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My Place
Prólogo
Mudar-me para Lapush não tinha sido uma tarefa fácil, mas com alguns pedidos aqui e ali e o fato da minha mãe ser um amiga antiga dos Quileutes, finalmente consegui vir para este lugar. E me dei conta, era desse frio que eu estava precisando. Adoro isso.
Parei meu carro em frente a uma casinha beije com janelas de madeira escura e sorri. Era pequena, mas já de longe parecia confortável e acolhedora. Eu não estava esperando nada caro ou espaçoso, só aconchegante o bastante para chamar de meu, pelo menos por enquanto.
Enquanto eu ainda sentia dor e a velha necessidade de curtir isso sozinha. Depois da morte de minha mãe, eu simplesmente não conseguia mais ficar no Brasil. Não quando ela reclamava cinco vezes ao dia pela falta de chuva, ou falava da saudade que sentia do povo avermelhado daqui. Lilian morou em Lapush por um tempo, antes de se mudar para onde eu nasci, então desde que eu era criança ela vivia me contando sobre as histórias de sua adolescência numa terra chuvosa. Ela amava este lugar, essas praias, esse céu. Até as pedras daqui tinham algum encanto, segundo Lily. Por isso eu estava tão longe de casa, para me sentir mais próxima dela de alguma forma.
Bobeira? Você pode achar que sim... Mas só de experimentar a neblina congelando meus ossos, posso dizer que estou feliz de ter vindo. Lilian estaria pulando aqui mesmo, se estivesse comigo. Senti uma lágrima escorrer livremente pelo meu rosto. Para me reconstruir, eu precisava de um tempo. E, além disso, queria realmente entender porque cada coisa daqui a atraía de forma absolutamente irreal. Só posso achar que algo ficou para trás quando ela jogou tudo para o alto e foi viver com meu pai do outro lado do oceano.
Capitulo Um
Entrei com duas malas, desfalecendo e arfando por causa do peso. Lamentei muito não ter um vizinho, ao menos para me ajudar com tantas tranqueiras. Pelo visto, minha casa era mais distante e isolada das outras. Mas foi o máximo que José, meu pai, conseguiu para mim... Então está de bom tamanho.
Escorei meu rosto na janela e mordi os lábios de pura apreensão. Eu estava aqui agora, e então... Qual era o próximo passo? Suspirei pesadamente e me joguei de qualquer jeito no sofá creme da sala. Eu tinha trancado minha faculdade de geologia no segundo semestre, me despedido de todos os meus amigos e família, pegado dois vôos e um inicio de gripe no caminho para cá. E depois disso tudo, ainda estava sem saber por onde começar.
Talvez tenha sido uma burrada vir justamente para o lugar que vai me fazer lembrar dela a cada dois minutos. Ela só tinha morrido há dois meses, era muito recente pra mim. Bati a mão na testa e peguei um casaco maior e mais grosso na primeira bolsa que vi. Agora já estava feito, ficar remoendo tudo não ia adiantar nada. Eu estava aqui para me curar e entender algumas coisas. Estava procurando uma resposta para uma pergunta. Era isso... Eu só precisava observar.
Tranquei a porta e resolvi seguir um caminho que poderia ou não me levar até o lugar que eu queria, então contei apenas com a sorte. Segui a trilha pequena da estradinha e sorri quando comecei a sentir cheiro de areia e sal. A boa noticia era que minha casa ficava a poucos metros da praia... E a ruim, que meu nariz estava começando a congestionar. Estava realmente congelando! Ri quando comecei a bater os dentes e mais ainda quando vi a bela paisagem a minha frente. Minha mãe tinha me falado tantas vezes de First Beach, que fui capaz de reconhecer sem nunca ter colocado os olhos antes. Era como nos meus sonhos. O sol sempre ficava escondido entre as nuvens, mas o lugar não parecia frio. Muito pelo contrario, era convidativo e familiar.
Sem pestanejar, deixei que meus pés me conduzissem até a beira do mar, mas ainda não era o bastante. Tirei o casaco e abri os braços, me arrepiando com a brisa gelada do sul. A praia estava tão deserta que não haveria problema se eu simplesmente tirasse a roupa e tomasse um banho.
Porque não?
Tirei o tênis, as duas blusas mais finas e a calça. Eu estava louca se queria entrar naquele mar revolto e gélido vestindo apenas roupas intimas, mas mesmo assim, queria uma lembrança memorável do meu primeiro dia em Lapush e eu jamais esqueceria isso! Andei cinco passos até a água alcançar meus joelhos, e meu Deus, eu estava morrendo. Entrei num estado critico onde não conseguia mais me mover. Nem entrar e nem sair, que ótimo. Meu queixo agora batia ainda mais e pensei seriamente em chorar. Não sei o que estava havendo com meu corpo, mas ele não me obedecia mais. Minha perna deu uma bambeada e me levou outro passo para frente. Encolhi-me nervosamente com a sensação da água no meio de minhas coxas. É, eu estava arrependida. E para frisar tal situação, uma chuva grossa começou a cair DO NADA.
Meu corpo ficou molhado em poucos segundos e eu não entendia porque não me jogava na maré de uma vez. Que diferença ia fazer?
- Moça!
Alguém gritou atrás de mim quando estava prestes a dar um mergulho. Olhei para o lado lentamente e não vi ninguém. Além de tudo, eu estava ficando louca. Dei de ombros e segui mais para frente com dificuldade.
- Hey...
A mesma voz grossa e firme falou, desta vez, muito mais perto. Junto com ela, senti uma sensação quente em minhas costas. A única, já que todo o resto envolta de mim se resumia a puro gelo.
A mão que se encontrava em meu ombro direito deslizou pelo meu braço e me obrigou a virar. Por isso eu não o tinha visto, ele veio por trás de mim, silenciosamente. Pisquei os olhos varias vezes e pensei que poderia estar tendo uma visão. Ele era lindo, alto, forte e avermelhado. Era um deles, eu tinha certeza. Um dos quileute que eu tanto ansiava conhecer. Tentei sorrir, mas a única coisa que consegui foi fazer uma careta. Meu corpo estava doendo tanto.
- Porque você está aqui, assim?
Sua voz era grave e seu semblante preocupado. Eu nunca tinha visto traços tão bonitos em toda a minha vida. Mas de repente, esqueci que ele parecia um semi deus e apenas senti vergonha... O homem devia estar achando que eu precisava urgentemente de um hospício. Uma mulher no auge da juventude, de sutiã e calcinha no meio da maré, num dia de chuva. Pelo menos eu estava com uma daquelas calcinhas que pareciam um mini short.
- Eu... – minha voz falhou e minha garganta pareceu fechar. – Eu...
Ao tentar pela segunda vez, senti uma tontura breve e uma pontada no centro da minha cabeça. Arregalei os olhos e levei uma de minhas mãos até lá, mas como eu já sabia, doía demais até a mais breve das ações. Minhas pernas amolecerem ainda mais e uma espécie de sono me alcançou. E mãos ágeis seguraram meu dorso. Foi a ultima coisa que senti.
Capitulo Dois
Jacob POV
A única coisa que me passava pela cabeça era imaginar os motivos pelos quais a estranha estava seminua dentro do mar, quando posso sentir que a temperatura não passa de seis graus. Seus lábios estavam roxos e seu corpo pequeno e cheio de curvas estava dando sinais de hipotermia. Mãos geladas, coração lento... Era isso. Ela precisava de um lugar aquecido.
Saí rapidamente do mar segurando-a em meus braços e torcendo para ser veloz o bastante a fim de salvar sua vida. Peguei o casaco dela no meio do caminho e a embrulhei, enquanto corria. Emily saberia exatamente o que fazer, e além do que, a casa dos Uley era mais perto.
Encontrei Sam cinco minutos depois, antes de sequer bater na porta. A testa dele se franziu e ele apontou para dentro. Vários dos caras estavam lá e a maioria deles arfou quando viu o que eu carregava. Coloquei a menina na cama e nenhum deles saiu de perto dela.
Bando de curiosos.
- O que aconteceu com ela? – Embry perguntou nervosamente, enquanto sentava na outra ponta do colchão.
- Eu a encontrei no mar, não sei exatamente o que estava tentando fazer.
O quarto estava insuportavelmente quente, com todos os garotos ali dentro. Sem sombra de duvida a recuperação dela ia ser mais do que muito rápida. Era como se o sol estivesse em volta dela. Estávamos irradiando 40 graus de cada canto do cômodo, cada um de nós.
Embry passou a mão pelo rosto dela e o contraste entre suas peles era gritante. Me fez lembrar o quanto eu e Bella éramos diferentes. Talvez não devêssemos mesmo ficar juntos, e o destino cuidava de jogar isso na minha cara. Agora ela e o vampiro iam se casar.
A garota gemeu o nome de alguém, me tirando de meus devaneios. Resolvi chegar mais perto e tentar entender as palavras emboladas que ela disse depois.
- Acha que ela conhece alguém por aqui? Essa não é a nossa língua.
Quil observou, mas para mim já era obvio desde quando coloquei meus olhos nela. Cintura fina, quadris largos, peitos fartos. Branca... Mas não pálida. Cabelos longos, olhos castanhos e a boca já com a cor natural, extremamente avermelhada e delineada. Ela não era daqui e não se parecia com ninguém que eu já tivesse visto antes. Ela era... Diferente.
- Ela deve ser de outro país. – Embry suspirou. – Mas eu não entendo. O que ela estava fazendo no mar, no inverno? Poderia ter morrido facilmente.
Alguns de nós estremeceram com a idéia e outros concordaram. Nenhuma pessoa em sã consciência se aventuraria num programa como aquele. Talvez ela estivesse pensando em se matar.
- Vai ver ela queria cometer suicídio e o Jake atrapalhou. – Paul sugeriu, parecendo ter lido a minha mente.
- Não pode ser. Porque uma garota linda assim faria isso?
- A questão não é essa Embry. Ser bonito ou feio simplesmente não importa quando você perde o que mais ama. Ela pode ter perdido alguém.
Todos prenderam a respiração.
Eu tinha falado sem pensar, totalmente. E aposto meus rins que eles fizeram a associação do que eu tinha dito a Isabella Swan. E de verdade, percebi que eu não tinha mais nada pelo que lutar agora que ela ia virar um monstro. Eu também gostaria de morrer.
Capitulo três
POV
Parecia mais uma das noites abafadas no Brasil.
Rolei na cama, sentindo o suor gotejar pela minha nuca. Nunca havia sentido tanto calor em minha vida e certamente isso não fazia nenhum sentido. Eu estava nos Estados Unidos agora, e a estação era a minha favorita: Inverno. Então por que...
Oh, meu deus.
Abri os olhos – desnorteada - e apalpei a cama ao meu lado. Eu não estava sozinha e o pânico em minha mente começou a crescer. Era bem provável que eu tivesse sido seqüestrada pelo mesmo homem forte que estava deitado ao meu lado. Finalmente descobri de onde vinha a fonte de calor. A pele dele era como brasa.
E então me lembrei.
Ele não era nenhum maníaco assassino, mas o cara que tinha me salvado. Me encontrado naquele mar e me levado para algum lugar, desmaiada em seus braços. Eu não podia culpá-lo, estava inerte demais para lhe dar meu endereço. Acho que ele fez o que estava em seu alcance para me ajudar. O que ainda não explica o fato de estarmos na mesma cama.
Mas quem era eu para reclamar? Devia muito mais do que uma gentileza a ele. Quem sabe... Eu poderia ter morrido.
Mas não morri. E não havia nenhum vestígio em meu corpo que me fizesse lembrar aqueles péssimos minutos gelados. A gripe que eu tinha – e que deveria ter se acentuado – estava oficialmente desaparecida e eu respirava melhor do que em todos os meus 19 anos.
Debrucei-me sobre meu cotovelo para ver melhor aquele que tinha bancado o herói. Na penumbra, não dava para distinguir corretamente seus traços. Mas o cabelo era preto e o corpo era forte e grande o bastante para ocupar muito do colchão.
Coloquei minhas mãos sobre as dele somente para medir o tamanho. Era o dobro que a minha. Sorri com aquilo. Todos os homens que conheci na vida tinham mãos maiores que a minha, mas aquilo era um exagero.
Dei um sorriso de canto e quando levantei o rosto de nossas mãos em direção a ele, olhos brilhantes estavam me encarando. Dei um pequeno sobressalto e me envergonhei totalmente por ter sido pega analisando-o.
Agora ele tem mais do que um motivo para achar que sou louca de pedra.
- Oi.
Sua voz animada e forte disse, em meio a escuridão. Arrepiei-me da cabeça aos pés, sem saber se pela intensidade do tom ou se por ter percebido que aquela NÃO era a voz do cara que me salvou. Era outra pessoa, outro homem. Pulei da cama rapidamente e notei que estava só com um blusão masculino. Mal tampava minhas pernas. O que tinham feito com minhas roupas?
- Quem é você? – minha voz vacilou.
O rapaz suspirou e levantou de vagar, fazendo com que eu achasse um canto naquele quarto e me encolhesse totalmente. Eu simplesmente não sabia o que fazer enquanto aquele cara enorme vinha na minha direção daquele jeito. Só dava para ver sua sombra. E ah, o tal brilho dos olhos.
- Meu nome é Embry, eu não vou te machucar. – ele deu dois passos para o lado. – Vou acender a luz, tudo bem?
Assenti, mas não sei como ele pode ter percebido. De qualquer forma, o tal Embry ligou o interruptor dois segundos depois e meus olhos arderam com a claridade.
Assim que consegui normalizar o foco dos meus olhos e o encarei, tive a surpresa de ter a mesma reação que tive com o rapaz que me salvara. Ele era lindo. Tinha o sorriso iluminado de um garoto no rosto e o corpo de um homem feito. Seus olhos eram quentes e convidativos. Arrastei-me dois passos para perto sem perceber, quando de repente caiu a ficha. 1,2,3... de volta a realidade.
Nós não nos conhecíamos e eu NÃO sabia onde estava. Ele podia ser uma pessoa ruim, embora meu coração já duvidasse disso.
Embry POV
Ela era perfeita. Assim que coloquei meus olhos nela, soube que ia amá-la. Agora que estava acordada, pude notar a cor avelã de seus olhos e o jeito como seus lábios tremiam de nervosismo. A garota era um anjo dormindo e uma mulher e tanto acordada.
- Onde está o rapaz que me trouxe aqui?
Engoli a seco quando ela perguntou. O jeito como falou dele exalava confiança. Ela não o conhecia e já o admirava, dava para perceber pelo modo como os olhos dela brilharam.
- Ele foi para casa, já é tarde. – ela fez uma careta. – Qual é o seu nome?
- .
Ela suspirou e chegou mais perto de mim. Tive que respirar fundo para não agarrá-la ali mesmo. Será que eu tinha sofrido um impriting?
- Como já tinha dito, Embry.
Apertamos as mãos e senti nossa energia se tocando, se conhecendo. Pequenos choques percorreram meu corpo e ela contorceu os cantos da boca, como se estivesse surpresa. E só assim eu soube que ela sentiu a nossa química.
- A calefação desse quarto é muito boa. Eu estou só de camiseta e você só de bermuda. Nós estamos mesmo no inverno?
- Ah, estamos. – passei a mão pelos meus cabelos. – A casa do Sam é bem quente mesmo, e nós, quileutes, também.
Ela olhou para meu abdômen e eu sorri quando ela corou. Meus hormônios estavam todos loucos, e meu ego inflou por vê-la fitando meu corpo.
- Posso saber por que você estava no mar? – resolvi focar em outro assunto e então perguntei calmamente.
Sentei na ponta da cama e senti um arrepio subir pela minha espinha. Jacob repetiu várias vezes que ela podia ter morrido, pois seu corpo já estava em pane quando ele chegou. Por segundos a mais ela poderia ter feito a maior besteira da vida dela. Jake disse que ela pretendia mergulhar.
- Eu só queria ver como era. – ela balançou os ombros e se sentou ao meu lado. – Não foi uma idéia muito inteligente.
- Você podia ter morrido. Não faça isso de novo...
Minha voz saiu arrastada e seus olhos grandes me encararam avidamente. Ela percebeu que havia tristeza em mim, só por imaginar o que podia ter acontecido.
- Pode deixar. – deu um sorriso breve. – Que horas são?
Desviei meus olhos dos seus por um momento e fitei o radio relógio na estante. Faltavam dez minutos para as duas da madrugada. Jake disse que viria cuidar dela as duas em ponto, e então revezaríamos de turno.
Eu não queria ir, ainda mais para deixar eles juntos. Estava com medo que pudesse gostar mais dele, e ainda assim... Não podia evitar que eles se conhecessem, afinal, ele a salvou e ela esperava poder agradecer.
De qualquer forma, Jacob ama Isabella obsessivamente. Não existe brecha para outra pessoa em sua vida. Triste dizer, mas acho que por um bom tempo.
- É hora de ir. – me levantei e sorri de canto quanto sua testa se franziu. – Preciso ir para casa.
- Não, não vá.
Ela se levantou depressa e segurou minha mão. Naquele momento, senti uma vontade enorme e latente de tê-la em meus braços. Mas era muito cedo, e muito incerto. Não é só porque ela pede por minha companhia que quer ser minha namorada. Além disso, nem sabia se aquilo era um impriting ou apenas uma atração descomunal.
- Eu vou voltar. – não consegui me refrear e dei um beijo em sua testa. – Vem outra pessoa em meu lugar. Meu irmão... O que te socorreu.
a não estava conformada, mas soltou meus dedos. Eu a vi se enfiar debaixo das cobertas de novo e me desejar boa noite.
- Vou voltar amanhã cedo para dar uma olhada em você. Não saia da casa de Emily sem me esperar, eu quero me despedir.
E saber onde você mora, acrescentei mentalmente.
- Tudo bem. – ela acenou e eu ouvi um ruído vindo da porta da frente.
Estava na hora de ir.
Capítulo quatro
Jacob POV
Embry me cumprimentou com uma careta estranha. Ele passou por mim com um sorriso falso e murmurou algo como ‘Ela acordou’. Não entendi o porquê do desanimo, mas desconsiderei tudo e fui vê-la. Abri a porta do quarto silencioso e a vi embrenhada entre as cobertas. Com o mínimo ranger do piso, ela se virou e me encarou. E depois sorriu. Algo como um sorriso doce e entorpecente.
- Olá. - Ela disse, e sua voz era doce como seu sorriso.
- Oi. Sou Jacob Black.
- Fernandes. – ela se sentou e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha. – Então... Foi você que me viu naquela situação constrangedora?
Suas bochechas adquiriram um tom rosado rapidamente e eu percebi que se ela pudesse, se esconderia entre os lençóis. Torci os cantos da boca num sorriso curioso e tentei procurar seus olhos. Eu queria realmente saber o porquê de tanta vergonha.
- Está se referindo a cena em que você estava de roupas intimas ou a que estava prestes a mergulhar no mar com a temperatura perto dos seis graus?
- Bem, - ela ficou ainda mais desconcertada. – Eu não tinha a intenção de...
- Se matar? – interrompi. – Você chegou bem perto disso.
Agora simplesmente bufou num inicio de um lapso nervoso. Seus lábios se retorceram, seus punhos se cerraram perto do corpo e seu rosto ficou vermelho mais uma vez, só que de raiva.
- É claro que eu não ia me matar. – seu tom foi cortante.
- Você não pode me culpar por ter pensado isso. Foi o que achei que estava acontecendo quando te encontrei naquela praia.
