push. O sol tentava se infiltrar em meio a pesadas nuvens, vez ou outra um raio clareava o tempo que era quase sempre fechado.
            Jacob olhava da cama um raio de sol entrar no quarto, iluminando a pele exposta do corpo moreno e feminino. O raio não chegava a ser quente, mas já fazia a pele de resplandecer.
            Ela dormia um sono exausto há mais de treze horas, ele não ousou acordá-la. Saiu da cama apenas a alguns momentos, para atender ao telefone em seu quarto.
_ Você a encontrou? – Leah lhe perguntara do outro lado da linha.
_ Sim… - Jacob havia respondido simplesmente, com notável alívio.
_ E está tudo bem?
_ Vai ficar Leah, vai ficar.
_ Eu sei que vai Jacob!
            Jacob respirou fundo novamente, jamais havia ouvido um choro tão pesado como ouviu o de . Ela chorou por um bom tempo naquela noite, pegando no sono por volta das duas da manhã, mas ainda suspirava vez ou outra durante um tempo. Até que ela parou, voltando a respirar profundamente em um sono mais tranquilo. Foi só aí que Jacob conseguiu dormir, com o dia quase amanhecendo. Agora ela estava ali, agarrada a ele, com o semblante sereno, encolhida no abraço que ele não ousava afrouxar.
            Assim ela acordou pouco tempo depois. Demorou a abrir os olhos. sentia o que jamais sentiu ao despertar: o peso de um braço lhe envolvendo a cintura, um peito macio ao qual se recostava. Sua cabeça subia e descia suavemente com o movimento da respiração profunda de Jacob. Ela ainda sentia suas pernas próximas às dele, quase entrelaçadas.
            A noite anterior lhe veio em cada mínimo detalhe em sua cabeça. Ela esperou que sucumbisse aos fatos turbulentos, mas ao invés disso, só sentiu um cansaço entorpecente. E se lembrava também de Jacob, da voz dele, de seus olhos, de seu cuidado. Ela estava ali, ainda enrolada somente em uma toalha, mas a única coisa que conseguia sentir era conforto. Sentia que depois de tudo o que passou, não haveria lugar melhor para estar.
            jamais compartilharia com outra pessoa a história de seu trauma. Mas agora Jacob sabia, ele que testemunhou toda a sua fraqueza. Não havia nenhuma máscara que ela pudesse manter diante dele… e nenhuma resistência.
            Ele estava acordado, ela sabia, mas completamente silencioso, vez ou outra acariciando sua cabeça. Uma certa cumplicidade nascia ali, ela não tinha certeza se queria falar sobre o que havia passado, mas se falasse, Jacob seria seu confidente.
                        Abriu os olhos, vislumbrando os raios de sol que iluminavam o quarto. Um feixe de luz dançava na frente de seus olhos, ela levantou a mão e colocou na luz que, perto do calor da pele de Jacob, era fria.
_ Dizem que é bom aproveitar os dias de sol para sair. Eles não são muito duráveis por aqui. – Jacob falou, não mudando sua posição na cama.
            somente sorriu, logo depois bocejou, mexendo o corpo suavemente para se espreguiçar. Sentiu que sua toalha havia se desprendido, sua face esquentou. Ela ergueu a cabeça envergonhada, observando as linhas que desenhavam o pescoço de Jacob. Ele havia se vestido: uma bermuda, uma camiseta de algodão. Ela o encarou, tendo medo de se levantar e derrubar a toalha.
            Mas ele grudou seus olhos nos dela e ela sabia: ele não olharia para mais nada. Ele soltou os braços de sua volta e, lentamente, ela se levantou e arrumou a tolha em volta do corpo.
_ Bom dia… - Ela finalmente disse. Sua voz estava rouca, sua garganta seca. Ela abaixou os olhos e se sentou na cama. não sabia muito bem como reagir. Ela estava dando bom dia pra alguém que acordou com ela… na cama dela.
_ Acho que seria boa tarde… - Ele disse, levemente.
_ Sério? – Ela tentou dizer, mas a rouquidão era tanta que saiu só um vento de sua garganta. Ela tossiu discretamente.
_ Deve ser quatro horas agora…
            Ela arregalou os olhos.
_ Dormi demais… - Sussurrou, coçando os olhos e voltando a bocejar. Propositalmente ela deixou que seus cabelos longos fossem pra frente de seu colo, o cobrindo.
_ Eu acho que não… Você precisava.
            Jacob observava ela se encolher ao seu lado, ficou com receio do que ela pudesse pensar, de como reagiria. Fez menção de se levantar, mas o reflexo de foi imediato e inesperado. Ela lhe segurou a mão.
_ O que foi? – Ele perguntou, mas ela estava com a cabeça baixa.
_ Você ficou? O tempo todo? – A voz estava contida, tímida.
_ Você pediu… eu fiquei… - Jacob viu a graça daquela mulher, que ele sempre concebia tão imponente e segura de si, ao se encolher enrubescida.
_ Por que você ficou? – Ela perguntou, ainda mais baixo, com o coração a acelerar.
_ Porque você precisava… - ele soprou enquanto levava os dedos para erguer a cabeça dela no nível da sua. - …e porque eu queria… eu precisava.
            sentiu um estranho formigamento no queixo, lugar que ele sustentava sua cabeça.
_ Precisava? – Ela perguntou, olhando pra ele.
            Jacob sorriu, fechando os olhos por um momento. Os dedos dele começaram a fazer leves movimentos no rosto dela. pendeu a cabeça de lado na mão dele, esperando a resposta.
_ Lhe ver bem… só isto! Eu precisava que você ficasse bem.
            sentiu o peito embargar, não sabia o que dizer diante daquela resposta. Ela colocou sua mão sobre a dele em seu rosto e a apertou. Logo depois levou a palma quente aos lábios, depositando lá um beijo demoradamente terno.
_ Obrigada… - Disse. Jacob voltou a sorrir condolente. – Me perdoe… - Ela sussurrou logo depois.
_ Pelo que?
_ Eu te julguei mal… muito mal… você é melhor do que eu pensava.
_ Isto foi um elogio? Se você quer saber não acho que isto seja algo para se pedir perdão… Porque eu também me julguei mal… mas eu não estou livre de defeitos… graves. – Jacob falou a última frase colocando uma tensão exagerada na voz. riu.
_ Ninguém está livre disto.
            Eles ficaram em silêncio por um momento, ainda com a cabeça pendida na mão de Jacob e ele lhe acariciando o rosto com os dedos.
_ Eu vou descer. Preparo algo pra gente comer, enquanto você se arruma. – Ele foi sutil ao dizer “se arruma” ao invés de “se veste”, afinal ela estava praticamente nua. percebeu aquilo e, sorrindo, apenas afirmou com a cabeça.
            Dedo a dedo Jacob tirou sua mão da face dela, sem pressa alguma pra concluir o movimento. Ele se levantou e ergueu a cabeça para poder mirar a altura dele. Mas ainda assim, ela não conseguia vislumbrar um homem ameaçador e gélido como via há algum tempo. Os olhos dele haviam alcançado um brilho cálido e acolhedor, seu semblante, sempre tão tenso, estava terno naquele momento.
            Ele voltou a se inclinar para ela antes de virar as costas, lhe depositando um beijo na testa.
_ Fique bem garotinha… - Ele lhe sussurrou, com uma voz levemente risonha. – Você tem o calor de meu abraço para se refazer…
            E saiu, sem dizer mais nada. Mas aquela frase, exatamente a mesma frase que ela disse a Amanda, fez sentir a emoção lhe dominar novamente. Ele havia dito “meu abraço”… Suas pernas fraquejaram e ela agradeceu estar sentada na cama, caso contrário teria caído no chão.  Ela chorou novamente, desta vez um choro suave e meramente emocionado.
_ Ah Jake… - Ela disse, abrindo um sorriso apertado em meio às lágrimas, que lhe caiam lentas.
            Durante um tempo ela se permitiu deitar novamente, apenas digerindo suas emoções, pensando mais claramente no que faria dali em diante. sentia que algo havia se desprendido de si, em um cassar penoso. Era como uma chaga que lhe foi arrancada do peito. Ela já havia se acostumado a viver com aquele cilício e a ausência dele dentro de si trazia um relaxamento dolorido, uma leveza vazia e inóspita.
            Ela se levantou e caminhou para a sacada iluminada pelo sol, deixando que os raios fracos banhassem seu corpo e lhe secasse as lágrimas do rosto. No andar de baixo, Jacob se movia silencioso, atento a cada vão suspiro que ela dava.
            Quando desceu, havia sobre a mesa da cozinha comidas leves e cheirosas. Torradas, geléia, panquecas, ovos, iogurte, mel…
_ Há quanto tempo você não come? – Ele lhe perguntou, sentado na mesa de braços cruzados.
_ Não me lembro… - Ela disse, com a voz mais firme, menos falhada.
_ Pois é bom que você coma bem então! – Ele disse autoritário, mas abrindo um sorriso espontâneo logo depois.
_ Certo! – Ela disse, batendo continência.
            Mas logo que ela pôs as panquecas na boca parou, apertando os lábios risonha.
_ O que foi? Está tão ruim assim? – Jacob parou de comer e perguntou.
_ Ou estas são as mesmas panquecas de Niadhi, ou as panquecas de Niadhi sempre foram as tuas. – Ela disse. Jacob sorriu tímido, abaixando os olhos. Ele se lembrou de que ocasião ela estava falando.
            Há meses, quando ela sofrera aquela visão perturbadora, ele havia cozinhado e dito que foi Niadhi. tinha um paladar refinado e uma excelente memória, o gosto daquelas panquecas não lhe foi esquecido.
_ Você já fez isto antes. – afirmou, tinha agora a certeza absoluta que ele já havia cuidado dela com tanto zelo quanto demonstrou naquela noite. – Por mim…
            Jacob desfez o riso e a olhou sério, sem nada dizer.
_ Eu lhe crucifiquei tanto… lhe julguei tanto…
_ Você pensava que eu era um monstro. – Jacob disse baixo, remexendo a generosa porção de ovos com bacon em seu prato. – Talvez porque eu me aproximei muito de ser um.
_ Porque Jacob? O que lhe fez ficar assim?
_ Não importa… não mais. – Ele trincou o maxilar e virou o rosto.
            se levantou e foi até ele, não tendo mais receio de pegar em seu rosto e fazer com que ele a olhasse.
_ Confie em mim? – Ela disse. Jacob sorriu.
_ Rejeição. Foi isto que aconteceu. Eu depositei tudo em algo que não valeu à pena. A ingratidão foi o que eu recebi de volta.
_ Você depositou tudo em algo… ou em alguém? – Ela perguntou cautelosa. Uma sombra passou pelos olhos dele. Jacob apertou os olhos.
_ Eu pensei que ela fosse tudo. Então eu fui inteiro para ela. Me perdi nela…
_ E quando ela te recusou, tudo que você era ficou nela?
_ Talvez… - Ele murmurou.
            respirou fundo, tirando as mãos do rosto dele e se sentando novamente. Tomou um gole de suco fresco para acalmar a impaciente inconstância de seu coração.
_ Não, não ficou nela Jacob. Talvez a tua visão tenha sido rasa demais. Você tinha medo de ir mais fundo, de encontrar o que havia lá… se mais dor ou que simplesmente você poderia viver sem ela.
            Jacob ficou silencioso, remexendo-se inquietamente na cadeira.
_ O que você passou a ser não é tão incompreensível assim. Eu bem sei que é muito mais fácil ficar de mal com o mundo, ao invés de sorrir, quando sentimos que tudo que fazia sentido pra nós acabou. – soltou um suspiro e voltou a atenção as suas panquecas.
            Jacob enfiou duas garfadas de ovos na boca e mastigou sem vontade alguma. Olhou para comendo de cabeça baixa. Ela não parecia muito incomodada por ter descoberto algo sobre uma “ex” dele. Ele franziu o cenho. Mas que idiota ele era, aquela mulher estava passando por um furacão de emoções e ficaria preocupada com suas paixões frustradas?
_ Eu também tive um amor assim. – Ela disse de repente. Jacob parou de mastigar, seus músculos travaram, sua pulsação acelerou e sua visão se turvou. Ela havia dito que teve um amor…? - Pra mim este amor era tudo… e continua sendo, não importa o que nos separa. Eu nunca fui rejeitada, mas imagino que se em algum momento tivesse sido, eu não suportaria. Eu agüentaria qualquer coisa, menos isto. – Jacob engoliu o bolo de alimento, fazendo este passar cortando em sua garganta fechada. Ela amou… ela ainda amava… outro?
_ Como? – Ele soltou engasgado. Só então ergueu a cabeça e encarou Jacob. Ela não entendeu inicialmente a expressão pasma dele. – Digo… quem … quem é? – Ele perguntou, meio que tossindo, desviando o olhar dela. Então ela compreendeu a confusão que ele estava fazendo com seus dizeres.
            Sorriu e balançou a cabeça.
_ Jacob… - Ela disse suave. – Não existe só um tipo de amor pelo qual vale a pena depositar sua vida sabe? – Ele lhe olhou confuso. – O maior amor da minha vida sempre foi minha mãe. E eu sempre a amei de uma maneira que eu não sei ao menos explicar, e ela também me amou desta forma, eu sei. Mas se não tivesse sido assim, se ela tivesse me rejeitado em algum momento, então eu seria… eu seria…
_ Descrente, amargurada e infeliz? – Jacob soltou aquelas palavras juntamente com sua respiração, que ficou pressa por todo aquele momento. Mas é claro, ela só poderia estar falando de sua mãe. Se havia algo evidente sobre os sentimentos daquela mulher, era a quase devoção que ela tinha por sua progenitora.
_ Sim. – Ela respondeu, franzindo o cenho. Ela soltou outro suspiro.
            Os passos suaves dele chegaram até ela. Jacob se agachou a sua frente e acariciou com os dedos as rugas de seu cenho franzido até que elas se desfizessem.
_ Isto não é pra você. – Ele disse, se referindo à expressão da moça. - Você fica bem melhor com um rosto sapeca do que com um rosto triste. – sorriu levemente. – Como você está? – Ele sussurrou pra ela, cuidadoso, como se temesse tocar em algo delicado demais.
_ Eu não sei bem… meio que com um buraco aqui dentro. – Ela disse, esfregando o peito.
_ Me promete uma coisa?
_ O que? – Ela ergueu os olhos pra ele.
_ Eu preciso sair, reunião com a matilha. Me prometa que eu não vou precisar te encontrar daquele jeito de novo, . Me prometa que você vai se manter bem.
_ Eu não vou tentar me matar. Não dá muito certo.
_ Não brinque com isto. – Ele lhe acariciou os cabelos. – Não pense em nada que vá lhe fazer mal. Apenas fique bem.
            Os rostos deles estavam próximos, suas respirações se cruzando. Ela via nele uma necessidade absurda ao lhe pedir aquilo.
_ Tudo bem. – Ela respondeu pacífica.
             Jacob sorriu e se levantou, andando de costas até sair da cozinha e deixá-la sozinha. Ela escutou os passos dele saírem da casa, atravessarem o portão, entrar em contado com o chão irregular da estradinha que circundava o imóvel e então não ouviu mais nada. Estava sozinha, ou nem tanto. A lembrança de uma voz rouca e suave lhe fazia cócegas enquanto se alimentava, a recordação de um calor lhe envolvia enquanto arrumava a casa, a negritude incompreensivelmente segura de um olhar fazia-a mais firme diante dos estremecimentos que vez ou outra lhe acometiam.
            Assim ela passou o dia, caminhando pela casa com suas inconstâncias, no seu dia de ressaca da sua loucura dolorosa e embriagante. Sentia que era aquele um novo marco, um novo começo. Novamente ela havia feito uma escolha, seguiria em frente, continuaria. Mas ao contrário das outras vezes, o cheiro remoto de uma flor lhe guiava os sentidos. Era uma flor que poucas vezes ela vislumbrava e, por isto, não recordava de onde ela era e que espécie de efeito causava.
            Mas aquela era a flor que alguns costumam chamar de esperança. Ela se encontra na beirada de precipícios cinzentos. É uma flor colorida, de uma beleza rara com cheiro doce de recompensa, de reciprocidade e notas frescas de alegria. Guiar-se pelo seu aroma dava a sensação de que ela encontraria logo a razão de ser, de crer, de seguir vivendo…

****************
            Há tempos eles não se reuniam para uma reunião com seu Alpha sem estarem transformados. Nestas ocasiões, Jacob costumava ter o controle da matilha observando seus pensamentos, por isto as reuniões eram sempre com todos transformados. Mas naquele dia estavam todos sentados, em sua forma humana, no chão em uma área remota da praia de La Push, em um lugar cercado por grandes pedras que dificultava o acesso de humanos. Jacob estava em pé, recostado em uma pedra falando mais calmamente que o comum.
_ Estes projetos de vampiros estão me irritando já! Nunca vi uma proliferação tão grande por estas bandas desde … desde o problema de alguns anos atrás. – Jared dizia, ocultando um fato particular da vida de Jacob.
_ Desde que a vampira ruiva estava montando um exército, você quer dizer. – Leah completou, os pescoços se voltaram para Jacob quando ela disse aquilo. Ele não esboçou nenhuma reação agressiva, mais uma vez surpreendendo os lobos.
_ Definitivamente não é um exercito. Mas meu faro diz que tem alguém por trás disto. – Jacob simplesmente disse.
_ Alguém? Como assim alguém? Você acha que tem alguém interessado em acabar com a matilha? – Seth perguntou, deixando os cabelos de todos ali em pé.
_ Acabar com a matilha com o que? Com um bando de sanguessugas inexperientes, presa fácil para nós? Bom este alguém é imbecil, só está nos garantindo diversão. – Caleb disse.
_ Foram dez humanos mortos durante estes ataques. Isto não é muito divertido Caleb. – Jacob advertiu, porém nem tão brusco. – E também acho que se for alguém interessado em nós, ele é muito mais esperto do que imaginamos. Este alguém, que nos oferece um banquete de sanguessugas, pode estar agora extremamente ciente de como agimos.
_ Jacob, você está suspeitando que tem um sanguessuga espertalhão nos vigiando? – Paul disse, engolindo em seco.
_ É mais uma sensação minha. Não vamos fazer alarde a ninguém por enquanto. Vamos continuar agindo como estamos.
_ Mas Jacob, nós estamos em ronda por toda a redondeza. Como alguém poderia nos ver sem que o percebêssemos? – Leah questionou, todos afirmaram com a cabeça.
            Jacob obscureceu o olhar.
_ Não sei. Só sei que o tempo não é pra ficarmos relaxados demais. Aumentem os sentidos de alerta. Não estou com uma boa sensação, definitivamente. – O grupo ficou tenso. – Além do mais, Collin captou um rastro estranho ao norte de Forks estes dias. – Todos olharam pra Collin.
_ Foi numa ronda minha. O Jacob estava junto, mas nós não encontramos nada e logo o cheiro desapareceu. Era estranho porque era meio acre, meio doce, lembrava o dos vampiros, mas nem tanto. Tinha algo de mais repugnante, parecendo enxofre.
_ Só que mais a frente, nós encontramos o corpo de uma humana. E o cheiro de dois sanguessugas. Um era aquele que pegamos no outro dia, o velho de cabeça branca. O outro nunca mais deixou rastro por aqui. Não o pegamos. – Jacob completou.
_ Algo que eu não entendi. Por que um vampiro transformaria um velho de quase oitenta anos? – Embry perguntou.
_ Nada está fazendo sentido nesta coisa toda.
_ Teremos mais companheiros na matilha em breve. – Jacob soltou.
_É mesmo?
_ Quem?
_ Já começou o processo?
_ Da onde?
_ Pra quando é?
            Uma avalanche de perguntas começou e só pararam quando Jacob deu um grito pedindo silêncio.
_ Não consigo responder 50 perguntas por segundo, merda! – Ele disse. – Na verdade, eu sei que isto vai acontecer. Não me perguntem como eu sei, porque eu não sei como eu sei. Só sei que sei.
_ Nossa, muito claro isto. – Paul ralhou. Jacob catou uma pedrinha a seu lado e, muito rápido, tacou no cunhado, acertando sua cabeça.
_ EI! -             Ele gritou.
_ Isto é pra você deixar de ser idiota. – Jacob disse carrancudo.
_ Putz! Então vai precisar de muita pedra Jacob, porque este seu cunhado… - Leah disse sarcástica.
_ Lá vem a mulher loba mais purgante do universo! – Paul respondeu por baixo do fôlego, enquanto esfregava sua recém formada cicatriz na testa.
_ Acho melhor você calar a boca Paul!  - Embry advertiu. – Ou a próxima coisa que vai parar na sua cabeça é meu punho fechado.
_ Ok, chega! Temos coisas mais importantes do que isto pra discutir. – Jacob chamou a atenção novamente. Eles voltaram a ficar quietos, embora Paul ainda resmungasse uma coisa ou outra_ Nós vamos manter as rondas como estão e…
_ Não seria melhor partir pra ação, tipo “alerta vermelho”? – Quil interrompeu Jacob. O Alpha olhou para o irmão erguendo a sobrancelha. Quil se arrependeu do que disse, nunca era bom interromper Jacob em um discurso.
_ Não Quil. Se tem alguém realmente de olho em nós ou não, não é bom mostrar tudo que sabemos pra ele… Acho que não poderemos acabar com a proliferação de vampiros por enquanto. Então, por agora, vamos ficar estagnados, se for o planejamento de alguém, uma hora ele se cansa e mostra as caras, tentando algo mais ousado.
_ Hãã... ok… certo. – Quil respondeu um tanto boquiaberto. Ninguém ali esperava que Jacob simplesmente respondesse a pergunta intrometida de Quil, mas sim que ele desse uma bronca e continuasse com suas ordens sem justificar coisa alguma. Seria o normal para o Alpha mal humorado, mas os lobos percebiam e sentiam nos pensamentos de Jacob a mudança de suas atitudes e sentimentos. De todos ali, só Leah não se surpreendia mais.
_ O que temos que nos preocupar é em rastrear estes sanguessugas novos o mais rápido possível, para que eles não cheguem aos humanos e causem ainda mais estragos. – Jacob completou.
_ É, a polícia já tá toda alvoroçada. O chefe Swan ainda se lembra dos ataques de anos atrás. Estão querendo sair por aí caçando ursos gigantes de novo. – Seth contou mais precisamente a Jacob. Este respirou fundo e olhou para ele.
_ Vamos precisar da sua mãe Seth, Leah. – Ele disse.
_ O que? Minha mãe? Pra que? – Leah desencostou-se do corpo de Embry, enrijecendo os músculos das costas. Seth olhava para Jacob com cara completamente confusa.
_ Ela é a que tem melhor relação com Charlie ainda. Precisamos de alguém que o convença que nós arrumamos um grupo de caça que pode cuidar disto. Não quero mais ninguém metido nestas florestas por aí. – Jacob falou com olhos baixos.
_ Acho que é melhor você mandar o TEU pai de bode expiatório Jacob Black. Porque minha mãe não tem mais nada a ver com aquele velhote! – Leah respondeu exaltada. Jacob bufou.
_ Eu não afirmaria isto com tanta certeza Leah. As relações da família Black com Charlie estão distanciadas, mas nem por isto eu deixo de saber o que acontece com o chefe policial de Forks. Acredite em mim, sua mãe é a melhor pessoa para isto.
_ Mas que merda você está dizendo Jacob? – Leah ralhou.
_ Como assim, minha mãe tá encontrando com o Charlie as escondidas? Mas que velha hein! – Seth disse risonho.
_ Cala a boca pirralho! – Leah voltou a ralhar. Ela sabia que Seth odiava quando ela ainda o chamava de pirralho. – E eu acho melhor você explicar direitinho esta história Jacob…
_ Chega Leah!  Aqui não é lugar para discussões familiares. Sua mãe é membro do conselho e também tem a função de ajudar na proteção da tribo. – Leah calou-se a contragosto, engolindo em seco. Ela olhou ainda de cara fechada para Jacob. Ele sabia que a conversa não estava encerrada ali. Ele teria que enfrentar Leah mais tarde e, ainda por cima, dobrá-la para livrar a Dona Sue de uma briga com a filha. – Isto nós resolvemos mais tarde.
            Jacob passou a dar as orientações para as rondas.
 – Vou repetir de novo: enquanto estiverem em ronda não deixem que nenhum pensamento humano demais invadam a cabeça de vocês. Se os pensamentos de vocês estiverem guiados unicamente pelo instinto lupino o foco é maior, os sentidos são mais aguçados e o nosso senso de direção mais aprimorado. Caleb, você é o que mais se distrai. Você pensa na velocidade ainda com deslumbramento. É muito diferente e extasiante do que podemos ter em nosso corpo humano, mas em ronda, a velocidade de suas patas não pode ser um atrativo para o seu pensamento, muito menos para seus olhos. Foco. E não se esqueçam: nosso faro é o que mais ajuda nisto tudo, o principal.
_ Resumindo, nem pensar em lobos resfriados. – Caleb disse, rindo sozinho de sua própria piada. – Qual é? Isto foi até que engraçadinho… - Ele parou sem graça assim que a mal humorada Leah lhe fuzilou com o olhar.
_ Bom, os horários são os mesmos. Por hoje é só, podem ir. – Jacob finalizou.
            Todos se levantaram, limpando as roupas sujas de areia e caminhando de volta para a aldeia. Por obra e graça era o começo da ronda de Leah, ela tinha que sair imediatamente. Jacob agradeceu por isto, não estava com cabeça para argumentar com ela, “a loba linha dura”.
_ Embry… Você pode ficar? – Jacob pediu inseguro. Tinha tomado coragem para dar corpo a idéia que há algum tempo matutava.
_ Eu? – Ele disse, apontando para o próprio peito, descrente. Leah voltou-se para Jacob com expressão interrogativa.
            Jacob teve vontade de responder: “Você? Não, é claro que não. Estou falando da minha irmã, ela agora se chama Embry.” Mas ao invés disso…
_ Sim. Pode ou não? – Perguntou novamente.
_ Bom… eu… posso.
            Ele colocou as mãos nos bolsos e ficou parado olhando para Jacob. Leah ficou ao lado do namorado, ainda com uma interrogação exigente nos olhos.
_ É só o Embry, Leah. Está na hora de sua ronda, pode ir. – Jacob lhe falou. A loba não pareceu ter gostado muito. Com uma careta ela se afastou.
            Jacob olhou para o antigo melhor amigo sem graça. Por onde começar?
_ Eu ainda acho que você merece um troféu por amolecê-la. – Disse, apontando o lugar que Leah desapareceu. Foi a primeira coisa que conseguiu dizer. Um começo bem idiota. Mas funcionou: Embry sorriu, quase deu pra ouvir uma parede de gelo se trincar.
_ Às vezes é bem difícil mesmo. Acho que eu merecia um troféu sim…
            Jacob balançou a cabeça. O ego de Embry continuava, como sempre, nas alturas.
_ Certo. Deixa ela escutar isto! – Jacob desafiou.
_ Ela pode escutar. Porque o troféu que eu mereço eu ganho: o sorriso dela… - Jacob ergueu as sobrancelhas. - Ok, antes que você diga alguma coisa, sim, ela também me deixa mole…
            Os dois riram novamente. Outra rachadura na parede de gelo.
_ Eu sei como é… - Jacob pensou alto.
_ E eu sei que você sabe. Deixa eu pensar: experiências próprias com a doutora Black?
_ Pode ser que sim… - Ele respondeu a Embry, ainda mantendo um resquício de sua reserva habitual. Mas a resposta daquela pergunta era mais do que clara, era transparente.
_ É… bom, o que você… o que seria que… o que você queria me falar? – Embry perguntou gaguejando.
_ Você já arrumou um emprego Embry? – Jacob resolveu não enrolar mais. Foi direto em sua pergunta.
_ Bom, não um fixo, fixo… Ando fazendo contabilidade pra algumas lojas de Forks e da aldeia também. Mas são bicos, que se encaixam nos meus… horários. – Ele respondeu, estranhando a pergunta.
_ Sei. – Jacob falou pensativo.
_ Por quê?
_ Bom, é que… é… eu estive pensando que você poderia… - Agora foi a vez de Jacob gaguejar, fazendo Embry estranhar mais. Ele resolveu começar aquele assunto de outro jeito. – Como você sabe, eu também estou sem emprego. Só que eu não posso ficar assim muito tempo. Recebi uma proposta de uns chineses, antigos clientes da fabrica que eu trabalhava em Seattle, e resolvi investir em um negócio…
            Jacob olhou para Embry e ele lhe mirava completamente confuso. Ele bufou e prosseguiu.
_ Eu não pensei nisto de primeira porque a área de Forks não é muito rentável para o ramo. E eu não queria me afastar de La Push para trabalhar de novo. Mas com a proposta dos chineses, é mais garantido de dar certo se eu abrir uma oficina especializada em tuning de carros. Só que, com a matilha, eu não posso dar conta de tudo em um negócio meu, então… eu precisaria de ajuda para isto… principalmente na parte burocrática… - Jacob parou de falar e deixou a frase solta, para que Embry captasse sua proposta embutida no discurso.
            Este parou e franziu o cenho, logo depois colocou a mão no queixo e esfregou. A demora estava começando a irritar Jacob.
_ Você acaso está propondo que eu trabalhe com você? – Embry finalmente respondeu, parecendo incrédulo.
_ Não Embry… - A expressão de Embry ficou ainda mais confusa. – Na verdade, eu estou querendo lhe propor uma sociedade.
            O queixo de Embry imediatamente caiu, seu coração dando um salto vertiginoso de espanto.
_ O que? – Agora sim, ele estava completamente incrédulo. Sua cara era a mesma de alguém que estava prestes a se beliscar para conferir se estava sonhando. – Mas eu não tenho um tustão pra isto! Não tenho nem onde cair morto… e o que eu entendo de carros são só as coisas que você e eu e o Quil fazíamos há anos na garagem da sua casa… digo da garagem da casa do Billy… E … e … como assim? – Ele falava como uma matraca.
_ Posso falar agora? – Jacob perguntou quando Embry parou pra tomar fôlego.
_ Pode…
_ Eu nunca tive despesas muito altas durante os anos que eu trabalhei em Seattle, exceto com roupas… - Embry maneou a cabeça, roupas eram sempre um problema para homens lobos, uma vez que eles estão em constante ameaça de arrebentá-las em uma transformação. – Enfim, a empresa pagava bem e deu pra juntar uma boa quantia, além do mais, meu acerto foi maior do que eu esperava. – Sim, a ameaça que Jacob fizera a Rick Manson surtiu bons lucros no pagamento de suas contas. – Eu também pretendo trocar meu carro por uma moto se precisar, é mais econômica e assim sobra um bom dinheiro do carro.
_ Realmente Jacob, seu carro… Uulll… é um sonho de consumo pra qualquer cara. Você transformou ele numa máquina! – Embry se recostou em um paredão de pedras próximo a Jacob.
_ Então, ele rende uma boa grana. Enfim, eu tenho dinheiro pra começar bem. Você precisaria entrar nesta sociedade cuidando de todas as partes mais burocráticas, administrativas… hãm… financeiras. Eu entraria com o dinheiro e com a mão de obra, entendeu? – Jacob perguntou, dando uma entonação clara de: “você é uma besta se não aceitar”.
_ É serio isto? Você disse sociedade?
                        Ele voltou a questionar, fazendo Jacob revirar os olhos.
_ Eu tenho cara de um piadista?
_ Tá mais pra índio canibal nos últimos tempos. – Embry respondeu. Jacob segurou o riso. Ótimo: não importava a idade que Embry tivesse, ele teria sempre aquele espírito brincalhão. – Vamos com calma, deixa eu me organizar um momento… - Ele disse, abaixando a cabeça, sua expressão aos poucos ficando compenetrada.
            Jacob cruzou os braços esperando. Embry agora havia deixado suas brincadeiras de lado para pensar como um profissional de sua área. Começou a analisar todas as possibilidades daquele possível empreendimento. Ele não conhecia os tais chineses que Jacob disse ser garantia de lucro. Logo, o que pesou mais, acabou sendo a confiança que ele ainda tinha em Jacob.
_ Parece uma proposta valiosa. – Ele finalmente disse.
_ Isso quer dizer que aceita? – Jacob indagou.
_ Sim, eu aceito. Algo me diz que isto vai dar certo.
_ Algo também me diz isto. – Jacob respondeu. As mãos dos dois se encontraram no ar com um estalo ruidoso, selando a parceria.
_ Valeu cara!  - Embry disse, ainda segurando a mão de Jacob, coisa que há tempos não acontecia.
_ Era o mínimo que eu poderia fazer. Não me esqueci que eu te fiz perder um grande emprego.
            Embry nada disse, apenas sorriu com fervor.
_ Bom, se você quer saber, eu também não esquecia disto cada vez que olhava pra minha carteira. _ Jacob sorriu, mas ainda desconfortável com a situação. – Mas se esta sua idéia for boa, acho que vai compensar, não?
_ Espero que sim. – Jacob respondeu.
_ Então, agora… eu preciso saber o que exatamente você tem em mente. Quero saber os detalhes! – Embry de repente pareceu ávido. Jacob tinha a impressão de que se ele colocasse todas as contas de uma empresa com seis meses de atraso ele faria a contabilidade em dois segundos, dada a empolgação. Leah tinha razão, ele gostava daquilo, se dedicaria com toda certeza.
_ Hoje não. Teremos tempo. Não sei se você vai gostar desta parte, mas nós vamos nos ver com muito mais freqüência que o comum daqui pra frente.
_ Bom, eu preferia algo mais feminino e bonitinho pra aturar, massss… são ócios do ofício, fazer o que? – Ele deu de ombros.
_ To começando a me arrepender da proposta…
_ Ok, parei! – Embry elevou as mãos. – Vou te liberar pra voltar pra agora chefe… digo sócio!
_ O que? Voltar? – Estava tão claro que ele queria ver ?
_ Jacob! Você olhou naquela direção… - Embry apontou a construção que se elevava nos penhascos. – Umas quinhentas vezes, no mínimo.
            Jacob coçou a cabeça, nem ele tinha se dado conta disto. Foi algo completamente involuntário. Mas porque negar? Ele realmente queria ir vê-la.
_ Certo… então eu vou…
_ Vai lá! Mas… espera!
_ O que foi? – Jacob perguntou. O que mais ele iria querer saber?
_ É bom te ter de volta Jake! – Foi só o que ele disse antes de virar as costas e sair saltando veloz as pedras escorregadias que circundavam o local.
 

CAPÍTULO 25
O GAROTO VAMPIRO
            
           Nos dias que se passaram naquela semana de folga, conheceu uma nova maneira de viver seu dia-a-dia. Embry de repente passou a visitar sua casa constantemente, mais até do que a própria Leah. Ele estava numa empolgação contagiante a respeito do novo negócio que ele e Jacob abririam, depois do casamento tão aguardado de La Push. Ele e Jacob foram ficando cada vez mais próximos e, segundo Leah, reconstruíam o que um dia havia se perdido entre os dois.
            Leah sempre ia pra casa de depois do trabalho, então quase sempre havia um jantar de ‘casais’ entre eles. A conversa girava em torno da reforma do pavilhão que Jacob havia comprado entre Forks e La Push, nas contabilidades entre capital de giro para o primeiro ano, a primeira compra de peças, o perfil dos investidores e clientes, e carros, carros e carros… Leah e ficavam de canto, rindo da empolgação dos dois.
            Mas quando Leah não estava lá, quando Embry ia embora, aquela casa não ficava mais silenciosamente densa. Havia-se criado um habito entre os dois moradores. Antes de dormir ia para fora e se sentava na beirada da piscina, colocando os pés na água fria. Desde o dia em que Jacob chegou da reunião com a matilha, quando fez a proposta de sociedade a Embry, ele se sentava ao lado de e os dois simplesmente conversavam.
            Por vezes eram conversas amenas, sem um foco particular demais. chegava a falar da situação do sistema de saúde nos Estados Unidos, discutindo medidas que ela julgava serem necessárias. Ela riu quando viu Jacob cochilar enquanto ela falava dos problemas com o encaminhamento de órgãos de doação, quase caindo na piscina. Mas ele descontou o riso quando ela também cochilou enquanto ele falava das válvulas do motor do ultimo modelo de carro esportivo alemão.
            Outras vezes Jacob fazia o que nunca fez com ninguém, além dos lobos que xeretavam sua mente constantemente. Contava a sua infância, suas brincadeiras no mar de La Push, falava sobre suas irmãs, suas brigas, como elas eram ligadas a mãe. Falou sobre a dura separação de sua família com a morte de sua matriarca. A dor de Billy, sempre disfarçada em um sorriso de trovão. Ambos, tanto Jacob quanto Billy, tentavam ser um para o outro o apoio para suportar a perca, queriam dar a sustentação, queriam disfarçar a dor, mas ambos sofriam. Nestas horas Jacob ficava melancólico, por vezes silenciava-se e ficava bons minutos quieto.
_ Você tinha uma boa relação com seu pai… - lhe disse um dia.
_ Sim, eu tinha…- Jacob suspirou e bateu os pés na água.
_ Coisas assim não se perdem Jacob… pode passar um tempo longe, distante, mas elas não se rompem. Por dentro continua sempre a mesma coisa. – lhe disse mansa. Ele olhou pra ela e sorriu.
“A cada segundo perdido cabia um mundo Jacob, um mundo inteiro de experiências perdidas, um mundo inteiro…” Era o que Quendra havia lhe dito. Jacob sentia, naquele dia, a ausência do tempo longe que passou de seu pai, de sua família.
            Ele também percebia que, aos poucos, deixava sair de dentro de si coisas que nem mesmo ela sabia que guardava.
_ Cada vez que um garoto me cantava na faculdade eu tinha repulsa. Eu nunca acreditei que eles pudessem gostar de mim, talvez tenham gostado, mas eu nunca lhes dei chance para que seguissem em frente. Acho que meu olhar os repelia. – Ela disse uma vez, enquanto contava sobre o tempo que fez seu curso de medicina.
            Outra noite, Jacob não suportou ficar somente sentado ao lado dela enquanto ela fazia mais uma de suas revelações.
_ No começo eu tinha pesadelo todas as noites. Mas eu nunca contava a ninguém, a nenhuma das freiras do orfanato. Mas eu tinha nojo de mim quando eu acordava… era bom ser mais silenciosa que o comum naqueles dias, porque assim eu podia sair do dormitório e ir ao banheiro sem que ninguém me visse. Eu tomava banho por uma hora… chegava a me ferir enquanto me esfregava. Eu me cobria de roupas nos outros dias, para que ninguém visse as marcas. – Quando ela acabou de sussurrar isto, Jacob já a tinha aninhada nos braços, beijando-lhe o topo da cabeça. Ela ficou quieta e dormiu encostada nele e com os pés na água.
            Naquele dia ela teve outro pesadelo. Mas quando se levantou assustada, em um impulso ofegante no meio da noite, já em sua cama, Jacob estava parado a sua frente. Ele lhe beijou mais uma vez a testa e disse:
_ Foi só um sonho ruim… - Na mão dele pendia um cordão dourado, fino e delicado. Ele lhe mostrou e pediu que ela deixasse que o colocasse nela. Havia um pingente pequenino e muito bem elaborado. Era um círculo com desenhos feitos de um fio muito fino de uma espécie de palha dourada.
_ O que é? – Ela perguntou, manuseando o pingente nas mãos.
_ É para você não ter mais sonhos como este… alguém, um dia, me disse que funciona. Mas este pingente eu mesmo fiz e quero que fique com você o tempo inteiro. Chama-se apanhador de sonhos…
_ Posso saber o nome deste alguém que tinha sonhos ruins? – Ela sondou, já de olhos fechados, quase dormindo novamente. Os olhos de Jacob se tornaram mais profundos em um instante fugaz.
_ Não importa o nome desta pessoa… porque ela já não sonha… - Ele sussurrou. – Não sonha, porque não dorme… - Foi a última coisa que ele sussurrou, mas já dormia.
            E funcionava. Ela não teve mais sonhos, dormiu tranquilamente nos dois últimos dias que restavam de sua folga. E depois, quando voltou a trabalhar, também não havia pesadelos.
            descobriu que Jacob não gostava muito de saber os detalhes de sua profissão. Quando ela começava a contar sobre um processo cirúrgico, sobre o corte no crânio, sobre a coloração do cérebro, sobre a textura do tecido cerebral que ela podia sentir melhor que os outros médicos, Jacob fazia caretas e tentava mudar de assunto.
_ Deu certo a cirurgia? – Ele perguntou quando ela só tinha começado a explicar a retirada de um cisto em um paciente.
_ Ora Jacob, você vê coisas muito piores sendo um lobo e dilacerando vampiros com os dentes! – Ela disse risonha.
_ Ok. Mas lá eu estou em ação certo? É diferente…           
_ Ah! Tá! – Ela ainda segurava um riso.
            estava quase inconsciente do fato que Jacob lhe tocava mais que qualquer homem lhe tocara. E de uma maneira como certamente, nenhum homem jamais quis lhe tocar. Ela sorria involuntariamente quando ele lhe acariciava atrás da nuca, esfregando os dedos em seu cabelo. Quando Leah e Embry ficavam conversando com eles após o jantar, se sentava sempre muito próxima de Jacob, porque gostava quando os seus dedos quentes subiam e desciam suavemente pela pele de seu braço.
_ Mas será possível!? – Ela ralhou quando Jacob chegou de surpresa, pegando-a distraída no meio de livros e livros de medicina, e soprou bem atrás de sua orelha.
            Jacob se surpreendeu com a sua própria gargalhada. Mas afinal ele tinha conseguido pegá-la desprevenida e a fez pular da cadeira derrubando três livros no chão. Foi engraçado.
_ Parece criança! – Ela falava brava, enquanto catava seus livros velozmente e caçava as páginas que estava lendo.
_ Ranzinza! – Ele respondeu, cruzando os braços e se sentando na cadeira ao lado dela. voltou a se enfurnar no meio dos livros, com a adorável mania que Jacob percebeu nela: o balançar da perna esquerda e a mão em uma das ondas de seus cabelos, girando-a entre os dedos. Ela sempre lia assim.
_ Você está me desconcentrando. – Ela disse, depois de só alguns segundos.
_ Mas eu estou quieto! – Ele disse, com uma nota de sarcasmo na voz. Ele realmente estava imóvel. Porém imóvel, com os olhos fixos nela, era quase pior do que se ele estivesse fazendo cócegas em sua barriga.
_ Você não tem coisa melhor pra fazer? – Ela perguntou. Jacob já percebia uma certa tensão na voz dela.
_ Não.
_ Tem sim, montar a planilha de custos das peças que Embry lhe pediu.
_ Montar planilha de custos não é uma coisa melhor do que isto. – Ele disse. engoliu em seco.
_ Isto o que? – Ela perguntou, sua voz mais baixa. Se ele fosse lhe dizer o que seu olhar já dizia, ela provavelmente… surtaria. Mas não, ele não teria coragem de lhe dizer, não teria… ele era fechado e turrão e…
_ Olhar você. – É! Ele disse!
_ Só olhar? – Ela perguntou, virando uma página que ela não tinha absorvido uma única palavra. Ok, ela tinha que admitir que provocou com aquela pergunta, mas o problema era que ela queria saber.
_ Sim, só olhar. Já que eu não posso fazer outra coisa…
_ Não pode? – Um limite máximo de provocação. Jacob sorriu insinuante, já havia percebido o ventre contraído de , por baixo da blusa justa.
             Ele se inclinou pra frente, encostando a cabeça no ombro direito dela. A pele dela se arrepiou, a de Jacob também.
_ Eu posso? – Ele sussurrou.
            Neste instante ela fechou os olhos e suspirou.
_ Eu não sei… não sei se eu posso…
            Ele se levantou, afastando-se dela. Mas logo ele estava em pé às costas de sua cadeira. A mão dele foi para a base de seu queixo. Ele ergueu sua mandíbula, curvando a cabeça dela para cima. Com o polegar ele lhe acariciou os seus lábios, deixando um rastro quente e formigante.
            Ela fechou os olhos e separou os lábios para logo receber a boca de Jacob pressionando a sua e a língua quente fazendo o mesmo movimento que o polegar dele havia feito.
_ Eu te ajudo a descobrir se pode… – Ele disse, movimentando os lábios em cima dos dela para dizer aquilo, jogando um hálito saboroso em sua língua.
            Ela estremeceu e ele se afastou.
_ Vou montar a planilha de custos. – Ele disse, desaparecendo pela porta.
            abaixou a cabeça e respirou fundo, com alguma dificuldade. Sorriu e balançou a cabeça. Alguns minutos depois ela conseguiu focar as páginas do livro novamente. Mas de repente Jacob entrou em sua biblioteca com o notebook, catálogo de peças, cadernos e papéis nos braços.
_ O que você está fazendo?
_ Vou montar a planilha de custos aqui. – Ele disse, com um meio sorriso sapeca demais. – Unindo o útil ao agradável. – deixou o queixo cair. – Que foi? Não consegue se concentrar?… tsk, tsk, tsk! – Ele disse, balançando a cabeça em um sinal negativo. – Que decepção doutora. Eu consigo.
            bufou e riu ao mesmo tempo, produzindo um som estranho.
_ Black, você é um idiota! – Ela disse, e voltou aos seus livros, tendo que ter muita força de vontade para se concentrar.
            Agora ela estava ali, distraída mexendo na comida a sua frente e pensando nos momentos que ela passava enquanto estava em casa. Sua casa, o lugar que ultimamente, ela adorava retornar.
_ …e eu não agüento mais minha mãe falando que aquele velhote é uma boa pessoa. Onde já se viu? Ela disse que não tem nada com o velho Swan, mas eu conheço dona Sue. Ela fica lá, lambendo ele. Depois de tanto tempo eu pensei que ela tivesse finalmente largado do pé dele… ela diz: ele não sabe se cuidar sozinho e foi amigo do seu pai Leah! E blá, blá, blá… Eu não gosto dele e pronto! Estou errada a respeito disto ? – Leah olhou para a amiga e ela estava com o olhar distante, suspirando melosamente para um pedaço de cenoura. – !
_ Diga Leah. – Ela disse suave.
_ Você não está me escutando de novo!
_ Estou sim!
_ Então do que eu estou falando?
_ Da sua mãe e do tal do Charlie! – respondeu prontamente. Não era difícil saber daquilo, ultimamente tem sido o foco das reclamações de Leah. A loba fez uma careta. – Sinceramente Lee, eu não sei porque você tem tanta implicância com aquele pobre homem. Ele não me pareceu tão mal, estes dias ele pensou que eu tava com problemas com o pneu do carro e se ofereceu prontamente para me ajudar. Muito gentil. – estava realmente com o pneu furado aquele dia, mas ela já havia trocado sem fazer o mínimo esforço. Quando o chefe Swan parou para lhe oferecer ajuda ela já estava guardando o pneu velho, fingindo alguma dificuldade.
            Leah fez outra careta.
_ Eu não gosto dele.
_ Por que motivo? Francamente, eu andei sondando coisas sobre ele de tanto você falar.
_ O que você fez? Tá maluca! Você não pode fazer isto! – Leah pensou assustada: E se descobrisse alguma coisa sobre a “vampira-estraga-vida-Swan”?
_ Por que não? Ora Leah, ele foi amigo do seu pai, o Seth me disse que ele é boa pessoa e…
_ O Seth é um bobo! Ela vê tudo de bom em tudo de ruim. – Leah disse, logo enfiando um pedaço generoso de carne na boca.
_ E ele foi amigo de Billy também! Agora nisto eu achei estranho, Billy ficou desconfortável quando eu perguntei porque ele e Charlie não estavam mais tão próximos… - Leah engoliu o bolo de carne em seco. estreitou os olhos. – Qual o verdadeiro motivo da sua implicância Leah Clearwater?
_ Nada, nada , eu sou infantil mesmo. Estou com ciúme de minha mãe, é isto! – percebeu Leah mudar de assunto. – Vamos acabar logo de comer e sair deste restaurante antes que o prazo de meu almoço vença e eu não consiga ir com você visitar o pavilhão. Embry me mataria, faz tempo que eu estou prometendo que vou e não vou.
_ Não vou comer mais, se você já terminou a gente já pode ir. – disse, ainda com voz desconfiada.
_ Vai pedindo a conta então. – Leah lhe respondeu, com os olhos baixos. Ela não devia ter entrado naquele assunto, era sensitiva demais.
            afirmou com a cabeça e procurou no balcão do restaurante pequeno e charmoso, um garçom. Era o Salty. Não demorou ela encontrou o sorriso brando e acolhedor da dona do restaurante. Angela Cheney saiu do balcão acariciando sua barriga já avantajada no quinto mês de gestação e se encaminhou para a mesa das duas.
_ Mais alguma coisa meninas? – Ela perguntou, com sua voz meiga de sempre.
_ Não Angela, na verdade nós só queríamos a conta. Pode ver pra nós? – Leah falou. Angela fez um sinal para o funcionário que estava no caixa.
_ Só isto mesmo? – Ela perguntou solícita.
_ Não. Senhora Angela, quando é que você vai parar de andar neste restaurante? Você é a dona, não precisa ficar aqui com esta barriga, trabalhando e inchando os pés. – disse risonha, acariciando a barriga de Angela.
_ Ah doutora. O Ben fala a mesma coisa, mas eu canso de ficar parada em casa, prefiro vir aqui. Além do mais eu não faço nada pesado, porque ele não deixa sabe? – sorriu para a mulher, cuja beleza suave havia ficado mais resplandecente com a maternidade.
­_ E como estão as coisas com este garotão? – Ela perguntou. Leah balançou a cabeça com a mania de médica que ela dizia que tinha.
_ Melhor não poderia estar. – Ela disse, sorridente. – Já volto com a conta de vocês, tudo bem?
            Ela se afastou e desviou seu olhar para a televisão na parede do restaurante. Um rosto lhe chamou a atenção. Leah observou a cor de se esvair de seu rosto aos poucos.
_ … ele era um bom menino. Trabalhava de voluntário no orfanato, as crianças adoravam ele. Eu não sei o que pensar, ele não seria deste tipo de garoto que fugiria por besteira, nem nada. Era da escola pra casa, da casa para o orfanato e do orfanato pra casa de novo, e só! Ele desapareceu e deixou um grande buraco por aqui. Tudo que nós queremos é que o Henrique seja encontrado logo, aquele garoto enchia de luz onde quer que estivesse. – Uma mulher ruiva de meia idade dava seu depoimento choroso para a repórter do telejornal.
_ Henrique Soull tinha dezessete anos e estudava no colégio central de Seattle. Ele desapareceu há quinze dias, segundo a polícia, após sair do orfanato Wateerom durante a noite de segunda-feira. Seus familiares se encontram em desespero por notícias do garoto que…
            Enquanto a repórter narrava detalhes do desaparecimento do garoto, fotos dele apareciam na tela, brincando com crianças pequenas, ao lado de uma moça jovem e bonita - provavelmente a namorada - junto da família, ganhando prêmios no colégio. olhou bem para a face negra daquele garoto e estremeceu. Sua mente se turvava com o rosto dele, parecendo mais pálido, os olhos negros transfigurados em um vermelho pulsante, os dentes, insuportavelmente brancos e alinhados, e os traços, mais nítidos e perfeitos, contorcidos em uma expressão de pavor. Um vampiro! tinha certeza que ele havia se tornado um vampiro, pois era aquilo que ela via.
“_ Pelo amor de Deus, não façam nada comigo. Me ajudem, eu não quero ser quem eu sou. Eu não quero ser isto que eu me tornei… - via um Henrique vampiro acuado no meio de enormes criaturas que rosnavam para ele. Tomava conta da mente de um outro pensamento, não era seu.
_ Desde quando sanguessugas imploram por Deus? – Era um pensamento feminino e arrastado. Raiva e asco impregnavam-no.
_ Não quer ser um sanguessuga? Mas ele matou, olha a cor dos olhos deste maldito! Ele deve ter se fartado de sangue humano há pouco tempo! – Outro pensamento raivoso dizia, acompanhado de um uivo amedrontador.
_ Acabe com isto Leah! – Aquele era um pensamento rígido e imponderável. A força daquele dizer telepático causava uma forte influência para o corpo daquelas criaturas. Uma loba cinza se aproximou perigosamente do vampiro que um dia tinha sido um bom humano.
­_ Não! Por favor, não, eu sei que vocês podem me entender, eu sei, eu sinto! Me ajudem, eu faço qualquer coisa pra voltar a ser o que eu era… eu não quero isto. – A voz cristalina e perfeita do jovem vampiro implorava. queria implorar com ele, mas não tinha controle sob aquilo que via.
_ Não há volta para isto, vampiro. – O pensamento feminino soou definitivo. A boca da loba se abriu velozmente e abocanhou o pescoço de granizo, trincando-o e fazendo proliferar o cheiro agressivamente doce.  As outras criaturas abocanharam os outros membros.
            O vampiro Henrique foi dilacerado sob as vistas de .”
_ , pelo amor de Deus, fale alguma coisa! – Leah sacudia o rosto pálido e de olhos vidrados de sem saber mais o que fazer. A mulher parecia em choque, rígida feito um pedaço de madeira.
            piscou. Depois olhou para a televisão, apontando o fim da reportagem com o garoto, havia uma foto dele no canto da tela.
_ Você o matou! – Ela sussurrou somente para Leah ouvir. Só então Leah olhou para a TV, vislumbrando a foto do jovem. Sua mente trabalhou buscando aqueles traços em sua memória. Encontrou. Há uma semana eles, os lobos, haviam encontrado aquele sanguessuga nos arredores de Forks e Jacob lhe deu a ordem para que o matasse.
            Um arrepio passou por todo o corpo da loba e ela olhou espantada para a amiga.
_ Está tudo bem. Ela vai ficar bem, nós precisamos ir. – Leah disse para as pessoas que rodeavam a mesa delas.
_ Leah, leve ela lá pra dentro! Ela está sem cor! – Angela disse preocupada.
_ Está tudo bem! Eu vou levar ela pra casa. – Leah passou os braços ao redor do corpo de como se a apoiasse e a levantou, mantendo o peso dela, disfarçadamente, em seus braços. lhe olhava estranhamente e Leah ainda tinha o coração acelerado com o que ela havia dito.
            Leah saiu com do restaurante às pressas, esquecendo até de pegar o troco da conta que pagou apressada.
_ Me solta, eu posso andar! – disse, se desvencilhando de Leah. Ela entrou no carro e bateu a porta, esperando Leah entrar do outro lado.
            Leah entrou e acelerou seu carro ainda muda, sem conseguir dizer uma única palavra. O que era aquilo? Como sabia que ela tinha matado aquele garoto? Não, não, ela não matou o garoto, ela destruiu um vampiro, um maldito vampiro!
_ Vocês mataram o vampiro que ele era.  – sussurrou sinistramente, parecendo em transe com seus olhos fechados. – Mas também mataram o humano que ele foi. – Leah segurou firme a direção, quase quebrando o volante.
_ C-como? … Como você sabe que nós… que eu… que aquele da reportagem era… o vampiro que nós matamos? – Leah concluiu a frase com dificuldade, completamente confusa com a cena que tinha presenciado. Será que Jacob havia contado a ela? Mas como ela havia reconhecido o garoto da televisão?
            não respondeu, ficou quieta, respirando profundamente. Nem ela sabia a resposta para aquela pergunta. Ela não fazia a mínima idéia de como tinha visto aquilo, de como tinha tanta certeza de que aquilo era verdade e nem porque tinha sentido compaixão por um vampiro, seu pior pesadelo, seu predador natural. Inimigo, portanto.
            Mas o que via era o humano Henrique. Ela não queria que a alma boa, que ela tinha certeza que o garoto tinha, tivesse se perdido. Ela via resquícios do coração humano do jovem na lembrança daqueles apavorantes olhos vermelhos. Um dia ele tinha sido humano, amou e foi amado por sua família, amigos. Ele fazia falta para alguém. E estava morto. Destruído porque se tornara um vampiro, cuja imortalidade lhe foi dada por um instante fugaz. Imortalidade que não era garantia de eternidade.
_ Ele era um vampiro ! Um vampiro que vive para matar humanos inocentes! – Leah disse.
_ Humanos inocentes como ele um dia foi. Ele se tornou vampiro porque um outro vampiro miserável transformou a sua vida humana, inocente, em algo abominável. É este vampiro que vocês têm que matar! – disse raivosa.
            Leah parou o carro bruscamente.
_ Que merda é esta ? Como você sabe disso? Como você sabe?! – Leah gritou.
_ Não sei! – A morena sussurrou, colocando as mãos no rosto em desespero.
            As duas ficaram quietas, acalmando suas respirações.
_ Você não vai contar nada disto a ninguém, ouviu Leah? – disse, depois de alguns minutos.
_ O que? Como não? Jacob precisa saber, nós precisamos saber o que foi isto…
_ Muito menos para o Jacob! Você vai esquecer tudo isto Leah, não vai se lembrar de nada!
_ Eu não posso merda! Eu não posso esconder qualquer coisa da mente do meu Alpha! Ele sente minhas emoções, mesmo que eu desviasse meus pensamentos, ele sentiria minha perturbação e iria me incitar a dizer, a mostrar e eu não posso fugir disto. – A loba ainda estava pasmada com tudo aquilo, não sabia o que pensar, não fazia conjecturas sob o que poderia ser aquele rompante de .
_ Ele não vai descobrir, você não vai mostrar isto a nenhum dos lobos! Se você realmente quiser, ninguém vai desconfiar. – A voz de de repente ficou mais grave. Ela sentiu algo estranho sair de dentro de si e impregnar o tom da sua voz. Mas ela sabia com aquilo que Leah iria conseguir fazer o que ela havia dito, de alguma forma, ela conseguiria.
            Leah também sentiu aquilo. Ela não diria nada a ninguém, tão pouco revelaria aquele pensamento.
_ Quem é você? – Leah sussurrou, olhando de esguelha para a mulher de postura rígida ao seu lado, com os olhos fixos na paisagem da estrada vazia. – O que é você?  - Ela sussurrou novamente, era mais um pensamento em voz alta, um pressentimento estranho sobre a amiga.
            respirou fundo e relaxou. Seus olhos tornaram-se novamente cálidos e naturais. Ela sorriu e disse:
_ Eu sou Black, Lee. Sou só uma humana um pouco sensitiva. Agora vamos, Jacob e Embry estão nos esperando e nós temos só uma hora ainda.
            Leah encarou por um instante e com mãos tremulas, voltou a ligar o carro para partirem ao encontro de seus homens.


N/A: ATENÇÃO>> A seguir conteúdo altamente inflamável. Mantenha fora das vistas de crianças, de fósforos ou qualquer fonte de energia. Tenha próximo de si extintor de incêndio, mangueira hidráulica ou gelo.
Boa leitura, ou melhor, degustem este "vinho"! 

CAPÍTULO 26
PELE E VINHO


“A boca busca o vinho e esse, a taça.
 A taça quis o vinho, a mão e a boca.
 A boca na taça, o vinho na boca. 
A mão conduz, o vinho escorrega e a alma agradece…
O vinho é um composto mágico: 
mata a sede, mata a vontade, mata a saudade. 
Faz nascer o calor, acende a paixão, desperta o amor.
 Traz luz para a vida, sabedoria, bom gosto, desejo.
 Alegra a mesa, acorda o homem, solta a mulher…”
(Carolina Salcides)



            A futura B&C Car’s ficava a 500 metros a frente do cruzamento da Estrada 101 com a La Push Road. O pavilhão retangular era espaçoso, porém estava abandonado a um bom tempo. Sua pintura estava desgastada e o teto danificado. Não havia repartições, salas ou andares, tudo isto estava sendo construído em seu interior.
            Jacob e Embry espremeram o orçamento para a grandiosa reforma, mas acabaram chamando uma construtora de Seattle para fazer as modificações necessárias. Eles estavam trabalhando naquilo há duas semanas e, apesar de tudo estar um amontoado de poeira e entulho, Embry insistia para que tanto Leah, quanto , fossem visitar o lugar porque: “A opinião feminina sempre é importante!”. Era o que ele dizia.
            Muitos garotos de La Push trabalhariam com Jacob, segundo Embry, era mais barato e lucrativo ensinar os garotos na profissão do que contratar só profissionais experientes. Haveria alguns, claro, antigos colegas de Jacob que aceitaram sair da mesma fábrica de Seattle para trabalhar  na nova empresa por um salário idêntico. Todos confiavam em Jacob e este andava tenso nos últimos dias, sentia o peso de tudo aquilo em suas costas. Ele teve que admitir que Embry foi de grandíssima ajuda para dividir toda aquela responsabilidade.
            e Leah desceram quietas do carro. A loba ainda se sentia arredia em relação ao “mal-estar” de no restaurante. Porém a cor dela já estava mais normal, e a expressão absolutamente natural.
_ Vocês demoraram! Pensei que iam nos dar o bolo de novo! – Embry disse, vindo encontrar com as duas. Ele estava sujo com resíduos da construção, o barulho de marteladas e máquinas estava forte lá dentro.
_ Eu vim conhecer esta balburdia, não é? – Leah disse, fingindo tapar os ouvidos para o barulho da reforma.
_Você está bem? – Embry perguntou, estreitando os olhos para a namorada. Ela parecia incomodada com algo.
_ Estou sim. – Ela disse evasiva, logo entrando no pavilhão e levando e Embry atrás dela.
_ Roupa branca aqui não vai dar muito certo . Nem estes seus saltos aí!
              riu para Embry, os saltos não eram o mínimo problema pra ela.
_ Leah também esta com um salto Sr. Call! – Ela cantarolou, com voz leve. Leah olhou para trás, em direção a ela. A voz da amiga já estava suave, nem sombra da densidade e revolta que estava impregnada em seu falar momentos atrás. Ela fingia bem, muito bem.
_ Ora ! Você sabe muito bem como é o senso de equilíbrio da minha loba não é? – Embry disse, piscando e logo depois dando um beijo no pescoço de Leah, fazendo-a sorrir.
_ Não se preocupe comigo. – Naquele momento saltou um amontoado de entulho sem vacilar um milímetro. – Eu também consigo.
            Embry ergueu a sobrancelha e elevou as mãos em sinal de rendição. Depois passou a mostrar tudo como se já estivesse pronto. Mostrava a sala de administração, o espaço de pintura e funilaria, a garagem dos carros para serem reformados, a garagem dos carros já prontos. Estava mais empolgado porque eles já tinham pego uma grande encomenda com os tais chineses que Jacob fez contato. Os carros zerados e “crus”, como ele dizia, o que queria dizer sem nenhuma modificação, iriam chegar dali a 50 dias, tempo exato para o término da reforma.
            olhava tudo e sorria, mas Embry percebia que ela caçava Jacob com os olhos por todos os lugares. também aguçou o olfato para sentir o cheiro dele em meio aos odores de cimento e cal. Sentia a constante eletricidade em seus pelos de quando sabia que ele estava perto, em algum lugar. Em um momento ou outro ela sabia que ele estava muito próximo dela, mas não o via em lugar algum. Percebeu Embry rindo disfarçadamente enquanto a olhava, com Leah confusa ao lado dele. queria perguntar para ele onde Jacob estava, mas tinha quase certeza que ele esperava por aquilo e então não disse nada.
            Jacob a via, mas ela não o via. Ele sempre arrumava um lugar para se esconder e observá-la sentir sua presença perto. Ele tinha que admitir que era delicioso ver que ela o procurava, em seu orgulho fechado de não admitir aquilo. Mas houve um momento que ela parou na plataforma que estava sendo construída, colocando as mãos na cintura e ficando acima de muitos trabalhadores da construção. Jacob não gostou nada, nada do olhar que eles dirigiam a ela.
            Ele tentava se conter em seus impulsos, mas ela estava sexy, muito sexy. Ele não dizia e não procurava demonstrar, mas adorava o jeito que ela voltava do hospital, vestida como estava naquele momento. Seu cabelo preso em um coque frouxo com a franja deixada de lado; a saia, modelo secretária, clara e justa, assentando perfeitamente em seu quadril e em suas coxas; a camisa banca, quase transparente, colocada por dentro do cós alto da saia que escondia seus seios de um jeito provocante.
            Ele desistiu de se esconder e sorrateiramente saiu de onde estava, se aproximando dela pelas costas. Ela percebeu, seus pelos da nuca se levantaram: ele chegava perto, mais perto até que…
_ Gostou? – Ele perguntou, já junto a sua orelha, circundando o braço pela cintura dela e dando um beijo em sua bochecha.
_ Sim, claro. – Ela disse, se afastando precavidamente do abraço de Jacob.
            Ele estava, tal como Embry, com resíduos de construção na roupa, que era só uma calça jeans e uma camiseta branca, que já estava impregnada com o cheiro de seu suor.
_ Está tudo maravilhoso. Gostei bastante daquele monte de vigas ali. – Leah disse irônica. Jacob, e Embry rolaram os olhos. – É serio! – Ela disse, rindo.  Mas seus olhos ainda vacilavam para a amiga. percebeu e achava melhor que ela fosse embora antes que Jacob percebesse algo. Sabia que a índia precisava de tempo para digerir o que sua amiga, aparentemente humana, havia passado.
            olhou para Leah com um recado de “disfarça” nos olhos e ela captou rapidamente.
_ Bom, meu horário de almoço já acabou! Tenho que ir agora. A gente se vê mais tarde? – Ela perguntou, olhando para Embry.
_ Claro. – Ele sorriu e a beijou com vontade. sorria enquanto olhava os dois, mas Jacob pigarreou.
_ Ei cara, faz isto você também! – Embry reclamou e foi puxando Leah para mais um beijo. Ela sorriu e finalmente percebeu  que o receio que havia nos olhos de Leah desde quando saíram do restaurante, desapareceu. Ela se perdeu nos braços de Embry.
_ Vamos sair de fininho… - Ela sussurrou para Jacob, enquanto o empurrava para longe.  – Tchau Lee… - Disse, sabendo que ela tinha escutado, embora não parecesse.
            Mesmo depois de estarem a um bom tempo andando para longe do “casal ternura”, continuou conduzindo Jacob, empurrando-o com as mãos em sua cintura.
_ Acho que não vamos ter companhia para o jantar de hoje. Aqueles dois parecem que vão longe. – disse, olhando para trás.
_ Eu não queria companhia pra hoje mesmo.– Jacob disse, enquanto mirava tensamente os homens que acompanhavam com olhar cobiçoso o balançar dos quadris de .
_ Qual é? Embry é uma boa companhia, garantia de boas risadas. – disse, lembrando das piadas constantes de Embry.
_ Já fico tempo demais com o Embry. – Jacob respondeu carrancudo.
_ Ah, sei… Eu acho que isto aqui vai ficar realmente muito bom. Todos de Forks estão alvoroçados, inclusive os policiais. – comentou, enquanto parava e olhava ao redor.
_ Como assim: os policiais? – Jacob perguntou, se aproximando dela.
_ O chefe Swan comentou alguma coisa como: “seu marido vai acabar espalhando carros para corridas aqui em Forks. Isto é igual a rachas…”
_ Você anda conversando com Charlie? – Jacob perguntou abruptamente, com olhos estreitos. Há tempos não ouvia a voz dele com aquela carga. Estranhou.
            Ela se virou para ele lentamente e apenas ergueu a sobrancelha. Em outros tempos ela diria a ele que não era de sua conta com quem ela conversava. Mas os ânimos entre os dois eram outros, ela não tinha mais disposição para dizer aquilo a ele.
_ Não muito. Apenas o natural para pessoas que se encontram em uma cidade pequena como Forks. Não vejo motivos para não falar com ele, já que eu ainda não compreendo e nem compartilho da indisposição que o pessoal de La Push parece ter com ele.
            Jacob cruzou os braços e apertou os lábios. Ela olhava para Jacob com olhos perspicazes. Era óbvio que ela sondava sua reação, era esperta, sensitiva. Mas Jacob ainda não se sentia confortável diante daquele assunto.
_ Entendo. – Foi só o que ele respondeu.
_ Tem taxi por aqui? – Ela lhe perguntou.
_ Taxi?
_ É. Eu vim de carona com Leah, estou sem carro pra ir pra casa. – Jacob sorriu para ela.
_ Eu sei disso, mas eu estou dizendo que taxi em Forks é artigo de raridade. – Ele disse, com voz debochada.
_ Ah! É mesmo! Esqueci disto.  – se aproximou do ouvido de Jacob para segredar a próxima frase. – Acha que é mal eu ir correndo? – Ela lhe soprou. Não era necessário, mas Jacob continuou com o jogo de segredos, sussurrando sua resposta no ouvido dela.
_ É claro que é mal. Os lobos estão mais atentos a qualquer coisa, esqueceu? – se afastou, com uma espécie de biquinho nos lábios, fingindo manha. – Você não vai voltar para o hospital, certo?
            balançou a cabeça em negativa. Doutor Hanson ainda estava de olho nas jornadas de trabalho de , por isto tinha cortado grande parte de seus plantões.
_ Então pode me esperar aqui? Eu te levo pra casa, não vou demorar muito.
_ O quanto é o seu “não vou demorar muito”? – Ela perguntou, brincando com uma pedra de areia.
_ Umas duas horas, mais ou menos.
_ Eu posso ir a pé mais rápido que isto. – Ela soltou, sorrindo. – Mas eu espero, não tenho nada melhor pra fazer mesmo. – Disse, dando de ombros.
_ Vou ter que lhe deixar aqui. Me espera e… cuidado com estes caras aí! – Ele disse, apontando um grupo de homens que desviou o olhar de assim que Jacob olhou pra eles. Ela riu e bateu continência.
_ Sim senhor! – Jacob sorriu uma vez mais e, de surpresa a pegou nos braços, cercando-a em meio ao cheiro almiscarado de seu suor. – Jacob… - Ela disse, em tom de sobreaviso para ele, mas os dedos quentes lhe taparam os lábios para que ela não dissesse mais nada.
_ Está ouvindo sua própria pulsação acelerada ? – Jacob sussurrou, colocando a mão no colo dela, por dentro dos botões abertos de sua camisa, perto demais de seus seios.
_ O que tem ela? – Ela perguntou, com voz falha.
_ É um sinal… - Ele se aproximou mais dela, encostou o seu rosto na testa dela, esfregou seus lábios ferventes nas maças do rosto dela.
_ Sinal de que…? – Ela perguntou. Mas já sabia a resposta. Era ansiedade, ela queria, queria Jacob.
            Ele só lhe sorriu, como se dissesse “disso”, e logo veio com seus lábios comprimir sua boca, apertando sua cintura e a trazendo pra perto de seu calor tão aconchegante.
_ Ja…ke… - Ela murmurou pra ele. Mas Jacob colocou sua língua em ação acariciando os lábios dela. Ele sentiu as pernas dela amolecerem e a pegou com mais firmeza, colocando uma mão na nuca de , fazendo o costumeiro carinho em seus cabelos e afagando suas costas com a delicadeza contrastante com a intensidade voraz de seu beijo. Ela deixava, permitia que ele a beijasse, como Leah, ela se perdia nos braços daquele que lhe tomava a boca.
_ Eu gosto tanto disto… - Ele disse, separando as bocas minimamente, ainda roçando seus lábios pra lá e pra cá nos dela. conteve o movimento dele, segurando seu rosto com as mãos.
_ Eu também gosto. – Foi o que ela disse, para jubilo do homem lobo. Rendida, ela lhe ofereceu os lábios, deixando-se ser tocada, procurando apenas sentir ao invés de resistir. A língua tão boa se enroscava na de e ela sentia necessidade de sugá-la. E assim o fez.
            Mas Jacob parou após alguns instantes. Seu olhar ficou compenetrado de repente, ele começou a brincar com sua franja, sem soltar de seu aperto, no entanto.
_ Não houve mais nenhuma. – Ele disse, como que receoso, mas fixando seu olhar no dela.
_ O que? – Ela disse, sem entender. Jacob parecia desconfortável com algo.
_ Não houve mais nenhuma mulher em minha vida desde que viemos para La Push juntos.
            O estomago de pareceu despencar das alturas. Por que ele lhe falava aquilo logo agora?
_ Por quê? Elas podem te dar o que eu não… o que eu não posso… - disse, empurrando Jacob e, abaixando os olhos, virou-lhe as costas.
            Ela ouviu a respiração de Jacob e logo depois sentiu as mãos dele em seus ombros. Ela permaneceu imóvel. Mas Jacob insistiu, a virando para ele novamente.
_ Não . Elas não podem… elas nunca puderam me dar o que você pode… - Ele deu um beijo rápido em seus lábios e saiu apressado para o meio da obra, que voltou a fazer barulho de repente.
            se encostou entorpecida em uma parede empoeirada. Sentiu um arrepio lhe inquietar o espírito com o que Jacob havia dito.  Ela olhou ao redor e percebeu alguns homens com olhar fixo nela. Se levantou e fez cara feia. Eles desviaram a atenção se atrapalhando ao voltar para o trabalho.
            As duas horas seguintes ela passou andando sem nada ver no lado de fora do pavilhão, seu pensamento vazio e o peito leve. Esqueceu de tudo que poderia lhe trazer uma agonia por dentro, até mesmo do recente episódio no Salty.
             Na hora de ir embora, Jacob a encontrou encostada em uma caçamba de entulho com uma das mãos enfiada nos cabelos, olhando perdida para o meio das árvores a sua frente. Assim que ela o viu, sorriu sem jeito, tendo a bochecha mais corada conforme o encarava. Jacob retribuiu o sorriso.
_ Do jeito que está, a obra vai ficar pronta antes do esperado. Acho melhor mesmo agente ficar por perto, assim estes caras não enrolam. Se deixar eles demoram um ano pra fazer isto aqui. – Embry tagarelava ao lado de Jacob.
_ Certo. – Jacob respondeu distraído, enquanto observava caminhar lentamente para perto deles.
_ Certo? – Embry questiona, mas logo bufa ao ver o sorriso cativante de e os olhos dela tragando Jacob. Embry de repente pula na frente de quebrando o “encanto” e fazendo a cara de Jacob voltar a ser carrancuda novamente. – Agora ele presta a atenção em mim. – Ele sussurrou para , fazendo-a rir.
_ Muito engraçado senhor Embry! Escuta: não se esquece de avisar aos garotos que faremos uma reunião sobre o trabalho aqui da oficina, amanhã cedo, na minha casa! A gente aproveita e conversa as coisas da matilha também. As novas transformações já estão começando. Parece que Leah não vai ser mais a única loba da matilha.
_ To sabendo. Julie Kannã, não é?
_ Ela mesma.
_ Mais uma loba? – perguntou.
_ Até onde sabemos, sim. – Jacob respondeu, mais sério em se tratar de um assunto daqueles. – Vamos? – Ele perguntou a , indo em direção a sua recém adquirida moto, que foi trocada pelo carro devido o seu valor inferior. Tudo para sobrar mais dinheiro para injetar na oficina.
            olhou para a moto e riu. Tinha se esquecido que Jacob não tinha mais carro.
_ Jacob! Minha roupa não é muito apropriada para motos! Eu não acredito que te esperei a toa! Vou ter que ir a pé do mesmo jeito.
_ Não ! Você pode ir no meu carro. É antigo, mas de bom gosto. – Embry disse, apontando para seu Oldsmobile 71, em muito bom estado. Jacob havia mexido nele há pouco tempo.
_ Ela vai comigo mesmo Embry. Na roupa a gente dá um jeito. – Jake disse decidido, se aproximando de conforme falava.
_ Ah é? Posso saber como? – ria, desafiando. – Jacob minha saia é justa e meus saltos não se encaixam nos pedais da moto. Eu me vesti hoje só pra atender no consultório e não coloquei nada confortável e … AH!… O QUE VOCÊ FEZ? – Enquanto falava sem parar, Jacob, em um movimento hábil e rápido, se abaixou diante dela e lhe rasgou as laterais da saia. Ela gritou assim que se deu conta do que ele fazia, não acreditando que ele foi capaz.
_ Hummm... realmente adorei o seu toque no “look” de , Jacob. Eu e todo mundo da ala masculina. – Embry disse caçoando, enquanto observava, tombando a cabeça e com a mão no queixo, as coxas morenas que passaram ser exibidas com os rasgos.
            Jacob bufou e elevou uma pasma pela cintura lhe tirando os sapatos dos pés e os tacando em cima de Embry. Este os pegou no ar, gargalhando e perguntando se iria querer seus calçados de volta.
_ Você enlouqueceu Jacob Black? Não cansou de destruir minha roupa? – Ela rugiu furiosa. Jacob sorriu o seu sorriso cheio de deboche e sarcasmo que enlouquecia e a fazia ter vontade de matá-lo… ou de agarrá-lo. O miserável a agarrou pela cintura a aproximando dele em um puxão repentino e, olhando para ela, disse:
_ Não! – Em outro movimento rápido ele prendeu as mãos de nas costas e com a outra soltou o coque que prendia os cabelos castanhos, sacudindo-os e os armando ao deixá-los cair pelas costas. Logo depois arrancou as mangas longas da camisa elegante que ela vestia e, delicadamente, abriu mais um botão da blusa, exibindo assim o sutiã de renda branca.
_ Bom, eu vou sair daqui que o negócio está ficando quente. Fui! – Disse Embry, já dentro do carro, saindo cantando os pneus. olhou para a traseira do carro pensando proferir mil palavrões por Embry ter lhe deixado com aquele louco.
            E ela ainda tinha pensado que Jacob era delicado e gentil?
_ Louco! – Ela vociferou. Jacob se afastou, deixando-a se desprender dele e andar de lado a outro como uma pantera em luta.
_ Pronto. Agora sua roupa está digna de um passeio de moto! Devo dizer que você ficou… linda. – Ele gargalhou, rugiu.
_ IDIOTA! – Ela gritou. Homens que ainda trabalhavam saíram do pavilhão e ficaram estáticos encarando a cena do lado de fora.
            Jacob lhe tacou um capacete enquanto ela lhe xingava e encarava furiosa a platéia masculina que lhe cercava. pegou o capacete boquiaberta.
_ Pra prevenção de acidentes costumam colocar isto quando andam de moto. É um capacete . Conhece? Este é um modelo menos comum. – Jacob continuava a lhe provocar. Ela catou o capacete, foi até a caçamba de entulhos e o jogou lá dentro.
_ Ah! Você não fez isto! – Jacob balançou a cabeça.
_ Eu fiz! – Ela voltou a rugir.
_Pois agora vai ficar sem. Aquele era o único. Mas agora seja boazinha e vem pra cá. – Jacob disse, dando palmadinhas no banco traseiro de sua moto. continuou parada, com olhar de fera. Jacob suspirou, ela estava realmente linda. – Acho que não é muito bom você andar por aí assim, sabe?
            Finalmente ela andou em sua direção, com passos bruscos. Chegou perto da moto e sorriu, passando a mão no rosto de Jacob.
_ Você achou que eu fiquei bem assim?
_ Claro. – Ele disse, menos prepotente, enquanto observava de perto o colo dela coberto pelo sutiã branco.
            Ela sorriu mais, parecendo ficar mansa. Seguiu o olhar de Jacob e encontrou o interior de seu próprio decote. Então ela se inclinou pra frente, mais pra cima de Jacob. Ele se distraiu ainda mais quando ela pareceu que ia lhe oferecer os lábios. Foi a chance. o empurrou com toda a sua força e ele acabou caindo para fora da moto, de bunda no chão. Ficou espantado um instante, sem entender o que acontecia.
            montou na moto rindo aos quatro ventos sendo acompanhada por um coro de vaias dos trabalhadores a Jacob, prostrado no chão. Rápido demais ela acelerou, e enquanto dava partida na moto gritou a Jacob.
_ Você pode ir a pé querido. E não se esqueça: hoje você dorme na sala. – Ela caçoou. A turba de vaias e risos dos homens que assistiam ficou ainda maior e Jacob socou o chão com raiva e depois soltou um rugido tão forte que fez todos os risos ao seu redor abrandarem.
_ Voltem ao trabalho! AGORA! SE EU PEGAR UM DE VOCÊS COM EXPRESSÃO DE TER RIDO UM DIA SEQUER NA VIDA VOU DEMITÍ-LO! ENTENDERAM? – Ele gritou, ainda no chão. Um amontoado de homens se empurravam para entrar de novo no pavilhão, deixando Jacob novamente só.
            Ele sentiu seu peito se convulsionando e o tremor da raiva lupina tentando dominar seu corpo.
_ Isso que dá, seu imbecil! Dá brecha pra mulher esperta, dá! Cai de bunda no chão feito um paspalho! – Ele brigou consigo mesmo.
            Mas depois uma cosquinha incomodou sua garganta ao se lembrar da cena. A raiva deu lugar a uma vontade imensa de rir daquilo. E ele deixou que acontecesse. Se deitou no chão e gargalhou do que tinha ocorrido. Gargalhou como há anos não se lembrava que poderia rir. Se contorceu no chão empoeirado, rindo até os seus músculos da barriga protestarem. De algum lugar dentro do pavilhão ele escutou um empregado murmurar:
_ Eu falei pra você que o patrão é maluco!

***************
            Ela chegou em casa ainda rindo da cara de Jacob caído no chão. Tomou banho lentamente, vestiu um vestido justo de malha, coladinho e meio curto sim, mas confortável. Deu trabalho para desembaraçar o cabelo, pois ele veio sacudindo com o vento na moto. Ela teve que lavá-lo.
            Desceu, preparou uma macarronada simples e comeu. Perambulou pela casa, leu, assistiu TV e nada de Jacob chegar. Será que ele tinha ficado muito bravo?
            Ela começou a ficar impaciente, andando de um lado para outro na sala, com a TV ligada. Ele chegou às onze da noite, sério, quase não olhando pra ela. Passou pela sala como vento, indo direto para as escadas.
_ Não vai comer? Sobrou do meu jantar.
_ Já comi! – Ele disse, seco. – Vou tomar banho.
            Ele subiu com passos duros para o quarto. Será que ele não tinha gostado de ser humilhado na frente de seus empregados? Ora, mas ela também foi!
_ Vá-te catar Black! – Ela ralhou. Jacob sorriu silencioso embaixo do chuveiro ao ouvir aquilo.
            Impaciente ela foi até a sua adega, reabastecida depois que ela acabou com todo o estoque tentando se matar. Escolheu o melhor vinho. Era tinto. Degustar delicias a acalmava.
            Quando ela voltou à sala Jacob já estava lá. Com seu cheiro afrescado com o banho recente, os cabelos molhados. Vestia somente uma calça de moletom e uma regata branca cavada. Ele estava sentado displicentemente em uma poltrona, com o controle remoto na mão.
            Ela fez menção de virar as costas, mas ele disse:
_ Tem um sofá vago. – E voltou ao canal do filme que ela tinha deixado antes de sair da sala.
            Sem dizer nada, se acomodou no sofá, colocando a garrafa de vinho na mesinha ao lado, e se sentou com as costas apoiadas no braço do sofá. Muda, começou a beber o vinho enquanto assistia “Amelie Poulain” em francês. Jacob não entendia nada do filme, por isto passou a observar outra coisa: a forma como sorvia sua taça de vinho.
            Lentamente ela levava o recipiente com o líquido vermelho na boca, tomando um gole moderado. Deixava o vinho na boca um instante e fechava os olhos, como pra acentuar a concentração em seu paladar. Depois ela engolia e abria os olhos lentamente, lambendo os lábios para não deixar escapar um mínimo vestígio do vinho. Ele engoliu em seco, chamando a atenção de .
_ Quer vinho? – Ela perguntou, erguendo a taça em sua direção.
_ Sim. – Ele disse, sorrindo. Se levantou veloz para pegar uma taça na cozinha. Em um segundo ele estava parado em frente ao sofá de , girando uma taça de cristal nas mãos.
_ Não pensei que lobos sentissem o prazer do vinho. – Ela sussurrou.
_ A bebida nos afeta tanto quanto a você, mas isto não significa que não possamos sentir seu gosto. E quanto ao prazer do vinho… nunca senti como você parece sentir.
_ Sentir como eu? Como assim?
_ Você não tem consciência do quanto fica em uma espécie de êxtase quando está tomando um vinho? Já vi outras vezes, é como se realmente fosse algo extremamente prazeroso.
_ Bom… eu gosto… - Ela sussurrou, tomando mais um gole.
            Jacob se inclinou em cima de , para pegar a garrafa que estava atrás dela. Ele não precisava, mas decidiu apoiar o joelho no sofá, colocando a perna esquerda propositalmente ao lado das pernas desnudas de . O tórax dele quase encostava em seu rosto e o cheiro dele veio com sua força perturbar-lhe os sentidos.
_Talvez, provando do mesmo vinho, eu possa sentir como você. – Ele sussurrou, alcançando finalmente a garrafa. Porém, ao encher a taça, Jacob continuou debruçado sob .
            Ele olhou para ela, com seus olhos transmitindo um fulgor tórrido, um calor que poderia abrasar até um iceberg. Estar tão perto dela, durante tanto tempo, vê-la linda e sorridente, ouvir sua voz conversando com ele de uma maneira tão mais leve… ahhh, isto era para Jacob, a cada dia, como uma dose viciante de droga. Agora ela estava novamente com o peito palpitante, as pernas encolhidas no sofá, o vestido moldando seu corpo tão perfeitamente, cobrindo somente até o meio das suas coxas. A boca dela, sempre tão convidativa, reservava sempre um néctar saboroso demais para não ser degustado.
            Enquanto Jacob sorvia sua taça de vinho, sem na verdade sentir o sabor que ansiava por sentir naquele momento, seus olhos e o seu corpo pareciam transmitir sua vontade a , uma vontade esmagadora. Prontamente ela reconheceu nele o desejo queimando sem disfarce em seus olhos.
            Sua reação foi tão imediata quanto mão em chapa quente. Começou-lhe a formigar todas as partes do corpo, era como uma corrente elétrica passando em seus nervos, as pontas de seus dedos chegavam a doer. Sua barriga se contraiu como para conter o repentino buraco que pareceu se formar dentro dela, fazendo o interior de seu ventre ficar gelado. Sua face esquentou, parecia febril, e o seu tão esmerado controle se esvaia rapidamente. Não tinha como ao menos segurar a taça direito, uma tremedeira tomou conta de suas mãos e o vinho chacoalhava perigosamente.
            Ela abaixou os olhos e disse trêmula:
_ O que te deu hoje Jacob? Quer o q ue?
_ Realmente quer saber o que eu quero? – Ele perguntou, se acomodando sentado ao seu lado.
            apertou os olhos e balançou a cabeça negativamente. Jacob suspirou ruidosamente.
_ Vou dizer mesmo assim… - O tremor sacudiu com mais força. Ele se inclinou para frente, roçando a pele de seu rosto no dela. já deixara de sentir os dedos, tamanho formigamento. – Quero provar o gosto deste vinho…
            Ela soltou o ar, que estava preso a um bom tempo. Era só provar o vinho?
_ …que está na sua boca… - Quando ele disse aquilo foi como se ele a tivesse agarrado forte. levou um susto e a carga elétrica que passeava em suas veias explodiu de repente, se transformando em um tremor tão grande que ela acabou por derrubar todo o conteúdo da taça que segurava em si mesma.
            O vinho se espalhou sobre ela, em suas coxas, em seus braços, em seus seios e barriga. Manchou seu vestido claro e o sofá. Ela abriu os olhos e encarou apática tudo aquilo, demorou a reagir.
_ Oh meu Deus… e-eu derrubei tudo… - Ela finalmente disse, tentando sair do sofá e se limpar com as mãos desastrosamente. Parecia uma garotinha desequilibrada.
            Mas eis que Jacob a contém, segurando as suas mãos.
_Deixa… a culpa foi minha… - Ele disse, se levantando. – Eu limpo.
            Pasma como estava, demorou a entender o que Jacob fazia ao tirar a regata e a exibir seu abdômen sedicioso. Só se deu conta do que ele fazia quando ele já estava ajoelhado diante de si, limpando suas pernas com a regata que tinha acabado de retirar.
_ Jacob… não! Pare! – Ela pediu, mas ele não parou. Com olhar fascinado ele continuava a passar sua camisa leve demais em suas pernas, devagar demais… - Por favor… não continue com isto… - Ela disse novamente, ainda tremendo dos pés a cabeça, sentindo a sua própria pulsação estourar em seus ouvidos, grave. Seus olhos umedeceram-se, ela fungou, tentando conter as lágrimas que não deveriam sair de forma alguma.
            Jacob parou então, observando atentamente o semblante conturbado de .
_ … - Ele sussurrou em uma espécie de canto consolador, muito rouco. – Não tenha medo de sentir… não tenha medo de apenas sentir…
_ Jacob… não! Por Deus, é melhor não! – A voz dela estava embargada. – Me deixe quieta, me deixe assim, como sempre foi…
_ Deite-se … - Ele cantarolou roucamente, a voz dele tinha um poder inacreditável sob todos os músculos de . A involuntariedade de seu corpo queria fazer exatamente o que ele dizia, e o pulsar de seu coração queria se deixar levar… se entregar. Mas algo em sua mente resistia, receoso, não confiava nesta entrega.
            Uma lágrima maldita e sem sentido lhe escapou. Jacob a capturou em seus dedos, beijou o rosto dela com carinho, se embrenhando no que ele sabia que precisava.
_ Apenas deite-se… e sinta… - Ele repetiu, persuasivo em seu sussurro constante ao pé do ouvido.
            Era inacreditável que mãos tão fortes, que esmagavam pedras de granizo como se fossem torrões de açúcar, adquirissem tamanha suavidade ao apoiar as costas de e conduzi-la a se reclinar no sofá.
_ Assim… - Ele afirmou sorrindo suavemente. Ela sentia o mover dos lábios dele colados em sua orelha. – Não pense em nada… – A mão que ele segurava a camisa voltou a subir “secando” as pernas de . Ela continuava em seu tremor, com sua respiração entrecortada.
_ Jacob… - Ela disse, num eco fraco de resistência.
_ Não, não me chame assim. Nunca eu quis tanto que um apelido meu voltasse a ser dito… Me chame de Jake… me chame de Jake com a tua voz… com a tua boca. Porque nos teus lábios ser chamado de Jake é tão bom… - Ele disse em seu ouvido, uma declaração quente, que derreteria ferro. O interior de , antes resfriado pelo nervosismo, se aqueceu imediatamente. Aquele calor saiu de dentro dela no belo formato de um sorriso.
_ Jake? – Ela perguntou, mole, mais relaxada no sofá manchado de vinho.
_ Sim, Jake… - Os lábios de Jacob começaram então a descer a curva do pescoço de . Ele a beijava, a sugava, lambia lentamente com sua língua quente… perecia degustá-la… E que sabor divino ela tinha.
_ Jake… - Ela tornou a chamar, como se dissesse “cuidado”, trêmula em seu dizer.
_ Shiiiii.... – Ele soprou em seu pescoço, causando uma leve turbulência por entre suas pernas. Ela apertou as coxas, com medo daquilo que sentia.
            Jacob percebeu e, em sua embriaguez por aquela mulher, ele não queria que ela reagisse assim. Por isto, quando estava quase chegando com os lábios no colo banhado de vinho, ele parou.
            abriu os olhos, mas com os dedos, Jacob voltou a fechá-los.
_ Sem ver… - Ele disse brincalhão e, apesar de toda a sua tensão, ele conseguiu um riso de . Sorriu junto. – Sem ver… promete? – Ele brincou.
_ Jacob…
_ Não… - Ele avisou.
_ Jake… - Ela suplicou.
_ Promete?
_ Jake!
_ Você disse que confiava em mim uma vez… sem ver? – Ela não falou nada, apenas afirmou que sim com a cabeça e apertou os olhos.
            Então ela passou a sentir. As mãos de Jacob foram segurar firmemente seus joelhos, ele mudou sua posição, indo para frente de suas pernas. apertou ainda mais as coxas fechadas, o coração dela inacreditavelmente aumentou sua velocidade.
            Jacob a via tensa, mas lindamente deitada no sofá, suja de vinho, exalando seu cheiro mais forte. Ele ousou aproximar o rosto para as pernas de e inspirar o cheiro que vinha daquela direção. Enlouqueceu! Suas mãos apertaram ainda mais fortes os joelhos dela. Se fosse apenas uma humana normal, ela teria as marcas das mãos dele ali, sem sombra de duvida.
_ … - Ele sussurrou, desfazendo o aperto e deslizando com suas mãos pelas pernas dela. Foi para as coxas e encontrou a bainha do vestido… começou a subi-lo. se contorceu, mas Jacob continuou, apenas sussurrando de novo um “não tenha medo de sentir”…
            Ele ergueu o vestido até a cintura dela e vislumbrou com olhos ardentes a barriga lisa que ela tinha, a pele luminosa, as coxas torneadas e o precioso “v” coberto por uma minúscula calcinha branca. Estava úmida e cheirosa… ah… ela sentia… sentia sim. Ela sentia desejo!
            Como criança na frente de seu doce predileto, Jacob sorriu com todo esplendor que estava escondido a mais de dez anos de todos aqueles que lhe rodeava. Mas continuava trêmula e de olhos fechados, apenas sentindo o olhar de Jacob lhe queimar a pele.
            Há algum tempo ele admitiu a si mesmo a vontade esmagadora que sentia por aquela bela mulher, mas por este tempo se conteve em seu desejo por medo e cuidado por ela. Pedia a Deus que tivesse controle ali, e não passasse dos limites. Ele só queria mostrar a que ela podia sentir prazer. Lentamente e receoso ele foi aproximando o rosto das coxas de , massageando delicadamente para que a tensão dos músculos das pernas dela desaparecesse.
_ AH! – Foi um grito suspiroso e assustado. se contorceu com a descarga elétrica que percorreu seu corpo no exato momento que ela sentiu o beijo molhado de Jacob no meio de suas coxas.  – Pare com isto… - Ela disse fraca sob o sofá. Ele lhe respondeu com uma generosa lambida em suas coxas. Um gemido escapou do fundo da garganta de .
            Jacob limpava o vinho que sujara com sua própria boca. As mãos dele continuavam com sua massagem louca, tentando a todo custo fazer as coxas de relaxarem. Ela tinha a impressão de que não ia suportar, nova lágrima lhe escapou dos olhos, uma corrente gélida passeou por sua espinha, levantando seus pelos. Jacob colocou o rosto em cima da calcinha de , parecia que sua barba rarefeita trespassava o tecido, arranhando sua pele.
_ Cheg-a-a! – Ela implorou, se engasgando em seu dizer com o beijo quente em sua virilha.
_ … abra… - Jacob disse, com as mãos sustentando suas coxas. Ela abriu os olhos, enxergando tudo embaçado.
_ Enlouqueceu? – Ela perguntou ofegante, se levantando e apoiando-se nos cotovelos para encarar Jacob… Mas ele sorriu, sorriu de um jeito tão… tão irresistível e tão quente… Havia nos olhos dele uma persuasão poderosa.
_ Abra… - Ele disse, lhe olhando perturbador, logo depois beijando suas coxas apertadas.
            mordeu os lábios e, ainda muito receosa, suando frio, relaxou aos poucos os músculos de suas coxas, permitindo que Jacob conduzisse o abrir de suas pernas…
_ Só quero que você sinta… sinta como eu sinto… - O cheiro dele também estava mais forte, se misturando ao dela, criando um novo aroma.
            Jacob se acomodou, então, no meio das pernas de . Conforme ela sentia ele se colocando tão junto a ela, um soluçar estranho começou a sair de si, lágrimas desciam sem o mínimo sentido por sua face. Ela não sabia o porquê daquilo, mas seu corpo não tremia mais, ele sacudia como se por dentro dela estivesse ocorrendo um terremoto.
_ Jake… - A voz dela saía insegura ainda. tinha medo de não poder ir em frente, de ter que parar, de querer parar e Jacob não parar, de um momento bom se desfazer como bolha de sabão.
            Os quadris de Jacob encontraram com os dela, e sob o tecido fino da calça que Jacob vestia, sob a insignificante calcinha, sentiu o membro de Jacob rígido, firme e quente, pressionar seu sexo coberto. Então a onda de adrenalina fez com que ela afastasse os quadris assustada e as unhas dela fincassem os ombros de Jacob tentando o empurrar longe.
_ Não… - Ela disse rouca.
            Jacob soltou novo suspiro e elevou seus quadris para não tocar .
_ Shiii… está tudo bem … está tudo bem… - Ela balançou a cabeça e tentou prender um soluço.
_ Não, não está… - Havia uma tensão pesarosa no tom da voz dela.
_ Está sim. Fique calma, só relaxe, só sinta… - Ele disse, acariciando o rosto dela, lhe beijando delicadamente a face até encontrar seus lábios.
            Ela apertou a boca, trancando os lábios fortemente. Mas Jacob não desistiu, beijou seus lábios com leveza, como se a resistência da pele de fosse a mesma de uma película de água. Aos poucos ela abriu os lábios, relaxando e deixando-os inertes, ao bel prazer de Jacob. Suas unhas ainda fincavam os ombros dele.
            E o beijo começou com ele, leve, se aprofundando nos lábios femininos lentamente. Sugava os lábios e mordia levemente. Ela cedeu depois de um tempo, passou a mover os lábios junto com Jacob, sendo guiada por ele. Quando ele percebeu que ela queria, fugiu com o rosto, vendo-a ir seca a procura de sua boca. Sorriu, ela bufou. Os reflexos de Jacob perceberam os músculos dela mais soltos, mas ainda mantinha seu quadril longe do dela.
            Passaram a brincar com os lábios, com as línguas, que se enroscavam, se tocavam, se escondiam e se procuravam. Jacob pegou a taça que havia colocado no chão e colocou vinho na boca de , acabou que derrubou pelo pescoço dela. Ela tomou confusa, tentando limpar o que caiu com as mãos, mas Jacob não permitiu.
_ Deixa eu provar… o vinho… - Ele disse, e logo depois a boca dele estava na dela, voraz e sedenta, a língua dele percorria cada milímetro de sua boca, traiçoeira e esperta. Quando ela esperava sua língua rápida, ele lhe acariciava lentamente, quando ela estava acostumada com isto, subitamente a língua de Jacob se tornava voraz, lhe roubando os sentidos e o fôlego.
_ Hummm… gostei… - sorriu quando ele disse aquilo por entre os beijos. – …do vinho… – Ele completou. Ela lhe deu um tapa nas costas. – Ai! Eu ia dizer que gostei do vinho… - Ele lambeu o liquido que havia no pescoço de . – …com o sabor da tua língua… - E voltou a beijá-la, fazendo o gemido dela ser sufocado.
            Mas o movimento que fez a seguir surpreendeu Jacob. Ele parou de a beijar e a encarou quando as mãos dela desceram para suas nádegas e… apertaram?
            Ele riu. encolheu o rosto e suas bochechas coraram. Mas ela não parou. Jacob se assustou ainda mais quando elevou seus próprios quadris em direção ao seu e o roçou em seu membro ereto. Rugiu.
_ … - Ele disse, apertando os olhos e rasgando o tecido do sofá com uma das mãos.
_ Só… sentir… - Ela sussurrou, e forçou com suas mãos para que Jacob abaixasse seus quadris, encostando-se… enroscando-se nela. Estava quente no meio das pernas dela e era bom, ahhh... como era bom!
_ Sinta… - Ele disse, inconsciente de tudo mais.
            Os movimentos dela começaram sutis, mas ainda assim loucos demais. Jacob se deleitava feliz com esfregando sua intimidade no membro dele. Queria ver, ver cada reação que o rosto dela transparecia, por isto abriu os olhos e os colou naquele rosto iluminado por uma aura de prazer cálido.
            Ela tinha os olhos fechados, mordia o lábio inferior, seu rosto moreno estava corado, suor refletia em sua testa e no vão de seus seios. Ela movia os quadris lentamente… e parava. Respirava com dificuldade e se esfregava nele de novo. Jacob levou as mãos para as alças do vestido dela, abaixando-as devagar e desvelando os seios desnudos. Foi com sua boca pra lá, beijar-lhe o colo, lamber o vão de seus seios, fazê-la gritar abafado quando sugava a curva de seu pescoço.
            agarrou os cabelos curtos de Jacob e o trouxe para beijá-la. Ele levou as mãos para a lateral de seus quadris, fazendo mais constante a fricção de seus sexos, separados demais pelos tecidos de suas roupas.
            Eles estavam colados um no outro como jamais estiveram, a firmeza do membro no meio das pernas de não parecia mais assustadora, mas loucamente insana. O carne de Jacob começou pulsar, arranhava as suas costas e gemia por entre os beijos loucos.
            O celular, sempre próximo da médica, começou a tocar. Já tocava há algum tempo, insistente, constante, até penetrar no topor dos ouvidos de . Ela se moveu, olhando para o celular na mesa no meio da sala. Enxergou de longe a identificação do hospital.
            Jacob lambeu sua orelha, ela estremeceu novamente.
_ Celular… hospital… - Ela tentava dizer a Jacob.
_ Deixa… - Ele respondeu, sem prestar a mínima atenção no significado das palavras de .
_ Emergência… é urgente. – Jacob rebolou em cima dela, fazendo-a jogar a cabeça pra trás. Era loucura! 
            O celular voltou a tocar, ainda mais insistente. estava dividida por aquilo que era seu trabalho a vida inteira e o seu momento tão inédito e descontrolado.
_ Atender… – Ela murmurava na boca de Jacob, mas ainda continuava agarrada a ele.
            De um puxão Jacob levou os dois ao chão. se assustou, olhando para Jacob confusa e logo depois estendendo a mão para a mesinha onde seu celular vibrava. Mas Jacob o pegou antes e o esmagou nas mãos. deixou o queixo cair, ia reclamar, mas a boca de Jacob voltou para a sua e o beijo dele sugou toda a sua razão.
            Ele a sentou encostada no sofá, tacou o pedaço de celular na parede oposta da sala, acertando o meio do televisor, espatifando a tela. Se colocou novamente sentado em meio as pernas dela e a puxou para o seu colo. sentia que muito brevemente seu coração pararia.
_ Chega Jacob… - O resquício de resistência fazia se lembrar um pouco do mundo exterior. _ O hospital… - Mas ainda assim, ela não tinha forças para tirar as mãos de Jacob de suas costas, muito menos para parar com os beijos.
_ Esquece… - Ele disse… - …de tudo…
            Ele colocou a mãos por baixo do embolado de tecido que tinha virado o vestido de , o elevando para cima, querendo o tirar. Continuava a percorrer com sua boca o pescoço, o colo, a orelha e até os seios de . Ele forçou o vestido, o barulho de tecido rasgando trouxe uma lembrança apavorante demais para . Ela não queria pular do colo dele, não queria lembrar, mas não estava preparada ainda… pra continuar com aquela loucura.
            O telefone da casa tocou, teve certeza que era do hospital. Ela tomou uma decisão muito difícil, mas ela ainda tinha medo… era a primeira vez que eles tinham chego aquele ponto, era cedo, cedo. Ela puxou o rosto de Jacob do meio de seus seios e o beijou com ternura. Ele tirou as mãos de suas costas e levou para seu rosto, acariciando sua face e correspondendo o beijo com igual ternura. Mas antes que Jacob pudesse raciocinar ela estava longe, no outro cômodo, atendendo ao telefone.
_ Black… - Ela disse, quase sem fôlego.
_ Doutora? Ligamos inúmeras vezes para seu celular, mas não houve resposta. Precisamos de você urgente aqui. Um paciente acabou de dar entrada, parece ser um AVC.
_ Eu… vou… chego em quinze minutos… diga para Marlon fazer os primeiros socorros.
_ Sim doutora. – Disse a enfermeira, desligando logo depois.
_Não… - escutou Jacob praticamente rugir da outra sala.
_ Eu preciso… preciso Jake. – Ela disse, já em disparada para o banheiro, parecia um vulto, tamanha velocidade.
_ Não, não precisa… - Ele murmurou, a muito custo, se levantando.
            Encostou-se à porta da sala de visitas, barrando a saída de . Ela não demorou a aparecer, desceu as escadas sacudindo os cabelos molhados, com as sapatilhas em uma das mãos e o jaleco na outra.
_ Me deixe passar Jake… Por favor… eu não posso continuar e eu preciso ir. – Ela pediu, com voz suplicante e fechando os olhos para não perder a coragem ao encarar aqueles olhos negros. – É uma vida Jacob. Uma vida pode estar em risco, já sob minha responsabilidade, me deixe passar…
_ Vai… - Ele disse seco, abrindo a porta em um estrondo e saindo pra fora.
            disparou atrás dele, indo em direção a garagem. Mas antes Jacob lhe segurou o braço, fazendo-a se voltar para ele uma vez mais. Pegou uma das mãos dela, as livrando das sapatilhas, que foram ao chão, e a colocou sob o seu peito, fazendo-a sentir em sua palma, os fortes bombardeios de seu coração.
_ Uma vida… sob suas mãos… volta… - Ele disse, largando-a e correndo em direção a floresta, tremendo convulsivamente e explodindo em uma fera de pelos aruivados, soltando o uivo que esteve preso dentro de si há muito tempo.
            engoliu um bolo de agulhas em seco.
_ Eu volto… – Ela disse para a fera já embrenhada nas arvores do outro lado dos portões da casa.
            O carro de saiu rasgando pelas estradas, 300 km por hora. Em dez minutos ela abria as portas da sala de emergência do hospital, encontrando o rosto contorcido em dor de Charlie Swan.