- É. – ela relaxou um pouco. – Deve ter sido uma cena bem estranha, mas eu não ia me matar, de jeito nenhum. Não é do meu feitio entregar os pontos.
- Fico feliz. – me escorei numa escrivaninha antiga. – Mas então... Não consigo encontrar outra explicação plausível. Diversão? Duvido muito. Porque você estava lá?
Ela pareceu pensar no assunto. Algo me dizia que ponderava em me contar os motivos reais ou me deixar a imaginar o que quer que fossem suas razões. Fiquei ainda mais curioso.
- Minha mãe amava esse lugar, acho que foi só uma coisa idiota que tentei para me sentir mais perto dela. – a garota deu de ombros. – Ela faleceu há alguns meses.
Por mais insensível que pareça, quis rir. Não seria nada delicado da minha parte deixá-la ouvir, por isso me calei quando veio em minha mente o pensamento de que se queria se sentir mais próxima da mãe falecida banhando no mar em pleno inverno, estava no caminho certo. Elas se encontrariam no céu bem rapidinho.
Mas não fui tão idiota a ponto de comentar isso. O que fiz foi lamentar pela perda de sua mãe, eu sabia como era a dor de ficar sem uma.
- Eu sinto muito. Sei o quanto elas fazem falta.
- Você sabe? – seus olhos bonitos se arregalaram.
- Perdi minha mãe bem cedo. Posso compreender, é a pior dor do mundo... Não é?
- Até agora sim. – ela balançou a cabeça. – Não consigo imaginar algo pior. Passa algum dia?
Eu queria ser como era sempre desde que Bella me rejeitara: Um verdadeiro amargurado. Eu andava dizendo certas verdades na cara das pessoas, magoava amigos, me recusava a rir ou a conversar, como um anti-social... Mas dessa vez eu não poderia ser tão medíocre. Jamais contaria a ela que a dor nunca passaria. Por algum motivo estranho, eu não queria ver angústia em seus olhos.
- Passa. Se sentirá melhor com o tempo, você vai ver. Ninguém nunca substituirá o espaço vazio que ela deixou, mas com o passar dos anos, o preencherá com a saudade, boas e velhas lembranças. É tudo que te resta de melhor.
Acabei falando pelos cotovelos num surto de inspiração, e quando me virei para analisá-la, uma lagrima brilhante escorria pelo seu rosto. Só me fez lembrar um belo anjo, tristemente bela e indefesa. Provavelmente ingênua. Cheguei mais perto e limpei aquela gota com meus dedos ásperos, ainda que cuidadosamente, morrendo de medo de arranhar sua pele macia. Seus olhos se fecharam com o meu toque e de repente, minha mão começou a formigar. E eu não entendi, mas me senti impelido a continuar acariciando-a.
- O que você disse foi... Lindo. – sua voz estava embargada. – Obrigada.
Admirei seus olhos e encarei aquele castanho claro profundo. Era como se eu pudesse ver tudo e ao mesmo tempo nada. Era intenso, revelador e misterioso. Eu também diria místico. Seus olhos eram incríveis janelas, mas com um acesso não tão livre a sua alma.
Quando me senti impelido a chegar mais perto, talvez beijá-la, me afastei abruptamente. E ela levou um susto. Daqueles em que se soluça e depois cobre a boca com a mão. E sem compreender o que estava prestes a fazer ou como sair da situação embaraçosa que eu mesmo criei, murmurei um pedido de desculpas baixo que ela jamais ouviria e saí pela porta antes que fizesse qualquer outra besteira.
POV
Acordei com a claridade invadindo as frestas da janela e um cheiro de bolo. De chocolate.
Sorri involuntariamente e me espreguicei, enquanto rolava pela cama. Aos poucos fui abrindo os olhos e percebendo que aquela não era minha colcha, e aquele teto de madeira escura também não pertencia a mim.
Ah, eu estava na casa de... Quem mesmo? Embry ou Jacob?
Levantei devagar e procurei pelas minhas roupas. Eu não podia sair por aí com as pernas de fora. Encontrei-as perto da cômoda, bem secas. E quase não acreditei. Já disse o quanto o aquecedor daqui é potente?
Vesti a calça, a regata e procurei pelo casaco, apesar de saber que não agüentaria estar dentro dele quando a casa toda parece estar pegando fogo. Balancei a cabeça levemente e sai do quarto na ponta dos pés, esperando não acordar ninguém. No meio do corredor, encontrei um espelho emoldurado pendurado na parede. Quase gritei quando vi o quanto meus cabelos – quase sempre educados – estavam rebeldes. Cachos grandes pra tudo que é lado e uma aparência selvagem que definitivamente não combina comigo. Mas nem minhas mãos deram jeito naquilo. Respirei fundo e cheguei ao cômodo que eu chamaria de cozinha.
Era de lá que todos aqueles cheiros de comidas gostosas vinham.
Entrei passo por passo e me escorei num cantinho enquanto via uma garota bonita checar algo no forno. Seu cabelo liso ia até o meio de suas costas e sua pele era vermelha. Quileute. Dei outro passo e a madeira do piso rangeu o bastante para que ela me ouvisse. A moça virou ao menor ruído e sorriu amplamente quando me viu. Nem mesmo a cicatriz imensa em sua face pôde ofuscar tanta beleza. Senti-me impelida a retribuir a boa educação.
- Vejo que está melhor. Bom dia. – ela enxugou as mãos no avental azul – Sou Emily.
- . – apertamos as mãos. – E sim, estou bem melhor.
Ela era tão simpática, que fiquei desconcertada. Talvez por não saber o que dizer. Não sei bem o que ela fez por mim, mas acho que tem algo a ver com minha mudança de roupas. Tomara que sim. Se um dos rapazes tivesse me trocado, eu morreria aqui mesmo.
- Fico feliz. Os garotos também ficarão. Eles perguntam de você o tempo todo.
- Eles...?
Jacob e o irmão? O jeito como ela falou, parece que muitos outros índios estão envolvidos nisso. Quantas pessoas mais saberiam desse incidente feliz? Quantas acham que sou uma suicida em potencial? Ugh.
- Ah, somos muitos. – ela sorriu. Acho que entendeu o que eu quis perguntar. – Mas não se preocupe, não vou deixar que fiquem te fazendo perguntas indiscretas.
- Tudo bem. – minhas bochechas coraram. – Mas só pra esclarecer, eu não queria me matar.
- Tenho certeza que não.
Nós sorrimos afavelmente uma para outra, e então ela me ofereceu uma fatia imensa de uma torta decorada com morangos monstruosos. Longe de mim recusar algo que me encheu a boca de saliva só de observar.
Estava terminando o segundo pedaço quando ouvimos alguns barulhos vindo da área da frente. Várias vozes, risadas, urros. Parecia que uma multidão estava chegando até a casa de Emily, que ao invés de se preocupar, apenas sorriu e me chamou para sala, sussurrando algo como: ‘Os lobos chegaram’.
Capítulo cinco
Embry POV
Ouvi a voz dela antes mesmo de entrar na casa, e senti meu coração bater mais forte.
Na ronda, tive que falar sobre ela com Sam. Sobre como eu estava praticamente obcecado pela garota. Ele entrou em meus pensamentos, viu cada exclamação. E confirmou, não era impriting. Nada de cabos de aço, nada de centro do universo, era só... Amor a primeira vista. E talvez nem isso fosse. Porque além de tudo, precisava ser recíproco.
Mas então, o que era? Porque eu estava louco para por meus olhos nela? Minhas mãos, minha boca. Eu simplesmente não conseguia controlar a minha mente e tampouco o físico. Precisei respirar fundo três vezes quando ela finalmente apareceu na sala de estar.
- . – fui o primeiro a dizer. – É bom te ver... Acordada. – tentei concertar, mas sabia que os outros me zoariam por isso depois. – Como você está?
- Bem melhor, Embry.
Ela sorriu, eu também. E largamente. Só pelo fato dela ter lembrado meu nome.
- Você assustou a gente! O que você estava fazendo na praia hein forasteira? – Seth perguntou e Jared deu um tapa em seu pescoço. – Outch!
- Coitado. – ela fechou os olhos e gargalhou. – Eu queria nadar. Sei que é estranho, mas eu não sou muito certa das idéias mesmo.
Seth concordou com um sorriso enquanto massageava a própria nuca. Depois disso, os garotos se sentiram mais a vontade para conversar com ela, e inclusive perguntar mais algumas coisas sem sentido ou muito pessoais. O que eu queria mesmo? Tirá-la do meio de todos aqueles idiotas e levá-la para um lugar calmo onde pudéssemos conversar. Eu estava interessado em tudo sobre ela, qualquer detalhe, a mínima descrição. Quis saber de onde ela vinha, do que mais gostava ou o que evitava. Tudo. Eu gostaria de saber tudo a seu respeito.
- Bom, já que estou aqui... Será que podem me dizer quem é Billy Black?
Minha atenção se focou totalmente naquelas palavras. Porque ela ia querer saber quem ele era? Será que tinha alguma associação com Jake?
- O pai de Jacob, do cara que te salvou. Por quê?
Sam perguntou, tão curioso quanto nós. Afinal, ela era estrangeira e não conhecia ninguém aqui.
-Ah, o sobrenome! Bom, minha mãe disse uma vez que ela e o Sr. Black eram velhos amigos. Que mundo pequeno... Conheci o filho dele.
Eu desejava que não tivesse conhecido. Bufei. O tom de voz dela para falar aquele nome... Já dava pra saber que tinha algo errado. Será que eu perderia a garota? Não. Nem pensar. Ele era meu irmão, mas aquela ali... Era minha alma gêmea.
- Bom... Acho melhor eu ir agora. Já tomei muito do tempo de vocês.
Os garotos negaram, outros a seguraram pela mão quando ela se levantou. Até Jared parecia pegajoso demais, logo ele que se dizia lento para chegar nas meninas. Era obvio que a maioria dos caras gostaram dela. Porque era bem fácil. era linda, simpática e vinha de fora. Isso nos deixava automaticamente interessados. É assim quando conhecemos algo ‘novo’.
Mas antes que qualquer um tomasse a atitude antes de mim, puxei seu pulso cuidadosamente e a tirei do círculo que eles fizeram a sua volta. Não sei se ela sorriu de alivio, mas pareceu bem feliz em sair do centro das atenções.
- Posso te levar em casa? - eu perguntei e ela logo corou por alguns segundos.
- Seria ótimo. Mas... Eu não sei onde exatamente fica a direção da minha casa – ela saiu da varanda e olhou em volta. – De onde estamos.
- Tudo bem, eu conheço tudo em Lapush.
- Sério? Então você nasceu aqui? – os olhos dela brilharam quando eu concordei. – Acha que um dia pode me levar pra conhecer as outras praias?
- Está marcando um encontro comigo?
Ergui uma das sobrancelhas. Eu sabia que não era a intenção dela, mas fiquei exultante que ela tivesse pedido para conhecer a cidade COMIGO. Tem idéia de quantas cambalhotas meu estomago deu?
- Não Embry. – Ela gargalhou, e abanou o ar. – Só estou sendo prática. Você conhece tudo e eu nada. Estou é pedindo ajuda.
- Tudo bem. Seria um prazer te apresentar todos os cantos de Lapush. Mas quer me dizer o porquê dessa fixação por praias?
Nós continuamos a andar lado a lado e por alguns momentos, em silencio. Sem a mera intenção, percebi que acabei falando alguma coisa errada. Percebi pelo jeito que seu corpo ficou mais tenso e o modo como ela piscava rápido. Tentando digerir o que tinha ouvido.
- Me desculpe. Eu Acho que não devia ter...
- Não, nada disso. Você pode me perguntar o que quiser. – ela me deu um sorriso, mas parecia perdida. – O problema é que eu não sei como explicar. É difícil colocar em palavras, sabe?
- Eu entendo.
- Pois é. Está tudo na minha mente, mas na hora de falar, sinto que algo trava. É bem difícil.
Assenti, enquanto recomeçávamos a caminhar. parecia mais pensativa e eu, bem... Eu me chutava por dentro. Na primeira oportunidade que tínhamos de conversar sozinhos, eu dava um fora desses.
- Minha casa é aquela. – ela apontou para uma casinha beije afastada de todas as outras. Ainda estava longe, vendo de onde estávamos, e já tínhamos andado quase 30 minutos.
- Porque ela é tão excluída?
Soltei espontaneamente, talvez até irritado. Em volta da casa dela só tinha mato e arvores. Sem contato social, sem mercados, escolas, perto de animais selvagens... E pior, longe de mim. Eu morava praticamente do outro lado de Lapush.
- Eu não sou Quileute, lembra?
Eu gargalhei, e ela riu da minha risada alta. Tipo, automaticamente.
- Como esqueceria? – afirmei, depois de observá-la dos pés a cabeça.
- Quer dizer que não me passo por índia de jeito nenhum? Qual é, se eu me bronzear, fico igual aquela garota... Irmã de Seth.
- Leah? – Não consegui segurar e ri ainda mais. Eu poderia me debruçar no chão e chorar de tanto rir. – Bom, para ficar parecida com ela, precisaria de um bronzeamento potente, tinta preta, corte de cabelo, mais 20 centímetros e uma personalidade insuportável. Eu, pessoalmente, prefiro você assim.
Dei uma piscadela e cheguei mais perto quando ela corou. Incrível como qualquer palavrinha a toa a deixava sem graça. Já até sei a ordem de suas ações. Primeiro ela abaixa a cabeça, dá um meio sorriso, abana o ar com a mão e então... Cora. E fica perfeita. No meio de toda essa admiração, quase não percebi. Nós já estávamos em frente a casa dela. E alguém estava nos observando. Era o cheiro dele.
O que Jacob estaria fazendo aqui?
Capítulo seis
Jacob POV
Embry desviou os olhos brilhantes dela por um minuto e fitou a mata. Percebi que ele tinha notado minha presença e algo em sua expressão me disse que ele não estava feliz em saber que eu estava ali. Nem mesmo eu estava contente em estar em frente à casa da garota. Minhas pés me levaram até lá antes que eu pudesse perceber... O cheiro dela era viciante demais, único demais. Acho que eu seguiria aquele rastro doce aonde quer que fosse. E isso não era exatamente bom.
Assisti os dois se despedirem rapidamente e Jessica entrar em seguida. Eu ia embora, mas senti alguém correndo na minha direção. Virei devagar.
- Jacob, o que você está fazendo aqui?
Embry nunca me chamava tão formalmente, só por aí já percebi que algo estava errado.
- Vim ver onde ela mora. Curiosidade. – ao contrário dele, usei um tom que implicava certo descaso.
- Curiosidade? Não combina com você.
Ele torceu os lábios e eu franzi a testa. Desde quando Embry era tão mal humorado e sério? Não fazia parte da personalidade dele. Éramos amigos desde criança. Sei que ele não é assim.
- O que há com você?
- Comigo? – sua voz vacilou um pouco. – Nada. Só não entendo porque veio até aqui.
- Curiosidade, já disse. – Franzi a testa um pouco mais. – Posso saber por que se importa tanto com isso?
- Curiosidade.
Ele imitou o mesmo tom de descaso que eu havia usado minutos atrás, mas não funcionou. Eu já tinha percebido, Embry estava escondendo algo sério de mim, algo que inclusive parecia ter haver comigo. E tudo bem se ele não quisesse falar... Eu descobriria tudo quando estivéssemos transformados e conectados.
- E então, vamos juntos?
Juntos, pra onde? Acho que não havia ouvido suas ultimas palavras, pois estava totalmente perdido em pensamentos.
- Para a casa do Sam, Jake. – disse, com certo receio. – Você vem?
- Não, não. Ainda vou dar umas voltas pela redondeza e depois vou visitar Bella.
Estranhamente, Embry sorriu ao ouvir o nome dela. Em geral, ele ficava me dando conselhos sobre como eu deveria me afastar da garota e o quanto era errado ficar interferindo em sua vida. E agora, ele estava praticamente me incentivando a ir vê-la com expressões faciais.
- Beleza então, já estou indo. – ele começou a correr. – Tchau!
- Até logo.
Vi Embry desaparecer e então, entrei na estrada. Eu não menti quando disse que ia ver Bella, mas agora eu tinha mudado de idéia, depois de ouvir Jessica cantando como uma louca dentro de casa. Achei engraçado. O coração dela estava batendo rápido e de acordo com os baques ritmados de seus pés, ela devia estar dançando em algum cômodo da casa. Sorri ainda mais abertamente quando a vi na janela, pulando de um lado para o outro, segurando uma escova de cabelo como um microfone. Aquela mulher era louca.
Dei um passo a frente ao mesmo tempo em que ela olhou para baixo. Para onde eu estava. Seus olhos se arregalaram e sua primeira reação foi a de arrumar os cabelos. Depois ela ficou vermelha e se envergonhou a ponto de correr. Percebi que na verdade, ela estava vindo até mim, quando de repente, abriu a porta de sua casa.
E então ela gargalhou enquanto escondia o rosto com as mãos. Hilária era uma palavra que a definia bem.
- O que você estava fazendo aí? Não diga que viu todo o meu show!
- Estava incrível. Vi tudo de camarote. – dei uma piscadela. – E afinal, você canta bem.
- Ah, Jacob! Que constrangedor.
Sua risada saiu abafada por causa das mãos agora na boca. Atitude que só me impeliu a chegar mais perto.
- Por acaso achou que ia conseguir esconder esse seu talento por muito tempo?
- Que talento? – ela abanou o ar. – Eu só estava brincando, sabe?
- É sério? – arqueei as sobrancelhas. – Mas você canta tão bem que...
- Achou que eu fosse profissional? – ela colocou as mãos no joelho, se inclinou e riu como se eu tivesse contado a melhor piada do ano. – Você é a primeira pessoa que chama esses sons agudos que eu faço com a boca de cantar.
- Corta essa. Eu não estou ficando louco, sei o que ouvi... E era muito bom.
Fiquei um pouco surpreso quando ela deu de ombros e pegou em minha mão. Estava prestes a perguntar por que, quando Jessica me empurrou para dentro de sua casa e me jogou no sofá.
- Quer beber alguma coisa?
- Não, obrigada.
Encaramo-nos por alguns segundos antes que ela começasse a falar novamente.
- Então... O que você estava fazendo por aqui?
- Dando uma volta. – ela comprimiu os olhos, sem realmente acreditar em mim. – Nós gostamos de andar pela floresta.
- Verdade? Os Quileute? E não é perigoso?
- Ah, não. A maioria conhece o território melhor que qualquer outro lugar. É como se fosse nossa segunda casa.
- Uau. Isso é diferente. – Jessica balançou os ombros. – Mas também vou ter que me acostumar... Fará parte do meu trabalho.
- Como assim?
- Eu faço geologia. Tenho que mexer com terra, areia, rochas e afins. Tem muito disso por aqui, e a floresta é praticamente na porta de minha casa.
- Não, você não pode entrar lá sozinha.
A realidade tomou conta de mim bem depressa. Ela morava entre a fronteira de Lapush com Forks. Se por acaso se embrenhasse na mata pelo lado deles, se algum vampiro aparecesse e... Bem, não acho impossível. Ainda mais com o cheiro que ela tem.
- E porque não? Segundo você mesmo, os meninos não saem de lá um minuto sequer.
- É diferente. – me curvei para frente, tentando fazê-la entender. – Conhecemos o perímetro que você desconhece. Fomos treinados, lutamos contra animais. Estrangeiros não fazem nada disso, Jessica.