CAPÍTULO 27
DOUTORA BLACK

            olhava atentamente os exames de Charlie, feitos por Marlon.
_ Estamos presumindo que ele levou cerca de 30 minutos para chegar ao hospital. O lado esquerdo parece estar sendo afetado. – Dr. Marlon, seu auxiliar, lhe dizia.
_ Nós estamos na fase aguda. É um AVC isquêmico. A região afetada foi esta aqui. – fez um circulo com o dedo no monitor em que viam várias imagens do cérebro de Charlie. – Esta vaso aqui sofreu a oclusão, vai afetar a motricidade do lado esquerdo mesmo.
_ Parece um êmbolo. – Marlon disse.
_ É um êmbolo. Vamos continuar com os exames depois pra saber corretamente aonde ele foi formado. Provavelmente veio do coração. – continuava em seu diagnóstico. - A pressão arterial já foi controlada?
_ Sim, está sendo monitorada rigorosamente desde que ele chegou. A temperatura do corpo também está sobre controle. Já leu a ficha dele?
_ Já, mas ele não nos fazia muitas visitas não é? As informações de lá são quase dispensáveis.
            já andava apressada com Marlon e toda a sua equipe ao lado da maca que levava Charlie para a UTI.
_ Vamos então aos medicamentos. Vamos tentar dissolver este coágulo com um trombolítico, ainda está em tempo. Preparem tudo. Vá na frente Grace. – ordenou.
_ Acha que não será necessária cirurgia para a retirada, ? – Marlon perguntou.
            somente negou com a cabeça e seguiu com a equipe para medicar Charlie. As primeiras 6 horas foram de monitoração intensa, por isto, era quase o por do sol quando voltou a sua sala.
_ Sente-se Sr. Morrison. Chefe Swan sofreu os primeiros sintomas no posto policial, é isto? – questionava, pela segunda vez, o policial colega de Charlie.
_ Sim doutora, nós já estávamos saindo, na verdade. Mas assim que ele caiu e começou a ficar estranho nós trouxemos ele pra cá. – Ele disse, mexendo nervosamente em seu quepe policial.
_ Fizeram muito bem.  Se o tratamento especializado for ministrado nas primeiras horas, as chances de recuperação são maiores.
_ É grave doutora? Ele vai ficar bem?
_ Bom, ele vai sobreviver. Mas nestes casos a recuperação é lenta, precisa de um acompanhamento rigoroso e integral. Houve uma obstrução de um vaso sanguíneo do lado direito do cérebro de seu Chefe, a motricidade do lado esquerdo dele foi afetada. Prevemos que ele terá alguma seqüela na fala, nos movimentos e emocional também.
_ A senhora quer dizer que ele não vai voltar à ativa tão cedo, não é?
_ Isto. E, além disto, ele vai precisar de um acompanhamento muito delicado em sua recuperação. Eu vi na ficha dele que ele tem uma filha? O nome é… Isabella, Isabella Swan. – conferiu na ficha - Você tem notícias dela, Sr. Morrison?
_ Bom, até onde nós sabemos, depois que ela se casou, ela se mudou com a família do marido para o Alasca. Faz uns dez anos, mais ou menos.
_ Eles são próximos? Tem algum contato? – O policial ergueu as sobrancelhas. – Pergunto isto porque Charlie precisa de alguém da família junto dele, ele passará por uma fase complicada.
_ Bom, sim, eu sei disto. Bom, eles sempre se falam pelo telefone. Ela liga pra ele sempre, mas nunca mais ela voltou para Forks, pra visitá-lo. Uma vez, há uns cinco anos, ele foi pra casa dela, passar o Natal, mas voltou em seis dias, um tanto quanto… esquisito. Não falava muito, parecia assustado, sei lá.
_ Você acha que se a chamarmos, ela vem cuidar do pai?
_ Bom, pelo que dizem e pelo o que eu me lembro dela… sim, eu acho que ela vem sim.
_ Ótimo! Você tem algum contato para que eu possa falar com ela?
_ Sim. Não, quer dizer, está lá na delegacia. Posso telefonar pra lá? Eles podem me passar.
            lhe apontou o telefone e esperou pacientemente que ele telefonasse para a delegacia. Anotou o número que Morrison repetia, apesar de não ser necessário, pois ela ouvia perfeitamente o outro policial no telefone.
_ Este é o numero doutora.
_ Obrigada, Morrison. Vou telefonar eu mesma, ela precisa estar aqui o mais rápido possível e a viagem é longa.
_ Obrigado à senhora, doutora. Bem que diziam que a senhora era uma médica dedicada. Em nome de todos os colegas da delegacia, eu lhe agradeço por cuidar do Charlie, ele é um homem excelente.
            sorriu, se levantando e pegando a mão estendida do policial.
_ É só a minha profissão. Faço o que todos deveriam fazer. Agora o senhor e seus amigos podem ir pra casa. A noite foi longa e Charlie terá as visitas muito controladas por enquanto. Mas ele ficará bem, eu garanto.
            Assim que o policial saiu, se prostou na cadeira e bufou cansada.
_ Olha quem veio parar em minhas mãos. Charlie Swan! – Ela reclinou a cabeça no encosto da poltrona e fechou os olhos. Jacob havia tirado boa parte de seu extremado senso de controle quando estava trabalhando. Eram sempre tão mecânicas suas ações quando agia no atendimento de um paciente, mas durante toda aquela noite ela teve que se esforçar para afastar a lembrança de Jacob de seu pensamento… e de seu corpo. – E olha o que você está fazendo comigo Black! – Ela sorriu.
            Logo se levantou e pegou ao telefone.
_ Chega de pensar bobagens! Vamos ao trabalho. – Ela disse a si mesma, discando o numero da casa da filha de Charlie.
            Ao primeiro toque uma voz extremamente macia e cadenciada atendeu ao telefone.
_ Residência dos Cullens.
_ Pois não, com quem falo?
_ Rosálie, Rosálie Cullen. – Voz perfeita demais, parecia uma voz de gravação.
_ Rosálie, eu gostaria de falar com Isabella Swan. É da casa dela?
_ Você quer dizer Isabella Cullen? – A tal Rosálie perguntou.
_ Quem é Alice? Como você não pode ver? – Uma voz feminina, também muito bonita e afinada, perguntou em uma velocidade incomum, ao fundo da linha. percebeu que a outra mulher falava muito baixo, parecia estar ao lado do telefone. Não pode entender a Sarah àquela pergunta, somente um zumbido veloz. Estranhou.
_ Sim. Creio que sim. Eu preciso falar com ela.
_ E quem gostaria? – A mulher de voz perfeita perguntou prepotente.
_ Diga que é do Hospital de Forks, sou a doutora… - Em menos de um segundo outra voz lhe questionou.
_ Sim? Isabella sou eu, pode falar. – Tinha sido tão rápido que considerou que esta Isabella estaria com uma extensão do telefone.
_ Filha de Charlie Swan? – questionou, apenas para ter certeza. O telefone ficou mudo por alguns instantes, depois a voz cristalina lhe perguntou um tanto alterada.
_ O que aconteceu com meu pai?
_ Esta noite, por volta da meia-noite, o seu pai deu entrada no hospital vítima de um Acidente Vascular Cerebral, o comum AVC. Ele já foi devidamente atendido e medicado, mas sua recuperação…
_ O que você disse? – Ela perguntou, sua voz ficando mais aguda e brilhante. ouviu um silvo de vento do outro lado da linha.
_Calma meu amor. – Alguém disse.
_ Como calma Edward!? É meu pai! Meu pai! … Oi, quem tá falando? Como meu pai está? Como ele está? – Ela lhe perguntava rápido demais, histérica demais.
_ Ele está fora de risco agora, mas como eu ia dizendo, precisará de alguém da família junto dele por uns tempos. Telefonei pra você, por ser, aparentemente, a parente mais próxima. Como médica, julgo necessária sua presença durante a recuperação do seu pai. Penso que para que eu possa lhe explicar o caso de Charlie mais detalhadamente será necessário que venha até aqui. Pode fazer isto?
            Um instante de silêncio novamente.
_ Eu vou! – Ela disse, firme e decidida.
_Bella, não é prudente…
_ Esme, eu vou! – Isabella respondeu à outra voz em um sussurro.
_ Alô? – perguntou, só pra chamar a atenção novamente.
_ Oi doutora. Chego aí em cerca de quatro horas. Pode me esperar? Digo, quem devo procurar… e-eu falo com quem? – Disse ela, nervosa.
_ Sim, bom, eu sou a neurologista do Hospital. Sou a médica responsável por seu pai. Quando chegar pode procurar pela Doutora Black.
            ouviu um suspiro de espasmo do outro lado, um sussurro de “o quê?” e de Isabella somente silêncio, nem respiração parecia vir dela.
_ Vou… procurar… - Finalmente Isabella respondeu, lenta demais. Logo depois a ligação foi interrompida.
            desligou sem entender a reação de espanto que pareceu ser conseqüente de seu nome. Olhou pra cima para receber Sharon em sua sala.
_ Precisa de algo doutora? – A secretária interpelou.
_ Sharon, eu vou voltar pra casa. Comer e tomar um banho. A filha do ultimo paciente deve chegar em quatro horas ou mais. Se eu não estiver aqui a encaminhe a minha sala, peça para esperar e me telefone. Se ela estiver muito alterada, chame Marlon e peça pra ele esclarecer a situação do Sr. Swan, ok?
_ Sim, doutora.
            pegou suas coisas e saiu rumo a sua casa. Não queria sentir aquilo, mas ansiava para reencontrar Jacob, ou melhor: Jake!
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_ Bella, não! Você não pode fazer isto! Como você vai voltar assim pra Forks? Me diz? Com esta carinha exatamente como era há dez anos… quer dizer, muito mais perfeita, não é?
_ Rose, você quer o que? Que eu deixe meu pai ao relento numa hora destas? Nunca! Eu vou e…
_ Coloca em risco o segredo de nós vampiros e coloca os olhos dos Volturi sobre nós mais do que eles já estão? Ora…!
_ Rosálie, quer calar a boca, por favor! – Edward disse nervoso, enquanto olhava Bella arrumar as malas como um relâmpago.
_ Eu vou sozinha, se os Volturi resolverem punir alguém será a mim, não a vocês.
_ Vai nessa! – Rosálie bufou mais uma vez.
_ Bella, o perigo em Forks não é só com os Volturi. Eu acho que não seremos muito bem recebidos pelos lobos. – Edward disse, fazendo Bella parar, lhe segurando os ombros. Ela enrijeceu, fechando os olhos.
_ Eu vou Edward. Nada pode me impedir.
_Enquanto vocês estão aí perdendo tempo tentando convencer a Bella a deixar de ser teimosa, eu fui fazer o que realmente é necessário. – Alice chegou saltitante pelo quarto, jogou uma série de produtos que pareciam cosméticos em cima da mesa do quarto de Edward e Bella e olhou para o casal com um semblante sério.
_ Ora Alice! Pelo amor de Deus! O que é tudo isto? – Bella já estava pronta a reclamar.
_ É para a produção sua e do meu querido irmão para a viagem! Eu sabia desde o começo que você não ia desistir e como Edward não desgruda de você, arrumei tudo para os dois. Faz tempo que eu estava desenvolvendo estes produtos e eu sabia que ia ter uma utilidade… - Alice falava como uma tagarela, empurrando Bella sentada em uma cadeira ao lado da mesa.
_ Chega Alice! Como você acha que eu vou ter cabeça pra me arrumar com meu pai em um hospital? Enlouqueceu? – Bella saltou da cadeira exasperada, mas a vampira baixinha só bufou olhando para Edward, como se dissesse um: “explique!”
_ Bella, Alice realmente vai fazer algo útil! Se nós vamos voltar pra Forks é bom que ela faça isto.
_ Isto o que? – Bella perguntou confusa.
_ Alice vai nos deixar mais velhos. – Edward disse, pegando um frasco dos produtos milagrosos de Alice nas mãos. – E sim, não adianta fazer esta cara Isabella, eu vou junto com você!
            Bella rolou os olhos e se sentou na cadeira.
_ Ande logo com isto Alice. Tenho pouco tempo! – Foi só o que ela disse.
            Edward prestava atenção no que Alice fazia enquanto escutava o pensamento preocupado de Esme, que queria que Carlisle chegasse logo com Renesmee, Jasper e Emmett da caça. Escutava os resmungos de Rosálie que, no fundo, desejava voltar para Forks também, só para se vingar de Jacob.
            Enquanto Alice trabalhava em Bella, seus pensamentos estavam tensos e culposos. Edward acompanhava o sentimento da irmã há algum tempo e sabia das mentiras que ela contou a Bella, torcendo para que fossem verdade, mas que no fundo, ela sentia que não era.
_ Você pode ver Charlie, Alice? Sabe como ele está? – Bella perguntava. Eram naturais aquelas perguntas de Bella à cunhada desde que eles se mudaram de Forks. Mas nos últimos tempos Alice não via tão bem como antes.
_ Ele está bem Bella. Está tudo certo em Forks. – Alice respondia, com um recado silencioso a Edward para que ele não a desmentisse.
            Além disto, aquela médica dizendo “Doutora Black” ao telefone, despertou em Alice, uma vez mais, um trecho da visão turva que estava tendo nos últimos tempos.
            Bella ficou pronta em cinco minutos.
Ed, preciso falar com você. Longe da Bella.” Alice lhe disse em pensamento. Edward não demonstrou sinal algum que tivesse ouvido, nem sequer olhou para a vampirinha.
_ Bella, amor. Vá encontrar Renesmee no caminho. Carlisle disse no telefone que eles estão chegando. Explique a ela que vamos nos ausentar, vamos para Forks e diga que queremos que ela fique. Não admito ela naquelas terras… é perigoso. – Bella olhou para Edward, entendendo que o perigo consistia em Jacob. Ele poderia tentar matá-la novamente, se a visse. Saiu como um vulto do quarto, queria ser breve.
            Edward tomou a posição de Bella enquanto Rosálie e Esme foram atrás dela. Esme parou no andar de baixo. Ele pegou outro pote de Alice na mão, perguntando:
_ O que é? – Ele não queria saber do produto, queria saber da visão de Alice.
“Eu não conseguia ver Charlie, ele aparecia pra mim quando estava na casa dele, só. Eu só, meio que sentia que ele estava estabelecendo uma nova relação, não sei exatamente com quem. As minhas visões dele começaram a ficar confusas quando ele apreendeu uma mulher que corria na estrada de La Push, há alguns meses. Aquela que eu não consegui ver o rosto, lembra? As minhas visões de Forks estão ficando cada vez mais confusas e superficiais. Não vejo nada claramente e está ficando cada vez pior.”
            Alice parou e pensou na visão que teve quando ouviu a médica dizer seu nome a Bella. Alice viu um vulto correndo ao lado de dois animais grandes, apenas borrões. Eles chegavam à mansão branca que os Cullens possuíam em Forks. O vulto tinha cabelos grandes e escuros.
_ E isto? – Edward perguntou, apontando para uma espécie de tinta viscosa que estava na mesa. Mas Alice sabia que ele se referia a sua visão.
“Não sei. Vejo isto há algum tempo. As criaturas eu sei que são os lobos, mas a coisa que os acompanha eu… eu não sei… Mas Edward, eu acho que é a medica! Só pode ser ela e o sobrenome? Black! Isto pode ser uma armadilha pra nós, não pensou? E se alguém quiser atrair Isabella? Eu não vi Charlie passar mal, e não o vejo no hospital de forma alguma… nem o hospital eu vejo! Tem algo grande me bloqueando e está lá, em Forks. Preciso saber o que é!”
            Alice pensava em desespero. Edward colocou as mãos sobre as dela.
_ Estive pensando em não ir só, completamente. Não vou conseguir fazer esta coisa de maquiagem vampírica como você e é importante que fique igual.
            Alice ponderou sobre o que Edward disse. Era uma indireta, ele queria lhe falar outra coisa.
“Quer dizer que nós devemos ir atrás de vocês?”. Ela questionou em pensamento. Edward colocou o dedo na tampa com tinta e rabiscou:
Não todos. Nos siga, invisíveis aos lobos.
“Vamos tentar. Nos ligue quando chegarem, vamos ficar a menos de 20 minutos atrás de vocês, de carro. É o que dá pra ser sem que os lobos percebam. Se houver problemas nos ligue e agente se encontra. Podem aguentar isto? Só você e Bella?”
­_ Então, você pode vir conosco? Afinal Charlie continua gostando mais de você do que de mim. – Edward soltou. Bella já conversava com Renesmee na frente da casa.
_ Vovô está bem mesmo? Mãe, eu quero vê-lo!
_ Não querida. Vamos só eu e seu pai e talvez Alice. – Disse Bella, atenta ao que o marido dizia no andar de cima.
“Quer que eu vá? Mas e os outros? É melhor que eu fique, pois se algo der errado eu posso ver e…
_ Com a gente em Forks? – Edward sussurrou rápido demais. Ele tinha razão. Ela não via Forks tão bem.
_ Bom, eu posso ir depois que vocês forem. Assim eu ajeito algumas coisas por aqui antes e encontro vocês lá logo depois. – Alice respondeu a primeira pergunta de Edward, para que Bella ouvisse.
“Converso com Emmett, Jasper pra ficarem nas redondezas de Forks. Esme e Rosálie podem ficar com Renesmee.”
 _Mas eu acho importante que Carlisle vá junto com vocês agora, caso seja necessário reconversar o trato com os lobos. Ele é o melhor pra fazer isto. – Esme sugeriu, do andar de baixo da casa.
_ Pois que seja. Vamos então e logo! Já perdemos tempo demais. – Bella falou, aparecendo pela entrada do quarto.
_ Sim, eu posso ir junto. – Carlisle disse, logo atrás de Bella. – E Bella, filha, se acalme. Se o seu pai já foi medicado e está no hospital, não precisa ficar tão apavorada. Se foi ontem a noite, como você me disse, o quadro já deve estar estabilizado. – Carlisle disse cordato, sendo puxado por Alice para ocupar o lugar de Edward em uma seção de envelhecimento.
_ Caraca! A gente deixa a casa com um bando de mortos apáticos e volta no meio de um furacão? – Emmett disse, flexionando seus músculos revigorados pelo sangue de um belo urso.
_ Emmett, meu tio querido: … FICA QUIETO! – Renesmee ralhou.
_ Às vezes eu acho que você é mais parecida com sua tia Rose do que com seus pais, monstrinha. – Emmett responde.
            Carlisle se levanta, já pronto depois de poucos minutos, e segue Bella e Edward para fora.
_Renesmee, nos espere aqui que nós mandaremos notícias. – Edward abraçou a filha, lhe depositando o sempre carinhoso beijo gelado em sua testa. Renesmee já havia se acostumado com a temperatura de seus familiares.
_ Pai, por favor. Tente conversar com os lobos, eu quero ir ver Charlie!
_ Se tudo ficar bem querida, nós o trazemos pra cá e você o vê, certo? Assim que ele se recuperar. – Bella disse, também se despedindo da filha.
_ Mãe, é um AVC! A recuperação não é tão rápida e eu já ajudei Carlisle no hospital daqui e eu posso ajudar você a cuidar dele! Nós não nos vemos há cinco anos e ele ficou muito assustado quando me viu. Quando ele se acostumou comigo, ele foi embora. Mãe, você sabe que eu gostei dele e eu só queria ir vê-lo! – Renesmee disse.
_ Renesmee, não! Fique! Tchau querida, eu ligo! – Bella beijou a filha, logo depois entrou no carro em que Carlisle e Edward lhe aguardavam.
            Edward deu uma última olhada para Alice e partiu veloz rumo a Forks.
            Que Alice não estivesse certa, que aquilo não fosse uma armadilha! Era o que Edward ansiava em pensamento.




CAPÍTULO 28
SOBRE ISABELLA…


                        Os garotos pareciam fazer uma algazarra dentro da casa. saiu do carro escutando risos vindos de sua sala de estar. Era a tal reunião que Jacob disse que ia fazer.
_ Cara, desculpa chefe, mas quando eu tava lá, tranquilão na minha pacata ronda e de repente uma mente com pensamentos que … ual... Por isto que eu digo, vou arrumar um jeito de não me casar com mulher atarefada, porque já pensou se ela me deixa na mão? – Seth dizia, caçoando de Jacob.
            Quando Jacob se transformou, logo depois de se despedir de , não conseguiu conter seus pensamentos da cena tórrida que protagonizou com ela e foram interrompidos pelo maldito chamado do hospital. No momento em que os lobos em ronda (Seth, Leah e Collin) viram o que ele estava pensando e sentiram a necessidade que pulsava com força nas veias do Alpha, eles compartilharam um momento nada discreto.
            Para azar de Jacob, Seth e Leah, os mais abusados para lhe enfrentar, foram os que viram tudo.
_ Caraca, eu também tive raiva do hospital, ninguém merece ter um momento daqueles interrompido! – Leah soltou, rindo junto.
            Jacob inflou o peito e estava pronto para dar um basta naqueles abusados dos irmãos Clearwater, quando apareceu no seu campo de visão com as mãos na cintura e um olhar perfurante para quase toda a matilha. Os risos pararam.
_ Posso saber do que estão rindo?
_ Nada não, dona Alpha! – Brad disse, se encolhendo.
            olhou para Jacob e disse:
_ Você já se impôs mais… - Logo sorriu sarcástica, não o encarando muito.
            Jacob apertou os olhos. Realmente, os lobos nem sequer riam quando Jacob estava perto, muito menos riam dele!
_ Nós já acabamos a reunião, não é? Vocês falaram até demais!
_ Dispensando a gente? Talvez ele tenha outros assuntos pendentes… - Embry disse, olhando para de esguelha.
_ Muito engraçado Embry! – ralhou. – Mas se for por mim não se preocupem, pois vou ter que voltar para o hospital.
_ O que foi desta vez doutora? – Seth perguntou, mordendo uma maça que ele devia ter furtado da geladeira.
_ Acho que vocês conhecem… é claro que vocês conhecem, o que estou dizendo? De repente é melhor você avisar sua mãe Seth.
            Com aquele prenuncio todos ficaram tensos.
_ O que aconteceu? E com quem?
_ Charlie Swan sofreu um AVC. Já está tudo controlado, mas ele vai ficar uns dias comigo lá no hospital.
_ Quem? – Leah perguntou, pasma. foi para acalmá-la, mas antes ela o fizesse, Leah disse: - E o velho não morreu? – franziu o cenho.
_ Não Leah. Eu acho que foi justamente pra evitar isto que eu me esforcei. – Leah fez uma careta. – Bom, vou deixá-los agora, porque eu tenho que voltar. A filha dele vai estar me esperando lá no hospital…
_ QUEM? – Foi mais um rugido que veio de Jacob. Ele saltou da cadeira que estava sentado e, em um instante, estava na frente de . Os lobos prenderam a respiração. estava alheia aquela reação.
_ A filha dele. Conversei com ela somente por telefone. Ela está no Alasca, não é? Bom, ela já deve estar a caminho numa hora destas.
_ Você… falou com a … com a Isabella? Você chamou ela aqui? – Jacob falava com os dentes trincados.
_ Jacob… - Seth avisou, se levantando e se aproximando de Jacob ao perceber o Alpha começar a tremer. olhou para as mãos de Jacob, trêmulas, e o encarou com olhar indagante.
_ E por que o espanto Jacob? Ela é filha dele, é claro que eu a chamei! – De canto de olho ela viu o queixo de Leah cair e Embry levar a mão na testa. Quil fez uma careta. – Qual o problema com ela?
_ Ela está vindo pra Forks? Está vindo sozinha? – Jacob questionava com voz brusca, como um policial interroga um criminoso.
_ Jacob, eu não sei! O que diabos está acontecendo?… Olha, quer saber? Não me interessa, depois que passar esta indisposição de vocês e quiserem me explicar alguma coisa, pois bem: façam. Agora eu vou ir tomar banho, comer e tentar descansar, porque assim que ela chegar eu vou falar com ela… - disse, já virando as costas. Mas Jacob a segurou pelo braço.
_ Não, você não vai!
_ Como não vou Jacob? É algo que faz parte do meu trabalho e eu vou sim! Enlouqueceu? – olhou para os olhos de Jacob e eles não estavam mais como ela se lembrava de tê-los deixado. Havia o amargor e a densidade que ela pensou que tinham ido embora, ele estava com a postura tensa, o maxilar cerrado e o coração inconstante. – Qual o problema com ela? Primeiro o pai e agora esta Isabella, o que…?
            Mas, de repente, tudo fez sentido.
            procurou em sua mente alguma explicação para a repentina mudança de Jacob. E encontrou. Aos poucos, peça por peça, lembranças lhe vieram ao pensamento, encaixando cada coisa em seu lugar…
“_ Nunca pensei que Jacob fosse acertar ao escolher uma esposa, ele nunca foi bom pra isso… Jacob era completamente diferente do que é hoje… Mas ele sofreu um… um baque muito grande e perdeu a alegria de ser e de viver que tinha, que era tão forte que contaminava todo mundo.” – Era o que Leah havia lhe dito na primeira vez que conversaram. se lembrava de mais… _ “Um dia ele já fez muito mais que o possível por alguém, alguém que não merecia, ele se doou completamente, como poucos são capazes de fazer…”
            A reação de Charlie na primeira vez que a viu…
“_É, você tem razão, ele não é mais um garoto. Quantos anos ele deve ter agora, vinte oito, vinte nove? Nossa, mas eu ainda lembro dele como o garoto alegre e brincalhão que frequentava minha casa junto com Billy…
_ Você o conhece então?” – Ela havia perguntado, curiosa, naquele dia.
_”Sim, sim, desde criança. Ele e minha filha foram muito che…gados”
            “Muito chegados”… Aquilo começou a rondar a cabeça de .
“_ Quando crianças, eles brincavam quando criança. Minha filha não morava comigo. – Ele estava mentindo claramente. Era simplesmente muito fácil de identificar aquilo… só o olhar dele o entregava.
_ Ah, sim. Amigos de infância, compreendo…”
            se lembrou também do que Jacob lhe respondeu quando ela lhe perguntou o motivo de sua amargura.
“_ Rejeição. Foi isto que aconteceu. Eu depositei tudo em algo que não valeu à pena. A ingratidão foi o que eu recebi de volta.
_ Você depositou tudo em algo… ou em alguém? …
_ Eu pensei que ela fosse tudo. Então eu fui inteiro para ela. Me perdi nela…
_ E quando ela te recusou, tudo que você era ficou nela?
_ Talvez…”
                        Então tudo fez sentido. Era ela! Só podia ser Isabella Cullen o amor frustrado de Jacob.
_ É ela… É a Isabella… - sussurrou, olhando diretamente para ele, sentido um solavanco no peito.
            Pelo olhar de , Jacob soube imediatamente que ela tinha ligado os pontos. Não confirmou e nem negou, apenas fechou os olhos e suspirou. se soltou da mão de Jacob, que ainda segurava o seu braço.
_ Não importa quem é esta moça, nem o que ela foi na sua vida. Pra mim ela é simplesmente a filha de um paciente meu e eu irei tratá-la da mesma forma como trato qualquer parente dos meus pacientes. Vou cumprir meu dever e sua indisposição com ela não pode interferir nisto. Não tenho o direito de distinguir ninguém nesta profissão, prometi assim e assim farei.
            disse aquilo com voz baixa e densa, trancafiando todo e qualquer estremecimento que pudesse ter em relação ao que acabou de descobrir. Não poderia fazer diferença, não em seu trabalho.
_ Não, não vai! Você não pode… você não vai encontrá-la. – Jacob elevou os olhos e voltou a insistir. A matilha estava praticamente petrificada presenciando aquele momento do casal. Não tinham reação alguma.
_ Jacob! Se você não suporta vê-la, se você não tem coragem de encará-la com medo do que sente, não importa! Eu vou ver ela e não estou pedindo que você também o faça! Mas que inferno! Não dá pra entender isto!? – se irritou. Por que ele agia daquela maneira?
_ Você não vai! – Ele disse com a voz ainda mais grave e rouca, sua tremedeira se acentuando.
_ Jacob, calma velho! – Seth disse, se aproximando mais.
_ Ele não vai fazer nada com ela, Seth. – Leah disse.
_ Isto não está em discussão. – disse a Jacob, com voz apertada, como uma ultima sentença. Antes que ela se desintegrasse ali mesmo, saiu a passos firmes da sala e subiu as escadas. Ele não tinha esquecido, não tinha esquecido ela! Era a única explicação para aquela reação.
_ Você não pode vê-la… - Ele ainda disse da sala, apertou os punhos, quase o xingando de idiota em voz alta. – Isabella é uma vampira. – Ele completou.
            Todos escutaram os passos apressados de pararem abruptamente ao pé da escada. A pulsação dela oscilou, a respiração ficou rala. Jacob se precipitou para perto dela a tempo de segurá-la nos braços, enquanto ela cambaleava em pé.
_ O que? – Ela disse, pálida, o encarando. Jacob era apaixonado por uma vampira? Ela tinha chamado uma vampira a seu encontro?… Sua cabeça estava zonza…
_ É uma longa história… - Ele sussurrou.
            Jacob percebeu que todos da matilha estavam se retirando silenciosamente. voltou a se recuperar do baque e se levantou, mais uma vez, se desvencilhando de seus braços.
_ Então conte! – Foi a única coisa que ela disse. Subiu as escadas para que Jacob a seguisse.
            Jacob não acreditava que aquilo estava acontecendo. Por que ela tinha que voltar? Uma morta que levantava da cova… logo agora?
            Não era só o seu corpo que tremia, seu coração estava da mesma maneira. Tremia ao pensar de ter que vê-la com a face de um branco pálido e sem vida, tremia ao pensar que teria de ver a Bella de olhos castanhos com olhos de uma assassina. Era ela, era a Isabella, aquela garota frágil, que tantas vezes se encolheu no calor do seu corpo, que ria um riso suave e tímido com suas graças. Ah, ele odiava ter que pensar que passou bons momentos com ela, que apesar de tudo de ruim que ela lhe fez, ela foi o seu anjo por muito tempo.
            Vampira… Ele teria de vê-la assim?
_ Eu nunca poderia imaginar… Uma vampira… Você se apaixonou por uma vampira! – sussurrou com voz embargada, se sentando em uma poltrona ao lado de sua cama.
_ Não! Eu não me apaixonei por uma vampira!
_ Você acabou de dizer que…
_ Bella foi mordida depois… - Ele disse. Logo depois se sentou na cama, abaixando a cabeça, quase chegando com ela no meio de seus joelhos. – Está mesma disposta a ouvir isto? – Ele perguntou.
_ Se você achar necessário. – respondeu, com voz pequena.
            Jacob levantou a cabeça e a encarou. Sim, que ela soubesse de tudo logo de uma vez! Então ele começou a contar a sua história. Começou falando dela, de Isabella, de como ela veio parar em Forks.
_ Naquela época eu tinha 15 anos, estava pra fazer dezesseis. Eu não era um lobo, eu era só um garoto índio magricela que cuidava do pai, que não acreditava em nenhuma das lendas que o velho contava, e achava uma bobagem meu pai realmente parecer acreditar naquilo. E eu também gostava de fuçar em carros. Billy era muito amigo de Charlie naquela época, por isto ele vendeu uma caminhonete velha que agente tinha pra que Charlie desse a Bella quando ela chegasse. Eu mesmo arrumei e preparei pra que ela voltasse a andar.  – Jacob deu um meio sorriso. – Ficou boa de andar no fim, apesar do barulho. Eu não tinha muita prática.
            escutava Jacob sem demonstrar nenhum tipo de descontrole ou emoção. Ela se sentou e ficou apática, apenas uma ouvinte. Mas de qualquer forma, ela não conseguia encarar Jacob.
_ Eu fui com meu pai entregar o carro pra ela. E foi a primeira vez que a vi. Quer dizer, depois que ela voltou, pra morar em Forks. Eu gostei dela, ela não era daquelas garotas chatas, cheias de frescuras, do tipo que enlouquecia se agente bagunçasse seu cabelo. Ela era simples e meiga… essencialmente meiga e dócil.
            suspirou, Jacob parou e olhou pra ela, mas ela virou o rosto. Lhe causava um certo incomodo o ar nostálgico com que Jacob contava a sua história.
_ Continue… - Foi só o que ela pediu.
_ Mas logo ela se envolve com alguém. Na época eu não sabia de quem se tratava, ou melhor, do que se tratava. Mas eu tinha esperança que aquilo fosse só fogo de palha, que passasse logo. O tal… o tal… hum… cara… - Jacob solta um riso de escárnio. – O cara fazia o tipo bacanão e mauricinho, tinha cara de galã e carro do ano, enquanto eu tinha uma sucata de mais de duas décadas tentando remontar. Ele era educado e tratava todo mundo muito polido. Coisa de outros tempos… - Jacob soltou azedo novamente. – Parecia realmente um destes galãs fictícios. Mas meu pai sempre reagia muito mal quando via o tal. O velho Billy acabava brigando com Charlie quando dizia que a família do bacaninha não prestava. Eu não queria acreditar que o motivo daquela revolta do velho eram as superstições da tribo, na época, eu não ligava.
            Jacob contou ainda que durante este namoro de Isabella, ele quase não a via, mas já ficava pensando nela o tempo todo.
_ Os olhos doces, cor de chocolates, não saiam da minha cabeça…
            Jacob não ousava olhar para também, não queria pensar no que ela pudesse estar sentindo, pois então pararia de falar e deixaria a história morrer com ele. A coragem em falar estava em não olhar pra ela. Começou então a falar da parte em que Bella foi abandonada.
_ O namoradinho dela simplesmente foi embora com toda a sua corja. Ela ficou mal, muito mal. Parecia que ela era totalmente dependente dele e eu não queria acreditar naquilo. Ele foi embora e pareceu ter levado a vida e o vigor de Bella junto com ele. Até o rubor das bochechas dela desapareceu.
            E foi ali que a aproximação entre os dois se concretizou. Enquanto Jacob falava o como Bella lhe procurou e depois daquilo, passou a ficar todos os momentos com ele, entendeu que ela procurou nele uma outra fonte de vida. Não parecia haver nela uma luz própria, se houvesse, ela não tinha consciência disto. Pelo que Jacob contava, ela procurava sempre o seu brilho em outro alguém. Parecia uma lua que pra resplandecer precisa que uma estrela maior e auto-suficiente lhe conceda luz. Naquele momento, em que ela perdeu o seu namorado, pelo qual, segundo Jacob, ela possuía um amor “louco e obsessivo”, Bella procurou em Jacob nova vida.
_ Nós passávamos muito tempo juntos. Quando eu não ia até ela, ela vinha até mim. Eram dias inteiros. Aos poucos ela começou a rir das minhas piadas idiotas com mais frequência, depois ela mesma começou a fazer piadas idiotas. Por vezes eu comecei a pegar ela olhando pra mim com um olhar perdido. Primeiro eu comecei a pegar na mão dela sempre que podia, depois… ela começou a fazer isto sem perceber.
_ Era um começo, ela se apaixonava. – concluiu, fazendo Jacob ficar mais desconfortável, como se fosse possível.
            Ele se levantou da cama onde estava sentado e ficou em pé, de costas pra ela, com as mãos socadas nos bolsos de seu jeans.
_ Sim, ela se apaixonava. Eu sabia disto, desde o começo eu sabia que ela mudava os seus sentimentos por mim, devagar, mas mudava. Mas ela não acreditava nisto, ou melhor, ela não queria acreditar nisto. Bella colocou naquela cabeça dura que ela tinha, que só havia um amor pra ela, aquele talsinho, e aquele amor era eterno. Mas não podia ser assim e foi pensando nisto que eu comecei a ter esperança… muita esperança, era quase uma certeza de que ela esqueceria ele, que ela se entregaria a mim… Isto quase aconteceu… mas então, tudo mudou…
             A voz de Jacob estava muito baixa e leve. Ele tinha os músculos tensos, fazendo sua figura se elevar rígida e imponente para . Era como se ele fizesse, inconscientemente, seu corpo parecer uma muralha impenetrável, para esconder a fragilidade de seu interior.
_ Eu virei lobo, as lendas que eu convivi minha vida inteira se tornaram reais e, mais do que isto, eu era parte delas. Eu descobri que eram reais os lobos e os frios. E descobri… - Jacob travou os dentes e disse apertado. – …que o amado da Bella era um vampiro e que ela sabia disto… sempre soube.
            virou a cabeça para Jacob tão rápido que quase quebrou o pescoço.
_ COMO? – Ela quase gritou, se levantando bruscamente.
_ Um vampiro. Um frio. Do clã de vampiros que viviam em Forks. Os Cullens.
_ Clã? Viviam em Forks? Mas… mas… - se sentou novamente, tonta. – Não pode! E como eles viviam aqui com vocês tão perto? Eu não… entendo.
            Jacob soltou novo suspiro.
_ Havia um tratado.
_ O que?
_ Me deixa explicar? – Jacob perguntou. somente se recostou na poltrona para ouvir, boquiaberta, uma história que parecia absurda.
_ O tratado foi feito em outra geração de lobos, liderada pelo meu bisavô, Ephraim Black. O chefe dos sanguessugas veio procurar ele, dizendo que o seu clã era diferente. Eles se diziam vegetarianos, não se alimentavam de sangue humano. _ soltou uma risada incrédula, mas não interrompeu Jacob. – O clã deles era forte e estavam de igual para igual com a quantidade de lobos da época, uma luta traria mortes para os dois lados. O líder deles acabou convencendo Ephraim de que o melhor era fazer um acordo…
            balançava a cabeça de um lado a outro enquanto ouvia.
_ …caso eles mordessem algum humano, então o acordo seria rompido e nós o mataríamos. O tratado permaneceu pelas outras gerações e os descendentes dos lobos, pelo seu sangue, tinham o compromisso de segui-lo. Somente um Alpha poderia romper isto.
_ Não Jacob! Isto não é possível! Não faz sentido! Como? Como vocês puderam manter este acordo… como vocês fizeram este acordo? Eles são vampiros! Criaturas que dependem do sangue humano pra viver! Isto está em cada milímetro dos corpos daqueles míseros seres! Como vocês puderam confiar neles? Como eles permitiram que vocês seguissem com isto? Não faz sentido, não faz! Como vocês não foram punidos? – Ela se levantou novamente, impaciente e confusa. Vampiros lhe davam nos nervos. Pensar neles lhe estremecia os poros, lhe esfriava a espinha, pensar em seus dentes fazia-a sentir sua pele sendo perfurada por eles.
_ Punidos? Punidos por quê? – Jacob não havia entendido o raciocínio de . Esperava qualquer reação, menos aquela.
_ Como por que Jacob? Você, mais do que qualquer outro que compõe esta matilha, sabe do compromisso original que seu povo assumiu pra receber esta magia! Me diga qual foi! – disse, como se fosse extremamente óbvio. Só então ele compreendeu a que ela se referia. não avaliava a situação somente de dois lados, o dos frios e o dos lobos. Ela fazia parte de um mundo mais amplo que isto, ela pensava pelos elfos.
_ Proteger todo o nosso povo… e todos que estiverem ao nosso alcance… - Jacob sussurrou, recordando-se do que Quendra havia lhe mostrado.
_ Todos os humanos Jacob! Os elfos são protetores naturais de criaturas sem magia, fora do mundo sobrenatural. Eles são protetores naturais dos humanos! Portanto são inimigos de tudo que ameaça esta proteção. Ah, Jacob, você não sabe muita coisa sobre eles, mas eu sei. Eu vivi com eles. E os elfos já eliminaram muitas raças que colocavam em risco a estabilidade do mundo natural, do mundo que os humanos conhecem. Por alguma razão eles não puderam fazer isto com os vampiros, uma das poucas raças que eles não dizimaram através dos séculos. Mas eles matam Jacob, os elfos que você conhece são criaturas letais para vampiros, quando eles decidem fazer isto, eles o fazem sem dó e nem piedade. Se eles concederam sua própria magia a seu povo é porque eles esperavam de vocês o mesmo compromisso que eles têm!
            Jacob parou, completamente confuso com tudo que havia dito. Se era assim, os elfos teriam interferido em algo.
_ Não faz sentido…
_ Não Jacob, não faz! Eu tenho certeza que Quendra, como rainha, sabia que um humano acabaria sendo mordido… mais vampiros. Por quê? Por que ela não impediu isto?
_ Como sempre, você vem me questionar . Eu já devia saber que a explicação que eu teria de dar a este assunto seria cobrada por você. – A voz de Quendra apareceu antes dela mesma, que surgiu momentos depois, bem ao lado de . _ Mas eu não esperava que esta conversa se daria em um momento tão complicado e intimo entre um casal. Afinal, vocês estavam, mais uma vez, colocando as cartas na mesa, esclarecendo a vida um para o outro… desconfortável ter que se colocar em meio a tudo isto. – Ela falou, com ar de um humano que comenta sobre o tempo com um desconhecido.
_ Pode me esclarecer isto Quendra? – Não foi , mas Jacob quem pediu.
_ Ora, não foi pelo motivo que você está pensando Jacob. Não é pelo fato de que o poder que concedemos a seu povo evoluiu por si só que nós deixamos vocês livres e independentes como vossa magia.  – Quendra riu, enquanto ditava em voz alta as considerações de Jacob. Definitivamente ele odiava leitores de mentes. Imediatamente Quendra lhe olhou tensa. _ A origem daquilo que você carrega, nobre Alpha, é nossa. Suas raízes estão em nós e se elas forem arrancadas, então tudo morrerá! Por isto terão sempre que respeitar as terras na qual suas raízes se fortalecem! Sua mente é livre para mim.
            Jacob engoliu seco.
_ Eu sei disto. – Ele disse.
_ Por que está enrolando Quendra? – cruzou os braços. Jacob fez uma força tremenda pra não rir, ao menos em pensamento, da livre prepotência que tinha com a rainha. Mas Quendra olhou pra ele novamente, compreensível demais, e riu faceira.
“Eu vou mais fundo na sua mente do que os outros ‘leitores de mente’ Jacob. Não são só os pensamentos superficiais que tenho acesso, portanto, não precisa tentar me esconder nada.” A voz dela foi direto em sua cabeça.
_ Ok, . Suas suposições estão certas no que diz respeito a nossa interferência nisto. Não, não passou despercebido, queridos. Eu sabia que eles viriam até aqui, sabia desde o momento que o jovem Carlisle foi mordido, que o caminho dos lobos se cruzariam com o dele. Eu interferi sim, mas devo dizer que nem sequer Ephraim entendeu quando eu lhe aconselhei a seguir com este tratado. Mas eu sabia que esta explicação seria cobrada. Hora ou outra eu teria que esclarecer isto.
            se sentou. Onde aquela história ia parar afinal?
_ Tenho duas horas. – Ela disse, apontando para seu relógio.
_ Mas antes, é preciso terminar outro assunto. Creio que interrompi a sua história Jacob. Talvez seja melhor que você continue com ela. Tenho a impressão de que Isabella seja um ponto muito importante para o que tenho a explicar.
            Jacob juntou as sobrancelhas e olhou curioso para a criatura que se sentou na mesa do quarto, esperando que ele contasse sua vida como uma história em quadrinhos.
_ Jacob! Eu já sei tudo sobre esta história melhor do que você mesmo, se quer saber. Não se incomode comigo e apenas continue. Prometo que vai ficar quieta e ouvir tudo até o fim. – estreitou os olhos para a elfo.
            Jacob, porém, continuou em silêncio, olhando para Quendra. Ela era louca, certamente.
_ Bom, me permita que eu dê uma mãozinha nisto Jacob? – Ela perguntou. O queixo de caiu e Jacob se jogou na cama e, incrédulo demais, disse:
_ Vá em frente!
_ Disse isto, porque o meu jeito é mais fácil. – Ela elevou as mãos e naquele exato momento Jacob sentiu suas têmporas formigarem. Ela não ia contar, ela iria mostrar tudo a . – Se aproxime de Jacob, .
            Quendra fez a e Jacob um sinal para que os dois se aproximassem. se levantou insegura e andou a passos lentos em direção a Jacob. Não tinha certeza se queria compartilhar, invadir a memória de Jacob daquela maneira. Aquilo era dele, pertencia a ele. Ela parou de andar quando estava quase em frente a um Jacob estático sentado na cama.
_ Não! Não tem necessidade disto. – Ela sussurrou, fechando os olhos.
“Ela não que invadir o seu coração Jacob, não quer lhe tomar lembranças que você escondeu protetoramente. Você está livre pra decidir se quer isto, se quer se desprender destas lembranças pra ela.” Quendra segredou a Jacob.
“Ela sofrerá com o que irá ver?” Jacob perguntou em pensamento. Ele se preocupava primeiro com ela. Neste momento Quendra deu o seu sorriso esplendoroso e compreensivo para ele. viu aquilo e reconheceu o brilho de uma admiração e encantamento velado nos olhos da elfo, mas não sabia o motivo.
“Isto dependerá do que você sente em relação ao que lembra Jacob. Quer compartilhar toda sua vida com ?” Quendra continuou a questionar em pensamento. percebia isto, mas não interferiu.
            Jacob fechou os olhos e esfregou as suas mãos. Sabia que a pergunta de Quendra tinha um duplo sentido e era muito mais profunda do que as lembranças sobre Bella. Ele não pensou em mais nada, apenas afirmou com a cabeça e, ainda de olhos fechados, elevou sua mão em direção à .
_ Você não vai invadir nada que Jacob não queira . Você só vai entender como ele sente e o que ele sentiu. Assim como ele te compreendeu. É justa a troca. Apenas encoste sua fronte na dele e tudo se realizará querida. – Quendra disse em voz alta.
            suspirou e se sentou ao lado de Jacob na cama. Jacob abriu os olhos e a encarou conturbado. Pagou as mãos dela e percebeu, que assim como ele, ela tremia levemente. Jacob colocou a mão na cintura de - causando uma sensação extasiante e saudosa em ambos - e abraçou-a, puxando-a junto dele. Suas respirações se misturaram, apertou os olhos e encostou seu rosto no de Jacob, então uma avalanche de lembranças estranhas a sua memória lhe vieram à mente. Junto delas, daquelas imagens, vinham lapsos de sentimentos, sentimentos de Jacob, de cada coisa que ele sentiu com o que compartilhava com ela.
            viu em sua mente a imagem clara da adolescente que fora Bella. Ela parecia se encolher sempre para se proteger do mundo e o jovem Jacob sentia sempre vontade de estar ao lado dela para protegê-la… mergulhou nas lembranças de Jacob então, e seus sentimentos passaram a ser os dele, sua visão a dele…
*-*LEMBRANÇAS*- *
            …Bella abraçava Jacob, ele a envolvia sorrindo suavemente com os braços ao redor dela.
Se é assim que você vai reagir, vou enlouquecer mais vezes” Ele lhe disse, acariciando os cabelos escuros. Ela se desvencilhou dele. Jacob percebeu que foi proposital, sentiu um incomodo no peito, mas disfarçou, sorrindo.
“Você me faz parecer uma anã!”. Ela disse, disfarçando com as bochechas rosadas.
“Você é como uma boneca… uma bonequinha que porcelana.” Jacob sorriu com o corar de suas bochechas…
Eles estavam sentado uma espécie de hall, havia uma bomboniere de cinema ao lado. Ela estava com uma expressão desconfortável. Jacob sabia que Bella não queria ouvir aquilo, mas ele queria dizer, não suportava mais fingir que não sentia algo mais que amizade por ela.
“Está tudo bem, sabe. Contanto que você goste mais de mim. E você me ache bonito – mais ou menos. Eu estou preparado para ser irritadoramente persistente.” Ela fez uma quase imperceptível careta ao ouvir a declaração de Jacob, mas continuava a aconchegar sua mão pequenina e frágil na dele.
“Eu não vou mudar.” Ela disse, ele sentiu receio ante ao que ela disse, mas sua confiança estava firme naquele dia.
“Eu não vou desistir. Tenho bastante tempo.” Ao dizer aquilo ele percebeu um leve tremor em Bella e a convicção dela se abalar no olhar chocolate…
Mas depois veio o momento mais difícil pra Jacob, o momento em que ele quase perdeu a esperança. Lobo, ele era um lobo, um perigo para Bella, tão perigoso quanto o nojento do sanguessuga que ela amava, por quem ela se consumiu tanto.
 “- Eu não posso mais andar com você… Ele falava a Bella com uma espécie de adaga perfurando cada vez mais fundo seu coração.
_ Você está… terminando comigo? Jacob… por quê? … Por favor, Jake. Você prometeu. Eu preciso de você…” Ah doía! Doía tanto ouvir ela implorar. Ele não queria aquilo, mais do que ela… ele não queria aquilo.
            E ela lhe implorava… torturando-o mais…
"Eu lamento que eu não pude... antes... Eu queria poder mudar o que eu sinto por você, Jacob".Ela dizia desesperada, num desespero que a levava a confessar o que ela não queria acreditar. "Talvez... talvez eu mudasse …Talvez se você me desse algum tempo... só não desista de mim agora, Jake. Eu não vou suportar". Ela se desintegrava novamente e a culpa era dele. Sim, ela mudaria para ele, ela o amaria, ele tinha certeza que sim, nunca esteve tão claro como naquele momento. Mas agora ele não era mais a coisa certa para Bella… sua Bella…
… Mais lembranças…
…os jovens andando de mãos dadas na praia de La Push. Jacob estava exultante, ela havia entendido, não havia mais segredo, ela poderia ser sua sim. Ela não o via como um monstro, não se importava. Ele a protegeria, mataria qualquer vampiro que tentasse se aproximar de Bells…
… Depois veio mais uma dor nauseante de Jacob. Ela partia, Bella partia para morte sem ao menos se preocupar com o que deixava pra trás, sem se importar com o buraco que cavava no coração de Jacob… partia atrás do seu sanguessuga suicida.
“Não vá…” Ele pediu, mais frágil e implorativo do que jamais esteve. Seu rosto jovem transparecia algo mais denso do que sua pouca idade era capaz de administrar. Mas Isabella estava obcecada por outro, por um sugador de sangue… “Mas você não precisa. Você realmente não precisa. Você podia ficar aqui comigo. Você podia ficar viva. Por Charlie. Por mim"
Adeus Jake!” Ela se despediu, o matando por dentro. Ela daria a vida pelo vampiro, mas não viveria por Jacob. Mas ainda assim, sua raiva pelo o que ela fazia não era maior do que o desejo imenso de que ela voltasse, de que ele a abraçasse de novo…
            E ela voltou, com ele, ao lado do imbecil do sanguessuga…
“Eu vou ficar aqui até que ela me mande ir embora!” O sanguessuga disse a ele, firme e conciso, com as mão fedidas em cima dela.
…”Nunca!” Ela respondeu ao que frio disse, parecendo aterrorizada com aquela possibilidade. Mais dor em Jacob… Bella virou as costas para Jacob, deixando-o não só com a dor, mas com ódio por ela partir com o vampiro galã… mas ao menos ela tinha voltado e estava viva, ele pensava…
“É, eu sinto sua falta também. Mas isto não muda nada”… Ele escreveu a ela depois de inúmeras frases rabiscadas. Porém, ainda que tivesse ódio, era difícil ficar longe. Ele não pode, voltou a insistir… ele tinha que arrumar uma forma de fazer Bella entender que o futuro dela ao lado daquele sanguessuga era impossível!
“Eu quero te dizer uma coisa. E você já sabe o que é… mas eu acho que devo dizer isto em voz alta do mesmo jeito…” Aquele tinha sido o começo desastroso de sua declaração à ela… “Eu estou apaixonado por você… Bella, eu te amo. E eu quero que você me escolha ao invés dele. Eu sei que você não se sente assim, mas eu preciso colocar a verdade pra fora pra que você conheça as suas opções. Eu não quero que nenhum mal entendido fique no nosso caminho.”
            Mas ela não admitia que o amava…
“Eu sinto sua falta quando você não está por perto. Quando você está feliz… isso me deixa feliz. Mas eu poderia dizer a mesma coisa sobre Charlie, Jacob. Você é família. Eu amo você, mas eu não estou amando você… Eu amo ele, Jacob. Ele é a minha vida…”
“ Até que o seu coração pare de bater, Bella - ele disse. - Eu vou estar aqui, lutando. Não esqueça que você tem opções…”
            E depois veio o beijo. Aquela lembrança trouxe todo o jubilo exultante que Jacob sentiu no momento, mas havia também uma dose de rancor e um gosto amargo ao se lembrar do depois…
“Me beije Jacob… Me beije e depois volte…” E ele beijou, um beijo férvido e entregue, absolutamente entregue e necessitado… seu primeiro beijo… Jacob viu nos olhos dela que finalmente Bella havia enxergado a maneira como o amava… mas, ainda assim, ela não o escolheu…
“Eu sou exatamente certo pra você, Bella. Teria sido fácil pra nós, confortável, fácil como respirar. Eu era o caminho natural que a sua vida teria tomado... Ele é como uma droga pra você, Bella… Eu vejo que você não consegue viver sem ele agora. É tarde demais. Mas eu teria sido mais saudável pra você. Não uma droga; eu teria sido o ar, o sol…” Jacob sabia, mesmo que algo ainda quisesse lutar e lutar por ela, que aquilo era uma despedida, o levantar de uma bandeira branca.
“Eu costumava pensar em você desse jeito, sabe. Como o sol. Meu sol particular. Você equilibrava bem as nuvens pra mim…” Ela lhe disse, cálida e dolorida.
“Das nuvens eu posso cuidar. Mas eu não posso lutar com um eclipse…” Sua desistência, a admissão de sua derrota…
“…eu vi a coisa toda, a nossa vida inteira. Eu queria muito, Jake, eu queria tudo. Eu quero ficar bem aqui e não me mover nunca. Eu quero te amar e te fazer feliz. E eu não posso, e isso está me matando. É como Sam e Emily, Jake, eu nunca tive uma escolha. Eu sempre soube que nada mudaria. Talvez fosse por isso que eu lutei tanto contra você…” Sim, daria certo, se ela não fosse tão obsessiva em seu amor por outro, por aquele que faria o seu coração congelar…
“Te amo, Jacob…” Aquelas palavras, aquela confissão tão esperada, não trouxe a felicidade que Jacob pensou que lhe traria… era doloroso, era a esmola gloriosa de um perdedor…
            Mas ele sorriu, fechando os olhos, e disse: “Te amo mais…”
            Depois veio o casamento, a tortura de Bella alimentando um monstro assassino, que crescia dentro de si, com sua própria vida… ah ele não queria, por mais que ele soubesse que não a teria pra si, ele não podia admitir que perderia sua Bells, que ela morreria, que ela se deixaria morrer…
…“Me diga que sentindo tem Bella! Que sentido tem eu amar você? Que sentido tem você amar ele? Quando você morrer como é que vai ficar tudo certo? Que sentido tem toda essa dor? A minha, a sua, a dele! Você o está matando também, não que eu me importe com isso. Então que sentido tem essa história de amor distorcido no final das contas? Se há algum sentido, me mostre, por favor, Bella, porque eu não o vejo"…
            Até que tudo chegou ao limite, tudo se destroçou dentro dele quando ele viu a criança monstro viva e ela morta, mas sabendo que aquele foi o desejo dela. Ela lutou até o ultimo bater de seu coração, mas não foi por ele…
            Assim ele virou as costas para ela, para a Isabella vampira, esquecendo o amor e alimentando em si outro sentimento: o rancor.
“Não vale a pena matar por quem não quis viver por mim… Infelicidades eternas malditos!”
*-* TÉRMINO LEMBRANÇAS*-*
            se desvencilhou de Jacob assustada e conturbada. Seu peito queimava e pesava com a densidade daquilo que sentiu ao entrar em contato com as lembranças dele.
            Jacob ficou olhando para ela com olhar inexpressivo. Havia acabado, ela sabia, tudo o que ele viveu pertencia a ela também. Suas lembranças se libertaram e saíram da prisão de seu coração. Não era algo confortável, de maneira nenhuma. Principalmente por ver o baque que aquilo provocou em . Mas aquilo lhe trouxe, de uma maneira estranha e incompreensível, um certo alívio.
_ … - Quendra começou a dizer, com voz branda.
_ Seja objetiva e vá ao ponto Quendra. Explique o que você tem que explicar. – interrompeu brusca, com os ombros rígidos e um olhar de vidro. – Explique esta relação entre vampiros e lobos. Qual era o objetivo?
            Jacob deu um suspiro fundo e passou a olhar a elfo. Porém não se movia, tinha um pensamento feroz em si, vingativo. Bella e sua família iriam ter de enfrentá-lo caso voltassem. Jacob não via motivos para manter tratado algum.
_ Certo. Vamos começar com isto. Jacob, nem você e nem lobo algum vai descumprir este tratado. Você não vai matar nenhum daqueles que se dizem Cullen, nem mesmo a criatura fruto de vampiro e humana. – Jacob e olharam espantados para a elfo. Ela tinha o olhar feroz e sua voz tinha alcançado um peso de sacudir montanhas. Quendra havia acabado de dar uma ordem.
_ Por quê? – sussurrou. Quendra sorriu morbidamente.
_ Vamos aos porquês então, senhora Black…