- Bem, se não posso ir sozinha... Você bem que poderia me acompanhar.
E a chance de encontrarmos um sanguessuga e eu me transformar na frente dela? Fora os perigos e todas as outras coisas com que teria que me preocupar. Se já não estava preocupado. Porque diabos ela tinha que morar numa casa tão distante?
- É melhor não.
- Por quê?
Deus, quantas perguntas.
- Você é muito curiosa.
- Não, não sou. Mas estou MUITO curiosa nesse exato momento. Estou sentindo que está me escondendo algo.
- O que? – fui pego de surpresa. – Escondendo? E o que eu esconderia?
- Sei lá. – ela olhou para os lados e depois me analisou com calma. – Você não é nenhum psicopata, né?
Levei a cabeça para trás e gargalhei ruidosamente assim que ouvi tais palavras. De todas as coisas sobrenaturais ou ruins que poderia ser, jamais ninguém havia pensado nessa possibilidade. Digo, de parecer – aos olhos de outras pessoas – um maníaco.
- Porque pensou isso? – Lhe perguntei, entre risos.
- Bem... Você ficou todo na defensiva quando falei sobre a floresta e ainda mais estranho quando te chamei pra ir comigo. - Se eu fosse mesmo um psicopata, ia adorar a idéia de ficar sozinho em um lugar com você, não é mesmo? – rolei os olhos, enquanto ela comprimia os dela.
- Faz sentido. – a garota se levantou do sofá e começou a andar de um lado para o outro impacientemente. – Mas ainda sei que tem algo aí. – enrijeci automaticamente. – Vocês vivem andando pela floresta, mas não querem que eu ande por lá. O problema é com estrangeiros ou... Comigo?
- O problema é o perigo, .
- Mas te pedi pra ir comigo! – ela contra argumentou. – Eu estaria em segurança, certo?
- Acontece que eu sou ocupado.
- Ocupado? E com o que? – ela riu. – Com as árvores da floresta?
Eu podia ter ficado bravo, mas encontrei um tom de fúria na voz dela que me fez rir. Rir bastante, pra falar a verdade. Engraçado como ela cruzou os braços e fez biquinho como uma criança.
- Eu tenho que ir. – suspirei, depois da crise de riso. – Nos vemos depois, .
- . – ela concertou. – Estou te esperando aqui às oito horas de amanhã.
Estanquei pouco antes de abrir a porta e me virei automaticamente para fita-la de sobrancelhas arqueadas. Achei – cedo demais – que ela tinha deixado esta história de floresta para trás.
- Eu disse que não vamos.
- E eu estou dizendo que vamos. – ela me empurrou porta afora. – Ou você pode ficar em casa. Embry também deve ser um ótimo guia.
Arregalei os olhos e ela sorriu.
- Até mais Jacob.
E bateu a porta na minha cara. Simples assim.
Com que tipo de garota eu estava me metendo?
Capítulo sete
POV.
Jacob era lindo. Com aquele jeito antipático, rude e certinho que me dava nos nervos, mas ainda assim, um galã da novela das nove. Que não me dava mole de jeito nenhum, afinal de contas. Ao contrário de Embry, cujo bom comportamento e docilidade excessiva só podia significar uma coisa: Interesse.
Eu bem que gostava do jeito dos dois. Tratavam-me de maneiras diferentes, me olhavam de forma diferente, eram totalmente distintos... Apesar de tão parecidos fisicamente. E então me peguei pensando em quem me atraia mais. O cara difícil ou o amável? O marrento ou o alegre? O misterioso ou o sincero? Ugh!
Decidi parar de pensar em tolices quando tinha tantos afazeres. Peguei uma toalha e fui para o banheiro, porque antes de tudo, tinha que dar uma geral na minha situação. Olhei-me no espelho e mal pude acreditar que tinha deixado DOIS garotos colocarem os olhos em mim naquela situação.
Fiquei vinte minutos no banho, pensando em todas as situações ocorridas desde o momento em que cheguei. Em como tinha realizado tantos sonhos em um espaço tão pequeno de tempo. Cheguei à cidade que sempre viveu em meus sonhos, vi uma praia de Lapush, conheci Quileutes. E não só isso. Dei-me conta – embora não tenha comentado – de algumas peculiaridades sobre eles. Eram quentes (no sentido literal) e tinham uma ligação direta com a floresta. Eu já esperava isso, mas Jacob dizer que era como se fosse sua segunda casa... Foi estranho e pareceu ter um significado muito mais amplo.
Desliguei o chuveiro, atônita com tantas observações. Será que eles celebravam algum rito na floresta ou algo parecido? Bem, se eu quisesse realmente saber, teria que perguntar. E algo me dizia que apenas um deles poderia responder.
Vesti uma roupa qualquer, decidida a resolver todas as perguntas em minha mente, mas apenas depois que resolvesse questões mais urgentes, como fazer compras, por exemplo. A geladeira estava vazia e não seria nada legal se continuasse assim. Coloquei uma saia jeans e um suéter, por baixo de um sobretudo mais grosso. Apesar do clima estar agradável, a cidade parecia ser chuvosa todo o tempo, então entrei no carro rapidamente e dirigi rumo a Port Angeles. Se eu fosse rápida, conseguiria voltar antes das 22:00. Nunca fui exatamente uma piloto de corrida, mas amava velocidade.
Cheguei ao centro cerca de uma hora e meia depois, contente com o fato de que poderia enrolar pela cidade mais um pouco, afinal, havia sido ainda mais rápida do que o previsto. Fui primeiro ao mercado e comprei todas as besteiras que esperava comer pelo resto do mês. As coisas saudáveis ficariam para depois. Guardei tudo rapidamente no porta-malas e virei o rosto rapidamente quando ouvi um barulho do outro lado da rua. Minha atenção acabou retida pelo letreiro de uma biblioteca que parecia antiga. Minha curiosidade se atiçou. Talvez houvesse algo sobre o povo Quileute lá.
Entrei no ambiente e uma velinha sorriu, assim que me viu passar. Devolvi o aceno de mão com outro sorriso, quando de repente, um vento forte passou pela porta e ergueu meus cabelos longos quase até a altura do meu queixo. Estranho foi a palavra que mais caiu bem naquele momento, em especial porque os olhos daquela senhora brilharam expressivamente quando aconteceu.
- O que procura, minha jovem?- a voz dela era doce e quase monótona, de tão paciente.
- Bom, não sei se vai ter algo do tipo aqui, mas não me custou atravessar a rua para verificar. Por acaso, teria algum livro sobre a população indígena Quileute?
- Muito provavelmente. – ela sorriu afavelmente. – Segunda estante à direita, quarto livro.
Meus olhos se arregalaram e me perguntei internamente como diabos ela saberia a ordem dos livros, ou se só conhecia o daquele, em particular. De qualquer forma, não sei se fiquei impressionada ou com medo. Talvez os dois. Comecei a caminhar e me vi no meio de estantes antigas recheadas de livros velhos e empoeirados. Meus olhos recaíram sobre um, com capa de couro. Era o livro que a senhora havia indicado, o livro sobre os Quileutes.
Assoprei a poeira sobre a capa e o abri. A primeira página não tinha o nome do autor e nem sequer agradecimentos. Bem... Parecia ser um livro realmente antigo.
- Vejo que conseguiu encontrar. – me sobressaltei com a voz pacata da senhora que cuida da biblioteca. – Consegue ler o que está escrito aí?
Na segunda página amarelada do livro, o titulo era grande e estava em negrito: QUILEUTES. Mas era só o que eu poderia entender, já que todo o resto estava numa espécie de língua nativa. Fiquei um pouco frustrada a principio, pois eu realmente gostaria de descobrir mais sobre a história daquele povo vermelho. Eles realmente me instigaram como fizeram com minha mãe. O que será que havia de tão misterioso, exótico e mágico neles? No modo como andavam e falavam?
Droga. Estou obcecada.
- Não é possível ler... Não está em inglês.
Ao invés de assentir com pena, ela sorriu largamente, mostrando pequenas rugas no canto dos olhos pretos.
- É claro que não... Este livro foi escrito a mão por um dos anciões mais antigos da tribo. Mas acho que posso te ajudar. – uma sobra de esperança cruzou meu rosto. – Venha trabalhar para mim duas vezes por semana e além de um pequeno salário, posso traduzir este livro pouco a pouco. Eu conheço a língua deles.
- Trabalhar para você? – repeti, em choque.
- É que eu estou muito velha querida, e essas prateleiras já estão empoeiradas a um bom tempo, precisando de uma mão mais jovem para limpá-las – ela deu de ombros e riu afetadamente. – Mas se não puder, eu entenderei.
Ah, como eu poderia dizer não? Ela parecia ter 120 anos!
- Na verdade, eu posso... Mas com uma condição.
- E qual é? – suas rugas voltaram a aparecer, depois de um sorriso esplendoroso.
- Quero também que a senhora me ensine o dialeto.
- Quileute?
- É! – senti meu corpo vibrar de expectativa.
- Bom... Seria um prazer minha cara jovem, um enorme prazer.
N/A: Olá meninas! Gostaram? Bem... Essa atualização ENORME é um pedido de desculpas pelos oito meses sem atualizar. Quem é vivo sempre aparece, não é? Kkkk Pois é, estou de volta com essa fic que eu adoro. Às vezes eu tenho esses surtos de inspiração que dão em três capítulos inteiros, então tomara que vocês me ajudem a continuar com essa criatividade toda... Basta que comentem! Beijones:**
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24 de janeiro de 2013
4 de maio de 2012
Escolhida - Jessica F.
Capítulo 01
"Há esperanças que é loucura ter. Pois eu digo-te que se não fossem essas já eu teria desistido da vida." (José Saramago)
- Você não pode estar falando sério, gata.
- E porque eu brincaria com esse assunto? – sua voz ficou ainda mais fina. – Sempre foi o meu sonho, não posso mais me contentar com o vazio.
- Eu te amarei por toda a eternidade, será que não basta para você?
Seus olhos vorazes finalmente brilharam de outro sentimento que não fosse só ira ou obsessão. Ultimamente, essa meta ilusória e descabida era a única coisa que ocupava a mente da minha mulher. E fazê-la desistir da idéia estava cada vez mais difícil.
- Em partes, Emmet. Te amo com todo o meu ser, mas quero ser mãe. E só vou conseguir sossegar quando isso acontecer.
- Mesmo que signifique machucar uma humana?
- Eu faria qualquer coisa, passaria por cima de qualquer obstáculo ou ideologia. – ela sorriu torto e senti um leve tremor na base do pescoço.
- Isso vai contra tudo o que nossos pais nos ensinaram.
- Carlisle não vai saber, e se você contar, será o fim do nosso relacionamento. Quero que esteja nessa comigo, por favor.
- Não pode me pedir algo assim. – suspirei. – É a mesma coisa que drenar o sangue do corpo de um humano. Os fatos mudam, mas o resultado é igual Rose. Vamos tirar a vida de uma pessoa inocente.
- Sabe muito bem que a mulher que escolhermos não precisará morrer. Nós podemos transformá-la.
- E se não der certo? – elevei o tom de voz.
- Isabella conseguiu! – Rosalie também gritou. – Ela e Edward estão mais felizes do que nunca em algum lugar do Alasca, e cuidando da criança deles. Eu também quero essa vida para mim!
- Pense bem... – cocei a testa levemente – O que faremos com a garota depois que for uma recém criada? O que faremos com o bebê? Nossos irmãos descobrirão cedo ou tarde que fizemos uma atrocidade. Que arruinamos a vida de uma garota apenas por egoísmo.
- Eles vão nos perdoar.
- Mas eu não. – ergui os ombros. – Não vou conseguir me perdoar se fizer isso com alguém. E você ainda me colocou numa situação pior, pois sou eu quem vai sujar as mãos.
- Achei que me amasse e pudesse fazer qualquer coisa no mundo por mim.
- Não isso, Rose.
- Eu te salvei, te encontrei todo ensangüentado e destroçado, lutei com um urso, te trouxe para minha casa, te dei a eternidade, te dei amor. Não está na hora de retribuir o favor?
Vampiros jamais se cansam, e, no entanto, tive que sentar. Meu cansaço era puramente mental. Já não tinha tanto bom humor quanto antes e minhas palhaçadas (que costumavam ser freqüentes) estavam desaparecendo mais e mais a cada dia. Tudo por causa da pressão de Rosálie quanto a esse assunto e da mania irritante que ela tinha de jogar algumas coisas na minha cara.
Eu não era mais o mesmo e nem ela. E tudo que eu queria, sinceramente, era o tempo em que éramos felizes de volta. O tempo em que ficávamos juntos na cama por várias horas, o tempo em que ela ria de todas as besteiras que eu falava, o tempo em que ela era doce comigo, o tempo em que nosso relacionamento era ardente.
Então ponderei, por alguns minutos, realizar seu maior sonho. Dar um filho a Rosalie. Isso acabaria com todos os nossos problemas, e se eu estivesse certo, ainda faria com que fossemos felizes por tempo indeterminado.
Peguei-me pensando na idéia com um pouco mais de gosto. Eu era novo quando “morri”, por isso ainda não tinha aspirações familiares. Mas agora, quase 97 anos depois, iria gostar de ter uma família. Ensinar meu garotinho a jogar baseball, ou levar minha garotinha ao parque.
Mas tudo isso era só um vislumbre do que eu poderia ter vivido. Ser vampiro era sim um fator limitante. Eu não poderia ser pai, a não ser que ferisse alguém. E acho que não estava disposto a isso.
Mas Rose estava. Seus pensamentos consistiam na idéia doentia de que eu engravidasse uma humana, para que ela gerasse o nosso bebe meio-vampiro.
Desde que teve a idéia, saia nas ruas para procurar alguém que se parecesse fisicamente com ela. Assim, seu neném – apesar de não ser biológico - teria ao menos algumas de suas características.
O que provava a loucura total em sua cabeça. Ela estava mesmo sugerindo que eu transasse com uma mulher, mesmo sabendo que eu poderia matá-la durante o processo. E se ela não morresse antes, poderia morrer depois, no parto. Então, de uma forma ou de outra, Rose estava pouco se lixando para a vida da pessoa em questão.
Talvez porque seu papel na situação fosse pequeno. Ela só tinha que procurar alguém compatível... Mas eu, eu teria que colocar meu sêmen numa estranha, que por acaso, seria a verdadeira mãe do meu primeiro filho. E isso era confuso, estranho e difícil de digerir.
- Emmet, por favor, realize meu único sonho. Eu prometo que só vamos tentar uma vez.
Sei que se ela pudesse, estaria chorando. Apesar de bravo, a cena partiu meu coração. Rose se colocou de joelhos e beijou meus pés, coisa que nunca havia feito antes.
- Por favor. – ela implorou mais uma vez.
- Podemos tentar. – Rosalie sorriu largamente. – Mas vai levar algum tempo. Não quero que seja um estupro, a garota que você escolher tem que concordar em dormir comigo. E se ela disser não, estará dito. Estamos entendidos?
- Será como você quiser.
Ela se levantou e se jogou no meu colo, me abraçando em seguida. A felicidade, pela primeira vez naquela semana, era evidente em seu rosto.
N/A: Oi leitoras :) Como minha filha mais velha (Metamorfose) está indo embora em breve, prometi a vocês criar outra fiction bafônica... Eis aqui meu mais novo projeto, ESCOLHIDA, team Emmet. Vocês gostaram da idéia? Podem ser sinceras, sou totalmente a favor de críticas!
É isso... Beijinho flores, espero que comentem bastante :D
Capítulo 02
"Só há duas maneiras de viver a vida: a primeira é vivê-la como se os milagres não existissem. A segunda é vivê-la como se tudo fosse milagre". Albert Einstein
POV
Quando decidi vir pros estados unidos, vim apenas com a cara e a coragem. E agora estava começando a pagar caro por ter largado minha família e meu futuro “promissor” para trás.
Não tinha mais dinheiro nenhum para o hotel, não tinha conseguido arrumar emprego, as Universidades ainda estavam em período de recesso e eu não tinha ninguém pra cuidar de mim.
E apesar de todos esses os problemas, não queria voltar. Eu havia adorado Seattle. O cheiro, as pessoas, o clima chuvoso... Tudo era tão diferente do que eu estava acostumada!
Peguei o jornal na base da minha cama e passei os olhos pelos anúncios pela décima vez. Os trabalhos de babá estavam pagando uma miséria e os de atendentes me davam calafrios. Eu era péssima em equilibrar coisas.
Suspirei alto. Adiei todas as formas de sequer pensar na possibilidade de trabalhar num bar pegajoso de esquina... Mas as minhas opções estavam esgotadas. Sinceramente, eu preferia ser confundida com uma garota de programa a ter que voltar a minha vida infernal no Brasil.
Coloquei minhas botas de salto e pus um cachecol marrom. Corri pelas avenidas porque não tinha dinheiro para um taxi, e a entrevista começava às dezessete horas. Faltavam apenas 15 minutos.
Cheguei aos portões bem a tempo, respirando alto e de bochechas vermelhas. Não me importei tanto, teria tempo para me recuperar enquanto esperava na fila imensa de garotas que se fazia do lado de fora.
Então eu estava enganada. Não era um boteco nojento, mas um ambiente requintado que se prestava aos mesmos serviços de embriagar seus fregueses. Ricos, afinal de contas. Pelos carros estacionados nas vagas, pude ver que eram bêbados de classe. Que engraçado.
- Próxima!
Ouvi um homem alto chamar e olhar diretamente em meus olhos. Em minhas confusões mentais, demorei a perceber que minha vez tinha chegado.
Eu o segui pelo corredor iluminado e logo entramos numa sala. Era bonita, ampla e bem decorada. Quem diria. Eu estava novamente surpresa com a boa aparência daquele... Bar.
- Então, senhorita...
- Fernandes – me apressei em dizer. – Prazer.
- O prazer é todo meu. – ele sorriu. – Sou Damien Soratti. Parece que não somos daqui.
- Verdade. Sou do Brasil... E você?
Sei que a entrevistada era EU, mas a curiosidade falou mais alto. Damien era tão lindo! Seus olhos pretos, pele branca, cabelos sedosos e barba cerrada. Um homem alto e robusto, atraente. E tinha um riso de canto para falar comigo, puro flerte.
- Itália. Mas moro aqui a muitos anos, de modo que já quase me vejo como integrante da população norte-americana. Mas voltando a você... Porque tem esse emprego em mente?
- Estou precisando. – fiquei vermelha ao admitir. – Nunca trabalhei num lugar como esse, mas não posso mais me dar ao luxo de escolher.
- Nunca fez nada parecido com o que fazemos aqui?
- O que... – minha voz foi se perdendo. Será que as mulheres que trabalhavam aqui não eram bartenders, mas sim prostitutas de luxo?
- O Sosha é um clube famoso, . Em especial porque nossas garçonetes costumam fazer um show no fim da noite. Nossos clientes costumam esperar até quase ao amanhecer apenas pela performance final.
- E que tipo de apresentação é essa? Não sou muito boa com... Artes. – suspirei e me levantei da cadeira. – Desculpe, me enganei. Acho que esse serviço não é pra mim.
Dei dois passos até a porta, mas estanquei ao ouvir meu nome ser chamado novamente. Será que eu tinha sido rude? Não pude evitar... Fiquei assustada e quis correr quando percebi a gravidade da situação em que tinha me metido.
- Trata-se somente de canto ou dança, se encaixará no que fizer melhor. – ele se levantou e segurou meu pulso delicadamente. – Estou muito interessado em você, posso dobrar o seu salário, se resolver trabalhar conosco.
- Mas eu sou uma novata. Quer dizer, o dobro da remuneração? Porque pagaria isso tudo a uma iniciante?
- A beleza conta. –seus olhos brilharam, e enrubesci novamente. – Nunca vi alguém como você. Sei que pode se sair bem, as garotas te ajudarão.
- Tudo bem.
Ele me soltou, com um sorriso torto ainda preenchendo seu rosto. Convencer-me não tinha sido tão difícil. Eram tantas dívidas e problemas... Meu visto seria cancelado se eu não limpasse meu nome depressa.
- Só tenho uma pergunta, senhor Sorati.
Ele voltou a sentar na cadeira marfim e a me encarar. Seus lábios vermelhos se entreabriram e ele indicou o assento com a mão, sem se pronunciar.
- Bem, me desculpe se vou ofendê-lo, mas não tenho muito conhecimento sobre o ramo. – o jato de palavras irrompeu por minha boca. – As meninas apenas dançam ou...
Ele ergueu a sobrancelha e girou a caneta pelos dedos, num gesto provocativo e ao mesmo tempo divertido. Minha nossa, com um chefe daqueles, eu seria a empregada mais feliz de Seattle.
- O que exatamente quer dizer, Srta. Fernandes?
Ah meu deus, ele queria que eu dissesse. As palavras exatas.
- Bem... Elas... Elas se prestam a trabalhos mais...
- Se elas são acompanhantes noturnas? Não, não trabalhamos com isso. Mas devo avisar que as roupas de vocês são apertadas e chamativas. A imagem de vocês é o marketing, a linguagem corporal é o ofício, em si. É tarefa de todas entreter nossos clientes, e apenas isso. Nós todos costumamos chamá-las de gueixas, pois minhas garotas não trabalham com sexo. Podem chegar a flertar, mas seus clientes sabem que não irá passar disso. – ele sorriu largamente. - A tradução literal para Gueixa é "artista" ou mesmo "entertainer".
- Entendo. – Balancei a cabeça, muito mais encorajada a permanecer e fechar contrato.
- Então, o que me diz? Seis horas no dia, cinco vezes na semana... 2.200 dólares.
Minha boca se abriu num formato de “o” perfeito. Era muito mais dinheiro do que eu imaginava e ao contrário do que pensei, passava longe de trabalho escravo. Será que havia alguma piadinha por trás de tudo? Um emprego tão bom assim era impossível!
- É mais do que eu esperava! – acabei sorrindo, em meio a tanta surpresa.
- Eu dobrei, lembra? E o resto é um bônus, por você ser tão linda. – ele coçou o queixo. – Mas não conte a ninguém, as calouras não ganham isso.
- Pode deixar.
Passei a mão pela boca como se fechasse um zíper e Damien gargalhou alto por alguns instantes, antes de se recompor.
- Tem outro ponto... Se seu desempenho melhorar, seu salário aumenta. E pra finalizar, você começa hoje.
- Hoje? E as roupas? – arregalei os olhos.
- Não se preocupe. O seu trabalho é chegar até aqui, temos uma equipe que cuida do visual. Esteja no Sosha as 20:00 horas, e não se atrase.
- Sim senhor! – fiz o mesmo que ele, e então nos cumprimentamos.
- Me chame de Damien, não faça eu me sentir um velho.
Oh não, ele estava longe disso. Um modelo da Calvin Klein se envergonharia diante de tanta beleza. Era difícil até colocar os olhos nele só para ter que desviá-los depois.
- Tudo bem. Obrigada por tudo Damien, foi realmente um prazer conhecê-lo.
- Não. – ele beijou minha mão, antes que nos afastássemos por completo. – Como eu havia dito antes, o prazer foi unicamente meu.
Arrepiei-me da cabeça aos pés. Que homem era aquele? Sorri sozinha enquanto encarava novamente a tarde chuvosa de Washington. Engraçado como tinha conseguido a vaga sem mostrar sequer um currículo. Havia algo de estranho ali... Algo que eu jamais questionaria.
Com 2.200 dólares na conta e um chefe daqueles, eu poderia sim ficar com minha linda boquinha fechada.
Emmet POV
- Quer dizer que vamos procurar a mãe do meu filho num Prostíbulo?
- Emmet, EU serei a mãe do seu filho. Você precisa entender que a mulher que eu escolher apenas gerará a criança!
Eu raramente ficava nervoso, mas ultimamente, essas loucuras de Rosálie estavam me fazendo parecer um velho rabugento de 100 anos. E, ironicamente, era quase a minha idade literal.
- Ah, apenas isso, entendi. – ironizei. – Parece esquecer que essa mulher que “apenas” gerará a criança provavelmente morrerá tentando realizar um sonho que nem é dela!
- Eu achei que tínhamos entrado em um consenso ontem.
- Eu disse que podia começar a procurar, mas não sabia que iria ao primeiro boteco de esquina. Pode parecer simples para você, mas é algo difícil para mim. – suspirei. – Não estou preocupada com a aparência da mulher, mas quero alguém decente.
- Primeiro... Desde quando liga para o caráter de humanos? – ela colocou as mãos na cintura. – Segundo, não estamos a procura de uma vadia qualquer, eu pesquisei sobre o lugar. É uma casa de shows, só isso.
- Não estou interessado nos valores deles quando não fazem parte da minha vida, mas se vou ter que transar com a pessoa em questão, aí a coisa fica diferente.
- Quer dizer que quer que vou ter que achar uma garota inteligente, carinhosa e divertida? ACORDA Emmet, você só precisa meter nela, só isso.
Recuei alguns passos. Quando é que ela tinha se tornado tão fria e calculista? Quando tinha passado a falar de humanos como se fossem objetos?
- Olha, desculpa... Eu só estou meio nervosa com isso tudo. Quer dizer, eu sei que não sou mais a mesma de antigamente, mas prometo que a situação vai mudar, assim que tivermos nosso bebe tudo ficará bem.
Rosalie foi se desculpando rapidamente, mas meu olhar assustado continuava sobre ela. Ainda não estava acreditando que ela pudesse falar de uma pessoa daquele jeito tão... Tão perverso.
- Me perdoa, por favor? – ela suplicou novamente.
- Tudo bem.
Virei as costas e subi para nosso quarto velozmente, sem dar a ela a chance de se aproximar de novo. Se eu queria abraçá-la ou beijá-la? Nunca quis menos.
Sentei no parapeito da janela e apreciei a imagem do sol sumindo a oeste. As arvores estavam calmas e tudo muito silencioso. Estava sentindo muita falta dos meus irmãos, que haviam ido passar uma temporada com Edward e Bella, no Alasca.
Se eles estivessem por aqui, não pensariam duas vezes em impedir Rose de tal loucura. Se bem que, conheço-a o bastante para afirmar que ela procuraria apoio em qualquer outro lugar. Minha mulher é obstinada e teimosa, de modo que enfrentaria a todos nós pela realização de seu sonho.
Ouvi seus passos pelo corredor e me preparei para o quer que estivesse prestes a vir de sua boca. Mas ela ficou calada por um tempo, apenas me observando, escorada no batente da porta.
- E então, você irá comigo, hoje?
Encarei seu belo rosto, com traços de culpa e tristeza.
Bom, de repente sair e ver humanos cheios de vida, felizes... a faça mudar de idéia. Talvez ela lembre do que perdeu quando Carlisle lhe transformou, e repense seus objetivos.
- Me arrumo em dois minutos. – ela sorriu.
Sim, eu iria para mostrar a ela que tipo de atrocidade ela estava prestes a cometer. É meu dever, como marido, salvá-la da insanidade total.
N/A: Oi gatinhas, gostaram da Att? Prontas para serem dançarinas de um clube rico e famoso? KKKKKK Que idéia Maluca, né?! E quem aí já adivinhou o que o Damien é? Espertas, essas minhas leitoras :D
Bem, por enquanto é só isso. Espero que estejam gostando, espero que continuem acompanhando e espero (MUITO) que comentem E não fiquem preocupadas, a personaliade brincalhona de Emmet aparecerá assim que a chata da Rosalie estiver fora e cena!kkkkkk Beijos:**
Capítulo 3
Mal tive tempo para respirar. Cheguei ao Sosha Club e antes que pudesse cumprimentar e conhecer a todos, um cara meio afeminado me puxou e me jogou (sem nenhum exagero) contra uma cadeira acolchoada.
Abri a boca, levemente espantada.
- Querida, sou Jean, seu maquiador. Minha missão é deixar esse rostinho lindo ainda mais impecável, todos os dias.
Só então dei uma olhada em tudo que estava ao meu redor. Paletas enormes, pincéis, glitter de variadas cores. Eu demoraria anos para adquirir todo aquele tesouro.
- Antes de qualquer outra tarefa, é aqui que tem que se sentar antes de passear pelo clube, e assim que eu terminar, você tem que ir vestir sua roupa. É só depois disso que seu trabalho começa.
- Eu escolho minhas roupas ? – perguntei e ele me olhou de forma estranha.
- Fofa, toda semana é um tema diferente. Nós temos estilistas e costureiras, eles farão roupas para você e escolherão o que terá que usar. Só terá que se preocupar com a parte artística.
- E... Qual é o tema de hoje?
- Países! Eu simplesmente a-d-o-r-e-i! – Ele soletrou entusiasmado e eu ri de leve. – Não vejo a hora de produzir a Senhorita frança!
Jean passou uma base em minha pele rapidamente e aproveitando seu recente estado de bom humor, pus-me a fazer outras perguntas.
- E o que eu nós vamos dançar?
- Ai, odeio essa mania do Damien Delícia explicar o trabalho pelas metades... Bem, você não vai participar da coreografia hoje. Como é novata, apenas será apresentada a linda machaiada do Sosha! Já escolheu um codinome interessante? Usar o nome verdadeiro não é uma boa. Esse pessoal pode te perseguir, foi o que aconteceu com Judith mês passado.
- O que aconteceu a ela? – arfei, quase fazendo com que ele errasse a passagem da sombra sob minhas pálpebras.
– Nada que precise saber por enquanto. - Jean rolou os olhos teatralmente. – Agora escute bem como deverá ser a sua apresentação: Em primeiro lugar, você fará uma entrada triunfal. Desfilará no meio de todas as outras garotas e na ponta do palco, rebolará um pouquinho, só pra fazer a alegria dos rapazes.
- Minha nossa, vou ter que fazer isso sozinha?
- Helloooo?! Hoje você é a atração principal, a novata bonita que vai incendiar a platéia com sua roupinha de senhorita EUA! É claro que todos os holofotes estarão sobre você. Toda caloura tem que ter seu dia de glória.
- Bem, eu posso recusar isso? – ele me olhou de cara feia no mesmo segundo. – Tá, tudo bem, já entendi!
- Ótimo, agora fica quieta, que eu preciso terminar esse make depressa. Outras meninas estão esperando.
- Posso fazer só mais uma perguntinha ? – juntei as mãos em sinal de oração e Jean bufou.
- Só mais uma, Hooney. – ele pôs as mãos na cintura e balançou a perna impacientemente. – Vamos, desembuche!
- Porque eu vou representar um país que não é originalmente o meu?
- E você não é daqui?
- Sou do Brasil Jean.
- Agora sim entendi esse seu corpão! – ele sorriu e abanou o ar. – Não sei quem foi o idiota que escolheu um país pra você sem olhar sua ficha, teria sido interessante se representasse sua verdadeira nação ... Mas já foi, passou! Ser a miss EUA vai te promover mesmo assim. Inclusive, o fato de ser a garota nova vestindo a bandeira estrelada que eles tanto veneram vai fazer seu nome ser o mais escutado pelos próximos dias!
Emmet POV
Não parecia um lugar tão ruim, pelo menos não era tão depravado quanto eu pensava. A maioria dos homens usava terno e gravata e conversavam entre si enquanto tomavam algumas doses. Era quase como um happy hour depois de um dia longo de trabalho.
Sentei-me numa poltrona macia ao lado de Rosalie, que parecia procurar alguém naquele amplo salão.
- Ela ainda não está aqui. – ela franziu a testa. – Mas eu a vi fechando contrato com aquele vampiro, e eles combinaram que ela viria hoje.
- Não se preocupe, não é como se fossemos dormir de tão cansados caso ela demore a aparecer. – pisquei com apenas um olho. – Logo, logo a garota dá as caras.
Ela sorriu de leve, mas ainda mantinha uma expressão tensa no rosto. Ignorei aquilo e comecei a observar novamente as pessoas que freqüentavam aquele lugar.
Também podia-se ver mulheres sentadas em alguns cantos, a maioria delas desacompanhadas e muito bonitas, por sinal. Será que apenas vinham ver o show ou estavam esperando “humildemente” que um cara muito rico as abordasse?
Claro que a última opção era a mais válida, afinal, as interesseiras tinham encontrado o ambiente perfeito para buscar seu par ideal: um idiota qualquer com o bolso cheio de dinheiro. Então elas apenas ficavam espalhadas por aí usando aquele olhar que eu uso para caçar um urso.
Do outro lado do bar, predominavam homens fumando charutos e falando sobre negócios. As garçonetes com roupas pequenas mal chamavam sua atenção. Aqueles sim eram, sem dúvida, mais comprometidos com o trabalho do que com a própria vida.
E no centro, perto do palco, estavam homens robustos e elegantes, tão ricos quanto os fumantes... Mas ao contrário daqueles, se mantinham bem mais ávidos na espera do espetáculo final, no qual, segundo Rose, mulheres atraentes dançavam, cantavam e as vezes até encenavam.
Se eu estava empolgado com isso? Nenhum pouco. Mas toda aquela vitalidade faria minha mulher pensar melhor. Meninas cheias de sonhos, ainda no começo da vida, lutando por dinheiro, fama, ou talvez apenas por um trabalho melhor. Seria bom se Rosalie enxergasse a humanidade em cada uma delas, e então desistisse de matar aquilo que essas pessoas têm de melhor e mais valioso, a própria alma.
Meus pensamentos NUNCA antes tão filosóficos foram interrompidos por uma musica animada e de batida forte. Os rapazes se empertigaram em suas cadeiras e algumas mulheres se levantaram e rumaram a saída, aceitando o fato de que aquele não era mesmo um de seus dias de sorte. Afinal, depois que o show começasse, suas chances (já pequenas) de arrumar um bom partido iam embora num estalar de dedos, pois todas as atenções do lugar se voltaram para o enorme palco, onde uma luz branca pairou.
Eu gargalhei quando uma garota entrou, usando um chapéu enorme na cabeça. Algumas pessoas se assustaram com minha risada estrondosa, e aquilo só me fez achar tudo mais engraçado.
- Senhorita México!
A platéia aplaudiu e eu cruzei os braços, ainda rindo. Aquilo era pra ser sexy? Quem tinha escolhido aquela roupa horrível? Alice teria pirado. Até eu que não entendo nada de moda sei que...
Parei de falar quando ela retirou aquele manto longo, revelando então um top com a bandeira do país e uma saia de couro marrom, quase indígena. É, aquilo estava bem melhor!
Inclinei-me e sorri com uma animação crescente, que foi embora quase no mesmo segundo, quando Rosalie me deu um tapa que teria quebrado alguns ossos, se eu fosse humano.
- Pode ir tirando seu cavalinho da chuva. Se pensa que vai ficar babando por outras mulheres na minha frente, está muito enganado Emmet Cullen!
Sorri novamente e agarrei Rose de lado, mesmo que ela se recusasse a desfazer os braços cruzados sobre o peito. E aquela cara de brava? Era um biquinho bem lindo.
- Vamos Rose, eu só fiquei surpreso, só isso!
Continuei rindo, mas havia claramente a deixado irritada. Logo, conclui que não devia deixar transparecer nem a mínima felicidade em estar ali, ou ela arrancaria meus olhos em breve. Então assisti as meninas entrarem, país por país, sem sequer respirar mais forte, embora estivesse vibrando por dentro. Aquilo era diversão. Uma diversão humana tão boa e interessante, que nunca pensei que existisse.
Pensando nisso, quase deixei passar desapercebido o momento em que as luzes diminuíram e o som do hino norte americano começou a tocar ao fundo. Com o canto dos olhos, pude ver Rosalie inflar as narinas.
- Aí vem a nossa garota. – Ela sibilou, mas não tirei os olhos do palco.
Uma sombra envolvente surgia, entre todas aquelas meninas enfileiradas, representando 24 países, 12 de cada lado. Percebi, com minha visão aguçada, que seu cabelo era longo e sua pele muito alva, mesmo que todos apenas estivessem vendo apenas fumaça e uma leve miragem da garota.
- E aí vem ela, nossa nova Gueisha! Julie Shot, representando os Estados Unidos da América!
O silêncio, antes tão intenso, logo foi substituído por palmas animadas e assovios esganiçados. Eu apenas fiquei mais curioso. Ela parecia tão misteriosa, quem era aquela linda garota?
(N/A: Coloquem pra tocar!)
http://www.youtube.com/watch?v=mFerLNdpwO4As luzes se acenderam novamente, e uma musica alegre começou a tocar, tipicamente americana. Os homens, nem precisaria dizer, quase deliraram ao ver quantas curvas voluptuosas aquela mulher tinha. Era fora do normal,fora da realiade. Um rosto tão angelical e um corpo tão... tão...
- GOSTOSAAAA! – um cara gritou da platéia, e ela pareceu ainda mais assustada do que no começo.
Qual é? Estava na cara que ela não sabia o que fazer. Uma das colegas até tentou ajudar. A senhorita Uruguai estava fazendo sinais meio estranhos. Ninguém entenderia, mas eu percebi que ela estava mandando a garota levantar os braços e rebolar.
Os assovios continuaram, os caras começaram a gritar para que ela dançasse. Eu vi o exato momento em que ela respirou fundo, e tomou uma decisão.
Terminou de desfilar entre as meninas, parou na ponta do palco, jogou os braços para cima e os quadris de um lado para o outro. Um movimento simples, e totalmente hipnotizante.
Alguns finalmente calaram a boca, hipnotizados com tanta beleza. Julie se aproveitou do momento para andar até o lado esquerdo e se inclinar, passando a mão na perna grossa, enquanto subia devagar. Alguns engoliram a seco, eu apenas sorri.
Então a música começou a se tornar mais animada, e ela entrou no ritmo no mesmo instante. Usando todo o perímetro, encarando a todos com uma face misteriosa, usando braços e pernas para nos entreter. Todos estavam quase... Bem, daquele jeito. Era difícil manter o raciocínio, quem dirá o controle sobre algumas partes do corpo.
No final do espetáculo, toas invadiram o palco, cantando, dançando, passando a mão nos mais próximos. E antes que eu pudesse me dar conta, as luzes se apagaram e a cortina desceu.
- Já acabou? – arfei.
Rose sorriu, e era um sorriso diabólico de quem tinha ganhado uma guerra. Ela viu que entre minhas pernas, o volume era visível.
- Não Emmet, acabou de começar. Já sinto que você está nessa comigo!
Droga.
N/A: Minhas gatas, me desculpem pela demora. Falta criatividade, falta tempo, falta tudo! kkkkkkkkkkk Me deixem recadinhos pra ver se a situação melhora,pleeease! Beijos:**
Capítulo 4
Emmett POV
Nós chegamos em casa em dois minutos, e me pareceu que a corrida havia durado horas. Rosalie falava comigo, mas eu estava concentrado naquelas curvas, naquele rosto, naquele sorriso.