CAPÍTULO 29
VAMPIRO E SANGUE
“É aquilo que está dentro de ti,
O que corre pelas tuas veias e o que transborda em tua alma…
Seu precioso sentir humano, a forma como amas e como se sacrifica…
Isto te aproxima dos braços de Deus e lá estás seguro…
Torna-te sagrado e preterido quando preservas tua capacidade de amar
Não poderás ser tocado, ainda que for possuído por um demônio…” 

                        A nobre elfo se colocou em pé e fixou o olhar para além de e Jacob. Ela teria de se remeter a um tempo antigo. Se lembrou, inevitavelmente do começo de sua existência, e também de um certo humano que marcou a vida de Quendra. Lembrou-se do poder que aquele humano tivera em sua vida, em suas atitudes. Daquele homem galante e gentil, com toque suave e boa aparência, que tocava o rosto de Quendra como ninguém jamais tocou. Ele era a força que mantia a raça dos vampiros vivos hoje, não era mais homem, humano, mas a lembrança dele estava impregnada em Quendra por toda a existência.
            Mas sobre aquilo, o casal a sua frente de nada poderia saber… ainda. Eles saberiam, mas não hoje. A elfo começou a relatar somente o que achava prudente para o momento.
_ A vida na Terra… Nós nascemos juntos com os humanos e nem sempre nossa existência foi oculta. Nós éramos mais, muito mais. Para cada dois humanos existia um elfo. Desde o princípio tínhamos a missão de proteger, porque éramos irmãos dos humanos, diferentes em muitas coisas em nossas essências, mas unidos por Aquele que nos criou.  
            afirmou com a cabeça, compreensiva. Ela já tinha ouvido aquela história da boca de Koraíny.
_ Apesar da diferença em nossas espécies, nós, os animais e os humanos, tínhamos algo que era uma força dada por Deus: o sangue. O sangue sempre teve algo de sagrado e desde o princípio foi reconhecida sua importância. Era o alimento do corpo, a irrigação da alma. O sangue era o que preservava a vida, o correr do sangue pelo corpo fazia com que permanecêssemos vivos. Por isto, o som insistente e constante do coração passou a significar, mais do que qualquer outra coisa, a vida. E a vida na Terra, neste mundo, neste plano, era um presente de Deus.
“Pelo sangue a mulher foi castigada, pelo sangue a menina se consagra mulher. Pelo sangue a mãe alimenta seu filho sendo gerado dentro de si, e sem a perca do sangue pela mãe, o filho não nasce. Derramar sangue por alguém é o mesmo que abrir mão de sua vida por outro. O sacrifício era feito pelo sangue e inúmeros sacrifícios enobreceram o homem e também, lhe salvou. Quando o sangue do Homem-Deus, puro e legítimo, foi derrubado por pecadores humanos, trouxe o perdão sobre as cabeças indignas. O sangue selava pactos, puros ou malignos. O sangue consagra a Terra. O sangue sempre foi a vida, sempre será o alimento da vida. De certa forma, precioso…
“O sangue é, muitas vezes, como lágrimas de Deus. Ele tem o poder de purificar, de engrandecer. Uma alma abrigada em um corpo regado por sangue é consagrada boa, ela tem a escolha, o benefício do perdão, mesmo que seja de alguma forma, maculada. Quando o sangue pára de correr, o corpo terreno sempre perdeu a vida, mas a alma… esta era sacramentada e perpetuava-se para a eterna vida além da Terra, além do Universo. O mundo em espírito. Um corpo sem sangue não era visto como vivo, portanto não podia abrigar uma alma sagrada, purificada. Nós, elfos, nascemos conscientes disto.
“Porém, não tardou muito, criaturas que não eram humanas, que não eram abençoadas, surgiram sobre a Terra. Elas vieram do lado oposto a Deus, vieram para tentar dominar a Terra, estendendo seu território maligno, subjugando e escravizando as almas abençoadas. Por um tempo, elas foram conhecidas por demônios, quando os homens não haviam descoberto, sequer, a escrita. Elas proviam do abrigo maligno, mas não eram, exatamente, demônios.”
            Ouvir aquilo da própria rainha elfo, pareceu a , definitivamente real, não apenas uma história impressionante pra se ouvir antes de dormir, como foi quando ouviu com Koraíny. Jacob, por outro lado, tinha certeza de que o mundo era muito maior que ele, e tinha mais mistérios do que ele pudesse imaginar.
_A nós foi dado, então, a missão de eliminar tais criaturas e não permitir que elas chegassem a vida humana. E havia para nós uma maneira especial de distingui-las: elas não tinham sangue. Tinham corpos, algumas tinham as formas físicas tal como humanos, tal como animais, mas elas não podiam produzir sangue dentro de si. Porque o sangue era sagrado demais pra elas e o interior delas era essencialmente mau, impuro, cruel. Eles não tinham piedade nem ao menos de um para o outro, de espécie para espécie.  Os elfos, através dos séculos, lutaram com muitas raças distintas, raças de seres que vocês não podem, sequer, imaginar. Destruímos muitas delas, mas nestas guerras, perdemos muitos elfos e, conforme estas raças diminuíam e nós vencíamos, novos elfos não nasciam. Eles diminuíam e nós também.
“Porém o nosso poder era mais forte e definitivo para aquelas raças que não tinham sangue, nada, nem uma gota sequer em seu organismo. Mas isso não ficou oculto por muito tempo e, quando uma espécie, os Diampers, descobriram isto, eles usaram o sangue para nos subjugar.
“Eles tinham os corpos muito parecido com os humanos, mas o interior deles era maciço, como uma rocha. Os olhos, a boca, a pele deles, tinham a exata cor de uma rocha e composição de um diamante. Sim, a composição dos corpos deles era um tipo de rocha, de pedra rígida e impenetrável. Era uma espécie de diamante sim, duro e frio. Só que não era cristalina a cor deles, mas sim um cinza chumbo. Porém, por serem feitos como diamantes, suas peles refletiam a luz do sol, desvelando as cores ocultas dos raios. O brilho que provocava era tão intenso, que qualquer humano que olhasse, ficava cego. O brilho deles também dificultava a nossa visão nas lutas diurnas. Mas nós os matávamos, ainda assim.
 “Eles tinham um veneno letal em seu organismo. Eles mataram muitos humanos, apenas perfurando seus corpos com suas unhas ou dentes de pedra, injetando seu veneno. Os corpos humanos mortos por Diampers viravam pedras brancas, gélidas, e sem uma gota de sangue sequer. Além de matar os corpos humanos, os Diampers tinham o poder de fazer a alma humana se perder, vagando pelo mundo sem poder atravessar o caminho para o lugar final, para o plano a qual as almas pertencem.”
            passou a ficar mais concentrada. Aquela parte da história, com tantos detalhes, ninguém nunca havia lhe contado. Jacob estava imóvel, com o cenho franzido, absorvendo cada sílaba que saia da boca de Quendra.
_ Mas antes que nós pudéssemos acabar com eles, eles se utilizaram da nossa maior força para nos enfraquecer. Um dos últimos Diampers vivos recorreu ao sangue, ao sangue humano. Ele capturou uma criança forte e saudável de uma aldeia ao sul da África. Utilizou-se do poder demoníaco e cruel que tinha em si para fazer um ritual macabro.  Tirou da criança, boa quantidade de sangue, mas não o suficiente para que ela morresse. No seu peito de pedra, o Diamper fez um rombo, com suas próprias mãos, e irrigou o centro do seu corpo com o sangue da criança. Ele uniu o centro de sua vida, com a essência da vida da criança, unindo o principal das duas espécies. O sangue da criança passou a alimentar a criatura, modificando a estrutura de seu corpo, a composição e efeito do seu veneno.
“Nós conseguimos chegar no momento que ele modificava-se. Os outros da espécie dele tentaram nos impedir, mas nós os matamos. Quando a criatura que fazia o ritual percebeu que chegaríamos até ele, ele fez algo que mudou tudo. Ele perfurou os dentes de diamantes, cheios de seu novo veneno, na veia que levava o pouco de sangue da criança humana mais rápido ao coração, a jugular. Quando nós o destruímos, o veneno já se alastrava na criança irrevogavelmente. Mas o veneno não fez o que costumava fazer, não transformou a criança em pedra, não a matou, não fez com que a sua alma se perdesse do corpo.
“Nós vimos, inertes e confusos, a criança gritar e se debater enquanto uma espécie de chama infernal consumia seu corpo, dando a ele a rigidez do diamante que os Diampers eram compostos, rigidez que impediu o coração da criança de bater, tornando-o frio e imóvel. As características humanas e diampers se fundiram, dando origens a outras. Nós não podíamos fazer nada contra aquela criança, porque ela carregava aquilo que nos fazia irmãos. Aquela criança tinha ainda, misturado ao veneno dos Diampers, o sangue humano, sagrado. Por isto, quando ela abriu os olhos, transfigurada em nova criatura, não pudemos investir contra ela, pois sua alma estava lá, aprisionada dentro dela, perdida dentro dela. O humano dela estava preso, solidificado pelo corpo pétreo e morto que o Diamper transformou. Nos olhos dela estava a marca daquilo que nos impedia. Em suas íris estava o sangue líquido, dando a cor vermelha a seus olhos. Nós não sabíamos, mas era mais forte naquela criança o demônio que o Diamper era e colocou nela, do que o humano que ela um dia foi. Se nós o matássemos, aquela alma aprisionada ia se perder eternamente, mas, na nossa ignorância, não sabíamos que o sacrifício daquela alma salvaria o mundo de uma raça maldita.
“Aquela criança foi o primeiro vampiro. Ela fugiu, porque não pudemos fazer nada contra ela, saiu pelo mundo, incontrolada com sua sede, espalhando seu veneno, condenando outros humanos a sua mesma sorte, transformando outros em criatura igual a si, com o veneno que degradava a humanidade, que os fazia irracionalmente sedentos de se alimentar de sangue, algo que o corpo deles já não podiam produzir, manter. Eles se alastraram mais rapidamente do que podíamos vencê-los e tudo se tornou um caos.”
            Quendra parou de falar, se sentando e respirando profunda e lentamente, como se lamentasse aquela lembrança. Jacob moveu o corpo, sentindo que este estava dolorido de tanta tensão.
_ Nossa…  Isto é… isto é…- Ele sussurrava.
_ É algo que nem os vampiros sabem: como eles surgiram… quer dizer, pelo menos a maior parte não sabe. – Quendra completou o que Jacob não pode expressar. Somente um vampiro sabia de tudo. Era o primeiro homem transformado pela criança vampira, o primeiro humano que ela transformou ao invés de matar ao sugar o sangue. Era o vampiro que tinha visto em sua visão, em sua primeira visão. “Mas isto, eles ainda não precisam… não podem saber…” Quendra pensou pra si mesma.
_ Você disse que as almas ficavam aprisionadas…? – A voz de saiu rouca ao fazer a pergunta.
_ Quando humanos se tornam vampiros? Sim, as almas ficam aprisionadas, e é a única essência humana que permanece neles. Porém, cada vez que eles condenam outros humanos a mesma sorte que a sua, cada vez que eles matam outro humano, sugando seu sangue pra manter sua força, assegurando sua eternidade por meio de morte inocente, eles perdem o acesso aquilo de humano que há em si. Porém, a alma não se liberta, não se aflora, não sai deles. Algumas destas almas se contaminam, se o desejo de matar, de sugar o sangue se tornar prazeroso demais para eles. Elas se tornam malignas e quando este vampiro é destruído, a alma não é salva, ela vira pó e simplesmente, se perde.
            Jacob sacudiu a cabeça, mas algo que Quendra disse lhe chamou a atenção…
_ Cada vez que eles matam outro humano pra se alimentar, à medida que se torna prazeroso… - Ele começou a repetir, em tom indagativo.
_ É bem por aí Jacob. O seu raciocínio está certo.
_ Então eles… ao não beberem sangue humano, ao se alimentarem de animais, como os próprios humanos fazem, eles…
_ Isto! – Quendra afirmou.
_ Posso saber também? – perguntou, irritada por Quendra estar interrompendo Jacob continuar suas frases e respondendo os pensamentos ocultos. Jacob sorriu, apesar de sua mente estar fervendo com o que estava pensando.
_ Vamos explicar isto exemplificando. Como você bem sabe , sabe porque você é filha de uma humana assim, existem humanos que fazem toda a nossa luta valer a pena. Eles são bons e preservam o caminho honroso que lhes é concedido. Eles amam de uma forma esplendorosa e fazem suas vidas merecerem ser glorificadas. As almas destes humanos são mais fortes, são mais puras. Elas não se contaminam facilmente.
_ E…? – já começava a entender o que Quendra falava, mas queria que ela continuasse. Jacob continuava com uma expressão tensa, com os braços cruzados fortemente no peito.
_ Mas isto não é garantia de que estes humanos não possam estar no caminho de um vampiro, isto não é garantia que eles não possam se tornar um deles. Porém, para estes, a resistência de suas almas pode ser maior na prisão que ficam condenadas quando são vampiros. Se eles resistirem, eles preservam o que há de mais precioso nos humanos: os sentimentos. A forma de sentir, de amar, de odiar também, de salvar a sua alma.
            franziu o cenho.
_ Eles não são confiáveis. – Ela afirmou, se referindo aos vampiros.
_ A sede eterna por sangue é o que os aprisiona , mas se eles resistirem por vontade própria, isto é tido como um sacrifício, um sacrifício pelo sangue… por sangue. E sacrifícios, verdadeiros e legítimos…
_ Enobrecem, engrandecem a alma. – completou.
_ Há quase quatro séculos atrás eu me deparei com uma situação assim. Ele era humano e admiravelmente bom.  Quando ele foi mordido, eu senti um pesar imenso, não podia acreditar que uma alma tão boa havia se perdido. Mas ele me surpreendeu. Ele resistiu e fez o que ninguém mais fez. Não sugou uma gota de sangue humano para se alimentar. Sua alma permaneceu em si, apesar de sua condição eterna. Vampiro. Ele cometeu erros, claro, nem tão nobre ele foi, ele quis família e transformou outros em vampiros. Isto pode ter sido remediado, pois ele transmitiu a sua força em resistir a sede aos outros de sua família, e, contra todas as expectativas, ele uniu aqueles seres perdidos, pelo amor. O mesmo sentimento que constrói e edifica uma família humana.
_ Deixe-me adivinhar quem era… Carlisle? – Jacob disse, sardônico.
_ Sim, Carlisle. O líder do clã dos Cullens. – Quendra suspirou – Tudo o que há de honroso em humanos nos subjuga. O amor humano, a alma humana se esforçando pra se manter firme em corpo de demônio nos barra, Jacob. Por esta razão, nós nunca poderíamos fazer nada contra aqueles que estivessem dispostos a tentar… eles guardam em si algo que pode ser muito… bom… ­- percebeu Quendra dizer a palavra “bom” com um brilho a mais no olhar. Conhecendo-a, sabia que a elfo via algo muito maior em relação àqueles vampiros.
_ Você quer dizer, que por eles não matarem humanos, eles se tornam intocáveis? – questionou, incrédula.
_ Isto é o que nós precisamos saber, não é bom que esta história se espalhe, por nossa segurança. Se o destruíssemos, estaríamos fazendo com que suas almas se perdessem. Carregaríamos o peso disto então. Por isto eu procurei seu avô Jacob, permiti que ele me visse e, mesmo sem saber quem realmente eu era, ele me obedeceu. O tratado só pode ser legitimado por isto. E pelas razões que eu mencionei, ele deve ser mantido.
_ Eu não acredito nisto… - Jacob colocou a mão na cabeça, nervoso.
_ Você sabia que Isabella ia se tornar vampira, não sabia Quendra? – perguntou. Jacob parou e voltou a olhar para a rainha.
_ Creio que desde que ela nasceu, tão perto dos lobos, aqui em Forks. – Quendra apontou pra o lado de fora da janela, em direção a cidade. - A diferença dela, é que ela sempre quis isto. O poder de uma crença pode mover montanhas , e Isabella sempre acreditou que se tornaria vampira apenas pra eternizar o seu amor, nada além disto. Ela certamente não sabe que a vida terrena não é a única coisa que eterniza um amor, mas isto nem todos sabem. Ela era inocente o suficiente pra ser ignorante do fato de que colocaria sua alma em risco por isto, mas, enquanto humana, ela tinha essa liberdade de escolha. 
_ Edward alertou ela sobre isto… - Jacob divagou, pensando em voz alta.
_ Sim, talvez ele seja mais consciente disto do que ela, mas não completamente. Mas, por ela querer isto, tudo foi mais fácil pra a resistência da alma de Isabella. Ela usou a transformação pra algo humano… profundo demais. E eu não poderia ver de outra forma, tinha de ser assim, não havia como interferir e impedir. Mas o fato de ele, o vampiro Edward, não querer transformá-la levianamente, por ele resistir… aquilo foi realmente uma prova de amor, Jacob.
_ Mas ele fez! Ele a transformou! – viu o resquício de ódio em Jacob quando ele disse aquilo.
_ O egoísmo humano Jacob. O egoísmo humano de ter um amor pra si, ao seu lado. Isto você também tem, assim como ele. Ele pensava que a morte era o fim, uma visão rasa. Não queria perdê-la. Agiu por desespero. Isto é uma atitude meramente humana. Poderemos condená-lo?
_ E a criança? – perguntou, se lembrando da criança vampira que Jacob quase matara, a criança que nasceu de Isabella. Algo naquela criança lhe intrigava.
_ O que quer saber sobre ela? – Quendra perguntou.
_ O que é ela? – perguntou simplesmente, mas não expressando corretamente a quantidade de duvidas que estava em sua cabeça. A alma daquele ser que Isabella pariu era humana? Ela tinha alma? Estava aprisionada? Ela tinha a mesma condenação que os vampiros?
_ Não posso responder tudo isto . Mas algo me diz que você vai ter a oportunidade de esclarecer suas duvidas por si mesma.
            ergueu as mãos ao alto.
_ Estou cansada disto tudo! – Ela quase gritou.
_ Não é só você. – Jacob murmurou.
_ Creio que, por agora, vocês sabem tudo o que precisam. O tratado ainda será mantido.
_ Você quer dizer que eu vou conviver com aqueles vampiros? Você quer que eu me encontre pacificamente com esta Isabella sem matá-la? – falou raivosa, apontando o dedo para a elfo. Jacob arregalou os olhos.
_ Matá-la por quê? – Quendra perguntou, com um toque de zombaria na voz.
_ Como por quê? – se espantou. – Até o momento matei todos os vampiros que chegaram perto demais do meu pescoço!
_ Sim, isto seria apenas uma atitude de legítima defesa, você estaria protegendo o seu sangue… certamente. Isto não é, de maneira alguma, resquício dos sentimentos que acabou de compartilhar com Jacob, não é mesmo? – Quendra completou risonha, sabia que ficaria revoltada.
_ E se fosse? Qual o problema? – bufou irritada. Jacob olhou pra ela com a boca aberta. Quendra riu.
_ Se quer saber, você, e só você , teria o direito de matá-los, mais do que nós. Isto porque eles podem sim sugar seu sangue, pois você os atraí da mesma forma que os outros de sua espécie. E se eles fizerem isto contra a sua vontade, bom, eles vão perder boa parte da resistência que possuem. Mas, se eles resistirem, então não, você não poderá fazer nada contra. Entendeu?
            riu um riso maligno.
_ Não! Isto não!  - Quendra pareceu exasperada com algo que pensou.
_ O que? – Jacob perguntou.
_ Você vai controlar o seu cheiro perto deles sim ! Você não vai incitá-los só pra poder matá-los! Vou saber disto! – Quendra ralhou com , quase ignorando a cara de espanto de Jacob. sacudiu a cabeça e fechou a expressão. – Bom, vocês estão avisados. A forma como vocês irão administrar isto pertence somente a vocês.
            Quendra deu um ultimo olhar a e desapareceu. A médica se sentou no chão do quarto e enfiou a cabeça no meio das pernas, entranhando os dedos em seus cabelos. Sua cabeça girava com tanta informação, ela não sabia muito bem o que administrar, digerir. Da mesma forma estava Jacob, que voltou a se sentar na beirada da cama de , também abaixando a cabeça. Só uma pergunta lhe rondava os pensamentos: e agora?
            Repentinamente se levantou e foi para seu closet. Pegou uma muda de roupa qualquer e se enfiou dentro do banheiro. Jacob não se moveu.
            deixou que a água caísse em sua cabeça, lavando seu corpo por um tempo indefinido. Era como se a água pudesse aliviar a confusão que estava sua mente. Havia, claro, tudo o que Quendra havia revelado sobre os vampiros, a loucura daquele tratado que devia ser mantido, a possibilidade quase certa de Quendra estar ocultando coisas vitais sobre aqueles vampiros que ela claramente protegia… mas uma coisa atormentava mais do que tudo. Aquilo que ela viu na mente dele, a lembrança de Jacob dizendo que amava outra mulher, conhecer um Jacob jovem, com um vigor brincalhão nos olhos, derretidos por outra. Sentir com ele, ao se recordar de tudo, a dor de não ser correspondido, de lutar tanto por um amor, por ter tanta esperança e perder… isto era mais perturbador do que qualquer outra coisa. 
            Aquela, definitivamente, não era a recepção que esperava ter em casa, não depois da ultima noite. Como eles estariam agora?
            finalmente saiu do chuveiro e, enquanto penteava os cabelos em frente ao espelho, procurou pensar em outra coisa, em coisas mais urgentes. Era inquestionável que a vampira Swan estava retornando, e foi ela quem chamou, portanto ela teria de lidar com isto. Só de imaginar vampiros em um hospital lhe causava arrepios, fossem eles quem fossem. Eles só frequentariam aquele lugar se passassem por cima de seu cadáver.
            Saiu do banheiro decidida a voltar para o hospital.
_ Aonde vai? – Jacob perguntou. Ele estava na exata posição de quando entrou no banheiro.
_ Ao hospital. Preciso cuidar do que fiz. – Ela lhe respondeu branda, pegando sua bolsa no chão do quarto. Ela nem se lembrava que havia jogado ela ali. – Uma hora destas a vampira já está lá, me esperando.
_Adianta eu dizer para não ir?
_ Você sabe que não. Além do mais, você precisa pensar no que vai fazer em relação a ela, caso eu não consiga expulsá-la da cidade. – disse. Jacob levantou a cabeça, lhe encarando.
_ O que?
_ Jacob… Você não pode romper o trato, mas eles não precisam saber disto certo? Resumindo, você tem controle sobre os Cullens. Você pode, se souber e se quiser… manter Isabella longe.
            Ele suspirou, balançando a cabeça com a amargura contida que havia na voz de ao mencionar Isabella.
_ Isso já não importa… não faz diferença… - Ele sussurrou.
            tirou a chave do carro da bolsa e ficou as esfregando nas mãos. Tinha uma pergunta entalada na garganta, torturando seu coração.
_ Não faz diferença mesmo? – Ela murmurou, mas Jacob nada disse. Ela respirou fundo e murmurou novamente. – Jacob… você… você ainda a ama? – Assim que ela perguntou abaixou a cabeça e apertou os olhos, aquela duvida lhe maltratando, mas a possibilidade de ouvir um sim como resposta era ainda mais angustiante.
            Ele estava quieto… quieto demais. não resistiu, abriu os olhos e o encarou timidamente. Ele lhe olhava, seus olhos cor de pixe estavam mais profundos. Ele deu um meio sorriso, quase imperceptível, e respondeu:
_ Não. Não da forma que amei. Acabou. – Ele falou, parecendo tirar o peso do mundo de seu peito, deixando-o mais leve.
_ Mas foi forte demais para esquecer, não é? – Ela sussurrou, ainda tímida.
_ Exato. – Ele respondeu, breve. Seu olhar, sem se desviar do dela, parecia falar muito mais do que suas frases concisas.
_ Eu vou então…
            Jacob não fez um movimento sequer, continuou a encará-la, desconcertando-a. O que passava pela cabeça dele naquele momento? Era impossível saber por seu olhar insondável. se virou lentamente, pensando em como seria aquele enfrentamento com vampiros. De repente ela pensou em algo, mas lhe pareceu estúpido demais, a fez rir.
_ O que foi? – Jacob perguntou.
_ Nada… eu só… - Ela falava agora de costas pra ele. – Só me lembrei que vampiros odeiam cheiro de lobo então… talvez pudesse me ajudar o… seu cheiro. Digo, a mantê-los afastados.
_ Como eu fiz com Isabella? – Ele perguntou, sabendo que ela tinha visto quando ele ocultou o cheiro de Bella, carregando-a no colo para uma montanha.
_ Irônico não é? – Ela disse, sacudindo a cabeça, mas sem se virar.
_ Teu cheiro é muito mais penetrante do que o dela. Mas isto poderia disfarçar…
            Ela percebeu o movimento dele se levantando à suas costas. E a proximidade voltou a lhe provocar as reações no corpo e um aperto no coração. Era saudade, saudade daquele toque, do toque dele. Ela não deixou transparecer, nem a si mesma, o quanto teve medo de perder aquilo enquanto via as lembranças de Jacob com Isabella.
_ Sim, pode disfarçar. – se virou para ele novamente, de olhos baixos. – Então me abrace, coloque seu cheiro em mim. – Ela pediu, pediu já com os poros agitados. E o motivo pelo qual ela pediu o abraço já não era mais o de disfarçar cheiro algum. Ela pedia o abraço, simplesmente, porque queria ser abraçada por ele.
            Nenhum movimento veio dele, porém. Ele continuou estático na sua frente. Ela ergueu os olhos, para ver sua expressão… E primeiro ela viu o sorriso cálido dele e depois… depois ela não viu, mas sentiu ele por toda a parte, lhe envolvendo nos braços em um aperto incontido, encostando cada parte do seu corpo no dela, apertando-a, unindo-a, juntando-a a ele. Seus peitos se grudavam ao ponto de parecer que seus corações se conectavam, aquecendo a frieza com que se trataram nos momentos anteriores. Ela suspirou nos braços dele, aconchegada, em segurança, calorosa.
            Ele colou sua testa na dela e a olhou em meio ao abraço, parecendo querer dizer algo, mas parando no meio do caminho. Desistiu de falar e simplesmente a beijou. Beijou com gana e vontade, com saudade e com afeto, sublime afeto inexprimível por palavras. Era somente sentido, degustado. Suas línguas se enroscavam em perfeita sincronia e ambos desejavam que aquele beijo fosse eterno. agarrou os cabelos dele e puxou-o mais para si, correspondendo o beijo com o peito em fúria de tão acelerado. 
            Aos poucos aquilo foi se atenuando, mas seus corpos não se desgrudavam. estava prensada na parede do quarto, suas coisas caídas no chão, sua roupa amassada, seu cabelo úmido, embaraçado com os carinhos de Jacob lá. As pernas dele se acomodavam por entre as suas, o calor férvido do quadril dele pressionando seu ventre.
_ Jake… - Ela falou, com voz falha. – …eu vou…
_ Meu cheiro… assim… é o suficiente? – Ele perguntou, sem fôlego, apertando as mãos em sua cintura. Ela inspirou o cheiro almiscarado diretamente do pescoço de Jacob, fechando os olhos.
_ Não… - Ela soprou contra o pescoço dele. Ele sorriu nos cabelos dela, acariciando sua orelha com os lábios quentes. – Mas é o que é possível por enquanto… - tentou se sair do abraço, mas ele a conteve, pressionando-a mais contra parede com seu corpo.
_ Se ficar mais tempo, pode pegar melhor… - Ele continuava a lhe dar beijos ternos no pescoço, na orelha, a lhe acariciar as costas, as coxas.
_ Quanto mais rápido eu for, mais rápido acaba… - Ela disse, retribuindo cada beijinho que ele lhe dava. Jacob parou e se afastou dela, mas segurando suas mãos.
_ Eu não quero que você vá…
_ Eu fiz um estrago… eles estão lá e alguém tem que concertar isto.
_ Não vá sozinha… - Ele pediu. Depois falou inseguro- …Eu vou junto.
_ Não Jake. Não force nada aí dentro ainda. – Ela disse, colocando a mão no peito dele. – Você não quer rever Isabella ainda, não se force por mim. Eu sei me defender e, mais do que você, eu posso me defender contra eles.
_ Eles não podem saber o que você realmente é! – Jacob falou, parecendo desesperado com aquela possibilidade. – A Leah vai com você então… - Ele sugeriu, mas na verdade se sentindo covarde por ter que admitir que sentia certo pânico ao ter que encarar seu passado em uma Isabella vampira.
_Jacob, não precisa! – quis argumentar, mas Jacob já telefonava a Leah e, com voz quase rude, lhe ordenava que acompanhasse , mas sem descumprir o tratado. A loba não poderia atacar os Cullens. Leah começou a reclamar e questionar do outro lado, mas Jacob lhe cortou.
_ Vou de carro com ela então. Passo aí em dois minutos. – A loba respondeu, desligando o telefone.
_ Eu sei lidar com vampiros.  – resmungou, catando suas coisas do chão. Mas Jacob voltou a erguê-la, fazendo-a derrubar tudo novamente. Olhou pra ela angustiado e disse:
_ Posso continuar o abraço? – sorriu, desarmada, e somente o abraçou de volta. Ficaram ali, grudados, até que a buzina do carro de Leah soou na frente da casa. se afastou de Jacob, arrumando a roupa.
_ Eu vou… - Disse.
_ E volta. – Ele completou, firme.
_ Sempre. – Ela sussurrou-lhe ao ouvido, dando-lhe um beijo nos lábios, rápida como um beija-flor, e saindo apressada.


CAPÍTULO 30
ENCONTRO
            Isabella se recostou no banco de trás do carro e fechou os olhos. Eles passavam pela placa “Bem vindo a Forks” naquele momento. A lembrança de quando ela veio morar com Charlie veio a sua mente novamente. Ela aprendeu a amar seu pai, a ficar mais próxima dele. Foi imensamente difícil ter que virar as costas para aquela cidade, deixando seu pai espantado com sua aparência de vampira, com sua condição sobrenatural. Ele não quis nenhuma explicação sobre aquilo, só lhe disse que precisaria de tempo. Se ela pudesse chorar, com certeza, o dia que deixou Forks seria propício a isto.
            Mas, mesmo durante os anos que viveu longe, ela sabia que ele estava vivo, podia falar com ele sempre que desejasse ao telefone, assim como com sua mãe. Isto era o que lhe aliviava.
            O carro parou, Bella abriu os olhos para vislumbrar o hospital de Forks, com uma fachada diferente da que se recordava, toda branca e com um belo letreiro cromado. Edward se virou para a esposa e passou seus dedos pelas marcas arroxeadas por baixo dos olhos dela.
_ Era melhor você ter caçado antes, Bella. Você ficou enrolando e não foi já faz mais de uma semana. – Ele lhe disse, enquanto Carlisle abria a janela do carro e procurava sentir o cheiro na brisa ao redor do hospital. Nada de lobos.
_ Eu posso suportar isto Edward. Uma semana não é muito pra mim. Eu quero ver meu pai. Há meses não falo com ele e agora… agora isto acontece. – Edward afirmou com a cabeça.
_ Quem você acha que é a doutora Black? Acha que ela tem algum tipo de relação com Jacob? – Edward perguntou. Bella suspirou desnecessariamente.
_ Não sei. Eu queria saber, mas ela pode ser qualquer coisa dele. Uma parente distante… eu não sei Edward, não quero pensar nisto.
_ Parente distante? – Edward perguntou. – Ou talvez esposa? – Bella travou o maxilar.
_ Não sei. Mas ela me pareceu neutra demais, me tratou como se nunca tivesse ouvido falar de mim. Não acho que a esposa de Jacob me trataria assim.
_ Talvez ela seja só profissional. – Carlisle sugeriu.
_ Não, não acho que alguém com nome Black seja tão cordial com vampiros. Eu não sei, mas tenho receio dela. – Edward falou, crispando os lábios.
_ Vamos descobrir agora. Eu não posso esperar mais Edward, preciso ver meu pai. – Bella se inclinou para frente e apoiou a cabeça no ombro do marido. Ele lhe afagou os cabelos e saiu do carro. Isabella foi junto, agarrada na mão dele, Carlisle foi na frente.
            Eles entraram no hospital olhando por todos os lados. Até o momento não tinham visto nenhum lobo ao redor, nada de anormal aconteceu. Carlisle se direcionou ao balcão de recepção, onde uma moça estava distraída mexendo em papéis.
_ Boa tarde. – Ele cumprimentou, chamando a atenção da moça. Ela levantou a cabeça e logo depois teve a natural reação de espanto.
_ S-sim. – Ela respondeu, gaguejando. Passou a olhar deslumbrada os dois belos homens a sua frente e a mulher de beleza distinta e elegante. Eles eram perfeitos, pareciam deuses. O homem loiro parecia ter não mais que 40 ou 42 anos, havia alguns fios brancos em suas têmporas, disfarçados pelo loiro de seu cabelo. Mas ele fazia o tipo de coroa garanhão, com um corpo maravilhoso, de fazer inveja a qualquer garotão.
            A mulher e o outro homem pareciam ter 25 anos, mais ou menos. Ele usava óculos, seus cabelos cor de cobre penteados despojadamente. Ela estava com uma expressão suavemente ansiosa, vestia um vestido que deveria valer todo o salário da recepcionista.
_ Sou o doutor Carlisle Cullen. Cliniquei aqui há alguns anos atrás. Gostaria de me informar sobre um paciente, Charlie Swan. Ele está internado aqui? – Carlisle perguntou polidamente. A moça demorou a processar o que ele havia dito, olhando perdida pra ele. Isabella se moveu inquieta ao lado de Edward.
_ Ah, sim, claro. Charlie Swan, o chefe de polícia. Bom, ele está internado na ala de tratamento intensivo. As visitas são restritas no momento. M-mas o senhor, digo, o doutor pode falar com a médica que o atendeu, ou com algum membro de sua equipe.
_ Doutora Black! – Isabella se precipitou para frente. – A medica é a doutora Black, eu sou filha do paciente, ela me disse pra procurá-la.
_ Sim, sim. Doutora Black é a neurologista chefe do nosso hospital. Só um minuto, eu vou tentar falar com ela.
            Bella inspirou e olhou angustiada para Edward. Ele enlaçou o braço em sua cintura, beijando sua testa enquanto esperavam a recepcionista telefonar a outro ramal.
_ Sim? – Uma mulher de voz anasalada respondeu ao segundo toque.
_ Oi Sharon. É a Tracy. Estão aqui na recepção algumas pessoas querendo informação sobre o ultimo paciente da doutora Black.
_ A filha dele está aí?… Han… Isabella Swan? – A mulher perguntou.
_ Está sim.
_ Então mande ela pra cá, pra sala da doutora, vou chamar o doutor Marlon pra atendê-la. A doutora já deve estar pra chegar.
_ Certo então. – Tracy respondeu, desligando o telefone e se dirigiu a Carlisle. – Vocês irão falar com o assistente da doutora, o doutor Marlon. Ele aguarda vocês no consultório no final do terceiro corredor, à direita. A doutora Black não deve demorar.
            Carlisle assentiu com a cabeça e seguiu com Isabella e Edward àquele que tinha sido seu consultório um dia. Bella apertou o passo, se impelindo para frente e procurando distinguir o cheiro de Charlie pelo ar. O consultório também havia sido reformado, estava maior do que Edward e Carlisle se lembravam, havia uma elegante antessala onde uma senhora e um médico, com aproximadamente 30 anos, os aguardava.
             Além dos cheiros daqueles humanos, Bella distinguiu um outro perfume no ar. Era um cheiro suave, quase escasso, mas que parecia fazer parte dali. Era doce e fresco, um tanto quanto saboroso. Sua garganta coçou, mas ela ignorou.
  _ Boa tarde. Sou o doutor Jack Marlon, estou aqui representando a doutora Black. Ela já deve estar chegando.
_ Onde está meu pai? – Bella não demorou a perguntar.
_ Seu pai está na UTI, mas logo passará para o quarto. O quadro dele já foi estabilizado.
_ Sim, eu já sei disto, a doutora me disse por telefone. Eu só quero vê-lo, falar com ele. – Ela voltou a falar, encarando o médico com olhos implorativos. Marlon respirou fundo e piscou duas vezes antes  de responder.
_ Seu pai está sedado no momento, presumo que você poderá vê-lo quando chegar, ela precisa liberar as visitas.
_ Doutor, por favor, eu não sou visita! Eu sou filha dele, preciso vê-lo! – Bella estava começando a se desesperar, Carlisle tomou a frente.
_ Doutor Marlon, não seria possível permitir que Isabella veja o pai, só por uns minutos? Ela está muito ansiosa, isto poderá acalmá-la para podermos conversar e esclarecer o caso. Não acho que isto seja contra alguma regra de conduta.
_ Não, não é senhor…
_ Carlisle, Carlisle Cullen. Já fui parte da equipe médica deste hospital.
_ Ah, sim. Já ouvi falar do seu nome, doutor Cullen. Você trabalhava junto ao doutor Hanson não é?
_ Exatamente. Ele é da mesma época que eu.
_ Bom, agora ele é o nosso diretor. Acho que poderemos conversar neste caso, enquanto a senhora pode ir ver seu pai.
_ Isabella, por favor, meu nome é Isabella. Será que o meu marido pode me acompanhar? – Ela perguntou, sem coragem de se separar de Edward, que parecia lhe sustentar com os braços a seu redor.
_ Bom, o máximo de visitas na UTI é duas pessoas. Presumo que não haverá problemas. Sharon irá acompanhar vocês.
            Isabella maneou a cabeça e sussurrou um obrigada. Carlisle ficou para trás para conversar com o doutor enquanto Edward lhe acompanhava. Eles fizeram a higiene, vestiram o avental e a máscara verde e entraram no quarto. A cama de Charlie estava próxima a uma janela muito bem fechada e coberta por persianas azuis. Seu corpo estava coberto somente com um lençol azul, no seu tórax e testa haviam fios de monitoramento. Ele usava uma mascara de oxigênio.
            Bella se aproximou da cama, olhando abalada seu pai ali. Ele estava pálido, seu coração batia devagar, tal como sua respiração. Ele havia envelhecido mais, as marcas do tempo cada vez mais evidente em sua pele, em seu corpo. Sua calvície estava acentuada, sua barba estava grisalha.
_ Pai… - Ela sussurrou, levando temerosa suas mãos geladas no rosto dele. – Ah pai… - Isabella se inclinou e beijou a testa de Charlie. A boca tampada com a máscara não impediu que pudesse sentir o sutil calor do corpo humano de seu pai. – Eu vou cuidar de você. Eu não vou deixar você agora, não importa o que aconteça, eu vou ficar do seu lado enquanto precisar de mim, ouviu?
            Edward observava Bella inclinada na cama, acariciando o rosto adormecido de Charlie. Se aproximou dela, afagando suas costas e beijando seus cabelos.
_ Vai ficar tudo bem meu amor! Charlie vai ficar bem.
_ O que ele está pensando? – Ela perguntou.
_ Nada demais, são coisas desconexas amor, pensamentos inconscientes. Você está neles, ele se lembra de você pequena. – Edward sorriu.
            Bella voltou a beijar Charlie.
_Minha infância… eu passei tão longe de você pai… - Ela dizia. Bella se levantou e olhou ao seu redor. A enfermeira que monitorava a UTI estava de costas, ela estreitou os olhos para os aparelhos que apitavam ao redor de Charlie.
_ Está tudo normal para o quadro dele, Bella. – Edward respondeu. Mas ela foi para os pés da cama e pegou o prontuário que estava pendurado lá. Ali estavam todas as informações técnicas sobre o estado de seu pai e todos os medicamentos que estava tomando, com as doses e horários precisos. Tudo estava escrito com uma caligrafia cuidadosa demais para médicos em geral. Do papel vinha o mesmo cheiro que estava no consultório. Ao final da folha havia a assinatura da médica:
Dra. Black.
_ Tudo muito cuidadoso. – Edward sussurrou, por sobre o seu ombro. – Não há uma informação incompleta sequer. Seu pai parece estar em boas mãos Bella.
_ Sim… - Ela respondeu. Mas dado o silêncio do lugar, um som chamou a atenção de Bella. Eram passos, mas eram passos suaves, uniformes. Era feminino, pois, quem quer que fosse, usava salto, mas parecia administrá-los com proeza no seu andar. A pessoa parou na porta da UTI e pareceu fazer o mesmo processo que Edward e ela fizeram.
            estava do outro lado, já entortando o nariz para o cheiro irritante dos vampiros. Estava com raiva por eles já estarem aboletados ali, na ala intensiva. Eram dois, ela sabia, estavam quietos do outro lado. colocou a mão na maçaneta da porta pesada e empurrou, sem mais demoras para terminar com aquilo.
            E lá estava ela, a Isabella vampira. Os olhos dela estavam absolutamente negros e foi a primeira coisa que mirou ao entrar. Elas ficaram se encarando por um tempo, uma observando a outra. percebeu a bela vampira mover o nariz e trancar a respiração. O cheiro de estava fazendo efeito. Os vampiros ficaram estáticos observando-a. se moveu, olhando para Charlie na cama, conferindo se ele estava bem. Lentamente se aproximou, com os pelos da nuca se eriçando.
            Edward imediatamente reconheceu o cheiro de Jacob na médica. Porém não estava como costumava ser, fedido. O cheiro dela parecia ser mais forte, ao ponto de querer ocultar o cheiro de Jacob ao invés do contrário. O odor lupino foi, assim, suavizado. Ela se aproximou sem falar uma única palavra e pegou a prancheta do prontuário das mãos de Isabella. Esta soltou inerte, observando intrigada aquela mulher. Dava pra ver por sobre a máscara que a pela dela tinha um brilho acetinado, parecia ter a suavidade do veludo. Ela era mais alta que Isabella, cerca de 1,75.
            Ainda sem dizer nada ela se virou de costas para Edward e Isabella e se inclinou sobre Charlie, o examinando cuidadosamente. Mas o movimento dela fez com que seu cheiro, ainda que misturado de um lobo, viesse com força ao nariz de Bella. Imediatamente o instinto de sua raça filtrou o cheiro particular que vinha dela, saboroso, indescritivelmente saboroso. Ela estava com sede, Bella não tinha caçado e o cheiro da humana a sua frente era particular demais, insano demais para não despertar a mais louca de suas vontades.
            Edward percebeu a reação de Isabella assim que ela inclinou o rosto para o lado da doutora e inspirou o ar, fechando os olhos com prazer. Logo depois os olhos de Bella se estreitaram e seus lábios se moveram por trás da máscara. Ela queria agarrar os cabelos da mulher a sua frente e expor a pele de seu pescoço. Ela queria lamber sua pele para experimentar o gosto antes de perfurar o pescoço dela com seus dentes. Parecia que a carne da moça também teria um gosto bom, por isto ela não queria somente o sangue dela, queria comer a carne da humana, pois esta estava irrigada com um sangue que só podia ser saboroso, caudaloso. Se o cheiro tinha sabor, imagine o líquido dentro das veias dela.
            Isabella deu um passo em direção a médica inclinada com ombros tensos sobre a cama de hospital. previa um ataque, se preparava para arrancar repentinamente a cabeça da vampira, e depois acabar com o vampiro. Olhou pra cima, a enfermeira estava olhando para eles, estranhando.
            Mas antes que Isabella ou pudesse fazer qualquer movimento, Edward agarrou com punhos de aço a cintura de sua esposa e a puxou junto a si, sussurrando urgente em seu ouvido:
_ Prenda sua respiração! Se controle! – A voz de Edward despertou, lá do fundo, a consciência de Isabella. Mas era imensamente difícil pensar em algo além do sabor da médica. esperou, inclinada na cama ainda, sem se mexer, que a vampira se controlasse. A enfermeira continuava olhando.
            A muito custo Isabella travou sua respiração, parecia que havia sido derrubado ácido puro em sua garganta, tamanha ardência a sede provocava. Ela fechou os olhos e fez um sinal a Edward que estava bem. Mas ele não lhe soltou.
            finalmente se movimentou, mas, no exato momento que ia se virar para os vampiros, Charlie deu sinal que ia acordar. Lentamente ele abriu os olhos, encarando confuso o espaço ao redor dele. olhou para os vampiros, rígidos e sem respirar a suas costas, se virou e voltou a olhar para Charlie. “Merda!”, pensou.
            Ele mexeu levemente a mão direita e sua pulsação acelerou. Bella arregalou os olhos e se lembrou que o seu pai estava ali. Tentou se aproximar, mas Edward não permitiu.
_ Olá Charlie! – falou, ela tinha que acalmar seu paciente, conscientizá-lo. Mas a vontade que tinha era aplicar mais sedativo nele, para que pudesse sair dali com os vampiros. Pra piorar a situação, a enfermeira saiu de seu lugar e veio ao encontro dela para lhe auxiliar.
            Charlie piscou e olhou confuso pra , não parecendo reconhecê-la de momento. Tossiu, incomodado com a máscara de oxigênio. A enfermeira retirou-a.
_ Chame o doutor Marlon aqui. – sussurrou apressada para a enfermeira. Ela afirmou e saiu do lugar. – Charlie, se recorda de mim? Sou eu, a . Black, a médica. Ontem a noite você veio me fazer uma visita nada agradável sabe?
            falou lentamente, para que ele entendesse. Estava profundamente incomodada com os vampiros ali. Aguçou os ouvidos e pode ouvir os ritmados passos de Leah do lado oposto a janela da UTI, do lado de fora do hospital.
            Um leve brilho de consciência desperta passou pelos olhos de Charlie, ele fez um esforço considerável nos músculos do rosto, mas a paralisia ainda era grande no lado esquerdo para que ele conseguisse falar. Só conseguiu tossir, incomodado com o tubinho que lhe entrava pelo nariz e pela garganta.
_ Não tente falar agora Charlie. A dificuldade para isto é natural. Eu só preciso saber se você está me compreendendo. – Ela dizia com voz calma, mas sua pulsação estava acelerada pelo nervosismo. O olhar do vampiro parecia trespassar sua pele.
“Por que o Marlon tem que ser tão lento?” Ela pensava exasperada, ansiosa para sair daquela situação. Continuou seu trabalho, pegou a mão direita de Charlie, a que ela sabia que não tinha sido afetada e fez o primeiro teste, o mais básico.
_ Aperte minha mão Charlie. – Pediu. Ele demorou a processar a pergunta, mas lentamente conseguiu dar um aperto fraco na mão da doutora. sorriu, ele estava compreendendo. – Ótimo, parabéns Charlie.
            Isabella se mexeu inquieta atrás dela, ainda sem respirar. Mas, ao contrário do que pensava, a vampira não avançava. Olhou pelo reflexo do monitor dos batimentos cardíacos e percebeu o outro vampiro a segurando. Os olhos dele, que estavam de um dourado líquido, estreitavam-se em direção a ela. Ele também não respirava.
            Marlon finalmente chegou, entrando no quarto com a enfermeira em sua cola.
_ Acordou Charlie? – Ele disse, depois de dar um aceno de cabeça para o casal estático.
_ Os senhores vão ter de me acompanhar para fora do quarto. – A enfermeira se dirigiu a eles, depois que deu-lhe sinal. – Os médicos irão realizar alguns procedimentos padrão, é preciso que se retirem agora.
            Edward fez sinal afirmativo sem dizer nada e, com um pouco de dificuldade, tirou Bella do quarto. continuou lá com o outro médico. Edward levou Bella para o corredor mais longe, onde haviam janelas abertas, só então soltou de sua cintura. Tirou a máscara e inspirou o ar que vinha de fora, Bella fez o mesmo, se encostando na parede como se estivesse tonta.
_ O cheiro… - Ela sussurrou e Edward pode ver o brilho da sede nos olhos dela provocado só pela lembrança. Se Bella não fosse tão resistente, a mais resistente dos Cullens, ela certamente teria lutado com ele e atacado a médica.
_ Bella, olhe pra mim. – Ele pegou o rosto dela com as mãos. – Saia agora deste hospital e vá caçar. Beba o máximo de sangue que conseguir e tente ficar longe de qualquer humano.
            O rosto dela se contorceu em agonia, em expressão de lamento. Nunca os instintos dela estiveram tão fortes, tão próximos da falta de controle, da irracionalidade. Ela tentava tirar da cabeça o pensamento de ir até a doutora e mordê-la, drenando todo o seu sangue, mas era difícil, muito difícil.
_ Edward! – Ela falou em um momento de desespero, colocando as mãos no rosto dele e abrindo o escudo que protegia sua mente, dando livre acesso aos seus pensamentos.
            Os olhos dele se arregalaram. Era inegável o poder que o cheiro daquela médica tinha, mas para Isabella, aquilo era muitas vezes pior. Era muito, muito pior do que foi pra Edward o cheiro da Bella humana.
_ La cantante… Bella, ela é sua cantante. – Bella ficou imóvel feito uma estátua olhando para Edward. Não era possível! Não! … Sim, ela queria provar, ela tinha controle, poderia só provar o sangue dela… - Bella! Não! Preste atenção: isto está pior porque você está com sede, você precisa caçar, precisa sair daqui e caçar. Vá, vai agora. – Ele tentou empurrá-la no caminho da saída, mas ela estava imóvel.
_ Meu pai… - Ela se lembrou, a muito custo. – Meu pai, Edward!
_ Ele vai ficar bem. Está ouvindo? Ela está cuidando dele agora. Amor, eu confio em você, sei que você vai resistir, acredite, também não é fácil pra mim. O cheiro dela é muito… atrativo. É pior pra você, mas você precisa estar preparada pra resistir, Bella! Você não vai querer matar a médica de seu pai, não é?
_ Não…
_ Então vai.
_ Você… você não vem? – Ela perguntou, quase virando as costas, mas parando ao ver que Edward, seu marido superprotetor, estava deixando-a sozinha em um momento daquele. Olhou pra ele e percebeu o seu olhar um tanto estranho.
_ Não. Eu vou ficar. Falar com ela. – Bella franziu o cenho.
_ Por quê? Não é difícil pra você também? – Ela perguntou, confusa. Ele demorou a responder.
_ Posso suportar, amor. Acredite, é mais difícil pra você. – Ele lhe deu um beijo rápido. – Vai, ela está vindo.
            Bella entrou em pânico assim que ouviu o barulho dos saltos da médica. Trancou a respiração e saiu rapidamente do hospital. Assim que saiu para a tarde cinzenta de Forks, inspirou o ar puro, limpando os seus pulmões e tentando retirar de suas narinas aquele cheiro. Olhou ao redor e foi em direção a orla da estrada, para um caminho embrenhado na floresta. Assim que estava oculta de olhos humanos correu, correu o mais rápido que podia. Seus instintos muito mais alertas do que de costume, sua garganta ardendo em brasa.
            Um cervo entrou em seu caminho e ela pulou destramente na frente dele, pegando seu pescoço com apenas uma das mãos e levando-o a boca rapidamente, sugando seu sangue apressada, derrubando-o no chão seco e morto em menos de dez segundos.
            Não era o suficiente, não era aquele sabor que sua garganta queria! Ela rugiu e voltou a correr, desesperada por mais um animal qualquer, ou três.
            Um alce, uma puma e outro cervo. Foi o que ela bebeu. Sentia seu corpo revigorado, mas a lembrança do que tinha sentido ainda estava fresca. Ela se encostou em uma árvore e apertou os olhos assustada. O que foi aquilo? E se ela não conseguisse se controlar mesmo tendo caçado?
            Seu desespero era tanto que só percebeu o cheiro forte e agressivo quando era tarde demais. Ele estava perto, chegando sorrateiro e silencioso atrás de si. Bella se virou lentamente para ver um enorme lobo cor de chumbo olhando feroz pra ela, nem um pouco amistoso.
“Não! Era só o que faltava!”, pensou.
            Edward não estava ali e ela não se lembrava de ter conhecido aquele lobo da matilha. Haveriam outros?
_ Não ataque. – Ela falou a coisa mais estúpida que podia ter falado. O lobo mostrou os dentes, rosnando baixo para ela. Não demorou ela sentiu outro lobo vindo a suas costas. Pronto! Agora ela estava perdida.
            O lobo chumbo elevou o olhar para cima de Bella, encarando o companheiro recém-chegado. O lobo que ela não conseguia ver atrás de si deu uma espécie de latido, enquanto o que estava a sua frente maneou a grande cabeça, voltando a olhar para ela rosnando. Outro latido do lobo atrás de Bella, este se aproximou dela, fazendo o lobo cor de chumbo recuar e, estranhamente, virar as costas e sair correndo, sem mais e nem menos.
            Mas Bella não se moveu, ficou estática como pedra, sem olhar para o lobo que estava a suas costas. O focinho dele se aproximou do cabelo dela, jogando uma baforada quente e fedida em seu pescoço. Ela apertou os olhos e continuou parada. O lobo se afastou novamente. Um farfalhar no vento indicou a transformação, Bella torceu para que fosse um dos garotos que a conhecia, assim ela teria alguma chance de conversar.
_ Ora, ora, ora. Não é que a valorosa Bella teve a ousadia de pisar aqui de novo. – A voz arrastada não serviu para tranquilizar Bella, mas para irritá-la.
_ Leah! – Bella se virou rapidamente para ela, que vestia um vestido solto, preto.
_ É um desprazer revê-la Cullen… - Ela disse, fazendo uma careta de nojo.
_ O desprazer é todo meu. – Isabella retribuiu a careta, torcendo o nariz.
_ Neste caso, por que se incomodou em voltar hein? Por que não passou a sua eternidade infeliz em uma cripta qualquer?
_ Isto não lhe diz respeito. – Ela respondeu, raivosa.
_ Olha só! – Leah gargalhou. – Não é que a songa virou uma vampira abusada!? Acho que você não está em condição de bancar a poderosa, sanguessuga.  
_ Por quê? Vai me matar?
_ Adoraria… Mas infelizmente, não vou poder no momento. Gostaria que você tivesse voltado mais cedo, enquanto meu Alpha tinha planos de matar você e toda a sua corja… mas agora ele não está disposto. Mas acho que isto seja momentâneo, talvez ele queira fazer o serviço pessoalmente. Por agora você está liberada, sanguessuga. Mas eu vou ser a sua escolta.
_ O que? – Isabella perguntou, incrédula.
_ Um sacrifício muito nobre de minha parte. Estou perdendo um dia de serviço pra cheirar bunda de sanguessuga. – Leah colocou a língua pra fora. – Mas são ócios do ofício, não é? Vou ficar perto de você, já que pareceu se incomodar com o cheiro de . Assim, distraio o seu olfato. Nunca pensei que fosse fazer um favor a um sanguessuga. Certamente ganhei um lugar no céu.
_ O que você tem a ver com a médica? – Bella perguntou, impulsiva.
_ Na-na-não! Meus serviços não incluem responder suas perguntas. Eu só estou na sua cola e considere-se com sorte, senão o Caleb tinha arrancado seu pescoço há alguns minutos atrás. Pode ir onde quer ir agora… - Leah fez um sinal com a mão e Bella, a contragosto, retornou na direção do hospital. – Ah… eu adoraria ver seu pescoço sendo dilacerado. Mas talvez eu ainda possa…
            Bella acelerou o passo rangendo os dentes de aço.