- E então, está disposto a ir amanhã? Temos que colocar o nosso plano em prática.
- Hã? Plano?
- Emmet. – ela elevou o tom de voz. – Você não ouviu nada do que eu disse? Pra que serve essa sua super audição?
- Bem... – se eu fosse humano, teria ficado corado. – Eu só estava pensando em outras coisas.
- Em que?
- Bem... Pensando que o que vamos fazer não é certo, ela é apenas uma garota.
Tudo bem, não era exatamente isso o que se passava pela minha cabeça, eu só estava tentando fazê-la acreditar que não tinha visto nada demais na senhorita EUA. Mas tendo proferido tais palavras, mesmo que por acaso, acabei lembrando do quanto éramos um casal ridículo.
Iamos mesmo tirar a vida de uma humana inocente?
- Ela é linda Emmett, você mesmo viu e aprovou. – Rose deu um de seus sorrisos velados. – Ela vai gostar de ser imortal, pois terá todos os homens aos seus pés.
- Ela já tem isso. Não há nada de incrível que possamos oferecer. Não vê que a menina já tem tudo?
- Não tudo. Todo mundo tem um preço, amor. Vou descobrir o que ela quer. Eu darei qualquer coisa para que seja minha... Barriga de aluguel.
E essas são as palavras horríveis de Rosalie Hale. Alguém é capaz de me dizer por que um cara tão na paz e brincalhão como eu é casado com a réplica da noiva do Chuck?
- Que situação sinistra. – observei seu olhar tinhoso enquanto sentava na poltrona da sala.- O que pretende fazer amanhã?
- Você vai ao clube de novo. Eu vou trancá-la em uma sala e você a salvará. Tudo tem que parecer coincidência, pois quero que ela confie em você.
- E como vai fazer isso? Sabe que tem outro vampiro lá dentro, não sabe? Ele nos detectará facilmente.
- Eu conversei discretamente com Damien mais cedo, antes de te levar lá. Ele já entendeu que estamos de olho na garota e que pagaremos o que for por uma aproximação mais concreta.
- Como é?
- O vampiro é um mercenário. Ele se importa com as garotas, mas se preocupa ainda mais com dinheiro. Damien facilitará o nosso acesso a ela, se molharmos o bolso dele com freqüência.
- Você contou porque a queremos tanto?
- Não! Correriamos sério risco se isso chegasse ao conhecimento dele Em... nunca poderemos tocar no assunto enquando estivermos no clube.
- Tudo bem. – abaixei a cabeça. – Vou tomar cuidado.
- Isso, haja com cautela. Apenas mostre que tem grande interesse na garota. Esse é o meu pretexto, você quer que ela seja sua protegida. E por falar nisso, ele acha que somos só amigos.
- Por isso nem quis segurar na minha mão hoje. – finalmente entendi algumas atitudes de Rose durante o show no tal Sosha. – Mas ainda não entendi essa história de protegida. O que quer dizer com isso? Do que ela precisa ser protegida? Nós somos o único perigo por perto, querida.
- Ah Emmet, você deve saber que as Gueishas não se prostituem... Mas a maior parte delas tem um protetor.
- Nunca fui bom em história, ainda mais se for japonesa. Diga-me de uma vez o que significa ter um protetor.
- Elas costumam ter um único amante por toda a vida... Ganhando em troca dinheiro, casa, proteção. O protetor ganha sexo, afetividade e exclusividade total, se der a sua escolhida uma vida de luxo. Esses riquinhos se apaixonam por essas pobres dançarinas.
- Exclusividade total? Se é assim, porque não se casam?
- Você se casaria com uma prostituta? – torci o nariz. – Exatamente. E a situação complica ainda mais para eles, que são membros da alta sociedade e costumam se relacionar com quem já pertence a “realeza”. Os casamentos desses homens são meramente baseados em interesses.
- Então as Gueishas se contentam com o papel de amantes?
- Bem... As muitas que não tem nenhuma outra expectativa de vida juntam-se sim a um protetor, e isso é considerado a maior sorte de suas vidas. E algumas outras se apaixonam e não vêem outra saída, a não ser ceder.
- E como você sabe tudo isso?
- Além de perguntar algumas coisas para Damian, também conversei com um desses magnatas poderosos. Ele me viu um dia antes no Sosha e achando que eu era uma delas, fez o favor de me fazer uma proposta deplorável dessas... De ser meu protetor. Eu fingi que era nova e ele me explicou como funcionava.
Franzi o cenho no mesmo instante. Eu e Rose estávamos em crise, mas isso não significava que o amor ou o ciúmes tinha acabado. Eu queria quebrar o nojento que tinha degradado dessa forma a minha mulher.
- Não se preocupe... Mostrei minha aliança a ele e disse que não era uma das dançarinas. Ele ficou sem graça e saiu.
- Não foi o bastante.
- Queria que eu deslocasse o maxilar dele? Ora, Emmet. – ela gargalhou. – No começo eu não gostei, mas até que receber tal proposta foi interessante para minha alto estima. Fui dar uma volta no bar e ouvi algumas mulheres conversando... Elas diziam que eu era uma sortuda, pois várias delas já estavam ficando velhas e não recebiam proposta nenhuma.
- Não acredito que se sentiu lisongiada! – rosnei.
- Não fique com ciúmes, amor. Eu só tenho olhos pra você.
Capítulo 5
POV
- É garota... Admito você se saiu muito bem para o primeiro dia.
Uma voz fina e melódica surgiu de repente e me fez pular quase meio metro. Eu estava sozinha no camarim, tentando tirar todo aquele glitter do meu rosto. Achei que todas elas tinham ido embora, pelo menos era o que eu imaginava até segundos atrás.
- Obrigada. - respondi, totalmente desconcertada.
E por duas razões, para ser sincera. Primeiro porque o tom delicado que ela havia usado não condizia com aquela expressão de raiva. E depois... Ela era tão bonita que chegava a ser terrivelmente intimidante. Eu simplesmente não poderia tê-la visto entre as outras dançarinas. Se tivesse colocado os olhos nela, mesmo que apenas por dois segundos, eu teria lembrado para sempre daquela pele dourada, do rosto quadrado e dos olhos azuis. É o tipo de mulher que faz qualquer outra se sentir um lixo, sem dizer uma única palavra.
- Meu nome é Selene. Eu seria a Miss EUA hoje, mas tive alguns probleminhas pessoais.
- Que pena.
Foi tudo o que consegui dizer. Eu estava petrificada, em estado geral de demência. Não me mexia, não falava mais que duas palavras e evitava até piscar. As coisas só pioraram quando ela começou a circular em volta de mim como uma leoa perigosa.
- Não vai acontecer de novo. Meu trabalho vem sempre em primeiro lugar.
- É, e-eu imagino que sim.
- Sou uma das mais antigas no Sosha, logo vai se acostumar com a minha presença e com minhas regras.
- Suas regras? – franzi as sobrancelhas.
- Sim, querida. Eu sou a garota que mais gera lucros para Damien... E já que sou a melhor e a preferida, tenho algumas regalias. – ela sorriu, mas me pareceu diabólico ao invés de meigo. – E algumas restrições.
- E quais são elas?
Por algum motivo, eu sabia que não eram nada boas.
- Para você eu só tenho uma... Fique longe dos meus clientes mais ricos. Se tentar o Time Of com Rachmaninov, Ralph Miller ou Chris... Eu acabo com sua vida. Entendeu?
- Não! Sim... Quer dizer, eu não quero te prejudicar de forma nenhuma, só que nem mesmo sei o que é “Time Of”. Eu realmente não fui apresentada a esse termo.
- Ah meu Deus! Damien ainda não te contou como é que algumas de nós ficam muito ricas? Talvez ele não queira você participando da grade oficial – Ela sorriu – Não sei por que me preocupei contigo, novata. Tá por fora do que rola por aqui, não é? Tanto faz... Qualquer dia você descobre.
- Não vai me contar?
- Descubra sozinha. – ela acenou, já de costas.
De boca aberta, assisti Selene sair rebolando o quadril largo. Seria um problema e tanto se a cintura dela não fosse tão fina. Quantas costelas a megera teria tirado?
- Que inferno. O que mais eu vou ter que descobrir sobre esse trabalho?! – Praguejei, enquanto pegava minhas coisas e andava pelo corredor.
Demian me explicaria essa história de Time Of ainda hoje.
N/A: Holaaa chicas! Olha só, att duplaaaa!!!! Eu sei que por enquanto está chato e parado, mas preciso mostrar a vocês como funciona o Sosha, para que depois entendam os próximos acontecimentos. Estou preparando o terreno para a atualização número 6 >< Qualquer dúvida é só perguntar nos comentários, e falando nisso... COMENTEEEEEEM, EU AMO COMENTÁRIOS. Beijos pra quem está curtindo ser a escolhida :**
Capítulo 6
Cheguei até a sala do chefe e não hesitei em bater na porta algumas vezes, mesmo depois de ver uma plaquinha de ‘Não Perturbe’. Não me importava que ele estivesse ocupado, hoje mesmo eu ia saber tudinho que ele estava escondendo de mim.
- Só um instante. – ouvi alguns ruídos leves. – Entre .
E então duas coisas me perturbaram. O ‘instante dele’ levou apenas dois segundos e... Como diabos ele sabia que era eu quem estava batendo na porta?
- Olá Damien, me desculpe por interromper – coloquei só a cabeça para dentro. – o que quer que esteja fazendo.
Que no caso, parecia ser nada. Ninguém além dele estava lá dentro, e todos os objetos do escritório estavam perfeitamente arrumados e em ordem.
- Eu ia fazer uma ligação importante, mas posso adiar por você: Minha mais nova integrante e arrebatadora de corações. Estou fascinado com o seu trabalho , e esse foi só o seu primeiro dia.
- Ah, é justamente sobre o trabalho que quero conversar, claro. – ele me incentivou a continuar com um belo sorriso italiano, daqueles bem alegres. – É que o senhor não me contou tudo. Sua dançarina, Selene, me veio com uns termos que eu sinceramente não...
- Entende?
- Exatamente. E se me permite dizer, são palavras que não me empolgam nenhum pouco. Ela quis insinuar que nós podemos ficar ricas fazendo horário extra, e isso me pegou de surpresa, já que não faço idéia do que isso significa aqui dentro.
- Em primeiro lugar, eu avisei que não gostaria de ser chamado de senhor por você, e em segundo... Eu lhe dei minha palavra de que nossas mulheres não se prostituem.
- Mas então o que é que nós fazemos nesse Time Of?
Ele coçou o queixo levemente, de um jeito sério, mas que me fez duvidar sobre seus sentimentos. Parecia mais estar tendo divertimento diante de si, ao invés de um pequeno problema.
- É com isso que está preocupada? Ora, esse é o mais inofensivo dos programas que nossas gueixas podem oferecer. Trata-se apenas de um tempo a sós com o cliente, no qual ele pode escolher que você dance, cante ou apenas converse com ele. E acredite, pagam muito bem por isso.
- Muito bem... Quanto?
- Dez minutos sai por 1.000 dólares. – Damien se deliciou com meu espanto repentino.
- Mas isso é quase metade do que ganho aqui, e POR MÊS!
Não pude evitar que minha voz falhasse, afinal, que tipo de pessoa ganhava tanto dinheiro enquanto o ponteiro dos minutos andava duas miseras casas? Me parecia até injusto ganhar tanto quando todo o resto do país tinha que se virar até em dois empregos para pagar suas próprias dividas.
- Não pode estar falando sério...
- É claro que estou. – Ele parou de sorrir e se recostou sobre a poltrona. – E ainda digo mais, você já tem cinco clientes para receber até domingo, cabe a você decidir se vai ou não atendê-los.
- Cinco? – meu tom novamente se elevou uns sete oitavos, de modo que nem reconheci minha voz.
- Como eu havia dito antes, você fez sucesso na casa querida, todos eles querem um tempo a sós contigo. Infelizmente só podemos encaixar cinco para cada semana, de modo que tivemos que fazer uma lista de espera, e então você tem as próximas quatro semanas já preenchidas... Lotadas. Isso é, caso queira entrar no esquema do time of, você tem 20 clientes esperando. Faça as contas.
- Vinte mil dólares em um mês?
- Exato. Mas não se esqueça que os clientes pertencem ao clube, por assim dizer... Então vinte por cento desse dinheiro fica no Sosha.
- Parece razoável.
- Incrivelmente razoável. – ele voltou a rir. – E então, o que me diz? Pode atender seu primeiro cliente ainda hoje?
- O que?
- Bom, você é quem sabe. O rapaz está ansioso para falar com a miss EUA, e acho que dez minutos a mais não te deixarão tão cansada.
- Você tem razão. – suspirei. – Onde essas pequenas ‘reuniões’ acontecem?
- Temos algumas salas no corredor T. Já colocamos seu nome em uma delas, de forma que o lugar te pertence... E tudo o que tiver que fazer com o cliente deverá ser feito lá. Entendeu?
- Sim, entendi. – comecei a dar passos incertos para trás. – Damien, qual é o nome do meu primeiro cliente?
- Emmett Cullen.
Capítulo 7
EMMETT POV
Eu, sinceramente, não entendia Rosalie.
Primeiro ela tinha dito que iríamos ao clube no dia seguinte, onde ela trancaria a garota numa sala, para que eu depois aparecesse heroicamente e a salvasse. Ridículo. Mas então mudou de idéia de uma hora para outra, e disse que devíamos tentar contato antes que qualquer outro milionário. Pra, você sabe, levar vantagem inicial.
- E depois de pensar nisso, você simplesmente decidiu colocar meu nome numa lista de espera? – bufei e rolei os olhos. – E pra piorar, subornou o cara para que ele me deixasse ser o primeiro?
- Emmett, tinha sete homens na sua frente. E se por acaso ela se apaixona por um deles? Já percebeu como todos são bonitos e ricos? Ela é uma garota nova, se encantará com qualquer rapaz que puder lhe pagar um cafezinho de esquina.
- Sabe... Parece que você está montando uma estratégia militar. Fala a verdade, você serviu ao exercito quando era humana e escondeu isso de todos nós, não é?
- Ugh, claro que não Em! Só estou garantindo que a nossa menina não se desvie do próprio destino.
- Destino? – abanei o ar. – Ela não tem mais destino desde que resolvemos interferir na vida DELA.
- Já chega dessa conversa, de novo não. – ela se levantou e apontou para o quarto. – Já está quase na hora, coloque uma camisa mais bonitinha, pelo amor de deus.
- Não gosta das minhas? Agora você me chateou. – fiz cara de cachorro perdido.
- Amor, eu adoro suas blusas básicas, mas queria que vestisse algo mais sexy. Que tá uma camisa social preta, dobrada até os cotovelos? Está em cima da sua cama, ande depressa.
Adoro quando ela me dá opções.
Subi numa fração de segundos e coloquei a tal camisa, combinando-a com uma calça jeans, também escura. No final das contas, tinha mesmo ficado charmoso. Percebi isso quando vi os olhos de Rose brilharem.
- Ursão... Depois de te ver, ela não vai querer mais ninguém.
Engraçado minha esposa dizer uma frase dessas. Não é o tipo de coisa que ela diria mais de uma vez na vida. Entregando-me de mão beijada para uma bela garota? Bom, ela que não reclame depois.
POV
Depois de caprichar na maquiagem em tempo Record, ajeitei o corpete vermelho e a saia preta que me lembrava um tutu. Eu poderia ter ido com a roupa de miss EUA, mas com aquelas roupas lindas no meu camarim... Oh, eu poderia vestir algo diferente todos os dias ao invés de ficar repetindo trajes. E além disso, Jean tinha me falado que tudo isso é um show, e até as garotas do clube deveriam encarnar personagens.
Hoje eu diria que estava interpretando uma bela lady de um cabaret luxuoso, por causa do colar de rubis e ouro em meu pescoço. Mas pensando bem, eu também poderia ser uma vampira, com aquela sombra preta e a pele tão branca.
Lady cabaret ou vampira, eu estava finalmente pronta. E desejando ansiosamente que esses dez minutos voassem, para o meu próprio bem. Eu tinha um lado um tanto quanto tímido, de modo que sei muito bem que dançaria de braços grudados ao corpo, por causa da vergonha. Afinal, seria eu e um estranho, numa sala.
- Que seja rápido e indolor. – falei para mim mesma no espelho, e me dirigi ao corredor T.
Não foi difícil de encontrar a minha sala. Depois de dois minutos eu estava parada na frente dela respirando fundo. Ele já devia estar lá, pelo menos Damien havia comentado que ele estaria esperando.
Então, abri o trinco numa pressa angustiante. E, minha nossa, me surpreendi com o que estava lá. Aquela beleza não era real. Eu simplesmente não conseguia imaginar porque um cara como ele gastaria 1.000 doláres para ter dez minutos comigo. Quer dizer, ele poderia seduzir Angelina Jolie, se quisesse.
Mesmo sentado, eu poderia dizer que a criatura era grande. E não me refiro só a altura, o homem tinha um peitoral largo e definido, que preenchia toda a camisa social. Seus braços eram longos e fortes, sua pele branca como gesso. E os olhos... Que olhos. Castanhos líquidos, provavelmente como bronze derretido. Eu... Eu sim é que deveria pagar tanto para ter um tempinho com ele.
Afinal, porque meu trabalho é tão empolgante?
- Oi.
Ele disse, quando notou que eu abri a boca diversas vezes, mas não era capaz de dizer nada. Bom, eu ainda estava analisando o cabelo curto, o sorriso brincalhão e os traços perfeitos. Quem poderia me culpar?
- Olá. – percebi minha voz tremer. – Senhor Cullen.
- Como é o seu nome?
Obviamente eu lhe diria o falso.
- Julie. – eu sorri, mas devido ao nervosismo, devo ter feito uma careta. – Como posso... Te entreter senhor?
- Para começar, pode me chamar de Emmet.
- Certo, e depois? – Ainda dava para ver que eu estava totalmente insegura, então tentei me livrar disso antes que ele achasse que eu tinha problemas mentais.
- Eu quero que dance.
- Como quiser.
A sala não era tão grande, mas tinha tudo o que deveria ter para um showzinho particular. Uma mesa com um mastro de pollydance (o que me faria parecer uma prostituta, mas tudo bem), o som ambiente que poderia ser aumentado caso eu quisesse, pois era só apertar um dos botões acoplados na parede, e é claro... Um sofá bem bonito de couro, que ia de um canto a outro. Emmet estava jogado lá, como quem não quer nada.
Rodei um dos botões para a direita e a música preencheu com mais força o ambiente. Pussycatdolls, buttons. Não era uma música perfeita para um streap-tease?
Mexi os quadris de um lado para outro, sorrindo de lado ao perceber que ele estava envolvido em cada curva do meu corpo. Usei isso a meu próprio favor, subindo e descendo, virando e rebolando até que ele fez um sinal. Que eu entendi. Não queria ter entendido, mas entendi.
Era um: Sobe.
E então, me apoiei no sofá para depois conseguir subir na mesa. Eu não me relacionava bem com altura, mas com ele me olhando daquele jeito, até esqueci do quão medrosa eu era. Se eu tinha medo de parecer uma puta? Agora era tarde. Eu estava rodando naquele troço de ferro, fazendo coisas com o corpo que não sabia que era capaz de fazer. Em outra vida, posso ter sido ginasta.
Pensando nisso, me virei de costas e rebolei até o chão, sentindo as pernas doerem. Resolvi levantar empinando o bumbum, sabendo que isso o animaria, e depois disso... Não sabia mais o que fazer. Estava trabalhando no total imprevisto.
Bem, isso até duas mãos me pegarem com força e me virarem de frente. Num momento eu estava em cima da mesa, e no outro... No colo do cara que havia acabado de conhecer, sentindo uma pressão enorme no baixo ventre. Eu não estava de short por baixo da saia, quando deveria estar.
- Eu não sou uma prostituta... – foi tudo que consegui dizer, devido ao choque.
Como diabos estávamos sobre o sofá, eu por cima dele? Quer dizer, como ele havia feito aquilo em um segundo?
- Eu sei que não. – ele apertou minha cintura e aumentou a fricção entre nossos corpos. – Mas eu não estou conseguindo me controlar.
Eu queria ter dado um tapa em sua face, mas tudo que fiz foi fechar os olhos. Ele era lindo, envolvente e super bem dotado. Nada passou despercebido por mim, nada. Senti sua mão se emaranhar em meu cabelo longo e sua boca em meu pescoço veio segundos depois. Eu senti um arrepio tremendo e suspirei ainda mais quando suas mãos apertaram minhas coxas... Um aperto de ferro. Olhei para baixo, só para ter certeza de que ele não havia arrancado um pedaço de minha carne.
- Emmett, nós não podemos fazer nada do tipo aqui.
- Em outro lugar então? – ele sussurrou em meu ouvido.
- Estou lhe dizendo, eu não sou uma garota de programa.
- Eu sei que não é. – ele arfou. – Se quiser que eu pare, diga e eu paro.
O tempo que levei para responder foi o bastante para que ele avançasse o sinal. Emmet beijou minha boca levemente, sugou meus lábios de uma maneira doce e calma, que não combinava nada com seu porte grande e com o que suas mãos faziam com meu corpo.
Enquanto ele me beijava docemente, por exemplo, suas mãos ávidas me apertavam. Às vezes deliciosamente, às vezes dolorosamente. Numa dessas, em que ele segurou minha cintura e me puxou contra si, senti um pouco de dor.
- Aí! – gemi levemente. – Isso doeu.
Foi nesse momento que ele me largou, completamente. Meu corpo e minha boca. Emmett estava claramente assustado e pode parecer loucura, mas um rastro de culpa se arrastou por seus olhos. Ele olhou para minhas pernas e tremeu quando viu pontos avermelhados por toda a sua extensão.
- Eu tenho que ir. – ele me colocou cuidadosamente no sofá e se afastou depressa para a porta.
Uma rápida conferida no relógio me fez elaborar uma bela desculpa. Para que ele ficasse, claro.
- Mas o seu tempo ainda não acabou. – e ele balançou a cabeça negativamente, ao invés de sorrir, como eu esperava.
- Se te deixei assim em cinco minutos, só deus sabe o que restaria de você se eu ficasse até completar os dez.
E se foi, me deixando totalmente confusa e é claro... descabelada.
N/A: Olá meninas! Gostaram da att? Espero que sim, e sintam-se a vontade para comentar e fazer essa pobre leitora feliz kkkk E por falar em feliz, que coisa não?! Esse Time Of é uma maravilha e tanto, pelo menos na minha opinião! hahaha' Beijos:*
Capítulo 8
Nem mesmo a forte rajada de vento contra o meu corpo pequeno me fazia sentir frio. Eu estava absurdamente quente por dentro e por fora, de uma forma que os 5 graus da noite fria de Seattle nem me faziam cócegas. Também... Depois de um super amasso com o cara mais lindo que eu já havia visto em toda a minha vida, era bem provável que a minha temperatura corporal se comparasse a uma tarde calorenta no Brasil. Eu me sentia assim, borbulhando.
E se eu parasse pra pensar bem, Emmet Cullen nem era assim tão quente. Digo, no sentido físico. Lembro-me de como seu toque era gelado, e de como, ainda assim, eu sentia muito calor nas áreas em que ele me tocava. Ele era como gelo. Gelo queima, não é? Bem... Eu poderia dizer que estava com queimaduras de terceiro grau.
Parei num canto da rua para tirar o sobretudo pesado que eu usava. Não sei como não havia pensado nisso antes. Um pouco de garoa nos braços me faria voltar ao normal, ou pelo menos foi o que achei até ouvir sons estranhos vindo de um beco muito perto de mim. De repente, o meu problema com calor passou a ser o menor dos problemas no momento. Cheguei mais perto instintivamente, apenas por achar que alguém estava correndo perigo. E é claro que as 02 horas da manhã, numa noite tão deserta quanto aquela, o que acontecia não era nada bom. Eu estanquei quando ouvi uma mulher implorar.
De uma hora para a outra, eu em fim percebi o que estava ocorrendo. Quase no meio do beco, vi um rapaz alto segurar uma mulher de forma agressiva, ela estava de quatro no chão, chorando e implorando por sua vida. E ele... Percebi com horror que estava estuprando a moça.
Não consegui conter o grito esganiçado que saiu por minha garganta logo após. Foi, provavelmente, a cena mais chocante que eu já havia visto em toda a minha vida. Ele não era feio, mas havia algo muito estranho em seu sorriso largo demais e no modo como seus olhos brilhavam maliciosos. Ele olhou para mim e umedeceu os lábios, como se seu fosse sua próxima presa.
- Você me parece mais gostosa que essa aqui. – ele puxou o cabelo preto da mulher chorosa e ela gemeu de dor. – Talvez eu deva comer as duas.
- Largue ela. – um surto de coragem irrompeu em meu peito. – Solte-a e eu fico com você.
Ele me analisou bem e então começou a passar a faca pelo pescoço da outra. Eu não sei como, num momento tão aterrorizante, acabei percebendo que jogo era aquele. Quanto mais passos eu dava em sua direção, mais longe a mulher ficava da faca. Eu estava muito próxima do delinqüente quanto ele a soltou e ela fugiu correndo. Ele agarrou meus cabelos longos no exato momento em que eu pedia a deus para que a polícia fosse acionada. Se eu tivesse sorte, eles chegariam em poucos minutos... Senão, teria que apelar para minhas aulas de defesa pessoal do ensino médio.
- Solte a faca, não vamos precisar dela para o que vamos fazer. – forcei minha voz num tom sexual e senti repulsa de mim mesma. – Vamos, solte.
Ele cedeu e largou a faca num canto qualquer, apertando minha cintura com uma mão logo em seguida, enquanto a outra envolvia meu peito com satisfação. Eu sabia que aquele era o momento perfeito. Dei um murro forte em seu plexo solar e assisti ele se curvar, urrando de dor. Por alguns segundos, vi o que havia dentro de sua jaqueta de couro. Oh, eu estava ferrada. Ele me mataria assim que se recuperasse.
Era uma arma, daquelas prateadas que te botam medo de verdade.
Tomei um novo fôlego e me virei para correr. Levei um susto quando me choquei contra algo rígido e grande. Demorei alguns milésimos de segundos para perceber quem era, e quando o reconheci, meu pânico aumentou ainda mais. Três vítimas numa noite só.
- Emmet! – gritei inconformada. – Venha, ele tem um revolver!
Tentei puxar sua mão, mas ele não saia do lugar. Algo em seus olhos me deixou com mais medo do que ver que o outro cara estava armado. O que ele estava planejando, afinal? Lutar com um cara que estava com uma pistola na mão?
- Vá e me espere no começo da rua. – ele falou, e sua voz era baixa e fria. – Vá!
Não ousei desobedecer. Coloquei meu corpo para funcionar a antes que pudesse me dar conta, já estava debaixo de um poste, com uma vontade de chorar que quase não cabia em mim. Eu poderia ligar para a policia antes de desabar, mas não sabia nem onde diabos tinha enfiado minha bolsa. E eu nem podia ir embora. Não sem ter certeza de que Emmet sairia daquele beco são e salvo.
Emmet POV
Quebrei o pescoço daquele humano imundo mais rápido do que qualquer um poderia contar até três, e depois que o fiz, percebi que deveria tê-lo matado mais devagar. Foi uma morte muito fácil para alguém que quase estuprou duas mulheres e pretendia matá-las. Ele merecia ser desmembrado, parte por parte.
Olhei seu corpo retorcido no chão de pedras escuras e me fiz algumas perguntas dolorosas. E se eu não tivesse voltado para segui-la? E se eu tivesse chegado tarde demais? Esse ele tivesse... Tivesse machucado eu não me perdoaria. Jamais me perdoaria. E agora estava bem perto de entender a conexão que tinha adquirido com a garota. Se alguém além de mim tocasse nela, eu ficaria louco.
Que droga. Estou parecendo Edward.
Bufei e saí do beco escuro, lembrando-me que Jessica ainda estava lá fora esperando por mim. Eu a vi escorada na parede vermelha de um restaurante e arregalei os olhos quando percebi que ela havia chorado silenciosamente.
- Você está bem? – minha voz ficou ainda mais grossa. – Ele chegou a machucar você?
Eu não suportaria a culpa.
- Ele... Não, não me machucou. Consegui escapar ilesa. – Ela olhou em volta, preocupada. – Não devemos chamar a polícia?
- Não se preocupe, ele não sairá de lá tão cedo. Pelo menos não sem ajuda.
Talvez com uma ambulância do IML, talvez.
- De onde você veio Emmet? Como sabia que eu estava ali?
Um silêncio estranho se instalou entre nós. Eu não podia dizer que havia chegado ali em segundos, mas também não tinha outra explicação plausível para estar ali justo naquele exato momento. Então talvez eu pudesse dizer meia verdade.
- Eu estava te seguindo. – ela arfou, talvez por não esperar tanta sinceridade. – Só queria saber se você chegaria em casa bem. Eu deveria ter oferecido uma carona, mas acho que você não teria aceitado.
- Tem razão, provavelmente não. – ela sorriu fracamente. – Eu poderia brigar com você ou denunciá-lo numa delegacia por perseguição, mas acho que você salvou minha vida.
- Seria ótimo se isso ficasse entre nós.
- Era nisso que eu estava pensando. – ela piscou. – Já que estava me seguindo, se importa em me acompanhar até em casa? Eu já estava quase chegando, mas agora estou com medo de...
- Eu só poderia dormir quando te visse em segurança. Depois do que aconteceu hoje, não vou ficar em paz até te trazer em casa todos os dias.
- Vou aceitar sua companhia hoje. – ela frisou a última palavra. – Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Não vou parar em beco nenhum da próxima vez.
Parecia ser uma promessa para si mesma. Eu a observei fechar os olhos com força e ficar pálida de repente.
- Venha. – segurei sua mão. – Você não parece muito bem.
Passei meu braço por suas pernas e a ergui no meu colo, sentindo-a amolecer por completo. Ela apagaria em breve e eu nem ao menos sabia seu endereço.
- ??. – ela resmungou algumas coisas numa língua que nem mesmo um vampiro conseguiria entender. – Seu endereço, diga-me! !
Mas era tarde, ela já havia desmaiado de cansaço. Confesso que fiquei meio perturbado ao vê-la tão frágil e inanimada, mas uma idéia surgiu e me senti intimamente mais animado e reconfortado. Eu a levaria para minha casa.
N/A: alohaaaaaa meninas! Me desculpem pela demora. Primeiro quebrou meu note, depois sumiu meu pendrive com as fics, depois eu entrei em época de provas na facul e por fim, eu fiquei doente. Ou seja, a att demorou séculos. Mas estou quase entrando de férias, então vou atualizar semanalmente, ou ainda duas vezes na semana, quando um surto de criatividade me atingir kkkkk Espero que tenham gostado desse capítulo e que notem a diferença entre nossa PP e Bella. Vocês agiram, gritaram, tiveram medo e até bateram no vilão. Vocês teriam sobrevivido até se Emmett não tivesse aparecido. A pp é demais ! KKKKKKKKK é só isso, enjoooy. Beijos:**
E COMENTEM, PLEASE!!!!
Capítulo 9
POV
Abri os olhos vagarosamente e os foquei num teto de madeira escura. O lustre que se balançava nele era feito de um cristal moldado incrivelmente bonito, caro demais para um apartamento simples como o meu. Arregalei os olhos de repente, ciente de que poderia estar em qualquer lugar, menos em casa. Eu não tinha dinheiro para uma decoração tão exuberante, mesas tão adornadas e lençóis de fios egípcios. Definitivamente não.
Continuei rolando os olhos pelo quarto, pelos tapetes, pelo dossel da cama, até que eles finalmente pararam numa figura branca e sorridente ao lado do colchão onde eu estava deitada. Estreitei os olhos e o reconheci no mesmo instante. O cara que tinha salvado minha pele.
- Emmett!
Joguei-me em seus braços, sem me importar com a etiqueta ou com o fato de que nos conhecíamos muito pouco. Afinal, eu poderia estar morta se ele não tivesse aparecido naquele maldito beco. Então, de uma forma ou de outra, eu devia minha vida ao meu cliente... E um pouco de carinho era a forma mais fácil de demonstrar meu agradecimento e devoção.
Soluços começaram a irromper por minha garganta, quando eu lembrei todas as cenas que havia visto mais cedo... E antes que eu sequer percebesse, estava chorando.
- Calma, está tudo bem. Você está em segurança. – ele me abraçou com firmeza. – Está completamente segura agora.
- Você me... Me salvou... – minha voz estava deploravelmente esganiçada enquanto eu encarava seu rosto impassível. – daquele homem horroroso! Ele tinha uma arma, você viu que ele estava armado?
- Ele não vai mais machucar você ou mulher alguma, não se preocupe pequena. Eu já disse que está segura comigo, eu estou aqui.
- Como v-você sabe que ele não vai vir atrás de nós? Ou de outra mulher que...
- . – seus olhos escureceram e eu calei minha boca. – Ele foi preso.
- Ah! – relaxei minha mão sobre seus braços. – Era tudo o que eu precisava ouvir.
E então Emmett sorriu de lado ao me ver mais tranqüila e depositou um beijo em minha bochecha. Um beijo inocente que fez todo o meu corpo ferver. Quase me revirei naquela cama enorme quando seus lábios encontraram minha pele.
- Onde estamos? – perguntei, tentando fazê-lo desviar seu olhar de minhas bochechas coradas.
- Você está na minha casa. Desmaiou antes que pudesse me dar seu endereço, então eu te trouxe até aqui e...
- Tudo bem, agradeço imensamente por isso. – pisquei algumas vezes. – Parece que se não fosse por você, eu estaria totalmente encrencada. Mais do que encrencada.
EMMETT POV
Você já esta muito encrencada.
Isso é o que eu deveria dizer a garota. Aquele verme estuprador era um dos menores problemas que ela tinha. Estar numa casa de vampiros, conversando com um vampiro, sob os ouvidos atentos de uma vampira psicopata no andar de baixo... Isso sim era encrenca de verdade.
- Não fiz nada que não faria novamente. – sorri abertamente pela primeira vez naquela madrugada. – E, além disso, tive um prazer imenso em...
- Em...? – ela me incentivou a continuar.
Matar aquele marginal.
-Dar uma surra no cara e chamar a policia logo depois, claro.
- Ah sim. – ela suspirou e depois arregalou os olhos, parecendo se lembrar de algo. – E a outra garota? Ela está bem?
- Quando estava te procurando, vi uma mulher chorando e correndo pela avenida. Eu perguntei o que estava acontecendo e ela disse que havia sido salva de ser assassinada por que uma outra garota havia se oferecido para ficar em seu lugar.
Estreitei os olhos para , para que ela percebesse o que eu achava daquela atitude. Totalmente irresponsável. Heroísmo demais pode acabar em tragédia. E era bem provável que acabasse em tragédia se eu não estivesse lá.
- O que diabos estava passando por sua cabeça? – rosnei, uma fúria crescente surgindo em meu peito. – Você teria morrido se eu não tivesse chegado a tempo.
- O que queria que eu fizesse depois de ver uma cena daquelas? Eu tinha que ter feito alguma coisa.
- Ligasse para polícia, corresse para pedir ajuda! Qualquer coisa menos... Menos estúpida.
Observei a garota arregalar os olhos e depois de alguns segundos, me olhar de cara feia. Eu sei bem que não deveria estar levantando a voz ou insistindo tanto nesse assunto, mas eu não conseguia de jeito nenhum parar de pensar que a garota a minha frente não tinha um pingo de auto preservação.
- Eu não me arrependo de ter salvado a vida dela.
- O que está querendo dizer? – foi minha vez de arregalar os olhos. – Eu também não me arrependo de ter salvo a sua. Eu não sei o que faria se tivesse chegado tarde demais, eu... Você não pode andar por aí sozinha!
- Eu não tenho carro.
- Então eu vou te dar uma carona todas as noites.
- Eu mal te conheço. – ela disse de modo simples.
- Eu nunca vou te machucar.
- Eu sei que não. – ela deu um sorriso fraco. – Mas não quero te dar trabalho, sério. Sua casa... Ela parece ser bem longe da minha.
- Eu não me importo com a distância.
Nós dois encaramos a janela e tudo o que vimos foi a floresta de Forks aos arredores. Ela deve ter percebido de imediato que nosso casarão é completamente isolado. Nada de vizinhos, pouca claridade. Um ótimo lar para vampiros.
- Você mora aqui sozinho? – ela perguntou depois de alguns minutos.
- Meus irmãos moram aqui também. Mas estão todos viajando. – bem... Nem todos. – Exceto Rosalie, que está dormindo no quarto de baixo.
- Ela é sua irmã?
- Sim.
Foi tudo o que consegui dizer. Mentir não era meu forte, então encompridar a mentira seria como meter meus pés pelas mãos.
- E ela não se importa de você ter me trazido para cá?
- Rose está dormindo agora, mas sei que jamais se importaria.
Na verdade, ela adorou a cena que viu quando abriu a porta e me viu carregando . Foi como se eu estivesse segurando um prêmio Nobel nos braços. Quando expliquei a situação, ela ficou um pouco menos feliz, mas completamente satisfeita de eu tivesse chegado bem a tempo de salvá-la. Não pela vida da garota, mas pela vida da criança que a garota geraria... Se é que alguém consegue entender toda essa confusão de palavras.
- E ela sabe que eu sou uma... Uma dançarina de clube? – observei suas bochechas corarem e prendi a respiração.
O que é ser uma dançarina de clube perto de ser uma vampira louca?
- Garanto que Rose não se importará com isso . Posso te chamar assim?
assentiu como uma criança e eu não agüentei, tive que passar a mão pelo rosto dela. Ela era tão linda, tão humana! Passei meus dedos por suas bochechas e a vi estremecer. Soltei um riso fraco quando ela prendeu a respiração, foi exatamente quando minha mão chegou até a base de seu pescoço.
A voz de Rosálie de repente entrou em minha mente. Há pouco tempo atrás ela tinha dito que essa era a chance perfeita. Eu tinha a garota em nossa casa, em meus lençóis. Nós poderíamos fazer sexo aqui, agora... E acabar logo com essa loucura toda.
Aproximei minha boca da sua e vi que ela fechou os olhos. Mais fácil do que eu imaginava. Ela também me queria, bastava olhar para seu rosto entregue e ansioso. entreabriu os lábios sem nem ao menos perceber. Aquilo foi demais para mim.