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            andou para fora do quarto, deixando Charlie aos cuidados de Marlon. A reação de Bella ao seu encontro era tudo aquilo que ela não esperava que acontecesse. Ela devia ter controlado mais o seu cheiro, se esforçado mais. Havia muitas pessoas ali para ela se expor caso a vampira atacasse. Mas a ansiedade de também era grande e tudo que ela descobriu antes de chegar ao hospital não a fez controlar tão bem o fechamento de seus poros para não exalar o cheiro.
            inspirou o ar, percebendo que a vampira não estava mais ali, mas o vampiro estava. Virou a esquina do corredor branco e se deparou com Edward encostado na parede como uma bela estátua grega, com olhos fechados e sem que nenhum sinal de vida viesse dele. Ela estacou e apertou os punhos.
_ Quem é você? – Ele perguntou, se virando pra ela e a encarando perigosamente. Assim que os olhos dele se abriram para encará-la, viu nele o que poderia causar o terror. Suas estranhas íris douradas refletiam a ameaça assassina de sua espécie.
            Ele estava com raiva dela, claramente. franziu o cenho e se perguntou o porquê daquela raiva involuntária. A única reação que ela costumava provocar em vampiros era um desejo insano pelo seu sangue. Cambaleou diante daquela raiva, era como se ele a culpasse por provocar o descontrole em sua parceira.
_ Me responda quem é você primeiro. Ou melhor, diga pra mim o que você é. – Ela respondeu, desafiadora.
_ Suspeito que você já saiba o que eu sou. Estou certo? – Ele disse, dando um meio sorriso irônico. Belo e terrível.
_ Sim, eu sei o que você é. A propósito, sua maquiagem está perfeita, devia parabenizar o artista.
            Edward sorriu com o que ela disse. A maquiagem estava perfeita, o suficiente pra passar despercebido para a visão de um humano.
_ Penso que precisamos conversar, doutora Black. – Ele disse, com ar de quem cobrava uma divida, ainda muito tenso por falar e tentar respirar o menos possível. Vez ou outra fazia uma careta com a ardência em sua garganta.
_ Por que pensa isto? – Ela perguntou, não acreditando que estava conversando polidamente com um vampiro.
            Ele sorriu, um sorriso torto, exibindo dentes perfeitos, olhando para baixo, antes de voltar encará-la.
_ Primeiro: você é médica do meu sogro. Segundo: você parece ter uma relação estreita com Jacob Black, o suficiente pra ter o cheiro dele impregnado em você. Ele nos odeia, e me pergunto como ele permitiria que você viesse ao nosso encontro sozinha. Terceiro: me pergunto porquê você tem uma força estranha parecendo rondar em cima da sua cabeça, porquê tem um olhar seguro e desafiador demais para uma espécie que é a sua predadora natural. É quase um olhar de loba, mas lobos são nossos inimigos, não nossa presa. É natural que eles nos desafiem. E me pergunto o mais estranho, aquilo que me faz desconfiar daquilo que você aparentemente seja: você me anula, parece anular todo o poder que um vampiro tenha. Bloqueia. Não tenho acesso a sua mente. Por estas razões eu acho, sim, que temos que conversar… doutora.
            ergueu as sobrancelhas, engolindo em seco com tantas observações do vampiro a seu respeito e por sua objetividade. Ele lhe media delicadamente, avaliando cada parte, cada movimento dela. Edward percebeu imediatamente a essência estranha de . Sensível demais, ele era sensível demais, mais do que qualquer lobo de La Push, mais do que o próprio Jacob. “Tome cuidado com ele… não o subestime…” quase saltou de susto ao ouvir a voz de Niadhi em sua cabeça. “Nem tente enganá-lo, apenas o enrole…” Ela continuou a falar. se esforçou para parecer inerte.
_ Caso se sinta controlado o suficiente para ficar a sós comigo, meu caro, podemos conversar… talvez…- disse, cuidadosa.
_ Não é nada que uma janela com ar fresco não possa resolver. – Edward respondeu.
_ Há uma bem grande na minha sala. – Ela respondeu, virando as costas e simplesmente caminhando em direção a sua sala. Edward sorriu novamente. Desde quando alguém viraria as costas para um vampiro com tanta segurança, sabendo que ele desejava seu sangue? Nem Bella foi assim.
            A seguiu.
            Conforme se aproximavam do consultório, podia ouvir a voz de doutor Hanson conversando tranquilamente com outro homem, de voz muito macia e envolvente. Logo depois ela sentiu o cheiro. Outro vampiro! Ela quase bufou, aquilo era insuportável, estava cercada daquelas criaturas!
_ Você continua muito bem Carlisle, os anos parecem ter feito bem a você. Olha só como eu estou: um velho de cabeça branca e gordo! Lamentável. – doutor Hanson dizia rindo, pareciam velhos amigos. franziu o cenho e continuou marchando em direção a sua sala.
_ Imagine Hanson! Você está com todo vigor e saúde. – O vampiro respondeu, cordato e educado.
            Edward seguia muito consciente do andar suave e preciso dela. Além disto, percebia a pele dela eriçada e o coração exaltado. Mas ela definitivamente parecia humana, uma humana muito atrativa, mas humana. Não havia nada de estranho em seus sinais vitais como havia com Renesmee, e o calor que o corpo dela exalava era também muito natural. Mas o fato era que ela tinha algo, Edward sentia isto, não só pelo cheiro absurdamente delicioso que ela tinha, mas era como um campo magnético, uma força desconhecida. Se lembrava claramente de Alice dizendo que algo estava bloqueando suas visões em Forks, que ela não conseguia ver nada do hospital. E fora ela, a médica chegar ali, que sua habilidade em ler os pensamentos começou a falhar. Ele percebeu que quanto mais próximo estava dela, menos ouvia. Naquele momento a cabeça dele estava vazia, não ouvia nada, nem dela e nem de ninguém a seu redor.
            Não era como Isabella, com seu escudo, que protegia sua mente, era mesmo um bloqueio, ela agia nele. Restava saber se isto era consciente ou ela era apenas mais uma humana com habilidades extras inconscientes, como Bella fora. Se fosse isto ele relaxaria, mas se não fosse…
_ Ah, aqui está ela Carlisle. A valorosa doutora Black! Nosso mais novo tesouro do hospital. – Hanson apontou orgulhoso para assim que ela entrou na antessala de seu consultório, encontrando os dois sentados no sofá.
            O loiro, inumanamente perfeito, a olhou e pareceu engolir em seco. Logo depois olhou para Edward. Sutilmente ele levou a mão a garganta, que queimou com o cheiro da médica. Há tempos Carlisle não sentia desconforto com um cheiro de sangue de em humano, mesmo que este estivesse sendo jorrado a sua frente. Sentia que não ficaria tão bem se aquela bela mulher se cortasse perto dele. Ele deu um breve aceno pra , que não lhe retribuiu, apenas olhou de volta para Hanson com um sorriso educado e composto nos lábios.
_ , este é o doutor Carlisle Cullen. Trabalhou aqui há dez anos, um excelente médico. – Hanson dizia empolgado.
_ Doutor? – indagou com uma suave nota de ironia da voz. Passou a observar o vampiro loiro. Então aquele era o tal Carlisle, o vampiro que surpreendeu Quendra?
            sorriu ironicamente. Internamente, estava incomodada com a expressão suave e quase bondosa que ele tinha. Será possível que ele não fosse unicamente um ser desprezível? O olhar suave dele lhe incomodava, ela se lembrou do vampiro Henrique, o que ela viu morrer. Havia algo humano demais nos olhos de Carlisle, ele estava incomodado com seu cheiro sim, mas não havia ferocidade em seu olhar, apenas uma determinação profunda em resistir.
            “Que diabos!”, pensou raivosa. Tudo era tão mais fácil quando ela podia simplesmente considerar todos os vampiros como bichos demoníacos. Aquilo a sua frente não fazia parte da ordem natural das coisas, ela quase rugiu exasperada.
_ Sim, doutor. Hanson me falou muito bem de você doutora. Fico feliz que Charlie esteja em boas mãos, isto deixará Isabella mais tranquila. – Carlisle olhou para Edward, franzindo brevemente o cenho. – Bella? – Carlisle perguntou, quase sem mover os lábios.
_ Caça… - escutou o sussurro veloz e quase imperceptível do vampiro atrás dela. Carlisle voltou a atenção para a médica. Ela não lhe respondeu, somente acenou com a cabeça.
_ Eu agradeço os elogios doutor Hanson. Mas agora pode voltar aos seus afazeres que eu conversarei com eles sobre o estado do Sr. Swan. – Ela o dispensou educadamente.
_ Ah sim, claro. Vou deixar vocês se entenderem. É bom ver vocês de novo, Carlisle, Edward. Até mais.
            Não ouve aperto de mãos, apenas sorrisos cordiais. Hanson parecia acostumado com a atitude dos dois.
_ Sharon, pode sair para o almoço mais cedo. Não vou precisar de nada por agora. – Ela disse, se virando para a sua secretária atrás da mesa. Ela observava discretamente os vampiros, olhando-os por cima dos óculos na ponta do nariz.
_ Oh! Tudo bem doutora. Ah, não há nenhuma consulta pra hoje, só mesmo os pacientes internados.
_ Está tudo bem Sharon. Pode ir. – sorria, tentando disfarçar sua impaciência. Quase pegou a bolsa de Sharon e lhe empurrou porta fora, impedindo-a de dar um tchausinho empolgado demais para Carlisle e Edward.
“Isto, dá mole pra vampiros que eles te comem. Literalmente.” pensou, enquanto ia para a porta da sala, fechá-la nas costas de Sharon, que estava lerda demais para seu gosto.
            No mesmo instante que ela fechou a porta ela ouviu Edward ir para a janela, escancarando-a e inspirando o ar de fora. Carlisle estranhou, pois Edward fez aquilo com sua velocidade vampiresca. fez uma cara teatral de susto com a velocidade dele.
_ Será que pode ficar parado? – Ela reclamou, quase rindo do seu joguinho, mas mantendo uma expressão fechada.
_ O que está acontecendo aqui? – Carlisle perguntou confuso.
_ É isto que quero saber. E a resposta está com ela. – Edward apontou com o queixo. Carlisle pareceu confuso, olhou para Edward esperando que ele respondesse as duvidas de seu pensamento, mas ele não esboçava reação.
_ Acho que vocês já sabem o que precisam saber. Não tenho nada pra dizer.
_ Não? Não tem nada pra dizer? – Edward saiu da janela e veio em direção a ela. Rápido demais ele pegou a sua mão. Ela não pode desviar, seu movimento para isto teria de ser tão rápido quanto o dele e ele com certeza estranharia.
            O contato da pele gelada fez ela se encolher involuntariamente. Ele alisou a aliança no anelar dela.
_ Você é esposa dele, não é? – Ele perguntou.
_ Edward, o que está acontecendo aqui? – Carlisle perguntou em voz alta aquilo que ele gritava na mente para Edward. Ele não respondeu.
_ Certamente esta aliança significa que sou esposa de alguém. E o meu nome é bastante sugestivo não?
_ Ele sabe que estamos aqui? Ele sabe que você está aqui, conosco? – Edward perguntou, ignorando o que ela disse.
_ Por que isto lhe incomoda? Está com medo de Jacob?
_ Ele prometeu vingança.
_ E acha o que? Que ele me ofereceu como isca para atraí-los? Se você quer que eu esclareça as coisas pra você vampiro, eu esclareço. Eu chamei a sua esposa descontrolada aqui sem sonhar a espécie maldita que ela era. Cometi o pior erro da minha vida, certamente. Mas quando eu soube já era tarde. Jacob Black não teve nada a ver com isto.
_ Não faz parte da personalidade de Jacob confiar alguém que faça parte da vida dele a vampiros. Por que então, você está aqui? Sozinha? – Edward perguntou, exigente, franzindo o cenho.
_ Ela não está sozinha. – Carlisle falou, olhando para o lado de fora da janela. Bella surgia com Leah em seu enlaço. As duas pararam na frente do hospital, Bella se encostou no carro e Leah parou com os braços cruzados na frente dela.
            relaxou, ao perceber que aquilo pareceu esclarecer a dúvida de Edward.
_ Não, eu não estou sozinha. E você não está em condição de me exigir nada, vampiro. Eu acho que não ficou claro pra vocês uma coisa. Este lugar não é mais como era antes de vocês saírem daqui. Eu sei o que vocês são sim, sei o que vocês podem fazer e sei a ameaça que vocês representam. Não interessa quem seja meu marido, que maldito acordo vocês tenham, que dieta vocês fazem. Não me interessa! Eu não confio e não vou confiar em vocês, não importa o que me digam.
_ Eu posso imaginar que você tenha receio de nós, mas nós não representamos riscos. Ao contrário do que Edward pensa, eu sei que Jacob só permitiu que você viesse aqui porque no fundo ele sabe que seriamos incapazes de fazer algo a você. Pode ser difícil, mas pode confiar em nós. – Carlisle disse, se aproximando dela lentamente. deu dois passos pra trás, ele parou.
_ É mesmo? Pois isto não me convence. A começar por sua companheira … - Ela se virou para Edward - … ela não me pareceu tão controlada diante de humanos, isto porque ela estava perto do próprio pai. Eu realmente não sei o que os lobos irão fazer com relação a territórios e tudo mais. Mas, a partir de agora, quero que fiquem conscientes de uma coisa: este hospital, doutor, é meu território agora. Entenderam? Nem lobos e nem vampiros, eu estou aqui. E enquanto eu estiver aqui não posso admitir que vampiros pisem neste lugar, oferecendo risco as vidas que eu prometi preservar. Esta é a ultima vez que entram neste hospital! – disse firme, um tanto ameaçadora. Carlisle deixou o queixo cair.
_ E posso saber como você pode exigir isto? Você não é somente uma humana? Como pode dizer o que nós devemos ou não fazer, o que você pode fazer pra nos impedir? – Edward perguntou, ávido demais com o que ela poderia responder. “Maldito vampiro!”, pensou.
_ Você não gostaria de saber. E acredite, é melhor que não saiba. – Ela resolveu desafiá-lo. Uma mentira qualquer não o enganaria, ela o encarou segura, sustentando o olhar do vampiro com como se pudesse perfurá-lo. Edward inspirou o ar e o cheiro dela penetrou como labaredas em sua garganta. Ele fez nova careta.
_ O teu cheiro… não é natural. Você bloqueia o meu poder… Isto não pode ser natural, você não pode ser simplesmente uma humana. – Edward voltou a insistir, falando-lhe mais manso, com os olhos fechados. soltou um suspiro.
_ Você pode duvidar, isto não está sob meu poder. Mas sim meu caro, eu sou humana sim! Você já deveria saber que é impossível que todos os humanos sejam iguais e que há certas coisas que não se podem explicar. Pense o que quiser, eu não posso mais fazer nada.
            Edward abriu os olhos e voltou pra perto dela, parando na sua frente e lhe olhando calmo, estranhamente. O olhar dele incomodou , era como se ele tentasse desvendá-la e pedisse permissão pra isto.
_ Eu não vou te expor. Eu apenas sinto algo… diferente… Eu sei que você nunca vai acreditar nisto, mas eu não sou uma ameaça. Eu nunca terei algo contra você desde que você não faça nada contra nós. Eu não posso aceitar que você impeça nossa entrada aqui, porque eu sei o quanto minha esposa, Bella, vai sofrer com isto. Ela ama o pai, ela já teve que ficar tempo demais afastada dele. Agora ele precisa dela, Charlie também precisa da filha perto dele. Se você tentar afastá-los isto fará os dois sofrerem. Eu estou lhe pedindo, confie em nós.
_ Confiar? Você sabe muito bem o quanto sua mulher esteve perto de me atacar. Eu não sou idiota, pude perceber isto.
_ Eu não permiti, permiti? Quer que eu seja sincero? O seu sangue parece indescritivelmente saboroso, algo único, eu tenho certeza. Neste momento todo o meu instinto clama pra te morder, pra experimentar, pra provar disto que está correndo nas tuas veias. Você sabe o quanto é difícil resistir? Sabe o que é lutar por décadas e décadas pra ter esta força e resistir? Eu faço isto não só pra não ser um assassino, mas também pra preservar a vida dos outros. Eu não vou deixar que meu instinto acabe com a sua vida, Black, isto é mais do que uma promessa, isto é tudo que eu luto pra ser. E eu não vou permitir que Isabella enfraqueça. Eu estou ao lado dela, ela é minha mulher, eu a amo e vou mantê-la segura junto a mim. Eu fico do lado dela o tempo todo se for preciso, passo por cima de todo desejo que eu possa ter, mas não vou permitir que ela te morda. Eu sei que ela não quer isto.
            Ele falou tudo aquilo com tanta determinação, seus olhos dourados praticamente se derretendo em fervor, que não pode entender errado. Aquilo era um amor, um amor absurdamente forte, vindo de um vampiro.
“Tudo o que há de honroso em humanos nos subjuga… O amor humano, a alma humana se esforçando pra se manter firme em corpo de demônio nos barra…”. Aquilo foi o que Quendra havia dito a Jacob e, olhando para o vampiro Edward, pode compreender aquelas palavras.
_ Sua determinação é realmente admirável. Mas se vocês respeitam tanto a vida humana irão me compreender. Assim que eu aceitei Charlie como meu paciente, como com todos os outros, eu me sinto responsável pela vida dele. É assim com todos os outros que estão neste hospital. Isto faz parte de mim, eu não posso, eu não consigo permitir que eles se exponham a um risco ínfimo que seja. Vocês são este risco, portanto não. Eu não posso deixar que isto aconteça, é melhor que vocês se mantenham longe daqui. Se o que lhe incomoda é o sofrimento de sua esposa, diga a ela que ele estará bem, muito bem cuidado. Mas enquanto ele estiver neste hospital, sob minha responsabilidade, não vou permitir que vampiro algum se aproxime. Nem mesmo ela.
_ Doutora, por favor… - Carlisle começou a insistir, mas ela elevou a mão pedindo silêncio.
_ Não adianta. – Edward desistiu. Sabia, pelo olhar que aquela mulher tinha, de que ela era irredutível.
_ Não há mais nada que vocês tenham a fazer aqui. Eu os acompanho até a saída.
            Ela abriu a porta e apontou a saída. Carlisle olhou para Edward e saiu, mas Edward ainda ficou parado, olhando pra ela. Que diabo de olhar era aquele? Ele veio andando até ela, permaneceu parada. Suavemente ele ficou próximo, a temperatura fria dele esfriando a pele de , o cheiro agressivo irritando suas narinas. A encarou, observando atentamente o castanho expressivo dos olhos dela, os cabelos que pareciam fios de seda, a pele acetinada e morena.
_ Eu sei que você é mais especial do qualquer humano que eu já encontrei. Eu sei que você não é perigosa pra mim, não há maldade em você. Saiba que eu posso amar da mesma forma que você, mesmo sendo um vampiro. Eu não vou expor sua essência, mesmo que não queira, você pode confiar em mim. Eu te peço uma vez mais, não tente afastar Bella de seu pai.
_ Me prove então que posso confiar em você e aceite minha decisão. Quando Charlie tiver alta eu não poderei fazer mais nada, mas agora será assim. Se você aceitar isto, só assim eu poderei começar a pensar em confiar em você.
_ Ao menos nos dê notícias da evolução dele. Nós não precisamos entrar no hospital, é só você dizer o quando e como para termos informações de como ele progride no tratamento. Faça ao menos isto, eu lhe imploro.
            Ela continuou com o maxilar rígido.
_ Todos os dias, no início da noite. Me passe o telefone pra que eu possa entrar em contato e eu te ligo.
            Edward virou as costas e pegou um papel na mesa de Sharon rabiscando um número.
_ Não vamos sair de Forks. Vamos esperar ele ficar bem. Este é o meu numero, eu vou ficar esperando. Obrigado. – Ele disse, lhe entregando o papel. pegou e afirmou com a cabeça. Ela tinha acabado de fazer um acordo com um vampiro civilizado.
            Edward virou as costas e saiu. respirou fundo e foi atrás deles.
            Assim que eles chegaram à porta do hospital, Isabella desviou de Leah e veio ao encontro de Edward, que abriu os braços para recebê-la. Imediatamente ela prendeu a respiração ao avistar .
_ Está tudo bem? – Ele perguntou, acariciando os cabelos dela, olhando para Leah hostil. A loba sorriu e rolou os olhos. Ela o incomodava? Perfeito!
_ Eu cuidei bem dela, sanguessuga. Não que tenha sido suportável pra mim. – Leah lhe falou baixo, Edward rosnou.
            Bella se virou lentamente para , e ousou soltar a respiração. Mas sua cabeça deu um giro completo assim que ela sentiu o cheiro da morena novamente. Edward segurou seus braços e sussurrou:
_ Você resiste, você consegue… ­- Bella afirmou com a cabeça, deixando o cheiro torrar a sua garganta, mas voltou a prender a respiração. Leah imediatamente veio para o lado de , estreitando os olhos e apertando os punhos trêmulos.
_ Vamos manter a calma Leah. Está tudo sob controle. – Carlisle afirmou. Leah bufou.
_ Me perdoe por isto… - A voz de Bella interrompeu a breve hostilidade deles, saiu fraca, se dirigindo a . Esta ergueu o cenho, encarando a vampira pedir desculpa por desejar seu sangue. Aquilo era inédito! – Eu devo a você a vida do meu pai. Não esqueço uma divida como esta.
_ Fiz o que devia fazer. Apenas isto.
_ Eu não achei tão importante cumprir este dever “médico salva a todos” com o seu velhote, sanguessuga. Mas ela cuidou dele, veja só. – Leah resmungou, azeda. Bella engoliu em seco e ignorou a loba.
_ Eu vou cuidar do meu pai agora. Eu lhe agradeço por ter me chamado, porque eu…
_ Bella… - Edward começou a falar, queria dizer a condição que havia imposto, mas a médica riu antes que ele pudesse falar algo mais.
_ De tudo que você poderia me agradecer, isto certamente você não devia. Porque se eu soubesse o que você era, acredite, eu nunca a teria chamado. Mas agora que eu sei do que se trata sua condição… existencial, por assim dizer, tudo muda. Seu… companheiro poderá lhe explicar que não estou nem um pouco disposta a aceitar sua presença, ou de qualquer outro vampiro, neste hospital. Portanto, enquanto Charlie estiver aqui, você não poderá vê-lo. Bem simples. Quando eu tiver que dar alta pra ele, infelizmente, não poderei fazer mais nada, mas enquanto isto não acontece, você não vai entrar aqui. O seu descontrole hoje, perto dele e de minha enfermeira não pode se repetir.
            Bella ficou estática, os olhos dela não piscavam, parecia uma boneca de cera.
_ Você não pode fazer isto… ele é meu pai… - Ela sussurrou.
_ Eu não só posso, como estou fazendo. E isto é definitivo.
_ Você não pode me impedir! – Ela voltou a reclamar, soando raivosa, ameaçando com o olhar de sede. Bella de repente se assustou com o pensamento que lhe veio. Pensamento que consistia no prazer que ela sentiria ao ter que matar a médica para poder ver o seu pai, sugar o sangue dela e acabar com o problema. Apertou os olhos para recobrar a consciência.
_ Eu ainda estou aqui vampira sonsa, e morrendo de vontade de arrancar seu pescoço, portanto não banque a poderosa não! – Leah rugiu para Bella, precipitando o corpo para frente. colocou a mão nos ombros da índia.
_ Estamos na frente do hospital, Lee. Se contenha. – lembrou, Leah recuou sua posição de ataque, mas ainda manteve seu olhar agressivo. Carlisle olhou para parecendo agradecer por ela ter acalmado Leah.
_ Bella, esta é uma exigência dela. Nós vamos aceitar isto pra evitar desacordos, é só até ele ter alta. Além do mais aceitou nos dar notícias todos os dias de como Charlie anda.  – Edward disse.
            Bella balançou a cabeça e voltou a encarar .
_ Ele é o meu pai! Eu não o terei pra sempre, ele precisa de mim agora, eu preciso dele perto de mim. Ficar afastada dele me dói, eu preciso vê-lo, eu preciso estar com ele neste momento, ele precisa saber que estou aqui!
_ Até onde eu sei Isabella, você quis se tornar o que se tornou. Já ouviu falar que ao fazer uma escolha, você abre mão de outras? Sua eternidade tem um preço, você não é mais como qualquer filha, Isabella, você é agora a predadora natural do seu pai. Já pensou isto? Sua condição de vampira lhe afastou da convivência que você tinha direito de ter com o seu pai. Você mesma o abandonou quando se mudou não é? Agora exige desesperada que fique perto? Depois de anos que esteve longe, só falando por telefone? Isto não me parece coerente Isabella. De repente você acorda para o fato de que não terá seu pai pra sempre, que o fato de você ser imortal significa que irá, inevitavelmente, vê-lo morrer, e decide que não pode ficar longe dele? Vamos com calma e deixe eu te falar uma coisa só: você não pode ter tudo. Aprenda a conviver com as limitações que sua existência sobrenatural impõe e saiba que já estou fazendo muito em lhe dar todas as satisfações do tratamento dele. Seu pai estará muito bem aqui, pode estar certa disto, e você poderá vê-lo quando ele sair das minhas mãos.
            disse tudo aquilo com voz inalterável, enquanto Bella fazia uma careta após outra. Leah pareceu se divertir com aquilo, rindo brevemente quando o discurso de terminou.
_ Esta mulher sabe botar banca. É isto aí, sou tua fã! – Ela voltou a gargalhar.
_ Acho que chega por hoje, tenho mais o que fazer. Ligo quando tiver o resultado dos novos exames.
            Bella abriu a boca e voltou a fechá-la. Ficou olhando entrar no hospital novamente.
_ Tracy? Faça uma observação na ficha de Charlie Swan de que as visitas dos familiares estão proibidas. Acabei de saber que eles estiveram expostos a uma doença infecciosa há poucos dias e não quero riscos para o paciente. Todos eles já concordaram que não podem descumprir esta regra então, anote só pra constar, caso alguém se esqueça disto. Somente eu posso liberar as visitas do paciente entendeu? Nem Marlon, nem doutor Hanson, nem o Papa. Só eu.
_ Sim doutora. Já está tudo certo! – A recepcionista respondeu solicita, enquanto os que estavam do lado de fora escutavam as exigências dela.
            ia para dentro, quando distinguiu o ronco do motor da moto de Jake. Ele estava vindo! O coração dela disparou, ela voltou a olhar para o olhar angustiado de Isabella do lado de fora. Engoliu em seco, logo depois ele despontou na esquina atrás deles, entrando no estacionamento do hospital. A vampira inspirou o ar e imediatamente se virou na direção da moto.
_ Jacob! – Bella exclamou, entre espantada e algo mais que não pode distinguir. Edward lhe soltou o braço, deixando-a dar um passo a frente. Logo depois ele voltou seu olhar para , estática do lado de dentro da porta do hospital.


CAPÍTULO 31
ESCLARECIMENTOS

            Jacob parou a moto sem pressa alguma, lentamente desvirou a chave da ignição. Havia no ar o cheiro angustiante e repulsivo de vampiros. Não era só o cheiro de Edward e de Carlisle. Era o cheiro dela, o cheiro dela que se distorceu e agora lhe irritava, lhe enjoava, lhe embrulhava o estomago. Ele olhou pra frente, sem capacete, apenas com uns óculos negros escondendo seus olhos. As feições de sua face estavam duras. Virou o rosto e lá estava ela: a perfeita vampira, com pele branca porcelana, os lábios vermelhos e cheios, a íris dourada, clara. O colo perfeitamente composto dentro do decote de um vestido azul muito distinto. Ela usava salto.
            Mas ainda que seus traços estivessem lindamente distorcidos em perfeição sobrenatural, podia-se reconhecer ali a característica do franzir de seu cenho, os lábios entreabertos, o delicado formato de coração de seu rosto e a cor de mogno de seus cabelos. Os olhos, ainda que dourados, conservavam a janela de sua alma humana, que estava nela, em algum lugar. Aquela era a Isabella vampira, olhando para ele sem saber como reagir, procurando reconhecer algo nele que ele sabia que não estava exibindo. Talvez ela esperasse insanamente que quando o visse ele estaria lá, com um brilho contagiante no olhar, uma energia pulsante exalando ao seu redor, um sorriso verdadeiro e brilhante ofuscando tudo e que respondesse seu olhar com um “Oi Bells!”, pronunciado com voz rouca e leve.
            Jacob abaixou a cabeça e tirou seus óculos, saindo da moto e se recostando na mesma. Voltou seus olhos pra Isabella uma vez mais.
            Os ombros dela desceram, ela apertou os lábios um no outro e franziu ainda mais a testa. Não reconhecia aquele homem que lhe encarava. Onde? Onde estava o Jake? Aquele garoto com um corpo impressionantemente desenvolvido? Hostilidade era tudo que ela recebia dele, o corpo dele pareceu evoluir, ele parecia ter adquirido uma estranha imponência, seus ombros mais retos, seu rosto com traços mais firmes. Ele não havia envelhecido, mas não era mais garoto, não! Era um homem, um homem belo e hostil.
            O cabelo dele ainda estava curto, bagunçado pelo vento na moto, usava uma barba rala, mas máscula demais e os olhos… ah os olhos dele… Aquelas duas esferas pareciam mais um mar de negras águas, que escondiam ondas bravas e revoltas. Era denso, rígido e acusador. Insondável, impenetrável.
            Ele lhe encarava e a força de seu olhar era esmagadora, impiedosa, tragavam Isabella como uma noite sem fim, fria… Onde estava o calor dele? Parecia um atrevimento sustentar a firmeza daquele olhar. Bella não suportou, abaixou seus olhos e soltou um engasgo.
_ Jacob… - Ela disse. Leah rugiu as costas dela.
_ Maldita, você é maldita Swan Cullen! – A loba rosnou, exasperada por ver aquele olhar de novo em Jacob. Este suspirou, fechando os olhos.
_ Volte para a reserva agora Leah. Busque sua mãe e… meu pai também, se puder. – Ele disse, somente na altura que Leah pudesse ouvir. Ela foi pra perto dele.
_ Buscar? Buscar pra que?
_ Eles querem ver Charlie. Estou sem carro pra trazê-los e seu irmão está em ronda. Vai. – Ele disse, simplesmente.
_ Ver o velhote? Jacob você não acha que está me dando ordens absurdas demais? – Ela disse, cruzando os braços e fincando o pé. Ele voltou a lhe sussurrar.
_ A ordem não foi minha, foi da sua mãe, acho melhor obedecê-la.
_ Que ótimo! Eu odeio isto! … Eu vou, mas só se você me prometer que eu não vou perder a cena caso você resolva arrancar cabeça de vampiro.
            Jacob sorriu maligno, abrindo os olhos com brilho rancoroso.
_ Posso te mostrar os detalhes depois… - Olhou pra Isabella logo depois, ela se encolheu, contorcendo a expressão. O sanguessuga leitor de mentes veio pra frente, se prostrar do lado dela, como que para defendê-la. Jacob balançou a cabeça. – Mas não pretendo perder tempo com isto. Pode ir, Leah.
_ Olha lá Jacob! Fique bem! – Leah sussurrou, indo para o seu carro.
            A voz contorcida em rancor de Jacob machucou , que pode ouvir tudo de dentro do hospital, mas não teve coragem de se mexer, até então. O silêncio se instaurou do lado de fora e os músculos da médica finalmente destravaram-se. Ela se encaminhou para fora, andando lentamente, procurando ele, procurando o olhar de Jacob, sentindo o cheiro dele apagar os maus odores que lhe rodeavam.  
            Assim que apontou para fora das portas do hospital os olhos de Jacob desgrudaram-se de Isabella. Bella assistiu curiosa então, os olhos negros adquirirem nova forma, nova intensidade. Ele passou a olhar a mulher que caminhava para ele com alívio e saudade, perscrutando cada detalhe daquela aparição.
            Ela andava receosa para ele, Jacob reconhecia isto. Estava do lado de Edward naquele momento e isto o deixava inquieto por alguma razão maior que somente a ameaça de um vampiro, mas pelo fato de Edward lhe representar a perca. Ele estendeu a mão então, para que ela desfizesse logo aquela distância e o abrigasse em um abraço.
            Ela sorriu e passou a andar mais segura, logo pegando na mão estendida de Jacob.
_ Está tudo certo? – Ele perguntou, assim que ela estava perto o suficiente.
_ Pescoço intacto. – Ela respondeu gracejando, tentando aliviar a tensão sólida daquele lugar.
_ É mesmo? Bom pra eles. – Jacob soltou a mão de e a levou para o pescoço dela, acariciando-o. Ela fechou os olhos, sentindo a mão quente, o calor, o cheiro bom… - É, está tudo certo. – Jacob respondeu.
_ O que veio fazer aqui? Só conferir? – Ela perguntou, sussurrando pra ele. Queria avaliar o verdadeiro estado dele, mas não conseguia enxergar agonia em seu olhar, apenas desconforto.
_ Não. Eu vim te buscar. Te levar pra casa. – Ele respondeu.
_ Tenho coisas a fazer aqui ainda. 
_ Eu espero.
_ Então tudo bem.
            lhe deu um sorriso e se virou para voltar para o hospital, mas antes que pudesse completar o passo, sentiu o braço de Jacob lhe envolver a cintura puxando-a junto de si, pra que andassem lado a lado. Ele entranhou a cabeça em seu pescoço e inspirou fortemente seus cabelos, para aliviar a irritação em seu nariz com o cheiro excessivamente doce dos vampiros.
_ Vamos. – Ele disse, fazendo com o caminho de volta pra dentro do hospital. Não olhou para os lados, só a sua frente.
_ Jacob… - Foi quase como um choro lamentoso e confuso demais que escapou de Bella assim que Jacob passou perto de onde ela estava parada. Ele suspirou e continuou andando.
_ Jacob! Precisamos acertar certas coisas. – Não foi Bella, mas Edward quem lhe chamou. Então ele parou.
_ Vai . Eu vou te esperar na cantina do hospital até que possa sair. – Jacob falou, se dirigindo a . Ela lhe olhou tensamente, depois olhou para Edward e para Isabella.
_ Cuidado. – Avisou, não só a Jacob, mas a todos eles, entrando no hospital novamente e os deixando pra trás.
            Jacob cruzou os braços e voltou a encará-los, esperando que eles falassem algo. Não olhava mais para Isabella, mas novamente assumiu uma postura gélida.
_ Jacob… Eu acho importante que você saiba que estamos de volta. Por causa de Charlie… nós vamos ficar aqui até que ele melhore. – Edward falou, incomodado, não conseguia ouvir nada que Jacob pudesse estar pensando. estava longe, isto significava que ele deveria ouvir Jacob assim como ouvia Carlisle, pouco, mas ouvia. Mas de Jacob não vinha nada.
            Jacob soltou um riso de escárnio.
_ Eu sei que vocês estão de volta Edward. Não sou cego.
_ Nós não viemos em busca de revolta alguma filho, estamos aqui somente pelo motivo que Edward falou, não queremos tirar a paz de nenhum de vocês. – Carlisle disse, calmamente, também receoso ante o olhar denso de Jacob.
_ Existem coisas que vocês precisam saber, Cullens. – Jacob se dirigiu a Carlisle. – Eu sou agora o Alpha de toda a matilha, acho que vocês já devem saber disto. – Edward e Carlisle deram um aceno de afirmação. – Portanto quem decide as coisas agora sou eu. Eu poderia acabar com vocês, a matilha realmente adoraria fazer isto. Mas eu decidi ignorá-los, não faz diferença, no fim das contas.
_ Eu fico grato por pensar assim Jacob, isto mostra a sua maturidade. Confrontos não seriam bons para nenhuma das partes.
_ Carlisle… Isto não significa maturidade, significa apenas indiferença. - Neste momento ele olhou para Bella, ela estava com uma expressão um tanto quanto dolorida. – Mas não pensem que as coisas serão fáceis pra vocês. Não serão vocês que imporão limites agora, até porque vocês não estão em condições. O fato de vocês estarem na cidade não significa que tenhamos um acordo de paz. Eu apenas suporto. Não sou obrigado a cumprir tratado algum.
_ Jacob, eu já disse que nós não viemos em busca de guerra. Não há necessidade, vamos deixar nossas desavenças de lado, já faz tantos anos. – Carlisle ponderou.
            Jacob apenas deu um sorriso mordaz.
_ Calma doutor presa. Isto é apenas um aviso, não abusem. Assim as coisas se mantêm nos devidos lugares… - Ele disse, se afastando, sem ao menos direcionar seu olhar a Isabella. – E outra coisa, nada de visitas de amigos, vocês eu suporto, outros não. Não fiquem no meu caminho, é bem simples.
             Ele foi para virar as costas, mas repentinamente uma mão gelada lhe agarrou o braço e o cheiro agressivo veio mais forte em seu nariz.
_ Jacob… - Era Isabella. Ele apenas abaixou os olhos onde a mão pálida e dura dela segurava seu braço. – Você não vai… falar comigo?
_ Falei tudo ao chefe do seu clã, vampira. Não devo satisfações particulares a você. – Ele desvencilhou seu braço do aperto dela.
_ Nossa situação não foi bem resolvida! Não podemos passar o resto de nossas vidas com isto entalado.
            Ele gargalhou, um riso de escárnio que estremeceu os músculos marmóreos de Bella.
_ Não existe nossa situação!
            Jacob virou as costas definitivamente, mas ainda em tempo de ouvir Bella sussurrar.
_ Existe nossa situação sim, e tudo não estará resolvido enquanto houver mágoa no seu tom de voz e culpa em mim…
            Bella se virou procurando onde estavam Edward e Carlisle, que se afastaram imperceptivelmente. Edward lhe olhava do carro, com a bem montada máscara de neutralidade na face. Não, as coisas não estavam bem resolvidas, e tudo continuaria a doer enquanto isto ficasse suspenso. Bella suspirou e caminhou para seu carro. Ela estava mais segura de seus sentimentos, consciente do que fez e do que deixou de fazer. As coisas tinham de se esclarecer. Ela e Jacob, hora ou outra, teriam de conversar.

************
_ Um café forte, sem açúcar. – Jacob pediu para a mocinha cheia de espinhas que estava atrás do balcão da cantina do hospital. Ela era loira e tinha olhos azuis extremamente claros. Assim que Jacob falou, com uma voz imperiosa, como se ordenasse, ela acenou apressadamente e se meteu para traz da porta da cozinha, o coração acelerado.
            Jacob respirou fundo, agarrando os próprios cabelos e procurando se conter. O que ele tinha a fazer a partir de agora era só suportar e enfrentar todas as lembranças e sentimentos que ele escondeu de si mesmo por anos.
_ Aqui está senhor. – Era a mocinha, que lhe entregou a xícara de café toda sorridente. Jacob sorveu a bebida quente e amarga rapidamente, pareceu até que sua mente clareou depois daquilo.
            A atendente apoiou o cotovelo no balcão e simplesmente ficou observando Jacob descaradamente. Ele quase rolou os olhos.
_ Você é o marido da doutora Black? – Ela perguntou, depois de um tempo. Jacob pensou em não responder, estava com a cabeça cheia. Mas a menina devia ter uns dezesseis anos e exibia um sorriso simpático.
_ Sim, eu sou.
_Que sorte ela tem… - A garota sussurrou. Não para ele escutar.
_ O que disse? – Ele resolveu perguntar, talvez as tolices de uma adolescente pudesse esfriar sua cabeça.
_ Nada realmente importante. Olha, mas eu acho que você tem muita sorte sabe? Eu realmente acho aquela mulher espetacular. E isto é realmente verdade. Ela é o tipo de pessoa que a gente procura se espelhar sabe? Do jeito de andar até o jeito de pensar.
_ Muita gente já me disse isto.
_ Bom, se disseram é porque é verdade, apesar que pode ser inveja também. É muito fácil ter inveja dela. Às vezes eu tenho, quer dizer… não aquele tipo de inveja que faz a gente ficar torcendo pro salto dela quebrar e ela se estabacar no chão e quebrar o nariz pra ficar com alguma coisa torta no rosto. Não! É mais o tipo de inveja de vontade de ser igual a ela, sabe? Às vezes ela vem tomar café aqui, depois de mais de 18 horas de plantão, com aquela cara de cansada e a mulher ainda tá linda! Dá pra acreditar?
            Jacob escancarou a boca espantado com o tanto de coisas que a garota falou tão rápido. Poderia se dizer que ela tagarelou na velocidade de um vampiro. Ele piscou e riu.
_ Sim, dá pra acreditar.
_ Então, deixa eu saber uma coisa. Ela é o tipo de mulher que acorda exuberante e perfeita, não é? Eu penso que o cabelo dela, mesmo embaraçado, deve ser lindão, tipo o cabelo daquelas modelos que eles bagunçam todo na revista só pra dá glamour. Né não? – Ela recomeçou a falar nem um milésimo de segundo depois que Jacob terminou sua frase.
_ Perfeita quando dorme e perfeita quando acorda. Perfeita em tudo. – Aquilo escapou de Jacob involuntariamente, um pensamento em voz alta. A garota olhou pra ele e mexeu os lábios, mas nenhum som escapou deles. Os olhos dela de repente se encheram d’água.
_ Isto foi… lindo! Muito romântico. Ela tem muita sorte. Surpreendente!
_ É, isto foi… surpreendente… - Jacob respondeu pra moça e pra si mesmo. – O que você pôs no meu café? – ele disse, revirando a xícara. A garota riu.
_ Olha, se eu soubesse de algo que fizessem homens ficarem românticos eu realmente estaria feita! Poderia comercializar e não ter que trabalhar na cantina de um hospital. Isto aqui é um tédio! – Depois ela riu, um riso leve e puro. Ela era jovem, não tinha um acúmulo de frustrações ainda, Jacob olhou pra ela e torceu pra que ela não precisasse sofrer. Que ela não perdesse aquela alegria e energia contagiante que tinha, como ele mesmo perdeu a sua. Ela fazia bem aos outros, como um dia ele pôde ter feito. – Ei cara? Por que você tá me olhando deste jeito? Tua mulher é mais bonita do que eu pra você estar me secando, sabe? – Ela falou, estalando os dedos na frente dele. Jacob balançou a cabeça sorrindo.
_ Não ligue pra mim, eu sou um idiota.
_ Oh, isto foi muito animador. Pra me secar o cara tem que ser idiota. Certo, eu já sabia disto. – Ela falou, fazendo uma espécie de bico e arrumando a redinha que prendia o coque dos seus cabelos.
_ Não, não… eu não quis dizer isto… eu quis dizer … olha… não foi isto.…
_ Posso te dar um conselho? Não tente se desculpar quando você tá enrolado. Faça uma piada, sempre dá certo. – Ela lhe deu uma piscadela.
_ É, um dia eu soube fazer isto. – Jacob resolveu calar a boca e tomar o resto do seu café, mas de repente a menção de um certo nome em uma mesa de médicos e enfermeiros a suas costas lhe chamou a atenção.
_ Ela veio furiosa por eu ter permitido que eles entrassem na UTI sem verificar tudo. Mas como eu podia sonhar que eles estavam expostos a uma doença infecciosa? Acabou que ela nem me falou o que eles tinham. só disse: “A visita deles está proibida até segunda ordem, que não virá.” – Jacob conhecia a voz daquele médico, ele já conversou com por telefone enquanto ela estava em casa. Era parte da equipe dela.
_ Mas Marlon, você não disse que era muito bom trabalhar com a doutora? Qual é cara, toda ala masculina deste hospital queria estar no seu lugar, ao lado da Doutora Delícia. – Um enfermeiro qualquer perguntou, estava com uniforme verde.
_ Ela é excelente, nunca a vi estressada ao ponto de descontar em algum membro da equipe. Sempre mantém o controle, mas ela entrou nervosa agora, sei lá o que deu nela.
_ O que o comportado Marlon quis dizer meus amigos, é que é uma delícia trabalhar com a Doutora Delícia. – Outro enfermeiro falou.
_ Vocês aprenderiam o que é respeito se convivessem com ela. Mas é claro, a gente acaba tendo inveja de quem colocou a aliança no dedo dela, às vezes. Principalmente quando ela sorri e diz: “foi um sucesso! A cirurgia foi um sucesso!”
            Os homens riram e Jacob fechou a cara.
_ Quem são aqueles caras ali? – Ele perguntou para a menina da cantina.
_ Ahhh... Bom, ali está quase toda corja masculina do hospital. O de cabelo preto e enrolado é o doutor Marlon, ele é o outro neuro daqui. Indo da direita pra esquerda tem os enfermeiros: Cleiton, Everson, Meikay, Julian e Jhonatan. E o outro é o pediatra, Norton Gushy. De mais sérios ali só o doutor Marlon e o Norton, porque os outros são uns canalhas. Vivem pegando enfermeira nas noites de plantão aí, pelos quartos vazios.
_ Tive a impressão que eles estavam falando da … - Ele disse, franzindo o cenho para eles.
_ Bom, você queria o que? Acordaaaa ôôô... ela é a top do hospital. É lógico que aqueles lá falam dela. Dã! É bom que você se garanta, porque o que tem de cara na fila esperando pra estar no seu lugar… não é brincadeira não! - Ela disse, começando a espremer laranjas depois de olhar no relógio da parede, parecia ter chegado alguma hora específica pra fazer aquilo.
            chegou na cantina bem a tempo de ouvir o comentário de Milla, a garçonete espevitada que ela já conhecia bem. Não se surpreendeu ao entrar na porta e ver Jacob conversando com ela, aquela garota conseguia arrancar qualquer um da cova pra papear. gostava dela, ela sempre animava os familiares dos pacientes e os fazia comer alguma coisa.
_ Então vocês já se conheceram? – Ela perguntou, sorrindo para Milla. Mas Jacob estava tenso demais olhando para os enfermeiros que estavam observando de canto de olho. Ela passou pela mesa deles e ainda sorriu, os caras ficaram convencidos. Idiotas!
            finalmente chegou perto deles, se encostando no balcão em frente a Jacob. Jacob virou o rosto pra ela e o seu olhar indagante o fez se lembrar de tudo que a serelepe garçonete havia o distraído. Problemas… vampiros, Isabella…
_ Doutora Delícia é pouco pra ela… - Ele se irritou assim que ouviu o sussurro do enfermeiro. Repentinamente enlaçou o braço na cintura de e a puxou para si.
_ O que é isto? – Ela perguntou assustada, mas ele lhe calou com um beijo ávido. tentou protestar, pensando que ele lhe beijava pra fugir de alguma lembrança de Isabella, mas ele apertou mais o abraço e acariciou a sua nuca tão levemente que ela acabou… cedendo. O beijou de volta, sentindo a cabeça rodar conforme ele sugava sua língua.
_ Hãhãn! – Alguém pigarreou, largou de Jacob e se virou.
_ Doutor Hanson! – Ela exclamou assustada, tirando apressadamente as mãos de Jacob de sua cintura.
_ Doutora !
_ Eu… e-eu… me desculpe por isto! – Ela queria matar Jacob, definitivamente matar! Todo mundo olhava pra eles e era a segunda vez que ele a fazia passar por aquele tipo de situação. A diferença era que agora ela estava diante do seu chefe e não dos quileutes.
_ Eu realmente não tenho nada contra, entenda… mas existem certos lugares que… bom, qualquer paciente ou familiar pode vir a esta cantina, então aqui ainda é um lugar de trabalho.
_ Eu sei disso Dr. Hanson. Me desculpe isto… não vai mais se repetir.
_ A culpa foi minha. Foi a saudade, eu perdi a cabeça. – Jacob se justificou atrás dela. se virou pra ele com um expressivo “cala boca” nos olhos, mas ele ignorou. – Ela passa muito tempo aqui.
_ Oh, sim. Eu posso… entender isto. Deve ser difícil ser casado com uma médica. Mas tente esperar o lado de fora da próxima vez ok? Ou pelo menos, não façam isto com tanto… tanta… é… dedicação… - Hanson fez uma careta desconfortável. Jacob sorriu e afirmou com a cabeça.
            Depois disso ele virou as costas e saiu da cantina, balançando a cabeça. Então encarou Jacob furiosa, colocando as mãos na cintura.
_ É isto aí! Cara, você se garantiu! Olha a cara deles, tão morrendo de inveja! – Milla falou. Ela colocou a mão na boca e riu baixinho, piscando pra Jacob e apontando a mesa de enfermeiros e médicos olhando de boca aberta na direção deles.
_ Eu não achei graça disto! Nem um pouco! É melhor a gente ir embora logo! – virou as costas sem ao menos se despedir de Milla.
_ Ela ficou brava. – Jacob sussurrou pra garota.
_ Preste a atenção numa coisa: quando uma mulher fica muito brava depois de um beijo que ela correspondeu, isto significa que ela gostou mais do que achava que devia gostar. Então, é isto, você tá no caminho certo. – Jacob riu, assim que escutou bufar da porta da cantina.
_ Foi um prazer te conhecer…
_ Milla! Pode me chamar de Milla. Mas você pode ter certeza que o prazer de te conhecer foi todo meu. Que a doutora não saiba! – Ela disse rindo e pegando a mão de Jacob. Estremeceu e enrugou o cenho quando sentiu a temperatura elevada dele. Jacob fingiu não perceber.
            Jacob se despediu da garota e voltou a seguir , que saia na sua frente. Andou um pouco impositivo demais quando passou pela mesa dos médicos, fazendo Milla rir alto do balcão.
_ Não vai me esperar doutora?
_ Eu realmente não te entendo, Black. Você me confunde, o que você pretende? Fazer minha cabeça entrar em combustão? Tudo isto é por sua culpa! Entendeu? Tudo isto aqui do avesso é por sua culpa. Vampiros na minha cola inclusive! – Ela dizia brava, caminhando na frente dele pra fora do hospital.
_ Calma! Você não acha que seria eu quem devia estar soltando agulhas? – Jacob respondeu, apertando o passo para alcançá-la. – Minha situação não é nada suave se quer saber. E não me culpe por virar a sua cabeça para baixo, porque caso você não tenha percebido, doutora, você também tem grandes habilidades de fazer isto comigo. Agora trate de falar baixo, tem mais pessoas com ouvidos sensíveis ao redor.
_ Não são pessoas, Jacob. São escórias sobrenaturais! E eu falo na altura que eu quiser, se for por causa disto.
_ Será que você poderia se acalmar e simplesmente sentar na moto pra gente ir pra casa?
            parou e xingou baixinho. Moto! Um veículo pequeno demais para os dois. Por que ela não pegou seu próprio carro quando veio com Leah, hein?
_ Tá esperando o que? Precisa de ajuste nas roupas? – Ele não falou aquilo em tom de piada, estava nervoso, o cheiro de vampiros ainda estava ali do lado de fora, o eco da voz de Isabella, da voz cristalina e aguda da Bella vampira, estava assombrando seus ouvidos.
_ Não ouse! – disse ríspida. Eles poderiam ficar sem brigar?
_ … - Jacob respirou fundo. – Por favor. Venha, sente-se e vamos, é bem simples.
_ Olha, ele ficou civilizado… - Ela disse e Jacob ergueu a sobrancelha. – Assim eu vou.
_ Que ótimo!
            colocou o pé direito no pedal da moto e deu um impulso rápido, lançando a perna esquerda do outro lado da moto. Não usou as mãos. Ela sentou-se atrás de Jacob e cruzou os braços. Ele bufou e virou as mãos pra trás, pegando os braços dela e puxando-os para envolver sua cintura.
_ Segure! – Ele disse, quase ordenou.
_ Não é como se eu fosse cair se não segurasse. – Ela sussurrou, soprando no ouvido dele. Ah... agora ela tinha resolvido falar baixo? Ele acariciou as mãos dela.
_ Então segure apenas pra ficar perto. Vai que um vampiro te rouba da minha garupa? Segure e não solte. – Ele murmurou, consciente das batidas do coração dela em suas costas.
_ Segurar e não soltar… entendi… - Ela continuou a sussurrar e se mexeu indo mais pra frente, apertando mais suas coxas em volta de Jacob. – Pode correr que eu não caio… - Ela sorriu e Jacob viu o sorriso pelo retrovisor.
_ Gosta de velocidade, não é? – Ele ligou a moto e fez o motor potente rugir.
_ Muito…
            Ele acelerou, alcançando rapidamente a velocidade máxima da moto. Os cabelos de foram jogados pra trás com força, da mesma maneira que era quando ela corria em sua velocidade plena. Ela afastou o rosto do ombro de Jacob e fechou os olhos, sentindo o vento úmido ricochetear em seu rosto. Esfriava… acalmava… esclarecia…
            Naquela velocidade eles não demoraram para chegar em casa. Assim que a moto parou, soltou da cintura de Jacob e se meteu pra dentro.
_ Mais calma? – Ele perguntou, entrando na sala e se sentando.
_ Sim, um pouco. Mas algumas coisas precisam ficar claras, certo Jacob Black? – Ela estava agitada ainda. Jacob suspeitava do motivo, era o mesmo que o dele. O encontro com Isabella. Ela não fazia mais tanta questão de esconder o nervosismo ou stress perto dele, mantendo frieza e controle diante de algo que lhe incomodasse. As atitudes dela ficavam cada vez mais claras a ele, assim como as atitudes dele ficavam mais claras pra ela.
_ Tipo o que, doutora? – Ele falou bufando. Sentou-se no sofá e coçou a cabeça.
_ Pare de me chamar de doutora.
_ Você não é doutora? , pare de frescura!
_ Você está insuportável! – Ela reclamou. Pronto! Tinha virado do avesso de novo.
_ Não estou com paciência, posso? E olha só? Você também está intragável! Diga logo os esclarecimentos. – Ele não olhou pra ela. foi às costas do sofá e deu um tapa no estofado, bem ao lado da cabeça dele.
_ Por que você me beijou no hospital?
_ Por que eu quis! Ficou clara esta parte? Pode pular pra próxima. – Ele se levantou e se virou para ela, se ajoelhando no sofá encarando-a. Ela recuou, girando para o outro lado do sofá. Jacob também se levantou.
_ Jacob… eu não vou admitir que você me use entendeu?
_ Usar? – Ele perguntou, e foi na direção dela, contornando o sofá, mas ela recuou novamente e girou do lado oposto a ele.
_ Eu sei que você não está bem em relação a… ela
_ Humm… - Ele murmurou, voltando a contornar o sofá pra chegar perto dela, mas desta vez ela se afastou e foi para o outro canto da sala.
_ Mas eu não vou admitir que você me use como válvula de escape pra se livrar de qualquer pensamento de Isabella! – disse, levantando o dedo e escurecendo o olhar. Jacob reconheceu que ela estava se fechando, fingindo dureza ao exigir algo. Ela estava escondendo outra coisa.
_ Humm… - Ele voltou a murmurar, se aproximando dela novamente, pela direita. Ela se afastou, indo pro outro lado.
_ E eu estou falando sério! Não pense que pode me beijar cada vez que ficar atormentado! Eu não sou uma garrafa de bebida pra você afogar as mágoas…
_ Tá. – Ele respondeu. Voltando a se aproximar dela, pela esquerda desta vez.
_ Então você vai ter que se resolver sozinho em relação a isto. Entendeu? Não me olha com esta cara!  - Ela ralhou quando Jacob tombou a cabeça de lado e fez um biquinho, voltando a se aproximar dela pela direita quando ela fugia pela esquerda.
_ Tá. – Ele disse, indo pra perto.
_ Será que você pode ficar parado? E quer parar de concordar? Eu estou tentando brigar com você! – Ela reclamou, sua voz mais aguda, nervosa.
            Ele parou e olhou sério, esperando e…ela parou de fugir. Foi a chance! Mais que de repente ele deu uma carreira e antes que conseguisse fugir, agarrou seu braço e a empurrou na parede, fazendo um cerco em volta dela com seus braços.
_ Vamos esclarecer as coisas então! Vamos deixar tudo as claras esta noite. Você consegue? – Ele perguntou, com o rosto muito perto do dela, desafiando.
_ Eu acho excelente, você pode sentar ali então! – Ela tentou empurrá-lo em direção a poltrona, mas ele não cedeu.
_ Primeiro: sim, por tudo o que você viu na minha cabeça em relação aquela vampira, eu estou profundamente incomodado com a volta dela. Posso explicar exatamente o porquê? Não! Apenas ao fato de que ela ficou entalada na minha garganta por dez anos. Tudo certo?
_ Sim. – Ela falou, tentando o empurrar novamente, mas ele ainda não cedeu.
_ Segundo: eu não vejo você como uma válvula de escape ou qualquer coisa parecida. E eu não vou tentar te usar.... Entendeu?
_ Que bom que você está consciente disto. Ótimo, você não vai me usar… eu não ia deixar mesmo… - Ela disse, dando mais um empurrão, mas aquilo piorou a situação, por que ele lhe prensou mais na parede, com o próprio corpo desta vez.
_ Terceiro: eu vou me resolver sozinho em relação à Swan ok? Só não posso prometer que tempo isto vai levar, mas eu não vou perder muito mais tempo com isto. Já perdi demais!
_ Que bom pra você! – Ela disse baixo, prensada do jeito que estava. Calor, estava tudo muito quente.
_ E por último: eu beijei você naquele hospital pelo mesmo motivo que tenho beijado tantas vezes. Eu quis, eu gosto e eu… quero… Convença-se de uma coisa doutora: sua boca é gostosa. Simples assim!
            Ele terminou a ultima frase com um sussurro um tanto quanto insano demais.
_ Minha boca é gostosa? – enrugou o cenho. – Se este é o motivo, ter algo gostoso na boca, coma chocolate Black!
            Ele rugiu, mulher difícil!
_ Certo, você quer algo mais claro não é? – Ele falou, de repente um brilho estranho surgiu no olhar dele. estremeceu.
_ Qual é o sentido de “esclarecer as coisas” pra você? – Ela disse, levando o rosto para frente e sussurrando raivosa.
_ Certo, então vamos esclarecer… - deu outro empurrão com seu corpo no dele, mas ele deu outro empurrão nela, prensando-a na parede de novo. Ele sorriu, mórbido. – O motivo pelo qual eu te beijo, senhora Black, é o mesmo motivo que faz você corresponder meus beijos. Responda qual é, que assim tudo se esclarece.
            Ela parou e olhou para ele de queixo caído. Depois mordeu o lábio e riu.
_ É, você me pegou senhor Jacob Black.
_ Sim, eu peguei você. – Como para dar duplo sentido a sua frase, sentiu a mão de Jacob apertar em sua cintura. – Então? Não vai esclarecer as coisas?
_ Quer o quê? Ouvir que sua boca é gostosa?
_ Não, eu já sei disto. – Ele respondeu com a cara de pau bem lisinha.
_ O qu…? Seu convencido de uma figa! É isto que você é!
_ Só estou esclarecendo as coisas. Você que começou.
_ Pois que péssima ideia a minha, não é?
_ Achei no começo, mas agora estou gostando. Então, por que você me corresponde? – Ela olhou pra ele e mostrou a língua. – Doutora… não faz birra, seja mulher e responda…
            riu.
_ Que cara mais descarado! – Ela virou a cabeça para o lado na parede.
_ Você está me enrolando…
_ Eu? Imagine… - Ela disse irônica e nervosa, se contorcendo entre a parede de concreto e a parede de músculos quentes.
_ Sou paciente. Eu vou esperar… Não! Espera! Tenho uma ideia melhor… - Ele disse, sorrindo e subindo a mão que estava nas costas de .
_ Ei, ei, ei! Não… não se mexa… Fica paradinho, nem pense…
_ Só vou te ajudar a responder… clarear a mente… refrescar a memória. – A mão dele subiu mais, foi pra nuca dela.
_ Droga! Pare, eu não estou achando graça. Por que agente não fala mais dos… dos… - Ele começou a aproximar o rosto, exibindo os dentes perfeitos. Desgramado! – … dos sanguessugas… - O rosto dele colou ao lado do seu… – Tá, tá bom! Eu desisto desta coisa de esclarecer, certo!? Não precisa não… pode parar, sair de perto e ficar quietinho.
_ Não, agora eu quero. – Ele disse e depois puxou a sua nuca delicadamente, trazendo o rosto dela de frente para o seu. Roçou o nariz no dela, fez cócegas.
_ Eu não estou com vontade agora… - Ela sussurrou baixo, muito baixo, quase sem vontade… Mas ele se aproximou mais e beijou delicado os seus lábios. Ela apertou os olhos e se encostou mais na parede, mas não havia fuga.
_ Não quer? – Ele sussurrou, o hálito dele já sendo jogado em sua língua… Sugou muito levemente os lábios dela.
_ Eu nã… - A língua! Ele tinha que passar a língua? suspirou quando sentiu a língua dele e levou a sua própria de encontro a dele. Correspondeu, inevitavelmente, correspondeu. Um beijo lento, com carícia de línguas…
_ Por que… – Ele perguntou, movendo os lábios em cima dos de . – …está me beijando de volta?
_ É mais gostoso que chocolate… - Ela suspirou, rindo. Abriu a boca, deixou a língua dele invadir, foi de encontro a ele quando ele apertou sua cintura.
_ Por que está me beijando? – Ele perguntou, ela mordeu os lábios dele.
_ Por que eu quero… por que é bom…
_ Você pode beijar qualquer um…
_ Eu quero você…
_ Por que?
_ É você que eu quero! - Ela disse irritada, ele sorriu, e a beijou de um jeito de arrancar o fôlego. Era crime!
_ Por que me quer?
 _ Não penso em mais ninguém! – Ela murmurou, conturbada com o gosto da boca, com o calor, com as mãos em sua cintura, com o corpo no seu.
            Ele parou e lhe olhou nos olhos.
_ Então está tudo esclarecido doutora. Estes são os nossos motivos. 
            Então ela sorriu e envolveu seus braços no pescoço dele.
_ Estes são nossos motivos. Não só pra que eu te corresponda, mas pra que eu te beije. – Ela disse, jogando a toalha de vez.
_ Então me beije. – Ele pediu e não precisaria repetir. Ela mergulhou na boca dele com avidez e liberdade em não se conter, sentindo o abraço dele envolta de seu corpo trazer o aconchego que ela tinha certeza que não teria em quaisquer outros braços.
_ Black é um idiota! – Ela sussurrou entre os lábios dele.
_ Você também é Black, senhora. – Ele riu e girou os corpos, se recostando na parede e trazendo-a para se inclinar no corpo dele.
_ Sou? – Ela perguntou, tomando consciência que já havia se habituado com aquele sobrenome junto ao seu nome.
_ Sim, é! – Ele disse.
            Ela abaixou a cabeça e recostou-a no ombro dele.
_ Faltam duas semanas… - Ele disse depois de algum tempo, puxando-a pra baixo para que eles ficassem sentados no chão, ainda juntos.
_ Duas semanas pra que? – Ela perguntou, levantando a cabeça. Jacob fez uma careta.
_ Mulheres costumam se lembrar da data de seu próprio casamento.
_ Oh! É mesmo! Duas semanas…
_ Vai seguir em frente? – Ele perguntou, abaixando o olhar, parecendo esconder algo.
              pôs as mãos no queixo dele e o ergueu.
_ Tudo às claras? – Perguntou.
_ Sim.
                        Ela se abaixou e se encostou nele novamente.
_ Sim, eu vou seguir em frente.
_ Pela ordem? – Jacob perguntou, se referindo ao acordo com Quendra.
_ Ordem… já faz tanto tempo… parece… - Jacob continuou silencioso, podia ouvir os batimentos dele se alterarem. – Estou confusa… eu não sei mais… - Ela despejou finalmente.
            Jacob suspirou e beijou o topo de sua cabeça.
_ A ordem nos obriga, mas não será a ordem que me fará estar lá.
_ E o que vai ser? – questionou, sentindo as mãos tremerem.
_ Espero… que o mesmo que leve você lá, no altar.
            sorriu, mas sentiu o corpo sacudir nervoso. Ele apertou o abraço.
_ O que você sente? Agora? – Jacob perguntou. – Aqui? – Ele colocou a mão no peito dela.
_ Eu não sei … definir… não prestei atenção… eu nunca senti assim…
_ Assim como?
_ No momento estou sentido que você cale a boca e só me abrace. Não me peça pra explicar o que eu não posso entender…
_ Não, eu não vou pedir… - Jacob a puxou mais para seu colo, ela colocou as pernas no meio das dele e o apertou. – Só abraço? – Ele perguntou, sugestivo. riu.
_ Tudo bem Jake boca-gostosa. Me beije desde que fique em silêncio e não passe dos limites!
_ Ela adora impor regras… isto é… - não deixou ele terminar, agarrou sua nuca e capturou seus lábios.
_ Eu disse em silêncio! – Rindo ele afirmou com a cabeça e puxou-a para outro beijo, jogando-a no chão deitada e simplesmente degustando… até que cansasse…
            Naquele momento um pensamento absurdo lhe veio à cabeça: “Bella que se danasse!”