Puxei seu rosto para perto do meu e lhe dei um beijo calmo, doce. Eu a senti suspirar quando minha língua tocou a sua e lutei para não agarrá-la com mais força. Ao invés disso, coloquei uma das minhas mãos nervosas no braço da cadeira onde estava e quebrei aquela parte quando uma de suas mãos pequenas se espalmaram sobre meu peito. Não ia dar certo.
Nós éramos incompatíveis.
- Emmett. – ela gemeu de leve quando apertei sua cintura.
Droga. Como eu ia parar agora? Como eu ia encontrar autocontrole para parar quando aquela voz calma e macia estava chamando meu nome? Eu sabia que seu corpo estava implorando por mais contato. Eu sabia por que estava necessitado da mesma forma. Então larguei minhas duvidas e me levantei, sentando-me na cama, diante dela.
Passei meus dedos por suas clavículas e desta vez, ela tomou a iniciativa de me beijar. Mais forte, mais rápido, mais selvagem. Quando percebi, ela já estava em meu colo, uma perna de cada lado. Minha ereção pulsava dolorosamente contra a pélvis dela. Eu não podia agüentar, não sei se poderia parar se começasse.
Vamos, onde está a merda do seu autocontrole?! Meu subconsciente gritou comigo. Aquilo era pior do que sede por sangue, era como se eu fosse um animal outra vez. Sedento por ela, louco para consumi-la. Louco para tê-la. Puxei sua blusa, mandando toda essa conversa mental para o inferno. Quando vi aqueles lindos seios cobertos por um sutiã preto, esqueci quem eu era, ou o que era. A única coisa que eu sabia era o que queria.
Tirei minha própria blusa e deitei na cama por baixo de mim. Ela arfou surpresa, mas logo voltou a me beijar. Reprimi um gemido alto quando ela mordeu um de meus ombros. Meu quadril se moveu automaticamente sobre o dela e Jessica se remexeu debaixo de mim.
Não ousei tirar nossas partes de baixo. Já estava difícil demais me controlar com aqueles peitos incríveis debaixo de mim. Se eu a tivesse só de calcinha, provavelmente faria um estrago. Por isso, às vezes meu subconsciente gritava outra vez: ELA É HUMANA!
Ela é humana. Deliciosa e humana. E tão indefesa...
Abri o botão de seu jeans e senti um frio na espinha. Pela primeira vez desde minha transformação, eu estava sentindo frio e calor, ao mesmo tempo. Nada normal para um vampiro transformado há 87 anos.
- Ah pequena... – sussurrei em sua boca. – Você vai acabar comigo.
E voltamos a nos beijar, ela constantemente se revirando em baixo de mim e sussurrando quando eu a apertava mais forte, em resumo, me enlouquecendo. Tirei sua calça com cuidado, sentindo meu estomago ferver de excitação como a muito eu não sentia. Olhei para baixo e a observei seminua em minha cama. Nem Rosálie era tão linda.
Friccionei nossos sexos outra vez e achei que gozaria antes de chegarmos aos finalmentes. Sorri, deliciado com a cara de prazer e surpresa que ela estava fazendo. Passei a mão sobre a sua calcinha e entendi porque ela estava ficando tão tensa.
- Ah, droga! – senti o tecido molhado sobre meus dedos. – Eu estou dizendo, você vai mesmo acabar comigo.
Tirei minhas calças numa rapidez vampiresca e subi sobre seu corpo outra vez, esquecendo-me de tomar cuidado com o meu peso sobre o dela. Ergui-me levemente quando ela arfou, e voltei a beijá-la. Apertei sua cintura com uma mão e pressionei seu sexo com a outra, e deu um gemido gutural com isso. Sorri em resposta, enquanto roçava minha mão sobre sua calcinha outra vez.
Ela estava perto e eu também, e nós nem havíamos tentado penetração. Talvez pudéssemos fazer assim, eu tinha conseguido não machucá-la. Eu estava indo bem. Eu poderia... Eu poderia não... Ah cacete, eu queria demais estar dentro dela. Será que eu poderia resistir a isso?
Ouvimos um uivo alto e ela se sobressaltou, erguendo seu quadril contra o meu. Gemi involuntariamente.
- O que é isso? – ela sussurrou, agora com os batimentos cardíacos ainda mais descompassados.
- Não é nada. – calei sua boca com meus lábios.
Ela estava quase relaxando de novo quando outro uivo soou ainda mais próximo a casa. Lobos malditos.
- Emmett... – ela tentou me empurrar. – Emmett, você é muito pesado!
Ela me empurrou outra vez e eu saí de cima dela. Sem nem pestanejar, ela andou de calcinha e sutiã até a janela e deu uma longa espiada. E que visão do paraíso. Os contornos mais lindos do mundo banhados pela luz da lua, minha nossa. Que garota era aquela.
- Ah, minha nossa. – ela se afastou e colocou as mãos na boca. – Tem um lobo na frente da sua casa!
- Porra!
Aqueles peles vermelhas aqui, que merda.
- Vou resolver isso, espere aqui.
- O que? – sua voz subiu uns sete oitavos. – Você ouviu o que eu disse? É um lobo! L.O.B.O!
- Eu sei... er, eles costumam aparecer as vezes. Só tenho que espantá-los fazendo alguns barulhos, é fácil. Fique aqui, eu já volto!
- Minha nossa! Você não pode simplesmente se meter no meio...
Eu a deixei falando sozinha. Quanto mais cedo resolvesse isso, mais cedo voltaria a beijar aquela boca incrivelmente deliciosa. Abri a porta da entrada da mansão, e Rosalie já estava lá encarando a floresta com olhos ferozes e raivosos. Ela também sabia que o lobo tinha interrompido um momento valioso.
- É o Jacob Black se intrometendo nas nossas vidas de novo. – ela rosnou. - Vou partir aquele sarnento em quatro.
N/A: oláaaaaaaa! Como estão minhas queridas escolhidas? Espero que pegando fogo!! kkk esse capítulo foi de lascar, não? O que será que vai acontecer agora que o Jake(delicia) deu as caras na mansão cullen?? Só quero deixar claro que na minha fic não existe DIACHO de impriting nenhum entre ele e a monstrinha... Eu vou explicar isso nos próximos capítulos. Bem, espero que tenham curtido e que COMENTEM. Ps: Adorei os comentários da minha nova leitora, que inclusive é minha chará (Jessica), obrigada por ler a fic flor. Tbm quero agadecer uma leitora doidinha, Leice... eu ADORO seus comentários engraçados. Um beijo para Ruama (que sempre elogia Escolhida ><), outro para Binha, Verônica e todas as outras que estão sempre presentes. Adoro escrever pra vocês! Beijos sweeties:**
Ps2: E eu já ia me esquecendo... Olha que capa INCRÍVEL! Ganhei de presente da capista NINA ALVES. Eu amei, e vocês? *.*
Capítulo 10
Debrucei-me no parapeito quando ouvi um rosnado alto e quase cai da janela por me contorcer tanto, a fim de tentar entender o que se passava na varanda de baixo da enorme mansão. Esfreguei meus olhos com força só pra ter a absoluta certeza de que não estava vendo coisas. Emmett Cullen estava mesmo conversando com um lobo?
Ah, Deus!
Vesti minhas roupas com uma pressa angustiante e desci as escadas de madeira de dois em dois degraus. Continuei correndo até a porta da frente e estanquei quando seis pares de olhos me fitaram igualmente receosos. É, foi exatamente o que eu disse. Seis. Os olhos Emmett, de uma moça loira, e de um lobo avermelhado que me encarava descrente e ao mesmo tempo alarmado, como se eu fosse desmaiar a qualquer momento. Dei dois passos hesitantes para trás e acabei caindo estatelada no chão, como as mocinhas fazem nos filmes de terror. Esperei logo pelo pior e cobri meu rosto com as mãos, pois aquele bicho ia comer a todos nós.
- Leve-a para cima, eu cuido disso. – ouvi a mulher bonita dizer ao Emmett.
Sem pestanejar, ele veio até mim, segurou meu braço fino e me levantou. Minhas pernas estavam fracas e acho que ele percebeu que se quisesse que eu fosse a algum lugar, teria que me carregar. Comecei a protestar quando percebi que ele pretendia deixar a irmã para trás com um lobo selvagem. Que irmão faria isso?
- Que covardia! – com algum esforço, consegui dar um tom rude a minha voz fraca. – Eu quero voltar, escuta... Nós não podemos deixá-la sozinha.
- Ela sabe se virar. – arregalei os olhos, totalmente incrédula. – Jessica, vou deixar você no quarto e então eu desço para ajudar. Estamos acostumados a lidar com esse tipo de situação.
- Eu não vou ficar lá enquanto vocês estiverem em perigo.
- , é sério. Preciso que fique na cama enquanto resolvo tudo isso.
- Você fala como se fosse a coisa mais simples do mundo. Poxa vida! É um lobo do tamanho de um cavalo encarando a sua irmã! - meu extinto de proteção extremo já começava a dar alguns sinais de vida. – Me coloque no chão.
- Nope.
- Emmett, eu não estou brincando. Ponha-me no chão agora mesmo. – balancei as pernas e me revirei em seus braços.
Pelo jeito, uma coragem sem limites se apoderava de meu pequeno corpo.
- Não, não e não senhorita. Quer fazer o favor de parar de tentar salvar todas as garotas indefesas de todo o mundo, mesmo que isso custe sua vida? Você não é a mulher maravilha. E a propósito... – ele riu ironicamente. – Rosálie parece fraca, mas come espinafre todos os dias.
Que raio de piada idiota era aquela? E como diabos tínhamos chegado tão rápido ao segundo andar? Nem me lembro de ter passado pelas escadas.
- Escuta, eu vou até a policia. Se ela voltar aqui machucada e ensanguentada, juro pelo que você quiser que digo ao xerife que a culpa foi toda sua e...
- O QUE UMA HUMANA ESTÁ FAZENDO NOS BRAÇOS DELE?
- Cala a boca cachorro! - Ouvi a voz desesperada e estridente da garota loira soar por toda a casa.
- Já chega. – joguei as mãos para o alto e me remexi em seus braços pela décima vez. – Vou embora com lobo ou sem lobo na porta da frente. Vocês são todos malucos.
- Você não vai há lugar algum. – ele me jogou na cama e sorriu como uma criança.
Antes que eu pudesse protestar, a mesma voz que antes gritava no andar de baixo, agora reverberava cada vez mais perto de nós, como se ele tivesse nos procurando em um cômodo diferente. Senti arrepios na nuca automaticamente. Quem quer que fosse, tinha o tom mais autoritário que eu já havia ouvido na vida.
- Vou levá-la comigo, e nem adianta tentar me impedir...
- Ah, mas não vai mesmo! – Emmett falou para as paredes.
- Espere para ver.
- Você está se metendo em encrenca. – o homem a minha frente avisou, rangendo os dentes para uma figura que nem mesmo estava no quarto.
- Você começou tudo isso. Não estaria acontecendo se ela não estivesse aqui. Vou levá-la até um lugar seguro.
Como? Como os dois conseguiam conversar estando em cômodos diferentes? Emmett praticamente sussurrou, ainda que seu corpo tremesse em fúria, e mesmo assim, o tal homem ouviu tudo e ainda continuava a afirmar que me levaria para sabe-se lá onde por causa de um pacto que dizia sabe-se lá o que. Eu já não ouço bem de perto, a metros de distancia então... Nem queira saber como posso ficar realmente surda como minha avó Anastácia.
Estava prestes a perguntar o que diabos os dois tanto conversavam em baixo tom quando o rosto do misterioso rapaz finalmente apareceu na soleira da porta.
- Você. – ele apontou para mim e me encolhi pateticamente. – Venha comigo. E você, sanguessuga dos infernos, tente me impedir. A matilha está aqui comigo.
- Mas... Mas... Quem é você?
Enquanto gaguejava, encarei os dois repetidamente, tentando entender o que acontecia ali. Os dois estavam furiosos a ponto de fazer comunicação pelo olhar. Foi a troca de farpas mudas mais estranha que já presenciei em toda a minha vida. Eles pareciam bichos. Bichos lindos, só pra constar.
- Eu sou o cara bonzinho. – ele desviou os olhos da guerra visual, me encarou por um momento, e percebi que eram os olhos mais sinceros que já tinha visto. – E vim para te salvar.
- Me salvar do que? – encarei a pele morena de um, e depois passei para a palidez do outro ao meu lado. – Do que ele está falando Emmett? Dos lobos que estão lá fora?
- Acredite garota, aqueles lobos não vão te causar nenhum problema. – o índio voltou a dizer, de maneira sarcástica. – Mas ficar aqui sim. Deve ir embora comigo, aqui não é seguro para alguém como você.
De uma forma absolutamente estranha, escutei Emmett rosnar. Isso mesmo. Achei que meu ouvido tinha me pregado peças, mas ele fez de novo ao mesmo tempo em que avançava na direção do meu “salvador” com um dos punhos erguidos. Eu não sei bem que droga de atitude animalesca foi aquela, mas me deixou totalmente apavorada.
- Alguém como eu? – atrapalhei a batalha dos dois com um grito. – Que loucura do cacete! Quer saber? Vou embora sozinha e prefiro encontrar um lobo em meu caminho do que ficar aqui nesse quarto sentindo toda essa testosterona me sufocar. Eu não sei o que há de errado com os dois, mas sei que obviamente, precisam de um hospício!
Argh. Coloquei tudo para fora de uma vez só e estava até vermelha com o esforço de falar tão alto e rápido. Mas que se dane! Sempre fui uma garota educada e tudo mais... Mas aqueles dois? Bom, totalmente loucos, psicóticos, esquizofrênicos. Não eram normais. Emmett podia ser o gostosão que fosse, mas estava definitivamente riscado da minha lista do Time Of.
- Viu só? – o garoto moreno devolveu a Emmett um riso de escárnio, ignorando toda a minha explosão emocional. – Ela prefere encontrar um lobo no meio do caminho a continuar com você.
Porque diabos aquilo lhe parecia tão divertido?
- Pra mim já chega.
Anunciei e corri até a porta. Atravessei o corredor e fui descendo as escadas o mais rápido que podia e momentos depois duas vozes distintas se puseram a chamar meu nome. Como o índio sabia que me chamava ?
- Ei, me desculpe por tudo isso.
Emmet foi o primeiro a me alcançar, segurando meu pulso e fazendo com que eu girasse nos calcanhares para vê-lo. Seus olhos pareciam sinceros e suas palavras também, mas toda a estranheza dele me deixara com um pé atrás. Eles estavam me escondendo alguma coisa e eu nem sei se gostaria de saber que segredo era esse.
Ontem foi um dia assustador, e não estava nos meus planos ter um segundo dia ainda mais assustador e pra completar, confuso. Sério... Eu queria ir para casa, me enroscar na coberta e dormir por horas a fio. Faz um dia que entrei no Sosha e já me meti em confusão pra mais de mês. Será que minha vida seria assim daqui para frente?
- Deixa eu te levar em casa, pelo menos. – ele tentou novamente.
E saber onde eu moro? Deus que me livre. Tudo bem que ele salvou minha vida e era um gato total, mas acabei de aprender que não dá pra confiar assim cegamente em alguém que rosna. E, além disso, uma pontada estranha cutucava meu abdômen. É o que chamo de sexto sentido.
- Eu prefiro ir sozinha.
- , nós estamos em Forks... E você mora em Seattle.
- Eu posso pedir carona na estrada. – ele balançou a cabeça. – Escuta, eu vou ficar bem. Só preciso dar o fora daqui.
- Essa tem senso de autopreservação. - o garoto indígena falou feliz e Emmett lhe mandou o dedo do meio instantaneamente.
- , você esqueceu do que aconteceu entre a gente ontem? Ou hoje? Eu jamais te machucaria.
- Nunca esquecerei, inclusive, vou passar o resto da minha vida agradecendo a Deus por você ter aparecido. É só que... Desculpe por ser tão sincera, mas tem alguma coisa em você que não é certa.
Emmett provavelmente se assustou com minhas palavras, porque não falou mais nada depois do que eu disse. Eu não era má, por favor... Só estava dizendo exatamente o que estava em minha mente. Nem tudo, pra dizer a total e absoluta verdade. Eu ainda gostaria de beijá-lo e seu corpo era uma tentação divina... Mas parada assim, na frente dele, eu me sentia como uma cabra na frente de um tigre faminto. Não é bem a melhor das sensações que já tive em minha vida.
E sarcasmo é, com certeza, meu segundo nome.
- Tenho um ótimo sexto sentido e ele me diz que tenho que correr daqui. Eu ignorei meus pressentimentos desde que lhe conheci Emmett, porque temos uma química inegável e além do mais, você é tudo isso. – apontei timidamente para seu porte alto e forte. – Mas não sou fã de brincar com a sorte. É por isso que estou indo agora.
Deixei os dois na sala de estar com olhos arregalados, enquanto rumava até a porta de saída. Eu a abri com cuidado e vi que não havia sequer um rastro de que uma alcatéia havia passado por ali. Estava tudo tão silencioso que fiquei com um pouco de medo. Eu só via a floresta a minha frente e isso não significava boa coisa.
- Onde você vai querida?
Uma voz melódica me fez pular quase cinco metros naquela varanda de madeira escura.
- Nossa, me assustou. – coloquei as mãos no peito. – Você é a irmã dele, não é? Bom saber que está viva.
- Não precisava ter se preocupado, eles nem deram tanto trabalho assim... São só cachorros sarnentos. - ela sorriu e me estendeu a mão branca. – Prazer, Rosalie Hale.
Engoli a seco.
Se meus pressentimentos não eram nada bons com seu irmão e o amigo índio, nem sei o que dizer sobre a bela moça a minha frente. Seus olhos brilhavam com malicia e seu sorriso estava radiante, por motivos que eu não poderia sequer imaginar.
- Fernandes. – nos cumprimentamos e então eu sorri nervosamente. – Bom te conhecer, pena que já estou de saída.
- Você não precisa ir tão cedo... Os lobos te assustaram, não é? Já pode ficar tranqüila, eles não voltarão aqui.
- Ah, obrigada pela gentileza, mas tenho mesmo que ir. Nem esses lobos me impediriam.
Apressei-me em andar mais alguns passos para fora da mansão, deixando um Emmet chateado e sua irmã confusa para trás. O outro garoto, porém, veio atrás de mim como se eu não o tivesse avisado para se manter afastado. Bufei algumas vezes, mas logo me conformei de que ele poderia ser a única chave para minha saída da floresta.
- Como sairemos daqui?
- Minha moto está lá em cima. – ele apontou para a pista. – Posso te dar uma carona.
Bem... Deixe-me checar as opções:
1 – Ir andando e correr o risco de morrer no meio do caminho.
2 – Ir de moto com um estranho e correr o risco de morrer no meio do caminho. O que posso dizer? Não sou fã de longas caminhadas.
- Tudo bem. - dei de ombros. – Mas você ainda não me disse o seu nome.
- Sou Jacob. Jacob Black.
N/A: Desculpem pelo capítulo ridículo... Até pensei em apagar tudo, mas é um sacrifício enorme escrever 4 páginas, de modo que a atualização não sairia tão cedo se eu começasse do ZERO outra vez. As escritoras do blog sabem como é isso haha' Mas semana que vem mando um mais legal, ok??? Obrigada meninas, e não deixem de comentar! Beijos:**
Capítulo 11
EMMETT POV
- A culpa é sua. Você podia ter sido mais rápido com aquela garota.