CAPÍTULO 32
CONVERSA

            Cada vez que ele segurava com um pouco mais de empolgação sua cintura, lhe dava um beliscão. Jacob reclamou, dizendo que ela tinha força pra deixar ele todo roxo, mas ela lhe dizia que meninos mal comportados apanhavam. Assim ele teve de controlar os seus instintos naquela noite, suas vontades, focando tudo somente para beijos e nada mais. E, por ser assim, aqueles foram os melhores beijos da vida de qualquer um dos dois. Tão ligadas ficaram as bocas, que elas podiam se sentir, mesmo quando não estavam coladas. sentia o gosto da boca de Jacob só com o som de sua voz e ele sentia a maciez dos lábios dela só com um vislumbre de um sorriso. E era linda a forma como ela sorria depois que ele deixava seus lábios, dizendo que era pra descansar um pouco, estendida no chão com os braços soltos e sem se importar com mais nada.
            Jacob ficou com ela um bom tempo assim, até que ele percebeu que os olhos dela estavam cansados demais. Ela tinha passado outra noite em claro e estava lá, acordada e linda, apesar da cara de cansaço. Jacob se lembrou de Milla dizendo que ela ficava linda mesmo depois de horas exaustivas de plantão e era verdade. Aquilo era perfeição, não a forma escultural e pétrea dos vampiros. Perfeito era aquele calor, a cor acentuada da face depois de beijos tórridos, o peito arfante quando perdia o fôlego, o suor com o calor da proximidade, o cabelo solto e sem penteado, os olhos brilhantes de sono e a pele que não resistia a um aperto, que acomodava o toque. E os olhos, de uma cor que era só dela. Era a humanidade que ela não perdia, estava nela, apesar de tudo.
“Perfeita ao dormir, perfeita ao acordar, perfeita em tudo!” Ele pensou novamente.
_ Não acha que esta na hora de dormir doutora? – Ele sussurrou em seu ouvido, acariciando seu cabelo.
_ Humm… - Ela murmurou, se virando no chão. – Posso ficar mais tempo acordada.
_ Sim, você pode. Mas por que resistir se você pode descansar?
_ Tá bom do jeito que está… - Ela disse, escondendo o rosto embaixo do braço dele.
_ Eu sei que sou muito aconchegante, mas você precisa sair daqui pra dormir. Ou quer ficar? – Ele perguntou, rindo.
_ Sou descente, não durmo com qualquer um. – Ela sussurrou, parecendo bêbada. Jacob gargalhou.
_ Eu não sou qualquer um. Pensei que isto já estivesse claro, doutora.
_ Tem razão, você não é qualquer um. Você é um ser altamente convencido, problemático, com uma vampira em seu passado, que no momento virou presente e muito, muito perigoso… mais perigoso por ser tão abusado! – Ela murmurava abafado por estar com a cabeça enfurnada no braço de Jacob.
_ Perigoso em que sentido?
_ Não vou falar, se quiser descubra. Confio em sua inteligência.
_ Tudo as claras lembra?
_ Cansei desta brincadeira. Coisas ocultas podem atrair mais, às vezes.
_ Ok. Então, já que você está aí com sono, e não quer dormir aqui então… me dá licença. – Jacob disse, empurrando levemente o corpo dela pra se separar do seu. Mas ela lhe agarrou novamente.
_ Faça assim então: fica comigo até eu dormir, depois… você vai para o seu quarto.
_ Tem certeza? – Ele perguntou, de repente se achando realmente muito abusado por insistir naquilo.
            se levantou, apoiando a cabeça no cotovelo. Olhou pra ele cuidadosa.
_ Vamos com calma, ok?
            Jacob não disse mais nada, apenas se levantou e a puxou para seu colo, a levantando do chão.
_ Então eu vou te colocar pra dormir! No seu quarto.
            Quando chegaram ao quarto, pediu pra que ele a deixasse ir se trocar. Jacob se sentou na cama enquanto ela foi para o banheiro. voltou com um pijama discreto, muito discreto: calça cumprida e manga longa, de tecido de algodão nada transparente, na cor rosa bebê, o cabelo solto, mas penteado, um chinelinho de tecido branco. Andou em direção a Jacob arrastando o pé e coçando os olhos. Ele riu, ela não queria parecer atraente, escondeu tudo, até o cabelo escondia seu rosto.
_ Nossa, que espetáculo de sensualidade! – Ele não resistiu, teve que caçoar.
_ Gostou? Foi você que me inspirou. – Ela subiu engatinhando na cama.
_ Tá parecendo uma armadura.
_ E é! Estou do lado do inimigo. – Ela disse, se encaixando no abraço dele. Os dois riram.
_ Dorme então, não vou atacar esta noite.
_ Isto me tranquiliza.
_ Medrosa… - Ele provocou.
_ Abusado! – Ela respondeu, já de olhos fechados. Mas de repente ela os abriu, voltando a encarar Jacob.
_ Jake?
_ Diga.
_ Isabella está certa. Vocês têm uma situação sim e ela não está resolvida. O que ela disse é verdade.
            Jacob voltou a ficar tenso, como não estava antes. Endureceu o olhar.
_ Escutando atrás da porta?
_ Não preciso disto, meu ouvido é bom. – Ela passou a mão no rosto dele, por cima dos olhos. – Ainda há mágoa. Resolva isto, se livre disto.
            Jacob não respondeu, foi para beijá-la com a expressão ainda muito perturbada. Mas ela não permitiu, virou o rosto e voltou a fechar os olhos. Era um claro sinal de que ele não poderia se afogar nela de maneira nenhuma pra tentar esquecer o problema Isabella. Ele teria de resolver aquilo, quer quisesse ou não. Enfrentar… No fundo ele era o medroso ali.
            Suspirou e não cobrou outro beijo, apenas começou a acariciar a cabeça de , com um olhar fixo em lugar nenhum. Olhando para o lado ele viu um número rabiscado em um papel deixado cuidadosamente sobre o criado mudo. Não estava ali quando ele chegou. De alguma maneira o distraiu e colocou ali. Embaixo do número, com a caligrafia de , estava escrito “Edward”.
            Uma hora depois a respiração dela já estava uniformizada, tranquila, o corpo estava mais solto. Jacob suspirou e voltou a olhar para o pedaço de papel com o numero. Lentamente desfez o abraço de ao redor de si, pra que ela não acordasse. Rodou no quarto, foi para a sacada, mas acabou voltando, pegando o papel com o número. Tinha sido coisa de , com certeza!
            O telefone ficava na outra mesinha do quarto. Jacob o pegou, junto ao número. Respirou fundo e discou.
_ Alô? – Era a voz dela. Jacob estava se preparando pra ser hostil com Edward quando ele atendesse. Mas quem atendeu foi Isabella. – Alô? – Ela perguntou novamente.
_ Vamos resolver a situação então. Esta é a noite onde tudo se esclarece. Me encontre na montanha  da luta com os recém-criados, onde descobri tudo sobre o seu casamento, daqui a vinte minutos.
_ Jacob? Eu…
_ Vou estar esperando. – Ele disse, e desligou o telefone. Olhou pra trás, pra que dormia encolhida feito uma garota na cama. E depois foi para a sacada e simplesmente saltou, correndo em direção ao encontro, para ter a conversa que foi adiada por mais de dez anos.
            Quando Jacob saiu do portão pra fora, os olhos de se abriram, ela estava acordada o tempo inteiro. Se levantou cuidadosa, foi para a janela e sussurrou para o homem que havia desparecido ao longe:
_ Boa sorte… - Voltou para a cama, sem ter a certeza de quando dormiria.

Oo0O0oO0OoOoO

            Bella sentou-se naquela pedra, no cume da montanha mais alta daquela região. A última vez que esteve ali, seu coração ainda batia, podia sentir o frio enregelando sua pele, podia chorar… O vento chicoteava contra a figura pétrea e distinta daquela mulher vampira, estática em um transe. Não era a mesma Bella, seu corpo exibia curvas esguias e delicadas, esculpidas com veneno polegada por polegada. Seu cabelo descia-lhe pelas costas, seu rosto tinha traços harmoniosos, melodiosos, misteriosos. Ela nunca vira sua face, de anjo cálido e juvenil, refletida no espelho quando seu instinto aflorava, não via em seus olhos a criatura monstruosa que pedia para se libertar, para devorar.
            Havia nela um monstro, um demônio inumano resistindo cada vez que ela resolvia se apegar a algum sentimento celestial demais. Mas ela combatia e domava o demônio sanguinário com  tudo aquilo que um dia habitou seu coração de humana. Amor… e por haver amor nela, crescendo, consumindo, resistindo, havia também a falta, a ausência, o arrependimento e a culpa.
“Beije-me Jacob… Beije-me e depois volte…” Fora ali, exatamente no lugar onde estava parada, onde Jacob a beijou, daquele jeito insano e quente. Por que ele escolheu justamente aquele lugar?
            Aquela lembrança era humana, um véu cinza a cobria, mas ainda assim, era impossível que se esquecesse. O conforto, ela jamais poderia esquecer que sentiu conforto nele, com ele e por causa dele. Mas era menina, jovem ainda, não sabia administrar seus sentimentos, tão pouco o sentimento que ele devotou a si. Não sabia, porque não entendia.
            Seus caminhos se atravessaram, cruzaram, mas nunca fundiram-se. Não eram um do outro, o caminho dele cruzou com o dela, mas eles nunca poderiam seguir juntos.
            Ela não precisou inspirar muito para sentir o odor se alastrando ao redor de si, provocando uma involuntária tensão em seus músculos. Era inevitável perder coisas com a transformação, e à sua lista Isabella pode adicionar o cheiro de Jacob. Não se lembrava como ele era quando lhe parecia bom, pois agora não era mais assim. Ele veio sem se transformar, não como fera, estava parado a suas costas, com olhar tão fixo quanto o dela.
            Ele nada disse, esperou que ela se virasse, devagar, dada sua capacidade, para lhe encarar. Assim que ela o fez, recuou novamente diante da intensidade dele. Aquele olhar parecia ter sobre ela o mesmo efeito que o fogo. Porque o fogo era uma das poucas coisas que tinha o poder de lhe desfazer, de lhe consumir.
_ Um dia eu me senti bem e confortável quando você me olhava. Não é o que estou sentindo agora. – Bella disse de olhos baixos. A voz dela veio em um sussurro misturado com o vento, suave.
_ Era porque neste dia eu me sentia bem em olhar pra você. Não é o que eu sinto agora. – Jacob seguiu a mesma intensidade da voz dela. Bella pensou em questionar o que ele estava sentindo, mas a voz ainda estava presa em algum lugar dentro de si. – Não pensei que você ainda sentisse algo, Isabella. Pra mim, os sentimentos são do coração. Aquela coisa que bate viva dentro da gente. O teu virou pedra, está morto.
_ Não Jacob. Eu descobri que não é no coração que os sentimentos mais profundos ficam. Eles ficam na alma, se enraízam em nós. Com o coração parado ou não, a minha alma continua aqui. E mesmo tendo aversão pela criatura que você é, eu não me esqueço do meu Jacob. Não posso. Você é sentimento, forma o que é minha alma. E é isto que não me permite esquecer de você. – A voz dela continuava inalterável, suas pálpebras e cílios cobrindo suas íris.
_ Não se esquece de mim… Isto não é confortador Bella. É migalha… - Ele disse, uma nota de raiva impregnando sua voz.
_ Não é migalha Jacob. Porque eu sei que você não precisa de nada de mim, não tenho mais a pretensão de ocupar algum lugar importante demais pra que você queira algo de mim. Algo pleno ou migalhas… - Bella elevou os olhos e, com firmeza encarou Jacob. Ele não viu os olhos dourados, mas viu a faísca de uma cor chocolate.  – Eu nunca quis ferir você. Eu não menti quando disse que te amava. Eu amei você sim, muito. Amei porque era simplesmente impossível não te amar Jake, porque o que você sente é tão forte que nos contamina. O mínimo que agente pode fazer é sentir junto. Mas eu nunca fui a mulher certa pra você Jacob, nunca fui.
_ Nunca quis me ferir? Seria inevitável, não é Bella? Vivemos o famoso triangulo amoroso. Triângulos têm pontas e as pontas ferem.
_ Não foi só você que se feriu nesta história Jacob! Não foi! Eu me machuquei, esta criatura imbecil aqui, que merece seu ódio, também se machucou. Edward se machucou. Nós só nascemos pra ser par Jacob. Triângulos não podem existir. Eu não sou teu par.
_ Demorou pra enxergar isto não é Bella? Porque não me disse isto antes? – Ele questionou.
            Isabella deu um riso amargo, com um som dolorido.
_ Então a miserável se confessa… eu vou dizer o que você pensa que sou e tem absoluta razão: eu fui egoísta Jacob. Eu já disse e não me canso de repetir. Quando você, Jacob, sente algo por alguém, você tem um poder incrível de elevar este alguém às alturas ou de resgatar do buraco. Eu não era capaz de fazer isto comigo mesma então eu precisava, o tempo todo, de alguém que fizesse isto por mim: me resgatar do buraco, me puxar pra vida. E você fazia, sempre fez. Eu realmente não queria te fazer sofrer, mas o meu querer mais forte era que eu não perdesse tudo aquilo que você me dava. Hoje Jake, hoje eu sei que eu não merecia aquilo. Mas muito mais do que não merecer o seu amor, eu não merecia que você sacrificasse sua alegria por mim, por alguém que te fez o que fez, sugou tudo que você me oferecia sem prestar a atenção que eu te esvaziava, eu tirava e nunca acrescentava.
            Jacob sorriu, olhou pra cima e agarrou os cabelos.
_ Ah! – Ele soltou um grito rouco e logo depois começou a rir incontrolavelmente. – Ah Isabella! – Ele bradou ao vento, fazendo com que a pedra que compunha a pele da vampira tremesse. Se aproximou veloz e agarrou os braços de gelo, ferindo a alma da vampira com seu olhos em brasa. – Eu fui um idiota! – Ele disse, olhando dentro dos olhos dourados. Bella, impressionantemente, segurou firme e suportou a chicotada que Jacob lhe deu com aquelas palavras. Ele dizia ser tolo por ter lhe dispensado algum sentimento.
_ Tudo, tudo o que eu queria, como eu queria, era te culpar e te condenar por tudo que eu passei nestes anos. Eu queria te culpar por ter me tornado rancoroso, desprezível. Eu queria te condenar por eu ter jogado o amor no lixo. Foi você que fez tudo isto comigo? Foi? – Ele riu novamente, o hálito, não mais envolvente para Isabella, foi jogado em sua face. Ela ficou quieta. – Não Bella, não foi! Eu mesmo fiz isto comigo e usei, durante todos estes anos, você como desculpa! Postura de uma criança covarde!
_ Eu nunca mereci o que você sentiu por mim. – Ela sussurrou.
_ Não Bella, não diga uma frase tão altruísta, que estas palavras não tem significado algum, porque elas não fazem parte das suas ações! Você não mereceu, mas quis ter. Não te culpo, eu fui pra você o que não fui pra ninguém durante longo período na minha vida. E daí eu usei você como desculpa pra justificar meu rompimento com a paz, com o riso fácil, com o encantamento, com a admiração. Eu só tive que topar com a realidade de que uma pessoa não era o que eu idealizava que ela fosse pra mim e então eu rompi não só com uma história de amor frustrada, mas eu rompi também o brilho nos olhos, rompi  com as promessas de amor que eu te fazia… “Até que o seu coração pare de bater…” Eu terminei com isto! Abandonei, deixei de lado, rompi com tudo o que de todo o meu coração eu acreditei. E foi por sua causa Bella? Não, não foi só por sua causa! Foi mais por medo… medo de sofrer! E então eu enfraqueci e me amargurei… amargura é o sentimento dos fracos, foi isto que eu descobri!
            Ele terminou a frase rugindo. Bella reconheceu o olhar perturbado que ela só tinha vislumbrado uma vez nele, em toda a sua vida. Foi a vez em que ela foi procurar Jacob após sua transformação, quando ele se achava um monstro, perigoso para ela. Era o olhar que ela disse, um dia, fazer parte do “Jacob de Sam”.
            Bella fora, assim, a primeira pessoa a vislumbrar o que Jacob poderia ser diante de uma frustração, de um medo. Ele se tornou amargo para ela um dia, antes que se entregasse a isto de vez. Ela já tinha visto dureza na voz e no olhar dele. Foi só um vislumbre ou então, um prenuncio do que realmente aconteceu com ele. Bella se lembrou daquilo e estremeceu por dentro.
            Jacob soltou os braços dela, não suportando mais respirar de tão perto o seu cheiro. Fechou os olhos e se sentou em uma pedra em frente a ela. Isabella continuou em pose rígida, como estátua: não se mexia, não respirava.
_ Não… - Ela sussurrou. Era um lamento, ela lamentava que o Jake que ela conheceu se perdeu em algum lugar… ah, aquilo doeu. Verdadeiramente, aquilo doeu! Sua face se retorceu, mas ela não podia chorar, nem um soluço lhe escapava. O demônio dentro dela impedia que ela limpasse sua alma jorrando lágrimas.
_ Agora eu vejo. Vejo o que eu não vi Bella… Vejo que a culpa também foi minha. Eu fiz certa escolha. Eu fui o culpado por te por em um pedestal onde você não cabia Bella, eu te idealizei de uma forma que você não era e não tinha como ser. Você não era a mulher da minha vida Isabella. E quando isto tentava me ser jogado na cara eu me fiz de cego e eu também induzi você a acreditar nisto. Nós dois erramos e mesmo que eu queira condenar alguém, eu não posso. A verdade é que você nunca foi obrigada a ser o que eu queria que você fosse…
            Bella viu, conturbada, uma lágrima fina escorrer pelo rosto de Jacob.
_ Jacob, eu sei… sei que nunca mais seremos o que um dia fomos um para o outro. Mas eu conheci você. Você me permitiu isto um dia. Mas só agora eu entendo certas coisas de você. – Bella queria se aproximar de Jacob, mesmo com o desconforto absurdo que a proximidade com um lobo trazia, e lhe acariciar. Mas não podia. – Jake, pra mim você era uma estrela própria, com uma fonte de energia e luz inesgotável. Eu te concebia como um sol e eu não entendia que um sol pudesse perder sua luz algum dia. Mas Jacob, você procurou em mim, você me conduziu a ser algo que eu… eu … era idealização! Você foi um menino Jake, um menino que perdeu a mãe muito cedo e assumiu a responsabilidade de sustentar o pai e manter a mesma energia que ele tinha. Você sempre deu muito e recebeu pouco. Porque você sempre foi capaz de dar amor, de ser para os outros o que você procurava pra si. Eu não enxerguei Jacob, eu não vi que na verdade você queria não só cuidar, você queria ser cuidado… Ah! Eu nunca fiz isto, você queria ser iluminado… como você me iluminava…
            A voz da Isabella vampira, perfeita e cadenciada demais, voltou a mexer com algo que Jacob tinha perdido dentro da sua cabeça. Uma lembrança morta lhe veio… Ele fechou os olhos e se agarrou aquilo com uma necessidade extrema.
_ Jay? Jay, meu pequeno guerreiro! Venha, me deixe te beijar… hoje eu não te beijei! – A voz dela era quente. Seu pai estava sentado do outro lado da praia, com Rachel e a Rebecca do lado. As meninas riam do garotinho correr pra longe da mãe, brincando enquanto ela fingia ter dificuldade em alcançá-lo.
            Os cabelos negros e longos de sua mãe se espalhavam com o vento que batia contra ela e ela sorria pra todos da sua família com um sorriso esplendoroso, extraordinário e cáustico. O sorriso branco de era como uma aurora. O sorriso dela era como um sol, trazia vida a sua família.
_ Vou pegar você! – Ela corria atrás do pequeno Jake, com só quatro anos de idade. Começou a cantarolar em quileute “vou pegar, vou pegar”… a voz dela era suave, mas tinha uma rouquidão mansa e sutil. O Jakesinho escutou Billy trovejando uma risada ao ver a correria entre mãe e filho.
_ Num vai naum… - Jake gritava e ria ao mesmo tempo.
_ Pote quo… pega ele! – Billy disse, chamando a esposa de “meu amor” com a língua quileute.
            Sarah Black correu mais, e agarrou o pequeno Jacob pelas costas, levantando o pequeno do chão e começando a beijar incontrolavelmente sua barriga, suas bochechas.
_ Nos segure! – Ela gritou, e foi correndo para o lugar onde Billy e as meninas estavam sentados na areia. Ela pulou no meio deles com Jacob no colo, com as bochechas mais vermelhas pelas gargalhadas infantis.
            As irmãs pularam em cima de Jacob e da mãe exigindo atenção. Sarah começou a beijar todos os filhos e a sorrir em meio aos apertões no pescoço, cada vez que ela era puxada por uma das crianças.
_ Tem mãe para todo mundo! Eu vou cuidar sempre de cada um de vocês! – Ela dizia, sempre sorrindo.
_ Tem mãe pra mim também? – A voz de Billy soou mansa e baixa. Rebecca e Rachel pararam de pular e deram risinhos uma pra outra. Jake continuou gargalhando no meio do pai e da mãe.
_ Pra você não sou mãe, sou mulher. – Ela disse, passando a mão na cabeça do Jake gargalhão em seu colo e olhando profundamente Billy, com olhos negros e intensos. Por cima da cabeça dos filhos ela se inclinou e beijou um Billy em boa forma e com os cabelos sem um fio branco sequer. As meninas riram mais, e Jake olhou pra cima, para o beijo dos pais e enrugou as sobrancelhas pequenas.
_ Ei! – Ele chiou e colocou a mãosinha no meio das cabeças de Sarah e Billy.
_ Jake, bobão. Atrapalho o papai e a mamãe! – Rebecca gritou.
_ Becca! Não chame seu irmão de bobão. Jay é o nosso guerreiro. Nós vamos cuidar dele não é? – As meninas riram. Mas Sarah sorriu ainda mais bela para os filhos e marido.
_ Te amo mamãe! – Jake disse, e agarrou o pescoço da mulher sorridente.
_ A mamãe é o nosso sol Jake! – Billy disse…”
            A lembrança se desfez, Jacob não conseguiu se recordar de mais nada depois daquilo, era algo aleatório. Bella olhava atenta pra ele, observando mais uma lágrima descer por seu rosto, mas um sorriso pacífico tomar conta de sua expressão. Jacob respirou fundo e fez careta logo depois, com o cheiro de Bella.
            Então, depois daquela lembrança inesperada e repentina, ele tirou de lá de dentro de sua cabeça uma verdade. Foi como se a sua mãe, em alma presente, tivesse vindo até ele, por uma porta ínfima de acesso, e lhe tirado a compreensão do que ele havia passado lá de sua essência… de seu coração. Então ele começou a explicar o que compreendeu à Isabella.
_ Você estava sozinha e perdida, depois que Edward te deixou… eu fui alguém que você se agarrou em meio à correnteza, assustada, apavorada. E eu nunca tive alguém assim, uma menina, uma garota pra mim, não tinha nenhuma outra… e por não ter mais nenhuma eu me agarrei em você também Bella. Eu não vou dizer que me arrependo de tudo que passamos juntos, o frio a dor, as dificuldades, as alegrias, os medos. Nós dividimos muitos medos um com o outro Bella, e o medo dividido subtrai-se.
            “Mas lá na frente, havia o lugar onde você se separaria de mim. Foi quando Edward voltou e eu não soube admitir que você não precisava mais de mim. Eu me desesperei pra não deixar que nossos braços de soltassem, mas não! Você não me pertencia e eu nunca te pertenci. Nós apenas fomos companheiros de uma travessia Bella. Eu não fui tão nobre pra reconhecer a hora de renunciar, eu nunca estive disposto a isto, meu ego grande não permitia… Meu desejo de ter um sol pra mim, alguém que me cuidasse, não me permitiu. Eu nunca pude acreditar que o sanguessuga fosse melhor pra você do que eu. Olha só que ironia. Ele foi nobre assim, ele esteve disposto a recuar, ele estava disposto a jogar seu orgulho e sua honra no chão e abrir mão da mulher que ele amava se eu fosse o melhor pra você.
            “Agora eu vejo e a vida me dá outro soco na cara. ‘O vampirão é mais honrável que você, Jacob’. – Jacob começou a falar com voz arrastada – ‘Então você pode xingar o sanguessuga Jacob, mas a atitude dele era muito mais forte e resistente que a tua’. Idiota! Se eu tivesse abrido mão, não teria sofrido.”
            Jacob desabafou tudo sem parar pra respirar. Não falava para Isabella, mas como que para seu reflexo no espelho. A Bella parada na sua frente parecia refletir o outro cara que ele era.
_ Eu acho Jacob, que se em algum momento eu te aceitasse, da forma que você queria, nós perderíamos aquilo que era pra nós, de verdade. Cada mísero segundo dos dias da minha vida, quando eu me deparo com o sorriso do Edward, com o olhar e com a voz dele, eu sei que eu nasci só pra ser dele. Nasci com defeito, mas de uma maneira torta ele sorri pra mim e por mim. Eu só me sinto mais honrável Jacob, porque eu sei amá-lo e me dedico a isto a minha vida inteira. Edward sempre foi o mais experiente de nós e talvez aquele que tenha tido as atitudes mais coerentes neste triangulo. Não acho que foi imbecil o que ele fez, acho que foi algo que nós não podemos alcançar. Ele abria mão de mim e se tornava mais nobre e eu, se o traísse, se dividisse meu coração com outro, então só eu seria desprezível, não ele. Como eu poderia não amá-lo Jake?
            “Eu não sou capaz de deixá-lo, porque eu preciso fazer algo por ele, eu preciso ser dele, eu sou pra ele. Eu sei que posso conseguir isto, mas com você não. Com você eu nunca seria capaz, eu nunca seria digna, porque eu nunca seria a certa. Então eu nunca faria isto certo com você Jake.”
_ Não, não faria. – Jacob sorriu novamente. Por que agora tudo parecia tão claro? Seria porque ele e Isabella não eram mais adolescentes frente a seu primeiro amor? Seria porque ambos tinham alcançando certo entendimento sobre o que havia em seus corações? Ela era de Edward e ele… ele era…
_ … - Isabella sussurrou, se sentando velozmente ao seu lado. – Você está casado com ela. Você é capaz de compreender o que me liga a Edward quando está com ela, Jacob?
_ Porque pergunta isto?
_ Eu te conheço Jacob, eu já vi teus olhos abertos pra mim. Eu vi, lá, na frente daquele hospital, você olhando pra ela. Suas sobrancelhas se levantaram e sua retina cintilou, eu sei o que foi aquilo Jacob. Você compreende com ela o que me liga a Edward?
_ Sim, eu compreendo.
            Bella sorriu, como se aquela afirmação de Jacob lhe tirasse um peso da alma, o medo de Jacob não ser feliz.
_ Nunca, nunca Jake houve tanta sinceridade em mim em qualquer coisa que eu possa dizer a você, como haverá no que eu vou te dizer agora. Eu quero, desejo, preciso que ela, aquela médica, seja pra você tudo aquilo que você queria que eu fosse. E que ela possa ser mais, muito mais do que isto. Que ela seja a certa, que ela obtenha sucesso naquilo que eu deitei por terra. Que ela seja sua felicidade. – Ao dizer aquilo a voz de Isabella se tornou mais forte, mais profunda. Ela se levantou, andando a passos leves para longe de Jacob. Ela não viu que Jacob lhe sorriu pelas costas, tomando consciência de uma certeza já enraizada nele.
_ Ela é. Ela será! – Ele sussurrou pra si mesmo. Bella ouviu e deixou um suspiro humano demais lhe escapar.
_ Eu não sou mais parte da sua vida Jacob, nada do que há em mim pode te prender ou te agoniar mais. Eu não quero isto e agora você sabe que também não quer. – Bella disse. – Mas aquilo que nos uniu no passado é eterno e imutável. Os sentimentos que você me deu ficaram em mim. Não se esqueça disto, é só o que eu lhe peço.
            Jacob se levantou e suspirou também.
_ Isabella… o que eu vivi com a humana que você foi, foi verdadeiro, mas transitório, passo… Uma passagem. A lembrança disto não me incomoda mais. Vai embora Bella, vai que hoje eu aprendi a te deixar ir. – Ele virou as costas.
_ Jacob! – Mas antes que pudesse partir Bella lhe chamou. Ele não se virou, apenas parou. – Por mais uma ironia do destino, sua esposa é meu tormento na Terra. Meu tormento como fonte do meu desejo. Ela é minha cantante… Desejo o sangue dela de uma maneira absurda. Agora eu sou monstro também, Jacob. Proteja ela de mim.
            Jacob se virou e encarou Isabella, com um riso estranho na face.
_ Você é tão boa lutadora quanto Edward, Isabella? – Ele perguntou, ameaçador.
_ Não…
_ Então é você que vai precisar de proteção contra a minha esposa… se tentar algo. – Ele riu e não disse mais nada. Foi embora dali sabendo que tudo o que devia ser dito entre eles foi dito. Estava livre, claro e resolvido.
            Agora, ele voltaria pra casa. Ele voltaria pra , novamente inteiro, novamente Jake!