- O que? – meu tom de voz se elevou, para um totalmente rude e incrédulo. – Você só pode estar brincando. Esse, definitivamente, não é um processo que eu possa acelerar Rose. Caso você tenha esquecido, ela é uma humana.
- Eu sei que existem as etapas. Mas eu estava atenta ao que estava acontecendo no andar de cima, o tempo todo. Sempre que vocês estavam quase lá, você parava por algum motivo. – ela sibilou, ainda irritada. – Por quê?
- Eu estava com medo.
De matá-la, ou qualquer coisa perto disso. Lembrei que Edward, depois de muita pressão da minha parte, contou alguns pequenos detalhes sobre sua noite de núpcias. Naquele tempo, eu ri de todos os seus relatos, inclusive da parte em que Bella acordou cheia de hematomas na manhã seguinte. Nesse momento não tinha a menor graça. Na verdade, eu não conseguia parar de imaginar que aquela garota poderia sufocar debaixo de mim. Depois de Isabella, eu sou o mais forte. E pra piorar, não tenho nem um décimo do autocontrole que aquele casal possui.
- Emmett...
- Você deve ter esquecido como é a sensação de matar alguém, de ser responsável pela morte de alguém. Eu não quero que ela se machuque por minha causa Rosálie.
- Está dizendo que vai desistir? – ela perguntou num fio de voz.
- Estou dizendo que as coisas devem ser do meu jeito, se você ainda quiser que elas aconteçam. Quando eu sentir que sou capaz de fazer isso sem machucá-la, então poderei tentar de novo.
- Eu espero Em, espero você encontrar um bom momento. – Rosálie emendou depressa, com os olhos suplicantes.
- Então é bom você se preparar para aguardar pelo tempo que for, porque aquela garota não está pronta para mim. Você viu o que aconteceu nessa sala, ela já percebeu que nós não somos “boa companhia”... E com isso quero dizer que Jessica desconfiou que queremos algo dela.
- Eu sei, vi tudo aquilo. Mas eu vou concertar isso, vou me aproximar dela de maneira confiante.
- Eu não quero que você se meta nessa história outra vez.
- Não existe outra forma ursão. Quem melhor do que eu para desfazer toda essa má impressão?
- Eu. – suspirei pesadamente. – Eu salvei a vida dela uma vez, logo, tenho muito mais crédito com ela do que você. Fora que aquela cara que você fez quando a viu foi perturbadora, até mesmo para mim.
- Eu estava excitada por conhecê-la. – Rose se defendeu, balançando os ombros de um lado para o outro.
- Engraçado, porque o sorriso no seu rosto estava mais para psicopata do que para animado.
- Ai, tudo bem, já entendi. – ela ergueu as mãos, em sinal de rendição. – A partir de agora é só com você que ela terá contato. Mas eu te imploro ursão, me conte sempre todos os detalhes dos seus encontros com aquela garota.
- Certo.
- E agora que já resolvemos esse ponto, que tal começarmos de onde vocês pararam lá em cima? – ela sorriu maliciosamente, e num piscar de olhos já estava passando as mãos finas no meu abdômen, por debaixo da blusa.
- Gata, hoje não vai rolar. – segurei seu pulso e beijei delicadamente a palma de sua mão, ignorando a expressão chocada em sua face. – Se você quer mesmo que o nosso lance dê certo, então sabe que eu já deveria ter ido atrás daquela garota. Aquele cachorro... Nós sabemos que ele pode alertá-la sobre nós... E se ela descobrir o que quer que seja, pode nunca mais querer colocar os olhos em mim.
POV
Jacob Black era um garoto... Quente. Nos três sentidos que essa palavra pode ter.
Gostoso, e com isso quero dizer que ele é melhor que qualquer modelo da CK. Temperatura corporal inacreditavelmente alta e de quebra, um gênio explosivo. Realmente esquentadinho, se você quer saber.
Não fazia nem cinco minutos que estava agarrada a ele, numa moto preta, e já era capaz de dizer tudo isso sobre o rapaz. Não era muito difícil, afinal. Como meus braços passavam por sua cintura, era capaz de sentir seu calor e eu não sou cega, ele é lindo. Agora sobre sua personalidade, tive que fazer uma pergunta indiscreta para avaliá-lo.
- O que há de errado entre você e Emmett?
Gritei aos sete ventos, mas percebi que ele entendeu pela rigidez imediata de muitos de seus músculos. A veia grossa em seu pescoço simplesmente dilatou. E depois, mesmo que ele tentasse disfarçar a todo custo, percebi a tremedeira que vinha de seu corpo. Começava na base de sua espinha e subia até o topo da cabeça. Aquelas convulsões repentinas eram tão fortes que também me fizeram vibrar, já que minha pele estava tão perto da dele. E então, como se de repente tivesse percebido que a moto tremulava tanto quanto nós, freou bruscamente e parou no acostamento.
- Você tem que ficar longe dele. – ele gritou, enquanto saia da moto e corria até a grade que de proteção que impedia os carros de caírem num grande penhasco no momento de uma curva acentuada. – Esquece que um dia conheceu aquele cara.
- Ei, tudo bem. – tirei o capacete, aquele que ele deixou de usar para me emprestar. – Eu não queria te deixar chateado, nem nada. Só queria saber que tipo de briga foi essa em que vocês nem mesmo conseguem ficar na presença um do outro sem rosnar e outras coisas estranhas.
Jacob olhou para mim depois do meu pequeno discurso, e pude notar que ainda havia raiva em seus olhos. Mas aos poucos ele foi normalizando a própria respiração e acalmando a si e automaticamente a mim também. Percebi, com alguma surpresa, que a sua postura furiosa havia me deixado tensa. Minhas mãos estavam brancas de tanto apertar o banco da moto do qual eu ainda não havia saído.
- É mais do que uma briga. Considere como um probleminha grave entre nossas... Gerações familiares.
- Algo parecido com o ódio entre as famílias de Romeu e Julieta? – eu perguntei e ele sorriu de lado. – Achei que esse tipo de coisa só existisse em livros.
- Você ficaria surpresa em descobrir quantas ficções existem de verdade. – ele riu abertamente dessa vez, e não pude deixar de notar o quanto ele era bonito sorrindo. – Mas não fique preocupada com isso, só não chegue perto dele outra vez, está bem?
- Isso está fora do meu poder.
Escolha de palavras erradas. Antes que eu pudesse me dar conta, Jacob estava segurando meus ombros e me chacoalhando de forma rude. Ele fez isso uma ou duas vezes, até que eu reclamasse de dor e falasse um palavrão me feio. Foi o bastante para que parasse e me analisasse com cuidado. Sua respiração estava densa quando ele se abaixou até ficar da altura dos meus olhos e explicou, como se eu fosse uma criança:
- Não me diga que está apaixonada, porque você não pode. Ele é perigoso, você pode entender o que digo? Perigoso. – ele ergueu o dedo indicador antes de terminar. – Estou avisando, nunca mais veja Emmett Cullen.
- Eu não sou idiota, entendi o que disse da primeira vez. Mas não sou eu quem decide isso. – praguejei e suas sobrancelhas grossas se uniram. – Ele é um dos meus clientes.
- C-cliente? – Jacob repetiu a palavra com dificuldade.
- É, ele freqüenta o lugar que eu trabalho. – rolei os olhos teatralmente. - Escuta... Eu pretendo ficar longe, mas não posso perder meu emprego. Se ele aparecer por lá, não há nada que eu possa fazer.
- Onde você trabalha?
Ei, não é algo que eu tenha muita felicidade em admitir. Mesmo que ganhasse bem, ainda era uma dançarina de clube, de modo que minhas bochechas queimaram em vermelho vivo e eu tive que procurar uma desculpa qualquer para escapar de um momento embaraçoso como aquele.
- Você parou a moto no acostamento de uma curva, isso não é perigoso?
Ele rolou os olhos, quase como eu há minutos atrás... Só que com um quê de impaciência muito maior.
- Onde você trabalha garota?
- No Sosha, em Seattle.
- E que tipo de lugar tem um nome assim? - ele franziu as sobrancelhas pretas e me encarou com muita curiosidade, o que me fez querer ter um infarto e morrer, porque percebi naquele momento que ele não ia desistir fácil assim. – Um restaurante chinês?
Um péssimo chute.
- Não.
- Então o que é?
- Ugh, porque você tem tanto interesse nisso? É só um grande clube.
Respondi baixinho, mais para mim mesma. Quase apostei que ele pediria que eu repetisse, mas surpreendentemente, ele entendeu bem os sussurros ridículos que saíram de minha boca. E algumas rugas apareceram em sua testa. Sei que ele estava pensando em piscinas e toboáguas... Bem, eu não o corrigiria de maneira nenhuma.
- Não pode ser, eles nunca sairiam ao sol. – dei de ombros, sem entender o que ele queria dizer com aquilo. – Um clube de que?
Droga de garoto insistente!
- Um clube de dança. Satisfeito? – Não gritei, mas minha voz parecia ofensiva. – Mulheres dançando, homens pagando, roupas apertadas. Um clube noturno!
Quando terminei, estava vermelha outra vez. Não por vergonha, ou talvez não só por vergonha... Mas também pelo fato de existir uma pessoa no mundo assim, tão persistente, ao ponto de te deixar totalmente irritada. E também não foi nada agradável ver a expressão chocada em seu rosto, ou o risinho zombeteiro de compreensão que veio logo em seguida.
- Combina com você... Só não entendo porque aquele imbecil estava metido lá.
Estreitei os olhos no mesmo segundo. Se com isso ele estava querendo me ofender, tinha conseguido. Porque era meio degradante ganhar a vida como dançarina de clube, então é certo que aquele estúpido tinha jogado sal na minha ferida. E inclusive, o que queria dizer com aquilo? Que eu era fácil... Hm, tinha cara de prostituta? Cretino.
Pulei para o assento da frente sem nem pensar duas vezes e girei a chave que ele havia deixado para trás quando saltou da moto. Coloquei o capacete, assistindo alegre a expressão de confusão na cara dele, e pisei no acelerador de leve apenas para ouvir o rugir usual da motocicleta. Eu não havia dirigido uma daquelas mais de duas vezes na vida, mas sabia que era totalmente capaz de chegar em casa pilotando aquela belezura. E aquele idiota... Ficaria para trás e teria que voltar para casa a pé, como bem merecia.
Certo, esse era o meu plano maligno, e teria sido incrível se tivesse dado certo.
Segundo meus cálculos, de onde ele estava não chegaria a mim a tempo para me parar. Mas ele o fez. Antes que eu arrancasse, uma de suas mãos grandes e fortes agarrou meu braço e a outra arrancou a chave da ignição. E fiquei tão assustada que acabei como a verdadeira idiota no final das contas. Queria ter dado uma lição no bonitão e agora estava sendo sacolejada outra vez por alguém que achava que eu era uma vadia/ladra. Ótimo.
E como diabos ele tinha chegado a mim em apenas um segundo?
- Tire suas mãos de mim! – gritei, tentando me livrar de seus braços morenos.
- Como pode existir uma mulher assim? – ele praguejou, ainda que estivesse falando consigo mesmo. – Passe para trás, vou te levar para casa antes que perca minha última gota de paciência.
- Já percebi o quão nervosinho você é.
Alfinetei, mesmo sabendo que irritá-lo não era bom negócio. Ele era grande, forte e estouradinho... Três combinações que simplesmente não dão certo. Mas ele sorriu, com um pouco de sarcasmo e outro sentimento que não pude identificar.
- Você ainda não viu nada.
E nem queria ver. Passei para o banco de trás e assim que ele montou, partimos para o norte outra vez. E suspirei fundo, talvez de felicidade ou alívio. Tudo que eu queria era estar em casa.
N/A: Meninas, vocês são lindas. Obrigada por todos os lindos comentários que vocês tiveram a consideração de deixar para mim. E aproveitando a nota, aqui vai um recadinho: Para as gatonas que estão muito preocupadas com o destino da PP em Escolhida, digo que essa fiction continua sendo team EMMETT. Apesar de amar o Jacob de paixão e de, às vezes, me EMPOLGAR nas cenas em que eles estão juntos, juro que vou tentar fazer aqueles dois estarem numa relação de apenas amizade... Então prometam não se descabelar, ok? Kkk Beijos:**
Capítulo 12
Quase enfartei quando vi minha cama. Tão maravilhosa quanto água no deserto, perfeita apenas para um cochilo, já que agora tinha só parte da tarde para descansar. Não que estivesse reclamando sobre ter que trabalhar... Na verdade, eu somente queria ter mais tempo para dormir depois de todas as coisas bizarras que aconteceram comigo num intervalo pequeno de 12 horas. Eram tantas informações, dúvidas e acontecimentos, que minha mente agitada me fez duvidar de que um dia eu seria capaz de dormir novamente sem tomar remédios para insônia.
Mas apesar do que eu esperava, quando fechei os olhos o sono veio rápido. Trouxe consigo algumas imagens estranhas, em que eu corria pela floresta totalmente sem rumo, desviando de árvores e pedras. Em determinado ponto, percebi que estava fugindo de algo, e foi aí que o sonho virou pesadelo. Senti o desespero como se fosse real, e só por isso, cada dedo do meu pé formigou.
Quando olhei para trás, a pessoa que me perseguia era o estuprador, com aqueles olhos negros e o sorriso medonho. Mas seu rosto mudou de repente e meu perseguidor se tornou alto e moreno, depois branco como gesso, e por último, tomou a forma daquela mulher, cujo olhar doentio me despia e me deixava tonta. Não tive que encarar seu rosto por muito tempo. Acordei sobressaltada, sentindo o suor escorrer pela minha testa.
Suspirei fortemente e coloquei as mãos no peito, exatamente como aquelas mocinhas de novela quando acordam de um pesadelo horrível, exceto pela parte em que ninguém veio me socorrer enquanto eu gritava. Levantei e fui até a janela, em meio ao desalento. Toda a minha família estava no Brasil. Não que me amem ou me queiram de volta... Mas ainda assim, faziam falta. Principalmente em momentos como esse.
Continuei a fitar o céu, melancólica, percebendo que a noite me deixava depressiva. Espera, noite? Corri aos tropeços em busca da minha bolsa, morrendo para achar a droga do meu celular. Aliás, porque diabos eu não tenho um relógio de parede?
- Ah, droga! Falta meia hora!
Eu só teria tempo de tomar um banho de cinco segundos e correr ao máximo até o Sosha. Peguei qualquer calça, uma regata simples e um sobretudo cargo em velocidade Record e joguei todos eles sobre a cama. Estava com a toalha na mão, prestes a entrar no banheiro, quando dei três passos para trás a fim de checar uma coisa. Estreitei os olhos e inclinei a cabeça, atitude típica de quem pondera e duvida, ao mesmo tempo. Porque a janela estava aberta, afinal?
Posso jurar que eu nem cheguei a abri-la e lembro-me bem de ter chegado e verificado que ela estava trancada... Mas agora as cortinas se balançavam de um lado para o outro, já acostumadas com o vento de Seattle. Caminhei até ela e coloquei a cabeça para fora no intuito de entender o que estava errado ou se alguém, por acaso, estava pendurado no parapeito. Não havia ninguém e eu rolei os olhos teatralmente, porque tinha pensado na hipótese mais ridícula do mundo. Quem alcançaria três andares do lado de fora?
Fechei a janela e fui para o banheiro afim tomar o banho mais rápido da minha vida. Quando sai de lá, enrolada na toalha, senti aquela estranha sensação de estar sendo observada. Parei entre o guarda roupa e a cama e olhei ao meu redor, por todo o quarto frio e escuro.
"É só a sua imaginação !" – pensei, deixando a toalha cair. E Antes que minha imaginação fértil pudesse ir a qualquer outro lugar, conferi as horas no relógio do meu celular.
-Droga,droga! Estou muito atrasada, Damien vai me matar!
Vesti minha roupa muito rápido, e meus cabelos tiveram que ficar molhados mesmo, apesar da agonia que sinto quando eles ensopam minha blusa. Dei de ombros, peguei minha bolsa e me dirigi até a porta, saindo e trancando-a em seguida. Como o elevador estava quebrado (como quase tudo naquele prédio decadente) tive que descer pela escada. E quando cheguei a portaria, esbaforida, quase enfartei ao vê-lo encostado num carro preto. Tive que me conter para não dar meia volta e subir mais três andares outra vez... Afinal de contas, eu estava atrasada e não tinha tempo – algum – para me esconder debaixo da cama.
-Emmett! –sussurrei, indo em sua direção. Parei na frente dele com os braços abertos, como quem simplesmente não acredita no que está vendo. –Emmett, o quê diabos tá fazendo aqui?
-Quero te levar para o trabalho.
- O que? - a confusão deveria estar estampada na minha cara. - Por quê?
-Eu disse que faria isso, não vou deixar você andando sozinha por aí .
Olhei pra ele desconfiada, tentando lembrar o exato momento que ele disse isso. A única coisa de que me recordei era de ter lhe pedido para não mais me visitar ou me procurar outra novamente.
-Eu te disse que não deveríamos mais nos... -olhei novamente o celular e me desesperei. –Quer saber? Tudo bem dessa vez, mas só porque estou muito atrasada.
Emmett sorriu largamente, entrou no carro, e tão logo senti um arrepio na nuca. Se meus instintos estavam corretos, eu tinha acabado que cavar minha própria cova. Estou trancada num carro com um cara perigosíssimo... O que não é boa coisa.
-Você pode me perdoar pelo que aconteceu na minha casa ontem?
A cinco metros do Sosha, sua voz firme interrompeu todos os meus devaneios sobre as últimas confusas duas noites. As coisas foram estranhas, aliás, continuavam assim... Mas acho que eu podia muito bem perdoá-lo quando ele pedia tão sinceramente e ainda com aquela carinha de ursinho perdido.
-Claro! - eu respondi, sem sequer pensar muito no assunto, rápido demais para alguém que ainda estava com medo. Mas assim que a resposta saiu, vi um sorriso se formar nos lábios cheios de Emmett.
-Eu vou te esperar... Para te levar pra casa.
-Não precisa!- Balbuciei, já com um pé do lado de fora do Audi.
-Eu faço questão. -ele me encarou firmemente, e aqueles olhos diziam que ele ia me esperar, não importava o que eu dissesse.
-Tudo bem então, já que insiste. -virei às costas outra vez pra sair, mas travei, quando senti suas mãos circularem meu pulso.
-O que aquele ca... Jacob te disse? -ele ia dizer outra coisa, eu percebi, mas se corrigiu a tempo.
-Nada! Quer dizer, nada que fosse tão importante.
Pisquei, confusa. Porque é que ele estava fazendo uma pergunta dessas? Droga, não importa. Balancei a cabeça rapidamente.
- Agora tenho que entrar Emmett, estou mais do que muito atrasada!
N/A JESS : Oi meninas!!!! Capítulo pequeno, só estreando minha parceria com a maravilhosa Verônica Gomes! A mudança foi feita para o bem da fiction e os resultados estão se mostrando ótimos. Agora, além das atualizações mais rápidas e frequentes, ainda haverá um toque extra de imaginação... Afinal, duas cabeças pensam melhor que uma, certo? Hehe* Espero que vocês tenham curtido, que tenham apoiado a decisão e que comentem, para fazer duas escritoras muito felizes. Beijos:*
N\A VERONICA: E aí, alguém ainda lê a fic? Eu e Jessica agora somos parceiras, e como minha parceira disse aí em cima, esperamos que vocês gostem! Está sendo muito legal pra gente. Bom é isso... Comentem se gostaram ou não.
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