CAPÍTULO 33
SENTIR

            Os dias se passaram mais rápidos do que esperava que eles passassem. Não havia tempo para ela respirar, praticamente. O motivo? A proximidade do seu casamento! Cada dia que passava, aquilo lhe provocava um rebuliço maior dentro da barriga. Ela mal chegava em casa do hospital e já era pega, ora por Rachel, ora por Emily ou Sue, para participar de rituais. As mulheres da tribo lhe preparavam para ser uma “esposa quileute”.
            Ela não conhecia as tradições, não entendia os costumes e tampouco sabia de todas as histórias daquele povo. Por isto, tinha que participar. Era sempre um bando de senhoras que a levava para uma clareira, a mesma onde aconteciam as festas da fogueira, e lhe pintavam, rezavam para ela e a fazia dançar canções bem rústicas, tocadas em espécies de tambores e flautas, e cantada por elas. Elas eram sempre muito alegres, e já havia deixado de ter vergonha diante delas. Já dançava livremente, surpreendendo as indígenas com sua desenvoltura.
            O mais fascinante de tudo aquilo eram, sempre, as histórias, narradas tão apaixonadamente pelas índias, tanto que suas vozes se tornavam unicamente místicas. Elas contavam sobre suas mulheres, sendo a mais glorificada delas a terceira esposa de Taha Aki. já podia saber de cor muitas palavras que aquela índia proferiu e se emocionava com a intensidade com que ela amou e foi amada.
_ Tem de ser mais que um. Juntos, homem e mulher têm de ser a imensidão da vida. Tudo aquilo que completa. – Sue uma vez lhe disse.
            Participavam da reunião somente as mulheres que eram ou foram casadas. Elas falavam de tudo. Até de coisas que deixavam constrangida, principalmente por vir de sua cunhada.
_ Se entregue a ele sempre de forma plena. Não deixe que só ele conduza você. Você também saberá conduzir o corpo dele ao êxtase. Abrigue a violência e força de homem que ele tem, amorteça esta força no teu próprio corpo. Mas também saiba acolher o filhote que existe nele, faça isto com ternura. – Rachel disse, e sorriu pelo aparente constrangimento de , recebendo aquele tipo de conselho da irmã do homem que ela teria que “receber” em si.
            Ela ficou ainda mais nervosa, pois, no momento em que Rachel falava, ela chegou a imaginar tudo aquilo, e estremeceu. Era pensar naquilo que seu peito palpitava, agonizante. Sue certa vez entrou em detalhes, mostrando certos “desenhos” em um caderno velho. Pareciam ter sido feitos a mão, todos. Os das páginas iniciais estavam com a tintura mais desgastada e conforme chegava para o final, os traços ficavam mais nítidos, parecendo até atuais.
_ Este foi eu que desenhei! – Exclamou uma velhinha, dona Luahry, de uns cinquenta e tantos anos. escancarou a boca, olhando pra indiazinha baixinha, sem poder conter sua expressão de espanto. Olhou novamente o desenho, e virou a cabeça pra tentar conceber algum ângulo, mas aquilo estava pior que o Kama Sutra. olhou pra velinha novamente, que exibia uma expressão divertida nos olhos.
_ É minha filha, eu fazia isto. Agora não tenho mais coluna pra abusar assim. Mas eu aconselho, porque é bom!
            sacudiu a cabeça e logo acompanhou a explosão de risadas das mulheres que estavam ali, e logo deixou de olhar as gravuras apimentadas do livro de tradições femininas quileutes. Era o tipo de sabedoria secreta que aquelas índias só passavam de uma pra outra em condições específicas, no caso: casamento.
_ Eu não acredito nisto! – sussurrou, por baixo do fôlego, olhando para Emily.
_ Pode acreditar, estas índias são safadas. Eu fiquei muito pior do que você quando descobri o… “ouro”. – Emily disse e riu.
            Além destas reuniões, que Jacob também era submetido - e não queria nem imaginar no que os homens confabulavam - havia o seu trabalho, um tanto mais complicado do que de costume.
            Charlie se recuperava bem, no fim das contas. Ela conversava com Edward todas as noites, conforme o prometido, mas escutava Bella sussurrando velozmente do lado dele. No início ela queria transferir seu pai de hospital, mas argumentou que uma transferência era preocupação sem necessidade. Charlie estava fragilizado emocionalmente por não conseguir realizar facilmente tarefas simples, como abotoar uma camisa. Uma mudança de ambiente, da equipe de médicos aos quais ele já confiava, não faria bem a ele.
_ Eu já disse que ele está sendo bem cuidado. Se ela esperou por anos, porque não pode esperar alguns dias até ele ter alta? – questionou exasperada para Edward, certa vez.
            A transferência foi esquecida.
            Ainda no hospital, Charlie havia começado sua fisioterapia e a nova educação alimentar com a nutricionista. A dieta que ele levava não era saudável e foi a primeira recomendação que relatou a Edward por telefone.
_ Ele não bebia muita água, não comia nem frutas, nem verduras e nem legumes. Era só pizza ou lanche, pelo que me disse. Isto não pode mais acontecer. Ele está com a taxa de colesterol elevada demais. Também acabaram as bebidas alcoólicas!
            terminou de falar autoritária e se virou, encontrando Jacob a encarando com as sobrancelhas erguidas. Ela ouviu Edward respirar fundo do outro lado, como se precisasse.
_ Sim… senhora. – A voz macia e ponderada de Edward lhe respondeu, como se falasse com sua patroa, ou algo do tipo, se sujeitando a uma ordem. revirou os olhos e Jacob riu.
            O riso de Jacob foi ouvido do outro lado da linha, por Edward e por Isabella, sentada no colo do marido. Edward observou o semblante de Bella mudar, e ela aproximar seu ouvido delicadamente para o lado do telefone, como para ouvir melhor a risada de Jacob.
_ É isto. Amanhã volto a ligar, ele terá alta daqui a três dias. – não deu oportunidade pra Edward lhe responder, desligou o telefone. Bella saltou do colo do Edward e olhou pra ele, que lhe espreitava.
_ Você sabe que me alivia ver que ele está bem não é? Unicamente porque o mal estar dele me agoniava. Não me fazia bem. É só por isto. – Ela disse a Edward, e sabia que não precisava falar mais do que aquilo pra que ele entendesse que se referia a Jacob.
_ Não precisa me explicar nada. Eu sou seguro o suficiente pra saber que você é minha. – Ele olhou pra ela e sorriu, seu sorriso inexplicavelmente lindo. Veloz ele estava em cima dela, beijando sua boca e rindo quando ela enlaçou as pernas em sua cintura. – Minha! Minha felicidade! – Bella sorriu e se afastou dele somente pra arrancar a blusa. Depois de dias eles estavam a sós naquele casarão branco, todos estavam em caça.
            Pra agonia do jovem lobo Caleb, todos os Cullens haviam voltado pra Forks e, mesmo respeitando os limites das fronteiras quileutes, o cheiro deles infestava tudo. Caleb odiava, sempre o ouvia reclamar.
_ Esta cidade já não tem bons ares. Insuportável sentir este cheiro e não poder morder cabeças! – Ele disse, com os dentes trincados. balançava a cabeça e ria.
            Aquele lobo estava novamente em sua cola, Jacob havia posto ele pra vigiá-la, por causa de Isabella, mais especificamente.
_ Eu posso dar conta dela sozinha. Não meta o menino nisto! – disse pra Jacob, já havia se acostumado a ficar sem Caleb vigiando-a o tempo todo.
_ Posso tirar ele da sua cola, se você despachar logo o Charlie. Vai fazer isto? – Os dois conversavam por telefone naquele dia, estava no hospital.
_ Vou. Quando tiver que ser, eu vou. – Ela disse, bufando.
_ Então, as coisas continuam como estão! – Ele desligou, gritando com algum empregado do pavilhão. se conteve pra não quebrar o telefone. Odiava quando ele fazia aquilo!
            Eles estavam se vendo pouco ultimamente, devido toda a correria. Ambos sentiam a angustia que isto provocava. Mas não confessavam, não com palavras, porém era impossível conter o brilho das retinas quando podiam se ver. Por vezes Jacob voltava tarde de uma ronda, sem esperança que ela estivesse em casa. Mas quando ela estava, saia de seu quarto, cobrindo-se com o roupão e, ainda que sonolenta, vinha lhe esperar ao topo da escada. Ela nem tinha consciência de como aquilo acontecia, mas seus pés simplesmente caminhavam pra ele quando podiam, independentes.
            Jacob elevava os olhos pra ela e engolia em seco, sempre. Mas logo depois sorria, escondendo os dentes, mas com os olhos cintilando. Não precisava dizer mais nada, não precisava sequer uma explicação. Ele caminhava até ela e envolvia os braços em sua cintura, apertando-a em um abraço. Ele sorria assim que a escutava gemer baixinho, se satisfazendo em meio ao seu calor. Beijava-a, suave e brando, e se despedia.
_ Boa noite… - Ele sussurrava.
_ Boa noite… - Ela respondia, soltando lentamente da mão dele e indo para o seu quarto, enquanto ele ficava lá, esperando ela fechar a porta.
            Houve dias que uma inquietação tomava conta de , e ela tinha vontade de voltar em seu caminho, de abrir a porta e de ir ao encontro dele… Mas tinha medo, algo lhe embolava na garganta e parecia que seu coração tinha uma arritmia. Ela ia ao banheiro, lavava o rosto, andava de um lado a outro, se deitava e… pensava nele, sempre, ininterruptamente, pensava nele! Ela se lembrava do sorriso, o mau e o calmo, o irônico e o involuntário… se lembrava do toque, do calor, da textura da pele, do timbre da voz, do ruído da respiração, dos cílios e da boca… do abraço… da língua.
            E passou a ser um buraco negro, uma força aterradora que a puxava pra ele e, por vezes o pânico tomava conta dela ao se dar conta disto. Se dar conta que tinha vontade de se perder nele, tinha vontades que ela pensou ser extintas em si. Lidar com aquilo lhe dava medo, lhe confundia.
“…mas não será a ordem que me fará estar lá …no altar…” Ela recordava.
            Jacob parecia compreender, de uma maneira mágica, toda a confusão que estava na cabeça de . Não ousou se aproximar mais do que ela lhe permitia. Embora quisesse ir além, sim. Ele ouvia, pelas noites que se seguiram, as inquietações de em seu quarto, o chuveiro sendo ligado na madrugada, água sendo colocada dentro do copo, o remexer do corpo na cama e, até mesmo, soluços abafados. Tinha vontade de invadir o quarto, mas não o fazia. Apertava os olhos e se deitava imóvel e rígido em sua cama, só adormecendo quando a respiração dela se acalmava.
            De repente, as inquietações internas eram tantas, que as palavras se travavam em suas gargantas e diante um do outro eles não conseguiam manter uma conversa neutra, não podiam ao menos se falar. Ficavam em silêncio, agoniava.
_ Não me olhe assim… - Ela disse, certa noite, quando fazia comida e ele parou a suas costas, encostando-se na porta cozinha e, simplesmente, observando-a.
_ Só posso deixar de te olhar assim se eu ficar cego, ! – Ele disse, um tanto irritado, e saiu dali, para mais uma das “reuniões de noivos”.
            ergueu a cabeça e correu atrás dele, lhe pegando o braço. Ele voltou-se para ela, confuso, mas ela só ergueu os pés e fechou os olhos, encostando seus lábios nos dele. Outro beijo, mas desta vez ele não se conteve, não quis se conter, agarrou a cintura dela, a apertou junto de si e a beijou quase com fúria, fazendo a coluna dela arquear para trás. Era necessidade.
            Mas de repente ele parou, a afastou de si rispidamente, deixando-a cambalear tonta com a intensidade do beijo e a sua inesperada ruptura.
_ O que foi… ? – Ela perguntou, encostando-se ao móvel mais próximo e passando as mãos trêmulas pela testa.
            Jacob olhou pra ela, fixamente, e o que havia nele assustou , ela se encolheu. Era uma chama, desejo puro. O cheiro de Jacob ficou mais potente pra ela, mais insinuante.
_ Jake… eu… eu… - Ela queria dizer algo ao ver ele naquela situação, sabia o que causava aquilo nele, ela era adulta o suficiente pra perceber, mesmo que ele fosse muito bom em esconder… as vezes… – Não houve mais nenhuma? Nenhuma outra, desde… desde que… viemos pra La Push? – Ela perguntou, abaixando os olhos.
_ Não, nenhuma outra … nenhuma outra mulher… - Ele sussurrou, tremendo.
_ Quanto tempo? – Ela perguntou, estavam se referindo a necessidade que o corpo dele exalava.
_ Não sei mais… cinco meses talvez… - Ele não olhava pra ela, e tinha novamente o peito palpitando.
_ Sente… falta? – Ela perguntou, com algo arranhando sua garganta.
            Jacob balançou a cabeça e riu, um riso quase dolorido.
_ Não é isto! Não sinto falta disto. Não é mais o que eu quero.
            estava confusa, olhou pra ele sem entender, com uma clara indagação nos olhos.
_ O que? O que você quer então? – Ela perguntou. Jacob largou as mãos para o alto e as levou para a cabeça, puxando os cabelos atrás da nuca. Depois ele parou, respirou fundo e foi na direção de , caminhando devagar.
_ Por que eu vou esconder? Por que eu vou tentar fazer isto? – Ele sorriu e pegou os braços dela, acariciando-os e fazendo a pele dela se arrepiar. – Eu quero você, . Você!
            O corpo de sacudiu mais fortemente e seus olhos pareceram perturbados, logo se enchendo de lagrimas. Jacob a puxou, aninhando-a em um abraço, ela soluçou, as lágrimas escaparam de seus olhos.
_ Shiiiii... Não fique assim… - Ele disse. – Se acalme…
_ Jake… eu… eu não…
_ Shiii... – Ele sussurrou novamente, e logo a silenciou com um selinho nos lábios. – Olhe pra mim… - Ele pediu, ela abriu os olhos, tendo de ser aparada por ele para manter-se de pé com as pernas tremendo como estavam. – … Você vai ser minha… E eu vou esperar… esperar até que você venha até mim. – Ele voltou a lhe abraçar e lhe beijou o topo da cabeça. Logo depois se afastou, andando rapidamente para fora da casa.
            caiu no chão, desabando, literalmente.
“Você vai ser minha… E eu vou esperar… esperar até que você venha até mim…”
            Aquela declaração pareceu impregnar em cada um de seus poros. Ela aparteou o ventre com as mãos, tentando conter o frio que lhe subia. Ela não sabia o que pensar, não sabia o que seu coração tentava lhe gritar, aquela voz distante ou apavorantemente próxima… Logo ela não só ouviria aquela voz, como a deixaria sair de si.
****************
_ Então? Está tudo certo por aqui? – perguntou, entrando no quarto de Charlie e encontrando os enfermeiros lhe ajudando com as muletas.
_ Perfeitamente doutora. – Ele falava mais devagar que o comum, sua fala ainda não estava absolutamente fluente, faltaria algumas seções de fonoaudiólogo ainda, mas Isabella seria a responsável por estes cuidados agora, já havia feito por Charlie muito mais do que costumava fazer por seus pacientes. O visitava mais que o comum, acompanhava de perto todo o seu progresso na fisioterapia, monitorava a alimentação, até o fazendo comer as sopas que ele dizia odiar. Agora ele estaria indo embora. Era o dia, era a alta.
_ Então está pronto para ir pra casa Charlie? –Ela perguntou, sorridente, enquanto assinava a alta na frente de Charlie. Os enfermeiros deixaram e Charlie a sós, saindo em direção ao corredor. A médica não entendeu, quase os chamando de volta para que eles auxiliassem na saída de Charlie, mas este lhe fez um sinal, a chamando.
_ Preciso… falar… com você, . – Ele pediu, lentamente, e ela entendeu que Charlie deveria ter pedido para que os enfermeiros saíssem antes que ela chegasse.
_ Bom, eu… estou toda a ouvidos. – Ela sorriu, já acostumada com Charlie lhe chamando pelo primeiro nome.
_ Eu sei que você não deixou minha filha me visitar pelo que ela é… e não por uma doença qualquer… - Charlie sussurrou, pronunciando silaba por sílaba pausadamente.
_ Charlie… - tentou argumentar, mas tinha se assustado com a objetividade dele. Quase pensou que ele não sabia da condição sobrenatural de sua filha. Ele lhe interrompeu.
_ Não precisa dizer nada… eu… eu só queria te agradecer, pelo que fez por mim, apesar de não … “simpatizar” muito com minha família.
            se aproximou dele e sorriu, pegando-lhe a mão.
_ Não precisa agradecer. Fiz porque quis. E valeu a pena. Você é uma pessoa boa Charlie, merece cuidado.
            Charlie apertou a mão dela, sorriu de um jeito torto, tentando mexer os músculos ainda rígidos de sua face.
_ Você que é uma pessoa boa, minha filha. Boa demais. Nunca vou me esquecer do que fez, das vezes que você ajeitou meus travesseiros na cama e das vezes que colocou meus pés um na frente do outro com as… próprias mãos, na fisioterapia. Muito obrigada minha filha! – Charlie finalmente terminou sua fala e parecia um tanto desconfortável por se expressar daquele jeito, não perecia fazer parte da personalidade dele aquele tipo de atitude.
            O sorriso da morena ficou mais largo e ela, suavemente, abraçou Charlie, envolvendo-o com ternura.
_ Fique bem Charlie! E inteiro! Agora não está mais em minhas mãos. – Ela disse, ele apenas balançou a cabeça. – Agora vamos? Sua família está esperando na frente do hospital, conforme o combinado.
            Charlie se saiu do abraço caloroso e pegou suas muletas.
_ Quer que eu chame ajuda? – perguntou, mas Charlie negou.
_ Quero ir andando.
            E assim eles foram. sabia que Bella não estaria ali, somente Edward e os da sua família que fossem mais controlados, para poderem resistir ao cheiro da médica. Lentamente eles chegaram às portas do hospital. Edward saiu de seu Mercedes do ano e sorriu ao ver Charlie passar pela porta, logo depois veio de encontro de e do sogro.
_ Charlie! Fico feliz que está bem, saindo daqui. Bella está preparando tudo para a sua chegada em casa. – Edward falou ponderado, Charlie acenou com a cabeça para o genro. – Doutora, obrigado por tudo o que você e sua equipe fizeram.
            deu um meio sorriso, mas estava com os olhos fixos dentro do carro, encarando retinas cor de chocolate que também estavam fixas nela. De dentro do carro de Edward vinha o som leve e ritmado de um coração batendo em alta velocidade. O rosto que lhe encarava parecia ser de um anjo. Era sereno, com traços perfeitos, cabelos anelados e compridos de suave cor ruiva. A moça anjo desceu e teve receio e uma outra emoção que ela não soube definir. Que criatura era aquela?
_ Charlie! Se lembra de mim? – A moça disse, sua voz lindamente aveludada. Ela se aproximou e o cheiro doce e brando veio até as narinas de . Pelos traços que ela tinha, a médica pode ter certeza que se tratava a filha de Edward e Bella. A meia vampira.
            Uma espécie de agonia lhe vinha conforme ela se aproximava dela e de Charlie, cada vez mais perto, com o andar suave. Os músculos de ficaram tensos, ela apertou as mãos em punho e endureceu o olhar. Edward percebeu a súbita reação de . Tentou conter Renesmee para não ir de encontro com Charlie, mas a menina não percebeu e, assim que recebeu o sorriso acolhedor do avô, um sorriso de aconchego e não de repúdio, o medo de ser rejeitada por sua “anormalidade” desapareceu e só o que havia era alívio. Charlie não estava rejeitando-a por ser uma meia vampira e isto era maravilhoso. Ela passou pelo pai sem perceber a hesitação dele e foi abraçar o avô.
            Os olhos de se tornaram fendas quando aquela criatura envolveu Charlie com os braços, entranhando a cabeça perto demais de seu pescoço e inspirando. não viu a alegria de Renesmee, ela viu a ameaça para Charlie. Seu corpo reagiu quase em modo automático, ela se virou para os dois, quase subitamente, e elevou a mão para tentar separar Renesmee dele e…
“Não! Não toque nela… não a machuque, você não pode machucá-la!” Uma voz pediu em completo desespero em sua cabeça. A voz lembrou a voz de Jake, mas não era a voz de Jake, só parecia. Ela se virou, procurando a origem da voz ao redor, deixando claro o susto em sua expressão.
_ ? Está tudo bem? – Edward lhe perguntou, mas ela apertou os olhos e voltou a olhar para a meia vampira, que praticamente sustentava o peso de Charlie com o braço ao seu redor.
_ Solte… - disse, dando um passo na direção da moça, mas assim que fez isto sentiu uma agonia absurda no peito.
“Não! Por favor! Você não pode negar um pedido meu! Não a machuque, guarde ela pra mim! Proteja ela por mim! Não machuque ela!” A voz pediu ainda mais conturbada, com um timbre doloroso e torturante. sentiu seu sangue parecer revolto dentro de si, como se outra alma estivesse dentro dela, fazendo ela sentir aquilo. Ela olhou novamente para os receosos olhos cor de chocolate e todo a desconfiança e ameaça que ela poderia ter pela meia vampira, caiu por terra. Ela sentiu uma vontade absurda de proteger aquela menina.
_ Como é seu nome? – sussurrou, e era como se outra pessoa quisesse saber daquilo, como se alguma pessoa dentro dela desejasse saber o nome daquela criatura.
            Renesmee olhou pra completamente confusa, depois olhou para Edward e para o avô. Ambos estavam com a boca aberta, o humano doente e o vampiro cordato. Edward muito mais espantado por não entender metade das sucessivas reações da médica.
_ Renesmee… Renesmee Cullen. – Ela respondeu e sorriu tímida para . Inacreditavelmente sorriu de volta.
_ Cuide bem do seu avô. Vou confiar ele a você. – respondeu, de repente sentindo uma confiança no sorriso de Renesmee.
“Cuide dela… cuide dela até que eu chegue…” A voz, tão parecida com a de Jake, lhe sussurrou na mente, quase desaparecendo. Não havia explicação para aquilo, mas já via e ouvia tantas coisas inexplicáveis que não tentou entender.
            Renesmee sorriu mais confiante e estendeu a mão para . Edward lhe direcionou um olhar de repreensão, mas ela ignorou.
_ Pode confiar! – Ela disse, de um jeito mateiro, com um sorriso largo e jeito de quem ganhava um doce. Renesmee se lembrava de seu pai lhe alertando para a hostilidade da médica e pelo cheiro singular e saboroso. Mas, naquele momento, Renesmee não sentia hostilidade vindo dos olhos da morena. O cheiro? O cheiro era bom, incrivelmente bom, mas não tanto capaz de fazer ela perder o controle.
            olhou para a mão delicada estendida e sabia que o atestado de sua loucura seria dado caso pegasse aquela mão. Mas, novamente espantada, ela se viu apertando a mão macia e morna da hibídria. O toque lhe provocou um choque, seu corpo sentiu uma espécie de eletricidade sendo passada da meia vampira para ela…
“Você sentiu a alma dela… não se assuste… ela tem alma… completa o que os pais dela não possuem… você pode sentir a alma dela enquanto eu não posso. Proteja esta alma, ela saiu de perto de mim e está perto de você agora… Ela não é inimiga…”
            largou a mão de Renesmee abruptamente, mais veloz do que poderia. Charlie percebeu, mas Edward e Renesmee arregalaram os olhos e passaram a encará-la desconfiados.
_ Eu… eu tenho que ir. Até mais ver Charlie! – virou as costas e entrou quase correndo no hospital, indo se refugiar na sua sala.
            Sharon lhe disse qualquer coisa, mas ela não deu ouvidos, entrou com tudo no consultório e trancou a porta, encostando a testa nela.
            Um sopro lhe veio na nuca e logo depois ela sentiu uma presença atrás de si. Olhou pra trás e quase gritou… Colocou as mãos na boca e tentou conter o pânico, mas era impossível. Ele estava lá, olhando pra ela com imagem fantasmagórica… bem ali, na sua frente.
            O que estava acontecendo com ela? Por que ela estava vendo aquilo?
“Não se assuste…” Ele disse, e embora a imagem estivesse na sua frente, era dentro da sua cabeça que a voz ressoava. Outra voz, não a voz rouca e leve que parecia fazer parte dela, mas a voz dele.
_ Você está morto! – Ela gritou, mas não produziu som, sua boca se mexeu, mas nenhum som saiu. Ela se espantou, se virou e tentou destrancar a porta desesperadamente, mas a sombra de outra mão cobriu a sua. Uma mão com pele azulada, com desenhos que pareciam ter sido feitos por um artista mestre. Era uma imagem fantasmagórica também, ela não queria olhar quem era seu dono.
            Forçou a fechadura com força suficiente para estraçalhá-la, mas nada aconteceu. Ela como se ela não tivesse relado na porta. Tentou gritar novamente, mas não conseguiu emitir som.
Jake… Ela pensou.
Olhe pra mim, meu amor! Minha princesa… é o único momento que poderemos. Só agora! Olhe pra mim…”
            O elfo morto pediu… ela nunca tinha ouvido aquela voz tão perto, tão de dentro, mas sabia, era a voz de seu pai. Temerosa ela ergueu os olhos, encontrando o sorriso magnífico de Lairon e os seus próprios olhos colocados em outras orbitas.
_ Pai… - Ela choramingou e, naquele momento, pode ouvir o som da sua voz.
“Não vai durar muito esta sua sensibilidade meu anjo. Mas você pode, pode ver almas, pode nos tocar, mas logo isto vai acabar… Algo não permitido aconteceu, o destino se concretizou… acontecerá, eles virão e eles virão através de você, minha filha.”
_ Pai… pai…- deu passos na direção do elfo Lairon, mas ele se afastou.
“Não posso meu amor, não posso deixar que me toque. Não pertenço ao seu plano. Só entenda…
_Entender o quê?
“O motivo pelo qual nos vê, .” A outra presença, que quase havia se esquecido que estava ali, lhe falou novamente. Ela respirou fundo e encarou os olhos do garoto vampiro que ela viu Leah matar. Henrique!
“Você é humana suprema… sensível a nós… você pode ver além do que vive, por isto eu fui até você. , minha alma está presa. Eu preciso me libertar, eu fui morto como vampiro, como eu existe outros. Vim em nome de todos eles…”
            sacudiu a cabeça.
_ O que está acontecendo? – Ela perguntou desesperada para a figura magnífica do pai.
“Meu amor, você e todos que em você se completam, serão capazes de livrar, de entender muitas destas almas… destas que estão presas… Nem Quendra entende isto, ela não pode entender. Mas será inevitável… É você, minha filha, você é a detentora da preciosidade… haverá guerra…”
            não podia compreender tudo o que o pai lhe dizia, a voz dele desaparecia e sumia, ela escutava somente fragmentos.
_ Pai eu não entendo… Não consigo entender… Por que eu vejo tudo isto? Por que eu vejo este vampiro destruído?
 “Hoje você pode nos ver, porque sua sensibilidade está maior, você foi tocada por uma alma… uma alma um tanto atrevida. Ela fugiu de nós… Mas ela fugiu porque vocês deram o aval, algo está se unindo… Finalmente… por isto aquelas almas estão cada vez mais perto da condição humana…”
            Lairon disse sorridente, com um brilho orgulhoso nos olhos.
_ O que? Eu não entendo! – exclamou exaltada, quase gritando. Tinha vontade de se beliscar, pra sair daquele sonho pitoresco.
“Você pode me ver… eu lhe agradeço que você tenha me entendido… eu nunca quis, nunca quis me alimentar de outros humanos… eu nunca quis ser um vampiro… Você sabe agora como somos. Você é uma das poucas que saberá reconhecer uma alma digna de ser salva… Você reconheceu, tocou a alma dela… de Renesmee…” Henrique lhe disse, a imagem dele quase desaparecendo. Mas parou e sacudiu a cabeça furiosa.
_ É loucura! É mentira!
“Não é mentira meu amor… não é! Você nos vê, estamos aqui, juntos de você neste momento. O entendimento só vira com o tempo, mas de agora adiante, confie naquilo que você sente, naquilo que você vê … Esteja firme meu amor, esteja preparada para o que virá!”
            A voz de Lairon se tornou quase inaudível, queria que tudo aquilo parasse, mas ao mesmo tempo não queria. Ela queria que seu pai falasse com ela só mais um pouco. Ela queria sentir o amor em sua voz quando ele a chamava de filha…
_ Do que você está falando pai?
            Ele balançou a cabeça e sorriu:
“Fico feliz pelo rumo que está seguindo. Ficamos com medo de que se perdessem. Ele conseguiu, ele abriu as portas do seu coração… Você também fez isto… agora você sentirá… Vocês estarão juntos… você sentirá…”
            A imagem do vampiro Henrique desapareceu por completo e a do seu pai se tornou quase transparente.
_ Pai, espera! Não faz isto, não desapareça! O que você quer me dizer? Eu não entendo! O que?
“Seja feliz no seu casamento… estaremos te abençoando…” Naquele instante a voz se tornou dupla, dobrada em um dueto com outra voz, uma voz feminina… a voz de Laura, sua mãe. Uma lágrima escorreu pelo rosto de e a imagem de Lairon desapareceu. O som externo do hospital veio com força aos seus ouvidos, ela sentiu um solavanco dentro do peito, seu coração se sacudiu.
            Ela estava sozinha novamente, não havia nada em seu consultório. Olhou para a porta: estava intacta e fechada. Ela levou as mãos pra lá e, um tanto tonta, girou a chave. A porta se destrancou facilmente. Poderia ter sido ilusão?
            No mesmo instante que ela pensou aquilo, uma brisa passou por ela, um perfume singular e calmante se fez sentir. Era o cheiro de seu pai, ela tinha certeza. Havia sido real.
“Confie naquilo que você sente… confie naquilo que você vê…”
            voltou a fechar a porta do seu consultório e se sentou, encolhendo-se como menina na sua confortável poltrona. Aquilo foi um prenuncio, um prenuncio de muitas coisas que ela passaria em sua vida, sabia. Coisas que ainda não faziam sentido, mas que a envolvia… e talvez envolvesse Jacob também… Ela fechou os olhos e tentou clarear a mente, recuperar o controle, perder o medo.
            A primeira imagem que lhe veio à mente foi a de Jacob, sorrindo pra ela, acariciando seus cabelos. O conforto se enraizou nela quase imediatamente, fazendo-a sorrir. Agora ela sabia, sabia a fonte da sua força, do seu sentir. O que quer que ela tivesse pela frente, valeria a pena enfrentar.
             Agora ela sentia!

N/A: Meus amores, leitoras que me acompanham e que me inspiram a tanto tempo, fiz o melhor que pude nos capítulos que se seguirão. Trata-se de um dos momentos mais marcantes da fic e foi escrito com muita dedicação. Nenhuma palavra foi desprovida de sentimento, de afeto. Ousei descrever algo que não se pode mensurar, tampouco limitar no excasso espaço verbal. Leiam com calma, são longos três capítulos, conectados um ao outro, numa única sequência. “Because I Love You, Now and Always and Nothing Else Matters...” Nada mais importa… os capítulos ficarão aqui, a disposição de leituras tranquilas por mais de uma semana, darei um tempo maior, pra vcs e para mim tbm. As músicas, colocadas em links no decorrer do texto, são de suma importancia, pois elas caracterizam bem a cena. É  isto, depois me digam o que acharam. Eis aqui, a entrega!



CAPÍTULO 34
BECAUSE I LOVE YOU
Revelaram o motivo, a causa, a razão...
Era só porque amavam e isto era tudo.
As dores foram então liquidadas pela iminência da entrega,
Pela ânsia do querer, pelo o desejo de pertencer.
E se despiram de tudo e foram assim...
Se abrigar na alma d’outro.

            Ela desconhecia muitos mistérios de sua existência. Os últimos fatos, sua sensibilidade tão aflorada nos últimos tempos, requeria coragem… coragem para administrar coisas tão sutis e tão intensas. estava consciente que desenvolvera muito dos elfos em si. Como eles, ela tinha consciência de coisas futuras. Não se tratava de previsões ou pressentimentos, ou consequências de atos presentes. sabia ser capaz de ver o que alguns chamam de carma, de fado. Captava essências. Nos primeiros dias depois de sua visão completamente confusa com seu pai e com o vampiro morto Henrique, ela tentou não pensar em nada daquilo, preferia imaginar que era ilusório.
            Mas não era assim. Percebeu que seu coração estava mais aberto. Sentia com mais força, com mais consciência, percebia nos seus próprios olhos, refletidos no espelho, sua essência particular. Por ser assim, ela passou a olhar o homem que vivia com ela naquela casa, com outros olhos. Por um tempo, ela não lhe dizia nada, tampouco se aproximava de Jacob. Ele chegou a temer, tinha receio de que ela tivesse se afastado dele por ele dizer claramente que a queria como mulher. Porém, o que acontecia realmente, era que passou a olhar pra ele de um modo diferente, de um jeito muito mais quente. O olhar dela tinha capacidade de transportar Jacob a um mundo particular, profundo.
            Ela ia lhe visitar enquanto dormia, ainda sem falar com ele, nos dois dias que se seguiram a alta de Charlie. tocava Jacob, sem se importar se ele estivesse dormindo ou não, deixando ele consciente de suas visitas ao seu quarto. Ela lhe acariciava e, por vezes, lhe cantava um acalanto. Ele adormecia com ela assim, e não pedia explicação sobre suas ações, no fundo sabia, que ela estava somente conhecendo seu próprio sentir, apreendendo o significado de tudo aquilo.
            Mas eis que os dias se passaram e assim, neste mistério silencioso entre eles, chegou a manhã do dia do casamento. Jacob acordou cedo, quando o sol ainda se esforçava para dissipar a escuridão da noite, colocando as cores de uma nova aurora. Aquela seria uma aurora especial.
            Jacob não dormiu em sua casa aquela noite, na véspera do casamento. Era tradição que os noivos não se vissem. Por isto eles foram separados logo na manhã do dia anterior. Jacob estava na casa de seu pai, dormindo no quarto simples e apertado que um dia foi seu. Ele inspirou o ar, não tinha visto, mas sabia que havia passado por ali aquela noite: o cheiro dela estava lá. Menina travessa… ela devia ter fugido das vistas das índias!
            Ela passou ali, justamente, para lhe deixar um bilhete. Estava ao lado de sua cabeça, no pequeno criadinho ao lado da cama.
“É hoje!
 Caminharemos para o altar e nada é tão leviano como da primeira vez. Se serás guiado até lá pelo mesmo motivo que eu, gostaria que soubesse este motivo.
Caminharei até você, naquele rito, pra sermos abençoados, unicamente por uma ordem… pela ordem do meu coração!
Jacob Black… será verdade!”   
           
            Jacob apertou aquele papel como se abraçasse sua própria euforia. Sim, seria verdade!
*********
            Do outro lado daquela aldeia, acordou. Levantou-se e abriu a janela. Era verão, o primeiro dia de verão! O sol iluminava tudo com vigor, parecendo vestir-se com seu melhor traje, um esplendor de felicidade. Tudo parecia se compor aos sentimentos de . O azul, as cores, o calor e os sons do dia… Tudo emanava uma vida pulsante, prenunciava um tão esperado encontro, a tão ansiada entrega. O aviso de um milagre era sussurrado pelo vento. O milagre da entrega amorosa.
            Na alvorada daquele dia, tanto quanto Jacob esqueceram-se de qualquer coisa que pudessem lhes perturbar, macular a preciosidade rara do que sentiam. Porque diante daquilo, qualquer desesperança se escondia constrangida. O belo mostrava-se claro, emoldurava aquelas duas almas, distanciava quaisquer incertezas. Não havia mais qualquer resquício de duvida.
            sentiu, novamente, um sacudir de suas entranhas, o estremecimento de sua pele, e uma vontade de sorrir, de despejar um sorriso ao nada, um sorriso vindo lá de dentro, do lugar que ficava entre os pulmões e acima do diafragma. Mas ainda era cedo pra isto, ela reservaria estes sorrisos para mais tarde.
            Antes de qualquer coisa, os noivos passariam por cuidados, benções individuais. A tradição dizia que os responsáveis para aquele momento seriam as mães, tanto do noivo quanto da noiva. Mas, por serem ambos órfãos, ficou acertado que quem faria tais honras seriam as irmãs de Jacob. Rachel e Rebecca. Na reunião onde se decidiu isto Jacob não estava presente, pois foram as mulheres que decidiram. Naquela reunião as irmãs Black – Rebecca recém chegada a reserva com sua família – choraram muito, se lembrando da mãe. Rebecca era a que mais se retraiu, a que mais tentou fugir da dor que a ausência que a Black matriarca fazia em sua vida. O controle foi recuperado quando todas as índias, e também, se reuniram envolta das duas e iniciaram uma prece para que a mãe agisse nas duas, que transmitisse seu amor a elas, e as fizessem dignas de tal função. Aos poucos elas se acalmaram, como se a mãe tivesse lhes oferecido conforto de algum lugar desconhecido.
            As horas se passavam rápidas, o café da manhã passou alegre, tanto na casa de Billy quanto na casa dos penhascos.
_ Vô! Mas porque eu não posso ir com meu pai?! Eu quero ir! – Jason dizia emburrando na cadeira ao lado de Jacob.
_ Eu já disse que não pode Jay! Só estarão lá os guerreiros da tribo, ninguém mais. _ Billy explicou novamente.
            A matilha também faria um ritual de benção ao seu Alpha, estavam se preparando naquele momento, para que estivessem prontos quando a benção individual dos noivos começasse. Tudo aconteceria ao mesmo tempo, em um horário marcado por um relógio de sol montado no centro da praia.
_ Mas vô, eu sou um índio guerreiro já! – Ele disse bravo e Jacob riu.
_ Com certeza Jay! Mas você é um índio guerreiro que ficará com o noivo certo? Veja bem, é um cargo importante também. – Jacob falou, sorrindo mais que o comum, com uma voz mais leve. O pequeno riu. – E eu lhe darei uma missão muito importante também: trazer até mim no altar! Que tal?
_ Pode ser… eu aceito isto… - Ele ponderou, com carinha concentrada. Os homens e meninos que não eram lobos e estavam ali, riram todos do pequeno.
            Os homens e mulheres que rodeavam e Jacob tinham a função do os fazer rir, de os mimar. Ofereciam frutas, comidas típicas da tribo, trouxeram-lhes presentes, pintavam-lhe com tinha vermelha e preta, cada um desenhando algo em suas peles. Jacob e tiveram que beber o extrato forte de plantas da região, para dar ânimo e vigor para toda a festa e o seguir de suas vidas.
            Quando faltava pouco para o sol bater no ângulo certo do relógio na praia, fazendo a sombra cobrir o ponteiro central, todos saíram das casas, deixando os noivos somente com aqueles que fariam o primeiro rito.
            Jacob entrou no quarto maior da casa, no lugar onde havia sido sua garagem um dia. Era o quarto de Rachel e Paul. No canto do cômodo havia sido preparada uma enorme tina de banho, com flores dentro. Jacob se sentou na cama e retirou o cocar de penas luxuosas que havia sido posto em sua cabeça. Rebecca ainda não estava lá, devia estar vindo da casa dos penhascos ainda. Ele escutou o som da cadeira de Billy vindo para o quarto. O velho Black entrou tímido, com os olhos intensos, tentando conter o orgulho em excesso, a felicidade e emoção que sentia.
_ Filho! – Ele disse, olhando Jacob sentado na cama. – Como você está? – Billy perguntou, mantendo a voz vigorosa, sem nenhum tremor de emoção. Ele parou a cadeira a uma certa distância de Jacob.
_ Não sei explicar… eu não sei… eu…
_ Está nervoso? – Billy perguntou, sorrindo complacente. O filho lhe devolveu o riso, encabulado.
_ Muito. Não pensei que eu fosse ficar assim… não era pra eu ficar assim…
_ É natural. Me lembro como se fosse hoje o jeito que fiquei no dia do casamento com sua mãe. Eu estava morrendo de medo de desmaiar feito um molenga quando a visse no altar. Mas quando ela apareceu e sorriu, eu não tive medo de mais nada. As mulheres certas tem a capacidade de fazer isto com a gente, filho. Você vai ver. Elas pensam que nós somos os protetores da história toda, aqueles que as sustentarão… não é bem assim. Na verdade é elas que nos fazem mais fortes, é nelas que a gente acaba criando forças. Só o colo de uma mulher pode fazer um homem realmente forte.
            Há quanto tempo eles não conversavam assim? Há quanto tempo Jacob simplesmente não ouvia os conselhos e as histórias de seu velho? Ele se levantou e se ajoelhou diante da cadeira do pai, abaixando a cabeça.
_ Eu só queria ser pra ela tudo que eu sei que você foi pra minha mãe, pai. Eu só queria aprender a ter sua força… a força que você teve pra segurar todos da nossa família quando ela se foi. Eu só queria poder manter o amor forte e vivo como você manteve seu amor pela mamãe, mesmo com ela morta. Você é meu exemplo pai… me perdoe por desmerecer sua dedicação por um tempo. Me abençoe pai! – A voz rouca de Jacob ficou trêmula, ele apertou a mão de Billy com suavidade e devoção. Só percebeu a presença de Rebecca quando ela soltou um soluço na porta.
            Billy estendeu o braço à filha e ela foi pra perto do irmão e do pai, que tão pouco via. Sentia que Jacob disse exatamente o que ela queria dizer ao seu pai. Billy abriu os braços e aconchegou cada um dos filhos em um lado.
_ Vocês nunca desmereceram meu amor um segundo sequer de suas vidas. Mesmo que vocês tentaram se afastar de mim, pela dor que sentiram, vocês nunca saíram do coração deste velho aqui! Todos vocês, meus filhos, são a permanência em vida do meu amor por Sarah. Vocês deixaram este amor sobreviver, eu amo vocês e continuo amando ela através de vocês. Mesmo quando você e Rachel saíram de La Push, Becca, mesmo quando você se afastou de nós Jake, vocês nunca estiveram em outro lugar longe do meu coração.
            Rebecca soltou um soluço alto e beijou a testa do pai, demoradamente.
_ Me perdoe por ter sido tão fraca, de ter fugido e te deixado sozinho pai.
_ Meu anjo, não há o que perdoar. Eu entendo. – Billy riu sua risada de trovão, vigorosa e inabalável, mas caiu uma lágrima dos olhos dele, escorrendo em meio ao semblante sorridente. Da mesma forma uma lágrima escorreu pelo rosto de Jacob. Mas, a exemplo de seu pai, Jake sorriu, e beijou a mão de Billy que estava segurando.
_ Jake! Jay, meu pequeno guerreiro… - Billy cantarolou, com a mesma melodia que Jake se lembrava que sua mãe cantarolava quando lhe chamava. Becca também se lembrou e riu chorando da maneira como o seu pai disse. Ela se afastou de Billy e foi para o irmão, abraçando-lhe pelas costas largas. - … Meu grande guerreiro!  - Billy completou, com voz forte e profundamente emocionada. Notas de orgulho impregnavam o tom daquele pai. Jacob estremeceu o corpo.
            Billy pegou o rosto do filho com as mãos e fez os olhos negros e marejados lhe encararem.
_ Homem… guerreiro… meu filho, você se tornou homem! Eu sei, eu sempre soube que você seria grande, que você teria honra! É assim que eu te vejo. Os pais sentem, talvez antes que os próprios filhos, aqueles que lhes farão bem. , aquela mulher linda… A forma como ela me tocou com o seu primeiro riso… senti que ela já era parte de mim, que já era minha filha. Ela é a mulher certa para o meu filho! Eu abençoo, Jake, abençoo a sua vida com ela, abençoo você. Meu menino, meu filho… guerreiro e homem. Eu te amo e eu… e-eu… te abençoo!
            A força da voz de Billy pode passar toda a grandeza e imensidão daquele sentimento paterno, daquela benção. Jacob envolveu o velho em seus braços, soluçando.
_ Eu te amo pai! – Ele disse, com extrema necessidade, as únicas palavras que poderiam se aproximar daquilo que impregnava o seu coração de homem lobo, que um dia já foi menino nos braços de Billy.
            Em meio ao abraço dos três, ouviu-se ao longe uivos fortes e longos de toda a matilha, sincronizados em uma só melodia. Havia chegado o momento. O primeiro rito!
*************
            Eram as mesmas palavras e o mesmo procedimento acontecendo para cada um deles. Para e para Jake. Suas roupas foram retiradas delicadamente, por Rachel e Rebecca.
_ Dispa-se do que é mal no mundo, daquilo que não comunica à sua essência enquanto ser capaz de amar… - Elas lhes diziam, Rebecca com as lágrimas descendo pelos olhos, Rachel com um sorriso envolto em magia.
            Juntos, Jacob e fecharam os olhos e entraram na tina de banho.
_ Serás lavado(a) por estas águas, perfumadas pelas flores da terra, geradas por Deus… – Com as próprias mãos, as gêmeas pegavam a água e derrubavam na cabeça dos noivos.
_ Vá até o profundo de seu ser… se comunique com sua alma… ouça a voz do amor supremo que os espíritos acima de nós nos concedem… impregne-se dele… É chegada a hora de unir-se a outro, em verdade e em amor…
            No centro da praia, a tribo inteira se uniu e começaram os cânticos, as preces… tambores soavam alegres, flautas se sobrepunham a eles suaves, vozes vocalizavam essências espirituais…
            Rachel sorriu e pegou o óleo perfumado e começou a passar no corpo de .
_ Que ele seja o rosto que nunca esquecerás… o corpo que amarás na Terra… Uma benção na tua vida, o sol de tuas manhãs, o motivo de tua luta diária… tua recompensa no leito da noite… - Rachel disse a , ungindo-a em óleo.
            Becca passou as mãos besuntadas no mesmo óleo nas costas nuas de seu irmão, com ternura e devoção, firme em sua prece quase cantada…
_ Que ela seja a canção que te embale, que ela seja o amor que sempre durará, aquela que sempre te tocará fundo, que lhe conduzirá ao prazer do sagrado amor conjugal… que ela seja o regozijo do tua cama e a beleza dos teus dias…
            se levantou da tina, e foi sendo enxugada por Rachel com um tecido macio e branco, de algodão puro.
_ Descubra-o, desvende-o… Saiba o que forma o teu homem, saiba suas horas, seus gostos… ele é sagrado em tua vida… cresça com ele e o faça crescer, alimente-o com o seu amor… Sirva a ele o melhor de si…
            Becca pegou a tigelinha com uma tinta negra e brilhante, com a ponta de uma pena desenhava traços precisos e delicados ao redor dos olhos de Jacob. Lhe dizia:
_ Seja inteiro para ela, seja seu amigo, seu amante, seu companheiro e cúmplice… Seja a energia que a impulsione, a luz que ilumina seu caminho… peça a Deus, todos os dias ao acordar, para que seja capaz de fazer isto…
            Os uivos dos lobos, sendo projetados ao vento, causavam estranhamento ao povo, mas compunham o ritual. A matilha ungia a união de seu Alpha.
_ … quando for dele, seja inteira, seja dele e só dele… Abra a casa de teu espírito, deixe ele entrar… entrar com sua vida e força… receba-o na tua alma e no teu corpo. O abrigue, o acolha dentro de si…
_ Jacob… saiba tocar tua mulher, conheça tua fêmea, distinga o que ela exala, as suas vontades, suas formas e suas fases… descubra o corpo dela… ela será teu templo sagrado de amor em carne! Troque cheiros, olhares, reserve somente a ela sua fome de desejo porque ele será, a partir de agora, a única na sua vida… a única no mundo.
            Em a pintura não era negra, mas feita com uma estranha tinta dourada, que emanava reflexos luminosos. A pintura nela estava sendo nas mãos, nos pés, nos braços. Eram desenhos pequenos e delicados, compondo a maquiagem ao redor de seus olhos, destacados por uma espécie de Kajal negro. No alto de suas maças, uma ínfima porção de pó de ouro foi colocada.
_ E que do amor entre vocês, nasçam frutos… que a vida se perpetue com a semente dele abrigada no seu ventre. Que floresça, que seu ventre seja fértil e teus braços bons acolhedores de filhos.
            Eles foram vestidos. O vestido de trazia um certo esplendor natural. Por sobre a renda, flores de tecido foram aplicadas ao longo de todo o vestido, as alças pareciam pequeninas folhas pregadas uma na outra, que adentravam pelo corpo do vestido como um emaranhado de ramos. Jacob trajou uma calça e uma túnica elegante, brancas, de um tecido fino de algodão: tinha brilho, viscosidade.
            As irmãs Black concluíram seus dizeres circulando ao redor dos corpos deles com um incenso nas mãos.
_ Sejam um do outro e um para o outro. Juntos, encaixem-se. Que vossas vidas sejam belas e o amor que os une, intransponível! Que os ventos dos céus compactuem para este momento sagrado e que Aquele que ordena a vida os abençoe nesta união. Caminhem agora para o sacramento, estão prontos!
            sorriu e levantou os olhos, se encarando no espelho. Seus cabelos estavam presos em um trançado elaborado, com alguns fios deixados livres, tal como sua franja, dando uma aura natural e suave ao penteado. O arranjo em seus cabelos foi feito com finos e delicados fios de cobre que foram trançados uns nos outros formando flores ternas adornadas com minúsculas pedrinhas coloridas. O arranjo fazia uma espécie de arco e depois se embrenhava em meio ao trançado displicente de seus cabelos. A maquiagem realçava os seus olhos e a cor predominante era o dourado. Mas era um dourado que não se destacava, parecia que a pele de incorporou aquela cor, adquirindo uma espécie de brilho natural. O pó de ouro no alto de suas maças apenas lhe realçava o olhar.
             Não calçava nenhum calçado. Seus pés estavam apenas pintados, com desenhos de formas circulares, interligados, não havia uma ponta solta. Segundo Raquel, representava a forma como os noivos se ligariam.
_ Está linda! De todas as noivas que eu já vi na vida, você é a mais… a mais… majestosa! – Rachel disse, colocando as mãos na cintura da cunhada, pelas costas.
_ Trabalho seu Rachel! Obrigada! – disse, sua voz estava embargada, sentia que seu peso havia desaparecido, parecia que não havia gravidade para lhe prender ao chão. Isto dava-lhe uma constante perturbação no estômago.
_ Imagine ! Você está com uma beleza própria, uma luz tão linda nos seus olhos… tão intensa! – Rachel pegou as mãos de , fazendo-a se virar. – Ah! Você é a princesa… a rainha do meu Jake! Meu irmãosinho! Minha mãe teria gostado tanto de te conhecer… ela estaria te paparicando agora! – As mãos de Rachel estavam trêmulas.
_ Rachel, do lugar onde a sua mãe está, eu acho que ela me conhece até mais do que eu mesma. – disse, acariciando as mãos suaves de Rachel.
_ Sim, eu sei disto… – A índia respirou fundo. – Bom, agora é só esperar um pouquinho que logo as crianças virão te buscar!
            seria acompanhada até o altar por quase todas as crianças quileutes que ela conhecia.
_ Tudo bem Rachel. – Ela respondeu, sorrindo embaraçada para a índia.
_ Eu vou precisar me arrumar agora. Vou ser rápida. Se importa de ficar sozinha?
_ Não Rach, pode ir. Eu vou ficar bem aqui.
            Rachel deu um beijo suave na bochecha de e saiu do quarto, sorrindo pra ela. Assim que ela fechou a porta, fechou os olhos e soltou um engasgo. Levou as mãos pintadas ao peito, apertando lá.
_ Calma coração! Fica quieto aí dentro! – Ela sussurrou. Depois voltou a abrir os olhos, encarando-se no espelho uma vez mais. Uma lembrança nostálgica e um tanto dolorosa lhe veio. Mas aquilo lhe veio impregnado de doçura, de um afeto imortal.
            Era como se ouvisse novamente a voz suave, tão macia e doce de sua mãe. Tantos anos haviam se passado, e naquela época, quando ainda era pequena, Laura lhe disse coisas que só agora pareciam fazer sentido…
“Eu vou sentir o que você sentir meu bem, se você estiver triste eu estarei, se chorar eu vou chorar, se sorrir eu vou ser feliz, se amar, minha vida terá valido a pena. Quando você amar minha querida, se entregue, viver um amor verdadeiro nunca é um erro…
…Eu sei que você vai ser feliz, que você vai ser muito amada…
…Sim meu amor, eu sinto, eu tenho certeza, você vai ser importante pra muitas pessoas. Você vai amar um amor tão bonito quanto o meu pelo seu pai, eu sei que vai. Vai ter uma família linda, vai ser forte, sim valeu a pena por você! …”
            colocou o dedo embaixo dos olhos antes que a lágrima caísse e borrasse sua maquiagem. Ela se virou para o lugar onde uma aresta de luz solar iluminava o quarto e se ajoelhou lá, levantando seu vestido delicadamente. Abaixou a cabeça.
_ Mãe… - Ela sussurrou, em tom de prece. – Queria tanto que estivesse aqui, comigo. Queria tanto que me abraçasse agora, que me ajudasse a entender tudo o que eu estou sentindo. É tão estranho. De repente isto se tornou tão mais forte, tão maior do que eu mesma… eu não sei lidar com isto… não sei… - A bela mulher, ajoelhada sozinha, respirou fundo, estremecendo o peito. – Onde quer que você esteja, me ajude agora. Me abençoe, me faça realmente ser digna desta coisa tão monstruosa… tão monstruosa e tão … tão linda que está tomando conta de mim. Eu vou deixar mãe, vou me deixar levar, vou me entregar… eu não vou mais ter medo de me jogar no oceano misterioso deste sentimento… eu vou mergulhar e descobrir… me ajude… - voltou a apertar a mão no peito, sentindo o jubilo crescente e incontrolável querendo se expandir ainda mais. - Eu te amo… sempre… - Aquelas foram as ultimas palavras de sua prece, mas ela continuou ajoelhada.
_ Sua mãe e seu pai estão contigo, meu amor!… Seja feliz… pulou ao ouvir a voz de Koraíny lhe acariciar os ouvidos. Se levantou e perscrutou cada canto de seu quarto.
_ ? Não é Koraíny, ele não está aqui. Este é apenas um recado que eu te trouxe dele. – Niadhi apareceu sobe suas vistas, com o olhar mais carinhoso que poderia ter.
_ Um recado? – Ela perguntou. Desanimou de repente, só agora percebendo a ausência que o sumiço do seu elfo amigo fazia.
_ Foi-lhe permitido lhe ver e lhe falar algo, por intermédio de um outro elfo. No caso… eu! – Niadhi sorriu, resplandecendo um branco brilhante aos olhos de . A morena sorriu de volta, mas aos poucos o sorriso dela foi se desfazendo.
_ E por que ele não veio pessoalmente? – Ela perguntou, suspeitando do motivo. Koraíny havia desobedecido uma ordem… ele foi julgado… talvez punido… sentiu um outro tipo de estremecimento no peito. Niadhi se precipitou para perto de , lhe abraçando.
_ Nada disto! Nem pense em ficar triste! Ele não queria isto, ele só queria que eu levasse de você um sorriso estampado no rosto! Bem lindão! – Niadhi começou a dizer. – É um momento especial e único pra você, então fique bem!
_ Ele foi punido por minha culpa não é? Por ter me impedido.
_ Ele não se arrepende. E nenhum dos elfos o condena por isto. Mas lei é lei. Não é como na terra dos humanos, . Entre nós ela tem de ser cumprida independente de nossas verdadeiras intenções. Temos mais poderes, isto é extremamente mais responsabilidade sob nossas atitudes e sob as consequências de nossos atos. – A elfo disse suave, tranquila, acariciando as costas de . – Não se pode brincar com os rumos do destino. Ele é a força mais poderosa e perigosa que existe.
_ Qual foi a punição? – perguntou, em meio ao afago gentil.
            Niadhi se afastou, lhe olhando nos olhos. Suspirou.
_ Ele perdeu as habilidades de se transportar. No mundo humano ele não pisa mais. Sua missão se restringe ao nosso território. – Niadhi respondeu-lhe.
            soltou uma exclamação silenciosa.
_ Quando um elfo perde este poder… ele perde também o poder… o poder de… ver… - Ela sussurrou, incapaz de continuar a falar.
_ Sim, ele perde o poder de ver além do lugar onde está, e do tempo em que está… Koraíny não pode mais ver como nós, não pode ver o que se passar no mundo humano.
            apertou os olhos.
_ Ele não pode mais me ver… eu não poderei mais vê-lo… nós nunca mais vamos nos encontrar?
_ Não … não aqui, neste território. – A lagrima escapou de , mas Niadhi a enxugou, deixando o rosto de morena ainda limpo e intacto. – Ele só foi afastado fisicamente de você, mas ele te ama demais pra que vocês realmente se afastem… - Niadhi a consolava. – Olha ele pediu pra eu lhe entregar isto. – A elfo levou a se sentar, e lhe entregou um papel, com a caligrafia mais estranha que ela já tinha visto, as palavras escritas lá eram de uma língua desconhecida.
_ O que é? Não entendo. – sussurrou. Niadhi sorriu.
_ Não se lê assim . É linguagem élfica, só entende quem faz parte de nós. Você é assim… veja com os olhos certos , veja com os olhos élficos!
            mudou então o seu “olhar”, mergulhando na magia que envolvia sua alma. Então pode ler, quase podia ouvir Koraíny.
“Eu estava do lado do seu pai quando ele viu sua mãe pela primeira vez. Fui o primeiro pra quem ele disse estar amando humanamente aquela bela e singela moça.
Layron era um irmão precioso demais para que eu não tivesse um laço imensurável por ele. Eu sabia e eu sei que a maior felicidade dele sempre foi estas duas mulheres, tão humanas e tão grandiosas: Laura e .
Senti-me estando no lugar do seu pai durante toda a sua vida, . Ainda que você não soubesse, eu te via dormir no berço, eu cantava o mantra preferido de Layron pra você dormir, eu te via correr pequenina nas praias de Gold Beach. Te acompanhei na escola, rindo das suas inteligências. Você me fez sorrir com coisas pequenas e, ao mesmo tempo, tão grandes. Você também me fez chorar, quando eu não era o suficiente para te proteger da dor.
Foi-me impossível não ter por você um amor mais precioso que já tive em minha vida. Acho que Lairon me permitiu isto, de certa forma. Sentir o amor de pai… de um pai humano. Eu te amo, minha princesinha elfo, a nossa rainha humana!
E não importa o que agora me deixou afastado de você. Eu não posso ver mais como está o seu rosto quando você acorda, como fazia todas as manhãs de tua vida, mas eu sinto o que você sente, o teu amor me deixa satisfeito. Sei agora que terá alguém para cuidar de ti. Ele te pertence e você pertence a ele… era assim que tinha de ser.
Siga neste caminho, meu amor, e seja feliz, sabendo que nada poderá apagar sua presença de mim. Nem a distância entre mundos!
Koraíny.”
            As palavras de Koraíny não fizeram chorar, mas sorrir com realeza. Niadhi observou que ela, vestida e pintada daquela forma, sorrindo com a pureza magnânima com que sorria naquele momento, fazia honra ao título que Koraíny lhe dera: Princesa dos elfos e Rainha dos humanos.
_ Diga-o que também o amo! E que estaremos juntos novamente… antes que eu morra… eu sei disto! Eu ainda abraçarei ele em vida, Niadhi!
_ Eu direi sim, . Mas agora me dê sua mão, pegue o presente dele. – Niadhi estendeu sua mão e nela havia um saquinho marrom. A elfo o abriu e dentro havia um pequeno amontoado de raízes secas.
            franziu o cenho.
_ Meu presente? De Koraíny? – Eles estavam decididos a apresentar um enigma atrás do outro.
_ Sim, . Isto aqui são raízes, raízes que Koraíny mesmo arrancou. Estas raízes foram plantadas em semente por seu próprio pai um dia… há mais ou menos 560 anos. Destas raízes nasceram todas as tulipas azuis que Koraíny te trazia. Estas tulipas que te fizeram sorrir muitas vezes, te dando forças para seguir em frente. Pegue. – Niadhi estendeu as raízes secas para e ela as pegou confusa.
            Porém, assim que as raízes tocaram a pele de , algo mágico aconteceu. Aos poucos o que era seco começou a ficar verde, a ter vida novamente. assistiu as raízes secas se transformarem em um ramalhete esplendoroso de tulipas azuis em suas mãos.
_ Meu Deus! – Ela exclamou. Niadhi sorriu.
_ Faça deste o seu buquê, minha querida. O nascer destas tulipas em suas mãos significa que você tem tudo o que é necessário pra que a beleza e a vida floresça em ti. As tulipas lhe faziam sorrir, era o que você achava belo, o que representava a força para seguir em frente! Agora , tudo isto está em você, por isto a raiz seca se fez flor em suas mãos. Que a felicidade deste sentimento fique contigo e com Jacob, mesmo se o sol sumir novamente, mesmo se os céus virarem um campo de batalha… nada poderá romper com isto!
            olhou para Niadhi e não sabia o que dizer. A elfo lhe sorriu, uma ultima vez, e aos poucos, desapareceu.
_ ! Desça! As crianças chegaram!!! – Ainda sorrindo, escutou o grito de Emily lhe chamando.
_ Estou descendo! – Ela gritou de volta, se levantando da poltrona, arrumando o vestido. Pegou uma tira que havia sobrado do seu vestido e amarrou ao redor das tulipas. Respirou fundo e foi de encontro às crianças que faziam uma algazarra no andar de baixo.
            As crianças tinham uma pintura leve e alegre no rosto, misturada com as cores que o noivo e a noiva foram pintados: preto e dourado. Nas cabeças delas haviam coroas com flores e penas luxuosas. Vestiam branco e carregavam tigelinhas cheias de pétalas de flores. Elas pulavam e cantavam um refrão incessante em língua quileute. sabia querer dizer “Viva o amor, viva a vida, viva a união”.
­_ A noiva! A noiva! – O filho caçula de Sam, Brian, gritou eufórico, apontando o dedo para que descia as escadas. As crianças gritaram, as mulheres riram.
_ Meu Deus! , como pode ter ficado tão linda? – Rebecca disse, enquanto terminava de descer as escadas de sua casa e era imediatamente rodeada por todas as crianças. A noiva sorriu para a Becca, que era diferente de sua irmã gêmea em muitos aspectos. Rebecca sorria, brincava, mas era mais fechada que Rachel. Ela, ao contrário da irmã, tinha os cabelos curtos, na altura do pescoço e tinha a pele com um brilho mais bronzeado, por morar no Havaí, onde havia muito mais sol.
            A alegria das crianças parecia revigorar tudo aquilo, aquela algazarra toda fazia parte do ritual. Elas circularam e lhe jogavam pétalas de flores, cantavam e riam.
_ Vamos crianças, levem a noiva pra fora! – Rachel berrou, por sobre a algazarra.
            Elisa pegou na mão de , sorridente, a puxou para o caminho de fora. Matt e Julia, os filhos de Rebecca, pegaram a cauda de seu vestido e ergueram. saiu escoltada pelas crianças, sorrindo e conversando com elas.
_ Tia está linda!
_ Muito obrigada Elisa! Você também está maravilhosa meu amor.
_ Eu vou te entregar pro tio Jake! Ele que me pediu isto, sabe? É minha missão! – Jason falou, inflando o peito e jogando o resto das pétalas de flores de sua tigelinha em .
_ Estarei em suas mãos assim que chegarmos a praia Jay. – disse a ele, dando uma piscadela tão sua para o indiosinho. Ele abriu a boca, vislumbrado.
_ Tia, você está parecendo uma fada! Quando eu crescer vou arrumar uma namorada igual a você. – Adam, o outro filho de Sam, lhe disse.
_ Pode até arrumar alguém melhor do que eu, Adam!
            Eles seguiam em um uma trilha de pétalas de flores até a praia, onde o altar estava montado. Nas margens do caminho, velas foram postas, e queimavam ainda na luz do dia. Chegaram perto e a cantoria das crianças pararam. A maior parte delas saíram correndo, deixando sozinha com Jason. Elas sussurravam baixinho:
_ Recebam a noiva, recebam a noiva, recebam a noiva…
            Todos os convidados se levantaram. Jacob, no altar junto de Billy, também, mas ficou de costas para a direção que estava. Seu coração acelerou, ele apertou os olhos.
_ Calma Jake! – Billy lhe disse.
            O altar foi posto bem no centro da praia, a decoração era predominantemente branca. Havia velas em recipientes de vidro espalhados pela areia ao redor do altar, as flores adornavam tudo, flores pequenas e também brancas. Os convidados sentavam-se em grandes almofadas ao redor do altar, formando um círculo em volta dos noivos.
_ Não fica nervosa tia! – Jason sussurrou pra , enquanto eles esperavam as mulheres que estavam junto com eles irem ocupar seus lugares.
_ Segura minha mão Jay. – Ela sussurrou de volta para o garotinho. A mãozinha dele pegou a dela e ambos sorriram.
            deixou Jason ir na frente, após lhe dar algo de precioso seu para ele entregar a Jacob. Era um cordão, o cordão com o pingente de apanhador de sonhos que ela nunca tinha se separado desde que Jacob havia lhe dado.
            Jason foi e entregou o cordão ao tio.
_ Este objeto foi escolhido pela noiva e representa tudo o que ela ama. Esta sendo entregue a você agora Jacob. – Billy disse, iniciando o ritual.
_ Olhe pra ela tio. Agora você pode, pro resto da tua vida. – Jason disse, virando Jacob com as mãosinhas em direção a noiva.
            A voz suave de Claire foi dispersada em meio ao silêncio que de repente se instaurou no lugar. A garota cantava uma melodia espiritual. Era a hora, tinha que ir ao encontro de Jacob. E ela foi. Seu peito subindo e descendo em exaltação, uma inconstância fazendo suas mãos tremerem, fechou os olhos e caminhou.
            Havia muitos cheiros naquele lugar, mas o que reconheceu foi o de Jacob. Inspirou ele com força e continuou de olhos fechados, só sendo guiada pela força invisível e poderosa que emanava dele. Só havia um som naquele lugar que importava, que fazia seus lábios vibrarem em ansiedade e sua garganta travar-se: o som do coração dele.
            Jacob olhou para ela e sorriu, e todos puderam ver o esplendor daquele ato. Aquele índio, aquele homem, cresceu de repente, alcançando uma grandeza que só caberia a um rei. Ele olhou pra mulher que vinha até ele, e a força do que sentiu arrasou com o mundo daqueles antepassados que um dia haviam tirado dele um sortilégio. O mundo espiritual sentiu ser sugada de seu tão resguardado domínio, a magia que um dia foi renegada por Jacob.
            E então o encantamento se fez presente. sentiu a imperiosidade daquele sentimento explodir dentro dela, revelando-se ao universo. Abriu os olhos e dentro deles havia a grandeza da razão de uma vida. A vida de Jacob.
            Jacob e , como reis de um universo particular e místico, sentiram na pele a magia, escorrendo por seus corpos e dentro deles. O reencontro daqueles olhares marcou a beleza em brilhos e em cores, beleza que se alastrou por toda aquela praia, fazendo sorrisos se plantarem em cada rosto.
            A maior parte da matilha compunha o primeiro círculo ao redor do altar. E eles, os lobos, também sentiram o grandiosidade daquele momento. Passaram a olhar como uma deusa secreta.
            Os olhos negros de Jacob pareciam acompanhar a tempestiva exultação do coração dela… e ela… ah… ela estava lá, para Jacob, andando em direção a ele. Ao redor dela parecia haver uma aura de flores e luzes, sua boca exibindo lábios cheios e sorridentes… parecia o seu portal do amor.
            Lá estava ela, de pés descalços, linda como nenhuma outra coisa do universo… tão singela e tão majestosa… uma fada, princesa… A mulher dos seus sonhos, o significado de sua vida, parada bem a sua frente.
            Ela chegou até ele e Jake levantou sua mão pra que ela pegasse. As mãos se tocaram e o início da glorificada entrega foi selado.
_ Por que está aqui? – Ele lhe sussurrou, encostando sua testa na dela.
_ Porque eu te amo! – Ela respondeu, sorrindo.

CAPÍTULO 35
NOW AND ALWAYS

Chamam de místico tudo aquilo que não podem compreender,
Tudo aquilo que impressiona, cativa, transcende...
Então talvez chamem de místico este celar de duas almas,
o momento em que elas se consagram.
Mas saibam que isto é só o que há dentro, que só não o alcançam aqueles que tem medo de mergulhar...
Isto é só o amor reivindicando seu espaço e sua supremacia.
Ele, o amor, constituí e é a razão de todas as razões,
Desde antes do pó se fazer corpo e muito depois do corpo se fazer pó.

            Sentaram-se um na frente do outro, no meio dos dois estava Billy, que trajava roupas características dos índios americanos. Só a partir daquele momento pode olhar ao redor e realmente ver o que estava a sua volta. Acima de sua cabeça, cordões de flores e cristais tinham sido pendurados, dando um brilho cálido ao lugar. Era quase a hora do por do sol.
            Leah, Embry, Seth, Caleb, Paul, Quil, Jared, Brad e a recém integrante da matilha, Julia Kanã estavam ao redor deles, na primeira fileira dos convidados. Atrás dos lobos, pode ver os outros quileutes e alguns poucos conhecidos do hospital, chamados em ultima hora pra estar ali. Ela tinha estranhado, mas Jacob fez questão que Marlon fosse ao casamento. Doutor Hanson também estava sentado nas almofadas ao redor do altar junto de uma Milla com um sorriso um tanto tímido, que acenou brevemente para .
_ Hoje estamos aqui, presentes não somente em corpo, mas em espírito, para o sacramento da união de duas almas transcendidas pelo amor. Antes de qualquer coisa que possamos dizer, é preciso entender que este ato, o casamento, é um dos mais sagrados momentos da vida. É o momento que representa a entrega, o elo mágico, aquilo que aproxima seres terrestres da divindade dos céus. – Billy disse, com a sua voz adquirindo o caráter solene do momento.
            suspirou e fechou os olhos brevemente. Segurou seu buquê com um pouco mais de firmeza, suas mãos suavam, o cheiro dela se espalhava como perfume de flores pelo lugar. Jacob olhava pra ela… e sorria.
_ Eles darão as mãos neste momento, e seguirão pela vida, não só a terrestre, mas a vida eterna. O Grande Rei do Universo nos coloca aqui neste mundo para viver, comer, crescer, se perpetuar… mas mais do que isto, ele nos fez capaz de amar. E quando amamos alcançamos uma certa nobreza, nos tornamos sábios, vislumbramos domínios mágicos e sagrados. Quando uma alma se entrega para outra, quando elas se enlaçam em verdade, não há nada que pode se meter entre elas. Juntas elas criam uma fortaleza única… é a força de Deus. – Billy sorriu para os dois. As pessoas estavam silenciosas. Podia-se ouvir o quebrar das ondas na praia e o som da brisa de verão. O dia tinha começado a adquirir aquela cor laranja de início de crepúsculo.
            Seguindo o ritual, Jacob se inclinou para e pegou as mãos dela, fazendo ela deixar o buquê de lado.
_ De mãos dadas… sempre... de mãos dadas. Juntos um do outro sigam, subam, cresçam na espiritualidade a caminho do que realmente é verdade. Caminhem e descubram a verdadeira razão dos vossos corações baterem. – Billy disse.
            Logo depois Leah saiu das fileiras dos lobos. Ela caminhou até Jacob e com uma espécie de infusão de ervas em uma tigela. Tinha um cheiro refrescante. Ela se ajoelhou na frente do casal, sorrindo pra eles. Lentamente jogava gotas daquela infusão nas mãos unidas dos dois.
_ Vocês não poderão subir sozinhos a partir de agora. A força de um será a força do outro. Serão guiados neste caminho pelo sentimento que povoa os seus corações, as suas almas. – Leah disse, como beta da matilha, posição oficializada há pouco tempo por Jacob. – São rei e rainha… que reinam juntos. Entre vocês não há superior e inferior. São dois iguais. – A loba se abaixou e beijou as mãos unidas, sentindo em seus lábios a eletricidade pulsando dos dois, o tremor da carne. Sorriu e saiu, voltando para perto de Embry.
            perecia poder sentir o coração de Jake batendo dentro do peito dela, sua respiração quase não podia se conter. Mas ela olhava pra ele e tudo mais se completava, sentia que tudo o que ela precisava parecia morar dentro dela. Ela sentia Jacob vivendo, respirando dentro dela, sentia os olhos negros despertarem dentro de si a fervura de um sorriso. Seu interior sorria mais do que seus próprios lábios, que estavam trêmulos. Dentro de si passou a caber todo o seu mundo. Sentia-se plena. Jacob sorriu pra ela e então ela pode ver, diante de seus olhos, a direção de seus passos, o porquê de sua vida pulsante no corpo terreno.
_ Hoje é motivo de júbilo entre nós, de felicidade nos céus. Hoje celebramos a benção que é o compromisso deste Ti¢iyahl e desta Wisatsu¢upat. Hoje o Universo se alinha e o pó das estrelas queima e caí sobre nós. Diante deste sacramento somos abençoados. – Billy ergueu as mãos ao alto e os quileutes gritaram graças. – E assim, entre eles se fará o compromisso precioso da união. Façam agora seus votos.
            Eles diriam as mesmas palavras que um dia pronunciaram Taha Aki e a sua terceira esposa. tinha gravado as palavras, ditas e repetidas nas reuniões que ia antes do casamento. Seria ela a primeira a falar.
            Os dois se levantaram, a mão de Jake apertou a dela e ele respirou fundo, fechando os olhos. Suas mãos estavam mais quentes que o comum.
_ Me entrego a ti. Estou com as minhas mãos entre as tuas, eu estou em tuas mãos. Proteja-me, sou tua. – disse, e sua voz melodiosa e bela entrou nos ouvidos de Jacob como um néctar supremo. Aquelas palavras já haviam sido ditas, eram repetidas, mas Jacob duvidava que um dia elas puderam ser ditas como estavam sendo ditas a ele naquele momento. Era como uma carícia em cada átomo de seu corpo. Ele sorriu, de novo, sem poder se conter, sem sequer perceber que sorria.
_ Tu és a estrela que me guia. És todo o mistério que nasci pra desvendar… tu une o céu e o mar. Tu és meu ar e minha água. Te acolherei em meus braços e no meu peito estarás segura e dele nunca mais saíra. Estás cravada em mim com raízes profundas. Sou teu, agora e sempre. – O hálito saboroso de Jacob soprou no rosto de conforme sua voz rouca lhe disse aquelas palavras. O chão faltou debaixo dos pés dela, parecia que flutuava. Ao longe se escutou um suspiro choroso de uma mulher.
_ Meu guerreiro, és parte de mim. Abissal é o meu amor por ti, nasce e cresce no meu âmago. Ofereço-te meu amor, ofereço-te tudo o que sou… meu corpo, minha vida. Aceite-me como sou, em todas as minhas formas, ama-me de todas as formas e em todos os tempos. Entra na minha vida, alma e leito e tenha-me sempre e agora. – Naquele momento não havia espaço ente eles, ainda que estivessem juntos somente segurando as mãos um do outro. Suas almas se ligavam e era tão perceptível aquilo, que era quase possível de se ver a olho nu.
_ Luz da minha vida, teus braços são o refúgio dos meus sonhos, a minha fortaleza. – Jacob abriu os olhos e quebrou o “protocolo”, se aproximando dela mais do que o indicava a tradição e fez o mesmo movimento, seus peitos quase se colaram, faltavam milímetros pra se encostarem completamente… suas peles, cobertas pelas roupas, se roçavam conforme seus peitos se elevavam em uma respiração conjunta. – … - ele disse, embora não fosse pra dizer o nome dela naquele momento, nos tempos antigos os índios casados não se tratavam em nomes pessoais na frente de outros. - ... você é o meu sol… - o peito dela sacudiu, roçando o dele levemente quando se ergueu, ardendo com o calor da pele. - … você é o sol da minha alma. Você é aquilo que me aquece… aquece o que está dentro, não o que há fora. – E foi tão forte o que ele disse que revirou tudo o que havia nela, reconstruindo uma nova mulher. Uma lágrima desceu deixando um rastro iluminado em sua face.
_ J-jacob… - Ela gaguejou, sorriu sem jeito. Ele havia desconcertado sua cabeça. Ela se esqueceu completamente do que deveria dizer. Sorriu e improvisou, dizendo não o que devia dizer, mas o que queria dizer.  – Serei a guardiã deste amor… Te amarei devotamente a cada segundo, estando eu morta ou viva. Eu irei para você sempre, porque é para você que meus pés caminham. Eu sou tua e agora eu sei… sei porque a minha alma te reconhece e te chama. Minha natureza se modifica e se alarga, se abre e é pra você! Eu compreendo agora que não há vida se este amor não morar em mim. Não há vida sem você. Agora eu sei que te amo infinitamente e que este amor é sagrado.
            Ela abaixou os olhos e riu um riso gaguejante e exultante, enquanto Jacob lhe fazia uma carícia na face.
_ Bem… é… - Billy começou, sua voz engasgada. – Meus filhos, recebam agora o símbolo de vossa união. – Ele disse, e logo e Jacob puderam ouvir Rachel sussurrar.
_ Vão, vão crianças! – Ela disse, dando uma leve empurradinha nas crianças que carregavam uma cestinha toda cheia de flores. Claire recomeçou a cantar.
            Os pequenos Brian, Matt e Jason vinham orgulhosos carregando a cesta, atrás das meninas que traziam velas em uma pequena redoma de vidro, iluminando a passagem dos garotos. Jake e olharam para as crianças e sorriram, elas viriam abençoar eles. As crianças eram consideradas seres de alma pura e o símbolo da fertilidade, por isto estavam sempre tão perto dos noivos. Elas chegaram até eles e deram um beijo na bochecha de cada um, depois de sentaram entre o casal, envolta da cesta onde estavam as alianças de Jacob e . Elas levantaram as mãosinhas na direção das alianças e fecharam os olhinhos.
_ Abençoe, Rei da Vida, a vida dos noivos… - Billy sussurrou e as crianças repetiram em coro…
_ Abençoe, Rei da Vida, a vida dos noivos… dê-lhes alimento, riquezas eternas e o sustendo da alma… Que não se esqueçam que estão vivos e podem amar por causa de Sua bondade… Que debaixo do andar deles nasça um grande jardim… e que dê frutos… Graças daremos sempre ao Amor e a Verdade!
            As vozes infantis terminaram todas juntas de repetir a prece com Billy. Logo depois, Claire pegou as alianças e pôs no meio de suas mãos. Ela passou a mão criança por criança e cada uma delas deu um beijinho nelas. Depois disso a menina passou as alianças a Billy, que as pegou nas mãos e as ergueu ao alto, em direção ao céu.
_ Levantem-se todos! – Ele pediu, com sua voz trovejante. Todos se levantaram e fizeram o mesmo que as crianças: elevaram as mãos em direção às alianças. – Rei dos Céus! Tudo que é essência vem de ti. Pulverizaste sobre a terra o pó de seu amor e isto caiu e se abrigou em nossos corações. Faça-nos dignos disto. Multiplique este amor e que eles, e Jacob Black, possam ser um do outro em união, crescer em espírito e chegar até a Sua Graça.
            Billy abaixou a mão e a direcionou para . Ela sorriu, deixando Jake por um momento e se ajoelhando na frente do sogro. Olhou para as alianças e ficou vislumbrada. Eram de ouro, puro e legitimo, brilhando claro aos seus olhos. Haviam nelas inscrições, em todo o seu redor, varando sua espessura e deixando os espaços das letras vazados.
_ Está escrito em quileute, : amor sagrado de almas eternas. Foi feita para o casamento de Emphraim Black com sua esposa espiritual. Costumávamos usar somente pulseiras, mas esta foi forjada de uma maneira muito especial. Usei ela com a mãe de Jacob… – Billy sussurrava para ela, explicando tudo aquilo. – Pegue, agora é de vocês!
            sorriu e pegou a maior das alianças como se portasse um tesouro incalculável. Ela se levantou e voltou a caminhar até Jacob. Pegou a mão dele e acariciou. Seus olhos brilhantes encararam os dele.
_ Serás meu primeiro pensamento ao acordar e o ultimo com o que irei me deitar. Serás o meu meio, meu caminho, meu motivo, minha porta, meu guerreiro e meu homem. – Conforme falava, colocava a aliança delicadamente no dedo de Jacob. Beijou sua mão quente.
            Foi a vez de Jacob ir até o pai para pegar o outro par da aliança. Billy lhe sorriu e Jacob lhe beijou a testa.
_ Serás meu primeiro pensamento ao acordar e o ultimo com o que irei me deitar. Serás meu meio, meu caminho, meu motivo, minha porta, minha deusa e minha mulher. – Jacob repetiu os votos, olhando nos olhos de com aquela intensidade tão dele, tão larga e infinita. Lentamente levou a mão dela até sua boca e depositou seus lábios na pele com tanto carinho que ela sentiu seu corpo todo acariciado.
_ Ajoelhem-se aqui meus queridos! – Billy pediu e os dois obedeceram. Billy colocou as mãos na cabeça deles e os dois fecharam os olhos.
_ Vós viestes juntos a Terra e juntos permanecereis agora e sempre. Estarão juntos até depois que as asas brancas da morte dissiparem vossos dias. Estarão juntos até mesmo no espaço sagrado da memória silenciosa de Deus. Porque viveram dignos disto, porque amaram em vida e porque honrarão aquilo que formam as vossas almas. Que os ventos dos céus dancem entre vós e sejam para sempre abençoados. Este é o sacramento de vossa junção! Não se esqueçam, em nenhum momento, o que aqui viveram, o que aqui sentiram e o que aqui disseram. E sigam vossos caminhos pelos rumos sagrados. Amém!
_ Amém! – Repetiram-se em coro as vozes dos noivos e de todos os que ali estavam. Uivos imediatamente ecoaram e algumas das índias quileutes iniciaram uma prece cantada de poucos versos.
_ Agora meus filhos se levantem e nos contemplem com a beleza de algo sublime. É chegada a hora, quando são um do outro, de marcarem tudo com um beijo… e não precisam ter vergonha, o beijo de amor é também sagrado. – riu e Jacob também. Os convidados acompanharam o riso dos noivos.
_ Velho… -Jacob disse lentamente, em tom de advertência.
            Billy riu.
_ Vamos logo com isto! Está todo mundo esperando! – Ele disse e todos riram novamente. Logo depois ele chamou Jake para perto e lhe sussurrou: – Mostra que é meu filho! – não aguentou e riu junto com Jacob.
            Mas quando Jacob pegou na mão dela para que se levantassem, seu estomago girou como se aquela fosse a vez de seu primeiro beijo. Lentamente ela se levantou e olhou para Jacob… e não havia mais nada, só ele.
            Jacob deu um passo e ela estava mais perto, mais linda, com sua boca a lhe chamar. Ele sorriu e dele uma lágrima escapou, emoldurado sua face máscula e imponente de um rei em glória amorosa. Diante da lágrima, contrastando com seu sorriso, havia uma certa harmonia. Ele elevou a sua mão esquerda e a levou para o rosto daquela que agora havia se consagrado verdadeiramente sua. Ela fechou os olhos, esfregando seu rosto na mão dele e sorrindo com uma beleza olímpica.
            A mão esquerda dele pousou atrás da cabeça dela e a direita envolveu sua cintura, trazendo o corpo suntuoso para perto do seu. A proximidade trouxe o som de trovões para seus peitos e uma explosão de ligações nervosas. Os poros se levantaram, saudando-se. Os seus peitos ficaram tão juntos que seus corações pareciam se tocar.
            deixou a cabeça tombar nas mãos dele, remida, e abriu os lábios graciosamente. E então Jacob foi beber da essência de sua mulher como se a experimentasse pela primeira vez, e o prazer que era sempre único e inédito. sentiu o sabor doce e picante de Jake em sua boca, a língua dele movendo-se de uma maneira tão certa na sua, e sentiu sua alma alcançar a proporção do Universo. Foi um beijo pleno, como poucos seres na Terra são capazes de ofertar ou de receber.  
_ E o amor é isto… - Enquanto se beijavam, sem pressa alguma que aquilo terminasse, escutavam a voz terna de Sue terminar a cerimônia. - …este momento tão largo e grande, inconsciente e bendito em êxtase. Os corpos de homem e mulher passam a ser toda a Natureza, e as duas almas, quando juntas, passam a ter o espaço capaz de abrigar toda a imensidão do infinito. É algo tão grande que seu mistério é eterno… mistério de força e surpresa… - Jacob apertou mais contra si e ela apoiou a mão em seu ombro, sem partir os lábios. – Neste beijo e em todos os outros, Deus transmite seu hálito aos amantes e cada beijo torna-se a sanção dos Sete Dias, o Início chameja em cada abraço. Testemunhem a beleza de que… entre estas duas bocas soluçantes, rola todo o Universo em harmonia e em júbilo. Viva aos noivos! – Sue gritou por ultimo, e todos gritaram com ela. Os tambores começaram a soar e finalmente as bocas de Jacob e se separaram.
            Em meio a aplausos, pétalas voando pra cima deles, cantos, tambores e gritos, Jacob disse a :
_ Kwop Kilawtley…
_ Kwop Kilawtley! – respondeu de volta.
            E aquele foi o momento em que as duas felicidades se confessaram uma da outra, selando o encontro entre tantas esperas e instantes. Eles se sabiam e se reconheciam: era pra sempre. E não era nada forçosamente.
            O sol se pôs finalmente, como um belo milagre da natureza, sustentando a imponência daquela união. Os astros regozijavam-se, pois sabiam, muito antes daquele casal vir a existir, que a união celebrada naquele dia, comunicaria a profundidade de um afeto.
           
**********
            se sentiu ser comprimida naquele abraço como uma garotinha.
_ Você vai amassá-la toda! Pare com isto garoto! – Rachel ralhou.
_ Ei, Rachel! Não atrapalhe o meu momento e o momento da noiva ok? – Ele disse, rindo com seu jeito maroto de sempre.
_ Ok, ok! Eu vou atrapalhar este momento, porque a noiva é minha Caleb! – Jacob disse a Caleb, colocando a mão no ombro dele e fazendo uma cara de ameaça que poderia ser muito assustadora, se o seu olhar não tivesse um brilho tão alegre.
_ Chefe! Entenda uma coisa: agora você terá que dividir a noiva com todos os convidados! Porque agora é a festa, depois você vai ter ela só pra você, combinado? – O jovem lobo disse a Jacob, risonho. Jacob estreitou os olhos e riu da expressão dele.
_ Será que eu dou conta de dividir a atenção com todo mundo? – Ela perguntou.
_ Vai ter que dar! – Paul chegou perto dela e empurrou Caleb pro lado com tudo. – Aprenda comigo cunhado. É deste jeito que se espanta intrometidos! – Paul disse, pegando na mão de Jacob e o abraçando, dando tapas vigorosos em suas costas. – É isto aí cunhado, parabéns! Belo casamento, bela noiva e… é só isto! Não vou falar que o noivo é belo também! – Jacob riu, e Rachel também.
            A festa tinha começado, na praia mesmo. Os garotos haviam improvisado um sistema de som com músicas de todos os tipos, grande parte do pessoal dançava na areia. Segundo Caleb e os meninos mais jovens, tinha que ter músicas mais atuais pra animar a festa, porque a noiva era moderna também e nasceu nas terras dos caras pálidas.
            Naquele momento, Jacob e recebiam os cumprimentos. Eram abraços e muitos risos e os lobos estavam brincando com o casal, se intrometendo entre eles pra cumprimentá-los, deixando os dois longe um do outro.
            Julia havia entrado na matilha se sentindo ainda deslocada, ela era uma índia de Makah e não conhecia nenhum dos garotos. Teve de se mudar de sua casa para La Push e ficava sempre no canto, só uma pessoa conseguia conversar mais com ela: Brad. Ela era linda, fazia o mesmo tipo mulherão que Leah fazia, mas tinha os traços do rosto suaves, não falava muito, mas sorria lindamente. Ela cumprimentou como se ela fosse sua rainha, com olhos baixos. Com Jacob ela ficou absurdamente reservada, pois ainda tinha medo da imponência do Alpha, apesar de ele ter sido um tanto mais terno com ela.
_ Ainda tem as danças! vai dançar com a … com o… grupo de quileutes guerreiros inteiro! Fazendo as honras da mulher do chefe! É tradição! – Embry disse a Jacob, logo depois que Julia deu seus cumprimentos, separando as mãos dos noivos quando eles finalmente conseguiram se tocar depois do fim da cerimônia. Ele se pôs no meio dos dois e colocou um braço no ombro de Jacob e outro braço na cintura de .
            Jacob abriu a boca para reclamar, mas a fechou de novo quando viu o grupo de colegas de trabalho de caminhando em direção a eles. Marlon cumprimentou os dois com sorriso cordato e abraçou um tanto desconfortável com o olhar de Jacob. Seguido dele vieram algumas enfermeiras mais próximas de , duas recepcionistas e sua secretária, a Sharon. Sharon tinha os olhos inchados pelo choro.
_ Nunca me emocionei tanto doutora! Obrigada por me convidar! Está tudo tão lindo!
            Depois chegou a vez do diretor do hospital.
_ ! Meus parabéns, seu casamento estava lindo! Foi a coisa mais espetacular que eu vi na vida. – Doutor Hanson disse, se aproximando empolgado do casal, olhando tudo ao redor como um antropólogo diante de uma cultura distinta. Parecia que fazia uma nova descoberta. sorriu.
_ Obrigada Hanson! É uma honra tê-lo aqui.
_ Posso dar um abraço na noiva, meu caro? – Hanson perguntou para Jacob.
_ Bom, você é o primeiro que pede permissão. Então pode.
            Hanson abriu os braços e foi na direção dele, deixando-se ser abraçada enquanto dava um riso leve.
_ Sua felicidade está tão aparente que chega a contagiar sabia? – Ele lhe disse, em meio ao abraço.
_ Então se deixe contagiar Hanson!  - Ela disse, se soltando do abraço e aproveitando para voltar pra perto de Jake enquanto não havia nenhum quileute no meio. Mas ela se enganou, olhou pra baixo assim que viu Jason sorrindo entre ela e Jacob. O garotinho riu maroto e de longe escutou a risada do pai dele, Paul.
_ Parabéns Jacob. Vocês já eram casados, mas eu acho que nunca é demais recomendar que você faça esta mulher feliz. Ela merece. – Hanson disse, pegando firmemente a mão de Jacob, sem saber que ele não sentiu quase nada com aquele aperto.
_ Não, nunca é demais. Acredite que eu vou me esforçar bastante pra isto e… obrigada pelos dias de folga que você deu pra gente! – Ele disse e o doutor riu.
_ Pra gente? – perguntou.
_ É, aquele hospital também me cansa! – Jake respondeu enquanto se abaixava, pegava Jason no colo e chegava perto de para envolver seu braço na cintura dela.
– Você está com febre meu filho? – Hanson perguntou repentinamente a Jacob.
_ Não, ele não está febril doutor. Jacob tem uma temperatura elevada devido a um distúrbio genético que…
_ Ei doutores! Eu não acredito que vocês vão ter este tipo de conversa medicinal nesta festa! Gente, os médicos são seres esquisitos! – Milla, a simpática mocinha da cantina, chegou interrompendo a “explicação” de .
_ Ok, Milla. Você está certa. Vamos deixar isto pra depois. – respondeu.
_ Eu não falei que eles são um caso sério? Eles não desistiram da explicação, só adiaram! – A garota balançou a cabeça indignada. – Jacob, boa sorte pra enfrentar as maluquices de uma médica! – Ela falou séria pra ele, com uma expressão pesarosa. – O casamento pode ser difícil, mas não desista ok? Deve ter algo mais forte pra fazer você enfrentar as coisas de médico. – Jacob gargalhou. Ela deixou um riso escapar, mas de repente olhou pra trás e Jacob percebeu a moça estremecer visivelmente. O coração dela acelerou, mas ela tentou disfarçar.
_ Enfrentar coisas de médico? – perguntou, rindo. Mas Milla não respondeu, não continuou a brincadeira, abaixou a cabeça e começou a esfregar as mãos.
_ Milla? – Hanson perguntou, preocupado com o nervosismo dela.
            olhou pra Milla novamente e para Jacob. Este sorriu e apontou com o queixo um olhar fascinado fixo em Milla não muito longe dali. Seth não tirava os olhos dela. sorriu, sabia o que tinha acontecido. O engraçado era que Seth vivia aparecendo na porta do hospital e os dois nunca haviam se cruzado. Uma vez acabou de se despedir de Seth e Milla desceu do ônibus esbaforida para cumprimentá-la. O que era o destino!
            fez um sinal para Hanson e Jacob colocou Jason no chão. De repente Milla percebeu Jacob de um lado seu e de outro.
_ Quê que foi? – A garota perguntou confusa, ela não tinha sacado o movimento do casal, pois estava preocupada demais em olhar para Seth e esconder o rosto corado.
_ Eu tenho que te apresentar uma pessoa Milla. – disse, sorrindo compreensiva para a menina.
_ Agora eu entendo o impulso que tive para convidá-la. – Jacob disse, coçando o queixo. Milla enrugou o cenho.
_ Hã? Ei, vocês são doidões é? O amor ao invés de deixar cego deixa doidão? – Ela disse, com voz alterada.
_ Acho que você está bem perto de descobrir isto Milla. Pressinto que você vai ficar mais próxima da gente, então nós ainda vamos conversar sobre isto. – disse, começando a levar Milla em direção a um Seth sorridente, sendo acompanhada por Jacob.
_ Olha só gente! O Seth foi fisgado! – Eles escutaram Paul sussurrar.
_ Que lindo! – Rachel falou, abraçando Paul. – O casal mais espetacular que eu já vi indo formar outro!
            Assim que Milla percebeu para onde estava sendo levada travou.
_ Ei vocês estão ficando malucos? Onde estão me levando? – Ela se inclinou para . – Por quê você vai me apresentar pra ele? – Ela sussurrou, sua respiração alta.
_ Você não quer isto? – Jacob perguntou, com ar de riso.
_ Quero. – Milla respondeu imediatamente, colocando a mão na boca assustada com o que disse. – Por que ele está me olhando deste jeito? – Ela sussurrou, com os olhos fixos em Seth.
_ Pergunte pra ele. – e Jacob finalmente chegaram perto do lugar onde Seth esperava. Ele olhou para os dois e fez uma mensura de agradecimento, depois olhou pra Milla e sorriu. O coração da garota falhou uma batida.
_ Bem vinda ao nosso mundo Milla. – Jacob sussurrou no ouvido dela, voltando a abraçar e se afastando, deixando o mais novo casal imprinting a sós.
_ Posso saber o seu nome? – Eles ouviram Seth dizer com voz mansa.
_ Ludimilla… - Ela respondeu, muito baixo…
            e Jacob sorriram, se aproximaram para se beijar e…
_ Ei! Eu ainda não cumprimentei a noiva! – Quil disse, empurrando os dois. Jacob rugiu.
            Os garotos estavam definitivamente zoando com a cara de Jacob. Eles carregavam para todos os lados e nunca os deixavam a sós. Quando Jacob brigava com eles, conseguindo com que se afastassem, então uma trupe de crianças os rodeavam, jogando pétalas ou simplesmente formando um cortejo em volta deles.
_ Não brigue com as crianças meus filhos! – Billy disse, rindo da aparente exasperação do filho.
            Mas somente ria de tudo aquilo e levava Jacob a rir com ela.
_ Parece que eu tomei um estoque de vinho! – Ela disse, pelo tanto de abraços espontâneos que ela estava distribuindo e pela forma como ria sem parar.
            Ela dançou com todo mundo, até com as crianças. Jacob pegou suas irmãs e as fez dançar com ele. Rachel pulou com o irmão, o abraçava e apertava suas bochechas, deixou ele a erguer no alto. Já Becca relutou um bucado em ir para o meio da grande roda onde os quileutes dançavam, mas Jacob e seu marido acabaram convencendo-a. Ela envolveu seus braços no pescoço do irmão e ficou na ponta dos pés pra tentar alcançá-lo.
_ Ainda me lembro da época que você era menor do que eu, Jake. – Ela disse, enquanto era embalada por Jacob em uma dança lenta.
_ Ainda me lembro de você roubando o bolo de chocolate que a mamãe colocava no meu prato, me fazendo chorar. – Ele sussurrou no ouvido dela, fazendo-a rir.
_ Você chorava e como a mamãe não brigava comigo você dizia: “você é glande e fica robando meu doche! Sua goísta!” – Ela lembrou. – Você era tão fofo falando errado.
_ Eu sempre fui fofo, eu sei disto Becca. – Jacob disse, olhando Billy sorrir para os dois a distância, com do seu lado, encostando a cabeça em seu ombro.
_ Você sempre foi convencido, isto sim! – Becca falou, dando um tapa nas costas do irmão. – Mas agora você não está mais fofo… você está assim… hã… gostoso! – Ela riu do que disse e mordeu a bochecha de Jake levemente.
_ Bom… eu também sei que sou gostoso. – Ele riu e girou Rebecca rápido, parando-a com as costas curvadas. Ela fechou os olhos e gritou. Ele voltou a erguê-la e a abraçá-la.
_ Seja feliz meu irmão! – Ela sussurrou, chorando silenciosa, com um sorriso prostrado nos lábios.
_ Já sou. – Ele disse e olhou para , ainda perto de Billy. Sabia que ela tinha ouvido. Ela sorriu e moveu os lábios e Jacob pode ler um: “eu também!”
_ Ei, ei, ei! Todo mundo aqui galera! – Seth gritou no microfone, fazendo sua voz ecoar por toda a praia. – Vamos ver o momento mais magnífico da nossa tradição: a dança do acasalamento! – Ele disse rindo, alguns olhos se arregalaram, mas em um movimento quase imperceptível Leah estava atrás do irmão metendo-lhe um tapa na cabeça e tomando o microfone de suas mãos. Milla estava próxima do lobo, recebendo constantes olhares e sorrisos de Seth. Seus olhos brilhavam e sua bochecha estava corada.
_ Mãe: este pirralho não pode ser meu irmão! – Leah disse, assim que conseguiu roubar o microfone de Seth, fazendo todos rirem. – Mas o que vai acontecer agora é um momento especial sim! É uma dança, mas não é do acasalamento. – Leah continuou o seu pronunciamento, enquanto Jacob e eram empurrados para o centro da roda que se formou. deu um sorriso quando passou por Milla e Seth e percebeu as mãos unidas.
_ O acasalamento fica pra mais tarde! – Brad gritou, no meio do povo.
_ Seu idiota, tem criança aqui! – Leah ralhou no microfone. Todos riram novamente. Jacob abraçou e os dois olharam para Leah. – … Jacob… - Ela começou. – Não sou muito boa em discursos, principalmente se o protocolo for dizer um bando de frescuras como: sejam felizes, que o amor prospere e tal e tal…- Os noivos riram, Jake revirando os olhos. – Isto tudo pra mim já vai acontecer e eu desejo isto e… o Jacob sabe muito bem o que eu penso e… - Leah estreitou os olhos, olhando para . – Suspeito que a noiva também saiba muito mais coisa do que diz que sabe!
            fez uma cara de desentendida e Jake se moveu desconfortável.
_ Mas o fato é que, agora, como o meu irmão disse, é hora de mais uma tradição. Neste momento a noiva mostra porque as mulheres mandam nos homens fazendo o Jake babar em uma dança sua… - Ela riu do que disse e Sue gritou no meio da multidão.
_ Está vendo Leah? Você é mesmo irmã do seu irmão!
_ Ok, ok! Vamos parar com isto tudo e ir pra ação! Por lei e costume a noiva dança para o noivo no dia do casório e depois eles dançam juntos! Então Jacob, fica parado aí e : faz daquele jeito que eu sei que você sabe, mulher. Só não capricha muito porque o acasalamento fica pra mais tarde. – arregalou os olhos e todos riram, mais uma vez.
            Os índios que iriam cantar se posicionaram sentados ao redor dos noivos, então o rufar dos tambores começaram. A música começou com a característica tribal primitiva, soltou da mão de Jacob e colocou as suas mãos entre os cabelos, desmanchando seu penteado e tirando a tiara de cobre do meio deles. Bastou que ela os sacudisse para que ficassem com ondas grandes e belas, caindo por seus ombros até abaixo de sua cintura.
            Como dizia a tradição Jacob ficou parado no centro do círculo, de pé, os olhos dele sérios, ficavam mais intensos com a pintura negra que havia ao seu redor. Ela começou a dançar, e embora a música tivesse certa brusquidão, ela se movia com graça e elegância no ritmo forte e pulsante. Ela girava em volta de Jacob, movendo as mãos graciosamente e deixando seu peito ser impulsionado pelas batidas dos tambores. Os olhos dela ficaram graves, como de uma felina em caça, hipnotizavam sua presa. Ela batia os pés no chão para impulsionar os giros e curvava as costas, chegando muito perto de Jacob por vezes.
            Com os cabelos na frente do rosto ela sorriu pra ele, ergueu o vestido com as mãos e girava no tempo exato de uma batida de tambor. De repente Jacob saiu de sua imobilidade, e no meio de um giro dela ele agarrou a cintura e a ergueu acima de sua cabeça. subiu ao ar graciosamente, sorrindo quando sentiu as mãos de Jacob a elevar. Ele retornou a abaixá-la, descendo o corpo dela extremamente próximo dele. Então a dança dos dois começaram e pareciam ser um só, pois seus corpos faziam os mesmos movimentos, como se um fosse a continuação do outro.
            Por vezes os movimentos eram bruscos, mas o mais belo eram os sorrisos que dava com sua face corada e os cabelos escuros na frente no rosto. A respiração dela fazia as mexas se levantarem. Jacob a impulsionava em certos saltos e ela mal pousava no chão e, sem perder o equilíbrio, saia movendo os ombros no ritmo dos tambores e vinha de encontro a ele novamente.
            Quando Jacob a puxou de um jeito brusco para o meio de seus braços, fazendo os cabelos dela voarem para frente, e quando ela envolveu os braços no ombro dele, os tambores fizeram sua cadencia percussiva e pararam deixando um eco no espaço.
_ Minha… - Jacob sussurrou no ouvido dela e ela o beijou, com a energia da música que dançaram.
_ Chuva! – Alguém gritou, um dos lobos talvez. Mas antes que eles pudessem perceber que a pressão do ar realmente ia desaguar na praia naquele instante, a chuva caiu com pingos grossos e gelados em cima de todo mundo. Assim, de repente.
            Os corpos unidos de e Jacob foram encharcados rapidamente e a pintura começou a se desfazer. As crianças começaram a pular na chuva, brincando.
_ De onde veio esta chuva toda? – perguntou para Jacob, pois não tinha sentido a mudança tão rápida do tempo. Tudo estava encharcado, até os aparelhos e caixas de som. As velas espalhadas sobre a areia se apagaram, mas a lua ainda resistia a cobertura das nuvens e iluminava a noite.
_ De Deus. – Jacob respondeu, erguendo o rosto em direção a chuva e deixando a água lavar a pintura de seu rosto.
_ A festa continua no mar! Vamos! – Seth gritou.
_ Mas o mar está frio! – Milla reclamou.
_ Eu te esquento. – Ele disse, catando-a no colo e correndo em direção as ondas.
            Jacob fez o mesmo com e grande parte dos quileutes foram para o mar. As crianças ficaram na beirada, chutando a água e brincando na chuva. Jason esfregou o rosto e deixou a sua pintura toda borrada. Aqueles que eram lobos foram mais fundo no mar. Leah e Embry desapareceram no meio das ondas.
            Os convidados que não tiveram coragem de fazer aquela ousadia ficaram observando tudo da praia, sem se importar com a chuva fria. A noite estava quente, as pessoas estavam quentes.
            mergulhou no mar e, submersa, Jacob a puxou para um beijo sem fôlego que fez a energia dos seus corpos se conectarem ainda mais. Eles emergiram completamente sem ar, com a cabeça girando pela falta de oxigênio.
_ Acho que a festa não vai ser mais que isto. – disse, olhando a decoração destruída pela chuva e a farra das pessoas na praia.
_ Então vamos… - Jacob disse, a puxando para fora da água.
_ O que? – Ela perguntou. Ele sorriu e a abraçou, beijou a curva do seu pescoço, sugando a água salgada de lá e disse:
_ Vamos para casa…

N/A: Tradução do quileute: **Ti'iyahl (homem), **Wisatsu'upat (mulher)




CAPÍTULO 36
AND NOTHING ELSE MATTERS

E se perderam a medida que se encontraram,
Se fizeram a medida que se desintegraram.. Um no outro, um para outro.
Não havia medo, não havia angustia,
só havia uma coisa preciosa e magnifica a lhes
conduzir para a fronteira entre dois mundos: um de carne e outro de espírito.
Entre os corpos unidos só havia espaço para os ventos dos céus,
Entre as peles férvidas só havia tremores e espasmos...
Amaram-se as bocas, amaram-se as mãos, amaram-se os olhos e os ouvidos...
Amaram-se... com gritos roucos e beijos loucos... é isto! Nada mais importa!

            Deixaram para trás toda a festa que os quileutes faziam, a chuva veraneia e repentina e simplesmente caminharam para casa. Jacob envolveu o braço na cintura de e ela encostou a cabeça em seu peito enquanto se aproximavam sem pressa alguma da casa dos penhascos. Não havia palavras, estavam em silêncio, Jacob sentia o coração dela descompassado. caminhava com os olhos fechados e apertava o tecido molhado da roupa dele. Ele lhe beijou a testa e nada disse, continuou em silêncio.
            Assim que entraram na tão conhecida, mas de certa forma, nova casa, um calor aconchegante tomou conta de seus corpos.
_ Nosso lar… - disse, entrando na frente de Jacob.
_ Não era pra eu te carregar esposa? – Jacob disse, se recostando na porta e cruzando os braços.
_ Oh! É… talvez… - Ela disse, de repente nervosa, torcendo o tecido de seu vestido. Jacob sorriu entrando de vez na casa e erguendo os pés de quando a abraçou.
            Ela envolveu seus braços ao redor do pescoço dele e escondeu o rosto em seu ombro, como uma criança. O corpo dela tremia. Jacob suspirou.
_ Calma… fique calma amor… - Ele disse, sussurrando em seu ouvido.
_ Amor? – Ela perguntou.
_ É o que você é… - Ele a colocou no chão novamente, para encarar seus olhos. - … Meu amor! – Disse, com a voz rouca extremamente suave. O sorriso dela ficou mais largo, Jacob colocou a mão em seu rosto, levando para sua nuca.
_ Meu amor… - Ela sussurrou, já por entre os lábios dele. Ele a beijou com doçura, seus lábios envolvendo os dela com uma maciez indescritível, sua língua passeando sorrateira pelas bordas internas de seus lábios.
            Jacob riu quando ela jogou a cabeça pra trás nas mãos dele depois que o beijo terminou e sorriu com realeza. Eles ainda estavam encharcados, a única coisa que tinha ficado da maquiagem de foi o contorno negro em seus olhos. Os tecidos de suas roupas estavam grudados no corpo.
_ Vou tirar esta roupa. Você devia fazer o mesmo, colocar algo mais quente. – Jacob disse, passeando os dedos pela linha da coluna dela. No exato momento em que ele disse aquilo, a pulsação tranquila de acelerou vertiginosamente. Ela disfarçou, soltando um riso alto.
_ Pode ser… - ela disse, abaixando os olhos e mordendo os lábios.
            Jacob voltou a pegar em sua mão e a puxou levemente. Ela o seguiu, sem olhar em seus olhos, subiu os degraus rumo ao andar superior. Não havia luzes acesas, mas uma iluminação esparsa vinha dos cantos, onde uma vela ou outra havia sido colocada. O cheiro de flores campestres estava suave também. A casa tinha sido preparada para a volta dos noivos.
            A cada passo que eles se aproximavam do quarto, sentia seu nervosismo aumentar. Jacob pra piorar não dizia nada! Apenas a guiava em silêncio, devagar demais. Quando pararam a porta do quarto de ela tinha impressão que cairia com tanto tremor em suas pernas e que sua barriga afundaria com o vazio que havia dentro. O que seria agora?
            Jacob parou na porta e a abriu delicadamente, depois se voltou para , beijando sua mão.
_ Definitivamente casados… - Ele disse.
_ Sim… - ela sussurrou de volta, com um sorriso meio aberto meio fechado, como pétala indecisa.
_ Vai meu amor, coloque algo quente, deite-se e durma bem. – Ele puxou sua cintura delicadamente e a beijou novamente, do mesmo jeito delicado. – Boa noite… - disse, a soltando e caminhando para o lado oposto de onde ela estava parada, indo paro  o outro quarto.
_ Jake? – chamou, confusa, olhando ele se afastar.
_ Diga…
_ Você não vai… não vai… - Ela engoliu em seco, sem conseguir terminar a sua frase.
_ Eu vou estar aqui, te esperando… esperando você decidir. Hoje, amanhã, depois… daqui a dez anos… sou teu e vou te esperar. E isto basta!
            sentiu as lágrimas virem lhe atormentar… conteve-se.
_ Eu… nós … eu… - ela falava de forma incoerente.
_ Shiiiii... Não diga nada, não agora. O que há de mais precioso eu já tive… tenho… - Ele apontou o centro do peito de e sorriu. – Isto me alimenta. Boa noite amor…
            Jacob virou as costas e entrou no outro quarto. Assim que fechou a porta respirou fundo, mas não fez muito alarde, para não assustar ainda mais . Ele sabia, sentia o grau de nervosismo nela aquela noite, ainda sentia o seu corpo tensionado… não, não poderia ser assim e não seria assim. Ele tirou a roupa molhada e entrou debaixo do chuveiro, ficando um bom tempo por lá.
            entrou em seu quarto e se deparou com a decoração caprichosa e minuciosa das mulheres quileutes. Sua cama com lençóis brancos, pétalas coloridas jogadas em cima do colchão, ao redor da cama. Pingentes de cristais foram colocados no teto aqui e ali, pequenos pontos de luz que se refletiam com a luz aconchegante das pequenas e rechonchudas velas espelhadas pelo quarto… Havia o cheiro suave e refrescante de um incenso queimando.
            A um canto, estendida sobre uma poltrona, estava uma bela camisola de renda pura e transparente, também branca. Não era longa, devia bater acima de seus joelhos, mas era bela, excepcionalmente delicada e bela. Ela pegou nas mãos e sentiu o toque fino do tecido.
“Você vai ser minha… E eu vou esperar… esperar até que você venha até mim…”
            Ela se lembrou da declaração que Jacob havia lhe feito há poucos dias, que já a deixara tão perturbada. Mas o que ela temia afinal? Ela parou e respirou fundo, se sentando molhada como estava na poltrona onde antes estava a camisola. Ficou fitando o nada enquanto pensava, enquanto relembrava de cada sorriso, de cada palavra, de cada toque que ela recebeu de Jacob não só naquele dia, mas antes… antes mesmo dele entrar no seu quarto pela primeira vez, com seus olhos negros derretendo tudo. Lembrou-se também quando ele lhe tomou nos braços e acolheu o seu pranto numa noite perturbada, quando ele penteou seus cabelos, quando ele lhe prensou na parede e lhe beijou como se aquilo fosse a melhor coisa a se fazer… quando ele a fez sentir o maior regalo do mundo em seus braços…
            E agora cada parte do corpo dela tremia, mas ela soube identificar, discernir que não era medo, não era trauma… era expectativa… só isto… ela o queria, mais do que qualquer outra coisa que pudesse lhe atormentar, lhe barrar… ela queria ser dele e só!
            Sorriu e pegou a bela peça noturna se dirigindo ao seu banheiro. Enquanto a água caia por seu corpo, seu coração se preenchia novamente com aquela magia quente e potente, impulsionando-a a sorrir mais. Ouvia a respiração de Jacob no outro quarto, profunda, ele parecia se concentrar nesta atividade.
            O tecido de renda branca deslizou por sua pele delicadamente, se acomodando perfeitamente em suas curvas. Ela penteou os cabelos e os deixou molhados mesmo. Olhou-se no espelho e respirou fundo. Não havia mais o que pensar. Saiu de seu quarto com passos leves, deixando a primorosa decoração de núpcias para trás. O que importava estava deitado no outro quarto.
            Assim que ela colocou a mão na maçaneta do quarto dele, percebeu o coração de Jacob acelerar absurdamente. Mas ela continuou com passos lentos.
            Ela apareceu pra ele devagar, e estava ainda mais linda do que antes, na cerimônia. Seus pés descalços, o cabelo solto e úmido, a pele limpa e com o cheiro só seu e de mais nada. Ela veio de cabeça baixa e parou em frente à cama, onde Jacob estava meio sentado meio ajoelhado, olhando fixamente para cada movimento dela.
_ … - Ele disse e o seu coração iniciou uma inconstância no pulsar. Era ela e estava ali, tão linda e tão perto.
            Ela ergueu os olhos e o encarou, tragando ele com força pra dentro de seu próprio universo. Só ela e mais nada…
MÚSICA 6 (N/A: se possível coloquem esta música pra repetir até o fim da cena)
_ Eu nunca senti o que sinto por você em toda a minha vida. E tenho certeza que não posso sentir isto por mais ninguém. Hoje eu estou aqui porque eu quero ser completamente sua… Tudo o que está aqui dentro de mim é só uma necessidade absurda de pertencer… de te pertencer, de fazer meu corpo ser teu… - Ela sorriu e secou a lágrima que caiu dos olhos de Jacob. Ele pegou as mãos dela e beijou. – Serei tua sem medo, sem angústia… porque mais nada me atormenta perto de você… - sentiu sua respiração travar um instante. – Me faça tua Jake… Tua mulher… - Disse e sentiu o corpo inteiro sacudir.
            Jacob nada disse, apenas sorriu, um sorriso bobo e genuíno. A outra coisa que percebeu foi o movimento dele, lhe pegando nos braços e a erguendo, acolhendo-a em seu colo e em seu calor. A respiração dele bateu contra seu pescoço, onde ele abrigou seu rosto, cheirando aquele lugar e dando um leve beijo.
            Ele a tirou do seu quarto, voltando para o dela. A deitou delicadamente na cama grande e espaçosa e ela ficou envolvida pelas pétalas que estavam jogadas por sobre o lençol. Os cabelos dela se espalharam lindos pelo travesseiro, ela acomodou as pernas e elevou as mãos pra cima, fechando os olhos e erguendo os seios em uma respiração exaltada. Parecia uma deusa a pousar para um escultor.
_ Eu te amo… te amo … - A voz dele soou como um murmúrio quente, se enraizando nela. Ele ficou a observar e não sabia o que fazer, simplesmente não sabia. O seu mundo inteiro parecia estar ali na sua frente, deitada com o corpo quente.
            Mas abriu os olhos e voltou a dar o seu sorriso de mulher-deusa. Ela se levantou e o abraçou tomando os seus lábios lentamente. Jacob sentiu então o sabor tão inigualável lhe tomar os sentidos, envolveu as mãos na cintura dela e a puxou contra o seu corpo e ah… era tão certo aquilo, era tão certo ela estar ali!
            Ele se afastou e tirou a camisa que vestia e voltou a encostar seu tórax no peito dela. As peles já podiam se tocar, se sentir… ambas estavam férvidas e elétricas. No meio do beijo Jacob colocou as mãos na nuca dela, afastando o cabelo e descendo seus lábios até aquela parte de seu pescoço, quase na nuca. sentiu seu corpo voltar a se inclinar na cama, com as mãos de Jacob lhe amparando, lhe guiando. O corpo dele ficou suspenso por sobre o dela.
_ Só sinta… me sinta… - a boca dele, colada a pele de seu ouvido, se moveu, quase sem som, só com o hálito quente soprando e fazendo estremecer.
            Então Jacob começou a degustá-la de uma forma como nunca fez: livre. Degustava com o tato e com os lábios, com a língua e com a sua própria pele. A boca dele desceu pelo pescoço dela enquanto as mãos subiram firmes por suas coxas, com uma carícia envolvente. deixava constantes suspiros lhe escapar. As mãos dela foram, intuitivamente, agarrar os cabelos de Jacob enquanto ele continuava a descer seus lábios por seu colo.
            Um arrepio forte fez impulsionar o busto para frente quando sentiu a língua de Jacob passar lenta pelo vão de seus seios. Seus mamilos enrijeceram, tão mais sensíveis, e o interior de suas coxas começaram a latejar.
            fez um movimento sutil e leve, mas que foi imediatamente correspondido por Jacob. Ela abrigou o corpo dele por entre suas pernas, já sentindo o peso dos quadris dele sobre si, pressionando seu baixo ventre, aquecendo ainda mais o meio de suas coxas. Jacob fez com que uma das pernas dela se entrelaçasse com as dele, depois abaixou as alças finas da camisola. A língua dele continuava a passear pelo busto de .
_ Me beije… - sussurrou. Mal tinha terminado de falar e a boca hábil dele estava sobre a sua. Sua cabeça girou e ela enroscou sua língua junto à dele de uma forma lasciva, ávida. Sugou o gosto dele como se aquele fosse seu alimento… e satisfazia.
            Jacob murmurou um gemido e moveu o seu corpo sobre o dela, enroscando-se mais. A sua falta de raciocínio fez com que ele perdesse o controle de sua força e as alças da frágil camisola arrebentaram. O ventre de se contraiu, mas ela não deixou os lábios dele. Enlaçou a outra perna no quadril de Jacob e o abraçou ainda mais junto de si, o beijando com mais ímpeto.
_Me faça tua… _ Ela sussurrava por entre os beijos, com o peito em fúria.
            As mãos dela desceram por suas costas até encontrar com o cós da calça de Jacob. Os dedos dela começaram a passear ali, quase rompendo a barreira e se enfiando dentro da calça. Jacob sorriu, mordendo os lábios dela, se afastou repentinamente. Quando o corpo dele se afastou do dela, sentiu uma espécie de rombo, de ruptura. Suspirou uma reclamação mole.
            Mas ele não estava longe. Se ajoelhou na cama e começou a subir o tecido que restava da camisola de . O coração dela falhou, uma corrente gelada passou por sua espinha, sua respiração acelerou enquanto ele subia o tecido leve. elevou as costas para que ele terminasse e então estava seminua aos olhos dele, com uma pequena calcinha a lhe cobrir.
            Jacob sentiu o solavanco no peito mais forte até mesmo que o constante pulsar no meio de suas pernas. Linda! Linda era cada curva daquele corpo, que agora ele podia observar com uma quase devoção. Os seios tão firmes e belos, a barriga lisa, a cintura curvilínea, a pele luminosa e as pernas torneadas e esguias.
_ Minha… - ele disse, com voz embargada, impregnada de um ânsia insana.
            A mão dele começou a acariciar cada polegada daquela pele. Ele envolveu os seios dela em suas mãos e fez o tremor no ventre de aumentar. Ela mordeu os lábios. De um instante ele se livrou de suas próprias calças. Sua excitação ficou visível por sobre o tecido da boxer que vestia. engoliu em seco, admirando o corpo de seu homem enquanto ele lhe acariciava o corpo. Observava a maneira caprichosa de como os músculos do tórax desaguavam no “v” de sua pélvis, como as coxas eram frondosas.
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